Janot só não pediu a prisão de Temer junto com Loures devido ao foro privilegiado

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Charge do Kacio (kacio.art.br)

Carlos Newton

A luta entre o procurador-geral Rodrigo Janot e o presidente Michel Temer é muito desigual, como se fosse de gato e rato, desde o início fica-se sabendo quem vai vencer. No caso, a vantagem do gato não são as garras, o tamanho avantajado, os dentes e a agilidade, a diferença é que o procurador Janot sabe com absoluta clareza todos os possíveis argumentos que a defesa do presidente pode usar, mas Temer ainda não tem a noção exata das provas testemunhais e materiais que se acumulam contra ele.

ERRO PRIMÁRIO – Já ficou claro que a defesa está a cargo do advogado Antonio Mariz e do ministro Torquato Jardim, cuja nomeação foi um erro primário de Temer, porque presidente da República não pode ser defendido em juízo pelo ministro da Justiça, quem dispõe desta competência exclusiva é o advogado-geral da União. Portanto, Temer deu uma bobeada. Deveria ter nomeado Torquato Jardim para a Advocacia-Geral da União, seguindo o exemplo da então presidente Dilma Rousseff, que tirou José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça, para que pudesse defendê-la no processo do impeachment.

Além disso, ficou claro que Torquato Jardim também não serve como defensor, fala demais, diz bobagens, inventa jurisprudência que jamais existiu, é um desastre. Só resta mesmo o criminalista Mariz, pois Temer não tem a menor confiança na ministra Grace Mendonça, da AGU, nem permite que ela se aproxime dos autos.No caso de Temer deu  tudo errado, o velho amigo e colega de bancada Osmar

Como se sabe, Serraglio se sentiu humilhado ao ser demitido da pasta da Justiça, voltou à Câmara e deixou o suplente Rocha Loures sem foro especial. E o resultado final da mancada é que Loures, operador de propinas para Temer, já está recolhido ao presídio da Papuda, onde se prepara para fazer uma devastadora delação premiada.

LUTA DESIGUAL – Nessa reta final, a maior dificuldade de Mariz é não saber a dimensão das provas já coletadas contra Temer. Como o inquérito só está começando agora, é fase de investigação, nem todas as provas testemunhais e materiais já foram anexadas, mas o procurador Janot e o ministro-relator Edson Fachin têm pleno conhecimento delas, por isso estão confiantes e agem com um rigor impressionante, fazendo com que Temer e Mariz reajam de forma ridícula, ao denunciarem “intenções políticas” em procedimentos meramente judiciais.

Temer sabe que está liquidado, é só questão de tempo. Não esperava que Loures fosse logo preso. Quando recebeu a informação, na manhã de sábado, ficou tão desorientado que pegou o avião de volta a São Paulo, para se reunir com o advogado Mariz. Com isso, demonstrou enorme fragilidade, não se portou como um presidente da República. Deveria ter ligado para Mariz e ordenado que pegasse um jatinho em Congonhas e voasse para Brasília. Os dois são ricos, o aluguel do jatinho sai por R$ 20 mil, é mixaria para eles. Mas Temer estava apavorado, não pensou em mais nada, voltou para São Paulo menos de 10 horas após ter desembarcado em Brasília. E o Planalto ainda diz que a delação de Loures não preocupa o presidente…

PROVAS ABUNDANTES – O fato concreto é que já existem provas abundantes contra Temer, inclusive os documentos apreendidos na casa de Loures e no gabinete na Câmara Federal, envolvendo o presidente e o ex-assessor no chamado Decreto dos Portos.

Se Temer não fosse protegido pelo foro privilegiado, o procurador Janot teria pedido a prisão temporária dele junto com Loures, e o ministro-relator Fachin iria deferir, na forma da lei. É justamente por isso que o foro privilegiado precisa ser extinto, com a máxima urgência. A Constituição, em suas cláusulas pétreas (art. 5º, caput), determina que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Mas não é isso que se vê na prática.

Não era por mera coincidência que Ruy Barbosa já dizia que “a regra da igualdade é tratar desigualmente os desiguais na medida em que se desigualam”.  Mas quem se interessa?

Segue em frente a utopia de existir um blog independente na internet

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Charge sem autoria (Arquivo Google)

Carlos Newton

Se vai dar certo, ninguém sabe. Por enquanto, ainda é apenas uma tentativa de criar um espaço na internet que seja verdadeiramente livre, no qual defensores das diversas tendências políticas, econômicas e sociais possam se manifestar abertamente, apresentar suas ideias e defender suas teses. É claro que não existe nenhuma novidade nisso, até porque se trata de uma iniciativa que apenas persegue o óbvio ululante tão almejado pelo genial jornalista Nelson Rodrigues. Isso, na teoria. Na prática, porém, o ideal de existir um fórum de debates verdadeiramente livre continua a ser uma meta a alcançar, até porque até hoje a democracia ainda está em construção.

Aqui na Tribuna da Internet a gente insiste em lembrar o grande pensador britânico Kenneth Clark, que cunhou o seguinte pensamento: “Civilização? Sei o que isso significa, porém jamais encontrei nenhuma. Mas tenho certeza de que, se um dia a encontrar, saberei reconhecê-la”.

NADA MUDOU – Quase 35 anos depois da morte de Lord Kenneth Clark, que era plebeu, mas em 1968 recebeu o título de Barão Clark de Saltwood, no Condado de Kent, infelizmente nada mudou.

A democracia em sentido amplo continua a ser uma utopia, o Barão Clark seguiria procurando uma civilização verdadeira, como fazia há quase 2 mil anos o filósofo grego Diógenes Laércio, que ensinava: “A sabedoria serve de freio à juventude, de consolo aos velhos, de riqueza aos pobres e de ornamento aos ricos”.

Aqui no blog, fracassamos redondamente nesta utopia. Na intransigente defesa de suas teses, os comentaristas se digladiam e se ofendem, a Tribuna da Internet não tem mesmo futuro, mas tentar vale a pena, se a alma não é pequena, diria o intelectual multimídia Fernando Pessoa.

UM BLOG RESTRITO – Na esperança de levar adiante a utopia, tivemos de cair na real e restringir o acesso apenas a quem defenda suas ideias sem ofender os outros, respeitando a discordância alheia.

É lamentável que pessoas de alto nível e grande preparo intelectual não consigam suportar o fato de que haja quem pense de outra forma. Mas a verdade está lá fora, como no lema da série de TV “Arquivo X”. Ninguém tem o direito de se considerar dono da verdade. O mundo é muito complexo, formado por diferentes tentativas de civilização, e até hoje nenhuma delas deu certo, de forma absoluta.

Todos nós somos cheios de defeitos, é preciso admitir. Mas seria uma beleza se pudéssemos nos respeitar e seguir em frente, como se estivéssemos numa civilização de verdade.

UMA DATA ESPECIAL – Este mês, no próximo dia 22, teremos uma ocasião muito especial. Dois consagrados participantes do blog – Francisco Bendl e Antonio Carlos Fallavena – estarão chegando de Porto Alegre para um almoço de confraternização dos “tribunários” no Rio de Janeiro.

Parece incrível, mas eles só virão para almoçar conosco e viajam no mesmo dia – Bendl, de volta a Esteio; e Fallavena, para São Paulo, onde visitará parentes.

Hoje, Bendl mandou um e-mail, dizendo que a data pode ser alterada, apesar de já terem comprado as passagens. Então, vamos aguardar confirmação.

BALANÇO DE MAIO – Como sempre fazemos no início de cada mês, agradecemos as contribuições que nos permitem ir em frente com esta utopia. Primeiro, as colaborações na Caixa Econômica Federal:

DIA    REGISTRO    OPERAÇÃO         VALOR
02      002915         DP DINH AG        100,00
02      500017         DOC ELET              31,00
04      283710         CRED TEV             100,00
05      051359         DP DINH LOT         20,00
08      002915         DP DINH AG         100,00
08      081638         DP DINH LOT          50,00
12      121528         DP DINH LOT          52,00
15      002915         DP DINH AG         100,00
18      180902         DP DINH LOT          30,00
19      191652         DP DINH LOT        230,00
22      000209         DP DINH AG         100,00
22      220926         DP DINH LOT        100,00
29      002915         DP DINH AG          100,00

Agora, as contribuições no Banco Itaú:

O2     TBI 2958.07601 TRIBUNA           40,00
02      TED 001.4416 MARIOACRO      200,00
04      TED 001.5977 JOSEANTON      100,00
04      TRF PAGINSS01742189293        60,00
15      TBI 0713.93361-2 CARLOSN      50,00
29      TED 033.3591 ROBERTOSN      200,00
31      TBI 0406.49194-4 C/C              100,00

Agradecemos a todos, renovando o convite para o almoço do dia 22, com a presença de Bendl e Fallavena como convidados especiais. Depois, daremos mais detalhes da programação.

Temer tenta aterrorizar o país, mas sua cassação não afetará a reação da economia

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(amarildo.charge.wordpress.com)

Carlos Newton

Há dois meses registramos aqui na “Tribuna da Internet” que a economia brasileira havia chegado ao fundo do poço. A crise econômico-financeira ainda era devastadora, mas o país mostrava ter condições de resistir. Iria chegar um momento em que a país reagiria e voltaria a crescer, independentemente de existir turbulências políticas. Os livros acadêmicos não se aprofundam nessa realidade, mas na prática a economia das nações é um organismo vivo, tem reações e cria anticorpos, que há 250 anos Adam Smith identificava como a “mão invisível do mercado” e precisa se reestudada pela ótica contemporânea.

Como as estatísticas são frias e enganadoras, não se pode analisar a economia de um país como o Brasil (quinto maior em população/território e uma das dez maiores economias do mundo) como se fosse a contabilidade de uma grande empresa. Há outras variáveis a serem levadas em conta. É por isso que as crises não duram para sempre e os países estruturados jamais vão à falência.

A ECONOMIA REAGE – O IBGE divulgou nesta quinta-feira (dia 1º) que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2016, já retirados os efeitos sazonais. É o primeiro número positivo desde o quarto trimestre de 2014, ou seja, após oito quedas seguidas. Nada mal.

Na sexta-feira (dia 2), o IBGE anunciou que a produção industrial brasileira teve alta de 0,6% em abril. Foi o primeiro resultado positivo em 2017 e o melhor desempenho para o mês desde 2013. O mais importante é que o desempenho industrial foi puxado pela produção de bens de capital (1,5%), que inclui a fabricação de máquinas e equipamentos para investimentos, e bens intermediários (2,1%), que são manufaturados para a produção de outros bens. Ou seja, têm efeito multiplicador.

Além disso, o consumo de energia elétrica também está aumentando e o crescimento da importância das exportações para o PIB brasileiro é também um reflexo da melhora do cenário externo, porque a economia global ensaia ter neste ano uma bela retomada.

PESSIMISTAS DE SEMPRE – Apesar desses indicadores positivos, os pessimistas de sempre traçam previsões catastróficas, devido à crise política. A Fundação Getúlio Vargas saiu na frente, reduzindo a estimativa de crescimento do PIB, este ano, de 0,4% para 0,2%. E para 2018, ao invés de crescer 2,4%, o país avançaria apenas 1,4%.

Não é possível levar a sério essas previsões, que não indicam nada e apenas fortalecem as alegações de Temer, que se julga reencarnação do rei Luis XV e alega “depois de mim, o dilúvio”, como se a bela Marcela fosse reedição de Madame Pompadour.

É tudo conversa fiada, a economia saiu da crise sozinha. O governo Temer até agora não fez nada, absolutamente nada, apenas criou factóides alarmistas, tipo reformas da Previdência e da CLT, sem mover uma palha para solucionar o problema real – a dívida pública, causadora de praticamente todos os males.

ATERRORIZANTE – Ao apregoar que haverá um retrocesso caso seja cassado, Temer age como um aterrorizante vampiro de filme de terror. E o pior é que ainda há quem acredite e defenda que ele permaneça no poder, apesar de seu currículo, que mais parece uma folha corrida.

Na verdade, o Brasil é muito maior do que a crise. Quando Temer for cassado, não acontecerá absolutamente nada. Vai assumir o deputado Rodrigo Maia, que convocará eleições no prazo máximo de 30 dias. Alguém será eleito e fará como Temer – fingirá que está governando e os brasileiros fingirão que acreditam. No dia seguinte, as pessoas sairão às ruas para trabalhar, as lojas estarão abertas,  e vida que segue, como dizia João Saldanha, consciente de que la nave va, ainda que fellinianamente.

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PS – Temer é um farsante e está blefando. Não haverá nenhum “Apocalipse Now” caso ele e sua quadrilha deixem o poder. O Brasil está vacinado contra crises. Temos de acreditar na nova geração da Polícia Federal, do Ministério Público, da Receita e da Justiça.  A atual geração, que está no poder, já apodreceu e o fedor pode ser sentido à distância. (C.N.)

Ao defender Temer, o novo ministro mentiu para os jornalistas e foi desmascarado

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Torquato contou uma mentira desse tamanho…

Carlos Newton

No desespero de encontrar uma saída e evitar a cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral, o presidente Michel Temer ficou impressionando com a desenvoltura com que foi defendido por Torquato Jardim, que estava no Ministério da Transparência, e imediatamente o promoveu a ministro da Justiça, de forma precipitada e deselegante, sem comunicar nada ao então ocupante do cargo, seu velho amigo e companheiro de bancada Osmar Serraglio.

AUTOCARBURANTE – O que Temer não sabia é que Torquato Jardim é do tipo autocarburante, que se queima sozinho na fogueira das vaidades, como diria o genial escritor Tom Wolfe. O fato concreto é que Jardim fala demais, não mede as palavras e acaba fazendo bobagens.

Na longa e reveladora entrevista que concedeu aos jornalistas Renata Mariz, Sérgio Fadul e Francisco Leali, publicada em O Globo nesta sexta-feira, o neoministro não conseguiu resistir à tentação, caiu em várias contradições e cometeu um erro terrível e definitivo – mentiu para os repórteres e tudo ficou gravado, não dá para alegar que foi houve erro de interpretação.

DESVIO DE FINALIDADE – Ficou claro que Torquato Jardim não estava dando a entrevista como ministro da Justiça, pois revelou desconhecer os principais problemas da pasta – problema da segurança, política carcerária e questão indígena. Ele falava como se fosse advogado de defesa do presidente Michel Temer, em claríssimo desvio de finalidade, porque essa competência institucional é da Advocacia-Geral da União.

O novo ministro não esperava que os três jornalistas tivessem se preparado com tamanha profundidade para entrevistá-lo. Todas as ardilosas alegações que apresentava eram imediatamente questionadas, Jardim foi encurralado o tempo todo.

Não conseguiu dar explicações convincentes nem mesmo sobre o julgamento do TSE, tribunal onde trabalhou oito anos como ministro. E foi justamente nesta parte da entrevista que cometeu o maior erro, ao mentir para os repórteres. Confiram a gravação:

 A jurisprudência do TSE é de que não se separa contas. Como o presidente Temer se livra disso?
Primeiro que há jurisprudência nos dois sentidos. Há precedentes também a favor da tese.

O senhor se lembra de algum caso?
Não tenho de memória. Uma coisa curiosa na Justiça Eleitoral é que ela tem composição cambiante. No TSE, você tem três ministros do Supremo que ficam até quatro anos, dois do STJ que ficam até dois anos e mais dois advogados que vão até quatro anos, normalmente. Dependendo do dia, vai mudar a jurisprudência. Na campanha de 2014, houve um tema em que você teve mudança de entendimento por três vezes, devido a substituições na Corte. No julgamento do governador de Roraima, o tribunal mandou executar imediatamente, de forma contrária à jurisprudência, que mandava aguardar o julgamento dos embargos de declaração.

MENTIRA DESLAVADA – Um ex-ministro do TSE que se considera capaz de opinar sobre o mais importante julgamento da história do tribunal, com toda certeza deveria estar preparado para citar a lei ou a jurisprudência em que se baseia. No entanto, o que ele fez foi inventar uma jurisprudência que não existe e jamais existiu, muito pelo contrário. Torquato Jardim disse que “há precedentes de separação de contas de campanha. Veio a pergunta direta: “O senhor se lembra de algum caso?”. E a resposta veio deprimente: “Não tenho de memória– foi obrigado a admitir, porque jamais houve nenhum precedente de separação de contas.

O neoministro, dublê de advogado de defesa, então passou a embromar, tentando fugir do assunto, acabou cometendo outro erro fatal, ao espontaneamente citar uma jurisprudência altamente negativa para Temer – o caso do governador de Roraima, Flamarion Portela, em 2004, no qual o TSE mandou executar imediatamente a cassação, sem aguardar julgamento de embargos de declaração e recurso ao STF. Ou seja, não houve o “efeito suspensivo” da sentença que Temer sonha obter, caso seja cassado. Na hora errada, o atrapalhado ministro Jardim foi lembrar justamente a jurisprudência errada…

GILMAR TAMBÉM MENTIU – A respeito das jurisprudências do TSE, Torquato Jardim não é o primeiro a mentir. O ministro Gilmar Mendes também o fez, ao inventar uma suposta jurisprudência de separação de contas de campanha, que teria ocorrida em outro julgamento em Roraima, envolvendo o governador Ottomar Pinto e seu vice José de Anchieta.

Para ajudar Temer, seu amigo há 30 anos, Gilmar Mendes citou  uma jurisprudência inexistente, porque na verdade Pinto e Anchieta foram inocentados por falta de provas, jamais houve no TSE um caso de separação de contas em processo de cassação por abuso do poder econômico e outros crimes eleitorais.

Gilmar Mendes mentiu, ficou por isso mesmo. Agora, Torquato Jardim também mentiu, não vai acontecer nada, porque no Brasil ninguém liga para isso, que diferença faz, no meio de tanta mentira?

Estivemos fora do ar por problemas técnicos, mas agora vamos em frente

Resultado de imagem para falha técnica chargesCarlos Newton

Faz tempo que isso não acontecia. Na chamada Era do PT. essas falhas técnicas ocorriam com impressionante frequência, mas depois a situação se acalmou, digamos assim. Nesta quinta-feira, dia 1º, saímos do ar por volta das 19 horas e ficamos bastante tempo desativados.

Mas os técnicos de nosso servidor UOL agiram com eficiência e a “Tribuna da Internet” está de volta, com suas traduções simultâneas sobre o que realmente acontece nos bastidores da política e da economia, neste mundo cada vez mais globalizado e bagunçado.

Então, vamos em frente.

Nomeação de Torquato Jardim foi mais uma derrota para a ministra da AGU

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Grace disputava poder com Torquato Jardim

Carlos Newton

Além do levante que enfrenta no próprio órgão que chefia e das manobras de seu vice Paulo Gustavo Medeiros Carvalho para sucedê-la, com as bênçãos do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, como já noticiado neste blog, agora a ministra Grace Mendonça, da Advocacia-Geral da União, sofre mais um revés, ao ver um de seus desafetos assumir a pasta da Justiça.

Há menos de duas semanas, Grace foi queixar-se ao presidente da República, reclamando do protagonismo do Ministério da Transparência, então comandado por Torquato Jardim, nos acordos de leniência no âmbito da administração federal. Consta que Temer não deu nenhuma atenção para esse reclamo, até porque sua relação com Torquato Jardim é antiga e estreita.

Depois se seguiram a recusa de Grace em buscar os áudios da delação premiada de executivos da JBS no Supremo Tribunal Federal, a pedido de Michel Temer, e seu total silêncio durante todo o episódio, o que desagradou o Planalto.

ISOLAMENTO – A nomeação de Torquato Jardim para o Ministério da Justiça mostra que a ministra está, de fato, isolada e sem a confiança de Temer. Ao contrário das outras vezes, seu nome agora sequer foi ventilado para a pasta.

Na tentativa de mostrar serviço a ministra começa a blefar. Em entrevista ao jornal Valor, Grace afirmou que, no caso de eventual dano ou prejuízo para o sistema financeiro causado pela JBS, a AGU buscará a reparação do prejuízo. Será que a ministra não sabe que a AGU não tem competência para isto? É a CVM, com sua própria Procuradoria, que tem legitimidade para atuar neste caso.

Parece que a ministra tem noção de que balança no cargo, mas não tem habilidade política nem assessoria adequada para agir. Como se diz popularmente, vem colocando os pés pelas mãos. E sua pose de técnica e competente vai se esvaindo em meio ao lamaçal no qual está submerso o próprio Governo.

A ficha caiu e o novo ministro da Justiça já não demonstra o mesmo entusiasmo

O presidente Michel Temer (PMDB) dá posse ao novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, no Palácio de Planalto, em Brasília

A forte reação balançou o novo ministro

Carlos Newton

Tudo começou com uma alentada entrevista publicada domingo pelo Correio Braziliense, concedida por Torquato Jardim, que até então era um apagado ministro da Transparência. Suas respostas aos repórteres Ana Dubeux, Leonardo Cavalcanti e Rosana Hessel incluíram uma empolgada defesa do presidente Michel Temer, com argumentos jurídicos de impacto. O chefe do governo ficou tão impressionado que imediatamente convocou Torquato Jardim ao Palácio Jaburu para nomeá-lo ministro da Justiça, de uma hora para outra. O convite foi aceito, Temer sentiu vislumbrar uma luz no final do buraco negro em que está submerso e o neoministro foi imediatamente incorporado à comitiva presidencial que viajou ao Nordeste no domingo.

Empolgado com a nomeação e o assédio da imprensa, Torquato Jardim deu uma entrevista por telefone à jornalista Daniela Lima, da Folha, e anunciou que iria conversar com o presidente Temer sobre a substituição do diretor-geral da Polícia Federal, delegado Leandro Daiello, que está no cargo desde 2011 e se tornou o grande sustentáculo da Lava Jato. Ou seja, antes mesmo de assumir, o novo ministro deu um tiro no pé do governo. Falou o que não devia, deu uma gigantesca mancada e causou uma reação devastadora na internet e na mídia em geral.

IMPOSSÍVEL DESMENTIR – A entrevista foi gravada e transcrita segunda-feira pela Folha em formato de perguntas e respostas, não era possível desmenti-la nem dizer que a repórter se enganara. A repercussão na internet foi arrasadora, nas redes sociais não se falava em outra coisa. O neoministro Torquato Jardim ficou ressabiado, viu que não estava agradando e começou a baixar o tom.

No dia seguinte, terça-feira, veio o golpe fatal. O todo-poderoso jornal O Globo publicou um editorial pesado, sob o título “Polícia Federal não pode ser manipulada pelo governo“, com um subtítulo demolidor – “Nomeação de Torquato Jardim tem a intenção evidente de controlar a PF, sonho antigo de todo político envolvido em casos de corrupção“.

A ficha caiu e Torquato Jardim rapidamente baixou a bola. Percebeu que estava atirando sua biografia na lata do lixo, em troca daqueles 15 minutos de fama imortalizados pela genialidade de Andy Warhol, e lembrou que o cargo de ministro de Justiça não transforma seu ocupante em advogado de governante corrupto. Por isso, baixou o tom e mudou totalmente de postura.

DESCULPE, FOI ENGANO – Na cerimônia de posse, nesta quarta-feira (dia 31), Jardim abaixou o tom e passou a falar apenas obviedades. Para surpresa geral, elogiou a Lava Jato, depois de tê-la criticado duramente repetidas vezes. “A Lava Jato é um programa de Estado, não é coisa de governo, nem do Ministério Público”, disse o ministro. “O Brasil é institucional, não é personalista. Seja quem for, na Operação Lava Jato, na Polícia Federal, no Ministério Público Federal, o programa continuará. Ele não depende de pessoas”, completou, para surpresa do presidente Temer.

Não mais que de repente, diria Vinicius de Moraes, o neoministro caiu na real. Disse que vai “conhecer e conversar” com o diretor-geral da Polícia Federal, revelando que nesta sexta-feira, dia 2, viajará com Daiello a Porto Alegre, a convite do diretor-geral, para a posse do novo superintendente da PF. “São quatro horas ida e volta. Vai dar para conversar”, comentou.

Ainda de acordo com Torquato Jardim, seu propósito é conhecer a instituição antes de fazer mudanças, o que pode levar “dois meses ou mais”. Foi a Piada do Ano, porque daqui a dois meses Temer pode já ter saído da Presidência, retirando-se da vida pública para entrar na privada, como dizia o Barão de Itararé. E o neoministro vai junto com ele.

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PS
 – No desespero, Temer se encantou com as “tecnicalidades” jurídicas citadas por Torquato Jardim para inocentá-lo. Mas acontece que o inquérito movido contra ele é político, não apenas judicial. Processos e julgamentos podem até demorar, mas politicamente Temer já foi condenado. Tornou-se um presidente-zumbi, mais ridículo do que os personagens da insuportável série “Walking Dead”. Quando deixar o governo, Temer corre o risco de ser contratado pela emissora americana AMC, pois realmente tem vocação para interpretar filmes de terror.  (C.N.)

Temer assume o satanismo e pretende se transformar num “presidente-zumbi”

Charge do Regi (Amazonas Atual)

Carlos Newton

Um dos aspectos mais curiosos da Lava Jato foi o relato do marqueteiro João Santana sobre o presidente Michel Temer. O publicitário revelou que em 2010 o PT fez pesquisas que  revelaram queda nas intenções de voto para Dilma Rousseff quando o então candidato a vice participava das propagandas. O motivo seria uma suposta vinculação da imagem de Temer ao satanismo. Dando risadas, Santana disse ter feito um estudo sobre ocultismo e encontrou um personagem do século 17 que tinha o mesmo nome do atual presidente e era adepto do satanismo.

É claro que uma coisa nada tem a ver com a outra, porque no caso de Temer quem inventou essa estória foi o então senador Antonio Carlos Magalhães, do antigo PFL, quando presidia o Senado. Em 1999, ACM comprou uma briga com Temer, que presidia a Câmara, e o apelidou de “Mordomo de Filme de Terror”. De lá para cá, a piada vem sendo repetida.

DRÁCULA DA DEMOCRACIA – Em dezembro de 2015, Renan Calheiros era  presidente do Senado e também se desentendeu com Temer. Disse no plenário que iria sugerir ao vice-presidente que, se perdesse o cargo no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral, poderia pensar em outros empregos, como  “mordomo de filme de terror ou carteiro”, referindo-se à carta que Temer acabara de mandar a Dilma Rousseff, dizendo-se desprestigiado no governo do PT.

No final de março de 2016, em pleno processo do impeachment, o deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA) fez um discurso na tribuna da Câmara, para acusar Temer de conspirador, e seguiu na mesma balada: “Se ACM o taxava de ‘Mordomo de Filme de Terror’, eu acrescento que hoje ele é o Drácula da Democracia”.

PRESIDENTE-ZUMBI
– Pouco mais de um ano depois, agora Michel Temer parece ter incorporado o personagem vislumbrado por ACM e ameaça se transformar num presidente-zumbi, para assombrar o Planalto na convivência com os fantasmas que declarou vislumbrar no Palácio Alvorada quando se mudou para lá, cujas aparições fizeram com que voltasse a residir no Jaburu.

Sua rejeição bate todos os recordes, sua imagem pública está destroçada, mas Temer finge governar, convoca reuniões e dá ordens à base aliada, que finge obedecer. Ele continua nessa encenação e no domingo resolver nomear um novo ministro que aceita fazer sua defesa sem cobrar nada, contentando-se apenas com aqueles 15 minutos de fama celebrizados pela genialidade de Andy Warhol.

Mas não há como segurar Temer, porque o deputado que recebeu a mala dos R$ 500 mil vai fazer delação, para destruir o que ainda resta do presidente. Mesmo assim, ele não renuncia. Pelo contrário, conta com a amizade e cumplicidade de ministros do TSE para retardar o julgamento e manter mais algum tempo esse governo morto-vivo.

NÃO HÁ GOVERNO – A inexistência de governo traz consequências, é claro. Ao invés de estarem preocupados em reduzir direitos sociais, os três Poderes deveriam se dedicar a outras missões mais necessárias, como desativar a boma-relógio da dívida pública ou reduzir a criminalidade, adotando leis mais duras e tolerância zero. Mas como fazê-lo, se o crime se instalou lá na Praça dos Três Poderes, subvencionado com recursos públicos e protegido pelo foro privilegiado.

Se a Justiça funcionasse, a impunidade diminuiria, haveria um maior respeito às leis. Mas os ministros do Supremo são os primeiros a dar o exemplo, ao libertar perigosos meliantes devido a meras tecnicalidades processuais, e ainda chamam isso de Justiça.

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PS – O fato concreto e auspicioso é que o Brasil consegue resistir a todas essas irresponsabilidades. Certamente, chegará um dia em que teremos governantes e autoridades decentes, capazes de nos levar a um futuro melhor. Por enquanto, temos de aturar esse presidente-zumbi e seus comparsas, que agem como se não tivessem medo da lei nem do ridículo. (C.N.)

Seja qual for o novo presidente, ninguém tira Meirelles da equipe econômica

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Brasília continua em chamas, mas o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, parece cada vez mais tranquilo. Já se conformou com a impossibilidade de se candidatar na eleição indireta, por impedimento legal (desincompatibilização), mas garante que não sairá do cargo, só faltou imitar Dom Pedro dizendo ao povo que vai ficar. Animado com a declaração de Meirelles, o tucano Pedro Parente também anunciou que permanecerá na presidência da Petrobras até 2019, vejam até onde vai a autoconfiança dessa gente que representa interesses econômicos que nada têm a ver com os reais interesses da nação.

MUDANÇA DE RUMO – O presidente Michel Temer, é claro, não gostou nada da declaração de Meirelles. O  ministro então fez uma correção de rumo e passou a dizer que o chefe do governo vai cumprir seu mandato e se manter no cargo até o fim de 2018. “Meu cenário-base é que o presidente vai continuar”, afirmou Meirelles no Encontro Nacional da Indústria da Construção, ao ser questionado sobre a crise política que ameaça a continuidade do governo.

Mas a disputa continua nos bastidores. Para alfinetar Meirelles e agradar ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, que está arquivando em massa os pedidos de impeachment, Temer nomeou para o BNDES o economista Paulo Rabello de Castro, que estava no IBGE e vinha fazendo duras críticas à suposta recuperação da economia, dizendo que os números não indicam essa tendência. Rabello é conhecido por seu radicalismo neoliberal, chaga a ponto de considerar que a reforma da Previdência é “fraca demais” e também defende uma redução mais abrupta dos direitos trabalhistas, só falta recriar a escravidão.

PONTOS EM COMUM – Embora discordem sobre política econômica, Meirelles e Rabello têm muitos pontos neoliberais em comum. Além de lutar para reduzir as conquistas sociais, o ministro da Fazenda e o novo presidente do BNDES jamais aceitam discutir o maior problema do país — o crescimento descontrolado da dívida pública. Meirelles alega que estará tudo sob controle em 2020, Rabello faz cara de paisagem, mas o que se vê é um aumento progressivo e ameaçador da dívida pública, e a grande mídia não está nem aí.

Quanto à política econômica, Meirelles não aceita críticas e garante que não sai da Fazenda, não importa quem seja eleito pelo Congresso. “O País vai bem e a economia está crescendo. O importante é que o País está na rota certa”, diz o ministro, que pode ser considerado o maior representante das elites brasileiras, especialmente os banqueiros, que cobram juros de até 500% ao ano nos cartões de crédito, em cenário de inflação anual de apenas 5%, e o governo não diz nada.

“PEJOTIZAÇÃO” – Sobre as leis trabalhistas, o ministro avalia como “irrelevante” o risco de um aumento do processo de “pejotização” do trabalhador. Segundo ele, essa possibilidade é limitada a algumas profissões e seria inviável em fábricas com milhares de trabalhadores.

O fato é que Meirelles é um farsante, um sofista mal-intencionado. Sabe que a contratação de empregados como se fossem pessoas jurídicas já atingiu o ponto de saturação e por isso não vai aumentar muito. No Brasil, praticamente não existem empregados com carteira assinada que ganhem mais de R$ 20 mil mensais. Meirelles sabe disso. Todos as instituições financeiras, assim como as grandes e médias empresas, só contratam diretores, executivos e gerentes como se fossem pessoas jurídicas. O grupo Friboi, onde trabalhava, funciona assim. Meirelles nunca teve carteira assinada, era “pejotizado”.

SONEGAÇÃO BRUTAL – O prejuízo é enorme para o INSS e o Imposto de Renda, mas o governo jamais se preocupou em calcular. Veja-se o exemplo de Fausto Silva, que o site BOL diz ganhar R$ 5 milhões mensais. Teria de pagar 27,5% de Imposto de Renda (R$ 1,375 milhão), paga apenas 10% (R$ 500 mil), portanto, sonega R$ 875 mil por mês.  Além disso, deixa de pagar os 11% do INSS (R$ 550 mil).  No mesmo esquema, a TV Globo sonega 20% do INSS (R$ 1 milhão). No total, a sonegação do Faustão/Globo vai a R$ 2,425 milhões por mês, chegando a R$ 29,1 milhões anuais. Nada mal.

Economistas como Meirelles e Rabello agem como criminosos, do tipo Robin Hood ao contrário, porque tiram dos pobres e da classe média para dar aos ricos. No Brasil, quem sustenta a Previdência, basicamente, são os trabalhadores de carteira assinada, os servidores civis e militares e os funcionários das estatais. Nenhum deles consegue sonegar, porque o Imposto de Renda e o INSS são descontados obrigatoriamente.

É um crime fazer uma reforma da Previdência sem antes promover uma análise atuarial profunda. Se perguntarem  qual o prejuízo do INSS e do IR com a “pejotização”, Meirelles e Rabello não sabem. Também desconhecem quanto o INSS e o IR perdem com a crescente terceirização, que envolve cooperativas e Organizações Sociais fraudulentas. Somente a Petrobras tem mais de 300 mil terceirizados. Mas quem se interessa?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA grande mídia se cala, porque está falida. Jornais e revistas reduziram seus quadros, têm ocorrido demissões em massa, não há mais sucursais nem correspondentes, apenas “colaboradores” que ganham por reportagem, sem nenhum direito trabalhista. O que fazem os sindicatos? A Fenaj? A ABI? Como dizia o genial jornalista Antonio Maria: “Eu grito e um eco responde: Ninguém!”. (C.N.)

Senado tenta fraudar a eleição indireta, embora a legislação seja muito clara

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Charge do Glauco (Arquivo Google)

Carlos Newton

O confusão institucional é tamanha que as notícias políticas necessitam de tradução simultânea em caráter permanente. No debate sobre a sucessão de Temer, por exemplo, os petistas jogam seu último trunfo para salvar Lula da cadeia, ao defenderem uma eleição direta ilegal e impossível. Ao mesmo tempo, os senadores também entram numa aventura jurídica, ao pretenderem alterar as normas legais que regem a eleição indireta em caso de vacância dos cargos de presidente da República e vice-presidente, como ocorrerá quando Michel Temer for afastado de seu mandato.

NA FORMA DA LEI – Não mais que de repente, como diria Vinicius de Moraes, aparece todo tipo de jurista para afirmar que a Lei 13.165, de 2015, mudou as regras e determina que haja eleição direta em caso de vacância dos cargos após o segundo ano do mandato, porque alterou o artigo 224 do Código Eleitoral, nos seguintes termos:

§ 4º – A eleição a que se refere o § 3º (cargos majoritários) correrá a expensas da Justiça Eleitoral e será: I – indireta, se a vacância do cargo ocorrer a menos de seis meses do final do mandato.

À primeira vista, fica parecendo que a eleição do sucessor de Temer teria de ser direta. Mas as aparências enganam. Qualquer estudante de Direito sabe que lei ordinária, complementar ou medida provisória não têm capacidade de alterar norma constitucional – no caso, o artigo 81 da C.F., que está em vigor:

Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.

§ 1º. Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.

O EXEMPLO DO AMAZONAS – Os defensores da eleição direta citam o exemplo do Amazonas, porque no último dia 4, ao cassar o governador e o vice do Amazonas (José Melo e Henrique Oliveira), o Tribunal Superior Eleitoral convocou eleição direta para substituí-los no mandato-tampão até 31 de dezembro de 2018. Mas no caso de presidente e vice-presidente da República, a regra é diferente, porque a Constituição é clara, tem de ser obedecida e a eleição será indireta.

Esta norma da Lei 13.165 é inconstitucional e a Procuradoria-Geral da República já recorreu ao Supremo para suprimi-la. Mas como ainda não houve julgamento no STF, o TSE teve de acatar a mudança e agiu acertadamente no caso das diretas no Amazonas. Enquanto este dispositivo da Lei 13.165 estiver em vigor, tem de ser cumprido. Por isso, quando a vacância ocorre em governos estaduais e municipais, antes de seis meses do final do mandato, o TSE tem de considerar que a eleição será direta, nos termos desta lei idiota, cujo cumprimento só pode ser teórico, porque na prática será impossível cumpri-la.

ELEIÇÕES SIMULTÂNEAS – O fato é que o Congresso cometeu um erro infantil ao aprovar a Lei 13.165. E a presidente Dilma Rousseff, aconselhada pelo então ministro da Justiça José Eduardo Cardoso, fez pior ainda e sancionou sem vetos a monstruosidade jurídica.

Ninguém lembrou que não se podem realizar eleição direta de afogadilho, é preciso respeitar imposições e prazos legais. Primeiro, a Justiça Eleitoral tem de convocar convenções para os partidos escolherem candidatos. Depois que isso ocorrer, a Justiça Eleitoral então estabelece o período de propaganda gratuita no rádio e televisão, enquanto são preparadas as seções eleitorais, convocados os mesários etc.

Tudo isso leva tempo, e ainda há a possibilidade de segundo turno, com uma nova votação, também  antecedida de campanha no rádio e TV, um mês depois. Isso significa que, dependendo da época em que ocorrer a vacância, na forma desta lei ridícula pode ser necessário promover duas eleições diretas simultâneas – uma para o mandato-tampão que está terminanado e a outra para o mandato seguinte que ainda vai começar. É uma lei idiota ou não? Imediatamente deveria ter sido declarada inconstitucional, mas quem se interessa?

GOLPE DO SENADO – No meio dessa confusão, mais uma gracinha jurídica. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), pretende que a eleição indireta seja feita em duas etapas, primeiro na Câmara, depois no Senado. É mais uma maluquice, não existe esse tipo de eleição dividida. O Regimento do Congresso determina que toda votação é conjunta. Além disso, esta obrigatoriedade é reforçada pela legislação sobre eleição indireta (Lei 4.321, de 1964), que continua em vigor, e foi com base nela que se fez a eleição de Tancredo Neves em 1985, sem problema algum.

O senador Eunício Oliveira é despreparado e patético. Sua assessoria diz que ele “delegou técnicos do Senado a definição de regra que preveja votações separadas, dando equivalência às duas Casas”, vejam como a ignorância, o amadorismo e a pretensão se acasalam despudoradamente na política.

Como se constata, os senadores sonham em comandar a eleição do sucessor de Temer, mesmo tendo apenas 81 votos, enquanto a Câmara tem 513. É evidente que o tiro vai sair pela culatra, porque a manobra dos senadores está causando revolta aos deputados, uma circunstância que fortalece ainda mais a candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ),  e salve-se quem puder!

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PSA armação urdida pelos senadores faz lembrar um personagem de Fernando Sabino, que costumava dizer: “Vale tudo, só não vale cagar regra”. (C.N.) 

Ministra da AGU cai em desgraça e agora luta para não ser derrubada do cargo

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Grace foi apelidada de ‘esquecidinha da AGU’

Carlos Newton

A ministra Grace Mendonça, da Advocacia-Geral da União, começa a enfrentar um levante dentro da instituição que comanda. Até agora, ela está se fingindo de morta no inquérito envolvendo o presidente Michel Temer e sua omissão está deixando mal a AGU. Seu vice Paulo Gustavo Medeiros Carvalho já está articulando para substituí-la, independentemente da saída ou não de Temer, porque a equipe do PMDB no Planalto acredita que a cassação ou renúncia do presidente não afetará o status quo, vejam a que ponto chega a prepotência dessa gente.

O vice Paulo Gustavo Carvalho, que é da cota do ex-deputado Eduardo Cunha, opera em dupla com Gustavo Rocha, chefe da Assessoria Jurídica da Casa Civil, que também foi nomeado por Cunha, com apoio de todos os caciques do PMDB, porque era advogado do partido.  Paulo Gustavo Carvalho é o “PG” que Gustavo Rocha mencionou no caso Geddel, na conversa gravada pelo então ministro da Cultura Marcelo Calero, quando afirmou que havia se entendido com uma pessoa na AGU para refazer o parecer e liberar a construção do prédio na área histórica de Salvador.

ESQUECIDINHA – Conhecida como a “esquecidinha da AGU” por causa da dificuldade de achar um HD externo para copiar os processos de políticos corruptos, entre eles o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e depois por ter esquecido que era filiado ao PSDB, a ministra Grace Mendonça está sentindo a pressão e vem fazendo qualquer coisa para permanecer no cargo. O chefe da Casa Civil Eliseu Padilha, responsável pela nomeação dela, está decepcionado e agora comanda a manobra para derrubá-la.

Grace Mendonça teve a ousadia de dar um “bypass” no ministro Henrique Meirelles no Congresso, para exigir dos deputados que não houvesse perdão dos honorários advocatícios na malfadada Medida Provisória do Programa de Regularização Tributária, esquecida de que há coisas bem mais graves no projeto, como a remissão dos próprios débitos e o pagamento de dívidas com imóveis pelo valor da penhora, o que é imoral.

Ou seja, Grace Mendonça quis jogar para a plateia e garantir os honorários dos Advogados e Procuradores, como forma de se sustentar no cargo, e o interesse público foi para as calendas. Por sorte, o Ministério da Fazenda conseguiu barrar este acordo abjeto.

DECADÊNCIA DA AGU – Grace Mendonça é exemplo de desempenho negativo na Administração Pública, pois se comporta como se fosse técnica e competente, mas é política e carreirista. Demonstra não estar nem um pouco preocupada com o interesse público e sim com sua própria trajetória e posição pessoal. O pior é que o vice Paulo Gustavo Carvalho, o “PG” de Geddel, é igual a ela.

Espera-se que a eventual queda de Temer não mantenha a   atual cúpula da AGU, mas isso pode até acontecer, no Planalto tudo é possível. O mais curioso é que Temer já avisou que, se continuar no poder, Grace Mendonça não fica de jeito nenhum. Na crise, ela está qualificada nos bastidores como covarde e traidora. Sumiu do Planalto e articula pelas costas de Temer para manter-se no cargo numa troca de governo. Seu foco é o atendimento aos interesses corporativos dos procuradores federais, mas este trunfo nada representa no baralho do Planalto.

Acredite se quiser! Rodrigo Maia é um dos favoritos para suceder Temer

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Maia já tem o apoio do DEM e do baixo clero

Carlos Newton

Como diria o grande cantor, músico, radialista e pesquisador Henrique Froes, mais conhecido como Almirante, “é incrível, fantástico e extraordinário”, mas o bisonho deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), não somente vai ocupar a presidência da República por 30 dias após a saída de Temer, como também é um dos mais fortes candidatos na eleição indireta. O fato concreto é que o atual Congresso confirma o diagnóstico de Oswaldo Aranha e mostra ser um deserto de homens e ideias. Não existe um grande líder, capaz de garantir apoio da maioria dos 594 parlamentares. É justamente esta circunstância que explica o favoritismo de Maia.

Há muitos outros que sonham com a Presidência, como Henrique Meirelles, Nelson Jobim, Geraldo Alckmin, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Ciro Gomes, Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati, Jair Bolsonaro, Álvaro Dias, Ronaldo Caiado e Cristovam Buarque, entre outros. No entanto, como diz a Bíblia, muitos são chamados, mas poucos, escolhidos (Matheus, 22:14).

UMA ELEIÇÃO ÚNICA – Não se pode raciocinar como se fosse uma eleição direta, com propostas de governo e campanha pela TV. Trata-se de uma escolha a ser feita pelos 594 parlamentares federais, espalhados por 26 partidos. Não tem nada a ver com uma eleição comum.

Nunca antes, na História deste país, houve uma sucessão presidencial desse tipo, e Lula estará de fora, porque o PT vai ficar nessa conversa fiada de pedir eleições diretas, nem ousa lançar candidato e no final apoiará qualquer um que se disponha a continuar combatendo a Lava Jato e lhe abra alguma participação no novo governo.

O PSDB, que pode lançar Fernando Henrique Cardoso ou Tasso Jereissati, sonha com o apoio do PT. O PMDB, que conta com a maior bancada e não tem candidato, terá de recorrer a Nelson Jobim, não há outro nome. Outros partidos de porte médio, como PR, PSD, PSB, PRB e PP não têm candidatos com chances. E o DEM, com toda certeza, está fechado com Rodrigo Maia, que já conta com apoio do chamado “baixo clero” da Câmara e tem boas possibilidades de ser eleito.

DEBAIXO DOS PANOS – Tudo depende das circunstâncias, do número de candidatos e dos acordos que serão feitos por baixo dos panos, como se dizia antigamente.

Os dois candidatos com maior chance são Nelson Jobim (PMDB) e Rodrigo Maia (DEM), não necessariamente nesta ordem, uma disputa reveladora de que a política brasileira conseguiu descer ao abismo mais profundo da História Republicana.

Se houver poucos candidatos, as chances de Jobim aumentam. Mas na hipótese de aparecerem muitos candidatos, o deputado Rodrigo Maia vai se tornar praticamente invencível, até porque estará à frente do governo nos 30 dias que antecedem a eleição e terá campo aberto para fechar todo tipo de acordo fisiológico.

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PS
É claro que se trata de um quadro mutante, que pode ser alterado de uma hora para outra, até porque a política brasileira não tem similar no resto do mundo, como já declararam os roteiristas da série “House of Cards”, convencidos de que aqui na Tropicália a realidade política supera qualquer tentativa de ficção. E como o assunto é importante, instigante e até revoltante, voltaremos a abordá-lo amanhã.  (C.N.)

Temer está acabado e Jobim já mandou fazer um terno novo para tomar posse

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FHC deu bobeira e  Jobim já está de olho no poder

Carlos Newton

Não faltam candidatos à sucessão do presidente Michel Temer, para o mandato-tampão até 2019. Havia uma tendência de que escolher um congressista (deputado ou senador), mas as negociações principais seguem caminhos diversos, porque este pressuposto escantearia muitos supostos candidatos, como Henrique Meirelles, Nelson Jobim, Geraldo Alckmin, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Ciro Gomes e Fernando Henrique Cardoso, que dá entrevistas diárias e luta incessantemente para ser indicado pelo PSDB, tentando desalojar o senador Tasso Jereissati que tem apoio de muitos tucanos.

PT ESTÁ DE FORA – Quando ao PT, insiste em pedir eleições diretas, nem ousa lançar candidato e no final vai apoiar qualquer um que se disponha a continuar combatendo a Lava Jato. Detalhe: tudo depende das circunstâncias e essa posição do PT  pode significar até apoio ao candidato do DEM, deputado Rodrigo Maia, que vai assumir por 30 dias no lugar de Temer e só pensa naquilo.

É certo que outros candidatos podem até se lançar, mas somente para marcar presença e ganhar visibilidade política, de olho em 2018, como Jair Bolsonaro (PSC), Álvaro Dias (Podemos, ex-PTN), Ronaldo Caiado (DEM), Ciro Gomes (PDT) e Cristovam Buarque (PPS), entre outros que sonham com o poder, mas o certo é que, na disputa atual, todos estão fora do páreo.

PMDB É FAVORITO – Não importa quem venha a ser candidato na primeira eleição presidencial indireta da História do Brasil, o PMDB é quem corre com mais chances, embora não tenha candidato. Motivo: quem está no poder agora, formando a base aliada do atual governo, com toda certeza quer manter os espaços conquistados. Isto significa que, se o candidato do PMDB (maior partido do Congresso e atual detentor do poder) tiver jogo de cintura e fechar acordos, dificilmente será derrotado.

Na ilusão de voltar à Presidência, FHC tem usado todas as armas. Além das entrevistas quase diárias, busca encontrar apoio entre os políticos e os empresários, corteja abertamente o PT, mas comete erros realmente primários. No dia seguinte ao escândalo da JBS, publicou um texto nas redes sociais em que defendeu a renúncia de Temer. Disse que, caso as alegações da defesa dos implicados na delação da JBS não fossem convincentes, estes “terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia”, referindo-se claramente a Temer.

Na empolgação, bancou o idiota e ligou para Nelson Jobim, o ex-ministro e ex-presidente do Supremo, pedindo-lhe para dar início a uma articulação com o PT para eleger o substituto de Temer. A tese ilusória de FHC é de que, em 2018, todos poderão se enfrentar, mas agora o momento é de união.

PERFIL DO CANDIDATO – FHC pensa que será eleito indiretamente pelo Congresso, porque tem o perfil do candidato ideal para conquistar a maioria dos votos. Como se sabe, para ser sucessor de Temer, os pressupostos exigidos são os seguintes, não necessariamente nesta ordem: 1) Ser corrupto, mas parecer honesto; 2) Ter trânsito nos partidos da situação e da oposição; 3) Prometer boicotar a Lava Jato, mas sem dar na vista; 4) Fazer acordo com os banqueiros e líderes empresariais.

É claro que FHC preenche, com louvor, todos os pré-requisitos. E acrescenta a longa experiência político-administrativa, mirando-se no exemplo do lendário Konrad Adenauer, que foi eleito para governar novamente a Alemanha aos 85 anos, exatamente a idade que FHC tem hoje.

Mas acontece que o guru do PSDB esqueceu um detalhe fundamental – há outros políticos que preenchem os mesmos pressupostos. E o principal deles chama-se Nelson Jobim, a quem FHC ingenuamente delegou poderes para negociar a sucessão de Temer em nome do PSDB, vejam como a política brasileira é enlouquecida a necessita sempre de tradução simultânea.

JOBIM, IMBATÍVEL – Dispondo da carta-branca de FHC para fechar acordos, o trêfego e corrupto Nelson Jobim tornou-se fortíssimo candidato à sucessão e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, espertamente já passou a atuar como cabo eleitoral dele.

Renan passou a defender abertamente a eleição indireta pelo Congresso, e se declarou disposto a apoiar os nomes de ministros do Supremo, citando Joaquim Barbosa, Nelson Jobim e Gilmar Mendes, que seriam “candidatos naturais”, mencionando também Geraldo Alckmin e “algum governador do Nordeste”. Por coincidência, entre os citados por Renan, o ex-ministro Jobim é o único que deve disputar a eleição.

O fato concreto é que Temer está acabado, é carta fora do baralho, e Nelson Jobim, o protetor dos banqueiros, que fraudou a Constituinte para garantir o pagamento da dívida pública aos bancos, almoçou nesta quarta-feira com 200 dirigentes de instituições financeiras, negou ser candidato, alegando que sua mulher não deixa, mas já mandou fazer um terno novo, para tomar posse.

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PS – O problema de Jobim é que não conhece a maioria dos congressistas, ao contrário de Rodrigo Maia, que os chama pelos nomes. Na certeza da vitória, Rodrigo Maia também já tirou as medidas para um terno novo, porque a ansiedade faz com que ele esteja engordando cada vez mais. Na verdade, ninguém sabe quem será o novo presidente. O que se sabe é que não será melhor nem pior do que FHC, Lula, Dilma e Temer. Será mais do mesmo, como dizia nosso amigo Carlos Chagas. Como o assunto é preocupante e até decepcionante, voltaremos a ele amanhã. (C.N.)

Incompetência do governo Temer ameaça levar o país a uma guerra civil

Como a PM-DF permitiu que isso acontecesse?

Carlos Newton

A oportunidade foi excelente. As centrais sindicais – todas elas, sem exceção – desta vez se uniram para protestar e investiram pesado na convocação, gastando recursos próprios para bancar transporte, estadia e alimentação de dezenas de milhares de militantes, que viajaram a Brasília com objetivo específico de botar para quebrar, como se dizia antigamente. Em alguns ônibus que interceptou, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu facões, barras de ferro e bastões de madeira a serem usados na balbúrdia. Os manifestantes levaram até coquetéis molotov e explosivos, e um jovem ativista perdeu os dedos quando a bomba explodiu prematuramente.

Tudo isso é grave, gravíssimo, porque prenuncia uma guerra civil que está só começando e vai se agravar nos próximos dias, se o inconsequente governo de Michel Temer insistir nessa política suicida de misturar problemas trabalhistas e questões sindicais, como se fossem a mesma coisa, pois na verdade são muito diferentes.

IRRESPONSABILIDADE – O bom senso recomendava que o governo mandasse retirar da pauta as reformas da Previdência e da CLT, para acalmar os ânimos. Mas o presidente Temer fez justamente o contrário, ao pressionar as lideranças da base aliada a aprovar logo as propostas, ambas altamente controversas.

Com o poder desmoronando sob seus pés, cercado de ministros e assessores corruptos, mesmo assim o governo Temer sonha em seguir em frente. Sem criatividade, o presidente adota a mesma estratégia de seus antecessores Lula da Silva e Dilma Rousseff, alegando estar sendo vítima de perseguição política, quando todos sabem que as verdadeiras vítimas são as instituições brasileiras e o interesse público.

Agarrando-se na simulação, Temer procurou se aproveitar do estrago que os sindicalistas fizeram em Brasília nesta quarta-feira , com apoio dos movimentos sociais, dos petistas e de seus aliados. E para se fazer de vítima, o presidente então convocou as Forças Armadas para patrulhar a Praça dos Três Poderes e justificar sua permanência no poder.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – As aparências enganam. Não cabe às Forças Armadas esse tipo de policiamento, não têm condições nem verbas para fazê-lo. Quem dispõe de escudos, máscaras, coletes, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo e spray de gás de pimenta é a Polícia Militar. A convocação das Forças Armadas é apenas figurativa, uma fugidia demonstração de força, pois o próprio ministro da Defesa Raul Jungmann logo anunciou que os militares só devem ficar por 48 horas, vejam a que ponto chega a desfaçatez dessa gente.

O pior é que Jungmann atribuiu a decisão de convocar os militares a um pedido que teria sido feito pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que imediatamente deu entrevista desmentindo. Não pediu nada. Foi decisão do Planalto, em manobra de objetivo meramente político.

Mas isso já não interessa. O importante é que o grave problema seja enfrentado de frente para ter solução, mas ninguém nem se preocupa sequer em equacioná-lo.

O GRANDE DESAFIO – No momento, a reforma da CLT não é mais a questão a ser abordada. O grande problema é a República Sindicalista que foi se consolidando através dos tempos e se tornou um braço do PT, financiado pela contribuição anual obrigatória dos trabalhadores e pelos repasses do Sistema S (Sesc, Senai etc.). É a República Sindicalista que está em jogo, por isso todas as centrais sindicais estão unidas nesta guerra.

Se o governo mirasse o interesse público, se apressaria em separar as questões, sem querer resolvê-las simultaneamente. A reforma da CLT é uma coisa e já está parcialmente feita, com a terceirização radical, enquanto a questão sindical é outro departamento. Misturar as estações é uma política explosiva, que ameaça a democracia, mas Temer e sua gangue não estão nem aí.

MISSÃO PRINCIPAL – Nesse aspecto, o maior desafio brasileiro é derrubar a República Sindicalista, e as Forças Armadas realmente devem ser convocadas com esta finalidade. E, por ora, é preciso esquecer a reforma da CLT terceirizada e concentrar esforços na derrubada da contribuição anual e dos repasses obrigatórios do Sistema S.

O pior problema nacional é este, mais grave até do que o crescimento da dívida pública, passível de ser solucionado sem a ocorrência de uma guerra civil, que as centrais sindicais já estão declarando, com apoio dos exércitos do Stédile, do Boulos, dos Black Blocs, da UNE, do PT, da Mídia Ninja e do Fora do Eixo, entre outros supostos movimentos sociais, se é que podemos chamá-los assim.

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PSA convocação das Forças Armadas recebeu apoio imediato em Brasília, porque o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB) é totalmente omisso, em termos de Saúde, Educação e Segurança, conforme informou nesta quarta-feira José Carlos Werneck aqui na Tribuna da Internet, ao destacar que o ministro Jungmann não teve nem mesmo a delicadeza de consultar o governo do Distrito Federal, antes de Temer baixar o decreto. Ou seja, Rollemberg é um governador inteiramente desprestigiado. (C.N.)

Gravação de Temer realmente teve cortes, sumiram mais de 6 minutos da conversa

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Molina se expôe e demonstra não temer o ridículo

Carlos Newton

Realmente, existe um instigante mistério na gravação do encontro entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, não há a menor dúvida, mas não se refere ao teor da apimentada conversa, que depõe contra a honorabilidade do chefe do governo e até obriga a que seja afastado do cargo, a bem do interesse público e da moralidade administrativa. Isso é ponto pacífico. O mistério a ser desvendado é outro e se refere à surpreendente redução do tempo da conversa entre Temer e Batista, porque sumiram mais de seis minutos da gravação.

A constatação foi feita pela equipe técnica da Rádio CBN, ao comparar a programação da emissora, que Joesley ouvia e gravava no carro, antes de chegar ao Palácio Jaburu, e continuou ouvindo ao voltar ao automóvel, porque esquecera o rádio ligado. Segundo o jornal O Globo, a comparação das duas gravações mostrou a expressiva diferença de mais de 6 minutos na duração da conversa registrada no pen drive entregue pelo empresário à Procuradoria-Geral da República.

HÁ DUAS GRAVAÇÕES? – Há muitas indagações. Pelo que se informa, Joesley levou dois gravadores e a JBS já entregou à Procuradoria o segundo equipamento. Somente assim, os peritos da Polícia Federal poderão constatar o que realmente aconteceu. Embora os cortes (se existiram, e agora parece que ocorreram) não inocentem o presidente Michel Temer, é preciso que sejam explicados e também que se revele o que foi extirpado da gravação, porque a conversa pode ter se aprofundado com informações que possam incriminar outras altas personalidades da República.

Vamos aguardar a evolução dos acontecimentos e a análise dessa segunda gravação. O que não se pode aceitar é a leviana afirmação do perito Ricardo Molina, ao proclamar que a gravação não pode ser considerada como prova e deve ser atirada no lixo.

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PS
Já assinalamos aqui na Tribuna da Internet que peritos são como advogados e trabalham em favor de quem os contrata. Quem age de forma imparcial é o perito do poder público, porque é pago pelo povo para defender seus interesses. Mas nem sempre isso acontece. No processo contra Roberto Marinho pela usurpação da TV Paulista, a perita judicial, para agradar a TV Globo, deu um parecer surrealista, inventando um negócio de compra e venda que jamais existira, e seu laudo foi demolido pelos especialistas do Instituto Del Picchia, o mais respeitado do país. (C.N.)

Meirelles tentou comprar o silêncio da mídia no caso da Friboi/JBS

Charge do Hubert (Arquivo Google)

Este artigo foi publicado em 30 de janeiro de 2015 aqui na Tribuna da Internet, mostrando que Henrique Meirelles, como presidente do Conselho Consultivo do grupo dos Irmãos Batista, recomendara a vultosa campanha publicitária para ocultar os “malfeitos” do grupo Friboi. A matéria inclusive denunciava os altos investimentos do grupo no patrocínio de políticos no caixa 1, pois à época nem se falava em caixa 2. Recordar é viver e vale a pena ver de novo, para refrescar a memória.

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MEIRELLES TENTA COMPRAR O SILÊNCIO
DA MÍDIA NO CASO DA FRIBOI

Carlos Newton

É impressionante a bilionária campanha publicitária que o grupo JBS, maior exportador de carne bovina do mundo e dono da marca Friboi, vem fazendo na imprensa escrita e na televisão, inserindo anúncios em espaços e horários nobres e pagando cachês altíssimos a artistas “globais” consagrados como Tony Ramos, Fátima Bernardes e Roberto Carlos, que inclusive é vegetariano há décadas.

O grupo JBS, de Goiás, pertence aos irmãos Batista e era comandado por José Batista Júnior, que conseguiu apoio do BNDES a partir do primeiro governo Lula e alçou o frigorífico JBS-Friboi ao topo do mercado de carnes do país e do mundo.

CHAMARAM MEIRELLES – Em março de 2012, preocupados com a crescente responsabilidade causada pela expansão dos negócios, os irmãos Batista chamaram o conterrâneo Henrique Meirelles para assumir a presidência do Conselho Consultivo da J&F, holding que controla empresas e marcas famosas como JBS Friboi, Banco Original, Swift, Doriana, MassaLeve, Lebon, Pilgrim’s, Seara, Vigor, Rigamonti, Fiesta e Flora. Uma das missões de Meirelles era traçar a estratégia mundial do grupo, para não perder mercado.

Menos de um ano depois, surpreendentemente José Batista Júnior deixou de ser o principal sócio da holding J&F, tendo vendido sua participação para os irmãos Joesley e Wesley, que tiveram de manter Meirelles à frente do Conselho, porque hoje a credibilidade do grupo está diretamente associada à atuação do ex-presidente do Banco Central e do BankBoston, que está cada vez mais rico e se tornou também acionista do Itaú.

CAMPANHA BILIONÁRIA – No comando da holding J&F, Meirelles determinou o lançamento da espalhafatosa campanha publicitária, que começou no início do ano passado e parece não ter mais fim, para satisfação dos barões da mídia impressa e televisionada.

O objetivo da propaganda em massa não é comercial; pelo contrário, tem apenas a finalidade de amansar a grande mídia, para desestimular reportagens investigativas que possam revelar as entranhas desse surpreendente sucesso empresarial movido pela generosidade do BNDES, que na gestão petista emprestou à JBS R$ 2,5 bilhões (diretamente ou por meio de outros bancos) e comprou R$ 8,5 bilhões em ações do grupo, que equivalem a 24,6% de seu capital.

PATROCÍNIO ELEITORAL – Além de atuar no controle da mídia, Meirelles também transformou a holding J&F na maior patrocinadora da política nacional. Oportuna reportagem de Leandro Prazeres, no site UOL, revela que o generoso grupo já doou a candidatos e partidos cerca de 18,5% de tudo o que tomou emprestado do BNDES entre 2005 e 2014, com PT, PMDB e PSDB aparecendo como os mais beneficiados.

Desde 2006, o grupo já figurava como um dos maiores doadores de campanhas políticas do Brasil. Meirelles só fez aumentar o cachê. Em 2010, por exemplo, o JBS ficou em terceiro lugar, com R$ 63 milhões. Mas em 2014, sob comando dele, o grupo passou a ser o maior doador, com R$ 366,8 milhões em patrocínio eleitoral, seguido da construtora Odebrecht, que doou R$ 111 milhões, e do Bradesco, com cerca de R$ 100 milhões.

GENEROSIDADE DEMAIS – O repórter Leandro Prazeres mostrou que o comprometimento da J&F com doações a políticos é tão grande que, somente para a eleição de 2014, a empresa doou 39,56% de todo o seu lucro líquido registrado em 2013, que foi de R$ 926,9 milhões. É como se, a cada R$ 100 de lucro, a JBS doasse R$ 39,5 para os caixas de campanhas de partidos e candidatos. Da mesma forma, a Odebrecht, segunda colocada no ranking de doações neste ano, doou 22% de seu lucro líquido em 2013, que foi de R$ 490,7 milhões.

É generosidade demais, motivando justificadas suspeitas de sonegações e graves irregularidades contábeis. Como se sabe, o lucro líquido é a diferença entre o que a empresa faturou e os seus custos operacionais (salários, tributos, impostos etc).

E a conclusão é óbvia – a J&F comprou a grande imprensa, mas esqueceu a internet, e o surgimento de um escândalo será inevitável.

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PSConforme assinalamos, este artigo foi escrito em janeiro de 2015. Mais de dois anos depois, espera-se que a republicação do texto não venha a fortalecer a teoria conspiratória que tenta atribuir a um tenebroso complô o atual posicionamento da Organização Globo contra Temer.  A teoria conspiratória está crescendo na internet, mas até agora não há a menor sustentação, apenas virtual. Nos últimos anos, a demonização da Globo vinha sendo feita por Lula e pelos dirigentes petistas, para alegar inocência no esquema de corrupção. Agora, quem o faz são os aliados do presidente Temer. Realmente, chega a ser patético. Vamos escrever a respeito, até porque é preciso dar à Organização Globo e ao Jornal Nacional o direito de acertar. Se alguém tiver provas contra a Globo, aceitaremos prazerosamente é claro, como fizemos no artigo de ontem, sobre o caso da usurpação da TV Paulista por Roberto Marinho, que é encoberto pela grande mídia e noticiado apenas aqui no espaço livre da Tribuna da Internet, sempre com total exclusividade. (C.N.)   

 

Lula ameaça destruir a Rede Globo, mas é somente mais uma encenação

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Com frequência, vem sendo divulgado que o ex-presidente Lula da Silva, se eleito em 2018, pretende acabar com o monopólio da TV Globo, cassar sua concessão e suspender outras vantagens que esse poderoso grupo de comunicação teria auferido da administração federal nas últimas décadas.  Lula, que responde a cinco processos criminais, sente-se perseguido pela TV Globo, esquecendo-se que as mesmas denúncias também são apresentadas pelas outras emissoras. A diferença está na maior audiência e no alcance nacional da rede da família Marinho, não existindo aí, salvo prova em contrário, nenhuma perseguição pessoal com o objetivo de pôr em risco a honra de quem não a possui.

Esse incontido inconformismo não passa de discurso para enganar trouxa, como vem ocorrendo com sucesso nas eleições presidenciais desde 2002. Agora, Lula continua abusando da boa-fé e da desinformação do povo brasileiro, ao apregoar que, de volta ao poder, pretende não somente se vingar da Globo, mas também processar juízes, procuradores e policiais que estão no seu encalço.

LULA SE OMITIU – Durante seu interminável governo e com popularidade na estratosfera, tendo sido chamado de “o Cara” por Barack Obama, Lula e seu primeiro-ministro José Dirceu foram representados junto ao Supremo por não terem investigado ilícitos cometidos por Roberto Marinho ao se apoderar da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo), na ditadura militar.

Lula e José Dirceu foram informados de que o fundador da Rede Globo, para assumir o controle do canal 5 de São Paulo, segundo pareceres de conceituados peritos, usou documentos falsos, forjados com participação de sua assessoria, para se apossar dos direitos societários de mais de 650 acionistas fundadores da antiga Rádio Televisão Paulista S/A e assim  consolidar seu vitorioso projeto de ter uma rede nacional  para enfrentar a TV Tupi.

Lula e Dirceu fingiram-se de mortos, o que à época poderia ser interpretado como prevaricação. Deixaram de investigar como foi possível que um único acionista, titular de apenas duas ações, chamado  Armando Piovesan, pudesse ter simulado a  instalação de uma Assembleia-Geral Extraordinária da Rádio TV Paulista S/A, para que, com apoio dos governantes militares, o canal 5 de São Paulo fosse transferido para Marinho.

FRAUDE NA VENDA – Lula e Dirceu foram comunicados de que Victor Costa Júnior, o “vendedor” das ações da TV Paulista, não era nem acionista da emissora, pois no inventário dos bens deixados por seu pai, Victor Costa, não estavam incluídas ações da TV Paulista e de outras duas emissoras, que depois se transformaram na TV Globo de Recife e na TV TEM de Bauru, supostamente compradas na ditadura militar por Roberto Marinho.

Também foram informados de que, nas assembleias societárias da TV Paulista, Roberto Marinho registrou em atas as presenças de importantes acionistas majoritários, que, apesar de mortos há mais de dez anos, teriam comparecido à antiga sede da emissora, na Praça Marechal Deodoro, 340, em São Paulo, para garantir quórum e “legitimar” o apossamento de suas próprias ações pelo interessado maior.

Naquela época não havia videoconferência nem teleconferência com o Além. Os acionistas mortos, muito embora não precisassem comparecer, mesmo assim estiverem presentes, conforme foi atestado por Roberto Marinho em documento público, registrado em cartório.

LULA AMARELOU – Por tudo isso, não se pode acreditar na nova promessa de Lula enfrentar a TV Globo. Quando tinha obrigação funcional de abrir investigação para esclarecer essa transferência ilegal de outorga de concessão pública, o então todo-poderoso presidente nada fez, simplesmente amarelou, comportando-se como se nunca soubesse de nada.

Deve-se registrar, contudo, que entre a situação atual de Lula e o momento vivido por Roberto Marinho, há duas diferenças curiosas e expressivas: 1) Lula jura que não é dono do tríplex, porque o registro de propriedade está em nome da OAS, mas assim mesmo está sendo processado; 2) Marinho, ao contrário, jurava ser dono das emissoras de São Paulo, Recife e Bauru, apesar do registro de propriedade e da concessão estarem em nome de terceiros, que nunca lhes venderam essas empresas.

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PS –
A situação descrita acima foi levada ao conhecimento do então presidente Lula em 2003 e da presidente Dilma em 2013. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi o único político que requereu, oficialmente, explicações ao governo do PT sobre essas simulações societárias e não foi atendido pelo Ministério das Comunicações.  No site da Organização Globo, ainda se pode ler a informação inverídica de que Roberto Marinho adquiriu os canais de São Paulo e de Recife de Victor Costa – que morreu em 1959, e o tal contrato de compra e venda data de novembro de 1964, foi assinado por Victor Costa Júnior. É um caso para a Comissão de Valores Mobiliários,  já que a Justiça não funciona, especialmente quando a Organização Globo está no banco dos réus. (C.N.)

No desespero, Temer tenta criar uma realidade virtual que a Perícia logo irá desfazer

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Temer logo será desmentido pela perícia da PF

Carlos Newton

Foi um brilhante discurso, não há a menor dúvida. Neste sábado, o presidente Michel Temer conseguiu fazer o melhor pronunciamento de sua vida. Saiu-se tão bem que logo suspeitei que estava usando aqueles teleprompters transparentes de última geração, um de cada lado da sala, porque durante toda a locução ele não olhou uma só vez para a frente, intercalava as frases sempre focando os mesmos pontos à direita e à esquerda, somente um autômato conseguiria proceder assim. De toda forma, foi um desempenho notável, ficou parecendo um discurso de improviso, mas as aparências enganam. O texto era impecável e incisivo, inteiramente redigido em frases curtas, ao contrário do estilo rococó e entediante de Temer. Portanto, foi coisa de profissional, João Santana não faria melhor.

Acontece que marketing é sinônimo de ficção. No pronunciamento, ficou claro que Temer não tem argumentos concretos e decidiu jogar todas as fichas na possibilidade de mudar as aparências das coisas, para criar uma realidade virtual que lhe seja favorável.

A PERÍCIA VEM AÍ – Sonhar ainda não é proibido, mas já se sabe que essa estratégia de Temer não vai dar certo, porque está inteiramente sustentada em alegações ilusórias.

Logo após o pronunciamento, começou o desmonte. O grupo J&F, dos irmãos Batista, divulgou nota oficial confirmando que não houve a “adulteração” denunciada por Temer. Além de dizer que a gravação não sofreu cortes nem manipulação, a empresa assinalou que existem documentos que comprovam a veracidade das delações.

“É natural que, nesse momento, em função da densidade das delações, surjam tentativas de desqualificá-las”, diz trecho da nota, acrescentando: “Quanto ao áudio envolvendo o presidente Michel Temer, Joesley Batista entregou para a Procuradoria Geral da República a íntegra da gravação e todos os demais documentos que comprovam a veracidade de todo o material delatado. Não há chance alguma de ter havido qualquer edição do material original, porque ele jamais foi exposto a qualquer tipo de intervenção.”

NÃO HOUVE CORTES – Essa briga de versões será fatal a Temer, que afirmou ter havido cerca de 50 cortes e adulterações na gravação, mas não aconteceu nada disso. Já se sabe que o resultado da perícia a ser feita pela Polícia Federal vai confirmar a conclusão a que chegou a equipe técnica da rádio CBN.

A caminho do Jaburu, o carro de Joesley Batista estava com o rádio ligado na CBN. Quando ele acionou o gravador, antes de entrar no Palácio, o equipamento captou o programa da rádio. Nervoso, Joesley esqueceu de desligar o rádio do carro. Entrou no palácio, foi para o subsolo com Temer. Quando a conversa acabou e retornou ao carro, o gravador continuava ligado e voltou a captar a programação da emissora.

Foram 38 minutos de gravação e os técnicos da CBN chegaram à conclusão de que não houve cortes nem adulterações, porque o tempo da conversa coincidiu exatamente com a duração da programação da rádio.

DEFESA ILUSÓRIA – Como se vê, quem está adulterando os fatos é o próprio Temer. Seu pronunciamento foi muito profissional e ele se saiu bem. Mas sua versão inevitavelmente vai bater de frente com a realidade dos fatos.

As irregularidades e crimes cometidos por Temer são múltiplos – omissão no exercício do cargo, corrupção passiva, obstrução da justiça, prevaricação. Não tem a menor condição de continuar na Presidência. Seu afastamento é somente questão de tempo. Os pedidos de impeachment já se acumulam na Mesa Diretora da Câmara e esta semana Ordem dos Advogados do Brasil vai apresentar mais um.

No Congresso, ninguém aposta um níquel na permanência de Temer, que está adotando a mesmo a estratégia de Dilma Rousseff e tenta se fazer de vítima. Os parlamentares já discutem a sucessão, a ser decidida em eleição indireta, 30 dias após o afastamento do presidente, seja por renúncia, cassação no TSE ou impeachment pelo Congresso.

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PSTemer já é figura fora do baralho, mas esqueceram de avisar a ele. Os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, que não podem perder o foro privilegiado, impediram que o presidente renunciasse e agora o incentivam a continuar resistindo ao inevitável massacre. Temer pensa que Padilha e Moreira são seus amigos, mas já se tornaram seus piores inimigos. É constrangedor. (C.N.)

Maia e FHC sonham com a Presidência, mas o PMDB não pretende entregar o poder

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Antes mesmo de o presidente Michel Temer apresentar sua inevitável renúncia (se não o fizer, será caso de internação), os dois personagens mais felizes com o desenrolar dos acontecimentos eram o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que terá de assumir a chefia do governo e convocar eleição indireta no prazo de 30 dias, conforme determina a Constituição, e o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que desde sempre dorme e acorda sonhando com a volta ao poder, tendo  como base seu temperamento vaidoso, prepotente e soberbo. Maia e FHC podem sonhar à vontade, mas são dois perdido numa noite suja, sem a genialidade do ator e dramaturgo Plínio Marcos.

Rodrigo Maia acha que vai ser o presidente até 2018, simplesmente porque foi eleito para substituir o já abominável Eduardo Cunha, cassado por 450 deputados, com apenas 10 votos contra e 9 abstenções num plenário de 513 integrantes, quase unanimidade. Já o ex-presidente FHC se julga de volta ao poder aos 85 anos, com base no exemplo do governante alemão Konrad Adenauer, que retornou ao governo exatamente com esta idade. No caso de FHC, porém, seria apenas uma ilusão à toa, como diria o genial compositor Johnny Alf.

UMA INCÓGNITA – O fato é que o futuro presidente da República é uma incógnita ainda impenetrável. Aliás, trata-se de um cargo acéfalo, e se encontra nesta condição desde a saída de Itamar Franco, o último presidente de verdade que este país conheceu. No Congresso, que vai eleger o novo presidente, há 594 parlamentares. As maiores bancadas na Câmara são do PMDB, PT, PSDB e bloco PP-PTN-PTdoB. No Senado, PMDB, PSDB, PT, PP, PSB e PSD.

O PMDB tem a maior bancada, está circunstancialmente na Presidência e não vai querer perdê-la. A estratégia é tentar manter a atual base aliada, amplamente majoritária, para eleger o presidente indireto e preservar as atuais posições na estrutura do poder.

TODO APODRECIDO – O problema é que o PMDB não tem liderança que possa pleitear a Presidência. A grande maioria de sua Comissão Executiva Nacional é formada por políticos de ficha suja, é um verdadeiro deserto do homens e ideias, diria o genial Oswaldo Aranha – este, sim, um político de verdade.

O pior é que há no Congresso Nacional poucos representantes decentes e preparados, são figuras raras. E não aparece nenhum parlamentar que se destaque pelo carisma, que seja um orador notável, capaz de empolgar os parlamentares.

Isso significa que pode até ser eleito um presidente que não seja integrante do atual Congresso. Mas quem? Quem? Quem? Desse jeito, vão acabar escolhendo o professor Raimundo Nonato ou o aluno Rolando Lero. Mas não faz mal. Desde Itamar Franco, repita-se, não temos um presidente de verdade. Portanto, podemos esperar mais um pouco. Aliás, recentemente a Bélgica passou 541 sem ter governante (primeiro-ministro) e ninguém sentiu falta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No Brasil, o país cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar. Há alguns anos, contei essa piada ao general Leonidas Pires Gonçalves, ex-ministro do Exército, quando fui apresentado a ele na inauguração do escritório de meu amigo Darc Costa, e o chefe militar quase desabou de tanto rir. Parece piada, mas é realidade. (C.N.)

Para defender Lula e Dilma/Iolanda, inventa-se todo tipo de teoria conspiratória

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Ex-ministro Aragão quer investigar Mônica Moura

Carlos Newton

A criatividade dos defensores dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff é surpreendente. Agora, estão defendendo a curiosa tese de que todos os delatores estão mentindo ao mesmo tempo, uma hipótese altamente improvável, porque todos os benefícios concedidos na delação premiada podem ser automaticamente anulados em caso de falso testemunho. Mas nada disso interessa aos petistas. Na pregação dessas teorias conspiratórias, eles movem céus e terras. Já apelaram à Organização dos Estados Americanos, às Nações Unidas, ao Mercosul e até ao Papa Francisco, além de buscar desesperadamente adesão de políticos dos mais diversos países, inclusive os Estados Unidos. É comovente. Não se importam com a abundância de provas, mantêm a esperança de reverter tudo e voltar ao poder, porque sonhar ainda não é proibido.

A mais nova teoria conspiratória envolve o falso e-mail de Dilma/Iolanda Rousseff, criado para informar os marqueteiros João Santana e Mônica Moura sobre os avanços e ameaças da Lava Jato. Os petistas dizem que é tudo invenção, o que seria facilmente comprovado, bastava examinar o computador do Alvorada. Mas os petistas propõem justamente o contrário – querem uma investigação sobre Mônica Moura. Aliás, seria ótimo que se fizesse essa apuração, desde que acompanhada do exame do computador de Dilma/Iolanda, é claro, mas isso eles não aceitam.

ESTAGIÁRIO SUSPEITO – A base dessa teoria conspiratória é a denúncia de que o falso e-mail foi registrado em cartório no dia 13 de julho de 2016 por Felipe Pedrotti Cadori, que seria estagiário no escritório Delivar de Mattos Advogados Associados. Até aí morreu Neves, como se dizia antigamente, mas acontece que o escritório foi montado pelo falecido pai de um dos procuradores da Lava Jato, Diogo Castor de Mattos, que vem a ser professor da PUC-PR, onde o estagiário estuda.

Em cima dessas informações, ergue-se a teoria conspiratória de que a mensagem no e-mail clandestino de Dilma/Iolanda teria sido forjada. E quem defende a tese é o procurador Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça no governo Dilma.

Realmente pega mal um réu da Lava Jato ser defendido pelo escritório em que trabalham dois irmãos de um dos procuradores, mas isso não significa nenhuma ilegalidade. Quem estaria sob suspeição seria o procurador Diogo de Mattos (Código de Processo Penal e Lei 8.625/93), e não o escritório de advocacia. O ex-ministro Eugênio Aragão está cansado de saber disso. Portanto, apenas joga para a plateia, como se diz no futebol.

O CASO CARDOZO – Para a ex-presidente Dilma/Iolanda, seria facílimo desmoralizar a marqueteira Mônica Moura. Bastava requisitar o computador do Alvorada ou entregá-lo à Perícia da Polícia Federal, caso inadvertidamente tenha sido levado para Porto Alegre junto com as tralhas da ex-chefe do governo. Se fizesse isso, ela não somente se inocentaria, como também ajudaria a defesa do ex-ministro José Eduardo Cardozo, hoje suspeito de ter vazado as informações sobre a iminente prisão de Santana e Mônica. Dilma poderia também pedir ao Google o IP (identificação) dos computadores, se é que a força-tarefa ainda não pediu.

Cardozo diz ter dado informações a Dilma, mas alegou que na data indicada por Mônica Moura ele próprio ainda não tinha conhecimento de nada. A desculpa é esfarrapada, porque até os faxineiros da Polícia Federal sabem que existiam (e ainda existem) delegados e servidores simpatizantes do PT em cargos estratégicos, que avisavam (e avisam) previamente sobre as operações a ser desfechadas, conforme ficou demonstrado no episódio da quase prisão do ex-ministro Guido Mantega.

MANTEGA FOI AVISADO – Da mesma forma que ocorreu com Santana e Mônica, o ex-ministro Mantega também foi avisado de que seria preso. Quando os federais chegaram, logo após as 6 horas da manhã, ele já havia saído e já estava no Hospital Sírio Libanês com a mulher Eliane. A equipe da PF se dirigiu para lá. Quando chegou e lhe deu ordem de prisão, o advogado José Roberto Batochio subitamente apareceu para defendê-lo, alegando que Eliane, a mulher de Mantega, estava sendo operada de câncer, vejam que armação ilimitada.

Era tudo mentira, naquela hora da manhã somente se faz operação de emergência no Sírio Libanês ou em qualquer outro hospital. Mantega e Eliane chegaram bem cedinho, ela foi atendida pelos plantonistas, queixou-se de forte gastrite e ficou à espera da equipe do hospital chegar para fazer um exame rotineiro de endoscopia.

A jogada deu certo, o juiz Moro se compadeceu e mandou soltar Mantega, que estava de viagem marcada para a Europa, com a mulher, para oito dias depois, pois em sociedade tudo se sabe, diria nosso amigo Ibrahim Sued.

QUEM AVISOU? – Não se sabe quem avisou Mantega. Para identificar a fonte, é preciso quebrar sigilo telefônico e aprender celulares e computadores, que já devem ter sido atirados ao Tietê. A essa altura, vai ser difícil provar alguma coisa, a não ser que Cardozo (ou outrem) tenha feito a bobagem de ligar pessoalmente para Mantega.

Mas agora nem há muito interesse nisso. Como diria Roberto Carlos, tudo isso são detalhes. O importante são as delações que se interligam e se fortalecem, acumulando provas contra os envolvidos na Lava Jato. Os delatores, repita-se, sabem que não podem mentir, porque perderão todos os benefícios que receberam.

Quanto aos acusados, estes podem mentir à vontade e criar as mais sensacionais teorias conspiratórias, porque estão lutando para escapar da cadeia. Apenas isso.

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PS – Já ia esquecendo. Quem desmentiu a armação foi a filha do ex-ministro, a bela e encantadora atriz Marina Mantega, que naquele dia estava trabalhando com a equipe do programa “Pânico”. Foi imediatamente procurada pelos jornalistas e revelou que a madrasta não estava fazendo operação de câncer, era só uma endoscopia. Mesmo assim, até hoje Mantega pateticamente insiste na versão anterior, tentando imitar o amigo Lula, que também se esconde atrás da mulher para não ser preso. (C.N.)