A infância de Nelson Ângelo na fazenda, cantada por Milton Nascimento

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Nelson Ângelo, talento do Clube de Esquina

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, músico e compositor mineiro Nelson Ângelo Cavalcanti Martins rememora sua bucólica infância, quando os passeios na “Fazenda” de seus familiares eram sempre uma festa. Esta música foi gravada por Milton Nascimento no LP Geraes, em 1976, pela EMI-Odeon.

FAZENDA
Nelson Ângelo

Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer era tão normal
Que o tempo parava
E a meninada
Respirava o vento
Até vir a noite
E os velhos falavam coisas dessa vida
Eu era criança, hoje é você
E no amanhã, nós
Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer era tão normal
Que o tempo parava
Tinha sabiá, tinha laranjeira
Tinha manga-rosa
Tinha o sol da manhã
E na despedida
Tios na varanda
Jipe na estrada
E o coração lá
Tios na varanda
Jipe na estrada
E o coração lá

Para destruir Joesley, Planalto distorce o caso dos R$ 500 mil semanais em 20 anos

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Mouco, o marqueteiro, é estrategista de Temer 

Carlos Newton

Está ganhando força na mídia e nas redes sociais o lobby montado pelo marqueteiro do Planalto, Elisinho Mouco, para enfraquecer as denúncias de Joesley Batista contra o presidente Michel Temer e os caciques do PMDB. Ardilosamente, os assessores da Presidência e da Casa Civil espalham informações falsas de que Joesley teria inventado que Temer lhe pedira um pagamento semanal de R$ 500 mil, durante 20 anos. Este é o principal argumento para tentar desmentir as acusações e transformar Temer em vítima de um “bandido notório”.

A argumentação do Planalto tem surtido efeito, está aumentando o número de jornalistas e formadores de opinião que passaram a defender Temer, porque realmente não é possível acreditar que o presidente da República, aos 76 anos, fosse parcelar uma propina em 20 anos. Seria Piada do Ano, ninguém pode levar a sério.

CRIATIVIDADE – É preciso reconhecer a criatividade do marqueteiro e da numerosa equipe que tenta defender o presidente Temer. Estão tirando água de pedra, como se diz lá no sertão. É maravilhosa a versão que inventaram para o pagamento semanal de R$ 500 mil, mas só funciona na mídia e na internet, não vai prosperar no inquérito contra Temer, é como se fosse uma nota de três dólares, não tem o menor valor.

Basta conferir a gravação da conversa de Joesley e Temer no porão do Jaburu. O áudio mostra que, depois de se entenderem sobre a ajuda a Eduardo Cunha, em seguida o empresário pede apoio de Temer para resolver uma pendência da JBS. O presidente então indica seu assessor Rodrigo Rocha Loures, que somente no dia seguinte assumiria como deputado (PMDB-PR), na vaga do ministro Osmar Serraglio:

“Fale com o Rodrigo” – afirmou Temer.

Joesley então quis se certificar do que Rocha Loures poderia fazer por ele e perguntou: “Posso falar tudo com ele?”

Temer foi sucinto: “Tudo”.

REUNIÃO COM LOURES – Joesley Batista então procurou Loures, que no dia seguinte assumira o mandato de deputado e era conhecido homem de confiança do presidente, pois o assessorava desde 2011. Aliás, foi usando o prenome dele que o empresário da JBS teve acesso ao Palácio do Jaburu, às 22h30m, sem se identificar. Apenas disse “Rodrigo” e os seguranças deixaram que entrasse.

Joesley e Loures marcaram um encontro em Brasília — e se acertaram. O empresário lhe contou que precisava do Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que estava para decidir uma disputa entre a Petrobras e o grupo JBS sobre o preço do gás fornecido pela estatal à termelétrica EPE, localizada em Cuiabá.

Joesley explicou a Loures que a Petrobras compra o gás da Bolívia e revende para a empresa por preços abusivos. Reclamou que sua empresa perdia R$ 1 milhão por dia com essa política de preços. E pediu que a Petrobras revendesse o gás pelo preço de compra ou que deixasse a EPE negociar diretamente com os bolivianos.

LIGOU NA HORA – No depoimento à Polícia Federal,  Joesley contou que, com uma sem-cerimônia impressionante, o indicado de Temer ligou para o presidente em exercício do Cade, Gilvandro Araújo, e pediu que resolvesse a questão da termelétrica. Pelo serviço prestado, Joesley ofereceu uma propina de 5% e Loures aceitou: “Tudo bem, tudo bem”, consta da gravação. E o acordo entre Petrobras e EPE/JBS foi fechado dia 13 de abril, nem demorou muito. Loures agiu rápido.

Foi marcado um novo encontro. Desta vez, entre Loures e Ricardo Saud, executivo da JBS. No Café Santo Grão, em São Paulo, foi combinado o pagamento de R$ 500 mil semanais por 20 anos, tempo em que vai vigorar o contrato entre Petrobras e EPE/JBS. Ou seja, R$ 520 milhões ao longo de duas décadas. Na gravação, Loures disse que levaria a proposta de pagamento a alguém acima dele. Saud faz duas menções ao “presidente”. Pelo contexto, os dois se referem a Michel Temer. Ou seja, quem combinou a “semanada” de R$ 500 mil foi Loures, e não Temer.

A entrega da primeira parcela foi filmada pela PF, como todos sabem. Depois, Loures confessou o crime, ao devolver a mala de dinheiro. Mas os agentes federais contaram e faltavam R$ 35 mil (7%). Loures então depositou o restante na Caixa Econômica Federal.

VERSÃO INVENTADA – Bem, foi necessário recordar o que houve, para que se possa desmontar a versão inventada pelo Planalto, de que Joesley teria dito que Temer lhe pedira uma propina de R$ 520 milhões, a ser paga semanalmente, em 20 anos. Isso nunca existiu. Quem combinou esse pagamento com Joesley foi o então deputado Loures, que Temer indicara como seu representante. É isso que consta dos autos do inquérito e está valendo.

Foi o Planalto que criou a versão fantasiosa de que Joesley teria inventado que Temer lhe pedira uma propina de R$ 520 milhões, a ser paga semanalmente em 20 anos.  E o mais incrível é que tanta gente esteja acreditando nesse ardil montado pela organização criminosa que continua comandando este país.

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PS
Como dizia o genial escritor George Orwell, “numa época de mentiras universais, falar a verdade é um ato revolucionário”. E às vezes é necessário que se diga a verdade, para esclarecimento do respeitável público, diria Phineas Barnum, criador do mais famoso circo do mundo, o Barnum & Bailey. Uma de suas frases mais interessantes explica por que tantas pessoas acreditam em teorias conspiratórias e versões manipuladas: “A cada 30 segundos nasce um otário”. (C.N.)

Piada do Ano: Advogado alega que a denúncia não contém acusação contra Temer

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Tese de Mariz é alegar que não existem provas

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Advogado de defesa do presidente Michel Temer, Antonio Claudio Mariz, divulgou nota nesta terça-feira, 27, para comentar a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e reforçou a linha adotada por Temer em pronunciamento feito nesta tarde. Assim como fez o presidente em sua fala, Mariz afirmou que a gravação da conversa entre Temer e Joesley Batista não pode ser considerada uma prova válida e atacou a denúncia feita pela PGR.

“São 60 páginas de ilações, repetições, suposições, hipóteses, deduções subjetivas”, escreveu o advogado. “Uma peça longa, porém carente de conteúdo acusatório. Trata-se, na verdade, de uma obra de ficção e não uma peça acusatória, objetiva e descritiva que dê ampla possibilidade de defesa”, completou.

LEVIANDADE – Segundo Mariz, a peça acusatória “chega às raias da leviandade” quando afirma, como fato constitutivo do crime, o recebimento por Temer “de determinada importância sem dizer quando, onde, como, que horas”. “É uma afirmação lançada ao léu sem base em fatos, provas, objetividade”, disse.

O advogado diz ainda que é estranho estar na peça acusatória o fato de o presidente receber o interlocutor em horário noturno e fora da agenda. “Isso não é crime. É sabido que o presidente recebe, corriqueiramente, várias autoridades do cenário jurídico e político do país em horário além do expediente e sem estarem previstos na pauta do dia”, afirmou. “Desafiamos a acusação para que aponte dados concretos sobre o recebimento do dinheiro para que tenhamos ampla possibilidade de defesa.”

Mariz questiona ainda os acordos feitos pela delação de Joesley, diz que eles são “um acinte ao estado de Direito e uma artimanha que serve menos ao desejo legítimo de um País mais justo e mais a interesses não revelados”.

ACORDO DE DELAÇÃO – Ao fazer críticas ao acordo de delação feito entre a procuradoria e o empresário, Mariz diz que o acordo é passível de contestação “por outros aspectos: os benefícios chocantes e ilegais obtidos pelos delatores, tais como saída do País sem restrição, manobra financeira e recebimento de perdão que não poderia ser outorgado, e, vantagem maior, a total impunidade.”

Mariz reforçou ainda que a veracidade das delações dos dirigentes da JBS é contestada porque resultou “em inusitado e grandioso benefício aos delatores e por não ter sido investigada para confirmar o que foi afirmado”. “As autoridades consideraram, sem nenhuma cautela, as delações como verdade absoluta. Os dirigentes da JBS foram aconselhados a buscar eventuais provas para conseguir a aceitação da delação”, destacou o advogado.

GRAVAÇÃO – Na nota, o advogado reforça ainda que a defesa vai contestar o uso das gravações como provas, já que diferentes laudos apontam que houve interferências. “O mesmo laudo que fundamentou a peça acusatória e afirma não haver edição comprova a existência de 180 paralisações. Três outros peritos confirmam haver adulteração”, diz. “Contestamos, portanto, a autenticidade da gravação. Dessa forma, o áudio não pode ser considerado como prova de responsabilidade penal.”

Mariz afirma também que mesmo que fique provada a legitimidade da gravação, “ela não poderá ser considerada como prova de culpa”. “Seu conteúdo não demonstra nenhuma prática de crime por parte do presidente Michel Temer, assim, repele-se, veementemente, a acusação de corrupção”, destacou. “Ademais, saliente-se: a utilização de uma gravação por um dos interlocutores é prova ilícita, salvo tenha sido feita para a defesa de quem a gravou, o que não é o caso.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Antes de sair o laudo da Perícia, Mariz reconheceu que, se não fossem constatadas edições, ficaria difícil defender Temer. Agora, diante do laudo da Polícia Federal, voltou à mesma lengalenga. Mas a Piada do Ano é dizer que, mesmo se for provada a legitimidade da gravação, ela não demonstra prática de crime por Temer. Quer dizer que se encontrar com um “bandido notório” na calada da noite, para combinar corrupção e obstrução à Justiça, não é mais crime? O Código Penal mudou e ninguém avisou a gente? (C.N.)

Denúncia de Janot é arrasadora para Michel Temer e Rocha Loures

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Pedro do Coutto

Sem dúvida alguma a denúncia apresentada por Rodrigo Janot contra Michel Temer é um documento arrasador para o presidente da República. A repercussão foi enorme nos jornais desta terça-feira, manchete principal de O Globo, da Folha de São Paulo, de O Estado de São Paulo e do Valor. No Globo a reportagem é de André de Souza e Eduardo Bressiani. Uma outra matéria, também no Globo, esta de Cristiane Jungblut e Letícia Fernandes, destaca o silêncio do Palácio do Planalto diante da denúncia, pois os houve reação na terça-feira.

O aspecto mais sensível da iniciativa do procurador-geral da República é que, para se defender, Michel Temer terá que acusar Rocha Loures, que foi filmado recebendo a mala de 500 mil reais. Temer, diante do abismo, só poderá dizer que Rocha Loures usou seu nome para obter a propina da JBS. Isso porque Loures entregou a mala, com 465 mil, à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Dias depois tomou a iniciativa de depositar os 35 mil reais restantes numa conta do governo na Caixa Econômica Federal.

UM DILEMA – Michel Temer, para armar sua defesa, defronta-se com o dilema que singularmente oscila entre voltar-se para desacreditar Rocha Loures, ou então assumir que o ex-assessor agiu em seu nome.

A situação de Michel Temer complica-se de maneira profunda, sobretudo porque, de acordo com o que publicaram a FSP e o Estadão, o ministro Edson Fachin ainda vai decidir qual a tramitação que atribuirá ao processo.

Pode ser que o encaminhe diretamente à Câmara Federal, mas é possível que abra prazo, no Supremo, para que Temer apresente as razões voltadas para sua defesa. Se a opção de Fachin for esta, o presidente da República terá que formular os termos de sua defesa ao ministro do STF, que em seguida encaminhará o documento a Câmara Federal. Como a denúncia de Rodrigo Janot será dividida praticamente em capítulos, para cada capítulo será adotado o mesmo ritual.

AO CONTRÁRIO – O fatiamento da acusação funciona ao contrário do que deseja o Palácio do Planalto que se empenha para uma apreciação em bloco das acusações de Rodrigo Janot, primeiro pela Comissão de Justiça, em seguida pelo plenário da Câmara Federal. Dividida em blocos a denúncia, cada um deles dará margem ao mesmo procedimento, expondo o presidente da República a uma série de constrangimentos. Isso se cada capítulo for rejeitado pela Câmara dos Deputados, que pode negar a sequência da denúncia evitando assim que se transforme em julgamento do presidente Temer pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

A Constituição do país estabelece o julgamento do presidente da República pelo STF, no caso da prática de crimes comuns. Se fosse crime de responsabilidade, o julgamento caberia ao Senado Federal. Na hipótese de impeachment o destino do chefe do Executivo estaria nas mãos do Congresso Nacional. Foi o que aconteceu com a ex-presidente Dilma Rousseff.

JULGAMENTO NO STF – Entretanto, o impeachment, no caso de corrupção, não apaga a perspectiva de julgamento do presidente pelo plenário do STF. Seja como for, o desgaste político e moral de Michel Temer atingiu uma escala que a meu ver impede sua permanência à frente do governo, ainda que a Câmara não dê prosseguimento à denúncia de Rodrigo Janot.

Uma coisa é negar a licença para o curso de um processo criminal. Outra coisa é apagar os danos irreparáveis da investida da Procuradoria. Na realidade, o presidente Michel Temer agiu para se tornar o acusador de si próprio. Rodrigo Janot apenas deu forma e conteúdo à escolha feita por quem estava impedido de fazê-la.

Entre o errado e o certo, o Brasil, em geral, escolhe a primeira opção

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Ronaldo Conde
Blog Penedo

Tudo parece estar errado no Brasil. Hoje, todos os brasileiros sabem dessa singela e cruel verdade. Muitos a aprenderam na própria carne; outros, em exemplos narrados por conhecidos e amigos; a maioria, contudo, percebeu que o Brasil é não só um país tangido por erros e equívocos – como respira e vive dos seus erros e equívocos, e agora também de patranhas e desonestidades diversas, entre as quais a desonestidade intelectual.

Uma mulher, mãe de uma criança de três anos, matou o sujeito que estuprou sua filha. Foi condenada a 30 anos – vi a notícia, mas não li uma declaração pública das organizações e astros que se apresentam como defensores dos direitos humanos, dos direitos das crianças e dos direitos à vida. Certo, nós sabemos – embora poucos tenham coragem de verbalizar – que tais organizações, astros e estrelas e deputados são oportunistas, que agem e falam quando a ação e o discurso podem atender os seus interesses.

CASO DE INTERNAÇÃO – Outro dia, a deputada Benedita da Silva brindou a todos nós com uma frase em que juntou três elementos, que nem sempre andam juntos: ação política, a Bíblia (que ela disse ser a “minha Bíblia”) e – pasmem! – “derramamento de sangue” (que ela afirmou ser instrumento da ação política). Se fosse o Bolsonaro que dissesse tal estupidez, certamente o senadorzinho Randolfe Rodrigues e os deputados Molon, Valente e Maria do Rosário, entrariam com requerimento a clamar a cassação do deputado por falta de “decoro parlamentar” e “incitação à violência”.

Bem, eu, de minha parte, entraria com um pedido de exame psicológico, pois a frase da Benedita da Silva é prova inequívoca de que ela sofre de grave crise ou estado de loucura.

SEMIABERTO – Agora, tomamos conhecimento de que o médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de prisão por abusar sexualmente de pacientes em sua clínica de reprodução humana, e Anna Carolina Jatobá Nardoni, condenada a 26 anos e oito meses de prisão por ter jogado a menina Isabella, com apenas cinco anos de idade, do 6º andar do apartamento onde passava os fins de semana com a madrasta e o pai, Alexandre Nardoni, também condenado a 31 anos e um mês de reclusão, estão em vias de obter progressão ao regime semiaberto. Há quem defenda a inocência dos três, mas não é esta a discussão. O que se discute é a facilitação de transformar cadeia fechada em uso de tornozeleira no bem-bom de suas casas. Não esquecer, também, das facilitações obtidas pelas esposas de Sérgio Cabral e do marqueteiro do PT, que confessaram os crimes de que são acusados.

IRMÃOS BATISTA – Outro absurdo ocorreu recentemente: a ampla delação (premiada) dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Ora, é certo que o Procurador-Geral Janot tem a prerrogativa de negociar e fechar os termos da delação. Mas os prêmios obtidos pelos Batistas foi um maná, embora os “cujos” tenham feito uma delação infame, que, levada em conta, dariam a eles uma pena entre 250 e 1200 anos de reclusão. Afinal, os sujeitos confessaram cerca de 300 crimes, um dos quais envolvendo o presidente da República e a sinistra informação de que corrompeu mais de mil e oitocentas pessoas.

Os Batistas chegaram a afirmar que os 500 mil pilhados numa mala eram parte de um contrato de 20 anos (vinte anos!) de pagamento semanal ao presidente Temer. Bolas! – como diria o meu avô, uma “semanada” de 500 mil chegaria, no final, a uma soma inacreditável de 520 bilhões! Bolas! – 520 bilhões (quando o que resta de mandato ao Temer, a partir de hoje, é de apenas, um ano e três meses). É uma acusação falsa, instrumentalizada e mentirosa, como foi a gravação do papo entre Joesley e Temer. Acusação e gravação que o Globonews, mediante um jornalismo delinquente, que não visa a informar corretamente, mas atender interesses golpistas evidentes.

ANIMAL DE CARGA – O Brasil é um país temerário, desigual, onde o povo é tratado como animal de carga – e parte da intelectualidade, do jornalismo, dos políticos se sente reconfortado exercendo papéis de canalhas e de covardes.

Em tempo: semana passada, intelectuais e jornalistas investiram contra o prefeito Crivella, do Rio de Janeiro, vetou um aumento de 50% das verbas das escolas de samba concedido pelo prefeito Eduardo Paes nos estertores da sua administração. Eu faria o mesmo – já que o prefeito preferiu usar os recursos em creches de alunos pobres. Muitos artistas também protestaram, mas isso era esperado: fazem parte daquela firmação de “destaques”, que, a cada ano, faturam ao dar relevo “à lídima manifestação da cultura carioca”. Certo, mas façam isso de graça!

(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Temer recorreu ao seu marqueteiro para se defender e desmoralizar Janot

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Mouco há 15 anos é o marqueteiro de Temer

Andréia Sadi
G1

O presidente Michel Temer convocou na noite desta segunda-feira (dia 26), ao Palácio do Planalto, o marqueteiro Elsinho Mouco para discutir estratégias de enfrentamento a Rodrigo Janot, após a apresentação da denúncia do procurador-geral da República contra o chefe do Executivo federal. Procurado pelo Blog, o marqueteiro confirmou o encontro e disse que a linha do discurso do Planalto será a de “cobrar provas” de Janot. Além disso, o presidente questionará detalhes da denúncia. Mouco chamou a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) de “peça de ficção”.

“Vamos para o enfrentamento. O presidente avalia se vai falar em entrevista, como será. Mas o tom está definido: vamos perguntar sobre as provas, vamos questionar Janot”, disse Mouco nesta terça-feira (dia 27).

NOVO PROCURADOR – Aliados defendem nos bastidores que Temer antecipe a escolha do sucessor de Rodrigo Janot na Procuradoria Geral da República. Acreditam que a operação pode “esvaziar” a atuação de Janot.

Nesta quarta-feira, os procuradores da República vão eleger os três candidatos mais votados para a sucessão na chefia do Ministério Público.

A lista será encaminhada à Presidência. Temer avalia ignorar a tradição (não é obrigatório) de indicar o primeiro colocado da lista, como foi feito nos governos passados.

REUNIÃO DE EMERGÊNCIA – Também passaram pelo Planalto nesta segunda-feira os ministros Moreira Franco (Secretaria Geral), Eliseu Padilha (Casa Civil), Torquato Jardim (Justiça) e Grace Mendonça (AGU).

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou a Brasília no início da noite e foi jantar com deputados na residência oficial da Câmara. Passaram por lá o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB), e os líderes do governo no Congresso.

Desta vez, Maia não passou no Planalto, como ocorreu em 17 de maio, dia em que veio à tona o conteúdo da delação da JBS.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Planalto está inteiramente perdido com a denúncia de Janot. Quando o indiciado tem de recorrer a um marqueteiro, é sinal de que a defesa não tem argumentos. Agora, falta chamar um pai de santo e um vidente, para ajudar ao marqueteiro, porque ele não conseguirá dar conta do recado se atuar sozinho. (C.N.)

Em discurso no Senado, Renan diz que Temer ‘faz de conta’ que governa o país

 

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Renan citou a “influência” de Eduardo Cunha

Talita Fernandes
Folha

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça-feira (27) que o presidente Michel Temer está “fazendo de conta” que governa o país. “Governando para onde?”, disse. O peemedebista disse ainda que é preciso ter “muita humildade” para receber a proposta feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que sugeriu que Temer encurte seu mandato. A opinião de FHC foi publicada na segunda-feira (dia 27) em artigo que escreveu para a Folha.

Renan defendeu ainda que Temer deixe de adiar uma decisão sobre o futuro do governo. “Demorar mais um mês, dois meses, um ano a frente do governo não vai mudar nada. É uma resistência para o nada”, disse em discurso feito em plenário.

LUGAR NENHUM – O líder do PMDB disse ainda que Temer errou ao “achar que poderia governar o Brasil influenciado por um presidiário de Curitiba”, disse em referência ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. “Isso não ia chegar a lugar nenhum”.

Renan chegou a bater boca com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ao criticar a reforma trabalhista. “Temer não tem mais a confiança da sociedade para fazer uma reforma como essa na calada da noite”, disse, ameaçando trocar os integrantes do PMDB na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que votará nesta quarta-feira (28) o texto da reforma trabalhista.

A fala irritou Jucá, que respondeu a Renan dizendo que se ele fizesse alterações, o PMDB também faria, já que, segundo ele, 17 dos 22 senadores do partido concordam com o projeto em discussão.

Talita Fernandes
Folha

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça-feira (27) que o presidente Michel Temer está “fazendo de conta” que governa o país. “Governando para onde?”, disse. O peemedebista disse ainda que é preciso ter “muita humildade” para receber a proposta feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que sugeriu que Temer encurte seu mandato. A opinião de FHC foi publicada na segunda-feira (dia 27) em artigo que escreveu para a Folha.

Renan defendeu ainda que Temer deixe de adiar uma decisão sobre o futuro do governo. “Demorar mais um mês, dois meses, um ano a frente do governo não vai mudar nada. É uma resistência para o nada”, disse em discurso feito em plenário.

LUGAR NENHUM – O líder do PMDB disse ainda que Temer errou ao “achar que poderia governar o Brasil influenciado por um presidiário de Curitiba”, disse em referência ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. “Isso não ia chegar a lugar nenhum”.

Renan chegou a bater boca com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ao criticar a reforma trabalhista. “Temer não tem mais a confiança da sociedade para fazer uma reforma como essa na calada da noite”, disse, ameaçando trocar os integrantes do PMDB na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que votará nesta quarta-feira (28) o texto da reforma trabalhista.

A fala irritou Jucá, que respondeu a Renan dizendo que se ele fizesse alterações, o PMDB também faria, já que, segundo ele, 17 dos 22 senadores do partido concordam com o projeto em discussão.

“Sempre pela garagem, viu?”, recomendou Temer a Joesley, na gravação

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Gravação deixa Michel Temer em péssima situação

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Um dos trechos da conversa entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o empresário Joesley Batista, da JBS, na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu, recuperados pela Polícia Federal, revelou uma recomendação do peemedebista ao executivo: “Sempre pela garagem, viu?”. A frase consta da perícia da PF, após o pente-fino sobre o arquivo em pendrive entregue como parte da delação de Joesley.

Naquela noite, Joesley e Temer se reuniram por cerca de 40 minutos. Na metade do encontro, o executivo diz ao presidente. “Eu, eu, prefiro combinar assim, ó: se for alguma coisa que eu precisar, tal, então eu falo com Rodrigo, se for algum assunto desse tipo aí…”

LOURES – O ‘Rodrigo’ a quem Joesley se referia era o ex-assessor especial do presidente e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMRB-PR). Temer e seu aliado foram denunciados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por corrupção passiva.

A conversa segue.

Temer responde. “AÍi você (ininteligivel).”

“É…”, diz Joesley.

Temer: “Pela garagem.”

Joesley: “{Pela} garagem.”

Temer: “(Ininteligível) sempre pela garagem, viu?”

Joesley: “Funcionou super bem, à noite …”

Temer: “É.”

Joesley: “… onze hora da noite, meia-noite, dé … dez e meia, vem aqui.”

Temer: “(Ininteligível). Não tem imprensa.”

Joesley: “A gente conversa uns dez minutinho, uma meia horinha, vou embora.”

PERÍCIA CONFIRMA – Em laudo de 123 páginas, os peritos criminais do Instituto Nacional de Criminalística (INC) concluíram que “não foram encontrados elementos indicativos” de que a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer “tenha sido adulterada em relação ao áudio original, sendo a mesma consistente com a maneira em que se alega ter sido produzida”.

O áudio foi utilizado entre as provas referidas pela PF para afirmar, no relatório final entregue ao Supremo nesta segunda-feira, 26, que houve o cometimento do crime de obstrução à investigação de organização criminosa por parte de Temer, do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do empresário e delator do grupo J&F Joesley Batista.

DEFESA REAGE – Nesta segunda-feira, 26, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira reagiu com veemência às conclusões da Polícia Federal que, em relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF), atribui ao presidente Michel Temer crime de obstrução de investigações sobre organização criminosa.

“O valor jurídico do relatório é nenhum”, declarou Mariz.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica claro que Temer só pretendia se encontrar com o empresário na calada da noite, “sem a imprensa”. Realmente, é vergonhoso. (C.N.)

Com medo do superpanelaço, Temer só se defende pelas redes sociais

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Temer diz que é vítima de “uma infâmia” política

Fernanda Calgaro
G1, Brasília

O presidente Michel Temer afirmou na tarde desta terça-feira (dia 27) que não há provas concretas na denúncia por corrupção passiva contra ele apresentada ao STF pela Procuradoria Geral da República. Segundo ele, a peça acusatória é uma “ficção”. Foi a primeira fala de Temer desde que a denúncia foi apresentada, na noite desta segunda. Ele fez o pronunciamento no Salão Leste do Palácio do Planalto.

O presidente chegou ao local acompanhado de diversos ministros e parlamentares da base aliada, que se postaram de pé ao lado do presidente em sinal de apoio.

PRINCIPAIS PONTOS – Veja os principais argumentos utilizados pelo presidente no pronunciamento:  1) Disse que é vítima de infâmia.  2) Cobrou provas concretas. 3) Afirmou que a denúncia é “frágil” e peça de “ficção”. 4) Atacou a PGR e disse que ex-procurador se tornou advogado da JBS. 5) Disse que os acusadores reinventaram o Código Penal e criaram “denúncia por ilação”. 6) Afirmou que o “senhor grampeador” Joesley Batista é criminoso. 7) Disse que gravação de conversa com Joesley é “prova ilícita”. 8) Criticou o fatiamento da denúncia e disse que PGR quer “paralisar o país”. 9) ‘Somos vítimas de uma infâmia de natureza política’, disse.

ATAQUES A JANOT – O presidente dedicou parte do pronunciamento a atacar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele disse que, se quisesse usar o método da “ilação”, poderia levantar suspeitas sobre o ex-vice-procurador, Marcelo Miller, que, segundo afirmou, é ligado a Janot.

Marcelo Miller integrou a força-tarefa da Operação Lava Jato até pouco antes de o empresário Joesley Batista e outros executivos da holding controladora do frigorífico JBS fecharem acordo de delação premiada. Ele deixou a PGR em março e foi trabalhar no escritório de advocacia contratado pela JBS para fechar o acordo de delação premiada.

“Esse procurador da República, Marcelo Miller, homem da mais estrita confiança do procurador-geral. Pois bem. Eu, que sou da área jurídica, o sonho da carreira era prestar concurso pra ser procurador. Esse senhor que falei deixa o emprego, que é o sonho de milhares de jovens, acadêmicos, abandona o Ministerio Público para trabalhar em uma empresa que faz delação premiada para o procurador”, disse Temer.

GANHOU MILHÕES – Temer disse que Miller não cumpriu quarentena (período que um servidor tem de aguardar após deixar o serviço público e antes de ingressar no setor privado). “O cidadão saiu e já foi trabalhar para essa empresa, e ganhou na verdade milhões em poucos meses”, afirmou.

Para Temer, Marcelo Miller “garantiu ao novo patrão um acordo benevolente, uma delação que tira seu patrão das garras da Justiça, o que gera uma impunidade nunca antes vista”, declarou. “E tudo ratificado, assegurado pelo procurador-geral”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O texto foi redigido a muitas mãos, com supervisão do marqueteiro Elisinho Mouco, que desde setembro presta serviços ao Planalto e agora trabalha em dedicação exclusiva. A parte em que Temer ataca o ex-procurador pode dar processo de perdas e danos, porque Marcelo Miller não participou da delação da JBS. Ele pediu exoneração do Ministério Público em março e atualmente é advogado no escritório Trench, Rossi e Watanabe, um dos maiores do país, que atua na negociação de leniência da JBS. Temer, que reclama de estar sendo acusado sem provas, também não tem nenhuma prova contra Marcelo Miller. (C.N.)

 

 

Vaccari é absolvido porque as únicas provas contra ele eram as delações

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Vaccari tem de se livrar de outras quatro condenações

Por G1 RS

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), com sede em Porto Alegre, absolveu em segunda instância nesta terça-feira (27) o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto por 2 votos a 1. Em primeira instância, o juiz Sérgio Moro, de Curitiba, havia definido pela de 15 anos e 4 meses de reclusão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“O relator elevou a pena para 18 anos, mas os outros dois desembargadores o absolveram, acolhendo a nossa tese de que não pode haver condenação exclusivamente com base nas delações”, destacou ao G1 o advogado de Vaccari, Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso.

OUTRAS CONDENAÇÕES – O TRF4 ainda não informou se Vaccari deverá ser solto. Ele cumpre pena no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O advogado diz que ainda não há como saber se ele ganhará liberdade, pois existem outras condenações.

“Em todos os processos, as condenações se baseiam exclusivamente em palavras de delatores. Não há nenhuma única prova a corroborar o que os delatores falaram em processos. De modo que essa decisão estimula, dá uma diretriz de que a lei vai ser cumprida”, completa D’Urso.

Conforme o advogado, restam ainda quatro condenações, sendo que duas delas falam sobre prisão, “mas não houve nessas duas a decretação de nova prisão preventiva, e sim de extensão da prisão decretada no primeiro processo”, acrescenta. A partir disso, a defesa de Vaccari diz que entrará com recurso na Justiça Federal em Curitiba para pedir a liberdade. “Saindo essa absolvição, as demais, por conseguinte, vamos sustentar que devem ter também.”

CONDENAÇÕES MANTIDAS – O tribunal manteve as condenações dos outros quatro réus que apelaram contra as penas em primeira instância. Portanto, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque segue com 20 anos 8 meses de reclusão, e Adir Assad, Dario Teixeira Alves Júnior e Sônia Mariza Branco com 9 anos e 10 meses de reclusão.

Todos eles respondem por lavagem de dinheiro e organização criminosa. A sentença de Moro saiu em 21 de setembro de 2015.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Vaccari sempre alegou que não havia provas contra ele, porque tudo o que fazia era obedecer as ordens dos dirigentes do partido. Mas a absolvição não era esperada, devido à contundência dos depoimentos contra ele, apelidado de “Mocha”, porque carregava sempre uma mochila. Mas em um dos casos há provas, porque ele foi filmado recebendo a propina da empreiteira UTC. (C.N.)

Denúncia contra Temer será analisada na Câmara por critérios jurídicos

Pacheco, do PMDB, não aceita pressões do Planalto

Deu em O Globo

O Palácio do Planalto está preocupado com a postura independente do presidente da Comissão de Constituição e Justição (CCJ), deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). Ele disse ao Globo que não vai sofrer interferência do governo para escolher o relator da denúncia contra o presidente Michel Temer, acusado de corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Na CCJ, o Planalto gostaria de um relator do próprio PMDB. Um nome de confiança é o do deputado Jones Martins (PMDB-RS), que entrou como suplente no lugar do atual ministro Osmar Terra. O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) já disse que não quer.

Como senhor vai atuar na condução da CCJ neste caso do presidente?
Vamos atuar com independência, com critério técnico e seguindo o regimento. Um relator que tenha independência para tratar do assunto e conhecimento jurídico. Não haverá interferência do governo. Esse é um fato.

Integrantes da cúpula do PMDB defendem que seja um nome do partido.
Poder ser do PMDB, mas pode não ser. O PMDB tem quadros na Comissão de Constituição e Justiça que preenchem esses requisitos. Não vou nominar precocemente. Agora vou ter a denúncia e devo escolher o relator ainda nesta semana.

Se houver mais de uma denúncia, poderá haver uma junção com a primeira?
Em princípio, terão que ser discussões separadas para cada uma, se houver mais de uma denúncia. Mas pode, sim, ser um único relator. Vai depender do teor das denúncias, se há conexão entre os fatos.

O senhor está se sentindo pressionado por ser do PMDB?
Não estou me sentindo pressionado e não fui procurado por parte do governo.

No almoço da Tribuna da Internet, debatemos ideias para aprimorar o blog

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Antonio Rocha, Darcy Leite, Carlos Newton, Pedro do Coutto, Jussara Martins, Antonio Fallavena, Lucas Alvares, Paulo Peres, Cristina Peres e Jorge Mello.

Antonio Carlos Fallavena 

Foi uma longa espera. Mas, depois de algumas ameaças, no último dia 22 de junho reuniram-se integrantes da nossa TI – Tribuna da Internet, pela primeira vez. Na oportunidade, os tribunários deram início a uma nova etapa de trabalho, através de encontros periódicos. Durante quase três horas, na primeira reunião-almoço, os tribunários Carlos Newton, Jussara Martins, Lucas Alvares, Pedro do Coutto, Antonio Rocha, Darcy Leite, Jorge Mello, Paulo e Cristina Peres e Antonio Fallavena trocaram abraços, histórias, brindes e ideias.

O encontro, que registra um momento histórico e feliz, foi registrado em algumas fotos que agora publicamos como parte do acervo da nossa TI.

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Newton e Fallavena, ao abrir os trabalhos

AGRADECIMENTO – Sou um sujeito que prezo muito as amizades, os colegas de trabalho e os familiares. A recepção que tive do nosso líder Newton, da chegada ao aeroporto ao seu lar/escritório; o “coffee break” na companhia do casal Carlos/Jussara e um bate-papo inicial, fez-me sentir em casa. Depois, conhecer Dona Yolanda Leitão de Azevedo, mãe de Carlos Newton, muito alegre aos 99 anos, com seus cacheados cabelos brancos, carinhosa, sorrindo sempre, lembrou-me queridas tias que um dia pretendo reencontrar.

É bom demais viver minutos assim. Na viagem a São Paulo, fiquei a pensar e a me perguntar: como pode nossa sociedade ter perdido tais valores?

NO FUTURO PRÓXIMO! – Levei algumas ideias ao chefe Carlos Newton, quanto ao futuro da nossa TI (desculpem se repito tanto isto) e a possibilidade/necessidade da ampliação de sua área de atuação e dos novos compromissos que precisamos pensar em assumir. Fiquei de enviar-lhe um roteiro completo, com informações e detalhes. Farei isto com a maior brevidade.

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Rocha, CN, Fallavena, Paulo e Cristina Peres

Demos, apenas, o primeiro de muitos passos. Sinto que devemos e precisamos assumir mais este compromisso. Temos condições para tanto.

Agradeço a todos a oportunidade de conhecê-los, de desfrutar estes momentos e de trocarmos ideias e histórias.

Um fraterno abraço ao casal Carlos Newton e Jussara, com votos de muita saúde e paz, desejos que estendo a todos(as) colegas da nossa Tribuna da Internet. E já estou esperando o próximo encontro.

Rocha Loures tentou marcar encontro entre Temer e Joesley em Nova York

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Loures foi preso ao voltar de Nova York

Deu em O Globo

O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures conversou com o empresário Joesley Batista, dono da JBS, e com Ricardo Saud, lobista da empresa, para planejar um encontro entre o presidente Michel Temer e Joesley em Nova York, que acabou não ocorrendo. As conversas constam na denúncia apresentada nesta segunda-feira pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer e Rocha Loures, pelo crime de corrupção passiva.

No documento, Janot ressalta que a reunião, segundo Joesley “tinha a finalidade de continuar dando sequência às tratativas ilícitas”.

NUMA CAFETERIA – Em conversa com Saud, que estava sendo gravada pelo lobista, Rocha Loures explica que iria aos Estados Unidos para participar de um evento em homenagem ao prefeito de São Paulo, João Doria, e afirma que o presidente talvez fosse também. O encontro ocorreu no dia 24 de abril, em uma cafeteria em São Paulo.

— Mas aí eu vejo se o Presidente vai ou não vai…Se ele não for, a gente, Joesley tando lá, a gente se encontra. Se ele for, procuramos fazer um encontro de todos lá — afirmou o então deputado federal.

COM JOESLEY – Depois, Rocha Loures também combinou a reunião com o próprio Joesley, por meio do aplicativo Confide, que protege as mensagens. O então deputado afirma que um ajudante de ordens da Presidência poderia ajudar a organizar o encontro.

Rocha Loures: Bom dia. Não irei a São Paulo esta semana. Na próxima estarei em Nova Iorque. Chego sábado dia 13 de mai (sic) Você vai estar por aí? Logo mais informo o telefone do ajudante de ordem do dia.

Joesley Batista: Lógico, com certeza. Dia 15, no meu escritório. Me manda o contato do ajudante de ordem? Qual o nome dele?

Rocha Loures: Capitão Lemos

Joesley Batista: O que você sugere, eu ligo pra ele? Ou você pede o chefe se ele poderia me ligar?

Rocha Loures: “Pode ligar para o AJO. Tranquilo. Ele tem reuniões hoje o dia todo por conta da reforma da Previdência. Estando com ele, vou dizer que você quer falar. Vamos falando por aqui.

Temer acabou não viajando para Nova York na data combinada, mas Rocha Loures foi. Ele ainda estava lá no dia 17 de maio, quando O Globo revelou a existência da delação da JBS.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É da maior importância essa gravação da conversa de Loures com o executivo da JBS, porque demonstra que ele, já na condição de deputado federal, continuava atuando em nome do presidente da República, na defesa dos interesses do grupo empresarial. Loures realmente foi a Nova York e vestiu um smoking para participar da homenagem a Dória e fazer selfies ao lado do prefeito de São Paulo, crente que estava abafando, como se dizia antigamente. (C.N.)

Há menos corrupção nos países que propiciam uma educação de melhor nível

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A corrupção causa revolta aos jovens brasileiros

Celso Toledo
Site da Exame

Uma questão pertinente é saber como caímos neste buraco da corrupção. Os pesquisadores suecos Eric Uslaner e Bo Rothstein, autores de “As Raízes Históricas da Corrupção”, detectaram a existência de uma relação inversamente proporcional entre os níveis históricos de educação no final do Século XIX e a corrupção percebida atualmente em uma amostra de 78 países para os quais há informações.

Os lugares atualmente menos corruptos eram relativamente bem educados em um passado distante, não necessariamente mais ricos.

VÍNCULO REAL – Há várias razões para acreditar no vínculo entre essas variáveis. Primeiro, a educação fortalece os laços sociais entre grupos distintos, consolidando noções de cidadania e de lealdade em relação ao Estado que, por sua vez, são favoráveis à honestidade.

Segundo, a educação tende a criar um ciclo virtuoso de riqueza e igualdade, fatores materiais que costumam inibir a roubalheira. De fato, a elite tem mais dificuldade em adotar políticas socialmente prejudiciais em sociedades mais igualitárias. Além disso, populações mais educadas precisam recorrer menos a estruturas de poder clientelísticas. Terceiro, a educação propicia a criação de um mercado para a imprensa, revigorando seu papel de sentinela. Resumindo, ao prover educação em massa, o estado sinaliza a seus cidadãos que não serve a um grupo específico, estimulando a honestidade.

QUESTÃO AGRÁRIA – A evidência também sugere que os lugares em que a distribuição da propriedade da terra era mais igualitária no passado tendiam a exibir níveis educacionais mais elevados. Estes fatores indicam que colonizações com fins extrativos, caracterizadas por terem menos europeus e distribuição desigual da terra, ajudam a explicar a corrupção hoje porque, nestes lugares, não havia incentivos a prover educação de massa. Mas isso é apenas parte da história.

As trajetórias de nações independentes também corrobora a teoria. Nestes lugares, a influência da religião foi um elemento importante. A educação foi mais estimulada pelos protestantes, cujos missionários pregavam a leitura da Bíblia. Nos países católicos, a igreja temia que a alfabetização pudesse levar ao questionamento de sua autoridade, preferindo investir em educação apenas quando enfrentava concorrência (como no Canadá). Essa cunha explica a diferença no destino de Portugal e Espanha, de um lado, e Escandinávia, de outro.

MELHOR EDUCAÇÃO – A Ética Protestante funcionou como obstáculo à corrupção contemporânea não apenas porque instilou a cultura do trabalho duro, mas porque favoreceu a educação. Um resultado interessante é a importância menor da existência de instituições democráticas lá atrás para entender a corrupção no presente.

No final do Século XIX, as democracias não apresentavam necessariamente os níveis educacionais maiores. A Inglaterra, a democracia mais avançada economicamente na época, introduziu educação de massa com bastante atraso, importando o modelo de nações mais autoritárias para fazer a reforma doméstica.

IDENTIDADE NACIONAL – Nações continentais como Alemanha, Dinamarca e Suécia investiram em educação porque a elite política via a necessidade de construir uma identidade nacional unificada a partir do Estado. O sistema Sueco, por exemplo, estabeleceu que meninos e meninas devessem ser tratados da mesma forma e estudar juntos – foi introduzido em 1842. Na Itália, país relativamente corrupto hoje, metade da população era analfabeta ainda na primeira década do Século XX, especialmente na região do sul – em que a corrupção é significativamente maior do que no norte.

O lado positivo do estudo é que parece haver uma via para recuperar o tempo perdido, mas com lentidão bovina. De fato, a correlação entre corrupção hoje e educação ontem é bem maior do que a relação entre corrupção hoje e educação hoje. Finlândia, Japão e Coreia do Sul são exemplos de países que, por razões distintas, escaparam da armadilha de um passado longínquo com pouca educação.

A roubalheira generalizada que assola o Brasil tem origem que remonta à colonização. A limpeza que parece ganhar corpo com a Lava Jato é apenas o primeiro passo de uma longa jornada. Só seremos um país verdadeiramente honesto quando tivermos discernimento para entender que o desenvolvimento não cai do céu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Não ouviram Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, deixaram de construir escolas, agora têm de construir presídios. (C.N.)

Perícia confirma que Joesley disse “todo mês” ao citar a propina de Cunha

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Ilustração reproduzida do site Nossa Política

Camila Mattoso, Reynaldo Turollo Jr. e Rubens Valente
Folha

O laudo produzido pela perícia da Polícia Federal afirma que o empresário do setor de carnes Joesley Batista usou a expressão “todo mês” em um ponto importante do diálogo travado com o presidente Michel Temer em 7 de março no Palácio do Jaburu, e não “tô no meio”, ao contrário do que afirmou o perito contratado pela defesa do presidente.

Segundo a transcrição do diálogo feita pela PF, Joesley usou a expressão quando falava sobre seu relacionamento com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em resposta, Temer indagou: “O Eduardo também, né?”, segundo a transcrição.

PROVA IMPORTANTE – A expressão “todo mês” ligada a Cunha é relevante porque atua em favor de manifestações anteriores da PGR (Procuradoria Geral da República), que procura associar o diálogo a supostos pagamentos mensais feitos por Joesley ao ex-deputado para uma “compra de silêncio” do ex-deputado, a fim de evitar que ele se tornasse delator na Operação Lava Jato – uma das teses centrais da investigação sobre Temer.

Em entrevista coletiva convocada em 22 de maio, o perito contratado pelos advogados de Temer, Ricardo Molina, disse que Joesley havia falado “tô no meio”, e não “todo mês”.

A perícia conseguiu recuperar trechos até então considerados inaudíveis. No ponto em que Joesley e Temer conversavam sobre Loures, o empresário indagou se o então assessor era o novo interlocutor da JBS após a queda do ex-ministro GeddeL Vieira Lima (PMDB-BA). Segundo a perícia, Temer respondeu: “Pode passar por meio dele, viu?”.

OUTRA PROVA – Esse ponto, antes indicado como ininteligível, pode reforçar a acusação de que Loures recebeu recursos que seriam direcionados, segundo a acusação do Ministério Público Federal, para Temer.

O laudo final da perícia, com 123 páginas, mais um apêndice de duas páginas, é assinado pelos peritos do INC (Instituto Nacional de Criminalística) Paulo Max Gil Innocencio Reis e Bruno Gomes de Andrade, designados pelo diretor substituto do INC, Mauro Mendonça Magliano, e foi encaminhada ao STF na última sexta-feira pelo chefe do serviço de perícias em audiovisual e eletrônicos do INC, Getúlio Menezes Bento.

SEM CORTES – Conforme a Folha havia antecipado na última sexta-feira (26), o laudo técnico do INC da PF apontou que as “descontinuidades” do áudio, que segundo o perito da defesa da Temer e um perito contratado pela Folha seriam “edições”, são na verdade um problema causado pelo tipo do aparelho gravador utilizado por Joesley.

As interrupções ocorreram, segundo a perícia, porque o aparelho operava com um sistema de gravação automática, que começava ou parava conforme a “pressão sonora”, ou seja, a voz dos interlocutores. Essa particularidade do gravador levou às pausas e reativações automáticas que poderiam ser confundidas com “edições”.

Segundo a PF, ocorreu um total de 294 “descontinuidades” ao longo de toda a gravação feita no Jaburu. “Constata-se, no entanto, que tais descontinuidades são compatíveis com as decorrentes de interrupção no registro das amostras de áudio por atuação do mecanismo de detecção de pressão sonora do equipamento gravador, conforme corroborado por meio dos ensaios realizados”, diz a perícia. Os peritos fizeram diversas simulações com os dois aparelhos usados por Joesley e chegaram a conclusões semelhantes.

ENCADEAMENTO LÓGICO – Os peritos atestaram ainda sobre a conversa no Jaburu: “Em especial, não foram encontrados elementos indicativos de que a gravação tenha sido adulterada por meio da inserção ou supressão intencional de trechos de falas ocorridas em outro momento ou em ambiente diverso”.

“Os trechos contínuos sucessivos ao longo do áudio questionado apresentam aparente encadeamento lógico de ideias e assuntos, e remetem a um dialogo travado entre dois interlocutores, com início, meio e fim”, dizem os peritos.

Conforme a perícia, as “descontinuidades” tiveram, em média, a duração de 1,3 segundo cada uma. Isso explicaria a diferença entre o total da gravação e um programa da rádio CBN transmitido na noite do dia 7 cuja emissão inicia e encerra a gravação feita por Joesley. O programa foi captado pelo rádio do carro do empresário.

DIFERENÇA DE TEMPO – Ao comparar o tempo da gravação com o da emissão da rádio, a emissora apontou a ausência de cerca de seis minutos na gravação de Joesley.

Segundo os peritos, “a existência de uma diferença temporal como esta é esperada quando da gravação de arquivos de áudio com mecanismo de ativação por detecção de nível de pressão sonora”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A inexistência de cortes na gravação e a recuperação de importantes trechos robustecem a denúncia da Procuradoria-Geral da República. Como reconheceu o principal advogado de Temer, Mariz de Oliveira, agora a defesa ficou mais difícil. (C.N.)

Nota oficial do PT prega “confronto aberto” nas ruas se Lula for condenado

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Quaquá vive incitando o radicalismo do PT

Catia Seabra
Folha

Dentro da estratégia de blindagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT do Rio, Washington Quaquá, divulgou nesta segunda-feira (dia 26), uma nota em que prega “confronto popular aberto nas ruas” caso o petista seja condenado pelo juiz Sergio Moro. “Queremos, a partir do Rio de Janeiro, dizer em alto e bom som: condenar Lula sem provas é acabar de vez com a democracia! Se fizerem isso, se preparem! Não haverá mais respeito a nenhuma instituição e esse será o caminho para o confronto popular aberto nas ruas do Rio e do Brasil!”, afirmou Quaquá.

“Nós queremos repactuar o Brasil em torno da democracia e dos direitos e reformas que melhorem, de fato, a vida do povo, com emprego, desenvolvimento econômico e soberania nacional. Mas quem dirá se será pacto democrático ou luta aberta será a burguesia que deu o golpe!”.

SEM DEMOCRACIA – No texto, o presidente estadual do PT diz ainda que a possibilidade de Lula concorrer é a última trincheira dentro das normas democráticas. E, “caso ultrapassada, não haverá mais compromisso democrático no Brasil”, a exemplo do que já aconteceu com o golpe militar de 1964.

“Vamos nos preparar pra luta da forma como ela vier. O judiciário brasileiro precisa dizer se vai aprofundar o golpe ou vai ajudar a restituir a democracia roubada. A garantia de eleições e do direito do Lula concorrer às eleições limpas (já que está mais do que evidente que não há crime por ele cometido e nenhuma prova produzida, depois de anos de investigação e de pressões e benefícios absurdos concedidos para quem se dispusesse a delatá-lo) é a última trincheira, que caso ultrapassada, não restará mais nenhum compromisso democrático no Brasil”, completa a nota.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A radicalização já era esperada, desde que Lula anunciou que iria convocar o “exército do Stédile. Recentemente, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) defendeu “derramamento de sangue” em defesa de Lula, citando a Bíblia dela. E agora o ex-prefeito de Maricá, Washington  Quaquá, defende o “confronto aberto nas ruas”a luta armada, em nota oficial do PT, ameaçando a normalidade democrática do país. É um irresponsável. (C.N.)

Delações, colaborações premiadas e o estranho caso JBS

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Charge do Amarildo (amarildo.com.br)

Percival Puggina

Por não lhe haver sido disponibilizado o instituto da colaboração premiada, Marcos Valério acabou como grande pato da ação penal referente ao Mensalão. Segundo leio, o publicitário, tardiamente, vem procurando construir um acordo nesse sentido desde meados do ano passado. Foi no âmbito da posterior Lava Jato que esse instrumento processual chegou aos colarinhos brancos e evidenciou sua inequívoca utilidade para desbaratar organizações criminosas que atuam nas vísceras do Estado brasileiro.

Quando as delações começaram a ser divulgadas, manifestou-se na opinião pública certa rejeição, considerando-as intoleráveis à luz dos ensinamentos morais comuns. Não é reverenciável, de fato, a conduta do dedo-duro, do alcaguete. Por isso, há advogados que se recusam a empregar tal expediente na defesa de seus clientes. No entanto, a Lava Jato jamais alcançaria a abrangência que alcançou não fosse o uso massivo que dele vem fazendo. Para que se tenha ideia do vulto que tomou, em março deste ano somavam-se 140 acordos de colaboração e, como não há reserva de mesa para tais celebrações, subsiste longa fila de espera.

COLABORAÇÃO PREMIADA – Data de 2013 a Lei de Combate às Organizações Criminosas, que disciplina a matéria em nosso país. O crime organizado, dificilmente é desarticulado de alto a baixo e desfeito em peças que possam ser buscadas pela polícia, sem que alguém, desde dentro, entregue o serviço. A lei dá ao procedimento o nome de “colaboração premiada” e, convenhamos, é muito bem-vinda. Através dela, ironicamente, muitos congressistas membros da Orcrim acabaram fornecendo à justiça a corda com que, um dia, poderão ser “enforcados”.

E o caso da JBS? Ou, mais especificamente, o caso do superprêmio concedido à colaboração de seus proprietários, que o STF acabou de sacramentar? Pois apesar da pragmática e burocrática decisão do Supremo, que se ateve aos aspectos formais da decisão do ministro Edson Facchin, seu exotismo dá margem a especulações. Se até o santo tem direito de desconfiar das esmolas excessivas, não podem ser menos legítimas as suspeitas dos pecadores. E bota excessivas nisso! O próprio tribunal não ficou alheio a essa excepcionalidade. É o que se depreende das manifestações de alguns ministros sobre o fato de que uma revisão desse acordo ensejaria uma enxurrada de pedidos semelhantes pelas defesas de outros réus.

ESTRANHEZA – Tudo, na verdade, chama a atenção: a presteza da operação; a concessão de absoluta anistia aos crimes praticados pelos Batista Brothers, malgrado a magnitude dos danos causados ao Erário e ao país nos âmbitos fiscal, previdenciário, político e econômico; a acolhida e a divulgação da gravação com Temer como prova maior (ao que se sabe), sem ter sido periciada; a estranha acolhida no âmbito da relatoria da Lava Jato (ministro Edson Fachin) de um acordo de colaboração que nada tem a ver com o caso do qual ele é relator; o evidente estrabismo dos colaboradores que receberam seus mais fabulosos bônus, em espécie, durante os governos petistas, mas desfecharam a integralidade de sua denúncia contra Michel Temer.

Por outro lado, permanece incompreensível ao meu entendimento o tal acerto pelo qual o presidente Temer, com 76 anos de idade, passaria a receber parcelas semanais (!) de R$ 500 mil ao longo de 20 anos, ou seja, até os 96 (!) num negócio com preço de gás. Quem neste país faz acordos por vinte anos? Quem se iria expor a carregar mala de dinheiro, toda semana, até 2037? Que influência pode exercer Temer sobre o Cade ou qualquer órgão público, que não se extinga, no máximo, em 18 meses? Muito, muito estranho!

Esclarecimento final: se repudiei a chapa Dilma/Temer em 2014; se sempre me pareceu que, tendo este último ocupado as posições que ocupou em seu partido e no governo, era impossível atribuir-lhe o desconhecimento dos fatos que aconteciam à sua volta; se, por isso, em nenhum momento me alinhei em sua defesa, não será agora que o farei. Este artigo é, apenas, um desabafo de minhas perplexidades.

Piada do Ano: Temer se defende acusando Janot de tentar destruir a classe política

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Gustavo Uribe, Marina Dias e Bruno Boghossian
Folha

Na tentativa de barrar a denúncia contra ele, o presidente Michel Temer partirá para o enfrentamento direto com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusando-o de tentar condená-lo sem provas. Em reunião na noite de segunda-feira (26), no Palácio do Planalto, o peemedebista traçou com ministros e parlamentares estratégia de reação tanto política como jurídica contra a denúncia que pode afastá-lo do cargo.

O discurso que foi estruturado e será reproduzido em defesa do presidente é de que o procurador-geral atua contra a classe política em geral e que faz conclusões que não se sustentam pelos fatos.

MALA DE DINHEIRO – O principal ponto da denúncia que será contestado é a associação direta do peemedebista com a mala de R$ 500 mil recebida da JBS pelo ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures, um dos maiores aliados do presidente.

O argumento central é que o dinheiro ficou com o ex-auxiliar presidencial e que, portanto, não é possível provar que o presidente seria o beneficiário do montante.

Com o desmembramento da denúncia e apresentação a conta-gotas, o Palácio do Planalto acusará o procurador-geral de atuar de maneira parcial, com o único objetivo de desgastar a imagem do presidente e prolongar a crise política, afetando a recuperação econômica do país.

MOTIVAÇÕES PESSOAIS – Nas palavras de um assessor presidencial, o discurso será de que, por motivações pessoais, o procurador-geral prejudica o país e atua em uma cruzada política contra o peemedebista.

A conclusão em reunião no gabinete presidencial foi de que, apesar de o conteúdo da denúncia ter sido dentro do esperado, ela deprecia a imagem do presidente. Para o Palácio do Planalto, agora, é preciso avaliar o impacto dela junto à opinião pública e como ela será assimilada pela população em geral.

Para evitar que haja contaminação política com o tema, o presidente ordenou que a resposta para a denúncia seja feita exclusivamente pela sua equipe de advogados. Ele acredita que, caso consiga barrar as denúncias no Congresso Nacional, terá condições de sobreviver à atual crise política.

SEM PLANO B – O tom beligerante contra a PGR (Procuradoria-geral da República) já foi adotado pelo presidente na manhã desta segunda-feira (26). “Ninguém duvide, nossa agenda de modernização do Brasil é a mais ambiciosa de muito tempo. Tem sido implementada com disciplina e com sentido de missão. Não há plano B. Há de seguir adiante. Nada nos destruirá. Nem a mim, nem aos nossos ministros”, disse.

A ideia do presidente é tentar barrar já na primeira quinzena de julho a denúncia contra ele. Além de abreviar prazos na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o Palácio do Planalto pretende garantir a nomeação de um relator próximo à gestão peemedebista e um placar folgado já na comissão parlamentar pela recusa da denúncia.

Além disso, a gestão peemedebista defende substituições entre titulares e suplentes na CCJ para garantir a presença de parlamentares combativos que defendam insistentemente o presidente em discursos e discussões.

ACUSAÇÃO DE JANOT – O que diz o procurador-geral Rodrigo Janot em 60 páginas de denúncia contra Temer

– Temer foi o destinatário real da propina de R$ 500 mil paga em uma mala pela JBS ao ex-assessor Rodrigo Rocha Loures

– O presidente também aceitou uma promessa de R$ 38 milhões de vantagem indevida a ser pago em parcelas semanais

– Em troca, Rocha Loures ajudaria a solucionar uma demanda de interesse da empresa no Cade

– PGR diz haver “provas abundantes”: entre elas, a delação de sete executivos da JBS, o áudio gravado por Joesley no Palácio do Jaburu, a indicação de Loures para resolver qualquer pendência e a filmagem de Loures correndo com a mala de R$ 500 mil

– Procurador utiliza perícia da PF que atesta que não houve nenhuma edição nos áudios

– Temer se contradisse em duas ocasiões: ao explicar o motivo pelo qual recebeu Joesley e a razão para ter viajado em 2011 no jatinho do empresário

O que a Procuradoria pede: 1) Condenação por corrupção passiva; 2) Perda da função pública ou mandato eletivo; 3) Indenização aos cofres públicos de ao menos R$ 10 milhões por Temer e R$ 2 milhões por Loures.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A defesa do Temer, é claro, concorre à Piada do Ano, com base no conjunto da obra. Dizer que Janot acusa Temer porque pretende destruir a classe política como um todo, com certeza, é anedota de primeira classe. Merece palmas entusiásticas. (C.N.)

As estrelas da poesia, no firmamento de Cruz e Sousa

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Site Poemas & Canções

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis. No soneto “As Estrelas”, ele questiona se tais astros não são sentimentos dispersos de primitivos grupos humanos.

AS ESTRELAS
Cruz e Sousa

Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca de Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.

Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!