Instituições da sociedade civil defendem democracia e pedem respeito à Constituição

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Em comunicado à nação, os dirigentes de quatro importantes instituições da sociedade civil (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Brasileira de Imprensa e Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns) pedem que se garanta “equilíbrio entre os Poderes da República, considerados, especialmente, o papel institucional do Poder Executivo, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, sem os quais a democracia mergulhará na escuridão e se pagará um preço ainda mais alto. Os Poderes exercem funções diferentes, mas nenhum é maior que outro. Sem eles, não há democracia”.

A mensagem é assinada por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB; Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, José Carlos Dias, presidente da Comissão Arns, e Paulo Jeronimo de Souza, presidente da ABI.

###
EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Constitui objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, entre outros, “construir uma sociedade livre, justa e solidária, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Isto está escrito com todas as letras na nossa Constituição Federal de 1988 e é aspiração do povo brasileiro. É preciso reafirmar, no momento atual do país, com todas as nossas forças, que a democracia é o único regime político capaz de implementar a sociedade prevista na Carta Cidadã.

A democracia, considerados seus próprios limites, é um dom a ser desdobrado em valores e dinâmicas que garantam a participação, a liberdade e o incondicional respeito aos princípios de defesa da vida e da dignidade de toda pessoa humana. Por isso, é incontestável e merece defesa a democracia no Brasil, fruto sofrido e amadurecido da redemocratização inspirada na ação de destacados atores políticos, aos quais reverenciamos; entre eles, um povo que soube reconquistar a liberdade e os direitos confiscados.

Foi esse povo que também legitimou, por lutas sociais, os direitos cidadãos registrados na Carta Magna de 1988, comprometendo a todos na sua obediência irrestrita e práticas transformadoras, pelo dever cidadão da edificação de nossa sociedade sobre os alicerces da igualdade e da solidariedade, garantindo o tratamento de todos como iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

O Brasil, por seus Três Poderes, segmentos e cidadãos todos, no horizonte e nos parâmetros sacramentados pela Constituição Federal, sobre os alicerces do Estado democrático de Direito, não pode permitir o enfraquecimento de suas instituições democráticas de poder-serviço, garantindo equilíbrio entre os Poderes da República, considerados, especialmente, o papel institucional do Poder Executivo, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, sem os quais a democracia mergulhará na escuridão e se pagará um preço ainda mais alto. Os Poderes exercem funções diferentes, mas nenhum é maior que outro. Sem eles, não há democracia.

É necessário e urgente, por uma lúcida compreensão e práticas democráticas, neutralizar e vencer as ameaças a essas instituições, pela obrigação moral de todos de defendê-las e fortalecê-las. Não se pode, absolutamente, fomentar o risco de levar os brasileiros ao caos do enfraquecimento e até à destruição da nossa democracia.

É no Estado democrático de Direito que se vai avançar na urgente busca do indispensável equilíbrio para a sociedade brasileira, detentora de todos os recursos para a superação dos vergonhosos cenários de misérias, com tanta pobreza, corrupção, privilégios, milhões de desempregados, com situações de crises humanitárias, exigindo velocidade e lucidez em respostas novas na economia, na educação e na saúde; avançar por meio de posturas adequadas no tratamento do meio ambiente, já tão pressionado pelos interesses econômicos; e avançar no cuidado prioritário dos pobres e pela exemplaridade responsável no exercício da política.

Por isso, preocupados com os riscos do clima de afrontas e de fomento à intolerância, juntamos forças em nossas entidades para levar esta mensagem ao povo brasileiro.

Marcados pelo sentido da solidariedade, sintam-se todos convocados a gestos e compromissos com a vida, superando bravamente as crises humanitárias, efetivando ações que façam o conjunto da sociedade brasileira trilhar os caminhos da Justiça, com lógicas e dinâmicas novas, na verdade e pela paz!”

Bolsonaro pensa (?) que os militares querem mantê-lo no poder a qualquer custo

Resultado de imagem para bolsonaro bate continencia

Por ser militar, Bolsonaro acha que pode fazer o que bem entende

Carlos Newton

Nada como o dia seguinte às calamidades, que a genialidade de Hollywood celebrizou com a grife “Day After”. No caso das badaladas manifestações do dia 15, elas acabaram não acontecendo e os jornalistas não tiverem condições de analisar o dia seguinte, que sempre define importantes rumos. Se os atos públicos tivessem acontecido, a meu ver seriam sucesso, por representarem um protesto contra tudo, mas curiosamente não significariam apoio incondicional ao governo de Jair Bolsonaro.

Como todos sabem, Bolsonaro é um fenômeno decorrente da aversão acumulada contra o PT nos últimos anos, devido aos erros cometidos nos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff.

FRACASSO PETISTA – Oferecimento excessivo de crédito, para incentivar o consumo, somado à generosa isenção de impostos às grandes empresas e ao acúmulo de déficit público a partir de 2013, com elevação da dívida de forma irresponsável, tudo isso resultou no fracasso petista, no impeachment de Dilma Rousseff e na eleição de Jair Bolsonaro.

A posse do novo governo foi cercada de uma extraordinária esperança em novos tempos de redenção econômica, com o sepultamento do projeto da primeira república sindicalista do mundo, que Michel Temer fez a gentileza de detonar em sua gestão.

No caso de Bolsonaro, com um ano e quase três meses de governo, o que se vê um presidente já em campanha para a reeleição, deixando o governo nas mãos de Paulo Guedes, que não tem realizações a apresentar. A própria reforma da Previdência, da qual o ministro tanto se orgulha, teve de ser aprimorada pelo Congresso, e a ansiada reforma administrativa, entregue por Guedes a Bolsonaro em 27 de fevereiro, está tão ruim que o presidente ainda não teve coragem de encaminhá-la ao Legislativo.

DUPLO FANATISMO – Nesse clima eternamente eleitoral, os fanáticos por Bolsonaro são muito ativos, mas devem compor apenas 25% da população, com Lula detendo outros 25% de também fanáticos. Sobram 50% de brasileiros perplexos, que não sabem em quem acreditar.

A atuação econômica de Guedes é um fracasso, porque no governo Michel Temer o ministro Henrique Meirelles pegou o Brasil numa baita recessão (– 3,5% em 2015 e – 3,,3% em 2016), passando para 1,3% positivos em 2017 e mais uma vez 1,3% positivos em 2018. E o ministro Paulo Guedes, com toda a pirotecnia, boom da Bolsa e tudo o mais, caiu o PIB para 1,1% positivos.

Tanto Bolsonaro quanto Lula têm vocações autoritárias. O líder petista está neutralizado, porque é ficha suja e não pode ser candidato em 2022, terá de lançar um de seus postes, que estão em flagrante escassez. E Bolsonaro é candidato desde sempre e até abdicou de governar, para se dedicar inteiramente à reeleição.

SALVADOR DA PÁTRIA? – Bolsonaro, ao invés de governar, quer se aclamado como salvador da Pátria, mas não é tão simples assim. Ninguém salva a Pátria sem expansão da economia, do emprego e da distribuição de renda. Foi por isso que o marqueteiro James Carville, que trabalhava para Bill Clinton, inventou a expressão “é a economia, estúpido”, que ficará para sempre na História da Política.

Bolsonaro hostiliza a Imprensa diariamente, o que é uma espécie de suicídio político, e pretende que o Congresso e o Supremo sejam submissos a ele. É claro que isso jamais irá acontecer, porque são dois Poderes independentes.

Mas Bolsonaro se julga o máximo. Ao pedir o adiamento das manifestações do dia 15, ao invés de reduzir o enfrentamento e facilitar um novo acordo com o Congresso, ele fez o contrário, dizendo que a simples movimentação para os atos públicos já tinha dado um “tremendo recado para o Parlamento”.

“REGRA DE OURO” – Em sua embriaguez de poder, Bolsonaro esquece que precisará desesperadamente do Congresso para não cair na armadilha de Dilma e cometer pedaladas e maquiagens fiscais, que configuram crime de responsabilidade e possibilidade de impeachment. Este ano, a equipe econômica já sabe que será descumprida a chamada “regra de ouro” e Bolsonaro precisará da aprovação do Congresso para não sofrer impeachment.

Bolsonaro não liga para nada, não está nem aí, acha que no final do ano bastará convocar o povo para defendê-lo do descumprimento da lei. Procede assim, porque pensa (?) que os militares vão bancar sua presepadas e entronizá-lo no poder com novo AI-5, como seu filho Eduardo preconiza.

Mas não é assim que a banda toca.

###
P.S.
Os militares estão decepcionados com Bolsonaro. Agradecem o aumento salarial e os privilégios da Previdência, mas nada farão em favor dele. Sabem que podem confiar no vice-presidente Hamilton Mourão, que é muito mais qualificado do que Bolsonaro e sabe como tratar o Legislativo e o Judiciário, em busca da harmonia institucional que o país tanto necessita. (C.N.)

Elite dos três Poderes pode ficar tranquila, seus privilégios serão preservados pelo governo

Resultado de imagem para MARAJAS CHARGES

Charge do Lane (Arquivo Gloogle)

Carlos Newton

É constrangedor constatar que muitos brasileiros e brasileiras pretendiam sair às ruas neste domingo, para protestar contra os privilégios das nomenktaturas dos três Poderes, pensando que o governo pretende mesmo acabar com essa farra do boi , porém o Congresso e o Supremo estariam boicotando a iniciativa.

UMA ILUSÃO À TOA – Na verdade, esses bem-intencionados manifestantes estão iludidos em sua boa fé, porque em momento algum a equipe econômica demonstrou intenção de acabar com as regalias no serviço público.

Embora a eliminação desses privilégios seja considerado imprescindível para a recuperação da economia nacional, como demonstração de todos precisam dar sua cota de sacrifícios, o ministro Paulo Guedes se dedica a fazer cortes que só atingem os servidores de escalões baixo e médio, preferindo preservar as vantagens concedidas à elite do serviço público, após a Constituição de 1988, e que foram confirmadas pelo Supremo.

COISA MUITO ANTIGA– Esses privilégios não foram criados no passado recente. Pelo contrário, são características da vida nacional.  É bom lembrar que na Constituinte um dos objetivos dos parlamentares era acabar com os privilégios de algumas categorias, como os estivadores, que tinham aposentadorias e pensões altíssimas, muito superiores à remuneração do presidente da República, vejam se é possível uma maluquice dessas.

Justiça seja feita ao Dr. Ulysses Guimarães e aos constituintes. Eles tentaram acabar com essas distorções salariais e incluíram dois dispositivos muito claros na Constituição, para que houvesse limites salariais nos três Poderes. Um deles, o artigo 17 das Disposições Transitórias, é o instrumento que precisa ser recriado hoje. Seu texto é impecável e não deixa margem a dúvidas, porque impede que haja recursos ao chamado direito adquirido:

Art. 17. Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título.

RESPEITO AO TETO FEDERAL – Devido a esse dispositivo constitucional, os estivadores e outros privilegiados passaram a receber o teto federal (que hoje é de R$ 39.293,32). Mas aos poucos o Supremo foi abrindo as comportas, aceitando auxílios de toda sorte (bebê, educação, alimentação, moradia, paletó) e penduricalhos variados, além de carros oficiais com, combustível liberado, apartamentos e casa funcionais, planos de saúde e tudo o mais, esculhambando os tetos dos salários previsto na Constituição.

Aliás, antes da ditadura militar esse privilégios eram denunciados incansavelmente pelo então deputado Carlos Lacerda (UDN-DF), que inclusive criou a expressão “chapa-branca” para criticar a prática dos carros oficiais e outras regalias. Mais de 60 anos depois, nada mudou.

CARTÃO CORPORATIVO – A situação é tão nauseante que não se consegue acabar nem mesmo com o sigilo dos gastos com cartãocorporativo, uma espécie de cartão de credito sem limite que o então presidente Lula da Silva teve a ousadia de presentear à sua amante Rosemary Noronha.

O fato é que logo que assumiu o governo, em 2003, Lula criou um cargo elevadíssimo para nomear a segunda-dama, que então se tornou chefe do inexistente Gabinete da Presidência da República em São Paulo. No pacote, Rosemary Noronha, ex-secretária do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ganhou um escritório luxuoso, cartão corporativo, assessores, secretárias, motoristas e carro oficial com combustível liberado, além de um emprego federal muito bem remunerado para a filha, que ainda era estudante.

LUA-DE-MEL PERMANENTE – A amante Rosemary Noronha acompanhou Lula em mais de 30 viagens internacionais, com passaporte diplomático e cartão corporativo. O jornal O Globo entrou na Justiça para quebrar o sigilo do cartão da segunda-dama, que fazia altas compras no exterior, mas até hoje o Supremo não liberou.

Essas regalias, os penduricalhos salariais e as mordomais têm de acabar, mas não será neste governo, pois o primeiro a ser privilegiado é o próprio Jair Bolsonaro. Ele recebe R$ 30.934,70 como presidente, R$ 29.301,45 como aposentado da Câmara e algo em torno de R$ 12 mil como capitão reformado. Ou seja, mais de R$72 mensais, e não gasta um tostão, porque todas as suas despesas são pagas pela Presidência da República.

Esta é a realidade brasileira. Aqui do lado de baixo do Equador, privilégio é considerado direito adquirido.

###
P.S.Sem entender o que está acontecendo, muitos brasileiros e brasileiras iam sair às ruas neste domingo para defender as reformas, pensando que o governo pretende cortar os privilégios e regalias da nomenklatura dos três Poderes, mas isso “non eczistirá”, porque a equipe econômica ainda não fez nem fará nenhum projeto com esse objetivo. A proposta que já foi enviada ao Congresso permite reduzir até 25% da jornada de trabalho e do salário do servidor, mas as elites estão poupadas. Aliás, nem mesmo o sigilo dos cartões corporativos será quebrado, acredite se quiser. (C.N.)

Essa tentativa de parar o mundo será a decisão correta para evitar o coronavirus?

Resultado de imagem para coronavirus charges

Charge do Cau Gomez (A Tarde)

Carlos Newton

Na História contemporânea, jamais houve nada igual. A situação de pânico por doença transmissível mais grave ocorreu no início da década de 80, quando o vírus do HIV foi identificada por cientistas de países diferentes. Naquela época não se sabia como se dava o contágio. A doença ganhou o nome de Sida (Aids, aqui no Brasil), era tida como incurável e representava uma ameaça concreta à humanidade. Mesmo assim, não houve esse pânico que se registra agora, no Brasil e no mundo.

A diferença é que, na era da Aids, que hoje começa a ser curável, o mundo não estava conectado pela internet, redes sociais e celulares.

PÂNICO VIRTUAL E IMEDIATO – Quase quarenta anos depois, os tempos mudaram muito e o pânico se espalha em extraordinária velocidade. E os governantes são os primeiros a serem contaminados. Para não sofrerem acusações de omissão, eles decidem bloquear qualquer aglomeração humana e outras atividades. Parece fazer sentido.

Donald Trump, na sua prepotência, proíbe todos os voos da Europa (à exceção do Reino Unido, ninguém sabe por quê, talvez em homenagem à Lady Di, que tinha um topete igual ao dele…).

Países europeus fecham as fronteiras a estrangeiros, apenas os nacionais podem circular. Isso vai resolver o quê? Ninguém sabe, porque os nacionais também podem estar contaminados.

O QUE SE SABE DE CONCRETO – Ao contrário da Aids, que era uma incógnita à época, no caso do coronavírus rapidamente já se sabe uma porção de coisas. É um vírus tipo influenza, como a gripe, que atinge as vias respiratórias. Não constitui grave ameaça para os jovens, suas vítimas fatais são os mais velhos, exatamente como ocorre com a gripe, e o nome no Brasil poderia ser mais um “coroa vírus”.

Ao contrário da Aids, nenhuma criança nascerá com essa doença, adquirida da mãe. A grande maioria das pessoas vai contrair o vírus, mas ele ficará incubado, como acontece com tantas outros males transmissíveis, entre eles a tuberculose, que outrora foi ameaça muito maior, mas continua em cena, perguntem lá na Rocinha, onde bate recordes sucessivos.

TRATA-SE DE DOENÇA CURÁVEL  – O mais importante é que se trata de doença curável e já estão sendo aperfeiçoados os métodos de tratamento, como a entubação e do uso do Interferon Alba 2-B, que por coincidência é um medicamento desenvolvido originalmente para a Aids e que se tornou um poderoso antiviral.

Os governantes, ridiculamente, ordenam que não haja aglomerações, suspendem as aulas, as exposições de arte, os espetáculos musicais, as sessões de cinema, as competições esportivas de todo tipo, até mesmo a Fórmula 1, os tribunais não querem mais abrir, tudo isso para evitar a contaminação, e na verdade  agora ninguém mais quer ir ao trabalho, preferem ficar de pernas para o ar, como dizia o poeta Ascenso Ferreira.

PREJUÍZOS AOS TRABALHADORES -Contaminados pelo pânico, os políticos tomam essas medidas autoritárias, que dão prejuízos a um número imenso de trabalhadores, esquecidos de que a grande massa da população mundial circula o tempo todo em trens, metrôs, ônibus, vans, navios, barcas, aviões, catamarãs e outros coletivos, onde a contaminação é muito mais fácil e praticamente inevitável.

Em tradução simultânea, os políticos querem parar o mundo para evitar o coronavírus. Mas a vontade de viver sempre fala mais alto. Aqui no Rio, amanhã vai fazer sol. Vocês acreditam que as praias ficarão desertas ou estarão lotadas, como sempre? E à noite, as escolas de samba deixarão de ter ensaios?

###
P.S. – Já ia esquecendo. Falta alguém avisar às autoridades que as medidas mais importantes a serem tomadas são as seguintes: 1) comprar  muito material e reforçar as equipes responsáveis pelos testes laboratoriais. 2)  instruir os médicos sobre as formas de tratamento que vêm dando certo nos outros países, especialmente a China e a Itália, onde muitos pacientes foram curados; 3) distribuir gratuitamente máscaras cirúrgicas, como a que o presidente Bolsonaro usa; 4) imitar o Chapolin Colorado, que recomendava, trocando as letras: “Não priemos cânico!” (C.N.)

O sonho da Bolsa já acabou, mas ainda temos de aguentar o pesadelo de Bolsonaro…

As charges censuradas de Bolsonaro

Charge de Bruno Ortiz (Arquivo Google)

Carlos Newton

Conforme era esperado, o sonho da Bolsa de Valores acabou. A alta permanente das cotações, que era absolutamente artificial, porque não havia motivos concretos, passou a ser usada pelo governo como uma evidência de que a economia brasileira tinha se estabilizado e agora voltaria a crescer expressivamente, conforme ocorreu no regime militar, quando o Brasil era o país que mais se desenvolvia no mundo, derrotando a Alemanha e o Japão.

Esse raciocínio rudimentar até parece ter fundamento, porque o governo de Jair Bolsonaro tem muito mais militares nos primeiros escalões do que qualquer gestão dos idos da ditadura, quando ocorreu o “milagre brasileiro”, com o PIB crescendo 11% ao ano, de 1968 a 1973.

MILAGRE BRASILEIRO – Naquela época, o êxito do crescimento econômico foi atribuído à criação do Programa de Ação Econômica do Governo (Paeg) na gestão do presidente Castelo Branco (1964-1967), com Octavio Bulhões (Fazenda) e Roberto Campos (Planejamento) comandando a equipe econômica.

O programa incluiu reforma nas áreas fiscal, tributária e financeira, com incentivo a empresas em setores estratégicos, apoio às exportações, estímulo à construção civil e abertura ao capital exterior. Ao mesmo tempo, foram criadas nada mais que 274 estatais, como a Telebrás, Embratel e Infraero.

Na mesma época, surgiu o Banco Central e o governo instituiu o Sistema Financeiro Habitacional, formado pelo Banco Nacional de Habitação, com apoio da Caixa Econômica Federal.

IMITANDO A DITADURA – Na tentativa de repetir o êxito administrativo do período 1968/1973), o presidente Jair Bolsonaro encheu o governo de militares, entregou a economia a Paulo Guedes, um dos maiores admiradores de regimes autoritários, que convocou o neto de Roberto Campos. Parecia o plano perfeito, mas não era.

Se tivessem estudado Karl Marx e Friedrich Engels mesmo ligeiramente, Bolsonaro e Guedes saberiam que a Historia somente se repete como farsa. Não é possível fazer reprise…

Os tempos mudaram e o presidente civil Fernando Henrique Cardoso transformou o Brasil numa espécie de laboratório do capitalismo financeiro, ao estimular o “rentismo”, uma expressão criada premonitoriamente por Marx e Engels para denominar o capitalismo sem risco, em que o investidor colhe altos lucros sem criar empresas, gerar empregos e distribuir renda.

FIM DO RENTISMO – À frente do Banco Central, o neto de Roberto Campos conduziu a economia para os juros mais baixos da História Republicana. Com isso, reduziu o crescimento da dívida pública. Como consequência, provocou o fim do rentismo. Acostumados com o lucro fácil, os aplicadores imediatamente mergulharam na Bolsa de Valores, desconhecendo que o mercado tem regras que ninguém consegue derrubar.

Bastou uma queda brusca na cotação do petróleo, uma crise que nem é permanente, pois daqui a pouco os produtores se acertam, acompanhada da contaminação do coronavirus, que também não é permanente, loogo estará superada, e o sonho da Bolsa acabou.

Agora, o próximo sonho a acabar será o de Bolsonaro. Ele quer curtir os bônus do governo nem se envolver com os ônus. Se algum setor não funcionar, a culpa é do ministro.

###
P.S.
Esse mundo simplista em que Bolsonaro quer viver “non ecziste”. Ele tem de dar duro o tempo todo, acompanhar o que os ministros estão fazendo, cuidar do governo, enfim. Mas prefere ficar criando problemas e desentendimentos, um atrás do outro. Aliás, Bolsonaro é um grande craque nesse métier, ninguém o supera. É uma pena constatar que ele nem percebe estar jogando fora a grande oportunidade de sua vida. (C.N.)

Manifestação do dia 15 pode ser uma ameaça à democracia. Pense sobre isso.

Resultado de imagem para democracia charges

Charge do Duke (dukechargista.com)

Carlos Newton

O artigo publicado pelo grande jornalista José Carlos Werneck aqui na Tribuna da Internet, neste sábado (dia 7), causou-me  muita preocupação. Antes de ler esse texto, eu pensava (?) que as manifestações do dia 15 pudessem ter um desfecho menos perigoso para a democracia brasileira, ou seja, representassem apenas um acidente de percurso, que pudesse ser superado a médio prazo, e vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha.

Na minha visão estreita e distorcida, eu imaginava que as manifestações tivessem comparecimento apenas de uma minoria de fanáticos bolsonaristas, que devotam adoração religiosa ao “Mito”, atribuem a ele a infalibilidade divina, não conseguem analisar o que o presidente faz de certo ou errado. Mas eu estava enganado.

DISSE WERNECK – No artigo sobre a importância das manifestações do dia 15, disse o jornalista José Carlos Werneck: “Se você está farto de tantos privilégios dos membros dos Poderes da República que tornam ainda mais cruel a desigualdade social e mais injusta a distribuição de renda do País, não deixe de comparecer às manifestações que terão lugar nas principais cidades brasileiras no próximo domingo”.

E acrescentou: “Igualmente, compareça também se você não concorda com regalias como casas ou apartamentos funcionais, de excelente padrão, auxílio-moradia, auxílio-paletó, auxílio-alimentação de alto custo, auxilio-educação para os filhos, carro, oficial, passagens aéreas, jatinhos à disposição, auxílio-saúde, com direito a hospitais de alto padrão, como o Sírio Libanês, o Albert Einstein e outros de altíssima qualidade, para uma casta privilegiada, e defenda seus pontos de vista”.

DIREITOS ADQUIRIDOS – Jamais me passou pela cabeça que as manifestações pudessem ser engrossadas também por pessoas que são críticas a Bolsonaro e não aprovam a maneira como governo e se comporta na Presidência, mas também não aceitam regalias funcionais da chamada nomenclatura civil e militar, como o próprio Werneck.

No entanto, ao ler o artigo dele, percebi que existe realmente a possibilidade de ocorrer uma macro manifestação, fortalecida por participantes que são da maioria silenciosa e não apoiam Bolsonaro e suas paranoias, porém não aguentam mais a exploração do povo por aqueles que desfrutam de supostos “direitos adquiridos”, até porque nenhum “privilégio” jamais poderá ser considerado um “direito”.

De repente, tudo muda de figura e as manifestações podem ser de tal ordem que façam como que Bolsonaro, seus filhos e áulicos passem a pensar (?) que podem tudo e aumentem seu autoritarismo latente.

O RISCO EXISTE – O próprio Werneck ressalva que “não se trata, absolutamente, de ser a favor do fechamento do Congresso Nacional e do Poder Judiciário, mas tão somente de coibir abusos e privilégios contrários a um princípio basilar de qualquer Democracia: “Todos são iguais perante a Lei”!

Mas acontece que a manifestação não será considerada assim. Desde sempre, trata-se de um protesto contra o Congresso e o Supremo, promovido a favor do governo (leia-se: Jair Bolsonaro).

Em tradução simultânea, a partir de agora o radicalismo vai aumentar, ameaçando a estabilidade democrática do país, e ninguém realmente sabe o que poderá acontecer.

###
P.S.
Espero estar totalmente enganado. Mas tenho a ligeira impressão de que Bolsonaro e sua trupe vão perder a noção e colocar tudo a perder, porque la nave va, cada vez mais fellinianamente. Vamos aguardar. (C.N.)

Maior problema do Brasil é o fanatismo dos admiradores de Bolsonaro e de Lula

Resultado de imagem para bolsonaro perseguido charges

Chrge do Thomate (Arquivo Google)

Carlos Newton

O fanatismo é péssimo conselheiro e conduz sempre as pessoas a resultados negativos. Nunca houve – e jamais irá existir – fanatismo que seja do bem e que nos conduza a resultados positivos. Com toda certeza, o maior problema do Brasil na fase atual é o extremo fanatismo devotado a duas personalidades como Lula da Silva e Jair Bolsonaro, um fenômeno estranho e inexplicável, até porque nenhum dos dois políticos demonstra ter qualidades que possam inspirar tamanha devoção.

O brasileiro é aquele povo cordial celebrado por pensadores como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro e Celso Furtado, entre outros. Mas essa inata cordialidade está sendo destruída pela crise política e social, que se agrava cada vez mais.

DISCUSSÕES INÚTEIS – Nesses dias obscuros em que vivemos, ao invés de estarmos buscando saídas para essa crise, discutindo em profundidade os problemas que causam a desigualdade social, estamos entretidos numa guerra de fanatismos que ameaça demolir o futuro de um dos mais promissores países.

É pena que Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro e Celso Furtado não estejam mais aqui para decifrar essa equação social. Mas ainda temos muitas cabeças pensantes que podem e devem fazê-lo, como Carlos Lessa, Darc Costa, Roberto DaMatta e tantos outros.

O mais impressionante é que o fanatismo contamina pessoas de grande preparo intelectual, que deveriam exercitar o sentimento da dúvida, mas preferem agir como torcedores de times de futebol, substituindo o raciocínio pela paixão e o ódio, como ocorre nas torcidas organizadas e até nas mesmo nas bagunçadas, inclusive em países que são considerados desenvolvidos.

CONTAMINAÇÃO ABSURDA – Aqui na Tribuna da Internet, que foi criada justamente para as pessoas trocarem ideias e experiências, a contaminação é absurda. Nota-se que a grande maioria dos participantes está infectada por coronavírus ideológicos, cujo principal sintoma é ser dominado por um radicalismo político que beira a infantilidade e a própria insanidade.

Para as vítimas dessa epidemia política, que atinge não só o Brasil, mas praticamente a Humanidade inteira (com as exceções de praxe, é claro), a política se tornou uma ciência exata, como Matemática, Química e Física. Para os adeptos de Lula da Silva, tudo o que Jair Bolsonaro faz está errado. Da mesma forma, para os admiradores de Bolsonaro, tudo o que Lula fez está errado, joga fora no lixo.

Caramba, as coisas não são simples assim. A Tribuna da Internet jamais se posicionará fanaticamente a favor de uma facção ou de outra. Estaremos no caminho do meio, dentro de nossa doutrina de apoiar o que estiver certo e reprovar o que estiver errado. Independentemente de partido ou ideologia, o que procuramos vislumbrar é o interesse nacional.

CRISES SIMULTÂNEAS – O fato concreto é que o governo Bolsonaro está enfrentando duas graves crises simultâneas – uma delas tem caráter político, de enfrentamento contra o Congresso e o Supremo, e a outra é econômica, devido à lerdeza da retomada do crescimento.

O governo Bolsonaro tomou posse cercado de esperanças, mas agora constata-se que a empolgação do primeiro ano resultou em efeito bem inferior ao esperado. O PIB teve o desempenho mais fraco dos últimos três anos, enquanto a dívida pública federal aumentou 9,5%. Mesmo assim, os fanáticos bolsonaristas insistem em que a economia melhorou. E classificam de esquerdopatas os jornalistas que divulgam esses números oficiais do IBGE e do Banco Central, como se estivessem inventando as estatísticas.

Em tradução simultânea, ao invés de levar a sério sua função de trabalhar pelo país, o presidente da República vive em campanha permanente pela reeleição. Uma de suas estratégias é atacar a imprensa, demonstrando uma paranoia gritante, e os fanáticos bolsonaristas também imitam os lulistas e denunciam a suposta perseguição que a mídia estaria a mover contra Bolsonaro, sem perceber o ridículo que cerca essa afirmação.

###
P.S.
A verdadeira imprensa publica o que é notícia e não manipula os números do IBGE nem do Banco Central. Não existe perseguição sistemátíca a Bolsonaro. Como diz a imortal canção de Cartola, o mundo é um moinho e Bolsonaro está diante de um abismo, que ele está cavando com os próprios pés. Sem dúvida, o maior inimigo de Bolsonaro é ele mesmo, que está atrapalhando o próprio governo. (C.N.)

Roberto Campos Neto faz o que pode, mas a dívida pública virou uma bomba-relógio

Resultado de imagem para divida bomba relogio

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

É preciso reconhecer o esforço do economista Roberto Campos Neto à frente do Banco Central, para tentar manter sob controle a dívida pública. Já baixou os juros para 4,25% ao ano. Como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, está em 4,19%, isso significa que estamos perto dos juros negativos, que levam ao desespero os rentistas, já acostumados ao lucro sem risco, gerado pelo capital imobilizado, que nada produz, não gera empregos e aumenta a desigualdade social.

Os rentistas fugiram para a Bolsa de Valores, mas o sonho acabou, porque no mercado de capitais tudo tem limite e as ações não podem ter valor maior do que o patrimônio da empresa.

INFLANDO O DÓLAR – O fato concreto é que os rentistas, quando descobriram que a Bolsa bateu no teto e agora vai ficar naquele sobe-e-desce normal, começaram a se mudar para o dólar.

Com isso, os exportadores rurais da filial Brazil estão em festa. porque poderão oferecer aos compradores preços mais favoráveis, que vão levar à loucura os concorrentes da nossa matriz USA, obrigando mister Trump  a subsidiar ainda mais a produção agrícola norte-americana neste ano eleitoral.

É possível imaginar o que Trump vai dizer a seu grande amigo Bolsonaro sobre a queda da cotação do real, ms logo isso vai parar, porque o mercado de câmbio também tem limite gravitacional, como se fosse uma Lei de Newton transposta para o mercado financeiro.

A DÍVIDA DISPARA – Enquanto isso, a dívida pública federal fechou o ano passado em R$ 4,24 trilhões, uma alta de 9,5% em relação a 2018, no maior patamar da série histórica, iniciada em 2004. Como se sabe, o governo emite dívida para financiar despesas que não cabem no Orçamento. O sonho de Guedes e de seus antecessores era pagar os juros dessa dívida com o chamado superávit primário. Porém, desde 2014 o governo gasta mais do que arrecada. E a dívida virou uma bomba-relógio.

Em 2019, a dívida interna cresceu R$ 355 bilhões e a externa, resultado da emissão de bônus soberanos no mercado internacional e de contratos firmados no passado, aumentou outros R$ 17,48 bilhões.

NÃO HÁ PLANOS – Esses dados fazem parte do Plano Anual de Financiamento. A previsão da equipe econômica é que a dívida em 2020 fique entre R$ 4,5 trilhões e R$ 4,7 trilhões. A ideia da equipe econômica é aumentar as emissões de títulos corrigidos pela taxa flutuante em relação ao ano anterior. Ou seja, Guedes não tem plano para controlar a dívida. Além disso, o ministro também não apresentou nenhum plano para reduzir os gastos públicos e eliminar os privilégios da nomenclatura estatal.

“O desafio fiscal atual envolve, sobretudo, o controle dos gastos públicos, de forma que as contas públicas voltem a gerar superávits primários e assegurem uma trajetória sustentável para o endividamento”, diz o próprio relatório do Banco Central.

AS OPÇÕES DO BC – No âmbito do Banco Central, o presidente Roberto Campos Neto só tem duas cartas na manga. A primeira é eliminar a estranhíssima remuneração diária da sobra de caixa dos bancos. Essa prática é herança do tempo de descontrole inflacionário, quando havia o chamado “overnight”. Esse benefício aos banqueiros tem de acabar, não há duvida,

A segunda opção de Roberto Campos Neto é cessar os contratos que o BC faz em sigilo com clientes privilegiados (entre os quais os bancos, para variar) com objetivo de segurar a variação do dólar, e essa prática vem causando gigantescos prejuízos ao país, pagos às custas da dívida pública.

Como disse o almirante Francisco Barroso, espera-se que cada um cumpra seu dever. Ou seja, que Guedes reduza a máquina estatal e elimine os privilégios da nomenclatura, e que Campos Neto acabe como esse desperdício de recursos públicos no Banco Central, se for autorizado por Guedes e Bolsonaro, é claro.

###
P.S. –
Entre Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, com toda certeza, prefiro confiar no presidente do Banco Central. Posso estar enganado, mas acho que nada vai mudar. Só acredito em mudanças quando o governo implantar um verdadeiro um plano de carreiras no serviço público, sem penduricalhos nem regalias, e quando os banqueiros forem proibidos de cobrar juros de agiotagem nos cartões de crédito. (C.N.)

Se a manifestação do dia 15 der certo, Bolsonaro vai ficar em situação desconfortável

Resultado de imagem para mourão em Santa Catarina

General Mourão já avisou que a democracia não corre risco

Carlos Newton

As instituições no Brasil estão esculhambadas, mas a culpa não é exclusivamente do Congresso e do Supremo, como Bolsonaro e seus admiradores tentam demonstrar e ratificar com a manifestação nacional do próximo dia 15. O povo está desesperançado, não há dúvida, muitos até passaram a acreditar na previsão do deputado Rodrigo Maia, de que o Brasil não tem futuro. Nesse clima, tudo indica que a manifestação convocada pelo Planalto será um tremendo sucesso.

Mas existe uma diferença enorme entre o ato e fato, como escrevia Carlos Heitor Cony no Correio da Manhã em abril de 1964. Naquela época, era o Ato Institucional nº 1, tratava-se de um fato consumado, com a suspensão dos direitos políticos dos opositores do golpe militar, incluindo governadores, congressistas e militares, e a convocação de eleição indireta para presidente e vice.

MUITA DIFERENÇA – É claro que existe uma diferença enorme entre as duas situações. Como diz o vice-presidente Hamilton Mourão, estamos em plena democracia, mas ele próprio afirmou que “os mares não estão tranquilos”, enquanto no regime militar a previsão do tempo no Jornal do Brasil saiu assim: “Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos”.

O que temos agora parece ser um quase nada em relação aos chamados anos de chumbo. O capitão Jair Bolsonaro e seu general Augusto Heleno podem achar que se trata de apenas uma manifestação popular de apoio ao presidente, que consequentemente significaria desaprovação ao Congresso e ao Supremo. Mas as coisas não são tão simples assim e toda caminhada começa sempre com o primeiro passo.

RUMO AO DESCONHECIDO – O problema é que esse primeiro passo de 15 de março pode dar início a uma viagem sem volta para o presidente da República, rumo ao desconhecido.

O objetivo de Bolsonaro e Heleno é óbvio – eles pensam (?) que podem amedrontar os outros poderes e criar uma ditadura disfarçada, como Hugo Chávez conseguiu implantar na Venezuela, ao fortalecer as forças armadas e enfraquecer a sociedade civil. Mas é muita ingenuidade, porque a estratégia levou a Venezuela à pior crise de sua história.

Eles pensam (?) também que detêm o controle absoluto das Forças Armadas, cujos comandantes aceitariam funcionar como leões de chácara de governantes trapalhões, mas isso non ecziste, é sempre bom lembrar o Padre Quevedo.

MAIS RADICALIZAÇÃO – Se essa manifestação do dia 15 vier carregada de insultos ao Legislativo e ao Judiciário, aumentando a radicalização e mergulhando país numa crise ainda maior, que continue avançando até chegar a ponto de ameaçar os poderes constitucionais, o que pode acontecer está escrito na Constituição, pois os presidentes do Congresso e do Supremo têm direito de invocar o artigo 142 para restabelecer a ordem e colocar o chefe do governo em seu devido lugar.

“Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

Se Bolsonaro e Heleno realmente acham que podem se tornar donos do Brasil, estão completamente iludidos. Este país pertence a todos os brasileiros e tem um vice-presidente que não compactua com essas tramas infantis e se chama Hamilton Mourão, que já suportou muita coisa calado.

###
P.S. 1 –
Em tradução simultânea, Bolsonaro tem tudo a perder com essa manifestação do dia 15. Se o ato público fracassar, ficará desmoralizado perante o respeitável público do Circo Brasil. Se a manifestação der certo, pode aumentar o enfrentamento entre os poderes. E acontece que Bolsonaro não lembra (?) que este ano irá precisar da aprovação do Congresso para as pedaladas que desde a posse vem dando na chamada “regra de ouro” (teto de gastos públicos). Se o Congresso negar autorização, o presidente automaticamente incorrerá em crime de responsabilidade e estará sujeito a impeachment. Apenas isso.

P.S. 2 Se Bolsonaro tivesse juízo, cancelaria essa manifestação e procuraria melhorar o relacionamento com o Congresso e o Supremo. Não custa nada e pode representar muito. (C.N.)

Inquérito criminal contra os filhos de Roberto Marinho já chegou à Polícia Federal

Carlos Newton

Conforme publicamos nesta segunda-feira (dia 2), com absoluta exclusividade, o procurador da República Paulo Henrique Ferreira Brito, acolhendo decisão do juiz Gustavo Pontes Mazzocchi, da 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, já encaminhou à Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro o inquérito criminal aberto contra os empresários Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, os três irmãos que são sócios controladores da Organização Globo.

Os herdeiros do jornalista Roberto Marinho estão sendo investigados por falsidade ideológica e crimes contra a ordem tributária e as telecomunicações, que teriam sido cometidos em negócios envolvendo a Rede Globo.

EMPRESAS DE FACHADA – O ponto central do inquérito é o uso de diversas “empresas de fachada”, criadas pelo advogado paulista Eduardo Duarte na categoria de sociedades anônimas e sem objetivo definido, com capital de apenas R$ 1 mil reais cada uma delas.

Essas “empresas de papel”, foram usadas pelos irmãos Marinho, sem prévia aprovação governamental. E uma delas, a Cardeiros Participações S/A, que sucedeu a uma outra “empresa de fachada, a 296 Participações S/A, ambas com o surpreendente capital de apenas R$ 1 mil, passou a ser controladora da poderosa holding Globopar (Globo Comunicação e Participações S/A). cujo capital já era superior a R$ 5,5 bilhões.

COMO ACOMPANHAR – Para acompanhar o inquérito, que não está submetido a sigilo judicial, basta entrar no site do Ministério Público Federal (mpf.mp.br), depois clicar em “Portal da Transparência”, na parte inferior da página inicial. Em seguida, acessar “Consulta Processual) e depois indicar o nº do processo 5096780-78.2019.4.02.5101, originário de São Paulo e que foi transferido para a 2ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, porque a sede da Rede Globo fica nesta cidade.

Em seguida, clica-se sobre número do processo, que aparece em vermelho, e o resultado será a informação de que na última sexta-feira, dia 28 de fevereiro, os autos foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, para o prosseguimento do inquérito.

###
P.S. –
A Organização Globo e seus três controladores, os irmãos Marinho, estão sendo investigados também pela Receita Federal, porque as autoridades acreditam que o uso de “empresas de fachada” teve objetivo de sonegar impostos. E não é de hoje que os donos da Organização Globo vêm aplicando golpes bilionários para evitar pagamento de tributos e maquiar as contas da empresa. Em uma dessas jogadas criminais de engenharia financeira, uma dívida superior a R$ 2 bilhões foi transformada em crédito de mais de R$ 300 milhões. Vamos voltar ao assunto, é claro. (C.N.)

Por vaidade e egocentrismo, Bolsonaro está jogando no lixo seu patrimônio político

Resultado de imagem para bolsonaro charges

Charge do Iotti (Zero Hora)

Carlos Newton

Bolsonaro não tem cultura nem vocação para político, pois seus 28 anos na Câmara passaram quase em branco, com poucos projetos apresentados e que se tornaram leis, como a exigência da impressão do voto na urna eletrônica. Ele sempre tratou a política apenas como meio de vida, para dar sustento às famílias oriundas de seus três relacionamento conjugais sucessivos.

Quando era capitão e se rebelou contra os baixos salários dos militares, escrevendo um explosivo artigo na Veja e liderando um plano ridiculamente “terrorista” para explodir bombas em dependências militares, ninguém poderia prever que ele chegasse à Presidência da República.

BOM DE VOTO – O fato concreto é que, após ser levado a abandonar a farda, o jovem Bolsonaro se candidatou a vereador em 1988 e foi eleito pelo PDC com 11.062 votos, que fizeram dele o 16º vereador mais votado do Rio, cujo mandato ele dedicou à defesa dos militares, policiais e bombeiros.

Dois anos depois, já era famoso no meio, animou-se a sair para deputado federal e teve impressionantes 67 mil votos Percebeu logo que tinha criado uma grife político-militar e em 1992 candidatou a primeira mulher, Rogéria Bolsonaro, para disputar uma cadeira de vereadora e ela foi eleita. Desde essa época, o capitão Jair Bolsonaro só perdeu uma eleição – em 2017, quando disputou a presidência da Câmara. Foi o último colocado, com apenas quatro votos, enquanto Rodrigo Maia recebeu 293.

VIROU EVANGÉLICO – Há alguns anos, com extraordinário senso de oportunidade, resolveu se lançar candidato à Presidência, visando a se beneficiar do desencanto dos eleitores em relação aos políticos em geral. Como parte inicial do plano, em 12 de maio de 2016, no mesmo dia em que o Senado pegava fogo na votação do impeachment de Dilma Rousseff, o capitão-deputado Bolsonaro era batizado no Rio Jordão, em Israel, pelo pastor Everaldo Pereira, criador e presidente do PSC, partido ao qual  já se filiara.

Curiosamente, nem mesmo o pastor Everado acreditava nas chances de Bolsonaro e lhe negou a legenda para sair candidato à Presidência. Bolsonaro tentou o PEN, que até virou Patriota, mas às vésperas do prazo fatal acabou se filiando ao PSL, um inexpressivo partido criado pelo deputado pernambucano Luciano Bivar, um cartola futebolístico de má fama.

FACADA ELEITORAL – Os concorrentes eram muito fortes, mas Bolsonaro soube usar a internet e o celular, colocou outdoors nas estradas, fez uma campanha barata e perfeita, que foi amplificada pelo atentado de Adélio Bispo. A facada quase tirou a vida do candidato, mas lhe garantiu a eleição.

Um ano e três meses depois, Bolsonaro infantilmente arrisca esse colossal patrimônio e provoca um choque contra o Congresso e o Supremo. Embriagado pelo sucesso, não lhe passa pela cabeça que no regime presidencialista nenhum presidente consegue governar sem ter maioria parlamentar.

“DUAS CARAS” – Como deputado, era a favor das emendas impositivas, por saber que se trata de uma maneira de evitar que o governo só libere os pedidos dos parlamentares da base aliada, arquivando as emendas dos oposicionistas, como sempre aconteceu. De repente, agora é contra, comportando-se como o personagem “Duas Caras” na história do Batman.

Assim, Bolsonaro traça o mesmo caminho de João Goulart, Fernando Collor e Dilma Rousseff, que não souberam montar uma sólida base parlamentar. Este ano, vai precisar do Congresso para autorizar as pedaladas orçamentárias que vem dando desde o início do governo. Se o Congresso lhe negar a licença para descumprir a “regra de ouro” (limite de gastos), ficará caracterizado o crime de responsabilidade e o impeachment se tornará uma ameaça concreta.

Se Bolsonaro pensa (?) que será socorrido e protegido pelas Forças Armadas, como Hugo Chávez e Nicolas Maduro armaram na Venezuela, desculpe, foi engano. Os militares vão lhe virar as costas, solenemente, tipo “meia-volta, volver”.

BALANÇO DE FEVEREIRO – Como fazemos todos os meses, vamos publicar agora o balanço das contribuições de fevereiro, agradecendo muitíssimo a todos aqueles que conseguiram colaborar. Inicialmente, vamos aos depósitos na Caixa Econômica Federal:

03     004775   DP DINH AG……………….. 50,00
07     070945   DP DINH LOT………………  50,00
10     002915    DP DINH AG……………….  50,00
10     200010    DOC ELET……………………. 50,00
11     111253    DP DINH LOT…………….. 150,00
12     120917    DP DINH LOT………….….. 20,00
20     201555    DP DINH LOT……….…….. 50,00
28     280936    DP DINH LOT……………… 230,00

Agora, vamos relacionar as contribuições em nossa conta corrente no Itaú/ Unibanco:

04     TBI 2958.07601-6  TRIB …………. 40,00
05     TBI 2971.21174-9…………………… 150,00
17     TED 001.4416 MARIOACRO…….. 250,00
17     TED 033.1593 …………………………. 60,00
28     CXE TEF 70.28905-1 ………………. 210,00
28     TBI 0406.49194-4 ………………….. 100,00

Agradecendo mais uma vez as participações de nossos amigos, vamos em frente neste sonho de manter um espaço na internet que seja aberto a todas as tendências políticas e ideológicas.

Se Bolsonaro e Heleno não tiverem juízo, o vice Mourão acaba assumindo o poder

Resultado de imagem para bolsonaro e heleno

Bolsonaro e Heleno se tornaram uma ameaça à democracia

Carlos Newton

As emendas parlamentares são uma tradição no Congresso e representam a única forma de o deputado ou senador conseguir recursos para alguma obra em sua base eleitoral, geralmente ponte ou viaduto, asfaltamento de estrada vicinal, saneamento básico, ampliação de hospital, coisas assim, realmente necessárias.

O problema é que antigamente o parlamentar aprovava emenda ao Orçamento, mas o governo acabava só liberando as obras dos políticos da base aliada.

EMENDAS OBRIGATÓRIAS – Em 2016, o Congresso aprovou uma proposta de emenda à Constituição que tornou obrigatórias as emendas individuais. Ou seja, o governo não poderia mais esquecer as verbas da oposição e liberar apenas as emendas da situação. Tratava-se de um avanço democrático, na minha opinião.

Mas acontece que você dá a mão e o político fica querendo o braço, como se dizia antigamente. E agora, no governo Bolsonaro, o Congresso aprovou também a obrigatoriedade das emendas coletivas dos parlamentares (de bancadas), assim como das emendas de comissão e do relator do Orçamento.

Se o governo tivesse se preocupado em criar uma base sólida e manter o Congresso como aliado, nada disso teria acontecido. Mas Bolsonaro se julga o máximo, sempre tratou o Congresso como adversário, e os parlamentares aprovaram a nova emenda com três quintos dos votos, coisa difícil de se conseguir.

HOUVE O VETO – Bolsonaro vetou, é claro, porque, os quatro tipo de emendas orçamentarias possíveis – coletivas, individuais, de comissão e do relator – passariam a ser impositivas, ainda que limitadas a um teto, dificultando o manejo dos verbas e diminuindo o poder do Executivo.

Ao anunciar o veto, porém, o governo propôs ao Congresso um acordo para cumprimento parcial das emendas, que foi aceito, mas depois voltou atrás. E os parlamentares, que já estão cheios das maluquices de Bolsonaro & Cia., pretendem derrubar o veto, por considerar que acordos devem ser cumpridos – “pacta sunt servanta”, como dizem os juristas. E a discussão começa hoje, em sessão especial do Congresso.

ATAQUE AO CONGRESSO – Bolsonaro e Guedes não querem cumprir o acordo e o Planalto decidiu abrir uma campanha de desmoralização do Congresso, com o Supremo entrando de carona. É claro que isso não vai dar certo.

Com apoio irrestrito do general Augusto Heleno, que vem demonstrando invulgar vocação para autoritarismo, e de outros militares que agem como áulicos, Bolsonaro está comprando uma guerra contra o Congresso da qual jamais será vencedor, mesmo que o povo saia massivamente às ruas no dia 15.

Bolsonaro somente derrotará o Congresso (que é apoiado pelo Supremo), se der um golpe de Estado. Mas os militares estão divididos e os legalistas, que exigem o cumprimento da Constituição, têm ampla maioria, não querem saber de nova “revolução”.

###
P.S.
Em tradução simultânea, se Bolsonaro e Heleno continuarem costeando o alambrado da democracia, como dizia Leonel Brizola, o resultado é que o poder cairá no colo do vice-presidente Hamilton Mourão, que com toda certeza saberá conduzir um governo de união nacional, como Itamar Franco mostrou que é possível fazer. E que assim seja. (C.N.)

Exclusivo! Filhos de Roberto Marinho são indiciados por falsidade ideológica e outros crimes

Resultado de imagem para filhos de roberto marinho

Polícia Federal está investigando os irmãos Marinho

Carlos Newton

Ao acolher petição do Ministério Público Federal, o juiz da 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Gustavo Pontes Mazzocchi, determinou a abertura de inquérito na Polícia Federal, tendo como indiciados os empresários Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, proprietários da Organização Globo, que estão sendo investigados por falsidade ideológica e crimes contra a ordem tributária e contra as telecomunicações, junto com o advogado paulista Eduardo Duarte.

Até agora não conseguimos saber o número desse inquérito, que não está acobertado por sigilo e tem tramitação direta na 2ª Vara Criminal e na Polícia Federal.

EMPRESA DE FACHADA – Os crimes teriam sido cometidos na transferência do controle da antiga TV Globo Ltda. para a empresa de fachada Cardeiros Participações S/A, criada em São Paulo pelo advogado Eduardo Duarte com capital de apenas R$ 1 mil e que, em menos de 2 meses, passou a ostentar um patrimônio superior a R$ 5 bilhões.

Posteriormente, e também sem prévia autorização federal, infringindo o artigo 38 da Lei no 4.117/62, o artigo 37 da Constituição Federal e outros do Código Penal, os empresários  citados, filhos de Roberto Marinho, utilizaram  outras empresas sem atividade específica, fatiando as ações e o capital da Globopar (Globo Comunicações e Participações S.A, holding que controlava as emissoras de televisão e outras empresas do grupo) e da Cardeiros Participações S/A, em manobra societária inadmissível, considerando serem concessionárias de emissoras de televisão no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Brasília.

AMEAÇA ÀS CONCESSÕES – Os crimes são graves e podem complicar os requerimentos da família Marinho objetivando a renovação das concessões dos cinco canais que mantêm em funcionamento. Esse processo administrativo deverá ser apreciado em 2022, ainda no governo Bolsonaro, que já afirmou não ter o menor interesse em perseguir qualquer grupo de comunicação, mas exige que toda a documentação esteja dentro da lei, que não é o caso, em relação a esses crimes dos controladores da Rede Globo.

Na investigação inicial, o procurador da República de São Paulo, Luís Eduardo de Marrocos de Araújo, informou em parecer que nos autos existem notícias dando conta de que empresas da Organização Globo (incluindo a Globopar e a Cardeiros Participações S/A) foram alvos de fiscalização da Receita Federal do Rio de Janeiro, em razão de um planejamento tributário indevido, que se baseou em “operações legais apenas no aspecto formal”, a fim de se esquivar do pagamento de tributos.

TROCA-TROCA DE EMPRESAS – Segundo foi apurado pelo Ministério Público, empresas diferentes, criadas pelos filhos de Roberto Matinho, adquiriram de forma sucessiva umas às outras, sendo que “todas eram pertencentes às mesmas pessoas, gerando, assim, um crédito artificial pelas transações societárias”.

E mais: “Segundo consta, a Cardeiros Participações S/A (controladora da Globopar) seria “uma empresa de fachada”, sem atividade definida e com capital irrisório, tendo sido criada por meio de atos societários ilegais pelos Marinhos e pelo advogado Eduardo Duarte, e utilizada apenas para manobras societárias visando disfarçar movimentações financeiras vultosas, assim como desnaturando a intuitu personae das outorgas deferidas anteriormente ao Sr. Roberto Marinho”.

FATO CONCRETO – Sem que o Ministério das Comunicações soubesse ou tivesse fracassado em sua obrigação de fiscalizar as atividades de radiodifusão, certo é que, por vários anos, a poderosa holding Globopar foi, de fato, controlada pelas seguintes empresas de papel: RIM 1947 Participações S/A e Eudaimonia Participações S/A, de Roberto Irineu Marinho; JRM 1953 Participações S/A, Imagina Participações S/A e 336 Participações S/A, de João Roberto Marinho; e ZRM 1955 Participações S/A e Abaré Participações S/A, de José Roberto Marinho.

No Rio de Janeiro, o procurador da República responsável pelo inquérito policial é o dr. Paulo Henrique Ferreira Brito.

###
P.S.
Tenho comparecido pessoalmente à 2ª Vara Criminal Federal e à Superintendência da Polícia Federal para acompanhar o inquérito, que é importantíssimo, e nesta semana vamos tentar ouvir o advogado-chefe da TV Globo, para conhecer a versão dos filhos de Roberto Marinho. (C.N.)

É preciso que o país elimine todos os privilégios da nomenklatura, seja civil ou militar

Charge do Dum (Arquivo Google)

Carlos Newton

O jornalista Hildeberto Aleluia, sempre atento aos interesses nacionais, nos enviou artigo escrito pelo major-brigadeiro Jaime Rodrigues Sanchez, sob o título “A Sucuri Marajá”, a propósito de recente decisão da Mesa do Senado, presidida por Davi Alcolumbre (DEM-AP), que teve a desfaçatez de assinar ato que amplia para 33 anos a idade máxima de permanência de filhos e enteados no Sistema Integrado de Saúde do Senado.

“Chega a ser repugnante a ganância e o despudor com que o Legislativo se apropria do erário e o desprezo que demonstra pelo cidadão que o elegeu”, diz o chefe militar.

DIREITOS ADQUIRIDOS – No artigo, assinala o major-brigadeiro: “Vergonhosamente, o plano de saúde dos senadores é vitalício, como se o senador fosse um funcionário concursado, de carreira. Têm também esse direito ex-senadores, o suplente que permanecer no cargo por apenas 180 dias ininterruptos, bem como seus cônjuges e dependentes. Se esse período “ininterrupto” coincidir com as férias escolares parlamentar, desde que ele não deixe o cargo, bastarão apenas algumas semanas de trabalho, suficientes para garantir o plano de saúde pelo resto da vida”.

E acrescenta: “Esse dadivoso plano beneficia até quem perdeu o mandato por quebra de decoro ou desvios de dinheiro público. Uma vergonha! É também oferecida uma opção para os serviços de sua livre escolha, com ressarcimento de despesas, incluindo hospitais de “excelência”, no sentido amplo da palavra, como o Hospital Sírio-Libanês e o Hospital Israelita Albert Einstein”.

E OS MILITARES? – A revolta do major-brigadeiro é procedente. Mas ele deveria levar em consideração que os militares e seus dependentes também estão muito bem servidos em matéria de assistência médica, odontológica e até farmacêutica. Na verdade, tanto as famílias dos congressistas quanto às dos militares estão sendo claramente beneficiadas.

Senadores, ex-senadores e cônjuges descontam ou pagam R$ 280 mensais mensais, com mais para R$ 154 para cada filho e R$ 410 para pai ou mãe. Uma moleza, não é mesmo?

E os militares (da ativa, da reserva e pensionistas) também pagam quantias irrisórias, com o máximo de 3,5%. Se esse desconto for sobre o soldo ( não consegui descobrir), não chega a R$ 500 nas maiores patentes, para garantir a saúde da família inteira. Se for sobre a remuneração total, incluindo gratificações e adicionais, o desconto será de no máximo R$ 1.150 mensais, para o plano de saúde da família inteira de oficiais-generais. Mesmo assim, também é uma moleza, porque eles recebem cerca de R$ 30 mil mensais. incluidas as gratificações e adicionais.

SÃO PRIVILEGIADOS – O fato concreto é que estamos diante de privilégios concedidos à nomeklatura civil e militar, custeados com recursos públicos (do povo, portanto).

Quanto se lê um artigo violentíssimo como o assinado pelo major-brigadeiro, que até amaciei um pouco, percebe-se que as pessoas continuam raciocinando de forma corporativa, sem colocar em destaque o interesse nacional. E assim fica o roto falando mal do esfarrapado, como dizia o ditado antigo. Ou um privilegiado falando mal de outro, como é o caso.

Com toda certeza, o país precisa eliminar todos os privilégios. Mas quem se interessa?

Com toda certeza, Bolsonaro não se adaptou ao cargo de presidente da República

Resultado de imagem para live de bolsonaro nesta quinta 27

Bolsonaro levou textos escritos para não haver dúvidas

Carlos Newton

Infelizmente, Jair Bolsonaro demonstra ser do tipo autocarburante, que pega fogo sozinho, nem precisa de acender o fósforo. Talvez alguma dia, quando já estiver fora do poder, ele descubra a sabedoria que existe no fato de ficar calado. Pelo menos, de vez em quando. Por que acusar a jornalista Vera Magalhães de mentir, quando todos sabem que ela estava dizendo a verdade?

Nesse episódio decepcionante, quem mentiu, ao vivo e a cores, foi o próprio chefe do governo, ao inventar que os vídeos que ele transmitira à sua rede de WhatsApp tinham sido editados em 2015.

DESMENTIDO FÁCIL – A jornalista do Estadão desmentiu o presidente com a maior facilidade. Logo após a transmissão das declarações do presidente, Vera Magalhães postou a sequência de vídeos que Bolsonaro enviara por WhatsApp na terça-feira de carnaval, dia 25.

O primeiro vídeo mostra que o presidente está andando de moto no Guarujá, onde passou o carnaval. O segundo é convoca para manifestações, e não foi produzida em 2015, porque nele constam fatos ocorridos em 2018, como a facada que feriu Bolsonaro. E o terceiro vídeo, também produzido por grupos manifestantes, traz imagens do dia da posse de Bolsonaro e, portanto, também não foi produzido em 2015.

É triste ver o presidente da República sendo desmentido em assunto de tamanha importância. Exibe um comportamento vulgar, que deveria ser evitado a todo custo pelo chefe do governo. Com toda certeza, não se adaptou ao cargo de presidente da República.

SEMPRE EM CAMPANHA – Mas Bolsonaro nem liga para isso, porque está sempre fazendo campanha, sua intenção é de agradar aos eleitores e se reeleger, mesmo que o resultado principal seja a radicalização extremada e a ameaça às instituições.

Acredito que, na difícil fase em que se encontra, o país necessita de paz e clima de tranquilidade, para que o governo leve adiante as reformas, embora eu não acredite muito nelas. Há uma proposta no Congresso, chamada de Emenda Emergencial, que vai tirar 25% do salário dos servidores.

Posso estar errado, mas os funcionários atingidos serão os de sempre, ficando preservados os salários da alta nomenklatura dos três Poderes, exatamente como ocorreu com a reforma da Previdência, que preservou as altas aposentadorias, a pretexto de preservar direitos adquiridos.

###
P.S.
Nos dicionários cada palavra tem seu peso e significado. No Brasil, porém, a palavra “privilégio” pode significar “direito”. Foi assim que “privilégios indevidos” passaram a ser considerados direitos adquiridos. Bolsonaro precisa contratar um lexicógrafo, para aprimorar a mira das reformas. (C.N.)

“Presidente, atentai para as reformas que o Sr. esqueceu”, diria o ex-senador Mão Santa

Resultado de imagem para mao santa no senado

Mão Santa criou um estilo de oratória muito particular

Carlos Newton

Há muito anos, na década de 90, fui contratado para fazer uma série de reportagens para a revista IstoÉ com novos governadores que tinham sido eleitos. Na época, fiquei muito impressionado com o conhecimento político  de Tasso Jereissati, que na época fazia uma dobradinha cearense com Ciro Gomes, eram amigos inseparáveis. Outro que me chamou atenção, por seu estilo muito peculiar, foi Mão Santa, que então governava o Piauí. Seu nome era Francisco de Assis de Moraes Souza. Ganhou o apelido por ser um grande cirurgião, que atendia a população carente e acabou entrando na política.

Mão Santa tinha uma técnica semelhante à utilizada por Paulo Maluf, que então era prefeito de São Paulo. O repórter fazia uma pergunta e Maluf dava um jeito de responder com alguma coisa de seu interesse. No caso de Mão Santa, ele gostava de falar sobre três temas: o belíssimo Delta do Parnaíba, a histórica Batalha do Jenipapo, que marcou a luta pela Independência, e a Serra da Capivara, onde há pinturas ruprestes de 12 mil anos atrás.

Lembrei de Mão Santa por causa do excelente comentarista James Pimenta, que tem vasta cultura e um bom humor de aço inoxidável. Se ainda estivesse no Senado, certamente o político piauiense estaria advertindo o presidente Bolsonaro sobre as reformas que são imprescindíveis, mas não estão sendo promovidas, conforme salienta este artigo de José Roberto Silverado, que merece ser lido com atenção.

###
POVO DEVIA IR ÀS RUAS EXIGIR REFORMAS
QUE O PRESIDENTE ESTÁ EVITANDO FAZER
José Roberto Silveirado

Resultado de imagem para chega de mordomias

O povo sonha em limpar o país, mas quem se interessa?

Nenhum político ou governante fala em tomar as medidas necessárias e que continuam a ser esperadas pelos eleitores, entre elas reduzir as mordomias dos poderes da República, como gabinetes superlotados de secretárias, adjuntos, assessores, com suportes burocráticos, carros, motoristas, 14º e 15º salários, cartões corporativos etc.

Também não falam em diminuir o número de deputados federais, estaduais e senadores e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países sérios. Acabar com as mordomias na Câmara, Senado, Judiciário e Ministérios, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do povo.

ÓRGÃOS INÚTEIS – Ao mesmo tempo, acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º… escalões de emprego.

Ninguém fala também em redução drástica da quantidade de vereadores e redução dos salários de vereadores, diminuir os gastos das Câmaras Municipais e das Assembleias Estaduais.

Acabar com o financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas atividades; Aliás, de três a cinco partidos apenas, seria mais que suficiente.

MAIS MORDOMIAS – Que tal acabar com a distribuição de carros a presidentes e integrantes das Câmaras Municipais, assim como seus cargos altamente remunerados para quem nada produz etc.

Pôr fim aos motoristas particulares 24 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias para servir suas excelências, filhos e famílias e até as ex-famílias.

Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos às escolas, ir ao mercado, a compras etc.

REAL PATRIMÔNIO – Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu real patrimônio.

Já que esses nossos governantes, políticos e judiciário corruptos não querem fazer com urgência as reformas necessárias e manter presos os corruptos condenados, ou seja, não querem passar o Brasil a limpo, cabe a nós, povo esclarecido, fazer isto através da mobilização em massa e indo para as ruas (sem vandalismo, sem black blocs, que são contra a sociedade), para manifestar a nossa insatisfação.

Vamos juntos, vamos mostrar que no Brasil o povo esclarecido pode realmente mudar o rumo da história, já que pelas urnas vai ser difícil, por motivos óbvios.

Sr. Presidente e militares ministros, é preciso abrir a caixa preta da Petrobras

Resultado de imagem para petrobras charges

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton

Nessa fase pré-greve dos caminhoneiros, a pergunta mais importante que não quer calar é a seguinte: Por que o Brasil está importando mais gasolina e diesel, se tem produção recorde e se tornou mais do que autossuficiente? Para respondê-la, antes será preciso abrir a caixa-preta da Petrobras, muito mais suja e emporcalhada do que a do BNDES, cuja abertura foi uma frustração nacional, pois a corrupção tinha sido toda feita pela diretoria presidida por Luciano Coutinho, ou seja, os culpados desde sempre já eram conhecidos, nenhum funcionário do BNDES foi envolvido.

No caso da Petrobras, a coisa muda de figura. A corrupção vem desde os tempos do presidente Shigeaki Ueki, no governo Giesel, e se tornou parte integrante da estatal, cuja caixa-preta continua mais fechada do que os cofres de Fort Knox, que guardam as reservas norte-americanas de ouro.

SEM CONTROLE – A caixa-preta a ser investigada na Petrobras repousa eternamente em berço esplêndido na Diretoria de Refino e Gás, onde funcionam os Departamentos de Importação, Exportação, Industrial (Refino) e Logística.

Há alguns meses, a imprensa surpreendentemente descobriu que não havia um controle preciso sobre as importações e exportações, a empresa não arquivava nada a respeito, alegando que as negociações são diárias, sob cotação oscilante, etc. e tal, acredite se quiser.

Esta notícia, que deveria ter sido manchete da imprensa nacional, passou despercebida, é até muito difícil localizá-la na internet, vocês podem imaginar o motivo.

REFINARIAS OCIOSAS – Outro alvo da caixa-preta têm de ser as refinarias. O empresário norte-americano John Davidson Rockefeller (1839-1937) costumava dizer que “o melhor negócio do mundo é uma companhia de petróleo bem administrada e o segundo melhor é uma companhia mal administrada”.

no ramo do petróleo o melhor negócio  é o refino, porque não tem os riscos da prospecção e da extração. No Brasil, inexplicavelmente, para justificar a importação de gasolina e diesel, a Petrobras usa apenas 60% da capacidade de suas refinarias.

Por quê? Ninguém sabe.

DOIS RECORDES – O que se sabe é que em novembro do ano passado o país superou, pela primeira vez, a marca de 3 milhões de barris de petróleo produzidos diariamente. E fechou o ano com outro recorde fulgurante: 1 bilhão de barris na soma dos 12 meses, aumento de 7,8% em relação ao volume produzido em 2018.

Mas, contraditoriamente, vem aumentando a importação de gasolina e diesel. Brasil nunca comprou tanta gasolina e diesel de outros países (leia-se: Estados Unidos, como nos últimos anos.

Mas por quê? Ninguém sabe.

PRODUÇÃO DE DIESEL – Os números falam por si. Em 2014, foram produzidos quase 50 milhões de metros cúbicos de diesel no Brasil. Em novembro daquele ano começou a funcionar o primeiro trem (estágio) da refinaria Abreu e Lima, com capacidade para produzir 100 mil barris/dia de diesel S-10, com baixo teor de enxofre de acordo com os rígidos padrões internacionais.

E o que aconteceu? Mesmo com o rendimento máximo da nova refinaria, ao invés de a produção de diesel aumentar, vem caindo e em 2018 ficou em menos de 42 milhões de metros cúbicos. É inexplicável, porque em 2014, sem a produção da Abreu e Lima, já estávamos em 50 milhões de metros cúbicos.

Ao mesmo tempo, a importação de diesel disparou, assim como a de gasolina, beneficiando especialmente os produtores norte-americanos.

SEM JUSTIFICATIVA – Os números da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que em 2010 a importação de gasolina ficou em apenas 3,2 milhões de barris. De lá para cá houve um salto enorme na extração de petróleo, com aumento também da capacidade de refino, mas no ano passado as importações chegaram a mais de 30 milhões de barris, quase dez vezes mais que há uma década.

O mesmo aconteceu com diesel: em 2000 eram pouco mais de 36 milhões de barris importados e em 2019 o número passou de 80 milhões. Quem explica essa maluquice? Ninguém. Como dizia o genial jornalista, compositor e cronista pernambucano Antonio Maria, “eu grito e o eco responde: Ninguém”!

###
P.S. 1
Havia uma grande desculpa para importação de petróleo leve. Dizia-se que era para misturar ao petróleo pesado e refinar. Hoje, o pré-sal produz petróleo leve e a justificativa não serve mais. Ao invés de comprar óleo leve, a Petrobras passou a importar diesel e gasolina, especialmente dos EUA, repita-se, mantendo em meia ociosidade as refinarias brasileiras.

P.S. 2Os engenheiros da Petrobras vivem a denunciar essas flagrantes distorções, mas a grande imprensa se cala, apesar das indicações da existência de um sofisticado esquema de corrupção na Diretoria de Refino e Gás, onde trabalhei por três anos, sempre indagando por que as refinarias não eram adaptadas a processar óleo pesado, mas ninguém respondia.  Nem mesmo o eco do Antonio Maria, aquele genial menino grande, que era brasileiro como ninguém. (C.N.)

Em eterna campanha, Bolsonaro se esquece de que também precisa governar

Resultado de imagem para bolsonaro em Guarujá

Bolsonaro imita Dona Bela e só pensa naquilo: a reeleição

Carlos Newton

Ao invés de descansar e refletir durante o recesso de Carnaval, para cumprir sua missão de tirar esse país do lodaçal em que se encontra, o presidente Jair Bolsonaro continua a fazer campanha política. Assim como o Chapolin Colorado, seus atos são “friamente calculados”. no intuito de buscar amplo apoio popular e vencer a próxima eleição. E acredito que até consiga, devido à falta de opção do eleitorado e à divisão do país entre os que sonham com a volta de Lula da Silva e aqueles que abominam essa possibilidade.

Não há a menor dúvida – no momento, o Brasil esta divisão beneficia Bolsonaro por alguns motivos muito especiais, como ter se cercado de militares e até agora não haver denúncias de corrupção administrativa. É o que basta para muitos eleitores que não aguentavam mais os mensalões e petrolões que caracterizaram a era do PT.

UM IDIOTA COMPLETO – Propositadamente ou não, Bolsonaro se aproveita desse sentimento antiPT, que é uma verdadeira comoção social, e segue em frente, sempre em campanha.

Antes da eleição de 2018, fiz questão de abrir meu voto para Bolsonaro, mas não deixei de registrar que o considerava “um idiota completo”. O futuro veio mostrar que eu tinha razão em fechar a porta à Era do PT, que caminhava para transformar esse país numa ditadura sindicalista, embora muitos não percebessem essa realidade, e na atual gestão haveria duas vagas a preencher no Supremo.

Bem, com mais dois Toffolis na cúpula do Judiciário, a fatura ditatorial estava garantida. Não importaria mais o que o Congresso aprovasse, porque o Supremo consideraria a lei inconstitucional, caso não atendesse aos interesses dos ditadores petistas, no estilo Venezuela de Chávez y Maduro.

O SONHO ACABOU – A partir do governo de Michel Temer, o sonho da ditadura sindicalista acabou e não há mais recursos públicos para custear as manifestações “populares”. O Brasil está livre para exercer a democracia, mas o problema é que Bolsonaro não tem postura de estadista, deixou que os filhos e o guru virginiano atrapalhassem seu governo.

Até agora, com mais de um ano de gestão, é um drama shakespeariano, pois não se sabe se o presidente vai ouvir os ministros ou os filhos. Além disso, nesta campanha para a reeleição, Bolsonaro cria um problema atrás do outro, é um nunca-acabar.

Assim, o país vive dividido de diversas formas – entre os que amam ou odeiam Lula e o PT, entre os que adoram ou abominam Bolsonaro e o terraplanismo, e entre os que sonham com uma nova ditadura militar e os que não aceitam esse retrocesso. 

ERA DAS TREVAS – Reina o radicalismo na pátria amada, infelizmente. É a nossa realidade atual, com um quadro político inteiramente atípico e que merece reflexões de quem se interessa pelo país.   

O pior é perceber que Bolsonaro é um falso herói. Digam o que quiserem, o presidente tem demonstrado que não sabe unir, tem uma vocação irresistível para fazer inimigos, porque cultiva a mania de perseguição – uma paranoia que merece tratamento específico.

###
P.S. –
Nesse ponto, Bolsonaro e Lula se parecem. Ambos se julgam “perseguidos políticos”. A diferença é que Lula foi atingido pela Lei da Ficha Limpa, que ele próprio assinou, e não pode ser candidato. Mas teremos de continuar aturando Bolsonaro, seus filhos e ideólogos. (C.N.)

Reforma administrativa é uma decepção pior do que a reforma da Previdência

Resultado de imagem para reforma charges

Charge do Erasmo

Carlos Newton

Depois da Quarta-Feira de Cinzas, vem aí a Quinta-Feira da Decepção, porque o presidente Jair Bolsonaro vai encaminhar ao Congresso a mensagem da ansiada reforma administrativa, que será uma repetição da famosa reforma da Previdência, que praticamente não retirou nenhuma regalia das chamadas nomenklaturas civil e militar, ao contrário do que tem acontecido com outros países em crise, como a velha Grécia, onde as elites perderam privilégios.

A única regalia que a reforma da Previdência tirou foi a extinção do acúmulo de aposentadorias, em caso de viuvez, devendo o cônjuge sobrevivente optar pela pensão mais alta.

EU DISSE PRIVILÉGIO…  – É preciso ficar claro que, no caso na aposentadoria do trabalhador comum pelo INSS, a mudança não atinge privilégios, pois o valor máximo não chega a R$ 6 mil. Para a imensa maioria, a nova regra funcionará como uma punição ao cônjuge sobrevivente.

Porém, no que se refere ao serviço público, que envolve belas aposentadorias de até R$ 39,2 mil, depois de muito pesquisar  só consegui encontrar um caso de privilégio que será atingido, mas provavelmente em futuro remoto.

Como se sabe, o juiz federal Marcelo Bretas é casado com uma juíza. Com a duplicidade do auxílio moradia, ambos estão chegando à remuneração máxima. Se um dos cônjuges morrer, pela nova regra o sobrevivente estará condenado a sobreviver com apenas R$ 39 mil mensais, vejam que sofrimento será.

MILITARES DE FORA – O certo é que a reforma deixará os militares de fora, como já virou praxe. E o pior é que não vai obrigar o cumprimento de um dos mais importantes disposiitivos constitucionais, o artigo 37, inciso XI, que exige:

“A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (…)”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, nesse particular, a Constituição Cidadã de Dr. Ulysses Guimarães é irretocável. No entanto, jamais será cumprida. E quem acreditava na reforma administrativa, é melhor já ir caindo na real. Se esse artigo 37 da Constituição vigorasse, Bolsonaro não poderia receber três remunerações simultâneas, como capitão, ex-deputado e presidente da República. E os militares que são ministros ou ocupam outros cargos também teriam as remunerações limitadas ao teto constitucional. Mas isso eles não aceitam, de jeito nenhum. Devem ter passado o Carnaval em casa, guardados por Deus e contando o vil metal, como dizia Belchior, o grande compositor cearense. (C.N.)

TV Globo envergonha o maior espetáculo da Terra, o carnaval das escolas do Rio

Alegoria da comissão de frente da Estácio de Sá fala sobre a passagem de tempo — Foto: Alexandre Durão/G1

A Globo boicotou o belíssimo desfile da Estácio de Sá

Carlos Newton

Foi inacreditável o que aconteceu este domingo, na transmissão das escolas de samba do Rio, que até o genial cineasta Cecil B. DeMille classificaria como o maior espetáculo da Terra. Liguei a televisão para aguardar o desfile e estava no ar o Faustão, um programa insuportável, apresentando grupos musicais de péssima categoria. Abaixei e som e fiquei esperando, enquanto ia adiantando a edição da Tribuna da Internet. Depois do Faustão, entrou o Big Brother, mais insuportável ainda, inacreditavelmente ruim e mantive o som baixo. E o desfile, nada!…

Depois daqueles débeis mentais do BBB, que são escolhidos a dedo, quem desfilou foi o Fantástico, e senti saudades dos tempos de Mauricio Shermann e José-Itamar de Freitas. O decadente programa estava uma lástima, para variar. E continuei esperando.

CADÊ A ESTÁCIO? – Quando o Fantástico saiu do ar, surgiu a vinheta do Carnaval e apareceu a dupla de apresentadores Fátima Bernardes e Alex Escobar, junto com os comentaristas Milton Cunha e Pretinho da Serrinha. Dos quatro, apenas Cunha sabe comentar desfile, os outro três, francamente…

E a surpresa foi Fátima Bernardes dizer que a Estácio de Sá estava terminando sua apresentação. Quer dizer, começaram a transmissão a partir da segunda escola, a Viradouro, que, aliás, deu um show de carnaval.

Fui para o computador e constatei que era isso mesmo. A Globo só transmitiria a partir das 22h30m. Quem quisesse assistir desde o início tinha de acessar o Globoplay, que é a forma encontrada pela emissora aberta para tomar dinheiro do espectador, ou pelo G1, mas quem vai assistir às escolas pelo computador? É coisa de maluco.

UM DESRESPEITO – Sem a menor dúvida, um desrespeito da Globo ao maior espetáculo da Terra. Aliás, a emissora nunca gostou de carnaval e jamais se interessara em transmitir o desfile das Escolas.

Tudo começou quando o genial Fernando Pamplona assumiu a Superintendência da antiga TVE. Nessa época, nossa turma se encontrava todas as noites no happy hour do restaurante Salsa e Cebolinha. Entre uma dose e outra de Johnny Walker, Pamplona revelou a ideia genial – colocar a TVE no ar, 24 horas por dia, transmitindo o Carnaval (Acho que em 1983) em todo o país e tendo as escolas do Rio como atração principal. Naquela época, as emissoras davam apenas flashes das escolas, não havia transmissão direta. A Band chegou a fazer, em 1981, mas ficou muito ruim.

A ideia de Pamplona parecia uma maluquice numa emissora como a TVE, carente de recursos técnicos e financeiros, mas mergulhamos direto na ideia. Havia emissoras da rede educativa em todo o país e fizemos um acordo com a Embratel para receber as matérias de cada Estado.

FESTA MARAVILHOSA – Foi uma trabalheira. A equipe do Jornalismo, dirigida por Hamilton Alcântara, se revezou 24 horas por dia, recebendo e editando as reportagens vindas de todo país. E colocamos as escolas no ar, com uma transmissão maravilhosa, com um impressionante marco de nacionalidade que teve enorme audiência.

No ano seguinte, acho que 1984, a direção da TVE não se interessou em repetir a dose, por falta de recursos, e TV Manchete entrou na parada. Contratou Pamplona, que levou a equipe de comentaristas da TVE (Albino Pinheiro, Haroldo Costa,  Fernando Paulino, Maria Augusta e Sérgio Cabral), encaixando da Manchete apenas  o apresentador Paulo Stein e o jornalista Roberto Barreira, da Manchete, que comentava figurinos e fantasias.

A transmissão da Manchete, com mais recursos e equipamentos, mobilizou o país inteiro, liderando a audiência. Aliás, para poupar o fracasso da parceira Globo, foi a primeira vez que o Ibope disse que não fez pesquisa no Carnaval, “para descansar a equipe”, uma verdadeira Piada do Ano.

VEXAME DA GLOBO – Quase 40 anos depois, a TV Globo dá esse vexame, voltando ao velho e desgastado slogan – “Programação normal e o melhor do Carnaval”.

Em busca de mais alguns 30 dinheiros, a emissora dos Marinho teve a audácia de tirar o brilho do espetáculo, ao deixar de transmitir a apresentação da Estácio de Sá, justamente a herdeira da primeira escola de samba, a Deixa Falar.

E nesta segunda-feira, a Globo extirpou também a exibição da São Clemente, que foi substituída pela sensacional novela “Amor de Mãe”, que é tão ruim que chega a ser deboche se comparada ao trabalho de Janete Clair, Dias Gomes, Gloria Peres, Manuel Carlos, Benedito Ruy Barbosa e outros autores.

###
P.S. –
Por que a Liesa (Liga das Escolas) aceitou essa situação? Cadê os bicheiros? O que estão achando disso? O povo quer saber… (C.N.)