Em plena crise, Bolsonaro reajusta ‘penduricalhos’ que elevam o soldo para beneficiar militares

Bolsonaro está envolto em crises e busca reforçar sua base de apoio

Felipe Frazão
Estadão

Com salários brutos que podem chegar aos R$ 50 mil, um grupo de militares terá a partir do mês que vem um aumento de até R$ 1.600 nos rendimentos. O reajuste ocorrerá em um dos penduricalhos que elevam o soldo e beneficiará, principalmente, o oficialato das Forças Armadas.

A medida ocorre no momento em que a economia sofre com o impacto do novo coronavírus. Milhões de trabalhadores da iniciativa privada perdem empregos ou são atingidos por suspensão e corte de salários e o governo enfrenta dificuldades para manter um auxílio emergencial de R$ 600 aos informais.

REFORÇO DA BASE – Ao mesmo tempo, o presidente Jair Bolsonaro está envolto em crises e busca reforçar sua base de apoio, composta por militares, policiais, evangélicos, ruralistas e, agora, políticos do Centrão.Chamada de “adicional de habilitação”, a benesse foi criada ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso e é dada para quem fez cursos ao longo da carreira.

O valor era o mesmo desde 2001. No ano passado, Bolsonaro autorizou o reajuste para até 73% sobre o soldo, em quatro etapas. Na primeira delas, o penduricalho para quem fez “curso de altos estudos”, por exemplo, subirá a partir de julho de 30% para até 42% sobre o valor do soldo. O aumento vale para militares da ativa e da reserva.

Com isso, um general de quatro estrelas, topo hierárquico das três Forças, passará a somar R$ 5.600 por mês ao soldo de R$ 13.400. Até então, o adicional era de cerca de R$ 4.000 mensais. Eles ainda acumulam outros adicionais que elevam o salário para, pelo menos, R$ 29.700 – a remuneração pode subir, a depender da formação, permanência em serviço, atividades e local de trabalho.

IMPACTO – Atualmente, recebem o adicional basicamente oficiais e, no caso do Exército, alguns praças. Militares de baixa patente da Aeronáutica e da Marinha também pressionam para receber. Questionado pelo Estadão, o Ministério da Defesa não informou quantos militares recebem o benefício e qual será o impacto total na folha de pagamento da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

Os penduricalhos acabam camuflando reajustes salariais, vetados pelo governo por causa da crise econômica. Desde que assumiu, em janeiro de 2019, Bolsonaro já fez outros agrados aos militares. Empregou 2.900 no seu governo e promoveu uma reforma previdenciária mais amena.

“AJUDA DE CUSTO” – Com a passagem para a reserva a partir de 2020, eles ainda fazem jus a outro benefício ampliado na reforma, a chamada “ajuda de custo” na passagem para a inatividade. O pagamento dobrou e passou a ser oito vezes a remuneração – o almirante Bento Albuquerque, ministro das Minas e Energia, teve direito a cerca de R$ 300 mil de uma só vez em maio.

Hoje, os maiores salários brutos entre os 381 mil militares em geral são do general Luiz Eduardo Ramos (ministro-chefe da Secretaria de Governo) e de Bento Albuquerque. Em março, pagamento mais recente publicado pelo governo, eles receberam, respectivamente, R$ 51.026,06 e R$ 50.756,51, conforme o Portal da Transparência.

Os valores, contudo, caíram para R$ 24.861,18 e R$ 28.140,46, pela regra do abate-teto. O redutor é aplicado porque servidores não podem acumular vencimentos além de R$ 39,2 mil, valor do salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).Oficiais das Forças Armadas comandam dez ministérios e são maioria no Palácio do Planalto, de onde atuam nos bastidores na articulação com o Legislativo e o Judiciário, além dos órgãos de controle.

ABATE-TETO – Os generais da ativa e da reserva no governo serão beneficiados com o reajuste no penduricalho, mas o valor deve ser engolido pelo abate-teto, pois também recebem parte do salário dos cargos civis que ocupam.

O reajuste no penduricalho é o primeiro de uma série de quatro que ocorrerão até 2023. Terá direito não apenas quem fez o “curso de altos estudos”. Também serão beneficiados, em menor porcentual, os militares que fizeram cursos de formação, especialização e aperfeiçoamento.

O aumento é aguardado nos quartéis desde a aprovação da reforma da Previdência, no ano passado. A lei proposta pelo governo mudou o sistema de proteção social dos militares, mas veio acompanhada de uma reestruturação nas carreiras, com a criação de adicionais e reajuste de alguns já existentes. Somente os militares, carreira de origem do presidente, que é capitão, tiveram direito a aumentos durante as mudanças nas regras de aposentadoria.

CURSOS – O reajuste no adicional de habilitação (por cursos concluídos, semelhante a títulos das carreiras civis) é o maior previsto na reforma dos militares. Em 2023, os militares poderão receber 73% a mais no soldo-base, conforme o escalonamento dos reajustes anuais que começa em 1.º de julho. Isso representa 43% a mais.

Esses cursos são classificados pelo comando de cada Força. O que dá direito à maior faixa de remuneração é o qualificado como “Altos Estudos I”, equivalente a um doutorado, como o Curso de Comando e Estado-Maior, para oficiais superiores (majores de Exército e Aeronáutica e capitães de corveta na Marinha). Para os graduados, podem ser cursos mais simples, que foram equiparados para fins de remuneração.

REESCALONAMENTOO Ministério da Defesa não respondeu qual será o impacto do aumento do adicional na remuneração nem quantos militares da ativa e da reserva terão direito a receber a mais. A pasta confirmou apenas que o pagamento será feito a partir de julho. Em vez de chamar de aumento, a Defesa dá ao reajuste o nome de “reescalonamento”.

Segundo a pasta, as despesas previstas com a reestruturação das carreiras militares são “autossustentáveis”. Isso porque foram feitas mudanças no sistema de proteção social, com aumento da contribuição para custeio da pensão militar e universalização da cobrança. A economia é de R$ 800 milhões aos cofres públicos, disse o ministério.

Após crise com a Lava Jato, aliada de Aras desiste de concorrer à vaga em Conselho da PGR

Subprocuradora alega desistência devido ao “excesso” de atividades

Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo
Estadão

A subprocuradora-geral Lindôra Araújo, aliada do procurador-geral da República Augusto Aras, desistiu de concorrer a uma vaga para o Conselho Superior do Ministério Público Federal. O anúncio ocorre em meio à crise provocada dentro da Procuradoria após sua visita à força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, que tratou a ida como uma ‘diligência’ para obter dados e informações sigilosas da operação.

A crise culminou na debandada de três membros do grupo de trabalho da Lava Jato na PGR, que está sob coordenação de Lindôra. Sem citar o caso, a subprocuradora disse que desistia de concorrer na eleição interna em razão de ‘inúmeras atividades’ que vem exercendo.

DESISTÊNCIA – “Colegas, em razão de inúmeras atividades que venho exercendo, resolvi retirar minha candidatura ao CSMPF pelo colégio de subprocuradores”, escreveu Lindôra Araújo, em comunicado interno na rede da PGR.

Nos bastidores, a desistência da candidatura é vista como reflexo do mal-estar provocado pela visita de Lindôra à força-tarefa da Lava Jato no Paraná, na semana passada. A viagem foi feita após Aras despachar ofícios aos procuradores cobrando informações sigilosas da operação, como mídias obtidas em quebras de sigilo e relatórios financeiros.

O novo posicionamento da PGR sobre o caso, divulgado neste domingo, dia 28, também não teria ajudado a pacificar os ânimos dentro da Procuradoria. A nota afirma que a Lava Jato ‘não é um órgão autônomo e distinto do Ministério Público Federal (MPF), mas sim uma frente de investigação que deve obedecer a todos os princípios e normas internos da instituição’, citando a lei do estatuto da Procuradoria.

RISCOS – “Fora disso, a atuação passa para a ilegalidade, porque clandestina, torna-se perigoso instrumento de aparelhamento, com riscos ao dever de impessoalidade, e, assim, alheia aos controles e fiscalizações inerentes ao Estado de Direito e à República, com seus sistemas de freios e contrapesos”, anotou a PGR.

Aliada de Aras, Lindôra era um dos nomes mais próximos do PGR na disputa por uma das vagas do Conselho Superior do Ministério Público Federal, que será escolhida na próxima terça, 30. A votação será restrita aos subprocuradores – último grau da carreira na Procuradoria. Na semana passada, votação aberta a toda a categoria consagrou dois procuradores críticos à gestão Aras, Mario Bonsaglia e Nicolau Dino.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal é o órgão máximo da Procuradoria, presidido pelo PGR, com a função de elaborar e aprovar normas internas e realizar sindicâncias e aplicar sanções a procuradores a partir de processos administrativos disciplinares.

Bolsonaro tenta conciliação com o Congresso e o Judiciário para salvar seu mandato

Marketing em construção: Bolsonaro testa o estilo “Jairzinho Paz e ...

De repente, Bolsonaro passou a adotar uma  estratégia  “Paz e Amor”

Augusto Fernandes e Ingrid Soares
Correio Braziliense

Aconselhado por militares, que montaram uma operação de guerra para salvar o mandato presidencial, Jair Bolsonaro distanciou-se daquela figura explosiva, tida a criar conflitos e criticar outras instituições, dando lugar a um comportamento mais discreto, equilibrado e moderado nos últimos dias.

Preocupado com o futuro político do governo, o mandatário voltou a falar em um “entendimento” com Legislativo e Judiciário, na última quinta-feira, após semanas de ataques.

AGENDAS PROPOSITIVAS – Diante da mudança de postura, a expectativa do Palácio do Planalto é de que o Executivo possa, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, avançar em agendas mais propositivas.

Outros movimentos de Bolsonaro contribuíram para a mudança de ares no alto escalão — desde fatos mais simples, como a redução de conversas matinais com apoiadores no Palácio da Alvorada, que lhe passaram a fazer cobranças mais duras, o que o irritou com facilidade, até decisões mais importantes, como o não atendimento ao apelo da ala ideológica para manter no Ministério da Educação algum “aluno” de Olavo de Carvalho, optando por um nome indicado por militares para substituir Abraham Weintraub.

Paralela à transformação do presidente, o governo teve “vitórias” fora do Palácio do Planalto que foram avaliadas como um ponto de inflexão para Bolsonaro: a aprovação do novo marco legal do saneamento básico no Senado — que está pronto para a sanção presidencial — e a inauguração de um dos trechos do Projeto de Integração do Rio São Francisco. Ao concluir obra que presidentes passados não conseguiram, Bolsonaro animou aliados e ganhou pontos com a população de mais baixa renda, que será a principal beneficiada com as medidas.

AINDA HÁ DÚVIDAS – No meio político, fica a dúvida de até quando o presidente manterá esse perfil mais sereno. O temor é de que tudo vá por água abaixo devido ao julgamento da próxima terça-feira, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de duas ações que pedem a cassação da chapa presidencial, formada por Bolsonaro e o vice, Hamilton Mourão, em 2018. O chefe do Executivo declarou publicamente a insatisfação com o assunto e chegou a sugerir que as Forças Armadas não aceitariam que ele perdesse o mandato por motivações políticas.

Independentemente do que acontecer, o entendimento entre parlamentares é de que Bolsonaro precisa deixar as intrigas de lado. “Ele é o presidente do país, foi eleito presidente da República, então, que ele volte as energias para o governo, para a governança. Que ele governe o seu governo e que governe o Brasil. É isso que o Brasil espera do presidente”, comenta o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS).

MAIS RESPOSTAS – Para o congressista, Bolsonaro “tem de ser mais proativo” e “deveria brigar menos, tendo mais resolutividade”. “Mais respostas é o que a sociedade espera, e menos brigas. Eu sei que o presidente tem um monte de problemas pessoais e também com familiares, mas, nesta hora, ele tem de olhar para o Brasil, para os brasileiros, e não cuidar dos problemas de família. Ele tem de cuidar dos problemas da família Brasil”, defende.

O senador Jayme Campos (DEM-MT) acrescenta que o caminho a ser seguido por Bolsonaro deve ser o “da boa conversa e do bom entendimento”. “Precisamos de uma interlocução harmoniosa entre os Poderes. Todos nós buscamos, com certeza, uma tranquilidade para o país, particularmente para a sociedade, que espera um bom exemplo daqueles que são os dirigentes maiores do Brasil”, diz.

“Dá para perceber que o presidente está mais ponderado. Essa sensatez é importante. Precisamos de pessoas com espírito de estadista e compete a todos nós, homens públicos, termos essa visão, sobretudo diante de um momento de crise. Temos de estar unidos. Espero que o presidente se comporte bem neste momento”, acrescenta.

Os mistérios das estrelas errantes, na visão do poeta simbolista Cruz e Sousa

Nada há que me domine e que me vença... Cruz e SousaPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis. No soneto “As Estrelas”, ele questiona se tais astros não são sentimentos dispersos de primitivos grupos humanos.


AS ESTRELAS
Cruz e Sousa

Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca de Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.

Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

TV Globo não tem medo de Bolsonaro porque manda mais do que ele nas Comunicações

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

No Ministério das Comunicações, onde sempre foi fortíssima a presença dos lobistas globais, há dois processos pedindo a cassação das portarias que possibilitaram a transferência ilegal da antiga TV Paulista, hoje, TV Globo de São Paulo, para Roberto Marinho, entre 1965 e 1977. Tudo feito para acobertar o apossamento dessa importante emissora,  sem pagar-lhes um só centavo a seus mais de 600 acionistas fundadores e, o que é pior, em flagrante descumprimento da legislação de Radiodifusão.

No ano passado, os herdeiros dos acionistas majoritários da TV Paulista pediram ao presidente Bolsonaro a reanálise desse processo administrativo, objetivando a declaração de nulidade das Portarias 163/65 e 430/77, que ignoraram todos os atos ilícitos (falsidade ideológica, inclusão de documento falso, assembleias fantasmas etc.) e todas as manobras promovidas por Roberto Marinho para assumir a TV Paulista, e assim, poder enfrentar a então poderosa Rede Tupi.

FALSA PRESCRIÇÃO – Diante do recurso, o que fez a Secretaria de Radiodifusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações (MCTIC), agora Ministério das Comunicações? Ao invés de investigar as concessões ilegais da TV Globo de São Paulo (ex-TV Paulista), usou um parecer de 2013, do ministro petista Paulo Bernardo, para afirmar que o atual governo não poderia fazer mais nada, porque as supostas irregularidades estariam prescritas.

O argumento é ardiloso, falacioso e escabroso, porque qualquer estudante de Direito sabe que, em se tratando de atos administrativos obtidos mediante fraude ou má-fé, o governo tem de anulá-los a qualquer tempo, assim que forem constatadas as ilegalidades . A obrigação de agir do Estado é permanente. Não existe prescrição de ato nulo.

PARALISAÇÃO OFICIAL – Esse processo (01250.025372/2019-88) está parado no Ministério há seis meses, apesar de todas as manifestações pedindo exame isento e independente para o pedido de cassação da transferência da  concessão da TV Paulista, depois TV Globo de São Paulo para Roberto Marinho, mediante fraudes apontadas pelo Instituto Del Picchia de Documentoscopia de São Paulo e pareceres da Procuradoria da República de São Paulo,.

Nas assembleias da TV Paulista S/A, presididas ou manipuladas pelo próprio Roberto Marinho, acionistas que tinham morrido há mais de dez anos também “compareceram” a essas reuniões fantasmas e assinaram os livros de presença. Essa simulação é inadmissível e não produziria efeito em nenhuma republiqueta do mundo. É imoralidade cumulada com estelionato. Tudo imprescritível. Mas continua valendo no Brasil.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa realidade mostra que Bolsonaro ainda pensa (?) que comanda o Ministério das Comunicações, porém, na verdade, já não manda mais nada. Quem detém o poder nesse importante setor da sociedade são os três herdeiros de Roberto Marinho, que já garantiram, por antecipação, que as concessões de suas TVs serão renovadas.

Amanhã a gente volta ao importante assunto, mostrando como está parado um outro processo que tem como investigados os três filhos de Marinho, desta vez por fraudes financeiras. Vocês vão se surpreender. (C.N.)

Bolsonaro faria uma jogada de mestre, caso se apresentasse espontaneamente para depor

Nota do Gabinete do ministro Celso de Mello - O Documento

Em dúvida, Celso de Mello decidiu consultar o procurador-geral

José Carlos Werneck

O presidente Jair Bolsonaro poderia tomar uma decisão excelente se comparecesse espontaneamente e prestasse seu depoimento no inquérito que foi aberto visando a esclarecer se o ex-ministro Sérgio Moro caluniou o chefe do governo ao denunciar que ele realmente tentou interferir na Polícia Federal.

Neste inquérito, já foram ouvidos o ex-ministro da Justiça, os generais Augusto Heleno e Eduardo Ramos, ministros do Gabinete de Segurança Institucional e da Secretaria de Governo, respectivamente, além de delegados, superintendentes e do ex-diretor geral da Polícia Federal, bem como a deputada federal Carla Zambelli,

SÓ FALTA BOLSONARO – Segunda a delegada que comanda o inquérito, só falta a oitiva do próprio Bolsonaro, e o relato do Supremo, ministro Celso de Mello, demonstra constrangimento em mandar ouvir o presidente pessoalmente e parece preferir que ele responsa por escrito aos quesitos.

Não interessa essa tecnicalidade de Celso de Mello identificar o presidente também como “investigado”, pois ele figura no inquérito como “suposta vítima” de denunciação caluniosa e outros crimes, que o então ministro Moro teria cometido ao fazer a denúncia, antes de se demitir.

O que interessa é se Bolsonaro se garante ou não, se falou a verdade ou não. Portanto, se acha que a acusação de Moro foi mesmo uma denunciação caluniosa, o presidente deveria se apressar em depor, para terminar logo o inquérito e incriminar Moro, conforme ele pretende e acha que vai acontecer.

DUAS OPÇÕES – O relator Celso de Mello tem duas opções: mandar ouvir o presidente ou repetir o entendimento do ministro Luís Roberto Barroso, conhecido por seus sólidos e robustos conhecimentos jurídicos, que em 2017 permitiu que o então presidente Michel Temer prestasse esclarecimentos por escrito em inquérito no qual era investigado.

O Código de Processo Penal prevê que o presidente da República, o vice-presidente e os presidentes do Senado, da Câmara e do STF podem prestar depoimento por escrito, sem fazer menção a situações em que estejam na condição de investigados, testemunhas ou vítimas.

GOLPE DE MESTRE – Antecipando-se a todo esse intricado raciocínio jurídico e principalmente a vaidades pessoais feridas, o presidente da República deveria comparecer à Sede da Polícia Federal,em Brasília e prestar,de forma clara e serena, seu depoimento esclarecendo o que realmente ocorreu.

Ao contrário dos que muitos pensam,essa atitude seria uma enorme demonstração de força e esvaziaria,por completo e de forma definitiva qualquer determinação feita pelo relator do inquérito e, principalmente, as vaidades feridas e os egos inflados.

Manifestantes fincam mil cruzes em Brasília pela covid e defendem impeachment

Protesto Stop Bolsonaro coloca mil cruzes na Esplanada

Oposicionistas também se manifestaram em Brasília neste domingo

Francisco Dutra
Metrópoles

Manifestantes fincaram mil cruzes em frente ao Congresso Nacional, pedindo o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na manhã deste domingo (27/06). O ato faz parte do movimento internacional Stop Bolsonaro. As cruzes representam as vítimas da pandemia do novo coronavírus no Brasil. a ação será seguida de ato ecumênico, incluindo a participação de líderes indígenas.

“É uma cerimônia artística para denunciar as mortes que poderiam ter sido evitadas, para se solidarizar com as famílias e para denunciar os responsáveis por esse genocídio. Que nós entendemos que sejam Bolsonaro, (o vice-presidente Hamilton) Mourão e o Centrão”, afirmou a professora Lúcia Iwanow, uma das organizadoras do ato.

AÇÃO SUPRAPARTIDÁRIA – A manifestação foi organizada pelo grupo Coletivo Resistência e Ação, que se intitula suprapartidário de esquerda. Apesar disso, o ato teve participação do ex-ministro Gilberto Carvalho, liderança nacional do Partido dos Trabalhadores, e de Érica Kokay, deputada federal pelo PT.

“É fundamental a gente prestar as nossas homenagem às pessoas que estão sendo vítimas de tanta negligência do próprio Estado e que têm sido vítimas dessa crise sanitária. Então, em primeiro lugar, é uma homenagem: todo mundo que parte é o amor de alguém”, disse a parlamentar.

Rejeitado o pedido do PSL para tirar Hasselmann da Secretaria de Comunicação da Câmara

Deputados argumentaram que houve desvio de finalidade na indicação

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
G1 / TV Globo

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta sexta-feira, dia 26, um pedido de um grupo de dez deputados do PSL para suspender a indicação da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) para o comando da Secretaria de Comunicação Social da Câmara dos Deputados.

Joice Hasselman foi designada secretária de Comunicação no último dia 10, por ato do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). A secretaria é responsável pelos veículos de comunicação da Casa (TV, Rádio e Agência Câmara).

DESVIO DE FINALIDADE – Os deputados argumentaram que houve desvio de finalidade na indicação, ou seja, o ato parece ter legalidade, mas tem uma razão não necessariamente atrelada ao interesse público. No caso específico, os deputados consideraram que a nomeação de Hassalmann tinha o objetivo de prejudicar os adversários políticos da deputada.

A bancada do PSL convive com disputas desde o ano passado, entre um grupo mais alinhado com o presidente Jair Bolsonaro e outro grupo ligado ao presidente da sigla, Luciano Bivar. Os deputados que questionam a permanência de Hasselmann no cargo são mais alinhados ao governo. Joice Hasselmann chegou a ser líder do governo no Congresso, mas rompeu com Bolsonaro, deixou o cargo e se tornou crítica da administração federal.

SEM JUSTIFICATIVA – O ministro Celso de Mello considerou que não havia indicação de elementos que pudessem justificar a conclusão de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, agiu em desacordo com o interesse público.

Segundo ele, o pedido não apresentou “qualquer elemento informativo” que o ato de Rodrigo Maia estivesse “dissociado do interesse público”. Para o ministro, as alegações apresentadas são “impregnadas de sentido absolutamente genérico e aparentemente desvinculadas de base empírica idônea”.

Alexandre Frota é condenado por passar fake news contra o PT na eleição

Deputado gravou vídeo acusando ex-presidente do PT de Ubatuba

Deu no O Tempo

O deputado Alexandre Frota (PSDB) foi condenado pela Justiça de São Paulo a indenizar Gerson Florindo de Souza, ex-presidente do PT de Ubatuba, cidade do interior paulista, por divulgar fake news durante as eleições de 2018.

A informação é do colunista Rogério Gentile, do UOL. A decisão determina que Frota terá que pagar R$ 50 mil a Florindo de Souza e também publicar um texto em suas redes sociais fazendo a correção da informação falsa que divulgou durante a campanha. O parlamentar pode recorrer da decisão.

DISFARCE – O ex-ator gravou um vídeo e divulgou em suas redes sociais dizendo que o petista se disfarçou de eleitor de Jair Bolsonaro (então candidato a presidente) e entrou em uma igreja em Brasília para xingar Fernando Haddad.

Frota, que à época era correligionário de Bolsonaro, intitulou o vídeo de “A maracutaia do PT e de Haddad não funcionou”. “Vejam só aonde chega a canalhice desse partido. Ele se disfarçou para tentar culpar os seguidores de Jair Bolsonaro por esse papelão”, dizia Frota no vídeo. No entanto, o acusado provou que não estava em Brasília no dia em que o fato ocorreu. 

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Frota agora está pagando pelas inverdades que disseminou no passado. Em abril deste ano, admitiu que teve R$ 6.600 descontado de seu soldo por decisão da 9ª Vara Cível de Brasília. A penhora foi para quitar honorários advocatícios da defesa de Jean Wyllys. O ex-parlamentar do PSOL acusou Frota de promover contra ele uma série de notícias falsas na internet. (Marcelo Copelli)

Um domingo com manifestações esvaziadas em apoio ao presidente da República

Manifestantes pró e contra Bolsonaro fazem manifestação na Esplanada (21/6)

Manifestantes culpam a imprensa pelo número baixo de adesões

Luiz Calcagno
Correio Braziliense

A manhã deste domingo contou com atos esvaziados em apoio ao presidente da República. Ainda assim, diversos manifestantes passaram pela Praça dos Três Poderes, garantindo um fluxo. Uma parte dos manifestantes se reuniu em frente ao QG do Exército, com faixas pedindo intervenção militar. Parte desse grupo se uniu posteriormente com os demais, em frente ao Palácio do Planalto.

Na manifestação do QG, os presentes pediam intervenção militar. Já na praça dos Três Poderes, os manifestantes colocaram duas grandes faixas, uma pedindo que os senadores reajam, e outra, complementar, pedindo o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

MÚSICAS E BANDEIRAS – O movimento em frente ao Palácio do Planalto contou com músicas e bandeiras do Brasil, além de camisas amarelas. Os manifestantes se mostraram arredios com a imprensa, e chegaram a dizer que o movimento enfraqueceu por culpa dos repórteres. Perto do fim, pessoas também distribuíram santinhos também pedindo “intervenção militar para Bolsonaro governar”.

No panfleto, o texto pede a saída dos ministros do STF, que seriam substituídos por indicados do presidente, e também a substituição de todos os parlamentares por suplentes, além da “criminalização do comunismo”.

Os apoiadores do presidente que concordaram em conversar com a imprensa apresentaram a própria narrativa contra o inquérito das fake news. As investigações correm a mando do STF, e resultaram na quebra de sigilo bancário de deputados federais apoiadores de Jair Bolsonaro. Os apoiadores do presidente falam em “quebra da liberdade de expressão” e em “ditadura do judiciário”.

FAZENDO RESSALVAS – Alguns dos apoiadores porém, ressaltaram a importância de apoiar o presidente da República, mas se posicionaram contrários aos ataques às instituições promovidos abertamente há cerca de duas semanas. Um deles, André Luiz dos Santos, 60 anos, disse que é de Minas Gerais, e está em Brasília desde segunda. Ele se acorrenta simbolicamente em uma haste de madeira com um baner de combate racismo e outro com imagem do presidente e de ministros do STF.

Ele disseque apoia o presidente enquanto acreditar que Bolsonaro age corretamente. “Meu partido é o futuro dos meus filhos e dos meus netos. Quero um país livre, em que todos possam comer. Sou contra as fake news e não quero um país de petistas e nem de fascistas. E se o presidente agir mal, serei contra”, afirmou.

Câmara articula acordo para votação de PEC que adia eleições municipais para novembro

Charge do Cazo (humorpolitico.com.br)

Naira Trindade
O Globo

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tenta construir um acordo para votar já nesta semana a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que adia a data das eleições municipais deste ano para novembro.

Maia se reuniu com líderes partidários na manhã deste sábado na residência oficial da Câmara. O acordo para adiar as eleições prevê a extensão da recomposição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que acaba em junho. A ideia é prorrogar a recomposição até o final do ano para que os municípios não percam em arrecadação.  

RESISTÊNCIA – Na última semana, o Senado aprovou a PEC que adia para 15 de novembro o primeiro turno das eleições deste ano, mas a proposta travou na Câmara porque partidos do Centrão, como PP, PL, MDB e Republicanos, resistiram à mudança do calendário.

O Congresso aprecia a alteração nas datas do pleito para evitar aglomerações durante as votações em meio à pandemia do novo coronavírus, que atingiu mais de 1,2 milhões de infectados e ultrapassou 56 mil mortes esta semana.

ARRECADAÇÃO –  Na avaliação de deputados que participaram da reunião, prefeitos são contra o adiamento das eleições porque a partir de julho, a arrecadação dos municípios cai sem o repasse do FPM. Com a extensão da recomposição do fundo, os prefeitos esperam conseguir fechar as contas da prefeitura. Líderes argumentam que a mudança nos repasses do FMP na votação do adiamento das eleições não deve alterar a PEC das eleições já aprovada pelo Senado.

A previsão é votar uma emenda tratando do tema, avaliar com o governo o envio de uma Medida Provisória ou até mesmo aprovar o Projeto de Lei 1161/20, de autoria do líder do DEM na Câmara, Efrain Filho (PB), que obriga o governo federal a garantir a estados e municípios repasses iguais ao de 2019 do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Este projeto já foi aprovado pela Câmara e precisa ser apreciado pelo Senado.  

PEC – A Constituição determina que primeiro e segundo turno do pleito ocorram, respectivamente, no primeiro e último domingo de outubro (dias 4 e 25). Após sugestão de adiamento feita pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, o Senado aprovou a PEC que prevê o pleito em 15 e 29 de novembro.

Também estendeu o período de campanha eleitoral no rádio e na TV de 35 para 45 dias. Além disso, haveria a possibilidade de o TSE remarcar a eleição de municípios com alto número de infectados de Covd-19. Neste caso, o prazo limite para o pleito seria 27 de dezembro.

“Interferência” implode a relação do procurador Aras com forças-tarefas da Lava Jato

MPF: procuradores elegem opositores de Aras e mandam 'recado' para ...

Augusto Aras está se tornando um “engavetador-geral”

Aguirre Talento
O Globo

A crise instalada na gestão do procurador-geral da República Augusto Aras após o embate de uma das suas principais auxiliares, a subprocuradora Lindora Araújo, com a força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba implodiu a relação da Procuradoria-Geral da República (PGR) com todas as forças-tarefas da Lava-Jato, incluindo também as do Rio e de São Paulo.

Como revelado ontem pelo GLOBO, a crise teve início após o envio de um ofício pela força-tarefa de Curitiba à Corregedoria do Ministério Público Federal acusando Lindora de, durante uma ida a Curitiba, ter realizado uma manobra ilegal para copiar dados sigilosos da operação, sem formalizar um pedido de acesso.

AÇÃO E REAÇÃO – Com o desgaste, a ação de Lindora provocou, ainda na noite de sexta, um pedido de demissão coletiva dos procuradores do grupo de trabalho da Lava-Jato na PGR, que agora fica sem nenhum integrante.

Respeitados internamente, os procuradores do grupo da Lava-Jato na PGR eram o principal ponto de interlocução das forças-tarefas de Curitiba, Rio e São Paulo com a gestão Aras. Por isso, logo após o pedido de demissão coletiva, as forças-tarefas se posicionaram em apoio aos procuradores e emitiram uma nota pública. A nota também foi assinada pelos integrantes da Força-Tarefa Greenfield, de Brasília.

A nota classifica os procuradores que pediram demissão da PGR como “competentes, dedicados, experientes e amplamente comprometidos com a integridade, a causa pública e o combate à corrupção e enfrentamento da macrocriminalidade”.

ATUAÇÃO CONJUNTA – Segundo a nota, eles “cooperaram amplamente em importantes trabalhos conjuntos com as forças-tarefas Lava-Jato e Greenfield, razão pela qual os seus integrantes expressam seu profundo agradecimento e admiração”. Os quatro procuradores são citados nominalmente na nota: Hebert Reis Mesquita, Luana Vargas Macedo, Maria Clara Barros Noleto e Victor Riccely.

A avaliação interna das forças-tarefas é que se instalou uma crise de confiança envolvendo a subprocuradora-geral da República Lindora Araújo, que ocupa a função de coordenadora do grupo de trabalho da Lava-Jato na PGR e teria a atribuição de apoiar e auxiliar no trabalho dessas forças-tarefas. Com isso, a tendência é que o diálogo existente com Lindora, que já era pouco, seja reduzido a zero.

TACLA DURAN – Essa desconfiança já vinha desde que veio a público a negociação, pela PGR, de um acordo de colaboração premiada com o advogado foragido Rodrigo Tacla Duran, que lançava suspeitas sobre um amigo do ex-ministro da Justiça Sergio Moro e sobre a atuação da Lava-Jato de Curitiba. Essas suspeitas já haviam sido investigadas e arquivadas pela própria PGR.

Responsável por essa negociação, Lindora tocou o acordo sem a participação da força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba, que tomou conhecimento da negociação pela imprensa. O caso foi revelado pelo GLOBO.

Como as investigações que correm em primeira instância não precisam de participação da PGR, a orientação nas forças-tarefas é seguir tocando o trabalho normalmente. Caso haja necessidade de diálogo com Brasília devido ao surgimento de políticos com foro privilegiado nas investigações, ainda não se sabe de que forma esse diálogo se daria.

ABALO NO ANDAMENTO – A falta de confiança, entretanto, deve abalar o andamento das investigações. O bom relacionamento das forças-tarefas com as gestões anteriores da PGR permitiu a rápida evolução de diversos trabalhos em conjunto. No início da Lava-Jato, os primeiros acordos de delação premiada foram assinados com o aval e participação do então PGR Rodrigo Janot.

Já sob a gestão de Raquel Dodge, embora o ritmo das investigações tenha diminuído, a Lava-Jato do Rio assinou diversos acordos de colaboração em conjunto com a PGR que permitiram o rápido andamento de inquéritos contra conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) e que culminaram na prisão do então governador Luiz Fernando Pezão (MDB). No caso da gestão Aras, esses trabalhos agora devem passar a ocorrer de forma descoordenada e isoladamente.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O desespero dos procuradores bolsonaristas é constrangedor. Recorrer a Tacla Duran para atingir Moro chega a ser ridículo. Duran foi ouvido pelo Congresso em vídeo conferência e apresentou uma prova no celular contra Moro que imediatamente foi comprovado ser fraude. Isso é muito triste. Uma coisa é Bolsonaro tentar salvar os filhos; outra muito pior é tentar destruir a Lava Jato para atingir Moro. (C.N.)

Em dia de pacificação, três torpedos disparados por ministros do STF contra o presidente.

GENTE DE MÍDIA: CHARGES. Bolsonaro e a questão evangélica segundo ...

Charge do Miguel (Jornal do Commercio)

Percival Puggina

Durante quase toda minha vida ouvi a frase: “Não existe opinião pública; o que existe é opinião publicada”. Dela fiz uso, muitas vezes, para mostrar que a imprensa costumava atribuir à sociedade, como conteúdo de produção própria, ideias e opiniões cuidadosamente cultivadas no que ela, imprensa, disponibilizava.

Nos anos mais recentes, a popularização da Internet, dos smartphones e das redes sociais abriu um amplo espaço para as fontes de opinião se expandirem em crescimento exponencial e em diversidade tal que, pela primeira vez na história, se pode falar sobre opinião pública como algo diversificado e democratizado.

BOLSONARO NA MIRA – O leitor destas linhas sabe. Nossa mídia vem seguindo uma estratégia que, embora tendo Bolsonaro como alvo aparente de suas matérias, visa, com efeito, restaurar seu antigo plantio e supremacia contra as opiniões de conservadores e liberais. Durante sucessivas décadas essas duas palavras eram usadas para injuriar pensadores, políticos, professores.

Bolsonaro é, apenas, o alvo fácil para esse ataque a um público cuja opinião precisa sucumbir, novamente, no obscurantismo do movimento revolucionário, “autorrotulado” progressista, que dominou a política e a cultura brasileira com os péssimos resultados ainda hoje se fazendo conhecidos… graças às redes sociais.

Os jornais desta sexta-feira (26/06) trazem a notícia de que o presidente da República discursou ontem no Palácio do Planalto, em presença do ministro Dias Toffoli do STF e falou em colaboração e harmonia entre os poderes de Estado.

FIM DAS HOSTILIDADES? – Do que li, colhi a impressão de que o presidente recuava de sua atitude até então belicosa para ir ao encontro da conduta fidalga dos demais poderes… No entanto, pasmem os leitores, ontem mesmo, em entrevista à CNN, o ministro Gilmar Mendes, com sua habitual falta de compostura (um defeito que a mídia só vê em Bolsonaro) fez piadinha dizendo que as milícias do Rio podem emprestar um soldado e um cabo”… (1).

Também ontem, ao ser eleito para presidir o STF a partir de 10 de setembro, o ministro Luiz Fux afirmou sua disposição de manter o STF “no mais alto patamar das instituições brasileiras” (2).

Na véspera, em entrevista ao UOL, a ministra Cármen Lúcia, falando do que não entende, havia afirmado: “Acho difícil superar a pandemia com esse desgoverno” (3).

PIADAS MALICIOSAS – Diante desses três fatos, pergunto se você, leitor, viu na grande imprensa alguma repercussão a essas frases que jamais seriam ouvidas de ministros que respeitassem sua função e poder, zelosos pela harmonia imposta pela Constituição?

Desde quando ministros do STF estão liberados para fazer piadas maliciosas carregadas de intenções políticas? Desde quando um futuro presidente da Corte pode se comprometer com elevar seu poder acima das demais instituições, quando a CF diz que os poderes são independentes e harmônicos, sem que um se sobreponha aos outros? Desde quando uma ministra se permite fazer crítica política frontal, sem cabimento nem fundamento, como a formulada pela ministra Cármen Lúcia?

Quanta irresponsabilidade numa missão de tamanha responsabilidade! Tudo isso num intervalo de umas poucas horas, provavelmente em dia de folga dos loquazes ministros Alexandre de Moraes e Celso de Mello, muito mais useiros e vezeiros nesse tipo de manifestação de agravo ao Poder Executivo. Quanta parcialidade no comportamento da imprensa! Ah, se fossem ditos do presidente, ou de alguém a ele ligado!

(1) – Gilmar Mendes: ‘milícias do Rio podem emprestar um soldado e um cabo’

(2) – Fux é eleito presidente do STF e diz que respeitará independência dos Poderes dentro da Constituição

(3) – Acho difícil superar a pandemia com esse desgoverno, diz Cármen Lúcia

Datafolha: 75% dos brasileiros querem democracia e apenas 10% aceitam a ditadura

Após ir a ato antidemocrático, Bolsonaro repreende apoiador que ...

Defensores de nova intervenção militar são apenas 10% dos brasileiros

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha, objeto de reportagem de Igor Gielow, edição de hoje da Folha de São Paulo, revela que 75% do eleitorado brasileiro querem viver em um país que tenha a Democracia, contra apenas 10% que aceitam a ditadura e, mesmo assim, em caráter excepcional. Importante o resultado no momento em que grupos radicais defendem o fechamento do Supremo e do Congresso e a volta do sistema militar ao poder, tendo à frente Jair Bolsonaro.

Reparem que me referi ao eleitorado e não à população em geral. Isso porque dificilmente os menores de 16 anos poderiam ter uma opinião a respeito do tema.

APARENTES CONTRADIÇÕES – O levantamento do Datafolha estende-se a outros pontos políticos nos quais assinala aparentes contradições. Porém isso não importa, porque as contradições acontecem mas não influem no sentimento generalizado em favor do regime democrático.

Cito alguns exemplos. 82% não sabem o que foi o ato institucional nº 5; 58% desconhecem o assassinato de Wladimir Herzog; mas 62% já ouviram falar na Lei de Anistia. Apenas 39% conhecem o caso do atentado no RioCentro; 76% afirmam que houve ditadura em nosso país durante o regime militar.

Muito bem. Enquanto 75% preferem a democracia 59% manifestaram-se contra o direito de greve e 51% são contrários aos partidos políticos. 49% querem a prisão dos suspeitos de crimes de corrupção, mesmo sem autorização judicial. Finalmente 56% são contrários ao fechamento do STF.

EXISTE DESINFORMAÇÃO – Portanto, o problema da desinformação está presente em parcela dos eleitores e eleitoras. O que fazer? Resposta: nada. Esta é a realidade brasileira e comprova o caráter fundamentalíssimo da educação. Porque somente a educação pode assegurar uma base sólida para o conhecimento da realidade que envolve a todos nós.

Entretanto, a pesquisa não se refere ao que deveria ser, e sim a situação concreta que existe hoje. Como no velho ditado, não se combate a febre quebrando o termômetro.

###
JOE BIDEN E DONALD TRUMP

Como digo sempre o processo político é mutável a qualquer instante com base no desenrolar dos fatos. Donald Trump era franco favorito para as eleições norte-americanas de 3 de novembro. Agora o quadro se inverteu. Joe Biden passou a liderar as pesquisas, de acordo com que publicou o New York Times, com 50% das intenções de voto contra 36% do atual presidente.

A margem atual é muito grande sobretudo porque ela está presente nos principais colégios eleitorais daquele país. Hilary Clinton teve mais votos que Trump na sucessão de 2016, mas sua margem era de 3% muito diferente da situação atual, porque a margem de 3% permitiu sua derrota na soma dos Colégios Eleitorais. Entretanto, uma diferença de 14 pontos não proporciona o mesmo raciocínio.

GRANDES COLÉGIOS – Os EUA têm 10 colégios eleitorais fundamentais. Califórnia, Texas, New York, Flórida, Illinois, Pensilvânia, Ohio, Michigan, Georgia, Carolina do Norte e New Jersey. Este é um estado colado com o de New York e, ao longo do tempo sempre demonstrou a mesma tendência eleitoral. Nesses principais colégios, Biden e Trump encontram-se empatados . Nos demais a vantagem é de Joe Biden. Inclusive na Georgia, estado conservador. Mas a mim não surpreende, uma vez que o governador Democrata da Georgia, Jimmy Carter derrotou Gerald Ford na sucessão de 1976.

Mesmo nesse panorama adverso para Trump, ele conforme O Globo publicou no sábado, recorreu a Suprema Corte tentando revogar o Obama Care. Uma loucura. Na hora em que precisa de votos o presidente se isola mais ainda, uma vez que o Obama Care atendeu 20 milhões de pessoas no ano de 2019. O legado do ex-presidente Obama inclui a extensão do seguro social financiado em parte pela Casa Branca a 60 milhões de pessoas carentes que não podem pagar pelo atendimento hospitalar.

###
POPULARIDADE DE BOLSONARO

Ia me esquecendo do resultado de outra pesquisa do Datafolha sobre a classificação relativa ao desempenho do governo Bolsonaro. Enquanto 44% consideram ruim e péssimo, 32% o definem como bom e ótimo.

Essa pesquisa praticamente confirma a de abril o que prova que o grupo de votou em Bolsonaro permanece apoiando. Lembrei a tempo e está aí a força dos números estatísticos.

Mais de 500 anos depois, Portugal ainda castiga os brasileiros em plena tragédia

Governo Sombra rende milhares de euros – A Televisão

Estes são os humoristas do programa “Governo Sombra”

Jorge Béja

Vocês, apresentadores e comentaristas do programa “Governo Sombra” da TV SIC de Portugal, ridicularizam a “homenagem” que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, prestou aos brasileiros mortos vítimas do coronavírus, na live desta última quinta-feira (dia 25). Jair exibiu Gilson Machado Neto, presidente da Embratur, tocando numa sanfona a “Ave Maria”, de Schubert. Vocês da SIC disseram que era uma homenagem muito bonita “a um gato morto”.

E acrescentaram: “Qualquer brasileiro com Q.I. acima de 100 deve ter a mesma sensação de um romano durante a invasão dos bárbaros. Nós olhamos aquilo e pensamos: o que aconteceu com o Brasil?”.

USA UMA SANFONA – E vocês disseram mais: “A homenagem está ao nível da preocupação que ele tem demonstrado. Se fosse um chefe de estado preocupado com seus concidadãos o tributo seria uma missa de réquiem, quarenta salvas de canhão…Mas ele usa uma sanfona. Isso é o chefe de Estado que não é uma microrepública com 500 mil habitantes. É um dos grandes países do mundo”.

Tudo que vocês da SIC mostram e disseram é mesmo verdade. Mas é uma verdade dolorosa. Verdade que causa mais sofrimento em nós, brasileiros. Já somos mais de 56 mil mortos e não sabemos quantos milhares de outros mortos serão. Sofremos um flagelo.

Mas as atitudes insensatas, despudoradas, insensíveis, cruéis, ridículas mesmo do presidente brasileiro jamais poderiam ser tema da zombaria que vocês, da TV SIC, fizeram. Com a dor não se brinca.

HUMOR SATÂNICO – A qualquer título, a qualquer pretexto, este tal programa chamado “Governo Sombra” jamais poderia e deveria se valer da leviandade de Jair Bolsonaro para servir de tema humorístico. Foi humor satânico. Humor crudelíssimo. Humor funesto.

Saibam vocês que a ridicularização que a emissora e o programa levaram ao ar nos abate, nos adoece, nos fere de morte tanto quanto o maldito vírus que o mundo inteiro enfrenta e busca eliminar. Este seu programa não salvou vidas. Matou vidas. Basta o desprezo que o presidente brasileiro externa com tão desesperante etapa da nossa História. Tanto já é o insuportavelmente suficiente.

GRANDE OPORTUNIDADE – Saibam que vocês perderam uma grande oportunidade para repreender Jair Bolsonaro. Se vocês tivessem inteligência, solidariedade e refino, que então prestassem vocês, portugueses, a nós, brasileiros vivos e aos que morreram e que de vocês descendemos, a “homenagem” que Jair prestou à sua moda, à sua altura, ao seu talento, à sua sensibilidade, que não é nenhuma. Que é um zero à esquerda.

Então, que o programa “Governo Sombra”, executasse a Marcha Fúnebre de Chopin, tendo ao piano a famosa e virtuosa Maria João Pires, pianista portuguesa que há anos mora no Brasil e encanta o mundo. Ou o Réquiem de Mozart (K 626-3, em Dó Menor), com a fabulosa Orquestra Filarmônica de Portugal.

Mas, não. Preferiam zombar. E zombaram de tanta dor que nós brasileiros estamos sentindo e não sabemos quando acabará. Tal como éramos colônia, Portugal continua a tratar os brasileiros com a mesma crueldade, que agora se repete, mais de 500 anos depois. Que castigo!!!.

###
P.S.
Sou neto de português. Meu nome é Béja (Jorge de Oliveira Béja). E de Béja descendo. Béja, lá no sul de Portugal, perto da cidade do Faro. E este artigo está sendo encaminhado para os e-mails “atendimento”, “agenda” e “mcarvalho” da TV SIC (J.B).

Wajngarten participa de aniversário de jogador do Palmeiras com cerca de 70 pessoas em plena quarentena

Não há evidência de que que já contraiu a doença esteja imune

Jussara Soares
Estadão

O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Fábio Wajngarten, estava entre as dezenas de convidados da festa do aniversário de 37 anos do jogador do Palmeiras Felipe Melo, em um condomínio em São Paulo, que começou na sexta-feira, dia 26, e entrou pela madrugada deste sábado, dia 27. Em vídeos aos quais o Estadão teve acesso, os convidados, incluindo o auxiliar do presidente Jair Bolsonaro, aparecem sem máscara.

Após críticas ao evento com aglomeração durante a pandemia do coronavírus, o atleta usou as redes sociais para se desculpar. Disse que era uma comemoração “reservada” e que “da melhor maneira possível” tentou preservar a segurança de todos os presentes.

FESTANÇA – Segundo convidados, duas bandas tocaram ao longo da noite. Ao todo, entre músicos, convidados e produção eram cerca de 70 pessoas. O Estadão procurou Fabio Wajngarten para comentar a presença dele na festa, mas ainda não teve o retorno.

Wajngarten foi o primeiro integrante da comitiva presidencial que esteve nos Estados Unidos com o presidente Donald Trump, em março, a ser diagnosticado com o coronavírus.  Ao todo, 23 pessoas que estiveram no grupo foram contaminadas. Ao chegar ao Brasil, já com sintomas, Wajngarten insistiu em viajar no voo do Força Área Brasileira (FAB) que ia para São Paulo.  

Um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que estava no voo foi infectado e chegou a ser hospitalizado. Na ocasião, o então chefe da Secretaria Especial de Comunicação foi criticado por não ter informado a real dimensão de seus sintomas.

EVIDÊNCIAS – Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),  ainda não há evidências científicas suficientes para afirmar que pessoas que se recuperaram do novo coronavírus estão imunes à doença. O órgão tem repetido que “nenhum estudo concluiu que a presença de anticorpos confere imunidade ao novo coronavírus em humanos”.

Em geral, o Ministério da Saúde e autoridades na área recomendam que não se faça aglomeração tanto em ambiente aberto como fechado durante a pandemia. O Ministério recomenda, inclusive, distância de um metro entre as pessoas “em lugares públicos e de convívio social”.

SEM MÁSCARA – No início deste mês, Wajngarten se recusou a usar uma máscara de proteção durante um voo comercial de Brasília a Guarulhos alegando que já tinha contraído a doença. Conforme revelou o colunista Guilherme Amado, da Revista Época, vários passageiros reclamaram e uma comissária de bordo teve de insistir. Após o pedido, o secretário usou a proteção.

A festa de Felipe Melo ocorreu em sua residência no condomínio Tamboré II, na Grande São Paulo. Nos vídeos, o jogador canta junto com músicos e convidados. Em um deles, Wajngarten aparece gravando o atleta. O secretário também aparece abraçado com Felipe e outras pessoas em frente ao bolo.  O condomínio fica em Santana de Parnaíba. Até o dia 25 de junho, segundo o site do município, 963 pessoas adoeceram e 36 morreram por causa do coronavírus.

DESCULPAS – “Comemorei meu aniversário com minha família e amigos mais próximos. Sei que o mundo passa por um momento difícil, mas, depois, de muito pensar, meus familiares e eu decidimos comemorar de forma reservada. Foi na minha casa e tentamos, da melhor maneira possível, preservar a segurança de todos que estavam presentes. Se ofendi algumas pessoas, peço desculpas. Não foi esta a intenção”, publicou Felipe em uma rede social.

No Estado de São Paulo,  o governo decretou quarentena, com restrições para realização de eventos públicos. Não há uma regra que proíba uma festa em casa, mas é recomendado que não ocorram. O Ministério da Saúde  recomenda evitar situações de aglomeração e o uso de máscaras em todos os ambientes, incluindo lugares públicos e de convívio social.  A orientação é manter distância mínima de  um metro entre pessoas em lugares públicos e de convívio social.

PROXIMIDADE – Felipe Melo se tornou próximo de Bolsonaro, que é torcedor do Palmeiras. O presidente gravou um vídeo para parabenizar o atleta. “Eu te conheço há mais tempo do que você me conhece. Te acompanhei sempre no futebol, sua garra, sua determinação,  sua vontade de vencer, seu empenho, sua liderança em campo. Posso dizer que um pouco de você eu trouxe pra mim. Só quem realmente age dessa maneira atinge seu objetivo final”, disse Bolsonaro, que relembrou que conheceu o jogador quando o Palmeiras ganhou o Brasileirão de 2018.

“Confesso que eu me apaixonei por você”, falou. Os dois trocam mensagens frequentemente.  Em 17 de junho, o jogador esteve na posse no ministro das Comunicações, Fábio Faria. Após o evento, almoçou com Bolsonaro.

CASOS – O Brasil registrou até a noite de sexta-feira, 26, 56.109 mortes por coronavírus e 1.280.054 casos confirmados da doença, segundo levantamento feito pelo consórcio dos veículos de imprensa junto às secretarias estaduais. O Estado de São Paulo, que desde o início é o epicentro da doença, contabiliza 258.508 casos e 13.996 óbitos.

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre jornalistas dos seis meios de comunicação, que uniram forças para coletar junto às secretarias estaduais de Saúde e divulgar os números totais de mortos e contaminados. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia. Diante da repercussão, o Executivo voltou a divulgar os dados consolidados.

Responsável pela Comunicação do governo, Wajngarten usou as redes sociais para rebater às críticas feitas ao Ministério da Saúde, que passou a informar números da pandemia do Brasil às 22h. No dia 8 de junho, usou o Twitter para comparar a divulgação dos dados do coronavírus com as partidas de futebol.  “Novamente dois pesos e duas medidas por parte da mídia: divulgar boletim da saúde às 22:00 é um escândalo. Transmitir futebol às 22h sem transporte público, todos ficam calados”, escreveu.

Moro “estranha” pedidos de Augusto Aras para acessar dados sigilosos da Lava Jato

PGR diz que “visita de trabalho” visava obter “informações globais”

Fausto Macedo e Paulo Roberto Netto
Estadão

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro afirmou que ‘causa estranheza’ os pedidos do procurador-geral da República, Augusto Aras, para ter informações da Operação Lava Jato. Os ofícios foram enviados às forças-tarefas do Paraná, São Paulo e Rio – este último, território de interesse da família Bolsonaro – e cobravam o envio de dados coletados pelos procuradores ao longo dos últimos anos.

Em Curitiba, a visita de uma aliada de Aras causou desconforto à Lava Jato, que enviou ofício a Aras acusando ‘diligência’ da PGR para recolher informações e dados da operação ‘sem prestar informações sobre a existência de um procedimento instaurado, formalização ou escopo definido’. Na sexta, membros do grupo de trabalho da operação na PGR pediram demissão.

ESTRANHEZA – “Aparentemente, pretende-se investigar a Operação Lava Jato em Curitiba. Não há nada para esconder nela, embora essa intenção cause estranheza”, disse Moro. “Registro minha solidariedade aos Procuradores competentes que preferiram deixar seus postos em Brasília”.

A solicitação de Aras cobrou o envio, em até dez dias, de dados eleitorais, de câmbio, de movimentação internacional, além de relatórios de inteligência financeira, declarações de impostos de renda e base consolidadas de informações. O pedido também engloba dados recebidos em colaborações ou fornecidos por outros órgãos à força-tarefa e base de evidências, como mídias coletadas em apreensões e quebras telemáticas.

“VISITA DE TRABALHO” – Em nota, a PGR negou as acusações da Lava Jato Curitiba de que se tratava uma ‘diligência’. “Não houve inspeção, mas sim uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações e o acervo da força-tarefa para solicitar eventuais passivos. Um dos papéis dos órgãos superiores do Ministério Público Federal é o de organizar as forças de trabalho”, escreveu a Procuradoria (leia a nota completa no final desta notícia).

O ofício de Aras à Lava Jato indica que os dados seriam enviados para a Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise do gabinete do PGR, que tem, entre suas funções ‘receber, processar, analisar e armazenar dados sigilosos obtidos por meio de decisões judiciais, de representações encaminhadas por órgãos públicos ou de requisição direta dos membros do MPF’.

DEMISSÃO –  A visita de Lindora levou à debandada de três procuradores do grupo de trabalho da Lava Jato na PGR. Pediram demissão os procuradores Hebert Reis Mesquita, Luana Vargas de Macedo e Victor Riccely. O grupo era responsável pela condução de inquéritos envolvendo políticos com foro privilegiado no Supremo, além de atuar em habeas corpus movidos na Corte em favor dos investigados e a negociação de delações premiadas.

Procuradores ouvidos reservadamente pela reportagem falaram de quebra de confiança, pontuando que o mal-estar gerado pela atitude da aliada de Aras fragiliza a atuação do MPF no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal em matéria criminal.

Hebert e Luana já haviam feito parte do grupo de trabalho da Lava Jato na gestão Raquel Dodge e também entregaram os cargos por discordâncias com a então procuradora-geral.

###
LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DA PGR:

A respeito de notícias publicadas nesta sexta-feira (26), a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que a subprocuradora-geral Lindôra Araújo, na condição de coordenadora da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), realizou visita de trabalho à Força-Tarefa Lava Jato em Curitiba (PR). Desde o início das investigações, há um intercâmbio de informações entre a PGR e as forças-tarefas nos estados, que atuam de forma colaborativa e com base no diálogo. Processos que tramitam na Justiça Federal do Paraná têm relação com ações e procedimentos em andamento no STJ.

A visita foi previamente agendada, há cerca de um mês, com o coordenador da força-tarefa de Curitiba – que, inclusive, solicitou que se esperasse seu retorno das férias, o que foi feito. O procurador Deltan Dallagnol sugeriu que a reunião fosse marcada para entre 15 e 19 de junho, mas acabou ocorrendo nessa quarta-feira (24) e quinta-feira (25).

Não houve inspeção, mas uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações e o acervo da força-tarefa, para solucionar eventuais passivos. Um dos papéis dos órgãos superiores do Ministério Público Federal (MPF) é o de organizar as forças de trabalho. Não se buscou compartilhamento informal de dados, como aventado nas notícias da imprensa, mas compartilhamento formal com acompanhamento de um funcionário da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea), órgão vinculado à PGR, conforme ajustado previamente com a equipe da força-tarefa em Curitiba.

A solicitação de compartilhamento de dados foi feita por meio de ofício datado de 13 de maio. Pedido semelhante foi enviado às forças-tarefas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Diante da demora para a efetivação da providência, a reunião de trabalho poderia servir também para que a Sppea tivesse acesso ao material solicitado. A medida tem respaldo em decisão judicial que determina o compartilhamento de dados sigilosos com a PGR para utilização em processos no STF e no STJ.

A corregedora-geral do Ministério Público Federal, Elizeta Paiva, também iria a Curitiba, mas não o fez nesta ocasião por motivos de saúde, conforme oficialmente informado ao gabinete do PGR. A corregedora vem acompanhando os trabalhos da Lava Jato porque determinou uma correição extraordinária, realizada por dois procuradores designados por ela, em todas as forças-tarefas em funcionamento no âmbito do MPF no país. Os assuntos da reunião de trabalho, como é o normal na Lava Jato, são sigilosos. A PGR estranha a reação dos procuradores e a divulgação dos temas, internos e sigilosos, para a imprensa.

Programa da televisão portuguesa faz piada e debocha da última live de Bolsonaro

Aliado de Bolsonaro toca "Ave Maria" em live e viraliza; assista ...

Jair Bolsonaro mandou tocar sanfona em louvor às vítimas

Deu no Estado de Minas

Apresentadores e comentaristas do programa Governo Sombra, do canal português SIC, ridicularizaram a homenagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aos mortos por coronavírus feita em live na última quinta-feira (dia 25).

Após o Brasil registrar a marca de 53.830 mortes por covid-19, Bolsonaro prestou tributo às vítimas chamando Gilson Machado Neto, presidente da Embratur, para tocar “Ave Maria”, de Schubert, em sanfona durante a transmissão ao vivo pelo Facebook que faz no final da tarde de todas as quintas-feiras.

CAIU NO DEBOCHE – “O Bolsonaro diz que ‘é uma homenagem aos que se foram’, mas não diz que são pessoas. Pode ser uma homenagem muito bonita a um gato morto. Simplesmente porque a homenagem reproduz o som de gatos que estão a sofrer”, debocha um dos comentaristas.

“Qualquer brasileiro com Q.I. acima de 100 deve ter a mesma sensação de um romano durante a invasão dos bárbaros. Nós olhamos para aquilo e pensamos: O que aconteceu com o Brasil?”, questiona outro.

Os apresentadores também brincam com o fato de sido o primeiro ato público de Bolsonaro em homenagem aos mortos no Brasil em decorrência do novo coronavírus.

UM DOS GRANDES PAÍSES – O pior foi a crítica ao nível de preocupação que Bolsonaro tem exibido em relação à covid-19, incentivando aglomerações e sem usar máscara protetora.

“A homenagem está ao nível de preocupação que ele tem demonstrado. Se fosse um chefe de estado preocupado com seus concidadãos o tributo seria uma missa de réquiem, quarenta salvas de canhão… Mas ele usa uma sanfona. Isso é o chefe de Estado de um país que não é uma microrepública com 500 mil habitantes. É um dos grandes países do mundo”, disse um dos participantes do programa de TV.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se dizia antigamente, Bolsonaro já caiu na boca do povo, até em Portugal… (C.N.)

Weintraub deve ser investigado por racismo pela Justiça Federal, afirma a Procuradoria

corre risco de responder judicialmente por falas ...

Abraham Weintraub se defende citando Donald Trump

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
TV Globo — Brasília

A Procuradoria Geral da República (PGR) defendeu, em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o inquérito sobre suposto crime de racismo pelo ex-ministro Abraham Weintraub (Educação) seja analisado na primeira instância pela Justiça Federal, não estadual.

O parecer é assinado pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros. O documento foi enviado em resposta ao ministro Celso de Mello, que determinou o envio do caso para a primeira instância uma vez que Weintraub perdeu direito ao foro privilegiado.

HAVIA DÚVIDA – Ao tomar a decisão, Celso de Mello pediu à PGR que se manifestasse se o caso deveria ser analisado na primeira instância pela Justiça Federal ou pela Justiça estadual.

Em abril, Weintraub fez em uma rede social insinuações de que a China poderia se beneficiar propositalmente da crise mundial causada pela pandemia do coronavírus. Em depoimento, ele disse que a acusação “não é mera ilação”.

Na ocasião, Weintraub também ironizou o fato de alguns chineses, quando falam português, trocarem a letra “R” pela letra “L”, assim como o personagem Cebolinha, da Turma da Mônica.

TRATADOS E CONVENÇÕES – Para a PGR, a competência da Justiça Federal para dar continuidade à investigação é justificada porque o Brasil é signatário de diversos tratados e convenções de combate à discriminação racial.

No último dia 4, ainda como ministro da Educação, Weintraub compareceu à Polícia Federal para prestar depoimento, mas não quis responder a perguntas e entregou uma declaração por escrito.

Na declaração, ele manteve os ataques aos chineses: “A participação do PCC [Partido Comunista da China] na pandemia não é mera ilação desse subscritor [Weintraub]. Trata-se de tema discutido abertamente por diversos líderes mundiais (vide comentário do presidente Donald Trump). Hoje há fortíssimas evidências que o vírus foi criado em laboratório, que o PCC escondeu o início da epidemia e informou a Organização Mundial de Saúde que não havia contágio entre humanos, e depois, de tudo, vendeu produtos necessários para o tratamento para todo o mundo. É razoável que o tema possa ser objeto de discussão livre”, afirmou Weintraub.