Bispo rebate ofensiva do governo contra a Igreja: “Igual, só vimos na ditadura”

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Governo não pode interferir nos assuntos da Igreja, diz o bispo

Bernardo Mello Franco
O Globo

A Igreja Católica não deve se intimidar com a ofensiva do Planalto contra a sua atuação na Amazônia. O ministro Augusto Heleno fez críticas a um seminário convocado pelo papa Francisco para discutir os problemas da região. Em vez de calar os bispos, aumentou a insatisfação do clero com o governo.

O jornal “O Estado de S. Paulo” revelou que relatórios da Abin descrevem a CNBB como “potencial opositora”. O general Heleno se referiu ao Sínodo da Amazônia como “interferência em assunto interno do Brasil”. Acrescentou que pretende “neutralizar” o evento religioso.

“ARAPONGAS” – O bispo do Marajó, dom Evaristo Spengler, afirma que não cabe ao governo monitorar os debates da Igreja. Ele diz que o clero já suspeitou da presença de arapongas numa assembleia em Marabá. “Isso é um retrocesso que só vimos na ditadura militar”, protesta.

Dom Evaristo esclarece que o papa anunciou o seminário em 2017, muito antes da eleição de Jair Bolsonaro. Ele diz que a Igreja “não é neutra”, o que não significa que tenha partido. “A Igreja está do lado dos mais fracos, dos mais pobres, dos ribeirinhos e dos indígenas”, afirma.

INTERESSES – Para o religioso, o discurso do governo esconde interesses econômicos. “Estão incentivando um modelo predatório de desenvolvimento, que extrai as riquezas da floresta e deixa a população na pobreza”, critica. “Querem construir hidrelétricas, abrir rodovias e permitir o avanço do agronegócio e das mineradoras”.

Desde a campanha, Bolsonaro trata ONGs e ambientalistas como inimigos. Ele acusa as entidades de atentarem contra a soberania nacional e planejarem a “internacionalização” da Amazônia. A pregação tem eco no núcleo militar do governo. “Isso é uma fantasia para justificar a exploração predatória da floresta. Estamos no tempo das fake news”, rebate dom Evaristo.

CHICO MENDES – Na segunda-feira, o ministro do Meio Ambiente aumentou a tensão com a Igreja ao ofender a memória de Chico Mendes, assassinado em 1988. Segundo Ricardo Salles, o líder seringueiro usava a luta ambiental para “se beneficiar”.

A declaração revoltou a ala progressista do clero. “Querem desqualificar quem defende os povos da Amazônia”, afirma o bispo do Marajó.

Verba pública eleitoral liberada por Bebianno parou em minigráfica de filiado do PSL

Gráfica Vidal, na cidade de Amaraji (PE), responsável pela impressão de material de campanha do PSL

O dono da gráfica não guardou um só impresso para exibir…

Deu na Folha

Uma gráfica de pequeno porte de um membro do diretório estadual do PSL — legenda do presidente Bolsonaro— foi a empresa que mais recebeu verba pública do partido em Pernambuco nas eleições. Sete candidatos declararam ter gasto R$ 1,23 milhão dos fundos eleitoral e partidário na gráfica Vidal, que nunca havia participado de uma eleição e funciona em uma pequena sala na cidade de Amaraji, interior de Pernambuco.

Levantamento da Folha identificou que pelo menos 88% deste valor, a quase totalidade dos repasses de fundo partidário e fundo eleitoral, foram de responsabilidade oficial do presidente nacional do PSL à época, Gustavo Bebianno, então coordenador de campanha de Bolsonaro e hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

VIDAL E BIVAR – O dono da Vidal Assessoria e Gráfica LTDA é Luis Alfredo Vidal Nunes da Silva, 28, que se apresenta como presidente do PSL em Amaraji. A Folha visitou nesta quarta-feira (13) a empresa. Na sala, havia duas máquinas e uma recepcionista.

Vidal esteve com o já presidente eleito Jair Bolsonaro em sua casa, no Rio, em novembro. “Fui só para tirar uma foto”, diz ele, que foi o responsável pela coordenação da campanha do presidente na Mata Sul de Pernambuco.

Fundador e principal cacique do PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PE) também teve importante papel nessas decisões. À época presidente licenciado, ele está novamente no comando da sigla.

Desde que a Folha começou a publicar no último dia 4 as reportagens sobre candidatas laranjas, Bivar e Bebianno têm dado declarações conflitantes, apontando um ao outro como responsável pelos repasses.

“SEM PROBLEMA” – Vidal é filiado ao PSL desde março de 2018, mesma época em que Bolsonaro e seus aliados entraram na legenda. “Não vejo nenhum problema”, disse o dono da gráfica sobre ter recebido mais de R$ 1 milhão de verba pública por meio de seu partido.

A estrutura modesta da gráfica contrasta com o volume de material que teria sido impresso no local. Bivar, por exemplo, destinou R$ 848 mil à empresa para a impressão —de acordo com as notas fiscais— de mais de 5 milhões de santinhos e adesivos, entre outros materiais.

Érika Siqueira, ex-assessora de Bebianno no PSL, declarou ter gasto R$ 233 mil na Vidal, de um total de R$ 250 mil repassados. Ela foi postulante a deputada estadual e teve apenas 1.315 votos. O restante da verba, que totaliza R$ 56,5 mil, ela declarou ter gasto em uma outra gráfica, a Itapissu, sem sinais de funcionamento efetivo nos endereços que constam na Receita Federal e nas notas fiscais.

NEGÓCIO INFORMAL – Vidal diz ainda que abriu sua empresa em 2013 e que só investiu “nesse negócio de cliente político agora”. “Coloquei quase 40 pessoas em turno de 24 horas. No momento certo, eu vou apresentar [as provas]. Agora, não tenho aqui. É um negócio informal.”

Os outros candidatos que declaram gasto na firma são Major Pedro Mendes (R$ 54,9 mil), Thiago Paes (R$ 40,5 mil), Silvio Nascimento (R$ 25 mil), Frederico França (R$ 13,9 mil) e Fred Teixeira (R$ 13,7 mil). Nenhum foi eleito.

Nesta quarta, a recepcionista da Vidal informou que só ela e outro funcionário trabalham no local. O empresário Luis Vidal afirmou que não havia irregularidades na prestação de serviços. Disse que a empresa dele conseguiu ser contratada porque apresentou o preço mais baixo e uma maior disponibilidade de entrega. “A empresa trabalhou. Tudo o que foi declarado foi rodado e entregue. Aqui, a gente não tem nada de errado”, diz.

SÓ NA JUSTIÇA – Questionado se teria como mostrar alguns exemplares do material que havia sido impresso, disse que nem tudo estava lá. “Se for necessário, eu apresento à Justiça”, disse.

Quando lhe foi perguntado se a estrutura da empresa estaria compatível com a demanda recebida, disse que tem tudo registrado nos seus arquivos. “Rodamos um bocado de candidato. É uma loucura, a maior agonia. Tenho tudo no sistema e posso apresentar à Justiça.”

Procurado pela Folha, Bebianno não se manifestou. Bivar declarou que não cometeu nenhuma ilicitude e que as contas do partido foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Chamar as candidatas de “laranjas” é um exagero, porque todo partido tem de cumprir a cota feminina e é difícil encontrar mulheres que queiram se candidatar. A maior irregularidade, sem dúvida, é pagar por material que não foi impresso. O dono da gráfica não tinha nenhum santinho para mostrar ao repórter? Na linguagem policial, isso é chamado de “batom na cueca”. (C.N.)

Vale conhecia os riscos, previu as mortes e calculou até os danos em US$ 1,5 bilhão

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Afinal, o que está faltando para prender o presidente da Vale?

Lucas Vettorazzo, Nicola Pamplona e Thiago Amâncio
Folha

Um documento interno da Vale estimou em outubro de 2018 quanto custaria, quantas pessoas morreriam e quais as possíveis causas de um eventual colapso da barragem de Brumadinho (MG), que acabou se rompendo no dia 25 de janeiro. O relatório é usado pelo Ministério Público de Minas Gerais em ação civil pública em que pede a adoção de medidas imediatas para evitar novos desastres, já que dez barragens, incluindo a de Brumadinho, estariam em situação de risco, segundo o documento da própria mineradora.

A Vale questiona a Promotoria e diz que o estudo indica estruturas que receberam recomendações de manutenção, as quais já estariam em curso. A empresa defende ainda que a barragem de Brumadinho não corria risco iminente.

PREVIU MORTES – O estudo projeta que um eventual colapso provocaria mais de cem mortes — até o momento, as autoridades contabilizam 165 mortos e 155 desaparecidos. O número considera um cenário de rompimento durante o dia e com funcionamento dos alertas sonoros instalados para evitar emergências.

A maior parte das vítimas estava no refeitório e na sede administrativa da mina do Córrego do Feijão, onde está a barragem que se rompeu. No começo do mês, a Folha mostrou que o plano de emergência da barragem previa a inundação dessas estruturas.

De acordo com o estudo da Vale, chamado Resultados do Gerenciamento de Riscos Geotécnicos, os custos de um eventual rompimento na barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão poderiam chegar a US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 5,6 bilhões, ao câmbio atual).

CAUSAS PROVÁVEIS – A empresa também projetava como causas prováveis de rompimento a erosão interna ou liquefação. Inspeções já tinham encontrado indícios de erosão na ombreira (lateral da barragem) e indícios de alagamento.

O documento inclui a estrutura que se rompeu entre dez barragens em uma zona de atenção. As outras são: Laranjeiras (em Barão de Cocais), Menezes 2 e 4-A (em Brumadinho), Capitão do Mato, Dique B e Taquaras (Nova Lima) e Forquilha 1, Forquilha 2, Forquilha 3 (Ouro Preto).

A análise de estabilidade exigida pela legislação atestou as condições de segurança da barragem que se rompeu, mas indicou uma série de problemas que deveriam ser resolvidos pela mineradora.

DIZ A EMPRESA – Procurada pela Folha, a Vale afirmou em nota que “os estudos de risco e demais documentos elaborados por técnicos consideram, necessariamente, cenários hipotéticos para danos e perdas”.

A Vale disse que “não existe em nenhum relatório, laudo ou estudo conhecido, qualquer menção a risco de colapso iminente da barragem” e reafirmou que a estrutura tinha “todos os certificados de estabilidade e segurança”.

Em entrevista nesta terça (12), o gerente-executivo de planejamento da área de minério de ferro e carvão da empresa, Lúcio Cavalli, disse que “em momento algum essa estrutura deu sinais de que estava com problema”.

ZONA DE ATENÇÃO – De acordo com a Vale, a “zona de atenção” compreende barragens em que os técnicos apontaram recomendações, mas não risco iminente.

Segundo a empresa, no caso da estrutura que se rompeu, as recomendações eram dar continuidade ao processo de descomissionamento e reduzir os níveis do lençol freático, o que já vinha sendo feito, de acordo com a companhia.

A Justiça de MG determinou uma série de ações preventivas nas barragens citadas. A Vale diz que todas as exigências já vinham sendo cumpridas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vejam a que ponto vai a desfaçatez dos dirigentes da Vale. O ordem dada à equipe foi de prosseguir o descomissionamento, que significa reprocessar o rejeito da barragem, para separar e revender as sobras do minérios. Com a barragem em situação de risco, revolver os resíduos com máquinas pesadas deve ter desestabilizado a barragem, é claro, mas a Vale não admite ter errado. Na cadeia, talvez algum diretor (ganham R$ 1,5 milhão por mês) peça delação premiada e conte mais detalhes do que já se sabe. Mas quem se interessa em prendê-los? (C.N.)

Bolsonaro manda Polícia Federal investigar Bebianno, que não admite se demitir

Bolsonaro na Record

Jair Bolsonaro já transformou a Record em sua emissora “oficial”

Robson Bonin
O Globo

Na entrevista concedida a Record nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro poderia ter defendido seu ministro Gustavo Bebianno das denúncias da “Folha de S.Paulo” de uso irregular de recursos do fundo eleitoral do PSL durante a campanha. Poderia, mas não o fez. Abriu o caminho da demissão, ao dizer que pediu investigação da Polícia Federal sobre o caso e ao dar a entender que uma minoria no partido comete irregularidades. Se algo restar comprovado contra Bebianno…

— Se tiver envolvido (Bebianno), logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens — disse o presidente.

APOIO AO FILHO – Não perguntaram a Bolsonaro se ele colocaria a mão no fogo pelo auxiliar – e nem precisava. O presidente fez coro com o filho Carlos ao chamar Bebianno de mentiroso em rede nacional de televisão. Estranhamente, porém, não anunciou, na sequência, a demissão do autor das “mentiras”. Preferiu manter, ainda que na berlinda, o aliado na Secretaria-Geral da Presidência.

A crise reafirma a impressão de que o presidente move-se pelo temperamento dos filhos e por postagens em redes sociais. Algo que apavora a ala militar do Planalto, afeita aos movimentos de bastidores. Com um novo dia inteiro para Carlos tuitar, a quinta-feira no palácio promete.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente a análise de Robson Bonin. Mas faltou dizer ter ficado claro que Carlos Bolsonaro agiu com autorização do pai. No caso, o ministro Bebianno foi ingênuo, tentou se proteger se escondendo atrás de Bolsonaro. Deveria ter jogado a culpa no Diretório de Pernambuco (comandado por Luciano Bivar, presidente licenciado do partido), responsável por armar a jogada da gráfica que nem tinha máquinas impressoras. E a entrevista de Bolsonaro à Record já estava acertada. Ele deu as declarações no Palácio da Alvorada em Brasília, ainda usando a mesma roupa com que viajara de São Paulo. Conforme anunciamos ontem, aguarda-se a demissão de Bebianno. (C.N.)

Pente-fino da Receita que mira Gilmar selecionou outros 134 agentes públicos

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Gilmar e Guiomar foram flagrados em movimentação atípica

Fabio Serapião e Adriana Fernandes
Estadão

A força-tarefa criada pela Receita Federal para mapear agentes públicos com indícios de irregularidades tributárias selecionou 134 pessoas de um universo de 800 mil. O trabalho foi desenvolvido pela Equipe Especial de Programação de Combate a Fraudes Tributárias (EEP Fraude).

A criação do grupo foi revelada pelo Estado em maio de 2018. O grupo, diz a nota em que a equipe apresentou seus resultados, procurou identificar agentes públicos de todas as esferas de poder cujos dados tributários apontassem para a possibilidade de crimes tributários e correlatos, como lavagem de dinheiro e corrupção. Um dos selecionados foi o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

TUDO EM SIGILO – Os nomes de todos citados são mantidos em sigilo e não há informações se foram instauradas investigações formais para cada caso.

“Não existe foro privilegiado na Receita Federal”, afirmou à época da criação do grupo o subsecretário de Fiscalização da Receita, Iágaro Jung Martins. Segundo ele, o trabalho do grupo visava utilizar a experiência acumulada na atuação conjunta com PF e MPF em grandes operações para fortalecer o trabalho de fiscalização tributária.

Para esse objetivo, explica a nota, o Fisco desenvolveu uma metodologia que, além da pessoa física alvo, mira pessoas relacionadas em 1º e 2º grau (cônjuge, dependentes e empregados), sócios relacionados a pessoas com ligação em 1º e 2º grau e empresas associadas a essas pessoas.

O CASO GILMAR – Foi exatamente o que aconteceu no caso no ministro Gilmar Mendes. Ao comparar as declarações de sua esposa, Guiomar Feitosa, e do escritório onde ele trabalha, a Receita encontrou discrepâncias entre valores declarados.

Assinada por dois auditores fiscais, a nota explica que nem todos 134 contribuintes selecionados cometeram crimes irregularidades tributárias e, em alguns casos, mesmo com irregularidade tributária não existe necessidade de uma representação para fins penais. Esse tipo de representação é feita à PF e ao MPF quando os auditores encontram, além de problemas de ordem tributárias, indícios de outros crimes como lavagem de dinheiro.

“É certo que cada situação analisada pode ter uma situação particular, não havendo uma fórmula única nem um conjunto de indícios determinados para decidir-se pela abertura de um procedimento fiscal. A metodologia ora apresentada visou a identificação de indícios, que não prescindem de um aprofundamento em Âmbito regional, ainda em sede de programação”, diz trecho da nota.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, isso significa que Gilmar Mendes não está sendo perseguido; simplesmente foi flagrado junto com outras 134 autoridades que apresentam movimentação financeira atípica, que é sinônimo de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele pode espernear à vontade, mas não adianta nada. Vai acabar sendo estraçalhado pela máquina, que não funciona mais a seu favor. (C.N.)

O homem que evitou a hora da morte, na criatividade de Chico Salles

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Chico Salles era representante da música nordestina no Rio

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O engenheiro, cantor, compositor e cordelista paraibano Francisco de Salles Araújo (1951-2017) conta, em forma de cordel, “A Hora da Morte”, uma engraçada estória de ficção.

 
A HORA DA MORTE
Chico Salles

Esta primeira história
Me contou Jota Canalha
Afirmando ser verídica
Se deu em Maracangalha
O conto do Carochinho
Foi com Nelson Cavaquinho
Que se passou a batalha.

O sujeito teve um sonho
Do dia em que morreria
Seria na terça-feira
Vinte oito era o dia
Do primeiro fevereiro
Já estava em janeiro
Começou sua agonia.

No dia seguinte do sonho
Procurou a cartomante
Que confirmou a história
Ele mudou de semblante
Dizendo-lhe até o horário
Marcando no calendário
Ali naquele instante.

Seria às vinte e três horas
Reafirmou com certeza
O cara saiu dali
Carregado de tristeza
Murmurando repetia
Meu Deus mais que agonia
Mostre-me sua grandeza.

E com o passar dos dias
Aumentava a aflição
Ele cheio de saúde
E naquela situação
Meu Deus o que faço agora
Passava outra aurora
E nada de solução.

Quando chegou fevereiro
Seu peito alto batia
Procurou um hospital
E na cardiologia
Naquela dúvida infame
Fez tudo o que é exame
Até radiografia.

Fez exame de esforço
Urina e colesterol
Também exame de sangue
E fezes estavam no rol
Teve no ácido úrico
Um resultado telúrico
Feito isca no anzol.

A saúde era perfeita
Não tinha nem dor de dente
Ficou um pouco animado
Mais ou menos sorridente
Outra semana passou
O calendário voou
Deixando-lhe impaciente.

Até que chegou o dia
Daquela interrogação
Foi então dormir mais cedo,
Mas sua imaginação
Resolveu naquele instante
Tomar um duplo calmante
Haja, haja coração.

O relógio despertador
Em cima de uma banqueta
Ele embaixo do lençol
Aquela triste faceta
Um minuto era um mês
Olha o relógio outra vez
Batendo feito o capeta.

Depois, se passar das onze
Ele estaria salvo
Daquela situação
Não seria mais o alvo
Mas o tempo é assim
Quando quer fazer pantin
Não dá nem um intervalo.

Passava das dez e meia
Quando chegou o destino
Bateu na sua cabeça
Feito badalo de sino
Ali naquele momento
Veio no seu pensamento
Sair daquele pepino.

Pegou o despertador
Atrasou em quatro horas
Em seguida adormeceu
Feito anjos na aurora.
Isto já faz vinte anos
Vivinho e cheio de planos
Nem pensa em ir embora.

Armínio Fraga errou! Não é verdade que o país gaste 28% do PIB com a Previdência

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Armínio Fraga disse uma asneira incrível sobre a Previdência

Pedro do Coutto

O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em reportagem de Daiane Costa e Cássia Almeida, edição de ontem de O Globo, disse que o Brasil gasta 28% de seu Produto Interno Bruto com o pagamento de aposentadorias pelo INSS e também pelas aposentadorias e pensões dos funcionários públicos, além de incluir nesse cálculo pagamento dos funcionários em atividade. Para mim, o ex-presidente do Banco Central exagerou na dose. Afinal de contas, o Produto Interno Bruto Brasileiro supera a escala de 6 trilhões de reais.

Projetadas sobre o PIB as despesas com todos esses itens, vamos verificar que o desembolso anual do governo com a folha de salários e a cobertura do déficit do INSS está muito longe de atingir a escala de aproximadamente 2 trilhões de reais.

FAZENDO AS CONTAS – Basta lembrar que recentemente o governo afirmou que o déficit do INSS em 2018 foi de 190 bilhões de reais. É preciso inclusive explicar que esse déficit decorre da diferença entre receita e despesa com o pagamento do INSS. O desembolso foi de 790 bilhões de reais, contra uma receita de 600 bilhões de reais. Daí o déficit apresentado pelo governo.

Não se pode confundir o déficit existente com o encargo total da folha de salários. De mesma forma, não vale a pena exibir a despesa do INSS como um todo isolado, sem incluir a receita. Da maneira equivocado que Armínio Fraga coloca, para os menos avisados pode parecer uma verdade absoluta. Mas no final de contas, não se pode achar que 790 bilhões devam entrar na relação de despesas, sem que também entrem os números da receita.

REDUÇÃO DE JUROS – Na última reunião do Copom, que manteve a taxa Selic em 6,5 ao ano (reportagem de Gabriela Valente, também em O Globo), foi atribuída à reforma da Previdência a redução dos juros cobrados pelo mercado, além de incentivo ao crescimento do PIB. Não vejo como vincular os dois assuntos repousando-os na reforma do sistema previdenciário.

Os juros reais cobrados a empresários e pessoas físicas são fixados pelos bancos, principalmente pelo Itaú, Bradesco e Santander. Quanto ao crescimento econômico, não depende da reforma da Previdência, mas sim da queda do nível de desemprego.

DESINFORMAÇÃO – Vejam os leitores os absurdos que estão povoando a administração brasileira. A desinformação, por exemplo, é um problema crítico para qualquer governo. Vejam só. O ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, além de não atribuir importância a Chico Mendes, assassinado em 1988, ainda por cima classificou o líder dos trabalhadores como um grileiro atuando na Amazônia.

Demonstrou não ter o mínimo conhecimento da luta de Chico Mendes pelo meio ambiente. A reação veio de todos os lados, inclusive do vice-presidente da República Hamilton Mourão.

“Chico Mendes faz parte da história do Brasil”, destacou o general, respondendo à insignificância cultural do ministro.

 

Médico de Bolsonaro exagerou muito ao afirmar que ele já está “perfeito”

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Bolsonaro vai seguir o tratamento até se recuperar plenamente

Carlos Newton

O exímio médico Luiz Antonio Macedo, um dos melhores do mundo em cirurgia de abdome, foi surpreendentemente exagerado nesta terça-feira, ao afirmar ao Estadão que Bolsonaro já estava “perfeito” e poderia receber alta na quarta-feira, conforme aconteceu ontem. Esse tipo de declaração devia ser evitado, porque o presidente é impulsivo, fica achando que já está curado e se arrisca a ultrapassar a linha divisória do gramado, como dizem os locutores esportivos.

É preciso que Bolsonaro continue o tratamento em casa, poupando-se ao máximo das atribuições presidenciais, porque somente dentro de alguns meses é que poderá ser declarada sua cura definitiva.

EXISTE RISCO – Reportagem de Cláudia Collucci na Folha, publicada nesta quarta-feira, revela que o risco estimado na literatura médica é baixo, menor que 5%, e vai diminuindo com o tempo. Por isso, nas primeiras semanas após a alta é preciso atenção aos sinais infecciosos, como indisposição, febre, tosse e dor abdominal.

O infectologista Artur Timerman, entrevistado pela repórter, revela que o período mais crítico será nos próximos dois meses, tempo que leva para que a flora intestinal nativa se recomponha. “O fato de ter havido uma alteração no trânsito normal do intestino faz com o microbioma já mude bastante e há riscos de novas infecções.”

O especialista considera fundamental uma dieta equilibrada, com fibra e bastante hidratação, para que o intestino funcione todos os dias. “Um trânsito mais lento pode expô-lo a risco de infecções.”

DIETA ESPECIAL – Também entrevistado por Cláudia Collucci, o médico Carlos Sobrado, professor de Coloprotoctologia da Faculdade de Medicina da USP, diz ser importante uma dieta antifermentativa (sem frituras, alimentos gordurosos, refrigerantes e bebidas alcoólicas) e fracionada, para não distender muito o abdome e retardar o esvaziamento gástrico.

Diz o especialista que outro cuidado adicional são com os cortes abdominais da cirurgia em si e do local onde estava implantada a bolsa de colostomia. “No local da bolsa, pode sobrar uma colonização [de bactérias] da pele e voltar a infectar”, diz Sobrado. Também há riscos (menos de 5%) de novas aderências (de uma alça ou tecido grudar no outro), que são inerentes à cirurgia de intestino.

O médico Diego Adão Fanti Silva, cirurgião do aparelho digestivo da Unifesp, diz que as aderência podem acontecer a qualquer momento e não existe medida preventiva. “Quando acontecem, mais de 80% podem ser resolvidas sem necessidade de cirurgia. O paciente precisa ficar atento se apresentar náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes.”

SEM FAZER ESFORÇOS – Bolsonaro deve evitar grandes esforços, como carregar peso ou fazer musculação. Mas precisa fazer exercícios leves para fortalecer a musculatura sem aumentar muito a pressão do abdome, recomenda o cirurgião Fanti Silva, para evitar o surgimento de uma hérnia no local operado. As chances estimadas são de 15% —maiores nos primeiros seis meses e com redução gradativa depois desse período.

A reportagem confirma as informações que temos transmitido aqui na Tribuna, no sentido de que Bolsonaro precisa se poupar, evitar viagens e deslocamentos. Quando o avião aterrissa, por mais hábil que seja o piloto, sempre há um choque do trem de pouso. Além disso, existem as famosas turbulências nas proximidades de Brasília.

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P.S.Como dizia o Barão de Itararé, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Bolsonaro precisa lembrar que não é mais o “Cavalão” do pentatlo militar. Agora, é o presidente da República e precisa se preservar, para servir ao povo que o escolheu. (C.N.)

Decepção! TV CNN Brasil será um “puxadinho” da Record para apoiar o governo

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Charge do JR Mora (Arquivo Google)

Deu no Portal Imprensa

A CNN Brasil anunciou nesta segunda-feira (dia 11) mais três integrantes de sua estrutura. Os jornalistas Leandro Cipoloni e Virgilio Abranches serão, respectivamente, vice-presidentes de jornalismo e de programação e multiplataforma. O jornalista Fabiano Falsi será o chefe de redação. A dupla será responsável pela gestão editorial a operacional da emissora em todas as plataformas. Abranches deixou a Record TV, onde estava desde 2014, para se juntar ao novo projeto.

EX-RECORD – Cipoloni era diretor de jornalismo tanto do portal R7 quanto da TV. Ele comandava a estrutura técnica e operacional de 11 horas de telejornalismo na emissora e também liderou o núcleo investigativo da casa tendo sido responsável pelas reportagens que culminaram com a renúncia da antiga presidência da CBF e que originaram o livro “O Lado Sujo do Futebol”, finalista do prêmio literário Jabuti. A dupla atuará junto ao vice-presidente de conteúdo, Américo Martins, anunciado no cargo na semana passada e que trabalhou na RedeTV e na EBC.

Falsi também trocou a Record TV pela CNN Brasil. Nos três últimos anos, ele foi responsável por comandar o jornalismo da Record na Bahia. Antes, teve passagens pelas rádios Globo e Eldorado, jornal Agora, portal Terra e pelas TVs Globo e SBT.

Até o momento, única emissora nacional afetada pelas movimentações com a chegada da CNN Brasil, a Record TV inicia a semana promovendo mudanças em seu departamento de jornalismo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É mais uma decepção. Quando se pensava que estava surgindo uma nova emissora de TV no Brasil, o fato é que a CNN não passa de um “puxadinho” da TV Record, pois será dirigida por Douglas Tavolaro, o “biógrafo” de Edir Macedo.  A esperança da Record com a CNN Brasil é enfrentar a GloboNews, que jamais teve sua hegemonia ameaçada pela RecordNews. Na verdade, o jornalismo brasileiro precisa de veículos independentes, mas a CNN Brasil será uma emissora criada exclusivamente para agradar e apoiar o governo Bolsonaro, de olho nas verbas publicitárias que serão parcialmente retiradas do grupo Globo. Isso nada tem a ver com jornalismo. (C.N.)

Governador Zema, de Minas, dá exemplo e manda leiloar o jatinho estadual

Deu em O Tempo

Uma publicação postada na tarde desta quarta-feira (dia 13), na conta oficial do governador Romeu Zema, no Instagram, intrigou os seguidores do administrador. O post em questão anuncia a venda de um avião “muito usado, mas bem conservado”.

A aeronave Learjet, modelo 35A, pertence à frota aérea do governo de Minas Gerais e, de acordo com a legenda postada, é apenas o primeiro avião colocado à venda entre aqueles que serviram aos ex-governadores do Estado. No post, Zema afirmou que “a farra dos voos em Minas vai acabar”.

O lance inicial para o leilão, realizado pelo Sistema Eletrônico de Leilões, gira em torno dos R$ 2 milhões e foi informado que, além do bom estado de conservação, a aeronave está com a manutenção em dia. Até o momento, a assessoria do governador não informou qual o destino da quantia arrecadada no leilão e nem se outras aeronaves terão o mesmo destino do Learjet.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Parabéns ao governador mineiro, que enfrenta uma crise terrível. O exemplo se dá em casa, diz o ditado. Na verdade, R$ 2 milhões nada significam no Orçamento estadual, mas valem uma fortuna em termos de ética e respeito ao interesse público. Espera-se que seu exemplo seja seguido em outros estados e municípios que gastam os recursos públicos com mordomias para os governantes. (C.N.)

Nas histórias de ministros da Agricultura, Severo Gomes piando feito macuco

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Severo Gomes entendia muito de cachaça e de macuco

Sebastião Nery

Nereu Ramos assumiu a presidência da República em 1955, para garantir a posse de Juscelino, e pediu a Antonio Balbino, governador da Bahia, um nome para o Ministério da Agricultura. Balbino mandou chamar o deputado baiano Eduardo Catalão, fazendeiro de cacau, elegante e britânico, depois seu suplente no Senado:

– Catalão, indiquei seu nome para representar a Bahia no Ministério. Já dei seu nome ao presidente Nereu, que quer conversar com você hoje.

– Não, Balbino, de maneira alguma. Não posso aceitar. A Bahia tem homens experientes e mais bem preparados para a função do que eu. Não é justo que seja eu o ministro. E você sabe que não tenho ambições políticas.

– Não é nada disso, Catalão. Você está é com medo da situação nacional. Você sabe que este é um governo eventual, de crise. Se fosse em período normal, um governo tranquilo, você aceitaria. Mas como poderá sair do gabinete ministerial para ser fuzilado em praça pública, não aceita.

Catalão levantou-se, inteiramente surpreendido com a veemência do amigo, bateu a mão na mesa e encerrou a conversa:

– Pois se é para ser fuzilado, aceito.

Foi ministro da Agricultura. Não foi fuzilado.

GOVERNO CASTELO – Oscar Thompson era secretário da Agricultura do governo de Adhemar de Barros em São Paulo, em 1964. Depois do golpe militar, o presidente Castelo Branco mandou Adhemar indicar o ministro da Agricultura. Adhemar fez uma vasta lista. Castello vetou todos. Até que aceitou Oscar Thompson, formado pela Escola Agrícola Luiz de Queiróz, em Piracicaba.

Assumiu em 14 de abril. Em 16 de junho, Castello lhe telefonou mandando fazer uma demissão no ministério. Oscar Thompson respondeu:

– Tudo bem, Presidente. Mas antes vou comunicar ao governador.

– Quer dizer que o senhor vai comunicar antes ao Adhemar? Pois não vai ter tempo de comunicar nada. Já está demitido.

Bateu o telefone e o substituiu por Hugo Leme, diretor da Escola Agrícola Luiz de Queiroz de Piracicaba. Só durou seis meses, até o AI-2 de outubro de 1965, porque Castelo precisou do cargo para dar a Ney Braga, que deixava com sucesso o governo do Paraná.

COSTA E SILVA – Em 15 se março de 1967, o general Costa e Silva assumiu a presidência da República. Ivo Arzua, ex-prefeito de Curitiba, foi indicado para presidente do BNH (Banco Nacional de Habitação), mas Mário Trindade, o então presidente, não queria sair e conseguiu ficar. O jeito foi Costa e Silva convidar Ivo Arzua para Agricultura.

Mas Ivo Arzua não distinguia um morango de um mamão. Desesperado, internou-se 30 dias na Copamar (Cooperativa Agrícola de Maringá), onde fez um curso concentrado de agricultura. E assumiu.

SEVERO GOMES – No governo Castelo Branco, o saudoso Severo Gomes era ministro da Agricultura. Em Feira de Santana, na Bahia, presidiu uma solenidade. Depois, pediu uma cachacinha. Trouxeram sem rótulo, com o desafio:

– Queremos ver se o senhor diz de onde ela é.

Severo provou, gostou, arriscou: – Esta cachaça é de Januária.

Era. Ao lado, sorriso mole e olhos vidrados, escarrapachado numa cadeirinha de vime, um puxa-saco gordo, muito gordo, não se conteve:  – Vá entender de agricultura na puta que o pariu.

IGUAL A MACUCO – Ministro da Industria e Comercio de Geisel, Severo foi caçar macuco, um fim de semana, em sua fazenda perto de Parati. Macuco se caça piando, para chamar. O ministro estava piando mato adentro, veio um puxa-saco:

– Dr. Severo, o senhor pia macuco melhor do que muito macuco.

Deveria haver um certo recato da TV Globo no apoio à reforma da Previdência

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Charge do Ivan Cabral (Arquivo Google)

Rubens Barbosa Lima

Alguém poderia orientar os jornalistas da Globo e da Globonews a mostrarem um certo recato…, um certo pesar…, na divulgação da pretendida “reforma” da Previdência Social e do apoio explícito ao ministro da Economia, Paulo Guedes, afinal de contas, as Organizações Globo são oposição ao Governo Bolsonaro. São? Ou não são?

Alguém poderia ainda explicar para estes jornalistas que se recomenda o recato, porque esta “reforma” pretende única e exclusivamente retirar direitos conquistados com sacrifícios pelo Povo Brasileiro, ao invés de combater privilégios de alguns (como por exemplo – juízes, procuradores, deputados federais, senadores e militares).

A alegria eufórica demonstrada por estes jornalistas, além de não pegar bem, ofende o Povo Brasileiro e sugere que são interessados neste crime que se pretende praticar contra a cidadania, em benefício da manutenção criminosa do Sistema da Dívida Pública no Brasil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente suelto, como antigamente chamávamos os pequenos editoriais. Além d postura tendenciosa denunciada por Rubens Barbosa Lima, é preciso lembrar que muitos desses jornalistas são “pejotas” (falsas pessoas jurídicas), ganham altíssimos salários e “legalmente” sonegam Imposto de Renda e INSS, permitindo que a empresa também sonegue “legalmente” estes Impostos e também o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Mas quem se interessa? (C.N.)

Membro da equipe econômica elogia a Vale e compara tragédia à queda de um avião

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Mattar é um personagem sinistro, saído de um filme de terror

Manoel Ventura
O Globo

O secretário especial de Desestatização e Desinvestimentos, Salim Mattar, responsável por tocar a agenda de privatizações do ministro Paulo Guedes (Economia), defendeu, nesta quarta-feira, não “demonizar” a Vale após o rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho. Ele comparou o desastre em Minas Gerais a queda de um avião.

— Nós temos uma média de um ou dois grandes aviões (que caem) por ano. Morrem 120, 250 pessoas. Quando acontece um acidente dessa monta pede-se que a diretoria caia, demoniza-se a companhia, ou os órgãos buscam as causas? Em Brumadinho caiu um grande avião, ou dois aviões. Como seria um tratamento de uma companhia aérea? — perguntou o secretário.

NO SEU CPF – Para o secretário, os responsáveis devem responder no seu CPF, mas a empresa tem que ser preservada para manter empregos e a arrecadação de impostos. Segundo ele, cabe às empresas reparar os danos ambientais e pagar as indenizações devidas.
– Eu sou a primeira voz dentro do governo a defender a Vale. Defendo que um gerador de riqueza e emprego que tem um histórico espetacular, já foi penalizada perdendo bilhões de reais. Não deveríamos separar a empresa dos CPFs responsáveis? — questionou.

— Quando aconteceu o evento da Samarco, eu presenciei e fiquei horrorizado a que ponto chegamos. Eu presenciei a imprensa, Ministério Público, Polícia Federal, sociedade civil como eles destruíram a reputação de uma companhia espetacular chamada Samarco. Nem uma única voz levantou a favor da Samarco se não fosse eu — relatou. — Demonizaram a Samarco, quando nós devíamos correr atrás dos CPFs, das pessoas que foram responsáveis pelo desastre. A empresa tem que arcar com os aspectos indenizatórios.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esse empresário sinistro e calculista (grupo Localiza) precisa ser demitido imediatamente, não pode fazer parte do governo, sua participação depõe contra a honorabilidade de Bolsonaro. Quando um avião cai por descaso da manutenção ou da empresa, como a Lamia do time da Chapecoense, a imprensa imediatamente divulga. No caso de Brumadinho, já se sabe que a culpa é da diretoria da Vale, que deveria estar atrás da grades, mas isso não acontecerá. Aliás, esse tal de Samir Mattar faz jus ao sobrenome. Nota-se que não se importa em matar, se for para ganhar dinheiro. Mas se uma filha dele estivesse entre as vítimas, será que ele defenderia a Vale???. (C.N.)

Filho de Bolsonaro desmente Bebianno, que deve pedir demissão do governo

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Carlos Bolsonaro desmentiu o ministro Bebianno no Twitter

Deu na Folha

O vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou nesta quarta-feira (dia 13) em rede social que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, mentiu ao dizer que conversou três vezes com seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, no dia anterior. “Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: ´É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano [sic] que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista´”, disse Carlos Bolsonaro.

A postagem do filho do presidente, em rede social, foi feita na conta do vereador no Twitter.  Minutos depois, o filho do presidente adicionou um áudio de Bolsonaro se negando a atender uma ligação. E publicou mais uma mensagem: “Não há roupa suja a ser lavada! Apenas a verdade: Bolsonaro não tratou com Bebiano o assunto exposto pelo O Globo como disse que tratou”: pic.twitter.com/pJ4bkvMMGj

DISSE BEBIANNO – Nesta terça-feira, o ministro Bebianno negara que estivesse protagonizando uma crise no governo Bolsonaro e disse que trocou mensagens sobre o caso com o presidente.

Para negar seu desgaste, especialmente após a revelação pela Folha do esquema de candidaturas laranjas do PSL, Bebianno declarou ao jornal O Globo: “Não existe crise nenhuma. Só hoje falei três vezes com o presidente”.

A manifestação pública do filho do presidente da República reforçou o cenário de fritura do ministro, que enfrentou críticas internas após as suspeitas de laranjas nas eleições de 2018 pelo fato de ele ser presidente interino do PSL na época.

PEDE PARA SAIR… – A pressão de Bolsonaro levou Bebianno a cancelar agendas, e aliados do presidente têm dito extraoficialmente esperar que ele peça para sair do governo.

Nesta quarta-feira (13), a Folha revelou que Bebianno liberou R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada —sem maquinário para impressões em massa.

Anteriormente, após a Folha revelar a suspeita sobre candidatura laranja em Pernambuco, Luciano Bivar, fundador do PSL e atual presidente da legenda, disse que a decisão de repasse de dinheiro para ela era do então presidente nacional do partido —no caso, Bebianno.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Folha diz que, oficialmente, Bebianno alegou que sua viagem ao Pará foi suspensa porque o presidente pediu que todos os ministros estivessem em Brasília. Mas é “menas verdade”, como diria Lula, porque Bolsonaro mandou o ministro também cancelar agendas, inclusive uma reunião com o vice-presidente de Relações Institucionais da Rede Globo, que é considerada hostil ao governo. A crise existe, portanto, e é grave. (C.N.)

Furioso com Bebianno, Bolsonaro proibiu a viagem de três ministros ao Pará.

Gustavo Bebianno

Bebianno iria hoje a Belém para discutir o pacote amazônico

Tânia Monteiro e André Borges
Estadão

 O governo ia começar o seu plano de desenvolvimento pela região amazônica e enviaria três ministros ao oeste do Pará para avaliar investimentos de infraestrutura e definir grandes obras na região.  Mas o presidente Jair Bolsonaro, insatisfeito com o ministro  Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, mandou abortar a viagem dele, em companhia de Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

Eles estariam nesta quarta-feira, 13, em Tiriós (PA) para discutir com líderes locais a construção de uma ponte sobre o Rio Amazonas na cidade de Óbidos, uma hidrelétrica em Oriximiná e a extensão da BR-163 até a fronteira do Suriname.

ENERGIA – A nova hidrelétrica teria, na avaliação do governo, o propósito de abastecer a Zona Franca de Manaus e região, reduzindo apagões. A ampliação da BR-163 – construída nos anos 1970, ainda inacabada e notícia por causa de seus atoleiros – cumpriria uma meta de integração da Região Norte. Já a ponte ligaria as duas margens do Amazonas por via terrestre, ainda feita por travessia de barcos e balsas. O projeto serviria como mais um caminho para o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste.

Bebianno comparou as iniciativas à retomada do Calha Norte, projeto do governo José Sarney para fixação da presença militar na Amazônia. “A retomada do Calha Norte é fundamental para o Brasil como um todo. Estamos fazendo um mapeamento da região e vamos lá olhar pessoalmente”, afirmou o ministro ao Estadão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bolsonaro está furioso com Bebianno, por causa das candidaturas-laranjas do PSL, denunciada pela Folha de S. Paulo, com repasse de R$ 400 mil à candidata Lourdes Paixão, secretária do partido em Recife, quatro dias antes da eleição e R$ 380 mil foram gastos numa gráfica também fechada. Espera-se a demissão de Bebbiano ainda hoje, é o que se diz em Brasília. (C.N.)

Sérgio Moro prepara novo pacote para acelerar uso do dinheiro de criminosos

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Luiz Beggiora é um dos criadores da legislação anticrime

Renata Mariz
O Globo

A equipe do ministro da Justiça, Sergio Moro, prepara um segundo pacote de alterações legislativas para ser enviado ao Congresso, desta vez com o objetivo de antecipar a arrecadação do dinheiro decorrente dos bens apreendidos com traficantes e outros criminosos. Além de permitir a venda antecipada de móveis e imóveis produto do crime, o projeto define que o recurso obtido nessa transação já seja depositado na conta do Tesouro para ser destinado a políticas públicas.

Nas regras atuais, essa destinação final dos bens apreendidos só ocorre quando a ação penal transita em julgado, ou seja, esgotam-se as possibilidades de recursos. Se o dono do patrimônio for inocentado ao fim do processo, o governo ficará com o encargo de devolver o montante corrigido em três dias, prevê o projeto em elaboração.

DOIS OBJETIVOS – Mas essa hipótese de devolução é bastante residual, de menos de 10% dos casos, segundo Luiz Beggiora, titular da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), vinculada à pasta de Moro.

À frente da elaboração dos projetos, Beggiora disse ao Globo a medida tem dois objetivos principais: evitar a deterioração dos bens apreendidos que hoje ficam em pátios a céu aberto e tornar mais dinâmico o repasse dos recursos confiscados do crime para projetos de prevenção de drogas, aperfeiçoamento das polícias e programas de reinserção social de dependentes.

— É melhor inclusive para o próprio acusado. Digamos que ele seja absolvido dali a cinco anos, vai preferir receber um bem deteriorado ou o valor corrigido pela Selic? — diz Beggiora.

DEPÓSITO EM JUÍZO – Hoje, é possível fazer a venda antecipada dos bens apreendidos do crime. Uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2010, orientou juízes criminais nesse sentido no caso de patrimônios que perdem valor com o tempo. O montante arrecadado, no entanto, fica em depósito judicial, rendendo pelo índice da poupança, até o encerramento do processo. O governo quer a correção pela Selic nos cofres do Tesouro, explica Beggiora, com a permissão de gastar.

Apesar da recomendação do CNJ, a venda antecipada dos bens ainda não é uma realidade. Um inventário feito pelo atual governo verificou que há nada menos que 30 mil itens aptos a serem leiloados, cujos processos já transitaram em julgado, e outros 50 mil em poder da Justiça que poderiam ser vendidos. Não há estimativa do valor total do acervo. Ano passado, cerca de 1,2 mil bens foram leiloados, com arrecadação de R$ 6 milhões.

VENDA ANTECIPADA – A atual gestão quer deixar claro em uma futura lei que os bens imóveis, como casas e apartamentos, também podem ser vendidos antecipadamente. Isso porque o próprio Código de Processo Penal (CPP) prevê regras mais rígidas para a alienação desse tipo de patrimônio. A recomendação do CNJ, por sua vez, também é interpretada com a mesma restrição por falar em bens que podem perder valor no tempo, o que, em tese, excluiria os imóveis.

A equipe da Senad quer apressar essa modificação específica, recomendando uma emenda ao projeto de revisão do CPP, cujo relator na Câmara, deputado João Campos (PRB-GO) pediu sugestões da pasta.

UM EXEMPLO – O caso de uma fazenda em Mato Grosso do Sul, avaliada em R$ 20 milhões, que era de um traficante, mas foi dada pela Justiça em favor da União, é usada como exemplo. Sem destinação por anos, a propriedade foi retomada pelo tráfico.

O governo pretende, nesse mesmo pacote de mudanças na lei, criar um sistema de repasse para agilizar a transferência dos recursos provenientes da venda desses bens para as polícias.

— Isso vai estimular esses parceiros estratégicos. Se fizerem um bom trabalho para alienação daqueles bens, terão recursos de imediato — afirma Beggiora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moro está comandando uma revolução legislativa que vai permitir que se combate a impunidade. É isso que se espera dele, que está cumprindo a missão a contento. (C.N.)

Neto de Helio Fernandes relembra seu relacionamento com Ricardo Boechat

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Ricardo Boechat era torcedor do Flamengo e “peladeiro”

Carmen Lins

O jornalista Helio Fernandes, em seu blog, compartilhou este texto com o seguinte comentário: “Felipe Fernandes, que texto maravilhoso. Que memórias lindas. Vc é realmente meu neto amado”. Felipe é filho de Rodolfo Fernandes, que foi diretor de O Globo e morreu precocemente, aos 49 anos. Como diz o ditado, que sai aos seus não degenera:

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JOGANDO PELADA COM RICARDO BOECHAT
Felipe Fernandes

A morte do Boechat, além de todo o contorno trágico da situação, me bateu ainda mais fortemente pelas imagens da minha própria vida que isso trouxe. Senti, de certa forma, como se morresse um ente querido. E sim, por muito tempo ele foi como um parente pra mim. Um tio divertido e carismático, daqueles que tem o raro talento de se comunicar com crianças sem infantilizá-las. Eu me perguntava por que ele não era chato que nem os outros adultos, e por que os outros adultos não podiam ser mais que nem ele.

Durante anos, ele e meu pai foram muito próximos. Além de trabalharem juntos, jogavam bola religiosamente todo domingo no Grajaú, e volta e meia pegávamos carona na sua Mercedes creme dos anos 70, com estofado de couro marrom – a única que eu já tinha visto daquele tipo, o que reforçava ainda mais a peculiaridade daquele personagem e o fascínio que ele me causava.

Viajamos também juntos muitas vezes e frequentamos a casa dele na Rua José Linhares, no Leblon – a última da rua que ainda não tinha sido engolida pela especulação imobiliária, coisa que só alguém como o Boechat conseguiria peitar.

Chegamos até a dividir quarto numa estação de esqui na Argentina, e nunca esqueci da quantidade de bobeiras que ele falou pra me entreter. E por algum tempo naquela viagem também esqueci que aquele não era um genial amigo meu do colégio, e sim um amigo do meu pai. E esse talento que foi tanto ressaltado nas homenagens: conseguia conversar com a mesma desenvoltura com um taxista ou um ministro STF, com um adulto ou uma criança de 7 anos.

Nos anos seguintes, passei a conviver com ele à distância praticamente todas as manhãs, no Bom Dia Brasil. Quando eu acordava irritado por ter que ir à escola tão cedo (todo dia, basicamente), ouvir aquela voz e vê-lo na TV tão lúcido e divertido melhorava meu dia.

Mesmo agora, sem encontrar com ele há quase 20 anos, toda vez que o escutava no rádio sentia aquela mesma sensação de familiaridade, como se a gente tivesse acabado de jogar uma pelada no domingo anterior. E sei que muita gente que nunca nem esteve com ele pessoalmente tinha essa mesma impressão, tamanho era o carisma e naturalidade dele.

Eu achava que ia reencontrá-lo fortuitamente algum dia e a gente ia rir e relembrar esse passado, não tão distante e importante assim pra ele, mas longínquo e imensamente marcante pra mim.

Então, acompanhar as notícias e a retrospectiva da carreira dele é especialmente doloroso. Principalmente por ver uma vida interrompida dessa forma, mas também por me trazer fortemente lembranças do meu pai, da geração dele e do ambiente onde eu cresci. E por ver que, junto do Boechat, do Moreno e de outras pessoas tão emblemáticas, morre um pouco e se distancia cada vez mais a minha própria memória.

Bolsonaro recebe alta e continuará a se recuperar no Palácio da Alvorada

Bolsonaro deixou o hospital em SP nesta quarta (13) — Foto: Divulgação/Presidência da República

Radiante, Bolsonaro deixou o hospital e voltou para Brasília

Deu na Agência Brasil

 O presidente Jair Bolsonaro recebeu alta médica e deixou o Hospital Albert Einstein, na capital paulista, às 12h20 de hoje (13). Cerca de dez carros, acompanhados de batedores da Polícia do Exército e carros da Rota fizeram a segurança do presidente. Um helicóptero da Polícia Militar também auxiliou na segurança.

Segundo o último boletim médico, de ontem (12) à noite, o presidente mantém boa evolução clínica, está afebril, sem dor abdominal e com o quadro pulmonar em resolução.

Ele segue uma dieta leve e com suplemento nutricional. Bolsonaro estava internado desde o dia 27 de janeiro, para a retirada da bolsa de colostomia e a reconstrução do trânsito intestinal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
0 advogado e jornalista José Carlos Werneck acertou em cheio, mais uma vez, ao garantir que Bolsonaro seria liberado hoje. É claro que ainda está é em recuperação, seu estado inspira cuidados e terá de manter acompanhamento médico durante meses, que será exercido pelo Serviço Médico da Presidência.  Depois vamos comentar com mais profundidade o estado de saúde de Bolsonaro e os riscos que corre com a alta prematura. (C.N.)

Reflexões sobre o “não-voto”, que era defendido pelo jornalista Ricardo Boechat

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Concordo com a historiadora Clarinda Béja, nesse maravilhoso contraditório com o jornalista Ricardo Boechat, reproduzido aqui na Tribuna da Internet. Boechat infelizmente não está mais entre nós, mas a polêmica é necessária para esclarecimento sobre a arte de votar. Primeiro, porque só aprendemos a votar, ao exercer esse direito ao longo da vida e nos decepcionando a cada votação, até que finalmente o exercício da experiência nos torne menos suscetível aos políticos retóricos e mentirosos.

O sistema de poder tem essa consciência do poder da repetição, tanto que já tentaram a reunificação de todas as eleições (municipais e as federais) numa mesma data e de quatro em quatro anos, alguns propuseram até de cinco em cinco anos.

ABRE ESPAÇO – Além do mais, o cidadão consciente que não vota simplesmente abre espaço para o predomínio dos milhares de eleitores que são controlados pelos políticos e pelos partidos, no que se chama comumente de currais eleitorais, comandados pelos caciques do campo e da cidade.

O que Boechat propunha era o voto de protesto, que não serve para nada, apenas é o jus sperniandi, o direito sagrado de espernear, contanto que tudo permaneça como está.

Fiquei feliz em saber do doutorado da historiadora Clarinda Béja em Idade Média e Revolução Francesa, pois considero fundamental o conhecimento desses acontecimentos históricos de extrema relevância para compreender o mundo atual. Idade Média e Revolução Francesa (Renascimento) são o contraponto ao mundo antigo e o mundo moderno.

ERA DA TREVAS – No que concerne a Idade Média, muito se fala sobre esses tempos considerados de trevas, de perseguição religiosa (cruzadas), períodos de muitas doenças, uma era negra da humanidade. Porém, hvaia também lá a arquitetura, a pintura, a arquitetura, a construção de castelos, igrejas e também experimentos científicos, portanto, há de tudo um pouco.

Agora, vejamos a nossa contemporaneidade, com tantas tragédias, perseguições, injustiças sociais e sofrimento, principalmente para os cidadãos mais humildes. Vejo que há semelhanças, do que vivemos hoje com o período medieval.

DIVINA COMÉDIA – Recomendo a todos o estudo da “Divina Comédia”, que é uma obra-prima de Dante Alighieri, para se compreender melhor àqueles tempos medievais. Nesse particular, agradeço a professora Denise Andrade, uma das mais conhecedoras mestres da obra de Alighieri, que ao longo de seis meses de 2018, todas as sextas –feiras, na Cidade das Artes, nos conduziu ao universo medieval através da “Divina Comédia”.

Sobre a Revolução Francesa, não se pode entender o capitalismo e a democracia, sem mergulhar nos motivos que levaram a união dos jacobinos e do povo para tirar o rei do poder e implantar depois o terror total, que acabou ceifando os líderes do triunvirato da Revolução, Danton, Robespierre e Marat, o que culminou com a ascensão de Napoleão Bonaparte.

Jacobinos, Planaltinos e Girondinos são o que chamamos hoje de esquerda, centro e direita. Pergunto, qual a diferença daqueles temos e desses nossos agora?

Parabéns à mestre Clarinda e ao seu esposo, Jorge Béja.