Em Brasília, a expectativa é de que Renan poderá ajudar Bolsonaro no Senado

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Renan diz que está pronto para conversar com Bolsonaro

Carlos Newton

Tenho conversado muito com o advogado e jornalista José Carlos Werneck, primo de Carlos Lacerda e que sabe tudo de política. Ele me diz que em Brasília a perspectiva é de que Renan Calheiros (MDB-AL) ganhe a eleição para presidir o Senado pela quarta vez. E o mais interessante é que há expectativa é de uma parceria de Renan com o presidente Bolsonaro para aprovar as propostas apresentadas pelo governo.

Como se sabe, em fevereiro Renan perde o foro privilegiado e as investigações sobre ele seguirão para a primeira instância, porque a nova jurisprudência do Supremo diz que o foro só se aplica a ilícitos cometidos no  mandato atual. Se for denunciado e se tornar réu, não poderá entrar na linha sucessíria,

E ainda sobre Renan, para motivar ainda mais os debates, vamos transcrever abaixo os comentários de Antonio Santos Aquino e Roberto Nascimento.

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TODOS ESTÃO ENVOLVIDOS EM TRAPALHADAS

Antonio Santos Aquino

Renan é um dos senadores mais capacitados. Em 2016, economizou R$ 210 milhões para o Senado. Bonzinho e direitinho, lógico que ele não é. Errou tem que pagar. Mas o problema é que esse governo já entrou fazendo o diabo. O que tem de corruptos é uma monstruosidade. Quase todos estão envolvidos em trapalhadas. Até o general Augusto Heleno já foi condenado pelo Tribunal de Contas da União em 2013, por falta de licitação, junto com o general Joaquim Silva e Luna, ministro da Defesa na gestão Temer, mas seus advogados recorreram e o caso foi arquivado.

Então é o “velho ditado”. Para lidar com cobras venenosas tem que botar outra junto, porque é veneno contra veneno. O resto é falso moralismo. E tem mais: Renan pode ser o que for, mas é um jurista poderoso e já foi ministro da Justiça.

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NÃO HÁ “SANTOS” NO SENADO
Roberto Nascimento

Concordo com você, mestre Aquino. Renan não é santo, mas aponte alguém no Senado ou na Câmara que o seja? Entendo que os representantes do povo, mesmo com aspas, é que devem eleger seus líderes para comandar o Senado e a Câmara.

Por que tanta implicância com o Renan, enquanto nada falam sobre o Rodrigo Maia? Creio que está havendo um partidarismo à direita do espectro político, deverasmente exacerbado e perigoso.

Daqui a pouco, a realidade bate à porta dessa gente e depois advém a decepção, como aconteceu com esses mesmos que execram o Lula, mas antes votaram nele na esperança de mudança, que afinal não veio, pois a mudança ocorre sempre a favor dos poderosos de plantão, sejam eles da esquerda ou da direita.

DIÁLOGO ELEGANTE – Deveríamos cultuar o diálogo, o contraditório elegante e respeitador, próprio das democracias, assim todos aprenderiam uns com os outros e a sociedade teria capacidade melhor de julgar seus governantes, eleitos pela massa para ser o contraponto entre os ricos e os pobres.

Caso contrário, cairemos na mesma esparrela do falso esquerdismo petista, a ponto do próprio Lula ter afirmado que os empresários e banqueiros, sob a sua batuta, nunca terem ganho tanto dinheiro.

Gente, capitalismo é acima de tudo lucro e para obtê-lo todas as fake-news ou fatos alternativos serão apresentados ao distinto público, que digerirá tudo tranquilamente, sejam dançando o carnaval, tomando suas cervejas e caipirinhas ou destilando veneno nas redes sociais.

Decreto das armas é uma farsa; governo não liberou armas aos cidadãos de bem

Até o governo Lula, a arma era registrada sem burocracia

Carlos Newton

O tão esperado decreto da posse de arma foi uma fracasso retumbante, não somente do presidente Jair Bolsonaro, mas também do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que assinou junto com o chefe do governo a alteração do decreto 5123, de 2004, que regulamentava o Estatuto do Desarmamento. Para o chamado cidadão de bem, que sonhava em comprar uma arma para proteger sua família e dormir menos atormentado em meio à essa guerra que se vê nas ruas, a decepção é enorme.

Cercado de muita expectativa enorme, o extenso decreto foi apenas um tiro na água, porque manteve toda a tortuosa malha burocrática criada pelo governo Lula para desarmar os cidadãos. A quantidade de exigências é de tal ordem, que dificilmente haverá a corrida às armas que se esperava.

UMA MUDANÇA – Parece brincadeira, mas é verdade. A única mudança na burocretinice do governo Lula foi que o delegado federal não tem mais o direito de vetar a compra da arma, alegando que não há justificativa. No entanto, ao contrário do que se esperava, foram mantidas todas as demais exigências do autoritarismo petista, como curso de tiro e exame psicológico, e continuou a ser exigida a renovação do registro, que teve apenas sua validade estendida de 5 para 10 anos.

Caramba! Não dá para entender por que a equipe de Bolsonaro e Moro demorou tanto para parir essa excrescência jurídica. Afinal, por que manter as dificuldades absurdas existentes no Estatuto do Desarmamento?

A promessa do candidato Bolsonaro era um teatro, um jogo de faz-de-conta? Por que sua equipe não se deu ao trabalho de pesquisar como funcionava a compra e venda de armas no regime militar? Será assim que o presidente Bolsonaro vai “cumprir” as demais promessas?

NO REGIME MILITAR – O fato concreto é que no Brasil o cidadão de bem já foi respeitado e tinha direito à legítima defesa, inclusive no regime militar. Até o governo Lula e seu maldito Estatuto do Desarmamento, qualquer cidadão brasileiro tinha direito de entrar numa loja, escolher o modelo da arma e fazer a encomenda. Apresentava seus documentos (carteira de identidade, CPF e prova de residência) e a própria loja era responsável por providenciar o registro de propriedade da arma. Não havia burocracia.

Se a pessoa tivesse ficha limpa (bons antecedentes), em poucos dias a Polícia Civil autorizava a venda e emitia o Certificado de Registro, através da Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos. Simples assim.

Isso não existe mais. Bolsonaro mentiu, manteve a mesma burocracia e o alto custo do procedimento. Para entrar com o pedido na Polícia Federal o cidadão continua obrigado a pagar uma taxa de quase R$ 100, além de realizar um teste psicológico de R$ 250. O teste técnico custa outros R$ 200 e a realização de um curso básico de tiro pode chegar a R$ 600.

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P.S. 1 –
Em pleno regime militar, entrei na Mesbla, escolhi um 38, apresentei a documentação pessoal e comprei. Alguns dias depois, voltei à loja para pegar a arma e o Certificado de Registro, a custo zero. A loja é que pagava o registro. Era assim que funcionava, na época em que os cidadãos eram respeitados pelos governos.

P.S. 2 –Preciso comprar outra arma, porque vou morar num bairro onde não há policiamento. Mas me recuso a cumprir essas exigências idiotas. O governo precisa respeitar os cidadãos, como fazia antigamente.  (C.N.)

O Brasil não vai mudar de uma hora para outra, é preciso ter paciência e perseverança

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Bolsonaro não deve confiar completamente em ninguém

Carlos Newton

As eleições de 2018 e a renovação política no governo federal e em importantes governos estaduais, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, trouxeram um clima de enorme esperança à opinião pública. Mas é ilusão julgar que as coisas vão mudar de uma hora para outra.

LENTAMENTE – Governos são como transatlânticos ou grandes aeronaves, não conseguem fazer curvas abruptas, têm de ir virando lentamente. Por isso, já se nota uma certa impaciência nas redes sociais e nos comentários de sites e blogs. Todos querem mudanças já, mas isso não será possível.

O chamado jogo político não mudou nem vai mudar de uma hora para outra. É compreensível o desespero da opinião pública ao constatar que ainda continua havendo acordos políticos e até mesmo o toma lá, dá cá. Por isso, é preciso paciência.

ARTE DO POSSÍVEL – Há quem defina a política como a arte do possível. Pode ser. Mas como classificar a política em um país como o Brasil, com realidades regionais totalmente diversas, onde se insiste em tentar conviver a miséria absoluta e a riqueza total? É claro que este sistema é insustentável, mas a realidade é que nada tem sido feito para diminuir as desigualdades sociais, uma espécie de assunto tabu, jamais discutido em governos de transição.

Em tradução simultânea, o que se viu foi a transmissão de massas falidas, como é o caso da maioria dos governos estaduais e do próprio governo federal.

Não se fala no assunto, mas terá de haver uma nova negociação das dívidas estaduais, porque vários governadores estão cometendo crimes de responsabilidade, ao reter as parcelas de impostos a serem distribuídas às prefeituras, como está ocorrendo em Minas Gerais. Mas acontece que o governo federal também está tecnicamente quebrado.

CARTA BRANCA – O ministro da Economia tenta injetar otimismo, alardeando que a reforma da Previdência vai garantir dez anos de crescimento sustentável. Que bom se fosse verdade, mas soa como Piada do Ano, sem a menor graça.  O que Paulo Guedes pretende é uma carta branca para fazer o que bem entende, porém jamais a conseguirá.

Na verdade, é preciso abrir a caixa preta da Previdência e da Dívida Pública, discutir a aplicação de juros compostos e planejar estrategicamente o país, como era habitual nos governos militares, quando o Ministério do Planejamento fazia jus ao título, antes de se transformar num órgão meramente burocrático.

O fato concreto é que Bolsonaro está confiando demais em Paulo Guedes, quando não deveria confiar em ninguém. O exercício da Presidência é um ato solitário, porque não se pode transferir o poder. Se acontecer alguma coisa errada, é claro que será atribuída a Bolsonaro. Assim, é importante convocar as auditorias, porque os números são frios e não mentem, não enganam ninguém.

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P.S. 1
 – O povo brasileiro deu um voto de confiança ao presidente e aos novos governadores. Mas é bom lembrar que esse voto de confiança, como tudo na vida, tem prazo de validade.

P.S. 2 – Por fim, é auspicioso saber que os generais já conseguiram neutralizar o chanceler Ernesto Araújo e estão assessorando Bolsonaro diretamente nas questões internacionais. Araújo é diplomata, mas não tem o perfil indicado para comandar o Itamaraty. Isso significa que os filhos de Bolsonaro já não mandam tanto no governo e estão sendo colocados em seus devidos lugares. (C.N.)

De bermudas, o advogado Kakay ajuda a desmoralizar ainda mais a Suprema Corte

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Sorridente, Kakay posa para a foto no corredor do Supremo

Carlos Newton

Ao trafegar pelo Supremo Tribunal Federal usando bermudas e de sapato tênis, ou seja, despido das vestes mais elementares necessárias para aquele ambiente de seriedade, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, mas conhecido como Kakay, arrasta para o fundo do poço o próprio STF, desmoralizando rituais básicos da Justiça.

Defensor de 17 envolvidos na Lava Jato, suas demonstrações de poder e seu relacionamento com os ministros já ocorrem desde longa data, quando os recebia pessoalmente no restaurante Piantella ou em festas, no Brasil e no exterior, onde exteriorizava seus vínculos com autoridades públicas.

SUSPEIÇÕES ÓBVIAS – Esses relacionamentos se tornaram tão próximos e tão públicos que, na forma da lei, a grande maioria dos ministros deveria se considerar suspeita para julgar qualquer causa patrocinada por Kakay, isso se os ministros respeitassem e cumprissem as leis que regulam a suspeição de magistrados, é claro…

Quanto à foto que circulou no final de semana nas redes sociais, mostrando Kakay de bermudas no interior do Supremo, o insólito flagrante deixa no ar algumas perguntas: 1) Como Kakay entrou no Supremo vestido desta maneira? 2) Nenhum segurança e nenhum funcionário estranhou a presença dele no STF com aquela indumentária inusual? 3) Foi barrado em algum momento? 4) Mudaram o chamado “dress code”, as regras para indumentárias no tribunal? Ou a mudança das regras atingiu apenas advogados privilegiados como ele?

E outras perguntas se seguem: 5) Quem bateu a foto de Kakay, que está posando, sorridente? 6). Qual seria o objetivo? Alguma forma de publicidade?

AURA DE PODER – O consumo de bebidas caras e hábitos exóticos em companhia de autoridades na vida noturna confere a Kakay uma aura de poder inigualável na República. Com essa ultima demonstração ostensiva de impunidade, ao ingressar no STF de bermuda, certamente mostra ainda maior capacidade de influência junto aos ministros e a mídia, que lhe dá visibilidade.

Em tradução simultânea, já não basta os próprios ministros do Supremo se dedicarem a desmoralizar a Justiça brasileira, como tem ocorrido à miúde, bastando citar o habeas corpus de ofício que libertou José Dirceu sem ter sido requerido por sua defesa. Agora, surge também o advogado Kakay para esculhambar ainda mais a situação, demonstrando que a Suprema Corte brasileira está vivendo seus piores dias em tempos de democracia plena.

Bolsonaro será operado no dia 28 e o general Mourão ficará duas semanas no poder

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Bolsonaro vai se afastar e Mourão ficará 14 dias no poder

Carlos Newton

Se não houver contratempos, a nova cirurgia do presidente eleito Jair Bolsonaro, para a retirada da bolsa de colostomia, está marcada para o próximo dia 28 de janeiro, segundo a equipe médica do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. Mas tudo vai depender do exame a ser feito pela equipe do cirurgião Antônio Luiz de Vasconcellos Macedo, antes de Bolsonaro viajar para participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, entre os dias 22 e 25.

TERCEIRA CIRURGIA – Se estiver tudo bem, o presidente terá permissão para fazer a viagem e depois passar pela terceira operação, que retirará a bolsa de colostomia, para que seu aparelho intestinal volte a funcionar normalmente.

Segundo o chefe da equipe médica, o presidente ficará cerca de duas semanas afastado – sete dias no hospital, com acompanhamento permanente, e mais sete dias em casa, para completa recuperação.

Durante sua ausência, Bolsonaro será substituído pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que assumirá o cargo interinamente.

MATRIZ E FILIAL – Como se vê, o sistema de poder aqui na Filial Brasil é diferente do adotado na Matriz Estados Unidos. Lá, o vice-presidente somente assume quando o presidente está impedido de exercer a função. Ao viajar, o presidente norte-americano continua no poder e despacha normalmente a bordo do Air Force One ou no país onde se encontrar.

Recorde-se o caso de Ronaldo Reagan, que sofreu um grave atentado em 30 de março de 1981, 69 dias após ter assumido a presidência. Quanto saía do Hilton Hotel em Washington, a comitiva foi atacada a tiros por John Hinckley Jr., que era desequilibrado mental. O primeiro tiro atingiu a cabeça de James Brady, secretário de Imprensa da Casa Branca, que ficou incapacitado pelo resto da vida. O segundo disparo foi nas costas do policial Thomas Delahanty e o terceiro projétil atingiu a janela de um prédio do outro lado da rua. O quarto tiro acertou o abdómen do agente Tim McCarthy, da CIA, o quinto disparo atingiu o vidro à prova de balas da limusine presidencial, e o sexto e último projétil ricocheteou na carroceria e acertou o presidente na sua axila esquerda, passando de raspão por uma costela e se alojando no pulmão, parando quase a uma polegada do coração.

EM CONSCIÊNCIA – Em estado grave, Reagan foi internado para operação de emergência, mas surpreendeu a equipe médica e não permitiu receber anestesia geral, para não ser substituído pelo vice-presidente. Foi operado assim, em estado de consciência, aos 70 anos, e teve uma surpreendente recuperação, sem abandonar o poder em momento algum.

Aqui na Filial a conversa é outra. Toda vez que o presidente viaja, o vice tem de assumir, com aquela cerimônia ridícula e tudo o mais, em plena Era da Cibernética, com comunicação imediata em tempo real.

Assim, Mourão vai assumir e espera-se que não faça como o vice Manuel Vitorino Pereira, que ocupou o cargo durante quatro meses, em 1896, quando o presidente Prudente de Moraes adoeceu. Vitorino não conhecia limites, comprou o Palácio do Catete, transferiu o governo para lá, criou várias crises e causou a demissão do ministro da Justiça, Alberto Torres, um dos políticos mais importantes do país.

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P.S.
Como há males que vêm para bem, vamos ter oportunidade de ver Mourão no poder. Espera-se que não nomeie o filho para a presidência do Banco do Brasil, alegando que o rebento foi “perseguido em governos anteriores”. (C.N.)

Bolsonaro precisa dar um soco na mesa e mostrar quem é o presidente da República

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Boicote à reforma da Previdência é um desrespeito a Bolsonaro

Carlos Newton

O balanço dos dez primeiros dias de governo mostra que o presidente Jair Bolsonaro corre o risco de se tornar refém dos chefes militares que exercem o poder junto com ele. Pela primeira vez, desde a ditadura, existe no Palácio do Planalto um “núcleo duro” formado por militares, que inclui até mesmo a presença ostensiva do vice-presidente Hamilton Mourão, aquele cujo filho foi “perseguido em governos anteriores”, apesar de ter recebido oito promoções e uma remoção precipitada para Brasília, onde o pai trabalhava à época.

Além de Mourão, que é o primeiro vice-presidente a atuar no Planalto desde a proclamação da República, participam do núcleo duro os generais Augusto Heleno (Gabinete Institucional) e Santos Cruz (Secretaria de Governo). Como secretário-geral Gustavo Bebianno não manda nada, o único ministro civil no Palácio é Onyx Lorenzoni (Casa Civil), uma espécie de estranho no ninho.

EMPODERAMENTO – Não há a menor dúvida, está claro que os generais estão empoderados, como se diz hoje em dia. Esqueceram de que o eleito foi o capitão e se comportam como se ele nem existisse. O vice Mourão, por exemplo, que está causando um tremendo desgaste ao governo com a promoção do filho, teve a desfaçatez de declarar que nem chegou a conversar sobre isso com Bolsonaro. Quer dizer, não pediu autorização ao presidente e, diante da repercussão negativa, sequer pediu desculpas a ele pelo problema criado.

Em tradução simultânea, uma tremenda falta de respeito. E outros chefes militares acompanham Mourão nesse comportamento indevido. Na transmissão do comando da Marinha, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo Silva, colocou o presidente em má situação, ao defender que os militares sejam excluídos da reforma da Previdência, assunto que não é da competência do Ministério da Defesa. E o novo comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa, na mesma hora reforçou a tese do boicote militar à reforma, além de desastradamente “inventar” uma Terceira Guerra Mundial nunca vista.

DESRESPEITO À HIERARQUIA – Em cerimônia pública, portanto, o ministro e o almirante quebraram a hierarquia, uma das principais regras das Forças Armadas. E dois dias depois, o novo comandante do Exército, general Edson Pujol, cometeu a mesma transgressão, disciplinar, defendendo que a reforma não atinja os militares.

Como se sabe, o governo Bolsonaro ainda está estudando a reforma da Previdência. Impor a manutenção dos privilégios militares, que pagam contribuição menor e podem se aposentar aos 48 anos, e pressionando o presidente da República em atos públicos, é um comportamento abusivo e inadmissível.

O presidente Bolsonaro foi eleito, representa o país e não pode ser pressionado por ninguém. É o comandante-supremo da Forças Armadas e cabe a ele decidir as questões nacionais, em consonância com os demais poderes da República. Seus subordinados, sejam militares ou não, precisam ser enquadrados, para que conheçam seus lugares e suas limitações.

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P.S. 1
Dê um soco na mesa, presidente Bolsonaro, e mostre a eles quem está no poder e detém a caneta, que pode demitir “ad nutum” (por sua vontade) todos os ministros que se insurgirem contra suas ordens.  

P.S. 2Aproveite a ocasião e convoque uma auditoria para a reforma da Previdência e para a dívida pública. Como dizia o almirante Francisco Barroso, o Brasil espera que cada um cumpra o seu dever. (C.N.)

Chefes militares deviam se envergonhar de defender privilégios na Previdência

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Carlos Newton

A gente não pode elogiar. Foi só escrever aqui na “Tribuna da Internet” que o general Fernando Azevedo e Silva era um dos destaques positivos do governo Bolsonaro que o ministro da Defesa pôs logo tudo a perder, ao defender os privilégios dos militares na reforma da Previdência.

“PROTEÇÃO SOCIAL” – Disse o ministro, diante do presidente da República e da nata das Forças Armadas, que os militares têm “sistema de proteção social” e não um regime previdenciário, devido “às peculiaridades da nossa profissão, que as diferenciam das demais, fundamentando a necessidade de um regime diferenciado, visando assegurar o adequado amparo social aos militares das forças armadas e seus dependentes”.

Meu Deus, aonde estão os militares de verdade, aqueles que colocavam a pátria acima de tudo? Hoje os militares parecem curvados ao Deus Dinheiro, de olho no contracheque e na aposentadoria, que eles chamam de reserva, como se fossem entrar em campo a qualquer momento.

“PROTEÇÃO SOCIAL” – Na cerimônia desta quarta-feira, após assumir a função, o novo comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior, disse concordar com a posição do Ministério da Defesa sobre um regime diferenciado para militares.

“A posição da Marinha é a posição do ministério da Defesa. Não temos previdência, nós temos um sistema de proteção social dos militares. É impróprio mencionar a palavra previdência do ponto de vista técnico”, disse Ilques.

Quer dizer que inventaram o neologismo “proteção social”, para tirar os militares da reforma da Previdência, embora sejam justamente eles os que mais consomem recursos do INSS?

JUSTIFICATIVA – O mais inacreditável foi a justificativa que o novo comandante da Marinha encontrou “para a diferenciação”, ao ressaltar como especificidades da carreira “a prontidão” e a boa saúde física.

Ora, se os militares merecem “proteção social”, o que dizer dos policiais civis e militares, dos bombeiros e dos agentes penitenciários que morrem a serviço da população? E as equipes médicas que lidam com todo tipo de doença transmissível? E os mergulhadores, recordistas mundiais que arriscam a vida nos campos da Petrobras e nem são empregados da estatal, recebem baixos salários como “terceirizados”?

Se os militares ocasionalmente fazem “prontidão”, esses outros heróis anônimos brasileiros – entre tantas profissões de risco – marcam presença 24 horas por dia, 365 dias ao ano, para servir ao povo.

PLÁCIDO E ALVIM – O Brasil tem muitos heróis esquecidos. Tenho veneração por dois deles: o major Plácido de Castro e o médico Álvaro Alvim. O ex-oficial liderou aos 27 anos  a revolução dos seringueiros que conquistaram o Acre para o Brasil, derrotando sozinhos o Exército e a Marinha da Bolívia, porque o governo brasileiro era contra a revolta e os militares não podiam apoiá-los.

Se Plácido de Castro não tivesse agido contra os interesses dos Estados Unidos e do Reino Unido, que haviam arrendado o Acre através do Bolivian Sindicate, possivelmente a Amazônia seria hoje anglo-americana. Mas quem se interessa?

Quanto ao dr. Álvaro Alvim, foi o grande médico que introduziu o Raio-X no Brasil e teve amputadas as duas mãos, de tanto tirar radiografias dos pacientes para salvar-lhes as vidas.

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P.S.
Lembrando heróis como Plácido de Castro e Álvaro Alvim, fico com a ligeira impressão de que já não se fazem mais brasileiros como antigamente. Que as almas deles nos iluminem e nos deem capacidade de aturar os brasileiros de agora. (C.N.)

Governo do Rio ainda está à procura do “legado” da intervenção militar na segurança

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Fuzis são de uso exclusivo das Forças Armadas e polícias

Carlos Newton

Recordar é viver, como diziam os compositores Aldacir Marins e Macedo. Por isso vamos lembrar que em fevereiro de 2018, quando decretou a intervenção militar na segurança do Estado do Rio, o então presidente Michel Temer estava encantado com a possibilidade de se candidatar à reeleição. Havia um grande número de pré-candidatos e ele achava que, se a intervenção desse certo, poderia ter cerca de 20% dos votos e passar para o segundo turno, porque sonhar ainda não era proibido, todos sabem.

Ao final de quase onze meses, a intervenção federal terminou e o novo governo do Rio de Janeiro ainda está procurando o “legado” da atuação dos militares. Sabe-se que o número de homicídios caiu, mas isso aconteceu na grande maioria dos estados e não pode ser atribuído especificamente à intervenção militar. No mesmo período, o número de tiroteios nas comunidades subiu 57%, ao invés de diminuir.

R$ 1,2 BILHÃO – Na doce esperança de se reeleger, Temer destinou R$ 1,2 bilhão para os interventores militares. Deste total, eles gastaram R$ 447 mil para pagamento de viagens ao exterior, com diárias e hospedagem, tudo em sigilo, sem revelar quantas pessoas viajaram e o que fizeram. E o único resultado dessas viagens foi a compra de blindados leves italianos, tipo “Lince”, que foram incorporados ao patrimônio do Exército.

Aliás, no final os interventores gastaram cerca de R$ 1,1 bilhão, mas dois terços desta quantia (R$ 740 milhões) foram investimentos em novas armas, materiais e equipamentos para as próprias Forças Armadas – a maior parte para o Exército, é claro. Segundo informações de O Globo, que não foram contestadas, apenas um terço do orçamento (R$ 370) foram gastos para equipar as forças de segurança do Estado do Rio – PM, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.

Aí surge a pergunta que ninguém jamais responderá: Que intervenção foi esta, em que a maior parte do dinheiro foi gasta para equipar as Forças Armadas?

O pior de tudo é a diferença de concepção. Enquanto o governador Wilson Witzel defendia que fossem “abatidos” os criminosos que portassem fuzis e outras armas proibidas, como metralhadoras e granadas, o interventor/general Braga Netto, afirmava: “Não tenho atirador meu, posicionado, escondido, esperando para eliminar um elemento que está parado, só porque ele está com um fuzil”.

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P.S. 1
Desculpe o ilustre chefe militar, que é membro do Alto Comando do Exército, mas o novo governador está certo. O que ocorre no Rio de Janeiro e em todo o Brasil é uma guerra civil não declarada, e as forças de segurança têm de reagir à altura.

P.S. 2 Espera-se que o ministro Sérgio Moro transforme logo em crime hediondo a posse de armamentos privativos das polícias e das Forças Armadas. Espera-se também que os policiais brasileiros, que são vítimas desses facínoras, possam enfrentar essas quadrilhas de igual para igual, como se dizia antigamente. (C.N.)

Bolsonaro mostrou uma grande virtude, mas Mourão e Onyx exibiram graves defeitos

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Charge do Thomate (Arquivo Google)

Carlos Newton

Saber voltar atrás quando percebe que está errado é uma qualidade dificilmente vista entre políticos, que se julgam donos da verdade e não gostam de se expor. Jair Bolsonaro é muito diferente. Primeiro, porque não mede as palavras, e isso significa que está sempre arriscado a fazer declarações equivocadas, até porque não tem grande conhecimento sobre economia e administração pública.

TRANSPARÊNCIA – O mais importante é que se comporta de forma transparente. Simplesmente, Bolsonaro diz o que pensa. Se estiver errado, depois recua.

Há quem considere negativo esse procedimento, por causar incompreensões e motivar críticas dispensáveis. A meu ver, porém, o resultado deve ser considerado positivo. É preferível um presidente que aja com transparência e pode ser monitorado, do que um governante como Michel Temer, que fazia tudo às escondidas e montou uma equipe especializada em destruir reputações, plantando notícias na mídia amestrada, como diz o mestre Helio Fernandes.

DIZ O GENERAL – A respeito da importância de haver transparência nos atos públicos, o ministro-general Santos Cruz, da Secretaria de Governo, diz que a administração precisa estar exposta a todo tipo de avaliação e informações a serem divulgadas. “Nós vamos estar completamente expostos. Eu não tenho medo dessa exposição, todo mundo aqui vai estar exposto a todas as avaliações e informações que devem ser divulgadas”, afirmou o ministro-general, que desponta como uma das mais auspiciosas revelações do novo governo.

De forma natural e intuitiva, sem haver a programação de marketing que hoje caracteriza a política, Bolsonaro comanda essa transparência, que é bem-vinda e precisa ser saudada como um sinal dos novos tempos, porque muita coisa vem por aí, especialmente na área da Justiça, onde o ministro Sérgio Moro também vai aplicar um choque de moralização dos costumes políticos e empresariais.

FORTES E FRACOS – Na minha avaliação, os pontos-fortes do novo governo são o próprio Bolsonaro e os ministros Sérgio Moro, Santos Cruz, Fernando Azevedo (Defesa) e Augusto Heleno (Gabinete Institucional).

Os pontos-fracos são o ministro da Economia, Paulo Guedes, que não enfrenta os banqueiros e tem contas a acertar com a Justiça; o chanceler Ernesto Araújo, que desmoraliza o Itamaraty; a ministra Damares Alves, que não tem perfil para o cargo; e o vice Hamilton Mourão, por praticar o nepotismo com o próprio filho, sujando a imagem do governo, que já não era essas coisas; e Onyx Lorenzoni, que usou notas fiscais da empresa do amigo para embolsar R$ 317 mil. O resto dos ministros ainda não deu o ar de sua graça e nem merece avaliação.

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P.S. 1 
Quanto a Bolsonaro, que Deus lhe dê muitos anos de vida, senão Mourão assume  e nomeia o filho para primeiro-ministro. 

P.S. 2 – Ainda há esperança de que Bolsonaro convoque auditorias externas para a Previdência Social e a Dívida Pública. Se tomar essa iniciativa, ganhará aplausos generalizados, da situação e da oposição, e iniciará uma carreira de estadista. Afinal, sonhar ainda não é proibido.(C.N.)

Bolsonaro precisa libertar o Brasil do capitalismo mais selvagem dos últimos tempos

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Antigamente, falava-se muito nos malefícios do capitalismo selvagem, que aprofunda as desigualdades sociais e considera normal que haja a convivência entre a riqueza total e a miséria absoluta. Em meados do século passado, no mundo mais desenvolvido houve uma reação a esse estado de coisas, o capitalismo se humanizou e surgiram as sociais-democracias, que procuram conciliar o que há de melhor no capitalismo e no socialismo.

E hoje os países mais avançados do mundo são os europeus, com destaque para as nações nórdicas, onde a inclemência do frio impõe a solidariedade social.

MENOS DESIGUALDADE – Em busca do Estado do Bem-estar Social (Welfare State), muitas nações se preocuparam em reduzir as disparidades sociais, especialmente as diferenças entre os menores e os maiores salários, enquanto no Brasil ocorria exatamente o contrário. E o próprio Supremo  transformou em direitos adquiridos as inaceitáveis desigualdades salariais.

Essas iniciativas sociais dos países desenvolvidos surpreendem quem é oriundo do Terceiro Mundo. O jogador Raí, por exemplo, ficou encantado quando foi jogar em Paris e descobriu que sua filha era colega e estudava na mesma classe da filha de sua empregada, algo impossível de acontecer aqui no Brasil.

CARACTERÍSTICAS – Na verdade, o Brasil não se assemelha em nada aos países europeus, que têm população estagnada ou em declínio. No século passado, tínhamos o maior índice de crescimento populacional do planeta. Em 1970, o genial Miguel Gustavo lembrava que éramos “90 milhões em ação” e hoje já somos 210 milhões. Em menos de 50 anos, a população mais do que dobrou, é a quinta maior do mundo.

Com riquezas naturais espantosas e sem um governo nacionalista desde a gestão de Itamar Franco, o Brasil se tornou presa fácil do capitalismo financeiro, passou a praticar as maiores taxas de juros já vistas, virou o paraíso dos rentistas, como diz Paulo Guedes, que não ousa nem jamais ousará fazer críticas ao banqueiros que exploram (em todos os sentidos) o país.

UM FARSANTE – Paulo Guedes, conforme já assinalamos aqui, é um farsante, já foi banqueiro e jamais enfrentará os colegas de profissão. A pergunta-chave, que ele jamais fará, é a seguinte: Por que o Brasil pratica juros compostos enquanto os países desenvolvidos operam com juros simples?

Em 1987 e 1988, fiz a cobertura da Constituinte pela revista Manchete e o empresário Adolpho Bloch então me pediu que lutasse pela limitação dos juros. Era um bom combate e me empenhei nisso. Atuei ao lado do deputado Fernando Gasparian, o grande defensor da limitação dos juros na Frente Parlamentar Nacionalista, recriada por Miguel Arraes. Vivíamos incomodando os relatores da Comissão de Economia, que eram José Serra, Francisco Dornelles, Fernando Bezerra Coelho e Benito Gama.

Fomos vitoriosos, a Constituição limitou os juros em 12% ao ano, mas a lei nunca pegou. Ao contrário, o que passou a vigorar foram os juros estratosféricos que todos conhecem e atualmente são de 300% ao ano, nos cartões de crédito e cheques especiais, para uma inflação anual de 4%. Aliás, hoje estão “baixos”, porque já foram de 500% ao ano e arruinaram muitas empresas e famílias.

JUROS COMPOSTOS – Nos países ditos civilizados, o que se pratica são os juros simples, calculados ao ano, como ocorre na nossa Matriz, os EUA. Mas aqui na Filial, sucessivos governantes vêm permitindo que os banqueiros cobrem os juros que bem entendem, num regime de “laisser faire” (“deixa rolar”, em tradução livre) que não pode ser admissível num país importante como o Brasil, que é a nona economia do mundo e o quinto maior em extensão territorial e número de habitantes.

Se o sistema financeiro do Brasil passasse a operar em juros simples, os três níveis de governo (federal, estadual e municipal), os empresários e os brasileiros em geral sairiam imediatamente do sufoco e o país voltaria a crescer como ocorreu de 1950 a 1980, com média de 7,4% ao ano, quando era a nação que mais se desenvolvia no mundo.

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P.S. 1
O presidente Bolsonaro e os oficiais-generais que o cercam precisam acordar para a realidade. Livrem-se do banqueiro Paulo Guedes. Coloquem um anúncio nos jornais: “Procura-se uma economista que realmente queira salvar o Brasil”.  E mandem o presidente do Banco Central baixar uma prosaica portaria, determinando que passem a ser praticados juros simples nas operações financeiras aqui no Brasil. Apenas isso.

P.S. 2 – Como este é o problema mais importante do país, voltaremos ao assunto amanhã, para mostrar que o Brasil tem solução e tudo só depende da autoridade do presidente Jair Bolsonaro, que não pode se tornar protetor dos banqueiros mais exploradores da História Universal contemporânea. (C.N.)

Guedes é um farsante e o presidente Bolsonaro logo vai perceber essa realidade

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Charge do Naini (nanihumor.com)

Carlos Newton

Qual é o maior problema brasileiro? Se depender da mídia, seja grande, média ou pequena, tudo se resume à reforma da Previdência Social. Simples assim. Nesse sentido, o aparentemente todo-poderoso Paulo Guedes, em seu primeiro discurso como ministro da Economia, fez uma declaração inacreditável, sem qualquer base na realidade, e os jornais publicaram em manchete, como se fosse um fato concreto.

A despesa da Previdência é o primeiro e principal desafio a ser enfrentado. Se for bem-sucedido esse enfrentamento, temos dez anos de crescimento sustentável pela frente”, disse Guedes, com a segurança dos Oráculos de Delfos, na Grécia Antiga, que eram ridicularizados por Sócrates.

QUEM ACREDITA? –  Somente os néscios (hoje chamados de nerds) podem acreditar numa patacoada dessa envergadura. O principal problema do Brasil não é o déficit da Previdência, que pode ser reduzido com alguns acertos, caso a economia volte a crescer, os gastos em assistência social sejam desvinculados do INSS, a corrupção seja contida e também acabe a sangria da pejotização, que o próprio Bolsonaro já denunciou várias vezes.

Qualquer estudante de economia sabe que o grande desafio brasileiro é o déficit primário – os diversos níveis de governo (federal, estaduais e municipais) gastam mais do que arrecadam, estão endividados e, se fossem empresas, estariam pré-falidos.

Não por mera coincidência, em dezembro o deputado Rodrigo Maia, no exercício interino da Presidência, sancionou a lei permitindo que as prefeituras ultrapassem os limites dos gastos de pessoal, sem punição da Lei de Responsabilidade Fiscal.

FORA DO LIMITE – 0 fato concreto é que a maioria dos Estados e Municípios têm dificuldades para pagar servidores, aposentados e pensionistas. Desde o governo do trêfego Fernando Henrique Cardoso (“esqueçam tudo o que escrevi”), os servidores públicos formaram castas e passaram a ser remunerados como se estivessem no melhor dos mundos. Tanto na ativa como na aposentadoria, a crise econômica não os atinge. E agora não é mais possível reverter esse quadro, porque o Supremo considerou tudo como direito adquirido.

No entanto, o ministro Paulo Guedes comporta-se como se nada disso existisse e a dívida pública bruta não ameaçasse o país inteiro. Diz que os pilares do governo serão a reforma da Previdência, as privatizações e a redução de impostos. “O Brasil deixará de ser o paraíso dos rentistas”, assegura, referindo-se aos capitalistas sem risco, que lucram com o rendimento do capital, sem aplicar o dinheiro em empreendimentos empresariais, sem criar empregos nem distribuir renda.

SEM RENTISMO – Guedes é um farsante. Com a queda dos juros da Selic este ano, agora só os grandes capitalistas conseguem ser “rentistas” (neologismo criado por Karl Marx). Descontada a inflação, o lucro dos pequenos e médios aplicadores caiu para algo em torno de 1% a 3% ao ano, a não ser que se trate de investimentos a longo prazo, quando o lucro então sobe para entre 6% e 8% ao ano, no máximo.

Até agora, o ministro da Economia não deu uma palavra sobre a dívida pública bruta nem sobre os lucros abusivos dos bancos brasileiros, que em plena crise conseguem as maiores rentabilidades do mundo. Guedes não é um economista de empresa, preocupado em custo/benefício e produtividade. Na verdade, trata-se de um economista com alma de banqueiro e de corretor financeiro, inteiramente curvado ao Deus Dinheiro. Decididamente, não pode ser e nunca será o homem certo para defender os interesses nacionais.

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P.S. 1
Por coincidência, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) há dois meses mantém na mídia uma caríssima campanha para justificar os juros altos praticados no Brasil. Com medo de Bolsonaro, os banqueiros apresentaram essa publicidade como se fosse um habeas corpus preventivo.

P.S. 2 – Nada justifica os juros altos aplicados no Brasil pelos banqueiros. Este é o maior problema dos brasileiros e vamos voltar ao tema amanhã.  (C.N.)

Simples assim. Quando Bolsonaro erra, pancada nele! Quando acerta, deve ser elogiado.

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

A internet e suas redes sociais mudaram muita coisa na sociedade contemporânea, parece um tsunami, mas há uma realidade imutável – a imprensa continua a representar os olhos e os ouvidos da nação, em suas diversas modalidades. Como fazem todo ano os blocos carnavalescos do Rio de Janeiro, é preciso saudar “a imprensa escrita, falada e televisada”. A novidade é que agora temos a internet, mas nada mudou na essência.

Em minha visão pessoal, acredito que o jornalista precisa atuar como clínico geral da sociedade, a apontar seus males, suas formas de recuperação e seus acertos. É assim que as coisas funcionam.

DIZIA MILLÔR – É famosa e comumente citada a frase de Millôr Fernandes – “Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. É uma bela afirmação, que tem muito de verdade, assim como outra frase muito interessante, que não ficou famosa e era usada por Carlos Imperial quando dirigia a revista “Fatos & Fotos” junto com Raul Giudicelli e os dois batiam recordes de vendagem: “Sem direito de elogiar, nenhuma crítica é válida”.

Prefiro pensar que a função do jornalista tem de ser independente, sem vinculações partidárias ou ideológicas que possam macular seu trabalho. Ou seja, deve criticar tudo que apresentar evidências de que está errado e elogiar as providências que pareçam estar corretas.

É claro que o jornalista pode errar na avaliação e deve ser criticado por isso, porque a regra é clara e vale para todos, como diria Arnaldo Cezar Coelho.

BOLSONARO NA MIRA – Na condição de novo presidente, Bolsonaro substitui Temer, Dilma e Lula no principal foco da imprensa. É normal que isso ocorra. Ele agora é a bola da vez, na sinuca política.

Aqui na TI, a rotina não mudará – o atual presidente terá o mesmo tratamento dos anteriores. Quando acertar, elogios; quando se equivocar, pancadas nele! Por exemplo, Bolsonaro acertou em cheio ao convidar Sérgio Moro e lhe dar carta branca. O novo ministro da Justiça está fazendo um trabalho extraordinário, conforme se constatou na blindagem do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que agora está livre de corrupção.

ERROS E ACERTOS – No entanto, Bolsonaro errou ao nomear Ernesto Araújo para chanceler, mas já cortou as asas dele, ao recuar na mudança da embaixada para Jerusalém e foi elogiado aqui na TI. Errou ainda mais ao nomear a pastora Damares Alves, que não tem vocação para o cargo ministerial, digamos assim. E também errou ao nomear Paulo Guedes, mas acaba de desautorizá-lo na reforma da Previdência, e merece elogios.

Bolsonaro tem essa grande qualidade – recua quando percebe que se equivocou. Se deixar de lado a ideologia e se preocupar no que é certo e no que é errado, estará se credenciando a fazer um governo para ficar na História. Aliás, poderia começar por convocar auditorias para a Previdência e a dívida pública. Seria uma iniciativa absolutamente consagradora.

BALANÇO DE DEZEMBRO– Como sempre fazemos, vamos publicar agora o balanço de dezembro, agradecendo muito a todos os que participam dessa aventura de manter um espaço verdadeiramente livre na internet, 365 dias por ano.

Na conta da Caixa Econômica Federal, recebemos as seguintes contribuições:

DATA    OPERAÇÃO     REGISTRO            VALOR
03            002915                 DP DINH AG              100,00
04            041801                 CRED TEV                  100,00
10            002915                 DP DINH AG               100,00
10            101219                 DP DINH LOT              20,00
12            700015                DOC ELET                   120,00
14            141014                DP DINH LOT               50,00
17            002915                DP DINH AG               100,00
18            181305                DP DINH LOT               52,00
19            191618                DP DINH LOT               50,00
24            004775                DP DINH AG               100,00
28            281015                DP DINH LOT             100,00
28            281033                DP DINH LOT             230,00

E na conta do Banco Itaú, foram feitos os seguintes depósitos em dezembro:

04      TED 001.5977 JOSE ANTONIO                   180,00
05      TBI  2958.07601-6 TRIBUN                         40,00
06      TED 001.4416 MARIO ACRO                      250,00
27       TED 033.3591 ROBERTO SNA                    200,00
28       TBI  0406.49194-4  C/C                             100,00

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P.S.Agradecendo mais uma vez aos amigos, reafirmamos que não fazemos oposição nem apoiamos o governo Bolsonaro. Para nós, é apenas mais uma administração, que pode acertar ou errar, pois a vida é assim. (C.N.)

Guedes deveria dar o exemplo e se oferecer para depor aos procuradores federais

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Paulo Guedes evitou depor até conseguir o foro privilegiado

Carlos Newton

O todo-poderoso ministro Paulo Guedes deveria descer de seu pedestal e dar um exemplo ao país, oferecendo-se para depor no Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que o Ministério Público Federal em Brasília abriu para investigar suas relações financeiras com diversos fundos de pensão. Afinal, Guedes está morando em Brasília, onde vem sendo conduzida a apuração da Procuradoria-Geral da República. Da última vez que foi convocado a depor, Guedes não deu a mínima e marcou uma viagem à Europa na mesma data. Acabou não indo, porque pegou uma infecção respiratória, segundo alegou para faltar ao depoimento.

Sem dúvida, ficou parecendo que Guedes estava esperando virar o ano, para ganhar foro privilegiado no Supremo, na condição de ministro da Economia, e colocar uma pedra sobre a investigação dos federais na primeira instância.

LEGAL, MAS AÉTICO – O procedimento de Paulo Guedes está dentro da lei.  Depois de ganhar foro privilegiado no Supremo, não precisa mais se preocupar em depor na primeira instância. Essa postura pode até ser legal, mas é inteiramente antiética e depõe contra o caráter do ministro.

Guedes é investigado sob suspeita de ter cometido crimes de gestão fraudulenta e temerária à frente de fundos de investimentos (FIPs) que receberam R$ 1 bilhão, entre 2009 e 2013, de fundos de pensão ligados a empresas públicas. Também é apurada a emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias.

Entre os fundos de pensão que repassaram valores aos FIPs administrados por Guedes estão a Funcef, da Caixa, Postalis, dos Correios, Previ, do Banco do Brasil e BNDESPar, subsidiária de investimentos do BNDES. À época dos fatos apurados, os fundos eram geridos por pessoas indicadas pelo PT e PMDB.

DENÚNCIA OFICIAL – Reportagem do excelente jornalista Fábio Serapião, no Estado de S. Paulo, revela que a investigação foi aberta com base em relatórios oficiais da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), que apontaram indícios de fraudes nos aportes feitos pelos fundos de pensão em dois fundos de investimentos criados pela BR Educacional Gestora de Ativos, empresa de Paulo Guedes. A investigação é conduzida pela força-tarefa Greenfield, responsável por apurar desvios nos principais fundos de pensão do País.

Em nota divulgada por seus advogados, Guedes afirmou que a abertura da apuração é “uma afronta à democracia”, mas na verdade é o próprio ministro da Economia que está afrontando a democracia e se desmoralizando, ao usar de subterfúgios para se livrar de prestar depoimento ao Ministério Público Federal.

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P.S. 1
 – O que será que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, pensa dessa atitude de Guedes, ao escapar da força-tarefa? 

P.S 2 – Na prática, Guedes se equipara a Fabricio Queiroz, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro que estava doente demais para depor, mas teve saúde suficiente para dar uma longa entrevista ao SBT. (C.N.)

Se Moro fosse ministro da Previdência, faria uma auditoria antes da reforma

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Ou você acha que Moro faria a reforma sem auditar as contas?

Carlos Newton

Realmente, não é de se invejar o desafio que se coloca diante do novo presidente Jair Bolsonaro e dos governadores que assumiram ou renovaram os mandatos no dia 1º de janeiro. Não adianta ter competência, garra e vontade política. Como dizia Jean-Paul Sartre, o inferno são os outros. É exatamente isso que acontece no Brasil. E os outros podem ser chamados de Legislativo e Judiciário, dois poderes onerosos e que se tornaram paquidérmicos, funcionando devagar, quase parando, e sempre acompanhando o Executivo nas investidas contra os interesses nacionais, até chegarmos à atual situação.

Tudo começou no governo de Fernando Henrique Cardoso, aquele que foi logo avisando: “Esqueçam tudo o que escrevi”. Trata-se de uma frase que consagra qualquer canalhice. Esse farsante se dizia privatista e vendeu a Vale do Rio Doce por 30 dinheiros, a pretexto de reduzir a dívida pública. Mas foi justamente sob seu comando que a dívida começou a fugir do controle e a máquina administrativa do país passou a inchar.

MAIOR PROBLEMA – Ao contrário do que se apregoa, o maior problema brasileiro não é o déficit da Previdência Social. O principal desafio está em conter a dívida bruta, que inclui os governos federal, estaduais e municipais, as administrações indiretas, o sistema público de previdência social e as empresas estatais não-financeiras federais, estaduais e municipais, exceto as empresas do Grupo Petrobras e do Grupo Eletrobras.

A maioria dos Estados está em pré-falência e as prefeituras vão pelo mesmo caminho. Este é o quadro ou a equação a ser solucionada pela equipe econômica. A dívida bruta chegou a R$ 5,28 trilhões em novembro, e já foram pagos R$ 385,6 bilhões. Como se dizia antigamente, a guitarra do Banco Central não para de rodar…

CULPA DA PREVIDÊNCIA? – Tentam colocar a culpa na Previdência, mas não informam que o déficit do setor inclui fatores que nada têm a ver e teriam de ser considerados como itens de assistência social, como a aposentadoria pelo MEI (Micro-Empreendedor Individual), o Benefício de Prestação Continuada (um salário mínimo mensal a idoso ou deficiente que jamais contribuiu) e a Aposentadoria Rural, amparando quem nunca contribuiu. São gastos necessários, mas não podem entrar na conta do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), porque não se trata de “seguridade”.

Além disso, os dados da Previdência são escamoteados e manipulados, confirmando a definição de que “Estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem o resultados que são pretendidos”.

Por tudo isso, não se pode levar a sério uma reforma da Previdência sem haver uma auditoria independente. Se o ministro Sérgio Moro fosse responsável pela Previdência, é claro que mandaria fazer uma auditoria. Alguém tem dúvida?

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P.S. 1
Da mesma forma, é preciso auditar também a dívida pública. O governo do Equador tomou essa iniciativa e se livrou de 70% do débito.

P.S. 2Aqui no Brasil, não se faz a auditoria por temer que os rentistas (investidores) sejam prejudicados. Em tradução simultânea, onde se lê “investidores”, pode-se ler “banqueiros”.
Aliás, “banqueiros” é uma palavra-tabu, que nenhum governante ou político pronuncia.
(C.N.)

“Generais” de Bolsonaro estão assustados com a inaptidão do novo chanceler

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Novo chanceler quer tornou o Brasil um país-satélite dos EUA

Carlos Newton

A diplomacia, conhecida como a arte dos punhos de renda, desde sempre tem suas regras de conduta , discrição e elegância. Como dizia Foster Dulles, secretário de Estado norte-americano de 1953 a 1959, em plena Guerra Fria, “as nações não têm aliados, apenas interesses”. Esta máxima, de grande sabedoria e alcance, vale para qualquer país, a qualquer tempo. O novo chanceler brasileiro, porém, não somente desconhece esta regra da carrière, como faz também questão de quebrá-la, ao propor o alinhamento automático do Brasil aos Estados Unidos.

Nenhum país importante se alinha automaticamente a alguma potência mundial, isso é coisa de país-satélite, como se dizia antigamente. Se insistir nessa política, o ministro Ernesto Araújo vai levar a diplomacia brasileira ao ridículo.

DEFEITOS DE FÁBRICA – Araújo demonstra ter várias características que o inviabilizam para a função de chanceler– é inexperiente demais, fanático religioso demais e prepotente demais. Esses defeitos de fabricação reduzem seu prazo de validade, que pode vencer logo no início da gestão.

O novo chanceler parece desconhecer o crescente protagonismo do Brasil no cenário internacional. E isso começou lá atrás, nos tempos de Getúlio Vargas, que soube levar o país a um impressionante ciclo de desenvolvimento. A produtividade apresenta estagnação desde os anos 1980, quando Brasil mergulhou em crises consecutivas.

O Brasil é importante desde que se tornou a economia que mais crescia no mundo. De 1950 e 1980, houve o chamado “milagre brasileiro”, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo à média de 7,4% ao ano, taxa sem precedentes. E na maior parte deste tempo, o país esteve sob regime militar, com uma política externa independente, que ajudou a impulsionar o crescimento econômico.

IGNORÂNCIA TOTAL – O novo chanceler escolhido pelos filhos de Bolsonaro demonstra nada saber sobre isso nem se interessar a respeito. Mas os generais que compõem o governo e assessoram Bolsonaro se orgulham do milagre brasileiro e da política externa independente que o regime militar adotou, inclusive levando o país a dominar o ciclo nuclear e ter capacidade de fabricar armas atômicas;

Depois dos governos militares, a economia se retraiu. De 1980 até 2016, o avanço médio anual ficou em 2,2%. Entre 2017 e 2018, caiu para 1%, que significa 0% em termos de renda per capita, porque a população cresceu em 1%.

Mas o ministro Ernesto Araújo desconhece essa realidade concreta. Em artigo publicação na revista norte-americana “The New Criterion, o novo chanceler culpou a falta de fé em Deus pelas dificuldades econômicas do país.

NINGUÉM LEU – Graças ao bom Deus, porém, essa publicação conservadora dos EUA tem pouquíssimos leitores e todos eles são fanáticos religiosos como Ernesto Araújo, não se trata de formadores de opinião. “The New Criterion” roda apenas 7,5 mil exemplares mensais. Deve vender apenas a metade disso, o resto vai para o lixo, na reciclagem de papel.

Os generais estudaram política externa nas Escolas de Estado Maior das três Armas e na Escola Superior de Guerra. Sabem que o Brasil precisa manter a postura independente, sem os erros e excessos cometidos pelos governos petistas no Itamaraty.

Bolsonaro já mostrou que sabe reconhecer erros e recuou no caso da Embaixada em Jerusalém. Mas o neoministro do Exterior não tem esse jogo de cintura e deve insistir na submissão do Brasil aos interesses dos EUA de Trump. Vai bater de frente com os generais e será defenestrado por Bolsonaro, implacavelmente.

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P. S. – O Brasil, quinto maior país em extensão territorial e número de habitantes, está entre as dez maiores economias do mundo. Precisa ser tratado com o devido respeito, em função de sua invulgar importância, e não pode ser país-satélite de nenhuma outra nação. (C.N.)

Plantonista que soltou Lula duas vezes ganha o concurso Piada do Ano

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Favreto ficou felicíssimo ao saber que ganhou a Piada do Ano

Carlos Newton

A concorrência foi absurda. Pelo número de piadas inscritas já se sabia que a decisão seria dificílima. A Comissão Julgadora, depois do exaustivo exame das finalistas, acabou escolhendo a piada criada em conjunto pelos três mosqueteiros do PT, que imitaram o romance de Alexandre Dumas pai, pois na verdade eram quatro – os três deputados federais petistas, que foram os criadores originais da anedota (Paulo Teixeira, Paulo Pimenta e Wadih Damous), e o desembargador federal Rogério Favreto, que entrou no papel de quarto mosqueteiro, com a responsabilidade de apresentar a piada ao respeitável público.

A Comissão Julgadora ficou impressionada com a criatividade dos três parlamentares, que apresentaram o pedido de soltura de Lula justamente no fim de semana em que o plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região era o desembargador Fraveto, um veterano militante petista que trabalhou na Casa Civil na gestão de José Dirceu e usa uma camiseta vermelha por baixo da toga.

AVISAR O CHEFE – Tudo combinado, os três mosqueteiros viajaram para Curitiba no sábado, para comunicar a Lula da Silva que ele seria libertado.  No domingo, às 9 hs da manhã, antes mesmo que Favreto assinasse o Alvará de Soltura, os três entraram na cela de Lula para anunciar que ele estava sendo solto. Lula pulou da cama, tomou uma chuveirada, se vestiu, arrumou a mala e ficou esperando, ansioso, enquanto os três mosqueteiros trocavam telefonemas com o desembargador.

A todo momento, um deles saía da sala e perguntava ao carcereiro: “E aí, já chegou a ordem de soltura?”. E a resposta era sempre a mesma: “Ainda não, deputado”. E essa cena se repetiu até a hora do almoço. O alvará para libertar o ex-presidente não chegava nunca…

LULA NO DESESPERO – Embora a piada fosse da melhor qualidade, Lula não achava nenhuma graça, os três deputados cada vez mais embaraçados, enquanto o quarto mosqueteiro ligava aos gritos para a Superintendência da Polícia Federal, reforçando a ordem de soltura que ninguém cumpria.

Lula acompanhava tudo pela televisão, xingava o juiz Sergio Moro, xingava Favreto, xingava os três deputados, e seu palavrório era espantoso. Essa confusão durou até o final da tarde, quando o presidente do TRF-4, desembargador Thompson Flores, enfim suspendeu a liminar aprovada pelo plantonista e a Polícia Federal recebeu a ordem definitiva para manter Lula na cadeia.

Os policiais então pediram que os três mosqueteiros se retirassem, para que o detento pudesse jantar e prosseguir o cumprimento da pena.

SEGUNDO LUGAR – A piada que ficou em segundo lugar este ano foi uma variação da primeira colocada e também teve repercussão nacional. O autor foi o ministro Marco Aurélio de Mello, que no dia 19 de dezembro, de uma penada só, resolveu libertar cerca de 160 mil presos que estão cumprindo pena após condenação em segunda instância, e um dos beneficiados seria justamente… Lula da Silva.

O ex-presidente gostou da piada, é claro, mas desta vez já estava escolado, nem se deu ao trabalho de se arrumar e fazer a mala. Ficou acompanhando pela televisão, torcendo como se estivesse na Copa do Mundo, e entrou em desespero quando Dias Toffoli, no início da noite, cancelou a liminar de Marco Aurélio. E a piada se tornou mais uma decepção para o ex-presidente, porque Toffoli era seu grande amigo e o traiu na hora da verdade.

TERCEIRO LUGAR – Na dúvida, a Comissão Julgadora decidiu dividir o prêmio de terceiro para três piadas realmente sensacionais – “TSE diz que urna eletrônica brasileira é perfeita e imune a hackers”; “Propinas a Aécio e Perrela entregues em caixas de sabão… em pó”; e “Pesquisa da CUT desmente todas as outras e elege Lula no 1º turno”.

Também foram muito votadas as seguintes Piadas do Ano: “PT lança candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz 2019”; Rocha Loures diz que não sabia que havia dinheiro na mala…”; “Fiz uso de caixa 2, mas não agi como corrupto”, alega Sérgio Cabral”; e “Vox Populi diz que Haddad já está encostando em Bolsonaro”.

E agora já estão abertas as inscrições para a Piada de 2019.

Conheça as inacreditáveis finalistas do Concurso Piada do Ano de 2018

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Candidatura de Lula ao Nobel tornou-se piada internacional

Carlos Newton

Não dá mais tempo, o ano de 2018 está terminando e a Comissão Julgadora, reunida neste sábado no Centro Cultural do restaurante Paz e Amor, em Ipanema, em meio a poucos comes e muitos bebes, começou a julgar a escolha da Piada do Ano. A última inscrição aceita, na chamada undécima hora, foi a decisão do ministro Raul Julgmann de determinar por decreto a redução do número de homicídios no país, uma piada jurídico-administrativa do maior nível.

Foi impressionante o grau de dificuldade para selecionar as finalistas entre as milhares de piadas inscritas. Exaustos, quase levados à loucura, os jurados já não sabiam mais o que beber ou comer para ganhar inspiração.

ALTA CRIATIVIDADE – Realmente, o elevado nível das anedotas concorrentes mostra a esplendorosa criatividade dos políticos e autoridades do país, que sabem acumular dívidas públicas e piadas impagáveis. Vejam algumas das finalistas:

Deputado petista diz que nova Constituição de Cuba reconhecerá propriedade privada”; “PT vai recorrer à Justiça para que Lula dê entrevistas na cadeia”; “Fachin diz que divergências na Segunda Turma são naturais”; “Câmara já tem mais de mil projetos em regime de urgência…”; “Temer diz que, assim como o técnico Tite, também vai se levantar”; “Irmão de Geddel pede à Câmara nova perícia nos R$ 51 milhões”.

Outras consideradas finalistas de altíssimo nível: “Lentidão do Supremo é culpa da PF e do Ministério Público…”; “Meirelles diz que não é candidato do governo nem do mercado…”; “Jair Bolsonaro agora diz que nunca defendeu intervenção militar”; “No plantão de domingo, Lula é solto duas vezes, mas fica preso”; “TSE diz que urna eletrônica brasileira é perfeita e imune a hackers”.

FORTES CONCORRENTES – Estão na disputa muitas outras concorrentes que merecem o troféu: “Pesquisa da CUT desmente todas as outras e elege Lula no 1º turno”; “PT vai pedir permissão para Lula gravar na prisão os vídeos de campanha”; “Marco Aurélio manda soltar todos os condenados em segunda instância”; “PT lança candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz 2019”; “Temer diz que só levará mágoa pelos ataques morais”; “Negociar a rendição de Battisti com a defesa dele mais parece uma Piada do Ano”.

Também se destacaram entre as finalistas as seguintes piada: “Toffoli solta Dirceu com habeas corpus que a defesa nem pediu”; “Temer diz que não se preocupa com processos e inquéritos”; “Propinas a Aécio e Perrela entregues em caixas de sabão… em pó”; “Lula depõe e diz que vai provar que o sítio de Atibaia não é dele”; “Rocha Loures diz que não sabia que havia dinheiro na mala…”; “Stedile quer retomar trabalho de base e sonha em libertar Lula”; “Temer sai da toca e se oferece para reformar a Previdência”; “Gleisi afirma que Haddad vai ganhar a eleição e libertar Lula”; “Vox Populi diz que Haddad já está encostando em Bolsonaro”.

PIADAS A MANCHEIAS – Os jurados disseram que a criatividade dos piadista merece um estudo acadêmico em termos sociais, políticos e patológicos. Vejam mais algumas finalistas: “Interventor militar devolve recursos que deveria utilizar contra o crime…”; “Haddad defende punição de petistas que enriquecem na política”; “Haddad ainda nem foi eleito e Gleisi já fala em indulto a Lula”; General Augusto Heleno culpa mídia por atentado a Bolsonaro”; “Haddad se lança candidato culpando “as zelites” do país”; Alckmin faz ofensiva para passar a ser o “candidato dos pobres”; “Haddad minimiza o papel de Lula em sua subida nas pesquisas”. “Dilma quer ser eleita para vai retomar seu veio humorístico”.

E as outras finalistas, também com muitas chances, são as seguintes: “Advogado insiste que a ordem da ONU para soltar Lula tem que ser cumprida”; “Meirelles ainda pensa que sua candidatura é apoiada por Temer”; “Fiz uso de caixa 2, mas não agi como corrupto”, alega Sérgio Cabral”; Toffoli quer acabar com os feriados exclusivos do Judiciário”; “Centrão vai mudar porque terei rigor ético, afirma Alckmin”; “Filha de Jefferson alega que PTB é alvo de perseguição judicial”; “Na cadeia, Lula ‘escreveu’ artigo para o Correio Braziliense”; “Maia anuncia que ‘desistiu’ da Presidência para apoiar Alckmin”; “Grupo de advogados pede a prisão de Moro e do diretor da PF”.

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P. S.
Na última hora, tentaram inscrever a piada de que “Objetivo de Netanyahu no Brasil é festejar o Réveillon em Copacabana e pedir forças a Yemanjá”, mas a inscrição não foi aceita, porque se trata de um segredo de Estado e é melhor deixar Bolsonaro pensar que o líder israelense veio realmente assistir à sua chatíssima posse em Brasília. Além disso, os jurados do concurso Piada do Ano ficaram com meio de represálias do Mossad, o temido serviço secreto de Israel. (C.N.)

Antes de assumir, Bolsonaro já mostra que pode fazer um grande governo

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

O presidente eleito Jair Bolsonaro terá muitas dificuldades para governar, não somente devido à gravidade da crise econômica, mas também com as suspeitas sobre cobrança de “pedágio” a funcionários dos gabinetes parlamentares da família. O problema pode engrossar para seu filho Flávio, ao ser aprofundado o exame dos extratos bancários do ex-assessor Fabricio Queiroz, mas só atingirá de raspão o próprio Jair Bolsonaro. O futuro presidente sabe que pode ficar tranquilo, porque durante o mandato não poderá ser processado por ilegalidades cometidas antes de assumir o cargo.

O mais importante de tudo isso é que Bolsonaro pai deu mostras de que pode realmente fazer um grande governo, porque sabe recuar quando está errado, uma característica altamente positiva e raramente vista no Brasil.

CASO DA EMBAIXADA – Em entrevista ao pastor Silas Daniel, exibida neste sábado, Bolsonaro admitiu que há ameaças de boicote econômico ao Brasil, caso o governo decida transferir para Jerusalém a embaixada do país em Israel.

Conversei com o embaixador de Israel sobre isso. Conversei com o Ernesto Araújo [futuro ministro das Relações Exteriores]. Alguns países estão realmente ameaçando boicote à nossa economia caso isso [mudança da embaixada] se concretize. E nós estamos conversando a melhor maneira de decidir essa questão“, afirmou Bolsonaro na entrevista.

Em tradução simultânea, isso significa que será colocada uma pedra em cima do assunto, até porque o vice-presidente Hamilton Mourão já tinha reconhecido a procedência da informação da “Tribuna da Internet” sobre a possibilidade de o Brasil entrar na rota do terrorismo islâmico, que seria uma consequência adicional.

UM SR. PRESIDENTE – Com essas declarações, Bolsonaro mostra que será um governante que sabe recuar quando está equivocado. Parece ter aprendido que, na diplomacia, o Brasil não tem de ser amigo ou inimigo de nenhuma nação. A posição certa é se relacionar com todas elas, respeitar suas soberanias e tirar o maior proveito possível dessas relações internacionais.

Ao mesmo tempo, ao anunciar o decreto que facilitará a compra e posse de arma, Bolsonaro demonstra ser um presidente que cumpre os compromissos assumidos com os eleitores.

Espera-se que continue a agir realmente assim e determine a realização de auditorias na dívida pública e na Previdência Social, sabendo reconhecer e evitar o erro que o futuro ministro Paulo Guedes ameaça cometer, ao anunciar que isentará os empresários de contribuírem com o INSS, justamente uma parcela que constitui uma das maiores receitas previdenciárias.

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P.S. 1 –
Da mesma forma, Bolsonaro precisa exigir que Guedes promova o fim da “pejotização”, colocando na ilegalidade a conhecida prática de transformar empregado em pessoa jurídica, para sonegar INSS, FGTS e Imposto de Renda. Essa jogada sempre foi ilegal, mas de uns tempos para cá a Justiça Trabalhista passou a considerar como uma prática legal e regular. Na verdade, é preciso vedar todos os buracos por onde escoa a receita da Previdência e do governo, e a “pejotização” é um dos maiores rombos.

P.S. 2 – E que ninguém estranhe esses elogios a Bolsonaro aqui na “Tribuna da Internet”. Como dizia Carlos Imperial, “sem liberdade para elogiar, nenhuma crítica pode ser considerada válida”. (C.N.)

“Legado” da intervenção no Rio é uma falácia, pois os tiroteios cresceram 57%

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Militares ajudaram, tiveram até baixas, mas nada mudou

Carlos Newton

A intervenção federal chega ao fim, fazendo um avaliação altamente positiva e alardeando ter deixado um “legado”.  Dez meses e meio depois de decretada, o principal resultado é a redução de crimes como o homicídio doloso e o roubo de cargas, segundo o interventor, general Braga Netto. Acontece, porém,  que a redução dos assassinatos é fenômeno é nacional, não está ocorrendo apenas no Rio de Janeiro, mas no país como um todo, e não se pode atribuí-lo exclusivamente à intervenção militar.

Segundo os levantamentos do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Candido Mendes e do Observatório da Intervenção (OI), o Rio de Janeiro viu o número de tiroteios nas comunidades crescer 57% desde fevereiro de 2018, sob gestão federal na área da segurança pública.

MODELO BÉLICO – A coordenadora do Cesec, cientista social Silvia Ramos, afirmou a Simone Kafruni, do Correio Braziliense, que a intervenção militar errou ao aprofundar o combate armado às quadrilhas do tráfico, com operações, tiroteios, equipamentos de guerra. “O Rio já conhecia esse modelo bélico. Nós achamos que a criminalidade precisa ser resolvida com inteligência, investigação e operações que preservem a vida dos moradores e dos próprios policiais”, disse.

Também entrevistado pelo Correio Braziliense, o coronel Robson Rodrigues da Silva, da reserva da PM estadual, disse que a ação foi muito mais política do que técnica.

“Nossos prognósticos se confirmaram, de que a intervenção dificilmente reverteria o problema da violência no Rio de Janeiro. Apesar de toda a autopromoção, os números são muito pífios para a emergência que a medida justificaria”, opinou. “A população não sentiu grande diferença”, acrescentou.

COMPRAS DE ARMAS – O pior resultado da intervenção militar foi não ter usado o orçamento de R$ 1,2 bilhão. Até esta quinta-feira, dia 27, somente R$ 890 milhões (74%) tinham sido empenhados em compra de viaturas, armas, equipamentos e outros gastos. Faltava empenhar R$ 310 milhões. Se não forem usados até a noite de sábado, estes recursos serão devolvidos, vejam a que ponto de incompetência chegamos.

Parece incrível, mas os interventores militares usaram a maior parte da verba de R$ 1,2 bilhão para reforçar as unidades locais do Exército. A PM, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros receberam a destinação de apenas um terço dos recursos para aquisição de armas, veículos e equipamentos, invertendo completamente os objetivos da intervenção, acredite se quiser.

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P.S.
E o mais curioso foi o general Braga Netto ter culpado o governo estadual pelas falhas nas licitações, esquecido de que o responsável pela feitura dos empenhos era ele mesmo, na condição de Interventor. Poderia ser Piada do Ano, mas não tem a menor graça. (C.N.)

Bolsonaro precisa fazer auditorias na dívida pública e na Previdência Social

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Apesar de toda a crise da imprensa, o grupo Estadão ainda mantém os melhores serviços de agências de notícias no país, com o Broadcast, a Agência Estado e o Estadão Conteúdo. A independência é de tal ordem que muitas vezes os assinantes recebem importantes informações antes mesmo do site do principal veículo do grupo, o jornal Estado de S. Paulo. Nesta sexta-feira, por exemplo, o Estadão Conteúdo revelou que o presidente eleito Jair Bolsonaro vai promover uma revisão geral nos atos praticados pelo governo de seu antecessor Michel Temer, nos últimos dois meses do mandato.

O objetivo é verificar se as medidas tomadas por Temer estão de acordo com os compromissos do governo Bolsonaro. A ação consta como uma das prioritárias em um documento divulgado nesta quinta-feira pelo gabinete de transição, assinado pelo futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

MANUAL DOS MINISTROS – Numa reunião do futuro ministério, Onyx Lorenzoni distribuiu o plano intitulado “Agenda de Governo e Governança Pública”. “Nos primeiros dez dias, cada ministério deverá elencar as políticas prioritárias dentro de sua área de atuação – incluindo a revisão de atos normativos legais ou infralegais publicados nos últimos 60 dias do mandato anterior, para avaliação de aderência aos compromissos da nova gestão”, diz trecho do plano do governo Bolsonaro.

A preocupação é absolutamente válida, porque não se pode confiar numa equipe liderada por Michel Temer, já denunciado três vezes pela Procuradoria-Geral da República. O governo Bolsonaro está certíssimo e deve ser apoiado nessa iniciativa, com louvor. Ao mesmo tempo, porém, seu posicionamento deixa no ar uma grande dúvida.

PERGUNTA-SE – Se o governo Bolsonaro demonstra tamanha preocupação com os atos se seu antecessor, porque então não promove auditorias na Previdência Social e na dívida pública, que chegou aos R$ 3,8 trilhões e já ultrapassa o Orçamento da União?

Como se dizia antigamente, é uma pergunta que não quer calar, porque está em jogo o presente e o futuro dos brasileiros. O Equador convocou a auditora brasileira Maria Lucia Fatorelli e outros especialistas, refez as contas e sua dívida diminuiu 70%. Parafraseando o ex-ministro Juracy Magalhães, o que é bom para o Equador pode ser bom para o Brasil.

Se a dívida diminuir, sobrarão recursos para investimentos e o país poderá buscar a retomada socioeconômica. Mas quem se interessa?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O que pensam disso os militares que assessoram Bolsonaro? Sua omissão é um sinal dos tempos. Com certeza, já não se fazem militares como antigamente. Ou, então, o interesse nacional está “démodé” e até os milicos acham que defender o país é brega e cafona. (C.N.)