Eduardo Bolsonaro ataca João Doria e diz que governador ‘não é só um ruim gestor, é perverso’

Eduardo tirou o sábado para para criticar o desafeto político do pai

Deu no Correio Braziliense

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) faz criticas ao governador de São Paulo, João Doria, em posts no Twitter neste sábado, dia 24. Foram dois posts citando o governador.

Num deles, ele comenta um post da Direita Brasil que diz que Doria começou a processar os pequenos empresários que não conseguiram pagar impostos durante a pandemia: “SP é o estado + rico do país e sua capital tem PIB maior do que qualquer outro estado. Além disso, o funcionalismo público é dos mais mal pagos do Brasil. Some-se a isso q nesta pandemia foram injetados recursos federais em todos os estados. Dória não é só ruim gestor,é perverso!”

ICMS – No anterior, o filho de Bolsonaro cita a decisão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que aprovou projeto de Doria que dá a ele poderes para aumentar o ICMS para até 18% através de decreto (sem passar pela Alesp), e cobra que parlamentares tivessem cobrado o governador para reduzir a máquina pública, no lugar de apoiá-lo.

Governador de Santa Catarina é afastado, mas garante que poderá evitar seu impeachment

Comissão de deputados e desembargadores afasta governador de SC - Jornal O  Globo

Carlos Moisés sequer cometeu crime de responsabilidade

Paula Sperb
Folha

O Tribunal Especial decidiu, por 6 votos contra 4, que o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), deve ser afastado por até 180 dias (seis meses) de seu cargo. Esse colegiado é composto por cinco desembargadores sorteados e cinco deputados estaduais escolhidos. A maioria votou por dar continuidade ao processo de impeachment em vez de arquivá-lo.

O afastamento, confirmado na madrugada deste sábado (24), não é o impeachment definitivo, que pode ocorrer ou não, ao final de todo o processo.

VICE VAI ASSUMIR –  A votação da denúncia contra a vice-governadora, Daniela Reinehr (sem partido), resultou em empate. Por isso, o desembargador Ricardo Roesler, presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), foi o responsável pelo desempate, votando pelo arquivamento. Assim, Daniela Reinehr deve assumir o governo do estado durante o afastamento de Moisés.

A justificativa oficial para o processo contra o governador é ter igualado o salário dos procuradores do Executivo ao do Legislativo. O governador foi acusado de “trair Bolsonaro” por deputados do seu partido.

Em entrevista coletiva neste sábado, Moisés disse que não houve uma derrota total e que tem convicção de que voltará ao cargo.

SEM JUSTA CAUSA – “Esperávamos de fato o arquivamento desse processo, mas entendemos que não houve uma derrota total. Entendemos que houve expressão da essência do processo de impeachment, uma questão meramente jurídica e de direito. E que apesar de o processo de impeachment ser um processo político, ele tem que ter justa causa. E como defendíamos, não há justa causa”.

Inicialmente, a expectativa dos adversários do governador era a de que o presidente da Assembleia, Julio Garcia (PSD), assumisse o cargo com o afastamento de ambos.

Garcia também  foi denunciado recentemente pelo Ministério Público Federal por suposta lavagem de dinheiro quando era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

Se o impeachment for concluído ainda em 2020, são convocadas novas eleições diretas.

INSTABILIDADE POLÍTICA – Na opinião de especialistas ouvidos pela Folha, processos deste tipo podem acabar “banalizados” se usados para tirar governadores e prefeitos fragilizados por não possuírem maioria no Legislativo e podem criar instabilidade política.

Além disso, as justificativas para o impedimento podem até ser corretas juridicamente, mas não necessariamente graves o bastante para acionar o “último recurso”. Entre os que queriam abertura do processo estavam os deputados bolsonaristas de seu próprio partido.

“O impeachment tem sido distorcido, criando instabilidade política e tirando o peso da escolha dos eleitores”, avalia Aloísio Zimmer, advogado especialista em direito administrativo.

SEM GRAVIDADE – Na interpretação de Zimmer, o acréscimo no salário dos procuradores do Executivo para igualar aos do Legislativo, deveria ter passado por votação da Assembleia. Porém o advogado entende que deveria haver “juízo de intensidade da gravidade”.

“Ilegalidades ocorrem no cotidianos das administrações e podem se resolver a partir de uma denúncia do Ministério Público, inquéritos, pela ação do Tribunal de Contas. O impeachment seria para o mais grave. Mas, muitas vezes é a primeira medida, quando se perde apoio na casa legislativa. É mais um vício do que virtude do sistema”, diz Zimmer.

Para ele, governadores e prefeitos estão sendo julgados por crime de “governabilidade” e não de “responsabilidade”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O erro do governador foi não ter submetido à Assembleia Legislativa o reajuste salarial. Mas isso não é motivo para impeachment de um governador. A assembleia deveria ter recorrido à Justiça, ao invés de afastar um governador que não sofre denúncia de corrupção nem foi apanhado com dinheiro na cueca. (C.N.)

Legendas entram em confronto com direções municipais e conflitos vão parar na Justiça

Charge do Ivan Cabral (.ivancabral.com)

José Marques
Folha

A menos de um mês do primeiro turno das eleições municipais, Campo Grande ainda tem dois candidatos oficiais a prefeito pelo PSL, antiga sigla de Jair Bolsonaro. Ambos estão em campanha e disputam o direito de aparecer na urna eletrônica quando o eleitor da cidade digitar o número do partido.

A palavra final sobre o assunto será dada pela Justiça Eleitoral, que ainda não decidiu qual candidatura é regular. Em uma situação menos provável, o Judiciário pode até barrar as duas. O conflito que provocou essa conjuntura na capital sul-mato-grossense é recorrente em diversos partidos na campanha eleitoral.

NA JUSTIÇA – Direções municipais, estaduais e nacionais têm entrado em guerra após o lançamento de determinadas candidaturas ou de apoios a outras legendas. As discordâncias têm acabado em litígio. Em Uberlândia (MG), o MDB também lançou duas candidaturas à prefeitura, após um conflito entre a direção municipal e a nacional. Não foi definido quem sobrará nessa concorrência. Mas a disputa mineira não chega nem perto, em relação à troca de acusações, da que enfrenta o PSL de Campo Grande.

Na capital, o deputado federal e presidente municipal Loester Trutis foi lançado candidato em convenção. No dia seguinte, foi contestado pela direção estadual, presidida pela senadora Soraya Thronicke, que defende a candidatura do vereador Vinicius Siqueira.

Soraya diz que Trutis tinha combinado que não seria o candidato a prefeito e só decidiu entrar na disputa porque não conseguiu encaixar uma indicada sua como vice de Siqueira. Essa indicada, afirma a senadora, vivia em Brasília e é recém-filiada ao partido em Campo Grande.

CANDIDATURA LARANJA – “O Vinicius não aceitou [a vice] e eu, como sou presidente nacional do PSL Mulher, identifiquei como possibilidade de uma candidatura laranja. Não tinha voto. Eu oficiei à nacional dizendo que não me responsabilizaria [pela candidatura]. Não posso julgar, mas dei todos os fatos e fundamentei a minha impressão em relação à candidatura”, afirma ela.

A presidente do PSL de MS também diz que não foram obedecidas as regras do partido na convenção que referendou o nome de Trutis. De acordo com Soraya, dos oito votantes, três eram suplentes e não podiam votar. Sem esses três votos, argumenta, o eleito na convenção foi Vinicius, e não de Trutis. “Foi uma manobra reconhecidamente fraudulenta”, afirma.

MANOBRA – Trutis rebate. Para ele, quem cometeu “manobra administrativa, abuso administrativo e até fraude” foi a própria Soraya e um primo dela que, por um breve período, assumiu a direção municipal do PSL e tomou decisões contrárias à candidatura de Trutis.

O deputado, que se apresenta como “PSL raiz”, diz que não houve manobra no número de votantes da convenção. “Em Mato Grosso do Sul, assim como em outros estados, a executiva do PSL é provisória e, em executiva provisória não existe a figura do suplente”, diz ele. “Além disso, a condição de [eu] sair candidato foi um desejo da [direção] nacional”, acrescenta.

Em um vídeo nas redes sociais, Trutis expõe mensagens atribuídas a Vinicius Siqueira nas quais o vereador afirma que não queria ser candidato a prefeito, mas sim se reeleger à Câmara Municipal. Procurada pela reportagem, a campanha de Vinicius não se manifestou.

CONFLITO – Em João Pessoa, uma briga partidária envolve o PT municipal e a direção nacional. A cúpula do partido decidiu apoiar a candidatura do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), mas o diretório da capital lançou o deputado estadual Anísio Maia.

Anísio toca sua campanha, inclusive com tempo de TV, enquanto o partido se movimenta para tentar impedi-la. Dois recursos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já foram rejeitados, mas ainda há outras ações pendentes na Justiça Eleitoral.

Na última quarta-feira, dia 14, a executiva nacional interveio no diretório de João Pessoa até o fim do ano, “para realizar todos os atos referentes à vida partidária no município, inclusive a participação do PT nas eleições e ações judiciais relacionadas a estas eleições”.

NOTA – “A intervenção se tornou necessária para que seja cumprida a decisão anterior de apoiar a candidatura de Ricardo Coutinho (PSB) à Prefeitura de João Pessoa, que proporciona a composição de uma frente política, em defesa dos interesses do povo, da democracia e em oposição a Bolsonaro e seus aliados”, diz nota do partido.

Internamente, foi decidido que não serão enviados recursos dos fundos eleitoral ou partidário para a campanha de Anísio. Em contrapartida, a direção nacional repassou R$ 60 mil para a candidatura de Coutinho.

Esse dinheiro, no entanto, só será movimentado depois que a Justiça Eleitoral definir se a candidatura de Anisio será mantida, segundo a assessoria da legenda. Se a Justiça decidir que o deputado pode continuar a disputar a prefeitura, os valores serão devolvidos ao PT nacional. Procurado, Anisio não se manifestou.

ALIANÇA – No Rio de Janeiro, o PSDB estadual interveio no diretório municipal de Niterói, que apoia o candidato Felipe Peixoto (PSD). O diretório fluminense decidiu por uma aliança com o candidato Axel Grael (PDT), sucessor do prefeito Rodrigo Neves Barreto (PDT).

A medida ia de encontro ao comportamento do PSDB local, que era de oposição à prefeitura pedetista. Os ânimos, que já estavam acirrados entre os tucanos com a intervenção, ficaram ainda mais quando foi descoberto que um dos membros da comissão interventora, que substituiria a direção municipal, é filiado ao PT.

Por causa da disputa, o PSDB chegou a aparecer no sistema de divulgação de candidaturas como coligado tanto ao candidato do PSD como ao do PDT.

DECISÃO – O TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro), no entanto, decidiu favoravelmente ao diretório municipal. O juiz relator, Gustavo Alves Pinto Teixeira, fez fortes críticas à direção estadual em seu voto.

“Vislumbra-se frontal desrespeito ao contraditório e ampla defesa, em uma visão mais ampla, já que não houve sequer comunicação ao órgão afetado, quanto mais oportunidade de manifestação e defesa e, em uma análise mais restrita, desrespeito às normas estatutárias [do PSDB]”, disse o magistrado. Procurado, o presidente estadual do PSDB, o empresário Paulo Marinho, afirma que recorre ao TSE.

Segundo ele, havia um acordo de o partido apoiar o vereador Bruno Lessa (DEM) à prefeitura. Mas Lessa, que era tucano antes de se filiar ao DEM, não se candidatou a prefeito e decidiu integrar a chapa do PSD como vice. Marinho diz que isso foi de encontro ao combinado, que desconhece Peixoto e que tem uma relação pessoal com o atual prefeito de Niterói.

CONTRASSENSO – Questionado se não era um contrassenso fazer o partido apoiar um adversário, ele diz que é o grupo de Lessa que era opositor à prefeitura. “Isso porque ele queria ser candidato. Mas essa pessoa já não está mais no PSDB, largou o PSDB para ser candidato pelo DEM”, diz Marinho.

Procurado, Lessa diz que respeita a autonomia do PSDB municipal e que o partido “optou por apoiar a principal chapa de oposição à prefeitura”. “Esse é um conflito dele [Marinho] com o diretório local, não é comigo. Mas não acredito nessa construção partidária de uma pessoa que por cima vem, diz que manda e que fez, e se arvora sobre um partido, como se o partido fosse ele”, criticou.

Jair Bolsonaro anuncia que fechou sete embaixadas em 2020 “por questão de economia”

Bolsonaro diz que não há rompimento de relações entre os países

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro afirmou em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira, dia 23, que fechou em 2020 ao menos sete embaixadas. Segundo o chefe do Executivo, em uma foto ao lado do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foram encerrados dois postos na África: Freetown (Serra Leoa) e Monróvia (Libéria).

Os outros cinco estavam situados em países do Caribe: Saint George’s (Granada), Roseau (Dominica), Bassaterre (São Cristóvão e Névis), Kingstown (São Vicente e Granadina) e Saint John (Antígua e Barbuda).

 

ECONOMIA – Bolsonaro afirmou que o fechamento das embaixadas ocorre “por questão de economia”, o que não representa um rompimento de relações entre os países. A expectativa é que os países, por reciprocidade, também encerrem suas embaixadas em Brasília.

A medida ocorre um dia depois de o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, destacar que a defesa da liberdade é o diferencial da política externa brasileira na atual gestão, mesmo que isso signifique que o País se torne um “pária internacional”. Em evento de formatura de novos diplomatas, Araújo criticou a atuação do Itamaraty em governos anteriores e justificou que a nova abordagem internacional do País tem conseguido resultados.

“Sim, o Brasil hoje fala de liberdade através do mundo. Se isso faz de nós um pária internacional, então que sejamos esse pária. (…) Esse pária não tem seu nome em nenhuma planilha, não fez negociatas para promover partidos amigos em outros países, não pertenceu ao conselho de nenhuma grande construtora exportadora de propina”, declarou.

Maia provoca Salles:  “Não satisfeito em destruir o meio ambiente, resolveu destruir o governo”

Maia sobre Salles: Não satisfeito em destruir o meio ambiente, resolveu destruir o governo | HuffPost Brasil

Maia destruiu o ministro Salles usando apenas uma frase

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou neste sábado (24/10) a postura do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Maia usou sua conta no Twitter para dizer que o ministro agora “resolveu destruir” o governo presidente Jair Bolsonaro.

“O ministro Ricardo Salles, não satisfeito em destruir o meio ambiente do Brasil, agora resolveu destruir o próprio governo”, escreveu. Nesta semana, Salles protagonizou uma briga com o ministro da Secretaria de Governo, o general Luiz Eduardo Ramos. Também pelo Twitter, o ministro do Meio Ambiente chamou o militar de “maria fofoqueira”.

“ESTICOU A CORDA” – Salles compartilhou uma notícia do jornal O GLOBO no qual dizia que o ministro “esticou a corda” com a ala militar do governo. “Ministro Ramos, não estiquei a corda com ninguém. Tenho enorme respeito e apreço pela instituição militar. Atuo da forma que entendo correto. Chega dessa postura de #mariafofoca”, escreveu, deixando a briga pública.

Segundo informações da CNN, o ministro havia chamado Ramos de “banana de pijama” em outra publicação, mas apagou. “Tenho enorme respeito pela instituição militar. Como em qualquer lugar, infelizmente, há sempre uma maçã podre a contaminar os demais. Fonte de fofoca, de intriga, de conspiração e da discórdia. O problema é a banana de pijama”, dizia o tuíte apagado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – No deserto de homens e ideias em que se transformou a política brasileira, no dizer do grande estadista Oswaldo Aranha, até um parlamentar limitado como Rodrigo Maia se torna um grande destaque. Hoje o deputado do Rio, também conhecido como “Botafogo” no baixo mundo empresarial, brilha como uma estrela solitária no Congresso, enquanto o senador Major Olímpio (PLS) também começa a se projetar, para fazer companhia a ele. O resto é silêncio, como dizia Érico Veríssimo. (C.N.)

Lula pensou que escaparia do processo no caso do Instituto, por causa da devolução dos bens

INSTITUTO PRISIONAL | JORNAL DA BESTA FUBANA

Juiz aceitou novo processo contra Lula, Palocci e Okamottto

José Vianna e Ederson Hising
RPC Curitiba e G1 PR

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, viraram réus nesta sexta-feira (23) pelo crime de lavagem de dinheiro em um processo da Operação Lava Jato.

Conforme o Ministério Público Federal (MPF), o crime envolveu doações da Odebrecht ao Instituto Lula para disfarçar repasses no total de R$ 4 milhões, entre dezembro de 2013 e março de 2014.

OUTROS DOIS RÉUS

Dois ex-executivos da Odebrecht também tiveram a denúncia aceita pelo juiz federal Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, no fim da tarde desta sexta. Eles se tornaram réus pelo mesmo crime.

A defesa de Lula afirmou que a decisão é um ato de perseguição e que a ação penal é descabida. A denúncia da força-tarefa foi apresentada em 14 de setembro deste ano. O ex-executivos Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho e Alexandrino de Salles Ramos de Alencar foram denunciados depois. As penas previstas nos acordos de colaboração não atingiram o limite.

Conforme a decisão, a denúncia se embasa em depoimentos convergentes de colaboradores da operação, mensagens eletrônicas e documentos, como planilhas de pagamentos e recibos.

PROVAS MATERIAIS – Bonat apontou que uma planilha apreendida com Paulo Okamotto faz menção a valores solicitados a diversas empreiteiras e tem anotação de pagamento dos R$ 4 milhões ao instituto em nome da construtora Norberto Odebrecht.

“Tais evidências bastam, em um juízo de cognição sumária, para o recebimento da denúncia, eis que detém ela lastro probatório mínimo em desfavor dos acusados acima nominados. Questões mais profundas a respeito da responsabilidade criminal demandam regular instrução processual”, afirmou.

Este é o quarto processo da Lava Jato em Curitiba no qual o ex-presidente Lula se torna réu. Nos casos do triplex no Guarujá (SP) e do sítio em Atibaia (SP) ele foi condenado. O terceiro processo, envolvendo um terreno e um apartamento em São Paulo, ainda não foi julgado.

REPASSES INVESTIGADOS – Segundo o MPF, a denúncia trata de quatro doações feitas pela Odebrecht ao Instituto Lula, no valor de R$ 1 milhão cada. A força-tarefa afirma que os repasses tiveram como origem crimes praticados contra a Petrobras.

Embora os repasses apontados pelos procuradores foram feitos formalmente por meio de doações legais, de acordo com a denúncia, os valores foram debitados do crédito de propinas pagos pela Odebrecht por conta dos contratos fraudados da estatal.

Ainda conforme os procuradores, Marcelo Odebrecht determinou diretamente que o dinheiro fosse repassado por meio de doação ao instituto, segundo pedido de Lula e de Okamotto, com o objetivo de disfarçar a ação ilegal.

“ITALIANO” E “AMIGO” – De acordo com o MPF, os valores repassados ao instituto constam na planilha “italiano” e na subconta “amigo” , controladas por Marcelo Odebrecht e que, segundo os procuradores, se referiam a Palocci e a Lula.

Bonat afirmou que Marcelo Odebrecht atingiu o limite de pena de 30 anos estabelecido em acordo de colaboração premiada. Por isso, ele nem chegou a ser denunciado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lula e seus advogados pensaram que escapariam desse processo porque a juíza Gabriela Hardat suspendeu metade do bloqueio dos bens do petista por não haver provas de que o ex-presidente  simulara ter dado a maioria das palestras pagas por empresas. Quando isso aconteceu, explicamos que Lula não ia escapar do processo, pois havia outras provas materiais. E não deu outra. Até agora Lula não conseguiu escapar de nenhuma das investigações da Lava Jato, porque todas elas estão muito bem fundamentadas. (C.N)

Maia defende construir diálogo com Bolsonaro sobre vacinas após aprovação pela Anvisa

“Tenho certeza que a vacina é fundamental”, disse Maia

Bruna Lima
Correio Braziliense

Após desmarcar compromisso com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), alegando indisposição, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), embarcou para capital paulista, nesta sexta-feira, dia 23, e participou da tradicional coletiva de atualização das ações do estado de combate à covid-19.

O parlamentar negou que o motivo do cancelamento da reunião tenha sido uma sinalização de não apoio à vacina chinesa Coronavac e declarou que, se for devidamente aprovada, irá articular a inclusão da candidata ao Programa Nacional de Imunização (PNI).

AUTORIZAÇÃO PELA ANVISA – “Espero que a gente consiga construir, através do diálogo, a solução não apenas para São Paulo, mas para todos os brasileiros que precisam dessa e das outras vacinas para gente garantir proteção, principalmente, ao grupo de risco”, ressaltou Maia, frisando a necessidade de que, antes, as candidatas sejam aprovadas e autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Já infectado pelo novo coronavírus, Maia relembrou os dias em que sofreu com os efeitos da doença para destacar a necessidade das vacinas. “Quem tem sintoma como eu tive, com o pulmão comprometido, risco de trombose, muito medicamento, sabe. Perder 10 quilos em sete dias não me parece um vírus tranquilo. Tenho certeza que a vacina é fundamental”.

Por isso, o presidente da Câmara admitiu a necessidade de “organizar aquilo que está desorganizado, infelizmente”, se referindo ao embate politizado em torno da vacina chinesa. “Tenho certeza que o presidente da República vai ouvir nossos apelos e que não vamos precisar de outro caminho a não ser um bom diálogo, que o presidente tem tido com o Parlamento a longo desses últimos meses”, declarou.

ESPECULAÇÃO – A fala afasta a especulação de que o Congresso seguiria a linha do presidente Jair Bolsonaro, em rejeitar a inclusão da CoronaVac no rol de imunizantes disponíveis pelo PNI. Segundo Maia, o cancelamento não se deu para “atender a alguma sinalização” e que o real motivo seria, de fato, mais uma doença. “Estou pegando uma virose a cada duas semanas”, comentou.

Mesmo assim, nos bastidores, o adiamento da reunião foi encarado como estratégia para construir um posicionamento e evitar mensagens truncadas, uma vez que ela ocorreria horas depois da afirmação de Bolsonaro de que não compraria as doses do que apelidou como “a vacina chinesa de Doria”.

 

Facebook já faturou R$ 8,7 milhões com impulsionamentos de propaganda de candidatos nas disputas municipais

Charge de Delize (Arquivo Google)

Bruno Ribeiro
Estadão

Seja por repasses diretos, seja através de subcontratadas, o Facebook é a empresa que mais faturou com as eleições municipais nestas três primeiras semanas de campanha, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Até esta quarta-feira, dia 21, 3.144 candidatos de todo o País haviam declarado gasto de R$ 8,7 milhões com impulsionamento de propaganda na internet para a rede social norte-americana. No topo da lista, está o candidato à reeleição para a Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB).

RECURSOS – O tucano  declarou à Justiça Eleitoral um gasto de R$ 200 mil para que a rede social exibisse suas mensagens para mais pessoas. Sua campanha confirma ter feito tal compra, mas afirma que nem todos os recursos já foram gastos e que, no decorrer da campanha, parte desse valor poderá não ser utilizado.

O Facebook permite que anunciantes modulem os anúncios que querem espalhar para grupos específicos. É possível escolher se o objetivo é que mais homens ou mais mulheres vejam a mensagem, de qual faixa etária específica, ou de determinados gostos. Um usuário da rede que, por exemplo, passa mais tempo vendo fotos do cães e curte páginas de proteção à espécie é mais propenso a receber anúncios de pessoas que escolheram atingir amantes de cachorros.

É o que fez a candidata a vereadora que mais gastou (R$ 180,4 mil) com o impulsionamento na campanha, Andreza Romero (PP), do Recife. “Nossas propostas ressaltam a importância da causa animal, e grande parte das pessoas sensíveis ao nosso trabalho com os animais está nas redes sociais”, informa sua campanha.

NICHO IDEOLÓGICO – “Nós apostamos em um nicho de eleitores mais ideológico, que acompanham nosso trabalho de resgate e ajuda a protetores e ativistas não de agora, mas há anos”, afirma.

Essa possibilidade de direcionamento de mensagens específicas para certos públicos está no centro das denúncias de manipulação eleitoral em outros países a partir de 2015 por meio da rede social. Nestas eleições, a rede tem uma página onde algumas informações sobre os anúncios são divulgadas. Não é possível ver quem a página anunciante queria atingir, mas é possível verificar, em cada anúncio, qual o perfil do público mais atingido.

No caso de Covas, as propagandas impulsionadas que trataram da volta às aulas foram mais vistas por mulheres acima dos 35 anos no Estado de São Paulo – sua campanha afirma que, por uma questão de estratégia, não comentaria o perfil do eleitor que busca atingir nas propagandas.

VANTAGENS –  O cientista político Cleyton Monte, do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídias (Lepem) da Universidade Federal do Ceará, explica que a minirreforma eleitoral, que é válida nesta eleição, permite esses impulsionamentos. Uma das vantagens desse modelo, afirma, é que o candidato chega a mais pessoas “se tiver uma campanha com mensagem clara, com proposta de marketing coerente”.

Por outro lado, aponta Monte, quem tem mais espaço nas redes sociais são os que pagam por impulsionamento, para ter seu nome priorizado em sites de busca. “Então existe uma desigualdade em relação ao poder econômico dos candidatos. Quem tem mais poder econômico para investir, quando muitas vezes são as grandes campanhas, acaba tendo um maior acesso, uma maior capilaridade nestes espaços”, avalia.

PROPOSTAS – “Por ser a internet um meio mais democrático do que as mídias tradicionais, propicia ao eleitor oportunidade para conhecer um número maior de candidatos, suas propostas e seus históricos”, pondera Djalma Pinto, também cientista político e especialista em Direito Eleitoral. “Na internet, não há tempo limitado como na propaganda eleitoral no rádio e na TV, mídias em que esse tempo é distribuído sem qualquer respeito à isonomia entre os candidatos”, avalia.

O Facebook faturou, diretamente, R$ 2,3 milhões, segundo os dados do TSE. Mas parte das candidaturas está declarando os gastos como repasses às empresas DLocal (R$ 4 milhões) e Adyen (2,4 milhões), que são empresas de pagamento eletrônico, com sede na Ilha de Malta e na Holanda, respectivamente, usadas pela rede social para receber as faturas. Parte dos recursos vem do fundo eleitoral.

CAMPANHA EM FORTALEZA – Apesar da liderança de Bruno Covas, é em Fortaleza que a disputa pela internet é mais acirrada. Das dez campanhas do País que mais gastaram com impulsionamento de postagens, quatro são da capital cearense.

Líder de gastos, com 181 mil, Célio Studart (PV), candidato à prefeitura, foi eleito em 2016 o vereador mais votado das regiões Norte e Nordeste do País, utilizando também as redes sociais. Com a pandemia, afirmou, foi preciso intensificar a campanha virtual este ano. “É impensável a realização de agendas de rua e formatos tradicionais de campanha que possam ocasionar aglomerações e impactos negativos na saúde da população, restando o campo virtual o mais responsável para a atuação política”, disse.

Capitão Wagner, candidato à prefeitura de Fortaleza pelo Pros, também faz ligação entre os gastos e a crise sanitária e argumenta que “nenhuma campanha hoje, no Brasil, abre mão das redes sociais”. Wagner, que já gastou R$ 130 mil, ressalta que as ações são feitas “dentro das normas da legislação eleitoral”.

Sonhar não é proibido! Bolsonaro acha que já resolveu a crise entre Salles e a ala militar

Queimadas na Amazônia

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Naira Trindade, Daniel Gullino e Victor Farias
O Globo

Após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atacar pelas redes sociais o colega da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, chamando-o de #mariafofoca, o presidente Jair Bolsonaro entrou em campo para colocar panos quentes na situação. O ataque de Salles, no fim da noite de quinta-feira, foi em reação a uma nota da colunista do Globo Bela Megale, que expôs a nova briga entre as alas ideológica e militar do governo.

Na manhã de sexta, Bolsonaro esteve com Ramos e Salles na cerimônia em que a Força Aérea Brasileira (FAB) apresentou a aeronave F-39E Gripen, na Base Aérea de Brasília, e levou ambos para um almoço, com outros convidados, em uma galeteria.

VEIO A BONANÇA – Durante a refeição, os ânimos, que amanheceram exaltados, já pareciam serenados. Segundo aliados, Ramos convidou Salles para uma conversa em seu gabinete, no quarto andar do Palácio do Planalto, a fim de colocar um ponto final da crise. Salles sinalizou aceitar participar da reunião, mas a conversa ainda não ocorreu.

Auxiliares de Bolsonaro avaliam que o presidente não tomará partido de nenhum dos lados, assim como não entrou na disputa entre os ministros da Economia, Paulo Guedes, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. A tendência, acreditam, é que ele vá aguardar o desenrolar da crise entre militares e ideológicos e só avalie se fará alterações no time caso a poeira não abaixe.

A confusão entre Salles e Ramos começou às 21h de quinta-feira, quando Salles ligou para Ramos o acusando de supostos vazamentos para imprensa.

PELO TELEFONE – O ministro do Meio Ambiente estava inconformado com a nota da colunista Bela Megale que mencionou que Salles estava esticando a corda com a ala militar ao reclamar publicamente da falta de verbas. Oito horas antes daquela ligação, os dois ministros haviam se cumprimentado cordialmente ao serem condecorados em cerimônia no Palácio do Itamaraty.

Ao desligar o telefonema com Ramos, Salles recorreu às redes sociais. A primeira mensagem dizia: “Tenho enorme respeito pela instituição militar. Como em qualquer lugar, infelizmente, há sempre uma maçã podre a contaminar os demais. Fonte de fofoca, intriga, de conspiração e da discórdia, o problema é a banana de pijama”, escreveu, no Twitter.

Salles apagou a mensagem minutos depois e decidiu ser mais direto, mencionando o colega de ministério: “@MinLuizRamos não estiquei a corda com ninguém. Tenho enorme respeito e apreço pela instituição militar. Atuo da forma que entendo correto. Chega dessa postura de #mariafofoca”, publicou, às 22h21.

FOFOCA NAS REDES – A postagem logo ganhou apoio de militantes da ala ideológica do governo. O ataque público de Salles a Ramos contou com a solidariedade do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. No Twitter, o deputado escreveu para Salles: “Força, Ministro. O Brasil está contigo e apoiando seu trabalho”.

Nos bastidores, houve respaldo de ministros civis que se dizem incomodados com a “bolha militar” que a cúpula do Planalto, formada pelos generais Augusto Heleno (GSI), Walter Braga Neto (Casa Civil) e Ramos, estaria colocando o presidente. As críticas são de que os três privam o presidente de acesso a informações estratégicas.

Integrantes do governo veem no movimento de Salles uma tentativa orquestrada com outros ministros para trocar o comando da Secretaria de Governo. A intenção seria tirar o militar da articulação política e colocar um outro nome, talvez de um parlamentar. Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o assunto.

DISPUTA ANTIGA – A guerra interna entre Salles, que tem apoio da ala ideológica, e militares é antiga. Em agosto, o vice-presidente Hamilton Mourão, chefe do Conselho Nacional da Amazônia, acusou Salles de ter “se precipitado” ao anunciar que todas as operações de combate ao desmatamento ilegal e queimadas na Amazônia Legal e no Pantanal seriam suspensas por causa do bloqueio determinado pela Secretaria de Orçamento Federal de cerca de R$ 60,6 milhões para Ibama e ICMBio. Ao anunciar o fim das operações, Salles atribuiu publicamente o corte às pastas de Ramos e Braga Netto.

Segundo o colunista Lauro Jardim, o apelido que Salles deu a Ramos de #mariafofoca também já foi usado no Planalto pelo chefe da Secom, Fábio Wajngarten, para referir-se ao general. A relação entre os dois é ruim. Wajngarten era subordinado de Ramos e agora está no Ministério das Comunicações, conduzido pelo ministro Fabio Faria.

DISSE MOURÃO – Na sexta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o ataque de Salles a Ramos foi “péssimo” e defendeu que Salles deveria ter conversado pessoalmente com Ramos.

O titular da Secretaria de Governo recebeu respaldo também do Congresso. O líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), publicou em suas redes que o ministro está “entrosado com líderes de governo” e “assegurando a governabilidade”. Ramos não respondeu aos ataques e, procurado, não quis comentar o episódio.

Brasil não precisa optar por China ou EUA na Rede 5G, mas seguir sua tradição de permanecer independente

Rede 5G: O que há de novidade? | futurecom.com

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Alexander Busch
Agência DW

Poucos assuntos têm sido tão debatidos nos meios da política e economia brasileiras quanto a concorrência para a rede 5G, a quinta geração do padrão de telefonia móvel. No país, como em outros tantos por todo o mundo, o que está em jogo é se a operadora chinesa Huawei deve ser admitida ou não como fornecedora das multinacionais de telecomunicações.

Os Estados Unidos pressionam todos os seus aliados ocidentais – portanto, também o Brasil – contra a participação da Huawei, sob a alegação de que a China empregaria a tecnologia da firma para fins de espionagem.

FALSO DILEMA – No entanto, a decisão pró ou contra Pequim ou Washington é um falso dilema. O Brasil deveria seguir dialogando com ambos. Em sua história, o país provou repetidamente que também é capaz disso sob pressão, e na maioria dos casos se saiu bem.

Esse foi o caso antes da Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil conseguiu se manter neutro entre os Aliados e as potências do Eixo. Seus parceiros industriais importantes foram, sucessivamente, os EUA (indústria de base), depois a Europa (automóveis) e, em seguida, Japão (mineração), sem que, apesar da competição ferrenha, eles entrassem em atrito no país.

Na década de 70, os militares, apesar de próximos aos EUA, entregaram à Alemanha o contrato para a usina atômica de Angra dos Reis – uma afronta a Washington. O alcance dessa decisão na época é, em parte, comparável ao atual, entre a Huawei e as operadoras ocidentais.

CONTROLE DO PADRÃO – Também na época estava em jogo o estabelecimento de padrões internacionais e, portanto, da predominância industrial. Quem quer que controle o padrão global para novas tecnologias tem, a seguir, uma enorme vantagem estratégica em diversos setores, possivelmente por décadas.

Assim foi, na época, com a usina nuclear. Hoje, com o 5G, a coisa é ainda mais dramática, pois a rede será a base para o desenvolvimento de novas tecnologias. Tão mais importante, portanto, é o Brasil defender seus interesses perante os EUA e a China. Pois o país é capaz disso, já que, diferente de outros, joga numa categoria própria:

* O Brasil está entre as 12 maiores economias mundiais. Em superfície e população, ocupa o quinto e sexto lugares.

* É um dos poucos Estados que têm um grande superávit da balança comercial com a China. Isso o fortalece e torna menos chantageável.

* Também os EUA são um importante investidor e parceiro comercial e tecnológico do Brasil. Num mundo polarizado entre chineses e americanos, um Brasil neutro ganha automaticamente mais peso.

* O Brasil é um mercado-chave para a 5G. A concorrência para a rede de telefonia móvel será uma das maiores entre os mercados emergentes. Desde já, o país possui uma densidade de conexões de banda larga maior do que a maioria das economias fora dos EUA e Europa.

RESUMINDO – A neutralidade brasileira estabeleceria um sinal geopolítico. Não é de espantar que Pequim e Washington adotem a política de “cenoura e pau” perante o governo e autoridades do país: por um lado, atraem com financiamentos e parcerias estratégicas; por outro, ameaçam com a suspensão dos investimentos.

Isso é normal, e o Brasil não deve se deixar impressionar. Até porque é ingênuo crer que operadoras ocidentais automaticamente reduziriam o risco de espionagem ou hackeamento. Afinal, os serviços secretos dos EUA monitoraram tanto a presidente Dilma Rousseff quanto a Petrobras.

Além disso, de 30% a 40% do equipamento da rede móvel brasileira já se compõe de peças da Huawei. A eliminação destas e exclusão do conglomerado chinês atrasaria em anos o urgentemente necessário impulso de produtividade com a implementação da rede 5G. Uma competição acirrada entre os fornecedores, por outro lado, possivelmente tornaria mais fácil controlar as redes.

PROCURAR PARCEIROS – O Brasil deve tentar procurar parceiros por todo o mundo – na Ásia, América Latina, mas, acima de tudo, na Europa – que igualmente se vejam diante de um falso dilema e se preocupem com a polarização crescente.

Contudo, resistir à pressão e encontrar um caminho do meio é trabalho árduo, sobretudo para os diplomatas brasileiros. “O Brasil vai ter que usar na diplomacia algo que não está acostumado a fazer de uns tempos para cá”, comenta Marcos Azambuja, ex-embaixador e decano dos diplomatas do Brasil: “A cabeça…”

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Artigo excelente enviado por Mathias Eartmann. O autor, Alexander Busch, é um dos jornalistas internacionais que mais conhecem o Brasil, onde trabalha há 25 anos, E tudo o que ele afirma é rigorosamente verdadeiro. (C.N.)

A embaixadores, Mourão apresenta meta para reduzir a “menos da metade” o desmatamento na Amazônia até 2023

Mourão diz que se deve “fazer o impossível” para que desmatamento caia

Laís Lis
G1

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, apresentou nesta sexta-feira, dia 23, a embaixadores dos países signatários da Carta de Amsterdã a meta de reduzir em 50% o desmatamento na Amazônia até 2023. Segundo Mourão, a meta é chegar a 4 mil quilômetros quadrados de desmatamento.

No mês passado, um grupo de oito países europeus enviou carta ao vice-presidente na qual dizem que o aumento do desmatamento dificulta a compra de produtos brasileiros por consumidores do continente. O documento é assinado pela Parceria das Declarações de Amsterdã, grupo formado por Alemanha, Dinamarca, França, Itália, Holanda Noruega e Reino Unido. A Bélgica também assinou a carta aberta.

“FAZER O IMPOSSÍVEL” – Segundo o vice-presidente é preciso “fazer o impossível” para que o desmatamento caia pela metade em pouco mais de três anos. De janeiro a setembro, o acumulado de focos de incêndio na Amazônia é o maior desde 2010, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“A meta de redução — nós apresentamos ali para eles — é chegar a 2023 com menos da metade do que temos hoje em termos de desmatamento, na faixa de 4 mil quilômetros quadrados, que seriam aqueles números melhores que nós tivemos aí na década passada”, afirmou Mourão.

Embora o vice-presidente tenha falado em uma meta de redução de 50% do desmatamento, o Plano Plurianual (PPA) aprovado pelo Congresso em 2019, que contém objetivos a serem perseguidos pelo governo no quadriênio até 2023, diz que devem ser reduzidos em 90% desmatamento e incêndio ilegais em todos os biomas brasileiros, incluindo a Amazônia. O plano não especifica, em números absolutos, a área que representaria esses 90%.

DESMATAMENTO – O Ministério do Meio Ambiente chegou a propor, em um ofício enviado ao Ministério da Economia, a mudança dessa meta e propôs, como nova meta, proteger 390 mil hectares na Floresta Amazônica — cerca de 3,9 mil quilômetros quadrados. Entre agosto de 2018 e julho de 2019, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia foi de 976,2 mil hectares, cerca de 9,76 mil quilômetros quadrados.

Após a reunião, Mourão afirmou que os representantes dos países afirmaram que o Brasil avançou com relação às políticas colocadas para a Amazônia, mas ressaltaram que é preciso apresentar “melhores resultados”. “Eles consideram que em termos de questão de desmatamento e combate a ilegalidades o governo está agindo. Agora, precisa apresentar melhores resultados, isso é uma realidade”, disse.

Sobre a certificação de produtos brasileiros, Mourão afirmou que o governo e o mercado privado sabem da necessidade e que estão trabalhando nisso. “Hoje, é anseio dos consumidores saber que estão consumindo produtos que não vêm de algum tipo de ilegalidade”, disse.

Oposição quer CPI para apurar uso do GSI e da Abin contra investigações em caso da “rachadinha” de Flávio

Defesa de Flávio se reuniu com Bolsonaro, Heleno e Ramagem

Julia Lindner
O Globo

Integrantes da oposição no Congresso querem investigar se o governo usou a estrutura de Inteligência de Estado para proteger familiares do presidente Jair Bolsonaro. Na visão deles, a prática poderia representar crime de responsabilidade. Parlamentares do PSB e da Rede também defendem o afastamento do ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e do diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.

Conforme revelou a coluna de Guilherme Amado, da revista  Época, representantes da defesa de Flávio Bolsonaro se reuniram com Jair Bolsonaro, Heleno e Ramagem, em agosto, para expor uma tese que poderia derrubar o caso Fabrício Queiroz. Na ocasião, as advogadas pediram ajuda para encontrar provas que mostrem que Flávio foi vítima de uma organização criminosa dentro da Receita Federal.  

ALVO DE INVESTIGAÇÃO – Após a reportagem, os advogados do senador admitiram que apresentaram ao GSI as suspeitas de que o parlamentar teria sido alvo de uma investigação atípica por parte da Receita. O líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon (RJ), anunciou nesta sexta-feira, dia 23, que iniciou o processo de coleta assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apure se o GSI e a Abin atuaram para interferir em investigações do Ministério Público que envolvem o senador Flávio.

Para Molon, Bolsonaro não pode usar a força do cargo para ter acesso a dados sigilosos. “É um ataque à Constituição e às leis do país o presidente da República usar seu cargo público e as instituições de inteligência para tentar livrar seu filho de uma investigação criminal, conduzida pelo Ministério Público. Não é assunto de segurança familiar, mas de blindagem da família contra a aplicação da lei”, disse o deputado.

Enquanto isso, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que vai ingressar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo afastamento de Heleno e Ramagem, além de uma ordem contra Bolsonaro para que ele se abstenha de fazer solicitações à Receita sobre o caso Queiroz.

USO POLÍTICO – “Esse caso revela o uso político das instituições da República para fins particulares e, o que é pior, para desviar e impedir uma investigação contra a corrupção”, afirmou Randolfe.

A oposição também pretende requerer a convocação de Heleno e do ministro da Economia, Paulo Guedes, para que prestem esclarecimentos ao Congresso. Também deverão ser solicitadas informações das duas pastas sobre o caso.

Uma canção que louva a dignidade dos brasileiros que vivem e sofrem no sertão

 Canção pra Diadorim - Virgem Sertão Roseano - YouTube

Amarildo Silva inspirou-se na obras de Guimarães Rosa

Paulo Peres
Poemas & Canções

Os cantores e compositores mineiros João Francisco e Amarildo Silva encontraram, no poeta carioca Chico Pereira, o parceiro ideal para versificar a música “Meu Recado”, mensagem que retrata a identidade e a dignidade de um humilde brasileiro, na luta diária com sua enxada, pela sobrevivência no sertão. A música foi gravada por Amarildo Silva no CD Virgem Sertão Roseano, em 2003, produção independente.

MEU RECADO
João Francisco, Amarildo Silva e Chico Pereira

Plantei meu coração nessa terra
Segui o sol, subi a serra
Senti o perfume das flores
E o sabor de todas as frutas
Sou um homem simples
Só vim dar meu recado

Plantei meu coração nesse chão
Minha identidade é o calo que trago na mão
Minha dignidade é o meu sorriso
São a herança que deixo para os meus filhos
Que este sertão já foi estrangeiro
Mas nessa enxada corre o suor de um brasileiro

Já andei nas veredas
Nas entrantes desses rios
E em sonho naveguei
Um razoável sofrer

Já lutei, me queimei em batalhas, desisti
Mas se um dia precisar de morrer, morrerei

Que este sertão já foi estrangeiro
Mas nessa enxada corre o suor de um brasileiro

Joe Biden ou Donald Trump? Sem pestanejar, se fosse americano, votaria no democrata Biden

Internet trolls redirect strange sites to Trump, Biden campaign pages

Ilustração reproduzida do New York Post

Roberto NasciAmento

Assisti ao discurso do ex-presidente Barack Obama, na Pensilvânia. Como sempre, empolgando os eleitores com seu carisma fenomenal. Hoje é o maior tribuno da América. Atacou o tempo todo o ogro Trump. Disse que o presidente-empresário só pensa nele, nos seus empreendimentos e nos seus amigos. Afirmou que Trump é desumano e que não tratou como deveria os infectados com o coronavirus, pois os EUA tiveram o maior número de vítimas, seguidos pelo Brasil.

A propósito, o discurso de Barack Obama cabe como uma luva no nosso presidente tupiniquim. Vive num reality show permanente, é garoto propaganda da cloroquina, não gosta da China, é negacionista, anticiência, contra a preservação do meio ambiente, favorece os amigos e familiares, enquanto o desemprego cresce sem parar. Por fim, persegue a reeleição como objetivo de vida. Qualquer semelhança é mera coincidência.

SUBMISSÃO AOS EUA – Os americanos agradecem, pois estamos atrelados a eles até o pescoço e, com isso, corremos o risco de isolamento no mercado internacional. Nossa diplomacia, tosca e a reboque dos americanos, atua em detrimento dos interesses brasileiros.

A casa de Rio Branco sempre foi pragmática e voltada para a diplomacia global, negociando os interesses do país com todos os atores do mundo, mas agora o atual chanceler quer nos transformar em “pária” do mundo.

Caminhando na trilha geopolítica do Paulo Guedes, de país pequeno e restrito a economia americana, o Brasil perderá fatias significativas do mercado europeu e chinês. Isso é patriotismo? Ou será entreguismo?

EXEMPLO DOS EUA – Os americanos pregam a liberdade internamente, mas aceitam a opressão nos outros países, principalmente os amigos, como a Arábia Saudita, por exemplo. Mas são contrários à opressão no Irã ou na Venezuela. Em relação a China, quedam-se inertes em relação à violência dos chineses contra Hong Kong.

Hoje até os americanos estão sofrendo com a opressão aos negros e latinos, fato que evidencia a falta de liberdade na sua própria terra, embora tenham até um símbolo em Nova York, a Estátua da Liberdade. Mas na prática são injustos com seus cidadãos e principalmente com o mundo.

PROTAGONISMO DO BRASIL – Todos sabem que os americanos consideram o Brasil e a América Latina como o quintal da América. Por isso, sem a menor dúvida, os EUA se incomodaram com o protagonismo do Brasil na América Latina e na África, na política externa dos governos do PT. Isso é uma realidade incontestável. Trata-se de ordem geopolítica. Henry Kissinger, o poderoso Secretário de Estado de Nixon, costumava advertir: “Não podemos ter um Japão na América Latina”.

A Amazônia é do Brasil ou vamos abrir mão da nossa soberania para os americanos explorarem aquela gigantesca riqueza natural? Foi isso que Bolsonaro disse textualmente ao ex-vice-presidente Al Gore, lembram-se? Está gravado.

Com a palavra os verdadeiros patriotas. Os que só falam de patriotismo da boca para fora, como determinados militares que apoiam a política externa de Bolsonaro, é melhor que fiquem calados.

A sonhada vacina contra o corona alegrou o mundo. Com exceção do Brasil. é claro…

Charge O Tempo 04/06/2019 | O TEMPO

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Vicente  Limongi Netto

A esperada vacina contra o corona alegrou o mundo. Com exceção do Brasil. Aqui a descoberta indica desunião, insultos, chacotas, deboches e agressões. Com inacreditável doses de irresponsabilidade, falta de grandeza, de espírito público e, sobretudo, desamor ao ser humano. Arranca-rabos e intrigalhadas entraram forte nos corações dos políticos. A temperatura subiu. Ameaça subir mais.

BRIGAS ELEIITORAIS – As inacreditáveis desavenças visam as urnas eleitorais. Sem o endosso do povo.  A impaciência e o destrambelho marcam as declarações. Vaidades pessoais vencem o diálogo.  A alta temperatura política atrasa e envergonha o Brasil.

O diálogo precisa, urgente, voltar a entrar em campo. As coisas pioram porque o governo não tem sintonia. Todos falam. Ameaçam. Querem ganhar no grito. O clima piora e aumenta ainda mais o abismo entre o Executivo  e Legislativo, quando os notáveis e singelos  pimpolhos de Bolsonaro metem a colher onde não devem.

VOLTAR À TERRA – Embora deputado por 7 mandatos, Bolsonaro precisa voltar ao planeta Terra. Sabe que no  Congresso não tem santos. A maioria é composta de homens de bem. Mas é inegável que todos gostam de sentir e ter um pouco do gosto do poder.  Bolsonaro precisa botar na cachola que ceder e recuar, pelo bem da maioria, também engrandece o homem público.

A atual quadra do Brasil é lamentável e preocupante. Repleta de desencontros e destemperos. Dois motivos estão levando políticos, ministros   e magistrados a perderem a  compostura: a reforma administrativa, cada vez mais emperrada e o clima azedo entre ministros do STF, políticos obscuros, demagogos e fanfarrões,  Ministério Público e procuradores. Os poderosos brigam e se esfolam, e quem permanece no prejuízo é a população. Até quando, Francelino?

MENSAGEM A HELIO – O ex-senador Bernardo Cabral e sua mulher,  Dona Zuleide, enviaram ao jornalista Helio Fernandes a seguinte mensagem:

Amigo Helio, você completou uma centúria em 17 de outubro de 2020, e deixa indelevelmente tombado no patrimônio da nossa amizade a figura do Amigo leal. Perseguido, cassado, banido, preso, Você não se utilizou da cautela do silêncio ou do anel da omissão, esse subproduto do nada e do não.  Já ao contrário, aqueles que o perseguiram de forma velhaca ou covarde, acabaram sucumbidos no cadafalso da opinião pública.  Queremos colocar, no mais alto dos relevos, que nunca o vimos atormentado pelas ambições pessoais ou pelo Poder, e, muito menos, pelo medo aos detentores eventuais desse Poder.

Finalmente, querido Amigo Helio, Você jamais pretendeu ser modelo para quem quer que fosse, mas a sua atuação carregando consigo as cicatrizes orgulhosas do dever cumprido servirão de exemplo.

Afetuoso abraço. Parabéns.

Zuleide e Bernardo

ANALISTAS DE FUTEBOL – É assombrosa,  medíocre, irritante e avassaladora a praga  de analistas de futebol de  meia pataca e de pretensiosos apresentadores.  Encastelados  nos  canais Sportv, Fox e ESPN. O controle remoto nos salva. A maioria esmagadora dos sábios de araque nunca jogou  bola de gude, pedra em mangueira e jamais calçou uma chuteira. Nunca ganhou nem torneio de futebol de botão.  É um time ruim, recalcado, pretensioso e arrogante.

De quinta  categoria. Fazem  caras e bocas e pose de inteligentes. O esporte predileto dessa corja de boçais é  tripudiar e fazer pilhérias com jogadores. Nenhum jogador entra em campo para errar. São profissionais e chefes de família. Merecem respeito e consideração. Nessa linha,  o mais grave e desolador é que alguns “analistas” ex-jogadores,  começaram também a proceder de  forma indigna, estúpida e debochada. Inacreditável. Não argumentam, insultam.

Nessa linha, idiotas e bisonhos vulgos Roger Flores, Paulo Nunes  e Paulo Vinicius Coelho, do Sportv, resolveram tripudiar  com Paulo Henrique Ganso. Coitado dos asnos.    Não têm, nunca tiveram  competência para amarrar os cadarços das chuteiras do jogador  do Fluminense, que encara a reserva com maturidade e espírito esportivo.

Como os medonho Roger, Nunes e Coelho,  existem outros “analistas” da mesma laia. Citando todos, vou poluir meu texto de dengue e quem sabe, de  coronavírus. Bom não arriscar.

Sem apoio do eleitor mais pobre, os candidatos do PT não avançam na maioria das capitais

Lula ladrão

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Bruno Boghossian
Folha

No início da última semana, Jilmar Tatto, candidato a prefeito pelo PT, foi a uma igreja na zona sul de São Paulo, seu reduto eleitoral. Era um ato de campanha, mas não apareceram eleitores nem militantes na saída da missa. Horas depois, os dirigentes da sigla reclamaram da falta de apoio da base petista ao candidato, segundo relato da repórter Catia Seabra.

A vida não anda fácil para o PT a menos de um mês das eleições municipais. Em 16 das 21 capitais em que tem candidato, a legenda não chegou a 10% das intenções de voto nas últimas pesquisas. Só dois nomes disputam a liderança —Luizianne Lins (Fortaleza) e João Coser (Vitória).

PERDA DE ELEITOR – Os dados do Ibope sugerem que o partido enfrenta uma barreira inicial naquela que havia se tornado uma das principais bases políticas da sigla: o eleitorado de baixa renda. Nesse grupo, a corrida começou marcada pelo desinteresse e pela ascensão de outras candidaturas.

Na disputa paulistana, Tatto subiu na última pesquisa, mas só marca 6% entre os eleitores mais pobres. Seu rival ali não está na esquerda, com Guilherme Boulos (PSOL). Quem lidera é Celso Russomanno (Republicanos), que anota 33% naquela faixa.

Nessas eleições, não são raros os petistas que largaram com desempenho melhor entre os mais ricos. No Recife, Marília Arraes marca 18% no topo da pirâmide e 12% na base. O mesmo acontece em Manaus, onde Zé Ricardo aparece com 17% no primeiro grupo e 8% no segundo. Em Salvador, Major Denice tem o triplo de intenções de voto na alta renda.

DESGASTE DO PT – A situação é diferente em Fortaleza. Luizianne Lins aparece com 30% entre eleitores com renda de até um salário mínimo. Mas na faixa seguinte, de um a dois salários, a petista cai para 17% e é superada pelo bolsonarista Capitão Wagner (Pros).

O desgaste do PT e a memória distante dos governos do partido explicam parte dos números. A apatia é outro fator relevante. No Rio, Benedita da Silva tem 9% entre os mais pobres, empatada com Marcelo Crivella (Republicanos). Outros 28% declaram voto em branco ou nulo.

Guedes alertou Bolsonaro de que insistência em furar o teto afetaria credibilidade da equipe econômica

Território Livre – Tribuna do Norte | Apesar do climão, não teve bate-boca  entre Rogério Marinho e Paulo Guedes (video)

Não convidem Marinho e Guedes para o mesmo evento social

Gerson Camarotti
GloboNews

Há cerca de duas semanas, no auge do enfrentamento entre os ministros Paulo Guedes (Economia) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), o titular da Economia teve uma conversa franca com o presidente Jair Bolsonaro.

Na ocasião, Guedes fez o alerta de que o movimento interno para furar a regra do teto de gastos poderia tirar a credibilidade da equipe econômica. Advertiu também que as consequências seriam devastadoras com a pressão pelo aumento da taxa de juros.

IMPACTO FISCAL – Cada ponto percentual elevado da Selic – a taxa básica de juros – gera um impacto fiscal de R$ 80 bilhões. Ou seja, tal impacto seria muito maior do que o necessário para criar o novo programa social do governo (Renda Brasil ou Renda Cidadã).

Os embates entre os dois ministros tiveram como principal pano de fundo a possibilidade de o governo descumprir o teto de gastos para criar o programa.

Pelos relatos, Bolsonaro ficou impressionado com o que ouviu de Guedes e decidiu colocar um freio nas especulações.

LICENÇA PARA REAGIR – O presidente foi além e deu sinal verde para Guedes reagir publicamente ao ministro do Desenvolvimento Regional, que numa fala para o mercado financeiro atacou o ministro da economia.

Foi então que Guedes, na portaria do seu ministério, disse que se, Marinho falou mal dele, o ministro do Desenvolvimento Regional “é um despreparado, desleal e fura teto”.

A fala do titular da Economia teve recado certo: numa reunião ministerial uma semana antes, Marinho disse que jamais seria desleal com um colega de governo. Por isso, em trocas de mensagens de celular entre os próprios ministros, repercutiu muito mal a notícia de que Marinho criticou Guedes para economistas do mercado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, a confusão continua e não se deve convidar os ministros Paulo Guedes e Rogério Marinho para o mesmo evento social, como dizia o colunista Ibrahim Sued. Pode sair briga. (C.N.)

A fila anda e já está preso o primeiro ex-deputado pelo esquema das “rachadinhas” no Rio

RJ: Ex-deputado Silas Bento e filho são presos por 'rachadinha' na Alerj - ISTOÉ Independente

Silas e o filho ficavam com 88% do salário da assessora dele

Deu na Agência Brasil

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) prendeu hoje (23/10) o ex-deputado estadual Silas Bento e o filho dele, Vanderson Bento, acusados de participar de um esquema de rachadinha no gabinete de Silas, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Cabo Frio.

Segundo a denúncia do MPRJ, uma das assessoras de Silas Bento foi nomeada em janeiro de 2017 para seu gabinete, com a condição de repassar R$ 10 mil de seu salário de R$ 11 mil para Vanderson. A assessora não precisaria comparecer ao gabinete.

PREJUÍZO ALTO – O prejuízo causado pelo suposto esquema aos cofres públicos pode ter chegado a R$ 250 mil.

A assessora terá que comparecer mensalmente à Justiça e não poderá manter contato com Silas ou com o filho dele. Os três foram denunciados por organização criminosa e peculato.

Já o ex-deputado Silas foi denunciado também por lavagem de dinheiro e extorsão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A fila começou a andar. Para quem reclamava que as investigações eram dirigidas a Flávio Bolsonaro para atingir o pai dele, a prisão de Silas Bento e de seus filho Vanderson Bento mostra que pai e filho podem ser presos juntos, como já aconteceu com Paulo Maluf. (C.N.)

Crise entre ministros estourou após serem condecorados por Bolsonaro em clima ameno

Bolsonaro participa da cerimônia de comemoração do Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira na Base Aérea de Brasília 21/10/2020 Foto: Jorge William / Agência O Globo

Bolsonaro abraça Salles, que parece ser a “bola da vez”…

Naira Trindade
O Globo

Os ataques do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao colega da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, começaram poucas horas após os dois terem sido condecorados pelo presidente Jair Bolsonaro em clima ameno, no Palácio do Itamaraty. Durante a manhã de quinta-feira, os dois se cumprimentaram serenamente enquanto recebiam das mãos de Bolsonaro a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco, uma honraria por “serviços meritórios e virtudes cívicas”. Até então, não havia sinais de crise.

Cerca de oito horas depois, às 21h da noite de quinta-feira, o clima esquentou, após Salles telefonar para Ramos o acusando de supostos vazamentos de informações à imprensa.

NOTA NO GLOBO – Salles estava inconformado com uma nota publicada naquela tarde pela colunista Bela Megale, no GLOBO, em que mencionou que Salles estava esticando a corda com a ala militar do governo.

Ao desligar, Salles recorreu às redes sociais para externar sua insatisfação. A primeira mensagem dizia: “Tenho enorme respeito pela instituição militar. Como em qualquer lugar, infelizmente, há sempre uma maçã podre a contaminar os demais. Fonte de fofoca, intriga, de conspiração e da discórdia, o problema é a banana de pijama”, escreveu no Twitter, sem citar nomes.

Na sequência, Salles decidiu apagar a mensagem e ser mais enfático na crítica, mencionando o perfil do colega da Secretaria de Governo. “@MinLuizRamos não estiquei a corda com ninguém. Tenho enorme respeito e apreço pela instituição militar. Atuo da forma que entendo correto. Chega dessa postura de #mariafofoca”, publicou, às 22h21. O termo “esticar a corda” foi usado por Ramos em uma entrevista à Revista Veja, ao negar que Bolsonaro pregava um golpe militar, mas o outro lado também não poderia “esticar a corda”.

APOIO NAS REDES – A postagem de Salles logo ganhou apoio de militantes da ala ideológica do governo. Até mesmo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, endossou o tuíte do ministro do Meio Ambiente. No Twitter, o deputado escreveu: “Força, Ministro. O Brasil está contigo e apoiando seu trabalho”.

Outros também apoiaram Salles, como o escritor Olavo de Carvalho, o secretário da Pesca, Jorge Seif, o assessor especial do Meio Ambiente, Vicente Santini, demitido da Casa Civil após viajar à Índia com aviao da Força Aérea Brasileira, e as deputadas Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), Carolina de Toni (PSL-PR).

DEMITIR RAMOS – Integrantes da ala ideológica do governo veem no movimento de Salles uma tentativa orquestrada com outros ministros civis do governo para trocar o comando da Secretaria de Governo. A intenção seria tirar o militar da articulação política e colocar um outro nome, talvez de um parlamentar. Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o assunto.

A guerra interna entre Salles, que tem apoio da ala ideológica, e militares que participam do governo é antiga. Em agosto, o vice-presidente Hamilton Mourão, que é chefe do Conselho Nacional da Amazônia, acusou Salles de ter “se precipitado” ao anunciar que todas as operações de combate ao desmatamento ilegal e queimadas na Amazônia Legal e no Pantanal seriam suspensas por causa do bloqueio de orçamento determinado pela Secretaria de Orçamento Federal de cerca de R$ 60,6 milhões para Ibama e ICMBio.

BRIGA DE BASTIDORES – À época, nota oficial do Ministério do Meio Ambiente dizia que o contingenciamento havia sido decidido pela Casa Civil da Presidência da República e pela Secretaria de Governo, comandadas pelos generais Walter Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos, respectivamente. Após esse episódio, deu-se início a uma briga nos bastidores por causa do orçamento da pasta.

Segundo o colunista Lauro Jardim, no GLOBO, o apelido que Salles deu a Ramos de #mariafofoca também já foi usado no Palácio do Planalto pelo chefe da Secom, Fábio Wajngarten, para referir-se ao general. A relação entre os dois é ruim.

Wajngarten era subordinado de Ramos e, segundo integrantes do governo, atuou nos bastidores para tirar a Secom do guarda-chuva de Ramos em junho passado, levando-a para o Ministério das Comunicações, conduzido pelo ministro Fabio Faria.

ABRAÇO DE BOLSONARO – Na manhã desta sexta-feira, Ramos e Salles participaram de uma cerimônia em que a Força Aérea Brasileira (FAB) apresentou a aeronave F-39E Gripen, na Base Aérea de Brasília. Ramos seguiu para o evento no carro oficial com o presidente. Ao final do evento, Ramos, Salles, o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, e também o presidente Jair Bolsonaro trocaram poucas palavras juntos.

Em determinado momento da cerimônia, Bolsonaro abraçou Salles enquanto Ramos permanecia ao lado dos dois.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se Salles pensa que vai vencer os generais, está muito enganado. O abraço de Bolsonaro nada significa, porque o presidente é uma espécie de amigo urso. Quando dá um abraço, pode acabar esmagando o companheiro. (C.N.)