STF não aceita críticas e usa “defesa da democracia” para ficar intocável

O festival de absurdos que assola o Supremo - 18/01/2026 - Lygia Maria -  Folha

Os ministros jovens são os mais gananciosos e ambiciosos

Roseann Kennedy
Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, quebrou o silêncio sobre as críticas à condução do ministro Dias Toffoli na relatoria do caso Master. Mas surpreendeu até o ambiente jurídico e acadêmico com o tom adotado.

A despeito de uma série de episódios que põem em suspeição o trabalho de Toffoli, o chefe do Judiciário considerou a atuação do magistrado regular. Até aí, o texto segue um script institucional. Estranho seria se Fachin ratificasse, numa nota pública, críticas aos pares.

DISCURSO FÁCIL – Mas o ministro vai além e cede à tentação de adotar o discurso fácil de que atacar o Supremo é ameaçar a democracia.

“Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito”, disse.

A retórica adotada por Fachin foi válida no passado recente e necessária para enfrentar os golpistas que defenderam a destituição da Corte. Foi usada à exaustão pelo seu ex-presidente Luís Roberto Barroso, todas as vezes que atos no STF eram alvo da censura pública. No entanto, esse discurso não tem nenhuma relação com o caso atual.

COBRANÇAS VÁLIDAS – O Supremo não está sob ataque ou ameaça. Apenas enfrenta cobranças para que cumpra os deveres de transparência e correição de seus membros, da mesma forma que exige de seus jurisdicionados.

Toffoli viajou de jatinho particular com um advogado do banco de Daniel Vorcaro; seus familiares fizeram transações comerciais com um fundo ligado à Reag, gestora investigada por suas relações com o Master e numa operação sobre o PCC, dentre outras revelações que surgem a cada dia.

Fazer uma apreciação ética desses fatos é o que ajudaria o Supremo a manter sua integridade e a legitimidade democrática.

Então, embora Edson Fachin também diga que “a crítica é legítima e mesmo necessária”, o que vemos é o Supremo apelando ao discurso de defesa da democracia como escudo para manter seus supremos integrantes intocáveis.

GANHAR TEMPO – O estrago que Dias Toffoli está causando à Suprema Corte causa incômodo entre outros magistrados. Mas Fachin tenta ganhar tempo para que medidas sejam tomadas – como a votação do código de conduta ou a eventual transferência do caso à 1ª instância – sem significar resposta imediata às pressões externas.

Tão logo Fachin publicou a nota, um ministro me falou: “O Supremo Tribunal Federal não pode desunir-se”.

Porém, enquanto busca-se acalmar ânimos na própria Corte e uma saída honrosa para Toffoli no caso Master, a crise reputacional do Supremo aumenta cada vez mais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Trata-se de pessoas de idade e muita vivência. Os integrantes mais jovens do STF são Moraes (57 anos) e Toffoli (58 anos). Não podem acreditar (?) que desmandos e ilegalidades devam ficar impunes. Como dizia e diz a ministra Eliana Calmon, primeira mulher a integrar o Conselho Nacional de Justiça, “há bandidos de toga”. E isso não pode ser tolerado. Quem não serve tem de sofrer impeachment, na forma da lei. Apenas isso. (C.N.)

MBL fará protesto no carnaval, com desfile do “Bloco do Banco Master”

PROTESTO | O Movimento Brasil Livre (MBL) realizou nesta quinta-feira, 22, uma manifestação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso que envolve o Banco Master. O

Protesto inicial foi realizado nesta quinta, diante do Master

Caio Junqueira
CNN

O MBL (Movimento Brasil Livre) prepara um novo protesto em frente à sede do Banco Master na próxima sexta-feira (30), em São Paulo, e estuda levar às ruas do Carnaval paulistano um “Bloco do Banco Master”.

A decisão ocorreu após o primeiro ato, realizado na noite de quinta-feira (22), que reuniu cerca de 2 mil participantes, segundo o coordenador do grupo, Renan Santos.

VOLTA ÀS RUAS – O dirigente avaliou que a mobilização teve resultado positivo e marcou a volta do movimento às convocações de rua desde 2021.

Ele descreveu o público como heterogêneo e majoritariamente jovem, afirmando que o formato do protesto se diferencia das manifestações de direita que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

Segundo Renan Santos, o modelo inaugurado em 2014 pelos protestos de verde e amarelo se esgotou e foi “roubado pelo bolsonarismo”, enquanto atos organizados pela esquerda também não dialogariam com o momento atual.

INDIGNAÇÃO GERAL – O coordenador afirmou que a manifestação desta quinta-feira reuniu pessoas de diferentes espectros políticos — direita, esquerda e centro — mobilizadas pela indignação relacionada ao escândalo envolvendo o banco.

Ele ressaltou que o ato ocorreu sem liderança formal, sem trio elétrico e sem identidade visual específica, e que a nova convocação segue a lógica de protestos espontâneos de 2013.

Com a proximidade do Carnaval, o MBL também trabalha na criação de um “Bloco do Banco Master”, que deve desfilar na avenida Faria Lima e em outros pontos simbólicos da capital paulista, caso a ideia avance.

Um sonho de boa música, com João Nogueira e Nei Lopes, na tradicional gafieira Elite

Aos 83 anos, Nei Lopes continua atuante

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, escritor, cantor e compositor carioca Nei Brás Lopes e seu parceiro João Nogueira (1941/2000) sonharam ter ido a um “Baile no Elite”, tradicional gafieira da Cidade do Rio de Janeiro, onde se apresentava a Orquestra Tabajara. O samba foi gravado por João Nogueira no LP Vida Boêmia, pela Odeon, em 1978.

BAILE NO ELITE

João Nogueira e Nei Lopes

Fui a um baile no Elite, atendendo a um convite
Do Manoel Garçon (Meu Deus do Céu, que baile bom!)
Que coisa bacana, já do Campo de Santana
Ouvir o velho e bom som: trombone, sax e pistom.
O traje era esporte que o calor estava forte
Mas eu fui de jaquetão, pra causar boa impressão
Naquele tempo era o requinte o linho S-120
E eu não gostava de blusão (É uma questão de opinião!)

Passei pela portaria, subi a velha escadaria
E penetrei no salão. Quase morri do coração
Quando dei de cara com a Orquestra Tabajara
E o popular Jamelão, cantando só samba-canção.
Norato e Norega, Macaxeira e Zé Bodega
Nas palhetas e metais (E tinha outros muitos mais)
No clarinete o Severino solava um choro tão divino
Desses que já não tem mais (E ele era ainda bem rapaz!)

Refeito dessa surpresa, me aboletei na mesa
Que eu tinha reservado (Até paguei adiantado)
Manoel, que é dos nossos, trouxe um pires de tremoços
Uma cerveja e um traçado (Pra eu não pegar um resfriado)

Tomei minha Brahma, levantei, tirei a dama
E iniciei meu bailado (No puladinho e no cruzado)
Até Trajano e Mário Jorge que são caras que não fogem
Foram se embora humilhados (Eu estava mesmo endiabrado!)

Quando o astro-rei já raiava e a Tabajara caprichava
Seus acordes finais (Para tristeza dos casais)
Toquei a pequena, feito artista de cinema
Em cenas sentimentais (à luz de um abajur lilás).
Num quarto sem forro, perto do pronto-socorro
Uma sirene me acordou (em estado desesperador)
Me levantei, lavei o rosto, quase morto de desgosto
Pois foi um sonho e se acabou
(O papo é pop e o hip-hop
A Tabajara é muito cara
e o velho tempo já passou!) 

 

Sem plano B, PT aceita sacrificar Haddad para segurar São Paulo e salvar Lula

Negócio nada religioso entre padre e pastor expõe tentáculos do Master

Charge 24/01/2026

Charge de Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde
Estadão

A confusa relação do padre José Carlos Toffoli, agora cônego, com o pastor Fabiano Zettel, empresário, não é exatamente ecumênica, após o padre e seu irmão venderem para o pastor metade da participação de ambos, que totalizava R$ 6,6 milhões, num resort de superluxo. É tudo estranho, intrigante, mas confirma o principal: o poder de alcance de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Como num filme de ficção, Vorcaro, empresário e “banqueiro liquidado”, vai tomando a forma de um imenso polvo, com tentáculos por todas as instâncias de poder, seja público ou privado, ateu ou religioso, deixando um rastro de biografias arrasadas, tornozeleiras vergonhosas, instituições arranhadas e dúvidas sobre personagens que deveriam se comportar acima de qualquer suspeita.

FRASE SIMBÓLICA – O pastor Zettel é cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Já o “padre Carlão” é irmão do ministro do STF Dias Toffoli e do engenheiro Eugênio Toffoli, seu sócio, oficialmente, em resorts de superluxo que não condizem em nada com o desapego de padres e cônegos nem com a residência de classe média do engenheiro.

Talvez por isso, a frase mais simbólica da confusão e da estranheza venha da própria mulher e Eugênio, Cássia, para o Estadão: “Sócio de resort? Olha a minha casa!”. Uma casa com rachaduras no piso e mofo nas paredes logo na entrada, mas usada como endereço da empresa bilionária dos dois irmãos, que tiveram participação não apenas em um, mas em dois resorts espetaculares.

SINAIS DE POBREZA – Em geral, PF, Coaf e MP seguem “sinais exteriores de riqueza” para investigar alvos de alguma mutreta. Neste caso, dá-se o oposto: o irmão padre e o irmão engenheiro têm de explicar seus sinais exteriores de pobreza – pelo menos para quem teria grana suficiente para ser dono dos tais resorts.

Assim, fica parecendo, para nós, meros mortais, que o verdadeiro dono da empresa e dos hotéis é outro. E quem fica na linha de frente da investigação? O irmão poderoso, das altas rodas de Brasília, ministro Dias Toffoli, que, ora vejam, viaja para a mesma área e justamente quando policiais são enviados para fazer a segurança de “ministro do STF” por lá.

Além de Toffoli, que assumiu a relatoria justamente do caso Master, o maior escândalo financeiro do País, e saiu dificultando as investigações, o Supremo fica numa situação constrangedora também pelas relações familiares do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro. Um contrato de advocacia de R$ 130 milhões não é pouca coisa…

NO CONGRESSO – Os tentáculos do polvo Vorcaro chegam ao Congresso, onde o deputado Hugo Motta, atual presidente da Câmara, apresentou uma emenda fantástica, obrigando que seguradoras e empresas de previdência privada invistam algo em torno de R$ 9 bilhões em créditos de carbono. O que uma coisa tem a ver com a outra, ninguém sabe. Mas… o empresário Henrique Vorcaro, pai do polvo, mergulhou nesse negócio. Algo a ver?

No TCU, causa estranheza a insistência como o ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado do Centrão, quis inverter o jogo – e as investigações. Seu alvo não era o Master, era o BC. Será que ele pretendia anular a liquidação do banco de Vorcaro? É o que dez entre dez investigadores imaginam.

Em outra dessas “coincidências” da vida, a campanha de “influencers” que receberam fortunas para proteger o Master e acusar o BC vai na mesma linha e no mesmo tom, foco e tempo dos movimentos do ministro Jesus, que também não parecem tão religiosos.

Eleição de 2026 está entre a brecha política e o ruído institucional

Charge do Cláudio (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A direita brasileira vive um daqueles momentos em que o excesso de movimentos não produz avanço, mas barulho. A reportagem de Camila Turtelli, publicada em O Globo, ajuda a organizar esse quadro ao mostrar como divergências internas — longe de serem episódicas — começam a moldar o tabuleiro de 2026.

O embate ainda difuso entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas abriu uma fresta que Gilberto Kassab e Ratinho Júnior tentam transformar em avenida. O problema é que, no Brasil real, avenidas nacionais quase sempre esbarram em vielas regionais.

ALIANÇAS – Kassab é experiente demais para confundir vácuo com consenso. Ao estimular o projeto presidencial de Ratinho Jr., ele aposta menos em uma ruptura explícita da direita e mais na constatação de que o bolsonarismo, pela primeira vez desde 2018, não apresenta um eixo organizador claro. Flávio Bolsonaro carrega o sobrenome, mas ainda não demonstrou capacidade de ampliar alianças. Tarcísio, mais competitivo nas pesquisas e com trânsito institucional, segue ambíguo — flerta com o Planalto enquanto reafirma a prioridade na reeleição paulista. Esse compasso de espera cria, sim, uma brecha.

Mas a política raramente se resolve apenas no plano das intenções. O PSD de Kassab é um partido nacionalizado à força de acordos locais. Prefeitos, governadores e bancadas estaduais operam com lógica própria, muitas vezes incompatível com uma candidatura presidencial de oposição. No Rio, na Bahia, no Nordeste em geral, o partido está ancorado em alianças com o governo Lula. Romper esses arranjos teria custo alto — e Kassab não costuma apostar onde o risco supera o retorno.

CONSENSO – Enquanto isso, do lado do bolsonarismo, a falta de unidade vai além da disputa de nomes. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, já disse com todas as letras que o apoio a Flávio Bolsonaro não é consenso na direita. Defende Tarcísio e critica Eduardo Bolsonaro, apontado como fator de ruído e radicalização excessiva. Rogério Marinho, escalado para organizar a campanha de Flávio, tenta profissionalizar o discurso, mas enfrenta a dificuldade clássica de conciliar identidade ideológica com viabilidade eleitoral.

Esse cenário fragmentado se agrava quando o debate político se mistura a uma sucessão de escândalos institucionais. O caso envolvendo o RioPrevidência e os investimentos de quase R$ 1 bilhão no Banco Master — hoje sob investigação da Polícia Federal e do Tribunal de Contas do Estado — é mais um episódio a reforçar a sensação de descontrole. Relatórios técnicos apontam coincidências difíceis de ignorar entre a contratação de dirigentes e o início de aplicações em papéis de baixa liquidez, colocando em risco o pagamento de aposentadorias e pensões de centenas de milhares de servidores.

Não se trata apenas de mais um caso de má gestão ou suspeita de corrupção. O episódio ajuda a explicar por que a opinião pública permanece intranquila e cética. Como já observaram analistas do próprio TCU e estudiosos do sistema previdenciário, fundos públicos são, historicamente, alvos preferenciais de aventuras financeiras travestidas de inovação. Quando isso ocorre em um ambiente político fragmentado, a crise deixa de ser apenas administrativa e se torna também simbólica.

“VAMOS VER” – A direita aposta que, no “vamos ver”, tudo se acomodará. Que divergências se dissolverão diante da necessidade de enfrentar Lula. Pode ser. A política brasileira é pródiga em reagrupamentos de última hora. Mas o momento atual sugere algo diferente: menos capacidade de coordenação, mais conflitos expostos e uma dificuldade crescente de oferecer ao eleitor uma narrativa clara de ordem, competência e futuro.

Entre a brecha aberta pela indefinição presidencial e o peso dos acordos regionais, a oposição parece presa a um paradoxo. Tem espaço para avançar, mas ainda não tem chão firme onde pisar. E, enquanto isso, o país segue assistindo — perplexo — a um vendaval político que mistura ambição, fragmentação e crises que insistem em se repetir.

O mundo segundo Donald Trump: ameaças, pressões e instabilidade

Chapa mais forte para enfrentar Lula seria Tarcísio com Michelle (de vice)

Pesquisa Quaest: Tarcísio e Michelle lideram para substituir Bolsonaro

Uma chapa na medida para impedir a reeleição de Lula

José Perez

Os membros da “famiglia” Bolsonaro preferem perder representados por Flávio, ao invés de vencer sendo liderados por Tarcísio de Freitas. Mas e o Brasil? Ora, o país que se dane! Lula também fez isso em 2018, quando poderia ter apoiado Ciro Gomes, livrando o Brasil de Bolsonaro. Porém, ao invés disso, mandou o “Andrade” (Fernando Haddad) para a derrota, lembram?

Tanto Lula quanto Bolsonaro são despreparados, gananciosos, cretinos e mesquinhos, assim como seus filhos, que tiveram a mesma educação.

POSSIBILIDADES – No tempo certo, pode haver uma união da direita/centro em torno do nome de Tarcísio de Freitas, com Michelle Bolsonaro de vice, muito provavelmente, para garantir os preciosos votos dos evangélicos.

Se isso não acontecer, a união que certamente haverá no tempo certo será do Brasil contra o sobrenome Bolsonaro. como ocorreu em 2022. A maioria dos brasileiros preferiu colocar no poder um corrupto já condenado do que repetir Bolsonaro no poder.

Para o bem do Brasil, Flávio não será presidente. Aliás, deveria estar em cana pelas rachadinhas, pelas fraudes na loja de chocolates e pelas negociatas imobiliárias. Além de ser tóxico devido ao sobrenome, Flávio ainda tem muito telhado de vidro.

CHAPA FORTE – Tarcísio com Michelle de vice é a chapa mais forte para enfrentar Lula. Flávio perde no segundo turno, assim como seu pai, e todos sabem disso. Este é o fato, que não pode ser ignorado.

Por fim, quanto aos escândalos envolvendo o Banco Master e algumas elevadíssimas autoridades da República nos três Poderes, concordo com a opinião do jornalista José Nêumanne Pinto, que afirmou: “Fachin insultou todos os brasileiros de bem”.

E viva a imprensa livre! Sem a liberdade de expressão, não somos nada.

Fachin também pode sofrer impeachment, se ficar insistindo em defender Toffoli

Mensagem de Fachin foi um desrespeito à nação 

Carlos Newton

O senador Auro Moura Andrade (PSD-SP) era presidente do Congresso em 1964, e foi uma das peças principais do golpe contra o presidente João Goulart (PTB), que surgiu como um movimento civil-militar e somente depois se transformaria numa verdadeira ditadura castrense, com submissão dos líderes civis.

No dia 30 março, o presidente do Congresso participou da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, um importante ato público contra o governo, e lançou um manifesto à nação para declarar o rompimento entre Legislativo e Executivo, conclamando as Forças Armadas a se unirem em defesa das instituições.

VEIO O GOLPE – O manifesto foi um dos estopins da sublevação, e no dia seguinte o general Olympio Mourão Filho, que comandava o quartel em Juiz de Fora, colocou sua pequena tropa na estrada para o Rio de Janeiro, dando início à revolta.

O presidente João Goulart deixou Brasília para organizar a resistência e ainda estava em exercício do mandato, quando Moura Andrade presidiu uma tumultuada sessão do Congresso e declarou vacante a Presidência da República.

Em seguida, à frente de uma legião de parlamentares, Moura Andrade dirigiu-se ao Palácio do Planalto e deu posse ao deputado Ranieri Mazzilli (PSD), que presidia a Câmara Federal.

O POVO QUER – Moura Andrade, ao justificar seu ato, disse que “o Congresso sempre faz o que o povo quer”. Bem, não há nenhuma novidade nisso. O Congresso é eleito pelo povo, para representá-lo, conforme propôs o Barão de Montesquieu em 1748, ao lançar duas obras fundamentais da política – “O Espírito das Leis” e “A Separação dos Poderes”.

Assim, fazer o que povo deseja é obrigação dos políticos. Mas o presidente do Supremo, Edson Fachin, embora tenha instrução elevada e seja procurador de justiça concursado, não tem noção de política nem de respeito ao povo.

Sua mensagem, sexta-feira, defendendo o corruptíssimo ministro Dias Toffoli e ameaçando a imprensa e as demais instituições, foi um desrespeito à nação como um todo.

HOUVE PRESSÃO – Sabe-se que outros ministros pressionaram Fachin, mas quem preside o Supremo precisa estar imune a influência internas e externas. Além disso, tem obrigação de denunciar quem tentar pressioná-lo.

Fachin e os demais ministros precisam aproveitar este final de semana e pensar, com toda calma, como devem se posicionar sobre os seguidos escândalos que envolvem o Supremo.

O caso é de  cortar a própria carne. Os ministros vão seguir apoiando as ilegalidades de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes? Ou irão se posicionar em defesa do interesse público?

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P.S. – O Congresso vai fazer o que povo quer, como diria Moura Andrade. Os ministros Toffoli e Moraes estão no início da fila, mas ainda há vagas para seus cúmplices e admiradores. (C.N.)

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Acareação do Caso Master foi uma encenação com “roteiro” combinado

Jaques Wagner “empregou” Mantega no Master ganhando R$ 1 milhão/mês

Guido Mantega completa 8 anos na Fazenda com poucos motivos para comemorar

Mantega ganhou R$ 11 milhões e tem saudades do Master

Andreza Matais e Andre Shalders
Metrópoles

O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega atendendo a um pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A remuneração era de R$ 1 milhão por mês, segundo apurou a coluna com integrantes do banco.

Em um evento em Maceió (AL), nesta sexta-feira (23/1), o presidente Lula (PT) foi duro com o Master. Sem citá-lo nominalmente, acusou o dono do banco, Daniel Vorcaro, de “dar um golpe de mais de R$ 40 bilhões”.

DISSE LULA – “Falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro, disse Lula. O tom do presidente contrasta com o fato de que, até recentemente, o Master tinha boas relações com pessoas do núcleo petista.

Guido Mantega só conseguiu a vaga no Master graças à intervenção de Jaques Wagner. Ele começou a trabalhar para o banco depois que o governo Lula desistiu de indicá-lo para o Conselho de Administração da Vale.

Embora a mineradora seja hoje uma empresa privada, o governo mantém influência na Vale por causa das concessões públicas da companhia e dos investimentos de fundos de pensão de empresas estatais na instituição. Na época, atores do mercado foram contra a indicação de Mantega, por considerá-la uma interferência indevida de Lula na empresa.

SEM DELATAR – O presidente considerava ter uma dívida de lealdade com Mantega, que se manteve fiel a ele na época da Lava Jato – ao contrário de outros, como Antonio Palocci, que acusou Lula em delação premiada de receber propina.

No Master, a tarefa de Mantega era azeitar a venda da empresa de Vorcaro para o Banco de Brasília (BRB).

O ex-ministro prestou consultoria ao Master até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição financeira, em novembro do ano passado. Os pagamentos feitos pela instituição controlada por Vorcaro a Mantega podem ter alcançado, no mínimo, R$ 11 milhões.

LIGAÇÕES PERIGOSAS – A relação mais próxima de Jaques Wagner dentro do Master não era com o próprio Daniel Vorcaro, e, sim, com o sócio dele, o baiano Augusto Lima. Ex-CEO do Master, Lima também é amigo do chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT). O ministro estava no palanque do evento em que Lula disse faltar “vergonha na cara” a quem defende o banco (veja vídeo).

Mantega esteve pelo menos quatro vezes no Palácio do Planalto. Em todas as ocasiões, foi recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

A agenda oficial do Planalto diz apenas que se tratou de “encaminhamento de pauta”, sem mais detalhes. Os registros mencionam apenas os nomes de Marcola e Mantega e informam que os encontros se deram no 3º andar do Planalto, onde despacham Marcola e o próprio Lula.

TUDO EM 2024 – Os encontros registrados ocorreram em 2024, nos dias 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro.

Nas agendas, Mantega é descrito apenas como “ex-ministro do Ministério da Fazenda”. Não há menção ao Master. As informações foram compiladas pela coluna a partir da ferramenta Agenda Transparente, da ONG Fiquem Sabendo. O colunista Lauro Jardim informou, em agosto de 2025, que Mantega conseguiu uma agenda entre Lula e Vorcaro em 2024. O compromisso não está registrado. Não é incomum a omissão nas agendas públicas.

Procurado, Daniel Vorcaro decidiu não comentar. A coluna não conseguiu contato com Jaques Wagner e Guido Mantega na noite desta sexta-feira (23/1). O espaço segue aberto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Ao criticar quem defende o Master, Lula está atacando indiretamente Edson Fachin, que em 2021 “inventou” uma lei para descondenar o petista e permitir que fosse candidato em 2022. Recordar é viver. (C.N.)

Ministros do Supremo jamais brigarão entre si, pelo instinto de sobrevivência

Tribuna da Internet | Maioria dos ministros do STF esconde as agendas de  eventos e de audiências

Charge do Zappa (humortadela.com)

Vicente Limongi Netto

Ninguém se iluda, em qualquer tipo de briga com os habitantes do planeta Brasil, sejam poderosos engomados ou simples assalariados, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) jamais brigarão entre si. Podem errar e erram muito, no varejo e no atacado, mas sabem que juntos e unidos, permanecem fortes e garantem a governabilidade.

Assim, enfrentam qualquer adversário e todo tipo de podridão humana. O novo presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, geralmente de poucas palavras, começou a bronquear com a imprensa. E fala grosso. Garante que ninguém intimida o tribunal.

PERDA DE TEMPO – Pedidos de setores políticos para impeachment de   ministros não saem do papel.  São perda de tempo. Que o digam Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.  Tolice crer que algum dia romperão o cativante e amoroso cordão da bela amizade que existe entre eles.

Desunidos, os ministros perdem a força e o controle das leis. Por isso, todos eles têm couro duro e armadura de aço contra desafetos.

Enquanto a crise política agita os três Poderes, a cidade de Brasília está imunda. Mais suja do que pau de galinheiro, como se diz na roça.

IBANEIS SE SUJOU – O governador Ibaneis Filho é como a cidade e também está sujo. Em quatro encontros com o verme engomado do Banco Master, o cínico governador jura que só trataram das flores do cerrado e da miséria e insegurança que assolam Brasília.

Um dia a farsa será descoberta. O povo repudia engomados gananciosos cretinos e fedorentos. Merecem cadeia e banhos de creolina. Escrevo tampando o nariz.  

Dizem que o chefão do sujo Master quer abrir o bico e fazer delação. Vão sobrar pedaços de canalhas para todos os gostos e bolsos. A próxima semana promete. Quem for podre que pague caro. Vai faltar fantasia de presidiário e não faltará carro alegórico com máscaras dos patifes.

Um arco-íris faz a alegria de crianças pobres, na poesia de Olegário Mariano 

Olegário Mariano | Busca | Portinari

Mariano, retratado por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

O poema “Arco-Íris” mostra que a obra do diplomata, político e poeta pernambucano Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889-1958) era marcada também por um forte sentimento social, em suas observações sobre a alegria das crianças pobres.

ARCO-ÍRIS
Olegário Mariano

Choveu tanto esta tarde
Que as árvores estão pingando de contentes.
As crianças pobres, em grande alarde,
Molham os pés nas poças reluzentes.

A alegria da luz ainda não veio toda.
Mas há raios de sol brincando nos rosais.
As crianças cantam fazendo roda,
Fazendo roda como os tangarás:
“Chuva com sol!
Casa a raposa com o rouxinol.”

De repente, no céu desfraldado em bandeira,
Quase ao alcance da nossa mão,
O Arco-da-Velha abre na tarde brasileira
A cauda em sete cores, de pavão.   

Ministros do STF pressionaram Fachin a divulgar a nota em defesa de Toffoli

Vai vendo. Série : DESTRUIDORES DO BRASIL EDSON FACHIN Advogado das  trincheiras petista que incansavelmente lutou pela retirada da cadeia do  maior corrupto do Brasil. E vc? O que acha? Compartilhem e

Charge do Schmock (Revista Oeste)

Catia Seabra e Luísa Martins
Folha

A primeira manifestação pública do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, sobre a crise do Banco Master, ocorreu após cobranças de uma ala da corte para que ele saísse em defesa do relator da investigação, ministro Dias Toffoli.

Nas conversas travadas ao longo dos últimos dias para tentar estancar a crise de imagem do STF, esse grupo de ministros sugeriu a Fachin que um gesto institucional da presidência era fundamental para evidenciar o “espírito de corpo” da corte.

EM CIMA DO MURO – Como mostrou a Folha, o presidente do STF vem enfrentando um impasse sobre como marcar posição a favor da ética —e avançar com o debate sobre a implementação de um código de conduta— sem que isso pareça uma provocação aos colegas, o que pode gerar uma crise interna e o seu isolamento.

Pelo menos três ministros resistem à fixação das diretrizes e entendem que as discussões devem ser pausadas até que as tensões arrefeçam. A avaliação é de que a ofensiva de Fachin a favor do código acontece em um momento delicado e está dando munição a novas críticas do bolsonarismo.

Por isso, o conselho dado a Fachin foi no sentido de que, ainda que de forma temporária, ele deixasse essa pauta de lado e priorizasse uma deferência a Toffoli, especialmente depois que a PGR (Procuradoria-Geral da República) arquivou uma representação que buscava afastá-lo da relatoria do caso Master.

NOTA AMEAÇADORA – Na nota divulgada à imprensa na noite de quinta-feira (22), Fachin escreveu que Toffoli faz “a regular supervisão judicial” das investigações sobre as fraudes financeiras e disse que as críticas são legítimas, mas que o STF “não se curva a ameaças ou intimidações”.

Não houve menção explícita ao código de ética. Apesar de frequentemente tratar desse assunto com os ministros, Fachin optou por dizer apenas que “todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, mas jamais destruídas”.

Interlocutores de Fachin afirmam que a nota do presidente do STF em defesa de Toffoli foi formatada a partir das sugestões dadas pelos colegas e que ele buscou traduzir, em um só texto, as visões de cada um.

SUSPEITAS – A nota foi publicada em meio às alegações de suspeição e a defesa dentro da corte de que ele remeta as investigações à primeira instância.

Essa solução é vista por ministros do STF como uma espécie de “saída honrosa”: já que não há, por ora, linha investigativa que aponte para a participação de autoridades com foro privilegiado, essa seria uma forma de tirar a corte do foco da crise e manter válidos os atos assinados pelo relator até aqui.

Toffoli tem dito a auxiliares que sua imparcialidade não está em jogo e que não há motivo para se afastar do caso. Ao mesmo tempo, indicou que os próximos passos da investigação —como os depoimentos que serão colhidos na próxima semana— podem apontar para o envio do processo ao primeiro grau.

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NOTA DA TRADUÇÃO DO BLOG
– Em tradução simultânea, Toffoli já está desonrado e destroçado. O presidente Fachin errou ao tentar defender o que não tem defesa. Com isso, se equiparou e igualou a Toffoli. Lembrem que Fachin não é nenhum santo e foi ele quem “descondenou” Lula em 2021, inventando uma lei que não existe no Brasil e no mundo – a incompetência territorial absoluta. Se bobear, Fachin vai subir na mesma carroça que Toffoli e Moraes. (C.N.)

Militâncias ideológicas são irracionais e se equiparam ao fanatismo religioso

A ilustração de Ricardo Cammarota foi realizada em técnica manual em formato horizontal, proporção aproximada de 13,9 × 9,1 cm. Técnica manual em pastel seco sobre papel, com textura visível, marcas de esfumaçado e sobreposição de cores. A cena apresenta duas figuras centrais grandes, posicionadas frente a frente, sugerindo confronto, ocupando os lados esquerdo e direito da composição. À esquerda, há uma figura antropomórfica em tons predominantes de azul, verde e bege. A cabeça é alongada, com chifres curvos claros, olhos grandes e assimétricos e boca aberta com dentes pontiagudos. Da boca partem manchas e traços vermelhos, com aparência de respingos projetados para fora. O braço da figura se estende à frente, formando um objeto semelhante a uma arma estilizada em azul escuro, orientado em direção à figura oposta. À direita, há uma figura antropomórfica em tons de rosa, vermelho e bege. A cabeça é grande, com orelhas pontudas, um olho visível em formato oval e boca aberta com dentes pontiagudos. No topo da cabeça, no lugar do cérebro, há um desenho em espiral. Traços verticais escuros cobrem parte do corpo, criando textura. Da boca dessa figura sai um elemento verde claro, em forma de nuvem ou sopro, projetado em direção à figura da esquerda. O braço está estendido para a frente, apontando, e a figura segura duas cruzes alaranjadas, suspensas por fios finos. Ao fundo, acima das figuras centrais, pequenos pássaros verdes aparecem desenhados em voo. Na parte inferior da imagem, surgem três silhuetas humanas pequenas em azul, à esquerda, e uma silhueta humana pequena em vermelho, à direita. As silhuetas são simplificadas, sem detalhes faciais, com gestos que sugerem apontamento entre si. O fundo é composto por uma mistura de cores quentes — amarelo, ocre e bege — com áreas de sobreposição de azul, verde e rosa. Linhas curvas brancas atravessam a composição, formando arcos sutis sobre as figuras.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Quem ainda crê que os movimentos políticos modernos e as ideologias nascem do cérebro racional da espécie é ignorante ou mentiroso. Tais movimentos e suas militâncias são da mesma ordem do fanatismo religioso. Por isso, pouco adianta tentar argumentar com tais agentes. Esse ato seria semelhante a argumentar com um enxame.

Este fato explica, pelo menos em parte, a estupidez que circula pelas redes sociais entre os “haters” engajados na polarização. O nível mais alto de inteligência que atravessa essa cultura de bactérias, que são as redes, é aquele que caracteriza os movimentos répteis.

MORTE A UTOPIA – O filósofo britânico John Gray lançou em 2007 “Black Mass, Apocalyptic Religion and the Death of Utopia”, que agora está sendo relançado no Brasil como “Missa Negra, Religião Apocalíptica e a Morte da Utopia”.

Quem conhece sua obra sabe que o filósofo britânico é um duro crítico do mito do progresso. Concordo com Gray que o progresso é um mito, afora os avanços tecnológicos desde a descoberta de como fazer o fogo.

Mas, no que se refere ao comportamento humano, à moral e à política, a ideia de progresso desde o Iluminismo é idiota. Entretanto, o número de iludidos que nele creem nunca para de crescer.

EXEMPLO DOS ANIMAIS – Outro traço do pensamento de Gray é sua suspeita de que os animais, no seu “silêncio”, são mais sábios do que nós. Aliás, seu livro “Silêncio dos Animais” é um dos mais belos que já li.

A tese da sua “Missa Negra” é que todas as crenças políticas revolucionárias modernas são derivadas de crenças apocalípticas judaicas e cristãs. Mesmo passando pela secularização, a tara com o fim do mundo tal como conhecemos e o surgimento do “novo mundo perfeito” permanece. E não só esse aspecto foi mantido.

Todos sabemos que as narrativas apocalípticas são marcadas pela violência, mortes doS que são maus, sobrevida dos eleitos. Como não pensar na Revolução Francesa ou na Russa? Ou na Revolução Islâmica Iraniana?

FALSO SALVADOR – Gray deixa claro que mesmo nas crenças ideológicas liberais, marcadas pela ideia de aperfeiçoamento incremental do mundo, permanece a ideia de que o “mercado” salvará o mundo e os homens.

O otimismo liberal de mercado é, também, um filhote da tara apocalíptica. Daí, a aceitação que os incapazes de lidar bem com a lógica da eficiência e da competição do mercado não têm méritos para viver no novo mundo da riqueza material.

O que sustenta as posições ideológicas do mundo contemporâneo são taras irracionais religiosas secularizadas. Lendo essa coisa chamada “comentários”, na sua imensa maioria, vemos a pequena miséria humana na sua forma explícita.

TUDO É MARKETING – Sabemos que a justificativa dessa prática na mídia não tem nada a ver com “princípios democráticos”, mas, apenas, sim, trata-se de princípios de marketing.

Há que dar voz aos consumidores, mesmo que a maior parte do que circula por esse “ecossistema” seja puro lixo. Do ponto de vista do conteúdo, não faria nenhuma falta. Os “comentários” são um parquinho para crianças raivosas, com raras exceções.

O componente irracional humano é o que move a adesão ideológica. Não é o desejo de melhorar o mundo, mas, sim, o gosto de sangue. Se não fosse isso, por que tantos revolucionários sempre gozaram com a palavra “terror”? A paixão pelo terror é a paixão política essencial em questão.

TARA APOCALÍPTICA – Como diz Gray, com os movimentos políticos modernos, a tara apocalíptica, que na Antiguidade, era essencialmente um traço de indivíduos periféricos e esquisitos da miserável sociedade israelita do período do Segundo Tempo sob domínio romano, em si periférica, hoje se fez “mainstream”.

Discute-se em aulas na universidade, escreve-se em livros de autores com PhD, encena-se em peças de teatro com aprovação da crítica regada a vinho caro em restaurantes descolados, apresenta-se em programas de debates da televisão e podcasts.

Enfim, as taras com o fim do mundo tal como conhecemos e a criação de um mundo novo e perfeito são tratadas como ciência social, histórica e política.

FALSOS ESPECIALISTAS – Profetas do terror como Marx, Lênin, Foucault, entre outros, recebem o tratamento de “especialistas” nas sociedades dos homens, quando, na realidade, não entendem patavina acerca de quem vai à feira comprar ovos e tomates para comer em suas casas de pobres.

A ideia de que existe um componente moral significativo na espécie humana pode ser inconsistente. Veja, por exemplo, a indiferença de grande parte da imprensa e dos países para com os mortos iranianos.

Um blábláblá aqui, outro ali. Cadê toda aquela indignação? E as bandeiras? A verdade é que os aiatolás podem matar à vontade. O mundo é um circo de horrores e continuará sendo.

No coração da crise do STF, o caso Master testa a legitimidade institucional

Novos elementos associam Toffoli ao Resort Tayayá

Pedro do Coutto

Nas últimas semanas, o cenário político-judicial brasileiro voltou a expor uma fratura sensível na relação entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a opinião pública. No centro dessa tensão está o ministro Dias Toffoli, relator das investigações que apuram suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master — um caso que, inicialmente restrito ao sistema financeiro, passou a adquirir contornos institucionais mais amplos.

Reportagens recentes de O Globo revelaram novos elementos que associam, ainda que de forma indireta, o nome do ministro a um empreendimento imobiliário de alto padrão, o Resort Tayayá, no Paraná, ligado a familiares e a fundos de investimento citados no contexto do escândalo.

COMPROVAÇÃO – Embora não haja, até o momento, comprovação de ilegalidade direta, a sobreposição entre relações pessoais, estruturas financeiras e a função de relatoria reacendeu o debate sobre imparcialidade, prudência institucional e aparência de neutralidade — valores centrais para a credibilidade de qualquer Corte constitucional.

A reação institucional foi rápida e coordenada. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, destacou que a atuação do relator segue os parâmetros constitucionais e que a Corte não pode se deixar capturar por pressões externas, reafirmando que “crises e adversidades não suspendem o Estado de Direito”.

O decano Gilmar Mendes, por sua vez, endossou o arquivamento, pela Procuradoria-Geral da República, do pedido de afastamento de Toffoli, interpretando a decisão como expressão do funcionamento regular das instituições. Formalmente, o sistema respondeu como previsto: o pedido foi analisado, a PGR entendeu não haver providência a adotar, e o STF reafirmou a confiança em um de seus membros.

CONFIANÇA SOCIAL – O problema, contudo, não se encerra no plano formal. Em democracias constitucionais maduras, a legitimidade das instituições não depende apenas da legalidade estrita de seus atos, mas também da confiança social que conseguem sustentar.

A insistência de novos pedidos de suspeição, a vocalização de críticas por parlamentares e o desconforto relatado nos bastidores do próprio Supremo indicam que o caso Master ultrapassou os limites de um episódio isolado. Ele toca em um ponto estrutural: a dificuldade histórica do STF em administrar situações em que a legalidade se mantém, mas a percepção pública se deteriora. Nesse terreno, a ausência de transparência suficiente — ainda que juridicamente justificável — pode corroer silenciosamente a autoridade da Corte.

CONFLITO DE INTERESSES – O dilema, portanto, não é apenas sobre a conduta individual de um ministro, mas sobre como o Supremo lida com conflitos de interesse reais ou aparentes em um ambiente de crescente polarização e desconfiança institucional. A defesa corporativa, compreensível sob a ótica da autonomia judicial, corre o risco de ser percebida como fechamento excessivo, alimentando narrativas de autodefesa e distanciamento da sociedade. Ao mesmo tempo, ceder a pressões políticas pode fragilizar a independência judicial, um pilar inegociável do Estado democrático de direito.

O caso Master expõe, assim, uma encruzilhada institucional. Ou o STF avança em mecanismos mais robustos de autocontenção, transparência e prestação de contas — especialmente em situações sensíveis que envolvem seus próprios membros —, ou continuará operando em um ciclo recorrente de crises de confiança. Em tempos de instabilidade política e erosão da credibilidade pública, preservar a legitimidade institucional exige mais do que decisões juridicamente corretas: exige sensibilidade democrática, prudência ética e a disposição de reconhecer que, para além da lei, a justiça também se sustenta na confiança que inspira.

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