Relações de Temer e Moreira com o vice-presidente da Caixa incriminam o Planalto

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Charge do Duke (dukechargista.com)

Carlos Newton

Em matéria de escândalos administrativos, jamais se viu nada igual. O governo de Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, que compõem uma gestão tipo 3 em 1, ficará na história como recordista absoluto, colocando no chinelo até mesmo a chamada Era do PT. A cada dia surge uma novidade e as notícias sobre corrupção se tornam tão recorrentes e repetitivas que ninguém mais parece dar importância. O mercado financeiro, por exemplo, continua inteiramente descolado da política. Esta semana, enquanto o Planalto pegava fogo com as novas denúncias sobre o esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal, a Bolsa de Valores batia todos os recordes, ultrapassando 81 mil pontos.

Ambas as notícias — corrupção na Caixa e boom na Bolsa — eram previsíveis. É claro que Temer/Eliseu/Padilha não tinham (nem têm) o menor interesse em estancar a roubalheira na Caixa. Quanto à Bolsa, a alta era esperada, porque as aplicações financeiras estão com rendimento muito baixo e os rentistas sempre correm para as ações.

ENVOLVIMENTO – O fato concreto é que toda a mídia divulgou que uma auditoria feita na Caixa pelo renomado escritório Pinheiro Neto verificou que um clima de corrupção generalizada, constatando que um dos vice-presidentes, Roberto Derziê Sant’Anna, teria repassado a Moreira Franco e ao presidente Temer informações privilegiadas sobre operações do banco, atendendo a pedido deles.

Pateticamente, o Planalto convocou a reportagem da Agência Brasil numa tentativa ridícula de abafar o caso. Como os repórteres são da “casa”, têm de engolir qualquer conversa fiada sem questionar o entrevistado. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, então alegou que sempre manteve uma “relação funcional” com Derziê, um dos quatro vice-presidentes da Caixa Econômica Federal  afastado na terça-feira (dia 16) pelo presidente Michel Temer.

O afastamento foi a contragosto, Temer foi forçado pelo Ministério Público Federal, que lhe lembrou a possibilidade de responder a processo cível de improbidade administrativa, caso insistisse em manter nos cargos os corruptos já identificados.

DIZ MOREIRA – “O que foi levantado, pelo menos que vi no jornal, é que eu teria feito solicitação, essa foi a afirmação, que eu havia feito solicitação ao vice-presidente Derziê. Eu sempre tive com os vice-presidentes uma relação de natureza funcional, qualquer solicitação que eventualmente, qualquer pergunta, qualquer indagação, elas sempre estiveram no âmbito funcional. Eu não tenho por hábito nos lugares públicos que ocupei, que foram vários, eu tenho uma larga e vasta experiência, e toda minha biografia nunca foi manchada por qualquer tipo de atitude que gerasse qualquer vergonha”, disse o ministro.

Para o repórter da Agência Brasil, a situação foi tão constrangedora que ele nem assinou a matéria. Como é público e notório, Moreira Franco é membro do “quadrilhão” do PMDB e teve de se socorrer no foro privilegiado para não cair nas mãos do juiz Sérgio Moro. Sua confiabilidade tem o valor de uma nota de três reais. 

Novo escândalo da Caixa acirra a briga entre Temer e Meirelles pela candidatura

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Temer se desmoraliza e Meirelles não cabe em si

Carlos Newton

Depois das duas decisões da Câmara suspendendo os processos contra o presidente  Michel Temer, ele até pensou que havia escapado incólume e estaria desimpedido para tocar sua campanha pela reeleição, mas estava enganado. Nos bastidores, Temer continuou sendo investigado em diversos inquéritos nos quais está envolvido direta ou indiretamente. O afastamento de quatro dos 12 vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, nesta terça-feira, foi apenas a ponta de um gigantesco iceberg que envolve a corrupção no banco estatal e inevitavelmente vai se chocar contra o sonho da candidatura de Temer. 

Desta vez, tudo começou com a Operação Greenfield, que  investiga desvios em fundos de pensão de bancos e de estatais. A Polícia Federal e o Ministério Público descobriram irregularidades no Fundo de Investimentos do FGTS, vinculado à Caixa, e deflagraram uma segunda operação, batizada de Sépsis, que agora veio a desaguar no Palácio do Planalto.

AFASTAMENTO – Em dezembro, procuradores responsáveis pelas investigações já haviam enviado uma recomendação à Presidência da República e à Caixa, solicitando que todos os 12 vice-presidentes do banco fossem demitidos. 

No último dia 8, a Casa Civil e a presidência da Caixa informaram que rejeitariam a recomendação do Ministério Público Federal. Dois dias depois, porém, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, encaminhou à presidente do Conselho de Administração da Caixa, Ana Paula Vescovi, uma recomendação para que fosse feito o afastamento dos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal devido a suspeitas de envolvimento deles em irregularidades investigadas pela força tarefa.

Os procuradores, que já esperavam a resposta negativa de Temer, então tiraram uma carta da manga e encaminharam ao presidente da República um ofício comunicando que ele poderá ser responsabilizado, na esfera cível, por ilícitos cometidos pelos atuais vice-presidentes da Caixa. Temer teve de recuar e mandou afastar quatro vice-presidentes, cujas investigações estão em estágio mais avançado.

MEIRELLES VIBRA – Com sua candidatura atacada implacavelmente pelo Planalto nas últimas semanas, o ministro Henrique Meirelles deu força total à investida do Ministério Público contra Temer. Nesta quarta-feira, fez questão de  desmentir o Planalto, ao anunciar que o afastamento dos quatro vice-presidentes não é temporário, e sim definitivo. 

O ministro da Fazenda afirmou também que os outros vice-presidentes da Caixa Econômica Federal que ainda não foram afastados passarão por uma avaliação do Conselho de Administração da Caixa, que é presidido por Ana Paula Vescovi, atual secretária do Tesouro Nacional e subordinada a Meirelles, que desde o início do governo ganhou carta-branca para comandar toda a equipe econômica.

CACHORRO GRANDE – O embate entre Meirelles e Temer é do tipo briga de cachorro grande. Os dois sabem que só existe espaço para apenas um candidato governista. Estão convictos de que, se os dois disputarem a eleição, vão dividir os votos que supostamente poderiam conduzir um deles ao segundo turno. 

Diante desta realidade, Temer tenta desestabilizar de todas as formas a campanha de Meirelles e agora passou a assediar os pastores evangélicos, aos quais promete distribuir mais concessões municipais de emissoras de TV em UHF.

Num festival de cinismo e hipocrisia, Meirelles não passa recibo, continua se entendendo com as lideranças evangélicas e tenta armar uma coligação que possa ampliar seu espaço na TV. Os dirigentes dos partidos que não terão candidatura própria estão exultantes com a disputa entre Meirelles e Temer, porque a cada dia aumenta o valor do apoio político que as legendas nanicas podem dar. É um leilão ao estilo “Proposta Indecente”, o romance de Jack Engelhard que virou sucesso em Hollywood, com Robert Redford e Demi Moore.

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P.S.É claro que há outros participantes nesse leilão, especialmente Geraldo Alckmin, do PSDB, mas o tucano não tem cacife e vai ser engolido na hora da pergunta fatal: “Quem dá mais?”. O assunto é apaixonante, logo voltaremos a ele. (C.N.)

Candidatura de Lula só terá validade até o dia 12 de setembro. Podem apostar.

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Charge do Miguel (Jornal do Comércio/PE)

Carlos Newton

Como todos sabem, embora não seja feriado nacional, o país praticamente vai parar no dia 24 de janeiro, quando a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) proceder ao julgamento da Apelação do ex-presidente Lula da Silva à condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex no Guarujá. O resultado do julgamento é importantíssimo, porque vai definir se Lula conseguirá participar da eleição presidencial ou não. A grande dúvida é se realmente existem recursos capazes de garantir o registro da candidatura dele, para que possa disputar a eleição, mesmo que seu nome seja incluído na Lei da Ficha Limpa, após a condenação no TRF-4.

Detalhe muito relevante: a 8ª Turma do Tribunal tem se mostrado muito rigorosa nos julgamentos da Lava Jato. Até agora, apenas 5 dos réus do juiz Moro foram absolvidos pelo Tribunal, o equivalente a 11,6% dos réus. Mas isso sempre aconteceu por falta de provas materiais, como no caso de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, absolvido duas vezes porque as acusações foram baseadas apenas em delações premiadas. Quando existem provas materiais, os julgamentos invariavelmente da 8ª Turma acabam em 3 votos a 0. 

CASO VACCARI – Embora ainda haja petistas que acreditam na possibilidade de  Lula ser declarado inocente, como base no que aconteceu com Vaccari, o retrospecto da 8ª Turma mostra o contrário. Quando surgiu um processo em que havia provas materiais contra Vaccari, a 8ª Turma aumentou a condenação dele – era de apenas 10 anos e passou para 24 anos de prisão. O ex-ministro José Dirceu também se deu mal. Estava condenado a 20 anos e 10 meses de prisão, no processo que envolve a empreiteira Engevix, e recentemente a 8ª Turma ampliou a pena para 30 anos, 9 meses e 10 dias.

Devido à abundância de provas no caso do tríplex, apontada na sentença minuciosa de 283 páginas, tudo indica que a condenação de Lula no TRF-4 será igual a de Dirceu (3 votos a zero). Isso significa que só haverá um tipo de recurso (Embargos de Declaração), que no caso não tem efeito modificativo nem suspensivo. E ficará afastada a hipótese de haver Embargos Infringentes, porque só podem ser apresentados quando o acórdão não é unânime.

Mesmo se houver divergência entre os três desembargadores quanto à dosimetria da pena, os Embargos Infringentes não mudam a condenação unânime, isso é conversa fiada dos petistas.

ESTRATÉGIA DO PT – Para tentar bagunçar a eleição, a estratégia do PT será registrar a candidatura de Lula no último dia – 15 de agosto. Com isso, o partido conseguirá que seu suposto candidato até apareça na TV, nos primeiros dias do horário eleitoral, que começa dia 31 de agosto.

Mas acontece que até o dia 12 de setembro, no máximo, a candidatura de Lula estará definitivamente impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral e ele não poderá mais aparecer na TV. Isso significa também que seu nome não constará na urna eletrônica, ao contrário da “fake news” que os petistas estão espalhando.

Só restará o recurso ao Supremo, mas não terá efeito suspensivo. Ou seja, a candidatura continuará impugnada. Como se dizia antigamente, a volta de Lula da Silva ao poder já era…

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P.S. –
O PT pode até ameaçar “matar gente”, como anunciou a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann, mas o destino de Lula já está traçado. É claro que haverá uma comoção nacional com a impugnação da candidatura dele, já em plena campanha eleitoral, mas a reação dos petistas e aliados poderá ser tranquilamente dominada pelas forças de segurança. Como dizem os árabes, “Mactub”. Em tradução livre, “Estava escrito”. (C.N.)

Há importantes projetos na Câmara, mas falta vontade política para aprová-los

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Charge do Oliveira (Humor Político)

Carlos Newton

Além da reforma da Previdência Social, tão badalada pelo governo, existem muitos projetos importantes na Câmara que precisam ser discutidos e colocados em votação, mas falta vontade política. Cabe ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), organizar a pauta dos projetos de lei, medidas provisórias e emendas constitucionais em plenário, assim como zelar pelo bom andamento dos trabalhos. Mas não é isso que se vê. Na verdade, Maia só tem cuidado dos interesses do governo e de seus próprios interesses, sem se preocupar com matérias da maior importância paro o país.

Uma das propostas mais relevantes é a emenda constitucional do senador Alvaro Dias (Podemos-PR), que determina o fim do foro especial para cerca de 50 mil autoridades públicas, reservando o privilégio apenas para presidentes (e vice) da República, e presidente do Supremo, da Câmara e do Senado, no caso de crimes relacionados ao mandato.

UNANIMIDADE – As restrições ao foro privilegiado proposta já foram aprovadas pelo Senado por unanimidade em 31 de maio de 2017. Na Câmara, a emenda já passou pela Comissão de Constituição e Justiça. Mas, para avançar, ainda precisa ser analisada por uma comissão especial, já criada pela presidência da Mesa, mas que aguarda a indicação de membros, presidente e relator.

Encerrada esta etapa, a emenda poderá seguir para plenário, mas dificilmente Rodrigo Maia a colocará em votação este ano, apesar de sua invulgar importância. Por mera coincidência, quando a emenda for aprovada, um dos atingidos será justamente seu sogro, o ministro Moreira Franco.

SUPERSALÁRIOS – Outro tema importantíssimo é o projeto de lei que prevê limitação dos salários de agentes públicos, aposentados e estabelecendo um teto remuneratório.

Com parecer da senadora Katia Abreu (sem partido-TO), o Senado aprovou em 13 de dezembro de 2016 três projetos da Comissão Especial do Extrateto para dar fim aos chamados supersalários no serviço público. As propostas seguiram para análise na Câmara dos Deputados, onde aguardaram oito meses até ser escolhido o relator, vejam a falta de seriedade que caracteriza os trabalhos legislativos.

No momento, o projeto de lei 6726/16 aguarda parecer do relator na Comissão Especial antes de ser analisado pelo plenário.

SIMPLIFICAÇÃO – Também está na fila a simplificação tributária, que é apoiada pela equipe econômica do governo. Prevê a extinção e substituição de alguns impostos, a adoção da cobrança eletrônica de tributos e outras alterações no regime de tributação do país. Mas ainda está sendo discutida em comissão da Câmara.

Na mesma situação está a emenda 412/09, que trata da autonomia da Polícia Federal (PF). A proposta permite a edição de lei complementar com normas que garantam a autonomia funcional e administrativa da PF, nos moldes do Ministério Público. A partir dessa possibilidade, a instituição ganharia independência para elaborar sua proposta orçamentária.

Por fim, há projeto que pretende mudar a legislação que trata dos planos de saúde. O relator Rogério Marinho (PSDB-RN) apresentou um novo relatório no fim do ano passado, depois da polêmica em torno da proposta de parcelamento do reajuste das mensalidades dos planos para idosos.

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P.S.  Ao invés de defender os interesses dos usuários, a proposta foi feita sob medida para atender aos planos de saúde, que anualmente ganham reajusta acima da inflação, protegidos pelo governo, que está pouco se importando com os interesses públicos. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)ensionistas,

Almoço com Silvio Santos foi mais um passo de Temer em busca da reeleição

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Os três amigos, unidos pelo “Tudo por Dinheiro”

Carlos Newton

O presidente Michel Temer é como a célebre atriz Zezé Macedo, que só pensava “naquilo”. Ele dorme e acorda sempre sonhando com a reeleição, todos os seus movimentos se dirigem nesta direção. Em outubro, teve um jantar secreto na casa de Roberto Irineu Marinho, e no domingo passado almoçou com Silvio Santos. Entre comes e bebes, o prato do dia sempre é o mesmo – a torneira dos cofres públicos, que continuará aberta para a mídia, desde que ajude a aprovação das reformas e não torpedeie a campanha da reeleição, que já está em curso. Negócio fechado, é claro, tanto com a Globo quanto com o SBT.

Os irmãos Marinho são mais comedidos, tentaram manter o jantar em sigilo absoluto, porém  acabou sendo revelado pela Folha de S. Paulo. Mas o apresentador Silvio Santos é diferente, desde que colocou no ar sua primeira emissora, ele apoia quem estiver no poder, não quer nem saber, porque sempre leva vantagem com isso.

SEM FALÊNCIA – Foi com essa estratégia vitoriosa que Silvio Santos se livrou da falência no governo Lula, quando visitou o presidente no Planalto e o convenceu a evitar que o Banco Central interviesse no Panamericano, braço financeiro do grupo SS.

Neste  produtivo almoço. Silvio Santos imediatamente convidou Temer a participar do seu programa dominical e vai levá-lo de novo ao programa do Ratinho.

Como sempre, o presidente estava acompanhado do ministro Moreira Franco, que controla o caixa publicitário do Planalto tem a atribuição de fazer acordos e distribuir recursos às empresas da mídia. Aliás, desde o jantar com os irmão Marinho, os anúncios estão abundando nas televisões, jornais, revistas e rádios, inclusive em seus sites. Nesta empreitada, o governo usa verbas dos ministérios e até das empresas do Sistema, com Sebrae e Sesc patrocinando programas em diversos canais.

INCRÉDULOS – O mais interessante é que a mídia finge ignorar o empenho de Temer para a reeleição e continua dizendo que ele não será candidato e vai apoiar um concorrente de centro, como Geraldo Alckmin (PSDB) ou Rodrigo Mais (DEM), que nem candidato é.

Segundo o ministro Moreira Franco, em entrevista que deu recentemente ao Globo, Temer vai apoiar um candidato que saia da base aliada e a mantenha unida. “Esse candidato não pode ser imposto, tem que ter a naturalidade da sua capacidade de convencimento, de confiança para que possa representar esse conjunto. Eu creio que há possibilidade de termos candidato”, disse Moreira, traçando um perfil feito sob medida para encaixar Michel Temer, conforme qualquer idiota pode perceber.

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P.S. 1 –
Como Willy Sandoval assinalou outro dia aqui na TI, “infelizmente há uma grande possibilidade dessa candidatura Temer se firmar”. Acredite se quiser, diria o ator Jack Palance.

P.S. 2 – O principal objetivo de Temer agora é destruir a candidatura de Henrique Meirelles e fechar acordo com Maia, que comanda o bloco DEM, Solidariedade e PP. Mas isso custará caro, muito caro, e Meirelles também está neste leilão. (C.N.)

Rocha Loures será o novo Marcos Valério e vai passar muitos anos na cadeia

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A fidelidade a Temer custará muito caro a Loures

Carlos Newton

No primeiro parágrafo de ‘O 18 Brumário de Luis Bonaparte’, o jornalista e historiador Karl Marx lembra que o filósofo alemão Georg Hegel dizia que os fatos e personagens de grande importância da história do mundo se repetiam duas vezes. Na sequência, Marx então completa o pensamento de Hegel, ao escrever que a história acontece “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Mas na verdade as coisas não são bem assim, No Brasil, por exemplo, a tragédia do publicitário mineiro Marcos Valério está se repetindo com o empresário paranaense Rocha Loures, e desta vez não será como farsa, porque vai ser uma nova tragédia.

Os dois – Valério e Loures – têm pontos em comum, porque ambos são muito ricos e não eram políticos. Em Minas, o publicitário cuidava de sua agência, fazia sucesso em âmbito nacional e a vida lhe sorria. No Paraná, o empresário ajudava o pai a ficar cada vez mais rico e abrir indústria em São Paulo, onde rapidamente se tornou diretor da Fiesp. O erro de Valério e Loures foi o mesmo, ao se envolverem em política.

SEM DELAÇÃO – Confiante no extraordinário poder do PT e na influência de Lula no Judiciário, tendo nomeado vários ministros, inclusive Joaquim Barbosa, relator do processo do Mensalão, o publicitário Marcos Valério relutou em fazer delação premiada. Não se abriu e ganhou a maior pena do mensalão – 40 anos, 4 meses e 6 dias de prisão, com multa de R$ 3 milhões.

Depois, em 2017, Valério pegou mais 18 anos pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha, ao pagar propina a um procurador da Fazenda Nacional para beneficiar os bancos BMG e Rural no conselho que analisa recursos contra punições estipuladas pelo Banco Central.  

Se tivesse feito delação, o publicitário já estaria solto há tempos, poderia nem ter havido a segunda condenação, se ele tivesse incluído os crimes em seus depoimentos. Quando se arrependeu e tentou colaborar com a Justiça, já era tarde demais, até hoje a delação está encruada.

O NOVO VALÉRIO – Ingênuo e inexperiente, Rocha Loures está se tornando o novo Marcos Valério. Foi preso pelo crime da mala da JBS, mas só ficou 57 dias na Papuda. O relator Edson Fachin decidiu libertá-lo, porque a Primeira Turma do Supremo havia soltado a irmã, o primo de Aécio Neves e um assessor do senador Zezé Parella. Foi um erro de Fachin, que não deveria ter se curvado à Primeira Turma, pois os dois casos eram muito diferentes.

Enquanto esteve preso, Rocha Loures se recusou a depor. Mais recentemente, em 24 e 27 de dezembro, enfim prestou depoimentos e surpreendeu a força-tarefa, ao negar ter relação de amizade ou profissional com o presidente Michel Temer, embora tenha trabalhado como assessor dele por três oportunidades – uma vez quando Temer era vice-presidente da República e outras duas vezes já na chefia do governo.

MATERIALIDADE – Se não mudar este depoimento e realmente contar o que sabe, Loures estará liquidado. Vai repetir a trajetória de Marcos Valério e ficar preso indefinidamente. O caso de Loures é gravíssimo. Além de ter sido filmado recebendo a mala da JBS, ele depois devolveu o dinheiro à Justiça e ainda completou os R$ 35 mil que faltavam nos R$ 500 mil, que representavam sua comissão de 7%.

Judicialmente, Loures agiu como um retardado. Ao entregar a mala de dinheiro e depois completar os R$ 500 mil, ele deu materialidade ao crime. É como se tivesse virado “réu confesso”. Não tem condições de negar nada. Seu depoimento significa que agiu sozinho em graves crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, numa situação mais grave do que Marcos Valério.

No caso de Loures, além das filmagens e da mala de dinheiro, há grampos telefônicos e depoimentos de empresários que também o incriminam. Seu advogados não têm a menor chance para absolvê-lo. Está antecipadamente condenado a ser uma nova versão de Marcos Valério.

A imprensa está perseguindo Jair Bolsonaro ou ele é mesmo cheio de defeitos

Quandoi a imprensa chegou, a loja foi fechada

Carlos Newton

A “Tribuna da Internet” está recebendo muitas críticas pelo fato de ter reproduzido matérias e artigos sobre desvios de conduta de Jair Bolsonaro, candidato a Presidência pelo PLS. Interessante notar que o blog tem adotado idêntica postura em relação a Roberto Jefferson e sua filha Cristiane Brasil, mas não há críticas a este respeito. Diante desta insólita situação, é preciso entender que a imprensa cumpre determinadas atividades que se tornam verdadeiras obrigações. O jornalista que se preza tem o dever inarredável de denunciar qualquer ato irregular ou ilegal cometido por autoridade ou representante de qualquer dos poderes, assim como tem obrigação de fazer o mesmo em relação a personalidades de destaque ou pessoas comuns que cometam ilegalidades ou procedam de forma aética e prejudicial ao interesse público.

Agora, surge reportagem da “Folha” afirmando que Walderice Santos da Conceição consta como funcionária-fantasma no gabinete do deputado, mas trabalha em um comércio em Mambucaba, Angra dos Reis, onde o deputado tem residência.

O que os participantes da Tribuna da Internet acham correto – esclarecer à opinião pública quem é na verdade Jair Bolsonaro ou omitir a informação e deixar que pensem que o deputado é uma cidadão acima de qualquer suspeita:

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BOLSONARO TEM SERVIDORA-FANTASMA
QUE VENDE AÇAÍ EM ANGRA DOS REIS
Deu em O Tempo

Uma vizinha de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) seria uma funcionária fantasma do político na Câmara dos Deputados. É o que diz uma reportagem publicada pela “Folha de S. Paulo” na noite desta quinta-feira (11). De acordo com o jornal, Walderice Santos da Conceição, de 49 anos, consta como funcionária do gabinete parlamentar de Bolsonaro, em Brasília, recebendo salário bruto de R$ 1.351,46. No entanto, ela trabalha em um comércio de açaí na Vila Histórica de Mambucaba, que fica a 50 km do centro de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

A reportagem afirma que Walderice, mais conhecida como Wal pelos moradores da região, trabalha na mesma rua onde fica a casa de veraneio de Jair Bolsonaro. Vizinhos disseram à “Folha” que o marido dela presta serviços de caseiro para o deputado.

PORTAS FECHADAS – A “Folha” relatou na matéria que enviou jornalistas à Mambucaba nesta quinta-feira (11) para apurar o caso, mas as portas do estabelecimento “Wal Açai” foram fechadas às pressas “assim que se espalhou a informação sobre a presença de repórteres na região”.

A reportagem, entretanto, afirma ter encontrado Walderice sainda da casa do deputado, porém, ela pediu um “minutinho” e voltou para a residência. Um outro vizinho apareceu e convidou os jornalistas para uma entrevista com Bolsonaro.

O deputado negou que Walderice seja uma funcionária fantasma. “Ela reporta a mim ou ao meu chefe de gabinete qualquer problema na região”, explicou. “Não tem uma vida constante nisso. É o tempo todo na rua? Não. Ela lê jornais, acompanha o que acontece”, completou.

MUDANÇA DE CARGOS – Segundo a “Folha”, Walderice passou por uma “intensa mudança de cargos no gabinete” em 15 anos. “Em 2011 e 2012 ela alcançou alguns dos melhores cargos chegando ao topo no segundo semestre de 2012. A função, com salário que pode chegar a R$ 14,3 mil, é normalmente reservada a chefes de gabinete”, diz a matéria.

Perguntado sobre qual seria o trabalho desempenhado por ela, Bolsonaro respondeu: “Ela reporta a mim ou ao meu chefe de gabinete qualquer problema na região”. E acrescentou: “Não tem uma vida constante nisso. É o tempo todo na rua? Não. Ela lê jornais, acompanha o que acontece”.

A reportagem pediu ao presidenciável algum exemplo de serviços parlamentares prestados pela funcionária. “Peraí, ela fala com o chefe de gabinete”, se limitou a dizer. “Como é que eu vou saber? Se eu mantiver um contato diário com meus 15 funcionários, eu não trabalho”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Podem endeusar Bolsonaro à vontade, mas ele é igual aos outros. (C.N.)

PT não quer atear fogo apenas em Porto Alegre, prefere incendiar o país

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PT fará o possível e o impossível, para tumultuar

Carlos Newton

A estratégia do PT mudou completamente. De início, a ideia era transformar o julgamento de Lula da Silva no “Dia da Revolta”, com “luta e combate contra a Ditadura da Toga”, nas palavras de José Dirceu, que fez a proposta em conclamação publicada nas redes sociais e no blog “Nocaute”, do jornalista e escritor Fernando Morais. Lula se empolgou e disse que iria a Porto Alegre para assistir ao julgamento de seu recurso contra a pena que lhe foi imposta pelo juiz Sérgio Moro – nove anos e meio de cadeira, por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex no Guarujá. Mas depois começou a circular a informação de que ele não iria mais e faria um comício/protesto em São Paulo.

Na terça-feira, dia 9, surgiu a confirmação de que Lula não assistirá ao julgamento. E a justificativa realmente foi muito estranha. A sugestão de não ir a Porto Alegre teria sido feitas pelos advogados de Lula, que haviam solicitado que ele, na condição de réu, fosse ouvido no julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Como não houve autorização, os advogados então preferiram que Lula se ausentasse. Esta é a versão “oficial”.

MUITO ESQUISITO – De repente, tudo ficou muito esquisito. Primeiro, porque Lula nunca seguiu orientação de nenhum de seus advogados, seria algo insólito. Além disso, qualquer estagiário de Direito sabe que réu só pode ser ouvido em julgamento se dispensar os advogados e fizer a autodefesa, que é comum nos Juizados de Pequenas Causas e costuma acontecer também na Justiça Trabalhista, pois a CLT prevê expressamente tal possibilidade.

Em tradução simultânea, a estratégia do PT mudou por um motivo muito mais grave – o partido não quer mais tocar fogo em Porto Alegre, agora o objetivo é incendiar todo o país, tal como Lula prometeu há dois anos, antes do impeachment de Dilma, num discurso no Rio de Janeiro, quando anunciou que iria colocar nas ruas o “exército” do Stédile.

NOVA ESTRATÉGIA – É claro que o julgamento em Porto Alegre não passará em branco no dia 24. A nova estratégia do PT é organizar uma manifestação na capital gaúcha e também em muitas outras cidades. Depois, seguir realizando sucessivos protestos, para esquentar progressivamente o clima até o grande desfecho, às vésperas das eleições.

Detalhe principal: o registro da candidatura de Lula será feito no último dia, 15 de agosto. Imediatamente, algum partido adversário pedirá a impugnação. Abre-se prazo para o Ministério Público Eleitoral, que apresentará seu parecer de imediato. Depois, a defesa de Lula terá 5 dias úteis para contestar. Até esta fase, se passaram apenas dez ou 12 dias, e a impugnação deve chegar entre os dias 28 e 30 de agosto ao relator a ser sorteado no TSE .

A propaganda pela TV começa dia 31 e dela Lula participará, com toda certeza. Mas apenas nas primeiras semanas, porque o relator deve acelerar o parecer e encaminhá-la ao ministro revisor em dois dias, digamos, e o julgamento deverá ser marcado logo em seguida, entre os dias 10 e 12 de setembro.

IMPUGNAÇÃO – Com base da Lei da Ficha Limpa, a candidatura de Lula estará impugnada até o dia 12 de setembro. A partir daí ele não aparecerá mais no horário eleitoral da TV e seu nome não constará na urna eletrônica. É claro que o PT vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal, mas nenhum possível recurso tem efeito suspensivo. Portanto, o nome de Lula realmente não estará na lista de presidenciáveis. Este é o cronograma real, dentro dos prazos legais.

O PT, assessorado pelo professor paranaense Luiz Fernando Casagrande Pereira, aceita a tese dele, acreditando que Lula poderá concorrer mesmo tendo a candidatura impugnada. Bem, sonhar ainda não é proibido, mas o próprio Casagrande Pereira admite que em 12 de setembro a candidatura de Lula estará impugnada.

Ou seja, Lula vai desaparecer  do mapa 25 dias antes da eleição. Com apoio dos “exércitos” dos sem-terra, dos sem-teto e dos sem-juízo, o PT acha que conseguirá incendiar o país, eleger Lula e tudo o mais. No entanto, nada disso vai acontecer. Teremos um novo presidente que não se chamará Luiz Inácio Lula da Silva. Com dizem os árabes – “Mactub” (Assim estava escrito).

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P.S.É claro que o PT está espalhando na praça que Lula vai concorrer de qualquer e criar uma tremenda confusão eleitoral, jurídica, política e social. Mas é tudo conversa fiada. Lula não participará da eleição. Podem apostar. (C.N.)

Para Temer ser favorecido, o Planalto incentiva uma falsa briga de Maia e Meirelles

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Eles se odeiam, mas têm de manter as aparências

Carlos Newton

Como diria o moleque Gonzaguinha, não dá mais para segurar. O clima entre o presidente Michel Temer e o ministro Henrique Meirelles é de curto-circuito permanente, com os nervos à flor da pele. Os dois se odeiam e sonham com o mesmo objetivo – a Presidência da República na eleição de 2018. Na verdade, jamais foram amigos, apenas se aturam, para manter as aparências.

Meirelles finge não saber que Temer é candidato à reeleição. Torce desesperadamente para que ele desista, possibilitando que possa ser legado parte do espólio do governo, que tem 6% de “bom/ótimo” e 19% de “regular”. O presidente, por sua vez, atua nos bastidores para boicotar a candidatura de Meirelles, sonhando em  fazer uma aliança do PMDB com o PSD e ganhar mais um precioso espaço no horário eleitoral, para sua campanha de reeleição.

KASSAB, ESPERTÍSSIMO – O presidente (licenciado) do PSD é o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, um político amoral e espertíssimo, que criou o partido e é dono dele. Ninguém sabe o que Kassab fará. Espremido entre Temer e Meirelles, o sinuoso ministro morde e assopra para os dois lados, sua postura é intraduzível.

O que se sabe é que a relação entre Kassab e Meirelles é antiga e sólida. A filiação ao PSD ocorreu em outubro de 2011, a tempo de permitir que Meirelles fosse candidato a prefeito de São Paulo em 2012.

Kassab finge que poderá apoiar a reeleição de Temer, mas é conversa fiada. A candidatura de Meirelles é uma realidade para o PSD. O ministro iniciou a campanha logo ao assumir o controle da equipe econômica, em maio de 2016, e desde então não perde uma inauguração de obra do governo. Ou seja, Temer está tendo de conviver com ele fungando em seu cangote, como se diz no Nordeste. Além disso, nos fins de semana Meirelles marca presença em templos evangélicos, está rodando o país, sua fé é inabalável.

MEIRELLES FICA – Temer sonha com a imediata saída de Meirelles, mas isso não acontecerá. Ele ficará à frente da Fazenda até a chamada undécima hora, dia 6 de abril. E o pior é que, durante a campanha, Meirelles vai se apresentar com salvador da pátria, tirando de Temer sua arma eleitoral.

No desespero, o Planalto planta na mídia a informação de que Rodrigo Maia também vai disputar a sucessão e já está travando uma briga particular com Meirelles, para minar a candidatura dele. Na verdade, está acontecendo exatamente o contrário, Meirelles tem oferecido mundos e fundos a Maia, para que seja candidato a vice numa chapa conjunta do PSD e DEM. Mas ainda é cedo.

Nesta confusão eleitoral, Maia sabe que, com a saída de Lula, praticamente todos os candidatos têm chance de vencer, inclusive ele mesmo. Apenas já estão de fora os superoutsiders, como Manuela D’Ávila (PCdoB), João Amoêdo (Novo), Guilherme Boulos (PSOL)  e Paulo Rabello de Castro (PSC), que somente poderão fazer figuração nesta novela política.

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P.S. – Este é o quadro atual, mas tudo pode mudar a qualquer momento, se o ministro aposentado Joaquim Barbosa calçar as chuteiras e entrar em campo. Sem a menor dúvida, ele estará entre os candidatos que podem chegar ao segundo turno. (C.N.)

Bolsonaro é igual aos outros e tem de explicar o enriquecimento de sua família

Imagem relacionadaCarlos Newton

Quem frequenta a “Tribuna da Internet” sabe que se trata de um espaço jornalístico aberto a todas as tendências e ideologias, que não faz campanha para candidato algum. Muito pelo contrário, costuma criticar todos eles, sem exceção. O blog tem por objetivo publicar os mais importantes artigos e reportagens do momento, para que sejam discutidos aqui. Para nós, nunca foi nenhuma novidade o enriquecimento de Bolsonaro, um assunto tocado aqui insistentemente por Antonio Santos Aquino, desde o início da Lava Jato, muito antes de Bolsonaro se lançar candidato. Aquino, aliás, sempre citava especificamente a mansão na Barra da Tijuca, que agora ficou tristemente famosa.

Eu sempre critiquei o aproveitamento que Bolsonaro fez da política para eleger toda a família, incluindo a primeira mulher. Sempre achei isso horrível, certa vez lembrei até um episódio em que eu estava no Senado com Barbosa Lima Sobrinho e o acompanhei ao gabinete de Jarbas Passarinho.

TUDO EM FAMÍLIA – Na conversa, o senador Passarinho comentou que o maior problema dos políticos era a família. “Geralmente, todos os parentes querem se beneficiar da política, pedem empregos e regalias, é uma chatice”, disse-nos Passarinho. E Barbosa Lima Sobrinho, que tinha sido governador de Pernambuco, concordou com a observação.

No caso de Bolsonaro, aconteceu exatamente o contrário – ele é que incentivou a família inteira a entrar na política, para se elegeram com o sobrenome, a começar por sua primeira mulher, quando os filhos ainda eram de menor.

Conheci o capitão/deputado em 2003, quando voltei a trabalhar no Congresso. Nunca dei importância a ele, até porque Bolsonaro jamais teve importância alguma, era solenemente desprezado pelos parlamentares, pelos jornalistas e pelos funcionários da Câmara, não lembro de ninguém que se pudesse dizer que era amigo dele, que fazia questão de não se aproximar de ninguém e vivia mudando de partido. Desde que foi eleito pelo PDC em 1990, ele passou por PP, PPR, PPB, PTB, PFL, PP de novo, PSC e PSL.

DEPUTADO OMISSO – Na Câmara, sempre se soube que Bolsonaro era um deputado omisso e que só gostava de aparecer na hora certa, em apresentações histriônicas e até patéticas.

Em 2007, no primeiro governo Lula, quando o chanceler Celso Amorim mandou a representação brasileira na ONU assinar o tratado internacional que dá independência política, econômica e territorial a todas as reservas indígenas, a “Tribuna da Imprensa” de Helio Fernandes  me mandou a Brasília para fazer a cobertura.

Tinha sido um crime de lesa-pátria, nenhuma nação importante assinou o tratado, mas o Brasil fez questão de apoiar. Significava que, de uma hora para a outra, o país perderia cerca de 20% de seu território, onde se localizariam mais de 200 nações indígenas, que se tornariam independentes, vejam que irresponsabilidade.

UMA DECEPÇÃO – Quando cheguei na Câmara e procurei os principais parlamentares da Amazônia (entre eles, Arthur Virgílio, Tião Viana e Mozarildo Cavalcanti) foi uma surpresa saber que nenhum deles tinha conhecimento do assunto. Municiei-os de informações e fui procurar deputados que pudessem lutar contra essa maluquice diplomática. Um deles foi Jair Bolsonaro, que também desconhecia a assinatura do tratado na ONU. Pensei que fosse subir à tribuna e fazer um discurso inflamado, mas ele não fez absolutamente  nada.

Percebi que Bolsonaro não tinha a menor representatividade junto à cúpula das Forças Armadas, porque os chefes militares tinham sido informados pela Maçonaria, estavam preocupadíssimos, mas não passaram nenhuma informação ao deputado.

Na época, a solução encontrada pela Forças Armadas e pela Maçonaria foi pressionar o governo do PT a não remeter ao Congresso o tratado, para ratificação. Só posso dizer que nosso trabalho teve êxito, mas dele Bolsonaro não participou. Já se passaram mais de 10 ano e o acordo internacional até hoje não chegou ao Senado. Consequentemente, não houve a independência das nações indígenas.

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P.S. 1
Aqui na “Tribuna da Internet” não temos candidatos preferenciais. Vamos apoiar aquele que apresentar as melhores soluções para os principais problemas brasileiros – dívida pública;  saúde; desemprego, Previdência; segurança; despesas indevidas do Estado com salários cheios de penduricalhos, além de mordomias, planos de saúde, cartões corporativos e carros oficiais;

P.S. 2 – Bolsonaro é hoje o bola da vez. Apenas isso. Os outros não perdem por esperar. Todos serão dissecados aqui. Tudo tem seu tempo. (C.N.)

Aperto da Lava Jato no caso Rodrimar pode fazer Rocha Loures delatar Temer

Pai de Loures já mandou que ele faça delação

Carlos Newton

Depois do espetacular vazamento de informações obtido pelo excelente repórter Aguirre Talento, que publicou na revista “Época” as 50 perguntas que estão sendo feitas ao presidente Michel Temer sobre sua participação no esquema de corrupção no Porto de Santos, a Polícia Federal enfim lembrou de encaminhar ao Planalto o questionário. É claro que o chefe do governo não vai responder às perguntas, que já estão sendo examinadas pelo advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, o quase-ministro, que esteve para ser nomeado várias vezes e bateu na trave.

A Polícia demorou uma eternidade para redigir as perguntas, não há justificativa para tamanha demora, até porque as principais indagações não serão respondidas. De qualquer forma, porém, o questionário mostra que o importante inquérito está em andamento.

VAZAMENTO – Por saber que não terá de responder nada, o advogado de Temer nem se referiu a uma suposta inocência de seu cliente. Foi logo denunciando o vazamento das 50 perguntas, divulgadas pela “Época” antes mesmo de serem encaminhadas a Temer.

Chorar ainda não é proibido. A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal sempre prometem investigar os vazamentos. Mas é tudo conversa fiada. Dezenas de pessoas têm acesso às investigações da força-tarefa da Lava Jato, incluindo os auditores da Receita Federal que atuam nas apurações.

Na era do celular plugado na internet e do pendrive com dezenas de gigabites, a transparência dos atos judiciais nem precisa ser determinada em lei, porque já existe na prática, os vazamentos agora fazem parte da rotina policial.

TEMER NA MIRA – O grande alvo é o presidente Michel Temer, que jamais esperou que a procuradora-geral Raquel Dodge, logo no início da gestão, tomasse a iniciativa de pedir o prosseguimento da investigação envolvendo o chefe do governo. Temer julgava que seria poupado por Raquel Dodge e pelo novo diretor da Polícia Federal, Fernando Segóvia, mas estava enganado. Nenhum dos dois está aliviando o Planalto, muito pelo contrário.

Mas quem vai entrar primeiro na mira da força-tarefa é Rocha Loures, o ex-assessor presidencial que passou a ser conhecido como o homem da mala. Segundo o repórter Aguirre Talento, os federais identificam Rocha Loures como o principal interlocutor do Planalto com o setor portuário, nas tratativas do decreto imoral.

O então assessor de Temer foi grampeado quando discutia a tenebrosa transação  com Ricardo Mesquita, diretor da empresa Rodrimar. O interesse da empresa era que o decreto prorrogasse a ocupação das áreas anteriores a 1993, exploradas pela Rodrimar e que estão com o prazo de concessão vencido.

PERGUNTA A TEMER – No interrogatório por escrito, a PF pergunta a Temer: “Tem conhecimento se Rocha Loures recebeu alguma proposta de valores indevidos, para buscar melhores benefícios, inclusive inclusão de solução para os contratos em concessões ‘pré-93’, no novo decreto dos portos?”.

O mais irônico é que a jogada da Rodrimar não deu resultado, porque a Casa Civil achou perigoso demais prorrogar os contratos pré-1993. O subchefe jurídico Gustavo Rocha foi grampeado avisando a Rocha Loures que não seria possível conceder o benefício: “É uma exposição muito grande para o presidente se a gente colocar isso. [As empresas] já conseguiram coisas demais nesse decreto”, disse Rocha, que é um assessor com acesso direto e privilegiado a Temer e está em campanha permanente para ser ministro da Justiça.

DESTRUIR AS PROVAS – Na tentativa de apagar os rastros que levam a Temer, em 6 de novembro o governo decidiu que as três áreas ocupadas pela Rodrimar no Porto de Santos serão colocadas em licitação neste ano. O tiro pode sair pela culatra, porque os dirigentes da empresa não terão alternativa e só lhes restará o caminho da delação premiada.

A situação de Rocha Loures é ainda pior, porque ele está incriminado em  outro processo, junto com Temer, no caso da mala da JBS. Ele é considerado réu confesso, porque fez a burrice de devolver a mala à Polícia Federal e ainda completou a quantia.  Com isso, comprovou a materialidade do crime. Para ele, só resta a delação, caso contrário vai passar longas férias numa colônia penal, igual ao “Charles, Anjo 45”, o amigo que Jorge Benjor imortalizou numa de suas canções mais conhecidas.

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P.S.A família, que tem indústrias no Paraná e em São Paulo, está pressionando Rocha Loures a fazer delação premiada. No primeiro interrogatório ele ficou calado. No segundo, vai cantar mais do que Zeca Pagodinho. E o sonho de reeleição de Temer será sepultado precocemente . (C.N.)

Ministro da Defesa age de forma irresponsável no caso do julgamento de Lula

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A dúvida: só Lula pode conter ou incitar a multidão

Carlos Newton

O auditor da Receita Federal Darcy Leite enviou à Tribuna da Internet declarações do ministro da Defesa, Raul Jungmann, que merecem críticas veementes.  Segundo a excelente colunista Mônica Bergamo, da Folha, Jungmann disse que a PM gaúcha (Brigada Militar) tem todas as condições de garantir a segurança no julgamento do ex-presidente Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, no próximo dia 24.  “Não há sinais de descontrole”, afirmou ele, acrescentando: “Não há por que dramatizar e espetacularizar o julgamento do Lula. É um fato importante, sem dúvida, mas nada indica que levará à desordem pública”.

Ainda segundo o ministro da Defesa, “é preciso um trabalho de prevenção, como revistar os ônibus [com manifestantes] nas estradas e separar as tribos [a favor e contra o PT], o que a PM tem toda a condição de fazer”.

IRRESPONSABILIDADE – Não há dúvida de que o ministro, que nunca foi especialista ou estudioso de assuntos ligados à segurança pública, está agindo de forma altamente irresponsável.

Comporta-se como seguidor do professor Pangloss, célebre personagem do livro “Cândido ou o Otimismo”, de Voltaire. Ao contrário do que Jungmann diz, tudo indica que pode acontecer desordem no julgamento de Lula, porque os petistas e aliados estão sendo convocados por José Dirceu para a “luta” e “o combate”, não apenas para uma manifestação de protesto.  

O ministro desconhece que se trata de uma manobra que reunirá milhares de militantes sem terra, sem teto e sem juízo. Todos eles estão revoltados, por julgar que Lula vem sendo vítima de um complô político e judiciário, destinado a evitar que ele volte ao poder para novamente defender o povo.

REAÇÃO IMPREVISÍVEL – Esses  milhares de militantes irão a Porto Alegre na esperança de que a presença deles seja suficiente para abortar o golpe e impedir que Lula seja condenado. E ninguém pode prever como reagirá essa multidão diante da notícia de que Lula foi condenado e não poderá mais se candidatar.

Pode o ministro Jungmann garantir que todos os militantes seguirão pacificamente até os acampamentos e para os ônibus, onde a grande maioria será alojada? Quem pode se arriscar a garantir que não haverá reação agressiva?

É certo que em setembro não houve tumulto em Curitiba, mas a situação era muito diferente, porque Lula foi dar apenas um depoimento. Agora é a decisão final, o clímax, o desfecho de tudo. E a reação da massa vai depender de Lula, que tanto pode conter ou incitar a multidão. Será uma decisão pessoal dele.

PROVIDÊNCIAS – A esta altura, o ministro da Defesa já deveria estar reunido com as autoridades federais, estaduais e municipais, para prevenir o menor impacto possível.

Deve haver uma divisão de tarefas, envolvendo a Polícia Federal, a Brigada Militar, a Polícia Civil, a Guarda Municipal, a Força Nacional de Segurança e até os serviços municipais de trânsito, que terão de bloquear vias públicas, inverter direção de ruas. É preciso delimitar os locais onde os os ônibus ficarão estacionados, as barracas serão erguidas e os banheiros químicos instalados, para que não façam suas necessidades no meio da rua, será uma trabalheira enorme.

O ministro Jungmann, porém, do alto de seu misto de arrogância e ignorância, diz que basta a Brigada Militar vistoriar os ônibus nos acessos à cidade. Como se vê, ainda não caiu a ficha do que realmente pode acontecer a Porto Alegre, no dia da condenação de Lula em segunda instância. Façam suas apostas.

Uma crônica de Cony, escrita em 2017 e que mais parecia a despedida do escritor

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Nesta crônica, Cony esgrime a arte da ironia

Carlos Newton

Sempre atuante e precisa, Carmen Lins selecionou esta crônica de Carlos Heitor Cony, publicada pela Folha de S. Paulo no dia 5 de março de 2017. O grande escritor e jornalista carioca, que já vinha muito doente há vários anos, praticamente estava se despedindo, naquele seu estilo irônico e rascante.

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SE EU MORRER AMANHÃ
Carlos Heitor Cony

Se eu morrer amanhã, não levarei saudade de Donald Trump. Também não levarei saudade da operação Lava Jato nem do mensalão. Não levarei saudade dos programas do Ratinho, do Chaves, do Big Brother em geral. Não levarei nenhuma saudade do governador Pezão e do porteiro do meu prédio.

Se eu morresse amanhã, não levaria saudade do rock, dos sambas-enredo do Carnaval, daquela águia da Portela nem dos discursos do Senado e da Câmara, incluindo principalmente as assembleias estaduais e a Câmara dos Vereadores.

Se eu morrer amanhã, não levarei saudades dos buracos da rua Voluntários da Pátria, das enchentes do Catumbi, dos técnicos do Fluminense, dos juízes de futebol, da Xuxa e das piadas póstumas do Chico Anysio. Não levarei saudade do Imposto de Renda e demais impostos, e muito menos levarei saudade das multas do Detran.

Não levarei saudade da vizinha que canta durante o dia uma ária de Puccini (“oh mio bambino caro”) que ela ouviu num filme do Woody Allen. Aliás, também não levarei saudade do rapaz que mora ao meu lado e está aprendendo a tocar bateria.

Não levarei saudade das cotações da Bolsa, das taxas de inflação e das dívidas externas do Brasil. Não levarei saudade dos pasteis das feiras livres nem das próprias feiras livres, também não levarei saudade dos blocos de índio que geralmente fedem mais do que os verdadeiros índios.

Não levarei saudade dos lugares em que não posso fumar, das lanchas de Paquetá e dos remédios feitos com óleo de fígado de bacalhau. Não terei saudades das mulheres que usam silicone e blusas compradas no Saara.

Enfim, não levarei saudade de mim mesmo, dos meus fracassos e dívidas. Finalmente, não terei saudades dos milagres dos pastores evangélicos nem de um mundo que cada vez fica mais imundo.

Bolsonaro se filia ao PSL e terá apenas 16 segundos na TV, se não fechar coalizões

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Bolsonaro precisa fazer alianças, mas está difícil

Carlos Newton

Nesta sexta-feira, bem cedinho, afirmamos aqui na Tribuna da Internet que o deputado Jair Bolsonaro, apesar de seu grande potencial como candidato a presidente da República, continuava no roteiro de Plínio Marcos, perdido numa noite suja, à procura de um partido. No início da noite, veio a confirmação de uma notícia da excelente colunista Daniela Lima (Painel da Folha) – Bolsonaro se encontrara com o presidente do PSL (Partido Social Liberal), Luciano Bivar, para fechar acordo e se filiar à sigla.

No xadrez eleitoral, Bolsonaro fez uma péssima jogada, porque seu partido anterior, o PSC (Partido Social Cristão), possui uma bancada forte (13 deputados federais e dois senadores. E o PSL, contando com sua filiação, tem apenas quadro três deputados, o que significa uns 16 segundos no horário gratuito e mal dá para imitar Enéas Carneiro e dizer incisivamente: “Meu nome é Jair Bolsonaro!!!”.

ANTICOMUNISMO – Bolsonaro rompeu com o PSC por causa da aliança que o partido fechou com o PCdoB no Maranhão nas eleições municipais de 2016. Quando soube da coalizão, Bolsonaro foi à sede da sigla no Rio de Janeiro e, aos gritos, disse que não admitia esse tipo de coligação.

Ficou tão irredutível que acabou brigando com o dono do PSC, pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC e um dos líderes da Assembleia de Deus, ex-candidato na eleição presidencial de 2014, quando teve apenas 0,75% dos votos.

Bolsonaro se deixou levar pela emoção, que quase sempre é uma péssima conselheira. Ele considera que o programa político do PCdoB, que defende bandeiras como a descriminalização do aborto e do consumo de maconha e apoia o casamento gay, seria incompatível com seu perfil.

RADICALISMO – Apesar de ser um dos deputados mais antigos, Bolsonaro continua sem jogo de cintura e suas posturas radicais o conduzem ao isolamento. Agora, precisa desesperadamente de um partido com mais espaço no horário eleitoral, mas não está conseguindo.

Se Lula da Silva abandonasse a disputa, seria mais fácil para Bolsonaro, que assumiria a liderança das pesquisas e poderia conseguir alianças. Mas Lula não vai jogar a toalha, quer aparecer na televisão até ser impugnado pelo TSE.

O pior é que a campanha de 2018 não deverá ter Fundo Eleitoral e vai ser mais difícil “comprar” coligações, como sempre aconteceu. E somente dois candidatos estão com dinheiro sobrando para distribuir – Henrique Meirelles (PSD), que conta com recursos próprios e o apoio de grandes empresário e banqueiros, e Michel Temer (PMDB), que está de posse da chave do cofre da viúva.

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P.S. 1Bolsonaro tem chance concreta de ganhar a eleição, especialmente se conseguir algumas alianças que lhe aumentem o tempo na TV. Mas está muito difícil. Um dos fiéis da balança é o DEM, que oportunisticamente só vai se decidir em cima do laço e pode até apoiar o deputado/capitão.

P.S. 2Bolsonaro certamente será beneficiado pela divisão de votos entre Alckmin, Meirelles e Temer, que vão se devorar entre si.

P.S. 3Da mesma forma, Ciro Gomes (PDT) também tem possibilidades, porque certamente será beneficiado pela saída de Lula, na reta final.

P.S. 4 – E Álvaro Dias (Podemos) é uma incógnita, que pode até surpreender, se conseguir mais tempo na TV, o que também é muito difícil, por falta de recursos.

P.S. 5 – Quanto aos demais candidatos, incluindo Marina Silva (Rede), seguramente não têm chances, exceto Joaquim Barbosa, que pode vir pela coligação PSB-PPS e mudar totalmente o quadro da sucessão. (C.N.)

Bolsonaro e Huck são dois perdidos numa noite suja, à procura de um partido

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Um faz campanha, o outro faz cena

Carlos Newton

Se ainda estivesse conosco, o genial ator, dramaturgo e escritor Plínio Marcos estaria demonstrando seu desapontamento com a política brasileira, que mais parece uma obra de ficção. Como já se sabe que a candidatura favorita de Lula é só para inglês ver (e não entender, porque ninguém consegue compreender tanta esculhambação institucional), todos os outros candidatos acham que têm chances de vencer. Mas é claro que, sem Lula na disputa, o candidato preferido passa a ser Jair Bolsonaro, que nem partido tem.

O capitão/deputado continua filiado ao PSC , que já avisou que não lhe dará legenda. Começou a namorar (a expressão é dele) o nanico PEN, conseguiu até que mudasse de nome para virar Patriota, mas o relacionamento esfriou.

SONHO MEU –O sonho de Bolsonaro é ser apoiado pelos evangélicos. Em 12 de maio de 2016, quando o Senado votava o impeachment de Dilma, sintomaticamente o deputado se submetia a um batismo no Rio Jordão, ministrado pelo pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC e um dos líderes da Assembleia de Deus, ex-candidato na eleição presidencial de 2014, quando teve apenas 0,75% dos votos.

Por ter sido batizado, Bolsonaro pensou que seria muito fácil unir os evangélicos em torno de sua candidatura. Foi um engano terrível. O próprio PSC de seu padrinho hoje prefere o economista Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES e ideólogo do grupo Millenium, facção mais radical do neoliberalismo à brasileira. Rabello é um candidato sem a menor chance, mas o PSC está com ele e não abre (pelo menos, por enquanto, pois vem sendo cortejado para fazer aliança com o PSD de Henrique Meirelles).

No campo evangélico, restam o PR, cujo presidente Antonio Carlos Rodrigues já está preso, e o PRB, presidido pelo bispo Marcos Pereira, da Assembléia de Deus, que é citado nas delações da Odebrecht e da JBS. O relacionamento de Bolsonaro com esses dois partidos é uma das grandes incógnitas da eleição.

HUCK FAZ CENA – Acostumado à ficção proporcionada pela carreira na TV, Luciano Huck surpreendeu novamente o respeitável público. Quando todos pensavam que havia desistido da política, pediu aos institutos de pesquisa que mantivessem seu nome entre os candidatos. Tudo conversa fiada.

Huck apenas tenta fazer cena. Está desesperado porque a TV Globo realmente decidiu tirar do ar as duas participações de sua mulher, a apresentadora Angélica, na condução do programa semanal “Estrelas” e na apresentação de um quadro no programa diário “VideoShow”.

Para agradar a mulher, Huck quer manter o programa “Estrelas” e já se ofereceu à Globo para custear a produção. A direção da emissora disse não e deu a ele prazo até dezembro para decidir sobre a carreira política. Huck recuou, mas agora volta a pressionar a emissora. Não vai dar certo. Está fazendo papel de bobo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA TV Globo mudou totalmente sua política funcional. Quer se livrar dos “donos” de programa. Em tradução simultânea, significa reduzir custos. A estratégia começou no jornalismo. Ninguém é mais “dono’ de telejornal. Nem mesmo William Bonner. A ordem é revezar os apresentadores, em todos os programas da Central de Jornalismo. Na área esportiva, já demitiram grande número de funcionários. Na teledramaturgia, a mesma política. Não haverá mais contratos permanentes. As atrizes Carolina Ferraz e Maitê Proença foram as primeiras vítimas. O clima é de pânico na emissora. Luciano Huck está brincando com fogo. Na Folha, Daniela Lima revela que Bolsonaro se encontra nesta sexta-feira (5) com o presidente do PSL, Luciano Bivar. Espera fechar acordo para se filiar à sigla. Apesar da disposição do dirigente em acolhê-lo – Bivar cogita abrir postos na legenda para o presidenciável – a ala que tentava renovar o PSL resiste ao carioca, diz Daniela Lima. (C.N.)

Lula entra no radicalismo de José Dirceu e vai liderar o tumulto em Porto Alegre

Resultado de imagem para lula cercado pelo povoCarlos Newton

O ex-ministro José Dirceu não tem o que perder. Sua condenação em segunda instância foi confirmada por unanimidade no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Lava Jato. Seus advogados recorreram com Embargos Infringentes, alegando que houve divergência na pena, que era de 20 anos e 10 meses de prisão e passou para 30 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão. O recurso foi apenas para ganhar tempo, evitando que José Dirceu volte logo a cumprir a pena em regime fechado, o que pode acontecer já em fevereiro.

Como sua prisão domiciliar não tem salvaguardas, Dirceu passa o dia na internet e no celular, comandando a reação petista contra o julgamento de Lula no TRF-4, no próximo dia 24.

LULA INDECISO –Há vários anos Lula e Dirceu estavam afastados. Para se falarem, Dirceu tinha de ligar antes para Paulo Okamotto, que transmitia o recado e Lula dava o retorno. Até que, um belo dia, Okamotto disse a Dirceu para não ligar mais. Recentemente, ao se defrontarem com suas condenações judiciais, Lula e Dirceu voltaram a se falar, são novamente bons amigos.  Desde que foi marcada a data do julgamento, Lula estava inseguro, não sabia como reagir. Mas Dirceu já conseguiu convencê-lo a ir a Porto Alegre no dia do julgamento e se dirigir ao tribunal, que não poderá lhe negar acesso, pois todo réu tem direito de assistir a seu julgamento.

Nesta quarta-feira, Lula confirmou à direção do PT que estará em Porto Alegre no dia 24, para comandar pessoalmente o “combate à ditadura da toga”, nas palavras ofensivas do próprio Dirceu, em sua mais recente mensagem aos petistas, no dia 1º.

TUDO OU NADA – Há quem pense que não vai acontecer nada, será uma manifestação fracassada, como aconteceu em setembro quando Lula prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, sobre acusações de receber propinas da Odebrecht no caso do sítio em Atibaia e da nova sede do Instituto Lula.

Mas há também quem imagine que a situação pode se complicar, porque desta vez é o julgamento decisivo, que vai determinar a impugnação da candidatura de Lula, Por isso, o PT e seus aliados, incluindo os “exércitos” do Stédile (MST) e do Boulos (MTST), que cultivam o radicalismo e gostam de briga.

O problema é que os sindicatos e centrais sindicais estão sem caixa e outras instituições petistas, como a UNE e outras entidades civis. Do outro lado da praça, o governo gaúcho e o Comando Militar do Sul também estão à míngua. Ao que parece, o Rio Grande tem tudo para reviver a Guerra dos Farrapos.

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P.S.
José Dirceu, que se proclama “guerreiro do povo”, é um grande irresponsável. Sem ter como escapar da volta à cadeia, ele está tentando uma sublevação contra a Lava Jato, que realmente pode acontecer. Espera-se que, entre mortos e feridos, salvem-se todos, para que o país não mergulhe novamente numa ditadura. (C.N.)

P.S. 2 – Como está suspenso o fornecimento de propinas, o partido está fazendo uma vaquinha para custear as caravanas até Porto Alegre. Os parlamentares foram convidados a contribuir, o dinheiro já começou a pingar na conta. (C.N.)

Dirceu volta a incitar os petistas à “luta” e ao “combate” no julgamento de Lula

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Ilustração reproduzida do blog “Nocaute”

Carlos Newton

Embora esteja cumprindo pena em prisão domiciliar, privado de seus direitos políticos, o réu José Dirceu continua atuando de forma pró-ativa no PT, publicando artigos semanais no blog “Nocaute”, do escritor e jornalista Fernando Morais, e divulgando suas teses nas redes sociais e no site do PT. Como se sabe, a Constituição Federal suspende os direitos políticos de quem está cumprindo condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos. Mas as determinações constitucionais parecem não ter validade no caso de Dirceu, porque nem todos são iguais perante a lei – alguns são mais e outros são menos iguais.

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“NÃO PERMITIREMOS A DITADURA DA TOGA”

José Dirceu Blog Nocaute

O povo está de costas para os golpistas, e neste Ano Novo que recém começou o povo quer democracia e o direito de escolher seus governantes. A primeira batalha será no dia 24, em Porto Alegre.

Meus amigos, minhas amigas do Nocaute. O ano de 2018 será o que nós formos capazes de construir, de conquistar, na luta, no combate. E a luta começa dia 24 em Porto Alegre, onde vamos manifestar a nossa indignação, o nosso protesto, a nossa revolta contra a tentativa de cassar Lula, de impedir que Lula seja candidato.

Na verdade, não é a única tentativa de impedir que o povo se manifeste. A outra é mais grave, é o semi-presidencialismo. É o parlamentarismo envergonhado, que o povo já enterrou duas vezes, em 93 e em 2003.

CONTRA LULA – Nos porões do Planalto, no Congresso Nacional, e mesmo na Suprema Corte, tentam afastar o povo da decisão de eleger o seu presidente.

Por quê? Por que eles temem o povo? Porque o povo é a memória nacional. É a consciência nacional, é o fio da história. O povo é nacionalista, o povo está contra as privatizações, o povo quer liberdade, quer democracia.

O povo sabe que o Estado é indispensável para um projeto de desenvolvimento nacional com bem-estar, com distribuição de renda. Por isso o povo está de costas para eles, para os golpistas, para aqueles que querem refundar a República quando não receberam esse mandato da nação. São juízes, não foram eleitos, mas fazem algo mais grave.

VIOLANDO DIREITOS – Querem usurpar o poder do Legislativo e do próprio Executivo, violando direitos fundamentais. Tudo em nome de impedir Lula de ser candidato. Mas nós derrotamos a ditadura militar, que governava por Atos Institucionais, e nāo vamos permitir a ditadura da toga.

Vamos juntos em 2018 combater para garantir Lula candidato, fazer a campanha, elegê-lo, dar posse a Lula, e de novo governar com o povo, pelo povo.

Pelo conjunto da obra, o ministro Gilmar Mendes ganha o concurso Piada do Ano

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A criatividade de Gilmar Mendes impressionou o júri

Carlos Newton

Realmente, muito difícil a escolha da Piada do Ano de 2017. As reuniões da comissão julgadora entraram pela noite, com alto consumo de peru à brasileira e bebidas alcoólicas, em meio a discussões acaloradas, xingamentos entre jurados e juradas, o clima quase chegou ao conflito generalizado, devido ao altíssimo nível das piadas. A famiglia Vieira de Melo, por exemplo, concorreu com anedotas em série, tipo “Irmão de Geddel se diz tranquilo: Não encontrarão nada!”; “Digitais não provam ligação com o dinheiro, afirma a defesa de Geddel”; “Irmão diz que Geddel vai esclarecer tudo sobre os R$ 51 milhões”; “Mãe de Geddel declara que o filho não é ladrão, mas apenas um homem doente”, e por aí afora.

Mas não foi desta vez que levou o cobiçado troféu. Na reta de chegada, também a famiglia Maluf se inscreveu, com anedotas de grande criatividade: “Maluf retirou a próstata há 20 anos, mas advogado diz que agora o câncer voltou”; “Prisão de Maluf no Natal viola os direitos humanos da mulher dele”; “Sem saber que Maluf usa fraldas geriátricas há 20 anos, advogado diz que ele precisa de ajuda dos outros presos para ir urinar”.

MAIS FAMÍLIAS – A tradicional famiglia Neves não quis ficar por baixo e se inscreveu com várias piadas: “Andrea Neves alega que ia vender apartamento a Joesley por 40 milhões”; “Aécio sobe à tribuna e se diz indignado com a injustiça”; “Em carta aos tucanos, Aécio Neves diz que irá provar “inocência”; “Aécio pede desculpas aos eleitores pelos palavrões na conversa com Joesley”.

Embora Lula tenha sido considerado “hors concours”, porque faz uma piada atrás da outra, vive em ritmo de “stand up comedy”, a famiglia da Silva também tentou concorrer: “De repente, Lula acha o contrato e recibos de aluguel do apartamento”; “Recibos de aluguel de Lula foram impressos em 25 máquinas diferentes”; “Lula inventa o dia 31 de fevereiro nos recibos”; “Nos recibos de Lula, esqueceram de pagar o IPTU”. Foi um nunca-acabar. Mas acontece que  a famiglia Lula da Silva já ganhou três vezes, é melhor ficar “hors concours”, imitando Clóvis Bornay nos antigos desfiles de fantasias de carnaval.

TEMER INSISTE – Como se sabe, o presidente Temer não se conforma em jamais ter vencido, diz que está sendo boicotado pelo júri, é uma chatice. Realmente fez por merecer as inscrições, mas ficou longe da vitória, porque algumas piadas não têm a menor graça, como “Temer se elogia e diz que este é um governo que não mente”; “Temer alega na TV que gravação falsa de Joesley causou uma crise”; “Planalto enfim admite que Temer será candidato à reeleição, e não é Piada do Ano”; ou “Problema urológico de Temer não é nada demais”.

Enquanto isso, na cadeia em Curitiba, Eduardo Cunha também tentava vencer, apresentando anedotas altamente criativas: “Cunha diz que sua família está passando necessidades”; ‘Cunha alega que Funaro fez uma surpresa ao lhe presentear com dois carros de luxo”; “Eduardo Cunha acusa o doleiro Funaro de ser ladrão” etc.

Muitas outras piadas se destacaram: “Cabral diz que nunca recebeu propina, era tudo caixa 2”;  “Ministro da Defesa ameaça punir o general Mourão”; “Eduardo Paes diz que não tem nada a ver com a corrupção no Rio”; “PT vai recorrer de novo à ONU para garantir candidatura de Lula”, a relação de piadas é interminável:

O GRANDE VENCEDOR – Com tamanha concorrência, foi muito difícil escolher o vitorioso, mas a comissão julgadora acabou elegendo o ministro Gilmar Mendes, por sua versatilidade, ao fazer piadas simultâneas no Supremo e também no Tribunal Superior Eleitoral. Em seu voto que inocentou Temer no TSE, por exemplo, Gilmar se esmerou ao argumentar que “não se substitui um presidente da República a toda hora, ainda que se queira”. E levou a platéia ao delírio ao acrescentar que isso não se trata de “fricote processualístico”, vejam que é mesmo um piadista travestido de ministro.

Além de afirmar que “o país vai lamentar o fim do foro privilegiado”, arrancando aplausos entusiásticos, outras tiradas do ministro, ao libertar José Dirceu, Jacob Barata, Eike Batista e tantos outros, acabaram formando um impressionante conjunto da obra. O ponto alto de Gilmar Mendes foi ter criado uma insuperável piada de alcance internacional, com a qual demonstrou o rigor de seus julgamentos: “Multas aplicadas a partidos podem ser pagas em até 700 anos”.

Com este prazo fatal de 700 anos, a anedota do presidente do TSE foi sucesso de público e de crítica, porque jamais se viu nada igual em nenhum país do mundo, seja civilizado ou não. E assim foi feita Justiça no concurso Piada do Ano 2017, como o próprio Gilmar tanto ansiava.

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P.S.O pior de tudo é suportar o choro dos derrotados. Ninguém se conforma em ter perdido. (C.N.)

Raquel Dodge fortalece a Lava Jato e vai implodir o plano para reeleger Temer

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Raquel parecia ter duas caras, mas era ilusão de ótica

Carlos Newton

O novo ano  começa de forma altamente negativa para a chamada Operação Abafa, criada pelo Planalto e pelas lideranças políticas para inviabilizar a Lava Jato, conforme denúncia feita em setembro de 2016 pelo ministro Medina Osório, ao deixar o cargo de Advogado Geral da União e conceder uma bombástica entrevista à revista “Veja”.

Um ano e quatro meses depois, as últimas movimentações no xadrez dos três Poderes demonstram que a Lava Jato está conseguindo superar as manobras palacianas e vai continuar dando as cartas na política durante o ano eleitoral de 2018, através da atuação vigorosa da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e do apoio da Polícia Federal, agora dirigida por Fernando Segóvia.

SEM NOVIDADE – Para a “Tribuna da Internet”, não há novidade. Desde a nomeação da substituta do procurador Rodrigo Janot, informamos aqui no blog que o presidente Michel Temer estava totalmente enganado ao julgar que Raquel Dodge ajudaria na Operação Abafa. Explicamos que as divergências dela com Janot eram apenas em relação à política interna da Procuradoria, não haveria recuo no combate à corrupção.

Da mesma forma, a posse do delegado Fernando Segóvia na Polícia Federal não teria qualquer resultado negativo para a Lava Jato, que são consideradas ponto de honra pela corporação, não há como boicotar as investigações.

LOGO NO INÍCIO – Raquel Dodge tomou posse em 18 de setembro e duas semanas depois, no dia 2 de outubro, foi logo mostrando serviço, ao pedir autorização do Supremo para ouvir o presidente da República no inquérito que investiga se houve corrupção na edição de um decreto do setor de portos.

O inquérito fora aberto em setembro, a pedido de Janot, e o relator é o ministro Luís Roberto Barroso, que não deixou por menos, ao autorizar o inquérito. “A ninguém deve ser indiferente o ônus pessoal e político de uma autoridade pública, notadamente o Presidente da República, figurar como investigado em procedimento dessa natureza”, afirmou Barroso, ao abrir investigação contra o presidente pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro por conta do decreto que beneficiou a empresa Rodrimar, que atua no porto de Santos.

Este novo inquérito contra Temer está em andamento e deve provocar a terceira denúncia de Temer no Supremo, em pleno ano eleitoral.

TRABALHO ESCRAVO – Duas semanas depois, em 18 de outubro, Raquel Dodge levou o Planalto novamente à loucura, ao recusar apoio à portaria do então ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, classificada por ela como “um retrocesso à garantia constitucional de proteção à dignidade da pessoa humana”.

Os três mosqueteiros Temer, Padilha e Moreira (que eram quatro quando Geddel ainda participava) ficaram possessos, porém não passaram recibo. Foi redigida uma nova portaria, o ministro Ronaldo Nogueira pediu demissão, vida que segue, diria nosso amigo João Saldanha.

Mas no final ano, o Planalto sofreu mais uma pancada desmoralizadora de Raquel Dodge, ao pedir liminar contra o decreto do indulto de libertava mais da metade dos réus da Lava Jato já condenados em segunda instância.

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P.S. 1
Raquel Dodge já mostrou a que veio. Encurralou Temer nas cordas, é um cruzado atrás do outro. Vai bater até ele cair, não se sabe em que assalto. Em tradução simultânea, pode-se dizer que Raquel Dodge vai destruir o plano para reeleição de Temer, que está inundando a grande mídia com propaganda institucional. Tem anúncio até do Ministério da Defesa, embora se diga que não tem dinheiro nem para o almoço dos recrutas.

P.S. 2Havia quem pensasse que o novo diretor da Polícia Federal, Fernando Segóvia, ia enfraquecer a Lava Jato. Mas a resposta dele foi duplicar a equipe da PF que conduz no Supremo as investigações contra políticos com mandato, e um deles se chama Michel Temer. (C.N.)

Excesso de concorrentes adia a decisão final do concurso Piada do Ano 2017

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Muitos desentendimentos entre os jurados, devido ao excessivo número de candidatos, causaram o atraso da decisão final do concurso Piada do Ano 2017, que somente será conhecido nesta quarta-feira, dia 3, porque os jurados estão exauridos com os debates e pediram um dia de folga para curar da ressaca do Réveillon.

Devido à corrupção que campeia no país, os nomes dos jurados foram mantidos em sigilo absoluto, porque em Brasília circulou a informação de que há concorrentes dispostos a subornar os integrantes do júri, para que ao menos possam chegar à fase final. Os boatos são de que Lula da Silva, Michel Temer, Paulo Maluf, Aécio Neves, Gilmar Mendes e os irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima estão dispostos a tudo para vencer o prestigiado torneio, que reúne os maiores humoristas do país.

Houve inscrições de última hora, com o ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmando que Temer é muito correto e o indulto de Natal não iria beneficiar nenhum réu da Lava Jato. Quando soube desta bela piada de Jardim, o presidente Temer ficou desesperado. Como sabe que não conseguirá se reeleger em 2018, com sua candidatura tipo Piada do Ano, Temer agora faz questão de vencer o concurso e até tentou impugnar a anedota criada por seu ministro da Justiça.

Vamos aguardar, portanto, antes que peçam o impeachment do presidente do Júri.