Flávio preservaria o poder político do pai em eventual governo
Bela Megale
O Globo
A cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro descarta a chance de o candidato do PL, se eleito, dar um cargo para seu pai, Jair Bolsonaro, num eventual governo.
Auxiliares de Flávio afirmam que o ex-presidente terá influência direta nas escolhas do filho e será seu “principal conselheiro”, mas sem assento no governo, ao menos formal.
— Bolsonaro será um dos conselheiros mais importantes, mas o presidente será o Flávio. Ele respeita o pai, sabe que está onde está em função dele, mas também reconhece que trouxe votos que Bolsonaro não conseguiu ter há quatro anos — resumiu um coordenador da campanha.
SEM CHANCE – Sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro ocupar o cargo de ministro da Defesa, a cúpula da campanha de Flávio diz não haver chance. Segundo um integrante do PL próximo a Flávio, o roteiro esperado no partido é que, se eleito, o senador até faça um gesto e convide Jair Bolsonaro para um posto no governo, mas que o capitão reformado decline.
Na sabatina do JN, Flávio disse que a possiblidade do pai e de Eduardo Bolsonaro ocuparem cargos no seu governo está “fora do radar”.
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Fonte: Folha de S. Paulo, Mundo, 19.out.2026 às 18h12 Por Redação
É por isso que já não se vê mais bolsonaros e bolsotários usando bonés com o slogan “Make America Great Again” (MAGA) de Donald Trump, que geraram forte repercussão e críticas no cenário político brasileiro:
Jair Bolsonaro: Usou o boné em janeiro de 2025, no aeroporto de Brasília, chamando o momento de “foto mais importante” ao se despedir da esposa que viajava para a posse de Trump nos EUA.
Tarcísio de Freitas: O governador de São Paulo também vestiu o acessório em janeiro de 2025 para comemorar a posse de Trump. No entanto, em agosto de 2026, afirmou que não voltaria a usar o boné após tarifas comerciais impostas pelos EUA a produtos brasileiros.
Outros aliados: Figuras como Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira também foram associadas ou vistas com o item em manifestações e eventos políticos.
Onde terão enfiado os bonés do MAGA que desapareceram?
Apoiadores de Flávio Rachadinha levam míssil inflável com pedido para Trump bombardear o Brasil a ato na Paulista
Apoiadores de Rachadinha levaram ao comício realizado neste domingo (18), na Avenida Paulista, um míssil inflável com um pedido para que o presidente americano Donald Trump ataque o Brasil com armas nucleares. Vídeos e imagens que circulam nas redes sociais mostram bolsonaristas tentando levantar o objeto, que dizia: “Trump nuke Brazil”.
Batizado de “Bloco 22”, o ato bolsonarista reuniu 71,9 mil pessoas na Paulista, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/CEBRAP e da More in Common.
A maioria do público vestia camisas da seleção brasileira e empunhava bandeiras com o número do candidato do PL na urna. Também se destacavam bandeiras que misturam símbolos dos Estados Unidos, do Brasil e de Israel.
(…)
O Globo, Política, 18/10/2026 16h09 Por O Globo — São Paulo
Quando se é bolsotário, se é bolsotário.
Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro
Nascido no dia do atentado que tentou parar a redemocratização, candidato do PL tem longo histórico de defesa do golpe e da ditadura militar
Em 30 de abril de 1981, um capitão e um sargento do Exército cruzaram o Rio em missão secreta. Transportavam duas bombas para causar terror e pânico num show que reunia milhares de jovens em comemoração ao Dia do Trabalhador. O plano era culpar a esquerda e sabotar o processo de redemocratização do país.
Em 30 de abril de 1981, um tenente que amava a ditadura, mas era tido pelos superiores como “excessivamente ambicioso”, assistiu em Resende ao nascimento do primeiro filho. Tempos depois, ele entraria na política como porta-voz dos porões.
Ninguém escolhe o dia em que vem ao mundo, e Flávio Bolsonaro não tem culpa de ter nascido no dia do atentado do Riocentro. No entanto, todos são responsáveis pelas escolhas feitas na idade adulta. Entre a democracia e a ditadura, Flávio sempre marcou a segunda opção.
No livro “Mito ou verdade”, o senador expõe seu ideário sem disfarces. No texto, ele exalta o golpe de 1964 e o regime autoritário que perseguiu, prendeu e matou opositores políticos. “Ao invés (sic) de marginalizados, deveriam ser tratados como heróis nacionais”, escreve, sobre os agentes da repressão.
A exemplo do pai, Flávio glorifica o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que levava crianças para assistirem à tortura dos pais. Descreve o militar como “homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria” e teria sido “massacrado pela mídia”.
O filho de Jair acusa a Comissão da Verdade, criada para apurar crimes da ditadura, de “tentar reescrever a História à luz da visão dos terroristas”. Ele ataca a memória de vítimas do regime e chega a sugerir que o ex-deputado Rubens Paiva, assassinado no DOI-Codi, teria sido morto por grupos de esquerda.
O livro foi lançado em 2017, quando Flávio ensaiava concorrer ao Senado. Estava no fim do quarto mandato na Assembleia Legislativa do Rio, onde se notabilizou por subir à tribuna todos os anos para festejar o 31 de março, data cultuada pela extrema direita como aniversário da ditadura.
“Fica aqui o meu repúdio a essa massificação que é feita com relação ao regime militar, esquecendo-se do grande avanço econômico, social e político que tivemos”, discursou, em 2004. “Para mim, é motivo de muito orgulho e agradecimento aos militares”, reforçou, em 2009.
“A esquerda, hoje no poder, insiste em falar que houve um golpe”, prosseguiu, em 2010. No ano seguinte, ele celebrou a “data especial” e disse que era preciso combater “a mentira de que houve um golpe militar”. “Todos já conhecem o posicionamento da família Bolsonaro”, acrescentou. Quem haveria de discordar?
Desde que entrou na política, o patriarca do clã milita na defesa do autoritarismo. Especializou-se em exaltar a violência de Estado, atuar pela impunidade de torturadores, ofender viúvas e órfãos de desaparecidos. Quando o Ministério Público Federal reabriu o caso Riocentro, em 2014, ele fez questão de acompanhar o depoimento de um militar investigado.
Diante dos procuradores, atacou a Comissão da Verdade e disse sonhar com uma reedição da Operação Condor, aliança clandestina entre ditaduras do Cone Sul.
A democracia deveria ser tema central na primeira eleição após o 8 de Janeiro e a inédita condenação de generais golpistas. Os marqueteiros treinaram o candidato do PL para evitar menções à ditadura, mas não podem apagar tudo o que ele já disse e escreveu sobre o tema.
Por destino e por escolha, Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro.
O Globo, Opinião, 18/10/2026 00h00 Por Bernardo Mello Franco
Cumpre lembrar, para não esquecer.