Aviões da FAB resgatarão brasileiros impedidos de voltar para o Brasil em meio à pandemia

Cerca de 6 mil brasileiros estão impedidos de retornar ao Brasil

Eliane Oliveira
O Globo

O governo vai recorrer à Força Aérea Brasileira (FAB) para resgatar cidadãos brasileiros no exterior, que estão impedidos de voltar para o Brasil em razão do fechamento das fronteiras pelos países para combater o coronavírus.

Na manhã desta terça-feira, dois aviões C-130 (Hércules) decolaram do Rio de Janeiro em direção a Cusco, no Peru. Com previsão de chegada na quarta-feira, cada uma das aeronaves levará uma equipe médica e material de defesa biológica.

ISOLADOS – Serão repatriados brasileiros que se encontram isolados e enfrentando dificuldades naquela localidade, em atuação coordenada com o Itamaraty. Estima-se que haja cerca de 200 pessoas presas em Cusco, que não conseguir voltar para o Brasil.

Existem cerca de 6 mil brasileiros impedidos de retornar ao Brasil espalhados em todo o mundo. Estão em situação mais crítica cidadãos que estão em Portugal, Peru, México e Equador e tentam voltar para casa há mais de uma semana, quando as medidas adotadas pelos governos começaram a vigorar.

NEGOCIAÇÃO – Desde então, o Itamaraty vem tentando negociar com as companhias aéreas a abertura de voos para trazer de volta os brasileiros. Os resultados, porém, estão aquém do esperado. Há casos, como a pernambucana Bárbara Silva, que precisou comprar outra passagem de volta para o dia 28, por cerca de R$ 4 mil, mas não tem garantia se vai conseguir embarcar.

O engenheiro Vitor Fagundes chegou a Quito há dez dias. Quando visitava Isabela, uma das ilhas do arquipélago de Galápagos, no Equador, ficou sabendo das medidas restritivas tomadas pelo governo daquele país. “O fato de eu estar mais distante dificultou minha volta imediata ao Brasil”,  disse ele.

FRETAMENTO – O Itamaraty pediu R$ 12 milhões ao Ministério da Economia, para fretar aviões que possam fazer o resgate. A expectativa era que a liberação fosse anunciada ainda nesta segunda-feira, o que não aconteceu.

Nos últimos dias, pelo menos 2 mil brasileiros conseguiram embarcar em voos de carreira, mas o número ainda é pequeno, diante da quantidade de pessoas que aguardam uma solução, muitas das quais sem dinheiro para comer ou lugar para se hospedar.

“Estamos presos aqui há mais de uma semana, com o fechamento das fronteiras. Já preenchemos vários formulários e o que temos são desinformações e desencontros. Meu filho está sofrendo com a altitude, pois tem retração de tímpano. Aqui há pessoas sem dinheiro, dormindo de favor na casa de pessoas generosas, sem terem o que comer. Há pessoas com doenças graves. Chegamos ao limite”, afirmou Marco Evangelista, policial civil que está em Cusco com a mulher e o filho de 11 anos.

Irresponsável, Bolsonaro diz à nação que a covid 19 é apenas um resfriadinho

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Bolsonaro se diz imune à pandemia e elogia a imprensa

Carlos Newton

O presidente Jair Bolsonaro fez na noite desta terça-feira (dia 24) mais um estarrecedor pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV sobre o novo coronavírus, em seu terceiro comunicado em menos de 20 dias. Na gravação, realizada no fim da tarde, Bolsonaro pregou a união com governadores no enfrentamento à doença, mas voltou a criticá-los, dizendo que as escolas deveriam ser reabertas, porque o coronavírus não atingiria crianças.

Pediu também que os governadores liberam os transportes e permitam o funcionamento normal do comércio, para evitar crise financeira, sob argumento de que a doença só ameaça os idosos.

ELOGIO À IMPRENSA – Na fala, o presidente fez um elogio à imprensa, dizendo que a mídia parou de provocar pânico à população e está pedindo calma às pessoas. De toda forma, porém, não deixou de criticar a TV, chamando-a de “aquela emissora”.

Elogiou também a atuação dos profissionais de saúde, fazendo um elogio pessoal ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que está conduzindo a luta nacional contra a pandemia.

Em diversos pontos da gravação, o presidente da República minimizou a doença. Disse que, em cada 100 infectados, 90 não teriam problema algum, não sentiriam nada.

BRASIL A SALVO – Com impressionante desenvoltura, garantiu que a pandemia não terá gravidade no Brasil, por causa do clima. Disse que na Itália e na França a situação é mais complicada devido ao grande número de idosos.

Citando seu próprio caso, Bolsonaro disse que, por ser um ex-atleta, não corre risco de pegar a doença. Disse que nada aconteceria com ele, no máximo uma gripezinha ou um resfriado.

Em tradução simultânea, Bolsonaro mostrou à Nação que a maior ameaça ao povo brasileiro não é a pandemia de covid 19. A maior ameaça é a irresponsabilidade do próprio presidente da República, que transmite ao povo informações distorcidas e manipuladas. O melhor a fazer seria renunciar ao cargo, sem a menor dúvida.

Desgraçadamente, os partidos não têm mais diretrizes nem programas de governo

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Charge do Jorge Braga (Charge Online)

Ednei Freitas

Recentemente, postei dois textos aqui na Tribuna da Internet, por se tratar de um jornal basicamente de debate, cujo objetivo principal é ajudar os leitores a discernir sobre a vida política nacional. O primeiro texto continha “Diretrizes do Cidadania23” e o segundo anunciava o Programa de Governo defendido pelo partido.

Ao exibi-los, meu objetivo jamais foi convencer os filiados ou adeptos de outras legendas a aderirem ao Cidadania23. A iniciativa era mostrar que os partidos já existentes e registrados não têm cumprido a legislação que determina a publicação.

SEM PROGRAMA – O fato inquestionável é que  maioria dos partido não têm publicado suas diretrizes nem seus programas de governo, numa falha que parece ser tradição na política brasileira, porque o PT, quando chegou ao poder, em 2003, não tinha diretrizes nem programa, e o mesmo fenômeno se revelou na eleição de 2018, que também não discutiu alternativas administrativas.

Publiquei as linhas-mestras do Cidadania23 para desafiar aos demais partidos, desde a extrema esquerda até a extrema direita, para que também exibam, na Tribuna da Internet, suas diretrizes e seus programas de governo.

Afinal, qual é o programa de governo, por exemplo, da REDE, de Marina Silva, para além da preservação do meio ambiente? Qual são as diretrizes de Bolsonaro (sem partido)? Será que diferem dos objetivos do PSL, partido ao qual esteve filiado?     

PARTIDOS SEM RUMO – Até mesmo partidos antigos, como PMDB, PSB, DEM , PSDB, PT e os novatos PSC e Podemos etc. têm obrigação de publicar suas diretrizes e seus programas de governo. Qual é o programa de governo de Dória para candidatar-se à Presidência da República, num partido rachado e sem rumo?

Os eleitores precisam ir para as urnas bem informados sobre os partidos políticos em que irão votar, convenhamos. Não se pode ficar apenas lidando com populismo, com a velha política, com novos autoritarismos ou demagogias antigas.

Para governar (seja em prefeituras, estados e no governo federal) ou para reformar ou criar novas leis, todos os candidatos a cargos executivos ou legislativos precisam ter diretrizes e programa de governo. Mas parece que essas práticas políticas estão meio fora de moda.

No fundo do poço moral, os políticos já falam no adiamento das eleições deste ano

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Charge do Jorge Braga (Arquivo Google)

GeovaniGSo
Vida Destra

Se a economia já patinava, agora, com a crise do coronavírus, que obrigou o fechamento do comércio e a queda abrupta do consumo, o país dá adeus à previsão de crescimento da economia. Os empregos, que estavam começando a voltar, devem desaparecer.

O presidente propôs uma suspensão temporária dos contratos de trabalho. Mas as “pessoas corretas” deste país não quiseram, xingaram muito. Então, não vai ter. Em cerca de três meses, o mercado de trabalho terá despencado. Sim, isso quer dizer menos dinheiro para todos!

ALTRUÍSMO E AVAREZA – E quando falta dinheiro duas realidades opostas prosperam concomitantemente: O altruísmo de uns e a avareza de outros.

Os primeiros, não por estarem em situação confortável ou por não sofrerem das mesmas dificuldades, costumam tirar do pouco que possuem para aos que tem menos do que eles, ou que nada têm! É o conhecido “ninguém é tão pobre que não possa doar” colocado em prática.

Do outro lado, você tem os mesquinhos e avarentos desesperados para continuarem o ingrato trabalho de encher o saco da ganância (ainda que ele jamais se encha)!

Contudo, algumas pessoas têm pretendido uma atitude estranha ao seu costume usual e surpreendido com a improvável (impossível?) transição entre essas realidades: políticos estão sugerindo agora o adiamento das eleições e o uso da verba eleitoral no combate à crise da saúde! Isso é tão surreal!

É BOM DUVIDAR – Estariam os nossos políticos, sempre presentes na lista dos mais corruptos do mundo, sendo altruístas agora? Duvido!

É fácil fazer caridade com o chapéu alheio. Eles não estariam abrindo mão de nada que lhes pertença. Não estariam fazendo nenhum sacrifício. Estariam apenas deixando de arrancar do erário um valor altíssimo que é importante para o povo nesse momento.

Além disso, estariam alongando os mandatos municipais. Ou os cargos ficariam vagos entre o período que compreende o fim do atual mandato e a posse dos eleitos tardiamente? Claro que não.

OUTRA QUESTÃO – Talvez a questão que mais pese nessa bondade fingida é que há uma pressão muito grande para que o fundo eleitoral (ou parte dele) seja destinado ao combate da pandemia.

Logo, não é difícil supor que, na iminência de qualquer redução do valor do fundo eleitoral, os políticos, birrentos e gananciosos que são, prefiram o adiamento do pleito, contando com a recuperação econômica futura e uma verba ainda maior no ano seguinte.

Políticos brasileiros são como aquela criança mimada e egoísta que, se a mãe ousar pegar uma provinha do sorvete que lhe deu, arremessa todo o resto ao chão! Nossos políticos estão muito presos ao fundo. Ao fundo do poço moral.

(Artigo enviado por José Antonio Perez)

Na quarentena, reflexões sobre a outra pandemia – a da desigualdade social

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Morador de rua  se tornou uma espécie de pandemia social

José R. Bessa Freire
Diário do Amazonas

– Tem acetilcisteína 600 mg? – perguntei ao telefone. Tinha. A farmácia, porém, não fazia entrega domiciliar. Confinado há vários dias, sai de casa na segunda (16), morrendo de medo. Andei apenas três quadras. Nas ruas de Icaraí, em Niterói, parcialmente vazias, funcionava o comércio ambulante e algumas lojas. Diante de uma delas – Casa do Biscoito – fui abordado por um jovem negro, que aparentava uns 20 anos e mancava da perna.

Tímido, mas digno, pediu em voz quase inaudível, que eu comprasse na loja uma caixa de caramelos para ele vender a retalho. Jeferson – esse é seu nome –  mora no Morro do Cavalão. Desejei-lhe sorte ao me despedir.

ECONOMIA INFORMAL – Jeferson não é um caso isolado. São milhões de brasileiros que sobrevivem na economia informal, moram em cubículos, muitas vezes sem acesso à água sequer para lavar as mãos, desnutridos, sem assistência médica, num país com profundas desigualdades sociais.

Pertencem ao segmento mais frágil e vulnerável da população, afetado pela crise social e econômica agravada pelo coronavirus, agora transmitido de “forma comunitária” e também combatido da mesma forma. Por isso, a Polícia Municipal – hoje eu vi da minha janela – está aconselhando os transeuntes a voltarem para casa.

A quarentena produz um “efeito econômico significativamente negativo” – reconhece nota assinada por reitores das universidades do Rio de Janeiro. Afirma, porém, que “é imperativo suspender temporariamente ou diminuir a frequência das atividades de trabalho, ensino, lazer e entretenimento para proteger a vida e a saúde das pessoas”.

ACHATAR A CURVA – Segundo a nota dos reitores, “o distanciamento social é a principal medida para achatar a curva de propagação, pois reduz drasticamente o contato físico”. Os reitores colocam a rede de hospitais universitários à disposição dos contagiados, assim como “o conhecimento científico básico aplicado” produzido pelas instituições que dirigem.

O termo “distanciamento social” talvez não seja o mais apropriado.  Foi usado aqui para designar a necessária separação física que estamos vivendo, afastados de familiares e dos círculos de amizade. Sem encontros de avós com netos, de professores com alunos, os nossos afetos já não são adubados na interação presencial. Sinto falta do barulho álacre das crianças no recreio da escola quase em frente de casa, que gera vida, prazer, felicidade. O silêncio produz um zumbido ensurdecedor. 

PANDEMIA PELA TV – No entanto, como escreveu o psicanalista Contardo Calligaris, esta é na história da humanidade “a primeira pandemia em época de televisão e de streaming e, sobretudo, a primeira em que dispomos da possibilidade ilimitada de nos comunicar com os amigos, parentes e amantes. Podemos estar isolados, mas nunca sozinhos”.

É verdade. Confinados, mas acompanhados de irm@s, sobrinh@s e prim@s, alun@s e orientand@s. Diariamente converso com minhas netas pelo WhatsApp. Vitória, 6 anos, quer saber se estou lavando as mãos de suas bonecas que ficaram em casa. Ana, 9 anos, me fala de suas leituras, dos papos mantidos com suas colegas pela internet e, contente, me mostra o quebra-cabeça gigantesco que montou. Maia, 3 anos, me conta em detalhe seu último sonho – ela sempre relembra de forma minuciosa os seus sonhos – e pergunta da mãe: por que quando a gente abre o olho, o sonho vai embora? 

DISTANCIAMENTO SOCIAL – Talvez esse pesadelo vá embora, quando a gente abrir os olhos e se conscientizar do real distanciamento social, aquele existente entre classes sociais, cujas políticas públicas não apenas discriminam os mais frágeis, mas agora desprezam até evidências científicas, classificando de “fantasia” e de “gripezinha” a tragédia que vivemos.

Os panelaços coletivos de protesto contra Bolsonaro e os aplausos aos médicos e funcionários da saúde ocorridos nesses últimos dias mostram que estamos pessoalmente isolados, mas politicamente não estamos sozinhos, embora ainda debilitados.

SENTIMENTO DO MUNDO – O sentimento de impotência aparece quando a gente pensa em grande parte da população brasileira, isolada e abandonada à própria sorte. Ou nas aldeias indígenas, cuja organização e forma de vida dificulta o isolamento. Foi o que aconteceu no período colonial, onde a varíola, o tifo, o sarampo causaram uma das maiores catástrofes demográficas da história da humanidade, ceifando milhões de vidas.

Agora, já surgiu um caso suspeito de um Pataxó na aldeia Coroa Vermelha, sul da Bahia, que pode ter contraído o coronavirus no contato com turistas estrangeiros. Como sobreviver sem a venda de artesanato? – pergunta o guarani Miro Silva, ex-aluno nosso.

E A QUARENTENA? – Quanto tempo vai durar a quarentena? Quantos sobreviveremos à pandemia? Ninguém sabe. Na Itália, na sexta-feira (20), em um único dia o vírus matou 627 pessoas, sem extrema-unção, sepultados em condições precárias, num desfile fúnebre de caminhões militares. Um amigo meu, com quem converso diariamente, está com câncer na próstata, sem poder operá-lo em decorrência dos riscos existentes. Diante da propagação do vírus em velocidade crescente, somos invadidos por um sentimento de impotência, similar àquele registrado por Carlos Drummond em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial. Como ser solidário nessas circunstâncias?

“Tenho apenas duas mãos / e o sentimento do mundo” – lamenta o poeta, que anuncia: “Quando me levantar, o céu / estará morto e saqueado, / eu mesmo estarei morto, / morto meu desejo, morto / o pântano sem acordes”.

Processo de afastamento – formal ou informal – de Bolsonaro poderá ser rápido

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Bolsonaro minimiza a pandemia e vem perdendo apoio

Sylvio Costa
Congresso em Foco

Repercutiu em Brasília a mais recente edição do Farol Político, um dos serviços premium produzidos pelo site Congresso em Foco para assinantes. Fontes bem informadas sobre os rumos da crise política atestam que, na mesma direção em que apontou nossa análise, os cenários mais prováveis de evolução da presente catástrofe sanitária são mesmo de afastamento – informal ou formal – do presidente Jair Bolsonaro.

O monitoramento nas mídias sociais, em geral mais sensível às inversões de tendência do que as pesquisas de opinião, indica acelerado encolhimento de Bolsonaro em um território que ele sempre dominou, o Twitter.

AUTO-ISOLAMENTO – Politicamente, o presidente também se isola cada vez mais, sobretudo após o conflito diplomático com a China. Representantes do agronegócio, do Congresso, da área militar e de vários setores empresariais se dirigiram diretamente ao governo chinês, ignorando a autoridade presidencial, para pedir desculpas em nome da nação.

Não é, obviamente, um movimento ideológico. É um movimento com objetivos comerciais, feito para preservar o principal importador de bens brasileiros, numa situação em que a própria China enfrenta consequências economicamente desastrosas da pandemia do coronavírus, que acumula até este momento 11,4 mil mortes e mais de 270 mil casos confirmados no mundo.

INTERLOCUTOR CONFIÁVEL – Para políticos e outras fontes de informação ouvidas em Brasília, a manifestação do embaixador chinês no país pode ter sido uma tentativa de apressar a resolução da crise brasileira e encontrar um interlocutor confiável com o país. Reforça essa suspeita a informação, veiculada pelo jornal Valor Econômico, de que Bolsonaro tentou, mas não conseguiu ser atendido ao telefone pelo presidente chinês Xi Jinping.

O vice Hamilton Mourão, habitualmente discreto e que mantém boas relações com o Legislativo, o Judiciário e os setores empresariais, caberia bem nesse figurino.

POSSIBILIDADES – A hipótese dada como mais provável é o afastamento de Bolsonaro para tratamento de saúde, já que ele tem de fazer nova operação e tem colaborado para ampliar as suspeitas de estar infectado. Outra possibilidade seria uma espécie de “parlamentarismo branco”, no qual se aprofundaria uma realidade que já se nota hoje, na qual o Congresso – sob a liderança de Rodrigo Maia, principalmente – amplia o seu papel na elaboração e aprovação de políticas públicas.

A prioridade de todos é o enfrentamento eficaz da crise sanitária causada pelo coronavírus 2 e a mitigação dos seus efeitos nos campos econômico e social.

NOVO IMPEACHMENT – Menos provável, embora conte com crescente simpatia popular, seria a deflagração de um novo processo de impeachment, algo por sua natureza intrínseca demorado e traumático. Opõem-se à ideia Maia, Lula e todos os governadores pré-candidatos a presidente, que estão interessados em concluir antes o mandato.

Com Dilma, desgastada inicialmente pelos protestos de 2013 e posteriormente alvo de crescente pressão popular até ser afastada por impeachment, o Congresso em Foco cunhou a imagem da “morte da tartaruga”, dado o penoso e sofrido processo por que passa o quelônio no momento da morte. Com Bolsonaro, usamos aqui alguma liberdade de estilo para dizer que há possibilidade de se ver o cenário da “morte da mosca”. O inseto, como se sabe, é bastante barulhento, mas tem vida breve.

GOLPE DE ESTADO – Outros cenários possíveis, traçados no Farol Político junto com os cientistas políticos e economistas André Sathler e Ricardo de João Braga: Bolsonaro promover um golpe de Estado, alternativa que perdeu força com as desastrosas manifestações do dia 15, o panelaço e o processo de derretimento que o presidente começa a experimentar nas mídias sociais, território onde sempre reinou; ou se reinventar como chefe de governo, mostrando uma face de estadista que até aqui nem de longe exibiu.

A questão não é política, no sentido estrito. É, sobretudo, sanitária. Nos últimos dias, milhões de brasileiros usaram espontaneamente a internet para passar a mensagem de que não veem nenhum chance de superação da trágica pandemia do coronavírus com o país sob o comando inepto de Bolsonaro e seus filhos trapalhões.

PRÓ-MOURÃO – Setores das elites políticas e econômicas convertem-se gradativamente ao mesmo pensamento. Mourão, enquanto isso, aguarda paciente, dando-se agora ao luxo de pequenas provocações (“Eduardo Bananinha”, lembram?).

A esquerda está, até aqui, a reboque dos acontecimentos. Mas os mesmos setores de classe média que contribuíram para a queda de Dilma agora se divertem com uma musiquinha pró-Mourão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBoa matéria enviada pelo sempre atento José Antonio Perez, de Brasília. Conforme temos registrado aqui na TI, a possibilidade de afastamento de Bolsonaro está na ordem do dia, digamos assim. (C.N.)

Eike Batista fecha acordo de delação que prevê até R$ 800 milhões para Saúde e combate à pandemia

Aras tem pedido para que verbas de acordos sejam destinadas à Saúde

Luiz Vassallo
Estadão

O empresário Eike Batista fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República em que se comprometeu a pagar multa de R$ 800 milhões e cumprir, inicialmente, um ano de prisão em regime fechado.

Os valores serão destinados ao combate ao coronavírus. O termo será submetido à homologação do relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

PANDEMIA – Este é o primeiro acordo de delação com Aras à frente da PGR. Pesou a favor do termo do empresário o fato de que ficará parte do tempo preso e de que adiantará valores a serem usados no combate à pandemia.

À frente do Conselhão do MP, Aras tem pedido para que procuradores e promotores tentem destinar verbas de acordos para a Saúde. Nesta quinta-feira, pediu ao CNJ que levante valores de todas as contas judiciais em todo o País.

Desde pelo menos 2016, o empresário tenta negociar um acordo com os investigadores. E maio daquele ano, em depoimento à PF, ele sinalizou que estava disposto a colaborar com os investigadores e sobre suas doações para políticos.

CONTA SECRETA – Ele chegou afirmar que repassou R$ 5 milhões para uma conta secreta do marqueteiro do PT João Santana – preso em fevereiro de 2016, pela Lava Jato, e solto em julho – por indicação do ex-ministro Guido Mantega. Mas negou tratar-se de propina.

No entanto, foi na Lava Jato do Rio que Eike foi emparedado. Em janeiro de 2017, o empresário foi preso na Operação Eficiência, mas passou apenas três meses em reclusão, até abril do mesmo ano, quando foi libertado por um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

LÍDER – Em 2019, chegou a ser preso novamente, na Operação Segredo de Midas. Na ocasião, a Procuradoria da República no Rio afirmou que o empresário teve atuação ‘bastante grave, sendo ele inegavelmente o líder e principal beneficiário das operações ilícitas contra o mercado de capitais’.

As investigações revelaram que as mesmas contas utilizadas para o pagamento de propina ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) ‘foram usadas para manipular ações de empresas envolvidas em negociações com Eike Batista’, indicou a Procuradoria. Ele foi solto no mesmo dia de sua prisão, pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Para conseguir o acordo, Eike teve de concordar em cumprir um ano de prisão em regime fechado. Depois passará dois anos em regime de prisão domiciliar para depois progredir ao regime semiaberto, no qual cumprirá pena de um ano. (Marcelo Copelli)

Osmar Terra critica isolamento e fechamento do comércio: “Há exageros nas medidas contra vírus”

O isolamento só deveria ser aplicado aos grupos de risco, diz Terra

Israel Medeiros
Correio Braziliense

Estatisticamente, a maioria das famílias brasileiras já têm uma pessoa com o novo coronavírus. Foi o que afirmou o deputado federal e ex-ministro da Cidadania Osmar Terra. O parlamentar concedeu entrevista nesta segunda-feira, dia 23, ao CB Poder, uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília. Segundo ele, há um exagero nas medidas adotadas para conter os efeitos da pandemia no país.

Terra defende que a quarentena da população trará malefícios à economia e poderá piorar a situação. “A maioria das famílias brasileiras já tem uma pessoa com o vírus, estatisticamente. Se fechar em casa, ela vai contaminar todo mundo. Foi o que aconteceu na Itália. Eles começaram a fazer a quarentena e, cerca de 12 dias depois, tinha o triplo de novos casos por dia. Então não funciona. Qual é o país que teve o melhor resultado no enfrentamento até agora? É a Coreia. E lá, não fizeram nada disso. Tem que seguir o bom senso da medicina, da epidemiologia, tomar os cuidados. Sempre estar lavando as mãos, manter sempre uma distância de um metro das pessoas”, disse ele.

ESCOLAS ABERTAS – O fechamento de escolas também foi alvo de críticas. Osmar Terra defendeu que as instituições de ensino deveriam continuar funcionando. Em turmas onde houvesse suspeitas, por exemplo, os alunos ficariam sob observação.

A falta de aulas, segundo ele, pode potencializar o contágio a idosos. “Fecharam todas as escolas. Os pais que têm que trabalhar, como fazem? Vão deixar os filhos com os avós e as crianças são transmissoras. Vão contaminar os avós, aí vai aumentar a mortalidade, porque os avós são os que mais têm risco de morrer”.

O deputado citou a China para explicar que o SARS-Cov 2 já está em circulação há bastante tempo: “Na China, eles anunciaram em janeiro que o vírus estava circulando. Mas estima-se que desde novembro já estava circulando, milhares de pessoas já estavam contaminadas”.

PICO – Em 2009, na pandemia de H1N1, Osmar Terra era secretário de saúde do Rio Grande do Sul. Na época, ele coordenou o combate à gripe suína no Brasil. Ele analisou que o auge da pandemia será daqui a um mês. Após esse período, diz ele, o número de casos deve diminuir drasticamente.

“Na minha avaliação, essa curva chega no ápice na terceira semana de abril e depois cai. Eu coordenei o combate à Influenza A H1N1, não tem muita diferença do tipo de perfil que o vírus apresenta. Mas o tipo de perfil cai muito rápido e na primeira semana de junho já deve estar terminada. A epidemia como todo vai acabar porque mais a metade da população se contaminou. Isso é natural. Quando não tem vacina e nem tratamento, ela só regride quando a maioria da população está contaminada. E a maioria não vai sentir nada”, afirmou.

TRANSMISSÃO – Terra comparou ainda a rapidez de transmissão entre o H1N1 e o coronavírus. Ele contou que o potencial de contágio do coronavírus é maior. Mas ele não considera grande a diferença.

“O contágio por coronavírus é 30% mais rápido que o H1N1. Uma pessoa com coronavírus pode contaminar outras 2,5. Então quer dizer 10 pessoas podem contaminar 25. Já a gripe suína, uma pessoa contamina 1,8 ou 1,7. Então 10 pessoas contaminam 18, não é uma diferença muito grande”, disse ele.

Segundo ele, o número de mortos não deve ser alto. “Coronavírus vai ter um número muito baixo de casos fatais. No Rio grande do Sul, todo ano morrem cerca de mil pessoas de influenza sazonal no inverno. Não vai morrer tudo isso de coronavírus no Brasil inteiro”.

PÂNICO –  O deputado considerou imprudentes as ações promovidas pelos governos estaduais para conter o avanço do coronavírus. Os veículos de comunicação, segundo Terra, têm criado um ambiente de pânico na população ao noticiar fatos considerados negativos.

“A impressão que eu tenho é que os governadores estão se separando um pouco da ação dos secretários estaduais e tomando medidas que são mais políticas do que baseadas em evidências científicas. Está ocorrendo um pânico na população. Existem alguns veículos de comunicação que estão só reverberando sem parar as notícias ruins, dizendo que o Brasil vai ser igual a Itália. Mas isso não vai acontecer”, pontuou.

ITÁLIA – O parlamentar explicou que o Brasil não chegará ao nível da Itália porque nas regiões mais afetadas, há grande movimento econômico. Por isso, o fluxo de pessoas vindas da China é grande e potencializou o contágio. Ele afirmou ainda que não é o país inteiro que está em crise, mas sim alguns locais da Itália.

Outro fator importante para o avanço no número de casos, segundo ele, foi a quantidade de idosos no país. “A Itália tem, proporcionalmente, a maior população idosa do mundo. Há muitas pessoas com idade acima de 70 anos. É uma região rica, onde as pessoas se alimentam bem e vivem mais. E estavam no rigor do inverno, que terminou agora. Juntaram-se uma série de fatores, então é uma situação muito peculiar”.

ISOLAMENTO – O isolamento, segundo Terra, só deveria ser aplicado àqueles que estão em grupos de risco, como portadores de outras doenças. “Esses que têm outro tipo de enfermidade tem que ser resguardados também. A pessoa que tem um câncer, uma doença autoimune, ou pessoas que tomam remédios para baixar a imunidade para transplante, esses devem tomar cuidado. Essas pessoas devem estar em isolamento. Quem tiver febre também tem que ficar isolado, em casa com a família, porque provavelmente já transmitiu para a família toda”, disse ele.

RADICALISMO – Ao falar sobre as medidas tomadas pelo Governo Federal, Osmar Terra acredita que o governo repassará recursos para os empresários, para tentar conter o desemprego. Segundo a análise do deputado, o fechamento de comércio se outras medidas que ele considerou radicais, prejudicará a economia a longo prazo.

“Isso está destruindo a economia. Nós vamos voltar uns 20 anos da economia brasileira. A nossa sorte é que o agronegócio não se assustou e vai ter maior produção da história. Os caminhoneiros também não se assustaram”.

ABSURDO – Perguntado sobre boatos de que ele queria o lugar do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ele foi categórico ao dizer que Mandetta tem feito um excelente trabalho. “Isso é um absurdo. Fui colega do ministro Mandetta. Inclusive apoiei ele para ser indicado ministro. Eu era presidente da frente parlamentar da Saúde. O ministro Mandetta é um dos melhores ministros da saúde da história. Ele é um craque. Se as pessoas pararem para ouvir o Mandetta não tem pânico.”

 

“Coronavírus não é passe livre”, diz ministro ao manter Sérgio Cabral na cadeia

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Defesa de Sérgio Cabral agora pretende recorrer ao Supremo

Aguirre Talento
O Globo

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Rogério Schietti negou pedido de liberdade feito pela defesa do ex-governador Sérgio Cabral, que havia citado a pandemia de coronavírus e o fato de ele ter assinado acordo de colaboração premiada.

Para Schietti, o ex-governador é “dotado de acentuada periculosidade” e não se encontra em local com superpopulação carcerária. “Ele está em local reformado recentemente, que abriga detentos de nível superior. Sua condição é muito diferente daquela vivenciada por milhares de internos em situações desumanas”, escreveu o ministro.

“PASSE LIVRE” – Em sua decisão, o ministro registrou que a crise provocada pelo coronavírus não pode ser um “passe livre” para a liberação de presos. “A crise do novo coronavírus deve ser sempre levada em conta na análise de pleitos de libertação de presos, mas, ineludivelmente, não é um passe livre para a liberação de todos”, escreveu Schietti.

Cabral entrou com pedidos de habeas corpus após ter seu acordo de delação premiada com a Polícia Federal homologado e reconhecido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin. Com isso, a estratégia da defesa é revogar as prisões preventivas do ex-governador para conseguir que ele vá para casa.

Cabral recorreu ao STJ após ter seu habeas corpus negado no Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Ainda cabe recurso do pedido ao STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Cabral continua preso, mas o Paulo Preto ganhou prisão domiciliar e direito de não se fotografado sem a peruca. A injustiça é flagrante. Na cadeia, Eike Batista foi obrigado a jogar fora a peruca. E agora Cabral é tipo como perigoso, porque a mulher está lhe colocando chifres e ele pode querer matar o novo namorado dela. Em sociedade tudo se sabe, já dizia Ibrahim Sued. (C.N.) 

A exemplo do “J’accuse”, de Zola em 1898, eu também acuso a república da China

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China ainda tem mercados para vender animais vivos

Jorge Béja

Repito e parodio aqui o famoso e histórico “J’accuse” (Eu acuso) de Émile Zola (1840-1902), que foi a dura “Carta Aberta” que o escritor francês escreveu, tornou pública em 1898 e a endereçou ao então presidente da França, Félix Faure. Nela, Zola denunciou o fraudulento processo judicial que levou o capitão Alfred Dreyfus ao cárcere.

Eu também acuso. Acuso o Estado da China pelo flagelo que disseminou sobre toda a Humanidade. Acuso a China como única responsável por este covid-19. Acuso, não o povo, mas o governo chinês pela prática de crime de homicídio qualificado contra todos os povos, todas as gentes, todas as Nações.

TAMBÉM A ONU – Acuso a Organização das Nações Unidas (ONU) por não ter ainda criado um tribunal penal internacional destinado a julgar as autoridades do Estado da China por tão hediondo crime que cometeram. Acuso o governo chinês pelo acobertamento da verdade que sabia e não deu conhecimento ao mundo, e que foi a existência deste coronavírus que teve berço num imundo e nojento mercado de carnes e animais vivos na cidade de Wuhan.

Acuso a China que, pela voz de seu embaixador no Brasil, exigiu incabível e indevida retratação do deputado federal brasileiro Eduardo Bolsonaro, que, sem medo, corajosamente e sem a mínima imputação ao também vitimado povo chinês, colocou toda a culpa na China pela tragédia que todo o planeta vive.

ÚNICO CULPADO – Acuso o Estado Chinês por ser ele exclusivamente o único culpado por tão medonha tragédia que não pode e não deve ter a sua responsabilidade amenizada ou repartida, ainda que este, aquele, ou estes e aqueles Estados-vitimados, eventualmente, tenham demorado a agir na defesa da saúde de seus nacionais. Isto porque para o Direito Internacional, no chamado “concurso de culpa”, a culpa do culpado maior absorve e elimina a culpa do culpado menor.

E culpado maior é a República Popular da China, por inação de seus governantes. Acuso o Estado Chinês por ter desrespeitado o basilar e primário princípio do Direito Internacional que é o “Neminem Laedere” (A ninguém é dado o direito de causar dano a outrem, ao próximo).

SEM PEDIR PERDÃO – Acuso a China pelo desprezo de não externar ao mundo um pedido de perdão, de não ter tido um gesto do reconhecimento de sua culpa, de sua responsabilidade perante todas as Nações, todos os povos, todas as gentes, toda a Humanidade.

Acuso a China de não militar em favor dela nenhuma, rigorosamente nenhuma circunstância excludente de ilicitude, que são o caso fortuito, a força maior, a culpa exclusiva dos vitimados e os Atos de Deus (Acts of God). E espero que da China, venha o socorro que toda a Humanidade precisa. E que venha logo. Imediatamente.

“Houve má interpretação”, diz secretário sobre MP que liberava suspensão de contrato

Bianco “garante” compensação para contratos interrompidos

Gustavo Garcia e Filipe Matoso
G1

O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, afirmou nesta segunda-feira, dia 23, que o presidente Jair Bolsonaro decidiu revogar o trecho da medida provisória que previa a suspensão dos contratos de trabalho por quatro meses em razão da “má interpretação” sobre o tema.

A MP foi editada neste domingo, dia 22, e, nesta segunda-feira, dia 23, Bolsonaro informou que havia determinado a revogação do dispositivo sobre os contratos. O anúncio da revogação foi feito em meio às críticas ao conteúdo da MP por parte do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de partidos políticos e de entidades.

MÁ INTERPRETAÇÃO – “O presidente da República pediu que nós suspendêssemos esse artigo porque houve uma má interpretação. Eu acho que o presidente da República está correto, e o motivo é muito simples. As pessoas estavam entendendo que não teria nenhuma contraprestação do empregador e não é isso que estava no texto. A ideia do texto era muito clara. Haveria uma contraprestação por parte do empregador, um acordo entre empregados e empregadores para que, obviamente, o empregador pagasse os custos do empregado sempre respeitando a Constituição Federal que garante o salário mínimo para todos”, afirmou Bianco.

Em seguida, o secretário afirmou que houve “descasamento” das medidas porque a “contraprestação” seria prevista em uma nova MP. “De fato, houve uma interpretação equivocada”, enfatizou. Bruno Bianco deu as declarações em uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, da qual participaram alguns ministros, entre os quais Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Walter Souza Braga Netto (Casa Civil).

Antes da entrevista coletiva, o presidente Bolsonaro fez um pronunciamento à imprensa. Na declaração, leu o pacote de medidas econômicas para estados e municípios enfrentarem a crise na economia provocada pelo coronavírus.

“CONTRAPRESTAÇÃO” –  Segundo Bruno Bianco, a MP não deixou claro que haveria “contraprestação” por parte do empregador que suspendesse o contrato do empregado por quatro meses. Diante disso, afirmou o secretário, a próxima medida provisória a ser editada preverá a possibilidade de o contrato ser suspenso e a contraprestação do empregador.

Segundo Bianco, a nova MP será assinada “o quanto antes”. Medidas provisórias têm força de lei assim que publicadas no “Diário Oficial da União”, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional em até 120 dias para virar leis em definitivo.

De que adianta um governo de militares, sem planos estratégicos ou emergenciais?

Resultado de imagem para generais do planaltoDuarte Bertolini

É uma pena quando todos nós choremos de dor juntos. Mas o presidente Bolsonaro, infelizmente, merece apanhar. De que adianta ter um governo de militares, que na teoria deveriam ter profundos conhecimentos de estratégias e planos de ação para emergências, se não conseguimos ver isso na prática?

É claro que a fumaça negra vinda da mídia e todos golpistas de diferentes tamanhos e matizes, sem dúvida, ajuda a escurecer e encobrir, mas meu Deus do céu, não tivemos tempo para o plano, A, B. C ou D?

OMISSÃO OFICIAL – Afinal, o que fizeram desde janeiro o presidente Bolsonaro e os generais Mourão, Heleno, Ramos, Braga Netto etc. etc. etc.? Devemos fechar Agulhas Negras, Escola de Estado Maior e Escola Superior de Guerra. Por que não se vê um plano??

Se Bolsonaro não é o comunicador que se esperava, por que não fazer um quadrado básico, um comitê do coronavírus (Mandetta na Saude, Mourão na Estratégia Macronacional, Moro na Segurança e Guedes na Economia? Funcionaria melhor do a Supercomissão, que envolve todos os ministérios.

E teríamos um porta-voz decente, com mais voz do que porta, dando os boletins periódicos e reservando o comitê para pronunciamentos estratégicos, com Bolsonaro de fora, sentado igual ao Abraham Lincoln do Memorial, apenas olhando de cima e vigiando?

PERGUNTAR NÃO OFENDE – Onde estão as compras de testes? Os hospitais de campanha? O levantamento e a concentração estratégica dos recursos em mãos dos militares? E onde está o mapeamento de todas atividades essenciais que devem funcionar independentemente de prefeito e governador?

Não cursei a ESG nem a Universidade de Chicago, mas quero saber onde está o planejamento com as sucessivas etapas. E os famosos corredores de abastecimento? Na segunda etapa, haverá isolamento forçado apenas de comunidades já infectadas ou de grupos de risco? E por que não se fez quarentena desde janeiro, isolando somente os que vinham do exterior, e assim reduzindo o confinamento para apenas alguns milhares de viajantes,

É preciso haver intensificação da produção de todos os produtos possíveis de uso (medicamentos antivírus, máscaras de proteção, respiradores, uniformes, fraldas, macas, produtos de higiene etc.

ATIVIDADES PRIORITÁRIAS – Como em tempos de guerra, priorizar atividades que devem continuar produzindo. Por exemplo: de que adianta o hospital receber o paciente se a fábrica que produz oxigênio interromper os trabalhos? E se o fornecedor de insumos e peças essenciais à fábrica de oxigênio estiverem parados?

Tudo tem de ser planejado, como a divulgação dos procedimentos, a realização de testes aos milhões para identificar e isolar os contaminados, o isolamento de turistas, o fechamento gradual de fronteiras, a atenção maior aos grupos de risco por graduação, para prioridade no confinamento.

E O FINANCIAMENTO? – Por fim, o mais importante: de onde virá o dinheiro para apoiar cada grupo da população conforme o tempo de isolamento etc. e tal.

Se um golpe promovido pela mídia e governadores (?) está realmente em andamento (e até parece estar), os únicos culpados são Bolsonaro e seus generais, até agora de opereta. Só falta quererem se mexer para dar um contragolpe, que as Forças Armadas com certeza não permitirão.

Só me falta que o plano de emergência seja igual ou cópia do famoso “Dispositivo MIlitar do General Assis Brasil”. Que se mostrou uma grande piada.

Após criticar governadores, Bolsonaro muda o tom e diz que há “cooperação e entendimento”

Bolsonaro anunciou reforço de R$ 88 bi para estados e municípios

Daniel Gullino e Gustavo Maia
O Globo

Um dia após afirmar que governadores enganam a população e chamá-los de “exterminadores de empregos”, o presidente Jair Bolsonaro mudou o tom nesta segunda-feira, dia 23, ao iniciar uma série de reuniões com os chefes dos Executivos estaduais para tratar sobre medidas contra o novo coronavírus.

Após videoconferências com governadores do Nordeste e do Norte , Bolsonaro disse que predominou a “cooperação” e o “entendimento”. Nesta terça-feira, devem ocorrer novas reuniões, com os governantes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

“EXCEPCIONAIS” – Em rápido pronunciamento após as duas reuniões, Bolsonaro afirmou que as videoconferências foram “excepcionais” e disse que o coronavírus é o “inimigo comum” de todos, apesar de voltar a demonstrar preocupação com o aumento do desemprego.

“O que mais imperou entre nós foram as palavras cooperação e entendimento. Sabemos que temos um inimigo em comum, o vírus. Bem como, sabemos e temos a consciência que o efeito colateral, que pode ser o desemprego, pode ser combatido. Então, partindo essa premissa, foram duas reuniões excepcionais, onde anunciamos reposta às cartas dos governadores e de associações representativas dos prefeitos”, afirmou.

CRÍTICAS – O discurso foi bem diferente do adotado na véspera, quando, em entrevista à TV Record, Bolsonaro disse que governadores “fogem de sua responsabilidade e atacam governo federal” e que “brevemente, o povo saberá que foram enganados por esses governadores e por grande parte da  mídia nesta questão do coronavírus”.

Também afirmou que estava fazendo contato direto com prefeitos para tratar da pandemia, porque alguns governadores vivem em uma “fantasia” e estariam criando uma crise “muito pior do que o próprio coronavírus”.

AGRADECIDO – Após as reuniões desta segunda-feira, o presidente se disse “muito feliz”, agradeceu aos governadores e afirmou que eles apresentado pedidos “de forma muito justa”.

“Estou muito feliz. Cumprimento não só os governadores, bem como meu vice-presidente da República, os senhores ministros e secretários, que foram pessoas que realmente, com muita galhardia, com muita competência, souberam dar uma resposta aos senhores governadores que, de forma muito justa, haviam pleiteado a nós. Meu muito obrigado a todos”, disse.

PACOTE – Durante as videoconferências, Bolsonaro anunciou um pacote de R$ 88 bilhões para reforçar o caixa de estados e municípios. Entre as medidas, está a suspensão das dívidas dos estados com a União, que custará à União R$ 12,6 bilhões.

Questionado sobre a contradição entre as falas anteriores de Bolsonaro e tentativa de entendimento, o secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior, afirmou que reunião foi um “momento de altíssimo simbolismo”:

“A solução trazida hoje pelo presidente foi de um momento de um altíssimo simbolismo, o presidente conversando, dialogando, buscando soluções com os nove governadores do Nordeste, em seguida com os setes governadores da região Norte, as outras regiões também terão reuniões similares, a partir de pleitos dos próprios governadores, bem como de prefeitos”, disse Waldery, em entrevista coletiva.

As pernas e as asas do vírus somos nós, que agora temos de resolver isso

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Charge do Duke (sukechargista.com.br)

Percival Puggina

 Nesta pequena cápsula que é meu gabinete de trabalho, onde quase tudo está ao alcance da mão, tenho me lembrado de Howard Hughes. Nos anos 60, encantava-me a pluralidade de seus talentos. Engenheiro, aviador, industrialista, diretor de cinema, riquíssimo, namorava as mais belas divas de Hollywood e afastou-se de tudo e de todas, internando-se em sua própria casa num misto de misantropia, fobia de contaminação e drogadição.

Encarcerou-se com grades que seus fantasmas impunham. Renunciou à liberdade que, por décadas, lhe proporcionou uma vida criativa e, sob muitos aspectos, extraordinária.

TAMBÉM PRISIONEIROS – Diferentemente, nestes dias, eu e minha mulher, a exemplo de tantos em todo o mundo, nos tornamos prisioneiros. Não de fobias, mas de invisíveis ameaças reais e letais. Renunciamos à liberdade um dia antes de essa renúncia nos ser imposta pelas autoridades locais e nacionais.

Ficou entendido, para nós, o sentido social, apropriadamente social, do esvaziamento das ruas. Quem não consegue entender o significado do bem comum, tem, agora, uma boa oportunidade de esclarecimento mediante o desenho dos fatos.

É preciso tirar as pernas do vírus. Ele caminha com nossas pernas. Voa com nossas asas metálicas.

INVULGAR EXPERIÊNCIA – Está mudando muitas vidas e não apenas as rotinas dessas vidas a invulgar experiência de protagonizar um desses filmes cujo script cria suspense em torno da luta contra a exterminação da humanidade. Reza-se nas redes sociais (quem diria?), reza-se em família.

Lê-se como raramente sobra tempo para ler. E se tem uma erupção de sentimentos profundamente humanos proporcionados pelo desencarceramento do tempo. Entre eles, de um lado, o medo, o egoísmo, a desesperança rumo ao desespero, a mudança emocional para o reino da fantasia; de outro, a solidariedade, a compaixão, a esperança, a busca do transcendente e a necessidade de atribuir sentido a esse novo cotidiano.

ÓDIO À PESTE – Em Viena, no centro da Graben, um monumento domina a paisagem. É a Pestsäule, coluna comemorativa do fim da peste que atacou a cidade no final do século XVII. Obra coletiva de diversos escultores e pintores, o monumento barroco resulta confuso pela pluralidade de mensagens a ver, sentir e interpretar. Mas é essa característica que impõe, a quem o contempla, prolongada análise de seus elementos. Vê-se ali a celebração artística do fim do flagelo, o ódio à peste e o gratificado louvor à Santíssima Trindade.

Nunca pensei que, um dia, aquele monumento fosse ganhar atualidade e se fazer ensinamento na nossa vida.

 

Um muro magro, que sofre e sente dor, na visão poética de Pedro Kilkerry

Resultado de imagem para pedro kilkerry poetaPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta baiano Pedro Militão Kilkerry (1885-1917), através do soneto “O Muro”, descreve uma visão da realidade, embora não no sentido visual, mas o que seria invisível aos olhos ou diferentes formas de olhar sobre o mesmo mundo, de forma a mostrar aquilo que não se vê.

O MURO
Pedro Kilkerry

Movendo os pés doirados, lentamente,
Horas brancas lá vão, de amor e rosas
As impalpáveis formas, no ar, cheirosas.. . .
Sombras, sombras que são da alma doente!

E eu, magro, espio… e um muro, magro, em frente
Abrindo à tarde as órbitas musgosas
— Vazias? Menos do que misteriosas —
Pestaneja, estremece. . . O muro sente!

E que cheiro que sai dos nervos dele,
Embora o caio roído, cor de brasa,
E lhe doa talvez aquela pele!

Mas um prazer ao sofrimento casa. . .
Pois o ramo em que o vento à dor lhe impele
É onde a volúpia está de uma asa e outra asa. . .

Ao proteger as empresas. Paulo Guedes quase leva Bolsonaro a um novo precipício

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Na tarde de ontem, na GloboNews, a jornalista Natuza Nery revelou que o presidente Jair Bolsonaro recuou e alterou a medida provisória que havia assinado pela manhã permitindo a redução de salários por quatro meses, a fim de evitar um novo ciclo de desemprego no país.

Ainda pela manhã, outra jornalista, Miriam Leitão, no mesmo canal, criticou a medida, afirmando que ela favorecia acentuadamente as empresas e prejudicavam os trabalhadores.

REAÇÃO GENERALIZADA – Quando a MP foi divulgada, verificou-se uma reação generalizada contra tal absurdo, cuja intensidade levou o presidente da República a recuar. O ato do chefe do Executivo durou, assim, em torno de cinco a seis horas de um texto para outro.

A redução de vencimentos não havia sido acompanhada do não pagamento de impostos, prestações de casa própria, tampouco alugueis. Dessa forma, os assalariados de modo geral na verdade não teriam como pagar os compromissos inadiáveis a cada mês.

O caso que ia sendo criado teria um efeito extremamente negativo no país, pois enquanto os salários estivessem bloqueados, a pergunta lógica que se faz é óbvia: como poderiam comprar os alimentos necessários a sobrevivência das crianças que evidentemente dependem de seus pais?

HAVERIA SAQUES – Na minha opinião, tal ato, de tão absurdo que era, provocaria indiretamente à realização de tentativas de saques nos supermercados. A fome seria uma consequência absolutamente lógica do corte projetado para durar quatro meses.

Essa consequência lógica, no entanto, não foi sequer configurada pelo ministro Paulo Guedes e por sua equipe de economistas que possuem importantes diplomas até em universidades norte-americanas. Assim, conhecem profundamente bem as teorias econômicas, mas ignoram a importância da população escalonada em níveis de rendimento baixíssimos. O projeto econômico desencadearia uma torrente de fatos críticos.

ABANDONO TOTAL – A população na verdade não teria dinheiro para se alimentar e, ainda por cima não poderia adquirir remédios indispensáveis sobretudo no momento em que o Brasil enfrenta a gravíssima pandemia do coronavírus.

Isso de um lado. De outro a total falta de sensibilidade característica daqueles que só visam governar para as empresas, o que, no caso, seria desgovernar para mais de 200 milhões de brasileiros. Na noite de domingo houve panelaços em áreas de classe média e alta. Sinal de alarme para o Palácio do Planalto.

Bolsonaro joga as últimas fichas, ao garantir que a pandemia será menos grave do que a gripe H1N1

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   Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton  

Por pior que seja, tudo que é negativo traz algum ponto que pode se transformar em positivo. No caso de Bolsonaro, a pandemia se transformou em calamidade pública, o governo então vai ter mais verbas para atacar o problema, justamente quando a economia começava a fraquejar, depois de Henrique Meirelles encarar dois anos de recessão e conseguiu tirar a economia do vermelho, entregando PIB positivo de 1,3% em seus dois anos de gestão na Fazenda.

O supostamente  genial Paulo Guedes assumiu a Economia no embalo de uma eleição que encheu o país de esperança. O Congresso apoiou o governo e aperfeiçoou a reforma da Previdência, a Bolsa de Valores viveu as maiores altas de todos os tempos , os astros mostravam uma conjuntura favorável, podem perguntar ao ex-astrólogo terraplanista Olavo de Carvalho. Mesmo assim a economia não deslanchou e o PIB encolheu para 1,1%, apesar de ter havido uma certa maquiagem nas exportações, mas isso é outro assunto.

INFERNO ASTRAL – Vida que segue, diria João Saldanha, e o governo entrou em inferno astral, porque nenhuma pessoa de bom senso pode considerar normal o comportamento desequilibrado da família Bolsonaro e de sua ala tida como ideológica.

Hoje, no apoio incondicional ao presidente só restaram os fanáticos, aqueles que consideram que se trata do melhor governo de todos os tempos, no estilo do personagem professor Pangloss, criado pelo genial e irreverente Voltaire em seu miniromance “Cândido ou o Otimismo”.

Mas é preciso lembrar que foi também Voltaire que cunhou  uma das mais importantes frases da política: “Os homens erram, os grandes homens confessam que erraram…”

TOTALMENTE EM DESUSO – Aqui no Brasil este ensinamento caiu em desuso. Não há político que confesse que errou, especialmente o atual presidente Jair Bolsonaro, que se dedica a errar diariamente e depois persistir no erro.

Neste domingo, Bolsonaro deu novamente mostras de desequilíbrio administrativo e emocional, em entrevista à TV Record. Mais uma vez  o presidente desqualificou a atuação de seu ministro da Saúde, Henrique Mandetta, ao reafirmar que há um “exagero” nos números sobre o coronavírus. E atacou também os governadores.

“Brevemente o povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia na questão do coronavírus”, disse acrescentando: “Calma, tranquilidade, não levar pânico à população. Não exterminar empregos, senhores governadores. Sejam responsáveis. Espero que não queiram me culpar lá na frente pela quantidade de milhões e milhões de desempregados”, afirmou.

MENOR QUE A GRIPE – Além de desdenhar da importância da morte de pessoas com doenças crônicas e até dos fumantes, Bolsonaro assegurou que o impacto da doença será menor do que a gripe H1N1, que matou 800 brasileiros no ano passado.

Com toda certeza, nenhum outro governante do mundo, incluindo o “ídolo bolsonarista” Donald Trump, demonstra tamanho menosprezo à pandemia  de coronavirus, muito mais grave do que a gripe H1N1, E os EUA já passaram a Espanha e são o terceiro país mais contaminado.

Nesta segunda-feira, dia 23, o FED (Banco Central de nossa matriz USA adotou uma extraordinária série de medidas, incluindo uma gama sem precedentes de crédito para famílias, pequenas empresas e grandes empregadores.

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P.S. Como se vê, Bolsonaro joga suas últimas fichas no coronavírus, apostando que a pandemia será uma marolinha no Brasil. Se estiver certo, ficará no poder e disputará a reeleição. Se sua previsão der errado, o vice Hamilton Mourão já pode encomendar o terno verde-oliva para a cerimônia de posse. É apenas uma questão de tempo. (C.N.)

Efeito coronavírus ! PF avalia a suspensão temporária de ações operacionais

Atendimentos presenciais em algumas unidades já foram suspensos

Pepita Ortega e Fausto Macedo
Estadão

O diretor de investigação e combate ao crime organizado da Polícia Federal, Igor Romário de Paula, sugeriu aos delegados regionais que adiem, por 15 dias, ações operacionais que envolvam movimentação e agrupamento de efetivos diante da crise do novo coronavírus.

Documento orienta que os delegados, junto aos presidentes de inquéritos e ao Judiciário, analisem a possibilidade de sobrestamento ou suspensão temporária de ações que demandem movimentação de agentes, deslocamento de equipes por via aérea e agrupamento de efetivo policial.

PREVENÇÃO – O ofício indica ainda que, caso as operações sejam mantidas, as equipes de coordenação adotem cuidados básicos para proteger as equipes. As medidas só deverão ser aplicadas se não houver prejuízo para as investigações, diz o documento.

“O extenso calendário de ações operacionais já estabelecido para os meses de março, abril e maio de 2020, com a previsão de mobilização de grande efetivo e que exigem a coordenação para a adoção de medidas preventivas mínimas de prevenção à disseminação do coronavírus, com o intuito de preservar efetivo da Polícia Federal e de terceiros envolvidos nas ações policiais”, registra o documento.

SUSPENSÕES – A Polícia Federal já havia tomado outras medidas por causa do novo coronavírus, entre elas a suspensão de atendimentos presenciais em algumas unidades, restrição de emissão de passaportes, suspensão de visitas a presos e a instrução de regime de teletrabalho parte dos agentes, em especial aqueles que pertencem ao grupo de risco da Covid-19.