Ex-comandante da PM de SP diz que Bolsonaro é ‘falastrão’ e renuncia ao cargo em entidade de oficiais

“Me sinto envergonhado pelas ações de Bolsonaro”, diz o coronel

Marcelo Godoy e Paulo Roberto Netto
Estadão

O coronel da reserva da PM de São Paulo Glauco Carvalho apresentou nesta quarta-feira, dia 8, sua renúncia ao cargo de vice-presidente da Associação de Oficiais da PM em razão de discordar da maioria dos demais associados, que apoiam o presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada após reunião da Diretoria, na qual Glauco expôs seus motivos.

Em carta entregue aos colegas, ele disse: “É a decisão mais coerente que eu poderia tomar. Se apregoo e defendo a democracia, nada mais justo e lícito que pedir minha saída, uma vez que o eleitorado da Associação de oficiais é majoritariamente bolsonarista”, afirmou.

VERGONHA – Glauco comandou o policiamento da capital do estado antes de passar para a reserva. Em janeiro, em entrevista ao Estadão, disse que se sentia envergonhado como militar diante de “tantas ações atabalhoadas, extravagantes, ridículas e mesquinhas” do governo Bolsonaro.

Na carta entregue nesta quarta-feira, o coronel volta à carga contra o presidente. “Convivi com um jovem deputado chamado Jair Messias Bolsonaro no inicio dos anos 90. Ele é a antítese do que é um militar na acepção lata da palavra”, afirmou.

“FALASTRÃO” – “Como todo espertalhão, prega a ordem, mas descumpriu a ordem estabelecida em normas legais no final dos anos 80. Como todo falastrão, defende o militarismo, mas foi um indisciplinado por excelência. Como todo estelionatário, prega moralismos, mas é useiro e vezeiro em transgredir preceitos éticos públicos. Como todo incauto, despreza e desdenha da doença e da dor alheias. Como todo insensato, cria confusões e disputas em torno de problemas que na realidade não existem. Como todo radical, agride verbalmente e ofende seus adversários. Como todo imaturo, não pode ser contrariado. Como todo estulto, quer valer-se das armas para depor os mecanismos pelos quais ele foi alçado ao poder. Como todo arrivista, quer o poder pelo poder”, disse Glauco.

O coronel também criticou a aproximação de Bolsonaro com o ‘Centrão’, afirmando que o Planalto hoje ‘depõe sua confiança em parte do estamento político contra o qual fez toda sua campanha’, como Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto. “Suas relações incestuosas com a família Queiroz são o retrato mais aparente da prática delituosa da família Bolsonaro”, afirmou Glauco.

Segundo ele, a oficialidade cometeu ‘grave erro, um erro histórico’ devido a integrantes que, ‘por um engodo, tem feito uma opção que julgo não ser a mais adequada’. “Temos que analisar o quadro desprovido das lentes da ideologia, que esse governo tanto apregoa. Não podemos agir como torcida organizada. O fim do campeonato nem sempre pode nos ser benéfico”.

Ex-mulher de Bolsonaro depõe em investigação sobre fantasmas instalados no gabinete de Carluxo

Conversa com MP ocorre oito meses após a primeira convocação

Juliana Dal Piva e Chico Otavio
O Globo

A segunda ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, presta depoimento por videoconferência ao Ministério Público do Rio nesta quinta-feira, dia 9, depois de oito meses da primeira convocação. Ela é investigada junto com o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) nos procedimentos que apuram uso de funcionários fantasmas e eventual prática de “rachadinha”, como é conhecida a devolução de salários.

Ana Cristina foi lotada como chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro entre 2001 e 2008. Procurada, a defesa de Ana Cristina se limitou a confirmar que ela irá prestar depoimento nesta quinta-feira. Além de Ana Cristina, o MP convocou outros parentes dela que constaram como assessores de Carlos, mas relataram à revista Época no ano passado que não atuavam como funcionários do filho ‘02’ do presidente Jair Bolsonaro.

AUSÊNCIAS – Tinham sido intimados para depor na quarta-feira, dia 8, mas não atenderam à convocação. São eles: Marta Valle, cunhada de Ana Cristina, e Gilmar Marques, ex-cunhado de Ana Cristina. Ambos sempre viveram em Minas Gerais. Na atual fase do procedimento, os investigados não são obrigados a comparecer.

Marta é professora e moradora de Juiz de Fora (MG), ela passou sete anos e quatro meses lotada no gabinete de Carlos, entre novembro de 2001 e março de 2009. Segundo a Câmara de Vereadores, ela não teve crachá da Casa. Além disso, abordada por Época, disse que não havia trabalhado no gabinete.

Outro caso descoberto foi o de Gilmar Marques, que mora em Rio Pomba (MG). Questionado, também disse não se recordar da nomeação. Durante seus mandatos como vereador, desde 2001, Carlos Bolsonaro nomeou sete parentes de ex-madrasta. Parte deles, no período em que ela viveu em união estável com o presidente Jair Bolsonaro, entre 1998 e 2008.

SEM CRACHÁ – Além de Marta e Gilmar, o MP também investiga a situação do advogado Guilherme Henrique de Siqueira Hudson, que constou como assessor-chefe de Carlos por dez anos — entre abril de 2008 e janeiro de 2018. Guilherme é primo de Ana Cristina e, apesar de todo o tempo em que ficou lotado na chefia do gabinete, jamais teve crachá. Desde 2012, possui residência fixa em Resende e um escritório de advocacia na cidade.

Quando Hudson era assessor-chefe, Ananda Hudson, sua mulher, foi nomeada no gabinete entre 2009 e 2010. Ao mesmo tempo, porém, ela cursava Letras em Resende. Depois, Monique Hudson, cunhada de Guilherme e igualmente estudante, em Resende, também foi nomeada.

Em fevereiro, O Globo revelou imagens mostrando que na mesma semana em que o advogado Guilherme Henrique de Siqueira Hudson foi prestar depoimento em outubro do ano passado ele também foi no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro. Ela estava acompanhado de seu pai, Guilherme dos Santos Hudson, investigado no caso de Flávio Bolsonaro.

RESIDÊNCIA EM RESENDE – A primeira intimação de Ana Cristina ocorreu em novembro. No entanto, Magnum Roberto Cardoso, advogado de Ana Cristina, contou ao O Globo que a defesa solicitou que o depoimento fosse prestado em Resende, no Sul do Estado, onde ela possui residência e trabalha como assessora de Renan Marassi, vereador daquele município.

A investigação foi aberta em julho do ano passado, tramita sob segredo de Justiça e era conduzida pelo Gaocrim (Grupo de Atribuição Originária Criminal), ligado à Procuradoria-Geral de Justiça. No entanto, na semana passada, ela foi repassada para a primeira instância.

Em dezembro do ano passado, logo depois da busca e apreensão em endereços ligados a outros nove parentes seus devido às investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro, Ana Cristina gravou um vídeo no qual dizia que não era investigada.

BUSCAS E APREENSÕES – “O MP veio a Resende, fez algumas buscas e apreensões em familiares meus, mas o mais importante que eu quero dizer para vocês é que eu, Ana Cristina Siqueira Valle, não estou sendo investigada. Isso é fato. Então eu acredito que isso seja uma estratégia da mídia para atingir o nosso presidente Jair Bolsonaro”, afirmou, na ocasião, sobre as medidas que envolviam o procedimento sobre Flávio, irmão de Carlos.

Moro nega interferência nas apurações da PF sobre hackers: “Jamais influenciei a investigação”

Depoimento foi prestado por videoconferência à Justiça Federal

Carolina Brígido
O Globo

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro prestou depoimento nesta quarta-feira, dia 8, à Justiça Federal no processo da Operação Spoofing, que investiga a invasão na troca de mensagens de procuradores da força-tarefa da Lava-Jato por hackers. Moro foi interrogado como testemunha, por videoconferência.

Ele voltou a dizer que teve o celular invadido e, como titular da pasta da Justiça, ordenou que a Polícia Federal investigasse o caso. O ex-ministro negou que tivesse usado do cargo para interferir nas apurações. “Eu jamais influenciei a investigação. A PF fez seu trabalho de forma independente”, declarou.

INTERCEPT –  – Moro foi uma das vítimas das ações dos hackers liderados por Walter Delgatti Netto, conhecido como Vermelho. O procurador Deltan Dallagnol, da Lava-Jato, também foi alvo do crime e teve parte de suas conversas divulgadas pelo site “The Intercept Brasil”. De acordo com o Ministério Público Federal, os hackers atuavam em três frentes: fraudes bancárias, invasão de dispositivos informáticos, como celulares, e lavagem de dinheiro.

Perguntado se usou sua função de ministro para que a investigação ficasse a cargo da PF, Moro explicou que, como foram atacadas autoridades federais, a competência para o caso seria mesmo da corporação. “Como fui atacado na condição de ministro da Justiça, funcionário público federal, a competência é da Polícia Federal e da Justiça Federal”, afirmou.

ASSUNTOS SENSÍVEIS – Moro disse que não se lembra se conversou sobre a ação dos hackers com o delegado responsável pela investigação, mas disse que falou com o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. “Falamos algumas vezes sobre esse assunto com a Polícia Federal, por que isso acabou envolvendo questões relativas a segurança nacional. Afinal de contas não é trivial tentativa de hackeamento do telefone do ministro da Justiça e Segurança Pública e nós tratávamos de assuntos sensíveis ali dentro do telefone. Isso ainda foi agravado depois, pela constatação de que teriam atacado o telefone do presidente da República. Aí são assuntos de segurança nacional, e isso é objeto de discussão entre mim e a Polícia Federal”, declarou.

O ex-ministro contou ainda que recebia informações gerais da Polícia Federal sobre o andamento das investigações, mas sem detalhes: “Eu não tinha acesso ao inquérito, era só um acompanhamento do andamento do trabalho. Além da posição de vítima, tinha essa situação envolvendo segurança nacional”, finalizou.

 

Toffoli nega recurso de Sara Giromini para afastar Moraes de inquérito sobre atos antidemocráticos

Alegação de suspeição originou-se em provocação da própria ativista

Rayssa Motta
Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, negou um pedido apresentado pela defesa da extremista Sara Giromini para afastar o ministro Alexandre de Moraes do inquérito que apura o financiamento e organização de atos antidemocráticos. A decisão foi tornada pública nesta terça, 7.

Os advogados da militante bolsonarista, que é investigada no caso e chegou a ser presa preventivamente por determinação de Alexandre, alegam suspeição do ministro. Na prática, se fosse aceito, o pedido implicaria na anulação de todas as medidas determinadas no curso das investigações, incluindo provas obtidas em computadores, celulares e documentos apreendidos em endereços ligados a apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

AMEAÇAS – “É público e notório que eventual suspeição do Ministro Alexandre de Moraes foi provocada pela arguente que, logo após sofrer medidas processuais de busca e apreensão no bojo do Inq nº 4.781, em 27/5/2020, propalou críticas e ameaças à Sua Excelência por vídeo postado em redes sociais”, escreveu Toffoli.

Segundo o presidente da Corte, a alegação de suspeição é ilegítima por ter sido ‘provocada’ pela própria extremista. Em vídeo publicado nas redes sociais após ser alvo de buscas da Polícia Federal no inquérito das fake news, em que também é investigada, Sara disse que, se estivesse na mesma cidade que Alexandre, chamaria o ministro para ‘trocar socos’.

 

Ela também prometeu perseguir e ‘infernizar’ a vida do magistrado, responsável por determinar a operação da Polícia Federal que apreendeu computador e celular da ativista.
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ILEGÍTIMA – “Será ilegítima a alegação de suspeição quando houver sido provocada por quem a alega. Se uma das hipóteses previstas neste parágrafo ocorrer fica caracterizada a litigância de má-fé pelo uso indevido do processo. Somente a inimizade capital autoriza o afastamento do juiz da causa por suspeição. A simples malquerença, antipatia ou inconformidade de opiniões ou de sentimentos não constituem motivos de suspeição de parcialidade do juiz”, completou o Toffoli.

Sara foi solta em 24 de junho, após passar dez dias detida no Presídio Feminino do Gama, no Distrito Federal. Desde que deixou a cadeia, ela precisa cumprir uma série de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com os demais investigados no inquérito dos atos antidemocráticos.

DISTANCIAMENTO – Além disso, a extremista só pode sair de casa para trabalhar ou estudar e, mesmo nesses casos, precisa manter distância mínima de um quilômetro das sedes do STF e do Congresso Nacional. Até o momento, o inquérito aponta a ‘real possibilidade’ de atuação de uma associação criminosa voltada para a ‘desestabilização do regime democrático’ com o objetivo de obter ganhos econômicos e políticos.

A Procuradoria-Geral da República identificou quatro núcleos do grupo, sendo eles ‘organizadores e movimentos’, ‘influenciadores digitais e hashtags’, ‘monetização’ e ‘conexão com parlamentares’, que atuariam em conjunto em um ‘negócio lucrativo’ de divulgação de manifestações contra as instituições. A PGR estima que organização pode ter lucrado mais de R$ 150 mil com a divulgação de atos que pedem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.

Oposição pede ao STF que assessores e aliados do clã Bolsonaro, alvos de ação do Facebook, sejam investigados

Charge do Iotti (gauchazh.clicrbs.com.br)

Renato Onofre
Folha

A oposição requereu ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes que investigue a ligação de assessores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), seus filhos e aliados com 73 contas falsas derrubadas pelo Facebook.

Nesta quarta-feira, dia 8, a rede social derrubou perfis ligados à família Bolsonaro. Parte deles promovia propagação de ódio e ataques políticos. Moraes é o relator do inquérito que apura a existência de uma rede organizada para propagar ataques às instituições e disseminar fake news. Até o momento, ele autorizou ações da PF contra dez deputados e senadores, empresários e blogueiros ligados ao presidente.

REFORÇO – No Congresso, parlamentares afirmam que a medida do Facebook reforça as investigações da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News. “É uma confirmação necessária e reforça o que investigamos até aqui”, afirmou a relatora Lídice da Mata (PSB-BA) que vai pedir acesso aos dados da rede social.

O senador Ângelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPMI, afirmou que o episódio ajuda nos trabalhos dos parlamentares e que, agora, é necessária a colaboração do Whatsapp. “Falta agora ação do WhatsApp para chegarmos aos autores de disparos em massa que vem atacando covardemente a honra das pessoas e das nossas instituições”, afirmou.

Os trabalhos da CPMI estão suspensos desde março por conta da pandemia do novo coronavírus. A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) afirmou que vai pedir a sua reativação. “O presidente [do Senado] Davi Alcolumbre (DEM-AP) precisa reativar a CPMI. Essa milícia propaga desinformação até sobre a pandemia. A partir disso, a investigação e a punição têm que ser mais céleres no Congresso em relação aos envolvidos”, afirmou a parlamentar.

BOLSONARISTAS – Os dados que constam das investigações da plataforma foram analisados por pesquisadores americanos que apontam para, ao menos, cinco funcionários e ex-funcionários dos gabinetes bolsonaristas. “As investigações do Facebook mostram que há fortes indícios do envolvimento dos gabinetes de Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro por trás dessas contas que disseminam fake news e discursos de ódio, incluindo ataques a instituições democráticas como o STF, o que é crime”, afirmou o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

Para Melchionna, os deputados e senadores ligados a esses assessores devem responder sobre o caso ao Conselho de Ética. O Facebook e o Instagram identificaram páginas e contas com conteúdo de ataques a adversários políticos feitos por Tércio Arnaud Thomaz, assessor especial da presidência da República. Tércio, 31, faz parte do chamado “gabinete do ódio” ou “gabinete da raiva”.

O grupo, tutelado pelo vereador licenciado Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), é responsável por parte da estratégia digital bolsonarista. Os pesquisadores americanos encontraram, também, ligações da rede com um assessor de Carlos. O Facebook não mencionou o vereador em seu comunicado oficial, mas os pesquisadores descobriram que um dos funcionários envolvidos na operação trabalhava para ele.

MILÍCIAS DIGITAIS – “Isso é uma prova cabal que essas milícias digitais têm a cobertura do Palácio do Planalto. Elas são operadas lá de dentro usando recursos públicos. A CPMI vai investigar esse uso da máquina pública para a propagação de desinformação”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE). O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em entrevista à CNN Brasil que a ação reforça a necessidade de regulamentar o uso das redes.

“No caso específico do Facebook, eu não posso comentar porque não conheço o caso a fundo. Agora em relação à perseguição, acho que o ambiente das redes sociais foi, nos últimos meses, muito mais favorável àqueles que apoiam o presidente do que o contrário”, disse.

“Em relação à questão das leis das fake news, é uma reação sim aos ataques que as instituições vêm recebendo nos últimos 12 meses. E que chegou um momento que ou se reagia ou todo mundo ia ficar acuado em relação ao ambiente muito radicalizado nas redes sociais do nosso país”, disse.

“JUSTIFICATIVA”  –  O senador Flávio Bolsonaro afirmou que o presidente foi eleito com forte “apoio popular nas ruas e nas redes sociais” e tem milhares de perfis de apoio. “Até onde se sabe, todos eles são livres e independentes”. Para ele, “é impossível avaliar que tipo de perfil foi banido e se a plataforma ultrapassou ou não os limites da censura”.”Julgamentos que não permitem o contraditório e a ampla defesa não condizem com a nossa democracia, são armas que podem destruir reputações e vidas”, diz em nota.

A deputada Alana Passos, um dos alvos, afirmou que não foi notificada pelo Facebook sobre qualquer irregularidade ou violação de regras” nas suas contas. “Quanto a perfis de pessoas que trabalharam no meu gabinete, não posso responder pelo conteúdo publicado. Nenhum funcionário teve a rede bloqueada por qualquer suposta irregularidade”.

VIOLAÇÃO – O deputado Anderson Moraes admitiu a remoção de contas de pessoas ligadas ao seu gabinete. “Tenho um perfil verificado, que não sofreu bloqueio ou qualquer aviso de ter violado qualquer regra da rede. Mas excluíram a conta de uma pessoa que trabalha no gabinete, uma pessoa com perfil real, não é falsa. A remoção da conta foi absurda e arbitrária, porque postava de acordo com ideologia e aquilo que acreditava”, admitiu o deputado estadual Anderson Moraes (PSL-RJ).

“O Facebook em nenhum momento apontou o que estava em desacordo com as regras. Qual motivo excluíram? Falam em disseminação de ódio, mas será que também vão deletar perfis de quem desejou a morte do presidente?”, questionou. O PSL negou vínculo com contas de derrubadas.

RESPONSABILIDADE – “A respeito da informação que trata da suspensão de contas do Facebook de alguns políticos no Brasil, não é verdadeira a informação de que sejam contas relacionadas a assessores do PSL, e sim de assessores parlamentares dos respectivos gabinetes, sob responsabilidade direta de cada parlamentar, não havendo qualquer relação com o partido”.

“O partido esclarece que os políticos citados, na prática, já se afastaram do PSL há alguns meses com a intenção de criar um outro partido, inclusive, tendo muitos deles sido suspensos por infidelidade partidária. Ainda, tem sido o próprio PSL um dos principais alvos de fake news proferidos por este grupo”.

Os demais citados foram procurados, mas ainda não se manifestaram.

Procuradores querem demitir secretário-geral que diz ser “obra divina” a eleição de Bolsonaro 

Maioria do conselho superior da PGR manifesta insatisfação com ...

Eitel Santiago mistura política com religião e desagrada o Conselho 

Renato Souza
Correio Braziliense

Integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) enviaram ao procurador-geral da República, Augusto Aras, um memorando em que pedem que ele considere “se é oportuno e conveniente” que o secretário-geral do órgão, Eitel Santiago, continue no cargo. A ação ocorreu após Eitel declarar que a eleição do presidente Jair Bolsonaro “foi uma obra divina”.

Ele teria dito ainda, em entrevista à CNN Brasil, que “as forças-tarefas do MPF funcionam, por vezes, de forma ilegal”, e que “prisões foram usadas pela Lava Jato para forçar colaborações premiadas” e “como instrumento de tortura” de investigados”.

CONFIRMAÇÃO  – A informação sobre o pedido de demissão foi publicada pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo, e confirmada pelo Correio junto a fontes na Procuradoria-Geral da República. O documeto é assinado pelos subprocuradores-gerais Nicolao Dino, Nívio de Freitas Filho, José Callou e Luiza Frischeisen.

Eitel é um nome de confiança de Aras. No entanto, passou um período aposentado e se envolveu em atividades político-partidárias e chegou a se filiar ao PSL, partido que elegeu o presidente Jair Bolsonaro. De acordo com uma fonte, ouvida pela reportagem do Correio, ele atua com dificuldades no cargo. “A função, aliás, vem sendo desenvolvida, na maior parte do tempo, pela secretária adjunta”, informa uma fonte.

A demissão de Eitel também seria um dos passos para a reestruturação de formas de trabalho, fusão de unidades de trabalho remoto em razão das necessidades criadas pela pandemia de coronavírus.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Não é possível que o cargo de secretário-geral do Ministério Público Federal esteja nas mãos de um cidadão nessas condições emocionais. Dizer que a eleição de Bolsonaro foi “obra divina” requer internação imediata em clínica psiquiátrica. (C.N.)

Poeticamente, liberdade é um sonho sem fronteiras, na visão de Eurídice Hespanhol

Eurídice Hespanhol, em evento literário no Hotel Quitandinha

Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora e poeta Eurídice Hespanhol, nascida em Santa Maria Madalena (RJ), criativamente conceituou a “Liberdade”, como um sonho sem fronteiras.

LIBERDADE
Eurídice Hespanhol

Liberdade é o mar que beija a areia,
O céu livre em espaço triunfal
A noite plena de estrelas, a lua derradeira,
O dia imenso de luz, o toque divinal

Liberdade é um sonho SEM FRONTEIRAS,
Um coração que pulsa, vibrando de emoção
Um amor intenso, rompendo barreiras,
vencendo os limites do próprio coração.

Liberdade é o amor que renuncia,
Em benefício de um outro amor igual
Um gesto simples que abafa o egoísmo,
Apaga o ódio, perdoa todo o mal.

Liberdade é enxergar além dos olhos,
Olhar o mundo com total compreensão
É ver a vida além da própria vida
E libertar-se de si mesmo,
Grilhão por grilhão!

Empresários desistem de Bolsonaro e preferem procurar Mourão diretamente

Flávio Bolsonaro depõe pela primeira vez ao MP, na investigação das ‘rachadinhas’

Flavio Bolsonaro vai depor em caso da rachadinha e negocia ...

Depoimento de Flávio Bolsonaro foi através de videoconferência

Deu no Correio Braziliense

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) depôs pela primeira vez, nesta terça-feira (7/7), ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), no caso das rachadinhas. Há suspeitas de que o filho do presidente Jair Bolsonaro se beneficiou da devolução de parte dos salários de servidores do gabinete dele, quando ele ainda era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O depoimento foi feito por videocoferência, 18 meses depois da primeira intimação ao senador. O conteúdo do depoimento está em segredo de justiça. A esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, que também tinha sido intimada pelo Ministério Público, não compareceu.

CHEFE DO ESQUEMA – Flávio Bolsonaro é apontado como chefe do suposto esquema de desvio de dinheiro público da Alerj. A suspeita é de que funcionários do gabinete devolveriam uma parte do salário para o então deputado, uma prática denominada rachadinha.

De acordo com o Ministério Público, Fabrício Queiroz, preso no mês passado, seria o operador do esquema. Sargento reformado da PM, Queiroz, que era assessor de Flávio, foi preso em uma casa que pertence ao advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, em Atibaia (SP).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNesta quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro tentou explicar o inexplicável. Hoje é a vez da mulher dele, Fernanda. O Ministério Público decidiu ouvi-los em separado, na certeza de que haverá contradições. (C.N.)  

Bolsonaro enaltece trabalho de Pazuello, mas diz que “é um nome que não vai ficar para sempre”

Charge do Adnael (humorpolitico.com.br)

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro elogiou na tarde desta terça-feira, dia 7, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello. No entanto, apontou que o mesmo “não permanecerá no cargo para sempre”. A pasta está há quase dois meses sem um titular.

“Ele está fazendo um excelente trabalho e está realmente funcionando. Ele é ruim de imprensa, mas em compensação, é excelente como gestor da Saúde porque a gente precisa há muito tempo de alguém com esse perfil lá. Mas é um nome que não vai ficar para sempre. Está completando três meses como interino. Ele já deu uma excelente contribuição para nós”, afirmou.

AVALIAÇÃO – A fala ocorreu após Bolsonaro ter sido questionado se já havia escolhido um nome para o ministério da Educação. O chefe do Executivo afirmou que avalia alguns currículos e citou o nome do deputado Major Vitor Hugo como um dos candidatos. Porém, o presidente não bateu o martelo.

“Não posso falar porque o mundo cai na cabeça desse favorito. Todo mundo vai para cima dele, até o que ele fez quando tinha cinco anos de idade e eles sabem disso. Hoje vou ter mais um contato. É um candidato do estado de São Paulo, talvez seja ele. Temos como reserva até o major Vitor Hugo que é ali do governo na Câmara. Confiança em primeiro lugar, não pode fugir disso daí”, afirmou.

Bolsonaro ainda acrescentou :” É uma pessoa que  tem uma capacidade muito grande de organização. Em poucos dias estudou o ministério da Educação, trouxe para mim, apontou os problemas. É uma pessoa excepcional, mas vão cair em cima dele por ser major do exército. O pessoal acha que tem militar demais no governo. Até brinquei com ele. Como somos paraquedistas ele é um excepcional reserva para essa situação. No meu entender, caso seja ele, será um bom nome. Como por exemplo, alguns criticam o ministro da Saúde, o general Pazuello por não ser médico. O Serra lá atrás, como economista, foi um bom ministro da Saúde”.

Vice-líder do governo Bolsonaro ataca Alexandre de Moraes: “É um lixo, o esgoto do STF”, diz

Deputado e pastor, Otoni perdeu o controle e ameaça Moraes

Andréia Sadi
G1

O deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), pastor evangélico e um dos vice-líderes do governo Bolsonaro na Câmara, publicou um vídeo em suas redes sociais atacando e xingando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O parlamentar critica Moraes pela decisão que libertou o blogueiro Oswaldo Eustaquio, mas o proibiu de usar as redes sociais.

No vídeo, publicado em 6 de julho, Otoni chama Moraes de “lixo”, “tirano” e “canalha”, entre outros. “Por isso é chamado de cabeça de ovo, porque respeito, Alexandre de Moraes, não se impõe, se conquista”, diz trecho do video. “Você é um lixo, você é o esgoto do STF, a latrina da sociedade brasileira”. O deputado também faz ameaças ao ministro do STF.

 

RELATORIA – Alexandre de Moraes é o relator do inquérito que apura a divulgação de fake news e do que investiga financiamento de manifestações antidemocráticas. Otoni de Paula é um dos alvos do inquérito das manifestações antidemocráticas.

O vídeo chocou integrantes do STF e do próprio governo por ter sido publicado no momento em que o Planalto prega a mudança de tom de Bolsonaro com o STF. O Planalto está preocupado com o avanço de investigações na corte que atingem o próprio governo, aliados e familiares.

A avaliação nos bastidores da Corte, compartilhada por ministros do governo que pregam a diminuição do tom de Bolsonaro nas agressões, é a de que se trata do vice-líder do governo, e, portanto, um cargo de confiança do presidente da República. Ao todo, são 14 vice-líderes escolhidos pelo presidente.

SEM CONTROLE – O blog apurou que, nas últimas semanas, o Planalto pediu a seus aliados que diminuam o tom contra o STF e vetou, por exemplo, o uso da tribuna na Câmara por aliados, com o tempo da liderança do governo, para fazer ataques ao STF. Mas aliados de Otoni argumentam, ao comentar o vídeo, que não têm como controlar as redes dos vice-líderes.

Ministros do STF, no entanto, repercutem o vídeo e avaliam que a manutenção de Otoni como um dos vice-líderes de Bolsonaro reflete a desconfiança de alguns: que a mudança de comportamento do governo em relação a ataques ao STF não é para valer.

Aliados do governo ouvidos pelos blog defendem que um dos caminhos seria tirar o vice-lider do governo do posto para reforçar as intenções de pacificação do governo com o STF, mas a ideia enfrenta resistências, até agora.

Efeito coronavírus ! Presidência da República registra 108 casos positivos entre servidores

Assessoria diz que número representa 3,8%, do total dos profissionais

Ingrid Soares
Correio Braziliense

A Secretaria-geral da Presidência afirmou na noite desta terça-feira, dia 7, que até o último dia 3, do total de 3.400 servidores da Presidência da República, 108 testaram positivo para o coronavírus. Segundo a pasta, o número representa 3,8%, do total de profissionais.

“Não houve mortes e mais de 90% desses casos foram assintomáticos ou apresentaram apenas sintomas leves”, completou o Planalto. Ainda em nota enviada após a confirmação do presidente Jair Bolsonaro para covid-19, a assessoria palaciana apontou procedimentos adotados no local em meio a pandemia.

ORIENTAÇÕES – “As orientações médicas relacionadas ao combate ao novo coronavírus têm sido amplamente divulgadas aos servidores da Presidência da República, por meio dos diversos canais de comunicação disponíveis. Dentre essas orientações, ressaltamos as relacionadas à higienização das mãos, uso correto de máscaras, distanciamento social, implementação do trabalho remoto (em especial, para os servidores considerados em grupo de risco) e do rodízio de funcionários, intensificação da limpeza de instalações e equipamentos etc”, diz um trecho.

O texto também complementa a aquisição adicional pelo Planalto de dispenser de álcool e o intensificamento dos procedimentos de limpeza. “Com a aquisição adicional de dispenser para álcool em gel para todas as dependências do Palácio do Planalto, seus Anexos e adjacências, para assepsia de servidores, colaboradores e visitantes, temos hoje 494 unidades estrategicamente distribuídas. Também foram intensificados os procedimentos de limpeza das áreas comuns, especialmente dos banheiros e das salas dos servidores, mediante a utilização de produtos à base de cloro e álcool, os quais contaram com o aporte de equipamentos tecnológicos de última geração, a exemplo de lavadoras sanitizadoras e secadoras especiais para carpete, que possibilitam maior aproveitamento dos insumos de higienização, bem como a redução da intervenção humana no processo de limpeza”.

PROTOCOLO – A Secretaria-geral da Presidência informou que não há protocolo médico, seja do Ministério da Saúde ou da OMS, que recomende medida de isolamento pelo simples contato com casos positivos. “A orientação que damos aos servidores é procurar assistência médica quando apresentarem sintomas relacionados à Covid-19, para avaliar necessidade de testagem. Nos casos considerados suspeitos, os servidores são orientados a ficar em casa até o resultado do exame”, destacou.

“A Presidência da República está seguindo as orientações do Órgão Central do Sipec (Ministério da Economia) contidas na Instrução Normativa nº 19, de 12 de março de 2020, e alterações, no que se refere ao trabalho remoto. Nesse sentido, não há ainda previsão ou orientação de retorno dos servidores que estão em trabalho remoto para o trabalho presencial”, finalizou.

VIDEOCONFERÊNCIA – Com o diagnóstico de coronavírus, Bolsonaro que antes despachava do Palácio do Planalto, agora trabalhará de uma sala previamente preparada no Palácio da Alvorada. Na tarde desta terça-feira, o presidente se reuniu remotamente com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos e com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Jorge Oliveira.

A assessoria informou que o despacho ocorreria da seguinte forma: “o Ministro mandará as propostas de atos normativos ou outras pautas ao Presidente por e-mail.  Por meio de videoconferência, acontecerá o despacho entre as autoridades. Concluído o despacho, os atos serão assinados por digitalmente, sem qualquer contato pessoal. Dessa forma, mantém-se a rotina normal de trabalho da Secretaria-Geral da Presidência da República”, concluiu.

Facebook derruba rede coordenada por assessores do Planalto e de Flávio e Eduardo Bolsonaro

Quanto o 'gabinete do ódio' pode comprometer a família Bolsonaro ...

Ilustração reproduzida do Arquivo Estadão

Leonardo Cazes, João Paulo Saconi e Juliana Dal Piva
O Globo

O Facebook derrubou nesta quarta-feira uma rede com 88 contas, páginas e grupos ligados a funcionários dos gabinetes do presidente Jair Bolsonaro e aliados. Entre eles, estão o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e os deputados estaduais Alana Passos e Anderson Moraes, ambos do PSL no Rio de Janeiro. Para a empresa, o conjunto removido agia para enganar sistematicamente o público, sem informar a verdadeira identidade dos administradores, desde as eleições de 2018.

Os dados que constam das investigações da plataforma foram analisadas por pesquisadores americanos do Digital Forensic Research Lab (DRFLab), ligado ao Atlantic Council, especializados no combate à desinformação, às fake news e violação de direitos humanos em ambientes online.

2 MILHÕES DE PESSOAS – Nos domínios do Facebook, a rede em questão atuava através de 14 páginas, 35 contas pessoais e um grupo. No Instagram, onde também houve remoção de conteúdos, foram identificadas 38 contas envolvidas com irregularidades. Juntas, essas engrenagens mobilizavam uma audiência de mais de 2 milhões de pessoas, de acordo com o DRFLab.

Uma nota divulgada pelo Facebook para justificar a remoção dos conteúdos diz que o esquema envolvia a combinação de contas duplicadas e falsas, cujo objetivo era evitar a fiscalização da plataforma. Elas representavam pessoas fictícias que publicavam conteúdos em páginas que simulavam a atividade de veículos de imprensa. Entre as publicações, havia tópicos sobre política; eleições; críticas a opositores e a jornalistas e organizações de mídia e informações sobre a pandemia da Covid-19.

DISCURSO DE ÓDIO –  Ainda segundo o texto, parte desse material já havia sido removido por violar normas de uso, incluindo discurso de ódio. Foram encontrados também, pelo DRFLab, ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio das hashtags #STFVergonhaNacional e #STFEscritórioDoCrime.

A mensagem divulgada pela plataforma afirma que a investigação sucedeu reportagens nas quais foi relatada a existência de uma estrutura virtual montada por bolsonaristas — chamada por opositores “Gabinete do Ódio” — e depoimentos sobre o tema colhidos no Congresso Nacional durante a CPMI das Fake News.

O relatório do DRFLab aponta que a rede era controlada por ao menos cinco funcionários e ex-funcionários dos gabinetes bolsonaristas.

DENTRO DO PLANALTO – Dos assessores diretos do presidente Jair Bolsonaro, o Facebook e o Instagram identificaram páginas e contas com conteúdo de ataques a adversários políticos feitos por Tércio Arnaud Thomaz, assessor especial da presidência da República. Além da página “Bolsonaro Opressor 2.0”, seguida por mais de 1 milhão de pessoas no Facebook, foi identificada a conta @bolsonaronewsss, também sob administração de Tércio, com 492 mil seguidores e mais de 11 mil publicações.

No relatório, o DRFLab diz que “muitas páginas do conjunto foram dedicadas à publicação de memes e conteúdo pró-Bolsonaro enquanto atacavam rivais políticos. Uma dessas páginas foi a página do Instagram @bolsonaronewsss. A página é anônima, mas as informações de registro encontradas no código fonte confirmam que pertence ao Tércio Arnaud”.

Segundo os pesquisadores, o “conteúdo era enganoso em muitos casos, empregando uma mistura de meias-verdades para chegar a conclusões falsas”. No relatório são mostradas imagens da conta postando ataques ao ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

OUTROS ASSESSORES – Também foram citadas contas e páginas de dois assessores de Eduardo Bolsonaro. O relatório cita Paulo Eduardo Lopes, mais conhecido como Paulo Chuchu, que, de acordo com o DRFLab, “aparece como um dos principais operadores de rede”.

O Facebook disse ter removido duas contas com o nome de Eduardo Guimarães. Ele foi citado na CPMI das “Fake News” como o dono extinta página do Instagram chamada “Bolsofeios”, que publicava ataques a adversários do clã Bolsonaro. A plataforma chegou a achar indícios de assessores do senador Flávio Bolsonaro, mas pesquisadores do DRFLab não encontraram dados conclusivos o suficiente.

 Eles acreditam ainda que um funcionário do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), não mencionado pela rede social, atuou em conjunto com o grupo, assim como um servidor empregado pelo deputado estadual Coronel Nishikawa (PSL), da base bolsonarista em São Paulo.

GABINETE DO ÓDIO – Em junho, o GLOBO mostrou os perfis de alguns desses assessores que integram o chamado “gabinete do ódio”. Eles foram recrutados pelo vereador Carlos Bolsonaro desde 2013 para vir trabalhar em seu gabinete e reproduzir memes com ataques a adversários primeiro em páginas de Facebook.

José Matheus Salles Gomes e Tércio Arnaud Thomaz foram os dois primeiros escolhidos por Carlos por suas páginas no Facebook. Eles chegaram a ser assessores de Carlos por vários anos e agora trabalham como assessores do presidente Jair Bolsonaro. Depois, o grupo foi se ampliando e o recrutamento foi definitivamente selado numa reunião do clã Bolsonaro com alguns desses jovens, no salão de festas do primogênito e hoje senador Flávio, em 11 de março de 2017 — mais de um ano e meio antes da eleição presidencial.

No Planalto agora também está Matheus Matos Diniz, e atuam em parceria com os funcionários do Planalto dois assessores no gabinete do deputado federal Hélio Lopes: Guilherme Julian Freire, José Henrique Rocha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O castelo de areia vai desmoronando e expõe os modernos métodos de trabalho político da família Bolsonaro. Aqui na TI estamos identificando os integrantes do Gabinete do Ódio que ficaram encarregados de invadir nosso Blog. Depois voltaremos ao assunto (C.N.)

A covid-19 de Jair Bolsonaro, a GloboNews e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

APÓS TESTAR POSITIVO PARA COVID- 19, BOLSONARO FAZ PROPAGANDA DE ...

Nesta terça-feira a doença de Bolsonaro se tornou assunto único

Jorge Béja

É normal e até salutar, concordar ou discordar sobre o que fala e sobre o que faz o presidente Jair Bolsonaro. Mas o exagero, o confronto, e outras expressões nada nobres, nada ortodoxas, nada construtivas — mas destrutivas —, não podemos aceitar. Nesta terça-feira (7/7), a programação da GloboNews vinha se mantendo no ar como acontece no cotidiano. A mesma mesmice. As mesmas pessoas. Os mesmos entrevistados. Os mesmos apresentadores. Os mesmos assuntos, para uma emissora de grande porte, muita audiência, nacional e mundo a fora e alta tecnologia. Até aí, nada de anormal.

Mas foi por volta das 12:20h/12:25h desta terça-feira que, de súbito, apareceu na tela aquele aviso de fundo vermelho-sangue e letras brancas com uma chamada sonora difícil de explicar como soa — mas de muito mau gosto —  indicando Notícia Urgente.

NOTÍCIA DE INTERESSE – E a inesperada interrupção da programação foi para que a apresentadora do programa noticiasse que o exame para covid-19 do presidente Bolsonaro havia dado “positivo”. Tanto é notícia?. Sim, é notícia. Notícia do interesse do povo brasileiro e notícia que percorreu o mundo.

Mas foi daí em diante, até quando desliguei a tv por volta das 20:30h, que o assunto foi um só. Rigorosamente um só: “Bolsonaro está com a Covid-19”. Debates, comentários, entrevistas, vídeos, fotos, tudo, enfim, sobre um tema só: “Bolsonaro está com Covid-19”. 

Foi um exagero. E um exagero que passou dos limites do respeito que se deve tributar a um presidente da República, seja ele quem for. Dele seja aliado ou não. Dele seja adversário ou não. E o desrespeito consistiu na visível e indiscutível confrontação que a emissora preparou e editou e que foi repetida em todas as edições dos noticiários das 13, das 16, das 18 e das 20 horas.

UM NUNCA-ACABAR – Depois fui dormir, exausto com tantas repetições. Nelas, foram apanhar e exibir vídeos e momentos em que Bolsonaro se mostrava incrédulo com o potencial abrangente do coronavírus-19, vídeos com o presidente sem máscara, vídeos de Bolsonaro no meio do povo, vídeos em que o presidente defendia a cloroquina e/ou hidroxicloroquina… Aquela fala da tal “gripezinha”. A outra fala “não sou coveiro”. E mais outra “todos vamos morrer um dia”. E mais outra. E outras mais….

A finalidade que deu a perceber era mostrar e relembrar o que não era para ser mais mostrado nem relembrado. Pois de tudo aquilo, mostrado e relembrado, todo o povo brasileiro sabia, tinha conhecimento, viu e ouviu do presidente. A pandemia nos prende em casa e a televisão é que faz passar o tempo.

JORNALISMO ÉTICO? – Então, fazer matéria historiando o contraste de postura de Bolsonaro, no trato com a pandemia, desde que o vírus surgiu no Brasil até o dia que o maldito vírus contaminou o presidente, isso é jornalismo ético?. É jornalismo solidário?. Ou deixa entender uma espécie do “viu só?”. Do “Agora chegou sua vez”?. Do “queimou a língua”?. Do “aqui se faz aqui se paga”?. Do “bem feito”?. Reconheço que posso estar errado. E se errado estiver, antecipo meu pedido de desculpa.

Mas o empenho da emissora foi tão intenso neste sentido  que  chegou a fazer uma “arte” mostrando em quadrinhos horizontais, fotos e nomes de todos aqueles com quem o presidente esteve nos últimos dias e que poderiam ou estariam correndo risco de contaminação!.

QUEIXA-CRIME – Escrevi atrás que o assunto “Bolsonaro está com Covid-19” foi um só. Mas teve uma exceção nos noticiários. Foi a anunciada queixa-crime — assim entendi — que a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) ingressou ou estava para ingressar na Justiça contra Bolsonaro. A acusação: desobediência a decreto do governador do Distrito Federal que obriga o uso de máscara, mais exposição de jornalistas a perigo. Creio que a tal queixa gira em torno disso.

Uma análise, ainda que ligeira e superficial. Sabemos que “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal”. Este chamado “Princípio da Reserva Legal” está escrito no artigo 1º do Código Penal Brasileiro.

Então a pergunta: qual teria sido o “crime” que Bolsonaro cometeu?. Vamos ao Código Penal. Seria um daqueles previstos no Capítulo III, do Título VIII, que trata “Dos crimes contra a saúde pública”?. O crime do artigo 267 (“Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos”) não é. Bolsonaro não causou epidemia e/ou pandemia alguma.

ATÉ PODERIA SER – O crime do artigo 268 (“Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”), a princípio até poderia ser. Mas um exame cuidadoso se constata que também não é. E não é porque a aparição desta terça-feira, quando Bolsonaro anunciou que seu exame deu positivo para o Covid-19, o anúncio foi feito nas dependências de próprio federal, cujo interior não está sob a circunscrição administrativa do governo do Distrito Federal.

Mas digamos que em outras aparições de Bolsonaro sem máscara tenha ocorrido no território do governo do DF, indaga-se: Bolsonaro assim agiu com dolo, ou seja, com vontade e intenção deliberada de propagar o coronavírus que este último teste concluiu ser positivo?. Claro que não. A resposta é induvidosamente negativa. E sem dolo, o crime do artigo 268 do Código Penal, não se configura.

É o que nos ensina o renomado jurista Celso Delmanto ao tratar do chamado “tipo subjetivo” do crime. Delmanto é taxativo na exclusão da “culpa” para a prática do delito. Só com a presença do dolo existe o crime.  Ensina Delmanto no seu clássico e festejado “Código Penal” (Editora Saraiva, 1980, página 268): “Tipo subjetivo – O dolo, representado pela vontade livre e consciente de infringir a determinação. Na doutrina tradicional é o “dolo genérico”. Não há forma culposa”.

A HUMANIDADE SOFRE – Todos estamos em sofrimento. Toda a Humanidade sofre. É preciso ser solidário. Ser generoso. Ser piedoso. Não podemos politizar a dor, as mortes, as saudades.  A hora é de perdoar. Não sejamos pérfidos. E a ninguém é dado o direito de atirar pedra alguma contra quem quer que seja. Todos somos vitimados.

Mas é preciso ter esperança também. Essa dolorosa quadra pela qual o mundo passa vai acabar. Vamos deixar o confronto político de lado. Vamos abrandar nossas vozes, gestos e ações.  E ao invés do acirramento dos conflitos, das paixões, e de qualquer sentimento que seja menos nobre, vamos nos unir em ações e orações.

Postura negacionista de Bolsonaro coloca a população sob risco cada vez maior, dizem cientistas

Bolsonaro toma hidroxicloroquina e aponta como receita milagorsa

Bruna Lima e Maria Eduarda Cardim
Correio Braziliense

Nem mesmo a infecção pelo novo coronavírus fez com que o presidente Jair Bolsonaro mudasse sua postura diante da covid-19, que até ontem matou 66.741 pessoas, oficialmente, no Brasil. Propagandista da hidroxicloroquina, usa da própria doença para promover o medicamento sem eficácia comprovada para tratar a doença.

Também não faz valer o uso da máscara, nem o isolamento social, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao dar esclarecimentos aos jornalistas sem respeitar distanciamento físico, e retirando a proteção ao final da conversa. E incorre em crime previsto no artigo 268 do Código Penal, que enquadra criminalmente aqueles que, sabendo que estão com um agente infeccioso, continuam se relacionando com outros e disseminando a doença.

RISCO AINDA MAIOR – Para especialistas, a postura de Bolsonaro coloca a vida da população, já fragilizada pela pandemia, sob um risco ainda maior. Ao mostrar por vídeos que faz uso da cloroquina e afirmar que confia no medicamento no combate à covid-19, ele incita o uso do remédio pelas pessoas. É o que lastima Alessandro Silveira, pós-doutor em microbiologia clínica e graduado em Farmácia-Bioquímica pela Universidade Federal de Santa Maria.

“Não seria interessante externar esse tipo de postura para a população inteira. A partir do momento que se faz isso, ele está incitando o uso do remédio”, observa.

ALERTA – O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta alertou que Bolsonaro precisará ter cuidado com o próprio temperamento e ficar 14 dias em isolamento total, caso contrário vai transmitir o coronavírus. E salientou que passar doença adiante é crime previsto em lei. “É crime quando alguém tem consciência que está com doença infecciosa e contamina o outro intencionalmente”, afirmou.

O ex-ministro se referia ao artigo 268 do Código Penal, que diz: “Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa: Pena — detenção, de um mês a um ano, e multa”. Bolsonaro cancelou todos os compromissos externos, até dia 13, e que se reunirá apenas por videoconferência. Porém, não representa que ficará em quarentena, única forma de evitar a propagação do vírus.

POÇÃO MÁGICA – O também ex-ministro da Saúde Nelson Teich rebateu Bolsonaro, que afirmou usar a hidroxicloroquina contra a covid-19. Em vídeo, desmistificou o uso da medicação, que tem sido apresentada pelo presidente como se fosse poção mágica. “A cloroquina e a hidroxicloroquina não mudaram a história natural da doença, não aumentaram o índice de cura e não reduziram a mortalidade”, explicou.

Alessandro Silveira concorda: “Não existem estudos que demonstram que a cloroquina é realmente eficaz. É consenso”, reforça. Em maio, a Sociedade Brasileira de Infectologia desaconselhou a prescrição da droga em pacientes leves de covid. O medicamento ainda pode agravar doenças cardíacas.

FALSOS ARGUMENTOS – As máscaras, que são aconselhadas e têm eficácia preventiva, estão longe de serem incentivadas por Bolsonaro. “O pretenso ‘bom mocismo’ não o impediu de mutilar o projeto de uso de máscaras que o Legislativo propôs, com argumentos que satisfazem ao seu ego e suas convicções destrambelhadas”, atacou o médico e doutor em saúde pública Flávio Goulart.

Para o especialista em Gestão da Saúde da Fundação Getúlio Vargas Adriano Massuda, a postura de Bolsonaro denuncia o descaso com a saúde da população. “Que a experiência possa servir para que ele repense as atitudes, a atenção com a população do país, com sistema de saúde público, porque as medidas dele têm enfraquecido o sistema e dificultado o enfrentamento à pandemia”.

Após moderar o tom, Bolsonaro e Olavo de Carvalho perde força nas redes sociais e interações caem 38%

Olavo de Carvalho critica Bolsonaro e diz que não precisa fechar ...

Olavo de Carvalho só brigou com Bolsonaro por causa de dinheiro

Gustavo Schmitt e Sérgio Roxo
O Globo

O tom moderado adotado pelo presidente Jair Bolsonaro nas últimas semanas abalou a sua rede de apoio no Twitter, em especial os perfis de seguidores do ideólogo Olavo de Carvalho. Uma análise das publicações de nove dos principais influenciadores realizada pela consultoria Arquimedes mostrou uma queda de 38% no número de republicações e curtidas recebidas — as interações — entre a primeira e quarta semana de junho.

Na primeira semana do mês passado, as publicações feitas por essas contas analisadas tiveram 11,4 milhões de interações. Houve uma queda para 8,3 milhões na segunda semana. depois de o presidente ter quebrado a rotina de participar da manifestações de seus apoiadores aos domingos na frente do Palácio do Planalto e comandar uma reunião de seu conselho de ministros de forma sóbria.

ÚLTIMA AMEAÇA – Na terceira semana, o número subiu um pouco, para 9,1 milhões A alta foi puxada pelas interações ocorridas no dia 17, quando Bolsonaro fez a última de suas declarações em tom de ameaça.

Em conversa no cercadinho de simpatizantes no Palácio da Alvorada, ao comentar a quebra de sigilo bancário de 11 parlamentares de sua base no inquérito que apura a realização de atos antidemocráticos, disse que não seria o “primeiro a chutar o pau da barraca” e “eles estão abusando, tá?”. Também afirmou que está “chegando a hora de tudo ser posto no seu lugar”.

SILÊNCIO PÓS-QUEIROZ – No dia seguinte, ocorreu a prisão de Fabrício Queiroz. A partir daí, Bolsonaro moderou suas palavras e atitudes. Na última semana do mês, já com a nova postura consolidada, as interações dos posturas dos nove influenciadores caíram para 7 milhões.

— À medida que o Bolsonaro não polemiza, o grupo perde o fio condutor da narrativa nas redes e encontra dificuldade em se manter coeso — afirma Pedro Bruzzi, diretor da Arquimedes.

Foram analisadas as publicações feitas pelos youtubers Bernardo Küster, Allan dos Santos, Paula Marisa e Leandro Ruschel, pelo procurador Ailton Benedito, pelos perfis @taoquei1 e @isentoes1 e pelos deputados Carla Zambelli (PSL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

BOLSONARO TAMBÉM CAI – A Arquimedes também constatou que as menções gerais ao nome de Bolsonaro caíram 27% no mês de junho em relação a maio, de 28,7 milhões para 20,4 milhões.

Sem as suas falas para pautar o debate, Bolsonaro viu os influenciadores de sua rede se empenharem em cobranças ao governo, muitos descontentes com o tom mais institucional adotado. O youtuber católico Bernardo Küster foi um dos mais críticos. Cobrou o presidente em vídeo no mês passado e deixou clara sua contrariedade com a queda de Abraham Weintraub, que tinha afinidade com os olavistas, do Ministério da Educação.

— Bolsonaro, não adianta gritar “acabou porra” e não fazer nada. Você sangra e mostra fraqueza para os inimigos. Um dos seus ministros mais alinhados, que foi carregado nos braços do povo quando foi depor na PF, este ministro deixa o governo porque não foi feito nada.

DISSE OLAVO = No começo de junho, o próprio Olavo de Carvalho havia xingado o presidente Jair  Bolsonaro em vídeo. Na postagem, ele ainda ameaçou:

— Continue inativo, continue covarde, eu derrubo essa merda desse seu governo.

Para o analista Pedro Bruzi, porém, as postagens podem ter cobranças, mas estão longe de indicarem um caminho de ruptura.

— Não há nenhum sinal de rompimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA explosão de Olavo de Carvalho foi por falta de dinheiro, mas esse problema parece que Abraham Weintraub vai resolver na América. Vamos aguardar. (C.N.)

Espadachim do absurdo, Bolsonaro desafia os médicos e a ciência, em nome da cloroquina

Diagnosticado com Covid-19, Bolsonaro publica vídeo tomando cloroquina

Bolsonaro é uma espécie de garoto-propaganda da clooroquina

Pedro do Coutto

O Globo e a Folha de São Paulo manchetaram suas edições de hoje destacando a atitude desafiadora do presidente Bolsonaro ao anunciar que havia contraído o coronavírus e que decidiu recorrer a cloroquina, droga não aceita pelos médicos ouvidos pelo assunto, que alertaram inclusive para os efeitos colaterais. Mas o presidente da República foi em frente e chegou ao ponto de minimizar a pandemia que, no Brasil, já contaminou mais de 1 milhão e 600 mil pessoas das quais cerca de 67 mil morreram.

A percentagem é a melhor prova da gravidade da virose, que, aliás, se tornou um trágico fenômeno mundial. A matéria de O Globo não está assinada. A da FSP por Ricardo Della Coletta, Gustavo Uribe e Daniel Carvalho.

EXCENTRICIDADE – Na minha opinião Bolsonaro tem um impulso que o leva a excentricidade característica de personalidades que sentem prazer em inverter o óbvio ululante de Nelson Rodrigues. Antes do Covid 19, Bolsonaro também assumiu atitudes que levam a perplexidade, como nos casos, por exemplo da escolha de Weintraub para o Ministério da Educação e depois em relação a sua indicação para o Banco Mundial. Há uma série de outros exemplos que considero desnecessário citar tão múltiplos eles são.

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RELATOR CONFUNDE LIBERDADE E ANONIMAT0

Reportagem de Paola Soprana, edição de hoje da Folha, inclui uma entrevista de David Kaye, relator na ONU, à manifestação brasileira sobre a matéria. A representação do Brasil é aquela que atua em Genebra, dirigida à ONU visando à proliferação também das fake news. David Kaye, na minha opinião, enfocou mal o debate. Não se trata, como ele sustenta, de um avanço contra a privacidade das mensagens e contra a liberdade de expressão. Trata-se, isso sim de combater o rechaçar o anonimato. Ninguém de bom senso pode se opor à liberdade de expressão, mas pessoa alguma pode também defender o anonimato, tese básica de Kaye.

Mesmo porque, como é o caso brasileiro, e acredito que de todos os países democráticos, a lei garante o direito de resposta. A lei prevê igualmente o direito dos ofendidos a processar os autores das ofensas por injúria, calúnia e difamação.

USO ILEGAL – Dentre as questões legais, os poderes públicos podem também processar os autores que usam a internet para pregar a desordem, pedofilia, exploração sexual, e a colocação de sombras que envolvem o sadismo e o masoquismo. David Kaye, para mim, encontra-se mal informado, assumindo uma posição negativa e, ao mesmo tempo, singularmente excêntrica.

No caso dos robôs, incluindo as fake news, os pensadores eletrônicos têm dono e responsável humano pelo seu trabalho falso, portanto, desumano.

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DESONERAÇÃO FISCAL PARA EMPRESAS                

Marcelo Corrêa e Geralda Doca, O Globo desta quarta-feira, focalizam as reações ao veto de Jair Bolsonaro à prorrogação de desonerações fiscais.

Rodrigo Maia defende que a equipe econômica de Paulo Guedes apresente uma proposta capaz de conciliar as posições em choque.

A emenda apresentada pelo Legislativo tem como objetivo evitar novas demissões no mercado de trabalho. Entre as empresas beneficiadas pela desoneração encontram-se os setores da construção civil e a indústria automobilística, de comunicações no qual, penso eu se incluem os jornais, emissoras de rádio e televisão.

DESONERAR A FOLHA – A senadora Simone Tebet disse que o Ministro Guedes quer desonerar a folha somente dentro da reforma tributária. Nessa reforma, por exemplo as empresas deixariam de contribuir para o INSS com base de 20% sobre as folhas de salário e passariam a pagar sobre o faturamento, numa escala entre 1 a 4%.

Para mim, se tal mudança for transformada em lei, no dia seguinte explodiria a Previdência Social em nosso país.

Conselheiros cobram demissão de aliado de Aras após fala sobre atuação ‘ilegal’ de forças-tarefa

Braço-direito de Aras ‘distanciou-se das fronteiras de seu cargo’

Paulo Roberto Netto
Estadão

Quatro subprocuradores que integram o Conselho Superior do Ministério Público Federal cobraram ao procurador-geral da República Augusto Aras que avaliasse a ‘oportunidade e conveniência’ da permanência de seu braço-direito, o subprocurador Eitel Santiago de Brito, no cargo de Secretário-Geral da Procuradoria.

O ofício foi encaminhado após Eitel Santiago conceder entrevista à emissora CNN Brasil na qual relata que ‘as forças-tarefa do MPF funcionam, por vezes, de forma ilegal’ e que prisões na Lava Jato foram usadas ‘como instrumento de tortura’ para forçar delações premiadas. Em outro momento, o braço-direito de Aras disse que adversários do presidente da República ‘precisam compreender que foi Deus o responsável pela presença de Bolsonaro no poder’.

DESCONFORTO – “Faz-se absolutamente imperativo assinalar a discordância e o profundo desconforto que tais colocações do Secretário-Geral Eitel Santiago de Brito Pereira – verbalizadas ao arrepio de suas funções administrativas – estão causando no seio da instituição, implicando, em muitos aspectos, indevida ingerência na esfera de atuação de outros órgãos que compõem o Ministério Público Federal”, afirmam os subprocuradores Nicolao Dino de Castro e Costa Neto, Nívio de Freitas Silva Filho, José Adonis Callou de Araújo Sá e Luiza Cristina Fonseca Frischeisen.

Segundo eles, a fala de Brito sobre ‘atuação ilegal’ das forças-tarefa, incluindo a Lava Jato, ‘alimenta, de maneira perigosa e indevida’, dúvidas quanto à legalidade da atuação do Ministério Público Federal e afeta ‘seriamente a imagem da instituição’.

Os subprocuradores dizem que o braço-direito de Aras ‘distanciou-se das fronteiras de seu cargo’ e realizou juízo de valor sobre a ação da Procuradoria, sugerindo ‘de forma equivocada’ que a Secretaria-Geral poderia exercer função de controle das medidas criticadas. “Por fim, o Secretário-Geral do Ministério Público Federal manifesta, de um lado, desapego à premissa que o Estado é laico, confundindo sua fé pessoal religiosa com assuntos de atuação instituição do MPF”, afirmam.

APOIO POLÍTICO – “Por outro lado, explicita posição de apoio politico-partidário, o que se afigura inadequado com o exercício de alta função na administração superior do Ministério Público Federal”.Crise. A entrevista de Brito foi realizada em meio à crise interna dentro da Procuradoria envolvendo a força-tarefa da Lava Jato, que acusa a aliada de Aras, a subprocuradora Lindôra Araújo, de conduzir uma ‘diligência’ para obter informações sigilosas da operação. A PGR nega.

Aras já declarou que continuará em busca dos dados sigilosos, apontando que decisões passadas do ex-ministro Sérgio Moro na Lava Jato e da juíza substituta Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba, autorizam o compartilhamento dessas informações. Em ofício enviado em maio, o PGR pediu às forças-tarefa da Lava Jato enviaram cópias de dados eleitorais, de câmbio, de movimentação internacional, além de relatórios de inteligência financeira, declarações de impostos de renda e base consolidadas de informações.

Em resposta, a Lava Jato Paraná afirmou que as decisões de Moro e Hardt ‘não permitem que o compartilhamento ou acesso aconteça sem objeto específico ou indicação das provas e procedimentos cujo compartilhamento é pretendido’.

UNIFICAÇÃO – A briga ganhou novo capítulo após projeto apresentado ao Conselho Superior do Ministério Público Federal propor a unificação das forças-tarefas em uma única Unidade Nacional Anticorrupção (Unac). Uma das medidas previstas no texto em discussão é a centralização das bases de dados da Lava Jato por uma secretaria ligada à PGR.

O relator da proposta, subprocurador Nívio de Freitas, que assina o ofício contra o braço-direito de Aras, foi contra o compartilhamento irrestrito de dados da Lava Jato com a Procuradoria-Geral da República (PGR). “Qualquer estrutura que se criar tem de ser de dar suporte ao procurador natural, para evitar que haja qualquer contaminação política na instituição”, disse.

Prometeram, mas não cumpriram: Delatores da Lava Jato devem R$ 125 milhões em multas

Charge do Alpino (Arquivo do Google)

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
G1 / TV Globo

Delatores da Operação Lava Jato que assinaram termos de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República estão em atraso com o pagamento de R$ 125 milhões em multas previstas nos acordos. Ao todo, 26 colaboradores estão inadimplentes.

As multas são definidas durante a celebração dos acordos entre as defesas e o Ministério Público Federal. A medida tem como objetivo reparar os cofres públicos e prevenir novos ilícitos. O valor é definido com base nos crimes admitidos pelo colaborador.

PROVIDÊNCIAS – De acordo com a PGR, quando há colaboradores inadimplentes são abertos procedimentos administrativos para cobrar a dívida. Nos casos em que o pagamento não é feito, o Ministério Público Federal pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) que determine providências para garantir o cumprimento dos acordos.

A PGR tem 184 colaboradores na Operação Lava Jato que se comprometeram a pagar R$ 1,1 bilhão em multas. Segundo dados do Sistema de Monitoramento de Colaboração Premiada (Simco) obtidos pela TV Globo, já foram pagos R$ 790 milhões, e as parcelas a vencer somam R$ 259 milhões.

A Procuradoria não revela quem são os delatores inadimplentes, mas a questão está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal (STF) por alguns delatores em casos específicos — e o cenário tem sido desfavorável a eles.

DÍVIDA – Os executivos da NM Engenharia Luiz Fernando Nave Maramaldo e Nelson Cortonesi Maramaldo definiram uma multa de R$ 20 milhões em seus acordos e devem juntos R$ 14 milhões. Os delatores defenderam no STF a repactuação do cronograma de pagamento de multas. A intenção era conseguir prorrogar as parcelas até 2037.

Um dos argumentos apresentados ao Supremo é que a Lava Jato atingiu os negócios e, consequentemente, a receita da empresa. A PGR rejeitou um novo acordo. Relator da Lava Jato no STF, o ministro Edson Fachin fixou multa de 20% pela inadimplência, o que atinge todas as parcelas vencidas e que não foram quitadas dentro do prazo. Procurada, a defesa dos colaboradores não quis se manifestar.