Luiz Estevão organizava visitas e tinha espécie de escritório na prisão

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Luiz Estevão, considerado o “dono” da Papuda

Ana Maria Campos e Walder Galvão
Correio Braziliense

Deflagrada pela Polícia Civil no Centro de Detenção Provisória (CDP), durante a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, no último domingo, a Operação Bastilha derrubou a cúpula do sistema penitenciário do Distrito Federal. A descoberta, por policiais civis da Divisão de Repressão a Facções (Difac), de regalias dadas ao senador cassado Luiz Estevão provocou a exoneração do subsecretário do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe), o delegado aposentado Osmar Mendonça de Souza, e do diretor do CDP, o agente policial de custódia José Mundim Júnior.

Os investigadores da Polícia Civil tentam agora identificar como diversos itens que seriam de Luiz Estevão entraram na Papuda. Apontado pelos delegados como um dos “donos do presídio”, o empresário, condenado a mais de 26 anos de prisão, é influente e capaz de organizar visitas fora das regras definidas pela Vara de Execuções Penais. Estevão também mantinha uma espécie de escritório pessoal na cadeia.

GRUPO OK – Durante as buscas, os policiais encontraram pilhas de documentos relacionados às empresas de Estevão, o que demonstra que, de dentro da cadeia, o empresário continua comandando os negócios do seu grupo OK.

Além dessas regalias, Estevão dispõe de uma cela maior que as demais e a divide apenas com um outro preso, o ex-poderoso ministro do governo Lula José Dirceu, condenado a 30 anos e nove meses de prisão, por corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, em processo da Operação Lava-Jato.

Segundo a apuração policial, pelo menos sete presos, da ala de idosos, deveriam ocupar o local em que estão alojados Estevão e Dirceu, os dois presos mais ilustres do Distrito Federal.

APREENSÕES – A Operação Bastilha resultou na apreensão de cinco pen-drives, que estavam com o senador cassado, e de diversos documentos dele e do ex-ministro Geddel Vieira de Lima. A Polícia Civil não informou se Estevão dispunha de um computador para ter acesso ao conteúdo das mídias.

Outro ponto que chamou a atenção dos policiais foi um caderno de anotações de José Dirceu. Em uma das páginas, o ex-ministro teria registrado um favor que pediria a Estevão: instruções para que uma criança ou adolescente, que o petista se referiu como “menor”, não identificado pelos investigadores, entrasse no CDP.

Apesar dos itens encontrados nas celas, Estevão, em um primeiro momento, não deve sofrer qualquer tipo de punição.

INVESTIGAÇÃO – “Vai ser apurado se eles cometeram algum crime e se algum agente teria facilitado a entrada dos materiais”, explica um dos delegados à frente do caso, o diretor da Difac, Thiago Boeing. Ao investigador, Estevão se mostrou tranquilo e teria dito que os itens sempre estiveram no lugar, antes da chegada dele.

A operação ocorreu em sigilo da própria Sesipe, responsável por fiscalizar o presídio. De acordo com o delegado, a suspeita de que agentes penitenciários pudessem participar do esquema criminoso fez com que a investigação ocorresse em segredo. “Nesse primeiro inquérito, há integrantes indiciados. Dessa forma, não poderíamos cumprir uma medida lá dentro, sem atrapalhar as investigações”, explica. Agora, a apuração policial deve prosseguir para apontar quem facilitava os privilégios no local.

SOLITÁRIA – No início de 2017, mais privilégios de Estevão derrubaram outra cúpula. Daquela vez, a da direção do Centro de Detenção Provisória (CDP).

Vistoria feita pela Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), em 26 de janeiro, encontrou chocolate, cápsulas de café, cafeteira elétrica e massa de macarrão importada na cela do ex-parlamentar. À época, Estevão foi transferido para a solitária por 10 dias.

Bolsonaro começa a podar o neoliberalismo exacerbado de Paulo Guedes

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Bolsonaro já sabe que o hiperliberalismo é uma fria

Leonencio Nossa
Estadão

 É uma difícil troca de gênero econômico. O deputado e pré-candidato ao Palácio do Planalto Jair Bolsonaro (PSL-RJ) tenta afastar-se da imagem de um polêmico sindicalista militar que defende políticas estatizantes e aderir a ideias ultraliberais do economista Paulo Guedes.

Nas últimas semanas, o presidenciável tem recorrido a um kit de bordões privatizantes e de enxugamento do Estado, sem concordar, no entanto, com a venda da Petrobrás, dos bancos federais e uma reforma imediata da Previdência. Propõe a redução de gastos e impostos, mas avisa que não aceita que o “bebê”, como chama as Forças Armadas, sofra contingenciamento.

HUMILDADE – O ex-capitão do Exército chegou ao topo das pesquisas com um discurso radical em temas como segurança pública e sexualidade. Na economia, ele adianta que busca ajuda de especialistas com “humildade”, numa estratégia de escapar de críticas. Não disfarça, porém, que é contra o extremismo econômico de seu conselheiro.

“Ele (Guedes) tem, às vezes, um excelente plano e bota na mesa. Mas eu digo: ‘Doutor Paulo, nota dez. Mas isso passa na Câmara e no Senado? Se não cortar aqui, pode ser um excelente plano, mas não vai para a frente”, diz o parlamentar. “Na questão política, ele me ouve. Assim como eu ouço ele na economia. Essa conjunção está dando certo. Estamos namorando.”

DIVERGÊNCIAS – Antes de Bolsonaro, Guedes elaborou o plano de governo de Guilherme Afif Domingos, candidato à Presidência em 1989 pelo Partido Liberal. No posto de principal assessor econômico do pré-candidato, ele atraiu holofotes na defesa de propostas que batem de frente com os discursos e a trajetória de quase três décadas de Bolsonaro na Câmara.

As divergências ficam explícitas num dos debates mais acalorados do cenário econômico atual. O pré-candidato não compartilha com o economista a ideia de redução de subsídios. A proposta é um fantasma, por exemplo, para setores como o agronegócio, que em 2017 obteve renúncia fiscal que chegou a R$ 23,8 bilhões.

Em busca de apoio dos ruralistas, o pré-candidato ressalta que é contra a privatização do Banco do Brasil, órgão de fomento do setor.

CALMA NA PRIVATIZAÇÃO – “Se privatizar, como fica o financiamento do setor produtivo rural? Alguns falam, não é só ele (Guedes): ‘Vamos privatizar essas estatais que vão dar dezenas de bilhões’. Mas quem me garante que a dívida interna vai voltar ao patamar que estava?”, questiona. “Se der um problema, ninguém vai culpar a equipe econômica, vai dar porrada no comandante”, ressalta. “É preciso avaliar o paciente. Vai deixar o dedo e amputar o corpo?”

Como todo namoro, não há compromisso de casamento. Bolsonaro e Guedes têm mantido contatos quase semanais no Rio de Janeiro, telefonemas e mensagens diárias no WhatsApp. Procurado nas duas últimas semanas, o economista não retornou os contatos.

PACOTÃO – O pré-candidato do nanico PSL diz que pretende apresentar um “pacotão” de medidas para destravar a economia. A ideia é fazer uma varredura de projetos em tramitação há anos na Câmara e no Senado. Entre elas está a redução da estrutura do Ministério Público e da Justiça do Trabalho. “Não vou mostrar o pacotão agora para não levar pancada por aí”, afirma. “Ninguém vai ser penalizado”, afirma. “Geralmente, pacotão é aumento de imposto. O nosso é diferente.”

O conjunto de medidas econômicas que a equipe de Bolsonaro prepara tem diretrizes liberais, mas o nome remete ao “Pacotão” do general Ernesto Geisel, que, em abril de 1977, fez mudanças nas regras eleitorais e fechou o Congresso por duas semanas. Para convencer o mercado, Bolsonaro diz que o discurso de fechar o Legislativo ficou no passado, quando era um deputado iniciante, recém-saído do Exército.

DESEMPREGO – Acostumado a disparar na presidente cassada Dilma Rousseff, o pré-candidato começou a ter lições sobre outra mulher da política. A ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher é um exemplo do modelo econômico de Guedes. “A Inglaterra acabou com as subjetividades e reduziu a carga tributária”, diz Bolsonaro. Ele, no entanto, evita falar dos efeitos colaterais das mudanças de Thatcher, que fez cortes drásticos na área social e aumentou o desemprego.

Análises e ideias do economista começam a aparecer nas falas e nos discursos de Jair Bolsonaro. “O pessoal da economia que está comigo disse que vai ter que reduzir a carga tributária”, afirma o pré-candidato. “A minha opinião de leigo é que você pode diminuir a sonegação e aumentar a arrecadação, porque nós ultrapassamos a Curva de Laffer há muito tempo. OK?”, diz, debochando de um termo de alta complexidade para os leigos. A teoria mede o limite de crescimento da arrecadação em relação ao da carga tributária.

AÇÕES SOCIAIS – Bolsonaro diz que a queda de tributos e uma fiscalização mais eficiente garantem as receitas para implantar ações sociais. Ele é econômico ao falar de política monetária, limitando-se a dizer que o Banco Central deve ser “independente politicamente”, como, aliás, propõe Guedes. “Não é fácil discutir esse assunto, cara. Não tem a fórmula mágica.”

E emenda com relatos que sugerem aproximações por parte dos setores financeiro e empresarial à sua campanha: “Temos independência para trabalhar. É comum em reuniões que faço alguém falar: ‘Vamos ajudar financeiramente a campanha’. Eu digo: ‘Não aceito’”, conta. “Tem cara que fatura mais de um bilhão por ano. Não quero dever nada para ninguém. Ou chego (ao poder) de forma independente ou não chego.”

O pré-candidato afirma que não pretende cortar programas sociais como o Bolsa Família. “É combater a fraude, não é acabar. O que puder inserir esse pessoal no mercado de trabalho, vamos inserir. No meu entender, ficará 40%, que você deve bancar, porque os caras estão condenados a morrer de fome.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito interessante e importante o artigo de Leonencio Nossa. Mostra que Bolsonaro não vai ser um desastre nos debates, pelo contrário. A matéria só traz um equívoco, ao dizer que Bolsonaro vai “aderir” às teses de Guedes. Na verdade, o candidato está “adaptando e podando” o ideário hiperliberalista de seu guru econômico, que pode até ser descartado do Ministério da Fazenda. Bolsonaro já tem outros gurus, que usam fardas e tentam colocá-lo no caminho certo. (C.N.)

Juiz nega pedido do filho de Lula e mantém depoimentos da Operação Zelotes

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Camila Bomfim
TV Globo, Brasília

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, negou nesta segunda-feira (18) pedido da defesa de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para adiar a data do depoimento dele, marcado para o próximo dia 29. O depoimento será prestado no processo da Operação Zelotes que apura irregularidades na compra de caças suecos durante o governo Dilma Rousseff.

Lula é réu no processo, junto com o filho, pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

ACUSAÇÕES – A denúncia do Ministério Público Federal que deu origem à ação penal aberta pela Justiça é resultado de investigações sobre compra pelo governo federal de 36 caças suecos e sobre a aprovação no Congresso de uma medida provisória que envolveu incentivos fiscais a montadoras.

De acordo com o Ministério Público Federal, os crimes teriam sido praticados entre 2013 e 2015, quando Lula, como ex-presidente, teria participado de um esquema para beneficiar empresas junto ao governo Dilma.

DEPOIMENTOS – Além de Luis Cláudio, que será ouvido no dia 29, o juiz também colherá os depoimentos de Lula e dos lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, também réus no processo. O depoimento dos últimos três está marcado para a manhã de quinta-feira, dia 21.

O depoimento de Lula será por meio de videoconferência, uma vez que o ex-presidente está preso, por causa de outro processo, o caso do triplex em Guarujá (SP). Ele foi condenado em duas instâncias da Justiça a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Pessoalmente, eu gostaria de conhecer as provas contra Lula no caso da compra dos caças suecos. E aproveito para indagar por que não foram incriminados o então ministro da Aeronáutica e os oficiais que participaram da suposta negociada. Como dizia o genial humorista Paulo Silvino, perguntar não ofende. (C.N.)

Centrais contratam investigado na Lava Jato para liberar R$ 500 milhões 

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Tiago Cedraz é filho de um ex-presidente do TCU

Vinícius Sassine
O Globo

A influência do Solidariedade foi determinante na composição do grupo de trabalho montado dentro do ministério para tentar efetivar de vez os repasses das contribuições sindicais retidas na Caixa. A Força Sindical indicou o advogado Tiago Cedraz para representá-la no grupo. Ele é secretário de Assuntos Jurídicos do Solidariedade. Um sócio de Tiago no escritório mantido em Brasília, o advogado Bruno de Carvalho Galiano, também passou a contribuir formalmente com o grupo que deve decidir os rumos do bolo de R$ 500 milhões que pode engordar o caixa das centrais. Ele foi nomeado como representante da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). Bruno é filiado ao Solidariedade na Bahia desde fevereiro de 2016.

Tiago é investigado na Operação Lava-Jato, juntamente com o pai, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz, e com o presidente do tribunal, ministro Raimundo Carreiro. O inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) investiga suposto pagamento de propina para que a empreiteira UTC obtivesse ganhos em processo em curso no TCU, que trata de obras da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). A PF concluiu o relatório das investigações em junho de 2017. Apontou indícios de corrupção passiva envolvendo os três — pai, filho e presidente do TCU. Eles negam as acusações.

DOZE REUNIÕES – Representantes das sete centrais, do Ministério do Trabalho e da Caixa já fizeram 12 reuniões na pasta. Fontes do governo ouvidas pela reportagem relatam uma posição de protagonismo de Tiago e do sócio nas discussões.

Em outubro do ano passado, as sete centrais sindicais, o Ministério do Trabalho e a Caixa assinaram um acordo, mediado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), para permitir que as entidades recebessem os resíduos de contribuições sindicais. A advogada-geral da União, Grace Mendonça, no entanto, se recusou a assinar o termo, por entender que existia uma “incerteza” sobre a “correta distribuição” de recursos com destinação ainda não identificada.

No último dia 6, o site do Globo publicou reportagem sobre riscos e fragilidades identificadas pela CGU no acordo mediado pelo MPT. Entre esses riscos estão a falta de critérios para definir os valores a serem repassados, a ausência de análise do impacto no Tesouro e no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e a possibilidade de pagamentos duplicados a entidades. Após a reportagem procurar o MPT, o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, decidiu no mesmo dia acabar com o acordo.

ADVOGADOS DEFENDEM – Em nota, os advogados Tiago Cedraz e Bruno Galiano afirmaram que uma denúncia das centrais sindicais ao MPT apontou a “apropriação indevida” de recursos da contribuição sindical pela União. Os dois foram os autores da denúncia, segundo eles. As audiências de mediação foram “devidamente gravadas e registradas em ata”, conforme a nota.

Tiago e Bruno dizem não enxergar qualquer impedimento para atuar em processos de restituição de contribuições sindicais. “O grupo de trabalho não é órgão público tampouco integra a estrutura do Ministério do Trabalho. A atuação dos advogados jamais teve cunho partidário”, finaliza a nota.

“COMPETENTE” – A Força Sindical defendeu a indicação de Tiago Cedraz para o grupo que discutiu os rumos da restituição da contribuição sindical. “Ele defende os interesses de todas as centrais no Judiciário há dez anos. É advogado da Força Sindical para todo o Judiciário em Brasília. Extremamente competente e conhecedor do assunto, Tiago é o advogado que desenvolveu a tese acerca do desvio pela União dos recursos oriundos da contribuição sindical que deveriam ser destinados às centrais e às demais entidades sindicais”.

Em entrevista ao GLOBO, o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas, o Bira, afirmou que não partiu da direção da central a escolha do sócio de Tiago para representá-la nas discussões sobre o futuro do dinheiro:

— Alguém falou: “Tem um advogado aqui para te indicar.” Não foi uma escolha da gente. Ele (o sócio de Tiago) não participa em nada na central. Alguém que estava na reunião disse: “Podemos colocar um advogado nosso?” A indicação ocorreu no meio desse bolo geral.

E o poeta passeia sobre ti, suavemente, num fim de tarde de domingo

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Mauro Mota, sempre inspirado

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, jornalista, professor, memorialista, cronista, ensaísta e poeta pernambucano Mauro Ramos da Mota e Albuquerque(1911-1984), no poema “Rua Morta”, sente um cheiro não dos jardins abandonados, mas dos cabelos das moças de outras épocas.

RUA MORTA
Mauro Mota

Longa rua distante de subúrbio,
velha e comprida rua não violada pelos prefeitos,
passo sobre ti suavemente neste fim de tarde de domingo.

Sinto-te o coração pulsando oculto sob as areias.
O sangue circula na copa imensa dos flamboyants.

Tropeço nos passos perdidos há muito nestas areias,
onde as pedras não vieram ainda sepultá-los.
Passos de homens que jamais voltarão.

Ó velhos chalés de 1830,
eterniza-se entre as paredes o eco das vozes de invisíveis habitantes.
Mãos de sombras femininas abrem de leve janelas no oitão.

Há um cheiro de jasmins e resedás
que não vem dos jardins abandonados,
mas dos cabelos dos fantasmas das moças de outrora.

Indiciamento do ex-procurador Marcelo Miller é uma agressão ao bom senso

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Miller é ganancioso e amoral, mas não cometeu crime

Carlos Newton

O Direito é uma importantíssima ciência social, que se baseia na lógica e na razoabilidade. Para ser exercido e manter o equilíbrio nas relações da sociedade, o Direito precisa obedecer a normas rígidas que precisam ser respeitadas por todos, inclusive pelas autoridades, mas nem sempre isso acontece. Aqui no Brasil, há autoridades que insistem em criar suas próprias normas, como o notório ministro Marco Aurélio Mello, que recentemente anunciou que não se sentia obrigado a cumprir a jurisprudência do Supremo que permite o cumprimento da pena de prisão após condenação em segunda instância, com funciona na quase totalidade dos países-membro das Nações Unidas.

Em apenas um dos 193 países da ONU, esta norma moralizante não é cumprida, e Marco Aurélio Mello, junto com outros quatro ministros do STF, tenta fazer com que o Brasil se torne o segundo país ase mostrar penalmente irracional.

ABUSO DE PODER – Estas manifestações a favor de retardar ao máximo a prisão dos réus penais não tem base na razoabilidade, porque apenas 0,62% das condenações em segunda instância são revistas pelo Superior Tribunal de Justiça. E o retardamento (em todos os sentidos) só beneficia os réus poderosos, porque aqui no Brasil os pés rapados podem ser presos e julgados arbitrariamente, e ninguém se preocupa com eles.

O mais incrível é que, do s onze ministros de Supremo, pelo menos cinco são fervorosos adeptos desse retrocesso – Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Celso de Mello, enquanto Rosa Weber se equilibra em cima do muro. Parece que estamos vivendo no Teatro do Absurdo.

NOVA REALIDADE – Se o julgamento a ser efetuado dia 26 pela Segunda Turma decidir pela liberdade a Lula, este país poderá entrar em uma nova situação, altamente negativa. E ninguém sabe o que poderá acontecer.

Este retrocesso em direção à impunidade significará um absurdo abuso de autoridade, porque será cometido em flagrante desrespeito à lógica e à razoabilidade. Ao que parece, estes dois pré-requisitos jurídicos estão meio fora de moda.

Basta conferir a base jurídica do indiciamento do ex-procurador federal Marcelo Miller, do empresário Joesley Batista, do executivo Francisco de Assis, e das advogadas Fernanda Tórtima e Esther Flesch, que trabalhavam para a J&F.

CONTRADIÇÕES EM SÉRIE – A decisão do delegado federal Cleyber Malta Lopes, responsável pelo indiciamento, exibe contradições aterradoras e que não resistem a uma lufada de bom senso. De início, ele informa ao Supremo que haveria indícios suficientes de que Joesley, Assis, Fernanda e Esther corromperam Marcelo Miller para obter ajuda no acordo de delação premiada da J&F.

Mais adiante, Cleyber Malta Lopes muda de idéia e afirma que os elementos indicam que Marcelo Miller não interferiu na produção de provas descritas em planilhas de pagamentos entregues. E acrescenta que também não foram encontrados elementos de que o então procurador “tenha interferido ou orientado as gravações espontâneas realizadas por Joesley Batista e Ricardo Saud antes das ações controladas autorizadas pela Justiça”.

Caramba! O delegado federal acaba de inventar a figura de um servidor público que se corrompeu, mas não praticou a corrupção. Genial! (ou Bestial!, como dizem os portugueses.

ATO AMORAL – O comportamento do procurador Marcelo Miller é abjeto, amoral e decepcionante. Deixou-se envolver pela ganância e jogou no lixo sua carreira.

Mas acontece que ele pediu exoneração, antes de começar a trabalhar no escritório de advocacia. Não teve nem tinha sob sua atribuição nenhum inquérito, processo ou investigação relativo à J&F, suas controladas ou pessoas ligadas a elas.

Por fim, Miller afirma que nunca recebeu qualquer valor pela atividade preparatória que exerceu antes de sua exoneração, até porque seu contrato inviabilizava receber qualquer valor atrelado a notas fiscais emitidas pelo escritório.

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P.S. –
Ganância e idiotice não recomendam ninguém, mas não configuram crimes nas leis de nenhum país do mundo. Alguém precisa informar esta realidade ao delegado Malta Lopes, que deveria estar perseguindo criminosos de verdade, mas parece estar vivendo no mundo da lua. (C.N.)

Seleção precisa atuar mais livre, leve e solta do que jogou contra a Suíça

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Charge do Thiago (Arquivo Google)


Pedro do Coutto

Em plena era da Copa do Mundo, o pensamento da torcida brasileira, penso eu, volta-se para o treinador Tite, no sentido de que altere o esquema tático rígido quanto a forma de jogar e libere a equipe para se movimentar mais rapidamente e assim encontrar espaços destinados a levá-la à vitória. A partida contra a Suíça deve servir de exemplo para as modificações que se fazem necessárias, liberando mais a criatividade com a bola do que seguir esquemas táticos que terminam inibindo a seleção.

Contra a Suíça, amarramos muito as jogadas em torno de Neymar e esquecemos que futebol é o conjunto que abre os caminhos para o êxito. Há tempo para Tite rever sua visão de jogo e assim fazer com que o futebol brasileiro se reencontre consigo mesmo, recuperando a magia no trato com a bola que representa sua principal característica.

JOGO FECHADO – As partidas disputadas até aqui vêm destacando a rigidez de esquemas táticos que praticamente igualam as equipes dentro das limitações impostas pelos treinadores. Os resultados de domingo e ontem são uma prova disso. O futebol brasileiro necessita de espaço para se afirmar e, com isso, destacar a criatividade capaz de fazer as diferenças e romper esquemas defensivos, como aconteceu domingo contra a Suíça.

Eu pretendia escrever hoje a respeito da entrevista do Secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, à repórter Maeli Prado, focalizando os benefícios fiscais que nos últimos anos atingiram 393 bilhões de reais. Mas estamos em tempo de futebol. Essa entrevista fica para depois.

Nos treinos desta semana o técnico Tite inevitavelmente terá que colocar em pauta as trocas em demasiado de passos curtos, modalidade que facilita a marcação adversária e, na prática, diminui o campo de jogo, o que nos desfavorece na medida em que acabamos por marcar a nós mesmos. Isso de um lado.

NEYMAR ERRANDO – De outro lado, a atuação precisa se libertar do jogo centralizado em Neymar, maneira pela qual os adversários encontram mais facilidade para marcá-lo. E não só isso: Neymar, apesar de sua grande habilidade com a bola não precisa aplicar dribles em exagerada sequência, estilo que o coloca inclusive no alvo predileto dos choques e faltas. Por falar em faltas, delas abusou o time suíço, inclusive segurando-o duas vezes pela camisa, exemplo típico do antifutebol.

Tite provavelmente dirá a Neymar que ele necessita soltar mais a bola e não prendê-la a seus pés, porque isso termina afunilando a movimentação ofensiva do escrete e ampliando a distância até a meta adversária. Porque uma coisa é partir em sequência direta para o campo de ataque e outra é desviar-se de um lado para outro, o que evidentemente aumenta a dificuldade para o ataque concluir as jogadas.

QUESTÃO LÓGICA – Parece óbvio, mas como dizia Nelson Rodrigues, só os profetas enxergam o óbvio e o humor do artista não influi para encobrir a predominância da observação lógica.

Finalmente, vamos aguardar, com confiança e entusiasmo as alterações que se impõem, não na escalação da equipe mas quanto a forma de jogar e dominar a bola nos diversos obstáculos com que vamos nos deparar. As dificuldades são coisas do futebol, mas superá-las é a missão do selecionado de ouro que necessita voar mais livre e leve em busca das vitórias.

E, se Deus quiser, estaremos no rumo do hexacampeonato.

Busca nas celas de Dirceu, Estevão e Geddel derruba a direção da Papuda

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Estevão, agora barbudo, foi apanhado em flagrante

Fábio Fabrini
Folha

A varredura nas celas do ex-senador Luiz Estêvão (MDB-DF) e dos ex-ministros Geddel Vieira Lima (MDB-BA) e José Dirceu (PT-SP), na Penitenciária da Papuda, derrubou integrantes da cúpula do sistema prisional em Brasília. Em nota divulgada nesta segunda (18), a Secretaria da Segurança Pública do Distrito Federal informou que, “considerando o cumprimento do mandado de busca e apreensão” no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda, durante o qual foram encontrados “diversos itens proibidos”, decidiu afastar preventivamente de suas funções o diretor da unidade, José Mundim Júnior, e o subsecretário do Sistema Penitenciário, Osmar Mendonça de Souza.

Os dois vão ficar fora de seus cargos ao menos até a conclusão de investigações sobre o envolvimento de agentes públicos na concessão de privilégios aos políticos presos no CDP.

ATÉ TESOURA – Na tarde de domingo (17), a Polícia Civil do DF apreendeu chocolates, pendrives e uma tesoura, atribuídos a Estêvão, na cela que ele divide com Dirceu.

Os policiais investigam um suposto esquema de favorecimento, envolvendo agentes públicos, aos três internos. Há informações, segundo os investigadores, de que Estêvão atua como o “dono do presídio”.

No local, também foi encontrada uma anotação na qual Dirceu registraria a necessidade de autorização do ex-senador para conseguir burlar horário de visitações na Papuda.

TODOS CALAM – Na cela de Geddel, ocupada por ele e mais de dez presos, foram encontradas anotações, que ainda serão analisadas.

Os advogados de Estêvão, Marcelo Bessa, e de Dirceu, Roberto Podval, informaram que não se manifestariam. O criminalista Gamil Föppel, que defende Geddel, ainda não se pronunciou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEstevão não somente é o “dono” da Papuda, como também comanda de dentro do presídio a gestão do grupo empresarial OK, de sua propriedade, conforme revelou aqui na TI o comentarista José Antonio Perez Jr., direto de Brasília. (C.N.)

Projeto nacional é a grande bola fora do Brasil, analisa Edney Cielici Dias

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Charge do Duke (dukechargista.com)

Edney Cielici Dias
Poder360

O labirinto em que o país se encontra tem diversas faces de desilusão e o futebol é mais uma delas. Hoje a seleção brasileira estreia na Copa com a maior indiferença dos brasileiros –53% não têm interesse pelo evento, percentual bastante superior aos verificados, por exemplo, nos meses de junho em 1994 (20%) e 2014 (36%), segundo o Datafolha.

A ligação com a seleção brasileira é, para o bem ou para o mal, um indicador de pertencimento, de identidade com a nação. Na 6ª feira (14.jun), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli tocou o problema em outra perspectiva: nenhum candidato a presidente da República apresentou, até o momento, um “projeto de nação”.

PATRIOTADA – O que liga a seleção brasileira ao “projeto de nação”? Trata-se de algo sério ou estamos resvalando na patriotada?

A relação fria dos brasileiros é, sim, manifestação de um problema maior. Coincidentemente, a série dos dados do Datafolha corresponde a pontos críticos do enfraquecimento do “projeto de nação”.

O sonho de Brasil grande, de orgulho nacional de potência emergente, sepultou-se no início dos anos 1980, com o ocaso melancólico da agenda desenvolvimentista dos governos militares. O renascimento democrático significou administrar crises econômicas e demandas sociais historicamente reprimidas.

ESTABILIDADE – O Plano Real, de 1994, e seus desdobramentos propiciaram a necessária estabilidade de preços, mas em um contexto desfavorável à qualificação produtiva. O arranjo macroeconômico se consolidou com juros elevados, câmbio cronicamente sobrevalorizado, ampla abertura a fluxos de capitais e baixa abertura comercial.

Ocorreu, de fato, uma abertura econômica perversa, restrita aos fluxos de capitais, em contraposição ao que seria um papel mais ativo do Brasil no comércio e de participação nas cadeias mundiais de produção.

O brasileiro com renda mais alta se internacionalizou com o real forte e a liberdade de enviar seus recursos ao exterior e repatriá-los. As desvalorizações cíclicas do real, por sua vez, possibilitam oportunidades de especulações fáceis da elite duty free.

CONFIGURAÇÃO – O período de retomada do crescimento nos governos Lula não alterou essa configuração institucional. A expansão se deu com o combustível de exportação de produtos de baixa complexidade produtiva, paralelamente a importantes políticas de renda, em especial a valorização do salário mínimo.

A emergência da crise, no final do 1º mandato de Dilma, voltou a explicitar fragilidades de um país em processo de desindustrialização e de baixa produtividade. Salientou também a imemorial parcialidade do Estado brasileiro, pleno de vieses e atrasos, e uma Justiça que, em seu elitismo e lentidão, sinaliza que o crime compensa.

Em certo sentido, é fácil entender o que se passa nesta Copa. Os brasileiros têm graves problemas a resolver no seu dia-a-dia e não há clima para festa.

ANTIPATIA – Há também uma certa antipatia. Os craques da seleção são tão internacionalizados como a elite nacional: alta renda, residência no exterior, capacidade fugir dos problemas da terrinha. A CBF é tão impopular e sem credibilidade como o vergonhoso governo federal. Natural o distanciamento, a despeito da qualidade do time dirigido por Tite.

A ideia de nação, essencial na conformação das economias capitalistas, é semelhante à de um barco em que as diversas classes e interesses convivem por objetivos comuns. A presente situação do Brasil é, no entanto, a de uma nau de insensatos.

O tal “projeto de nação” é, nessa imagem, uma rota de navegação capaz de pacificar os tripulantes, de fazer o país singrar rumo ao desenvolvimento. É ingênuo, no entanto, esperar um projeto de nação coerente por parte de candidatos. Isso não correu em eleições passadas.

DESINFORMAÇÃO – Projetos implicam explicitar conflitos, apará-los, qualificar o debate. O quadro eleitoral tende, mais uma vez, a chafurdar na desinformação. Proposições coerentes dos candidatos devem, assim, ser provocadas pela sociedade civil.

Quais as políticas produtivas e de emprego? Como resgatar a segurança pública? O pode ser feito para melhorar o acesso à Justiça e torná-la eficiente? Como melhorar a educação? Qual a agenda social e de resgate da cidadania? Como preservar nosso ambiente?

Muitas perguntas devem ser respondidas no projeto de nação. Ele é necessário. Assim como também é saborear a vida e – por que não? – o futebol. É preciso navegar para além do terror, dos ódios, da canalhice, da xaropada. Sejamos felizes, enfim.

(artigo enviado por João Amaury Belem)

PF indicia ex-procurador Marcelo Miller e Joesley Batista por corrupção

Dos três, somente Wesley (à esquerda) escapou da PF

Andréia Sadi e Mariana Oliveira
G1 Brasília

A Polícia Federal indiciou o ex-procurador da República Marcelo Miller por corrupção passiva e o empresário Joesley Batista, por corrupção ativa. Também foram indiciados, por corrupção ativa, o ex-executivo da J&F Francisco de Assis e as advogadas Fernanda Tórtima e Esther Flesch, que trabalhavam para a empresa. O blog busca contato com todos os indiciados – leia ao final deste texto nota do advogado de Joesley Batista.

O indiciamento aconteceu no âmbito do processo que apura se Joesley Batista, Francisco de Assis e as advogadas tentaram corromper Miller enquanto ele atuava no Ministério Público.

COM FACHIN – O relatório da PF foi enviado ao ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, e à presidente do tribunal, Cármen Lúcia. No ano passado, a Procuradoria Geral da República rescindiu acordos de delação premiada com executivos da J&F por suposta omissão de informações nos depoimentos. Os delatores negam. Na prática, os acordos foram suspensos. Isso porque a rescisão definitiva depende de validação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que ainda não aconteceu.

Para o delegado Cleyber Malta Lopes, responsável pelo caso, há indícios suficientes de que Joesley Batista, Francisco de Assis, Fernanda Tórtima e Esther Flesch corromperam Marcelo Miller para obter ajuda no acordo de delação premiada de executivos da J&F.

O delegado da PF concluiu, ainda, que houve omissão por parte de Joesley Batista e de Francisco de Assis “sobre a real extensão dos atos praticados por Marcello Miller e a relação ilícita entre Miller e os investigados”.

SEM PROVAS – Os delatores querem que o acordo seja mantido. Afirmam, de modo geral, que não tinham conhecimento de que Miller ainda estava vinculado à Procuradoria e sustentam que não tentaram omitir informações à PGR.

No relatório, Cleyber Lopes afirmou ao STF que os elementos indicam que Marcello Miller não interferiu na produção de provas descritas em planilhas de pagamentos entregues.

Lopes acrescenta, ainda, que não foram encontrados elementos de que o então procurador “tenha interferido ou orientado as gravações espontâneas realizadas por Joesley Batista e Ricardo Saud antes das ações controladas autorizadas pela Justiça”. O delegado da PF frisou, também, não haver elementos de envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal.

DELAÇÃO DA J&F – As delações foram validadas pelo ministro Luiz Edson Fachin em maio de 2017. Desde o início, pontos do acordo geraram críticas, uma vez que, à época, foi concedida aos delatores imunidade penal, ou seja, a impossibilidade de serem denunciados ou responderem a processos na Justiça.

Posteriormente, com a suspensão dos acordos pela PGR, os delatores foram denunciados pelo Ministério Público.

As delações originaram a Operação Patmos, deflagrada em maio de 2017 para coletar indícios de supostos repasses ilegais da J&F ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), que chegou a ser afastado do mandato, e ao presidente Michel Temer.

NO PORÃO DO JABURU – Joesley Batista gravou uma conversa com o presidente na qual, segundo a Procuradoria-geral da República, eles trataram sobre a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (MDB-RJ) para que ele não fechasse acordo de delação premiada. Temer nega.

Em ação controlada, a Polícia Federal gravou um auxiliar do presidente, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR), saindo de restaurante com uma mala com R$ 500 mil após recebê-la de um executivo da J&F – Ricardo Saud.

As acusações da J&F viraram denúncia formal da Procuradoria contra Aécio, que virou réu em ação penal no STF, e duas denúncias contra Temer, que teve os processos suspensos por decisão da Câmara.

No dia 26 de junho, é bom ficar de olho na Segunda Turma do Supremo

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Charge do Piovan (Arquivo Google)

José Carlos Werneck

No próximo dia 26 deste mês, quando a seleção da Argentina enfrenta a Nigéria, a Dinamarca disputa com a França e a Austrália joga contra o Peru, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal julgará o pedido de liberdade de Lula.

Isso só acontece porque o ministro Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava Jato no Tribunal, decidiu remeter à Segunda Turma o novo pedido da defesa de Lula para que o ex-presidente deixe a prisão até que os recursos contra sua condenação sejam julgados. Edson Fachin quer que o pedido de liberdade de Lula seja apreciado, em 26 de junho, a critério do ministro Ricardo Lewandowski, que preside aquela Turma.

HÁ RISCOS – Os outros integrantes da Segunda Turma, além de Ricardo Lewandowski e Edson Fachin, são os ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Edson Fachin já havia negado, no mês passado, um pedido da defesa para que o ex-presidente saísse da prisão. Naquela ocasião, a decisão, feita em julgamento virtual, foi unânime. Não obstante o entendimento, os ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Celso de Mello são declaradamente contra a possibilidade de que réus condenados em segunda instância sejam presos para o início do cumprimento de pena.

Portanto, teoricamente há risco de Lula ser libertado, embora pedido semelhante, que havia sido protocolado pelos advogados de Lula no Superior Tribunal de Justiça, já tenha sido negado liminarmente pelo ministro Félix Fischer, relator da Lava Jato no STJ.

CONFIO NO STF – Lula encontra-se detido na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 7 de abril. O ex-presidente foi condenado a doze anos e um mês de prisão por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no caso do tríplex do Guarujá. Com o fim do processo em segunda instância, seus advogados ingressaram com recurso especial no STJ e recurso extraordinário no STF contra a condenação. A vice-presidência do TRF4 ainda estuda a possibilidade desses recursos serem admissíveis junto aos tribunais superiores.

O meu e-mail está cheio de mensagens de leitores, preocupados com a possibilidade de que no momento em,que os torcedores de todo o País estiverem preocupados com a Copa do Mundo, a Segunda Turma do STF goleie a Lava Jato e decepcione a torcida do bem.

Como eu confio no Supremo Tribunal Federal, respondo a todos eles que a nossa mais alta Corte de Justiça não decepcionará a Nação e não frustrará as esperanças de seus jurisdicionados.

Polícia apreende pendrives e anotações na cela de Geddel e Luiz Estevão

Ex-senador Luiz Estevão chega para depoimento na 10ª Vara Federal, em Brasília, nesta quarta (Foto: TV Globo/Reprodução)

Luiz Estevão tentou jogar os pendrives na privada

Mara Puljiz
TV Globo

A Polícia Civil do Distrito Federal fez buscas, neste domingo (17), na cela que abriga o ex-senador Luiz Estevão e o ex-ministro da Articulação Política do governo Michel Temer, Geddel Vieira Lima (MDB-BA). Os dois dividem um alojamento com outros presos no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Segundo a polícia, as buscas foram autorizadas pela Justiça e motivadas pela denúncia, feita por um detento, de que os políticos estariam recebendo “regalias” na prisão. Barras de chocolate, anotações que seriam de Geddel e pelo menos cinco pendrives – supostamente, de Luiz Estevão – foram apreendidos.

SEM SABER… – À TV Globo, o advogado de Geddel Vieira Lima disse que “estranha, mais uma vez, a defesa técnica não saber da operação antes da imprensa”. A defesa de Luiz Estevão também disse desconhecer as buscas, e não quis se pronunciar.

De acordo com a Polícia Civil, durante as buscas, Estevão tentou se livrar de um pendrive jogando o dispositivo na privada. O aparelho foi recuperado e passará por perícia.

Além do conteúdo dos itens apreendidos, os investigadores querem descobrir quem facilitou a entrada dos alimentos e das mídias.

VISTORIA – A ação foi realizada pela Coordenação de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil do DF e pela Promotoria de Execução Penal do Ministério Público do DF. Até a noite deste domingo, nenhum dos órgãos tinha detalhado as possíveis medidas a serem tomadas com base no material encontrado.

A suspeita de regalias na cela ocupada por Luiz Estevão não é inédita. Em março de 2017, uma inspeção encontrou itens proibidos nas dependências compartilhadas pelo ex-senador. A lista incluía chocolate, cafeteira elétrica, cápsulas de café e até macarrão importado. E o diretor de presídio foi exonerado após denúncia de regalias para ex-senador Luiz Estevão

O político também é acusado pelo MP do DF de financiar a reforma do bloco onde cumpre pena no Complexo da Papuda. Pelo menos três ex-gestores da Papuda também são listados no processo por, supostamente, terem sido coniventes com o empreendimento.

Operador preso pela PF acusa Ronaldo Nogueira, ex-ministro do Trabalho

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Ex-ministro alega esta sendo caluniado


Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Preso preventivamente na Operação Registro Espúrio e apontado como um dos principais operadores do PTB e da União Geral dos Trabalhadores (UGT) no Ministério do Trabalho, o ex-servidor da pasta Renato Araújo Júnior disse, em depoimento à Polícia Federal, que era um mero “cumpridor de ordens” no esquema de fraudes na concessão de registros sindicais.

Araújo Júnior apontou que pode apresentar informações sobre o que chamou de “envolvimento” do ex-ministro Ronaldo Nogueira (PTB-RS), que deixou o cargo em dezembro para reassumir mandato de deputado. Ele não foi alvo da operação.

CENTRAL SINDICAL – A menção a Nogueira ocorreu no contexto em que Renato falava que recebeu diversos pedidos da UGT para registros de entidades vinculadas à central sindical, “muitas vezes sem os requisitos necessários” e que esses “pedidos eram, na verdade, ordens veladas”, vindas do presidente da UGT, Ricardo Patah, e de outros nomes relacionados à central sindical.

Araújo Júnior afirmou que Patah é ligado ao ex-ministro e que fazia pedidos a Nogueira. O ex-servidor declarou à PF que “futuramente, depois de tomar conhecimento acerca do teor dos autos, pretende prestar informações sobre o envolvimento de Ronaldo Nogueira nos fatos; que esclarece que os ‘pedidos’ (da UGT) eram direcionados não somente ao declarante, mas também a Renata Frias Pimentel, Leonardo Cabral, Carlos Lacerda e ao próprio ministro Ronaldo Nogueira; que futuramente pode declinar a participação de alguns deles nas fraudes sindicais”.

NA PAPUDA – O depoimento é de 31 de maio e foi o segundo prestado pelo ex-servidor, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda. Ele encerrou a fala afirmando que “deseja que fique consignado o seu interesse em colaborar amplamente no curso da investigação, prestando novos depoimentos se necessário”.

Ao Estadão, o ex-ministro Ronaldo Nogueira “refutou com indignação” a menção ao nome dele e afirmou que exonerou Renato Araújo Júnior no ano passado, quando soube que o Ministério Público Federal na primeira instância havia aberto uma investigação sobre fraudes em registros sindicais. Nogueira negou a afirmação do ex-servidor de que recebia pedidos de Patah e disse que a relação que tinha com dirigentes de centrais sindicais era institucional.

“Graças a Deus, o único patrimônio que tenho é minha honra e meu nome. Não há qualquer possibilidade de se afirmar que o ministro fez qualquer pedido a ele. Defendo o aprofundamento das investigações.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ex-ministro pode se defender à vontade, não vai adiantar nada. O ministério do Trabalho era um dos focos de corrupção desde sempre. Por isso, o Brasil é recordista mundial em sindicatos. E o ministro Edson Fachin está pronto para recriar a contribuição anual obrigatória, para fazer a festa dos pelegos. Fachin parecia ser  uma coisa, agora parece ser outra. (C.N.)

 

 Corrupção no Ministério do Trabalho era ainda maior do que se pensava 

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Falta apurar o verdadeiro papel de Roberto Jefferson

Vinícius Sassine
O Globo

A liberação de contribuições sindicais a entidades e centrais, com suspeita de fraudes em parte dos repasses, passou por filiados aos dois partidos que dividem o controle de áreas estratégicas no Ministério do Trabalho. Partidários do Solidariedade, do deputado Paulinho da Força (SP), e do PTB, mais especificamente do feudo do deputado Jovair Arantes (GO), foram os responsáveis tanto pela efetivação de repasses quanto pela definição do destino de um montante de quase R$ 500 milhões. Na ponta final da liberação dos recursos, em pelo menos um caso a entidade é controlada por um dirigente do Solidariedade.

Indicados por partidos teriam atuado de forma irregular para liberar repasses a entidades sindicais. O dinheiro saiu de uma conta administrada pelo Ministério do Trabalho, com resíduos de contribuições sindicais O saldo da conta é de quase R$ 500 milhões.

POLÍCIA FEDERAL – O Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União (CGU) identificou fraudes em pelo menos três repasses e, desde o fim de março, o caso passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF). É uma segunda frente de investigações da PF, posterior à Operação Registro Espúrio, que desvendou um esquema de pagamento de propinas para liberação de registros sindicais.

A nova apuração da PF está focada numa fase posterior ao registro sindical, em que entidades buscam ressarcimento de contribuições sindicais depositadas na Caixa Econômica Federal. Este dinheiro é uma espécie de resíduo de contribuições sindicais, uma sobra que acabou depositada na Caixa – numa conta administrada pelo Ministério do Trabalho, com quase R$ 500 milhões – em razão de falhas nas guias de recolhimento.

FRAUDES GROTESCAS – A base da investigação é um relatório da CGU que apontou fraudes grosseiras para que fossem destravados R$ 3,8 milhões a uma federação de trabalhadores sediada na Bahia. Outros R$ 2,5 milhões, destinados a uma segunda entidade, com sede em Brasília, são investigados.

Os personagens no caminho da liberação do dinheiro são dos dois partidos que controlam o Ministério do Trabalho. A entidade que recebeu os repasses é a Federação dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade da Bahia, Sergipe e Alagoas (FETTHEBASA), cujo presidente é William Roberto Arditti. William preside o conselho fiscal do Solidariedade, é primeiro vice-presidente do partido em Sergipe e presidente da Força Sindical – a central que se confunde com o partido político, os dois controlados por Paulinho da Força – no mesmo estado.

DOIS ENVOLVIDOS – Dentro do ministério, conforme as investigações da CGU, o então secretário de Relações do Trabalho, Carlos Cavalcante Lacerda, atuou irregularmente para destravar o dinheiro. Ele é segundo secretário de Organização do Solidariedade.

Outras atuações supostamente irregulares foram do então secretário-executivo e número dois da pasta, Leonardo Arantes, que integra o conselho fiscal do PTB em Goiás, e do superintendente do Trabalho em Goiás, Degmar Pereira, filiado ao Solidariedade até 2014 e ao PTB desde 2017.

Leonardo, que é sobrinho do deputado Jovair Arantes, e Carlos Lacerda foram presos pela PF na Operação Registro Espúrio, por suspeita de também fraudarem a emissão de registros sindicais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No Ministério do Trabalho, quanto mais se mexe, mais aumenta a fedentina. A podridão é nauseabunda, desculpem a expressão. Falta apurar se Roberto Jefferson era o chefe da quadrilha ou apenas um cúmplice querendo ser chefe… (C.N.)

PF manda intimar o encarregado de executar a reforma para filha de Temer

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Charge do Kacio (Arquivo Google)

Andréia Sadi
G1 Brasília

O delegado da Polícia Federal Cleyber Malta Lopes mandou intimar Onofre Jesus Gimenes Secchi no inquérito que apura o pagamento de uma reforma feita na casa de Maristela Temer, filha do presidente Michel Temer, em 2014. Os investigadores querem saber a origem do dinheiro usado na reforma. Em depoimento à PF no fim de maio, revelado pela GloboNews, o arquiteto Luiz Eduardo Visani apontou Onofre como sendo o funcionário da Argeplan encarregado por Maria Rita Fratezi para “coordenar e administrar” funcionários que ele colocou à disposição para finalizar a segunda fase da obra da casa de Maristela Temer.

Maria Rita é mulher do coronel aposentado da polícia militar João Baptista Lima Filho, amigo do presidente Temer. Coronel Lima é dono da Argeplan, empresa de engenharia. Ele chegou a ser preso em março, na Operação Skala da Polícia Federal.

PEÇA-CHAVE – Segundo o blog apurou, Onofre é peça-chave na investigação por ser uma pessoa de confiança do coronel Lima. Ele também tem relações com Arlon Vianna, chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo. Arlon, hoje, é o principal interlocutor de Lima junto a Temer.

Segundo Visani, Onofre acompanhou “diariamente a execução das obras”, mesmo durante a primeira fase da reforma, “salvo engano desde dezembro de 2013”.

O empresário Antônio Carlos Pinto Junior, que forneceu portas e janelas para a reforma da casa da filha do presidente Michel Temer, também aponta Onofre como executor da obra, segundo Maria Rita Fratezi. Ele informou, em depoimento à PF, acreditar que Onofre era o “braço direito” da mulher do coronel Lima na reforma pois sempre ela o chamava para discutir detalhes da obra.

ARGEPLAN NA REFORMA – No depoimento à PF, Visani – contratado para a obra – confirmou detalhes sobre a participação da Argeplan na reforma da casa de Maristela Temer. Foi a primeira vez que um fornecedor da reforma relatou a participação da empresa de Lima diretamente na obra.

Entre novembro de 2013 e março de 2015, Visani disse ter recebido um total de R$ 950 mil da Argeplan. Os pagamentos, segundo o engenheiro, foram realizados mensalmente em dinheiro vivo na sede da Argeplan.

De acordo com Visani, quem comandava os gastos da obra era a esposa do coronel Lima, Maria Rita Fratezi. Lima foi apontado na delação da J&F como intermediário de R$ 1 milhão em propina para o presidente Temer.

OUTROS DEPOIMENTOS – No inquérito dos Portos, o delegado Cleyber intimou Marcelo Azevedo, indicado por Temer para comandar a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) – estatal que administra o Porto de Santos, para ser ouvido no dia 29 de maio.

Azevedo, no entanto, informou ao delegado que estava fora do país e, por isso, não poderia comparecer na data. Ele disse estar à disposição para prestar esclarecimentos após o dia 12 de junho.

No dia 6 de junho, o delegado Cleyber Malta Lopes também pediu que seja informado quantos policiais são necessários para que seja finalizada dentro do prazo do inquérito dos portos a análise e relatório do material em apuração no inquérito. O inquérito dos portos já foi prorrogado duas vezes. A última foi em maio, quando o ministro Luís Roberto Barroso – relator do caso no STF – concedeu mais 60 dias de prazo para os investigadores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Há mais de um ano, o coronel Lima se esquiva de depor, alegando deplorável estado de saúde que seu bronzeado desmente. Seu caso é igual ao de Maluf, que em um mês e meio se curou de metástases (câncer generalizado). A omissão das autoridades é inaceitável, pois não obrigam estes doentes terminais a serem examinado por uma junta médica. É o mínimo que se esperava. (C.N.)

Marina tem dificuldades de costurar alianças, mas atrai economistas ortodoxos

Pesquisas indicam que Marina derrota Bolsonaro

Dimitrius Dantas e Maria Lima
O Globo

Sem alianças com outros partidos, uma bancada reduzida que garante somente dez segundos na campanha televisiva e apenas R$ 10 milhões do fundo eleitoral (menos de um quarto do que gastou na eleição de 2014). Poucos candidatos a presidente da República gostariam de ter a estrutura de Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, mas quase todos comemorariam estar em sua situação. Com 15% das intenções de voto, atrás apenas do deputado Jair Bolsonaro (PSL), Marina é hoje a única que se mostra capaz de vencê-lo no segundo turno — de acordo com a última pesquisa do Datafolha, por 42% a 32%.

Cativar eleitores é um objetivo que, em sua equipe de campanha, é perseguido com estratégias diferentes — e, muitas vezes, opostas. Há um grupo mais fiel a Marina, egresso de sua primeira campanha em 2010, formador da Rede, que, como ela, rejeita qualquer ligação com partidos tradicionais e prega uma “nova política”. Diz não se importar com o pouco tempo na televisão ou a falta de dinheiro. E há um grupo focado em demonstrar que Marina tem os pés no chão, especialmente na área econômica, como em 2014.

LONGE DO PSDB – A dialética entre os “sonháticos” e os “pragmáticos” da campanha ficou mais clara nos últimos dias. Depois que Marina e seus mais próximos rejeitaram com veemência os acenos feitos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, os economistas Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Resende, colaboradores que andavam meio distantes, apresentaram publicamente diagnósticos e propostas econômicas.

— Isso mostra que a Marina tem na área econômica uma equipe de pessoas com experiência e que não vai fazer nenhuma aventura política na economia — diz Giannetti, que defende propostas de uma economia de mercado com uma política inclusiva “incisiva”.

BELICOSOS – Para Giannetti, a eleição se apresenta com dois candidatos de extremos, caracterizados pelo caráter belicoso: Bolsonaro e Ciro Gomes (PDT). Ele afirma que a movimentação é uma forma de indicar que Marina irá se apresentar como a candidata da racionalidade.

Ao lado do economista Ricardo Paes de Barros, um dos maiores especialistas do mundo em programas focados na população de baixa renda, Giannetti e Lara Resende são os sinais ao mercado e ao público de que Marina irá, sim, abrir espaço a ideias semelhantes às defendidas por PSDB e PT. Enquanto isso, seu grupo mais fiel zela por afastar a possibilidade de isso se concretizar no quesito aliança partidária.

COM NANICOS – Até aqui, Marina e os seus correligionários demonstram muita dificuldade e pouca disposição para atrair partidos de peso. Marina tem investido em conversas com partidos nanicos, como PHS e PMN, e sonha com o apoio formal de alguns dos movimentos de renovação da política, entre eles o Agora. Políticos profissionais da Rede estranham o estilo da candidata ao conduzir a pré-campanha até agora. Perguntado sobre qual seria a estratégia de Marina, um dos coordenadores da Rede respondeu ao Globo: “Se você descobrir, me conta”.

— Marina vai apostar na força pessoal, na sua posição de personalidade respeitada como defensora do meio ambiente, está jogando um tudo ou nada para atingir uma nova parcela da população, mostrando o que é — diz o ex-senador Pedro Simon, do MDB, considerado um dos principais conselheiros de Marina.

SACERDÓCIO – Esse isolamento é visto quase como um sacerdócio entre os mais idealistas de sua campanha. As comparações são feitas principalmente com a campanha de 2014 quando, devido à morte de Eduardo Campos, a ex-senadora assumiu uma candidatura que, segundo seus assessores, não foi montada para ela. Herdou um marqueteiro e alianças costuradas por Campos e pelo PSB.

Acabou ouvindo reclamações de que era reticente em pedir votos em palanques que não haviam sido montados por ela. Para 2018, Marina promete ser mais ativa no apoio a parceiros.

— Ela tem um partido, que ela criou, e mais a autonomia para definir a própria agenda — admite a ex-vereadora Andrea Gouvêa Vieira, da coordenação de campanha.

APOIO EMPRESARIAL – Nesta situação, a equipe de Marina investe em sua imagem de alguém distante da politicagem, dos conflitos, e que se propõe a fazer um novo “pacto social” para reconstruir a política e o país após a Operação Lava-Jato. Durante a campanha, Marina planeja se comprometer a acabar com a reeleição e a usar a regra já no seu mandato. Seus colaboradores acreditam que a medida lhe daria autoridade para aprovar reformas.

Além do isolamento partidário, Marina enfrenta a perda de outros apoios importantes: não participarão desta vez seu candidato a vice em 2010, o empresário Guilherme Leal, fundador da Natura, e Neca Setúbal, acionista do Itaú, e que atuou na coordenação de seu programa de governo em 2014. Também ficará de fora o ex-deputado Alfredo Sirkis, um dos fundadores da Rede. Sirkis avalia que o recall de 20 milhões de votos das últimas eleições dará a Marina uma boa largada, mas alerta:

— Essa aura mítica da Marina faz parte da imagem da mulher honesta que nasceu no coração da floresta e chegou a senadora e duas vezes candidata a presidente. Mas a política brasileira está muito erosiva e Marina não escapou ao cansaço da população em relação aos políticos — avalia.

Nos EUA, o drama das crianças brasileiras sem os pais; em Cuba, a fala de Lula

No cubano Granma, a primeira entrevista de Lula depois de ser preso ReproduçãoNelson de Sá
Folha

O escândalo pela separação de pais e filhos latino-americanos, ao serem presos tentando entrar nos EUA, abalou afinal a política contra imigrantes da administração Trump. New York Times, Wall Street Journal, Washington Post e Los Angeles Times trouxeram no final da semana uma sequência de reportagens sobre a divisão crescente dentro do Partido Republicano e da Casa Branca, além de relatos de mães e crianças separadas.

Por fim, a assessora Kellyanne Conway e a primeira-dama, Melania, saíram a campo no domingo para tentar afastar o próprio presidente da linha de tiro, apoiando-se em canais como NBC e Fox News.

SEM SE ABRAÇAR – Entre os relatos da fronteira com o México, publicado pelo LA Times e com ampla repercussão on-line, destacou-se o de um descendente de brasileiros que trabalhava com crianças separadas dos pais:

“Colegas num abrigo contratado pelo governo no Arizona fizeram um pedido específico para Antar Davidson, quando três crianças brasileiras chegaram: ‘Diga a eles que não podem se abraçar’. Davidson, 32, fala português. Ele disse que os três irmãos — de 16, 10 e 6 anos— ficaram perturbados depois de terem sido separados de seus pais na fronteira.

“As crianças estavam ‘amontoadas juntas, lágrimas escorrendo pelo rosto’. Os policiais haviam dito a eles que seus pais estavam ‘perdidos’, o que eles interpretaram como mortos. Davidson falou às crianças que não sabia onde seus pais estavam, mas que tinham que ser fortes. ‘O garoto de 16 olha para mim e diz: Como?’

“Enquanto observava o jovem chorar, ele pensou: ‘Isso não é saudável’. Davidson se demitiu nesta semana.”

LULA EM CUBA – No cubano Granma, a primeira entrevista de Lula depois de ser preso, sob o título “Desde o cárcere de Curitiba”.

Do inglês The Sun à alemã Der Spiegel e ao chinês Diário do Povo, ecoou a escalação de Lula como comentarista de futebol na TVT.

E o cubano Granma (acima) publicou sua “primeira entrevista”.

SEM PAIXÃO – Antes mesmo do empate “desapontador”, no dizer do New York Times, os problemas do país já haviam apagado o “entusiasmo”, a “fascinação” e a “paixão” dos brasileiros pela Copa — segundo reportagens do mesmo NYT, do inglês Guardian e do francês Le Monde.

UNICÓRNIOS CICLISTAS

No site de tecnologia ZDNet, da CBS, “Unicórnio chinês prepara chegada ao Brasil”. Unicórnios são as empresas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão. No caso, a Mobike, que neste mês espalhará bicicletas de aluguel por São Paulo, sem estações fixas. Terá como concorrente a Yellow, de outro unicórnio chinês, a DiDi, a mesma que comprou a 99.

A Mobike deverá estrear neste mês também em Nova York, segundo o WSJ. Terá como concorrente a Jump, do Uber.

Empate com a Suíça aumenta o atual jejum de vitórias no Brasil nas Copas

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Gabriel de Jesus sofreu pênalti, mas o juiz não marcou

Deu em O Globo

Com o empate em 1 a 1 contra a Suíça, na estreia da Copa de 2018, o Brasil chegou ao seu terceiro jogo seguido sem vitórias em copas. A sequência de jejum só é superada pelo período entre 1974 e 1978, quando a seca foi de quatro partidas. Se o time de Tite não bater a Costa Rica, na próxima sexta (22), o recorde negativo será igualado.

O jejum atual tem requintes de crueldade, pois foi iniciado pela goleada de 7 a 1 aplicada contra a Alemanha. Na disputa de terceiro lugar, outra derrota acachapante, dessa vez por 3 a 0 contra a Holanda. Agora, um empate contra a Suíça. A sequência antiga tem a derrota para a Holanda por 2 a 0 e para Polônia por 1 a 0, na Copa de 1974. No início da Copa de 1978, foram dois empates: 1 a 1 contra Suécia e 0 a 0 com a Espanha.

O lado bom é que agora a seleção brasileira vai enfrentar a Costa Rica, teoricamente o time mais fraco do grupo. E o retrospecto também joga a favor do Brasil. Além da Costa Rica ser um habitual freguês, o Brasil nunca foi eliminado nesse sistema atual de fase de grupos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFalta um maestro que comande o time dentro de campo, porque é um time sem lideranças. (C.N.)

No desespero, governo vai dizer nas redes que herdou “batata quente” do PT

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A alegria e a animação da “troika” são impressionantes


Andreza Matais
Estadão

No momento em que o presidente Michel Temer enfrenta seu pior índice de rejeição (82%), o governo fará um contra-ataque nas redes sociais para dizer que está tentando resolver problemas que herdou dos governos do PT. Em dez vídeos de um minuto e meio, que começam a ser divulgados nesta segunda-feira, atores contratados pela equipe digital do Planalto dizem que Temer assumiu “a batata quente” e que “na economia não existe solução mágica”. “Temer se colocou como uma ponte para tirar o País da lama e levar para um local legal”, diz uma atriz.

Num dos vídeos, a que a Coluna do Estadão teve acesso, um ator frisa que “Temer encontrou o Brasil com índices de um país em guerra”. E compara: “É como se o presidente estivesse reformando a casa com a pessoa morando dentro”.

CAMINHONEIROS – A greve dos caminhoneiros é um dos assuntos abordados na nova campanha do governo. Vai mostrar que os motoristas não tinham reivindicações atendidas desde 1998, quando fizeram uma grande paralisação.

Um dos vídeos previstos no roteiro era para dizer que a PF tem liberdade para atuar. A gravação, porém, foi suspensa. Desde que assumiu, Temer já substituiu duas vezes o diretor-geral da instituição.

VAGA DE EMBAIXADOR – Com o Supremo derrubando a prerrogativa de foro para tudo quanto é cargo, vagas de chefe de missão diplomática no exterior e de embaixador passaram a ser cobiçadas por políticos. Os ocupantes ainda mantêm o privilégio.

Aliados do presidente Temer voltaram a especular a possibilidade de ele ser nomeado embaixador no exterior no fim do governo justamente para que as investigações contra ele não baixem para a primeira instância.

Gestão do grupo Odebrecht já se transformou numa briga em “famiglia”

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Desprezado pelo filho, Emilio tenta se reaproximar

Gustavo Schmitt
O Globo

Emílio Odebrecht, patriarca da empreiteira, deu mais um sinal de reaproximação com seu filho Marcelo Odebrecht. Em carta ao juiz Sergio Moro, Emílio afirma que autorizou a reforma no Sítio de Atibaia, frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem o conhecimento de Marcelo. A declaração ocorre um ano após Emílio prestar o primeiro depoimento a Moro. Na ocasião, ele não manifestava preocupação explícita de poupar o primogênito.

O documento foi anexado, na noite desta quarta-feira, no processo em que o ex-presidente é acusado de se beneficiar de reformas feitas no no sítio, no valor de R$ 1, 05 milhão, pelas empreiteiras como Odebrecht, OAS e pelo pecuarista José Carlos Bumlai.Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por um tríplex no Guarujá e cumpre pena desde 7 de abril na sede da Polícia Federal em Curitiba.

AMIGO DE LULA – Na mensagem, Emílio reitera que a relação com o ex-presidente Lula nunca contou com nenhuma interferência do filho:

“As mencionadas benfeitorias no sítio foram realizadas com minha autorização, sem qualquer participação de Marcelo. Após receber, via Alexandrino Alencar (ex-executivo da empreiteira), o pedido a ele realizado por Marisa Letícia, autorizei e determinei a execução das referidas obras com os recursos humanos e financeiros advindos da CNO (Construtora Norberto Odebrecht) em São Paulo e, para tanto, não consultei previamente qualquer outro executivo da Odebrecht, nem mesmo avisei Marcelo sobre o pedido”.

BRIGALHADA – Emílio e Marcelo tem relação conturbada. Eles chegaram a romper relação durante as tratativas de colaboração premiada da empresa. Marcelo teria se sentido injustiçado com o acordo. Recentemente, porém, pai e filho têm feito movimentos de reaproximação. Em abril, eles divulgaram um comunicado conjunto em que prometiam preservar a empresa. Mas desde que deixou a prisão em dezembro, Marcelo trava uma guerra nos bastidores contra executivos da cúpula da Odebrecht.

A carta tem data da última quarta-feira. A declaração foi feita por Emílio poucas semanas após Marcelo derrubar o executivo Newton Souza, que deveria ocupar a presidência do conselho de administração da empresa, segundo o jornal Folha de S.Paulo. O conselho é a instância de decisão mais importante da empresa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEmilio Odebrecht faz de tudo para agradar o filho, mas Marcelo permanece irredutível e não aceita encontrar o pai. Em sua coluna de O Globo, Lauro Jardim revela que “o alto comando da Braskem anda preocupado com o que pode respingar na empresa a partir do embate entre Marcelo Odebrecht e Maurício Ferro, diretor-jurídico da Odebrecht. Marcelo quer porque quer que Ferro, seu cunhado, deixe a empresa. Possui trocas de e-mails comprometedoras com Ferro dos tempos em que o seu atual desafeto era diretor da Braskem”. Ou seja, a briga do filho com o pai está contaminando a famiglia. (C.N.)