
Charge do Baggi (Jornal de Brasília)
Deu no Estadão
Reação negativa à reeleição petista levou a Bolsa de Valores a acionar o circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia da covid-19, e os papéis mais sensíveis à política econômica caíram mais de 50%.
Após a retomada dos negócios, por volta das 10h48, o Ibovespa chegou a recuar 16,8%, aos 170,4 mil pontos, antes de reduzir parte das perdas até o encerramento.
TERMÔMETROS – Entre as ações que compõem o Ibovespa – o principal indicador de desempenho dos papéis negociados na B3, termômetro para o mercado de capitais brasileiro –, as maiores baixas foram registradas para Magazine Luiza (-58,23%), Vamos (56,79%), Hapvida (-54,93%) e C&A (-47,47%). Em comum, essas empresas têm forte relação com o desempenho da economia.
Os papéis da própria B3 também encostaram em 50% de queda na abertura do pregão e reduziram as perdas no início da tarde; ainda assim, afundaram 36,28%. Já as ações da Petrobras apresentam retração de 8,18%.
De acordo com levantamento feito pelo Broadcast (serviço de informações financeiras do Grupo Estado), os bancos perderam R$ 249 bilhões em valor de mercado somente na primeira hora do pregão desta segunda. No início da tarde, as maiores desvalorizações entre as grandes instituições eram de BTG (24,83%), Banco do Brasil (29,33%) e Bradesco (21,7%). Os papéis do Itaú caíram 13,66%; e os do Santander, 4,47%.
PRESSÃO DO DÓLAR – Só oito ações tiveram alta no pregão, todas de empresas exportadoras cujas receitas são atreladas ao dólar. Suzano (SZUB3) liderou os ganhos com alta de 10,08%, seguida de Embraer (EMBJ3), que subiu 8,89%, e Weg (WEGE3), com alta de 4,21%.
Em Nova York, as ações da XP caíram 48,36% na Nasdaq. Já a Nu Holding, listada na NYSE, recuou 16,95%.
O dólar também abriu em forte alta. Por volta das 10h30, a moeda estava cotada a R$ 5,60, com uma valorização de 12%. Logo depois, o movimento arrefeceu.
DOLAR EM ALTA – No fechamento, a cotação ficou em R$ 5,40, uma alta de 8,21% contra o real. Segundo o Broadcast, é a maior oscilação na cotação à vista desde 13 de janeiro de 1999. Naquela ocasião, o País encerrou o regime de bandas cambiais e adotou o câmbio flutuante, em meio à moratória do governo de Minas Gerais e à saída de Gustavo Franco da presidência do Banco Central, lembra o estrategista da Sincra, Gustavo Cruz.
Segundo ele, o mercado está precificando incertezas sobre a condução da política fiscal pelo governo reeleito, pois o resultado das urnas, na sua avaliação, chancelou as medidas de gastos adotadas na gestão Lula.
Os investidores já esperavam que Flávio Bolsonaro não promovesse um ajuste fiscal profundo, mas contavam com a estabilização da dívida pública. Agora, a percepção é de que a relação entre dívida e PIB poderá voltar a crescer. Cruz ressalva que essa é uma percepção inicial, que pode piorar ou se reverter conforme as medidas fiscais anunciadas por Lula.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Só existe uma explicação: o mercado não confia mais em Lula, cujo governo atua disseminando insegurança jurídica. Ou seja, o presidente é irresponsável e faz o que bem entende com a economia. Por isso, até um estreante como Flávio Bolsonaro é mais confiável do que Lula. Pense sobre isso. (C.N.)