Se Bolsonaro privatizar o Supremo, resolverá todos os problemas do país

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Charge do Bier (Arquivo Google)

Francisco Vieira

Tomara que Jair Bolsonaro evolua até 2018. Sua declaração sobre vender a Petrobras, “menos para a China”, é uma tirada falsamente ideológica, porque os próprios americanos negociam abertamente com os chineses e grande parte do que a China exporta é para os Estados Unidos. Ou será que o candidato brasileiro quer ser mais “americano” do que os americanos e mais “chinês” do que os chineses? Será que o Brasil deixará de usar a pólvora por ser invenção chinesa? Ou será que Bolsonaro acha que o dinheiro e a dívida pública têm ideologia e que uma nota de 100 dólares recebida dos países capitalistas compra mais coisas do que uma nota de 100 dólares recebida dos países comunistas?

O segundo candidato nas pesquisas mostra desconhecer que, no Brasil de hoje, a farda do Exército e a borracha do lápis do neto dele são produzidas na China.

NACIONALISMO – A obrigação de Bolsonaro é proteger o produtor nacional, e não o produtor americano, pois ele não será candidato a presidente dos Estados Unidos.

Ao escolher cliente para vender/entregar o país, o candidato não percebe que se comporta como uma prostituta que acha que está sendo menos suja por escolher um certo cliente em detrimento de outro, quando, na verdade, o que é sujo mesmo é a profissão dela. E é isso mesmo que mantém nosso atraso – a prostituição dos nossos líderes.

O fato de uma empresa ser estatal ou privada facilitaria a existência da corrupção e a roubalheira do povo brasileiro? Isso já foi discutido exaustivamente aqui na “Tribuna da Internet” e a resposta todos já sabemos: – O que facilita a corrupção no Brasil é a falta absoluta de Justiça!

PORTO SEGURO – Nosso problema é o fato de o Supremo ser apenas um luxuoso cabide de emprego e um porto seguro para os arautos de criminosos! Em alguma gaveta dourada da Praça dos Três Poderes acumulam-se os processos dos maiores assassinos em massa deste país, enquanto o dono da toga, despreocupadamente, almoça em Roma e, pachorrentamente, janta em Paris com os bolsos cheios do nosso suado dinheiro.

Assim, a impunidade é adotada como hábito pelos nossos magistrados do “Tribunal Superior”, da mesma forma que o saque e o homicídio são tidos como rotina normal na vida diária dos piratas, traficantes e saqueadores do povo brasileiro.

Para o bandido, não faz diferença se é a empresa é estatal ou privada. O criminoso quer é roubar, levar vantagem. E cabe à Justiça dizer que não pode e que ele será punido se cometer algum crime. Mas isso não acontece.

GRANDE MENTIRA – A JBS não é estatal, mas se os proprietários soubessem que moravam em um país sério e que poderiam passar 30 anos na cadeia, duvido que eles tivessem usado dinheiro público irregularmente.

Privatize-se para arrecadar dinheiro, para tornar mais eficientes os serviços ou para incentivar concorrência. Até aí tudo bem. Agora, se a desculpa para privatizar for o combate à corrupção, qualquer discurso  adotado, qualquer justificativa – tudo será apenas uma grande mentira, uma enorme perda de tempo.

Nada acontecerá, a menos que privatizemos a “estatal” que causa toda a celeuma e que é o adubo da corrupção brasileira e da mortandade nesta “nação”. Ou seja, basta Bolsonaro privatizar o Supremo Tribunal Federal e tudo estará resolvido!!!

No desespero, Aécio Neves tenta adiar a votação para evitar ser derrotado

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton

Tudo indicava que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recuperaria seu mandato com facilidade. Mas em política as aparências enganam, e a gente vive falando nisso aqui na “Tribuna da Internet”, ao fazer a tradução simultânea dos supostos fatos. Nesta votação, o parlamentar tucano precisa do apoio de 41 dos 81 senadores, para derrubar a decisão do Supremo e retomar o mandato. Acontece que nesta terça-feira Aécio Neves já começa perdendo dois votos – o dele próprio e o do presidente do Senado, Eunício Oliveira, que votaria pela devolução do mandato, mas só pode se manifesta em caso de empate em 40 a 40.

As informações confirmam que, pelo menos, 12 senadores estarão ausentes da votação que hipoteticamente poderia derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou Aécio e lhe impôs medidas restritivas, como recolhimento noturno após 18 horas.

AUMENTA O RISCO – Somente 67 senadores poderão votar nesta terça-feira e Aécio precisa de 41 votos, repita-se. Entre os faltosos está o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que é considerado um dos principais articuladores do Senado. Ele se recupera de uma operação de diverticulite e, segundo a assessoria de imprensa, só deve voltar às atividades parlamentares daqui a dois dias.

O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), que votaria contra Aécio, pediu licença médica por ter sofrido uma fratura tentar domar uma mula em sua fazenda na cidade de Mara Rosa, na semana passada, vejam a que ponto chegamos.

Outros quatro senadores – Armando Monteiro (PTB-PE), Ricardo Ferraço (PSDB-ES), Ricardo Muniz (PP-BA) e Cristovam Buarque (PPS-DF) – também não estarão no Senado nesta terça-feira, pois se encontram em missão especial nos Emirados Árabes. E há mais cinco – Jorge Viana (PT-AC), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Roberto Muniz (PP-BA) – que estão na Rússia. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), estava na mesma missão, mas antecipou o retorno para esta segunda-feira.

SEM CHANCES – Para haver quorum, é preciso que haja 43 senadores na sessão, incluindo o presidente Eunício Oliveira, que não vota. Se houver votação, tudo indica que Aécio Neves estará liquidado, a confirmação do afastamento significará para ele uma cassação antecipada, porque as provas são abundantes e até causaram prisão de sua irmã Andrea Neves e de seu primo Frederico Medeiros, filmado pela Polícia Federal ao receber da JBS uma mala com R$ 500 mil, destinada ao senador tucano.

Justamente por isso, os aliados de Aécio estão mobilizados para evitar que haja quorum e a sessão seja realizada. E nem importa se a votação será aberta ou secreta, a única opção do ainda presidente licenciado do PSDB é lutar pela adiamento. E la nave va, como se estivesse sendo conduzida por Federico Fellini.

Salários de novos empregados são 13% inferiores aos pagos aos demitidos

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Reportagem, muito boa, de Arícia Martins, no Valor desta segunda-feira, revela que os salários oferecidos aos trabalhadores que vão substituir os que foram dispensados são 13% menores. A pesquisa é da MB Associados que por sua vez extraiu dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do país. O economista chefe da MB, Sérgio Vale considera a comparação muito importante porque o problema focalizado não é apenas com base no nível de emprego, mas sim numa equação entre esse nível de emprego e a remuneração.

A queda da remuneração implica também em menor receita para o INSS e também menor receita do FGTS. Isso sem falar na retração do consumo causado por um recuo pouco aparente na capacidade de compra.

MERCADO INFORMAL – Sérgio Vale incluiu em seu estudo o comportamento do mercado de trabalho dos últimos doze meses, especialmente no setor industrial que é aquele que recontrata mais rapidamente empregados formais para seu quadro de pessoal.

Nesse aspecto vale focalizar também o mercado informal de trabalho. Este pode ter reagido, como o IBGE divulgou, porém o Instituto esqueceu de considerar que tal mercado bloqueia as arrecadações do INSS e do FGTS. Trata-se assim de mais um fator contrário à receita da Previdência Social.

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DESENTENDIMENTO ENTRE TEMER E MAIA

Como focalizamos no artigo de ontem, o advogado do presidente Temer, Eduardo Carnelós, por sua absoluta inabilidade ao tentar defender o cliente, acabou detonando uma crise entre o deputado Rodrigo Maia e Michel Temer. Manchete principal de O Estado de São Paulo de ontem, uma reportagém de Tânia Monteiro, Igor Gadelha e Andreza Matais destaca reflexos da colisão.

Estilhaços no relacionamento entre Temer e Maia podem até atrapalhar o esforço do governo para barrar a segunda denúncia no roteiro do STF. Não que a oposição possa alcançar os 342 votos necessários à sequência do processo. Mas sim pelo fato de abstendo-se, poder obstruir a nova fuga de Michel Temer, agora acompanhado por Eliseu Padilha e Moreira Franco. Vamos ver.

A exemplo do que anunciei ontem, confirmo minha ausência desta coluna nos próximos dias. Mais uma vez até breve.

Esquizofrenias do Supremo favorecem a impunidade dos corruptos

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Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Percival Puggina

Em artigo intitulado “Pantomima do STF fere a Lava Jato”, reproduzido pelo G1 em 12 deste mês, Helio Gurotivz comenta o voto da ministra Carmem Lucia que delegou ao Senado decidir sobre o retorno ou não do senador Aécio Neves à sua cadeira naquela Casa. Extraio desse texto o seguinte trecho:

“Apesar de todos os cuidados para preservar sua autonomia, o STF abriu mão da prerrogativa de instância maior na decisão de questões constitucionais, aquela que tem o direito a ‘errar por último’, como afirmou Ruy Barbosa, citado por Celso de Mello em seu voto. Evitou, é verdade, uma crise maior com o Congresso. No próximo dia 17, um Senado feliz deverá livrar Aécio das punições previstas no CPP.

Mas o STF abriu também uma avenida para livrar a cara dos políticos acusados na Lava Jato. O relator da operação, ministro Fachin, se vê limitado na possibilidade de impor punições aos corruptos. Sob o manto de preservar a imunidade garantida pela Constituição aos parlamentares, o Supremo acabou por ampliar a (já ampla) esfera da impunidade.”

FUNÇÕES DO STF -Para compreender as pantomimas em que o Supremo permanentemente se envolve, suas fraturas e animosidades internas, seus frequentes votos de Minerva em que questões seriíssimas são definidas por um voto, e seus pedidos de vistas que hibernam no aconchego das gavetas, é preciso estar ciente das funções que aquelas 11 pessoas exercem ao deliberar.

Ora como plenário completo, ora como grupos em que periodicamente 10 dos 11 se repartem, ora monocraticamente, os ministros integram um poder que acumula quatro importantíssimas funções: Tribunal Constitucional, última instância do Poder Judiciário, Tribunal Penal para autoridades com privilégio de foro e Poder Moderador.

Qualquer possibilidade de segurança jurídica e coerência entre decisões sucessivas esbarra nessa pluralidade de atribuições, notadamente quando – e sempre que – o dispositivo constitucional a ser custodiado esbarra com o bem comum ou com a melhor conveniência nacional num determinado momento. Nesses casos, se estabelece a esquizofrenia. Ora é o Direito que fala mais alto no Tribunal Constitucional, ora é a Política que se faz mais audível no Poder Moderador.

VAI DAR ERRADO – Enquanto as questões constitucionais e o bem do país, a cada feito, disputam entre si a atenção do plenário, a impunidade se espreguiça na rede da lassidão e do mais tarde a gente vê isso. Não tem como dar certo.

Na calçada oposta, o Congresso Nacional vive suas alucinações entre a PF que pode bater à porta e o pleito de 2018. Caberia e ele, Congresso, pôr ordem na casa retificando o modelo institucional para maior racionalidade. Afinal, o Congresso é o poder que representa o povo na Câmara dos Deputados e os Estados no Senado Federal. Mas qual!

Joesley e Wesley Batista agora são réus por crimes contra o mercado de capitais

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Ilustração reproduzida do site Sensacionalista

Deu em O Tempo
(
Agência Estado)

O juiz federal João Batista Leite, da 6ª Vara Federal, em São Paulo, aceitou nesta segunda-feira (DIA 16) denúncia do Ministério Público Federal contra os irmãos Joesley e Wesley Batista, principais acionistas do Grupo J&F, tornando-os réus. Os procuradores da República Thaméa Danelon e Thiago Lacerda Nobre, do Ministério Público Federal em São Paulo, denunciaram os empresários na Operação Acerto de Contas, desdobramento da Tendão de Aquiles, por uso de informação privilegiada e manipulação do mercado. Os executivos já estão presos, preventivamente.

A Tendão de Aquiles apura o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio, data da divulgação dos dados relacionados à delação premiada firmada pelos executivos e a Procuradoria-Geral da República.

TIVERAM LUCRO – Para o Ministério Público Federal, em São Paulo, os irmãos ‘minimizaram prejuízos mediante a compra e venda de ações e lucraram comprando dólares c base em informações que dispunham sobre o acordo de delação premiada que haviam negociado com a Procuradoria-Geral da República’.

“Juntos, Wesley e Joesley atuaram para reduzirem o prejuízo com os papeis e lucrarem com a compra da moeda americana, aproveitando-se da informação privilegiada e, como consequência, manipulando o mercado de ações”, diz a Procuradoria da República. Segundo a denúncia, ‘as operações ilegais’ de venda e compra de ações ocorreram entre 31 de março e 17 de maio.

Wesley foi preso em 13 de setembro, em sua casa, em São Paulo. Joesley havia sido custodiado dois dias antes por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, por suspeita de violação de sua própria delação premiada.

INDICIAMENTO – Os irmãos foram indiciados pela Polícia Federal em 20 de setembro. Joesley foi indiciado pela suposta autoria dos crimes de manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada, previstos na Lei 6.385/76, com abuso de poder de controle e administração, em razão do evento de venda de ações da JBS S/A pela FB Participações, controladora desta última. Wesley foi indiciado como autor do crime de manipulação de mercado e ‘como partícipe no crime de uso indevido de informação privilegiada praticado por Joesley com abuso de poder de controle e administração, em relação aos eventos relativos à venda e compra de ações da JBS S/A’.

O relatório final da PF na Tendão de Aquiles foi entregue ao Ministério Público Federal. Segundo o documento, com a assinatura do compromisso de delação premiada, os irmãos tiveram a certeza de que aquele documento ‘era impactante’ e a informação poderia ser utilizada no mercado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Ministério Público Federal pediu a prisão de Joesley pelo conjunto da obra, que inclui obstrução à Justiça, mas Wesley nada tem a ver com isso. Sua prisão, no entanto, se justifica nos termos da chamada Lei da CVM, por crimes contra o mercado de capitais. A pena é de reclusão de uma a cinco anos e não há direito à fiança, que só beneficia infratores de crimes até quatro anos de detenção. Chega a ser crime ridículo em comparação aos cometidos pelos réus da Lava Jato, mas até agora os ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e outros defensores da prisão somente após trânsito em julgado, nenhum deles apontou abuso de autoridade contra os irmãos Batista. Romero Jucá e Renan Calheiros também não disseram nada. Os advogados de Temer, idem. Isso significa que, na atual conjuntura, abuso de autoridade serve para uns, mas não serve para outros. Ah, Brasil…  (C.N.)

Pedro Corrêa revela que Cunha e Júlio Lopes eram mestres em arranjar propinas

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Lopes e Cunha vieram com sede ao pote, diz Corrêa

André de Souza
O Globo

Em 26 de abril de 2016, o ex-deputado Pedro Corrêa prestava um dos vários depoimentos de sua delação premiada. Em pouco mais de dez minutos, falou o que sabia do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Disse, por exemplo, que Cunha fez um acerto para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró pagasse propina de US$ 700 mil por mês ao PMDB. Como Cerveró não conseguiu cumprir a promessa, Cunha emplacou outra pessoa para o cargo. Mas foi já no final do depoimento, enquanto a câmera ainda gravava, que Corrêa soltou uma declaração, quase que de admiração, reconhecendo a capacidade de Eduardo Cunha arrecadar recursos, mesmo que de forma ilícita:

“O Cunha era uma máquina de arrecadar dinheiro. Um monstro. Impressionava todo mundo. Arrecadava dinheiro de todo o jeito. Tinha uma coragem imensa de fazer as coisas”- afirmou.

COM SEDE AO POTE – O depoimento faz parte da delação homologada em agosto de 2017 pelo ministro Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Corrêa também relatou o começo da atividade de Cunha como deputado federal, em 2003, quando ele chegou a Brasília para, pela primeira vez, exercer o cargo.

Na época ele era filiado ao PPB, hoje PP, partido que Corrêa presidia na época. Segundo o delator, Cunha e outro deputado da legenda, Júlio Lopes, também do Rio de Janeiro, o procuraram para pedir ajuda. Eles disseram que tinham gasto R$ 5 milhões cada um em suas campanhas e precisavam recuperar o que foi gasto na disputa.

“Na oportunidade, eu disse aos dois: “Olha, se vocês que acabaram de chegar a Brasília forem com tanta sede ao pote, vão acabar cassados, porque, cuidado, o cargo de deputado federal é muito visado. O partido evidentemente vai ajudar vocês durante a legislatura, mas nunca com um montante tão alto” — disse Corrêa.

FAZENDO MISÉRIA – O delator conta que Cunha deixou o PP ainda em 2003 e foi para o PMDB. No novo partido, diz Corrêa, ele conseguiu parte da propina de US$ 6 milhões repassada ao PMDB em 2006 pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. No caso de Lopes, Corrêa disse que o PP conseguiu emplacá-lo como secretário de Transportes do estado do Rio de Janeiro, e criticou: “Esse cara tem que ser investigado. Esse cara fez miséria na secretaria no Rio”.

O Globo não conseguiu entrar em contato com a defesa de Cunha para que pudesse se manifestar sobre as declarações de Corrêa. Em nota, Júlio Lopes disse que o delator faz “infundadas e levianas ilações” e afirmou que “sempre pautou sua atuação seja no parlamento, no executivo e na iniciativa privada pela ética, responsabilidade e cumprimento da legislação”.

Parte dos vídeos da delação de Corrêa e outros colaboradores foram enviados à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde está o processo em que o presidente Michel Temer foi denunciado por organização criminosa e obstrução de justiça. Isso porque, em razão do cargo que ocupa, a denúncia do Ministério Público só pode ter prosseguimento se a Câmara der seu aval. No mesmo inquérito, foram denunciados outros políticos do PMDB, como o próprio Cunha, entre outros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Onde se lê que o PP conseguiu emplacar Júlio Lopes como secretário de Transportes, leia-se que Francisco Dornelles conseguiu fazê-lo. Dornelles, que é primo da primeira mulher de Sérgio Cabral (Susana Neves), é padrinho de Júlio Lopes na política. Lopes, membro da “Turma do Guardanapo”, era um dos principais cúmplices de Cabral na corrupção da Fetranspor. Quanto a Susana Neves, hoje ganha R$ 15 mim mensais para não fazer nada como assessora de Jorge Picciani na Assembléia. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Amigo de Aécio, o relator Moraes não se considera suspeito para julgá-lo

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Moraes é o relator dos sonhos de Aécio Neves

Deu no Estadão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado na tarde desta segunda-feira (16) para ser o relator do mandado de segurança de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-Amapá), que defende a votação aberta das medidas cautelares impostas pela Primeira Turma do STF ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente licenciado do PSDB nacional. A votação no Senado está prevista para ocorrer nesta terça-feira (17).

Em fevereiro deste ano, Alexandre de Moraes comunicou a Aécio Neves a sua desfiliação do PSDB, após ser indicado pelo presidente Michel Temer para assumir a cadeira de Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro.

ARTICULAÇÃO – Ao recorrer ao STF, Randolfe menciona reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada na semana passada, que mostra a articulação de senadores para que seja secreta a votação sobre o afastamento de Aécio das funções parlamentares. Para Randolfe, os desdobramentos do caso Aécio “parecem estar longe de apontar para uma solução nos trilhos do combalido Estado Democrático de Direito pátrio”.

“Diante desse cenário de fundado receio de que a decisão se dê de modo secreto, ao arrepio da disciplina constitucional, até para que se evite a discussão posterior da validade de tal descalabro novamente junto a esta Suprema Corte, urge sindicar provimento acautelatório que ordene a votação ostensiva, com vistas a evitar que se radicalize a dramática crise de poderes que atravessa o país, onde a institucionalidade conquistada a duras penas é sacrificada em favor da torpeza egoística da manutenção do Senador Aécio Neves a salvo do império da Lei”, sustentou o senador da Rede ao STF.

CASO DELCÍDIO – No caso da prisão do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS), em novembro de 2015, o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou realizar a votação de forma sigilosa. À época, Aécio Neves e outros senadores entraram com um mandado de segurança no STF contra a iniciativa.

“Não havendo menção no art. 53, § 2º, da Constituição à natureza secreta da deliberação ali estabelecida, há de prevalecer o princípio democrático que impõe a indicação nominal do voto dos representantes do povo, entendimento este que foi estabelecido pelo próprio Poder Legislativo, ao aprovar a EC nº 35/2001. Sendo assim, não há liberdade à Casa Legislativa em estabelecer, em seu regimento, o caráter secreto dessa votação, e, em havendo disposição regimental em sentido contrário, sucumbirá diante do que estatui a Constituição como regra”, decidiu o ministro Edson Fachin naquela ocasião.

IRONIA DO DESTINO – A ofensiva jurídica de Aécio no caso Delcídio é mencionada por Randolfe em seu pedido ao STF. “Aliás, as ironias da História merecem ser exploradas justo por evidenciarem a natureza contingente e recalcitrante das convicções dos homens públicos do país”, criticou Randolfe.

O senador Aécio Neves citou “Alexandre” em um dos áudios gravados por Joesley Batista e entregues como parte da colaboração premiada, em uma conversa em que o tucano falava que sobre o comando da Polícia Federal e dizia que “tem que escolher dez caras” para conduzir inquéritos de investigados.

A conversa estava relacionada às investigações originadas com as delações da Odebrecht. Este trecho foi interpretado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como demonstração dos esforços de Aécio Neves para obstruir a justiça. O tucano nega as acusações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tudo dominado! Se tivesse havido combinação, não teria sido melhor. Foi sorteado um ministro-relator que era filiado ao PSDB e frequentava sua cúpula. Aliás, Alexandre de Moraes só saiu do partido porque foi obrigado, ao ser escolhido ministro do Supremo.  O mais curioso é o fato de Aécio ter defendido a votação aberta no caso Delcídio e agora mudou de ideia, repentinamente. O tucano Cassio Cunha Lima, pelo contrário, mostrou dignidade. É amigo de Aécio, mas não aceita o voto secreto. (C.N.)

Olimpíadas de sangue do povo sem saúde, educação e segurança

Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Sebastião Nery

Fernando Martins, jornalista, diretor da ANJ (Associação Nacional de Jornais) no Rio, conhecia o Salgueiro de “Chão de Estrelas” de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas. Ia passando na boca do morro, um velho e um rapaz carregavam uma moça.

– O que é que ela tem?

– Está passando mal. Vamos levar para o hospital do INSS em Andaraí.

– Entrem aqui no meu carro.

E Fernando Martins saiu em disparada para o Hospital de Andaraí.

Branca como uma nuvem, os olhos enormes saltando das pálpebras roxas, a moça tossia desesperadamente. O rapaz apertava a cabeça dela contra o peito e pedia baixinho:

– Calma, Gracinha, calma.

Trânsito ruim, Fernando furava o sinal, dava contramão, guardas apitando, anotando.

Ligou o rádio para distrair a moça. Elisete Cardoso cantava “Chão de Estrelas”:

– “Minha vida era um palco iluminado / Eu vivia vestido de dourado / Palhaço das perdidas ilusões.”

E a moça tossindo, sufocada. E Elisete cantando:

– “Cheio dos guizos falsos da alegria / Andei cantando minha fantasia / Entre as palmas febris dos corações.”.

A moça deu um gemido fundo, grunhiu forte. O rapaz, desesperado, o rosto lavado de sangue que saia do peito dela, golfadas esguichando, ensopando o tapete do carro.

E Elisete cantando: – “A porta do barraco era sem trinco / e a lua furando nosso zinco / Salpicando de estrelas nosso chão. / Tu, tu pisavas nos astros distraída / sem saber que a ventura desta vida / é a cabrocha, o luar e o violão.”

O velho apenas bateu com a cabeça. E passou os dez dedos calosos na testa da filha. O rapaz ficou soluçando baixinho, contido, beijando as pálpebras roxas. Tinha nos olhos o espanto dos loucos. E Elisete cantando:

– “Meu barraco no Morro do Salgueiro / Tinha o cantar alegre de um viveiro. /Foste a sonoridade que acabou./ E hoje, quando do sol a claridade / Forra meu barracão sinto saudade / Da mulher, pomba-rola que voou.”

Depois da correria, Fernando Martins chega ao hospital do INSS, em Andaraí. A moça tinha recebido alta algum tempo antes naquele mesmo hospital. Voltava morta. Apenas 21 anos, uma filha de dois meses. Comida pela tuberculose, a doença da fome.

Elisete já não cantava “Chão de Estrelas”.

LEGADO OLÍMPICO – O jogo tem que mudar. O relativo sucesso esportivo e cultural das Olimpíadas e das Paralimpíadas no Rio de Janeiro, de 2016, não pode apagar os desmandos e as roubalheiras de autoridades e dos dirigentes das federações esportivas brasileiras. A governança das entidades e de muitos clubes no Brasil é um desastre. Uma vergonha!

Pelo menos duas ações devem ser imediatamente apoiadas diante de tão grande número de escândalos no COI, na CBF e outras entidades: primeiro a apuração total e irrestrita da malversação dos recursos financeiros. E, segundo, buscar uma lei que limite ao máximo em dois mandados cada cargo de dirigente de federação e de time de futebol. Nada melhor para a gestão do que alternância de poder.

É hora de fechar o ralo do desperdício e da roubalheira para realizar as Olimpíadas da Saúde, da Educação, da Segurança, do Saneamento e da Pobreza. A vida do povo está em jogo.

Neste período torto da vida, a salvação pode ser a Teoria do Caos…

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Charge do Laerte (laerte.com)

Eduardo Aquino
O Tempo

Para quem acha que o mundo está acabando, em meio a furacões, terremotos, aquecimento global, Trump, Temer e Lava Jato, tenho boas notícias. Tudo isso tem uma lógica divina. Como “Deus escreve certo por linhas tortas”, estamos apenas vivendo em um período torto da escrita divina. Somos meros fractais, partes ínfimas que alteram o todo. Um efeito “El Ninho” civilizatório.

Pequenos e insignificantes caracteres de uma tuitada de um presidente podem encher nosso céu de luzes crepusculares de morte atômica. Talvez, cumpra-se a profecia, e o fogo espalhará sua força, trazendo luz às trevosas relações humanas.

É A ENTROPIA – Não sei se é do conhecimento de todos, mas o universo tende a um fenômeno chamado “entropia”. Ou desorganização, para desespero dos perfeccionistas e organizados. Por isso, me interessei pela teoria do caos. Pois é um alento saber que atrás de uma rachadura na parede, movimentos da bolsa de valores, ou o desenho que as ondas deixam nas areias em suas marés, coisas altamente irregulares, podem ser matematizadas por equações chamadas “não lineares” (não se preocupem com esses detalhes, pois isso é coisa para o pessoal de ciências exatas).

Enfim, por mais caótico que algo pareça ser, encontraremos alguma fração, mesmo invisível aos nossos olhos, altamente organizada.

LÓGICA DIVINA – Ok, parece complicado, mas vamos no popular mesmo: tudo tem uma lógica divina. Somos uma experiência cósmica que tem tudo para dar certo, ainda que aparentemente dê errado.

Como na teoria de Gaia, em que nosso planeta é um ser vivido regido por leis próprias e, de vez em quando, congela por milhares de anos, vira vulcões que exala atmosfera de gases tóxicos, ou é habitado por dinossauros, ou deixa um ser narcisista, egocêntrico, metido a Deus, achar que é “o cara” e dando poder a ele, transforma-o em demônio vendedor de almas, com depósitos na Suíça e delata os demais parceiros de inferno, guiados por almas honestas, que passeiam de pedalinho em lagoa de empreiteiras.

Mas ainda bem que a sopa de letrinhas de partidos feitos do barro de santos ocos pode ser vomitada em ordem alfabética. E santos de vestais do Supremo dizem amém. Pensando bem, não entendi nada da Teoria do Caos…

Costamarques, o laranja, revela que teve de devolver R$ 650 mil ao Instituto Lula

Lula

A situação de Lula se complica cada vez mais

Deu em O Tempo

Em depoimento ao juiz federal Sergio Moro no dia 6 de setembro, o aposentado Glaucos da Costamarques – acusado de ser o “laranja” de Lula na compra do apartamento vizinho ao que mora em São Bernardo do Campo e na aquisição do terreno do Instituto Lula, em São Paulo – afirmou que “devolveu” R$ 650 mil em dinheiro vivo dos R$ 800 mil que recebeu pela participação nos negócios. Para o Ministério Público Federal (MPF), as compras foram feitas com propina da Odebrecht ao ex-presidente.

O dinheiro teria sido devolvido atendendo a um pedido por Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, e foi retirado por dois emissários e transportado num um carro blindado com cofre, segundo contou Costamarques.

DEVOLUÇÃO – “Algum tempo depois de tudo resolvido (os negócios dos imóveis), eu estava já lá tranquilo, o Roberto Teixeira falou: ‘Ô Glaucos, você podia devolver esse lucro que você teve para o Instituto Lula”, disse ao ser interrogado como réu no processo em que Lula é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pelo acerto de R$ 12,4 milhões de propinas da Odebrecht.

O MPF sustenta que Costamarques recebeu R$ 800 mil em dezembro de 2010 por ter sido “laranja” de Lula nos negócios conduzidos por Teixeira. O valor embutia R$ 504 mil usados por ele quatro meses antes para comprar o apartamento 121 do edifício Hill House e ainda a comissão de R$ 172 mil por ter sido laranja, além dos gastos com impostos.

A defesa de Lula afirma que ele é locatário do apartamento 121 desde 2003 e que, a partir de 2011, passou a alugar o imóvel de Costamarques pagando aluguel regularmente. Lula afirma que tem os recibos originais dos pagamentos.

RECIBOS DO ALUGUEL – Na tentativa de verificar se os recibos do aluguel do apartamento 121 do edifício Hill House apresentados por Lula foram assinados no mesmo dia, O JUIZ Moro mandou o Hospital Sírio-Libanês verificar novamente se os registros de entrada apontam ingresso em suas dependências de Roberto Teixeira no segundo semestre de 2015, quando Costamarques estava internado na instituição. Interrogado pelo juiz, o próprio advogado relatou ter se encontrado com o aposentado no saguão do hospital, em São Paulo.

“Para dirimir por completo esta questão e considerando o requerido no evento 1.118, oficie-se novamente ao Hospital Sírio Libanês em São Paulo solicitando informação sobre eventuais registros de ingresso de Roberto Teixeira no Hospital Sírio Libanês no segundo semestre de 2015, a qualquer título, para internação ou tratamento”, ordenou Moro em despacho nessa sexta-feira (13).

Na última quarta-feira, o Sírio-Libanês entregou a Moro a relação de três visitas do contador João Leite Muniz a Costamarques em dezembro de 2015. O hospital informou também que não havia encontrado anotações sobre a visita de Roberto Teixeira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não há contradição nas declarações, porque Teixeira disse ao juiz Moro ter encontrado Costamarques no saguão do hospital. Ou seja, não chegou a entrar, por isso não houve registro de sua presença. Quanto a Lula, no dia 30 de outubro ele prestará depoimento à Justiça Federal em Brasília, no inquérito a que responde na operação Zelotes, sobre a compra e venda de MPs, a aquisição dos caças da FAB e outras coisitas mais. (C.N.)

Carta de Temer pedindo apoio a deputados é um primor de desfaçatez

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Andreia Sadi
G1 Brasília

O presidente Michel Temer escreveu uma carta a parlamentares para se defender das acusações que sustentam a denúncia contra ele na Câmara dos Deputados. No texto, a que o Blog teve acesso, Temer usa declarações do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para atacar a delação de Lúcio Funaro, operador do PMDB preso pela Lava Jato que fechou uma delação premiada.

“Em entrevista à revista Época, o ex-deputado Eduardo Cunha disse que a sua delação não foi aceita porque o procurador-geral exigia que ele incriminasse o presidente da República. Esta negativa levou o procurador Janot a buscar alguém disposto a incriminar o Presidente. Que, segundo o ex-deputado, mentiu na sua delação para cumprir com as determinações da PGR. Ressaltando que ele, Funaro, sequer me conhecia”.

Segundo auxiliares do presidente, a carta está sendo entregue em mãos aos parlamentares e se trata de um “desabafo”.

Leia a íntegra da carta:

Prezado Parlamentar.

A minha indignação é que me traz a você. São muitos os que me aconselham a nada dizer a respeito dos episódios que atingiram diretamente a minha honra. Mas para mim é inadmissível. Não posso silenciar. Não devo silenciar.

Tenho sido vítima desde maio de torpezas e vilezas que pouco a pouco, e agora até mais rapidamente, têm vindo à luz.

Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis.

Começo pelo áudio da conversa entre os dirigentes da JBS. Diálogo sujo, imoral, indecente, capaz de fazer envergonhar aqueles que o ouvem. Não só pelo vocabulário chulo, mas pelo conteúdo revelador de como se deu toda a trajetória que visava a impedir a prisão daqueles que hoje, em face desse áudio, presos se encontram.

Quem o ouviu verificou uma urdidura conspiratória dos que dele participavam demonstrando como se deu a participação do ex-procurador-geral da República, por meio de seu mais próximo colaborador, Dr. Marcello Miller. 

Aquele se tornou advogado da JBS enquanto ainda estava na PGR. E, dela sendo exonerado, não cumpriu nenhuma quarentena prevista expressamente no artigo 128, parágrafo 6°, da Constituição Federal.

Também veio a conhecimento público a entrevista de outro procurador, Ângelo Goulart Vilela, que permaneceu preso durante 76 dias, sem que fosse ouvido. Nela, evidenciou que o único objetivo do ex-procurador-geral era “derrubar o presidente da República”.

Ele tinha pressa e precisava derrubar o presidente”, disse o procurador. “O Rodrigo (Janot) tinha certeza que derrubaria”, afirmou. A ação, segundo ele, teria dois efeitos: impedir que o presidente nomeasse o novo titular da Procuradoria-Geral da República, e ser, ou indicar, o novo candidato a presidente da República. Veja que trama.

Mas não é só. O advogado Willer Tomaz, que também ficou preso sem ser ouvido, registrou igualmente em entrevista os fatos desabonadores em relação à conduta do ex-procurador-geral.
  
Em entrevista à revista Época, o ex-deputado Eduardo Cunha disse que a sua delação não foi aceita porque o procurador-geral exigia que ele incriminasse o presidente da República. Esta negativa levou o procurador Janot a buscar alguém disposto a incriminar o Presidente. Que, segundo o ex-deputado, mentiu na sua delação para cumprir com as determinações da PGR. Ressaltando que ele, Funaro, sequer me conhecia.

Na entrevista, o ex-deputado nega o que o dirigente-grampeador, Joesley Batista, disse na primeira gravação: que comprara o seu silêncio.

No áudio vazado por “acidente” da conversa dos dirigentes da JBS, protagonizado por Joesley e Ricardo Saud, fica claro que o objetivo era derrubar o presidente da República. Joesley diz que, no momento certo, e de comum acordo com o Rodrigo Janot, o depoimento já acertado com Lúcio Funaro “fecharia a tampa do caixão”. Tentativa que vemos agora em execução.

Tudo combinado, tudo ajustado, tudo acertado, com o objetivo de: livrar-se de qualquer penalidade e derrubar o presidente da República.

E agora, trazem de volta um delinquente conhecido de várias delações premiadas não cumpridas para mentir, investindo contra o presidente, contra o Congresso Nacional, contra os parlamentares e partidos políticos.

Eu, que tenho milhares de livros vendidos de direito constitucional, com mais de 50 anos de serviços na universidade, na advocacia, na procuradoria e nas secretarias de Estado, na presidência da Câmara dos Deputados e agora na Presidência da República, sou vítima de uma campanha implacável com ataques torpes e mentirosos. Que visam a enlamear meu nome e prejudicar a República. 

O que me deixa indignado é ser vítima de gente tão inescrupulosa. Mas estes episódios estão sendo esclarecidos.

A verdade que relatei logo no meu segundo pronunciamento, há quase cinco meses, está vindo à tona. Pena que nesse largo período o noticiário deu publicidade ao que diziam esses marginais. Deixaram marcas que a partir de agora procurarei eliminar, como estou buscando fazer nesta carta.

É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem e sabem de mim. É uma satisfação àqueles que democraticamente convivem comigo.

Afirmações falsas, denúncias ineptas alicerçadas em fatos construídos artificialmente e, portanto, não verdadeiros, sustentaram as mentiras, falsidades e inverdades que foram divulgadas. As urdiduras conspiratórias estão sendo expostas. A armação está sendo desmontada.

É preciso restabelecer a verdade dos fatos. Foi a iniciativa do governo, somada ao apoio decisivo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que possibilitou a retomada do crescimento no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCaramba!!! A carta de Temer revela um indivíduo digno de pena, uma alma puríssima sendo manchada por um grupo de malfeitores… Em matéria de desfaçatez, trata-se de uma obra-prima. (C.N.)

Exemplos de Delcídio e Cunha mostram que Aécio já deveria estar preso

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Celso Rocha de Barros
Folha

O Supremo Tribunal Federal não conseguiu explicar à opinião pública por que Aécio não foi preso como foi Delcídio do Amaral. Tampouco conseguiu explicar por que suas decisões contra Aécio terão que ser referendadas pelo Senado, rota de fuga que foi fechada para Eduardo Cunha. Se as decisões sobre o candidato da direita na última eleição presidencial estiverem corretas, as decisões sobre Delcídio e Cunha estavam erradas. Se as decisões sobre Delcídio e Cunha estavam certas, Aécio deveria estar preso.

Não sou constitucionalista, não tenho a pretensão de saber qual é o caso. Mas é evidente que, se todas essa decisões foram constitucionais, o Brasil teve outra Constituição durante a guerra para derrubar Dilma Rousseff.

TENDÊNCIA GRAVE – Não se trata, apenas, de um político corrupto escapando da Justiça. O caso de Aécio é representativo de uma tendência muito mais grave: desde que o PT caiu, a maré anticorrupção virou.

Delcídio caiu porque era petista, Cunha caiu porque foi pego antes de a maré virar (e, mesmo assim, só depois de ter derrubado Dilma). Aécio é tucano, do grupo que subiu ao poder com Temer. Não é Aécio que tem mais capacidade de resistir à Lava Jato: é a coalizão conservadora que chegou ao poder após o impeachment.

Não é possível, portanto, descartar a hipótese de que a direita fisiológica regula a margem de ação das instituições brasileiras conforme sua conveniência.

NO SUPREMO – Depois da decisão, o mundo caiu sobre a cabeça do STF, que foi acusado de não estar à altura de sua função constitucional. Bom, tem o Gilmar, mas, mesmo assim, não acho que essa seja a melhor análise.

Se a ministra Cármen Lúcia deu seu voto em favor de Aécio por temer uma guerra contra o Senado, sua leitura da situação estratégica estava correta: no momento, o Supremo Tribunal Federal é muito mais fraco que o conjunto dos senadores.

Durante a breve vigência da Constituição de 2015, o Supremo conseguiu derrubar corruptos importantes porque, na luta para derrubar Dilma Rousseff, nenhum dos analistas que hoje se preocupam com equilíbrio institucional dava a mínima para isso. Os empresários, que hoje só querem estabilidade, inflavam patos e os ânimos. Os partidos de direita que bradavam contra Delcídio hoje são o governo e têm como prioridade se livrar da cadeia, nem que para isso tenham que livrar também os petistas que derrubaram.

NOVA DIREITA – E a opinião pública? Como dizia Millôr Fernandes, opinião pública é a que se publica. Se o mestre, no céu dos colunistas, nos permitir uma atualização, opinião pública é a que se posta em redes sociais. Desde a guerra do impeachment, a opinião postada está sob controle da chamada Nova Direita, essa turma que não consegue mais emprego como roqueiro, ator pornô, filósofo ou militar, e descobriu que falar mal da esquerda rende um trocado.

E onde estava a Nova Direita durante o período que antecedeu o julgamento de Aécio? Estava fechando exposições de temática LGBT. A indignação que, em 2015, teria se voltado contra Aécio, agora caiu sobre o peladão do museu. O que era, é claro, o plano.

Desde que o Senado perdeu o medo da opinião pública, voltou a ser forte o suficiente para quebrar o Supremo. E enquanto a opinião pública brasileira continuar sendo a Marcha do Orgulho Otário, não adianta reclamar.

Uma dúvida: se o alvo não era Maia, a quem o advogado de Temer quis ofender?

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O advogado estaria culpando Raquel Dodge?

Bernardo Caram
G1, Brasília

Após classificar a divulgação de vídeos da delação premiada do operador financeiro Lúcio Funaro como ‘criminoso vazamento’, o advogado Eduardo Carnelós, que defende o presidente Michel Temer, afirmou neste domingo (dia 15) que “jamais” quis imputar prática de crime ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

No sábado (dia 14), Carnelós divulgou uma nota na qual apontava um “criminoso vazamento” dos vídeos com depoimentos à Procuradoria Geral da República. O material, porém, estava disponível no site oficial da Câmara desde o mês passado.

FICOU PERPLEXO – Ao Blog de Andreia Sadi, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se disse perplexo – “depois de tudo o que fiz pelo presidente” – com a manifestação do defensor de Temer.

Neste domingo, o advogado divulgou uma nova nota, justificando que não poderia supor que os vídeos eram públicos. Ele argumentou que, no fim de setembro, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), disponibilizou à defesa apenas as partes da delação premiada que diziam respeito a Temer.

“Considerando os termos da decisão do ministro Fachin, eu não poderia supor que os vídeos tivessem sido tornados públicos. Somente fiquei sabendo disso por meio de matéria televisiva levada ao ar ontem”, disse Carnelós. “Jamais pretendi imputar ao presidente da Câmara dos Deputados a prática de ilegalidade, muito menos crime”, acrescentou.

SEM SIGILO – Ele ressaltou ter constatado neste domingo que o ofício do STF à Câmara com o material da denúncia apenas tratava como sigilosos os autos de um dos anexos, sem se referir aos depoimentos de Funaro.

Para o advogado, os depoimentos do operador financeiro “também deveriam ser tratados como sigilosos, segundo o entendimento do ministro Fachin, em consonância com o que tem decidido o Supremo Tribunal”.

Na nota, Carnelós afirmou ainda que a divulgação dos vídeos pela imprensa causa prejuízos ao presidente. “Não se pode admitir o uso da palavra do confesso criminoso para influenciar os membros da Câmara, que votarão na CCJ o muito bem fundamentado parecer do deputado Bonifácio de Andrada, cuja conclusão é pela rejeição à solicitação de autorização para processar o presidente Temer”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se o advogado de Temer jamais pretendeu ofender o presidente da Câmara, o alvo de sua denúncia de “criminoso vazamento” só pode ser a procuradora-geral Raquel Dodge. Ou será que Carnelós estava tentado atribuir o “crime” ao ex-procurador-geral Rodrigo Janot, que há tempos está fora de combate? Como se sabe, a defesa de Temer & Cia. transformou Janot numa espécie de mordomo de filme de terror – é sempre o suspeito de tudo. (C.N.)

Com voto aberto, aliados de Aécio cogitam adiar decisão sobre afastamento

Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) em foto de fevereiro de 2015 (Foto: Agência Senado)

Cunha Lima, do PSDB, defende voto aberto na votação

Leticia Fernandes
O Globo

Depois da retirada do apoio da bancada do PT e de uma decisão da Justiça de Brasília determinar que a votação do caso Aécio Neves (PSDB-MG) será aberta, parlamentares do comando da Mesa do Senado já não descartam a possibilidade de adiar a sessão que decidirá sobre o afastamento do tucano, marcada para amanhã.

Preocupados, aliados de Aécio avaliam que, com a votação aberta e sem a ajuda dos petistas, diminuem as chances de o tucano se salvar. A esperança desses parlamentares era que Aécio pudesse ter votos mesmo na oposição se a votação fosse secreta. Diante do cenário atual, a avaliação é que o placar será muito apertado, mas o senador ainda conseguirá sair vitorioso e retomar o mandato.

VOTO ABERTO – “O placar será apertadíssimo. Acho que ele ganha, mas bem apertado. O voto aberto afugenta o PT, mas também parte do PMDB” — disse um dos aliados de Aécio.

A situação do senador afastado é delicada. Se ele não tiver 41 votos a favor da suspensão das medidas cautelares impostas pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), poderá ficar afastado do mandato por tempo indeterminado, e ainda terá de derrubar, no Conselho de Ética do Senado, o processo aberto pelo PT por quebra de decoro, que pode, aí sim, resultar na cassação de seu mandato.

Para garantir que será respeitada a decisão da Justiça Federal de Brasília de fazer a votação aberta, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) entrará hoje com um mandado de segurança no STF. “A regra da Constituição é clara: o voto neste caso tem que ser aberto, claro e transparente” — disse o senador, que criticou a possibilidade de a sessão que vai deliberar sobre o caso de Aécio Neves seja adiada. “Mesmo sob a minha divergência, o STF definiu que cabe a nós decidirmos sobre a situação do senador Aécio. Não há razão alguma para esse tema ser postergado”.

JUCÁ OPERADO – Na luta por votos, e com o desânimo dos últimos dias, Aécio deve perder mais um apoio importante: o do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que só deve voltar a Brasília na quarta-feira, um dia depois da data marcada para a votação ocorrer. A sessão do Senado foi adiada para que o STF pudesse deliberar sobre a questão antes dos senadores.

Internado há duas semanas por conta de uma diverticulite aguda, Jucá teve alta ontem do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, mas só voltará ao Senado na quarta-feira. No início do mês, já em crise de diverticulite, no entanto, Jucá usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para se deslocar entre Roraima e Brasília e defender que o Senado não afastasse o colega tucano. O peemedebista fez um discurso do plenário, relatando a internação e argumentando que, mesmo assim, fazia questão de comparecer à Casa para decidir sobre o futuro de Aécio.

FIM DO SIGILO – Irritados com a liminar do juiz Márcio Luiz Coelho de Freitas, responsável por estabelecer o voto aberto, senadores da cúpula do Senado chegaram a dizer, durante o fim de semana, que a Secretaria da Mesa sequer receberia a notificação sobre a decisão do juiz.

Apesar da reclamação de senadores que afirmaram que a decisão da Justiça de Brasília é um avanço do Judiciário sobre as competências do Legislativo, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) voltou a defender o voto aberto, usando como precedente a análise da prisão do ex-senador Delcídio Amaral (MS) pelo plenário, em novembro de 2015. Naquela ocasião, a votação foi aberta, obedecendo a um mandado de segurança deferido pelo Supremo e a uma questão de ordem votada no plenário do próprio Senado.

“A votação será aberta, é o que estabelece o Regimento Interno. E teve inclusive uma questão de ordem por mim levantada, no caso do Delcídio, que esclareceu a regra” — defendeu o senador tucano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A repórter Leticia Fernandes está em festa hoje, porque seu avô, o maior jornalista brasileiro e decano mundial dos analistas políticos, está completando 97 anos, em plena atividade, escrevendo diariamente no blog tribunadaimprensaonline e no Facebook. Helio Fernandes é um guerreiro em defesa dos interesses nacionais e merece todas as homenagens possíveis e imagináveis. (C.N.)

PF faz buscas no gabinete de irmão de Geddel e também em Salvador

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Lúcio Vieira Lima é a bola da vez na Lava Jato

Deu na Folha e no G1

A Polícia Federal realiza nesta segunda-feira (16) uma operação de busca no gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima. A Folha apurou que a PF também está em endereços ligados a Lúcio na Bahia. A ação está relacionada aos R$ 51 milhões encontrados pela polícia em um apartamento que seria utilizado como “bunker” em Salvador. O dinheiro é atribuído a Geddel, que está preso desde setembro.

A operação foi a primeira deflagrada a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, através do relator autorizada pelo ministro-relator Luiz Edson Fachin.

INTERDIÇÃO – Agentes da PF chegaram a interditar o acesso ao sexto andar do anexo IV, onde fica o gabinete. Lúcio é irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso por tempo indeterminado desde julho, após investigadores apreenderem R$ 51 milhões em um imóvel atribuído ao político. Segundo a PF, é a maior apreensão de dinheiro vivo da história da corporação.

Além do gabinete do deputado, também há buscas no imóvel dele em Brasília e no prédio em que ele e o irmão têm apartamentos em Salvador, na Bahia.

Em setembro, as investigações sobre o assunto foram remetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo da transferência do caso para o STF são os indícios encontrados nas investigações em relação a Lúcio Vieira Lima, que, na condição de deputado federal, tem foro privilegiado no STF.

NOTA FISCAL – De acordo com a PF, o apartamento foi emprestado a Lúcio Vieira Lima e era usado por Geddel. A corporação informou ainda que apreendeu uma nota fiscal de uma funcionária de Lúcio Vieira Lima no apartamento onde estava escondido o dinheiro. A operação desta segunda-feira investiga se há relação entre Lúcio Vieira Lima e os R$ 51 milhões. Os investigadores querem saber se ele poderia ser beneficiário ou intermediário do dinheiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Além de o apartamento estar emprestado a Lúcio e não a Geddel, o fato de ter sido encontrada uma nota fiscal em nome de uma funcionária do deputado demonstra a ligação e implica a própria assessora parlamentar, que terá de se explicar na Polícia Federal. (C.N.)

Um samba em homenagem à música brasileira, por Bira da Vila e Serginho Meriti

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Bira da Vila canta a brasilidade

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, compositor e percussionista Ubirajara Silva de Souza nasceu no Bairro Vila São Luiz, Duque de Caxias (RJ), razão pela qual adotou o nome artístico de Bira da Vila. Em parceria com Serginho Meriti, ele aborda os diversos estilos populares da música brasileira na letra de “Aqui, o Dali e o de Lá”. Este samba é uma aula de brasilidade e foi gravado por Bira da Vila no CD Canto da Baixada, em 2010, produção independente.

AQUI, O DALI E O DE LÁ
Serginho Meriti e Bira da Vila

É preciso mexer, misturar
O daqui, o dali e o de lá
Pois o nosso tempero tem samba, tem xote
Tem frevo e bolada, balada e jexá
Bota a banda pra tocar
Que o povo vai curtir, a galera vai gostar
Nossa gente é isso aí
Vai, vai…

No embalo do maracatu
Vaquejada, jambo, caxambú
Carimbó, sertanejo, merengue, lambada
Forró pé de serra, côco, boi bumbá
Xaxado, calango, reisado e axé
Toca aí que a gente diz no pé
Toca aí que a gente diz no pé

Toca um bom samba de enredo
O samba de roda, pagode e baião
Toca de tudo que toca em nosso coração
Um coração verde e branco, azul, amarelo
É canto, é dança, é ritmo
Elo, firmando a corrente da nossa nação

Toca quadrilha, congada
Fandango, lundu e saravacuê
Bumba meu boi, caiapó, toca maculelê
Cateretê, moçambique, quilombo
Bigada, caboclinho lambe, surge o marujada
Muita timbalada e o tererê

Nos EUA, Bolsonaro anuncia que poderá vender a Petrobras, “menos para a China”

Nelson de Sá
Folha

Via Facebook, o próprio Jair Bolsonaro informou sobre a cobertura de sua turnê pelos Estados Unidos. Destacou um “site de Alex Jones da Infowars” chamado “Prison Planet” e “o canal israelense i24 News “, para o qual declarou: “Com certeza será o primeiro país que visitarei”, se eleito.

Chamou atenção também para a entrevista que deu à Bloomberg, que o chamou nos enunciados de, entre aspas, “o Donald Trump do Brasil”.

Anunciou que a estatal Petrobras poderá ser vendida num eventual governo seu, mas não para a China. De maneira geral, defendeu que “o comércio com os EUA seja muito maior” do que com a China, o principal parceiro do Brasil.

FILIPINO DUTERTE – Também o “Financial Times” noticiou a turnê do deputado nos EUA, sob o título “Política de armas de fogo, ao estilo brasileiro”. Ele teria declarado em Boston que “Trump serve de exemplo para mim”, mas o jornal registra que alguns o associam também ao “filipino Rodrigo Duterte”.

Duterte que, segundo a agência France Presse, foi à televisão filipina na sexta à noite atacar a imprensa e “os vermelhos” — e ameaçar com um “governo revolucionário” no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os militares vão “adorar” essa declaração do capitão Bolsonaro, sobre a próxima venda da Petrobras. Com “nacionalistas” como Bolsonaro, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e Henrique Meirelles, o Brasil nem precisa de inimigos. (C.N.)

Se os militares querem motivos para “intervenção”, o Supremo logo irá atendê-los

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Charge do Oliveira (Arquivo Google)

Carlos Newton

A imprudência dos políticos  e dos pseudojuristas que ocupam cadeiras no Supremo Tribunal Federal está atingindo os limites da irresponsabilidade, como se dizia nos anos sinistros do governo FHC. Naquela época, porém, nem tudo era permitido, porque o Judiciário ainda funcionava como Poder Moderador. Mas os tempos mudaram, e  o que se constata agora é a ocorrência de uma promiscuidade institucional jamais vista desde a implantação da República.

ECOS DA DITADURA – O regime ditatorial durou 21 anos e deixou sequelas. Os militares se saíram bem na administração, o desenvolvimento socioeconômico era impressionante, mas agiram desastrosamente na repressão à luta armada. Sujaram de sangue o governo, não tinham nem poderiam ter autorização para torturar e matar, isso não tem desculpa nem justificativa – é crime hediondo, a merecer 30 anos de prisão, a pena máxima no país, que acaba se reduzindo para apenas um sexto, porque “brasileiro é tão bonzinho”, como diria a atriz Kate Lira.

O resultado das sequelas militares foi uma Constituição deturpada, que criou exóticos mecanismos para proteger os políticos, como o foro privilegiado, a imunidade parlamentar, a prisão após trânsito em julgado e a blindagem criminal do presidente da República. Em tradução simultânea, criou-se a impunidade da elite política, num país que se orgulha em dizer que todos são iguais na forma da lei.

A Lava Jato tenta acabar com tudo isso, igualar o Brasil a outras democracias que não concedem privilégios nem garantem impunidade aos políticos. Em três anos e meio, os juízes federais em primeira instância já condenaram 120 criminosos em primeira instância, enquanto o foro privilegiado de STF, STJ e TJs ainda não condenou ninguém da Lava Jato, apenas pediu a cassação dos mandatos de Eduardo Cunha e Delcídio Amaral.

OPERAÇÃO ABAFA – A reação não tardou e surgiu a Operação Abafa, que se destina a inviabilizar a Lava Jato e foi denunciada em setembro do ano passado pelo ministro Medina Osório, da Advocacia-Geral da União, que não aceitou participar da manobra e foi afastado do governo.

Sua substituta na AGU, a ministra Grace Mendonça, no início até tentou se rebelar, levou um gelo do Planalto e agora faz parte do esquema, pois acaba de encaminhar ao STF um parecer desfavorável à prisão em segunda instância, norma adotada em todos os países minimamente civilizados do mundo.

O fato concreto é que o Supremo se prepara para aprovar a excrescência jurídica, sob relatoria do ministro Marco Aurélio Mello, aquele que mandou libertar o goleiro Bruno, e não é preciso dizer mais nada.

FIM DA LAVA JATO – Se vingar no STF o parecer da ministra Grace Mendonça, destinado a atender os interesses de um criminoso vulgar chamado Michel Temer, haverá um retrocesso judicial que causará a libertação de todos os réus da Lava Jato, incluindo Sérgio Cabral, aquele que conseguiu uma fortuna de quase R$ 400 milhões com “sobras de campanha”.

Grace Mendonça deveria se mirar no exemplo de seu antecessor Medina Osório e se recusar a fazer o papel sujo, mas preferiu se curvar, deixando aparecer debaixo da toga a chamada “brecha da lei”, que vai libertar os corruptos que desviaram verbas públicas da educação, da saúde e da segurança.

E no Supremo os ministros deveriam se mirar no exemplo de Adaucto Lucio Cardoso. Nomeado ministro do STF pelo marechal Castello Branco em 1965, Cardoso não vendeu sua alma. Quando o Supremo aprovou a censura prévia à imprensa em 1971, fez um discurso histórico, despiu a toga, atirou-a à cadeira e abandonou o plenário. Assim procedem os homens de bem diante das iniquidades.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAlgum ministro atual seguirá o exemplo do Adaucto Lucio Cardoso, quando for aprovada a suspensão das prisões após condenação em segunda instância? Haverá, no Supremo, algum ministro ou ministra que realmente faça jus à toga que representa o manto sagrado da Justiça brasileira? Tenho minhas dúvidas? (C.N.)