Alto Comando do Exército deixa claro que não apoia Bolsonaro de forma incondicional

Forças Armadas estão vacinadas quanto à política, diz novo ...

Ministro da Defesa explica qual é a posição das Forças Armadas

Carlos Newton 

Aos poucos, o vice-presidente Hamilton Mourão vai saindo do casulo e desfazendo a estratégia do presidente Jair Bolsonaro, que vinha tentando fazer crer que contava com apoio incondicional das Forças Armadas, que estariam dispostas a intervir na política e nas instituições para garantir condições de governabilidade. Com  objetivo de difundir essa fake news, o presidente da República deu várias entrevistas sucessivas, que culminaram com uma nota oficial, assinada também pelo próprio vice e pelo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, divulgada semana passada.

Mourão aceitou que colocassem sua assinatura na nota, mas no dia seguinte veio a público para colocar as coisas em seus devidos lugares, deixando claro que a nota assinada pelo presidente Bolsonaro, por ele e pelo ministro da Defesa não tinha a intenção de ameaçar o Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral, mas o objetivo seria dar um “basta” nas “ilações” de que as Forças Armadas estão envolvidas com política.

FORA DA POLÍTICA – Apesar de a nota afirmar que o governo não admitiria “julgamentos políticos”, o general Mourão fez uma tradução simultânea muito diferente. “As Forças Armadas não aceitam ilegalidades. Reforçamos na nota o que disse Fux, precisa acabar essa história de que as Forças estão metidas na política. Não tem general fardado metido com política”, disse ele à repórter Andréia Sadi, do G1 Brasília.

Esse posicionamento claro e corajoso do vice-presidente vem confirmar as análises que a Tribuna da Internet vem publicando, com absoluta exclusividade, sobre o distanciamento das Forças Armadas, que não apoiam incondicionalmente o governo Bolsonaro e, pelo contrário, estão descontentes com o comportamento do presidente, que vem usando indevidamente o nome das Forças Armadas.

O desembaraço atual do vice-presidente – que no início do governo foi humilhado por Bolsonaro (e filhos), sendo proibido de dar entrevistas e seguir concedendo audiências a diplomatas estrangeiros e empresários – vem confirmar que as coisas já mudaram no Forte Apache.

MINISTRO CONFIRMA – As declarações do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, nesta terça-feira, dia 16, no Recife, reforçam o novo posicionamento de Mourão, que soltou literalmente as amarras e está em voo solo. “As Forças Armadas estão isentas da política”, disse o ministro da Defesa, acrescentando:

“Desde a Constituição de 88, quer dizer já são três décadas, nós fomos fiéis e somos fiéis aos ordenamentos jurídico e democrático em vigor. Demos provas disso”, asseverou.

Em tradução simultânea, eis a posição do Alto-Comando do Exército, que está pagando para ver até onde  chega a insensatez de Jair Bolsonaro.

O ANTIBOLSONARO – Aos poucos, Mourão vai se firmando como um Bolsonaro às avessas, porque sabe o que pretende e como alcançar os resultados. Na última reunião ministerial, semana passada, transmitida ao vivo e sem o baixo calão de sempre, Mourão brilhou intensamente. Chamado a falar, na condição de presidente do Conselho da Amazônia, ele mostrou que está tudo pronto para a abertura de um programa concreto de preservação da maior região  florestal do mundo.

Enquanto Bolsonaro consegue brigar com a própria sombra e não tem apoio incondicional de nenhum governador, Mourão fez questão de afirmar, prazerosamente, que tem um ótimo relacionamento com todos os governadores da região amazônica.

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P.S. –
Como se vê, A diferença entre Bolsonaro e Mourão é abissal. O Brasil está precisando de um governante seguro e democrático. Com toda certeza, Bolsonaro já mostrou que não tem jeito para a coisa, mas Mourão está doido para mostrar serviço. Enquanto isso, la nava va, cada vez mais desgovernadamente. (C.N.)

Pedido de vista de Alexandre de Moraes no TSE apanhou o Planalto de surpresa

TRIBUNA DA INTERNET | Míriam Leitão diz que Temer erra ao indicar ...

Charge do Miguel (Jornal do Commercio)

Carlos Newton

O Planalto está à meia bomba. Ao invés de empenho total no esforço para enfrentar a crise da covid-19, que ainda vai se agravar muito, os ministros do núcleo duro do governo só pensam em salvar o mandato de Jair Bolsonaro, ameaçado na Justiça Eleitoral com oito processos, no Supremo com dois inquéritos e no Congresso com 35 pedidos de impeachment e mais sete para convocar  Comissões Parlamentares de Inquéritos para investigar Bolsonaro.

É surpreendente e estonteante que o presidente tenha chegado a essa situação com menos de um ano e meio de mandato. Mas é preciso reconhecer que Bolsonaro se esforçou muito para chegar a esse ponto de ruptura, ao criar praticamente uma crise por dia.

INQUÉRITOS E PROCESSOS – Analisando-se friamente a situação do ainda presidente, pode-se dizer que os pedidos de impeachment e de CPIs estão todos sob controle, porque os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, já afirmaram, repetidas vezes, que não pretendem colocar em tramitação nenhuma dessas propostas,  enquanto a pandemia não estiver debelada.  

Portanto, sobram os oito processos eleitorais e os dois inquéritos no Supremo, um a respeito de fake news e outro sobre a demissão do ministro Sérgio Moro.

E de repente os processos eleitorais entraram em cena, sob relatoria do novato ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, que na semana passada levou o Planalto à loucura, ao oferecer compartilhamento de provas ao ministro Alexandre de Moraes, que combate com máximo rigor as fake news e acumula cargos no STF e no TSE.

SINAL VERMELHO – A troca de figurinhas entre Og e Moraes acendeu o sinal vermelho. De repente, os processos sobre fake news eleitorais ganharam força. Até então, nem preocupavam o governo. Com poucas provas, iam direito para o arquivo. No entanto, se forem acrescentadas as provas já colhidas pela Polícia Federal contra o chamado “Gabinete do Ódio”, a coisa muda de figura, porque o ministro Moraes pediu vista, tudo pode acontecer.

A nova situação preocupa muito também aquele Poder Moderador que “não existe”, mas se chama Alto-Comando do Exército, reforçado pelos Altos-Comandos da Marinha e da Aeronáutica.

O mais grave é que a cassação da chapa Bolsonaro/Mourão não será aceita pelo Poder Moderador, que faz tempo já desistiu de Bolsanaro e está torcendo para que o impeachment saia e Mourão assuma logo o governo, para evitar que o Brasil mergulhe no abismo. Mas vamos ser otimistas, porque tudo indica que o TSE saberá entender a gravidade do momento.

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P.S.
Como Bolsonaro costuma repetir, a verdade nos libertará. E a verdade é que ele já se tornou uma carta fora do baralho, como um presidente “lame duck” (pato manco), que não manda mais em ninguém, como dizem os americanos, referindo-se aos governantes em final de mandato e sem chance de se reelegerem. (C.N.)

Jair Bolsonaro se comporta como se fosse apoiado pelas Forças Armadas, mas não é…

Iotti: o guru | GaúchaZH

Charge do Iotti (Zero Hora)

Carlos Newton

Sob a batuta de Bolsonaro, o Brasil vive uma nova crise por dia, em clima de tensão permanente. Poucas nações no mundo aguentariam tamanha pressão, mas é extraordinário como as pessoas estão se acostumando. Com a crise da pandemia, uma voz mais alta se alevanta, diria Luiz de Camões, e de repente cada um de nós está percebendo que tem de cuidar da própria vida, porque, se depender do governo, estamos todos liquidados.

Já se sabe que Jair Bolsonaro foi uma farsa, um engodo, praticamente só lhe restaram os verdadeiramente fanáticos, que não enxergam um palmo diante do nariz e nem creem na realidade que estão vivendo.

HORA DE DESEMBARQUE – Muitos milhões que votaram nele para se livrar do falso Partido dos Trabalhadores já abandonaram essa nova versão da “Nau dos Insentatos”, só falta o desembarque daqueles que ainda acham que Bolsonaro é o menos pior, Erroneamente, pensam que, se ele sofrer impeachment, o petista Fernando Haddad (leia-se: Lula da Silva) poderia assumir o poder.

Ou seja, temem que o Tribunal Superior Eleitoral casse a chapa Bolsonaro/Mourão. Não percebem que isso “non ecziste’, diria o padre Quevedo.

Esses recalcitrantes bolsonaristas que ainda apoiam o desequilibrado capitão precisam entender que a chapa Bolsonaro/Mourão não será cassada.O TSE é um tribunal cuja missão é tirar o país da crise, jamais agravá-la.

EXEMPLO DE TEMER – As acusações contra a chapa Bolsonaro/Mourão são muito menos graves do que as denúncias de caixa 2 contra Dilma/Temer em 2017, que escapou da cassação por obra e graça de Gilmar Mendes, e isso foi muito bom para o país, que conseguiu sair da recessão no governo Michel Temer (leia-se: no governo Henrique Meirelles), com desempenho muito superior a Paulo Guedes.

Quanto a esses bolsonaristas que continuam no barco furado somente porque temem a volta de Lula da Silva, é bom entenderem que defender a permanência de Bolsonaro na verdade significa lutar contra a ascensão do vice Hamilton Mourão, que já demonstrou ter muito mais preparo e equilíbrio para conduzir esse país a porto seguro.

Enquanto isso não acontece, la nave va cada vez mais felliniamente, e milhões de passageiros já estão desesperados, querendo abandonar o barco e se mudar para Portugal, Paraguai ou Suriname.

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P.S. –
Bolsonaro está jogando as últimas fichas e faz o possível e o impossível para que se pense que continua sendo apoiado pelas Forças Armadas. Mas os comandantes e oficiais que integram os Altos Comandos não deram nem darão uma só palavra de apoio a ele. Pensem nisso. (C.N.)

Decisão de Fux não muda nada, porque no Brasil as Forças Armadas continuam a ser o Poder Moderador

O general Edson Leal Pujol, que comandará o Exército - Elson Sempé Pedroso/CMPA

Quem comanda o Poder Moderador no país é o general Édson Pujol

Carlos Newton

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, há décadas é respeitado pelos operadores do Direito como um dos maiores juristas do país. Sua carreira é brilhante. Com um ano de formado na UERJ, aos 24 anos, foi convidado para ser professor da faculdade pelo diretor Oscar Dias Correia, que depois seria ministro da Justiça e do Supremo. Em seguida, aos 27 anos, Fux foi o primeiro colocado no concurso para juiz, depois se tornou o mais jovem desembargador do Rio e, em seguida, o mais jovem ministro do Superior Tribunal de Justiça.

Seu conhecimento jurídico é fabuloso e o novo Código de Processo Civil é apelidado de “Código do Fux”. Com toda essa bagagem, o consagrado jurista redigiu um arrazoado brilhante e irretocável, ao conceder uma liminar nesta sexta-feira (12) em que considera que as Forças Armadas não podem atuar como poder moderador em um eventual conflito entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

BOLSONARO CONTRA-ATACA – O resultado dessa decisão de Luiz Fux foi a curta e grossa nota oficial assinada pelo presidente Jair Bolsonaro, com apoio do vice Hamilton Mourão e do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, afirmando claramente que não respeitarão julgamento do Supremo ou do Tribunal Superior Eleitoral que ameace o mandato da chapa presidencial, porque as Forças Armadas têm o direito de agir como uma espécie de poder moderador, com base no artigo 142. 

Abriu-se uma curiosíssima polêmica jurídica, jamais vista em nenhum outro país dito civilizado, porque na teoria o trio Bolsonaro/Mourão/Azevedo está completamente equivocado, não existe nenhuma norma jurídica que transforme as Forças Armadas em poder moderador.

Porém, na prática, há essa possibilidade e tudo indica que será testada muito brevemente. Embora a lei não reconheça o poder moderador, serão as Forças Armadas que decidirão a atual crise institucional brasileira, essa bomba-relógio perto de explodir no colo de Bolsonaro, é só uma questão de tempo.

MOURÃO PRESERVADO – Pessoalmente, não acredito na possibilidade de cassação da chapa Bolsonaro/Mourão pelo TSE. Havia muito mais provas no processo para cassar Dilma Roussef e Michel Temer, mas na undécima hora o ministro Gilmar Mendes os salvou, para garantir que seu amigo Temer pudesse governar.

Agora, a História se repete como farsa, diria Karl Marx, porque a chapa atual não será cassada e Mourão poderá assumir, tranquilamente. A diferença é que o impeachment de Bolsonaro deverá sair via Supremo, pois há provas abundantes e concretos de infrações criminais de Bolsonaro no inquérito que ele próprio mandou abrir para destruir um cidadão exemplar como Sérgio Moro, vejam a que ponto chega a insanidade do nosso presidente.

O inquérito está praticamente concluído, só falta o depoimento do denunciante (Bolsonaro), que virou denunciado. Em suma: juridicamente o Supremo não tem como deixar de condená-lo, e a Câmara terá de examinar o impeachment, em meio aos 32 outros pedidos até agora apresentados.

PODER MODERADOR – Conforme já avisou, Bolsonaro não respeitará a decisão do Supremo e pedirá intervenção das Forças Armadas, com base no art. 142. Ou seja, na teoria, como ensina Fux, essa possibilidade “non ecziste”, diria o padre Quevedo. Mas na prática os Altos-Comandos das Forças Armadas se reunirão para deliberar, mas não aceitarão o pedido de Bolsonaro e o pedido de impeachment dele seguirá adiante.

Quer dizer, embora o tal poder moderador não esteja previsto em lei , na vida real ele existe, porque no mundo imperfeito em que habitamos, o poder mais efetivo ainda é o das armas.

Posso estar errado, é claro, mas esse é o diagnóstico que faço, com base na experiência dos 54 anos em que venho trabalhando no jornalismo de política.

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P.S.Já ia esquecendo. O poder moderador é exercido pelos Altos-Comandos da Forças Armadas e quem conduz o processo é o general Édson Leal Pujol, que saberá cumprir seu dever, como diria o Almirante Francisco Barroso. (C.N.)

Imaginem a decepção dos generais que têm de aturar Bolsonaro e sua trupe no Planalto…

Os generais no palácio do capitão - 28/11/2018 - Elio Gaspari - Folha

Nem no meio dos generais Jair Boilsonaro consegue acertar o passo

Carlos Newton

A vida é criativa e surpreendente. Às vezes nos prepara armadilhas sutis, que de repente nos envolvem em complicações terríveis, verdadeiramente sem saída. Um exemplo perfeito é o caso dos cinco generais que tinham uma vida tranquila e hoje estão sofrendo o diabo, obrigados a aturar o descontrole, a incompetência e as maluquices de Jair Bolsonaro, dia após dia, no Palácio do Planalto, e não têm descanso nem mesmo nos feriados ou fins de semana, pois geralmente é quando o chefe de governo mais apronta trapalhadas.

Vejam o que ocorreu nesta quinta-feira, dia que os católicos dedicaram a Corpus Christi, para relembrar a morte e ressurreição de Jesus. O presidente da República, que ainda se diz católico, escolheu essa data para trair o amigo Marcos Pontes e dividiu o Ministério dele sem lhe avisar, deixando o ministro-astronauta literalmente no espaço.

CONSTRANGIMENTO – Para os cinco generais do Planalto – Hamilton Mourão (Vice-Presidência), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Braga Netto (Casa Civil), Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Rêgo Barros (Porta-Voz), o constrangimento é permanente, pois estavam acostumados ao respeito e ao companheirismo que caracterizam a vida na caserna.

Ao aceitar os convites para integrar o governo, eles certamente  pensavam (?) que Bolsonaro saberia (?) compartilhar o poder, ouviria conselhos e teria um comportamento mais comedido, até mesmo por se tratar de uma capitão que voltara a se relacionar com oficiais superiores, e de quatro estrelas, como é a marca registrada do Planalto, à exceção de Rêgo Barros, ainda general de divisão.

Se pudessem, é claro que eles fariam tudo diferente, a política externa seria mais independente e respeitosa, enquanto a política interna estaria mais concentrada no desenvolvimento do país, que é a melhor maneira de distribuir renda e reduzir a desigualdade social.

TRÊS MIL MILITARES – Hoje, são quase três militares nomeados para o governo, recebendo gratificações entre R$ 3 mil e R$ 16 mil, todos satisfeitíssimos com a duplicidade salarial e a experiência de trabalhar como civil. O constrangimento e a decepção atingem apenas os generais do Planalto e da tropa aquartelada no Ministério da Saúde, que estão fazendo o serviço sujo de atender diretamente ao presidente da República, que exige menos mil mortes por dia na covid-19, obrigando-os a torturar os dados da pandemia para obter contorcionismos estatísticos.

A pior condenação é dos generais do Planalto, porque eles têm de aturar e engolir as maluquices diárias do presidente da República, que arranja um problema atrás do outro, ao invés de simplesmente governar.

O mais triste é que os ministros-generais não podem pedir demissão, porque têm ordens do Alto Comando para os suportar os faniquitos e fricotes de Jair Bolsonaro enquanto ele ainda estiver na Presidência. Essa é a mais difícil missão de suas carreiras militares, não há dúvida.

Bolsonaro avisou claramente que não cumprirá ordem do Supremo nem do TSE

Bolsonaro assina 7 medidas de desburocratização para celebrar 300 ...

Bolsonaro afirma que usará as Forças Armadas se for condenado

Carlos Newton

As cartas estão na mesa. O presidente Jair Bolsonaro teve de abrir o jogo, em nota conjunta do  com o vice Hamilton Mourão e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, que foram convocados a participar da resposta do Planalto à decisão do ministro Luiz Fux sobre o papel da Forças Armadas, em ação que contesta a legalidade de golpe militar baseado no suposto “poder moderador” das Forças Armadas.

No documento, o presidente, o vice e o ministro afirmam que as Forças Armadas “não cumprem ordens absurdas, como p. ex. a tomada de Poder”, mas ressalvam que “também não aceitam tentativas de tomada de Poder por outro Poder da República, ao arrepio das Leis, ou por conta de julgamentos políticos”.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – A nota dos três militares da reserva nem precisa de tradução simultânea, porque é bastante explícita. Trata-se de uma ameaça direta ao Supremo e ao Tribunal Superior Eleitoral, ao se referir explicitamente a “tentativas de tomada de Poder por outro Poder da República”, que podem se concretizar de duas maneiras: “ao arrepio das Leis, ou por conta de julgamentos políticos”.

A nota é uma desesperada tentativa de “falar em nome das Forças Armadas”, sem ter procuração para tal, e tenta fazer crer que a autoridade do presidente da República sobre as Forças Armadas é absoluta e incontestável, a ponto de o chefe do governo ter direito de não aceitar uma decisão do Supremo ou do TSE, caso conclua que se trate de “um julgamento político”.

É isso que estão escrito na nota do capitão, que chamou os dois generais a assinarem. Não se pode acreditar que Mourão e Azevedo estejam apoiando essa demonstração ditatorial do atual governante. Certamente aceitaram assinar a nota devido à possibilidade de cassação da chapa pelo TSE, o que agravaria muito a crise.

INSULTO AO JUDICIÁRIO – A nota tripartite é um insulto ao Supremo e ao TSE, ao aventar a hipótese de que os tribunais possam vir a fazer “julgamentos políticos” que condenem Bolsonaro ou que não estejam fundamentos na forma da lei.

Nesta hipótese, a nota prevê claramente que, caso o presidente Jair Bolsonaro seja condenado, mesmo na forma da lei, teria ele o direito de declarar que seu julgamento foi político, convocar as Forças Armadas, das quais é comandante-em-chefe, e determinar que intervenham no Poder Judiciário, a pretexto de manter a ordem, que no caso é ele próprio, o presidente, que a está perturbando de forma ditatorial.

Vamos agora esperar o segundo capítulo da série House of Cards à brasileira. O Supremo vai se curvar ao aprendiz de ditador? Só o futuro nos dirá.

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P.S. – Está chegando a hora da verdade. O próprio presidente está dando motivos abundantes para seu impeachment, que a cada dia se torna mais necessário, para que o governo não fique travado e tente solucionar os graves problemas nacionais. (C.N.)

Celso de Mello já tem provas suficientes de três crimes cometidos por Bolsonaro

Tom de Celso de Mello para depoimento une Forças Armadas contra ...

Celso de Mello conduz o inquérito mais importante de sua vida

Carlos Newton

A PolíciaFederal recebeu mais 30 dias para concluir o inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro, e pode-se dizer, sem muito exagero, que o futuro desta nação está nas mãos do ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal. É ele que vai encaminhar ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a conclusão do inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime ao ameaçar demitir o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, caso não permitisse interferências na Polícia Federal, com passagem de informações de inquéritos diretamente ao presidente da República.

Sabe-se, com toda certeza, que no decorrer da investigação já se comprovou o cometimento de crimes pelo presidente Jair Bolsonaro, até porque ele próprio confessou, em pronunciamento à nação, perante todo o ministério, ter buscado essas interferências na PF.

PROVAS ABUNDANTES – Descuidado, o próprio chefe do governo voltou a tocar no assunto em entrevistas à imprensa, confirmando ter essa pretensão de receber informações diretas da Polícia Federal. E logo depois, a liberação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril trouxe mais provas incriminando Bolsonaro.

Um dos crimes foi de difamação (art.139 C.P.), ao propagar que o ministro Moro lhe teria proposto um acordo para ser nomeado para o Supremo, uma mentira tão grotesca que ninguém levou a sério, nem mesmo os mais fanáticos bolsonaristas. Mas houve o crime, porque o fato propagado por Bolsonaro poderia ser verdadeiro ou falso, não importa, bastava ser capaz de ofender a reputação de Moro, ou seja, atacar a sua honra publicamente, conforme Bolsonaro procedeu, com indisfarçável prazer, ao vivo e a cores.

MAIS DOIS CRIMES – Outro crime mais do que provado, em que Bolsonaro também é réu confesso, foi o de ameaça (art. 147 do C.P.), que consiste no ato de ameaçar alguém de lhe causar mal injusto e grave, conforme aconteceu com o presidente ameaçando demitir o ministro e o diretor-geral da Polícia Federal.

Por fim, o presidente também é réu confesso por prevaricação (artigo 319 do C. P.), por “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”. Ao demitir Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF, o presidente consumou esse ato ilegal, sem motivação válida e para atender o sentimento pessoal de proteger a família e amigos, conforme sua fala na reunião ministerial.

NÃO HÁ SAÍDA – Para fechar o inquérito, Celso de Mello só precisa aguardar o depoimento de Bolsonaro, que será por escrito. As demais investigações ainda em curso na Polícia Federal são apenas suplementares, não mudam absolutamente nada.

No desespero, Bolsonaro e os ministros da ala militar do Planalto podem ameaçar à vontade, como fez ontem o general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, ao dizer que “a oposição não pode esticar a corda”.

Ramos e os outros generais do Planalto ainda não perceberam que o problema de Bolsonaro não é político, pois a oposição é inexpressiva e até desconexa. As ameaças que existem contra o presidente são todas jurídicas, porque ele não é chegado a cumprir a lei e vive sonhando com golpe militar, junto com seus recrutas Zero Um, Zero Dois e Zero Três. O resto é folclore, como diria nosso amigo Sebastião Nery, e ninguém quer um novo golpe militar.

Ala militar tenta fazer Jair Bolsonaro esquecer o golpe e voltar a governar o país

Crédito: Reprodução/ YouTube

Alto-Comando do Exército não aceitou o “presente” de Bolsonaro

Carlos Newton

O Brasil vive uma perigosa fase de surrealismo político. O presidente Jair Bolsonaro chegou à conclusão de que só conseguirá governar se houver um golpe militar que feche o Congresso e o Supremo, ou seja, mais radical do que a revolução de 1964. No entanto, seu projeto não está indo para frente, porque as Forças Armadas não demonstram o menor entusiasmo com novo golpe de estado e reina um clima de total tranquilidade nos quartéis, que sequer ficam em prontidão.

Mas Bolsonaro não desiste. Fica tentando agradar aos militares, tudo dá errado. Agora, tentou presentear o Exército com a criação da aviação própria, separada da FAB, mas não deu certo. O Alto Comando da FAB protestou, o Alto Comando do Exército recusou o presente e mandou Bolsonaro revogar o Decreto 10.386, baixado na semana passada, que permitia ao Exército voltar a ter aviões.

DE RECUO EM RECUO – Como é de praxe, mais um decreto revogado, demonstrando que o governo realmente não tem senso de orientação. O recuo de Bolsonaro está publicado no Diário Oficial da União de segunda-feira (dia 8). O mesmo ato restaura a vigência do Decreto 93.206/1986, que dava ao Exército a permissão para operar apenas helicópteros.

Uma humilhação dessa grandeza deveria ser suficiente para acalmar Bolsonaro, mas com ele as coisas não funcionam assim. Os quatro generais do Planalto (Braga Netto, Augusto Heleno, Eduardo Ramos e Rêgo Barros) fazem o possível e o impossível para o presidente abandonar as teorias conspiratórias e voltar a governar, nesse momento gravíssimo para a nação, mas Bolsonaro não está nem aí.

Agora, só fala em aumentar as facilidades para os cidadãos comprarem armas e munições nacionais e importadas, com redução do imposto. E acha que pode ter o apoio das Polícias Militares dos Estados, para um golpe militar sem as Forças Armadas, vejam a que ponto chega a insensatez dele.   

TRIPLO DESAFIO – É como se o Brasil estivesse enfrentando um triplo desafio – a pandemia de covid-19, a consequente recessão mundial e o desgoverno do presidente Bolsonaro. E o fenômeno mais interessante é que a opinião pública tenta enfrentar com determinação a tripla crise, fazendo lembrar a velha piada dos anos 50 – “O Brasil cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar”.

Essa situação faz lembrar também o exemplo da Bélgica. A partir de junho de 2010, o país europeu entrou em crise e os partidos se dividiram tanto que não conseguiram formar um governo. O impasse durou 541 dias, até 5 de dezembro de 2011, quando se conseguiu formar um governo de coligação,  tendo sido nomeado o social-democrata Elio Di Rupo para o cargo de primeiro-ministro.

E o que aconteceu à Bélgica nesses 541 dias sem governo? Ora, não aconteceu nada. Vida que segue, diria João Saldanha, os estudantes iam à escola, as pessoas saiam para o trabalho ou fazer compras, tudo normal.

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P.S.
A Bélgica é um bom exemplo para o Brasil, que está literalmente sem governo e ninguém diz nada, não acontece nada. Aliás, o Planalto parece um hospício e os ministros obedecem a um capitão que julga ser Bonaparte, em estilo baixo calão. Pessoalmente, estou me acostumando com isso, pois não falta assunto para os jornalistas de política. (C.N.)

Interrogatório de Bolsonaro pela PF será por escrito e as perguntas já estão prontas

A delegada da Polícia Federal Christiane Correa

Delegada Christiane Machado enviará as perguntas para Bolsonaro

Carlos Newton

Está praticamente concluída a investigação sobre a denúncia de insistentes tentativas do presidente Jair Bolsonaro para interferir na Polícia Federal e colher informações sobre inquéritos que envolvem seus filhos e amigos, conforme o próprio chefe do governo admitiu na explosiva reunião ministerial de 22 de abril.

Faltam apenas alguns detalhes, como o depoimento do presidente, que não pode ser incriminado sem exercer direito de defesa; as estatísticas de produtividade da Superintendência da PF no Rio, que Bolsonaro alegou serem muito baixas; e o andamento de inquéritos do interesse dos filhos dele.

DEPOR POR ESCRITO –Nesta segunda-feira, o relator Celso de Mello atendeu a pedido da Polícia Federal e prorrogou as investigações por mais 30 dias, porém falta muito pouco para a conclusão e tudo indica que o inquérito rapidamente será concluído, depois do depoimento do presidente. 

Como aconteceu no governo de Michel Temer, que também respondeu a interrogatório dos federais, Jair Bolsonaro vai exercer o direito de depor por escrito às perguntas que já foram redigidas pela equipe da delegada Christine Correa Machado.

DIVERSAS ACUSAÇÕES –Encerradas as investigações, o ministro Celso de Mello então encaminhará ao procurador-geral Augusto Aras seu relatório sobre as acusações que o ex-ministro Sérgio Moto faz a Bolsonaro:

Prevaricação, com o funcionário público agindo para satisfazer questões pessoais; Advocacia administrativa, pelo patrocínio, direta ou indiretamente, de interesse privado perante a administração pública; Coação no curso de processo, quando há emprego grave ameaça para interferir em processo judicial; Obstrução à investigação, crime de atrapalha uma investigação; e Falsidade ideológica, por inserir assinatura de Moro na portaria de demissão de Maurício Valeixo do cargo na PF.

Cabem também Difamação, porque o presidente afirmou na TV que Moro lhe ofereceu acordo para ser nomeado ao Supremo, e Falsa denunciação caluniosa, por Bolsonaro ter ingressado na Justiça contra Moro sob tal justificativa.

NAS MÃOS DE ARAS – As provas são abundantes, porque o próprio Jair Bolsonaro, com seu espírito autocarburante, assumiu o encargo de produzi-las. Assim, quanto mais fala sobre o inquérito, mais se incrimina, é um verdadeiro festival.

O relator Celso de Mello, na forma da lei, não tem como deixar de pedir ao procurador-geral Augusto Aras a abertura de processo criminal contra o presidente.  

Como chefe do Ministério Público, Aras pode acompanhar o parecer do relator e mandar abrir o processo, mas tem a alternativa de determinar o arquivamento. Mas tal hipótese não pode ser levada a sério. Se arquivar o inquérito, será Aras quem estará prevaricando e vai responder a processo, com toda certeza.

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P.S. 1
Em tradução simultânea, a derrocada de Bolsonaro é só uma questão de tempo, e ele será massacrado diariamente pela mídia.

P.S. 2Para poupar sofrimento, seria melhor que renunciasse, imitando Jânio Quadros, que disse: “Fi-lo porque qui-lo!”. E realmente fê-lo no Dia do Soldado, 25 de agosto. Aliás, agosto é conhecido na política como mês do cachorro louco. E quando chegarmos lá, o processo criminal contra Bolsonaro já estará na ordem do dia, como dizem os militares, e a renúncia poderá ser uma bela solução. (C.N.)

Celso de Mello precisa desmentir Saulo Ramos e provar que não é um “juiz de merda”

AGU pede que Celso de Mello reveja decisão sobre gravação citada ...

Celso de Mello poderá provocar o impeachment de Bolsonaro

Carlos Newton

Em seu canto do cisne, às vésperas da aposentadoria compulsória, o ministro Celso de Mello conduz o mais importante inquérito de sua vida, que pode mudar os rumos da política brasileira e motivar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Sob sua relatoria, está sendo investigado se o chefe do governo cometeu crime ao ameaçar demitir o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, caso não permitisse interferências na Polícia Federal, com passagem de informações de inquéritos diretamente ao presidente da República.

A função de Celso de Mello é colher provas e encaminhá-las ao procurador-geral da República, a quem cabe decidir se deve mandar abrir processo contra o presidente ou se determina o arquivamento do inquérito, só existem essas duas hipóteses.

PREVARICAÇÃO – O presidente Jair Bolsonaro está sendo investigado por diversos crimes, especialmente prevaricação (artigo 319 do C. P.), que consiste no fato de “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”. 

Ao demitir Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF, o presidente praticou claramente um ato ilegal, sem motivação válida e para atender o sentimento pessoal de proteger a família e amigos, conforme sua fala na reunião ministerial, que praticamente o transforma em réu confesso, no dizer do jurista Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República.  

Outros crimes comprovados são de ameaça (art. 147), também comprovado, por ter ameaçado demitir o ministro Sérgio Moro na reunião, e de difamação (art. 139), por ter afirmado que Moro lhe propôs um acordo para ser nomeado ministro do Supremo.

UM SERVIÇO FÁCIL – Não há dificuldades para Celso de Mello apresentar um arrazoado que faça o procurador-geral Augusto Aras abrir o processo contra o presidente. O problema é manter quieto o decano do Supremo, que está saindo do sério, ao invés de se preservar.

O ministro-relator já cometeu três erros de comportamento. O primeiro foi ter determinado a possibilidade de condução coercitiva no depoimento dos três ministros generais. Embora isso seja praxe em caso de intimação, Celso de Mello abriu a guarda ao aventar a possibilidade, e levou logo uma tamancada do general Augusto Heleno.

O segundo erro foi compartilhar entre os ministros do Supremo, gratuitamente, aquele texto sobre fascismo e nazismo , fazendo críticas gravíssimas ao governo, que são merecidas, porém inconvenientes. E o outro erro foi compartilhar neste domingo o editorial do jornal britânico “Financial Times” que atribui ao presidente Jair Bolsonaro ter acendido o “medo” na democracia brasileira e criado um risco real e crescente de uma virada autoritária.

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P.S. – Espera-se que Celso de Mello fique quieto no seu canto, como é de seu estilo, pare de fazer bobagens, para no final de carreira se livrar daquela crítica de Saulo Ramos, que ficou marcada em sua imagem como uma tatuagem, diriam Ruy Guerra e Chico Buarque. (C.N.)

Quando assumiu o BNDES, Lessa descobriu que o PT não tinha programa econômico

Morre o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES | Notícias |

Lessa soube usar o BNDES para fazer a economia voltar a crescer

Carlos Newton

Em 2002, Lula da Silva acertou duas vezes na loteria – ao vencer a eleição presidencial e ao atender a uma indicação dos economistas Aloizio Mercadante e Maria da Conceição Tavares, tendo convidado o professor Carlos Lessa e o engenheiro Darc Costa para dirigirem o BNDES.

Os dois eram amigos fraternos e já tinham sido diretores do banco de fomento, que era a praia deles, digamos assim, não teriam nenhuma dificuldade para apresentar bons resultados. 

NÃO HAVIA PROGRAMA – O primeiro passo foi montar uma diretoria altamente técnica, sem indicações políticas e que abrigou apenas um petista, como diretor social, indicado pelo ministro José Dirceu, da Casa Civil.  

Lessa e Darc procuraram saber qual era a orientação a seguir e então descobriram que o PT simplesmente não tinha qualquer programa econômico. O único pedido de Lula foi a reativação da indústria naval, para abrir empregos aos metalúrgicos.

A falta de proposta econômica foi uma benção divina, porque os dois puderam trabalhar livremente, com apoio da equipe técnica do BNDES, altamente especializada em todos os ramos da economia, e recebendo subsídios também outros técnicos do governo e da iniciativa privada.

FIZERAM UMA REVOLUÇÃO – Como presidente e vice, Carlos Lessa e Darc Costa fizeram uma revolução interna e externa no banco. Atenderam ao pedido de Lula com a maior facilidade, bastou uma visita à Petrobras e logo os estaleiros ganharam encomendas e voltaram a contratar. 

Ao mesmo tempo, criaram dezenas de linhas de crédito e deram prioridade a setores estratégicos, como informática, indústria farmacêutica, inovação, substituição de importações, ferrovias e exportação, beneficiando também comércio e serviços.

Em setembro de 2003 lançaram o Cartão BNDES, para atender micros, pequenos e médios empresários com financiamentos automáticos, juros de 1% ao mês, liberados aos empresários sem burocracia pelo gerente do banco comercial com o qual operassem.

CONTEÚDO NACIONAL – Nos linhas de crédito, criaram a política de uso de conteúdo nacional, para fortalecer a indústria, e a resposta dos empresários foi impressionante. Havia filas para modernizar linhas de produção industrial e até a agricultura disputava os financiamentos.

Lessa e Darc ficaram apenas dois anos na direção do BNDES. Mas plantaram as bases da retomada da economia brasileira, que foram florescer mais à frente, em 2010, quando o PIB brasileiro cresceu espantosos 7,5%.

Esses fatos, que presenciei como assessor da presidência do BNDES até 2007, mostram a importância do pensamento do filósofo americano Ralph Emerson (1803- 1882): “Toda instituição é um reflexo de quem a dirige”.

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P.S. 1
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Jamais perdi o contato com Lessa e Darc, dois amigos portentosos. Costumávamos nos reunir no escritório de Darc, no bairro do Cosme Velho, pertinho da casa onde Lessa morava. Com o cinegrafista Jorge Pinheiro, filmei cerca de 30 horas de entrevistas de Lessa e Darc sobre um tema que nos fascinava: “Brasil, o país que poderia ter sido”, caso nossos governantes e administradores não fossem tão incompetentes e entreguistas.

P.S 2Quando saiu do BNDES, Lessa foi homenageado por milhares de pessoas, em frente ao banco. Subiu numa cadeira e fez um discurso em que classificou seu sucessor, Guido Mantega, como um brasileiro de “b” minúsculo. E previu que, caso houvesse mudanças na política do BNDES, o crescimento da economia brasileira seria apenas “um voo de galinha”. E não deu outra. (C.N.)

Para o Brasil, a solução ideal seria Bolsonaro se licenciar para tratamento da saúde

Nelson Rodrigues | Nelson rodrigues frases, Frases motivacionais ...Carlos Newton

Chega a ser comovente o esforço de determinados eleitores de Jair Bolsonaro que defendem uma trégua política, para permitir que o país possa se reorganizar e seguir em frente, em meio a recessão mundial que vai nos atingir em cheio. Bem, sonhar não é proibido. Qualquer pessoa com um mínimo de senso crítico sabe que isso seria o ideal, na base do velho ditado de que  é melhor um mau acordo do que uma boa briga.

Mas esse sonho de um acordo logo se desfaz, porque não está ocorrendo uma crise convencional, como costuma acontecer em outros países, onde a oposição às vezes é tão intensa e aguerrida que consegue impedir a ação do governo. Aqui no Brasil a situação, infelizmente, mostra-se muito diferente, porque não é provocada pela oposição..

ÓBVIO ULULANTE – O grande enigma político do Brasil é justamente a necessidade de se raciocinar sobre coisas óbvias na pauta política. Se ainda estivesse entre nós, Nelson Rodrigues poderia nos ajudar nessa busca ao óbvio ululante, que existe, mas ninguém consegue ver ou localizar. 

Com toda certeza, a culpa não é da oposição, até porque no Brasil ela nem existe. A última eleição teve a característica de liquidar a oposição, que nem possui um líder para chamar de seu, pois Lula da Silva está descartado, a Lei da Ficha Limpa acabou com suas possibilidades eleitorais e o PT não tem sucessor.

Pense nisso. Os partidos que se dizem de oposição, como PT, PCdoB, PDT, PSB, Podemos etc., nenhum deles apresenta um líder que ameace o governo.

NEM PRECISA OPOSIÇÃO – Bem, como não há oposição para atrapalhar, deveria ficar mais fácil conduzir o governo, mas no Brasil não é assim. O presidente se atrapalha sozinho, nem precisa existir oposição. Sua atuação é tão desastrosa que chega a ser inacreditável, pois está conseguindo até desgastar a imagem de confiabilidade das Forças Armadas, vejam a que ponto chegamos.

O presidente, o vice, os ministros do núcleo duro do Planalto, todos são militares – um capitão, quatro generais e um major, e no palácio ainda tem um outro general de penduricalho, como porta-voz invisível. Na Esplanada, há mais quatro oficiais superiores como ministros e foram contratados quase 3 mil militares das mais diversas patentes para cargos comissionados.

Caramba! Que militares são esses que não conseguem levar adiante um governo minimamente produtivo e confiável? O que realmente está impedindo esse governo de deslanchar?

A RESPOSTA ULULANTE – Até os sites de fake news e pornografia bancados pelos generosos anúncios do governo sabem que o culpado dessa bagunça toda chama-se Jair Messias Bolsonaro.

Por isso, não adianta uma trégua ou um grande acordo nacional, como foi conseguido pelo presidente Itamar Franco em sua brilhante gestão. É o atual governante que não quer trégua, não aceita acordo e se comporta como se estivesse sendo perseguido pelo Supremo e pelo Congresso. Por isso, faz o possível e o impossível para ser “nomeado” ditador e salvar o Brasil.

Portanto, a melhor solução seria o presidente pedir uma licença, se afastar e deixar o país em paz. 

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P.S. 1 – Em tradução simultânea, podemos dizer que o óbvio ululante não vai prevalecer, porque um presidente que passou a trabalhar a reeleição logo ao assumir o cargo, jamais se licenciará voluntariamente, para tratamento e reabilitação..

P.S. 2Diante dessa realidade, a solução pass a ser retirar o presidente, lembrando D. Pedro I, porque é para o bem de todos e felicidade geral da nação. (C.N.)

Psiquiatra propõe a interdição de Bolsonaro por problemas mentais e a suspeição do procurador-geral

Charge do Aroeira (Arquivo Google)

Carlos Newton

O Dr.Ednei Freitas, um dos mais renomados psiquiatras e psicanalistas do pais, que é articulista da Tribuna da Internet, enviou para as Comissões Executivas do PDT, PSB e para os deputados que também estão habilitados no Inquérito 4.831 do Supremo, que investiga o presidente Jair Bolsonaro, uma mensagem na qual sugere que peticionem arguindo a suspeição e/ou impedimento do procurador-geral da República, Augusto Aras, pelas razões que constam do artigo publicado aqui na TI pelo jurista Jorge Béja. 

Além disso, o Dr.Ednei Freitas pede que seja arguida também a insanidade mental do investigado Jair Messias Bolsonaro, conforme autoriza o artigo 149 do Código de Processo Penal. Neste ponto, como psiquiatra e psicanalista, ele indica quais as doenças mentais que Bolsonaro demonstra ser portador.

RAZÕES DA SUSPEIÇÃO – Na mensagem aos partidos e parlamentares, o psiquiatra carioca envia o artigo publicado por Jorge Béja, que justifica a suspeição por ter sido o procurador indicado fora da lista tríplice votada pelos procuradores de todo o país, desprezando a tradição, que é fonte de Direito Consuetudinário.

Alem disso, disse o jurista, “sem acanhamento, Bolsonaro declarou, publicamente, que no caso de uma terceira vaga para ter assento no Supremo Tribunal Federal, seu preferido, seu favorito, seu predileto é Augusto Aras. A declaração pegou tão mal que o próprio Aras se sentiu “desconfortável”. Sim, “desconfortável”, pois foi a essa a palavra, o substantivo, o sentimento que o doutor Augusto Aras externou a respeito da declaração do presidente”.

“Um procurador-Geral da República que declara sentir-se “desconfortado” para o desempenho do cargo, no tocante à primazia, à exclusividade, de decidir sobre o oferecimento, ou não, de denúncia-crime contra o presidente da República, ou se autodeclara impedido, ou se autodeclara suspeito”, frisou Béja, citando as diversas leis e regulamentos que impõem essa declaração.

INSANIDADE MENTAL – Em seguida, o psiquiatra Ednei Freitas discorre sobre o estado de saúde do presidente. “Como médico, psiquiatra e psicanalista há quase cinquenta anos, observo  “in oculi” e por meio das imagens, falas, gestos, atitudes, ações e reações que os noticiários diariamente mostram, que o investigado Jair Messias Bolsonaro demonstra ser portador de insanidade mental”, disse o especialista, acentuando haver motivos para interdição,  segundo o artigo 149 do Código de Processo Penal.

”Sobre o número de mortes causadas pelo Coronavírus-19, o presidente deu resposta agressiva: “E daí? Lamento. Eu sou Messias, mas não faço milagres”. A soberba, todavia, revela-se no uso de outras expressões que depois utilizou: “eu sou a Constituição”, “tenho a caneta”, “o presidente sou eu”, “quem manda sou eu”, afirmou o Dr. Freitas, acrescentando que o presidente não estava a fazer blague. “

As atitudes habituais permitem supor possível Transtorno de Personalidade Paranóide (antigamente chamava-se Psicopatia),  objeto de classificação internacional de doenças da Organização Mundial de Saúde, em livro específico sobre doenças mentais.

SINTOMAS CLAROS – “Nessa classificação, o Transtorno de Personalidade Paranóide tem por características a indiferença insensível face aos sentimentos alheios; uma atitude flagrante e persistente de irresponsabilidade e desrespeito a regras; a baixa tolerância à frustração; a incapacidade para experimentar culpa e propensão a culpar os outros”, assinalou o psiquiatra, acrescentando sintomas como “combativo e obstinado senso de direitos pessoais; tendência a experimentar autovalorização excessiva e preocupação com explicações conspiratórias”.

Depois de citar diversos exemplos do comportamento anormal do presidente, o Dr. Ednei Freitas enviou aos deputados e parlamentares o link do artigo do dr. Jorge Beja na Tribuna da Internet, publicado nesta quarta-feira, dia 3. Confira aqui.

Descolado de Bolsonaro, o vice Mourão começa a se posicionar de forma independente

Iotti: "vicentríloquo" | GaúchaZH

Charge do Iotti (Jornal Zero Hora)

Caarlos Newton

No olho do furacão, onde ainda há uma cerca calmaria, o vice-presidente Hamilton Mourão começa a sair do ostracismo a que foi atirado pelo clã Bolsonaro desde o início do governo, como personagem de uma das múltiplas teorias conspiratórias que caracterizam os bastidores do poder em Brasília.

Como se sabe. Mourão foi um dos principais sustentáculos da candidatura de Jair Bolsonaro, junto com os generais Eduardo Villas Bôas, então comandante do Exército, e Augusto Heleno, considerado um dos maiores líderes das Forças Armadas. Mesmo assim, foi solenemente escanteado pelo presidente, em meio ao festival de calúnias e fakes news que caracterizam o Planalto desde o início da gestão.

GROSSERIAS E BOICOTE – Quem conhece o general Mourão, que é um homem de muita coragem, sabe que foi muito difícil para ele suportar as grosseiras e o boicote da família Bolsonaro, que mandou o vice parar de dar entrevistas e chegou ao cúmulo de impedi-lo de exercer o governo na interinidade, quando o presidente foi operado pela terceira vez.

Para tirar Mourão da gestão interina, 48 horas depois da longa e delicada cirurgia Bolsonaro reassumiu, alegando ter montado um gabinete no hospital, mas era “fake news”. Na verdade, ele estava muito debilitado e praticamente não saía da cama, só teve alta 17 dias após a internação. Agora, terá de fazer mais uma operação. E mesmo com novo descolamento na parede do abdômen, não resistiu e deu uma cavalgada junto aos fanáticos manifestantes.

MOURÃO EMERGIU – O fato concreto é que Mourão resolveu emergir, dá entrevistas quando bem entende, na semana passada desmentiu o deputado Eduardo Bolsonaro em declarações a Andreia Sadi, do G1. E passou a escrever artigos no Estadão, justamente o jornal que pega mais pesado contra Bolsonaro, com editoriais desclassificantes para o presidente.

Em tradução simultânea, isso significa que o vice Mourão se livrou do limbo ao qual fora atirado e recuperou sua vida própria. Aliás, reconheça-se que o general agiu bem ao suportar os faniquitos da família Bolsonaro e se recolher, para não atrapalhar o governo. Foi uma atitude nobre e desambiciosa, mas agora chegou a hora da verdade.

Em seus dois artigos no Estadão – “Limites e responsabilidade” e “Opinião e princípios” – o vice-presidente Mourão dá aulas de conhecimento cultural e equilíbrio ideológico, são textos verdadeiramente primorosos para quem se interessa pela grande política, embora force uma barra na defesa do governo.

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P.S
. – Sempre aparecerá alguém para menosprezar os artigos e dizer que foram escritos por “ghost writers”, mas isso não importa. O que deve nos interessar é que Mourão concorda com os conceitos emitidos nos textos. Isso é importante porque está na hora de os brasileiros saberem quem é e o que pretende Antonio Hamilton Martins Mourão, para não serem surpreendidos no futuro, como está acontecendo com Jair Messias Bolsonaro. (C.N.)

Era só o que faltava! O país está parado, à espera do golpe militar de Bolsonaro

Charges: Nova (velha) modalidade!

Charge do Genildo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Certas situações são realmente inadmissíveis. Basta analisar o Brasil. Quinto maior país em extensão, sexto em número de habitantes, é uma das dez maiores economias, possui o maior volume de água doce na superfície e no subsolo, condições de luminosidade e irrigação incomparáveis em termos de produção agrícola, riquíssimas jazidas minerais a serem exploradas, dispõe de uma indústria bastante diversificada e tem um potencial enorme para produção de energia renovável (hidrelétrica, eólica e solar).

Mesmo assim, o Brasil não decola e hoje os investimentos internos e externos estão suspensos, à espera do golpe militar pretendido por Bolsonaro.

GOLPE ESCANCARADO – Se ainda estivesse entre nós, o genial humorista Apparicio Torelli, conhecido como Barão de Itararé, estaria impressionado com o fato de o Brasil ter se tornado um país em que golpe militar é preparado às escâncaras e todos ficam esperando marcar a data. É claro que o Barão repetiria seu famoso bordão – “Era só o que faltava…”.

Realmente, qualquer um se espanta diante de uma maluquice dessas, com as atenções voltadas para um suposto golpe militar, cuja preparação há meses vem sendo divulgada pela família Bolsonaro, com elogios abertos ao regime militar de 1964 e até mesmo ao Ato Institucional nº 5.

De início, essas referências foram encaradas como se fossem folclóricas, eram levadas na brincadeira. No entanto, pouco a pouco o radicalismo foi prevalecendo, até começar uma organizada campanha visando a um novo golpe militar.

UM PLANO EQUIVOCADO – Ainda bem que a estratégia de Bolsonaro para se tornar ditador é infantil e inadequada. Ele resolveu trilhar o pior caminho, ao tentar “comprar” os militares em duas etapas – aumentando os soldos e deixando as Forças Armadas de fora da reforma da Previdência.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro foi progressivamente montando um governo militar. Segundo Levantamento do Ministério da Defesa, feito a pedido das repórteres Tânia Monteiro e Adriana Fernandes, do Estadão, os militares da ativa já ocupam quase 2,9 mil cargos no Executivo. São 1.595 integrantes do Exército, 680 da Marinha e 622 da Força Aérea Brasileira.

Deste total, 42% estão servindo a Bolsonaro, empregados na estrutura da Presidência, especialmente no Gabinete de Segurança Militar, um órgão que foi superreforçado no atual governo. Três oficiais ocupam o primeiro escalão: Walter Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), além do general Rego Barros, que é supostamente o porta-voz da Presidência. Dos quatro, apenas Heleno está na reserva.

GOLPE DE MESTRE? – À primeira vista, fica parecendo que Bolsonaro é um gênio, que estaria conseguindo emparedar as Forças Armadas, ao nomear esse número enorme de militares para funções civis. Mas não é bem assim, porque os militares estão percebendo que caíram numa armadilha e temem que o desgoverno de Bolsonaro desgaste a imagem das Forças Armadas.

O presidente, no entanto, ainda acha que realmente representa os militares, julgando (?) que estariam dispostos a  intervir para transformá-lo em um novo ditador.

Mas não é assim que a banda militar toca. Os Altos Comandos vão deixar Bolsonaro se virar sozinho. Enquanto isso, a crise se perpetua e o país fica literalmente parado. Em matéria de novos investimentos, o país está zerado.

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P.S.
Bolsonaro é imaturo e tem sede de poder. Ao invés de aproveitar a estrutura militar e fazer um grande governo, vive atormentado por teorias conspiratórias que estão literalmente levando-o à loucura. Mais um pouco e todos perceberão que ele não tem condições emocionais para ser presidente da República, pois não aceita conselhos nem mesmo do general Augusto Heleno, seu maior avalista na Forças Armadas. Assim, a queda de Bolsonaro é só uma questão de tempo. Enquanto isso, o país fica parado ou andando para trás. É desanimador, desgastante e deprimente viver nessa crise eterna. (C.N.)

Recado ao general Eduardo Ramos: “Para ser respeitado, Bolsonaro precisa se dar ao respeito”

Aqui é um serpentário, e quem está próximo de Bolsonaro vira alvo ...

Se o general quer dar pitaco em política, deveria ir para a reserva

Carlos Newton 

O ministro Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, que não é porta-voz do governo nem tem maior importância no ranking ministerial, saiu de seus cuidados para imitar o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, e divulgou uma nota à nação, nesta segunda-feira, para rebater um comentário do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, que no domingo comparou a situação do Brasil, “guardadas as devidas proporções”, com o que ocorreu na Alemanha nazista com Adolf Hitler.

“Comparar o nosso amado Brasil à ‘Alemanha de Hitler’ nazista é algo, no mínimo, inoportuno e infeliz. A Democracia Brasileira não merece isso. Por favor, respeite o Presidente Bolsonaro e tenha mais amor à nossa Pátria!”, disse Ramos, em postagem no Twitter.

GENERAL INDEMISSÍVEL – Celso de Mello nem se preocupou em responder ao ministro, que é figura inexpressiva e não se saiu bem no governo, tendo fracassado na articulação política, principal tarefa de sua pasta, que fica sendo adequadamente por seu antecessor, o general Santos Cruz, que soube como se aproximar e relacionar com os parlamentares.  

Eduardo Ramos fracassou na Secretaria de Governo, mas é indemissível, por ser general da ativa e membro licenciado do Estado-Maior do Exército. Ou seja, Bolsonaro precisa desesperadamente do apoio dele.

No meu entender, seu fracasso maior foi faltar com a verdade ao depor perante a Polícia Federal no caso Moro, ao dizer que Bolsonaro, na reunião ministerial, se referia ao ministro Augusto Heleno e até olhara para ele, ao terminar a fala, quando na verdade ocorreu exatamente o contrário e o presidente mirara claramente o ministro da Justiça. Além disso, Ramos retificou outros dois pontos do depoimento, e para mim isso basta. Não suporto general amoldável.   

SAIA DA ATIVA – Compreendo a situação do comandante do Exército, general Edson Pujol, que não pode repreender Ramos por se intrometer em política, porque ele está como ministro. Mas é preciso lembrar que está na ativa. Se quer trabalhar em política e até repreender um ministro do Supremo a propósito de defender um presidente indefensável, é obrigatório que passe para a reserva, deponha as armas e venha esgrimir as palavras.

Celso de Mello não tem satisfações a dar a esse general. O ministro do Supremo está lutando o bom combate, ao defender a democracia, enquanto o presidente Bolsonaro não se dá ao respeito, faz o possível e o impossível para provocar um golpe militar, julgando que será eleito ditador pelo Alto Comando, com o voto de áulicos como Eduardo Ramos.

Mas isso não vai acontecer. Ainda há generais no Forte Apache, que seguem o exemplo de Cândido Rondon e Teixeira Lott. Com toda certeza, não pretendem manchar suas biografias ao se subordinarem a um capitão que o Exército deveria ter expulsado, mas não o fez.   

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao escolher a foto para ilustrar o artigo, reparei que o semblante de Eduardo Ramos lembra claramente o ditador italiano Benito Mussolini, que parece ter voltado à moda no Brasil, ultimamente. (C.N.)

É preciso enfrentar a realidade: Jair Bolsonaro não tem equilíbrio e necessita de tratamento

Bolsonaro erra,e sanciona a lei “juiz das garantias” e Moro fica ...

Fotocharge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Estava insuportável a invasão de robôs humanos e mecânicos, que se digladiavam aqui na Tribuna da Internet defendendo teses extremistas. Da mesma forma como aconteceu na fase pré-impeachment da presidente (?) Dilma Rousseff, novamente a robotização diminuiu bastante, existem melhores condições de discutir de forma mais adequada e eficiente os grandes problemas nacionais.

No momento, deveríamos estar debatendo como sair da grande depressão que já está afetando a economia mundial. Mas não há condições para abrir essa discussão, porque ninguém se interessa. Antes de tudo, é preciso encontrar uma maneira de resolver o desgoverno de Jair Bolsonaro. Esse é o maior desafio brasileiro.

NÃO DÁ MAIS – Desabafos como “Acabou, porra!”, que são ditos diariamente por Jair Bolsonaro, na verdade deveriam estar sendo ecoados por aqueles milhões de brasileiros e brasileiras que começaram a sair às ruas em junho de 2013, elegeram Bolsonaro cinco anos depois e agora estão em casa, confinados, sem poder ir às ruas para dizer que Bolsonaro precisa sair da Presidência da República.

Realmente, Bolsonaro está certo quando diz: “Acabou, porra!”. Mas na verdade é ele quem tem de sair, junto com os três filhos abusados e os ministros e assessores terraplanistas. O país não aguenta mais um governante que demonstra evidente desequilíbrio mental e cria pelo menos uma crise por dia.

No caso, precisamos nos mirar no exemplo do presidente Delfim Moreira. Foi um dos maiores políticos do país, responsável por uma revolução no ensino público e por importantíssimas medidas destinadas a propiciar o desenvolvimento nacional na agricultura e na indústria. Mas não teve condições de saúde para governar.

ESCLEROSE PRECOCE – Justamente quando assumiu o poder em 1918, devido à morte do presidente Rodrigues Alves, o vice Delfim Moreira passou a enfrentar problemas de esclerose precoce, alternando períodos de lucidez com atitudes insanas. Mas não houve problemas na gestão. Escolhido por ele, quem tocou o governo até a eleição de Epitácio Pessoa foi o ministro da Viação, Afrânio de Melo Franco, diplomata e político de renome internacional, indicado três vezes para o Nobel da Paz em 1935,1937 e 1938.

No caso de Bolsonaro, não há como reviver essa “regência republicana”, como foi denominada a gestão de Delfim Moreira e Afrânio de Melo Franco, porque o atual presidente não aceita conselhos e sugestões, nem mesmo do general Augusto Heleno, seu principal avalista junto às Forças Armadas.

NÃO ACEITA TRATAMENTO – O mais importante é que o interesse nacional precisa prevalecer. Está claro que o presidente Bolsonaro não aceita se afastar para fazer tratamento especializado nem delega poderes a seus ministros.

Portanto, não há alternativa. É preciso substituí-lo o quanto antes pelo sucessor constitucional, o vice Hamilton Mourão, e já existem abundantes motivos para o impeachment, que nem seria necessário. Bastaria o presidente se afastar para o necessário tratamento. Infelizmente, Bolsonaro não aceita fazer tratamento nem delega poderes. Por isso a TI defende seu impeachment, para que o país volte à normalidade.

BALANÇO DE MAIO – Aproveitamos para divulgar as contribuições feitas à TI no mês de maio, agradecendo muitíssimo àqueles que reconhecem a necessidade de existir um blog independente, sem patrocínio de partidos ou grupos ideológicos de qualquer natureza.

De início, as colaborações depositadas na conta da Caixa Econômica Federal:

DATA   REGISTRO   OPERAÇÃO        VALOR
05         051729        DP DIN LOT…….230,00

11         111358        DP DIN LOT………20,00
22         221140        CRED TEV…………50,00
25         200010        DOC ELET…………49,00
28         281316        DP DIN LOT………50,00
29         291103        DP DIN LOT………30,00

Na conta do Banco Itaú/Unibanco, houve as seguintes contribuições ao Blog:

06         TED 001.5977 JOSEAP…………306,06
11         TBI  6014.01012-6 C/C……….200,00
25         TBI  2971.21174-9 ……………..150,00
29         TBI  0406.40194-4 ……………..100,00

Por fim, na conta do banco Bradesco também houve contribuição:                        

07         535 380 LUISRZANAR…………30,00

Agradecemos muitíssimo a todos os que reconhecem a importância de manter um espaço livre na internet, que não esteja submetido a nenhuma corrente política e ideológica. E vamos em frente, sempre juntos.

Delirante, Bolsonaro confia que o procurador e os militares vão mantê-lo no poder

Análise | O que Bolsonaro ganha e perde na briga com governadores ...

Situação de Bolsonaro está cada vez mais complicada

Carlos Newton

Com pouquíssima cultura e capacidade intelectual, se tivesse prosseguido sua carreira no Exército, Jair Bolsonaro jamais chegaria a general. Seu raciocínio é sempre primário e sem profundidade, incapaz de desenvolver um planejamento a longo prazo. Essas características pessoais, é claro, atrapalham sua gestão, mas o pior, mesmo, é o bloqueio que o impede de ouvir sugestões e conselhos.

Se tivesse ouvido ministros como Santos Cruz, Gustavo Bebianno, Heleno Nunes, Santa Rosa, Eduardo Ramos e Braga Netto, é evidente que os resultados do governo seriam bem melhores e o presidente não estaria hoje nessa situação de ruptura, equilibrando-se para se manter no cargo.

TUDO AO CONTRÁRIO – O fato concreto é que Bolsonaro exibe um comportamento que indica estar perto da idiotia, porque faz tudo ao contrário e não sabe aproveitar as oportunidades abertas pelo destino, como a pandemia de coronavírus.

Como se sabe, o ministro da Economia, Paulo Guedes, está indo mal. Seu antecessor, Henrique Meirelles, tirou o país de uma recessão brutal (PIB negativo de 3,6% em 2015 e 3,3% em 2016), equilibrando a economia em 2017 e 2018, com crescimento de 1,3%.

Com todo o entusiasmo da eleição de Bolsonaro, o PIB mal chegou a pegou a 1,1,%, após uma maquiagem estatística.

CHEGA A PANDEMIA – A chegada da pandemia foi uma espécie de habeas corpus econômico para o governo, porque causou uma recessão mundial. Assim, Bolsonaro e Guedes jamais poderiam se acusados pela derrocada econômica, e as mortes decorrente seriam debitadas nas contas dos prefeitos e governadores, garantindo a reeleição do presidente.

Mas Bolsonaro fez o contrário, assumiu a responsabilidade pelo combate à pandemias, entrou em choque com os prefeitos e governadores, os prejuízos serão debitados em sua conta política.

O resultado é seu progressivo enfraquecimento político, com 32 pedidos de impeachments na Câmara, sete pedidos de abertura CPIs e dois inquéritos pesadíssimos no Supremo (caso Moro e fake news), além do recém-aberto contra seu filho Eduardo.

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P.S. –
Para escapar do impeachment, Bolsonaro oferece publicamente ao procurador-geral Augusto Aras uma vaga no Supremo. Ao mesmo tempo, mostra contar com uma intervenção das Forças Armadas a seu favor. Em seu delírio de grandeza, julga (?) que os militares se considerarão engrandecidos ao defendê-lo, sem perceber que eles não veem a hora de dar posse ao vice-presidente eleito, que é um homem sério e capaz de conduzir o país por um caminho seguro. E nem vamos falar nessa criação do grupo Ku Klux Klan à brasileira. Realmente, é demais. (C.N.)

Sem ter chances de defesa jurídica, Bolsonaro tenta ‘comprar’ apoio do procurador

Charge do Ykenga (Charge Online)

Carlos Newton

Quando os roteiristas da premiada série “House of Cards” reconheceram que jamais conseguiriam igualar a criatividade da política brasileira, eles sabiam exatamente o que estavam falando. Na curta era de Jair Bolsonaro, por exemplo, uma das características mais marcantes é o apego à ficção. Tudo parece virtual, com forte presença de fake news, a ponto de o presidente da República enfrentar os cientistas da área médica e apresentar suposta solução para uma pandemia mundial, atundo como garoto-propaganda de laboratório farmacêutico.

Em menos de um ano de governo, a imagem do presidente sofre uma verdadeira devastação, enquanto aumentam os mortos pela pandemia, que ele classificou de “gripezinha” e até a desafiou publicamente, sempre resistindo ao uso da máscara e condenando o isolamento social, ao invés de adquirir previamente os equipamentos médicos necessários e montar os hospitais de campanha.

IMPEACHMENT – A cada dia, aumentam as possibilidades de impeachment, um filme de suspense que se tornará permanente e vai atrapalhar ainda mais o governo. No momento, a grande ameaça é o inquérito que o próprio presidente Jair Bolsonaro mandou abrir contra Sérgio Moro, o então ministro da Justiça e Segurança Social.

Moro é um verdadeiro ícone da dignidade, que merece estar acima de qualquer suspeita, um dos personagens mais respeitados da atualidade, no país e no exterior. O inquérito contra Moro acabou provando a péssima conduta do presidente, com seis evidências do propósito de interferir na Polícia Federal para defender a família e amigos, em suas próprias palavras.

O crime de prevaricação está mais do que comprovado, e agora Bolsonaro depende desesperadamente do procurador Augusto Aras. Diante do resultado do inquérito, o chefe do Ministério Público está tacitamente obrigado a abrir processo contra o presidente. Se determinar arquivamento, estará cometendo crime de prevaricação.

ÚLTIMO CAPÍTULO – Bem, foi assim que terminou o mais recente capítulo do “House of Cards” nacional, com o presidente da República elogiando publicamente o procurador-geral, dizendo que o trabalho dele é extraordinário e considerando-o um dos favoritos para chegar ao Supremo nas duas vagas que surgirão até maio de 2021.

Mas o roteiro não é escrito por Bolsonaro, que sofre ameaça também com o inquérito das “fakes news”, cuja gravidade fez com que ele ameaçasse o Supremo e a Polícia Federal nesta quinta-feira (“Chega, porra!”), sem que legalmente nada possa fazer como presidente da República, a não ser vociferar e dizer impropérios.

Mas nada disso adianta, o impeachment é só uma questão de tempo. E as Forças Armadas não tomarão a menor iniciativa para manter o capitão inconstitucionalmente no poder.

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P.S. – Os militares (leia-se: os Altos-Comandos) simplesmente deixarão o general tomar posse e tocar o barco, como dizia nosso amigo Ricardo Boechat. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Bolsonaro surtou ao descobrir que não conseguirá usar e abusar da Polícia Federal

Jamais pegarão meu telefone', afirma Bolsonaro - Notícias - R7 Brasil

Jair Bolsonaro pensava (?) que bastaria demitir Moro e Valeixo…

Carlos Newton

Em meio a esse interminável inferno astral, que avançou além da data de aniversário de Jair Bolsonaro e nem mesmo um astrólogo terraplanista experiente como Olavo de Carvalho sabe quando vai parar, de repente o chefe do governo teve 24 horas de imensa felicidade e realização. Só faltava imitar Vinicius de Moraes e sai cantando “que maravilha viver”.

O motivo era mesmo para ser comemorado. No mesmo dia da posse do novo Superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, delegado Tácio Muzzi, nesta terça-feira, dia 26, as coisas mudaram na corporação e foi lançada a Operação Placebo contra o governador do Rio, Wilson Witzel, hoje considerado arqui-inimigo de Bolsonaro.

PURO ÊXTASE – Foram 24 horas de puro êxtase. Até mesmo o filho Flávio Bolsonaro, que há mais de um ano anda fugindo dos jornalistas, gravou uma performance midiática para comemorar, lembrando seu grande amigo Fabricio Queiroz e tudo o mais.

Realmente, fazia tempo que o Planalto não vivia um dia tão radioso. Ao que tudo indicava, a PF enfim tinha conseguido passar uma borracha nas recentes vicissitudes da família presidencial, e o sentimento era de júbilo.

Mas existe um ditado que ensina: “Nada como um dia atrás do outro”. E nesta quarta-feira, dia 27, logo ao acordar no Palácio Alvorada, o presidente foi informado de que a Polícia Federal desde a madrugada estava em campo, com uma megaoperação de centenas de mandatos de busca e apreensão que atingiram, de uma só tacada, 29 políticos, empresários e ativistas ligados à família Bolsonaro e envolvidos na criação de “fake news”.

QUESTÃO DE TEMPO – Embora os filhos Carluxo e Eduardo ainda não tenham entrado na mira dos federais nesse inquérito, a família sabe que isso é só uma questão de tempo.

O episódio traz muitas lições. De início, revela o amadorismo e a falta de preparo de Bolsonaro. Ingenuamente, o presidente pensou (?) que bastaria afastar o ministro Sérgio Moro e o diretor-geral Mauricio Valeixo, apenas isso, para conseguir mandar e abusar da Polícia Federal, determinando que seus desafetos sejam perseguidos e que sua família e seus amigos sejam blindados, conforme ele  próprio deixou  claro na reunião ministerial.

Foi um terrível erro de avaliação e agora Bolsonaro e os filhos terão de encarar a realidade. As duas operações da Lava-Jato conseguiram mostrar que, neste Brasil bagunçado de sempre, existem três corporações que passaram a atuar em conjunto e ninguém mais consegue manipular – o Ministério Público Federal, a Receita e a Polícia Federal.

BOLSONARO AMEAÇA – E nesta quinta-feira, um dia depois de a Polícia Federal ter atingido empresários, políticos e ativistas bolsonaristas, foi patético ver o presidente Jair Bolsonaro à beira de um ataque de nervos, dizendo: “Acabou, porra!”

“Não teremos outro dia como ontem, chega”, disse, na saída do Palácio da Alvorada. “Querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor sob o argumento mentiroso de fake news”, acrescentou, antes de ameaçar o Supremo, dizendo ter em mãos as “armas da democracia”.

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P.S.Logo depois o general Augusto Heleno teve de acalmar o pupilo, fazendo um tradução simultânea, para dizer que ninguém está pensando em golpe militar. Mas todo mundo sabe que, na verdade. Bolsonaro não pensa (?) em outra coisa.  (C.N.)