Freud explica por que as pessoas defendem com tanto empenho opiniões erradas

Resultado de imagem para discussões inuteis + freud chargesSilvia Zanolla

Segundo Freud, o caráter narcisista é reconhecido pela supervalorização de seu próprio pensamento. A manipulação é seu modus operandi. E o pior, isso leva á tentativa de aniquilamento do outro em projeção autodestrutiva. O autoritário tenta de qualquer modo obstaculizar o outro/diferente, nem que para isso o aniquile, simbolicamente, ou literalmente. Devido a esse funcionamento se propagam atitudes preconceituosas e fanáticas (que não são privilégios apenas de religiões ou partidos, mas, de qualquer tipo de racionalidade extremada).

Aceitar o outro não representa subserviência; ao contrário, significa caráter, ética (se colocar no lugar do outro), personalidade.

Mas não é fácil manter a identidade, o pensamento crítico, não se submeter sem indiferenciar-se, misturar-se à multidão contagiada pelo “pensamento unidimensional”…

HÁ LIMITES – Qual é o limite entre manter a identidade e projetar frustrações e expectativas irreais no outro? Isso daria uma bom debate.

Às vezes imagino carinhosamente um dia encontrar cada um dos comentaristas habituais da Tribuna da Internet e passar momentos em um despretensioso e agradável bate-papo.

Mesmo não os conhecendo, vejo muitas qualidades em cada um que aqui comenta. Por outro lado, é impossível não se ver diante de problemas quando se administra tal empreitada.

Freud dizia (mais uma vez): existem três fontes de sofrimento para o ser humano em geral:

1) o ser humano envelhece e o corpo perece;
2) o ser humano morre;
3) E (segundo ele, o pior de todos) o ser humano convive socialmente.

Entretanto, o mestre do inconsciente afirma categoricamente que embora a convivência social seja a maior fonte de sofrimento na sociedade, se negarmos esta convivência, se fracassarmos ao tentar lapidar as relações pessoais, o nosso futuro é um só: o adoecimento.

Mais dois deputados petistas na lista de Janot, revela a revista Época

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Zarattini, líder do PT, também está envolvido

Deu em O Tempo

Mais dois deputados federais compõem a chamada “lista de Janot” – relação de pedidos de investigação encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot. Segundo a coluna “Expresso”, da revista “Época”, os petistas Carlos Zarattini e Vicente Cândido, ambos de São Paulo, também fazem parte dos alvos do Ministério Público Federal (MPF) por suspeita de envolvimento com o esquema de corrupção instalado na Petrobras.

Zarattini é líder do PT na Câmara. Os dois petistas seriam acusados de receber dinheiro da Odebrecht em troca de ajudar a empreiteira a conseguir financiamento para construir um prédio comercial na capital paulista. Os parlamentares estão entre os principais articuladores da anistia ao caixa 2 na Câmara.

44 NOMES – Até agora, 44 nomes da lista de Janot vazaram para a imprensa, incluindo seis ministros do governo de Michel Temer, dois ministros do Tribunal de Contas da União, cinco governadores, além de senadores e deputados federais de vários partidos. Conforme a coluna “Expresso”, o senador mineiro e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, é o campeão de citações.

Mas o total de alvos de pedido de investigação no Supremo pode passar de cem. São políticos com foro privilegiado que foram citados por Janot em 83 pedidos de abertura de inquérito. As caixas de documentos encaminhadas por Janot na última terça-feira ao STF só devem chegar nesta segunda-feira (20) ao gabinete do ministro Edson Fachin, relator das ações da Lava Jato no Supremo. Caberá a ele, num primeiro momento, analisar o pedido de quebra de sigilo dos documentos feito por Janot, o que deve demorar de três a dez dias. Depois, Fachin vai analisar caso a caso e decidir se arquiva ou dá prosseguimento às investigações.

APREENSÃO – A atmosfera do mundo político de Brasília é de total apreensão desde a última terça-feira. A expectativa de que a lista de Janot confirme a citação a parlamentares, ministros de Estado e governadores de partidos das mais distintas matizes deixou expoentes da República na defensiva. Nos holofotes, os alvos procuram minimizar os efeitos da divulgação da lista.

Ministro Barroso condena filha e genro de Fachin por litigância de má fé

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Na forma da lei, Barroso não aliviou a griffe Fachin

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), condenou à multa de um salário mínimo, por litigância de má-fé, os advogados Melina Girardi Fachin, Marcos Alberto Rocha Gonçalves e Carlos Eduardo Pianovski, do escritório Fachin Advogados Associados. Melina é uma das duas filhas do ministro Edson Fachin, colega de Barroso no STF. Gonçalves é casado com Melina.

Na entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, por telefone, Gonçalves disse que achou “errada” a decisão de Barroso, e que “faria tudo de novo”. Disse, também, que Melina não iria falar a respeito. Dois dias depois mandou uma nota: “Nosso escritório é tratado no STF e em todas as cortes como qualquer outro. Sem privilégio ou preconceito e é assim que deve ser. Decisões favoráveis e desfavoráveis fazem parte do trabalho de todo advogado.” Procurados, os ministros Edson Fachin e Luis Roberto Barroso preferiram não se manifestar.

RECLAMAÇÃO – A decisão do ministro Barroso foi tomada na Reclamação 23959/Paraná, em 24 de maio do ano passado. Representando a Itaipu Binacional, cliente do escritório, os três advogados reclamaram ao Supremo de um acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Este acórdão rejeitou um recurso especial dos advogados (número 1.239.899, também em defesa da Itaipu Binacional).

Eles alegaram ao STF, entre outras razões, que o STJ “usurpara competência do Supremo”. Barroso arguiu, em sua decisão, a “manifesta inviabilidade” da reclamação. Primeiro, explicou, pela perda do prazo. E, segundo, por não terem juntado aos autos peças essenciais, como o acórdão recorrido.

São erros primários no exercício da advocacia. Depois de negar seguimento à reclamação, Barroso considerou “que o uso de meios processuais manifestamente inadmissíveis gera efeitos danosos à prestação jurisdicional, tomando tempo e recursos escassos desta Corte, causando, ainda, prejuízos à parte contrária”. Então, condenou os reclamantes ao pagamento de multa por litigância de má-fé. Não houve recurso por parte dos advogados, e o caso transitou em julgado em 21 de junho do ano passado.

MULTA É PRAXE – Na nota enviada à reportagem, Marcos Gonçalves, o genro de Fachin, afirma que “a parte reclamante condenada (a Itaipu Binacional) não se confunde com a esfera subjetiva dos advogados que a defendem”. Diz, ainda, que “a aplicação da multa é imposta pela lei, diante do entendimento de que o meio processual intentado é inadmissível; não se confunde com juízo de valor comportamental”. Diz, ainda, que o texto da decisão de Barroso é idêntico a “dezenas de decisões” de sua relatoria.

O Fachin Advogados Associados atua na causa, pelo governo do Paraguai, sócio da Itaipu Binacional, desde 2003. É um caso complexo em que se discute se a hidrelétrica, com sócio estrangeiro, deve ou não ser fiscalizada pelo TCU.

Foi a atuação de Edson Fachin, lá atrás, que conseguiu levar o caso para o STF, muito antes que ele sequer pensasse que um dia chegaria lá. Quando foi indicado, em 2015, surgiu a denúncia de que não poderia ter atuado no caso por ser servidor federal concursado. O candidato a ministro provou, então, que uma lei federal validava sua atuação. Quando assumiu o Supremo, o caso, como os demais em que atuava, foi herdado pelo Fachin Advogados Associados. Até hoje tramita por lá.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É mais uma saia justa no Supremo. O caso mostra que Barroso agiu acertadamente e cumpriu a lei. Mostra também que Fachin não deu pitaco na questão e está fazendo muita falta ao escritório que ainda leva seu nome, em Curitiba, e defende o Paraguai contra o Brasil. (C.N.)

Está insuportável a baixaria entre comentaristas deste Blog

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Charge do Arcadio (site Humor Político)

Carlos Newton

É horrível essa baixaria que ocorre entre comentaristas. É muito trabalhoso editar um blog deste porte, destinado a debater assuntos políticos, econômicos e sociais em alto nível, 365 dias ao ano, e ficar perdendo tempo a procurar e deletar ofensas trocadas entre comentaristas, simplesmente porque um não admite a opinião do outro.

Uma das maiores qualidades da democracia é a tolerância ideológica, com a preservação do direito de expressar livremente opiniões. Mas parece que muitos comentaristas desconhecem a existência dos princípios democráticos, que são garantidos neste blog por um comunista assumido, que sabe o que significa ser perseguido politicamente. Por mais estranho que isso possa parecer a muitos comentaristas, é possível ser comunista democrata, comunismo não é sinônimo de ditadura, isso é uma balela ridícula. Marx e Engels não eram adeptos de ditaduras, assim como Sócrates e Cristo também jamais o foram. E se estivessem vivos, nenhum deles apoiaria esse tipo de capitalismo impiedoso que ainda é praticado no Brasil.

Aceito e respeito as opiniões políticas dos outros, contrárias à minha, também aceito ser ridicularizado, raramente respondo às ofensas, e acredito que este blog seja um exemplo de tolerância e convivência suprapartidária. Por isso peço aos comentaristas que parem com as ofensas e se deem ao respeito.

Para quem não aceita a opinião dos outros, há um número imensos de blogs, sites e portais sectários, que defendem a versão política do genial “Samba de uma nota só” (Tom e Newton Mendonça), cada um na sua ideologia, mas acabam executando o “Samba do crioulo doido” (Sérgio Porto), sem perceberem que democracia é algo muito diferente do que eles pregam.

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PSEm função da baixaria politicamente correta que impregna o país e já chega a ponto de condenar as mulatas do João Roberto Kelly, agora a genial composição de Sérgio Porto tem de ser intitulada “Samba do afrodescendente portador de necessidades especiais”. (C.N.)

Norberto Bobbio era um sábio

Resultado de imagem para norberto bobbioSebastião Nery

ROMA – Tinha nome de nuvem e era um sábio. Norberto Bobbio foi o mais notável pensador político e social aqui da Itália no século passado. Estudava sua terra e sua gente com a profundeza dos sábios. – “Deixo para os fanáticos, aqueles que desejam a catástrofe, e para os insensatos, aqueles que pensam que no fim tudo se acomoda, o prazer de serem otimistas. O pessimismo é um dever civil porque só um pessimismo da razão pode despertar aqueles que, de um lado ou de outro, mostram que ainda não se deram conta de que o sono da razão gera monstros”.

Passando para o Brasil, o pensamento de Norberto Bobbio se traduz no monstro da maior recessão econômica da história republicana no pais. A catástrofe foi construída ao longo de anos, com a omissão da maioria da sociedade, em todos os níveis. Cultivou um otimismo marqueteiro sem se dar conta do que mostrava a realidade.

MUITA ENGANAÇÃO – A ilha da fantasia, sustentada no voluntarismo ideológico e pelo aparelhamento da administração pública, marginalizava a meritocracia, ampliando os poderes de um estado perdulário onde “nós” e “eles” foi erigida à filosofia de governabilidade. O corporativismo empresarial e sindical tomou conta do poder surfando no privilégio e na onda de notícias plastificadas, enganadoras da opinião pública.

Ao final de uma década o cenário da realidade eclodiu como um “tsunami”. Recessão econômica de três anos, déficit público em nível recorde, dívida pública multiplicada, taxa de juros incontrolável, inflação mais do que o dobro da meta primária, carga tributária crescendo e sugando a produção e desemprego atingindo mais de doze milhões de trabalhadores. A ilusória popularidade, apoiada pela maioria da sociedade deixou como herança uma economia em frangalho. O que fazer para retirar o País dessa realidade dolorosa?

HOUVE ADVERTÊNCIA – Não foi por falta de advertência. O economista e professor paranaense Hélio Duque advertiu a tempo:

– “É preciso despertar do sono da razão e entender que o atual governo, também responsável pela situação de caos econômico, por integrar pela sua maioria a base de sustentação dos governos Lula e Dilma, passou a enxergar a realidade. Impopular e desaprovado pela maioria da população, vem surpreendentemente propondo reformas básicas para retirar o Brasil da UTI. Se pelo lado político enfrenta cenário negativo, com nefastos personagens do passado, na área econômica promove mudanças estruturais positivas com equipe econômica competente. Destacadamente no Banco Central, na Petrobrás, no BNDES, no Ministério da Fazenda e áreas afins. A aprovação do teto dos gastos públicos, as propostas de reformas da previdência, do setor tributário, na área trabalhista, herdeira da “Carta del Lavoro” de Mussolini e mesmo alteração limitada na vida partidária, são propostas positivas.”

FUNDO DO POÇO – Pode-se afirmar que o fundo do poço da crise foi atingido. Mas exigirá tempo para recolocar o nível em padrão aceitável a uma retomada do crescimento econômico. Felizmente a reação já começa a ser sentida superando o momento de desespero.

O caminho ainda será longo. A prioridade deve ser a retomada do crescimento e o aprofundamento das reformas estruturais. Norberto Bobbio ensinou: Governar é enfrentar a realidade.

Se a carne é fraca, isto só acontece porque a Justiça brasileira também é fraca

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Charge do Sponholz (sponholz.com)

Francisco Vieira

Mais esse triste fato do escândalo do grupo Friboi nos faz lembrar aquela conhecida tese de que “é preciso privatizar todo o país para que os brasileiros deixem de ser roubados”, tantas vezes levantada aqui neste espaço da Tribuna da Internet. Acredito que este novo caso seja mais uma prova de que não é o fato de uma empresa ser estatal ou ser privada que deixará de roubar a população. O que faz os dirigentes de uma empresa, seja pública ou privada, deixar de roubar a população é a existência de um Poder Judiciário ágil e de tribunais não cúmplices de bandidos.

Se os antigos fraudadores do leite tivessem ido para a cadeia, dificilmente essas atuais quadrilhas se atreveriam a cometer o mesmo crime contra a população. Mas aqui no Brasil se insiste na prática de com facilidade colocar criminosos em liberdade, impunes, a pretexto de serem “reinseridos na sociedade” que ajudaram a envenenar ou de roubar, tal qual está acontecendo com a Adriana Ancelmo, mulher e principal cúmplice de Sérgio Cabral.

BRUNO E GEGÊ – Afinal, a Justiça do Brasil só faz medo na primeira instância. Até mesmo o goleiro Bruno e o Gegê, o número 2 da facção o PCC, foram recentemente beneficiados pelo Supremo Tribunal Federal, em flagrante desrespeito à legislação do país, conforme ficou claro nos artigos do jurista Jorge Béja, publicados aqui na TI.

As autoridades e as pessoas que ainda têm alguma voz neste país precisam perceber que manter bandido na cadeia não é “assunto de pobre” ou do programa do Datena, nem coisa de país atrasado. A criminalidade, mais cedo ou mais tarde, acabará atingindo a todos que morem por aqui.

LUGAR DE BANDIDO – Manter bandido na cadeia, seja pobre ou seja rico, é coisa de país civilizado. Manter bandido na cadeia é coisa daqueles países que as autoridades e as pessoas que têm condições financeiras costumam visitar durante as férias, admirar, andar de mãos dadas pelas ruas e comprar produtos com qualidade. É a impunidade que está transformando o Brasil num inferno tropical.

Se eu fosse um líder do crime organizado, minha primeira providência seria infiltrar algum comparsa (ou melhor, vários) no Poder Judiciário (principalmente no Supremo Tribunal Federal), para dar cobertura às minhas ações e dos meus camaradas em nível local e nacional.

Só depois de tal providência é que o crime poderá ser chamado de “organizado”.

Ciro prefere “mil vezes um cara como Bolsonaro do que um farsante como Doria”

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Ciro participou da convenção que reelegeu Carlos Lupi

Igor Gadelha
Estadão 

Pré-candidato à Presidência da República em 2018, o ex-ministro Ciro Gomes afirmou que prefere mil vezes o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) como presidente do Brasil ao atual prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), a quem chamou de “farsante”. Na avaliação de Ciro, o gestor tucano tem feito um governo de “factoide”, de “papo furado”. Em resposta, Doria afirmou que Ciro foi desrespeitoso com a população de São Paulo e “confirmou” sua “instabilidade emocional e desequilíbrio político”.

“Prefiro mil vezes, discordando de tudo como eu discordo do Bolsonaro, um cara como ele do que um farsante como o Doria. Se apresentar como ‘não político’ tendo sido chefe da Embratur no governo Sarney e tendo enriquecido bastante fortemente com dinheiro público dos governos do PSDB. Você tem obrigação de informar os seus leitores com isso. Isso é grave”, afirmou o ex-ministro, em entrevista após convenção nacional do PDT.

“TENHO VERGONHA” – Ciro disse sentir “vergonha” de ter Doria como prefeito de São Paulo. “A gente, numa eleição majoritária, vale pelo que é e pelo que nega. Então, se você acha possível fazer um cara como o Doria presidente do Brasil, vote nele. Agora eu, francamente, tenho vergonha. Vergonha de um camarada desse ser prefeito de São Paulo”, afirmou o ex-ministro, que foi eleito primeiro vice-presidente nacional do PDT neste sábado.

“Eu, por exemplo, sei o que está sendo feito em Fortaleza em matéria de escola, de qualificação da gestão da saúde, em matéria de políticas públicas gerais para a comunidade. E em São Paulo é só factoide, só papo furado. Um camarada daqueles no Ceará jamais seria eleito a coisa nenhuma. Porque lá a gente chama isso de palhaçada”, disse o pedetista, chamando a imprensa de “descuidada” por não informar os eleitores sobre Doria.

O nome do prefeito de São Paulo passou a ser cogitado para ser o candidato do PSDB à Presidência em 2018 após pesquisas revelarem boa avaliação da sua gestão. Além disso, há entre os tucanos uma avaliação de que, com o avanço da Operação Lava Jato sobre outros pré-candidatos da sigla ao Palácio do Planalto, como o senador Aécio Neves (MG), Doria seria o nome do partido com mais chances de ser eleito presidente da República.

GOVERNO DE CANALHAS – Na entrevista, Ciro também disparou contra o presidente Michel Temer (PMDB), a quem chamou de “canalha”.  “Esse governo está propondo tudo contra o povo. E eles querem isso aí. Por quê? Porque está no meio da Lava Jato. Esse é um governo de canalhas, isso afirmo categoricamente, chefiado por um canalha, um governo de canalha, de ladrões, de marginais que conheço a mil anos”, afirmou o ex-ministro.

Para o pedetista, o governo Temer não tem legitimidade para tratar de nenhuma reforma estrutural no País. Na convenção deste sábado, o PDT decidiu fechar questão contra as reformas da Previdência e trabalhista. Ciro disse ser favorável a sistema eleitoral de lista fechada e financiamento público de campanha, mas afirmou ser contra fazer essas mudanças neste momento, em meio à Operação Lava Jato.

ANARQUIA COMPLETA – “Eles querem agora fazer uma anistia ao caixa 2, inclusive com um magistrado da mais alta Corte do País elaborando tese sobre isso, em linha com que políticos estão falando. O que é isso? O País está vivendo uma anarquia completa”, afirmou, referindo-se ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

Na última quarta-feira, 15, o ministro se reuniu no Palácio do Planalto com o presidente Michel Temer e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para tratar da reforma política. No mesmo dia, Gilmar ofereceu um jantar em comemoração ao aniversário do senador José Serra (PSDB-SP), um dos tucanos citados na Lava Jato. Para Ciro, o jantar é uma “aberração”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
E lá vem o Ciro outra vez, 15 anos depois de ter jogado fora sua eleição à Presidência. Agora, ele aproveita o que resta do PDT de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, um partido importante que Carlos Lupi, político profissional sem voto, transformou num feudo pessoal. Neste sábado, Lupi foi reeleito para mais um mandato de presidente do PDT. É a única eleição que ele consegue ganhar. (C.N.)

Delação da Odebrecht que atinge Aécio Neves envolve repasse de R$ 50 milhões

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Bela Megale e Mario Cesar Carvalho
Folha

O ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht e outros executivos do grupo disseram em acordo de delação premiada que acertaram junto com a Andrade Gutierrez o repasse de R$ 50 milhões ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) após vencerem o leilão para a construção da hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia, em dezembro de 2007. Executivos que complementaram o depoimento de Marcelo afirmaram que a Odebrecht se comprometeu a pagar R$ 30 milhões, enquanto a Andrade Gutierrez se encarregou dos R$ 20 milhões restantes.

Os delatores não esclareceram se os valores alegados foram efetivamente pagos, segundo a Folha apurou. Também não falaram em propina para descrever o acerto com Aécio.

SOB SIGILO – Os depoimentos, ainda sob sigilo, embasaram pedidos de inquérito feitos na semana passada pela Procuradoria-Geral da República contra diversas autoridades. No caso de Aécio, por ele ter foro privilegiado, a solicitação foi feita ao relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, que ainda não deu essa autorização.

Caso o inquérito seja autorizado, começa a fase de colheita de provas. Havendo indícios, a PGR oferece uma denúncia, que, se aceita pela Justiça, torna o investigado réu, dando início a um processo que culminará em julgamento.

O tucano afirma que “é absolutamente falsa a pretensa acusação”.

ATRAVÉS DA CEMIG – À época do leilão da usina Santo Antônio, no rio Madeira, em 2007, Aécio, embora fosse um dos principais nomes de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que licitou a usina em Rondônia, estava no seu segundo mandato como governador de Minas Gerais e tinha sob seu comando uma das empresas que integravam o consórcio que ganhou a disputa, a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). A empresa de energia é controlada pelo governo mineiro até hoje.

Embora fora do governo federal, o tucano também mantinha influência sobre o principal investidor da usina, a empresa Furnas, que é a maior acionista da Santo Antônio Energia, com 39% do capital. Odebrecht e Andrade Gutierrez detêm, respectivamente, 18,6% e 12,4% das ações. Um fundo da Caixa Econômica Federal controla 20%, enquanto a Cemig tem 10%. A construção da hidrelétrica custou R$ 20 bilhões.

Essa relação é apontada por políticos como o ex-deputado Roberto Jefferson e o ex-senador Delcídio do Amaral, além de um lobista do PT que foi preso pela Lava Jato, Fernando Moura.

FURO DA FOLHA – A informação de que a usina de Santo Antônio surgiria na delação da Odebrecht ligada a Aécio foi antecipada pela colunista da Folha Mônica Bergamo na quinta-feira (16).

Marcelo e outros executivos da Odebrecht afirmaram aos procuradores da Operação Lava Jato que as empresas decidiram fazer o acerto com o tucano porque queriam ter uma boa relação com as duas sócias da usina sobre as quais Aécio tinha influência – ou seja, Furnas e Cemig.

Se houvesse problemas com essas empresas durante a construção da hidrelétrica, o tucano poderia ajudar a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, segundo o que disseram os delatores.

Ainda pesou o fato de que a Odebrecht via no tucano um político em ascensão. Marcelo afirma que representantes de Aécio diziam que os pedidos eram descritos como contribuições para o PSDB.

PROPINA OU EXPECTATIVA? – Os delatores não usam o termo propina no relato que fazem. Na interpretação de procuradores da Lava Jato, o acerto foi selado com expectativa de contrapartida.

Após deixar o governo de Minas Gerais em 2010, Aécio elegeu-se senador pelo Estado e foi candidato à Presidência da República em 2014, quando perdeu para a petista Dilma Rousseff por uma diferença de 3,5 milhões de votos (cerca de 3,3 pontos percentuais).

Atualmente, ele preside nacionalmente o PSDB e é um dos potenciais candidatos do partido à eleição presidencial de 2018.

OUTROS DELATORES – O ex-presidente da Odebrecht é o terceiro dos colaboradores da Operação Lava Jato a associar o nome de Aécio a Furnas. Antes dele, o doleiro Alberto Youssef e Delcídio disseram ter ouvido comentários de terceiros sobre a suposta relação entre o hoje senador tucano e a estatal federal de energia durante o governo federal petista.

O tucano nega que tivesse qualquer tipo de influência sobre Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, apontado como seu aliado na estatal.

O relato do acerto financeiro para beneficiar Aécio no caso de Santo Antônio é um dos temas que serão abordados na complementação que a Andrade Gutierrez terá de fazer de sua delação, em razão das novas acusações feitas pela Odebrecht em sua delação premiada. Procuradores avisaram representantes da empreiteira de que todos os detalhes sobre a usina terão de ser esclarecidos.

AINDA PROTESTA – O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse em nota enviada à Folha que “é absolutamente falsa a pretensa acusação” de acerto com as empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez. Na nota, o tucano afirma que “não é apontado nenhum ato ilícito que teria sido cometido pelo então governador”.

Prossegue a nota: “A licitação da obra da usina de Santo Antônio foi realizada pelo governo federal, sem qualquer influência do governo de Minas”. O senador afirma também que “dentre tantas mentiras que têm sido ditas talvez essa seja a mais fácil de comprovar”. O tucano diz que, se a suposta influência sobre Furnas seria consequência da presença do ex-diretor Dimas Toledo nos quadros da empresa, há um problema de lógica temporal: o diretor mineiro deixou a empresa em 2005, e o leilão de usina Santo Antônio ocorreu em dezembro de 2007.

“Não é possível que acusações irresponsáveis como essa sejam feitas, aceitas e divulgadas sem um mínimo de comprovação. São vazamentos criminosos que precisam ser esclarecidos”, afirma o senador tucano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É só aguardar o recall da delação da Andrade Gutierrez. Se confirmar a propina (não há outra denominação) de R$ 20 milhões, Aécio não terá escapatória (se é que ainda tem). Deve haver registros dos repasses no valor de R$ 50 milhões. É fácil comprovar. A não ser que tenha sido tudo em dinheiro vivo. (C.N.)

Como o governo Temer ensaia desmantelar o BNDES, que é vital para o país

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Renan Truffi
Carta Capital

Há pelo menos 12 anos, os neoliberais brasileiros retumbam um mantra atraente aos ouvidos do mercado financeiro e de bancos de investimento no País: os empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afetam a política monetária brasileira, ou seja, contribuem para elevar os juros e a inflação. Essa tese tem como seu principal expoente o economista Pérsio Arida, ex-presidente do próprio BNDES, do Banco Central e um dos pais dos planos Cruzado e Real. O economista publicou um texto sobre o assunto em 2005, conhecido como “Proposta Arida”, que gerou um intenso debate nos meios econômicos e acadêmicos.

Mas o que era uma proposição controversa começa a ganhar contornos reais na gestão de Michel Temer. Sob o comando do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, o BNDES ensaia passar por uma das mudanças mais profundas de sua história, para privá-lo de vez do papel de indutor do desenvolvimento econômico e social no País.

DEU NO ESTADÃOAs mudanças vieram a público pela via midiática no fim do ano. Na véspera do Natal, O Estado de S. Paulo noticiou que a equipe econômica estaria estudando alterar a forma de cálculo da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). A informação pegou de surpresa até mesmo nomes de expressão do BNDES, como o superintendente de Planejamento da instituição, Fabio Giambiagi, um dos mais ortodoxos neoliberais do banco. Descobriu-se, então, que o tema era tratado por um seleto grupo de diretores sob o comando da presidente Maria Silvia Bastos Marques.

Houve reação interna. No dia 7 de fevereiro, a Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES) reuniu, no Rio de Janeiro, onde o banco está sediado, cerca de 800 empregados, de um total de 2,8 mil, para discutir o assunto em assembleia. Do total presente ao encontro, aproximadamente 600 se posicionaram contra a “forma pouco transparente” com que questões tão importantes estavam sendo tratadas pela direção. Foi a primeira vez que funcionários do banco se mobilizaram por conta de um assunto que não envolvesse questões salariais.

DESFIGURAÇÃOA preocupação dos funcionários é de que as mudanças discutidas pela direção desfigurariam os propósitos e a atuação histórica do BNDES, o que se daria, uma vez alterado o cálculo da taxa de juros cobrada das empresas sobre os empréstimos do BNDES, a TJLP.

Atualmente, a TJLP está em 7,5% ao ano. Esse valor é definido trimestralmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), tendo como parâmetros a meta de inflação e um prêmio de risco. A ideia é vincular a TJLP à taxa das NTN-Bs, ou títulos públicos atrelados à inflação. Na prática, isso acabaria com o subsídio porque a TJLP tenderia a seguir a taxa Selic, que hoje está em 12,25%.

Essa diferença entre as duas taxas é o que a União paga com recursos próprios, por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), para incentivar setores estratégicos da economia brasileira, já que não encontrariam outra fonte de financiamento de longo prazo no mercado.

CONQUISTA HISTÓRICA“O BNDES é uma conquista histórica do povo brasileiro. Se democraticamente for compreendido que a instituição deve sair de cena para deixar o setor financeiro privado assumir as funções de promoção de política de desenvolvimento e política industrial, temos de aceitar”, argumenta a AFBNDES em comunicado aos funcionários. O texto se contorce para não dizer, com todas as letras: se a mudança fosse determinada por um governo democraticamente eleito…

“Que se discuta em eleições futuras o que se espera do BNDES, até mesmo a necessidade de sua existência, mas não podemos aceitar que se esvazie uma instituição dessa importância para o Brasil com campanhas de mídia. Temos a convicção de que nenhum candidato a presidente ganhará eleição prometendo desmantelar o BNDES como indutor do desenvolvimento nacional”, conclui o documento.

IDEIA DE MEIRELLESA repercussão negativa fez com que a presidente Maria Silvia fizesse um aceno aos funcionários, ao colocar dois diretores do BNDES para apresentar as propostas que estavam sendo discutidas a um grupo de empregados selecionados pela AFBNDES. No encontro, os homens de confiança da presidente disseram que as propostas em debate teriam vindo da Fazenda e em termos ainda mais duros, e que a direção do BNDES conseguira amenizá-los em alguns dos pontos.

O governo, entretanto, já vinha dando sinais nessa direção quando anunciou, no ano passado, que o BNDES devolveria cerca de 100 bilhões de reais ao Tesouro para “melhorar as contas públicas”. A medida foi malvista internamente e criticada por alguns segmentos empresariais.

Uma das consequências de atrelar a TJLP à Selic é o BNDES poder vender créditos de financiamentos para bancos e instituições financeiras privadas, a chamada securitização.

OBJETIVO POSITIVO? – A securitização significa que parte da dívida de empresas com o BNDES, por conta dos financiamentos em curso, seria assumida pelo setor privado, em troca de grana. Assim, essas instituições financeiras passariam a receber as parcelas restantes desses mesmos financiamentos. A diretoria do BNDES admitiu, inclusive, enxergar no processo de securitização um dos objetivos “positivos” em um e-mail para os funcionários do BNDES.

“As políticas recentemente anunciadas cumprirão um importante papel de garantir uma transição tranquila, nos próximos anos, entre o modelo de atuação do Banco nos últimos anos e o que está sendo proposto para o futuro”, assume a diretoria na mensagem a que Carta Capital teve acesso.

CONFLITO DE INTERESSESUm dos diretores do BNDES à frente dessas mudanças é Cláudio Coutinho Mendes, responsável pelas áreas de crédito, financeira e internacional. Nomeado por Maria Silvia, ele atuava até então em empresas do mercado financeiro.

O conflito de interesses entre os nomeados no governo Temer e suas carreiras de origem é algo já bastante martelado no pouco tempo de gestão do peemedebista. Marcelo Caetano, secretário de Previdência, foi denunciado no Conselho de Ética da Previdência por também fazer parte do conselho de administração da Brasilprev, empresa de previdência privada que poderia ser beneficiada com a mudança na reforma da Previdência.

Outro ponto importante da possível proposta é oferecer aos bancos e instituições financeiras privadas a utilização do FAT. Hoje, 40% dos recursos arrecadados pelo FAT são direcionados ao BNDES e servem como funding para os financiamentos da instituição. Essa é uma das propostas feitas justamente por Pérsio Arida. Em seu texto de 2005, o economista sugere “leilões em que instituições financeiras privadas competiriam pela aplicação dos recursos do FAT ou do FGTS em setores ou atividades pré-selecionados”, exatamente o que o governo Temer se propõe a colocar em prática.

PROJETO DE LEI? – Há rumores ainda de que essas mudanças poderiam ser apresentadas em formato de projeto de lei ao Congresso. Apesar de essas modificações não precisarem de autorização do Congresso, essa seria uma forma de dificultar que novos presidentes conseguissem reverter os rumos do banco. A estratégia da equipe peemedebista já estava clara com a aprovação de um limite para os gastos públicos, proposta que passou pelo Congresso com o nome de PEC 55, mas que poderia simplesmente ter sido executada pelo governo.

Ainda que essas novidades agradem ao mercado financeiro, o Palácio do Planalto teve de ouvir reclamações de empresários no último encontro do chamado Conselhão, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, na última semana. Segundo a Folha de S.Paulo, Temer ouviu críticas sobre o tal do “caixa travado” do BNDES. A argumentação teria sido de que o banco precisa ter papel mais ativo na recuperação econômica.

INVESTINDO MENOS – Pela primeira vez, desde 2005, o BNDES desembolsou menos de 100 bilhões em um único ano. Foram apenas 88,3 bilhões de reais para projetos de investimento em 2016, ante 136 bilhões de reais em 2015, quando já se registrava queda no montante oferecido ao mercado por conta da crise econômica. Essa insatisfação procede principalmente do setor industrial. E não foi a primeira vez que veio à tona.

Até entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que patrocinaram o impeachment de Dilma Rousseff com direito a pato inflável na Avenida Paulista, agora estariam insatisfeitas com esse movimento do governo federal.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também tem se manifestado de forma crítica à proposta.

NOTA TÉCNICAA Abimaq estudou o assunto e elaborou uma nota técnica em que afirma que a alteração na TJLP, nos moldes que se propõe, aumentaria o custo produtivo em até 4 pontos porcentuais, com forte prejuízo para a indústria nacional.

“Comparando com o custo de um equipamento importado, considerando as taxas que são cobradas lá fora, você conseguiria trazer uma máquina industrial para o País e substituir toda a produção nacional. Você vai destruir todo um parque industrial da indústria nacional”, afirma Maria Cristina Zanella, do Departamento de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq. “O BNDES perde a sua função.”

(reportagem enviada por Mário Assis Causanilhas)

Mel de fruteira, flor de algodão, que cisma em crescer nessa senzala a céu aberto

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Site Poemas & Canções

Os poetas cariocas Marcelo Pacheco e Chico Pereira retratam na letra da música “Nordeste”, as vidas desencontradas que a seca impõe ao nordestino em sua busca, cotidiana, pela sobrevivência e esperança por dias melhores. A música foi gravada pelo grupo Cambada Mineira, em 2000, no CD Cambada Mineira 2, produção independente.

NORDESTE
Amarildo Silva, Marcelo Pacheco e Chico Pereira

Vidas desencontradas
Nesse sol errante
Desfilam em debandadas
Essa gente caminhante
Que reza o ano inteiro pra chover
Abandonados não sei por que
E ainda assim cantam sem saber
Certamente comem não sei o quê
E ainda insistem em sobreviver
Nessa terra ardente
Nesse céu distante do nosso olhar
Sua chuva nunca vem nos molhar
Pra fazer brotar
Vidas, flores, ribeirão
Seus meninos são o limo desse chão
São mel de fruteira, flor de algodão
Que cisma em crescer
Nessa senzala a céu aberto
Nessa fornalha, nesse deserto
Mas esse sertão é um grande país
E suas mulheres serão felizes
Pois ainda sonham, será por que?
Essa gente ainda busca querer
Um caminho, um caminho

Desarmamento e massacre da população civil

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Charge do André, reproduzida do Arquivo Google

Percival Puggina

O mundo do crime declarou guerra ao mundo do trabalho. Nós produzimos e eles tomam nosso ganho – o dinheiro do bolso, o automóvel, a carga do caminhão, o gado no pasto. Guerra na cidade e no campo. Guerra sem dia ou hora de armistício. Não se trava contra o Estado de Direito, que bandido não é doido. Em muitos casos, formam um estado dito paralelo, mas não andam por aí atirando contra quartéis, porque sabem que lá dentro há bala e, de lá, vem bala. Não, eles querem o trabalhador da parada de ônibus, descendo do carro, entrando em casa, saindo do banco. E, não raro, tomam-lhe a vida.

É uma guerra desigual, assimétrica. Enquanto o mundo do crime tem armas, o pessoal do trabalho árduo não dispõe de meios de defesa. Na tese oficial, esse seria encargo prioritário do Estado, mas ele, há muito tempo, jogou no tablado a toalha e a própria vergonha diante de sua impotência.

INOPERÂNCIA DO ESTADO – O mesmo Estado, que tornou impeditiva a posse e o porte de armas pelos cidadãos, apresenta-se à sociedade como um impotente, “mãos amarradas” pelas próprias leis, decisões judiciais, carência de recursos humanos e materiais. Vendo e ouvindo o Estado, dá vontade de parafrasear João Bosco e cantarolar: “Tá lá o Estado estendido no chão… Em vez de reza uma praga de alguém”. Estatisticamente está comprovado: esse Estado não consegue defender o mundo do trabalho.

Em tais condições, quando um lado está armado e o outro indefeso, toda guerra vira massacre. É como ataque de força armada hostil contra população civil desarmada. Deu para perceber a semelhança com as ações do Estado Islâmico? Temos a mesma coisa aqui, de modo fragmentado, mas tão ou mais letal, com 60 mil homicídios anuais e um número várias vezes milionário de “expropriações” ou butins levados a cabo, todo ano, pelas forças vitoriosas do mundo do crime.

BANCADA DA BALA – Se você reclamar, se cobrar o direito ao uso e porte de armas, imediatamente se insurgirão as falanges opiniáticas da esquerda, acusando-o de ser um sanguinário irresponsável, militante pró bancada da bala, uma espécie de Comando Vermelho com sinal trocado. O massacre das vítimas, a impossibilidade prática de promoverem a própria defesa, deveria ser objeto de escândalo como escandalizam as ações do ISIS. Mas aqui é o Brasil e estamos habituados aos necrológios da sociedade nas páginas policiais.

Como escrevi outro dia, ao direito natural da pessoa humana à própria vida corresponde o direito de defendê-la. A proibição do Estado retira-lhe a efetividade, mas por ser ele natural, ele está ali, inerente à condição humana. É direito recusado, mas persiste sendo da pessoa.

APENAS PROTEÇÃO – Se a legislação me permitisse ter e portar armas, eu até poderia, livremente, renunciar a isso. Mas não digo o mesmo do dever de proteger a vida dos meus familiares! Eu, ao menos, não sinto que possa dele abrir mão. É um dever moral, que considero inerente à condição de homem de família, com mulher e filhos sob seu zelo.

Por isso, em nome disso, mais e mais persistente deve ser o clamor nacional por um novo estatuto sobre a matéria. Danem-se as carpideiras de bandidos, os adversários de toda repressão sobre as práticas criminosas e as atitudes suspeitas, os sócios do clube da maconha e otras cositas mas; danem-se os eternos fiscais da polícia, os censores das opiniões alheias, os esquerdinhas militantes de todas as causas erradas. Quem assina este artigo é pacífico mas não é pacifista, não está a soldo de nenhuma indústria de arma, não é homicida em potencial e está indignado, sim, com o que fizeram do Brasil.

Plano contra a Lava Jato é o mesmo, apenas a estratégia é que foi aperfeiçoada

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Charge do Miguel, reproduzida do JC/PE

Carlos Newton

Não há nada de novo. O plano para inviabilizar a Lava Jato, colocado em prática desde o início do governo interino de Michel Temer, não sofreu modificações, somente a estratégia foi alterada. Nas primeiras investidas, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fracassaram totalmente quando tentaram aprovar a anistia ao caixa dois eleitoral (para poupar parlamentares e governantes), a mudança na Lei da Leniência (para isentar as empresas) e a Lei do Abuso de Autoridade (para intimidar juízes, procuradores, promotores e delegados). Deu tudo errado no primeiro round – ou assalto, melhor dizendo.

No segundo assalto, o Planalto e a bancada da corrupção convocaram um novo treinador, com fama de especialista na matéria, chamado Gilmar Mendes, que resolveu mudar a estratégia e usar como cortina de fumaça o aumento de recursos para financiar a campanha eleitoral. A adesão dos parlamentares, obviamente, foi ampla, geral e irrestrita.

APOIO CONSENSUAL – Não há parlamentar que recuse patrocínio para fazer campanha. E o ministro Gilmar Mendes, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, acenou com dois argumentos verdadeiramente irresistíveis. Não somente ofereceu a volta do patrocínio de empresas, como também sugeriu a aprovação de um projeto para garantir maior volume de financiamento público, através de um fundo a ser criado.

Resistir, quem há de? Mas na verdade o plano anunciado por Gilmar Mendes abrangia era um ardil e encobria uma reforma total, a começar pelo rejeitadíssimo voto em lista fechada, que foi anexado como irmão xifópago do financiamento público.

Na empolgação do samba-enredo, o presidente do TSE nem levou em conta o carnaval passado. Na última discussão sobre reforma política na Câmara, dia 26 de maio de 2015, quando eram necessários 308 votos para aprovar o voto em lista fechada, somente 21 deputados foram favoráveis. E o próprio Rodrigo Maia, que hoje defende entusiasticamente esse estranho voto em lista, votou contra, junto com outros 401 deputados.

ESPERANÇA VÃ – Portanto, os articuladores da atual reforma (leia-se: Planalto, Gilmar Mendes e bancada da corrupção, nesta ordem) achavam que, menos de dois anos depois, poderiam mudar o voto de 287 deputados, vejam como são delirantes. E na mesma balada, contavam aprovar também a anistia ao caixa dois eleitoral, a isenção de punições aos partidos políticos por irregularidades, a Lei do Abuso de Autoridades e até mesmo a reforma da Lei de Leniência, para dar um alívio às empreiteiras, ufa!

E se houvesse facilidades, aprovariam também a fixação de um prazo-limite para autorização judicial às escutas telefônicas e outras coisitas mais, porque essa gente realmente não conhece limites.

FORO PRIVILEGIADO – Quanto ao maior problema jurídico brasileira, o foro privilegiado, que protege mais de 40 mil autoridades políticas e administrativa, o ilustre ministro Gilmar Mendes fez uma apaixonada defesa dessa prerrogativa, no último dia 6, numa palestra em São Paulo. A partir de então, refluiu e não deu mais uma palavra, está mais omisso do que fiscal de frigorífico.

Acontece que a realidade é muito mais imaginativa do que a ficção tramada no recôndito dos gabinetes. Até a segunda-feira passada, dia 13, apenas 9 senadores haviam assinado o pedido de urgência para votar o fim do foro privilegiado, uma emenda de Álvaro Dias (PV-PR). De terça a sexta-feira, num esforço extraordinário de Dias e do relator da emenda constitucional, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), eles conseguiram fechar as 41 assinaturas necessárias para colocar em votação a emenda.

ENTRANDO NA PAUTA – Agora, na maior saia justa, o presidente do Senado, Eunício Rodrigues (PMDB-CE) terá de desengavetar e colocar em pauta a proposta, que necessita de 49 votos de senadores, em dois turnos, e 308 votos de deputados, também em dois turnos, para ser aprovada. É difícil, mas nada tem de impossível, até porque haverá pressão massiva das redes sociais da internet sobre os senadores. E não há quem resista.

A grande dúvida é saber se algum senador vai roer a corda e retirar a assinatura de apoio, arriscando-se a cair na lista negra do eleitorado. Mas os outros 40 estão sendo pressionados a assinar. Portanto, o momento ainda é de expectativa. Vamos aguardar.

Pior para todos, no escândalo da carne

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Charge do Hubert, reproduzida do Arquivo Google

Carlos Chagas

Incrível, mesmo, com as exceções de sempre, foi o comportamento da mídia televisiva e escrita diante do escândalo que expôs o mercado da carne. A maioria dos veículos noticiou a ação da Polícia Federal na investigação da roubalheira que envolve frigoríficos grandes e pequenos, mas abriu páginas e vídeos à farta publicidade das empresas flagradas metendo a mão na atividade conspurcada.

Evidenciaram, esses veículos, a disposição de continuarem faturando em cima de desculpas esfarrapadas que pretenderam contrabalançar crimes capazes de perturbar a economia nacional. O Brasil está em vias de perder os resultados da exportação que vinha sendo das mais lucrativas de nossa economia, por conta da roubalheira dos responsáveis pelos frigoríficos.

ARGUMENTOS TOLOS – Não adianta argumentar que tudo se tratou de iniciativa solerte de uns poucos funcionários públicos e privados, porque na realidade são as empresas as responsáveis pelo envio de carne podre a nossos fregueses dos outros continentes. Basta ver a queda nos preços das ações e a reação de países que não confiam mais na produção nacional. Nem nossa população, da mesma forma atingida pela certeza de estar sendo envenenada.

A queda, já neste fim de semana, das vendas de carne nos supermercados, só será inferior às exportações que elevavam nossa balança comercial e agora começam a ser denunciadas pelos importadores. Pior para todos, menos para os concorrentes.

Como complemento desse festival de corrupção, também surgiu a denúncia de que propinas da carne também abasteciam o PMDB e o PP.

Governantes que destruíram a Previdência precisam dar explicações ao país

Exibindo

Eles precisam explica por que a Previdência foi a pique

Elisa Robson
República de Curitiba

Frédéric Bastiat, um inteligente deputado francês que viveu na época da Revolução de 1848, escreveu: “O Estado tem duas mãos: uma para receber e outra para dar, ou, melhor dizendo, a mão rude e a mão delicada. A ação da segunda subordina-se necessariamente à da primeira”. O pensamento de Bastiat poderia ser a síntese perfeita do que vemos em relação à previdência social: um seguro público, coletivo e, principalmente, compulsório, administrado pelo governo. Portanto, como uma mão rude, seu pagamento é uma imposição estatal, não uma “contribuição”, como se costuma dizer.

Assim, o governo impõe um “contrato” sobre os cidadãos. Mas isso não é o mais grave. O esquema moderno de previdência social é concebido como um sistema de fluxo financeiro. Um recurso da parte “ativa” da população vai para a parte “inativa”.

E dois problemas se destacam nesse cenário.

  1. A proporção entre as duas partes está crescendo desequilibradamente: os encargos sobre a população ativa estão cada vez mais altos. E como resultado, estamos vendo ampliar o número de necessitados, ao mesmo tempo que está sendo reduzida a fatia dessa população ativa.
  2. Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro entregue ao governo não é investido em um fundo no qual ele fica rendendo juros. Ele é repassado diretamente a uma pessoa que está aposentada. Não é um sistema de capitalização, mas de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria. Ou seja, um exemplo máximo de incompetência, já que não há investimento nenhum.

E, como se não bastasse, há um terceiro fator. Esse sim talvez seja o pior de todos. A irresponsabilidade da geração que “cuidou” de previdência social até aqui e vendeu a ilusão de uma pseudo-poupança.

DESVIARAM RECURSOS – A geração de Sarney, Itamar (Collor), Fernando Henrique, Lula e seus respectivos ministros, com atitudes inconsequentes, desviaram um volume incomensurável de recursos da Previdência para os mais sinistros propósitos, cujo dinheiro jamais voltou aos cofres previdenciários.

Podemos buscar muitos motivos para explicar tal insensatez. Mas, de certa forma, a resposta principal não é assim tão obscura. Eles simplesmente não enfrentaram o problema previdenciário porque qualquer atuação nesse setor causa desgaste político. Então, levianamente, os governos anteriores optaram pela omissão em contar a verdade aos cidadãos, levando a população apenas àquilo que lhes interessava.

Por isso, não adianta insistir no fato de que os gastos com os aposentados aumentaram porque as pessoas passaram a viver mais. Escuto isso desde a minha adolescência, há 25 anos. O que temos que fazer é voltar 25 anos e investigar melhor por que ninguém fez os ajustes adequadamente, os ajustes graduais.

É PRECISO EXPLICAR – Se não há ajustes, nenhuma reforma previdenciária vai funcionar. O governo precisa explicar, claramente, como a Previdência chegou nesse estado. Não adianta fazer fórmulas matemáticas, e até mesmo miraculosas, para dizer que daqui pra frente vai dar certo e vamos consertar as coisas para os próximos 50 anos. Porque isso não vai acontecer.

Daqui a 10 anos a Previdência vai estar quebrada do mesmo jeito, porque ainda haverá má administração, roubos, desvios. Por isso, antes de tentar ganhar a opinião pública para que faça qualquer sacrifício e aceite a tal reforma, é preciso explicar porque a Previdência quebrou. Com todas as letras.

Todavia, além das razões que comentei acima, e daquelas que o governo poderá explicar, é necessário trazer outra, que existe – e que se houver boicote à Lava Jato continuará a existir: o problema da corrupção.  Mal que, conforme estamos vendo, envolveu toda a geração anterior que esteve na cúpula do poder.

EXEMPLO DA FRIBOI – Veja apenas um exemplo. A JBS, da Friboi, com R$ 1,8 bilhão, é a segunda maior empresa devedora da Previdência. Apesar disso, parece não estar sendo devidamente “incomodada”.

Um dos motivos, provavelmente, é porque a JBS também é uma das maiores financiadoras de campanhas eleitorais do país. Participante de esquemas fraudulentos sofisticados, ao ser alvo da Lava Jato, a empresa revelou pagamento de propinas a autoridades públicas para obtenção de recursos do FGTS. Os recursos desse fundo são bancados pelos trabalhadores e devem ser investidos em projetos de infraestrutura. O FGTS é uma fonte barata de financiamento e muito cobiçada pelas empresas. E o grupo JBS recebeu recursos do FGTS.

Sim, Frédéric Bastiat tinha razão: o Estado tem duas mãos. Pelo menos.

                                     (artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

 

Maior legado da Lava Jato é que nada será como antes

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Charge do Pelicano (pelicanocartum.net)

Roberto Nascimento

Um dos maiores legados da Lava Jato reside no fato de que, alguns dos ladrões ricos estão presos no mesmo cárcere antes somente ocupados pelos ladrões pobres. Isso é inédito na vida brasileira, demonstrando inequivocamente uma mudança de paradigma. Importante notar que o chamado Mensalão (Ação Penal 470) abriu o caminho para sustar a sangria da corrupção avassaladora entre o público e o privado, que vem drenando as riquezas da nação para poucos privilegiados, deixando a maioria do povo com as migalhas, em estado de penúria, ao sacrificar a Saúde e a Educação, os pilares do desenvolvimento do país.

O dinheiro advindo da corrupção dos membros do Executivo e do Legislativo, desviado para paraísos fiscais, atingiu a casa do bilhão. Alguns corruptos investiram em mansões, iates, helicópteros, aviões, joias e obras de arte. Não há país, por mais rico, que resista ao saque generalizado. É o que está acontecendo dramaticamente, por exemplo, no Estado do Rio de Janeiro, sem dinheiro para pagamento de servidores e fornecedores. A UERJ, Universidade do Estado, não recebe o necessário repasse de verbas do governador Pezão, em consequência poderá fechar definitivamente. Um absurdo completo.

NOVAS MANIFESTAÇÕES – As passeatas de 2013, iniciadas por jovens inconformados, replicadas até 2016, acabaram se perdendo no tempo, pois o propósito era circunstancial e destinado a balançar os alicerces do governo do PT. Conseguido o objetivo, com a derrubada da presidente Dilma, os manifestantes voltaram para seus lares e para as rotinas de escola ou trabalho. Por esta razão, não acredito na volta das massas ocupando as ruas, embora as centrais, sindicatos e movimentos sociais estejam tentando repetir o fenômeno, travestido de vermelho.

Realmente, nada será como antes, depois da Lava Jato, que está sob ameaça de ser implodida no tempo certo, com as mudanças em gestação no TSE, no STF e no âmbito do Legislativo.

OUTRAS ARMAÇÕES – Além da chamada reforma política, prepara-se, nos escaninhos do poder, a volta da prisão somente com o trânsito em julgado na última instância recursal (Supremo), modificando a jurisprudência atual de prisão após a condenação na segunda instância. Prepara-se também a mudança nas regras das prisões preventivas, que não poderão exceder o limite de 90 dias. Prepara-se também um limitador das delações premiadas, que não terão validade se o réu estiver cumprindo prisão preventiva. E por aí afora.

Os políticos querem muito a volta da Lei do Amordaçamento do Ministério Público e a criminalização pesada para jornalistas que publicarem matérias que supostamente firam a honra dos parlamentares, uma espécie de draconiana Lei de Censura à Imprensa, nos moldes da implementada na Ditadura Militar, que nem lei era, tratava-se apenas de ato de exceção.

O IMPÉRIO CONTRA-ATACA – É o sistema dando o troco na Lava Jato, uma reação à exposição das empreiteiras, dos grandes conglomerados e dos bancos, que recebiam benesses dos governos em troca de propinas para partidos e candidatos a cargo público, através do eufemismo das “doações eleitorais”. Estancada a sangria momentânea, ninguém se iluda que o status quo irá retornar, pois isso desespera gregos e troianos, principalmente nas vésperas das eleições gerais de 2018.

A sorte está lançada. Resta saber se atravessaremos o rio em águas calmas ou revoltas, pois a classe dominante não descansará nem um minuto até que a Lava Jato seja implodida totalmente e a tranquilidade volte a reinar nas mansões de Brasília e nas grandes cidades do Brasil. Sobre esse tema espinhoso, só o futuro dirá.

No entanto, o estrago na imagem de empresários e políticos ficará para sempre nas consciências das forças vivas da nação. Essa consciência coletiva, acredito, será o maior legado do Mensalão e da Lava Jato. E nada será como antes.

A preocupação do homem com a Terra face às mudanças do clima

bfh

Ilustração do Duke (O Tempo)

Leonardo Boff
O Tempo

É um fato cientificamente reconhecido hoje que as mudanças climáticas, cuja expressão maior se dá pelo aquecimento global, são de natureza antropogênica, num grau de certeza de 95%. Quer dizer, possui sua gênese num tipo de comportamento humano violento face à natureza. Esse comportamento não está em sintonia com os ciclos nem ritmos da natureza. O ser humano não se adapta a ela, mas a coage a se adaptar a ele e a seus interesses. E o interesse maior dominante há séculos concentra-se na acumulação de riqueza e de benefícios para a vida humana, com base na exploração sistemática dos bens e serviços naturais e de muitos povos, especialmente dos indígenas.

Os países que hegemonizam esse processo não deram a devida importância aos limites do sistema Terra. Continuam submetendo a natureza e o planeta a uma verdadeira guerra, sabendo que serão vencidos. A forma como a Mãe Terra demonstra a pressão sobre seus limites é pelos eventos extremos: prolongadas estiagens, enchentes devastadoras, nevascas sem precedentes, ondas de calor insuportáveis.

CONSENSO MÍNIMO – Face a tais eventos, a Terra se tornou um objeto da preocupação humana. As muitas COPs (Conferência das Partes) organizadas pela ONU nunca chegavam a uma convergência. Somente na COP 21 de Paris, realizada em 2015, se chegou, pela primeira vez, a um consenso mínimo, assumido por todos: evitar que o aquecimento ultrapasse os dois graus Celsius. Lamentavelmente, essa decisão não é vinculante. Quem quiser pode segui-la, mas não existe nenhuma obrigatoriedade, como mostrou o Congresso norte-americano, que vetou as medidas ecológicas do presidente Barak Obama.

Ag

“Ainda nos restam as pequenas utopias que nos ajudam a viver o cotidiano”

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Charge baseada no pensamento do cineasta Fernando Birri

Juan Arias
El Pais

Trump provoca os jornais: “As pessoas já não acreditam neles”. Poucos filósofos contemporâneos conhecem tanto quanto Francisco Jarauta, catedrático de filosofia da Universidade de Múrcia, antropólogo e especialista em História da Arte, os desafios e as complexidades de uma sociedade globalizada em que, diz ele, “todas as certezas do passado voaram pelos ares ao mesmo tempo”.

Ele considera que, se as grandes utopias morreram, ainda nos restam “as pequenas utopias, as que nos ajudam a viver o cotidiano”, como a de poder morar em um bairro onde todos se conheçam e sejam solidários uns com os outros, ou a da busca pelo tempo livre e pelo silêncio criativo. A pequena utopia da amizade, ou aquela capaz de transformar nosso trabalho e nossos sonhos em fruição, em vez de pesadelos e escravidão.

LABORATÓRIO – Para o filósofo, a emergência do Outro está se transformando em um laboratório onde “nossos modelos políticos, éticos e morais precisam ser repensados”.

Como diretor do Conselho Científico do Instituto Europeu de Design (IED) da Espanha, e membro do Conselho Internacional do Grupo IED, hoje presente também no Brasil, com unidades no Rio e em São Paulo, Jarauta, que ensina em várias instituições universitárias do mundo, se nutre da experiência desses milhares de estudantes que formam um caleidoscópio cosmopolita das tendências que estão forjando a nova civilização.

A esses jovens, que estão se graduando em design industrial e gráfico, e como novos estilistas de moda, Jarauta surpreende e estimula com suas metáforas e paradoxos. Como quando lhes diz que “somos nossas próprias perguntas”, para acrescentar em seguida que “a intensidade dos fatos condena essas perguntas ao silêncio”.

TOMAR O PULSO – Escrutinador do caminho por onde vai a nova civilização, Jarauta é também um intelectual que gosta de tomar o pulso da humanidade. Depois de uma viagem recente a um campo de refugiados na Grécia, declarou ao jornal O Globo que o mais urgente hoje é “reconstruir o coração da humanidade”.

Para isso, afirma, “é preciso caminhar pela viagem da vida”, onde existe a dor, a crueldade, a cegueira ante as tragédias como as dos refugiados e imigrantes, “esses novos párias da história”.

Em sua conversa, que tínhamos interrompido durante muitos anos, desde nossos encontros no IED de Madri, ressalta que “estamos na era do ‘pós’: a pós-verdade, a pós-democracia, a pós-política, a pós-modernidade a pós-identidade. Nada é mais como ontem”.

JANELA DO MUNDO – Diz “que temos de nos debruçar na janela do mundo para ver o que se está passando e o que está chegando”. Vivemos não só no mundo da velocidade, mas naquele em que “as geografias se deslocaram e os espaços e as distâncias desapareceram”. Um jovem estudante de Cingapura se encontra em poucas horas com um do Rio e é como se fossem do mesmo bairro. A globalização os transforma em contemporâneos.

Isso leva a um “inevitável processo de miscigenação cultural”, à nova “sociedade da rede”, onde todos nos comunicamos, misturamos, contagiamos e recriamos. Aí reside o verdadeiro futuro.

VELHAS DEFINIÇÕES – O que chamamos de crise na realidade significa que todas as velhas definições do saber e da cultura estão morrendo, assim como as velhas profissões. A neociência já está sendo criada fora das universidades clássicas, muitas delas ainda de “formato medieval”.

Nada mais está petrificado nem prefigurado. Saltam pelos ares as definições do passado. O que é a filosofia hoje, a política, a arte? O que é o design em uma sociedade pós-industrial? “Já não é a pura fabricação de objetos para o consumo e o mercado”, diz o filósofo.

É muito mais: “O design se transformou, por exemplo, em um dos instrumentos básicos na hora de definir as novas formas da cultura. Pertence, por direito próprio, ao mundo do projeto, capaz de transformar os gostos, as formas de percepção das coisas e as novas necessidades das pessoas”.

DETECTAR AS TENDÊNCIAS – Para tentar apreender o mundo em ebulição, torna-se cada vez mais atual, diz Jarauta, o estudo das tendências. É preciso saber, como os antigos radioestesistas, detectar os mananciais que correm sob nossos pés. Temos que ser “mergulhadores do novo”.

Os jovens, mais que ninguém, necessitam hoje, segundo o filósofo, nutrir-se da certeza de que o mundo novo que os espera não só não lhes será hostil, mas lhes “permitirá participar para dar-lhe nome e sentido”.

(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Delação de Jonas Lopes pode derrubar boa parte da Assembleia, diz deputado

"Existe um jogo de tensões entre o presidente da Alerj e o governador", afirmou

Deputado Flavio Serafini diz que a tensão aumemtou

Felipe Gelani
Jornal do Brasil

Com a nomeação e demissão em apenas três dias da quase secretária estadual Solange Almeida, ré na Operação Lava Jato, e a criação de uma CPI para investigar isenções fiscais no estado do Rio de Janeiro, o clima de trabalho na Assembleia do Rio de Janeiro (Alerj) está cada vez mais tenso. Mas a atmosfera da Casa pode ficar ainda mais pesada com a possibilidade de que a Polícia Federal apareça a qualquer momento na porta de alguns citados da Lava Jato, após a delação premiada do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Jonas Lopes de Carvalho Neto.

De acordo com o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL), a delação de Jonas Lopes – já desmembrada pelo relator da Lava Jato no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Félix Fischer – “pode ser explosiva e derrubar tanto o governo do estado quanto boa parte da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.” 

O senhor acha que uma potencial delação do Cabral e principalmente do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), Jonas Lopes Carvalho, está influenciando o clima na Assembleia?
Acho que a possibilidade dessas delações, assim como essas tensões internas no PMDB, têm influenciado muito o clima das decisões, não só aqui na Alerj como também no Palácio Guanabara. A nomeação da Solange Almeida, que foi desfeita na terça-feira pelo governador, só pode ser entendida no âmbito da Operação Lava Jato. O Pezão não seria louco de nomear uma figura do segundo escalão da política do estado, criar um cargo para nomeá-la, se essa ação não tivesse muita importância política.

E qual seria essa importância?
A única importância política que isso pode ter é cumprir um serviço para o Eduardo Cunha – já que o processo dela está ligado ao dele – ou evitar uma delação premiada dela própria, que poderia afetar o Pezão ou pessoas ao redor dele e que estariam pressionando o governador a tomar essa decisão de nomeá-la. Então, hoje, boa parte da política do Brasil e do Rio de Janeiro está pautada por essa ansiedade. E isso também se reflete aqui dentro. Uma possível delação do Cabral só tem sentido se ela derrubar muita gente. Ele é um peixe graúdo demais para ter suas penas amenizadas entregando gente que está embaixo dele. A não ser que ele entregue todo o esquema, é improvável que essa delação saia. Sobre o Jonas Lopes, não. Ele é uma figura que está afastada da política, sem muita visibilidade. Certamente não está no comando do processo, mas uma delação dele pode ser explosiva e derrubar tanto o governo do estado quanto boa parte da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Em que pé está o pedido de impeachment do governador Luiz Fernando Pezão, feito pelo PSOL em fevereiro?
São muito consistentes as questões que apontamos, de que o Pezão está cometendo uma série de ilegalidades no curso do governo dele. Mas o pedido ainda está com a Presidência da Casa, que disse estar aguardando o parecer da Procuradoria. Na legislação pertinente a impeachment no Rio de Janeiro não há essa definição de prazo nessa etapa inicial.

E a questão da Cedae? O projeto de privatização passou, mas vocês apontaram algumas ilegalidades no processo, como o curto período de tempo no qual a votação foi feita, por exemplo. Como está sendo a ação da oposição nesse processo?
Nós enxergamos ilegalidades de diferentes naturezas. As mais óbvias dizem respeito ao processo em si. A privatização da Cedae é um projeto extremamente abrangente, que trata de diferentes temas, que contraria a lei, que não fez consulta pública, e que não dialogou com outros entes atingidos pela medida. Iniciamos um processo de aprofundamento de análise para ver a possibilidade de entrar com uma ação de inconstitucionalidade. Ainda não definimos se vamos ter condições de entrar com uma ação ou não. A expectativa é de que até terça-feira (21), quando fazemos nossa reunião de bancada, termos uma posição do nosso setor jurídico sobre a possibilidade de entrar com uma ação de inconstitucionalidade.

E a expectativa para as próximas votações relacionadas às contrapartidas exigidas pelo governo federal para prestar auxílio financeiro ao Rio de Janeiro? Agora que a votação da privatização da Cedae já passou, o que mais vem por aí?
A principal medida que o governo deve tentar votar aqui na Casa, que faz parte desse acordo – pelo menos da forma que ele está desenhado até agora – é o aumento da contribuição previdenciária dos servidores. Essa proposta da contribuição previdenciária é cruel. A grande maioria dos servidores está há dois anos sem reajuste. Ou seja, estão perdendo o salário real por conta da inflação. Agora, podem ser sobretaxados pelo governo, perdendo rendimento novamente. E no fim das contas é uma proposta que não resolve o problema previdenciário. O governo pode aumentar sua contribuição patronal sem afetar o servidor. O problema é que o governo não quer mexer nos supersalários do Judiciário e nos seus próprios supersalários. Mexer apenas nos supersalários não é uma medida que resolve totalmente, mas ajuda o problema dos gastos com pessoal.