Tolerância Zero está dando certo e os homicídios caem 25% no Rio de Janeiro

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Charge do Aroeira (O Dia/RJ)

Carlos Newton

Os dados sobre a queda da criminalidade no Estado do Rio de Janeiro – divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) – revelam que os casos de homicídios dolosos tiveram redução de 25% em abril, na comparação com o mesmo mês em 2018. É o quarto mês seguido de queda.

EM QUEDA – O número de homicídios vem diminuindo. Houve menos 488 ocorrências nos quatro primeiros meses de 2019, na comparação com o mesmo período do ano passado. Além disso, de janeiro a abril deste ano, 2904 armas foram apreendidas em todo o estado, sendo 241 delas fuzis. E outros destaques positivos foram as quedas de 25% nos roubos de carga e de 19% nos roubos de veículos em abril de 2019, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Quando há redução da criminalidade num mês ou noutro, e depois volta a subir, não há indicativo confiável. Mas quando as ocorrências vêm diminuindo em quadro meses seguidos, em relação ao ano anterior, passa a haver indicativo de viés de baixa.

BONS RESULTADOS – No caso do Estado do Rio, isso significa que a política de Tolerância Zero do governo estadual realmente está dando resultados. Houve queda até nos roubos de rua, que englobam assaltos a pedestres, em ônibus e roubos de aparelhos celulares. Foram 11.067 no mês de abril, com 830 ocorrências a menos do que em março, quando chegaram a 11.897 registros.

Segundo os especialistas, quando aumenta a repressão aos crimes mais graves, geralmente ocorre alta dos roubos de rua, porque os criminosos buscam alternativas de sobrevivência mais fáceis e rápidas. No entanto,, também os roubos de ruas tiveram diminuição em abril.

A MÍDIA DESPREZA –Seria de se esperar que essa notícia da redução da criminalidade, tão ansiosamente esperada pela população do Rio de Janeiro, fosse manchete da imprensa mídia local e repercutisse no país inteiro, mas não foi exatamente isso que aconteceu.

As emissoras de rádio e televisão, assim como os três maiores jornais do Estado – O Globo, O Dia e Extra – simplesmente desprezaram a redução das ocorrências. Ao invés da registrar a queda da criminalidade em todos os itens, a mídia preferiu destacar a informação de que o número de mortos em confrontos com a Polícia aumentara 23% em abril, em relação ao mesmo mês do ano passado.

ERA ESPERADO – Realmente esse dado é verdadeiro e deveria ser até esperado. Quando se aumenta a repressão ao crime, é claro que o número de criminosos mortos em confrontos tende a aumentar. Entretanto, de acordo com o Instituto de Segurança Pública, Também este indicador está em queda desde o começo do ano. Em janeiro, foram 160 mortes em confrontos; em fevereiro, 145, em março, 129; e em abril 124.

O pior comportamento foi de O Globo. Além de não dar destaque à queda da criminalidade, na quarta-feira o jornalão publicou um editorial lamentando a violência policial, sob o título “Redução de homicídios é relevante, mas mortes por policiais preocupam”.

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P.S. –
 Os tempos estão sempre mudando, há um permanente vaivém das ideias e teses. Agora, apesar de Bolsonaro estar no poder com sua política de combate ao crime, parece que mesmo assim voltou à moda defender os direitos humanos dos criminosos, ao invés de defender as vítimas. (C.N.)

Pacto entre os Poderes é fortíssimo candidato à Piada do Ano e faz lembrar Pelé

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Charge do Ricardo Welbert (Arquivo Google)

Carlos Newton

Já estamos no final de maio e as inscrições se multiplicam para o disputadíssimo concurso da Piada do Ano. O presidente Bolsonaro não chegou nem entre os finalistas no ano passado, mas agora está disposto a arrasar os demais concorrentes, com o Pacto entre os Poderes da República.

CONSAGRAÇÃO – Embora a ideia original não seja dele, a simples adaptação pode consagrá-lo. Todos os ditadores do mundo, sem exceção, desfrutaram de pactos com os três poderes, que passaram a funcionar como um só. Não há nenhum novidade nisso.

A diferença é que Bolsonaro decidiu adaptar a ideia para regime democrática, numa inovação capaz de surpreender o mundo, suplantando o feito da então presidente Dilma Rousseff, na Assembleia-Geral da ONU, quando abordou o revolucionário sistema de estocagem do vento.

HÁ DIFERENÇAS – Bolsonaro é um fenômeno diferente de Dilma, porque se cercou de um núcleo duro de grande respeitabilidade e capacidade de trabalho. Seu maior erro foi escolher um economista da ultrapassada escola de Chicago que estava até moralmente impedido de assumir cargo público, por ter usado uma de suas empresas para lucrar em cima do prejuízo de fundos de pensão.

Paulo Guedes começou a ser investigado pelo Ministério Público Federal no ano passado, antes das eleições. A primeira denúncia foi feita pela Funcex (Caixa Econômica Federal) e depois foi divulgado uma relatório pesado contra ele, feito pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).  

O Tribunal de Contas da União (TCU) já abriu processo para investigar fraudes em operações feitas por um empresa de Guedes, envolvendo fundos de pensão. Mesmo assim, Bolsonaro decidiu mantê-lo, mas já não tem o mesmo prestígio. Quando as investigações avançarem no inverno, a imagem de Guedes vai cair abaixo de zero.

IGUAL A PELÉ – Voltando ao pacto entre os três Poderes que Bolsonaro está propondo, ao que parece o presidente da República quer repetir a performance única de Pelé, que venceu por antecipação o mais importante concurso esportivo mundial.

O prestígio do craque brasileiro era tamanho que ele foi eleito “Atleta do Século” em 1979, ainda faltando 21 anos para o século acabar. Jornalistas que representaram as mais importantes publicações de esportes do mundo escolheram Pelé. Em segundo lugar ficou o velocista norte-americano Jesse Ownes, quatro medalhas de ouro na Olimpíada de Berlim, e o terceiro colocado foi o lendário ciclista belga Eddy Merchx.

Agora o próprio presidente da República tenta repetir a façanha de Pelé, lançando uma Piada do Ano no final de maio, ainda faltando sete meses para o julgamento das anedotas. Bolsonaro tem fé no seu taco. Sabe que dificilmente alguém arranjará uma piada tão arrebatadora quanto esse pacto entre poderes.

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P.S.
Vamos aguardar. Ainda é cedo, amor, diria o genial Cartola, lembrando que o mundo é um moinho e pode ser que surja alguma outra concorrente do mesmo nível. Aliás, os petistas Lula da Silva e Dilma Rousseff costumam surpreender na reta final, triturando os sonhos de outros piadistas e reduzindo suas ilusões a pó. (C.N.)   

Pacto dos três Poderes é uma afronta à democracia e só serve como peça publicitária

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Charge do Frank (Arquivo Google)

Carlos Newton

Em países que entram em grave crise, é costume falar em pacto nacional, embora ninguém saiba realmente o que isso significa. Na matriz USA, isso não existe nem mesmo em Hollywood, onde a ficção aceita praticamente tudo. Aqui na filial Brazil, há alguns meses o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, apareceu com essa ideia genial, que em Portugal seria considerada bestial. E agora o presidente Jair Bolsonaro, que não vai bem das pernas neste início de governo, resolveu ressuscitar a tese, cujo teor é mantido em sigilo, tal e qual os números que baseiam a reforma da Previdência.

Aliás, acredito ser um dos poucos brasileiros que se interessaram em ler a proposta assinada pelo ministro Paulo Roberto Nunes Guedes, que assinou a letra de uma espécie de Samba do Crioulo Doido, porque o mesmo projeto inclui a emenda constitucional e também a regulamentação que modifica outra leis. São 66 páginas.

TEXTO CHATÍSSIMO – Será que algum parlamente leu, além do relator Samuel Moreira (PSDB-SP)? Tenho minhas dúvidas. O texto é chatíssimo. Para compreendê-lo, é preciso manter disponíveis a Constituição e a vasta legislação previdenciária. É por isso que nenhum jornal publicou um resumo da proposta de reforma. A coisa é tão ampla, que os repórteres vão dissecando por partes, como se fosse Jack, o Estripador.

O que mais chama atenção é que na “justificativa” que robustece a proposta, o ministro Guedes gasta 25 páginas, mas não apresenta nenhuma análise sobre os números de receitas e despesas. Apenas apresenta um gráfico de percentuais relativos ao PIB, as coisas não são nada claras, ao contrário do que se esperava.

Em matéria de números, os únicos mencionados estão na última página (fls. 66), quando Guedes publica um quadro sobre o “Impacto Líquido”, estimado para daqui a 10 ou 20 anos. E o resultado é impressionante. No primeiro decênio, a União economizaria R$ 1,072 trilhão; e em 20 anos a previsão ainda vai longe, chega a R$ 4,497 trilhões. Nada mal.

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P.S.
1Nada mal, se fosse verdade. Mas os números mágicos de Guedes parecem justificar minha definição para o tipo de Estatística Sigilosa que ele utiliza, em demonstração da “arte de torturar os números até eles confessarem o que você pretende demonstrar”.

P.S. 2 Sabe-se que a aposentadoria dos militares está fora da reforma, embora seja uma das maiores responsáveis pelo déficit previdenciário. O governo anunciou que iria enviar à Câmara, em separado, o tal projeto da aposentadoria militar, chegou até a marcar data, e depois esqueceu. Mas será que o relator se interessa por esses detalhes?

P.S. 3 – Em regime democrático, não existe pacto entre os Três Poderes, conforme o jurista Jorge Béja já demonstrou aqui na Tribuna. Quando há pacto entre os poderes, é sinônimo de ditadura, a exemplo do que acontece na Venezuela. (C.N.)

Dívida pública – a bomba-relógio – aumenta 170% em apenas oito anos e meio

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

O grande diferencial da “Tribuna da Internet” são os seus comentaristas. A troca de opiniões entre eles é altamente esclarecedora, ajuda a entender o passado, refletir o presente e antever o futuro. No último dia 19, o comentarista Armando Gama postou um texto da jornalista Regina Alvarez sobre a dívida pública, publicado em 2010 em O Globo, sob o título “Lula deixará para seu sucessor dívida bruta que é a maior dos últimos dez anos”.

A análise da excelente jornalista mostrava que a dívida bruta, importante indicador da situação econômica de qualquer país, chegara a R$ 2,011 trilhões em dezembro de 2010, ou 55% do PIB. E a “herança” do governo Lula tinha sido turbinada por operações batizadas de “empréstimos” que o Tesouro vinha fazendo com o BNDES desde 2009, por meio da emissão de títulos públicos.

PREOCUPAÇÃO – Portanto, há quase de anos, o crescimento da dívida bruta já era visto com preocupação por muitos analistas, entre eles o economista Felipe Salto, da Consultoria Tendências.

“A crise global de 2009 abriu espaço para uma mudança radical de postura do governo do PT em relação às contas públicas. O acúmulo de superávits, que serviam para reduzir a dívida em relação ao PIB, foi substituído por uma combinação de aumento dos gastos com expansão do crédito por meio do crescimento da dívida pública”, assinalou Regina Alvarez, mostrando como a equipe econômica petista conseguiu alavancar artificialmente a subida do PIB em 4,7% naquele ano (2010).

“O próximo governo terá a tarefa adicional de sinalizar que a dívida bruta vai cair em relação ao PIB. Não é um cenário caótico, tem ainda uma gordura, mas a gordura acaba” — destacou o economista Felipe Salto, que acertou em cheio sua previsão.

MAQUIAGEM – No importante artigo, Regina Alvarez assinalou que a preocupação dos analistas cresceu depois que foram revelados alguns truques que o governo utiliza para reforçar o caixa do Tesouro e abrir espaço para acomodar mais despesas.

“O BNDES tem servido de instrumento para essas manobras. Revitalizado pelos empréstimos do Tesouro, o banco passou a repassar à União valores muito maiores em dividendos. Em 2009, foram R$ 10,9 bilhões, quase o dobro de 2008 (R$ 6 bilhões). Outros R$ 3,5 bilhões foram “comprados” da Eletrobrás e também transferidos para o caixa da União, ajudando a fechar as contas”.

“A dívida bruta é um indicador que precisa cada vez mais ser observado pelo uso desses mecanismos de expansão de crédito. O caminho que está sendo adotado é errado” — advertiu Felipe Salto.

MANIPULAÇÃO – O governo petista jamais demonstrou preocupação com o aumento da dívida bruta. A equipe do ministro Guido Mantega manipulava os dados e destacava em suas avaliações a trajetória da dívida líquida. Por esse falso conceito, o mesmo valor dos títulos emitidos para os empréstimos ao BNDES entrava nas contas como créditos do governo federal, neutralizando essas operações.

Passados apenas oito anos e meio, em março de 2019 a dívida bruta chega a R$ 5,431 trilhões, o que representa 78,4% do PIB. Ou seja, em apenas 9 anos, subiu cerca de 170%, um total absurdo e assustador.

Portanto, quando se pede uma auditoria, não se visa a um calote ou moratória. O que se pretende é justamente evitar o calote. Mas o ministro Paulo Guedes nem toca no assunto. Para ele, a reforma da Previdência resolverá tudo, mas sabe-se que isso é “ilusão à toa”, como diria o genial cantor Johnny Alf.

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P.S.
Paulo Guedes pode fazer cara de paisagem e fingir que a dívida pública não prejudica o país. Pode imitar Manuel Bandeira, ir embora para Pasárgada ou cantar um tango argentino, mas não vai adiantar nada. A dívida é uma bomba-relógio no colo dos brasileiros, como ocorreu no atentado do Riocentro, e precisamos discuti-la em profundidade. Mas quem se interessa? (C.N.)

Bolsonaro está manipulando Paulo Guedes, mas o ministro ainda nem percebeu…

Resultado de imagem para bolsonaro e guedesCarlos Newton

Não interessa saber se a manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro foi sucesso ou fracasso, se atraiu mais militantes do que o protesto universitário do dia 15, que aconteceu numa quarta-feira, nada disso é importante.

PROTESTO A FAVOR – A realização desse “protesto a favor”, digamos assim, deixou no ar um clima de fim de festa, porque o resultado positivo só existe na mente dos bolsonaristas fanáticos, que achavam que a simples realização do ato público teria o poder de emparedar o Congresso e intimidar o Supremo, para que daqui para frente, tudo fosse diferente, no estilo Roberto Carlos, e deputados e senadores passariam a fazer tudo o que seu mestre mandar.

Mas não é bem assim que a política funciona. A convocação do ato a favor do governo tinha contraindicações que não foram respeitadas, porque os organizadores – com Carlos Bolsonaro à frente das redes sociais – esqueceram de ler a bula do falso remédio.

AMADORISMO – O problema é que Bolsonaro tem 28 anos de Câmara Federal, mas não pode ser considerado um político experiente, em sentido amplo, e agora está cercado de amadores, especialmente os filhos Zero Um, Zero Dois e Zero Três.

Como o presidente é individualista e impulsivo, não tem um “consigliere” a quem costume consultar antes de fazer/falar bobagens. O que chega mais perto dessa função é o ministro Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Mas ele e os demais componentes do núcleo duro só têm conseguido corrigir Bolsonaro à posteriori.

Infelizmente, o presidente continua a aceitar a priori as ideias dos filhos, sem analisar as contraindicações. E o resultado tem sido altamente negativo.

PALPITE INFELIZ – A manifestação deste domingo tinha como principal contraindicação o fato de que – atraindo multidões ou não – o resultado seria o mesmo, porque a iniciativa, desde que foi anunciada, logo começou a despertar contrariedade no Supremo e no Congresso, e isso não interessa ao Planalto.

Fica patente que a entourage familiar de Bolsonaro não entende o que é democracia, e o próprio presidente se deixa contaminar, embora esteja cansado de saber que cada Poder da República faz a sua parte.

Assim, independentemente do resultado da manifestação, já se sabia que tudo continuaria na mesma, porque o Congresso vai aprovar a reforma da Previdência que considerar mais adequada ao povo brasileiro, pois não aceita engolir a proposta original de Paulo Guedes, que interessa mais aos banqueiros do que aos trabalhadores.

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P.S. 1 –
Bolsonaro não é nada bobo. O ministro Guedes pensa que pode usá-lo, porém jamais conseguirá. É Bolsonaro que está manipulando o chefe da equipe econômica, e não o contrário. Lembrem que há dois meses o presidente já sinalizou que o sistema de capitalização não é fundamental. Desde então Guedes tenta forçar a aprovação, chegou agora a ameaçar se demitir e ir morar lá fora, mas os deputados e senadores estão pouco ligando. A reforma vai sair do jeito que Bolsonaro quer, sem capitalização.

P.S. 2 – Guedes vai enlouquecer de raiva, mas terá de engolir, porque precisa do foro privilegiado. O Ministério Público do Estado do Rio e o Tribunal de Contas da União estão investigando as aplicações negativas que Guedes fez na farra dos fundos de pensão, na Era do PT. Aliás, o relatório da Superintendência Nacional de Previdência Complementar contra Guedes é impressionante. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Fanatismo político é uma doença degenerativa da mente e da alma. Pense nisso.

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Os brasileiros estão sofrendo mais uma epidemia de fanatismo, esta estranha doença degenerativa da mente e da alma. Até recentemente, era Deus no céu e Lula da Silva na terra. E o líder petista incentivava esse culto à personalidade, chegando a dizer que nem era mais uma pessoa, porque já havia se transformado numa “entidade”.

“ENVIADO DE DEUS” – Agora, Jair Bolsonaro vai pelo mesmo caminho e na semana passada ele próprio divulgou a entrevista de um pastor franco-congolês, anunciando que o capitão havia sido “escolhido por Deus” para salvar o Brasil.

Já tínhamos ouvido falar que Deus é brasileiro, mas não sabíamos que se dividia em dois para atender às preferências dos eleitores locais.

Hoje vai haver a grande manifestação doS admiradores de Bolsonaro, em mais de 300 cidades. Será uma espécie de terceiro turno, como diz o jornalista e advogado José Carlos Werneck, que conhece como poucos os bastidores do poder.

CONTRA E A FAVOR – Werneck chegou a escrever uma convocação para que as pessoas saiam às ruas e manifestem seu inconformismo em relação ao Supremo e ao Congresso, embora ele próprio faça restrições ao governo Bolsonaro, especialmente no tocante à atuação dos ministros Paulo Guedes, Damares Alves e Abraham Weintraub, que a seu ver são mais indigestos.

Ninguém sabe o que vai acontecer. Pode ser que haja uma supermanifestação nacional, que politicamente seria consagradora para o presidente da República e seu filho Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, que tem o condão de manejar as redes sociais.

Mas há possibilidade de ser um evento de porte médio, tipo as passeatas universitárias do último dia 15, sem maiores repercussões. Ou até mesmo ser um fracasso monumental, que balance o coreto de Bolsonaro e faça com que desista definitivamente de sofrer influência dos filhos e do guru virginiano Olavo de Carvalho, que formam uma nova versão dos três mosqueteiros que eram quatro.

THE DAY AFTER – Como ocorre no cinema, às vezes o importante é o dia seguinte. No caso desta manifestação pró-Bolsonaro, já se sabe que – seja sucesso ou fracasso – a iniciativa não terá resultado algum, porque o Supremo não está nem aí e o Congresso continuará na dele, buscando uma versão menos traumática e ensandecida da reforma da Previdência, uma alternativa ansiada pelo próprio Bolsonaro, que já percebeu que o ministro Paulo Guedes não é totalmente confiável, muito pelo contrário.

Para quem sabe ler nas entrelinhas, a entrevista concedida à Veja diz tudo, é uma prato feito de vaidades. Ao tomar conhecimento das declarações, Bolsonaro deu-lhe uma resposta à altura, ao dizer que no governo dele ninguém é obrigado a ser ministro.

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P.S.
Pensando bem, se Guedes pedisse o boné e fosse logo morar “lá fora”, como está ameaçando ridiculamente, com toda certeza ele se transformaria numa ausência que preencheria uma lacuna. Infelizmente, porém, o ministro não pode se demitir, porque perderá o foro especial no Supremo.

P.S. 2Como se sabe, Guedes está sendo investigado pelo Ministério Público do Estado do Rio e pelo Tribunal de Contas da União, devido aos golpes que deu ao aplicar recursos dos fundos de pensão em ativos criados por ele próprio, antes de ser nomeado ministro. Portanto, Guedes jamais pedirá demissão. É tudo conversa fiada. Desse jeito, pode até ganhar o Oscar de Ator Coadjuvante.  (C.N.)

Uma crônica sensacional de Rubem Braga, que a gente lê e nunca mais esquece

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Aqui na Tribuna da Internet são os comentaristas que fazem a diferença. Um deles é a intelectual pernambucana Carmen Lins, que hoje mora em Belo Horizonte e demonstra ter uma cultura imensa, verdadeiramente incomum. Esta semana ela nos mandou esta crônica, escrita por Rubem Braga para a revista Manchete e publicada no livro “A Traição das Elegantes”, lançado em 1967 pela Sabiá, editora criada pelo próprio Braga com o amigo Fernando Sabino, outro grande mestre das crônicas.

Eu e Paulo Peres tivemos a honra de trabalhar com Rubem Braga na “Revista Nacional”, criada em 1978 por Mauritônio Meira e que nos anos 80 se tornou a publicação semanal  com maior número de exemplares na América Latina.

Fui o primeiro diretor da Revista Nacional. Antes do lançamento, Mauritônio sonhava em convidar Braga e eu argumentei que não tínhamos como pagar o salário dele. “Deixa que eu resolvo”, disse ele.

NENHUM CENTAVO – Poucos dias depois, Braga mandou a primeira crônica. Surpreso, perguntei: “Quanto vamos pagar ao Braga?”. E Mauritônio respondeu. “Nenhum centavo. Quem vai bancar o salário é a Editora Record, que precisa de crônicas inéditas dele para lançar novos livros. Não conte para ninguém. O Braga pensa que somos nós que estamos pagando a ele…”.

Somente agora, 29 anos depois da morte do Braga, estou contando essa história. E a crônica que a Carmen Lins nos enviou deve ser, pelo menos. a segunda melhor já escrita no mundo, como diria o roteirista e cineasta Richard Brooks. Pode ser que alguém tenha escrito uma crônica insuperável, que a gente ainda não leu, mas pelo menos a segunda melhor do mundo é esta criação de Rubem Braga, que só queria escrever uma história engraçada para uma moça doente sorrir.

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MEU IDEAL SERIA ESCREVER…
Rubem Braga

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada!” E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa (que não sai de casa), enlutada (profundamente triste), doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!”

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada como o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera, a minha história chegasse – e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário (autoridade policial) do distrito (divisão territorial em que se exerce autoridade administrativa, judicial, fiscal ou policial), depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse – “por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa (habitante da antiga Pérsia, atual Irã), na Nigéria (país da África), a um australiano, em Dublin (capital da Irlanda), a um japonês, em Chicago – mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou (introduziu-se lentamente em) por acaso até nosso conhecimento; é divina.”

E quando todos me perguntassem – “mas de onde é que você tirou essa história?” – eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história…”

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

A pergunta que não quer calar: O que Bolsonaro vai ganhar com a manifestação?

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MBL de Kim Kataguiri fez cartaz avisando que Bolsonaro não vai

Carlos Newton

Jair Bolsonaro é um político estranho e demonstra grande ingenuidade. Deu declarações dizendo que os atos públicos deste domingo são “uma manifestação espontânea do povo”. Mas na verdade isso não é verdade, conforme já revelamos aqui, porque a iniciativa partiu dos filhos de Bolsonaro e do escritor Olavo de Carvalho, em represália ao fato de terem sido afastados das atividades governamentais por ordem expressa do presidente, atendendo a expresso pedido do núcleo duro do Planalto e dos comandantes das Forças Armadas, no último dia 7, em almoço no Quartel-General do Exército.

Não houve a menor dificuldade para convocar a manifestação nacional deste domingo. O filho Zero Dois, vereador Carlos Bolsonaro, apenas mobilizou o esquema das redes sociais que vem usando desde a campanha eleitoral e rapidamente a conclamação era uma realidade.

FALHA NA ORGANIZAÇÃO – Mas houve um erro estratégico na organização do evento. Ao instruir os internautas a divulgarem a realização dos atos públicos e organizá-los em cada cidade, Zero Dois foi logo dizendo que os eventos estavam sendo organizados para mostrar a força do presidente Bolsonaro, com o objetivo de esculachar o Congresso e o Supremo, que não apoiam o pacto anticrime, a Lava Jato e o decreto das armas.

Surgiram, assim, os cartazes virtuais defendendo o impeachment dos ministro Gilmar Mendes e Dias Toffoli, mostrando as fotos dos dois integrantes do Supremo, enquanto outras mensagens de convocação preferiam atacar os presidentes da Câmara e Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre..

No início, Bolsonaro adorou a ideia dos filhos e de Olavo de Carvalho, sem perceber que não iria ganhar nada com os ataques ao Supremo, à Câmara e ao Senado, muito pelo contrário. No Planalto e fora dele foi aconselhado a cancelar a manifestação, mas já estava muito em cima, os aliados mais fanáticos se desapontariam, o presidente mostraria ser um vacilão.

SAINDO DE BANDA – A solução encontrada foi Bolsonaro continuar apoiando a manifestação, mas passando a fazer a ressalva de que nada havia contra o Congresso e o Supremo. Além disso, esclareceria que se trata de manifestação popular espontânea, o governo e seu partido, o PSL, nada tinham a ver com o evento. E foi justamente por isso que o presidente cancelou sua participação e pediu que os ministros não comparecessem.

O resultado é que, ao invés de unir os aliados de Bolsonaro, tal a demonstração de força dividiu as bases e causou desentendimentos internos antes mesmo de acontecer. Essa situação fez surgir a perguntar que não quer calar – O que  Bolsonaro e o governo têm a ganhar com essas manifestações?

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P.S. –
No meio dessa confusão, a frase mais adequada foi da deputada Janaina Paschoal, aquela que não aceitou ser candidata a vice na chapa do PSL:  – “Acordem! Dia 26, se as ruas estiverem vazias, Bolsonaro perceberá que terá de parar de fazer drama para trabalhar!”. Desculpe a deputada Janaina, mas a frase mais completa seria esta – “Dia 26, se as ruas estiverem vazias ou lotadas, Bolsonaro perceberá que terá de parar de fazer drama para trabalhar!”. É o que todos esperam que aconteça. (C.N.

Convocada por Carlos Bolsonaro, a manifestação coloca o governo numa tremenda fria

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Fizeram até um falso cartaz do “Vem Pra Rua”, que é contra os atos

Carlos Newton

Jamais existiu um governo tão esquisito como este início de gestão de Jair Bolsonaro. O presidente está animado com os atos públicos convocados para todo o país e afirma que se trata de “uma manifestação espontânea da população”. Mas na verdade não foi bem assim que essa estranha iniciativa surgiu.

RAIMUNDO NONATO – O mais curioso é que até agora ninguém tenha procurado saber quem foi o autor dessa “convocação cívica”, digamos assim. Se fosse na Escolinha do Professor Raimundo, o personagem Aldemar Vigário perguntaria: “Quem? Quem?”. E a classe inteira responderia, em uníssono: “Raimundo Nonato!!!”.

Como se sabe, atendendo a insistentes pedidos da ala militar, reforçados pessoalmente pelos comandantes das Forças Armadas no último dia 7, o presidente da República enfim deu ordem aos filhos e a Olavo de Carvalho para que não mais criticassem os ministros, especialmente os militares, nem demonstrassem que têm influência no governo.

MANDA QUEM PODE – O guru virginiano e os três Zeros acataram a ordem, porque afinal entenderem que tinham levado o presidente ao limite e os próprios apoiadores de Bolsonaro já não aguentavam mais as intromissões e a desfaçatez dos três mosqueteiros que eram quatro.

Mas a saída de cena foi apenas uma retirada estratégica, porque a trupe disfarçadamente continuou no palco, agindo nos bastidores, com os personagens agora ocultos atrás das cortinas.

E foi o filho Zero Dois, Carlos Bolsonaro (ele, sempre ele…) que se encarregou de mobilizar as redes sociais para convocar o ato deste domingo 26, em resposta às manifestações estudantis do último dia 15.

BOLSONARO GOSTOU – O presidente adorou a ideia, sem perceber que havia motivos demais – repúdio à Câmara e ao Senado, com fotos de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre em cartazes da convocação; condenação ao Supremo, pedindo impeachment de Gilmar Mendes e Dias Toffoli; além de apoio ao combate à corrupção, ao pacote anticrime do ministro Sérgio Moro e à Lava Jato, numa salada mista que colocava o governo Bolsonaro contra todos os inimigos possíveis e imagináveis, incluindo no rolo alguns importantes aliados.

A convocação para um linchamento generalizado realmente pode atrair multidões, mas será que isso interessa ao governo Bolsonaro e será positivo para ele? Ou na segunda-feira o presidente e o núcleo duro do Planalto terão de se dedicar a apagar focos de incêndio causados por fogo amigo?

É por isso que personagens importantes no esquema do governo se posicionaram contra a manifestação, como o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), que criticou o presidente por pretender demonizar a política; a deputada Janaina Paschoal, do PSL, que pediu a Bolsonaro que parasse de “fazer drama” e se dedicasse ao governo; o deputado Luciano Bivar, presidente do PSL, que comandou o movimento para que o partido não apoiasse oficialmente a manifestação; e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que vai participar, mas criticou a tentativa de partidarizar ato público.

ZERO DOIS ERROU – O fato concreto é que, ao convocar a manifestação usando seu esquema nas redes sociais, o filho Carlos Bolsonaro errou mais uma vez e colocou o pai novamente em situação muito delicada, pois ao governo não interessa confronto com o Congresso nem com o Supremo.

Aliás, não foi por mera coincidência que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, criticou nesta sexta-feira “as posturas antidemocráticas” de figuras do ”entorno” do chefe do governo, alertando que “o setor privado não investe em ditaduras”.

Em tradução simultânea, enquanto não se livrar mesmo da influência dos três Zeros e do guru virginiano, o governo de Bolsonaro vai viver em permanente crise. E nem precisa ter oposição, porque os maiores inimigos desfrutam da intimidade do presidente e julgam terem sido eleitos para governar junto com ele, na condição de príncipes-regentes.

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P.S. –
Está na hora de os verdadeiros defensores de Bolsonaro convocarem uma manifestação contra a interferência dos três Zeros e do guru virginiano no processo governamental. Enquanto os mosqueteiros estiverem em ação, o país não terá sossego para lutar contra a crise, que está nos mergulhando em nova estagflação (recessão e inflação, ao mesmo tempo). O resto, como diria nosso amigo Sebastião Nery, é apenas folclore político, que ainda não dá para perceber se tem viés democrático ou ditatorial. (C.N.)  

Tribunal de Minas paga R$ 725 mil a juiz num só mês, por “benefícios atrasados”

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Charge do Kemp (humortadela.com.br)

Carlos Newton

A repórter Juliana Braga, do Estadão, revela que o  Tribunal de Justiça de Minas Gerais pagou ao juiz Paulo Antônio de Carvalho R$ 762 mil na folha de abril, sendo R$ 725 mil a título de “remuneração eventual”. Outra juíza, Adriani Freire Diniz Garcia, recebeu R$ 377.465,12.

Segundo o TJ-MG, os valores referem-se a “férias-prêmio” e outros benefícios acumulados ao longo da carreira. Sobre o juiz Paulo Carvalho, alega-se que ele recusou promoções para não abandonar a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac), que criou.

MINAS EM CRISE – Como se sabe, Minas Gerais vive hoje a maior crise de sua história, com servidores ativos e aposentados recebendo suas remunerações com atraso e em parcelas. O governo não tem dinheiro para nada e nem consegue repassar aos municípios os percentuais de arrecadação previstos em lei.

É nesse clima que o Tribunal de Jesus faz tais generosidades, que têm origem no chamado “direito adquirido”, uma espécie de expressão mágica da Justiça, tipo “abracadabra”.

Conforme temos explicado aqui na Tribuna, o país se tornou refém da nomenklatura e não há como se libertar. Por isso, a desigualdade social é hoje uma questão institucionalizada, que não tende a diminuir, mas a aumentar.

PLANO DE CARREIRA – Os direitos adquiridos foram substituindo os planos de carreira do funcionalismo. Em cargos  como juiz e procurador, por exemplo, os recém-contratados entram ganhando salários já próximos ao valor da remuneração no final de carreira.

A bagunça é tão grande que o repórter Ricardo Della Coletta revela que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, assinou documento em março que permitiria a contratação de pessoas sem curso superior para altos cargos da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), com salário de até R$ 34 mil.

As mudanças das regras foram feitas pelo chanceler para permitir a contratação do produtor agropecuário Paulo Vilela, que se candidatou a deputado federal pelo PSL em 2018, mas não conseguiu se eleger. Mas houve reação e Vilela nem chegou a tomar posse.  

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P.S. –
Para reduzir o abismo entre os maiores e os menores salários do serviço público, é necessário aprovar emenda constitucionais que revoguem determinados “direitos adquiridos”, como a Constituição de 1988 fez, estabelecendo teto salarial, mas depois o Supremo se encarregou de esculhambar tudo de novo. Esta é a questão, e Bolsonaro não vai mexer nesse vespeiro, podem apostar. (C.N.)

Era ilusão achar que Bolsonaro se livraria de Olavo de Carvalho e do filho Zero Dois

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Carlos Newton

Quando o escritor Olavo de Carvalho ultrapassou todos os limites e atacou o ministro Santos Cruz e o general Villas Bôas, no último dia 7 o presidente Jair Bolsonaro foi “convidado” para um almoço fora da agenda com a cúpula das Forças Armadas no quartel-general do Exército, conhecido como Forte Apache. O que foi conversado nessa ocasião “nem às paredes confesso”, diria a grande cantora Amália Rodrigues. Sabe-se que o presidente enquadrou Olavo de Carvalho e os filhos, o Planalto até voltou a ter uma certa tranquilidade, mas foi uma ilusão julgar que Bolsonaro tinha se livrado das influências externas.

As manifestações desse domingo têm a grife do guru virginiano e dos filhos olavistas (ou “olavetes”, como o filósofo gosta de chamar os alunos). Convocá-las foi uma iniciativa que não resiste a análises e soou falso desde o início.

NAS REDES SOCIAIS – A decisão de promover essas manifestações surgiu nas redes sociais que apoiam o presidente, desde sempre comandadas por Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, que não dá uma tossida sem pedir orientação a Olavo de Carvalho.

Vaidosamente, o chefe do governo aceitou a homenagem, que tem o objetivo de esculhambar Câmara, Senado e Supremo, ao defender a Lava Jato e o pacote anticrime do ministro Moro. É uma versão bolsonarista do Samba do Crioulo Doido, e estrategicamente ficaram de fora a reforma da Previdência e a dívida pública, porque há dúvidas se o povo apoia o governo em relação a esses explosivos temas.

Mas de repente surgiu no noticiário um tsunami chamado Janaina Paschoal, que ousou dizer que o rei está nu, julga-se “enviado por Deus” e convoca uma manifestação para ser elogiado pelo povo. As pessoas então começaram a acordar.

COISA DE LOUCO – Como é óbvio que a deputado Janaina Paschoal tem toda razão, a cúpula do PSL se reuniu nesta terça-feira e decidiu que não vai apoiar a manifestação – quem quiser ir que vá. Realmente, é coisa de louco, só pode ter partido das mentes olavianas, que vivem em permanente delírio teórico e não respeitam a realidade.

Os autores da ideia não percebem que, por mais pessoas que as manifestações coloquem nas ruas, o resultado será sempre zero. Ao incentivar ataques ao Congresso, o presidente não ganhará adesão de nenhum parlamentar indeciso – pelo contrário, pode até perder apoio.

Em tradução simultânea, pode-se dizer que o capitão passou 28 anos na Câmara e não entendeu como aquilo funciona. Pensa que pode fazer com que o povo pressione os parlamentares, mas isso “non ecziste”, diria Padre Quevedo a Bolsonaro, que é volúvel em matéria de religião, não se sabe se é católico ou evangélico.

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P.S.
1Se verdadeiramente conhecesse a Câmara, Bolsonaro saberia que não há o menor risco de ser recusada a Medida Provisória 870, que reduziu o número de ministérios. O Congresso não gosta de Medidas Provisórias, considera intromissão do Executivo no Legislativo, e realmente é isso que se verifica. Sem empolgação, toda Medida Provisória é votada sempre na chamada undécima hora. Nada de novo na frente ocidental, não adianta se estressar. Aliás, quando uma Medida Provisória caduca, geralmente é o governo que se arrepende e pede que não seja aprovada. 

P.S. 2Janaina Paschoal tem razão também quando diz que Bolsonaro precisa parar se fazer drama e começar a trabalhar. Ser presidente é missão difícil e penosa, ele deveria ter pensado nisso antes de se lançar candidato. (C.N.)  

Ao postar texto do país ingovernável, comentarista da TI ficou famosa por 15 minutos

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

“Estarrecida, desanimada estou. Recebi e repassando análise muito coerente e fria!”, escreveu Maria Lúcia Fernandino às 11 horas de quinta-feira, dia 16, ao postar na “Tribuna da Internet” o texto sobre o “país ingovernável” que o presidente Jair Bolsonaro iria transmitir por WhatsApp no dia seguinte, com grande enorme repercussão. Quem descobriu a postagem de Maria Lúcia Fernandino foi O Globo, que publicou reportagem mencionando que a publicação na “Tribuna da Internet” tinha sido feita um dia antes de Bolsonaro distribuir o texto.

Logo surgiram muitas especulações se Maria Lúcia Fernandino usava seu próprio nome ou pseudônimo, se era ligada a Bolsonaro ou se tudo não passava de coincidência.

PERGUNTAS DE AQUINO – “O que causa espécie é a Maria Lúcia Fernandino escolher a Tribuna da Internet para reproduzir um artigo de “autor desconhecido”. Seria Maria Lúcia amiga do “tal autor desconhecido?”. Ao optar pela Tribuna da Internet, qual a intenção? Criticar Bolsonaro, não acredito. Não dá para entender assim”, postou o comentarista Antonio Santos Aquino, acrescentando:

“O que dá para se imaginar é que o capitão já identificou a Tribuna da Internet e descobriu que aqui tem balas de todos os tipos zunindo em todas as direções e algumas com calibres poderosos que derrubam um avião, direcionadas a ele. É bom que ele ou seus “milicianos” leiam a Tribuna da Internet. Terão momentos de alegria e momentos de terror pelas verdades ditas”.

PIMENTA EXPLICA – Imediatamente, o comentarista James Pimenta entrou no circuito para dar esclarecimento: “Maria Lucia Fernandino é minha amiga de longa data, e participamos de alguns blogs de política, ela não é pessoa de má fé ou agente infiltrada de qualquer lado. Ela gostou do texto e postou, eu posso fazer o mesmo”, assinalou Pimenta, advertindo:

“Acredito que esse veículo não tem intenção de patrulhar ninguém. Se assim for, talvez me seja benéfico ser excluído, tem hora que a mesquinharia de apelidos ridículos e/ou eivados de maledicência gratuita me desanima”.

DIZ MARIA LÚCIA – A comentarista Maria Lúcia Fernandino então explicou sua participação no caso. “Não tenho Facebook. Copiei e colei do zap que recebi de amigos. Quanto aos “nicknames” (apelidos) já usei sim, várias vezes, mas o pessoal daqui começou a dizer que quem se esconde atrás de “nicks” são pessoas no mínimo covardes, então coloquei meu nome para ninguém ter mais dúvidas de que covarde não sou”. E revelou;

“Acompanho a Tribuna da Internet desde quando ela era Tribuna da Imprensa e quem comandava, além do Carlos Newton, era também o irmão do Millôr Fernandes – o jornalista Hélio Fernandes. E ninguém me avisou que eu iria ficar “famosa” alhures… rsrsrs”.

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P.S.
1 Nos frenéticos anos 70, o artista multimídia Andy Warhol previu que no futuro próximo as pessoas ficariam famosas por 15 minutos. Foi o que aconteceu com nossa querida comentarista Maria Lúcia Fernandino.

P.S. 2Não se sabe se algum auxiliar de Bolsonaro leu o texto aqui na Tribuna ou recebeu no WhatsApp e passou para ele (o atual presidente não é chegado a leituras). O que se sabe, com toda certeza, é que a TI é lida com atenção pelo pessoal da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), pelos comandos militares e por jornalistas de todo o país, por ser considerada um veículo de opinião sem vínculo ideológico e com informações pesadas, que diariamente é acessado por milhares de pessoas que se interessam por política e economia. (C.N.)

Será mesmo normal um presidente da República se julgar “enviado de Deus”?

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Jair Bolsonaro entende realmente o que significa ser presidente?

Carlos Newton

Quando a economista Dilma Rousseff ocupou a Presidência da República e começou a dizer aquelas coisas muito engraçadas, mas sem o menor nexo, e chegou a defender na Assembleia-Geral das Nações Unidas a tese da estocagem de vento, levantamos aqui na “Tribuna da Internet” a hipótese de que ela estaria precisando de cuidados médicos. Logo depois, essa notícia se confirmaria, quando os jornalistas descobriram que a lista de compras do Departamento Médico do Planalto incluíra uma enorme quantidade de olanzapina, um medicamento antipsicótico ou neuroléptico. Soube-se também que, anteriormente, os médicos do Planalto já tinham receitado doses elevadas de Lexotan (bromazepam). Depois, passaram para Rivotril (clonazepam).

Medicada, Dilma conseguiu levar seu governo adiante até sofrer o impeachment. E agora a cena se repete, pois o estado do presidente Jair Bolsonaro também começa a levantar suspeitas de que há algo de errado com o chefe do governo.

MANIA DE PERSEGUIÇÃO – Desde o início da gestão que o presidente faz questão de demonstrar que se sente perseguido. Já deu diversas declarações a respeito, especialmente quando se refere à situação do filho Zero Um, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que se agrava progressivamente.

Ao defendê-lo, desta vez Bolsonaro falou por 15 minutos, citou diversos políticos também acusados de corrupção, cujas investigações caminham com menor celeridade, embora envolvam recursos mais elevados, como é o caso do deputado André Ceciliano (PT-RJ), presidente da Assembleia do Rio de Janeiro.

O chefe do governo atribuiu a investigação do Zero Um à “perseguição” que a família sofre. Mas em nenhum momento disse que o filho é inocente.

QUESTÃO DE ESTILO – Cada político desenvolve um estilo. Presidentes têm cargo majestático, não devem atuar como advogados de seus parentes e amigos, mas Bolsonaro não pensa nem age assim.

Mas o pior foi a divulgação do texto “de autor desconhecido”, para Bolsonaro justificar sua omissão e falta de habilidade na condução da política. Na mesma semana, por exemplo, a pedido de um grupo de deputados, o presidente ligou na frente deles para o ministro da Educação e deu ordem para sustar o contingenciamento das verbas educacionais. Mas logo em seguida o ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou a ordem presidencial. É uma situação que ocorreu diversas vezes, e Guedes já chegou a ironizar as decisões de Bolsonaro que ele depois revoga.

No domingo, o presidente ultrapassou os limites, ao divulgar a entrevista de um pastor francês, que jamais viu Bolsonaro, mas o considera “enviado de Deus”. É claro que nenhum governante pode se sentir “enviado de Deus” por decreto pastoral, mas Bolsonaro acredita e leva isso adiante, num Estado constitucionalmente laico e que parece um hospício.

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P.S.
Ninguém sabe aonde isso vai dar.  Mas o fato concreto é que o presidente não está bem. Se já foi medicado, torna-se necessário alterar a dose ou mesmo a substância ativa. O importante é que esteja bem, pare com essas esquisitices e governe para valer o país. Como diz a deputada Janaina Paschoal, que não aceitou ser vice de Bolsonaro, ele precisa “parar de fazer drama” e começar a trabalhar. Então, que assim seja. (C.N.)

Bolsonaro se interessa mais por teorias conspiratórias, o país fica em segundo plano

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Bolsonaro agora passou a se declarar vítima dos outros Poderes

Carlos Newton

O texto do “país ingovernável” já foi esmiuçado de todas as formas pelos analistas da mídia. Mas alguns aspectos devem ser destacados. O mais importante é o fato concreto e inquestionável de que o presidente Jair Bolsonaro continua alvo fácil das teorias conspiratórias. Chega a ser uma fixação, que a partir das eleições vem contaminando toda a família Bolsonaro. No próprio Palácio do Planalto, desde a posse há um indisfarçável clima de constrangimento, que se agravou com a desmotivada demissão de Gustavo Bebianno, por ter aceitado receber em agenda o diretor institucional da Rede Globo.

Este foi o verdadeiro motivo, nada a ver com as candidatas laranjas do PSL em Minas Gerais e Pernambuco, nem com irregularidades que não eram da alçada de Bebianno como presidente do partido, ele não se envolvera em nenhuma irregularidade.

DEMISSÃO INJUSTA – Instigado pelos filhos e por Olavo de Carvalho, o presidente decidiu demitir o ministro, que nada tinha a ver com o problema, era seu amigo pessoal e até advogado gratuito. Quando foi alertado por outros ministros para o fato de não haver motivo, porque nas democracias os governantes recebem normalmente representantes e membros da sociedade civil, o presidente caiu em si e ofereceu a Bebianno uma diretoria na Itaipu Binacional ou as Embaixadas em Roma e Lisboa, a escolher. Bebianno não aceitou e foi cuidar da vida.

À ESPERA DO GOLPE – A partir daí, foi uma bola de neve e Bolsonaro passou a viver por conta do golpe. Esse raciocínio conduz, logicamente, ao contragolpe. E são duas hipóteses absurdamente antidemocráticas, das quais não se pode nem cogitar.

Ao apoiar o texto do “autor desconhecido” Paulo Portinho, que exibe um “país ingovernável”, sem dúvida Bolsonaro está tácita e taticamente apoiando um contragolpe, que significa a derrocada das instituições.

Bolsonaro não prima pela inteligência, talvez nem perceba o que está fazendo. Mas o fato é que ele se dedica mais intensamente às teorias conspiratórias do que às necessidades de governo. Com isso, sua gestão está imobilizada, à espera das decisões do Congresso.

É ESPANTOSO – O amadorismo e a infantilidade de Bolsonaro causam espanto. Ele acha que, culpando o Judiciário e o Legislativo, estará preservando sua própria imagem e também a do Executivo. Mas não é assim que a coisa funciona.

 Seu principal auxiliar, o ministro Paulo Guedes, também não sabe o que fazer e defende premissas falsas. Diz que a reforma da Previdência não somente vai aliviar o problema da dívida pública, como atrairá investimentos externos que reduziram o desemprego, e nada isso não e verdade.   

Guedes não percebe que, com um governante instável como Bolsonaro, jamais haverá corrida de investidores, porque eles exigem exatamente o contrário – a estabilidade.

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P.S.
– Paulo Guedes nunca foi um superstar da economia. Não conseguiu destaque nem mesmo entre os Chicago boys. Foi sempre do terceiro time. Sinceramente, não consigo vislumbrar como ele e Bolsonaro conseguirão tirar o país da crise. Minha esperança é que todo poço tem fundo, e quando se chega lá nas profundezas, a tendência é de que se volta a crescer, mas isso só acontece quando o governo não atrapalha, é claro. (C.N.)

Ninguém quer dar calote na dívida pública, mas temos o direito de discuti-la

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Charge do Nani (nanihumor;com)

Carlos Newton

Se o marqueteiro americano James Carville fosse consultado sobre o agravamento da crise no Brasil, certamente repetiria sua frase célebre: “É a economia, estúpido”. Quando a economia vai bem, tudo se acerta, a vida segue em frente. No caso atual do Brasil, a frase de Carville se adapta perfeitamente, porque a falta de recursos atinge os três níveis de governo – federal, municipal e estadual. Curiosamente, não afeta com a mesma intensidade os três Poderes. Em praticamente todo o país, Legislativo e Judiciário vivem como se estivessem num outro mundo, ou na própria “Ilha da Fantasia”, com o anãozinho Tattoo servindo drinques tropicais a parlamentares e magistrados.

Mas há exceções e nem sempre os servidores de Legislativo e Judiciário conseguem se beneficiar. No Rio de Janeiro, por exemplo, há cinco anos os funcionários da Justiça não têm aumento, embora o céu ainda seja o limite para remunerar os magistrados e garantir os penduricalhos, as gratificações e as mordomias.

LIVRE DISCUSSÃO – O fato concreto é que a crise econômico-financeira precisa ser discutida abertamente, sem subterfúgios nem estatísticas mantidas sob sigilo ou manipuladas. O ministro Paulo Guedes, porém, continua se recusando a divulgar os números da Previdência, como se fosse um czar da Economia, e com isso está colocando em risco essa importantíssima reforma.

Os números da dívida pública também são manipulados e nas contas até aparece uma rubrica denominada “Amortização”, que na verdade “non ecziste”, como diria o Padre Quevedo – é apenas uma obra de ficção. Há última vez em que houve superávit primário (economia que o governo precisa fazer para pagar os juros da dívida) e até poderia ter havido “amortização” foi em 2013, de lá para cá, os déficits foram aumentando junto com a dívida.

Em abril de 2018, o Fundo Monetário Internacional (FMI) piorou  sua estimativa e passou a projetar que o Brasil só deveria novo superávit primário  em 2022. Agora, com o agravamento da crise, só Deus sabe quando haverá superávit novamente.

SEM MORATÓRIA – O fanatismo cega as pessoas e deturpa a troca de ideias. Aqui na “Tribuna da Internet””, toda vez em que defendemos a discussão da dívida, sugerindo uma auditoria, sempre aparece um otário aqui para manipular nossa oposição e alegar que pretendemos dar calote nos credores. É uma chatice.

Ninguém está defendendo calote nem moratória. Ao propor a auditoria, o que desejamos saber é se houve alguma manipulação nos números e se foram aplicados juros compostos, que não vigoram no mercado internacional, e isso significaria que a dívida está sendo elevada artificialmente.

Será que defender uma auditoria agora é crime? Por que o ministro Paulo Guedes mantém em sigilo os números da Previdência? Aliás, por falar em crime, por que Guedes tanto foge de prestar depoimento sobre as aplicações que fez com recursos dos fundos de pensão?

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P.S.
O comportamento de Guedes é altamente suspeito. As aplicações foram feitas em fundos educacionais criados pelo próprio Guedes. Se deram lucro, conforme o ministro alega, então por que não depõe logo e acaba com essa polêmica? A resposta é simples: Guedes deu um tremendo prejuízo aos fundos, já denunciado à Justiça pela Previc (Superintendência de Seguros Privados) e sob investigação no Tribunal de Contas da União; Por isso ele não pode depor. (C.N.)

Bolsonaro divulga texto de autor desconhecido publicado na Tribuna da Internet

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Bolsonaro usa o texto para justificar os problemas do governo

Carlos Newton

O presidente Jair Bolsonaro distribuiu, na manhã desta sexta-feira, dia 17, em diversos grupos de WhatsApp, um texto de “autor desconhecido” que trata das dificuldades que ele estaria enfrentando para governar.

Segundo O Globo, o texto foi publicado na seção de comentários do blog “Tribuna da Internet — Sob o signo da liberdade”. O comentário foi feito na quinta-feira, 16 de maio, por uma internauta que se identificou como Maria Lúcia Fernandino. Ela replicou o texto com a atribuição a um autor desconhecido.

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UM PAÍS INGOVERNÁVEL
Tânia Monteiro   /    Estadão

O texto diz que o presidente está sofrendo pressões de todas as corporações, em todos os Poderes e afirma que o País “está disfuncional”, não por culpa de Bolsonaro, mas que “até agora (o presidente) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”.

Procurado pelo Estado para comentar sobre a mensagem, o presidente respondeu por meio do porta-voz: “Venho colocando todo meu esforço para governar o Brasil. Infelizmente os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o País de volta ao trilho do futuro promissor. Que Deus nos ajude!”

SEM SE EXPOR – Interlocutores do presidente ouvidos pelo Estado dizem não saber quantas pessoas receberam a mensagem, mas relatam pedido do presidente para que cada um replicasse o conteúdo. Bolsonaro, de acordo com um dos interlocutores, já começou a receber feedbacks, dizendo que ele “está falando a mais pura verdade”. No entanto, fontes ouvidas pelo Estado consideram o desabado reproduzido como “muito grave” e “preocupante”.

Ao compartilhar o texto, o presidente escreveu: “Um texto no mínimo interessante. Para quem se preocupa em se antecipar aos fatos sua leitura é obrigatória. Em Juiz de Fora (06/set/2018), tive um sentimento e avisei meus seguranças: Essa é a última vez que me exporei junto ao povo. O Sistema vai me matar. Com o texto abaixo cada um de vocês pode tirar suas próprias conclusões.”

Leia a íntegra do texto, da forma como o presidente compartilhou em grupos de WhatsApp:

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LEIA O TEXTO REPRODUZIDO POR BOLSONARO

Temos muito para agradecer a Bolsonaro. Bastaram 5 meses de um governo atípico, “sem jeito” com o congresso e de comunicação amadora para nos mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado de acordo com o interesse dos eleitores. Sejam eles de esquerda ou de direita.

Desde a tal compra de votos para a reeleição, os conchavos para a privatização, o mensalão, o petrolão e o tal “presidencialismo de coalizão”, o Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento público.

Não só políticos, mas servidores-sindicalistas, sindicalistas de toga e grupos empresariais bem posicionados nas teias de poder. Os verdadeiros donos do orçamento. As lagostas do STF e os espumantes com quatro prêmios internacionais são só a face gourmet do nosso absolutismo orçamentário.

Todos nós sabíamos disso, mas queríamos acreditar que era só um efeito de determinado governo corrupto ou cooptado. Na próxima eleição, tudo poderia mudar. Infelizmente não era isso, não era pontual. Bolsonaro provou que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável. 

Descobrimos que não existe nenhum compromisso de campanha que pode ser cumprido sem que as corporações deem suas bênçãos. Sempre a contragosto.

Nem uma simples redução do número de ministérios pode ser feita. Corremos o risco de uma MP caducar e o Brasil ser OBRIGADO a ter 29 ministérios e voltar para a estrutura do Temer.

Isso é do interesse de quem? Qual é o propósito de o congresso ter que aprovar a estrutura do executivo, que é exclusivamente do interesse operacional deste último, além de ser promessa de campanha?

Querem, na verdade, é manter nichos de controle sobre o orçamento para indicar os ministros que vão permitir sangrar estes recursos para objetivos não republicanos. Historinha com mais de 500 anos por aqui.

Que poder, de fato, tem o presidente do Brasil? Até o momento, como todas as suas ações foram ou serão questionadas no congresso e na justiça, apostaria que o presidente não serve para NADA, exceto para organizar o governo no interesse das corporações. Fora isso, não governa.

Se não negocia com o congresso, é amador e não sabe fazer política. Se negocia, sucumbiu à velha política. O que resta, se 100% dos caminhos estão errados na visão dos “ana(lfabe)listas políticos”?

A continuar tudo como está, as corporações vão comandar o governo Bolsonaro na marra e aprovar o mínimo para que o Brasil não quebre, apenas para continuarem mantendo seus privilégios.

O moribundo-Brasil será mantido vivo por aparelhos para que os privilegiados continuem mamando. É fato inegável. Está assim há 519 anos, morto, mas procriando. Foi assim, provavelmente continuará assim.

Antes de Bolsonaro vivíamos em um cativeiro, sequestrados pelas corporações, mas tínhamos a falsa impressão de que nossos representantes eleitos tinham efetivo poder de apresentar suas agendas.

Era falso, FHC foi reeleito prometendo segurar o dólar e soltou-o 2 meses depois, Lula foi eleito criticando a política de FHC e nomeou um presidente do Bank Boston, fez reforma da previdência e aumentou os juros, Dilma foi eleita criticando o neoliberalismo e indicou Joaquim Levy. Tudo para manter o cadáver procriando por múltiplos de 4 anos.

Agora, como a agenda de Bolsonaro não é do interesse de praticamente NENHUMA corporação (pelo jeito nem dos militares), o sequestro fica mais evidente e o cárcere começa a se mostrar sufocante.

Na hipótese mais provável, o governo será desidratado até morrer de inanição, com vitória para as corporações. Que sempre venceram. Daremos adeus Moro, Mansueto e Guedes. Estão atrapalhando as corporações, não terão lugar por muito tempo.

Na pior hipótese ficamos ingovernáveis e os agentes econômicos, internos e externos, desistem do Brasil. Teremos um orçamento destruído, aumentando o desemprego, a inflação e com calotes generalizados. Perfeitamente plausível. Claramente possível.

A hipótese nuclear é uma ruptura institucional irreversível, com desfecho imprevisível. É o Brasil sendo zerado, sem direito para ninguém e sem dinheiro para nada. Não se sabe como será reconstruído. Não é impossível, basta olhar para a Argentina e para a Venezuela. A economia destes países não é funcional. Podemos chegar lá, está longe de ser impossível.

Agradeçamos a Bolsonaro, pois em menos de 5 meses provou de forma inequívoca que o Brasil só é governável se atender o interesse das corporações. Nunca será governável para atender ao interesse dos eleitores. Quaisquer eleitores. Tenho certeza que esquerdistas não votaram em Dilma para Joaquim Levy ser indicado ministro. Foi o que aconteceu, pois precisavam manter o cadáver Brasil procriando. Sem controle do orçamento, as corporações morrem.

O Brasil está disfuncional. Como nunca antes. Bolsonaro não é culpado pela disfuncionalidade, pois não destruiu nada, aliás, até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou. Ele é só um óculos com grau certo, para vermos que o rei sempre esteve nu, e é horroroso.

Infelizmente o diagnóstico racional é claro: “Sell”.

Autor desconhecido

Sem os faniquitos de Olavo de Carvalho e dos filhos, Bolsonaro enfim vai governar?

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Um dos fenômenos mais atraentes é a coincidência. Na política, as coincidências são particularmente perigosas, porque dão margem ao desenvolvimento de teorias conspiratórias, que já se tornaram uma espécie de esporte preferido na Praça dos Três Poderes. Realmente, não faltam teorias conspiratórias nesse início de governo Bolsonaro. E praticamente todas elas são cultivadas na horta do guru virginiano Olavo de Carvalho, com entusiástica participação dos filhos Zero Um, Zero Dois e Zero Três, não necessariamente nesta ordem cronológica.

Tirando de lado coincidências e teorias conspiratórias, o fato concreto, que não admite contestações, é que Olavo de Carvalho, o mais estranho personagem da República, sumiu do noticiário de repente, não mais que de repente, que maravilha viver, diria o poetinha Vinicius de Moraes.

ZERO DOIS – Ao mesmo tempo, também saiu de cena o vereador Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, enquanto o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o Zero Três, se recolhia às suas atividades normais de chanceler informal. O único que ficou com grande exposição na mídia foi o senador Flávio Bolsonaro, o Zero Um, que há meses tenta submergir e passar despercebido, mas a vida seguiu em frente e o colocou de novo nas manchetes das páginas policiais.

De tudo isso emerge uma certeza. Na terça-feira passada, dia 7, aconteceu algo de muito importante no almoço fora de agenda do presidente Bolsonaro no famoso Forte Apache, quartel-general do Exército em Brasília, com a presença dos comandantes das Forças Armadas e das figuras mais representativas da classe militar.

De lá para cá, Olavo de Carvalho somente se pronunciou politicamente uma vez, pelo Facebook, em estilo ático, sem usar um só palavrão, numa clara tentativa de se desculpar junto aos generais Villas Bôas e Santos Cruz.

ZERO TRÊS RECUA – Outro fato concreto foi que o deputado Zero Três, que apoiara as grosserias do guru virginiano e avisara que os ataques prosseguiriam “a quem não seguisse” o presidente, na mesma terça-feira recuou e disse que iria passar a pôr “panos quentes” nas polêmicas. Ao mesmo tempo, o vereador Zero Dois, que dissera na intimidade haver “implodido” o general Santos Cruz, simplesmente sumiu do noticiário político, e agora voltou com uma frase enigmática: “O que está para vir pode derrubar o Capitão eleito”.

Certamente está se referindo à investigação sobre atos ilícito do Zero Um, que envolvem indiretamente o próprio Bolsonaro pai.

ALA MILITAR – É claro que tudo isso pode ser apenas coincidência, mas os fatos concretos se somam e indicam que a ala militar conseguiu neutralizar o grupo olavista, mas surgiu nova crise a impedir que o governo comece a trabalhar com maior unidade e empenho.

Desde os tempos de Jânio Quadros que não se vê uma gestão  tão atrapalhada. Para melhorar, é preciso que o presidente Bolsonaro descarte de vez as teorias conspiratórias e passe a se dedicar ao governo, ao invés de perder tempo com redes sociais e outras bobajadas.

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P.S.
A crise é gravíssima, o presidente tem de esquecer Olavo de Carvalho e confiar nos militares. Quanto ao filho Flávio Bolsonaro, já está liquidado por antecedência. Ontem, o chefe do governo  falou 15 minutos defendendo o Zero Um, fez comparações com a movimentação atípica do deputado André Ceciliano (PT-RJ) e tudo o mais. Porém, em nenhum momento disse que o filho é inocente. (C.N.)

Dez anos depois, a utopia de manter um espaço livre na web não deu muito certo

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Parece que foi ontem, mas já se passaram dez anos desde que este blog foi lançado como “Tribuna da Imprensa” e depois, com a saída de Helio Fernandes, passou a ser “Tribuna da Internet”. A ideia de lançar o blog partiu do grande advogado Luiz Nogueira, que até hoje defende causas de Helio Fernandes e da antiga “Tribuna da Imprensa”, o jornal que deixou de circular em 2009. Nogueira não somente sugeriu o relançamento da “Tribuna da Imprensa” na web, como também arranjou patrocínio de R$ 5 mil mensais, suficiente para cobrirmos as custas.

Para fazer o design do blog, convidamos o grande jornalista Antonio Caetano, excelente cronista, que fazia sido editor do suplemento de cultura do jornal, chamado de “Tribuna BIS”. Caetano começou a editar o blog e me ensinou como participar. Passei então a fazer a edição de artigos e reportagens nos fins de semana e feriados, cobrindo as folgas do jornalista.

SEM PATROCÍNIO – Tudo caminhava bem, os artigos de Helio Fernandes, Carlos Chagas, Pedro do Coutto, Sebastião Nery e Mauro Santayana atraíam cada vez mais leitores, porém os patrocinadores tiveram dificuldades e desembarcaram da aventura.

Sem possibilidade de remuneração, Antonio Caetano foi cuidar da vida e fiquei sozinho, tentando encontrar outros patrocinadores. Como não consegui apoio, resolvi fechar o blog e direcionar Helio Fernandes e os colunistas para outros espaços na internet.

Quando comuniquei esta decisão, um dos comentaristas mais assíduos, o engenheiro Carlo Germani, que mora em Minas Gerais, mandou uma mensagem sugerindo que recebêssemos contribuições dos participantes, como outros blogs já faziam, e até se ofereceu para colaborar. A ideia deu certo, outros participantes se integraram e fomos em frente. Depois Helio Fernandes saiu, para abrir um blog com seu nome, e trocamos o título aqui para “Tribuna da Internet”.

ESPAÇO UTÓPICO – Ou seja, a existência do blog se deve a esse grupo de idealistas que acreditam na viabilidade de manter um espaço livre na web, capaz de abrigar artigos de diferentes tendências políticas, econômicas, sociais e até religiosas.

É claro que se trata de uma utopia. Não existe nenhum espaço semelhante na web brasileira. Todos os blogs, sites e portais operam em faixa própria, defendem ideias e não abrem espaço para contestação.

Aqui na TI defendemos a tese de apoiar o que fica demonstrado ser certo e reprovar o que seja claramente errado, na visão do “bom combate” do apóstolo Paulo (2 Timóteo 2:3-4). Assim, agimos sempre sem extremismos, procurando o caminho do meio, como ensinava Sidarta Gautama, o Buda, e sabendo que da vida nada se leva, é apenas “passagem”, como dizem os espiritualistas.

NÃO DEU CERTO – Dez anos depois, podemos concluir que a utopia não deu certo. Raríssimos participantes respeitam opiniões contrárias e trocam ideias. Usemos o exemplo de Bolsonaro. Ao invés de elogiar as coisas certas feitas por ele e criticar as erradas, a maioria das pessoas se comporta como se estivessem na torcida de um clube de futebol – defendem tudo que Bolsonaro faz ou criticam tudo. É uma chatice.

O fanatismo não leva a nada, a radicalização política só interessa a quem pretende se beneficiar dela. As ideologias foram ultrapassadas pelo tempo. A maneira correta de os governantes agirem hoje é simplesmente optar pelo que é certo, sem preconceitos ideológicos e partidários.

O Brasil está na maior crise de sua História. É preciso apresentar ideais e soluções. Mas não é isso que se vê. Um bom exemplo é a reforma da Previdência. Todos sabem que é preciso fazer mudanças. Mas com os números sendo mantidos sob sigilo, como fazê-lo.

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P.S.
Agradecemos muito a todos os que nos acompanham. Aos velhos amigos e amigas de sempre, e aos que chegaram depois e que hoje são muito importantes para mim, mesmo sem conhecê-los pessoalmente.  Como todos sabem, na vida nada é permanente, tudo muda todo dia. E o importante é jamais se omitir e seguir sempre na luta permanente para termos um mundo mais justo e menos desumano. (C.N.)

Se o país está falido como diz Guedes, por que não se pode discutir a dívida pública?

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Guedes mantém os números sob sigilo e tenta aterrorizar o Congresso

Carlos Newton  

O culpado pela gravíssima crise do país não é o presidente Jair Bolsonaro. Muito antes de ser eleito, ele avisou a todos que o responsável pela gestão seria o economista Paulo Guedes, apelidando-o de seu “Posto Ipiranga”. A maioria dos eleitores aceitou essas condições, ao eleger o candidato do nanico PSL. E agora, com apenas quatro meses e meio de governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, comparece ao Congresso Nacional e anuncia que o país entrou em situação de pré-falência.

“Estamos à beira de um abismo fiscal. Vamos nos endividar para pagar Bolsa Família, BPC, Plano Safra e as aposentadorias do regime geral, INSS. Estamos nos endividando para pagar despesas correntes. Não deveria ser normal”, disse na Comissão Mista do Orçamento.

ENDIVIDAMENTO – Essa declaração apocalíptica foi feita para justificar o pedido de dotação extraordinária no valor de R$ 248 bilhões, para que o governo não cometa pedalada fiscal tipo Dilma Rousseff. Nesse crédito suplementar, conforme Guedes, R$ 200 bilhões são para Previdência, R$ 30 bilhões do BPC (benefício mensal ao idoso carente e à pessoa com deficiência), R$ 6 bilhões da Bolsa Família e quase R$ 10 bilhões do Plano Safra.

Guedes é um farsante, que faz contorcionismo verbal e maquia a realidade. Deveria ter dito a verdade. O governo precisa rolar a dívida pública, que tem prioridade de pagamento devido à fraude do então deputado Nelson Jobim, que introduziu essa obrigatoriedade no texto constitucional sem ter sido aprovada na Comissão de Economia. A dívida pública hoje leva a maior parte do arrecadação, não sobra dinheiro para nada. Esta é a realidade.

Mas Guedes atribui tudo ao rombo da Previdência, como se o INSS não tivesse qualquer receita. Por isso, mantém os números sob sigilo, revela-os da maneira que bem entende, sempre querendo iludir, ao invés de discutir.

FUNDOS DE PENSÃO – Além de omitir a importância da dívida pública no caos econômico, o mais impressionante foi ouvir Guedes dizer o seguinte: “Houve um desvio terrível. As estatais quebraram. Não foram só os Correios. Quebraram também o Postalis (fundo de pensão dos Correios). Cem mil carteiros estão sem receber suas aposentadorias”, afirmou ele, que mencionou ainda a Petrobrás e seu fundo de pensão, o Petros, e também o Portus, fundo de pensão dos funcionários do Porto de Santos. “É um problema atrás do outro. A conta está chegando. São bilhões chegando”, afirmou apocalipticamente.

Além de omitir o lucro médio de 10% das principais estatais em 2018, que não “quebraram”, estrategicamente o ministro esqueceu de dizer ter sido corresponsável pela crise dos fundos de pensão, por ter aplicado recursos de Postalis, Petros, Previ e Funcex em ativos financeiros criados pelo próprio Guedes, segundo investigações em curso no Tribunal de Contas da União e no Ministério Público do Rio de Janeiro, e o ministro jamais atendeu às convocações para prestar depoimento.

É TUDO MENTIRA – O governo não está pré-falido (“à beira de um abismo fiscal”). Está sendo é mal gerido. A dívida pública corrói a nação, que não tem mais dinheiro para pagar as mordomias e altas remunerações da nomenklatura dos Três Poderes. No entanto, ao invés de procurar um Pacto Nacional, para reduzir  despesas desnecessárias, gratificações, penduricalhos, medalhões de lagosta e vinhos premiados, o rumo do governo é dar aumento salarial aos militares.

Na verdade, é preciso dar um freio de arrumação. Mas ninguém pode acreditar num mitômano como Guedes, que esconde os números da Previdência e conta uma mentira atrás da outra.

Os brasileiros só podem acreditar nele quando derrubar o sigilo, convocar auditorias para a Previdência e a Dívida Pública, e comparecer voluntariamente ao Ministério Público para depor sobre suas transações com os fundos de pensão. É o mínimo que se espera dele.

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P.S.
Os brasileiros não devem desanimar. Somos o quinto maior país do mundo em território e número de habitantes, a oitava maior economia, com as mais extensas áreas agricultáveis e o maior volume de água doce em nascentes e aquíferos, com abundantes riquezas minerais a serem exploradas e grande potencial de crescimento. Os governos passam e ministros como Paulo Guedes acabam no lixo da História, mas o Brasil há de seguir adiante. (C.N.)

Em vez de usar Moro como garoto-propaganda, Bolsonaro devia consultá-lo sobre leis

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Charge do Lézio Junior (Diário da Região)

Carlos Newton

A criação das leis trabalhistas e dos sindicatos por Getúlio Vargas foi uma forma de minorar o capitalismo selvagem dos barões do café com leite e rapadura, que eram donos dos latifúndios e dos engenhos, mandavam na política e no país. O trabalhismo de Vargas foi a melhor coisa que já aconteceu ao país, porque ele plantou as bases da industrialização e mudou a realidade brasileira. Deu dignidade e força política aos trabalhadores, que ele enaltecia ao abrir seus discursos.

Acontece que o esforço de Vargas acabou sendo desvirtuado pelo populismo de Lula da Silva, o importante líder sindical que foi cooptado pelos militares para impedir que o trabalhismo verdadeiro ressurgisse sob comando de Leonel Brizola, e essa estratégia foi o maior erro cometido pela ditadura de 64/85.

REPÚBLICA SINDICAL – O surgimento do PT (Partido dos Trabalhadores) acabou levando Lula ao poder, com um projeto de implantação de uma República Sindical, financiada pela legislação que garantia a contribuição obrigatória, equivalente ao valor de um dia de trabalho de cada brasileiro.

Com esses recursos, o país criou 17 mil entidades sindicais, incluindo federações e centrais, algo inimaginável, pois no mundo inteiro existem apenas 19 mil sindicatos.

Esse império sindical precisava ser desmontado, e curiosamente a democrática tarefa coube ao governo Michel Temer, que comprou por 30 dinheiros a aprovação da reforma que eliminou direitos trabalhistas, mas, sabiamente, aproveitou para proibir a cobrança do imposto sindical obrigatório.

BRECHA NA LEI – Acontece que logo o PT deu um jeito de abrir uma brecha na lei, ao introduzir a prática de “assembleias sindicais” aprovarem a cobrança obrigatória do imposto aos trabalhadores de suas respectivas atividades.

Para evitar a ressurreição da “República Sindical”, o governo Bolsonaro decidiu pôr fim à cobrança, mas errou na legislação. Ao invés de indagar ao ministro Sérgio Moro qual seria o procedimento adequado, a Casa Civil produziu uma Medida Provisória e mandou ao Congresso. Foi um erro. A medida correta seria um simples decreto, de um artigo só, regulamentando a lei do governo Temer e impedindo a cobrança do imposto via assembleia sindical. Apenas isso, e o assunto estaria encerrado.

Mas a Assessoria Jurídica da Casa Civil atuou via Medida Provisória, que agora o Centrão, o PT & Cia. querem modificar, para mostrar a Bolsonaro quem realmente manda na preparação de leis.

HÁ SOLUÇÃO – Felizmente, o Congresso pode muito, mas não pode tudo. Mesmo que a Câmara modifique e aprove a Medida Provisória, o Senado tem condições de modificá-la e o presidente pode vetar essa forma de cobrança ilegal e antidemocrática da contribuição sindical.

Aliás, além de vetar, o chefe do governo pode fazer a coisa certa e baixar o decreto de um artigo só, mandando para o espaço a pretendida reconstrução da “República Sindical”.

Em tradução simultânea, deve-se dizer que não adianta o presidente Bolsonaro ficar elogiando Sérgio Moro. É preciso que passe a usar o conhecimento jurídico do ministro da Justiça, consultando-o sobre suas mensagens jurídico-legislativas.

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P.S. –
Se consultasse Moro, o presidente não estaria agora pagando esse mico do decreto inconstitucional sobre porte de armas. Ao invés de usar Moro como garoto-propaganda no Brasil e no mundo, melhor faria Bolsonaro se o transformasse em um de seus principais interlocutores. O país agradeceria bastante. (C.N.)