Na ausência de Padilha, Temer decide manter o secretário Sigelmann na Casa Civil

Resultado de imagem para daniel sigelmann

Sigelmann ficará interinamente no lugar de Padilha

Carlos Newton

Como a recuperação é lenta e ainda não se sabe quando o ministro licenciado Eliseu Padilha terá condições de reassumir a Casa Civil, o presidente Michel Temer vai manter interinamente o secretário-executivo da pasta, Daniel Sigelmann, economista que teve cargos de destaque nos governos de Dilma Rousseff, por indicação política na cota do PMDB. Sigelmann foi coordenador da Secretaria do Tesouro Nacional  e membro do Conselhos Administrativo das Docas de Santos e da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que tocava o fracassado projeto do trem-bala.

Em 2015, foi nomeado por Dilma para presidir a EPL e se tornou também membro do Conselho Administrativo do BNDES, função para a qual foi reconduzido por Temer em outubro de 2016.

CLIMA TENSO – No Planalto, o clima é de tensão, porque ninguém sabe ao certo o verdadeiro estado de saúde de Padilha. Os boletins médicos são propositadamente lacônicos e não explicam nada. Sequer revelaram que o ministro fora submetido a uma cirurgia traumática e que deixa incômodas sequelas. Os repórteres se viraram para apurar que houve extração total da próstata, um procedimento radical, somente adotado em casos de tumores malignos.

Desde o início, a Assessoria da Casa Civil e a Secretaria de Comunicação Social tentaram esconder a gravidade da doença, chegaram a anunciar que Padilha teria alta quarta-feira passada e reassumiria a função em Brasília nesta segunda-feira. Mas nada disso aconteceu – as informações não tinham a menor base real.

Como não houve boletim médico no domingo, aumentou a expectativa acerca do pronunciamento da equipe médica nesta segunda-feira. Segundo o jornal O Globo, o ministro tem reclamado de fortes dores, embora esteja sob monitoramento permanente. E ainda não se sabe se terá de ser submetido a quimioterapia.

ESPECULAÇÕES – Como existe a possibilidade de a recuperação total ser demorada, pois Padilha terá de fazer um tipo especial de fisioterapia, há especulações de que o presidente Temer pode ser levado a substituí-lo. Justamente por isso, a Assessoria da Casa Civil logo começou a espalhar notícias de que estaria cotado o assessor Gustavo do Vale Rocha, da Subchefia de Assuntos Jurídicos, muito ligado aos caciques do PMDB e ex-advogado de Eduardo Cunha. Mas a informação não tem o menor fundamento.

A única coisa certa é o prolongamento da licença do chefe da Casa Civil, devido à gravidade da cirurgia e das inevitáveis sequelas. Daí a expectativa que cerca o boletim médico a ser divulgado na manhã de hoje, porque a informação oficial liberada no sábado revelava apenas que não havia previsão de alta.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A vacância da Casa Civil não tem a importância que vem sendo apregoada. Desde o dia 3 de fevereiro, quando Moreira Franco foi promovido a ministro, a Casa Civil ficou praticamente esvaziada, porque deixou de controlar três importantes setores do Planalto – Comunicação Social, Cerimonial e Administração, que passaram a ser subordinados à pasta de Moreira Franco. Ao ministro Padilha somente restou a Subchefia de Assuntos Jurídicos, sem a menor visibilidade, porque quem representa judicialmente o governo é a Advocacia-Geral da União, que tem seu próprio Ministério. (C.N.)

Todos querem fazer delação, muitos serão chamados, mas poucos os escolhidos

Imagem relacionada

Cabral se desespera, pois não há interesse em sua delação

Carlos Newton

Espera-se que nesta semana a Procuradoria-Geral da República encaminhe ao Supremo os primeiros inquéritos com base nos depoimentos dos 77 dirigentes e executivos da Odebrecht. A operação Lava Jato enfim entrará na segunda etapa de sua trajetória, mas ainda está longe do fim, por que não faltam candidatos à delação premiada. No entanto, nem todos conseguirão alcançar esse benefício que pode lhes diminuir as penas. Como diz a Bíblia (em Mateus 22:14), muitos serão chamados, mas poucos os escolhidos.

DELAÇÃO SUSPENSA – O mais ansioso dos réus que almejam delação premiada é o empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, que está preso em Curitiba e já tinha acertado a colaboração com a Procuradoria, mas foi alvejado pelo vazamento de alguns trechos de seu depoimento, justamente a parte que evidenciava sua intimidade com o ministro Dias Toffoli. Este fato chocou o falso moralismo do Supremo e levou o então relator Teori Zavascki a anular a delação premiada do empresário.

É mais do que provável que Léo Pinheiro não tenha nada a ver com o vazamento, mas foi ingênuo ao falar sobre Dias Toffoli, despertou a ira corporativista do Supremo e se lascou.

A FILA ANDA – Chegou a ser divulgada uma falsa notícia de que a força-tarefa só aceitaria delação de mais uma empreiteira – no caso, a Odebrecht – e a OAS ficaria automaticamente de fora. Mais isso é conversa fiada. Hipoteticamente, todo réu tem direito ao benefício, desde que tenha a quem delatar.

Não existem restrições na lei, mas na prática só é aceita a delação de um criminoso menor que entrega um maior. Por exemplo, o empresário Eike Batista tem chance de fechar uma delação premiada, caso consiga delatar grande figuras da política, mas não adianta oferecer a cabeça de seu ex-amigo Sérgio Cabral, porque já existem provas demais contra o ex-governador.

Quanto ao próprio Cabral, entrou em desespero na prisão, porque ele é considerado chefe de quadrilha, só tem condições delatar os cúmplices, que se ocupam justamente em entregá-lo, e agora já foi aprovada a delação premiada do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, Jonas Lopes, aumentando as provas contra o ex-governador e incriminando muitos outros conselheiros do TCE.

CUNHA NA FILA – Outro preso que busca a delação premiada é o ex-deputado Eduardo Cunha, que já perdeu quase tudo – o cargo, o mandato parlamentar, o prestígio social, o respeito das comunidades evangélicas, uma boa parte dos bens e a dignidade. Só lhe restou a família e parte do dinheiro que a Lava Jato ainda não conseguiu mapear. Sua mulher Cláudia Cruz também está sendo processada e os filhos continuam sob investigação.

Antes de ser preso, Cunha passou dois meses selecionando documentos e provas com ajuda do doleiro Lúcio Funaro, que em Brasília operava lavagem de dinheiro para políticos e autoridades. Funaro acabou preso em julho pela Lava Jato, mas antes disso entregou a Cunha uma quantidade enorme de recibos, anotações e documentos.

MACHADO A PERIGO – O delator Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, indicado ao cargo pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), conseguiu fazer delação, está devolvendo apenas R$ 75 milhões em módicas prestações e continua em liberdade junto com os filhos que participavam do esquema. A famiglia ainda tem muito dinheiro escondido. Basta dizer que o equivalente a R$ 96 milhões foram investidos em imóveis no Reino Unido, conforme denúncia do jornal londrino The Guardian.

Mas a investigação não prosperou, todo mundo sabe que Machado deu uma volta no procurador Rodrigo Janot e no ministro Teori Zavascki, e por isso o novo relator Edson Fachin mandou reabrir as investigações.

MORO E O SUPREMO – Nesta época de carnaval, a festa da Lava Jato continuou e o juiz Sérgio Moro aproveitou para condenar Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e mais uma galera envolvida em lavagem de dinheiro. Enquanto isso, o Supremo ainda não condenou ninguém e continua fantasiado de tribunal.

E assim a Lava Jato se equilibra numa perna só, como se fosse um Saci judicial que insiste em desfilar como mestre-sala na passarela da Justiça.

###
PSExcepcionalmente, não falaremos hoje no ministro Eliseu Padilha, que somente terá alta na semana que vem. Mas daqui a pouco o jurista Jorge Béja vai explicar que o ainda chefe da Casa Civil perderá o direito ao foro privilegiado, se continuar licenciado do cargo. (C.N.)

Grupo de Padilha luta desesperadamente para manter o cargo do ministro

Imagem relacionada

Temer não sabia que Padilha estava doente e se precipitou

Carlos Newton

Chega a ser comovente o esforço dos assessores de Eliseu Padilha para tentar mantê-lo no cargo de ministro. É uma verdadeira operação de guerra, com o quartel-general montado no quarto andar do Planalto pelo secretário-executivo da Casa Civil, Daniel Sigelmann, junto com o advogado Gustavo do Vale Rocha, da Subchefia de Assuntos Jurídicos, com apoio logístico do jornalista Márcio de Freitas Gomes, da Secretaria de Comunicação Social, que tem ajudado a divulgar as informações falsas sobre o estado de saúde de Padilha, muito mais grave do que esses assessores têm informado à imprensa.

DISPUTA DE PODER – A estratégia mambembe da assessoria é apenas mais um capítulo da disputa que se trava nos bastidores do Planalto entre a facção de Padilha (leia-se: os caciques do PMDB) e a facção do presidente Michel Temer, que tem apoio dos neoministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e do assessor especial Rodrigo Rocha Loures.

Desde a demissão dos ministros Romero Juca, Henrique Eduardo Alves e  Geddel Vieira Lima, a ala de Padilha está muito enfraquecida e o presidente tentou o golpe fatal na semana passada, com a entrevista de José Yunes à Veja e o depoimento dele à Procuradoria-Geral da República, denunciando o chefe da Casa Civil por envolvimento na doação ilegal da Odebrecht.

NEM PRECISAVA – Hoje, Temer se arrepende dessa manobra com Yunes, não somente porque ficou flagrante demais o complô contra Padilha, mas porque nem precisava. O chefe da Casa Civil já estava com uma doença grave e iria se afastar naturalmente, mas no Planalto ninguém tinha conhecimento do que realmente acontecia.

De início, na defensiva, os assessores da Casa Civil disseram que o ministro tivera apenas uma obstrução urinária devido a uma “hiperplasia prostática benigna”, um caso simples, nem necessitou ser operado no Hospital do Exército, fez somente a desobstrução a laser em ambulatório, teve alta na quarta-feira antes do Carnaval.

Mas o caso era grave e os assessores entraram em desespero e tentam evitar que Padilha se afaste definitivamente, o que significará a demissão de todos eles, inclusive o secretário da Secom. Por isso, desde a primeira internação do ministro, eles estão espalhando notícias falsas, anunciando que Padilha está melhor e logo vai reassumir, embora essa possibilidade seja totalmente irreal.

“MULA INVOLUNTÁRIO” – Enquanto Padilha era internado às vésperas do Carnaval, as revistas semanais antecipavam suas edições e a Veja saiu com a explosiva entrevista do advogado José Yunes, ex-assessor e amigo íntimo do presidente Michel Temer, denunciando ter sido usado por Padilha como “mula involuntário” para receber doação da Odebrecht em dinheiro vivo.

Na quinta-feira, dia 23, após ter sido divulgado o teor da matéria da Veja, Padilha ligou para Temer e pediu licença para tratamento em Porto Alegre, através de atestado médico, para não haver necessidade de publicação no Diário Oficial. E ao contrário do que parecia, a licença nada tinha a ver com a denúncia, o ministro estava mesmo doente.

Na sexta-feira, dia 24, os assessores do Planalto enfim mudaram a versão e anunciaram que Padilha iria se submeter a uma cirurgia, que foi realizada segunda-feira de Carnaval, dia 27, com extração radical da próstata, uma operação de risco, somente admitida em caso de tumor cancerígeno em estágio avançado.

NOTÍCIAS FALSAS – Desde então, os assessores do ministro vêm espalhando mais notícias falsas, insistindo que ele reassumiria na segunda-feira, dia 6, uma hipótese completamente afastada, mas os jornalistas até acreditaram. O fato concreto é que a equipe de Padilha está em pânico, todos sabem que a situação dele se tornou muito delicada. O tumor era cancerígeno e avançou com rapidez.

Estrategicamente, os boletins médicos do Hospital Moinhos de Vento são lacônicos, sequer informaram que foi uma cirurgia de extração total da próstata, ainda nem há informações se o ministro terá de fazer quimioterapia.

Os assessores estão apavorados, porque sabem que serão exonerados pelo futuro chefe da Casa Civil, que vai passar a régua. Enquanto isso, em Porto Alegre, ainda sem previsão de alta, Padilha não tem a menor ideia das loucuras que seus assessores estão fazendo. Sua única preocupação é escapar das sequelas da traumática cirurgia. Sabe que a recuperação é muito lenta, terá de fazer fisioterapia e se empenhar muito, nem pensa em reassumir a curto prazo, ao contrário das notícias furadas  que seus assessores ainda tentam espalhar, mas estão caindo no vazio, porque os jornalistas já entenderam o real alcance da situação e agora se preocupam em saber quem será o substituto de Padilha.

 

A política brasileira é o contrário do carnaval, verdadeira essência do nosso povo

Resultado de imagem para ritmistas no sambodromo

Este é o retrato de uma gente miscigenada e feliz

Carlos Newton

Numa de suas mais inspiradas composições, em parceria com Arnaldo Brandão, líder do grupo Hanói, Cazuza arranjou uma maneira de nos lembrar que o futuro está sempre repetindo o passado, como um museu de grandes novidades, embora o tempo não pare. Na verdade, Cazuza sempre se mostrou muito preocupado com as injustiças sociais, tinha vergonha de ser privilegiado. Quando ainda era jovem e  morava na casa de seus pais, João e Lucinha Araújo, Cazuza recebeu a visita do cantor Orlando Moraes e lhe  pediu desculpas ao amigo por se tratar de uma residência luxuosa, vejam como era simples e sensível. E não foi por acaso que compôs com o amigo Roberto Frejat aquela música pedindo uma ideologia para viver.

Se Cazuza ainda estivesse por aqui, a realidade do Brasil de hoje lhe seria ainda  mais inspiradora. Na verdade, é como se presenciássemos a refilmagem de “Terra em Transe” em meio a uma conjuntura política corrupta e ensandecida, exatamente 50 anos depois da grandiosa obra de Glauber Rocha.

UM PAÍS CRIATIVO – O Brasil é altamente criativo, nenhum analista estrangeiro consegue entender nosso sistema de vida, totalmente “sui generis” e sem similar no resto do mundo. Fomos nós que criamos as escolas de samba, uma maneira surpreendentemente festiva de reunir e congregar todas as camadas  da população. De repente, pobres, remediados e ricos, como num passe de mágica, podem se transformar em príncipes, escravos, artistas ou retirantes da seca, fantasiados e confraternizando entre si, porque todos são iguais no carnaval, vejam que invenção sensacional, precisamos ser assim o ano inteiro.

Não interessam as tendências ideológicas, essa bobagem que os homens lá do Velho Mundo criaram e que já não fazem sentido. Poucos percebem que o Brasil é o verdadeiro Novo Mundo, foi o local escolhido pelas civilizações de todos os continentes para se reunirem. É aqui que está sendo criada uma nova humanidade, totalmente miscigenada e sem os ranços de preconceito e ódio que caracterizam o único país parecido com o nosso, os Estados Unidos, que continuam a perseguir os imigrantes e não têm como se comparar a nós.

É certo que ainda somos pobres e esculhambados, mas um dia serenos inevitavelmente ricos e socialmente justos, é só uma questão de tempo.

ELES VÊM PARA CÁ – É o carnaval que encanta a maioria dos estrangeiros que continuam vindo para cá, para aprender conosco a buscar a felicidade. No grandioso desfile das escolas, é impossível deixar de perceber que os mais felizes são os pobres, que cultivam sorrisos permanentes, fazem questão de estar de bem com a vida, sem maiores falsidades.

Apesar da violência urbana, das balas perdidas, dos assaltos e dos riscos que correm, os estrangeiros insistem em visitar o Brasil, para aprender conosco essa lição de humanidade e convivência social entre ricos e pobres. Como assinalou há alguns anos o cineasta italiano Franco Zeffirelli, “o brasileiro é o último povo feliz do mundo”, e ele estava rigorosamente certo ao cunhar essa definição, qualquer pessoa pode notar.

Justamente por isso, as escolas de samba deveriam ser entendidas de outra forma, como instituições de um alcance mais amplo, porque na verdade são escolas de vida e de convivência social, nem interessa se continuam a ser liderados pelos bicheiros ou não.

LEMBRANDO PAULINO – Poucos sabem que esse congraçamento é coisa recente, começou há algumas décadas. E quem levou as elites para as escolas de samba foi o jornalista carioca Roberto Paulino. Quando ainda era jovem, foi administrar uma fábrica de componentes elétricos que seu pai, o célebre cirurgião Fernando Paulino, instalara na Mangueira, como investimento da família.

Paulino ficou amigo dos empregados, quase todos moravam na favela, e começou a frequentar as rodas de samba. Louro, de olhos azuis e morador da Zona Sul, acabou se tornando o primeiro presidente da Mangueira que não fazia parte da comunidade. Foi assim que tudo começou.

Certa vez, a escola não tinha dinheiro para desfilar e Paulino passou um cheque sem fundos na conta da fábrica, para comprar os tecidos das fantasias, e o pai  teve de cobrir as despesas. É por isso que a memória do jornalista é tão cultuada na Mangueira. Sem perceber, Roberto Paulino estava acelerando uma evolução social revolucionária, cuja base hoje são as escolas de samba do Rio, cujo exemplo se disseminou pelo país inteiro.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNeste sábado, há o Desfile das Campeãs no Sambódromo. Ligue a TV e observe a passagem das escolas, para ver ricos e pobres, famosos e desconhecidos, todos juntos, lado a lado, ensinando como deve ser o mundo de amanhã. E eu, como comunista libertário, posso enfim antever e celebrar uma humanidade mais justa e igualitária, que terá de ser a realidade do futuro, com samba no pé e amor no coração. (C.N.)

Já ficou evidente que José Yunes atuou a mando de Temer para enfraquecer Padilha

Resultado de imagem para Temer e Yunes

Yunes não tinha motivos para denunciar Padilha

Carlos Newton

Os jornalistas erram quando insistem em dizer que os melhores amigos do presidente Michel Temer são o ex-assessor José Yunes e o ainda ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil. Já houve tempo em que essa assertiva era verdadeira. Desde setembro, porém, quando entraram em rota de colisão, Padilha e Temer apenas se toleram, mas só nas aparências, em meio ao festival de cinismo e hipocrisia que caracteriza os bastidores do poder. Agora, pode-se dizer que os melhores amigos do presidente são o ex-assessor José Yunes e o neoministro Moreira Franco (e rigorosamente nessa ordem).

É preciso ser muito ingênuo para acreditar que Yunes resolveu prestar depoimento voluntário e dar declarações altamente comprometedores contra Padilha (de quem já foi amigo pessoal), sem antes ter combinado tudo minuciosamente com o presidente Temer.

QUAL A RAZÃO – Em tradução simultânea, alegar-se-ia (olha a mesóclise aí, gente!) que Yunes tomou a desesperada providência com medo de ser preso pela Lava Jato, a exemplo do que ocorreu com Eike Batista, que se ofereceu para depor voluntariamente e acabou em Bangu. Esta é a única razão que poderia justificar o inesperado gesto de Yunes, ao denunciar que Padilha o transformara em “mula involuntário”.

Acontece que Yunes, por ser um advogado de grande sucesso, sabe perfeitamente que não esteve, está ou estará sob ameaça de ser preso pela Lava Jato, até porque o crime supostamente por ele cometido (se ficar provado em inquérito e processo) está enquadrado assim no  Código Penal:

“Art. 180 – Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte”.  E a pena é reclusão, de um a quatro anos, e multa.

ATENUANTES E SURSIS – Yunes não desconhece, também, que o Código Penal prevê que circunstâncias atenuantes têm de ser aplicadas às condenações de réus com 70 anos ou mais, e uma delas é a redução da pena. Existe, ainda,o sursis etário, que liberta o réu idoso condenado a penas menores de 4 anos e que não seja reincidente de crime doloso.

Como se vê, judicialmente o ex-assessor e amigo de Temer não sofre a menor ameaça de prisão. Portanto, a motivação de seu gesto foi mesmo o objetivo de incriminar Eliseu Padilha, para enfraquecê-lo de forma definitiva e evitar que continue interferindo no governo e usando a Secretaria de Comunicação Social em proveito próprio, conforme todo mundo que frequenta o Planalto está cansado de saber.

Aliás, é justamente o que o jornalista Jorge Bastos Moreno, amigo íntimo e confidente de Temer, acaba de deixar bem claro. Nesta quarta-feira de cinzas, Moreno publicou no site de O Globo que “Yunes desfila com a cabeça de Padilha pela Esplanada”, confirmado as notícias sobre as brigas entre Temer e Padilha que a Tribuna da Internet vem publicando com exclusividade absoluta desde setembro.

A DOENÇA DE PADILHA – Quanto à situação de Padilha (supostamente, ele iria ter alta nesta quarta-feira, mas nenhum jornal tocou no assunto, nem mesmo a Zero Hora), a gravidade de sua doença vai evitar que seja demitido. Como dizia Nelson Rodrigues, “o mineiro só é solidário no câncer”. E Temer, que é o mais mineiro dos políticos paulistas, se enquadra bem nessa definição.

A operação de Padilha foi muito traumática, com incisões de aproximadamente 20 cm na horizontal e na vertical, e ainda não se sabe se terá de fazer quimioterapia. A recuperação é lenta, ele não tem a mínima condição de tão cedo reassumir o cargo, pois não pode viajar enquanto não ocorrer a cicatrização completa. As notícias de que Padilha voltaria a trabalhar na segunda-feira, insistentemente “vazadas” pela assessoria da Casa Civil, chegam a ser patéticas, mas ainda há jornalistas que acreditam.

###
PS – Já se comenta que Temer prolongará a licença do chefe da Casa Civil indefinidamente, porque ele  não pode perder o foro privilegiado. Ou seja, Padilha continuará ministro, porém não mandará mais nada. Ficará exilado em sua sala, enquanto o neoministro Moreira Franco, conforme já estava programado, assume à frente dos negócios, digamos assim. (C.N.)

Assessoria mentiu sobre a doença de Padilha e escondeu que ele sofria de câncer

Resultado de imagem para marcio de freitas gomes

Mais uma vez, Gomes fez a imprensa errar

Carlos Newton

Existem certas situações que são praticamente inexplicáveis, parecem não ter justificativa, simplesmente acontecem. No caso da doença do ministro Eliseu Padilha, ocorreu um fenômeno espantoso em pleno Carnaval – jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, portais, sites e blogs, ou seja, toda a mídia brasileira simplesmente não percebeu que o poderoso chefe da Casa Civil estava sofrendo de câncer e tinha sido submetido a uma cirurgia de risco, com retirada radical da próstata e sequelas inevitáveis, entre as quais a incontinência urinária, que só tem possibilidade de ser vencida a médio/longo longo prazo e se o paciente der muita sorte.

EM RITMO DE FOLIA – Poder-se-ia (olha a mesóclise aí, gente!) argumentar que nesses dias de folia ninguém se interessa por nada, o foco está em celebridades rasgando a fantasia, escolas de samba e seus acidentes alegóricos, blocos reunindo multidões por todo o país, além é claro, das notícias curiosas, como deputado Marco Antônio Cabral se divertindo no Sambódromo, enquanto o pai assistia aos desfiles pela televisão, naquela cela apertada em Bangu 8 e que nem latrina possui, não há dúvida de que se trata de notícia interessante e reveladora.

Mas acontece que os jornalistas não param de trabalhar durante o Carnaval, as redações mantêm extenuantes plantões, e a operação de Padilha estava em todas as pautas, porque tinha dia, hora e local para ocorrer. Mesmo assim, a cobertura da mídia desfilou em espantosa omissão.

TODOS BOBEARAM – Na manhã desta terça-feira, ao zapear a internet, constatava-se que importantes órgãos da imprensa sequer noticiaram que Padilha havia sido operado, como Época, Veja e Gazeta do Povo, enquanto O Globo,  às 9 horas da manhã, ainda mantinha no alto da página Brasil a superadíssima notícia de que “Padilha será operado hoje e retorno ao governo é incerto”.

Outros importantes órgãos da mídia noticiaram a operação de Padilha, mas afirmando que teria sido uma cirurgia simples, sem maiores complicações, conforme saiu nos sites de Zero Hora, Folha, Estadão, G1, Agência Brasil, Istoé, Correio Braziliense, Estado de Minas, Valor, Jornal do Brasil e O Tempo, entre outros.

SEM PROBLEMAS? – As equivocadas matérias chegaram ao cúmulo de anunciar que Padilha está muito bem e voltará ao trabalho na próxima segunda-feira (dia 6), conforme foi informado na Folha, no Globo e no G1, levando a erro também os implacáveis editores do site O Antagonista, que às 19h06m da segunda-feira publicaram uma nota sob o título “Padilha: sem problemas”, com a seguinte informação:

“Foi concluída sem problemas a cirurgia a que o ministro Eliseu Padilha foi submetido hoje à tarde. Padilha foi operado no hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, para a retirada da próstata. Ele permanecerá dois dias sob observação. A assessoria do ministro afirmou ao G1 que ele volta ao trabalho na segunda-feira.”

BOLETIM ARDILOSO – Padilha sem problemas? Claro que não. Mas os jornalistas foram  enganados pelo boletim médico do Hospital Moinhos de Vento, um texto lacônico e ardiloso, em linguagem cifrada, que omitiu o diagnóstico de câncer e até mesmo a extração radical da próstata, e os repórteres tiveram de se virar para descobrir o tipo de operação, que exige uma lona incisão, em formato de T, no abdômen.

No entanto, o comunicado oficial não pôde omitir que o ministro permaneceria “na sala de recuperação pós-operatória, sob monitoramento, pelas próximas 48 horas”.  E no linguajar médico a expressão “sob monitoramento” não é precisamente sinônimo de “sob observação”, que é um procedimento muito menos rigoroso, digamos assim.

O fato concreto, sem especulações, é que a literatura médica classifica a extração da próstata de uma cirurgia de risco. E ao contrário do que a mídia está publicando, Padilha não tem a mínima condição de reassumir o cargo na próxima segunda-feira. Seu estado de saúde exige muitos cuidados, porque há sequelas e ninguém ainda sabe se Padilha terá de fazer quimioterapia, como ocorre em muitos casos de extração da próstata devido à tumor cancerígeno.

INDUZIDOS A ERRO – Os jornalistas foram induzidos a erro devido às informações atribuídas a uma “assessoria” de Padilha, que não existe de fato. Quem as forneceu foi a Secretaria de Comunicação do Planalto, que na semana passada divulgara a falsa notícia de que o ministro estava com “hiperplasia prostática benigna”, que significa simples aumento do volume da próstata, uma doença sem gravidade, que pode ser tratada por via medicamentosa ou com raspagem ou redução parcial da próstata, pois a retirada do órgão só ocorre no caso de tumor maligno em estágio de risco, justamente o diagnóstico que a assessoria do Planalto falseou.

A Secom é comandada pelo jornalista Márcio de Freitas Gomes, nomeado com apoio de todos os caciques do PMDB, porque há anos era assessor de imprensa do partido. Quando assumiu a vice-presidência, em 2011, Temer o contratou. Mas ao tomar posse como presidente, não quis nomeá-lo para comandar a Secom. Márcio Gomes criou caso, ameaçou se demitir, os caciques pressionaram Temer, que teve de ceder. É por isso que desde o início do governo interino, em maio, a Secom vem trabalhando para Padilha e não para Temer.

CAMPANHAS DIFAMATÓRIAS – Aliás, foi o secretário Márcio Gomes quem comandou, a pedido da Casa Civil, a campanha difamatória contra Medina Osório no ano passado, inclusive inventando uma falsa carteirada que o ministro teria dado para viajar de jatinho, logo desmentida pela FAB, porque ele fora a Curitiba em viagem oficial, acompanhado de uma equipe da AGU, para reuniões com a força-tarefa da Lava Jato e o juiz Sergio Moro.

Depois, o chefe da Secom iniciou também uma campanha difamatória contra Marcelo Calero, da Cultura, a pedido de Geddel Vieira Lima, mas deu tudo errado, porque o ministro percebeu a manobra, gravou os interlocutores, inclusive o próprio Temer, se demitiu e causou a exoneração de Geddel.

Diante de tudo isso, que nem é novidade, pois em Brasília todo mundo conhece essas armações dos caciques do PMDB, é inacreditável que importantes jornalistas ainda continuem acreditando nas informações que lhes são passadas pela Secom, que não tem a menor credibilidade e consegue transformar maligno em benigno, ou vice-versa, a seu bel prazer.

###
PS – Como se sabe, Padilha foi internado segunda-feira passada no Hospital do Exército, que poderia ter feito a cirurgia, mas o ministro preferiu ser operado no Hospital Moinhos de Vento (nome do bairro onde está sediado), uma espécie de Sírio Libanês do Rio Grande do Sul. (C.N.)

Padilha depende de Janot, que depende de Temer para ser reconduzido ao cargo

Resultado de imagem para rodrigo janot charges

Janot pode agir ou se omitir, eis a questão

Carlos Newton

Na quinta-feira passada, logo que a Veja divulgou que o advogado José Yunes, ex-assessor do presidente Michel Temer, havia denunciado que o ministro Eliseu Padilha o fizera de “mula involuntário” na campanha de 2014, toda a imprensa noticiou que a Procuradoria-Geral da República iria pedir abertura de inquérito contra o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, para investigar as acusações. E esse pedido deve ser enviado pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal logo depois do carnaval, segundo informou o “Jornal Nacional”.

PADILHA E YUNES – O objetivo do inquérito (se houver, é claro) será apurar as citações feitas pelo executivo da Odebrecht, que apontou Padilha como destinatário de R$ 4 milhões, em dinheiro vivo, e disse que parte da “doação” foi entregue a José Yunes, em São Paulo, para repassar a Padilha, que operava o caixa dois do PMDB.

Depois de publicada essa informação pela Veja, o caso se agravou e se complicou, porque o doleiro Lúcio Funaro, que teria levado o dinheiro ao escritório de Yunes para ser entregue a Padilha, mandou seu advogado desmentir e pediu uma acareação com o ex-assessor de Temer, com Padilha e com o delator da Odebrecht, o ex-diretor Cláudio Melo Filho. Logo em seguida, o próprio Yunes também pediu uma acareação com o delator e com Padilha. Portanto, o desenrolar desse imbróglio passou a depender diretamente do procurador Janot, mas a gravidade da doença de Padilha, que tinha câncer e teve de extrair a próstata, mudou inteiramente o quadro.

ACAREAÇÃO E APURAÇÃO – São duas importantíssimas providências que só o chefe do Ministério Público Federal pode solicitar – a realização da acareação entre os envolvidos e a abertura do inquérito sobre Padilha. E se houver algum pedido de Janot (conjunto ou separado), terá de ser aprovado pelo relator da Lava Jato no Supremo, ministro Edson Fachin.

Nesse clima de suspense político-criminal, um terceiro fator também está em jogo – a independência da Procuradoria-Geral da República. O mandato de Janot está acabando e há várias semanas vem sendo noticiado que ele pretende disputar uma inédita terceira indicação. Ou seja, vai incluir seu nome entre os candidatos, haverá a votação interna no Ministério Público Federal e depois Temer escolherá um deles, que não necessariamente terá de ser o mais votado, embora sempre seja recomendável e democrático.

INTERESSES PESSOAIS – Isso significa que se formou uma curiosa equação política, nos seguintes termos: Padilha depende de Janot, que depende de Temer para ser reconduzido ao cargo, configurando uma situação que pode estar contaminada por interesses pessoais, digamos assim.

É do interesse de Temer que Padilha seja investigado, porque o chefe da Casa Civil, que não manda mais no Planalto, ficará ainda mais enfraquecido. Mesmo assim, o presidente não pretende exonerá-lo, e Padilha jamais pedirá demissão, porque precisa desesperadamente do foro privilegiado. Agora, com a confirmação de que se trata de câncer, com extração total da próstata e recuperação bem mais demorada, a licença de Padilha e a acareação estão automaticamente prolongadas “sine die”, como se dizia antigamente. Mas Janot tem de decidir sobre a abertura do inquérito.

###
PS- Por motivos óbvios, Temer não demite nenhum cacique do PMDB. Foi assim como Romero Jucá, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima. Ele deixa que apodreçam até jogar a toalha. Mas o ministro Padilha é diferente. Sua imagem já apodreceu faz tempo, mas ele não se demite. E o presidente terá de aturá-lo, porque o ainda chefe da Casa Civil é um homem-bomba tipo Eduardo Cunha, aquele ex-deputado que está doido para fazer delação premiada e dizer duas ou três coisas que sabe sobre Temer, ao estilo do cineasta francês Jean-Luc Godard. (C.N.)

Alguém acredita em acareação entre Yunes, Padilha, Funaro e o delator?

Resultado de imagem para yunes, padilha e funaro

Ilustração reproduzida do site Tijolaço

Carlos Newton

Reina a confusão, ninguém sabe quem está dizendo a verdade no caso da entrega da “doação” da Odebrecht ao PMDB, em dinheiro vivo, na campanha de 2014. Parece o célebre poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, porque o executivo Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, denuncia Michel Temer, Eliseu Padilha, Lúcio Funaro e José Yunes, que denuncia Padilha e Funaro, que pretende denunciar todos eles e exige uma acareação, enquanto Yunes que ser ser acareado apenas com o delator e com Padilha, que diz não conhecer Funaro, e Temer faz coro, afirmando que também nunca o doleiro/operador do PMDB, muito ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha.

RECAPITULANDO… – Diante das contradições e da confusão, vale a pena recapitular a história, segundo a técnica dos investigadores, que sempre recomendam “seguir o dinheiro”. 

Como se sabe, José Yunes era assessor de Temer e pediu demissão do governo após ser citado no depoimento de Cláudio Melo Filho. O executivo contou na delação premiada que Temer, em um jantar no Jaburu, solicitou a Marcelo Odebrecht doação ao PMDB. Parte desses pagamentos, no valor de R$ 4 milhões, em dinheiro vivo, foi realizada via Eliseu Padilha, e um dos endereços de entrega foi o escritório de José Yunes em São Paulo.

“MULA INVOLUNTÁRIO” – Agora Yunes depõe espontaneamente e afirma ter sido usado por Padilha como “mula involuntário”, assinalando que o ministro lhe pediu que recebesse em seu escritório “documentos” que na verdade eram doação em dinheiro, e foram entregues pelo doleiro Lúcio Funaro.

Yunes conta uma versão fantasiosa, que os procuradores da Lava Jato contestam. Dá entrevistas sucessivas, numa hora refere-se a um pacote de certa espessura, em outra fala num envelope grande, mas R$ 1 milhão não cabem em envelope, é preciso ser um pacote volumoso e pesado, uma mochila ou uma mala.

O doleiro Funaro também desmente Yunes e exige uma acareação com o executivo da Odebrecht e com Padilha. Se houver acareação, a verdade poderá aflorar, até porque Yunes também quer ser confrontado com o delator Cláudio Melo Filho e também com Padilha.

SEM ACAREAÇÃO – O chefe da Casa Civil, porém, diz não conhecer o doleiro Funaro e não aceita ser acareado com ninguém, ou seja, prefere fazer operação na próstata do que ser obrigado a falar a respeito do penetrante tema, digamos assim. 

Se estivéssemos num país minimamente sério, o procurador-geral Rodrigo Janot já estaria providenciando a acareação, única maneira de se saber a verdade.  É a única autoridade que pode solicitar essa medida, porque Padilha ainda é ministro e tem foro privilegiado. Mesmo se a acareação fosse apenas entre Funaro, Melo Filho e Yunes, sempre dependeria do Supremo, porque Padilha está citado e diretamente envolvido. Ou seja, não haverá acareação.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA ilustração do site Tijolaço, do jornalista Fernando Brito, é muito oportuna, porque remete à insistente reivindicação do ex-deputado Eduardo Cunha, que desde novembro tenta que Temer responda a 41 perguntas, e duas delas são as seguintes: 36 – O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB? 37 – Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada? Mas o juiz Moro, infelizmente, cortou as perguntas, porque Temer também possui foro privilegiado. (C.N.)

Temer combinou tudo com Yunes para destruir Padilha, que não sabe como revidar

Resultado de imagem para temer e yunes

José Yunes e Michel Temer são amigos há mais de 50 anos

Carlos Newton

A hipocrisia e o cinismo sempre foram características da atividade política, na qual traições e alianças se confundem, é preciso manter os inimigos por perto e o fogo amigo pode se tornar a maior ameaça, conforme o genial William Shakespeare dissecou em suas peças. No caso do Brasil, essas peculiaridades são ainda mais exacerbadas, a confusão é geral, as aparências não dizem nada, torna-se necessário estar sempre recorrendo à tradução simultânea para tentar compreender o que realmente está acontecendo.

TEMER X PADILHA – O primeiro ponto a ser considerado é que desde setembro existe uma briga surda entre o presidente Michel Temer e seu principal ministro, Eliseu Padilha, da Casa Civil, conforme temos noticiado em primeira mão e absoluta exclusividade.

Mas por que se desentenderam? Tudo começou quando Padilha extrapolou suas funções e começou a se comportar como se fosse chefe do governo, interferindo e criando problemas com ministros importantes, entre os quais Henrique Meirelles (Fazenda), José Serra (Itamaraty) e Medina Osório (Advocacia-Geral da União).

Temer teve uma conversa dura com Padilha, tentou enquadrá-lo, mas não adiantou nada, o chefe da Casa Civil se manteve irredutível, as relações foram se deteriorando e passaram a ser apenas formais, um verdadeiro festival de cinismo.

MOREIRA PRESTIGIADO – A primeira investida de Temer foi prestigiar Moreira Franco, que passou a acompanhá-lo em todos os atos de importância política. Padilha ficou no freezer, mas fingiu que não estava nem aí e continuou dando entrevistas sobre todos os assuntos do governo, arranjadas pela Assessoria de Imprensa do Planalto, que sempre esteve subordinada à Casa Civil.

A única exceção ocorreu no início de janeiro, quando houve a enchente em Rolante, no Rio Grande do Sul, e Temer levou o gaúcho Padilha na comitiva, para manter as aparências, e até chegou a mencioná-lo em seu discurso, vejam a que ponto chega a hipocrisia dos políticos.

A essa altura, Padilha já estava enfraquecido, porque no final de novembro sofrera um grande golpe, com a demissão de seu aliado Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). Essa disputa pelo poder foi afastando Temer dos caciques do PMDB, como ficou claro ao indicar o tucano Antonio Imbassahy para substituir o peemedebista Geddel. Ao mesmo tempo, o presidente deu a estocada final para esvaziar os poderes de Padilha, ao promover Moreira Franco a ministro e lhe passar o comando da Secretaria de Comunicação, da Assessoria de Imprensa, do Cerimonial e da Administração da Presidência. que estavam sob comando da Casa Civil.

PADILHA ENFIM REVIDA – Quando Temer indicou Alexandre de Moraes para o Supremo, surpreendentemente Padilha resolveu revidar e fazer mais um teste de força com Temer. Sem prévia autorização do presidente, combinou com os demais caciques do PMDB a indicação de um de seus assessores para ser ministro da Justiça. Surgiu assim o nome do desconhecido e inexpressivo Gustavo do Vale Rocha, da Subchefia Jurídica da Casa Civil, cujas credenciais eram ter trabalhado no Diretório do PMDB e ser advogado de Eduardo Cunha.

Atendendo a uma ordem direta de Padilha, a Assessoria de Imprensa do Planalto então passou a distribuir notícias destinadas a fortalecer a “autocandidatura” de Rocha, pressionar Temer com o apoio dos caciques do PMDB e criar um fato consumado.

A resposta do presidente foi fulminante, ao nomear Osmar Serraglio, que tem cinco mandatos de deputado federal pelo PMDB, era amigo de Cunha e até tentou ajudá-lo, mas não integra a quadrilha montada pelos caciques do partido.

YUNES ENTRA EM CENA – Logo em seguida, outra estocada de Temer, através do amigo de juventude José Yunes, seu colega na Faculdade de Direito, correligionário no PMDB paulista e parceiro de bancada na Constituinte de 1987/88 como deputado federal. A entrevista à Veja foi uma manobra ensaiada, com duplo objetivo – ao mesmo tempo, proteger Yunes da Lava Jato e incriminar Padilha definitivamente.

Raciocinemos: assim como o ainda assessor Gustavo do Vale Rocha jamais tomaria a iniciativa de se candidatar a ministro sem estar obedecendo a uma ordem de Padilha, do mesmo jeito o ex-assessor José Yunes nunca denunciaria o chefe da Casa Civil sem orientação de Temer. É o óbvio ululante que nosso amigo Nelson Rodrigues tanto procurou.

Padilha está calado, não comenta a pesadíssima denúncia de Yunes. Disse apenas uma frase à excelente colunista Carolina Bahia, da Zero Hora: “Claro que não vou embora; se Deus quiser, dia 6 retomo minhas atividades em Brasília”.

###
PS – Acontece que Padilha não tem mais atividades a desenvolver em Brasília. Está completamente emparedado no Planalto, porque as importantes atribuições da Casa Civil passaram para o neoministro Moreira Franco. É claro que Padilha quer revidar, mas não sabe como. Sua maior preocupação é continuar ministro, para não perder o foro privilegiado e cair nas mãos do juiz federal Sérgio Moro. Este é o quadro, por enquanto. (C.N.)

Se Padilha conhecesse a Medicina Oriental, nem precisaria operar a próstata

Resultado de imagem para exame de próstata charges

Charge do Nani (nanihumor)

Carlos Newton

A pedido de vários comentaristas da Tribuna da Internet, que se surpreenderam com a informação aqui divulgada acerca da existência de tratamentos para doenças da próstata que eliminam a necessidade de cirurgia, solicitei ao advogado carioca Ernesto Almeida que nos enviasse um relato sobre seu caso clínico e o tratamento a que foi submetido. Seu depoimento é um primor de informação e precisão, mostrando que essa alternativa da Medicina Oriental, unindo homeopatia e acupuntura, realmente é eficaz. E seu depoimento revela também a incompetência das autoridades brasileiras, que passaram a dificultar a importação do medicamento fabricado na China e que usa também ingredientes africanos.

###
A EFICÁCIA DA MEDICINA ORIENTAL
Ernesto Almeida

Não é propriamente um artigo, apenas estou reunindo algumas informações sobre o tratamento da hiperplasia benigna de próstata a que fui submetido, com êxito absoluto.

Morei em Brasília por 16 anos. Nesse período, a doença se agravou e fui procurar um dos maiores especialistas da capital, mas me decepcionei quando deu o diagnóstico e propôs uma cirurgia traumática, com risco de sequelas e até impotência. Não aceitei ser operado e sai do consultório sem saber o que fazer.

Poucos dias depois, encontrei nos corredores do DNER um companheiro de trabalho que não via há tempos. Começamos a conversar e lhe contei meu problema médico. Por sorte, ele era cliente do Dr. Gu Huang Gu, chinês de Xangai, especialista em medicina oriental e, posteriormente, formado nos EUA pela medicina ocidental, e depois fiquei sabendo ser um dos preferido das celebridades da política brasiliense, sendo seu mais famoso cliente o ex-presidente Itamar Franco.

NEM OLHOU OS EXAMES – Levei ao Dr. Gu todos os meus exames, que indicavam uma obstrução do canal urinário de 96%, e havia também outra disfunção, que era o peso excessivo da próstata, muito dilatada.

Ao me receber, o médico nem quis olhar meus exames. Levou-me a uma sala onde havia duas macas e pediu que ficasse apenas de cueca. Fez um exame rápido, pegou meu pulso, disse que minha pressão estava alta e que eu estava com problemas renais e prostáticos.

Depois de uma sessão de acupuntura, que durou cerca de 20 minutos, saí com um vidrinho de bolinhas da homeopatia chinesa e com as agulhas de acupuntura de uso individual que eram vendidas no consultório.

Passei a tomar 18 bolinhas homeopáticas por dia, de manhã, à tarde e à noite, antes das refeições. O remédio chama-se Prostatis e eu comprava em Brasília, depois em São Paulo e, por fim aqui no Rio, na Rua Uruguaiana.

TRATAMENTO LONGO – Durante quatro anos segui à risca o tratamento prescrito da acupuntura e as bolinhas. Ao cabo desses anos, o resultado foi surpreendente. A obstrução se reduziu aos níveis normais relativos à minha faixa etária. O peso/volume da próstata até hoje, muitos anos depois, também encontra-se sob controle, dentro da normalidade etária.

Paralelamente, conheci em Brasília também o Dr. Jong Suk Yum, um médico sul-coreano com a mesma formação do Dr.GU,  defensor da Unibiótica e autor de vários livros sobre doenças que são próprias da terceira idade. Hoje, me louvo de seus livros para cuidar de minha família, usando seu receituário supernatural. Jong Suk Yum é um autor consagrado mundialmente e comecei a comprar seus livros ainda em Brasília. O primeiro deles, “Não há aposentadoria na vida – como chegar aos 120 anos”, e o último, “Natureza – Laboratório da vida”, são da melhor qualidade.

O REMÉDIO SUMIU – Hoje, no Brasil não são mais encontradas as bolinhas homeopáticas Prostatis, porque sua importação passou a ser dificultada pelo órgão de fiscalização dos remédios, a Anvisa. Não tomo há muitos anos, mas gostaria de fazê-lo, apenas por prevenção. Lamento muito essa decisão das autoridades brasileiras, por ser totalmente equivocada.

Depois, descobri a existência do medicamento Prostatal, vendido aqui no Brasil nas lojas de produtos naturais, como a Herbarium. Comprei alguns frascos e tomei, mas não sei se o princípio ativo é o mesmo do medicamento chinês.

Doença de Padilha é falsa ou os médicos do Exército são muito incompetentes

Resultado de imagem para eliseu padilha charges

Será que os médicos erraram o tratamento de Padilha?

Carlos Newton

Os assessores do Planalto anunciaram que o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, tirou licença do governo na última quarta-feira por cerca de 12 dias, em razão de uma cirurgia que fará no fim de semana. E assinalaram que, depois de ficar internado por dois dias nesta semana, Padilha já havia comunicado ao presidente Michel Temer que iria a Porto Alegre, onde deve operar a próstata neste fim de semana. A notícia, aparentemente simples, requer tradução simultânea.

HÁ MUITAS LACUNAS – O assunto é importante, controverso e estranho, cheio de lacunas, porque a Assessoria de Imprensa do Planalto ainda trabalha diretamente para a Casa Civil, embora desde o dia 3 tenha passado a estar formalmente subordinada à Secretaria-Geral da Presidência, comandada pelo neoministro Moreira Franco.

Fica claro que a versão dos assessores do Planalto é uma informação ardilosa e distorcida, que foi montada para ficar parecendo que o ministro Padilha havia pedido licença na quarta-feira, por motivo de doença, mas na verdade isso só ocorreu na quinta-feira à noite, depois de divulgada a explosiva matéria de Thiago Bronzatto na revista Veja.

TROCA DE DATAS – A intenção clara é divulgar que o licença nada tinha a ver com matéria da Veja, pois Padilha se licenciara na quarta-feira. Para reforçar a falaciosa versão, a Assessoria de Imprensa informou que a requisição da licença teria ocorrido estrategicamente via atestado médico, para burlar a obrigatoriedade de publicação do afastamento de ministro no Diário Oficial.

A informação da Assessoria de Imprensa é de que o ministro recebeu alta na quarta-feira, voltou ao Palácio do Planalto e despachou com Temer para avisar que estava de atestado médico e iria a Porto Alegre para ser operado neste fim de semana, com previsão de ficar em recuperação até o próximo dia 6. Era mentira dos assessores. Padilha combinou a licença com Temer na quinta-feira à noite, por telefone, conforme O Globo apurou, e na conversa os dois combinaram a comprovação por atestado médico, que até então nem existia e foi passado a posteriori.

MÉDICOS INCOMPETENTES – O pior é que essa  distorcida informação do Planalto, aparentemente prosaica, é altamente ofensiva ao corpo médico do Hospital do Exército, onde Padilha teria sido internado segunda-feira. A informação da Assessoria de Imprensa é de que Padilha foi internado segunda-feira no Hospital do Exército, em Brasília, com um quadro de “hiperplasia prostática benigna”, que provocou obstrução urinária e houve necessidade de fazer um procedimento ambulatorial.

Essa informação deixa claro que houve incompetência e erro médico no atendimento ao ministro em Brasília. Depois de ultrassonografia, ressonância, toque retal e tudo o mais, os especialistas militares concluíram que o caso dele (obstrução da uretra por hiperplasia prostática benigna), apenas necessitava de desobstrução, um procedimento simples, realizado em ambulatório.

Mas deu tudo errado, porque Padilha agora alega que o tratamento não teve efeito, o problema se agravou e passou a exigir cirurgia, que será feita neste final de semana (ou seja, neste sábado ou no domingo).

HÁ ALGO DE ERRADO – Pesquisas recentes indicam que a hiperplasia prostática benigna afeta 25% homens aos 50 anos de idade, 33% aos 60 anos e 50% aos 80 anos. Há tratamentos alternativos de eficácia comprovada, como a técnica coreana. Na medicina ocidental ainda se recorre à cirurgia, mas só em último caso, porque grande parte dos pacientes pode obter melhoras significativas, de forma duradoura, apenas com tratamento clínico.

Como não existe mistério em constatar necessidade de cirurgia em hiperplasia prostática benigna, é inacreditável que os especialistas tenham cometido erro tão grosseiro ao tratarem um importante ministro de Estado.

O assunto precisa ser esclarecido, porque não se pode aceitar essa ofensa ao corpo médico do Hospital do Exército, sem efetiva comprovação de que realmente a equipe tenha errado o tratamento. Ou será que tudo não passa de uma farsa, a desobstrução da uretra deu certo e Padilha agora está apenas simulando que será operado, para sair de cena temporariamente?

###
PS – Diante do currículo do ministro licenciado, que mais parece uma folha corrida, conclui-se que Eliseu Padilha é muito capaz, porque se mostra capaz de tudo, como se dizia antigamente, no mau sentido. (C.N.)

Candidatura do assessor de Padilha ao Ministério da Justiça é um desafio a Temer

Resultado de imagem para gustavo do vale rocha

“Candidatura” de Rocha é mais uma invenção de Padilha

Carlos Newton

Uma espantosa reportagem de Camila Mattoso e Gustavo Uribe, publicada nesta semana pela Folha de S.Paulo, revelou que o advogado Gustavo do Vale Rocha, subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, está em campanha para a vaga de ministro da Justiça. “O assessor jurídico já indicou abertamente ao presidente Michel Temer a disposição de assumir a pasta e passou a buscar apoio na última sexta-feira, após a negativa do ex-ministro do STF Carlos Velloso em assumir o cargo. Procurado, Rocha disse que não se manifestaria”, afirmaram os repórteres, acrescentando:

O apoio mais forte é o de Rodrigo Janot, procurador-geral da República. Embora não manifeste publicamente, Janot tem dito a interlocutores que aprovaria a escolha”.

PADILHA EM AÇÃO – Na tradução simultânea, isso significa que Rocha está obedecendo ordens de seu chefe imediato, o ministro Eliseu Padilha, que é citado na Lava Jato como operador do caixa dois do PMDB e está respondendo a um gravíssimo processo por crime ambiental e a uma ação de improbidade administrativa, na qual até reivindica foro privilegiado no Supremo, para escapar da primeira instância.

Além disso, o procurador Janot acaba de pedir ao Supremo a abertura de mais um processo contra Padilha por crime ambiental e a Comissão de Ética da Presidência está investigando o chefe da Casa Civil por falta de decoro, no caso da recente palestra a funcionários graduados da Caixa Econômica, na qual teve oportunidade de revelar como o governo Temer tem negociado acordos políticos em troca de cargos no Ministério.

SEM CONDIÇÕES MORAIS – Com uma folha corrida desse nível, Padilha não tem condições morais para fazer indicações de ministros, era só o que faltava. No entanto, ele é o responsável direto pela “autocandidatura” de seu assessor Gustavo Rocha, divulgada com intensidade pela própria Assessoria de Imprensa do Planalto, que supostamente já passou a ser subordinada ao neoministro Moreira Franco, mas na prática só obedece a Padilha.

A excelente matéria de Camila Mattoso e Gustavo Uribe, que serviu de pauta a toda a grande mídia, relembra o currículo do assessor/candidato a ministro, que se assemelha ao de Padilha e também parece um atestado de antecedentes. Na verdade, Rocha chegou ao cargo atual porque trabalhava há anos para a cúpula do PMDB e defendeu Eduardo Cunha na Justiça. Por isso, sua nomeação teve apoio entusiástico de todos os caciques do PMDB, que simbolizam uma verdadeira formação de quadrilha.

SEM NOTÓRIO SABER – Além disso, experiência de Gustavo Rocha como advogado é bisonha e ele costuma atuar em causas verdadeiramente desclassificantes, como a defesa de uma ação montada para beneficiar fabricantes de cigarros acusados de sonegação, conforme denunciou nesta quarta-feira nosso amigo Ancelmo Gois, que comanda a mais lida coluna do jornalismo brasileiro.

Na Casa Civil, Gustavo Rocha foi o autor da defesa errática que manteve na presidência da Empresa Brasileira de Comunicação o petista Ricardo Melo. Na ocasião, para preservar Rocha, a Assessoria de Imprensa do Planalto distribuiu informes atribuindo a trapalhada ao então ministro Fábio Medina Osório, da Advocacia-Geral da União, que não tinha nada a ver com a questão e até tentara ajudar a inexperiente Subchefia Jurídica da casa Civil.

SERVIÇAIS DE PADILHA – No Planalto, todo mundo sabe que Gustavo Rocha e o assessor de imprensa Márcio de Freitas Gomes trabalham para Padilha e não para Temer, mas às vezes há serviços que atendem aos dois senhores. Foi o que aconteceu em dezembro, quando Rocha mandou a Curitiba seu sócio no escritório de advocacia,  Renato Oliveira Ramos, para conversar com Eduardo Cunha e evitar que ele fizesse delação premiada. Sem dúvida, a viagem do causídico era do interesse de Padilha e de Temer, coisa rara nos últimos tempos.

Na verdade, a “candidatura” de Gustavo Rocha ao Ministério é uma piada sem graça, uma afronta do ex-amigo Padilha ao presidente Temer, que não tem como demiti-lo, por se tratar de uma nova versão de hitchcockiano homem que sabia demais.

SEM CONDIÇÕES – O atual ocupante da Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil não tem a menor condição de ser ministro da Justiça, embora outros desclassificados também já tenham ocupado o importantíssimo cargo.

Um deles foi Jarbas Passarinho, signatário da portaria criando a “Nação Ianomami”, que deu a uma tribo nômade de 3,5 mil índios uma área contínua de 9,4 milhões de hectares, equivalente a mais de duas vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro. Outro conhecido ministro da Justiça foi Renan Calheiros, nomeado pelo trêfego presidente Fernando Henrique Cardoso, aquele que mandou esquecerem o que havia escrito, tipo Alexandre Moraes.

O fato é que qualquer ato de Gustavo Rocha sempre dá errado. Em novembro, por exemplo, ele apareceu nas gravações do então ministro Marcelo Calero (Cultura) defendendo o obra em Salvador que causou a demissão de Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). Na gravação, Rocha diz que a Advocacia-Geral da União iria resolver o problema, mas acontece que na época já existia parecer definitivo da própria AGU embargando a obra de Geddel.

CENSURA À IMPRENSA – Recentemente, Gustavo Rocha aceitou fazer outra bobagem, ao atender a Temer e assinar petição em nome da primeira-dama Marcela, requerendo que fossem censuradas as notícias sobre chantagem de um hacker. A ação movida pelo assessor de Padilha rendeu críticas pesadas ao casal Temer e causou revides da Folha e de O Globo, transformando o caso num escândalo nacional e fazendo a própria Comissão de Ética da Presidência abrir investigação sobre a conduta do subchefe de Assuntos Jurídicos no caso.

É por ordem direta de Padilha que a Assessoria de Imprensa do Planalto vaza informes de que o procurador-geral Rodrigo Janot é adepto da nomeação de Gustavo Rocha para o Ministério da Justiça, mas a informação não é verdadeira. Na verdade, Janot está em cima do muro, porque pretende ser reconduzido ao cargo de procurador-geral pela terceira vez e lhe disseram que Temer pretenderia nomear Gustavo Rocha, o que é um delírio total, vejam a que ponto chegou a rede de intrigas em que se transformou o Palácio do Planalto.

###
PS – Quanto à suposta doença de Padilha, que teria sido hospitalizado por dois dias esta semana, também é outro mistério. A doença alegada (hiperplasia prostática benigna) não exige internação. Isso só ocorre quando o paciente não consegue urinar, tem de ser submetido à retirada da urina por meio mecânico (uma seringa enorme, usada em veterinária) ou então é submetido a uma cirurgia reparadora que exige vários dias no hospital, o cidadão fica deitado de bruços, na posição em que Napoleão perdeu a guerra na Batalha de Waterloo. Aliás, na verdade o mal do imperador francês eram simplórias hemorróidas, agravadas por ter de montar a cavalo, mas isso já é outro assunto, porque a Tribuna da Internet também é cultura. (C.N.)

Confirmando não ter “reputação ilibada”, Moraes mentiu perante os senadores  

Dida Sampaio/Estadão

Moraes pisca o olho para Lobão, seu parceiro na sabatina

Carlos Newton

Embora tenha sido aprovado por larga margem na Comissão de Constituição e Justiça, a sabatina de Alexandre de Moraes deixou claro que se trata de um advogado muito longe de ostentar “reputação ilibada” – conceito que identifica cidadãos realmente acima de qualquer suspeita. No caso específico de Moraes, muito pelo contrário, pois não se pode atribuir reputação ilibada a um professor de Direito que joga na lata do lixo sua tese de doutorado, conforme já demonstrou aqui na Tribuna da Internet o jurista Jorge Béja.

MENTIRAS E VÍDEO-TAPE – Da mesma forma, não pode ostentar reputação ilibada um ministro que teve a audácia de inventar uma mentira numa entrevista coletiva sobre a rebelião no presídio de Roraima, algumas semanas atrás, e agora acaba de repetir a dose, ao também mentir ao ser sabatinado pelos senadores, e está tudo gravado em vídeo-tape, não há como negar.

Nunca antes, na História deste país, foi nomeado um ministro do Supremo sob suspeita no próprio tribunal. Conforme publicaram nesta terça-feira os excelentes repórteres Rubens Valente e Mario Cesar Carvalho, da Folha, tramita no Supremo a petição da Polícia Federal para investigar um pagamento total de R$ 4 milhões, feito ao escritório de advocacia do futuro ministro pela JHSF, importante grupo empresarial de São Paulo, entre 2010 e 2014.

UMA COINCIDÊNCIA –  Os generosos pagamentos ocorreram logo após Moraes ter sido secretário de Transportes do prefeito Gilberto Kassab, quando estiveram sob sua gestão direta várias questões de interesse da poderosa JHSF, como compensações viárias que a corporação deveria fazer no shopping Tucuruvi, por exemplo.

A petição da Polícia Federal tramitou em sigilo, decretado pelo Superior Tribunal de Justiça e mantido em setembro do ano passado por Luiz Fux, ministro do Supremo. Mas em 7 de outubro a Folha revelou a existência da petição sobre Moraes, que passara a tramitar na Suprema Corte em 14 de setembro. No dia da reportagem, o então ministro da Justiça declarou, por meio de sua assessoria, que Fux já havia determinado o arquivamento do caso. A Folha então apurou que o ministro do STF realmente tomara essa decisão, mas de forma monocrática, sem encaminhar a questão ao plenário, e também esquecera de ouvir a Procuradoria-Geral da República, diferentemente da praxe.  Três dias depois da pesada denúncia da Folha, Fux reconheceu o erro, voltou atrás, reabriu o caso e determinou que a Procuradoria fosse ouvida.

O mais incrível é que a Procuradoria recebeu o pedido de Fux em 6 de setembro, exatamente no mesmo dia em que o presidente Michel Temer anunciou ter convidado Moraes para ser ministro do Supremo, vejam que incrível coincidência (se é que foi coincidência, pois a nomeação de Moraes o blindará para o resto da vida).

SIGILO ABSOLUTO – A Procuradoria-Geral da República ainda não se manifestou a respeito da investigação sobre Alexandre de Moraes. Procurada pela reportagem da Folha, a assessoria do procurador Rodrigo Janot apenas informou que não pode comentar o assunto por estar sob sigilo, mesma postura do Supremo, enquanto Moraes aproveita para continuar alegando que não é, nem foi investigado, e não pode comentar os serviços que prestou à JHSF por ter assinado uma cláusula de confidencialidade. E a grande empresa paulista usa esse mesmo argumento – muito adequado, digamos assim.

Ao discursar na sabatina, Moraes fez questão de se referir à “suposta investigação”. E mentiu descaradamente perante os senadores, ao afirmar que a petição da Polícia Federal está arquivada. Disse ele: “O Supremo, analisando, viu exatamente que não havia nenhum, absolutamente nenhum indicio de atividade ilícito, e determinou liminarmente o arquivamento de uma petição. Não houve uma investigação, nem uma abertura porque não há absolutamente nada ilícito. O arquivamento se deu em setembro passado e de lá até aqui não há absolutamente nada a se colocar“.

Ou seja, com o maior atrevimento, tentou esconder que no dia 6 de setembro Fux reabriu o pedido de investigação feito pela Polícia Federal e solicitou parecer da Procuradoria-Geral da República sobre o comportamento dele, o ilibado ministro Alexandre de Moraes. E como todos sabem, o Ministério Público jamais é chamado a opinar sobre questão arquivada.

###
PSA existência de um pedido de investigação sobre Alexandre de Moraes no próprio Supremo era (e continua sendo) o maior ponto fraco da indicação dele. A Folha publicou, a Tribuna da Internet imediatamente fez tradução simultânea, mas nenhum senador teve competência para arrancar a máscara do futuro ministro do Supremo, às vésperas do Carnaval. E assim o neoministro ficou à vontade para até criticar os jornalistas, em vários momentos da sabatina. “A imprensa inventa às vezes o que bem entender”, afirmou o ilibado Moraes, sem saber que a gente já estava de olho nas novas invenções dele. (C.N.)

Se Temer e o Congresso insistirem em abafar a Lava Jato, haverá um golpe militar

Entrevista de Villas Bôas precisa de tradução simultânea

Carlos Newton

A política nacional sempre foi muito complicada, os observadores estrangeiros não conseguem entender tamanha esculhambação institucional, até mesmo os brasileiros têm enorme dificuldade, não conseguem acompanhar, a todo momento é preciso recorrer à tradução simultânea. Desde sexta-feira, dia 17, procura-se descobrir o real objetivo da explosiva entrevista que o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, concedeu à repórter Monica Gugliano, do jornal Valor Econômico. Como se sabe, chefes militares jamais se pronunciam sobre assuntos políticos. Quando o fazem, é porque há alguma coisa de errado, aliás, muito errado.

O mais impressionante foi a rarefeita repercussão das declarações, que mesmo assim abalaram as estruturas do poder em Brasília, com reflexos por todo o país, porque o comandante do Exército não mediu as palavras. Às vésperas do carnaval, rasgou a fantasia e se incorporou ao Bloco dos Descontentes, ao afirmar que “somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser“.

Ainda não satisfeito, acrescentou: “Esgarçamo-nos tanto, nivelamos tanto por baixo os parâmetros do ponto de vista ético e moral, que somos um país sem um mínimo de disciplina social“.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Ao dar entrevista ao Valor, que é um jornal de circulação mais restrita na Organização Globo, que comanda sozinha a publicação, desde que a Folha se desligou da sociedade, o general deixou claro que estava dando um recado “interna corporis”, destinado a atingir apenas o governo, os políticos e as lideranças militares.

O fato concreto é que o descontentamento e a pressão interna nas Forças Armadas têm cada vez mais intensidade. Entre as lideranças militares, há consenso de que não há planejamento no país, a administração pública não tem metas nem visa a atender os reais interesses nacionais.

Um dos objetivos da entrevista do general Villas Bôas foi acalmar o pessoal da ativa e também da reserva, pois os três clubes militares estão defendendo abertamente uma intervenção das Forças Armadas, a pretexto de moralizar a política e a administração pública.

SEM INTERVENÇÃO – Com muita habilidade, o comandante do Exército descartou a possibilidade de derrubada do governo constitucional: “Interpreto o desejo daqueles que pedem intervenção militar ao fato de as Forças Armadas serem identificadas como reduto onde esses valores foram preservados. No entendimento que temos, e que talvez essa seja a diferença em relação a 1964, é que o país tem instituições funcionando. O Brasil é um país mais complexo e sofisticado do que era. Existe um sistema de pesos e contrapesos que dispensa a sociedade de ser tutelada. Não pode haver atalhos nesse caminho. A sociedade tem que buscar esse caminho, tem que aprender por si. Jamais seremos causadores de alguma instabilidade“.

O general tem razão. A Constituição deixa claro que cabe às Forças Armadas “a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. E a Lei Complementar nº 97  também é clara: “A atuação das Forças Armadas, na garantia da lei e da ordem, por iniciativa de quaisquer dos poderes constitucionais, ocorrerá de acordo com as diretrizes baixadas em ato do Presidente da República, após esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”.

INTERVIR SIGNIFICA GOLPE – Sem a menor dúvida, a entrevista confirma a convicção de que não existe possibilidade de ocorrer a apregoada “intervenção militar constitucional”. O significado real seria “golpe de estado” ou “golpe militar”, apenas isso.

Segundo as cuidadosas declarações do comandante do Exército, essa hipótese estaria afastada. Mas acontece que as aparências sempre enganam, quando se trata da política brasileira. Na entrevista, a ênfase dada à moral e à ética, assim como a incisiva defesa da Lava Jato (“É a grande esperança de que se produza no país alguma mudança nesse aspecto ético que está atingindo nosso cerne, que relativiza e deteriora nossos valores“) – tudo isso demonstra que as Forças Armadas não estão desatentas nem omissas.

Ainda em tradução simultânea, o general Villas Bôas deixou claro que, se o Planalto e o Congresso insistirem nessa irresponsável tentativa de inviabilizar a Lava Jato, a história vai se repetir no Brasil, e não será como farsa. Portanto, espera-se que o presidente Michel Temer tenha um mínimo de juízo e não ouse levar adiante essa injustificável iniciativa.

###
PS –
É impressionante que Michel Temer, com todo seu preparo e experiência, ainda não tenha entendido a gravidade da situação.  Está caminhando para complementar 77 anos, mas não parece preocupado com a biografia que o filho Michelzinho irá aprender no colégio. (C.N.)

Com 24 candidatos a ministro, Temer não tem desculpas para atrasar a indicação

Resultado de imagem para quem?

Ilustração reproduzida do site IG Tecnologia

Carlos Newton

É inexplicável e inaceitável essa demora do presidente Michel Temer em indicar o substituto de Alexandre de Moraes no Ministério do Planejamento. No início do mês, o chefe do governo abriu um espaço na agenda para dar entrevista a Ricardo Noblat, de O Globo, e fez revelações interessantes, como declarar que tinha selecionado 27 candidatos à vaga no Supremo, aberta com a morte trágica do ministro Teori Zavascki. Três dias depois,  escolheu o nome de Moraes, seu discípulo e amigo há décadas. Sobraram, então, 26 candidatos a comandar a pasta da Justiça, cargo de perfil semelhante ao de ministro do Supremo. Diante dessa realidade, não é admissível que o presidente continue retardando a decisão.

TEVE DE RECUAR – Todos sabem que o candidato preferido de Temer era o criminalista Antonio Mariz de Oliveira, que é seu advogado e velho amigo. Mas o presidente teve de recuar, por se tratar de um inimigo declarado da Lava Jato, que assinou o manifesto organizado pelo PT e deu entrevistas criticando também a delação premiada.

Sem apoio para indicar Mariz, o presidente fez então uma surpreendente guinada, convidando um advogado famoso que defende posição exatamente oposta – Carlos Velloso, ex-ministro do Supremo, que tem apoiado a Lava Jato, as delações premiadas e a atuação do juiz federal Sérgio Moro. E como Velloso acabou recusando, conforme até previmos aqui na Tribuna da Internet, tudo voltou à estaca zero.

RESTAM 24 NOMES – De toda forma, não há justificativa para essa demora na indicação do novo ministro da Justiça. Afinal, na agenda presidencial, mesmo com o descarte dos nomes de Moares, Mariz e Velloso, ainda restam exatos 24 pretendentes à disputada nomeação.

A indecisão só faz aumentar as especulações de que o convite a Velloso tenha sido apenas uma manobra diversionista de Temer, para depois indicar um ministro que aceite ser integrado ao esquema do Planalto e do Congresso para inviabilizar o prosseguimento da Lava Jato. A dificuldade na escolha residiria justamente nesse detalhe – é preciso indicar um nome que seja respeitável, não desperte suspeitas e possa participar da chamada Operação Abafa.

IMPASSE DE TEMER – Bem, foi assim que o presidente Temer chegou a um impasse. Como escolher um ministro respeitável nessas condições? É claro que se trata de uma verdadeira missão impossível (e sem Tom Cruise). Se o pretendente ao cargo for adversário da Lava Jato, jamais poderá ser respeitado; pelo contrário, em pouco tempo estará totalmente desmoralizado.

A solução ideal para o Planalto é indicar um deputado ou senador do PMDB ou do PSDB, que seja pouco conhecido e desperte menos suspeitas. A justificativa então será uma suposta e inexistente pressão feita pela base aliada, porque o partido ao qual o neoministro seja filiado nem interessa – todos são praticamente iguais. quando o objetivo é esvaziar a Lava Jato.

###
PSÉ claro que existe outra hipótese. Temer pode ter uma nova recaída, cair na real e nomear um jurista independente tipo Velloso, convencido de que não há como abafar a Lava Jato. Na política brasileira, tudo pode acontecer. (C.N.)

Alto grau de irresponsabilidade na reforma da Previdência fez o Supremo intervir

Resultado de imagem

Celso de Mello agiu com o necessário rigor

Carlos Newton

O grau de irresponsabilidade do governo Michel Temer acaba de ser confirmado “au grand complet”, como dizem os franceses, devido à providencial decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, que deu prazo de dez dias ao presidente da República e ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para que prestem informações sobre a emenda constitucional da reforma da Previdência (PEC 287/2016).  Parece inacreditável, mas o fato concreto é que o governo está promovendo uma reforma do sistema previdenciário, sem ter promovido antes a chamada análise atuarial, única forma de constatar qual é o déficit, se é que ele realmente existe, pois há controvérsias.

A oportuna determinação de Mello foi feita ao despachar um mandado de segurança impetrado por 28 deputados de oposição, que pedem a anulação dos atos de tramitação da emenda na Câmara. Os parlamentares denunciam que o governo não apresentou o estudo atuarial, necessário para confirmar o desequilíbrio nas contas da Previdência e a consequente necessidade de alteração nas regras, que vai afetar a todos os brasileiros, sem exceção.

INTERESSE PÚBLICO – A delicadíssima questão revela a falta de compromisso do governo em relação ao interesse público. É inconcebível e inaceitável que um projeto de tamanha importância e alcance social seja apresentado ao Congresso para aprovação a toque de caixa, sem que houvesse um criterioso estudo prévio.

A irresponsabilidade é tão gritante que o próprio relator da emenda, deputado Artur Maia (PPS-BA), escolhido a dedo por ser favorável à reforma, está se recusando a apoiar o texto original do governo, no qual só existem cálculos simples de supostos prejuízos, ao invés dos estudos atuariais especializados que regem qualquer sistema de seguridade.

EMENDA PURO-SANGUE – O pacote de maldades foi criado sob regência do secretário da Previdência, Marcelo Caetano, que tem dado sucessivas entrevistas nas quais se orgulha de ter realizado uma emenda “puro-sangue”, idealizada exclusivamente por funcionários de carreira, que parecem ter contraído a doença da ministra-chefe da Advocacia-Geral da União, pois esqueceram justamente de realizar o cálculo atuarial que justificaria as drásticas mudanças, destinadas a atingir com rigor absoluto as faixas mais carentes da população.

O ministro Celso de Mello aguarda as informações solicitadas para decidir sobre a aceitação do mandado de segurança. O acolhimento significaria a interrupção definitiva da tramitação da matéria na Câmara, que por enquanto já está suspensa, embora a mídia nem tenha percebido esse importantíssimo fato.

Sem fazer alarde, o relator paralisou a tramitação, pois pediu as mesmas informações ao presidente da Comissão Especial destinada a debater o tema na Câmara, deputado Carlos Marun (PMDB/MS), e ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, cujo nome ainda nem está definido. Quando a PEC 287 foi recebida pela Câmara, em dezembro do ano passado, o presidente da Comissão era Osmar Serraglio (PMDB/PR). Portanto, caberá a ele informar.

Isso significa que não adianta apresentar parecer nem votar nada, enquanto as informações não forem fornecidas pela Secretaria da Previdência, único órgão que tem condições de fazer o estudo atuarial. Ou seja, por não saberem de nada, os presidentes da Câmara e das Comissões simplesmente responderão ao relator do STF que também aguardam o envio dos cálculos pelo governo.

REQUISITO OBRIGATÓRIO – No mandado de segurança, os deputados alegam que o estudo atuarial é pressuposto obrigatório para confirmar o desequilíbrio nas contas da Previdência e a necessidade de alteração nas regras.

“Não se trata de mera orientação para a gestão administrativa. O estudo atuarial é requisito formal para a regularidade material das condições previdenciárias em qualquer regime, em especial quando objeto de alteração constitucional”, diz um trecho da ação.

A oposição argumenta ainda que a elaboração da PEC ocorreu “à revelia do Conselho Nacional de Previdência Social”, vejam o elevado nível da esculhambação institucional que assola o país, tipo Febeapá do jornalista Sérgio Porto.

###
PSA suspensão do trâmite da reforma da Previdência é tão importante que deixamos para depois o assunto da indicação do novo ministro da Justiça, uma tema que também demonstra a incompetência e a falta de espírito público do atual governo. (C.N.)

Celso de Mello deu uma boa dica para defender Moreira, mas Temer não entendeu

Resultado de imagem para celso de mello charges

Charge do Clayton, reproduzida do JC/PE

Carlos Newton

É impressionante a promiscuidade existente entre os Poderes da República, um fenômeno que não existia quando a capital era no Rio de Janeiro. Nos oito anos em que trabalhei em Brasília, constatei essa situação deplorável. As pessoas importantes frequentam os mesmos restaurantes, ficam amigas, e os interesses se cruzam. No final dos anos 80 e início dos anos 90, o pessoal do PMDB de Ulysses Guimarães, mais à esquerda, frequentava o Piantella; a direita ligada a ACM e Maluf (que, entre si, eram inimigos mortais) ia ao Gaf; e todos frequentavam o Florentino, que chegou a ter uma sucursal no Rio de Janeiro, o Forty-Five e a churrascaria Chamas.

Os lobistas circulavam muito pela noite, quando todos os gatos são pardos. Um dos mais simpáticos era Luis Guilherme Mazzilli,  filho do ex-deputado Ranieri Mazzili (PSD-SP), ex-presidente da Câmara, mas nunca se ouviu falar que tivesse tentado comprar o apoio de algum político. E o lobista mais folclórico era o famoso advogado Carlinhos Medeiros (filho de Carlos Medeiros Silva, co-autor do AI-5, ex-ministro da Justiça e do Supremo no regime militar), que morava no apartamento funcional do irmão, o deputado Marcelo Medeiros (PMDB-RJ).

NO APARTAMENTO FUNCIONAL – O irmão perdeu a eleição em 1986, mas Carlinhos Medeiros continuou morando lá, porque o apartamento passou a ser ocupado pelo deputado Ronaldo César Coelho (PMDB-RJ), que gostou dos móveis coloniais que decoravam o imóvel, simpatizou com Carlinhos Medeiros e ficou tudo em casa.

A promiscuidade proporcionada por Brasília era bem caracterizada por Carlinhos Medeiros, que não atuava como advogado, mas era imbatível na função de lobista jurídico. À noite, ele circulava incessantemente pelos restaurantes da moda. Sempre que encontrava algum ministro de tribunal superior, cumprimentava-o efusivamente e ia embora. Quando o ministro pedia a conta, já estava paga. Carlinhos Medeiros era incrível. Sabia as datas de aniversário dos ministros, das mulheres, filhas e secretárias, cercava pelos sete lados, como se diz na gíria do jogo-do-bicho.

Naquela época, o lobista jurídico era a pessoa mais conhecida da vida noturna de Brasília, incansável na ronda dos restaurantes, e isso rendia grandes frutos para os advogados que o contratavam.

PROMISCUIDADE, SEMPRE – Estou contando essas histórias para mostrar que sempre houve promiscuidade em Brasília, uma realidade que acaba de ser confirmada com o despacho do ministro Celso de Mello sobre o caso Moreira Franco, semana passada, quando pediu que fosse previamente ouvido o presidente da República, “por razões de prudência”.

No mesmo despacho, Celso de Mello, velho amigo de Temer, deu a dica de como deveria ser estruturada a defesa, ao solicitar que o presidente se manifestasse também sobre a legitimidade de partidos políticos ajuizarem mandados de segurança coletivos para a proteção de “direitos ou interesses metaindividuais”.

Era a chave do cofre, o caminho para arquivar liminarmente os mandados de segurança dos partidos Rede e PSOL, a defesa nem precisava se alongar no mérito da nomeação de Moreira. Qualquer advogado experiente teria entendido a mensagem do amado mestre Celso de Mello. Mas acontece que Temer não advoga há décadas. Desprezou o velho ditado jurídico (“Quando um advogado assume a própria defesa, é um idiota defendendo outro idiota”), resolveu redigir a contestação e nem leu a mensagem que o amigo Celso de Mello lhe enviara.

UM ATO FALHO – O resultado foi patético, porque Temer cometeu o chamado ato falho e redigiu a defesa chamando Moreira Franco de “Moreira Alves”.

“Ademais, cuide-se que o ministro Moreira Alves não tem qualquer condenação judicial penal transitada em julgado. Também não é alvo de qualquer ação proposta pelo Ministério Público no curso da denominada Operação Lava Jato. Nesse sentido, Sua Excelência está protegido pelo sagrado manto da presunção constitucional de inocência. E, segundo a Constituição, para ser escolhido e nomeado ministro de Estado há apenas 2 (duas) condições: a) ser brasileiro maior de 21 (vinte e um) anos; e b) estar no exercício dos direitos políticos. O ministro Moreira Alves preenche esses 2 (dois) requisitos constitucionais” – diz a atrapalhada peça de defesa.

Ora, a defesa do Planalto é assinada pela ministra Grace Mendonça (AGU) e pelo assessor Gustavo do Vale Rocha (Casa Civil), que nem sabem quem é o grande jurista José Carlos Moreira Alves, ex-ministro do Supremo, que deve estar dando boas gargalhadas. Aliás, Grace e Gustavo são tão inexperientes e incompetentes que nem corrigiram a contestação escrita por Temer e que eles próprios assinaram.

DICA DO RELATOR – Se a defesa da nomeação de Moreira tivesse sido entregue a algum advogado competente, ele logo entenderia a dica de Celso de Mello e arguiria a impossibilidade da utilização do Mandado de Segurança ser impetrado por partido político para defender direitos difusos e transindividuais.

O resultado foi que o próprio Celso de Mello foi obrigado a fazê-lo, e transcreveu precedentes do próprio Supremo para ressaltar que partido político não tem qualidade para agir junto à Justiça através de mandado de segurança, na defesa desses direitos.

Foi uma saia justa jurídica. Como a defesa não arguiu a falta de qualidade dos partidos políticos para impetrarem os mandados de segurança, o relator Celso de Mello teve de concordar também com os demais argumentos alinhavados por Temer (via Grace Mendonça e Gustavo Rocha) para derrubar as liminares contra a nomeação de Moreira Franco.

AINDA VAI ROLAR – Mas a questão não acabou. Celso de Mello vai convocar Moreira Franco para se manifestar, porque os mandados de segurança seguem em aberto e terão de ser apreciados pelo plenário do Supremo, na forma do Regimento Interno.

Por isso, Celso de Mello avisou que a manifestação de Moreira Franco “é necessária para que a decisão do Supremo, qualquer que ela seja, tenha eficácia”. O relator disse também que, se não houver recurso da Rede e do PSOL, não levará a decisão para ser referendada pelos demais ministros.

###
PSEm tradução simultânea, se a Rede e o PSOL recorrerem, a questão não acabou e isso significa que Temer foi um fracasso atuando em causa própria. Se o presidente tivesse seguido a dica do amigo Celso de Mello, os dois mandados de segurança teriam sido liminarmente arquivados.  (C.N.)

Janot tentou poupar Temer da Lava Jato, mas o presidente também será investigado

Resultado de imagem para temer investigado charges

Fotomontagem sem assinatura, reproduzida do Google

Carlos Newton

A política brasileira quase sempre necessita de tradução simultânea. Costuma-se dar grande destaque a assuntos apenas corriqueiros, enquanto temas da maior relevância às vezes passam despercebidos. Foi justamente o que aconteceu, no último dia 9 (quinta-feira passada), ao ser anunciada a importantíssima decisão tomada pelo ministro Edson Fachin,  já na condição de relator dos inquéritos e processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

DELAÇÃO DE MACHADO – Houve grande repercussão em toda a mídia, porque o ministro atendeu à petição do procurador-geral Rodrigo Janot e autorizou a abertura de inquérito para investigar os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR), o ex-senador José Sarney (PMDB-AP) e Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, por tentativa de obstruir a Lava Jato.

Estranhamente, não saiu nenhuma notícia ou comentário sobre o fato de o procurador-geral ter excluído da investigação o presidente Michel Temer, que também é citado diversas vezes na explosiva delação de Machado e nas gravações dos diálogos com Renan, Jucá e Sarney. (Detalhe: o senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) escapou por pouco, porque estava hospitalizado e o médico proibiu que recebesse a visita de Machado, que ia gravar a conversa.)

JANOT AGIU CERTO? – O fato concreto é que Rodrigo Janot mandou incluir até mesmo o ex-presidente José Sarney, que nem possui foro privilegiado, mas entrou no rolo e vai ser investigado pelo Supremo, junto com os parlamentares em exercício de mandato.

E a dúvida agora é saber se o procurador-geral procedeu corretamente ao excluir Temer do inquérito policial. Especula-se que Janot pode ter agido assim para não agravar a nova crise que o país atravessa, causada pelas denúncias de que o presidente da República apoia e participa das manobras para inviabilizar a Lava Jato.

E realmente há uma justificativa para Janot isentar Temer, porque,  na citação direta que Machado lhe fez, o então vice-presidente apareceu pedindo “doação oficial”, e isso é caixa um e não representa nenhum ato ilícito.

TEMER SERÁ INVESTIGADO – Mas esse cuidado que Janot demonstrou ao poupar Temer não vai adiantar nada, porque o presidente também acabará sendo investigado. Quando a força-tarefa ouvir novamente Sérgio Machado e cruzar as informações com as prestações de contas de campanha e tudo o mais, é claro que a participação de Temer na conspiração também será apurada e analisada, de tabela, como se diz no linguajara do basquete.

O Plano A de Temer é conseguir ficar no governo ate o final do mandato e o Plano B inclui o sonho da reeleição, porque ele acha que o Tribunal Superior Eleitoral não cassará a chapa completa e irá apoiar uma estranha tese já esboçada pelo ministro Gilmar Mendes, que é amigo de Temer há mais de 30 anos e não vai se declarar suspeito no julgamento.

Se isso acontecer, o TSE irá derrubar uma jurisprudência sólida, que já causou a cassação de três governadores – Jackson Lago (Maranhão), Cássio Cunha Lima (Paraíba) e Marcelo Miranda (Tocantins).

GRAVAÇÃO REVELADORA – A propósito das ligações de Temer com os caciques do PMDB, o comentarista Roberto Marques não cansa de republicar aqui na Tribuna da Internet um dos trechos das gravações feitas por Sérgio Machado após ser demitido da presidência da Transpetro. Vejam que a conversa com Romero Jucá é bastante clara e reveladora:

MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.

MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.

JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.

###
PSTemer tem chances de concretizar o Plano A e ficar no poder até o fim do mandato, entre trancos e barrancos ou tapas e beijos. Mas não conseguirá emplacar o Plano B, que inclui sua reeleição. O resto é perfumaria. (C.N.)

Proibir a circulação de jornalistas no Planalto demonstra o desespero de Temer

Resultado de imagem para michel temer

Temer usa linguagem cifrada e requer tradução simultânea

Carlos Newton

A princípio, era apenas a Tribuna da Internet que ficava incomodando o Planalto com a suposta teoria conspiratória de que estava sendo armada uma operação conjunta com o Congresso Nacional para inviabilizar a Lava Jato. Durante meses, revelamos aqui no blog, com absoluta exclusividade, que seria adotada uma estratégia semelhante à que deu certo na Itália nos anos 90 e bloqueou o prosseguimento da operação Mãos Limpas, que teve 2.993 mandados de prisão e atingiu 438 políticos, inclusive quatro ex-primeiros-ministros.

A MÍDIA DESPERTOU – Não mais que de repente, diria Vinicius de Moraes, aqui no Brasil a mídia inteira despertou para o assunto, que virou capa da Veja  e nos últimos dias tem sido um festival de denúncias.

Essa reação da mídia brasileira, divulgada pela agência France Press para o mundo inteiro, já era esperada pelo Planalto desde a semana passada, quando mais uma vez o governo Temer proibiu a livre circulação de jornalistas credenciados nos andares em que funcionam a Presidência, a Casa Civil, a Secretaria de Governo e o Gabinete de Segurança Institucional.

Agora, jornalistas só podem entrar no quarto andar se tiverem hora marcada com alguma autoridade, a exemplo do procedimento adotado antes apenas com relação ao terceiro andar, onde fica o gabinete presidencial.

FIM DA TRADIÇÃO – A circulação dos jornalistas no quarto andar sempre foi permitida nos governos militares e nas gestões de Sarney, Collor, Itamar e FHC. Nos governos Lula e Dilma é que a restrição passou a ser imposta. Na gestão interina, Temer chegou a ser elogiado por permitir o acesso a todos os andares, inclusive ao terceiro, onde fica o gabinete presidencial, mas essa liberalidade só durou algumas semanas.

A proibição só passou a incluir o quarto andar em setembro do ano passado, determinada por Márcio de Freitas Gomes, chefe da Assessoria de Imprensa, atendendo a uma ordem dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). Mas foi uma decisão tipo vacina, que não pegou. E pouco a pouco o controle foi sendo atenuado, os jornalistas voltaram a circular no quarto andar.

Com as denúncias da montagem da Operação Abafa, a proibição foi restabelecida na última quinta-feira, com seguranças postados perto dos elevadores e das escadas, para barrar os jornalistas, e o acesso passou a ser permitido somente com o acompanhamento de um funcionário da Secretaria de Comunicação.

PÓS-MOREIRA – A mudança de procedimento ocorreu logo após a nomeação de Moreira Franco para a Secretaria-Geral, que passou a incorporar a Secretaria de Comunicação (incluindo Imprensa), o Cerimonial e a Administração do palácio, com o consequente esvaziamento da Casa Civil, que manteve apenas uma assessoria de relativa importância, a Subchefia de Assuntos Jurídicos.

Assim que Moreira Franco foi nomeado, começou uma movimentação no quarto andar, com mesas de triagem de segurança instaladas na saída do elevador. Na quinta-feira, dia 9, os seguranças começaram a barrar os jornalistas.

Moreira, que está em situação indefinida até que o plenário do Supremo dê uma palavra final sobre sua nomeação, ainda está alojado no antigo gabinete da Vice-Presidência, fora do palácio, no Anexo 1.

TEMER GANHA TEMPO – O fato concreto é que todos estão assustados com a forte reação à iniciativa palaciana de bloquear a Lava Jato, em manobra já iniciada no Congresso por Rodrigo Maia, Eunício Oliveira e Edison Lobão, os três mosqueteiros que eram quatro e seguem as ordens de Renan Calheiros, uma espécie de D’Artagnan às avessas.

No desespero, Temer convocou os jornalistas para anunciar que não vai blindar ninguém e demitirá todos os ministros que virarem réus na Lava Jato. Em tradução simultânea, disse duas coisas: 1) não pretender blindar mais ninguém, Moreira Franco foi o último; 2) não vai demitir nenhum ministro citado na Lava Jato, não importa a gravidade de acusação, pois só os demitirá depois que virarem réus.

Na verdade, Temer quer apenas ganhar tempo e controlar a situação, enquanto os ridículos mosqueteiros lutam para inviabilizar a Lava Jato, através da aprovação daquela série de projetos já denunciados repetidas vezes aqui na Tribuna da Internet, sempre com exclusividade.

###
PSTemer tem informações seguras de que ele e Moreira Franco não serão denunciados por receber propinas (crime de corrupção), mas somente por caixa dois (crime eleitoral), e podem até sair incólumes, na estranha e inovadora tese do ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE, de que “nem todo caixa dois é crime”, um posicionamento que bate de frente com a ministra Cármen Lúcia, que considera crime a prática do caixa dois eleitoral. Ainda em tradução simultânea, Temer sinalizou aos ministros que, se estiverem envolvidos, devem pedir demissão, até porque ele não os afasta por suspeita de corrupção, apenas induz a que se demitam, conforme ele próprio já declarou, referindo-se a Fabiano Silveira. Romero Jucá, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima. E la nave va, totalmente felliniana. (C.N.)

Temer insiste em nomear um ministro da Justiça que seja contrário à Lava Jato

Resultado de imagem para contra a lava jato charges

Charge do Bonifácio (bonifaciocartunista – facebook)

Carlos Newton

Pela segunda vez, o presidente Michel Temer desistiu de nomear para o Ministério da Justiça seu advogado e velho amigo Mariz de Oliveira, que a seu ver seria o nome ideal, em função do empenho com que combate a Lava Jato e a delação premiada. Mas foi uma insanidade Temer ter novamente apregoado que iria escolhê-lo (às vezes, fica parecendo que o presidente anda precisando de uns medicamentos de tarja preta, como fazia sua antecessora, para segurar a onda e conter a indomável criatividade).

Desde a primeira tentativa de Temer, o criminalista Mariz de Oliveira é um nome totalmente queimado, até O Globo fez editorial protestando na sexta-feira, mas sem citar o nome dele.

AINDA À PROCURA – Temer foi obrigado a recuar e agora está em busca de um outro possível ministro que também se posicione contra a Lava Jato e a delação premiada, sem que tenha dado demonstrações públicas nesse sentido e possa enfrentar menor resistência.

É claro que logo irá encontrar, pois não faltam candidatos a esse triste papel, há muitos juristas e políticos brasileiros que não se preocupam com a própria biografia, entre os quais o próprio Michel Temer e seu discípulo Alexandre de Moraes, ambos professores de Direito Constitucional, com importantes obras publicadas, mas na prática se comportam como o trêfego FHC (“Esqueçam tudo o que escrevi”).

FORTALECIMENTO – Com o apoio de Alexandre de Moraes no Supremo e do ministro da Justiça a ser indicado, a operação destinada a abafar a Lava Jato estará ainda mais fortalecida, pois já conta com o reforço de Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, nas presidências de Câmara e Senado.

No entanto, é missão muito difícil, embora no Congresso a bancada da corrupção seja amplamente majoritária, em condições de aprovar até mesmo emendas à Constituição, com quorum de três quintos, pois conta também com apoio de partidos supostamente de oposição, como PT, PCdoB e PDT. Acontece que a bancada que apoia a Lava Jato, apesar de muito pequena, é bastante aguerrida e vem denunciando as armações,  Como ensinava o genial Garrincha, nesse tipo de situação, é sempre conveniente combinar antes com os adversários, mas isso é impossível no Congresso.,

HÁ FORTE REAÇÃO – O fato concreto é que os poucos parlamentares que ainda atuam em defesa dos interesses nacionais têm conseguido bloquear algumas manobras contra a Lava Jato.

E no final da curva ainda existe o Supremo, que nesse caso vem agindo de forma altamente positiva, é preciso reconhecer. Em 14 de dezembro, por exemplo, o ministro Luiz Fux mandou o Congresso refazer a tramitação e votar as dez medidas anticorrupção originais do Ministério Público, impedindo assim o andamento do projeto que tinha sido desfigurado na Câmara e estava para ser aprovado no Senado. Houve controvérsias no STF, o ministro Gilmar Mendes quase metaforicamente ateou fogo à toga, acusou Fux de praticar “um AI-5 jurídico”, mas depois se acalmou.

No último dia 5, o ministro Luís Roberto Barroso repetiu a dose, ao impedir a sanção da negociata do governo com as operadoras de telefonia, que tivera apoio entusiástico da bancada da corrupção e foi aprovada pelo Senado sem votação em plenário, vejam a displicência parlamentar em projeto que envolvia R$ 100 bilhões. E desta vez Gilmar Mendes preferiu silenciar.

PROJETOS EM PAUTA – Rodrigo Maia (Câmara) e Eunício Oliveira (Senado) já anunciaram que vão colocar em pauta os projetos destinados a abafar a Lava Jato. Aliás, não se esperava outra coisa deles. Mas a reação está sendo muito forte. Conforme a excelente repórter Marina Dias, da Folha, informou nesta quinta-feira, os procuradores da Lava Jato vão contra-atacar na defesa dos interesses públicos.

O vazamento da denúncia de que Rodrigo Maia (codinome “Botafogo” na Odebrecht) levou propina também da OAS foi apenas o primeiro lance. Logo em seguida, a IstoÉ publicou que Eunício Oliveira (codinome “Índio”) levou R$ 2 milhões da Braskem (Odebrecht) para dar força à aprovação de uma medida provisória do interesse da petroquímica.

###
PS
Essa briga de bastidores é muito triste e deprimente. O governo Temer e a bancada da oposição julgam que podem inviabilizar a Lava Jato, a exemplo do que aconteceu com a Operação Mãos Limpas, na Itália. Mas isso não vai acontecer. Como diria o genial compositor Johnny Alf, é só uma “ilusão à toa”. (C.N.)