Na reta final, Temer, Lula, Dirceu, Eike, Moreira e Meirelles entram na Piada do Ano

Eike é como Buster Keaton, faz a piada e fica sério

Carlos Newton

Com a entrada na reta final, o concurso Piada do Ano ganha inscrições de última hora, todos dispostos a levar o troféu a qualquer custo. A empolgação leva alguns concorrentes a exagerar na dose e suas anedotas acabam caindo no ridículo. O presidente Michel Temer, por exemplo, tem pouca inspiração, mas quer concorrer a todo custo e chegou a mandar fazer um reaproveitamento da grande piada de Dilma Rousseff e exibiu na TV a nova versão da “Saudação à mandioca”, uma das maiores criações de sua antecessora, que se notabilizou internacionalmente com a anedota “Estocagem do vento”, em plena Assembléia da ONU. No desespero, Temer já prepara até o lançamento de sua candidatura à reeleição, realmente uma anedota sensacional.

O ex-presidente Lula, que ganhou o troféu no ano passado com a piada “O homem mais honesto do mundo”, faz uma inscrição atrás da outra, em busca do bicampeonato. Sua candidatura, por exemplo, é uma grande piada, porque todo mundo sabe que ele será condenado em segunda instância no incrível caso do tríplex, que não era dele, mas quem orientou a reforma, mandou instalar elevador, encomendou uma piscina e escolheu até os equipamentos da cozinha foi Dona Marisa Letícia.

PERDOANDO TUDO – Na tentativa de ganhar novamente o concurso, Lula já se inspirou até em Nélson Rodrigues e relançou a piada “Perdoa-me por me traíres”, em duas versões. Primeiro, anunciou que vai perdoa todos os partidos que se uniram para aprovar o impeachment de Dilma Rousseff e tirar o PT do poder. Todo mundo caiu na gargalhada. Lula então se entusiasmou, emendando com piada de que vai perdoar também o juiz Sérgio Moro e a força-tarefa da Lava Jato, e só esperando que lhe peçam desculpas e arquivem os processos.

Isolado em Brasília, José Dirceu também se animou em participar. Entendiado por estar em prisão domiciliar e não haver roda de samba diária na capital, o ex-ministro  está disputando a Piada do Ano com o artigo que escreveu na Folha, no qual expôs sua “estratégia” para o PT ganhar as próximas eleições. Realmente, demonstrou alta criatividade.

EIKE SE INSCREVE – Aproveitando a oportunidade de se apresentar em “stand up comedy” numa CPI do Senado, o empresário Eike Batista também exercitou o humor nesta quarta-feira, dia 29, ao confirmar que existem influências políticas na concessão de empréstimos para o BNDES, mas ele próprio não recebeu nenhum favorecimento, porque seus projetos eram todos de “interesse nacional”.

Os senadores caíram na gargalhada e depois tiveram de aplaudir de pé quando Eike emendou e fez elogios à força-tarefa da Lava que o prendeu em janeiro na penitenciária de Bangu 9, quando ele teve de se livrar da peruca e assumir a careca. A piada realmente é ótima e original, porque foi a primeira vez que os senadores viram um réu enaltecer os responsáveis por sua punição, pois Eike ainda cumpre prisão domiciliar e não pode sair de casa à noite nem nos fins de semana e feriados.

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P.S.
A disputa é muito árdua. Uma piada atrás da outra. Nesta quarta-feira, Moreira Franco também se inscreveu, com a piada de que Temer pode apoiar a candidatura de Meirelles à presidência da República. Na Praça dos Três Poderes, foi uma gargalhada em uníssono, porque todo mundo sabe que Temer odeia Meirelles e acusa o ministro de querer faturar a recuperação da economia e levar todo o mérito por essa grande vitória governamental. Aliás, Temer quer justamente o contrário do que disse Moreira – seu plano é ser candidato à reeleição, com o apoio fundamental de Meirelles, que seria mantido como ministro no próximo governo. Portando, com a insistência em suas candidaturas, Meirelles e Temer também fazem piadas maravilhosas, é um nunca-acabar. (C.N.)

Lula pode perder as esperanças de ser candidato, não há mais a menor chance

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

Existem duas situações políticas totalmente distintas na eleição de 2018. A primeira hipótese parte do pressuposto de que Lula da Silva será candidato, irá para o segundo turno, disputará a Presidência contra Jair Bolsonaro e ninguém pode prever quem ganhará a eleição. A segunda possibilidade é de que Lula não consiga ser candidato, e assim o PT ficará fora do segundo turno e também será impossível antecipar quem irá enfrentar Bolsonaro. E tudo vai depende do resultado do julgamento de sua Apelação ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), contra a condenação a nove anos e meio de prisão aplicada pelo juiz Sérgio Moro, por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

Como se sabe, para ter sua candidatura registrada pela Justiça Eleitoral, Lula precisará de pelo menos um voto a favor no julgamento da 8ª Turma do TRF-4, para que seus advogados possam apresentar embargos infringentes e adiar a decisão, de forma a permitir o registro da candidatura.

SEM CHANCE – Sonhar ainda não é proibido, mas já está mais do que evidente que Lula será condenado no TRF-4. Nesta terça-feira, dia 28, a 8ª Turma negou um importante recurso da defesa de Lula para dar sequência ao mandado de segurança que solicita o desbloqueio de bens dele, no processo da Lava Jato envolvendo o tríplex em Guarujá.

O pior foi que a 8ª Turma, além de manter o bloqueio de R$ 16 milhões, estabelecido como dano mínimo, também determinou o sequestro do apartamento, que foi devolvida à empreiteira OAS pela família Lula da Silva, está fechado e não pode ser vendido nem alugado.

Com esta decisão, tomada por unanimidade, a 8ª Turma do Tribunal sinaliza que vai manter a condenação de Lula, que também já teve bloqueados judicialmente mais de R$ 600 mil em contas bancárias e cerca de R$ 9 milhões que estavam depositados em dois planos de previdência privada.

UM DIA DE CÃO – Foi uma terça-feira terrível para a defesa de Lula. Além da decisão negativa da 8ª Turma do Tribunal, houve a publicação de uma importante matéria de José Marques na Folha de S. Paulo, mostrando que os desembargadores federais estão acelerando cada vez os julgamentos dos processos da Lava Jato.

A fila anda e o levantamento feito pelo excelente repórter demonstra que a Apelação apresentada pela defesa de Lula não tarda a ir a julgamento. E isso acontecerá bem apenas no início do registro das candidaturas, que só acontecerá em agosto.

O julgamento de Lula não vai demorar, porque Ministério Público Federal já encaminhou parecer à 8ª Turma do TRF-4, reforçando o pedido de condenação. Agora só falta o voto do relator João Pedro Gebran Neto, que será encaminhado ao revisor Leandro Paulsen, que então analisará o parecer e marcará a data do julgamento, que tudo indica confirmará a condenação de Lula por 3 votos a 0, impedindo que sua candidatura seja registrada na Justiça Eleitoral, devido à Lei da Ficha Limpa.

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P.S.
É impressionante que importantes observadores políticos continuem analisando a sucessão presidencial de 2018 como se a candidatura de Lula fosse irremovível, um fato consumado, quando na verdade é apenas uma obra de ficção, com prazo de validade prestes a vencer. Lula já é carta do baralho e a grande dúvida é saber quem irá enfrentar Bolsonaro no segundo turno. Estou com vontade de abrir um bolo esportivo aqui na TI, para saber quem a galera acha que vai preencher a vaga de Lula na sucessão. Como diz a Bíblia, muitos são chamados, mas poucos os escolhidos. (C.N.)

Radicalismo liberal de Paulo Guedes ameaça destruir a candidatura de Bolsonaro

O economista Paulo Guedes durante entrevista (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)

Guedes quer reforma total na CLT e na Previdência

Carlos Newton

O banqueiro Paulo Guedes, cotado para conduzir a economia do país caso o candidato Jair Bolsonaro vença as eleições, é um dos ideólogos do Instituto Millenium, criado em 2005 para implantar no Brasil um sistema político-econômico ultraliberal, com privatização de todas as estatais, redução radical dos direitos trabalhistas e previdenciário, com submissão do país ao sistema globalizado imposto pelas forças econômicas transnacionais. Sua intransigência é bastante conhecida, através dos artigos que escreve e das entrevistas que concede representando o pensamento da extrema-direita do Millenium.

“NOVA SOCIEDADE” – Guedes defende o conceito de uma “nova sociedade aberta”, quer vender todas as estatais e critica enfaticamente o ex- presidente Fernando Henrique Cardoso, dizendo que ele é “o homem que se envergonha das próprias privatizações”.

Em artigo publicado nesta segunda-feira por O Globo, o porta-voz do Millenium, ao analisar a campanha eleitoral da sucessão, classifica a assustadora dívida pública do governo de “moderado endividamento” e defende uma redução radical dos direitos sociais, através de “verdadeiras reformas trabalhista e previdenciária, e não puxadinhos de fim de governo”.

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“NÃO HÁ TEMPO A PERDER”
Paulo Guedes
(O Globo)

O programa de uma campanha presidencial para as eleições de 2018 terá de enfrentar os temas que descredenciaram candidatos e partidos da Velha Política. Corrupção e impunidade na política. Estagnação econômica e desemprego em massa. Falta de segurança das vidas e propriedades nas ruas e no campo. Falta de saneamento básico, moradia, acesso aos serviços de saúde e de educação para as classes mais pobres.

O enigma que devorou a classe política e degenerou a democracia emergente é que o governo gasta muito e gasta mal.

Gasta muito se compararmos suas necessidades de financiamento com as fontes disponíveis: impostos, emissão não inflacionária de moeda e moderado endividamento.

Gasta mal se compararmos os usos alternativos dos recursos públicos: de um lado, juros astronômicos tornaram o país o paraíso dos rentistas e o inferno dos empreendedores, enquanto faltam de outro lado recursos para saúde, educação, segurança e moradia nas comunidades em que efetivamente vive a população.

As digitais de programas de estabilização mutilados pela falta de apoio fiscal são os excessivos gastos em juros da dívida interna.

Mas gasta-se demasiado também em salários e benefícios previdenciários abusivos no setor público, se comparados aos existentes no setor privado, ou mesmo aos níveis mais baixos do próprio funcionalismo público.

São excessivos e socialmente perversos também os subsídios e isenções a empresas e setores favorecidos discricionariamente pelo governo.

A perversidade dessa estrutura de gastos públicos resulta no agravamento das desigualdades sociais.

O caminho para a recuperação da dinâmica de crescimento econômico e a regeneração da classe política passa pelo aperfeiçoamento das instituições republicanas e pelo aprofundamento das reformas.

O pacto federativo como eixo de governabilidade. A reforma política, o fim do foro privilegiado e as medidas anticorrupção para garantir efetividade e decência na vida pública. É uma bela agenda.

Os gastos públicos são centralizados em demasia (reforma fiscal), financiados por impostos excessivos (reforma tributária), as relações de trabalho são obsoletas e os encargos sociais proibitivos (verdadeiras reformas trabalhista e previdenciária, e não puxadinhos de fim de governo).

Não há tempo a perder.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Na expectativa de chegar ao poder e colocar em prática suas teses inovadoras, que até hoje não foram adotadas em nenhum outro país, Paulo Guedes se conteve e não avançou muito o sinal neste texto para o Globo. Mas a internet está repleta de artigos e entrevistas em que o ideólogo do Millenium se expõe “au grand complet”, com dizem os franceses, que são espertos e jamais aceitariam a aventura de um liberalismo total. Na realidade, Paulo Guedes é um radical intransigente, seu furor uterino liberalizante mostra-se incontrolável, quer sepultar John Maynard Keynes e ressuscitar Adam Smith, desprezando tudo o que prática político-econômica tem comprovado desde a Grande Depressão de 1929. Diante desta realidade, fica no ar a grande dúvida: será que Jair Bolsonaro defende as mesmas teses inflexíveis do Instituto Millenium ou entrou nessa história de gaiato, sem saber como quem está lidando? Logo saberemos. (C.N.)

“Biografia da Televisão Brasileira” comete um grave erro sobre Roberto Marinho

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Livro diz que Marinho “comprou” a TV Paulista

Carlos Newton

Em festiva noite de autógrafos, foi lançado há dias em São Paulo o livro “Biografia da Televisão Brasileira”, (2 volumes com mais de 900 páginas),  de autoria de Flávio Ricco e José Armando Vannucci.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o mago da televisão brasileira, que transformou a Rede Globo numa das maiores empresas de comunicação do mundo e que de lá foi inexplicavelmente afastado por Roberto Irineu Marinho, atual diretor-presidente da antiga empresa 296 Participações S/A (hoje, denominada Globopar), é importante e fundamental registrar essa história em um livro. “Toda e qualquer obra que seja escrita para contar essa epopéia é necessária para futuras gerações”, disse Boni.

ERRO NO LIVRO – A minuciosa biografia comete um equívoco ao dizer que Roberto Marinho comprou a TV Paulista (atual TV Globo de São Paulo) da Organização Victor Costa, porque isso não é verdade. E para que no futuro não se alegue ignorância, é bom esclarecer pelas seguintes razões:

1 – A Organização Victor Costa não era acionista e nem controladora da Rádio Televisão Paulista S/A, canal 5 de São Paulo. A TV Paulista jamais fez parte da Organização Victor Costa.

2 – Em novembro de 1964, Marinho firmou um instrumento particular, verdadeiro contrato de gaveta, por intermédio do qual teria adquirido de Victor Costa Júnior o controle da TV Paulista, mas ele nem era acionista da emissora, apenas diretor. No inventário de Victor Costa, pai dele, concluído em 1986, também não constou como bem a ser inventariado a antiga Rádio Televisão Paulista S/A, concessionária do canal de 5  de São Paulo.

3 – Esse “negócio impossível” jamais poderia ter se efetivado sem a prévia aprovação das autoridades federais, que até hoje informam ignorar a existência desse contrato de gaveta ou instrumento particular de cessão de cotas, objetivando a transferência do controle da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo) para Roberto Marinho.

4 – Para o Ministério Público Federal, que já investigou essa questão, a Rádio Televisão Paulista S/A (atual TV Globo de São Paulo) funcionou irregularmente sob o comando de Roberto Marinho a partir de maio de 1965, pois seu quadro de acionistas (eram mais de 600) até 1976 não fora regularizado, o que deveria ter causado a cassação da concessão da TV, não fossem a boa vontade e a omissão do regime militar então vigente.

NEGÓCIO FORJADO – A bem da verdade, não houve venda nem compra, apenas usurpação dos direitos societários dos 600 sócios fundadores da TV Paulista, com base na alegação de que muitos teriam falecido ou não foram encontrados em seus endereços residenciais ou comerciais.

Segundo os advogados da Rede Globo, neste caso teria ocorrido a “prescrição” de supostos direitos. Exemplificando melhor: Marinho se apossou, ilegalmente, das ações e como não houve denúncia à época, tudo teria se legalizado com o transcorrer do tempo, como se fosse possível existir “usucapião” de bens particulares, de propriedade reconhecida e legitimada, em apossamento de má fé.

COM NOVO “DONO” – O caso da TV Paulista é semelhante à situação de um proprietário de um automóvel, que, tendo deixado seu precioso carro em um estacionamento por longo tempo, posteriormente teve seu veículo registrado em nome de outra pessoa, com base em documentos mal forjados, que passaram a justificar uma compra e venda que jamais existiu.

Acertadamente, os autores da “Biografia da Televisão Brasileira” fizeram a ressalva de que “a compra da TV Paulista, até nos dias de hoje levanta discussões sobre sua validade e gera polêmicas”, mas jamais deveriam aceitar a versão fantasiosa que a Rede Globo propaga, ao afirmar que Roberto Marinho teria comprado a TV Paulista em negócio fechado com a Organização Victor Costa, que jamais foi dona do estratégico Canal 5 de São Paulo.

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P.S. 1 –
Numa segunda edição da obra, que é importantíssima e tem um valor extraordinário, os autores precisam corrigir essa impropriedade. A bem da verdade, é claro.

P.S. 2 –
E não perca amanhã o artigo mostrando como uma empresa com capital de apenas R$ 1,4 mil passou a ser controladora da Rede Globo, em decreto assinado pelo então presidente Lula em 2005. (C.N.)

Crise do Brasil é muito grave e não será resolvida pela “mão invisível do mercado”

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Tenho uns amigos intectualizados que formaram uma “Academia” e se reúnem com frequência no restaurante Paz e Amor, um dos pontos da boemia em Ipanema, também chamado de “Centro Cultural”. O desânimo entre eles é geral. Todos estão na terceira idade, mas continuam na ativa em termos de acompanhamento da situação do país e estão impressionados, porque jamais viram nada semelhante. Realmente, não há termos de comparação com nenhuma outra fase política, social e econômica neste país

Um estudo que está sendo feito por um dos integrantes da “Academia”, o advogado e economista Celso Serra, para fazer uma série de palestras a respeito, mostra que na verdade nunca houve esculhambação igual em todo o decorrer da História do Brasil.

INSEGURANÇA TOTAL – Na verdade, o ponto a que chegamos é absurdo, porque não há mais segurança jurídica, segurança política nem segurança pública, o tripé sobre o qual se apoia qualquer sociedade minimamente organizada.

O Supremo Tribunal Federal atravessa a fase mais negativa de sua histórica, desde que foi instalado no período colonial como Tribunal de Relação, em 1609. Depois virou Casa da Suplicação e Supremo Tribunal de Justiça, até se tornar o Supremo Tribunal Federal no alvorecer da República, em 1890, inspirado no modelo norte-americano, por orientação do senador Ruy Barbosa.

Hoje o Supremo é uma das instituições mais desmoralizadas do país, a ponto de abrigar ministro que não possui notório saber jurídico, reprovado duas vezes em fase inicial de concurso para juiz de direito, sem mestrado e doutorado.

FORA DA LEI – A avacalhação é tamanha que os ministros do Supremo são os primeiros a não cumprir as leis. No tribunal, hoje são raríssimos os casos de ministros que se declaram suspeitos para julgar questões às quais estão ligados. Ao mesmo tempo, para fraudar julgamentos e atrasar decisões, ministros pedem vista e sentam em cima dos processos, desrespeitando o próprio Regimento do STF, que determina prazo de 10 dias, prorrogáveis por apenas 10 dias, para devolução dos autos (Resolução 278, de dezembro de 2003).

Dias Toffoli, o ministro sem notório saber, não conhece o próprio Regimento do STF. Na semana passada, para evitar as restrições ao foro privilegiado, pediu vistas quando a votação já estava decidida (8 votos a 0) e agora declara que só vai devolver os autos no ano que vem, quando bem entender. Em entrevista a repórter Andréia Sadi, da GloboNews, que lhe perguntou quando entregará o processo, disse o ministro: “Assim que eu tiver uma posição, mas neste ano não mais“. Como se vê, ´a desfaçatez personificada. 

RISCO DE INSOLVÊNCIA – Os intelectuais da “Academia” de Ipanema estão decepcionados, porque não veem luz no final do túnel. Sabem que nada vai mudar, seja qual for o presidente eleito em 2018, pois a insegurança jurídica, política e social está tão enraizada que não será possível erradicá-la. E citam também a segurança econômica, que está ameaçada pela dívida pública.

Lembram que o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, durante o 1º Seminário Internacional da Dívida Pública, recentemente realizado pelo Tesouro Nacional, disse que entre 2012 e 2017 a dívida pública bruta cresceu 23 pontos percentuais, o país entrou na recessão mais profunda da história e, se nada for feito, em 2025 a dívida bruta equivalerá a 103% do Produto Interno Bruto (PIB).

“A trajetória de crescimento da dívida é insustentável. Temos, sim, um problema de solvência”, admitiu Mesquita, que foi diretor do Banco Central de junho de 2006 a março de 2010.

MELHOR DOS MUNDOS – O governo, os economistas em geral e os políticos, que culpam a Previdência Social e os servidores por todos os males, comportam-se como se estivéssemos no melhor dos mundos, com a dívida pública bruta (governos federais, estaduais e municipais) inteiramente sob controle. Mas não é esta a realidade, conforme adverte o economista-chefe do Itaú.

A única solução, portanto, seria a velha “mão invisível do mercado”, tese genial de Adam Smith, que continua valendo para quase tudo. Se governantes, parlamentares e magistrados não pretendem dar um jeito no país, haverá uma crise tão grave que a solução acabará saindo a fórceps, como se dizia antigamente. Mas acontece que desde a Grande Depressão de 1929 todos sabem que a mão invisível do mercado está com artrose e não funciona sem a ajuda do Estado. Eis a questão.

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P.S.
A “Academia” de Ipanema garante que a grande crise acontecerá daqui a alguns anos, não importa quem seja eleito para substituir o inescrupuloso Michel Temer, que certamente se sairia melhor se estivesse cuidando dos netos, da próstata e do coração, não necessariamente nesta ordem. (C.N.)

Pesquisas eleitorais, para serem mais exatas, têm de excluir a candidatura de Lula

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Carlos Newton

Conforme já assinalamos aqui na Tribuna da Internet, tudo indica que o Tribunal Regional Federal vai confirmar a condenação de Lula no caso do tríplex do Guaruja, provocando a inclusão do nome dele na Lei da Ficha Limpa e impedindo a candidatura a presidente. Diante dessa possibilidade concreta, os institutos de pesquisa deveriam fazer seus próximos levantamentos utilizando perguntas com duas versões, uma delas incluindo e a outra excluindo o nome do petista.

RESPOSTA ESPONTÂNEA – O quesito mais importante das pesquisa é a chamada “resposta espontânea” à seguinte indagação: “Em quem você vai cotar para presidente?”. Mas agora também precisa ser usada a outra versão: “Se Lula não for candidato, em quem  você votaria para presidente?”. E as novas pesquisas devem incluir todos os possíveis concorrentes, ou seja, não somente os novos candidatos Manuela D’Avila (PCdoB) Paulo Rabello de Castro (PSC) e João Amoêdo (Novo), como também os outros que ainda não estão confirmados, como João Doria, Fernando Haddad, Dilma Rousseff, Michel Temer, Luciano Huck e Joaquim Barbosa.

Vai ser curioso e importante saber o resultado da resposta espontânea sem o nome de Lula, porque pela primeira vez teremos uma perspectiva mais aproximada das preferências do eleitorado. É bem provável que até aumente o número atual de indecisos (30%) e de votos nulos e em branco (26%), segundo o último Ibope.

BOLSONARO LIDERA – As pesquisas reais – sem o nome de Lula – trarão na liderança o nome de Jair Bolsonaro, que ainda nem tem partido, pois está no PSC, que já tem outro candidato, e ainda não se filiou ao PEN, assim apenas uma ficha pré-datada.

O segundo lugar será duramente disputado, ninguém sabe o que poderá acontecer, porque a verdadeira tendência somente será conhecida depois de oficializada a inviabilização da candidatura de Lula, e isso ainda vai demorar alguns meses.

Na minha opinião, isso deve acontecer até maio, no mais tardar, porque já faz quase um mês que a Procuradoria-Geral da República enviou seu parecer ao relator João Pedro Gebran Neto,  no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Portanto, está faltando apenas o desembargador  preparar seu voto e encaminhá-lo ao revisor, para logo em seguida ser marcado o julgamento.

NÃO VAI ATRASAR – Em função da importância social que envolve este processo de Lula, o relator Gebran Neto não vai demorar a preparar seu parecer.  Conforme assinalou o jurista Jorge Béja em recente artigo aqui na Tribuna da Internet, a Lei de Introdução Às Normas do Direito Brasileiro (Lei nº 12.376, de 30/12/2010) é bem clara quando diz no artigo 5º que “na aplicação da lei o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum!”.

É por isso que se acredita que o julgamento ocorra em maio. Depois, haverá recurso (embargos de declaração), mas serão julgados em uma semana. Ou seja, no final de junho o acórdão estará publicado, impedindo a candidatura de Lula.

Somente a partir daí a sucessão presidencial será realmente iniciada, para valer, com muitos candidatos disputando a possibilidade de chegar ao segundo turno e enfrentar Jair Bolsonaro, o único que já tem certeza de que já está lá.

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P.S.
Temos um amigo que está aceitando apostas a respeito da candidatura de Lula. Quem acredita que ele vai disputar a eleição, por favor nos procure para acertamos a forma e o conteúdo da aposta. Pode ser uma caixa de cerveja, vinho ou uísque. Em dinheiro, é proibido apostar, mas sempre se dá um jeito. (C.N.)

José Dirceu será preso novamente nos próximos dias e terá de volta para Curitiba

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“Prisão domiciliar” de Dirceu tem até roda de samba

Carlos Newton

Agora, não tem mais jeito. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) já negou os Embargos de Declaração da defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e confirmou a condenação  por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ao participar do esquema de corrupção da Petrobras por meio de contratos da Engevix, no âmbito da operação Lava-Jato. Neste processo, Dirceu foi denunciado por comandar um grupo de operadores, recebendo propinas em dinheiro vivo ou depósitos em contas de terceiros, além de lavagem por meio da realização de reformas em seus imóveis.

Segundo a denúncia da Lava-Jato, Dirceu recebeu recursos por intermédio de diversas pessoas, como assessores, seu irmão Luiz Eduardo de Oliveira e o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, também réu na mesma ação penal.

SEM RECURSOS – Os Embargos de Declaração foram rejeitados pela 8ª Turma do Tribunal nesta terça-feira. No desespero, a defesa de Dirceu estuda entrar com mais um recurso, o chamado Embargo Infringente, porque houve divergência nos votos a respeito da pena, que foi ampliada em mais 10 anos, para chegar a 30 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão.

No entanto, a apresentação de Embargo Infringente não terá efeitos e o pedido será liminarmente rejeitado, porque a decisão de condenar Dirceu foi unânime. A defesa de Dirceu somente poderia apresentar este tipo de recurso se a condenação fosse por 2 votos a 1, mas isso não aconteceu, só houve divergência na chamada dosimetria da pena.

Agora, o desembargador-relator vai mandar publicar o acórdão da 8ª Turma, ratificando a condenação e determinando que Dirceu seja preso novamente, para cumprir o resto da pena.

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P.S. 1
Dirceu saiu da cadeia em maio, após ficar preso um ano e nove meses em Curitiba. Ao condená-lo, Moro determinou que o ex-ministro ficasse na prisão. Mas os advogados recorreram ao Supremo, e a Primeira Turma concedeu a Dirceu o direito de aguardar em prisão domiciliar o julgamento do recurso na segunda instância. É claro que a defesa agora vai recorrer ao STJ e ao STF. Também é claro que Dirceu pode ser novamente solto, porque a Justiça brasileira já virou uma esculhambação total e está até concorrendo ao título de Piada do Ano.

P.S. 2A mulher e a filha de Dirceu já estão com o futuro garantido. Além de ainda haver sobras do dinheiro da corrupção, a família do ex-ministro não terá problemas financeiros. No governo Dilma Rousseff, Dirceu foi presenteado com a maior aposentadoria do INSS (R$ 5.531), apesar de não ter contribuído os 35 anos. E agora vai acumular esta renda com uma aposentadoria pelos 10 anos como deputado (R$ 9.638). Serão R$ 15.169,00 por mês. Nada mal. (C.N.)

Decisão do TRF-2 demonstra a esculhambação institucional que atinge o país

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TRF-2 reconheceu o direito de a Assembléia decidir

Carlos Newton

Em meio ao tumulto do vaivém na prisão dos deputados Jorge Picciani, Paulo Mello e Edson Albertassi, é preciso ficar bem claro que o acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, redigido pelo relator, desembargador Abel Gomes, incentivou a Assembléia Legislativa a se manifestar e até libertar os três parlamentares corruptos. Vamos conferir o que ficou registrado na decisão original do TRF-2, no voto vencedor de Abel Gomes:

“(…) ainda que a minha avaliação jurídica da questão se identifique mais com os fundamentos dos votos vencidos proferidos pelos Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Celso de Melo, há que se dar cumprimento ao que recentemente decidido pelo E. STF na referida ADI, razão pela qual, executada a ordem e considerando que a investigação ainda está em curso, forme-se cópia integral desses autos a ser remetida imediatamente à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, para que, pelo voto da maioria dos seus membros, resolva sobre a prisão, como prevê o art. 53, §2º da Constituição da República, e artigo 102, parágrafo 2º, da Constituição do Estado do Rio de Janeiro”.

MUDOU DE IDEIA – Na sessão seguinte, nesta terça-feira, o Tribunal Regional Federal mudou de ideia e arranjou a desculpa criativa de que a Assembleia não poderia ter expedido o alvará de soltura. É claro que poderia, pois o próprio TRF-2 concluiu que caberia ao Legislativo decidir sobre a prisão dos deputados, conforme está registrado no voto de Abel Gomes e no acórdão do tribunal… Mas não valeu o que estava escrito.

A conclusão a que se chega é de que a esculhambação institucional é algo espantoso e já está arraigada também nos Estados. E a culpa é do Supremo Tribunal Federal, com toda certeza.

Veto de Temer à propaganda ridicularizando Dilma não valeu e o vídeo foi exibido

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Discurso de Dilma é ironizado no comercial do PMDB

Carlos Newton

Chegamos a publicar aqui na TI uma matéria da excelente repórter Marina Dias, da Folha, informando que, devido à repercussão negativa, o presidente Michel Temer ordenou que o PMDB não divulgasse o novo filme de sua propaganda partidária no qual é ironizado o discurso da ex-presidente Dilma Rousseff “saudando a mandioca” como uma das “maiores riquezas do Brasil”.

Acontece que o vídeo, aprovado por Temer no fim de semana, não foi retirado da chamada grade de programação e está sendo veiculado nacionalmente esta semana, como a 12ª peça da série “O Brasil segue em frente”, criada pelo publicitário Elsinho Mouco.

DILMA REAGIU – A repórter Marina Dias revelou que, depois da divulgação do conteúdo do filme pela Folha, o presidente mandou suspender a veiculação. Segundo auxiliares do Planalto, o vídeo gerou reações de parlamentares aliados, incomodados com a desnecessária zombaria.

A própria Dilma Rousseff protestou, classificando a peça de “mal educada, grosseira e vulgar”. E distribuiu nota à imprensa, afirmando: “Esta propaganda tem o caráter do governo golpista. É machista e racista”.

ORDEM DESCUMPRIDA – A ordem de Temer acabou descumprida, porque a Justiça Eleitoral foi comunicada pelo PMDB em cima da hora e não houve tempo para alertar as emissoras, que preparam com dias de antecedência seus intervalos comerciais e não podem ser surpreendidas com determinações desencontradas.

O incidente aumentou ainda mais a insatisfação de Temer com seu personal marqueteiro Elisinho Mouco e o Planalto está procurando um substituto, conforme noticiamos aqui na Tribuna da Internet. O primeiro a ser contatado, por sugestão de Delfim Netto, foi Nizan Guanaes, que ainda não deu resposta. Tudo indica que não vai aceitar este rojão, como se dizia antigamente.

Planalto enfim admite que Temer será candidato à reeleição, e não é Piada do Ano… 

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Charge do Chico Caruso (O Globo)

Carlos Newton

Há vários meses anunciamos aqui na Tribuna da Internet, com absoluta exclusividade, que o presidente Michel Temer decidira sair candidato à reeleição em 2018. A notícia pegou a grande mídia de surpresa, ninguém poderia imaginar que o governante mais impopular do mundo fosse capaz desse disparate, mas Temer é assim mesmo, gosta de enfrentar desafios. E somente agora, vários meses depois, a notícia exclusiva da TI está sendo confirmada, através de artigo de Vicente Nunes, editor-executivo do Correio Braziliense, considerado um dos principais jornalistas da capital. Publicado neste domingo, dia 19, sob o título “Temer, uma candidatura em gestação”, a revelação de Vicente Nunes se baseia em informações colhidas no próprio Planalto.

Também no Correio Braziliense, a colunista Denise Rothenburg informou domingo que Temer e sua equipe vão trabalhar a partir de agora para levantar a bandeira da recuperação econômica como fruto da gestão como um todo e não algo restrito ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

MARQUETEIROS – Dois dias depois, nesta terça-feira, o colunista Ancelmo Gois revelou em O Globo que foi o ex-deputado Delfim Netto que sugeriu a Temer que recorresse ao publicitário Nizan Guanaes, para fortalecer o trabalho do marqueteiro do PMDB, Elisinho Mouco, que há meses já está instalado com sua equipe no quarto andar do Planalto, preparando a campanha de Temer.

Parece Piada do Ano (e pode até ser considerada assim), mas a candidatura de Temer é verdadeira, e tem como base a célebre frase do marqueteiro James Carville, na campanha presidencial de Bill Clinton em 1992 – “É a economia, estúpido!”.

O presidente está furioso com a possibilidade de Henrique Meirelles ser candidato (os dois pouco se falam), porque não quer dividir como ele os “êxitos econômicos”, conforme suas próprias palavras, ao se dizer empolgado com o crescimento de 0,58% no terceiro trimestre e a criação de 76,6 mil novos empregos em outubro. Parece pouco, mas é o melhor resultado neste mês, desde 2013.

PESQUISA IBOPE – Na verdade, o que mais animou Temer foi a recente pesquisa do Ibope, divulgada no dia 1º, indicando que, mesmo sem ser oficialmente candidato, ele estaria empatado na quarta colocação com Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, João Dória e Dilma Rousseff. Na resposta espontânea (“Em quem você vai votar para presidente?”), que é a mais importante, o Ibope registra que, entre os 44% que já escolheram candidatos, Lula é preferido por 26%, depois vem Bolsonaro com 9%, Marina Silva 2% e Ciro, Alckmin, Doria, Dilma e Temer, empatados com 1% cada.

A avaliação otimista do Planalto é de que o quadro eleitoral ainda está indefinido, porque tudo indica que Lula não poderá ser candidato. E os assessores palacianos argumentam que, como Temer já está pontuando sem ser candidato, poderá ganhar mais eleitores se tiver uma boa marquetagem e a economia continuar em crescimento.

Sonhar não é proibido. Além disso, a política gosta de imitar o compositor Johnny Alf e o inesperado sempre pode fazer uma surpresa, como aconteceu nos Estados Unidos na eleição de Trump, um estreante na política.

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P.S.
Temer já está amaciando a mídia, com investimento de generosos recursos públicos em publicidade direta do governo e também em propaganda indireta de estatais e órgãos públicos. Não é por mera coincidência que o SESC esteja patrocinando o programa diário “Globo Esporte” e o Sebrae gastando dinheiro com o “Faustão”. As outras emissoras também estão sendo agraciadas, porque a distribuição de verbas públicas é igual à velha anistia – ampla, geral e irrestrita.

P.S. 2 O personal marqueteiro de Temer, Elisinho Mouco, e sua equipe também estão sendo remunerados com recursos públicos, repassados à agência Isobar, que tem a conta da Presidência, e à agência CalliaY2, que está no nome de Gustavo Mouco, para não dar na vista, mas todo mundo sabe que o verdadeiro dono é o irmão dele. (C.N.)

Teoria conspiratória diz que a candidatura de Huck seria uma “armação” da Globo

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Huck e Angélica estão com problemas na Globo

Carlos Newton

Não faltam teorias conspiratórias na internet, parece que as redes sociais foram criadas principalmente com este fim (além, é claro, da ridícula exploração da vaidade, com as pessoas postando fotos e selfies dizendo estive aqui, fiz isso, conheci fulano, viajei para tal lugar). O fato é que certas teorias conspiratórias fazem sentido. Uma delas defende a tese de que a candidatura do vitorioso apresentador Luciano Huck estaria sendo incentivada pela organização Globo, que desta vez estaria disposta a eliminar logo os intermediários e eleger seu próprio presidente da República.

Essa hipótese parece ter alguma base, sobretudo porque as cartas do baralho começam a fazer sequência – a candidatura dele surgiu do nada, Huck estaria participando do grupo Agora!, interessado na renovação da política, e certamente estaria motivado pelas promoções sociais de seu programa, tipo “Lata Velha” e “Mandou Bem”.  Mas até aí morreu Neves, como se dizia antigamente.

DIZ A GLOBO – Não mais que de repente, a Rede Globo entrou no assunto, aparentemente desconfortável e até contrária ao interesse de Huck pela política. Em nota divulgada pela Veja e pela Folha de S. Paulo na semana passada, a emissora afirmou que espera que os integrantes de seu elenco informem até o final de dezembro se vão ser ou não candidatos às próximas eleições, ou se pretendem participar de campanhas políticas.

Se as respostas forem afirmativas, os componentes do elenco da emissora terão seus vínculos com ela desligados, diz a nota. E a Rede Globo acentuou que a medida já se encontra prevista há vários anos no seu regulamento interno e que, por isso, não está colocando o tema apenas em relação a Luciano Huck. Bem até aí o Neves morreu de novo.

Acontece que, em sua coluna no Globo, o jornalista Lauro Jardim informou neste domingo que não é bem assim, pois Huck tem negado que dezembro seja o prazo fatal para decidir se será candidato à Presidência da República. Ou seja, o apresentador desmentiu a própria emissora, enfraquecendo a teoria conspiratória.

BRIGA COM A GLOBO? –  Recentemente, e também em nota oficial, a Rede Globo divulgou a informação de que em 2018 será tirado do ar o programa “Estrelas”, de Angélica, embora seja líder de audiência. E agora circula a notícia de  a decisão não teria sido aceita de bom grado pelo marido, que há 11 anos divide as tardes de sábado da Globo com a mulher.

Angélica já está trabalhando no desenvolvimento de um novo projeto, com equipe destacada pelo diretor de gênero Ricardo Waddington. Há 11 anos no ar, líder de audiência na sua faixa horária, com diversas viagens pelo Brasil e pelo mundo, o ‘Estrelas’ terá sua última temporada em 2018. O programa ficará no ar até a Copa do Mundo, quando dará lugar aos preparativos para o início do Mundial”, disse a Globo em nota oficial. Ou seja, apesar da oposição do casal Huck, a Globo não voltou atrás na sua decisão. Além disso, acaba de tirar Angélica também do programa diário Video Show, onde ela apresentava o quadro Video Game.

ESTÁ TUDO NO AR – As especulações e teorias conspiratórias não cessam. O fato concreto é que Angélica e Huck são riquíssimos e já não dependem da TV Globo. Além dos salários milionários na Globo que os dois recebem, Huck é o campeão absoluto em faturamento em comerciais de grandes grupos comerciais, industriais e financeiros, e Angélica também fatura alto com publicidade.

Os dois são autossuficientes e  por isso Luciano Huck nem se preocupou com o tal “ultimato” da Globo, para que decida a carreira política até dezembro. Sabe que tem prazo na lei até o início de abril, e se for candidato a Globo nem poderá lhe cobrar multa contratual, porque todo cidadão tem direito de se filiar a partido político e disputar eleição.

Este é o quadro atual sobre a candidatura de Luciano Huck, que pensa em se tornar o Donald Trump brasileiro e realmente tem algumas possibilidade de alimentar este sonho, devido à crescente rejeição aos políticos profissionais.

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P.S.1 –
Portando, está furada essa teoria conspiratória de que a candidatura de Huck seria armação da Globo para acabar com intermediários e eleger um presidente da casa, digamos assim.  

P.S. 2 – Antes de trabalhar na Globo, Angélica foi estrela na Manchete e o maridão Huck fez sucesso na CNT e na Band.  Se a TV Globo os perseguir, eles podem escolher outra emissora e tocar a vida normalmente, dizendo: “Daqui a pouco a gente volta”. (C.N.)

Governo Temer mantém sigilo sobre simulação da mudança de controle da Globo

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Com fundamento na Lei de Acesso à Informação, foram solicitados à Presidência da República os dados oficiais sobre o processo de transferência do controle acionário da Rede Globo para os sete filhos e herdeiros dos irmãos Roberto Irineu e João Roberto Marinho, com cláusula de “usufruto vitalício”. O decreto foi assinado em junho do ano passado pelo então presidente interino Michel Temer, para “blindar” as concessões das emissoras de rádio e TV do Grupo Globo, porque a legislação brasileira é muito rigorosa e exige que os concessionários tenham “idoneidade moral” e ficha limpa, pré-requisitos que os irmãos Marinho em breve podem ter dificuldade de preencher.

ESCÂNDALO DA FIFA – Até agora, tudo bem, mas o fato concreto é que os controladores da TV Globo estão sob ameaça de serem processados e julgados nos Estados Unidos, por envolvimento nos atos de corrupção do chamado escândalo da Fifa.

E foi por isso que, sob a singela e prosaica alegação da necessidade de antecipar a implementação de direito hereditário em questão sucessória, os irmãos Roberto Irineu e João Roberto Marinho generosamente passaram para seus filhos os direitos que detinham sobre 66,82% das ações. Pelo “usufruto vitalício”, continuam mandando no grupo, embora oficialmente passem a deter apenas 6 ações, em um total de 1 milhão. Mas as responsabilidades cíveis, tributárias e até penais foram estrategicamente redistribuídas aos novos sócios controladores – os sete jovens herdeiros.

E A TRANSPARÊNCIA? –  O presidente Michel Temer, responsável pelo decreto autorizador da transferência do controle do poderoso grupo, além de não prestar as explicações requeridas com base na Lei de Acesso à Informação, limitou-se a encaminhar o requerimento ao Ministério das Comunicações, que também se recusou a cumprir a importantíssima legislação.  O Ministério não exibiu a documentação solicitada e apenas exibiu a cópia de um parecer datado de 2015 (anterior, portanto, ao novo decreto presidencial, de junho de 2016), o que pode gerar enquadramento do ministro Gilberto Kassab nos crimes de improbidade administrativa, prevaricação e até cumplicidade.

Detalhe relevante: no pedido de transferência da outorga das concessões para a exploração dos canais Globo do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Brasília, os irmãos Marinho, ao invés de indicarem o verdadeiro nome da empresa controladora, limitaram-se a citar a palavra “companhia”. Ora, “companhia” pode ser qualquer empresa  e não uma exploradora de serviços de sons e imagens (televisão), que precisa ter concessionários identificados como pessoas físicas de comprovada “idoneidade moral” e sem estarem incursos na chamada Lei da Ficha Limpa.

DIREITO À INFORMAÇÃO – As leis, no Brasil e no mundo, precisam valer para todos. Na democracia, não pode haver exceções. “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza“, diz o artigo 5º da Constituição. E nossa legislação é determinante, ao exigir que o poder público preste as informações requeridas pelos cidadãos.

Mas o governo não o faz, despreza solenemente a lei, até mesmo quando se trata de um pedido de informações apresentado pela Mesa do Senado da República, conforme é o caso, pois o Ministério das Comunicações se recusou a atender a um importantíssimo requerimento encaminhado pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), que fez um discurso da tribuna denunciando a Globo.

As regras republicanas não podem ficar à mercê de quem exerce o poder, seja ele quem for. Isso não vai acabar bem nem para os governantes e muito menos para os beneficiários do decreto presidencial que blindou as concessões da TV Globo em meio ao chamado Fifagate.

ILEGALIDADE CONTÍNUA – É importante notar que essas simulações de transferência de controle dos canais de televisão, envolvendo a Vênus Platinada, curiosamente tiveram início durante a ditadura militar, no governo Castelo Branco, e depois se consolidaram nas gestões do presidente petista Lula, que hoje se diz maltratado pelos irmãos Marinho, o mesmo acontecendo com o atual presidente Michel Temer, embora tenha generosamente assinado o decreto de “blindagem” das concessões da Globo.

O mais interessante nesta novela político-institucional é que a situação é até positiva para o grupo Globo, que conseguiu ver atendidos na área federal seus pleitos irregulares, mas não se curvou ao governo, porque alguns meses depois  seus órgãos de comunicação passaram a exibir uma impressionante independência jornalística, ao atacar duramente o presidente Temer, que chegara a infringir a lei com o objetivo expresso de beneficiar a organização criada por Roberto Marinho na ditadura de 64 e que não tem similar em nenhum país do mundo.

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P.S.Como se vê, o assunto é instigante, palpitante e emocionante, mas a grande mídia finge que não está acontecendo nada. Conforme explicamos, na área institucional a generosidade de Temer manteve tudo sob controle para os irmãos Marinho.  O maior problema deles agora é evitar que o parceiro J. Hawilla, da empresa Traffic, e o executivo Marcelo Campos Pinto, ex-diretor da Globo Esportes, façam delação premiada nos EUA, onde mentir realmente dá cadeia. (C.N.)

Irmãos Marinho simulam troca de comando na Globo, para não perder concessões

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Decreto de Temer “blindou” os irmãos Marinho

Carlos Newton

Com o desdobramento do escândalo da Fifa na Justiça de Nova York, os irmãos Marinho sabem que vão acabar sendo alcançados  diretamente, ou seja, serão denunciados e responderão a processo. Mesmo que façam como o parceiro J. Hawilla, confessando os crimes e pagando multas milionárias para ressarcir os prejuízos das emissoras prejudicadas, eles ficarão com a ficha suja. Isso significa que, de acordo com as rigorosas leis brasileiras, não poderão mais ser concessionários de emissoras de rádio e de televisão, conforme já informamos aqui no blog, no artigo desta sexta-feira.

Foi justamente por isso que Roberto Irineu e João Roberto Marinho decidiram simular que se afastaram do controle da TV Globo, para garantir que suas concessões não sejam cassadas, na forma da lei.

NA MIRA DO FBI – As investigações do FBI começaram em 2011, abrangendo atos de corrupção cometidos na Fifa desde 1991, ainda na época do brasileiro João Havelange. Foi quando acendeu o sinal vermelho na cúpula da Globo, devido ás negociatas realizadas na Fifa através de seu procurador Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes,  e do parceiro/laranja J. Hawilla, da Traffic.

Quando constatou que seria apanhado, J. Hawilla se adiantou e, em 12 de dezembro de 2014, confessou-se culpado perante a Justiça norte-americana. Assumiu as acusações de extorsão, conspiração por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça, aceitando restituir US$ 151 milhões, para ressarcir as emissoras prejudicadas nas licitações vencidas por ele. Com patrimônio avaliado em R$ 2 bilhões, Hawilla saiu ileso e sem fazer delação premiada, para alívio da Globo.

DIRETOR DEMITIDO – O chamado Fifagate foi crescendo e em 3 de novembro de 2015 o presidente da CBF, José Maria Marin, foi extraditado para os Estados Unidos, depois de ser preso em Zurique com outros seis dirigentes da Fifa. Por coincidência, é claro, dois dias depois da extradição de Marin, em 5 de novembro de 2015, o presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, distribuiu comunicado informando o afastamento de Marcelo Campos Pinto da direção da Globo Esportes.

Na mesma época, outra importante iniciativa dos irmãos Marinho foi encaminhar ao governo brasileiro, então presidido por Dilma Rousseff, um requerimento transferindo as ações de Roberto Irineu e João Roberto para seus filhos, que passariam a ser os supostos controladores da Rede Globo de rádio e televisão.

DILMA NÃO ASSINOU – O tempo foi passando e Dilma Rousseff não assinou o decreto transferindo as concessões. Era a época do impeachment e a Globo inicialmente ficou em cima do muro. Mas depois aderiu e passou a participar ativamente do movimento para derrubar a presidente. Coincidência ou não, o fato concreto é que um dos primeiros atos do presidente interino Michel Temer, em junho de 2016, foi a assinatura do decreto solicitado pela Globo.

A volúpia de atender aos irmãos Marinho era tamanha que o decreto saiu mambembe, nem indicava os nomes dos novos sócios controladores da Rede Globo, formada pelas emissoras próprias no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Brasília, além de centenas de afiliadas estaduais e municipais.

No ato assinado por Temer, ficou determinado que as alterações societárias deveriam ser efetivadas e registradas, perante o órgão competente, no prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data de publicação, sob pena de  invalidade. E os irmãos Marinho cumpriram essas exigências.

UMA SIMULAÇÃO – Na realidade, nada mudou. O controle acionário da TV Globo continua com os três irmãos Marinho, porque a alteração societária estrategicamente incluiu uma cláusula de “reserva de usufruto vitalício”. Portanto, quem permanece à frente das próximas atrações da Rede Globo não é a nova geração da família Marinho, muito pelo contrário.

Mais de um ano se passou e até agora ninguém sabe o que os herdeiros de Roberto Marinho estão fazendo. Chegou a ser noticiado que o diretor da Globo Esportes, no lugar do denunciado Marcelo Campos Pinto, seria Roberto Marinho Neto, que está perto dos 40 anos e nunca trabalhou em nada, literalmente nada. Mas quem na verdade assumiu foi Pedro Garcia, que desde novembro de 2015 passou a ser responsável pelas negociações com os cartolas do futebol.

Na verdade, os sete filhos dos irmãos Marinho continuarão a ser apenas figurantes de uma novela que pode acabar bem, mas também pode acabar mal. Como dizia o pensador madrilenho Ortega Y Gasset, na vida tudo depende das circunstâncias.

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P.S.
O caso Globo é um assunto emocionante e fantasioso, que mais parece uma novela na vida real. E como a gente sempre trata dele com absoluta exclusividade e tudo é rigorosamente verdadeiro, vamos em frente, e daqui a pouco a gente volta, como dizem os apresentadores dos telejornais. (C.N.)

Irmãos Marinho temem perder as concessões da TV devido à corrupção na Fifa

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

O desdobramento do escândalo da Fifa na Justiça de Nova York está deixando  cada vez mais evidente o tamanho da encrenca em que a TV Globo se meteu, através de seu então diretor de Esportes, Marcelo Campos Pinto, e do parceiro global J. Hawilla, que também se tornou especialista em negociatas esportivas e televisivas, digamos assim, já que se trata de um empresário de raro sucesso, com patrimônio de R$ 2 bilhões e que hoje controla grande número de emissoras de TV no interior, afiliadas à Rede Globo, por mera coincidência, é claro.

De início, os irmãos Marinho pensaram que iam sair incólumes, mas estavam enganados. Roberto Irineu, José Roberto e João Roberto (não necessariamente nesta ordem, porque o líder da família é João Roberto, justamente o mais novo) estão apavorados como o aprofundamento das investigações do FBI e temem até perder as concessões das emissoras de TV, caso a legislação brasileira venha a ser cumprida.

NA MIRA DO FBI – Os policiais federais norte-americanos começaram as investigações em 2011, para apurar ocorrências desde 1991. E acabaram chegando à empresa de J.Hawilla, a Traffic, que sempre esteve a serviço da Globo.

Quando constatou que seria apanhado, J. Hawilla se adiantou. Em 12 de dezembro de 2014, confessou-se culpado perante a Justiça dos Estados Unidos. Assumiu as acusações de extorsão, conspiração por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça e concordou em restituir US$ 151 milhões, tendo pago US$ 25 milhões no momento do acordo.

Além de J. Hawilla, atuava diretamente na CBF e na Fifa o diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, que tinha procuração para agir em nome da emissora. Durante duas décadas, Campos Pinto representou a Globo no mundo do futebol e ganhou quase todas as concorrências para transmissões exclusivas e comercialização. De vez em quando, para não dar na vista, perdia uma ou outra licitação, mas o vencedor era sempre J. Hawilla, ficava tudo em casa.

SEM DELAÇÃO – Para se livrar temporariamente do FBI, J. Hawilla perdeu 151 milhões de dólares, quantia que pouco representa para ele, escapou de ser preso em 2014 e não chegou a fazer delação premiada, para alívio dos irmãos Marinho. Mas ainda havia na mira dos federais americanos o executivo Marcelo Campos Pinto, que na sequência seria apanhado.

Em 3 de novembro de 2015, o presidente da CBF, José Maria Marin, foi extraditado para os Estados Unidos, depois de ser preso em Zurique com outros seis dirigentes da Fifa, num hotel de luxo. Dois dias depois da extradição de Marin, em 5 de novembro de 2015, o presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, distribuiu comunicado informando o afastamento de Marcelo Campos Pinto da direção da Globo Esportes.

Somente agora, dois anos depois, a Globo passa a ser diretamente acusada pelo delator Alejandro Burzaco, ex-presidente da empresa argentina Torneos Y Competencias, que atuava em dobradinhas com a Globo e a Traffic, de J. Hawilla.

CONCESSÕES AMEAÇADAS – Quando o escândalo da Fifa atingiu J. Hawilla, os irmãos Marinho perceberam que poderiam perder as concessões da Globo, devido à rigorosa legislação brasileira, que não admite a existência de concessionários com ficha suja.

Desde o Decreto nº 21.111, de 1º de março de 1932, a legislação referente a emissoras de radiodifusão e de sons e imagens sempre exigiu idoneidade moral dos concessionários. A determinação foi mantida na Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962 (Código Brasileiro de Comunicações), e depois no Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963.

Já o Decreto 1.720, de 28 de outubro de 1995, passou a exigir “certidão dos cartórios Distribuidores Cíveis e Criminais e do de Protestos de Títulos”. Por fim, o Decreto 9.138, de 22 de agosto de 2017, em seu artigo 15, § 2º, inciso IX, criou até uma circunstância excludente, com base na Lei da Ficha Limpa: “Nenhum dos sócios ou dirigentes da pessoa jurídica foi condenado em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, pela prática dos ilícitos (…).

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Quando as investigações chegaram a J. Hawilla, os irmãos Marinho entraram em ação. Conseguiram que ele não fizesse delação premiada, mas confessasse os diversos crimes, comprometendo-se a ressarcir possíveis prejudicados – as emissoras que perderam para a Traffic/Globo as licitações para transmissão e comercialização de campeonatos internacionais. Logo depois, os irmãos Marinho demitiram Campos Pinto e deram a uma raspada no Setor de Esportes do grupo, decepando cabeças coroadas na Globo, na GloboNews e no SporTV.

Mas a preocupação da família Marinho é cada vez maior, porque não se sabe até que ponto as investigações do FBI e da Justiça norte-americana vão atingir os donos do grupo Globo, com reflexos nas mais valiosas concessões de TV do lado debaixo do Equador, como diziam Chico Buarque e Ruy Guerra.

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P.S.O assunto é instigante, palpitante e emocionante. Vamos voltar a ele, com mais detalhes sobre a ameaça às concessões da família Marinho. Como se diz nos telejornais, daqui a pouco a gente volta. (C.N.)

Nem adianta prender Picciani, pois a Assembléia vai soltar, graças a Cármen Lúcia

Picciani sabe que a impunidade está garantida

Carlos Newton

Já explicamos aqui na Tribuna da Internet que o maior problema do deputado Jorge Picciani (PMDB) é o filho Felipe, o único envolvido em corrupção que não tem foro privilegiado. Os outros dois, Leonardo e Rafael, são deputados – um federal, licenciado para ser ministro do governo Temer, e o outro é estadual, fazendo companhia ao orgulhoso pai na bancada da corrupção. Agora, a Procuradoria-Geral da República está pedindo a prisão do presidente da Assembleia e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, sob o argumento de que está caracterizado o flagrante delito, por se tratar de crime continuado. Mas é tudo inútil. Não adianta tentar prender, processar e julgar os três deputados, porque a Assembleia vai soltá-los e os mandatos lhes serão devolvidos, com base na recente decisão do Supremo no caso do senador Aécio Neves (PMDB-MG).

Poder-se-ia até dizer que essa absurda impunidade dos três parlamentares estaduais se deverá à presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, porque foi justamente o gaguejante voto de minerva oferecido por ela que decidiu a questão, por 6 a 5. Mas os outros cinco votos – dos ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Melo, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – têm parcela de culpa idêntica à dela.

TUDO DOMINADO – O fato concreto é que a longa mão da Justiça não alcança mais nos políticos, algo verdadeiramente inconcebível em regime democrático. Picciani, Melo e Albertassi têm foro privilegiado no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A Primeira Seção Especializada vai decidir se manda afastar dos mandatos e prender os três deputados estaduais do PMDB do Rio Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, por solicitação do Ministério Público Federal.

O TRF-2 pode até acatar a denúncia dos procuradores, mas não adiantará nada, por que a decisão terá de ser referendada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde está tudo dominado. Picciani manda na Alerj, os deputados vão jogar na lata do lixo o julgamento do Tribunal, a exemplo do que já está ocorrendo em todo país.

Assembleias estaduais e Câmaras municipais se baseiam na decisão do Supremo sobre o senador Aécio Neves e também estão libertando deputados, vereadores e prefeitos que foram presos por denúncia de corrupção. É maior esculhambação jurídico-institucional já verificada no país, em época de democracia plena.

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P.S. –
Quem conhece a Assembleia do Rio sabe que jamais será confirmada a cassação e a prisão de Picciani. Os outros dois – Melo e Albertassi – seguirão na mesma balada, para não pegar mal. Esta realidade confirma que o Supremo conseguiu ficar totalmente desmoralizado, embora ainda apareça quem proclame que as instituições estão funcionando. Seria tão bom se fosse verdade… (C.N.)

Carlos Newton

Já explicamos aqui na Tribuna da Internet que o maior problema do deputado Jorge Picciani (PMDB) é o filho Felipe, o único envolvido em corrupção que não tem foro privilegiado. Os outros dois, Leonardo e Rafael, são deputados – um federal, licenciado para ser ministro do governo Temer, e o outro é estadual, fazendo companhia ao orgulhoso pai na bancada da corrupção. Agora, a Procuradoria-Geral da República está pedindo a prisão do presidente da Assembleia e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, sob o argumento de que está caracterizado o flagrante delito, por se tratar de crime continuado. Mas é tudo inútil. Não adianta tentar prender, processar e julgar os três deputados, porque a Assembleia vai soltá-los e os mandatos lhes serão devolvidos, com base na recente decisão do Supremo no caso do senador Aécio Neves (PMDB-MG).

Poder-se-ia até dizer que essa absurda impunidade dos três parlamentares estaduais se deverá à presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, porque foi justamente o gaguejante voto de minerva oferecido por ela que decidiu a questão, por 6 a 5. Mas os outros cinco votos – dos ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Melo, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – têm parcela de culpa idêntica à dela.

TUDO DOMINADO – O fato concreto é que a longa mão da Justiça não alcança mais nos políticos, algo verdadeiramente inconcebível em regime democrático. Picciani, Melo e Albertassi têm foro privilegiado no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A Primeira Seção Especializada vai decidir se manda afastar dos mandatos e prender os três deputados estaduais do PMDB do Rio Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, por solicitação do Ministério Público Federal.

O TRF-2 pode até acatar a denúncia dos procuradores, mas não adiantará nada, por que a decisão terá de ser referendada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde está tudo dominado. Picciani manda na Alerj, os deputados vão jogar na lata do lixo o julgamento do Tribunal, a exemplo do que já está ocorrendo em todo país.

Assembleias estaduais e Câmaras municipais se baseiam na decisão do Supremo sobre o senador Aécio Neves e também estão libertando deputados, vereadores e prefeitos que foram presos por denúncia de corrupção. É maior esculhambação jurídico-institucional já verificada no país, em época de democracia plena.

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P.S. –
Quem conhece a Assembleia do Rio sabe que jamais será confirmada a cassação e a prisão de Picciani. Os outros dois – Melo e Albertassi – seguirão na mesma balada, para não pegar mal. Esta realidade confirma que o Supremo conseguiu ficar totalmente desmoralizado, embora ainda apareça quem proclame que as instituições estão funcionando. Seria tão bom se fosse verdade… (C.N.)

Carlos Newton

Já explicamos aqui na Tribuna da Internet que o maior problema do deputado Jorge Picciani (PMDB) é o filho Felipe, o único envolvido em corrupção que não tem foro privilegiado. Os outros dois, Leonardo e Rafael, são deputados – um federal, licenciado para ser ministro do governo Temer, enquanto o outro é estadual e faz companhia ao orgulhoso pai na bancada da corrupção. A Procuradoria-Geral da República já pediu a prisão do presidente da Assembleia e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, sob o argumento de que está caracterizado o flagrante delito, por se tratar de crime continuado. Mas é tudo inútil. Não adianta tentar prender, processar e julgar os três deputados, porque a Assembleia vai soltá-los e os mandatos lhes serão devolvidos, com base na recente decisão do Supremo no caso do senador Aécio Neves (PMDB-MG).

Poder-se-ia até dizer que essa absurda impunidade dos três parlamentares estaduais se deverá à presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, porque a importantíssima questão foi decidida justamente pelo gaguejante voto de minerva oferecido por ela, ao fechar o julgamento em 6 a 5. É claro que outros cinco votos – dos ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Melo, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – têm parcela de culpa idêntica à dela, mas voto de Minerva tem de ser cauteloso, em nome do Direito.

TUDO DOMINADO – O fato concreto é que a longa mão da Justiça não alcança mais os políticos, algo verdadeiramente inconcebível em regime democrático. Picciani, Melo e Albertassi têm foro privilegiado no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A Primeira Seção Especializada vai decidir se manda  prender e afastar dos mandatos  os três deputados estaduais do PMDB, por solicitação do Ministério Público Federal.

O TRF-2 pode até acatar a denúncia dos procuradores, mas não adiantará nada, porque a decisão terá de ser referendada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde está tudo dominado. Picciani manda na Alerj, os deputados vão jogar na lata do lixo o julgamento do Tribunal, a exemplo do que já está ocorrendo em todo país. As Assembleias estaduais e Câmaras municipais, com base na decisão do Supremo sobre o senador Aécio Neves, também estão libertando deputados, vereadores e prefeitos que foram presos por denúncia de corrupção e outros crimes. É a maior esculhambação jurídico-institucional já verificada no país, em época de democracia plena. E la nave va, cada vez mais fellinianamente.

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P.S. –
Quem conhece a Assembleia do Rio sabe que jamais será confirmada a cassação e a prisão de Picciani. Os outros dois – Melo e Albertassi – seguirão na mesma balada, para não pegar mal. Esta realidade confirma que o Supremo conseguiu ficar totalmente desmoralizado, embora ainda apareça quem proclame que as instituições estão funcionando. Seria tão bom se fosse verdade… (C.N.)

Temer joga cartada decisiva para evitar as delações de Loures e de Geddel

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Charge do Lezio (Diário da Região)

Carlos Newton

A grande mídia não deu a devida importância à notícia de que a defesa do presidente Michel Temer requereu ao ministro Edson Fachin, do Supremo, que revogue sua decisão de enviar ao juiz Sérgio Moro as investigações por organização criminosa contra os ex-deputados Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima e Rodrigo Rocha Loures, todos do PMDB. O pedido parecia ser apenas mais um requerimento, como tantos outros, que são feitos pelos advogados apenas para ganhar tempo ou tumultuar os processos. Mas não é o caso.

Na realidade, o requerimento é uma desesperada tentativa de evitar que os outros réus, especialmente Geddel e Loures, façam delação premiada e acabem de vez com o que resta de prestígio do presidente Temer, que alimenta esperanças de recuperar a economia e ser candidato à reeleição, para manter o foro privilegiado e  favorecer também os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

FORMAÇÃO DE QUADRILHA – Como se sabe, os ex-parlamentares foram denunciados junto com Temer, Padilha e Moreira, por integrarem uma organização criminosa do PMDB na Câmara, com objetivo de arrecadar propinas de empresas em troca de favorecimentos ilegais em órgãos públicos.

Temer e o “quadrilhão” do PMDB sabem que todos os réus da Lava Jato estão conscientes de que a melhor saída é a delação premiada. No caso da denúncia conjunta por formação de quadrilha, o Planalto acha que Eduardo Cunha e Henrique Alves estão sob controle, tanto assim que na semana passada o ex-presidente da Câmara até defendeu Temer das acusações do doleiro Lúcio Funaro.

Mas os outros dois réus, Geddel e Loures, estão em situação delicada, são considerados mais vulneráveis. Eles sonham com a delação premiada, mas estão sendo contidos, e os emissários do Planalto lhes prometem que serão protegidos pelo foro privilegiado, as investigações vão se arrastar, no Supremo sempre há uma maneira de solucionar as coisas, etc. e tal.

DESMEMBRAMENTO – Acontece que após a Câmara ter suspendido a tramitação da denúncia contra Temer, Padilha e Moreira, o ministro-relator Fachin desmembrou o processo, enviando para a primeira instância (10ª Vara da Justiça Federal do DF) as investigações contra os acusados sem foro privilegiado – Cunha, Alves, Geddel e Loures.

É aí que mora o perigo, e o advogado de Temer então fez o requerimento a Fachin, alegando que o desmembramento do processo é, no mínimo, inconveniente, pois a continuidade das investigações iria atingir o presidente, que ficaria sem ter como se defender, por não ser parte no processo em primeira instância.

Como se vê, o objetivo do advogado não é apenas evitar o desmembramento do processo, mas simplesmente paralisar as investigações da Lava Jato na denúncia que envolve Temer e o resto da troupe palaciana.

TEMER INVESTIGADO – Desde a apresentação da denúncia, explicamos repetidamente aqui na “Tribuna da Internet” que a Lava Jato, ao investigar os outros réus, automaticamente estará apurando também os crimes do próprio Temer, especialmente na parte que se relaciona com Rocha Loures, o ex-assessor que recebia malas de dinheiro.

Ou seja, o pedido do advogado de Temer significa não somente dar foro privilegiado a quem não tem (Cunha, Alves, Geddel e Loures), mas também sustar as investigações sobre todos os crimes cometidos. O objetivo é este, vejam a que ponto vai a desfaçatez desta gente.

Se o relator Fachin não cair na armadilha do advogado, a investigação contra Loures (e Temer) vai prosseguir, e o Ministério Público Federal no Distrito Federal acaba de ratificar a denúncia contra o ex-assessor presidencial, que atribui a ele (e também a Temer) crime de corrupção passiva no caso da entrega da mala de R$ 500 mil do Grupo J&F, flagrada em filmagem.

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P.S.
A grande mídia não percebeu, mas o assunto é de importância transcendental. E se o relator Fachin não anular o desmembramento, o advogado de Temer então vai recorrer ao plenário do Supremo, não tenham dúvidas, e aí tudo pode acontecer, especialmente se for Lua Cheia, como diz Pepeu Gomes. (C.N.)

Presidente do TRF-4 diz que recurso de Lula deve ser julgado até agosto

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Carlos Newton

O presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, afirmou na noite desta sexta-feira que não existe qualquer pressão no sentido de apressar o julgamento da Apelação apresentada pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas assinalou que existe a expectativa de o recurso contra sua condenação ser julgado até agosto, quando se inicia o registro das candidaturas às eleições de outubro.

Em entrevista ao repórter Vinicius Boreki, correspondente do site UOL Notícias, disse o presidente do TRF-4: “Minha expectativa inicial é que até agosto do ano próximo o Tribunal já estaria em condições de julgar este processo. É um interesse da própria nação e dos réus envolvidos”. Apesar de descartar a existência de qualquer pressão à 8ª Turma do Tribunal, o desembargador disse saber que “teremos as eleições mais importantes dos últimos anos, e o país estará muito vigilante”.

EM CURITIBA – As declarações do presidente do TRF-4 foram dadas durante evento realizado em Curitiba para que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, recebesse a comenda Barão do Serro Azul, prêmio concedido pela Associação Comercial do Paraná (ACP).

Presente à cerimônia, o desembargador federal João Pedro Gebran Neto, que é presidente da 8ª turma do TRF-4 e relator da Apelação de Lula, afirmou apenas que “talvez seja possível julgar antes das eleições”, ressaltando que não há uma previsão definida para o julgamento.

“O que posso dizer é que o Ministério Público Federal entregou recentemente o parecer dele e agora o processo vai seguir seu andamento normal. Eu vou analisar os autos, oferecer o relatório e encaminhar ao revisor”, declarou.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Os três integrantes da 8ª Turma do Tribunal são discretíssimos e não costumam dar entrevistas à imprensa. Uma vez ou outra, em alguma solenidade, os jornalistas conseguem arrancar alguma declaração deles, mas não dizem nada que possa ser conclusivo, como recomenda a Lei Orgânica da Magistratura, que faz tempo deixou de ser obedecida por juízes dos tribunais superiores.

Em tradução simultânea, o relator Gebran Neto indicou que os prazos estão sendo obedecidos e nada impede a realização do julgamento de Lula antes do início do registro das candidaturas, em agosto.

Se for condenado por 3 votos a 0, a candidatura de Lula será automaticamente impugnada. Se o resultado do julgamento for 2 a 1, a defesa poderá impetrar Recursos Infringentes, e o TRF-4 fará novo julgamento, com a participação de mais dois desembargadores.

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P.S.
Façam suas apostas. Pessoalmente, acho que Lula será julgado em junho. (C.N.)

Em meio à esculhambação institucional, o Supremo prefere falar das flores…

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Neste mês de novembro, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lúcia, com apoio dos demais integrantes da instituição, decidiu concentrar a pauta em julgamentos de questões sociais e ambientais. Prefere falar das flores, como diria Geraldo Vandré. Com isso, os processos mais importantes para o país são empurrados para o ano que vem, ninguém sabe quando serão julgados, não há a menor previsão, especialmente as ações relevantes relacionadas à Operação Lava Jato. É a velha teoria do avestruz, que enfia a cabeça num buraco, para se esconder do perigo.

Processos importantíssimos estão pendentes de decisão no Supremo, envolvendo foro privilegiado, prisão preventiva de suspeitos, proibição de a Polícia Federal fechar acordos de colaboração premiada, prisão de condenados em segunda instância etc. Todas essas ações estão engavetados, até segunda ordem, por um motivo tolo – a briga entre os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes.

UMA DECEPÇÃO – O desentendimento glauberiano entre Barroso e Mendes, duas excelências republicanas, mais parece um duelo tipo “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”. Quando se esperava o desenlace, o caso foi amordaçado pela presidente Cármen Lúcia, aquela ministra que não gosta de censura.

Como se sabe, a ministra se notabilizou com a frase “Cala boca já morreu” e foi até saudada como a personagem ideal para restaurar a dignidade do Supremo. Mas acabou se revelando uma decepção. Foi de Cármen Lúcia o titubeante, gaguejante e decepcionante voto que devolveu o mandato a um político sujo como Aécio Neves, apanhado em “flagrante eperado” de corrupção, com gravação do acerto, filmagem da mala de dinheiro e tudo mais, incluindo a formação de quadrilha com a irmã, um primo e outros cúmplices.

CRISE AGRAVADA – No julgamento que beneficiou Aécio Neves, a presidente do Supremo apoiou a bancada da corrupção e agravou a crise institucional, causando a consequente libertação e devolução dos mandatos de outros políticos corruptos no âmbito estadual e municipal. Cármen Lúcia cometeu um erro gravíssimo, que tão cedo não se conseguirá corrigir.

Fim de ano em marcha lenta, o plenário do Supremo só retoma as atividades no final do mês, pois não haverá sessão nos dias 15 e 16, em razão do feriado de Proclamação da República, que maravilha viver, diria Vinicius de Moraes.

Nas últimas sessões do ano, os ministros decidirão temas eletrizantes, como se é necessário primeiro haver cirurgia, para depois os transexuais mudarem o nome e o sexo; se o SUS pode cobrar planos de saúde por tratamentos a segurados; e se é válido o Programa Mais Médicos, que emprega principalmente profissionais cubanos no interior do país,. etc. e tal.

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P.S.
Todos sabem que as mulheres são iguais ou melhores do que os homens, mas a decepção tem sido enorme com essas autoridades femininas, como Dilma Rousseff, Grace Mendonça, Luislinda Valois e Cármen Lúcia. Ainda bem que Raquel Dodge está dando show de bola na Procuradoria-Geral da República. Salva-se pelo menos uma. (C.N.)

Possibilidade de Lula ser candidato é mínima e muda totalmente o quadro eleitoral

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PT força a barra para manter Lula na disputa

Carlos Newton

É impressionante o lobby conduzido pelo PT para convencer a opinião pública de que Lula conseguirá registrar sua candidatura na Justiça Eleitoral e vai disputar a eleição, mesmo se já tiver sido condenado pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (4ª Região). Essa possibilidade é o prato principal do parecer à la carte assinado pelo professor Luiz Fernando Casagrande Pereira, do Paraná, a pedido do senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

ESTRANHA TESE –  O parecer por encomenda defende a estranha tese de que Lula poderá disputar as eleições mesmo que o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal não lhe concedam liminar para suspender a inelegibilidade que viria com a sentença do TRF-4.

Diz o ilustre professor que, mesmo nessa situação-limite, o PT poderá registrar a candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral em agosto e só então ela seria objeto de impugnação. E se todos os prazos para o julgamento forem cumpridos no TSE, o eventual afastamento só ocorreria em 12 de setembro. Neste intervalo de um mês, Lula já estaria em plena campanha.

Entre direita e esquerda, o importante é simplesmente apenas fazer a coisa certa

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Na “Tribuna da Internet”, não se discutem frivolidades nem são divulgados modismos ou notícias de interesse popular, digamos assim. Por isso, o Blog é frequentado basicamente por pessoas intelectualizadas, que se interessam pela abordagem de assuntos políticos e econômicos do Brasil e do mundo. É natural que se discutam aqui temas de natureza ideológica, embora as ideologias já estejam totalmente ultrapassadas, tese que defendo desde a década de 70, no século passado, conforme já expus aqui na TI.  É claro que as ideologias morreram e não sabem, o debate é apenas bizantino, mas está destinado a resistir in saecula saeculorum, como se dizia no Latim arcaico, e o dia a dia da “Tribuna da Internet” demonstra esta realidade à exaustão.

Como admirador do marxismo ou socialismo democrático (as teses evoluem), acompanho com especial interesse essas discussões e posso garantir que neste Blog há muito mais comentaristas de direita do que de esquerda. E como disse o rei-general Leônidas, no Desfiladeiro das Termópilas, durante o combate que celebrizou os 300 de Esparta, podem atirar flechas à vontade, porque será “melhor, combateremos à sombra”.

SEM COMEMORAR – Ninguém notou que a Revolução Russa de 1917 completou 100 anos nesta terça-feira, dia 7, e a “Tribuna da Internet” não publicou uma linha a respeito. A explicação é simples: o editor é marxista, mas não tem admiração pela antiga União Soviética, que desvirtuou os ensinamentos de Karl Marx e Friedrich Engels, ao instaurar uma ditadura sanguinária, na qual a democracia ficou sufocada e a imprensa jamais teve a mínima liberdade.

Nos artigos que escrevi na “Revista Nacional” em 1978, sob o título “A morte das ideologias”, assinalei que, se Marx e Engels estivessem vivos e morassem na URSS, teriam sido exilados nos Gulaps da vida. Eles jamais concordariam com os rumos da Revolução russa, seriam dissidentes. Se eu morasse lá, também, estaria na Sibéria, chupando picolé de gelo…

Chamar de marxistas os regimes da URSS, da China, da Albânia, de Cuba, de Angola, do Camboja e da Venezuela, entre outros, é demais para o meu estômago, que a contragosto só aceita o comunismo dos vietnamitas, que recuperaram o país do imperialismo da França, da China e dos Estados Unidos, e que agora parece que estão dando um salto rumo a um marxismo mais moderno, que Deus os proteja.

FAZER O QUE É CERTO – A cegueira ideológica que conduz ao radicalismo entre direita e esquerda (ou vice-versa) chega a ser ridícula e patética. A meu ver, as pessoas precisam se despir desses preconceitos e raciocinar com liberdade, para identificar o que é certo ou errado.

Nos últimos anos, tenho estudado um pouco os chamados avatares – aqueles líderes que na História da Humanidade têm ensinado os caminhos de uma vida melhor, entre os quais Jesus Cristo desponta como uma síntese de seus antecessores. Um deles, o nobre hindu Sidartha Gautama, conhecido como Buda,  nasceu 560 anos antes de Cristo, na região que hoje chamamos Nepal. Foi ele quem criou o “caminho do meio”, baseado na moderação e na harmonia, sem cair em extremos. E ensinou as oito práticas para que nos libertemos do sofrimento:

1) Entendimento correto; 2) Pensamento correto; 3) Linguagem correta; 4) Ação correta; 5) Modo de vida correto; 6) Esforço correto; 7) Atenção plena correta; 8) Concentração correta”– eis a síntese dos ensinamentos de Buda. No dia em que estas lições forem enfim assimiladas, a Humanidade será infinitamente melhor, sem necessidade de nenhuma ideologia.

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P.S.Os ensinamentos de Buda confirmam minha opção por um marxismo moderno, que aproveite o que há de melhor nas ideias de Marx e Engels e as misture ao capitalismo de nossos dias, fazendo um chiclete com banana, nem que seja para lembrar e  homenagear o genial cantor Jackson do Pandeiro. Se o presidente americano Donald Trump conhecesse o que dizia Buda, não faria tanta coisa errada nem ameaçaria o futuro da Humanidade. Quase sempre, fico assustado com as barbaridades de Trump, que se comporta como se fosse o AntiCristo previsto nas escrituras. (C.N.)