Universal rebate críticas de Haddad e lembra que Edir Macedo apoiou Lula

Haddad recebe a hóstia em igreja na zona sul de SP

Daniel Weterman
Estadão

A Igreja Universal do Reino de Deus  rebateu em nota divulgada nesta sexta-feira, 12, as críticas do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad ao líder da igreja, Edir Macedo. Em entrevista ao participar de uma missa católica na zona sul de São Paulo, por ocasião do feriado de Nossa Senhora Aparecida, Haddad criticou o apoio do bispo à candidatura de Jair Bolsonaro, do PSL.

“Bolsonaro é o casamento do neoliberalismo desalmado representado pelo Paulo Guedes, que corta diretos trabalhistas e sociais, com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo”, afirmou Haddad. No evento, o petista também chegou a discutir com uma fiel que o chamou de “abortista”.

DESRESPEITO – “Com sua fala criminosa, o ex-prefeito de São Paulo desrespeita não apenas os mais de 7 milhões de adeptos da Universal apenas no Brasil, mas todos os brasileiros católicos e evangélicos que não querem a volta ao poder de um partido político que tem como projeto a destruição dos valores cristãos”, disse a Igreja em nota.

“Quando o Bispo Edir Macedo apoiou o Partido dos Trabalhadores (PT) e o ex-presidente Lula, o apoio era muito bem-vindo. Agora, quando o líder espiritual da Universal declara que seu candidato é Jair Bolsonaro, o Bispo Macedo deve ser ofendido de forma leviana?”

Empenhado em fazer um aceno ao eleitorado religioso, Haddad  já havia participado na quinta-feira, 11, de um encontro com a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Durante a missa da manhã desta sexta-feira, discutiu com uma fiel que disse que o petista não poderia ter participado da comunhão por ser “um abortista”. “Eu sou neto de um líder religioso”, respondeu o candidato e emendou: “Você deve ser ateia.”

SACRILÉGIO – Ao conversar com jornalistas, a mulher não quis se identificar e disse que a presença de Haddad no local era um sacrilégio. “A Igreja Católica não permite. Ele é um abortista, não tinha que estar aqui dentro”, afirmou. Durante a missa e após a cerimônia, a mulher fez filmagens, transmissões ao vivo pelo celular para uma rede social e disse que iria “denunciar” o ato.

Após a cerimônia, Haddad fez um discurso em frente à igreja pedindo apoio dos fiéis. “Nunca deixei de olhar todo mundo. Todo mundo é igual, ninguém é melhor do que ninguém”, disse.

Questionado sobre os ataques de Bolsonaro acusando a criação de um “kit gay” para ser distribuído nas escolas, Haddad retrucou: “É um grandessíssimo mentiroso. Porque ele não me enfrenta e pergunta isso num debate?”. “É uma mentira deslavada de quem não tem projeto para o País, a não ser armar as pessoas para que elas se matem.”

A ilusão da felicidade no amor, na visão do poeta Guilherme de Almeida

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Guilherme de Almeida, o “Príncipe dos Poetas”

Paulo Peres

Site Poemas & Canções


O desenhista, jornalista, advogado, tradutor, cronista e poeta paulista Guilherme de Andrade de Almeida (1890-1969), o Príncipe dos Poetas Brasileiros, explica neste soneto que pode não existir felicidade no amor.

AMOR, FELICIDADE
Guilherme de Almeida

Infeliz de quem passa no mundo,
procurando no amor felicidade:
a mais linda ilusão dura um segundo,
e dura a vida inteira uma saudade.

Taça repleta, o amor, no mais profundo
íntimo, esconde a jóia da verdade:
só depois de vazia mostra o fundo,
só depois de embriagar a mocidade…

Ah! quanto namorado descontente,
escutando a palavra confidente
que o coração murmura e a voz diz,

Percebe que, afinal, por seu pecado,
tanto lhe falta para ser amado,
quanto lhe basta para ser feliz!

Bolsonaro e Haddad esquentam o clima na volta da campanha pelo rádio e TV

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Daniela Lima
Folha/Painel

Em busca de um nocaute, Jair Bolsonaro (PSL) não vai dar refresco a Fernando Haddad (PT) na propaganda que está levando ao rádio. Todas as inserções do deputado têm pesadas críticas ao rival, a Lula e ao PT. Em uma das peças, o locutor diz que o Brasil tem dois caminhos, a direita e a esquerda, a quem acusa de querer liberar a maconha e o aborto – plataformas que Haddad não abraça. A Lava Jato é amplamente explorada, assim como as visitas do adversário ao ex-presidente que está preso em Curitiba.

Uma das peças produzidas pela campanha de Bolsonaro diz que “o primeiro ato de Haddad no segundo turno foi consultar seu chefe, condenado e preso por corrupção”. “Mas ficou feio, tão feio que o próprio presidiário mandou ele não ir mais.”

INDISSOCIÁVEL – A maioria dos spots tenta fazer uma vacina à estratégia do PT de desvincular Haddad do partido para transformá-lo no porta-voz de uma frente democrática. A propaganda de Bolsonaro martela: “Haddad é o PT, e o Brasil não quer mais isso”.

O descaminho econômico do governo Dilma Rousseff também é explorado pela campanha de Bolsonaro. Uma propaganda diz que o governo do PT segurou preços na marra e quebrou o país. Outra chama Dilma de “o primeiro poste de Lula” e trata Haddad como o segundo.

PT CONTRA-ATACA – A campanha do PT, por sua vez, ao menos no rádio, está atacado o fato de Bolsonaro cogitar não ir a debates mesmo após uma liberação médica. “Haddad está pronto. Por que Bolsonaro foge dos debates? O que ele tem a esconder?”, indaga o locutor.

Em outro spot, Haddad combate notícias falsas espalhadas por apoiadores do candidato do PSL. “Meu adversário não para de espalhar mentiras. Inventou até que eu teria mandado distribuir para crianças um material com imoralidades, tentando me atingir”, diz o petista.

Haddad usa sua profissão e seu histórico de vida para dar explicações ao eleitor. “Logo eu que sou um professor, neto de líder religioso e casado há 30 anos”, afirma, para então atacar: “Ele mente para esconder a verdade. A verdade é que ele não tem projetos para melhorar a sua vida”.

COM BARBOSA –  Ao menos quatro pessoas participaram do encontro entre Haddad e Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo. O clima, segundo relatos, era de apreensão. Um dos presentes disse que uma vitória de Bolsonaro não significava só a volta dos militares, mas a ascensão de milicianos.

O ministro aposentado do STF afirmou que, se decidir fazer um gesto público de apoio ao petista neste segundo turno, defenderá projetos e um governo pluripartidário, e não hegemonicamente do PT.

AGRESSÕES – Um grupo de advogados que apoia a candidatura petista vai criar nesta semana o que tem sido chamado de observatório nacional da violência e intolerância política. A ideia é abrir um canal para registros de relatos de agressões e ameaças para ingressar com ações criminais contra os autores.

O gabinete do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) também está catalogando e checando relatos de agressões. Ele diz que deixará a documentação como legado para a Comissão de Direitos Humanos. “Espero que não seja a nossa pré-lista de Schindler”, disse o parlamentar, que é adversário dos Bolsonaro.

Doria vem ao Rio em busca de apoio, mas não é recebido por Bolsonaro

O candidato do PSDB ao governo de SP, João Doria, o economista Paulo Guedes e Joice Hasselmann na Zona Sul do Rio Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Doria e Joyce conversaram com Guedes e foram embora

Jussara Soares
O Globo

O empenho que o candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, João Doria, tem demonstrado pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) ao Planalto não foi o suficiente para conquistar o apoio explícito do presidenciável no segundo turno das eleições. Nesta sexta-feira, o ex-prefeito da capital paulista viajou até o Rio para um encontro com Bolsonaro, mas não foi recebido. A cúpula do PSL afirmou que o candidato do partido manterá a neutralidade nos estados, com exceção de Roraima, Rondônia e Santa Catarina, onde candidatos da legenda ainda seguem na disputa. No Rio, o candidato Wilson Witzel (PSC) nutria esperança de receber oficialmente o apoio de Bolsonaro.

MAL ESTAR – O encontro que selaria o voto “Bolsodoria”, que vinha sendo cogitado desde a pré-campanha, havia sido confirmado pela assessoria de imprensa do tucano pela manhã e causou mal-estar na equipe de Bolsonaro. A reunião foi articulada pela deputada federal eleita Joice Hasselmann e o deputado estadual eleito Frederico D’Ávila, ex-integrante do PSDB e do governo Geraldo Alckmin.  Foram recebidos pelo economista Paulo Guedes, futuro ministro da Fazenda, e depois foram embora.

A tentativa de aproximação desagradou integrantes do PSL que se posicionam contra o tucano. Presidente do diretório paulista do PSL, o deputado federal e senador eleito Major Olímpio declarou, nesta semana, apoio ao governador Márcio França (PSB), que tenta a reeleição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  Doria forçou a barra, mas não conseguiu que Bolsonaro sequer o recebesse. Foi uma armação para forçar apoio, mas fracassou espetacularmente. (C.N.)

Defesa de Palocci apresenta a lista das provas e requer prisão domiciliar

O ex-ministro Antonio Palocci, durante depoimento ao juiz Sergio Moro Foto: Reprodução

Palocci entregou até o HD do computador da consultoria

Robson Bonin e Bela Megale

A defesa do ex-ministro Antonio  Palocci , hoje delator da Lava-Jato, pediu nesta quarta-feira ao Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4) que ele saia da cadeia e progrida para o regime de prisão domiciliar . Também solicitou que a prisão preventiva do ex-ministro seja revogada e que a pena aplicada a ele seja reduzida em dois terços na ação envolvendo as empresas Sete Brasil e a Petrobras.

Para sustentar as solicitações, os advogados de Palocci listaram 21 itens que integram a delação premiada do ex-ministro como extratos bancários com registro de entrada de propina na sua conta corrente e comprovantes de doações eleitorais oficiais realizadas em troca de favores para empresas junto ao governo. Também fazem parte do material dados de rastreadores veiculares que corroboram reuniões relatadas por Palocci e indicações de três testemunhas que confirmaram as reuniões narradas.

HD COMPLETO – O ex-ministro ainda entregou o HD com dados integrais do computador que era utilizado na sua empresa de consultoria, a Projeto, que não havia sido apreendido pela PF quando realizaram buscas no local, na 35ª fase da operação Lava-Jato, além de três celulares utilizados por seus funcionários, cópias de manuscritos e da sua agenda virtual –  dos anos de 2006 a 2010 e de 2015 e 2016.

Esse documento tem 7 mil páginas com informações como “reuniões espúrias narradas por Antonio Palocci Filho e em sua colaboração”, segundo a petição da defesa. No entanto, as provas não foram anexadas no pedido sob o argumento de que com isso a defesa violaria a cláusula de sigilo do acordo.

RELATÓRIOS – Os advogados afirmam ainda que foram elaborados 18 termos de depoimento com as declarações de Palocci que resultaram em relatórios elaborados pela Polícia Federal sobre crimes no âmbito da Sete Brasil e da Petrobras.

Relatam ainda que a colaboração do ex-ministro não se restringe à Polícia Federal do Paraná, mas inclui a Polícia Federal do Distrito Federal, que passou a ser signatária do acordo após colher depoimento de Palocci sobre crimes realizados na empresa Sete Brasil. Também afirma que, em agosto, Palocci concedeu depoimento ao Ministério Público Federal do Distrito Federal que reconheceu a delação.

Esvaziado, Guedes sugere criação do “superconselho” de política econômica

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Guedes já começou a ser escanteado por Bolsonaro

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Coordenador do programa econômico de Jair Bolsonaro (PSL) e fiador de seu programa liberal, o economista Paulo Guedes ventilou para colaboradores da campanha e empresários entusiastas da candidatura do capitão reformado a ideia de criar um conselho econômico aos moldes do que existe nos Estados Unidos. No governo americano, o Conselho Nacional Econômico (The National Economic Council, em inglês) tem como função definir a política econômica e assessorar o presidente em temas sobre economia.

Nesta quinta-feira, Guedes foi anunciado novamente por Bolsonaro como seu nome para a Fazenda, embora as propostas do economista tenham causado confusão nos bastidores.

Alguns aliados interpretaram a menção à formação de um conselho desse tipo como indicação de que Guedes acabaria declinando do posto de chefe da Economia de Bolsonaro para assumir o papel de “superassessor”, dando as diretrizes liberais do novo governo para um gestor executar. Oficialmente, ele nega a intenção.

Duas fontes da campanha confirmam que a ideia foi exposta por Guedes em reuniões, mas asseguram que ele mantém intenção de se tornar o ministro da Economia de um eventual governo Bolsonaro. Questionado pela reportagem, Guedes afirmou que falar sobre esse tema é iniciativa de “quem quer tomar o meu lugar”.

Para Bolsonaro e seu núcleo duro, a figura de Guedes é crucial para dar credibilidade aos intentos liberais do presidenciável. Um aliado de Bolsonaro, que esteve em reuniões com Guedes, diz ter conhecimento da ideia, mas que ela não avançou para uma proposta formal.

Outra fonte da equipe diz que a formação de um conselho chegou a ser mencionada em reunião com integrantes da equipe econômica de Michel Temer, mas no contexto de um elogio ao time do governo. A intenção de Guedes, explicou essa fonte que pediu para não ser identificada, era sinalizar que nomes do atual Ministério da Fazenda teriam espaço na equipe do Bolsonaro caso assim quisessem.

Guedes gosta do trabalho do ministro Eduardo Guardia, do secretário do Tesouro, Mansueto de Almeida, e da secretária executiva do Tesouro, Ana Paula Vescovi. Por isso, diz o aliado, ele brincou em uma reunião que, se esse grupo permanecesse, “ele nem precisaria assumir” e poderia ficar apenas como conselheiro econômico de Bolsonaro.

REPERCUSSÃO – As conversas sobre a formação desse conselho econômico, contudo, reverberaram rapidamente entre apoiadores da campanha no mercado financeiro e no setor empresarial, que iniciaram de forma informal debates sobre nomes que poderiam ocupar o papel de “gestor da Fazenda” e seguir as determinações de Guedes.

A interlocutores, o economista tem reforçado nos últimos dias que está decidido a tocar a equipe econômica de Bolsonaro caso ele seja eleito. Guedes, que é sócio da Bozano Investimentos, dedica-se há meses a moldar o que seria o plano liberal de um eventual governo do PSL. Mas, em entrevistas, vinha resistindo em confirmar se estaria de fato na Esplanada dos Ministérios de Bolsonaro, alimentando a desconfiança de agentes de mercado.

À revista Piauí de setembro, numa de suas últimas entrevistas antes do primeiro turno, Guedes afirmou: “Se não der para fazer o negócio bem feito, que valha a pena, para quê eu vou?”. Pressionado sobre se desistiria, disse à publicação: “Esse prazer eu não dou. Só depois que ele for eleito”.

DO TIPO EUA – Criado pelo ex-presidente democrata Bill Clinton, o Conselho Nacional Econômico foi mantido ao longo dos anos e é subordinado à Casa Branca. Ele tem como função definir os rumos da política econômica e garantir que os órgãos da administração estejam implementando-a corretamente.

O diretor do conselho não precisa ser confirmado pelo Senado americano. Ele é apenas indicado pelo presidente. Já o secretário do Tesouro, cargo que seria correspondente ao do ministro da Fazenda no Brasil, precisa passar pelo crivos dos congressistas americanos.

No início do governo Donald Trump, a chegada do ex-presidente do Goldman Sachs Gary Cohn para o conselho ajudou a dar credibilidade à administração do republicano. O executivo acabou deixando o posto no início deste ano após Trump elevar tarifas de importação, intensificando sua guerra comercial e dando feição protecionista à administração republicana.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Diz o Estadão que Bolsonaro reafirmou o nome de Guedes para tentar dirimir as dúvidas de investidores e eleitores que buscam um projeto liberal. Em tradução simultânea, Guedes foi esvaziado pelos prejuízos aos fundos de pensão. E Bolsonaro aproveitou para reafirmar que Guedes e o vice Mourão foram solicitados a não dar entrevistas, por não terem traquejo em lidar com a imprensa. (C.N.)

Proposta de Kátia Abreu para que Haddad renunciasse era mesmo para valer

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Kátia lamenta que Haddad não tenha aceitado sua ideia

José Carlos Werneck

Muita gente pensou que fosse brincadeira a proposta da senadora Kátia Abreu, do PDT do Tocantins, ao defender que o candidato petista Fernando Haddad renunciasse à campanha presidencial nas eleições 2018, “em nome da democracia”. Mas a sugestão era mesmo para valer, para que o petista, ao abandonar a disputa, abrisse espaço para que Ciro Gomes viesse a ser o adversário de Jair Bolsonaro neste 28 de outubro.

“Eu não estranharia e acharia muito digno se Haddad desistisse da candidatura, diante da possibilidade de entregar o País a um fascismo religioso”, declarou, referindo-se a Bolsonaro. “A lei é clara. Se ele renunciasse à sua candidatura, Ciro Gomes seria o candidato. E era o único capaz de vencer Bolsonaro”.

DIZ A LEI – Sua proposição encontra amparo legal no artigo 77 da Constituição Federal, que em seu inciso 4º determina que “se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação”.

A senadora foi taxativa, ao afirmar que, não fará campanha para Haddad, apesar da decisão do partido de optar pelo “apoio crítico”. Afirmou que o “PDT só deu apoio crítico ao PT para não dar uma de Pôncio Pilatos, para não lavar as mãos diante da ameaça e fascismo que a outra candidatura representa. O PT, que tinha uma causa lá atrás, não existe mais, não vale a pena defender”.

E declarou que votará em “branco” ou “nulo” no segundo turno. A senadora só esquecer de esclarecer se ela continuaria como a vice da chapa ou seria substituída pela Manuzinha…

A disputa de Bolsonaro e Haddad, na força da gravidade no segundo turno

Os candidatos à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT)

Com a propaganda  de volta à TV, aumenta o embate

Bruno Boghossian
Folha

A movimentação dos atores políticos neste início de segundo turno permite medir a intensidade dos campos gravitacionais dos dois nomes da disputa. As adesões às chapas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) já dão uma pista das alianças que podem moldar seus governos.

Quanto mais forte está um candidato, menor a necessidade de fazer concessões, ajustar discursos e moderar plataformas. Ao abrir vantagem sobre seu principal adversário, Bolsonaro imediatamente atraiu o apoio de políticos interessados em se beneficiar de sua imagem ou derrotar o PT.

DORIA FOI RÁPIDO – João Doria, candidato do PSDB ao governo de São Paulo, apostou nos dois prêmios. No próprio domingo do primeiro turno, declarou voto no presidenciável. O tucano até afirmou que não concorda com todas as posições de Bolsonaro, mas depois se orgulhou em dizer que deu seu apoio sem pedir “contrapartida”.

A onda que empurra o candidato do PSL nesta eleição colocou sua campanha em posição confortável. Políticos de diversos partidos decidiram se colar a sua candidatura sem a exigência de qualquer mudança em seu programa, por exemplo.

Haddad está em situação menos favorável. A adesão de Ciro Gomes (PDT) ao petista era tratada como um movimento óbvio, mas o ex-governador cearense fez jogo duro. Declarou apoio crítico ao PT e pegou um avião para a Europa.

NOVOS RUMOS – A três semanas do segundo turno, os petistas decidiram apagar trechos do programa de governo e mudar alguns hábitos. Haddad interrompeu suas visitas a Lula na carceragem da Polícia Federal e desautorizou José Dirceu no horário nobre da TV.

A moderação era um aceno a políticos de centro e de direita para derrotar Bolsonaro. Ainda não funcionou.

E o maior sinal de que as urnas eletrônicas são confiáveis é a derrota de Romero Jucá. O homem mais poderoso de Roraima, símbolo do establishment político, perdeu sua cadeira no Senado por apenas 426 votos.

O que esperar do Brasil em 2018, com o poder associado ao dinheiro?

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

André Lara Resende
Valor Econômico

O sentimento que hoje dá a tônica no Brasil é o de desalento. Depois de três anos da mais grave recessão da história do país, a economia dá sinais de recuperação, mas ainda não há investimento para garantir um novo ciclo de crescimento. Não há investimento porque a confiança não se recuperou. O país está à espera das eleições presidenciais de 2018. A esperança que ainda tempera o desalento é que o presidente eleito em 2018 seja capaz de recolocar o país nos trilhos.

Recolocar o país nos trilhos tem diferentes interpretações, mas há um relativo consenso sobre os problemas a serem enfrentados. Corrupção, criminalidade e violência nas cidades, saúde pública, desigualdade de educação e de riqueza são questões que há décadas nos atormentam e só se agravaram.

DEPENDEM DO PODER – São questões eminentemente políticas, que dependem do poder público, questões incapazes de serem resolvidas por iniciativas individuais, ou mesmo corporativas, com ou sem fins lucrativos. Temos a impressão de que são problemas nossos, uma especificidade do país que atravessou o século XX sem conseguir chegar ao Primeiro Mundo, mas a verdade é que são problemas que afligem, em maior ou menor grau, todas as grandes democracias contemporâneas.

Basta observar os Estados Unidos hoje. A lista acima, dos nossos grandes problemas, seria integralmente aceita para descrever as questões que afligem a mais rica e bem-sucedida democracia contemporânea.

Num pequeno livro publicado originalmente em 1993, “O Fim da Democracia”, Jean-Marie Guéhenno, diplomata francês, professor da Universidade de Columbia, defendia uma tese que, à época, parecia precipitada e provocadora. Sustentava que havíamos chegado ao fim de uma era. O período da modernidade, da democracia, iniciado com o Iluminismo do século XVII, cujo apogeu se deu no século passado, se encerrava com o fim do milênio.

É UMA PROFECIA – Diante do mal-estar que hoje se percebe em toda parte, não apenas em relação à democracia representativa, mas em relação à própria política, a releitura do ensaio de Guéhenno nos deixa com a impressão de se tratar de uma reflexão profética sobre a crise deste início de século.

A modernidade se organizou a partir da crença nas instituições democráticas, na força das leis para organizar e controlar o poder. Difundiu-se a tese de que a melhor maneira de regular a convivência, organizar a sociedade era limitar o poder pelo poder, distribuindo-o entre vários polos e instâncias.

As construções institucionais que organizam essa distribuição do poder, de maneira que impeça a usurpação por um deles, ou colusão entre eles, num delicado equilíbrio de distribuição, não apenas do poder, mas também da riqueza, é o que caracteriza a democracia moderna.

ANTIGAMENTE – No passado, antes do enriquecimento que acompanhou a era da razão e da indústria, a riqueza fundiária era o único poder. O poder político não se distinguia do poder econômico, ser poderoso era, sobretudo, escapar da miséria generalizada.

A democracia institucional da modernidade foi um extraordinário progresso em relação à concentração do poder e da riqueza das épocas passadas, mas, nessa passagem de século, as instituições democráticas se tornaram obsoletas. Há dificuldade em admiti-lo, porque não temos o que pôr no lugar da democracia representativa.

 Não conhecemos uma forma de melhor organizar a sociedade. As palavras democracia, política, liberdade definem o espectro de nossa visão de um mundo civilizado, mas não temos mais certeza de saber o seu verdadeiro sentido. Nossa adesão, à construção institucional e aos valores da democracia moderna, é mais um reflexo condicionado do que uma opção refletida.

GRANDE DEMAIS – Com a densidade demográfica e o progresso tecnológico, sobretudo nas comunicações, a sociedade dos homens se tornou grande demais para formar um corpo político. Não há mais cidadãos, pessoas que compartilham um espaço físico e político, capazes de expressar um propósito coletivo.

Todos se percebem como titulares de muitos direitos, e cada vez menos obrigações, num espaço nacional pelo qual não se sentem responsáveis, nem necessariamente se identificam. Na idade das redes, da mídia social, a vida pública e a política sofrem a concorrência de uma infinidade de conexões estabelecidas fora do seu universo.

Longe de ser o princípio organizador da vida em sociedade, como o foi até algumas décadas atrás, a política tradicional passa a ser percebida como uma construção secundária e artificial, incapaz de dar resposta aos problemas práticos da vida contemporânea.

RADICALIZAÇÃO – Sem a política como princípio organizador, sem homens públicos capazes de definir e representar o bem comum, a pulverização dos interesses, longe de resultar num consenso democrático, leva à radicalização na defesa de interesses específicos e corporativos. Na ausência de um princípio regulador, universalmente aceito como acima dos interesses específicos, a tendência é a da radicalização na defesa de seus próprios interesses. Não há mais boa vontade com os que discordam de nós, nem crédito quanto à suas intenções.

Sem confiança e boa-fé, os elementos essenciais do chamado capital cívico, não há como manter viva a ideia de nação, de uma memória e de um destino compartilhado. Num primeiro momento, tem-se a impressão de que a confiança e a boa-fé, vítimas da sociedade de massas, poderiam ser substituídas, sem prejuízo do bom funcionamento da sociedade, pela institucionalização e pela formalização jurídica das relações.

DOMÍNIO DA LEI? – O que é um avanço, o domínio da lei, quando levado ao paroxismo, quando se depende da lei, dos contratos jurídicos para regular até mesmo as mais comezinhas relações cotidianas, é sinal inequívoco da erosão do capital cívico. O sistema jurídico, os advogados, se tornam o campo de batalha, os exércitos, de uma guerra onde cada um, cada grupo, se agarra obstinadamente aos seus interesses e “direitos” particulares.

Quebrar um contrato, desobedecer à lei, é passível de punição, mas fora dos contratos e da lei tudo é permitido, não há mais princípios nem obrigação moral. Quando não existe mais terreno comum fora dos contratos jurídicos, quando não é mais possível, de boa-fé, baixar as armas e confiar, é porque não há mais terreno comum e a decomposição da sociedade atingiu um estado avançado. O estágio final é a decomposição das próprias instituições que fazem e administram as leis.

REINA A RIQUEZA – Talvez a mais polêmica das teses de Guéhenno, à época da publicação de seu ensaio, fosse a de que o princípio organizador do poder no mundo contemporâneo fragmentado é a riqueza. Não mais o capital, capaz de organizar e explorar o trabalho, como queria a tradição marxista, mas a riqueza em abstrato.

Com a desmaterialização da economia, provocada pela revolução digital, o capital e o trabalho caminham rapidamente para se tornar dispensáveis. A riqueza é criada e destruída com extraordinária velocidade e de forma completamente dissociada do que restou do sistema produtivo do século XX.

No mundo contemporâneo o poder voltou a estar associado à riqueza e ao dinheiro, agora desmaterializados, ao sabor exclusivo das expectativas, das percepções coletivas, que tanto se expressam como se validam na criação de riquezas abstratas, tão impressionantes como voláteis.

CORRUPÇÃO – Para Guéhenno, é sob este prisma, do dinheiro como o princípio organizador do poder, que se deve analisar a corrupção no mundo contemporâneo. Longe de ser um fenômeno arcaico, lamentável sinal de uma sociedade subdesenvolvida, incapaz de distinguir entre a fortuna particular e o bem público, a corrupção é um elemento característico da sociedade contemporânea.

Quando o Estado e a política deixam de ser o princípio organizador do bem comum, quando políticos e funcionários passam a serem percebidos e a se perceber como meros prestadores de serviços para uma multiplicidade de interesses específicos, é natural que sejam remunerados, diretamente pelos interessados, pelos serviços prestados.

No mundo onde o relacionamento vale mais do que o saber, onde o poder público é visto apenas como facilitador de interesses particulares, a chamada corrupção, desde que não saia de controle, é apenas uma forma de aumentar a eficiência da economia.

GERAÇÃO DA RIQUEZA – O valor supremo é a eficiência da economia na geração de riqueza. A política e a alta função pública, há tempos, perderam importância e prestígio. Os sucessivos “escândalos” de corrupção com recursos públicos nas democracias contemporâneas não são uma anomalia, mas a consequência lógica do triunfo do único valor universal que sobrou no mundo pulverizado das redes, o dinheiro, como indicador de sucesso pessoal e de sucesso das sociedades. A riqueza se tornou o gabarito comum, a única referência através da qual é possível estabelecer comunicação entre indivíduos e tribos que nada mais compartilham, a não ser a reverência em relação à riqueza.

O tempo deu razão a Guéhenno. Suas teses, hoje, parecem menos extravagantes. A revolução digital, a pulverização das identidades, a desmaterialização da economia e o fim do emprego industrial tornaram obsoleta a política das democracias representativas. Nosso desalento não é exclusividade nossa. O que poderia servir de consolo é, na verdade, evidência de que o problema é mais grave do que se imagina.

CONSCIÊNCIA – É bom que se tenha consciência, para não depositar esperanças infundadas nas eleições de 2018. Para recolocar o país nos trilhos, para dar fim ao desalento, não basta evitar os radicalismos. É preciso ir além de uma proposta moderada reformista, pautada pelo que o país deveria ter conseguido ser no século passado.

 É preciso ter o olhar voltado para o futuro, e o futuro é o da economia digitalizada, da inteligência artificial, com profundas repercussões na forma de se organizar a economia e a sociedade. Pode ainda não estar claro onde a estrada nos levará, mas é preciso estar na estrada para não ficar definitivamente para trás.

(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Bolsonaro precisa incentivar o desenvolvimento industrial e alavancar o país

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Charge do Helder (Arquivo Google)

Flávio José Bortolotto

Aparentemente a eleição presidencial está ganha pelo Sr. Jair Bolsonaro (62 anos), do PSL, mas o Sr. Fernando Haddad (55 anos), do PT, pode crescer muito até o dia 28. A maioria está com o Sr. Bolsonaro porque cansou da insegurança pessoal, corrupção política e do velho sistema de toma lá, dá cá, para formar a administração pública. Até nosso maior problema, o desemprego, passou incrivelmente para plano secundário. Nem o Sr. Haddad PT fala mais em pleno emprego.

O competente e experiente Sr. Henrique Meirelles (73 anos), do MDB, definiu com clareza ontem, ao dizer que o plano de governo do Sr. Haddad é recessivo, pois com a derrubada da Lei do Teto de Gastos, expansão do deficit público, do endividamento público, uso de reservas etc., só teremos um “voo de galinha”, e depois uma nova recessão tipo governo Dilma II, por perda da confiança de que o governo tenha meios de pagar seus encargos e consequente grande fuga de capitais.

PLANO CONFUSO – Meirelles assinalou que o plano de governo do Sr. Bolsonaro é confuso, pois seu histórico de votações em 28 anos na Câmara dos Deputados, de ser oriundo do Exército e sempre defender os Planos Nacionais de Desenvolvimento quinquenais, seria de ele defender ferrenhamente o nacional desenvolvimentismo industrializante, mas agora escolheu como seu principal assessor econômico o Dr. PAULO GUEDES (69 anos) economista da Escola de Chicago, liberal laissez-faire, o que gera confusão.

Acredito que como nos diz o Jornalista Sr. Carlos Newton, as Forças Armadas, especialmente o Exército, exercerão um poder de veto sobre os planos do Dr. Paulo Guedes.

LINHA DO DELFIM – A nosso ver, o Sr. Bolsonaro deveria seguir mais as boas ideias econômicas do nacional-desenvolvimentista industrializante defendidas pelo Dr. Delfim Netto.

Se o Sr. Bolsonaro esclarecer melhor seu plano econômico, como começou a fazer agora, dizendo que o setor elétrico, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras etc., não deixarão de ser controlados pelo Estado, e optasse por um viés mais nacional desenvolvimentista industrializante, a nosso ver, ganharia a eleição presidencial, com muito mais facilidade.

Nova linha do PT não combina com o figurino do programa de Haddad

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Vera Magalhães
Estadão

O PT mudou de roupa do domingo para a segunda-feira. Saíram as camisetas “Lula livre” que Fernando Haddad vestiu no primeiro turno nas visitas a Curitiba ou nos caminhões de som pelo Nordeste e pela periferia e entrou o terno alinhado do candidato no Jornal Nacional. Juntamente com a nova indumentária vieram acenos a um novo programa de governo, novos aliados, pacto contra fake news e até um elogio, vejam só, à social-democracia.

O próprio Lula, que comandou a campanha até domingo direto de Curitiba, por meio de cartas, orientações nas visitas à sede da PF e aparições na propaganda do PT, resolveu sair de cena. Liberou Haddad das visitas por ora.

PLANO DE GOVERNO – O problema do PT é que a transmutação é tão repentina, ensaiada e interessada que é difícil de ser crível. Diferentemente das bateções de cabeça entre Jair Bolsonaro e o candidato a vice, Hamilton Mourão, sobre Constituinte de notáveis, no caso do PT a defesa a que se rasgue a Constituição e se escreva outra, sabe-se lá como, está consignada no plano de governo, que foi coordenado pelo próprio Haddad. Mais: foi dita em voz alta por ele em setembro.

Não basta dizer que era “pegadinha do malandro”. O programa de governo do partido será revogado? Só nesta parte ou será inteiramente refeito? Sim, porque ele contém outros pontos claramente autoritários, dos quais já tratei aqui: controle social da mídia e também a mudança nos conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público para torná-los mais “permeáveis” à sociedade (ou ao partido?).

O PT passará a respeitar decisões judiciais? Haddad, caso seja eleito, o fará? Sem compromissos claros, não basta um arremedo de carta ao povo brasileiro.

TRABALHO ESCRAVO – Na primeira entrevista após o primeiro turno das eleições, Jair Bolsonaro (PSL) criticou, na Jovem Pan, o que chamou de “ativismo fiscalizatório” em relação a denúncias de trabalho escravo ou análogo à escravidão. Recorrendo a um exemplo, disse que uma agricultora pode estar borrifando uma lavoura de alface com veneno sem saber que está grávida e, nesta situação, se um fiscal chegar, o proprietário rural pode ser punido por trabalho análogo à escravidão até com a expropriação do imóvel. Para ele, “isso não pode continuar acontecendo”.

No ano passado, uma portaria do Ministério do Trabalho tentou alterar as definições de trabalho forçado, jornada exaustiva e condições análogas à de escravidão. Diante da reação negativa do Ministério Público, da Justiça e da imprensa, o governo Michel Temer recuou e o então ministro, Ronaldo Nogueira, caiu. Como inseriu o tema em uma resposta sobre um outro assunto, Bolsonaro não esclareceu se quer mudar a legislação, que está em vigor desde 2003.

NOVO CONGRESSO – Onyx Lorenzoni (DEM-RS), principal articulador de Bolsonaro no parlamento, se entusiasmou com a renovação do Congresso. Para ele, a nova configuração aproxima o parlamento brasileiro dos europeus, em que bancadas ideológicas mais definidas darão lugar às fisiológicas que mandaram na Câmara e no Senado até aqui e negociavam apoio por emendas ou cargos, com o Centrão como símbolo. A conferir.

E vem aí temporada de ‘fusões e aquisições’. A possível fusão da Rede, que não atingiu a cláusula de barreira, com o PV abriu a temporada do que os políticos chamam nos bastidores de “fusões e aquisições” de siglas por outras. Um dos partidos mais ambiciosos nesse mercado – que nada mais é que o velho troca-troca partidário, agora com licença da Justiça Eleitoral –, é o Podemos, que resolveu colocar em prática o slogan “abre o olho”, de seu candidato à Presidência, e calcula que pode agregar de 5 a 7 novos deputados.

Vitória de Haddad seria mudar em 15 dias tudo o que o eleitor demonstrou

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Merval Pereira
O Globo

No jargão dos institutos de pesquisa, quando os gráficos mostram um desenho que distancia dois competidores de maneira clara, diz-se que “abriu a boca do jacaré”. E quando ela abre, é difícil de ser fechada. O fato é que uma vitória de Haddad seria mudar em 15 dias tudo o que o eleitorado brasileiro fez no último domingo, quando varreu figuras tradicionais da política brasileira, apartidariamente, mas atingindo, inclusive, políticos do PT ou seus aliados mais explícitos, com uma ou outra exceção devido a peculiaridades da política local.

A situação é tão grave que o PT aceitou uma derrota simbólica de relevância, permitindo que Haddad apagasse de sua propaganda o rosto de Lula e, mais que isso, trocasse a cor vermelha da propaganda, pelo verde e amarelo típico da campanha de Bolsonaro.

COXINHAS – É interessante notar que desde 2013, quando das manifestações populares difusas contra “tudo o que está aí”, e depois nas passeatas a favor do impeachment de Dilma, os manifestantes que usavam o verde e amarelo, geralmente com a camisa da seleção brasileira de futebol, eram ridiculamente acusados pelos petistas de serem “coxinhas” coniventes com a corrupção da CBF.

Agora, os cartazes do petismo que quer se esconder mostram moças e rapazes com a camisa da seleção, com a mão no peito em sinal de respeito, e olhando para o horizonte, dignos do realismo socialista do tempo de Stalin na União Soviética. E o desaparecimento da figura de Lula dos cartazes lembra muito o hábito stanilista de apagar das fotos os que caiam em desgraça no regime comunista, muito antes de aparecer o photoshop.

É claro que o PT não chegou a esse ponto, e Lula continua sendo “o grande líder”.  Mas como a rejeição a ele e ao PT é grande, a ponto de o diretor do Ibope Carlos Augusto Montenegro avaliar que se o ex-presidente fosse candidato hoje poderia perder a eleição, estrategicamente escondem-no, com o consentimento do próprio.

BIZARRICE -Haddad, aliás, escreveu um livro, justamente no ano da queda do Muro de Berlim, cujo objetivo é demonstrar que a revolução comunista de 1917 não conseguiu implantar o verdadeiro socialismo.   Quando era ministro da Educação, para reagir às críticas ao livro “Por uma Vida Melhor”, que admitia erros de português como sendo uma forma espontânea de se expressar, Haddad saiu-se com essa bizarrice: “Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam os seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los”.

O eleitor, na prática, fez o mesmo que Lula nas eleições de 2010 e 2012, que escalou seus adversários preferenciais para derrotar, em diversos partidos: Tasso Jereissati, do PSDB; Arthur Virgílio, do PSDB; Marco Maciel, do DEM; Heloisa Helena, hoje na Rede.

Lula fez campanha pessoalmente contra Arthur Virgilio, e disse que o povo havia dado uma lição a ele com a vitória de Vanessa Graziotin para o Senado. Hoje, Virgilio é prefeito de Manaus e Graziotin não foi reeleita. Sobre a derrota de Tasso Jereissati naquela altura, disse que o povo “fez um favor danado”. Tasso hoje é senador.  

DE VOLTA A 1989 – A proposta de Katia Abreu, vice de Ciro Gomes, para que Haddad renuncie para permitir que Ciro dispute com Bolsonaro, o único que poderia vencê-lo segundo sua opinião, lembra um episódio da eleição presidencial de 1989, que tantas semelhanças tem com a de hoje.

Derrotado por Lula por exatos 0,67% de votos, Brizola pediu que Lula renunciasse para que Mario Covas, do PSDB, que ficou em quarto lugar, pudesse enfrentar Collor, pois teria mais condições para isso que Lula. Como agora, não deu certo.

Bolsonaro avança no Nordeste e Haddad tenta reagir no segundo turno

Apoiadores do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) vestem verde e amarelo e cartazes em apoio ao candidato

Em Recife, Bolsonaro saiu vencedor no primeiro turno

João Valadares e João Pedro Pitombo
Folha

O carro do microempresário Fábio Apolinário, 39 anos, percorre as ruas da periferia do Recife com uma bandeira do Brasil estendida na parte traseira. Eleitor de Lula em 2002 e 2006, ele faz parte de um contingente de 7,7 milhões de nordestinos que votou em Jair Bolsonaro (PSL) neste primeiro turno desta eleição.

O candidato do PSL, que acabou o primeiro turno com 26% dos votos válidos no Nordeste contra 51% de Fernando Haddad (PT), avançou nos grandes centros urbanos da região e venceu em 42 cidades nordestinas, incluindo cinco capitais: Recife, Maceió, Natal, João Pessoa e Aracaju.

BUSCA DE VOTOS – Para este segundo turno, a palavra de ordem do candidato do PSL é mirar o interior dos estados do Nordeste, conquistar aliados e tentar ampliar a votação na região. Por outro lado, a equipe de Fernando Haddad atua para fazer um trabalho de contenção e impedir que tradicionais eleitores petistas migrem para o capitão da reserva.

Em quatro anos, houve um aumento do eleitorado antipetista no Nordeste. Em 2014, Aécio Neves (PSDB), principal opositor da candidatura de Dilma Rousseff (PT), teve 4,2 milhões de votos na região e venceu em apenas duas cidades –Campina Grande (PB) e Buerarema (BA).

Pernambuco, terra do ex-presidente Lula, que sempre consagrou nacionalmente os candidatos do PT nas urnas, é um bom exemplo para medir a diferença entre 2018 e as eleições anteriores.

BOLSONARO AVANÇA – Apesar de ter perdido para Haddad (48,87% x 30,57%) no estado, Bolsonaro conseguiu vencer a disputa nos cinco maiores colégios eleitorais: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista e Caruaru.

O resultado mostra que, dos 1,14 milhão de votos que o candidato do PSL obteve em Pernambuco, a grande maioria, 884.828 mil votos, veio justamente dos 10 municípios pernambucanos com maior número de votantes.

Por outro lado, nas dez maiores cidades pernambucanas, Haddad conseguiu apenas 773.794 mil dos 2.309.104 votos obtidos no estado.

“É DIFERENTE” – Em Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife, o ambulante Fábio Sebastião de Almeida, 41 anos, é eleitor de Lula e não sabe explicar direito por que vai votar em Bolsonaro.

“Não conheço direito, mas vou votar nele mesmo porque é diferente. Se ele não prestar, a gente tira depois”, resume. Ele não votou no primeiro turno porque, no sábado, um dia antes das eleições, o filho de 17 anos foi assassinado.

“Mataram a tiros aqui mesmo no bairro. Violência está muito grande. Tem que mudar”, conta, sem saber explicar o que o seu candidato propõe para diminuir o número de homicídios.

BANDEIRA NA KOMBI – Vizinho à casa do ambulante, Fábio Apolinário, 39 anos, dono de um mercadinho, colocou uma bandeira do Brasil na Kombi que usa para fazer entregas. “Aqui é Bolsonaro. Eu não acredito nessas mentiras que contam sobre ele. Não acredito na televisão. A verdade está aqui”, diz, apontando para o seu celular.

Fábio faz questão de dizer que sempre votou no ex-presidente petista: “Eu confesso que se Lula fosse o candidato hoje, eu pensaria em votar nele. Mas o que é certo é que ele não é candidato e, por isso, vou votar em Bolsonaro para tentar mudar as coisas que estão aí”.

A empregada doméstica Maria José Gomes, 62 anos, que foi ao mercadinho de Fábio comprar verduras, escuta a conversa e retruca. “Eu votei em Lula no primeiro turno. No candidato dele, digo. Vejo muita gente aqui dizendo que vai votar nesse Bolsonaro. Esse povo tem memória curta. Só prosperaram por causa de Lula. Como se vota em um maluco, meu deus?”, questiona.

NOS GROTÕES – Depois de avançar nas capitais nordestinas, Bolsonaro modulou o discurso para tentar chegar aos grotões. As duras críticas do passado ao Bolsa-Família foram guardadas. 

Nesta quarta-feira (dia 10), gravou um vídeo no qual promete que vai conceder um 13º salário aos beneficiários do programa. A promessa é a mesma do governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), apoiador de Haddad, reeleito no primeiro turno.

Para o deputado federal eleito Heitor Freire (PSL-CE), as inserções e o horário eleitoral na televisão vão ajudar Bolsonaro a levar seus discursos aos eleitores da zona rural das cidades nordestinas. “Infelizmente, no interior, o acesso a internet ainda é difícil. Sou de Juazeiro do Norte e conheço bem essa realidade. Sei que é muito mais difícil a nossa mensagem chegar pelas mídias sociais”, afirma.

Piada do Ano! Haddad diz que vai governar o país “sem revólver na cintura”

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Haddad culpa Jair Bolsonaro pela violência no país

José Carlos Werneck

Totalmente ridícula e descabida a declaração do candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, ao afirmar nesta quinta-feira que, se for eleito, pretende unir o País por meio do diálogo, “sem revólver na cintura”. O candidato parece esquecer que é sobre seu partido que se referem casos até de morte de correligionários políticos envolvidos em roubalheiras do PT. Parece esquecer que quem foi vítima de uma tentativa de homicídio, ocorrida durante o primeiro turno da campanha eleitoral foi justamente o seu oponente, o deputado federal Jair Bolsonaro.

Haddad devia lembrar que os militantes de seu partido é que pregam a desordem, a depredração e a violência nas cidades e no campo, neste último caso, através do MST, adorado pelos petistas.

UNIR O PAÍS – Haddad deu a infeliz e risível declaração ao conceder entrevista ao site Metrópoles, em Brasília. O candidato foi perguntado sobre o que pretende fazer para unir um país que, em razão da “polarização” política, está “bastante dividido”.

“Nós aqui precisamos de diálogo! Nós precisamos sentar à mesa com as pessoas, sem revólver na cintura. Somos de ‘um livro na mão e carteira de trabalho na outra’. É outra filosofia para fazer este país se entender. Veja, só com o fato de o Bolsonaro ter passado para o segundo turno, a violência no país explodiu”, afirmou o candidato petista ,agora envolvido por uma aura de amor e paz.

Na entrevista , Haddad foi taxativo: “São eles que estão fazendo isso”.

QUEM SÃO ELES? – O candidato, então, foi indagado sobre quem seriam “eles”. Ao que respondeu: “Já está identificado. Os autores estão identificados. Quem faz uma suástica no corpo de uma mulher a canivete? Quem tem apreço por regimes autoritários? Quem defende tortura no Brasil? Não é que defende numa sala reservada, defende na televisão. Defende na televisão a tortura! Quem defende extermínio de opositores? Ele falou que o problema da ditadura não foi ter matado 30 mil pessoas, porque só matou 300! Quem defende o extermínio no Brasil? Vamos falar o português claro!”

Em seguida, Haddad, beirando ao ridículo, afirmou ser necessário “deixar claro” que a democracia “está em jogo”. E acrescentou: “Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar”.

REUNIÃO COM BARBOSA – Depois de ficar decepcionado com o “apoio crítico” declarado por Ciro Gomes à sua candidatura, Haddad decidiu investir em outros nomes e visitou em Brasília o ex-presidente do Supremo, Joaquim Barbosa. Haddad antecipou sua ida à Brasília, que só aconteceria na manhã desta quinta, unicamente para se avistar com Barbosa, tentando convencê-lo a participar de uma frente democrática que se contraponha a Jair Bolsonaro, mas a conversa não foi conclusiva.

A reunião reservada, mas que “vazou” para a Imprensa, aconteceu na noite desta quarta-feira, na presença de Carlos Siqueira, presidente do PSB, o que gerou um comentário de um jornalista, dizendo que conversa reservada, com mais de duas pessoas é quase um comício…

Redes sociais se firmam como o novo espaço sideral dos votos no país

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Os resultados das eleições do dia 07 de outubro surpreenderam observadores políticos e abriram, sem dúvida, um novo campo de análise das disputas através das urnas. O espaço tornou-se imenso na divulgação de mensagens, comentários e debates que além das telas da TV encontraram centenas e milhares de telas da internet. O fenômeno a mim transmite a sensação de ruptura com o meio de se fazer campanha até o passado recente. Descortina-se um novo espaço iluminado na busca pelo apoio popular. A mim veio a mente o filme de Stanley Kubrick, “2001 Uma Odisseia no Espaço”.

Anteriormente, as campanhas eram projetadas em diferentes planos mas com um universo muito menor daquele que foi aberto pelas redes sociais. Agora, o tempo do passado encontra-se ultrapassado pela velocidade da tecnologia que cada dia avança mais. Lá se vai o tempo dos comícios, das propagandas publicitárias, da aparição nos horários gratuitos da TV e do rádio.

NA TV E NA WEB – Na televisão, o predomínio desloca-se para os debates, pois confronto é sempre confronto e dá margem a teses diferentes, antagônicas e ideológicas. Mas no espaço da Internet destaca-se a comunicação direta que penetra nos domicílios dos eleitores, renovando questões praticamente a toda hora, e nesse jogo ficam as incertezas.

Quando se examina as votações de candidatos a deputados que oscilaram em torno de 300 mil votos, só pode haver uma explicação lógica: o poder da Internet. As mensagens implicam inclusive na trajetória de ida e vinda onde se destacam muitas opiniões diferentes mas também muitas convergentes.

É preciso que os partidos políticos deem mais atenção a esse universo que começa a ser explorado no plano político eleitoral.

MILHÕES DE POSTAGENS – Como acentuamos em artigo anterior. na reta final do primeiro turno registraram-se postagens em torno de 60 milhões de textos e imagens. Certamente reside aí o êxito de Jair Bolsonaro no primeiro turno.

É preciso levar em conta que as mensagens eletrônicas passaram a possuir uma comunicação enorme incluindo a retransmissão de postagens a favor e contra os candidatos.

Esta é uma nova realidade no plano dos embates eleitorais e na propaganda de candidatos a cargos no Legislativo. Este assunto é tão amplo que merece uma reflexão mais profunda.

Voltaremos ao tema.

No Dia das Crianças, duas canções que o Brasil jamais esquecerá

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Site Poemas & Canções


O empresário artístico, jornalista e compositor carioca René Bittencourt Costa (1917-1979), na letra de ”Canção da Criança”, homenageia a garotada brasileira no seu dia. Essa valsa foi gravada por seu parceiro Francisco Alves, apelidado de “O Rei da Voz”, em 1952, pela Odeon.

CANÇÃO DA CRIANÇA
Francisco Alves e René Bittencourt

Criança feliz
Feliz a cantar
Alegre a embalar
Teu sonho infantil
Oh Meu Bom Jesus
Que a todos conduz
Olhai as crianças do nosso Brasil!

Crianças com alegria
Qual um bando de andorinhas
Viram Jesus que dizia:
Vinde a mim as criancinhas
Hoje dos céus, num aceno
Os anjos dizem: ”Amém”,
Porque Jesus, nazareno,
Foi criancinha também

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O cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves de Souza (1909-1969) utilizou grande beleza poética para compôr o nostálgico samba “Meus tempos de criança” (conhecido também como “Meu pequeno Miraí”), gravado por ele próprio, em 1956, pela Sinter, cuja letra traz lembranças de sua infância feliz em Miraí.

MEUS TEMPOS DE CRIANÇA
Ataulfo Alves

Eu daria tudo que tivesse
Pra voltar aos tempos de criança
Eu não sei pra que que a gente cresce
Se não sai da gente essa lembrança

Aos domingos missa na matriz
Da cidadezinha onde eu nasci
Ai, meu Deus, eu era tão feliz
No meu pequenino Miraí

Que saudade da professorinha
Que me ensinou o beabá
Onde andará Mariazinha
Meu primeiro amor onde andará?

Eu igual a toda meninada
Quanta travessura que eu fazia
Jogo de botões sobre a calçada
Eu era feliz e não sabia

Calma, gente! Bolsonaro já ganhou esta eleição e agora só falta tomar posse

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Segundo turno é apenas uma formalidade cívica

Carlos Newton

A votação de 28 de outubro será apenas o cumprimento de uma formalidade. O candidato Jair Bolsonaro (PSL) já ganhou a eleição com antecedência, até mesmo porque não há outro concorrente. Naquela odiada urna eletrônica, o que existe é a opaca despedida de Lula da Silva, aquele que proclamou que não era mais uma pessoa, pois já se tornara uma ideia. É verdade. Como se diz no Candomblé, Lula realmente se transformou numa “entidade”, hoje personificada por seu “cavalo”, que atende pelo nome de Fernando Haddad e já mostrou ser do tipo paraguaio, que não enfrenta o rojão na reta final.

Não há comparação entre os dois presidenciáveis. Bolsonaro é assessorado por um grupo de oficiais de quatro estrelas, a nata das Forças Armadas, enquanto Haddad está cercado pelo que restou da organização criminosa que assumiu o poder em nome dos trabalhadores, vejam só a que ponto chega o surrealismo político no Brasil.

ELEIÇÃO GANHA – Desde o primeiro turno a eleição está ganha. No exterior, os analistas políticos dão faniquito, achando que o Brasil pode ficar à mercê de uma direita radical e racista, no estilo Le Pen, mas não é nada disso. A política brasileira é uma grande maluquice e os estrangeiros decididamente não entendem nada. Nem mesmo os antigos brazilianistas, que tanto estudaram nosso país, conseguem captar a real visão do que está acontecendo.

A principal explicação para o fenômeno Bolsonaro é que os brasileiros cansaram de corrupção. Somente em segundo plano é que se pode considerar o fundamento ideológico de direita e esquerda, não existe esta dicotomia no Brasil. Nossa maioria silenciosa é rigorosamente de centro, até porque não entende nada de política.

MUITAS CRÍTICAS – Nos últimos dias, entre os comentários às matérias e artigos da Tribuna da Internet, surgiram muitas críticas injustas. Reclamam que estamos perseguindo o inatacável Paulo Guedes, para atingir Bolsonaro e favorecer o candidato do PT. Exigem que sejam denunciados os 32 processos a que Haddad estaria respondendo, querem que apontemos a presença de figuras altamente corruptas em volta do candidato petista, como Sérgio Gabrielli, Gleisi Hoffmann, Jaques Wagner e os que sobraram do tsunami da Lava Jato.

Calma, gente! O jornalismo é assim mesmo. Não existe jornalismo de adesão ao poder, chama-se a isso “assessoria de imprensa”, aqui na Tribuna da Internet isso jamais existirá.

Como a eleição já está ganha, o papel dos jornalistas agora é ficar de olho no governo Bolsonaro, para que não haja desvios manobrados por intrusos como Paulo Guedes, que possam prejudicar os interesses nacionais – do país e do povo. 

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P.S.Ainda bem que Bolsonaro tem os generais em seu governo. Confio mais no patriotismo deles do que nas intenções do próprio Bolsonaro.  Quanto a Paulo Guedes, será ministro por pouco tempo (ou tempo algum), porque a investigação criminal é rápida, pode ser que ele seja denunciado antes mesmo da posse em 1º de janeiro. Mesmo que a investigação demore e Guedes assuma, não vai mandar em nada, porque o quartel-general estará de olho nele. (C.N.)

Piada do Ano: Campanha de Haddad tenta atrair partidos do “Centrão”

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Deu na Coluna do Estadão

Interlocutores do presidenciável Fernando Haddad (PT) procuraram partidos do Centrão para pedir apoio neste 2.° turno. A proposta não é de uma aliança nacional, mas para que lideranças desses partidos peçam votos para o petista nos seus redutos eleitorais, sem aparecer nacionalmente ao lado dele. Dessa forma, avaliam que Haddad seria poupado de ter de explicar ao eleitor o que faz ao lado da “velha política”. Em troca, o PT estaria aberto a negociar espaços num eventual governo. Para o PP, o partido quer oferecer as pastas de Agricultura e Cidades.

AMIGO SECRETO – A ideia de ajudar a campanha de Haddad sem aparecer partiu de um cacique do próprio Centrão. Numa conversa com interlocutores do candidato, avisou: “A melhor maneira que eu posso ajudar é não aparecer”.

É pouco. Para atrair o apoio do DEM nos mesmos moldes, interlocutores de Haddad acenam com a presidência da Câmara para Rodrigo Maia. O presidente nacional da sigla, ACM Neto, vota em Jair Bolsonaro.

SALGADO –  Petistas graúdos dizem que, para apoiar Haddad, o PDT, de Ciro Gomes, pediu a Casa Civil, o Ministério do Planejamento, o comando do BNB, um ministério para Carlos Lupi, além da presidência do Senado para Cid Gomes. Deve levar só dois cargos.

Mas a campanha nega que esteja negociando cargos e Fernando Haddad ainda não estabeleceu pontes diretas com interlocutores do mercado. No entanto, integrantes do seu núcleo de campanha afirmam que não haverá surpresas. Argumentam que ele tem sido transparente até com suas propostas mais amargas, como tributar lucros e dividendos.

LICENÇA –  Bolsonaro vai pedir licença do mandato de deputado federal até o final da campanha. E o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) procurou colegas do MDB. Quer engordar o número de apoiadores de Bolsonaro cercando os principais puxadores de votos nos Estados.

O presidente licenciado do PSL, Luciano Bivar, abriu diálogo com deputados que se elegeram em partidos barrados na cláusula de desempenho e que não terão dinheiro do fundo partidário. Ele diz acreditar que a bancada crescerá de 52 para pelo menos 60 deputados até janeiro.

Entre os 14 partidos políticos que vão perder acesso ao fundo partidário, está o PHS, cujo líder, deputado Marcelo Aro (MG), admite ter conversado com outros partidos para uma fusão, mas não revela quais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Caramba! Essa coluna está repleta de informações “plantadas”. Não é verdade que o PDT tenha pedido aqueles cargos para apoiar Haddad. Também não é verdade que o Centrão vá reforçar Haddad, até porque o Centrão só apoia quem vai ganhar. Além disso, Rodrigo Maia não necessita de Haddad para voltar à presidência da Câmara, porque já está mais do que eleito, até pela falta de concorrentes. Essa informação sobre Maia, passada a vários jornais, é Piada do Ano, com toda certeza. (C.N.)