Cronologia da tragédia em Brumadinho mostra que a culpa é mesmo da direção da Vale

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Schvartsman mentiu vergonhosamente na entrevista coletiva

Carlos Newton

Para que não pairem dúvidas sobre a culpa que recai sobre a direção da Vale S/A, é preciso fazer a cronologia dos fatos que envolvem a reativação da mina do Córrego do Feijão, que fica em Brumadinho e faz parte de uma das mais importantes reservas ambientais do Sudeste, o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça. Abrangendo áreas dos municípios de Belo Horizonte, Nova Lima, Ibirité e Brumadinho, é o terceiro maior parque em área urbana do país, abrigando mananciais que são indispensáveis ao abastecimento de água a Belo Horizonte e a municípios vizinhos.

19 DE NOVEMBRO – Reúne-se o Conselho Consultivo do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça  para decidir sobre licenciamento para atividades de mineração nessa importantíssima reserva ambiental.  

Por expressiva maioria, o Conselho Consultivo votou a favor da operação de três minas nessas áreas protegidas por legislação ambiental, e uma delas era justamente a jazida do “Córrego do Feijão”, da Vale.

11 DE DEZEMBRO – A Secretaria Estadual do Meio Ambiente aprova pedido da Vale para reabrir a mineração no Córrego do Feijão e reaproveitar os rejeitos do minério.

A licença teve aprovação, mas foram feitas várias exigências e o representante do Ibama advertiu que havia alto risco de rompimento da barragem, caso os rejeitos de minério fossem revolvidos para serem reaproveitados.

17 DE DEZEMBRO – Como era de se esperar, o Ministério Público de Minas Gerais não aceitou a decisão do Conselho do Parque Estadual e recomendou ao diretor-geral do Instituto Estadual de Florestas que não concedesse ou expedisse – ou anulasse, caso já tivesse concedido ou expedido – qualquer autorização para atividades minerárias ou de transporte de minério projetadas para ocorrer dentro dos limites do Parque Estadual do Rola Moça.

25 DE JANEIRO – Sem ter cumprido as exigências feitas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e desrespeitando o parecer do Ministério Público e a advertência do Ibama, a Vale reativou a mina, contratou centenas de trabalhadores, inclusive terceirizados, e começou a revolver os resíduos da barragem do Córrego do Feijão, para reaproveitar as sobras de minério.  

Conforme o representante do Ibama previra, a movimentação dos rejeitos sólidos provocou o rompimento da barragem e ocorreu a tragédia anunciada, matando centenas de pessoas e destruindo tudo que havia pela frente.

SCHVARTSMAN MENTE – Contra fatos não há argumentos, diz a prática forense. Diante dessa cronologia dos acontecimentos, que é rigorosamente verdadeira, fica claro que o presidente da Vale, engenheiro Fábio Schvartsman, mentiu ao convocar entrevista coletiva e afirmar que a mina do Córrego do Feijão estava desativada desde 2015 e por isso o acidente ecológico seria menos grave do que a tragédia de Mariana.

Ao contrário, na verdade a atividade de mineração em Brumadinho tinha sido reativada ilegalmente, sem cumprimento das exigências feitas pela Secretaria do Meio Ambiente, e já havia centenas de trabalhadores atuando na retirada dos rejeitos que estavam na barragem, para que houvesse reaproveitamento do minério ainda existente.

SILÊNCIO ATROZ – A grande mídia pode até se calar, porque a Vale é uma grande anunciante e sabe manobrar os bastidores da comunicação social, mas todas as denúncias feitas com exclusividade pela “Tribuna da Internet” não podem se desmentidas, e a verdade acabará prevalecendo, é apenas questão de tempo.

O presidente em exercício, Hamilton Mourão, já está convicto da responsabilidade da direção da Vale e diz nesta segunda-feira que o governo tenta encontrar uma maneira jurídica de demitir a diretora da empresa. Não irá conseguir, porque a Lei das S/A (art. 140) dispõe que a destituição só pode ocorrer em assembleia-geral de acionistas.

Já que o governo não conseguirá afastar a diretoria da Vale,  pelo menos poderia mandar prender seus integrantes com base na jurisprudência penal, enquadrando-os como “autores imateriais”, responsáveis pelo fato, e justificando o flagrante como “crime permanente”, cujos efeitos ainda permanecem.

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P.S. 1
É evidente que tudo isso só funciona na teoria, porque na prática quem continua mandando neste país são as elites. Em qualquer nação realmente civilizada, os responsáveis por essa matança em série já teriam sido algemados diante das câmaras de TV, como ocorreria em nossa Matriz (ou Matrix), os Estados Unidos. Mas aqui na Sucursal Brasil as coisas ainda funcionam de forma primitiva, digamos assim.

P.S. 2Fica claro também que o presidente da Vale entendeu de forma equivocada o recado de Jair Bolsonaro, que na campanha eleitoral prometeu acabar com a ditadura dos ambientalistas. Sem dúvida, Schvartsman julgou que tinha virado James Bond e ganhara licença para matar. (C.N.)

Cirurgia de Bolsonaro foi complicada, ele ainda corre riscos e precisa se cuidar

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Fotos mostram Bolsonaro durante os exames antes da cirurgia

Carlos Newton

O Planalto disse que foram sete horas na mesa de cirurgia, mas na verdade foram nove horas, o mesmo espaço de tempo que Adib Jatene levou para operar o coração do então senador Antonio Carlos Magalhães, que estava desenganado. No caso da retirada da bolsa de colostomia do presidente Jair Bolsonaro, segundo o porta-voz da Presidência da República, general Rego Barros, as aderências no intestino exigiram uma “obra de arte” por parte da equipe médica que atuou no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

“O procedimento ocorreu sem intercorrências e sem necessidade de transfusão de sangue”, diz o boletim do hospital, que foi uma ótima notícia, comprovando que não houve sangramento, que seria um problema adicional.

SITUAÇÃO ESTÁVEL – Bolsonaro foi encaminhado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) depois da cirurgia em situação “clinicamente estável, consciente, sem dor, recebendo medidas de suporte clínico, prevenção de infecção e de trombose venosa profunda”, afirma a nota do hospital.

O fato concreto é que houve complicações na cirurgia. Não se sabe se foram provocadas pela falta de cuidados de Bolsonaro, que jamais se comportou como portador de uma doença grave, chegou a fazer flexões em público, no sábado agarrou na porta do helicóptero para ver melhor o rompimento em Brumadinho.

Esta foi a segunda vez que marcaram a cirurgia. Na primeira tentativa, não foi possível que Bolsonaro estava com infecção. A quantidade de antibióticos que tomou desde a facada é impressionante. E continua tomando.

MUITO REPOUSO – É óbvio que um paciente impaciente como Bolsonaro precisa ser obrigado a ficar em repouso. Previa-se recuperação em dez dias, caso não houvesse problemas na cirurgia. Ou seja, o presidente deverá ficar pelo menos duas semana ainda em repouso. Por isso, essa ideia de retomar logo o poder e começar a despachar no hospital é uma tremenda maluquice.

Bolsonaro e o núcleo duro do Planalto precisam entender que se trata de uma doença grave. Segundo apurou O Globo, os riscos variam de 5% (em pacientes com boas condições de saúde, como as de Bolsonaro) a 20% (diabéticos e desnutridos, por exemplo).

Diz o especialista Carlos Walter Sobrado, professor de Coloprotoctologia da Faculdade de Medicina da USP, o risco maior ocorre na primeira semana após a cirurgia, quando o paciente começar a evacuar.

AINDA HÁ RISCOS – Pelo fato de o intestino grosso ter pouca vascularização, podem ocorrer problemas de cicatrização. O mais temível é a fístula, ou seja, uma abertura no local suturado com pontos.

Se houver rompimento da sutura e vazamento de fezes na cavidade abdominal, é preciso abrir novamente o paciente. “Aí a gente perde tudo o que foi feito. É preciso refazer a colostomia”, explica o professor Sobrado.

Outro especialista ouvido por O Globo reforça a afirmação:  “Já tive paciente que fez fistula com 21 dias após a cirurgia. Isso não é culpa do cirurgião ou do material utilizado. É um risco intrínseco a uma cirurgia de intestino grosso”, afirma Diego Adão Fanti Silva, cirurgião de aparelho digestivo da Unifesp.

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P.S. 1 –
Vamos torcer para que Bolsonaro fique novo bom. A grande maioria dos brasileiros votou nele e acredita que conseguirá limpar este país, um serviço que será tão difícil quanto os Doze Trabalhos de Hércules. (C.N.)

Barragem rompeu porque a Vale retomou a atividade da mina, mesmo sem ter licença

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Schartzman mandou ativar a mina sem a licença estar valendo

Carlos Newton

Aos poucos, a verdade vai surgindo sobre o rompimento das barragens da empresa Vale S/A em Brumadinho, cujo enredo é muito pior do que se imaginava e envolve a proteção ambiental do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça. Abrangendo áreas dos municípios de Belo Horizonte, Nova Lima, Ibirité e Brumadinho, é o terceiro maior parque em área urbana do país, abrigando mananciais que são indispensáveis ao abastecimento de água a Belo Horizonte e a municípios vizinhos.

A criminosa tragédia não ocorreu por mera coincidência e tudo começou no dia 19 de novembro, quando o Conselho Consultivo do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça se reuniu para decidir sobre licenciamento para atividades de mineração nessa importantíssima reserva ambiental. E adivinhem qual foi o resultado?…

APROVAÇÃO – Por expressiva maioria, o Conselho Consultivo votou a favor da operação de três mineradoras nessas áreas protegidas por legislação ambiental, na região de Casa Branca/Brumadinho. Duas solicitações se referiam a jazidas na chamada “zona de amortecimento do Parque” – as minas “Córrego do Feijão”, da Vale, e “Jangada”, também da Vale, em associação com a MBR (Minerações Brasileiras Reunidas). E a terceira licença era em pleno Parque Rola Moça – a mina “Casa Branca”, da MGB (Mineração Geral do Brasil).

Além de pretender minerar numa área de proteção ambiental, o projeto da MGB prevê a abertura de uma estrada, em meio ao parque, a fim de escoar sua produção, vejam a que ponto de desfaçatez empresarial chegamos…

REAÇÃO DO MP – Como era de se esperar, o Ministério Público de Minas Gerais, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Brumadinho e da Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios das Velhas e Paraopeba, recomendou ao diretor-geral do Instituto Estadual de Florestas (IEF), no dia 17 de dezembro, que não concedesse ou expedisse – ou que anulasse, caso já tivesse concedido ou expedido – qualquer autorização para atividades minerárias ou de transporte de minério projetadas para ocorrer dentro dos limites do Parque Estadual do Rola Moça, citando especificamente a empresa Mineração Geral do Brasil S/A.

Segundo a Recomendação, assinada pelos promotores de Justiça William Garcia Pinto Coelho e Francisco Chaves Generoso, o Parque Estadual da Serra do Rola Moça “consolida Unidade de Conservação de Proteção Integral, onde são possíveis apenas ações relacionadas a pesquisas científicas e ao desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico, não sendo permitidas atividades minerárias ou quaisquer outras que comprometam a integridade dos atributos que justificam a sua proteção”.

VALE DESCUMPRIU – A empresa Vale já tinha se adiantado e apresentara pedido de licença para reabrir a mineração no córrego do Feijão e reaproveitar os rejeitos do minério. E a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, no dia 11 de dezembro, aprovou a licença por 8 votos a 1., mas com reservas – a Vale não poderia reativar a mineração antes de resolver as pendências existentes.

É inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro. Na certeza da impunidade, o presidente da empresa, Fábio Schartzman mandou reativar a mina antes de cumprir as exigências, embora o representante do Ibama na Secretaria do Meio Ambiente tivesse advertido para o altíssimo risco de rompimento da barragem.

Portanto, Schartzman está mentindo ao afirmar que a mina estava desativada. Ao contrário, na verdade a atividade de mineração tinha sido reativada, com centenas de trabalhadores atuando no local, e foi justamente isso que causou o rompimento da barragem, cujos rejeitos estavam sendo revolvidos para reaproveitamento do minério.

UM CRIMINOSO – Não resta dúvida de que o executivo Fábio Schartzman é um criminoso vulgar e merece ser preso, conforme sugere a advogada Rosângela Moro, mulher do ministro da Justiça. Se a mina estava desativada desde 2015, o que explicaria a presença de centenas de trabalhadores da Vale, inclusive terceirizados, e eram tantos que 300 deles estão desaparecidos? Se a mina estava desativada, como alega Schartzman, como justificar no local a presença de uma médica especializada em Medicina do Trabalho, a doutora Marcelle Porto Cangussu, a primeira vítima a ser identificada?

O presidente da Vale está mentindo para não se tornar réu confesso, porque a licença para retomar a atividade da mina ainda não estava valendo. E se Shartzman continuar impune, é sinal de que nada mudou, este país continua o mesmo e as promessas anunciadas por Jair Bolsonaro eram apenas mais uma farsa. E nós não merecemos isso. Exigimos ter um governo decente, do qual nos orgulhemos. É um direito da cidadania.

Todos sabem quais são os culpados, inclusive Fernando Pimentel, que agiu criminosamente

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Fernando Pimentel sancionou a lei visando a favorecer a Vale

Carlos Newton

O maior problema do país, na essência, é o apodrecimento da Justiça. Esta afirmação pode parecer estranha e até inusitada, mas é absolutamente verdadeira. Todos percebem que o Brasil enfrenta uma gravíssima crise institucional, em que os três Poderes da República não cumprem suas obrigações constitucionais de trabalhar em prol do interesse público.

DEFEITO DE ORIGEM – Como no final todos os problemas desembocam na Judiciário, fica claro que nele reside a falha principal, o defeito de origem. Porque, se a Justiça realmente funcionasse em defesa do bem comum, Executivo e Legislativo teriam de se enquadrar. Esta é a equação que nos interessa hoje.

O caso de Brumadinho exibe bem nitidamente essa situação. Neste sábado, a procuradora-geral Raquel Dodge esteve na região para avaliar os danos e afirmou que não se pode apontar os culpados, porque é preciso haver antes uma ampla investigação.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Como se vê, nada mudou em relação à tragédia anterior em Mariana e nada vai mudar. Naquele acidente, a Vale deixou claro seu descaso com a responsabilidade social que é exigida no ramo da mineração. Morreram 19 pessoas, cujas famílias até hoje não foram indenizadas, junto com as demais vítimas.

O mais incrível é que ninguém foi responsabilizado. Não houve culpados. E em novembro de 2016, exatamente um ano depois da tragédia de Mariana, o então governador petista Fernando Pimentel sancionou uma lei estadual (nº 2.946) afrouxando a fiscalização ambiental, ao invés de reforçá-la.

E foi justamente esta lei que agora, em dezembro de 2018, possibilitou reduzir o nível de risco da Mina do Feijão de 6 para 4 e lhe deu licenciamento por mais 10 anos, com aumento da produção de minério, sem reforço da barragem.

E OS CULPADOS? – A empresa Vale, que reluta em indenizar as vítimas, realmente não se preocupou em fortalecer suas barragens depois do rompimento em Mariana. Pelo contrário, pediu e conseguiu licença para aumentar a produção em Brumadinho, onde a administração da mina e o refeitório funcionavam a jusante da barragem, eram mortes anunciadas. Mesmo assim, segundo a procuradora Raquel Dodge, ninguém sabe quem são os culpados.

Já dissemos aqui na “Tribuna da Internet” que alguém precisa informar à chefe do Ministério Público Federal que omissão deliberada é crime, e sua gravidade é proporcional ao número de vítimas – no caso, cerca de 300 mortes anunciadas.

Mas as autoridades judiciais e judiciárias não estão acostumadas a agir com rigor contra representantes das elites. Inquéritos e processos vão tramitar naquela velocidade que todos conhecem, pois nada mudou e é preciso mudar.

LOBBY DA MINERAÇÃO – O pesquisador Silver Singer, do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), explicou por que não foi possível evitar um segundo acidente: “O país não aprendeu nada, ou quase nada. As empresas de mineração aprenderam a gastar fortuna com advogados para se defender e as leis foram feitas sob influência do lobby da mineração. O novo marco regulatório do setor, aprovado no ano passado, favorece a impunidade e transforma o Estado em menos responsável ainda. Já houve tempo suficiente para discutir responsabilidades mínimas, mas não foi o que vimos”.

Quem se deu bem no lobby da mineração, em 2017, foi o então ministro Edison Lobão, representante da quadrilha de Temer. Mas o atual governo foi eleito para limpar o país. Eis uma boa oportunidade de demonstrar que essa prioridade será alcançada. Como diz o advogado Jorge Béja, basta o presidente Bolsonaro cassar a concessão da Vale na mina de Brumadinho, um simples decreto, poucas linhas, coisa simples.

E falta também prender preventivamente o responsável principal, o presidente da Vale, Fábio Schwartzman, pelo conjunto da obra e, mais especificamente, por permitir que a administração e o refeitório da mina funcionassem a jusante da barragem, provocando as cerca de 300 mortes.

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P.S. 1 –
Brumadinho, próximo a Belo Horizonte, é uma região muito mais habitada e a catástrofe é pior do que em Mariana, porque atinge um número maior de moradores, inclusive fazendas, sítios e pequenas propriedades rurais. O presidente da Vale disse que a mina estava “desativada” desde 2015. Se isso é verdade, porque havia 300 empregados no local?

P.S. 2Atenção para uma “fake news”. O tal decreto de Dilma sobre acidente de “causas naturais” foi específico e destinado exclusivamente a liberar o FGTS das vítimas da tragédia de Mariana, sem outros efeitos. É preciso tomar cuidado com esse tipo de “notícia”. (C.N.)

Mulher de Moro está correta e o presidente da Vale deveria ser preso, por “autoria imaterial“

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Ao invés de reforçar a barragem, mandou aumentar a produção

Carlos Newton

A advogada Rosângela Moro, mulher do ministro da Justiça, sabe o que está falando quando diz que os responsáveis pela tragédia de Brumadinho deveriam ser presos. É claro que logo aparecerão criminalistas para alegar que não é bem o caso, porque trata-se de um acidente e não houve descaso, como aponta a esposa de Sérgio Moro, pois a mineração estava funcionando dentro das regras, tem autorização etc.

FORTES ARGUMENTOS – É o que diria a defesa, mas a acusação também teria argumentos fortíssimos para prender imediatamente o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, que é engenheiro de produção e sabe muito bem sua responsabilidade direta nessa tragédia anunciada.

Na forma da lei, Schvartsman deveria ser preso de imediato, para começar a refletir sobre as impropriedades cometidas, como o pedido para ampliar a produção da mina, obtido de forma ardilosa e irregular, assim como a construção do refeitório dos empregados a jusante da barragem, que causou a morte de mais de duzentos funcionários, e outros erros crassos que poderiam ser evitados.

PRISÃO EM FLAGRANTE – As hipóteses de prisão em flagrante encontram-se elencadas no art. 302 do Código  de Processo Penal. No caso do executivo Fábio Schvartsman, ele está enquadrado perfeitamente no inciso IV, que considera em flagrante delito quem “é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração”.

No caso em questão, deve-se considerar a existência de flagrante em crime permanente, previsto no art. 303 – “Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência”.

Ora, “crime permanente” é aquele cuja consumação se prolonga no tempo. À medida que o crime está ocorrendo, ele está simultaneamente se consumando. No caso, o crime é permanente por omissão da diretoria desde a tragédia de Mariana, que envolveu a própria Vale.

CRIMES ÓBVIOS – Era obrigação da direção da empresa reforçar todas as barragens em operação. Mas como agiu Schvartsman? O executivo fez exatamente o contrário. Ao invés de fortalecer a contenção dos rejeitos de Brumadinho, pediu ao governo de Minas (gestão do corrupto Fernando Pimentel)  uma licença para a aumentar a produção da mina sem reforçar a barragem. E a autorização foi concedida, em dezembro, de forma irregular e criminosa, conforme denunciaram os jornalistas Phillippe Watanabe e Júlia Zaremba, em irrespondível reportagem na Folha de S. Paulo.

A jurisprudência do Direito Universal determina que, além dos autores diretos, também são criminalmente responsáveis os coautores, que não podem ser isentos de responsabilização no campo jurídico-penal, porque são “autores imateriais” do crime. No presente caso, estão assim enquadrados todos aqueles que, de alguma forma, por conivência ou omissão, contribuíram para que ocorressem as mortes de centenas de pessoas e a tragédia da destruição ambiental. Como é o caso de Fábio Schvartsman.

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P.S.
Por todos esses motivos, além do agravante da “comoção social”, espera-se que o ministro da Justiça ouça a recomendação da advogada Rosângela Moro e mande a Polícia Federal prender o presidente da Vale, que comprovadamente é o “autor imaterial” dessa mortandade em série. (C.N.)  

Dos cinco problemas do país, apenas um está sendo combatido de forma adequada

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Santos Cruz está colocando ordem no Palácio do Planalto

Carlos Newton

Aqui na “Tribuna da Internet”, há quem reclame que fazemos oposição demais ao governo Jair Bolsonaro, mas também não falta quem nos acuse de termos sidos cooptados por ele, e isso é muito bom, porque significa que estamos rumo certo, ao criticar o que está errado e elogiar o que está certo.

HÁ ESPERANÇAS – Como sempre acontece toda vez que troca o governo, a gente tem esperança de que as coisas possam melhorar, emerge esse sentimento coletivo, que se fazia presente até mesmo durante a ditadura militar. Mas logo em seguida tudo passa, porque é preciso encarar a realidade.

Como todos sabem, os maiores problemas do país são a dívida pública; o déficit da Previdência Social; o excesso de órgãos públicos e servidores nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal); os privilégios da nomenklatura civil e militar; e a corrupção generalizada. Todos os demais problemas (educação, saúde, emprego, segurança etc.) são meras consequências.

1  – DÍVIDA PÚBLICA – Está ficando fora de controle a dívida pública, mas as autoridades não tocam no assunto, por estar ligado diretamente aos banqueiros, e no Brasil não há nada mais importante do que o interesses das instituições financeiras recordistas em lucratividade no mundo, que desconhecem completamente o significado da palavra crise.

É claro que seria conveniente uma auditoria, com participação de Maria Lucia Fattorelli, considerada uma das maiores especialistas do mundo, que poderia inclusive discutir a questão dos juros compostos, maior entrave ao desenvolvimento nacional. Através da auditoria, o Equador se livrou de 70% da dívida, você sabia?

2 – DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA – Sem auditoria, como discutir a questão previdenciária, que hoje é a maior bandeira dfendida pelos banqueiros? É público e notório que os gerentes das agências bancárias pressionam os clientes de todas as formas para que invistam nos Fundos VGBL e PGBL, a chamada Previdência Privada.  

Enquanto isso, os números da Previdência Social são propositadamente escamoteados, manipulados e desconectados, para justificar a perversidade da reforma, com base da mais realista definição de Estatística. “É a arte de torturar os números até fazer com que eles confessem os fins que pretendemos”. Estranhamente, não há maneira de convencer o governo a fazer uma auditoria.

3 – MÁQUINA INFLADA – Nas últimas décadas os políticos inflaram a máquina administrativa com ministérios e órgãos sem razão de existir. Esta semana, estacionei ao lado de uma luxuosa caminhonete do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, órgão do Ministérios dos Direitos Humanos. O que faz este conselho, para ter sucursais no Rio de Janeiro e em outros estados? Nada, é claro. E na caminhonete está escrito: “Veículo comprado com recursos do Fundo Nacional do Idoso”.

É preciso fazer uma varredura no serviço público e serão descobertas coisas do arco da velha, como se dizia antigamente. O Rio de Janeiro, por exemplo, tem mais de 100 museus e espaços culturais, a grande maioria é bancada pelo erário e vive às moscas.

4 – NOMENKLATURA – Ao mesmo tempo, no ritmo do Martinho da Vila, “devagar, devagarinho”, o capitalismo à brasileira criou uma nomenclatura absurda, com o Supremo a reconhecer direitos adquiridos e os três Poderes a criar penduricalhos salariais, como cartão corporativo, auxílios para moradia, alimentação, educação, creche, transporte, é um nunca-acabar.

Os salários dessa elite funcional são absurdos e fazem inveja a países desenvolvidos. Reina a esculhambação, não há planos de cargos e salários, coronel da PM ganha mais do que general de quatro estrelas, e estamos conversados.

Não dá para consertar esse estrago, sem feris direitos adquiridos que o Supremo mantém. A única coisa a fazer é extinguir os órgãos públicos desnecessários, acabar a farra dos terceirizados e tentar diminuir o número de funcionários públicos, objetivo que nem mesmo a informatização dos seviços conseguiu alcançar, muito pelo contrário.

5 – CORRUPÇÃO – Quanto ao quinto elemento destruidor da nação, na verdade é o único que está sendo combatido, desde que o delegado federal Márcio Anselmo investigou um posto de gasolina em Brasília e deu início à Operação Lava Jato.

Com o ministro Sérgio Moro à frente do combate à corrupção, sabemos que o Ministério da Justiça não medirá esforços. É o homem certo, no lugar certo e no momento certo. E seu exemplo está sendo seguido pelo secretário de Governo, general Santos Cruz, a grande revelação deste governo, que está lutando para reduzir os gastos públicos, começando pela própria Presidência da República.

Infelizmente, porém, está havendo leniência dos responsáveis pela correção da dívida pública, pela redução do déficit previdenciário e pelo fim dos penduricalhos salariais. O ministro Paulo Guedes, conforme todos sabem é altamente comprometido, não merece confiança. O presidente errou ao colocar um banqueiro para tomar conta da economia. 

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P.S.
Não há a menor novidade neste artigo. Em tradução simultânea, significa apenas que, se os homens públicos defendessem os interesses públicos, todo o resto se resolveria.

P.S 2A Bolsa bateu recorde e subiu para 97,677 pontos. Como diziam os irmãos Barney, especialistas em circo, a cada 30 segundos nasce um otário. E tudo que sobe, um dia cai.  (C.N.)

Projeto de Guedes é destruir a Previdência para economizar R$ 130 bilhões/ano

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Já comentamos aqui na “Tribuna da Internet” que Paulo Guedes não é confiável e jamais se poderia entregar a gestão da Economia a um ex-banqueiro. Com menos de um mês de governo, essa afirmação se confirma diante do discurso do ministro no Fórum Econômico Mundial, em Davos, ao anunciar que a reforma da Previdência pode significar uma economia de até R$ 1,3 trilhão em dez anos.

E A DÍVIDA? – Sobre o maior problema brasileiro, a dívida pública, que tanto favorece os banqueiros, nenhuma palavra do superministro.

Quanto à economia de R$ 130 bilhões/ano, é um sonho delirante, que significa destruir a Previdência nos moldes atuais, para substituí-la pela “capitalização”, que é o codinome da Previdência bancária.

A diferença é que a atual Previdência Social ampara o trabalhador com invalidez, sustentando-o pelo resto da vida, enquanto a Previdência bancária simplesmente o abandonará à própria sorte.

SEM SERIEDADE – O país está aguardando uma reforma da Previdência que seja feita com seriedade e isenção, mas o ministro da Economia se comporta como se fosse um ilusionista, tipo Mister Houdini. Seu projeto é desumano e implacável, porque o montante almejado (R$ 130 bilhões/ano de economia) seria até dois terços superior ao previsto na proposta do governo de Michel Temer, que já era considerada absurda e o Congresso nem quis aceitar.

Ao invés de fazer uma auditoria e eliminar a “pejotização” (falsas pessoas jurídicas), que eleva de forma brutal os prejuízos do INSS, do FGTS e do Imposto de Renda, Guedes quer fazer justamente o contrário, extinguindo a cobrança dos atuais 20% que as empresas pagam sobre a folha salarial, uma das maiores fontes de recursos do INSS.

Em Davos, o ministro disse ainda que a alíquota do imposto sobre dividendos e juros sobre capital próprio deve ficar em torno de 15%, o que compensaria a redução da carga fiscal sobre as empresas. É um sonho atrás do outro, como a redução do Imposto de Renda das empresas.

MILITARES FORA – A única coisa certa é que os militares estarão fora da reforma da Previdência, conforme foi anunciado em primeira mão pelo presidente em exercício Hamilton Mourão e confirmado nesta quarta-feira em Davos pelo presidente licenciado Jair Bolsonaro.

De resto, não há transparência, não há seriedade, Guedes e sua equipe operam em sigilo, como se estivessem na clandestinidade. O ministro da Defesa, general Azevedo e Silva, já arranjou até um codinome para a Previdência militar. Segundo ele, as Forças Armadas têm um “sistema de proteção social” e não um regime previdenciário.

Então, fica combinado assim. Afinal, quem tem coragem de contrariar os militares? A próxima meta deles é equiparar seus salários aos ministros do Supremo, e têm toda razão neste ponto, porque ganham menos do que os oficiais das PMs, vejam em que país maluco estamos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao desenvolver o raciocínio deste artigo, retomo meu pessimismo com relação ao futuro, porque não há país que possa sustentar uma nomenclatura civil e militar com tantos privilégios. Os brasileiros comuns, que não são remunerados pelo erário, sustentam esses privilegiados com o suor de seu rosto e cada vez têm menos direitos sociais. O Brasil é o país de maior potencial de crescimento no mundo, mas tem uma elite governante absolutamente apodrecida, incrustada nos três poderes que de republicanos nada têm. Depois voltaremos ao assunto. (C.N.)

Bolsonaro vai sobreviver à derrocada do filho senador e pode fazer um bom governo

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Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Carlos Newton

Nas redes sociais está na moda defender Flávio Bolsonaro com a estratégia de citar outros políticos corruptos, dos mais diversos partidos, que cometeram crimes bem mais graves e rentáveis do que ele, como se a citação de um erro pudesse justificar outro. O ainda deputado, que logo será senador, utiliza outros argumentos, dizendo ser “perseguido político” em meio a uma trama para destruir o governo de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, e coloca a culpa na imprensa, que é uma espécie de mordomo de filme de vampiro e sempre é considerada suspeita.

Por coincidência, nesta terça-feira o ministro Luiz Fux, vice-presidente do Supremo, fez uma defesa enfática da imprensa e da necessidade de transparência nos atos públicos e dos servidores, entre os quais se inclui o ainda deputado quase senador.

FAZ SEU PAPEL – Há um certo exagero na cobertura do caso Flávio Bolsonaro, fato justificado pela disputa entre os diversos veículos de comunicação, que buscam fatos novos. É claro que esse foco somente ocorre porque Flávio é filho de Bolsonaro, cuja plataforma política sempre foi o combate à corrupção, entre outros temas moralizantes, digamos assim.

O interesse se exacerbou justamente pela atitude do ex-assessor Fabricio Queiroz, que se recusou quatro vezes a depor, porque jamais conseguirá explicar sua movimentação atípica, e tudo isso acabou conduzindo Flávio Bolsonaro por caminhos tristonhos, como diria o compositor Ary Barroso.

O supostamente exagerado interesse da imprensa é compreensível. A família Bolsonaro já jogou muita pedra na vidraça dos outros, em matéria de corrupção e moralidade, mas agora é ela que está vitrine, com suas faces ocultas sendo exibidas ao respeitável público.

REAÇÃO DA IMPRENSA – Outro fator é que o clã Bolsonaro também atrai reação da imprensa porque desde sempre o patriarca e os filhos vivem a esculhambar os órgãos de comunicação, inclusive ameaçando diminuir as verbas de publicidade. E são afirmações feitas abertamente, demonstrando uma falta de habilidade que chega a ser constrangedora, como se a relação entre governo e imprensa tivesse de se transformar numa batalha campal.

Essas incompreensões precisam ser superadas, o núcleo duro do governo Bolsonaro tem de atuar com jogo de cintura, sem radicalismos excessivos. Meio caminho já está andado. É auspicioso saber que não há mais influência do extremista Olavo de Carvalho, que agora está destinado a se tornar o maior inimigo de Bolsonaro, podem acreditar.

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P.S. –
Um dado positivo é a declaração de Bolsonaro sobre seu filho Flávio, que terá de se defender sozinho, mas depois o presidente se arrependeu e voltou a dizer que o filho é vítima de arbitrariedade. De qualquer maneira, as implicações que possam atingir Bolsonaro pai não serão suficientes para derrubá-lo, conforme ficou provado na gestão de Michel Temer. 

P.S. 2As perspectivas são de que Bolsonaro faça um bom governo, se conseguir uma reforma da Previdência que não mantenha privilégios, o que é uma meta muito difícil, porque os militares já estão excluídos. Sabe-se que os problemas econômicos são terríveis, porque muitos estados e municípios estão tecnicamente quebrados. Mas o Brasil é um gigante adormecido que pode acordar a qualquer momento, para melhorar de vida. Vamos aguardar. (C.N.)

Discurso mostra que Bolsonaro está no rumo certo, mas a assessoria é muito fraca

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Jair Bolsonaro anunciou uma política externa independente

Carlos Newton

Um dos problemas de Jair Bolsonaro, que tem muitos, é a precariedade de sua assessoria. Cercar-se de oficiais-generais é muito bom, nesta fase em que o Brasil precisa de seriedade e dedicação, mas isso não basta. É preciso incluir na entourage direta alguns intelectuais, que possam dar enfoques especiais aos pronunciamentos do chefe do governo. Essa participação em Davos, por exemplo, foi uma oportunidade de ouro, que Bolsonaro não soube aproveitar em todo o potencial.

Com a ausências de Donald Trump (EUA), Theresa May (Reino Unido) Emmanuel Macron (França), Vladimir Putin (Rússia) e Xi Jinping (China), o estreante Jair Bolsonaro se transformou na maior atração do Fórum Econômico Mundial e atraía todas atenções. Era a hora e a vez de acontecer, diria o diplomata Guimarães Rosa, mas seu discurso deixou a desejar.

SEM DETALHES – Não sei quem foi o autor do pronunciamento, o maior suspeito é o ministro Paulo Guedes, mas deve ter sido escrito a várias mãos, e isso às vezes tira o brilho, porque o texto cai numa simplicidade entediante, quando necessita de detalhes, lampejos, com tiradas inteligentes e até alguns instantes de humor. Faltou essa pimenta, embora os principais objetivos tenham sido focalizados.

O mais importante foi a constatação de que Bolsonaro se livrou da influência patética dos filhos adoradores de Olavo de Carvalho e passou a respeitar a opinião do núcleo duro do Planalto, formado por três militares (Augusto Heleno, Hamilton Mourão e Santos Cruz) e dois civis (Gustavo Bebianno e Onyx Lorenzoni).

Em seu reduto na Virginia, interior dos EUA, Olavo de Carvalho está desesperado com a volta por cima de Bolsonaro, que libertou o governo e não segue mais as instruções políticas e econômicas que o defensor do ultraliberalismo tentou impingir, com destaque para a submissão aos interesses dos Estados Unidos.   

SEM PRESTÍGIO – A mensagem mais relevante do discurso de Bolsonaro foi a política externa sem viés ideológico, uma característica marcante da diplomacia brasileira, que o PT do chanceler Celso Amorim jogou na lata do lixo.

Lembrem-se que o novo chanceler Ernesto Araújo tentou impor o estilo ensandecido de Olavo de Carvalho no Itamaraty, só faltou adotar a verborragia chula e pornográfica. Mas sua festa durou pouco. No discurso de posse, com trechos em grego e tupi-guarani, logo se percebeu que Araújo tem problemas e foi blindado pelo governo, para evitar maiores problemas.

Hoje quem manda na política externa é o núcleo duro do Planalto, e os postos-chave do Itamaraty estão sendo preenchidos por embaixadores de larga experiência, como ocorria desde sempre.

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P.S.
Ainda no tocante ao discurso, percebe-se um erro absurdo. “Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios”, disse Bolsonaro, esquecido de que o Brasil é a nona economia e o quinto maior pais em número de habitantes, o que significa uma grande mercado consumidor. Por isso, estão instaladas aqui mais de 400 das 500 maiores multinacionais do mundo. Dizer que o Brasil não está na lista dos 50 melhores país para investimentos é Piada do Ano. Este tal ranking pode até existir, mas jamais deveria ser levado a sério. Fica claro que Bolsonaro precisa melhorar sua assessoria. (C.N.)

Procurador-geral reage e demonstra que Flávio Bolsonaro não é “perseguido político”

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Procurador-geral respondeu a Mourão, sem citar-lhe o nome

Carlos Newton

É claro que não ia dar certo essa imitação da defesa de Lula da Silva, que se baseia exclusivamente na suposição de que o petista seria um “perseguido político”, tipo Nelson Mandela, Mahatma Ghandi ou Jawaharlal Nehru. Se não funcionou com Lula, que ainda é um líder político de renome mundial e recorreu até às Nações Unidas, seria óbvio que essa estratégia não iria ter êxito em relação a Flávio Bolsonaro, um mero deputado estadual sem a menor expressão, que somente se projeta na política pelo uso do sobrenome.

Essa versão de “perseguido político” para atingir Bolsonaro pai surgiu timidamente, quando o ex-assessor Fabricio Queiroz se recusou a depor. Falava-se no assunto, mas nenhuma autoridade tinha coragem de defender essa patética tese em público.

DISSE MOURÃO – O deputado Flávio Bolsonaro fazia insinuações a respeito, mas sem abrir o verbo. Até que no sábado, véspera de assumir a Presidência da República na viagem de Bolsonaro a Davos, o vice Mourão deu entrevista a Vinicius Sassine, de O Globo, e criticou abertamente a Procuradoria de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

“São várias pessoas investigadas nessa operação, na Furna da Onça. As quantias que estavam ligadas ao Flávio eram as menores. As maiores, se não me engano, eram ligadas a um deputado do Partido dos Trabalhadores. E ninguém está falando nisso. Eu acho que está havendo algum sensacionalismo e direcionamento nesse troço. Por causa do sobrenome. Não pela imprensa, que revela o que chega às mãos dela. O Ministério Público tem de ter mais foco nessa investigação” – afirmou Mourão.

JÁ SE SABIA – Quando o vice-presidente deu essa lamentável declaração, já era sabido que Flávio Bolsonaro não estava sendo perseguido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Outros 26 deputados estaduais e seus assessores, citados no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ), também eram alvo de investigações na área cível.

E mais grave: sabia-se também que, enquanto Flávio Bolsonaro se recusava a prestar depoimento, quatro dos principais acusados já tinham procurado o Ministério Público para dar explicações – os deputados André Ceciliano (PT), Luiz Paulo (PSDB), Paulo Ramos (PDT) e Tio Carlos (SD).

O desconhecimento demonstrado por Mourão exibe o amadorismo da Comunicação Social do Planalto, que não consegue sequer fazer um “clipping” (resumo das notícias”) para orientar os governantes. Se houvesse um “clipping”, o vice não ofenderia o Ministério Público.

MP REAGE – O procurador-geral Eduardo Gussem reagiu prontamente às acusações de Mourão. Reuniu a imprensa e mostrou que o MP está investigando 27 deputados e quase 80 assessores, não existe “perseguição política” a Flávio Bolsonaro nem a Fabricio Queiroz. Portanto, o vice Mourão perdeu uma boa oportunidade de ficar calado.

Gussem apresentou provas estarrecedoras, mostrando que a Assembleia do Rio se transformou numa verdadeira usina de corrupção e enriquecimento ilícito. E ressaltou que o MP não persegue ninguém, apenas cumpre sua obrigação.

Não sei se foi mera coincidência, mas o fato é que Bolsonaro vai se operar segunda-feira, dia 28, ficará no mínimo dez dias em recuperação, mas não vai passar a faixa ao vice Mourão, conforme era esperado.

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P.S. 1 –
A versão de que Bolsonaro vai seguir “despachando” normalmente” dentro do Albert Einstein, em São Paulo, é mentirosa. Nenhum governante pode fazê-lo, porque isso obrigaria os ministros a viajarem de Brasília e tumultuaria a rotina do hospital. O mais interessante, intrigante e inquietante é a falta de motivo. O Planalto não apresentou a razão dessa esquisitice.

P.S. 2 – Como não há motivo, surgem as especulações: 1) Bolsonaro não acha Mourão competente? 2) O presidente teme que o vice crie algum problema? 3) Ou tem medo de que ele goste da experiência?

P.S. 3 – O certo é que, como dizia o Barão de Itararé, há algo no ar e não são os aviões de carreira rumo a Davos. (C.N)

Estratégia do Planalto imita PT e indica Flávio Bolsonaro como ‘perseguido político’

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Charge do Laerte (laerte.com)

Carlos Newton

A crise está cada vez mais grave e até agora o presidente Jair Bolsonaro não fez nenhum comentário nem postou mensagem nas redes sociais. O motivo do silêncio é óbvio – o chefe do governo não fala nada, porque não tem o que dizer. A estratégia do Planalto é tentar desconhecer o assunto, como se ele “non eczistisse”, no dizer do padre Quevedo. Mas essa posição é um delírio, não se pode esconder uma questão desta gravidade.

A única autoridade que saiu em defesa de Flávio Bolsonaro foi o vice-presidente Hamilton Mourão, que acabou falando bobagens. 

DISSE MOURÃO – Sem saber direito o que está acontecendo, Mourão teve a ousadia de criticar a atuação do Ministério Público do Rio de Janeiro. Disse ao repórter Vinicius Sassine, de O Globo, que falta “foco” ao MP e que existe “sensacionalismo” e “direcionamento” na investigação envolvendo o filho do presidente da República e o ex-assessor Fabrício Queiroz

“São várias pessoas investigadas nessa operação, na Furna da Onça. As quantias que estavam ligadas ao Flávio eram as menores. As maiores, se não me engano, eram ligadas a um deputado do Partido dos Trabalhadores. E ninguém está falando nisso. Eu acho que está havendo algum sensacionalismo e direcionamento nesse troço. Por causa do sobrenome. Não pela imprensa, que revela o que chega às mãos dela. O Ministério Público tem de ter mais foco nessa investigação” – afirmou o vice-presidente.

MP ESTÁ AGINDO – Vinicius Sassine, que é um excelente jornalista, não deixou por menos. Depois de assinalar que Mourão adotou a estratégia do Planalto, que recomenda distanciamento do caso por parte dos membros do governo, o repórter publicou uma informação que isenta o Ministério Público, ao revelar que, enquanto Flávio Bolsonaro tenta evitar o depoimento, os outros quatro deputados estaduais que têm assessores com movimentações atípicas já procuraram os procuradores e prestaram explicações.

São eles: André Ceciliano (PT), Luiz Paulo (PSDB), Paulo Ramos (PDT) e Tio Carlos (SD). Ou seja, fica claro que o foco do MP não é apenas Flávio Bolsonaro e seu assessor milionário.

NADA A VER??? – Mourão insiste na estratégia do Planalto, dizendo que é uma questão do Flávio Bolsonaro, não tem nada a ver com o governo federal. “Esse assunto pertence ao Flávio e aos assessores dele. Vamos aguardar os esclarecimentos que tiverem de ocorrer por parte dele mesmo e da própria investigação que está em curso”, alega o vice-presidente.

Por sua vez, outros importantes membros do primeiro escalão do governo já desistiram dessa linha de defesa. O ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), por exemplo, vinha declarando que o governo nada tem a ver com isso, mas no domingo passou a dizer que não vai se meter “nesse negócio”. E o ministro da Justiça, Sérgio Moro, também se recusa a comentar.

EM DAVOS – Nesta segunda-feira, Bolsonaro e Moro chegam ao Fórum Mundial de Davos. A imprensa mundial está aguardando os dois, que cancelaram as entrevistas coletivas.

Detalhes: em Davos, ambos pretendem apenas falar de combate à corrupção “latu senso”, mas sem entrar em detalhes familiares, digamos assim. Mas o povo quer ser justamente esses detalhes, que não foram informados nem mesmo aos advogados de Fabricio Queiroz, aquele subtenente da PM da confiança da família Bolsonaro, que movimentou R$ 7 milhões num período de apenas três anos e alega fazer “negócios” comprando e revendendo carros usados.

Até agora, os únicos carros encontrados no nome de Queiroz são uma Belina 86 e um Voyage 2010. Como Piada do Ano, a coisa vai bem; como “explicação plausível “de inquietante movimentação financeira, vai muito mal.

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P.S.
Os ministros militares estão numa situação constrangedora. Porém, o mais afetado é o ministro Sérgio Moro, da Justiça, que largou a magistratura e entrou no governo para combater a corrupção no país e jamais esperava se defrontar com problemas internos tão delicados, logo nas primeiras semanas. (C.N.)

Os generais e o ministro Moro estão cada vez mais constrangidos, mas o que fazer?

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Heleno: Bolsonaro acha que o caso do filho não lhe afeta

Carlos Newton

Nos seus áureos tempos de humorista na TV Globo, o multimídia Jô Soares criou um personagem muito interessante, que caía na lábia de qualquer político que lhe contava uma história, quebrava a cara e depois encerrava o quadro com o seguinte bordão, olhando para a câmera de TV: “E eu acreditei!!!”. Milhões de eleitores e muitos auxiliares diretos, ministros e amigos de Jair Bolsonaro estão na mesma situação. Acreditaram na severa pregação do candidato contra a corrupção na política e agora estão perplexos com o rumo dos acontecimentos.

Entre os importantes personagens que foram surpreendidos com o caso de Flávio Bolsonaro estão o ex-juiz Sérgio Moro, a advogada Janaina Paschoal, o general Augusto Heleno e o vice Hamilton Mourão.

BAIXO ASTRAL – O clima no Planalto está sufocante. Ninguém quer se meter no assunto, mas fica difícil tirar o corpo fora, porque o assédio da imprensa é absurdo. Na última terça-feira, dia 15, antes do novo escândalo, o ministro Sergio Moro deu longa entrevista à Globonews e falou até sobre o caso de Queiroz, sempre saindo pela tangente, ao repetir a justificativa de Bolsonaro pai. Mas agora esse comportamento não é mais admissível e os jornalistas não aceitarão evasivas. Moro vai ter de fugir dos jornalistas;

Aliás, a situação de Moro está desconfortável desde que elogiou Onyx Lorenzoni, em 6 de novembro, dizendo ter “grande admiração” por ele e minimizando a acusação de caixa 2, ao alegar que o parlamentar gaúcho já havia confessado o erro e pedido desculpas. Depois, surgiram denúncias de que Onyx usou notas fiscais em série da “consultoria” de um amigo para justificar “gastos” de sua cota parlamentar, e isso Moro jamais pode aceitar. É melhor ficar calado.

E OS GENERAIS? – É claro que a decepção dos generais é imensa. Conseguiram assumir o poder democraticamente, mas o presidente não era bem o que eles esperavam. Na sexta-feira, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, disse apenas que o Bolsonaro considera que o assunto do filho Flávio não lhe diz respeito. Para o general, é duro entrar no jogo político e ter de dar esse tipo de declaração nada verdadeira.

A imagem de Bolsonaro está definitivamente afetada pelo cheque recebido de Queiroz em nome da primeira-dama. Mas isso não significa que o governo acabou. Pelo contrário, está apenas começando.

O que vai acontecer é que Bolsonaro terá de se recolher à sua insignificância, permanecendo à frente do governo apenas de forma representativa, para deixar os militares exercerem o poder em sua quase plenitude.

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P.S.Vai ser bom? Vai ser ruim? Só o futuro nos dirá. O certo é que a reforma da Previdência pouco afetará os militares. Este será o preço que cobrarão para administrar o país, além da equiparação salarial aos ministros do Supremo, é claro. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

A dúvida é saber se Bolsonaro foi informado e aprovou o pedido de Flávio ao Supremo

Dida Sampaio/Estadão

Onyx afirma que Bolsonaro sofre uma tentativa de desgaste

Carlos Newton

Como dizia Raul Seixas, a serpente está na terra, o programa está no ar. E com certeza não se fala em outra coisa, é o grande assunto do momento e vai continuar assim até o início de fevereiro, quando o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, enfim vai decidir se mantém na primeira instância a investigação sobre movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Tudo indica que o pedido de foro privilegiado no Supremo será recusado e a investigação sobre Flávio Bolsonaro e Fabricio Queiroz continuará a cargo do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O próprio Marco Aurélio Mello já sinalizou claramente essa tendência. Mas ainda há algumas perguntas que continuam no ar.

BOLSONARO SABIA? – Há muitas dúvidas, mas a questão principal é saber se o presidente Jair Bolsonaro foi consultado a respeito da decisão de Flávio recorrer ao Supremo e aceitou essa ideia tresloucada. Ou será que a ideia partiu do próprio Bolsonaro, que parece ser meio desatinado e muito desabusado? No Brasil de hoje em dia, tudo é possível, não é mesmo?

O mais provável, na minha opinião, é que a ordem tenta partido do próprio Flávio Bolsonaro ou de seu advogado Hugo Mendes Plutarco, que divulgou nota alegando que o Ministério Público do Rio de Janeiro teria quebrado ilegalmente os sigilos fiscal e bancário do deputado estadual, agora eleito senador.

Será que realmente aconteceu a quebra de sigilo e a apuração complicou Flávio Bolsonaro? Mas isso não ocorreu, porque o Coaf pode encaminhar extratos sem a indispensável autorização judicial, e o caso muda de figura, a investigação não pode ser anulada.

APENAS SUSPENSA – O fato concreto é que Fux apenas suspendeu a investigação. Se houvesse provas de ilegalidade em quebra de sigilos fiscal e bancário (o advogado mencionou os dois, por escrito), certamente o vice-presidente do Supremo teria agido com toda a energia.

Então, vamos partir do princípio de que a investigação vai prosseguir a partir do dia 2 de fevereiro. É claro que o Ministério Público estadual vai retomar o caso com rigor redobrado e situação de prioridade, devido à ofensa que a defesa de Flávio Bolsonaro fez aos procuradores e distribuiu à imprensa.

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P.S. – Depois do impacto inicial, a entourage  de Bolsonaro pai  começou a se manifestar e Onyx Lorenzoni disse que o presidente está sendo vítima de um processo de tentativa de desgaste. O chefe da Casa Civil errou parcialmente na avaliação. Bolsonaro está sendo vítima de tentativa de desgaste, é claro, mas o processo contra ele ainda vai demorar muito. (C.N.)

Por mais que a gente vote, não consegue um político decente para governar o país

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Ao buscar o Supremo, Flávio antecipou uma crise gravíssima

Carlos Newton

Para quem ainda espera e torce para que o país mude, a sensação foi de um enorme desânimo, ao tomar conhecimento de que o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) tinha obtido uma liminar do Supremo Tribunal Federal para suspender as investigações sobre as movimentações atípicas envolvendo Fabrício Queiroz , ex-assessor de seu gabinete.

“EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL” – O pedido ao STF foi um absurdo, porque constitui uma verdadeira confissão de culpa do deputado Flávio Bolsonaro, demonstrando que não há nem nunca houve “explicação plausível” sobre o comportamento de Queiroz, que se diz um “cara de negócios”, esquecido de classificar que se trata de “negócios escusos”.

Na reclamação feita ao Supremo, Flávio Bolsonaro argumentou que deveria ser processado no STF pelo fato de que assumirá o mandato no Senado em poucos dias, quanto terá (?) foro privilegiado.

FUX ERROU – A decepção foi ainda maior, porque o ministro Luiz Fux, considerado um dos maiores processualistas brasileiros, aceitou a liminar e decidiu pela suspensão das investigações, por entender que cabe ao relator sorteado no STF, ministro Marco Aurélio Mello, definir em que foro o caso deve prosseguir.

Com a máxima vênia, a jurisprudência do Supremo é clara e o próprio Fux participou do julgamento sobre o foro privilegiado, que limitou sua aplicação apenas a ilícitos cometidos durante o atual mandato. Ou seja, crimes anteriores devem ser julgados normalmente em primeira instância, seja federal ou estadual, dependendo da situação.

Além disso, não era caso de urgência, sem “fumus boni iuris” (aparência de direito real) nem “periculum in mora” (perigo de dano). Portanto, Fux não deveria ter se manifestado, bastava aguardar o fim do recesso. Mas tratava-se do filho do presidente, e é sabido que no Brasil nem todos são iguais perante a lei, a Constituição que nos perdoe.

CRIOU-SE A CRISE – O pedido de Flávio Bolsonaro ao Supremo não só é uma completa confissão de culpa, como também antecipa uma crise desnecessária, que só viria a eclodir muito tempo depois, quando fosse concluído o inquérito sobre o comportamento marginal da famiglia Queiroz, sendo a denúncia aceita pela Justiça.

Fica claro que não há “explicação plausível”, repita-se, e o ex-assessor Queiroz agia em nome do deputado estadual ao fazer a cobrança do pedágio dos falsos assessores, supostamente “contratados” sem prestar serviços, e a finalidade era enriquecer ilicitamente o parlamentar.

Aliás, essa movimentação atípica justifica com clareza o vultoso patrimônio imobiliário da família. Na verdade, Flávio Bolsonaro indiretamente confessou o crime e deixou muito mal seu pai, ao abrir uma grave crise institucional que apenas se esboçara.

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P.S. 1
Fica provado que, além de desonesto, Flávio Bolsonaro também é um completo idiota, porque a jurisprudência do Supremo vai devolver o caso à Justiça do Rio de Janeiro.

P.S. 2E também fica provado que, por mais que a gente vote, não consegue eleger um político decente que realmente mereça governar o país. O último que teve esse predicado chamava-se Itamar Franco e está cada vez esquecido. (C.N.)

Quem pedia um governo militar já foi atendido, agora é esperar pelos resultados

ditadura

Charge do Iotti (Zero Hora)

Carlos Newton

Quando o desgoverno de Dilma Rousseff passou a fazer água e sobreveio a maior recessão de todos os tempos, iniciou-se um forte movimento a favor da intervenção militar. As redes sociais, sites e blogs transmitiam esse recado, que o então deputado Jair Bolsonaro soube interpretar ao se lançar candidato à Presidência da República. Na época, por um erro de avaliação, o pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC (Partido Social Cristão), negou legenda a Bolsonaro, a quem tinha batizado nas águas do Rio Jordão em março 2017. Foi a maior mancada política da História Republicana.

Se tivesse apoiado Bolsonaro, hoje o PSC do pastor estaria no poder em Brasília, com a maior bancada da Câmara, dois governadores (Wilson Witzel, no Rio de Janeiro, e Wilson Lima, no Amazonas) e uma forte participação também no senado, com cinco representantes.

SEM PARTIDO – Conseguir uma legenda para disputar a eleição foi um drama para Bolsonaro, liminarmente recusado por todos os partidos evangélicos. No desespero, assinou compromisso de se filiar ao PEN (Partido Ecológico Nacional) que se empolgou e até trocou de nome, para Patriotas. Mas o acordo não foi em frente e Bolsonaro ficou novamente sem legenda. Por incrível que pareça, as pesquisas já o indicavam como o maior rival de Lula, mas nenhum partido se interessava, algo inexplicável. Até que, na undécima hora, surgiu o nanico PSL… E, depois houve o esfaqueamento, que ajudou muito a eleger o capitão.

Essa aversão dos partidos a Bolsonaro era justificada, porque todos sabiam que a verdadeira legenda dele era verde-oliva. Os políticos temiam um retrocesso institucional, que era justamente o objetivo de expressiva parcela da opinião pública, já farta de tanta corrupção e incompetência.

GOVERNO MILITAR – No final, o que hoje se vê é um meio-termo. Pela primeira vez, o país tem um governo militar eleito nas urnas. Como diz o ditado, Deus às vezes escreve certo por linhas tortas. O mais interessante é que os militares se garantem e acham que têm condições de levar o país a bom rumo.

Concordo que a incompetência dos civis foi tamanha que a expectativa é de que os militares se saiam bem. Aliás, são muito mais confiáveis do que os civis. Pessoalmente, não acredito que irão entregar a Petrobras, considerada hoje a petroleira de maior potencial de crescimento no mundo, nem tampouco a Eletrobrás, por sua função estratégica.

Os oficiais-generais são discretos, parecem que estão devagar, mas em duas semanas já dominaram o governo e restabeleceram a diplomacia independente, a única que realmente funciona.

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P.S. 1
Bolsonaro precisa se dar conta de que tem um cargo representativo e deixar os generais governarem. Pessoalmente, sou contra ditaduras civis ou militares, há uma ficha extensa com meu nome no Doi-Codi, da qual muito me orgulho. Mas ressalvo que não tenho nada contra um governo militar eleito pelo povo. Pelo contrário, torço para que dê certo.

P.S. 2Na Era Moderna, esquerda e direita já eram. Escrevo sobre esta realidade desde a década de 80, quando meus artigos foram debatidos na Escola Superior de Guerra, e estou apenas repetindo o que penso. Hoje, o importante é apenas o governo fazer a coisa certa, em defesa do interesse nacional, sem se mostrar refém de ideologias e correntes doutrinárias, como é o caso do superministro Paulo Guedes, que se orgulha de ser monetarista de Chicago. E podem me chamar de “comuna” à vontade, para mim é elogio. Aliás, tenho convicção de que os militares também são socialistas, mas ainda não perceberam. Capitalistas é que eles não são…  (C.N.)

Em Brasília, a expectativa é de que Renan poderá ajudar Bolsonaro no Senado

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Renan diz que está pronto para conversar com Bolsonaro

Carlos Newton

Tenho conversado muito com o advogado e jornalista José Carlos Werneck, primo de Carlos Lacerda e que sabe tudo de política. Ele me diz que em Brasília a perspectiva é de que Renan Calheiros (MDB-AL) ganhe a eleição para presidir o Senado pela quarta vez. E o mais interessante é que há expectativa é de uma parceria de Renan com o presidente Bolsonaro para aprovar as propostas apresentadas pelo governo.

Como se sabe, em fevereiro Renan perde o foro privilegiado e as investigações sobre ele seguirão para a primeira instância, porque a nova jurisprudência do Supremo diz que o foro só se aplica a ilícitos cometidos no  mandato atual. Se for denunciado e se tornar réu, não poderá entrar na linha sucessíria,

E ainda sobre Renan, para motivar ainda mais os debates, vamos transcrever abaixo os comentários de Antonio Santos Aquino e Roberto Nascimento.

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TODOS ESTÃO ENVOLVIDOS EM TRAPALHADAS

Antonio Santos Aquino

Renan é um dos senadores mais capacitados. Em 2016, economizou R$ 210 milhões para o Senado. Bonzinho e direitinho, lógico que ele não é. Errou tem que pagar. Mas o problema é que esse governo já entrou fazendo o diabo. O que tem de corruptos é uma monstruosidade. Quase todos estão envolvidos em trapalhadas. Até o general Augusto Heleno já foi condenado pelo Tribunal de Contas da União em 2013, por falta de licitação, junto com o general Joaquim Silva e Luna, ministro da Defesa na gestão Temer, mas seus advogados recorreram e o caso foi arquivado.

Então é o “velho ditado”. Para lidar com cobras venenosas tem que botar outra junto, porque é veneno contra veneno. O resto é falso moralismo. E tem mais: Renan pode ser o que for, mas é um jurista poderoso e já foi ministro da Justiça.

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NÃO HÁ “SANTOS” NO SENADO
Roberto Nascimento

Concordo com você, mestre Aquino. Renan não é santo, mas aponte alguém no Senado ou na Câmara que o seja? Entendo que os representantes do povo, mesmo com aspas, é que devem eleger seus líderes para comandar o Senado e a Câmara.

Por que tanta implicância com o Renan, enquanto nada falam sobre o Rodrigo Maia? Creio que está havendo um partidarismo à direita do espectro político, deverasmente exacerbado e perigoso.

Daqui a pouco, a realidade bate à porta dessa gente e depois advém a decepção, como aconteceu com esses mesmos que execram o Lula, mas antes votaram nele na esperança de mudança, que afinal não veio, pois a mudança ocorre sempre a favor dos poderosos de plantão, sejam eles da esquerda ou da direita.

DIÁLOGO ELEGANTE – Deveríamos cultuar o diálogo, o contraditório elegante e respeitador, próprio das democracias, assim todos aprenderiam uns com os outros e a sociedade teria capacidade melhor de julgar seus governantes, eleitos pela massa para ser o contraponto entre os ricos e os pobres.

Caso contrário, cairemos na mesma esparrela do falso esquerdismo petista, a ponto do próprio Lula ter afirmado que os empresários e banqueiros, sob a sua batuta, nunca terem ganho tanto dinheiro.

Gente, capitalismo é acima de tudo lucro e para obtê-lo todas as fake-news ou fatos alternativos serão apresentados ao distinto público, que digerirá tudo tranquilamente, sejam dançando o carnaval, tomando suas cervejas e caipirinhas ou destilando veneno nas redes sociais.

Decreto das armas é uma farsa; governo não liberou armas aos cidadãos de bem

Até o governo Lula, a arma era registrada sem burocracia

Carlos Newton

O tão esperado decreto da posse de arma foi uma fracasso retumbante, não somente do presidente Jair Bolsonaro, mas também do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que assinou junto com o chefe do governo a alteração do decreto 5123, de 2004, que regulamentava o Estatuto do Desarmamento. Para o chamado cidadão de bem, que sonhava em comprar uma arma para proteger sua família e dormir menos atormentado em meio à essa guerra que se vê nas ruas, a decepção é enorme.

Cercado de muita expectativa enorme, o extenso decreto foi apenas um tiro na água, porque manteve toda a tortuosa malha burocrática criada pelo governo Lula para desarmar os cidadãos. A quantidade de exigências é de tal ordem, que dificilmente haverá a corrida às armas que se esperava.

UMA MUDANÇA – Parece brincadeira, mas é verdade. A única mudança na burocretinice do governo Lula foi que o delegado federal não tem mais o direito de vetar a compra da arma, alegando que não há justificativa. No entanto, ao contrário do que se esperava, foram mantidas todas as demais exigências do autoritarismo petista, como curso de tiro e exame psicológico, e continuou a ser exigida a renovação do registro, que teve apenas sua validade estendida de 5 para 10 anos.

Caramba! Não dá para entender por que a equipe de Bolsonaro e Moro demorou tanto para parir essa excrescência jurídica. Afinal, por que manter as dificuldades absurdas existentes no Estatuto do Desarmamento?

A promessa do candidato Bolsonaro era um teatro, um jogo de faz-de-conta? Por que sua equipe não se deu ao trabalho de pesquisar como funcionava a compra e venda de armas no regime militar? Será assim que o presidente Bolsonaro vai “cumprir” as demais promessas?

NO REGIME MILITAR – O fato concreto é que no Brasil o cidadão de bem já foi respeitado e tinha direito à legítima defesa, inclusive no regime militar. Até o governo Lula e seu maldito Estatuto do Desarmamento, qualquer cidadão brasileiro tinha direito de entrar numa loja, escolher o modelo da arma e fazer a encomenda. Apresentava seus documentos (carteira de identidade, CPF e prova de residência) e a própria loja era responsável por providenciar o registro de propriedade da arma. Não havia burocracia.

Se a pessoa tivesse ficha limpa (bons antecedentes), em poucos dias a Polícia Civil autorizava a venda e emitia o Certificado de Registro, através da Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos. Simples assim.

Isso não existe mais. Bolsonaro mentiu, manteve a mesma burocracia e o alto custo do procedimento. Para entrar com o pedido na Polícia Federal o cidadão continua obrigado a pagar uma taxa de quase R$ 100, além de realizar um teste psicológico de R$ 250. O teste técnico custa outros R$ 200 e a realização de um curso básico de tiro pode chegar a R$ 600.

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P.S. 1 –
Em pleno regime militar, entrei na Mesbla, escolhi um 38, apresentei a documentação pessoal e comprei. Alguns dias depois, voltei à loja para pegar a arma e o Certificado de Registro, a custo zero. A loja é que pagava o registro. Era assim que funcionava, na época em que os cidadãos eram respeitados pelos governos.

P.S. 2 –Preciso comprar outra arma, porque vou morar num bairro onde não há policiamento. Mas me recuso a cumprir essas exigências idiotas. O governo precisa respeitar os cidadãos, como fazia antigamente.  (C.N.)

O Brasil não vai mudar de uma hora para outra, é preciso ter paciência e perseverança

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Bolsonaro não deve confiar completamente em ninguém

Carlos Newton

As eleições de 2018 e a renovação política no governo federal e em importantes governos estaduais, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, trouxeram um clima de enorme esperança à opinião pública. Mas é ilusão julgar que as coisas vão mudar de uma hora para outra.

LENTAMENTE – Governos são como transatlânticos ou grandes aeronaves, não conseguem fazer curvas abruptas, têm de ir virando lentamente. Por isso, já se nota uma certa impaciência nas redes sociais e nos comentários de sites e blogs. Todos querem mudanças já, mas isso não será possível.

O chamado jogo político não mudou nem vai mudar de uma hora para outra. É compreensível o desespero da opinião pública ao constatar que ainda continua havendo acordos políticos e até mesmo o toma lá, dá cá. Por isso, é preciso paciência.

ARTE DO POSSÍVEL – Há quem defina a política como a arte do possível. Pode ser. Mas como classificar a política em um país como o Brasil, com realidades regionais totalmente diversas, onde se insiste em tentar conviver a miséria absoluta e a riqueza total? É claro que este sistema é insustentável, mas a realidade é que nada tem sido feito para diminuir as desigualdades sociais, uma espécie de assunto tabu, jamais discutido em governos de transição.

Em tradução simultânea, o que se viu foi a transmissão de massas falidas, como é o caso da maioria dos governos estaduais e do próprio governo federal.

Não se fala no assunto, mas terá de haver uma nova negociação das dívidas estaduais, porque vários governadores estão cometendo crimes de responsabilidade, ao reter as parcelas de impostos a serem distribuídas às prefeituras, como está ocorrendo em Minas Gerais. Mas acontece que o governo federal também está tecnicamente quebrado.

CARTA BRANCA – O ministro da Economia tenta injetar otimismo, alardeando que a reforma da Previdência vai garantir dez anos de crescimento sustentável. Que bom se fosse verdade, mas soa como Piada do Ano, sem a menor graça.  O que Paulo Guedes pretende é uma carta branca para fazer o que bem entende, porém jamais a conseguirá.

Na verdade, é preciso abrir a caixa preta da Previdência e da Dívida Pública, discutir a aplicação de juros compostos e planejar estrategicamente o país, como era habitual nos governos militares, quando o Ministério do Planejamento fazia jus ao título, antes de se transformar num órgão meramente burocrático.

O fato concreto é que Bolsonaro está confiando demais em Paulo Guedes, quando não deveria confiar em ninguém. O exercício da Presidência é um ato solitário, porque não se pode transferir o poder. Se acontecer alguma coisa errada, é claro que será atribuída a Bolsonaro. Assim, é importante convocar as auditorias, porque os números são frios e não mentem, não enganam ninguém.

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P.S. 1
 – O povo brasileiro deu um voto de confiança ao presidente e aos novos governadores. Mas é bom lembrar que esse voto de confiança, como tudo na vida, tem prazo de validade.

P.S. 2 – Por fim, é auspicioso saber que os generais já conseguiram neutralizar o chanceler Ernesto Araújo e estão assessorando Bolsonaro diretamente nas questões internacionais. Araújo é diplomata, mas não tem o perfil indicado para comandar o Itamaraty. Isso significa que os filhos de Bolsonaro já não mandam tanto no governo e estão sendo colocados em seus devidos lugares. (C.N.)

De bermudas, o advogado Kakay ajuda a desmoralizar ainda mais a Suprema Corte

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Sorridente, Kakay posa para a foto no corredor do Supremo

Carlos Newton

Ao trafegar pelo Supremo Tribunal Federal usando bermudas e de sapato tênis, ou seja, despido das vestes mais elementares necessárias para aquele ambiente de seriedade, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, mas conhecido como Kakay, arrasta para o fundo do poço o próprio STF, desmoralizando rituais básicos da Justiça.

Defensor de 17 envolvidos na Lava Jato, suas demonstrações de poder e seu relacionamento com os ministros já ocorrem desde longa data, quando os recebia pessoalmente no restaurante Piantella ou em festas, no Brasil e no exterior, onde exteriorizava seus vínculos com autoridades públicas.

SUSPEIÇÕES ÓBVIAS – Esses relacionamentos se tornaram tão próximos e tão públicos que, na forma da lei, a grande maioria dos ministros deveria se considerar suspeita para julgar qualquer causa patrocinada por Kakay, isso se os ministros respeitassem e cumprissem as leis que regulam a suspeição de magistrados, é claro…

Quanto à foto que circulou no final de semana nas redes sociais, mostrando Kakay de bermudas no interior do Supremo, o insólito flagrante deixa no ar algumas perguntas: 1) Como Kakay entrou no Supremo vestido desta maneira? 2) Nenhum segurança e nenhum funcionário estranhou a presença dele no STF com aquela indumentária inusual? 3) Foi barrado em algum momento? 4) Mudaram o chamado “dress code”, as regras para indumentárias no tribunal? Ou a mudança das regras atingiu apenas advogados privilegiados como ele?

E outras perguntas se seguem: 5) Quem bateu a foto de Kakay, que está posando, sorridente? 6). Qual seria o objetivo? Alguma forma de publicidade?

AURA DE PODER – O consumo de bebidas caras e hábitos exóticos em companhia de autoridades na vida noturna confere a Kakay uma aura de poder inigualável na República. Com essa ultima demonstração ostensiva de impunidade, ao ingressar no STF de bermuda, certamente mostra ainda maior capacidade de influência junto aos ministros e a mídia, que lhe dá visibilidade.

Em tradução simultânea, já não basta os próprios ministros do Supremo se dedicarem a desmoralizar a Justiça brasileira, como tem ocorrido à miúde, bastando citar o habeas corpus de ofício que libertou José Dirceu sem ter sido requerido por sua defesa. Agora, surge também o advogado Kakay para esculhambar ainda mais a situação, demonstrando que a Suprema Corte brasileira está vivendo seus piores dias em tempos de democracia plena.

Bolsonaro será operado no dia 28 e o general Mourão ficará duas semanas no poder

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Bolsonaro vai se afastar e Mourão ficará 14 dias no poder

Carlos Newton

Se não houver contratempos, a nova cirurgia do presidente eleito Jair Bolsonaro, para a retirada da bolsa de colostomia, está marcada para o próximo dia 28 de janeiro, segundo a equipe médica do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. Mas tudo vai depender do exame a ser feito pela equipe do cirurgião Antônio Luiz de Vasconcellos Macedo, antes de Bolsonaro viajar para participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, entre os dias 22 e 25.

TERCEIRA CIRURGIA – Se estiver tudo bem, o presidente terá permissão para fazer a viagem e depois passar pela terceira operação, que retirará a bolsa de colostomia, para que seu aparelho intestinal volte a funcionar normalmente.

Segundo o chefe da equipe médica, o presidente ficará cerca de duas semanas afastado – sete dias no hospital, com acompanhamento permanente, e mais sete dias em casa, para completa recuperação.

Durante sua ausência, Bolsonaro será substituído pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que assumirá o cargo interinamente.

MATRIZ E FILIAL – Como se vê, o sistema de poder aqui na Filial Brasil é diferente do adotado na Matriz Estados Unidos. Lá, o vice-presidente somente assume quando o presidente está impedido de exercer a função. Ao viajar, o presidente norte-americano continua no poder e despacha normalmente a bordo do Air Force One ou no país onde se encontrar.

Recorde-se o caso de Ronaldo Reagan, que sofreu um grave atentado em 30 de março de 1981, 69 dias após ter assumido a presidência. Quanto saía do Hilton Hotel em Washington, a comitiva foi atacada a tiros por John Hinckley Jr., que era desequilibrado mental. O primeiro tiro atingiu a cabeça de James Brady, secretário de Imprensa da Casa Branca, que ficou incapacitado pelo resto da vida. O segundo disparo foi nas costas do policial Thomas Delahanty e o terceiro projétil atingiu a janela de um prédio do outro lado da rua. O quarto tiro acertou o abdómen do agente Tim McCarthy, da CIA, o quinto disparo atingiu o vidro à prova de balas da limusine presidencial, e o sexto e último projétil ricocheteou na carroceria e acertou o presidente na sua axila esquerda, passando de raspão por uma costela e se alojando no pulmão, parando quase a uma polegada do coração.

EM CONSCIÊNCIA – Em estado grave, Reagan foi internado para operação de emergência, mas surpreendeu a equipe médica e não permitiu receber anestesia geral, para não ser substituído pelo vice-presidente. Foi operado assim, em estado de consciência, aos 70 anos, e teve uma surpreendente recuperação, sem abandonar o poder em momento algum.

Aqui na Filial a conversa é outra. Toda vez que o presidente viaja, o vice tem de assumir, com aquela cerimônia ridícula e tudo o mais, em plena Era da Cibernética, com comunicação imediata em tempo real.

Assim, Mourão vai assumir e espera-se que não faça como o vice Manuel Vitorino Pereira, que ocupou o cargo durante quatro meses, em 1896, quando o presidente Prudente de Moraes adoeceu. Vitorino não conhecia limites, comprou o Palácio do Catete, transferiu o governo para lá, criou várias crises e causou a demissão do ministro da Justiça, Alberto Torres, um dos políticos mais importantes do país.

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P.S.
Como há males que vêm para bem, vamos ter oportunidade de ver Mourão no poder. Espera-se que não nomeie o filho para a presidência do Banco do Brasil, alegando que o rebento foi “perseguido em governos anteriores”. (C.N.)