Uma cadeira vazia aguarda que a mulher se arrependa da traição amorosa…

O compositor Lupicínio Rodrigues — Foto: Reprodução Um dos maiores  embaixadores dos amores mal resolvidos, Lupicínio Rodrigues nascia há 110  anos, em 16 de setembro de 1914, colocando em definitivo seu município

Lupicínio, o rei da fossa e da dor de cotovelo

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor gaúcho Alcides Gonçalves (1908-1987), na letra de “Cadeira Vazia”, em parceria com Lupicínio Rodrigues, conta a estória da vítima da mulher traidora, volúvel, sempre disposta à traição que, ao voltar arrependida, encontra, senão amor, pelo menos compaixão, uma vez que perdoá-la é impossível. Este samba-canção foi gravado por Francisco Alves, em 1950, pela Odeon.

CADEIRA VAZIA
Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves

Entra meu amor fique a vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra podes entrar a casa é tua
Já que cansaste de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim

Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas tristes
Que não gosto de lembrar esse dia
Mas de uma coisa pode ter certeza
Teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia

Tu es a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que eu sou o teu paizinho
Que há tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu

Voltaste estás bem, estou contente
Só me encontraste um pouco diferente

Vou te falar de todo coração
Não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar podes comer meu pão

Voltaste estás bem, estou contente
Só me encontraste um pouco diferente

Polícia Federal entra em cena para evitar a desmoralização de Moraes e Dino

Moraes, o sigilo da fonte e o limite do poder – O BOLETIM

Charge reproduzida de O Boletim

Vicente Limongi Netto

A Polícia Federal evitou um absurdo maior ao dar por concluídas as investigações, apontando falta de provas para processar o jornalista maranhense Luis Pablo, acusado de perseguir o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que ficou muito mal no filme.

Também se vê em péssima situação o colega Alexandre de Moraes, parceiro para o que der e vier, carne e unha, com Dino, que decidira conduzir as investigações contra o jornalista, quebrando ilegalmente o sigilo da fonte e tudo o mais. Amizade comovente é isso.

SIGILO MANTIDO – O detalhe mais grave da pantomima, que deixou Ruy Barbosa aflito e indignado no túmulo, foi justamente essa estranhíssima quebra do sigilo da fonte do repórter.

A inacreditável decisão de Moraes, que Dino festejou, descrumpre a Constituição, atinge a democracia e insulta a liberdade de imprensa. Estarrecedor papelão da dupla Dino & Moraes, que gosta de elogios e detesta críticas.

É um melancólico exemplo do comportamento antiético de dois expoentes da Suprema Corte, antigamente chamada, com méritos, de guardiã da Constituição e da soberania.  Francamente, tenho ânsia de vômito.

Haddad encara missão eleitoral em SP para abrir caminho à reeleição de Lula

Moraes e Dino tentaram reviver uma regra do regime militar para calar a imprensa

Dois homens conversam frente a frente em ambiente interno. Um deles usa terno escuro, camisa branca e gravata vermelha listrada, com óculos. O outro veste traje preto formal, com gola branca, e é calvo. Fundo desfocado com outras pessoas presentes.

Dino e Moraes sonham (?) em amordaçar a imprensa

Glenn Greenwald
Folha

Sempre que alguém pensa já ter visto de tudo na política brasileira, logo se prova o contrário. Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes induziram na terça-feira (18) a esquerda a defender e torcer abertamente pelo retorno de uma restrição à liberdade de imprensa imposta pela ditadura militar em 1969.

Essa restrição, o decreto-lei nº 972/1969, foi anulada pelo STF em 2009 por 8 votos a 1, por ser incompatível com direitos constitucionais fundamentais, não tendo sido recepcionada pela Constituição Federal de 1988. O relator foi o ministro Gilmar Mendes. A ministra Cármen Lúcia e o então ministro Ricardo Lewandowski votaram com ele.

APÓS O AI-5 – A norma que Dino e Moraes sugeriram reimpor foi baixada “com fundamento no AI-5 e AI-16”, como lembrou Rafael Kriek, presidente da Comissão da Advocacia Pública da OAB-MA. O regime militar buscou limitar quem podia usar a imprensa para denunciar os abusos do Estado ao inventar uma exigência acadêmica inédita para atuar como “jornalista”: a exigência de diploma em jornalismo. Assim o regime excluiu –deliberadamente – milhões de brasileiros que vinham utilizando a imprensa para denunciá-los.

É impossível não notar o contexto similar em que Dino e Moraes tentam reviver este esquema de controle. Moraes enfrenta um dos piores escândalos da história recente do STF devido aos R$ 80 milhões recebidos pelo escritório de sua esposa do Banco Master: riqueza geracional para sua família cujo valor deixou especialistas estarrecidos.

Dino irritou-se com reportagens sobre o uso de carros oficiais, a ponto de Moraes provocar alarme e revolta ao determinar busca e apreensão contra o jornalista responsável, descobrindo sua fonte.

IGUAL À DITADURA – A resposta da dupla a esse desgaste é empurrar ainda mais os ataques à liberdade de imprensa, replicando a lógica de controle do jornalismo da ditadura de 1969.

Algumas profissões exigem conhecimentos hiperespecializados para serem praticadas com segurança e competência (cirurgiões, arquitetos de grandes edifícios, advogados em processos para defender a liberdade de outros).

Para outros trabalhos, nenhum diploma específico é necessário porque suas competências centrais podem ser obtidas por outras vias (chef, engenheiro de software, mecânico, governador, senador ou ministro do STF).

EXEMPLOS CLAROS – Para determinar a categoria do jornalismo, pergunto: William Bonner, Ricardo Boechat e Cid Moreira são jornalistas “de verdade”? E o histórico editor da Folha, Otavio Frias Filho, ou Elio Gaspari, colunista deste jornal, ou Merval Pereira, do jornal O Globo? E Bob Woodward e Carl Bernstein, responsáveis pela icônica cobertura do caso Watergate, ou Seymour Hersh, talvez o repórter investigativo mais consequente do último meio século?

Se a tese de Dino e Moraes prevalecer, todos esses gigantes seriam excluídos do “verdadeiro” jornalismo. Nenhum deles tem diploma em jornalismo e, portanto, no raciocínio deles, são incapazes de exercer as competências básicas da profissão.

Até recentemente, em 2019, na Vaza Jato, Mendes alinhou-se à sua decisão do 2009: proibiu investigações sobre minhas reportagens, inclusive tentativas de quebrar o sigilo de fontes, por fundamentos constitucionais.

DECISÃO FESTEJADA – A esquerda celebrou, assim como entidades de imprensa e a OAB, apesar de minha formação ser em direito, e não em jornalismo.

 

Muitos jornalistas gostam de se imaginar como cirurgiões cerebrais ou cientistas de foguetes quanto à complexidade da profissão. Essa visão é lisonjeira, mas bem anti-histórica.

A melhor analogia para a liberdade de imprensa não é a neurocirurgia, mas a liberdade de expressão. Ambas são direitos garantidos a todos os cidadãos, não a um sacerdócio privilegiado chamado “jornalistas”.

De fato, o conceito de “imprensa livre” surgiu pela primeira vez com a popularização da invenção da imprensa. Isso permitiu que todos os cidadãos a usassem para denunciar autoridades e serem ouvidos.

IMPRENSA LIVRE – O direito a uma imprensa livre existe para proteger essa atividade para todos. Um bom jornalismo exige competências básicas que qualquer cidadão pode dominar sem um canudo. Como explicou Lewandowski em 2009:

“O jornalismo prescinde de diploma”, pois simplesmente requer “uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos”.

Afirmar que essas competências só se obtêm com um diploma em jornalismo é pomposo, insultuoso e falso. Pior ainda: como a ditadura demonstrou, o objetivo real nunca foi garantir o bom jornalismo (vide quantos diplomados apoiaram o golpe de 1964), mas sim controlar uma imprensa livre.

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Consolidação da “ditadura” que Moraes quer impor no STF só dependeria de Zanin

Cristiano Zanin | CNN Brasil

Zanin iriai decidir os rumos da democracia brasileira

Carlos Newton

Se você tem alguma dúvida se o Supremo está realmente implantando uma Ditadura do Judiciário, pode passar a ter certeza. O ministro Alexandre de Moraes (ele, sempre ele) pretendia colocar em julgamento na Primeira Turma sua autoritária decisão de descumprir o texto constitucional e abolir o direito ao sigilo de fonte dos jornalistas.

Em sua ânsia de poder, Moraes já demonstrou abertamente que sua prepotência não conhece limites, a ponto de receber duras reações de outros países, como Itália, Espanha e Estados Unidos, que têm rejeitado pedidos de extradição do STF contra adversários do governo Lula. As decisões no exterior citam preocupações com a imparcialidade judicial, o devido processo legal e a proteção à liberdade de expressão, desmoralizando a imagem da Justiça brasileira no exterior.

PEDIDOS NEGADOS – A Corte de Cassação da Itália anulou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) e determinou sua libertação. Motivo: no processo, Moraes atuou simultaneamente como vítima, investigador e julgador, algo inaceitável em qualquer país da ONU.

Na Espanha, outra derrota. Foi rejeitado em definitivo o pedido de extradição do jornalista Oswaldo Eustáquio. A justiça acolheu pareceres que indicaram haver perseguição política ao jornalista brasileiro. Por isso, desconheceu as justificativas enviadas pelo Supremo e mandou arquivar o caso,

Nos Estados Unidos a reação tem sido ainda maior. A Justiça negou as extradições do jornalista Allan dos Santos e do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Além disso, o Congresso americano abriu investigação sobre outros procedimentos autoritários de Moraes, que está sendo processado pela plataforma de vídeos Rumble e pela empresa Trump Media, pertencente ao presidente Donald Trump.

DESEMBESTADO – Apesar da forte reação externa e interna contra seus atos, o ministro Moraes não recua e segue desembestado em sua voragem persecutória. Seu mais recente absurdo constitucional foi investir contra a liberdade de expressão e abolir o sigilo de fonte da imprensa, ao determinar busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luis Pablo.

O tal “crime” do repórter foi ter denunciado que o ministro Flávio Dino e sua família, quando se encontram no Maranhão, utilizam um carro blindado da Justiça estadual, com motorista e combustível pagos pelo poder público.   

Moraes autorizou apreensão do pendrive e do celular do jornalista, e assim foi possível identificar como fonte o ex-secretário estadual de Assuntos Legislativos, Raimundo Cotrim, delegado aposentado.

Esse processo já levou à prisão domiciliar de Cutrim e ao afastamento do presidente do Tribunal de Contas do Maranhão pelo período de 180 dias por decisão de Flávio Dino, que também apoiou a quebra do sigilo da fonte, vejam a que ponto de inconstitucionalidades já chegamos..

AMEAÇA AO SIGILO – A ofensiva de Moraes e Dino representava uma ameaça concreta a um direito  garantido à imprensa na Constituição. O presidente Edson Fachin chegou a ler uma nota afirmando que o caso deveria ser submetido ao Plenário. No entanto, Moraes desprezou a recomendação e anunciou que o assunto era da Primeira Turma, que só tem quatro ministros, devido à aposentadoria de Luís Roberto Barroso Flávio Dino, presidente, Cármen Lúcia, Moraes e Cristiano Zanin.

Dino, é claro, não poderia votar de julgamento em assunto de seu interesse direto, e a defesa do delegado Raimundo Cotrim pediu ao STF que o ministro seja impedido de participar. Assim, a votação seria presidida por Carmén Lúcia e teria a participação apenas de Moraes e Zanin.

Sabe-se que o voto de Cármen defenderia a manutenção do sigilo de fonte, enquanto Moraes, por óbvio, seria contrário. Portanto, caberia a Zanin decidir uma votação histórica, de apenas três votos, porque dela dependeria diretamente a implantação da Ditadura do Supremo, que é ansiada por outros ministros além de Morais, como Flávio Dino, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, mas têm oposição de Luiz Fux, André Mendonça, Édson Fachin e Cármen Lúcia. É nessa divisão que mora o perigo da implantação definitiva da Ditadura do Supremo, que fica dependendo da dignidade de Zanin

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P.S. –
O caso é de tamanha gravidade que vamos falar em português claro. Os ministros golpistas (vamos chamá-los da forma mais precisa e apropriada) estavam se aproveitando de uma brecha no Regimento para amordaçar a imprensa e evitar divulgações de contratos como aquele de R$ 129 milhões. Como se sabe, tolher a liberdade de expressão não é possível em democracia, apenas em ditadura. Não importa se é controlada pelo Supremo, pelo Planalto ou pelo Congresso, toda ditadura é nefasta e precisa ser combatida por todas as forças democráticas da sociedade. Justamente por isso, a Polícia Federal entrou em cena e inviabilizou a decisão de Moraes processar o repórter maranhense. Com isso, podemos ficar aliviados, até a próxima tentativa dos “golpistas” do Supremo. (C.N.)

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Gilmar Mendes diz não temer propostas de impeachment de ministros do STF nas eleições

Gilmar vê ‘equívoco compreensível’ em propostas

Thaís Barcellos
O Globo

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira que não teme propostas de candidatos a cargos federais na eleição deste ano sobre o impeachment de magistrados da corte.

Segundo o ministro, essa plataforma de campanha é um “equívoco compreensível”, porque chama votos, mas teria dificuldade de se tornar realidade, porque todas as instituições tendem a caminhar no sentido contrário.

PROMESSAS DE CAMPANHA – “Certamente se alguém com essa bandeira se tornar senador, terá imensas dificuldades de implementá-la. Por quê? Porque o todo institucional caminhará talvez num outro sentido”, disse Gilmar após participação no evento Fórum Saúde, organizado pelo Esfera Brasil e EMS. “Eu sou um enfermeiro que já viu sangue. Então não me impressionam essas promessas de campanha”, completou.

Questionado se uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto aumentaria o risco de propostas como essa se tornarem realidade, o ministro respondeu que não, mas que não iria trabalhar em cima de cenários.

INTERFERÊNCIA ESTRANGEIRA – Sobre se há risco de interferência estrangeira, particularmente dos EUA, nas eleições deste ano, Gilmar afirmou esperar que não e destacou que o Brasil tem uma democracia sólida, cujo um dos pilares de confiança é o sistema eletrônico de votação. Quanto à chance de novas sanções americanas contra ministros do Supremo, ele disse que o país tem instituições fortes, que têm dado “respostas adequadas”.

“Nós temos sabido lidar com a defesa das nossas posições e o país tem instituições fortes que sabem dar respostas adequadas. Agora, recentemente, voltou-se a questão do tarifaço e o país começa a responder também com as chamadas medidas de reciprocidade”, afirmou.

BUSCA E APREENSÃO – Gilmar também comentou sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que autorizou busca e apreensão contra informantes do jornalista Luís Pablo, do Maranhão, e que foi considerada um precedente perigoso sobre a garantia constitucional do sigilo da fonte jornalística.

“É um fato complexo que envolve uma série de crimes e demais práticas, daí a necessidade do combate. Todas as prerrogativas que se dão em relação às mais diversas profissões, caso, por exemplo, do advogado, a toda hora vocês noticiam busca e apreensão em escritórios de advocacia. Isso acaba por restringir a liberdade profissional, o sigilo profissional. Isso pode ocorrer quando há elementos fortes indicando práticas de crime”, disse.

PENDURICALHOS  – Em relação aos penduricalhos no salário de servidores públicos, Gilmar afirmou que a situação já melhorou de maneira significativa depois que o Supremo começou a se posicionar contra os rendimentos superiores ao teto do funcionalismo.

“Estamos em um bom caminho. Desde o ano passado, nós começamos a nos posicionar e acredito que chegamos a um bom termo e agora o ministro Mauro (Campbell), no CNJ, conseguiu ter uma plataforma e está conseguindo fazer um controle e só autorizar os pagamentos depois de feita a verificação. Acredito que já mudamos esse quadro de maneira bastante significativa”, finalizou.

Plano de Flávio Bolsonaro para o STF contrasta com estratégia usada nas rachadinhas

Charge do Cospe Fogo (Arquivo do Google)

Rafael Moraes Moura
O Globo

O plano de governo do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), bate de frente com a estratégia jurídica adotada pelo senador para implodir as investigações do esquema de rachadinha no seu antigo gabinete da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando era deputado estadual. Se antes o Supremo foi a principal trincheira jurídica de Flávio para derrubar a apuração, agora o filho 01 de Jair Bolsonaro defende o esvaziamento das competências da Corte.

Entre as propostas de campanha de Flávio está uma reforma do Judiciário, com o fim das chamadas “competências criminais originárias” do Supremo, o que permitiria que parlamentares fossem julgados por instâncias inferiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou os Tribunais Regionais Federais (TRFs).

PRERROGATIVAS – A campanha de Flávio não divulgou detalhes sobre como pretende viabilizar isso, mas defende a medida para que os políticos “exerçam seus mandatos com mais altivez, sem que isso represente qualquer contrapartida de impunidade”. Atualmente, deputados federais e senadores possuem prerrogativa de foro perante o STF.

O discurso de Flávio de reduzir a atuação do Supremo e mandar as investigações de parlamentares para instâncias inferiores destoa da ofensiva jurídica do senador no caso das rachadinhas, no qual Flávio foi investigado – e denunciado – por suspeitas de que funcionários de seu gabinete na Alerj eram obrigados a devolver parte de seus salários. Após uma longa batalha jurídica, as provas acabaram anuladas, e o caso foi arquivado.

Na época, Flávio apostou no Supremo como o principal pilar da estratégia jurídica de derrubar provas coletadas pelos investigadores e decisões do juiz de primeira instância Flávio Itabaiana, da 27.ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, conhecido pela fama de linha-dura.

CONFRONTO – Se em 2021, Itabaiana era considerado algoz do clã Bolsonaro, agora a militância bolsonarista se volta contra o Supremo, e em particular o ministro Alexandre de Moraes, relator das principais investigações que fecharam o cerco contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família.

Flávio chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, mas uma série de decisões judiciais – no STJ e especialmente no Supremo – anularam provas como quebras de sigilo e relatórios de inteligência do Coaf que subsidiaram as investigações, sob a alegação de que se tratou de devassa e perseguição política, sem autorização da Justiça.

DECISÕES MONOCRÁTICAS –  Em um dos pontos de seu plano de governo, Flávio defende a “limitação das decisões monocráticas do STF, privilegiando as decisões colegiadas”. Mas enquanto tentava se livrar das investigações no Rio, o senador conseguiu liminares do Supremo que atenderam aos seus interesses.

Uma delas veio em 2019, quando Luiz Fux na presidência interina da Corte, suspendeu as investigações em andamento no Ministério Público do Rio sobre movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.

À época, a defesa de Flávio alegou que, mesmo depois de sua eleição para o cargo de senador, em 2018, o Ministério Público pediu ao Coaf informações sobre dados do parlamentar, o que representaria uma usurpação da competência do STF. “O reclamante foi diplomado no cargo de senador da República, o qual lhe confere prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal, nos termos da Constituição”, escreveu Fux na decisão, assinada durante o recesso da Corte.

LIMINAR DERRUBADA – A liminar de Fux, no entanto, acabou derrubada pelo relator, Marco Aurélio Mello, assim que as atividades do tribunal foram retomadas com o fim do recesso. Marco Aurélio concluiu que o caso não deveria ficar com o Supremo, já que os crimes investigados diziam respeito ao mandato anterior de Flávio, como deputado estadual, e não ao atual de senador.

Flávio era senador quando as investigações do esquema de rachadinha da época de deputado estadual vieram à tona, o que abriu uma controvérsia jurídica se ele tinha perdido o foro por conta da troca de cargo.

INVESTIGAÇÕES SUSPENSAS – Em julho de 2019, outra vitória de Flávio. O então presidente do STF, Dias Toffoli, decidiu suspender todas as investigações em curso no país que tenham sido embasadas em dados sigilosos obtidos pelo Coaf e pela Receita Federal sem prévia autorização da Justiça, o que atingiu o caso das rachadinhas.

Três meses depois, o senador conseguiu outra decisão monocrática reivindicada pela sua defesa. O ministro Gilmar Mendes determinou a suspensão de procedimentos e processos instaurados no Rio contra o parlamentar, até uma decisão colegiada do STF sobre o compartilhamento de dados com o Coaf.

FORO PRIVILEGIADO –  A questão do foro ressurgiu em novembro de 2021, quando a Segunda Turma do Supremo reconheceu a prerrogativa de Flávio perante o Tribunal de Justiça do Rio, mesmo ele tendo deixado de ser deputado estadual.

Isso porque em 2018 o STF decidiu reduzir o alcance do foro privilegiado para os crimes cometidos no exercício do cargo e em função do mandato – e o esquema das rachadinhas teria ocorrido durante o mandato anterior de Flávio, como deputado estadual. No caso de Flávio, prevaleceu a tese dos “mandatos cruzados”, com o entendimento de que o parlamentar mantém o foro, mesmo trocando de cargo.

Por 3 a 1, a Segunda Turma do Supremo acolheu o argumento da defesa do senador e concluiu que o juiz de primeira instância, Flávio Itabaiana, era incompetente para cuidar do caso.

VOLUME DE FUNÇÕES –  Se o Supremo foi um dos pilares da estratégia de Flávio para se livrar do caso das rachadinhas, agora o candidato do PL diz que a Corte acumulou, ao longo dos anos, um “volume de funções que não tem paralelo nas Cortes Constitucionais de outras nações”.

“Esse acúmulo gera insegurança jurídica, instabilidade democrática e um desequilíbrio entre a vontade dos representantes eleitos pelo povo e a revisão dessa vontade, muitas vezes ancorada em interpretações subjetivas da Constituição”, afirma o plano de governo de Flávio. “Devolver o Supremo ao seu papel de Corte Constitucional é restabelecer o equilíbrio entre os poderes.”

Durante os quatro anos em que ocupou a Presidência da República, o pai de Flávio não dispensou ataques à Corte, xingou ministros e ameaçou não cumprir decisões judiciais, promovendo insegurança e instabilidade democrática. Aliados do senador o têm aconselhado a não repetir aquilo que consideram o maior erro de Jair.

Na política do poder, centrão, Lula e Supremo já se preparam para 2027

Patrimônio da família Bolsonaro varia de R$ 187 mil a R$ 8,18 milhões nestas eleições

Flávio tem o maior patrimônio declarado do clã Bolsonaro

Marina Pinhoni
Folha

Michelle Bolsonaro (PL) foi a última dos integrantes da família Bolsonaro que concorrerão às eleições deste ano a registrar sua candidatura no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), neste sábado (15), último dia do prazo. O patrimônio do clã informado à Justiça Eleitoral varia de R$ 8,18 milhões a R$ 187,3 mil.

A ex-primeira-dama, que vai disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal em sua primeira eleição, declarou um patrimônio total de R$ 4,5 milhões. A maior fatia dos bens vem de uma aplicação financeira de R$ 4,2 milhões. Ela também declarou R$ 301,7 mil em fundos de investimentos e um carro Volkswagen Fusca no valor de R$ 30 mil.

MAIOR PATRIMÔNIO – Flávio Bolsonaro (PL) –que conseguiu na quinta-feira (13) retomar sua legenda e protocolar o registro de candidatura à Presidência após ter sido filiado, sem seu aval, ao Missão, partido do MBL (Movimento Brasil Livre)– declarou ter R$ 8,18 milhões em bens.

O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve aumento de 211% em relação à última eleição em que concorreu, em 2018, quando listou R$ 2,63 milhões em bens, em valores já corrigidos pela inflação.

O aumento de patrimônio se deve sobretudo à compra de uma casa em um bairro de luxo, em Brasília, no valor de R$ 6,2 milhões. Segundo informado à coluna Painel pela campanha, Flávio quitou o imóvel com seu salário de senador e a atividade de advocacia. Além disso, a família conta com a renda da mulher dele, que tem um consultório odontológico na capital federal.

OUTROS RECURSOS – A declaração ainda aponta R$ 1 milhão em investimento em fundos, aplicações em CDBs e poupança, saldo em contas bancárias, um veículo e participações societárias em empresas.

A autodeclaração de bens é uma exigência para o registro da candidatura. O objetivo da prestação não é fiscal, como no Imposto de Renda, por exemplo. A finalidade é dar transparência para que os eleitores possam comparar os valores informados à Justiça Eleitoral.

CARLUXO – Carlos Bolsonaro (PL), que concorre ao Senado por Santa Catarina, declarou patrimônio de R$ 2,78 milhões. O valor é 28% a mais que os R$ 2,17 milhões declarados nas eleições de 2024, em valores também corrigidos pela inflação. A maior parte do patrimônio de Carlos é composta por R$ 1,9 milhão em investimentos não especificados, além de depósito bancário, quatro veículos e duas participações societárias.

O vereador Jair Renan (PL), filho mais novo do ex-presidente, que disputa o cargo de deputado federal por Santa Catarina, tem o menor patrimônio entre os irmãos. Ele informou ter o total de R$ 187 mil em contas bancárias e em um carro. O aumento em relação aos R$ 46 mil declarados nas eleições de 2024 foi de 305%, também em valores corrigidos.

NA DISPUTA – O irmão de Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro (PL), não se elegeu em 2024 como prefeito de Registro, cidade na região do Vale do Ribeira, em São Paulo. Agora, tenta uma vaga como deputado federal por São Paulo. Ele declarou R$ 269 mil em bens, em contas correntes e aplicação em CDB.

Em 2024, no entanto, o patrimônio informado era de R$ 3,6 milhões em valores corrigidos, o que representa queda de 93%. A principal diferença entre as declarações vem de um terreno de R$ 2,3 milhões, um prédio comercial e seis veículos.

A primeira esposa e mãe de três dos cinco filhos de Jair, Rogéria Bolsonaro (PL), também vai disputar uma vaga como deputada federal no Rio de Janeiro. Ela declarou R$ 790 mil em dois apartamentos, uma casa e um carro. Em 2020, foram R$ 334 mil em valores corrigidos pela inflação.

Desta vez, o escândalo Master pode virar um prêmio eleitoral para a direita

Presidente do STJ defende código de ética para magistrados e alerta para perda de confiança

OAB-SP propõe mandato de 12 anos e idade mínima de 50 para ministros do STF

Fachin diz que ataques ao Judiciário não podem virar pauta política nas eleições

Fachin disse que ‘joio foi separado do trigo’

Luísa Martins
Folha

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, disse nesta terça-feira (18) que ataques ao Poder Judiciário não podem ser utilizados como pauta política —uma fala interpretada por seus interlocutores como um recado às campanhas dos candidatos às eleições de 2026.

Os planos de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) à presidência da República, por exemplo, propõem limitações para a atuação do Supremo. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro fez críticas à corte ao discursar no ato que deu início à sua campanha, no Rio de Janeiro.

CARTILHA – Na primeira sessão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) após o início da campanha eleitoral, Fachin lançou uma cartilha com esclarecimentos sobre a remuneração da magistratura —os chamados penduricalhos— e sinalizou que o tema tem sido usado como pretexto para desmoralizar o Judiciário.

“Faz-se necessário separar o joio do trigo”, defendeu. “Há uma forma de populismo que opera pela erosão das instituições. Seu método é conhecido: simplificam-se problemas complexos, transformam-se exceções em representação do todo e, pela repetição, converte-se a crítica necessária em uma narrativa permanente de ilegitimidade.”

O ministro disse que o Judiciário está aberto a aperfeiçoamentos, mas que a crítica não pode ser substituída por “campanhas sistemáticas de descredibilização e menoscabo”. Ele destacou, ainda, que a Corregedoria Nacional de Justiça tem implementado uma série de mecanismos para aumentar a transparência e corrigir distorções.

PAUTA POLÍTICA – “Por isso, não se pode transformar a demolição de instituições em método de atuação política, de propaganda pessoal e de patrocínio de interesses privados e segmentos econômicos. Estamos atentos”, afirmou.

“Não podemos permitir que uma instituição que recebe dezenas de milhões de processos por ano, decide conflitos que atravessam praticamente todas as dimensões da vida social e constitui uma das garantias da democracia constitucional seja reduzida na sua essência e missão.”

Como mostrou a Folha, há um consenso entre ministros do STF de que as críticas à atuação da corte entraram de vez na pauta dos pré-candidatos da direita em 2026, mas os magistrados se dividem sobre qual a melhor forma de atravessar a campanha eleitoral e evitar um agravamento dos desgastes.

ENFRENTAMENTO – Parte dos ministros avalia que é preciso um enfrentamento mais incisivo, com posicionamentos públicos que traduzam intransigência com eventuais ataques e deixem claras as possíveis consequências. Outra ala entende que o melhor cenário é agir com discrição, fugir dos holofotes e submergir.

A avaliação do grupo capitaneado pelo decano da corte, Gilmar Mendes, é a de que o STF está na mira do mundo político e que os ataques podem atrair dividendos eleitorais para os candidatos, especialmente entre os apoiadores de Bolsonaro.

O ministro Dias Toffoli chegou a falar que o voto obtido a partir de críticas infundadas ao Supremo é fraudulento e capaz de ensejar declaração de inelegibilidade pela Justiça Eleitoral, um tema que ainda está em aberto.

Um apaixonado retrato na praia, na visão poética de Carlos Pena Filho

Carlos Pena Filho, o Poeta do Azul inscrito na eternidade - Vermelho

Pena Filho, um poeta que se inspirava no azul

Paulo Peres
Poemas & Canções 

No retrato apaixonado do advogado, jornalista e poeta pernambucano Carlos Pena Filho (1929-1960), sua amada está debruçada na areia, diante do mar.

RETRATO NA PRAIA
Carlos Pena Filho

Ei-la ao sol, como um claro desafio
ao tenuíssimo azul predominante.
Debruçada na areia e assim, diante
do mar, é um animal rude e bravio.

Bem perto, há um comentário sobre estio,
mormaço e sonolência. Lá, distante,
muito vagos indícios de um navio
que ela talvez contemple nesse instante.

Mas o importante mesmo é o sol, que esse desliza
por seu corpo salgado, enxuto e belo,
como se nuvem fosse, ou quase brisa.

E desce por seus braços, e rodeia
seu brevíssimo e branco tornozelo,
onde se aquece e cresce, e se incendeia.

Cansado de “salvadores da pátria”, o povo precisa exigir condenações mais rigorosas

Arquivos #PolíticanoBrasil - Página 7 de 28 - Blog do Ari Cunha

Charge do Duke (Rádio Itatiaia

Vicente Limongi Netto

Eleições chegando, festa da democracia. Promessas mirabolantes, juras de amor ao Brasil. Candidatos honestos e devotados à causa pública. Deus ilumine o bom senso dos eleitores. Que o resultado das urnas traga ventos de esperanças e benefícios para o povo.

O país está cansado de salvadores da pátria. De enviados divinos. Depois de eleitos, esquecem a população sofrida. Precisamos de leis mais duras e implacáveis para corruptos, pedófilos e covardes assassinos de mulheres. Além disso, basta de impunidade para togados e demagogos   engomados.

A canalhice e o cinismo de poderosos abonados assustam cidadãos de bem, chefes de família e pagadores de impostos. O Brasil dispõe e água e sol o ano inteiro. Próspero na produção de alimentos. Não se justifica que falte comida na mesa de milhares de brasileiros. Se canalhas não roubasse tanto, o Brasil seria mais feliz.

GRANDE JOGO – Com muita raça, o Fluminense foi brioso. Venceu jogando futebol. Enfrentando deslealdade, catimba, choro dos argentinos e assalto do árbitro. Time jogou de cabeça erguida. Com um a menos, não se intimidou. O goleiro Fábio é um monstro.

Marcão sempre foi bom treinador interino. Respeitado pelo elenco. Merece permanecer no cargo.