Charge de Orlando Pedroso (Canal Meio)
Marcelo Copelli
Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro prometeu permanecer no Brasil e entregar os passaportes. Pouco menos de 42 horas depois, estava em Miami. A distância entre as duas declarações não revela apenas uma contradição individual. Expõe os limites de uma estratégia que tentou apresentar o bolsonarismo com um perfil mais moderado sem rever a lógica política que o sustenta. A imagem de renovação projetada durante a campanha nasceu de uma adaptação da linguagem para ampliar o eleitorado. Mas renovar exigiria enfrentar justamente o que desgastou o projeto original: a relação com as instituições, a concentração de poder na família e o hábito de converter derrotas em perseguição. Para adaptar o tom, bastava mudar a apresentação pública. A diferença apareceria quando o senador tivesse de transformar o discurso em compromisso.
“MODERAÇÃO” – A estratégia tinha um objetivo político claro. Parte dos eleitores rejeitava o estilo do bolsonarismo, mas não necessariamente suas ideias. Para alcançar esse público, a campanha precisava transmitir a impressão de que o confronto permanente havia ficado para trás. Mas sinal não é compromisso. Este só se confirma quando impõe custos. O primeiro teste veio no dia seguinte à derrota, quando o discurso de respeito às regras teve de se traduzir no cumprimento de uma determinação judicial. Flávio, porém, deixou o país.
A carta divulgada já em solo americano seguiu a mesma lógica. A versão inicialmente divulgada por aliados apresentava Flávio como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na versão publicada pelo próprio senador, a expressão foi suavizada e substituída por “líder do Brasil”. A acusação de fraude eleitoral, porém, permaneceu, sem apresentação de provas. A mudança de linguagem não alterou o conteúdo político da mensagem: a recusa em reconhecer o resultado das urnas continuou no centro de sua manifestação.
O expediente reedita 2022: desacreditar as urnas, pôr as instituições sob suspeita e fazer da derrota uma prova de perseguição. Não se trata de mero inconformismo, mas de uma narrativa que ajudou a alimentar o ataque à ordem democrática e que parte do movimento continua a preferir à aceitação do resultado.
NARRATIVA DE PERSEGUIÇÃO – É aqui que o caso deixa de ser pessoal. A narrativa de perseguição cumpre uma função política: dispensa o movimento de explicar a derrota. Se o resultado é ilegítimo e os juízes são adversários, não há o que rever na estratégia, na escolha do candidato ou no método de campanha. O custo dessa blindagem é a imobilidade. Um grupo que atribui cada revés a forças externas fica sem instrumentos para corrigir o próprio rumo, e a política, que deveria ser também um processo de aprendizado, transforma-se em ritual de confirmação.
O roteiro já havia sido antecipado. Eduardo Bolsonaro defendera que o irmão deixasse o país caso perdesse, e a Polícia Federal havia alertado o Supremo para o risco de saída do senador ainda no domingo da votação. Jair Bolsonaro, por sua vez, também seguiu para a Flórida depois de perder em 2022. Flávio repetiu um percurso já associado à própria família justamente quando tentava se apresentar como expressão de uma mudança de postura.
Há ainda um dado que não pode ser tratado como detalhe. Flávio estava proibido de deixar o país, e a decisão judicial determinou o cancelamento de seus passaportes brasileiros. Além disso, ele foi intimado a entregar seus passaportes, inclusive os de outras nacionalidades, no prazo de 24 horas, encerrado às 11h de terça-feira. Não o fez.
CONTRASTE – A Polícia Federal informou que investiga o descumprimento das determinações. Não cabe antecipar conclusões sobre essa apuração. O que está em discussão é o desrespeito a ordens expressas e o contraste com o discurso de respeito às instituições que o senador costuma sustentar.
A escolha de Miami acrescenta outra dimensão. Flávio anunciou que pretende fazer oposição ao governo federal a partir dos Estados Unidos, embora a disputa política se desenvolva em território nacional. É aqui que estão seu mandato e o Congresso, onde se exerce a atividade parlamentar.
Um representante do Departamento de Estado americano informou que os vistos seriam concedidos a Flávio e à família, e Donald Trump confirmou a decisão. O contraste com a retórica soberanista é evidente: o mesmo grupo que denuncia a interferência estrangeira como ameaça política busca acolhimento e respaldo no governo de outro país para dar projeção à própria narrativa. Essa seletividade revela uma concepção instrumental da soberania: a influência externa é condenada quando favorece adversários, mas deixa de representar um problema quando beneficia os próprios interesses políticos.
VEREDITO NÃO RECONHECIDO – A votação obtida por Flávio dimensiona a presença eleitoral do campo político que ele representa, mas não legitima suas atitudes posteriores à derrota. O desempenho nas urnas não elimina as contradições de um projeto que reivindica legitimidade nas urnas, mas resiste a reconhecer o veredito delas quando lhe é desfavorável. A questão não é a existência desse eleitorado, mas a relação entre representação política e compromisso com as regras democráticas.
O episódio envolvendo Flávio vai além do destino de uma candidatura. Expõe a natureza golpista de um movimento que, mesmo diante de uma derrota, insiste em tratar os limites institucionais como obstáculos e a contestação das regras como instrumento de mobilização.
Não há renovação quando se muda o rosto, mas se preserva a mesma lógica de confronto, intolerância e desconfiança democrática. O bolsonarismo não enfrenta apenas uma crise de liderança: carrega o desgaste de uma trajetória em que a disputa pelo poder frequentemente se sobrepôs ao compromisso com as instituições. O que resta dessa experiência não é uma promessa de futuro, mas a insistência em manter o país refém de um passado que as urnas já tiveram a oportunidade de rejeitar.
Foi o antibolsonarismo que venceu a eleição presidencial, e não o antipetismo, contrariando as projeções da mídia e das pesquisas durante o período eleitoral.
A famiglia Bolsonaro e seu modus operandi são extremamente rejeitados por eleitores conscientes, à exceção de bolsotários abduzidos politicamente.
Não são otários, estão à procura de uma ditadura desesperadamente.
Vai entender a porralouquice desses jumentos e jumentas.
Abraço,
José Luis
Na mosca! Sr. Espectro!
Forte abraço.
Nikolas é chamado de ‘Carla Zambelli’ de Flávio Bolsonaro
Adversários dizem que vídeo do deputado prejudicou Flávio no Nordeste, onde Lula ampliou sua votação em relação ao primeiro turno
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) virou alvo de críticas por causa do vídeo sobre as dificuldades enfrentadas por moradores do Nordeste e tem sido apontado, entre políticos da esquerda e até mesmo entre aliados, como um dos responsáveis pela derrota de Flávio Bolsonaro (PL) em Minas Gerais e no Nordeste.
Após largar na frente no primeiro turno das eleições, o senador e candidato do PL foi derrotado pelo presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições.
Lula ampliou sua votação no Nordeste e reverteu a desvantagem contra Flávio em Minas Gerais, vencendo as eleições pela quarta vez.
Memes que circulam nas redes sociais afirmam que o deputado seria a “Carla Zambelli” do Flávio na disputa pela Presidência da República, em referência ao ocorrido, em 2022, quando a então deputada perseguiu um homem com uma arma em punho, na véspera do segundo turno das eleições entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na época, bolsonaristas acusaram Zambelli de ter colaborado para a derrota de Jair, que buscava a reeleição.
(…).
Fonte: Estado de Minas, Política, Repercussão, 26/10/2026 16:09 Por Alessandra Mello
A fuga do amarelão, Flávio Bolsonaro
Não faltam sinônimos para definir Flávio como covarde, mentiroso e incapaz de encarar a lei
Qual você prefere? Amarelão, covarde, medroso, pusilânime, frangote, maricas, desertor, foragido, poltrão, peidão, pipoqueiro, frouxo, trêmulo, borrão, arregão? Ou, numa palavra, cagão — digo, fujão?
Se você for um dos meus fiéis leitores bolsonaristas ou um dos 59.826.041 eleitores que cravaram o número de Flávio Bolsonaro na urna neste domingo (25), a escolha é farta.
Todas definem o caráter do ‘preposto’ do ex-mito que, não fosse por outros 64.256.232 brasileiros, poderia ser agora o presidente da República.
Derrotado e sujeito a investigação e processo por uma quantidade de acusações — a escolha também é farta —, preferiu escafeder-se a enfrentar a Justiça. Onde está o machão que ele fingia ser?
Menos de 12 horas depois de produzir um vídeo em que bateu no peito e desmentiu a possibilidade de fugir do país — ao contrário, entregaria os passaportes e ficaria para liderar a oposição, retomar o Brasil e fazer e acontecer —, meteu-se na escuridão, tomou um avião na moita ou atravessou de cócoras a fronteira e foi se esconder sob a gravata vermelha de seu chefe, Donald Trump.
Como ficaram seus seguidores que assistiram ao vídeo e acreditaram nele? Como passaram a vê-lo depois desta?
Se quiserem, aqui vão sugestões: falso, embusteiro, fingido, enganador, trapaceiro, mendaz, pérfido, perjuro, desleal, simulado, charlatão, cascateiro, impostor, xavequeiro, patureba, trambiqueiro. Ou, também, em uma palavra, mentiroso.
É uma atitude decepcionante para alguém que, assim como seus adeptos, fala grosso, faz arminha, ronca motocicletas e se exibe sob camisetas amarelas, mas é incapaz de enfrentar uma Justiça armada apenas com fatos, números e provas.
A contrapô-los com seus próprios fatos, números e provas, escolheu vazar, escapar, ciscar, dar o pira, cair fora, dar no pé, picar a mula. Em resumo, fugir.
Ao abandonar seus eleitores — na verdade, traí-los —, Flávio Bolsonaro apenas repetiu o que levou toda a campanha fazendo: mentir para eles, iludi-los, ludibriá-los, fazê-los de otários.
Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 28.out.2026 às 8h00 Por Ruy Castro
Contato dos Bolsonaro nos EUA é o sub do sub Jason Miller, e não Trump ou Rubio, como tentam fazer parecer
Ao contrário do que se poderia pensar, descobriu-se que o contato direto da família Bolsonaro nos Estados Unidos não é Donald Trump nem Marco Rubio, mas sim o ajudante de Trump, Jason Miller, que viabilizou o avião no episódio da fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil para os EUA no início da semana.
Trump e Rubio têm mais o que fazer e não dispõem de tempo para perder com candidatos derrotados em eleições presidenciais, como Jair e Flávio, que não lhes trazem perspectivas de futuro.
Por isso, delegaram o contato com os dois a um subalterno como Jason Miller.
Acorda, Brasil! Presta atenção!
Derrotado, Flávio não deve esperar muita coisa de Trump
Quando Jair Bolsonaro, também derrotado por Lula, fugiu para os Estados Unidos, no final de 2022, ele imaginava que Trump o abrigaria em seu resort Mar-a-Lago, em Palm Beach.
No entanto, Trump nem tomou conhecimento da presença de Bolsonaro em solo americano.
Diante disso, o ex-mito teve que se hospedar em Orlando, na casa de um ex-lutador de MMA, onde permaneceu por três meses e depois voltou, talvez por já não o suportarem mais por lá.
Durante esse período, ele não recebeu nenhum telefonema, nem mesmo do motorista de Trump, segundo o jornalista Wilson Moherdaui, comentarista do Jornal da Cultura (TV Cultura).
Flávio, portanto, talvez não deva ter grande expectativa quanto à sua estada e recepção de Trump nos EUA.
Valdemar é só alegria com a derrota de Flávio
O ‘Boy’ de Mogi temia que, se eleito, Flávio Rachadinha pudesse lhe tomar o PL, partido do qual se acha dono; por isso, está tão exultante.
Além disso, Michelle, Tarcísio, Malafaia e outros bolsonaristas também não conseguem conter a alegria com a derrota do preposto do ex-mito.
Obviamente, correram para não chegar na campanha eleitoral de Rachadinha.
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