Uma crônica sensacional de Rubem Braga, que a gente lê e nunca mais esquece

Resultado de imagem para rubem bragaCarlos Newton

Aqui na Tribuna da Internet são os comentaristas que fazem a diferença. Um deles é a intelectual pernambucana Carmen Lins, que hoje mora em Belo Horizonte e demonstra ter uma cultura imensa, verdadeiramente incomum. Esta semana ela nos mandou esta crônica, escrita por Rubem Braga para a revista Manchete e publicada no livro “A Traição das Elegantes”, lançado em 1967 pela Sabiá, editora criada pelo próprio Braga com o amigo Fernando Sabino, outro grande mestre das crônicas.

Eu e Paulo Peres tivemos a honra de trabalhar com Rubem Braga na “Revista Nacional”, criada em 1978 por Mauritônio Meira e que nos anos 80 se tornou a publicação semanal  com maior número de exemplares na América Latina.

Fui o primeiro diretor da Revista Nacional. Antes do lançamento, Mauritônio sonhava em convidar Braga e eu argumentei que não tínhamos como pagar o salário dele. “Deixa que eu resolvo”, disse ele.

NENHUM CENTAVO – Poucos dias depois, Braga mandou a primeira crônica. Surpreso, perguntei: “Quanto vamos pagar ao Braga?”. E Mauritônio respondeu. “Nenhum centavo. Quem vai bancar o salário é a Editora Record, que precisa de crônicas inéditas dele para lançar novos livros. Não conte para ninguém. O Braga pensa que somos nós que estamos pagando a ele…”.

Somente agora, 29 anos depois da morte do Braga, estou contando essa história. E a crônica que a Carmen Lins nos enviou deve ser, pelo menos. a segunda melhor já escrita no mundo, como diria o roteirista e cineasta Richard Brooks. Pode ser que alguém tenha escrito uma crônica insuperável, que a gente ainda não leu, mas pelo menos a segunda melhor do mundo é esta criação de Rubem Braga, que só queria escrever uma história engraçada para uma moça doente sorrir.

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MEU IDEAL SERIA ESCREVER…
Rubem Braga

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada!” E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa (que não sai de casa), enlutada (profundamente triste), doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!”

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada como o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera, a minha história chegasse – e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário (autoridade policial) do distrito (divisão territorial em que se exerce autoridade administrativa, judicial, fiscal ou policial), depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse – “por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa (habitante da antiga Pérsia, atual Irã), na Nigéria (país da África), a um australiano, em Dublin (capital da Irlanda), a um japonês, em Chicago – mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou (introduziu-se lentamente em) por acaso até nosso conhecimento; é divina.”

E quando todos me perguntassem – “mas de onde é que você tirou essa história?” – eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história…”

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

A pergunta que não quer calar: O que Bolsonaro vai ganhar com a manifestação?

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MBL de Kim Kataguiri fez cartaz avisando que Bolsonaro não vai

Carlos Newton

Jair Bolsonaro é um político estranho e demonstra grande ingenuidade. Deu declarações dizendo que os atos públicos deste domingo são “uma manifestação espontânea do povo”. Mas na verdade isso não é verdade, conforme já revelamos aqui, porque a iniciativa partiu dos filhos de Bolsonaro e do escritor Olavo de Carvalho, em represália ao fato de terem sido afastados das atividades governamentais por ordem expressa do presidente, atendendo a expresso pedido do núcleo duro do Planalto e dos comandantes das Forças Armadas, no último dia 7, em almoço no Quartel-General do Exército.

Não houve a menor dificuldade para convocar a manifestação nacional deste domingo. O filho Zero Dois, vereador Carlos Bolsonaro, apenas mobilizou o esquema das redes sociais que vem usando desde a campanha eleitoral e rapidamente a conclamação era uma realidade.

FALHA NA ORGANIZAÇÃO – Mas houve um erro estratégico na organização do evento. Ao instruir os internautas a divulgarem a realização dos atos públicos e organizá-los em cada cidade, Zero Dois foi logo dizendo que os eventos estavam sendo organizados para mostrar a força do presidente Bolsonaro, com o objetivo de esculachar o Congresso e o Supremo, que não apoiam o pacto anticrime, a Lava Jato e o decreto das armas.

Surgiram, assim, os cartazes virtuais defendendo o impeachment dos ministro Gilmar Mendes e Dias Toffoli, mostrando as fotos dos dois integrantes do Supremo, enquanto outras mensagens de convocação preferiam atacar os presidentes da Câmara e Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre..

No início, Bolsonaro adorou a ideia dos filhos e de Olavo de Carvalho, sem perceber que não iria ganhar nada com os ataques ao Supremo, à Câmara e ao Senado, muito pelo contrário. No Planalto e fora dele foi aconselhado a cancelar a manifestação, mas já estava muito em cima, os aliados mais fanáticos se desapontariam, o presidente mostraria ser um vacilão.

SAINDO DE BANDA – A solução encontrada foi Bolsonaro continuar apoiando a manifestação, mas passando a fazer a ressalva de que nada havia contra o Congresso e o Supremo. Além disso, esclareceria que se trata de manifestação popular espontânea, o governo e seu partido, o PSL, nada tinham a ver com o evento. E foi justamente por isso que o presidente cancelou sua participação e pediu que os ministros não comparecessem.

O resultado é que, ao invés de unir os aliados de Bolsonaro, tal a demonstração de força dividiu as bases e causou desentendimentos internos antes mesmo de acontecer. Essa situação fez surgir a perguntar que não quer calar – O que  Bolsonaro e o governo têm a ganhar com essas manifestações?

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P.S. –
No meio dessa confusão, a frase mais adequada foi da deputada Janaina Paschoal, aquela que não aceitou ser candidata a vice na chapa do PSL:  – “Acordem! Dia 26, se as ruas estiverem vazias, Bolsonaro perceberá que terá de parar de fazer drama para trabalhar!”. Desculpe a deputada Janaina, mas a frase mais completa seria esta – “Dia 26, se as ruas estiverem vazias ou lotadas, Bolsonaro perceberá que terá de parar de fazer drama para trabalhar!”. É o que todos esperam que aconteça. (C.N.

Convocada por Carlos Bolsonaro, a manifestação coloca o governo numa tremenda fria

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Fizeram até um falso cartaz do “Vem Pra Rua”, que é contra os atos

Carlos Newton

Jamais existiu um governo tão esquisito como este início de gestão de Jair Bolsonaro. O presidente está animado com os atos públicos convocados para todo o país e afirma que se trata de “uma manifestação espontânea da população”. Mas na verdade não foi bem assim que essa estranha iniciativa surgiu.

RAIMUNDO NONATO – O mais curioso é que até agora ninguém tenha procurado saber quem foi o autor dessa “convocação cívica”, digamos assim. Se fosse na Escolinha do Professor Raimundo, o personagem Aldemar Vigário perguntaria: “Quem? Quem?”. E a classe inteira responderia, em uníssono: “Raimundo Nonato!!!”.

Como se sabe, atendendo a insistentes pedidos da ala militar, reforçados pessoalmente pelos comandantes das Forças Armadas no último dia 7, o presidente da República enfim deu ordem aos filhos e a Olavo de Carvalho para que não mais criticassem os ministros, especialmente os militares, nem demonstrassem que têm influência no governo.

MANDA QUEM PODE – O guru virginiano e os três Zeros acataram a ordem, porque afinal entenderem que tinham levado o presidente ao limite e os próprios apoiadores de Bolsonaro já não aguentavam mais as intromissões e a desfaçatez dos três mosqueteiros que eram quatro.

Mas a saída de cena foi apenas uma retirada estratégica, porque a trupe disfarçadamente continuou no palco, agindo nos bastidores, com os personagens agora ocultos atrás das cortinas.

E foi o filho Zero Dois, Carlos Bolsonaro (ele, sempre ele…) que se encarregou de mobilizar as redes sociais para convocar o ato deste domingo 26, em resposta às manifestações estudantis do último dia 15.

BOLSONARO GOSTOU – O presidente adorou a ideia, sem perceber que havia motivos demais – repúdio à Câmara e ao Senado, com fotos de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre em cartazes da convocação; condenação ao Supremo, pedindo impeachment de Gilmar Mendes e Dias Toffoli; além de apoio ao combate à corrupção, ao pacote anticrime do ministro Sérgio Moro e à Lava Jato, numa salada mista que colocava o governo Bolsonaro contra todos os inimigos possíveis e imagináveis, incluindo no rolo alguns importantes aliados.

A convocação para um linchamento generalizado realmente pode atrair multidões, mas será que isso interessa ao governo Bolsonaro e será positivo para ele? Ou na segunda-feira o presidente e o núcleo duro do Planalto terão de se dedicar a apagar focos de incêndio causados por fogo amigo?

É por isso que personagens importantes no esquema do governo se posicionaram contra a manifestação, como o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), que criticou o presidente por pretender demonizar a política; a deputada Janaina Paschoal, do PSL, que pediu a Bolsonaro que parasse de “fazer drama” e se dedicasse ao governo; o deputado Luciano Bivar, presidente do PSL, que comandou o movimento para que o partido não apoiasse oficialmente a manifestação; e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que vai participar, mas criticou a tentativa de partidarizar ato público.

ZERO DOIS ERROU – O fato concreto é que, ao convocar a manifestação usando seu esquema nas redes sociais, o filho Carlos Bolsonaro errou mais uma vez e colocou o pai novamente em situação muito delicada, pois ao governo não interessa confronto com o Congresso nem com o Supremo.

Aliás, não foi por mera coincidência que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, criticou nesta sexta-feira “as posturas antidemocráticas” de figuras do ”entorno” do chefe do governo, alertando que “o setor privado não investe em ditaduras”.

Em tradução simultânea, enquanto não se livrar mesmo da influência dos três Zeros e do guru virginiano, o governo de Bolsonaro vai viver em permanente crise. E nem precisa ter oposição, porque os maiores inimigos desfrutam da intimidade do presidente e julgam terem sido eleitos para governar junto com ele, na condição de príncipes-regentes.

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P.S. –
Está na hora de os verdadeiros defensores de Bolsonaro convocarem uma manifestação contra a interferência dos três Zeros e do guru virginiano no processo governamental. Enquanto os mosqueteiros estiverem em ação, o país não terá sossego para lutar contra a crise, que está nos mergulhando em nova estagflação (recessão e inflação, ao mesmo tempo). O resto, como diria nosso amigo Sebastião Nery, é apenas folclore político, que ainda não dá para perceber se tem viés democrático ou ditatorial. (C.N.)  

Tribunal de Minas paga R$ 725 mil a juiz num só mês, por “benefícios atrasados”

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Charge do Kemp (humortadela.com.br)

Carlos Newton

A repórter Juliana Braga, do Estadão, revela que o  Tribunal de Justiça de Minas Gerais pagou ao juiz Paulo Antônio de Carvalho R$ 762 mil na folha de abril, sendo R$ 725 mil a título de “remuneração eventual”. Outra juíza, Adriani Freire Diniz Garcia, recebeu R$ 377.465,12.

Segundo o TJ-MG, os valores referem-se a “férias-prêmio” e outros benefícios acumulados ao longo da carreira. Sobre o juiz Paulo Carvalho, alega-se que ele recusou promoções para não abandonar a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac), que criou.

MINAS EM CRISE – Como se sabe, Minas Gerais vive hoje a maior crise de sua história, com servidores ativos e aposentados recebendo suas remunerações com atraso e em parcelas. O governo não tem dinheiro para nada e nem consegue repassar aos municípios os percentuais de arrecadação previstos em lei.

É nesse clima que o Tribunal de Jesus faz tais generosidades, que têm origem no chamado “direito adquirido”, uma espécie de expressão mágica da Justiça, tipo “abracadabra”.

Conforme temos explicado aqui na Tribuna, o país se tornou refém da nomenklatura e não há como se libertar. Por isso, a desigualdade social é hoje uma questão institucionalizada, que não tende a diminuir, mas a aumentar.

PLANO DE CARREIRA – Os direitos adquiridos foram substituindo os planos de carreira do funcionalismo. Em cargos  como juiz e procurador, por exemplo, os recém-contratados entram ganhando salários já próximos ao valor da remuneração no final de carreira.

A bagunça é tão grande que o repórter Ricardo Della Coletta revela que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, assinou documento em março que permitiria a contratação de pessoas sem curso superior para altos cargos da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), com salário de até R$ 34 mil.

As mudanças das regras foram feitas pelo chanceler para permitir a contratação do produtor agropecuário Paulo Vilela, que se candidatou a deputado federal pelo PSL em 2018, mas não conseguiu se eleger. Mas houve reação e Vilela nem chegou a tomar posse.  

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P.S. –
Para reduzir o abismo entre os maiores e os menores salários do serviço público, é necessário aprovar emenda constitucionais que revoguem determinados “direitos adquiridos”, como a Constituição de 1988 fez, estabelecendo teto salarial, mas depois o Supremo se encarregou de esculhambar tudo de novo. Esta é a questão, e Bolsonaro não vai mexer nesse vespeiro, podem apostar. (C.N.)

Era ilusão achar que Bolsonaro se livraria de Olavo de Carvalho e do filho Zero Dois

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Carlos Newton

Quando o escritor Olavo de Carvalho ultrapassou todos os limites e atacou o ministro Santos Cruz e o general Villas Bôas, no último dia 7 o presidente Jair Bolsonaro foi “convidado” para um almoço fora da agenda com a cúpula das Forças Armadas no quartel-general do Exército, conhecido como Forte Apache. O que foi conversado nessa ocasião “nem às paredes confesso”, diria a grande cantora Amália Rodrigues. Sabe-se que o presidente enquadrou Olavo de Carvalho e os filhos, o Planalto até voltou a ter uma certa tranquilidade, mas foi uma ilusão julgar que Bolsonaro tinha se livrado das influências externas.

As manifestações desse domingo têm a grife do guru virginiano e dos filhos olavistas (ou “olavetes”, como o filósofo gosta de chamar os alunos). Convocá-las foi uma iniciativa que não resiste a análises e soou falso desde o início.

NAS REDES SOCIAIS – A decisão de promover essas manifestações surgiu nas redes sociais que apoiam o presidente, desde sempre comandadas por Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, que não dá uma tossida sem pedir orientação a Olavo de Carvalho.

Vaidosamente, o chefe do governo aceitou a homenagem, que tem o objetivo de esculhambar Câmara, Senado e Supremo, ao defender a Lava Jato e o pacote anticrime do ministro Moro. É uma versão bolsonarista do Samba do Crioulo Doido, e estrategicamente ficaram de fora a reforma da Previdência e a dívida pública, porque há dúvidas se o povo apoia o governo em relação a esses explosivos temas.

Mas de repente surgiu no noticiário um tsunami chamado Janaina Paschoal, que ousou dizer que o rei está nu, julga-se “enviado por Deus” e convoca uma manifestação para ser elogiado pelo povo. As pessoas então começaram a acordar.

COISA DE LOUCO – Como é óbvio que a deputado Janaina Paschoal tem toda razão, a cúpula do PSL se reuniu nesta terça-feira e decidiu que não vai apoiar a manifestação – quem quiser ir que vá. Realmente, é coisa de louco, só pode ter partido das mentes olavianas, que vivem em permanente delírio teórico e não respeitam a realidade.

Os autores da ideia não percebem que, por mais pessoas que as manifestações coloquem nas ruas, o resultado será sempre zero. Ao incentivar ataques ao Congresso, o presidente não ganhará adesão de nenhum parlamentar indeciso – pelo contrário, pode até perder apoio.

Em tradução simultânea, pode-se dizer que o capitão passou 28 anos na Câmara e não entendeu como aquilo funciona. Pensa que pode fazer com que o povo pressione os parlamentares, mas isso “non ecziste”, diria Padre Quevedo a Bolsonaro, que é volúvel em matéria de religião, não se sabe se é católico ou evangélico.

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P.S.
1Se verdadeiramente conhecesse a Câmara, Bolsonaro saberia que não há o menor risco de ser recusada a Medida Provisória 870, que reduziu o número de ministérios. O Congresso não gosta de Medidas Provisórias, considera intromissão do Executivo no Legislativo, e realmente é isso que se verifica. Sem empolgação, toda Medida Provisória é votada sempre na chamada undécima hora. Nada de novo na frente ocidental, não adianta se estressar. Aliás, quando uma Medida Provisória caduca, geralmente é o governo que se arrepende e pede que não seja aprovada. 

P.S. 2Janaina Paschoal tem razão também quando diz que Bolsonaro precisa parar se fazer drama e começar a trabalhar. Ser presidente é missão difícil e penosa, ele deveria ter pensado nisso antes de se lançar candidato. (C.N.)  

Ao postar texto do país ingovernável, comentarista da TI ficou famosa por 15 minutos

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

“Estarrecida, desanimada estou. Recebi e repassando análise muito coerente e fria!”, escreveu Maria Lúcia Fernandino às 11 horas de quinta-feira, dia 16, ao postar na “Tribuna da Internet” o texto sobre o “país ingovernável” que o presidente Jair Bolsonaro iria transmitir por WhatsApp no dia seguinte, com grande enorme repercussão. Quem descobriu a postagem de Maria Lúcia Fernandino foi O Globo, que publicou reportagem mencionando que a publicação na “Tribuna da Internet” tinha sido feita um dia antes de Bolsonaro distribuir o texto.

Logo surgiram muitas especulações se Maria Lúcia Fernandino usava seu próprio nome ou pseudônimo, se era ligada a Bolsonaro ou se tudo não passava de coincidência.

PERGUNTAS DE AQUINO – “O que causa espécie é a Maria Lúcia Fernandino escolher a Tribuna da Internet para reproduzir um artigo de “autor desconhecido”. Seria Maria Lúcia amiga do “tal autor desconhecido?”. Ao optar pela Tribuna da Internet, qual a intenção? Criticar Bolsonaro, não acredito. Não dá para entender assim”, postou o comentarista Antonio Santos Aquino, acrescentando:

“O que dá para se imaginar é que o capitão já identificou a Tribuna da Internet e descobriu que aqui tem balas de todos os tipos zunindo em todas as direções e algumas com calibres poderosos que derrubam um avião, direcionadas a ele. É bom que ele ou seus “milicianos” leiam a Tribuna da Internet. Terão momentos de alegria e momentos de terror pelas verdades ditas”.

PIMENTA EXPLICA – Imediatamente, o comentarista James Pimenta entrou no circuito para dar esclarecimento: “Maria Lucia Fernandino é minha amiga de longa data, e participamos de alguns blogs de política, ela não é pessoa de má fé ou agente infiltrada de qualquer lado. Ela gostou do texto e postou, eu posso fazer o mesmo”, assinalou Pimenta, advertindo:

“Acredito que esse veículo não tem intenção de patrulhar ninguém. Se assim for, talvez me seja benéfico ser excluído, tem hora que a mesquinharia de apelidos ridículos e/ou eivados de maledicência gratuita me desanima”.

DIZ MARIA LÚCIA – A comentarista Maria Lúcia Fernandino então explicou sua participação no caso. “Não tenho Facebook. Copiei e colei do zap que recebi de amigos. Quanto aos “nicknames” (apelidos) já usei sim, várias vezes, mas o pessoal daqui começou a dizer que quem se esconde atrás de “nicks” são pessoas no mínimo covardes, então coloquei meu nome para ninguém ter mais dúvidas de que covarde não sou”. E revelou;

“Acompanho a Tribuna da Internet desde quando ela era Tribuna da Imprensa e quem comandava, além do Carlos Newton, era também o irmão do Millôr Fernandes – o jornalista Hélio Fernandes. E ninguém me avisou que eu iria ficar “famosa” alhures… rsrsrs”.

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P.S.
1 Nos frenéticos anos 70, o artista multimídia Andy Warhol previu que no futuro próximo as pessoas ficariam famosas por 15 minutos. Foi o que aconteceu com nossa querida comentarista Maria Lúcia Fernandino.

P.S. 2Não se sabe se algum auxiliar de Bolsonaro leu o texto aqui na Tribuna ou recebeu no WhatsApp e passou para ele (o atual presidente não é chegado a leituras). O que se sabe, com toda certeza, é que a TI é lida com atenção pelo pessoal da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), pelos comandos militares e por jornalistas de todo o país, por ser considerada um veículo de opinião sem vínculo ideológico e com informações pesadas, que diariamente é acessado por milhares de pessoas que se interessam por política e economia. (C.N.)

Será mesmo normal um presidente da República se julgar “enviado de Deus”?

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Jair Bolsonaro entende realmente o que significa ser presidente?

Carlos Newton

Quando a economista Dilma Rousseff ocupou a Presidência da República e começou a dizer aquelas coisas muito engraçadas, mas sem o menor nexo, e chegou a defender na Assembleia-Geral das Nações Unidas a tese da estocagem de vento, levantamos aqui na “Tribuna da Internet” a hipótese de que ela estaria precisando de cuidados médicos. Logo depois, essa notícia se confirmaria, quando os jornalistas descobriram que a lista de compras do Departamento Médico do Planalto incluíra uma enorme quantidade de olanzapina, um medicamento antipsicótico ou neuroléptico. Soube-se também que, anteriormente, os médicos do Planalto já tinham receitado doses elevadas de Lexotan (bromazepam). Depois, passaram para Rivotril (clonazepam).

Medicada, Dilma conseguiu levar seu governo adiante até sofrer o impeachment. E agora a cena se repete, pois o estado do presidente Jair Bolsonaro também começa a levantar suspeitas de que há algo de errado com o chefe do governo.

MANIA DE PERSEGUIÇÃO – Desde o início da gestão que o presidente faz questão de demonstrar que se sente perseguido. Já deu diversas declarações a respeito, especialmente quando se refere à situação do filho Zero Um, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que se agrava progressivamente.

Ao defendê-lo, desta vez Bolsonaro falou por 15 minutos, citou diversos políticos também acusados de corrupção, cujas investigações caminham com menor celeridade, embora envolvam recursos mais elevados, como é o caso do deputado André Ceciliano (PT-RJ), presidente da Assembleia do Rio de Janeiro.

O chefe do governo atribuiu a investigação do Zero Um à “perseguição” que a família sofre. Mas em nenhum momento disse que o filho é inocente.

QUESTÃO DE ESTILO – Cada político desenvolve um estilo. Presidentes têm cargo majestático, não devem atuar como advogados de seus parentes e amigos, mas Bolsonaro não pensa nem age assim.

Mas o pior foi a divulgação do texto “de autor desconhecido”, para Bolsonaro justificar sua omissão e falta de habilidade na condução da política. Na mesma semana, por exemplo, a pedido de um grupo de deputados, o presidente ligou na frente deles para o ministro da Educação e deu ordem para sustar o contingenciamento das verbas educacionais. Mas logo em seguida o ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou a ordem presidencial. É uma situação que ocorreu diversas vezes, e Guedes já chegou a ironizar as decisões de Bolsonaro que ele depois revoga.

No domingo, o presidente ultrapassou os limites, ao divulgar a entrevista de um pastor francês, que jamais viu Bolsonaro, mas o considera “enviado de Deus”. É claro que nenhum governante pode se sentir “enviado de Deus” por decreto pastoral, mas Bolsonaro acredita e leva isso adiante, num Estado constitucionalmente laico e que parece um hospício.

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P.S.
Ninguém sabe aonde isso vai dar.  Mas o fato concreto é que o presidente não está bem. Se já foi medicado, torna-se necessário alterar a dose ou mesmo a substância ativa. O importante é que esteja bem, pare com essas esquisitices e governe para valer o país. Como diz a deputada Janaina Paschoal, que não aceitou ser vice de Bolsonaro, ele precisa “parar de fazer drama” e começar a trabalhar. Então, que assim seja. (C.N.)

Bolsonaro se interessa mais por teorias conspiratórias, o país fica em segundo plano

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Bolsonaro agora passou a se declarar vítima dos outros Poderes

Carlos Newton

O texto do “país ingovernável” já foi esmiuçado de todas as formas pelos analistas da mídia. Mas alguns aspectos devem ser destacados. O mais importante é o fato concreto e inquestionável de que o presidente Jair Bolsonaro continua alvo fácil das teorias conspiratórias. Chega a ser uma fixação, que a partir das eleições vem contaminando toda a família Bolsonaro. No próprio Palácio do Planalto, desde a posse há um indisfarçável clima de constrangimento, que se agravou com a desmotivada demissão de Gustavo Bebianno, por ter aceitado receber em agenda o diretor institucional da Rede Globo.

Este foi o verdadeiro motivo, nada a ver com as candidatas laranjas do PSL em Minas Gerais e Pernambuco, nem com irregularidades que não eram da alçada de Bebianno como presidente do partido, ele não se envolvera em nenhuma irregularidade.

DEMISSÃO INJUSTA – Instigado pelos filhos e por Olavo de Carvalho, o presidente decidiu demitir o ministro, que nada tinha a ver com o problema, era seu amigo pessoal e até advogado gratuito. Quando foi alertado por outros ministros para o fato de não haver motivo, porque nas democracias os governantes recebem normalmente representantes e membros da sociedade civil, o presidente caiu em si e ofereceu a Bebianno uma diretoria na Itaipu Binacional ou as Embaixadas em Roma e Lisboa, a escolher. Bebianno não aceitou e foi cuidar da vida.

À ESPERA DO GOLPE – A partir daí, foi uma bola de neve e Bolsonaro passou a viver por conta do golpe. Esse raciocínio conduz, logicamente, ao contragolpe. E são duas hipóteses absurdamente antidemocráticas, das quais não se pode nem cogitar.

Ao apoiar o texto do “autor desconhecido” Paulo Portinho, que exibe um “país ingovernável”, sem dúvida Bolsonaro está tácita e taticamente apoiando um contragolpe, que significa a derrocada das instituições.

Bolsonaro não prima pela inteligência, talvez nem perceba o que está fazendo. Mas o fato é que ele se dedica mais intensamente às teorias conspiratórias do que às necessidades de governo. Com isso, sua gestão está imobilizada, à espera das decisões do Congresso.

É ESPANTOSO – O amadorismo e a infantilidade de Bolsonaro causam espanto. Ele acha que, culpando o Judiciário e o Legislativo, estará preservando sua própria imagem e também a do Executivo. Mas não é assim que a coisa funciona.

 Seu principal auxiliar, o ministro Paulo Guedes, também não sabe o que fazer e defende premissas falsas. Diz que a reforma da Previdência não somente vai aliviar o problema da dívida pública, como atrairá investimentos externos que reduziram o desemprego, e nada isso não e verdade.   

Guedes não percebe que, com um governante instável como Bolsonaro, jamais haverá corrida de investidores, porque eles exigem exatamente o contrário – a estabilidade.

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P.S.
– Paulo Guedes nunca foi um superstar da economia. Não conseguiu destaque nem mesmo entre os Chicago boys. Foi sempre do terceiro time. Sinceramente, não consigo vislumbrar como ele e Bolsonaro conseguirão tirar o país da crise. Minha esperança é que todo poço tem fundo, e quando se chega lá nas profundezas, a tendência é de que se volta a crescer, mas isso só acontece quando o governo não atrapalha, é claro. (C.N.)

Ninguém quer dar calote na dívida pública, mas temos o direito de discuti-la

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Charge do Nani (nanihumor;com)

Carlos Newton

Se o marqueteiro americano James Carville fosse consultado sobre o agravamento da crise no Brasil, certamente repetiria sua frase célebre: “É a economia, estúpido”. Quando a economia vai bem, tudo se acerta, a vida segue em frente. No caso atual do Brasil, a frase de Carville se adapta perfeitamente, porque a falta de recursos atinge os três níveis de governo – federal, municipal e estadual. Curiosamente, não afeta com a mesma intensidade os três Poderes. Em praticamente todo o país, Legislativo e Judiciário vivem como se estivessem num outro mundo, ou na própria “Ilha da Fantasia”, com o anãozinho Tattoo servindo drinques tropicais a parlamentares e magistrados.

Mas há exceções e nem sempre os servidores de Legislativo e Judiciário conseguem se beneficiar. No Rio de Janeiro, por exemplo, há cinco anos os funcionários da Justiça não têm aumento, embora o céu ainda seja o limite para remunerar os magistrados e garantir os penduricalhos, as gratificações e as mordomias.

LIVRE DISCUSSÃO – O fato concreto é que a crise econômico-financeira precisa ser discutida abertamente, sem subterfúgios nem estatísticas mantidas sob sigilo ou manipuladas. O ministro Paulo Guedes, porém, continua se recusando a divulgar os números da Previdência, como se fosse um czar da Economia, e com isso está colocando em risco essa importantíssima reforma.

Os números da dívida pública também são manipulados e nas contas até aparece uma rubrica denominada “Amortização”, que na verdade “non ecziste”, como diria o Padre Quevedo – é apenas uma obra de ficção. Há última vez em que houve superávit primário (economia que o governo precisa fazer para pagar os juros da dívida) e até poderia ter havido “amortização” foi em 2013, de lá para cá, os déficits foram aumentando junto com a dívida.

Em abril de 2018, o Fundo Monetário Internacional (FMI) piorou  sua estimativa e passou a projetar que o Brasil só deveria novo superávit primário  em 2022. Agora, com o agravamento da crise, só Deus sabe quando haverá superávit novamente.

SEM MORATÓRIA – O fanatismo cega as pessoas e deturpa a troca de ideias. Aqui na “Tribuna da Internet””, toda vez em que defendemos a discussão da dívida, sugerindo uma auditoria, sempre aparece um otário aqui para manipular nossa oposição e alegar que pretendemos dar calote nos credores. É uma chatice.

Ninguém está defendendo calote nem moratória. Ao propor a auditoria, o que desejamos saber é se houve alguma manipulação nos números e se foram aplicados juros compostos, que não vigoram no mercado internacional, e isso significaria que a dívida está sendo elevada artificialmente.

Será que defender uma auditoria agora é crime? Por que o ministro Paulo Guedes mantém em sigilo os números da Previdência? Aliás, por falar em crime, por que Guedes tanto foge de prestar depoimento sobre as aplicações que fez com recursos dos fundos de pensão?

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P.S.
O comportamento de Guedes é altamente suspeito. As aplicações foram feitas em fundos educacionais criados pelo próprio Guedes. Se deram lucro, conforme o ministro alega, então por que não depõe logo e acaba com essa polêmica? A resposta é simples: Guedes deu um tremendo prejuízo aos fundos, já denunciado à Justiça pela Previc (Superintendência de Seguros Privados) e sob investigação no Tribunal de Contas da União; Por isso ele não pode depor. (C.N.)

Bolsonaro divulga texto de autor desconhecido publicado na Tribuna da Internet

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Bolsonaro usa o texto para justificar os problemas do governo

Carlos Newton

O presidente Jair Bolsonaro distribuiu, na manhã desta sexta-feira, dia 17, em diversos grupos de WhatsApp, um texto de “autor desconhecido” que trata das dificuldades que ele estaria enfrentando para governar.

Segundo O Globo, o texto foi publicado na seção de comentários do blog “Tribuna da Internet — Sob o signo da liberdade”. O comentário foi feito na quinta-feira, 16 de maio, por uma internauta que se identificou como Maria Lúcia Fernandino. Ela replicou o texto com a atribuição a um autor desconhecido.

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UM PAÍS INGOVERNÁVEL
Tânia Monteiro   /    Estadão

O texto diz que o presidente está sofrendo pressões de todas as corporações, em todos os Poderes e afirma que o País “está disfuncional”, não por culpa de Bolsonaro, mas que “até agora (o presidente) não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”.

Procurado pelo Estado para comentar sobre a mensagem, o presidente respondeu por meio do porta-voz: “Venho colocando todo meu esforço para governar o Brasil. Infelizmente os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o País de volta ao trilho do futuro promissor. Que Deus nos ajude!”

SEM SE EXPOR – Interlocutores do presidente ouvidos pelo Estado dizem não saber quantas pessoas receberam a mensagem, mas relatam pedido do presidente para que cada um replicasse o conteúdo. Bolsonaro, de acordo com um dos interlocutores, já começou a receber feedbacks, dizendo que ele “está falando a mais pura verdade”. No entanto, fontes ouvidas pelo Estado consideram o desabado reproduzido como “muito grave” e “preocupante”.

Ao compartilhar o texto, o presidente escreveu: “Um texto no mínimo interessante. Para quem se preocupa em se antecipar aos fatos sua leitura é obrigatória. Em Juiz de Fora (06/set/2018), tive um sentimento e avisei meus seguranças: Essa é a última vez que me exporei junto ao povo. O Sistema vai me matar. Com o texto abaixo cada um de vocês pode tirar suas próprias conclusões.”

Leia a íntegra do texto, da forma como o presidente compartilhou em grupos de WhatsApp:

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LEIA O TEXTO REPRODUZIDO POR BOLSONARO

Temos muito para agradecer a Bolsonaro. Bastaram 5 meses de um governo atípico, “sem jeito” com o congresso e de comunicação amadora para nos mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado de acordo com o interesse dos eleitores. Sejam eles de esquerda ou de direita.

Desde a tal compra de votos para a reeleição, os conchavos para a privatização, o mensalão, o petrolão e o tal “presidencialismo de coalizão”, o Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento público.

Não só políticos, mas servidores-sindicalistas, sindicalistas de toga e grupos empresariais bem posicionados nas teias de poder. Os verdadeiros donos do orçamento. As lagostas do STF e os espumantes com quatro prêmios internacionais são só a face gourmet do nosso absolutismo orçamentário.

Todos nós sabíamos disso, mas queríamos acreditar que era só um efeito de determinado governo corrupto ou cooptado. Na próxima eleição, tudo poderia mudar. Infelizmente não era isso, não era pontual. Bolsonaro provou que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável. 

Descobrimos que não existe nenhum compromisso de campanha que pode ser cumprido sem que as corporações deem suas bênçãos. Sempre a contragosto.

Nem uma simples redução do número de ministérios pode ser feita. Corremos o risco de uma MP caducar e o Brasil ser OBRIGADO a ter 29 ministérios e voltar para a estrutura do Temer.

Isso é do interesse de quem? Qual é o propósito de o congresso ter que aprovar a estrutura do executivo, que é exclusivamente do interesse operacional deste último, além de ser promessa de campanha?

Querem, na verdade, é manter nichos de controle sobre o orçamento para indicar os ministros que vão permitir sangrar estes recursos para objetivos não republicanos. Historinha com mais de 500 anos por aqui.

Que poder, de fato, tem o presidente do Brasil? Até o momento, como todas as suas ações foram ou serão questionadas no congresso e na justiça, apostaria que o presidente não serve para NADA, exceto para organizar o governo no interesse das corporações. Fora isso, não governa.

Se não negocia com o congresso, é amador e não sabe fazer política. Se negocia, sucumbiu à velha política. O que resta, se 100% dos caminhos estão errados na visão dos “ana(lfabe)listas políticos”?

A continuar tudo como está, as corporações vão comandar o governo Bolsonaro na marra e aprovar o mínimo para que o Brasil não quebre, apenas para continuarem mantendo seus privilégios.

O moribundo-Brasil será mantido vivo por aparelhos para que os privilegiados continuem mamando. É fato inegável. Está assim há 519 anos, morto, mas procriando. Foi assim, provavelmente continuará assim.

Antes de Bolsonaro vivíamos em um cativeiro, sequestrados pelas corporações, mas tínhamos a falsa impressão de que nossos representantes eleitos tinham efetivo poder de apresentar suas agendas.

Era falso, FHC foi reeleito prometendo segurar o dólar e soltou-o 2 meses depois, Lula foi eleito criticando a política de FHC e nomeou um presidente do Bank Boston, fez reforma da previdência e aumentou os juros, Dilma foi eleita criticando o neoliberalismo e indicou Joaquim Levy. Tudo para manter o cadáver procriando por múltiplos de 4 anos.

Agora, como a agenda de Bolsonaro não é do interesse de praticamente NENHUMA corporação (pelo jeito nem dos militares), o sequestro fica mais evidente e o cárcere começa a se mostrar sufocante.

Na hipótese mais provável, o governo será desidratado até morrer de inanição, com vitória para as corporações. Que sempre venceram. Daremos adeus Moro, Mansueto e Guedes. Estão atrapalhando as corporações, não terão lugar por muito tempo.

Na pior hipótese ficamos ingovernáveis e os agentes econômicos, internos e externos, desistem do Brasil. Teremos um orçamento destruído, aumentando o desemprego, a inflação e com calotes generalizados. Perfeitamente plausível. Claramente possível.

A hipótese nuclear é uma ruptura institucional irreversível, com desfecho imprevisível. É o Brasil sendo zerado, sem direito para ninguém e sem dinheiro para nada. Não se sabe como será reconstruído. Não é impossível, basta olhar para a Argentina e para a Venezuela. A economia destes países não é funcional. Podemos chegar lá, está longe de ser impossível.

Agradeçamos a Bolsonaro, pois em menos de 5 meses provou de forma inequívoca que o Brasil só é governável se atender o interesse das corporações. Nunca será governável para atender ao interesse dos eleitores. Quaisquer eleitores. Tenho certeza que esquerdistas não votaram em Dilma para Joaquim Levy ser indicado ministro. Foi o que aconteceu, pois precisavam manter o cadáver Brasil procriando. Sem controle do orçamento, as corporações morrem.

O Brasil está disfuncional. Como nunca antes. Bolsonaro não é culpado pela disfuncionalidade, pois não destruiu nada, aliás, até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou. Ele é só um óculos com grau certo, para vermos que o rei sempre esteve nu, e é horroroso.

Infelizmente o diagnóstico racional é claro: “Sell”.

Autor desconhecido

Sem os faniquitos de Olavo de Carvalho e dos filhos, Bolsonaro enfim vai governar?

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Um dos fenômenos mais atraentes é a coincidência. Na política, as coincidências são particularmente perigosas, porque dão margem ao desenvolvimento de teorias conspiratórias, que já se tornaram uma espécie de esporte preferido na Praça dos Três Poderes. Realmente, não faltam teorias conspiratórias nesse início de governo Bolsonaro. E praticamente todas elas são cultivadas na horta do guru virginiano Olavo de Carvalho, com entusiástica participação dos filhos Zero Um, Zero Dois e Zero Três, não necessariamente nesta ordem cronológica.

Tirando de lado coincidências e teorias conspiratórias, o fato concreto, que não admite contestações, é que Olavo de Carvalho, o mais estranho personagem da República, sumiu do noticiário de repente, não mais que de repente, que maravilha viver, diria o poetinha Vinicius de Moraes.

ZERO DOIS – Ao mesmo tempo, também saiu de cena o vereador Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, enquanto o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o Zero Três, se recolhia às suas atividades normais de chanceler informal. O único que ficou com grande exposição na mídia foi o senador Flávio Bolsonaro, o Zero Um, que há meses tenta submergir e passar despercebido, mas a vida seguiu em frente e o colocou de novo nas manchetes das páginas policiais.

De tudo isso emerge uma certeza. Na terça-feira passada, dia 7, aconteceu algo de muito importante no almoço fora de agenda do presidente Bolsonaro no famoso Forte Apache, quartel-general do Exército em Brasília, com a presença dos comandantes das Forças Armadas e das figuras mais representativas da classe militar.

De lá para cá, Olavo de Carvalho somente se pronunciou politicamente uma vez, pelo Facebook, em estilo ático, sem usar um só palavrão, numa clara tentativa de se desculpar junto aos generais Villas Bôas e Santos Cruz.

ZERO TRÊS RECUA – Outro fato concreto foi que o deputado Zero Três, que apoiara as grosserias do guru virginiano e avisara que os ataques prosseguiriam “a quem não seguisse” o presidente, na mesma terça-feira recuou e disse que iria passar a pôr “panos quentes” nas polêmicas. Ao mesmo tempo, o vereador Zero Dois, que dissera na intimidade haver “implodido” o general Santos Cruz, simplesmente sumiu do noticiário político, e agora voltou com uma frase enigmática: “O que está para vir pode derrubar o Capitão eleito”.

Certamente está se referindo à investigação sobre atos ilícito do Zero Um, que envolvem indiretamente o próprio Bolsonaro pai.

ALA MILITAR – É claro que tudo isso pode ser apenas coincidência, mas os fatos concretos se somam e indicam que a ala militar conseguiu neutralizar o grupo olavista, mas surgiu nova crise a impedir que o governo comece a trabalhar com maior unidade e empenho.

Desde os tempos de Jânio Quadros que não se vê uma gestão  tão atrapalhada. Para melhorar, é preciso que o presidente Bolsonaro descarte de vez as teorias conspiratórias e passe a se dedicar ao governo, ao invés de perder tempo com redes sociais e outras bobajadas.

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P.S.
A crise é gravíssima, o presidente tem de esquecer Olavo de Carvalho e confiar nos militares. Quanto ao filho Flávio Bolsonaro, já está liquidado por antecedência. Ontem, o chefe do governo  falou 15 minutos defendendo o Zero Um, fez comparações com a movimentação atípica do deputado André Ceciliano (PT-RJ) e tudo o mais. Porém, em nenhum momento disse que o filho é inocente. (C.N.)

Dez anos depois, a utopia de manter um espaço livre na web não deu muito certo

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Parece que foi ontem, mas já se passaram dez anos desde que este blog foi lançado como “Tribuna da Imprensa” e depois, com a saída de Helio Fernandes, passou a ser “Tribuna da Internet”. A ideia de lançar o blog partiu do grande advogado Luiz Nogueira, que até hoje defende causas de Helio Fernandes e da antiga “Tribuna da Imprensa”, o jornal que deixou de circular em 2009. Nogueira não somente sugeriu o relançamento da “Tribuna da Imprensa” na web, como também arranjou patrocínio de R$ 5 mil mensais, suficiente para cobrirmos as custas.

Para fazer o design do blog, convidamos o grande jornalista Antonio Caetano, excelente cronista, que fazia sido editor do suplemento de cultura do jornal, chamado de “Tribuna BIS”. Caetano começou a editar o blog e me ensinou como participar. Passei então a fazer a edição de artigos e reportagens nos fins de semana e feriados, cobrindo as folgas do jornalista.

SEM PATROCÍNIO – Tudo caminhava bem, os artigos de Helio Fernandes, Carlos Chagas, Pedro do Coutto, Sebastião Nery e Mauro Santayana atraíam cada vez mais leitores, porém os patrocinadores tiveram dificuldades e desembarcaram da aventura.

Sem possibilidade de remuneração, Antonio Caetano foi cuidar da vida e fiquei sozinho, tentando encontrar outros patrocinadores. Como não consegui apoio, resolvi fechar o blog e direcionar Helio Fernandes e os colunistas para outros espaços na internet.

Quando comuniquei esta decisão, um dos comentaristas mais assíduos, o engenheiro Carlo Germani, que mora em Minas Gerais, mandou uma mensagem sugerindo que recebêssemos contribuições dos participantes, como outros blogs já faziam, e até se ofereceu para colaborar. A ideia deu certo, outros participantes se integraram e fomos em frente. Depois Helio Fernandes saiu, para abrir um blog com seu nome, e trocamos o título aqui para “Tribuna da Internet”.

ESPAÇO UTÓPICO – Ou seja, a existência do blog se deve a esse grupo de idealistas que acreditam na viabilidade de manter um espaço livre na web, capaz de abrigar artigos de diferentes tendências políticas, econômicas, sociais e até religiosas.

É claro que se trata de uma utopia. Não existe nenhum espaço semelhante na web brasileira. Todos os blogs, sites e portais operam em faixa própria, defendem ideias e não abrem espaço para contestação.

Aqui na TI defendemos a tese de apoiar o que fica demonstrado ser certo e reprovar o que seja claramente errado, na visão do “bom combate” do apóstolo Paulo (2 Timóteo 2:3-4). Assim, agimos sempre sem extremismos, procurando o caminho do meio, como ensinava Sidarta Gautama, o Buda, e sabendo que da vida nada se leva, é apenas “passagem”, como dizem os espiritualistas.

NÃO DEU CERTO – Dez anos depois, podemos concluir que a utopia não deu certo. Raríssimos participantes respeitam opiniões contrárias e trocam ideias. Usemos o exemplo de Bolsonaro. Ao invés de elogiar as coisas certas feitas por ele e criticar as erradas, a maioria das pessoas se comporta como se estivessem na torcida de um clube de futebol – defendem tudo que Bolsonaro faz ou criticam tudo. É uma chatice.

O fanatismo não leva a nada, a radicalização política só interessa a quem pretende se beneficiar dela. As ideologias foram ultrapassadas pelo tempo. A maneira correta de os governantes agirem hoje é simplesmente optar pelo que é certo, sem preconceitos ideológicos e partidários.

O Brasil está na maior crise de sua História. É preciso apresentar ideais e soluções. Mas não é isso que se vê. Um bom exemplo é a reforma da Previdência. Todos sabem que é preciso fazer mudanças. Mas com os números sendo mantidos sob sigilo, como fazê-lo.

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P.S.
Agradecemos muito a todos os que nos acompanham. Aos velhos amigos e amigas de sempre, e aos que chegaram depois e que hoje são muito importantes para mim, mesmo sem conhecê-los pessoalmente.  Como todos sabem, na vida nada é permanente, tudo muda todo dia. E o importante é jamais se omitir e seguir sempre na luta permanente para termos um mundo mais justo e menos desumano. (C.N.)

Se o país está falido como diz Guedes, por que não se pode discutir a dívida pública?

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Guedes mantém os números sob sigilo e tenta aterrorizar o Congresso

Carlos Newton  

O culpado pela gravíssima crise do país não é o presidente Jair Bolsonaro. Muito antes de ser eleito, ele avisou a todos que o responsável pela gestão seria o economista Paulo Guedes, apelidando-o de seu “Posto Ipiranga”. A maioria dos eleitores aceitou essas condições, ao eleger o candidato do nanico PSL. E agora, com apenas quatro meses e meio de governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, comparece ao Congresso Nacional e anuncia que o país entrou em situação de pré-falência.

“Estamos à beira de um abismo fiscal. Vamos nos endividar para pagar Bolsa Família, BPC, Plano Safra e as aposentadorias do regime geral, INSS. Estamos nos endividando para pagar despesas correntes. Não deveria ser normal”, disse na Comissão Mista do Orçamento.

ENDIVIDAMENTO – Essa declaração apocalíptica foi feita para justificar o pedido de dotação extraordinária no valor de R$ 248 bilhões, para que o governo não cometa pedalada fiscal tipo Dilma Rousseff. Nesse crédito suplementar, conforme Guedes, R$ 200 bilhões são para Previdência, R$ 30 bilhões do BPC (benefício mensal ao idoso carente e à pessoa com deficiência), R$ 6 bilhões da Bolsa Família e quase R$ 10 bilhões do Plano Safra.

Guedes é um farsante, que faz contorcionismo verbal e maquia a realidade. Deveria ter dito a verdade. O governo precisa rolar a dívida pública, que tem prioridade de pagamento devido à fraude do então deputado Nelson Jobim, que introduziu essa obrigatoriedade no texto constitucional sem ter sido aprovada na Comissão de Economia. A dívida pública hoje leva a maior parte do arrecadação, não sobra dinheiro para nada. Esta é a realidade.

Mas Guedes atribui tudo ao rombo da Previdência, como se o INSS não tivesse qualquer receita. Por isso, mantém os números sob sigilo, revela-os da maneira que bem entende, sempre querendo iludir, ao invés de discutir.

FUNDOS DE PENSÃO – Além de omitir a importância da dívida pública no caos econômico, o mais impressionante foi ouvir Guedes dizer o seguinte: “Houve um desvio terrível. As estatais quebraram. Não foram só os Correios. Quebraram também o Postalis (fundo de pensão dos Correios). Cem mil carteiros estão sem receber suas aposentadorias”, afirmou ele, que mencionou ainda a Petrobrás e seu fundo de pensão, o Petros, e também o Portus, fundo de pensão dos funcionários do Porto de Santos. “É um problema atrás do outro. A conta está chegando. São bilhões chegando”, afirmou apocalipticamente.

Além de omitir o lucro médio de 10% das principais estatais em 2018, que não “quebraram”, estrategicamente o ministro esqueceu de dizer ter sido corresponsável pela crise dos fundos de pensão, por ter aplicado recursos de Postalis, Petros, Previ e Funcex em ativos financeiros criados pelo próprio Guedes, segundo investigações em curso no Tribunal de Contas da União e no Ministério Público do Rio de Janeiro, e o ministro jamais atendeu às convocações para prestar depoimento.

É TUDO MENTIRA – O governo não está pré-falido (“à beira de um abismo fiscal”). Está sendo é mal gerido. A dívida pública corrói a nação, que não tem mais dinheiro para pagar as mordomias e altas remunerações da nomenklatura dos Três Poderes. No entanto, ao invés de procurar um Pacto Nacional, para reduzir  despesas desnecessárias, gratificações, penduricalhos, medalhões de lagosta e vinhos premiados, o rumo do governo é dar aumento salarial aos militares.

Na verdade, é preciso dar um freio de arrumação. Mas ninguém pode acreditar num mitômano como Guedes, que esconde os números da Previdência e conta uma mentira atrás da outra.

Os brasileiros só podem acreditar nele quando derrubar o sigilo, convocar auditorias para a Previdência e a Dívida Pública, e comparecer voluntariamente ao Ministério Público para depor sobre suas transações com os fundos de pensão. É o mínimo que se espera dele.

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P.S.
Os brasileiros não devem desanimar. Somos o quinto maior país do mundo em território e número de habitantes, a oitava maior economia, com as mais extensas áreas agricultáveis e o maior volume de água doce em nascentes e aquíferos, com abundantes riquezas minerais a serem exploradas e grande potencial de crescimento. Os governos passam e ministros como Paulo Guedes acabam no lixo da História, mas o Brasil há de seguir adiante. (C.N.)

Em vez de usar Moro como garoto-propaganda, Bolsonaro devia consultá-lo sobre leis

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Charge do Lézio Junior (Diário da Região)

Carlos Newton

A criação das leis trabalhistas e dos sindicatos por Getúlio Vargas foi uma forma de minorar o capitalismo selvagem dos barões do café com leite e rapadura, que eram donos dos latifúndios e dos engenhos, mandavam na política e no país. O trabalhismo de Vargas foi a melhor coisa que já aconteceu ao país, porque ele plantou as bases da industrialização e mudou a realidade brasileira. Deu dignidade e força política aos trabalhadores, que ele enaltecia ao abrir seus discursos.

Acontece que o esforço de Vargas acabou sendo desvirtuado pelo populismo de Lula da Silva, o importante líder sindical que foi cooptado pelos militares para impedir que o trabalhismo verdadeiro ressurgisse sob comando de Leonel Brizola, e essa estratégia foi o maior erro cometido pela ditadura de 64/85.

REPÚBLICA SINDICAL – O surgimento do PT (Partido dos Trabalhadores) acabou levando Lula ao poder, com um projeto de implantação de uma República Sindical, financiada pela legislação que garantia a contribuição obrigatória, equivalente ao valor de um dia de trabalho de cada brasileiro.

Com esses recursos, o país criou 17 mil entidades sindicais, incluindo federações e centrais, algo inimaginável, pois no mundo inteiro existem apenas 19 mil sindicatos.

Esse império sindical precisava ser desmontado, e curiosamente a democrática tarefa coube ao governo Michel Temer, que comprou por 30 dinheiros a aprovação da reforma que eliminou direitos trabalhistas, mas, sabiamente, aproveitou para proibir a cobrança do imposto sindical obrigatório.

BRECHA NA LEI – Acontece que logo o PT deu um jeito de abrir uma brecha na lei, ao introduzir a prática de “assembleias sindicais” aprovarem a cobrança obrigatória do imposto aos trabalhadores de suas respectivas atividades.

Para evitar a ressurreição da “República Sindical”, o governo Bolsonaro decidiu pôr fim à cobrança, mas errou na legislação. Ao invés de indagar ao ministro Sérgio Moro qual seria o procedimento adequado, a Casa Civil produziu uma Medida Provisória e mandou ao Congresso. Foi um erro. A medida correta seria um simples decreto, de um artigo só, regulamentando a lei do governo Temer e impedindo a cobrança do imposto via assembleia sindical. Apenas isso, e o assunto estaria encerrado.

Mas a Assessoria Jurídica da Casa Civil atuou via Medida Provisória, que agora o Centrão, o PT & Cia. querem modificar, para mostrar a Bolsonaro quem realmente manda na preparação de leis.

HÁ SOLUÇÃO – Felizmente, o Congresso pode muito, mas não pode tudo. Mesmo que a Câmara modifique e aprove a Medida Provisória, o Senado tem condições de modificá-la e o presidente pode vetar essa forma de cobrança ilegal e antidemocrática da contribuição sindical.

Aliás, além de vetar, o chefe do governo pode fazer a coisa certa e baixar o decreto de um artigo só, mandando para o espaço a pretendida reconstrução da “República Sindical”.

Em tradução simultânea, deve-se dizer que não adianta o presidente Bolsonaro ficar elogiando Sérgio Moro. É preciso que passe a usar o conhecimento jurídico do ministro da Justiça, consultando-o sobre suas mensagens jurídico-legislativas.

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P.S. –
Se consultasse Moro, o presidente não estaria agora pagando esse mico do decreto inconstitucional sobre porte de armas. Ao invés de usar Moro como garoto-propaganda no Brasil e no mundo, melhor faria Bolsonaro se o transformasse em um de seus principais interlocutores. O país agradeceria bastante. (C.N.)

E chegamos a esta semana, ainda sem saber qual é o tsunami que atingirá o país

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Ilustração reproduzida do Blog do Magno

Carlos Newton

Não se sabe bem o motivo, mas o presidente da República fez questão de anunciar que nesta semana que se inicia haverá um “tsunami” no país. A imprensa logo começou a especular, com as mais diferentes explicações, porque a frase de Jair Bolsonaro foi enigmática, tipo “decifra-me ou te devoro”. Aliás, ele não deveria ter falado nada, porque quando um chefe de governo anuncia alguma coisa grave como um “tsunami”, depois não adianta dizer que “a gente vence esse obstáculo com toda certeza”, porque as pessoas sempre ficarão preocupadas.

No caso, como Bolsonaro estava falando em nomeação de ministros, a repórter Delis Ortiz, da TV Globo, colheu informações de que o presidente estaria se referindo à Medida Provisória 870, que trata da reforma administrativa, com redução do número de ministérios, que precisa ser aprovada pelo Congresso para ter validade.

ERROS IMPERDOÁVEIS – Acontece que ainda há tempo para aprovar a MP, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vai tocar um “esforço concentrado”. Portanto, não haverá “tsunami” algum em relação à MP 870.

E o mistério aumentou porque, na sequência da frase, disse Bolsonaro, ainda mais enigmaticamente: “Somos humanos, alguns erram, uns erros são imperdoáveis, outros não”.

Logo surgiram outras interpretações, dizendo que o ministro Sérgio Moro poderia pedir exoneração, e no domingo Bolsonaro desfez a notícia ao dar entrevista confirmando que vai nomeá-lo para o Supremo na primeira vaga, em novembro do ano que vem.

OUTRAS VERSÕES – Blogs, sites e portais fizeram a festa e saíram outras versões, anunciando que haverá novos capítulos na briga entre a ala militar e o grupo olavista, o que realmente pode acontecer, porque o guru virginiano é mesmo imprevisível.

Falou-se também nos efeitos abaladores da quebra dos sigilos do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), por conta das “rachadinhas” armadas com o ex-assessor Fabricio Queiroz. E houve até quem previsse a demissão do ministro Santos Cruz, secretário de Governo, enquanto outros especulavam que o “tsunami” seria uma referência às manifestações populares convocadas para quarta-feira..

O fato concreto é que ninguém conseguiu fazer a tradução simultânea da apocalíptica frase de Bolsonaro. Nesse aspecto, ele é muito parecido com a ex-presidente Dilma Rousseff, tem hora que não diz coisa com coisa.

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P.S.
Se conhecesse Nicolau Maquiavel, certamente Bolsonaro não procederia assim. Saberia que notícia ruim se anuncia direto, enquanto a notícia boa é que deve ser dada aos pedaços. Mas o presidente brasileiro não gosta de filosofia, acha que não serve para nada. (C.N.)

Ministro Sérgio Moro está sendo triturado no Planalto, mas mantém sua dignidade

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Moro precisa ter paciência e entender a precariedade do governo

Carlos Newton

Na manhã de quarta-feira, dia 8, quando o jurista Jorge Béja dissecou o decreto das armas aqui na “Tribuna da Internet” e anunciou sua absurda inconstitucionalidade, foi uma surpresa geral. Até então pensava-se que o texto se referisse apenas ao porte de arma por instrutor ou praticante de tiro ao alvo, conforme havia sido divulgado. Após o artigo de Béja, a  imprensa “escrita, falada e televisada” correu atrás, confirmou a denúncia do advogado carioca e passou a divulgar detalhes verdadeiramente estarrecedores.

A notícia mais incrível foi de que o texto recebera acréscimos inconstitucionais e brutais depois de ter sido submetido ao ministro Sérgio Moro, que inadvertidamente acabou assinando na cerimônia do Planalto um decreto que jamais lhe fora exibido.

ESTRANHEZA – O próprio Jorge Béja já tinha percebido essa questão e fizera um segundo artigo, indagando se o ministro Sérgio Moro tinha mesmo concordado com as inconstitucionalidades existentes no decreto, que jamais poderia ter caráter legislativo, nos termos do artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal.

Atingido em sua reputação de magistrado e operador do Direito, o ministro Sérgio Moro se comportou com uma dignidade impressionante. Não deu uma só palavra sobre o assunto. Como no caso do atentado do Riocentro, o ministro preferiu deixar que a bomba explodisse no colo de quem por ela era responsável e de quem a transportava – no caso, o presidente Bolsonaro, que determinou os acréscimos ao texto, e o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que tem a função de tratar da redação dos decretos e mensagens que o presidente da República edita.

No Planalto, a mecânica é esta – a Casa Civil, através da Subchefia de Assuntos Jurídicos, prepara o decreto, submete o texto ao ministro da Justiça, que o aprova, para ser então encaminhado à assinatura conjunta do presidente e dos ministros dos setores envolvidos.

TRAIÇÃO – Sem a menor dúvida, o ministro Sérgio Moro foi traído em sua confiança, ao ser levado a assinado um decreto do qual nem tomara conhecimento. O texto original, reivindicado desde o início do governo pelo filho Zero Três, Eduardo Bolsonaro, inicialmente se referia apenas a posse de armas por instrutores e praticantes de tiro ao alvo, que é um tradicional esporte olímpico.

Todos os demais acréscimos, inclusive a importação de armas semelhantes às fabricadas no Brasil, ainda não tinham sido debatidos em fase final. Portanto, fica claro que a introdução de todos esses “adendos” partiu do presidente Bolsonaro, que parece ter um parafuso a menos.

E não se pode admitir que o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, não somente tenha concordado com essas maluquices, como também continue defendendo que o decreto seja mantido na atual redação.

SURREALISMO – Na sexta-feira, Onyx deu entrevista à Rádio Gaúcha (grupo Zero Hora) e afirmou que o decreto de armas será mantido, dizendo já ter conversado a respeito com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Com isso, mostrou desconhecer o presidente Bolsonaro já admitia existirem inconstitucionalidades, que desde quarta-feira vinham sendo denunciadas pelo próprio Rodrigo Maia, após a publicação do artigo de Jorge Béja.

Como se faz no teatro, é preciso aplaudir ou vaiar os autores da peça. No caso, a ideia de ampliar o decreto foi do presidente Bolsonaro e a execução ficou a cargo do ministro Onyx Lorenzoni e do trio de “juristas” da Casa Civil – Jorge Rodrigo Araújo Messias, Flávio José Roman e Cesar Dutra Carrijo, subchefes da Assessoria Jurídica, cujo conhecimento da Ciência do Direito está abaixo da crítica, como se dizia antigamente.

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P.S.
Roga-se ao ministro Sérgio Moro que não peça exoneração e se mantenha no cargo. Precisa encarar o fato como acidente de percurso e seguir em frente na sua obra em defesa de um Brasil melhor, não importa o procedimento de quem esteja na chefia do governo. (C.N.)

Aviso aos navegantes: Bolsonaro vai ter grandes problemas na Câmara e no Senado

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Carlos Newton

A política brasileira é um verdadeiro desafio sociológico, filosófico e até antropológico, embora as chamadas ciências humanas estejam totalmente desprestigiadas pelo atual governo brasileiro. Para entender como funciona o Congresso, é preciso fazer doutorado em relações sociais, porque Câmara e Senado são uma espécie de microcosmo da sociedade brasileira, abrigando desde analfabetos a verdadeiras sumidades e intelectuais de grande porte, como Ulysses Guimarães, professor de Direito Constitucional e que era tripresidente numa fase decisiva da política brasileira – ao mesmo tempo, ele comandava a Assembleia Constituinte, a Câmara e o PMDB, que era o partido hegemônico nos anos 80.

FALA SÉRIO… – Parlamentar analfabeto? Fala sério, alguém pode contestar. Mas durante os anos em que trabalhei no Congresso, conheci um deputado que não sabia ler e escrever. Não lembro o nome, apenas que era líder de garimpeiros, virou suplente de Dante de Oliveira (PMDB-MT) e assumiu quando o titular se tornou ministro da Reforma Agrária no Governo Sarney.

O deputado Mário Juruna (PDT-RJ), também tinha dificuldades para ler, assim como Tiririca (PR-SP), com quem trabalhei na TV Manchete e posso garantir que seus programas eram de improviso, porque ele não conseguia memorizar os roteiros. Tiririca foi submetido a testes para poder ocupar o primeiro mandato, sua situação é próxima ao analfabetismo funcional.

APENAS MEMÓRIAS – Nada disso interessa, são apenas lembranças de jornalista, para mostrar que o Congresso reflete a sociedade brasileira. Nós somos assim, Câmara e Senado são apenas extensões da sociedade que elege seus representantes.

O presidente Bolsonaro passou 28 anos na Câmara, mas não captou direito o que significa o Congresso, porque não se envolvia, não participava, era um estranho no ninho, e fazia questão de ser assim, porque era a forma de se eleger (e de eleger a família), representando os militares.  

Ao chegar à Presidência da República, Bolsonaro teve a ilusão de estar liderando o processo de uma Nova Política, mas não é bem assim que as coisas funcionam – eleição majoritária é de um jeito, eleição proporcional é de outro jeito, e não se misturam. Justamente por isso, todo presidente precisa formar a base aliada. É assim que funciona.

INÊS É MORTA – Na euforia da vitória e no delírio de vislumbrar a Nova Política, Bolsonaro não deu a devida atenção à base aliada, não deu atendimento às solicitações paroquiais, nada, nada. Logo começou a ser derrotado na Câmara, não se preocupou muito. Quando despertou já era tarde – Inês não só estava morta, como até já tinha sido sepultada, diria o inconsolável Rei Pedro, de Portugal.

Agora, cada votação será um parto de fórceps. A realidade, já repetida mil vezes aqui na Tribuna da Internet, é que a maioria da Câmara é formada pela bancada da corrupção. Os deputados não querem saber de Lava Jato nem de fim do Caixa 2. Na verdade, a Câmara funciona exatamente igual ao Supremo, toda cheia de vícios e regalias.

É por isso que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) não pode ficar no Ministério da Justiça com Sérgio Moro, a Justiça Federal não pode julgar corrupção no Caixa 2, os auditores da Receita não podem investigar crimes conexos às sonegações fiscais, e também o pacote anticrime de Moro não pode ser aprovado. Aliás, sofrerá tantas alterações que mal conseguiremos reconhecê-lo.

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P.S
Caramba! Depois de 28 anos na Câmara, Bolsonaro não conseguiu entender como é que funciona aquela casa? Com muito menos tempo, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre se tornaram grandes mestres. O presidente Bolsonaro agora dependerá deles para governar. No entanto, jamais conseguirá aprovar a reforma da Previdência se os dados permanecerem sob sigilo por ordem de Paulo Guedes. Esta semana, Bolsonaro se jactou de já ter votos suficientes para aprovar a reforma. É Piada do Ano, com toda certeza. Tive frouxos de riso, como diz nosso amigo Francisco Bendl. (C.N.)

Silêncio de Olavo de Carvalho e dos filhos de Bolsonaro tem enorme significado

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

Desde a fase de transição, quando começaram a ser indicados os ministros e ocupantes do segundo escalão, o país passou a sofrer as consequências da disputa entre as duas alas principais do governo. De lá para cá, rolou um clima de desunião, em meio à baixaria das mensagens pornográficas do escritor, filósofo e astrólogo Olavo de Carvalho, uma espécie de ideólogo da ultradireita brasileira. Essas manifestações despudoradas tinham não somente o aplauso entusiástico dos filhos do presidente, mas também o apoio discreto e significativo do próprio Jair Bolsonaro.

Durante esses meses, em algumas ocasiões a brigalhada chegou a perigosos limites, que envolviam achincalhes e ofensas. Por diversas vezes notou-se que o presidente interveio junto a Olavo de Carvalho e os filhos, mas apenas para que reduzissem a intensidade dos ataques, pois mantinha o apoio velado.

CASO BEBIANNO – O principal alvo era o vice-presidente Hamilton Mourão, por ter tomado a ousada iniciativa de amaciar graves erros políticos cometidos por Bolsonaro, como a mudança da embaixada para Jerusalém, os ataques gratuitos à China, a base norte-americana no Brasil e a ameaça de derrubar o prédio da embaixada palestina em Brasília.

O então secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, saiu em defesa de Mourão no Planalto e criticou internamente a atuação dos filhos de Bolsonaro. Foi o que bastou. Com base na falsa denúncia de que Bebianno teria sido responsável por candidaturas laranjas em Minas e Pernambuco, Bolsonaro atendeu aos filhos e resolveu demitir o ministro.

Houve forte reação da ala militar, Bolsonaro sentiu que estava cometendo um grave erro e ofereceu ao ministro uma diretoria na Itaipu Binacional ou as embaixadas de Lisboa e Roma, a escolher, mas Bebianno mostrou enorme dignidade e preferiu largar o governo.

FORTALECIMENTO – Sem haver justificativa, a injusta demissão de Bebianno, amigo pessoal de Bolsonaro, foi atribuída a “motivo de foro íntimo”. O mais incrível é que, ao invés de enfraquecer a ala olavista, acabou fortalecendo o grupo. Mantida a conivência do presidente, eles pensaram (?) que o céu seria o limite.

Mourão tinha sido tão duramente atingido que Bolsonaro o proibiu de ocupar a presidência. Quando foi ser operado pela terceira vez, no final de janeiro, Bolsonaro só permitiu que Mourão assumisse por 48 horas. Mas a recuperação se complicou, o presidente teve de ficar 17 dias internado, Mourão não foi chamado a assumir e o governo permaneceu acéfalo por 15 dias.

E para humilhar Mourão na breve interinidade de 48 horas, Carlos Bolsonaro apareceu no Planalto no dia em que o pai foi operado, ocupou uma sala e começou “a despachar” com deputados do PSL, vejam a que ponto chegamos.

REATAMENTO – Depois desse patético episódio, Bolsonaro teve um acesso de bom senso e reatou com Mourão, que continuou sob fogo cerrado da ala olavista. Os ataques prosseguiram e o vice-presidente fazia cara de paisagem, porque realmente tinha se excedido em algumas declarações, movido pela vaidade.

Para variar, os olavistas então passaram a metralhar o ministro Santos Cruz, da Secretaria do Governo, e a coisa não prestou, como se diz no Nordeste.

Bolsonaro não esperava a dura reação dos militares. Liderados pelo general Eduardo Villas Bôas, na terça-feira os comandantes militares convidaram o presidente para um almoço-surpresa no Quartel-General do Exército, e o que houve lá dentro nem às paredes confesso, diria Amalia Rodrigues. O que se sabe é que o resultado foi auspicioso.

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P.S.
1 De repente, Olavo de Carvalho ficou contido e educado, já não mais se expressa aos palavrões. O filho Zero Três, que ameaçou novos ataques a quem “não seguir o presidente”, mudou de ideia e agora diz que vai passar a pôr “panos quentes”. O Zero Um continuou na muda, pois está sem se expor desde a crise das “rachadinhas” do assessor Queiroz. E o Zero Dois, que comandava escandalosamente os ataques nas redes sociais, entrou num silêncio constrangedor.

P.S. 2Em tradução simultânea, pode-se dizer que o governo não é mais o mesmo. Mudou muito. E para melhor. (C.N.)

Pressão dos militares está dando resultados e Eduardo Bolsonaro já se enquadrou

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Eduardo Bolsonaro diz que vai pôr “panos quentes” nas polêmicas

Carlos Newton

Conforme assinalamos aqui na Tribuna da Internet, ninguém sabe ao certo o que foi conversado no almoço fora da agenda, “oferecido” pelos comandantes militares ao presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, dia 7, após o chefe do governo ter divulgado um texto nas redes sociais em que exaltava o “ícone” Olavo de Carvalho e fazia o seguinte pedido: “Quanto aos desentendimentos ora públicos com os militares, aos quais devo minha formação e admiração, espero que seja uma página virada por ambas as partes”.

“CONVOCAÇÃO” – Este posicionamento do presidente aumentou a decepção dos militares, que esperavam uma postura rigorosa contra Olavo de Carvalho e os filhos Zero Um, Zero Dois e Zero Três. Os comandantes então “convidaram” Bolsonaro para um almoço-surpresa no Forte Apache, o Quartel-General do Exército.

É claro que não foi bem um convite, mas uma convocação, porque convite a pessoa pode recusar, mas no caso o chamado dos militares era irrecusável, digamos assim. Bolsonaro teve de alterar a agenda e partiu para o sacrifício, como se dizia antigamente.

OS RESULTADOS –  O que se conversou no almoço está sob rigoroso sigilo, mas os resultados logo começam a aparecer. Ficou claro que Bolsonaro se comunicou com os filhos Zero Um, Zero Dois e Zero Três, para lhes pedir moderação, e também fez contato com o guru virginiano.

Eduardo Bolsonaro, o Zero Três, que havia dito que as críticas aos militares prosseguiriam para atingir quem “não estiver alinhado ao presidente”, seja militar ou civil, mudou de posição e na noite de terça-feira já afirmava que agora quer pôr “panos quentes” nas polêmicas do Planalto.

Até agora, Olavo de Carvalho não voltou a se manifestar, e os filhos Zero Um e Zero Dois também estão fechados em copas, como se diz no carteado, depois de Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, ter comemorado com amigos e aliados o fato de ter “implodido” o general Santos Cruz.

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P.S. –
Vai acompanhar para ver se os ataques vão realmente cessar. Em um de seus bestiais e pornográficos rompantes, Olavo de Carvalho previu que o governo de Bolsonaro não duraria seis meses. Se o o guru virginiano continuar ofendendo quem mais ajuda o presidente, sua previsão poderá se concretizar. Não com apenas seis meses, porém mais para a frente. Bolsonaro está emparedado. Depois a gente volta ao assunto. (C.N)

Pacto federativo proposto por Guedes não resolve a crise de estados e municípios

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Governo está condicionando o pacto federativo à reforma da Previdência

Carlos Newton

Temos registrado aqui na “Tribuna da Internet” a extrema gravidade da crise econômica dos Estados, que em sua maioria se encontram em situação de pré-falência. O governo federal está ciente de que é preciso encontrar soluções e até se propôs a discutir um novo pacto federativo, que é o assunto da reunião desta quarta-feira na residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), com participação do presidente Bolsonaro e dos 27 governadores, além do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e de líderes partidários.

O fato concreto é que a maioria dos Estados não tem mais condições de pagar os servidores ativos, aposentados e pensionistas. A reforma da Previdência pode até dar um alívio, mas não resolverá a crise.

VERSÃO DE GUEDES – A equipe econômica criou sua própria versão de pacto federativo, que é calcada em três pontos. O primeiro deles é a autorização para os Estados contraírem novas dívidas, com aval do Tesouro Nacional, para conseguir pagar as folhas, que em muitos casos já ultrapassa 60% da arrecadação e o déficit vem sendo camuflado com maquiagem fiscal. Ou seja, os Estados vão se endividar ainda mais.

A segunda parte seria um repasse de 70% do Fundo Social do Pré-Sal (cerca de R$ 12 bilhões) a ser liberado em fatias, mas necessita de um projeto de lei aprovado no Congresso.

E o terceiro ponto refere-se à partilha de até 20% da cessão onerosa do pré-sal, depois de outubro, o que representaria cerca de R$ 20 bilhões. Portanto, no total teríamos R$ 32 bilhões a serem fatiados pelos 27 Estados e também pelos municípios. Aparentemente, é muito dinheiro, mas não resolve a crise, só alivia, e jamais essas propostas podem ser consideradas um pacto federativo.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Os governadores defendem um pacto federativo de verdade, e isso significa discutir medidas para permitir que os Estados equilibrem as contas, gerem empregos e melhorem o dia a dia do cidadão.

Em tradução simultânea, o novo Pacto Federativo somente se concretizaria a através de uma maior descentralização do dinheiro recolhido com os impostos, acompanhada de repasses de concessões e da realização de investimentos estratégicos nos Estados, mas o governo federal está sem caixa e não tem a menor intenção de discutir esses temas.

Portanto, os 27 governadores sairão hoje de mãos abanando da reunião na residência do presidente do Senado. De toda forma, a mordomia é boa, com comida farta, mas não se compara ao sofisticado menu do Supremo, que tem medalhões de lagosta e vinhos premiados, tudo pago pelo cidadão contribuinte.

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P. S. 1A questão mais importante para o país é a discussão da crise econômica que atinge os três níveis do poder público –federal, estadual e municipal. Mas isso não está ocorrendo. O governo não admite debater nem mesmo a reforma da Previdência, cujos dados continuam sob sigilo.

P. S. 2 – Assim, ao invés de discutir as questões mais importantes, o país fica entretido com as ofensas e palavrões de Olavo de Carvalho e com as maluquices dos príncipes-regentes Zero Um, Zero Dois e Zero Três, enquanto o país caminha para um futuro verdadeiramente sinistro, que Deus nos proteja. (C.N.)