Ciro Gomes considera Bolsonaro o principal responsável por tiros contra seu irmão Cid

Ciro diz que não se enfrenta o fascismo com flores ou “lacração”

Gustavo Uribe
Folha

Terceiro colocado na última disputa presidencial, Ciro Gomes (PDT-CE), 62, defendeu que seu irmão, o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE), 56, não se exaltou ao ter usado uma retroescavadeira para tentar acabar com um motim de policiais militares grevistas na cidade de Sobral (CE).

Em entrevista à Folha, o ex-governador do Ceará responsabilizou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo ataque a tiros sofrido por Cid e pela situação no município cearense ter chegado a um estado de violência.

“LACRAÇÃO” – Ele afirmou que não se enfrenta o fascismo com flores ou “lacração da internet” e disse que o movimento de PMs amotinados escolheu Sobral, cidade natal da família Gomes, com uma intenção política de provocação.

“O episódio se deve a uma impotência dos Poderes constituídos em fazer a Constituição Federal ser respeitada no Brasil e a um canalha que transformou a República do Brasil em uma república de canalhas que se chama Jair Messias Bolsonaro”, disse.

Como está o senador Cid Gomes?
Foi um susto grande, mas ele está bem. Chegou a Fortaleza e está sob observação com dreno, porque uma das balas bateu e saiu, e a outra está alojada na base do pulmão.Nasceu de novo. Os dois tiros foram no peito esquerdo, e essa que está alojada quebrou uma costela dele, desviou na direção da axila e se alojou na base do pulmão.

Ele deve passar por uma nova cirurgia?
Não, nada. Ele está em observação porque querem ver se o projétil fica estável. Mas, para a nossa gratidão a Deus, não atingiu nenhum órgão vital, nenhuma artéria e não teve hemorragia. Ele tem um dreno e está tomando antibiótico.

O irmão do senhor agiu de maneira correta?
Eu acho, dadas as circunstâncias que eu conheço e que nem a imprensa nem os críticos elegantes do Brasil conhecem ou querem conhecer. Porque, quando um canalha como o Bolsonaro faz a canalhice que faz com uma jornalista [Patrícia Campos Mello, da Folha], a indignação fica muito aflorada.

Então, como foi que ocorreu o episódio?
O Cid estava em Fortaleza, e nós somos de Sobral. O Ceará tem 184 municípios, e Sobral foi o único local onde houve um grupo de policiais à paisana, todos mascarados, circulando de armas na mão e determinando o fechamento de comércios, aterrorizando todo mundo e mandando para a casa. As pessoas apavoradas ligaram para o Cid, e ele [Cid] prometeu que iria para lá.

A greve estava declarada ilegal?
A greve está declarada ilegal pelo Tribunal de Justiça e pelo Ministério Público. O governador fez uma negociação com as entidades que assinaram o acordo. Todas as entidades dos policiais militares assinaram o acordo e há gravações dos pseudolíderes comemorando a vitória. E aí uma minoria resolveu se insurgir com violência e escolheu Sobral, evidentemente, porque é a nossa cidade, a intenção é claramente política de provocação.

E o Cid foi para lá, reuniu a população, circulou pelas ruas, restaurando a normalidade. E foi em direção ao piquete que eles estavam impedindo os policiais de saírem do quartel, que é uma via pública.

Chegando lá, desceu, pegou o megafone, pediu para eles saírem, insistiu, levou um soco no rosto e, quando levou o soco, voltou a conversar, dizendo que estava em paz e que não ia aceitar. Então, subiu na retroescavadeira, avançou até derrubar o portão parou e recuou. Quando ele parou e recuou, quatro tiros foram disparados em direção ao peito esquerdo dele e três pegaram [dois foram confirmados no hospital].

O chefe da guarda municipal levou um tiro no pulso. E aí fica uma certa imprensa e esquerda elegantes no Brasil dizendo que o camarada perdeu a calma, que avançou com retroescavadeira. A minha pergunta: se enfrenta fascismo com flores ou com lacração de internet? Não foi a omissão dos políticos e a sua irresponsabilidade que permitiram o avanço da facção criminosa?

Mas não seria papel das forças policiais impedirem o protesto?
Meu amigo, olha a pergunta que você está me fazendo. Claro que seria papel das forças policiais. Onde elas estavam? E a cidade inteira feita refém.

Não é possível que você tenha uma folha de alface no coração. Imagina, você no lugar deles, passando um policial de camiseta, com máscara, com arma na mão, dizendo: “Fecha o comércio, fecha o comércio, que o bicho vai pegar”.

Então, na opinião do senhor, o senador não se exaltou?
Não houve nada de exaltação, nada de exaltação. Ele disse que tinha ido em paz e queria restaurar a ordem em Sobral. Tanto é que, na hora em que ele chegou, eles se retiraram dessa maluquice na rua e foram para o quartel.

Veja lá, irmão, veja se aquilo é um movimento legítimo. Não é possível que vocês tenham ficado com essa insensibilidade. Vocês, jornalistas, vão ser os primeiros. As primeiras vítimas do fascismo vão ser vocês.

A quem o senhor atribui a ter chegado a essa situação?
À absoluta impotência dos poderes constituídos em fazer a Constituição Federal e a lei serem respeitadas no Brasil e a um canalha que transformou a República brasileira em uma república de canalhas que se chama Jair Messias Bolsonaro.

O senhor acha que Jair Bolsonaro tem culpa pelo que aconteceu com o Cid?
Evidentemente. Ou você acha que um garoto de 20 e poucos anos teria coragem de atirar em uma pessoa assim se não achasse que estava a serviço do poder maior no Brasil? Quem estava na linha de frente lá era um vereador do Bolsonaro.

A crise deve acabar nos próximos dias?
Depende da reação das autoridades. O que está acontecendo no Ceará é responsabilidade remota do próprio Cid, que lá atrás deixou essa cobra nascer, e agora do governador Camilo Santana, em face de sua tolerância e vocação ao diálogo, o que não deixam de ser virtudes.

O governador é um grande e querido aliado. Eu apenas discordo da forma como o Cid e ele administram esse tipo de assunto. Porque governar não é um ato de simpatia, governar é uma obrigação determinada pelas Constituições Federal e Estadual, às quais ambos prestaram juramento.

A Força Nacional poderá ajudar a contornar o quadro?
Depende apenas de uma coisa [para acabar o movimento]: se o governador tiver, ele publica o nome de 50 pessoas hoje, na internet, e a greve acaba amanhã.

Quem seriam essas pessoas?
Seriam os líderes dos amotinados.

Datena se aproxima de Covas e dispensa apoio de Bolsonaro: “Está completamente liberado”

Datena lamentou a “brincadeira” do “furo” de Bolsonaro

Jussara Soares
Estadão

Aposta do presidente Jair Bolsonaro para a Prefeitura de São Paulo, o jornalista José Luiz Datena admitiu ao Estado ser vice do prefeito Bruno Covas (PSDB) na disputa eleitoral, cuja reeleição é apoiada pelo governador João Doria, um dos maiores rivais do presidente. “Eu já tive um contato com ele (Bolsonaro) dizendo que ele está completamente liberado de me apoiar. Ele pode apoiar outra pessoa. Ele está liberado disso”, afirmou.

O senhor admite ser vice de Bruno Covas nestas eleições?
O meu compromisso seria com o Bruno (Covas), que é um cara que desenvolvi uma amizade muito rápida. Ele é um bom cara. Nós não avançamos, mas é uma possibilidade. A maior probabilidade é de que eu saia candidato pelo MDB. Vou me filiar após o carnaval.

Desta vez o senhor vai mesmo sair candidato?
É difícil eu não sair candidato a alguma coisa em São Paulo. Por isso a possibilidade de vice. Eu nunca estive tão próximo de ser candidato.

O senhor também conversou com o ex-governador Marcio França (PSB)…
Ele me procurou. Seria vice meu.

E como fica sua relação com o presidente Jair Bolsonaro, que já declarou que gostaria que o senhor fosse o candidato dele?
Eu gosto muito do presidente, mas em nenhum momento ele declarou apoio a mim. Em nenhum momento eu me defini candidato dele. É aquilo que eu falei: eu desenvolvi uma amizade com ele. Eu entrevistei o Bolsonaro quando ninguém entrevistava. Eu o acho uma boa pessoa, de bom coração, mas não preciso pensar do jeito que ele pensa, ter os amigos que ele tem, nem os inimigos que ele tem. Eu continuo respeitando Bolsonaro como presidente da República, que é o cargo que merece respeito, mas, politicamente, ele não precisa estar alinhado a mim, nem eu a ele. Talvez ele até gostasse de me apoiar, mas o entorno dele diga que não é legal.

O senhor já conversou com o presidente sobre isso?
Eu já tive um contato com ele (Bolsonaro) dizendo que ele está completamente liberado de me apoiar. Claro, se ele como presidente da República quiser me apoiar, não tem problema nenhum. Primeiro que ele é presidente da República e segundo que acredito que eu posso ser candidato sem o apoio dele. Ele pode apoiar outra pessoa. Ele está liberado disso.

O senhor fez uma defesa enfática da jornalista Patricia Campos Mello, alvo de campanha de difamação após reportagem contra Bolsonaro.
Foi uma defesa de uma cidadã brasileira que foi atacada por um cara que não tem qualificação e pertence a uma rede de fake news (Hans River, ex-funcionário de uma empresa de disparo de mensagens de WhatsApp, disse à CPMI das Fake News que a repórter se insinuou sexualmente em troca de informação). Eu lamentei que o presidente reverberasse o que esse cara falou. Eu gosto do presidente como pessoa, não abro mão da amizade dele, mas acho que, como presidente da República, ele tem que respeitar os brasileiros. Eu lamentei muito que ele (Bolsonaro) fizesse aquela brincadeira (aos risos, o presidente disse a apoiadores que a jornalista ‘queria dar o furo’ contra ele).

O senhor falou com presidente após este episódio?
Faz tempo que eu não falo com o presidente. Tem muita coisa que ele faz que, com certeza, eu não concordo. E tem muita coisa que eu faço que ele não concorda. Mas acho que ele está aprendendo a ser presidente. É um caminho longo, não é tão fácil. Fiquei chocado com essas brincadeiras (sobre a jornalista) com coisa séria. Aquele cara falar isso é uma coisa, ele (Bolsonaro) falar é outra completamente diferente.

Se o senhor se candidatar, se tornará político de fato em um momento de polarização e com um nível de agressões que ainda não tínhamos visto antes.
Eu não vejo a política como ideologia. Foi dito que eu fui do PT, do PP, DEM… O problema do Brasil não é ideológico, até porque a nossa democracia é doente. Nós tivemos, depois da ditadura militar, um período com dois presidentes “impichados” e dois presos. Então, nós aproveitamos muito mal a nossa democracia. A classe política, boa parte corrompida, jogou nossa democracia no lixo.

O senhor está em que polo?
Não vejo a questão de ideologia como o ponto principal do Brasil. Para mim, essa questão de polarização é muito mais de rede social do que do povo brasileiro. Eu sou constituinte, eu sou pela Constituição, eu sou pela defesa do povo. Tanto faz se há quadro bom na direita, na esquerda ou no centro. Há quadros horríveis em todos. A classe política deveria fazer uma autocrítica e começar a pensar no povo. Dificilmente você vê isso.

Então na decisão do senhor sobre a quem irá se aliar na eleição não importa o partido, mas o perfil pessoal?
Eu nunca estive tão próximo de ser candidato como agora. É claro que se eu for candidato a prefeito vou escolher o vice que tenha um perfil parecido com o meu. E é claro, se me escolherem como vice, eu só aceitaria uma pessoa que me agradasse.

Governadores se unem e articulam frente ampla para confrontar Bolsonaro

Charge do Cazo (humorpolitico.com.br)

Igor Gielow
Folha

Depois do protagonismo do Congresso em grau poucas vezes visto, o isolamento do governo Jair Bolsonaro gerou outro fruto político inusual: a união da maioria dos governadores em um polo organizado de poder. O grupo deixou de tratar só de temas tributários triviais, como a disputa sobre o ICMS dos combustíveis, e passou para a ação institucional.

O próximo alvo de atuação imediata é a área de segurança pública, na qual o incidente em que o senador Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado por policiais grevistas na quarta-feira, dia 19 foi visto com um alerta. Segundo governadores ouvidos pela Folha, há o temor de que setores policiais, em especial algumas PMs, sejam insuflados contra os Executivos locais por apoiadores das franjas mais radicais do bolsonarismo —quando não por integrantes do próprio governo federal.

CRÍTICAS – Fazem parte da turma 20 dos 27 governadores, justamente os signatários da carta desta segunda-feira, dia 17, em que criticavam Bolsonaro por ter associado um deles, Rui Costa (PT-BA), às circunstâncias nebulosas da morte do miliciano Adriano da Nóbrega.

O ex-PM era ligado ao filho presidencial Flávio, sob investigação.Esse colegiado não é integrado pelos três governadores do PSL, partido pelo qual o presidente se elegeu, e outros aliados como Ronaldo Caiado (DEM-GO). De forma pontual, o grupo recebe apoio desses governistas: numa nota criticando o desafio lançado por Bolsonaro para que estados reduzissem o ICMS dos combustíveis, quatro deles (MT, RR, SC e PR) seguiram a maioria.

DEBATE – Oficialmente, o espaço de discussão é o Fórum Nacional de Governadores, que se reúne periodicamente —o último encontro foi na semana passada e o próximo, provavelmente em 17 de abril. Mas o fato é que o debate é todo online, em um grupo de WhatsApp criado por sugestão do governador João Doria (PSDB-SP) no ano passado. Foi ali que circularam e foram aprimorados os textos críticos ao governo.

O tucano também articulou a criação do Cosud, um conselho que reúne os chefes do Executivo do Sudeste e do Sul, estreitando laços na região que soma 71% do PIB do país. O grupo se reunirá na semana que vem em Foz do Iguaçu.

“TEST-DRIVE”  – Em 2019, quando Bolsonaro ainda estava em “test-drive” político como presidente, as queixas costumavam ficar restritas às conversas virtuais.

Em outubro, os oito governadores nordestinos divulgaram nota de apoio a Paulo Câmara (PSB-PE), chamado de espertalhão pelo presidente, mas o ato foi visto como um reflexo do caráter oposicionista deste subgrupo. A cristalização do cenário político polarizado, contudo, estimulou a encarnação das ideias em notas e entrevistas de maior peso.

DEPENDÊNCIA – Mesmo agora, apesar das articulações, o tom do embate é modulado pelo fato de que muitos estados dependem de repasses e convênios da União para tocar suas políticas. A realidade econômica tende a ser o limite da pressão política.

A carta desta semana foi o exemplo mais vistoso até aqui da nova tática. “Isso é inédito”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à Folha. Para ele, o espaço deixado propositalmente por Bolsonaro em sua articulação política leva à ação coordenada.

Esse vácuo, por inabilidade ou tática de marketing político de independência da dita velha política, acabou abrindo espaço ao longo do ano passado para o Congresso liderado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

AVANÇOS – Secundado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), Maia comandou a aprovação da reforma da Previdência e fez avançar outros temas na economia, além de barrar ou modular iniciativas polêmicas do Planalto. De forma nominal, o Congresso é simpático à agenda econômica de Bolsonaro, ou do ministro Paulo Guedes, como qualquer líder de bancada prefere dizer.

Mas o norte político não está no Planalto, cujo ministro responsável pelas negociações, Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), já admitiu as dificuldades. Ele é um dos três generais com assento no Planalto, movimento de militarização reforçado com a ida de Walter Braga Netto para a Casa Civil.

EXEMPLO – E há incidentes mais sérios, como as altercações entre Maia e o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Com isso, governadores com maior densidade política viram um exemplo a ser seguido.

A interlocução com Maia e Alcolumbre está afinada, e a expectativa é que pontos importantes da reforma tributária —o projeto do Congresso, não o do governo— avancem, apesar do calendário das eleições municipais de outubro.

ALIANÇA POLÍTICA – Historicamente, o relacionamento entre estados no Brasil é pautado por disputas em temas como incentivos para empresas, a famosa guerra fiscal, e questões de transbordo de criminalidade. Agora, como definiu um integrante do fórum, há uma aliança política que vai do PCdoB (MA) ao Novo (MG). Coisas curiosas saem daí: a ideia da nota apoiando Rui Costa veio de Wilson Witzel (PSC-RJ), um antipetista ferrenho.

Tal unidade atende a interesses específicos, o que na prática garante seu prazo de validade: a campanha presidencial de 2022, isso se já não houver curtos-circuitos no pleito deste ano por divergências ideológicas.

Ali, Doria pretende estar na urna eletrônica. Um subproduto de seu protagonismo na articulação do grupo é um processo de atenuação da sua imagem de político paulista e autocentrado, segundo a reportagem ouviu de dois governadores de partidos adversários ao PSDB.

EXPECTATIVA– Essa nacionalização do perfil cai bem na busca por alianças, em especial se a hipótese colocada for a de um Doria presidente e seu hoje colega, um governador reeleito em 2022. Política é expectativa de poder.

Witzel é outro que já disse querer disputar a Presidência, e o nome de Eduardo Leite (PSDB-RS) tem entrado na composição de equações em vários quadrantes, o que levou Doria a aproximar o jovem gaúcho de 34 anos de si, enquanto a velha guarda do partido gostaria de vê-lo disputando espaço com o paulista.

TRÉGUA – O paulista e o fluminense selaram uma trégua, tendo identificado Bolsonaro como o adversário no momento —ambos foram eleitos com a ajuda do voto conservador que elegeu o presidente. No próximo domingo, em pleno Carnaval, Doria almoçará com Witzel no Palácio Laranjeiras, sede do governo do Rio.

Essa busca por objetivos comuns não torna as relações impermeáveis a crises. Na discussão sobre a situação fiscal que começa a se refletir nas demandas das polícias, o aumento prometido por Romeu Zema (Novo-MG) de 41,7% à categoria caiu como uma bomba no grupo.

Não faltaram governadores criticando a ideia de gerar uma replicação da pressão por reajustes Brasil afora, ainda mais vindo de um estado em situação econômica precária.

Senadores se movimentam para convocar general Augusto Heleno depois do carnaval

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Alcolumbre não se opôs ao requerimento e deve colocá-lo em pauta

Amanda Almeida e Isabella Macedo
O Globo

Senadores de diferentes partidos se mobilizaram entre quarta-feira e quinta-feira para pedir ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que paute pedido de convocação do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, depois do carnaval. O requerimento foi apresentado pelo PT, mas internamente ganhou o apoio também de parlamentares governistas.

Alcolumbre não se opôs. Também incomodado com o ataque do ministro, que acusou o Congresso de “chantagear” o governo, ele recebeu o líder do PT, Rogério Carvalho (SE), e outros senadores, que reforçaram a necessidade de o Legislativo reagir à acusação.

EXPLICAÇÕES – Os parlamentares disseram que o ministro tem de ser confrontado publicamente para responder objetivamente sobre o que se referia.

A cúpula do Congresso já havia demonstrado o desconforto com a reação poucas horas depois de a declaração de Heleno ter se tornado pública em uma reportagem do Globo.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), classificou o ministro como um “radical ideológico”. Já Alcolumbre disse, em nota, que “nenhum ataque à democracia será tolerado pelo Parlamento”.

REQUERIMENTO – “É necessário que o Ministro da GSI compareça ao Senado Federal para informar quem são os parlamentares, bancadas, blocos e partidos que estão fazendo tão grave extorsão, bem como no que consiste essa “chantagem de alguns parlamentares o tempo todo”. Afinal, há enormes diferenças entre a pressão política derivada diretamente dos freios e contrapesos de um regime democrático que adota a divisão independente e harmônica entre os Poderes e o nefasto ato de chantagear”, diz o requerimento do PT.

Em geral, requerimentos de convocação de ministros são apresentados em comissões. Pelo tamanho da repercussão da declaração do ministro, o PT pede que ele se justifique ao plenário do Senado.

RETRATAÇÃO – Para ser aprovada, a convocação precisa do voto da maioria simples dos presentes no plenário. Por isso, é considerado um requerimento de fácil aprovação, que depende mais da vontade política do presidente da Casa em pautá-lo.

Reservadamente, parlamentares — também governistas — dizem que apenas uma declaração pública de Heleno em reparo ao que declarou poderia evitar uma convocação dele.

Delação premiada de Cabral não afetará as suas 13 condenações na Lava Jato, determina Edson Fachin

Decisão inviabiliza saída do ex-governador da prisão a curto prazo

Aguirre Talento
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin determinou que a delação premiada do ex-governador Sérgio Cabral, assinada com a Polícia Federal (PF), não deve beneficiá-lo nas ações penais nas quais ele já foi condenado a um total de 282 anos de prisão, o que na prática inviabiliza sua saída da prisão a curto prazo.

Em sua decisão que homologou a delação, Fachin frisou expressamente que o acordo de colaboração só vai trazer benefícios nas novas investigações abordadas nos 21 anexos da delação, o que exclui os casos em que ele já foi condenado na Justiça Federal do Rio. A delação assinada com a PF é concentrada em investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado, que já tramitam no STF ou que serão abertas futuramente.

BENEFÍCIOS PENAIS – Não houve estabelecimento de benefícios penais nas cláusulas da delação. No acordo, a PF afirma que pode pedir o perdão judicial ou redução de pena de Cabral ao fim de cada ação penal aberta com base nos anexos do acordo, o que exclui os casos em que já houve condenação no Rio.

“O presente acordo terá a sua eficácia verificada apenas em relação aos fatos aqui relatados, os quais já se encontram sob apuração ou serão apurados mediante a instauração de novos inquéritos, não surtindo quaisquer efeitos nas ações penais em que o colaborador já foi denunciado ou eventualmente condenado”, escreveu Fachin em seu despacho.

Os integrantes da Lava-Jato do Rio consideram que o maior risco do acordo é a possibilidade de a defesa do ex-governador solicitar sua saída da prisão. Pela decisão de Fachin, porém, essa possibilidade é descartada.

TREZE CONDENAÇÕES –  O ministro do STF ressalta que a delação premiada é um meio de obtenção de prova em investigações criminais e diz que, nas declarações prestadas por Cabral, “percebe-se a efetiva indicação de notícia de fatos, em tese, criminosos, praticados também por autoridades detentoras de foro”.

Preso desde novembro de 2016, Cabral já foi condenado 13 vezes na Lava-Jato e as penas somadas chegam a 282 anos de prisão. Fachin cita que, nos casos em que já há ação penal em andamento ou condenação, a Justiça pode decidir dar benefícios a Cabral se ele mantiver uma postura colaborativa, conforme previsto na lei de organizações criminosas, mas não há benefícios diretos decorrentes da delação.

SEM CONFIANÇA – Sobre os argumentos da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se posicionou contrária ao acordo por considerar que Cabral não era um colaborador confiável e estaria ainda lavando dinheiro e escondendo recursos ilícitos, Fachin apontou que o acordo cumpre os requisitos legais e registrou que os anexos tratam de fatos novos, sobre os quais ele não foi denunciado nem condenado.

“Na maioria dos fatos confessados, o colaborador se coloca na condição de corruptor ativo das autoridades delatadas ou de intermediador de outros corruptores, não se constatando, ao menos em sede perfunctória, o emprego de artifícios aptos a caracterizar o delito de lavagem de capitais”, escreveu Fachin.

DINHEIRO APREENDIDO – No acordo, Cabral reconheceu como sendo seus um total de R$ 380 milhões já apreendidos pela Lava-Jato do Rio, renunciando à posse dos valores. Também se comprometeu a procurar joias e outros itens de valor para devolver às autoridades.

A PGR recorreu contra a decisão de homologação do acordo e apresentou embargos de declaração pedindo que Fachin esclareça alguns pontos de seu despacho. Agora as autoridades aguardam a resposta de Fachin para, em seguida, decidir se as investigações com base em seus anexos terão prosseguimento.

A delação de Cabral tem potencial para movimentar o meio político e Judiciário no Rio e fora do estado. Por enquanto, são duas dezenas de anexos. Os depoimentos do ex-governador, no entanto, continuarão. Estima-se que, com o que ainda falta ser relatado, o número de anexos chegue a pelo menos 80.

NEGOCIAÇÕES – As conversas com a Polícia Federal em busca de um possível acordo de delação ocorreram a partir de maio do ano passado. Em julho, Cabral já estava sendo ouvido por um delegado de Brasília. Para isso, ele era levado sob escolta, em muitas ocasiões, do presídio de Bangu 8, na Zona Oeste, à Superintendência da PF no Rio, no Centro.

Como a lista de episódios relatados é extensa, o acordo foi assinado e, posteriormente, homologado por Fachin antes mesmo que todos os depoimentos tivessem sido colhidos. Isso porque existe um prazo de 120 dias após a homologação para esses complementos.

As tratativas com a PF só se consolidaram depois de longas tentativas de Cabral com o Ministério Público Federal. A força-tarefa da Lava-Jato no Rio rejeitou por diversas vezes qualquer tipo de acordo por entender que o ex-governador ocultava fatos e também patrimônio, incluindo outras joias que não foram apreendidas quando ele foi preso, em novembro de 2016. Os brilhantes encontrados naquela ocasião ainda devem ser avaliados para irem a leilão.

Bolsonaro minimiza visitas de Flávio a ex-capitão na cadeia e diz que também já foi a presídios

Vereador diz que Flávio visitou Adriano “mais de uma vez”

Julia Lindner
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) minimizaram a informação de que o senador  visitou na prisão o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, que foi morto no último dia 9 pela Polícia Militar baiana após fugir, por mais de um ano, da polícia fluminense.

O presidente disse que também já foi a presídios no passado, sem deixar claro em quais circunstâncias, e Flávio afirmou que já visitou policiais militares presos “inúmeras vezes”. Nóbrega tinha ligações com a milícia suspeita de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco.

VISITAS – “Para começar, eu já fui, olha só, bota aí, eu já fui várias vezes no BEP, Batalhão Especial Prisional lá no Rio de Janeiro, eu já fui no presídio da Marinha no passado também, está certo?”, afirmou Bolsonaro ao ser questionado por jornalistas. Em seguida, ele encerrou a conversa e entrou no carro da Presidência.

Já Flávio Bolsonaro foi ao Twitter para dizer que sempre defendeu os direitos dos policiais e que visitou “inúmeras vezes o Batalhão Prisional da PM (BEP) para ouvir PMs presos injustamente”. “Vários foram inocentados e voltaram para seus batalhões, trabalhando desmotivados porque foram abandonados pela Corporação quando mais precisavam”, escreveu o senador.

De acordo com o vereador e sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Ítalo Ciba (Avante), que esteve na prisão junto com Adriano, as visitas de Flávio teriam ocorrido “mais de uma vez”.

CONTRADIÇÕES – Em entrevista ao jornal O Globo, o vereador ainda afirmou que Adriano ia ao gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), quando ele cumpria mandato como deputado estadual, a convite de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. O relato de Ciba contraria o que o atual senador tem dito sobre sua relação com Adriano, que segundo ele se limitou à entrega da medalha de Tiradentes ao miliciano.

Por nota, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que esteve apenas uma vez na cadeia, em 2005, para ver Adriano e entregar a medalha Tiradentes – maior honraria concedida pela Alerj. “Não há nenhuma relação de Flávio Bolsonaro ou da família com Adriano”, diz o texto.

Polícia Federal deu show e esclareceu 88,8% das investigações que fez em 2019

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Polícia Federal se tornou um exemplo de eficiência institucional no país

Pedro Prata
Estadão

A Polícia Federal solucionou 88,8% de todos os inquéritos policiais instaurados ao longo de 2019, diz relatório obtido junto ao órgão por meio da Lei de Acesso à Informação. Ao todo foram abertas 54.049 investigações.

O Estado que mais instaurou inquéritos foi São Paulo, com 10.484. Esta é a Unidade da Federação que alcançou a maior porcentagem de casos solucionados: 94,8%.

BOM DESEMPENHO – Os dados foram solicitados pelo Sindicato dos Delegados de Polícia Federal de São Paulo. “Essas informações mostram que há um porcentual muito bom de inquéritos policiais solucionados, um grande volume no Estado de São Paulo”, disse a delegada Tânia Prado, presidente do sindicato.

Mais de um quinto dos inquéritos instaurados no país correspondem ao Estado de São Paulo. Metade na capital paulista.

O segundo Estado com a maior taxa de solução de casos foi o Acre, com 94,5%. Este, no entanto, instaurou apenas 462 inquéritos ao longo de 2019, o quarto menor número no País.

OUTROS ESTADOS – Paraná e Rio de Janeiro estão logo atrás de São Paulo no número de inquéritos instaurados, com 6.403 e 4.930, respectivamente. Quanto à porcentagem de procedimentos solucionados, Paraná teve taxa de 79,9%.

Os cariocas, por sua vez, amargaram a segunda pior colocação, com 68,9% de inquéritos solucionados.

Os dados também dão conta do trabalho da PF de 1.º de janeiro a 14 de fevereiro de 2020. O campeão de solução de inquéritos no começo deste ano é Roraima, que solucionou 95% de seus 38 inquéritos instaurados.

São Paulo já solucionou 71,9% das 1.039 investigações que abriu. Rio, 70,3% de um total de 486.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Polícia Federal está de parabéns. Junto com o Ministério Público Federal e a Receita, merece todas as homenagens dos brasileiros. Se todas as instituições públicas atuassem com o mesmo entusiasmo, este país seria infinitamente melhor. (C.N.)

Piada do Ano! Bolsonaro exige de Guedes um crescimento mínimo de 2% neste ano

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Gustavo Uribe e Fábio Pupo
Folha

O ministro da Economia, Paulo Guedes, enfrenta desgastes com o presidente Jair Bolsonaro e passou a ser cobrado por resultados. Alçado a superministro no começo do mandato, Guedes tem sido pressionado, desde o início deste ano, a mostrar seus feitos na economia.

Diante de um pessimismo com a redução da projeção do PIB (Produto Interno Bruto), o presidente reforçou a Guedes a necessidade de que, neste ano, a atividade econômica cresça, no mínimo, 2%.

DIZ O PLANALTO – Segundo assessores presidenciais, Bolsonaro fez o pedido a Guedes em uma reunião nesta semana. Como resposta, o ministro afirmou que será possível atingir, ou até superar, o percentual. No entanto, a resposta não tranquilizou o
presidente.

Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou na segunda-feira (dia 17) que as projeções do mercado para a economia brasileira caíram. A expectativa de crescimento passou de 2,30% para 2,23%.

Enquanto isso, apesar do surto de coronavírus na China, a Bolsa brasileira segue em alta. Neste ano, subiu 0,75% —o suficiente para manter o patamar dos 114 mil pontos. Na contramão, o dólar subiu 9,4%, o que preocupa. Nesta quinta-feira (20), fechou a R$ 4,392.

PREOCUPAÇÃO – Desde o início do ano, em conversas reservadas, Bolsonaro tem demonstrado preocupação com um crescimento fraco e os indicadores econômicos neste ano.

O presidente tem ainda repetido que é a principal missão de Guedes garantir um patamar que sinalize que será possível terminar o mandato com uma recuperação sólida da economia brasileira. O ministro é o seu “Posto Ipiranga” na economia desde a eleição.

O receio do presidente, segundo assessores palacianos, é que um indicador fraco neste ano possa levar empresários e investidores a perder o otimismo com o governo.

REELEIÇÃO AMEAÇADA – Nesse cenário, ele teme que atuais aliados no setor produtivo e no mercado financeiro flertem com candidaturas de oposição para 2022.

Entre os nomes para a próxima disputa presidencial ganham destaque o governador João Doria (PSDB) e o apresentador de TV Luciano Huck.

Além disso, Bolsonaro teme que dados negativos, como desemprego alto — em janeiro, a taxa fechou em 11% (11,6 milhões de desempregados) — e crescimento baixo, possam ser explorados por adversários políticos nas eleições municipais deste ano. Isso poderia eleger candidatos de esquerda e dar força ao discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário político.

ELEIÇÃO MUNICIPAL – O presidente já disse que não pretende se envolver nos pleitos municipais. Porém, ele já confidenciou a deputados aliados que poderá participar das disputas regionais se for necessário fazer uma defesa enfática de sua administração.

Segundo ministros palacianos, Bolsonaro reconhece que Guedes ajuda na credibilidade de seu governo e que sua saída poderia ser traumática.

O presidente, no entanto, considera que o “Posto Ipiranga” precisa apresentar resultados mais concretos e evitar declarações polêmicas que causem desgaste à imagem do governo.

PROBLEMAS PONTUAIS – Na terça-feira (18), em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente mandou um recado público a Guedes. Ele disse que o ministro “tem alguns problemas pontuais”.

Para amenizar, disse que ele “sofre ataques mais pela sua competência do que por possíveis pequenos deslizes”. “E eu já cometi muitos, muitos no passado. O Paulo não pediu para sair. Aliás, eu tenho certeza de que, assim como um dos poucos que eu conheci antes das eleições, ele vai ficar conosco até o nosso último dia”, afirmou.

A chamada pública foi feita após o presidente ter se irritado com declaração do ministro, feita na semana passada, sobre empregadas domésticas. Ele disse que, quando o dólar estava baixo, elas viajam à Disney, “festa danada”.

OUTRA MANCADA – A frase se somou a outra trapalhada do ministro, que foi bastante criticada no Planalto. Ele chamou servidores públicos de parasitas em meio à negociação de envio de uma reforma administrativa que enfrenta resistência junto ao Poder Legislativo.

Para tentar contornar o quadro, interlocutores do presidente chegaram a procurar Paulo Guedes para que o ministro fizesse um pedido público de desculpas.

No início, ele resistiu, mas, nesta quinta (20), acabou cedendo à pressão. “Eu peço desculpas se tiver ofendido”, disse o ministro durante cerimônia no Planalto. Ele acrescentou, entretanto, não ver problema em fazer a referência.

MUITAS CRÍTICAS – A articulação para que Guedes pedisse desculpas ocorreu após o setor de mídias digitais do Palácio do Planalto ter constatado que a declaração foi criticada até mesmo por perfis identificados com a direita, ou seja, de apoiadores do presidente.

O movimento foi identificado também pela empresa de dados Arquimedes. Segundo o analista e sócio da companhia Pedro Bruzzi, nem o núcleo duro de apoio ao presidente saiu em defesa do ministro nos canais digitais.

A empresa também constatou que alguns perfis identificados com a política econômica do governo também desaprovaram declarações do ministro sobre a política cambial. “A avaliação foi a de que, para esses perfis, ele não tem sido liberal o suficiente e que tem sido infeliz em suas declarações”, explicou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Para o meu gosto, a matéria é por demais especulativa, mas tem um fundo de verdade. O fato concreto é que as reformas administrativa e tributária de Guedes não agradaram ao Planalto e o Congresso resolveu assumir a autoria. Agora, fixar percentual de crescimento é Piada do Ano, até porque Guedes até agora nada fez nesse sentido. (C.N.)

Delação de Cabral não reduzirá as penas de suas condenações anteriores (282 anos)

O ex-governador Sérgio Cabral Foto: Geraldo Bubniak

Decisão de Fachin pode inviabilizar a delação de Cabral

Aguirre Talento
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin determinou que a delação premiada do ex-governador Sérgio Cabral, assinada com a Polícia Federal (PF), não deve beneficiá-lo nas ações penais nas quais ele já foi condenado a um total de 282 anos de prisão, o que na prática inviabiliza sua saída da prisão a curto prazo.

Em sua decisão que homologou a delação, Fachin frisou expressamente que o acordo de colaboração só vai trazer benefícios nas novas investigações abordadas nos 21 anexos da delação, o que exclui os casos em que ele já foi condenado na Justiça Federal do Rio.

SÓ AUTORIDADES – A delação assinada com a PF é concentrada em investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado, que já tramitam no STF ou que serão abertas futuramente.

Não houve estabelecimento de benefícios penais nas cláusulas da delação. No acordo, a PF afirma que pode pedir o perdão judicial ou redução de pena de Cabral ao fim de cada ação penal aberta com base nos anexos do acordo, o que exclui os casos em que já houve condenação no Rio.

“O presente acordo terá a sua eficácia verificada apenas em relação aos fatos aqui relatados, os quais já se encontram sob apuração ou serão apurados mediante a instauração de novos inquéritos, não surtindo quaisquer efeitos nas ações penais em que o colaborador já foi denunciado ou eventualmente condenado”, escreveu Fachin em seu despacho.

FICA NA CADEIA – Os integrantes da Lava-Jato do Rio consideram que o maior risco do acordo é a possibilidade de a defesa do ex-governador solicitar sua saída da prisão. Pela decisão de Fachin, porém, essa possibilidade é descartada.

O ministro do STF ressalta que a delação premiada é um meio de obtenção de prova em investigações criminais e diz que, nas declarações prestadas por Cabral, “percebe-se a efetiva indicação de notícia de fatos, em tese, criminosos, praticados também por autoridades detentoras de foro”.

Preso desde novembro de 2016, Cabral já foi condenado 13 vezes na Lava-Jato e as penas somadas chegam a 282 anos de prisão. Fachin cita que, nos casos em que já há ação penal em andamento ou condenação, a Justiça pode decidir dar benefícios a Cabral se ele mantiver uma postura colaborativa, conforme previsto na lei de organizações criminosas, mas não há benefícios diretos decorrentes da delação.

REQUISITOS LEGAIS – Sobre os argumentos da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se posicionou contrária ao acordo por considerar que Cabral não era um colaborador confiável e estaria ainda lavando dinheiro e escondendo recursos ilícitos, Fachin apontou que o acordo cumpre os requisitos legais e registrou que os anexos tratam de fatos novos, sobre os quais ele não foi denunciado nem condenado.

“Na maioria dos fatos confessados, o colaborador se coloca na condição de corruptor ativo das autoridades delatadas ou de intermediador de outros corruptores, não se constatando, ao menos em sede perfunctória, o emprego de artifícios aptos a caracterizar o delito de lavagem de capitais”, escreveu Fachin.

No acordo, Cabral reconheceu como sendo seus um total de R$ 380 milhões já apreendidos pela Lava-Jato do Rio, renunciando à posse dos valores. Também se comprometeu a procurar joias e outros itens de valor para devolver às autoridades.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – A PGR recorreu contra a decisão de homologação do acordo e apresentou embargos de declaração pedindo que Fachin esclareça alguns pontos de seu despacho. Agora as autoridades aguardam a resposta de Fachin para, em seguida, decidir se as investigações com base em seus anexos terão prosseguimento.

A delação de Cabral tem potencial para movimentar o meio político e Judiciário no Rio e fora do estado. Por enquanto, são duas dezenas de anexos. Os depoimentos do ex-governador, no entanto, continuarão. Estima-se que, com o que ainda falta ser relatado, o número de anexos chegue a pelo menos 80.

As conversas com a Polícia Federal em busca de um possível acordo de delação ocorreram a partir de maio do ano passado. Em julho, Cabral já estava sendo ouvido por um delegado de Brasília. Para isso, ele era levado sob escolta, em muitas ocasiões, do presídio de Bangu 8, na Zona Oeste, à Superintendência da PF no Rio, no Centro.

ANTES DOS DEPOIMENTOS – Como a lista de episódios relatados é extensa, o acordo foi assinado e, posteriormente, homologado por Fachin antes mesmo que todos os depoimentos tivessem sido colhidos. Isso porque existe um prazo de 120 dias após a homologação para esses complementos.

As tratativas com a PF só se consolidaram depois de longas tentativas de Cabral com o Ministério Público Federal. A força-tarefa da Lava-Jato no Rio rejeitou por diversas vezes qualquer tipo de acordo por entender que o ex-governador ocultava fatos e também patrimônio, incluindo outras joias que não foram apreendidas quando ele foi preso, em novembro de 2016. Os brilhantes encontrados naquela ocasião ainda devem ser avaliados para irem a leilão.

No imaginário da poesia, tudo de bom pode acontecer quando o carnaval chegar…

Resultado de imagem para Mardilê FabrePaulo Peres
Poemas & Canções

A professora e poeta gaúcha Mardilê Friedrich Fabre fez um poema sobre a expectativa da chegada do Carnaval, quando os sonhos podem até se tornar realidade.

QUANDO O CARNAVAL CHEGAR…
Mardilê Fabre

Quando o Carnaval chegar,
Fantasiar-me-ei de rosa…
O mundo irei perfumar,
Dançarei bela e dengosa.

Fantasiar-me-ei de rosa…
Arlequim me beijará…
Dançarei bela e dengosa.
A festa nossa será.

Arlequim me beijará,
Pierrô ficará comigo,
A festa nossa será,
Desfarei amor antigo.

Pierrô ficará comigo,
Viveremos outra história,
Desfarei amor antigo,
Intriga contraditória…

Pesquisa do Noblat! Mais de 60% apoiam as bananas que Bolsonaro dá à imprensa

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Bolsonaro dá bananas aos jornalistas e o filho Eduardo imita

Renato Riella
Site Radar-DF

Pesquisas não garantem nada, mas revelam tendências. Algumas pesquisas, dentro de públicos específicos, mostram tendências mais fortes. É o caso do Blog do Noblat, que abriu uma pergunta difícil. De forma surpreendente, ele mostrou como a grande maioria da população rejeita e como se condena a imprensa.

Noblat perguntou: “Dar banana para jornalista é um gesto à altura do cargo de Presidente da República?”

MAIORIA APOIA – Mais de 60% dos seus leitores responderam que sim. Se a pergunta for feita num plano mais aberto, o percentual será ainda maior contra a imprensa formal que tenta sobreviver no Brasil.

E se for feita pergunta sobre a jornalista Patrícia, da Folha, haverá imensa condenação a ela. Maior ainda se o focalizado na pesquisa for o americano tenebroso Glenn que caluniou o ministro Moro.

O brasileiro está cansado de ver a imprensa falando, sozinha, sobre aberrações. Uma delas – e a pior de todas – é a defesa do maior ladrão do mundo: Lula. Outra aberração foi a barbaridade de aceitar gravações clandestinas feitas contra diversas autoridades, inclusive Moro.

PERGUNTAR NÃO OFENDE – Por que a imprensa não defende a prisão em segunda instância? Por que não combateu a criminosa Lei do Abuso de Autoridade, que impede a apuração de crimes?

Por que não faz intensa campanha para melhorar o nível do Supremo Tribuna Federal, a mais odiada instituição da história do Brasil?

Por que a imprensa não se aprofundou na questão do porteiro subornado para caluniar Bolsonaro? Por que não apurou direito a facada do Adélio? Por que não defendeu ardentemente a Carteira de Estudante gratuita?

Por que não atribui aos Governos da Bahia (petista) e do Rio (Witzel) a queima de arquivo no caso do miliciano? Por que não aplaude quando, finalmente, a Cultura brasileira tem uma pessoa vinda da…Cultura?

MAIS PERGUNTAS – Por que a imprensa não se aprofunda no caso dos impostos embutidos na gasolina, quando no Paraguai a Petrobras vende gasolina a pouco mais de R$ 2,00?

Por que a imprensa não reconhece que a gravidez precoce é mesmo um dos maiores dramas brasileiros? Por que os jornalistas não comemoram o fato de não haver nenhum caso do Covid 19 (coronavírus) no Brasil?

Por que a imprensa não reconhece que, por incrível que pareça, está se viabilizando o partido Aliança? Por que jornalistas pretensamente sérios diversas vezes anunciaram a saída do Ministro Paulo Guedes, interferindo na cotação da Bolsa? E há mil outras perguntas.

SABOTAGEM EM AÇÃO – O povo está vendo um processo monstruoso de sabotagem de um governo sobre o qual não conseguem apontar roubos.

O povo se assusta com o estilo rude do Presidente Bolsonaro, mas grande parte das pessoas se identifica com um ser humano esfaqueado, atingido em todas as faces da vida pessoal, que não reage com violência física, nem ameaça ninguém.

O Brasil é hoje o país mais democrático do mundo, libertino até, que poderá ter escola de samba com verba pública, em espaço público, desfilando contra Jesus e contra o Presidente Bolsonaro.

 SEM ENQUETES – Assim, e por muitas outras, é melhor Noblat não fazer mais enquete. Pode querer mudar do Brasil – para Cuba.

Este artigo é uma tentativa de decifrar o Brasil para gente que não vê a realidade.

E a realidade é que a opinião pública se desgarrou da opinião publicada. Tchau!

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Mancada do general Heleno obriga governo a recuar e manter acordo com o Congresso

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Heleno demonstra uma ingenuidade política constrangedora

Carlos Newton

O velho ditado está cada vez mais atual – “se você diz o que quer, ouve o que não quer”. As afirmações calamitosas do general Augusto Heleno, que é uma espécie de Rasputin imberbe no governo Bolsonaro, exercendo uma influência fora do normal, fizeram o Planalto recuar e manter o acordo sobre o Orçamento impositivo, que inclui a liberação das emendas dos parlamentares para obras em seus redutos eleitorais, uma tradição do Congresso.

Como se sabe, o ministro do Gabinete Institucional da Presidência ultrapassou os limites republicanos, ao afirmar que o governo não podia aceitar chantagem de parlamentares, acrescentando que o povo sairá às ruas para pressionar o Congresso.

INGENUIDADE – Se fosse conhecedor da política brasileira, o general Augusto Heleno não demonstraria tanta ingenuidade. Muitos presidentes em crise julgaram que o povo sairia às ruas para prestigiá-los. Isso ocorreu com João Goulart, que na época de sua queda tinha 70% de apoio popular.

Logo em seguida, aconteceu com Jânio, que não tinha maioria no Congresso e resolveu renunciar, na esperança que o povo o carregasse nas ruas de volta ao Planalto, conforme ocorrera com seu ídolo Fidel Castro no início da revolução cubana.

O líder político fica esperando o povo, mas ele não aparece. E quando enfim o povo resolve sair às ruas, à vezes há um fenômeno inverso e não acontece nada, fica tudo como está.

EXEMPLO DO MONSENHOR – Em Natal, por exemplo, o monsenhor Walfredo Gurgel, ferrenho anticomunista do PSD, governava o Estado no início do regime militar e houve uma enorme passeata contra a ditadura. Seus assessores indagaram se não ia mandar a polícia intervir. E ele respondeu:

“Já está quase na hora do almoço. Daqui a pouco bate uma fome no povo e todo mundo volta para casa…”

Não deu outra. As ruas foram ficando desertas e o monsenhor também foi almoçar. Mas ficou o exemplo de que, em política, não se deve contar muito com o apoio popular. Essa presunção do general Heleno, portanto, não tem fundamento na realidade. O importante seria Bolsonaro e seus ministros resolverem parar de dizer asneiras e montar uma base majoritária no Congresso.

AMADORISMO – É preciso entender que, em qualquer setor da vida, o amadorismo jamais dá bons resultados. Um exemplo claro foi a nomeação do general Braga Netto para a Casa Civil, com a responsabilidade de cuidar da Articulação Política com o Congresso, devido ao fracasso de outro militar, o general Eduardo Ramos.

Com toda certeza, a Articulação Política não pode ficar a cargo de amadores, porque requer profissionalismo e conhecimento específico. Essa expectativa de que a militarização do Planalto possa melhorar suas relações com o Congresso é de uma infantilidade constrangedora.

Com auxiliares e conselheiros que recomendem essa direção, o presidente Jair Bolsonaro nem precisa de inimigos. A piada é velha, mas se aplica concretamente na situação atual do governo. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente.

“Quem tem função presidencial tem de se comportar como tal”, diz FHC sobre Bolsonaro

FHC diz que é preciso evitar que a polarização afete o jogo democrático

Igor Gielow
Folha

O Brasil precisa de liderança, e o posto hoje está vago. A opinião é do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que governou de 1995 a 2002. Para ele, o comportamento de Jair Bolsonaro, que insultou a repórter da Folha Patrícia Campos Mello, foi “inaceitável”. O atual titular do Planalto precisa se comportar como um presidente, avalia FHC.

Ele descarta risco institucional. Afirma, contudo, que “o alarme precisa ser dado” porque a polarização vigente no país ameaça a democracia —e aponta para a rejeição à corrupção e ao PT como ponto de partida do debate atual. No seu campo político, de olho no Planalto em 2022, ele elogia o governador Eduardo Leite (PSDB-RS) pela gestão e pela juventude (34 anos).

Sobre um protegido político seu, Luciano Huck, ele disse que o apresentador da TV Globo precisa “se transformar num líder político”, porque hoje “conhece o caldeirão” [referência ao nome de seu programa e ao contato com a população em quadros da atração]. Já o governador João Doria (PSDB-SP) “conhece o poder”. O tucano, 88, elogiou os presidentes da Câmara (Rodrigo Maia, DEM-RJ) e do Senado (Davi Alcolumbre, DEM-AP). Ele falou no fim da tarde de quarta (19), na Fundação FHC, no centro paulistano.

Como o senhor vê o clima político do país?
O risco é a polarização. Você não pode deixar que a polarização afete o jogo democrático, que supõe a diferença. É preciso que algumas pessoas que têm responsabilidade institucional, como foi o caso dos presidentes da Câmara e do Senado, manifestem sua estranheza.

Eu sou bastante cuidadoso, sobretudo no exterior, porque fui presidente e sei que as coisas são difíceis. Mas está chegando um momento em que os que são responsáveis pelas chefias do aparelho institucional se comportem institucionalmente. Quem tem função presidencial tem de se comportar como tal. Eu sei que às vezes você fala por falar.

No episódio da repórter da Folha, o limite foi ultrapassado, não?
Aí a coisa passou para outro plano. É inaceitável, não tem cabimento você fazer referências assim a qualquer mulher, pelo que apareceu na mídia. Não acho que haja risco institucional, não sou alarmista. Acho apenas que é preciso ter um certo cuidado. Vamos pegar uma pessoa que me deu muita dor de cabeça política, o Lula. Ele agiu institucionalmente no cargo —no que diz respeito às questões pelas quais ele foi preso.

Nós sentimos o gostinho da liberdade. Só quem viveu com censura, como eu vivi, sabe. Isso acabou. Você não pode atacar todo dia a mídia. Eu sei que a mídia exagera também, talvez até seja sua função.

Quem tem poder político não pode utilizá-lo contra isso. Pode reclamar, mas não pode usar sua força para coibir. Não vai dar certo, vai abrir espaço para o regime que não se quer.

Mas o senhor vê risco disso?
A democracia é uma planta tenra, não pode dar de barato que não vai virar outra coisa. Temos de dizer: “Cuidado, hein? Não passe desse ponto, senão passa”. O alerta tem de ser dado, sem alarmismo. Quem tem poder não pode exagerar. Você tem de se autocontrolar.

Como vê a renovada militarização do governo?
Eu não tenho nenhuma versão negativa das Forças Armadas, nem poderia ter. Meu pai era general, meu avô foi marechal.

Quando vejo os generais nomeados, tudo bem, é preciso ver como é a pessoa, se funciona ou não funciona. Agora, tem limite para tudo. Tem de haver um certo equilíbrio que, quando é rompido, as prejudicadas são as Forças Armadas. Você não pode confundi-las com o poder político.

Governadores escrevem carta contra o presidente, Maia bate-boca com o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), o Congresso toca a agenda mais positiva. Como o senhor vê isso?
Veja as reformas. O Parlamento assumiu a primazia, o que leva a crer que uma parte do Executivo não assumiu como tarefa sua fazer passar.

Isso é inegável. O Brasil não é uma República parlamentarista, o povo rejeitou isso. Num regime presidencialista, a iniciativa é do Executivo, o Parlamento não pode substituir, pode suprir lacunas.
E levar adiante as reformas não significa só mandar a reforma. Tem de falar com os parlamentares e tem de convencer a nação sobre a necessidade delas.

Como o senhor vê a atuação do Paulo Guedes?
Em todo governo há um ministério cujo titular é mais capaz de liderar. Eu não conheço o Guedes, mas sou favorável à reforma da Previdência, tentei fazer uma também. Está faltando falar com o país. Quando o presidente não tem interesse ou qualidade, o ministro precisa falar.

Sim, mas aí o ministro falou que as domésticas não deveriam ir tanto à Disneylândia.
Ele não tem experiência política.

Isso não trai um espírito da certa elite brasileira?
É algo cultural. Nos Estados Unidos, eles conseguiram acreditar na Constituição, em que todos são iguais perante a lei. Aqui não é bem assim. As pessoas não se sentem iguais. Todos nós temos, em graus diferentes, impulsos que não são democráticos, que não são de igualdade.

Não deveria ser assim. Então, acho que essas expressões contra mulheres, contra pobres, vêm daí, de um desprezo de classe que é incompatível com a regra democrática.

Fala-se muito em uma extensão do mandato do Rodrigo Maia, por exemplo, vamos mudar a Constituição.
Não acho que seja solução, nem creio que ele aceite isso. Tem de respeitar as regras. Se você as desrespeita no Congresso, vai começar a desrespeitar no Executivo.

O senhor promoveu mudança em 1997, com a adoção da reeleição. Não é contraditório? É diferente agora?
Veja, eu sempre fui favorável a um mandato maior. Nós não discutimos na Constituinte, e quatro anos não é nada para alguém governar. É melhor ter uma reeleição. Mas você não pode ser favorável à permanência. Tem limite.

O tumulto político segue até a eleição de 2022?
Depois da eleição municipal de outubro, tudo vai girar em torno da expectativa de futuro. Apesar das instituições, elas não funcionam sem lideranças. É preciso ter pessoas. Você não leva o eleitorado a votar pelo que você fez, mas sim pelo que você pode fazer. Alguém vai encarnar esse futuro. Pode ser o próprio Bolsonaro, com a permanência da polarização. Eu não gostaria.

Quem é o tal centro? Huck, Doria e Eduardo Leite?
Eu vejo o Eduardo Leite positivamente porque ele faz um bom governo e é jovem. Eu vou fazer 90 anos no ano que vem, é preciso passar o bastão.
Veja os movimentos de renovação da política, eles não estão nos partidos. Mas não basta ser jovem. O que eu vejo, em renovação, está por aí, neles [o trio acima]. Quem vai ser, vai depender do que vai acontecer.

E o ar está sulfuroso, a polarização de 2018 ainda está presente.
Exatamente, ela vem de trás. A polarização vem da oposição ao PT, é isso. Corrupção e PT. Aí você vem imaginar que tem comunismo no mundo? Isso é ridículo, é anacrônico, para dizer o mínimo.

E o Huck? Ele se colocou, não?
Ele se colocou um pouco mais. Mas o Huck por enquanto é uma celebridade. Ele está se transformando num líder político. Vai ter que se transformar se quiser ser presidente, vai ter de passar por essa etapa. Pode? Pode.

E o Doria?
Ele tem, digamos, virtudes diferentes. O Huck conhece o caldeirão. O João conhece o poder. É difícil saber o que vamos precisar mais daqui a um ano e meio, o que vai sensibilizar mais o povo. Será a capacidade de conhecer o Estado e trabalhar com as forças organizadas ou será a erupção de um sentimento coletivo? Eu não sei. Idealmente, todos deveriam se unir.

Parece difícil.
É difícil. E é indiscutível que o presidente tem força, a hipótese de reeleição precisa sempre ser considerada. Ele já se elegeu e a polarização rende para quem está polarizando. Ela é ruim para o país e para a democracia, mas rende voto.

Em 1995, o senhor enfrentou aquela greve dos petroleiros. Eles estão parados de novo. O senhor faz algum paralelo de pressão, vê a possibilidade de outras agitações sociais?
Essa é a principal questão do mundo, a crise das instituições. A explosão moderna se dá não só nas relações formais de classes, há curtos-circuitos em qualquer coisa.

Eu me lembro que encontrei por acaso o ministro Eliseu Padilha [Casa Civil de Michel Temer] durante a greve dos caminhoneiros de 2018 e ele não tinha com quem conversar. Não havia líder, partido, sindicato. Isso obriga a liderança de pessoas, que falem com a nação. Pode acontecer de novo? Pode.

Os protestos de 2013 tiraram algo dessa pressão, não?
Sim, mas mostraram a possibilidade. Não sei quando vai estourar de novo ou em que setor. Há um mal-estar, insegurança, basta ver o desemprego. As pessoas se sentem inseguras, precisam de liderança. Não quero ser injusto com quem exerce a liderança, é difícil.

A liderança também se impõe pela situação, como ocorreu quando Winston Churchill virou premiê britânico no começo da Segunda Guerra Mundial. O posto de líder no Brasil está vago?
Acho que sim. Há alguns candidatos. O Brasil é um país muito diverso, é difícil você exercer influência. Estamos em um momento em que é preciso construir pontes. É mais difícil do que saltar no vazio. E estamos construindo muralhas.

Em discurso, Paulo Guedes enfim pede desculpas às empregadas domésticas

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Paulo Guedes agora alega que é neto de uma empregada doméstica…

Guilherme Mazui
G1 — Brasília

Em discurso no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (20), o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu desculpas às empregadas domésticas. No dia 13 de fevereiro, ao comentar as sucessivas altas da cotação do dólar, Guedes disse que, na época em que o dólar era mais baixo, havia “empregada doméstica indo pra Disneylândia, uma festa danada” (relembre no vídeo abaixo).

Nesta quinta, Guedes participou do evento de lançamento de uma nova linha de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal, com taxa de juros fixa. O ministro citou as domésticas ao afirmar que a nova modalidade vai beneficiar as famílias mais humildes.

COISA DE FAMÍLIA – “E justamente também as famílias mais humildes, empregadas domésticas, inclusive, a quem eu peço desculpas, se puder ter ofendido, dizendo que a mãe do meu pai foi uma empregada doméstica”, disse o ministro.

Guedes ainda afirmou que a declaração dele sobre as domésticas viajarem à Disney era reflexo de uma política de preços que estava “empurrando a população em direção equivocadas”.

De acordo com Guedes, a fala dele sobre domésticas viajarem à Disney foi tirada de contexto. No entanto, após pedir desculpas, o ministro questionou qual o problema de fazer a referência às domésticas.

SEM PROBLEMA – “Qual o problema de você fazer uma referência como essa?”, indagou, mostrando que os preços estão empurrando a população em direção equivocadas.

“Um Brasil cheio de belezas naturais e as pessoas pensando em não viajar para o Nordeste, para as praias do Nordeste porque estava 50% mais caro ir para o Nordeste brasileiro do que ir para o exterior”, disse.

Quanto aos novos financiamentos da Caixa Econômica Federal, disse que será a primeira linha de crédito para a casa própria com taxa de juros fixa. A nova modalidade de crédito terá taxa de juros de 8% até 9,75% ao ano, válida para imóveis residenciais novos e usados. Poderá ser financiado até 80% do imóvel.

Procuradoria só admite federalizar o caso Adriano se houver conexão com Marielle Franco

Mudança de competência foi defendida pelo advogado de Bolsonaro,

Andréia Sadi
G1

Investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) têm repetido nos bastidores nos últimos dias que, por ora, não há elementos que justifiquem uma federalização das investigações da morte do miliciano Adriano Nóbrega.

A mudança de competência das investigações tem sido defendida, por exemplo, pelo advogado do presidente Jair Bolsonaro, Frederick Wassef. O advogado defendeu a federalização em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, e disse que o Ministério da Justiça deveria ser acionado.

CASO ESTADUAL – Procurados pelo blog, procuradores afirmaram nesta quinta-feira, dia 20, que “não há crime federal “ e que a “regra” é a investigação ser conduzida por autoridades estaduais, por se tratar de um caso estadual.

No entanto, procuradores reiteram que “qualquer conclusão” ainda é precipitada e que aguardam “novos elementos” sobre as investigações. Os procuradores aguardam informações sobre se, como acusa a defesa de Adriano Nóbrega, a morte do miliciano seria uma “queima de arquivo”.

CONEXÃO – Na avaliação da cúpula da PGR, ganha força a defesa do deslocamento da competência das investigações se houver conexão entre a morte de Adriano com o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018.

O caso de Marielle está sob responsabilidade de autoridades estaduais do Rio de Janeiro, mas há um pedido para federalizar o caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ainda não há data para esse julgamento.

PERÍCIA INDEPENDENTE – No início da semana, o presidente Jair Bolsonaro disse que pediria uma perícia independente sobre a morte de Adriano Nóbrega. O presidente foi questionado por jornalistas se o melhor seria federalizar as investigações, e se ele já havia falado sobre o assunto com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Bolsonaro respondeu que, se a investigação ficasse sob comando da Polícia Federal, “alguns podem achar” que o presidente “teria alguma participação, alguma influência no destino da investigação”. “Se o Moro achar que deve federalizar, a decisão é dele. Eu não vou falar para ele que não ou sim. A decisão é dele”, complementou Bolsonaro na ocasião Ao blog, fontes do ministério avaliaram, nesta semana, que não há motivo para federalizar já que não se trata de crime federal.

Duque e Vaccari são condenados por propinas em contratos de navios-sondas com a Petrobras

Vaccari Neto foi condenado a 7 anos e Duque  a 6 anos

Ederson Hising e José Vianna
G1

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto e o operador financeiro Guilherme Esteves de Jesus foram condenados, nesta quarta-feira, dia 19, em um processo da Operação Lava Jato que investiga propinas em contratos de navios-sondas com a Petrobras.

Essa foi a primeira sentença do juiz Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, desde que assumiu os processos da Lava Jato, em março de 2019. A informação foi confirmada pela Justiça Federal.

SENTENÇAS – Renato Duque (colaborador): condenado a 6 anos, 6 meses e 10 dias por corrupção e lavagem de dinheiro, mais 152 dias-multa. Início de cumprimento de pena em regime semiaberto; Guilherme Esteves de Jesus: condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, mais 362 dias-multa. Início de cumprimento em regime fechado; João Vaccari Neto: condenado a 7 anos, 6 meses e 20 dias de prisão por corrupção, mais 188 dias-multa. Início de cumprimento em regime semiaberto;

O ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa teve a condenação suspensa devido ao acordo de colaboração premiada.  “Há prova categórica de que Guilherme Esteves de Jesus, representante do estaleiro Jurong, pagou vantagem indevida em sete contratos celebrados pelo estaleiro com a Sete Brasil, para o fornecimento de sete navios-sonda”, diz trecho da decisão.

Conforme o juiz, a propina foi calculada em 0,9% do valor dos contratos, que somaram mais de U$S 43,9 bilhões, e paga a ex-diretores da Petrobras e ao PT, “responsável pela sustentação política de Renato Duque no cargo de diretor da Petrobras”.

Sócio da Yacows diz em CPI que Meirelles, Bolsonaro e Haddad contrataram disparos em massa

(Arquivo do Google)

Deu no O Globo

Um dos sócios da Yacows, empresa de marketing digital que atuou na eleição de 2018, disse que o serviço de disparos de mensagens em massa da firma foi usado pelas campanhas dos então candidatos à Presidência Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (à época no PSL) e Fernando Haddad (PT). Aos integrantes da CPI das Fake News, Lindolfo Antônio Alves Neto negou irregularidades e disse desconhecer o conteúdo dos textos enviados via WhatsApp.

No caso de Meirelles, uma das empresas do grupo foi contratada por R$ 2 milhões, segundo os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O empresário estimou que, com o valor, entre 10 milhões e 15 milhões de mensagens podem ser enviadas. Já em relação a Bolsonaro, a Yacows foi subcontratada pela AM4, agência responsável pela campanha do presidente.

PACOTE – Segundo Alves Neto, um pacote de 20 mil mensagens foi comprado, mas apenas 900 disparos foram realizados, ao custo de R$ 1.680. A AM4 recebeu R$ 650 mil da campanha de Bolsonaro, de acordo com o TSE. “Pode ser que o número esteja um pouquinho para mais, um pouquinho para menos, mas, de fato, o que aconteceu é: eles (campanha de Bolsonaro) compraram apenas a possibilidade de executar 20 mil envios”, disse o empresário.

Já no caso de Haddad, houve uma triangulação: a campanha contratou a M. Romano Comunicação (ao custo de R$ 4,8 milhões, segundo o TSE), que fez um outro contrato com a a agência Um Por Todos Digital que, por sua vez, subcontratou a Yacows.

SUBSTITUIÇÃO – Segundo o deputado Rui Falcão (PT-SP), foram realizados 500.181 envios, em três oportunidades. Uma das mensagens trazia a informação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia sido substituído por Haddad na cabeça de chapa, de acordo com o relato do parlamentar.

“Pelo que nós já disponibilizamos, na lista de clientes nós temos o Henrique Meirelles. Ciro Gomes, não me recordo de absolutamente nada e não está na lista, logo, não fizemos. Fernando Haddad é um caso específico, porque uma agência que acredito que faça campanha para ele já utilizava a plataforma e utilizou a nossa ferramenta, então, logo, diretamente não foi feito, indiretamente, sim”, explicou o sócio da Yacows.

Alves Neto afirmou que não lembra se uma mensagem afirmando que o empresário Marcelo Odebrecht havia delatado o candidato petista foi veiculada por meio da plataforma da Yacows. Ele negou ainda que tenha usado uma lista de CPFs, inclusive de pessoas mortas, para a compra de chips de celulares que seriam usados para o serviço. Segundo ele, não há a necessidade de um CPF para concluir o envio. A acusação foi feita pelo ex-funcionário Hans River, que depôs à CPI na semana passada.

EVASIVO – “O depoente não contribuiu em nada, foi evasivo. Esperamos que as investigações se aprofundem para chegarmos à conclusão se as candidaturas a presidente em 2018 se utilizaram desse tipo de empresa, com pagamento fora da legalidade, para distribuir mensagens em massa, tanto para se autopromover como para depreciar adversários. Precisamos continuar investigando para ver se uma testemunha pode aferir isso”, disse o presidente da CPI, senador Angelo Coronel (PSD-BA).

De acordo com o portal G1, a assessoria de Meirelles disse que não comentaria. Já a assessoria de Haddad afirmou que um plano de comunicação que incluía disparos de mensagens por WhatsApp foi contratado quando ele assumiu a candidatura do PT a presidente. Ainda de acordo com a assessoria, o serviço custou R$ 80 mil.

A assessoria de Bolsonaro não se manifestou, segundo o G1. Durante a sessão da CPI, a deputada Bia Kicis (PSL-DF), aliada do presidente, afirmou que o depoimento mostrou que não houve utilização ilegal de um serviço para influenciar a eleição de Bolsonaro.

Hans River terá de provar na Justiça a acusação contra a repórter difamada por ele

Os procuradores já desmentiram as declarações de Hans River

Francisco Bendl

Sem ter a mínima intenção de polemizar, mas apenas esclarecer, parece que não fui devidamente compreendido. Portanto, vou tentar de novo: Hans River Rio do Nascimento, ex-funcionário da firma Yacows, especializada em disparos em massa de mensagens pelo WhatsApp, divulgou o nome da jornalista publicamente, alegando que ela deu a entender que queria um rola e rola com ele para obter informações. Em outras palavras: o Brasil ouviu que essa jornalista se prostituía para lograr êxito nos seus intentos profissionais!

Observem, por favor: sem qualquer prova, e independente de acareação, o nome da mulher, a sua honra e o seu trabalho foram manchados inexoravelmente pela acusação absurda e indevida.

PROVAR NA JUSTIÇA  – Hans River Rio do Nascimento é um irresponsável, já está sendo denunciado, fatalmente responderá a processo e terá de provar na Justiça o comentário que teceu sobre a jornalista. Mesmo que fiquem cara a cara, a honra e a dignidade da repórter foram inexoravelmente deletados por um canalha, repito.

Esse elemento invadiu a privacidade da mulher de tal forma que não pode agora alegar que imaginou ou, lá pelas tantas, entendeu que estava sendo assediado sexualmente!

Caso não tivesse dado publicidade ao nome da repórter, ninguém nem estaria discutindo o assunto. Agora, inocente ou não daquilo que Hans River afirmou para todo o Brasil, perante uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a jornalista terá de correr atrás das penas do travesseiro em plena ventania, rasgado pela leviandade de um canalha!

UM MENTIROSO – Já se sabe que Hans River é um mentiroso contumaz. Assim como acaba de ocorrer na CPMI das Fake News, um ano e dois meses atrás ele havia dado declarações falsas para procuradores em uma apuração do Ministério Público Eleitoral em São Paulo.

Ao depor na Procuradoria, também afirmou não saber como a jornalista havia conseguido uma lista de 10 mil nomes de usuários do WhatsApp que seriam os alvos dos disparos de mensagens. Mas a investigação comprovou que foi o próprio Hans quem enviou à repórter da Folha, por email e por WhatsApp, a lista de 10 mil nomes e CPFs.

O ex-funcionário da Yacows também afirmou no processo eleitoral que Patrícia teria ido até sua casa, mas a repórter nunca foi ao local —eles se encontraram em uma padaria e depois Hans foi à Redação da Folha.

DIFAMAÇÃO – Minha indignação e minha revolta derivam da forma como a repórter teve o seu nome divulgado e depois foi difamada pelo presidente da República, que tem recebido apoio em massa de seus admiradores, que também se julgam no direito de desonrar uma profissional de imprensa cuja trajetória orgulharia qualquer país minimamente civilizado. Pelo que afirmam os bolsonaristas, que jamais admitem a possibilidade de o presidente cometer erros, será a jornalista que agora terá de provar que não houve o episódio relatado pelo seu leviano acusador.

A esses apoiadores das grosserias de Bolsonaro, recomenda-se que analisem esse caso com maior cuidado e isenção, como se a repórter fosse alguém de sua família – seja esposa, filha, neta ou amiga, enfim, uma mulher indefesa que estivesse sendo difamada por um elemento desclassificado e sem paradeiro, com apoio do próprio Presidente da República.

Convenhamos que paira no ar uma grande injustiça contra essa profissional consagrada, que é repórter e analista da Folha de São Paulo e também trabalha na Rádio Band e na TV BandNews.

Vereador afirma que Flávio Bolsonaro visitou Adriano da Nóbrega na prisão “mais de uma vez”

Ciba diz que o ex-capitão do Bope frequentava o gabinete de Flávio

Juliana Dal Piva e Bernardo Mello
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) sempre disse que sua relação com o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em operação da PM da Bahia no dia 9 de fevereiro, se resumiu a reconhecer seu trabalho contra o crime no Rio.

No entanto, em entrevista ao O Globo, o vereador do Rio Ítalo Ciba (Avante), sargento da Polícia Militar, contou que, quando esteve na prisão com Adriano, os dois receberam “mais de uma vez” visitas de Flávio Bolsonaro.  Além disso, segundo ele, o ex-capitão do Bope frequentava o gabinete de Flávio a convite de Fabrício Queiroz, ex-chefe da segurança de Flávio.

MOÇÃO DE LOUVOR – Ciba integrava o Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 16º BPM (Olaria), comandado por Adriano. Em 4 de novembro de 2003, ele, Adriano e outros seis policiais receberam de Flávio na Assembleia Legislativa uma “moção de louvor”. Alguns dias depois, porém, os integrantes do GAT foram presos e começaram a responder um processo criminal por homicídio, tortura e extorsão.

Nesse período, Flávio os visitou na prisão. Questionado sobre as visitas, o senador respondeu, por nota, que esteve apenas uma vez na cadeia, em 2005, para ver Adriano e entregar a medalha Tiradentes — maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). “Não há nenhuma relação de Flávio Bolsonaro ou da família com Adriano”, diz a nota.

REGISTROS – O Globo pediu, via Lei de Acesso à Informação, os registros das visitas a Adriano e aos outros sete policiais do GAT do 16º BPM na prisão, mas a PM negou alegando sigilo. Eles ficaram presos primeiro no Batalhão da Tropa de Choque e depois foram transferidos para o Batalhão Especial Prisional (BEP) da Polícia Militar.

Na época, O Globo fez imagens do momento das prisões dos policiais no dia 27 de novembro de 2003. O Globo também pediu à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) os registros de visitas ao gabinete de Flávio, mas não teve resposta até o momento. No último sábado em evento no Rio, o presidente Jair Bolsonaro disse que foi ele quem pediu que Flávio fizesse a homenagem a Adriano dizendo que, na época, ele era um “herói”.

“Para que não haja dúvida. Eu determinei. Manda pra cima de mim. Meu filho condecorou centenas de policiais militares. Vocês querem me associar a alguém por uma fotografia, uma moção há 15 anos atrás. As pessoas mudam, para o bem ou para o mal mudam”, disse Bolsonaro.

“MAIS DE UMA VEZ” – Ciba diz que conheceu Adriano em 2002 quando foi trabalhar no 16º BPM. Ele disse não saber quando Adriano conheceu Flávio Bolsonaro e os demais integrantes da família, mas acredita que o contato foi feito por meio de Fabrício Queiroz.

“Sei que ele (Adriano) se dava muito bem com o Flávio, devido ao (Fabrício) Queiroz. Queiroz trabalhou com Adriano lá atrás. Eu sei que o Adriano, de vez em quando, o Queiroz chamava pra ir lá no gabinete. Ele (Adriano) ia no gabinete, quando nós estivemos presos o Flávio foi lá visitar a gente. Mais de uma vez”, disse.

“COVARDIA” – Sobre a morte de Adriano, Ítalo Ciba disse que o caso se trata de uma “covardia” e que também acredita que o ex-colega de corporação pode ter sido vítima de uma “queima de arquivo”. Ele disse que viu Adriano pela última vez num shopping, sem lembrar a data exata, mas antes das eleições de 2018.

“Foi de passagem, esbarrei com ele no shopping. Ele falou assim mesmo pra mim: “Estamos sendo perseguidos porque somos amigos do presidente”. Não era presidente ainda não, devia ser deputado, candidato a presidente”, afirmou Ciba.

Entre outubro e novembro de 2003, Adriano e os colegas do GAT se envolveram, segundo a Corregedoria da Polícia da PM e o Ministério Público, no sequestro, tortura e extorsão de três jovens da favela de Parada de Lucas, na Zona Norte. Os moradores chamavam o GAT de “guarnição do mal”.

ACUSAÇÕES – Segundo a ficha funcional de Adriano, as vítimas eram levadas para um terreno baldio no antigo Mercado São Sebastião, na Penha. Nesse local, os PMs foram acusados de torturar as pessoas e depois extorquir R$ 1 mil.

Até que, em 27 de novembro daquele ano, eles foram apontados como os executores do guardador de carros Leandro dos Santos Silva, de 24 anos. No dia anterior, Leandro tinha denunciado as sessões de tortura. Foi assassinado, às 6h30m, com três tiros na porta de casa. A cena do crime foi desfeita para impedir a perícia. Mesmo morta, a vítima foi “socorrida” pelos agentes.

A Corregedoria da PM investigou o caso e anotou na ficha de Adriano, a que O Globo teve acesso, que ele “em comunhão de ações e desígnios com os demais acusados, consciente e voluntariamente, com vontade de matar, efetuou disparos de arma de fogo contra Leandro dos Santos Silva, inclusive após já estar caído ao solo”.

MOTIVO TORPE – O relatório policial diz ainda que “o crime foi praticado por motivo torpe, qual seja, vingança pelo fato de a vítima ter prestado ‘queixa’ dos denunciados à Corregedoria Interna da Pmerj, bem como, registrado ocorrência na 5ª DP”.

Quando Flávio homenageou os policiais, a justificativa foi de que Adriano e os colegas tiveram destacados a “dedicação, brilhantismo e galhardia” com que serviam à população. Nesse dia, o parlamentar deu a mesma honraria a Fabrício Queiroz, na época, policial do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais.

CONDENAÇÃO – No dia 24 de outubro de 2005, os PMs foram condenados em primeira instância. Quatro dias depois, o presidente Jair Bolsonaro, então deputado federal, discursou na Câmara em defesa de Adriano — descrito como “um brilhante oficial”. Em novembro de 2006, porém, o júri que condenou os policiais foi anulado, e eles acabaram absolvidos, mesmo diante de provas técnicas apresentadas pelo Ministério Público.

Junto com Adriano e Ítalo Ciba, foram denunciados o capitão Flávio Luiz de Souza, os sargentos Abenor Machado Furtado, Sérgio Rogério Ferreira Nunes, Marcelo da Silva Conceição e os soldados Luiz Carlos Felipe Martins, Flávio Rodrigues Neves, e Alexander Duarte da Silva. Alexander foi depois expulso da PM por infringir o código de conduta.

Os investigadores conseguiram confirmar que o GPS do carro da polícia mostrava os PMs no local do crime e os vigilantes de uma empresa próxima ao antigo mercado confirmaram que viram os policiais no local.

QUESTÃO POLÍTICA – Na versão de Ciba, todo o processo que respondeu no Judiciário se resume a uma questão política. “Foi uma perseguição política comigo”, disse, negando as acusações. Na versão dele, a morte do guardador de carros ocorreu durante uma operação policial em que ocorreu uma troca de tiros na comunidade.