Reina a esculhambação na Justiça e Marconi Perillo já está solto de novo

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Perillo dormiu na carceragem e foi solto depois de depor

Mateus Coutinho
O Globo

 Após prestar depoimento e passar a noite na sede da Superintendencia da Polícia Federal (PF) em Goiânia, o ex-governador de Goiânia Marconi Perillo (PSDB) será solto nesta quinta-feira. A decisão é desembargador Olindo Menezes , do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) . Perillo é investigado no âmbito da Operação Cash Delivery, que apura o pagamento de R$ 12 milhões de propina da Odebrecht para campanhas do tucano em 2010 e 2014.

A prisão do ex-governador foi solicitada pelo Ministério Público Federal (MPF) com base, sobretudo, no fato da PF ter encontrado R$ 940 mil na casa do policial militar Marcos Moura, que atuava como motorista de Jayme Rincon, ex-presidente da Agência Goiana de Transporte e Obras e ligado ao tucano. Esse dinheiro indicaria que o grupo que articulou o pagamento das propinas nas campanhas passadas segue atuando.

INFLUÊNCIA – Também foi levado em conta no pedido de prisão o fato do cunhado de Perillo ter sido indicado ao Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) após Perillo deixar o governo para se lançar candidato nas eleições deste ano. Para os investigadores, isso reforça a influência do tucano.

Esses argumentos, porém, foram rejeitados pelo desembargador federal ao analisar o habeas corpus impetrado pela defesa do tucano.

“Não se evidencia nos fatos a atualidade que justifique a segregação cautelar, a partir apenas da suposição de que eventuais valores apreendidos na posse do outros envolvidos e investigados representem novas doações ilegais de campanha, estando, em razão disso, ainda em atividade criminosa a serviço da suposta organização criminosa que teria promovido arrecadações para as campanhas de 2010 e de 2014 ao governo do Estado do paciente”, escreveu Olindo Menezes na decisão.

SEM INOCENTAR – O desembargador ponderou ainda que “não se está a inocentar a conduta representada na apreensão de tão vultosa quantidade de dinheiro com uma eventual atipicidade penal”, mas ressaltou que não há provas suficientes que liguem os valores às suspeitas de pagamento de propinas reveladas pelos delatores da Odebrecht e que embasaram a investigação. “Todas as suspeitas da autoridade policial e do magistrado podem e devem ser apuradas, mas isso não equivale a que os investigados sejam presos de logo, sem culpa formada”, segue o desembargador.

Para os investigadores, Perillo seria o líder do grupo criminoso que solicitou a propina de executivos da empreiteira e teria articulado a entrega dos valores em espécie por meio de seus operadores financeiros. Com o avanço das investigações, a PF identificou 21 entregas de dinheiro em 2014, com base em quebras de sigilo telefônico e também nas planilhas do departamento de propina da Odebrecht. Também foram utilizados documentos entregues pelo doleiro Álvaro Novis e por um funcionário seu que trabalhava em uma transportadora de valores usada para as entregas de dinheiro do caixa paralelo da empreiteira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Reina a esculhambação na Justiça brasileira, mas neste caso o desembargador parece estar com a razão. O motivo para a prisão era fraco. É melhor deixar Perillo responder em liberdade, ir gastando sua fortuna com advogados, torturando-se até chegar o momento de ir fazer companhia ao demais tucanos da Lava Jato que estão caindo na rede da força-tarefa da PF, MP e Receita. A hora dele chegará. (C.N.)

Bolsonaro admite que pode faltar a debates mesmo liberado pelos médicos

Jair Bolsonaro (PSL) durante entrevista coletiva Foto: RICARDO MORAES / REUTERS

Bolsonaro se reuniu com a bancada de seu partido, o PSL

Marco Grillo e Jussara Soares
O Globo

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, admitiu nesta quinta-feira a possibilidade de não comparecer aos debates no segundo turno por questões de estratégia política , mesmo que seja liberado pelos médicos para participar. Adversário do capitão da reserva, Fernando Haddad (PT) tem cobrado a participação de Bolsonaro nos encontros, mas a equipe médica desaconselhou a presença no último debate do primeiro turno, na TV Globo, e no encontro que estava previsto para esta quinta-feira, na TV Bandeirantes.

— Existe a possibilidade sim, por estratégia. Estou vendo o Haddad desafiando agora: “Quero que você diga o que fez em 28 anos no parlamento”. Eu responderia para ele: “Não roubei ninguém, Haddad” — disse Bolsonaro.

DOIS DEBATES – Inicialmente, a campanha de Bolsonaro trabalhava com a possibilidade de ele ir a dois encontros no segundo turno: os organizados pela Record e pela Globo .

O candidato do PSL ironizou a mudança de logotipo da campanha adversária, que trocou o vermelho do PT pelo verde e amarelo da bandeira brasileira . Bolsonaro chamou Haddad de “camaleão” e pau mandado, ao citar as visitas do petista ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba.

“Vou debater com um cara que nem poste é. É fantoche e pau mandado, age como camaleão. Eu vi o Haddad falando em família, em Deus. Eu fico com vergonha. Ele está cumprindo à risca o que o Lula manda ele falar: “Haddad não é de esquerda, Haddad é de direita”. Haddad agora quer posse de arma de fogo. Bem-vindo. Tomara que ele tenha sido curado de verdade, não só por um tempo. Dizem que bandido não se aposenta, tira férias. Haddad está de férias”.

EXTREMA-DIREITA – Ao responder a uma pergunta que citava uma declaração de Marine Le Pen, que afirmou não considerar Bolsonaro de extrema-direita, o candidato do PSL concordou com a tese:

— Eu não sou de extrema-direita. Sou admirador do (Donald) Trump. Ele quer a América grande, eu quero o Brasil grande.

O candidato do PSL participou de uma entrevista coletiva que durou 30 minutos em um hotel na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Antes do encontro com os jornalistas, ele se reuniu com a bancada federal eleita pelo PSL.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBolsonaro está se recuperando bem e deveria comparecer aos dois debates finais. Iria se muito divertido, porque ele se comportaria como fez no Jornal Nacional, quando bateu pesado em William Bonner e Renata Vasconcelos, deixando os dois sem saber o rumo de casa. Haddad seria uma presa fácil, porque representa o que há de pior na política – a corrupção. (C.N.)

Bolsonaro confirma os nomes de três ministros: Onyx, Heleno e… Guedes

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Bolsonaro enfrenta a imprensa e confirma Guedes 

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, anunciou nesta quinta-feira, 11, o nome de três ministros em um eventual governo. Ao lado de apoiadores como o filho, Flávio Bolsonaro, o senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ) e a deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), o candidato do PSL confirmou os nomes de Onyx Lorenzoni, do DEM,  para Casa Civil, do general Augusto Heleno para a Defesa e o do economista Paulo Guedes para a Economia

“Ainda não temos nome para outros ministérios, até porque temos de esperar com prudência o dia 28 de outubro, onde podemos ter a certeza de anunciar nomes”, afirmou Bolsonaro.

GRAÇAS A DEUS – Em sua primeira entrevista após o primeiro turno, ele iniciou o discurso agradecendo a Deus por sobreviver ao atentado de Juiz de Fora, onde recebeu uma facada. O candidato à vice-presidência, general Hamilton Mourão, e o assessor econômico Paulo Guedes não participaram da coletiva, que aconteceu em menos de meia hora numa sala reservada do hotel Windsor Barra, na zona oeste do Rio. Em entrevista recente, o presidenciável afirmou que evitará que os dois tenham contato com a imprensa, por não terem “traquejo”. No mesmo local, aconteceu um encontro de Bolsonaro com os seus apoiadores.

Por cerca de 15 minutos, Bolsonaro falou abertamente, em seguida, permitiu que a imprensa fizesse algumas poucas perguntas. Apesar do grande número de representantes da imprensa presentes, para poucos foi dada oportunidade de questionar o candidato.

REPÓRTER VAIADA – A primeira inscrita da imprensa nacional, uma repórter da Folha de S. Paulo foi vaiada e hostilizada por apoiadores de Bolsonaro que cercaram a imprensa durante a coletiva. Foi preciso que o presidente do PSL, Gustavo Bebbiano, pedisse respeito à imprensa, para que se calassem e permitissem que a repórter fizesse sua pergunta.

“Valorizaremos a família e vamos fazer negócio com o mundo todo sem viés ideológico. Vamos jogar pesado na questão de segurança. Garantiremos sim a liberdade de imprensa, não tem aquela história de controle social. Vamos garantir o legítimo direito à defesa do cidadão. Falta pouco para começarmos a mudar o nosso Brasil”, discursou Bolsonaro.

O candidato disse ainda que vai valorizar a pesquisa tecnológica e que vai “garantir o legítimo direito à defesa do cidadão”, referindo-se ao direito ao porte de arma. “Queremos que a imprensa seja independente e tenha responsabilidade no que escreve”, complementou.

MORTE DO CAPOEIRA – Bolsonaro ainda se posicionou sobre a morte do capoeirista baiano Romualdo Rosaldo da Costa, assassinado nesta semana por um admirador. “Não podemos admitir crime nenhum; se foi uma pessoa que votou em mim, dispensamos esse tipo de voto. Quem quer que seja, cometeu um crime, tem que pagar”, afirmou.

O candidato ainda negou que seja de extrema direita e que tenha contratado o marqueteiro de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para sua campanha. “Nós não temos recursos para pagar campanha”, disse o candidato.  

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A repórter foi vaiada porque a Folha foi o primeiro jornal a publicar as irregularidades envolvendo Paulo Guedes, que depois foram confirmadas por todos os outros jornais e revistas, que também tiveram acesso aos documentos da investigação. Bolsonaro manteve Guedes para mostrar que não é “pautado” pela imprensa, mas vai se arrepender, porque terá de demiti-lo mais na frente, quando houver a denúncia criminal, que não vai demorar. (C.N.)

PT travestido de verde e amarelo na campanha só pode ser Piada do Ano

Resultado de imagem para pt verde e amareloLeonardo Cavalcanti  e Gabriela Vinhal
Correio Braziliense

Na iminência de tentar dialogar com eleitores de centro, a coordenação da campanha do PT decidiu repaginar a logo da sigla e afastar símbolos tradicionais petistas da candidatura de Fernando Haddad (PT) e da vice Manuela D’Avila (PCdoB). Os tons de vermelho deram espaço às cores da bandeira nacional —ferramenta já utilizada pelo partido desde 2010, na campanha do primeiro governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Especialistas, contudo, alertam para o risco de o eleitorado não corresponder às expectativas, por ser destoante do conteúdo passado pela legenda desde agosto. Para eles, a nova face da campanha deve vir acompanhada também de uma mudança na narrativa do petista.

Além do verde e amarelo, o PT já começou a se movimentar para reduzir a exposição de Lula nas fotos oficiais da campanha e dos adesivos da chapa. Antes, Haddad posava ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, com a nova imagem, quem o acompanha é a vice, Manuela.

BRASIL PARA TODOS – O slogan também foi alterado: agora é “O Brasil para todos” em vez de “O Brasil feliz de novo”, que fazia uma alusão aos anos de Lula no governo (2003-2010). A ideia da nova cara da campanha é mostrar uma frente de união para o povo brasileiro e tentar recuperar os votos de eleitores dos candidatos que não vingaram para o segundo turno.

A nova cara da campanha não será apenas estampada nas redes sociais do partido, mas levada ao horário eleitoral gratuito, que começa nesta sexta-feira. Mesmo antes da mudança, o PT já havia dado sinais de que faria alterações na base de campanha do candidato. No Facebook, em um vídeo publicado na segunda-feira, dia 8, Haddad fala sobre emprego e educação e aparece sob uma tarja azul e amarela — cores desconhecidas pela militância petista. Geralmente utilizadas pelo PSDB, as colorações foram relacionadas, neste ano, a Bolsonaro.

BANDEIRA DO BRASIL – Apoiadores de Bolsonaro utilizam a bandeira do Brasil para pedir votos. Um dos lemas contra o adversário é, inclusive, “A nossa bandeira jamais será vermelha”.

Mas essa não foi a primeira vez que a sigla petista utiliza desses mecanismos para tentar chamar a atenção do eleitor. Especialista em marketing político, Marcelo Vitorin explica que o partido já havia trocado a imagem oficial da candidatura da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010 e em 2014. “Não há problema em trocar a logo. Mas é preciso fazer um plano desde o início. Não dá para atuar no primeiro turno buscando o Lula e depois sinalizar de outra maneira. Há um problema de narrativa”, destacou.

Na disputa pela reeleição, Dilma aparecia ao lado de Lula nas peças do primeiro turno. Na segunda etapa do pleito, ela posou sozinha, em um cartaz com as cores nacionais.

E NA BASE? – A transformação não aconteceu apenas na área de marketing e comunicação, mas na base política do partido. Além do PCdoB como aliado, o PSB e o PDT declararam apoio à candidatura de Haddad para o segundo turno contra Bolsonaro. A sigla de Ciro Gomes, contudo, afirmou que a aliança será apenas “crítica”, ou seja, o partido não integrará a coordenação da campanha do petista.

Não haverá reivindicações, tampouco propostas, como ocorreu com o PSol, que além de anunciar união, afirmou que o cabeça de chapa do PT incluiu quatro pontos do socialista Guilherme Boulos no plano de governo dele. A campanha também vai atuar em outra frente. O partido já pediu para a militância agir nas redes sociais para desconstruir a imagem de Bolsonaro e divulgar as propostas de Haddad.

A MESMA IDEIA – Segundo o diretor do Instituto de Ciência Política da UnB (Ipol/UnB), Paulo Calmon, a estratégia de conversar com eleitores de centro não é apenas de Haddad, mas também de Bolsonaro. A ferramenta é esperada, tanto por causa do cenário polarizado quanto por ter chegado ao segundo turno. Assim como Calmon, o analista político Creomar de Souza afirma que as mudanças parecem ser maiores para o petista, porque ficou em segundo lugar nas votações, ou seja, tem um caminho mais longo a percorrer que o adversário.

Para Souza, apesar da estratégia não ser inovadora, é um mecanismo de “tudo ou nada” aderido, desde o início, pelo PT. No entanto, pode sofrer uma reviravolta. Em vez de conquistar o eleitor, pode soar como oportunista, como se quisesse “maquiar” um novo partido e um novo candidato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Oportunista? Como a gente dizia nos tempos do Pasquim, “bota oportunista nisso”. É tudo ilusão, porque não adianta nada travestir o PT de verde e amarelo, justamente a marca de Bolsonaro. E esquecer Lula? Será que vai dar resultado? Só pode ser Piada do Ano. (C.N.)

Troca de farpas e provocações marcam o debate entre Witzel e Paes

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Witzel abandonou a carreira de juiz para ser candidato

Lucas Altino e Stéfano Salles
O Globo

No primeiro debate entre candidatos ao governo do Rio no segundo turno, promovido pela Firjan e Rede Bandeirantes, Eduardo Paes (DE ) e Wilson Witzel (PSC), como era de se esperar, protagonizaram um encontro com muitas trocas de farpas. Durante o início da semana, Paes subiu o tom nas críticas contra o adversário, e o ex-juiz federal ameaçou dar voz de prisão em caso de injúria. Na primeira pergunta livre, Paes disse que Witzel “amarelou” ao deixar o Espírito Santo diante de uma ameaça de morte. Eles voltam a se enfrentar no dia 18, na Band.

SEGURANÇA – O primeiro bloco do debate serviu para os candidatos responderem a questões formuladas pela produção. Os temas foram segurança e finanças públicas. Witzel citou sucateamento da Polícia Civil e aumento do roubos de carga. Para ele, o policiamento foi fragmentado entre efetivo de UPP e dos batalhões, o que precisaria ser reintegrado.

– Tem que investigar lavagem de dinheiro e receptador. Junto com a Prefeitura, vou cassar alvará, e se possível colocar rastreadores nas cargas mais vulneráveis – disse o ex-juiz.

Já Paes disse que é necessário investir em inteligência e falou que vai pedir para o próximo presidente manter as Forças Armadas no Rio. Porém, ele afirmou que será o comandante da Secretaria de Segurança. Sobre o regime de recuperação fiscal, houve divergências. Witzel fez críticas, e Paes contemporizou. Mas eles concordaram na necessidade de se negociar com a União.

NÃO ERA IDEAL – “O acordo de recuperação fiscal não era o ideal, mas era o possível naquele momento. Mas o próximo governador vai ter que ter capacidade política para negociar. Eu reduzi 85% da dívida da prefeitura com a União. Servidor, vamos tratar com respeito. Questão é receita. Como prefeito, não aumentei imposto e tripliquei receita. Precisa rever isenção, se tem gente usando sem contrapartida. Tem que ter experiência de gestão, sei fazer isso.

Na terceira rodada de perguntas, quando os candidatos puderam indagar um ao outro, Paes questionou Witzel sobre o fato de ter deixado a Vara Federal Criminal do Espírito Santo, quando pediu para ser transferido para uma Vara de Execução Fiscal. O ex-prefeito do Rio questionou o fato de o adversário dizer que vai enfrentar a criminalidade e disse que ele “amarelou” no enfrentamento feito no estado vizinho.

– Em entrevista ao G1, de 2011, você disse que eles venceram e pediu para sair. Deu uma amarelada. Como a população pode acreditar em alguém que pediu para sair? – questionou Paes.

FAMÍLIA GRANDE – Durante a resposta, Witzel lembrou sua carreira como fuzileiro naval e disse não ter medo. Disse ainda ter sido ameaçado de morte no Rio e no Espírito Santo. O candidato ressaltou que, na vara do estado capixaba, não havia segurança suficiente para sua família, que é grande.

– Você não deve me conhecer. Eu estive com fuzil na mão como fuzileiro, perto de morrer. Não tenho medo. A matéria foi maldosa. Eu fazia mestrado em direito processual civil e pedi para ser transferido para uma Vara de Execução Fiscal no Espírito Santo. Não abandonei, e na Vara de Execução Fiscal também se enfrenta o crime organizado. Jamais fui intimidado – afirmou Witzel.

Na resposta, o candidato ao PSC disse ainda que Eduardo Paes foi embora para Nova York depois do mandato, insinuando que o adversário fugiu do Rio. Paes obteve direito de resposta, e lembrou que, neste período, foi trabalhar para o Banco Interamericano de Desenvolvimento, como vice-presidente do órgão para a América Latina.

POLÊMICA – Paes e Witzel divergiram sobre as propostas de segurança. Witzel defende o “abate” de criminosos encontrados com fuzil, mesmo fora de circunstâncias de combate. Paes ironizou a medida e minimizou a relação do adversário com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

– Uma coisa é falar, outra é fazer. A situação do Rio é ainda mais grave que a do Espírito Santo. Não vou usar a expressão que o candidato Romário usou no primeiro turno. Bolsonaro tem credibilidade para falar isso, porque fala há muito tempo. O senhor, não. O conheceu ontem. Não adianta falar que vai usar baioneta ou bazuca para resolver – afirmou Paes.

A frase sobre Romário era uma alusão ao debate em que o senador do Podemos chamou o ex-magistrado de “frouxo” durante o debate da TV Globo, no primeiro turno.

DESEQUILÍBRIO – “Seu jeito de falar demonstra seu desequilíbrio. Quando eu disse que abateria quem estava de fuzil, fui proibido de entrar em várias comunidades. Eu não vou em comunidade pedir voto para bandido” – disse Witzel. Paes voltou a citar a existência de uma relação entre o advogado que facilitou a fuga de Nem, da Rocinha e o ex-juiz, que retrucou:

– O (advogado Luiz Carlos Cavalcanti) Azenha é um ex-aluno meu, eu tenho mais de cinco mil alunos – explicou.

Witzel e Paes disputam a atenção do eleitorado fluminense em evento organizado pelo Grupo Bandeirantes e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan). Nas estratégias de campanha , enquanto Witzel tenta vincular-se à família Bolsonaro, Paes aposta em sua experiência administrativa.

PROVOCAÇÕES –  Durante o debate, Paes era o candidato que elevava mais o tom das críticas. Mas Witzel também foi voz ativa nas provocações. A de o fazer uma pergunta sobre previdência, ele acusou o adversário de ter deixado déficit previdenciário na prefeitura, e disse que já tem escolhido um presidente para o Rio Previdência: Sergio Aureliano. Paes respondeu.

– Nunca atrasei pagamento nenhum, só perguntar para o servidor. Para de acreditar no Crivella.

Depois, Witzel disse que as PPPs do Porto Maravilha e do VLT seriam “cases de insucesso”. Para o candidato do PSC, o fundamental para realizar PPP é retomar a credibilidade.

PORTO MARAVILHA – Paes disse que o Porto Maravilha e o VLT são projetos bem-sucedidos e aproveitou para alfinetar o adversário.

– O candidato cometeu diversas injúrias, mas não vou dar voz de prisão, fique tranquilo. Não sou autoritário e nem frouxo – provocou, recebendo aplausos do público.

Paes lembrou que teve a candidatura deferida e ressaltou que não há qualquer acusação que pese sobre sua pessoa. Witzel então pediu direito de resposta e afirmou que o rival não tem o direito de chamá-lo de autoritário.

Para Meirelles, programa de Haddad é recessivo e o de Bolsonaro é confuso

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Meirelles não entendeu o programa de Bolsonaro

Joana Cunha
Folha

O programa de governo de Fernando Haddad (PT) para a economia é voltar à recessão, enquanto o de Jair Bolsonaro (PSL) é incompreensível, segundo a opinião de Henrique Meirelles, candidato do MDB à Presidência derrotado no domingo (dia 7). Após obter só 1,20% dos votos, ele afirma que não apoiará nenhum dos candidatos no segundo turno enquanto suas propostas econômicas permanecerem como estão. Meirelles, 73 anos, que foi convidado para ser presidente do Banco Central na gestão Lula e ministro da Fazenda de Michel Temer, também não aceitará participar de governos cujas ideias não estejam em linha com as suas.

Quem é o culpado pela polarização desta eleição entre Haddad e Bolsonaro, que prejudicou a votação de todos os outros candidatos, inclusive o sr.?
Há uma série de fatores. Teve a crise econômica, que levou à maior recessão da história e deixou as pessoas com uma visão muito negativa da realidade. Saímos da recessão na minha gestão no ministério da Fazenda, mas não houve tempo para a população perceber, então continuou aquela sensação e logo vieram as incertezas eleitorais. Quando eu estive no Banco Central por oito anos, houve um tempo para que a economia melhorasse e as pessoas percebessem o bem-estar. Outro fator é o descrédito com a classe política por toda a revelação de recursos desviados. A Lava Jato fez um belo trabalho mas deixou a indignação. Isso já tinha se manifestado nos protestos de 2013, quando o detonador foi o preço de passagem de ônibus, mas na realidade expressava um problema difuso da sociedade. Nesse clima, nós entramos em uma eleição tendo um candidato de direita e um de esquerda com seus componentes que levaram à passionalidade. De um lado, o esfaqueamento do Bolsonaro e de outro, a prisão do Lula. A conjunção desses fatores causou a polarização que, principalmente no fim da campanha, levou as pessoas a deixarem de votar no candidato que achavam o melhor. Aí nós tivemos esse resultado e estamos vivendo o segundo turno nesse clima.

Quando o mercado reage bem à escalada de Bolsonaro nas pesquisas, ele alimenta a polarização?
O mercado  não é um ente político. É uma definição de preços por pessoas que estão comprando e vendendo títulos.

Mas ele funciona como um componente da eleição? O nome do sr., por exemplo, se tivesse crescido no início da campanha, poderia ter agradado e trazido confiança ao mercado?
Certamente. É verdade, existe esse componente. O mercado é formado por pessoas que compram e vendem títulos em função do que acham que vai subir de preço. Tem um efeito político, mas a motivação inicial é a da formação de preço. Se o mercado se preocupa com um lado, favorece o outro.

O mercado já escolheu Bolsonaro. Ainda dá tempo de Haddad ajustar o programa de governo e fazer  aceno como fez Lula em 2002 com a carta ao povo brasileiro?
Sim, desde que viesse a fazer isso. Em 2002, Lula fez a carta aos brasileiros em maio. Não sei o que o PT vai fazer. Não estou participando das reuniões do PT, assim como não estou participando das do Bolsonaro. Vamos aguardar.

O sr. já criticou os programas dos dois candidatos. O que mais incomoda em cada um?
O grande problema do programa do PT é se propor a desfazer exatamente aquilo que permitiu que a economia brasileira se recuperasse da crise. Ele reforça aquela linha de ação que levou à crise, ou seja, resgata o que foi feito pela Dilma. É um caminho que claramente leva a uma recessão. Ele propõe, e isso é só um exemplo, eliminar o teto de gastos, que foi fundamental para resgatar a confiança. A dívida pública estava insustentável, e as despesas, crescendo. Então nós colocamos um teto para dar uma sinalização clara, colocar um limite, mudando a maneira até de funcionamento do Congresso, em que cada parlamentar tinha um projeto para apresentar, que custava recursos, e ele passou a ter que definir prioridades. Foi uma mudança fundamental na discussão orçamentária do Brasil. O que o PT propõe é voltar para trás. É gastar o que desejam os congressistas e o executivo. E isso leva ao aumento de juros, da inflação e do risco.

E o programa de Bolsonaro?
Ele nunca colocou com clareza o programa econômico dele. Anunciou um assessor econômico [Paulo Guedes] que tem dito algumas coisas que ele mesmo tem contrariado. Ele desmentiu e depois prestigiou o assessor.  Mas eu não sei o que vai prevalecer no governo de Bolsonaro.

Ele já andou anunciando nomes da equipe. O que o sr. achou?
São nomes ventilados. Não significa que fulano de tal foi convidado e aceitou fazer parte do governo.

O sr. aceitaria um convite para atuar em um governo de Haddad ou Bolsonaro?
Primeiro, eu preciso saber qual é a proposta. Estou trabalhando aqui sobre hipóteses. Eu entendo que uma série de coisas são fundamentais para o país. Eu precisaria saber, e a população também, se eles se propõem a fazer aquilo que eu acho fundamental para o país. Eu tenho uma série de propostas objetivas que já apresentei. Temos que discutir exatamente isso, e a partir daí, eu poderei tomar uma decisão. Antes disso, é meramente especulação.

Para aceitar, seria necessário que o sr. tivesse uma carta branca, como exigiu na época em que Lula, tentou levar seu nome para o governo de Dilma?
Eu não usei exatamente essa expressão “carta branca”. Naquela época, eu tinha propostas objetivas que eram diferentes do que ela estava fazendo, como por exemplo, o controle da inflação. E ela tinha uma prioridade de baixar juros. Enquanto eu propunha o limite dos gastos públicos, ela tinha uma proposta, e uma ação, para aumentar os gastos públicos. Nós tínhamos divergências fundamentais. Naquele momento, o Lula falou comigo, então eu coloquei o seguinte: naquela linha de ação, eu disse achava difícil. Ela tinha uma outra visão e eu não achei o projeto viável. Eu não estava disposto a aceitar a visão dela. Ainda bem, porque deu errado. E ela não estava disposta a mudar, infelizmente para o Brasil. Posteriormente, ela voltou a me convidar, já no final de 2015, mas aí eu achei que já era tarde demais.

Então, considerando o programa de governo que o Haddad ainda tem hoje, seria o mesmo cenário?
Sim. Dentro deste programa não adianta.  Eles vão sinalizar uma mudança? Não sei. Para ter uma proposta econômica que viabilize o crescimento do país, eu acho que teria que ser um programa diferente.

Há quem diga que esse nacionalismo que o Bolsonaro demonstra poderia afastar investidor estrangeiro. O sr. concorda?
Não há dúvida. A questão é que precisamos entender o que o Bolsonaro vai fazer. Existe uma diferença entre o que o assessor dele diz e o que ele votou em toda a vida política dele como parlamentar. Ele votou em muitos projetos apoiados pelo PT, mas agora ele tem uma proposta liberal, que é a proposta da assessoria dele. O que vai ser de fato o governo Bolsonaro? Isso é relevante: não há o que discutir em termos concretos.

A promessa da candidatura de Bolsonaro de zerar o deficit primário em um ano é vazia?
Totalmente irrealista. Tem que cortar abruptamente quase R$ 200 bilhões em despesas, ou vai ter um choque de aumento de imposto que vai paralisar o país. Como vai fazer isso em curto prazo? Tem outros problemas, como esse de privatizar. Vai entregar o Banco do Brasil para uma grande instituição financeira internacional? Ou vai entregar para um dos dois grandes bancos brasileiros privados e provocar uma concentração maior no sistema bancário brasileiro? E onde é que tem capital para isso? Ou venderia no mercado de capitais brasileiro? Existe recurso suficiente para absorver essas grandes estatais todas em curto prazo? Há uma série de coisas que são bonitas de falar mas poucos factíveis.  Já estamos na reta final. O presidente que assumir terá de fazer as coisas.

E qual é o caminho?
Há três ações fundamentais. A primeira é assegurar o crescimento sustentável nos próximos anos sem voo de pato, ou seja, sem crescer e entrar em crise. Para isso, precisa assegurar o equilíbrio fiscal, e com teto de gastos obedecido e viável. A longo prazo podemos nos estabilizar na faixa de 2% a 2,5% de crescimento simplesmente com equilíbrio fiscal. A curto prazo, o Brasil pode crescer até mais porque tem muita capacidade ociosa na economia. É uma taxa positiva, porém, não suficiente para resolver todo o problema de emprego no Brasil. Para crescer mais, nós precisamos fazer as reformas para aumentar a produtividade, como a reforma tributária e toda a agenda da burocracia no Brasil. Eu já anunciei 15 propostas. A maior parte já foi para o Congresso, uma ou outra ainda está em elaboração, como a tributária. O terceiro ponto é infraestrutura. Mesmo para a infraestrutura, temos que atrair a maior quantidade possível de capital nacional, mas ainda assim, possivelmente, não será suficiente. Temos que trazer investidores internacionais. Com esses três pontos, o país pode crescer de forma sustentável nas próximas décadas, até acima de 3%. Em algum momento, pode crescer a 4%, como já crescemos no período em que eu fui presidente do Banco Central, de 2003 a 2010.

O sr., que defende tanto o teto de gastos, o que sente ao ver um candidato que tem chance de chegar à Presidência falando em derrubar isso?
Significa que ele está propondo trazer a recessão de volta. E trazer o baixo crescimento, que é a situação que temos vivido nos últimos anos. Essa proposta não é nova, ela já foi apresentada em 2010 e 2011, foi aplicada. Não é algo desconhecido, uma esperança que ainda não foi aplicada no Brasil. Ela já fracassou e trouxe a maior recessão da história. É uma sensação de volta ao passado recente.

Me lembro de ter visto o sr. em uma agenda de campanha na periferia de São Paulo, em que o sr. viu esgoto a céu aberto e disse que era “chocante”. O sr. deve ter saído modificado da campanha. Esse tipo de experiência falta aos currículos de presidentes do Banco Central e ministros da Fazenda?
Eu já tinha tido uma experiência nesse sentido quando venci a eleição para deputado federal [em 2002]. Tive oportunidade de vivenciar isso na época, e de fato me foi muito útil no Banco Central porque eu pude entender carências básicas. É fundamental para um presidente do país entender que não se pode deixar levar apenas pela crise do momento, que é grave mas não é a única.  Por isso o esgoto é importante. Aquele foi chocante porque está em São Paulo, no centro industrial financeiro e comercial. E as pessoas vivem em condições medievais. O contraste é chocante. Eu fiz uma campanha que foi bem avaliada até pelos adversários. E a população ficou com uma imagem do que pode ser feito pelo Brasil.

Que retorno o sr. tem recebido disso?
Dia e noite, tenho recebido mensagens de pessoas dizendo que agora minha voz é importante. Vou continuar levando essa mensagem do que é necessário ao Brasil, que é competência e recursos para investir.  Precisamos cobrar quem for eleito. Esse fica sendo o meu papel.

O senhor disse outro dia que tem gente que critica a sua iniciativa de ter investido mais de R$ 50 milhões em campanha e que essas pessoas dizem que ou há uma intenção desconhecida ou o sr. é otário. Como responde a esse tipo de crítica?
Para mim foi bem gasto. Pela mensagem que eu levei aos brasileiros de que é necessário que os governantes cuidem dos recursos públicos como cada um cuida do recurso da sua casa. Foi uma mensagem de responsabilidade e competência.  Essa era a finalidade. Eu saí [das urnas] com o percentual muito baixo porque nunca fui candidato e também porque não fiz propostas populistas, desviando a atenção, dando piruetas. Eu disse na minha campanha: posso não ganhar o seu voto mas vou ganhar o seu respeito. Eu julgava que precisava retribuir ao povo brasileiro tudo que o país me proporcionou com educação pública, do ensino fundamental ao mestrado na UFRJ, e que me fez chegar à presidência de uma grande instituição internacional. Eu pude retribuir isso com prestação de serviço, quando fui presidente do Banco Central e agora fazendo essa campanha. Fiz a campanha eleitoral mais transparente e entreguei minha mensagem. Estou em paz e agora posso usar todo esse patrimônio de imagem e reconhecimento que obtive com uma nova campanha para contribuir para o país.

Pretende se candidatar novamente para algum cargo?
O que tenho claro é que vou fazer isto que já eu estou fazendo. Vou continuar defendendo as propostas para o Brasil, e em um passo seguinte vou transformar isto em algo mais permanente, criando um canal de comunicação com mídia digital e mantendo também a minha presença na mídia. É onde eu pretendo defender essas ideias e depois especificar mais os temas, como na questão do saneamento. Este é o projeto mais imediato que eu já tenho e vai me ocupar muito. Hoje eu já conversei com voluntários que querem participar produzindo conteúdo para diversas áreas neste canal digital.

O sr. vai apoiar um dos dois candidatos?
Em primeiro lugar, eu preciso de uma sinalização clara do que os candidatos vão fazer de fato. Não é só falatório e sinalização. Após saber disso, seria uma consequência. Eu não apoio um candidato. Apoio uma agenda.

Considerando que o sr. avalia que nada está claro, enquanto houver proposta vazia dos dois candidatos, Henrique Meirelles não apoia ninguém?
Exatamente.  Quando existir uma proposta, terei absoluta disposição de apoiar a agenda que já estou apoiando, que é a agenda do Brasil, para melhorar o padrão de vida dos brasileiros. Dou apoio para isso, antes ou depois da eleição.

Isso é independente do partido?
Independente.

O candidato do MDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, anunciou apoio a Bolsonaro enquanto o sr. ainda estava na corrida. Isso sinalizou falta de compromisso no partido. Todo mundo sabe que a impopularidade do MDB, partido que o sr. escolheu para concorrer, pode ter sido responsável por parte de seu fraco resultado. Isso seria levado em consideração em uma possível próxima candidatura do sr.?
Vamos levar tudo em consideração. Não tenha dúvida. Sobre Skaf, ele colocou isso em uma hipótese e me apoiou até o fim. É passado. Sobre o partido, O MDB não é um partido, digamos, como esses partidos ideológicos como o Novo e o PSOL, que são partidos pequenos e com ideologia muito definida, independentemente de serem ou não de extremos. O MDB é um partido que surgiu há 50 anos e está presente no Brasil inteiro, tem milhares de pessoas eleitas como prefeitos, vereadores, deputados. É um partido que tem uma grande diversidade de opiniões. Eu sempre disse que convivia muito bem com a diversidade de opiniões no MDB. As últimas convenções do MDB historicamente têm sido muito divididas. Mas eu tive uma vitória arrasadora, de 85% da convenção. Mesmo assim, houve votos divergentes, e mesmo durante a campanha.

Entre mulher e criança, a beleza da Rosa que encantou Gonçalves Dias

Resultado de imagem para Gonçalves DiasPaulo Peres
Site Poemas & Canções
 

O advogado, jornalista, etnógrafo, teatrólogo poeta romântico maranhense Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), no poema “A Minha Rosa”,  retrata a beleza entre menina e mulher e entre mulher e anjo. Foi um grande pesquisador das línguas indígenas e do folclore brasileiro. Por seus poemas nacionalistas e patrióticos passou a ser conhecido como “o poeta nacional do Brasil”.

A MINHA ROSA
Gonçalves Dias

A mim! foi a mim que o ouviste?
Eu! — chamá-la minha rosa!…
De certo que é bem formosa,
Entre criança e mulher!
Se a vejo tão jovem inda,
Tão simples, tão meiga e linda,
Da vida no rosicler.

Podia chamá-la — rosa,
De musgo ou de Alexandria,
Rosa de amor, de poesia,
Mais lhe não dava que o seu;
Porque se essa flor mimosa
Já chegaste ao teu retrato,
Havias ver como a rosa
De repente esmoreceu!

Porém teu amor, querida,
Teu amor que é minha vida,
Que é meu cismar, que é só meu;
Esse que te faz formosa
Entre todas as mulheres,
Onde achá-lo?! — Minha rosa…
Minha és tu!… como sou teu.

Não nego que é meiga e linda,
Entre mulher e criança,
Tão jovem, tão meiga, e ainda
Da vida no rosicler;
Mas tu vales mais do que ela,
Não conheces bem teu preço,
Acho-te muito mais bela,

“Dispensamos voto de quem pratica atos de violência”, afirma Bolsonaro

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Candidato lamenta agressões ao pessoal do #EleNão

Jussara Soares
O Globo

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou sobre a onda de violência causada por desavenças políticas no país. O presidenciável escreveu em suas redes sociais, na noite desta quarta-feira, que dispensa o “voto de quem prática violência” contra eleitores que não o apoiam.  Este é o  posicionamento mais contundente de Bolsonaro contra as agressões.

“Dispensamos o voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar”.

NAZISMO – Poucos minutos após a primeira mensagem, Bolsonaro escreveu que existe um movimento para ligar a campanha dele ao Nazismo.

“Há também um movimento orquestrado forjando agressões para prejudicar nossa campanha nos ligando ao Nazismo, que, assim como o Comunismo, repudiamos completamente. Trata-se de mais uma das tantas mentiras que espalham ao meu respeito. Admiramos e respeitamos Israel e seu povo.”

Antes de o presidenciável escrever no Twitter, o PSL, partido de Bolsonaro, divulgou uma nota curta sobre o assunto: “O PSL sofreu e repudia toda e qualquer forma de violência. O respeito é a base para uma democracia justa e tolerante.”

CASOS DE VIOLÊNCIA – Desde a votação do primeiro turno, no domingo, têm sido registrados casos de violência atribuídos a eleitores do capitão do exército. Em Salvador, um mestre capoeirista foi morto com 12 facadas após revelar que havia votado no PT. Em Recife, uma jornalista registrou um boletim de ocorrência contra eleitores de Bolsonaro por agressão e tentativa de estupro. Em Porto Alegre, uma mulher teve o corpo marcado por uma suástica. A violência teria ocorrido por ela usar uma camiseta escrita #EleNão.

Em conversa com a imprensa na noite de terça-feira, Bolsonaro, ao ser questionado sobre os episódios de violência, disse que não “tem como controla a militância” e perguntou: “o que eu tenho com isso?

‘”Essa pergunta não tem que ser invertida? Quem levou a facada fui eu. Agora um cara com uma camisa minha comete lá um excesso, o que eu tenho com isso? Peço ao pessoal que não pratique isso, mas não tenho controle. São milhões e milhões de pessoas que me apoiam. A violência vem do outro lado, a intolerância vem do outro lado. Eu sou a prova, graças a Deus, viva disso daí” — disse o candidato.

Por que o roqueiro Roger Waters ainda não foi preso e expulso do país?

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Roger, no show, fez campanha contra Jair Bolsonaro

Jorge Béja

O Brasil não é a “casa da mãe Joana”. O Brasil não é terra sem lei. O povo brasileiro é o alvo da proteção do Estado. Um tal de “Roger Waters”, fundador da banda “Pink Floyd”, roqueiro inglês de 75 anos, resolveu fazer uma série de apresentações no Brasil. Até aí, nada de mais. Acontece que o roqueiro está às escâncaras cometendo crime de ação pública, diante de milhares e até milhões de brasileiros, e a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Governo brasileiro a tudo assistem e nada fazem.

Desde sua primeira apresentação no último dia 9, em São Paulo (repetida nesta quarta-feira, dia 10), que Waters desrespeita, pública e ostensivamente o Estatuto do Estrangeiro. Ele já era para ter sido preso e expulso do país após cumprir a pena, como determina a lei. Mas nada disso aconteceu.

ATÉ DIA 30 – Ele ainda tem apresentações dias 13 em Brasilia, 17 em Salvador, 21 em Belo Horizonte, 24 no Rio (Maracanã), 27 em Curitiba e 30 em Porto Alegre. Quando deixar o Brasil, vai embora cheio de dinheiro e zombando de todos nós, principalmente das autoridades.

Esse tal de “Roger Waters” nas suas duas primeiras apresentações, nesta terça (9) e quarta-feiras(10) em São Paulo, se manifestou, repetidas vezes, sobre política. Sim, é verdade, por mais que pareça não ser. E com a agravante do período eleitoral em que os brasileiros se encontram. Ele não pode se manifestar nem a favor, nem contra qualquer candidato a presidente da República do Brasil. 

Restam na disputa Haddad e Bolsonaro. E o tal estrangeiro, em suas apresentações, estampa cartazes eletrônicos em painés iluminados com a marca “#Elenão”. “Bolsonaro Fascista”. E prega, abertamente, contra o deputado-candidato. Isso e muito mais, fora o monte de palavrões que pronuncia. Foi advertido, mas continua com outras provocações políticas e agora diz estar sendo “censurado”.

DIZ A LEI – O Estatuto do Estrangeiro (Lei nº 6.815 de 1980) é claro e categórico ao dispor no artigo 107: “O estrangeiro admitido no território nacional não pode exercer atividade de natureza política, nem se imiscuir, direta ou indiretamente, nos negócios públicos do Brasil…”.

Ora, o cara veio aqui para cantar com sua banda. Nada mais do que isso. Aproveitar as apresentações, seja para defender ou para atacar candidato à presidência da República – e isso é exercer, exercitar, praticar atividade política –, ainda mais em época eleitoral, é crime sim, embora o legislador, brandamente, conceitue o gravíssimo comportamento como infração, por intitular seu autor de “infrator”. E crime de ação pública, sujeito o infrator à prisão em flagrante.

Voltemos à lei, que é o Estatuto do Estrangeiro, no que tange à infração, penalidade e procedimento. Diz o artigo 125: “Constitui infração, sujeitando o infrator às penas cominadas….XI – infringir o disposto nos artigos 106 e 107; Pena: detenção de um a três anos e expulsão“.

NADA ACONTECE… – Até agora, nas duas apresentações em São Paulo, nada aconteceu com o tal “Roger Waters”, que continua livre e solto. Vamos aguardar as próximas apresentações, que à exceção da de Porto Alegre, todas as outras ainda ocorrerão no período pré-eleitoral do segundo turno. Vamos ver se alguma autoridade vai proibir o tal cantor de fazer propaganda, a favor ou contra os dois candidatos que restaram para o segundo turno.

Ou se a Polícia Federal e/ou o Ministério Público Federal, um ou outro, ou ambos ou mesmo a Justiça Eleitoral, vão agir em defesa da legalidade contra esse estrangeiro que veio para o Brasil ficar mais rico do que já é e ainda se imiscuir nas questões da política interna do nosso país e do povo brasileiro. Exigimos respeito. Exigimos que as autoridades entrem em ação. E já, tardiamente já.

Piada do Ano! Defesa de Guedes diz que denúncia é uma “armação eleitoral”

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Luiz Vassallo e Fábio Serapião
Estadão

Ao abrir Procedimento Investigatório Criminal contra Paulo Guedes, o ‘Posto Ipiranga’ da equipe econômica do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), a força-tarefa Greenfield citou a necessidade de apurar as ‘conexões’ entre doações de R$ 53 milhões a partidos e políticos da empresa Contax e aportes de fundos de pensão. A diligência está entre os procedimentos sugeridos pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), que cita uma relação entre a Contax e Guedes, aos investigadores…

A investigação foi aberta com base em relatórios sobre dois fundos de investimentos (FIPs) administrado por uma empresa de Guedes que receberam R$ 1 bilhão, entre 2009 e 2013, de fundos de pensão de estatais. Também será apurada a emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias.

RELEVANTES INDÍCIOS – As informações levantadas pela Previc, segundo o MPF, apontam que há ‘relevantes indícios de que entre fevereiro de 2009 e junho de 2013, diretores/gestores dos fundos de pensão Funcef, Petros, Previ, Postalis (todas alvos da Operação Greenfield), Infraprev, Banesprev e FIPECQ e da sociedade por ações BNDESPar possam ter se consorciado com o empresário Paulo Roberto Nunes Guedes, controlador do Grupo HSM Brasil, a fim de cometerem crimes de gestão fraudulenta ou temerária de instituições financeiras equiparadas ‘e emissão e negociação de títulos mobiliários sem lastros ou garantias, relacionados a investimentos no FIP BR Educacional’.

Entre as medidas recomendadas pela Previc, está a verificação de ‘eventuais conexões entre os aportes dos fundos de pensão e as doações da empresa Contax Participações S/A (registradas em R$ 53 milhões para partidos políticos e candidatos, entre 2008 e 2014) da qual, segundo o portal Bloomberg, o sr. Paulo Roberto Nunes Guedes era diretor’.

“FUNDO” DE GUEDES – No documento de instauração de inquérito, assinado no dia 2 de outubro, o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, chefe da força-tarefa que investiga fraudes em fundos de pensão, Caixa Econômica e BNDES, pede o ‘aprofundamento da investigação sobre os aportes no FIP BR Educacional’, fundo criado por Guedes.

No relatório, o procurador elenca 17 diligências para a instrução das investigações. Entre elas, pede para que sejam oficiados o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União ‘para que apure eventual prejuízo sofrido pelo BNDESPAR e pelos fundos de pensão Funcef, Petros, Previ, Postalis, Infraprev, Banespreve FIPECQ em decorrência do investimento no FIP BR Educacional’.

RECEITA FEDERAL – Também pediu para que a Receita Federal faça uma ‘análise de interesse fiscal do contribuinte Paulo Roberto Nunes Guedes, bem como das pessoas jurídicas vinculadas a seu grupo econômico’.

Ao fim do ofício, e fora da lista das 17 diligências, o procurador finaliza o documento determinando a solicitação à Assessoria de Pesquisa e Análise Descentralizada do Ministério Público Federal em Brasília a ‘pesquisa de vínculos societários das pessoas físicas e jurídicas mencionadas na nota técnica nº 1409/2018/PREVIC (inclusive a Contax Participações S/A), bem como pesquisa sobre doações eleitorais realizadas pelas pessoas físicas e jurídicas em questão entre os anos de 2008 e 2018’.

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DEFESA DIZ QUE QUEREM CONFUNDIR O ELEITOR

“Causa perplexidade que, às vésperas da definição da eleição presidencial, tenha sido instaurado um procedimento para apurar fatos apresentados por um relatório manifestamente mentiroso. Resta claro que essa iniciativa é uma afronta à democracia cujo principal objetivo é o de confundir o eleitor.

Cumpre esclarecer que o fundo FIP BR Educacional não trouxe qualquer prejuízo aos fundos de pensão. Ao contrário. Ele apresentou retorno substancialmente acima do objetivo estabelecido no regulamento firmado entre os cotistas. Da mesma forma, não houve, ao longo da operação, qualquer conduta antiética ou irregular por parte de Paulo Guedes, cuja reputação jamais foi questionada e é amplamente reconhecida no Brasil e no exterior.

A defesa vai apresentar toda a documentação que comprova a lisura das operações, esclarecer quaisquer dúvidas das autoridades competentes e reitera sua confiança na Justiça brasileira”, dizem os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A desculpa “eleitoral” dos advogados é Piada do Ano. Se a aplicação feita por Guedes tivesse dado lucro aos fundos de pensão, como alegam, nem haveria investigações. E o pessoal da Previc, que acusa Guedes, foi nomeado pelo PT e o MDB e é ligado aos dirigentes dos fundos de pensão. Ou seja, a Previc não conseguiu esconder o trabalho sujo dos aliados. Apenas isso. (C.N.)

No mundo, a esquerda se alarma por democracia no Brasil e a direita ironiza

Charge do mexicano Monero Rapè no Washington Post

Nelson de Sá
Folha

O conservador Wall Street Journal fez editorial saudando o “Drenador do pântano brasileiro”. Abre ironizando que os “progressistas globais estão tendo ataque de ansiedade com a quase vitória do conservador Jair Bolsonaro no Brasil”. Afirma que, “após anos de corrupção e recessão, milhões de brasileiros parecem acreditar que um ‘outsider’ é exatamente do que o país precisa”. E “talvez eles saibam mais do que os rabugentos globais”.

Sobre democracia, diz que Bolsonaro não propõe mudar as regras constitucionais que “constrangem os militares a ficar em casa”.

ONDA DE RAIVA – Também o Financial Times publicou seu editorial, intitulado “Bolsonaro cavalga onda de raiva popular no Brasil”. É bem menos assertivo. Diz que “os brasileiros estão compreensivelmente fartos”, mas questiona paralelos com Trump, pois no Brasil “as instituições são mais jovens e mais fracas do que nos EUA, o que torna os riscos muito maiores”.

Acrescenta que, embora seja “quase certa” a vitória de Bolsonaro, “muita coisa pode acontecer nas próximas três semanas”.

O mesmo FT trouxe coluna de Gideon Rachman dando a ascensão de Bolsonaro como “acontecimento de importância global”. Encerra citando o medo de que está começando “uma nova e mais sombria fase da história mundial, e que mais uma vez o Brasil sintetiza essa tendência”.

NOVO GOLPE – No Washington Post, Ishaan Tharoor, também colunista de política externa, reproduz uma imagem da bandeira brasileira com suástica e vê “um novo golpe na democracia liberal” no mundo.

O tom foi o mesmo por artigos no Guardian, com professor da Universidade de Boston alertando que a “democracia está numa encruzilhada” no Brasil e EUA; na New Republic, com professor da Universidade Brown dizendo que o “Brasil está à beira do autoritarismo”; e na Foreign Policy, com professor da Universidade de Chicago destacando que “o futuro parece sombrio para a democracia em Brasília”.

CARTA ABERTA – O sociólogo espanhol Manuel Castells, da Universidade de Berkeley, divulgou carta aberta a “amigos intelectuais comprometidos com a democracia”, reproduzida em veículos de EUA e Europa. Do texto:

“O Brasil está em perigo. E com o Brasil o mundo, porque após a eleição de Trump, a tomada do poder por um governo neofascista na Itália e a ascensão do neonazismo na Europa, o Brasil pode eleger um fascista, defensor da ditadura militar, misógino, sexista, racista e xenófobo. Pouco importa quem é seu oponente… Numa situação assim, nenhum intelectual, nenhum democrata pode se manter indiferente.”

MEIO AMBIENTE – No rastro de editorial na Science e artigo na Nature, agora a New Scientist questiona o líder na eleição brasileira, que “quer abandonar o tratado sobre o clima”. Vai além, escreve Fabiano Maisonnave no Guardian:

“Fim do acordo de Paris. Fim do Ministério do Meio Ambiente. Uma estrada pavimentada cortando a Amazônia. Não só isso. Territórios indígenas abertos à mineração. Relaxamento do licenciamento e da aplicação da legislação ambiental. ONGs internacionais como Greenpeace e WWF banidas do país. Uma forte aliança com o lobby da carne”…

E ao longo do dia o agregador Drudge Report (acima), referência da direita americana, postava a chamada “Brasil a um passo de mudança aguda à direita com Bolsonaro”, linkando o Miami Herald.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O jornalista Nelson de Sá é um craque. Muito interessante, instigante e inquietante essa repercussão da próxima vitória de Jair Bolsonaro. Demonstra que os estrangeiros e os antigos brasilianistas não entendem nada de Brasil. A principal explicação para o fenômeno Bolsonaro é que os brasileiros cansaram de corrupção. Somente em segundo plano é que existe fundamento ideológico de direita e esquerda. A maioria silenciosa brasileira é de Centro, até porque não entende nada de política. (C.N.)

Até quando Ciro Gomes continuará a ser vítima descartável do lulopetismo?

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O tempo vai passando e Ciro continua empacado

Francisco Cavalcanti

Com mais de doze milhões de votos recebido nestas eleições, o paulista que se criou no Ceará Ciro Gomes é, inegavelmente, um cidadão brasileiro preparado para exercer qualquer cargo público, inclusive de presidente da República. Tem currículo político testado nas urnas. Capital eleitoral de prefeito municipal a governador de Estado, mandatos de deputado estadual e federal, além de duas passagens em Ministérios da República.

Intelectualmente preparado, conhecedor dos problemas  nacionais e com longa vida pública sem ser citado em ilícitos, uma qualidade que não deveria ser mérito, mas diante da situação que se evidência hoje, ser político ou gestor público ficha limpa é excepcional qualificação.

SEMPRE MANIPULADO – Porém, ao que ser observa, Ciro é sempre manipulado pelo “mui amigo” Luiz Inácio Lula da Silva, que já lhe passou sucessivas rasteiras. São traições que começaram a acorrer a partir do momento em que Ciro aceitou a ser ministro do primeiro governo Lula, 2002/2006.

Foram adversários na campanha eleitoral de 2002, época em que Ciro afirmou que o PT não tem projeto nacional de governo e Lula é incompetente. Tinha respeitável patrimônio eleitoral, em torno de 20% dos votos válidos conquistados nas urnas, mas vacilou quando decidiu apoiar o adversário Lula no segundo turno.

GRANDES TRAIÇÕES – Lula sempre demostrou ser mais sagaz do que pensava Ciro. Com habilidade, Lula o convidou para ser ministro no governo federal e lhe prometeu apoio para ser candidato ao governo de São Paulo, induzindo-o a transferir domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, mas depois deixou Ciro falando sozinho.

Nessas eleições de 2018, engendrou tremenda articulação político-partidária contra a candidatura de Ciro no Nordeste , reduto eleitoral e o candidato do PDT somente venceu no Ceará. Do presídio, Lula articulou a traição contra Ciro em benefício do seu candidato Fernando Haddad, tornando-o vitorioso no Nordeste.

FIDELIDADE – Essa última traição de Lula tirou Ciro Gomes do segundo turno de 2018. Era o único candidato que tinha possibilidade de ameaçar a estabilidade eleitoral de Jair Bolsonaro em segundo turno.

Por ser uma continuada vítima, estranha-se hoje o porquê de Ciro Gomes permanecer fiel ao petista, mesmo dizendo ter “compromisso ” com a Democracia. Haddad já afirmou – “se eleito, vou trazer de volta o governo Lula “. Isso não é nada democrático, segundo o seu programa de governo.

Então, não haverá espaço para quem já está acostumado a ser traído e permanecer na goteira. Petista é sempre petista e obedece aos dogmas pragmáticos de Lula. Ciro será sempre uma vítima descartável no lulopetismo.

Explicações de Guedes são ardilosas e tentam encobrir prejuízos dos fundos

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Fundos tiveram altas perdas ao aplicar com Guedes

Carlos Newton

Não adianta culpar o repórter Fábio Fabrini, da Folha, que estava apenas fazendo seu trabalho. A denúncia contra o economista Paulo Guedes, mentor da política econômica do candidato Jair Bolsonaro (PSL) é procedente, as provas são abundantes e o jornal O Globo já teve acesso aos mesmos documentos em que se baseou a reportagem do jornal paulista. A investigação é conduzida pela Força-Tarefa da Operação Greenfield, que investiga fraudes em fundos de pensão em todo o país e foi aberta com base em relatórios da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) que apontam graves irregularidades em aplicações feitas por fundos de pensão em dois fundos de investimentos criados pela BR Educacional Gestora de Ativos, empresa de Paulo Guedes.

A força tarefa é formada pela Procuradoria-Geral da República, Polícia Federal e Receita, e a investigação não é de brincadeira. As transações foram feitas a partir de 2009 com executivos dos fundos que foram nomeados por indicação do PT e do MDB, dois partidos adversários da chapa Bolsonaro, os quais são investigados atualmente por desvio de recursos desses fundos.

NOTA OFICIAL – O economista Paulo Guedes divulgou nesta quarta-feira uma nota oficial em que tenta se livrar das acusações de fraudes e corrupção no relacionamento com sete fundos de pensão, entre eles o Previ (Banco do Brasil), o Postalis (Correios), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa), além do BNDESPar —braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Escrita de forma ardilosa, a nota alega que Guedes “não exerce qualquer cargo ou função tanto na Gaec Educação, quanto na HSM, desde 22 de outubro de 2014”, como se isso o isentasse de participação, mas acontece que as ilegalidades ocorreram muito antes disso, quando o economista ainda dirigia as empresas, pois a Gaec era controlada pela BR Educacional Gestora de Ativos, que tinha Guedes como acionista majoritário.

R$ 1 BILHÃO – As investigações da força-tarefa, que vêm sendo feitas desde 2016, concluíram que, no período de seis anos, Guedes captou ao menos R$ 1 bilhão desses fundos de pensão.

Agora, as investigações criminais apuram se foram cometidos os crimes de gestão fraudulenta ou temerária, emissão e negociação de títulos sem lastros ou garantias em dois fundos criados por Guedes – o FIP Brasil de Governança Corporativa e o FIP BR Educacional, que captaram R$ 1 bilhão junto aos fundos de pensão. Os dois FIPs eram gerenciados pelo próprio Guedes.

Chamou a atenção dos investigadores o fato de os quatro maiores cotistas dos FIPs na época serem exatamente os fundos de pensão que estavam sob gestão de dirigentes ligados a PT e MDB  e já investigados na Greenfield por suspeita de fraudes em outras operações.

GUEDES EM CENA
– As principais irregularidades envolvem os aportes no FIP BR Educacional, que no primeiro ano aplicou todo o dinheiro recebido dos fundos de pensão na HSM Educacional (que posteriormente passou a se chamar BR Educação Executiva), que tinha Paulo Guedes como um dos membros de seu Conselho de Administração e amargou prejuízos nos anos seguintes.

Conforme assinalamos ao transcrever a reportagem da Folha, as irregularidades envolvendo Guedes já eram conhecidas, mas a força-tarefa ainda estava nas investigações preliminares, que abordam apenas a gestão financeira. Agora já estão em curso as investigações criminais, para que possa haver a denúncia e o processo.

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P.S.
Para poupar Bolsonaro de irregularidades que não tiveram sua participação, Paulo Guedes deveria mostrar que é amigo do candidato do PSL e pedir para sair, como se diz atualmente. E já vai tarde…Dizer que os fundos lucraram 300% é Piada do Ano. Se tivessem lucrado, nem haveria inquérito, é óbvio. (C.N.)

FMI sugere que o Brasil congele os salários nos próximos cinco anos

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O Fundo Monetário Internacional – reportagem de Alvaro Fagundes e Sérgio Lamucci, Valor de ontem – agravou suas críticas à política fiscal do Brasil acentuando que em 2023 vai atingir em torno de 100% do PIB. Hoje, o endividamento está perto de 88% do PIB. Portanto, a pergunta que se faz é em que patamar se encontra a dívida nominal existente. Considerando-se que este ano de 2018 o PIB se mantenha em 6,6 trilhões de reais, verifica-se que o montante da dívida eleva-se às nuvens, registrando mais de 4 trilhões em valores nominais absolutos.

O FMI propõe ao governo de Brasília que congele pelo prazo de cinco anos os vencimentos do funcionalismo federal e os salários dos servidores das empresas estatais.

ESTRANHEZA – Sem dúvida, é estranha essa proposta, uma vez que nem por isso os preços administrados vão deixar de subir no quinquênio abrangendo os exercícios de 2019 a 2024. Inclusive fica-se sem saber se o FMI, no seu estudo, levou ou não em conta o salário mínimo nacional.

Sobretudo, porque a lei em vigor determina ajustar o piso mínimo à base da inflação oficial somada ao crescimento do PIB. No Brasil 1/3 da mão de obra ativa recebe mensalmente um salário mínimo.

DESEMPREGO – A questão do emprego é o maior desafio para o próximo governo, uma vez que, se houver congelamento de salários, a contribuição para o PIB vai também ser afetada, ficando contida numa parcela menor ainda de sua presença nos cálculos do Fundo Monetário Internacional.

Uma coisa leva consigo a uma outra parte menos visível para a opinião pública. E trata-se de uma matéria importante em relação a qual Jair Bolsonaro e Fernando Haddad devem se manifestar ao longo do espaço de tempo que termina a 28 de outubro. Isso porque a dívida bruta do país aumenta à medida em que, para a rolagem do total de hoje, a juros de 6,5%, a cada ano são emitidas novos papeis do Tesouro no esforço em vão para impedir um crescimento ainda maior da dívida.

100% DO PIB – O FMI estima que em até 2023, mantido o ritmo atual, o endividamento brasileiro chegará 100% do PIB. Curioso é acentuar que o FMI não inclui em seu projeto a cobrança das dívidas que empresas possuem junto ao governo e também com a Previdência Social.

Por que o FMI não se preocupa com o lado das empresas e só focaliza as folhas de pessoal?

Manipulação da informação e o boicote à candidatura de Jair Bolsonaro

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Charge de Ivan cabral (ivancabral.com)

Percival Puggina

Das empresas de comunicação se deve esperar mais do que um conjunto de manipulações e menos do que um pacote de ocultações. O consumidor da notícia, das matérias, tem direito de ser bem informado sobre assuntos de relevante interesse social. O público sabe que muitos veículos preferiam ver Bolsonaro em qualquer lugar, menos no topo da preferência dos eleitores.

Por isso, reservaram espaços diários para atacá-lo e, por isso, tantos jornalistas, esquecendo-se dos demais candidatos, dedicaram horas de expediente a comentários negativos, muxoxos, sorrisos, ironias e mistificações. Em contrapartida, silêncios coniventes cercam a vida e a obra de Fernando Haddad; ocultam seus livros e sua confessada adesão à Escola de Frankfurt, círculo de intelectuais que se dedicaram à tarefa de viabilizar o marxismo no Ocidente cristão mediante a dissolução dos fundamentos de sua cultura.

REFUNDAÇÃO – Até seu alarmante Plano de Governo passa batido! Não faz jus a uma perguntinha sequer ao candidato a proposta de uma “Refundação Democrática do Brasil” mediante nova constituinte, notícia que evoca o processo venezuelano, inclusive pela ênfase à “soberania popular em grau máximo”. E note-se: Haddad, em recente entrevista a O Globo, atribuiu à oposição a crise da Venezuela. Disse (sic):

“A Venezuela não vive um processo de normalidade, não vive. Por que há contestação sobre o ambiente democrático, não se reconhece resultado eleitoral, a oposição contesta quando um plebiscito é chamado, as eleições não são respeitadas. O clima alí é de conflagração. Inequívoco.”

Pelo jeito, esse estrabismo ideológico do candidato faz sentido e não põe em dúvida o discernimento de um aspirante à cadeira presidencial. Afinal, é Bolsonaro quem constitui risco à democracia…

Voltemos, porém, ao Plano de Governo descartado das pautas dos grandes veículos como se afasta do caminho e da visão uma inconveniente barata seca. Nem uma palavra sobre a proposta de um Programa Transcidadania que anuncia a concessão de bolsas de estudo para travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade (note-se que o motivo da concessão não é a vulnerabilidade, mas a condição transexual). Silêncio! Desinteressante, também, pelo jeito, a proposta de uma Nova Política sobre Drogas, mediante descriminalização e regulação do comércio.

TERRÍVEL HERANÇA – A apreensão em relação à posição eleitoral de Bolsonaro leva muitos veículos a esquecerem dos riscos inerentes ao retorno petista à cena do crime. Obscurece a terrível herança deixada por um governo que atuou ininterruptamente entre 2003 e 2016. Não permite ver, no Plano de Governo de Haddad, a ressureição do famigerado PNDH-3, a ser “resgatado e atualizado”, nem a promessa de implementar as recomendações da Comissão Nacional da Verdade.

O PNDH-3 (2010), para lembrar, desfigurava a democracia representativa, o Poder Judiciário, o direito de propriedade, a religiosidade popular, a cultura nacional, a família e a liberdade de imprensa. Numa tacada, liberava o aborto, mudava para pior o Estatuto do Índio, valorizava a prostituição e se intrometia em temas que iam da transgenia à nanotecnologia. Já a Comissão da Verdade, aquela com sete membros escolhidos por Dilma, entre os quais não havia qualquer historiador, foi mais um dos muitos meios pelos quais o PT quis maquilar-se como defensor da democracia (desde que não se mencione Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, Nicarágua, Muro de Berlim etc.).

Nada disso, porém, interessa a setores da imprensa. Pode até parecer que são apenas livros e ideias no papel. Contudo, as ideias não são do papel.

Teses dos generais que apoiam Bolsonaro mostram influência da geopolítica

Generais

Em alta, Augusto Heleno, Oswaldo Ferreira e Aléssio Souto

Marcelo Godoy
Estadão

As monografias na Escola de Comando e Estado-Maior dos generais que acompanham Jair Bolsonaro mostram a influência da geopolítica na formação desses oficiais. Aléssio Ribeiro Souto estudou novas tecnologias que deviam ser desenvolvidas no País. Seu trabalho defende obrigar as empresa beneficiadas por medidas governamentais a investir em pesquisa científica. Pede a concessão de benefícios para que empresas possam “penetrar no mercado internacional” e a criação de centros integrados de empresas, universidades e governo. “É imperioso considerar Ciência e Tecnologia mais uma expressão do Poder Nacional”, escreveu.

Oswaldo de Jesus Ferreira dedicou-se a estudar a matriz energética da América Latina. Preocupado em aproveitar melhor os recursos hídricos e evitar “desflorestamentos”, ele defendeu em 1991 a necessidade de o País ampliar a exploração de petróleo em águas profundas. Augusto Heleno Ribeiro Pereira escreveu sobre a Guerra do Chaco, entre a Bolívia e o Paraguai, e a influência estrangeira no conflito.

RELAÇÕES DE PODER – Um ponto em comum une os trabalhos: a análise de como os processos políticos e as características geográficas influenciam as relações de poder entre as nações e a sociedade. São todos ligados à geopolítica pensada por generais como Carlos de Meira Matos e Golbery do Coutto e Silva.

Não é à toa que o general Aléssio concluía então que, entre as estratégias necessárias para desenvolver tecnologias de ponta no País, estava a de “mobilizar a vontade nacional”. Não dizia, em sua tese, como. Hoje o staff de Bolsonaro já sabe o jeito de fazer isso: por meio das redes sociais.