Governistas atuaram para garantir neutralidade do Centrão
Victoria Azevedo
O Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com integrantes da cúpula do Republicanos e do Podemos em Brasília na véspera de os partidos anunciarem neutralidade no pleito nacional, nesta semana. As duas siglas vinham sendo cortejadas por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista nas eleições, para que formassem aliança com ele, mas as conversas não foram adiante. Os encontros ocorreram, separadamente, na segunda-feira. Na terça, os dois partidos oficializaram a posição de neutralidade, numa vitória para os governistas.
De acordo com relatos de pessoas que acompanharam as conversas, o presidente se reuniu pela manhã de segunda-feira com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além do presidente do PT, Edinho Silva, e o ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais). No mesmo dia, Lula conversou com a presidente nacional do Podemos, a deputada federal Renata Abreu (SP). Ali, foi informado que as siglas ficariam neutras na disputa nacional.
ARTICULAÇÕES – Aliados de Hugo Motta dizem que o encontro do Republicanos não teve como objetivo discutir eventual apoio de Lula, do PT e do governo federal à reeleição do parlamentar na presidência da Câmara, a partir de 2027. Mas afirmam que política é feita de gestos e a costura da neutralidade, que favoreceu Lula, passou também pelas mãos de Motta. Nesse sentido, defendem esse apoio em retribuição. Um parlamentar próximo do presidente da Câmara diz que já estão sendo feitas negociações com deputados e partidos a favor da reeleição de Motta, em fevereiro.
Quatro pessoas, entre participantes e interlocutores, dizem que o presidente do partido, Marcos Pereira, também esteve no encontro. Ele nega. Na convenção do Republicanos, Pereira afirmou à imprensa que apesar do posicionamento de neutralidade da sigla, ele “pessoalmente” irá colaborar com a campanha de Flávio Bolsonaro e disse que o partido “só não emprestará o tempo de televisão”. Procurado, Motta não respondeu.
Também na segunda-feira, num segundo momento, Lula conversou com a presidente do Podemos, Renata Abreu (SP). A interlocutores, a dirigente partidária relatou que foi um encontro positivo. Procurada, via assessoria de imprensa, não respondeu. Edinho e Guimarães foram procurados, mas não responderam. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) também foi procurada, mas não se manifestou.
NOVAS CONVERSAS – De acordo com relatos dessas pessoas a par das conversas com Lula e os dirigentes partidários, o presidente da República pediu para que ocorram novas conversas com as siglas num eventual segundo turno e falou para que os partidos não tomassem decisões sobre eventuais apoios antes de conversarem. Dois políticos que ouviram relatos das conversas dizem que Lula sinalizou que, nessas novas conversas, sejam discutidos apoios futuros —o que foi interpretado como a participação desses partidos num eventual Lula 4.
Os dois encontros aconteceram após integrantes desses partidos terem conversado, separadamente, com interlocutores do entorno de Lula, entre Guimarães e Edinho, nas últimas semanas. Petistas destacam a atuação deles junto aos partidos da centro-direita para garantir a neutralidade deles na eleição, num grande revés para Flávio Bolsonaro. Isolado, o senador chegou a oferecer a vice em sua chapa para Republicanos, PP, União Brasil e Podemos, mas sem sucesso. Na quarta, anunciou o deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu companheiro de chapa.
Tanto Edinho quanto Guimarães têm proximidade com nomes do centrão no Congresso, o que facilitou nesse processo. No caso da operação para garantir a neutralidade da federação União Brasil-PP, são lembrados os nomes dos líderes dos partidos na Câmara, Doutor Luizinho (PP-RJ) e Pedro Lucas (União Brasil-MA). Com o Republicanos, destacam ainda a atuação do ex-ministro Silvio Costa Filho (PE), aliado de longa data de Lula.
Caso Lulinha ganha força nas redes e vira munição eleitoral da oposição
A repercussão do caso Lulinha, filho de Lula, (…) ganhou força nas redes sociais progressivamente.
Segundo levantamento inédito do Instituto Democracia em Xeque, o episódio acumulou 61,5 mil menções nas primeiras 24 horas (…). Em 72 horas, porém, Lulinha já havia chegado a 220,4 mil menções e, em sete dias, a 397,3 mil (…).
A diferença está no ritmo. Enquanto o tarifaço concentrou 49% de sua repercussão no primeiro dia, e Jaques Wagner, 43%, o caso Lulinha teve apenas 16% das menções nas primeiras 24 horas. Outros 40% ocorreram entre o segundo e o terceiro dia e 44% depois disso.
Ao todo, o levantamento identificou 3.525 posts sobre Lulinha, com alcance de 29,1 milhões de pessoas. A direita respondeu por 68% das publicações, contra 14% da esquerda e 17% da imprensa.
O principal eixo da conversa foi o uso eleitoral das investigações, responsável por 31% dos posts, seguido pela disputa em torno da relatoria dos inquéritos, com 22%.
A oposição foi a principal responsável por transformar o caso em pauta eleitoral, associando as investigações à disputa de 2026 e à candidatura de Flávio. O deputado Gustavo Gayer aparece entre os maiores amplificadores, com 7% do alcance registrado no período.
O pico ocorreu em 4 de agosto, quando o eixo relacionado ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e citada nas investigações, chegou a 274 posts em um único dia.
A pesquisa analisou mais de 16 mil perfis no Facebook, Instagram, YouTube, X e TikTok, entre políticos, influenciadores e veículos de imprensa. (…).
Foram considerados os volumes de menções nas primeiras 24 e 72 horas e nos sete dias seguintes a cada caso.
O Globo, Opinião, 08/08/2026 11h28 Por Pâmela Dias / Lauro Jardim
Faucis, não vai respingar em brasileiros?
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Já começou o processo de compra e venda.
O que é que eu tenho a ver com a vida dos outros?! Nada, cada um vive a seu modo.
Mas se um desses outros me representa e é suposto representar a nação, aí a conversa é mais embaixo. E digo isso porque me sinto envergonhado com a palhaçada do presidente. O cara não se manca – ele fica ridículo com esse chapéu de gigolô.Perdeu os cabelos? Conforme-se, em breve vai perder outras coisas, se já não perdeu há muito tempo!