Temer apela a pastores evangélicos para reformar Previdência e boicotar Meirelles

“Apóstolo” Valdemiro Santiago foi abençoar Temer

Gustavo Uribe
Folha

Para tentar arrefecer a pressão sobre a base aliada, o presidente Michel Temer montou uma agenda de encontros com pastores evangélicos para pedir apoio à reforma da Previdência. Os encontros estão sendo marcados pelo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, e têm como objetivo diminuir a insatisfação das mudanças na aposentadoria nos redutos eleitorais dos parlamentares governistas.

Ao todo, o Palácio do Planalto calcula que cerca de cem deputados aliados estão indecisos justamente pelo receio do impacto da reforma previdenciária sobre seus possíveis eleitores. A ofensiva teve início nesta segunda-feira, dia 15, quando o presidente recebeu no gabinete presidencial o fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, apóstolo Valdemiro Santiago.

BENÇÃO – Na reunião, o presidente recebeu a bênção do apóstolo, explicou as mudanças na reforma previdenciária e pediu o apoio público dele às alterações nas aposentadorias. Para as próximas duas semanas, serão convidados para reuniões reservadas com o presidente os pastores Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Brás, Silas Malafaia, do Ministério Vitória em Cristo, e Samuel Câmara, da Assembleia de Deus em Belém.

O foco nos líderes evangélicos deve-se à capilaridade das denominações neopentecostais sobre a população de baixa renda, que, segundo análise interna do governo, concentra a maior parte da resistência às mudanças na aposentadoria. Além disso, boa parte dos líderes evangélicos já declararam apoio à reforma previdenciária, o que facilita uma abordagem pessoal do presidente.

O Palácio do Planalto também tem tentado uma ofensiva sobre padres católicos, mas tem enfrentado dificuldades. No ano passado, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se posicionou contrária ás mudanças. Além dos pastores evangélicos, o presidente fará uma ofensiva nesta semana em programas de televisão. Ele dará entrevistas aos apresentadores Ratinho e Silvio Santos, do SBT, e Amaury Júnior, da Bandeirantes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA ofensiva do Planalto tem mão dupla. Além de ajudar a reforma da Previdência, Temer está tentando boicotar a campanha do ministro Henrique Meirelles, que há mais de um ano vem mantendo entendimentos com as mesmas lideranças evangélicas. Se não tirar Meirelles da disputa, Temer não tem a menor chance de se reeleger. (C.N.)

Há importantes projetos na Câmara, mas falta vontade política para aprová-los

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Charge do Oliveira (Humor Político)

Carlos Newton

Além da reforma da Previdência Social, tão badalada pelo governo, existem muitos projetos importantes na Câmara que precisam ser discutidos e colocados em votação, mas falta vontade política. Cabe ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), organizar a pauta dos projetos de lei, medidas provisórias e emendas constitucionais em plenário, assim como zelar pelo bom andamento dos trabalhos. Mas não é isso que se vê. Na verdade, Maia só tem cuidado dos interesses do governo e de seus próprios interesses, sem se preocupar com matérias da maior importância paro o país.

Uma das propostas mais relevantes é a emenda constitucional do senador Alvaro Dias (Podemos-PR), que determina o fim do foro especial para cerca de 50 mil autoridades públicas, reservando o privilégio apenas para presidentes (e vice) da República, e presidente do Supremo, da Câmara e do Senado, no caso de crimes relacionados ao mandato.

UNANIMIDADE – As restrições ao foro privilegiado proposta já foram aprovadas pelo Senado por unanimidade em 31 de maio de 2017. Na Câmara, a emenda já passou pela Comissão de Constituição e Justiça. Mas, para avançar, ainda precisa ser analisada por uma comissão especial, já criada pela presidência da Mesa, mas que aguarda a indicação de membros, presidente e relator.

Encerrada esta etapa, a emenda poderá seguir para plenário, mas dificilmente Rodrigo Maia a colocará em votação este ano, apesar de sua invulgar importância. Por mera coincidência, quando a emenda for aprovada, um dos atingidos será justamente seu sogro, o ministro Moreira Franco.

SUPERSALÁRIOS – Outro tema importantíssimo é o projeto de lei que prevê limitação dos salários de agentes públicos, aposentados e estabelecendo um teto remuneratório.

Com parecer da senadora Katia Abreu (sem partido-TO), o Senado aprovou em 13 de dezembro de 2016 três projetos da Comissão Especial do Extrateto para dar fim aos chamados supersalários no serviço público. As propostas seguiram para análise na Câmara dos Deputados, onde aguardaram oito meses até ser escolhido o relator, vejam a falta de seriedade que caracteriza os trabalhos legislativos.

No momento, o projeto de lei 6726/16 aguarda parecer do relator na Comissão Especial antes de ser analisado pelo plenário.

SIMPLIFICAÇÃO – Também está na fila a simplificação tributária, que é apoiada pela equipe econômica do governo. Prevê a extinção e substituição de alguns impostos, a adoção da cobrança eletrônica de tributos e outras alterações no regime de tributação do país. Mas ainda está sendo discutida em comissão da Câmara.

Na mesma situação está a emenda 412/09, que trata da autonomia da Polícia Federal (PF). A proposta permite a edição de lei complementar com normas que garantam a autonomia funcional e administrativa da PF, nos moldes do Ministério Público. A partir dessa possibilidade, a instituição ganharia independência para elaborar sua proposta orçamentária.

Por fim, há projeto que pretende mudar a legislação que trata dos planos de saúde. O relator Rogério Marinho (PSDB-RN) apresentou um novo relatório no fim do ano passado, depois da polêmica em torno da proposta de parcelamento do reajuste das mensalidades dos planos para idosos.

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P.S.  Ao invés de defender os interesses dos usuários, a proposta foi feita sob medida para atender aos planos de saúde, que anualmente ganham reajusta acima da inflação, protegidos pelo governo, que está pouco se importando com os interesses públicos. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)ensionistas,

Gleisi Hoffmann criou uma ‘Fake News’ ao confundir ‘Forza Luca’ com ‘Força Lula’

É uma boa candidatura à Piada do Ano de 2018…

Pedro do Coutto

Aconteceu no sábado: a torcida do Bayern de Munique, que jogava uma partida de futebol, levou para o estádio uma faixa com a expressão “Forza Luca”. Era uma forma de apoiar o torcedor que esteve em estado de coma por ter participado de um conflito durante uma partida contra o clube alemão, O torcedor está se recuperando, e daí a faixa de apoio levada para o estádio.

A senadora Gleisi Hoffmann, ao percorrer as redes sociais, deparou-se com a imagem e a faixa levantada por grande número de torcedores alemães. Ela confundiu a frase em italiano com a expressão portuguesa “Força Lula”, e colocou sua observação no Twiter. Ela achou que a frase estava ligada ao julgamento de Lula pelo Tribunal Regional Federal, marcado para 24 de janeiro. Foi, como se vê, uma gafe tremenda que mais uma vez decorre de uma precipitação.  Ela não só se precipitou como leu errado.

FAKE NEWS – Reportagem da Folha de São Paulo desta segunda-feira focaliza o assunto e destaca o erro cometido pela senadora. Mais uma vez as situações mostram que é preciso ter cuidado ao se ler conteúdos veiculados pelas redes sociais. Entretanto, a questão essencial não é somente essa. É que não faz o menor sentido lançar exclamações de apoio a um acusado na proximidade de seu julgamento. Afinal de contas, julgamento não pode ser considerado como uma disputa eleitoral ou uma competição esportiva.

Não foi o caso da faixa levantada da torcida alemã. Nem poderia ser. Por uma simples questão de lógica, não teria o menor cabimento a manifestação interpretada por Gleisi Hoffmann em favor do ex-presidente Lula da Silva. O episódio fica contido como uma peça de humor produzida sem querer pela senadora que é presidente nacional do PT.

UM OUTRO ASSUNTO – O Valor, também na sua edição de ontem, revela que os pedidos de aposentadoria por parte de funcionários públicos federais subiram 50% em 2017 em relação aos pedidos formulados em 2016. No ano passado aposentaram-se 21.453 funcionários. Em 2016 aposentaram-se 14.563.

Compreende-se a razão do aumento: o temor de o projeto de reforma da Previdência vir a ser aprovado. O projeto eleva os limites de idade no serviço público. Por isso, os que já têm tempo de serviço suficiente tomaram a iniciativa de se prevenir contra obstáculos que o projeto do governo Michel Temer pretende criar.

O deputado Rodrigo Maia, matéria publicada pelo O Globo afirmou que na sua opinião será difícil o Congresso aprovar as mudanças. Mas os funcionários públicos, como diz o velho ditado, acham melhor prevenir do que remediar.

“CORREIO DA MANHÔ- Durante 73 anos, foi um marco na imprensa brasileira

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Em 1944, o jornal noticiava o desenrolar da Guerra

José Carlos Werneck

Este texto é totalmente fruto da magnífica pesquisa feita por Carlos Eduardo Leal, que cita como fonte o próprio “Correio da Manhã”, que mostra a trajetória daquele que foi um dos mais importantes órgãos da Imprensa brasileira. Pouquíssimas alterações foram feitas no excelente texto de Carlos Eduardo Leal, e todos os créditos a ele são devidos. Fiz apenas uma edição para permitir sua publicação no Blog.

JORNAL DE OPINIÃO – O “Correio da Manhã”, jornal carioca diário e matutino, fundado em 15 de junho de 1901 por Edmundo Bittencourt e extinto em 8 de julho de 1974, foi um dos principais órgãos da imprensa brasileira e sempre destacou-se como um “jornal de opinião”.

Sua fundação é diretamente relacionada à Revolução Federalista do Rio Grande do Sul nos primeiros anos da República (1893-1894), e aos eventos que lhe sucederam. Edmundo Bittencourt era vinculado aos federalistas e no Segundo Reinado iniciou sua carreira jornalística em Porto Alegre escrevendo em A Reforma, jornal de propriedade do conselheiro Gaspar Silveira Martins. Essa formação gasparista e, portanto, oposicionista, parece explicar a linha “participante e combativa” que Bittencourt imprimiria ao “Correio da Manhã”.

Declarando-se isento de qualquer tipo de compromisso partidário, o “Correio da Manhã” apresentou-se como o defensor “da causa da justiça, da lavoura e do comércio – enfim, do direito do povo, de seu bem-estar e de suas liberdades”. O jornal causou grande impacto por sua independência da situação, vindo “romper com os louvores a Campos Sales”, então presidente da República (1898-1902). Outra característica do “Correio da Manhã” no momento de sua fundação foi sua aproximação comas camadas menos favorecidas da sociedade.

DIREITOS POPULARES – A primeira campanha empreendida pelo jornal, contra o aumento no preço das passagens dos bondes, exemplifica essa simpatia pelo direito das massas. Desde o seu primeiro número, o Correio fez também campanha contra os jogos de azar e denunciou os funcionários públicos que extorquiam dinheiro de comerciantes.

Evaristo de Morais, um de seus colaboradores, chamava a atenção para os movimentos operários em todo o mundo e para a ação coercitiva das leis brasileiras diante das reivindicações partidas das camadas mais pobres. Além disso, o matutino destaca, em suas páginas as passeatas e movimentos populares.

O oposicionismo do Correio da Manhã foi lembrado, em edições comemorativas posteriores, como o “combate ao controle do poder pelas oligarquias que tentaram durante a Primeira República deter o país num estágio agrícola de produtor e exportador de matérias-primas e importador de manufaturas”.

( AMANHÃ: Um jornal que dignificava a oposição ao governo)

 

Haddad diz que não será candidato em 2018, mas há controvérsias

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Na campanha, Haddad já se estressou com Suplicy

Vera Rosa
Estadão

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirma que não concorrerá a nenhum cargo na eleição deste ano. Haddad foi convidado pelo partido para ser candidato ao Senado, mas, diante da decisão do vereador Eduardo Suplicy de disputar a vaga, garantiu que não entrará no páreo. A montagem da chapa em São Paulo virou o mais novo impasse para o PT. “Eu deixei claríssimo ao PT que não disputaria com Suplicy”, disse Haddad ao Estado. “Não faz sentido que sejam lançados dois nomes. Quando aconteceu de o mesmo partido eleger dois senadores? Só em 1994, no Plano Real.”

Escolhido para coordenar o programa de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto, Haddad negou, porém, que sua amizade com Suplicy tenha sido abalada pelo episódio. Nos bastidores do PT há comentários de um mal-estar entre os dois por causa da campanha pelo Senado. “Qual mal-estar? Se há mal-estar, não é comigo”, desconversou Haddad. “Eu estou muito confortável como coordenador do programa de governo do Lula.”

PLANO B – Haddad vira e mexe é citado como “Plano B” do PT para a Presidência, caso Lula seja condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, no próximo dia 24, e não possa concorrer. O ex-prefeito, no entanto, sofre resistências no próprio partido para ocupar essa vaga. Se o PT tiver de substituir Lula na última hora, após esgotar todos os recursos judiciais, o mais cotado para o posto é o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, hoje secretário estadual.

Diante do imbróglio na composição da chapa para o Senado, uma ala do PT tenta convencer Haddad a disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas ele não quer. Lula e a cúpula do PT paulista, por sua vez, avaliam que Suplicy deveria ceder espaço para o ex-prefeito e concorrer a deputado federal, atuando como puxador de votos para a bancada. Na eleição de 2016, ele foi o vereador mais votado.

ENQUETE – Ex-secretário de Direitos Humanos na gestão de Haddad, Suplicy contou que está fazendo uma enquete com a população para saber qual campanha deve fazer neste ano.  “Eu também pergunto se devo ficar até o fim do mandato como vereador”, disse ele. “Muitos preferem que eu seja candidato a governador, mas o pedido mais frequente é para que eu tente ser novamente senador, cargo que exerci durante 24 anos.”

Até agora, o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo é Luiz Marinho, presidente estadual do partido. O Estado apurou que Haddad — derrotado por João Doria (PSDB) na campanha de 2016 à Prefeitura — gostaria de entrar na briga pelo Palácio dos Bandeirantes, mas Lula acertou a indicação de Marinho.

“Se o partido e o próprio Marinho avaliarem que é conveniente ter uma prévia entre todos nós para definir o candidato ao governo, eu aceito disputar”, afirmou Suplicy.

SEM ATRITOS – O petista negou atritos com Haddad sobre a vaga ao Senado. “Tenho muito respeito e consideração pelo Fernando Haddad, meu amigo há 30 anos. Ele pode contar comigo para o que quiser”, insistiu.

Suplicy lembrou, porém, que, recentemente, Haddad se irritou com uma de suas enquetes sobre o destino político. “Houve um ato pró-Lula em Piracicaba e, no fim, eu perguntei à plateia: ‘Quem sabe vocês possam me dizer o que eu devo ser?’ ”, contou o vereador. “Todos responderam que eu deveria ser senador. Foi uma ovação.”

Presente ao ato, Haddad não escondeu a contrariedade. “Ele conversou comigo e falou que não era o melhor momento para eu fazer aquela pergunta”, lembrou Suplicy. A história foi confirmada pelo ex-prefeito. “Achei mesmo inadequado porque ele puxou o foco para uma coisa que já está resolvida. Já disse que não disputo com Suplicy. Mas o Suplicy é assim. Tem o jeito dele”, amenizou Haddad.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Haddad não quer ser Plano B de Lula, porque sabe que não ganha. Seu Plano A é ser candidato a deputado federal, para seguir a carreira política. Mas diz que não, por enquanto. Apenas por enquanto… (C.N.)

‘Há incertezas sobre o destino de Lula, mas prisão e improvável’, diz tesoureiro do PT

Emídio acha que PT tem de pressionar a Justiça

Catia Seabra
Folha

O tesoureiro nacional do PT e ex-prefeito de Osasco (SP), Emídio de Souza, disse, em reunião com militantes, que há incertezas sobre o destino do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, às vésperas do julgamento do dia 24, estimulou os petistas a demonstrar força para pressionar a Justiça. Ele disse que quanto mais força o movimento tiver, “mais comedida a Justiça vai ser”. “Não sei se ela vai se amedrontar”, afirmou.

Na reunião, ocorrida a portas fechadas na última quinta-feira, dia 10, Emídio afirmou que todos ali estavam apreensivos com “o que vai acontecer a partir do dia 25 se o Lula for condenado”. O tesoureiro do PT contou também que existe um receio de que o passaporte de Lula seja apreendido por decisão judicial, o que inviabilizaria uma viagem à Etiópia prevista para o dia 26. “Tem gente com medo de que o Moro, o Moro não, o tribunal lá, possa apreender o passaporte dele para impedir. Nós temos como responder se eles vão fazer isso ou não? Temos? Não temos”, afirmou ele.

“HIPÓTESE IMPROVÁVEL” – Durante a reunião, Emídio chamou de improvável a hipótese de a Justiça decretar a prisão de Lula já no dia 24, “a não ser que seja estado de perseguição completo”. Ele desencorajou petistas a irem a Porto Alegre, sede do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), recomendando que permaneçam em São Paulo para acompanhar o ex-presidente em um ato programado para a noite do dia 24 na avenida Paulista. “Temos que cercá-lo. Temos que estar junto dele para mostrar que temos força”, disse Emídio.

Principal adversário de Lula na campanha presidencial, segundo as pesquisas,o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) divulgou em redes sociais um vídeo em que diz que é “curioso” o presidente viajar logo depois de seu julgamento na segunda instância. Na capital etíope, Adis Abeba, o petista pretende participar de debate sobre ações de combate à fome. “Estaria Lula preparando uma saída estratégica temendo uma condenação via TRF-4?”, falou Bolsonaro.

VIAGEM –  Na tarde desta segunda-feira, dia 15, depois de reveladas as declarações de Emídio, o instituto Lula divulgou uma nota em que confirma a participação do ex-presidente em evento organizado pela União Africana. Segundo a nota, a viagem já havia sido divulgada para a imprensa no ano passado, já é de conhecimento público faz tempo. “O evento é no dia 28 de janeiro e no dia seguinte o ex-presidente retorna ao Brasil”, diz a nota.

Tribunal mantém a suspensão da posse de Cristiane e o vexame vai aumentando

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Juiz Vitovsky decidiu fixar a competência da 4ª Vara

Deu na Folha

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região manteve novamente nesta segunda (15) a liminar que impede a posse da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o cargo de ministra do Trabalho. Nesta sexta-feira (12), a Advocacia-Geral da União (AGU) havia entrado com embargos de declaração no TRF-2 contra a liminar que suspendeu a deputada de assumir o cargo. Com a decisão, a formalização dela no cargo, que deveria ter acontecido em cerimônia na terça (9), continua suspensa. O juiz federal Vladimir Vitovsky negou os recursos da AGU e fixou a competência da 4ª Vara Federal de Niterói para tratar do caso.

Considerado uma espécie de recurso para que o tribunal se pronuncie sobre obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições de suas decisões, os embargos de declaração foram mais uma tentativa do governo federal de derrubar a liminar que suspendeu a posse.

OUTRA NEGATIVA – Nesta segunda, o juiz federal de Niterói (RJ) Leonardo Couceiro, que decidiu suspender na semana passada a posse sob o argumento de que a indicação desrespeita o princípio da moralidade administrativa, negou pedido da AGU para reconsiderar a sua própria decisão.

Mesmo assim, ele negou pedido dos autores para que fossem aplicadas punições a Cristiane e à União por suposto descumprimento da liminar, sob a alegação de que a deputada estaria exercendo influência no ministério.

Na semana passada, Couceiro decidiu suspender a posse de Cristiane porque a deputada tem uma condenação em uma ação trabalhista. A deputada foi condenada a pagar R$ 60 mil a um de seus motoristas e fez acordo com outro profissional, pagando R$ 14 mil para evitar uma condenação.

SUSPENSÃO DA POSSE – O pedido de suspensão da posse tinha sido encaminhado por um grupo de advogados do Rio. Na terça (9), o juiz Guilherme Couto de Castro já havia negado a cassação da liminar no Tribunal Regional. Ele entendeu que não há risco de grave lesão à ordem ou à economia pública.

Na quarta (10), o juiz Vladimir Vitovsky também manteve a liminar após pedido da Advocacia-Geral da União e da própria Cristiane Brasil. Ele entendeu que a liminar não acarreta “risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais um vexame da Advocacia-Geral da União, que não consegue encontrar argumentos para justificar, porque muitas vezes o que é legal (a nomeação) pode ser também amoral (ou até imoral, como é o caso). Ainda na tarde desta segunda-feira, dia 15, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun  disse que Cristiane Brasil, neste momento, seria um problema do Judiciário. Ao mesmo tempo, acrescentou que os membros do Judiciário estariam “extrapolando”. Contraditório, Marun tenta defender a posse da deputada, recaindo na tentativa de persuadir a todos de que a nomeação é um “ato privativo do presidente da República”, e que não considera “nem amorais, nem imorais todos aqueles que em algum momento da sua vida, principalmente aqueles que são empregadores, que perderam ações na Justiça do Trabalho”. Marun devia ir mais fundo e saber que não trata-se de simples derrota no tribunal, por lapso ou detalhes menores. Não há maquiagem em seu discurso que melhore este cenário pra lá de desgastado. E só tende a piorar. (M.C.)

Certo, certo. No entanto…

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Uma nomeação que só interessa a esses dois…

Percival Puggina

As únicas pessoas interessadas na posse de Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho são ela mesma e seu pai Roberto Jefferson. Um caso de família. A incompatibilidade entre a parlamentar e a pasta não se estabeleceu em virtude de estar respondendo a ações trabalhistas, pois essa é uma quase incontrolável fatalidade nacional. O que a desacredita para a função é a natureza das reclamatórias e da condenação que já sofreu. O presidente Temer mantém a indicação por dever de ofício: o PTB é importante para a base do governo no Congresso e não convém desagradar seu principal líder. Então, certo, certo. É bom que Cristiane Brasil suma e não assuma.

No entanto, essa é uma decisão da fração política da pirâmide do poder. As revelações surgidas não constituem pauta para o Poder Judiciário fora do âmbito em que já tramitam – a Justiça do Trabalho.

LIMINAR – A Constituição é muito clara ao afirmar que nomeação e exoneração de ministros de Estado são atos de competência exclusiva do presidente da República. Trata-se de um dos muitos preceitos onde a única “leitura conforme a Constituição” é a que se faz na própria Constituição. Ao avocar a si o poder de vetar a nomeação de um ministro de Estado, o magistrado empurrou sua cerca para além da divisa natural, institucional.

Temos visto sucessivos e excessivos exemplos desse tipo de comportamento para não ficarmos preocupados quando ele se manifesta. Em grau de recurso, o desembargador do TRF2, por sua vez, não examinou o mérito da questão; apenas disse não haver no caso “manifesto interesse público”. É de interesse público, sim, Excelência. Ninguém quer um governo de juízes.

ASSÉDIO – Muito pertinente o protesto das atrizes e dos atores que se vestiram de preto na entrega do troféu Globo de Ouro em Los Angeles. São verossímeis os relatos que nos últimos meses desabaram sobre o mundo hollywoodiano contando histórias de assédio e de carreiras construídas entre as câmeras e as camas. Simetricamente, se afigura igualmente verossímil que alguém busque nos microfones a fama que não obteve nas telas. Imagino que nem metaforicamente alguém seja prudente pôr a mão no fogo pela sanidade dos bastidores do mundo do cinema. Então, certo, certo. Como dizem as militantes do movimento, “Time’s up!”.

No entanto, não posso deixar de conceder razão a Catherine Deneuve quando condena o estupro e a violência contra a mulher, mas denuncia um feminismo muito em voga, que converte o homem num malfeitor potencial e toda tentativa de sedução em assédio.

Temos visto sucessivos e excessivos exemplos desse feminismo socialmente nocivo. Ele é bem qualificado pela escritora iraniana radicada na França, Abnousse Shalmani, em matéria do jornal El país: “O feminismo se transformou em um stalinismo com todo seu arsenal: acusação, ostracismo, condenação”.

FALSO FEMINISMO – Essa definição se encaixa no feminismo que vejo promovendo manifestações públicas nas ruas de nosso país; feminismo grosseiro, nudista, apelativo, feio como o diabo, expressando repulsa a tudo que seja masculino (misandria). Então, certo, certo. Catherine tem razão.

No entanto, é preciso reconhecer que ela e suas amigas, no manifesto que assinam, põem foco no que denominam liberação sexual, que não se tem revelado benéfica, dada a dissolução que provoca nos laços familiares, respondendo diretamente por altíssima e crescente quantidade de famílias monoparentais das quais sumiu a figura paterna.

Então, certo, certo. Prudência, moderação, justo discernimento, bom senso, limites, são virtudes e qualidades sempre necessárias e de benéficos resultados.

Em “missões oficiais”, Câmara paga até R$ 45 mil por passagem aérea para deputados

Charge do Amorim (amorimcartoons.com.br)

Marianna Holanda,
Adriana Ferraz e Cecília do Lago
Estadão

A Câmara dos Deputados já pagou até R$ 45,5 mil por um bilhete aéreo de ida e volta para uma viagem oficial neste mandato. Levantamento feito pelo Estado, com dados obtidos por meio de Lei de Acesso à Informação, com 1,4 mil viagens oficiais bancadas pela Casa desde 2015, revela que foram desembolsados R$ 7,6 milhões, em valores atualizados. Durante o período, as passagens que mais pesaram foram as internacionais – representam mais de 90% do total. Em novembro, houve um aumento de 41% nas viagens internacionais dos parlamentares neste mandato, em comparação com o anterior.

CLASSE EXECUTIVA – As passagens de missões oficiais são compradas e pagas pela Casa, diferentemente das passagens a que os deputados têm direito mensalmente para voltar a seus Estados – essas, que não foram contabilizadas no levantamento, são os deputados que compram, e o dinheiro sai da cota parlamentar. Os cinco casos de passagens mais caras analisados pelo Estado foram de classe executiva – o que pode ser tanto direito previsto no regimento da Casa pelo cargo ou condição do deputado ou devido a um “upgrade” de classe com verbas da cota parlamentar.

Questionada se haveria um máximo de passagens que deputados poderiam solicitar ou um teto para o valor pago, a Câmara não respondeu e afirmou que informações adicionais devem ser pedidas “por meio de Lei de Acesso à Informação”. Uma comitiva de oito deputados foi à China no ano passado, em uma viagem oficial que durou dez dias. O deputado Damião Feliciano (PDT-PB) teve os bilhetes mais custosos do grupo e de todo o ano passado, no valor de R$ 36,6 mil. No ranking total do mandato, ele fica atrás de oito deputados.

Os cinco bilhetes mais caros pagos nos últimos três anos foram de missões em 2015. Os dois primeiros são de uma viagem de quatro dias dos deputados baianos Claudio Cajado (DEM) e Antonio Imbassahy (PSDB), em dezembro de 2015, para o Casaquistão e a Georgia. As viagens custaram, respectivamente, R$ 45,5 mil e R$ 45,3 mil, em valores atualizados. Por serem procurador legislativo e líder do partido à época, respectivamente, eles tiveram direito a classe executiva. Além deles, segundo regimento interno, têm esse direito ocupantes de outros cargos, como membros titulares da Mesa Diretora e presidentes de Comissões Permanentes.

FALTA DE RECURSOS – “Nenhum de nós tem interesse de comprar passagem mais cara”, disse Cajado. Membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o deputado afirmou que, nessa viagem, um dos focos era participar da Expo-2017, feira mundial de energia sustentável, para a qual o País foi convidado na ocasião, mas isso acabou não acontecendo por conta da crise. “Acabou faltando recursos”, segundo Cajado. Por meio de nota, Imbassahy disse que “foram cumpridos todos os requisitos estabelecidos pela Câmara para participação em missões oficiais” e que o objetivo da viagem era “estreitar” relações com os países.

O regulamento interno da Casa determina que o pedido de concessão das passagens seja “formalizado com devida antecedência da realização da viagem, com vistas à reserva das passagens e à obtenção de preços mais vantajosos”. O texto não estipula, contudo, de quanto tempo seria “devida antecedência”. “Eu não controlo o preço da passagem. Às vezes, demora para sair (a autorização da Câmara) e elas ficam mais caras”, afirmou Cajado. O deputado do DEM também foi o que mais fez a Casa desembolsar recursos nos três anos de mandato para viagens: R$ 280 mil.

NEM AÍ – Quem também diz não ter o controle do preço da passagem é o deputado José Rocha (PR-BA). Com o terceiro bilhete mais caro do período, R$ 43,1 mil, ele disse ao Estado: “Eu vou saber de preço? Viajei, mas não fui eu quem comprou”. Rocha foi um dos onze parlamentares da delegação especial a Hanói, no Vietnã, para a 132.ª Assembleia da União Interparlamentar. Com outros três deputados, Felipe Bornier (PROS-RJ) passou uma semana na Rússia em missão oficial. À época segundo-secretário da Casa, foi para ele que a Câmara pagou a quarta passagem mais cara deste mandato: R$ 42,8 mil.

“Essa viagem que a gente fez, inclusive, conseguiu retornar a importação de carne do Brasil (pela Rússia). A gente fez uma viagem que teve um resultado e paga essa passagem tranquilamente em relação a isso”, afirmou o parlamentar. Bornier disse ainda que foi um dos deputados que menos viajaram e que não tem acesso aos preços da passagem, porque quem compra é a Casa. O deputado paranaense Alex Canziani (PTB-PR) foi aos Estados Unidos em 2015 para um evento da Fundação Lemann, com outros tantos brasileiros, de estudiosos e até ministros, para discutir o País.

Como à época era secretário da Mesa, teve direito a uma passagem na classe executiva, de R$ 37,9 mil. Canziani ressalta que “existem missões e missões”. A dele, no caso, faz parte daquelas que dão “a oportunidade de um parlamentar conhecer determinada experiências, pessoas de temas que trata na Câmara”. “Viagens podem abrir horizontes”, concluiu. O deputado Damião Feliciano não respondeu aos questionamentos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
A farra das passagens, seja para as “missões” ou as previstas entre os direitos mensais dos parlamentares para voltarem a seus Estados, é expressão antiga e infeliz no cenário político. Evidentemente, acordos, negociações e interações demandam viagens. Se tudo isso fosse sério, estaria redondo. Mas onde fica a fiscalização nesse enredo? Protagoniza ou atua como figurante? Não há transparência, padrões, tratamento ético e justificado da verba pública. Tem cidadão que não sabe nem o caminho do aeroporto, mas todo mês paga, e caro, passagem para parlamentar. E o deputado ainda se espanta quando questionado se sabe quanto custa o seu passeio para novos horizontes e a vivência de “novas experiências”. (M.C.)

No céu, entre milhares de livros, chega-se ao paraíso

Fred Bass e sua filha, no sebo “Strand”, em NY

Ruy Castro
Folha

Não consigo passar em frente a um sebo sem entrar. Já me vi apressado a caminho de compromissos em cidades que não a minha e, ao vislumbrar uma porta anunciando livros usados, algo me compeliu a entrar, indiferente ao fato de que chegaria atrasado. Aconteceu certa vez em Curitiba. Estava indo para uma entrevista quando vi, no outro lado da rua, o sebo Fígaro. Entrei -e me esqueci da entrevista. Depois dessa, aprendi. Sempre que vou a Curitiba, já saio do avião direto para o Fígaro.

Em São Paulo, dedico uma tarde inteira aos sebos da praça João Mendes e adjacências. Em Belo Horizonte, faço o mesmo no edifício Maleta. Conheço os sebos de Porto Alegre, Salvador, Natal. Nos do Rio, não me dou apenas com os gatos – sou íntimo até dos ácaros e, a alguns, chamo pelo nome. E não há sebo desprezível. O menor sebo que conheci era quase um buraco na parede, no Flamengo. Nas três primeiras vezes em que o visitei encontrei três preciosidades.

MAIOR DO MUNDO – Há um famoso sebo em Nova York, o Strand, na esquina de Broadway e Rua 12, que se anuncia como tendo “18 milhas de livros” -28,96 km de prateleiras, do chão ao teto. Quando entrei nele pela primeira vez, em 1972, disse para mim mesmo a frase que nunca abandonei: “Quando morrer, não quero ir para o céu. Quero vir para este sebo”. Com os anos, adaptei-a a muitos outros sebos, principalmente brasileiros, até que acabei por generalizar: não quero ir para este ou aquele sebo, mas para os sebos – todos.

Fred Bass, que herdou o Strand de seu pai nos anos 1950, quando a loja era uma portinha, e a transformou no maior sebo do mundo, morreu na semana passada, aos 89 anos. Depois de uma vida inteira entre estantes, Bass acabara de se aposentar. A morte é a aposentadoria, só que mais radical.

Pelo menos, Fred Bass já passara a vida no céu.

Gilmar Mendes, “homenageado” e “odiado”, inspira marchinhas de Carnaval

Charge do Sponholz (Site sponholz.arq.br/)

Gilberto Amendola
Estadão

O japonês da federal e o prefeito de São Paulo João Doria são personagens do Carnaval que passou. O muso dos compositores de marchinhas agora é outro: “Ele é uma figura que está no jornal diariamente. A gente acorda com ele quase todos os dias”, disse João Roberto Kelly, 79 anos, ao se referir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Gilmar Mendes.

O ministro foi “homenageado” em pelo menos três novas marchinhas. Kelly, que é autor de clássicos como “Cabeleira do Zezé” e “Mulata Iê-Iê-Iê”, lançou “Alô, Alô Gilmar” ( “Alô, alô Gilmar/eu to em cana,/vem me soltar…). Já os Marcheiros saíram com “Gilmar Soltou A franga” (“Gilmar soltou/Soltou a franga/Largou a “tonga”/E agora só anda de tanga…). O grupo Orquestra Royal também vai repetir o tema com “A Dancinha da Tornozeleira” (Começou o Carnaval do Gilmar/Liberou a brincadeira/Quero ver quem vai dançar/A dancinha da tornozeleira…).

UNINDO TRIBOS – – A inspiração, é claro, vem dos últimos habeas corpus concedidos pelo ministro, como no caso do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho; do ex-ministro dos Transportes Antonio Carlos Rodrigues, presidente do PR; e o empresário Jacob Barata Filho, o ‘rei do ônibus’. “A gente vive uma época do polarizada, tão direita e esquerda, que o Gilmar Mendes é o único personagem que pode unir todas as tribos. Ele pode ser motivo de brincadeira para quem está de qualquer lado do embate político”, disse Thiago de Souza, um dos compositores dos Marcheiros.

Kelly enxerga potencial em Gilmar Mendes, mas diz não saber se a marchinha sobre o ministro irá se eternizar como “Cabeleira do Zezé” é outras. Para ele, o segredo do sucesso é acertar na dose da crítica. “É uma brincadeira de carnaval, não pode ofender e nem passar dos limites. A marchinha pode tudo, mas sem ser agressivo”, diz.  A assessoria do ministro foi procurada pela reportagem para comentar o conteúdo das marchinhas que levam o seu nome. Até o momento não houve resposta.

NA BOCA DO POVO – Além do ministro, outras figuras públicas já estão na boca dos carnavalescos. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e o Prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella têm suas próprias marchinhas. A Orquestra Royal lançou no início da semana o “Bolsomico”, cujo o refrão bate forte no candidato: “É melhor Jair, já ir embora, sair correndo para a aula de história…”. O compositor Vitor Velloso comenta a reação dos eleitores de Bolsonaro à homenagem. “Muitos dos seguidores do Bolsonaro têm nos pedido pra fazer música sobre o Lula e Dilma também. Já fizemos várias. Já rimos de Aécio, Lula, Dilma, Temer… é mais divertido quando não se poupa ninguém. Nosso único foco é mirar em quem tem poder.”

Já os Marcheiros citam Bolsonaro para criar um hino contra a polarização política nesse carnaval: “É bom Jair me desculpando/ Eu não quero confusão/Já que não sou partidário/Dessa polarização!/Sou um pouco saudosista/Mas não acho tão legal/Requentar a guerra fria/Em pleno carnaval!” . “No carnaval, precisamos superar essa polarização. Está ficando chato. Temos que ter o direito de brincar com todo mundo sem fazer disso uma guerra”, fala Thiago Souza.

HIT – No Rio de Janeiro, Crivella será um hit. Evangélico, o prefeito já fez declarações pouco simpáticas à folia carnavalesca. Por isso, os Marcheiros lançaram uma marchinha em que o próprio Deus pede para o político aliviar para o pessoal que gosta de carnaval. “Marcelinho, não fique assim/Quarta de cinzas a folia chega ao fim/Marcelinho, não fique p#$%*/Que até à Páscoa eles voltam para o culto…”

Em 2015, o grande personagem das marchinhas foi o “Japonês da Federal” ,o agente da PF Newton Ishii (“Ai meu Deus, me dei mal, bateu a minha porta o japonês da federal…). No ano passado, o herói das marchinhas foi o prefeito de São Paulo João Doria ( “Eu já te vi de jardineiro, de pintor e de Gari. Só de prefeito, eu confesso, ainda não vi…”).

Polícia Federal indicia Fernando Haddad por caixa 2 na campanha de 2012

O inquérito é um desdobramento da Lava Jato

Bruno Tavares
G1 / TV Globo

A Polícia Federal em São Paulo indiciou o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) pelo crime de falsidade ideológica eleitoral – mais conhecido como Caixa 2. Além dele, outras seis pessoas foram indiciadas: o ex-tesoureiro de campanha do PT João Vaccari Neto, o coordenador da campanha de Haddad à Prefeitura de São Paulo, Chico Macena, o ex-deputado pelo PT Francisco Carlos de Souza e três pessoas ligadas a uma gráfica que prestou serviços para a campanha eleitoral da Haddad, em 2012.

O inquérito é um desdobramento da Operação Lava Jato. A investigação começou depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou a delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, sócio da empreiteira UTC, um dos envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras. Pessoa disse que, após as eleições de 2012, foi procurado por João Vaccari Neto, então tesoureiro do PT. Vaccari teria pedido que o empresário pagasse uma despesa com a gráfica de um homem chamado Chicão, no valor de R$ 3 milhões.

PAGAMENTO À VISTA  – O ex-diretor Financeiro da UTC Walmir Pinheiro contou em depoimento que tentou negociar com Chicão um parcelamento do valor, mas que ele não aceitou. A solução foi um desconto para o pagamento à vista – no total, R$ 2,6 milhões. Nenhum dos delatores sabiam dizer ao certo quem era essa pessoa com o apelido de Chicão.

Dois detalhes foram fundamentais para que os policiais chegassem à identidade dele: um número de telefone, fornecido pelo doleiro Alberto Youssef, e um reconhecimento por foto. Só então a Polícia Federal teve certeza de que Chicão era o ex-deputado estadual pelo PT Francisco Carlos de Souza. Os delatores da UTC entregaram imagens de dele chegando na construtora para pegar o dinheiro. A investigação aponta que a ex-mulher de Francisco, Zuleica Lopes Maranhão de Souza, e um irmão dele, Gilberto Queiroz de Souza, eram donos ou tinham ligação com as gráficas.

CIFRA OCULTA – Em julho do ano passado, a PF deflagrou a Operação Cifra Oculta para cumprir 9 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, nas cidades de São Paulo, São Caetano e Praia Grande. Na ocasião, a PF pediu a condução coercitiva de Fernando Haddad, da ex-vice-prefeita de São Paulo Nádia Campeão e de outras 4 pessoas, mas a Justiça negou.

No relatório de 32 páginas entregue nesta segunda-feira, dia 15,  à Justiça Eleitoral, o delegado João Luiz Moraes de Rosa, da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor), afirma que “todo conjunto probatório colhido nos autos está a indicar que a prestação de serviços gráficos à campanha de Fernando Haddad por parte das empresas LWC e Cândido & Oliveira Gráfica Ltda em valores acima daqueles declarados à Justiça Eleitoral, bem como o pagamento pela prestação desses serviços via empresas de fachada e recebimento de numerário em espécie, com origem ilícita.”

Indefinições fazem PT atrasar o programa de governo da candidatura Lula

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Charge do Simanca (Arquivo Google)

Ricardo Galhardo
Estadão

O cenário político conturbado desde o início da Lava Jato, em 2014, o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, em 2016, e a indefinição jurídica sobre a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocaram atraso no cronograma eleitoral do PT. Em eleições passadas, nesta altura da disputa, o partido já tinha definido os nomes da coordenação da campanha responsáveis pelas articulações políticas, mesmo que informalmente.

Até agora, o único setor cujos integrantes já foram confirmados é o de programa de governo, a cargo do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

JULGAMENTO – Embora o partido não confirme publicamente, dirigentes admitem em conversas reservadas que a situação jurídica de Lula também tem atrapalhado. Líder nas pesquisas de intenção de voto, ele foi condenado em primeira instância a 9 anos e 6 de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP). Se a sentença for confirmada no dia 24 pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), o petista pode ficar inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

 “A partir do dia 25, quando o partido vai reafirmar a candidatura de Lula, vamos acelerar este processo”, disse o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, um dos vice-presidentes do PT. “Estamos em uma situação excepcional em relação a anos anteriores. Agora é uma disputa com grande instabilidade institucional, temos a situação de enfrentamento pelo direito de Lula ser candidato, desde 2003, pela primeira vez, não estamos no governo federal. É natural. Não é só no PT, o ambiente político está muito diferente”, afirmou.

PRIORIDADE – Segundo dirigentes petistas, embora o partido tenha descartado plano B e decidido insistir na candidatura de Lula, o julgamento do ex-presidente ganhou prioridade na agenda da sigla, tirando espaço, tempo e recursos das articulações políticas.

Na condição de presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) deve assumir a coordenação-geral da campanha – hoje ela comanda o Grupo de Trabalho Eleitoral criado em dezembro do ano passado –, mas alguns petistas graúdos questionam a viabilidade de ela acumular a função com a campanha à reeleição ao Senado. Pela primeira vez um coordenador de campanha presidencial deve ser candidato a cargo majoritário – José Dirceu, em 2002, e Ricardo Berzoini, em 2006, disputaram a Câmara.

SEM ARTICULADORES – Além disso, petistas apontam a falta de articuladores com experiência eleitoral no entorno do ex-presidente. Dirceu e Antonio Palocci foram abatidos pela Lava Jato. Marco Aurélio Garcia morreu em julho do ano passado. Berzoini está afastado da política, os velhos colaboradores que integravam a direção do Instituto Lula foram substituídos por jovens sem experiência e apenas dois dos cinco vice-presidentes do PT não são candidatos a deputado – Luiz Dulci e Alberto Cantalice.

A equipe do programa de governo também vai sofrer mudanças. Alas petistas rejeitaram a escolha de “três homens, brancos, paulistas” (Haddad, Renato Simões e Márcio Pochmann) e, agora, cobram a inclusão de negros e mulheres.

Suplentes recebem até R$ 70 mil por menos de uma semana de trabalho

Charge do Bruno (chargesbruno.blogspot.com)

Julia Lindner
Estadão

Um benefício concedido pelo Congresso a novos parlamentares permitiu que suplentes recebessem até cerca de R$ 70 mil por menos de uma semana de trabalho. A verba, descrita como “ajuda de custo”, é concedida no início e no fim do mandato. Na atual legislatura, que começou em 2015, a Câmara e o Senado gastaram em torno de R$ 3 milhões apenas com o pagamento deste tipo de auxílio para suplentes.

Segundo as normas legislativas, a ajuda, equivalente a um salário integral do congressista (atualmente no valor de R$ 33,7 mil), deve ser “destinada a compensar as despesas com mudança e transporte” dos parlamentares, independentemente do tempo de duração do mandato. Pela regra, um suplente só deve ser convocado se a previsão de afastamento do titular for superior a quatro meses.

Nos últimos três anos, foram 70 mudanças na Câmara, que gastou pelo menos R$ 2,2 milhões com as trocas, e outras 19 no Senado, ao custo de mais de R$ 944,4 mil. Além disso, ao assumir o cargo, os suplentes passam a ter direito a outros benefícios, como ressarcimento de despesas médicas e odontológicas, auxílio-moradia e verba indenizatória.

BREVÍSSIMOS  –  Em ao menos dois casos, os suplentes receberam a ajuda de custo, mas não ficaram uma semana no cargo. Em maio de 2016, por exemplo, o senador Romero Jucá (MDB-RR) se afastou do mandato para assumir o comando do Ministério do Planejamento. Em seu lugar, tomou posse Wirlande da Luz (MDB-RR). Uma semana depois, a divulgação de gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, colocou Jucá no centro de um escândalo, e ele renunciou ao cargo de ministro. Apesar da troca ter durado seis dias, o suplente recebeu R$ 67.526.

Outro caso é o do suplente Gilberto Piselo (PDT-RO), que também sentou na cadeira de senador por apenas seis dias. Ele entrou na vaga de Acir Gurgacz (PDT-RO), em 2016, e em seguida também pediu licença para resolver assuntos particulares. Na breve passagem pelo Senado, fez dois discursos, mas não teve tempo para tirar a foto oficial como parlamentar. Mesmo assim recebeu R$ 33.763 pelo período em que ficou no cargo e mais R$ 10.128 como salário proporcional.

SEM ILEGALIDADE – Além disso, Piselo recebe, por meio da cota parlamentar, de R$ 5 mil a R$ 6 mil por mês de Gurgacz, há sete anos, pela locação de uma sala comercial em Rondônia, onde funciona o escritório de apoio do atual senador. No total, Gurgacz já repassou mais de R$ 500 mil para seu suplente com dinheiro do Senado desde 2010. 

Procurada, a assessoria de imprensa de Gurgacz afirmou que o contrato do aluguel do imóvel que funciona como escritório de apoio do parlamentar em Ji-Paraná (RO) foi firmado em 2010, no primeiro mandato do senador, quando Piselo não era o suplente. “Portanto, não há nenhuma irregularidade, nem ilegalidade no contrato”, diz a nota.

“AJUDA DE CUSTO “ – Após o pedido de licença de Piselo, em 2016, assumiu a vaga o segundo suplente da chapa de Gurgacz, pastor Sebastião Valadares (PDT-RO), ligado à Igreja Assembleia de Deus. No mesmo mês, o pastor também recebeu mais de R$ 33 mil apenas para iniciar o mandato, além do salário proporcional de senador pelos dias em que trabalhou (R$ 22.508). Depois de permanecer os quatro meses na vaga, tempo mínimo para as licenças particulares, ele deixou o cargo para que Gurgacz reassumisse e recebeu outro salário extra como ajuda de custo. Procurados, Wirlande da Luz, Gilberto Piselo e pastor Valadares não foram encontrados até a última sexta-feira, dia 12..

Quando parlamentares pedem licença às vésperas do recesso, entre dezembro e fevereiro, os suplentes assumem o mandato em época em que a atividade no Congresso é parca – ou inexistente -, mas ganham o direito à ajuda de custo no início e no fim do mandato. No final do ano passado, três senadores pediram licença para tratar de interesses pessoais ou cuidar da saúde: Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), em novembro, e Edison Lobão (MDB-MA), em dezembro. Os pedidos precisam ser aprovados pelo plenário da Casa.

A assessoria de imprensa de Valaderes informou que ele tirou 90 dias para tratamento de saúde e outros 30 dias para tratar de assuntos particulares. O caso de Lobão é semelhante: ele apresentou atestado médico para se licenciar entre dezembro e março, mas estendeu o afastamento por mais um mês. Já Ferraço pediu a licença por discordar da decisão do Senado de devolver o mandato ao senador Aécio Neves (MG). Seu suplente, no entanto, devolveu a ajuda de custo que recebeu no início do mandato, assim como o auxílio-moradia, que juntos somam quase R$ 40 mil.

INJUSTIFICÁVEL –  Em 2015, o senador José Reguffe (sem partido-DF) apresentou projeto para extinguir a ajuda de custo paga aos integrantes do Legislativo no início e no final do mandato parlamentar. Ele alega que esse auxílio não se justifica, já que deputados e senadores têm direito a apartamento funcional e passagens aéreas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Salários estratosféricos, ajuda de custo, auxílio-moradia ou apartamento de graça para morar, ressarcimentos, verbas para contratação de dezenas de funcionários, para alimentação, para aluguel de veículo e escritório, para divulgação do mandato, entre tantas outras despesas ou “benefícios”. Como queiram. Nosso políticos são caríssimos, em todos os pontos de vista. Sobretudo em resultados e eficiência. Custam milhões mensalmente aos contribuintes. Bilhões por ano. E nas terras tupiniquins, falta tudo. Remédio, educação, segurança, esperança e sorrisos. Repetir, cansa. Está desenhado no cotidiano. Uma comparação covarde e que se estende há décadas. As mudanças, ainda em doses homeopáticas, não dependem de meia dúzia de salvadores, mas da maioria. Vai demorar, certamente. Mas um dia, quem sabe, isso tudo aqui poderá ser só lembrança de um longo temporal. (M.C.)

Atrasos e desleixos do governo ameaçam provocar nova crise econômica

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Charge do Glauber

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tentou minimizar o rebaixamento do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), mas não há dúvidas de que o governo perdeu boa parte do discurso de que tudo vai bem na área econômica. Não vai.

Como bem expressou Lisa Schineller, diretora da S&P, a política fiscal do governo está seguindo um padrão de “atrasos” e “desleixos”, não atacando os reais problemas que têm empurrado a dívida pública para quase 80% do Produto Interno Bruto (PIB), nível de países à beira do calote.

CORTE AMENO – Desde que tomou posse, o atual governo deixou claro que não faria um ajuste mais agressivo nas contas públicas. A alegação foi a de que um corte brusco nos gastos tornaria a recessão na qual o país já estava mergulhado ainda mais agressiva.

De olhos fechados, felizes com a queda de Dilma Rousseff, os investidores comemoraram. A troca de gestão, naquele momento, era mais importante do que qualquer coisa. O time econômico comandado por Meirelles foi descrito como genial. O tempo mostrou, porém, que a arrumação das finanças federais estava mais no discurso do que na prática.

DESMONTE – Verdade seja dita, o governo aprovou medidas importantes, como o teto de gastos. O problema é que continuou dando anuência ao aumento das despesas. Avalizou o reajuste de servidores e abriu os cofres para emendas parlamentares durante o momento em que o Congresso avaliava as denúncias contra o presidente Temer.

O discurso fiscalista foi sendo desmontado, mas pouca importância se deu a esse fato diante da necessidade do mercado financeiro de se apegar à promessa de que, em algum momento, a reforma da Previdência seria aprovada.

ESTOURO DA META – Foi preciso a situação quase sair do controle, com perspectiva de estouro da meta fiscal de deficit de até R$ 159 bilhões neste ano, para que o governo tentasse reverter seus erros. Enviou um pacote fiscal ao Congresso, prevendo, entre outros pontos, o adiamento dos salários dos servidores e a taxação de fundos de investimentos exclusivos (destinados aos mais ricos), mas acabou não vendo nada aprovado, assim como a reforma da Previdência. O certo é que, independentemente das mudanças no sistema previdenciário, o Brasil registrará rombo fiscal pelo menos até 2021.

Resta saber se, daqui por diante, o governo realmente vai se empenhar em ajustar as contas, sem depender de receitas extraordinárias, como se tornou rotina. Muito menos ficar contando com repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). São as transferências feitas pela instituição ao Tesouro Nacional que têm evitado a quebra da regra de ouro, mecanismo previsto na Constituição que impede o endividamento para o pagamento de despesas correntes, como salários de servidores, aposentadoria e pensões. É imperativo haver ações efetivas que levem o país a novamente registrar superavits em suas contas e a conter a explosão da dívida pública.

PERIGOS – Meirelles ressalta que boa parte do processo de arrumação das finanças federais depende do Congresso. É verdade. Contudo, não se deve jogar todo o peso do desarranjo fiscal sobre deputados e senadores. O governo precisa fazer a sua parte, conter a gastança que continua a todo vapor e o excesso de benesses em troca de apoio político. Não adianta mais promessas. São necessárias ações concretas. O ministro diz que o país tem a sua agenda, e as agências de risco, as delas. O rebaixamento do Brasil pela S&P indica, porém, que já se perdeu tempo demais.

A despeito do temor em relação ao descontrole fiscal, o mercado financeiro continua optando pela complacência em relação ao governo. Não quer criar marolas com quedas expressivas na Bolsa de Valores e altas substanciais no dólar para não endossar o discurso do caos que beneficia, sobretudo, a oposição que tentará assumir o comando do país nas eleições de outubro próximo.

O perigo é que, com o alarme desligado, acabe estimulando a sensação de que tudo está bem e maquiando uma crise que pode estourar mais cedo do que se imagina.

Fora da prisão, Marcelo Odebrecht centra fogo em executivos da empresa

Marcelo Odebrecht cita Temer - Charge do Yahoo!Brasil. #charge #yahoo #dibujos #desenhos #historietas #banddesinee #fumetti #marcelo #marceloodebrecht #odebrecht #temer #micheltemer #propina #corrupcao #sigame #followme #siga #sigameosbons

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Lauro Jardim
O Globo

Nos próximos dias, Marcelo Odebrecht completa um mês fora da prisão e continua sendo… Marcelo Odebrecht. Tem enviado mensagens, via e-mail, para um seleto grupo de ex-executivos e executivos da empreiteira. O foco não são os negócios do grupo. Neles, não está se metendo — ainda. Marcelo tem centrado fogo em desafetos internos, como Newton de Souza e Maurício Ferro.

Souza é o executivo que o sucedeu na presidência da Odebrecht e hoje vice-presidente do conselho de administração. Ferro, seu cunhado, é diretor jurídico. Assim como fazia com quem o visitava quando estava preso, Marcelo insiste em atacar a dupla.

SEM DELAÇÃO – Diz que os dois deviam ser delatores também. E que lhe foram imputados crimes que ele não cometeu. Ou seja, o que Marcelo quer dizer é que se Souza e Ferro assumissem alguns delitos, sua própria pena poderia ser menor.

Como resume um delator, “o Marcelo está vivo”. E ainda se mantém arredio a um encontro com seu pai, Emílio.

Lava Jato prossegue e Polícia Federal abre novos inquéritos contra ex-ministros

Delação de Sérgio Machado motiva investigação

Julia Affonso e
Ricardo Brandt
Estadão

A Polícia Federal em Curitiba, base e origem da Operação Lava Jato, abriu novos inquéritos com base nos depoimentos da delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Os alvos da investigação são Henrique Eduardo Alves (MDB), ex-ministro de Dilma Rousseff e Michel Temer e hoje preso na Lava Jato; Ideli Salvatti (PT), ex-ministra de Dilma; Edson Santos (PT), ex-ministro de Luiz Inácio Lula da Silva; e os ex-deputados petistas Cândido Vaccarezza (SP) e Jorge Bittar (RJ).

OBRAS EM ESTALEIRO – A Federal abriu ainda um inquérito para apurar as obras do Estaleiro Rio Tietê, em atendimento a pedido do Ministério Público Federal, e um procedimento denominado Verificação Preliminar de Informações sobre seis empresas que, segundo o delator, ‘pagaram de forma continuada vantagens ilícitas, tanto em doações oficiais quanto em repasses em dinheiro’.

A investigação foi remetida pelo Supremo Tribunal Federal para a 13.ª Vara Federal, em Curitiba, sob tutela do juiz federal Sérgio Moro, e anexadas a um inquérito que investiga crimes no âmbito da Transpetro. Em outubro do ano passado, o magistrado determinou, após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável do Ministério Público Federal, o desmembramento da delação de Sérgio Machado que atinge investigados sem foro por prerrogativa de função.

“RECURSOS PARA CAMPANHA” – O delegado Ivan Ziolkowski, responsável pela investigação, enviou, em dezembro, os depoimentos de Sérgio Machado para a Corregedoria da PF. A remessa faz parte do procedimento para a abertura de inquéritos. Machado declarou que Ideli Salvatti solicitou ‘recursos para campanha de 2010’. O delator relatou que ‘foi transferido, via doação oficial, o montante de R$ 500 mil pela Camargo Corrêa’ naquele ano.

Durante a sua gestão à frente da Transpetro, Machado diz ter repassado ao PMDB ‘pouco mais de R$ 100 milhões, cuja origem eram vantagens ilícitas pagas por meio de empresas contratadas pela Transpetro’. “Desse valor, R$ 1,550 milhão foi repassado ao deputado Henrique Alves, da seguinte forma: pela empresa Queiroz Galvão foi pago R$ 500 mil (2014); R$ 250 mil (2012); R$ 300 mil (2008); pela empresa Galvão Engenharia foi repassado R$ 500 mil (2010)”, disse.

O ex-presidente da Transpetro afirmou, ainda, que em ano de 2010, Vaccarezza o procurou e solicitou ‘apoio financeiro’. Segundo Machado, a empreiteira Camargo Corrêa transferiu R$ 500 mil para o diretório do PT. “O valor era oriundo de vantagens ilícitas pagas por empresa contratada pela Transpetro (Camargo Corrêa)”, declarou. Edson Santos, narrou o delator, ‘recebeu vantagem indevida, via ‘doação oficial’, pela Queiroz Galvão, no montante de R$ 142.400,00, no ano de 2014′. Bittar, de acordo com o ex-presidente da Transpetro, obteve RS 200 mil, em 2010, pelo PT, por meio da Queiroz Galvão.

CARTEL  E GRAVAÇÕES  – As investigações atingem ainda o Estaleiro Rio Tietê. A PF vai investigar um suposto cartel ligado ao arrendamento de uma área em Araçatuba, no interior de São Paulo, sem licitação, para construção de comboios para a Transpetro. Sérgio Machado foi um dos primeiros delatores a gravar os alvos de sua delação. Para se livrar da prisão, o ex-presidente da Transpetro registrou áudios de conversas com os caciques do PMDB, os senadores Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR) e o ex-presidente José Sarney (AP), nas quais predominou suposta tentativa de obstrução da Lava Jato.

Machado entregou em maio de 2016 à Procuradoria-Geral da República as gravações dos encontros com Renan, Jucá e Sarney. Nessas reuniões, os senadores e o ex-presidente teriam demonstrado intenção de tramar contra a Lava Jato. Jucá sugeriu ‘estancar a sangria’, em referência à maior operação já desencadeada no País contra a corrupção. Em julho do ano passado, no inquérito que investigava as declarações dos caciques peemedebistas, a delegada da Polícia Federal Graziela Machado da Costa e Silva desqualificou a colaboração de Sérgio Machado.

Em relatório de 59 páginas enviado ao Supremo Tribunal Federal, a delegada Graziela afirmou que o delator ‘não merece’ os benefícios da delação premiada. “No que concerne ao objeto deste inquérito, a colaboração que embasou o presente pedido de instauração mostrou-se ineficaz, não apenas quanto à demonstração da existência dos crimes ventilados, bem como quanto aos próprios meios de prova ofertados, resumidos estes a diálogos gravados nos quais é presente o caráter instigador do colaborador quanto às falas que ora se incriminam”, assinalou Graziela na ocasião.

VERSÕES –  O advogado Ticiano Figueiredo, que defende Ideli Salvatti, afirmou. “A delação do Sérgio Machado constitui exemplo clássico de colaboração desamparada de base empírica idônea apta a sustentá-la. Assim como aconteceu em outro caso, a defesa está muito segura que uma análise justa e isenta acarretara no arquivamento dessa investigação.” 

O ex-deputado Edson Santos afirmou, por telefone. “Não tenho nada para falar desse negócio, essa mentira. O Sérgio Machado era para estar preso, isso foi uma verdadeira armação. O Sérgio Machado usou meu nome e de outras pessoas para entregar para a Polícia Federal. Não tenho problema em relação a isso. Não tenho nem advogado. Aquilo que ele falou no depoimento referente a um recurso para mim foi uma doação de uma empresa pra minha campanha, depositado no Banco do Brasil. Sérgio Machado, Jucá, essa turma aí, sinceramente… A verdade vai prevalecer”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Sérgio Machado, como bem define Carlos Newton, o delator mais esperto da Lava Jato, incriminou os parceiros, desviou milhões e homologou um acordo que lhe garantiu o direito de gozar a vida como se estivesse numa prisão domiciliar de luxo. Um casa que ocupa meio quarteirão no Bairro de Dunas, um dos mais nobres e caros de Fortaleza com piscina, quadra, extensos jardins no alto de uma colina com vista para o mar azul da Praia do Futuro. Aos mais íntimos, o ex-senador pelo PSDB confessou estar preparado “para passar o resto” dos seus dias “por conta desta luta”. Passa a maior parte do tempo na casa de Dunas que teve a segurança reforçada. São vigias do bairro, oito seguranças fortemente armados e equipados com coletes à prova de balas no interior da residência e uma equipe de guarda-costas que o acompanha em suas raras aparições públicas. Inatingível. Em todos os sentidos. Ao menos, por enquanto. (M.C.)

Mais Piada do Ano! Alckmin sonha com coalizão para ter 1/3 do espaço na TV

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Charge do Mário Adolfo (Arquivo Google)

Bruno Boghossian
Folha

Para reduzir os questionamentos sobre a viabilidade de sua candidatura, Geraldo Alckmin (PSDB) tentará construir uma aliança para a corrida presidencial que pode dar à sua chapa a maior fatia de tempo da propaganda eleitoral entre todos os postulantes ao Palácio do Planalto. O tucano trabalha para conquistar esse espaço na TV com o objetivo de emitir sinais de musculatura política e se tornar o principal nome do bloco de centro na eleição. O governador paulista disse a aliados, nas primeiras conversas do ano, que pretende firmar uma aliança que garanta a ele um terço de cada faixa de 12min30s da propaganda eleitoral na televisão – ou seja, 4min10s.

Com esse espaço, Alckmin poderá ter um programa mais longo que qualquer outro competidor. O tempo restante deve se dividir entre diversos candidatos, segundo cálculos dos tucanos, restariam poucas combinações de partidos que poderiam superar a fatia do governador.

CONTRA O MDB – Aliados acreditam que Alckmin precisa dominar a campanha na TV para evitar o crescimento de um adversário lançado por uma coligação de grandes siglas, como o MDB de Michel Temer.

Os tucanos querem acelerar as negociações para a construção de sua aliança e bloquear a consolidação de novas candidaturas competitivas em seu campo político, como a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e a do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD).

O governador paulista disse a aliados que trabalha para firmar uma coligação com outros seis partidos além do PSDB, mas admitiu que a incerteza sobre o quadro eleitoral ainda dificulta o avanço das articulações.

SUPERCOALIZÃO – Em uma conversa há cerca de uma semana, Alckmin discutiu uma potencial aliança com DEM, PP, PSD, PTB, PPS, e Solidariedade. Com essas siglas, o tucano ocuparia 4min27s de cada bloco da propaganda – pouco mais do que um terço do espaço total.

Auxiliares acreditam que a conquista de um programa de TV amplo será interpretada como um sinal de força de Alckmin, cuja estagnação nas pesquisas alimenta dúvidas sobre sua viabilidade, mesmo entre os tucanos.

Para o governador e seus principais aliados, a propaganda terá peso especial na disputa, uma vez que a campanha será curta e os candidatos só devem decolar na reta final – principalmente depois do início da campanha na TV, em 31 de agosto.

MOSTRAR OBRAS – Por enquanto, Alckmin marca até 12% das intenções de voto nos cenários do Datafolha, apesar de ser conhecido por 85% dos eleitores do país, segundo pesquisa divulgada em dezembro.

O tucano quer usar a TV para tentar exibir realizações do governo paulista nos últimos anos – arma que pretende usar na campanha.

Alckmin determinou que sua equipe acelere a entrega de obras para que ele possa participar de suas inaugurações antes de deixar o cargo para disputar a Presidência, até 7 de abril.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. Alckmin tem chance mínima de fechar essa macrocoligação. No próprio PSDB, poucos acreditam na viabilidade de sua candidatura. FHC só diz apoiar para não pegar mal. (C.N.)

Piada do Ano! Maia não é candidato e apoia o direito de Lula disputar a eleição

BRASILIA, DF, BRASIL, 15-12-2017, 18:30h: Rodrigo Maia, Presidente da Câmara, nesta sexta-feira, 15 de Dezembro, da entrevista especial para Folha em sua residência oficial. (Foto: Mateus Bonomi/Folhapress, PODER) ***ESPECIAL*** ***EXCLUSIVO***James Cimino
Folha

Em visita oficial aos Estados Unidos para um encontro com António Guterres, secretário-geral da ONU, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), negou que seja pré-candidato à Presidência da República. Maia disse que, no momento, sua última preocupação são as eleições e que a viagem, agendada havia meses, nada tinha a ver com uma possível campanha para alavancar seu nome ao pleito.

“Eu não estou preocupado com eleição. Se eu estivesse, estaria ouvindo muitos dos meus amigos dizendo que eu não deveria manter a votação [da reforma da Previdência]. Minha preocupação com as eleições neste momento é nenhuma”, afirmou.

LULA E BOLSONARO – Sobre o assunto, aliás, disse estar cético quanto a uma possível vitória do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e defendeu que Lula se candidate e concorra. “Eu nem acho que ele [Bolsonaro] será o vencedor. Mas irei respeitar se ele vencer, como vou respeitar se o presidente Lula puder disputar a eleição e ganhar, ou o governador Geraldo Alckmin [PSDB].”

O presidente da Câmara quer que Lula dispute as eleições porque acredita que ele irá perder –e que será o momento de provar que seu legado para o Brasil foi ruim.

“É importante que ele dispute, porque eu tenho até muita convicção que ele vai perder as eleições. E é importante que a gente desmonte a tese de que o Lula é imbatível, que o legado dele foi uma maravilha”, afirmou.

ATIVO E PASSIVO – “Quem está andando pelo Brasil hoje sabe o legado que ficou. Tem muito ativo colocado pelo PT que, para mim, é um passivo –fora o passivo que deixaram depois do impeachment, 14 milhões de desempregados, inflação explodindo, taxa de juros de 15%.”

Segundo Maia, na hipótese de o petista concorrer, “um, ou dois, ou três candidatos do nosso campo” poderão, ao longo da corrida presidencial, fazer “um enfrentamento” com ele e destacar esse legado.

“COMER GENTE” – O deputado comentou ainda declarações de Bolsonaro sobre seus gastos com auxílio-moradia – na semana que passou, a Folha revelou que o parlamentar manteve o benefício, apesar de ter imóvel próprio em Brasília. Em entrevista sobre o caso, disse à reportagem que usava o dinheiro para “comer gente”. Para o presidente da Câmara, este é apenas o “perfil” do colega, que se utiliza de “frases de impacto e irônicas”.

“Minha crítica a ele é em relação ao posicionamento mais extremado, do qual eu discordo, mas eu nunca vi o deputado Bolsonaro com atitudes concretas de desrespeito ao uso do dinheiro público”, disse. “Ele mesmo vai organizar uma resposta mais transparente para seus próprios eleitores, que certamente ficaram mais impactados.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme acentuamos aqui na Tribuna, Maia não será candidato, é tudo invenção do Planalto, que tenta boicotar Henrique Meirelles e fica fazendo Piada do Ano. A entrevista em Nova York deixa claro que Maia é um tremendo vaselina, como se dizia antigamente, porque elogia todo mundo, não quer briga com ninguém. Quanto a Meirelles, já está em campanha e seu maior objetivo é negociar coalizões para aumentar seu tempo na TV. (C.N.)