Moro condena ex-dirigente da Transpetro a 12 anos e seis meses de prisão

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Um a um, Moro vai detonando os corruptos da Petrobras

Julia Affonso e Fausto Macedo
Estadão

O juiz federal Sérgio Moro condenou nesta segunda-feira, 25, o ex-gerente de Suporte Técnico de Dutos e Terminais Norte-Nordeste da Transpetro José Antônio de Jesus a 12 anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. O magistrado fixou o regime fechado para cumprimento de pena.

José Antônio de Jesus foi acusado pela força-tarefa da Operação Lava Jato de receber R$ 7,5 milhões em propinas, pagas pela empresa NM Engenharia entre 2009 e 2014. Os subornos, segundo o Ministério Público Federal, eram pagos em função de licitações, contratos e aditivos firmados entre a NM Engenharia e a Transpetro e correspondiam a 0,5% dos 49 contratos e 14 aditivos, que totalizaram aproximadamente R$ 1,5 bilhão.

OUTROS RÉUS – Na mesma sentença, foram condenados o empresário Luiz Fernando Nave Maramaldo, da NM Engenharia, e o engenheiro Adriano Silva Correia – 3 anos e dez meses em regime aberto por lavagem de dinheiro.

Como é delator, Luiz Fernando Maramaldo não vai cumprir a pena de 11 anos e oito meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro imposta por Moro. O juiz da Lava Jato adotou a pena acertada no acordo do empresário com a Procuradoria-Geral da República.

Sérgio Moro decretou, ’em decorrência da condenação pelo crime de lavagem’, a interdição de José Antônio de Jesus e Adriano Silva Correia ‘para o exercício de cargo ou função pública ou de diretor, membro de conselho ou de gerência das pessoas jurídicas referidas no art. 9º da mesma lei pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade cominada pelo crime de lavagem’. A sanção não se aplica a Luiz Fernando Maramaldo, delator.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizia David Nasser, falta alguém em Nuremberg… E o nome dele é Sergio Machado. Fez delação premiada, não entregou provas contra ninguém, conseguiu a imputabilidade dos três filhos, seus cúmplices na pilhagem. A famiglia levou R$ 200 milhões, só devolveu R$ 72 milhões, rompeu o acordo de prisão domiciliar e o Supremo não revê sua delação. Enquanto isso, os irmãos Batista, que entregaram até o presidente, estão com a delação ameaçada. Se o Supremo pode revisar a delação dos Batistas, por que não pode rever o acordo fajuto dos Machados??? (C.N.)

Gilmar solta mais um, e os jornalistas perdem a conta dos criminosos à solta

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Lauro Jardim
O Globo

Gilmar Mendes libertou mais um: na sexta-feita, o ministro do STF deferiu uma liminar determinando a libertação de Marcelo Rzezinski, um dos 33 doleiros presos na Operação “Câmbio, Desligo”, ocorrida em maio.  Já é o sexto preso da “Câmbio, Desligo” que consegue a liberdade por decisão de Gilmar.

Rzezinski já foi denunciado pelo MPF como partipante do esquema de Sérgio Cabral, por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A denúncia foi aceita por Marcelo Bretas há duas semanas. Seu irmão, Roberto, preso na mesma operação, continua em Bangu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Sinceramente, já deu para perder a conta. Ninguém sabe mais o número de presos da Lava Jato que foram soltos por Gilmar Mendes, que parece estar sofrendo de algum tipo de patologia em relação à necessidade de libertar criminosos. E o alvará de soltura tem sempre as mesmas justificativas – os presos não oferecem riscos à sociedade e os crimes foram cometidos há tempos atrás. O que mais espanta, nisso tudo, é o silêncio dos demais ministros, que continuam  assistindo impassíveis ao processo de desmoralização do Supremo, conduzida por Gilmar Mendes, com apoio velado de outros integrantes do tribunal. (C.N.)

Homologadas mais duas delações envolvendo parlamentares federais

Moraes enviou uma das delações à primeira instância

Daniela Lima
Folha/Painel

Positivo e operante, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, homologou duas delações firmadas pela Polícia Federal. Os casos, sobre parlamentares, estão sob sigilo. Ao menos um dos acordos foi chancelado antes mesmo do julgamento da semana passada em que a corte confirmou a competência da PF para fechar colaborações. O relato de um dos delatores já foi remetido pelo ministro à primeira instância, para onde os autos relativos ao caso foram baixados. O segundo caso ainda está sob a guarda do STF.

Integrantes do Supremo e do STJ acreditam que, ao autorizar a PF a firmar colaborações, o Supremo contribuiu para diluir poder que estava, até então, restrito ao Ministério Público Federal. Esses juízes esperam que os delegados mantenham uma linha mais dura nas negociações.

FÓRMULA PALOCCI –  Vários magistrados elogiaram o formato imposto ao ex-ministro petista Antonio Palocci, que fechou delação premiada com a Polícia Federal e teve os benefícios condicionados à efetividade da colaboração.

Só uma revolução espiritual pode aliviar o peso kármico que o Brasil suporta

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Ikeda e Toynbee concordaram sobre a força do karma

Leonardo Boff

A amplitude da crise brasileira é de tal gravidade que nos faltam categorias para elucidá-la. Tentando ir além das clássicas abordagens da sociologia crítica ou da história, tenho-me valido da capacidade elucidativa das categorias psicanalíticas da “sombra” e da “luz” generalizadas como constantes antropológicas, pessoais e coletivas. Ensaiei uma compreensão possível que nos vêm da teoria do caos, capítulo importante da nova cosmologia, pois deste caos, em situação de altíssima complexidade e jogo de relações, irrompeu a vida que conhecemos, inclusive a nossa. Esta mostrou-se capaz de identificar aquela Energia Poderosa e Amorosa que tudo sustenta, o Princípio Gerador de todos os Seres e abrir-se a Ele em veneração e respeito.

Pergunto-me que outra categoria estaria no repositório da sabedoria humana que nos poderia trazer alguma luz nas trevas nas quais estamos todos mergulhados. Foi então que me lembrei de um diálogo instigante entre o grande historiador inglês Arnold Toynbee e Daisaku Ikeda, eminente filósofo japonês (cf. “Elige la vida”, Emecé. B.Aires 2005) que durou vários dias em Londres.

REALIDADE DO KARMA – Ambos creem na realidade do karma, seja pessoal, seja coletivo. Prescindindo das várias interpretações dadas a ele, me parecia ter encontrado aqui uma categoria da mais alta ancestralidade, manejada pelo budismo, hinduismo, jainismo e também pelo espiritismo para explicar fenômenos pessoais e coletivos.

O karma é um termo sânscrito originalmente significando força e movimento, concentrado na palavra “ação” que provocava sua correspondente “re-ação”. Este aspecto coletivo pareceu-me importante, por que, não conheço (posso estar equivocado) no ocidente nenhuma categoria conceptual que dê conta de um sentido de devir histórico de toda uma comunidade e de suas instituições nas suas dimensões positivas e negativas. Talvez, devido ao arraigado individualismo, típico do Ocidente, não tenhamos tido as condições de projetarmos um conceito suficientemente abrangente.

MARCAS DA VIDA – Cada pessoa é marcada pelas ações que praticou em vida. Essa ação não se restringe à pessoa, mas conota todo o ambiente. Trata-se de uma espécie de conta-corrente ética cujo saldo está em constante mutação consoante as ações boas ou más que são feitas, vale dizer, os “débitos e os créditos”. Mesmo depois da morte, a pessoa, na crença budista, carrega esta conta por mais renascimentos possa ter, até zerar a conta negativa.

Toynbee dá-lhe outra versão que me parece esclarecedora e nos ajuda entender um pouco nossa história. A história é feita de redes relacionais dentro das quais está inserida cada pessoa, ligada com as que a precederam e com as presentes. Há um funcionamento kármico na história de um povo e de suas instituições consoante os níveis de bondade e justiça ou de maldade e injustiça que produziram ao largo do tempo. Este seria uma espécie de campo mórfico que permaneceria impregnando tudo.

RENASCIMENTOS – Não se requer a hipótese dos muitos renascimentos porque a rede de vínculos garante a continuidade do destino de um povo (p. 384). As realidades kármicas impregnam as instituições, as paisagens, configuram as pessoas e marcam o estilo singular de um povo. Esta força kármica atua na história, marcando os fatos benéficos ou maléficos. C.G.Jung, em sua psicologia arquetípica, notara, de alguma forma, tal fato.

Apliquemos esta lei kármica à nossa situação. Não sera difícil reconhecer que somos portadores de um pesadíssimo karma, em grande escala, derivado do genocídio indígena, da super-exploração da força do trabalho escravo, das injustiças perpretadas contra grande parte da população, negra e mestiça, jogada na periferia, com famílias destruídas e corroídas pela fome e pelas doenças.

REVOLUÇÃO ESPIRITUAL – A via-sacra de sofrimento desses nossos irmãos e irmãs tem mais estações do que aquela do Filho do Homem quando viveu e padeceu entre nós. Excusado é citar outras maldades.

Tanto Toynbee quanto Ikeda concordam nisso: ”A sociedade moderna (nós incluídos) só pode ser curada de sua carga kármica, através de uma revolução espiritual no coração e na mente (p.159), na linha da justiça compensatória e de políticas sanadoras com instituições justas. Sem esta justiça mínima, a carga kármica não se desfará. Mas ela sozinha não é suficiente. Faz-se mister o amor, a solidariedade a compaixão e uma profunda humanidade para com as vítimas. O amor será o motor mais eficaz porque ele, no fundo “é a última realidade” (p.387).

Uma sociedade incapaz de efetivamente amar e de ser menos malvada, jamais desconstruirá uma história tão marcada pelo karma. Eis o desafio que a atual crise nos suscita.

DE CRISE EM CRISE – Não apregoaram outra coisa os mestres da humanidade, como Jesus, São Francisco, Dalai Lama, Gandhi, Luther King Jr e o Papa Francisco? Só o karma do bem redime a realidade da força kármica do mal.

E se o Brasil não fizer essa reversão kármica permanecerá de crise em crise, destruindo seu próprio futuro.

Indefinição política causa tensão no mercado, afirma o presidente da Bolsa

Finkelsztain repete a mesma conversa de sempre

Ana Paula Ragazzi

Há um ano, Gilson Finkelsztain preside a B3, que nasceu após a união da Bolsa paulista, a BM&FBovespa, que concentra negociações de ações e derivativos, com a Cetip, líder em operações com títulos de renda fixa. Ele era presidente da Cetip, e a sua chegada à B3 representou uma renovação para o mercado de capitais brasileiro.

Ela coincidiu com a saída de Edelmir Pinto, que liderou a BM&FBovespa por dez anos e era o último representante de peso de uma Bolsa antiga, que funcionava como um clube que subsidiava os negócios de seus donos, os proprietários de corretoras de valores. 

Mas já faz dez anos que a Bolsa brasileira se transformou em uma empresa que busca o lucro para seus acionistas e não tem um controlador definido. A renovação trazida por Finkelsztain passa pelo reconhecimento de que falta à B3 se aproximar do mercado. 

As últimas semanas têm sido o período mais turbulento do mercado desde que o senhor assumiu a B3. A que atribui os dias difíceis?
Discutimos isso internamente, e a nossa conclusão foi que o cenário internacional está, sim, impactando todos os emergentes, mas, aqui, o mercado está nervoso muito mais por causa da indefinição do processo político. Eu diria que entre 60% e 70% do nervosismo está ligado às eleições. Ainda não sabemos quem são os candidatos e não há nenhum comprometimento dos nomes possíveis com uma agenda mínima para o mercado de capitais. Buscar esse comprometimento será nossa bandeira. 

 
O sr. vê algum nome que possa se comprometer com isso?
Estamos iniciando as conversas com os pré-candidatos agora. Em setembro, faremos um congresso com a Anbima (associação dos participantes do mercado) e esperamos ter nele um painel com os escolhidos para ministros da Fazenda pelos candidatos. Entregaremos a eles uma agenda mínima para o desenvolvimento do mercado. Nunca tivemos um momento tão propício para isso aqui, com juros nas mínimas históricas, inflação baixa e retomada do crescimento. Eu diria que os astros se alinharam, não fosse o cenário eleitoral desafiador, que eleva a preocupação com o lado fiscal.

Por que o sr. coloca menor peso no cenário externo?
Estamos falando de um movimento de normalização dos juros internacionais, que estão próximos a zero já há dez anos. Isso não é o fim do mundo, é o reflexo de que o mundo está crescendo, o que é positivo para o Brasil. Óbvio que, se esse movimento de alta das taxas não for muito bem administrado pelos bancos centrais dos países desenvolvidos, os emergentes podem sofrer com a saída de recursos.

A dosimetria é uma preocupação, mas esse poderia ser um doce problema. 

Apesar da depreciação dos ativos brasileiros, a Bolsa tem batido recordes de negociação.
De fato, os volumes dos últimos 30 dias foram fantásticos, recordes tanto em ações quanto em derivativos, como os contratos de dólar futuro. A única preocupação que tenho é que, quando a volatilidade cresce muito, como estamos vendo, em seguida a negociação tende a diminuir, porque os investidores enxergam risco maior e reduzem suas apostas. Depois de recordes, a preocupação é com alguns meses de volume menor.

Novamente existem conversas entre investidores para a criação de uma nova Bolsa no Brasil. Como a B3 vê isso?
A competição no nosso setor já é global. Quando foi criada a B3, nos comprometemos com os reguladores a abrir nossa infraestrutura, como a central depositária, para um eventual concorrente. Estamos preparados para isso. Mas uma nova Bolsa é relevante para o mercado quando há crescimento, um volume maior de negócios. Eu prefiro ter 80% de participação em um mercado de R$ 25 bilhões a ter 100% de um mercado de R$ 10 bilhões. Faz sentido a competição vir, mas desde que haja esse crescimento. O que vemos no cenário externo é que é normal ter poucos participantes, porque, se você tem muitas Bolsas sem contrapartida para volume, o custo para o mercado aumenta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
É sempre a mesma conversa fiada. Quando se aproximam as eleições no Brasil, o dólar sobe, os investidores ficam apreensivos, a Bolsa cai, uma chatice. Para quem acredita em coincidência, é um prato feito. (C.N.)

Diante da omissão do Governo, a Congresso e a Justiça operam contra o país

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Charhe do Nani (nanihumor.com)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Em meio a tantas incertezas na economia e na política, o Banco Central e o Tesouro Nacional se anteciparam em avisar os investidores que estão prontos para conter qualquer movimento atípico do mercado na próxima semana. A determinação é reduzir ao máximo a volatilidade que vem causando prejuízos aos poupadores, sobretudo os de classe média, grandes financiadores da dívida pública por meio de fundos de investimentos.

Ao mesmo tempo em que informou que venderá, nesta segunda-feira, US$ 3 bilhões com compromisso de recompra (leilão de linha), o BC destacou que fará uma oferta de títulos que estão em sua carteira como forma de auxiliar o Tesouro na tarefa de equilibrar o mercado de dívida.

EM QUEDA – O valor dos papéis emitidos pelo governo está despencando, reduzindo o patrimônio de quem tem dinheiro aplicado, inclusive em fundos de previdência. Muita gente está assustada.

A percepção dentro do governo é de que o nervosismo entre os investidores está longe de acabar. Ainda que a pressão em cima do Banco Central para aumentar os juros tenha diminuído depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a taxa Selic em 6,50% ao ano, a desconfiança continua latente. Do ponto de vista doméstico, há um mar de dúvidas sobre as eleições que se aproximam. Não há, até, agora, nenhum candidato com um projeto consistente de governo para tirar o país do atoleiro em que se encontra.

FORÇA DOS LOBBIES – A inflação voltou a dar as caras, o dólar continua apontando para cima, a despeito das intervenções do BC no mercado de câmbio (a oferta de contratos de swap vai continuar) e a atividade econômica perde força. Um cenário com que poucos contavam no início do ano, quando o otimismo sustentava previsões de crescimento de 3% ou mais do Produto Interno Bruto (PIB). No Congresso, todas as medidas aprovadas recentemente agravam o quadro fiscal, explicitando a incapacidade do governo de conter os lobbies.

Na verdade, a porta para esses projetos foi aberta pelo Palácio do Planalto, ao ceder, de forma equivocada, aos pleitos dos caminhoneiros, que pararam o país. Todos perceberam que bastava uma boa articulação no Congresso ou falar um pouco mais alto para espetar uma fatura no caixa do Tesouro Nacional.

DUAS DERROTAS – Esse mesmo movimento foi percebido no Tribunal Superior do Trabalho (TST), que impôs duas grandes derrotas aos cofres públicos. Primeiro, ao dar ganho de causa a um pequeno grupo de funcionários do Serpro cedidos ao Ministério da Fazenda. A conta será de R$ 263 milhões, sendo que alguns deles receberão, cada um, cerca de R$ 20 milhões. Segundo, ao sancionar pedido de empregados da Petrobras, que cobram indenizações que podem chegar a R$ 17 bilhões.

Como diz um aliado do presidente Michel Temer, “se já estava ruim, ficará pior ainda”. Para ele, as corporações se sentiram no direito de crescer e exigir benesses incompatíveis com a realidade do país, que luta para voltar a crescer e reduzir o desemprego.

DESPRESTÍGIO – “São sempre os mesmos grupos que enfiam a faca no Tesouro. Isso só agrava as desigualdades do país. Infelizmente, o governo, com sua popularidade próxima de zero, perdeu a incapacidade de dialogar. Ninguém mais ouve o que sai do Planalto”, afirma. Cientes disso, os investidores não economizarão na disposição para tumultuar ainda mais o ambiente.

Na avaliação dos donos do dinheiro, há pelo menos uma boa notícia para celebrar: o arquivamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do processo que poderia libertar o ex-presidente Lula da cadeia. O ministro Edson Fachin considerou prejudicado o recurso em que o petista questionava o mérito de sua condenação.

A decisão de Fachin foi tomada depois de o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) negar a admissibilidade ao recurso no qual Lula pretendia questionar sua condenação no STF. O julgamento estava marcado para terça-feira.

GRANDE  RISCO – Para os investidores, a soltura de Lula tumultuaria ainda mais o quadro eleitoral, já que, mesmo proibido de disputar a Presidência da República por causa da Lei da Ficha Limpa, poderia fazer campanha, a ponto de eleger um candidato de esquerda não comprometido com as reformas de que o Brasil tanto precisa, como a da Previdência Social.

Um executivo de um dos maiores bancos do país resumiu o sentimento do mercado: “Fachin tirou qualquer chance de a Segunda Turma do STF de cometer uma grande loucura. Esse risco era muito alto”.

O Supremo e a absolvição da senadora Gleisi Hoffmann e do marido

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Gleisi e Bernardo foram absolvidos por falta de provas

Fábio Medina Osório
Folha

O STF julgou improcedente a denúncia que imputava crimes de corrupção e lavagem de capitais contra a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann. O que se pode desde logo dizer sobre essa decisão, antes da publicação do acórdão, que será imprescindível para que se avaliem os votos e fundamentos técnicos em sua real extensão e profundidade?

A crítica construtiva e aberta da sociedade e da comunidade jurídica às decisões judiciais constitui uma fórmula de aperfeiçoamento do processo civilizatório. Cabe aos meios de comunicação e aos especialistas o escrutínio técnico, jurídico, filosófico, político e sociológico das decisões judiciais.

TRANSPARÊNCIA – Aquela máxima de que decisão judicial não se discute, apenas se cumpre, evidentemente não existe. A qualidade das decisões judiciais, sejam condenatórias, sejam absolutórias, assim como os atos do poder público, todos estão sempre sob o crivo da sociedade.

Essas análises devem transcorrer num ambiente democrático, de respeito interinstitucional. Impossível alguém simplesmente desprezar uma ordem judicial por dela discordar. Ou partir para um ataque criminoso contra as instituições, por não aceitar o entendimento de um tribunal.

Não seria de surpreender que setores radicais agredissem ministros do STF, qualificando-os com pesados adjetivos, por absolverem dirigentes petistas. Muitos líderes fizeram exatamente isso com magistrados que condenaram dirigentes petistas, e alguns chegaram a qualificar de “golpistas” tanto o Supremo quanto o Congresso, por avalizarem o impeachment.

ESTADO DE DIREITO – No entanto, a independência do Judiciário constitui um pilar da democracia. Logo, torna-se imperioso resguardar tal garantia essencial ao Estado de Direito e depositar confiança nas instituições, delas exigindo o pleno desempenho de suas funções constitucionais.

O STF tem o desafio de mostrar coerência e solidez em sua jurisprudência, uniformizando teses polêmicas no plenário. Não faria sentido que o jurisdicionado dependesse da sorte ou azar de cair numa ou noutra Turma para se encaixar em determinada tese jurídica.

O Ministério Público, por sua vez, deve reafirmar seu poder investigatório, mostrando resultados à sociedade. E atuar cada vez mais próximo da polícia e de outras instituições com espaços de investigação, para somente desencadear processos com alta probabilidade de êxito.

INDEPENDÊNCIA – O STF, no Brasil, tem se revelado um tribunal independente, apesar das críticas que possam merecer muitas de suas decisões. Numa democracia, decisões judiciais devem ser criticadas e debatidas publicamente, até para que os magistrados se aperfeiçoem. O que não se deve tolerar é o método da desconstrução das instituições.

A denúncia contra Gleisi Hoffmann, de acordo com a decisão do STF, não tinha consistência, pela falta de provas materiais de corrupção e lavagem de dinheiro. A Lei da Delação Premiada (art. 4º, § 16) determina que “nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador”.

PROVAS MATERIAIS – Não há dúvida de que ninguém pode ser condenado com base apenas em delações, mesmo cruzadas entre si. O delator tem interesse no caso e presta um depoimento parcial. Daí a importância dos elementos de corroboração, que devem ser colhidos ainda na etapa investigatória.

Quantas denúncias ainda serão julgadas procedentes ou improcedentes? Quantas carecerão de provas ou deixarão de vingar por outras razões? Quantas delações terão elementos de corroboração? Esses questionamentos emergirão à medida que o Judiciário se debruçar sobre os fatos. Será importante que todos fiquem atentos.

Um desesperado auto-retrato, na poética de Moacyr Félix

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Moacyr Félix, enredado no auto-retrato

O editor, escritor e poeta carioca Moacyr Félix de Oliveira (1926-2005) se enreda numa estranha aventura no poema “Auto-Retrato”.

AUTO-RETRATO
Moacyr Félix

Certa vez, numa aventura estranha
fugi
do estreito túmulo em que me estorcia
para uma ampliação sem fim.
Quando voltei
e senti, de novo, ferindo-me, o peso dos grilhões,
então não mais sabia quem eu era.
E nunca mais soube quem eu sou.
Talvez a sombra triste de um sonho de poeta.
Talvez a misteriosa alma de uma estrela
a guardar ainda no profundo cerne
a ilógica saudade de um passado astral.

No Brasil, 85% do eleitorado condenam as “fake news” nas redes sociais

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Charge do João Bosco (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O problema das notícias falsas nas redes sociais da internet foi objeto de duas pesquisas internacionais, a primeira da Universidade norte-americana de Columbia, a segunda do Instituto Reuters, da agência de notícias do mesmo nome. As pesquisas se basearam em 75 mil entrevistas em diversos países, e a condenação mais forte foi do Brasil, sobretudo porque os eleitores e eleitoras temem as fake news por ocasião das eleições de outubro.

Reportagem de Paula Cesarino Costa, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca o tema. A Universidade de Columbia concluiu que os próprios leitores têm de avaliar a diferença entre o que é falso e o que é matéria jornalística de fato. Kyle Pope, editor da revista daquela Universidade, informou que a agência internacional TBWA está projetando uma campanha para combater o fenômeno.

EM 37 PAÍSES – As pesquisas focalizaram a reação popular em 37 países, e concluiu que 54% estão muito preocupados com a circulação das fake news.

Para a jornalista Paula Cesarino, os resultados reforçam a credibilidade tanto dos jornais quanto das redes sociais, uma vez que essa credibilidade é a única forma possível de se enfrentar as distorções que frequentemente surgem na rede eletrônica. Enquanto a média mundial de rejeição foi de 54%, no Brasil ela se tornou muito maior em função das eleições de outubro. Reação natural porque diversos candidatos veiculam diariamente, nas 24 horas do dia mensagens a favor de uns nomes e contra outros, ao sabor da maior capacidade de injetar as informações que desejam nas telas velozes do mercado de informação e opinião. O Brasil possui uma realidade impressionante. Nosso país tem 145 milhões de eleitores e 130 milhões de usuários somente no Facebook.

DIZ FUX – A injeção de notícias falsas foi objeto de pronunciamento recente do ministro Luis Fux, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Ele admitiu a hipótese de as eleições poderem vir a ser anuladas se a falsidade de mensagens contribuir para modificar os resultados finais. A hipótese é pouco provável, sobretudo porque tem de se admitir a perspectiva de algum candidato derrotado produzir fake news apenas com intenção de anular o pleito.

A proposta de anular o leito tem precedente no Brasil de hoje. Após as eleições de 2014, o candidato tucano Aécio Neves ingressou com recurso junto ao TSE para anular o resultado das urnas. O então presidente do PSDB não se baseou em fake news, mas sim no abuso do peso da administração que ajudou Dilma Rousseff a vencer. O recurso foi julgado no final de 2015 e indeferido pelo Tribunal por 3 votos a 2.

A partir de setembro assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral a ministra Rosa Weber. A tarefa de apreciar a prática de ilegalidades, como é o caso das fake news, encontrar-se-á em suas mãos.

NO WHATSAPP – Tanto a Universidade de Columbia quanto o Instituto Reuters frisaram que é preciso ter cuidado também com Wathsapp, que no Brasil já atinge 50 milhões de usuários.

Na verdade, acho eu, é impossível estabelecer-se qualquer obstáculo na inserção de textos verdadeiros ou falsos. Impossível porque basta alguém possuir um computador e ele terá ingresso no universo geral da transmissão livre de textos, que destacam informações e opiniões. A única forma de rejeição possível está na capacidade de cada um perceber a qualidade das matérias expostas.

A explicação de tal processo depende da percepção de cada um. Pode-se não saber explicar uma situação. Mas pode se distinguir o que é verdadeiro e o que não é. E assim, com o universo de informação ampliado incrivelmente, passamos do século XX ao século XXI.

A quem interessa desmoralizar Sérgio Moro, o juiz mais patrulhado do país?

Sergio Moro

Sérgio Moro já está se acostumando a ser patrulhado

Carlos Newton

De hábitos simples, mesmo depois de sofrer sucessivas ameaças o juiz Sérgio Moro insistia em ir de bicicleta ao trabalho, correr na rua e voltar à pé do almoço em um restaurante perto da Justiça Federal. Mas aos poucos, teve que mudar a conduta e desde março de 2016 passou a andar sob proteção policial 24 horas por dia. Para oferecer proteção, a Polícia Federal disponibilizou cinco agentes e um carro, levando Moro a aposentar o Golf que dirigia. E hoje só amigos muito próximos conhecem a sua vida fora do tribunal.

Além de vigiado, o juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba é também patrulhado implacavelmente. Suas decisões processuais são vasculhadas em buscas de erros ou de segundas intenções, e a mídia tem publicado muitos textos de críticas a ele, sem a menor base factual.

PERSEGUIÇÃO – Na verdade, Moro está submetido a uma perseguição implacável. Tem de tolerar e respeitar o mau comportamento das dezenas de testemunhas de defesa de Lula, caso contrário vira alvo de ataques. Ao mesmo tempo, suas decisões sofrem críticas descabidas e até mesmo inventadas.

Agora, por exemplo, diz-se que diversos órgãos públicos (Tribunal de Contas da União, Fazenda Nacional, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Receita Federal, Advocacia-Geral da União e a Receita Federal) estão questionando um ato de Moro sobre uso de provas da Lava Jato contra delatores, porque colocaria em risco a cobrança de R$ 2,3 bi em débitos tributários.

“CARTEIRADA” – De concreto, mesmo, há apenas o ataque de um dos ministros do TCU, Bruno Dantas, que considerou a decisão de Moro como uma “carteirada”. À exceção dessa busca por 15 minutos de fama, nenhum dos outros órgãos públicos fez duras críticas a Moro, que atendeu a uma reivindicação do Ministério Público Federal.

A Procuradoria apenas solicitou que houvesse um maior controle das informações, para harmonizar o relacionamento entre os diversos órgãos públicos, de forma a evitar decisões conflitantes em relação aos acordos de delação.

Mas a imprensa caiu de pau, inventando que Moro havia “impedido” o uso de provas obtidas pela Lava Jato contra delatores. Na verdade, o juiz não proibira nada. Apenas determinou que as instituições solicitem autorização que indique o delator e a empresa cujos dados deseje obter.

UM ESCÂNDALO – A imprensa deu ares de escândalo ao fato, como se a decisão de Moro tivesse de fato a intenção de impedir o compartilhamento das informações, algo que nunca existiu nem consta do despacho dele.

“Entendemos que a decisão não tem esse alcance, mas a gente, em contato com o Ministério Público e com a própria 13ª Vara, vai solicitar um esclarecimento para que seja passado a limpo e realmente não haja nenhuma dúvida em relação a isso”, diz o coordenador-geral de Estratégias de Recuperação de Créditos da Procuradoria-Geral da Fazenda, Daniel de Saboia Xavier, colocando as coisas no seu devido lugar.

De tudo isso, ficam no ar duas instigantes indagações. A quem interessa desmoralizar o juiz Sérgio Moro? E por que a imprensa embarca com tanto entusiasmo nessas canoas furadas?

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P. S.
Segundo o juiz Moro, é necessário proteger de sanções excessivas de outros órgãos públicos o colaborador ou a empresa leniente, para não desestimular a própria celebração de acordos de delação. E a Procuradoria-Geral da República, que solicitou a decisão de Moro, compartilha esse entendimento. (C.N.)

 

O jogo perigoso permanente mostra o caráter impulsivo de Donald Trump

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Charge sem autoria, reproduzida do Google

Sérgio Abranches
Do G1

No futebol, o jogo perigoso tem gradações de gravidade, mas sempre indica uma ação temerária, imprudente ou de alto risco para a integridade do outro. Não tenho dúvida de que o presidente Donald Trump usa e abusa do jogo perigoso nas decisões de política interna e externa. No caso mais recente — e escabroso — de separação forçada de pais e filhos detidos por imigração ilegal, Trump levou ao limite seu jogo perigoso, aproximou-se da agenda dos setores mais extremistas da sociedade, assumiu riscos muito altos de danos à integridade física e psicológica.

Prender imigrantes como se fosse criminosos comuns, separá-los de suas crianças, detidas em gaiolas, é mais que uma afronta humanitária, é um ato de discriminação violento e supremacista. Mas não é necessariamente uma atitude derivada da adesão à ideologia dos neonazistas ou dos supremacistas brancos.

POR IMPULSO – Trump decide por impulso, como ele mesmo tem reconhecido. Esses impulsos revelam, no caso, sentimentos de repulsa e desprezo pelos “não-americanos” que se aproximam perigosamente desses valores. A decisão impulsiva é, por definição, uma ação realizada com um grau inadequado de deliberação, previsão e autocontrole. Ela revela incapacidade de controle emocional e uma superestimação de sua competência e qualidade dos julgamentos que faz.

Em estudo clássico da psicologia, Justin Kruger e David Dunning explicam que as pessoas impulsivas não apenas chegam a conclusões erradas e fazem escolhas infelizes, mas não têm a capacidade cognitiva de reconhecer seus erros.

São pessoas emburradas, com vocabulário pobre, agressivas e que superestimam suas habilidades e seu desempenho.

TRUMP É EXEMPLO – A linguagem corporaL de Trump, seus tuítes e suas reações às críticas na imprensa e a pessoas que o contrariam, tudo confirma essa personalidade impulsiva do presidente. É, na minha opinião, uma explicação satisfatória para seu comportamento político sempre de alto risco e com um elevando teor de agressividade.

A rejeição extremada dos imigrantes, embora impulsiva, satisfez tanto as expectativas dos supremacistas brancos, que consideram os não-brancos inferiores moral e intelectualmente, como os anseios dos ultranacionalistas, que desejam uma nação exclusivamente para os americanos brancos. São todas manifestações de racismo, mas eles se julgam diferentes.

No caso dos supremacistas, o âncora alt-right da Fox News, Brian Kilmeade, sintetizou esse sentimento de superioridade, ao justificar a decisão de Trump. No Late Night Show com Steven Colbert, ele disse “goste-se ou não, essas não são nossas crianças, não é como se [Trump] esteja fazendo isso com pessoas do Texas ou de Idaho”.

IGUAL REPULSA – Os supremacistas brancos começaram discriminando negros e judeus, mas hoje vêem com igual repulsa latinos, asiáticos e ‘muçulmanos’, isto é qualquer um oriundo dos países árabes. O American Nazi Party explica, no seu site, que não é supremacista, mas separatista: “Nós acreditamos que a separação racial é o melhor para todos, brancos e não-brancos”. Eles gostam de resumir sua ideologia, com “14 palavras”: “Nós precisamos garantir a existência de nosso povo e um futuro para crianças brancas”.

Uma dissidência dos “nazi”, o Movimento Nacional-Socialista, diz que “toda imigração não-branca precisa ser evitada. Nós exigimos que se determine a todos os não-brancos residindo na America que deixem a nação imediatamente e retornem à sua terra de origem: pacificamente ou à força”

Esse é um dos perigos da política anti-imigrantes de Trump. Ela unifica a alt-right, os neonazistas e os grupos de ódio racial tradicionais, como a Klu Klux Kan.

NA CASA BRANCA – Esse nacionalismo extremado, como tem mostrado o politólogo Lawrence Rosenthal, da Universidade Berkeley, tem agora alguém, no comando da Casa Branca, que fala sua linguagem. A própria visão econômica de Trump, se assemelha muito à concepção de uma economia autárquica, que pertence à tradição da direita, inclusive na doutrina econômica original do fascismo e do nacional-socialismo (nazismo). O nacionalismo branco, ao contrário, do racismo genérico, busca uma nação branca homogênea.

 Na alt-right, as pessoas discordam de como chegar a esse objetivo, mas concordam com esse objetivo de longo prazo, explica o politólogo da Universidade do Alabama, George Hawley, autor do livro “Making Sense of the Alt-Right” (Entendendo a Alt-Right).

O perigo aumenta exponencialmente porque as atitudes de Trump têm apoio na maioria republicana que se ressente da decadência econômica de suas atividades econômicas e de seus distritos tradicionais. A maioria das facções da extrema-direita americana defende a melhoria de condição dos trabalhadores blue-collar, os operários das manufaturas tradicionais, do setor metal-mecânico. Grande parte dessas correntes adota alguma forma de populismo econômico.

DIZEM AS PESQUISAS – Nas pesquisas recentes de popularidade tradicional, Trump tem na média, desaprovação majoritária entre Democratas, de 80%, e Independentes, de 65%. Mas é aprovado por 85% dos Republicanos. Nessa identificação dos eleitores Republicanos com Trump interfere outro clássico da psicologia social, a identificação emocional que suplanta a avaliação objetiva.

É o mesmo tipo de sentimento que faz as pessoas apaixonadas por um time não admitirem a correção de um pênalti contra ele ou que alimenta a intolerância entre igrejas. Nesse caso, as pessoas são até capazes de reconhecer algo inadequado em seu time ou igreja, mas tendem a negar-lhes relevância.

Apoio emocional a uma personalidade tão controvertida tende a gerar oposição emocional, em contrapartida. Numa sociedade polarizada, esse confronto emocional incentiva a radicalização. Trump assume o risco de dividir ainda mais profunda e radicalmente a sociedade de seu país, levando-a ao limiar da violência com efeitos desestabilizadores sem precedentes pelo menos desde os anos de 1960.

PT continua preso a Lula e não consegue apresentar uma ideia para o País

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Charge do Jota A (O Dia/PI)

Vera Magalhães
Estadão de S.Paulo

Pouco antes de ser preso, numa das cenas da narrativa épica em que tentou transformar o que, na verdade, era uma derrota sem precedentes, Lula cunhou a frase segundo a qual não era mais uma pessoa, mas uma ideia. Passados mais de dois meses de sua prisão, não houve comoção nacional, minguou a vigília, as tentativas de levar a sua soltura fracassam uma a uma e o PT, seu partido, segue preso à pessoa de Lula, sem uma única ideia a apresentar ao País.

Os debates presidenciais já começaram, a despeito do calendário eleitoral oficial ter sido propositalmente empurrado para a frente. Pré-candidatos reais e figurativos se revezam em encontros com associações, entrevistas e sabatinas de imprensa e ocupam as redes sociais com estratégias políticas e esboços de propostas.

AS PROPOSTAS – Instados por jornais, portais, rádio e emissoras, expõem aos eleitores ainda muito céticos suas propostas para temas cruciais para o Brasil, como reforma da Previdência, reforma tributária, educação, segurança pública e ajuste fiscal.

O PT, por vontade própria, insiste em se ausentar deste debate. O partido que venceu as quatro últimas eleições presidenciais no País não consegue formular um programa com o qual se apresentar de novo ao eleitor depois do impeachment de Dilma Rousseff e da prisão de seu maior líder.

O PT insiste “ad infinitum” na tese segundo a qual foi vítima de um golpe envolvendo o Supremo Tribunal Federal, as duas Casas do Congresso, quase todos os partidos, a imprensa, as demais instâncias do Judiciário, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e quantas mais instituições houver. Haja perseguição!

SEM PROJETO – Os principais parlamentares petistas se abstêm de exercer seus mandatos, debater os projetos em pauta e os grandes temas nacionais. Se revezam na tribuna, nas visitas à carceragem de Curitiba e nas redes sociais com a mesma cantilena de #LulaLivre, sem perceber que esse discurso está restrito cada vez mais aos já convertidos e não terá o condão de dar ao partido um plano de futuro.

Diretamente do cárcere, Lula insiste em se fazer onipresente, não hesitando em atar o destino do partido que fundou ao seu próprio. Segura o quanto pode uma escolha que, dia após dia, se mostra irrefutável. O PT terá de escolher outro candidato, pois a candidatura de Lula será barrada pela Lei da Ficha Limpa, que ele próprio sancionou quando era presidente.

Escolher entre Fernando Haddad e Jaques Wagner implica definir por estratégias, estilos e discursos diferentes. As alianças possíveis a partir da nomeação de um ou de outro são distintas, pela característica de cada um.

IMPASSE – Alheio a isso, o partido segue como um assistente da defesa do ex-presidente, atando seu destino aos sucessivos e malsucedidos recursos para tentar tirá-lo da prisão.

A absolvição de Gleisi Hoffmann na semana que passou deu ao partido um alento de que a mesma Segunda Turma relaxaria a prisão de Lula. Mas ele durou só até sexta, quando duas notícias acabaram com a euforia petista: no mesmo dia, o TRF-4 negou a admissão de recurso extraordinário da defesa ao STF (o que fez o ministro Edson Fachin retirar um pedido da defesa da pauta de terça) e homologou a delação de Antonio Palocci.

Essas decisões mostram que, a despeito da tentativa petista de negar o que amplas e fartas investigações já comprovaram, a Justiça seguirá seu caminho. Resta ao partido optar entre acertar contas com esse passado recentíssimo – que legou ao País recessão e um escândalo de corrupção sem precedentes – e tentar engendrar algum futuro ou seguir preso a Lula. A opção, até aqui, parece ser a segunda.

Marina defende uma seleção rigorosa para nomeação dos cargos públicos

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Marina enfim começa a apresentar suas propostas

Joelmir Tavares
Folha

Marina Silva (Rede) gosta de ressaltar, sempre que pode, que sua profissão é professora —ela fez carreira na sala de aula antes de chegar à política, nos anos 1990. E será com rigor acadêmico que ela pretende tratar nomeações para cargos de confiança, se sair vitoriosa de sua terceira campanha presidencial. Seu programa de governo defenderá uma espécie de banca de seleção para candidatos. Os indicados para postos estratégicos na administração federal terão que exibir currículo compatível com a função pleiteada, capacidade de exercer o trabalho e ficha limpa.

Funcionários de carreira terão prioridade, por exemplo, em ministérios, estatais e agências de regulação.

SEM FAVORES – Gesto arriscado para a relação do Planalto com o Congresso, o combate à prática de trocar cargos por apoio político será uma evidência concreta do discurso de Marina contra o “toma lá, dá cá” que ela diz imperar no governo.

Indicações de deputados e senadores, por exemplo, poderiam continuar acontecendo. Mas os apadrinhados políticos teriam que passar pela mesma triagem imposta a candidatos de perfil técnico.

A proposta, que retoma ideia apresentada superficialmente por Marina em 2010 e em 2014, é criar comitês de busca para recrutar pessoas com qualificação, nos moldes do que faz o setor privado.

CASO DO ICMBio – No mês passado, a líder da Rede protestou contra a decisão do governo Michel Temer (MDB) de oficializar uma acomodação política na presidência do ICMBio (instituto federal de proteção ambiental).

Diante de uma série de críticas dentro e fora do órgão, o Planalto recuou da nomeação de um cientista político indicado pelo Pros que não tinha familiaridade com o setor.

A pré-candidata defende o que chama de presidencialismo de coalizão, modelo que reuniria os melhores de cada partido. Ela diz que há bons quadros em todos eles e que “os homens e mulheres de bem” não se furtariam a compor uma eventual gestão sua.

PROPOSTAS – Marina conta com um grupo da Rede e dezenas de colaboradores externos que ajudam a formular propostas em diversas áreas, da economia à segurança pública, da educação à política energética.

O trabalho é coordenado pelo ambientalista João Paulo Capobianco, assessor da presidenciável desde a gestão dela no Ministério do Meio Ambiente, no governo Lula (PT).

As regras que endurecem os critérios de indicação constam de versões preliminares do documento, que será publicado possivelmente antes do primeiro turno da eleição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGExcelente proposta de Marina Silva. É preciso moralizar a nomeação para cargos em confiança e comissionados. É um primeiro passo, excelente. (C.N.)

Desaprovação a Bolsonaro sobe para 64% e a de Alckmin já chega a 70%

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Lula tem menor desaprovação e maior aprovação

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Depois de três meses de estabilidade, a desaprovação ao pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) subiu de 60% para 64%, enquanto a aprovação caiu de 23% para 20%. Esta é a principal novidade da pesquisa Barômetro Político Estadão-Ipsos, que todos os meses analisa a opinião dos brasileiros sobre personalidades do mundo político e jurídico. Praticamente não houve mudanças nas taxas dos demais possíveis concorrentes ao Planalto.

“Bolsonaro vem mantendo esse patamar de aprovação há um ano”, disse Danilo Cersosimo, diretor do Ipsos. “É possível que seja um dado que confirme seu teto. O início da campanha eleitoral, após a Copa, vai testar a solidez dessa aprovação.”

REPROVAÇÃO GERAL – Todos os presidenciáveis seguem com taxas altas de reprovação. O que aparece em pior situação é Geraldo Alckmin, do PSDB: 70% desaprovam seu desempenho, contra 18% de aprovação.

Apesar de o Ipsos incluir o nome de possíveis concorrentes ao Planalto em sua pesquisa, o instituto não procura medir intenção de voto. O que os pesquisadores dizem aos entrevistados é o seguinte: “Agora vou ler o nome de alguns políticos e gostaria de saber se o (a) senhor (a) aprova ou desaprova a maneira como eles vêm atuando no País.”

Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) têm taxas de desaprovação de 65% e 63%, respectivamente, e estão empatados com Bolsonaro nesse quesito. Marina, porém, têm aprovação de 29%, cerca de dez pontos porcentuais acima desses dois adversários.

HADDAD NÃO DECOLA – Citado como possível substituto do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva como candidato do PT, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad tem desaprovação de 57% e é aprovado por apenas 7%.

No caso de Lula, preso desde o dia 7 de abril, a desaprovação oscilou para cima (de 52% para 54%), após dois meses de tendência de queda. O ex-presidente é aprovado por 45% – a taxa mais alta entre todos os 19 nomes apresentados pelo Ipsos aos entrevistados.

O juiz Sérgio Moro, responsável pela condenação de Lula em primeira instância, enfrenta desgaste de imagem nos últimos meses. Desde março, sua taxa de desaprovação subiu oito pontos porcentuais, de 47% para 55%, enquanto a aprovação passou de 44% para 37%.

Decisão de Fachin esfria o ânimo dos petistas, que começam a cair na real

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Sérgio Roxo
O Globo

A decisão do ministro Edson Fachin de arquivar o pedido de liberdade do ex-presidente Lula enterrou as esperanças que os petistas, embalados pela absolvição de Gleisi Hoffmann, vinham alimentando ao longo da semana de ter a sua principal liderança livre para as eleições. Se não para concorrer, pois já se enquadra lei da ficha limpa, ao menos tê-lo como um ativo cabo-eleitoral em favor de seu substituto na cabeça da chapa.

Como conduzir a campanha eleitoral com esse quadro é hoje o grande tema em discussão dentro da sigla. Há uma divisão de opiniões sobre a capacidade de Lula de transferir votos caso permaneça encarcerado em Curitiba até outubro. Para alguns caciques, o seu dom para eleger “postes” continuam intacto. Eles se fiam a isso para propagar que o candidato do partido, seja quem for, está garantido no segundo turno.

FAZER CAMPANHA – Mas aliados acreditam que a tarefa não será fácil se o ex-presidente não puder gravar programas eleitorais nem fazer comícios. O caminho para atenuar essa dificuldade seria indicar já um vice que, num futuro próximo, assumiria o posto principal da candidatura no futuro.

No seu pedido ao Supremo, a defesa de Lula pleiteava as suspensões da execução da pena de prisão e da inelegibilidade. Inicialmente, os petistas não alimentavam muitas esperanças de uma decisão favorável. Mas na terça-feira, quando a mesma Segunda Turma do STF absolveu a presidente do partido dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, o partido literalmente entrou em festa.

Numa reunião para tratar o tema no Congresso no dia seguinte, os petistas dançaram e cantaram como se comemorassem uma vitória da seleção na Copa do Mundo. Gleisi chegou a dizer que a decisão poderia ter “efeitos positivos” sobre a situação de Lula. Poucos acreditavam que os ministros da Corte livrariam Lula da inelegibilidade, mas muitos apostavam em sua soltura.

PRISÃO DOMICILIAR – Alguns dirigentes mais prudentes, porém, avaliavam uma saída intermediária, em que o STF daria ao ex-presidente o direito de cumprir pena em prisão domiciliar. A transferência para o seu apartamento em São Bernardo não seria um sinal verde para Lula fazer política, já que nessas situações as visitas ao preso são limitadas, mas, de qualquer forma, a proximidade física facilitaria as articulações do líder que sempre deu as cartas dentro da legenda.

De quebra, o partido ainda poderia desmobilizar a vigília que sofre para manter em Curitiba há dois meses e meio. Mas a decisão de Fachin acabou com qualquer esperança. Nesse caso, os petistas foram derrotados antes mesmo de a partida começar.

As “fake analysis” e o deplorável caso da jovem russa com os brasileiros

Resultado de imagem para buceta rosa e os torcedoresPercival Puggina

A mídia tradicional vem atacando, em bloco, a divulgação de notícias falsas através das redes sociais. Os próprios usuários das redes, aliás, deveriam apressar-se a fazê-lo. O notável instrumento de informação e orientação que temos na ponta dos dedos, exatamente porque democratiza o direito de opinião, não deve agasalhar práticas irresponsáveis ou criminosas.

Há algo mais nessa história, contudo. O jornalismo opinativo, que perdeu parte de seu poder com o advento das redes sociais, parece haver encontrado na pauta “fake news” o meio através do qual pretende desacreditar as redes como tais e obstar sua crescente influência.

ANÁLISES – Ora, mais do que os fatos, é a análise dos fatos que atua sobre os consumidores da informação. E que dizer das fake analysis em veículos da mídia tradicional? Sou dos poucos – pouquíssimos! – que denunciam a malignidade desse fenômeno comum, insistente, cotidiano e perigoso, observável em certos grandes veículos.

Para induzir a conclusões erradas, mas ideológica e politicamente convenientes, fatos verdadeiros são torturados nos porões das interpretações. É a versão, em relação aos eventos do tempo presente, daquilo que tantos professores promovem em relação ao passado em aulas de História.

Emitidas para produzir convencimento, essas análises fajutas atuam sobre a sociedade de modo simultâneo, fato após fato, mediante inúmeras e fontes, repetindo-se e se realimentando por longo período até que o mais desatento e infrequente ouvinte, leitor, ou telespectador não fique imune a seus efeitos.

A MOÇA RUSSA – Veja-se o caso da moça russa. Estima-se que 60 mil brasileiros estejam visitando a Rússia nestes dias de Copa. Durante uma fan fest, meia dúzia de rapazes fizeram com ela uma brincadeira de muito mau gosto, levando-a a pronunciar baixarias que a depreciavam. Não contentes com isso, expuseram o vídeo nas redes sociais.

A conduta é condenável. Os envolvidos, para tomarem vergonha na cara, deveriam passar um mês lavando a língua com água e sabão na Praça Vermelha antes de acertarem suas contas indenizando a vítima. Segundo as fake analysis, porém, a inteira população masculina do Brasil é, de algum modo, cúmplice do acontecido!

Desde que o politicamente correto tomou posse como modelo de virtudes sociais, os brasileiros do sexo masculino passaram a ser rotulados com todos os defeitos que a grossura possa suscitar. Admitam ou não, são machistas, estupradores, abusadores. Não importa que o episódio da moça, em si, seja incomum a ponto de suscitar interesse mundial e esteja desalinhado do comportamento médio dos demais turistas.

BAIXARIAS NA TV – A conduta registrada no vídeo tem muito a ver com as baixarias que invadiram as TVs comerciais brasileiras. Não surpreenderia colher-se algo assim após toda sorte de depravações a que expomos nossa juventude – inclusive nossas crianças! – em certas exposições e museus que andam por aí. Ou quando, em nome de certos lifestyles, a vida sexual sai da intimidade, vai para as calçadas e desfila em carros de som.

É quase o que se poderia esperar da falta de limites na educação familiar e de disciplina nos ambientes escolares. É o desagradável produto da tolerância, da impunidade e da ruptura dos elos que unem a liberdade com a responsabilidade. E não nos surpreenda constatar que todas essas causas, ao longo dos anos, são promovidas nas fake analysis da mesma mídia que hoje se escandaliza quando desembarcam na Rússia alguns filhos dessas e de tantas outras imoderações.

Recomendo, a propósito, a leitura do artigo do médico gaúcho Dr. Milton Pires, com o título “A menina russa: ao corpo diplomático da Rússia no Brasil e ao povo russo”. Você lerá o que a turma das fake analysis jamais escreverá.

Luiz Estevão tem 37º recurso negado por desvios nas obras do TRT em SP

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Estevão é uma espécie de “dono” da Papuda

Deu no Correio Braziliense

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) negou pedido de revisão criminal apresentado pelo ex-senador Luiz Estevão, condenado a 26 anos de cadeia pelos desvios nas obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. O processo transitou em julgado, mas a defesa pediu a reforma do acórdão que condenou o empresário pelos crimes de peculato, estelionato, corrupção passiva, formação de quadrilha e uso de documento falso. Para o Ministério Público Federal, o pedido de revisão representou “uma espécie de 37º recurso”.

O julgamento da revisão criminal começou em 15 de março, quando o relator, desembargador Maurício Kato, julgou o pedido da defesa parcialmente procedente e reduziu a pena do ex-senador de 26 para 22 anos de cadeia. O magistrado absolveu Estevão pelo crime de corrupção ativa, mas manteve as outras penas. A análise foi interrompida por um pedido de vista.

DECISÃO FINAL – Com a retomada do julgamento na última quinta-feira, os outros quatro desembargadores da 4ª Seção rejeitaram o pedido da defesa. Eles mantiveram integralmente as sanções impostas ao empresário, que cumpre as penas no Complexo Penitenciário da Papuda desde março de 2016.

Em manifestação no processo, o Ministério Público Federal alegou que os argumentos de Luiz Estevão haviam sido rejeitados em todas as instâncias. Depois de ser absolvido pela Justiça Federal de São Paulo, em 2002, o senador cassado foi condenado pelo Tribunal Regional Federal, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O processo transitou em julgado em dezembro de 2016 — Luiz Estevão foi preso nove meses antes, graças ao entendimento da Corte de que a execução da pena pode ocorrer após condenação em segunda instância.

RETARDANDO – “A presente revisão criminal não passa de tentativa de eternizar discussões que foram amplamente submetidas e examinadas pelo Poder Judiciário em todas as suas instâncias, inclusive no bojo de uma miríade de recursos”, alegou o MPF no processo. Os procuradores argumentaram, ainda, que não é cabível “a mera reiteração de teses já expostas e analisadas, especialmente se os argumentos do ex-senador foram examinados e rechaçados por todas as instâncias”.

Condenado no mesmo processo, o ex-sócio de Estevão, Fábio Monteiro de Barros, também entrou com um pedido de revisão criminal no Tribunal Regional Federal. O processo está pendente de análise no TRF3. Advogado do senador cassado, Marcelo Bessa disse que a defesa recebeu a notícia com tranquilidade. “Respeitamos as decisões judiciais. Vamos aguardar a publicação do acórdão para termos ciência do inteiro teor. Depois disso, tomaremos as medidas pertinentes”, pontuou.

FOI CASSADO – O MPF denunciou Luiz Estevão em 2000 pelo escândalo da construção do TRT de São Paulo — mesmo ano em que ele teve o mandato cassado pelo Senado. A primeira condenação veio seis anos depois, mas, graças à apresentação de 36 recursos, o empresário conseguiu postergar o início do cumprimento da pena por mais de uma década.

Com relação à pena de multa imposta pela Justiça, a Procuradoria da Fazenda Nacional informou que o débito de multa criminal ainda não foi encaminhado pela Vara de Execuções Penais do DF para cobrança. Em ações de improbidade, o Ministério Público Federal cobra de Luiz Estevão e de outros réus envolvidos no caso a devolução de recursos desviados, que, em valores atualizados, superam R$ 1 bilhão.

Deflagrada no último domingo, a Operação Bastilha identificou regalias concedidas a Luiz Estevão dentro do Centro de Detenção Provisória da Papuda, onde o senador cassado cumpre pena. Os policiais localizaram pilhas de documentos do empresário, além de pen-drives, chocolate e até uma tesoura.

Foragido, o “doleiro dos doleiros” quer negociar acordo para não ser preso

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Dario Messes está sendo caçado pela Interpol

José Marques
Folha

Foragido há quase dois meses e com ordens de prisão do Brasil e do Paraguai, o doleiro Dario Messer se diz disposto a colaborar com a Justiça, mas quer negociar condições para que possa se entregar. Sobretudo, espera ter a possibilidade de responder aos processos em liberdade, disseram à Folha seus advogados nos dois países. Procurado pela Interpol desde maio, quando a Polícia Federal no Rio deflagrou a Operação Câmbio, Desligo, seu paradeiro é desconhecido.

Em junho, Messer virou réu sob acusação de atuar em uma organização criminosa que promovia lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Antes, já havia sido citado em casos como Banestado e mensalão.

BLOQUEIO DE CONTAS – As suspeitas da Câmbio, Desligo fizeram o Ministério Público do Paraguai, onde Messer vivia, também abrir investigações e obter na Justiça o bloqueio de contas do doleiro e de suas empresas —abertas, segundo as investigações, com dinheiro ilícito.

Caso Messer se apresente à Justiça do Paraguai, terá de responder a eventual acusação no país resultante dessas investigações, o que poderia demorar anos. Depois, seria extraditado ao Brasil para prestar contas novamente à Justiça.

No entanto poderia acordar com os procuradores de Assunção uma extradição rápida, que provocaria a paralisação do processo paraguaio. Essa possibilidade de extradição célere tem sido usada pela sua defesa como carta na manga para apresentar aos procuradores em troca de condições favoráveis.

ELE QUER FALAR – “Dario está aberto e quer falar tudo o que sabe, mas não quer ter a faca no pescoço”, diz José Marcondes de Moura, advogado brasileiro de Messer.

Ele também defendeu o traficante Jarvis Chimenes Pavão, que ficou preso quase oito anos no Paraguai antes de ser extraditado ao Brasil, onde cumpre nova pena.

Moura afirma que irá pedir habeas corpus a instâncias superiores da Justiça brasileira. Ele contesta pontos da denúncia do Ministério Público Federal contra Messer, principalmente a listagem de uma ex-secretária como testemunha de acusação, por ela já ter sido denunciada por promotores acusada de estelionato.

BALA E TONY – A Câmbio, Desligo foi baseada em delação dos doleiros Vinícius Claret e Claudio Barboza, conhecidos como Juca Bala e Tony. Eles apontaram Messer como “doleiro de doleiros”, responsável por estruturar uma rede de pagamentos ilegais para outros cambistas. Chegaram a ser feitas buscas na cidade de Hernandarias, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR), onde Messer tinha residência, mas ele não foi encontrado.

Após ser considerado foragido também no Paraguai e ter seus bens bloqueados, os advogados Leticia Bobeda e Rodrigo Galeano assumiram a defesa de Messer no país.

A dupla critica a celeridade com que foi aberta a investigação contra Messer, que no país geralmente é precedida de uma pré-apuração, e o fato de não ter acesso a cópias do inquérito. Mas acrescenta que Messer estaria disposto a se apresentar e aponta possibilidades de abrir uma frente com o Brasil.

À DISPOSIÇÃO – “Ele quer se pôr à disposição da Justiça e, sim, vai se pôr à disposição da Justiça. Isso garantimos”, diz Galeano. “Mas só quando acessarmos as documentações, analisaremos as provas e armaremos uma estratégia razoável, dentro de um prazo razoável que esteja na Constituição.”

“Logicamente nada está descartado, inclusive uma negociação com o Brasil”, diz Bobeda.

A estratégia de Messer tem esbarrado no Ministério Público do Paraguai, que não deu acesso completo das investigações aos defensores porque espera que ele se apresente à Justiça. No país, processos e inquéritos contra foragidos ficam suspensos.

“IRMÃO DE ALMA” – No Paraguai, há pressão pública para que Messer seja investigado e processado, porque é amigo do presidente Horacio Cartes, que já o chamou de “irmão de alma”.

“Eles [os advogados] estão querendo estabelecer procedimentos especiais. Ele é um foragido das Justiças brasileira e paraguaia. Se não confia no Ministério Público, pode se apresentar diretamente ao juiz”, diz o procurador René Fernandez, de Assunção. Os procuradores paraguaios ainda não estimaram os valores dos bens bloqueados, mas esperam que Messer apareça para recuperar o dinheiro.

Outras três pessoas são consideradas foragidas no país: Ilan Grinspun, braço direito do doleiro, Dan Messer, filho, e Juan Pablo Jímenez Viveros, primo do presidente e sócio de Messer. Viveros tentou sacar US$ 350 mil das contas das empresas de Messer depois que as investigações foram abertas.

Estudo revela que 429 militares e policiais devem disputar estas eleições

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Charge do Henfil (Arquivo Google)

Jailton de Carvalho
O Globo

O burburinho nos quartéis e nas delegacias não deixa dúvidas: no indefinido e polarizado cenário político do país, está em formação uma onda de candidaturas de militares e policiais, um movimento sem precedentes na História recente do país. Pelos dados disponíveis até o momento, pelo menos cem militares das Forças Armadas, entre eles oito generais, deverão concorrer a um cargo nestas eleições.

Estão se movimentando também para engrossar a nova bancada da “lei e da ordem” 50 policiais federais, entre eles 13 delegados, mais de 300 policiais militares, 52 policiais civis e pelo menos 40 inspetores da Polícia Rodoviária Federal, conforme levantamento feito pelo Globo entre entidades sindicais e líderes das categorias. Os dados não são definitivos. O registro formal das candidaturas só deve ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.

NA ONDA – Militares e policiais estariam, agora, tentando surfar no sucesso de público da Operação Lava-Jato, no clima de insegurança que reina no país e até mesmo na pré-candidatura do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) à Presidência da República. O deputado tem aparecido em primeiro lugar nas pesquisas de opinião quando o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é excluído da disputa.

Ao mesmo tempo, a Segurança Pública, sempre listada esteve entre os temas que mais preocupam o eleitorado, ganhou uma nova dimensão. O último Atlas da Violência revelou que 62.517 mil pessoas foram assassinadas em 2016, um recorde na longa curva de crescimento da violência no país.

As entidades de policiais e militares calculam que o contingente de seus candidatos deve dobrar ou até mesmo triplicar nestas eleições em comparação com as de 2014.

FALA, MOURÃO -Para o general da reserva Antônio Hamilton Martins Mourão, não restam dúvidas de que o pleito deste ano terá um expressivo número de candidaturas de militares. Pelo menos dois generais vão disputar os governos de Distrito Federal e Ceará. Um terceiro deve concorrer ao governo do Rio Grande do Norte.

— Serão mais, muito mais candidaturas de militares. É aquela questão: existe uma demanda, e o pessoal resolveu participar. Até porque, se a gente quer mudar, só tem duas maneiras: ou é debaixo de pau, ou é fazendo o jogo — afirma Mourão.

DELEGADOS – O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, confirma o boom de candidaturas de policiais federais. Segundo ele, 13 delegados vão concorrer a vagas de deputados estaduais, federais e senadores. O projeto é ampliar a bancada de delegados da PF, hoje composta por apenas dois deputados federais.

— A Lava-Jato mostrou a importância do combate à corrupção. Como a PF se destacou, isso encorajou delegados, agentes, peritos e policiais de todas as áreas a concorrer — analisa o delegado.

PMs EMPOLGADOS – O presidente da Associação Nacional de Praças, Elisandro Lotin, está ainda mais empolgado. Para ele, é forte o movimento nos quartéis das polícias militares pelo país. Ele estima que mais de 300 PMs vão se candidatar.

— Vamos ter o triplo de candidaturas de militares, o que se dá por causa do caos na Segurança Pública — afirma.

Na corrida eleitoral, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) largou na frente. A entidade criou uma página na internet para promover a candidatura de seus afiliados e batizou-a de frentelavajato.com.br.

— É um dos efeitos da Lava-Jato, que deu visibilidade (à polícia) ao alcançar quem não era alcançado — diz Luis Boudens, presidente da Fenapef.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O general Mourão tem razão. É melhor fazer o jogo do que sentar o pau. (C.N.)