Imobilizado e imbecilizado com Bolsonaro no poder, o Brasil vai para onde?

Tamanho de Bolsonaro

Charge do Duke (dukechargista.combr)

Carlos Newton

Com apenas um ano e meio de governo, o presidente Jair Bolsonaro jaz inerte, aprisionado por seus próprios erros. Totalmente despreparado para o exercício do Poder, Bolsonaro desprezou o aconselhamento de aliados de alto nível, como os generais Augusto Heleno, Santa Rosa, Hamilton Mourão e Santos Cruz e o advogado Gustavo Bebianno, preferindo seguir  seus filhos irresponsáveis e o guru terraplanista Olavo de Carvalho, mentor ideológico deles.

Este foi seu primeiro gravíssimo erro, porque significou a escolha de ministros de baixo nível, como Ricardo Vélez Rodrigues, Damares Alves, Ernesto Araújo e Marcelo Álvaro Antonio.

IMPORTANTES PERDAS – Depois, insistiu no erro e perdeu quadros importantes, como Bebianno (Secretaria-Geral), Santos Cruz (Secretaria de Governo), Santa Rosa (Assuntos Estratégicos). E também errou ao colocar o vice Mourão no freezer do Planalto, proibindo-o de receber embaixadores e dar entrevistas sobre o governo. Os outros saíram, mas Mourão é indemissível, absorveu o golpe e deixou o tempo passar.

Ao mesmo tempo em que perdia grandes aliados, Bolsonaro cometia outros erros gravíssimos. Um deles foi atacar a mídia, que sempre apoia governos iniciantes. Mas Bolsonaro preferiu confiar na avaliação do guru virginiano e dos filhos, que lhe convenceram de que a mídia não tem mais força e hoje o importante é dominar as redes sociais.  

Resultado: pela primeira vez na História do Brasil, um governo perdeu o apoio de toda a grande mídia logo no início da gestão, muito pior do que aconteceu com João Goulart, que ainda tinha parte da mídia a seu favor, quando foi derrubado.

GUEDES E BRAGA – Outro grave erro foi colocar Paulo Guedes como czar da economia, dando-lhe plenos poderes. O ministro da Economia fracassou desde o início, fez uma reforma da Previdência remendada, que garantiu privilégios da nomenklatura civil e militar, preferindo cortar por baixo.

O pior é que Guedes não tem nenhum planejamento, está perdido em si mesmo, só pensa em desonerar empresas, proteger banqueiros e vender  estatais. É um mau brasileiro, deveria voltar ao mercado, para aplicar aqueles golpes nos fundos de pensão que lhe valeram denúncia oficial da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) e até hoje ele não foi prestar depoimento.

Desde o início, a chamada ala militar tentou recolocar o governo nos trilhos, mas o próprio Bolsonaro não aceita sugestões dos aliados. O resultado é um governo imbecilizado e imobilizado, no qual o chefe da Casa Civil, ao invés de tocar o governo na eterna ausência do titular, dedica-se a arranjar um emprego altamente remunerado para a filha.

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P.S. –
Todo mundo quer saber aonde vamos, mas essa pergunta não tem resposta, porque o governo está inerte, de volta ao passado, ao invés de buscar o futuro. Com Bolsonaro no poder e os filhos no terceiro andar do Planalto, podem acreditar que não iremos a lugar algum. Desgraçadamente, é essa a nossa situação. Desculpem, mas não há razões para otimismo. (C.N.)

Fux pretende responsabilizar redes sociais por fakes news e discursos do ódio

Arquivos Charge - Página 17 de 99 - Diário do Poder

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

Em setembro o ministro Luiz Fux assume a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), que vem de uma gestão extremamente negativa, que acredito ter sido a pior da História do Judiciário, com o atual presidente Dias Toffoli agindo em causa própria ou defendendo amigos, como José Dirceu e Lula da Silva, sem falar no retrocesso histórico de proibir prisão após segunda e terceira instância, com objetivo único de libertar o ex-presidente petista.

Naquele julgamento vergonhoso, Toffoli enganou a ministra Rosa Weber, que ia votar em prisão após terceira instância, o que deixaria Lula na cadeira, mas o presidente do STF encerrou o julgamento rapidamente, sem discutir esse detalhe fundamental, que Rosa Weber levantara ao final de seu voto e depois não teve coragem de contrapor o presidente da corte. Mas deixa isso para lá, ninguém se interessa mesmo.

FUX E MORAES – O importante é que, como presidente do Supremo, Luiz Fux vai dar força às investigações conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes. Uma delas – sobre robotização e fake news – já chegou ao terceiro andar do Palácio do Trabalho, onde está lotado Tercio Arnaud, um dos operadores do gabinete do ódio conduzido por Carlos Bolsonaro, com apoio também de assessores parlamentares de seus irmãos Eduardo e Flávio na Câmara e no Senado.

O outro inquérito, sobre financiamento das manifestações antidemocráticas também vai acabar caindo no colo do presidente da República, que é o grande incentivador desses descaminhos ideológicos.

E existe uma terceira possibilidade de abertura de processo no Supremo contra Bolsonaro – a investigação a cargo do ministro Celso de Mello, sobre acusação de que o presidente teria praticado oito crimes ao ameaçar de demissão o então ministro da Justiça, Sérgio Moro.

PEDIDO DE IMPEACHMENT – Os três inquéritos são como afluentes que inevitavelmente vão desaguar num pedido de impeachment a ser apresentado pelo próprio Supremo, após julgar e condenar o presidente da República por crime comum.

Com certeza, esse pedido terá mais fundamentação do que as 49 solicitações já apresentadas ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que até agora só arquivou uma delas.

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P.S. –
Outro detalhe importante: na opinião de Fux, não se aplica o discurso de que barrar conteúdo falso seria censura. Diz que as plataformas das redes sociais, blogs e sites precisam manter uma triagem “prima face” das fake news nocivas, conforme a TI faz vem fazendo em relação aos comentários do gabinete do ódio, especialistas em fake news. Segundo Fux, isso não é censura. (C.N.)

Duelo entre Bolsonaro e Mourão é uma briga de extermínio, e só um restará

Entenda os riscos para Bolsonaro e Mourão no TSE, onde 8 ações ...

No final da disputa pelo poder, cada um irá para o seu lado

Carlos Newton

O quadro político-militar vai ficando cada vez claro, demonstrando que a mudança de postura e o surpreendente silêncio de Bolsonaro não se devem à covid-19, mas a algum fato muito mais grave. 

ORDEM DE CIMA – Como ele jamais aceitou os conselhos da chamada ala militar do Planalto (generais Augusto Heleno, Braga Netto, Eduardo Ramos e Rêgo Barros), o presidente só pode ter recebido uma ordem do Alto-Comando para se contrair, esquecer o golpe militar e ficar em segundo plano. Não há outra explicação.

Agora, aguarda-se que  o verdadeiro Bolsonaro volte à cena, pois dificilmente ele conseguirá manter o perfil paz & amor que lhe tem sido imposto.  Infelizmente, o chefe do governo não tem discernimento e, mesmo tendo contraído a coronavírus, segue costeando o alambrado, como dizia Leonel Brizola, preparando-se para encontrar um jeito de escapar das amarras e seguir com as asneiras de sempre.

MOURÃO EM ALTA – Enquanto o presidente entra na muda, atendendo a insistentes pedidos, como se dizia antigamente, o vice emerge com toda força, sempre com declarações claras e objetivas e que atendem o interesse nacional.

Assediado diariamente pelos jornalistas, o general Hamilton Mourão fala com franqueza e trafega em outra frequência em relação aos grandes problemas nacionais. Nas duas últimas semanas, em eventos importantes, o vice-presidente encostou para o lado o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, como se fosse uma barata morta, e deu declarações importantes sobre a Amazônia e o combate à covid-19, anunciando que o general Pazuello deve se afastar da Saúde em agosto, conforme já ficou combinado com o Alto Comando.

A desenvoltura e o desempenho de Mourão estão levando Bolsonaro à loucura e nesta quinta-feira, ao transmitir a sua live no final da tarde, o presidente fez questão de tentar desmentir e desautorizar seu vice, sem mencioná-lo, é claro.

RECAÍDA EMOCIONAL – Para os chefes militares foi uma surpresa a recaída emocional de Bolsonaro. Segundo o jornalista Gerson Camarotti, do G1, integrantes da ativa e da reserva do Exército demostraram preocupação com a indicação de que o general Eduardo Pazuello deve seguir no comando do Ministério da Saúde.

Na transmissão ao vivo pela internet, Bolsonaro garantiu não somente a permanência de Pazuello, como também a do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles:

“Salles fica. Pazuello fica. Sem problema nenhum. São dois excepcionais ministros”, disse o presidente, acrescentando que o general intendente é “a pessoa certa no lugar certo”.

NOVOS CAPÍTULOS – Em tradução simultânea, a novela esquentou e novos capítulos virão por aí. Bolsonaro e o gabinete do ódio estão doidos para reagir e colocar Mourão em seu devido lugar (na opinião deles), mas o general está fora de alcance, protegido pelas casamatas do Alto Comando

O duelo entre Bolsonaro e Mourão é uma briga de extermínio. Mourão está se cacifando, escreve artigos na Folha e no Estacão, jornais odiados por Bolsonaro, garante que as Forças Armadas não aceitam ruptura institucional e segue em frente, consciente de que a conjuntura dos astros lhe é favorável. Podem perguntar ao Olavo de Carvalho, que era astrólogo, mas desistiu, depois de aderir à teoria terraplanista.

Alexandre de Moraes conduz com maestria dois inquéritos que devem incriminar Bolsonaro

TRIBUNA DA INTERNET | Alexandre de Moraes vai decidir se Jair ...

Charge do Jota A (Portal O Dia/PI)

Carlos Newton

O mais novo ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, ex-secretário de Segurança de São Paulo, está se transformando na grande revelação do Judiciário brasileiro, conduzindo-se de forma independente e impecável. E agora está em suas mãos o futuro da República, como relator de dois inquéritos que atingem diretamente o Planalto – um sobre ameaças ao Supremo e que acabou se transformando numa investigação também sobre “fake news”; e o outro, sobre organização e financiamento de atos antidemocráticos.

Com sua independência e precisão jurídica, conseguiu também emparedar Gilmar Mendes e Dias Toffoli no explosivo caso do antigo Coaf (Conselho de Fiscalização de Atividades Financeiras), que havia flagrado em sonegação as mulheres deles, Guiomar Mendes e Roberta Rangel, ambas advogadas, junto com 31 outros contribuintes politicamente expostos (ligados ao poder público).

ERRO DE TOFOLLI – Na condição de presidente do Supremo, Toffoli abriu uma investigação interna, alegando que o tribunal, seus ministros e até familiares sofriam ameaças e eram vítimas de “fake news”. Para não ter reação ao inquérito, que foi aberto mediante “interpretação livre” do Regimento do STF, Toffoli indicou o mais novo ministro, Alexandre de Moraes.

Foi um erro gravíssimo, pois Moraes simplesmente desprezou os interesses conjugais de Toffoli e Gilmar, separou os assuntos e rapidamente colocou em votação o esquema de trabalho do Coaf. Mas o julgamento levou meses, porque houve pedido de vistas.

Em dezembro de 2019, na hora da verdade e do olho no olho em plenário, a votação ficou em 10 a 1, pois Gilmar não teve coragem de defender a mulher e Toffoli mudou o voto na chamada undécima hora. Apenas Marco Aurélio Mello votou contra o relator, por razões que nem Freud explica. E o antigo Coaf (atual Unidade de Inteligência Financeira – UIF) e a Receita retomaram o democrático direito de compartilhar dados sigilosos com o Ministério Público, sem autorização judicial.

“FAKE NEWS” NO PLANALTO – Sob comando de Moraes, a Polícia Federal saiu na captura das “fake news”, seguiu o caminho e foi acabar no terceiro andar do Planalto, onde trabalham Carluxo Bolsonaro e Tercio Arnaud, um jovem assessor presidencial, cuja função é justamente abastecer  as redes de robôs humanos e mecânicos para distribuir “fake news”nas redes sociais, sites, blogs, portais e também por e-mail.

Além das provas robustas já existentes no inquérito, Moraes autorizou a Polícia Federal a acessar dados de uma investigação do Facebook que resultou na remoção de contas ligadas ao PSL e a gabinetes da família Bolsonaro.

A decisão está em sigilo e foi tomada em dois inquéritos: no que apura a organização e financiamento de atos antidemocráticos e no que investiga ataques a ministros do Supremo e disseminação de “fake news”.

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P.S. 1
As provas são abundantes e não há possibilidade de defesa em nenhum dos inquéritos que são conduzidos por Alexandre de Moraes, um nome que está prestes a entrar na História, graças ao erro de avaliação de Toffoli.

P.S. 2 – Há no Supremo um terceiro inquérito contra Bolsonaro, pelas acusações que lhe foram feitas pelo ex-ministro Sérgio Moro. Mas o relator é Celso de Mello, que não é um ministro confiável e pode até arquivar a investigação, que também possui provas robustas contra o presidente. Mas quem se interessa? (C.N.)

Falta pouco para Bolsonaro ser incriminado e o impeachment é só questão de tempo

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro vai descumprir “regra de ouro” e ...

Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Carlos Newton

Devido aos procedimentos incompatíveis com o decoro da função de presidente da República (tipo: “Eu sou a Constituição!”), o presidente Jair Bolsonaro coleciona número recorde de pedidos de impeachment. Até o final de maio, 641 pessoas e organizações já haviam assinado solicitações de abertura de processo para impeachment. Entre os 45 pedidos apresentados, apenas um já foi arquivado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

De lá para cá, esse total aumentou bastante, mas ainda não foi divulgado. Ao que parece, o céu é o limite, e só está faltando o Jota Silvestre.

CRISE PERMANENTE – O fato concreto é que, em meio à pandemia, o país enfrenta uma situação de crise permanente. À exceção dos fanáticos, já existe consenso de que Bolsonaro não serve para governar, até o Alto Comando do Exército já se conscientizou disso e teme que o fracasso do capitão prejudique a imagem das Forças Armadas, o que é inevitável e já está acontecendo.

Se não estivéssemos tão atacados pela covid-19, a situação política já estaria muito pior, devido ao fracasso do ministro da Economia, Paulo Guedes, que já mostrou não merecer a carta-branca recebida do presidente da República.

É visível que Guedes está inteiramente atordoado, não existe nem nunca existiu um plano de governo, só agora o chefe da Casa Civil, Braga Netto, tenta improvisar alguma coisa, mas o Ministério é de um despreparo constrangedor.

INCRIMINAÇÕES – Com um ano e meio de governo, Bolsonaro se tornou uma sombra do passado, que não tem a menor projeção para o futuro. Além das dezenas de pedidos de impeachment e das duas solicitações de CPIs, Bolsonaro está sendo diretamente investigado em dois inquéritos no Supremo.

Um deles foi aberto pelo próprio presidente, na tentativa de incriminar o ex-ministro Sérgio Moro, um cidadão exemplar, que merecidamente se tornou o brasileiro mais respeitado no cenário internacional. Mas o trabalho da Polícia Federal rapidamente inocentou Moro e passou a investigar Bolsonaro, por suspeita de sete crimes, além da falsa denunciação caluniosa.

No outro inquérito do Supremo, que apura “fake news” e uso de robôs nas redes sociais, o relator Alexandre de Moraes acaba de arrebentar com Bolsonaro, ao determinar que as provas obtidas pelo Facebook sejam anexadas à investigação. É um golpe mortal, em termos jurídicos e políticos, porque atinge diretamente o Planalto, através do assessor presidencial Tercio Arnaud.

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P.S.
A incriminação de Bolsonaro, junto com os três filhos e um monte de assessores, torna-se um fato pré-consumado, uma tragédia anunciada, sem possibilidade de reversão. Bolsonaro pode até achar que ainda é o presidente, mas ele já tem um encontro marcado com o impeachment. Como dizem os árabes, “maktub” (ou “assim estava escrito”).  (C.N.)

Os suspeitos de sempre ressuscitam o Caso Banestado para desmoralizar Sérgio Moro

Ninguém me quer", diz doleiro Alberto Youssef

Alberto Youssef, da Lava Jato, era um dos doleiros do caso Banestado

Carlos Newton

No clássico “Casablanca”, de Michael Curtiz, um dos melhores filmes de todos os tempos, rodado em plena Segunda Guerra Mundial, os ocupantes alemães exigem que a Polícia francesa persiga os insurretos que tentam expulsá-los do Marrocos. O chefe de polícia, vivido pelo ator francês Claude Rains, então dá uma ordem que ficou na História do Cinema: “Prendam os suspeitos de sempre”.

Agora, repete-se a cena com outros atores e objetivos, que irrigam a internet e as redes sociais com a enésima reprise do Caso Banestado, uma superprodução que em 2003 marcou a estreia do então juiz federal Sérgio Moro na mídia nacional, ao desmontar uma superquadrilha internacional de lavagem de dinheiro.

EVASÃO DE DIVISAS – A quadrilha operou na lavagem de dinheiro e evasão de divisas de 1996 a 2002, período em que foram retirados do país cerca de 30 bilhões de dólares, através das chamadas contas CC5 do Banco do Estado do Paraná (Banestado), segundo estimativas reveladas pela operação Macuco, da Polícia Federal.

Um dos presos foi Dario Messer, até hoje chamado de “doleiro dos doleiros” e que voltaria à cena no passado recente da Lava Jato. Naquela época, ele foi acusado de desviar 228,3 mil dólares de uma conta da agência do Banestado de Nova York. Espertamente, Messer fez acordo com a Procuradoria, quando ainda nem existia a delação premiada prevista em lei.

Em sua defesa por escrito, não apenas admitiu o desvio, como revelou detalhes do esquema de captação e remessa ilegais de dinheiro para o exterior, relacionando 107 contas naquela agência do Banestado em Nova York.

YOSSEF NA JOGADA – Havia outros doleiros envolvidos, entre ele o indefectível Alberto Youssef, que também fez delação e entregou à força-tarefa da CC-5 (formada pela Polícia Federal e procuradores de Curitiba) diversos concorrentes do mercado de venda ilegal de dólares, entre os quais o doleiro Paulo Roberto Krug.

Foi com o caso Banestado que os delegados federais, os procuradores, os auditores da Receita e o juiz Moro enfrentaram os maiores e melhores advogados do país, ganhando a experiência necessária para depois conseguir levar a bom termo a Lava Jato,  Sem o Banestado, não haveria Lava Jato e o ex-presidente Lula da Silva certamente estaria de novo no poder, pensem nisso.

Agora, 17 anos depois, os suspeitos de sempre buscam ressuscitar o caso Banestado, em mais uma tentativa de desmoralizar um homem como Sérgio Moro, que merece receber desse país todas as homenagens possíveis e imagináveis.

PASSADO EM JULGADO – Na ilusão de atingir Moro, as redes sociais ligadas a Bolsonaro se alvoroçam com a reciclagem e lavagem do lixo do Banestado. Usam como arma um recurso em habeas corpus contra Moro, impetrado pelo doleiro Paulo Roberto Krug, que alegou cerceamento de defesa. E ressuscitam também o advogado espanhol Tacla Durán, foragido do aís e já apanhado em flagrante fraudando provas contra Moro numa CPI do Congresso.

Aqui na Tribuna, os robôs humanos infiltrados não somente pelo “gabinete do ódio” ligado a Bolsonaro, mas também aos chamados “assassinos de reputações”, ligados a Lula, denunciam o editor-chefe da TI por se recusar a exibir essa velha reprise do Banestado.

O que posso dizer é que se trata de um processo com trânsito em julgado, com Moro tendo sido inocentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal. O caso foi arquivado em 2019, só restou o desespero contra Moro.

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P.S.
Sabemos que a força-tarefa da Lava Jato e o ex-juiz Moro costumam ler a TI. Então, vamos usar esse espaço para pedir a esses bravos operadores do Direito mil desculpas pelas injustiças, injúrias e indignidades com que tentam atingi-los. Ser decente e correto nesse país ainda é um risco que se corre, mas iniciativas como a Lava Jato estão mudando essa realidade degradante (C.N.)

Só há uma explicação: Bolsonaro está quieto porque recebeu ordens superiores

Congresso já derrubou nove MPs de Bolsonaro esta ano - Política - iG

Eis  o maior mistério do país: quem conseguiu acalmar Bolsonaro?

Carlos Newton  

Recentemente lançamos um concurso aqui na Tribuna da Internet, para saber por quanto tempo o presidente Jair Bolsonaro manterá essa linha “Ternura”, sem defender golpe de estado, dizer asneiras ao encontrar admiradores fanáticos diante do Palácio do Planalto ou afrontar os outros Poderes da República.

Realmente, esse comportamento exemplar do presidente da República provoca muita incerteza, porque Jair Bolsonaro decididamente não é assim, sua postura atual nada tem a ver com o procedimento que vem adotando desde que assumiu o governo.

NÃO É A COVID – É bom ressalvar que não se pode atribuir essa mudança de hábitos ao fato de ter contraído a covid-19. Isso ocorreu antes de ter sido contaminado e perdura até agora.

Essa  insondável calmaria ocorre justamente quando se agrava a situação do filho Flávio, o senador, cujas investigações estão avançando perigosamente, assim como aumenta o cerco ao chamado “Gabinete do Ódio”, que pode incriminar os três filhos, que agem em conjunto na disseminação de “fakes news” e assassinato de reputações, exatamente como o PT procedia quando estava no poder.

Ao mesmo tempo, só falta o depoimento do presidente para fechar o inquérito sobre as interferências na Polícia  Federal, que acumula provas contra Sua Excelência, inclusive o testemunho que o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, prestou contra ele.

PAZ INFINITA – Com tanto problema grave ocorrendo simultaneamente, sem falar no inquérito do Supremo sobre “fake news” e na CPI Mista do Congresso que também apura o assunto, parece que o mundo desabou, mesmo assim Bolsonaro mantém uma paz infinita, essa postura zen budista de fazer inveja ao Dalai Lama.

Em tradução simultânea, deve ter acontecido algo de muito grave com o presidente. Pode ter escorregado no mármore do banheiro do Alvorada e batido com  a cabeça na privada; pode ter tomado Haldol ao invés de Rivotril; pode ter recebido um passe fora da curva de algum desses gurus que infestam Brasília…

São diversas hipóteses, ninguém sabe o que foi, mas algo de muito estranho aconteceu com Jair Messias Bolsonaro.

ORDENS SUPERIORES – Como se trata de um militar de carreira, que sempre se orgulhou de suas origens castrenses, só pode haver uma explicação – ele recebeu ordens superiores. E onde se lê superiores, por favor mudem para Alto Comando do Exército. No Brasil, não há nada superior a essa instituição, que informalmente exerce o famoso Poder Moderador.

Ao que parece, Bolsonaro levou um ultimato para ficar quieto, deixar o general Braga Netto governar com apoio da ala militar e não permitir interferência dos filhos nem do guru virginiano. Acredite se quiser.

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P.S. – Resta saber por quanto tempo vai durar essa fase zen budista do presidente. Façam suas apostas. (C.N.)

Celso de Mello só aguarda o depoimento de Bolsonaro para concluir o inquérito

erá submetido a cirurgia e ficará afastado até 19 ...

Celso de Mello tem provas suficientes para incriminar Bolsonaro

Carlos Newton

Em seu canto do cisne, às vésperas da aposentadoria compulsória, o ministro Celso de Mello conduz o mais importante inquérito de sua vida, que pode mudar os rumos da política brasileira e motivar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

A investigação foi aberta a pedido do próprio chefe do governo, que se sentiu ofendido pelo então ministro da Justiça, Sérgio Moro, que o acusara de tentar ingerência na Polícia Federal.

PETIÇÃO ÀS PRESSAS  – A pressão do presidente foi tamanha que o procurador-geral da República, Augusto Aras.  teve de agir às pressas e nem desenvolveu uma justificativa robusta. Na petição inicial, Aras limitou-se a anexar a transcrição das declarações de Sérgio Moro ao se demitir pela TV e depois acrescentou algumas linhas, afirmando que o ministro teria cometido denunciação caluniosa contra o presidente, além de outros possíveis seis crimes.

Ou seja, trata-se de uma petição jurídica de uma pobreza intelectual constrangedora. O procurador-geral não cita nenhuma jurisprudência, nenhum autor consagrado, nem doutrina ou princípios, nada, nada. Qualquer estudante de Direito que redigisse petição semelhante numa prova, certamente seria reprovado.

O resultado é que a investigação virou o inquérito de cabeça para baixo. O ex-ministro Sérgio Moro, que era o candidato a réu, agora sequer é mencionado no frontispício do inquérito, enquanto o presidente Bolsonaro aparece como investigado.

INTERFERÊNCIA NA PF – Na reta final, passou a ser investigado se o chefe do governo cometeu crimes ao ameaçar demitir o então ministro da Justiça, caso ele não permitisse interferências na Polícia Federal, para passagem de informações de inquéritos sigilosos diretamente ao presidente da República.

A função de Celso de Mello é colher provas e encaminhá-las ao procurador-geral da República, para que decida se deve mandar abrir processo contra o presidente ou se determina o arquivamento do inquérito, só existem essas duas hipóteses, pois o ex-ministro Moro nem é mais investigado.

PREVARICAÇÃO – O presidente Jair Bolsonaro está sendo investigado por diversos crimes, especialmente prevaricação (artigo 319 do Codigo Penal), que consiste no fato de “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.

Ao demitir Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF, o presidente praticou um ato ilegal, sem motivação válida e para atender o sentimento pessoal de proteger a família e amigos, conforme sua fala na reunião ministerial, que praticamente o transforma em réu confesso.

Outros crimes comprovados são de ameaça (art. 147),  por ter ameaçado demitir o ministro Sérgio Moro na reunião, assim como crime de difamação, por ter afirmado que Moro lhe propôs um acordo para ser nomeado ao Supremo. Além do crime de apresentar à Justiça falsa denunciação caluniosa.

UM SERVIÇO FÁCIL – Não há dificuldades para Celso de Mello apresentar um arrazoado que faça o procurador-geral Augusto Aras abrir processo contra o presidente.

Só falta o depoimento de Sua Excelência. Porém, como o investigado está com Covid-19, a delegada federal não pode se aproximar dele. Por enquanto.

A situação é essa – Moro está previamente inocentado, antes mesmo de o inquérito terminar, e Bolsonaro virou a boa da vez, em sinuca de bico, como se diz nos salões de bilhar.

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P.S. –
Não pretendíamos voltar ao assunto, mas é irresistível. Dois robôs humanos do “Gabinete do Ódio”, já identificados como “infiltrados” entre os comentaristas da TI, lançaram nesta segunda duas Piadas do Ano. A primeira foi de que nosso blog não teria saído do ar, e a segunda piada dizia que nós mesmos tiramos o blog de circulação. Esquecem que nosso servidor é o UOL, onde todas informações estão arquivadas, inclusive os nomes dos técnicos que nos socorreram e os horários. (C.N.)

No desespero, ‘Gabinete do Ódio’ manda hackers derrubarem o blog da Tribuna da Internet

Hackers não dão valor à democracia e nem a respeitam

Carlos Newton

Já era esperado, porque os fanáticos da política agem sempre da mesma forma, não importa que sejam de direita ou esquerda. Não dão valor à democracia nem a respeitam, pois preferem usar instrumentos ilegais para calar os oposicionistas. Foi assim durante a chamada Era do PT, quando a “Tribuna da Internet” era caninamente perseguida pela atuação de hackers que costumavam retirar o blog do ar, devido a importantes notícias sobre Lula da Silva e Dilma Rousseff, que eram publicadas aqui com absoluta exclusividade.

Agora quem nos retira do ar é o “Gabinete do Ódio” do governo Bolsonaro, por termos realizado um cuidadoso levantamento, com apoio de especialistas em informática, que identificaram a presença de grande número de robôs humanos infiltrados entre os comentaristas do blog – a grande maioria, com objetivo de defender o governo Bolsonaro, mas há muitos outros, mantidos por partidos ou correntes ideológicas.

REAÇÃO INFANTIL – Essa atuação de hackers bolsonaristas para nos tirar do ar é uma reação infantil, que passa recibo e comprova que os adeptos do “mito” não têm argumentos para enfrentar um debate democrático, à luz do dia, pois só sabem combater nas sombras, deslealmente e sob covarde anonimato.

Esses faniquitos e fricotes, bem ao gosto da família Bolsonaro,  acabam tendo efeito negativo, por revelarem o viés ditatorial e censório que caracteriza o comportamento de seus membro.

Os técnicos do servidor UOL são excelentes no atendimento, e sempre retornamos ao ar ainda com maior entusiasmo, para defender a democracia que o “Gabinete do Ódio” tenta sepultar.

Os infiltrados na Tribuna da Internet pelo “Gabinete do Ódio” ficaram revoltados

Bolsonaro não cogita convocar o Conselho da República e dá ...

Charge do Nielsen (Arquivo Google)

Carlos Newton

Eles odeiam ser chamados de robôs porque são pessoas físicas, alguns com boa capacidade intelectual e outros apenas com aptidão suficiente para repetir as instruções do “Gabinete do Ódio”, comandado nacionalmente por Carlos Bolsonaro, com apoio de um grupo de assessores presidenciais, alguns inclusive lotados no próprio Palácio do Planalto.

Carluxo comanda o circo numa sala no terceiro andar, colada ao gabinete presidencial e ocupada oficialmente pelo assessor internacional Filipe Martins, que é amigo dos filhos de Bolsonaro.

Portanto, quando o general Braga Netto veio a público dizer que Carluxo não tem sala no Planalto, estava dizendo rigorosamente a verdade. O filho Zero Dois realmente oficialmente não tem sala no palácio, mas trabalha lá de maneira informal.

DENTRO DO PLANALTO – É da sala no terceiro andar que Carluxo dirige o chamado “Gabinete do Ódio”, que não tem sede e opera de forma virtual, com uso de assessores palacianos ou contratados pelos gabinetes de Flávio e Eduardo Bolsonaro no Congresso.

Os integrantes do primeiro escalão municiam com informações e “fake news” os responsáveis por acionar os robôs cibernéticos que atuam pró-Bolsonaro desde quando ele se lançou candidato, em 2017, mesmo sem ter legenda garantida.

O mesmo material é encaminhado aos falsos comentaristas (profissionais ou amadores) que se infiltram em  blogs, sites e portais, para defender o presidente e atacar os adversários, como ocorre aqui na Tribuna. Esses profissionais também estão bem colocados  no serviço público ou na iniciativa privada, abrigados por empresários que apoiam o governo.

INFILTRADOS NA TRIBUNA – Neste domingo, escrevemos sobre o assunto e citamos apenas quatro integrantes do “Gabinete do Ódio” (Policarpo, Piadinha, Moyses Abrahão e Al), mas nenhum deles assume a carapuça e continuam se comportando como robôs intelectuais.

De manhã cedo, logo apareceu um defensor deles, que adota pseudônimo de Eliel. Foi hilário, porque esse “comentarista” não sabia que também tinha sido identificado como robô humano, a serviço da equipe de Carluxo.

Na verdade, identificamos um número enorme de comentaristas serviçais, não somente bolsonaristas, mas também petistas,  tucanos, olavistas e muitos deles são tão hábeis que nem dá para identificar os objetivos deles. Parece que. por enquanto, estão apenas marcando território, pois agem de forma independente, como se fossem comentaristas normais da TI, mas sabemos que estão infiltrados.

FIQUEM TRANQUILOS – Deu para notar que alguns temem perder os postos de trabalho (vamos considerar assim). Mas podem ficar tranquilos. Está difícil conseguir emprego e não queremos prejudicar quem tenta sobreviver prestando esse tipo de serviço.

Por isso, ninguém está proibido de frequentar o blog. Para trafegar aqui, basta que o façam com educação e cortesia, sem palavrões, palavras chulas e ofensas. Apenas isso.

Aliás, a grande marca desses comentaristas profissionais é o ódio que contamina seus textos. Atuam como se os adversários políticos não tivessem o direito de existir.  E isso não é democracia. Aqui na TI eles não vão se criar.

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P.S. – Outra característica é que eles odeiam quando são chamados de robôs. O comentarista gaúcho Francisco Bendl percebeu esse ponto fraco e tem levado esse pessoal à loucura. (C.N.)

Para qualquer integrante do “Gabinete do Ódio”, a maior ofensa é ser chamado de “robô”

TRIBUNA DA INTERNET | Category | C. Newton

Charge do Iotti (Arquivo Zero Hora)

Carlos Newton

São duas coisas muito diferentes que não se confundem. Robôs cibernéticos são aqueles que distribuem mensagens simultaneamente a grande número de internautas, usando e-mails ou os mais diversos tipos de redes sociais. Comentaristas infiltrados em blogs, sites e portais são profissionais (ou amadores) de grande aptidão, capazes de travar debates sobre política, economia e outros temas, para responder a ataques feitos ao contratador e formar opinião a favor dele.

Justamente por isso, para qualquer integrante do “Gabinete do Ódio”, a maior ofensa é ser chamado de “robô”. Eles ficam furiosos quando identificados assim.

PROFISSIONAIS E AMADORES – É preciso fazer distinção entre profissionais e amadores, porque há os que vivem disso, sendo remunerados direta ou indiretamente pelos respectivos “Gabinetes do Ódio”, que são mantidos pelos partidos e grupos políticos para defender Jair Bolsonaro, Lula da Silva, Ciro Gomes, João Dória e outras lideranças nacionais, regionais ou locais.

Aqui na Tribuna da Internet, desde sempre estivemos e até hoje estamos invadidos por comentaristas profissionais e amadores de toda espécie.

Os amadores, que defendem com todo coração seus ídolos políticos, são sempre bem-vindos, trazem informações importantes e esquentam os debates do blog. Mas os profissionais, na ânsia de vencer discussões, sempre acabam se tornando importunos, ninguém os aguenta.

ESTRATÉGIA INTELIGENTE – Os “Gabinetes do Ódio”, não importa de que partido são, seguem a mesma estratégia. Infiltram no blog comentaristas de alto nível, que começam a participar dos debates, são amáveis, trocam informações e dialogam com os comentaristas amadores.

Com o passar do tempo, esses supercomentaristas são substituídos por outros de menor aptidão, que passam a usar o nome dele para interagir com outros internautas. É uma estratégia inteligente e eficaz, temos de reconhecer.

Mas aqui no blog eles não se criam, como se dizia antigamente, porque temos uma tropa de choque que os enfrenta, isso já faz parte do nosso dia a dia, eles acabam sendo detonados.

QUATRO PROFISSIONAIS – Com a ajuda de Antonio Carlos Orofino, especialista em informática que nos assessora, fizemos um levantamento e identificamos quatro nomes usados pelo atual “Gabinete do Ódio”, cuja sede funciona no próprio Palácio do Planalto.

O primeiro deles é “Policarpo” (policaminha@gmail.com). Sob esse nome invadiram o blog 32 usuários de computadores, laptops, tablets e celulares. Como dizia Vinicius de Moraes em relação ao maestro Moacir Santos, ”ele não é um só, mas tantos…”.

Sob o codinome “A” (azvedoal@gmail.com), paramos a contagem quando chegamos em 34 usuários diferentes.  Outros        36 infiltrados usavam o nome “Abrahão Moyses Renée e Alfinete (abrahaomoyses_renealfinete@yahoo.com.br). E contamos 16 comentaristas usando o apelido “Piadinha” (rosana@2014gmail.com) que não se sabe ser homem ou mulher.  

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P.S.
1 Há outros invasores aqui na TI, inclusive alguns do “Gabinete do Ódio” do PT, que está meio desarticulado com a falta do dinheiro da corrupção. Mas nenhum deles apresenta a mesma desfaçatez desses quatro integrantes do “Gabinete do Ódio” criado por Carluxo Bolsonaro.

P.S. 2 – Logo aparecerão outros, isso faz parte do jogo, a gente nem liga e vai em frente, como diz o Pedro do Coutto. (C.N.)

Lula também tinha um ‘Gabinete do Ódio’, que invadia blogs e sites independentes

Gabinete do ódio ajuda a inchar número de cargos do Planalto ...

Charge do João Bosco (Arquivo Google)

Carlos Newton

Para os seguidores da Tribuna da Internet, não há novidade alguma nessas acusações ao “Gabinete do Ódio”, como se fosse um criação da família Bolsonaro para instituir um patrulhamento na internet. Na verdade, essa prática política já existe desde o primeiro mandato de Lula da Silva, quando os petistas passaram a boicotar a atacar os blogs e sites que manifestassem oposição ao governo.

Essa estratégia política, que cria “fake news” em série, realmente produz resultados, especialmente entre os eleitores de menor instrução ou que se deixem levar pelo fanatismo.

HÁ DIFERENÇAS – É claro que existe enorme diferença cm relação aos dias de hoje, porque na Era Lula a grande novidade ainda era o iniciante Facebook, não havia Twitter nem outras redes sociais como hoje.

Naquela época, a disputa da internet era evidenciada através do patrocínio que o governo petista oferecia a todos os blogs, sites e portais que apoiavam Lula/Dilma, exatamente o que continua a acontecer hoje em relação aos blogueiros e youtubers que recebem anúncios do governo Bolsonaro.

Os petistas usavam todos os instrumentos possíveis, infiltrando falsos comentaristas, contratando hackers para tirar do ar os espaços antiPT, e abrindo processos em série contra oposicionistas. Lembro que o jornalista independente Fábio Pannunzio chegou a tirar seu blog do ar.

TRIBUNA HACKEADA – Aqui na TI era comum sermos tirados do ar por hackers ideológicos. Certa vez, o site do PT publicou na primeira página uma conclamação sob o título “Às Armas”, pedindo que os especialistas em informática tirassem do ar todos os sites, blogs e portais que se manifestassem contra Lula e Dilma.

A Tribuna da Internet foi um dos primeiros blog a serem hackeados, porque na época havíamos publicado, com absoluta exclusividade, que Dilma estava rompida com Lula, não deixaria ele ser candidato e até ameaçara divulgar os gastos que a amante do ex-presidente, Rosemary Noronha, tinha feito no Brasil e no exterior, ao viajar em frequentes luas de mel internacionais.

Foi a mais violenta hackeada que a TI sofreu. Os especialistas do servidor UOL ficaram impressionados, pois demoraram três dias até conseguir recolocar o blog no espaço sideral da internet.

NA ERA BOLSONARO – Não há novidades na era Bolsonaro. O governo mudou, mas a situação continua praticamente a mesma. Da mesma forma como agiam os petistas, agora são os bolsonaristas que invadem a web patrocinando blogs, sites e portais aliados, além de invadir os espaços independentes com comentaristas a soldo, que se infiltram na tentativa de formar opinião.

A diferença é que agora existem as redes sociais, onde se usa e abusa das “fake news” e pode-se utilizar robôs para massificar informações manipuladas. E a resposta a isso é o projeto de lei já aprovado no Senado e que começa a tramitar na Câmara.

Interessante notar que criam “fake news” até mesmo sobre esse projeto criado para coibi-las. Por exemplo, aqui na TI, os bolsonaristas infiltrados passam insistentemente a “fake news” de que o projeto impõe a censura e traz pena de oito anos de prisão. Mas é mentira, não há cerceamento à liberdade de expressão e a maior pena é apenas de multa.

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P.S. 1
Já ia esquecendo. A maior diferença em relação à era PT é que o ‘Gabinete do Ódio’ de Bolsonaro foi instalado no Palácio do Planalto e nos gabinetes dos filhos do presidente da República, vejam a que ponto de desfaçatez chegamos.

P.S. 2 – Vamos voltar ao importante assunto amanhã, quando iremos identificar alguns dos comentaristas do “Gabinete do Ódio” que invadiram a TI nos últimos meses para encher nossa paciência. (C.N.)

Maior erro de Bolsonaro foi nomear Mourão para evitar a devastação da Amazônia

Mourão: Decreto sobre 'banco de talentos' sai a partir de 11 de ...

Enquanto Bolsonaro se arrebenta, Mourão demonstra  ter capacidade

Carlos Newton

Qualquer estudante de Ciência Política percebe que a Amazônia é hoje o mais importante fator de desenvolvimento nacional. Qualquer iniciativa para preservar a chamada floresta úmida (rainforest) não pode ser contabilizada como despesa, porque na verdade trata-se de precioso investimento, com retorno garantido. Mas o problema é que, desde o início, o governo Jair Bolsonaro agiu em sentido contrário, anunciando que é hora de “desenvolver” a Amazônia, o que para ele significa devastar a mata.

A reação no exterior é devastadora, porque todos sabem a importância de preservar a ecologia da região, a mais extensa e rica do mundo, em termos de biodiversidade.

SUSTENTABILIDADE – É claro que não se pode manter intocada a floresta, seria uma ilusão, sobretudo porque na Amazônia existem riquezas minerais incomensuráveis, que precisam ser exploradas com critério, de forma a se compensar em reflorestamento a área a ser degradada pela mineração. Assim, à medida que o minério seja extraído, o reflorestamento vai avançando, sem deixar aquelas crateras lunares que ainda caracterizam a exploração mineral no Brasil e na maior parte do mundo.

Nesse terreno delicado do meio ambiente, Bolsonaro trafega dirigindo uma patrol que vai derrubando a floresta sem raciocinar sobre consequências.

Enquanto age com tamanha irresponsabilidade no atacado, Bolsonaro executa no varejo a desmobilização dos órgãos de fiscalização, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Ibama e o Instituto Chico Mendes. Mas nem tudo dá certo nessas tragédias bolsonarianas.

UM TIRO NO PÉ –Para se livrar da acusação de incentivar o desmatamento, no ano passado o presidente criou o Conselho da Amazônia, por saber que seria a melhor maneira de não fazer nada, pois sempre que um governante quer se livrar de um problema sem resolvê-lo, inventa um grupo de trabalho, uma comissão ou um conselho.

Para completar a obra e queimar o importuno vice Hamilton Mourão, o presidente o nomeou presidente do Conselho. Foi um tiro no pé. Apesar das limitações de sua função, que o impedem de tomar decisões executivas, o general é sagaz e criou importantes iniciativas,

O primeiro ato foi se unir ao então ministro da Justiça, Sérgio Moro, que colocou a Polícia Federal e a Guarda Nacional para coibirem desmatamento, com apoio das Forças Armadas. Ao mesmo tempo, Mourão entendeu-se com todos os governadores da região, a união faz a força e a situação enfim começa a ser revertida, porque os desmatadores já sentiram que a repressão e as multas são para valer.

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P.S. 1
 – Não existe vácuo de poder. Quando um governante se omite, alguém ocupa seu espaço. Os investidores nacionais e estrangeiros já desistiram de Bolsonaro. Sabem que a alternativa é o vice Mourão e agora vão fazer o possível e o impossível para prestigiá-lo, até porque não existe alternativa. 

P.S. 2 – Nesta quinta-feira. Mourão deu show numa videoconferência com fundos investidores ambientais da Europa. Falando um inglês impecável, relatou suas providências e impressionou os CEOs, que vão aguardar os resultados da atuação do Conselho da Amazônia. Nada mal, portanto. (C.N.)

Empresários desistem de Bolsonaro e preferem procurar Mourão diretamente

“Gabinete do Ódio” escala ‘comentaristas’ para tentar influir na Tribuna da Internet

Gabinete do ódio | Humor Político – Rir pra não chorar

Charge do Nani (nanihumor.com)_

Carlos Newton

Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. As notícias acabam vazando e os segredos de nada valem, especialmente na política, onde as aparências verdadeiramente nos enganam. Agora,devido à informatização global, com redes sociais, robôs cibernéticos e celulares unidos por aplicativos, as coisas parecem estar saindo de controle, com abundância de fake news e tudo o mais.

Há uma sensação de bagunça institucionalizada, todos sentem que é necessário haver alguma limitação, especialmente quanto ao uso de robôs, à disseminação das fake news e à invasão de portais, sites e blogs por “comentaristas” profissionais, a serviço de partidos e grupos ideológicos e também econômicos.

ÉTICA JORNALÍSTICA –  Nosso grande amigo Carlos Chagas, que escrevia artigos diários aqui na TI, era mestre em identificar notícias falsas, para depois discuti-las com seus alunos na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, onde ele lecionava Ética Jornalística.

Aqui na Tribuna da Internet temos muita preocupação essas fack news. Esse tipo de notícia raramente nos atinge, porque no jornalismo de verdade uma das primeiras coisas que se apreende é identificar se uma informação é concreta ou especulativa, mas realmente há fake news tão criativas que qualquer um acredita nelas, até serem desmascaradas.

Nosso maior problema, desde a época da criação do Blog, é outro – as invasões de hackers, de robôs e de “comentaristas” profissionais, que são pagos para defender teses partidárias, ideológicas e econômicas, dedicados a desmentir ou distorcer informações de nossos articulistas e das importantes matérias que transcrevemos dos principais veículos de comunicação do país e do exterior.

REINA A DESORDEM – Na web, a esculhambação é absoluta, reina a desordem. Para melhorar as condições de trabalho na Tribuna da Internet, estamos conduzindo um levantamento, com a orientação de dois especialistas em informática que frequentam o Blog e nos indicam como proceder.

Muitas coisas já se conseguiu apurar. Uma delas é que não somos mais visitados por hackers e robôs, como ocorria constantemente e era motivo de queixas. Primeiro, eram os petistas que nos invadiam em pencas no final do governo Lula e depois na era Dilma. Rancorosos, eles mobilizavam hackers que conseguiam tirar o blog do ar, com muita frequência, e tínhamos de recorrer aos técnicos do servidor.                           

No caso dos robôs, as intervenções praticamente cessaram. Como os frequentadores da TJ são de alto nível, não davam a menor importância às mensagens dos robôs, e os invasores acabaram desistindo.

COMENTARISTAS PAGOS – O maior problema da TI hoje são os comentaristas profissionais, que são pagos para defender interesses políticos, ideológicos e econômicos e infestam a internet.

No governo Temer, houve uma trégua, mas as hostilidades voltaram na campanha eleitoral e prosseguiram após a posse de Bolsonaro, conduzidas pelo chamado “Gabinete do Ódio”, sob o comando de Carluxo, o filho 02.

Interessante notar que o “Gabinete do Ódio” dá atenção especial à TI, pois destina grande número de comentaristas profissionais para fazer diariamente o patrulhamento do Blog.

RESPOSTAS IMEDIATAS – Toda matéria negativa a Bolsonaro e aos filhos é respondida por falsos comentaristas, que utilizam diversos codinomes para participar dos debates no Blog.

A estratégia dos invasores é usar sempre os mesmos pseudônimos, para se tornarem conhecidos, ganhar confiança e dialogar com os comentaristas de verdade. E vários invasores entram com o mesmo nome.

O levantamento dos técnicos em informática  identificou que o mesmo nome é usado por 31 invasores diferentes, que pertencem ao mesmo grupo de serviçais  do “Gabinete do Ódio”, sempre a postos para defender Bolsonaro e os filhos ou para atacar Sérgio Moro e políticos da Oposição.  

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P.S. 1 –O resultado é um trabalho sujo e detectável porque cada invasor escreve de um jeito. “O estilo é o próprio homem”, como dizia o escritor francês Georges-Louis Leclerc, conde de Buffon. Realmente, 31 pessoas diferentes expressam suas ideias cada um a seu modo. E foi assim que começamos a identificar os invasores, porque alguns são mais educados e e intelectualizados do que os outros.

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P.S. 2
 – Não vamos dar os nomes dos invasores do “Gabinete do Ódio”. Vamos deixar que nossos comentaristas os identifiquem. Vai ser divertido. (C.N.)

Ataques à Lava Jato demonstram que Bolsonaro e Aras são desprovidos de caráter

O presidente esqueceu de combinar comigo', diz Aras sobre ...

Aras dedica-se a defender os interesses pessoais de Bolsonaro

Carlos Newton

Cada um de nós vive de acordo com sua consciência. Todas as pessoas que receberam um nível razoável de educação sabem o que é certo ou errado. Como dizia Leonel Brizola, podem até costear o alambrado em busca de uma passagem para o outro lado, mas sempre saberão se estão no caminho correto e se devem nele permanecer.

NAS MÃOS ERRADAS – Assim, é triste constatar que esse país está sendo governado por autoridades que não conseguem distinguir o que é certo e o que é errado, como acontece com o presidente Jair Bolsonaro e o procurador-geral Augusto Aras.

O chefe do governo foi eleito, entre outras coisas, para enfrentar a corrupção, e escolheu o atual procurador-geral da República para concretizar esse objetivo. Pelo menos, era o que todos esperavam, mas a realidade é muito criativa e nos revela que as coisas não são bem assim.

SÓ HÁ UM CAMINHO – Não é preciso ter alto Q.I. e ser um gênio para constatar que no Brasil só existe um caminho eficaz para combater a corrupção, já mais do que comprovado – fortalecer a Lava Jato, um esquema que reúne o Ministério Público, a Polícia Federal e a Receita, três instituições onde somente se ingressa mediante concurso público, não há indicações políticas.

Mas agora estamos vendo exatamente o contrário. Ao invés de prestigiar a Lava Jato, o governo federal está fazendo o possível e o impossível para desmoralizar seus integrantes, esvaziar seus quadros e destruir esse eficiente esquema para reduzir a criminalidade.

E o mais impressionante é que o governo esteja atingindo seus objetivos, pois quatro dos procuradores da Lava Jato já decidiram se afastar da força-tarefa de Curitiba.

TODOS SÃO CULPADOS – Estamos aqui culpando o governo federal, ao invés de mencionar apenas os dois principais agentes (o presidente Jair Bolsonaro e o procurador-geral Augusto Aras), porque essa responsabilidade é comum a outras autoridades.

No Código Penal, omissão é tipificada como crime. Portanto, os generais integrantes do núcleo duro do Planalto e o ministro da Justiça, que é civil e servil, essas importantes autoridades estão se omitindo em relação ao processo de destruição da Lava Jato, que transcorre em sua presença e sem reação – ou seja, temos o direito de concluir que Bolsonaro e Aras contam com apoio e cumplicidade desses importantes ministros.

Afinal, porque demolir a Lava Jato? Para proteger os filhos do presidente da República, criminosos vulgares e de culpa formada, sem possibilidade de defesa? Ora, não foi para isso que elegemos Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão.

PRINCIPAL MISSÃO – Os militares do Planalto têm obrigação de defender a Nação. Ou seja, precisam proteger a Lava Jato, por se tratar de um esquema de máximo interesse público e que implica verdadeiramente em segurança nacional.

Da mesma forma como se comportou o general Augusto Heleno, que não se omitiu e deu um depoimento à Polícia Federal que desmonta qualquer possibilidade de defesa de Bolsonaro contra o ex-ministro Sérgio Moro, os generais do Planalto agora precisam enfrentar o presidente da República e dizer-lhe que a Lava jato é necessária, está cumprindo seu dever e precisa ser respeitada.

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P.S.Jair Bolsonaro e Augusto Aras são maus brasileiros, que se portam como autoridades desprovidas de caráter. Por isso, é necessário  que outras autoridades lhes digam que na vida tudo tem limites, e os interesses dos filhos do presidente não podem suplantar os interesses da Nação.(C.N.)

Projeto da Lei das Fake News tem condições de moralizar bastante a internet

fakenews #facebook #mentira #redesocial #fotos #imagem #viagem ...

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton

Está havendo uma grita contra o projeto da Lei das Fake News, proposta original do senador Alessandro Vieira (Cidadania/SE), com acusações de que se trata de um conjunto de normas antidemocráticas e até mesmo ditatoriais. Alguns críticos, revoltados com restrições ao anonimato, chegam a comparar o projeto com o livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, o que parece ser um bocado de exagero.

Para começar, não estamos numa disputa entre homens e animais, como na ficção literária. E o que se discute é como controlar o uso de modernas ferramentas de comunicação para plantar notícias falsas, obter vantagens e desonrar pessoas, especialmente adversários políticos.  

NÃO LI E NÃO GOSTEI – Como ocorre sempre, as críticas partem de pessoas que não leram o projeto, mas apontam gravíssimos defeitos, como fez o genial modernista Oswald de Andrade diante do lançamento de um novo romance do fabuloso José Lins do Rego, que era seu desafeto: “Não li e não gostei”. 

Nessa onda de reclamações, raríssimos foram os que se deram ao trabalho de ler o projeto de lei 2630/2020. A maioria, com fúria total, investe contra o fim do anonimato, algo que inexiste na proposta, que defende a liberdade de expressão e de imprensa, assim como a garantia dos direitos de personalidade, da dignidade, da honra e da privacidade do indivíduo.

Quanto ao anonimato, é proibido na Constituição como forma de evitar impunidade, mas não há restrição a pseudônimos no projeto de lei. Aliás, o citado escritor inglês George Orwell nunca existiu, seu nome é pseudônimo de Eric Arthur Blair, e também não era inglês, pois nasceu na Índia.

LEI NECESSÁRIA – O fato concreto é que essa lei é absolutamente necessária e não vai atingir o anonimato das pessoas que se divertem na internet, salvo aquelas que ofendam os demais, gratuitamente, e inventem ou transmitam fake news intencionalmente com objetivos criminosos.

O projeto abrange vários aspectos, é um assunto dificílimo de ser tratado, será necessário haver muita regulamentação, mas o básico está ali. E quando entrar em vigor, vai ser mais difícil arranjar eleitores pela internet, através de notícias falsas que beneficiem um candidato e prejudiquem a imagem do adversário.

Quem não conhece a proposta aprovada no Senado, deveria se interessar em ler, antes de ficar fazendo julgamentos apressados, como é comum na internet, infelizmente.

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P.S. –
Aqui na TI, em onze anos, jamais abrigamos fake news e nunca fomos processados, ao contrário do que acontece com a grande maioria dos blogs que se metem em política. Estamos preservados e somos respeitados, porque trabalhamos com liberdade e sabemos que a verdade nos libertará. (C.N.)

Ministro da Justiça mostra que o sonho de Bolsonaro interferir na PF é “ilusório”

Quem é , o novo ministro da Justiça "terrivelmente ...

André Mendonça contradiz Bolsonaro e o procurador Augusto Aras

Carlos Newton

Parece brincadeira. Se você ficar procurando algo de bom no governo Bolsonaro, dificilmente encontrará. À exceção do ministro Tarcísio de Freitas, engenheiro militar que comanda à perfeição a pasta da Infraestrutura, e do chefe da Casa Civil, general Braga Netto, que se empenha para organizar o governo, o primeiro escalão é um deserto de homens e ideias, como diria Oswaldo Aranha, um estadista de verdade, que só não chegou à Presidência da República porque Getúlio Vargas se considerava intelectualmente inferior a ele e o boicotou.

Se em 1945 Aranha tivesse governado o país no lugar de Eurico Dutra, que era uma anta fardada, hoje o Brasil seria outro e Francelino Pereira, quando presidente da Arena, não precisaria ter perguntado que país é esse.

APARECEU OUTRO – Além de Freitas e Braga, de repente apareceu outro ministro que demonstra ter um mínimo de bom senso. Por incrível que pareça, estou me referindo a André Mendonça, que estava na Advocacia-Geral da União, onde fazia um papel secundário e servil, colocando a AGU a serviço pessoal do presidente Jair Bolsonaro, ao invés de defender os interesses nacionais.

Substituto do portentoso Sérgio Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública, nesta sexta-feira, dia 3, o ministro “terrivelmente evangélico” (no dizer de Bolsonaro) mostrou que também sabe ser independente e veraz, em reportagem de Luiz Felipe Barbiéri e Gabriel Palma,  do G1.

Em uma videoconferência que discutiu as ações da pasta, Mendonça afirmou que, na opinião dele, é “ilusório” pensar que políticos tenham poder de ingerência na Polícia Federal. “Qualquer pessoa que vá fazer isso estará cometendo um suicídio jurídico-político. Elucubrar uma interferência no trabalho da PF é impensável”, afirmou, em sábias palavras.

O PAÍS MUDOU – O ministro tem razão. Desde o Mensalão e a Lava Jato, o Brasil mudou muito. É bobagem o presidente e o procurador-geral tentarem o possível e o impossível para interferirem na Polícia Federal em defesa da família e dos amigos de Bolsonaro, que estariam sofrendo “perseguição”, na visão míope e nebulosa do chefe do governo.

Em suas declarações, André Mendonça ressalvou que a independência da Polícia Federal não significa “soberania de atuação”. Por isso, ele cobra uma atuação “responsável” e “sem perseguições” do órgão.

“Essa independência e autonomia que a PF tem, ela não significa uma soberania de atuação. Eu, como Ministro da Justiça, demando uma atuação efetiva da PF. Eu cobro resultados, eu quero saber se estão fazendo operações. Quais as dificuldades estão tendo, para tentar ajudar a solucionar”, disse Mendonça.

MODO IMPARCIAL – Dando uma aula sobre o óbvio, acentuou o ministro: “O que a gente cobra: persigam o crime? Sim. Mas de modo imparcial, de modo isento, sem perseguição a grupo A ou grupo B. Que tenham uma atuação responsável”. E acrescentou: Eu não tenho que ter um punitivismo, agora eu tenho que ter uma atuação séria e efetiva, eficaz no menor tempo possível”.

As declarações de André Mendonça batem de frente contra as afirmações de Bolsonaro e do procurador Augusto Aras, que pretendem saber tudo o que a Polícia Federal e a Lava Jato estão fazendo.

Em tradução simultânea de estilo shakespeariano, há algo de podre no governo, porque o ministro da Justiça só disse o óbvio, e como todos sabem, o óbvio é algo que não admite contestação.

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P.S. –
Ao dar cobertura a atos ilegais dos filhos, o presidente da República também comporta-se como um criminoso, enquanto o procurador-geral, por seu servilismo ignóbil, torna-se cúmplice de Sua Excelência, vejam a que ponto chegarmos. (C.N.)

Sérgio Bittencourt, uma ausência marcante, pois para sempre será lembrado

Sérgio Bittencourt – Wikipédia, a enciclopédia livre

Sérgio Bittencourt foi um jornalista e compositor de enorme talento

Carlos Newton

Jorge Béja é uma pessoa fascinante e surpreendente. Além de ser um grande jurista,  dedicou-se à Advocacia como se fosse uma religião, sem jamais cobrar um centavo de seus clientes, agindo como o portentoso Sobral Pinto, que era remunerado apenas pelos chamados ônus de sucumbência. Ou seja, quando defendia algum réu de processo penal ou trabalhista, desde o início Dr. Sobral sabia que nada receberia ao final da causa.

A diferença entre os dois é que Sobral Pinto era meio santificado, sua vida era dividida entre a casa, o escritório e a Igreja do Cenáculo, onde assistia missa todos os dias, sempre de terno preto, desde a morte de um dos filhos. Já o advogado Jorge Béja se dividia entre o Direito e a Música, circunstância que o levou a se tornar amigo íntimo de futuros ídolos, como Raul Seixas, Paulo Coelho, Aldir Blanc e outros iluminados, que lhe passavam suas músicas para que ele escrevesse as partituras e fossem registradas.

O DIREITO VENCEU – Na disputa com a Música, que  levou Béja a se apresentar ao piano até para o atual Papa Francisco, no Teatro Colón, em Buenos Aires, a paixão pelo Direito saiu vitoriosa e o jovem Jorge Béja foi se firmando como advogado, embora trabalhasse também como repórter no Jornal do Brasil e na Rádio Nacional, onde conheceu e ficou amigo de Sérgio Bittencourt, que era um dos jornalistas e compositores de maior sucesso no país.

Nesta quarta-feira, Béja lembrou sua amizade com Sergio Bittencourt num belíssimo comentário publicado aqui na TI. Pedi-lhe autorização para transformar o texto em artigo, com objetivo de ganhar maior visibilidade. mas ele me convenceu a também escrever sobre Sérgio Bittencourt, de quem fui amigo e trabalhamos juntos na Rádio Nacional e na TVE.

GRANDE CRONISTA – Antes de conhecê-lo, eu já tive grande admiração por Sérgio Bittencourt, que ainda muito jovem já era cronista do Correio da Manhã e escrevia um texto diário, que eu jamais deixava de ler. Na época ele fez a última entrevista de um ícone do jornalismo, o gaúcho Apparicio Torelli, famoso como Barão de Itararé, que era um dos meus ídolos e não tive oportunidade de conhecer.

Ficamos logo amigos. Apesar de muito famoso, Sérgio era o simples e acessível, trabalhar com ele era um prazer. Suas música faziam um sucesso estrondoso, como “Modinha”, que venceu um dos Festivais da Canção, interpretada por Taiguara, e “Naquela Mesa”, que chegou a ser gravada até pelo maestro francês Paul Mauriat.

PROBLEMA DE SAÚDE – Sérgio Bittencourt era hemofílico e sofria muitas dores, andava com dificuldade, usando bengala. Tinha de tomar remédios pesados para resistir à dor. Na mesma época, a TV Globo tinha uma apresentadora lindíssima, casada com o ator Marcos Paulo. Chamava-se Márcia Mendes, tinha problemas de saúde e também tomava analgésicos fortes. Ela morreu do coração, aos 34 anos, antes de Sérgio (a Wikipédia está errada, diz que ela teve leucemia aos 32 anos)

Eu soube que ela tomava um remédio chamado Algafan, vendido sem receita e que viria a ser proibido devido a seus gravíssimos efeitos colaterais. Fiquei arrasado com a morte de Sérgio Bittencourt, aos 38 anos, de parada cardíaca. Eu trabalhava no programa de Cidinha Campos e comentei no ar que a causa da morte poderia ter sido o analgésico, que se tornara um dos medicamentos mais vendidos no país.

Se na época eu já conhecesse Jorge Béja, imediatamente o procuraria para mover uma ação contra o laboratório multinacional Darrow, destinada a condená-lo a indenizar a família do grande jornalista, que para sempre estará faltando naquela mesa.

Sonho do golpe militar acabou e agora Bolsonaro tem de enfrentar a realidade

Charge compartilhada por Rogéria, ex-mulher de Bolsonaro

Carlos Newton

Para suavizar e anestesiar, o golpe militar estava sendo apelidado de “ruptura institucional” ou “intervenção constitucional”. Porém, mudar a denominação significa apenas dourar a pílula, como se dizia antigamente, não muda nada nem resolve os gravíssimos problemas do país. Mas o importante é que o sonho do golpe militar acabou, simplesmente porque as Forças Armadas não o aceitam e defendem uma saída democrática para a crise política.

Bolsonaro e seus fanáticos adoradores precisam entender que o Brasil não precisa de golpe militar, nossa necessidade básica hoje é de um governo sério e capaz, que possa nos conduzir em meio à maior crise socioeconômica da História recente, pior do que a Grande Depressão de 1929.   

MOMENTO DE TRÉGUA –  No caso das loucuras de Bolsonaro, estamos tendo hoje apenas um momento de trégua, causado pela severa intervenção da ala militar do Planalto, que ganhou maior peso desde o desembarque do general Braga Netto na Casa Civil. Nitidamente, ele está lutando para fazer o governo sair do imobilismo, inclusive atropelando o outrora todo-poderoso ministro da Economia, Paulo Guedes, que hoje é apenas um fracasso ambulante.

O problema é que Bolsonaro não governa e ainda atrapalha. A reunião ministerial do dia 22 de abril, por exemplo, tinha como finalidade o lançamento do plano anticrise arquitetado por Braga Netto, mas o vídeo gravado mostra apenas um presidente descontrolado, a provocar então o ministro Sérgio Moro, para exigir interferência na Polícia Federal para defender a família e os amigos, em suas próprias palavras.

O importantíssimo plano anticrise foi pouco falado. mas teve destaque o pronunciamento a respeito que fez o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, que deve ser considerado o melhor ministro da atualidade.

NÃO TEM CONDIÇÕES – Está mais do que claro que Bolsonaro não tem condições de governar. Por isso, desta vez a ala militar agiu com o rigor que se esperava desde a posse. Enquadrou Bolsonaro, os filhos e o guru Olavo de Carvalho, que agora deve se acalmar com o socorro financeiro da “rachadinha” com seu aluno Abraham Weintraub, segundo rola na central de boatos de Brasília.

Foi louvável e absolutamente necessária essa intervenção da ala militar, que significa a última chance para Bolsonaro passar a agir como presidente, abandonando o demagógico papel de eterno candidato, estilo outrora adotado por Jânio Quadros, e todo mundo sabe que não funcionou.

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P. S. –
Resta saber quanto tempo Bolsonaro aguentará, antes de explodir. Ele e os filhos não foram calados e contidos por livre e espontânea vontade. Aqui na trincheira democrático da TI, calculamos essa trégua em 15 dias, dos quais já se passaram cinco. Vamos aguardar. Posso estar errado, é claro, com Bolsonaro transformado num novo Itamar Franco, mas receio que isso não possa acontecer. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)