Weintraub presta depoimento à PF sobre declarações contra STF e apela ao direito de permanecer em silêncio

Tão expansivo na reunião e nas redes sociais, ministro ficou mudo

Thais Arbex
O Globo

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira, dia 29, no prédio do MEC. Segundo relatos feitos ao O Globo, o ministro apelou ao direito de permanecer em silêncio. A PF havia marcado o depoimento para este sábado. Porém, o próprio Weintraub pediu para antecipá-lo.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou o depoimento de Weintraub para explicações sobre sua afirmação durante reunião ministerial do dia 22 de abril, quando pediu a prisão de todo o STF. “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF. E é isso que me choca”, disse Weintraub na ocasião.

ATAQUES – A decisão de Moraes foi tomada no inquérito que investiga, desde março de 2019, ataques ao STF e aos ministros. Segundo o ministro do Supremo, há indícios de que Weintraub cometeu crimes de injúria e difamação, previstos no Código Penal, bem como quatro crimes previstos na Lei de Segurança Nacional, de 1983.

“A manifestação do Ministro da Educação revela-se gravíssima, pois, não só atinge a honorabilidade e constituiu ameaça ilegal à segurança dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, como também reveste-se de claro intuito de lesar a independência do Poder Judiciário e a manutenção do Estado de Direito”, escreveu Moraes.

FAKE NEWS – Nesta quarta-feira, o ministro Moraes autorizou uma operação da PF contra fake news e ataques ao Supremo dentro do mesmo inquérito. Além de seis deputados federais bolsonairstas, aliados do presidente, como empresários e influenciadores, foram alvos da operação.

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República também determinou que o ministro da Educação explique as declarações. A comissão deve analisar também o fato de Weintraub ter usado assessores do ministério como advogados em ações de interesse particular, conforme revelado pelo O Globo. O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) entrou com uma representação no órgão sobre o caso, mas o assunto ainda não foi analisado.

 

PF pede mais 30 dias para concluir investigações de inquérito que apura interferência política de Bolsonaro

Charge do Pelicano (humorpolitico.com.br)

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
G1 /TV Globo

A delegada Christine Machado, da Polícia Federal, pediu nesta sexta-feira, dia 29, ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 30 dias para concluir o inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro interferiu na instituição. Relator do inquérito no STF, o ministro Celso de Mello pediu ao procurador-geral da República, Augusto Aras, que se manifeste sobre o assunto.

O inquérito foi aberto pelo STF em abril, a pedido da PGR. Na ocasião, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, anunciou a demissão do cargo afirmando que Bolsonaro interferiu na PF ao demitir o então diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo, e ao cobrar a troca no comando da PF no Rio de Janeiro. Bolsonaro nega a acusação.

DEPOIMENTOS – Desde que o inquérito foi aberto, diversas pessoas prestaram depoimento, entre as quais Moro, ministros do governo, delegados da PF e um empresário. Há uma semana, se tornou público o conteúdo da gravação da reunião ministerial de 22 abril, que, segundo Moro comprova a tentativa de interferência de Bolsonaro.

Na reunião, Bolsonaro disse: “Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”.

Segundo Moro, ao mencionar “segurança”, Bolsonaro se referiu à Superintendência da PF no Rio de Janeiro. O presidente, por sua vez, disse que se referia à segurança pessoal, cuja responsabilidade é do Gabinete de Segurança Institucional.

INQUÉRITO – O inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal foi aberto há pouco mais de um mês, no dia 27 de abril, por decisão do ministro Celso de Mello.

Mello atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República, que solicitou as apurações horas depois da entrevista do ex-ministro Sergio Moro, que relatou a atuação do presidente Bolsonaro em relação à corporação.

O primeiro a ser ouvido foi o próprio Moro, no dia 2 de maio. Neste depoimento, o ex-ministro citou como prova da interferência do presidente a reunião ministerial de 22 de abril, no Palácio do Planalto. O conteúdo da reunião acabou revelado no último dia 22 de maio. A pedido da Procuradoria-Geral da República também foram ouvidos três ministros, uma deputada e policiais federais.

Bolsonaro não vetou parte do projeto anticrime para proteger o filho Flávio, diz Moro

Moro conta novas interferências de Bolsonaro na PF e vai ao ...Deu em O Globo

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro afirmou, em entrevista à revista “Crusoé” veiculada nesta sexta-feira, que o presidente Jair Bolsonaro não vetou dois pontos do projeto anticrime para proteger o filho, o senador Flávio Bolsonaro.

Segundo o ex-juiz da Lava-Jato em Curitiba, as restrições à decretação de prisão preventiva e a acordos de colaboração premiada batem de frente com o discurso contra a corrupção e a impunidade adotados por Bolsonaro na campanha eleitoral.

ABIN PARALELA – Em entrevista a Rodrigo Rangel, da revista ‘Crusoé’, ao ser questionado sobre uma ‘Abin paralela’ do presidente Bolsonaro, o ex-ministro Sérgio Moro disse que, no início do governo, houve ‘solicitações informais’ de um número ‘até significativo’ de policiais federais para atuar no Planalto

“Me chamou a atenção um fato quando o projeto anticrime foi aprovado pelo Congresso. Infelizmente houve algumas alterações no texto que acho que não favorecem a atuação da Justiça criminal. Tirando a questão do juiz de garantias, houve restrições à decretação de prisão preventiva e também restrições a acordos de colaboração premiada. Propusemos vetos, e me chamou a atenção o presidente não ter acolhido essas propostas de veto, especialmente se levarmos em conta o discurso dele tão incisivo contra a corrupção e a impunidade. Limitar acordos e prisão preventiva bate de frente com esse discurso. Isso aconteceu em dezembro de 2019, mesmo mês em que foram feitas buscas relacionadas ao filho do presidente”, afirmou Moro à Crusoé.

PEDIDO ABORTADO – Questionado sobre a suposta existência de uma “Abin paralela”, em referência à Agência Brasileira de Informação, ele disse que foram solicitados, no início do governo, “talvez” cinco policiais federais para atuar diretamente no Palácio do Planalto, sem ser externado o motivo. O pedido foi feito, segundo ele, informalmente, mas depois foi abortado.

“Isso nunca me foi colocado nesses detalhes. O que houve no começo do governo, no início de 2019, foram solicitações informais para que nós cedêssemos um número até significativo de policiais federais para atuar diretamente no Palácio do Planalto. Mas essa ideia, como foi revelado pelo falecido Gustavo Bebianno, foi abortada. Isso foi cortado. Isso não evoluiu.”

INCOERÊNCIA – O ex-ministro diz ainda que o presidente é incoerente com o discurso de campanha ao fazer alianças com parlamentares do centrão, “que não se destacam exatamente pela imagem de probidade”. Segundo Moro, a aliança tem como barrar um pedido de impeachment no Congresso.

“No que se refere à agenda anticorrupção, de fortalecimento das instituições e aprimoramento da lei para tanto, sim, e já faz algum tempo. No que se refere às alianças políticas, o discurso do presidente era muito claro no sentido de que ele não faria alianças políticas com o Centrão e agora ele está fazendo. E a culpa por isso não pode ser posta em mim, dizendo: “Olha, foi preciso fazer aliança com o Centrão cpor causa da saída do Moro”. Não, isso precedeu a minha saída. Começou antes, pelo receio do presidente de sofrer um impeachment. A motivação principal da aliança é essa”, diz o ex-juiz.

Ela valsando, só na madrugada, se julgando amada ao som dos bandolins…

Bandolins - Oswaldo Montenegro - Cifra ClubPaulo Peres
Poemas & Canções                                                                              

O cantor e compositor carioca Oswaldo Viveiros Montenegro conta que fez a música “Bandolins” para a cunhada do amigo Zé Alexandre, na época uma bailarina. A moça tinha um namorado também bailarino, mas o casal teve que se separar devido a um convite ao namorado para morar na França. Por ser menor, a família da bailarina não permitiu que ela também fosse. Oswaldo diz que, na música, tentou retratar a moça dançando sozinha. A música “Bandolins” foi gravada no LP Oswaldo Montenegro, em 1980, pela WEA, logo se transformando em um grande sucesso, alavancando, definitivamente, a carreira do então desconhecido cantor e compositor.

BANDOLINS
Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins

Bolsonaro achava (?) que podia destruir Moro, mas estava totalmente enganado

Carlos Newton

Ao chamar o juiz Sérgio Moro para integrar o Ministério, logo após a eleição, Jair Bolsonaro deu um poderoso golpe de marketing e atraiu ainda mais apoio popular a ser governo. Na época, o presidente eleito ficou empolgadíssimo e deu entrevista coletiva dizendo que Moro cuidaria também da segurança nacional, com carta-branca para fazer todas as nomeações necessárias.

Foi ilusão à tona, diria Johnny Alf, e Bolsonaro logo se arrependeu, porque a presença de Moro fazia com que o governo perdesse o estratégico apoio dos parlamentares do Centrão, conhecidos também como “franciscanos”, porque defendem a tese de que “é dando que se refere”, celebrizada na Constituinte por um dos criadores do grupo, o deputado ruralista Roberto Cardoso Alves (PFL-SP).

CLIMA PÉSSIMO – Como dizem os meteorologistas, o clima foi piorando no decorrer do período, e o presidente começou a cortaru as asas de Moro. Primeiro, tirou da pasta o poderoso Coaf (Conselho de Controle de AtividadesFinanceiras).

Moro reagiu, mas o presidente foi inflexivel. Depois, retirou o apoio ao Pacote Anticrime no Congresso e até liberou sua bancada para aprovar um projeto a favor do crime – a Lei do Abuso de Autoridade.

Completamente esvaziado, Moro continuou no governo para dar seguimento à Lava Jato, mas o presidente começou a tentar interferir na Polícia Federal –  primeiro, para blindar os filhos e a si próprio; depois, para proteger parlamentares aliados e até os amigos.

COM OS PÉS NA LAMA – Preocupado desde sempre com a reeleição, Bolsonaro não percebeu que estava metendo os pés na lama. Na verdade, cometia o mesmo erro de Lula da Silva, ao se adaptar à velha política, ao invés de tentar renová-la.

Mas o ministro Moro resistia e a Lava Jato continuava com suas operações contra a corrupção, ameaçando chegar à família de Bolsonaro e a seus novos aliados. Com isso, Moro foi se transformando no maior problema de presidente, porque Lula já está neutralizado.

A gota d’água foi Moro ter recusado apoio à cloroquina e ao fim do isolamento. Bolsonaro então resolveu destruir Moro. Foi o maior erro de sua vida. Com sua experiência jurídica, Moro está demolindo Bolsonaro sem dizer uma palavra, pois é o Supremo que está fazendo a faxina.

ublicamenteProcuradores, auditores e delegados já começaram a limpar o país e esse trabalho não será interrompido, apesar do esforço conjugado do Congresso, do Supremo e do governo.

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P.S. –
O mais importante,é que a Lava Jato continua. A nova geração de procuradores, juízes, delegados e auditores está limpando o país, e  suas operações saberão mostrar o caminho certo aos brasileiros.

P.S. – Quanto a Bolsonaro e sua trupe, deviam pedir para sair e sofrer menos. Estão submetidos hoje a uma espécie de tortura chinesa, em que a cada dia a dor aumenta. Vamos ver até quando eles conseguirão suportar. (C.N.)

Impeachment de Alexandre de Moraes não tem a menor probabilidade de ser aceito

Alexandre de Moraes rejeita novo pedido de liberdade de Lula | VEJA

Deputados investigados querem afastar o ministro do Supremo

José Carlos Werneck

Em Brasília tem-se como fadada ao fracasso a iniciativa dos deputados Carlos Jordy, do Rio de Janeiro, Cabo Júnio Amaral, de Minas Gerais, Filipe Barros, do Paraná, e Bia Kicis, do Distrito Federal, todos do PSL, que protocolaram nesta quarta-feira um pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que determinou a busca e apreensão de 29 apoiadores de Bolsonaro.

Os referidos parlamentares, da base de governo do presidente Jair Bolsonaro, são investigados no inquérito que apura a produção de notícias falsas.

PRESTAR DEPOIMENTO – Os deputados foram alvos de requerimentos aprovados pela Justiça e Moraes determinou que eles, bem como os deputados Daniel Silveira, Carla Zambelli e Luiz de Orleans e Bragança sejam ouvidos pela Polícia Federal no inquérito.

Alexandre de Moraes fixou em 10 dias o prazo para que os congressistas prestem seus depoimentos, além de determinar que sejam gravadas as postagens desses parlamentares nas redes sociais.

“Acabei de protocolar o pedido de impeachment do Ministro Alexandre de Moraes por sua censura absurda com um inquérito inconstitucional e perseguição contra opositores. Assinamos eu, Bia Kicis, Cabo Junio Amaral e Filipe Barros. Pressionem Alcolumbre para pautar o pedido”, escreveu o deputado federal Carlos Jordy.

NAS REDES SOCIAIS – A deputada Bia Kicis publicou em suas redes sociais o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e pediu que seus seguidores pressionem o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre para que ele examine a proposta.

A deputada paulista Carla Zambelli, igualmente, defendeu o impedimento do ministro do Supremo Tribunal Federal, mas será em vão, pois não há a menor possibilidade de aceitação.

Bolsonaro sanciona lei que congela salários de servidores sem reajuste desde 2014

TRIBUNA DA INTERNET | Legado de Temer: servidor federal não terá ...

Charge do Bier (Arquivo Google)

Paulo Peres

O presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou na quarta-feira (27) a Lei Complementar 173/2020, que prevê o repasse de R$ 60 bilhões aos estados e municípios para compensar parte das perdas de arrecadação prevista durante a pandemia da Covid-19. Como contrapartida, estados e municípios devem congelar os salários dos servidores até 31 de dezembro de 2021.

A decisão é generalizada e injusta, pois há diversas categorias que já estão com os salários congelados. Para os servidores do Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, a sanção presidencial significará uma redução ainda maior na qualidade de vida de ativos e aposentados, já que a categoria está com os vencimentos congelados desde 2014.

“GRANADA NO BOLSO” – A lei sancionada por Bolsonaro é a chamada “granada no bolso” dos servidores públicos, a que o ministro da Economia, Paulo Guedes, se referiu na reunião ministerial de 22 de abril. Importante lembrar que o mesmo ministro comparou os servidores a assaltantes, e já havia chamado a todos de “parasitas”.

O presidente também vetou o artigo que protegia algumas categorias do congelamento, como membros de forças de segurança, servidores da Saúde, professores e assistentes sociais, entre outras, porque geraria menos economia para o governo.

Os artigos vetados serão submetidos ao Congresso Nacional, que terá 30 dias para apreciá-los. Para que o veto seja derrubado, são necessários, pelo menos, 257 votos dos deputados e 41 votos dos senadores.

ATAQUE AO SERVIDOR – É uma clara demonstração da política de ataque ao serviço público, demonstrada claramente na política de arrocho aos servidores, o que é inaceitável, como se vê na crise do coronavírus, pois são os funcionários públicos da saúde que estão na linha de frente, arriscando suas vidas para salvar os brasileiros mais pobres, que não têm plano de saúde

No caso dos servidores do Judiciário fluminense, a medida do governo também veio para demolir todo o esforço feito pelo Sindjustiça-RJ, junto com as demais entidades que compõem o Fórum Permanente de Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Fosperj), que estava avançando na busca pela aprovação da reposição salarial neste ano.

A lei veta a contagem de tempo para aquisição de triênios e licenças-prêmio, além de proibir reajustes de quaisquer auxílios (como alimentação, transporte e educação).

Alexandre Frota cita Lula e rebate manifestações bolsonaristas : “É hora de unificar e encarar”

Frota disse que a “quadrilha digital” começou a ser desmontada

Deu no Correio Braziliense

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) usou as redes sociais, nesta quinta-feira, dia 28, para criticar manifestações bolsonaristas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) . “Acho que diante das ameaças vamos ter que ir pras ruas e vamos para guerra. É hora de unificar e encarar”, escreveu.

O parlamentar também compartilhou uma recente manifestação do ex-presidente Lula no Twitter em que citou um “aviso aos democratas do Brasil”. Na ocasião, Lula disse que os golpistas já colocaram o pé na varanda e que, se não houver reação, eles “arrombararão nossa porta”. Diante disso, Alexandre Frota comentou: “Lula está avisando”.

MILÍCIA DIGITAL – Ainda nesta quinta-feira, Frota publicou um vídeo afirmando que a “quadrilha digital” começou a ser desmontada no Brasil. “Precisamos entender que a liberdade de expressão que ele (Bolsonaro) defende é a agressão verbal e o linchamento virtual”.

“Se o STF não reagir às ameaças de Bolsonaro, podem esperar o pior”, disse. O parlamentar falou também sobre Eduardo Bolsonaro, que disse na última quarta-feira que “o problema não é mais se (haverá ruptura institucional) mas quando”. No vídeo, ele também xingou, explicitamente, Eduardo e Olavo de Carvalho. Ele encerra o vídeo chamando Bolsonaro de “frouxo, covarde e mentiroso”, além de afirmar que o presidente “usa e abusa do poder”.

Após ser alvo de operação da PF, Roberto Jefferson cobra de Bolsonaro a convocação de golpe militar

Roberto Jefferson pede a Bolsonaro ‘o poder das Forças Armadas’

Paulo Roberto Netto
Estadão

O deputado federal Roberto Jefferson, condenado no Mensalão e recentemente alvo de operações no inquérito das fake news, conclamou o presidente Jair Bolsonaro a convocar ‘o poder moderador das Forças Armadas’. O discurso distorce interpretação do artigo 142 da Constituição – leitura incorreta já feita anteriormente pelo próprio presidente.

“‘Acabou porra!’ Presidente Bolsonaro, chegou o momento, só depende do senhor. É sua iniciativa convocar o poder moderador das forças armadas, art 142 da Constituição. Essa afronta a harmonia entre Poderes, que parte do STF, nos levará ao caos. O povo anseia por isso. Contragolpe”, escreveu.

DISTORÇÃO – O dispositivo mencionado por Jefferson apenas estabelece funções, direitos e deveres dos militares no Estado Democrático de Direito e não prevê nenhuma possibilidade de ‘intervenção militar’ que possa ser convocada pelo presidente da República. Tampouco o artigo permite ao Planalto decretar o fechamento de outros Poderes em um ‘contragolpe’ com auxílio das Forças Armadas.

A declaração do deputado ocorre no dia seguinte à operação determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito que apura ‘fake news’, ofensas e ameaças contra a Corte. Jefferson foi alvo de buscas e apreensões.

INDÍCIOS – Relatórios da Polícia Federal apontaram ‘sérios indícios da prática de crimes’ cometidos pelo deputado, segundo apontou Moraes ao autorizar as diligências. “Consta dos autos que Roberto Jefferson é um dos responsáveis pelas postagens reiteradas em redes sociais de mensagens contendo graves ofensas a esta Corte e seus integrantes, com conteúdo de ódio e de subversão da ordem”, afirmou Moraes.

O relator destacou publicações do parlamentar, incluindo o tweet em que pediu ao presidente Bolsonaro que demitisse todos os onze ministros da Corte e, recentemente, a foto publicada com uma arma na qual disse estar se preparando para ‘combater’ o ‘comunismo’, a ‘ditadura’, a ‘tirania’ e os ‘traidores’.

No inquérito, o procurador-geral da República Augusto Aras se manifestou contra as buscas, mas autorizou o depoimento de Jefferson. O deputado deverá ser ouvido pela Polícia Federal nos próximos cinco dias.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Vai faltar camisa de força e espaço nas clínicas de reabilitação com tanto maluco à solta. Adélio Bispo, o inimputável, já declarou ter receio que todo esse pessoal divida o mesmo espaço com ele em pouco tempo. Não deixa de ter razão. (Marcelo Copelli)

Afinado, ministro da Justiça é um dos cotados para a “vaga evangélica” no STF, diz Bolsonaro

Vaga foi “prometida” por Bolsonaro à bancada que o ajudou a se eleger

Thays Martins
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro disse em live, na noite desta quinta-feira, dia 28, que não pretende indicar o procurador-geral da República, Augusto Aras, para uma das duas vagas que se abrirão no Supremo Tribunal Federal (STF) em breve. No entanto, revelou que o ministro da Justiça, André Mendoça, é um dos cotados para a Corte.

Para as duas vagas — que serão abertas com as aposentadorias dos ministros Celso de Mello, em novembro, e Marco Aurélio Mello, em julho do ano que vem —, o presidente disse ele analisa três nomes e que, para uma das cadeiras, será indicado um evangélico. Segundo Bolsonaro, Aras receberia a indicação se houvesse uma terceira cadeira.

NA FILA – “Se aparecer uma terceira vaga, espero que ninguém ali desapareça, mas Augusto Aras entra fortemente”, destacou. “Costumo dizer que eu tenho três nomes, não vou revelar quem é, que eu namoro, para indicar. Um vai ser evangélico, é um compromisso que eu tenho com a bancada evangélica. Alguns criticam, não tem nada a ver. Ele tem que ter conhecimento e desembocar (sic) seu papel”, disse.

“Uma pitada de cristianismo, no meu entender, é muito bem-vinda. Tem pautas que faltou ao ministro defender à luz da sua crença. Você fala questão de família, ideologia de gênero…”, disse.  Embora tenha dito que não revelaria os nomes em análise, Bolsonaro deixou escapar que um deles é o atual ministro da Justiça, André Mendonça.

“Até o André Mendonça, um dos cotados, que é evangélico, foi criticado, porque não encaminhou para derrubar um lei do município de Maringá sobre ideologia de gênero. Ele encaminhou dizendo que o município não pode legislar sobre esse assunto”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
O “requisito” para ocupar a vaga ratifica o compromisso de Bolsonaro com a bancada evangélica que acena com as faturas assumidas pelo presidente durante a campanha eleitoral. Chega a ser temerosa tamanha falta de pudor. Mas, se questionados, seus aliados provavelmente recorrerão à comparações seculares, atrelando política e religião, para justificar o quinhão ao qual reivindicam. Ao entrar com habeas corpus em favor de Weintraub, no inquérito de investigação de fake news em curso no STF, Mendonça pulou várias casas no tabuleiro de jogos de Bolsonaro. Corre por fora e tem boas chances se continuar afinado. (Marcelo Copelli) 

Moro argumenta que o Planalto tinha interesse político na libertação de Lula

Moro aponta incoerência entre discurso de Bolsonaro e suas alianças

Deu no O Tempo

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou, em entrevista à revista “Crusoé”, que o Palácio do Planalto tinha interesse na soltura de Lula, o que seria bom politicamente para o presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou ter ouvido isso quando estava no governo, mas se recusou a dizer quem teria feito essa avaliação a ele.

“O que se dizia no Planalto era que a soltura do Lula era bom politicamente para o presidente. Isso foi dito. Eu sou um homem de Justiça, um homem de lei, e não acho que um cálculo político pode ser envolvido nisso”, disse Moro, responsável pela decisão de primeira instância que levou o petista para a cadeia.

POLARIZAÇÃO – O presidente tem apostado na polarização para manter a popularidade diante de um setor da sociedade e se manter no poder. Em tese, com Lula solto, essa polarização ficaria mais evidente. Na entrevista, Moro também disse que Bolsonaro abandonou o discurso de campanha, firmou alianças que disse que não faria e deu de ombros para o combate à corrupção.

“No que se refere à agenda anticorrupção, de fortalecimento das instituições e aprimoramento da lei para tanto, sim (o governo se afastou), e já faz algum tempo. No que se refere às alianças políticas, o discurso do presidente também era muito claro no sentido de que ele não faria alianças políticas com o centrão, e ele está fazendo. E a culpa por isso não pode ser posta em mim, dizendo: ‘Olha, foi preciso fazer aliança com o centrão por causa da saída do Moro. Não, isso precedeu à minha saída. Começou antes, pelo receio do presidente de sofrer um impeachment. A motivação principal da aliança é essa”, avaliou Moro.

RACHADINHA – Ele também foi questionado se, ao não se empenhar pelo pacote anticrime e pela manutenção da prisão em segunda instância, o presidente queria proteger o filho Flávio Bolsonaro, que é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pela prática de rachadinha.

“Isso me chamou atenção porque é incoerente com o discurso. Assim como são incoerentes com o discurso as alianças recentes que o presidente tem feito com personagens do nosso mundo partidário que não se destacam exatamente pela imagem de probidade. Acho isso um tanto peculiar, porque o discurso para os eleitores é um, e a prática é outra bastante diferente”.

Após ser criticado pela comunidade judaica, Weintraub diz que tem “o direito de falar do Holocausto”

Sem noção, Weintraub confunde desrespeito com liberdade de expressão

Naira Trindade
O Globo

Criticado por órgãos e indivíduos ligados ao governo de Israel por comparar a ação da Polícia Federal de quarta-feira, dia 27, à ação da polícia política nazista na Alemanha de Adolf Hitler, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou em seu perfil do Twitter no início da noite desta quinta-feira, dia 28, “ter o direito de falar do Holocausto” e que “não precisa de mais gente atentado contra sua liberdade”.

Na publicação, Weintraub disse não falar em nome “de todos os cristãos ou judeus do mundo”, mas que apenas fala por si só. O ministro afirmou ainda ser neto de católicos e de sobreviventes dos campos de concentração nazistas e ilustrou a postagem com uma foto.

“FALO POR MIM” –  – “Não falem em nome de todos os cristãos ou judeus do mundo. Falo por mim! Tive avós católicos e avós sobreviventes dos campos de concentração nazistas (foto). Todos eram brasileiros. Tenho direito de falar do Holocausto! Não preciso de mais gente atentando contra minha liberdade !”, escreveu o ministro no Twitter.

Nesta quinta-feira, entidades judaicas pediram um basta às declarações sobre o Holocausto. A Embaixada de Israel, em Brasília, postou no Twitter que “houve um aumento da frequência de uso do Holocausto no discurso público, que de forma não intencional banaliza sua memória e a tragédia do povo judeu. Pela amizade forte de 72 anos entre nossos países, pedimos que a questão do Holocausto fique à margem da política e ideologias”.

SEM COMPARAÇÕES – Pouco antes, o cônsul-geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, escreveu que “o Holocausto, a maior tragédia da história moderna, onde 6 milhões de judeus, homens, mulheres, idosos e crianças foram sistematicamente assassinados pela barbárie nazista, é sem precedentes. Esse episódio jamais poderá ser comparado com qualquer realidade política no mundo”.

Lavi também republicou mensagens do Comitê Judaico Americano, que é a principal entidade judaica dos EUA, da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e do Museu do Holocausto de Curitiba.

O Comitê Judaico Americano repudiou a postagem feita por Weintraub, classificando-a como  “profundamente ofensiva aos judeus do mundo” e  “um insulto às vítimas e sobreviventes do terror nazista”. No Twitter, a organização ainda criticou a “repetida politização da linguagem do Holocausto por funcionários do governo brasileiro”.

PEDIDO DE DESCULPAS – Fundado em 1906, o Comitê Judaico Americano é uma das organizações mais antigas e influentes em defesa dos direitos civis de judeus e parte importante do lobby pró-Israel nos EUA. No mês passado, a associação já havia exigido um pedido de desculpas do chanceler Ernesto Araújo, que comparou o isolamento social para conter a Covid-19 a campos de concentração nazistas.

No Twitter em que comparou a ação da Polícia Federal de quarta-feira à ação da polícia política nazista na Alemanha, o ministro afirmou que a operação será lembrada como a Noite dos Cristais brasileira — um dos primeiros atos violentos cometidos por forças paramilitares nazistas contra judeus entre os dias 9 e 10 de novembro de 1938.

“Hoje foi o dia da infâmia, vergonha nacional, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira. Profanaram nossos lares e estão nos sufocando. Sabem o que a grande imprensa oligarca/socialista dirá? Sieg Heil !”, escreveu o ministro, que ainda usou uma imagem nazista para ilustrar sua publicação.

PGR pede ao STF ações contra aliados de Bolsonaro em inquérito sobre atos antidemocráticos

Parte dos atos contou com a participação de  Bolsonaro

Carolina Brígido
O Globo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu novas diligências contra aliados do presidente Jair Bolsonaro no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga manifestações antidemocráticas ocorridas em abril. Parte desses atos, em Brasília, contou com a participação do próprio Bolsonaro.

Caberá ao ministro Alexandre de Moraes autorizar ou não as medidas — que tem, entre os alvos, youtubers e influenciadores digitais. Eventual nova ofensiva pode acirrar ainda mais a relação entre o Palácio do Planalto e o Supremo.

ATOS CONTRA A DEMOCRACIA –  Diferentemente da ação da Polícia Federal, em cumprimento à ordem do Supremo, na última quarta-feira, que atingiu aliados de Bolsonaro, essas novas diligências da PGR foram pedidas no inquérito aberto no mês passado sobre os atos antidemocráticos.

Anteontem, os mandados de busca e apreensão e as quebras de sigilo bancário e fiscal de blogueiros e empresários que apoiam o presidente ocorreram nas investigações sobre fake news e ataques contra ministros do Supremo, instauradas há mais de um ano.

Na PGR, o entendimento é que medidas contra apoiadores radicais do presidente devem ser tomadas no inquérito mais recente, porque o inquérito das fake news corre sem a participação do Ministério Público. A investigação sobre os atos de abril, em contrapartida, foi aberta a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras.

DILIGÊNCIAS VIRTUAIS – A equipe de Aras foca agora em diligências virtuais, que podem pegar usuários de internet que propagam mensagens ofensivas e antidemocráticas. Há vários pontos em comum entre o inquérito das fake news e o mais recentes.

Por exemplo, dois dos investigados se repetem em ambos os casos: os deputados Daniel Silveira (PSL-RJ) e Junio Amaral (PSL-MG). Os dois inquéritos estão protegidos pelo sigilo. Portanto, a divulgação de eventual nova operação dependerá da defesa dos investigados, ou do próprio STF.

As investigações ocorrem em meio às críticas crescentes de Bolsonaro e aliados contra o Supremo. Elas têm unido os ministros na defesa de si mesmos e do tribunal. Se antes da pandemia havia desentendimentos frequentes na Corte, o clima hoje é de harmonia, com defesas públicas de decisões monocráticas de colegas.

ATAQUE – Nesta quinta-feira, Bolsonaro fez duro ataque à ação que atingiu seus aliados. “Mais um dia triste na nossa história. Mas o povo tenha certeza, foi o último dia triste”, disse o presidente, acrescentando depois:” Repito, não teremos outro dia igual ontem. Chega. Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão. Eu honro o juramento que fiz quando assumi a presidência da República”.

Anteontem, a Polícia Federal cumpriu 29 mandados de busca e apreensão no inquérito do Supremo sobre fake news. Entre os alvos, estavam o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), o blogueiro Alllan dos Santos (do site Terça Livre), o empresário Luciano Hang, a ativista Sara Winter e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

Ex-ministros da Justiça criticam habeas corpus de Mendonça em favor de Weintraub: “Aberração jurídica”

Ação de Mendonça sinaliza união do governo contra o STF

Suzana Correa
O Globo

Ex-ministros da Justiça e especialistas em Direito criticaram nesta quinta-feira, dia 28, a decisão do ministro da Justiça, André Mendonça, de entrar com habeas corpus em favor do ministro da Educação, Abraham Weintraub, no inquérito de investigação de fake news em curso no STF.

O pedido visa suspender a convocação de Weintraub para depor na Corte por ter afirmado em reunião ministerial de abril que deveriam se colocar “vagabundos na cadeia” e “começando pelo STF”. O habeas corpus foi considerado sem precedentes e duramente criticado por antecessores de Mendonça no cargo, para quem o pedido dá tom institucional e governista às graves críticas do ministro da Educação ao Supremo.

“EXTREMAMENTE GRAVE” – Ministro da Justiça durante o governo FH, Miguel Reale Júnior considera “extremamente grave” a atual defesa do ministro da Educação pelo ministro da Justiça: “É muito grave um ministro apresentar esse habeas corpus. Nunca vi nada parecido. No momento em que o faz, (Mendonça) transforma a ofensa pessoal proferida pelo ministro contra o STF em institucional: tem sua chancela de ministro e do governo, porque ele certamente não fez isso sem anuência da Presidência”, declara.

Reale acredita também que a medida é um “tiro no pé”, com efeito nulo além de acirrar tensões e mobilizar a base bolsonarista contra um adversário comum: “Não é porque ele é ministro da Justiça que o habeas corpus têm mais chances de ser aceito pelo STF. Pelo contrário, piora a situação. É um ministro da Justiça se colocando em favor de ofensas às instituições. Sinaliza que o STF é o inimigo. Nunca vi uma crise artificial tão grave”.

DEFESA PRÓPRIA – O ineditismo da medida causou, entre juristas, ampla defesa de que Weintraub utilize-se de defesa própria no inquérito. “Chamar ministros do STF de ‘vagabundos’ não pode ser ato de ofício defensável pela advocacia pública”, defende Eugênio Aragão, ministro da Justiça em 2016.”O que Bolsonaro está fazendo é apostar na disruptura da autoridade estatal”, acrescenta.

Ministro da pasta também no governo FH, o jurista José Gregori categoriza o habeas corpus de Mendonça como “mais uma aberração jurídica”: “Duvido que haja precedentes. E não houve no Brasil, onde há milhares de advogados competentes, um só que quisesse lhe patrocinar a causa?”, questiona.

O pedido protocolado por Mendonça pede suspensão da convocação de Weintraub pelo STF, defende a garantia de “liberdade de expressão dos cidadãos” e “independência, harmonia e respeito entre os poderes” e menciona pedido da Procuradoria Geral para arquivamento do inquérito sobre fake news.

DISSIMULADO – “O argumento de defesa da liberdade de expressão utilizado no habeas corpus é totalmente dissimulado. É uma vergonha que o ministro da Justiça atue para impedir investigação de um grupo criminoso organizado”, afirma Tarso Genro, ministro da Justiça e da Educação entre 2004 e 2010.

“Ele fez um arranjo e entrou com o pedido com seu nome próprio, não como ministro. Qualquer um pode pedir um habeas corpus, mas nesse caso é um desvio inaceitável de sua função de ministro. É absurdo”, diz.

Uma alteração consolidada no início de maio na jurisprudência do STF considera agora cabível habeas corpus contra ato individual de ministros da Corte, segundo o professor de Direito Constitucional da USP, Daniel Falcão. “Mas quando um assessor direto do Executivo, como o ministro da Justiça, toma essa atitude, claramente é o governo utilizando de meio do estado para defender um ministro da Educação que não está nem sendo investigado por ato de governo”, afirma.

SINTOMÁTICO – Para o professor de Direito Constitucional da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Dias, o ato tem mensagem clara: “O próprio ministro da Justiça impetrar este habeas corpus em favor de um colega ministro é sintomático. É o governo sinalizando que está coeso e unido contra qualquer órgão de controle, como o STF”.

No documento, Mendonça pede também suspensão de tudo “que seja considerado resultado do exercício do direito de opinião e liberdade de expressão”. Assim, estende a defesa para demais alvos do inquérito, como militantes e ativistas bolsonaristas que não fazem parte oficial do governo e foram alvo de medidas de busca e apreensão no âmbito do inquérito.

CONFISSÃO – “Não recordo situação em que membro do governo usasse do poderes para proteger pessoas de fora dele de modo tão escancarado. É quase uma confissão das conexões desse governo com esses disseminadores de notícias falsas. E que não tinha sido feita ainda de forma tão clara”, explica o professor de Teoria Geral do Direito da USP, Rafael Mafei.

O jurista lembra ainda que ataques ao Judiciário são ponto de inflexão presente em todas as rupturas democráticas recentes.”Hoje o governo parece disposto a jogar para essa base e reduzir o ministério da Justiça a um órgão de defesa do bolsonarismo”, diz.

Comissão de parlamentares se reunirá com Barroso para discutir sobre as eleições municipais

Barroso tomou posse nessa 2ª feira como o novo presidente do TSE

Isabella Macedo
O Globo

Após os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), confirmarem que o Congresso estuda o adiamento das eleições municipais deste ano, uma comissão de parlamentares deve ser formada ainda nesta semana e se encontrará nesta sexta-feira com o ministro Luís Roberto Barroso.

Barroso tomou posse nesta segunda-feira como o novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e comandará a Corte eleitoral. Os senadores decidiram em reunião de líderes, que não deverão votar nenhuma matéria envolvendo as eleições municipais deste ano antes do dia 30 de junho.

MANDATOS – Até lá, os congressistas vão analisar como se desenvolverá a crise do novo coronavírus e manterão conversas com técnicos do TSE para avaliar os cenários. Barroso já afirmou diversas vezes ser contra a prorrogação de mandatos ou a coincidência das eleições municipais com as gerais em 2022.

Integrante da Comissão Diretora do Senado e líder do PDT, afirmou que uma comissão de senadores e deputados irá, acompanhada de Alcolumbre, ao Tribunal para discutir o tema nesta sexta-feira.

“Ficou decidido que essa comissão, que vai junto com o presidente Alcolumbre, sentará com o ministro Barroso e também com uma comissão do TSE para conversar sobre as eleições”, afirmou o senador em vídeo.

ADIAMENTO – Na semana passada, Maia e Alcolumbre já tinham admitido a possibilidade de adiamento da eleição deste ano, que poderia ser marcada entre 15 de novembro e 6 de dezembro deste ano. Para que o dia das eleições seja alterado, é necessário aprovar uma Emenda Constitucional. A previsão das eleições no primeiro domingo de outubro é determinada pela Constituição.

Também na semana passada, Barroso afirmou que o TSE também estuda prorrogar o horário de votação, dividir em turnos de horários ou realizar o pleito em mais de um dia. A desvantagem na última opção, contudo, seria o aumento no custo da eleição.

“Há um problema nisso, que é o custo, porque as eleições envolvem o custo da alimentação de todos os mesários e de um convênio que o TSE tem com as Forças Armadas para a segurança das eleições e das próprias urnas. Eu já pedi para fazer essa conta e nós gastaríamos em torno de R$180 milhões para dividirmos as eleições em dois dias. É muito dinheiro em um momento de crise fiscal e de muitas dificuldades que o país está enfrentando”, disse o ministro.

Inquérito das “fake news” é uma inovação absolutamente inconstitucional

Inquérito do STF descobriu 'ameaças reais' contra o Supremo, diz ...

Toffoli deveria ter pedido abertura de inquérito à Procuradoria

Jorge Béja

Este inquérito que investiga ataques e ameaças contra o Supremo Tribunal Federal e seus ministros tem imperfeições tão marcantes que podem ser chamadas de “nulidades insanáveis”. Começou mal e vai terminar pior. Começou mal porque mandado instaurar por ministro do STF. Ministro do STF é juiz. E juiz não instaura inquérito. Juiz julga ações civis, penais, trabalhistas e referentes a matérias outras.

Juiz é quem está investido do poder de jurisdição. E jurisdição (“jurisdictum”) significa “que tem o poder de dizer o Direito”, mas tão só e exclusivamente nas ações que lhe são submetidas a julgamento.

ENVIAR AO MP – O máximo que um juiz pode e deve fazer, quando tem o juiz ciência de indícios ou mesmo da prática de crime ou crimes, além daquele(s) que está(ão) sob seu julgamento nos autos do processo que preside, é extrair e enviar peças e/ou informações ao Ministério Público para a instauração de inquérito policial, o que não significa ordem, determinação, obrigação da instauração do inquérito policial. Eis a letra do artigo 40 do Código de Processo Penal:

“Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e documentos necessários ao oferecimento da denúncia”.

Mas o MP não se vê obrigado a oferecer denúncia, uma vez que juiz não diz o que o MP deve ou não deve fazer. Magistratura e Ministério Público são independentes em suas ações e decisões. Não há subordinação. Menos, ainda, hierarquia.

SUGERIR INQUÉRITO – No caso de ofensas ao STF e/ou a seus ministros, que não se deram em autos de processo, mas fora deles, cumpria ao presidente da Corte enviar à Procuradoria-Geral da República tudo o que dispunha a respeito, sugerindo a abertura de Inquérito Policial a ser presidido por um Delegado da Polícia Federal.

Mas não foi isso que aconteceu. O ministro-presidente, Dias Toffoli, ele próprio instaurou inquérito(!). E ele próprio, sem sorteio, escolheu um ministro para ser o relator: Alexandre de Moraes.

E Moraes deu curso ao inquérito. Melhor dizendo, presidiu – sem poder, sem ter legitimação para tanto – o inquérito policial. Que erro crasso! E as diligências inquisitoriais (próprias do inquérito policial) foram sendo executadas por ordem, não de um Delegado da Polícia Federal que deveria presidir o Inquérito, mas por ordem do Judiciário, do ministro Moraes.

PGR FICOU DE FORA – Indaga-se: e o Ministério Público Federal, isto é, a Procuradoria-Geral da República, que detém o múnus, a legitimidade de atuar junto ao STF, onde ficou neste Inquérito no qual deveria atuar e dela (PGR) partir a sua instauração?

Ficou de fora. Ficou naquele prédio enorme lá de Brasília. E o Procurador-Geral e todos os demais ficaram em seus gabinetes.

Daí surge apenas uma pergunta a fazer: terminado este capenga Inquérito Policial e feito o Relatório final, para qual destinatário os autos serão enviados em seguida e finalmente?

Se for para o ministro Moraes, o que o ministro irá fazer, uma vez que não poderá julgar fatos e provas que o inquérito policial conseguiu reunir?

NADA PODERÁ JULGAR – Moraes nada poderá julgar, nem sozinho nem em companhia dos 10 outros ministros. A estes cabem decidir recursos e as ações judiciais da exclusiva competência da Corte, tais como Habeas-Corpus, Mandados de Segurança, Recursos Extraordinários e poucos outros mais. O que fará o ministro Alexandre de Moraes, ao receber aquele catatau de papéis que formaram os autos do inquérito policial? Esta é a pergunta.

Isto porque sem denúncia oferecida, nem Moraes sozinho nem as turmas e nem o plenário do STF poderá julgar apenas com base no inquérito policial. E denúncia só pode ser apresentada (oferecida) e subscrita no STF pelo Procurador-Geral da República.

ESTÁ FORA DE SI – Mas Bolsonaro, que ouviu falar que o este inquérito é nulo, não externa sua crítica de forma elevada, serena. Aliás, Bolsonaro nem deveria se manifestar sobre este inquérito, ainda que cheio de defeitos, porque o presidente da República nele não é parte, nele nem é investigado e nele deveria ter todo o interesse, porque os Poderes da República são independentes, mas são harmônicos.

E, por causa deste inquérito que não lhe afeta nem lhe diz respeito, JMB profere palavrões, fica descontrolado, irritado, exaltado, xinga, faz ameaça, atenta contra a Democracia. E assim perde ainda mais a razão. Razão e motivo que não tem para tanta irritação, confronto, ameaças e choques. Mas que este tal inquérito é capenga, isto é mesmo.

Moro defende inquérito das fake news : “Campanha difamatória não tem a ver com liberdade de expressão”

Moro se opôs à militância que reclama de cerceamento 

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro voltou a falar sobre o inquérito das fake news do Supremo Tribunal Federal (STF). Em seu Twitter, o ex-juiz federal defendeu que “campanhas difamatórias contra adversários, ameaças e notícias falsas não têm a ver com liberdade de expressão”.

Na última quarta-feira, dia 27, a Polícia Federal (PF) realizou buscas e apreensões contra apoiadores do presidente Jair Bolsonaro no âmbito do inquérito que apura ameaças e divulgação de informações falsas contra ministros do STF. A ação aumentou ainda mais a temperatura entre o presidente e a suprema Corte.

FOCO – O ex-ministro ainda frisou que o foco é a defesa do Estado de direito e a proteção à vida em meio à pandemia de coronavírus, dois pontos “sensíveis” nas atuais atitudes do governo de Jair Bolsonaro. ” Um debate que não pode tirar o foco do que importa agora:defender o estado de direito e a vida.Meu respeito à democracia,ao Judiciário e às famílias de vítimas da Covid.”

Moro aproveitou a situação para relembrar uma troca de mensagens entre ele o presidente sobre a Polícia Federal que já foi divulgada. Na mensagem, Bolsonaro enviou um notícia sobre inquérito das fake news na qual dizia que a investigação estava “na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas” e escreveu: “mais um motivo para a troca”, referindo-se à mudança da direção-geral da PF.

O presidente queria que o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, ficasse à frente da corporação no lugar de Maurício Valeixo. Moro pediu demissão no dia em que Valeixo foi exonerado acusando Bolsonaro de interferência política na PF. A acusação gerou um inquérito que está aberto no STF.

AUTONOMIA – “A Polícia Federal tem que trabalhar com autonomia. Que sejam apurados os supostos crimes no RJ e também identificados os autores da rede de fake news e de ofensas em massa. Diante das denúncias de interferência na PF, o Ministro Alexandre manteve os delegados que estavam na investigação”, escreveu Moro.

Celso de Mello pede manifestação da PGR sobre pedido de impeachment de Augusto Heleno

Heleno disse que a sua nota era “genérica” e que houve uma “distorção”

Rafael Moraes Moura
Estadão

O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello, decidiu encaminhar à Procuradoria-Geral da República três pedidos de investigação contra o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno.

Celso de Mello quer que o procurador-geral da República, Augusto Aras, opine sobre as petições apresentadas pelo PDT e pelas deputadas federais Margarida Salomão (PT-MG) e Natália Bonavides (PT-RN).

MANIFESTAÇÃO – “A presente comunicação nada mais traduz senão formal provocação dirigida ao Senhor Procurador-Geral da República, para que Sua Excelência, examinando o que consta dos autos, possa formar sua convicção a propósito dos fatos e, em consequência, manifestar-se (a) pelo oferecimento de denúncia, (b) pela solicitação de maiores esclarecimentos e/ou diligências ou (c) pelo arquivamento dos autos”, observou Celso de Mello em seu despacho.

O PDT quer que Heleno seja investigado por crime contra a lei de segurança nacional. Margarida e Natália, por sua vez, apontam crime de responsabilidade e infração político-administrativa contra o livre exercício do Judiciário, respectivamente.

NOTA OFICIAL – Os três pedidos de investigação dizem respeito à nota oficial do ministro Heleno envolvendo um outro despacho do ministro Celso de Mello, que encaminhou na semana passada à PGR um pedido de apreensão do celular de Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente. No caso, a solicitação foi apresentada por três partidos políticos – PDT, PSB e PV.

Na época, Heleno afirmou considerar “inconcebível” a requisição e disse que, caso seja aceita pelo Supremo, a medida poderá ter “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”. Em parecer enviado ao STF, Aras se posicionou contra a apreensão dos aparelhos, conforme o Estadão antecipou.

“O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência alerta as autoridades constituídas que tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os Poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”, disse Heleno, na semana passada.

CHANCELA – A nota assinada por Heleno foi autorizada por Bolsonaro e chancelada pelos ministros militares. “Eu olhei e falei: ‘O senhor fique à vontade’”, relatou o presidente no dia em que o comunicado do general foi divulgado. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, também endossou a nota. “A simples ilação de o presidente da República ter de entregar o seu celular é uma afronta à segurança nacional”, afirmou.

Depois da manifestação de Heleno, um grupo de 90 oficiais da reserva do Exército divulgou uma nota de apoio ao ministro do GSI, na qual atacam o Supremo e falam em “guerra civil”. Nesta quinta-feira, dia 28, Heleno disse que a sua nota era “genérica” e “neutra” e que houve uma “distorção”. “Foi uma nota completamente neutra colocando o problema em si, sem citar nomes”, afirmou Heleno.

Narrado integralmente na voz de uma criança, o thriller “Quarto” surpreende de muitas maneiras

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“É tudo real no Lá Fora. A Mãe e eu não podemos ir lá porque não sabemos o código secreto, mas assim mesmo é real”.

ATENÇÃO – O livro aqui comentando possui os seguintes gatilhos: claustrofobia; violência doméstica; estupro. (se os temas causarem desconforto ou fobia, não é aconselhável a leitura da obra citada e do texto abaixo).

A experiência com esse livro, comigo, pode ser resumida da seguinte forma: aquele livro que ficou três anos na estante, esperando para ser lido mas nunca escolhido (seria a capa? O tamanho? A sinopse?). Assim que – finalmente – foi o escolhido, surpreendeu sua leitora de diversas maneiras.

Com toda certeza todos já passaram por uma situação parecida com algum título específico. O tempo de espera pode variar, mas é sempre indefinida a sensação que justifica nossa não-escolha.

O LIVRO – Jack, de cinco anos, e sua Mãe vivem num quarto, o único lugar que ele conhece. Ele dorme no Guarda-Roupa, onde fica quando o Velho Nick visita a Mãe à noite. Jack começa a ficar cada dia mais curioso sobre sua realidade e passa a questionar a Mãe constantemente.

Quando ela elabora um plano de fuga, o menino precisa entender que terá um papel crucial nele.

NARRATIVA – Sem dúvidas é o aspecto principal do livro, o que mais chama atenção de quem o lê. A história inteira – da primeira à última página – é narrada pelo menino Jack.

A forma perfeita como a autora descreve a mentalidade de uma criança de cinco anos impressiona e comove. Os erros de português do menino correspondem fielmente aos enganos cometidos por crianças de sua idade (por exemplo, constantemente ele troca a palavra “trouxe” por trazeu” – veja exemplo nos trechos citados no fim do texto). Nesse sentido, vale enaltecer o trabalho da tradução da Verus Editora.

UM MUNDO SEGURO – Outro ponto interessantíssimo é o fato de todos os objetos e pessoas serem escritos com a primeira letra Maiúscula, como se para Jack fossem “entidades” importantes (Mãe, Abajur, Cama, Pia…). Afinal, é tudo o que ele conhece na vida, seu mundo, o local mais seguro que pode existir.

Por todos esses motivos, e a despeito dos elogios, a narrativa pode ser angustiante ou até fazer mal a alguns leitores. Falando pessoalmente, ele mexeu muito comigo em alguns momentos, a ponto de eu precisar parar de ler para respirar um pouco e me distrair com outra coisa, principalmente na parte da Fuga (citada na sinopse).

CINEMA – O filme “O quarto de Jack” é a adaptação do livro, e a atriz que vive a Mãe, Brie Larson, ganhou o Oscar 2016 por sua atuação.

Uma curiosidade: apesar de no filme ela se chamar Joy Newsome, no livro o nome dela não é falado em nenhum momento. Isso é genial, porque reforça ainda mais a ideia de que, para Jack, a Mãe é única, que não precisa ser “identificada no Lá Fora”.

Livro: Quarto
Autor: Emma Donoghue
Editora: Verus
Páginas: 350

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ALGUNS TRECHOS

  • “O ar é real e a água só na Banheira e na Pia, os rios e os lagos são da TV”
  • “Bombeiros, professores, ladrões, bebês e gente de todo tipo, todos estão mesmo no Lá Fora. Mas eu não estou lá, eu e a Mãe, nós somos os únicos que não estão lá. Será que ainda somos reais?”
  • “Acho que foi o Lá Fora que eu vi. O Lá Fora é real e brilha muito, mas eu não consigo…”
  • “Um dia, quando eu tinha quatro anos, a TV morreu e eu chorei, mas de noite o Velho Nick trazeu uma caixa mágica de conversor para fazer a TV ressuscitar”.
  • “De manhã, estávamos comendo mingau de aveia e eu vi marcas.
  • “Você está suja no pescoço” –  A Mãe apenas bebeu água, a pele se mexeu quando ela engoliu. “Na verdade, não é sujeira, acho que não.”
  • “-Escute. O que vemos na televisão são… são imagens de coisas reais.
  • Essa foi a coisa mais assombrosa que eu já escutei.”
  • “No Quarto eu ficava seguro e o Lá Fora é que me assusta”