Depois do “nunca antes’, Lula recorre ao “quem nunca” – e o efeito é hilário

Livros encontrados sobre Nunca Antes Na Historia Deste Pais | Estante  Virtual

Marcelo Tas escreveu livro sobre as asneiras de Lula

Diogo Schelp
Estadão

O presidente Lula incorporou um novo bordão contendo o advérbio “nunca” ao seu repertório. Já havia o indefectível “nunca antes na história deste país”, que ele usa como recurso de marcação de excepcionalidade e ineditismo em seus governos e em sua trajetória pessoal.

Nunca antes um presidente teria feito “tanto em tão pouco tempo”. Nunca antes um líder deste País teria sofrido tanta perseguição política quanto ele.

ANTES E DEPOIS – É uma tentativa de reescrever a história e de apagar da memória coletiva os avanços obtidos por antecessores, como se houvesse uma clivagem temporal equivalente ao nascimento de Jesus Cristo: antes de Lula, depois de Lula.

A fórmula foi repetida por Lula em discurso na convenção do PT do último dia 2, quando afirmou que nunca, na história deste País, os militantes do partido tiveram tantos argumentos para defender sua continuidade no poder. Como ele está em seu terceiro mandato não consecutivo, trata-se do cúmulo da hipérbole: Lula se considera pioneiro em comparação consigo mesmo.

A nova formulação com a palavra “nunca” usada por Lula busca o oposto da excepcionalidade. O objetivo, agora, é atribuir normalidade absoluta a uma atitude que nem precisaria estar escrita em lei para ser considerada incompatível com a função pública.

CORRUPÇÃO NO PLANALTO – O contexto é a revelação de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula e um dos coordenadores da atual campanha, recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger, que defende interesses privados junto a órgãos do governo. Segundo Marcola, tratava-se de um empréstimo que já foi pago.

No episódio há, na melhor das hipóteses, um potencial conflito de interesses. Para que isso se configure, não é preciso haver dano ao erário ou ganho pessoal indevido por parte do agente público.

Mas, segundo reportagem de Vera Rosa, no Estadão, Lula defendeu seu ex-chefe de gabinete com a seguinte frase, em reunião com dirigentes de partidos aliados: “Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?”

“QUEM NUNCA?” – O argumento chega a ser cômico, pois remete à conhecida pergunta retórica usada nas redes sociais para fingir que uma atitude é comum, quando na realidade é constrangedora, exagerada, egoísta ou claramente reprovável: “Quem nunca?”

A ironia está em buscar uma cumplicidade improvável com o interlocutor: “vamos admitir que todo mundo faz isso”, embora o subtexto seja “isso é absurdo” ou “pode ser tentador, mas é imoral”.

Com a campanha presidencial já em andamento, falta uma explicação convincente — e pública — sobre o que aconteceu na antessala do presidente, no Palácio do Planalto.

3 thoughts on “Depois do “nunca antes’, Lula recorre ao “quem nunca” – e o efeito é hilário”

  1. Segundo Lula, o Brasil não dispõe do mesmo poderio militar dos EUA, mas tem argumentos para contestar as acusações feitas contra o país.

    Nas três décadas de desgoverno do sucateamento, não sobrou poderio militar nenhum para esse enorme, suculento, invejado e indefeso território.

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