O mar que navega os destinos de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho

Hoje tive a satisfação de conversar por telefone com o poeta Hermínio Bello de Carvalho, meu amigo de muitas décadas. Muitas pessoas atribuem a mim o verso "Não sou eu quem me

Hermínio e Paulinho, letras e músicas geniais

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. Junto com o poeta Hermínio Bello de Carvalho, compôs “Timoneiro”,  um de seus sambas mais bonitos, em que o grande letrista usamo mar como parábola do sentido de destino que orienta nossas vidas. Este samba foi gravado por Paulinho da Viola, em 1996, no CD Bebadosamba, pela BMG.

TIMONEIRO
Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho da Viola

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar

Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
– Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar

E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor

Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que ele faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz

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