Candidatos fazem romaria até Brasília por vídeo
Thaísa Oliveira
Folha
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem atuado para compensar a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso, na campanha eleitoral de aliados e gravado vídeos para candidatos de diferentes regiões.
A demanda levou a ex-primeira-dama a reservar um dia da semana apenas para candidatos de fora do Distrito Federal e a produzir peças para cerca de 20 pessoas por dia, em média, no começo da propaganda eleitoral obrigatória. Outros três dias da semana passaram a ser usados para filmagens da campanha dela própria ao Senado e de candidatos que integram a chapa da governadora de Brasília, Celina Leão (PP), de quem é amiga.
POPULARIDADE – De olho na popularidade de Michelle, o candidato do PL ao Governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, foi a Brasília exclusivamente para a gravação, no começo do mês, com a candidata dele a vice, a vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL).
O material foi usado no programa eleitoral obrigatório de rádio e TV da última quarta-feira (16), em um esforço para atrair o voto de mulheres cristãs e conservadoras, segundo um integrante da campanha de Ruas. “A Fernanda cuida de quem cuida”, disse Michelle.
REGIME DOMICILIAR – Condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro está preso em regime domiciliar desde março e proibido de usar as redes sociais dele ou de outras pessoas.
Pessoas próximas a Michelle afirmam que ela tem dado prioridade para candidatos para quem Bolsonaro faria campanha, se estivesse solto. Um dos nomes citados é o do vereador de Porto Alegre (RS) coronel Ustra (PL), candidato a deputado federal.
Ustra é sobrinho do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, herói de Bolsonaro que comandou um dos principais centros de tortura na Ditadura Militar. O vereador é tenente-coronel da reserva do Exército e chefiou a equipe de segurança do ex-presidente no GSI (Gabinete de Segurança Institucional).
“CONFIANÇA” – “Esse é o coronel Ustra e eu sei da confiança que o presidente Bolsonaro sempre teve nele. É alguém que esteve ao lado do Jair e compartilha os mesmos valores que nós”, disse Michelle no vídeo ao lado de Ustra. O vereador de Belo Horizonte (MG) Vile Santos (PL) contou à Folha que foi para Brasília apenas para a filmagem com Michelle. O vídeo dos dois juntos está sendo distribuído pela campanha de Vile por WhatsApp.
“Sou amigo da família há muito tempo. Michelle é uma grande amiga. Me ajuda muito com o público feminino e com cristão”, disse o vereador, que se apresenta como “candidato a deputado federal do Bolsonaro em Minas Gerais”. Na gravação, Vile diz que estava com “a nossa eterna primeira-dama Michelle Bolsonaro” porque “o nosso presidente Jair Bolsonaro não pode estar aqui conosco”.
ASSESSOR DE BOLSONARO – A ex-primeira-dama também produziu materiais para Mosart Aragão (PL), candidato a deputado estadual por São Paulo. Mosart foi um dos assessores mais próximos de Bolsonaro na Presidência e o acompanhou em uma série de agendas.
Em 2022, Bolsonaro designou o irmão Renato Bolsonaro (PL) para coordenar a campanha dele a deputado federal. O ex-presidente queria que o capitão fosse um dos candidatos mais votados de São Paulo, mas ele não foi eleito.
A ex-primeira-dama também gravou para o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) e para o filho dele, Gilson Machado Filho (Podemos), candidatos respectivamente a deputado federal e deputado estadual por Pernambuco. Gilson é amigo de Bolsonaro, mas acabou trocando o PL pelo Podemos alegando falta de apoio do partido para lançar o nome dele ao Senado.
“CANDIDATOS DO JAIR” – Na lista de “candidatos do Jair”, aparece ainda o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), apelidado por Bolsonaro de Hélio Negão. Hélio transferiu o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Roraima para aumentar as chances de ser eleito senador e adotou o sobrenome Bolsonaro nas urnas.
Em 2022, Michelle viajou pelo país para pedir votos para Bolsonaro. A ex-primeira-dama tem dito que não poderá repetir o esforço neste ano em prol da candidatura à Presidência do enteado mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PL), por causa das condições de saúde do marido.
Após semanas de mal-estar público, a ex-primeira-dama gravou um vídeo curto com Flávio em que um pede votos para o outro. Michelle também tem falado do senador nas agendas de campanha dela em Brasília.
AUTORIZAÇÕES – No último dia 8, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes ampliou a lista de visitantes e autorizou a entrada do pai, da madrasta e de duas irmãs de Michelle, além de Renato Bolsonaro.
A defesa do ex-presidente afirma, porém, que Michelle queria autorização permanente do ministro para que eles pudessem acessar a casa a qualquer momento —e não por apenas duas horas, dois dias da semana, como visitantes.
“Com essa decisão, também os atos de campanha da candidata ao Senado Federal —Michelle Bolsonaro—continuam restringidos e prejudicados”, afirmou a assessoria de imprensa de Michelle.
É sempre bom lembrar que o comando do TSE é bolsonarista
O presidente e o vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) assumiram o comando da corte após serem indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nova Liderança do TSE
Presidente: O ministro Kassio Nunes Marques assumiu a presidência do tribunal em maio de 2026, sucedendo a ministra Cármen Lúcia.
Vice-Presidente: O ministro André Mendonça assumiu o cargo de vice-presidente da corte no mesmo período.
Detalhes da Gestão
Indicação ao STF: Ambos os ministros foram indicados por Jair Bolsonaro para vagas no STF durante o seu mandato presidencial.
Contexto Eleitoral: Esta é a primeira vez que dois ministros indicados por Bolsonaro comandam o TSE durante o período de eleições gerais.
Rio de Janeiro: O berço dos Bolsonaros
Sempre que ouço falar do Rio como berço político da família Bolsonaro, olho em torno em busca de vestígios da passagem deles por aqui. Pfftt.
O patriarca Jair Bolsonaro, por exemplo, nasceu em Glicério (SP). Só saiu de lá aos 19 anos, em 1974, para estudar e morar na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde se formou, casou e teve os filhos Flávio, Eduardo e Carlos.
A Aman fica em Resende (RJ), divisa de MG e SP, a 162 km do Rio. Expulso do Exército em 1989, mudou-se para Bento Ribeiro, zona norte do Rio, e se tornou vereador. Em 1991, elegeu-se para a Câmara e foi para Brasília.
Em 27 anos como deputado federal pelo Rio, até 2018, só teve dois projetos aprovados, um deles a liberação da “pílula do câncer”, de eficácia não comprovada. Seus salários custaram R$ 59 milhões à nação.
Sua vivência carioca se limita a uma casa num condomínio na Barra, onde pouco ficou, e às selvagens motociatas em Copacabana quando presidente. Torce pelo Palmeiras.
Seu filho Flávio, o 01, foi deputado estadual pelo Rio de 2003 a 2019. Suas grandes medidas foram a medalha em 2005 para o miliciano Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime, e a defesa das milícias em 2007, 2008, 2011 e 2015.
Senador desde 2019, Flávio comprou uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília com dinheiro vivo. Suplicou R$ 134 milhões dos fundos públicos desviados por seu “irmão” Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse” e não consegue se explicar sobre esse dinheiro.
Já Eduardo Bolsonaro, o 02, nada tem ou teve a ver com o Rio. Fez toda sua carreira como deputado federal por São Paulo —eleito em 2014, 2018 e 2022 com grandes votações—, embora seu elo com a cidade sejam duas salas alugadas no Paraíso, onde nunca foi visto. Cassado, condenado e foragido, refugia-se hoje no Texas.
E Carlos Bolsonaro, o 03, foi vereador pelo Rio de 2000 a 2025, mas passava tanto tempo em Brasília que era chamado de “vereador federal”. É candidato a senador por Santa Catarina, que só conhece a passeio.
E assim temos o berço político dos Bolsonaros.
Folha de S. Paulo, Opinião, 16.set.2026 às 8h00 Por Ruy Castro
E atrairam grandes contingentes de seguidores como bolsotários..