Putin discursa no Brics ao vivo, mas o Brasil não transmite a fala do russo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em declaração na cúpula dos líderes do Brics, que a era da globalização liberal está obsoleta

Putin afirmou que a era da globalização liberal já acabou

Felipe Frazão
Estadão

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, discursou remotamente na Cúpula do Brics, no Rio, ao vivo de Moscou, por meio de vídeoconferência. Ele também acompanhou remotamente outras falas. Porém, o governo brasileiro decidiu não transmitir ao vivo publicamente a fala de Putin e dos demais chefes de Estado, de governo e de delegações presentes ao Rio para o Brics.

Coube ao Kremlin divulgar o discurso de Putin, que falou no Rio por uma retribuição ao discurso de Lula, também por vídeo, no ano passado. O petista deixou de viajar à Rússia por restrição médica, após ter sofrido uma queda no Palácio da Alvorada.

IGUAL AO G-20 – A decisão do governo foi de restringir o acesso às falas apenas às delegações, repetindo o que ocorreu no G-20, em novembro passado. Esse agrupamento, porém, tem muito mais rivalidades e divergências do que o Brics.

Putin desistiu de vir ao Rio pelo risco de ser preso, como requer o Tribunal Penal Internacional, que o acusa de crime de guerra na Ucrânia. O Kremlin informou que o governo brasileiro não deu garantias de segurança a ele e reconheceu que o mandado de prisão era um impeditivo.

Na prática, apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já ter dito até publicamente que Putin não seria preso no País em visita oficial, a decisão poderia ser de um juiz federal de primeira instância.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Prender Putin em viagem oficial ao Brasil seria bizarro e grotesco. Enquanto isso, Netanyahu, que também é criminoso de guerra, bate pernas pelo mundo, impunemente. 

Pregar holocausto dos palestinos dá até audiência na TV de Israel

Palestinos são levados à prisão por soldados israelenses

Muniz Sodré
Folha

Negação ativa é o que ocorre quando diante de um fato claro e simples, uma evidência, o sujeito finge que não vê, para aplacar a consciência. É um mecanismo de defesa, individual ou coletivo, em geral por cinismo ou perturbação mental profunda. Aplica-se bem à indiferença generalizada a uma postagem do famoso produtor de televisão israelense Elad Barashi: “Não consigo entender as pessoas aqui no Estado de Israel que não querem encher Gaza com chuveiros de gás… ou vagões de trem… e acabar com essa história! Que haja um Holocausto em Gaza!” (5/5/2025).

“O horror, o horror”, balbuciaria o atormentado Kurtz de “Coração das Trevas” (Joseph Conrad). Mas houve reação da mídia internacional à gravidade dessa linguagem. Embora muitos cidadãos israelenses reajam a isso, os círculos oficiais não criticaram os comentários de Barashi, que pertence à TV Canal 14, porta-voz de ultradireita do premier Netanyahu. Entre nós, o destaque ao fato deveu-se apenas à forte voz semanal da jornalista Dorrit Harazim.

NEGAÇÃO PÚBLICA – Tão grave quanto naturalizar o horror é a negação ativa por parte de vozes públicas. Disso não está isenta a grande imprensa, focada na “objetividade” da contagem dos mortos na represália da máquina de morte de Netanyahu ao pogrom terrorista do Hamas.

Entre nós, um paralelo chocante é a espetacularização jornalística da Marcha para Jesus, em que o governador e o prefeito de São Paulo desfilaram enrolados nas bandeiras de Israel. Aos leigos em religião, muitos, cabem dúvidas sobre a pertinência desse estandarte no evento.

O judaísmo não cultua Jesus, e deve ter havido confusão entre israelenses e os hebreus das Escrituras. Mesmo esses não tinham Jesus nem bandeira, muito menos aquela que a polícia remove à força dos bairros da zona norte do Rio agrupados por traficantes como Complexo de Israel, onde matadores formam o Bonde de Jesus.

RETÓRICA GENOCIDA – Não se trata da mesma divindade venerável da Hebreia. A menos que as identificações remontem às passagens do Velho Testamento, em que o combativo Davi, divina escolha para governar a nação de Israel e Judá, se mostrava crudelíssimo para com os inimigos, filisteus ou amalequitas, quase todos exterminados, mulheres, crianças até o gado. Nesse caso, a inflexibilidade bíblica explica a retórica genocida de Barashi:

“Gaza merece a morte. Os 2,6 milhões de terroristas em Gaza merecem a morte! Homens, mulheres e crianças, de todas as formas possíveis (…) Sem medo, sem hesitação, simplesmente espatifar, erradicar, massacrar, demolir, desmoronar, esmagar, estilhaçar”. Edward Said, o grande intelectual da causa palestina, se espantaria: ele reconhecia e abominava a Shoah, o holocausto dos judeus.

PASSA AO LARGO – Esse terror passa ao largo do pacifismo da marcha. Mas por que marchar, perguntaria o leigo, se Jesus caminhava a passos crísticos com seus seguidores?

Sem resposta cívico-militar: o argumento impositivo seriam os 590 milhões injetados no comércio pelo evento, na mesma semana do aumento das isenções tributárias às igrejas.

Algo contraposto ao Evangelho (Lucas, 6:13), de que não se pode servir ao mesmo tempo a Deus e a Mamon (demônio bíblico das finanças). Disso não sabe ou esqueceu o governador em sua retórica teocrática. Aliás, também esqueceu em casa o boné de Trump.

Guerra de Milei é cultural e exibe a inviabilidade do socialismo na Argentina

Se, para viver de arte, você precisa de subsídio do Estado, você não é um artista, você é um funcionário público.” - Javier Milei | ☀️ MAURICIO CONTI 🌴Ricardo Dias de Sousa
Observador de Portugal

A Oficina da Liberdade, em parceria com o grupo LeYa, promove o lançamento de um livro sobre Javier Milei da autoria do professor Phillip Bagus, que é prefaciado para a edição em Portugal pelo próprio Presidente da República Argentina. É um livro que recomendo vivamente porque o fenómeno é mal compreendido em Portugal, em grande parte por desconhecimento do que aconteceu na Argentina no último quarto de século.

O pano de fundo é a Argentina, um dos poucos casos da História contemporânea de um país que foi desenvolvido, um dos mais ricos do mundo há pouco mais de um século, que caiu na indigência. Como Milei bem explicou, a causa dessa queda foi ter abraçado as políticas do Socialismo.

ATAQUES DA ESQUERDA – Só por esse motivo, por ter apontado corretamente o motivo do fracasso da Argentina, Milei começou atacado pela esquerda um pouco por todos os lados.

Existe uma certa ironia nisso. Toda a gente sabe que o Socialismo fracassou, até a esquerda. De tal forma que muito poucos se afirmam socialistas em público e os políticos do quadrante evitam a palavra.

Preferem substituí-la por eufemismos como “progressista”, ou “de esquerda” quando se referem à sua ideologia, ou chamar “justiça social”, “políticas igualitárias” ou “defesa das minorias” às políticas socialistas que continuam a implementar.

FORA DO AR – Com a excepção de Portugal e Espanha onde continuam a controlar grande parte do aparelho estatal, a palavra “Socialista” desapareceu das siglas dos partidos do ramo.

Mas quando Milei diz algo óbvio, que o Socialismo destruiu a sociedade e a economia argentina, é logo apelidado de fascista, como se isso não tivesse acontecido na URSS, na Coreia do Norte ou em Cuba.

Ironicamente, o único país socialista que vai revelando algum êxito (em grande parte por ter abandonado o Socialismo versão maoísta) é a China. País que raramente a esquerda progressista utiliza como exemplo a seguir. Mas o Socialismo não morreu, simplesmente mudou de pele como as serpentes.

ERRO INTELECTUAL – Na feliz expressão de Hayek, o Socialismo é um erro intelectual pelo que, na medida em que esse erro continue a ser cometido, o Socialismo continuará a prosperar. Especialmente quando esse erro passa despercebido.

Um dos grandes triunfos da Economia, enquanto ciência, foi desmascarar a pretensão de que o Socialismo era o caminho para uma sociedade mais próspera. Houve um tempo, que a esquerda atual prefere ignorar, em que os socialistas acreditavam que as economias socialistas, com o seu planeamento central e propriedade pública dos meios de produção iam ser mais prósperas que as outras.

A famosa frase de Nikita Kruschev ao Ocidente – “vamos enterrar-vos” – fazia referência a essa crença que, num futuro próximo (duas décadas), a URSS iria ultrapassar os Estados Unidos em riqueza material.

JUSTIÇA SOCIAL – Os socialistas atuais são mais cautos, prometem uma riqueza materialista sim, mas não material. A riqueza está na construção de uma sociedade mais justa, mais solidária, mais inclusiva, um discurso que só apela a quem dá por garantido o acesso a bens e serviços em quantidade e qualidade.

No entanto a ciência económica também está em crise. Esse é um tema que daria para uma tese e não cabe num artigo de jornal. Mas é suficiente com dizer que, na ânsia de abraçar os métodos das ciências exatas, a Economia sacrificou a Teoria à Prática sendo que, sem Teoria, a Prática dificilmente terá utilidade.

Concretamente, para poder medir os fenómenos que tratam, os economistas reduzem a complexidade qualitativa dos conceitos a grandezas quantitativas que possam medir.

VERSÕES DO PIB – Por exemplo, crescimento económico passa a ser produção nacional, e produção nacional aquilo que o PIB mede. Obviamente que não há nenhum economista que não saiba que isto é apenas aproximadamente correto.

Mas na hora de tentar prever o futuro (que é, no fundo, o motivo pelo qual os economistas se focam em imitar a metodologia das ciências exatas – prever com rigor), nenhum economista tenta prever o crescimento económico, mas sim o valor do PIB que depois é utilizado como sinónimo de crescimento económico.

Entenda-se que, do ponto de vista económico, dificilmente se vai encontrar um indicador que quantifique melhor essa realidade para o consenso da profissão, mas isto leva a situações caricatas, como a de políticos tentarem manipular o valor do PIB para as que as regiões que governam apresentem pequenas variações positivas neste indicador de ano para ano e assim presumir de êxito económico nas suas políticas.

REFORMAS REGRESSIVAS – Fruto desta forma de pensar, muitos economistas insuspeitos de socialismo apostaram que as reformas que Milei queria implementar na Argentina iriam provocar uma grande depressão no país porque eram “regressivas” – leia-se – iriam fazer contrair o PIB (que, acreditavam, entraria numa espiral deflacionária devido a algo que aprenderam de Keynes e que nunca fez muito sentido).

É o tal temor a “políticas de austeridade” que fez que muitas economias europeias tivessem perdido a oportunidade de reverter rapidamente a crise económica há década e meia, mesmo aquelas governadas à direita teoricamente insuspeitas de socialismo, porque a tal austeridade consistiu não em reduzir o gasto, mas em reduzir o ritmo do crescimento.

Aumento esse que, mesmo sendo menor que o originalmente projetado, foi financiado através do aumento da dívida pública, dos impostos e finalmente da inflação, que é o imposto sobre a insolvência do Estado e é geralmente pago pelos mais desfavorecidos.

REDUÇÃO DO PIB – Como seria de esperar, a tal esquerda progressista celebrou com júbilo os primeiros dados de redução do PIB para afirmar alto e a bom som que as políticas económicas “ultradireitistas” de Milei estavam a fracassar.

Foi este temor, o temor de ver o PIB reduzir, o que impediu uma reforma profunda na Europa depois da crise de 2008. Mas Milei, armado com um sólido conhecimento de Economia, sabia que essa contração era inevitável.

Se o parasita que provoca esse aumento no PIB não for alimentado, esses recursos ficam disponíveis para que a economia produza aqueles bens e serviços que têm valor e, o que é melhor, crie as condições para um crescimento aritmético ou mesmo exponencial futuro, coisa que o desvio de recursos constante do parasitismo estatal impede.

CRESCIMENTO SÓLIDO – É por isso que, a partir de meados de 2024 a economia argentina passou a registar, não crescimentos do PIB raquíticos da ordem dos 1,5%, mas crescimento do PIB real de 5,8%, indiciando que o crescimento económico real seja maior.

Curiosamente, quando os dados positivos começaram a ser publicados, o PIB argentino deixou de ser utilizado como argumento que espelhava a política económica do Milei. O mesmo sucedeu com a redução do indicador de pobreza de 52% para 31%.

Os argentinos ainda têm um longo caminho a percorrer, com muitos altos e baixos, antes de voltarem a ser uma economia desenvolvida. E não existe nenhuma garantia de que tal venha a suceder se voltarem a escolher o Socialismo. Mas enquanto o silêncio dos detratores de Milei persistir, sabemos que os argentinos estão no bom caminho. 

(Artigo enviado por Duarte Bertolini)

Lula critica “genocídio” em Gaza e “uso da fome” como arma de guerra.

Em reunião extraordinária do Brics, Lula volta a cobrar reforma no Conselho  de Segurança da ONU – CartaCapital

Lula voltou a pedir a reforma do Conselho de Segurança

Célia Froufe, Laís Adriana e Daniela Amorim
Broadcast

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de um Estado palestino dentro dos limites criados em 1967 para garantir o fim do conflito na Faixa de Gaza, em seu discurso de abertura da Cúpula do Brics, que ocorre no Rio. A sessão de abertura tem como tema “Paz e Segurança e Reforma da Governança Global”.

O presidente disse que “nada justifica as ações terroristas cometidas pelo Hamas, mas que não é possível permanecer indiferente ao genocídio praticado por Israel em Gaza” com a “matança indiscriminada de civis inocentes e o uso da fome como arma de guerra”.

OUTROS CONFLITOS – Lula mencionou outros conflitos globais, destacando que o governo brasileiro condenou os atentados na Caxemira – que ampliaram temporariamente tensões entre Índia e Paquistão. O presidente frisou que as violações de integridade territorial dificultam esforços de não-proliferação de armas atômicas.

Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, Lula acusou ações sem amparo no direito internacional de aumentar a tendência de repetir de forma mais grave o “fracasso” das operações no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Síria. “Suas consequências para a estabilidade do Oriente Médio e Norte da África, em especial no Sahel, foram desastrosas e até hoje são sentidas”, disse.

DEFESA DO IRÃ – Novo membro do Brics, o Irã foi recentemente atacado por forças americanas em uma ação para destruir seu programa nuclear e exigiu a menção de repúdio à escalada de tensões no Oriente Médio no comunicado final do bloco.

“O governo brasileiro denunciou as violações à integridade territorial do Irã, como já havia feito no caso da Ucrânia. É urgente que as partes envolvidas na guerra na Ucrânia aprofundem o diálogo direto com vistas a um cessar-fogo e paz duradoura”, acrescentou, sem mencionar a Rússia.

Lula acusou ainda a comunidade internacional de ignorar “gravíssimas crises em outras partes do mundo” e quem, para isso, o Grupo de Amigos da Paz – liderado por Brasil e China – procura identificar caminhos para o fim das hostilidades com a participação do Sul Global.

CONSELHO DE SEGURANÇA – Lula pediu novamente a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente defendeu que é necessário “transformar completamente” o conselho para torná-lo mais legítimo, representativo, eficaz e democrático ao incluir novos membros permanentes da Ásia, África, América Latina e Caribe.

Lula alegou que o vazio de crises globais não-solucionadas criou um “terreno fértil” para o terrorismo e que “a ideologia do ódio não pode ser associada a nenhuma religião ou nacionalidade” em específico.

Contudo, o presidente reconheceu que “nem tudo foi um fracasso” nas oito décadas de funcionamento das Nações Unidas, classificando a organização como “central” para o processo de descolonização, promoção da paz, estabilidade e mediação de conflitos.

“Gilmarpalooza”! Câmara paga despesas de 30 dos 44 deputados que quiseram ir 

Charge 25/06/2024

Charge do Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Weslley Galzo
Estadão

O ‘Gilmarpalooza’, apelido dado ao Fórum de Lisboa organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, levou 44 deputados em missão oficial de Brasília para a capital de Portugal nesta semana.

Dentre os parlamentares, 30 solicitaram que a viagem fosse com “ônus” à Câmara. Ou seja, a Casa vai arcar com todas as despesas, como hospedagem, deslocamento e custos adicionais. (veja ao final do texto a lista de deputados custeados pela Câmara). A lista foi divulgada pela própria Câmara a partir de um pedido de Lei de Acesso à Informação feito pelo Estadão. Procurada, a direção da Casa não quis se manifestar.

NOTAS FISCAIS – Os deputados que pediram o ressarcimento das despesas serão reembolsados após a apresentação das notas ficais. Por isso, ainda não é possível estimar quanto o deslocamento em massa de parlamentares a Lisboa custou aos cofres públicos.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), está entre os deputados que solicitaram o reembolso dos valores. Na lista dos viajantes, também figuram seis parlamentares que são parte em processos no STF: Arthur Lira (PP-AL), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Luís Tibé (Avante-MG), Paulinho da Força (Solidariedade-SP), Rodrigo Gambale (Podemos-SP), Baleia Rossi (MDB-SP).

Como mostrou o Estadão, o Senado vai custear a ida de seis senadores ao evento. O afastamento de parlamentares do País precisa ser comunicado às Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, a quem cabe autorizar a ida dos solicitantes.

HÁ DUAS MANEIRAS – Os deputados e senadores podem optar por duas formas de deixar o País: em missão oficial, representando a Casa da qual faz parte, ou apenas como participantes em determinado evento, o que também exige comunicação ao comando do órgão.

Os parlamentares ainda podem escolher se desejam deixar o País com ou sem ônus à instituição da qual fazem parte — ou seja, se querem ser reembolsados por todos os gastos existentes na viagem ou não.

O ‘Gilmarpalooza desloca anualmente o poder político de Brasília para a capital de Portugal. O evento é realizado na Universidade de Lisboa e versa sobre diversos temas, desde direito a mudanças tecnológicas, mas são as atividades paralelas e fora do escopo acadêmico que mobilizam parte dos participantes.

PALCO DE LOBISMO – Além da classe política e da cúpula do Judiciário, o evento reúne ministros e empresários de grandes companhias, advogados dos escritórios mais renomados do País e acadêmicos.

A união desses diferentes grupos, mas que podem partilhar interesses em comum, torna as festas, os almoços, os passeios e os jantares organizados paralelamente ao evento atrações à parte e altamente concorridas.

Na edição deste ano, a Associação Latino-americana de Internet (ALAI), que representa as big techs, ofereceu um almoço a participantes seletos do Fórum e o BTG Pactual preparou um novo happy hour.

EM MISSÃO OFICIAL – Deputados que solicitaram missão oficial com ônus para a Câmara: 1. Adail Filho (Republicanos-AM), 2. Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), 3. Alex Manente (Cidadania-SP), 4. Aliel Machado (PV-PR), 5. Amom Mandel (Cidadania-AM), 6. ArthurLira (PP-AL), 7. Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), 8. Baleia Rossi (MDB-SP), 9. Dani Cunha (União-RJ), 10.Domingos Neto (PSD-CE), 11.Doutor Luizinho (PP-RJ), 12.Eduardo da Fonte (PP-PE), 13.Elcione Barbalho (MDB-PA), 14.Elmar Nascimento (União-BA), 15.Felipe Carreras (PSB-PE), 16.Felipe Francischini (União-PR), 17.Gilvan Maximo (Republicanos-DF), 18.Hugo Motta (Republicanos-PB).

E mais: 19.Julio Arcoverde (PP-PI), 20.Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), 21.Luciano Vieira (Republicanos-RJ), 22.Luís Tibé (Avante-MG), 23.Lula da Fonte (PP-PE), 24.Mersinho Lucena (PP-PB), 25.Newton Cardoso Jr (MDB-MG), 26.Odair Cunha (PT-MG), 27.Orlando Silva (PCdoB-SP), 28.Paulinho da Força (Solidariedade-SP), 29.Pedro Paulo (PSD-RJ) e 30.Robinson Faria (PL-RN).

POR CONTA PRÓPRIA – Deputados que solicitaram autorização de missão oficial sem ônus adicionais: 1. Camila Jara (PT-MS), 2. Carlos Sampaio (PSD-SP), 3. Cezinha de Madureira (PSD-SP), 4. Cleber Verde (MDB-MA). 5. David Soares (União-SP), 6. Isnaldo Bulhões Jr (MDB-AL), 7. Marangoni (União-SP), 8. Marcos Soares (União-RJ), 9. Marcos Pereira (Republicanos-SP), 10.Maurício Neves (Podemos-PB), 11.Rodrigo Gambale (Podemos-SP), 12.Romero Rodrigues (Podemos-PB), 13.Soraya Santos (PL-RJ) e 14.Tabata Amaral (PSB-SP).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– E ainda se dizem representantes do povo… Sem maiores comentários, apenas tragam o balde grande. (C.N.)

Lêdo Ivo ensina a deixar poeticamente tudo para trás

Homenagem a Lêdo Ivo – Educação Emocional e Terapia por meio de contosO jornalista, cronista, romancista, contista, ensaísta e poeta alagoano Lêdo Ivo (1924-2012) aconselha (queime tudo o que puder) no poema “A Queimada”, pois a verdade não é para ser dita, ela é o eterno segredo.

A QUEIMADA
Lêdo Ivo

Queime tudo o que puder:
as cartas de amor
as contas telefônicas
o rol de roupas sujas
as escrituras e certidões
as inconfidências dos confrades ressentidos
a confissão interrompida
o poema erótico que ratifica a impotência
e anuncia a arterioesclerose
os recortes antigos e as fotografias amareladas.

Não deixe aos herdeiros esfaimados
nenhuma herança de papel.
Seja como os lobos: more num covil
e só mostre à canalha das ruas
os seus dentes afiados.

Viva e morra fechado como um caracol.
Diga sempre não à escória eletrônica.
Destrua os poemas inacabados, os rascunhos,
as variantes e os fragmentos
que provocam o orgasmo tardio dos filólogos e escoliastas.

Sanções a Moraes: a farsa internacional de Eduardo Bolsonaro

A retórica inflamada de Eduardo tem erros técnicos grosseiros

Marcelo Copelli
Revista Fórum

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), numa estratégica tentativa de ocupar as manchetes dos noticiários e mobilizar as bases bolsonaristas, prometeu, em solo norte-americano e em tom de espetacularização, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, seria alvo de sanções dos Estados Unidos, a serem aplicadas pelo governo Trump, entre o fim de maio e o início de junho. O prazo, como era previsível, não foi cumprido.

Eduardo justificou o afastamento de seu mandato por meio de um discurso ornamentado por questionáveis vestes diplomáticas, engajando-se em uma campanha junto a parlamentares republicanos e membros da extrema-direita americana para convencer o governo dos EUA a enquadrar Moraes na Lei Global Magnitsky — legislação que permite sanções unilaterais contra indivíduos acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos.

DESINFORMAÇÃO – Em tom de bravata, Eduardo Bolsonaro — que, quando mais jovem, fez intercâmbio “fritando hambúrguer no frio do Maine” — afirmou que Moraes “não poderia nem usar um cartão de crédito”, dramatizando o suposto alcance das sanções. O problema, contudo, é que essas declarações, além de juridicamente frágeis, beiram o terreno da desinformação deliberada — conhecido cenário em que trilha a única e desgastada linha de ação política que norteia e municia o seu clã familiar.

A Lei Magnitsky, sancionada nos Estados Unidos em 2016, foi criada para punir indivíduos responsáveis por violações sistemáticas de direitos humanos e atos de corrupção significativa. Sua aplicação, até hoje, esteve associada a regimes autoritários — como os da Rússia, Venezuela, China e Mianmar —, contextos em que perseguições, torturas, execuções extrajudiciais e censura institucionalizada são comprovadamente praticados.

A tentativa de aplicar essa legislação contra um ministro da Suprema Corte brasileira, com base em decisões judiciais amparadas pelo próprio sistema legal do país, representa um desvio gritante da finalidade da lei. No discurso de setores extremistas, porém, essa distorção é intencional, servindo para alimentar uma narrativa de perseguição e produzir falsas expectativas.

DETURPAÇÃO – Ao tratar Alexandre de Moraes como um “violador de direitos humanos” digno de sanção internacional, Eduardo Bolsonaro deturpa conceitos jurídicos e omite que o ministro tem atuado no combate a milícias digitais, à disseminação de desinformação e à tentativa de subversão institucional promovida por aliados do bolsonarismo.

As decisões de Moraes podem — e devem — ser analisadas no campo jurídico, dentro dos limites democráticos. O debate sobre a atuação do STF é legítimo. Porém, reduzi-las a violações de direitos humanos num cenário autoritário é uma falácia sem qualquer respaldo técnico.

Em entrevista ao Financial Times, Eduardo chegou a afirmar que havia “85% de chance” de as sanções se concretizarem — uma estimativa tão arbitrária quanto infundada, usada para animar seus correligionários com a sensação pueril de uma vitória no campo internacional.

USO POLÍTICO – A retórica inflamada vem acompanhada de erros técnicos grosseiros, e o uso político da Lei Magnitsky por Eduardo Bolsonaro revela, mais uma vez, uma tentativa de instrumentalizar a diplomacia americana para atacar instituições brasileiras. A ironia é que o mesmo grupo que costuma defender a soberania nacional e a não interferência estrangeira agora clama por intervenção externa para resolver disputas internas de poder.

O gesto não é apenas contraditório, mas perigosamente corrosivo. Ao internacionalizar um conflito institucional brasileiro, Eduardo Bolsonaro tenta legitimar a retórica antidemocrática que vem sendo usada desde a derrota eleitoral de 2022. A aposta é clara: gerar constrangimento ao STF, enfraquecer a imagem institucional do Brasil e manter acesa a chama do bolsonarismo internacionalizado, sobretudo junto à ala trumpista nos Estados Unidos.

No fundo, trata-se de mais um capítulo da já conhecida política do espetáculo: manchetes ruidosas, promessas fantasiosas e nenhum resultado concreto. Enquanto isso, a desinformação continua sendo alimentada, viciando o debate público e criando tensões artificiais entre poderes, entre nações e entre brasileiros. A democracia, por sua vez, segue sendo testada — e, por enquanto, resistindo.

Moraes media conflito sobre o IOF e evita crise entre os Poderes

Moraes determinou a realização de uma audiência de conciliação

Pedro do Coutto

O gesto do ministro Alexandre de Moraes ao determinar uma audiência de conciliação entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional sobre o decreto presidencial que elevaria o IOF foi mais do que uma decisão jurídica — foi um movimento político habilidoso. Recorrendo a uma figura típica da legislação trabalhista, Moraes encontrou uma forma de conter o desgaste entre os Poderes e sinalizar maturidade institucional.

Marcada para o próximo dia 15, essa audiência cria espaço para que Executivo e Legislativo construam uma solução intermediária, capaz de atender aos interesses do presidente Lula da Silva e do deputado Hugo Motta, que liderou a reação parlamentar contra o decreto presidencial.

ARRECADAÇÃO – A crise teve início quando o governo Lula editou um decreto elevando as alíquotas do IOF sobre operações de crédito, como parte de uma tentativa de reforçar a arrecadação. A reação na Câmara foi imediata. Considerando o decreto como inadequado e injustificado, o deputado Hugo Motta articulou a aprovação de uma resolução que suspendeu os efeitos do ato presidencial.

A decisão do Congresso foi recebida pelo Planalto como uma afronta à autonomia do Executivo, deflagrando um embate institucional que rapidamente chegou ao Supremo Tribunal Federal. O pano de fundo dessa disputa é a delicada fronteira entre os poderes de legislar e de regulamentar, tema que há anos suscita divergências entre juristas e políticos.

Ao optar por uma audiência de conciliação, Moraes evitou um enfrentamento direto e demonstrou sensibilidade política. Embora o instrumento seja mais comum em ações trabalhistas, sua adoção no campo constitucional serviu como ferramenta de apaziguamento. O gesto agradou aos dois lados: Lula ganhou tempo e espaço para reorganizar sua estratégia, e Motta viu consolidada, ao menos por ora, a validade da reação do Parlamento.

AJUSTE – A expectativa é de que o encontro do dia 15 resulte em uma síntese: um novo decreto ajustado por parte do Executivo e uma sinalização de respeito às prerrogativas do Legislativo. Apesar do tom conciliador, é difícil ignorar que o Legislativo saiu na frente. A anulação do decreto presidencial permanece em vigor e, na prática, o Congresso impôs um recuo ao governo.

Motta, inclusive, se antecipou ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre, que ainda não havia tomado posição definitiva. Com isso, consolidou protagonismo e ampliou a influência do Parlamento em temas sensíveis da agenda econômica. A articulação bem-sucedida de Motta mostra que o Congresso está disposto a ocupar espaços de poder que antes eram deixados à margem do debate, sobretudo em matéria tributária.

MODERADOR – O episódio também revela um STF cada vez mais confortável no papel de moderador político. Essa função, embora não descrita formalmente na Constituição, tem sido assumida pela Corte em diversos momentos da vida nacional, especialmente quando os conflitos entre os Poderes ameaçam paralisar o funcionamento do Estado. Moraes, nesse contexto, não apenas interpretou a lei, mas interferiu para preservar o equilíbrio institucional e evitar uma crise maior.

A decisão de buscar a conciliação é, portanto, um gesto que aponta para a importância do diálogo em tempos de tensão. Em um país que vive constantes sobressaltos políticos, mudanças abruptas no sistema tributário, como a elevação do IOF, não podem ocorrer sem o respaldo de um amplo consenso.

O dia 15 deverá marcar não apenas o desfecho de um impasse técnico, mas também um teste de maturidade institucional. Que desse encontro saia mais do que um acordo sobre alíquotas: que se fortaleça a prática democrática de resolver conflitos com conversa, e não com imposições.

Participantes sabem que eventos tipo Gilmarpalooza incluem problemas éticos

Gilmar Mendes encerra 'Gilmarpalooza' com alfinetada

Gilmar “fabrica” sua temporada anual de fama e sucesso

Hélio Schwartsman
Folha

Mais um ano, mais uma edição do Fórum Jurídico de Lisboa, o, que junta na capital portuguesa juízes de cortes superiores brasileiras, políticos, advogados e empresários. Vale registrar que o evento lisboeta, promovido por uma instituição de ensino de Brasília da qual o ministro Gilmar Mendes é sócio, é só um dos cada vez mais numerosos seminários internacionais que colocam magistrados brasileiros em convivência festiva com partes em processos.

Pode isso? Apenas insinuar que existe um problema ético nesses encontros deixa nossos valorosos juízes indignados.

JUSTIFICATIVAS – São múltiplas as linhas de defesa. Alguns dirão que não vão ao exterior para passear, mas para trabalhar. Outros lembrarão que o bom juiz é o que conversa com todos os setores da sociedade.

Qualquer que seja o argumento positivo usado para justificar a participação, eles rejeitam com veemência a sugestão de que possam estar “se vendendo” para os patrocinadores dessas viagens, cujos nomes muitas vezes são mantidos sob um manto de opacidade.

Não duvido que nossos juízes achem genuinamente que não trocam sua integridade por alguns dias de boca-livre. O problema é que o cérebro humano é menos rígido do que a consciência de magistrados.

PREDISPOSIÇÃO – A literatura psicológica ensina que viagens, refeições e até brindes de valor irrisório predispõem as pessoas em favor de quem dá o presente, mesmo que os regalados não se deem conta desse efeito.

Foram os médicos que nos ensinaram isso. Eles trabalham com prescrições, um material mais fácil de contar e controlar do que decisões judiciais. Numa metanálise clássica de 2000 que sempre cito, Ashley Wazana mostrou que pagar uma viagem para um profissional de saúde aumentava entre 4,5 e 10 vezes a probabilidade de ele receitar as drogas produzidas pela empresa patrocinadora.

Os médicos ao menos reconheceram que a influência de laboratórios é um problema e começaram a desenhar regras para tentar reduzi-la. A Justiça brasileira nem sequer reconhece que há aí uma questão ética.

Em busca do Nobel, Lula critica “o vácuo de liderança no mundo” 

No Brics, Lula mostrou que é mesmo candidato ao Nobel

Lucas Schroeder
da CNN

Ao discursar na abertura do Fórum Empresarial do Brics neste sábado (5), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o “vácuo de lideranças agrava as múltiplas crises enfrentadas por nossas sociedades”.

“O vínculo entre paz e desenvolvimento é evidente. Não haverá prosperidade em um mundo conflagrado. O fim das guerras e dos conflitos que se acumulam é uma das responsabilidades de chefes de Estado e de governo. É patente que o vácuo de liderança agrava as múltiplas crises enfrentadas por nossas sociedades”, disse Lula.

AGENTE MODERADOR – Desde o início de seu mandato, em janeiro de 2023, o chefe do Executivo busca inserir o Brasil como agente moderador diante de dois dos principais conflitos armados na Ucrânia e em Gaza.

“Estou certo de que este fórum e a Cúpula do Brics, que se inicia amanhã, aportarão soluções. Ao invés de barreiras, promovemos integração. Contra a indiferença, construímos solidariedade”, acrescentou Lula.

A abertura do evento neste sábado, teve ainda discursos do presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alvarez Alban, do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e do primeiro-ministro da Malásia, Anwar Bin Abrahim.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Em tradução simultânea, quando Lula afirma que “o vácuo de liderança agrava as múltiplas crises enfrentadas por nossas sociedades”, na verdade ele está querendo dizer que “a única liderança que o mundo tem hoje sou eu, que atuo para resolver os problemas de guerra e paz”. E quando ele diz que “o fim das guerras e dos conflitos que se acumulam é uma das responsabilidades de chefes de Estado e de governo”, na verdade ele está querendo dizer que “não esqueçam de mim na hora de escolher o Prêmio Nobel da Paz”. O mais incrível é que Lula até que estava indo bem. Só perceberam agora que ele está meio desequilibrado, quando decidiu imitar um grande acrobata que se exibiu para ele em Paris, a pedido do presidente Macron. Dona Janja ficou tão envergonhada que se recusou as acompanhar o marido nas últimos viagens internacionais, o que é um enorme sacrifício para ele. (C.N.)

Especialistas divergem sobre o IOF: Decisão de Moraes é derrota de Lula?

Moraes diz que Big Techs intimidaram o Congresso Nacional

Ninguém sabe o que se passa na cabeça de Moraes

Deu na CNN

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de suspender os atos do Executivo e do Legislativo sobre o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e convocar uma audiência de conciliação é vista como uma derrota para o governo, segundo especialistas ouvidos pela CNN.

Pela decisão de Moraes, a audiência deve acontecer no dia 15 de julho. O magistrado deu um prazo de cinco dias para que o governo esclareça os motivos para ter decidido aumentar o IOF e as razões pelas quais o Congresso derrubou a elevação do tributo.

DESAGRADO TOTAL – Como apurou a CNN, a resolução definida desagrada aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e membros da oposição. Na outra ponta, para o advogado constitucionalista André Marsiglia, a expectativa do governo Lula foi frustrada.

“O governo esperava apoio imediato, e a decisão pela conciliação, no mínimo, adia esse desejo e frustra o Executivo. No entanto, entendo que Moraes esteja apenas querendo construir uma imagem de moderação para, adiante, votar com o governo”, afirma Marsiglia. “Tem sido nesse sentido a jurisprudência recente da Corte.”

Na avaliação de Marco Antônio Teixeira, professor de Ciência Política da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV-SP), “a decisão do Supremo reforça algo que é a importância de fazer política”.

MELHOR CAMINHO – “É óbvio que o governo esperava uma decisão positiva, mas a atitude do Supremo é o melhor caminho para o país neste momento. Podemos dizer que o jogo volta ao zero a zero. Foi uma decisão conciliatória, positiva, que coloca a judicialização em outro patamar”, analisa.

Membros do governo da oposição se manifestaram após a decisão sobre o IOF ter sido expedida. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), verbalizou nas redes sociais que o Poder Executivo foi o “grande derrotado”.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a medida é “ótima para o país.” E o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a resolução tomada por Moraes está em sintonia com o desejo da Casa Legislativa.

SEM VENCEDORES – Segundo o cientista político Elias Tavares, não há vencedores. “O governo precisará justificar melhor sua proposta. O Congresso, que demonstrou força política, agora também terá que se comprometer com a construção de uma saída”, opina. “E o STF, ao assumir esse papel de mediador, acerta desde que saiba recuar assim que a política voltar a funcionar”, prossegue.

Para Tavares, a decisão não é uma derrota “completa”, mas expõe o governo federal. “Mostra que a União perdeu força para sustentar uma medida que ela estava tentando impor sem apoio político. Penso que o STF evitou um prejuízo ainda maior ao suspender tudo”, acrescenta.

De acordo com Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, embora a deliberação do ministro do Supremo ainda não possa ser vista como uma derrota ao governo Lula, é preciso estar atento ao que sugere o voto de Moraes.

DEPENDE DA DECISÃO – “O voto dele aponta que, se o governo teve apenas uma motivação arrecadatória, isso significaria um desvio de finalidade no decreto. Por isso, o decreto pode ser considerado inconstitucional. Ainda assim, o governo pode encontrar fontes, a partir desse diálogo, para fechar as contas neste ano. Tudo depende muito da decisão que será encaminhada”, completou Noronha.

Já Graziella Testa, doutora em Ciência Política pela USP (Universidade de São Paulo) e professora da FGV (Faculdade Getúlio Vargas), não enxerga a decisão como uma anulação ao Executivo — mas admite que foi um meio encontrado para “acalmar” a relação entre os Poderes.

“Na verdade, me parece que a via judiciária foi a solução encontrada para acalmar a relação entre Congresso e Executivo. Ainda que eu entenda que a estratégia de comunicação do governo e apoiadores possa ser eticamente questionável, parece ter afetado a decisão do Congresso de voltar à mesa de negociação”, afirmou Testa à CNN.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O problema maior é que ninguém sabe o que passa pela cabeça de Moraes. Como não há obstáculos capilares, as ideias circulam numa velocidade absurda e ninguém consegue acompanhar. (C.N.)

Brics sofre baixas em série e Lula tenta contornar cúpula esvaziada

No Rio, Lula participou de fórum empresarial do Brics | G1

Sem os principais líderes, reunião do Brics ficou desmotivada

Felipe Frazão
Estadão

Os negociadores do Brics concluíram neste sábado, 5, o debate para o grupo adotar uma manifestação de consenso na Cúpula do Rio. Eles contornaram impasses que dominaram discussão ao longo da semana sobre o comunicado que será emitido neste domingo, dia 6, em nome de suas lideranças políticas.

Diplomatas envolvidos nas discussões relataram que o Brics caminha para elevar o tom contra os ataques sofridos pelo Irã, mas não no teor que Teerã desejava. Insatisfeitos, diplomatas iranianos ouvidos pelo Estadão questionaram se esse era o momento para “moderação” do Brics, mas dizem que às vezes é preciso tempo.

QUESTIONAMENTO – Um dos iranianos chegou a mencionar que, se a Rússia estivesse à frente do Brics neste ano, em vez do Brasil, o entendimento seria outro, com maior enfrentamento aos Estados Unidos e a políticas de Donald Trump. Por sediar neste ano a COP-30, o Brasil inverteu a ordem com Moscou.

A versão final da Declaração de Líderes do Rio deve ser oficialmente adotada pelos líderes no primeiro dia da cúpula. O teor completo do documento ainda não é púbico. O principal entrave foi demover a pretensão do Irã de mencionar uma “condenação veemente” aos ataques aéreos realizados por “EUA e Israel”, além de criticar ataques apenas à infraestrutura civil iraniana, sem mencionar danos causados por seus mísseis balísticos em Tel Aviv, como antecipou o Estadão.

A delegação iraniana também manifestou insatisfação com o termo usado para se referir a Israel, que é classificado pela cúpula iraniana como “entidade” ou “regime” sionista – termos considerados ofensivos em linguagem diplomática, e que o Brics não adotaria.

MODERAÇÃO DIPLOMÁTICA – O Irã estava insatisfeito com o fato de o Brics ter emitido uma declaração que não citava Israel e os Estados Unidos, na semana passada, ao se pronunciar pela primeira vez sobre os ataques. O grupo expressou “profunda preocupação” com a ação militar, um termo moderado em linguagem diplomática.

O impasse com o Irã reforçou as dificuldades que Cúpula de Líderes dos Brics vem sofrendo, que reduzem seu peso político e podem afetar a repercussão de um dos eventos mais importantes da estratégia de inserção internacional do governo Lula. Durante a semana, o Palácio do Planalto admitiu a possibilidade de ausências, sobretudo de países do Oriente Médio, o que torna a reunião uma das mais esvaziadas dos últimos anos.

A diplomacia brasileira trabalhava para contornar o esvaziamento da reunião. Os negociadores tentavam evitar que a ausência dos principais líderes políticos atrapalhe consensos em temas sensíveis, como guerras, o tarifaço comercial e o acordo em torno da proposta de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A intenção da chancelaria brasileira é mandar um recado global pela “preservação do multilateralismo”.

RECUPERAR APOIO – Neste sábado, a presidência brasileira trabalhava para recuperar um apoio mais explícito ao Brasil e à Índia, no capítulo em que o bloco faz uma proposta de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ambos países almejam ocupar uma vaga permanente.

Um negociador afirmou que seria possível avançar em relação ao que ocorreu na Cúpula de Kazan, no ano passado, quando houve um revés para o País, por resistências da Etiópia e do Egito à menção conjunta de Brasil, Índia e África do Sul.

O principal entrave foi demover a pretensão do Irã de mencionar uma “condenação veemente” aos ataques aéreos realizados por “EUA e Israel”, além de criticar ataques apenas à infraestrutura civil iraniana, sem mencionar danos causados por seus mísseis balísticos em Tel Aviv, como antecipou o Estadão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Depois da derrocada na política interna, com a progressiva queda de popularidade de Lula, termina também o sonho da política externa. Perseguindo o Prêmio Nobel da Paz, Lula conseguiu antecipar sua gestão do Brics para este ano, mas deu tudo errado e agora o criador do petismo mostra quem daqui para frente, tem um encontro marcado com o fracasso. (C.N.)

Lula tem paixão pelo erro e quer usar Supremo para encurralar Congresso

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

J.R. Guzzo
Estadão

O governo Lula tem feito nestes dois últimos anos e meio um trabalho realmente notável para demonstrar que é possível, sim, cometer o erro perfeito. É mais ou menos como falam os meteorologistas quando precisam descrever uma daquelas tempestades em que tudo o que poderia acontecer de ruim com os elementos naturais acontece – e o resultado é a tormenta que chamam de “perfeita”, ou seja, pior não poderia ficar.

A última tempestade perfeita que o governo arrumou para si próprio, e que como sempre os brasileiros terão de pagar, é um golpe mal e porcamente planejado e ainda pior executado – o aumento do IOF.

TOLERÂNCIA ZERO – Conseguiram aí, mais uma vez, atingir um nível de tolerância zero com o acerto, como já tinha acontecido com a tentativa de “monitorar” o Pix e em geral acontece toda a vez que a “equipe econômica” resolve ter uma ideia.

O imenso tumulto que o governo Lula armou para aprovar o aumento do IOF, o que, aliás, não conseguiu até agora, é um case study em matéria de como não resolver um problema fiscal. Pense em alguma coisa errada que o governo poderia fazer; eles fizeram. Pense em alguma coisa certa, uma ao menos, que pudessem ter feito; eles não fizeram.

O governo quebrou o Brasil porque, muito simplesmente, gasta mais do que tem o direito de gastar – e, pior do que tudo, não gasta para melhorar nada, mas para enriquecer a máquina do Estado.

IMPOSTOS DEMAIS – Falta dinheiro no Tesouro Nacional não porque o governo esteja cobrando pouco imposto. Vai arrecadar mais de R$ 4 trilhões este ano. Tem feito um aumento de imposto a cada 40 dias. O brasileiro, hoje, tem de trabalhar cinco meses inteiros do ano só para pagar o Fisco.

Falta dinheiro porque o governo Lula executa hoje o maior programa de concentração de renda do mundo, transferindo o resultado da produção e do trabalho, cada vez mais, para os cofres do Estado.

É, ao mesmo tempo, uma estratégia de perpetuação da pobreza. O dinheiro que está entrando não é “redistribuído” para os pobres, como diz a extrema esquerda; nunca é. Serve apenas para enriquecer o Estado e quem vive às suas custas.

CORTAR GASTOS – Num País em que o salário médio da magistratura é de R$ 60.000 por mês, e em que a Força Aérea não tem dinheiro para encher o tanque de seus aviões, a única saída é cortar gasto – e o que há de gasto a ser cortado neste País não tem tamanho. Mas Lula aumenta o imposto. Perde por 383 a 98 a votação que bloqueia o aumento. Usa uma dúzia de deputados do Psol para anular a vontade desses 383. Põe a culpa de tudo nos “ricos”. Faz o pior discurso do ódio que há hoje na praça. Chama o STF para fechar, na prática, o Poder Legislativo. Aposta na violência. É a obsessão pelo erro.

Por que o Fluminense realmente foi o melhor dos brasileiros nesta Copa

Web se rende a Renato Gaúcho após nova vitória do Flu no Mundial |  Metrópoles

Renato soube armar uma equipe realmente competitiva

Tostão
Folha

Fluminense x Chelsea farão uma das semifinais do Mundial de Clubes. O Chelsea foi um pouco melhor que o Palmeiras na vitória por 2 a 1. O brasileiro João Pedro, recém-contratado pelo Chelsea, entrou no segundo tempo após chegar dois dias antes nos Estados Unidos e mostrou seu talento. Provavelmente, terá mais uma chance na seleção brasileira. Richard Rios foi novamente o melhor jogador do Palmeiras.

Fluminense e Al Hilal fizeram tudo igual. Utilizaram o mesmo esquema tático com uma linha de cinco (três zagueiros e dois alas), três no meio campo e dois no ataque, a mesma intensidade e estratégia, sem recuar nem avançar a marcação. Os dois times mostraram a mesma qualidade individual e coletiva, criaram as mesmas chances de gol, mas quem ganhou foi Fluminense por 2 a 1, nos detalhes técnicos e na explosão emocional.

TUDO IGUAL – Quase todos os times do mundial têm atuado com três zagueiros, o que não é habitual nas equipes brasileiras. As diferenças dos times na Copa do Mundo estão nos detalhes. O terceiro zagueiro do Real Madrid, Tchouaméni, quando o time recupera a bola, se adianta e se torna um meio-campista.

Uma equipe com três zagueiros pode ser defensiva ou ofensiva. Vai depender dos posicionamentos, da marcação mais adiantada ou mais recuada. Penso que a melhor estratégia de marcação é ainda a tradicional duas linhas de quatro, com poucos espaços entre as duas linhas. Cada defensor tem um protetor a sua frente. Muitos times jogam com uma linha de cinco atrás, mas com apenas dois ou três no meio campo para auxiliá-los. Isso facilita para o adversário trocar passes na intermediaria e chegar com a bola dominada perto da área para finalizar.

DEIXAM ESPAÇO – As equipes que jogam com três zagueiros e com os alas avançados, costumam deixar muitos espaços nas costas dos alas. Os zagueiros tentam sair na cobertura e, com frequência, chegam atrasados e deixam muitos espaços pelo centro.

No passado, o terceiro zagueiro jogava atrás dos outros dois para fazer a cobertura. Hoje, os três atuam em linha. É preciso separar também o zagueiro do passado que ficava atrás dos outros dois, do líbero que, além de fazer a cobertura, avançava e se tornava um meio-campista quando o time recuperava a bola. Beckenbauer foi o melhor dos líberos e um dos maiores jogadores da história.

Um dos recentes avanços do futebol é a mudança de estratégia de acordo com o adversário e, às vezes, em uma mesma partida, por situações inesperadas que acontecem e que não foram ensaiadas. Os grandes elencos e as atuais cinco substituições facilitam as trocas de jogadores e de esquemas táticos.

LEMBRANDO CLODOALDO – No Mundial de 1970, contra o Uruguai, o Brasil perdia por 1 a 0 e o meia Gérson, muito marcado individualmente, conversou com o volante Clodoaldo durante o jogo e sem falar com o técnico Zagallo, trocaram de posições.

Logo após, recebi uma bola na lateral e Clodoaldo partiu em velocidade, sem marcação, para recebê-la dentro da área e fazer o gol, o que não era habitual na função de volante.

Como o futebol mudou bastante e ficou muito mais veloz, penso que os treinadores deveriam abandonar o mito de que eles são essenciais durante as partidas nas laterais do campo para falar e gritar com os jogadores. Eles deveriam assistir ao jogo de cima de onde se enxerga melhor e daí conversariam com os auxiliares no campo.

Para o PL, só há um cenário em que Lula desistiria de tentar a reeleição

Lula decepciona lideranças do movimento negro que o apoiaram durante a  eleição

Crescimento de Tarcísio faz Lula até pensar em desistir

Bela Megale
O Globo

Lula vem reforçando o discurso de que será candidato à reeleição e que vai ser o primeiro presidente eleito quatro vezes no Brasil. O PL, de Jair Bolsonaro, avalia, no entanto, que existiria um cenário capaz de tirar o petista da disputa.

No grupo do ex-presidente, a candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-PB) ao Palácio do Planalto é vista como o único caminho com potencial para fazer com que Lula desista da corrida pela Presidência em 2026.

LULA NÃO DESISTE – Integrantes do governo relataram à coluna que não veem hoje disposição do petista para desistir da reeleição contra qualquer nome da direita. Eles também colocam dúvidas sobre a possibilidade de Tarcísio concorrer ao Palácio do Planalto.

Os próprios ministros de Lula consideram a reeleição dele sacramentada ao governo de São Paulo e avaliam que seria um erro Tarcísio entrar numa disputa contra Lula. Para eles, a derrota para o presidente, que tenta a reeleição, poderia “enterrar” o futuro político do pupilo de Jair Bolsonaro.

Já os bolsonaristas acreditam que, se Tarcísio se lançar, terá apoio dos demais governadores de direita que hoje trabalham para se cacifar como presidenciáveis, como Ratinho Júnior, do Paraná, Romeu Zema, de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, de Goiás.

APOIARÃO TARCÍSIO – No PL existe a expectativa de que, mesmo todos eles sendo de siglas distintas, esses governadores abrirão mão de concorrer contra o governador de São Paulo e até integrarão sua campanha.

O cenário traçado, inclusive, é que alguns deles façam parte de uma eventual gestão de Tarcísio como ministros, caso ele seja eleito.

No PL, a avaliação é que, se houver um apoio em massa em torno de Tarcísio, tanto de partidos do centrão como dos governadores, Lula pensaria duas vezes antes de arriscar ser derrotado na última vez que concorrerá à Presidência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A essa altura do campeonato, especular é preciso. Mas deve-se levar em conta que Lula está com prazo de validade vencido e será um risco concorrer com 81 anos. Quanto a Bolsonaro, mais moço, terá 72 anos, mas está inelegível e com a saúde abalada. Ao invés de imbrochável, ele agora está imprestável. (C.N.)

“Pensando em Ti”, uma canção imortal, de David Nasser e Herivelto Martins

David Nasser era capaz de produzir uma letra de música em questão de  minutos - Jornal Opção

Herivelto Martins e David Nasser

Paulo Peres
Poemas & Canções

O  jornalista, escritor e letrista David Nasser (1917-1980), nascido em Jaú (SP), em parceria com Herivelto Martins, é autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “Pensando em ti “, cuja letra, através de hipérboles, destaca uma paixão desmesurada. Este samba-canção foi gravado por Nelson Gonçalves, em 1957, pela RCA Victor.

PENSANDO EM TI
Herivelto Martins e David Nasser

Eu amanheço pensando em ti
Eu anoiteço pensando em ti
Eu não te esqueço,
É dia e noite
Pensando em ti

Eu vejo a vida
Pela luz dos olhos teus
Me deixe ao menos
Por favor pensar em Deus

Nos cigarros que eu fumo
Te vejo nas espirais
Nos livros que tento ler
Em cada frase tu estás

Nas orações que eu faço
Eu encontro os olhos teus
Me deixe ao menos
Por favor pensar em Deus

Ao mandar ao Supremo o caso do IOF, Lula preferiu um jogo de perde-perde

A imagem mostra um grupo de pessoas em um evento. Em primeiro plano, um homem de cabelo grisalho e barba branca, vestindo uma camisa clara e um paletó escuro, parece pensativo. Ao fundo, outras pessoas estão visíveis, algumas com expressões neutras, e outras em conversação. A iluminação é suave e o ambiente parece ser interno.

Desorientado e sem assessoria, Lula comete erros sucessivos

Elio Gaspari
O Globo

Existe um mau espírito em Brasília e ele às vezes captura o presidente, fazendo com que exacerbe as crises que entram no Palácio do Planalto. Com Bolsonaro, o mau espírito fez a festa, levando-o a falar em “meu Exército”, louvar a cloroquina e demonizar as vacinas. Lá se foi o tempo de Fernando Henrique Cardoso, quando as crises entravam gordas no Planalto e saíam magras.

Lula decidiu levar ao Supremo Tribunal Federal a questão do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras. Seja qual for a decisão do STF, o governo de Lula perde.

TUDO ERRADO – Se perder, perdeu, se ganhar terá que lidar com um Congresso ferido. Tudo isso por causa de um aumento de imposto incentivado na sanduicheria do Ministério da Fazenda, sem que fossem ouvidos o Banco Central e ministros que cuidam da imagem do governo.

Se os çábios da Fazenda tivessem mais humildade, teriam tirado o combo do escurinho de Brasília, ouvindo colegas do governo buscariam outras ideias.

O aumento do IOF foi um “combo” (nas palavras do ministro Fernando Haddad), para compensar uma perda de arrecadação na busca de equilíbrio das contas públicas. No sanduíche viria também um corte de gastos. O “combo” desandou, e o governo tentou, sem sucesso, negociar uma gambiarra. Não conseguiu e resolveu ir para o tudo ou nada no plenário.

NADA OU NADA – Na realidade tratava-se de um nada ou nada, pois o presidente da Câmara tinha avisado que não havia votos suficientes para aprová-lo. Batido, o mau espírito convenceu Lula a zangar-se com Hugo Motta e a levar a crise para o Supremo.

Ao escalar Motta para bode expiatório, a turma da Fazenda e uma parte do Planalto resolveram ampliar a crise. Terão de lidar com um aliado ferido.

Na retórica oficial, a ida ao STF pretende defender uma prerrogativa constitucional do Poder Executivo. No recheio de um novo combo, enfiaram também uma hipotética defesa do andar de baixo.

E AS PROMESSAS? – Contem outra, doutores. Apesar da promessa de Lula na sua posse, a fila dos segurados do INSS chegou a 3,9 milhões. Desde 2019 (governo Bolsonaro) milhares de aposentados vinham reclamando das tungas que tomavam de entidades fraudulentas.

Até a metade deste ano os larápios tiveram mão livre e roubaram bilhões de reais de milhões de segurados.

Uma medida provisória publicada no último dia 11 mexeu no prazo do auxílio-doença concedido a partir de uma análise documental. O segurado podia receber seu benefício por 180 dias. Agora, só o receberá por 30 dias. Passado esse prazo, deverá conseguir uma perícia médica presencial ou ser atendido por um serviço de telemedicina.

CONGRESSO CONSERVADOR – Antes mesmo da sua vitória no segundo turno, Lula sabia que os eleitores haviam escolhido um Congresso conservador, com uma banda feroz. Ele prometia amortecer essa desdita conversando com parlamentares, mas jogou as palavras ao vento.

No perde-perde em que se meteu, o melhor resultado para a encrenca seria perder no tribunal. Ganhando, levará água para a banda feroz, às vésperas de um ano eleitoral, com um governo em viés de baixa junto à opinião pública. Uma receita para novos desastres.

Crédito imobiliário para classe média: promessa eleitoral ou armadilha econômica?

Mudança de regime no Irã é aceitável se ocorrer lá dentro e na direção certa

João Pereira Coutinho
Folha

Um espectro ronda o Oriente Médio — o espectro do neoconservadorismo. Com a guerra no Irã e os bombardeios americanos contra as centrais nucleares do país, não faltam especialistas em pânico: “Os ‘neocons’ estão de volta!” Será que os erros do Afeganistão e do Iraque vão se repetir? Só Deus sabe, meus filhos — e eu não ponho a mão no fogo por nenhum ser bípede.

Mas, até agora, há uma diferença entre impedir que a teocracia milenarista dos aiatolás consiga uma bomba nuclear e querer instalar em Teerã uma democracia ao estilo ocidental. Sim, em teoria, eu gostava que ambas fossem possíveis. Quem não gostaria?

INTERFERÊNCIAS – Mas também sei, na prática, que as interferências externas na política interna da região produziram mais desastres que triunfos. E não é preciso citar os casos óbvios do Afeganistão e do Iraque porque o mundo não começou ontem.

O historiador Fawaz Gerges, no seu “What Really Went Wrong: The West and the Failure of Democracy in the Middle East”, ajuda a compreender os fracassos democráticos do Oriente Médio pela ação direta que os Estados Unidos tiveram na região.

Não compro todas as teses de Gerges, que manifestamente subestima o antissemitismo brutal dos países árabes como causa dos seus infortúnios. Um exemplo: se, em 1947, a Liga Árabe tivesse aceitado o Plano de Partição da ONU para a Palestina, talvez o rio de sangue que corre desde então tivesse secado na origem.

LIÇÃO DO AVISO – Também não endeuso, como ele faz, líderes megalômanos como o egípcio Gamal Abdel Nasser, um dos principais responsáveis pela guerra de 1967. Mas os capítulos que Gerges dedica ao Irã são oportunos para o momento presente. Servem como lição de aviso.

Depois da Segunda Guerra Mundial, escreve o autor, o Irã poderia ter seguido um caminho diferente — mais democrático, mais justo, mais pluralista.

Essa era, ao menos, a intenção do primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, que começou a agitar os interesses britânicos ao nacionalizar o petróleo iraniano em benefício do próprio país. Foi seu primeiro “pecado”. O segundo foi a aproximação aos comunistas locais como forma de sobreviver politicamente à contestação crescente do exército e da monarquia Pahlavi contra ele.

COM EIKE NO PODER – No contexto da Guerra Fria, e com a mudança da guarda em Washington — Eisenhower substituindo Truman —, as ousadias de Mossadegh terminaram num golpe de Estado em 1953, orquestrado pela CIA. Os interesses econômicos e geoestratégicos estavam salvaguardados.

Como se não bastasse, os americanos continuaram apoiando a ditadura do xá Reza Pahlavi — que justificava seu autoritarismo com uma frase célebre: “Quando os iranianos aprenderem a se comportar como os suecos, eu vou me comportar como o rei da Suécia.” Nos entretantos, a repressão aumentava, o descontentamento social também —e, em 1979, quando o país estava pronto para uma revolução, foram os clérigos medievais de Khomeini, então no exílio, que colheram os frutos do desencanto. A oposição democrática ao xá estava na prisão —ou no cemitério.

MORAL DA HISTÓRIA? – O futuro do Irã, ontem como hoje, deve ser decidido pelos próprios iranianos. Se uma ação militar de Israel ou dos Estados Unidos acabar criando condições para que o povo se liberte de seus opressores, tanto melhor.

A chamada “mudança de regime” pode até ser desejável — desde que venha de dentro, e que vá na direção certa.

O neoconservadorismo que abalou o mundo no início do século 21, no entanto, era de outra natureza: uma espécie de trotskismo de direita, promovido por ex-trotskistas que jamais abandonaram o “universalismo revolucionário” da juventude. Substituíram o marxismo pela democracia liberal — mas mantiveram a fé na transformação global pela força.

IR ALÉM – Para eles, não bastava perseguir os responsáveis pelos atentados de 11 de Setembro ou os regimes párias que os acolhiam. Era preciso ir além. Ocupar militarmente o Afeganistão —e, pior ainda, o Iraque—, interferir em realidades sectárias das quais pouco ou nada compreendiam — e esperar, sentados, que a democracia florescesse nas areias do deserto como uma flor cheirosa e vistosa.

O resultado foi trágico. Pior ainda: foi irônico. O Irã emergiu como potência regional, o Iraque caiu na guerra civil latente e o Afeganistão recebeu de volta o Talibã para uma nova ronda de abuso e obscurantismo.

Remover a ameaça nuclear iraniana e, como bônus, permitir que os iranianos escolham seu próprio destino já é tarefa bastante ambiciosa. Pedir mais, na história do Oriente Médio, é sempre pedir demais.

Marcada para 2026, essa guerra de extermínio começou antes da hora

É Guerra! : r/brasil

Charge do Aroeira (Brasil 247)

Dora Kramer
Folha

Governo e Congresso não têm nada a ganhar com uma ruptura em tempo ainda de indefinição eleitoral. A fotografia do momento é de confronto sem solução boa à vista. Ocorre, porém, que há muito filme a ser rodado e por isso os personagens desse enredo eleitoral não devem ir agora ao tudo ou nada. Ainda não é hora.

Não interessa à direita nem à esquerda partir para um embate cujo desfecho depende de muitas variáveis. Luiz Inácio lula da Silva (PT) não tem certeza se vale a pena tentar a reeleição e Jair Bolsonaro (PL) precisa decidir o que fará quando e se vier a provável condenação por tentativa de golpe de Estado.

SEM URGÊNCIA – A base parlamentar desalinhada também não tem essa urgência toda em se definir pelo abandono de ministérios e demais cargos que bem ou mal lhe dão acesso a uma parte considerável da máquina pública.

Ao presidente tampouco convém fazer demissão em massa dos amigos da onça. Ainda precisa deles para aprovar as bondades eleitoreiras que aguardam votação no Congresso, das quais os adversários querem ser parceiros.

Da mesma forma como a então oposição ao governo anterior aprovou a gastança de Bolsonaro em 2022, por impossibilidade de dizer não a medidas populares.

MORDE E ASSOPRA – O mais provável é que daqui até o início da fase de definições, no início de 2026, sigam governo e oposição, direita e esquerda, em ritmo de morde e assopra. Atualmente a batalha se dá no Congresso, mais adiante a luta ocorrerá fora dele.

Quando se desenharem com mais nitidez as candidaturas, aí sim a luta começa de verdade. As posições, no entanto, estão marcadas.

Na boca de cena, atacam-se, mas no bastidor considera-se mais razoável que prevaleça a prudência política em prol de um entendimento provisório.

CPMI DO INSS – Nenhum dos lados está pronto para uma guerra de extermínio em que passos em falso podem dar vantagem ao campo adversário. Embora difícil, a recuperação da popularidade de Lula não é uma hipótese a ser descartada.

De outro lado, haverá a instalação da CPMI do INSS, cujo potencial de estrago em clima de conflagração será tanto maior para o governo quanto menor for o apoio que tiver no Congresso.