ESCÂNDALO! Guedes incluiu no “Orçamento de Guerra” um item para beneficiar os bancos

Maria Lúcia Fattorelli desmascarou a grande armação de Guedes

Carlos Newton

O comentarista Mathias Erdtmann, sempre atento, mandou uma mensagem ao Editor da TI, perguntando se eu estava acompanhando a denúncia da Maria Lúcia Fattorelli (site Auditoria Cidadã) acerca da PEC do chamado “Orçamento de Guerra” para enfrentamento econômico da Covid-19. Nosso amigo Erdtmann disse que a auditora analisou em profundidade a proposta da equipe econômica e verificou que o projeto permitia a compra de títulos podres do mercado secundário, de forma não transparente, para beneficiar os bancos.

“Maria Lúcia Fattorelli enviou um apelo ao Senado e desta vez foi ouvida. O relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) incluiu regras acautelatórias para que somente títulos razoáveis (com alguma garantia) sejam comprados pelo Tesouro Nacional. Não sei ainda a opinião da equipe da Auditoria Cidadã, mas me pareceu uma vitória deles”, comentou Erdtmann.

​MULHER GUERREIRA – Agradeço demais a Mathias Erdtmann esse destaque ao trabalho incansável de Maria Lúcia Fattorelli, auditora aposentada da Receita Federal, que dedica sua vida à defesa dos interesses do Brasil e de outros países em dificuldades financeiras.

A especialista brasileira trabalhou em 2006 na auditoria da dívida do Equador, no governo de Rafael Correa, quando foram constatados superfaturamentos e fraudes que possibilitaram abater cerca de 70% do total do endividamento. Depois, foi convidada a trabalhar na investigação da dívida da Grécia, mas surpreendentemente o governo recuou com a auditagem já em andamento.

​Aqui no Brasil Maria Lúcia Fattorelli criou o site Auditoria Cidadã e vem lutando para que haja uma investigação oficial sobre a dívida pública brasileira, por entender que o vultosíssimo montante pode vir a ser reduzido, em benefício do país.

CRÉDITOS PODRES – Na mensagem enviada ao relator do “Orçamento de Guerra”, senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), a auditora disse que notícia publicada em novembro de 2019, antes da decretação da calamidade pública, revelou que já havia mais de R$ 1 trilhão de créditos podres nas carteiras de bancos – e isso, sem contar a correção monetária e juros de mora…

Explicou que o tamanho do mercado de dívidas não pagas por pessoas físicas e empresas no Brasil era estimado em cerca de R$ 600 bilhões até o segundo trimestre de 2019, valor considerado recorde, segundo a Prime Yield, consultoria portuguesa de avaliação patrimonial.

Porém, se considerados os débitos acumulados nos últimos 15 anos, chega-se a quase R$ 1 trilhão – R$ 915 bilhões, sem correção da inflação, de acordo com levantamento da Ivix, especializada em reestruturação de empresas em crise, a pedido do jornal O Estado de S. Paulo.

A HORA DE DAR O BOTE – Durante a última crise, entre 2015 e 2016, os bancos ainda não tinham informações suficientes sobre o potencial de recuperação da saúde financeira de seus clientes, nem espaço para otimizar essas vendas de créditos. Havia um risco de piora da crise. Eles preferiram aguardar. E agora, com a pandemia, surgiu o momento ideal para que os banqueiros e demais agentes financeiros recuperem parte desses créditos.

Os bancos querem transferir essa carteira podre para o Tesouro Nacional, e o parágrafo 9º  do artigo 115 da PEC 10/2020 viabilizava exatamente isso, ao autorizar o Banco Central a adquirir qualquer tipo de título de crédito privado em mercado secundário, isto é, mercado de balcão, que funciona sem regulação ou supervisão alguma, sem transparência, podendo as operações serem realizadas por telefone!

SITUAÇÃO ABSURDA – Maria Lúcia Fattorelli revelou ao relator Anastasia que, caso seja aprovado esse absurdo, um funcionário do Banco Central poderá comprar, por telefone, esses papéis antigos existentes nas carteiras de bancos que chegavam a R$ 1 trilhão em 2019, sem computar a atualização monetária! Caso calculada a referida atualização e demais acréscimos, a quantos trilhões essa conta poderá chegar?

“E, segundo a PEC 10/2020, quem vai pagar essa conta absurda é o Tesouro Nacional, ou seja, o povo!”, disse a auditora, acrescentando:

“Segundo o § 10 do artigo 115 da mesma PEC 10/2020, o Tesouro Nacional efetuará o pagamento de pelo menos 25% das compras feitas pelo Banco Central nesse mercado de balcão! Porém, na prática, o povo vai arcar com toda a conta, pois qualquer prejuízo do Banco Central é transferido para o Tesouro Nacional, segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal (Art. 7º, § 1º)”.

JOGADA DE MESTRE… – Aproveitando-se da camuflagem da pandemia, o ministro Paulo Guedes pretendia fazer com que o Tesouro Nacional pagasse esses trilhões com recursos do orçamento público, sacrificando todas as demais rubricas orçamentárias, e às custas do aumento brutal da dívida pública. “Estamos diante da mais escandalosa transformação de dívidas privadas de bancos em dívida pública!” – afirmou Maria Lúcia Fattorelli.

O relator Antônio Anastasia ficou assustado com a denúncia e alterou o texto. Estabeleceu que o BC só comprará ações privadas desde que: 1) sejam classificadas como “BB- ou superior” no mercado local; 2) os ativos tenham comprovação de qualidade de crédito dada por pelo menos uma das três maiores agências internacionais de classificação de risco; 3) o preço de referência tenha sido publicado por entidade do mercado financeiro acreditada pelo Banco Central.

Bem, Anastasia melhorou o texto, mas ainda há riscos de os banqueiros arranjarem um jeitinho brasileiro para incluir seus créditos podres nas operações com o Tesouro Nacional.

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LEIA AMANHÃ – Câmara precisa desfazer a jogada de Guedes que beneficia aos banqueiros

Forças Armadas aceitaram, mas não gostaram nada da demissão do ministro Mandetta

Bolsonaro visita hospital de campanha em Goiás e causa nova ...

Sem máscara, Bolsonaro desrespeitou as regras diante do ministro

Carlos Newton

O presidente Jair Bolsonaro venceu pelo cansaço. Na semana passada, tinha sido avisado de que não deveria demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que estava agindo da forma acertada, na visão das Forças Armadas e o Alto Comando do Exército inclusive mandou divulgar o levantamento do Centro de Estudos Estratégicos do Exército, um documento que concorda inteiramente com a política de isolamento que vinha sendo adotada pelo Ministério da Saúde.

Impedido de demitir o ministro, Bolsonaro resolveu fazer o possível e o impossível para levar Mandetta à exaustão e à exasperação. No sábado, o presidente postou nas redes sociais o vídeo de uma entrevista em que condena a política de isolamento, e no domingo deu o golpe fatal, ao mandar que o Planalto convidasse o ministro a ir a Águas Lindas no helicóptero presidencial, para inaugurar um hospital de campanha, junto com o governador goiano Ronaldo Caiado, amigo pessoal de Mandetta.

AGINDO COM MOLEQUE –  Em Águas Lindas, diante do ministro da Saúde, o presidente da República resolveu tripudiar sobre ele e passou a descumprir todas as regras estabelecidas para evitar contaminação. Agindo como um moleque, Bolsonaro literalmente arrancou a máscara da face e passou a confraternizar com eleitores, interagindo com eles, apertando mãos etc., formando seguidas aglomerações, para mostrar infantilmente que é ele quem manda no governo.

O ministro mordeu a isca e aceitou dar a entrevista ao Fantástico, que foi seu maior erro, embora não tivesse dito nada se novo. Bolsonaro então usou as palavras dele para tentar demiti-lo, mas mesmo assim não conseguiu, porque o vice-presidente Hamilton Mourão, que é uma espécie de porta-voz informal do Alto Comando, disse que Mandetta ultrapassara os limites, mas ainda não havia motivos para ser demitido.

WANDERSON SE DEMITE – Na quarta-feira, o inesperado fez uma surpresa, como diria o pianista Johnny Alf, e o secretário de Vigilância de Saúde, Wanderson de Oliveira, resolveu pedir demissão. Se o ministro Mandetta tivesse aceitado a saída do colaborador, nada teria acontecido, mas resolveu mantê-lo no cargo e promoveu uma entrevista coletiva de contestação a Bolsonaro que beirou a indisciplina, levando a crise ao ápice.

Mandetta se exauriu, não queria mais ficar e deu a entrevista à revista Veja nesta quinta-feira, dizendo que ficaria no cargo apenas até o presidente encontrar um substituto para o comando da pasta. Em tradução simultânea, o ministro se demitiu, honrosamente. Descartou a possibilidade de ficar por mais tempo na função, por estar cansado de tentar convencer o governo sobre a linha a ser adotada no combate ao coronavírus.

“São 60 dias nessa batalha. Isso cansa! (…) 60 dias tendo de medir palavras. Você conversa hoje, a pessoa entende, diz que concorda, depois muda de ideia e fala tudo diferente. Você vai, conversa, parece que está tudo acertado e, em seguida, o camarada muda o discurso de novo. Já chega, né? Já ajudamos bastante”, desabafou.

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P.S.
1 Bolsonaro pensa (?) que venceu a guerra. Mas foi apenas uma batalha, do tipo vitória de Pirro. Conforme já afirmei aqui na TI, com absoluta exclusividade, os militares da ativa acham que Bolsonaro não os representa. Quanto aos militares da reserva, desculpem, mas esses não têm a menor importância na política brasileira. E la nave va, cada vez mais bolsonariamente.

P.S. 2 – Eu ia escrever hoje sobre o dispositivo que Paulo Guedes inseriu no projeto da “economia de guerra”, para beneficiar mais um negócio sujo dos banqueiros. Mas esse assunto – da maior importância – fica para a edição de sábado.(C.N.)

Bolsonaro e o filhos sonham (?) em demitir o ministro Mandetta, que jamais recua

Mandetta sustou a demissão de Wanderson e se fortaleceu

Carlos Newton

É impressionante a falta de habilidade política do presidente Jair Bolsonaro. Na eleição, há um ano e meio, ele demonstrou uma extraordinária capacidade de angariar votos, mesmo concorrendo numa legenda desconhecida, sem tempo de exposição no rádio e TV, com verba de campanha reduzidíssima, uma facada no peito que quase o matou, todas pesquisas anunciando sua derrota no segundo turno, nada conseguiu detê-lo, Bolsonaro simplesmente foi em frente e venceu.

Agora, já com um ano e três meses de experiência no Planalto, o presidente exibe uma imaturidade surpreendente. Ao invés de se comportar como um militar de carreira, obedecendo as orientações científicas nacionais e internacionais e seguindo a mesma trilha do governantes dos países mais desenvolvidos, inclusive de seu idolatrado Donald Trump, ele chuta o balde e faz tudo ao contrário.

A REELEIÇÃO ERA CERTA – Tudo o que Bolsonaro e os filhos fazem, sem a menor dúvida, tem o objetivo de conquistar a reeleição em 2022. Todos sabem disso, não é segredo. Mas o presidente não percebeu que, ao agir fora do receituário político mundial no caso da pandemia, ele estaria dificultando a própria reeleição, porque praticamente o mundo inteiro sofrerá depressão e isso é desculpa de primeira classe para qualquer fracasso administrativo, conforme já se pressentia em relação ao desempenho do ainda superministro Paulo Guedes.

No final da gestão, era só substituir Guedes por um economista de primeira linha e mandar fazer o terno novo para a posse de uma tranquila reeleição, pois Lula da Silva não será candidato e os demais correm com poucas chances, como se diz no linguajar do turfe.

Mas Bolsonaro desatinou e fez tudo errado, especialmente a insistência em demitir o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, ao invés de pegar carona na popularidade dele.

MATRIZ E FILIAL – Se seguisse a mesma política da matriz EUA e dos outros países desenvolvidos, ao invés de colocar a filial Brazil num solitário roteiro nebuloso, Bolsonaro estaria em paz, preparando-se para a quarta cirurgia destinada a remendar o abdômen. Mas ele prefere continuar eternamente em guerra, embora se declare um enviado de Deus, vejam quanta bipolaridade numa só pessoa.

Nesta quarta-feira, dia 15, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, chegou a se desligar, contrafeito com a situação. Mas o ministro Henrique Mandetta não aceitou o pedido de demissão, e tudo como dantes no castelo de Abrantes, como se dizia nos tempos de D. João VI.

Jogada de mestre do ministro. A equipe sai toda junta ou não sai, dificultando as tramas do presidente e seus três filhos. No xadrez da política, Mandetta colocou em xeque o rei e os príncipes regentes. Mas hoje já é outro dia e tufo pode mudar.

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P.S. –
Com informações insistentemente “plantadas” pelo Planalto nos últimos três dias, os jornais continuam a destacar que Mandetta perdeu o apoio da ala militar do governo. É verdade, mas isso não significa nada. O problema sério ocorrerá quando o ministro perder o apoio do Alto Comando do Exército, mas isso ainda não aconteceu. (C.N.)

Enquanto Mandetta balança, o fracasso de Guedes é encoberto pela pandemia da covid-19

TRIBUNA DA INTERNET | Guedes mentiu na Câmara, ao dizer que a ...

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Todos já sabem que esse mundo muito louco, tomado pela pandemia da Covid-19, está destinado a sofrer um empobrecimento digno de economia de guerra, embora a China – sempre ela! – anuncie que vai crescer pelo menos 6% este ano, e ainda há quem acredite, como se fosse possível confiar em alguma informação proveniente de uma ditadura de tamanha arrogância, sem liberdade de imprensa e sem existência de oposição.

O fato concreto é que até mesmo os Estados Unidos se encontram em maus lençóis, porque a queda do desemprego e o crescimento do PIB estavam envolvidos numa bolha, que levou ao delírio todos os investimentos em bolsas (valores, mercadorias, futuro e derivativos) e a bolha acaba de estourar, trazendo à tona o agravamento da desigualdade social.

O presidente Donald Trump, que já estava praticamente reeleito, agora terá de enfrentar a realidade dos fatos, conforme o editorial de página inteira do The New York Times no último dia 9, transcrito aqui na TI.

MATRIZ E FILIAL – Se em nossa matriz USA as perspectivas são sombrias, o que se pode esperar aqui na filial Brazil? Quase nada. O presidente Jair Bolsonaro já deveria saber que seu Posto Ipiranga está de tanques vazios. Escolhido meses antes da eleição, Paulo Guedes teve tempo suficiente para traçar a reforma nacional, mas se enrolou todo, fez o serviço pela metade, e a reforma da Previdência teve de ser remendada pelo Congresso, porque a versão original era um presente aos banqueiros.

Em tradução simultânea, terceirizar a economia e entregá-la a Guedes não deu certo. O pequeno czar fracassou. E quem deveria estar próximo à demissão tinha de ser ele, mas foi salvo pelo coronavírus. Mesmo no embalo daquela empolgação com a vitória de Bolsonaro, Guedes conseguiu um PIB menor do que Henrique Meirelles, que no governo de Michel Temer fez o serviço mais duro de tirar o país dos escombros.

POR CONTA DA PANDEMIA – Agora, Guedes está tranquilo. Sabe que nada lhe acontecerá, quem está como bola da vez é o ministro da Saúde, e o fracasso da política econômica ficará por conta da pandemia, que maravilha viver, diria Vinicius de Moraes.

Se entendesse um mínimo de economia, Bolsonaro já teria se livrado de Guedes e entregado a economia a Henrique Meirelles, Armínio Fraga ou André Lara Resende, que exibem projetos mais consistentes, qualquer um deles faria melhor do que o atual ministro, que parece uma barata tonta, imita Bolsonaro e não diz coisa com coisa.

O pior é que se trata de um racista preconceituoso, que não quer encontrar empregada doméstica em avião de carreira e chama de parasitas os servidores públicos, que respondem enfrentando heroicamente a pandemia nos hospitais e postos de saúde.

NÃO ACEITA DEPOR – Investigado pelo Ministério Público Federal por conta dos prejuízos milionários que deu a fundos de pensão durante a Era Lula, na qual essas instituições previdenciárias se tornaram cabides de enriquecimento de sindicalistas, um elemento desse tipo jamais poderia conduzir a economia brasileira.

E que não se diga que as acusações são injustas e foram inventadas, pois se trata de denúncia formalizada pela Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), após realização de auditorias e tudo o mais.

Como se sabe, Guedes se recusou a depor, alegou que tinha viagem marcada à Europa, depois ficou gripado, até hoje a Procuradoria-Geral da República está aguardando o depoimento, porque o ministro tem foro privilegiado.

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P.S. –
Escrevendo sobre Paulo Guedes, que é um dos meus tipos inesquecíveis da famosa revista “Seleções do Reader’s Digest”, lembrei um personagem de Agildo Ribeiro que não viajava mais ao exterior porque tudo o que ele dizia era encarado como piada, os estrangeiros morriam de rir. E imagino o grande Agildo Ribeiro dizendo no exterior que o Brasil entregou a nona maior economia do mundo a um sujeito que é acusado de fraude em investimentos de fundos de pensão e ninguém reclamou, acharam normal. É claro que todo mundo iria rir dessa informação, pensando que era piada. (C.N.)

Pressão dos jornalistas para demissão do ministro Mandetta foi um ato de covardia sensacionalista

Exclusivo: 'brasileiro não sabe se escuta o ministro ou o ...

Ministro Mandetta apenas repetiu afirmações que já tinha feito

Carlos Newton

Como hoje a TI publica um artigo sensacional do jornalista Marcelo Godoy, do Estadão, sobre o governo de Jair Bolsonaro e o distanciamento dos militares da ativa, confirmando as informações que temos publicado aqui na Tribuna da Internet nos últimos meses, vamos abordar outro assunto importante – a Ética no Jornalismo, que era justamente a cátedra de nosso querido amigo Carlos Chagas na Universidade de Brasília.

Tivemos nessa segunda-feira uma situação que certamente faria Carlos Chagas se insurgir contra as pressões dos jornalistas para demissão do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, num momento em que o país tanto precisa da atuação dele.

REPERCUSSÃO EXAGERADA – A entrevista no “Fantástico” foi importante, mas não teve novidades, pois Mandetta apenas voltou a repetir afirmações que já havia feito em diversas oportunidades. No entanto, teve repercussão exagerada, com intuito claro de “intrigar” o ministro da Saúde com o presidente da República, que no domingo mais vez fizera questão de desmoralizar as regras do isolamento contra a devastadora ameaça do coronavírus.

Ao invés de investir contra a autoridade maior do país, que vem acumulando as funções de presidente da República e de propagandista de laboratório farmacêutico, os jornalistas preferiram atacar o ministro que ousa enfrentá-lo, por não aceitar essa posição do chefe do governo do Brasil, somente compartilhada por outros governantes que beiram a insanidade.

MASSACRE NA MÍDIA – Na entrevista ao Fantástico, Mandetta não declarou nada que não tenha afirmado anteriormente. Apenas repetiu que o brasileiro “não sabe se escuta o ministro da saúde, se escuta o presidente, quem é que ele escuta”.

E acrescentou: “Espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento dessa situação possa ser comum e que a gente possa ter uma fala única, uma fala unificada. Porque isso leva para o brasileiro uma dubiedade”.

Foi o bastante para sofrer um massacre sensacionalista da mídia, que estava sem assunto no domingo e praticamente exigiu a demissão desse grande brasileiro, vejam a inversão de valores que se verifica nesse país.

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P.S.1 – Nenhum dos jornalistas que criticaram o ministro chamou atenção para o fato mais importante. Ele deu entrevista ao Fantástico depois de o presidente ter postado na internet uma entrevista contra o isolamento social e de Bolsonaro ter feito um festival de descumprimento das regras sanitárias em Águas Lindas, onde retirou a máscara da face, promoveu uma aglomeração de admiradores e distribuiu beijos e abraços. Mandetta estava lá e assistiu à patética cena.

P.S. 2Se ainda estivesse entre nós, o jornalista Carlos Chagas, eterno professor de Ética, teria farto material para discutir no meio acadêmico. Quanto ao editor da TI, tem muitas saudades do amigo e lamenta que não se façam mais jornalistas como antigamente. (C.N.).

China ocultou fatos da pandemia e o resto do mundo até agora não sabe como proceder

China coronavirus: Xi Jinping visits virus-hit Wuhan in major show ...

Jinping usou a pandemia para marketing político-administrativo

Carlos Newton

O velho ditado português ensina que “quando falta o pão, todos reclamam e ninguém tem razão”. É uma verdade tão absoluta que merecia estar na Bíblia, entre os pensamento de Cristo. E nessa Páscoa de ruas vazias, em que todos os países  estão dedicados a combater a pandemia, confirma-se aquela máxima de Sócrates – “Só sei que nada sei” –, que pode ser transferida a todos os governantes desse mundo.

Entre todos eles, apenas um – o chinês Xi Jinping – aparentemente mostra saber o que está fazendo. Todos os demais estão batendo cabeça, com o brasileiro Jair Bolsonaro abandonado sozinho na comissão de frente, depois que o norte-americano Donald Trump foi obrigado a se curvar à realidade.

INFORMAÇÕES MANIPULADAS – Quem pode confiar nesses governantes chineses, que conduzem a maior ditadura da História Contemporânea, um regime autoritário, sangrento e sem liberdade de expressão? Por isso, à exceção da China, todos os demais países  ainda mantêm o isolamento social, como única maneira de tentar impedir a rápida propagação do coronavírus. 

A diferença do presidente Xi Jinping para os demais governantes é que ele é o maior manipulador de estatísticas do mundo e não teme reduzir por mortandade a população do país. Em tradução simultânea, ele repete a afirmação clássica de Mao Tsé-Tung, citada aqui na TI por Antonio Rocha: ”Mesmo se perder 300 milhões de habitantes, a China continuará existindo”.

Sob o manto macabro da censura prévia, ninguém sabe o que a China fez e está fazendo. Ao mundo, o regime pseudo comunista anuncia ter “vencido” a pandemia, que sequer atingiu as maiores cidades. Agora há apenas meia dúzia de novos contaminados por dia. e ninguém morre mais, é um milagre sem presença divina, quem quiser que acredite numa lorota dessas.

UMA GRANDE JOGADA – Com essa estratégia cruel de fingir normalidade, mas obrigando todos os habitantes a usarem máscaras, o governo da China espera se livrar de possíveis sanções internacionais, porque nos últimos 18 anos este é o terceiro vírus proveniente das péssimas condições sanitárias dos mercados de animais vivos.

Primeiro foi a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave),  em 2002, provocada por um coronavírus de gatos civetas, um mamífero carnívoro vendido nos mercados chineses como parte do cardápio nacional. Depois a H1N1, em 2009, causada por uma variedade do vírus influenza que se hospedou em aves, também vendidas em mercados chineses. E agora a covid-19, causada por um novo coronavírus, semelhante ao que provocou a SARS.

“ALEGAÇÃO CHINESA” – No se sabe, de fato, quando começou a pandemia nem quantas pessoas vitimou na China. Por isso, a alegação do governo de Pequim nos tribunais será ter “demonstrado” haver solução para o problema, mas lamentavelmente os demais países não souberam como proceder e a China até ofereceu ajuda, vejam a que ponto chega a desfaçatez desses governantes.

Sem ter como se guiar no “exemplo chinês”, o resto do mundo está perplexo. Por isso, todos os chefes de Estado aceitaram a tese do isolamento, oferecida pela Organização Mundial de Saúde, que também nada sabe. No início, Trump se postou contra o isolamento, mas teve de recuar devido ao agravamento da crise e deixou Bolsonaro sozinho no meio da roda, fazendo papel ridículo.

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P. S
Socraticamente, só sei que nada sei. Mas tenho certeza de que ainda vai morrer muita gente, devido a esse procedimento da China, que está usando a pandemia para fazer marketing de falsa eficiência político-administrativa. Lembram do hospital construído em poucos dias, ao vivo e a cores? Seria muito mais rápido, fácil e barato instalar hospitais de campanha, mas isso não daria o mesmo efeito mercadológico. Se a China revelasse o que realmente aconteceu lá e proibisse os sinistros e imundos mercados de animais vivos, a realidade do mundo talvez fosse outra, nesta segunda-feira de isolamento global. (C.N.)

No país da piada pronta, criminosos saem do isolamento forçado e ganham liberdade

TRIBUNA DA INTERNET | Custo da violência e da impunidade no Brasil ...

Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Carlos Newton

Não gosto de ridicularizar o Brasil, mas há momentos em que é preciso reconhecer que se trata do país da piada pronta. Por isso, sempre é muito difícil escolher a Piada do Ano, devido à incomparável criatividade dos brasileiros. Um dos exemplos mais atuais são as notícias de libertação de criminosos de alta periculosidade, para que cumpram pena de prisão domiciliar.

A justificativa é de que a pandemia do coronavírus representa uma ameaça também aos que estão nas prisões, especialmente os que estão na chamada faixa de risco, com mais de 60 anos ou doenças como hipertensão e diabetes.

ISOLAMENTO VOLUNTÁRIO – O mais ridículo é que toda a população do país está hoje submetida ao isolamento voluntário, mantendo-se em prisão domiciliar há quase um mês, deixando de trabalhar e tendo de sustentar o confinamento, porque os boletos das contas continuam a ser cobrados.

Enquanto isso, grande número de criminosos, condenados a isolamento social gratuito, vem ganhando a liberdade, pois são colocados em prisão domiciliar, mas não há tornozeleiras para controlar sua movimentação.

O resultado já era tão esperado quanto uma piada pronta – alguns deles voltaram a cometer crimes no mesmo dia em que foram soltos, era só o que faltava, diria o humorista Barão de Itararé.

GENEROSIDADE ABSOLUTA – O mais incrível é que esta decisão é da Comissão Nacional de Justiça, presidida pelo ministro Dias Tofolli  aquele que soltou criminosos milionários, como os ex-deputados Paulo Maluf e Jorge Picciani, sob alegação de que usam fraldas geriátricas, porque fizeram operação de próstata, embora isso em nada tenha prejudicado suas atividades como parlamentares. 

Aliás, é bom lembrar também o caso de José Dirceu, no qual o ministro Toffoli mandou soltá-lo sem que o advogado sequer tivesse solicitado, vejam a que ponto chega a generosidade de nossos juízes.

Agora, com base no habeas corpus do coronavírus, criminosos de toda espécie estão sendo soltos aos magotes, deixando de cumprir o isolamento social forçado para desfrutarem do isolamento voluntário, que maravilha viver, diria Vinicius de Moraes.

MORO PROTESTOU – Apanhado de surpresa, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, protestou contra essa inacreditável leniência do Conselho Nacional de Justiça, dizendo que a segurança da população precisa estar em primeiro lugar, mas ninguém lhe deu ouvidos. E a libertação em massa prossegue, embora não se conheça nenhum caso de contaminação de preso por coronavírus em nenhum presídio do país, mas quem se interessa?

A justificativa das “autoridades” é que o sistema prisional tem superlotação, o que facilitaria a proliferação do coronavírus, com péssimas condições estruturais, proliferação de doenças, como tuberculose e sarna, além da violência interna, e tudo isso provoca rebeliões e mortes de presidiários.

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P.S. –
Em tradução simultânea, o que se pretende é esvaziar os presídios, que é a maneira mais fácil e barata de resolver a crise do sistema penitenciário. Genial!, como se dizia antigamente; “Bestial!”, como dizem nossos irmãos portugueses, que caem na risada e consideram o Brasil uma grande piada. (C.N.)

CNN, emissora criada para enaltecer Bolsonaro, já mostrou ser uma faca de dois gumes

Eduardo, Douglas., Bolsonaro e Menin anunciaram a CNN Brasil

Carlos Newton

Já comentamos aqui que essa estória de dizer que a grande imprensa está morrendo é uma asneira sem tamanho. Esse “tema” só ganhou força e passou a ser difundido como realidade, porque as redes sociais tiveram forte influência na eleição de Jair Bolsonaro. Seus três filhos – Flávio, Carlos e Eduardo – logo mergulharam nessa onda e passaram a achar que a mídia já perdeu a importância e nem deve ser mais levada em consideração. Mas será mesmo?

Este foi um dos maiores equívocos dessa estranha família, que parece especialista em cometer erros, é um atrás do outro, fica até difícil acompanhar a interminável série.

PROJETO COMUNICAÇÃO – O desprezo à grande imprensa era tamanho que antes mesmo de assumir a Presidência, a estratégia da área de comunicação já estava definida. O projeto da família Bolsonaro era escantear jornais, revistas, rádios e TVs, reduzindo-lhes as verbas, e manter a pressão nas redes sociais, com apoio de blogueiros a serem beneficiados financeiramente, conforme o PT já fazia.

Na TV, a ideia foi isolar a Globo e somente dar entrevistas às demais emissoras, preferencialmente Record, SBT e Band, que concordam em apoiar qualquer governo, mas não têm saúde para entrar em guerra direta contra a Globo.

No jornalismo, como a Record News e a Band News não têm audiência e a GloboNews é a potência do setor, foi então armada a trama com o bispo Edir Macedo para criar um canal de TV que Bolsonaro pudesse chamar de “seu”. Surgia, assim, a CNN Brasil, cuja criação foi anunciada no Planalto, em encontro de Bolsonaro com o empresário Ruben Menin e o jornalista Douglas Tavolaro, dia 18 de janeiro de 2019, com a participação do deputado Eduardo Bolsonaro.

UMA JOGADA DE MESTRE? – Com trânsito livre no Planalto, a CNN Brasil não teve o menor problema para conseguir a concessão e se inserir nas operadoras de canais de assinantes, porém demorou mais de um ano até entrar no ar.

A emissora pertence à Novus Mídia, fundada pelo empresário mineiro Rubens Menin, controlador da MRV, a maior empresa de construção civil do país. Líder do “Minha Casa Minha Vida” desde os tempos do PT, Menin tem um histórico de trabalho escravo em suas obras e uma participação ativo no lobby para boicotar o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro.

O empresário tem dois terços do capital social e se associou ao jornalista Douglas Tavolaro, um sobrinho de Edir Macedo que ficou com o terço restante das cotas e hoje é o CEO (dirigente) da CNN Brasil.

AS APARÊNCIAS ENGANAM – Parecia uma jogada de mestre e serviria para divulgar estrategicamente o governo Bolsonaro. Mas aparências enganam, especialmente na política.

A CNN Brasil entrou no ar dia 15 de março e sua repercussão até agora é mínima junto ao público e à grande imprensa. De lá para cá, só teve um momento de glória, quando se tornou notícia no Brasil inteiro, nesta quinta-feira, dia 9, ao gravar um telefonema entre o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e seu antecessor Osmar Terra, no qual os dois tramavam a demissão do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, que atualmente é o maior destaque do governo. 

Portanto, o projeto fracassou. Ao invés de divulgar e fortalecer o Planalto, a CNN se apresenta como uma emissora independente, que não perde a oportunidade de colocar o governo em péssima situação.

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P.S.
Esses detratores da imprensa, que hoje pululam na internet, não entendem nada do assunto, jamais pisaram numa grande redação. Não sabem que o jornalismo de verdade é irrepresável, incontrolável e irrefreável. Ninguém consegue calar a imprensa em regime de plena democracia. O exercício do jornalismo tem um compromisso com a verdade e o interesse público. Isso é inerente à profissão, embora existam jornalistas que se vendem por 30 dinheiros, mas são minoria na classe, graças a Deus. (C.N.)

Entenda como o comunismo da China se aliou ao capitalismo mais selvagem

A ideologia do coronavírus

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

A humanidade paga um preço tão alto pelo desenvolvimento que muitas vezes chego a duvidar se vale a pena. Essa pandemia vinda da China dá margem a reflexões sobre os efeitos do acelerado consumismo que reina no mundo, em contraste com a exasperante lentidão da defesa ambiental, que está atrasadíssima e deveria ter começado quando houve a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX.

Nesse sentido, é sempre bom lembrar a velha teoria do imperador francês Napoleão Bonaparte (1769-1921): “O dinheiro não tem pátria. Os agentes financeiros não têm patriotismo nem decência, seu único objetivo é o lucro”.  E o filósofo alemão Karl Marx (1818-1883) emendou essa reflexão, ao afirmar que “o operário (proletariado) também não tem pátria”.

ELES TINHAM RAZÃO – A História veio provar que os Bonaparte e Marx tinham razão. Os capitalistas investem onde for mais lucrativo e os operários emigram para o país onde conseguem emprego. E nenhum dos dois – capitalistas ou proletários – jamais se preocupou com o resultado paralelo que hoje chamamos de poluição, até ser provocado o estranho fenômeno da “chuva ácida” .

Esse termo “chuva ácida” foi criado pelo químico e climatologista Robert Angus Smith (1817-1884), contemporâneo de Marx, ao descrever as precipitações que ocorreram na cidade de Manchester na Revolução Industrial.

A água da chuva tinha cheiro e era impura, destruía as plantações, ao invés de revigorá-las. O pesquisador inglês Robert Angus Smith foi o primeiro cientista a se preocupar com o gravíssimo problema,

SMOG LONDRINO – Por incrível que pareça, a preocupação  coletiva com a Mãe Terra na verdade só começou muito depois, em meados do século XX, quando se agravou na Europa o fenômeno da “chuva ácida”.

O sinal de alerta surgiu em 4 de dezembro de 1952, quando um denso nevoeiro se formou em Londres. Nos dias seguintes, o “smog” tornou-se amarelado, devido à queima de carvão para aquecer as casas, e os hospitais ficaram sobrecarregados com pacientes de doenças respiratórias. Acredita-se que tenham morrido, pelo menos, 8 mil pessoas em consequência da poluição atmosférica.

A partir daí, a chuva ácida passou a ser identificada como um dos maiores problemas da Europa e começaram a surgir as primeiras leis contra poluição.

LEGISLAÇÕES RIGOROSAS – Como os empresários não se preocupavam com o meio ambiente, o problema da chuva ácida foi se agravando e a partir da década de 70 as leis foram se tornando muito rigorosas, a ponto de inviabilizar as indústrias mais poluentes.

Como Napoleão previra, o capitalismo então mostrou que não tem pátria. Ao invés de alterar os processos industriais, instalar filtros ou reduzir a produção, as multinacionais simplesmente desmontaram as fábricas obsoletas e as reinstalaram na China Comunista, que lhes ofereceu as condições ideais, pois não havia leis trabalhistas nem antipoluição, e isso, para os capitalistas, era o paraíso na terra.

O resultado agora todos sabem. A China está poluindo o planeta de uma forma devastadora, e se tornou a segunda maior potência, exportando tudo o que se possa imaginar, até mesmo perigosos vírus, que se acredita serem provenientes dos imundos mercados de animais vivos, uma tradição no país para consumo pelas populações mais carentes.

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P.S. – Esse episodio do coronavírus mostra que a ditadura chinesa se transformou numa ameaça para o mundo, porque não se pode confiar nas informações oficiais de Pequim. Seus governantes dizem ter conseguido debelar a gravíssima pandemia antes mesmo que atingisse as principais cidades do país, como se o resto do mundo fosse formado de idiotas e pudesse acreditar nesse tipo de lorota. E a ONU não diz nada, tudo normal. Como diz o cantor Silvio Brito, parem o mundo que eu quero descer… (C.N.)

Bolsonaro se excede e manipula afirmação do Dr. Roberto Kalil sobre a hidroxicloroquina

Em pronunciamento na TV, Bolsonaro diz que protestos são legítimos ...

Bolsonaro usou o nome do Dr. Roberto Kalil de maneira leviana

Carlos Newton

Em mais um pronunciamento à nação, o quinto que realiza sobre a pandemia do coronavírus, na noite desta quarta-feira, dia 8, o presidente Jair Bolsonaro usou indevidamente o nome do Dr. Roberto Kalil Filho, diretor-geral do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, que pela manhã tinha dado entrevista à rádio Jovem Pan, quando revelou ter tomado hidroxicloroquina para tratar da Covid-19.

Na mensagem aos brasileiros, Bolsonaro voltou a apresentar a cloroquina como solução para curar os pacientes da covid-19. Disse ter falado com o Dr. Kalil, que lhe revelara ter feito uso da medicação, comportando-se como se o médico tivesse lhe autorizado a fazer afirmações absolutamente irresponsáveis sobre o tratamento contra o coronavírus.

DISSE BOLSONARO – “Após ouvir médicos, pesquisadores e chefes de Estado de outros países, passei a divulgar, nos últimos 40 dias, a possibilidade de tratamento da doença desde sua fase inicial. Há pouco, conversei com Dr. Roberto Kalil, Cumprimentei-o pela honestidade e o compromisso com o juramento de Hipócrates, ao assumir que usou não só a hidroxicloroquina, bem como a ministrou para dezenas de pacientes. Todos estão salvos. Disse-me mais: que mesmo não tendo finalizado o protocolo de testes, ministrou o medicamento agora para não se arrepender no futuro. Essa decisão poderá entrar para a História como tendo salvo milhares de vidas no Brasil. Nossos parabéns ao Dr. Kalil”afirmou o presidente, comportando-se de forma inaceitável e inconcebível para um chefe de governo, em manifestação sobre uma calamidade pública por pandemia, sem levar em conta a  inafastável possibilidade de motivar perigosas automedicações de um remédio com comprovados efeitos colaterais que ameaçam a vida dos pacientes.

DISSE O MÉDICOEm contrapartida, o Dr. Kalil declara que só age “como profissional de Medicina” e só toca no assunto fazendo importantes ressalvas. Em nenhum momento, comporta-se como o presidente Bolsonaro, que mais parece propagandista de laboratório farmacêutico.

Pela ética médica, não quero influenciar outros tratamentos. É uma responsabilidade muito grande”, assinalou o diretor-geral do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês. “Meu estado geral era péssimo, foi discutido com a equipe vários tipos de tratamentos, dentre eles a hidroxicloroquina, e aceitei”, contou à Jovem Pan, ao dizer que apresentava quadro de pneumonia avançada.

Fiz o uso [da hidroxicloroquina] sim. Melhorei só por causa dela? Provavelmente não. Ajudou? Espero que sim. Tomei corticoide, anticoagulante, antibiótico”, relatou, ao reforçar que utilizou uma gama de remédios distintos.

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P.S. 1 –
Em tradução simultânea, o presidente Jair Bolsonaro continua a se postar de maneira totalmente inadequada, equivocada e tresloucada, ao tratar assunto científico com tamanha leviandade, sem levar em conta a ascendência que tem sobre milhões de brasileiros, que o consideram um “mito” e demonstram por ele uma dedicação verdadeiramente religiosa, circunstância que pode levá-los à automedicação por um remédio de venda liberada e que já está esgotado nas farmácias, comprado por pessoas que temem contrair a covid-19 e que acreditam piamente em tudo o que o presidente diz e recomenda.

P.S. 2 – Decididamente, esse cidadão demonstra não ter condições culturais nem equilíbrio emocional para exercer a Presidência da República, comportando-se de uma forma que está enlameando o nome das Forças Armas, embora delas não seja representante. (C.N.)  

Para afastar possibilidade de impeachment, subprocurador deu um parecer vexaminoso

Vice-procurador eleitoral também desafia a ONU contra Lula ...

Vice-procurador alega (?) que o isolamento não incluía Bolsonaro

Carlos Newton

Como havíamos adiantado aqui na TI, terminava nesta terça-feira, dia 7, o prazo para o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, encaminhar parecer sobre a notícia-crime apresentada pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) ao Supremo Tribunal Federal contra o presidente Jair Bolsonaro, por ter visitado comércios em Brasília e defendido o fim do isolamento social contra o coronavírus.

Lopes está pedindo o enquadramento do presidente no artigo 268 do Código Penal, que consiste em infringir determinação do poder público, destinada a impedir propagação de doença contagiosa – o crime tem pena reclusão de um mês a um ano.

ATENDENDO A PEDIDOS… – Embora outros 25 procuradores da República já tenham se manifestado formalmente contra o presidente Bolsonaro, o vice-procurador Medeiros não conseguiu superar a pressão do procurador-geral Augusto Aras.

Atendendo a pedidos, deu um jeitinho brasileiro e apresentou um parecer alegando que não há como imputar a Bolsonaro o crime de descumprimento de medida sanitária preventiva, porque não havia uma ordem dessa natureza vigorando, vejam a que ponto de desfaçatez chegamos.

“Não há notícia de prescrição, por ato médico, de medida de isolamento para o presidente da República”, argumentou absurdamente o ilustre vice-procurador Humberto Jacques Medeiros, saindo pela tangente e tirando o corpo fora, com uma tese que deslustra sua brilhante carreira profissional.

PARECER VEXAMINOSO – O parecer do representante do Ministério Público Federal pode ser considerado vexaminoso, porque não era necessária nenhuma “prescrição, por ato médico, de medida de isolamento para o presidente da República”, porque era pública e notória a existência de determinação nesse sentido a todos os brasileiros e estrangeiros que se encontrassem no país, entre os quais se inclui o capitão Jair Messias Bolsonaro, que ocasionalmente ocupa a Presidência da República.

Quanto ao fato de Medeiros ter pedido o arquivamento, nada de novo no front ocidental. É assim que o procurador tem de proceder, sempre que não tenha formado sua “opinio delicti” (opinião de que houve delito). Agora. o relator do processo no Supremo, ministro Marco Aurélio Mello, que decidir se arquiva o caso ou convoca julgamento. Vamos aguardar, portanto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGQuando saiu a notícia de que o vice-procurador Medeiros iria emitir o parecer, o procurador geral Augusto Aras se apressou em declarar que a escolha tinha sido feita “por distribuição”, como se a escolha tivesse sido mera coincidência. Mas na verdade Medeiros era apenas “o homem certo na hora certa”. E toca o barco, como dizia nosso amigo Ricardo Boechat. (C.N.)

Jair Bolsonaro tomou uma duríssima lição, que não esquecerá pelo resto da vida

Iotti: chiqueirinho | GaúchaZH

Charge do Iotti (Jornal Zero Hora)

Carlos Newton

Para o presidente Jair Bolsonaro, a sexta-feira 13 desta vez aconteceu no dia 6, nesta segunda-feira, quando passou por uma situação verdadeiramente tenebrosa, que vai marcá-lo pelo resto da vida. E tudo começou neste domingo, dia 5, quando decidiu substituir o ministro da Saúde, Henrique Mandetta. Na segunda-feira, dia 6, convocou uma reunião no Plalnalto com os ministros da casa e incluiu o ex-ministro Osmar Terra, que é médico e estava cotado para substituir Mandetta.

Na reunião, os quatro ministros/militares (generais Augusto Heleno, Eduardo Ramos, Braga Netto e o major Jorge Oliveira) argumentaram que haveria uma repercussão muito negativa e seria melhor dar uma última chance ao ministro Mandetta.

DECRETO DA CLOROQUINA – Bolsonaro concordou e em seguida recebeu dois médicos defensores da cloroquina – a oncologista e imunologista Nise Yamaguchi, de 61 anos, de São Paulo, autora de diversos livros de autoajuda para pacientes de câncer, que desde sexta-feira está em Brasília, na expectativa de ser nomeada ministra, e o anestesiologista Luciano Dias Azevedo, dono de uma clínica em Campinas.

O presidente lhes pediu que convencessem Mandetta a assinar um decreto instituindo a cloroquina como padrão no tratamento ao coronavírus. O ministro então foi chamado, mas se recusou a assinar o decreto e pediu que os dois médicos encaminhassem seus “estudos” ao Ministério da Saúde, mas não havia nada a apresentar…

A resposta de Mandetta foi a gota d’água e o presidente da República mandou o ministro Jorge Oliveira agilizar a demissão, que incluiria alguns integrantes da equipe.  

IA HUMILHAR MANDETTA – Ainda não satisfeito com a demissão coletiva, Bolsonaro convocou uma reunião ministerial às 17 horas para humilhar o ministro da Saúde, mostrando a ele quem verdadeiramente manda no governo. Bem, sonhar ainda não é proibido, mas o pior foi o pesadelo que se seguiu.

Enquanto a equipe da Secretaria de Comunicação, chefiada pelo “servidor informal” Carlos Bolsonaro, comemorava a decisão do presidente, vazava a informação para os jornais e mandava esvaziar as gavetas dos “demitidos”, o inesperado preparava-se para fazer uma surpresa, conforme informamos aqui na TI na própria segunda-feira, com absoluta exclusividade.

Um dos telefones celulares tocou, Bolsonaro atendeu e foi obrigado a recuar. A essa altura, a maioria dos ministros já estava no Planalto, não dava mais para cancelar a reunião, o presidente teve de ir para o sacrifício, enquanto Mandetta saia engrandecido para dar uma consagradora coletiva à imprensa.

PATO MANCO – Assim, o presidente se tornou o primeiro “pato manco” (lame duck) da História Republicana, com apenas um ano e três meses de mandato. Como se sabe, é uma expressão usada para definir o governante que está em final de mandato e perde o exercício do poder, ninguém liga mais para suas ordens.

Quanto ao telefonema que alguns atribuem ao senador Davi Alcolumbre, posso informar que partiu de outra pessoa, que fez apenas duas perguntas ao presidente, tipo papo reto, como se diz hoje em dia. Indagou se ele já tomara conhecimento do estudo do Centro de Estudos Estratégicos do Exército sobre o coronavírus. Depois perguntou se, mesmo assim , iria demitir o ministro. E a reunião, que era para detonar Mandetta, tomou outros rumos.

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P.S.
Em tradução simultânea, Bolsonaro finge de maluco, mas sabe muito bem o que está fazendo. Quanto ao “secretário informal de Comunicação” Carlos Bolsonaro, está arrasado, na segunda-feira ele foi do êxtase à depressão em questão de segundos. E vida que segue, como dizia João Saldanha. (C.N.)

Robôs humanos na web são muito mais desagradáveis do que os autômatos de verdade

7 Vantagens da Automação de Processos Através de Robôs – RPA ...

Carlos Newton

Desde sua criação, há mais de onze anos, a Tribuna da Internet sempre esteve infestada de robôs autômatos ou humanos. Estávamos no auge da era de Lula da Silva, com PIB em viés de grande alta, dificultando o sonho de os vaidosos tucanos voltarem ao poder. Em 2002, eles só tinham perdido a eleição para o PT porque então presidente FHC fez corpo mole na campanha, boicotou o candidato José Serra, na dupla ilusão de que o governo Lula seria um fracasso, e de que o candidato do PSDB em 2006 seria ele mesmo, o indefectível FHC.

Mas Lula imitou os governos tucanos e a economia parecia ir bem, ninguém se preocupava que o progresso estivesse vindo à custa de endividamento acelerado.

AUGE DO PETISMO – Este ano eleitoral de 2010, quando a TI começou a circular sozinha na internet, após o fechamento da histórica Tribuna da Imprensa, representou o auge do petismo, quando o PIB subiu 7,5% naquele ano, permitindo que Lula vencesse novamente a eleição, representado pelo poste Dilma Rousseff, naquele lance de James Carville, velho marqueteiro de Bill Clinton (“É a economia, estúpido!”).

A Tribuna da Internet era perseguida pelo PT caninamente. Havia muito menos robôs, mas a perseguição foi implacável. O blog apoiava a Lava Jato e o combate à corrupção, enquanto as teses petistas eram defendidas aqui obstinadamente por grande número de comentaristas a serviço do partido. Após a eleição de Dilma, os comentaristas profissionais do PT praticamente sumiram, ficaram apenas dois ou três para manter a tradição.

A ERA DOS ROBÔS – Onze anos depois, na grande maioria dos portais, sites e blogs, os robôs são usados através de respostas-padrão, que geralmente nada têm a ver com o tema, o que facilita identificar automação.

No caso da Tribuna da Internet, pelo alto nível de seus comentaristas, que são considerados formadores de opinião, fica mais difícil exercer esse patrulhamento ideológico. É preciso trocar ideias racionalmente, usando robôs humanos, de boa qualificação cultural, caso contrário passa vergonha..

É normal a existência desses comentaristas profissionais,  que se aliam ou se chocam com os participantes habituais da TI, um blog semelhante a um clube de intelectuais, com permanentes trocas de opiniões, que geralmente são respeitosas, e muitos comentaristas até se tornam amigos, embora não tenham opiniões coincidentes. É isso que nos diferencia.

BALANÇO DE MARÇO – Como sempre fazemos, vamos publicar agora as contribuições feitas ao blog no mês de março, agradecendo muitíssimo a todos os que conseguiram colaborar, mesmo sem saírem de casa.

De início, as contribuições através da Caixa Econômica Federal.

DATA   REGISTRO    OPERAÇÃO            VALOR
02         021339         DEP DIN LOT……….50,00

04         200002         DOC ELET……………52,00
06         061224         DEP DIN LOT……..100,00
10         101130         CRED TEV………….100,00
10         101026         DEP DIN LOT……….20,00

Na conta do Itaú/Unibanco foram feitas as seguintes contribuições:

03       TBI     2959.07601–6 TRIB………..40,00
04       TED    001.5977-J.ANTONIO……..304,00
16       TED    001.4416-MARIOACRO…..250,00
18       TED    033.1592-TRIB.INTER……..60,00
31       TBI     0406.49194-4 C/C ………..100,00

Por fim, a contribuição feita na conta do banco Bradesco:

18        05. 35.736 ………………………………30,00

Agradecendo novamente a todos que conseguiram contribuir para manter esse espaço livre na web, vamos em frente, sempre juntos, como diz nosso velho companheiro Pedro do Coutto.          

Falta saber quem telefonou a Bolsonaro e mandou sustar a demissão do ministro

Bolsonaro diz que índio está evoluindo e se tornando humano "igual ...

Bolsonaro estava pronto para usar a caneta e teve de recuar

Carlos Newton

Após anunciar a seus assessores no Planalto que iria demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sob alegação de que ele insiste em defender o padrão internacional e nacional para controle do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro mandou convocar uma reunião ministerial às 17 horas, decidido a humilhar Mandetta perante o colegiado. Eufórico e exultante, o secretário informal da Comunicação Social, Carlos Bolsonaro, ordenou que os assessores “vazassem” a notícia. Foi um erro de jornalista amador, que não sabe a hora certa de passar a informação.

A demissão era certa, mas um dos telefones celulares tocou no gabinete, Bolsonaro atendeu e teve uma das maiores decepções de sua vida, porque recebeu a ordem de manter o ministro da Saúde. Foi uma ordem, a palavra é esta, mesmo.

SIGILO ABSOLUTO – Desconcertado, o presidente rumou para a sala de reuniões ministeriais e tocou o barco, como dizia Ricardo Boechat. O que aconteceu lá dentro ninguém quer informar, mas vamos acabar sabendo, porque, em tempo de imprensa livre, tudo acaba sendo revelado.

A única informação concreta foi dada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, ao atender a um telefonema da repórter Andréia Sadi, da TV Globo. Com seu estilo de jamais deixar uma pergunta sem resposta, o general foi sintético: “Mandetta segue no combate, ele fica. Tratamentos de cenários, como a flexibilização do isolamento, no futuro”.

Ou seja, Bolsonaro saiu derrotado em toda a linha. Além de não conseguir demitir Mandetta, ainda teve de manter as regras de isolamento determinadas pelo Ministério da Saúde com base nas recomendações da Organização Mundial de Saúde. E a sonhada flexibilização, que o presidente da República queria impor por decreto ou medida provisória, passou a ser assunto “no futuro”, na informação do general Mourão.

UM HOMEM SÓ – Na noite desta segunda-feira, Jair Messias Bolsonaro passou a ser o homem mais solitário do planeta. Na imensidão dos jardins do Palácio da Alvorada, ele olhou para a frente, naquele horizonte interminável de Brasília, e tentou antever o futuro, mas não enxergou nada, absolutamente nada.

Ao tentar demitir Mandetta, o presidente da República se comportou de maneira infantil e inconsequente, bem a seu estilo de pensar (?) que é o dono do Brasil, mas este país não pertence a ninguém, é coisa pública (res publica, como diziam os romanos).

De uma só tacada, o chefe do governo conseguiu a façanha de desagradar a pelo menos 76% dos brasileiros, que estão apoiando as decisões do Ministério da Saúde, segundo a pesquisa recentemente divulgada, que a ala ideológica ligada a Bolsonaro contesta e encara como teoria conspiratória…

DESCONTENTAMENTO – O presidente descontentou, também, a grande maioria dos deputados e senadores, agindo como se fosse possível governar sem apoio da base aliada, algo inalcançável nos países em desenvolvimento, seja no presidencialismo ou no parlamentarismo.

Além disso, conseguiu decepcionar os ministros do Supremo Tribunal Federal, que também já cansaram de se manifestar a favor da obediência às normas internacionais e nacionais.

E o pior foi decepcionar a oficialidade das Forças Armadas, ao tentar demitir o ministro Mandetta logo após a divulgação do documento oficial do Centro de Estudos Estratégicos do Exército, que recomenda a manutenção do isolamento social adotado pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde, apesar da posição intransigente do presidente da República.

MILITAR TRAPALHÃO – Para os oficiais superiores, Bolsonaro não está se comportando como militar, porque na função de presidente ele teria obrigação de acatar os pareceres técnicos dos especialistas, sobretudo em situação de calamidade. Ao pretender mudar as regras médicas e sanitárias, estaria agindo de forma totalmente irresponsável.

Essa atitude de Bolsonaro foi considerada também uma de provocação ao Supremo, que terá de julgar a notícia-crime contra o presidente, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), sob acusação de colocar em risco a saúde da população.

Os sete partidos de oposição ao governo federal (PT, PDT, PSB, PCdoB, PSOL, Rede e PCB) também decidiram ingressar com outra notícia-crime no Supremo contra o presidente, por crime comum, ao descumprir as orientações sanitárias e cumprir admiradores na manhã do dia 29. Ou seja, Bolsonaro está brincando com a verdade, em momento de crise.

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P.S. –
O vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, vai dar parecer sobre o processo contra Bolsonaro. Como a notícia-crime só chegou à Procuradoria no dia 31, Medeiros deve se manifestar nesta terça-feira, até meia-noite. O relator do caso no Supremo, ministro Marco Aurélio Mello, então decidirá se arquiva a notícia-crime ou leva Bolsonaro a julgamento, neste país da piada pronta.

P.S. 2 – Dizer que foi o Davi Alcolumbre que telefonpu e convenceu o Bolsonaro, conforme a TV Globo fez, é mais uma Piada do Ano. (C.N.).

Se a China tivesse uma imprensa livre, a pandemia jamais teria atingido o mundo

Nenhuma descrição de foto disponível.

Charge do Jean Galvão (Arquivo Google)

Carlos Newton

Desde a campanha eleitoral de 2018, um dos esportes favoritos dos brasileiros passou a ser demonizar a imprensa, especialmente a Rede Globo. Acompanho essas iniciativa com muito pesar, pois desde o Século XIX, entre os intelectuais, já era consenso que a democracia só existiria verdadeiramente se imprensa fosse livre. Aliás, esse era o pensamento central das ideias de Karl Marx e Friedrich Engels, em grande número de artigos escritos desde os tempos da Gazeta da Renânia (“Rheinische Zeitung”), jornal fechado em março de 1843 pelas baionetas de Frederico VI, rei da Prússia.

A verdade é que os regimes autoritários jamais aceitaram (nem aceitam) a liberdade de imprensa. Se a China, supostamente comunista, respeitasse os ideais de Marx e Engels, o mundo não estaria hoje envolvido nessa pandemia, podem ter certeza.

DITADURA IMPLACÁVEL – Somente os idiotas e retardados podem acreditar no governo da China. A falsa grandeza da maior nação do mundo só existe em função da implacável ditadura, que formou um país artificial e destinado a ter o mesmo destino da velha União Soviética – o separatismo.

Pouca gente raciocina sobre isso. A aparentemente formidável China de Mao é formada por uma série de nações que não falam a mesma língua nem cultivam os mesmos costumes ou religiões. Nessa fantasiosa “federação”, há países que se odeiam entre si, inimigos há milênios e sempre dispostos a entrar em guerra.

Enquanto houver ditadura, a China estará grande e forte. Quando sobrevier a democracia, o que é inevitável, incontrolável e inexorável, o sonho de Mao se dividirá em várias nações e o realidade mundial será outra.

CLIVE, O DESCONHECIDO – A derrocada da União Soviética e da China foi prevista na década de 70 por Robert  Clive, então diretor da CIA, a agência de espionagem dos EUA. Clive era o maior analista de política externa do mundo, mas curiosamente tornou-se um personagem esquecido, a Wikipédia nem registra sua existência.

Ao prever o separatismo da União Soviética, dizendo que estava prestes a acontecer, o genial Clive disse que a única grande nação que se manteria íntegra, como os Estados Unidos, era o Brasil, porque a população fala a mesma língua, tem os mesmos costumes e todos se orgulham de ser brasileiros.

Citou também o Canadá, mas não dava muita importância ao país, devido às vasta extensão sob gelo eterno e à rivalidade interna entre colonizados britânicos e franceses.

PANDEMIA CAMUFLADA – A mim, pessoalmente, a China jamais enganou. Não acredito em suas estatísticas e informações “oficiais”. É tudo Piada do Ano. Quer dizer que, de uma hora para a outra, a China venceu a pandemia? E suas maiores cidades praticamente não foram afetadas, embora o resto do mundo esteja soçobrando, inclusive pequenas nações como Holanda e Suíça, que poderiam mais facilmente controlar a propagação?

Essa situação só se configurou porque não existe imprensa livre na China. É exatamente ao contrário do que acontece no Brasil, onde todas as mazelas, de um forma ou outra, acabam sendo conhecidas.

Apesar da grandeza da nossa imprensa, aqui na filial dos USA ainda há quem defenda o pensamento único. Por exemplo, querem que a TI traga apenas elogios ao presidente da República, que nem os merece, vejam a que ponto chegamos.

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P.S. –
Quando leio esses comentários exigindo pensamento único, que são boçais como Bolsonaro, lembro de Jesus Cristo na crucificação e passo a considerar “normais” esses retardamentos – “Apesar de tudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo!”. (C.N.) 

Aproveite esse recesso forçado e avalie o que você está fazendo para melhorar o mundo

Poluição na terra com máscara triste vestindo terra | Vetor Premium

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Aproveitando esse recesso obrigatório que ninguém sabe quanto tempo vai durar, andei pesquisando sobre a inquietante Hipótese de Gaia, que difere das teorias sobre a formação da vida na Terra, tanto a criacionista, que a atribui a Deus, quanto a científica, que nos remete ao famoso Big Bang.

COMO UM PROTOZOÁRIO – Aliás, antes de saber da existência dessa corrente de pensamento, já tinha me passado pela cabeça a possibilidade de a Terra ser parte de um organismo vivo que está sendo estragado pela insanidade humana.

Com toda certeza, diante da imensidão do Universo, somos tão insignificantes quanto um reles protozoário, que se alimenta de seres vivos.

Há relatos que desde o século XVIII cientistas alemães e britânicos estudavam essa hipótese, que também atraiu pesquisadores russos no século XIX. Mas a popularidade da teoria é recente, surgiu a partir de 1972, com a publicação dos estudos do cientista britânico James Lovelock, após participar de uma equipe da NASA que pesquisou a possibilidade de vida em Marte.

ATMOSFERA DA TERRA – A pesquisa de Lovelock foi fortalecida pela colaboração expressiva da microbióloga norte-americana Lynn Margulis. Os dois estudaram a surpreendente composição da atmosfera terrestre, muito diferente da esperada para um planeta entre Vênus e Marte (a zona habitável do Sistema Solar).

Por conter grandes quantidades de gases como oxigênio, óxido nitroso (protóxido de nitrogênio, também conhecido como gás hilariante) e metano, a composição da atmosfera terrestre derivaria da interferência dos organismos vivos sobre o ambiente inorgânico.

Lovelock e Margulis então partiram do princípio de que, sendo a Terra um planeta deserto como os outros, o fenômeno da vida, após surgir, foi se adaptando até controlar o ambiente inorgânico.

VIDA NA TERRA – E assim o ambiente foi se modificando, para que a vida pudesse se perpetuar, formando-se um sistema complexo e autorregulante que até confirmaria a Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin, embora os darwinistas não aceitem a hipótese de Gaia, como passou a ser chamada a teoria de Lovelock e Margulis, em homenagem à deusa que representa a Terra na mitologia mitologia grega, responsável pela criação do mar (Ponto), do céu (Urano) e das montanhas (Ourea)..

Diante de uma ameaça como a covid-19, que é superável, devemos entender que passa a ser mais concreta a hipótese de que, caso a Terra continue a ser agredida pela destruição do ambiente e pela poluição, possa surgir uma pandemia ainda mais resistente, que chegue a colocar em risco o futuro da humanidade, que já está mais do que ameaçado por um conflito nuclear.

PENSE SOBRE ISSO – Nesse recesso a que estamos sendo forçados, não custa pensar um pouco sobre o milagre da vida e também sobre a destruição predatória do meio ambiente pelos seres humanos, que conseguiram criar uma sociedade totalmente injusta aqui no Brasil, onde os detentores da riqueza total ainda acreditam ser possível conviver harmonicamente com a miséria absoluta.

Mas isso “non ecziste”, como diria Padre Quevedo,  que certamente estaria decepcionado pelos insatisfatórios resultados da chamada evolução humana.  

Para a cúpula das Forças Armadas, é inaceitável Bolsonaro não se comportar como militar

Colégio militar em homenagem a pai de Bolsonaro é inaugurado hoje ...

O problema é que Bolsonaro não está se comportando como militar

Carlos Newton

Os fanáticos pelo “mito” podem esculhambar à vontade a pesquisa do Instituto Datafolha, dizer que é mais uma obra dos esquerdopatas, petralhas e comunistas que dominam a mídia nacional e internacional, mas a realidade é uma só – Jair Bolsonaro não tem condições mínimas para comandar um país da importância do Brasil, que é o quinto maior em território, sexto em população e nono em volume de PIB, ou seja, gigante pela própria natureza.

O fato concreto é que Bolsonaro, diante do primeiro problema realmente grave de sua gestão, além de demonstrar não saber administrar a crise, está atrapalhando as autoridades encarregadas de fazê-lo.

BOLSONARO ISOLADO – Com essa postura negativa e inaceitável, o presidente está perdendo apoio em todos os setores, especialmente na classe média e entre os militares, embora ele julgue (?) que as Forças Armadas estariam dispostas a tudo para mantê-lo no poder.

É claro que a ficha está caindo e o próprio Bolsonaro começou a sentir esse isolamento. Na manhã de segunda-feira, dia 30, ele descumpriu a agenda e resolveu visitar o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, para lhe pedir apoio, e foi atendido, com uma nota postada no Twitter pela assessoria do oficial.

Neste sábado, entrevistado pela jornalista Tânia Monteiro, do Estadão, Villas Boas confirmou a visita e o pedido de apoio, que revela a insegurança do presidente da República. A repórter então perguntou se Bolsonaro tinha perdido apoio dos militares, e o general (ou sua assessoria, pois ele está muito doente) disse que não.

APOIO DOS MILITARES – Em tradução simultânea, este “não” do general Villas Bôas nada significa, porque jamais falaria contra o amigo que ajudou a eleger, mas a verdade é que Bolsonaro não tem mais apoio incondicional das Forças Armadas, que não pretendem avalizar nenhuma insensatez do presidente.

Os oficiais-generais vão cumprir a Constituição, ajudar o governo (qualquer governo) no possível, mas sem se intrometer.  Não querem que a imagem das Forças Armadas seja prejudicada por atos de um presidente complicadíssimo, que pensa (?) estar representando os militares, mas não está. Eis a questão.

Para os chefes militares, a situação gravíssima e inaceitável é que Bolsonaro não se comporta como militar.

QUEBRA DE HIERARQUIA – Como se sabe, uma das dogmas das Forças Armadas é o respeito à hierarquia, um princípio que não se resume a respeitar ordens superiores.

Na crise do coronavírus, os generais da ativa estão assistindo a uma gravíssima quebra de hierarquia cometida por Bolsonaro, cuja obrigação funcional é respeitar a orientação científica das autoridades de saúde do país (Ministério e Vigilância Sanitária) e da Organização Mundial de Saúde, da qual o Brasil é país-membro fundador.

É preciso entender que o raciocínio dos generais é sempre cartesiano. Eles avaliam que um presidente que não respeita a hierarquia científica nacional e mundial, em assunto de interesse vital da saúde de todos os brasileiros, por consequência isso significa que esse presidente não aceita hierarquia alguma.

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P.S
. – A carreira militar instrui os oficiais a obedecerem ao método cartesiano, criado pelo francês René Descartes. Consiste em se guiar sempre por aquilo que possa ser provado. No caso de Bolsonaro, em meio a uma pandemia, ele insiste em tentar conduzir o país utilizando teses e medicamentos ainda não comprovados cientificamente. Para os oficiais-generais e para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, esse comportamento é intolerável. (C.N.)

Parecer do subprocurador-geral deve pedir a incriminação de Bolsonaro

Não existe fake news, existe uma desordem informativa", diz ...

Humberto Medeiros atuava no TSE e tem larga experiência política

Carlos Newton

Se depender do clima reinante na Procuradoria-Geral da República, o mais provável é que o parecer do subprocurador-geral Humberto Jacques de Medeiros seja favorável à incriminação do presidente Jair Bolsonaro no processo da notícia-crime por desrespeitar as normas de prevenção ao coronavírus, Embora não se toque no assunto, esse comportamento do chefe do governo tem sido muito criticado pela equipe de subprocuradores.

Na quarta-feira passada, dia 25 de março, foi encaminhado ao procurador-geral um memorando conjunto de subprocuradores, um dia depois do pronunciamento de Bolsonaro em rádio e televisão, quando atacou a estratégia de conter a circulação das pessoas, adotada por governadores e prefeitos, e também minimizou o risco da doença, ao dizer que Covid-19 seria uma “gripezinha” ou um “resfriadinho”.

DISSERAM OS PROCURADORES – O documento pedindo providências contra o presidente foi assinado pelos subprocuradores  Domingos Savio Dresch da Silveira, Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, Nívio de Freitas Silva Filho, Antonio Carlos Alpino Bigonha e Deborah Duprat.

Os subprocuradores diziam que, “na direção contrária das orientações de caráter sanitário”, Bolsonaro “refutou a necessidade de isolamento social em face da pandemia, criticando o fechamento de escolas e do comércio, minimizando as consequências da enfermidade e, com isso, transmitindo à população brasileira sinais de desautorização das medidas sanitárias em curso, adotadas e estimuladas pelo próprio Poder Público, com forte potencial de desarticular os esforços que vêm sendo empreendidos de conter a curva da contaminação comunitária”.

ARAS ARQUIVOU -Dois dias depois, na quinta-feira passada, o procurador-geral  Augusto Aras arquivou a recomendação pedida pelos cinco subprocuradores para que o presidente Jair Bolsonaro recebesse uma orientação no sentido de executar ações de saúde e dar declarações “de forma coerente e em sintonia” com as autoridades sanitárias do país e com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Para arquivar a petição, Aras saiu pela tangente, alegando que atua para evitar “polarização” política e que os “chefes de Estado” têm direito à liberdade de expressão, em referência indireta tanto a Bolsonaro quanto aos governadores. Afirmou que essas autoridades “não subordinam suas opiniões a organismos externos, principalmente considerada a dinâmica do avanço da epidemia de doença nova, que obriga a revisão de protocolos médicos com frequência, bem como a revisão de orientações gerais à população”.

PRAZO DE 5 DIAS  – Na noticia-crime contra Bolsonaro, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), o subprocurador-geral Humberto Jacques de Medeiros tem  cinco dias para se manifestar, e o prazo termina segunda-feira.

Por sua vez, o relator Marco Aurélio Mello sugeriu que o presidente mudasse seu comportamento, para que pudesse arquivar a ação, mas Bolsonaro insiste em desrespeitar as regras contra o coronavírus, inclusive postando videos tipo fake news.

Diante desse clima , o mais provável é que o parecer da Procuradoria seja a favor da aceitação da notícia-crime, fato que ampliará a possibilidade de impeachment, por iniciativa do Supremo, situação até agora inédita na História Republicana.

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P.S.O procurador Humberto Jacques de Medeiros tem larga experiência política, por ter atuado no Tribunal Superior Eleitoral. Foi o autor do parecer contra o registro da candidatura de Lula da Silva na eleição de 2018. (C.N.)

Marco Aurélio deixa claro: Se Bolsonaro não mudar de posição, será incriminado pelo STF

Subprocurador Humberto Medeiros vai preparar o parecer

Carlos Newton

Conforme temos noticiado com absoluta exclusividade, está tramitando no Supremo Tribunal Federal o primeiro pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. A grande imprensa está noticiando a ação judicial sem estardalhaço, para não tumultuar ainda mais o país, nesta fase de pandemia.

Mas o fato concreto é que o ministro-relator Marco Aurélio Mello aceitou a notícia-crime contra o presidente, acusado de incentivar a população a descumprir as recomendações de isolamento, feitas pela Organização Mundial de Saúde, pelo Ministério da Saúde e pela Vigilância Sanitária, além dos governadores e prefeitos.

AÇÃO ESTÁ ANDANDO – O relator poderia simplesmente ter recusado a ação, mas decidiu seguir em frente e pedir manifestação da Procuradoria-Geral da República. Caberá ao subprocurador-geral Humberto Jacques de Medeiros dar o parecer sobre essa notícia-crime do deputado federal Reginaldo Lopes (PT) movida no STF, contra o presidente Jair Bolsonaro.

O parlamentar quer enquadrar o presidente no artigo 268 do Código Penal, que consiste em infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa. O crime tem pena de um mês a um ano. A ação tem como base encontros do presidente com populares e declarações que contradizem sua equipe de Saúde em relação ao combate ao coronavírus.

LEVARAM NA BRINCADEIRA – Quando publicamos essa possibilidade de um pedido de impeachment ser originário do Supremo, aqui no blog houve comentaristas que levaram na brincadeira, sem acreditar no que está à sua frente.

Mas a hipótese é concreta. Além de infringir o artigo 268 do Código Penal, fatalmente o presidente Bolsonaro estará incurso em dois crimes de responsabilidade, tipificados na Lei 1.079, de 10 de abril de 1950, conforme já explicamos aqui:

*“Intervir em negócios peculiares aos Estados ou aos Municípios com desobediência às normas constitucionais” (Artigo 6º, inciso VIII).

*“Proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo” (artigo 9º, inciso VII).

Mesmo que o subprocurador-geral Humberto Jacques de Medeiros entenda que não há fundamento de infringência do Código Penal e da Lei dos Crimes de Responsabilidade, a decisão será do relator, que pode colocar o processo em julgamento com parecer contrário do Ministério Público Federal.

SUPREMO APROVARÁ – Caso o ministro Marco Aurélio Mello não arquive o processo e leve a ação a julgamento, é muito provável que o Supremo condene o presidente, e isso significa que  o pedido de impeachment será encaminhado à presidência da Câmara com muito mais robustez, a tramitação será rápida para decisão de dois terços da Câmara,  antes de seguir ao Senado.

O relator Marco Aurélio Mello já foi claro e fez uma ostensiva crítica ao comportamento do presidente da República. “Não é possível que todos estejam errados, e só o presidente da República esteja certo” destacou, em entrevista ao repórter Rafael Moraes Moura, do Estadão, na qual afirmou estar “pasmo’ e “muito triste” com as atitudes de Bolsonaro.

O ministro, no entanto, deixou uma chance em aberto para Bolsonaro, dizendo que, se o presidente mudar sua postura e passar a cumprir as regras da OMS e do Ministério da Saúde, não será incriminado. “Cada qual procede da forma como deve fazer. Vamos repetir mais uma vez e à exaustão: o exemplo vem de cima. Sempre há tempo para evoluir”, afirmou Marco Aurélio Mello.

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P.S.
1Em tradução simultânea, se Bolsonaro não “evoluir”, mudando seu comportamento, o relator vai defender a incriminação dele, abrindo caminho ao impeachment.

P.S. 2–
Existe um site aí que é recordista em fake news e processos de injúria, calúnia e difamação, chamado Jornal da Cidade, que tem mania de desmentir notícias da TI. Ontem, publicou que o procurador Aras tinha “arquivado o processo”, coisa que juridicamente ele nem pode fazer, pois quem arquiva é o juiz. Tive frouxos de riso, como diz o Francisco Bendl.  (C.N.)

Impeachment com aval do Supremo será uma novidade na História Republicana

Charge do Lando Jotta (Arquivo Google)

Carlos Newton

Explodiu como uma bomba em Brasília a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro sofrer um processo de impeachment originário do Supremo Tribunal Federal, conforme publicou a “Tribuna da Internet” nesta terça-feira, dia 31, com absoluta exclusividade. Até então, julgava-se que o pedido teria de ser apresentado à Câmara dos Deputados, como aconteceu no afastamento da presidente Dilma Rousseff, ou partir de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, conforme ocorreu com o presidente Fernando Collor.

Nesta semana, porém, surgiu a terceira via, com apresentação de uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal contra o presidente Jair Bolsonaro, encaminhada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que foi distribuída ao ministro Marco Aurélio Mello.

PETIÇÃO FOI ACEITA – Já existem diversos pedidos de impeachment apresentados à Presidência da Câmara, mas o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) deixou claro que não pretende examiná-los agora, porque somente colocará em pauta projetos ligados diretamente a combater o coronavírus e a inevitável crise econômico-financeira que será provocada pela pandemia.

A notícia-crime, portanto, foi uma nova vertente para iniciar processo de impeachment. E a grande surpresa foi o relator Marco Aurélio Mello ter imediatamente aceitado abrir a ação contra o presidente da República, com um despacho em que encaminha a petição ao Ministério Público Federal: “Deem vista à Procuradoria-Geral da República”, diz trecho da decisão do ministro.

Em tradução simultânea, isso significa que foi iniciado formalmente no Supremo o processo de impeachment do atual presidente da República.

PARECER DE ARAS – Na manhã desta terça-feira, o procurador-geral Augusto Aras ainda não tinha conhecimento da notícia-crime. Entrevistado pela repórter Andréia Sadi, da TV Globo, sobre a decisão que tomará caso o presidente Bolsonaro cumpra o que anunciou e baixe um decreto pelo isolamento vertical, no qual somente pessoas de grupos de risco devem ficar isoladas, Aras respondeu:

“Vou ouvir o ministro Mandetta. Quem determina política de saúde no Brasil é o ministro Mandetta”.

À tarde, a petição da notícia-crime já estava sobre a mesa do procurador-geral da República, para se manifestar em resposta ao relator do Supremo. E as justificativas da notícia-crime são procedentes e irrefutáveis, porque os atos irregulares de Bolsonaro foram públicos e notórios.

NAS MÃOS DO MINISTRO – Num surto de “corporativismo”, o procurador-geral Aras pode até se manifestar contrário à ação e pedir arquivamento, mas tudo indica que, mesmo assim, o relator Marco Aurélio Mello pretende colocar a notícia-crime em julgamento, seja na Primeira Turma ou em Plenário.

Em entrevista a Rafael Moraes Moura, do Estadão, o ministro disse que ficou “pasmo” com a atitude do presidente Jair Bolsonaro de sair às ruas e cumprimentar populares mesmo diante do avanço da pandemia do novo coronavírus.

“Não é possível que todos estejam errados, e só o presidente da República esteja certo. Cada qual procede da forma como deve fazer. Vamos repetir mais uma vez e à exaustão: o exemplo vem de cima”, disse Marco Aurélio, dizendo estar “muito triste” com o comportamento do presidente da República.

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P.S.
Bem, a bola está em jogo. Salvo engano, o procurador Aras tem cinco dias para se manifestar, nos termos do artigo 120, inciso 2 do Regimento Interno do Supremo. Em seguida, o relator decide se arquiva a ação ou se convoca julgamento na Primeira Turma ou em Plenário.

P.S. – Se a notícia-crime for aceita pela maioria, esta será a primeira vez na História Republicana que um pedido de impeachment terá aval da Suprema Corte. Como dizia o grande compositor Miguel Gustavo, nosso vizinho aqui no bunker do Edifício Zacatecas, “o suspense é de matar o Hitchcock”. (C.N.)