Lula quer investigar vazamentos e acelerar depoimento de Lulinha à PF

Lula tenta conter desgaste com caso Lulinha

Valdo Cruz
G1

Irritado tanto com o filho quanto com os vazamentos de informações sigilosas da investigação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a defender duas frentes simultâneas: a apuração da divulgação de dados reservados da Polícia Federal (PF) e um depoimento rápido do primogênito para tentar esclarecer as suspeitas levantadas contra ele.

Lula quer uma investigação sobre o vazamento de informações sigilosas da PF envolvendo mensagens trocadas entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de atuar na intermediação de negócios junto ao governo, além de conversas com um ex-chefe de gabinete ligado ao caso.

VAZAMENTO – Já existe um inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a divulgação de informações protegidas por sigilo referentes a investigações em curso. A apuração é relatada pelo ministro Flávio Dino. Por outro lado, o presidente também defende que o filho preste depoimento o mais rapidamente possível à Polícia Federal (leia mais abaixo).

Na última quarta-feira (19), Lula conversou longamente com o advogado Marco Aurélio Carvalho, amigo do presidente e responsável pela defesa de Lulinha. Oficialmente, a conversa teve como foco a campanha presidencial de 2026. Porém, a situação do filho do presidente e o andamento das investigações também entraram na pauta.

Lula tem defendido o filho sob o argumento de que, até agora, não foi identificado nenhum “ato de ofício” que comprove que Lulinha tenha conseguido viabilizar negócios dentro do governo em favor de Roberta Luchsinger. Apesar disso, o presidente avalia que um depoimento rápido pode ajudar a esclarecer as suspeitas e encerrar especulações sobre o caso.

DESGASTE – O presidente tem reclamado reservadamente do que considera um “vazamento seletivo” de informações. Segundo interlocutores, Lula avalia que apenas informações relacionadas ao filho vêm sendo divulgadas, o que, na visão dele, contribui para desgastá-lo politicamente em pleno período eleitoral.

Ao mesmo tempo, o presidente argumenta que outras investigações em andamento não têm o mesmo nível de exposição pública. Entre os exemplos citados por Lula está o caso do financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

SUSPEITAS – O PT apresentou à Polícia Federal um pedido de investigação sobre os recursos destinados ao projeto. A legenda alega que há suspeitas de que parte dos valores possa ter sido utilizada para finalidades diferentes das declaradas inicialmente, incluindo o custeio da permanência do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

A Polícia Federal avançou na apuração sobre o caminho percorrido pelos recursos destinados ao filme. A avaliação de fontes envolvidas no caso é que dificilmente o inquérito será concluído antes das eleições.

Lula diz a Trump que Brasil não precisa de aval dos EUA para combater facções criminosas

Advogado de Lulinha diz que investigação seria arquivada se ele não fosse filho de Lula

Mendonça manda PF investigar suposto vazamento de informações sigilosas

Decisão atende a pedido da defesa do filho do presidente

Pepita Ortega
O Globo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma investigação da Polícia Federal sobre o que chamou de “vazamento” de informações relacionadas à suspeita de tráfico de influência praticada pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A decisão atende a um pedido da defesa do filho do presidente.O ministro sustenta que a apuração não deve ter como foco jornalistas, mas os responsáveis pelo repasse de informações protegidas por sigilo. Esse novo eixo de investigação vai integrar o inquérito já em andamento que apura os responsáveis pela divulgação de dados de alvos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos em aposentadorias e pensões no INSS.

ACESSO INDIRETO – “O procedimento apuratório acima referido parte de hipótese investigativa centrada na eventual identificação daqueles que teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram, e não daqueles que, no legítimo exercício da fundamental profissão jornalística, obtiveram o acesso indireto às informações que, pela sua natureza íntima, não deveriam ter sido publicizadas”, ressaltou Mendonça.

A determinação se dá após a publicação de mensagens trocadas entre a empresária Roberta Luchsinger e Lulinha. Como mostrou O Globo, a Polícia Federal investiga a extensão dos negócios mantidos em Brasília pela dupla a partir dos diálogos apreendidos no celular da empresária. As mensagens contêm menções a empresas de gerenciamento de empréstimos consignados, de cibersegurança e outra de medicamentos à base de cannabis medicinal.

Luchsinger era procurada pelas empresas por sua ampla rede de contatos com integrantes do PT e assessores em cargos-chave no governo, a exemplo de Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como revelou O GLOBO, a empresária chegou a mandar a ele a minuta de um contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. Naquela época, ela tentava fazer negócio com a pasta, o que não ocorreu.

Os argumentos de defesa do humorista Bastos Tigre, ao ser acusado de calúnia

Tribuna da Internet | Os argumentos de defesa do poeta Bastos Tigre são uma aula de bom humorPaulo Peres
Poemas & Canções

O publicitário, bibliotecário, humorista, jornalista, compositor e poeta pernambucano Manoel Bastos Tigre (1882-1957) no soneto “Argumento de Defesa” ao ser acusado de caluniar uma senhora, apresenta o seu melhor argumento, embora preconceituoso, ou seja,  ele sempre achou-a feia demais para não ser honesta.

ARGUMENTO DE DEFESA
Bastos Tigre

Disse alguém, por maldade ou por intriga,
que eu de Vossa Excelência mal dissera:
que tinha amantes, que era “fácil”, que era
da virtude doméstica, inimiga.

Maldito seja o cérebro que gera
infâmias tais que, em cólera, maldigo!
Se eu disser tal, que tenha por castigo
o beijo de uma sogra ou de outra fera!

Ponho a mão espalmada na consciência
e ela, senhora, impávida, protesta
contra essa intriga da maledicência!

Indague a amigos meus: qualquer atesta
que eu acho e sempre achei Vossa Excelência
feia demais para não ser honesta…

Lulinha processa Flávio Bolsonaro por vídeo com IA que o associa a desvios no INSS

Defesa pede retirada do vídeo e indenização de R$ 10 mil

Lauriberto Pompeu
O Globo

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula Silva (PT), processou o candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, por um vídeo em que a campanha de Flávio fez sobre Lulinha e o escândalo de desvios de recursos de aposentados do INSS.

Na petição, que foi endereçada para a Justiça de São Paulo, o filho do presidente pede uma indenização de R$ 10 mil de Flávio e uma decisão liminar que determine a exclusão do vídeo das redes sociais em 24 horas. A Justiça ainda não tomou nenhuma decisão sobre o caso. Lulinha responde a três inquéritos que investigam tráfico de influência no Supremo Tribunal Federal.

“LOCALIZA LULINHA” – Os perfis de Flávio Bolsonaro no Instagram e no X publicaram no começo de julho um vídeo, com a legenda “Missão: Localiza Lulinha”, em que o filho do presidente Lula aparece retratado, por meio de montagem com uso de Inteligência Artificial, como alvo de uma missão militar e de avião de caça.

A defesa de Lulinha se queixa que os perfis de Flávio Bolsonaro nas redes sociais atribuem a ele condutas das quais ele não é alvo de investigação, como acusação de que ele seria “suspeito de ter roubado milhões de idosos no Brasil”.

“Não existe contra o autor investigação, indiciamento, denúncia ou sequer hipótese acusatória de participação nas fraudes praticadas contra beneficiários do INSS. O procedimento em que seu nome foi mencionado possui objeto distinto e não lhe atribui participação nos crimes originários que produziram os valores posteriormente submetidos a investigação”, disse a defesa.

INVESTIGAÇÃO – O filho do presidente está sendo investigado por tráfico de influências no Supremo. A suspeita é de que ele tenha atuado para abrir as portas do governo para a amiga Roberta Luchsinger, lobista que tentava prospectar negócios no Poder Executivo nacional. Ela já atuou ao lado do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso pela PF sob a suspeita de desviar recursos de aposentadorias e pensões do INSS.

A defesa de Lulinha também pediu à Justiça de São Paulo que o candidato do Novo a presidente, Romeu Zema, remova conteúdo das redes sociais e pague indenização de R$ 10 mil por um vídeo denominados de “Os Intocáveis” e “A casa caiu”, que também associam o filho do presidente a práticas criminosas. No caso de Zema, o pedido de remoção do conteúdo foi negado pela Justiça.

Amiga de Lulinha tenta barrar investigação no STF e contesta provas da PF

Zuckerberg, dono da Meta, denuncia as ordens secretas de censura de Moraes

homem branco franze o cenho

Dono da Meta diz que Moraes emite ordens de censura

Glenn Greenwald
Folha

Há muitas razões para encarar com ceticismo —e como oportunismo político— o anúncio de Mark Zuckerberg, CEO da Meta, nesta terça-feira (7). O próprio Zuckerberg frequentemente defendeu e até impôs o tipo exato de censura política online que agora condena.

A primeira vez que relatei a censura das big techs foi ao documentar em 2016 a estreita relação do Facebook com o governo israelense. A plataforma aprovava mais de 95% dos pedidos de censura contra jornalistas e ativistas palestinos. Pouco antes da eleição de 2020 nos EUA, o Facebook suprimiu reportagens que desfavoreciam Joe Biden.

TRUM BANIDO – Em 2021, o Facebook baniu o então presidente Donald Trump de sua plataforma por dois anos. Durante a pandemia, a empresa removeu uma ampla gama de opiniões divergentes das ortodoxias sobre a Covid-19, a pedido do governo Biden —incluindo visões que o próprio Zuckerberg mais tarde admitiu serem “debatíveis” ou “até verdadeiras”.

Independentemente das motivações, há um ponto em que Zuckerberg está inegavelmente correto. Em uma declaração amplamente entendida como direcionada ao Brasil e ao STF, o fundador do Facebook afirmou que “países latino-americanos têm tribunais secretos que podem ordenar que empresas removam conteúdos de maneira silenciosa”.

O motivo pelo qual esse comentário foi associado ao Brasil é simples: isso acontece no Brasil. Ironicamente, os mesmos grandes veículos de mídia e autoridades governamentais que protestaram contra a nova política da Meta, alertando sobre os perigos da “desinformação” — e insistindo que só eles podem definir a verdade — espalharam desinformação em resposta.

SEM EVIDÊNCIAS? – Eles acusaram Zuckerberg de fazer tal afirmação sobre o Brasil “sem evidências”. A verdade é exatamente o oposto: as evidências são claras e abundantes.

Em abril passado, a Folha publicou um editorial com o título: “Censura promovida por Moraes tem de acabar”. O texto alertava sobre exatamente o que Zuckerberg apontou ontem: “Ordens secretas de Alexandre de Moraes proíbem cidadãos de se expressarem em redes sociais”. E acrescentava: “O secretismo dessas decisões impede a sociedade de escrutinar a leitura muito particular do texto constitucional que as embasa”.

Em janeiro de 2023, obtive e publiquei uma dessas muitas ordens secretas de censura emitidas por Moraes. Para entender a veracidade das alegações de Zuckerberg sobre o Brasil, basta ler a ordem de Moraes.

CENSURA EXPRESSA – Datada de 11 de janeiro de 2023, foi endereçada a seis plataformas de mídia social, incluindo Facebook e Instagram, da Meta. O ministro do STF ordenava que as plataformas banissem imediatamente as contas de uma longa lista de políticos, jornalistas e comentaristas, incluindo deputados e senadores eleitos.

Como parte da ordem, Moraes exigiu que as plataformas mantivessem a censura em sigilo: “Diante do caráter sigiloso destes autos, deverão ser adotadas as providências necessárias para a sua manutenção”, escreveu ele.

Antes de publicar essas ordens, entrevistei várias pessoas cujas contas foram banidas por determinação de Moraes. Nenhuma delas foi informada da existência das ordens ou recebeu explicações sobre o banimento, muito menos teve a oportunidade de contestar sua validade.

ORDEM SECRETA – Isso é, por definição, uma ordem secreta de censura. Desde então, outras ordens similares de Moraes foram reveladas, incluindo por jornalistas que trabalharam nos chamados Twitter Files.

Pode-se, se quiser, justificar o esquema de censura secreta de Moraes, como muitos já fizeram, junto com tudo o mais que ele realiza.

Mas não se pode negar — pelo menos não de forma honesta — a existência desse processo judicial secreto de censura.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, Moraes é um caso patológico de prepotência e autoritarismo. Comporta-se assim, como dono do mundo, embora tenha 129 milhões de motivos para pedir demissão e parar de se meter secretamente na  vida dos outros, como diz o jornalista Mario Sabino. (C.N.)

O dinheiro estrangeiro está a votar antes do eleitor

Flávio diz que já prestou contas sobre ‘Dark Horse’ e cobra explicações de Lula

Lula tem medo de que a PF incrimine Lulinha antes de ocorrerem as eleições

Juiz britânico humilha Toffoli: Decisão dele a favor de corrupto é “altamente incomum”

Toffoli diz que relatório da CPI é “aventureiro” e visa “obter votos”

Toffoli tentou devolver ao corrupto o dinheiro desviado

Carlos Newton

O desempenho da Justiça brasileira é vergonhoso e está sendo cada vez mais questionado no exterior. O processo contra o ministro Alexandre de Moraes nos Estados Unidos, movido pela plataforma de vídeos Rumble e pela empresa Trump Media, que pertence ao presidente americano, já está em fase final e a sentença de primeira instância deve sair nos próximos dias.

Tudo indica que ele será condenado por haver emitido aqui no Brasil antidemocráticas ordens judiciais a serem cumpridas pela Justiça americana, vejam bem até onde vai a prepotência desse magistrado brasileiro, que jamais tinha julgado nada até se nomeado ministro do Supremo.

MAIS UM VEXAME – Nesta semana, mais um vexame, ao ser divulgada uma decisão da Justiça britânica que envergonha o país. O processo, movido no Tribunal da Coroa Britânica em Southwark, foi anunciado pela organização não-governamental Spotlight on Corruption (Holofote da Corrupção), que distribuiu a matéria à imprensa londrina nesta segunda-feira.

A ação judicial é vergonhosa, porque foi apresentada à Justiça do Reino Unido por um ex-executivo da Petrobrás processado por corrupção na Lava Jato e que pretendia liberar suas contas bancárias bloqueadas, no valor de teve 7,6 milhões de dólares e 698 mil euros.

Na Lava Jato, ficou comprovado que Miranda atuou como operador de propina para partidos políticos entre 2010 e 2012. Ele foi condenado em 2019, mas, em 2023, a sentença foi anulada por Toffoli. Assim como aconteceu na descondenação de Lula da Silva em 2021, o ministro entendeu que a Justiça do Paraná não tinha competência para julgar o caso.

PROVAS NULAS? – Com a mesma irresponsabilidade que caracteriza Alexandre de Moraes, o ministro Toffoli determinou a nulidade do compartilhamento de provas com as autoridades britânicas. Com isso, o funcionário corrupto resolveu recuperar o dinheiro desviado da Petrobras e pediu à Justiça britânica a liberação de suas contas bancárias.

Acontece que o Reino Unido não é Brasil, provas cabais não são jogadas no lixo e criminosos não são descondenados por terem sido julgados na Vara de uma cidade ou de outra, um absurdo jurídico que só existe no Brasil e não tem aceitação em nenhum outro país da ONU.

A Justiça britânica, portanto, não acolheu os argumentos dos advogados de Miranda. Na decisão, o juiz Mark Weekes afirma que as provas foram recebidas pelo SFO em “boa fé” e em conformidade com os acordos internacionais. Ele também destaca que a Justiça do país não está subordinada ou vinculada a decisões de tribunais estrangeiros.

ALTAMENTE INCOMUM – Em outro trecho, Weekes classifica a decisão de Toffoli que anulou o compartilhamento de provas como “altamente incomum”. 

“Vale observar que esta situação — uma autoridade judicial no Estado requerido revogando, em momento posterior, a base legal doméstica para o compartilhamento de material de assistência jurídica mútua que, na época, havia sido legalmente compartilhado com o órgão de acusação no Reino Unido, é, na experiência deste tribunal, dos advogados que atuam no caso e daqueles que os instruem, no mínimo, altamente incomum”

PF abre investigação sobre filiação irregular de Flávio Bolsonaro ao Missão

Petistas veem como improvável que Mendonça deixe inquéritos contra Lulinha

Mendonça NÃO abrirá mão dos casos de Lulinha

Bela Megale
O Globo

Petistas e aliados de primeira hora do presidente Lula não acreditam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, acatará o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que os inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, sejam retirados da corte.

O órgão defendeu junto a Mendonça, que é o relator de dois casos envolvendo o filho do presidente, que as investigações sejam remetidas à primeira instância. O argumento da PGR é o de que não há elementos que indiquem o envolvimento de pessoas com prerrogativa de foro nas duas investigações que tramitam com o magistrado.

CONEXÃO – Para o órgão, também não existe conexão entre os fatos investigados nesses procedimentos e aqueles apurados na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos associativos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Diante disso, o órgão se posicionou pela remessa dos dois inquéritos para a Justiça de primeiro grau. O caso do INSS está no Supremo por envolver parlamentares, que possuem prerrogativa de foro.

A chance de Mendonça atender ao pedido, no entanto, é tida como improvável pelos petistas. Em conversas com o magistrado, pessoas ligadas ao presidente e à defesa de Lulinha não veem qualquer disposição do ministro em abrir mão dos casos que envolvem Fábio Luís.

A leitura dos petistas, inclusive, é a de que o ministro terá uma ação ativa nos inquéritos e que vai impor um ritmo intenso nessas investigações, mesmo em meio à campanha eleitoral.

Flávio Bolsonaro e o paradoxo da direita: votos sem aliados

Golpe pode custar a patente: presidente do STM sinaliza punição a Bolsonaro e generais

Maria Elizabeth Rocha diz que anistia não é esquecimento

Mariana Muniz
O Globo

Presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha afirmou considerar “muito difícil” que oficiais condenados por participação em uma tentativa de golpe de Estado mantenham seus postos e patentes das Forças Armadas.

Em entrevista ao O Globo, a magistrada disse considerar um crime de “lesa-pátria” incompatível com os deveres assumidos pelos militares.

EXPULSÃO – A Corte deverá julgar nos próximos meses a possibilidade de expulsão das Forças Armadas do ex-presidente Jair Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército, dos generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, e do almirante Almir Garnier.

Primeira mulher a presidir a Corte, e segunda a integrar o tribunal, Maria Elizabeth também defendeu que uma eventual anistia aos condenados pelos atos golpistas não impediria o julgamento das ações de perda de patente no STM. Segundo ela, a anistia extingue a pena, mas não elimina a conduta praticada.

Qual a previsão de julgamento sobre a perda de patente de militares condenados por participação na trama golpista?
Os processos estão seguindo o trâmite normal. Ainda há diligências pendentes, votos de relatores e revisores que precisam ser concluídos. Quero que o devido processo legal seja rigorosamente observado, até para evitar qualquer tipo de crítica à atuação da Justiça Militar. Acredito que esses casos só deverão ir a julgamento após as eleições. E mesmo depois do julgamento, não acredito que haverá uma decisão definitiva neste ano, porque caberão recursos dentro do próprio STM. Não acho que teremos um desfecho definitivo antes de 2027.

Como vê a possibilidade de um oficial condenado por tentativa de golpe de Estado continuar ostentando a patente militar?
Em tese, considero muito difícil. Se realmente ficar comprovado que houve atentado contra o Estado Democrático de Direito, um crime de lesa-pátria, trata-se de uma situação especialmente grave para um militar, que jurou defender a Constituição e a Pátria. É um ônus muito pesado que recai sobre os militares.

O julgamento no Supremo Tribunal Federal considerou que houve tentativa de golpe. O STM irá reavaliar essas condutas?
Não se trata de rediscutir o mérito do julgamento do Supremo, mas de formar convicção sobre a gravidade da conduta. Não considero que o julgamento de perda de patente seja uma simples consequência automática da condenação criminal. O exercício da magistratura exige uma análise mais profunda dessas questões, e estamos falando da vida de uma pessoa e de uma sanção extremamente grave.

Uma eventual anistia aos condenados do 8 de Janeiro pode afetar os julgamentos de perda de patente?
Eu entendo que não, porque são processos distintos. A anistia extingue a punibilidade, ou seja, extingue a pena imposta. Ela não extingue o crime que foi cometido e, menos ainda, a conduta desonrosa. Então, se houve, segundo o entendimento do STM, uma conduta incompatível com a farda, com o melhor agir de um oficial, ela será mantida. Anistia é perdão, anistia não é esquecimento.

Depois do 8 de Janeiro, o que mudou na relação entre as Forças Armadas e as demais instituições?
Acho que o Brasil precisa se reconstruir permanentemente. Se não houve golpe consumado, foi porque as Forças Armadas acabaram se mantendo fiéis à legalidade. Isso foi muito importante para a democracia. Confesso que nunca imaginei viver algo como o 8 de Janeiro. O episódio mostrou que a democracia é um projeto permanentemente inacabado. Ela precisa ser constantemente reconstruída, fortalecida e protegida.

Episódios como a absolvição dos militares no caso do músico Evaldo Rosa, morto a tiros no Rio, geraram críticas de corporativismo da Justiça Militar. Como a senhora vê essas críticas?
Eu não vou defender o resultado, porque fui voto vencido. Mas, na minha visão pessoal, aquela decisão fragilizou a imagem da Justiça Militar. Não sei se a palavra correta é corporativismo. O que acho é que a pergunta que deveria ser feita é por que as Forças Armadas vêm sendo chamadas com tanta frequência para atuar em operações de Garantia da Lei e da Ordem. O papel constitucional das Forças Armadas não é o de polícia, é o de defesa da Pátria.

A senhora defende limitar os salários acima do teto no Judiciário?
A Justiça Militar da União nunca recebeu acima do teto constitucional. Nós somos o menor orçamento do Poder Judiciário e, efetivamente, nunca tivemos recursos para pagar verbas extras aos magistrados. Acho que a solução apresentada pelo ministro Edson Fachin é a mais adequada: uma lei federal, e não apenas uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), disciplinando de forma uniforme os subsídios e os contracheques da magistratura. Isso tende a acabar com os abusos e excessos, que, a meu ver, não vinham da Justiça Federal, mas principalmente da Justiça estadual.

A senhora é a primeira presidente mulher do STM. Que marca pretende deixar?
Quando assumi a presidência, disse que minha gestão seria fundada em um tripé: defesa do Estado Democrático de Direito, transparência e inclusão. Acho que esses três pilares dialogam diretamente com os direitos humanos e é essa a marca que eu pretendo deixar. Tenho procurado transformar esse discurso em ações concretas.

TRE confirma multa a Lula por pedido antecipado de votos para Tebet e Marina

Dark Horse vira munição contra Flávio após promessa de transparência não cumprida

Charge do Orlando (Instagram)

Leticia Fernandes
Estadão

A demora do senador Flávio Bolsonaro (PL) em prestar contas sobre o filme “Dark Horse”, que retrata parte da trajetória política de Jair Bolsonaro, virou munição de campanha para o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O partido cobrou nas redes sociais o candidato do PL, principal adversário de Lula nas urnas, sobre os três meses que se passaram desde que Flávio disse que apresentaria publicamente um relatório detalhado sobre o financiamento do longa-metragem, que contou com verba de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

GASTOS COM O FILME – Procurada, a assessoria do senador afirmou que a produtora já prestou contas à Justiça dentro do prazo. Flávio, porém, não voltou a se pronunciar publicamente sobre os gastos com o filme. O Estadão teve acesso aos dados encaminhados à Justiça e comprovou que o material enviado pela Go Up não detalha quem foram os financiadores do projeto, como prometeu o senador.

Em vídeo nas redes sociais, o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, cobrou nesta quarta-feira, 19, os “90 dias sem explicações sobre o dinheiro recebido do Vorcaro”.

PROMESSA –  O filho 01 de Jair Bolsonaro afirmou a jornalistas em 19 de maio que havia pedido à produtora Go Up, responsável pelo longa, para prestar contas detalhadas do financiamento da produção em até 30 dias.

A relação de proximidade de Flávio com Daniel Vorcaro, após se tornarem públicas informações de que o candidato pediu dinheiro ao banqueiro para financiar o “Dark Horse”, desgastou a reputação de Flávio.

“Meus pedidos, tanto à produtora quanto ao fundo, (foram) que eles se organizassem para fazer uma prestação de contas a todo mundo das despesas que foram feitas em função desse investimento no filme, de forma transparente, em até 30 dias. Foi o que eu pedi”, afirmou na ocasião.

Malafaia contesta denúncia de Gonet e diz que não citou comandante do Exército

Zema quer indultar Bolsonaro, mudar o STF e flexibilizar regras da CLT