A desfaçatez é tamanha que os partidos queriam se livrar de prestar contas do Fundo Partidário

Arquivos partidos - Blog da Resenha Geral

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

Quando morei em Brasília, tive oportunidade de conhecer por dentro o Tribunal Superior Eleitoral. Tinha poucos funcionários e estava instalado num edifício discreto e de pequeno porte, numa daquelas superquadras da capital. Fui pautado por Helio Fernandes para fazer uma matéria sobre o Partido Verde, que estava todo enrolado com a prestação de contas referente aos recursos públicos do Fundo Partidário. A denúncia que chegara à Tribuna da Imprensa era estarrecedora.

Recebi cópia completa dos documentos e comecei a investigar. Realmente era impressionante o número de irregularidades, a começar dos gastos pessoais do presidente do partido, que se reembolsava até das contas de água, luz e telefone, sob argumento de que sua casa funcionava como uma segunda sede do PV.

UMA VERDADEIRA FARRA – As ilegalidades chegavam a ser ridículas. Havia diretores recebendo diárias de viagens em cidades diferentes e longínquas, ao mesmo tempo. Gastos de combustível espantosos, pagamentos a empresas fantasmas, uma verdadeira farra.

Eu ia tantas vezes ao TSE que fiquei amigo de dois auditores, pessoas capacitadas e que manifestavam revolta com essa usurpação de verbas públicas para enriquecimento ilícito de dirigentes partidários.

E o pior, eles me diziam, era saber que nada iria acontecer. Havia um esquema dentro do Tribunal para fazer as prestações de prazo prescreverem e serem aprovadas por decurso de prazo.

E NADA MUDOU… – O tempo passa, o tempo voa, e os partidos continuam numa boa. Em 2011 foi inaugurada a luxuosíssima sede do TSE. Mas nada mudou. Projetada por Oscar Niemeyer, sua suntuosidade chega a ser afrontadora. Milhares de pessoas trabalham lá e a sem-vergonhice continua a mesma. Nenhuma prestação de contas é recusada. Nenhum dirigente responde a processo por improbidade administrativa, nada, nada. O TSE mudou as regras em 2019, mas os espertalhões sempre encontram a brecha da lei. 

O mais incrível é que em abril um grupo de 17 partidos ingressou com uma ação no Supremo para afrouxar as regras sobre apresentação de esclarecimentos em processos de prestação de contas partidárias.

PSB, DEM, MDB, PCdoB, PDT, PL, PP, PSD, PSDB, PT, Solidariedade, PSOL, PSL, PTB, Cidadania, Republicanos e Podemos queriam anular uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determina prazo para os órgãos partidários apresentarem explicações e sanar irregularidades nas prestações de contas. Se não o fizerem no prazo estabelecido, perdem o direito de se manifestar depois.

VOTO DO RELATOR – A repórter Rosanne D’Agostino, do G1, conta que nessa sexta-feira (21), o relator da ação, ministro Gilmar Mendes, votou para rejeitar o pedido, afirmando que “bastaria a apresentação de provas, em grande quantidade documental, às vésperas do decurso do prazo legal de julgamento de contas pela Justiça Eleitoral para que o comando constitucional da prestação de contas fosse inteiramente esvaziado”.

O caso foi julgado no plenário virtual da STF. Os demais ministros concordaram com o entendimento do relator para rejeitar o pedido.

Agora, seria interessante se os ministro do TSE mostrassem preocupação também com as mirabolantes prestações das contas do Fundo Partidário, para não continuarem a ser aprovadas por decurso de prazo.

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P.S. 1Como diz o samba “Reunião de Bacana” (de Ary do Cavaco e Beto Di São João), se gritar pega ladrão em reunião de dirigentes dos partidos, não fica um, meu irmão. 

P.S. 2Muita gente pensa que esse maravilhoso samba é do Bezerra da Silva, mas na música como na política, as aparências enganam. (C.N.)

Há algo de muito podre num país em que a AGU se oferece para fazer a defesa do filho do presidente

Artigos – Cidadania Ativa

Apparicio Torelly, o genial Barão de Itararé dizia verdades

Carlos Newton

O gaúcho Apparicio Torelly abandonou o curso de Medicina no quarto ano para se tornar jornalista, veio para o Rio de Janeiro e foi contratado pelo O Globo. Com a morte de Irineu Marinho, fundador do jornal, Torelly aceitou um convite de Mário Rodrigues e foi trabalhar no rival “A Manhã”, onde se enturmou com Nelson Rodrigues e os outros filhos do patrão. Foi quando desistiu do jornalismo para se transformar no maior humorista brasileiro, adotando um falso título de nobreza, em homenagem à Batalha de Itararé, que ficou famosa na revolução de 1930, mas não existiu.

Quem trabalha em jornalismo político tem de estar sempre lembrando do Barão de Itararé, que costumava criticar as maluquices brasileiras com o título “Era só o que faltava”, que aproveitamos aqui hoje, para caracterizar o absurdo parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), apresentado ao Supremo em defesa do senador Flávio Bolsonaro.

A LEI É CLARA – A AGU foi criada pela Lei Complementar 73, de 10 de fevereiro de 1993, no governo de Itamar Franco, o último presidente da República que mereceu o título desde Juscelino Kubitschek. Seu artigo 1º determina que “a Advocacia-Geral da União é a instituição que representa a União judicial e extrajudicialmente”. E seu parágrafo único acrescenta: “À Advocacia-Geral da União cabem as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos ao Poder Executivo, nos termos desta Lei Complementar”.

Qualquer estudante de Direito que for consultar a Lei Complementar 73 vai concluir, sem o menor esforço, que nela não existe nenhum dispositivo que permita à AGU participar da defesa de nenhum senador da República, mesmo que seja filho do ocasional presidente. “Era só o que faltava”, diria o Barão de Itararé.

Esse ato da AGU, dirigida por um procurador chamado José Levi, que deveria se portar com mais pudor e altivez à frente do importante cargo público, ao invés de se curvar desavergonhadamente perante S. Excia, a ponto de exibir sua “brecha da lei”, que as crianças preferem chamara de “cofrinho”.

ESCULHAMBAÇÃO – O fato concreto é que o Brasil é o país da esculhambação jurídica, e o advogado-geral da União se julga no “direito” de enviar ao Supremo Tribunal Federal um parecer defendendo que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, tem direito a foro privilegiado no processo nas “rachadinhas”.

A bagunça e a podridão são tamanhas que essa notícia é veiculada nos jornais como se fosse uma coisa normal a AGU defender um filhinho do papai. As matérias publicadas a respeito tratam essa interferência ilegal como se fosse o “normal” jurídico.

A reportagem de O Globo, por exemplo, diz que “o documento vai auxiliar os ministros da Corte no julgamento de uma ação proposta pela Rede Sustentabilidade contra a concessão de foro ao parlamentar”. Era só o que faltava…

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P.S. – O relator dessa ação é o ministro Luís Roberto Barroso. Espera-se que ele se recorde das magníficas aulas que ministrava na Faculdade de Direito da UERJ e devolva ao advogado-geral da União essa excrescência jurídica por ele perpetrada. É o mínimo que Barroso pode fazer – desentranhar dos autos esse parecer ilegal para que sirva de exemplo. (C.N.)

Guedes não pode pedir demissão porque perderá o foro privilegiado que pensa (?) possuir

BB cede carteira de crédito ao BTG em meio à nova ameaça de privatização | Sindicato dos Bancários

Reprodução reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Como diziam os anúncios fúnebres antigamente, cumprimos o doloroso dever de comunicar que o ministro da Economia, Paulo Guedes, não pedirá demissão. Ele até tem vontade de sair fora, porque não é nada fácil aguentar Jair Bolsonaro, nem ganhando adicional de insalubridade, mas o ministro está forçado a ficar. Só sai se Bolsonaro o demitir e chamar os seguranças para expulsá-lo.

Como se sabe, desde 2018, antes da eleição, Guedes está fugindo da força-tarefa da Operação Greenfield, que apura irregularidades nos principais fundos de pensão.

ACUSAÇÕES GRAVES – Os robôs do gabinete do ódio dizem que é tudo mentira e que os fundos de pensão tiveram grandes lucros ao contratar os serviços de corretagem  oferecidos por Guedes, mas isso é “menas verdade”, diria Lula antes do curso intensivo de português.

As acusações não são levianas. Pelo contrário, há relatórios das auditorias dos fundos de pensão, confirmadas por um relatório definitivo da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), comprovando as irregularidades de Guedes, que aplicou recursos dos trabalhadores em fundos de investimentos que ele próprio criara.

O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) apura a responsabilidade de Guedes em prejuízos à Funcef, da Caixa Econômica Federal, em um investimento de R$ 112,5 milhões feitos pelo FIP Brasil Governança. Gerido pela BR Educacional, criada por Guedes, o FIP causou perda total aos seus cotistas, entre eles a Funcef, que detinha 20% de suas ações.

OUTRA INVESTIGAÇÃO – Guedes já era investigado por crimes de gestão fraudulenta e temerária de instituições financeiras, assim como emissão e negociação de títulos mobiliários sem lastros ou garantias em relação aos investimentos realizados na empresa Enesa Participações.

O relatório da Funcef, revelado em 2019 pelo Estadão, apresenta uma série de irregularidades na Enesa, como o pagamento de dividendos incompatíveis com seus lucros, uso de empresas de fachada para justificar o enquadramento da empresa como uma holding e pagamento de ágio acima do normal.

Sobre a distribuição de dividendos, a Funcef afirma que, em 2010, logo após receber o aporte de R$ 112 milhões do FIP Brasil Governança, com recursos dos fundos de pensão, a Enesa Participações realizou distribuições de dividendos no valor de R$ 77,3 milhões. O indício de irregularidades estava no fato de que o lucro da empresa, relativo ao ano anterior, fora de apenas R$ 44 milhões, portanto,  incompatível com a distribuição de dividendos, diz o relatório do fundo de pensão da Caixa,

FORO PRIVILEGIADO – Guedes faltou aos dois depoimentos convocados pelo Ministério Público, quando não tinha foro privilegiado. Diz que nada tem a temer, porém continua se recusando a depor.

No momento, como ministro de Estado, ele hipoteticamente tem foro privilegiado no Supremo, mas os crimes foram cometidos antes de assumir o mandado, o que significa que teria de ser investigado e processado na primeira instância do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, segundo jurisprudência da Primeira Turma do STF.

Mas o fato concreto é que Guedes continua protegido pelo foro, porque até hoje não prestou depoimento na primeira instância. É por essas e outras que devemos dizer que no Brasil a impunidade está garantida.

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P.S. – Os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo, que defendem Guedes,  afirmam que a investigação se “baseia em um relatório fragilíssimo”. Com certeza, é tão frágil que Guedes tem um medo terrível de depor sobre ele. (C.N.)

Entenda, de uma vez por todas, por que Michelle recebeu R$ 89 mil de Queiroz

Presidente, por que sua esposa Michelle recebeu R$ 89 mil de ...Carlos Newton

Depois que o presidente Jair Bolsonaro rasgou a fantasia do bloco Paz e Amor, tirando também a máscara da face, em frente à belíssima catedral de Brasília, ao declarar neste domingo que tinha vontade de “dar porrada” em um repórter, surgiu uma febre nacional em que milhares de internautas passaram a repetir nas redes sociais, especialmente no Twitter, uma versão da pergunta que gerou o ameaça ao jornalista.

Nesta quarta-feira, a coluna Sonar, no site de O Globo, mostra que artistas, celebridades e jornalistas copiaram e postaram a mesma mensagem, mencionando o perfil oficial de Bolsonaro na rede.

A PERGUNTA FATAL“Presidente @jairbolsonaro, por que sua esposa Michelle recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?”, questionam os internautas.

A corrente que faz a indagação a Bolsonaro nas redes já reúne nomes como cantor Caetano Veloso, a atriz Patrícia Pillar, o youtuber Felipe Neto, a cantora Teresa Cristina, o humorista Gregório Duvivier, a cineasta Petra Costa e muitos mais.

Políticos que fazem oposição ao governo Bolsonaro, como o presidenciável Ciro Gomes (PDT), os deputados federais Alessandro Molon (PSB-RJ) e Eduardo Suplicy (PT-SP), assim como a pré-candidata à prefeitura do Rio Renata Souza (PSOL), também se juntaram ao coro virtual.

ENFIM, A RESPOSTA – Sem querer entrar nessa confusão, o editor da Tribuna da Internet pede licença para fazer um apelo a todos, para lembrar que Bolsonaro pode ter bons motivos para sonhar em “encher de porrada” o jornalista desconhecido, que ninguém sabe quem é nem onde está.

A raiva presidencial pode ser procedente, porque lá atrás, quando surgiram os cheques de Queiroz para Michelle, num total de R$ 24 mil.

Na época, o presidente justificou as transferências e foi tão sincero que até aumentou o valor. Disse que havia emprestado dinheiro a Queiroz e que os depósitos na conta da mulher eram parte do pagamento dessa dívida:

DISSE BOLSONARO – “Não foi por uma, foi por duas vezes que o Queiroz teve dívida comigo e me pagou com cheques. E não veio para a minha conta esse cheque, porque simplesmente eu deixei no Rio de Janeiro. Não estaria na minha conta. E não foram R$ 24 mil; foi R$ 40 mil”, disse o presidente, em dezembro de 2019.

Agora, novo escândalo, com os extratos mostrando que Queiroz depositou R$ 89 mil na conta de Michelle. Quando o repórter fez a pergunta maldita, Bolsonaro perdeu (?) a calma e ameaçou o jornalista. Foi seu grande erro.

Poderia ter respondido de uma maneira mais direta, parodiando a explicação de James Carville, o marqueteiro de Clinton: “São os juros, estúpido!”. E estaria encerrada a questão, porque aqui no Brasil ninguém empresta dinheiro sem cobrar juros.    

Entre os problemas do governo, o mais fácil de resolver é a questão da Amazônia

TRIBUNA DA INTERNET | O governo dos ruralistas ameaça a Amazônia

Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

Carlos Newton

A gestão do presidente Jair Bolsonaro demonstra ter muitos problemas e poucas soluções. É natural que isso ocorra, porque ninguém consegue governar sem haver verbas e, no caso do Brasil, não há recursos para nada. O padre Quevedo até poderia ser o porta-voz oficial do governo. Quando algum ministro pedisse verbas, ele simplesmente repetiria seu bordão: “Isso non ecziste”. 

Essa situação adversa vem se perpetuando desde o governo de Lula da Silva, que deu a sorte de em 2003 nomear para o BNDES o economista Carlos Lessa, um dos ideólogos do chamado MDB autêntico, ligado a Ulysses Guimarães.

PIB DE 7,5% – Com impressionante precisão, Lessa conseguiu distribuir os recursos do BNDES para reativar a economia, atendendo inclusive as médias, pequenas e microempresas. O resultado foi o crescimento do PIB em robustos 7,5% em 2010, último ano de Lula. Depois disso, veio o dilúvio, como dizia a Madame de Pompadour, tentando animar o amante Luís XV, que acabou sendo considerado autor da frase diluviana.

Quando não há recursos, o bom senso determina que se use a criatividade, na busca de alternativas que sejam autossustentáveis.

Avesso a soluções criativas, o governo Bolsonaro, está sendo salvo pela pandemia, que justificou autorização do Congresso para aumentar os gastos sem haver arrecadação. Ou seja, ganhou licença para gastar.

CAIR NA REAL – Daqui a pouco chega a vacina ou todos já estarão imunizados, a vida seguirá seu curso e o governo terá de cair na real, pois o orçamento de 2021 vai se esvair logo nos primeiros meses, se não houver um freio de arrumação na  máquina pública.

Para o Brasil, em termos de imagem e interesse internacional, nada é mais importante do que a preservação da Amazônia, uma meta literalmente abandonada pelo governo.

No caso, Bolsonaro faz tudo errado, protege madeireiros e garimpeiros, não se importa com as queimadas, é um trapalhão, mas teve um momento de lucidez e criou o Conselho da Amazônia, entregando seu comando ao vice Hamilton Mourão, que gosta de encarar desafios.

MOSTRANDO SERVIÇO – O velho general é carne de pescoço e resolveu mostrar que sabe administrar crises. Logo no início, procurou se informar e descobriu que o Brasil tem as mais modernas leis ambientais do mundo e se transformou no país que mais refloresta seu território.

Aprovada em 2012, em apenas oito anos a nova legislação está mudando a cobertura florestal do país, ao determinar que toda propriedade agrícola destine 20% de sua área para reserva ambiental, mas no Cerrado a obrigatoriedade sobe para 35% e na Amazônia chega a 80%.

Ao mesmo tempo, a lei criou o Cadastro Agrícola Rural, que mapeia todas as propriedades rurais do país. Quem não cumprir a legislação paga pesadas multas.

PÉSSIMO NEGÓCIO – Pode-se dizer, sem medo de errar, que desmatar agora é um péssimo negócio, em qualquer região do país. As multas são muito altas. Devastar uma área pequena, com menos de 30 hectares, por exemplo, pode causar multa de R$ 4 milhões, acrescidos de mais R$ 2 milhões para reposição florestal. Ou seja, destruir a Amazônia passou a ser um péssimo negócio.

Em dezembro, a Advocacia-Geral da União, por meio da Força-Tarefa em Defesa da Amazônia, ajuizou  16 ações civis públicas, que cobram o equivalente a R$ 555,3 milhões de grandes desmatadores em quatro Estados da Amazônia

Portanto, mesmo que a Amazônia fosse toda loteada em propriedades rurais, 80% da floresta seriam preservados – este é o compromisso da lei do Brasil, que os outros países desconhecem.

SÓ FALTA MULTAR –  Ao contrário de Bolsonaro, o vice Mourão se dá bem com os governadores da região. Todos sabem que, para preservar a Amazônia e transformá-la num imenso pólo turístico internacional, basta fiscalizar e multar os desmatadores.

O Conselho agora quer comprar um satélite por R$ 145 milhões para aumentar a fiscalização. Os técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais acham desnecessário, mas Mourão prefere atender aos militares, que sonham em ter um deles para vigiar a região e que funcione também nas temporadas de chuva no “inverno” amazônico, que corresponde ao verão no resto do país.

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P.S. – Na verdade, já existe tudo o que é necessário, mas falta o principal – vontade política. Por isso, a impressão que tenho é que Mourão vai acabar rompendo com Bolsonaro por causa da Amazônia. (C.N.)

Coisas estranhas estão acontecendo à Lava Jato, que agora inocenta até “réu confesso”

TRIBUNA DA INTERNET | Lava Jato não corre risco de fracassar, como ...

Charge do Bonifácio (Arquivo Google)

Carlos Newton

Não deve causar estranheza o sumiço dos brasilianistas, como eram chamados os historiadores e jornalistas estrangeiros que se dedicavam a estudar a política brasileira. Foram rareando igual às espécies em extinção, até não sobrar mais nenhum, é mais fácil encontrar um ornitorrinco perdido em Ipanema. Todos debandaram, porque a coisa mais difícil sempre foi entender a política brasileira, mas agora é muito pior, porque ninguém entende também a justiça e o governo.

Em compensação, poucos países do Terceiro Mundo têm tantos correspondentes estrangeiros, Atualmente, são 110 jornalistas de outros países. O detalhe é que todos ficam baseados no Rio de Janeiro, onde viver ganhando em dólar é o paraíso na Terra. Antigamente eles tinham até um Clube dos Correspondentes Estrangeiros, com sede na Urca, que maravilha viver, diria Vinicius de Moraes.

DOCE VIDA – Como ninguém consegue entender o que se passa, os jornalistas estrangeiros pouco tem a fazer. Para disfarçar, trocaram o nome do Clube, que virou uma Associação.

É compreensível a situação deles. Veja-se o exemplo da Lava Jato, que deu bastante trabalho aos correspondentes, pois tinham de fazer a cobertura da maior operação mundial contra a corrução. Eles já não aguentavam mais tanta notícia de busca, apreensão ou prisão de políticos e autoridades.

Mas houve eleição em 2018. Um ex-capitão do Exército assumiu o poder e tudo mudou. O Brasil passou a ser o único país, entre os 193 membros da ONU, a somente prender corruptos após julgamento em quarta instância, algo inacreditável, porque a maioria das nações só tem três instâncias.

LULA SOLTO – Os correspondentes nem sabiam o que é tribunal de quarta instância, tiveram dificuldade de explicar a situação de Lula da Silva, por isso no exterior quase todos ainda acham que o ex-presidente é perseguido político igual ao Nelson Mandela, até agora nenhum universidade cassou os títulos dados a Lula, um enganador de categoria internacional, podemos dizer.

Agora a coisa se complicou. Nas intermináveis rodadas de chope de chope e caipirinha na orla da Zona Sul do Rio, os jornalistas estrangeiros se perguntam o que aconteceu à Lava Jato.

De repente, o juiz Sérgio Moro, uma das personalidades mais importantes do mundo, passou a ser tratado de forma desprezível, querem anular seus julgamentos, já confirmados em três instâncias, uma grande loucura. Como explicar isso no exterior?

TUDO MUDOU – Agora, surgiu mais um fato concreto e inacreditável. O delegado federal André Moreira Branco dos Santos, inocentou a corretora Pionner, que chegou a ser multada em cerca de R$ 90 milhões pelo Banco Central por prestar ‘informações falsas’ sobre os clientes que movimentaram recursos ao exterior.

A corretora contratou irregularmente 2.189 transações cambiais, somando quase US$ 115 milhões. Sete anos depois de aberto o inquérito, na semana passada o delegado federal inocentou a corretora, apesar do depoimento de Leonardo Meirelles, diretor da falsa empresa que lavava os dólares. Ele se declarou réu confesso e confirmou que era testa-de-ferro do doleiro Alberto Youssef, o principal delator da Laca Jato.

Diante dessa mudança se rumo, os correspondentes estrangeiros concluem que não é possível explicar essa situação no exterior e pedem mais uma caipirinha. Desse jeito, fica muito difícil trabalhar no Brasil.

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P.S. –
Quando a gente diz que a demolição da Lava Jato é um dos principais itens do pacto entre os três Poderes, ainda há quem duvide. Mas até os correspondentes estrangeiros já perceberam que algo de muito estranho ocorreu, embora não consigam explicar o que realmente houve. Então,  pedem mais um chope. (C.N.)

Bolsonaro vai cumprir o compromisso de reeleger Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre

Bolsonaro ensaia discurso em defesa do teto de gastos após reunião ...

Alcolumbre e Maia já se acertaram com Jair Bolsonaro

Carlos Newton

Em maio do anos passado, foi fechado o chamado Pacto dos Três Poderes, um acordo informal, sem assinatura nem cerimônia, mas que realmente está funcionando na prática. Muita gente ainda não acredita que exista esse entendimento, porque se trata de uma iniciativa pouco republicana e nada democrática, que faz o Barão de Montesquieu se  revirar no túmulo, por representar a desmoralização dos princípios que criou em sua célebre obra “O Espírito das Leis”, em que determinou a necessidade da independência entre os três Poderes.

Na verdade, trata-se de um pacto de não agressão entre os dirigentes dos três Poderes. Foi acertado por sugestão de Dias Toffoli, presidente do Supremo, sob pretexto dr propiciar a aprovação das reformas julgadas indispensáveis para o país sair da crise econômica. Mas era tudo conversa fiada.

MANTER A IMPUNIDADE – Mais de um ano depois, já ficou claro que o pacto nada tem a ver com reformas estruturais. O objetivo principal é manter a impunidade dos políticos, governantes e empresários envolvidos em atos de corrupção, improbidade administrativa, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.

O processo foi conduzido por Dias Tofolli, por ser um dos principais interessados, porque sua mulher, a advogada Roberta Rangel, tinha sido flagrada em enriquecimento ilícito pelo Coaf (Conselho de Controle das Operações Financeiras), junto com outros 133 contribuintes , inclusive o ministro Gilmar Mendes  e sua mulher, Guiomar Feitosa.

Além disso, Toffoli foi apanhado recebendo uma mesada de R$ 100 mil da própria mulher, num montante total de R$ 4,5 milhões, dos quais ele destinava R$ 50 mil mensais para “manter” sua primeira mulher, Mônica Ortega.

FOI TUDO SEPULTADO – Com a celebração do pacto, Bolsonaro interveio no Coaf e na Receita Federal, os casais Toffoli e Mendes voltaram ao enriquecimento ilícito e os outros 130 sonegadores foram beneficiados de roldão, vejam como as coisas funcionam no Brasil.

O Congresso tem mantido sua participação no pacto. Depois de desidratar o Pacote Anticrime de Sérgio Moro, aprovou a Lei do Abuso da Autoridade, para amedrontar delegados, auditores, juízes e integrantes do Ministério Público, além de engavetar a proposta de retorno da prisão após segunda instância.

Em  contrapartida, agora Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre querem ser reeleitos ilegalmente nas presidências de Câmara e Senado, e Dias Toffoli terá de se virar no Supremo, com apoio de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, para conseguir mais três votos.

VAI DAR CERTO? – Em qualquer país minimamente civilizado um pacto desse tipo seria imediatamente inviabilizado, porque só pode funcionar em regime ditatorial. Mas estamos no Brasil, o gigante adormecido, país da piada pronta,  conhecido internacionalmente pela impunidade que garante às elites, motivo de piadas para Homer Simpson e nove em cada dez roteiristas de Hollywood.

Peço desculpas aos otimistas. Na minha avaliação, os podres poderes celebrizados por Caetano Veloso vão dar um jeito de reeleger Maia e Alcolumbre.  E em novembro Bolsonaro vai indicar um capacho para o Supremo, ainda pior do que Celso de Mello.

Com isso, vai atapetar o caminho de sua reeleição. Não haverá grandes mudanças e a crise socioeconômica se eternizará.

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P.S. 1 – A única mudança que se perceberá será a corrida aos vestibulares para as Forças Armadas, que se consolidarão como o melhor emprego do país, em termos de salários, custo benefício, assistência médico-dentária garantidas e poucos encargos e sistema de meio-expediente.

P.S. 2Alguém pode argumentar que Luiz Fux vai assumir agora a presidência do Supremo e pode melar o pacto. Mas eu não consigo acreditar que isso acontecerá. E você, o que acha? (C.N.)

Um aviso aos novos robôs que passaram a frequentar agora o espaço livre da Tribuna

robôs em pânico BX - Blog da Cidadania

Charge do Luiz Gê (Arquivo Google)

Carlos Newton

Desde quando começou a circular, em maio de 2009, em substituição ao antigo site da “Tribuna da Imprensa”, que era um dos melhores do país e tinha sido criado pelos jornalistas Helio Fernandes Filho e Elifas Levi, este blog da “Tribuna da Internet” passou a ser permanentemente frequentado por robôs mecânicos e humanos, porque seu formato possibilita troca de ideias e funciona como formador de opinião.

No início, ainda no governo Lula, os robôs eram basicamente ligados ao PT ou ao PSDB, que disputavam o poder de todas formas – éticas ou antiéticas. Em menor número, também havia no blog representantes de outros partidos, como PDT, PPS e MDB, já de olho nas eleições gerais de 2010. 

DIFERENÇAS ROBÓTICAS – Logo de cara, percebemos que existia uma grande diferença entre as duas modalidades robóticas, digamos assim, que frequentavam a TI.

Notamos que os robôs mecânicos são pouco criativos e se limitam a enviar as notícias (verdadeiras ou fakes) ao maior número possível de pessoas – ou seja, são apenas “replicantes”, no dizer do grande cineasta britânico Ridley Scott, especialista em androides.

Já os robôs humanos são mais avançados, têm vida própria e criam seus próprios posts para defender os empregadores ou assassinar a reputação dos inimigos deles.

PROFISSÃO DE FUTURO – Também ficou claro que se trata de uma profissão de futuro e que certamente está sendo muito bem remunerada, tal o empenho e a dedicação desses profissionais da política, pois trabalham todos os dias, sem folgas nem férias.

Aliás, essa excessiva exploração do robô pelo homem é uma circunstância que deveria motivar rigorosa fiscalização pelas delegacias regionais do Trabalho, mas o Ministério foi extinto por Bolsonaro, e o Brasil passou a ser o único país do mundo onde as questões trabalhistas ficam a cargo da equipe econômica, vejam que é mais uma jabuticaba.

TROCA DE GUARDA – Julgávamos que os robôs eram despidos de sentimentos e somente se preocupavam com o trabalho mecânico e automático, mas foi um erro. Eles são sentimentais e sensíveis, conforme ficou provado recentemente, quando começamos a jogar pesado contra os robôs bolsonaristas que se excediam nos palavrões e nas ofensas que hoje caracterizam o linguajar presidencial.

Os robôs de outros partidos, quando são identificados, simplesmente são substituídos ou trocam de nome e se adaptam às regras do blog. Os bolsonaristas, não. Recusam-se a sair, ficam se lamuriando e têm fricotes, é de cortar o coração.

Nos últimos dias, como a gente já até conhecia as peculiaridades redacionais de cada um, notamos que vários foram substituídos, até porque, como dizia há mais de 330 anos o Conde de Buffon, “o estilo é do próprio homem”.

NADA DE OFENSAS – Diante dessas substituições na equipe de Bolsonaro, cabe um aviso aos novos robôs, como Jair dos Santos e Carlos sp, que já estão em plena atividade:

Meus amigos, se querem ter longa vida entre nós, basta seguir as regras. Esqueçam as lições de Bolsonaro e aqui no blog jamais se comuniquem usando palavrões e expressões chulas. Além disso, não ofendam nem tentem perseguir ou desmoralizar os comentaristas que defendem ideias opostas.

A TI é como um blog democrático de país avançado, onde as pessoas postam suas opiniões civilizadamente e costumam até agradecer a quem as contesta. E não o fazem com cinismo. Pelo contrário. Ficam realmente satisfeitos por haver a troca de ideias e agradecem as réplicas.

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P.S. – Sabemos que para vocês esse comportamento civilizado é estranhíssimo, mas temos certeza de que algum dia vocês irão se acostumar.
(C.N.)

Bolsonaro tem favorecido pobres e ricos, enquanto massacra a classe média

Wilson Vieira - Jornalismo e Cultura: Charge do dia - classe média...

Charge do Leandro Franco (site Charge Online)

Carlos Newton

Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, pode-se dizer que muitos milhões votaram nele para corrigir erros da administração pública e pôr fim aos privilégios das elites dos servidores civil e militares. Essas metas estavam implícitas na campanha do Mito, mas jamais foram pretendidas depois que ele se tornou Presidente da República.

Pelo contrário, desde a primeira hora – na reforma da Previdência – ficou claro que o objetivo de Bolsonaro e de sua equipe econômica não era bem o que pensava.

FORA DO PADRÃO – A reforma da Previdência não seguiu o padrão internacional de reduzir a remuneração dos servidores de elite quando se aposentam. Pelo contrário, o governo e o Congresso jamais se preocuparam com isso, jamais tentaram extinguir os penduricalho e as vantagens.

A reforma manteve as altas aposentadorias e beneficiou especialmente aos militares, enquanto dificultava a aposentadoria de trabalhadores e servidores da classe média, reduzindo até as pensões das viúvas em caso de duplo benefício.

Depois, veio a pandemia. cerca de 10 milhões de trabalhadores tiveram o salário reduzido ou o contrato suspenso, já são quase 60 milhões de pessoas assistidas pelo auxílio emergencial, mas não houve nenhum programa eficiente para acudir os comerciantes e prestadores de serviços que tiveram de fechar as portas. Foi mais uma pancada na classe média, que compõe a maioria dos funcionários e comerciantes.

E A REFORMAS? – Depois da decepção com a Previdência, vem aí mais uma desilusão com a reforma tributária, que se tornou um disfarce para elevar os impostos.

Além de recriar a CPMF, a nova tributação do consumo vai elevar as mensalidades escolares no ano que vem, para liquidar de vez os sonhos da classe média, que acaba de ser penalizada com o aumento dos planos de saúde. Para uma inflação de 3%, foram reajustados entre 15% e 26%. Nesta sexta-feira, a Agência Nacional de Saúde suspendeu os novos reajustes, porém manteve os que já tinha sido feitos, vejam a que ponto chega a desfaçatez dessa gente. 

O pior é que todos sabem que os planos de saúde não significam um alto padrão de atendimento. Pelo contrário, os médicos ligam o taxímetro, dão as consultas em altíssima velocidade, e os pacientes que se danem.

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P.S. 1A experiência administrativa e econômica das nações demonstra que, para garantir maior desenvolvimento, é preciso incentivar a industrialização como meio de fortalecer a classe média, para aumentar o consumo, distribuir renda e gerar empregos. O Brasil – sabe-se lá por quê? – faz tudo ao contrário. Aqui está em marcha a desindustrialização, que parece inexorável. E o objetivo do atual governom ao que tudo indica, é o massacre da classe média.

P.S. 2 – Na quinta-feira, até Rodrigo Maia se insurgiu contra os planos de saúde, devido aos aumentos abusivos. Mas quem se interessa? O governo não está nem aí. (C.N.)

Foi muito tímida a resposta dos filhos de Roberto Marinho às acusações do ‘doleiro dos doleiros’

TRIBUNA DA INTERNET | Roberto Irineu e João Roberto Marinho ...

Os irmãos Marinhos reagiram de uma forma acovardada

Carlos Newton

O Brasil foi surpreendido com a denúncia publicada sexta-feira pelo site da revista Veja, relatando que os empresários Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho, filhos mais velhos e herdeiros das Organizações Globo, teriam  usado de forma habitual os serviços do “doleiro dos doleiros”, Dario Messer, que está hoje em prisão domiciliar.

Em síntese, na delação premiada, Messer contou à força-tarefa que teria, seguidamente, repassado centenas de milhares de dólares em espécie para os controladores de um dos maiores grupos de comunicação do mundo.

ALGUMAS OBSERVAÇÕES – Além de significar graves crimes supostamente cometidos pelos mais importantes empresários do estratégico setor de comunicação, o fato é inédito e escandaloso por vários motivos:

1 – ao divulgar a informação (vazada e não documentada) pelo delator, não teria a revista se precipitado, ao desacreditar os herdeiros de Roberto Marinho, cujo império fatura mais de R$15 bilhões por ano somente na Rede Globo?

2 – em nome da liberdade de imprensa e considerando a importância e a gravidade da denúncia, tal matéria não mereceria melhor aproveitamento, sair como capa da revista e não apenas no site, onde a repercussão é menor?

3 – por que os diretores da Veja procuraram diminuir a relevância da denúncia, considerando que, diariamente, a Rede Globo, com base em informações privilegiadas e vazadas, não pensa duas vezes ao dar manchetes e longas reportagens envolvendo políticos, empresários e personalidades que acabam tendo suas honorabilidades destroçadas para sempre, mesmo que depois, no julgamento, venham a se tornar réus e serem inocentados?

RESPOSTA NO JN – Por muito menos, nos acostumamos a ver o Jornal Nacional divulgar longos editoriais, defendendo a empresa e seus dirigentes. Desta vez, porém. o apresentador William Bonner limitou-se a ler uma pequena nota na parte final do JN.

Na pequena mensagem, os dois acusados desmentiram o site da revista e afirmaram que nunca fizeram negócios com o criminoso Dario Messer, pois “não têm nem nunca tiveram contas não declaradas às autoridades brasileiras no exterior. Da mesma maneira, nunca realizaram operações de câmbio não declaradas às autoridades”.

Segundo a denúncia do doleiro, não eram eles que recebiam os dólares. Os pacotes de moeda estrangeira eram entregues ao  assessor financeiro José Aleixo, apontado por Dario Messer como “intermediário” da Globo.

ALTO FUNCIONÁRIO – Sabe-se que Aleixo era um funcionário de destaque que trabalhou por décadas na emissora. Desde a década de 60, quando Roberto Marinho criou a TV Globo, Aleixo era auditor da consultoria internacional Ernst & Young, mas já prestava serviços ao grupo Globo  Em 1978, foi contratado pela TV Globo e, nos anos 90, tornou-se assessor financeiro de Roberto Marinho.

O fato de o doleiro ter apontado o nome de José Aleixo é gravíssimo, por se tratar de um importante assessor da presidência do grupo empresarial. Além disso, Messer acrescentou que seu pagamento era feito em conta no exterior, o que indica lavagem de dinheiro e é facilmente comprovável, basta revelar o número da conta e o extrato.

RESPOSTA TÍMIDA – Diante dessa situação, pode-se afirmar que a resposta e a explicação dos filhos de Roberto MArinho foram muito tímidas. Se nada fizeram, deveriam imediatamente fazer uso do inciso X, artigo 5º da Constituição Federal: “São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.

Ademais, quem cala frente a tamanhas acusações, não estará consentindo, se acovardando? Não me conformo com o que li nem com o acuamento dos poderosos controladores do grupo Globo. Se estivesse vivo e vítima de denunciação caluniosa, envolvendo seu principal assessor financeiro, Roberto Marinho teria derrubado o mundo.

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P.S. – Essa situação é altamente suspeita. A reação acanhada e acovardada dos irmãos Marinho, que nem ameaçaram abrir processo, mostra que nesse angu tem caroço, como se diz na nossa querida Minas Gerais. (C.N.)

Fantasma do impeachment volta a rondar o Palácio da Alvorada nas noites de Brasília

TRIBUNA DA INTERNET | Eleitores e Bolsonaro sofrem “bullying” da ...

Charge do Luscar (Charge Online)

Carlos Newton

São famosos os fantasmas que habitam o Palácio da Alvorada. Na célebre conversa com o dono do Grupo JBS, Joesley Batista, no recôndito porão do Palácio Jaburu, o presidente Michel Temer descreveu suas noites de insônia no Palácio da Alvorada, onde ficou por apenas uma semana. Após relatar que não conseguiu dormir, disse o então presidente: “Deve ter fantasma lá...”. E o empresário indagou: “Como é que a Dilma aguentava ficar sozinha lá?

No início de sua hospedagem no Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro não teve problemas com fantasmas. No entanto, depois que Lula da Silva foi solto, passou a ser pesadelos ocasionais, e agora a coisa se complicou, com o ressurgimento do fantasma do impeachment.

GUEDES E O IMPEACHMENT – Quem primeiro pressentiu a presença do novo fantasma foi o ministro da Economia, Paulo Guedes. Na terça-feira da semana passada, dia 11, Bolsonaro ficou estupefato ao saber que seu principal ministro tinha dado uma entrevista admitindo a possibilidade de haver um processo de impeachment, caso o presidente continuasse a seguir o conselho de ministros “fura-teto”, que defendem a ampliação das despesas públicas para garantir a reeleição em 2022.

Segundo o jornalista Vicente Nunes, editor-executivo do Correio Braziliense, Bolsonaro considerou devastador esse ponto da declaração de Guedes, sobretudo pelo fato de o ministro, na hora da entrevista, estar ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que tem o poder de decisão sobre abertura de processos de impeachment.

CAMPOS REFORÇA – No desespero para arranjar recursos e acalmar Bolsonaro, que só pensa naquilo (a reeleição), o ministro Guedes resolveu pedir ao Branco Central o repasse do lucro obtido com o reajuste das reservas cambiais, devido ao aumento do valor do dólar, cujo total chegaria a R$ 400 milhões.

Desde maio de 2019 o BC não é obrigado a repassar ao Tesouro o lucro com as operações cambiais. Mas a transferência tem respaldo legal e depende de autorização do Conselho Monetário Nacional, formado por Guedes, Campos Neto e pelo secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues.

No entanto, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, negou-se a autorizar o repasse, devido ao reaparecimento do fantasma do impeachment, porque esse dinheiro não pode ser usado para despesas primárias, como salários e benefícios.

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P.S.
Bem, ficamos nesse pé, que não ata nem desata. Desde a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, todos os presidentes se arriscaram fazendo pedaladas e maquiagens fiscais. Apenas a presidente Dilma Rousseff foi atingida, mas Bolsonaro pode ser a próxima vítima, porque já existem cerca de 50 pedidos em cima da mesa do deputado Rodrigo Maia, que decididamente não é confiável. (C.N.)   

Afinal, Celso de Mello vai pedir ou não o depoimento de Bolsonaro no caso Moro?

Bolsonaro x Moro

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Como no antigo anúncio da Poupança Bamerindus, o tempo passa, o tempo voa e Bolsonaro continua numa boa. Ninguém mais lembra que, em 24 de abril, furioso com o pedido de demissão do ministro Sérgio Moro, que acusou o presidente da República de tentar ser informado sobre inquéritos sigilosos da Polícia Federal que envolvem sua família e seus amigos, Bolsonaro mandou o procurador-geral Augusto Aras processar “imediatamente” o ex-juiz curitibano.

Aras ficou tão nervoso e inseguro que nem preparou uma petição à la carte, com as devidas justificativas e citando as leis e os artigos infringidos. Limitou-se a escrever a página de rosto, incluir a transcrição da íntegra do discurso de Moro na TV, e depois uma página final, pedindo a condenação por denunciação caluniosa e mais seis crimes, num total de sete, que todo mundo sabe ser conta de mentiroso. E não deu outra.

POBREZA INTELECTUAL – Ou seja, trata-se de uma petição jurídica de uma pobreza intelectual constrangedora. O procurador-geral não citou nenhuma jurisprudência, nenhum autor consagrado, nem doutrina ou princípios, nada, nada. Qualquer estudante de Direito que redigisse petição semelhante, certamente seria reprovado

O inquérito tem como relator o ministro Celso de Mello, às vésperas da aposentadoria compulsória. Assim, em seu canto de cisne ele está conduzindo o mais importante inquérito da República, que pode mudar os rumos da política e até  motivar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

Com uma petição tão primária, o relator não teve maiores dificuldades. Mandou ouvir Moro e as testemunhas requeridas pela defesa do ex-ministro, e requisito o vídeo da reunião ministerial de 22 abril, na qual Bolsonaro disse que precisava de informações de inteligência para proteger sua família e seus amigos.

PONTA-CABEÇA – O resultado é que a investigação virou o inquérito de cabeça para baixo – ou ponta-cabeça, como dizem os paulistas. Assim, o ex-ministro Sérgio Moro, que era o candidato a réu, agora sequer é mencionado no frontispício do inquérito, enquanto o presidente Bolsonaro aparece como investigado, tendo como advogado o procurador Aras.

O advogado de Moro pediu o indiciamento do presidente Bolsonaro em oito crimes, especialmente prevaricação (artigo 319 do Codigo Penal), que consiste no fato de “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.

Realmente, ao demitir Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF, o presidente praticou um ato ilegal, sem motivação válida e para atender o sentimento pessoal de proteger a família e amigos, conforme sua fala na reunião ministerial, que praticamente o transforma em réu confesso.

AMEAÇA E DIFAMAÇÃO – Outros crimes comprovados são de ameaça (art. 147),  por ter ameaçado demitir o ministro Sérgio Moro na reunião, assim como crime de difamação, por ter afirmado que Moro lhe propôs um acordo para ser nomeado ao Supremo. Além do crime de apresentar à Justiça falsa denunciação caluniosa.

Não há dificuldades para Celso de Mello apresentar um arrazoado que faça o Supremo abrir processo contra o presidente. Só falta o depoimento de Sua Excelência, que até agora está fazendo olhar de paisagem, como se não tivesse nada a ver com o assunto.

Bolsonaro está certo, o errado é o ministro-relator que ainda não colheu o depoimento e fica até inventando história se é por escrito ou verbal, quando todo mundo sabe que a lei faculta ao presidente responder por escrito, como Michel Temer fez.

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P.S. –
Cá entre nós, não acredito nada em Celso de Mello, acho que ele vai acabar decidindo que não houve crimes nem por parte de Moro nem por parte de Bolsonaro. Mas isso non ecziste, diria Padre Quevedo, porque no caso um dos dois praticou, pelo menos, denunciação caluniosa. E vocês sabem quem foi… (C.N.)

Apoio do Ministério Público a Dallagnol mostra que ainda há esperanças de uma Justiça melhor

É preciso evitar que a roubalheira volte a acontecer", diz Deltan ...

Deltan Dallagnol será julgado pelo Conselho Nacional

Carlos Newton

Todos sabem que a Justiça brasileira vive seu pior momento na História Republicana, que se agravou a partir de novembro de 2019, quando o Supremo transformou o Brasil no único país do mundo – entre os 193 filiados à ONU – que só prende corruptos, sonegadores e criminosos do colarinho branco após julgamento na quarta instância, e é bom lembrar que a maioria das nações somente tem três instâncias.

Essa garantia de impunidade representa um espantoso retrocesso judiciário que funcionou como um resposta à Lava Jato, a importantíssima ofensiva contra a corrupção que foi desfechada a partir de investigações conjuntas de forças-tarefas de três instituições – Ministério Público, Polícia Federal e Receita.

JULGAMENTO – Nesta terça-feira, dia 18, o Conselho Nacional do Ministério Público iria se reunir para julgar três procedimentos envolvendo o procurador-chefe da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol. Dois deles eram pedidos de remoção por interesse público. 

Esse importantíssimo julgamento, que iria deixar claro se o procurador-geral Augusto Aras tem domínio sobre a recém-empossada composição do Conselho, foi suspenso pelo ministro Celso de Mello, por cerceamento de defesa.

O mais importante foi que, em menos de 24 horas,, integrantes do MP em todo o País já tinham conseguido 2.250 assinaturas de procuradores e promotores a um manifesto a favor de Dallagnol, segundo reportagem de Pepita Ortega e Fausto Macedo no Estadão.

CASOS EXCEPCIONAIS – “A pretensão de utilizar a remoção compulsória de membros do Ministério Público com fundamento no interesse público só se justifica em casos absolutamente excepcionais, em que reste devidamente comprovada a completa falta de compromisso e responsabilidade do agente com o cargo exercido”, diz o documento.

Segundo o abaixo-assinado, a observância de tal limitação é ‘fundamental para evitar a ocorrência de perseguições e retaliações em razão do exercício das importantes funções ministeriais’.

“Um Ministério Público forte e respeitado em suas garantias constitucionais é do interesse de toda a sociedade, que terá a certeza, assim, de poder contar, sempre, com um fiscal imparcial e um agente ativo no enfrentamento da criminalidade organizada e da corrupção, na defesa dos direitos humanos, do meio ambiente e dos consumidores, bem como na vigilância permanente das liberdades, dos valores democráticos e da igualdade para todos”.

ERROS E ACERTOS – É verdade que procuradores da Lava Jato, sobretudo Dallagnol, e o próprio juiz Sérgio Moro cometeram erros ao se comunicarem por celular. Agiram de forma infantil e inconsequente, mas deve-se ressalvar que em nenhum momento das conversas ficou caracterizado qualquer tipo de conluio ou irregularidade que tenha influído no julgamento.

O julgamento era muito importante, até porque nas últimas semanas quem errou foi o procurador-geral Augusto Aras, que chegou ao acúmulo de anunciar ter “provas” de irregularidades das forças-tarefas, mas era um blefe, não tinha comprovação alguma.

O julgamento está suspenso, porém o Conselho terá de decidir se opta pelo trabalho brilhantes de jovens brasileiros que lutam pela moralização da administração pública do país, ou se prefere apoiar o destempero egoísta de um velho procurador que se comporta como um áulico do governo e sonha ser nomeado ministro do Supremo.

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P.S.
O mais relevante, porém, é a manifestação massiva em defesa das atribuições do Ministério Público. Há seis anos, a Lava Jato começou esse trabalho de moralização do poder público e não pode ficar pela metade. Os procuradores e promotores querem levá-lo até o final, conforme é sua obrigação, e o Conselho não deve impedi-los. (C.N.)

Se a Justiça funcionasse neste país, os brasileiros já teriam outro padrão de vida

De olho no STF? Veja charges do Tacho sobre a Justiça ...

Charge do Tacho (Jornal NH)

Carlos Newton

Acompanhar apaixonadamente o noticiário sobre as crises socioeconômicas e o comportamento predatório da classe política e das elites no Brasil, sem a menor dúvida, é uma prática que pode levar o cidadão à revolta e à loucura. É muito difícil encontrar um país com tantas notícias deprimentes, que envolvem comportamento criminoso de autoridades, empresários e políticos das mais diversas correntes ideológicas, que  se igualam somente na falta de caráter.

Mesmo assim, em meio a essa realidade adversa, é preciso evitar a revolta e a loucura, preservando a todo custo a lucidez e a indignação, caso contrário essas autoridades arrumam um meio de nos colocar no manicômio ou na cadeia.

JUSTIÇA FALHA – Não é nada fácil resolver os problemas do Brasil, mas sabe-se que, se a Justiça funcionasse para todos, o país estaria bem melhor, porque as classes dominantes teriam o temor de ir para a prisão e seriam mais comedidas, digamos assim, os brasileiros já desfrutariam de um melhor padrão de vida.

Bem ou mal, o pais vinha no caminho adequado,  desde que passou a seguir as normas internacionais contra a corrupção. A criação do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras), em 1998, foi uma das providências exigidas para nos igualar aos países mais civilizados.

Mas acontece que o Coaf podia existir, porém jamais poderia funcionar em sua plenitude.  E quando passou a operar em conjunto com a Receita, ultrapassou seus limites, porque logo apanhou em flagrante o ministro Gilmar Mendes e a mulher dele, advogada Guiomar Feitosa, assim como a mulher do ministro Dias Toffoli, a advogada Roberta Rangel.

OPERAÇÃO NORMAL – Não houve perseguição do Coaf ou da Receita. Era uma operação normal para identificar sonegadores, através de um software que consultou os dados de milhões de contribuintes, incluindo 800 mil ocupantes de cargos públicos, seus cônjuges e parentes até segundo grau, sócios e empregados.

A partir daí, entre muitos milhões de contribuintes, a Equipe Especial de Programação de Combate a Fraudes selecionou pessoas que tiveram aumento patrimonial superior a R$ 500 mil, declararam rendimento isento de tributação acima de R$ 500 mil e valor de patrimônio acima de R$ 5 milhões.

Esse primeiro filtro chegou a 799 pessoas. Foi então aplicada a segunda peneira, a quem teve renda não tributável acima de R$ 2,5 milhões e receita bruta de pessoa física acima de R$ 10 milhões. Assim chegaram a 134 pessoas, que ainda passariam por outro filtro.

NA MALHA FINA – Foi por ter uma receita bruta maior que R$ 10 milhões e rendimentos isentos superiores a R$ 2,5 milhões que os contribuintes Gilmar Mendes, sua mulher Guiomar Feitosa e Roberta Rangel, mulher de Toffoli caíram na rede para serem analisados, junto com outros 131 suspeitos.

Ao contrário do que alegou Gilmar Mendes, não houve a menor participação da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol não interferiu em nada, não fez pedido algum à Receita.

Mesmo assim, em respeito ao pacto dos três Poderes, o presidente Bolsonaro interveio com uma Medida Provisória que tirou o Coaf do Ministério da Justiça e passou-o para o Banco Central. Quem pega com tamanha facilidade um ministro experiente como Gilmar Mendes, certamente faria um estrago se investigasse o enriquecimento ilícito de Bolsonaro e dos filhos.

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P.S. 1 –
É por isso que não adianta tugir nem mugir, como se dizia antigamente. Enquanto houver pactos dos Poderes, ao invés de existir independência entre eles, jamais seremos uma verdadeira democracia. A Justiça não atingirá as autoridades e viveremos nessa regime de corrupção e impunidade das elites, enquanto para o povão a cana é duríssima e absolutamente desumana.

P.S.2Do jeito que estamos retrocedendo, levaremos mais de 100 ou 200 anos até atingir a situação da Noruega, um país onde as prisões não têm grades, acredite se quiser. (C.N.)  

No duelo entre TV Globo e TV Record, não há mocinhos, todos são bandidos

Diário do Centro do Mundo | O que interessa e nada mais. | Página 631

Charge reproduzida do site DCM

Carlos Newton

Está causando sensação midiática a reportagem de João Batista Jr., sobre as operações do doleiro Dario Messer para os dois filhos mais velho do jornalista Roberto Marinho,’ criador da Organização Globo – os empresários Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho. Considerado um dos maiores doleiros do mundo, Dario Messer, que é investigado pela Lava Jato, disse em delação premiada que entregava pacotes de moeda norte-americana no edifício-sede da Rede Globo no bairro do Jardim Botânico, conhecido como “Vênus Platinada”.

Segundo Messer, as remessas eram feitas de duas a três vezes por mês, em quantias que variavam entre 50 mil e 300 mil dólares.

Em nota, a assessoria de Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho negou que eles realizassem operações de câmbio não declaradas às autoridades brasileiras, o que é o óbvio, pois ninguém esperava que fossem assumir os atos ilegais.

INTERMEDIÁRIO – Messer disse que não entregava o dinheiro diretamente aos dois irmãos, porque quem recebia os dólares era um funcionário chamado José Aleixo, que funcionava como intermediário nessas nebulosas transações, como diria Chico Buarque.

O novo escândalo causa surpresa na alta sociedade frequentada pelos irmãos Marinho, porque hipoteticamente eles não teriam necessidade de fazer operações escusas com doleiros, pois estão entre os empresários mais ricos do mundo, segundo as revistas especializadas Forbes e Fortune.

No entanto, não há novidade alguma para o Ministério Público, a Receita e a Polícia Federal, pois os filhos de Roberto Marinho são conhecidos pela forma pouco lícita com que administram o patrimônio legado pelo pai, que também costumava aplicar golpes na praça, como se dizia antigamente.

TV PAULISTA – Aqui na Tribuna da Internet já denunciamos diversas vezes o caso da usurpação da antiga TV Paulista, canal 5 de São Paulo, um episódio em que Marinho cometeu seguidas ilegalidades societárias e criminais, assumindo o controle da emissora sem pagar um centavos aos sócios da empresa, no início do regime militar. No Justiça, os crimes foram constatados, mas já estavam prescritos quando as ações contra o jornalista carioca foram movidas.

Os filhos herdaram as empresas da Organização Globo e nada fizeram para limpar o nome do pai. Pelo contrário, passaram a também cometer ilegalidades no Brasil e no exterior.

Quando surgiu o escândalo do Fifagate, os irmãos Marinho ficaram amedrontados e passaram a mexer na administração da Rede Globo, que já tinha passado para o controle dos três, como legítimos herdeiros.

EM NOME DOS NETOS – No desespero, passaram as emissoras da rede para os netos de Roberto Marinho, para sair de cena na administração da Globo, que hipoteticamente passaria a ser gerida pela terceira geração, sob liderança do mais velho, Roberto Marinho Neto, mais o conhecido socialite não revelou o menor talento para o mundo dos negócios, digamos assim.

Mais recentemente, os irmãos voltaram a mexer e colocaram na presidência-executiva do grupo o administrador de empresas Jorge Nóbrega, que desde 1998 vinha cuidando das estratégias financeiras do grupo, que têm sido motivo de investigações pela Receita Federal.   

RECORD APROVEITA – A maior rival da Globo aproveita a situação para fazer escândalo com a delação do doleiro Dario Messer, em que ele entrega a Globo. Em seu principal noticiário, o Jornal da Record, deu detalhes do que aparece na delação, segundo vazamento à revista Veja.

Messer t     que duas a três vezes por mês entregava pacotes de dinheiro que variavam de 50 mil a 300 mil dólares. A entrega seria na sede da emissora, no Jardim Botânico.

Cá entre nós, no duelo entre a Globo e a Record não existem mocinhos, só há bandidos. Lembrem-se de que a Record cresceu como emissora porque teve injeção de dinheiro dos fiéis da seita Universal, que conduzem a arrecadação em grande sacos, do tipo usado por Papai Noel. Mas isso é outro caso policial.

Sem haver um líder para contestá-lo, Bolsonaro segue rumo à reeleição

Bolsonaro ataca Moro em discurso e nega ter pedido que PF ...

Bolsonaro circula pelo país, numa campanha permanente

Carlos Newton

O recorde de aprovação do governo desde sua posse não deve causar surpresa. Já tínhamos assinalado aqui na Tribuna da Internet que o candidato Jair Messias Bolsonaro é favorito absoluto nas eleições de 2022 e nem mesmo as candidaturas de Lula de Silva ou Sérgio Moro podem abalar a possibilidade de reeleição. A pesquisa DataFolha, divulgada nesta sexta-feira, demonstra amplamente essa realidade.

Bolsonaro tem muitos defeitos, continua a merecer o apelido que ganhou nas Agulhas Negras (Cavalão), não consegue governar, mas tem uma característica importantíssima – sabe como se dirigir à grande massa dos eleitores, formada por cidadãos de baixa instrução e qualificação.

FENÔMENO POLÍTICO – Não interessa se Bolsonaro faz ou não um bom governo, o desemprego pode aumentar à vontade, com a Amazônia e o Pantanal em chamas, o presidente pode brigar com o maior parceiro comercial do Brasil, a dívida pública pode se elevar indefinidamente, a desindustrialização pode avançar, nada disso importa para a maioria do povo brasileiro, porque o Brasil entrou na Era das Aparências, em que tudo pode ser virtual.

Bolsonaro é ignorante para entender os grandes problemas nacionais, sua imagem no mundo é a pior possível, seu ministro do Exterior é um fracasso tão retumbante quando o ministro do Meio Ambiente, qualquer outro governante se livraria deles o mais rápido possível, mas o atual presidente segue caminho inverso,.

Nesta quinta-feira, usando realidades virtuais ou fake news, ele até desmentiu as informações científicas sobre a escalada do desmatamento e das queimadas.

APROVAÇÃO RECORDE – A esperança dos oposicionistas é de que a aprovação recorde seja um fenômeno sazonal, como efeito da ajuda emergencial dada a famílias carentes e desempregados.

É uma tese interessante, porque a solicitação do auxílio chega a 40% na população como um todo, taxa que alcança 75% entre desempregados que procuram emprego, 71% entre assalariados sem registro e 61% entre autônomos e profissionais liberais, grupos em que são identificadas as maiores variações pró-governo. Entre os que hoje estão sem ocupação, por exemplo, a reprovação caiu 9 pontos e o apoio subiu 12.

Realmente, o auxílio emergencial contribuiu fortemente para a aprovação recorde, mas nada indica que a próxima extinção desses benefícios possa propiciar o inverso, com reprovação recorde, pois haverá resíduos a favor.

NÃO HÁ OPOSIÇÃO – O fato concreto é que Bolsonaro avança porque não tem concorrente. O único grande líder da oposição é Lula da Silva, mas está escanteado, sem direitos políticos por oito anos. Sua candidatura depende da anulação dos julgamentos do então juiz Sérgio Moro, um fato altamente improvável.

Os líderes que sobraram são Ciro Gomes e João Doria, mas nenhum dos dois consegue sequer fazer cócegas em Bolsonaro. Essa é a situação do Brasil na Era das Aparências, em que mais vale uma realidade virtual, tipo fake news, do que uma informação verdadeira.

Tudo pode ser manipulado, essa é a verdade, e o povão está à mercê da demagogia política, como ocorria antigamente e ainda continuará ocorrendo, caso não apareça um líder de verdade neste país.

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P.S.O único líder que poderia enfrentar Bolsonaro chama-se Sérgio Moro, que ainda não tem robustez política. Por isso, em 2022 seria melhor Moro sair candidato ao governo do Paraná, onde será facilmente vitorioso, para depois tentar o Planalto em 2026, com muito mais chance de derrotar o candidato que Bolsonaro apoiar. Bem, este é o quadro nesse momento político. Até as eleições, daqui a quase dois anos, pode e deve mudar muito, é claro. (C.N.)

Coibir fake news não é censura, significa apenas exigir respeito aos direitos humanos

TRIBUNA DA INTERNET | Em reação à censura e à operação do STF, a ...Carlos Newton

É comovente o esforço que fazem para que o combate às fake news seja considerado uma forma de censura, por equivaler a uma restrição à liberdade de expressão do pensamento, mas não tem nada a ver, fica no reino das aparências. Exercer a liberdade de expressão não significa inventar falsas notícias com objetivo de obter ganhos de alguma natureza, conquistar notoriedade ou simplesmente se divertir com os problemas alheios.

É disso que se trata, quando se defende a necessidade de coibir as fake news, um inequívoco crime que tem agravante quando essas notícias falsas são criadas com objetivos políticos e ganham maior visibilidade através do uso de robôs eletrônicos, que multiplicam geometricamente o número de receptores.   

PROBLEMA MUNDIAL – Não se trata de uma questão meramente brasileira, pois o problema é mundial e nenhum país chegou a adotar uma legislação específica que sirva de guia para os demais.

A situação é mais grave no Brasil devido à nossa tradicional esculhambação jurídica, pois nos tornamos o único dos 193 países da ONU que só prende corruptos e criminosos do colarinho branco após condenação em quarta instância (no Supremo Tribunal Federal).

Os países mais desenvolvidos, porém, começam a buscar soluções, como a Alemanha, que detém leis bastante avançadas em todos os campos do conhecimento, conforme nos informa o comentarista Mathias Eartmann, que tem dupla nacionalidade – brasileira e germânica – e está sempre atento à evolução dos acontecimentos.  

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ALEMANHA PREPARA LEGISLAÇÃO RIGOROSA

Mathias Eartmann

Na Alemanha está em discussão um projeto de lei dispondo que, além de haver punições, as empresas de mídia social (Facebook e afins) teriam obrigação de dar grande amplitude às correções de fake news que fossem descobertas. Neste sentido, ao fazer login no facebook, por exemplo, o usuário receberia um relatório de retratações de todas as bobagens que ele leu na última vez que entrou (ou caiu) na rede.

Ele receberia todos os avisos de fake news antes de ir coletar mais mentiras. Isso automaticamente isolaria os criadores de fake conteúdo, pois os usuários removeriam os chatos de suas listas.

As empresas alegaram que isso seria tecnicamente inviável, e os legisladores responderam que, neste caso, as empresas incapazes seriam impossibilitadas de operar na Alemanha.

Houve uma enorme onda de contratações de funcionários de desenvolvimento de Tecnologia em Informática, e as empresas estão se movimentando para atender previamente a esta legislação (ou outras análogas vindouras) lá na Europa. Ou seja, a regulação chegará, cedo ou tarde, ao mercado da mentira.

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P.S.
– Muito importante essa informação do nosso amigo Eartmann. O Congresso precisa atualizar o Marco Civil da Internet, que foi aprovado antes da robotização das fakes news, que sempre existiram e foram alvo da Lei Carolina Dieckmann, que requer modernização. Quanto a considerar censura o combate às fakes news, essa comportamento é de uma boçalidade constrangedora. (C.N.)

Adotar taxas negativas de juros é a maior conquista da equipe econômica

Ainda mais difícil explicar nossas altíssimas taxas de juros ...

Charge do Glauco (Arquivo Google)

Carlos Newton

Na Editora Bloch, a revista Fatos & Fotos tinha idas e vindas. Sua fase mais espetacular ocorreu quando foi dirigida em conjunto por Raul Giudicelli e Carlos Imperial. Nessa época, a revista vendeu como nunca. Jornalista, filósofo e poeta, Giudicelli tinha uma cultura gigantesca, enquanto Imperial conseguia dar um tom de rebeldia e loucura para popularizar a publicação.

Acontece que Giudicelli estava bebendo demais. Trabalhava com uma garrafa de uísque na gaveta, e Imperial não tinha a menor responsabilidade. Criou uma seção chamada “Desculpe, foi engano” e numa edição esculhambava alguma pessoa famosa, para na semana seguinte fazer um artigo pedindo desculpas,

VAMOS AO CINEMA –O sucesso era estrondoso e a equipe pirou. Numa tarde, Adolpho Bloch entrou na redação e não tinha ninguém, nem mesmo o contínuo. Foi na sala ao lado e perguntou o que havia ocorrido e descobriu que a equipe inteira tinha ido ao cinema.

Na mesma hora, Adolpho demitiu todo mundo. Raul Giudicelli foi fazer reabilitação e nunca mais bebeu, enquanto Imperial se candidatou e foi eleito vereador pelo MDB.

Uma das normas da revista naquela época me marcou até hoje – “Nenhuma crítica é válida, se não houver liberdade para elogiar”. Sempre penso nisso quando tenho de enaltecer alguma virtude de autoridades que costumo criticar. É o caso agora de Paulo Guedes.

A equipe econômica deve ser aplaudida de pé, porque o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 2% ao ano. Com isso, o Brasil subiu uma posição no ranking das taxas reais (descontada a inflação), com juros negativos de 0,71% ao ano, ficando na 26ª colocação entre os 40 países mais importantes.

JUROS NEGATIVOS – É preciso entender que os juros negativos significam a falência do capitalismo à brasileira, no qual eram conseguidos altos lucros sem risco, apenas com a aplicação do dinheiro. Ou seja, era o capital pelo capital, no fenômeno do “rentismo”, assim denominado por Karl Marc e Friedrich Engels para definir a última etapa do capitalismo sem produção e sem risco, que não gera empregos nem distribui renda.

No ano passado, com o início da queda dos juros, os rentistas correram para a Bolsa de Valores, que subia estratosfericamente, desafiando a gravidade e criando uma grande bolha que acabou estourando, porque as ações começaram a valer muito mais do que as empresas, uma situação absolutamente artificial.

Com o fim do sonho da Bolsa, migraram para dólar, que passou a subir enganosamente no Brasil e se desvalorizar no exterior.  E agora chegamos à última fase, com nova valorização dos imóveis e do ouro.

SEM ALTERNATIVA – A inflação projetada para os próximos 12 meses é de 3,14%. Portanto, os juros negativos de 0,71% são bastante significativos para o Brasil.

Conforme Marx e Engels previram há quase 200 anos, a farra dos rentistas chegou ao fim e agora só lhes resta voltar ao capitalismo de verdade – investir o dinheiro em atividades produtivas, que gerem empregos e distribuam renda.

Em suma, esse mérito dos juros negativos ninguém tira de Paulo Guedes e de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. Mas a estratégia vai parar por aqui, Os membros do Copom (Comitê de Política Monetária) já avisaram que agora a meta é evitar a volta da inflação.

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P.S.Saudades de Giudicelli, que depois voltou a trabalhar na Manchete, e de Imperial, que casou com uma garota novinha, ainda cursava o ginasial. Eu estava no apartamento deles, em Copacabana, quando ela entrou, usando uniforme do colégio, e Imperial me avisou: “Não aceite nada que ela lhe ofereça. Ela gosta de pegadinhas e anda com umas balas que deixam a boca das pessoas cor de violeta…”. Outro que casou com uma colegial foi Lima Duarte. Eu estava tomando um uísque na casa dele, na Urca, quando ela chegou do colégio. Chamava-se Mara. O ator ficou 18 anos casado com ela e tiveram três filhos. Mas isso é outra história. (C.N.).

Pacto entre os poderes inclui reeleições de Bolsonaro, Maia e Alcolumbre

Toffoli se reuniu com autoridades contra movimento para afastar ...

Mais de três, juntos, é considerado formação de quadrilha

Carlos Newton

Há várias iniciativas antidemocráticos em marcha no país. A mais grave é a campanha pela intervenção militar, porque tem o inequívoco apoio do presidente da República, com respaldo de expressivo número de parlamentares, pois alguns até ajudam a patrocinar as manifestações. Mas o Alto-Comando do Exército já desestimulou esse movimento, agora é tarde, Inês é outra, como diria o príncipe português Pedro.

Foi colocada uma pedra sobre o golpe militar, mas há outras iniciativas em custo. A mais grave é o pacto entre os poderes, articulado no primeiro semestre de 2019 por Dias Toffoli, com entusiástico apoio do presidente Bolsonaro e dos dirigentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolmbre.

VAIVÉM DO PACTO – No segundo semestre de 2019, o pacto começou a funcionar espetacularmente, com a flexibilização do pacote anticrime de Moro e a aprovação da sinistra Lei do Abuso da Autoridade pelo Congresso Nacional, que tiveram apoio e sanção do presidente da República.

O Supremo também brilhou intensamente, ao enviar para a Justiça Eleitoral todos os processos de corrupção política que envolviam caixa dois, salvando grande número de parlamentares e governantes. No final do ano, o grand finale, com a proibição de prisão após segunda instância, libertando Lula da Silva, José Dirceu, Eduardo Cunha e muitos outros.

No primeiro semestre de 2020, porém, o pacto começou a fazer água, com Bolsonaro chutando o balde e sua trupe criticando durante Congresso e Supremo, sem motivo algum, no auge da campanha pelo golpe militar.

BOLSONARO RECUOU – Quando se pensava que o rompimento do pacto era definitivo, Bolsonaro foi aconselhado pelo Alto Comando do Exército a recuar e ficar na sua. Imediatamente ele fez as boas com Dias Toffoli, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, revivendo com toda força o antidemocrático acordo entre os apodrecidos poderes, que deve estar fazendo o barão de Montesquieu se revirar no túmulo.

E hoje o pacto, tem como principais metas: 1) inviabilizar a Lava Jato; 2) desmoralizar o ex-juiz Sérgio Moro; 3) tirar do Ministério Público o direito de fechar acordo de leniência com empresas corruptas; 4) reeleger Maia e Alcolumbre na Câmara e Senado: 5) evitar que Bolsonaro seja processado no inquérito sobre demissão de Moro; 6) proteger também Flávio Bolsonaro, Fabricio Queiroz e outros membros da trupe, sem falar nas digníssimas mulheres de Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

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P.S.
Há quem diga que também está na pauta a candidatura de Lula em 2022, através da anulação de sua condenação, por suspeição do então juiz Sérgio Moro, mas isso é “menas verdade”, como dizia o criador do PT, antes das aulas de reforço na língua pátria.  O pacto existe para favorecer Bolsonaro, e não Lula. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Para combater “fake news”, redes sociais têm que exigir mais dados dos usuários.

Resultado de imagem para fake news charges

Charge de Vêrsa (Arquivo Google)

Carlos Newton

Nessa importante discussão sobre a censura, é preciso o motorista do ônibus dar uma freada de arrumação. Trata-se do primeiro grande debate do assunto após a consolidação da Era da Internet, que mudou tudo em matéria de comunicação, especialmente devido à conexão dos celulares e ao crescimento das redes sociais.

Para os políticos, os intelectuais e os jornalistas, defender a liberdade de expressão é coisa tão antiga que já tinha transitado em julgado, na História da Humanidade. Mas agora tudo mudou e a questão está reaberta.

PONTO BÁSICO – Para ganhar tempo e avançar o debate, o ponto básico é partir do conceito de que a liberdade de expressão não pode sofrer retrocesso e continua prevalecendo, salvo as exceções já existentes em lei, como defender o racismo, a escravidão, a ditadura e outras aberrações.

Nada de novo no front ocidental, diria o escritor alemão Erich Maria Remarque, porque continua a ser proibido o anonimato na Constituição. Pode-se aceitar o uso de pseudônimos, mas a responsabilidade civil e criminal está garantida,

O que se precisa discutir são as novidades trazidas pela internet, que está desmoralizando essa norma constitucional que proíbe o anonimato.

AS FAKE NEWS – Em artigo na Folha, o escritor e documentarista Miguel de Almeida mostra o percurso das “fake news”.  Diz que o empresário Otavio Fakhoury, já condenado por propagar que o ex-deputado Jean Wyllys era amante de Adélio Bispo, apenas repassou notícia divulgada por um tal Alberto Saraiva, que pegou a dica de outro alguém, cujo neurônio bozonarista não se lembra de nada do que disse no verão passado. Assim, eis as questões.

1) Será possível continuar aceitando o anonimato?

2) A punição criminal (injúria, calúnia e difamação) e a cível (perdas e danos) são suficientes?

3) Há possibilidade de coibir fake news sem caracterizar censura prévia?

AÇÃO PREVENTIVA – Na minha opinião, a farra diminuiria bastante se as redes sociais passassem a exigir nome, CPF, endereço, e-mail e celular do interessado em abrir conta, com essas informações sendo conferidas.  Atualmente, pedem apenas nome, celular ou e-mail, e data de nascimento.

Além disso, se portais, sites e blogs também passassem a conferir nome, CPF, endereço, e-mail e celular dos comentaristas, muita coisa iria mudar, embora os donos das contas pudessem continuar a usar pseudônimos.A punição criminal e cível já é suficiente, mas deve-se agravar a pena quando a divulgação de “fake news” tiver objetivo político eleitoral.

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P.S. – O que não pode continuar é a atual farra do boi, com criação de escritórios, sites e blogs especializados em difundir fake news com objetivos políticos, tipo Gabinete do Ódio e tudo mais. (C.N.)