Sérgio Moro devia pedir desculpas por ter ofendido Gilmar Mendes?

Moro diz que foi ofendido 'gratuitamente' por Gilmar Mendes

Moro pediu desculpas, mas Gilmar Mendes não aceitou…

Carlos Newton

Em 2022, por conta de um comentário infeliz, inadvertidamente gravado durante uma festa junina em Curitiba, e no qual o senador Sérgio Moro insinuou que “seria possível comprar um habeas corpus” do ministro Gilmar Mendes, o ex-juiz da antiga operação Lava Jato foi denunciado pelo crime de calúnia, recebido pela maioria dos ministros da primeira turma do Supremo Tribunal Federal – Carmen Lúcia, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Cristiano Zanin.

De acordo com o artigo 138 do Código Penal é crime “caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime”. O réu poderá ser condenado a pena de detenção, de dois meses a dois anos.

NAS MÃOS DE FUX – A denúncia foi apresentada em 2023 pelo então procurador-geral da República, Augusto Aras, e no momento cabe ao ministro Luiz Fux apreciar um recurso apresentado pelo réu e cujo desfecho determinará o seu destino nos próximos 90 dias.

Importante notar que o comentário – gratuito e feito em um pequeno grupo de participantes do evento junino, em Curitiba, não teve o alcance de denúncias e acusações veiculadas diariamente pela grande imprensa e com repercussões nas redes sociais que alcançam algumas vezes centenas de milhares de leitores e não poucas vezes atingindo a honra de cidadãos dignos e de agentes públicos.

Por exemplo, seria acusação muito mais grave a que Luís Roberto Barroso fez ao responder a uma crítica de Gilmar Mendes em 2018, numa tumultuada sessão do STF, transmitida ao vivo pela TV Justiça e outras redes de TV, com milhões de telespectadores em todo o país.

DISSE BARROSO – Dirigindo-se a Gilmar, e bem alterado, Barroso soltou o verbo para todo o Brasil:

“Me deixa de fora desse seu mau sentimento, você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia. Isso não tem nada a ver com o que está sendo julgado. É um absurdo vossa excelência vir aqui fazer um comício cheio de ofensas, grosserias. Vossa Excelência não consegue articular um argumento, fica procurando, já ofendeu a presidente, já ofendeu o ministro Fux, agora chegou a mim. A vida para vossa excelência é ofender as pessoas, não tem nenhuma ideia, nenhuma, nenhuma, só ofende as pessoas”.

SEM PROCESSO – Ora, por muito menos, nossos tribunais estão repletos de ações criminais e de indenizações por danos materiais e morais com condenações reparadoras.

Se o procurador-geral da República estava presente à sessão onde o ato potencialmente criminoso foi cometido, por que não apresentou as denúncias obrigatórias, considerando o respeito devido à Instituição, ao Poder Judiciário e à reputação ilibada de todos os membros da Suprema Corte?

Não há lógica em acusações seletivas. Se há calúnia, injúria e difamação entre julgadores, a autoridade competente deve agir, independentemente da vontade do ofendido, pois mais agredida, no caso, foi a grandeza e a credibilidade do Poder Judiciário.

OUTRAS OFENSAS – Não muito distante no tempo, os mesmos ministros protagonizaram novos debates e ofensas. Gilmar Mendes afirmou que Barroso “fala pelos cotovelos” e teria de “suspender a própria língua”.

Sem citar o nome de Mendes, Barroso respondeu: “Não frequento palácios, não troco mensagens amistosas com réus e não vivo para ofender as pessoas”.

É claro que Moro errou ao fazer comentário desairoso ao ministro e deveria se retratar pedindo desculpas públicas, porém, sem efeito concreto, porque o crime imputado a ele é de ação penal pública, ou seja, o Ministério Público propõe a denúncia após autorização do ofendido, o que não foi implementado em outros eventos acusatórios com participação de outros ministros da Corte. Por que Gilmar Mendes não pediu autorização?

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P.S. – Recentemente, Gilmar Mendes afirmou que uma das maiores contribuições do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro foi tirar Moro de Curitiba e “tê-lo devolvido ao nada”. Ele também disse, durante a mesma entrevista, que o senador e outros agentes da Lava-Jato “gostam muito de dinheiro”. E agora, Gilmar pode ofender Moro gratuitamente? (C.N.).    

Aliado de Lula deve relatar recondução de Gonet à PGR; sabatina ocorre em novembro

Recondução de Gonet ao cargo foi anunciada no final de agosto

Mariana Muniz e
Camila Turtelli
O Globo

O senador Omar Aziz (PSD-AM), aliado do governo, deve ser o relator da recondução de Paulo Gonet ao cargo de procurador-geral da República. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado está prevista para ocorrer no dia 12 de novembro.

Interlocutores de Gonet ouvidos pelo O Globo afirmam que o procurador-geral da República já foi informado sobre a data provável da sabatina e recebeu positivamente o nome de Aziz. O nome do relator ainda não foi oficializado, mas há expectativa de que a escolha seja anunciada nos próximos dias.

APROVAÇÃO – Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mais dois anos à frente da PGR, Gonet precisa ser aprovado pela CCJ e pelo plenário do Senado para continuar no cargo. Ele foi nomeado pela primeira vez em dezembro de 2023, após passar por sabatina e votação com ampla maioria.

Durante seu primeiro mandato, Gonet apresentou uma série de denúncias, incluindo a acusação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros 33 investigados por tentativa de golpe após as eleições de 2022. Também denunciou o deputado Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo por coação contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

AÇÃO PENAL – A recondução de Gonet ao cargo foi anunciada pelo presidente Lula no final de agosto, poucos dias antes do início da ação penal contra o núcleo crucial da trama golpista.

A decisão foi interpretada como um gesto de confiança na atuação de Gonet, além de uma estratégia para evitar especulações sobre favorecimento político após uma eventual condenação do ex-presidente.

A ficção supera a realidade e o Brasil parou por causa de Odete Roitman

Cartunista Zappa on X: "Ahááá! Descobriram quem matou Odete Roitman neste  Vale Tudo do atual Brasil ! O final que a Globolixo queria...  https://t.co/rPwRouaNTm" / X

Charge do Zappa (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Brasil não quer saber de outra coisa. Parou de verdade para se preocupar com bobagens. Mesmo faltando comida e emprego na casa de muita gente. Mesmo com a politicagem sempre ensaiando novos golpes contra a população.

Por algum tempo as pessoas de bem largaram de mão até a figura torpe e desprezível do fujão Eduardo Bolsonaro. Patriota de meia pataca. Fazendo intrigas contra a soberania brasileira nos Estados Unidos. Junto com outro bobalhão, Paulo Figueiredo. 

ASSUNTO ÚNICO – Raios, trovões, relâmpagos, é proibido tratar de qualquer outro assunto. Está presente na praia, nos bares, restaurantes, ministérios, dentro do Congresso Nacional e – por que não? – em gabinetes poderosos do Palácio do Planalto. 

É uma nação de noveleiros. Elas são válvulas de escape para milhões de brasileiros. A pergunta está na boca de todo mundo: quem matou Odete Roitman?

Como ano que vem as urnas elegerão candidatos de todos os gostos para tudo que é cargo político, inclusive para presidente da República, Lula, entrou na onda e também quer saber quem matou Odete Rotman?

CAI FORA – Ultrajante, torpe e desnecessária a intromissão da dona Michelle Bolsonaro na política do Distrito Federal, como candidata ao Senado. Dona Michelle nunca ergueu um tijolo em benefício dos brasilienses. Brasília não precisa de candidatos paraquedistas. É o fim da picada.

O criador da infeliz ideia é o governador Ibaneis Rocha, rompido com Lula. Quer mostrar que tem força política.  Conversa fiada. Bancada de senadores de Brasília é operosa, digna e unida. Não pode nem merece ser desmoralizada por vaidades pessoais de um cidadão inelegível.

Alguns setores acreditam que a infeliz iniciativa também tem digitais da senadora bolsonarista Damares Alves. 

Saída de Barroso reabre jogo no STF e põe Lula diante de uma escolha de poder

Cotados podem ficar em torno de 30 anos na Corte

Bela Megale
O Globo

Desafeto de Jair Bolsonaro e de muitos de seus aliados, o ministro Luís Roberto Barroso causou lamento em parte do grupo ao anunciar que vai se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Lula terá que decidir entre dois critérios na escolha de substituto de Barroso, avaliam ministros do STF

PRERROGATIVA – O motivo principal é que, com sua saída, Barroso deu a Lula a prerrogativa de indicar mais um membro da corte. Será o terceiro ministro do Supremo nomeado pelo petista em seu terceiro mandato como presidente. Outro ponto é que Barroso mantinha diálogo com parte dos interlocutores do ex-presidente.

A avaliação desse segmento é que, se um nome ligado diretamente ao PT — como o advogado-geral da União, Jorge Messias — for o indicado, o trânsito para aliados de Bolsonaro ficará ainda mais difícil do que era com Barroso.

Além disso, avaliam que ele se somará à ala de magistrados que se posicionaram de maneira mais dura em relação ao ex-presidente no julgamento da trama golpista, como Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

TORCIDA – Como informou a coluna, a oposição a Lula tem torcido para que o presidente escolha o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga de Barroso. Apesar de Pacheco não ser considerado o “nome ideal”, é visto como uma opção melhor do que Messias.

Isso porque avaliam que o diálogo com o senador seria mais aberto e que sua nomeação retiraria o palanque que Lula pode ter em Minas Gerais na eleição de 2026. A aposentadoria de Barroso estava prevista para 2033, mas ele optou por adiantar sua saída da corte em oito anos, após concluir seu mandato como presidente do STF.

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No Dia da Criança, duas canções que serão sempre cantadas no Brasil

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René Bittencourt e o parceiro Chico Alves

Paulo Peres
Poemas & Canções

O empresário artístico, jornalista e compositor carioca René Bittencourt Costa (1917-1979), na letra de ”Canção da Criança”, homenageia a garotada brasileira no seu dia. Essa valsa foi gravada por seu parceiro Francisco Alves, apelidado de “O Rei da Voz”, em 1952, pela Odeon.

CANÇÃO DA CRIANÇA
Francisco Alves e René Bittencourt

Criança feliz
Feliz a cantar
Alegre a embalar
Teu sonho infantil
Oh Meu Bom Jesus
Que a todos conduz
Olhai as crianças do nosso Brasil!

Crianças com alegria
Qual um bando de andorinhas
Viram Jesus que dizia:
Vinde a mim as criancinhas
Hoje dos céus, num aceno
Os anjos dizem: ”Amém”,
Porque Jesus, nazareno,
Foi criancinha também

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Tribuna da Internet | Relembre duas canções de enorme sucesso da MPB em  homenagem às crianças

O sambista Ataulfo Alves e suas pastoras

O cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves de Souza (1909-1969) utilizou grande beleza poética para compor o nostálgico samba “Meus tempos de criança” (conhecido também como “Meu pequeno Miraí”), gravado por ele próprio, em 1956, pela Sinter, cuja letra traz lembranças de sua infância feliz em Miraí.

MEUS TEMPOS DE CRIANÇA
Ataulfo Alves

Eu daria tudo que tivesse
Pra voltar aos tempos de criança
Eu não sei pra que que a gente cresce
Se não sai da gente essa lembrança

Aos domingos missa na matriz
Da cidadezinha onde eu nasci
Ai, meu Deus, eu era tão feliz
No meu pequenino Miraí

Que saudade da professorinha
Que me ensinou o beabá
Onde andará Mariazinha
Meu primeiro amor onde andará?

Eu igual a toda meninada
Quanta travessura que eu fazia
Jogo de botões sobre a calçada
Eu era feliz e não sabia

Defesa de Dirceu a prisão domiciliar de Bolsonaro divide o PT

Apoio de Dirceu divide a legenda entre constrangimento e elogio

Juliana Arreguy
Folha

A defesa do ex-ministro José Dirceu à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) dividiu opiniões no PT e motivou críticas públicas, elogios em grupos e constrangimento velado entre integrantes do partido.

Em entrevista à BBC Brasil publicada na segunda-feira (6), Dirceu declarou que o ex-presidente, condenado a 27 anos de prisão em regime fechado pela atuação na trama golpista, “não tem condições de ir para a prisão”. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto.

“INSTÁVEL” – “Eu nunca tive relação com Bolsonaro, mas me parece que ele é uma pessoa psicossomática, que vai acelerando, muito instável. Não é uma pessoa que tem autocontrole”, disse. “Eu não desejo mal a ninguém, nem a ele. Nessas condições, ele sobrevive porque vai ficar em regime domiciliar, com família, com tratamento médico. A família é muito importante. Mas ele não tem condições de ir para a prisão.”

Dirceu já foi preso cinco vezes: pela ditadura militar, pelo mensalão e em três ocasiões pela Lava Jato. Ele afirmou que não se pode colocar um ex-presidente no sistema penitenciário e que, mesmo no caso do presidente Lula (PT), houve a possibilidade de cumprir a pena em regime fechado na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, e não em um presídio comum.

“Acho muito improvável que se possa colocar presos vulneráveis no sistema penitenciário que é controlado pelo crime organizado. As condições são péssimas. E como o estado de saúde dele [Bolsonaro] está se agravando, porque parece que isso é real, eu não vejo como é que ele pode entrar no sistema penitenciário.”

CRÍTICAS – Petistas ouvidos pela Folha criticaram, sob reserva, a defesa de Dirceu à prisão domiciliar no caso de Bolsonaro e disseram que ela gerou um constrangimento interno, já que o próprio líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ), alegou risco de fuga para pedir pela prisão preventiva do ex-presidente antes do julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal).

Um dirigente do partido classificou a declaração de Dirceu como uma derrapada grande e disse que parte dos filiados não quer fazer críticas públicas por se tratar de um quadro respeitado no PT.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), usou a rede social X para criticar a fala. “Se a [Carla] Zambelli aguenta presídio superlotado na Itália, porque Bolsonaro com histórico de atleta e imbrochável, não aguentaria um presídio no Brasil, com tantas leis de direitos humanos aprovadas pelos esquerdistas?”, escreveu ele na quarta (8).

AVALIAÇÃO – Procurado pela reportagem, Correia disse que cabe às autoridades definir se Bolsonaro terá condições, ou não, de cumprir pena em regime fechado. “Quem tem que avaliar isso é o sistema penal e o serviço médico oficial. É muito grave o crime de tentar acabar com o direito de voto do povo e de atentar contra as liberdades políticas”, afirmou o parlamentar.

Ele acrescentou que fez questão de publicar a postagem em redes sociais para mostrar que se trata de uma opinião do próprio Dirceu, e não de um posicionamento oficial do partido. “Eu sou amigo do José Dirceu e me dou ao direito de não concordar com tudo o que ele fala”, acrescentou.

ELOGIOS – Em grupos de WhatsApp, por outro lado, alguns filiados elogiaram a declaração do ex-ministro da Casa Civil do primeiro mandato de Lula. Em troca de mensagens à qual a Folha teve acesso, um deles disse que Justiça não é vingança, mas humanidade, e outro petista chamou a fala de Dirceu de manifestação de generosidade.

Vice-presidente do PT, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, disse à reportagem que, embora seja “importante pacificar o país”, ele acredita que Bolsonaro deveria cumprir prisão em regime fechado por ao menos um ano. “O Lula não ficou?”, perguntou.

“Bolsonaro tem que ficar em cana até o fim das eleições. Até porque, ele está condenado por, entre outras coisas, atacar a democracia”, disse por meio de mensagem. Questionado se discordava da fala de Dirceu, Quaquá negou. “Não é discordar, tenho opinião diferente”, disse. “É uma divergência de tempo [de pena]”, acrescentou.

Gaza, dois anos depois: A humanidade sob escombros

Lula 2025: entre o gesto social e o cálculo político

Ações marcam o retorno de um discurso de presença do Estado

Pedro do Coutto

O presidente Lula da Silva já se movimenta em ritmo de campanha. As recentes medidas anunciadas pelo governo mostram um claro esforço de reposicionamento político e de ampliação de sua base de apoio para as eleições de 2026.

A ampliação do teto de financiamento imobiliário para cerca de R$ 2,25 milhões, contemplando também famílias de classe média, é um exemplo de como o governo tenta dialogar com diferentes camadas sociais. Embora o programa habitacional siga voltado à baixa renda, o novo limite permite que famílias que antes estavam fora das políticas de crédito tenham acesso facilitado à moradia.

FOME ZERO – Paralelamente, o relançamento da campanha Fome Zero, agora com produção publicitária sofisticada, reforça o discurso social que marcou as gestões anteriores de Lula. Outro ponto de destaque é o estudo da tarifa zero no transporte urbano para pessoas de menor renda, medida já em vigor em mais de 130 municípios e que, segundo dados da Agência Brasil, aumentou em até 300% o uso do transporte coletivo em algumas cidades.

Essas ações, somadas, apontam para uma estratégia clara: reconectar Lula com o cotidiano do eleitor. Em um momento de insegurança econômica e desgaste institucional, políticas que tocam diretamente em temas como moradia, alimentação e transporte têm enorme apelo emocional e social.

PRESENÇA DO ESTADO – Pesquisas recentes do Ipec e da Ipsos mostram que a aprovação do presidente subiu para cerca de 30%, enquanto a rejeição caiu cinco pontos percentuais desde o início do ano. Esse movimento reflete não apenas a percepção de melhora na economia, mas também o retorno de um discurso de presença do Estado, de amparo e de inclusão.

Outro tema em discussão é a revisão da jornada 6×1, que obriga o trabalhador a atuar seis dias por semana com apenas um de descanso. Lula demonstrou disposição em abrir o debate, reconhecendo as especificidades de setores que precisam operar de forma contínua, como saúde, segurança e transporte.

Ainda assim, a proposta sintoniza com um sentimento crescente na sociedade: a busca por equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Essa agenda trabalhista, combinada com programas de impacto direto na renda e no custo de vida, mostra um governo que pretende reconquistar a confiança do eleitor pela via prática, e não apenas pela retórica.

DESAFIO – No entanto, o desafio é grande. Ampliar subsídios, reduzir tarifas e discutir mudanças na jornada de trabalho têm alto custo político e fiscal. A sustentabilidade dessas políticas dependerá de equilíbrio orçamentário, eficiência na execução e diálogo federativo.

Caso contrário, o risco é que promessas bem-intencionadas se tornem foco de críticas sobre populismo e irresponsabilidade fiscal. Lula aposta que o retorno político dessas medidas compensará o desgaste. E há sinais de que essa estratégia pode funcionar: pesquisas internas do governo indicam que o presidente venceria hoje todos os principais adversários.

O Brasil entra, assim, em um novo ciclo de disputa antecipada, em que cada política pública carrega também um componente eleitoral. Lula parece consciente de que a conquista de corações e mentes em 2026 começa muito antes das urnas — e passa, mais uma vez, pela capacidade de traduzir políticas em esperança.

Governo faz “pente-fino” e demite infiéis após derrota na Câmara

Lei Magnitsky é uma espada afiada que obrigou Barroso a sumir do STF

Barroso nega que sanções dos EUA pesaram para deixar STF | Brasil | Pleno.News

Barroso apoiou erros de Moraes e agora tenta escapar

Carlos Newton

A Lei Magnitsky criou uma situação absolutamente nova que jamais ocorreu em nenhum país e hoje desafia o Direito Internacional. A norma jurídica foi concebida na fase pós Torres Gêmeas, para neutralizar grupos estrangeiros que fizessem espionagem ou pretendessem atacar os EUA, como ocorrera em 11 de setembro de 2001, quando quatro aviões foram sequestrados pelo grupo islâmico Al-Qaeda, num ataque que causou a mudança da geopolítica global.

Discutida nos mínimos detalhes, a Magnitsky é uma legislação moderna e eficaz. Originalmente criada em 2012 para punir autoridades da Rússia, a lei foi ampliada em 2016, para atingir criminososs de qualquer país do mundo.

A legislação prevê medidas punitivas a pessoas (físicas ou jurídicas) em casos de tortura, perseguição política, corrupção, cerceamento de liberdades de expressão, associação e religião, assim como atuação contra a democracia.

NA MIRA DA LEI – Estão indiciados nos EUA oito ministros do Supremo brasileiro, o procurador-geral da República e várias autoridades da equipe de Alexandre de Moraes, incluindo o juiz auxiliar Airton Vieira, o delegado federal Fábio Shor e outros quatro servidores federais, além do advogado-geral da União, Jorge Messias, que defende Moraes, e do ministro Benedito Gonçalves, do STJ, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Todos perderam os vistos e não podem ingressar nos EUA. Os mais atingidos, porém, são o ministro Moraes e sua mulher, Viviane Barci, que comanda o escritório de advocacia da família, porque já estão incriminados  pela Lei Magnitsky.

À beira de um ataque de nervos, o mais preocupado é Luís Roberto Barroso. Na expectativa de ser enquadrado na Magnitsky, apressadamente pediu demissão no STF, alegando uma promessa que fizera à falecida esposa, de que iriam correr o mundo juntos.

DUAS VERSÕES – A promessa à mulher é a versão oficial. A outra seria o receio de perder os investimentos que tem nos EUA, que incluem imóveis, veículos e mobiliário de luxo, que estavam sendo usados por seu filho Bernardo, diretor do banco BTG em Miami, que já voltou ao Brasil, depois de transferir e resguardar os milionários investimentos financeiros do pai.

Fala-se que agora tudo vai melhorar, devido à aproximação entre Lula da Silva e Donald Trump. No entanto, Barroso não tem certeza, porque esse problema dos Estados Unidos com o Supremo brasileiro vem desde o governo Biden, que começou a recusar todos os pedidos para prisão e extradição de bolsonarustas.

Trump seguiu seu antecessor e a situação se agravou com a insistência de Moraes perseguir bolsonaristas nas redes sociais, e depois criando um caso internacional com o empresário Elon Musk e com o próprio Trump, dono da Truth Social, plataforma que ele mesmo fundou após ser banido de outras redes.

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P.S.
– A preocupação de Barroso é procedente, porque a Lei Magnitsky só funciona com apoio do Congresso americano, e desde o ano passado há parlamentares apoiando as sanções. O ministro está visado, porque era presidente do Supremo e tinha obrigação funcional de coibir os erros de Moraes, como a criminosa perseguição a Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, com base em provas falsas, conforme o governo Trump confirmou mais uma vez na véspera da renúncia de Barroso. Portanto, é melhor comprar pipocas. Esta novela será mais longa do que a dupla morte de Odete Roitman. (C.N.)

Redes sociais disparam críticas ao Congresso após PEC da Blindagem

Parlamentares registram queda expressiva nas redes sociais

Deu na CNN

Após a aprovação da PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados, parlamentares enfrentam uma significativa perda de seguidores nas redes sociais. Alguns deputados, que possuem entre 400 e 500 mil seguidores, relatam quedas de até 15 mil seguidores em suas bases digitais. A apuração é da repórter e colunista da Rádio Itatiaia, Edilene Lopes, durante o CNN Arena.

O impacto nas redes sociais tem gerado apreensão entre os parlamentares, especialmente considerando a proximidade das eleições. A preocupação central é que essa rejeição nas plataformas digitais possa se converter em perda efetiva de votos no próximo pleito.

CENTRÃO – O cenário político se mostra especialmente delicado para o Centrão, que ficou em situação complexa após a votação. Enquanto a direita justificou seu apoio à PEC como uma proteção contra o STF (Supremo Tribunal Federal), parlamentares da esquerda que votaram favoravelmente incluíam alguns que não buscarão reeleição.

O Centrão, por sua vez, enfrenta resistência de prefeitos e eleitores em suas bases, o que pode comprometer futuras candidaturas. Como consequência desse cenário, há uma forte resistência à votação de temas polêmicos, incluindo o PL da Anistia.

O projeto de anistia ampla tem encontrado resistência tanto da direita quanto da esquerda em relação à proposta de dosimetria, com apenas o centro demonstrando interesse em sua votação. A situação evidencia um momento de cautela no Congresso Nacional, com parlamentares evitando pautas que possam gerar desgaste adicional junto ao eleitorado.

Entidades pedem que Lula indique uma mulher para o STF após aposentadoria de Barroso

PEC que afrouxa aposentadorias pode gerar rombo de R$ 24 bilhões, alerta governo

O terrorismo legislativo que ameaça até Eduardo Bolsonaro

Moro elogia Fux e vê chance de reverter ação no STF por piada sobre Gilmar

Projeto do Metanol pode ser aprovado, mas Lei da Dosimetria é inconstitucional

Classificação da Constituição de 1988 | Jusbrasil

A Constituição só pode ser alterada por emenda (PEC)

Jorge Béja

Dois novos projetos de lei sobre matéria do Direito Penal deverão ser postos em pauta no Congresso Nacional. Um, a respeito do agravamento das penas dos chamados “Crimes contra a saúde pública”, cujas tipificações, que não são poucas, vão do artigo 267 ao artigo 285 do Código Penal. A motivação do agravamento das penas decorre do metanol nas bebidas, que tem sido fatal para a saúde e para a vida de quem bebe.

Outro projeto é a denominada “Lei da Dosimetria”, cujo propósito é reduzir, através desta nova regra, as penas impostas aos condenados pela tentativa de golpe e que culminou no 8 de Janeiro de 2023.

CASO DO METANOL – Quanto ao primeiro projeto, nenhuma objeção ou impossibilidade legislativa. Pode e deve o Congresso mexer para majorar as penas previstas no Código Penal (CP) no tocante aos crimes contra a saúde pública. 

É muito branda a pena de detenção de um a três anos, além de multa, para quem “fabricar, vender, expor à venda, ter em depósito para vender ou, de qualquer forma, entregar a consumo coisa ou substância nociva à saúde, ainda que não destinada à alimentação ou a fim medicinal”, tal como previsto no artigo 278 do CP.

Já no tocante ao segundo projeto, que é o da “dosimetria”, caso o Congresso venha editar a aprová-lo, reduzindo as penas impostas aos condenados pela tentativa do golpe, a nova lei já nascerá com a marca e o timbre da inconstitucionalidade, flagrante e incontornável.

LEI ILEGAL – Tratando-se de comutação de pena, a prerrogativa para tanto é exclusiva do Presidente da República, conforme previsto no artigo 84, inciso XII da Constituição Federal:

“Artigo 84 – Compete privativamente ao Presidente da República…..XII – conceder indulto e comutar pena, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei“.

Parece que a euforia e o entusiasmo dos que defendem a edição da chamada “Lei da Dosimetria”, decorrem do desconhecimento do significado do verbo comutar. Muito ouve-se falar em “anistia”, “indulto”, “perdão”… No entanto, não se ouve dizer nem falar sobre “comutação de pena”. 

COMUTAÇÃO – Em qualquer dicionário, jurídico ou não, comutar significa substituir uma pena, um castigo, por outro(a) mais brando(a). Ou seja, menos gravoso e menos pesado do que a punição que o condenado está cumprindo.

Vamos a dois renomados e sempre consultados dicionários da língua portuguesa: “Comutar, verbo transitivo e transitivo indireto. 1 – Fazer a troca, a substituição de. 2 – Mudar (pena, castigo) por outro menor” (Dicionário Aurélio). “Comutar, verbo transitivo (do latim commutare). Permutar. Redução de uma pena por outra menor” (Lello Universal).

É possível e compreensível que se defenda a dualidade de competência para a adoção do instituto da comutação da pena, seja da parte do Presidente da República, seja do Congresso Nacional. Embora na Constituição Federal não exista a concorrência, o concurso de competência para tal fim, a Carta da República, ao empregar na cabeça do artigo 84 o verbo comutar no seu grau superlativo (privativamente), outorga exclusivamente ao Presidente da República — e a ninguém mais —- o referido poder de reduzir pena criminal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Belíssima aula magna de Direito, ministrada por um jurista raro e de extraordinária cultura. (C.N.)

Indefinição de Bolsonaro trava alianças e fortalece Lula nos estados