Marcellão deixou a campanha de Flávio em maio
Rafael Moraes Moura
Yago Godoy
O Globo
O ex-marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, Marcello de Oliveira Lopes, repassou no final de 2025 R$ 1 milhão para a Go Up Entertainment, da jornalista Karina Gama, responsável pela produção de “Dark Horse”, o polêmico filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um relatório de inteligência financeira constatou “movimentações consideradas atípicas” em contas correntes da Go Up no período entre 10 de novembro de 2025 a 30 de dezembro de 2025, quando “Dark Horse” estava na reta final de filmagem e se encaminhava para a pós-produção.
DESVIO DE EMENDAS – A produtora entrou na mira de uma operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, para investigar o financiamento do filme e a suspeita de desvio de emendas parlamentares. Na decisão que autorizou a operação, Dino também proibiu a Go Up de licitar e contratar com o Poder Público, em “qualquer esfera federativa”.
“Dark Horse” abriu uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República após o site The Intercept Brasil publicar mensagens do senador cobrando dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para o financiamento da produção.
“INVESTIDOR” – “Eu sou investidor do filme, é natureza totalmente empresarial. Tudo certinho, legal. Não houve repasse, houve investimento. Na época, não avisei o Flávio, mas depois ele ficou sabendo. Não me lembro [sobre quando avisei Flávio], isso aí não me lembro, não”, disse à equipe da coluna o ex-marqueteiro de Flávio.
Marcellão, como é conhecido, deixou a campanha de Flávio em maio, após a pressão de aliados do senador para uma reformulação na comunicação. Amigo pessoal do presidenciável, ele foi substituído pelo publicitário Eduardo Fisher, que abandonou a campanha no final de julho.
Nessa brincadeira toda onde está o jaques wagner, ele não tinha de prestar depoimento ga Gestapo do molusco
“Dark Horse” abriu uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro
Não é o que estamos vendo.
O Dark Horse deu um coice nos Red Donkeys. Flávio ultrapassou o traficante entubador de jumentos e mamadores, Lula da Silva.
Os descendentes de L.A.R. Appius estão no poder?
Houve em Roma um pretor que dava sentenças favoráveis a quem melhor pagava. Chamava-se ele Lucius Antonius Rufus Appius. Sua rubrica era L.A.R. Appius. Daí chamar-lhe o povo ‘larappius’, nome que ficou sinônimo de gatuno.
Quem conta essa historinha é um certo Arthur Rezende, autor de um velho livro chamado “Frases e curiosidades latinas”.
A tese de que a palavra larápio – sinônimo de ladrão, gatuno, ladravaz, ratazana – derivou das iniciais e do sobrenome daquele Lucius Antonius, magistrado venal, é uma das mais saborosas e mais desacreditadas lendas etimológicas que circulam em português.
Um filólogo brasileiro respeitável, Antenor Nascentes, cometeu a temeridade de registrá-la em seu dicionário. Mesmo não comprando sem reservas a versão de Rezende e resguardando seu prestígio com a tradicional fórmula italiana de ceticismo (se non è vero…), Nascentes fez muito pela disseminação do que tudo indica ser uma mentira deslavada.
Mas será mesmo? Bem, o envolvimento de Nascentes com a lenda de L.A.R. Appius lhe valeu críticas de colegas como o português José Pedro Machado e o brasileiro Silveira Bueno, que não tinham dúvida sobre a inconsistência da tese.
Como explicar que a palavra tivesse ganhado seu primeiro registro em português apenas em 1812 – e que, em todos os séculos interpostos entre a vida do tal magistrado e o momento do fiat lux vocabular, o nome de Appius não aparecesse em um único documento histórico?
A parte chata é que, fora a imaginosa tese do pretor corrupto, que não fica em pé, não há mais nenhuma. A origem da palavra larápio é um mistério.
Revista Veja, Sobre Palavras, 31 jul 2020, 05h51 Por Sérgio Rodrigues