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Campanha de Lula acusa Meta de interferir na eleição em benefício de Flávio Bolsonaro

Combustíveis e jornada de trabalho: a aposta de Lula para virar a eleição

Perder a eleição não significa ficar fora do poder: o papel dos partidos no pós-urnas

Lula e Bolsonaro tornaram-se dois totens seguidos por bandos “neolíticos furiosos”

Iotti: protestos pró e contra Lula | Pioneiro

Charge do Iotti (Gaúcha Zero Hora)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Lula e Bolsonaro tornaram-se dois totens
que são seguidos por “neolíticos furiosos”

Há muito tempo opto por pensar os assuntos humanos a partir de uma visão de longa duração — conceito do historiador Fernand Braudel. Nessa abordagem metodológica, os eventos pontuais são vistos numa linha do tempo bem mais ampla do que décadas ou séculos. É deste ponto de vista que vejo a miséria da corrupção sistêmica do Estado brasileiro, incluindo aí o finado Supremo Tribunal Federal.

Devo dizer que, quando me refiro à corrupção sistêmica miserável do Estado brasileiro, incluindo aí o finado STF, refiro-me tanto à corrupção de caráter mediada pelo dinheiro quanto à corrupção de caráter das instituições mediada por adesão ideológica ou partidária.

Neste segundo caso, o drama se torna ainda mais agudo quando atinge o STF e o Judiciário em geral, o Ministério Público — neste tópico específico, ver a decisão do MPF de não investigar Paulo Gonet da PGR —, e os agentes do pensamento público nos veículos profissionais de mídia, torcendo abertamente para um dos candidatos à Presidência da República.

TRÊS CATEGORIAS – Sobre este último caso, acho a tipologia do filósofo americano Jason Brennan bastante didática, posta em seu provocativo “Against Democracy”. Os eleitores estariam divididos em três categorias: os “hobbits”, os “hooligans” e os “vulcanos” — como o Spock do seriado “Jornada nas Estrelas”.

Os primeiros, o povo em geral, correndo de um lado para o outro, pagando boletos e com escassos recursos de economia da atenção para gastar com política. Os segundos, disputando alucinadamente os primeiros, a maioria esmagadora da população, a fim de levá-los a votar nos seus candidatos — os “hooligans” são os militantes enfurecidos e polarizados.

E, finalmente, os terceiros, munidos de um repertório muito maior sobre política e suas contradições constantes, céticos em consequência desta mesma experiência com a nulidade das esperanças políticas.

FALSOS VULCANO – Pois bem, suspeito fortemente que os agentes do pensamento público deveriam ser todos “vulcanos”, mas, infelizmente, a esmagadora maioria é constituída por “hooligans” disfarçados.

Proponho um breve diálogo com o filósofo americano Francis Fukuyama. No seu “Origens of Political Order – From Prehuman Times to French Revolution”, o autor afirma que a tendência do comportamento político, tanto dos líderes quanto da população em geral, é seguir a “política de parentesco”, provavelmente datada da era pré-histórica, dentro da história ancestral dos grupos sociais.

Política de parentesco é um caso de política dos homens, em oposição à política das leis. Segundo Fukuyama, esta última é muito mais difícil de ser realizada, uma vez que “a natureza humana” —não vou discutir esse vespeiro aqui, mas ele usa essa ideia, inclusive, no seu recém-lançado “In The Realm of The Last Man, a Memoir”— tende à primeira disposição.

CORRUPÇÃO DE CARÁTER – A política de parentesco pode ser tanto relações de sangue —laços familiares ou de clã—, quanto relações totêmicas ou simbólicas. Suspeito que o caso de corrupção de caráter das instituições, ou mesmo, apenas, dos homens, mediada por adesão ideológica apaixonada, como na polarização, se encaixe perfeitamente neste tópico.

A política das leis, a mesma do idealizado Estado moderno laico, não pegou porque vai contra a tendência ancestral dos homens e mulheres. Família, clã, totem, simbólico partilhado, deuses, bandos, bolhas, gangues, enfim, tudo que tem a seu favor a inércia de uma espécie pré-histórica que posa com ares de moderna.

A política das leis luta, a cada minuto, contra essa inércia, e perde na maioria dos grupos sociais e dos países, inclusive no Brasil. Perde, muitas vezes, mesmo, nas grandes instituições da República, por meio da corrupção de caráter, mediada pela fidelidade ao bando, conhecida entre nós por “blindagem corporativa”, nos casos recentes do STF e do Ministério Público.

DOIS TOTENS – Lula é um totem, e Bolsonaro, outro. Ambos são totens, seguidos cegamente pelo bando de neolíticos que compõem o cenário político-ideológico nacional.

A própria ideia de busca de objetividade não pegou na espécie, assim como a leitura como prazer e não só por necessidade funcional. A tentativa de impor uma relação com o mundo e com a política, mediada pela razão e sua busca pela objetividade, foi um surto breve de homens europeus obsessivos, derrotada pela história posterior aos séculos 16, 17 e 18, até hoje.

Com o fracasso desse projeto aqui, ruíram os mecanismos de “democratic accountability” do sistema político. Não há como cobrar nenhuma responsabilização do Estado, do STF ou do Ministério Público no Brasil. Perdeu-se a compostura, a vergonha e o futuro.

No desespero, PT alega que Flávio reduzirá aposentadoria, gastos de saúde e educação

Datafolha mostra pequena melhora na avaliação do governo Lula | Sobral em Revista

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Carlos Newton 

Uma coisa é certa nesta eleição – nas redações e nas redes sociais não faltam jornalistas militantes do PT que estão dedicados a semear notícias manipuladas e causar pânico em relação à possibilidade de vitória do candidato Flávio Bolsonaro. Uma das principais orientações da cúpula petista é anunciar que o candidato adversário, Flávio Bolsonaro, vai reduzir o valor de pensões e aposentadoria, além de diminuir as verbas para educação pública e atendimento no SUS.

Como dizia Ataulfo Alves em seu clássico samba-canção “Pois É”, pode-se dizer, sem medo de errar, que “a maldade dessa gente é uma arte”. Os jornalistas militantes anunciam essas fake news como se já fossem decisões oficiais que já tivessem aprovação, mas tudo é uma tremenda conversa fiada, com informações “à la carte”, ou seja, ao gosto do freguês.

NÃO HÁ PLANOS – A verdade é que tanto Flávio Bolsonaro quanto Lula da Silva, nenhum dos dois tem o menor esboço de programa administrativo, no momento as equipes só pensam em ganhar a eleição, e ninguém foi convidado para ocupar o Ministério da Fazenda pelo PT ou pelo PL.

Mas as informações distribuídas pelo PT aos jornalistas amestrados têm impressionante precisão. Dizem que o corte nos gastos sociais irá atingir 2% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 250 bilhões. E vão além, num delírio irrefreável, dizendo que a proposta em estudo elimina a vinculação obrigatória de gastos com saúde (15% da Receita Corrente Líquida) e educação (18% da Receita Líquida de Impostos), passando a corrigi-los apenas pela inflação.

Bem, é nesse momento que a matéria amestrada perde sustentação. A vinculação obrigatória de gastos com saúde e educação foram aprovadas em leis e não podem ser modificadas aleatoriamente pelo presidente da República, seja ele Flávio Bolsonaro ou Lula da Silva.

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P.S. 1
– O mais surrealista é a matéria dizer que o suposto  “plano” de Flávio Bolsonaro será aprovado entre a eleição e a posse, em 1º de janeiro. É uma tremenda Piada do Ano, e a Folha embarcou nessa canoa furada, enquanto o TSE mandava tirar da TV a fake news.

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P.S. 1
– Por mera coincidência, na sexta-feira o novo porta-voz da campanha à reeleição do presidente Lula, senador Camilo Santana (PT-CE), declarou que o “tesouraço” no Orçamento proposto pelo candidato Flávio Bolsonaro será similar ao feito na Argentina pelo presidente Javier Milei. Em suma, Lula e o PT pensam (?) que podem ganhar a eleição divulgando fake news.
(C.N.)

Lula ou Flávio: quem assumir o novo governo terá de destravar a infraestrutura

Eleição do Senado frustra expectativas de Moraes sobre impeachment de ministros

Moraes esperava Senado menos hostil ao STF

Bela Megale
O Globo

Em conversas com interlocutores do mundo jurídico, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes se mostrou surpreso com a eleição do Senado e afirmou que houve uma “reversão” do cenário imaginado.

O magistrado dividiu com pessoas próximas a leitura que recebeu do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de que senadores de centro seriam eleitos e que não haveria uma maioria contrária ao STF na Casa.

REELEIÇÃO DE ALCOLUMBRE – Também avaliava que Alcolumbre, seu aliado e amigo, conseguiria se reeleger como presidente do Senado, o que seria uma importante barreira de contenção para pedidos de impeachment, já que o presidente do Senado precisa pautar o tema.

Como informou a coluna, as expectativas de Moraes foram frustradas e mais de 50 senadores que defendem o impeachment de ministros da corte ocuparão as cadeiras do Senado a partir de 2027.

Nas conversas que têm tido com ministros do STF, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN) sinaliza que há disposição de dialogar com a corte, mas que não abrirão mão do impeachment de Alexandre de Moraes.

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Eduardo Bolsonaro entra no banco de mandados de prisão após condenação definitiva

Não conte para ninguém os recônditos segredos poéticos de Cora Coralina

Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida,...Paulo Peres
Poemas & Canções

A poeta goianiense Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), conhecida como Cora Coralina, mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano, conforme o belo poema “Não Conte Pra Ninguém”, no qual solicita que seus segredos não sejam revelados.

NÃO CONTE PRA NINGUÉM
Cora Coralina

Eu sou a velha
mais bonita de Goiás.
Namoro a lua.
Namoro as estrelas.
Me dou bem
com o Rio Vermelho.
Tenho segredos
como os morros
que não é de advinhá.

Sou do beco do Mingu
sou do larguinho
do Rintintim.

Tenho um amor
que me espera
na rua da Machorra,
outro no Campo da Forca.
Gosto dessa rua
desde o tempo do bioco
e do batuque.

Já andei no Chupa Osso.
Saí lá no Zé Mole.
Procuro enterro de ouro.
Vou subir o Canta Galo
com dez roteiros na mão.

Se você quiser, moço,
vem comigo:
Vamos caçar esse ouro,
vamos fazer água… loucos
no Poço da Carioca,
sair debaixo das pontes,
dar que falar
às bocas de Goiás.

Já bebi água de rio
na concha de minha mão.
Fui velha quando era moça.
Tenho a idade de meus versos.
Acho que assim fica bem.
Sou velha namoradeira,
lancei a rede na lua,
ando catando estrelas.

Folha anuncia suposto “plano” de Flávio para reduzir aposentadoria, saúde e educação

PSOL fica a apenas 185 votos da cláusula de barreira e vai recorrer à Justiça

Partido ficará sem acesso ao fundo eleitoral no próximo pleito

Rafaela Gama
O Globo

A federação formada pelo PSOL e pela Rede Sustentabilidade entrará na Justiça para contestar a avaliação de que não cumpriu a cláusula de barreira após a votação no final de semana. Em nota, publicada nas redes sociais, as siglas afirmaram que buscarão “provar que algumas dezenas de votos não são justificáveis para retirar os direitos de funcionamento de dois dos principais partidos da política brasileira”.

“Elegemos uma senadora no estado do Ceará e alcançamos 5% dos votos nacionais para deputado federal, o dobro exigido pela famigerada lei da ‘cláusula de barreira’, e agora convocamos nossas lideranças a dedicarem esforço máximo pela vitória de Lula”, disse o comunicado.

EXIGÊNCIA – No texto, a sigla faz referência a uma das normas da legislação eleitoral, que exige que os partidos tenham ao menos 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara para atingirem a meta. A regra, no entanto, também determina que as siglas alcancem um percentual mínimo de votos (1,5%) em ao menos nove estados. Neste ano, a federação alcançou esse percentual em oito estados, ficando a 185 votos de atingir a meta no Espírito Santo.

Nas redes sociais, o resultado nas urnas gerou cobranças de filiados do PSOL e de apoiadores a alas que foram contrárias à proposta de federação do partido ao PT no início deste ano. Na época, puxadores de voto da sigla em São Paulo, como a deputada Erika Hilton e o ministro Guilherme Boulos, argumentaram que a fusão seria uma estratégia para evitar a desidratação da bancada após as eleições deste ano. A medida, no entanto, foi recusada pela maioria dos integrantes da executiva nacional.

DIVERGÊNCIAS INTERNAS –  Cobrada por ser contrária à federação e reeleita por São Paulo no domingo, a deputada federal Sâmia Bomfim atribuiu o mau desempenho da sigla no ES a uma “fraude na chapa eleitoral” provocada por “candidatas laranja”. “Vamos acionar a Justiça para derrubar essa fraude armada contra as mulheres e contra o PSOL”, disse em um post. A parlamentar também afirmou que a legenda tem “um papel importante na luta para derrotar a extrema-direita” e disse que está “pronta para arregaçar as mangas”.

Já Erika Hilton admitiu erros na estratégia do partido ao concentrar recursos em candidaturas com menor potencial eleitoral e deixar de investir em estados onde, segundo ela, maiores investimentos poderiam ter ajudado a sigla a superar a cláusula de barreira. Na pré-campanha, a parlamentar chegou a acusar a direção da legenda de descumprir um acordo firmado com ela sobre a divisão do fundo eleitoral.

— A minha situação naquele momento era uma tentativa de buscar o cumprimento dos acordos, porque eu acredito que política é feita com acordos. Os acordos devem ser cumpridos — disse em entrevista à GloboNews. — Eu acho que há, sim, um erro. Houve uma concentração em candidaturas com pouco potencial, inclusive, de serem eleitas.

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