Próxima pesquisa é decisiva, porque pode definir quem será a terceira via

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Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Carlos Newton

O maior problema dos analistas políticos é a racionalização. Em época de eleições, tenta-se encontrar justificativa racional para tudo, o que é uma grande perda de tempo, porque a grande maioria dos eleitores quase sempre age de forma totalmente irracional.  É por isso que se diz que não se deve discutir política, futebol e religião, porque falta racionalidade.

No caso da política brasileira, realmente é a mais indecifrável do mundo, fato comprovado pela desistência dos chamados “brazilianistas”, como chamávamos os acadêmicos estrangeiros que se dedicavam à nobre arte de entender a política brasileira. Ou morreram de desgosto ou abandonaram a lide, não se encontra mais ninguém.

EXOTISMO – Na atual eleição, temos o favoritismo de duas candidaturas verdadeiramente exóticas. Uma delas tenta reviver o passado militarista, enquanto a outra sonha em fortalecer o grupo político que institucionalizou o maior esquema de corrupção do mundo, vejam como as coisas são complicadas por aqui.

O editor da Tribuna da Internet considerava que tanto Jair Bolsonaro quanto Lula da Silva eram candidaturas que tinham prazo de validade e um teto de crescimento que impediria a vitória deles. Seriam suplantados por uma terceira via, especialmente por um candidato que não fosse político profissional, digamos assim.

Mas as coisas mudaram muito: Lula da Silva foi preso, não conseguiu ser candidato; Bolsonaro levou um atentado a faca, teve hemorragia interna e quase morreu; e a terceira via até agora não deu o ar de sua graça.   

MUDOU TUDO – Era sabido que Bolsonaro tinha teto, porque sofreria rejeição de mulheres, negros e antimilitaristas, além do público LGTB. Mas a facada criou um clima favorável a ele. Mudou tudo. Lula também tinha teto, porque jamais passou de 20% nas pesquisas espontâneas. Mas Haddad não é Lula, rapidamente alcançou o teto que o editor da TI imaginava, na sua vã filosofia.

No início da semana passada, foram divulgadas três pesquisas mostrando o crescimento da dupla Bolonaro/Haddad, mas ressalvando que entre 43% a 45% dos eleitores continuavam indecisos ou decididos a votar branco ou nulo. Além disso, as pesquisas indicavam também que um terço dos eleitores que já escolheram candidato poderia mudar de voto, vejam que esculhambação. E isso significa que a terceira via, imaginada lá atrás, de repente poderia até ser viável. Mas até agora, nada.

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P.S. –
Cadê a pesquisa espontânea, que é a mais importante. Certamente será divulgada nesta terça-feira. A gente quer saber se os indecisos, brancos e nulos ainda continuam vencendo a eleição. (C.N.)

Paulo Guedes subiu no telhado e quem manda na campanha são os generais

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Guedes acreditou na capa da Veja…

Carlos Newton

Já era esperado. O economista Paulo Guedes, com sua fama de professor e ex-banqueiro, julgou que seria uma espécie de Rasputin imberbe e meio careca no Palácio do Planalto, caso o candidato Jair Bolsonaro fosse eleito presidente da República, mas na política as coisas não funcionam exatamente assim. Em sua coluna no Estadão, a jornalista Vera Magalhães já cantou a pedra, dizendo que a união de Bolsonaro e Guedes é apenas “um casamento de fachada”. E o fato concreto é que casamentos desmoronam, mesmo sendo somente para constar – ou de fachada, como prefere a excelente colunista.

Neste final de primeiro turno, a crescente possibilidade de Bolsonaro ganhar a disputa presidencial fez eclodir uma precoce disputa de poder dentro do núcleo de campanha, entre os civis e os militares da entourage. E todos sabem quem vai sair vencedor.

FORA DO BARALHO – Como não há condições de Bolsonaro conduzir a campanha, Paulo Guedes foi assumindo a parte que julgou lhe caber neste latifúndio. Na semana passada, ao anunciar seu plano de reforma tributária – que por enquanto substitui atuais tributos por uma única cobrança semelhante à da CPMF –, Guedes pensou que estava abafando, mas tratava-se de uma tragédia anunciada, porque o próprio Bolsonaro votara contra a ressurreição da CPMF e prometera não recriar o imposto.

Guedes também julgou ter reinventado a pólvora, ao propor o fim da independência do voto parlamentar, com fechamento de questão obrigatório em toda votação de interesse do governo.

Resultado: o criativo economista desabou feito o viaduto imortalizado por Aldir Blanc e João Bosco. A queda não deixou vítimas, a não ser o próprio Guedes, que no sábado foi visitar Bolsonaro no hospital e descobriu estar proibido de anunciar qualquer coisa relacionada à campanha.

GENERAIS NA ATIVA – Quem manda agora no QG partidário é o próprio Bolsonaro, assessorado pelos dois filhos deputados (Eduardo e Flávio) e o vereador (Carlos), e por um grupo de generais reformados que estão cada vez mais na ativa, em matéria de política.

Além do general Hamilton Mourão, candidato a vice, participam da campanha os generais Augusto Heleno, Aléssio Ribeiro Souto e Osvaldo Ferreira na linha de frente.

Não há problemas de hierarquia, porque todos sabem que é Bolsonaro quem manda. Em contrapartida, o capitão também sabe que não pode sair da linha e os interesses nacionais terão de ser respeitados. Se ganhar a eleição, que ainda depende do fôlego de Fernando Haddad e da terceira via de Ciro Gomes, a conversa vai ser outra e o reinado dos banqueiros e investidores estará com seus dias contados.

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P.S. –
A situação é curiosíssima, porque nunca houve nada igual em tempo de democracia, nem mesmo no governo do marechal Eurico Dutra. Quanto à direção do PSL, tenta fingir que manda em alguma coisa e o resultado é patético – não manda em nada. O(C.N.)

FHC indicou o candidato único, mas nem às paredes confessa o nome dele…

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Ciro Gomes tem duas semanas para ser alternativa 

Carlos Newton

O editor da Tribuna da Internet tem um amigo que faz previsões políticas com impressionante grau de acerto. É o engenheiro José Novo de Oliveira Borges, que se consagrou construindo aquelas belíssimas mansões de Búzios que tanto impressionam os turistas. Na quinta-feira passada, tomando um vinho no restaurante “Gambino”, José Nono me falava ardorosamente sobre a inevitabilidade da eleição de Jair Bolsonaro. Ele minimiza a alta taxa de rejeição do candidato do PSL e não vê chance de o petista Fernando Haddad conseguir virar o jogo no segundo turno.

Concordo com meu amigo. A meu ver, Haddad não conseguirá derrotar o fenômeno Bolsonaro, que estava em vias de estacionar no teto de 22%, mas ganhou um impulso enorme com o esfaqueamento sofrido em Juiz de Fora, o risco de vida, as duas cirurgias e o procedimento adicional. Se um roteirista/marqueteiro pudesse imaginar uma circunstância para ativar a campanha, não pensaria em nada melhor.

TERCEIRA VIA – Na minha opinião, posso estar errado, claro, mas a única possibilidade de derrotar Bolsonaro seria a união em torno de Ciro Gomes, sugerida de maneira tácita por Fernando Henrique Cardoso, que não quer magoar Geraldo Alckmin, mas já magoou ao defender a união do Centro em torno de um candidato, que ele nem às paredes confessa, como diria Amália Rodrigues, que celebrizou este belíssimo verso português.

Ainda há tempo, estamos a exatas duas semanas da eleição, Ciro Gomes tem experiência e traquejo suficientes para segurar esta onda. Está se beneficiando da exclusão, porque Geraldo Alckmin, Marina Silva e Alvaro Dias não decolaram. Na pista de pouso, só restou Ciro Gomes, que ainda está taxiando, enquanto Bolsonaro e Haddad já têm plano de voo.

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P.S.Só nos resta aguardar a próxima pesquisa, para saber se o candidato do PDT realmente vai decolar ou apenas fazer figuração nessa disputa verdadeiramente enlouquecida. (C.N.)

“Carioca da gema” continua se excedendo e teve 100 comentários deletados

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O editor da TI não tem tempo para ler todos os comentários e fazer moderação de quem ofende, ironiza e escracha outros participantes do blog. Mas o editor está operando por amostragem. Na semana passada, leu de uma só vez 200 comentários e teve de deletar 47, por falta de educação democrática, digamos assim.

Neste sábado, o editor fez nova amostragem, e encontrou insistentes comentários de alguém que se assina “cariocadagema”, cujo comportamento ofensivo e deletério ofende aos cariocas, que decididamente não se comportam assim. Imediatamente, foram deletados os últimos 100 comentários dela, esperando que passe a respeitar as normas e conviva conosco numa boa.

No almoço de quinta-feira, tivemos o prazer de assistir à confraternização de dois outrora desafetos – Carlos Vicente e Darcy Leite, que no final da reunião trocaram um amistoso aperto de mãos.  Na verdade, é muito fácil conviver e respeitar os outros, mas parece impossível que isso ocorra na internet. Infelizmente. Mas vamos continuar tentando.

 

Em tradução simultânea, FHC está pedindo que o centro apoie Ciro Gomes

FHC preocupa-se com a sucessão no evento da XP

Carlos Newton

Depois de publicar uma carta-aberta no Facebook na quinta-feira, dia 20, quando afirmou que o quadro eleitoral é sombrio e fez um apelo pela união das campanhas de centro para eleger o que chamou de “candidatos mais capazes” contra a “marcha da insensatez”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou à carga nesta sexta-feira, ao afirmar que há uma quebra de confiança no Brasil entre os políticos e a sociedade.

“O momento é difícil, mas temos que ver se alguém tem plano de voo”, disse, ao lado do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, ao participar de um painel no congresso da corretora XP na capital paulista, quando se esperava que Paulo Guedes exibisse o programa econômico de Jair Bolsonaro, mas o economista faltou ao evento, por ter sido desautorizado pelo próprio candidato do PSL. 

DESCONFIANÇA – FHC disse considerar que o Brasil passa por um momento de desconfiança da sociedade na classe política, o que impõe aos atuais candidatos o desafio de transmitir às pessoas uma visão de futuro melhor. “Houve quebra de confiança nos homens que conduzem o País e ninguém ganha confiança sem transmitir a esperança de um futuro melhor”, assinalou o tucano

O ex-presidente defendeu a escolha de uma terceira via, ao observar que, numa democracia, convencer o outro não depende apenas da vontade de uma só pessoa, porque a grande maioria da sociedade talvez não queira escutá-la. Por isso, defendeu que os políticos precisam apresentar à população uma utopia possível e viável. “Tem que ser uma utopia que as pessoas sintam que é o caminho”, comentou.

SEM CITAR ALCKMIN – O tucano FHC se equilibrou em cima  do muro e em nenhum momento citou o candidato de seu partido, Geraldo Alckmin. “O momento é difícil, mas temos que ver se alguém tem plano de voo. Sem plano de voo não se chega a lugar nenhum”, salientou o ex-presidente.

Como a eleição está claramente entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), as declarações de FHC necessitam de tradução simultânea. É óbvio que ele está se referindo ao terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT), ao mencionar “alguém que tem plano de voo”.

Se estivesse falando em Alckmin, FHC citaria o nome dele, mas sabe que o tucano não tem programa nem carisma para segurar essa onda. Da mesma forma, não está se referindo a Marina Silva (Rede) nem Alvaro Dias (Podemos), cujas candidaturas também fracassaram. Nem tampouco se refere a João Amoêdo (Novo) ou a Henrique Meirelles (MDB).

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P.S. –
Se alguém der uma empurradinha nele, FHC vai rasgar a fantasia e implorar: “ Pelo amor de Deus, votem no Ciro para evitar uma nova tragédia nacional!!!”. Basta uma empurradinha.

P.S. 2 – Ciro Gomes, que é bipolar e às vezes se comporta como um idiota, não captou a mensagem de FHC e esculhambou o ex-presidente, dizendo que ele estava querendo “ressuscitar Alckmin”. Se tivesse juízo, Ciro deveria ter agradecido a FHC a força que está lhe dando. (C.N.)

Todas as pesquisas ainda indicam supremacia dos indecisos, brancos e nulos

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Charge do Moises (mcartuns.wordpress.com)

Carlos Newton

O mais importante indicador das pesquisas é o quesito do chamado “voto espontâneo”, em que o eleitor responde em quem pretende votar, sem que lhe seja exibida pelo entrevistador a lista dos concorrentes. Esta é a pergunta mais importante, porque todas as demais são induzidas. O mais surpreendente dos resultados de todos os institutos, até agora, faltando duas semanas para o encerramento da campanha eleitoral, é que todos os institutos indicam que a eleição continua a ser vencida por indecisos, brancos e nulos. Nunca antes, na História deste país, se viu nada igual.

Este fenômeno indica simplesmente a decepção dos eleitores em relação à classe política como um todo, sem se levar em conta partidos e supostas ideologias que representem. O desapontamento é imenso, explica o fenômeno Bolsonaro, que é cada vez mais favorito a vencer no primeiro turno, e também justifica o grande número de indecisos, identificado na mais recente pesquisa Datafolha, que teve impressionante abrangência e ouviu 8.601 eleitores em 323 municípios brasileiros, tendo sido realizada nos dias 18 e 19 de setembro de 2018.

CONFIRMAÇÕES– A pesquisa espontânea do Datafolha aponta que os candidatos continuam sendo derrotados por 30% de indecisos, 11% de votos brancos e nulos e mais 3% que não sabem o que fazer. No total, 44%. E os números batem, porque a pesquisa do Ibope indicou 42% e a CNT/MDA 45%.

Ou seja, os três principais institutos constataram a mesma sisutação, entre 42% e 45% de indecisos, brancos e nulos, com empate na margem de erro.

Por fim, na pesquisa espontânea do Datafolha, Bolsonaro lidera com 24%; Haddad tem 11%; Ciro Gomes, 7%; Geraldo Alckmin, 3%; Lula, 3%; João Amoêdo, 2%; Marina Silva, Henrique Meirelles e Álvaro Dias, 1% cada um, e os restantes com menos de 1% ou zero.

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P.S.
No meu entender, por enquanto o que vale é a pesquisa espontânea, com Bolsonaro imbatível no primeiro turno, Haddad em segundo e Ciro Gomes em terceiro, mas ainda com chances, porque o candidato do PT tem teto e não conseguirá ultrapassar os votos que seriam dados a Lula, que nas pesquisas espontâneas nunca passaram de 20%. (C.N.)

As aparências enganam e Ciro Gomes ainda tem chance de vencer a eleição

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Charge do Humberto (Folha de Pernambuco)

Carlos Newton

Na adaptação da teoria de político mineiro Magalhães Pinto sobre a política, pode-se dizer que as pesquisas eleitorais também são como as nuvens – a gente olha, estão de um jeito, daqui a pouco a gente olha novamente, estão de outro jeito… Segunda e terça-feira, duas pesquisas importantes (CNT/MDA e Ibope) indicaram que o candidato Fernando Haddad (PT) tinha subido rapidamente e chegara a 19%, com margem de erro de 2%.

À primeira vista, fica parecendo que está se materializando uma final entre Jair Bolsonaro (PSL), com 28% nas duas pesquisas, e o Fernando Haddad (PT), com 19%, enquanto o candidato Ciro Gomes fica estacionado no terceiro lugar, com 11%, embora outras pesquisas indiquem que ele estaria com 13%.

TEMPESTADE IDEAL – Como na política as aparências sempre enganam, a gente olha de novo e percebe que as nuvens que surgiram carregadas para Ciro Gomes podem representar uma tempestade ideal, capaz de encher as velas murchas de sua campanha e impulsioná-la para adiante.

É ilusão à toa imaginar que Haddad conseguirá mais votos do que Lula teria. Aliás, se conseguir todos os votos de Lula, deve lamber os beiços e se dar por satisfeito. E acontece que nas pesquisas espontâneas (“Em quem você vai votar?”) de todos os institutos, sem exceção, Lula jamais teve mais de 20% dos votos. Oscilava entre 17% e 19%, e daí nunca passou.

Com toda certeza, este é o teto de Haddad, que terá no máximo 20% para passar ao segundo turno.

MAIORIA SILENCIOSA – Na pesquisa espontânea (“Em quem você vi votar?”), indecisos, brancos e nulos continuam ganhando a eleição, segundo o Ibope, com 40%. Com toda certeza, a maioria dos eleitores não quer Bolsonaro nem muito menos Haddad. É o que se conclui com a análise das pesquisas espontâneas de aceitação e rejeição dos candidatos, confrontadas com as perspectivas do segundo turno, em que Ciro é o que aparece com mais chances de vitória, no enfrentamento com os demais concorrentes. Esta equação vai mexer com o inconsciente coletivo de quem não aceita nem Bolsonaro nem Haddad à frente do governo.

No barco dos já derrotados, contando com os indecisos, há 28 pontos em jogo.  Se Ciro Gomes conseguir um terço desses votos úteis (ou votos contra Bolsonaro e Haddad), crava 20% e passa Haddad, indo para o segundo turno, em que derrota Bolsonaro na onda da rejeição dele, que segue em 44%.

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P.S.Escrevi este texto ontem à noite, antes da Pesquisa Datafolha, que dá Ciro em empate técnico com Haddad. Portanto, enganou-se quem pensava que Ciro Gomes já está derrotado. Posso estar equivocado, é claro, mas todos sabem que a política é mesmo como uma nuvem, toda hora muda. (C.N.)

Extraindo petróleo a 7 dólares, a Petrobras será uma superempresa

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Na segunda e na terça-feira, a TI publicou  um importantíssimo estudo feito pelo economista Cláudio da Costa Oliveira para a Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras). O ensaio denuncia a campanha de difamação movida pela grande mídia contra a Petrobras em caráter permanente, para defender a privatização e esconder que a estatal é hoje a empresa petrolífera com maior potencial de crescimento no mundo, que está extraindo petróleo com o menor custo, apenas US$ 7 dólares o barril, valor mínimo alcançado no Oriente Médio.

Além disso, em 2014, no ano da pior crise que o Brasil já enfrentou, a Petrobras tinha uma liquidez corrente de 1,6. Significa dizer que, para cada R$ 1 que a empresa tinha de pagar, ela dispunha de R$ 1,6. Naquele mesmo ano, a liquidez corrente da Chevron era de 1,3 e da Exxon de 0,8. Portanto, no auge da crise a situação financeira da Petrobrás era muito mais confortável do que a das duas maiores petroleiras americanas.

SALDO DE CAIXA – Cláudio da Costa Oliveira aponta que a Petrobrás terminou 2014 com um saldo de caixa de US$ 16,66 bilhões, ao passo que a Chevron fechou com um caixa de US$ 12,79 e a Exxon com US$ 4,65. Onde estava a crise? – indaga o economista, considerado um dos maiores especialistas em Política do Petróleo. 

“Em 2014 a Petrobrás alcançou uma Geração Operacional de Caixa de US$ 26,6 bilhões, o que representava 0,15 de sua Receita Bruta. Esta mesma relação na Exxon era de 0,11, na Shell era também de 0,11 e na BP (British Petroleum) de 0,09. Como sempre, a Petrobras apresentava uma capacidade de geração de caixa superior a todas as outras. Que crise é esta?”, continua a indagar o economista.

PASSOU RECIBO – A denúncia de Oliveira sobre o boicote da mídia foi tão grave que O Globo passou recibo e publicou no último domingo uma matéria de página inteira sobre o sucesso do pré-sal, reconhecendo que a Petrobras está extraindo petróleo a apenas US$ 7 dólares o barril, o menor custo do mundo.

O fato concreto é que a grande mídia, capitaneada pela Globo, realmente estava escondendo dos brasileiros a realidade sobre a Petrobras, cuja capacidade de crescimento da produção é hoje a maior no mundo. A previsão é de que em 2026 a produção brasileira de petróleo já seja superior a 5 milhões de barris/dia. Só o supercampo gigante de Búzios estará produzindo mais de 2,4 milhões de barris/dia. O Brasil então passará a ser grande exportador, podendo vender mais de 2 milhões de barris/dia em petróleo cru ou em derivados, se o próximo governo tiver juízo e investir em refinarias.

NOVA REALIDADE –Com esta performance campeã, a Petrobras abre nova perspectiva para o futuro governo. Com os recursos que ganhará com o aumento das exportações, poderá enfim praticar preços menores internamente e ajudar o crescimento da economia, através da reativação da indústria naval, um setor que cria empregos e distribui rendas, que o economista Carlos Lessa incentivou quando esteve no BNDES e depois foi abandonado pelo governo, hoje está em processo de desindustrialização.

Se o governo planejar a política a partir da nova realidade da Petrobras, poderá ampliar a produção do biodiesel e do álcool combustível, também criando empregos e distribuindo renda internamente, podendo então  reservar mais petróleo e derivados para exportação.

GRANDES NÚMEROS – É certo que em poucos anos a Petrobras estará exportando 2 milhões de barris/dia. A míseros US$ 50 o barril (hoje, está a US$ 70), isso significaria faturamento adicional de R$ 146,5 bilhões/ano, uma quantia que pode ser muito aumentada se a Petrobras exportar derivados de petróleo e de nafta, ao invés do óleo cru.

E agora, quem terá coragem de defender a privatização da Petrobras?

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P.S. 1
Quando saiu a primeira parte do ensaio, segunda-feira, houve comentários desairosos, defendendo a privatização, porque a Petrobras vende combustíveis muito caros no Brasil, como se a privatização significasse que iriam baixar.  

P.S. 2O mais infantil, porém, foi criticar a Petrobras por ter mais funcionários do que as outras petroleiras, desconhecendo-se que a maior parte dos empregados delas é de terceirizados…  E assim fica difícil o debate, a troca de ideias sobre um assunto de máxima importância. (C.N.)

Pesquisa Ibope confirma que só restaram esses três: escolha o seu candidato

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Bolsonaro tem 28%; Haddad, 19%;  e Ciro, 11%

Carlos Newton

O site do Ibope e o Jornal Nacional divulgam que Fernando Haddad (PT) cresceu 11 pontos percentuais e assume o segundo lugar na disputa pela Presidência da República. Jair Bolsonaro (PSL)oscilou positivamente e se mantém na liderança com 28%, nove pontos à frente do segundo colocado. E Ciro Gomes (PDT) vem bem atrásm com apenas 11 pontos.

Realizada pelo Ibope Inteligência, a nova apuração sobre as intenções de voto para Presidente da República foi encomendada pela TV Globo e as entrevistas foram feitas entre os dias 16 e 18 de setembro

A CORRIDA – A disputa traz Bolsonaro (PSL) na liderança oscilando de 26% para 28%, ao passo que Fernando Haddad, do PT, cresce 11% em relação à última pesquisa, indo de 8% para 19% e assumindo a vice-liderança.

O pedetista Ciro Gomes, por sua vez, manteve os 11% de menções registradas anteriormente, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) caiu de 9% para 7% e Marina Silva, da REDE, que tinha 9%, desceu para 6% nesta rodada. Os demais candidatos (João Amoêdo, do Novo, Alvaro Dias, do Podemos, Henrique Meirelles, do MDB, Guilherme Boulos, do PSOL, Vera, do PSTU, João Goulart Filho, PPL, Eymael, da DC e Cabo Daciolo, do PATRIOTAS) variam dentro da margem de erro e têm até 2% das intenções de voto. Indecisos se mantém em 7% e votos em branco ou nulo caem de 19% para 14%.

PESQUISA ESPONTÂNEA – Infelizmente, o Ibope ainda não divulgou os  números da pesquisa espontânea, que dá um retrato mais preciso sobre as intenções de voto, com entrevistador perguntando diretamente: “Em quem você vai votar para presidente?”.

Os resultados mostrados pelo Jornal Nacional na noite desta terça-feira exibem apenas a pesquisa incentivada, em que o entrevistador mostra ao eleitor quais são os candidatos e ele aponta um.

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P.S.
Bolsonaro está tranquilo no segundo turno, embora a campanha esteja prejudicada pela sua ausência, pois o vice Mourão fala muita bobagem. Eu continuo com a expectativa de que Haddad subiu muito e atingiu seu teto, que é o mesmo de Lula, com 20% dos votos. Em todas as pesquisas divulgadas até agora, quem vem na frente são os Indecisos, Brancos e Nulos, que estavam com mais de 50% (maioria absoluta) e caíram para 45,2% nesta semana, na pesquisa espontânea da CNT/MDA. Vamos aguardar para ver se Haddad vai estacionar e Ciro subir como terceira opção. (C.N.)

A incrível riqueza do pré-sal e o boicote da grande mídia à Petrobras – I

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

O economista Cláudio da Costa Oliveira, um dos maiores especialistas na Política do Petróleo, escreveu mais um importantíssimo artigo no site da Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e nosso amigo Sergio Caldieri, vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas, pede divulgação para o texto. Realmente, é uma denúncia impressionante e mostra como a Petrobras vem sendo objeto de uma campanha sórdida e manipulada, para enfraquecer a imagem da empresa e privatizá-la. Como o texto é muito longo, fizemos um resumo para publicar em dois dias seguidos.

O fato concreto é que  a grande mídia, capitaneada pela Organização Globo,está escondendo dos brasileiros a realidade sobre a Petrobras, cuja capacidade de crescimento da produção é hoje a maior no mundo. A previsão é de que em 2026 a produção brasileira de petróleo já seja superior a 5 milhões de barris/dia. Só o supercampo gigante de Búzios estará produzindo mais de 2,4 milhões de barris/dia. O Brasil então passará a ser grande exportador, podendo vender mais de 2 milhões de barris/dia em petróleo cru ou em derivados, se o próximo governo tiver juízo e investir em refinarias.

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A PETROBRÁS E A TORPE ATUAÇÃO DA GLOBO – I
Cláudio da Costa Oliveira
/ Aepet

No caso das reservas do pré-sal descobertas pela Petrobrás em 2006, ao invés de festa. o que assistimos foi o início de um período de guerra. Guerra entre aqueles que defendem os interesses da nação e aqueles que defendem os interesses das multinacionais do petróleo. Como dizia Barbosa Lima Sobrinho “No Brasil existem dois partidos, o de Tiradentes e o de Silvério dos Reis”

Um bom exemplo é o campo de Libra, abandonado e devolvido pela Shell à ANP, onde a Petrobrás, cujos técnicos atestavam os forte indícios da existência de petróleo sob a camada de sal. Com aprovação e autorização do governo federal, estatal investiu milhões de reais para ter acesso às acumulações.

A Shell fracassou, mas a Petrobras mostrou que suas análises estavam corretas. Logo no início com a perfuração do campo de Libra, os geólogos brasileiros diziam “este é apenas o rabo do elefante”.

De outro lado, jornalistas como o Sr. Carlos Alberto Sardenberg diziam que o pré-sal não existia, era uma invenção do governo:

https://www.brasil247.com/get_img?ImageId=379545

PELO MUNDO – Enquanto a Petrobrás desenvolvia o projeto, a notícia se espalhou pelo mundo levantando o interesse e a cobiça das grandes petroleiras internacionais, que já sofriam fortes quedas de suas reservas e declínio de produção, sem perspectiva de reversão desta situação no curto/médio prazo.

A esta altura os geólogos brasileiros já diziam “não é só um elefante, é uma manada de elefantes.”

http://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/2116-o-24-de-agosto-em-54-e-2018

2010 foi um ano marcante, no dia 1º de março foi anunciada a descoberta do campo de Búzios, o maior de todos os supergigantes. No período de 2010 a 2014 a Petrobras investiu mais de US$ 200 bilhões, com ênfase no pré-sal

CESSÃO ONEROSA – Buscando defender o país da pressão do capital externo, o governo brasileiro, em 30 de junho de 2010, conseguiu aprovar a Lei 12.276 estabelecendo a cessão onerosa (5 bilhões de barris) do campo de Búzios para a Petrobras e em 22 de dezembro de 2010 a Lei 12.351 estabelecendo o regime de partilha para as reservas do pré-sal.

Com o contrato de cessão onerosa a Petrobrás iniciou os trabalhos no campo de Búzios, onde foram abertos 11 poços. Em 19 de dezembro de 2013 foi declarada a comercialidade do campo de Búzios.

Mas a mídia hegemônica brasileira trabalhando claramente em defesa dos interesses estrangeiros, protestou de diversas formas contra a posição nacionalista do governo.

PARTILHA DE BENS – Em parte, a campanha antinacionalista da mídia obteve, pois em 2013 foi feito o primeiro leilão de reservas do pré-sal sob regime de partilha (Libra) que, apesar da participação obrigatória da Petrobrás, abria a participação de empresas estrangeiras. Em boicote, as petroleiras americanas, que preferiam o modelo de concessão, não participaram do leilão acreditando em seu fracasso.

Perderam os americanos, pois em 21 de outubro de 2013 o leilão foi concluído com a Petrobrás (operadora) ficando com 40%, Shell e Total com 20% cada e CNPC e CNOOC com 10% cada.

O leilão foi marcado por protestos de trabalhadores, sindicalistas, ambientalistas e representantes de movimentos sociais, que entendiam tratar-se do início da entrega do pré-sal brasileiro pra os estrangeiros.

UM SUPERCAMPO – Com reservas estimadas entre 8 e 12 bilhões de barris o campo de Libra tinha previsão de atingir um pico de produção de 1,4 milhões de barris dia em 15 anos (2028).

Paralelamente, em 10 de março de 2015, foi dado início à produção provisória em Búzios. Neste tempo a grande mídia brasileira já organizava ataques ultra-agressivos contra a imagem da Petrobras, muitas vezes feitos de maneira indecorosa.

Indignado, em 29 de janeiro de 2015 o economista José Carlos de Assis, doutor em engenharia de produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professor de economia internacional da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e autor de mais de 20 livros sobre economia política, escreveu um artigo no site Carta Maior com o título “Prática da CIA no jornal da Globo”.

WACK E SARDENBERG – No artigo, Assis desmoraliza William Wack e Carlos Alberto Sardenberg por algo essencialmente desonesto, ao proclamarem que a Petrobras estava falida, porque “as dívidas dela eram maiores do que o valor de mercado da empresa”.

Assis também salientou: “Os jornalistas (?) William Wack e Carlos Sardenberg adotaram práticas de desvirtuamento de fatos para vender noticiário tendencioso, algo nazifascista bem na linha da CIA, pródiga em criar situação para confundir as pessoas no sentido de atraírem, com falsos argumentos, de modo a obter delas consentimento para suas teses”.

Assis questionou o governo Dilma “Até quando o governo Dilma vai continuar financiando, com polpudas verbas orçamentárias, o poder midiático oligopolizado global cuja missão é construir argumentos falsos para analisar a performance da maior empresa estatal brasileira e sul-americana?”.

http://independenciasulamericana.com.br/2015/01/praticas-da-cia-no-jornal-da-globo/

CULPA DE PARENTE – Diante dos fatos cabe também responsabilizar a gestão de Pedro Parente na época, que permitia a divulgação de falsas notícias sobre a empresa sem nenhuma contestação e pedido judicial de resposta .

Mas as agressões não pararam por aí. Em editorial no dia 20 de dezembro de 2015, com o título – “O pré-sal pode ser patrimônio inútil” – o jornal O Globo passou dos limites: “Alguns preços de referência de petróleo bateram US$ 37, acima do custo de produção do pre-sal , calculado em junho entre US$ 40 e US$ 57. Confirma-se que foi erro crasso do lulopetismo, movido por ideologia, suspender por cinco anos os leilões, a fim de instituir o modelo de partilha”.

https://oglobo.globo.com/opiniao/o-pre-sal-pode-ser-patrimonio-inutil-18331727

Mais uma vez a Globo mostrou total ignorância ou má-fé com relação aos negócios de petróleo e às atribuições da Petrobras no atendimento da nação brasileira. Como nunca houve retratação podemos considerar que tudo foi feito na mais absoluta má-fé. Novamente a administração da companhia foi omissa na defesa da empresa. Ou seria conivência?  O fato é que nenhuma empresa no mundo que se preze aceitaria este tipo de falácia sem reação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFaltou dizer que desde a gestão temerária e entreguista de Pedro Parente, a Petrobras já vem extraindo petróleo do pré-sal a US$ 8 (barril), encostando no valor mínimo de produção no Oriente Médio, que é de US$ 7. E agora, com a alta do dólar no Brasil, nosso pré-sal é o petróleo mais barato do mundo. Neste domingo, O Globo deu notícia de página inteira, elogiando o pré-sal, para responder ao artigo de Cláudio Oliveira, que é irrespondível. Amanhã, vamos retomar o assunto, que é fundamental para o futuro da nação. (C.N.)

Posso estar equivocado, mas Haddad vai quebrar a cara, solenemente

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Haddad é desconhecido em grande parte do país

Carlos Newton

Antes de ser jornalista, trabalhei quatro anos no IBGE e aprendi esta curiosa e intrigante definição: “A estatística é a arte de torturar os números, até que eles confessem os resultados que pretendemos”. Fico pensando nisso ao ler a estrepitosa declaração de Fernando Haddad, ao discursar no Rio de Janeiro, na noite de sexta-feira, após saber o resultado da mais recente pesquisa Datafolha: “Em três dias de campanha estamos em segundo lugar” – vangloriou-se o neocandidato do PT.

A pesquisa mostra que o petista subiu de 9% para 13%, empatando com Ciro Gomes, do PDT, e Jair Bolsonaro (PSL) continua à frente, com 26%, enquanto Geraldo Alckmin ficou estacionado em 9% e Marina Silva desabou para 8%.

LEITURA ERRADA – No empolgação e no delírio que antecipam a derrocada, Haddad se baseou na pesquisa que tem menos precisão – a estimulada, em que o eleitor recebe a lista de candidatos para escolher.

Na verdade, a pesquisa mais importante é a espontânea, que começa com uma pergunta simples – “Em quem você votará para presidente?”. As demais indagações, diante da lista de candidatos, têm muito menos força no levantamento da intenção de voto.

Na pesquisa espontânea do Datafolha, o candidato Jair Bolsonaro, do PSL, oscilou positivamente para 22% das citações, liderando com muita folga. O petista Haddad dobrou sua pontuação na pesquisa espontânea, de 4% para 8%, empatando com Ciro, que subiu de 5% para 7%. Esta é a realidade dos fatos: Bolsonaro 22%, Haddad 8% e Ciro 7%. Depois, Geraldo Alckmin com 3%, seguido de Marina Silva, Alvaro Dias e João Amoedo, cada um com 2%.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Por enquanto, a eleição continua sendo vencida pelos indecisos, brancos e nulos, que têm mais de 50%. E na sua inexperiência e arrogância, Haddad acha que Lula vai lhe transferir todos os seus votos. Não vai.

E o mais importante é que, quando era o candidato do PT, Lula jamais conseguiu passar de 20% na pesquisa espontânea. Geralmente, ficava por volta dos 18%, enquanto Bolsonaro chegava a cerca de 2%. Agora, sem Lula na disputa, o candidato do PSL subiu direto para 22%.

Traduzindo: se não se virar para arranjar voto adicionais, na melhor das hipóteses, caso receba a transferência de todos os votos de Lula, Haddad vai ficar com os 18%, e lamba os beiços. Se isso acontecer, será ultrapassado na reta final por Ciro Gomes, que a meu ver pode chegar entre 20% e 22% e disputar o segundo turno contra Bolsonaro.

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P.S. 1 –
Posso estar enganado, mas fiz igual ao coronel Brilhante Ulstra e torturei implacavelmente os números do Datafolha até que eles enfim confessaram que minha tese está correta.

P.S. 2 – Atenção, galera: na próxima quinta-feira, dia 20, almoço no restaurante da Estação do Bondinho de Santa Teresa, ao lado do prédio da Petrobras, em homenagem a Antonio Carlos Falavena e Antonio Rocha, que completa 66 anos. Presenças já confirmadas de Pedro do Coutto e Paulo Peres, acompanhados de Elena e Cristina, e do Carlos Vicente, que a gente não sabe se irá acompanhado. Vamos nos esbaldar, como se dizia antigamente, e todos estão convidados.  (C.N.)

Indecisos, brancos e nulos continuam vencendo a eleição, com mais de 50%

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Conforme a Tribuna da Internet tem informado, a pesquisa mais importante é a espontânea, que tem de ser a primeira pergunta ao entrevistado – “Em quem você votará para presidente?”. As demais perguntas, já se colocando a lista de candidatos, têm menos força no levantamento da intenção de voto. Na pesquisa do Datafolha, divulgada nesta sexta-feira, o candidato Jair Bolsonaro, do PSL, oscilou positivamente para 22% nas citações espontâneas ao nome do candidato preferido, liderando com folga nesse quesito.

O levantamento ocorreu dois dias depois do registro de Haddad, então vice de Lula da Silva, como presidenciável do PT. Preso por corrupção, o ex-presidente é inelegível por ter condenação em segunda instância. O ex-prefeito dobrou sua pontuação na pesquisa espontânea, de 4% para 8%, empatando com Ciro, que subiu de 5% para 7%.

OS DEMAIS – Geraldo Alckmin (PSDB) registra os mesmos 3% espontâneos da pesquisa anterior, empatado com Marina da Silva (Rede), João Amoêdo (Novo) e Alvaro Dias (Podemos), todos com 2%. Diz o jornalista Igor Gielow, da Folha: “A pesquisa traz más notícias para o tucano, que esperava crescer com a exposição de duas semanas com o maior horário de propaganda gratuita de rádio e TV. Seu eleitor também é menos sólido: 61% dizem que podem mudar de voto”.

Henrique Meirelles (MDB), Guilherme Boulos (PSOL), João Goulart Filho (PPL) nem aparecem na foto.

Em tradução simultânea, a eleição continua sendo vencida pelos indecisos, brancos e nulos, que têm mais de 50%.

PÓS-FACADA – O levantamento foi feito entre quinta (13) e sexta (14), ouvindo 2.820 eleitores em 187 cidades, com uma margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pela Folha e pela Rede Globo.

Marina Silva e Geraldo Alckmin estão fora da corrida presidencial, porque o tempo é curto para uma retomada.  Podem dar adeus às ilusões. Apenas três restam na disputa – Bolsonaro, já praticamente confirmado no segundo turno, enquanto Ciro e Haddad disputam ponto a ponto a segunda vaga.

Na teoria do voto útil, tudo indica que Ciro vai ultrapassar Haddad, por receber transferência de votos de Alckmin, Marina Silva, Henrique Meirelles etc. Posso estar errado, mas é esta a minha avaliação – teremos uma final eletrizante, entre Bolsonaro e Ciro, porque Haddad vai bater no teto de 17%.

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P.S. –
Interessante esta pesquisa. Em tradução simultânea, mostra que Jair Bolsonaro é imbatível no primeiro turno e Ciro Gomes é imbatível no segundo turno, mas ainda está difícil para o candidato do PDT chegar lá. É preciso saber até que patamar o petista Haddad conseguirá chegar. O final dessa corrida vai ser eletrizante. (C.N.)

Resultado do Ibope difere do Datafolha, cuja pesquisa é mais atual

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Newton

Nenhuma grande novidade na pesquisa Ibope após o chamado Efeito Facada. O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, subiu quatro pontos percentuais e agora tem 26% das intenções de voto. E há empate técnico entre quatro candidatos na segunda posição: Ciro Gomes (PDT), com 11%, Marina Silva (Rede), com 9%, Geraldo Alckmin (PSDB), com 9%, e Fernando Haddad (PT), com 8%.

No Ibope, Marina caiu três pontos percentuais, confirmando o Datafolha, enquanto Ciro, que está em viés de alta no Datafolha, oscilou um ponto para baixo, dentro da margem de erro. Alckmin se manteve estável, e Haddad cresceu dois pontos, também no limite da margem de erro. Em seguida, aparecem Alvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (Novo) e Henrique Meirelles (MDB), todos com 3%. Vera (PSTU) e Cabo Daciolo (Patriota) aparecem com 1%, enquanto Guilherme Boulos (PSOL), João Goulart Filho (PPL) e Eymael (DC) não pontuaram.

Algumas discrepâncias entre os dois resultados podem ser atribuídas à diferença de captação. A pesquisa do Ibope, que ouviu cerca de duas mil pessoas, foi realizada entre sábado, segundo dia após o ataque a Bolsonaro, e segunda-feira. Portanto, captou um momento diferente do levantamento do Datafolha, que foi divulgado na segunda-feira, também com cerca de 2 mil entrevistas, mas todas foram feitas na própria segunda, dia 11.

A margem de erro do Ibope é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

INTENÇÃO DE VOTO – Jair Bolsonaro 26% (PSL), tinha 22%; Ciro Gomes 11%, tinha 12%; Marina Silva 9%, tinha 12%; Geraldo Alckmin 9%, tinha 9%.

Substituindo Lula na pesquisa, Fernando Haddad já estreia com 8%., enquanto Alvaro Dias, Henrique Meirelles e Joao Amoedo empatam em 3%, e o resto é silêncio como diria Érico Veríssimo.

Rejeição dos candidatos também teve mudanças, com Bolsonaro liderando com 41%, seguido de Marina Silva 24%; Fernando Haddad 23%, Geraldo Alckmin 19%; Ciro Gomes 17%; Henrique Meirelles 11%, e o resto é folclore, são candidatos buscando 15 minutos de fama, à moda Andy Warhol.

SEGUNDO TURNO – O Ibope pesquisou quatro cenários de segundo turno: Cenário 1 –  Ciro Gomes 40% Jair Bolsonaro 37%; Cenário 2 –  Geraldo Alckmin 38%, Jair Bolsonaro 37%; Cenário 3 –  Jair Bolsonaro 38%, Marina Silva 38%; Cenário 4 – Jair Bolsonaro  40%, Fernando Haddad – 36%

A pesquisa Ibope aqui difere da apuração do Datafolha, que somente indica vitória de Bolsonaro no segundo turno quando disputa contra Haddad.

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P. S.
Na semana que vem o quadro deve clarear bastante. Eu concordo com a opinião do Pedro do Coutto. A tendência é de que haja um confronto final entre Bolsonaro e Ciro, numa troca de tiros mais emocionante do que o filme “Matar ou Morrer”, com Gary Cooper. (C.N.)

Teresa Fabrício agradece a volta da mediação aos comentários da Tribuna

Resultado de imagem para censura chargesTeresa Fabricio

Obrigada por levar meu comentário, e de muitos outros, em consideração, a respeito da necessidade de haver mediação dos textos encaminhados à “Tribuna da Internet”. Nem imagino a aporrinhação que é ler todos os comentários, mesmo que apenas os problemáticos.

O fenômeno que acontece na TI me lembra a teoria da janela quebrada. Uma vez que um cruza o limite, todos se acham no direito de fazer o mesmo.

SEM CENSURA – Não chamaria sua decisão de censura, mas de mediação. Leis, ética e regras existem e sempre existiram, porque é necessário evitar a primeira pedrada na janela.

O baixo do nível dos comentários já não me incomodava porque não mais os lia. Mas o volume de comentários dessas pessoas é tão grande que acaba inviabilizando a saudável discussão argumentativa.

Eles são incapazes de discutir ideias, sempre ofendem as pessoas, por isso, não é censura não publicá-los, classifico como regra básica de convivência, necessária em qualquer grupo.

A atitude restritiva é necessária, não só para evitar ofensas, mas também para limpar os comentários, facilitando a leitura. Te desejo boa sorte e muita paciência.

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SOBRE O FIO DA NAVALHA
Carlos Newton

Gratíssimo por suas palavras sempre equilibradas, amiga Teresa Fabricio. Moderar os comentários é como caminhar sobre o fio da navalha. Na minha visão política, raciocino como alguns ousados jornalistas que há quase dois séculos defendiam ardorosamente a liberdade de expressão, e reconheço que as pessoas devem ser totalmente livres para comentar e expressar opiniões, como Karl Marx e Friedrieh Engels defendiam, ao editarem a “Gazeta da Renânia”.

Meu limite, como moderador, é restringir apenas aqueles textos que ofendem, provocam e desrespeitam. Fico pasmo que em pleno Século XXI ainda haja esse tipo de manifestação,  com as pessoas se comportando infantilmente, abrindo enfrentamentos, ao invés da salutar troca de ideias.

DIREITO DE EXPRESSÃO – Essa pueril brigalhada político-ideológica que polui o Blog tem estremecido minha amizade com alguns comentaristas, que me exigem posturas radicais para “limpar” a discussão, impedindo a participação de seus desafetos, mas eu jamais o farei. Todos têm direito de se expressar. Como editor, só posso expurgar textos inconvenientes.

Às vezes, sinto um desânimo enorme, um sensação de vazio, devido ao esforço que preciso fazer diariamente para editar o Blog. Mas depois lembro como a “Tribuna da Internet” é importante para aqueles que participam diariamente, pois funciona não somente como veículo informativo e formador de opinião, mas também como um instrumento psicoafetivo e de integração social. E, assim, consigo ficar novamente animado para seguir em frente, sem olhar para o retrovisor.

Bolsonaro, Ciro e Haddad aparecem em alta no Datafolha pós-facada

Resultado de imagem para bolsonaro, Ciro e haddadCarlos Newton

O Jornal Nacional da TV Globo, na noite desta segunda-feira, dia 10, divulgou a nova pesquisa Datafolha para a disputa pela Presidência da República. É a primeira apuração divulgada depois do atentado à faca contra Jair Bolsonaro (PSL). A pesquisa mostra que estão em alta o candidato do PSL seguido agora no segundo lugar por Ciro Gomes (PDT), com Marina Silva (Rede) caindo para terceiro e Geraldo Alckmin na quarta colocação.

A pesquisa ouviu 2.820 eleitores nos 26 estados e no Distrito Federal nesta segunda-feira. O resultado indica que Bolsonaro chegou a 24% das intenções de voto, com crescimento de dois pontos percentuais em relação ao levantamento anterior do instituto de pesquisas, publicado em 22 de agosto.

O resultado é surpreendente, porque se esperava que Bolsonaro subisse bem mais.

CIRO SUBINDO – O resultado mostra que Ciro Gomes subiu três pontos chegando a 13% da preferência, com viés de alta, enquanto Marina Silva caía de 16% para 11%, tecnicamente ainda empatada na margem de erro de dois pontos percentuais para cima, e embolada com Geraldo Alckmin (PSDB), com 10%, e Fernando Haddad (PT), com 9%.

Dos demais, Alvaro Dias (Podemos), aparece com 3%; João Amoêdo (Novo), com 3%; Henrique Meirelles (MDB), com 3%; Vera Lúcia (PSTU), Cabo Daciolo (Patriota), Guilherme Boulos (PSOL), 1% cada; João Goulart Filho (PPL) e José Maria Eymael (DC), não pontuaram. Eleitores que responderam que pretendem votar em branco ou nulo são 15%, enquanto indecisos somam 7%.

No levantamento anterior, Ciro tinha 10%; Marina, 16%; Alckmin, 9%; Dias e Haddad, 4% cada; Amoêdo e Meirelles, 2% cada; Vera, Daciolo, Boulos, Goulart Filho e Eymael, 1% cada. Brancos e nulos eram 22% e indecisos, 6%.

REJEIÇÃO –  Surpreendentemente, a rejeição ao deputado federal e candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) subiu de 39% para 43% em nova pesquisa divulgada nesta segunda-feira (10) pelo Datafolha. Foi o primeiro levantamento realizado após o início do horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio.

Veja o índice de rejeição dos candidatos: Jair Bolsonaro (PSL) 43%, Marina Silva (Rede) 29%, Geraldo Alckmin (PSDB) 24%, Fernando Haddad (PT), 22% Ciro Gomes (PDT) 20%, Cabo Daciolo (Patriota) 19%, Vera (PSTU) 19%, Eymael (DC) 18%, Guilherme Boulos (PSOL) 17%, Henrique Meirelles (MDB) 17%, João Goulart Filho (PPL) 15%, João Amoêdo (Novo) 15% e Alvaro Dias (Podemos) 14%.

Em tradução simultânea, a rejeição a Bolsonaro cresceu mais do que o apoio a ele. Isso significa que ainda pode estar perdendo no segundo turno para os principais concorrentes.

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IBOPE CONFIRMA MARINA CAINDO
Daniel Bramatti / Estadão

Ao menos em São Paulo, o ataque ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) não o beneficiou eleitoralmente. Pesquisa Ibope/Estado/TV Globo realizada apenas com eleitores paulistas indica que o deputado e capitão da reserva tem 23% das intenções de voto nas eleições 2018, uma oscilação de apenas um ponto porcentual para cima desde o dia 20 de agosto, data da divulgação do levantamento anterior do Ibope.

Outros candidatos também tiveram oscilação positiva, dentro da margem de erro de três pontos porcentuais: Geraldo Alckmin (PSDB) foi de 15% a 18%, Ciro Gomes (PDT) de 8% a 11% e Fernando Haddad (PT) de 5% para 7%. Com isso, Alckmin reduziu sua distância em relação a Bolsonaro de sete para cinco pontos porcentuais. Com a margem de erro, os dois estão em situação de empate técnico – embora seja muito maior a probabilidade de o candidato do PSL estar na frente. A candidata da Rede, Marina Silva, andou na contramão dos adversários: sua taxa de intenção de votos entre os paulistas oscilou de 10% para 8%.

NULOS E BRANCOS – Houve redução significativa na parcela disposta a votar nulo ou em branco, de 20% para 15%. A taxa de indecisos variou de 9% para 6%.

João Amoêdo (Novo) passou de 2% para 5%. Ele é seguido por Henrique Meirelles (MDB), que passou de 1% para 3%, Alvaro Dias (Podemos, 2%), Guilherme Boulos (PSOL, 1%), Cabo Daciolo (Patriota, 1%) e João Goulart Filho (PPL, 1%). Os demais candidatos não pontuaram na pesquisa.

Bolsonaro foi esfaqueado quando participava de um evento de rua na última quinta-feira, em Juiz de Fora (MG). Seus filhos e porta-vozes afirmaram que isso faria com que as chances de vitória aumentassem.

Advogados do PT passam dos limites ao pedir prazo para substituir Lula

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Ilustração reproduzida do site Imprensa Livre

Carlos Newton

Os processos contra o ex-presidentes Lula da Silva – tanto na área penal como na cível e na eleitoral – são preciosas aulas de Direito. Ao analisar o comportamento dos advogados, podemos aprender bastante sobre Processualística, a ponto de ser recomendável aos universitários que pretendam estudar como fazer e também como não fazer. Os advogados do ex-presidente exibem erros e acertos impressionantes, desde que Lula começou a se comportar como o “Charles Anjo 45”, de Jorge Benjor, aquele que marcou bobeira e foi sem querer tirar férias numa colônia penal,

O primeiro advogado que se aproximou de Lula, nos tempos do sindicalismo, foi Roberto Teixeira, que sentiu estar diante de um político promissor e oportunisticamente lhe emprestou uma confortável casa para morar.

COMPADRES – Não se sabe ao certo como começou a amizade entre Lula e Teixeira. O fato é que ficaram tão íntimos que se tornaram compadres. Esta amizade por interesses foi um grave erro de Lula, porque Teixeira é um profissional limitado e que levou o sindicalista/político a trilhar por caminhos tristonhos, como diria Ary Barroso.

Os dois primeiros casos envolvendo Lula em corrupção e lavagem de dinheiro eram banais, facilmente solucionáveis. Meu amigo Carlos Lessa, grande mestre da Economia, ficou abismado com a incompetência dos advogados. “Ganhando alto salário de presidente e a ‘Bolsa Ditadura’ durante oito anos, sem gastar nada, tudo pago pelo contribuinte, Lula tinha recursos suficientes para comprar o apartamento, que estava até declarado ao Imposto de Renda.

Se dissesse que a cobertura era da mulher (o que era verdade) e que ela até tentara pagar a diferença, mas o empresário da OAS se recusara a receber, em homenagem aos serviços por Lula supostamente prestados ao povo brasileiro, não haveria crime, porque governante não pode ganhar presentes valiosos durante o mandato, mas depois o tráfico é liberado, digamos assim. E quem orientou sua defesa foi o compadre Teixeira.

SÍTIO EM ATIBAIA – A mesma falha da defesa se registrou no caso do sítio em Atibaia, cuja assinatura da compra foi comandada em cartório pelo próprio Teixeira. Lula tinha recursos para ser dono do sítio, devia ter comprado, ao invés de arranjar “laranjas” ligados ao filho Fábio Luís, o fenômeno nos negócios.

Teixeira também montou a farsa do apartamento de Lula em São Bernardo, fazendo José Carlos Bumlai simular a compra do apartamento vizinho ao Lula, para duplicar os aposentos presidenciais, digamos assim.

O resultado é que Bumlai foi preso e Teixeira virou réu, como cúmplice do réu principal Lula da Silva.

O GENRO É SHOW –  Se o advogado Bumlai é um trapalhão, em compensação seu genro Cristiano Zanin faz o possível e o impossível para ajudar Lula. Com aquele visual de sacristão, Zanin se tornou recordista mundial em recursos, prestes a ser registrado no Livro Guinness.

Pode-se dizer o que quiser dele, mas o fato incontestável é que nunca antes, na História deste país, se viu um advogado defender um cliente com tanto empenho, inclusive usando com maestria a mídia no exterior e manipulando até o Comitê de Direitos Humanos da ONU e a secretaria da OEA.

Zanin é um craque no Direito Penal e Cível. Mas no Direito Eleitoral o ainda candidato Lula está muito mal assessorado por outros advogados e se julga no direito de obrigá-los a passar dos limites, pedindo mais prazo para o PT substituir a chapa presidencial.

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P.S. 1 –
Na próxima vez em que eu tiver problemas com a Justiça, vou contratá-lo para me defender. Espero que não cobre muito caro.

P.S. 2 O Ato Institucional baixado na Tribuna da Internet é para valer. Quem balançar o corpo, de maneira folgazã, será devidamente censurado, como dizia Billy Blanco, a quem encontrei pela última na homenagem a Carlos Manga na Assembleia do Rio. Somente lá é que eu soube que os dois eram não só amigos, mas também parentes por afinidade. (C.N.)

Há mistérios que precisam ser esclarecidos sobre o agressor de Bolsonaro

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Maior mistério é descobrir a fonte de renda de Adelio

Carlos Newton

Quem acompanha a Tribuna da Internet sabe que o editor não é chegado a teorias conspiratórias. No caso do atentado a Jair Bolsonaro, que chegou a perder 40% do sangue e correu grave risco de morrer, a figura do esfaqueador Adélio Bispo de Oliveira é bastante adequada para alimentar diferentes versões, por levar uma vida altamente contraditória e suspeita.

DINHEIRO VIVO -Desempregado, declarando-se “servente de pedreiro”, pagou em dinheiro 15 dias de hospedagem na pensão em Juiz de Fora, circula por vários Estados, esteve fazendo treinamento de tiro em Santa Catarina, apresenta-se bem vestido, a polícia apreendeu em seu quarto um notebook e quatro celulares, realmente é um personagem estranho e singular.

O maior mistério é: quem sustentava Adélio Bispo de Oliveira? Diversas possibilidades se abrem. Seus parentes informam que há oito anos ele tornou-se missionário da Igreja do Evangelho Quadrangular, o que explicaria o motivo de passar maior parte do tempo se deslocando entre vários lugares.

PÉ NA ESTRADA – “Ele sempre ficava viajando entre Uberaba, Uberlândia e Santa Catarina”, disse uma sobrinha de Adélio ao Estado de Minas. Se estava a serviço da Igreja do Evangelho Quadrangular, a Polícia Federal não haverá dificuldade para descobrir. Basta perguntar a seus líderes no Brasil.

Trata-se de uma seita pentecostal canadense, criada há 74 anos e que se faz presente em 146 países. No Brasil, acredita-se que já tenha perto de 2 milhões de seguidores. Mas será que era a Igreja do Evangelho Quadrangular que financiava Adelio Bispo nessas idas e vindas?

Posso estar enganado, mas não há lógica nesse roteiro, nenhuma organização religiosa tem missionários ambulantes, que façam percursos fixos, tipo representantes comerciais. Deve haver outra explicação, e logo saberemos.

QUEBRA DE SIGILO – Como o sigilo dos quatros celulares e do notebook já foi quebrado, vão surgir informações preciosas. Falta quebrar o sigilo bancário, para saber se ele movimentava dinheiro em contas e quem fazia depósitos. Depois disso, a situação vai clarear muito.

Quanto a seu estado mental, os parentes estão dizendo que ele “surtava”, mas o relato é inverossímil, porque quem surfa fica violento, e isso não acontecia com ele. A família parece estar fazendo um esforço para beneficiar a defesa. Dizem também que ele ficava horas no quarto falando, mas isso não indica nada, porque Adelioe podia estar usando simplesmente os celulares.

Por fim, não deve despertar teorias conspiratórias o fato de estar sendo atendido por quatro advogados e não por um defensor público. Casos de grande repercussão costumam ser defendidos gratuitamente por advogados que querem ganhar renome. Apenas isso.

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P.S. 1
O maior mistério é a fonte de renda de Adelio Bispo de Oliveira, um desempregado verdadeiramente sui generis. Se a PF levantar o sigilo bancário dele e seguir o dinheiro, todo o mistério logo estará desfeito. Mas um detalhe estranhíssimo e que chama atenção é o fato de o esfaqueador ter ido à mesma escola de tiro frequentada pelos filhos de Bolsonaro em Santa Catarina. Nem o genial Freud conseguiria explicar esta “coincidência”.

P.S. 2Não gosto de teorias conspiratórias, mas é claro que elas são como as bruxas e realmente existem. No momento, minha teoria preferida é de que o mandante que contratou Adelio ordenou que ele matasse Bolsonaro no meio da multidão, julgando que o esfaqueador seria trucidado pela multidão e haveria imediata queima de arquivo. Elementar, meu caro Watson. (C.N.)

Atentado será positivo ou negativo para o candidato Jair Bolsonaro? Eis a questão.

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A facada em Bolsonaro certamente influenciará os eleitores

Carlos Newton

As próximas pesquisas estão sendo aguardadas em clima de ansiedade total, com vários candidatos à beira de um ataque de nervos. A próxima apuração do Instituto Datafolha já trará os primeiros efeitos políticos do atentado ao deputado Jair Bolsonaro, que lidera com folga a disputa.  Além disso, as novas pesquisas revelarão mais claramente o potencial de transferência de votos de Lula da Silva para o substituto Haddad.

EFEITO FACADA – O mais importante, no momento, será o efeito da facada levou Bolsonaro para a emergência hospitalar, com grave risco de perder a vida. Não se pode prever o que ocorrerá, porque o resultado tanto pode ser positivo, pela vitimização do candidato, quanto negativo, pela lição de que pregar a radicalização e a força, como Bolsonaro faz, pode acarretar uma reação contrária verdadeiramente insana.

Posso estar equivocado, mas na minha opinião o efeito será positivo para o candidato do PSL, que não poderá fazer campanha, pois a recuperação é demorada, mas dará declarações diárias à imprensa. A alta rejeição a seu nome, que é o fator mais negativo e poderia evitar sua eleição no segundo turno, pode ser reduzida devido à comoção nacional causada pelo ensandecido atentado.

ADEUS ÀS ILUSÕES – Enquanto isso, alguns concorrentes do segundo escalão já começam a se despedir da disputa, como Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e o resto da galera da rabeira. Dias chegou a esboçar um avanço, mas depois estacionou, enquanto Meirelles jamais foi candidato de verdade, pois o MDB nunca teve verdadeira disposição de apoiá-lo.

A bola da vez agora é Geraldo Alckmin, que vem fazendo uma campanha insossa, não consegue entusiasmar o “Centrão” e está sendo traído no atacado e no varejo, dependendo das peculiaridades da política em cada Estado.

Se Alckmin continuar empacado na próxima pesquisas do Instituto Datafolha, que será divulgada segunda-feira, e depois no levantamento da CNT/MDA, pode dar adeus às ilusões e fechar a sorveteria do picolé com chuchu.

VOTOS DE LULA – Outra grande expectativa é sobre a capacidade de Lula da Silva transferir votos. É bom lembrar que, na pesquisa espontânea de todos os institutos (“Em quem você vai votar?”, sem apresentação da lista de candidatos), Lula nunca teve mais de 20% dos votos, ficava por volta de 17% ou 18%. 

Já se sabe que uma parte desses votos não será transferida para Haddad, que precisará ter mais de 20% para chegar ao segundo turno e enfrentar Jair Bolsonaro. Na mais recente pesquisa Ibope, o substituto de Lula chegou a 6%, em viés de alta e deve continuar subindo, mas ninguém até que ponto ele vai.

Por enquanto, a eleição está sendo decidida por Bolsonaro e um tertius, a ser escolhido entre Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), empatados em 12 pontos, enquanto o candidato do PSL folga na frente com 22 pontos. A diferença é que Marina está empacada e Ciro aparece em viés de alta em três pesquisas seguidas.

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P.S. 1 –  Mesmo subindo nas pesquisas, a meu ver continua improvável uma vitória de Bolsonaro no primeiro turno. Posso estar enganado, mas na segunda-feira teremos uma visão mais aproximada do quadro, com o resultado do Datafolha

P.S. 2Este artigo foi publicado inadvertidamente às 7h10m, e já tinha alguns comentários quando o retirei para fazer a atualização, pois estava completamente defasado. Peço desculpas ao leitores. (C.N.)

Comitê da ONU vai confirmar a “ordem” dada ao Brasil sobre candidatura de Lula

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Sarah Cleveland diz que Lula tem de ser candidato novamente

Carlos Newton

É um jogo de cartas marcadas, em que já se sabe o resultado. Os advogados do PT estão recorrendo ao Comitê de Direitos Humanos da ONU contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que negou o registro da candidatura de Lula da Silva ao Palácio do Planalto, por estar incurso na Lei da Ficha Limpa, após ser condenado e preso pela Operação Lava Jato.

Em agosto, dois plantonistas do Comitê ONU, que tem 18 integrantes, atenderam a um pedido de emergência da defesa de Lula e concederam uma medida cautelar determinando que as autoridades brasileiras mantivessem os direitos políticos de Lula e sua candidatura a presidente da República, inclusive fazendo campanha, até que seu caso fosse avaliado pelo Supremo Tribunal Federal.

UMA ORDEM – Embora o governo brasileiro, através do Itamaraty, tenha encarado a cautelar dos plantonistas do Comitê como uma simples “recomendação”, na verdade a mensagem ao Brasil teve caráter impositivo. Redigido em inglês, o texto é claro. Diz que o Comitê “request to make”, ou seja, “requer que faça”. Embora o verbo “to request” também signifique “pedir”, quando se trata de texto jurídico a tradução de “request” é “requer” ou “requisita”. É uma ordem, nada tem a ver com recomendação.

A responsável pela cautelar foi a vice-presidente do Comitê, a norte-americana Sarah Cleveland, que funciona como plantonista de assuntos emergenciais, assessorada por outro integrante do órgão da ONU, que também assinou a mensagem ao Brasil.

Em entrevista a Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra, Sarah Cleveland criticou o Brasil por ter descumprido a ordem. Segunda a avaliação dela, o país teria desrespeitado um Protocolo assinado pelo governo federal e referendado pelo Congresso. “A ação do Brasil é muito lamentável”, declarou Cleveland.

VAI CONFIRMAR – Como se trata de assunto emergencial, caberá à própria Sarah Cleveland responder ao recurso dos advogados do PT. Ela vai repetir que o Brasil está obrigado a atender à sua “ordem”, que ela emitiu irresponsavelmente, sem ouvir o governo brasileiro e sem saber que Lula é realmente inelegível, por estar incurso na Lei da Ficha Limpa.

A representante do Comitê só ouviu um lado e acreditou que Lula é perseguido político, foi condenado sem ter direito à ampla defesa e está sendo impedido de ser candidato por motivos meramente partidários e ideológicos, como alega o PT.

Nos próximos dias, ao despachar o recurso do PT, Sarah Cleveland vai persistir no erro e confirmar todo esse lero-lero de que Lula é “perseguido político”, levando ao delírio o defesa de Lula. Enquanto isso, la nave va, cada vez mais fellinianamente.

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P. S  –  Há três dias sem moderar os comentários, a gente até lembra Vinicius de Moraes: “Que maravilha viver”. (C.N.)

Antes que eu esqueça: deletar comentários impróprios não significa fazer censura

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Charge de Carlos Maestre (Arquivo Google)

Carlos Newton

Devido ao desabafo do editor sobre a baixaria que domina o setor de comentários da Tribuna da Internet, logo se apresentaram os “censurados”, os “injustiçados”, os “perseguidos”, que estão bloqueados mas não podem viver sem participar deste blog. É fácil bloquear qualquer comentarista inconveniente. Basta listá-lo como “spam” (propaganda indevida) que o programa do computador faz o serviço. O editor nem precisa se incomodar. O bloqueio é quase perfeito, raramente escapa um comentário.

Mas a proposta deste blog não é censurar ninguém. Se os comentaristas inconvenientes tivessem o mínimo de respeito à opinião dos demais, jamais seriam bloqueados.

SEGUNDA CHANCE – Em fevereiro, criamos o Indulto de Carnaval e desbloqueamos Virgilio Tamberlini, que é um caso freudiano, ele não vive sem a TI. Assim que foi bloqueado, trocou de computador e passou a assinar “A História se repete” e outro pseudônimos, que até hoje usa, sabe-se lá por quê. Como ele não tem se excedido, frequenta o blog normalmente de manhã, à tarde e à noite.

Há um comentarista anônimo que continua bloqueado. Ele se assina como “Somostodosbolsonaros”, “foraesquerdacomunista”, “Somostodos Bendl” e outros codinomes. Foi bloqueado porque passou a perseguir um outro comentarista, a pretexto de que ele tem uma aposentadoria alta, com bônus e tudo mais. Intervi e critiquei esse tipo de postura invejosa. Sou marxista, mas não condeno quem ganha bem; pelo contrário, quero que todos recebam salários dignos e a desigualdade social diminua. Luto por isso.

Mesmo com o aviso de que deveria parar a perseguição, o comentarista insistiu nessa prática odiosa, por isso ficou bloqueado. Se acha que a aposentadoria dos outros é excessiva, faça uma ação pública e mande a Justiça resolver a questão. É assim que eu procedo quando quero mudar as coisas. Já fiz várias ações públicas, uma delas com o jurista Jorge Béja.

OUTRAS FIGURAS – Há um outro comentarista, chamado Wanderley, que se diverte xingando minha mãe e me chamando de comunista, o que para mim é elogio, música no ar.

Existe mais um, chegado a teorias conspiratórias, que usa o espaço da TI para fazer propaganda de seus blogs favoritos, que não têm leitores e querem pegar carona aqui. Mesmo bloqueado, escreve mais de 20 comentários por dia, que ninguém lê. Não seria muito mais simples parar com isso, ser um comentarista como os outros, sem tentar nos impingir essas teorias conspiratórias da Nova Ordem Mundial dos Illuminatis, a teoria dos números cabalísticos, o complô dos maçons e outras besteiradas?

São somente estes, não há outros comentaristas bloqueado. Se gostam tanto do blog, querem frequentá-lo o tempo todo, não entendo por que não respeitam as regras para conviver conosco, de maneira harmônica. É inexplicável.

SEM MODERAÇÃO – Conforme anunciamos, o blog segue sem moderação. E a partir de agora, vou liberar os três ou quatro “censurados”, para ver se eles se mancaram e estão preparados para viver em sociedade, junto conosco, frequentando esse espaço livre. Com insistam, serão prazerosamente deletados

Por fim, vocês não sabem como é desagradável moderar comentários. Minha filha, que também é jornalista, não entende que eu perca tempo com esse tipo de preocupação. “Deixa rolar”, recomenda ela. É justamente o que estou fazendo. E que cada um segure sua pemba, como se dizia antigamente. Não dou a mínima aos agressores ou às supostas vítimas, porque todos têm culpa no cartório.