ABI afirma que Jair Bolsonaro demonstra não estar à altura do cargo que ocupa

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Paulo Jerônimo critica o  presidente

Do site da ABI

“Num momento em que se exige serenidade e liderança firme e responsável, com seu comportamento irresponsável e criminoso o presidente mostra não estar à altura do importante cargo que ocupa”, diz a Associação Brasileira de Imprensa em nota assinada pelo presidente Paulo Jerônimo de Sousa, após o pronunciamento de Jair Bolsonaro nesta terça-feira, dia 24.

“Decididamente, num momento em que se exige serenidade e liderança firme e responsável, com seu comportamento irresponsável e criminoso o presidente mostra não estar à altura do importante cargo que ocupa”, diz a ABI, ao comentar o pronunciamento no rádio e TV, em que Jair Bolsonaro voltou a comparar a Covid-19 a uma “gripezinha” ou “resfriadinho”, atacou a imprensa e usou idosos para criticar o fechamento de escolas. Bolsonaro ainda voltou a atacar as medidas dos governadores, pedindo para eles “abandonarem o conceito de terra arrasada”.

Leia, abaixo, a nota na íntegra:

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BOLSONARO TENTA RESPONSABILIZAR A IMPRENSA

Na noite desta terça-feira, o País assistiu, estarrecido, a um pronunciamento em que o presidente Jair Bolsonaro minimiza os riscos da pandemia do Covid-19 e vai na contramão de todas as medidas recomendadas pelas autoridades de saúde, tanto do Brasil, como do mundo. Tenta, também, responsabilizar a imprensa pela justificada apreensão que toma conta de todos.

Num momento em que milhares de vidas são ceifadas em outros países e que o coronavírus chega a nosso país de forma ameaçadora, fazendo as suas primeiras vítimas fatais, Bolsonaro refere-se à pandemia como uma “gripezinha” ou um “resfriadinho” e, ainda mais grave, recomenda que as medidas preventivas não sejam adotadas pelos brasileiros. Dessa forma, contribui para que o país não se prepare para enfrentar a grave situação que estamos vivendo.

Decididamente, num momento em que se exige serenidade e liderança firme e responsável, com seu comportamento irresponsável e criminoso o presidente mostra não estar à altura do importante cargo que ocupa.

Associação de Jornais e entidades criticam MP que muda atendimento à Lei de Acesso à Informação

Organizações dizem que propostas de mudanças são contraditórias

Paulo Roberto Netto
Estadão

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota no início da noite desta terça-feira, dia 24, criticando a medida provisória que prevê suspensão dos prazos da Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo a entidade, nas situações atuais, o governo deveria ser ainda mais transparente e ágil.

“Em situações de calamidade, a informação pública deve ser ainda mais transparente, abrangente e ágil, e não menos, como define a MP”, diz a ANJ. “Embora em situações excepcionais sejam compreensíveis limitações isoladas e específicas, tais circunstâncias deveriam ser explicitadas nas respostas aos pedidos de recursos, e não omitidas por força de uma MP”.

PROPOSTAS CONTRADITÓRIAS – A entidade afirma lamentar a edição do ato, feito nessa segunda-feira, dia 23, pela gestão Jair Bolsonaro. Além da ANJ, nota coletiva assinada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) com mais de cinquenta entidades criticam sete pontos da medida. Segundo as organizações, as propostas de mudanças na LAI são vagas, contraditórias e sem exposição de motivos.

“Em vez de estabelecer novos procedimentos que dificultam o acesso a informações, o governo federal deveria seguir o exemplo dos países que foram mais bem-sucedidos no combate à covid-19 (coronavírus) e ampliar a transparência, orientando estados e municípios a fazer o mesmo”, afirmam.

ÔNUS AO CIDADÃO – Outros pontos criticados é o trecho da MP que impede a possibilidade de recorrer de pedidos suspensos sob justificativa de servidor em home office ou em atividade de combate ao coronavírus e trecho que deixa o ônus ao cidadão de procurar o órgão novamente para ter a resposta atendida quando o período de estado de calamidade pública acabar.

“Ao estabelecer que os pedidos não respondidos no prazo devem ser reiterados em até dez dias passada a calamidade, possibilita que todas as solicitações feitas no período sejam ignoradas, a menos que a pessoa se lembre de refazê-la, findo o decreto de emergência – quando a informação poderá deixar de ser útil e estar desatualizada”, apontam.

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ÍNTEGRA DA NOTA DA ANJ:

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) lamenta a edição da MP 928, que restringe o alcance e a efetividade da Lei de Acesso à Informação.

Em situações de calamidade, a informação pública deve ser ainda mais transparente, abrangente e ágil, e não menos, como define a MP.

Embora em situações excepcionais sejam compreensíveis limitações isoladas e específicas, tais circunstâncias deveriam ser explicitadas nas respostas aos pedidos de recursos, e não omitidas por força de uma MP, sob pena de gerar na sociedade condenáveis especulações ou desinformações.

ÍNTEGRA DA NOTA CONJUNTA DA ABRAJI COM MAIS DE 50 ENTIDADES:

Só venceremos a pandemia com transparência
As organizações e os especialistas abaixo manifestam seu repúdio às alterações nos procedimentos de acesso à informação feitas pela Medida Provisória (MP) Nº 928. O texto, publicado no último 23.março.2020, ataca gravemente os mecanismos de acesso à informação e de transparência pública. Pelos motivos apresentados abaixo, exigimos a revogação do trecho que inclui o artigo 6º-B na Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020.

1. Não há exposição de motivos para a inclusão do artigo. Esse item, que normalmente acompanha uma MP, é fundamental para a sociedade compreender a finalidade da medida e os critérios usados pela administração pública para adotá-la.

2. O texto é vago, prejudicando o procedimento de acesso a informações. O art. 6º-B determina a priorização de respostas a pedidos relacionados às medidas de enfrentamento da pandemia, mas não especifica como isso ocorreria, se o prazo para resposta seria menor e quais os critérios para essa priorização. O texto não explicita se a priorização afeta apenas informações sobre saúde ou também alcança assuntos igualmente importantes que tangenciam o combate à covid-19 – como economia, geração de renda e condições de compras públicas em situação de emergência. Ao não apontar como seria a priorização dos pedidos, não deixa clara a necessidade de solicitantes exporem os motivos pelos quais seu pedido se relaciona com a pandemia – o que contraria ao art. 10, § 3º, da própria Lei de Acesso à Informação (LAI).

3. O texto é contraditório e abre brecha para omissões indevidas a pedidos de informação. O caput do novo art. 6º-B da Lei nº 13.979/2020 indica que serão priorizados os pedidos relacionados com as medidas de enfrentamento da pandemia. Mas o inciso II do §1º determina a suspensão do prazo determinado pela LAI justamente quando a resposta ao pedido necessitar de envolvimento de agentes públicos ou setores dedicados às medidas de enfrentamento. Na prática, os prazos para o atendimento de pedidos relacionados com as ações de combate ao coronavírus estariam suspensos sob uma retórica de priorização. É de fundamental importância que o governo federal e especialmente o órgão coordenador da política de acesso à informação, a Controladoria Geral da União, garantam condições para que os servidores possam, em segurança, atender a tais demandas – sejam os que estão no combate direto, sejam os que estão executando as funções administrativas em teletrabalho.

4. Exclui a possibilidade de recurso, impedindo que as pessoas questionem negativas a informações ou não atendimento a pedidos. Somada à falta de critérios claros de aplicabilidade da nova norma, o fato de a MP estabelecer que não serão sequer avaliados os recursos contra negativas ou omissões de informação nas condições do artigo 6º-B sepulta as chances de acesso a informações pois possibilita constantes, injustificadas e impunes negativas do governo, contrariando a determinação da LAI, que garante a apresentação de recursos como um direito.

5. Impõe a todas as pessoas a obrigação de buscar a transparência que deveria ser fornecida pelo poder público. Ao estabelecer que os pedidos não respondidos no prazo devem ser reiterados em até dez dias passada a calamidade, possibilita que todas as solicitações feitas no período sejam ignoradas, a menos que a pessoa se lembre de refazê-la, findo o decreto de emergência – quando a informação poderá deixar de ser útil e estar desatualizada.

6. A MP foi construída e imposta sem transparência ou diálogo com a sociedade civil. A CGU conta com um Conselho de Transparência, cujo propósito é justamente discutir esse tipo de medida com a sociedade civil e garantir a participação social, mas nem o colegiado, nem outras instâncias de participação foram consultados.

7. A medida vai na contramão das iniciativas de governo aberto que estão sendo adotadas por diversos países. As ações – disponíveis aqui – são incentivadas pela Open Government Partnership (OGP), parceria internacional de governo aberto da qual o Brasil faz parte. Com essa ação, o país também contraria o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16 presente na Agenda 2030 das Nações Unidas.

Pelos motivos expostos, a MP 928 é desproporcional e viola o direito constitucional de acesso a informações de interesse coletivo. Coloca a transparência e o controle social em um lugar secundário justamente quando a população sofre com a desinformação em meio a uma crise sem precedentes. Isso prejudica o direito das pessoas de ter informação sobre as ações governamentais de enfrentamento à epidemia.

Em vez de estabelecer novos procedimentos que dificultam o acesso a informações, o governo federal deveria seguir o exemplo dos países que foram mais bem-sucedidos no combate à covid-19 (coronavírus) e ampliar a transparência, orientando estados e municípios a fazer o mesmo.

A divulgação ampla de dados, especialmente em formato aberto (como boletins epidemiológicos; testes administrados e disponíveis; metodologia da coleta de dados; contratos e informações sobre compras públicas e orçamento; status de ocupação dos leitos nos hospitais, principalmente nas UTIs etc.), pode eliminar uma eventual sobrecarga de pedidos de informação e a necessidade de ajustes em prazos e procedimentos.

Dessa forma, repudiamos o artigo 6º-B da Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, estabelecido pela MP 928 e defendemos enfaticamente sua revogação imediata. Além disso, esperamos medidas que visem ao aprimoramento da transparência ativa, bem como mecanismos e instrumentos necessários para que os servidores tenham plenas condições de cumprimento da lei sem comprometer sua segurança. Não se pode instituir um regime de operação paralelo à Lei de Acesso à Informação, nem tampouco retroceder nas conquistas sobre transparência alcançadas pela sociedade, especialmente em um momento de evidente crise.

Ricardo Salles pede desculpa após compartilhar vídeos antigos de Drauzio Varella contra isolamento

Mudança de postura veio após o Twitter apagar as publicações

Alice Cravo
O Globo

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles pediu desculpa em suas redes sociais pelos vídeos antigos do médico Drauzio Varella publicados em seu Twitter, no último domingo, com informações desatualizadas e fora de contexto sobre o novo coronavírus.

A mudança da postura de Salles veio após o Twitter apagar as publicações por violarem as políticas da empresa, além de uma alta repercussão negativa. O ministro compartilhou vídeos do Drauzio datados de 30 de janeiro, quando o Brasil não tinha casos de coronavírus e a Itália registrava apenas dois infectados.

INFORMAÇÕES ANTIGAS – Neles, o médico afirmou que não mudaria a sua rotina por conta do vírus e que nada justifica a alteração dos hábitos na população. O ministro publicou os vídeos em sua conta no Twitter sem avisar que se tratavam de informações antigas e desatualizadas para a situação atual do país com o vírus.

Drauzio e sua equipe emitiram uma nota acusando a autoridade de “desserviço”. Após a repercussão negativa, o ministro postou vídeos atualizados do médico e afirmou que não apagaria as outras publicações porque também havia compartilhado os novos conteúdos. Salles, no entanto, citou em seu pedido de desculpas que o assunto é “dinâmico”, “comporta discussões e opiniões distintas” e que quis demonstrar o “impacto econômico de certos exageros”.


DESINFORMAÇÃO – Em nota, a empresa afirmou que o Twitter anunciou em todo o mundo a expansão de suas regras para “abranger conteúdos que forem eventualmente contra informações de saúde pública orientadas por fontes oficiais e possam colocar as pessoas em risco de transmitir o COVID-19”.

Na legenda da postagem, o ministro escreveu apenas “Coronavírus/considerações Drauzio Varela”, sem avisar que se tratava de uma publicação antiga. A equipe do médico afirmou por meio de uma nota que, na época, a pandemia ainda não havia chegado ao Brasil e que por isso o conteúdo foi produzido para acalmar a população.

MUDANÇA DRÁSTICA – “À época, não tinha motivo para alterar o ritmo de vida diário (o vídeo antigo que circula data de 30/01, quando a Itália tinha somente dois casos confirmados)”. A equipe do médico ainda reforça que a situação “mudou drasticamente e vai continuar mudando, pois a pandemia é dinâmica” e que “orientações antigas não servem para esse momento”.

O Portal Drauzio Varella chamou a divulgação do vídeo pelo ministro de “desserviço” e afirmou que “por prováveis interesses políticos, algumas autoridades oficiais estão usando esse conteúdo sem informar que se trata de um material antigo, cujas recomendações não valem mais”.

A reação da equipe do médico também veio através das redes sociais. Em uma das postagens, a conta oficial no Twitter do “Portal Drauzio Varella” escreveu que “Na posição de ministro, esperamos que o senhor, no mínimo, tenha a responsabilidade de se atentar à data em que esse vídeo foi publicado (30.jan), uma vez que a situação em torno do coronavírus muda rapidamente”.

MÁ INTENÇÃO – Na edição do Fantástico deste domingo, o médico afirmou que “gente mal-intencionada” estava compartilhando o vídeo gravado em janeiro”. “Vale o que eu digo agora e o que direi nas próximas semanas: fique em casa o máximo possível”, reforçou.

Depois da repercussão negativa, Salles também compartilhou vídeos mais atuais do médico, que continham as novas recomendações do ministério da Saúde, como o isolamento social. Estas publicações continuam no ar.

RECUO – Na legenda, além de indicar que são conteúdos mais recentes, o ministro ainda destacou algumas falas do médico, como “Reforcem as medidas de precaução… lavar as mãos, evitar ficar próximo de outras pessoas e especialmente proteger os mais velhos” e “Se cada um fizer da sua cabeça o que acha melhor, vai virar bagunça”.

Em suas redes sociais, Ricardo Salles afirmou que, apesar da ampla repercussão, não achava prudente apagar a publicação que continha o vídeo mais antigo, já que compartilhou também os conteúdos mais recentes. Ele ainda destacou que fez questão de ressaltar as medidas de prevenção. “Postei todos os 3 vídeos, começando pelo mais antigo (nem tanto assim, 30/01) até o de 19/Março”, escreveu em uma publicação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGConforme dito nesta Tribuna, Salles quis, a exemplo de Bolsonaro, de forma irresponsável, minimizar a pandemia. Disseminou falsas notícias pelas redes sociais sabendo que milhares de pessoas iriam compartilhar as informações erradas. Agora, após ter suas postagens apagadas pelo próprio Twitter, recuou e pediu desculpas sob uma justificativa pra lá de enrolada. Não convenceu. (Marcelo Copelli)

Mourão diz que Bolsonaro se expressou mal e reprova critica que ele fez a Dória

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Mourão mostrou-se constrangido com a agressão a Dória

Deu na CNN

Cada vez mais isolado, depois de ser criticado por quase todos os governadores, Jair Bolsonaro foi desautorizado pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, que defendeu o isolamento social no combate à pandemia de coronavírus. Depois de ter convocado uma coletiva e não ter aparecido, o vice-presidente disse que a posição oficial do governo é o isolamento social e que Bolsonaro se expressou mal.

A jornalista Daniela Lima, da CNN, informou que Mourão disse que a posição oficial do governo é o isolamento social e que Bolsonaro se expressou mal. Antes da declaração, Mourão havia convocado uma coletiva de imprensa e, depois de 36 profissionais de imprensa reunidos, não apareceu, avisando que daria declarações via conferência.

ISOLAMENTO SOCIAL – “A posição do governo por enquanto é uma só, a posição do governo é o isolamento e o distanciamento social. Está sendo discutido e ontem o presidente buscou colocar, pode ser que tenha se expressado de uma forma que não foi a melhor, mas o que ele buscou colocar é a preocupação que todos nós temos com a segunda onda. Temos a primeira onda, que é a saúde, e a segunda que é a questão econômica”, disse Mourão em reunião sobre coronavírus para a região amazônica.

“Existe uma discussão no mundo entre o isolamento horizontal e o isolamento vertical que são pessoas que pertence ao grupo de risco e as que têm convívio com elas. A minha visão por enquanto é que temos que terminar esse período que estamos em isolamento para que haja calibragem da forma como está avançando a epidemia no país e, a partir daí, se possa gradativamente ir liberando as pessoas dentro de atividades essenciais para que a vida vegetativa do país prossiga”, continuou, segundo reportagem do Globo.

CONSTRANGIMENTO – Ainda em O Globo, o colunista Lauro Jardim noticiou que o o vice-presidente Mourão deixou claro seu descontentamento durante a discussão que o presidente Bolsonaro e o governador paulista João Dória tiveram durante a videoconferência nesta quarta-feira.

“Enquanto Bolsonaro dizia coisas como ‘Vossa Excelência se apropriou do meu nome nas eleições’. Mourão, que estava ao lado do presidente, olhou para baixo, meneou a cabeça com ar de reprovação”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A coisa está mesmo feia. Até o vice Mourão, que se afastou da imprensa para não irritar Bolsonaro, já não aguenta os arroubos do presidente. É grave a crise. (C.N.)

Uma semana após anunciar teste positivo para o novo coronavírus, Augusto Heleno volta ao Planalto

Heleno não cumpriu o isolamento de ao menos 14 dias

Guilherme Mazui
G1

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, voltou nesta quarta-feira, dia 25, a trabalhar no Palácio do Planalto, uma semana após ter anunciado que seu teste para identificar o novo coronavírus teve resultado positivo.

Segundo a assessoria do GSI, o ministro retornou ao trabalho no Planalto mediante autorização médica. Heleno, junto com outros auxiliares de Bolsonaro, participou nesta quarta-feira de videoconferência entre o presidente e governadores dos estados do Sudeste. Durante ela, Bolsonaro trocou farpas com o governador de São Paulo, João Doria.

ISOLAMENTO –  Heleno fez um primeiro teste para Covid-19, com resultado negativo, e repetiu o exame no dia 17, quando resultado foi positivo. Ele iniciou o isolamento na quarta-feira, dia 18, e retornou nesta quarta ao trabalho.

O ministro integrou a comitiva de Bolsonaro na viagem à Flórida (EUA), no início do mês. Até o momento, 23 pessoas que participaram da viagem estão com o coronavírus.

DOIS TESTES – Heleno, outros ministros e Bolsonaro fizeram dois testes para identificar o novo coronavírus depois da confirmação de que o secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, que viajou aos EUA, estava com o vírus.

Nos dois testes realizados, Bolsonaro informou pelas redes sociais que o resultado foi negativo. Ele não apresentou o laudo com os resultados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPara dar força a Bolsonaro, que está cada vez mais isolado e perde apoio até nas Forças Armadas, o general Augusto Heleno voltou ao Planalto, ao invés de cumprir o isolamento de 14 dias. Julgava-se que Heleno serviria para evitar as maluquices de Bolsonaro, mas não é bem isso que está acontecendo. O general-ministro parece apoiar o presidente em qualquer circunstância, e isso não combina com sua brilhante carreira militar. (C.N.)

Mourão contraria Bolsonaro e diz que a posição do governo “é o isolamento e o distanciamento social”

Mourão defendeu a união de todos no combate à pandemia

Paula Ferreira
O Globo

 O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou, nesta quarta-feira, dia 25, que a posição do governo é de defesa do isolamento social no combate ao novo coronavírus.Em pronunciamento em rede nacional na terça-feira, dia 24, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu a retomada de atividades comerciais e volta às aulas.

Questionado sobre o tema, Mourão afirmou que Bolsonaro pode ter se expressado mal. Novo boletim sobre a disseminação da Covid-19 registrou 2433 casos confirmados e 57 mortos.

ISOLAMENTO – “A posição do governo por enquanto é uma só, a posição do governo é o isolamento e o distanciamento social. Está sendo discutido e ontem o presidente buscou colocar, pode ser que tenha se expressado de uma forma que não foi a melhor, mas o que ele buscou colocar é a preocupação que todos nós temos com a segunda onda. Temos a primeira onda, que é a saúde, e a segunda que é a questão econômica”, afirmou Mourão .

“Existe uma discussão no mundo entre o isolamento horizontal e o isolamento vertical que são pessoas que pertencem ao grupo de risco e as que têm convívio com elas. A minha visão por enquanto é que temos que terminar esse período que estamos em isolamento para que haja calibragem da forma como está avançando a epidemia no país e, a partir daí, se possa gradativamente ir liberando as pessoas dentro de atividades essenciais para que a vida vegetativa do país prossiga”.

ATRITOS – O vice-presidente minimizou os atritos de Bolsonaro com os governadores e defendeu a união de todos os agentes públicos no combate ao novo coronavírus.

“A questão entre governadores e o presidente da república faz parte da política e ela muitas vezes nos coloca em pólos opostos. Existe um ambiente de cooperação entre governos estaduais e federais, porque temos que estar unidos para vencer essa epidemia com menor dano possível à população”.

CONSELHO DA AMAZÔNIA – Mourão, que está à frente do Conselho da Amazônia, apresentou em videoconferência seu plano de ação para a região da Amazônia. Outros 14 ministros compõem o grupo. O conselho foi instituído para dar uma resposta à crise na região, quando o desmatamento atingiu recorde de 29,5% em relação ao ano anterior e as queimadas na floresta.

O grupo ativou o Gabinete de Prevenção e Combate ao Desmatamento e às queimadas, que ficará subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

VIRTUAL – Embora tenha convocado uma coletiva de imprensa, o vice-presidente Hamilton Mourão não respondeu às perguntas dos jornalistas presencialmente, mas por meio de uma vídeoconferência.

Foi montada uma sala onde cerca de 20 jornalistas e cinegrafistas acompanhavam a fala de Mourão e aguardavam para fazer perguntas. Para a coletiva sem a presença do vice-presente, a assessoria colocou as cadeiras a uma distância de pouco mais de um metro. No intervalo entre uma pergunta e outra o microfone era higienizado.

Ronaldo Caiado rompe com Bolsonaro: “Na política e na vida a ignorância não é uma virtude”.”

Aumenta o isolamento político de Bolsonaro em meio à pandemia

Bruno Boghossian
Folha

Aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), rompeu com o presidente depois do pronunciamento feito em rede nacional na noite de terça-feira, dia 24. O goiano anunciou que não conversará mais com Bolsonaro e que o estado não atenderá suas determinações sobre o combate ao coronavírus.

“As decisões do presidente da República no que diz respeito à área de Saúde e ao coronavírus não alcançam o estado de Goiás”, afirmou em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, dia 25. “As decisões de Goiás serão tomadas por mim e por decisões lavradas pela Organização Mundial da Saúde e pelo povo técnico do Ministério da Saúde.”

CRÍTICAS – Caiado, que é médico, criticou as declarações feitas por Bolsonaro sobre os impactos econômicos da crise e seus ataques aos governadores, qualificando-os como um “discurso totalmente irresponsável”.

“Não posso admitir que venha agora o presidente da República lavar as mãos e responsabilizar outras pessoas por um colapso econômico. Não faz parte da postura de um governante. Um estadista tem que ter coragem de assumir as dificuldades. Se existem falhas na economia, não tente responsabilizar outras pessoas, assuma sua parcela”, declarou.

EX-APOIADOR – O governador de Goiás apoiou a candidatura de Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2018 e foi um dos poucos líderes locais que se mantiveram ao lado do presidente em seus 15 meses de mandato. Ele anunciou que não procurará mais o presidente e que só se comunicará com ele, a partir de agora, por comunicados oficiais.

“Se decisões eu tiver que tomar junto ao governo federal, eu as tomarei junto ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional. A autonomia que estou aqui conclamando como governador é conferida pela Constituição”, afirmou.

NA BALANÇA – O goiano criticou o foco exclusivo nos impactos econômicos da crise: “Ora, o que é isso? É exatamente querer, nessa hora, colocar na balança o que é mais importante, a vida ou a sobrevivência da economia. Não, nós podemos fazer as duas coisas”.

Caiado rebateu ainda declarações de Bolsonaro sobre medidas para relaxar restrições nos estados e também sobre o uso de medicamentos em fase de teste contra o vírus.

LAVANDO AS MÃOS – “Agora é isolamento vertical, agora é cloroquina… Ah, por favor! Estamos tratando de um assunto sério. A população tem que ter norte, tem que ter rumo, os líderes têm que saber se pronunciar nesse momento”, disse. “Por que responsabilizar os outros, dar uma de Pôncio Pilatos, lavar as mãos?”

Sem se mencionar o nome do presidente, o governador iniciou a entrevista coletiva com uma frase atribuída ao ex-presidente americano Barack Obama: “Na política e na vida a ignorância não é uma virtude”.

Caiado afirmou que Goiás vai manter medidas de restrição à circulação de pessoas e à atividade comercial independentemente de qualquer decisão de Bolsonaro.

RESTRIÇÕES – “[A crise] existe e será tratada por nós da maneira como nós determinamos no nosso decreto. Saberemos balizar o momento em que, aí sim, saberemos flexibilizar as restrições”, disse.

“Ao curarmos pessoas e tentarmos diminuir a extensão e gravidade da contaminação, estamos também atendendo à necessidade das pessoas de voltarem a suas atividades”, completou.

Bolsonaro “pedirá” ao ministro Mandetta isolamento somente para idosos e doentes

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Bolsonaro já mudou o tom e passou a respeitar o ministro

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que pedirá ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, uma mudança na orientação de isolamento da população na crise causada pelo novo coronavírus. “Conversei por alto com Mandetta, hoje, e vamos definir essa situação. Tem que ser, não tem outra alternativa”, apontou. A fala foi dita ao deixar o Palácio da Alvorada.

“A orientação vai ser o [isolamento] vertical daqui pra frente. Vou conversar com ele e tomar uma decisão. Não escreva que já decidi, não. Vou conversar com o Mandetta sobre essa orientação”.

ISOLAMENTO DE IDOSOS – Questionado sobre como aconteceria na prática, Bolsonaro disse que é preciso pegar o idoso e isolá-lo, em hotéis ou em casa. “Tem o isolamento horizontal, que estão fazendo aqui, e tem o vertical. É o vertical. Peguei um vídeo agora do Japão, todo mundo na normalidade. Você tem que pegar o idoso e isolá-lo, com hotéis ou em casa. Pô, cada filho cuida de seu pai, do seu avô, poxa. Não quer que eu contrate uma pessoa para cuidar de cada idoso, é impossível. Eu não sei a massa de idoso que tem no Brasil, são alguns milhões”, afirmou.

Ele voltou a criticar ainda que as medidas restritivas impostas por alguns governadores no combate contra o vírus, pode ser ainda pior do que a própria doença.

“Olha, quem está são, o risco é quase zero. O problema é acima de 60 anos ou quem tem algum problema de saúde. É isso. E agora o mal, né, que teremos depois com esse tipo de tratamento, isolamento horizontal, será muito maior do que vem acontecendo com vírus no momento. É uma realidade. Alguém acha que dá para ter zero mortes?”, questionou.

A PRÓPRIA MÃE – O presidente também citou a própria mãe para falar sobre a doença. “Tem essas pessoas que se não tivessem acometido o vírus também teriam morrido.  A gente lamenta, ninguém quer enterrar o ente querido, ninguém quer. A minha mãe vai fazer daqui a pouquinho 93 anos. Está magrinha, tem seus problemas. Ela está numa situação bastante complicada, qualquer coisinha que der nela, uma gripe qualquer, ela pode ser fatal. Lamento”.

Perguntado se seria possível isolar apenas a população de risco, Bolsonaro disse que é dever da família cuidar e que a população não pode deixar tudo nas costas do Estado. “Você quer que eu faça o quê? Eu tenho poder de pegar cada idoso lá e levar para um lugar e “ó, fica aí, tá aqui uma pessoa para te tratar”. É a família dele que tem que cuidar dele em primeiro lugar, rapaz.

NÃO É DITADURA – “O povo tem que deixar de deixar tudo nas costas do poder público. Aqui não é uma ditadura, aqui é uma democracia. A família em primeiro lugar. Este foi o discurso que me elegeu, inclusive. Os responsáveis pela minha mãe de 92 anos são seus meia dúzia DE filhos. Nós que somos responsáveis pela minha mãe no momento. Em último lugar, se não tiver ninguém, daí coloca num asilo, o Estado, seja quem for”, disse o presidente, antes de seguir para o Palácio do Planalto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBolsonaro sentiu a mancada do dia anterior e passou a demonstrar respeito ao ministro Luiz Henrique Mandetta, que está fazendo excelente trabalho, seguindo os protocolos internacionais, ao invés de tentar inventar saídas que ainda não existem. (C.N.) 

Ao invés de obedecer a Bolsonaro, as Forças Armadas preferem apoiar os governadores 

Marcelo Godoy e Tânia Monteiro
Estadão

O comandante do Exército brasileiro, general Edson Pujol, afirmou nesta terça-feira, 24, em vídeo distribuído pela corporação, que a crise do coronavírus “talvez seja a missão mais importante de nossa geração”. “Vivemos o enfrentamento de uma pandemia que exige a união de todos nós brasileiros. O momento é de cuidado e de prevenção, mas também de muita ação por parte do Exército brasileiro”, afirmou o general.

O pronunciamento, que durou 4 minutos e teve mais de 40 mil visualizações em duas horas, mostra a gravidade com que o tema está sendo tratado pela Força e contrasta com as declarações e pronunciamentos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro, que insiste em chamar a covid-19 de “gripezinha” ou “resfriadinho”.

OPERAÇÃO CONJUNTA – O Exército participará da operação conjunta concebida pelo Ministério da Defesa por meio do Estado Maior das Forças Armadas. Foram estabelecidos dez comandos conjuntos, que dividem o País. Oito deles estarão a cargo de generais do Exército e dois de almirantes – Natal e Salvador.

Hoje, tropas do Exército saíram às ruas em Vitória (ES) a pedido da prefeitura da cidade para auxiliar as forças de segurança locais a conscientizar a população a permanecer em casa. O motivo da atuação é que o caráter coercitivo do Exército é muito maior do que o de uma guarda municipal para mandar as pessoas saírem das ruas.

“Após rápido e minucioso exame da situação, que se mostra extremamente dinâmica, diretrizes foram expedidas pelo Comando do Exército e, em nível setorial, pelo Comando de Operações Terrestres, pelo Departamento de Pessoal e pelo Departamento de Educação e Cultura”, afirmou Pujol. No caso das escolas militares, só as que funcionam em regime de internato continuam com aulas, as demais estão com ensino a distância.

CONTRADIÇÃO – A mensagem do comandante foi gravada antes do pronunciamento presidencial e sem que Pujol soubesse o que Bolsonaro ia falar na TV à noite, quando voltou a desprezar a pandemia e seus efeitos. Até a noite desta terça, a covid-19 já havia deixado 46 mortos no Brasil e infectado ao menos 2.201 pessoas. “Uma de nossas responsabilidades com a Nação nesse momento de crise é que nossa tropa deve manter a capacidade operacional para enfrentar o desafio e fazer a diferença. Talvez seja a missão mais importante de nossa geração.”

De acordo com Pujol, estão ainda sendo tomadas medidas para proteger a saúde dos militares. “Os integrantes do sistema de saúde são os nossos combatentes da linha de frente. Esses profissionais estão dando exemplo de coragem e comprometimento contra a doença”.

O comandante também se dirigiu à reserva e aos familiares de militares. “Contamos com a ajuda de todos. O momento exige união e organização, cuidado especial com a nossa saúde e com a dos que nos cercam para que possamos superar mais este desafio.”

EXÉRCITO PREPARADO – Por fim, o general deixou claro que o Exército estará preparado para garantir a ordem caso seja necessário.

“O braço forte atuará se for necessário. E a mão amiga estará mais estendida do que nunca aos nossos irmãos brasileiros. Se a nossa Pátria amada está sendo ameaçada, lutaremos sem temor”, concluiu o comandante.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o presidente Bolsonaro está pedindo uma coisa (fim do confinamento) enquanto as Forças Armadas fazem outra (ajudam os governadores a tirar as pessoas das ruas). E ainda há quem pense que os comandos militares estão apoiando Bolsonaro incondicionalmente… Pelo contrário, muitos deles já acham que Bolsonaro está manchando a imagem das Forças Armadas e precisa agir com mais responsabilidade. Pense sobre isso. (C.N.)

Críticas “incendiárias” de Bolsonaro ao isolamento social repercutem na imprensa internacional

Charge do Adnael Silva (Arquivo Google)

Deu no Correio Braziliense

As críticas do presidente Jair Bolsonaro às medidas de isolamento que visam mitigar o contágio do coronavírus estão repercutindo no exterior. Em discurso transmitido em rede nacional na noite de terça-feira, dia 24, Bolsonaro pediu a reabertura de lojas e escolas, ainda que especialistas de saúde pública recomendem o confinamento para “achatar a curva” de contaminação pelo covid-19.

 O New York Times destacou que Bolsonaro vê a questão do coronavírus como “exagerada” e citou os panelaços que ocorreram na terça-feira durante o discurso do presidente. “Enquanto ele falava, alguns brasileiros que estão em casa, em isolamento, protestaram contra o que consideraram como atitude blasé em relação à pandemia”, informa o jornal americano.

CETICISMO – Colunista do The Washington Post, outro jornal dos Estados Unidos, Ishann Tharoor diz que Bolsonaro, “ao contrário de Trump”, encara a ameaça do coronavírus com “ceticismo”.

“Ele declarou o coronavírus como uma ‘gripezinha’ e criticou governadores do País por instituírem bloqueios em alguns dos principais Estados. E ele divulgou suas próprias supostas proezas atléticas como evidência de que ele poderia suportar o vírus”, escreveu o analista.

EXTREMA DIREITA – O inglês The Guardian, que chama Bolsonaro de “presidente de extrema direta”, destaca que o mandatário brasileiro “disse que não sentiria nada se infectado com a Covid-19”.

“As observações incendiárias de Bolsonaro ocorreram quando o Rio de Janeiro e São Paulo foram colocados sob bloqueio parcial pelas autoridades municipais e estaduais, que temem uma explosão de casos nos próximos dias”, diz matéria publicada no portal estrangeiro. “O presidente resistiu a medidas drásticas para impedir a propagação do que ele chama de ‘gripezinha'”, informa outra nota do mesmo site.

RISCOS MINIMIZADOS – Ainda na Europa, o francês Le Monde afirma que Bolsonaro minimizou os riscos da Covid-19, “que já matou mais de 18 mil pessoas em todo o mundo e forçou um terço da humanidade a aderir medidas de confinamento”.

O portal alemão Deutsche Welle, por sua vez, traz que Bolsonaro é cada vez mais criticado em sua forma de lidar com o coronavírus. “Ele chama de ‘histeria’ e ‘gripezinha'”, diz o jornal.

CONTRA A MARÉSobre o pronunciamento de Bolsonaro, o Japan Times publicou análise do jornalista Dave Graham. “O esquerdista mexicano Andres Manuel López Obrador e o presidente brasileiro de direita Jair Bolsonaro nadaram contra a maré da opinião científica – diminuindo os riscos, delegando responsabilidades e ignorando os conselhos dados ao público”, defende o texto. López Obrador também tem resistido às orientações de isolamento, de olho nos impactos econômicos.

Na América Latina, o argentino Clarín traz análise do editor Ricardo Roa, que cita Bolsonaro e seu posicionamento em coluna intitulada “O vírus da gripe e o delírio”. Já o jornal chileno Emol ressalta que a fala de Bolsonaro foi feita no mesmo dia em que o número de casos de coronavírus no Brasil chegou a 2.201, com 46 mortes.

Bolsonaro publica áudio não identificado nas redes sociais para defender a reabertura do comércio

Bolsonaro afirmou que haverá caos se o isolamento continuar

Ricardo Della Coletta
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou nesta quarta-feira, dia 25, em suas redes sociais um áudio não identificado para defender a abertura do comércio em meio à crise do coronavírus. Em outra publicação, o presidente divulgou um vídeo sobre a pandemia no Japão e afirmou que haverá caos se a política de isolamento continuar no Brasil.

O áudio anônimo trata da resposta de Donald Trump à pandemia do novo coronavírus nos Estados Unidos e disse que, assim como prega o americano, o Brasil também precisa “abrir o comércio”. A declaração do presidente vai na linha de seu pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, na terça-feira, dia 24, e de sua declaração na manhã desta quarta-feira.

CRÍTICA AOS GOVERNADORES – Nas duas ocasiões, o presidente criticou medidas de restrição de movimentação adotadas por governadores e disse que o país, para evitar o caos, precisa retornar á normalidade.

“Trinta e oito milhões de autônomos já foram atingidos. Se as empresas não produzirem não pagarão salários. Se a economia colapsar os servidores também não receberão. Devemos abrir o comércio e tudo fazer para preservar a saúde dos idosos e portadores de comorbidades”, escreveu o presidente em seu Twitter.


MUDANÇA DE PARADIGMA – Na mesma mensagem, o presidente compartilhou uma imagem dele e de Trump, além de um áudio de uma pessoa não identificada. Nele, gravado na segunda-feira, dia 23, o narrador diz que Trump adotou uma “mudança de paradigma” no combate à Covid-19.

“Tem que mudar o paradigma, não pode fechar a economia inteira. Se não o caos social vai se estabelecer a cura vai ser muito mais danosa do que o desease [doença]”, declara o narrador do áudio. “Ele [Trump] vai abrir o país, vai mandar todo mundo voltar”.

ADVERTÊNCIA – No mesmo áudio, o narrador também diz que os EUA vão passar a administrar a hidroxicloroquina para pacientes com o novo coronavírus. O medicamente apresentou resultados promissores para a enfermidade, mas ainda faltam estudos conclusivos e o próprio ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, advertiu que ele tem sido administrada apenas para casos graves e que há efeitos colaterais.

“Todo mundo rezando para que o remédio funcione nos pacientes nos EUA, na América Latina e no mundo inteiro”, diz o narrador do áudio. Ele classifica ainda a política de confinamento massivo da população para frear a transmissão do vírus como “covarde”.

Em declaração recente, Trump afirmou que espera reabrir uma grande parte da economia americana até a Páscoa (12 de abril). Assim como Bolsonaro, o presidente dos EUA tem dito que os prejuízos econômicos com o confinamento em massa podem gerar danos inclusive maiores do que as mortes pelo Covid-19.

Reunião com governadores do Sudeste, tem bate-boca e troca de acusações entre Bolsonaro e Dória

Dória ameaçou ir à Justiça contra o governo federal em caso de confisco

Silvia Amorim, Gustavo Maia e Thais Arbex
O Globo

A reunião do presidente Jair Bolsonaro com governadores do Sudeste na manhã desta quarta-feira, dia 24, teve bate-boca e os discursos descambaram para questões políticas e eleitorais.

O momento mais tenso foi protagonizado por Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria. O paulista ameaçou ir à Justiça contra o governo federal caso haja confisco de equipamentos e insumos destinados ao combate do novo coronavírus no estado.

“DEMAGOGIA” – Bolsonaro reagiu ao discurso de Doria e, entre outras acusações, disse que o governador faz “demagogia barata” neste momento com objetivos eleitorais em 2022.

Participam da reunião os governadores Wilson Witzel (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais) e Renato Casagrande (Espírito Santo), além de ministros como Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), entre outros. A reunião, que acontece por videoconferência, ainda está em andamento.

ADVERSÁRIOS – O clima do encontro destoou das demais reuniões feitas por Bolsonaro com os outros governadores do país desde segunda-feira. O encontro desta manhã aconteceu um dia depois do pronunciamento de Bolsonaro em rádio e televisão em que defendeu um afrouxamento das medidas de restrição à Covid-19. Witzel e Doria são os governadores que Bolsonaro considera seus maiores adversários políticos.

Bolsonaro foi cobrado na reunião desta manhã a dar “o exemplo” ao país. Irritado com a fala do governador de São Paulo, Bolsonaro partiu para o ataque: “Essa situação (de Dória como) porta-voz (dos outros governadores) pra mim não serve. Senhor governador João Doria, faça a sua parte, o governo federal está pronto para colaborar, como sempre esteve. Vossa excelência foi que fechou as portas para nós. Resolveu partir para a campanha antecipada de 22 em vez de buscar o bem estar do seu povo paulista, para minorar os problemas que se avizinhavam. Assim, sendo, respondendo a vossa excelência, não atacando, mas apenas respondendo seus ataques infundados”.

CALMA E EQUILÍBRIO – Bolsonaro passou a palavra para o ministro da Saúde, Luiz Mandetta, que diante da discussão entre eles pediu calma: “O momento, quando se tem uma crise dessa proporção, a primeira palavra que a gente precisa ter é calma e equilíbrio”.

Governadores também pediram ao presidente nesta quarta-feira que inicie negociações com o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para que o pagamento das dívidas dos estados com essas instituições seja adiado por até um ano.

 

Maia defende redução de salário nos Três Poderes, inclusive dos concursados

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Nossa meta principal é evitar a perda de vidas, afirma Maia

Luiz Calcagno
Correio Braziliense

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) falou, na manhã desta terça-feira (24/3), sobre como conter a crise do coronavírus. O deputado trata o problema como situação de guerra. Entre outros pontos, defendeu a redução do salário de funcionários públicos concursados ou dos eleitos nos Três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário.

Maia afirmou que a folha de pagamento atinge um valor de R$ 200 bilhões e que uma economia de 15% a 20% por mês poderia ajudar, mas destacou que o assunto ainda será debatido.

DOIS ORÇAMENTOS – O deputado também voltou a falar na proposta de emenda à Constituição (PEC) que segrega o orçamento da crise do orçamento anual do governo federal, como uma forma de impedir que gastos necessários para a prevenção e combate ao Coronavírus e seus efeitos na saúde, educação e segurança não continuem pelos próximos anos.
“Quando a gente fala em recessão, fala em empobrecimento do país. Estamos ficando mais pobres. Quando ficamos mais pobres na nossa casa, readequamos nossos gastos para outra realidade”, explicou o presidente da Câmara.

Maia abordou as dificuldades que o Brasil enfrentará e falou sobre o Plano Mansueto, projeto de lei complementar vai garantir empréstimos para os estados. Afirmou também que o texto ainda sofrerá alterações e melhorias, inclusive, no que diz respeito à recuperação fiscal do Rio de Janeiro, que também deve ser estendido à Minas Gerais e Goiás.

DÍVIDAS ESTADUAIS – “Você suspende o pagamento da dívida. O governo vai autorizar a suspensão para todos, para todos gastarem menos com a dívida e ter o que gastar com coronavírus. O governo federal, ontem, anunciou a recomposição dos fundos estaduais e municipais. A queda deve ser grande, de R$ 16 bilhões. Também vamos resolver o problema legal do BNDES para que ele possa suspender pagamento de juros da dívida, o que também precisa de projeto de lei complementar para enfrentar a crise na economia, no social e, em especial, na saúde pública.”

Cabe lembrar que o país está no começo da subida no crescimento de número de contaminação. “Temos que trabalhar semana a semana. Ainda não sabemos os verdadeiros impactos do vírus na nossa sociedade. A gente sabe que ele tem uma letalidade muito grande nos mais velhos, mas que eles são vulneráveis, tem diabetes. Temos essa informação. Temos uma população mais jovem que na Itália. O vírus não disseminou dentro das comunidades, que são as pessoas mais vulneráveis”, disse.

GARANTIA À SAUDE – “Precisamos dar tranquilidade aos brasileiros, investir em saúde pública para ter leito de UTI, os respiradores necessários para quem ficar doente, precisa ter essa garantia. Todo mundo está trabalhando nessa linha. Ontem, eu vi em São Paulo a construção de muitos leitos. O Rio de Janeiro está fazendo a mesma coisa e, certamente, Goiás. Mas não sabemos o impacto da crise na nossa sociedade. Por isso que eu acho que o governo tem que dar garantia para a saúde pública”, disse, acrescentando:

“E o governo federal, com o setor privado, construir um entendimento para que o Estado coloque recurso e mantenha os sistema produtivo privado, de pequenas, médias e micro empresas, por um período. Por isso, temos períodos de 60 dias. E a cada semana, ir revisando as decisões”, detalhou.

Maia também falou sobre o isolamento da população e disse que a medida poderia ser revista em três semanas, a depender de como o vírus se alastrará entre os brasileiros. “Hoje, a decisão é o isolamento. Ninguém tem dúvida que esse é o melhor caminho. Amanhã, daqui a 15 dias, três semanas, pode ter outra posição, liberar do isolamento as pessoas mais jovens, para que a economia volte a caminhar. Mas a prioridade é a vida”.

Governadores criticam Bolsonaro, falam em demissão de Mandetta e impeachment

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Witzel contesta Bolsonaro e segue as recomendações da OMS

Camila Mattoso
Folha

Governadores criticaram o pronunciamento de Jair Bolsonaro em rede nacional, na noite desta terça-feira (dia 24), e dizem que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, perdeu legitimidade no governo.

O presidente voltou a se referir ao coronavírus como “gripezinha” e “resfriadozinho”, disse que o isolamento é exagero, criticou os gestores que optaram por fechar escolas e culpou a imprensa pelo que chama de histeria.

AUMENTAM AS VÍTIMAS – Segundo o Ministério da Saúde, 46 pessoas morreram vítimas da doença e mais de 2.000 foram infectadas.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), afirmou que a fala indica que “estamos sem direção”. “Desconectado da realidade, desconectado da ação do Ministério da Saúde, atrapalha o trabalho dos governadores e menospreza os efeitos da pandemia”, afirmou.

“Os governadores precisam se reunir, estamos sem coordenação. O ministro e os governadores de um lado e o presidente menosprezando a pandemia de outro”, disse.

DESAUTORIZA MANDETTA – O discurso, segundo o capixaba, desautoriza ainda o trabalho do ministro Mandetta. “O ministro não tem legitimidade para permanecer mais no ministério”, disse.

Flávio Dino (PC do B), governador do Maranhão, avalia que Bolsonaro “viu que perdeu a governabilidade”. “Ele mesmo deflagrou o seu próprio processo de impeachment. Está completamente fora da realidade”, afirmou.

Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte, disse que a declaração “é de uma perplexidade sem tamanho, é inaceitável e lamentável”.

NA CONTRAMÃO DO MUNDO – “Confesso que depois da iniciativa do presidente, de ter atendido os governadores, achei que fosse mudar”, disse ela. “E aí hoje ele vem com essa postura e com esse conteúdo, totalmente na contramão de todas as medidas que, com tanto esforço e responsabilidade, os governadores e prefeitos vêm enfrentando a pandemia?”, disse.

A governadora do Rio Grande do Norte afirmou que os cuidados estão sendo recomendados em todo o mundo e que o país precisa de união contra a doença.

“Espero que o presidente não insista nesse caminho”, afirmou ela.

NÃO É “GRIPEZINHA” – Wellington Dias (PT), do Piauí, gravou um vídeo em que lembrou que uma boa parcela dos infectados pelo coronavírus em outros países estão sendo internados por semanas na UTI, entubados.

“No Piauí tive que tomar medidas duras, de suspender cirurgias marcadas, de casos importantes, seguindo orientação do ministro da Saúde do seu governo [de Bolsonaro] para garantir vagas para quem pudesse precisar, por conta do coronavírus […] ​Não se faz isso por uma gripezinha.”

“Sei que as pessoas terão prejuízo, mas há algo em primeiro lugar agora, é a vida humana […] Vamos seguir com o isolamento social onde for necessário, com a ciência e com Deus”, disse.

ASSEGURAR TRATAMENTO – Hélder Barbalho (MDB), governador do Pará, informou em nota que trabalha para assegurar tratamento dos infectados.

“Todo o nosso objetivo é aliviar o sistema de saúde para que as pessoas que eventualmente fiquem doentes possam ser tratadas. Por isso, suspendemos temporiariamente as aulas, festas, o comércio e os bares. Com menos gente circulando, o vírus circula menos e a gente não tem uma multidão batendo nas portas dos hospitais ao mesmo tempo”, disse.

Ele afirmou ainda que espera que as medidas anunciadas pelo ministro Paulo Guedes (Economia) “precisam ser colocadas em prática imediatamente, porque as empresas não aguentam muito tempo.”

NO MELHOR CAMINHO – Camilo Santana (PT), governador do Ceará, publicou em suas redes sociais um comentário em que afirma que todas as medidas tomadas foram recomendadas por profissionais da saúde “e têm sido a melhor forma de enfrentamento ao coronavírus”.

“Tenho apenas um comentário a fazer: vamos continuar trabalhando fortemente as ações que visam evitar o avanço do coronavírus em nosso estado, como temos feito até aqui”, destacou o governador do Ceará.

OBEDECER A OMS – No Rio de Janeiro, antes de participar de uma videoconferência com o presidente Bolsonaro e os governadores do Sudeste, Wilson Witzel afirmou que não é possível seguir o que diz o presidente Bolsonaro, pois ele está o contrário do que recomendam a Organização Mundial da Saúde e o próprio Ministério e instituições especializadas do país.

Disse Witzel que o presidente pode falar o que bem entender, mas os governadores continuarão obedecendo as recomendações da OMS e dos cientistas brasileiros.

Flávio e Eduardo endossam pronunciamento de Bolsonaro em defesa do fim do isolamento social

Irmãos defendem a quebra de protocolos adotados mundialmente

Deu no O Globo

Filhos do presidente Jair Bolsonaro e aliados políticos utilizaram as redes sociais para defender o pronunciamento dele, exibido nesta terça-feira, dia 23, em cadeia nacional de rádio e televisão. Contrariando medidas recentes de prefeitos e governadores, Bolsonaro defendeu o fim do isolamento social como medida de combate ao avanço do novo coronavírus, que já deixou 46 mortos no país.

O senador Flávio Bolsonaro (Sem partido-RJ) repetiu o tetor da fala do pai, exaltou-o pela “coragem” e pediu que as pessoas voltem a trabalhar.

VOLTA AO TRABALHO – “Aqueles que torcem para que o vírus vença o Brasil estão revoltados com a coragem do presidente de escancarar a verdade! Vamos sair do isolamento horizontal para o vertical, protegendo os mais vulneráveis e permitindo que pessoas voltem a trabalhar”, escreveu o Flávio.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) escreveu que “líderes mundiais se preparam para o fim do confinamento”. “Resguardar os grupos de riscos e permitir que a epidemia tenha sua natural curva de declínio — igual foi com o H1N1, que é mais letal do que o coronavírus — sem que com isso a recessão destrua todos os países”, registrou parlamentar.

CONTRAMÃO – O líder do governo na Câmara, deputado Vítor Hugo (PSL-GO), também elogiou o presidente. “Excelente pronunciamento do nosso presidente! A sua visão de estadista e a sua coragem em ir na contramão da histeria coletiva, construída sem critérios racionais, vão salvar as vidas de milhões de brasileiros”, escreveu.

Em nota oficial divulgada pouco após o fim do pronunciamento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), classificou as falas de Bolsonaro como “graves” e afirmou que o Brasil precisa de uma “liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população”. O texto também foi assinado pelo primeiro vice-presidente do Senado, Antônio Anastasia (PSD-MG).

DESAGRADO – Além de Alcolumbre, houve críticas de governadores e parlamentares. Na esfera estadual do Executivo, demonstraram desagrado com o pronunciamento os governadores Wilson Witzel (PSC-RJ), Renato Casagrande (PSB-ES) e Flávio Dino (PC do B-MA).

Houve reprovação também na Câmara dos Deputados, como mostraram mensagens publicadas pelos parlamentares Joice Hasselmann (PSL-SP) e Alessandro Molon (PSB-RJ), entre outros. No Senado, Rodrigo  Pacheco (DEM-MG) e Weverto Rocha (PDT-MA), líderes de seus partidos na Casa, também criticaram Bolsonaro.

Manifestou-se ainda o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. No Twitter, ele disse que a crise não suporta a insensatez e afirmou que “a pandemia da Covid-19 exige solidariedade e co-responsabilidade”.

“O País precisa de uma liderança comprometida com a vida”, cobra Alcolumbre após fala de Bolsonaro

Irresponsável, Bolsonaro defendeu o fim do “confinamento em massa”

Daniel Carvalho, Danielle Brant e Julia Chaib
Folha

Parlamentares, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), reagiram nesta terça-feira, dia 24, com perplexidade e irritação ao pronunciamento em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou o fechamento de escolas e do comércio.

Até o momento, o Brasil registra 46 mortes e 2.201 confirmações da doença. O pronunciamento de Bolsonaro gerou muitas reações inflamadas. Poucos foram os congressistas que saíram em defesa do presidente.

“LIDERANÇA SÉRIA” – “Neste momento grave, o país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população. Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque”, disse Alcolumbre.

A presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) no Senado, Simone Tebet (MDB-MS), se mostrou perplexa após o pronunciamento. “Adianta comentar?”, respondeu à Folha quando procurada. Já o líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que Bolsonaro superou “todos os limites da irresponsabilidade”.

TESE MALUCA – “[Ele] Ataca todo mundo, questiona o isolamento social, vem com uma tese maluca de que a Itália tem um clima mais frio. Vai passar para a história como a primeira vez em que um chefe de Estado usou a cadeia de rádio e TV para espalhar mentiras, mentiras que podem levar as pessoas à morte”, criticou.

Na Câmara, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM) se disse frustrado com a reação do presidente. “Quando mais precisamos de um líder que una o país, mais ouvimos um presidente que luta contra inimigos imaginários. O povo preocupado em salvar as pessoas e o presidente preocupado em acirrar disputas políticas”, afirmou.

CONTRA OS PROTOCOLOS – “Além disso, é angustiante o presidente contradizendo o ministro Mandetta [Saúde], o que confunde a população num momento que precisamos de segurança”.

O pronunciamento também foi tachado de contraditório pelo deputado Fábio Trad (PSD-MS). “As medidas que o próprio Ministério da Saúde está adotando e recomendando não são compatíveis com um resfriadinho e uma gripezinha. Elas são compatíveis com uma patologia severa de gravidade acentuada.”

IRRESPONSÁVEL –  Na visão de outros parlamentares, Bolsonaro foi irresponsável e inconsequente. “O presidente dobrou a aposta do discurso lunático e colocou em xeque as políticas de isolamento defendidas pelo seu próprio ministro da Saúde”, afirmou o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP). “Em vez de propor soluções, preferiu atacar a imprensa, os governadores e fazer piada em rede nacional. Tragédia anunciada.”

Irresponsável e inconsequente também foram os adjetivos escolhidos pela ex-líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), para descrever o presidente. “O Brasil precisa de um líder com sanidade mental. Todas as chances que o PR teve de acertar ele mesmo jogou fora. Erra e se orgulha do erro estúpido”, escreveu em uma rede social.


FALA CRIMINOSA – Na oposição, as declarações de Bolsonaro provocaram reações igualmente enérgicas. “É uma fala irresponsável, criminosa. Ele se contrapõe à ciência, ao trabalho do próprio pessoal do governo, na área da saúde, minimiza a gravidade do que estamos enfrentando. Todos os líderes, presidentes, primeiros-ministros, estão querendo salvar a população, e aqui Bolsonaro quer expor a população a uma tragédia”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE).

Apesar disso, o petista diz acreditar que agora não é o momento de se falar em impeachment. “Temos que conduzir este processo com tranquilidade. O grau de insatisfação que ele está produzindo vai terminar fazendo disso [do processo de impeachment] uma questão inevitável. A questão aí é o momento. A gente vai perdendo a crença de que ele possa se arrumar”, afirmou.

DESCONECTADO – Na avaliação do líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon (RJ), o presidente da República está desconectado da realidade. “Em pronunciamento que atingiu o ápice da irresponsabilidade, negou a gravidade do novo coronavírus, insistiu que se trata de uma ‘gripezinha’ e convocou as pessoas a voltarem às ruas”, criticou. “É um crime contra a vida do povo brasileiro.”

O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) acusou Bolsonaro de mentir, debochar e provocar “um país que, apesar dele, luta bravamente e se une para enfrentar uma das maiores crises da história”. “A resposta dos brasileiros foi dada.”

APOIO – O presidente, porém, encontrou algumas vozes de apoio no Legislativo. O líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), saiu em defesa de Bolsonaro. “[É] A fala de quem está trabalhando muito, dormindo pouco e atento aos movimentos políticos que infelizmente alguns setores ainda insistem em fazer num momento de calamidade como esse. As ações responderão por si, mas todas são resultado de um comando”, afirmou o senador.

Já o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), qualificou de excelente o pronunciamento. “A sua visão de estadista e a sua coragem em ir na contramão da histeria coletiva, construída sem critérios racionais, vão salvar as vidas de milhões de brasileiros”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bolsonaro voltou a minimizar a pandemia e singularizou o Brasil diante dos riscos, já que no mundo inteiro a recomendação é o isolamento. Ao contrário, irresponsavelmente, quer reabrir escolas, o comércio e incita a volta das pessoas às ruas. De que forma garante que tais medidas não resultarão em milhares de mortes? Qual a sua matemática em apontar apenas os cidadãos acima de 60 anos como pertencentes aos grupos de risco? Aponta que os “jovens” poderiam voltar a circular, mas e quando os mesmos eventualmente transmitirem o vírus aos seus pais e avós que muitas vezes residem sob o mesmo teto? Quando um presidente vai contra os protocolos adotados por dezenas de países, e considera que por aqui a pandemia não se criará, demonstra que precisa afastado, internado ou estudado. (Marcelo Copelli)

Ala militar tenta controlar crise, em meio à insatisfação com Bolsonaro e Guedes

Bolsonaro após falar sobre reunião virtual com governadores do Nordeste, na segunda (23)

Bolsonaro teve sua chance, não aproveitou e agora está isolado

Igor Gielow
Folha

A insatisfação com as reações iniciais do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes, levou a ala militar do governo a tentar aplicar um freio de arrumação na gestão da crise do coronavírus.

Desde o fatídico episódio em que o presidente estimulou e participou de atos contra outros Poderes, no dia 15, o que era uma preocupação ganhou ares de emergência.

REPERCUTIU MAL – O descompasso entre o esforço do Ministério da Saúde e a atitude pessoal do presidente repercutiu muito mal entre fardados com assento no governo e também junto às cúpulas da ativa.

O fato de que dois integrantes das Forças na Esplanada, o general da reserva Augusto Heleno (Segurança Institucional) e o almirante da ativa Bento Albuquerque (Minas e Energia), foram infectados pelo novo coronavírus ajudou a ampliar o desconforto.

A situação recrudesceu ao longo da semana passada, com o incidente diplomático entre o filho presidencial Eduardo e o governo chinês, no qual o deputado endossou a teoria segundo a qual o Partido Comunista era culpado pelo alastramento do vírus.

OBRA DE MOURÃO – A parceria estratégica entre Brasil e China é, em boa parte, uma obra de bastidor do vice-presidente, general da reserva Hamilton Mourão, que se empenhou pessoalmente em construir pontes com Pequim.

Com efeito, Bolsonaro ligou nesta terça para o líder da ditadura chinesa, Xi Jinping, para colocar panos quentes na disputa, que fora incentivada pelo chanceler Ernesto Araújo, protegido de Eduardo.

O filho e o ministro são expoentes do setor dito olavista do governo, embora até mesmo o guru da turma, o escritor Olavo de Carvalho, parece ter abandonado a fé em Bolsonaro em postagem recente.

Para um oficial-general da ativa, isso é boa notícia, até porque Olavo agora virou negacionista da epidemia do coronavírus. A própria presença de Araújo na ligação a Xi ensejou um enquadramento.

A ala militar não age em ordem unida, mas hoje tem seu eixo na atuação renovada de uma trinca de generais egressos do Comando Militar do Leste e do trabalho na Olimpíada-2016: Fernando Azevedo (Defesa), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Walter Braga Netto (Casa Civil).

BRAGA NETTO DESPONTA – Coube a Braga Netto, novato no governo, o papel mais evidente na reorganização do trabalho palaciano. Ele passou nesta semana a ser o responsável por elencar as necessidades que os governadores passaram a apresentar na crise.

Outras questões são mais sutis. Após seguidas frases minimizando a emergência sanitária, Bolsonaro passou a adotar um tom mais contido ao falar do coronavírus —ou ao menos tentou. Nesta terça-feira (24), recuou de forçar competência sobre fechamento de estradas.

Foi aconselhado pelos militares a baixar o tom na sua conflagração com os governadores, em especial João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ), o que de fato ocorreu a partir da segunda-feira (23).

VIDEOCONFERÊNCIA –  Um bom teste ocorrerá na manhã desta quarta (25), quando Bolsonaro estará frente a frente com Witzel e Dória, além dos governadores de Minas e Espírito Santo, em videoconferência sobre o coronavírus.

O protagonismo de Braga Netto também serve ao propósito do presidente de tentar tirar o holofote de Luiz Henrique Mandetta (Saúde), que vinha destoando do chefe no tratamento sério da crise.

A ordem geral, ouvida entre integrantes do governo e também da ativa militar, é buscar estabilizar uma situação que já é bem ruim.

GUEDES É CRITICADO – O vetor econômico preocupa especialmente. O ministro Paulo Guedes, antes visto como esteio do governo, passou a receber críticas devido ao que foi chamado de insensibilidade no tratamento dos efeitos da pandemia em sua área.

A gota d´água foi a edição da medida provisória visando aliviar a situação das empresas, que incluía cláusula permitindo dispensas por quatro meses sem pagar salário aos empregados.

A área militar foi avisada por ministros do Supremo Tribunal Federal de que tal medida constituía um absurdo que seria facilmente questionável na corte.

TOFOLLI ERA CONTRA – Não passou em branco no palácio a declaração do presidente do Supremo, Dias Toffoli, que à coluna Painel criticou duramente a ideia, por fim abandonada por Bolsonaro.

Como a Folha mostrou na semana passada, a boa vontade de Toffoli com o governo é passado após os protestos pedindo pelo fechamento da sua corte e do Congresso.

 

A pressão militar contra Guedes, que já havia surgido em outros momentos em que o ministro escorregou, como quando troçou da ida de domésticas à Disney, não significa que haja opções à mesa.

PELA ESTABILIZAÇÃO – Por isso estabilização é o mantra mais ouvido. É consenso entre aliados que a fragilidade política de Bolsonaro, apesar da retenção de seu núcleo de apoiadores na casa de um terço do eleitorado, pede cuidados extremos.

Não só militares, mas praticamente todo observador informado do mundo político em Brasília acredita que o desgaste de Bolsonaro na sua disputa com o Congresso pelo manejo do Orçamento o tornou presa fácil caso o país perca o controle da crise.

Ela tem também o vetor sanitário, cuja a má aprovação de gestão presidencial segundo apontou o Datafolha demonstra rachaduras importantes em estratos bolsonaristas da população.

DIAGNÓSTICO SIMPLES – Voltando à economia, o diagnóstico é simples, mas não simplista: se houver um desastre para emprego e renda, o clima deve solapar o que resta de governabilidade.

O presidente reagiu de forma epidérmica, acusando adversários de tramar seu impeachment. Mas isso ainda não está dado: há panelaços, mas falta “rua”, o que será mais óbvio com o fim das quarentenas à frente, e a efetiva derrocada real da economia.

Em compensação, cresce entre grupos que apoiam o presidente a preocupação com seu equilíbrio emocional sob tais pressões, mesmo com a rede de proteção que tenta se formar em torno dele. Citam declarações fora de tom, como na entrevista concedida ao apresentador Ratinho na sexta (20), ou um certo alheamento, como na fala ocorrida na segunda (23) no Planalto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O panorama visto do Forte Apache é esse mesmo. No momento, não há o menor clima para impeachment. Mas Bolsonaro e os filhos já são considerados um caso perdido. A saída do governo é só questão de tempo. Não haverá golpe. Tudo dentro da lei. (C.N.)

“Nada a temer senão o correr da luta, nada a fazer senão esquecer o medo…”

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Luiz Carlos Sá, um compositor verdadeiramente genial

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, cantor e compositor carioca Luiz Carlos Pereira de Sá (o Sá do trio Sá, Rodrix e Guarabira), com seu parceiro Sergio Magrão (14 Bis e O Terço), fala na letra de “Caçador de Mim” sobre os pólos da vida: momentos de doçura, bondade, ferocidade e agressividade. Portanto, a vida tornou o eu lírico do compositor um “buscador” de si mesmo, a procura daquilo que, realmente,  faz-lhe sentir-se em paz e harmonia consigo mesmo. A música “Caçador de Mim” transformou-se em um grande sucesso, gravada por Milton Nascimento, em 1981, no LP Caçador de Mim, pela Ariola.

CAÇADOR DE MIM
Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá

Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu caçador de mim

Preso a canções, entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito à força numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu caçador de mim.

Paulo Guedes e Roberto Campos Neto voam ao lado do doce pássaro da fantasia

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Campo Neto e Paulo Guedes reforçaram o caixa dos bancos

Pedro do Coutto

O título é inspirado em uma peça de Tennessee Williams. As matérias referindo-se ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, estão contidas em duas reportagens na edição de O Globo desta terça-feira. A primeira é de Marcelo Correia, Geralda Doca e Gustavo Maia. A segunda é de Gabriel Shinohara. Os personagens voam ao lado do doce pássaro da fantasia e da ilusão, muito distantes da realidade dos fatos.

Depois de ter redigido erradamente a medida Provisória que o presidente Jair Bolsonaro assinou sem ler e foi obrigado a refazê-la, o ministro Guedes afirma que o governo trabalha para publicar nova versão do texto, cujo objetivo principal, para ele, é preservar empregos. Essa não.

DISSE GUEDES – O ministro afirmou que o primeiro texto de fato foi mal redigido e que a nova versão vai incluir uma redução salarial de 1/3 dos atuais vencimentos dos empregados. Os empregadores arcarão com 1/3 e o governo com outro terço. Assim, quem ganha por exemplo R$ 2.100, receberá R$ 700 da empresa, outros R$ 700 do governo e sofreria redução de R$ 700.

Como os leitores já sentiram, a ideia é completamente absurda. Como poderia o governo realizar uma folha de pagamento envolvendo praticamente 100 milhões de trabalhadores? Ainda que isso pudesse ser feito, o efeito da redução salarial prevista por Paulo Guedes derrubaria o consumo, arrecadação de tributos e a do INSS, atingindo ainda os 8% do FGTS. 

MENOR ARRECADAÇÃO – Como se constata, caso a medida entre em vigor, a arrecadação de Imposto de Renda sofrerá forte diminuição. O mesmo se aplicaria ao imposto sobre o consumo, arrecadado pelo ICMS dos Estados. Incrível. Custa crer que um homem altamente especializado na matéria econômico-financeira possa aceitar uma situação como a que está proposta.

A fantasia e a ilusão são passageiras do projeto do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Anunciou que está concluindo a elaboração de medidas que terão impacto de 1 trilhão e 200 bilhões de reais.

Esse montante equivale a 1/3 do orçamento federal para este ano, previsto em 3,6 trilhões de reais. Campos Neto revela o projeto de reduzir o depósito compulsório aplicado aos bancos, hoje na escala de 25% dos depósitos dos correntistas. O compulsório passaria a ser de 17%.

JOGO DOS NÚMEROS – Para o economista do BC, esse lance de dados deve liberar 68 bilhões para a economia, uma vez que os bancos teriam mais recursos para emprestar a seus clientes. Qual a distância entre esses 68 bilhões e 1 trilhão e 200 bilhões de reais? Vale a pena lembrar que o ministro Paulo Guedes, no início do governo Bolsonaro, anunciou uma economia de 1 trilhão de reais ao longo de 10 anos valendo portanto 100 bilhões a cada exercício. O presidente do Banco Central voa na ilusão até aterrissar na realidade.

Paulo Guedes e Roberto Campos Neto estão iludidos. Se o governo não tem recursos para cobrir o déficit da Previdência Social, calculado em 244 bilhões este ano, como poderiam injetar recursos financeiros para assumir o pagamento de 1/3 dos salários e muito menos lançar a nuvem da ilusão a todo o país?15

Efeito coronavíirus: as pessoas precisam morar juntas e aprender a se suportarem

Charge O TEMPO 23/03/2020

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Naquela onda de que até nas tragédias sempre se pode extrair algo de positivo, é certo que essa pandemia do coronavirus está obrigando uma mudança de hábitos que pode melhorar as relações entre as pessoas, como sempre acontece nas economias de guerra, quando aumenta o índice de solidariedade humana.

A primeira fase é o pânico da morte, com a espera do abraço da eterna companheira, que nos aguarda desde o momento que nascemos. Porém, daqui a mais alguns dias desembarcaremos na segunda etapa a sinistra crise financeira que o presidente Jair Bolsonaro tanto procura evitar, na esperança de que o astrólogo terraplanista Olavo de Carvalho esteja certo na teoria de que se tratava apenas de mais uma “gripezinha”.

QUEM SABE? –  Nem tudo está perdido. Sabe-se que o coronavírus não  representa ameaça à sobrevivência da Humanidade. Não foi nem será a última pandemia, a não ser que os orientais e africanos abandonem o costume de frequentar mercados imundos, na ânsia de comprar animais vivos para transformá-los em requintes de estranhas gastronomias.

Não por mera coincidência, os quatro vírus mais recentes (Ebola, Sars, H1N1 e Covid 19) surgiram desses infectos mercados, que os turistas ocidentais adoram frequentar, por curiosidade mórbida.

O fato mais concreto é que  os efeitos econômicos serão arrasadores e o governo alemão já prevê uma recessão de 5% este ano.

SOFRIMENTO BRUTAL – Aqui na sucursal Brazil, que não receberá um cent de ajuda da matriz USA, o sofrimento será brutal, com pesada recessão e aumento do desemprego, o que pode significar novo crescimento da criminalidade, que vinha caindo progressivamente.

A pobreza se alastrará com maior velocidade do que a pandemia. Por isso, nessa economia de guerra, as pessoas terão de ser mais solidárias entre si, como já ocorre nas comunidades pobres. Muitos filhos terão de voltar a morar com os pais, abandonando os sonhos da casa própria e do carro novo. As famílias terão de se recompor.

Planos de saúde serão abandonados, os serviços do SUS ficarão ainda mais sobrecarregados e o mesmo fenômeno ocorrerá com o ensino particular.

SURREALISMO PURO – Diante desse quadro dantesco, será surrealista e revoltante que o Estado continue a remunerar generosamente as elites dos três podres Poderes, beneficiando-as com salários de Primeiro Mundo e extravagantes penduricalhos, com os auxílios moradia, alimentação, creche, educação, paletó, carros oficiais, combustível liberado, motoristas, planos de saúde extensivos a filhos até 33 anos, cartão corporativo, jatinhos da FAB e o tradicional “sabe com quem você está falando?”.

O exemplo tem de partir do presidente da República, que foi eleito para consertar essa bagunça institucional, mas faz olhar de paisagem, porque recebe duas aposentadorias como capitão reformado e ex-deputado, além do salário de presidente, e o total passa de R$ 70 mil, e ainda tem todas as despesas pagas e um cartão corporativo sem limites.

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P.S. 1 Na reforma da Previdência, essa desigualdade social deveria ter começado a ser discutida, mas o presidente preferiu deixar de fora a nomenklatura civil e militar, punindo apenas os servidores subalternos. Agora, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) enfim apresenta um projeto reduzindo salários, mas somente na fase da covid 19.   

P.S. 2 Não mais que de repente, diria Vinicius de Moraes, surge uma pandemia para lembrar aos governantes que eles têm obrigação de serem justos. É para isso que são eleitos. Mas quem se interessa? (C.N.)