Com indisfarçável prazer, Mourão assiste à derrocada de seu ex-amigo Bolsonaro

Opinião: Artigos, Editoriais, Colunistas e Debates | Folha

Mourão se distrai no caderninho para se abstrair de Bolsonario

Carlos Newton

Já falamos muito aqui na Tribuna da Internet sobre a reunião ministerial do dia 22 de abril, mas o tema é inesgotável. Além daquela impressionante apresentação do presidente Jair Bolsonaro, que mais parecia à beira de um ataque de nervos, como se fosse personagem do genial cineasta Pedro Almodóvar, é preciso notar também as participações especiais de três outros grandes membros do elenco – o chefe da Casa Civil, Braga Netto, o vice-presidente Hamilton Mourão e o então ministro da Justiça, Sérgio Moro.

O general Braga Netto ainda teve algumas falas, tentava organizar a bagunça, funcionava como uma espécie de primeiro-ministro, digamos assim, mas o ex-juiz Moro e o vice Mourão entraram mudos e saíram calados, embora suas posturas sempre fossem muito significativas. Afinal, como o mestre chinês Confúcio dizia em relação à imagem, também um olhar pode ser mais expressivo do que mil palavras.

OS TRÊS PERSONAGENS – Mourão e Braga tinham comportamento semelhante quando Bolsonaro viajava naquelas frases agressivas, ameaçadoras e desconexas – os dois faziam olhar de paisagem, era como se não estivessem ali.

Só de vez em quando é que fitavam o delirante presidente. A diferença é que Braga demonstrava impaciência, enquanto Mourão exibia um discreto sorriso irônico. É claro que o vice-presidente está assistindo à derrocada de seu ex-amigo Bolsonaro com indisfarçável satisfação, um sentimento natural para quem foi tão humilhado como ele, a ponto de ser impedido de ocupar a Presidência durante a longa recuperação de Bolsonaro na terceira cirurgia.

Na reunião, Mourão tinha um caderninho que o livrava de ficar olhando para Bolsonaro. Entre um faniquito e outro, Mourão fingia fazer alguma anotação e conseguia se abstrair. Mas o ministro Braga Netto, que ainda não usa o caderninho salvador, tinha de se socorrer mexendo no celular, e seu constrangimento na reunião era indisfarçável.

UM CINISMO TOTAL – Entre os principais personagens, detectava-se um clima de cinismo e hipocrisia, dois sentimentos que parecem caracterizar esse governo. O ex-juiz Moro destoava dos demais. Ficou praticamente o tempo todo na mesma posição, com o semblante fechado, os braços cruzados e sem jamais olhar para Bolsonaro, nem mesmo nos momentos de maior agressividade do presidente. Moro comportou-se com a dignidade de sempre, era um personagem à parte naquele palco iluminado e sem estrelas.

Em suma, é preciso dizer que o ministro Celso de Mello prestou um inestimável serviço público.ao permitir a divulgação da quase totalidade da reunião ministerial do dia 22 de abril,  Quem assistiu ao vídeo ficou conhecendo Bolsonaro melhor e passou a ter certeza de que ele não tem o menor equilíbrio para presidir esse país.

Aliás, tinha tudo para dar certo. Sua ascensão ao poder foi cercada por um fortíssimo clima de esperança que ele não soube cultivar ou manter. Agora, desde o início deste ano ele se arrasta pateticamente no Planalto, como um zumbi político caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, como dizia Caetano Veloso.

Pedido de arquivamento é sinal de desespero de Bolsonaro, que está por um fio

Como Jorge Oliveira se tornou o ministro mais próximo de Bolsonaro ...

Os conselhos de Jorge Oliveira podem provocar o impeachment

Carlos Newton

Notava-se um grande desprezo dos bolsonaristas em relação aos rumos do inquérito em curso contra o ex-ministro Sérgio Moro, acusado de denunciação caluniosa e outros seis crimes, ao dar entrevista anunciando estar-se demitindo da pasta da Justiça e Segurança Pública, em protesto pelas tentativas de Bolsonaro interferir na Polícia Federal..

Isso ocorreu dia 24 de abril, por volta de meio-dia. Ao final da tarde, o procurador Augusto Aras já agia a pedido do presidente Jair Bolsonaro, determinando a abertura de inquérito contra Moro no Supremo, por sugestão do ministro Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência.

UM FALSO OTIMISMO – Mas a situação virou, o investigado passou a ser Bolsonaro, com abundância de provas, mas o Planalto continuava confiando na visão otimista do ministro Jorge Oliveira, aquele major da PM que se reformou aos 42 anos, fez curso de Direito, diz ser jurista e atua como consultor jurídico da Presidência.

Por sua ignorância jurídica, Oliveira tem sido responsável por muitos equívocos do governo. É da lavra dele aquela ridícula série de decisões revogadas pela Justiça, com decretos que deveriam ser medidas provisórias e vice-versa, numa salada infernal que retardou muitos atos governamentais.

Agora, o “jurista” Oliveira passava ao Planalto a informação de que ia tudo acabar em pizza, porque o inquérito é de ação penal pública, na qual tudo será decidido pelo procurador-geral Augusto Aras, que certamente vai arquivar as acusações contra Bolsonaro.

AS DUAS OPÇÕES – Na verdade, o procurador terá duas opções ao final do inquérito – denunciar formalmente Bolsonaro, o que significará abrir caminho para o impeachment, ou simplesmente propor arquivamento.

O ministro-jurista Oliveira estava confiante de que Aras pediria arquivamento, por estar interessado em ganhar a vaga no Supremo em novembro, quando Celso de Mello se aposentará. Com o arquivamento, Bolsonaro se livrará de Moro e o assunto será sepultado, diz Oliveira. Mas não é bem assim que a coisa funciona no Judiciário e soou o sinal de alarme no Planalto.

SITUAÇÃO CRÍTICA –Na manhã desta segunda-feira, a ala militar disse ao presidente que não se pode garantir que Aras vá propor o arquivamento apenas por sonhar em ir para o Supremo, porque Bolsonaro já se comprometeu com os evangélicos. Assim,  o procurador-geral sabe que terá mais chances num governo de Mourão.

Além disso, embora o “jurista” Oliveira desconheça, o arquivamento do inquérito não impede ações penais de Moro contra Bolsonaro, e se o Supremo reconhecer qualquer crime que o presidente tenha cometido, isso automaticamente motivará a abertura de processo de impeachment na Câmara.

O pior é que Moro facilmente conseguirá provar que o presidente Bolsonaro cometeu comunicação falsa de crime (art. 340 do Código Penal), além de crime de ameaça (art. 147), ao tentar intimidá-lo com a demissão, sem falar na  falta de decoro,  no descumprimento do princípio da Moralidade etc. e tal.

###
P.S. 1 –
No desespero, Bolsonaro teve de fazer uma visita de surpresa ao procurador-geral Augusto Aras, nesta segunda-feira, para lhe pedir que arquive o inquérito contra Moro, que agora é contra Bolsonaro. Foi um belo pedido de arrego, como se diz no linguajar policial.

P.S. 2 – A ala militar tenta evitar o inevitável. Os pedidos de impeachment de Bolsonaro se acumulam na Câmara, que já protocolou 32, além de sete convocações de CPIs. Qualquer hora a fila anda. E o vice Mourão já mandou fazer o terno novo para a posse. (C.N.)

Vídeo mostra o país sendo presidido por um político à beira de um ataque de nervos

Desbocado e ameaçador, Bolsonaro parecia estar desequilibrado

Carlos Newton

O vídeo da reunião ministerial é um documento da maior importância não apenas para o que se discute no inquérito do Supremo, mas também para que a opinião pública tome conhecimento do ponto a que chegamos em matéria de degradação moral. Mesmo os mais fanáticos admiradores de Jair Bolsonaro devem estar estarrecidos com o baixo nível do ministério, no qual falta praticamente tudo – qualificação, ética, preparo, interesse público, decoro, equilíbrio e educação.

Foi impressionante também o silêncio de alguns participantes, especialmente o então ministro Sérgio Moro, quase sempre com o semblante fechado e os braços cruzados, e o vice-presidente Hamilton Brandão, também visivelmente constrangido, em determinados momentos, notava-se que ele simulava estar fazendo anotações, para não prestar atenção às asneiras que diziam.

DESCONTROLE TOTAL – Como ensinava o filósofo, escritor e poeta norte-americano Ralph Emerson (1803-1882), criador do Transcendentalismo, “toda instituição ou empresa é sempre uma imagem de seu dirigente”. No caso do Brasil, o vídeo da reunião ministerial confirma esse conceito do pensador americano e explica por que o Brasil está tão descompassado.

O que se vê na filmagem é um presidente à beira de um ataque de nervos, desequilibrado emocionalmente, que se dirigia de forma grosseira e agressiva a seus colaboradores, e o fazia de uma maneira tão atrapalhada que ficava difícil entender o que estava querendo dizer, e ainda hoje, mais de um mês depois, suas palavras necessitam de tradução simultânea, pois até agora ainda não foram compreendidas em seu real significado.

Com um mestre de cerimônias desta categoria, que sublinhava suas frases desconexas com ameaças e palavrões, o que esperar de seus ministros?   

DE BOCA ABERTA – Quando o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, começou a falar aquela maluquice sobre a pandemia como momento ideal para aprovar leis indesejadas, o então ministro da Saúde, Nélson Teich, que estava a ser lado ficou de boca aberta, parecia não acreditar.

Em empresas e instituições, toda reunião de dirigentes é um evento formal, em que as grandes decisões são tomadas. No Brasil de Bolsonaro, foi um choque saber que os encontros ministeriais transcorrem desse jeito bizarro. A reunião realizada dia 22 de abril no 3º andar do Planalto foi patética, caricata e revoltante.

A partir de agora, a tendência é de que aumente progressivamente o apoio ao impeachment de Jair Bolsonaro.  E não é sem motivos. Na minha opinião, um dos piores criminosos é aquele que mata as nossas esperanças.

###
P.S.
O mais incrível é que ainda existem pessoas capazes de apoiar um farsante como Jair Bolsonaro e recriminar um grande brasileiro como Sérgio Moro. Devem estar contaminadas pelo bolsonavirus. (C.N.)

Heleno pensa (?) que fala em nome dos militares, mas está completamente enganado

Charge do Amarildo | VEJA

Charge do Amarido (Revista Veja)

Carlos Newton

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, que é conhecido por sua sobriedade, recentemente emitiu duas notas oficiais para tranquilizar a nação, garantindo que as Forças Armadas não aceitarão um novo golpe militar. Mas parece que seu recado não foi entendido pelo general Augusto Heleno, que tenta se comportar como se fosse (?) líder das Forças Armadas.

É triste ver um oficial de carreira brilhante enveredar por caminhos tristonhos, como dizia Ary Barroso em “Folha Morta”. O general Augusto Heleno precisa ser lembrado que está num posto civil, que não lhe dá direito de falar em nome dos militares.

DOIS ROMPANTES – Nas últimas semanas, o ministro-chefe do Gabinete Institucional da Presidência já teve dois rompantes. O primeiro, ao receber a intimação para depor no inquérito contra o ex-ministro Sérgio Moro, por entender que estava sendo ameaçado de condução coercitiva, sem saber que se trata de um texto-padrão, que todo condutor de inquérito, seja delegado ou juiz, utiliza ao determinar intimações. Para que fique claro que não se trata de um convite, mas de uma ordem judicial. Deveria ter pedido desculpas ao ministro.

Nesta sexta-feira, o segundo rompante, ao ser informado sobre pedido de apreensão dos celulares de Bolsonaro e de Carluxo.  Mais uma vez, o ilustre general desconhecia que o relator é obrigado, na forma da lei processual, a pedir manifestação da Procuradoria-Geral da República. Pagou outro mico e não se desculpou junto a Celso de Mello.

E AINDA FAZ AMEAÇAS… – O pior foi o ministro Heleno ter ameaçado com uma crise institucional. Na sua ignorância jurídica, soltou nota oficial considerando o ato de Celso de Mello como “evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.  

É muito triste assistir à decadência de um chefe militar que havia conquistado a admiração dos brasileiros. E a gente fica na dúvida: será que o general Heleno mudou ou na verdade ele sempre foi destemperado assim?

###
P.S. –
Heleno pensa (?) que fala em nome das Forças Armadas. Acontece que os militares não estão nada satisfeitos com esse governo caricato, incompetente e desbocado.  Achar que as Forças Armadas se sentem “representadas” por esse governo é um bocado de exagero. Os militares vão deixar Bolsonado apodrecer até desabar sozinho. Apenas isso. (C.N.)

Bipolar, num dia Heleno diz que não haverá golpe e no outro dia ameaça o Supremo

Para Heleno, problemas com Macron não significam problemas com a ...

Augusto Heleno finge estar falando em nome das Forças Armadas

Carlos Newton

Demorou até demais, mas acabou acontecendo. Como se dizia antigamente nos anúncios fúnebres, o general Augusto Heleno,  ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional e principal avalista do fracassado governo Bolsonaro junto às Forças Armadas, enfim sentiu a necessidade de descartar a possibilidade de golpe, intervenção militar ou da instalação de uma ditadura no Brasil.

“Os militares não vão dar golpe. Isso não passa na cabeça dessa nossa geração, que foi formada por aquela geração que viveu todos aqueles fatos, como estar contra o governo, fazer uma contrarrevolução em 1964”, afirmou.

AO VIVO E A CORES – Segundo o jornalista Igor Gielow, da Folha. as afirmações do ministro do GSI foram feitas em live para o grupo “Personalidades em Foco” durante cerca de uma hora e 20 minutos na quarta-feira, dia 20, sem maior repercussão, embora tenha sido uma dura advertência a Jair Bolsonaro.

Como se sabe, o presidente  tem incentivado a formação de uma campanha de seus seguidores para fechamento do Congresso e do Supremo, para implantar um governo militar chefiado pelo próprio Bolsonaro, como se fosse possível as Forças Armadas aceitarem um líder trapalhão, caricato e patético, claramente desequilibrado e que não demonstra condições de presidir o país.

Para quem acredita e coincidência, as declarações do chefe militar foram dadas pouco antes de a Polícia do Distrito Federal prender dois bolsonaristas que usaram computadores para fazer ameaças de morte a desembargadores, procuradores e promotores. Os dois confessaram que são pagos para atuar contra o regime democrático.

DEPOIS, TUDO MUDOU – Nesta sexta-feira, o bipolar Heleno mudou de conversa. Ao comentar uma decisão de praxe do ministro Celso de Mello, que na forma da lei pediu manifestação da Procuradoria-Geral da União sobre pedido de apreensão dos celulares de Bolsonaro e Carluxo, o general do GSI mudou o tom.

Em nota, Heleno afirmou que “o pedido de apreensão do celular do presidente da República é inconcebível e, até certo ponto, inacreditável”. E fez um alerta para autoridades de que “tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequência imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

Num dia Heleno diz que não haverá golpe e no outro dia ameaça o Supremo. Como levar a sério esse general bipolar e sem tropas?

###
P.S.
1 A meu ver, Heleno perdeu o controle. Não há hipótese de golpe. Os militares vão deixar Bolsonaro apodrecer junto com seu governo, que apenas finge que representa as Forças Armadas. Os militares não intervirão em assuntos de Estado, que devem ser resolvidos na forma da lei.

P.S. 2 – É deprimente saber que, por ordem de Carluxo Bolsonaro, o Banco do Brasil voltar a colocar anúncios no site especializado em divulgar “fake news” do interesse da família imperial, digo, presidencial. É sinal de que a democracia não está funcionando direito. (C.N.)

Se Celso de Mello quiser processar Jair Bolsonaro, já existem provas mais do que suficientes

Celso de Mello será submetido a cirurgia e ficará afastado até 19 ...

Celso de Mello deve anunciar a decisão sobre o vídeo nesta sexta

Carlos Newton

Não é preciso ser nenhum gênio para concluir que Jair Bolsonaro não serve para governar. Até agora, com quase um ano e meio de governo, ainda não fez praticamente nada, o que se viu foi pouquíssima coisa em benefício do povo brasileiro. A meu ver, a decisão mais importante do governo foi impedir as manobras para recriar o Imposto Sindical Obrigatório. De resto, não cumpriu nem mesmo a promessa de permitir que cada cidadão pudesse ter uma arma em casa, para defender a família.

A reforma da Previdência foi um retrocesso, pois tornou-se destrutiva para a classe média e manteve os privilégios das elites da nomenklatura civil e militar. Além disso, a permanente campanha que o ministro Paulo Guedes faz contra o servidor público é odiosa, improcedente e canalha, precisa acabar.

COMBATE À CORRUPÇÃO? – Os fanáticos por Bolsonaro costumam dizer que o grande diferencial está na ausência de corrupção. Mas nem isso se aproveita, porque Bolsonaro não moveu uma palha para aprovar o Pacote Anticrime de Sérgio Moro e não vetou os absurdos da Lei de Abuso de Autoridade (“Só faltei implorar”, disse Sérgio Moro). 

O pior foi ter assistido, impassível, à manobra do Supremo para libertar Lula, quando deveria ter enviado imediata mensagem ao Congresso para restabelecer a prisão após segunda instância.  Teve de se omitir por causa dos filhos, aos quais ensinou a prática das rachadinhas e agora não tem como voltar atrás.

E omais paradoxal é ter à frente da economia um personagem como Paulo Guedes, que até hoje não foi depor na Procuradoria-Geral da República sobre as os crimes de que é acusado oficialmente pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) pelos golpes que aplicou nos fundos de pensão.

CONJUNTO DA OBRA – Já está mais do que provado que o governo de Bolsonaro fracassou. O conjunto da obra é péssimo, ele está claramente usando as Forças Armadas para se perpetuar no poder, como se os militares fossem capazes de apoiar um falso líder tão desqualificado.

Agora, seu futuro está nas mãos do ministro Celso de Mello. Com os depoimentos desta quarta-feira, ficaram confirmados dois vazamentos da Polícia Federal ao então assessor Fabricio Queiroz e ao deputado estadual Flávio Bolsonaro. Também está provada a insistência de Bolsonaro interagir com a PF em benefício de filhos e aliados. Aliás, essa “interferência” foi justificada pelo próprio Bolsonaro, em pronunciamento à nação.

Bem, caso Celso de Mello não encontre provas para incriminar Bolsonaro, é melhor que todos se mudem logo para um país mais sério, como o Paraguai, onde as leis e os cidadãos são respeitados.

###
P.S. –
Pode ser que em algum outro país possa haver reunião ministerial com o baixo nível registrado no Brasil, mas é difícil imaginar algo semelhante. Ao assistir o vídeo, Celso de Mello ficou estarrecido. Pode-se acusá-lo de quase tudo, mas não há a menor dúvida de que se trata de um homem muito educado. Vamos aguardar a reação dele. (C.N.)

Ao mesmo tempo, Bolsonaro consegue desmoralizar a Medicina e as Forças Armadas

CAPITÃO CLOROKINA EP1 - YouTube

Desenho animado do novo herói, criação de André Guedes

Carlos Newton

Quando votei em Jair Bolsonaro, no segundo turno de 2018, foi a forma encontrada para livrar o país do PT, que estava construindo a primeira República Sindicalista do mundo. A ideia não partiu de Lula, que não tem competência para tanto, o plano tinha sido bolado por José Dirceu e era uma jogada brilhantíssima, que tinha tudo para dar certo.

Na História recente, houve outra tentativa de usar os sindicatos como massa de manobra política. O fascismo de Benito Mussolini, na Itália, foi o que chegou mais perto, porém não se tratava de uma República, mas de uma Ditadura Sindicalista,  embora ele a chamasse de República Social da Itália. Em 1945, foi morto e se corpo pendurado num vara de roupas, ao lado da mulher, vejam que final dramático e patético.

VARGAS IMAGINOU – No Brasil, o líder trabalhista Getúlio Vargas desenvolveu um projeto nesse sentido, mas não tinha a profundidade da iniciativa petista. Quando criou o Imposto Sindical Obrigatório, em 1943, a ditadura já começara a fraquejar.

Para os empregados, o valor correspondia a um dia de trabalho e, para os empregadores seria proporcional ao capital social e, para profissionais liberais e autônomos, conforme um percentual sobre o valor de referência fixado pelo Poder Executivo.

Vargas era um ditador trabalhista mais do querido, assim como o similar argentino Domingo Perón, e facilmente voltou ao poder em 1951. Mas o sonho da República Sincialista morreria com ele em 1954, até ser ressuscitado pelos petistas em 1983, com a criação da CUT (Central Única dos Trabalhadores), três anos após a criação do PT.

QUASE DEU CERTO – A estratégia de criar uma República Sindicalista quase deu certo. O Brasil se tornou recordista mundial em sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais. Mas o sonho de José Dirceu, Jaques Wagner, Jair Meneguelli e outros petistas acabou esbarrando num obstáculo intransponível – a incompetência de Dilma Rousseff e das lideranças petistas de seu governo, como os ministros Guido Mantega e Aloizio Mercadante.

Foi a salvação do Brasil. Com o impeachment de Dilma, o governo de Milton Temer revogou a obrigatoriedade da contribuição sindical e hoje a CUT está absolutamente inviabilizada.

E aí elegemos Jair Bolsonaro, para nos livrarmos do PT. Quem poderia imaginar que o governo dele seria esse estrupício? Fomos enganados mais uma vez. Se soubéssemos que íamos escolher um neoliberalista alucinado, coisa rara nas Forças Armadas, teria sido melhor votar logo no Henrique Meirelles, que tirou a economia da recessão sem dar faniquitos nem querer privatizar a Petrobras, a Caixa Econômica e “a porra do Banco do Brasil”, na linguagem sofisticada de Paulo Guedes, que deve estar fazendo um curso de boas maneiras com Bolsonaro.

###
P.S. 1 –
A conclusão é óbvia. Não somente Jair Bolsonaro nos enganou, ao esconder a influência que o governo sofreira de seus filhos patéticos e seu guru terraplanista, como as Forças Armadas também estão nos enganando, ao dar força a esse verdadeiro plantel de débeis mentais, que já nomearam 18 militares para conduzir o combate à pandemia, mas nenhum deles é formado em Infectologia. Caraca! Não tem mais médico nas Forças Armadas? Que país é esse?

P.S. 2Amanhã voltaremos ao assunto e quero declarar que estou de saco cheio desses militares terraplanistas, que batem continência para esse impostor. (C.N.)

Delegado Ramagem ocultou fato importante no depoimento, mas já foi desmentido

Diretor da PF diz que foi procurado por Ramagem para assumir cargo ...

Ao depor, Ramagem omitiu a mudança pretendida por  Bolsonaro

Camila Mattoso
Painel da Folha

As novas declarações do delegado Carlos Henrique Oliveira, promovido recentemente a diretor-executivo da Polícia Federal, indicam uma contradição nas versões de Alexandre Ramagem, diretor da Abin, e do presidente Jair Bolsonaro no inquérito que apura as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça, Sergio Moro.

O novo depoimento, nesta terça-feira (dia 19), sugere que o delegado Alexandre Ramagem, cuja nomeação para dirigir a Polícia Federal foi suspensa pelo Supremo, em decisão do ministro Alexandre de Moraes, ocultou dos investigadores que a troca do comando na Superintendência da PF no Rio estava definida. A mudança atendia o desejo do presidente e é considerada elemento importante para provar a interferência presidencial na PF.

RAMAGEM NÃO REVELOU – Ao depor, Ramagem ocultou o fato. De toda forma, porém, o delegado foi promovido a diretor-executivo pelo novo diretor-geral, Rolando de Souza, como seria também com Ramagem.

No depoimento, o diretor da Abin foi perguntado se teria planos para mudar a PF no Rio, conforme desejo de Bolsonaro, mas deu resposta vaga. No depoimento desta terça, porém, o delegado Oliveira foi claro em dizer que além de ter sido procurado, no dia seguinte aceitou o convite.

A oitiva também mostrou que os investigadores já buscam suspeitos do suposto vazamento para Flávio Bolsonaro, antes da Operação Furna da Onça, sobre rachadinhas e enriquecimento ilícito na Assembleia do Rio. Os investigadores perguntaram sobre policiais com relação com a família Bolsonaro e também sobre o agente Bruno Malvacini, citado pelo delegado Alexandre Saraiva como intermediador de uma reunião com o presidente.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro vai ser liquidado pelo seu próprio veneno. Vivia repetindo que “conhecereis a a verdade e a verdade vos libertará”, e agora a verdade está batendo à porta do Planalto, pedindo para entrar. (C.N.)

Piada do Ano! Ganha força a ideia de Bolsonaro “assumir” o Ministério da Saúde

Sociedade Brasileira de Imunologia desaconselha cloroquina para ...

Dr. Bolsonaro até agora só aprendeu a receitar a cloroquina

Carlos Newton

No país da piada pronta, de repente surge um movimento para que o presidente Jair Bolsonaro assuma logo o posto de ministro da Saúde. A ideia é interessantíssima, inovadora, mas um pouco redundante e até desnecessária, porque desde o início da pandemia de coronavírus todo mundo logo ficou sabendo que Bolsonaro tinha mesmo assumido o posto, pois não sossegou até afastar o ministro Henrique Mandetta, aquele médico esquisito, que não aceitava seguir as receitas do presidente.

Depois, quando nomeou o Dr. Nelson Teich, a gente percebeu que Bolsonaro estava mesmo sentado na cadeira do novo ministro, porque Teich chegava para trabalhar, encontrava a mesa ocupada, ninguém lhe dava atenção, nem mesmo o rapaz do cafezinho e ele ia embora e nem dava entrevista.

TRIPLA JORNADA – Justiça seja feita, Bolsonaro tem se dedicado muito às atividades de ministro da Saúde e inclusive vem fazendo tripla jornada de trabalho, a tal ponto que, quando ele aparece na TV, onde marca presença de manhã, à tarde e à noite, ninguém sabe mais quem está no ar, se é o presidente da República, o ministro da Saúde ou o propagandista do laboratório que fabrica a cloroquina, que é uma das funções que acumula.

Para disfarçar, Bolsonaro ofereceu o Ministério ao Centrão, mas os deputados perceberam que a receita estava incompleta, porque não falava em dinheiro, e eles preferiram assumir logo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que maneja cerca de R$ 54 bilhões por ano e administra a merenda escolar, que pode ser vitaminada e cura qualquer doença política.

MINISTRO MILITAR? – Bolsonaro sentiu alguns sintomas, pois a pressão subiu, sentia dor de cabeça, alguns desarranjos e uma crise intestina, porque o lugar não podia continuar vago, o Brasil seria o único país do mundo sem ministro da Saúde em plena pandemia, uma piada internacional.

O presidente então pensou em nomear um militar, mas o Ministério já estava em ordem unida, porque o interino é o general Eduardo Pazuello, especialista em guerra na selva e que tinha aproveitado a ocasião para contratar outros nove militares para o Ministério da Saúde. Agora, já são 18 oficiais do Exército no primeiro escalão da pasta, mas nenhum deles é médico, vejam o grau da patologia reinante.

O fato é que as Forças Armadas imitaram o Centrão e não aceitaram indicar o novo ministro. E assim Bolzonaro vai ficando no cargo,. Já comprou um termômetro, e um aparelho de pressão e um equipamento de raios-X. Está atendendo no Planalto às segundas, quarta e sextas, aceita qualquer plano de saúde e só recebe propagandistas de laboratórios no final do expediente, após encerradas as consultas.

Situação se complica e o Planalto pressiona procurador a pedir arquivamento do inquérito

Incerteza é risco", diz procurador do ES sobre indicação de ...

Aras ainda está resistindo a pedir o arquivamento do inquérito

Carlos Newton

O inquérito contra o ex-ministro Sérgio Moro foi aberto no Supremo Tribunal Federal a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, que atendeu determinação expressa do presidente Jair Bolsonaro. Revoltado com o pronunciamento de Moro na televisão, dias 23 de abril, o chefe do governo exigiu urgência a Aras, que teve de criar uma força-tarefa na Procuradoria, para encaminhar a petição ao STF no mesmo dia.

Bolsonaro afirmou a Aras que o ainda ministro Sérgio Moro era um mentiroso vulgar e seria facilmente desmentido com provas materiais e testemunhas. O procurador-geral então caprichou na dose e pediu ao STF que Moro fosse enquadrado por denunciação caluniosa e mais seis crimes conexos.

BOLSONARO IRONIZAVA – O ministro Celso de Mello foi escolhido relator e mandou a Polícia Federal iniciar o inquérito. Nos primeiros dias, Bolsonaro dava seguidas entrevistas ironizando as acusações de Moro, que eram baseadas em fatos acontecidos na reunião ministerial do dia 22 de abril, quando o presidente da República voltou a ameaçá-lo de demissão, caso não substituísse o diretor-geral da PF e o superintendente do Rio de Janeiro.

Bolsonaro fazia frases de impacto, dizia que em nenhum momento da reunião pronunciara as expressões Polícia Federal e Superintendência. Mas o relator solicitou o vídeo da reunião e as coisas começaram a mudar.

O Planalto ficou embromando e levou uma semana para entregar a gravação, que o relator Celso de Mello somente vai assistir nesta segunda-feira, quando poderá conferir as principais cenas com as transcrições que recebeu da Polícia Federal (completa) e da Advocacia-Geral da União (apenas trechos, selecionados de forma a não incriminar Bolsonaro).

PLANALTO MUDA ESTRATÉGIA – O jogo foi virando e o Planalto teve de alterar a estratégia. Ao invés de acusar Moro, passou a tumultuar a investigação, “interpretando” as falas de Bolsonaro na reunião, para dar a entender que ele não ameaçara demitir o ministro da Justiça.

E assim o inquérito mudou de figura. Ao invés de serem investigados os supostos sete crimes cometidos por Moro, o presidente Bolsonaro é que passou a ter de se defender. E não está conseguindo.

Na sexta-feira, dia 15, a situação se complicou com a extensa reportagem da TV Globo focalizando as mentiras de Bolsonaro. A cada falsa afirmação dele, o Jornal Nacional exibia uma prova de que não correspondia à verdade.

###
P.S. 1Desde sábado o Planalto está “vazando” informações de que o presidente está sendo atingido politicamente, porém não há provas de que cometeu crimes, o que levaria o procurador-geral Aras a pedir arquivamento do inquérito. Mas isso é “menas” verdade, como diria Lula da Silva.

P.S. 2Em tradução simultânea, está acontecendo o seguinte: o Planalto está pressionando o procurador a pedir o arquivamento, para que o presidente não seja incurso numa série de crimes, que ficarão claramente tipificados quando o relator Celso de Mello assistir ao vídeo completo, sem cortes. Ou seja, o inquérito era contra Moro, mas agora é contra Bolsonaro. (C.N.)

Mourão já se prepara para uma transição amena caso Bolsonaro seja derrubado

Hamilton Mourão diz que Bolsonaro está certo e tenta dar lição à ...

Afirmações de Mourão mostram que ele parece ser um antiBolsonaro

Carlos Newton

A cada dia aumentam as possibilidades de que o presidente Jair Bolsonaro seja derrubado ou caia de podre. Já está mais do que comprovado que ele não tem qualificação, compostura e vocação para exercer o cargo de chefe do Executivo. Numa fase em que o país precisa de união e esperança, Bolsonaro tudo faz para aprofundar divisões e se incompatibilizar com os outros Poderes da República.

Até mesmo seus mais fanáticos seguidores reconhecem que Bolsonaro se tornou um incansável criador de casos e problemas, e alguns deles foram absolutamente gratuitos, não tiveram a menor justificativa.

UM LÍDER SEM DIÁLOGO – Como diria Caetano Veloso, a coisa mais certa de todas as coisas é que ninguém consegue continuar muito tempo no poder se não se dispõe ao diálogo e ao entendimento, a não ser que recorra à força das armas, mas essa perspectiva as Forças Armadas jamais lhe garantirão.

Os Altos-Comandos das três Armas sabem que ele não é confiável, seria um ditador vulgar e sangrento. Seu radicalismo espanta aliados. Decididamente, Bolsonaro não representa os militares, que apenas o toleram, acham que foi uma opção melhor do que a perpetuação do petismo.

No caso de Bolsonaro, não há diálogo interno nem externo. Está mais do que provado que ele não consegue se entender nem mesmo com quem o elegeu. Uma de suas iniciativas foi enfraquecer e dividir seu próprio partido, o PSL, parece ser um caso patológico.

MOURÃO EM CENA – Os militares têm seu próprio candidato ao poder, que se chama Hamilton Mourão, é general e tem condições legais de assumir a Presidência, por via constitucional, caso Bolsonaro seja submetido a processo de impeachment iniciado no Supremo ou na Câmara.

É claro que o vice-presidente Mourão está numa situação delicada, medindo as palavras enquanto aguarda o desenrolar dos acontecimentos. É um oficial de grande preparo, está apto a governar e tem uma biografia de primeira, na qual a única nódoa foi a promoção no filho no Banco do Brasil, mas pode ter sido uma iniciativa interna, por mérito próprio ou pelas graças de algum diretor interessado em agradar ao vice-presidente da República.

Mas nada disso interessa. O importante é que Mourão está pronto para assumir e suas declarações mostram que tem preparo e equilíbrio, e já se preocupa em se compor com o Congresso e o Supremo, para início de conversa, ou melhor, para reinício de governo.

###
P.S. –
Nessa semana que se encerra, o vice Hamilton Mourão afirmou que o governo errou ao não ter construído antes uma base aliada no Congresso, defendeu o acordo com o Centrão e ressaltou que a oferta de cargos e emendas faz parte do processo de negociação. Em outra entrevista, defendeu os ministros da ala militar e disse que não houve combinação dos testemunhos, assinalando que alinhar depoimentos “é coisa de bandido”. Ou seja, Mourão está atapetando o caminho por onde terá de trafegar. (C.N.)

Brasil precisa de novos generais, os três que depuseram estão com prazo de validade vencido

Projeto Cultural Queridos para Sempre! Homenagem Além da Vida ...

Como Lott teria se portado, caso chamado a prestar depoimento?

Carlos Newton

Quando li as reportagens sobre o teor dos depoimentos dos três generais do Planalto, lembrei a refilmagem de “Perfume de Mulher”, com as últimas cenas passadas no auditório do requintado colégio norte-americano, que se orgulhava de “formar líderes”. Havia um processo administrativo em curso, e os estudantes que testemunharam o fato davam desculpas para não revelar o que acontecera, tipo “Esqueci de colocar as lentes de contato…”, e por aí afora.

Os três ministros-generais que depuseram nesta terça-feira certamente não assistiram a esse clássico do cinema italiano, de Dino Risi, que o cinesta Martin Brest refilmou em Hollywood e garantiu o Oscar para Al Pacino. Se tivessem assistido, não fariam papel feio ao prestar depoimento na Polícia Federal.

A ALA MILITAR – No Planalto, são quatro mosqueteiros, que formam a ala militar – um da reserva (Augusto Heleno), que funciona como líder, e os outros três ainda na ativa (Braga Netto, Eduardo Ramos e Rêgo Barros).

Dois quatro, apenas dois efetivamente trabalham – Augusto Heleno, no Gabinete Institucional da Presidência; e Braga Netto, na Casa Civil. O terceiro general, Eduardo Ramos, nada faz. Hipoteticamente, seria responsável pela Articulação Política do Planalto, mas isso é algo que não existe. E o quarto mosqueteiro, Rêgo Barros, é aquele porta-voz invisível, que também nada faz e acompanha Ramos no “dolce far niente”, como dizem os italianos.

O porta-voz está licenciado com aquela “gripezinha” do Bolsonaro e os outros três tiveram de depor no inquérito que o procurador Augusto Aras move contra o ex-ministro Sérgio Moro por ordem do presidente Bolsonaro, que o acusa de denunciação caluniosa e mais seis crimes.

EXEMPLOS DE MILITARES – Ao saber que os três generais iam depor, como testemunhas de defesa de Moro, fiquei pensando nos meus exemplos de militares. Os mais próximos eram o general Antonio Carlos Zamith, meu padrinho de batismo, e seu irmão, general Alberto Zamith, também grande amigo de meu pai. Mais distantes, o major gaúcho Plácido de Castro, o maior herói brasileiro, conquistador do Acre, e o marechal Teixeira Lott, o legalista democrático.

Para mim, quatro exemplos marcantes de militares. E fiquei imaginando como se comportariam se tivessem de prestar depoimento nesse imbróglio bolsonariano.

A meu ver, para qualquer cidadão, é feio dizer coisas assim, interpretando e amoldando os fatos: “O presidente não estava falando sobre relatórios da Polícia Federal, mas sobre relatórios da Abin”; “Em momento algum notei isso”; Não me recordo de nada sobre isso”; “O presidente falava genericamente…”.

NÃO ME RECORDO… –  O mais incrível é que nenhum dos três mosqueteiros lembrou que naquela reunião Augusto Heleno defendeu Moro e disse que Bolsonaro não tinha direito a relatórios sobre inquéritos da PF. Aliás, nem o próprio Heleno recordou, disse que tinha de rever o vídeo para lembrar o que havia dito, vejam a que ponto chegamos.

Tentei imaginar nessa situação qualquer um dos quatro militares que citei como exemplos. E tenho certeza de que os irmãos Zamith, Plácido de Castro e o general Lott jamais se comportariam assim, saindo pela tangente, como dizem os professores de Geometria.

Em tradução simultânea, perdi a confiança nessa ala militar do Planalto. Mas continuo tendo certeza de que no Brasil há militares que não são assim amoldáveis. Certamente, esses três que depuseram estão com prazo de validade vencido. Deve ser isso.

###
P.S. –
O Almirante Francisco Barroso dizia que o Brasil espera que cada um cumpra seu dever. Aqui na Tribuna da Internet, seguimos esse lema. Justamente por isso, ao cumprir nosso dever de jornalistas, não respeitamos nem jamais respeitaremos militares amoldáveis. Era só o que faltava, diria o Barão de Itararé, aquele da batalha que não houve, na Revolução de 1932. (C.N.)

O trêfego Bolsonaro teve a ilusão de que poderia destruir um cidadão exemplar como Moro

As charges censuradas de Bolsonaro

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

É realmente inacreditável a imaturidade e a falta de preparo de Jair Bolsonaro, um oficial do Exército que passou 28 anos na Câmara Federal, mas nada conseguiu aprender de política. Pelo contrário, dedicou seus sucessivos mandatos a uma suposta defesa dos salários e dos direitos dos militares, bombeiros e PMs. E criou uma curiosa grife política e tem elegido pai e três filhos, além da primeira mulher e do sargento Helio Negrão, que disputou a eleição com o codinome de Helio Bolsonaro e foi o mais votado no Rio de Janeiro.

Neste ano, Bolsonaro completa 33 anos de política, desde a primeira eleição para vereador, em 1988. Pode não ser um grande líder, mas maneja como poucos o marketing eleitoral e tem uma precisa noção de oportunidade, que o levou à Presidência da República na maré de antipetismo que varreu o país nas eleições de 2018.

A GRANDE SURPRESA – O que ninguém esperava é que Bolsonaro fosse meter os pés pelas mãos no Planalto, ao permitir que os filhos interviessem na política como príncipes regentes. Ninguém imagina também que o presidente, ao invés de ouvir seus colegas militares, fosse se aconselhar junto a um estranho guru virginiano, que foi capaz de ser astrólogo e defender o terraplanismo.   

Desde o início, Bolsonaro foi uma no cravo e uma na ferradura. Colocou no Ministério figuras notáveis, como o general Augusto Heleno, o juiz Sérgio Moro e o engenheiro militar Tarcísio Freitas, mas nomeou também personalidades caricatas como Ernesto Araújo, Damares Alves e Abraham Weintraub, criando um escalão do tipo chiclete com banana.

Nada se esperava do novo presidente, exceto não roubar nem deixar roubar, como dizia Ulysses Guimaraes. Era o suficiente para garantir-lhe a reeleição, mas Bolsonaro foi traído pela própria família.

RACHADINHAS E FANTASMAS – Uma das lições políticas de Bolsonaro aos filhos foram as rachadinhas e os funcionários fantasmas, que Flávio e Carlos aprenderam rapidamente. E logo surgiram as investigações contra os dois, que envolvem até a primeira-dama Michelle.

O pacto celebrado no ano passado com os presidentes do Congresso e do Supremo praticamente paralisou os inquéritos, mas a ameaça permanece e se robusteceu com a CPI e com o inquérito no Supremo que investigam as fake news, com envolvimentos dos três filhos.

A briga com Moro derivou daí. Como presidente, Bolsonaro achou que poderia obter informações sobre as investigações na Polícia Federal sobre as fake news, como se fosse possível corromper um homem como Sérgio Moro.

DEU TUDO ERRADO –O ministro Moro se demitiu dia 24 e disse os motivos. Se Bolsonaro tivesse permanecido calado, em 15 dias o assunto sumiria. Mas o presidente é movido pela ira, tem uma noção totalmente errada sobre o que significa ser presidente e mandou o procurador-geral Augusto Aras apresentar queixa-crime contra Moro, acusando-o de denunciação caluniosa e outros seis crimes. O resultado aí está.

Como seria de se esperar, deu tudo errado, já está provado que o presidente da República queria “afinidade” com a Polícia Federal para evitar perseguições à “minha família e meus amigos”, segundo suas próprias palavras.

Não é preciso dizer mais nada.  Assim, em breve vamos agradecer ao juiz Moro por ter nos livrado de Bolsonaro e deixado o governo com um outro militar mais preparado e que tem jeito de estadista.

###
P.S. –
Neste imbróglio todo a grande decepção é a postura dos generais Eduardo Ramos e Braga Netto, que apoiaram Bolsonaro contra Moro, mesmo sabendo que o ministro tinha toda razão. Também o  general Augusto Heleno deixou a desejar. Na reunião ministerial do dia 22, Heleno teve a coragem de defender a posição de Moro, os outros dois ficaram calados. No depoimento desta terça-feira, Heleno disse que não se recorda da cena e que precisa assistir novamente à fita. Foi decepcionante esse comportamento de um chefe militar do gabarito de Augusto Heleno. Mas a vida é assim mesmo, a gente se decepciona todos os dias. (C.N.)  

Ao depor hoje, os três ministros-generais vão se comportar como se fossem advogados de Bolsonaro?

Generais Heleno, Braga e Ramos vão depor na próxima terça no ...

Entre os três, apenas Augusto Heleno ainda parece ser confiável

Carlos Newton

Ainda bem que o ministro Celso de Mello manteve-se firme e não se deixou enganar pelas artimanhas do chamado “Gabinete do Ódio”, conduzido no Planalto pelo vereador Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, que tentou o possível e o impossível para evitar que o vídeo da reunião ministerial do dia 22 fosse encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.

Ciente de que haveria dificuldades para entrega da gravação, que é a principal prova a ser colhida nesse inquérito, o ex-ministro Sérgio Moro solicitou que prestassem depoimentos os três ministros generais que no dia seguinte, 23, se reuniram com ele e o presidente Bolsonaro, tentando convencê-lo a não se demitir do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.

JAMAIS MENTIRIAM? – Com toda certeza, Moro relacionou os nomes dos três generais (Augusto Heleno, Braga Netto e Eduardo Ramos) por presumir que eles jamais mentiriam em depoimento à Justiça, no qual a testemunha assume o compromisso de dizer a verdade e nada mais do que a verdade. Mas o ex-ministro está tremendamente enganado.

Dos três ministros, dois já demonstraram que pretendem costear o alambrado em busca de sua saída, como dizia Leonel Brizola. Foi triste ver Braga Netto, da Casa Civil, no Jornal Nacional, ao tentar justificar o “sumiço” do vídeo, dizendo  que nem toda reunião ministerial é gravada na íntegra. “Às vezes gravam-se apenas trechos”, afirmou, fazendo questão de repetir as falsas alegações do “Gabinete do Ódio” e demonstrando uma submissão inaceitável.

Da mesma forma, o general Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) também se comporta como se fosse advogado de Bolsonaro, ensaiando uma patética defesa da posição do presidente.

“PELO QUE SE RECORDA…” – Em entrevista a Fernando Rodrigues, no SBT, Ramos declarou que na reunião do dia 22 o presidente Jair Bolsonaro não fez nenhuma sinalização que indicasse interferência na Polícia Federal. Pelo que me recordo, disse Ramos, não houve nem menção a superintendências da corporação durante a reunião interministerial.

Na entrevista, o ministro-general arrisca uma nova versão  da postura de Bolsonaro, para afirmar que “em nenhum momento” da reunião o presidente quis se referir a processos judiciais ou investigações conduzidas pela Polícia Federal. De acordo com ele, Bolsonaro falava apenas do Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência) e cobrava relatórios de melhor qualidade.

ADVOGADO DE BOLSONARO?- “O que é a inteligência? Parece que ficou demonizado, mas não é: em qualquer país do mundo você precisa de informações e de dados sobre as fronteiras, os crimes transnacionais, queimadas, de criminalidade, de grupos radicais se reunindo, isso faz parte do Sisbin. E quem faz parte do Sisbin? O sistema de inteligência das Forças Armadas, da Polícia Federal, das Polícias Militares, todos vão e alimentam esse sistema. Então era disso que o presidente estava falando”, disse Ramos no programa do site 360, “interpretando” as situações e comportando-se como se fosse defensor de Boldsonaro.

Mas esse relatório que o Sisbin produz ou os órgãos…”, começou a dizer Fernando Rodrigues, um dos melhores jornalistas do país.

O presidente tem que ter acesso”, interrompeu Ramos.

Mas ele já tem acesso”, assinalou o apresentador.

Sim, mas ele os considera não tão no nível que ele queria”, declarou Ramos, acrescentando: “Eu como general, onde passei, é obrigação, é dever da pessoa que está investida de autoridade exigir que seus subordinados deem o melhor de si. Ele é o chefe supremo do país. Ele não pode ser surpreendido – e às vezes acontece – com informações que ele recebe de WhatsApp.”

SÓ RESTA HELENO – Bem, para dizer a verdade, somente a verdade e nada mais do que a verdade, só resta o ministro-general Augusto Heleno. A situação dele é diferente de Braga e Ramos, porque na reunião tentou apoiar a posição de Moro e agora não pode alegar que naquele momento estava fazendo anotações, respondia a uma mensagem no celular ou estava distraído, pensando na morte da bezerra, como se dizia antigamente.

Segundo o ex-ministro Moro, o general Heleno o apoiou e disse a Bolsonaro que ele, como presidente, não poderia receber relatórios sobre inquéritos na Polícia Federal. E isso está gravado no vídeo.

Ramos é um completo fracassado, deveria voltar à ativa, sua função principal é a articulação política do governo com o Congresso, e não se precisa dizer mais nada. Braga Netto também é da ativa e devia seguir o mesmo caminho. Perdeu completamente a moral, ao aceitar prestar serviços ao “Gabinete do Ódio”.

###
P.S. 1
É da lavra de Braga Netto a frase “Carlos Bolsonaro não tem gabinete no Planalto”, embora todo mundo saiba que Carluxo usa a sala de seu amigo Filipe Martins, no terceiro andar, ao lado do gabinete de Bolsonaro, enquanto Braga Netto fica asilado no quarto andar.

P.S. 2Tenho muito respeito por Augusto Heleno. Espero que ele faça um depoimento verdadeiro, como testemunha, sem tentar ser advogado de uma parte ou de outra, mantendo a postura de um oficial-superior das Forças Armadas, mesmo que esteja na reserva, ao contrário dos outros dois, que continuam na ativa,  junto com o porta-voz invisível Rêgo Barros, mas fazendo papel feio, ganhando salário em dobro e engarrafando a fila de promoção de seus companheiros. (C.N.) 

Depoimento de Augusto Heleno será decisivo para absolver Moro e condenar Bolsonaro

Diário dos Campos | General Augusto Heleno diz que Abin não deve ...

Na reunião ministerial, Heleno apoiou Moro e ficou contra Bolsonaro

Carlos Newton

O futuro político de Jair Bolsonaro e dos filhos está nas mãos do ministro Celso de Mello, que deu prioridade total ao inquérito contra o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, aberto pelo procurador-geral da República, por ordem do presidente da República. Muita gente está desconhecendo esse importante detalhe, julgando que se trata de um inquérito movido por Moro contra Bolsonaro.

Naquela sexta-feira, dia 24, a determinação presidencial causou tumulto na cúpula da Procuradoria da República, porque Bolsonaro exigiu que o ex-ministro Moro fosse imediatamente incriminado.

EM ALTA VELOCIDADE – O procurador-geral Augusto Aras agiu com presteza e criou uma espécie de força-tarefa que redigiu a longa petição numa velocidade impressionante. E assim, ao final da tarde do mesmo dia em que Moro se demitiu, chegava ao Supremo a petição para investigá-lo por sete crimes, a começar por denunciação caluniosa.

Acontece que, em sua portentosa ignorância jurídica, Bolsonaro pensou (?) que, por ser presidente da República, suas afirmações e atitudes não podem ser contestadas. E o pior foi ter desrespeitado uma realidade jurídica absoluta: ao convocar um advogado para fazer uma acusação contra outra pessoa, é preciso relatar com precisão a verdade dos fatos, caso contrário o processo pode ser revertido. E foi justamente o que aconteceu.

MORO NÃO MENTIU – Bolsonaro disse a Aras que o então ministro Moro tinha mentido sobre os acontecimentos. E a petição feita pela Procuradoria ao Supremo foi baseada nesse suposto fato, mas em momento algum Moro mentira.

Assim, logo ao ser iniciado pelo relator Celso de Mello, o inquérito mudou de figura, porque o ex-ministro prestou depoimento apontando as incongruências contidas em declarações do próprio Bolsonaro, inclusive naquela mensagem à Nação, com o constrangido Ministério perfilado à sua volta, na mesma sexta-feira, dia 24.

Portanto, o inquérito passou a ter duplo objetivo e agora está investigando, ao mesmo tempo, o ex-ministro e o presidente, e não adianta o procurador recuar, dizendo “desculpe, foi engano”.

VÍDEO DA REUNIÃO – O ponto principal é o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, quando Bolsonaro ameaçou demitir Moro, e o ministro Augusto Heleno, que funciona como uma espécie de primeiro-ministro, então disse claramente ao presidente da República que ele não tinha direito de exigir relatórios sobre inquéritos da Polícia Federal, conforme Bolsonaro cobrava de Moro, à frente de todos.

Para fazer juízo de valor e decidir esse imbróglio, o ministro Celso de Mello certamente vai assistir a esse trecho da filmagem, onde há o diálogo entre Heleno e Bolsonaro. Na verdade, nem precisa conferir a gravação, basta receber a transcrição dos termos dessa conversa, na qual o presidente da República adotou uma postura nada republicana.

DEPOIMENTOS IMPORTANTES –Os depoimentos, no entanto, também serão importantes para que os brasileiros saibam o caráter de determinados cidadãos que hoje nos governam. Alguns dirão a verdade, outros tentarão se esquivar. Para não desagradar ao presidente, haverá quem diga que naquele momento da reunião estava distraído, fazendo apontamentos ou atendendo a uma mensagem urgente no celular.

Como se sabe, quando o presidente conta uma mentira, os áulicos sempre o acompanham, porque não têm o menor compromisso com a verdade nem com o interesse público. Infelizmente.

###
P.S. –
Nos livros de História, a biografia de Celso de Mello terá como grande destaque essa firme atuação no inquérito contra o ex-ministro Sérgio Moro, que inevitavelmente colocará Bolsonaro na marca do pênalti do impeachment. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Forças Armadas vão deixar Bolsonaro se desgastar no poder até ser derrubado

Iotti: o guru | GaúchaZH

Charge do Iotti (Jornal Zero Hora)

Carlos Newton

Antigamente, quando a mídia falava em militares, invariavelmente estava se referindo aos oficiais superiores da ativa, que simbolizam o poder e a opinião das Forças Armadas. Agora, virou bagunça. Sai uma matéria com o título “Militares condenam isso ou aquilo”, você logo quer ler, pensando que o assunto é sério, quando vai ver, trata-se apenas um pronunciamento do presidente do Clube Militar, que adora aparecer na mídia, mas não tem importância alguma na conjuntura política.

Para complicar as coisas, os jornalistas passaram a falar em “ala militar” ou “ministros militares”, você então vai conferir e descobre que eles estão falando a respeito dos quatro generais que trabalham no Planalto, nada a ver com o ministro da Defesa nem com os comandantes das Forças Armadas

MILITARES DE VERDADE – Como analista político e testemunha do golpe civil-militar de 1964, pois eu estava no Palácio Guanabara quando os tanques liderados pelo capitão Léo Etchegoyen chegaram para aderir ao movimento,hoje só me preocupo com o pensamento dos comandantes das três Armas – Exército, Marinha e Aeronáutica – e seus respectivos Altos-Comandos. São eles que realmente decidem as grandes causas, em tempos de crise, e as grandes paradas, em tempos de paz.

Na visão do Alto-Comando do Exército, a situação política é a seguinte: o presidente da República, o general do Clube Militar e os áulicos de sempre podem se esgoelar à vontade, mas não haverá intervenção militar. O governo é civil e o problema, também. Portanto, cabe à sociedade civil resolver essa crise. Os quarteis não colocarão um só coturno nas ruas, a não ser que haja desordem.

PALAVRA DE ORDEM – A recomendação do Alto-Comando do Exército à ala militar do Planalto é no sentido de que os quatro generais (Braga Netto, da Casa Civil, Augusto Heleno, do Gabinete da Segurança Institucional, Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, e Rêgo Barros, Porta-Voz da Presidência) não deixem os cargos, procurem acalmar Bolsonaro, coloquem o governo para andar e simplesmente aguardem o desfecho dos inquéritos criminais e dos pedidos de impeachment contra Bolsonaro.

Em tradução simultânea, não haverá uma reprise de 1964, tampouco um novo Ato Institucional nº 5. Os generais do Planalto vão depor na Polícia Federal e terão de dizer exatamente o que houve no choque entre Jair Bolsonaro e Sérgio Moro.

###
P.S. – Eu aposto todas as minhas fichas no ex-ministro da Justiça. Quando vi Bolsonaro na TV inventando que Moro lhe exigiu a nomeação ao Supremo, constatei que temos um presidente que, além de desequilibrado, é também mentiroso. Foi uma grande decepção. (C.N.) 

Inquérito contra Moro já virou uma investigação sobre o presidente Bolsonaro

Guerra de versões sobre vídeo de reunião do Planalto mostra que ...

Celso de Mello está buscando a verdade com muita obstinação

Carlos Newton

Como todos sabem, o ponto-chave do inquérito/processo contra Sérgio Moro é o vídeo da reunião ministerial do dia 22, que pode confirmar as principais acusações que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública fez contra o presidente Jair Bolsonaro. As requisitar a gravação, na quarta-feira, dia 6, o relator Celso de Mello citou os responsáveis pela manutenção do tape e deu 72 horas para o Planalto entregar o vídeo.

Os intimados foram o chefe da assessoria especial da Presidência, Célio Faria Júnior, o secretário de Comunicação Social, Fábio Wanjngarten, e o ministro Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência.

“GABINETE DO ÓDIO” –  Quem comanda a maior parte da assessoria. conhecida como “Gabinete do Ódio”, é o vereador Carlos Bolsonaro. Diante da decisão judicial, ele agiu exatamente como seria de se esperar de um elemento de sua índole, e logo ordenou que dessem sumiço ao vídeo  com que o presidente Bolsonaro até ameaçara “desmascarar” Sérgio Moro.

E o esquema de Carluxo seguiu em frente. Primeiro, o Planalto vazou para o site “O Antagonista” que Célio Faria Júnior, responsável pelo vídeo, teria ficado com o cartão de memória e só devolvido nesta terça-feira, sem nenhuma gravação.

Procurado pelo Estadão, o servidor do “Gabinete do Ódio” se assustou e tentou tirar o corpo fora: “Não é da minha competência gravar, manter, ou trabalhar qualquer tipo de mídia na Presidência da República. Essa competência é da Secom (Secretaria Especial de Comunicação)”, disse Faria Júnior. “Se existe ou não o vídeo, quem pode responder é a Secom”, disse.

SILÊNCIO TOTAL – Também assediado pela imprensa, Fábio Wanjngarten, chefe da Secom, foi procurado pelo Estadão, mas não se pronunciou nem respondeu aos questionamentos sobre existência do vídeo e protocolos sobre gravação e armazenamento das reuniões ministeriais.

Somente depois que o Estadão publicou no seu site uma explosiva reportagem é que Faria Júnior enviou uma nova mensagem ao jornal dizendo que a Secom faz “registros curtos e pontuais” com a finalidade de divulgar a agenda presidencial.

“As reuniões realizadas na Presidência da República são eventualmente gravadas pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), com a única finalidade de divulgar as imagens da agenda Presidencial, na sua maioria registros curtos e pontuais”, escreveu Célio, enfatizando “que não compete à Assessoria Especial do Presidente da República o registro de imagens de reuniões, tampouco o arquivo de eventuais registros.”

ERA OUTRA MENTIRA – A informação era ardilosa. Na verdade, acontece exatamente o contrário, A Secom sempre filma toda a reunião. depois extrai pequenos trechos para divulgação ou distribuir aos ministros como subsídios a novos debates.

Como não dava para manter tamanha manipulação, no final da tarde o Planalto jogou a toalha e o chefe da Advocacia-Geral da União, José Levi, pediu ao ministro Celso de Mello que cancele o pedido do vídeo na íntegra, porque estava gravadas declarações “delicadas” sobre política interna e externa.

Na tarde desta quinta-feira, dia 7, a derradeira tentativa, com a AGU pedindo que seja apresentado apenas o trecho da gravação mencionado pelo ex-ministro Moro. Ou seja, o vídeo existe na íntegra.

FALTAM OS DEPOIMENTOS – O arremate serão os depoimentos de três ministros do núcleo duro do Planalto – generais Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

No vídeo da reunião do dia 22, o mais importante é que Augusto Heleno aparece dizendo a Bolsonaro que ele não tem direito de acompanhar os inquéritos da Polícia Federal do Rio de Janeiro.

Moro está confiante de que eles falarão a verdade. É claro que isso acontecerá. No Planalto quem mente é Bolsonaro e o pessoal do “Gabinete do Ódio”. 

###
P.S. 1 – Ontem, o Jornal Nacional mostrou uma cena triste, com o general Braga Netto (Casa Civil) corroborando a linha  anterior de defesa que o “Gabinete do Ódio” até já abandonou. Disse ele que as reuniões não são gravadas na íntegra, às vezes sim, às vezes não. Foi deprimente assistir a essa  cena. Espera-se que Heleno, Braga e Ramos não se omitam . Aliás, os três generais sabem que o Brasil sempre espera que cada um cumpra o seu dever, como dizia o almirante Francisco Barroso. (C.N.) 

Bolsonaro quer manipular investigações da PF para salvar os filhos e ele próprio

Estratégia de Moro já transformou Bolsonaro em réu do inquérito

Carlos Newton

O bolsonarismo está em festa. Comemora a convicção que o depoimento do ex-ministro Sérgio Moro não trouxe nenhuma “bala de prata” capaz de matar o vampiro, digo, o presidente, e as acusações seriam vazias, Jair Bolsonaro e os filhos tirariam de letra etc. e tal. Mas a realidade não é bem assim. Com sua larga experiência de combate ao crime, enfrentando os maiores advogados do país, Sérgio Moro sabe que em suas afirmações deve ser apenas indicativas, para não caracterizar denunciação caluniosa.

Ou seja, o ex-ministro está apontando graves irregularidades cometidas pelo presidente da República, mas sempre ressalvando que o chefe do governo não chegou a cometeu crime.

O RÉU É MORO – Nesse processo, o réu é Sérgio Moro, que está sendo acusado de sete crimes pelo presidente Bolsonaro, representado pelo procurador-geral Augusto Aras. É genial essa estratégia do ex-ministro, que não acusa contundentemente e apenas sinaliza como podem ser conseguidas as provas materiais.

Como isso, sem ter se socorrido no instrumento da exceção da verdade, Moro já conseguiu transformar Bolsonaro em réu do processo, que havia aberto na condição de vítima.

Na ignorância jurídica que o caracteriza, o presidente da República não entende a manobra de Moro e saí dando declarações irônicas de que até agora não conseguiram lhe atribuiu um só crime. Não percebe que o ex-ministro não está se referindo ao cometimento de crimes, mas à insistente tentativa de cometê-los, cuja concretização só não ocorreu devido à resistência de Moro, que já se tornara pública e notória.

A CHAVE DA QUESTÃO –  Tudo gira em torno da estranha insistência do presidente da República, que há meses tenta nomear uma pessoa de sua confiança para a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro

As pessoas estranham esse fato e o próprio Bolsonaro procura afastar as suspeitas dizendo que seus filhos estão sendo investigados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e não há nenhum inquérito contra eles na Polícia Federal. Mas isso não é verdade.

Junto com o ex-assessor Fabrício Queiroz, sargento da PM, os filhos Flávio e Carlos Bolsonaro estão sendo investigados pela PF no processo das milícias que atuam no Rio de Janeiro, e Flávio aparece como financiador de prédios ilegais, segundo o site The Intercept.

###
P.S. 1Bolsonaro tenta desesperadamente desarmar essa bomba-relógio, mas não conseguiu obter subserviência do então ministro da Justiça. Por isso, teve de demiti-lo para nomear um delegado amigo para o Rio de Janeiro, e esse foi o primeiro ato do novo diretor-geral da PF. 

P.S. 2Há mais dois inquéritos no Ministério Público do Rio — um deles é o das “rachadinhas” de Flávio e o outro refere-se aos “funcionários-fantasmas” de Carlos.  Sobre as “fake news” da família, corre um inquérito no Supremo e uma CPI no Congresso, com investigações que envolvem também o filho mais novo, Eduardo.

P.S. 3 –  O sumiço temporário da gravação que incriminaria Bolsonaro demonstra a que ponto pode chegar esta famiglia que chegou ao poder pelo voto e quer se manter pela força, envergonhando as Forças Armadas.  (C.N.)

Generais Heleno, Braga e Ramos são chamados a depor em defesa de Sérgio Moro

Governo descarta 'ação agressiva' contra Venezuela e diz que papel ...

Advogado de Moro vai pedir a gravação da reunião ministerial

Carlos Newton

O inquérito inicialmente aberto no Supremo contra o ex-ministro Sérgio Moro de repente de feição e está se transformando em processo criminal contra o presidente Jair Bolsonaro, segundo reportagem de O Globo, assinada pelos excelentes jornalistas Bela Megale e Aguirre Talento. A investigação é sigilosa, mas não há como evitar vazamentos num sessão em que havia mais de dez pessoas na sala.

Os repórteres conseguiram informações mínimas, mas que se completam e deixam claro que o presidente Jair Bolsonaro cometeu o maior erro de sua vida ao chamar de mentiroso o então o ministro da Justiça e Segurança Pública e mandar o procurador-geral da República, Augusto Aras, abrir inquérito contra Moro, com a máxima urgência.

REALIDADES APARENTES – Em sua ignorância jurídica, Bolsonaro agiu baseado em realidades aparentes, superdimensionando os poderes de que dispõe na Presidência da República e as prerrogativas do cargo. Na sua visão estreita e desfocada, o chefe da nação pensa (?) que pode tudo e os demais poderes (Supremo e Congresso) têm de se curvar às suas ordens.

Assessorado pelo ministro Jorge Oliveira, aquele major da PM que estudou Direito e se diz “jurista”, Bolsonaro julga (?) ter direito a acessar o andamento de inquéritos que lhe interessem, mas não existe nenhuma lei que o permita.

A única legislação existente refere-se a “relatórios de Inteligência”, ou seja, somente assuntos do maior interesse nacional, sem abrir idêntica oportunidade em relação a meros inquéritos policiais, como os que tramitam na Polícia Federal.

GEN. HELENO AVISOU – Bela Megale e Aguirre Talento divulgaram que a decisão de Bolsonaro demitir o diretor da Polícia Federal, Mauricio Valeixo, foi comunicada a Moro numa reunião do Conselho de Ministros. Na ocasião, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, explicou a Bolsonaro que ele não podia, como presidente, requisitar relatórios de inquéritos do seu interesse, mas o presidente ficou irredutível.

Moro disse que a reunião, dia 22 de abril foi gravada pelo Planalto, e pediu a requisição da fita. Detalhe importante: no dia da demissão do ministro, Bolsonaro chegou a citar essa gravação, disse que ia exibi-la para desmascarar Moro, mas até agora não o fez.

Além de Augusto Heleno, a defesa de Moro também convocou  a prestar depoimento os generais Braga Netto (Casa Civil) e Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), que também presenciaram as iniciativas de Bolsonaro para interferir na Polícia Federal.  E o procurador Aras já requisitou a gravação e pediu o depoimento dos três ministros.

###
P. S. 1
Não se trata de um simples inquérito. Como é conduzido por um ministro do Supremo, ao mesmo tempo já é um processo, que investiga simultaneamente Moro e Bolsonaro, e o presidente não tem possibilidades de escapar. Se entregar a gravação, estará liquidado. Caso se recuse a entregá-la, os generais l Heleno, Braga e Ramos vão depor e não faltarão com a verdade. Ou seja, ficará reforçada a confissão de culpa que o presidente Bolsonaro fez em pronunciamento à nação, quando admitiu que realmente pretendia ter acesso aos relatórios da Polícia Federal.

P.S. 2 – Se for condenado no Supremo, o acórdão será enviado à Câmara, para abertura do processo de impeachment. (C.N .)

Jair Bolsonaro desonra os militares e os trata como se fossem seus serviçais

URGENTE!! MILHARES DE PESSOAS SE REÚNEM EM FRENTE AO PALÁCIO DO ...

O canal da CNN, que apoia Bolsonaro, transmitiu tudo ao vivo

Carlos Newton

Lembro bem dos idos de 64. Eu trabalhava no IBGE, como operador do primeiro computador do país, e à noite estudava na Faculdade Nacional de Direito, que depois passou a liderar a atuação política estudantil, na gestão de Fernando Barros e Vladimir Palmeira. Naquela época, a situação era bem diferente. Havia uma forte oposição ao presidente João Goulart, defendia-se a derrubada dele, mas não se falava abertamente em implantar uma ditadura militar.

Essa possibilidade nem passava pela cabeça dos golpistas, liderados por Carlos Lacerda. Pretendia-se que os militares tirassem Jango, mas deixassem os civis rearrumar a casa, o que somente veio a acontecer 21 anos depois…

REPRISE (COMO FARSA) – Agora, a conspiração se repete como farsa, comandada pelo próprio presidente da República, que tem formação militar, chegou a capitão mas não iria muito longe, devido à falta de capacidade cultural e intelectual.  

Desta vez, nenhum líder da oposição defende o golpe de Estado. Quem o faz, com uma sinceridade espantosa, é o próprio presidente da República, que não consegue agir de forma republicana, contesta publicamente os outros poderes e confraterniza na ruas com os defensores da intervenção militar e do fechamento do Congresso e do Supremo.

Isso talvez esteja acontecendo porque Bolsonaro era menino quando houve a Revolução e não tem a menor ideia de como tudo aconteceu em 1964.

MILITARES ROBÔS – Na sua longeva imaturidade, Bolsonaro acha que pode conduzir os militares como se fossem os robôs digitais comandados por seus filhos. Na semana passada, disse e repetiu que a nação “quase entrou numa crise institucional”, ou seja, ameaçou diretamente o Supremo e, de tabela, o Congresso.

Neste domingo, repetiu-se a estratégia bolsenariana, montada pelos três filhos. Jamais se viu situação semelhante na História Republicana. Desta vez, diante do Palácio do Planalto, o presidente, portando-se como se falasse em nome das Forças Armadas, disse que acabou a paciência e fez uma grotesca ameaça ao Supremo e ao Congresso, avisando que não vai tolerar “intervenção”.  

Bolsonaro pensa (?) que os militares farão o que ele ordenar, como comandante-em-chefe das Forças Armadas. Está enganado. Os militares vão respeitar a lei e a ordem. É mais fácil que o internem numa clínica psiquiátrica, para longo tempo de recuperação, como aconteceu ao presidente Delfim Moreira.

BALANÇO DE ABRIL – Com fazemos todos os meses, vamos apresentar o balanço das contribuições ao blog, no mês de abri, agradecendo muito aos que conseguiram colaborar.  Na conta da Caixa Econômica Federal, houve os seguintes depósitos:

DATA    REGISTRO    OPERAÇÃO         VALOR
08          081350         DP DIN LOT………50,00

15          600007         DOC ELET…………51,00
24          241201         CRED TEV…………50,00
27          270923         DP DIN LOT………55,00
27          271218         DP DIN LOT…….150,00

Na conta do Banco Itaú/Unibanco, também houve  contribuições:

01        TED 001.5977. JOSEAPER……..302,04
01         TED 033.3591 ROBERTSNA….300,00
16         TED 001.446 MARIOACRO…..250,00
30         TBI 0406. 49194-4……………….100,00  

Agradecendo mais uma vez as contribuições, vamos em frente, nesta tentativa de manter na internet um espaço de debate realmente livre, sem amarras ideológicas. (C.N.)