Será uma eleição estranha, porque muitos candidatos têm chances de vencer

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Depois do vendaval do impeachment de Dilma Rousseff e da ascensão e inevitável queda do “quadrilhão” do PMDB, esta será mesmo uma eleição bem diferente. Para início de conversa, muitos candidatos têm chances concretas de vencer, como Jair Bolsonaro (PLS), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Alvaro Dias (Podemos) e até Henrique Meirelles (PSD), sem falar na possibilidade de Lula eleger outro poste e nas ainda aventadas candidaturas de Joaquim Barbosa, Luciano Huck e Guilherme Boulos, que pode ser apoiado pelo PT, não esqueçam. Quanto a Rodrigo Maia, não é nem será candidato a presidente.

Por enquanto, não se pode avaliar o verdadeiro potencial de cada um, porque eleição no Brasil depende muito da propaganda pela televisão, e o espaço de cada um na telinha somente será decidido na reta final, quando forem fechada$ as coligações.

COLIGAÇÕES – As alianças entre partidos desta vez são fundamentais, porque candidatos fortes, como Jair Bolsonaro e Marina Silva, dispõem de poucos segundos no horário eleitoral. Ciro Gomes e Alvaro Dias têm um pouco mais de tempo, porém ainda insuficiente para enfrentar os grandes partidos.

Temer sonha em ser candidato pelo PMDB, certamente ter dificuldades para fechar coalizões, mas dispõe de um bom espaço na TV. Os candidatos do PT e do PSDB estão na mesma situação.         

Entre os candidatos das legendas de porte médio, Meirelles é o melhor situado, seu espaço na TV está garantido, e ele pretende investir pesado para fazer alianças com partidos nanicos, se não for traído pelo PSD, um partido inconfiável. Meirelles acha que tem chance, por não ser um político profissional. Pode ser, mas por enquanto está muito difícil.      

APOIOS COBIÇADOS – Nesse jogo de interesses subalternos que movimenta os bastidores da política, as coligações custam caro e não dependem de ideologia. No momento, os partidos mais assediados são PP, PR, DEM, PRB, Solidariedade, PSC e Pros, não necessariamente nesta ordem. Quanto ao PTB, Roberto Jefferson ainda quer apoiar a reeleição de Temer, mas pode mudar de ideia a qualquer momento, porque sua liderança é cada vez mais contestada e já existe ameaça de uma rebelião interna.

Por fim, não se pode analisar essas eleições sem levar em conta a existência de um clamor surdo da maioria silenciosa, que parece disposta a apoiar um nome que tenha poucas ligações com a política ou que esteja disposto a bater pesado nos políticos profissionais. Por enquanto, o quadro ainda é esse, muito confuso e estranho.

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P.S. –
Por incrível que pareça, Temer continua animado com sua candidatura. Precisa desesperadamente ser reeleito, para manter o foro privilegiado e escapar da cadeia. Ele supõe que possa ganhar popularidade se continuar a aparecer a todo momento na TV e a abrir as torneiras do Tesouro para a grande mídia, inserindo na telinha até anúncios da FAB, vejam a que ponto chegamos. Cá entre nós, Temer é o maior exemplo de que sonhar não é proibido, mas no caso dele será pesadelo na certa. (C.N.)

Apoio de Moraes à prisão em segunda instância desmonta o esquema de Temer

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Moares surpreendeu, ao dar o grito de independência

Carlos Newton

Às vésperas do carnaval, o país viveu uma terça-feira gorda, com palpitantes notícias da área política. No Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre Moraes surpreendeu os analistas ao votar categoricamente a favor da execução antecipada da pena após condenação confirmada por um tribunal de segunda instância. Menos de um ano após assumir a vaga de Teori Zavascki, a decisão de Moraes desempatou um julgamento difícil e está mandando para a cadeia o deputado João Rodrigues (PSD-SC), condenado por um crime cometido em 1999, quando passou 30 dias como prefeito interino de Pinhalzinho (SC). Ele foi processado por fraude em licitação, ao autorizar, de forma ilegal, a compra de uma escavadeira para a prefeitura, no valor de R$ 40 mil, à época.

O voto de Moraes representa uma sentença de morte para seu grande amigo Michel Temer, que o transformou em celebridade, ao nomeá-lo para o Ministério da Justiça e depois para o Supremo. Até agora, Moraes vinha votando do jeito que o presidente gosta, mas de repente chutou o balde e está desmontando o esquema montado por Temer para ser reeleito e continuar no poder.

LOURES E GEDDEL – Embora continue sendo investigado em vários inquéritos no Supremo e na primeira instância federal, conforme já analisamos aqui na “Tribuna da Internet”, Temer tinha conquistado o silêncio de dois importantes réus da Lava Jato, intimamente ligados a ele – o ex-assessor Rocha Loures e o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Os dois estão previamente condenados – Loures, por ter entregado a mala de dinheiro e se transformado em réu confesso; Geddel, pelos R$ 51 milhões encontrados com suas digitais e de assessores. A única alternativa que lhes resta, para diminuir as penas, é a delação premiada. Mas o Planalto conseguiu silenciá-los, ao lhes prometer que a prisão após segunda instância seria anulada, eles ficariam soltos, os processos se eternizariam e as penas acabariam prescrevendo.   

APOIO DOS ADVOGADOS – Nessa artimanha, o Planalto obteve o apoio entusiástico dos advogados de Loures e Geddel, que querem mais é que os processos se eternizem, para continuarem faturando.

Mas agora tudo mudou. O incisivo voto de Alexandre de Moraes virou o jogo no Supremo e voltou a prevalecer o cumprimento de prisão antecipada após condenação em segunda instância.

É um golpe praticamente mortal no esquema para abafar a Lava Jato, que agora fica adstrito à possibilidade de se aprovar uma anistia a todos os envolvidos, conforme revelou recentemente o jurista Jorge Béja, em artigo exclusivo para a Tribuna da Internet, ao revelar a possibilidade concreta de um “acordão” entre os três Poderes da República.  

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P.S. 1 –
Este “acórdão” aparentemente é até fácil de obter, porque a anistia está prevista na Constituição e pode ser aprovada no Congresso por maioria absoluta (metade mais um).

P.S. 2 – Para quem estranhou a posição da ministra Rosa Weber, esclareça-se que este seu voto não foi exatamente contra a prisão em segunda instância. Ele se posicionou assim em função de peculiaridades do caso, mas fez questão de dizer que tem se manifestado sempre a favor do cumprimento da jurisprudência atual, que impõe a prisão após segunda instância.

P.S. 3 – Por fim, Loures e Geddel, se tiverem um mínimo de massa encefálica, agora vão seguir o exemplo de Moraes e descolar de Temer, para não serem sepultados junto com ele. (C.N.)

Lava Jato investiga Temer em vários inquéritos, para inviabilizar sua reeleição

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

O presidente Michel Temer parecia ser um político de sorte. Em seis campanhas para deputado, só conseguiu votação expressiva em uma delas (2002), quando foi o sexto candidato mais votado de São Paulo. Em outras três (1986, 1990 e 2006), ficou como suplente, mas sempre dava um jeito para assumir. Apesar de ser discreto, antipático e autoritário, desde o primeiro mandato, em 1987, mostrou ser um mestre nos bastidores e se tornou um dos políticos mais importantes do país, como presidente do PMDB e da Câmara dos Deputados. Depois, em novo golpe de sorte, virou presidente da República, devido ao impeachment de Dilma Rousseff, em maio de 2016.

Nos últimos tempos, seu envolvido com esquemas de corrupção ficou mais do que comprovado, porém a sorte continuava protegendo Temer. Mesmo denunciado duas vezes pela Procuradoria-Geral da República, ele conseguiu comprar apoio na Câmara para evitar o afastamento do cargo e os processos criminais. A facilidade foi tamanha que Temer julgou ter escapado ileso e passou até a sonhar com a reeleição à Presidência. Mas estava enganado. Pode até se candidatar, mas não terá a menor chance de ser eleito, porque vai ser destruído pela Lava Jato.

INVESTIGAÇÃO MASSIVA – Seria ilusão achar que as investigações sobre Temer iriam ser interrompidas devido à posição firme da Câmara, que por ampla maioria suspendeu os dois processos contra ele. Mas as aparências enganam muito na política.

Conforme acentuamos diversas vezes aqui na “Tribuna da Internet”, a força-tarefa da Lava Jato jamais aceitou a blindagem política de Temer. Os procuradores e delegados federais fizeram exatamente o que o presidente não esperava e continuaram a apurar os crimes dele, mas de forma indireta. Assim, quando a força-tarefa investiga indiciados ou réus ligados a ele, como os ex-assessores Rocha Loures e José Yunes, ou os demais membros do chamado “quadrilhão” do PMDB, é claro que Temer também está sendo alvo das apurações, embora o Supremo esteja formalmente impedido de processá-lo.

E as frentes são múltiplas, porque Temer é alvo também em outros processos, referentes às empresas Odebrecht, JBS e Rodrimar, em investigações que são prioritárias e estão caminhando com celeridade.

PORTO DE SANTOS – A nova intimação do coronel João Batista Lima Filho, amigo e ex-assessor de Temer, é mais um capítulo da novela destinada a incriminar o presidente da República e evitar sua reeleição em outubro.

A força-tarefa já descobriu que, ao atuar como operador de Temer, o coronel aposentado da PM mantinha contatos com Joesley Batista, Moreira Franco e Jose Yunes. E o celular dele registra 12 conversas telefônicas feitas entre Lima e o presidente, entre abril de 2016 e maio de 2017.

É apenas o começo. Daqui para frente, a força-tarefa vai soltar sucessivas informações envolvendo Temer com atos de corrupção. O objetivo é desmontar a chamada operação Abafa, arquitetada nos três Poderes para inviabilizar a Lava Jato, a partir da iniciativa em curso para derrubar as prisões após condenação em segunda instância.

NOS BASTIDORES – É uma briga espetacular, tipo “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, que corrói Brasília por dentro. O núcleo duro do Planalto – Temer, Padilha e Moreira – achou que poderia abafar a Lava Jato com apoio de seus aliados no Congresso e no Supremo, mas foi ilusão à toa, como diria Johnny Alf.

Na verdade, a Lava Jato tornou-se um fenômeno incontrolável, irrefreável e indomável, que mostra a força da nova geração da Justiça Federal, do Ministério Público e da Receita, que se uniram para moralizar o país.

O fato concreto é que a geração ainda no poder fracassou inteiramente e conseguiu tolher o desenvolvimento socioeconômico da nação de maior potencial do mundo. Por isso, é recomendável que confiemos na capacidade dos mais jovens, até porque o futuro pertence a eles, e não a nós.   

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P.S.A sorte já abandonou Temer. E quem tentar se aliar a ele vai se arrepender. Vejam o que está acontecendo a Roberto Jefferson e à filha dele. Se não abandonarem logo Temer e se fingirem de mortos, vão sucumbir abraçados a ele. É incrível que um político experiente e esperto como Jefferson ainda não tenha percebido o que está acontencendo. (C.N.) 

Baixo nível dos comentários na TI é marca registrada do início do ano eleitoral

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Charge do Genildo (genildoronchi.blogspot.com)

Carlos Newton

Nosso querido amigo Antonio Carlos Fallavena nos manda mensagem estranhando o baixo nível de muitos comentários que são feitos a artigos e reportagens aqui na “Tribuna da Internet”, e respondemos que isso ocorre em todo ano eleitoral. Além dos comentaristas habituais, o blog é invadido por “agentes infiltrados”, que geralmente são profissionais da política, remunerados para defender este ou aquele partido ou candidato, conforme Antonio Santos Aquino mencionou recentemente. Isso é normal, faz parte da prática política, eu diria que se trata de cabos eleitorais cibernéticos.   

Temos de conviver com essa participação radical e manipuladora, a saída é seguir em frente, na esperança de que a TI continue a ser uma plataforma para troca de opiniões, em termos democráticos e sem ofensas.

ALIJAMENTOS – Nesta linha de raciocínio, gostaria de falar um pouco sobre alguns comentaristas que se excederam na defesa de suas teses e acabaram sendo alijados do blog, mas não se conformaram. Apesar da existência de milhares de opções na web, estranhamente eles continuam fiéis à “Tribuna da Internet”, embora cada um adote postura diferenciada.

O conhecido jornalista Virgilio Tamberlini, por exemplo, continua a frequentar a TI sob diversos pseudônimos. Outros comentaristas já perceberam e até interagem como ele. E há vários outros que também continuam enviando grande número de comentários a cada dia, mas seguem a linha da ofensa e da revanche.

INDULTO – Embora eu esteja meio afastado do blog, por recomendação médica, e o trabalho mais pesado esteja sendo feito pelo jornalista Marcelo Copelli, decidi fazer uma inovação e reintegrar o comentarista Virgilio Tamberlini, que está recebendo um Indulto de Carnaval.

A partir de hoje, Virgilio pode voltar a escrever e será bem-vindo, desde que não ofenda os demais participantes nem se comporte como se o blog dele dependesse, até porque não depende de ninguém, conforme Marcelo Copelli está demonstrando ao segurar a peteca com grande maestria, no bom sentido. Como sempre, bobagens e ofensas não serão aceitas. De resto, todos podem opinar à vontade.

BALANÇO DE JANEIRO – Como sempre fazemos a cada mês, vamos publicar agora a relação das contribuições feitas ao blog em janeiro, na conta da Caixa Econômica Federal, agradecendo muito estas colaborações.

DIA    REGISTRO    OPERAÇÃO         VALOR
02      002915         DP DINH AG        100,00

02      021328         DP DINH LOT         52,00
08      002915         DP DINH AG        100,00
09      091016         DP DINH LOT         50,00
10      101122         DP DINH LOT         20,00
15      002915         DP DINH AG         100,00
17      171034         DP DINH LOT          50,00
17      171142         DP DINH LOT        150,00
22      004775         DP DINH AG          100,00
26      261142         DP DINH LOT        230,00
30      301322         DP DINH LOT        170,00

Agora, agradecemos às contribuições feitas na conta do Banco Itaú/Unibanco

02      TBI 2958.07601-TRIBUN           30,00
02      TED 001-5977 JOSEANTON      200,00
05      TED 001.4342 APOENAR          200,00
08      CEI 000151 DINH                         30,00
12      TED 001.446 MARIOACRO       250,00
30      TED 033.3591 ROBERTOSNA   200,00
31      TBI 0406.49194.4  C/C            100,00 

Nesta campanha eleitoral, é fundamental rediscutir o Brasil. Mas quem se interessa?

Resultado de imagem para rudolf von ihering frasesCarlos Newton

Ao editar mais um artigo de Percival Puggina contra o pensador Karl Marx, neste sábado, algumas reflexões me vieram à cabeça. Sou admirador de Marx e, mais ainda, de seu companheiro Friedrich Engels, que era de uma família rica e, ao defender os trabalhadores, lutava contra seus próprios interesses pessoais. Com toda certeza, Marx e Engels ajudaram a melhorar o mundo, e foi pena que suas ideias tenham sido manipuladas e deturpadas por muitos seguidores, que se tornaram déspotas da pior espécie.

E assim, mesmo sendo marxista, há anos tenho publicado aqui os artigos de Puggina. Não conhecia este intelectual gaúcho e fui apresentado aos artigos dele pelo engenheiro Carlos Germani, que foi responsável pela existência da “Tribuna da Internet”. Quando o blog ia deixar de circular, em 2009, ao perder o patrocínio, foi Germani que me mandou um e-mail, sugerindo que a TI fosse mantida por contribuições, como já ocorria com outros blogs, no mesmo esquema que durante o regime militar tinha preservado a imprensa de oposição (“Movimento”, “Opinião” etc.).

SOMOS IGUAIS – Ao refletir sobre marxismo e capitalismo, lembrei o comovente conto “Duas Cavalgaduras”, de Lima Barreto, e o adaptei à política dos dias de hoje, porque eu e Puggina somos duas cavalgaduras – no meu caso, por admirar o marxismo; no dele, por defender o capitalismo.

Eu sei que estou certo; ele, também. Mas tenho esperanças de que as paralelas realmente se encontrem no infinito, quando a humanidade enfim saberá viver sob o regime político ideal, que será uma mistura e poderá ser chamado de neocapitalismo ou neomarxismo.

REGIME MODERNO – Já existe esta tendência nos países nórdicos, onde o frio intenso impõe a solidariedade que levou ao socialismo moderno, com uma melhor qualidade de vida das populações. No Brasil de hoje, como infelizmente não há maturidade política para discutirmos uma evolução mais rápida, proponho que simplesmente esqueçamos marxismo e capitalismo, para que passemos a lutar apenas pelo que é certo.

No momento atual, o certo é discutir abertamente a dívida pública e a Previdência Social, sem admitir ressalvas a militares e que tais. São os dois principais desafios. É preciso exibir claramente os números e ouvir especialistas, especialmente os auditores, a começar pela especialista Maria Lucia Fattorelli.

Ao mesmo tempo, discutir a redução das desigualdades, com a moralização do serviço público, o fim dos falsos direitos adquiridos e dos penduricalhos salariais, incluindo a extinção dos carros chapa-branca e dos cartões corporativos, para redução dos gastos públicos e possibilitar os necessários investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança.

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P.S. 1 –
Esta discussão, é claro, precisa abranger também a moralização das empresas estatais, através da obrigatoriedade de gestões profissionais, sem influência política; a mudança dos critérios de escolha dos ministros de tribunais superiores; o maior rigor das leis criminais; e a modernização do sistema carcerário.

P.S. 2 – Mas quem se interessa por este tipo de discussão, neste país em transe, onde as pessoas têm medo de sair às ruas e de viver livremente. Bem, como estamos em campanha eleitoral, pode ser que algum candidato se disponha a abordar esses palpitantes temas. (C.N.)

Se arrependimento matasse, Roberto Jefferson já não estaria entre nós

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Jefferson chorou ao “nomear” sua filha Cristiane

Carlos Newton

O advogado Roberto Jefferson ficou famoso no programa “O Povo na TV”, de Wilton Franco, em 1981, e no ano seguinte conseguiu se eleger deputado federal pelo PTB. Em 2003, com a morte do deputado paranaense José Carlos Martinez, passou a presidir o partido e se tornou uma espécie de “dono” da legenda, que permaneceu sob seu controle até mesmo durante período em que esteve preso por dois anos e um mês, por causa do mensalão, escândalo que ele próprio denunciara. Tendo recuperado os direitos políticos, Jefferson voltou à política e agora será candidato a deputado federal por São Paulo.  

Tudo corria muito bem para ele, que se tornara um dos políticos mais próximos ao presidente Temer. Até que cometeu o maior erro de sua vida política. Indicou a filha Cristiane Brasil para ser ministra do Trabalho, e o bode que deu vou te contar, como dizia o jornalista Sérgio Porto.

SARNEY ATRAVESSOU – O culpado de tudo foi o ex-presidente José Sarney, que em dezembro vetou a nomeação do deputado maranhense Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho. Sem outro nome, Jefferson teve a infeliz idéia de indicar a própria filha, a deputada Cristiane Brasil, mesmo sabendo que ela só poderia ficar no cargo até 6 de abril, porque será candidata à reeleição pelo PTB do Estado do Rio.

Quando o presidente Michel Temer aceitou a indicação, no dia 3 de janeiro, Jefferson caiu no choro, parecia uma refilmagem de “Os Brutos Também Amam”, do genial diretor George Stevens. Emocionado, disse aos jornalistas que a nomeação da filha iria “limpar o nome da família”, que ficou enlameado desde o julgamento do mensalão.

Jefferson estava enganado. O nome da família já estava sendo limpo pela passagem do tempo. Além disso, o fato de ter denunciado o mensalão criou uma aura de simpatia em torno de Jefferson, tudo ia bem, mas a nomeação de Cristiane só resultou num gigantesco emporcalhamento.

DEU TUDO ERRADO – Se arrependimento matasse, o presidente do PTB não estaria mais entre nós. A nomeação foi uma ideia tenebrosa, porque a vida de Cristiane Brasil passou a ser devassada pela imprensa e pelos adversários políticos de Temer. Com uma simples pesquisa na internet, foram imediatamente descobertos os dois processos trabalhistas contra a futura ministra, e começou o vaivém, com a posse sendo programada e suspensa duas vezes, um vexame total.

Deu tudo errado para Jefferson, para Cristiane e para Temer. O acerto era de que PTB apoiaria a reeleição de Temer, a ministra Cristiane ficaria no governo até o final do mandato e depois seria nomeada novamente, caso Temer vencesse, porque sonhar ainda não é proibido nem paga imposto.

DENÚNCIA RASTEIRA – Agora, surge o Estadão com a notícia da investigação envolvendo Cristiane Brasil sobre associação com narcotráfico. A denúncia é fraca e rasteira, porque na época Cristiane nem foi candidata. Mas isso não importa, porque o estrago foi enorme.

Não adianta dizer que campanha eleitoral no Rio de Janeiro é assim mesmo, porque, se não houver autorização do tráfico, nenhum candidato sobe o morro,  afixa cartazes e distribui santinhos.

A investigação sobre o assunto estava parada, mas agora, num passe de mágica, logo chegou ao Supremo, porque os inimigos de Temer também sabem jogar o mesmo jogo sujo em que ele é especialista.

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P.S. –
E por falar em jogo sujo, está ridícula a tentativa de difamar o juiz Moro com a história do auxílio-moradia. O que se deve fazer é uma campanha para moralizar o serviço público, instituir plano de carreira, acabar com os penduricalhos salariais e com o cartão corporativo. Em muitas profissões, especialmente no Judiciário, não existe mais piso de carreira e progressão funcional. Isso é um escárnio ao contribuinte que paga a conta.. Mas quem se interessa? (C.N.)      

Planalto, Congresso e Supremo se unem novamente para inviabilizar a Lava Jato

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Não se pode desconhecer a existência dos fatos. Na polêmica que envolve a prisão de condenados após segunda instância, por exemplo, não há mais a menor dúvida de que é apenas uma questão de tempo. A verdade é que os três Poderes da República estão unidos e dispostos a mudar a jurisprudência do Supremo. Esta é uma das principais iniciativas da chamada Operação Abafa, destinada a inviabilizar a Lava Jato. Outras ações neste sentido são o projeto da Lei de Abuso de Autoridade, a descriminalização do caixa 2 e a anistia aos atos de corrupção, que é a medida extrema, denunciada pelo jurista Jorge Béja aqui na “Tribuna da Internet”, ao prever um golpe a ser intentado pelo Congresso após a eleição.   

Quanto à revisão da jurisprudência sobre a prisão após segunda instância, o tema estava prestes a ser colocado em pauta no Supremo, mas a reação da opinião pública foi tamanha que a presidente do STF, Cármen Lúcia, teve de recuar.

COINCIDÊNCIA? – Desde 16 de dezembro, com a conclusão do parecer do relator Marco Aurélio Mello, a questão da segunda instância ficou disponível para entrar em pauta no Supremo. A agenda dos julgamentos de fevereiro já estava pronta, mas nada impedia que a ação fosse programada para março.

Como se esperaca, no dia 24 de janeiro o ex-presidente Lula foi condenado em segunda instância. Cinco dias depois, O Globo deu como manchete uma reportagem de Carolina Brígido anunciando que, por coincidência ou não, o julgamento seria pautado por Cármen Lúcia.

A reação negativa foi avassaladora. A presidente do Supremo então desmentiu a reportagem, dizendo que não pensava em agendar a questão, mas no dia seguinte a repórter Carolina Brígido confirmou que “a ministra Cármen Lúcia cogitava, há uma semana, pautar para julgamento o processo”.    

RECUO IMEDIATO – O resultado foi que a presidente do Supremo recolheu os flapes e passou a dar insistentes afirmações de que a questão não será agendada. Isso significa que o assunto ficará no freezer até setembro, quando Cármen Lúcia deixa o cargo e o Supremo passa a ser presidido por Dias Toffoli, exatamente o ministro que está propondo mudar a jurisprudência.

Parodiando Gabriel Garcia Marquez, trata-se da crônica de uma tragédia anunciada. Para atender aos interesses do grande amigo Lula da Silva e do resto da quadrilha suprapartidária, o ministro Dias Toffoli, aquele que não conseguiu ser juiz,  vai disparar o primeiro tiro frontal na Lava Jato, com a cumplicidade do relator Marco Aurélio Mello e dos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e Alexandre de Moraes.

Depois, na sequência, os tiros de misericórdia serão disparados no Congresso por Rodrigo “Botafogo” Maia e por Eunício “Índio” Oliveira. É só uma questão de tempo.

AGU E PROCURADORIA – Como era esperado, a Advocacia-Geral da União já se posicionou contra a prisão após segunda instância, por “flexibilizar” o princípio da presunção de inocência. A ministra Grace Mendonça defende que a prisão só deve acontecer após o trânsito em julgado e sustenta que a Constituição Federal não dá margem para outra interpretação.

De outro lado, a Procuradoria-Geral da República apoia a prisão após segunda instância e afirma que a tese da execução antecipada da pena foi definida em recurso com repercussão geral reconhecida, que deve ser seguida por todos os tribunais do país. Decisões monocráticas, portanto, não poderiam “desrespeitar” o precedente, como vem ocorrendo, diz a procuradora-geral Raquel Dodge.

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P.S.
É triste fazer esta constatação, mas a Lava Jato está mesmo sob gravíssima ameaça. A esperança é algum ministro (Barroso, Fachin, Fux ou Rosa Weber) pedir vista e sentar em cima do processo, como Gilmar Mendes e Dias Toffoli costumam fazer, e assim o feitiço vai virar contra o feiticeiro, como se dizia antigamente, e a Lava Jato sobreviverá. (C.N.)

Além de Lula, dois outros fortes candidatos estão descartados – Huck e Barbosa

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Barbosa e Huck nunca foram candidatos de verdade

Carlos Newton

A respeito das pesquisas, é preciso ficar claro que elas não chamam atenção para um dado da maior importância – o espantoso número de eleitores que ainda não escolheu candidato ou nem pretende votar. Praticamente a metade do eleitorado está nesta condição, ao declarar que está indeciso ou nem se interessa pela sucessão deste ano, preferindo se abster,  votar em branco ou anular o sufrágio. Este dado é importantíssimo e deveria encabeçar o resultado dos levantamentos eleitorais, porque altera expressivamente o enfoque, mas os institutos de pesquisa fazem questão de esconder esta realidade.

Assim, quando se diz que Lula tem 33% e Bolsonaro está com 18%, por exemplo, não se faz a ressalva de que estes percentuais se referem a quem já escolheu candidato. Na verdade, Lula apenas teria cerca de 17% e Bolsonaro estaria com aproximadamente 9% do eleitorado como um todo.

QUADRO INDEFINIDO – Na verdade, falta muita gente se decidir. Por enquanto, o quadro está indefinido, especialmente porque algumas candidaturas ainda não estão confirmadas. O certo já seria considerar que três dos mais fortes candidatos não vão participar da eleição – Lula da Silva, Luciano Huck e Joaquim Barbosa.

Após a condenação em segunda instância, Lula se tornou um candidato-fantasma, que não mais existe, porém continuará a fazer uma campanha tipo zumbi, tentando assustar os adversários, no estilo do seriado “Walking Dead”.

Para fortalecer o PT, realmente é melhor que Lula faça campanha até o fim, no papel de vítima de perseguição política, porque há uma expressiva faixa do eleitorado que acredita nesta conversa fiada e deve votar nos candidatos do partido.

HUCK BLEFOU – Outros dois fortes candidatos, com chances de chegar ao segundo turno, eram o apresentador global Luciano Huck e o ministro aposentado Joaquim Barbosa. Mas nenhum dos dois deve concorrer.

A candidatura de Huck tinha dois objetivos, que nada tinham a ver com a sucessão – ele queria se projetar na mídia e forçar a TV Globo a manter sua mulher no ar, porque a emissora decidiu acabar com o programa semanal “Estrelas” e com o quadro “Video Game” no diário “Vídeo Show”, ambos apresentados por Angélica.

Huck se lançou candidato para pressionar a TV Globo, mas deu tudo errado. Perdeu prestígio com a cúpula da emissora, que ameaçou colocar Márcio Garcia no “Caldeirão” e deu prazo até dezembro para Huck abandonar a candidatura. Ele medrou e obedeceu. Não há possibilidade de continuar com a encenação.

PSB DIVIDIDO – O advogado Joaquim Barbosa, que tem cacife para disputar a eleição, também está atirando a toalha. Vaidosíssimo, ele deixou claro que somente aceitaria a candidatura se o PSB caminhasse unido em torno de seu nome. Mas isso não “ecziste”, diria o padre Quevedo, porque nem Jesus Cristo conseguiu unanimidade.

O PSB está rachado. Uma ala forte do partido, liderada por Márcio França, vice-governador de São Paulo, e Márcio Lacerda, ex-prefeito de Belo Horizonte, quer apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin, do PSDB.

Neste clima, Barbosa não aceita a candidatura. Julgou que seria aclamado pelos socialistas, porque sua candidatura realmente poderia fortalecer o partido.  Mas está dando tudo errado. A única hipótese de dar certo seria o PSB, mesmo dividido, unir-se ao PPS para dar um espaço maior a Barbosa, e aí ele poderia até aceitar.

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P.S.
Está tudo indefinido, porque as coligações só serão fechadas na chamada undécima hora. Candidatos com chances, como Jair Bolsonaro (PLS), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Alvaro Dias (Podemos), têm menos tempo no horário eleitoral do que o inesquecível Enéas Carneiro, criador do partido Prona, que encerrava seus 30 segundos resumindo tudo com a célebre apresentação – “Meu nome é Enéas”. (C.N.)  
     

Com PSB rachado, Joaquim Barbosa não será candidato e Alckmin comemora

Carlos Newton

Estamos de volta para o futuro, porque esta eleição lembra muito a disputa travada em 1989, que teve 22 candidatos e poderia ter 24, se Jânio Quadros não tivesse desistido de concorrer e Silvio Santos não tivesse a candidatura impugnada pelo TSE. Agora, devemos ter por volta de 13 concorrentes, mas tudo ainda está no ar, devido à condenação de Lula e ao impasse envolvendo Joaquim Barbosa, que seria um forte concorrente, já que aparece com 5 pontos, sem ser candidato, e a confirmação de que Michel Temer vai disputar pelo MDB.

Aliás, candidatura de Temer está mais do que certa e o Planalto comemorou a pesquisa Ibope, por confirmar o apoio de 6% ao governo (“bom/ótimo”), com mais 22% que o consideram “regular”.

TEMER E BARBOSA – Nas contas de Temer, sua candidatura estaria em alta, porque o número de simpatizantes subiu de 25% para 28%. Traduzindo: ele conta como votos certos os 6% do “bom/ótimo” e acha que pode atrair boa parte dos 22% que consideram o governo “regular”.

Enquanto Temer está dentro, Joaquim Barbosa está praticamente fora. O ex-presidente do Supremo tem um temperamento forte e já avisou que só aceita a candidatura se tiver apoio unânime do PSB. Como o partido está totalmente rachado, a tendência é de que desista.

Além de Temer, outros presidenciáveis estão animados do a pesquisa. O tucano Geraldo Alckmin, por exemplo, embora esteja estacionado em 7%, quando Lula está fora sobre para 11%. Por isso, Alckmin julga que está em alta e acha que vai herdar os 5% de Barbosa. Bem, sonhar ainda não é proibido nem paga imposto.

CIRO E ALVARO – Outros dois candidatos azarões, Ciro Gomes (PDT) e Alvaro Dias (Podemos) também estão animados. Sem Lula na disputa, Ciro fica em terceiro e já encostando em Marina Silva (Rede). E Alvaro Dias (Podemos) está sempre pontuando bem, embora ainda nem tenha efetivamente começado a campanha. O mais interessante é que ele tem a menor rejeição, com apenas 13%. Neste quesito negativo, Alvaro Dias só perde para Manuela D’Ávila (PCdoB), que tem apenas 12% de rejeição.

Aliás, a listagem da rejeição é desanimadora para Temer, que tem 60%, seguido de Fernando Collor (PTC), com 44%; Lula da Silva (PT), 40%; Jair Bolsonaro (PLS), 29%; Geraldo Alkmin (PSDB), 26%; e Marina Silva (Rede), 23%.

ESPAÇO NA TV – As pesquisas são importantes, é claro. Porém, a maior preocupação dos candidatos é fechar coligações e aumentar o tempo disponível na campanha pela TV. Sem fazer alianças, concorrentes como Bolsonaro, Ciro, Marina, Alvaro, Manuela e Collor não tem chance de conquistar eleitores.

Quatro partidos de médio porte podem ficar disponíveis para receberem propostas indecorosas – DEM, PSB, PDS e PT. Fazer coligações vai ser uma briga de foice, que deve custar caro, muito caro.

Cármen Lúcia insinua que O Globo mentiu sobre a prisão após segunda instância

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Cármen agora diz que não ia colocar em pauta

Carlos Newton

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, parece menosprezar bastante  a opinião pública brasileira. Na noite de segunda-feira, em jantar promovido pelo site Poder360, Sua Excelência teve a desfaçatez de sugerir que a decisão de colocar em pauta a revisão da jurisprudência sobre prisão após segunda instância nada tem a ver com a situação do ex-presidente Lula da Silva, que corre risco de ser preso por já estar condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a 12 anos e um mês, por corrupção e lavagem de dinheiro.

“Não sei por que um caso específico geraria uma pauta diferente. Seria apequenar muito o Supremo. Não conversei sobre isso com ninguém”, afirmou a presidente do STF, querendo sugerir que será mera coincidência se for colocada em pauta a segunda instância em votação, nada teria a ver com a possível prisão de Lula.

SEM PREVISÃO – O fato concreto é que a presidente do Supremo, segundo o jornal O Globo, teria decidido colocar em julgamento a ação que pode mudar a jurisprudência sobre a prisão de criminosos condenados após segunda instância.

O anúncio da próxima colocação em pauta da polêmica matéria foi feito pelo O Globo em pleno recesso do Supremo, poucos dias depois da condenação de Lula pelo TRF-4. Como se diz em linguagem policial, a turma nem esperou o corpo esfriar.

A reação da opinião pública, é claro, foi arrasadora, pois sabe-se que os ministros do Supremo, em maioria, já se mostram dispostos a somente permitir a prisão após condenação em terceira instância, ou seja, após confirmação pelo Superior Tribunal de Justiça.

ATÉ GEDDEL – Esta nova jurisprudência do Supremo significará a libertação de todos os réus da Lava Jato, incluindo Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, além de criminosos comuns, como o ex-senador Luiz Estevão.

Diante da repercussão altamente negativa, Cármen Lúcia agora diz que não há previsão para um novo julgamento sobre o assunto, acrescentando que o tema nem foi conversado com outros ministros da Corte. Ou seja, a presidente do STF está discretamente acusando O Globo de publicar notícias falsas (fake news), embora Cármen Lúcia até tenha reconhecido que, se algum ministro quiser, pode provocar discussão sobre o tema e levá-lo à presidência do Supremo.

VISTA OU PARECER – Como se sabe, o plenário só retoma julgamentos em três hipóteses: quando o processo é devolvido pelo ministro que pediu vista; quando o relator anuncia ter concluído o parecer; ou quando algum ministro vai relatar processo semelhante e então pede reexame da jurisprudência.

No caso, o relator Marco Aurélio Mello terminou em 16 de dezembro o parecer sobre o processo da prisão após segunda instância e imediatamente comunicou à presidência do STF que o julgamento pode entrar em pauta.

Cabe agora à presidente Cármen Lúcia agendá-lo ou não. Em meio à polêmica pode-se dizer, com certeza, que a ministra não afirmou a O Globo que ia colocar a questão em plenário. Tanto assim que o jornal publicou que ela “deve” colocar a questão em pauta após o recesso. Mas a repórter Carolina Brígido, que faz a cobertura do Supremo em O Globo, insiste e confirma que há uma semana a ministra Cármen Lúcia cogitava colocar a matéria em pauta.

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P.S. 1 – O mais importante de tudo isso é que a reportagem do site Poder360 publicou a seguinte informação: “Segundo Cármen Lúcia, é improvável que o STF reverta o entendimento atual de que condenados em segunda instância ficam automaticamente impedidos de concorrer a cargos públicos, independentemente de entrarem com recursos em tribunais superiores”. Caramba! Como a ministra tem coragem de fazer uma afirmação tão leviana? Na verdade, até as paredes do STF sabem que o resultado do julgamento vai ser a proibição de os condenados serem presos após segunda instância?

P.S. 2 – Votarão pela mudança da jurisprudência o relator Marco Aurélio, acompanhado por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e Alexandre de Moraes. Para não dar na vista, Cármen Lúcia votará contra. O resultado será 6 a 5. O resto é folclore. (C.N.)

Meirelles finge que vai obedecer ao desejo de Temer e abandonar a candidatura

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Sempre em cima do lance, o jornalista Lauro Jardim publicou neste domingo a seguinte nota em seu blog: “Em privado, Henrique Meirelles já admite que só será candidato a presidente se Michel Temer assim o quiser. Ou seja, se o governo escolhê-lo para defender o seu legado. Fora disso, não há o que Meirelles possa fazer”.

A informação é da maior importância e reflete a disputa que agita os bastidores do governo, travada entre o presidente Michel Temer e o ministro Henrique Meirelles. Em tradução simultânea, a nota de Lauro Jardim significa que Meirelles esta fazendo um recuo estratégico, na tentativa de conseguir que Temer diminua a pressão sobre ele.  

Trata-se de um enfrentamento que só tende a se agravar, à medida que se aproxima a eleição. É uma questão já definida desde as origens da Física, mas que serve também para a Política – dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, ao mesmo tempo.  

CANDIDATO DE CENTRO – Em função da derrocada da esquerda, causada pela Era do PT, há uma crença de que, com Lula fora da disputa, a próxima eleição será vencida por um candidato de centro. Presidenciáveis como Michel Temer (MDB), Henrique Meirelles (PSD), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Fernando Collor (PTC), João Amoedo (Novo) e Paulo Rabello de Castro (PSC) estão partindo desta premissa, que pode ser verdadeira ou falsa.

O fato concreto é que há candidatos demais tentando disputar a mesma faixa do eleitorado. É claro que eles vão se amontoar, uns sobre os outros.

Para viabilizar sua candidatura, Temer precisa desesperadamente tirar Meirelles de cena. Já deu várias entrevistas dizendo preferir que ele fique até o fim no Ministério da Fazenda. No dia 22 de dezembro, num café da manhã com dezenas de jornalistas, Temer não se conteve e perguntou a Meirelles, na frente de todos: “Você é candidato?”. E o ministro respondeu: “Ainda não decidi”.   

EM CAMPANHA – Até agora, são 12 presidenciáveis, contando com Bolsonaro (PLS), Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Ávila (PCdoB), e Lula (PT), sem incluir Guilherme Boulos (PSOL), Joaquim Barbosa (PSB) e Rodrigo Maia (DEM), questão em cima do muto.

Boulos e Barbosa podem até se candidatar, elevando o número para 14, mas o presidente da Câmara está apenas tirando uma onda, para aparecer no noticiário e valorizar o passe do DEM.

Vai ser uma eleição maravilhosa e imprevisível. Entre os 14 prováveis candidatos, pelo menos 8 têm alguma chance de vencer. Apenas Collor, Manuela, Amoedo, Castro e Boulos podem ser descartados, por ora, além de Lula, é claro, que segue como candidato até o fim, mas não terá o nome registrado na urna eletrônica. Ou seja, não será votado.

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P.S. –
A disputa por coligações, para ampliar o tempo de campanha na TV, é arrebatadora. Sem caixa 2 dos empresários, os candidatos estão oferecendo mundos e fundos, mas os partidos de aluguel só trabalham com dinheiro vivo. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Acredite se quiser: Boff já reconheceu que se enganou ao defender o PT

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Com toda certeza,a gente está sempre se surpreendendo com o teólogo Leonardo Boff, cujos artigos no jornal “O Tempo” há anos reproduzimos aqui na “Tribuna da Internet”. Na noite deste domingo, o jornalista e advogado José Carlos Werneck nos enviou uma matéria antiga, postada por Boff em seu blog, dia 18 de abril de 2017, em que o defensor da Teologia da Libertação  reconhece ter se enganado ao defender o PT.  Foi uma surpresa ler o “mea culpa” de Boff sobre o partido que ele tanto elogiava.

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CONFIRA O QUE ESCREVEU BOFF

“Precisava vir alguém de fora, de uma jornalista Carla Jiménez do jornal espanhol El Pais, para nos dizer as verdades que precisamos ouvir. Seguramente a grande maioria concorda com o conteúdo e os termos desta catilinária contra corruptos e corruptores que tem caracterizado nos últimos tempos o Brasil.

Formou-se entre nós, praticamente, uma sociedade de ladrões e de bandidos que assaltaram o país, deixando milhões de vítimas, gente humilde de povo, sem saúde, sem escola, sem casa, sem trabalho e sem espaços de encontro e lazer. E o pior, sem esperança de que esse rumo possa facilmente ser mudado.

Mas tem que mudar e vai mudar. É crime demasiado. Nenhuma sociedade minimamente humana e honesta pode sobreviver com semelhante câncer que vai corroendo as forças vitais de uma nação. Enganam-se aqueles que pensam que eu, pelo fato de defender as políticas sociais que beneficiaram milhões de excluídos, realizadas pelos dois governos anteriores, do PT e de seus aliados, tenha defendido o partido.

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO – A mim não interessa o partido, mas a causa dos empobrecidos que constituem o eixo fundamental da Teologia da Libertação,  a opção pelos pobres contra a pobreza e pela justiça social, causa essa tão decididamente assumida pelo Papa Francisco. É isso que conta e por tal causa lutarei a vida inteira como cristão e cidadão.

Estou convencido de que o  Brasil poderá ser  quando bem governado a mesa posta para as fomes e sedes do mundo inteiro. Creio que  a revelação de tais crimes, sua punição, o resgate dos bilhões de reais ou de dólares roubados e devolvidos aos cofres públicos, nos deem duras lições. Que todos vigiemos para que nunca se esqueça e nunca mais aconteça”.

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DISSE CARLA JIMÉNEZ NO “EL PAÍS”

O Brasil saltou de uma transmissão política em preto e branco para alta definição de uma semana para outra com a lista de Fachin. Tudo se conhecia mais ou menos por meio de vazamentos em um ou outro veículo de comunicação. Mas ouvir a voz dos corruptores e vê-los em vídeo relatando seus crimes por horas a fio é mais doloroso. É como se a própria mãe estivesse contando que na verdade você é filha do irmão do seu pai, ou de um ladrão de bancos, ou de um estuprador. O impacto é violento, ainda que você desconfie que a verdade da sua vida era outra.

Lula, por outro lado, mais do que os crimes a que responde, feriu de golpe a esquerda no Brasil. Ajudou a segregá-la, a estigmatizar suas bandeiras sociais e contribuiu diretamente para o crescimento do que há de pior na direita brasileira. Se embebedou com o poder. Arvorou-se da defesa dos pobres como álibi para deixar tudo correr solto e deixou-se cegar. Martelou o discurso de ricos contra pobres, mas tinha seu bilionário de estimação. Nada contra essa amizade. Mas com que moral vai falar com seus eleitores?

MAUS EXEMPLOS – Saiam todos, por favor. Vocês são maus exemplos a seguir. Despertam ojeriza. Dediquem o que resta de suas vidas a entregar tudo, a detalhar tudo, a terminar de contar o que falta para que o Brasil se estabeleça como uma sociedade mais sadia, menos tóxica. Nenhum país merece que a riqueza seja comandada por quem não tem um mínimo de solidariedade com o país e vive da mesquinharia que alimenta a miséria.

Acordão? Só se for para admitir crimes. Ambicionem entrar para a história como os que ajudaram a mudar o rumo, sem violentar a esperança alheia. Uma mensagem que cabe ao Judiciário, inclusive, que como disse o ministro Luís Roberto Barroso ao citar o direito penal, “deixou erguer um país de ricos delinquentes, que vivem de fraudes às licitações, lavagem de dinheiro entre outros crimes”. Vistam a carapuça. Deixem a Justiça atuar e paguem pelos seus crimes. É o melhor que vocês podem fazer para justificar a própria existência.

Tudo dominado, Cármen Lúcia convoca o Supremo para destruir a Lava Jato

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

A culpa de considerável parcela da esculhambação institucional que o país hoje vive foi da Assembléia Constituinte. Para prevenir um novo surto de autoritarismo que atingisse os políticos, os constituintes se cercaram de todas as salvaguardas, como o foro privilegiado e a declaração de culpa após processo transitado em julgado, duas excrescências jurídicas que passaram a garantir também a impunidade das elites.Um criminoso como Pimenta Neves, que matou friamente a namorada com um tiro pelas costas, levou 11 anos até ser preso, ficou apenas 5 anos na cadeia e desde 2016 está livre, leve e solto. A impunidade reinava, até que aconteceu a Lava Jato e as coisas começaram a mudar.

Agora, às vésperas do carnaval, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, que era uma esperança de moralidade, rasga a fantasia e mostra sua verdadeira face, ao anunciar que colocará em pauta a extinção da punibilidade de criminosos após condenação em segunda instância.

RETROCESSO – Sem a menor dúvida, será um retrocesso brutal, com a cumplicidade direta da presidente do Supremo, que está cansada de saber que a mudança na jurisprudência será aprovada por 6 a 5, porque Dias Toffoli estará mudando seu voto e Alexandre de Moraes dará o tiro de  misericórdia na punibilidade das elites, mesmo tendo afirmado aos senadores que era favorável à prisão após segunda instância.

Moraes é do tipo FHC, de quem é amigo pessoal (“Esqueçam tudo o que eu escrevi”). E a presidente Cármen Lúcia não fica atrás. Todos sabem que foi Lula quem a nomeou para o Supremo e ela até o convidou para a posse na presidência do Tribunal, quando o petista já estava totalmente emporcalhado pela Lava Jato.

Agora, Cármen Lúcia vai retribuir, ao convocar o julgamento, sabendo previamente qual será o resultado, embora ela mesma pretenda votar contra, para manter as aparências, compondo um placar de 6 a 5. Como diria Ataulfo Alves, a maldade nessa gente é uma arte…

LIBERAR GERAL – O alcance desta complacência do Supremo será um desastre. Além de Lula não ser preso, os demais condenados pela Lava Jato, inclusive Eduardo Cunha, João Vaccari, André Vargas, Léo Pinheiro, Geddel Vieira Lima etc. etc., todos receberão alvará de soltura. E outros criminosos notórios também serão libertados, como o ex-senador Luiz Estevão. Vai ser um festival. Significa o fim da Lava Jato, a ser decretado pela pusilanimidade de uma magistrada que decididamente não honra o manto sagrado do Supremo, como tantos outros ministros, aliás.

Será uma imoralidade que vai sujar para sempre a História do Supremo e só há uma maneira de evitar este acintoso golpe nas instituições brasileiras, sem que seja necessária uma intervenção militar – é preciso que um dos quatro ministros que ainda respeitam a ética e a moralidade interrompa o julgamento e peça vista. Esta é a obrigação de Luiz Fux, Rosa Weber, Edson Fachin e Luiz Roberto Barroso.

SENTAR EM CIMA – A nação espera que um desses ministros imite Gilmar Mendes, peça vista e sente em cima do processo, como ele está fazendo há mais de um ano com o julgamento sobre o financiamento de campanhas, interrompido quando o resultado já era de 6 x 1 contra a contribuição de pessoas jurídicas a partidos e a candidatos…

Agora, este novo pedido de vista será absolutamente necessário, porque garantirá a continuidade da luta contra a corrupção que afeta os três Poderes. E ninguém poderá reclamar, porque o Supremo tem hoje 216 julgamentos parados por pedido de vista. Será apenas mais um.

Aliás, o mais antigo desses 216 pedidos de vista foi feito em 1998 pelo então ministro Nelson Jobim, numa ação direta de inconstitucionalidade proposta por PT, PDT e PCdoB contra uma lei que disciplina o contrato de trabalho temporário. Curiosamente, na cadeira antes ocupada por Jobim quem se senta hoje chama-se Cármen Lúcia.

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P.S. –
Notem bem: enquanto a Lava Jato atingia somente PT e PP, tudo corria às mil maravilhas. Quando a força-tarefa começou a pegar também políticos do PMDB e do PSDB, logo entrou em ação a Operação Abafa, denunciada pelo então ministro Medina Osório, da AGU, ao deixar o governo em setembro de 2016. Agora, esta convocação do STF para extinguir a prisão após segunda instância é só mais um capítulo desta trama sinistra. (C.N.)

Entre os rivais de Lula, até agora Bolsonaro e Ciro fazem as melhores campanhas

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Bolsonaro e Ciro já começaram a percorrer o país

Carlos Newton

Esta eleição será eletrizante, porque Lula da Silva vai continuar em campanha até o dia 12 de setembro, quando o Tribunal Superior Eleitoral impugnará definitivamente sua candidatura, segundo os cálculos dos especialistas. Estarão faltando apenas três semanas para a votação e então haverá as últimas cenas do enredo. Há três hipóteses: 1) o PT lança um candidato substituto; 2) o PT apoia Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Ávila (PCdoB) ou Guilherme Boulos (PSOL); 3) o PT não lança candidato nem apoia ninguém.

E aí haverá outra briga, porque o PT vai insistir na participação de Lula na campanha pela TV e nos comícios. Como ele estará com seus direitos políticos suspensos pela Lei da Ficha Limpa, o TSE vai ter de afastá-lo do horário eleitoral, o PT será multado e vai recorrer, será mais uma chatice.

FINAL EMPOLGANTE – Sem Lula, o PT (ou o candidato que o partido apoiar) pode até passar para o segundo turno, mas terá pouca chance de vencer a eleição. Depois da ressaca da Era Lula/Dilma, a onda conservadora está muito forte, a esquerda dificilmente emplacará o sucessor de Temer, embora o futuro a Deus pertença, como diria o ministro Armando Falcão, um dos ícones civis do regime militar.

Para o PT, já faz tempo que a campanha começou para valer e Lula vai continuar percorrendo o Brasil, fantasiado de vítima de perseguição política. Entre seus rivais, até agora só quatro entraram em campanha – Jair Bolsonaro (PSL), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (PSD) e… Michel Temer (MDB).

Os demais estão demorando a dar a largada. Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Alvaro Dias (Podemos), Manuela D’Ávila (PCdoB) ainda estão engatinhando. Os restantes – João Amoedo (Novo), Paulo Rabello de Castro (PSC) e Fernando Collor (PTC) –  não têm a menor chance e buscam apenas os 15 minutos de fama imortalizados pela genial antevisão de Andy Warhol.

BOLSONARO E CIRO – Entre os rivais de Lula que já estão em campanha, Bolsonaro e Ciro têm obtido bons resultados, ambos percorrendo o país e fazendo contato com suas faixas de eleitorado. Em cada cidade que chegam, participam de eventos, são entrevistados pela mídia, estão aparecendo bastante. A campanha de Bolsonaro colhe ainda mais frutos do que Ciro, porque ele combina com seus seguidores a instalação de outdoors em ruas e estradas.

Há mais de um ano Henrique Meirelles também em campanha, não perde inauguração do governo e tem viajado muito, mas por enquanto está concentrando sua campanha no eleitorado evangélico. E Temer é o outro candidato que já se mexe incessantemente, empurrado pelos ministros Eliseu Padilha e Moreira. Não perde oportunidade de aparecer. Além de gravar programas na Band e no SBT, está assediando os mesmos pastores já procurados por Meirelles. 

Em resumo, é certo que, sem Lula, a eleição terá um final eletrizante, mas ninguém pode prever quem irá para o segundo turno, porque vai depender muito das coligações que cada candidato consiga fechar, para garantir o máximo de tempo na televisão.

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P.S. 1 – 
Se não conseguirem alianças com outros partidos, candidatos como Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Marina Silva e Alvaro Dias terão tempos tão curtos na propaganda eleitoral que chega a ser desanimador.

P.S. 2 – Por fim, ainda falta uma carta neste baralho. Não se pode esquecer a possibilidade da candidatura de Joaquim Barbosa. Ele ainda não se decidiu. De repente, em função de sua resposta ao PSB, o quadro eleitoral poderá se alterar profundamente, mais uma vez. (C.N.)

Para se fortalecer, o PT quer consolidar Lula como “vítima” de perseguição política

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PT está dependendo desesperadamente de Lula

Carlos Newton

Já explicamos aqui na “Tribuna da Internet”, diversas vezes, que Lula da Silva não disputará a eleição deste ano, porque até 12 de setembro sua candidatura estará definitivamente impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral, cabendo recurso exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, mas apenas na hipóteses de ser apontada alguma inconstitucionalidade na decisão do TSE, uma circunstância inteiramente improvável. Isso significa que, ao contrário do que o PT divulga, o nome de Lula não constará da relação definitiva dos candidatos, que somente em 17 de setembro será incluída na urna eletrônica. Portanto, com toda certeza Lula não vai concorrer, mas também é certo que vai bagunçar a eleição, podem  apostar.

A jogada do PT é seguir com o teatro da candidatura, fazendo com que a partir do dia 31 de agosto Lula apareça no horário gratuito, na condição de candidato. Desta forma, como o registro de sua candidatura só será impugnado por volta de 12 de setembro, o ex-presidente fará campanha pela televisão durante duas semanas, pelo menos.

ESTRATÉGIA – Por meio dessa ardilosa estratégia, o PT pensa consolidar Lula como “vítima” de tenebrosa perseguição política. Com isso, os dirigentes acham que Lula conseguirá transferir mais votos. Consequentemente, será fortalecida a imagem do partido, a ponto de eleger uma bancada forte no Congresso Nacional, alguns governadores e grande número de deputados estaduais.

O resultado dessa manobra é insondável. Pode até dar certo e reverter a derrocada do PT, que conseguira eleger 75 deputados federais em 2002, em 2006 foi para 89, depois ficou em 88 deputados na eleição de 2010 e caiu para apenas 70 em 2014.  Ou seja, o PT está em viés de baixa e quer estancar a sangria.

É claro que a estratégia do partido vai causar uma barafunda dos diabos, porque todas as pesquisas eleitorais até 12 de setembro obrigatoriamente vão incluir o nome de Lula. Como a eleição será em 7 de outubro, somente as pesquisas na fase final é que mostrarão o quadro real das candidaturas, com os 12 concorrentes legalmente habilitados e seus nomes na lista de presidenciáveis da urna eletrônica.

FINAL ELETRIZANTE – Vai ser interessantíssima a eleição. Se não houver mudanças nas pesquisas, Lula continuará favorito,  com apoio de aproximadamente um terço dos eleitores, que de repente terão de escolher outro candidato, havendo possibilidade de o PT lançar algum substituto até 20 dias antes da eleição, para que seu nome consta da urna eletrônica.

É certo que, sem Lula, a eleição terá um final eletrizante, mas ninguém pode prever quem irá para o segundo turno, porque vai depender muito das coligações que cada candidato consiga fechar, para garantir mais tempo na televisão.

Se não conseguirem alianças com outros partidos, candidatos como Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Marina Silva e Alvaro Dias terão tempos tão curtos na propaganda eleitoral, que chega a ser desanimador.

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P.S. – Até agora, os candidatos que vêm fazendo as melhores campanhas são Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Michel Temer e Henrique Meirelles, não necessariamente nesta ordem. Logo voltaremos ao assunto. (C.N.) 

Lula se comporta como um alienado e tenta fingir que não aconteceu nada

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Lula não entende o que significa a condenação

Carlos Newton

Lula da Silva, o operário que virou presidente de um dos cinco maiores países e encantou o mundo, poderia ser lembrado como Nelson Mandela, um dos principais ídolos da Era Moderna. Mas não teve grandeza nem dignidade. Pelo contrário, fez questão de usar o poder para enriquecer ilicitamente toda a família, que agora está sendo minuciosamente investigada na fase atual da Lava Jato. Na verdade, Lula se tornou apenas uma pálida lembrança do combativo líder que em 2002 conduziu a oposição brasileira ao poder. Está completamente liquidado politicamente e seus direitos políticos serão suspensos por oito anos. Além disso, ele ainda responde a seis processos e duas denúncias. Ou seja, a punição tende a se estender, ele não conseguirá mais disputar eleições.

Ao que parece, a ficha ainda não caiu, porque Lula continua se comportando como se continuasse a estar acima da lei e da ordem, mas isto não é mais realidade. O problema é que seus assessores e aliados não têm coragem de lhe contar a verdade, ficam inventando que ele poderá usar o recurso A ou B para disputar a eleição e se livrar da condenação, e ele acredita, embora seja tudo ilusão. 

MARKETING – É preciso entender que Lula é um produto de marketing,  não tem base cultural e se move exclusivamente pela intuição. Embora tenha se tornado um extraordinário fenômeno político, continua a ser um ignorante trilateral – de pai, mãe e vizinhança. Cientes dessa situação, Luiz Carlos Prestes e Leonel Brizola até tentaram fazer com que Lula se preparasse para o poder, mas ele não deu atenção a esses conselhos e continuou se orgulhando de jamais ter lido um livro.

Em 2013, Lula surpreendeu a opinião pública, ao afirmar que passara a ler livros e gostara muito da biografia de Abraham Lincoln, escrita por Doris Kearns Goodwin. Até citou uma passagem interessante, em que o presidente americano aguardava uma mensagem num posto de telégrafo, que Lula chamou de “telex”.

Mas era mentira. Lula não lera o livro, apenas assistira ao filme de Steven Spielberg. A passagem do “telex” mencionada por Lula não existe no livro, foi enxertada no filme pelo genial roteirista Tony Kushner.

RECURSOS – Agora, após a condenação que significa a impugnação de sua candidatura, é deprimente constatar que os assessores e dirigentes petistas continuam a iludir Lula, ao lhe informarem que existem recursos capazes de garantir que ele dispute a eleição.

O mais incrível é que esse tipo de enganação seja incentivado pelo ex-ministro da Justiça e ex-procurador federal Eugênio Aragão, que nos últimos anos assessora juridicamente a cúpula do PT. Diz ele que a defesa de Lula pode entrar com um recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e tem a opção de tentar uma medida cautelar, um pedido de habeas corpus ou uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, o ex-ministro de Dilma afirma que é pacífica a jurisprudência de que, quando o condenado entra com recurso, se consegue atribuir um efeito suspensivo, o que também suspende a inelegibilidade.

CONVERSA FIADA – Tudo isso que o douto e experiente Aragão afirmou é verdade. Mas esqueceu de ressalvar que os recursos mencionados se referem exclusivamente à esfera criminal, nada têm a ver com a candidatura de Lula. Há apenas uma exceção, a cautelar ao STJ, mas precisa ter “plausibilidade”, como condenação discutível, com resultado de 2 a 1. E a 5ª Turma do STJ, presidida pelo ministro Félix Fischer, está fechada com a Lava Jato e não é de brincadeira.

Propositadamente ou não, o ex-ministro da Justiça não esclareceu que, no caso da impugnação da candidatura de Lula, caberá recurso apenas ao Tribunal Superior Eleitoral, e somente poderá ser apresentado depois do dia 20 de agosto. Quanto aos tais recursos ao Supremo, somente poderão ser apresentados após o trâmite do processo no TSE, que deve terminar a 12 de setembro.

Como esses supostos recursos ao Supremo não têm efeito suspensivo, o nome de Lula não estará na urna eletrônica entre os presidenciáveis. A não ser que o STF  adie a votação para incluir o nome de Lula, numa decisão que será a Superpiada do Ano, sem a menor chance aos concorrentes.

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P.S. 1 –
Eugênio Aragão sabe tudo isso. Mas apresenta ao PT esta tese salvadora e irreal, inventando até uma jurisprudência que não existe. Os candidatos de ficha suja que disputaram eleição, como Jáder Barbalho e Paulo Rocha, por exemplo, tinham esse direito porque suas condenações ocorreram antes da entrada em vigor da Lei da Ficha Limpa. Na verdade, não existe e jamais existirá essa “jurisprudência” citada pelo ex-ministro Aragão.

P.S. 2 Sem ter noção sobre o que está realmente acontecendo, Lula se comporta como um abestado, acreditando que vai se livrar de tudo isso, disputar e vencer a eleição.   

P.S. 3 – A apreensão do passaporte de Lula foi apenas o primeiro capítulo. Outros se seguirão. (C.N.)

PT insiste em apoiar a candidatura de Lula e irá para o abismo junto com ele

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Conforme recomendou o experiente Olivio Dutra, um dos fundadores do PT, o partido já deveria estar buscando alternativas à candidatura de Lula, mas vem acontecendo exatamente o contrário. Antes mesmo do julgamento de Lula no Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, dava entrevista para dizer que a legenda jamais aceitará uma decisão que não seja justa. “Vamos recorrer, seja qual for o resultado de hoje”, avisou a dirigente petista, acrescentando que os desembargadores estariam rasgando a Constituição, caso confirmassem a sentença do juiz Sérgio Moro, condutor da Lava Jato em Curitiba. E não deu outra coisa, a pena foi até aumentada para doze anos e um mês.

Agora, o PT pode recorrer à vontade, mas será inútil. Com o placar de 3 a 0, o candidato Lula da Silva está incurso na Lei da Ficha Limpa, tornou-se inelegível e agora só pode disputar eleição de síndico do Edifício Kentucky, em São Bernardo do Campo.

SEM PLANO B – O pior é que Lula e o PT se orgulham de não haver Plano B. Ou seja, ao invés de escolher outro candidato para disputar a Presidência com apoio de Lula, o partido continuará insistindo no nome dele, que significa a crônica de uma derrota anunciada.

A enlouquecida estratégia do PT é registrar a candidatura de Lula no último dia de inscrição, 15 de agosto, para forçar um barra e fazer com que ele apareça nos primeiros dias da campanha eleitoral pela TV, enquanto estará tramitando no Tribunal Superior Eleitoral o processo de impugnação da candidatura.

Os próprios advogados e consultores do PT admitem que Lula só poderá aparecer na TV no máximo até 12 de setembro, quando sua impugnação estará definida no âmbito da Justiça Eleitoral e seu nome cortado da lista de candidatos. Quer dizer, só aparecerá na TV durante os primeiros 13 dias da campanha, para combinar com o número do PT.

VAMOS RECORRER – Na sua ignorância jurídica, a senadora Gleisi Hoffman diz que o PT vai recorrer a todas as instâncias para possibilitar que Lula dispute a eleição.

Acontece que não existe este tipo de recurso que a presidente do PT imagina. no caso de Lula, por enquanto só existe recurso à Justiça na área criminal. Nada tem a ver com a eleição, não há como recorrer, porque ainda nem foram realizadas as convenções e escolhidos os candidatos. No momento, a defesa do ex-presidente pode recorrer ao próprio TFR-4 com embargos declaratórios, mas isto não resolve nada, é perda de tempo.

Além dos embargos declaratórios, no momento só é cabível recurso ao Superior Tribunal de Justiça, para tentar absolver Lula, mas isto também nada tem a ver com eleição e vai demorar mais de um ano até ser julgado.

JURISPRUDÊNCIA – O problema da candidatura de Lula é que a Lei da Ficha Limpa é muito clara, já existe farta jurisprudência. O fato concreto é que o candidato do PT está inelegível, não tem mais conversa. Aliás, foi o próprio Lula que sancionou a lei, em 4 de junho de 2010.

Diante dessa situação incontornável, o PT deveria ouvir Olívio Dutra e debater alternativas. Lula já era como candidato, mas é um cabo eleitoral fortíssimo, já provou em três eleições que consegue transferir votos — duas vezes com Dilma Rousseff  uma vez com Fernando Haddad, dois postes pesadíssimos de carregar.

Se o PT não acordar a tempo, vai caminhar junto com Lula para o abismo. Em 2014, a bancada petista na Câmara caiu de 90 para 70 deputados. Se os petistas não tiverem a lucidez de aproveitar a força eleitoral que Lula ainda tem,  o PT vai ser transformar em mais um partido nanico.

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P.S. – Naquele seu estilo atrapalhado e inconfundível, Dilma Rousseff está conclamando o PT “a lutar por Lula em todos os recantos, nas ruas, nas cidades e nos campos”. Será que ela também está se referindo a “matar gente”. É sempre difícil entender o que ela e outros petistas dizem. (C.N.)

Lula está politicamente liquidado, não adianta o PT manter a candidatura dele

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Lula ficará fora da política por oito anos

Carlos Newton

Apesar das manifestações realizadas em grande número de cidades, evidenciando que Lula da Silva ainda é o maior líder político do país, o resultado do julgamento no Tribunal Regional Federal de Porto Alegre significa que ele é carta fora do baralho, está politicamente acabado e sua preocupação agora é evitar que a condenação seja ratificada pelo Superior Tribunal de Justiça, com o processo transitando em julgado. Se o STJ também confirma a sentença do juiz Sérgio moro, Lula irá mesmo para a prisão, porque um discutível recurso ao Supremo não terá efeito suspensivo.

O resultado de 3 a 0 no Tribunal Regional Federal, mais do que previsível, significa que Lula está fora da eleição presidencial. O PT pode até registrar a candidatura dele em 15 de agosto, que é o último dia, para depois recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral contra a impugnação pela Lei da Ficha Limpa. Esta estratégia até fará com que Lula participe dos primeiros dias da campanha eleitoral pela TV, mas até 12 de setembro ele estará definitivamente fora da disputa, de acordo com os prazos processuais. E o PT terá de indicar um substituto, se quiser participar da sucessão.

HAVERÁ CONFUSÃO – É claro que a presença de Lula no início da campanha vai causar uma confusão dos diabos. Depois da impugnação, muitos petistas ficarão sem entender por que o nome de Lula não constará na lista de candidatos, certamente vão perturbar os mesários, o número de votos nulos e em branco irá aumentar.

Inconformados, os petistas ainda falam que há possibilidade de uma liminar no Superior Tribunal de Justiça ou no Supremo, para garantir a participação de Lula.

Bem, sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. No entanto, como diz o padre Óscar Quevedo, “isto não ecziste”. O STJ não tem poder (competência) para se imiscuir em assuntos eleitorais, esta possibilidade é uma tremenda bobagem jurídica. Na verdade, o STJ só pode receber recursos sobre a condenação criminal de Lula, jamais sobre a impugnação da candidatura.

SÓ HÁ UM RECURSO – Na forma do Direito Processual, só caberá recurso ao Supremo se a petição da defesa de Lula apontar alguma inconstitucionalidade cometida pelo TSE ao impugnar a candidatura dele, mas isto também não eczistirá, porque o veto a Lula significará que a Justiça apenas cumpriu rigorosamente o que determina a Lei da Ficha Limpa.

Lula e os petistas podem bufar, espernear, ofender – não vai adiantar nada. Podem recorrer à Organização dos Estados Americanos e às Nações Unidas – também não dará resultado algum. Podem até seguir o exemplo do grande Sobral Pinto e recorrer à Lei de Proteção aos Animais – mais uma vez será inútil.

O fato concreto é que Lula está definitivamente fora da política durante oito anos. E como também será condenado em alguns dos outros seis processos a que responde, a inelegibilidade vai se prolongar. Portanto, a partir de hoje Lula pode imitar o amigo Chico Buarque e sair cantando “Bye Bye, Brasil”, porque sua última ficha caiu.

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P.S.
Até mesmo o novo mentor jurídico do PT, professor Luiz Fernando Casagrande Pereira, da PUC do Paraná, que defende apaixonadamente a eleição de Lula, já admitiu que a candidatura dele estará impugnada pelo TSE até 12 de setembro, cabendo recurso apenas ao Supremo. Isso significa que o nome de Lula não estará nas urnas quando os brasileiros exercerem seu direito de voto, dia 7 de outubro. O resto é folclore, como diz nosso amigo Sebastião Nery. (C.N.)

Caso de Lula mostra que o Brasil não tem a menor importância no plano mundial

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

Todos sabem que o Brasil nunca teve importância no plano internacional. Europeus e norte-americanos sempre confundiram o Brasil com a Argentina, acharam que Buenos Aires era nossa capital, tinham consciência de que esta parte do mundo era uma imensa “hacienda”, como ficou claro no famoso filme “Bonequinha de Luxo” (“Breakfast at Tiffany’s”/1962), baseado num livro de Truman Capote e dirigido por Blake Edwards. Na trama, a personagem principal, uma garota de programa vivida por Audrey Hepburn, tenta dar o golpe do baú no brasileiro José da Silva Pereira, que era um misto de político e fazendeiro.

Ainda hoje, 55 anos depois, nada mudou. O Brasil continua a ser uma gigantesca fazenda, com a bancada ruralista ainda dando as cartas no Congresso, embora já ameaçada pela bancada evangélica, que também não é de brincadeira.

DESCONHECIMENTO – No caso dos processos criminais movidos contra Lula, o que mais impressiona é o apoio que ele conseguiu no exterior, com mobilização de importantes políticos e personalidades do mundo artístico. Este fenômeno revela que o quinto maior país do mundo em território e população, embora esteja há tempos no ranking das dez maiores economias, continua a não ter a menor importância no cenário internacional.

Nenhum desses apoiadores de Lula sabe que ele comandou o maior esquema de corrupção do mundo, que já existia, mas ele institucionalizou, ao estabelecer percentuais fixos de propina. Acham que ele está sendo perseguido porque lutou em favor das populações miseráveis, sem entender que ele usou o poder para enriquecer ilicitamente, junto com toda a famiglia Lula da Silva, como já está mais do que provado.

Se o Brasil realmente tivesse alguma importância, as personalidades internacionais  teriam conhecimento da realidade criminosa e promíscua que marcou a carreira de Lula desde o início, sob as bênçãos da ditadura militar. E ninguém faria esse papel ridículo de assinar manifesto em defesa de um político enganador e corrupto.    

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P.S. 1 – 
Quanto aos brasileiros de destaque que ainda apoiam Lula, como Chico Buarque e Fernando Morais, a lealdade deles é comovente, inexplicável e irracional. Parecem personagens de Nelson Rodrigues, a implorar a Lula: “Perdoa-me por me traíres”.   

P.S. 2 – O caso desses seguidores de Lula é um desafio psicanalítico que nem Freud explicaria, mesmo se tivesse apoio de Lacan, Jung e Pinel. É um fenômeno que merece ser estudado pela Patologia forense.

P.S. 3– Quanto ao histórico  julgamento de hoje em Porto Alegre, continuo cravando os 3 a 0 e aceito apostas. (C.N.)   

Lula evitou que surgissem outros líderes e o PT está caminhando para a derrocada

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Newton

Na sua mistura de ignorância e arrogância, o líder sindical Lula da Silva virou político, chegou ao poder e passou a ter delírios egocêntricos. Julgava-se (e até hoje se julga) “dono” do PT e do Brasil; achava-se (e ainda se acha) um candidato imbatível nas urnas. Esta megalomania fez muito mal ao PT, porque Lula jamais  admitiu o surgimento de novas lideranças no partido. Pelo contrário, tudo fez para permanecer sozinho e hegemônico. Por isso, o PT não tem Plano B.

No início da carreira política, devido a suas limitações, Lula se viu obrigado a se cercar de pessoas mais preparadas e esclarecidas, como os advogados Almir Pazzianotto, Aírton Soares, José Dirceu e Hélio Bicudo, o editor César Benjamin, o médico Antonio Palocci, o jornalista Tom Thimóteo, o sociólogo Paul Singer e os economistas Aloizio Mercadante e Guido Mantega, entre outros. Porém, Lula jamais permitiu que crescessem dentro do PT e fizessem sombra à sua liderança única e exclusiva.

NO PODER – No início de seu primeiro governo, em 2003, Lula dependia diretamente do chefe da Casa Civil, pois era José Dirceu que comandava o governo, Lula tinha um cargo apenas simbólico. Quando o “primeiro-ministro” Dirceu foi alvejado pelo mensalão, em 2005, Lula já tinha pegado gosto pela Presidência, ficou muito aliviado ao se livrar dele, colocou a desconhecida Dilma Rousseff na Casa Civil, para funcionar como gerentona, e estávamos conversados.

No ano seguinte, 2006, caiu mais uma liderança em ascensão no PT – o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que imitou Dirceu e abriu uma consultoria para também enriquecer às custas do chamado tráfico de influência. E assim Lula foi ficando sozinho e inexpugnável no governo e no PT. O presidente e os dirigentes do partido eram escolhidos diretamente por ele, não tinha nem conversa.

TUDO DOMINADO – Lula sempre teve o controle total do partido. Em 2010, quando o PT ia escolher o candidato á Presidência, sacou da manga do colete o nome de Dilma Rousseff, que viera do PDT e nem era considerada petista. Ninguém queria, mas Lula fez a convenção aprová-la, depois conduziu a campanha e elegeu o chamado poste.

Lula julgou que ao final do mandato, em 2014, a tal “presidenta” agradeceria a deferência e se retiraria, para que ele fosse candidato. Mas deu tudo errado. Dilma Rousseff se achava o máximo, desafiou Lula e lhe disse que ia disputar a convenção contra ele. Lula nem ligou, sabia que ninguém votaria nela.

Mas Dilma tinha uma bala de prata. Na reta final, ameaçou revelar os abusivos gastos no cartão corporativo da amante de Lula no Brasil e no exterior, mostrando também que muitas vezes Rosemary Noronha viajou clandestinamente, sem que seu nome constasse na lista de passageiros.

LULA RECUOU – Não havia alternativa. Lula teve de recuar. A contragosto, retirou seu nome e defendeu a candidatura de Dilma na convenção. Revoltado com a traição, não queria participar da campanha. No início, fez corpo mole, mas depois teve de entrar para salvar o PT e conseguiu reeleger a ex-companheira.

Quatro anos depois, Lula prepara-se para o dia mais importante de sua vida. Sabe que está praticamente destruído e o partido vai desmoronar junto com ele. Realmente, não sobrou uma só liderança de destaque que possa representar o PT na eleição.

Como dizia o genial Cartola, “o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir as ilusões a pó”.  E assim, de repente, não vai mais existirá o político Lula. E a legenda  que ele criou para dominar a política brasileira vai se tornar mais um partido nanico.

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P.S.
Na undécima hora, o PT planta as notícias mais fantasiosas, anuncia que o juiz Moro deixou brechas na sentença, a votação no TRF-4 será 2 a 1, Lula conseguirá disputar a eleição e voltará ao poder. O PT pode espalhar notícias à vontade. Acontece que desta vez, porém, não será o marketing que resolverá a parada. A decisão virá dos autos judiciais, com base na minuciosa sentença de 283 páginas do juiz Moro, que condenou Lula a nove anos e meio de prisão. Na política, Lula e o PT estão com seus dias contados. (C.N.)