Um poema muito especial, em homenagem ao Dia do Poeta

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Efigênia Coutinho, celebrando a arte da poesia

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

Hoje é o Dia do Poeta e, neste sentido, publicamos a definição de “Ser Poeta”, na visão da artista plástica e poeta Efigênia Coutinho, nascida em Petrópolis (RJ). A seu ver, a poesia será sempre um meio de comunicação de sentimentos na escrita. “Tenho um ritmo pessoal, operando desvios de ângulos, mas sem perder de vista a tradição, procurando atingir o núcleo da ideia essencial, a imagem mais direta possível, abolindo as passagens intermediárias”, revela.

SER POETA
Efigênia Coutinho

A noite sempre cálida me espera,
Tenho em versos a recente emoção
Da inquietude que abraça a quimera,
Enquanto no meu peito pulsa a oração.

A noite ouve o acalanto, esta voz
Que brada a rima solta, e então viajo;
E busco o sopro terno do ninar em nós,
Onde se farta o frêmito voraz, que trajo.

Lá , ao vento espalhado, e envolto,
Meu verso solto, que diz: mortal, eu sou
Na arte que te fecunda e faz envolto…

Porque ser poeta é ser alguém que embelezou
A prosa e o lado vil do caso vário,
E deu-se a Deus que equilibra este rosário.

Michel Temer se comparar com o treinador Tite é um bocado de exagero…

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Charge do Amarildo (amarildo.com.br)

Elizabeth Lopes e Daniel Galvão
Estadão

Com a vitória na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que aprovou por 39 votos a 26 o relatório de Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) pelo arquivamento da segunda denúncia da PGR, e certo de que tem assegurada também a derrubada da acusação criminal no plenário da Câmara, mesmo com menos votos em relação à primeira denúncia, o presidente Michel Temer (PMDB),irá se dedicar agora à reconstrução de sua própria imagem e de seu governo.

Em dez dias, informa a Coluna do Estadão, a comunicação da gestão peemedebista vai iniciar uma ofensiva nas redes sociais, atacando a gestão da antecessora Dilma Rousseff (PT) e sugerindo que Temer atua no comando do País tal qual o técnico Tite, da seleção brasileira.

 

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JUCÁ DÁ O PONTAPÉ INICIAL
Paulo Gama e Bruno Boghossian
(Folha)

Líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) comparou Michel Temer ao técnico Tite, que reergueu a seleção brasileira, e Dilma Rousseff ao antecessor dele, Dunga, que foi demitido da equipe com ela fora da zona de classificação nas eliminatórias para a Copa de 2018.

“Para fazer uma analogia com o futebol, estávamos lá embaixo nas eliminatórias, mudou o técnico, mudou a forma de atuar, e o Brasil hoje com Tite está em primeiro lugar no ranking do futebol”, disse nesta sexta-feira (21) a uma plateia de empresários, num evento da Lide, empresa de João Doria, prefeito de São Paulo.

Analogia semelhante, mas no sentido inverso, havia sido feita por Renan Calheiros, líder do PMDB no Senado, que comparou a gestão de Temer à “seleção do Dunga”. “Queremos a seleção do Tite para dar orientação.”

RISOS E APLAUSOS – Jucá fez a comparação, que arrancou risos e aplausos dos executivos do Fórum Empresarial em Foz do Iguaçu depois de elencar uma série de medidas adotadas pelo governo Temer.

Disse considerar que, depois de o peemedebista ter sido efetivado no Planalto, o governo já conseguiu reduzir índices de inflação, amenizar a taxa de juros além de ter dado início a medidas microeconômicas, como liberação de recursos do FGTS.

Investigado pela Lava Jato, o senador voltou a dizer que defende a operação e pediu “responsabilidade” nas acusações.”Hoje todos estão sendo caluniados —ou não. O que vai definir é a investigação. Quem tem seriedade quer investigação. Estamos vivendo tempo de generalização, de facilidade de acusação. É preciso trazer tempo de responsabilidade.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Sinceramente, ser elogiado por Romero Jucá significa levar gol contra… Com toda certeza, comparar Temer a Tite é um bocado de exagero, trata-se de uma campanha destinada a cair no ridículo. Ao que parece, o marqueteiro de Temer, que se chamado Elsinho Mouco, está fazendo ouvidos de mercador, como se dizia antigamente. (C.N.)

Maia abandona Temer e assume posição independente na presidência da Câmara

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Charge do Miguel (Jornal do Comercio/PE)

Carlos Newton

A crise entre o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente Michel Temer continua a se agravar, mesmo depois de o chefe do governo ter tentado uma reaproximação, ao convidar o parlamentar para uma reunião nesta quarta-feira e depois ligar, na quinta-feira de manhã, a pretexto de agradecer o empenho de Maia para a aprovação do projeto de lei que aumenta o poder de fogo do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para punir crimes no sistema financeiro.

TEMER ESNOBOU – Já faz dois meses que Maia começou a se descolar do Planalto e o presidente tentou esnobá-lo, “delegando”poderes ao ministro tucano Antonio Imbassahy, que hipoteticamente é responsável pela articulação política do governo, e deu tudo errado.

Maia nem quis assunto com Imbassahy e o desentendimento foi se aprofundando, porque a questão pouco tem a ver com o governo atual, que está em final de carreira. O verdadeiro foco do problema é a sucessão presidencial, que já começa a pegar fogo. Maia quer fortalecer o DEM e a única maneira de conseguir é se desgrudar do governo e passar a fazer oposição.

MUITA BOATARIA – Em Brasília, como sempre, a boataria corre solta, em meio a notícias verdadeiras e falsas, que são “plantadas” ou “vazadas” indiscriminadamente. O Planalto, que parece ser conduzido por roteiristas de “Os Trapalhões”, tem uma assessoria formada de abestados.

Temer convidou Maia para uma reunião depois de seu advogado ter acusado a ocorrência de um “vazamento criminoso” dos vídeos da delação do doleiro Lúcio Funaro, pensando que teria sido a Polícia Federal ou a Procuradoria-Geral da República. O ilustre causídico se deu mal, porque a divulgação das filmagens foi feita dentro da lei, pela Mesa da Câmara dos Deputados. Não houve vazamento.

Este foi o tema da reunião, em que Temer tentou um acordo, ofereceu ao DEM a presidência do BNDES, Maia recusou, e a assessoria do Planalto divulgou a notícia mentirosa de que eles tinham tratado do rito processual da denúncia do Supremo contra o o chefe do governo.

REAÇÃO VIGOROSA – Rodrigo Maia não deixou barato e mandou a presidência da Câmara lançar uma nota oficial classificando de “falsa” a versão do Planalto para a reunião que manteve com Temer. É grave a crise e Rodrigo Maia está definitivamente descolado do Planalto. Agora, é um ex-aliado ou um neoinimigo. E não pretende facilitar a aprovação dos projetos de Temer na Câmara.

O fato é que Rodrigo Maia é um nome em ascensão na política. Demonstra enorme habilidade na política de bastidores e se tornou o mais importante e influente deputado federal. Temer se enganou com ele, pensou que poderia manipulá-lo eternamente.  E também se enganou em relação à procuradora-geral Raquel Dodge, que já demonstrou que não vai se curvar perante o presidente da República e exige a revogação da portaria do crioulo doido, que restabeleceu a escravidão no país.

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P. S. –  No Planalto, afirma-se que Maia será candidato à sucessão de Temer, mas  não há procedência. Maia quer levantar o DEM com a candidatura de João Doria à Presidência. Ao contrário do que apressadamente revela a mídia, esta hipótese não está afastada. Doria já foi picado pela mosca azul, como se dizia antigamente, e não vai abrir mão da candidatura tão facilmente. Tudo vai depender da evolução das pesquisas. (C.N.)

Um jornalismo que acabou e agora só fala com as paredes

Charge Jornalismo

Charge do Juliano (Arquivo Google)

Percival Puggina

Há um jornalismo que acabou. Fala com as paredes. Irresignado ante a falta de eco, cospe no vento. Cisca no dicionário adjetivos que, de tão mascados, se tornaram rejeitos de lixo orgânico, direto ao saco preto. O vocabulário com que o “politicamente correto” se protegia entra num debate, hoje, murcho como maracujá. Quem leva a sério o adjetivo “reacionário!”, ou “conservador!”, ou “neoliberal!” (lembram dele?), ou ainda o “fascista!”, que os próprios comunistas gastaram mundo afora contra seus adversários antes do tiro na nuca?

Durante décadas, esses senhores foram os regentes das redações, onde desfilavam proféticos, iluminando o mundo com olhares que se derramavam sobre uma nova humanidade e um novo tempo. Eram os kaisers do quarto poder, ditando as normas técnicas para a engenharia do brilhante futuro. Perder tempo com eles, agora, é como contemplar a alvorada de um passado que se refuga. Xô! Quebraram o Brasil, acabaram com a Educação e atacaram, um a um, os valores que sustentariam moralmente a nação.

VALORES DO BEM – A sociedade compreendeu, por fim, que, tanto quanto ela precisa conservar valores que orientem as ações humanas para o bem (conservadorismo), a economia precisa de liberdade (liberalismo) para evoluir. Se observarmos atentamente, veremos que isso é tudo que o velho jornalismo militante, mãos dadas com os camaradas do mundo acadêmico, se dedicou a destruir; e que parcela importante do clero católico se descuidou de preservar.

Tem duas razões fundamentais para viver, esse jornalismo. A primeira é servir de memorial adulterado dos “anos de chumbo”. Vivem na nostalgia daquele período, misturando a saudade da própria juventude com o tempo em que conseguiram articular um discurso cuja consequência, em tese, rimava com a causa. A segunda é combater liberais e conservadores, qualificando-os como fascistas. Mas, sem direito a tiro na nuca, tudo fica menos produtivo. Fazer o quê? Mudar-se para Cuba ou para a Coreia do Norte?

ESFORÇOS VELHACOS – Não recordo, ao menos em passado recente, de esforços retóricos tão velhacos, tão fraudulentos, quanto os empregados nas últimas semanas por esse jornalismo para tentar convencer a sociedade de que:

  • os conservadores seriam hipócritas bradando contra nudez e erotismo na arte;
  • gravuras grotescas dedicadas a sujos entreveros sexuais, se expostas em ambiente cultural, deveriam merecer a mesma reverência de conhecidas obras-primas da arte universal;
  • sentimentos e atitudes tão diferentes entre si como repulsa, indignação e boicote seriam “sinônimos” de censura;
  • sexo não existiria, o que existe é gênero e toda criança deveria começar a aprender isso no bercinho da maternidade;
  • as redes sociais seriam uma terra de ninguém tomada pela direita raivosa.

Quem faz afirmações assim não está a mudar de assunto. Está a corromper a razão, conforme mencionei em recente vídeo. Há semanas repetem isso ao país e querem credibilidade?

CARDÁPIO DE FALSIDADES – Pretendem seguir influenciando a opinião pública? Subestimam a inteligência daqueles com quem se comunicam! Foi ao servir nacionalmente esse cardápio de falsidades que o velho jornalismo militante deu extraordinário alento aos bons conservadores e aos bons liberais. Refiro-me aos conservadores que estimam a liberdade e aos liberais que reconhecem a necessidade de preservar valores morais.

A sociedade não se escandaliza com nudez desde 22 de abril de 1500 e pouco se interessa pelo que acontece atrás das portas, desde que seja vedado o acesso a crianças. Mas entendeu, perfeitamente bem, ser isso que jogou o velho jornalismo militante na pornomilitância.

O silêncio que cai sobre ele vem por overdose de si mesmo.

Ligações de telefone de Aécio Neves e Gilmar Mendes desmoralizam o Supremo

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Charge do Bessinha (Site Conversa Afiada)

Deu em O Tempo

Relatório da Polícia Federal (PF) apontou que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ligou 46 vezes para o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do aplicativo WhatsApp entre os dias 16 de março e 13 de maio deste ano. Desse total, 22 chamadas foram completadas. Gilmar é o relator de quatro inquéritos que investigam Aécio no Supremo.

A informação sobre a intensa frequência dos contatos foi divulgada nesta quinta-feira (dia 19) pelo site Buzzfeed Brasil. O delegado federal Josélio Azevedo de Sousa, que subscreve o relatório, destaca que uma das conversas foi no dia 25 de abril de 2017, data em que o ministro deferiu monocraticamente decisão favorável ao tucano para que ele não precisasse prestar depoimento à PF em um dos inquéritos da operação Lava Jato.

ESTÁ NOS AUTOS – O relatório da PF foi incluído em uma das ações que tramitam no STF. O documento, datado de 15 de agosto de 2017, não está sob sigilo na Corte. No período em que foram feitas as ligações, as investigações sobre Aécio já estavam sob a responsabilidade de Gilmar Mendes.

As ligações não foram interceptadas pela PF, mas identificadas a partir da análise de celulares apreendidos com Aécio na operação Patmos, fase da Lava Jato deflagrada em 18 de maio. Não é possível saber o conteúdo das conversas.

No dia em que Gilmar acatou o pedido da defesa de Aécio, o senador tentou ligar três vezes para o ministro e somente na quarta tentativa conseguiu contato. Os registros indicam que conversa teve duração de 24 segundos e foi realizada às 13h01. No mesmo dia, o tucano voltou a ligar para Gilmar Mendes, às 20h59, mas não conseguiu contato.

LIGAÇÕES PERIGOSAS – No dia seguinte, 26 de abril, quando a decisão do ministro do Supremo foi tornada pública, Aécio voltou a ligar para Gilmar. Ao todo, foram cinco ligações pelo WhatsApp, em quatro delas o senador conseguiu falar com o ministro. Segundo o relatório, as ligações somam seis minutos e 57 segundos.

“Embora não sendo possível afirmar que as ligações havidas no dia 25/4/2017 tenham relação com o requerimento protocolado nesta mesma data pelo advogado do senador Aécio Neves e deferido neste mesmo dia pelo ministro Gilmar Mendes, é de se destacar a coincidência desses contatos”, informa a PF.

No laudo referente a outro telefone do tucano, a PF mostra registros de chamadas entre Aécio e Gilmar entre 18 de fevereiro e 4 de abril de 2017. São oito ligações, das quais eles conversaram em seis.

RELAÇÕES FORMAIS – Outro lado. Em nota, a defesa de Aécio diz que “mantém relações formais com o ministro Gilmar Mendes e, como presidente nacional do PSDB, manteve contados com o ministro, presidente do TSE, para tratar de questões relativas à reforma política”.

“Ressalte-se que pouco mais da metade das ligações citadas foram completadas, conforme consta do relatório da PF. Ocorreram também reuniões públicas para tratar do tema, com a presença do presidente da Câmara e presidentes de outros partidos. O senador Aécio é autor de uma das propostas aprovadas no âmbito da reforma política”, diz o texto.

Também em nota, Gilmar informou que “manteve contato constante, desde o início de sua gestão, com todos os presidentes de partidos políticos para tratar da reforma política”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria comprova a promiscuidade entre os poderes e mostra que não foi a primeira vez que a PF identificou ligações entre Aécio e Gilmar. Um telefonema grampeado registrou conversa no dia 26 de abril, sobre o projeto de abuso de autoridade no Senado. A desmoralização do Supremo é uma realidade e o corporativismo impede que o ministro Gilmar Mendes sofra impeachment. Ah. Brasil… (C.N.)

Advogado goiano apresenta ao Supremo um habeas corpus todo em versos

Paulo Sérgio dos Santos foi diretor da Faculdade

Marília Costa e Silva
Rota Jurídica

O advogado Pedro Sérgio dos Santos peticionou nesta terça-feira (dia 17) ao Supremo Tribunal Federal um habeas corpus em favor de João Batista da Silva. O que chama atenção é que o criminalista, que é professor e já foi diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), peticiona em versos. Nas nove estrofes do texto, ele explica que o cliente é pedreiro e que já foi julgado duas vezes pelo único crime que cometeu: lesão corporal seguida de morte.

Apesar de dois julgamentos por um júri popular pelo mesmo delito, o criminalista aponta que o Ministério Público por duas vezes já recorreu das sentenças.

Vale a pena conferir o texto, que deve ser apreciado pelo ministro Marco Aurélio Mello, relator da matéria no STF.

HC 146743
Pedido de Liminar 

PEDRO SERGIO DOS SANTOS, já qualificado,
figurando como impetrante,
bem como o paciente, literalmente na espera,
com a máxima vênia,
faz pedido importante,
expondo fatos e Direito,
requer análise, breve apreciação
e decisão liminar no feito:

Sr. Ministro Relator
O paciente não é político ou empresário
Não tem padrinhos importantes,
Nem ricos, nem milionários,
Não frequenta Mensalão ou Lavajato,
Não tem cargo de destaque,
Nem ternos, gravatas, nem bons sapatos.

Sr. Ministro, ilustre Relator
O paciente é pedreiro,
Pele queimada, simples trabalhador
Não tem posses, nem dinheiro,
O nome é João Batista da Silva
Como vê não é Neves, ou Barbalho,
Não é Dantas, nem Dirceu,
Paga aluguel, anda de ônibus,
Nada possui para chamar de seu.

Por duas vezes foi julgado,
Por único crime que cometeu.
Pena já aplicada, que o júri reconheceu,
Lesão corporal seguida de morte;
Inconformado, por duas vezes,
O promotor recorreu;
Quantas vezes deve um homem ser julgado
Só para agradar a sanha da acusação?
Duas, três, quatro, até ser condenado,
numa vindita de injusta perseguição?

Sr. Ministro, Eminente Relator,
Por que em Júri de pobre,
Não se mantém decisão,
De crime desclassificado, ou de absolvição?
Sempre se dá provimento
ao recurso condenatório,
Buscando pena maior, cadeia cela e prisão?

Como se diz, nos corredores do Fórum,
Até antes de sair o acórdão;
Resultado de apelo de pobre são favas contadas
Pra ele só resta vela preta e caixão.
O dia que réu pobre tem benefício justo e rápido,
Coisa de espanto que nunca se viu,
É algo que chama tanto atenção,
Que sai noticia de rádio, falada na Voz do Brasil.

Senhor Ministro Relator
Clama João Batista, o pedreiro
Pela apreciação do pedido liminar
Suspendendo julgamento, o terceiro;
Para que o Júri não o venha julgar
Sem antes apreciar o mérito
E a segunda decisão assentar
Em definitivo o que já foi julgado,
E por esta Grande Corte, ser decidido,
Que João cumpra pena já escrita,
Conforme a prova que está no pedido.

Sr. Relator, de saber ilustrado
Em muitas Cortes, se tem decisão;
Liminares, que saem a jato,
Deixando para trás Ferrari e avião.
O caso que agora clama a defesa
Não é de rico nem de barão,
É de pobre pedreiro, de mão calejada,
É um silva, um joão…
Mas igualmente carece de pressa
Pois se a demora muito custa 
Vem tardia , já vem sem tempo
Vem pesada e vem injusta.

Sr. Ministro Relator,
Clama o João pela liminar,
Clama o Silva por decisão,
Clama para o STF julgar,
Clama para que não se imponha anulação,
E se de métrica carecem as rimas,
Que esteja, no entanto, a Justiça acima
Da Vingança e da cassação.

Pede deferimento
Goiânia 17.outubro.2017

Pedro Sergio dos Santos
OAB GO 11441

Doria e Perillo querem manter Aécio licenciado até a eleição partidária  

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Doria vai apoiar Perillo para presidente do PSDB

Renan Truffi
Estadão

O prefeito de São Paulo, João Doria, e o governador de Goiás, Marconi Perillo, ambos colegas de PSDB, saíram em defesa do senador Aécio Neves (PSDB-MG), após almoço com empresários do agronegócio em Goiás, nesta quinta-feira, 19. Nos últimos meses, Doria defendeu a saída do senador mineiro do comando da sigla.

Os tucanos minimizaram a polêmica envolvendo uma possível renúncia de Aécio da presidência do PSDB, após o mineiro retomar o mandato parlamentar com a ajuda de 44 senadores. Isso porque o presidente interino da sigla, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), disse publicamente que Aécio não tem mais condições de estar à frente da legenda.

SÓ 40 DIAS – Doria e Perillo lembraram, em entrevista coletiva, que Aécio já está licenciado do posto e que as eleições internas do partido devem ocorrer em pouco mais de um mês.

“Temos cerca de 40 dias para a convenção nacional do PSDB, quando será eleita uma nova Executiva Nacional do partido. Não me parece fazer sentido fazer mudanças agora, havendo uma eleição programada para início de dezembro. O que eu defendo fundamentalmente é o respeito a este rito. Nós precisamos de serenidade, equilíbrio e pacificação no Brasil para podermos avançar. Não podemos ter um País convulsionado para discutir qualquer tema”, disse Doria.

APOIO A PERILLO – O prefeito da capital paulista aproveitou as perguntas para enaltecer o nome de Perillo como novo candidato à presidência do partido. “No meu caso, eu tenho lado. O meu lado é o do governador Marconi Perillo. Eu respeito (a posição do Tasso), mas a 40 dias da eleição do PSDB faz mais sentido seguir esse rito”, argumentou Doria antes de rebaixar o tema. “A população não está preocupada com as questões partidárias, está preocupada com o seu bem-estar. O que população fundamentalmente espera é que haja uma retomada econômica”, complementou.

Aliado de Aécio, Perillo pediu a palavra para também rebater os pedidos pela saída do mineiro. “Na minha opinião, não se justifica pedir ao senador Aécio que antecipe sua saída da Presidência do PSDB, já que ele não está sequer presidindo o PSDB. A verdade é que ele está licenciado, não está atrapalhando em nada. Ele tem legitimidade. Foi escolhido como presidente do partido. Essa é uma discussão desnecessária”, disse o governador.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA mídia distorceu as declarações de Doria e Perillo, dizendo que eles estariam apoiando a permanência de Aécio Neves na presidência do PSDB. Na verdade, eles defenderam que Aécio permaneça licenciado e Tasso Jereissati continue no comando até 4 de dezembro, quando haverá a eleição interna no partido. Apenas isso. (C.N.)

Delcídio diz que caso de Aécio é muito pior: “Fui usado como um boi de piranha”

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Deu no Correio Brasiliense
(Agência Estado)

Em 2015, quando era senador pelo PT, Delcídio foi preso em flagrante sob acusação de tentar evitar que o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró fizesse delação premiada . Cassado por unanimidade no ano passado, o ex-senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) criticou a decisão na qual o Senado autorizou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) a retomar o mandato e derrubou o recolhimento noturno que havia sido imposto pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Para Delcídio, enquanto “há provas de que Aécio é culpado”, ele foi julgado de forma injusta. “Infelizmente, acrobacias jurídicas livraram a cara do Aécio Neves. O caso dele é gravíssimo, envolvendo malas de dinheiro e pedido de empréstimo de R$ 2 milhões a um empresário. No meu caso, nem uma perícia dos áudios foi realizada. Não pude me defender”, disse o senador cassado à Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

“Eles quiseram entregar um boi para as piranhas, pois o restante da boiada passaria. Agora com Aécio, não tiveram o mesmo entendimento e acharam que sobraria para todo mundo. Por isso o livraram”, afirmou.

Em 2015, quando era senador pelo PT, Delcídio foi preso em flagrante sob acusação de tentar evitar que o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró fizesse delação premiada. O Senado votou pela manutenção da prisão determinada pelo STF e cassou o mandato do ex-petista.

LULA CRITICA – Às vésperas de iniciar uma caravana por Minas Gerais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Aécio “plantou ódio e está colhendo tempestade”. Em entrevista à Rádio Super Notícia, de Belo Horizonte, Lula disse que nas campanhas em que saiu derrotado não vendeu “ódio como o Aécio vendeu quando perdeu para a Dilma” (em 2014)”. “Vendi paz e amor”.

O ex-presidente voltou a afirmar que vai ser candidato novamente ao Palácio do Planalto no ano que vem “só porque não querem”, mas disse que está “nu” diante das investigações das quais é alvo no âmbito da Operação Lava Jato.

Lula disse ser vítima de um “pacto maquiavélico” entre Polícia Federal, o Ministério Público, Poder Judiciário e a imprensa para tirá-lo da disputa de 2018. O ex-presidente disse estar hoje, politicamente, igual ou melhor do que antes. “Quem está pior é o pessoal da Lava Jato, que contou mentira a meu respeito”, disse. Segundo Lula, o juiz Sérgio Moro “está me julgando e está me condenando por coisa que ele próprio diz que eu não fiz”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDelcídio Amaral tem razão. O caso de Aécio Neves é muito mais grave do que o seu e também houve flagrante. Se Delcídio fosse do PMDB ou do PSDB, não teria sido cassado. (C.N.)

Virou bagunça! Nuzman e cúmplice de Geddel foram soltos pelo STJ e pelo STF

Bruno Kelly

Nuzman a caminho de casa. Agora, falta soltar Geddel

Juliana Braga
O Globo

A Sexta Turma do STJ decidiu há pouco, por unanimidade, soltar o ex-presidente do COB Carlos Arthur Nuzman. A decisão, porém, inclui medidas cautelares. Nuzman deverá entregar seus passaportes e só poderá deixar o Rio de Janeiro mediante autorização judicial. E, mensalmente, comparecer ao juízo para informar e justificar suas atividades.

A relatora, ministra Maria Thereza também determinou, e foi acompanhada pelos ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Nefi Cordeiro e Antonio Saldanha Palheiro, a suspensão de quaisquer atividades relacionadas ao Comitê Rio 2016 e ao Comitê Olímpico Brasileiro, proibindo-o, inclusive, de ir às suas sedes ou filiais.

INCOMUNICÁVEL – Nuzman não poderá, ainda, comunicar-se com os outros investigados na operação Unfair Play.

O ex-presidente do COB está desde o início do mês em Benfica. Foi acusado pelo MPF-RJ de participar de esquema de compra de votos para a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Na semana passada, o desembargador Abel Gomes, do TRF-2, negou um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de Nuzman.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se é para soltar, para que prender? E também foi solto hoje, pelo ministro Edson Fachin, do Supremo, um dos cúmplices de Geddel Vieira Lima no episódio dos R$ 51 milhões. Ex-diretor da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Ferraz foi preso porque digitais dele foram encontradas nas notas de dinheiro atribuídos pela PF a Geddel e encontradas em apartamento. Ao que parece, liberou geral, tudo dominado e nem digital serve mais de prova. Deviam soltar logo o Geddel. Afinal, ele tem chorado muito na cadeia, coitado… (C.N.)

Jereissati cobra a renúncia de Aécio Neves à presidência do PSDB

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Jereissati conversou francamente com Aécio Neves

Maria Lima
O Globo

Menos de 24 horas depois de receber o apoio em peso dos senadores tucanos pela retomada do seu mandato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu um ultimato de integrantes da direção de seu partido para que renuncie de forma definitiva à presidência da sigla. O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), cobrou, na manhã desta quarta-feira, a renúncia de Aécio, alegando que falta ao mineiro condições até para continuar licenciado. Entretanto, à noite, durante reunião da bancada, Aécio pediu mais tempo para tomar uma decisão.

O entendimento majoritário na cúpula do PSDB é que a permanência de Aécio no comando da legenda, mesmo que licenciado, “arrebenta” com a imagem do partido, já arranhada com a votação pela anulação da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

SEM CONDIÇÕES – Apesar do tempo pedido por Aécio, o sentimento na bancada é de que o senador mineiro sabe que não tem condições de continuar e vai sair, mas tem de acertar com seus aliados governistas o que fazer.

Aécio argumentou que estava voltando ao mandato nesta quarta e precisava de mais tempo. Interlocutores do mineiro reclamaram que o dia do seu retorno não era o melhor momento para o ultimato. “Foi dado ao senador Aécio o tempo para a decisão que tem que tomar. Agora, a responsabilidade é dele sobre o que vai fazer” — disse Tasso após a reunião.

Aécio saiu mais cedo da reunião, bastante contrariado, segundo um dos participantes. Como ainda é o presidente licenciado, só ele pode tomar a decisão de renunciar.

MOMENTO DE CRISE – “O senador Aécio tem plena consciência que vivemos uma crise, que o partido enfrenta uma crise. Vivemos um momento muito delicado, que exige uma decisão definitiva. Não podemos mais ter uma situação provisória, mesmo que só até dezembro, quando acontece a convenção nacional. Com certeza até a semana que vem ele tomará essa decisão” — disse Tasso.

No fim da reunião, alguns senadores ponderaram que Aécio passou momentos difíceis e precisava de tempo para tomar a decisão, para fazer “uma reflexão”.

“Se fosse eu, Roberto Rocha, me afastaria não só da presidência do partido, mas também do mandato por um mês, para me dedicar exclusivamente a minha defesa” — disse o senador Roberto Rocha (PSDB-MA).

CUNHA LIMA – No mesmo tom de Tasso, o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), defendeu que Aécio formalize seu afastamento da direção do partido.

“Há um consenso na bancada do Senado e a maioria da Câmara dos Deputados com esse pensamento” — disse Cássio Cunha Lima, sobre o afastamento de Aécio.

Aécio tem, hoje, o apoio dos governistas para continuar no comando do PSDB. Se decidir renunciar, ele pode manter a interinidade de Tasso Jereissatti ou indicar um outro vice-presidente interino até a convenção nacional, marcada para 9 de dezembro, quando será definido seu sucessor.

SEM APOIO A TEMER – Em nota, Tasso explicou que a votação do Senado que devolveu o mandato a Aécio se deu apenas para atender um pedido do senador mineiro para que tivesse direito de se defender, já que não é réu no STF. No entanto, Tasso reafirmou, de forma categórica, que o PSDB não tem nenhum compromisso com o PMDB para salvar o presidente Michel Temer na denúncia que enfrenta na Câmara dos Deputados.

Tasso defendeu ainda que o processo contra Aécio no Conselho de Ética do Senado, tenha prosseguimento, pois será o ambiente propício para se defender das denúncias de recebimento de propina de R$2 milhões de Joesley Batista.

Enquanto Aécio estava afastado do mandato, o processo no Conselho de Ética por quebra de decoro, apresentado pelo PT, ficou suspenso. Agora, deverá ser retomado. No momento, encontra-se sobre avaliação na assessoria jurídica da Casa. Depois, irá ao presidente do Conselho, João Alberto (PMDB-MA), para ele decidir se abre procedimento ou arquiva a representação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É tudo teatro, tudo encenação. Aécio Neves não tem a menor condição de comandar o PSDB, mas precisa sair de fininho, para não se desgastar ainda mais. Só não renuncia agora à presidência do partido para tirar uma onda de “licenciado”. Na verdade, ele não apita mais nada no PSDB nem em lugar algum. É um político em final de carreira. Será candidato a deputado e vai gastar muito dinheiro para se eleger. (C.N.)

No caso Aécio, Senado pisou no Supremo, que precisa reagir e não se apequenar

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Charge do Bessinha (Site Conversa Afiada)

Jorge Béja

Passou despercebido um erro procedimental crasso e que invalida a decisão do Senado que devolveu a Aécio Neves (PSDB-MG) o exercício do mandato de senador da República. Vamos à explicação: em 26/09/2017, no julgamento da Ação Cautelar nº 4327, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por 3 a 2, decidiu impor a Aécio as medidas cautelares de afastamento do exercício do mandato e o seu recolhimento noturno, em razão do inquérito em que o tucano é investigado a partir das delações premiadas de executivos da JBS.

Foi uma decisão soberana? Sim. Recorrível? Não. A Primeira Turma também decidiu pela remessa dos autos, em 24 horas, ao Senado, para “resolver” sobre as medidas impostas, mantendo-as ou revogando-as, tal como acontece com as prisões em flagrante de deputados e senadores por crime inafiançável? Não, a Primeira Turma, no dia seguinte, 27/09/2017, apenas enviou ofício ao presidente do Senado comunicando a decisão para que a mesma fosse cumprida. E assim terminou a tramitação daquela Ação Cautelar nº 4327, de 4 volumes.

AÇÃO DOS PARTIDOS – Por coincidência ou não, no dia 11/10/2017, o plenário do Supremo Tribunal Federal julgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5526, proposta em 2016 pelo PP, PSC e Solidariedade, tendo como causa de pedir a suspensão do exercício do cargo do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ordem que foi determinada pelo STF naquele ano de 2016.

Seis ministros acolheram parcialmente a ação – com cinco votos contra – e decidiram que o STF pode impor medidas cautelares contra parlamentares. Porém, em qualquer medida que impossibilitar, direta ou indiretamente o exercício regular do mandato parlamentar, a restrição (ou as restrições) deverá ser submetida, em 24 horas às Casas Legislativas respectivas, para aprová-las ou não, tal como acontece com a prisão em flagrante de deputados e senadores por crime inafiançável.

CADÊ OS AUTOS??? – Foi aí que ocorreu o erro procedimental. O Senado, por conta própria e sem que os autos de 4 volumes da Ação Cautelar nº 4327, que impôs medidas cautelares ao senador Aécio, fossem enviados pela Primeira Turma àquela Casa Legislativa, o Senado aproveitou aquela decisão de 6 a 5 da ADI 5526/2016 e resolveu, de ofício, negar aval à decisão que o STF, por sua Primeira Turma, impôs a Aécio. De ofício, porque o Senado assim votou e assim decidiu sem ter os autos judiciais em seu poder.

Os senadores votaram e decidiram sobre um processo que eles próprios desconhecem. Os autos da Ação Cautelar nº 4327 continuam lá na 1ª Turma do STF, de onde nunca saíram.

Daí o acerto, involuntário, do protesto do senador Roberto Rocha (PSDB-MA) que reclamou “como podemos julgar Aécio se nem conhecemos o processo, nem temos os autos do processo”.

ERRO FUNDAMENTAL – O inconformismo do referido senador, e que nada mais era do que uma justificativa para votar pelo retorno de Aécio, acabou sendo, sem ele saber, corretíssimo e de acertado cunho jurídico. O Senado não poderia negar ou conceder aval às restrições cautelares impostas ao senador tucano pelo STF sem que os autos de 4 volumes (físicos ou eletrônicos) estivessem em poder da presidência e da mesa do Senado.

E quando o Senado, sem ter sido provocado e sem conhecer o processo judicial, decide aprovar ou não medidas cautelares penais que a Suprema Corte impôs a um de seus membros, o Senado decidiu de forma abstrata, sem os autos, sem examinar as provas, sem conhecer a fundamentação da decisão que, cautelarmente, impôs restrições ao exercício do mandato de um de seus membros.

Enfim, decidiu contra a própria determinação contida naquele 6 a 5, quando o plenário estabeleceu a necessidade da remessa dos autos pelo STF à Casa Legislativa, não apenas nos casos de prisão em flagrante por crime inafiançável de senador ou deputado, bem como no caso da decretação de qualquer medida cautelar que impossibilite, direta ou indiretamente o regular exercício do mandato parlamentar.

CABE AO RELATOR – O processualmente correto, constitucional e obediente àquela decisão do 6 a 5 seria este: em 12 de outubro passado, dia seguinte à sessão plenária do 6 a 5, cumpria ao relator da Primeira Turma encaminhar, de ofício, os 4 volumes da Ação Cautelar nº 4327 ao Senado para que os senadores resolvessem sobre as restrições impostas a Aécio Neves. Caso a Primeira Turma não remetesse os autos ao Senado, cumpria, então, ao presidente do Senado avocá-los, oficiando à Primeira Turma do STF para tal fim. O certo é que nenhuma coisa nem outra aconteceu.

Os senadores se reuniram e decidiram não cumprir a decisão do STF, sem os autos do processo judicial e, consequentemente, sem examinar provas e conhecer a fundamentação da decisão da Primeira Turma. No plano constitucional, foi desrespeitado o princípio da harmonia entre os Poderes da República. E no plano processual, a votação dos senadores que desaprovou a decisão judicial do STF e trouxe Aécio de volta ao exercício do mandato, é tão inválida quanto inócua.

DECISÃO NULA – Era preciso que os autos da Ação Cautelar nº 4327 da 1ª Turma fossem remetidos ao Senado. Sem os autos e diante do completo desconhecimento do que neles contém, a votação no Senado foi aleatória. Nula, portanto.

É certo que agora o presidente do Senado oficiará, se é que não já oficiou, ao presidente da Primeira Turma do STF comunicando que os senadores não referendaram as cautelares impostas a Aécio. E é perfeitamente possível, plausível e justo que a Primeira Turma do STF responda que a votação não tem validade e que as restrições continuam vigentes, isto porque os autos do processo cautelar, de 4 volumes, nem chegaram a ser remetidos ao Senado, para que as cautelares restritivas impostas fossem ou não referendadas, lacuna que invalida a votação, sendo necessária sua repetição, desta vez com os autos em poder do Senado.

Temer demonstra contrariedade com nota de Maia criticando o Planalto

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Gerson Camarotti
G1 Brasília

O presidente Michel Temer demonstrou a interlocutores surpresa e contrariedade com a reação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de divulgar uma nota pública para afirmar que o Planalto disseminou uma “falsa versão” sobre o encontro entre os dois. Apesar da irritação, Temer orientou – mais uma vez – a equipe dele a não polemizar com o presidente da Câmara.

O maior desconforto no Planalto é com os sucessivos ataques de Maia ao governo sem uma espécie de acerto prévio, “superdimensionando” episódios considerados do cotidiano da política.

O encontro de Temer e Maia, segundo aliados do presidente da República, era justamente para distensionar a relação entre os dois depois de vários atritos públicos. Mas a percepção é que, ao divulgar a nota, Rodrigo Maia demonstrou a estratégia deliberada de se distanciar da imagem de Temer e do governo, que vive desaprovação recorde.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Desta vez, a culpa foi da péssima Assessoria de Imprensa de Temer, que distribuiu a informação de que a reunião teria sido para acertar detalhes do rito da votação do pedido de abertura de processo criminal contra Temer, um assunto que nem chegou a ser tratado no encontro.  Ou seja, o Planalto tentou esconder que o tema da conversa era o desentendimento entre Maia e Temer. Com isso, acabou agravando a crise. (C.N.)

Pesquisa internacional mostra que a democracia está em queda no Brasil

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Charge do Juliano (Arquivo Google)

José Roberto de Toledo
Estadão

No outono deste ano, o Brasil já era o 38º entre 38 dos maiores países do mundo cuja população tinha menos entusiasmo pela democracia representativa. Só 8% dos brasileiros diziam à época que um governo formado por representantes eleitos era “muito bom”. Isso foi antes da delação da JBS e seus grampos escandalosos, antes de a Câmara rejeitar a denúncia que permitiria investigar Temer e antes de o Senado safar Aécio.

A pesquisa sobre o apoio à democracia no mundo foi comandada pelo “fact tank” norte-americano Pew Research Center. No Brasil, as entrevistas foram feitas pelo Ibope, que aplicou o mesmo questionário e metodologia empregados nos outros 37 países. A divulgação mundial foi esta semana e, por comparação, a democracia brasileira saiu mal na foto. Bem desaprumada.

AVALIAÇÕES – Nos EUA, mesmo sob Trump, 48% consideram a democracia representativa como uma forma de governo “muito boa”. Na Alemanha, 46%. Na Índia, 44%. Na Argentina, 32%. No Brasil, 8%. Não é que a maioria dos brasileiros desaprove a democracia representativa: outros 51% acham-na “um tanto boa”. Na soma, as avaliações positivas chegam a uma maioria absoluta de 59%.

Mesmo assim, o Brasil fica apenas em 33º lugar nesse ranking. Empata, na margem de erro, com México, Chile e Peru, e só fica à frente mesmo de Colômbia e Tunísia. Em comparação à média mundial (78% de avaliações positivas), os brasileiros ficaram 19 pontos abaixo no apoio a um governo por representantes eleitos, e praticamente se equipararam à média latino-americana (58%).

NA MÉDIA MUNDIAL – Isso significa que o Brasil prefere governos autoritários? Não. A taxa de avaliações positivas ao governo de um caudilho ou a uma ditadura militar são inferiores às do governo democrático.

Uma parcela bem menor de brasileiros, 27%, avaliou como positivo um governo conduzido por um líder forte sem a influência do Congresso ou dos tribunais. O resultado coloca o Brasil praticamente na média mundial (26%) do caudilhismo.

A hipótese de um governo comandado pelos militares, porém, tem apoio mais alto do que na média dos outros países pesquisados: 31% dos brasileiros consideram essa uma forma de governo “um tanto boa”, e 7%, “muito boa”, num total de 38% de opiniões positivas, contra 55% de opiniões negativas. Os 38% simpáticos ao governo militar estão 14 pontos acima da média global e colocam o Brasil em 12.º lugar no ranking do militarismo.

APOIO A MILITAR – É um resultado a se prestar muita atenção a um ano de uma eleição presidencial que tem um militar reformado e defensor da ditadura em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto.

O estudo do Pew Research dá pistas de por que o apoio a governos autoritários está crescendo no Brasil. O principal deles é a rápida deterioração da opinião dos brasileiros sobre como a democracia está funcionando no País. Nada menos do que 66%, ou dois em cada três brasileiros, dizem que estão muito (10%) ou um tanto insatisfeitos (56%). E esse é um fenômeno recente.

No outono de 2013, antes das manifestações de junho, apenas 28% dos brasileiros se diziam pouco ou muito insatisfeitos com a maneira como a democracia estava funcionando no País. É sinal de que não se trata de uma reprovação ao sistema democrático em si, mas a como ele vem sendo manipulado pela classe política.

Diante desse diagnóstico, episódios como a submissão do Supremo Tribunal Federal à vontade política dos senadores tendem a aprofundar a crise de representatividade que faz a população questionar o funcionamento da democracia no Brasil. Aquilo que hoje parece uma vitória para os políticos em geral é, de fato, um tiro no pé de uma classe que depende do voto para existir.

Luciano Huck quer participar da política, mas não aceita ser candidato

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Huck é um ídolo popular e teria expressiva votação

Deu em O Globo

Apontado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como um exemplo de nome novo que poderia ter força eleitoral diante da atual crise de credibilidade da classe política no país, o empresário e apresentador Luciano Huck voltou a declarar vontade de se engajar mais diretamente na renovação política do Brasil, ainda que evitando se lançar como candidato.

Huck escreveu que tem “pensado, lido, refletido e ouvido muita gente sobre os melhores caminhos para tirar o Brasil desta triste situação em que nos encontramos”, e que “quero e vou participar deste processo de renovação política no Brasil”, em artigo publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, nesta quarta-feira.

FORA DA POLÍTICA – Ao mesmo tempo, o apresentador procura esfriar a especulação por uma candidatura sua a presidente, afirmando, também no artigo, que “continuo achando que, de onde estou, fora do dia a dia da política, minha contribuição pode ser mais efetiva e relevante”.

Cobiçado por partidos políticos por sua popularidade no país, Luciano Huck já teve conversas com pelo menos dois partidos, o DEM e o PPS, sem que tenha batido o martelo sobre uma eventual candidatura.

Por enquanto, ele declara apoio a movimentos da sociedade civil que se organizam para atuar na política, incluindo elegendo parlamentares. No artigo, ele confirma ser membro do “Agora”, definido por ele como um grupo de “profissionais respeitados e competentes das mais variadas áreas de atuação, todos com vocação pública e experiência, estão se mobilizando para criar uma onda positiva de engajamento, escuta popular e lançamento de candidaturas alternativas ao que temos por aí”.

“RENOVA BRASIL” – Huck também está colaborando e elogia o “Renova Brasil”, um grupo de empresários e profissionais liberais que se organiza para criar um fundo para financiar a formação de novos partidos e o lançamento de candidaturas ao parlamento.

O apresentador defende que a saída para o Brasil é “ocupar” o parlamento, “através do voto”, com “cérebros, ideias e ideais de primeira qualidade”, e avalia que “o eleitor há muito não se sente representado por grande parte da classe política que está aí”.

Ao finalizar, o empresário evitar dar cores ideológicas a seu movimento de entrada na política: “Acredito nesses movimentos. E não só neles. A renovação política passa por eles, não importa se de esquerda, direita, centro. Tanto faz. Temos que melhorar o nível do debate, do compromisso da população com seu destino”, escreveu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Huck gosta de política, mas se envolve com péssimas companhias, como Sérgio Cabral e Aécio Neves. A candidatura de Huck é uma conversa fiada. Além de ser um dos maiores salários da Rede Globo, na casa dos milhões mensais, ele também é o artista que mais aparece fazendo anúncios de empresas e produtos. Nesse particular, apenas Ivete Sangalo compete com ele. Achar que ele vai largar tudo isso para ser candidato é ser ingênuo demais. Além de abandonar o programa durante a campanha eleitoral, os comerciais de que participa também seriam tirados do ar. Sua candidatura é como a viúva Porcina do genial Dias Gomes, “aquela que foi sem ter sido”. (C.N.)

Nova Piada do Ano: Irmão de Geddel se diz tranquilo: “Não encontrarão nada”

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Outra piada: “Nosso advogado explicará tudo…”

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Dois dias após ser alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, reapareceu na Câmara nesta quarta-feira (18) e se disse tranquilo em relação às investigações. O peemedebista afirmou que os agentes não encontrarão nada de ilícito no material apreendido e negou suposta versão de que os R$ 51 milhões encontrados pela PF em um apartamento em Salvador são oriundos de herança do pai dele.

“Quantas buscas e apreensão já tiveram? Só a minha que é arretada? Teve uma busca e apreensão, que é uma medida para investigação, que não quer dizer culpabilidade. Com a busca e apreensão, é mais um elemento para demonstrar a minha inocência. (…) Não vão encontrar nada de errado”, afirmou Vieira Lima em rápida entrevista dentro do plenário da Câmara. “Tensão? Tensão quem tem é mulher, tensão menstrual”, acrescentou.

BUSCA E APREENSÃO – Na última segunda-feira (dia 16) a PF fez busca em quatro endereços ligados a Lúcio e a Job Ribeiro Brandão, secretário parlamentar dele. Entre os locais vasculhados, estavam o gabinete na Câmara e o apartamento do peemedebista em Salvador. A operação foi pedida pela Procuradoria-Geral da República e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. Os agentes apreenderam documentos e mídias.

As medidas cautelares, segundo a Procuradoria, são um desdobramento das investigações que apuram a origem e a responsabilidade por R$ 51 milhões apreendidos em Salvador, no dia 5 de setembro. As cautelares foram solicitadas pela PGR após as investigações iniciadas na primeira instância, no âmbito da Operação Cui Bono, terem sido enviadas ao STF. A operação resultou na prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMD).

“O envio do caso ao STF deu-se em consequência de os investigadores terem encontrado indícios de envolvimento do parlamentar, que é irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima no recolhimento e guarda do dinheiro”, justificou a Procuradoria.

PRIMEIRA INSTÂNCIA – Além das cautelares, a Procuradoria pediu que as investigações relativas à Operação Cui Bono, que apura irregularidades na Caixa Econômica Federal, continuem sob competência da primeira instância, e o relator Edson Fachin já concordou.

Na entrevista nesta quarta-feira, Lúcio não respondeu quando questionado sobre a origem dos R$ 51 milhões em dinheiro vivo encontrados em um apartamento, cujo dono disse ter emprestado ao deputado. Questionado sobre suposta afirmação de que Geddel teria dito que era de herança, ele negou. “Geddel nunca disse isso. Nunca disse isso. Aposto com você”, declarou. Segundo ele, a “estratégia de defesa quem vai dizer é o advogado”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Realmente, é Piada do Ano. Não encontrarão nada? Ora, já encontraram R$ 51 milhões e as digitais de Geddel e de um assessor parlamentar de Lúcio, mas ele diz que não encontrarão nada? Com certeza, é apropriado o apelido “Os Irmão Cara-de-Pau”, mas sem a genialidade dos atores John Belushi e Dan Aykroyd. (C.N.)

Desentendimento entre Rodrigo Maia e Temer aumenta progressivamente

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Charge do Clayton (Charge Online)

Deu no G1, Brasília

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), divulgou nota na qual acusa o Palácio do Planalto de disseminar uma “falsa versão” de que ele e Michel Temer se reuniram nesta quarta-feira (dia 18) para discutir o rito da denúncia contra o presidente da República. “Essa versão é falsa, e quem a divulgou deve vir a público dizer por que o fez e com qual intenção”. Segundo Rodrigo Maia, a divulgação da nota “se faz necessária porque o autor da falsa versão disseminada pelo Palácio do Planalto precisa repor a verdade dos fatos”

Maia afirma na nota que foi ao Palácio do Planalto a convite de Temer para “esclarecer episódios recentes que deram margem a incompreensões”.

RITO PROCESSUAL??? – “Não havia sentido algum tratar de rito processual de votação de um Poder da República com o presidente de outro Poder, muito menos quando é um deles que está sendo processado e julgado junto com seus ministros”, disse Maia na nota.

Cerca de uma hora depois da divulgação da nota de Maia, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República afirmou o seguinte: “O Palácio do Planalto confirma que o presidente da Câmara dos Deputados atendeu a convite do Presidente da República, que o chamou ao Palácio para esclarecer episódios recentes que deram margem a incompreensões”.

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NOTA OFICIAL DE ESCLARECIMENTO DE MAIA

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela Presidência da Câmara.

  1. Não é verdade que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tenha ido ao Palácio do Planalto tratar sobre rito de votação da denúncia contra o presidente da República e dois de seus ministros. Essa versão é falsa, e quem a divulgou deve vir a público dizer por que o fez e com qual intenção.
  2. O presidente da Câmara dos Deputados atendeu a convite do presidente da República, que o chamou ao Palácio para esclarecer episódios recentes que deram margem a incompreensões.
  3. Não havia sentido algum tratar de rito processual de votação de um Poder da República com o presidente de outro Poder, muito menos quando é um deles que está sendo processado e julgado junto com seus ministros.
  4. Esta nota de esclarecimento se faz necessária porque o autor da falsa versão disseminada pelo Palácio do Planalto precisa repor a verdade dos fatos.

Presidência da Câmara dos Deputados

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– É grave a crise. O fato é que Rodrigo Maia está cada vez mais descolado do Planalto. Pode ser considerado um ex-aliado ou um neoinimigo. Daqui para frente, tudo será diferente, como dizem Roberto e Erasmo Carlos. E o governo Temer vai cortar um dobrado para aprovar seus projetos na Câmara, porque Rodrigo Maia domina o chamado Centrão e tem influência em todas as bancadas. Vamos voltar ao assunto, porque é muito importante. (C.N.)

Schmidt, o poeta que sonhava dizer as grandes palavras de amor

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Schmidt conjugava palavras e grandes vertdades

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O jornalista, conselheiro político, editor, empresário e poeta carioca Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), no poema “Compreensão”, usa palavras conjugadas às verdades para falar ao seu amor.

COMPREENSÃO
Augusto Frederico Schmidt

Eu te direi as grandes palavras,
As que parecem sopradas de cima.
Eu te direi as grandes palavras,
As que conjugam com as grandes verdades,
E saem do sentimento mais fundo,
Como os animais marinhos das águas lúcidas.
Eu te direi a minha compreensão do teu ser,
E sentirei que te transfiguras a ti mesmo revelada.
E sentirei que te libertei da solidão
Porque desci ao teu ser múltiplo e sensível.
Quero descer às tuas regiões mais desconhecidas
Porque és minha Pátria
As tuas paisagens são as da minha saudade.
Quero descer ao teu coração como se descesse ao mar,
Quero chegar à tua verdade que está sobre as águas.
Quero olhar o teu pensamento que está sobre as águas
E é azul
Como este céu cortado pelas aves,
Como este céu limpo e mais fundo que o mar.
Quero descer a ti e ouvir
As tuas manhãs acordadas pelos galos.
Quero ver a tua tarde banhada de róseo como nuvens frágeis
tangidas pelo ventos
Quero assistir à tua noite e ao sacrifício dos teus martírios.
Oh! estrela, oh! música,
Oh! tempo, espaço meu!

Eu te direi as grandes palavras,
As que parecem sopradas de cima.
Eu te direi as grandes palavras,
As que conjugam com as grandes verdades,
E saem do sentimento mais fundo,
Como os animais marinhos das águas lúcidas.
Eu te direi a minha compreensão do teu ser,
E sentirei que te transfiguras a ti mesmo revelada.
E sentirei que te libertei da solidão
Porque desci ao teu ser múltiplo e sensível.
Quero descer às tuas regiões mais desconhecidas
Porque és minha Pátria
As tuas paisagens são as da minha saudade.

Quero descer ao teu coração como se descesse ao mar,
Quero chegar à tua verdade que está sobre as águas.
Quero olhar o teu pensamento que está sobre as águas
E é azul
Como este céu cortado pelas aves,
Como este céu limpo e mais fundo que o mar.
Quero descer a ti e ouvir
As tuas manhãs acordadas pelos galos.
Quero ver a tua tarde banhada de róseo como nuvens frágeis
tangidas pelo ventos
Quero assistir à tua noite e ao sacrifício dos teus martírios.
Oh! estrela, oh! música,
Oh! tempo, espaço meu!

Aliado de Temer definiu bem a CCJ, ao compará-la a “um teatro”

Por 39 votos a 26, Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprova parecer pela rejeição da 2ª denúncia contra o presidente Temer

Beto Mansur aplaude o ensaio geral da peça de teatro

Bernardo Mello Franco
Folha

“Isso aqui na verdade é um teatro”. O surto de sinceridade foi do deputado Beto Mansur, do PRB. Integrante da tropa de choque do governo, ele resumiu o longo e inútil debate na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Ao subir ao palco, os deputados já sabiam que as cortinas se fechariam com a vitória do Planalto. Mesmo assim, a peça se arrastou por quase nove horas. Ninguém queria perder a chance de brilhar ao vivo na TV.

PLÁGIO – “Não se troca presidente da República como se troca de técnico de time de futebol”, disse o ex-malufista Mansur. A oposição interrompeu o discurso para reclamar de plágio. No ano passado, a mesma frase era usada para defender Dilma Rousseff.

Os deputados que votariam pela rejeição da denúncia tentavam escapar do papel de vilão. Até Bonifácio de Andrada, autor do parecer a favor do presidente, buscou encenar alguma independência. “Eu sou relator. Não sou líder do governo, não”, disse.

Com dez mandatos nas costas, o tucano nunca cairia na própria conversa. Ele foi escolhido para selar uma troca. Temer ajudava Aécio, que ajudava Temer… qualquer semelhança com o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, não haveria de ser coincidência.

PERMUTA – “É uma permuta”, resumiu o petista Paulo Teixeira. Ele ironizou a defesa do governo contra a acusação de obstrução de Justiça. Segundo o Planalto, Temer só queria que Joesley Batista continuasse “de bem” com o presidiário Eduardo Cunha.

“Haveria uma amizade com prestações mensais?”, debochou Teixeira. Na famosa gravação do Jaburu, o presidente diz a frase “tem que manter isso” e o dono da JBS responde com a expressão “todo mês”.

Apesar dos excessos no microfone, os deputados pouparam o público das costumeiras cenas de empurra-empurra. Eles também parecem cansados de encenar sempre a mesma peça. O teatro ruim deve terminar na próxima quarta, com o sepultamento da denúncia no plenário.

Operação Abafa enfraquece a Lava Jato, mas não conseguirá inviabilizá-la

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Medina Osório denunciou a Operação Abafa em 2016

Carlos Newton

Está tudo dominado, não há a menor dúvida. A chamada Operação Abafa começa a mostrar resultados em sua luta permanente para inviabilizar a Lava Jato. O senador Aécio Neves (PMDB-MG) já recuperou o mandato e o presidente Michel Temer não corre risco de ser afastado para responder a processo criminal no Supremo. Vida que segue, diria o genial João Saldanha, e a dúvida é saber se a Lava Jato será mesmo demolida pela união do que há de pior nos três Poderes da República, conforme foi denunciado em setembro do ano passado pelo então ministro Medina Osório, da Advocacia-Geral da União, em entrevista à revista Veja, quando foi afastado do cargo por não ter concordado em participar do esquema.

Se estivéssemos na Inglaterra, as casas de apostas estariam fervilhando. A Operação Abafa realmente veio com tudo em cima. Os procuradores da Lava Jato estão perplexos e indignados, com justa razão. Mas era ingenuidade imaginar que não haveria reação avassaladora. Como já explicamos repetidas vezes aqui na “Tribuna da Internet”, a bancada da corrupção é amplamente majoritária no Congresso. No voto, ninguém consegue nenhum avanço legislativo.

FORO PRIVILEGIADO – O ponto central da disputa é o foro privilegiado. A Operação Lava Jato começou em março de 2014. De lá para cá, os juízes federais de primeira instância de Curitiba, Brasília, São Paulo e Campo Grande já condenaram cerca de 120 envolvidos, enquanto o Supremo não condenou nenhum dos indiciados que têm foro especial. As maiores façanhas do STF foram os afastamentos do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do senador Delcídio Amaral (PT-MS), apenas isso. Cunha está sendo processado na primeira instância e já sofreu uma condenação, e Delcídio fez delação premiada e se deu bem.

Revoltado com  o esvaziamento da Lava Jato, o ministro Luís Roberto Barroso vive denunciando a Operação Abafa, dizendo que seus mentores já dominam a cúpula dos três Poderes e importantes veículos da grande mídia. Tem toda razão.  No Supremo, estava engavetada a proposta de Barroso para limitar o foro especial a crimes cometidos no atual mandato, o que já seria um avanço. O ministro Alexandre de Moraes pediu vistas e sentou em cima, para atender aos interesses do presidente Michel Temer e da bancada da corrupção, só devolveu na semana passada. O mesmo fenômeno acontece com a emenda que extingue esse odioso privilégio, de autoria do senador Álvaro Dias (Pode-PR). Está engavetada e não há jeito de ir à votação.

MÃOS LIMPAS – Há quem aposte que a Lava Jato terá o mesmo fim da famosa Operação Mãos Limpas, que agitou a Itália nos anos 90. O objetivo realmente é este. A diferença é que na Itália houve atentados sangrentos contra magistrados e procuradores, enquanto aqui na Carnavália os mentores da Operação Abafa não se atrevem a tanto, mas usam a idêntica estratégia dos corruptos italianos, que demonizavam juízes e membros do Ministério Público.

Tudo indica que a Lava Jato não será inviabilizada, mas perderá muito de sua força. Além de manter o foro privilegiado, que preservará a impunidade de muitos envolvidos até que os crimes prescrevam, a Operação Abafa conseguirá evitar a prisão de condenados em segunda instância, para preservar a liberdade de José Dirceu, Lula da Silva, Antonio Palocci, Eduardo Cunha e o resto da galera que já foi condenada em primeira instância, além dos que estão na fila, como Guido Mantega, porque a fila anda.

O jogo é este. Já está quase tudo dominado. Mas a Lava Jato vai continuar incomodando corruptos e corruptores. Quem perder o mandato e cair na primeira instância será fatalmente condenado. Por isso, Aécio Neves já decidiu se candidatar a deputado federal. Na esperança de se eleger, vai gastar grande parte da fortuna que amealhou ilicitamente. Pode até ser eleito, porém jamais irá recuperar a dignidade e limpar o nome da família Neves.