Juiz Moro exige que Mantega explique sua conta (não declarada) no exterior

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Mantega não declarou à Receita ter uma conta na Suíça

Dimitrius Dantas
O Globo

O juiz Sergio Moro pediu que a defesa do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega preste informações sobre uma conta mantida por ele no exterior. A existência da conta, não declarada à Receita Federal, foi admitida pelos advogados de Guido no ano passado.

O ex-ministro foi alvo de um mandado de prisão em 2016 dentro de um hospital, onde sua mulher, a piscanalista Eliane Berger, realizaria uma cirurgia. Por razões humanitárias, o juiz Sergio Moro revogou o pedido. Eliane morreu, vítima de câncer, em novembro do ano passado.

LAVA JATO – Neste processo, o ex-ministro é investigado pelo suposto recebimento de vantagens indevidas referentes à construção de duas plataformas da Petrobras após depoimento de Eike Batista. Eike afirmou que Mantega teria cobrado um pagamento de R$ 5 milhões ao PT. Guido Mantega não foi denunciado nenhuma vez na Lava-Jato (é réu em uma ação na Operação Zelotes).

Em petição feita há um ano ao juiz Sergio Moro, o advogado de Guido Mantega afirmou que, para demonstrar a transparência do ex-ministro em relação às investigações, Mantega abriria mão de todo e qualquer sigilo bancário, financeiro e fiscal, incluindo uma conta na Suíça aberta antes de assumir o cargo de Ministro da Fazenda, de acordo com seu advogado.

HERANÇA DO PAI – A conta, no Banco Picktet, recebeu um único depósito no valor de US$ 600 mil, segundo a defesa de Mantega, como parte de pagamento pela venda de imóvel herdado de seu pai.

“Aproveita, outrossim, para esclarecer que não espera perdão nem clemência pelo erro que cometeu ao não declarar valores no exterior, mas reitera que jamais solicitou, pediu ou recebeu vantagem de qualquer natureza como contrapartida ao exercício da função pública, conforme poderá inclusive confirmar o extrato da conta, documento que o peticionário se compromete a apresentar tão logo o obtenha da instituição financeira”, afirmou Fábio Tofic Simantob, que defende Mantega na Lava-Jato.

No último dia 7, o juiz Sergio Moro intimou Mantega para esclarecer se, um ano depois, já obteve a documentação relativa à conta no exterior e do negócio que teria originado o aludido crédito. O prazo final para que o ex-ministro apresente seus esclarecimentos termina no dia 4 de junho.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria tem um equívoco. A mulher de Mantega não estava sendo operada, mas apenas submetida a uma endoscopia, por gastrite, segundo a própria filha do ex-ministro, Marina Mantega.  (C.N.)

Acordo com Costa Neto pode dar mais musculatura à campanha de Bolsonaro

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Costa Neto foi denunciado pela própria mulher

Bruno Boghossian
Folha

Abrigado em um partido nanico, Jair Bolsonaro (PSL) aceitou jogar com as cartas da política tradicional. O líder da corrida ao Planalto intensificou seus contatos com o PR do ex-deputado Valdemar Costa Neto em busca de musculatura partidária e tempo de TV para tornar sua candidatura mais competitiva. Bolsonaro garante que não se sentou para negociar com o chefão do PR, condenado no mensalão por receber dinheiro para apoiar o governo Lula. Mas dois emissários do presidenciável do PSL estiveram com Valdemar Costa Neto na última semana para discutir uma possível aliança.

O acordo seduz o grupo do ex-capitão porque elevaria sua candidatura a um novo patamar, graças ao espaço do PR na televisão. Bolsonaro, nesse caso, pode ser convencido a amenizar seu discurso estridente contra a classe política e a corrupção.

MEU NOME É JAIR – Em um PSL mirrado, o presidenciável teria oito segundos em cada bloco da propaganda eleitoral — menos do que o folclórico Enéas teve na campanha de 1989. O PR pode catapultar esse tempo para 52 segundos. Bolsonaro ficaria atrás de boa parte de seus adversários, mas conseguiria chamar a atenção de mais eleitores.

Embora a aproximação esteja em fase inicial, as conversas ultrapassaram as bases do PR e chegaram à cúpula da legenda. Há poucos meses, o namoro se restringia à ala do partido ligada à bancada da bala.

Segundo dirigentes, Valdemar Costa Neto ainda resiste a preencher a vaga de vice de Bolsonaro com o senador Magno Malta (PR-ES), mas já enxerga benefícios em uma aliança mais discreta.

PEGANDO CARONA – Costa Neto acredita que a sigla pode pegar carona na popularidade do ex-capitão para eleger deputados e ampliar sua bancada na Câmara de 41 para 50.

Em 1994, Valdemar enterrou a candidatura de Flávio Rocha ao Planalto no meio da campanha para apoiar Fernando Henrique Cardoso. Quatro anos depois, irritado com a falta de cargos no governo, aliou-se a Ciro Gomes. Derrotado, voltou à base de FHC, mas rompeu de novo em 2002 para indicar o vice de Lula, José Alencar. O dono do PR é pragmático.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quero acreditar que há um equívoco na matéria e Bolsonaro teria um tempo um pouco maior. Salvo engano, parte do tempo é dividida entre todos os candidatos à Presidência e há um acréscimo referente ao número de parlamentares que cada partido elegeu no último pleito, há quatro anos. Mas posso estar enganado. Quanto a Costa Neto, além de ser preso no mensalão, teve seu enriquecimento ilícito denunciado pela própria mulher. (C.N.)

Eduardo Azeredo já é considerado “foragido da Justiça” pela Polícia de Minas

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A Polícia mineira já saiu à procura do ex-governador

Ana Luiza Faria
O Tempo

O ex-governador Eduardo Azeredo já é considerado foragido, segundo o delegado Carlos Capistrano, chefe da Superintendência de Investigação e Polícia Judiciária. Ele explicou que a Polícia Civil não está conseguindo contato com os advogados de Azeredo e, por isso, ele é considerado foragido. Equipes passaram a noite na porta da casa do ex-governador e em outros pontos em que ele poderia ser localizado.

“Nós estamos trabalhando com as duas situações. Nós temos policiais civis em vários pontos da cidade onde ele pode ser localizado para cumprimento do mandado, mas também trabalhamos com hipótese de os advogados dele restabelecerem o contato para uma apresentação espontânea. Então, o que será o que acontecer primeiro para efetivar a prisão”, afirma o delegado Carlos Capistrano, acrescentando, no entanto, que desde a noite dessa segunda-feira não há conexão direta com os advogados de Azeredo.

NA DELEGACIA – A expectativa é que Eduardo Azeredo se apresente na 1ª Delegacia da Polícia Civil, no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O ex-governador é aguardado no local desde essa quarta-feira, após ter sido condenado por peculato e lavagem de dinheiro no caso que ficou conhecido como Mensalão Mineiro.

O ex-governador deixou sua casa no meio da tarde desta quarta, ainda quando transcorria o julgamento de seu recurso no Tribunal de Justiça.

A Polícia Civil recebeu o mandado de prisão de Azeredo ainda nessa quarta, após esgotadas as possibilidades de recurso relativos à condenação de 20 anos e um mês de cadeia no Mensalão Mineiro.

HABEAS CORPUS – Por unanimidade, desembargadores da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais rejeitaram os embargos declaratórios, que eram a última possibilidade de recurso de Eduardo Azeredo.

Foi ventilada a possibilidade de que Azeredo só se entregará depois da decisão sobre habeas corpus apresentado pela defesa ao Superior Tribunal de Justiça.

Polícia esperava que Azeredo se entregasse até as 22 horas desta terça-feira

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Eduardo Azeredo saiu de casa à tarde e não voltou

Lucas Ragazzi e Luiz Fernando Motta
O Tempo

Eduardo Azeredo era esperado na 1ª Delegacia da Polícia Civil na noite dessa terça-feira, mas a entrega não aconteceu e deve ficar para esta quarta-feira. Em coletiva, o delegado Aloisio Fagundes informou que não houve acordo e que a polícia não trabalha com a ideia de prender Azeredo na casa dele, no bairro Serra, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Nesta terça, a Polícia Civil recebeu o mandado de prisão expedido pela Justiça, após esgotadas as possibilidades de recurso relativos à condenação de 20 anos e um mês de cadeia no mensalão mineiro.

NO MEIO DA TARDE – O ex-governador deixou sua residência no meio da tarde, ainda quando transcorria o julgamento de seu recurso no Tribunal.

Mais cedo, os agentes faziam diligências para cumprir o mandado. Mas a polícia não tinha permissão para entrar na residência dele após as 18h.

Por unanimidade, desembargadores da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais rejeitaram nesta terça os embargos declaratórios, última possibilidade de recursos de Eduardo Azeredo. O ex-governador aguarda decisão sobre habeas corpus apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), contra sua condenação de 20 anos e um mês de cadeia no mensalão mineiro.

No Tribunal de Justiça, todos os cinco magistrados da Turma decidiram manter a condenação pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, por envolvimento no mensalão tucano.

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NOTA DA REDAÇÃO BLOG
O ex-governador já deveria ter sido declarado foragido da Justiça, pois a condenação dele é pública e notória. E como é muito frouxo, vai chorar na cadeia igual ao Geddel Vieira Lima. (C.N.)

Governadores pedem que Lula indique o vice para rodar país em nome dele

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Governador Camilo Santana quer apoiar Ciro Gomes

Sérgio Roxo
O Globo

Os governadores do PT pretendem discutir hoje, em reunião com a presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann, a necessidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar um vice para compor a chapa e começar a percorrer o país falando em nome de Lula. A proposta seria uma forma de sepultar as especulações de que chefes dos Executivos estaduais defendem uma adesão à candidatura de Ciro Gomes (PDT).

Lula cumpre, desde o início de abril, pena de 12 anos e um mês de prisão em Curitiba. O ex-presidente foi condenado em segunda instância, no caso do tríplex do Guarujá, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o que, de acordo com a Lei da Ficha Limpa, o impede de ser candidato.

APOIO A CIRO – Gleisi convocou a reunião depois que o governador do Ceará, Camilo Santana, declarou publicamente que o melhor caminho seria apoiar Ciro na eleição de outubro. O partido tem cinco governadores (Acre, Bahia, Ceará, Minas Gerais e Piauí), mas nem todos devem participar do encontro de hoje.

Caso a proposta seja aceita, caberia a Lula escolher o seu vice. Os cotados para o posto são o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-ministro Celso Amorim. Neste momento, a escolha do vice não estaria atrelada necessariamente à substituição de Lula na urna.

“Os governadores tem interesse nesse debate” — afirma o governador do Acre, Tião Viana.

HADDAD FAZ CAMPANHA – Favorito neste momento para substituir Lula na cabeça de chapa se a Justiça Eleitoral confirmar a impugnação do petista, Haddad já está rondando o país. Na sexta-feira, esteve no Acre. Nesta semana irá ao Recife, onde se encontrará com governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e à Paraíba, para falar com Ricardo Coutinho (PSB). Também está prevista uma visita ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

O objetivo oficial das conversas é buscar programas implantados nesses estados que possam ser replicados a nível nacional. Mas Haddad, que é coordenador do programa de governo de Lula, também tem sido um dos encarregados pelo ex-presidente para manter o diálogo com políticos de partidos que possam se tornar aliados. O PT ainda tenta viabilizar uma aliança com o PSB.

No próximo domingo, o partido deverá fazer atos em todas as cidades do país onde possui representação para reafirmar a candidatura de Lula. O plano é apresentar o registro no dia 15 de agosto e permitir que ele apareça como candidato no horário eleitoral, mesmo que continue preso. A expectativa é que a Justiça Eleitoral demore pelo menos, um mês para decidir a impugnação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ claro que a estratégia do PT é confusa e tende a causar confusão. O partido precisa existir na ausência de Lula, mas não tem nenhuma liderança que possa comandá-lo. Parece uma facção criminosa que tem de ser comandada da cadeia, mas acontece que Lula não tem celular lá na PF. (C.N.)

“Lava Jato revelou sórdidas tramas criminosas”, diz Mello ao julgar Meurer

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Ao votar, Mello fez um resumo da Lava Jato

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), fez um discurso contundente sobre o combate à corrupção, a partir da revelação de crimes descobertos na Operação Lava Jato. O ministro falou antes de começar a votar no caso do deputado Nelson Meurer (PP-PR), réu do primeiro julgamento de ação penal da Lava Jato na Suprema Corte, em análise nesta terça-feira, 22, na Segunda Turma do STF.

“A Lava Jato revela um dos episódios mais vergonhosos da história política do País. Vejo políticos que desconhecem a República e ultrajam suas instituições. Estamos a julgar protagonistas de sórdidas tramas criminosas”, disse Mello.

QUADRILHA NACIONAL – O ministro destacou os aspectos do que chamou de “organização criminosa de estrutura nacional”, que envolveu os crimes cometidos no âmbito da administração da Petrobras. Para o decano, os fatos investigados pela Lava Jato constituem episódios criminosos que compõem “vasto painel ousado de assalto e captura do Estado e de suas instituições”. Mello ainda afirmou que os elementos resultantes da operação expõem um grupo de “delinquentes” que degradou a atividade política, transformando-a em “plataforma de atividades criminosas”.

Mello, assim como o ministro Edson Fachin, que votou antes para condenar Meurer, ressaltou que as acusações do Ministério Público Federal no âmbito da Lava Jato não estão buscando incriminar a atividade política, mas “punir” os políticos que não se mostraram capazes de exercer o mandato com “integridade, dignidade e interesse público”.

Relator da Operação Lava Jato no STF, Fachin votou pela condenação do parlamentar. Para o ministro, as provas coletadas ao longo da investigação mostraram que Meurer cometeu 31 vezes o crime de corrupção passiva e oito vezes o de lavagem de dinheiro.

PROVAS ROBUSTAS – Em um longo voto, Fachin apontou protagonismo de Meurer na condução de questões partidárias e ressaltou que o conjunto de provas coletado é “robusto”, incluindo cópias de bilhetes aéreos, registros de reservas, extratos telefônicos e informações coletadas a partir da quebra do sigilo bancário.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), teriam sido feitos pelo menos 161 repasses ao PP e ao deputado, que totalizaram R$ 357,9 milhões, entre 2006 e 2014, em esquema envolvendo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. Fachin, no entanto, discordou parcialmente da PGR ao não encontrar evidências de delitos em todos os fatos narrados na denúncia.

A sinfonia da mata, composta por um português que realmente amava o Brasil

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Adelino Moreira, um grande compositor

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O compositor luso-brasileiro Adelino Moreira de Castro (1918-2002), na letra de “Sinfonia da Mata”, invoca o som do riacho, da cascata e da viola para completar sua orquestração. Este samba-canção foi gravada por Nelson Gonçalves, em 1965, pela RCA Victor.

SINFONIA DA MATA
Adelino Moreira

Tenho a viola, que retiro da parede
Quando é noitinha, para pontear
Tenho a gaiola, meu canário e uma rede
Sempre esticadinha, pra meu bem sonhar.

Quando a lua vem surgindo, cor de prata
Ilumina meu pedaço de torrão
Meu ranchinho, aqui no seio da mata
Não precisa, nem que acenda lampião.

Sinfonia do riacho e da cascata
Minha viola completa a orquestração

Álvaro Dias afirma que Meirelles, na eleição, vai ser julgado no lugar de Temer

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Dias culpa PT, MDB e PSDB pela grave crise do país

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O pré-candidato do Podemos a presidente da República, senador Álvaro Dias (PR), afirmou nesta terça-feira (22/5) que não aceitaria selar aliança eleitoral com os três maiores partidos do País – PT, PSDB e MDB – e que o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, lançado mais cedo como nome do Palácio do Planalto na disputa, deve ser julgado nas urnas no lugar do presidente Michel Temer. Meirelles também foi presidente do Banco Central no governo do ex-presidente Lula (PT).

“Não há como não imputar responsabilidade a quem tem participado ostensivamente dos governos que levaram o País a essa situação de tragédia política e de caos administrativo”, disse Dias.

REFUNDAÇÃO – “Eu não participaria de uma aliança com partidos que foram sustentáculos desse sistema que estou combatendo e advogando a sua substituição pelo que chamo de refundação da República. O presidente da República deixou de ser julgado pela Justiça enquanto presidente, porque conseguiu da Câmara salvo-conduto, impedimento para instauração de inquérito. Quem sabe agora o povo possa julgá-lo nas eleições tendo o candidato apontado por ele como alvo desse julgamento.”

Dias falou que sua proposta de refundação da República passa pelo enxugamento da administração pública direta para 15 ministérios, privatização de estatais não ligadas à segurança nacional, redução no número de senadores, deputados federais, estaduais e vereadores nos Parlamentos, além da eliminação de privilégios de autoridades.

COMBUSTÍVEIS – Ao comentar a alta no valor dos combustíveis, Dias afirmou discordar da autorização, dada pelo presidente Michel Temer, para que o presidente da Petrobras decida sobre reajustes nos preços. Ele disse também que a solução para redução do preço para o consumidor final passa pela diminuição de tributos no setor e pela reforma tributária que impacte mais a renda e menos o consumo.

“A questão maior é a carga tributária, especialmente nos Estados Por isso, a reivindicação para o governo federal é a redução da cobrança do imposto sobre os combustíveis, PIS/Cofins… O governo tem condição de reduzir esses impostos para diminuir a carga que sobrecarrega caminhoneiros, mas não só eles. Todos os consumidores brasileiros são prejudicados com esses aumentos abusivos do custo do óleo diesel, do gás e da gasolina”, disse o senador.

PETROBRAS – “É evidente que o presidente da Petrobras quer recuperar a empresa do rombo enorme do assalto praticado contra a nossa Petrobras, mas o presidente da República tem que ter visão global dos problemas do País. O que eu vejo é que quando o dólar sobe, sobe o preço dos combustíveis. Mas quando o dólar cede, o preço dos combustíveis não cede.”

Questionado sobre suspeitas sobre o patrimônio do senador Romário, pré-candidato do Podemos ao governo do Rio, Dias disse que caberia ao aliado e ex-jogador de futebol responder: “Ele tem a bola na marca do pênalti e vai fazer o gol. Cabe a ele responder. Esse café requentado ele mata no peito e manda para o gol”, ironizou.

“Fake news” anunciam que Lula quer indulto, mas ele sonha mesmo é com anistia

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

O noticiário político está infestado de “fake news”, uma especialidade cultivada pelos marqueteiros de todos os partidos e também pelo Palácio do Planalto, que divulga um factóide atrás do outro. Nos últimos dias, os jornalistas foram municiados com a informação de que Lula da Silva, em nome dos “serviços prestados ao país”, quer receber um indulto presidencial que o coloque em liberdade, e já teria acertado essa possibilidade com Ciro Gomes, do PDT.

Como diz o grande compositor João Roberto Kelly, todo boato tem um fundo de verdade. Neste caso, é realidade que existe um Plano B para salvar Lula, caso nenhum outro tenta êxito. Mas não se trata de indulto presidencial. O que se pretende é uma anistia.

SEM NOVIDADE – Não há nada de novo, aliás. A possibilidade de indulto é uma aventura, porque pode ser derrubada pelo Supremo, como ocorreu no indulto presidencial assinado por Temer em 2017, que até agora não aconteceu, devido à reação da procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, que foi ao Supremo Tribunal Federal e conseguiu suspender os efeitos do ato irresponsável baixado por Temer.

A anistia, pelo contrário, é uma hipótese concreta, conforme o jurista Jorge Béja denunciou aqui na Tribuna da Internet em 18 de janeiro, com absoluta exclusividade e abundância de detalhes. Trata-se de prerrogativa do Congresso Nacional, através de lei ordinária, explicou Béja, acrescentando que geralmente se destina a crimes políticos, mas nada impede que possa também abranger todas as outras figuras de delitos.

“Sua concessão pode se dar antes do trânsito em julgado da condenação (Anistia Própria) e depois do trânsito em julgado (Anistia Imprópria)”, assinalou o jurista.  

TODOS JUNTOS – A proposta é acalentada pelo Planalto e ganhou força depois que as pesquisas indicaram que a possibilidade de reeleger Temer simplesmente “non ecziste”, como diria o célebre padre Óscar Quevedo.

Esta anistia deve ser votada após a eleição presidencial, no apagar das luzes da legislatura. É um benefício que somente o Congresso Nacional pode conceder e implica no “perdão” à prática de fato criminoso. A tramitação é de lei ordinária, com votação por maioria simples, que significa apoio de um quarto dos parlamentares em cada casa (Câmara e no Senado). Ou seja, apenas 22 senadores e 129 deputados, uma moleza de conseguir.

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P.S. 1
Sob justificativa de “descriminalizar a atividade política”, a anistia beneficiaria todos os parlamentares corruptos já condenados, como José Dirceu, Pedro Correia, Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, o que respondem a processo ou inquérito, como Michel Temer, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Fernando Pimentel, Luiz Fernando Pezão e tantos outros envolvidos em corrupção, vejam a que ponto pode chegar a desfaçatez da classe política.

P.S. 2É inacreditável que se pretenda uma anistia nesses moldes, mas essa gente é capaz de tudo. Além disso, todo boato tem um fundo de verdade, convém sempre repetir. Mas resta saber qual seria a reação das Força Armadas diante de um absurdo desses. (C.N.)

Polícia Civil já recebeu ordem para prender Azeredo, que deve se entregar hoje

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Azeredo sumiu, mas sabe que terá de se apresentar

Fábio Correia
O Globo

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) expediu na tarde desta terça-feira o mandado de prisão contra o ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB), condenado a 20 anos e um mês de prisão por peculato e lavagem dinheiro, no esquema que ficou conhecido como mensalão tucano. A Policia Civil de Minas já recebeu a ordem para prender o tucano.  Os policiais não têm permissão para entrar na residência do ex-governador antes da 6 horas, mas fazem buscas nos arredores e em outros locais onde ele possa estar.

HABEAS CORPUS – Segundo o advogado Castellar Guimarães Neto, que defende Eduardo Azeredo, o ex-governador deve se entregar, mas afirmou que ele aguarda ainda o julgamento de um habeas corpus no STJ. “O habeas corpus deve ser apreciado nas próximas horas pelo ministro Jorge Mussi. Mas, de toda forma, a defesa vai tratar com a juíza de primeiro grau quais as condições estabelecidas” — declarou a defesa, logo após a decisão do julgamento.

Ex-senador, deputado federal e governador do Estado, Eduardo Azeredo foi condenado por desvios de cerca de R$ 3,5 milhões de estatais mineiras para caixa 2 da campanha à reeleição ao estado em 1998. A defesa do ex-governador nega o envolvimento dele nos crimes.

Todos os quatro desembargadores votaram pela rejeição dos embargos, seguindo o relator Julio César Lorens, que reafirmou que a prisão deve ser efetuada de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Votaram contra o recurso da defesa Pedro Vergara, Adilson Lamounier, Alexandre de Carvalho (revisor), Fernando Caldeira Brant (substituto).

PEDIDO REJEITADO – Em seguida, os desembargadores analisaram o pedido do advogado de Azeredo, Castellar Guimarães, para que o tribunal aguardasse a publicação do acórdão da decisão desta terça para determinar a prisão. O advogado argumentou que Azeredo ainda poderia apresentar novos embargos de declaração. O pedido foi rejeitado, por quatro votos a um.

No último dia 24, a 5ª Câmara Criminal negou recurso apresentado pela defesa contra a condenação em primeira instância. Dos cinco desembargadores, dois votaram pela absolvição do ex-governador. Os desembargadores também mantiveram a decisão de só autorizar a prisão de Azeredo após se esgotarem os recursos no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCom dirigentes como Eduardo Azeredo, Sérgio Guerra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin, o o PSDB só pode estar atuando na área da formação de quadrilha. São chaves de cadeia, como se dizia antigamente. (C.N.)

Até a última hora, Moreira quis evitar o lançamento da candidatura de Meirelles

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Moreira acha equivocada a estratégia de Temer

Gerson Camarotti
G1 Brasília

O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, tentou até o último momento reverter a disposição do presidente Michel Temer de se retirar da disputa eleitoral em 2018 e lançar a pré-candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Moreira também tinha o apoio do marqueteiro de Temer, Elsinho Mouco. A avaliação era de que anunciar a saída da disputa eleitoral esvaziaria o poder do presidente Michel Temer.

Como antecipou nesta segunda-feira (21) o blog, acabou ganhando a tese de que era preciso colocar imediatamente o nome de Meirelles nas ruas, para que ele tenha tempo de tentar consolidar sua candidatura e se viabilizar nas pesquisas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao defender o governo, é claro que Meirelles estará automaticamente defendendo e fortalecendo Temer, como presidente ou também como candidato. Pense nisso. (C.N.)

Temer lança a candidatura de Meirelles, mas será que desistiu mesmo?

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Enquanto Temer o elogia, Meirelles brinca no celular…

Cristiane Jungblut e Catarina Alencastro
O Globo

Pressionado pelos correligionários do MDB a desistir da reeleição e assumir publicamente a pré-candidatura à Presidência de Henrique Meirelles, o presidente Michel Temer seguiu o desejo do partido e lançou na manhã desta terça-feira o nome do ex-ministro da Fazenda. Ao discursar para uma plateia de emedebistas no lançamento do documento “Encontro com o futuro”, realizado na Fundação Ulysses Guimarães, Temer se referiu a Meirelles como “o melhor entre os melhores” para representar o partido e o campo de centro nas eleições presidenciais de outubro. Ao declarar apoio ao ex-ministro da Fazenda, Temer abandona suas pretensões eleitorais e, por consequência, sua carreira nas urnas.

“Ficarei orgulhosíssimo se um dia Meirelles for proclamado, pelo voto popular, presidente do Brasil. O Meirelles é o melhor entre os melhores. Por isso, tem condições de estar à frente do nosso partido e à frente da nossa campanha eleitoral. Chamamos você e chamamos para ser presidente do Brasil!” — discursou Temer.

ÚNICO CANDIDATO – Além de referendar o nome do ex-ministro, o presidente mandou um recado direto aos partidos de centro, ao defender que Meirelles seja o “único candidato” desse conjunto de partidos.

“Que você, queira Deus, seja o único candidato do centro para continuar o que começamos. Se produzirmos agora 1/3 do que já produzimos, Meirelles, você vai pegar o país com tranquilidade absoluta” — disse.

Temer também mandou um recado para a ala do partido que deseja relegar seu governo ao passado e seguir nas eleições sem um candidato que defenda a gestão de Temer. Hoje, esse grupo está materializado nos diretórios de Alagoas, do senador Renan Calheiros; no Paraná, do senador Roberto Requião; e do Ceará, comandado pelo presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira.

UM DIREITO – “Será que o MDB tem o direito de ignorar tudo que fizemos ou (o dever) de levar adiante? Levar adiante. Não podemos negar, melhorou e em pouquíssimo tempo. Imagina em mais quatro anos. E não podemos brincar que a crise volta. O MDB nunca faltou ao país” — disse Temer.

Temer destacou por vários minutos a “competência” de Meirelles. “Se há dois anos atrás dissesse que esse nome conseguiria baixar a inflação, os juros e ainda fazer a Bolsa bater recordes, com 86, 87 pontos, se há dois anos dissesse que o Meirelles viria para o MDB e estaria aqui lançando o Encontro, com toda certeza diriam: Temer, conta outra. E foi por isso que escolhi o Meirelles para conduzir a economia e fiz a escolha corretíssima. É correto, homem simples de Goiás que ganhou o mundo, nome mais do que honrado” — disse Temer.

O presidente disse que ele continuará enfrentando os ataques ao governo: “Escolhas sempre foram marcas do nosso governo. Sou realista: sei o que fiz e o que não fiz; o que falei e o que falam por mim. Se estou resistente, é porque estamos com a verdade e ela nos fortalece. A dor da acusação injusta não vai nos paralisar. Do meu momento cuido eu, do país cuidamos todos nós, o MDB.

COBRANÇA – Em seu discurso, Temer fez uma cobrança aos membros do partido para que deixem de querer ir cada um para uma direção e se una em torno da candidatura de Meirelles. Para ele, quem não estiver unido, que saia do MDB. De acordo com o presidente, o ex-ministro será uma surpresa nas eleições, quando começar a percorrer o Brasil.

“O Meirelles é o melhor dentre os melhores, não tenho dúvida. Por isso, você tem condições de estar à frente no nosso partido e na disputa eleitoral, e será uma surpresa quando ele andar por aí com a força dos nossos líderes” — disse, emendando em seguida a cobrança:

“Nos gabamos por sermos um partido democrático. Tudo bem. Por isso é que conseguimos essa unidade absoluta. Temos que aproveitar a campanha eleitoral para mostrar a unidade. Vamos parar com essa história de eu não apoio o Meirelles. Dizer: “Ah, eu não apoio o Meirelles?”. Saia do partido. Temos que ter unidade absoluta, não podemos contemporizar. O povo brasileiro está atento” — concluiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se erramos, ao afirmar que Temes não desistiria, desculpem a nossa falha… Mas acontece que em nenhum momento Temer disse que não é mais candidato. Foi um discurso meio enviesado. Temer parecia estar apenas defendendo o direito de Meirelles ser candidato e sair pelo país enaltecendo o governo, o que significa estar elogiando e apoiando o próprio Temer. Portanto, somente quando for realizada a convenção, entre 20 de julho e 5 de agosto, é que saberemos se Temer desistiu ou não. Afinal, quem pode acreditar na palavra de um homem como Temer? Posso estar totalmente errado, mas acho melhor aguardar. (C.N.)

O sonhou acabou, porque até a ONU já rejeitou o recurso apresentado por Lula

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Charge do Miguel (Jornal do Comercio/PE)

Deu no Estadão

O Comitê de Direitos Humanos da ONU rejeitou o pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que seja solto no Brasil, como parte de medidas cautelares solicitadas por seus advogados. O caso nas Nações Unidas, porém, não está encerrado e uma avaliação completa de sua situação continua sendo realizada, em análise que começou em meados de 2016.

O governo brasileiro terá mais seis meses para responder a uma série de perguntas formuladas pela ONU. Mas uma decisão, segundo a entidade, ficará apenas para 2019.

SEM CAUTELAR – “O Comitê de Direitos Humanos não concederá medidas cautelas no caso de Lula da Silva”, declarou a porta-voz de Direitos Humanos da ONU, Julia Gronnevet.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou com exclusividade no mês passado que um recurso ao Comitê de Direitos Humanos da ONU era uma possibilidade. Um dia antes de ser preso, enquanto Lula negociava com a Polícia Federal, seus advogados entraram com a queixa na ONU. A reportagem apurou que chamou a atenção do organismo a rapidez da decisão do juiz federal Sérgio Moro.

Lula foi preso no dia 7 de abril para cumprir a pena de 12 anos e um mês de reclusão que lhe foi imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o Tribunal da Lava Jato, no processo do triplex do Guarujá (SP). O ex-presidente ocupa uma “sala especial” no prédio-sede da Polícia Federal em Curitiba.

SEM DANOS A LULA – Uma resposta positiva por parte da ONU significaria, na avaliação da entidade, apertar o botão de “pausa” num processo em andamento para que eventuais violações de direitos humanos fossem avaliadas. Nesse caso, os riscos de um dano irreparável não foram constatados.

Uma eventual decisão de recomendar medidas urgentes ocorreria por conta da avaliação dos peritos da ONU de que a prisão lhe impediria de exercer plenamente seus direitos políticos. Mas o apelo não foi atendido.

Olivier de Frouville, um dos membros do Comite da ONU, explicou que a avaliação concluiu que “não houve um dano irreparável” com a prisão de Lula. “Tomamos medidas cautelas quando há um risco de dano irreparável”, explicou. “Olhando para o pedido dos advogados de defesa e para a situação presente, consideramos que, neste momento, não existe esse risco”, disse.

MUITO INCERTO – Um dos danos irreparáveis, segundo ele, seria a perda de direitos civis ou políticos por conta de uma ação. “Não estávamos convencidos de que isso era o caso”, disse. “Não há risco pessoal claro ainda”, apontou, alertando que o “estado presente é ainda muito incerto”.

De acordo com Frouville, o Comitê enviou uma carta ao governo brasileiro comunicando a decisão. Mas também alertando que o estado não poderá tomar medidas que sejam incompatíveis com o trabalho do Comitê e nem no caso de Lula.

“Vamos continuar atentos sobre o que ocorre nesse caso e, claro, os advogados de defesa tem o direito de voltar ao Comitê para pedir medidas cautelas caso tenham novas informações”, indicou. “Mas, neste ponto, o Comitê não vê risco de dano irreparável”, ressalvou.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDepois da OEA e da ONU, só falta recorrer ao Papa e à Associação Protetora dos Animais. (C.N.)

Desembargadores rejeitam recurso e Eduardo Azeredo será mesmo preso  

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Azeredo esperava a prescrição dos crimes, em setembro

Fábio Corrêa
O Globo

Por unanimidade, os desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) não aceitaram os embargos declaratórios, recurso utilizado pela defesa de Eduardo Azeredo (PSDB) para contestar a primeira decisão do tribunal, que em 23 de abril confirmou, por 3 votos a 2, a condenação por 20 anos e um mês do ex-governador por peculato e lavagem dinheiro, no esquema que ficou conhecido como mensalão tucano. Em seguida, os desembargadores negaram, por unanimidade, os embargos infringentes pedidos pela defesa, e agora, após julgar embargos de declaração, determinaram a expedição do mandado de prisão.

O revisor Alexandre de Carvalho chegou a defender a tese e indicar que a prisão só fosse expedida da próxima semana, com os embargos sobre embargos podendo ser julgados até semana que vem, monocraticamente, pelo relator Julio Cesar Lorens.

SEGUNDA INSTÃNCIA – O presidente da sessão, porém, foi contrário: “O próximo recurso é especial ou extraordinário. Quem vai julgar é o STJ e o STF. Entendo, sim, que a prestação juridicial da segunda instância está exaurida” — declarou ele, que foi acompanhado por outros três desembargadores.

Ex-senador, deputado federal e governador do Estado, Eduardo Azeredo foi condenado por desvios de cerca de R$ 3,5 milhões de estatais mineiras para caixa 2 da campanha à reeleição ao estado em 1998.

Votaram pela rejeição dos embargos os outros quatro desembargadores da 5ª Câmara Criminal, seguindo o relator Julio César Lorens, que reafirmou que a prisão deve ser efetuada de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Votaram contra o recurso da defesa Pedro Vergara, Adilson Lamounier, Alexandre de Carvalho (revisor) e Fernando Caldeira Brant (substituto).

VAI SER PRESO – No último dia 24, a 5ª Câmara Criminal negou recurso apresentado pela defesa contra a condenação em primeira instância. Dos cinco desembargadores, dois votaram pela absolvição do ex-governador. Os desembargadores também mantiveram a decisão de só autorizar a prisão de Azeredo após se esgotarem os recursos no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).

Eduardo Azeredo pode ser preso ainda este mês, após o julgamento dos embargos aos embargos, a serem apresentados pela defesa dentro de 5 dias úteis após a publicação do acórdão, A demora no julgamento do caso fez com que o ex-governador esteja prestes a ser beneficiado pela prescrição, em setembro.

Segundo o procurador de Justiça, nos embargos declaratórios, em vez de pedir esclarecimentos sobre a decisão dos desembargadores, a defesa tentou fazer com que todo o conjunto de provas dos autos fosse reavaliado para absolver o acusado. Este tipo de recurso não é capaz de mudar a condenação. Ainda cabem recursos em tribunais superiores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O texto original tinha vários equívocos, confundindo embargos infringentes e embargos de declaração. Fizemos as correções, em tradução simultânea, e agora esclarecemos: Azeredo vai ser mesmo preso. Basta o relator Lorens rejeitar os embargos aos embargos e a decisão ser publicada. Não tem mais salvação. (C.N.)

Assessor de Janene, Genu teve medo de fazer delação e preferiu cumprir pena

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João Genu é o homem que sabia demais…

Deu no Correio Braziliense

O ex-assessor do Partido Progressista (PP) João Cláudio Genu se entregou à Polícia Federal em Brasília nesta segunda-feira (21/5) para começar a cumprir os nove anos e quatro meses de prisão a que foi condenado por corrupção, no âmbito da Operação Lava-Jato. De acordo com informações da TV Globo, o ex-assessor foi levado para o Complexo Penitenciário da Papuda.

Condenado pelo juiz Sérgio Moro em dezembro de 2016 a oito anos e oito meses de cadeia, Genu teve a pena aumentada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O ex-assessor chegou a ser preso após a condenação, mas acabou solto em abril do ano passado por decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

ASSESSOR DE JANENE – Genu, que também foi assessor do deputado federal José Janene (morto em 2010), foi condenado por participar de um esquema de corrupção em contratos da Petrobras. As investigações apontam que ele era beneficiário de parte da propina que era dirigida à Diretoria de Abastecimento da estatal. Ele também seria o responsável por repassar um percentual das verbas ao partido.

Ainda de acordo com as investigações da Lava-Jato, Genu teria sido o mentor do esquema de propina instalado na Petrobras entre 2004 e 2014, período em que o engenheiro Paulo Roberto Costa comandava a Diretoria de Abastecimento. À época em que Janene era vivo, seu então assessor ficava com 5% da propina. Após a morte do deputado, esse percentual subiu para 30% e era dividido com o doleiro Alberto Youssef.

A Operação identificou repasses de cerca de R$ 6,3 milhões ao ex-assessor do PP (entre reais, dólares e euros). Além da pena de prisão, Genu também foi condenado a ressarcir a Petrobras em R$ 3,12 milhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Foi uma pena Genu não ter feito delação. Atuando diretamente com Janene, ele sabe tudo sobre o esquema de corrupção. Mas ficou com medo de fazer delação e ser apagado, como se dizia antigamente. (C.N.)

Mais um amigo que se vai – o jornalista Alberto Dines, aos 86 anos

Dines era uma grande referência da imprensa brasileira

Deu no Jornal do Brasil

Morreu em São Paulo nesta terça-feira (dia 22) Alberto Dines, jornalista, professor universitário, biógrafo e escritor. A informação foi publicada pela página do Repórter Brasil, telejornal da TV Brasil, em rede social. Dines ingressou em 1962 no Jornal di Brasil, onde foi responsável por uma profunda reformulação que levou o jornal a se consolidar na vanguarda da imprensa nacional.

O jornalista, diretor do programa Observatório da Imprensa da TV Brasil, faleceu às 6h no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde estava internado devido a uma pneumonia. A causa da morte do ex- editor do JB foi insuficiência respiratória. A viúva, jornalista Norma Couri, ainda resolve se o enterro será na capital paulista ou no Rio de Janeiro.

“É com profunda tristeza que a equipe do Observatório da Imprensa comunica o falecimento de seu fundador, Alberto Dines (1932-2018), na manhã de hoje no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Estamos preparando uma edição especial sobre o legado do Mestre Dines a ser publicada em breve”, diz nota do instituto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais um amigo que se vai. Antes de conhecer Dines, eu era amigo e colega de seu filho Alexandre, uma pessoa extraordinária, que me impressionava pela bondade e carinho que transmitia. Depois, conheci Dines na antiga TV Educativa, em 1998, quando ele estava negociando a criação do programa “Observatório da Imprensa”. Conversávamos muito, ficamos amigos e ele me convidou para trabalhar como editor-chefe. Passamos dois meses fazendo a preparação, criamos o formato e passamos a fazer ensaios em estúdio, até Dines pegar a manha e fazer ao vivo, pois não tinha experiência em TV. Antes da estréia, ele convidou Augusto Nunes para trabalhar conosco, e o programa foi um tremendo sucesso desde a primeira apresentação. Bons tempos, que não voltam mais. (C.N.)

Delator cita “30 anos” de crimes praticados pelo ex-governador Sérgio Cabral

Depoimentos de Miranda mostram quem é Cabral

Deu em O Globo

Em depoimento no processo derivado da Operação Unfair Play, que investiga a compra de votos no Comitê Olímpico Internacional (COI) para o Rio sediar a Olimpíada, o delator Carlos Miranda, apontado como operador de Sérgio Cabral, afirmou que pratica crimes com o ex-governador “há 30 anos”. Miranda e Cabral são amigos de infância, e o operador auxiliou o emedebista desde o início de sua carreira.

O primeiro cargo público de Cabral foi o de diretor da TurisRio, a companhia de turismo do governo estadual, para a qual foi nomeado em 1987, há 31 anos. Em 1990, elegeu-se deputado estadual pela primeira vez.

REI ARTHUR – Miranda reafirmou que Cabral admitiu, em conversa na cadeia, que houve compra de votos de membros do COI, pagos por Arthur Soares, o Rei Arthur, empresário acusado de pagar propina a Cabral em troca de contratos do governo com suas empresas.

A defesa de Cabral contestou a fala, alegando que seria inverossímil o ex-governador relatar o crime a Miranda, porque já se sabia que ele negociava uma delação. Miranda respondeu:

— Participei de uma organização criminosa em que o Sérgio era o chefe. Os comentários sobre esse crime e outros aconteceram ao longo de 30 anos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Serginho Cabral entrou na política defendendo os jovens e os idosos. Fez uma carreira brilhante e ninguém suspeitava que ele era um artista fabuloso, estava apenas interpretando um papel. Trinta anos depois, ficou claro que se trata de um caso de paixão doentia pelo dinheiro, que nem Freud explica. (C.N.)

Ministro liberou verba da Caixa, usada em negócio de filho, aponta investigação

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Occhi aproveitou para dar uma bela ajuda à famiglia

Fábio Fabrini
Folha

Investigações internas da Caixa Econômica Federal apontam que o atual ministro da Saúde, Gilberto Occhi, liberou, quando gestor do banco, recursos que foram usados na compra de casa lotérica vendida por seu filho e seu enteado em Alagoas. O dinheiro da Caixa, segundo a investigação, foi transferido a uma prefeitura local e, em seguida, por meio da triangulação com um fornecedor, destinado à conta de uma das lotéricas negociadas. O depósito foi de R$ 200 mil.

Gustavo Occhi, filho do ministro, e Diogo Andrade dos Santos, filho da mulher dele, conseguiram concessões para explorar três casas lotéricas no estado em 2011. Na ocasião, Occhi era superintendente nacional de Gestão da Caixa no Nordeste. Depois disso, ele viria a ocupar as funções de vice-presidente e presidente do banco, cargo que deixou em abril deste ano.

TRANSAÇÕES – As três lotéricas obtidas em 2011 — em Atalaia, Coqueiro Seco e Satuba — foram vendidas pelos parentes de Occhi em janeiro de 2013.  Na mesma época, as contas das empresas receberam R$ 513 mil, referentes às transações.

Um dos depósitos, de R$ 200 mil, foi feito em 3 de janeiro daquele ano por uma prestadora de serviços da Prefeitura de Atalaia.

Seis dias antes, a fornecedora havia recebido do município um cheque de R$ 376.268,32, assinado pelo prefeito, Francisco Luiz de Albuquerque (MDB), o Chico Vigário, e o filho dele, o então secretário de Finanças Francisco Luiz de Albuquerque Júnior. Era o último dia útil de mandato do prefeito, que se despediria da gestão com a virada do ano — ele foi eleito novamente em 2016 e ainda governa o município.

O repasse só foi possível porque, na véspera da emissão do cheque, a Caixa havia transferido R$ 800 mil para a conta da prefeitura. Os recursos eram referentes à primeira parcela da venda da folha de pagamentos dos servidores de Atalaia para o banco.

MENSAGEM – O comando para que o dinheiro fosse enviado à prefeitura foi dado por Occhi em 21 de dezembro de 2012.  Naquela data, ele mandou uma mensagem para o superintendente nacional de Produtos de Pessoa Jurídica Pública e Judiciário, Luiz Robério de Souza Tavares, requerendo aval para o repasse.

Na mesma data, a gerente a ele subordinada, Heloísa Pereira de Faria, contestou a liberação, pois a Caixa ainda não havia incorporado a totalidade da folha. Faltavam mais de 300 servidores.

Robério mandou destravar o dinheiro, reportando a ela que Occhi havia lhe explicado que o restante seria internalizado até o fim do mês. Com a operação, os parentes de Occhi tiveram um ganho de pelo menos 100% em relação ao que pagaram inicialmente pelas lotéricas um ano e meio antes.

FILHOS DO PREFEITO – A prestadora de serviços do município descontou o cheque e depositou os R$ 200 mil na conta de uma das lotéricas. Segundo levantamento da Folha, trata-se da Conserg, empresa que também é fornecedora da Caixa em Alagoas.

A loteria de Atalaia passou em 23 de janeiro para as mãos dos filhos do prefeito Chico Vigário: Francine Vieira de Albuquerque Gonçalves e o ex-secretário de Finanças, que assinou o cheque.

Os dados sobre a propriedade das lotéricas foram levantadas pela Folha na Junta Comercial de Alagoas.

APURAÇÃO INDEPENDENTE – Informações sobre o caso constam de investigações da própria Caixa, entre elas a apuração independente contratada pelo Conselho de Administração ao escritório Pinheiro Neto Advogados. O relatório sobre Occhi foi concluído em fevereiro e enviado a órgãos de controle do banco.

O processo de concessão e transferência das lotéricas foi marcado por indícios de favorecimento aos parentes do ministro na Caixa.

Além das três casas no interior de Alagoas, uma quarta, em Maceió, foi posta em nome do pai do enteado do ministro. Também entrou como sócio das loterias um empresário local.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, as autoridades se sujam até em pequenas empresas, sonhando com grandes negócios. E fica tudo em famiglia. (C.N.)

Bolsonaro diz que o maior problema da Amazônia é a proteção da floresta

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Jair Bolsonaro lamentou não ser o “Rei de Roraima”

Bernardo Mello Franco
O Globo

“Se eu fosse rei de Roraima, em 20 anos teria a economia próxima à do Japão”. Assim Jair Bolsonaro começou o discurso de ontem na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Cerca de 300 empresários pagaram entre R$ 180 e R$ 220 para ouvi-lo. O ingresso dava direito a almoço, com opções de carne, massa e bacalhau.

“Nada pode ser feito lá”, reclamou o deputado, referindo-se à terra que elege Romero Jucá. Ele não explicou a mágica que igualaria o estado de menor PIB do Brasil ao terceiro país mais rico do mundo. No entanto, aproveitou para atacar os alvos de sempre: índios, ambientalistas, quilombolas.

VOTO RURALISTA – Para Bolsonaro, o problema da Amazônia não é o desmatamento, e sim a proteção da floresta. De olho no voto ruralista, ele prometeu frear a criação de reservas e rebaixar o Ministério do Meio Ambiente, que passaria a ser subordinado à Agricultura. “A questão ambiental dá pra driblar. É ter um ministro que seja patriota”, afirmou.

O capitão acusou a ONU de tramar a criação de “novos países” em território brasileiro. Em seguida, abandonou o tom nacionalista e defendeu parcerias com os Estados Unidos para explorar as riquezas da floresta. “Estive duas vezes com autoridades americanas”, disse. E quem seriam seus interlocutores no governo Trump? “Sem entrar em detalhes”, despistou.

MAIS VIOLÊNCIA – Depois da viagem amazônica, Bolsonaro engrenou o discurso radical que o impulsionou nas pesquisas. Prometeu combater a violência “com mais violência ainda”. Ameaçou reprimir ocupações com “chumbo”. Chamou os sem-terra de “marginais” e “terroristas”. Afirmou que pretende invadir o Ministério da Educação “com um lança-chamas, para tirar tudo que é simpatizante do Paulo Freire de lá”.

O deputado defendeu mudanças na lei para dificultar a punição de policiais acusados de homicídio. “Matar um vagabundo com um tiro ou 20 tem que ser a mesma coisa”, disse. Ele discursava a poucos metros da Candelária, palco da chacina que matou oito crianças e adolescentes em 1993.

Bolsonaro estava acompanhado por Paulo Guedes, seu favorito para o Ministério da Fazenda. Chegou a apresentar o economista como namorado, “heteramente falando” (sic). “Nossos cérebros estão fora do Brasil. Aqui não é um terreno fértil”, comentou. Pela animação da plateia, o capitão deve ter alguma razão.