TSE libera R$ 2,3 bilhões do Fundo Eleitoral após PT desistir de ação

Charge do Baggi (Instagram)

Mariana Muniz
O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou nesta terça-feira o pedido do PT para desistir de uma ação em que o partido buscava aumentar sua fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o Fundo Eleitoral. Com o encerramento do processo, a Corte liberou a distribuição de R$ 2,3 bilhões aos partidos, montante que estava retido à espera de uma definição sobre o caso.

A decisão foi unânime. Os ministros acompanharam o relator e presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que acolheu a desistência e determinou a extinção do processo sem julgamento do mérito.

LIBERAÇÃO – O valor que estava bloqueado corresponde a 48% do Fundo Eleitoral e é distribuído proporcionalmente ao tamanho das bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados. A liberação dos recursos deve ocorrer ainda neste mês.

Na ação, o PT questionava o cálculo utilizado pelo TSE para definir o tamanho de sua bancada e, consequentemente, o valor a que teria direito no Fundo Eleitoral. Com a desistência, permanece o cálculo divulgado pela Corte em junho, que considera uma bancada de 68 deputados petistas eleitos em 2022.

Pela divisão consolidada pelo TSE, o PL ficará com a maior parcela do Fundo Eleitoral, de R$ 881,7 milhões. O PT terá a segunda maior fatia, de R$ 615,4 milhões. Na sequência aparece o União Brasil, com R$ 526,2 milhões.

PEDIDO DE VISTA – O julgamento da ação havia começado na semana passada, mas foi interrompido por um pedido de vista. Antes de a análise ser retomada, o PT apresentou o pedido de desistência, encerrando a controvérsia sem que o plenário precisasse decidir se o cálculo originalmente feito pelo TSE deveria ou não ser alterado.

Com isso, os ministros não chegaram a analisar o mérito da reivindicação apresentada pelo partido. A decisão desta terça-feira se limitou a homologar a desistência e extinguir a ação.

Saúde de senadores custa 10 vezes mais que a de deputados e 46 vezes mais que o SUS

Gasto ultrapassou R$ 40 milhões em 2025

Gabriela Echenique
Folha

Os custos e financiamentos de programas de assistência à saúde de senadores ultrapassaram R$ 40 milhões em 2025. O valor é dez vezes maior do que o custo da mesma assistência oferecida aos deputados. O levantamento foi feito pelo Ranking dos Políticos a partir de dados da Lei de Acesso à Informação.

A comparação leva em conta o gasto com cada parlamentar. Na Câmara dos Deputados, o gasto médio foi de R$ 6.200 por beneficiário por ano, ou R$ 520 por mês. Já um senador custou, em média, R$ 64 mil aos cofres públicos, ou R$ 5.300 por mês.

CUSTO PER CAPITA – Quando se leva em conta o custo de uma pessoa ao SUS (Sistema Único de Saúde), a diferença é 46 vezes maior. O investimento per capita na rede pública é de R$ 116 por mês.

O Programa de Assistência à Saúde oferece atendimento médico-hospitalar e odontológico aos parlamentares, aos ex-senadores e seus dependentes. Os parlamentares pagam uma contribuição mensal e uma taxa de coparticipação, que variam conforme a Casa e a faixa etária do beneficiário.

No Senado, o custo com indenizações, restituições e pagamentos por tratamentos de longo prazo ultrapassou R$ 40 milhões no ano passado, enquanto os senadores contribuíram com apenas R$ 5 milhões. Isso significa que eles custearam menos de 13% do programa. O restante foi pago pelos cofres públicos.

GASTOS NA CÂMARA – A situação é diferente na Câmara, onde os parlamentares bancaram praticamente todo o programa. A Casa gastou R$ 8,2 milhões com a saúde dos deputados e eles contribuíram com R$ 8,3 milhões – deixando um superávit no final do ano.

“Há uma assimetria escancarada no Congresso. Enquanto a Câmara praticamente se autofinancia, o Senado depende de recursos públicos para bancar quase 9 em cada 10 reais gastos com a saúde de seus parlamentares”, afirmou Luan Sperandio, diretor de operações do Ranking dos Políticos.

A instituição sugere aperfeiçoamentos no programa para garantir maior sustentabilidade, como a ampliação da participação financeira dos próprios parlamentares, a revisão do limite de idade para dependentes e a redefinição das regras de reembolso para apenas situações excepcionais. “Enquanto o Senado não assumir uma fatia bem maior desse custo, vai continuar sendo o contribuinte, e não o próprio beneficiário, a pagar a conta”, disse Sperandio.

Casas Bahia: a recuperação judicial que expõe a crise do varejo brasileiro

Ex-comandante da Aeronáutica: “Bolsonaro podia ter acabado com tudo e reconhecido a derrota”

Partidos recebem bilhões e usam o Fundão para pagar suas multas por irregularidades

Ausência de Lula e Flávio Bolsonaro vai melhorar o nível do debate pela TV

01/06/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Carlos Newton

“Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira” é uma famosa canção composta por Moraes Moreira e Pepeu Gomes, do grupo Novos Baianos, que fez grande sucesso em 1979, quando o regime militar já começava a entrar em fase terminal. Mais de 50 anos depois, a gente tem a impressão de que este verso inicial da canção vai se eternizar, porque o Brasil parece não ter jeito.

Aproxima-se a eleição presidencial e a expectativa é da vitória de um dos candidatos polarizados, com a característica de que tanto Lula da Silva quanto Flávio Bolsonaro são duas antas, sem o menor preparo para dirigir o país.

IGUAIS A DILMA – Lula e Flávio podem ser comparados a Dilma Rousseff, aquela falsa estadista que ousou subir à tribuna das Nações Unidos,  representando o Brasil, para lamentar que ainda não seja possível estocar o vento.

Lula não fica atrás em matérias de asneiras, especialmente quando critica as teorias econômicas, que em sua opinião precisam ser mudadas: “O dinheiro vai sair de onde está para ser aplicado onde deveria estar”, recomenda, cheio de sabedoria.

Flávio Bolsonaro é da mesma estirpe e entrega os companheiros sem hesitação. “Ele tinha a minha confiança, mas está comprovado que não era merecedor dela. Talvez tenha sido meu erro confiar demais nele“, disse ele, entregando o assessor Fabricio Queiroz, acusado de operar o esquema das rachadinhas na exploração dos funcionários d0 gabinete parlamentar bolsonariano.

LEMBRANDO NELSON – É desanimador participar de uma eleição presidencial em que os dois candidatos favoritos são políticos de péssima categoria e enriquecidos ilicitamente como Lula e Flávio. O comportamento desses candidatos, que são idolatrados por expressivas faixas do eleitorado, faz lembrar as sábias reflexões de Nelson Rodrigues.

O fabuloso escritor, jornalista e dramaturgo carioca dizia que “não há nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política“. E acrescentava: “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos…”

Muitos brasileiros pensam como Nelson Rodrigues, estão desencantados e não querem saber de política. Mas é um erro proceder assim. Há quase 2,5 mil anos, em sua obra “A República”, Platão já mostrava essa preocupação: “O maior castigo dos cidadãos bons que se recusam a participar da política é serem governados pelos maus”, ironizava, sentenciando:

“Enquanto os filósofos não forem reis nos Estados, ou os que agora são chamados reis e soberanos não forem verdadeira e seriamente filósofos, não haverá trégua para os males dos Estados, nem para a raça humana.”

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P.S. 1
O presidente Lula (PT) desistiu de ir ao debate promovido pela Band em parceria com o Estadão neste domingo, 23. A desculpa é de que os candidatos Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não deveriam ser convidados. A imprensa já noticiou que Flávio Bolsonaro (PL) também poderá faltar, se Lula não comparecer.

P.S. 2São desculpas esfarrapadas. Lula e Flávio não têm o que dizer, por serem políticos despreparados e corruptos. O petista já foi condenado e pegou cadeia. Seu adversário somente não foi condenado porque a Justiça brasileira vive hoje seu pior momento. No domingo, certamente a ausência do dois vai levantar o nível dos debates. E eles vão apanhar feito gente grande. (C.N.

Exército se afasta das urnas: número de militares candidatos cai 53%

A despolitização do Exército chega às urnas

Bela Megale
O Globo

Nas eleições deste ano, o Exército Brasileiro terá o menor número de militares concorrendo a cargos eletivos. Ao todo serão 50 integrantes da Força na disputa eleitoral de 2026, sendo cinco da ativa e os demais da reserva.

O número mostra uma redução de mais de 53% em relação à eleição de 2022, quando 107 integrantes do Exército concorreram. A queda é ainda mais elevada em comparação ao pleito de 2018, quando 115 militares da Força disputaram cargos eletivos. Foi naquele ano que Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército, se elegeu presidente.

LEVANTAMENTO – Os dados fazem parte de um levantamento do Exército. O prazo para registro de candidaturas terminou no sábado (15). Os números chegaram ao Ministério da Defesa, que viu os dados como o resultado do trabalho da cúpula militar para despolitizar as Forças Armadas. Essa foi uma das bandeiras defendidas pelo chefe da pasta, José Múcio Monteiro, desde que foi anunciado ministro por Lula, em 2022.

Esse também foi um dos focos do comandante do Exército, Tomás Paiva. Poucos meses depois de assumir o posto, o general disse ao O Globo que seu objetivo era “afastar a política do Exército” e justificou: “Somos profissionais e temos que focar no nosso trabalho”. O governo Lula chegou a articular uma proposta que proíbe militares da ativa de disputarem cargos eletivos, mas a medida não avançou no Congresso.

“Fator Lulinha” começa a pesar nas pesquisas e altera disputa entre Lula e Flávio, diz analista

Caiado recorre à Justiça após descobrir posseiros em fazenda comprada de uma empresa

Caiadoagora briga na Justiça para recuperar dinheiro

Tácio Lorran
Metrópoles

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) briga na Justiça com uma empresa que vendeu a ele uma fazenda ocupada por posseiros no interior de Goiás. A negociação, cujo valor total ultrapassa R$ 15 milhões, é discutida em um processo que está na segunda instância do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO).

Caiado pede à Justiça a anulação da aquisição apenas da propriedade ocupada pelos posseiros e requer a devolução de mais de R$ 3 milhões, que teriam sido pagos pela compra da propriedade. A empresa, por sua vez, contesta o cálculo e alega que seria lesada se a demanda do ex-governador for acatada.

RESOLUÇÃO PARCIAL – Em primeiro grau, a Justiça decidiu pela resolução parcial da transação que envolvia a aquisição de cinco propriedades. Dessa forma, foi determinada apenas a anulação da transação da propriedade que está ocupada, e a Justiça também determinou a devolução ao ex-governador de Goiás da quantia paga pela fazenda.

A controvérsia do caso teve início após ser constatado que a Fazenda Pedras, adquirida por Caiado em compromisso firmado em agosto de 2020, estava ocupada por terceiros. Conforme registrado nos autos, uma família formada por um casal e seus filhos alega que ocupa o local desde 2002, tendo inclusive feito benfeitorias na propriedade.

PAGAMENTO SUSPENSO – Diante da constatação, Caiado cessou o pagamento ao vendedor por considerar haver um descumprimento do contrato. Àquela altura, conforme a defesa do ex-governador, ele havia arcado com cerca de R$ 12,9 milhões relativos ao negócio. O montante inclui o pagamento da quantia de entrada, assunção de dívidas e pagamento da primeira parcela das sacas de soja devidas.

Diante da controvérsia e sem horizonte de resolução consensual, tanto a empresa quanto Caiado levaram o caso à Justiça, mas as demandas foram apreciadas de forma conjunta. Em primeiro grau, o TJGO determinou que a empresa restitua a Caiado os valores e as prestações as quais ele efetivamente pagou a título de contraprestação pela Fazenda Pedras, devidamente atualizados.

Ambos os lados recorreram da decisão e o caso subiu para a segunda instância. De um lado, a empresa considera que sairá no prejuízo se mantida a determinação. Segundo a firma, “a mera alegação de insatisfação por parte do recorrido não é suficiente para afastar a obrigação de pagamento de todas as parcelas acordadas naquele instrumento contratual”.

PROVA PERICIAL – No recurso, a empresa pede que a decisão de primeiro grau seja anulada e que seja produzida nova determinação baseada em prova pericial, ou então que seja reformada no sentido da total resolução do negócio. Nesse caso, a ideia da empresa é retomar o direito de posse de todos imóveis rurais, não apenas na Fazenda Pedras.

Do outro lado, Caiado contesta a conclusão da decisão de primeiro grau de “inadimplemento contratual recíproco”, segundo a qual tanto ele quanto a empresa descumpriram os termos da transação. Segundo o recurso, isso ignora que ele não se recusou a pagar o preço ajustado.

“O comprador depositou as sacas de soja nos armazéns antes dos vencimentos e apenas reteve a autorização de levantamento. E o motivo pelo qual reteve o levantamento das sacas de soja, atempadamente depositadas, foi exatamente o exercício do direito potestativo da exceção do contrato não cumprido, previsto no artigo 476 do Código Civil”, defende.

RESTITUIÇÃO – Caiado, entre os pedidos que fez à Justiça, requer a decretação da resolução contratual da Fazenda Pedras por “culpa exclusiva e inescusável” da GPF Negócios Inteligentes, por inadimplemento da obrigação de entrega do imóvel livre e desembaraçado, aplicando a exceção do contrato não cumprido. Além disso, quer a condenação da empresa à restituição de R$ 3,19 milhões, atualizado, calculado sobre o preço contratual da escritura pública e ao pagamento de multa por litigância de má-fé.

Procurada pela coluna, a equipe de Caiado afirmou, em nota, que a ação é entre particulares e está em trâmite no Poder Judiciário, órgão competente para dirimir desavenças contratuais. A defesa da empresa não quis se manifestar.

A eleição na TV: mulheres e jovens podem decidir o duelo entre Lula e Flávio

Cármen Lúcia é eleita presidente da Primeira Turma do SupremoTF

Amiga de Lulinha enviou contrato de canabidiol a ex-chefe de gabinete de Lula, aponta PF

Lula e Alcolumbre trocam afagos após reconciliação e celebram petróleo na Foz do Amazonas

Relação estava estremecida desde a rejeição de Messias

Isabella Calzolari
G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trocaram afagos nesta segunda-feira (17) durante uma visita ao navio-sonda da Petrobras no Oiapoque, município localizado no extremo norte do Amapá.

Foi a primeira aparição pública deles após terem a relação política restabelecida. Os dois estavam com a relação rompida desde que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF, em abril deste ano.

DESCOBERTA – Lula e Alcolumbre visitaram o navio-sonda da Petrobras que realiza a prospecção de petróleo em águas profundas na Margem Equatorial, na Foz do Amazonas. Na última sexta (14), a Petrobras anunciou que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região.

Senador pelo Amapá, Alcolumbre é um dos principais articuladores políticos em defesa da exploração de petróleo na Margem Equatorial, área que abrange a costa amapaense. Durante discurso, o presidente do Senado afirmou que Lula enfrentou “tudo e todos para defender” o projeto.

“Reconhecimento é fazer justiça. É preciso que a gente de uma vez por todas reconheça no Brasil aqueles que enfrentaram causas e muitas das vezes foram contestadas ou até mesmo criticadas, não só por parte de brasileiros que não compreendem a importância da soberania energética, sobretudo aqueles outros países que infelizmente insistem em querer tutelar o futuro do brasil e dos brasileiros”, afirmou.

SOBERANIA – Alcolumbre também defendeu a soberania brasileira. “Sob a sua liderança e a trincheira de defesa do Congresso, dizemos de uma vez por todas: deixem que nós brasileiros, que lutamos pela defesa do Brasil, que nós decidamos o que queremos para o Brasil”, disse o presidente do Senado.

Em seguida, o presidente Lula fez elogios a Alcolumbre e afirmou que o amapaense “teve uma atitude muito importante para o Brasil” nesta semana, em referência ao fato de o senador ter encaminhado para análise das comissões as três principais prioridades do governo federal na Casa: Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de folga); PEC da Segurança Pública; Projeto de lei que estabelece o marco legal de minerais críticos e terras raras.

NA GAVETA – “Essa semana, tive uma conversa com o senador Alcolumbre e ele mandou para as comissões três projetos de importância vital para o Brasil”, disse o presidente. Os temas estavam parados na gaveta de Alcolumbre em função do rompimento entre ele e Lula. Os dois retomaram o diálogo nas últimas semanas e, apenas na semana passada, se encontraram três vezes.

Apesar de o despacho de Alcolumbre ser um gesto ao governo e a Lula na véspera do início da campanha, a avaliação no Senado é que esses temas devem ficar para depois das eleições. Antes das eleições, o Congresso terá só mais uma semana de esforço concentrado no início do mês de setembro.

DISTANCIAMENTO –  O distanciamento entre Lula e Alcolumbre foi atribuído por aliados dos dois lados a divergências ocorridas ao longo do primeiro semestre. A relação ficou mais estremecida desde a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF, e à rejeição do nome dele articulada pelo presidente do Senado.

Nos últimos dias, porém, ambos passaram a dar sinais públicos de retomada do diálogo, movimento visto por integrantes do governo como essencial para garantir a votação de projetos considerados estratégicos para o Planalto na reta final do mandato.

Após a reunião entre Lula e Alcolumbre, o ministro das Relações Institucionais afirmou também que, independente dos trâmites no Senado Federal, Alcolumbre apoiará a chapa petista nas eleições de 2026.

Presidente do PT diz que Lulinha e Marcola devem ser investigados, assim como Flávio Bolsonaro

Queira Ancelotti ou não, Neymar continua sendo o maior craque do futebol brasileiro

Neymar Jr. com a camisa do Santos: 🏟️ 225 jogos. ⚽ 138 ...

Neymar,grande craque, continua fazendo a diferença

Vicente Limongi Netto

Perseguido por duras contusões, Neymar permanece sendo, a meu ver, peça fundamental na nova caminhada do Brasil pelo hexa. Aos 34 anos, tem 25 títulos expressivos, por clubes e pela seleção. Voltou a jogar bem no Santos, mostrando, com brilho, que é nosso único verdadeiro craque.

O argentino Messi jogou a recente copa com 39 anos, o croata Modric, com 40, e o português Cristiano Ronaldo, com 41. Não fizeram feio. A diferença entre os quatro atletas é que contusões de Messi, Modric e Cristiano não precisaram de longas recuperações, como costumam ser as de Neymar, eternamente perseguids em campo por brutamontes e pernas de pau.

CALMA, CALMA… – O aquariano Neymar tem que parar de passar recibo para polêmicas inúteis. Que só servem para dar notoriedade a seus obscuros desafetos. No último dia 3, o craque santista promoveu novo leilão do Instituto Neymar Junior, mantido há 10 anos em Praia Grande, São Paulo.

 A iniciativa mantém 3 mil jovens com educação, saúde e 10 modalidades esportivas. E dá assistência também às famílias. As crianças têm orientação de cidadania, respeito, formação de caráter, amor e solidariedade.  O instituto   tem parceria com a fundação do Barcelona Futebol Clube.

A escória recalcada, desocupada, invejosa e odiosa está perto de cortar os pulsos, porque hoje, a fortuna de Neymar é avaliada em 6.5 bilhões de reais. Ou seja, em miúdos, mais de um bilhão de reais para cada filho de herança. Dói na alma da pilantragem ambulante.

RIQUEZA SÓLIDA – Tudo muito bem empregado em investimentos imobiliários, no Brasil e no exterior, assim como em aviões, helicópteros, iates, lanchas, cavalos, carros. 

Em 2012, quando Neymar foi flagrado em iate com amigos e criticado pela Folha de São Paulo, escrevi:  “Pronto, já era esperado. Deixem Neymar em paz.  Ele é jovem, centrado, responsável. Faz o que entende nos momentos de folga e lazer. Contanto que não prejudique suas atividades de atleta profissional. Que Deus continue iluminando os passos de Neymar, que prossiga sua trajetória vitoriosa. Sempre apoiado pela família, o que é fundamental. Ficaria surpreso se Neymar não gostasse de se divertir“. 

Passados 14 anos, não mudo nem as vírgulas do meu texto.

A genial e eterna aquarela de Ary Barroso fez grande sucesso no mundo inteiro

Ary Barroso: álbuns, músicas, shows | Deezer

Ary Barroso, no começo da carreira, era músico de jazz

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O radialista, músico e compositor mineiro Ary de Resende Barroso (1903-1964) na letra de “Aquarela do Brasil” escrita, em 1932, exalta a beleza, a grandeza, a miscigenação e seu amor pelo Brasil.

Historicamente, “como foi gravada durante o governo Getúlio Vargas, a música sofreu críticas por iniciar o movimento samba-exaltação, que tinha meios ufanistas de enaltecer o potencial brasileiro, suas belezas naturais, riqueza e povo.

Vele ressaltar que, na época, o patriotismo que os brasileiros tinham pelo país não pode ser comparado com o atual. Era um sentimento de amor pelo país, que mesmo não concordando com o governo que tinha poder no Brasil, o compositor consegue esquecer todos os problemas e ainda assim, presta um tributo ao povo e a sua terra.

Era a música brasileira mais gravada, em 416 discos, e recentemente foi superada por Garota de Ipanema, com 423 gravações.

AQUARELA DO BRASIL
Ary Barroso

Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Pra mim! Pra mim, pra mim
Ah! abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil! Práaa mim! Pra mim, pra mim!

Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda canção do meu amor
Quero ver a sá dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Pra mim, pra mim, pra mim

Brasil! Brasil!
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente
O Brasil, samba que dá
bamboleio que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil!, Pra mim, pra mim, pra mim

O esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil!, Pra mim, pra mim, pra mim.
Ah! e estas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah! esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Pra mim, pra mim! Brasil!
Brasil! Pra mim, Brasil!, Brasil!

Flávio diz que “ameaças de altas autoridades” afastaram Centrão de sua candidatura

Flávio estreia nas ruas com público menor e PL já revê estratégia de campanha

Estreia esvaziada abre discussão sobre formato dos atos 

Luísa Marzullo
O Globo

A estreia do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas ruas com um ato para cerca de nove mil pessoas em Copacabana, segundo dados do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap provocou uma avaliação crítica dentro do próprio partido sobre o formato escolhido para as próximas mobilizações da campanha presidencial.

Sem Jair Bolsonaro e nomes com forte capacidade de mobilização da base, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia, o presidenciável ocupou neste domingo o mesmo palco de manifestações maiores promovidas pelo pai nos últimos anos e deixou, na avaliação de integrantes do PL, uma imagem de esvaziamento que poderia ter sido evitada.

COMPARAÇÃO – Aliados, por outro lado, contrapõem a fotografia da orla ao desempenho do lançamento nas redes e afirmam que a transmissão chegou a cerca de 35 mil espectadores simultâneos. A comparação com atos anteriores em Copacabana pesou na avaliação interna.

Em 7 de setembro de 2022, durante a campanha pela reeleição, Jair Bolsonaro levou cerca de 64 mil pessoas à Avenida Atlântica. Dois anos depois, também no Dia da Independência, um ato pró-anistia comandado pelo ex-presidente reuniu 32 mil bolsonaristas na orla. Neste domingo, Flávio falou para aproximadamente nove mil pessoas. As três estimativas foram feitas pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap.

O alcance digital é usado por integrantes da campanha para relativizar essa diferença. A avaliação é que, embora Flávio ainda não tenha demonstrado capacidade de levar às ruas um público semelhante ao mobilizado pelo pai, o lançamento conseguiu alcançar uma parcela maior da base pela internet. Para aliados, os cerca de 35 mil espectadores simultâneos da transmissão mostram que a mobilização não pode ser medida apenas pela ocupação da Avenida Atlântica e reforçam a aposta nas redes como um instrumento relevante para a campanha.

PREVISÃO – Integrantes da cúpula do PL ouvidos pelo O Globo afirmam que um público menor já era esperado antes mesmo da realização do evento. A principal crítica feita após a estreia é que, diante dessa previsão, a organização poderia ter delimitado uma área menor da praia, aumentando a concentração dos apoiadores, ou optado por outro local. A extensão reservada para o ato acabou tornando mais visíveis os espaços vazios e produziu imagens consideradas ruins por aliados.

Nos bastidores, uma das ponderações é que uma campanha eleitoral tem uma dinâmica diferente das manifestações de rua protagonizadas por Jair Bolsonaro nos últimos anos. Além de Flávio ainda não ter demonstrado o mesmo poder de convocação do pai, a largada ocorreu no primeiro dia oficial da campanha, quando candidatos e parlamentares aliados estavam envolvidos nas próprias agendas eleitorais nos estados.

Deputados e senadores de fora do Rio, por exemplo, não foram mobilizados para viajar para o ato em Copacabana. A avaliação era que não faria sentido abandonar seus redutos justamente no primeiro dia de campanha para participar da estreia do presidenciável. Com isso, Flávio ficou acompanhado principalmente por aliados do Rio e pela cúpula partidária, entre eles o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

AUSÊNCIAS –  Também não estavam presentes alguns dos personagens com maior capacidade de levar a base bolsonarista às ruas. Michelle fez sua própria estreia eleitoral em Ceilândia, no Distrito Federal, onde concorre ao Senado, e Nikolas não participou do lançamento. Jair Bolsonaro, que historicamente funciona como principal polo de atração desses atos, cumpre prisão domiciliar.

Silas Malafaia, responsável pela organização de diferentes manifestações de Bolsonaro depois da Presidência, também decidiu não ir. Procurado antes do evento, o pastor afirmou que não via razão para participar justamente por se tratar de um compromisso eleitoral de Flávio. “Não vou, não. Isso é ato de campanha. Não tem por que ir”, afirmou. Apesar da ausência, o líder religioso enviou um áudio cumprimentando o candidato. Na gravação, manifestou seu “apoio irrestrito” a Flávio.

MATURAÇÃO DA CONVOCAÇÃO – Outro fator apontado para explicar o público foi o pouco tempo de maturação da convocação. O evento foi anunciado apenas na quinta-feira, três dias antes de sua realização. Aliados avaliam que manifestações de maior porte costumam depender de um período mais longo de divulgação e mobilização, especialmente para atrair apoiadores de outras regiões.

A escolha de Copacabana havia sido feita justamente pelo simbolismo. Flávio decidiu iniciar a corrida presidencial no estado onde construiu sua trajetória política e em um endereço transformado pelo pai em cenário recorrente de demonstrações de força. A intenção era resgatar elementos dos atos bolsonaristas, com concentração na orla e mobilização aberta de apoiadores, em vez de promover um lançamento fechado para convidados.

O resultado abriu uma discussão sobre até que ponto esse modelo deve ser repetido ao longo da campanha. Dentro do PL, há quem defenda que os próximos eventos sejam dimensionados de acordo com a capacidade de mobilização do próprio Flávio e com os aliados que estarão disponíveis em cada ocasião, sem usar automaticamente como parâmetro as manifestações organizadas em torno de Bolsonaro.

Apenas o “cretino fundamental” consegue achar que o conflito de gerações é recente

Charge “A diferença entre as gerações” | Modo Aleatório

Charge do Periotti (Arquivo Google)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Peço a gentileza ao leitor de me acompanhar na breve citação que se segue. “Os dias de hoje são a época da mediocridade e da insensibilidade, da paixão pela ignorância, pela preguiça, pela incapacidade de agir e pela necessidade de ter tudo pronto. Ninguém faz uma reflexão; seria raro alguém suportar uma ideia.” Fim de citação.

Você arriscaria dizer de quem é essa citação? Ou dizer de quando é? Temo que, afora aquelas pessoas que a conhecem, todos errarão de forma crassa ao dizer de quando é essa citação.

NOVA ERA – É comum pensarmos, como contemporâneos que somos, que inauguramos uma nova era na história do mundo. Sem dúvida, nunca houve inteligência artificial antes —ainda suspeito que, em alguns anos, se a IA vingar para além do falatório acerca dela hoje em dia, ninguém dará a mínima bola para ela. Vivemos na era dos aviões, computadores, redes sociais, da medicina científica, enfim, de toda a parafernália tecnológica que conhecemos e que, certamente, mudou o mundo em vários âmbitos.

Mas não nos basta, com o enorme ego moderno que carregamos, saber das mudanças tecnológicas. Nossa era, ou melhor dizendo, minha era — já que, desde que nasci, trouxe uma boa nova para o mundo, a saber, eu mesmo, o que penso e minhas opiniões, o que o Nelson Rodrigues chamava de “o cretino fundamental”— está a criar um novo amor, novas formas de relação sexual, novas masculinidades, uma nova mulher, novas formas de fazer viagens em busca de “experiência”, novas crianças, um novo trabalho.

Enfim, cansa a lista que percorre tudo o que o cretino fundamental acha que seu mundo está criando para o bem da história.

CRETINO FUNDAMENTAL – Na verdade, se ele não tivesse nascido, esta história não teria tido nenhum sentido. Nosso cretino fundamental se vê como o clímax da dialética hegeliana. O sonho que o espírito absoluto sempre carregou consigo ao longo de milênios.

Entre as grandes novidades que o cretino fundamental trouxe para o mundo está a ideia de que existe um “conflito de gerações” e de que, antes dos seus filhos e filhas de 15 anos, o mundo nunca viu tensões entre as gerações. Apesar de a expressão “conflito de gerações” ter a cara do século 20 mesmo, o fenômeno é anterior.

Vale dizer que o século 21, até agora, só inventou a mentira como método, muitas doses de purpurina que cobrem até os cemitérios e gente que acha que sua vida sexual, a saia ou calça que veste devem ser o centro da política. Como herdeiros diretos dos hippies, acham que suas personalidades e corpos são políticos. Existe gente mais chata do que essa?

DA INCAPACIDADE – Alguns fatos se somaram ao longo do século 19 e do início do 20 para que gerações mais velhas começassem a sentir que os mais jovens eram muito mais capazes e inteligentes do que eles ou que eles eram incapazes de ensinar algo que prestasse para os mais jovens.

Vejamos. O surgimento da ciência e da revolução industrial demandou maior formação técnica especializada por parte das próximas gerações. A Primeira Guerra Mundial gerou uma crise de consciência moral em muitos professores pelo fato de se sentirem responsáveis pela matança, e eles se perguntavam quais valores poderiam ensinar aos mais jovens.

 

O romance “Pais e Filhos” de Turguêniev, de 1861, narra justamente esse conflito de gerações. O jovem médico Bazarov considera a geração do seu pai, médico de província — um médico pré-científico — inútil, ignorante e atrasada. O que isso significa? Qual a relação com a citação acima? Significa que muito do que se pensa que está sendo “disruptivo” hoje —palavra idiota da moda— não passa de um processo que anda em curso, no mínimo, desde o século 19.

PROCESSO EM CURSO – Portanto, só cretinos fundamentais assumem que navegam em experiências disruptivas ou que a sua época inventou um novo homem e uma nova mulher. Os grandes escritores russos e russas trocavam de marido e de mulher, viviam em “trisais” reconhecidos como tal, muito antes de se achar que o século 21 inventou o trisal por conta das “novas formas de amor”.

E, provavelmente, se procurarmos, ainda antes do século 19, encontraremos essas tais novas formas de amor que dizem por aí. “Nada há de novo embaixo do sol”, Eclesiastes. Um dos pecados dos contemporâneos é acreditar piamente que criaram um mundo totalmente novo.

Mas voltemos à citação que abre esta análise. O trecho é uma fala do personagem Kraft, do romance “O Adolescente”, de Dostoiévski, de 1875. Muitos poderiam jurar que ela se refere ao “novo mundo” criado pelas redes sociais. A mediocridade, a paixão pela ignorância, a preguiça, a insensibilidade e a necessidade de ter tudo pronto se arrastam pelo mundo já há algum tempo.

A eleição começou, e a polarização já escolheu seu campo de batalha