Registros de visitas ao Senado entram em disputa no STF
Álvaro Augusto
CNN
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que os dados sobre visitas de Daniel Vorcaro e de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, ao Senado sejam mantidos em sigilo.
Segundo o parecer de Gonet, encaminhado ao ministro Luiz Fux – relator do pedido de acesso na Corte – a ação não deveria ser de competência para análise do STF e o autor do processo não conseguiu justificar sua legitimidade para receber as informações de visitas.
ORDEM DENEGADA – “Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, afasta sua legitimidade ativa e, por conseguinte, o cabimento do mandado de segurança. O parecer é por que a ordem seja denegada”, defendeu Gonet em sua manifestação ao Supremo.
O caso chegou ao STF após um pedido feito pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR), que solicita acesso aos registros de entrada no Senado Federal de várias pessoas, incluindo, além de Vorcaro e Viviane de Moraes, nomes como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
A ação foi inicialmente movida por Kilter na Justiça Federal do Paraná, após o Senado negar o acesso aos dados via LAI (Lei de Acesso à Informação). No entanto, como o vereador apontou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), como o responsável no processo judicial, o caso foi enviado ao STF.
JUSTIFICATIVA – No parecer da PGR, Gonet defendeu que o vereador não conseguiu justificar seu direito e necessidade de acessar os dados. Além disso, segundo o procurador-geral, o impetrado na ação – no caso, o senador Davi Alcolumbre – não teve “conduta atribuída” em relação ao pedido.
No início de outubro, o Senado já havia defendido para o relator Luiz Fux que o sigilo sobre as visitas fosse mantido. A Casa pediu ainda que Fux extingua o processo sem nem analisar o mérito, por considerar que Kilter não tem legitimidade para o pedido e que os dados são “sensíveis” e exigem “especial cautela”. A Advocacia do Senado solicitou também que, caso Fux analise o mérito do processo, rejeite o pedido de acesso às informações.
Lideranças do PL entram em campo para convencer Flávio Bolsonaro a reconhecer a derrota o quanto antes
Uma ala expressiva de lideranças do PL e de apoiadores de Flávio Bolsonaro tem trabalhado para que o senador reconheça o quanto antes a derrota para o presidente Lula.
O discurso de Flávio, de questionar o resultado das urnas após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciar a vitória do petista, foi visto como um erro por lideranças do partido.
Um dos mandachuvas do PL que estava presente no QG da campanha durante as apurações afirmou que a expectativa era a de que o senador adotasse um tom mais ameno do que teve na sua primeira manifestação pública.
Flávio foi aconselhado a reconhecer a derrota e dizer que os fatos envolvendo a ampliação do horário da votação deveriam ser investigados. O candidato do PL, no entanto, resolveu dobrar a aposta e afirmou que pedirá a anulação das eleições.
Aliados de primeira hora do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, afirmaram à coluna que ele não cometerá os mesmos erros do passado e que não vai abraçar a iniciativa de contestar o resultado das urnas.
Em 2022, Valdemar atendeu aos apelos de Jair Bolsonaro e a legenda apresentou um pedido ao TSE para anular parte dos votos no segundo turno. A iniciativa rendeu um inquérito contra Valdemar por tentativa de golpe, além de uma multa de mais de R$ 20 milhões ao PL.
Desde a manhã desta segunda-feira (26), lideranças do partido estão se articulando para tentar fazer o senador rever a postura que adotou. Para eles os 4,4 milhões de votos a mais de Lula sobre Flávio esvaziam qualquer iniciativa de contestação.
O Globo, Política, Opinião, 26/10/2026 13h13 Por Bela Megale
Quando se é um estrupício, se é um estrupício.
Flávio Rachadinha ficará sem cargo eletivo pela primeira vez em mais de 20 anos
Filho do ex-mito vinha de eleições seguidas na esteira da influência de seu pai
Derrotado por Lula, neste domingo, na disputa pela Presidência da República para o mandato de 2027 a 2030, o ainda senador Flávio não terá um cargo público para ocupar após mais de 20 anos.
O filho mais velho de Jair Bolsonaro vem ocupando cargos eletivos desde 2003, na esteira da influência do pai, que decidiu fazer da política o ganha-pão da família. Também há o registro de que Flávio tenha ocupado cargos comissionados na Câmara dos Deputados antes das eleições que obteve.
Flávio exerceu quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, de 2003 a janeiro de 2019. Nas eleições de 2018, quando o pai foi eleito presidente, o advogado foi eleito senador da República.
Seu mandato no Senado ia de 2019 a 31 de janeiro de 2027. Como decidiu concorrer à Presidência — e não se elegeu —, Flávio dará lugar a Carlos Jordy como um dos senadores a representar o Rio de Janeiro. Os mandatos de Jordy e Carlos Portinho começam em 1º de fevereiro de 2027.
Fora da política, Flávio é formado em direito. O ex-senador também diz que é empresário. Rachadinha fica sem cargo público pela primeira vez em mais de 20 anos
Fonte: O Globo, Rio, 25/10/2026 21h14 Por Nelson Lima Neto / Ancelmo Gois
Será, politicamente, uma nota de três reais.