Bebianno sai do governo de cabeça erguida e Bolsonaro não sabe explicar a demissão

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Bolsonaro permite que os filhos tenham até “olheiro” no Planalto

Carlos Newton

A deputada Janaina Paschoal (PSL-SP) está correta, ao indagar nas redes sociais qual a razão de o ministro Gustavo Bebiano estar sendo demitido? Ninguém sabe, até porque o presidente da República não se preocupou em dar à opinião pública uma explicação minimamente aceitável. O Planalto e a família Bolsonaro liberaram quatro versões diferentes, mas nenhuma delas se sustenta em fatos reais. Todas as tentativas de justificar a exoneração foram destruídas pelo chamado Princípio da Razoabilidade – a denominação que os juristas dão à lógica e ao bom senso.

Durante a campanha, da qual foi coordenador nacional, Bebianno era muito ligado aos filhos de Bolsonaro. Depois da posse, ele foi uma das vozes que defenderam que os filhos do presidente se afastassem dos assuntos do governo, e foi assim que seus problemas começaram.

OLHEIRO NO PLANALTO – Como secretário-geral da Presidência, cabia a Bebiano a responsabilidade pelo Planalto e ele era contra a presença de Léo Índio no palácio. Mesmo sem ter função no governo, o sobrinho de Bolsonaro tem crachá amarelo e circula livremente no terceiro e no quarto andar, onde funcionam a Presidência, a Casa Civil, a Secretaria-Geral e a Secretaria de Governo. Há restrições à entrada nesses andares, mas Léo Índio circula à vontade e até confere as agendas dos ministros.

Foi Léo Índio quem avisou a Carlos Bolsonaro que Bebianno iria receber o vice-presidente institucional da Rede Globo, que pedira audiência. A família Bolsonaro encarou isso como traição, embora não passasse de uma atribuição normal do ministro, que à contragosto teve de cancelar a reunião.

Depois, na terça-feira (12), o olheiro Léo Índio viu na agenda de Bebianno que ele iria ao Pará, para lançar o pacote de obras na Amazônia, e levaria jornalistas na equipe, junto com os ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Direitos Humanos). Furioso, Bolsonaro mandou cancelar a viagem e decidiu demitir o ministro, a pedido dos filhos, que estavam loucos para se livrar dele e queriam aproveitar as denúncias sobre candidatas laranjas no PSL, embora Bebianno não fosse responsável por isso.

PRIMEIRA VERSÃO – No dia seguinte, quarta-feira (13) Carlos Bolsonaro desmentiu o ministro, que dissera ter conversado com o presidente sobre a crise do PSL, e começou a confusão. Bolsonaro apoiou o filho e convocou a reportagem da  TV Record, para dar a primeira versão, dizendo ter mandado a Polícia federal investigar o PSL, e adirmou que, se Bebianno fosse culpado, deveria “voltar às origens”.

Em sua ingenuidade, Bolsonaro e os filhos pensaram que Bebianno ia pedir demissão, mas isso não aconteceu. E os ministros militares do Planalto, junto com o vice Mourão e Onyx Lorenzoni, manifestaram-se a favor de Bebianno.

OUTRAS VERSÕES – Surgiram então as outras versões, vazadas pela família Bolsonaro. Uma delas alegava que o presidente ficara aborrecido porque Bebianno teria convidado a equipe de jornalistas a ir à Amazônia com ele. Mas essa justificativa era tão fraca que foi logo abandonada.

Foi também exibida a versão de que a causa seria a audiência que Bebianno aceitara dar ao vice-presidente de Relações Institucionais do grupo Globo, mas essa justificativa também foi sepultada, porque se trata de função inerente ao cargo do ministro, não havia irregularidade alguma.

A ÚLTIMA VERSÃO – Surgiu, então, a última versão, dando conta de que o chefe da Secretaria-Geral quebrara a relação de confiança com Bolsonaro “ao vazar áudios de diálogos entre os dois”.

Mas a versão era falsa. Bebianno não vazou nada a nenhum veículo de comunicação. Apenas mostrou as gravações a outros ministros, para provar que não havia mentido e realmente tinha conversado com o presidente pelo WahtsApp, na terça-feira.

Neste sábado, como não havia mais justificativa para atacar Bebianno, o filho Eduardo Bolsonaro entrou nas redes sociais para dizer que o ministro é “corrupto” e foi culpado pela “candidaturas laranjas”. Além disso, chamou de “jumento e “idiota” quem faz críticas a seu irmão Carlos, vejam a que ponto chegamos.

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P.S. 1Eduardo  deu o fecho no festival de mentiras da família Bolsonaro e isso pegou muito mal no PSL  pois todos sabem que Bebianno não se envolveu em corrupção nem patrocinou candidaturas fantasmas, a responsabilidade era dos diretórios estaduais.

P.S. 2Como se constata, a falta de caráter é mal de família. E Bebiano definiu bem a questão, ao dizer que o capitão, para salvar a pele do filho, “deu um tiro na nuca do soldado que lhe era leal”. (C.N.)

Bendl resiste bem, mas a família pede que os amigos parem de telefonar

Carlos Newton

Um dos filhos de Francisco Bendl, chamado Alexandre, que é médico, enviou à Tribuna da Internet uma mensagem dizendo que o pai, que estava praticamente em estado terminal, teve uma súbita melhora, mas continua na UTI. A família vai nos manter informados, mas pede que as pessoas parem de telefonar. O número de amigos de Bendl é tão grande que o telefone não para de tocar.

Eu era um dos que telefonava diariamente, e vou atender ao pedido do Dr. Alexandre. Vamos continuar torcendo, rezando e orando pelo amigo, sem incomodar a família.

O mundo abandona a África à própria sorte, como se vê no riquíssimo Congo  

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Congo é um país rico, com a menor renda per capita do mundo

Carlos Newton

A ciência avança, a tecnologia se renova, mas a desigualdade entre as nações continua a ser abominável e desumana. As Nações Unidas simulam intervir e até enviam tropas, mas nada muda no continente mais abandonado do mundo – a África. E um dos exemplos é o Congo, segundo maior país africano em extensão e que deveria ser hoje uma das nações mais ricas do mundo, mas esse sonho jamais se realizará.

Como se sabe, foi na Conferência de Berlim (1884 e 1885) que a África foi dividida entre os países europeus, que então comandavam o mundo, capitaneados pelo Império Britânico, onde o sol jamais se punha. E o Congo se tornou colônia da Bélgica, que escravizou o povo para explorar as riquezas do país: pedras preciosas, ouro, café, borracha e o marfim obtido com a mortandade de milhares de elefantes.

MILÍCIA REAL – Para obrigar o povo a trabalhar, o rei belga Leopoldo II criou uma “milícia particular” que implantou o terror no chamado Estado Livre do Congo. Os escravos que tentam fugir eram mutilados. Na época, o rei belga se interessou em conquistar o Brasil e mandou seu sobrinho Luiz Augusto casar com a Princesa Isabel, herdeira do trono. Mas ele não conseguiu realizar o plano do seu tio e acabou casando com a Princesa Leopoldina, filha do Imperador D. Pedro II.

A independência do chamado Congo Belga, em 1960, com o primeiro-ministro Patrice Lumumba, pouco significou. Lumumba foi sequestrado e morto. Sucederam-se golpes de estado, até Mobutu Desiré tomar o poder em 1965 e ficar por 32 anos. Com apoio dos Estados Unidos e países europeus, Etienne Tshisekedi foi nomeado como primeiro-ministro, mas recusou-se a prestar juramento a Mobutu.

Em 1993, o Alto Conselho da República ordenou o desligamento de Mobutu dos negócios e apoiou instalação de um regime de transição formado pela aliança oposicionista liderada por Tshisekedi. Em junho de 1995, o período de transição foi prolongado por dois anos. Eleições gerais, previstas para o mês seguinte, não se realizaram. E os caos político prossegue até hoje.

PAÍS RICO – O Congo possui alguns dos melhores depósitos mundiais de cobre e cobalto, além de minerais diversos, incluindo diamante, ouro, ferro e urânio. Após anos de guerras, ditaduras e tumultos, a infraestrutura do país ou está em ruínas ou é inexistente, e as operações de extração estão produzindo apenas uma fração de seu potencial. Se considerarmos o valor de seus recursos naturais, seriam de 24 trilhões de dólares

Hoje, a República Democrática do Congo está entre um dos países com os menores valores de PIB nominal per capita, à frente apenas do Burundi. Segundo o Banco Mundial, o país possui o menor PIB per capita. E vive em permanente guerra civil. Mas quem se interessa?

Anatomia de uma crise que semeia insegurança na Praça dos Três Poderes

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Gustavo Bebianno estava indo bem, até ser abatido pela Folha

Carlos Newton

A conversa entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Gustavo Bebianno, no início de noite de sexta-feira, foi um exemplo de debate irresponsável entre dois amadores, sem a serenidade e o amadurecimento que devem marcar as decisões políticas de maior significado. O ainda ministro cobrou do presidente o respeito à lealdade que sempre marcou o relacionamento entre os dois, e o chefe do governo culpou o auxiliar por não ter evitado as irregularidades cometidas por diretórios do PSL na gestão financeira da eleição, descobertas pela Folha de S. Paulo e que serão inevitavelmente confirmadas pela Polícia Federal, a pedido do próprio presidente.

Nenhum dos dois tinha razão. Como presidente do PSL, Bebianno não cometeu ilegalidades, jamais será punido pela Justiça, mas a Folha forçou a barra e incriminou o ministro preliminarmente, sem um exame maior da situação. Para evitar que a crise aumentasse, Bebianno não fez carga contra os responsáveis pelas irregularidades – o ministro Marcelo Álvaro, do Turismo, e o deputado Antonio Bivar, presidente e “dono” do PSL.

RECORDANDO – Ao se lançar candidato, Bolsonaro foi recusado por seu partido, o PSC, e ficou procurando legenda. Assumiu um compromisso de se filiar ao PEN, que até mudou de nome para homenageá-lo, transformando-se no Patriota. Mas houve problemas, os dirigentes não aceitavam que Bolsonaro mandasse no partido.

O advogado Gustavo Bebianno, que defendia Bolsonaro em algumas causas, surgiu com a solução, oferecendo o PSL na chamada undécima hora. Como o próprio Bebianno presidia o partido, durante a licença do “dono” Luciano Bivar, Bolsonaro topou e os dois foram em frente, depois atraindo a legenda de Hamilton Mourão, o PRTB, para compor a chapa.

A crise atual não começou agora, é fruta da imaturidade de Bolsonaro, que comprou uma briga desnecessária com os veículos de comunicação que não o apoiaram, como Folha, Globo e Veja, mas logo se acomodariam à nova situação, como sempre tem acontecido.

A FOLHA REAGIU – Como Bolsonaro e os filhos seguiram com provocações, a Folha fez um excelente trabalho investigativo e mostrou as irregularidades do PSL, que passaram despercebidas pela Justiça Eleitoral. Primeiro, denunciou o ministro Marcelo Álvaro com acusações irrespondíveis. Depois, alvejou o ministro Bebianno, por ter assinado o repasse das verbas eleitorais, e também incriminou o deputado Luciano Bivar, que agora está sob investigação da Procuradoria Eleitoral, por uso de caixa dois.

Há dois dias a própria Folha diminuiu o tom, reconheceu que outros partidos estão na mesma situação do PSL e relacionou 13 deles. Ou seja, a poeira dessa crise já estava baixando, seria uma ameaça futura. Mas o irrequieto Carlos Bolsonaro decidiu intervir em assunto que não cabia, pois nem é filiado ao PSL, até hoje continua no PSC. E agora a crise é enorme e gerou insegurança na Praça dos Três Poderes.

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P.S.Em tradução simultânea, ou Bolsonaro se livra desses filhos trapalhões, ou a vaca ameaça voltar para o brejo. Apenas isso(C.N.)

É hora de decidir: ou Bolsonaro se livra dos filhos ou não conseguirá governar

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Bolsonaro precisa entender que governar significa estar sozinho

Carlos Newton

Há muitos assuntos importantes em pauta, como a briga entre os militares e a Igreja, a reforma da Previdência, o acobertamento da importância da dívida pública, a falência de estados e municípios, mas a prioridade deve ser a crise interna do governo. Como dizia Gonzaguinha, não dá mais para segurar. Ou Bolsonaro se livra da influência dos três filhos e passa a ouvir o núcleo duro do Planalto (vice Hamilton Mourão e ministros Augusto Heleno, Santos Cruz e Onyx Lorenzoni) ou não conseguirá governar e levará este país a uma encruzilhada sinistra.

Nenhum governante pode colocar sua família no poder. Não existe isso, jamais se viu isso, não se pode admitir isso. Nem mesmo os imperadores devem correr esse risco, é preferível que sejam aconselhados por assessores externos, basta ver o que está acontecendo na Arábia Saudita.

INSEGURANÇA – A eleição de Bolsonaro ocorreu num clima de união e esperança, mas o próprio presidente estava colocando tudo a perder. Sua opção preferencial pelos filhos era um equívoco grotesco, uma jogada arriscadíssima, porque estava semeando a insegurança institucional, como acertadamente Rodrigo Maia advertiu, ao criticar esse “governo familiar”.

A fritura do ministro Gustavo Bebianno, para atender aos interesses do filho preferido, foi um erro grotesco, bizarro e patético. Como argumentaram o vice Hamilton Mourão e o presidente da Câmara, Bebianno é um excelente quadro, não é nenhum alpinista social. Todos só têm elogios à sua atuação, por isso o núcleo duro do Planalto se uniu em sua defesa.

Bebianno é um advogado de renome, que era associado ao escritório de Sergio Bermudes, um dos mais importantes do país.  Carlos Bolsonaro pensou que poderia demiti-lo com um simples faniquito, mas não é assim que a banda toca. Os militares apoiaram Bolsonaro, estão tocando o governo dele, mas não aceitam injustiças.

BEBIANNO NÃO ERROU – O núcleo duro do Planalto sabe que Bebianno foi coordenado da campanha, dedicou-se por inteiro à eleição de Bolsonaro e assumiu interinamente a presidência do PSL, sem maior envolvimento com o partido. 

Havia verbas disponíveis do Fundo Eleitoral que foram requisitadas pelos diretórios de Minas Gerais e Pernambuco. No caso, Bebianno apenas assinou a liberação, não conhecia nem jamais tinha ouvido falar nos candidatos beneficiados nem tinha o menor controle sobre a utilização final dos recursos, porque isso era responsabilidade dos Diretórios estaduais.

Ouvir o “conselho” do filho e forçar a demissão de Bebianno foi um erro brutal de Bolsonaro, porque Carlos disse ao pai que o ministro tinha mentido, ao afirmar que havia falado com o presidente. Mas Bebianno realmente tinha mandado mensagens a Bolsonaro através do WhatsApp, não era mentira.

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P.S. 1 –
Ontem à noite, o jornal do SBT revelou que Benianno será demitido segunda-feira. Será mais um erro, mas pode se transformar em acerto, caso o presidente se livre mesmo da perniciosa influência dos filhos e passe a governar consultando apenas os assessores que ele próprio nomeou, porque tem confiança neles.

P.S. 2 – Nessa investigação da Polícia Federal sobre Bebianno quem vai se lascar é o presidente do PSL, Luciano Bivar, que é uma espécie de “dono do partido” e contratou a empresa do próprio filho por R$ 250 mil. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, também vai dançar. (C.N.)

Se depender da atuação de seus filhos, o governo de Bolsonaro será um fracasso

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Bolsonaro precisa pensar urgentemente em enquadrar a prole

Carlos Newton

Uma coisa é certa – jamais existiu um governante tão atrapalhado pelos filhos quanto Jair Bolsonaro. É uma crise atrás da outra. Os três se comportam como “príncipes-regentes”, sem perceberem que o Brasil é uma república. Os três se julgam no direito de interferir em tudo, de acompanhar com o presidente em viagem oficial (Eduardo, rumo a Davos) ou de entrar com o primo em reunião ministerial (Carlos, no Planalto).

E O MINISTÉRIO? – Bolsonaro foi eleito em meio a uma esperança enorme, mas já mostrou que tem muita dificuldade para conter os filhos, que influíram até na formação do Ministério. Aliás, cá entre nós, esse primeiro escalão é muito esquisito. Parece que os ministros foram escolhidos a dedo para que o governo não dê certo. É a impressão que está passando.

É claro que não se pode exigir que os ministros sejam trocados de uma hora para outra, porque essa inconstância depõe contra o governo. Mas há determinadas situações que estão chegando ao ponto de ruptura, como se dizia antigamente.

MORO, A EXCEÇÃO – O grande destaque do governo, até agora, é o ministro Sérgio Moro. Discreto, preparado, pró-ativo e seguro, ele já apresentou a primeira parte de seu plano contra a criminalidade. Em breve, virá o complemento. É claro que haverá resistência no Congresso Nacional, onde ainda há abundância de políticos corruptos.

A transformação do caixa 2 eleitoral em crime, como pretende o ministro Moro, não será aceita pacificamente, é claro. Mas o importante é que o ministro está fazendo a parte que lhe cabe nesse latifúndio legislativo.

Mas há outros ministros que deixam a desejar, como Paulo Guedes, chefe da equipe econômica, que há três meses está fugindo da Polícia Federal, para não depor sobre os vultosos prejuízos em investimentos que fez para fundos de pensão, aplicando os recursos em uma empresa presidida por ele mesmo, jogada tipo “batom na cueca”, como se diz na gíria policial.

OUTROS MINISTROS – Tem uma ministra, a já famosa Damares Alves, que conversou com Jesus na goiabeira, quando era menina e estava em sérios apuros. Ninguém sabe com que credenciais foi parar no primeiro escalão da República.

Na mesma situação está o chanceler Ernesto Araújo, indicado pelos três filhos e  que fez discurso de posse com trechos em grego e tupi-guarani, para bancar ser moderninho, mas todos já perceberam que se trata de um diplomata nada diplomático, digamos assim, que foi esvaziado e não manda mais nada no Itamaraty.

Há um ministro tão ignorante, chamado Ricardo Salles, que não sabe quem foi Chico Mendes e pensa que o líder ambientalista era grileiro de terras públicas, uma denúncia totalmente insana. E apareceu um membro do primeiro escalão, Salim Mattar, para elogiar a Vale e defender a empresa na tragédia de Brumadinho, vejam a que ponto chegamos.

CASO BEBIANNO – Existe também um ministro, chamado “Marcelo Álvaro Antônio” (cujo nome verdadeiro é Marcelo Henrique Teixeira Dias), envolvido com candidaturas-laranjas em Minas Gerais. Nesse mesmo esquema, complicou-se  outro ministro, Gustavo Bebianno, que era presidente do PSL, liberou recursos a pedido do Diretório pernambucano e agora está sendo crucificado por Bolsonaro pai e filho.

Bebianno diz que não fez nada de errado e não mentiu, porque se comunicou com Bolsonaro em mensagens no WhatsApp. Por isso, não pediu demissão e conta com a solidariedade do núcleo duro do Planalto, que já não aguenta mais as trapalhadas dos filhos de Bolsonaro, apelidados de os “Três Patetas”.

Aliás, com os filhos interferindo no governo, Bolsonaro nem precisa de inimigos.

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P.S 1
Já ia esquecendo. Outro destaque positivo do ministério é o general Santos Cruz, da Secretaria de Governo, realmente uma revelação. Aliás, os ministros militares são eficientes e preparados. Estamos aguardando o desempenho do almirante Bento Costa Lima Leite no ministério de Minas e Energia, um setor estratégico e que necessita ser tocado com espírito nacionalista.

P.S. 2 – Ia escrever hoje sobre a briga entre governo e a Igreja, mas fica para amanhã. O motivo do desentendimento é muito mais grave do que se pensa. (C.N.)

Médico de Bolsonaro exagerou muito ao afirmar que ele já está “perfeito”

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Bolsonaro vai seguir o tratamento até se recuperar plenamente

Carlos Newton

O exímio médico Luiz Antonio Macedo, um dos melhores do mundo em cirurgia de abdome, foi surpreendentemente exagerado nesta terça-feira, ao afirmar ao Estadão que Bolsonaro já estava “perfeito” e poderia receber alta na quarta-feira, conforme aconteceu ontem. Esse tipo de declaração devia ser evitado, porque o presidente é impulsivo, fica achando que já está curado e se arrisca a ultrapassar a linha divisória do gramado, como dizem os locutores esportivos.

É preciso que Bolsonaro continue o tratamento em casa, poupando-se ao máximo das atribuições presidenciais, porque somente dentro de alguns meses é que poderá ser declarada sua cura definitiva.

EXISTE RISCO – Reportagem de Cláudia Collucci na Folha, publicada nesta quarta-feira, revela que o risco estimado na literatura médica é baixo, menor que 5%, e vai diminuindo com o tempo. Por isso, nas primeiras semanas após a alta é preciso atenção aos sinais infecciosos, como indisposição, febre, tosse e dor abdominal.

O infectologista Artur Timerman, entrevistado pela repórter, revela que o período mais crítico será nos próximos dois meses, tempo que leva para que a flora intestinal nativa se recomponha. “O fato de ter havido uma alteração no trânsito normal do intestino faz com o microbioma já mude bastante e há riscos de novas infecções.”

O especialista considera fundamental uma dieta equilibrada, com fibra e bastante hidratação, para que o intestino funcione todos os dias. “Um trânsito mais lento pode expô-lo a risco de infecções.”

DIETA ESPECIAL – Também entrevistado por Cláudia Collucci, o médico Carlos Sobrado, professor de Coloprotoctologia da Faculdade de Medicina da USP, diz ser importante uma dieta antifermentativa (sem frituras, alimentos gordurosos, refrigerantes e bebidas alcoólicas) e fracionada, para não distender muito o abdome e retardar o esvaziamento gástrico.

Diz o especialista que outro cuidado adicional são com os cortes abdominais da cirurgia em si e do local onde estava implantada a bolsa de colostomia. “No local da bolsa, pode sobrar uma colonização [de bactérias] da pele e voltar a infectar”, diz Sobrado. Também há riscos (menos de 5%) de novas aderências (de uma alça ou tecido grudar no outro), que são inerentes à cirurgia de intestino.

O médico Diego Adão Fanti Silva, cirurgião do aparelho digestivo da Unifesp, diz que as aderência podem acontecer a qualquer momento e não existe medida preventiva. “Quando acontecem, mais de 80% podem ser resolvidas sem necessidade de cirurgia. O paciente precisa ficar atento se apresentar náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes.”

SEM FAZER ESFORÇOS – Bolsonaro deve evitar grandes esforços, como carregar peso ou fazer musculação. Mas precisa fazer exercícios leves para fortalecer a musculatura sem aumentar muito a pressão do abdome, recomenda o cirurgião Fanti Silva, para evitar o surgimento de uma hérnia no local operado. As chances estimadas são de 15% —maiores nos primeiros seis meses e com redução gradativa depois desse período.

A reportagem confirma as informações que temos transmitido aqui na Tribuna, no sentido de que Bolsonaro precisa se poupar, evitar viagens e deslocamentos. Quando o avião aterrissa, por mais hábil que seja o piloto, sempre há um choque do trem de pouso. Além disso, existem as famosas turbulências nas proximidades de Brasília.

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P.S.Como dizia o Barão de Itararé, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Bolsonaro precisa lembrar que não é mais o “Cavalão” do pentatlo militar. Agora, é o presidente da República e precisa se preservar, para servir ao povo que o escolheu. (C.N.)

Reformar a Previdência sem fazer auditoria é um crime contra os trabalhadores

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Charge do Gilmar (Arquivo Google)

Carlos Newton

A cada dia surgem novas especulações sobre a reforma da Previdência, chega a ser irritante. Como se sabe, a equipe do ministro da Economia trabalha em cima de três projetos anteriores – as propostas originais de Paulo Guedes, o plano encabeçado por Arminio Fraga e o projeto de lei apresentado pelo governo de Michel Temer, que teve relator em comissão especial da Câmara e tudo o mais. Mesmo assim, não se consegue chegar a uma conclusão.

Os jornalistas se esforçam, buscam informações e as divulgam, aumentando a confusão, porque cada repórter surge com uma versão diferente, as notícias não se completam, muito pelo contrário, é sempre uma contradizendo a outra, não há seguimento.

FARSA PATÉTICA – No meio dessa chatice, a equipe econômica tenta criar no Congresso e na opinião pública a sensação de que, reformando a Previdência, todos os problemas do país estarão resolvidos.

É uma farsa grotesca, bizarra e patética, que jamais poderá ser aceita, porque a Previdência Social é um assunto do máximo interesse para os brasileiros, mas os números são sonegados aos cidadãos, pois a equipe econômica só divulga as estatísticas que lhe interessam.

Em tradução simultânea, ninguém sabe nada sobre a verdade da Previdência brasileira nem sobre a suposta reforma que hipoteticamente iria salvar o país, mas não vai, mesmo.

E A DÍVIDA – Enquanto as discussões se concentram e se eternizam na reforma da Previdência, o crescimento desmesurado da dívida pública, que na realidade é o maior problema brasileiro, continua estrategicamente camuflado pela equipe econômica, jamais entra em debate, é como se não existisse, e a mídia segue conivente.

Os banqueiros (eles, sempre eles…), partem na frente e fortalecem seus planos fajutos de Previdência Privada, que não protegem o trabalhador de doenças e invalidez permanente, nem tampouco garantem pensão à viúva e aos filhos menores.

São os planos de Previdência Privada VGBL e PGBL, que mais parecem siglas de novos gêneros de variações sexuais, que os gerentes das agências bancárias tentam empurrar nos clientes com uma avidez impressionante.

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P.S. 1
O governo deveria ser o primeiro a defender a auditoria, para justificar a reforma. Estranhamente, porém, não o faz. Os banqueiros, que serão os grandes beneficiários dessa reforma da Previdência, lançaram uma campanha bilionária nos meios de comunicação, para alegar que não são responsáveis pelos juros altos. É Piada do Ano, com toda certeza.

P.S. 2Por exclusão, votei em Bolsonaro no segundo turno, mas tenho a impressão de que seu governo vai ser vitorioso no combate ao crime, mas um tremendo fracasso em termos econômicos e sociais. (C.N.)

Boechat defendia o “não-voto”, como alternativa para aperfeiçoar a política

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Boechat dizia que a política era dominada por “quadrilhas”

Carlos Newton

Em fevereiro de 2013, o jornalista Ricardo Boechat propôs no Jornal da Band que o povo não deveria ir às urnas. A historiadora Clarinda Béja, professora de História pela UFRJ e com doutorado em Idade e Média e Revolução Francesa pela Sorbonne, não aceitou esse procedimento do âncora, por ter feito propaganda contra um direito de cidadania que é votar. A democracia, segundo a mulher do advogado Jorge Béja, só se fortalece com o pleno exercício do voto. Portanto, Boechat teria dado um mau conselho aos brasileiros.

Então, Clarinda Béja enviou a Boechat uma mensagem por e-mail, dando-lhe um delicado puxão de orelha. E o jornalista respondeu como um longo texto em que defendeu sua posição a favor do não-voto.

DISSE CLARINDA – A historiadora argumentou que o brasileiro não é um cidadão-pleno, ainda, porque não lhe é dada, através da Educação, a oportunidade de chegar à plenitude da cidadania.

“O que se faz com a Educação, nos municípios e estados – e disso dou testemunho – é um verdadeiro crime, que teve início com os militares em 1969 com a Lei 5.692 (Lei da Educação). Aí temos o começo da desqualificação do professor e da Escola para a ascensão cultural, social, política…. de cada indivíduo.
Imagine que o cidadão-eleitor ao ver que os candidatos são verdadeiros marginais e, por isso, deixasse de votar, eles não deixariam de ser eleitos porque em seus redutos eleitorais eles são poderosos e controladores dos votos e dos eleitores” – afirmou Clarinda Béja, acrescentando:

“A legislação eleitoral precisa ser mudada, sim. Vamos eleger pessoas que sejam dignas e nos representem como pessoas de bem. Não tenho esta sua certeza de que a abstenção (não-voto) poderá contribuir para modificar o caráter dos políticos. Mesmo com essa “choldra” que temos, infelizmente, há os que aparentam correção e honestidade e vocação pública, ainda que em muita menor porção”.

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NÃO-VOTO, UM ATO POLÍTICO CONSCIENTE
Ricardo Boechat

É covardia do estimado amigo convocar-me para um debate com a Professora Clarinda… Sou um jornalista sem escola, que nem o Segundo Grau concluiu, lá nos anos 60…

Minha pregação pelo não-voto é antiga, assim como minha convicção de que esse é um ato político legítimo e consciente. Não se trata de alienação, de negação à democracia construída pelo sufrágio universal, direto e secreto. Ao contrário: trata-se de lançar mão daquela que talvez seja, realisticamente, nossa única arma ao alcance da mão.

O fato, Professora, é que o exercício desse “direito” (aspas impostas pela obrigatoriedade legal de exercê-lo, num paradoxo semântico difícil de explicar) em nosso país deixou de ser a forma de intervenção da sociedade na condução do Estado e da Nação e se transformou, pela combinação de interesses das organizações partidárias, em mera legitimação de práticas tão escusas, sistemáticas, predominantes e notórias que dispensam exemplos.

SÃO QUADRILHAS – Não sou contra o voto, nem contra a democracia. Sou contra o voto que essa nossa realidade, essa nossa ‘legislação política’, nos impõem usufruir. Para as quadrilhas perenizadas no comando da política nacional – e, através dela, senhoras absolutas do Estado, seus poderes e recursos – o brasileiro não é um cidadão. Está reduzido à mera figura de votante. Nosso voto não decide nada, Professora, além da validação a cada dois anos do status ao qual parecemos habituados.

Enquanto nações evoluem nessa relação, no sentido de construir uma cidadania plena através do voto, nós sequer conseguimos fazer valer questões elementares, primárias, quase infantis, como a de impedir que marginais notórios ocupem postos de alto comando na estrutura parlamentar.

Canadenses, noruegueses, americanos e sei lá mais quantos votam não apenas no candidato, mas, a cada pleito, num conjunto de propostas que a própria sociedade decide definir.

TEMAS POLÊMICOS – Aborto, legislação ambiental, pena de morte, cassação de mandatos, corte de árvores, distribuição de verbas, licenciamento de veículos, construção de estradas… do mais grave e complexo ao mais prosaico, é o cidadão quem diz o que quer, quando quer, como quer.

Prego o não-voto na utopia de que, se um dia lhes negarmos esse oxigênio, se lhes cassarmos coletivamente a legitimidade, então, talvez, quem sabe, algo aconteça no sentido de se recomeçar, de se reformar, de se evoluir.

A VOZ DAS RUAS – O que mais, Professora, pode levá-los a reformar a Legislação Política? O que mais pode levá-los a temer a voz das ruas? O que mais poderá convencê-los de que somos os cidadãos, de fato e unicamente, os patrões dos políticos e dos governantes?

A Senhora talvez enumere alguns avanços. Eu lhe perguntarei quanto tempo levaremos para conquistarmos outros. No momento, por exemplo, um desses ‘progressos’ está sendo a votação do projeto que põe fim ao pagamento do 14º e do 15º salário aos deputados e senadores.

NÃO-RUPTURA – Não sei o quanto a consolam tais ‘avanços’. Mas, a mim, apenas revoltam. Talvez lhe pareça parte dos ganhos da nossa prática partidário-eleitoral as presenças de Renan Calheiros na presidência do Senado e de mais um Alves na presidência da Câmara. Mas, a mim, apenas afrontam. Quero mais do que isso, Professora. E sei que é possível. Basta olhar para o Mundo à nossa volta.

Minha ladainha vai continuar e, pelo que tenho acompanhado nas apurações, muitas outras vozes vem se elevando na mesma oração. Repito: não sei se essa ruptura nos levará ao que queremos. Mas, sem sombra de dúvida, a não-ruptura nos tem mantido onde não queremos. 

Militares exigem aumento salarial para participar da reforma da Previdência

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

A grande mídia não deu a menor repercussão à importante declaração do general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, na última sexta-feira, dia 8, durante entrevista a Roberto D’Ávila na GloboNews. O único site a tratar do assunto foi o G1, da Organização Globo, que destacou a informação de que os militares podem ser incluídos na reforma da Previdência. O próprio Azevedo e Silva, ao tomar posse no início de janeiro, perante o presidente Bolsonaro e autoridades civis e militares, afirmara que a Forças Armadas não poderiam ser incluídas.

PROTEÇÃO SOCIAL – Na posse, o general argumentou que os benefícios dos militares deviam ser considerados como “proteção social” e não como “previdência”, mesma tese defendida pelo comandante da Marinha e outros integrantes da oficialidade.

Portanto, a nova declaração do ministro da Defesa significa que o enfoque militar está mudando. Aliás, o governo ainda não enviou a proposta ao Congresso, mas o secretário da Previdência, Rogério Marinho, já afirmou que o presidente Bolsonaro pretende que a reforma seja para “todos os segmentos”.

SACRIFÍCIOS – Segundo o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, a “ideia do segmento militar” era deixar para um outro momento as mudanças nas aposentadorias de militares. Mas na GloboNews a declaração do ministro Azevedo e Silva, foi de que os militares já fizeram “sacrifícios”, mas podem fazer “mais alguns” ao comentar a reforma da Previdência Social. Confiram sua fala:

“O mais importante é que o governo está vendo que todos façam sacrifícios, é hora. Mas eu, como ministro da Defesa, não tenho que ver o sacrifício de 1º de janeiro até hoje. Tenho que ver os sacrifícios anteriores que os militares fizeram ou contribuíram e, basicamente, vejo a Constituinte de 1987, a Constituição de 1988 e chegou em dezembro de 2000, no último dia de 2000, dormimos de um jeito e acordamos com a medida provisória 2215, que tirou vários direitos adquiridos nossos. Ali, a contribuição foi muito forte e sem debate”, afirmou.

FALTA DEBATER – Questionado, então, se o tema ainda tem que ser muito debatido, o ministro concordou: “Muito debatido, porque o sacrifício dos militares e da família militar já aconteceu. Podemos discutir mais alguns? Podemos”.

Em tradução simultânea, a situação está no seguinte patamar. Os militares já aceitam ser incluídos na reforma da Previdência, mas exigem a revogação da medida provisória de FHC e a equiparação de seus salários à remuneração dos ministros do Supremo.

E outra discussão dificílima será sobre a situação dos militares já reformados, que também vão exigir aumento das aposentadorias e isso vai dar um problema infernal.

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P.S. 1-
Em resumo, a situação dos militares da ativa e da reserva é uma bomba-relógio que vai explodir no colo de Bolsonaro, como aconteceu no atentado do Riocentro, em 1981, que foi um protesto contra a anistia aprovada no governo João Figueiredo. 

P.S. 2- É justamente por isso que o próprio governo deveria determinar a realização de uma auditoria. Mas acontece que o ministro Paulo Guedes, ao invés de tentar salvar a Previdência Social, dedica todos os seus esforços para destruí-la e fortalecer a Previdência Privada, que não dá assistência à invalidez nem ampara a viúva e os filhos menores.

P.S. 3- “Afinal, que país é esse?”, perguntaria Francelino Pereira. E Renato Russo responderia: “É o paraíso dos banqueiros”. (C.N.)

Principal lição do genial Adam Smith terá de ser aprendida à força pelo Brasil

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A “mão invisível” de Smith existe, mas não pode se aplicar a tudo

Carlos Newton

Tenho especial admiração por determinados pensadores que se dedicaram a estudar a Civilização e, especificamente, a Teoria Econômica, a meu ver a mais importante e intrincada das ciências sociais, por ser inexata e imponderável, permanecendo como um eterno enigma a desafiar o conhecimento humano. Sou fascinado pelo trabalho desses estudiosos, como os alemães Karl Marx e Friedrich Engels, que operavam em dupla, o escocês Adam Smith, os britânicos John Maynard Keynes e Kenneth Clark, que nem economista era, mas estudou a Civilização como ninguém, e o canadense/americano John Kenneth Galbraith, que revisou os conceitos econômicos no Século XX.

É claro que há muitos outros que deveriam ser citados aqui,  mas hoje vamos nos fixar em Adam Smith, que viveu no  século XVIII, a Era do Iluminismo, é considerado o pai da economia moderna e  o mais importante defensor do liberalismo econômico.

SÓ NA TEORIA… – Acredito que, como teoria, o marxismo seja o ideal, mas só poderá ser aplicado quando o ser humano evoluir, se despojar da ganância e das fraquezas, tornando-se mais  espiritualista e menos materialista, o que só acontecerá daqui a 5 mil anos, conforme prevê nosso amigo Antonio Santos Aquino.

Enquanto a humanidade não chega lá, vamos analisar a fase atual do Brasil, para reconhecer a teoria da “mão invisível do mercado”, criada por Adam Smith.

Realmente, essa “mão invisível” existe e se aplica à muitas situações, mas sem os excessos do “laisser faire” (liberalismo desenfreado), é claro, que foi um equívoco bizarro de Adam Smith. 

CODINOME – Hoje em dia, a “mão invisível” pode também ser conhecida pelo codinome de “maioria silenciosa”, identificada no século passado por Richard Nixon e que agora se manifestou no Brasil durante a eleição de Bolsonaro, quando se misturaram a “mão invisível” e a “maioria silenciosa”.

Bolsonaro só foi eleito porque os brasileiros não aguentam mais. Sabem que o país está inviável, exigem solução para a impunidade, a insegurança, a desigualdade social, o desemprego e tudo o mais. Na verdade, a maioria preferiu Bolsonaro por entender que os outros candidatos não iriam agir com o rigor necessário, que Bolsonaro tanto propagava.

O fato é que as pessoas de bem estão exauridas, querem voltar a sair às ruas com tranquilidade, exigem tolerância zero contra os criminosos. Se for decidir no voto, a maioria defenderá a pena de morte e a execução sumária de qualquer criminoso que estiver portando fuzis, metralhadoras, lança-granadas ou qualquer arma de uso restrito, como propõe o governador Wilson Witzel.

DIREITOS HUMANOS – Contra a tolerância zero se levantam os defensores dos direitos humanos dos criminosos. Notem que os repórteres sempre entrevistam os parentes dos bandidos mortos em confronto, e eles logo alegam que a vítima era “trabalhador”. Quando admitem que era traficante, dizem que não oferecia perigo, pois nem andava armado, coisas desse tipo.

Assim, as reportagens acabam sendo publicadas a favor do crime e denunciando excessos dos policiais, como aconteceu sexta-feira passada no Rio de Janeiro, quando 13 criminosos foram mortos em operação contra o tráfico.

PROFISSÃO PERIGO – Os repórteres esquecem que hoje a profissão mais perigosa do mundo é ser PM no Brasil. Os policiais que patrulham  as ruas e enfrentam as facções criminosas, jamais sabem se estarão vivos no dia seguinte. A vida deles é uma roleta sinistra.

Com Jair Bolsonaro e Sérgio Moro, a tolerância zero está garantida, mas será uma guerra longa e desgastante, que ninguém sabe quando vai acabar. 

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P.S. 1 – A “mão invisível do mercado” e a “maioria silenciosa” estão dando força total aos policiais na guerra contra o crime. E o defensores dos direitos humanos dos criminosos ficarão falando sozinhos. O Brasil não é a Suíça nem a Dinamarca, muito pelo contrário. Está no meio de uma guerra de sobrevivência, e não é mais possível ser complacente com os inimigos da sociedade.

P.S. 2 O grande jornalista Elio Gaspari fez neste domingo uma homenagem a Jorge Béja, ao republicar trecho do artigo do jurista, escrito aqui na Tribuna, sobre o projeto de Moro: Escreveu Gaspari em sua coluna na Folha e em O Globo: De um sábio que entende de leis: “Ao nominar o PCC e outras facções de criminosos, o ministro Sérgio Moro deu-lhes um verdadeiro CNPJ”. No caso, o sábio citado é o nosso querido amigo Béja. (C.N.)

Bolsonaro reage bem e seus médicos diminuem a alimentação via venosa

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Bolsonaro apresenta melhora significativa da pneumonia

Carlos Newton

O boletim médico deste domingo, dia 10, revela que o presidente Jair Bolsonaro mantém boa evolução clínica e está sem febre, o quadro pulmonar apresenta melhora significativa e prossegue com os mesmos antibióticos. “Iniciou-se hoje a redução gradativa da nutrição parenteral e mantém a dieta cremosa associada ao suplemento nutricional especializado por via oral. Segue realizando exercícios respiratórios e de fortalecimento muscular, alternados a períodos de caminhada”, assinala, acrescentando que as visitas permanecem restritas, por ordem médica.

Assinado pelos médicos responsáveis, o cirurgião Antônio Luiz Macedo, o clínico e cardiologista Leandro Echenique e o diretor superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein, Miguel Cendoroglo, o novidade mais positiva do boletim médico é que o paciente está recebendo bem a alimentação cremosa e líquida e está sendo gradativamente reduzida a alimentação parenteral, feita por via venosa.

Como continua na Unidade de Tratamento Semi-Intensivo, sem autorização para receber visitas, o estado de saúde do presidente ainda requer cuidados especiais e não há previsão de alta.

 

Desculpem, mas a Tribuna da Internet esteve fora do ar por motivo ignorado

Resultado de imagem para internet fora do ar chargesCarlos Newton

Mais uma vez, fomos tirados do ar por motivo ignorado pelo servidor UOL. Ou seja, fomos “derrubados”, como se diz hoje em dia. Não é a primeira vez, nem será a última. Parece que tem “boi” na nossa linha. Como dizia o grande compositor paulista Paulo Vanzolini, que era zoólogo e gostava dos animais, não adianta nos derrubar, porque a gente levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.

E hoje o blog está cheio de notícias pesadas, como sempre, aliás.

Gilmar Mendes tenta levar o STF a reagir corporativamente contra a Receita

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Gilmar plantou “fake news” de que os ministros são solidários a ele

Carlos Newton

Teve enorme repercussão em Brasília o vazamento da informação de que o ministro Gilmar Mendes e sua mulher Guiomar são alvos de um procedimento da Receita Federal que apura “focos de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e tráfico de influência”. Rápido no gatilho, o polêmico ministro reagiu à matéria da “Veja” pedindo apoio a Dias Tofolli, seu melhor amigo no Supremo, que prontamente se comunicou com a Receita, pedindo providências. E o secretário Marcos Cintra atendeu ao presidente do STF, mandando apurar o procedimento dos auditores.

A curiosidade que cerca o assunto é imensa, porque ninguém sabe o teor da denúncia que fez os auditores da Receita abrirem o procedimento de investigação. A única coisa que se sabe é que a movimentação financeira do casal Mendes é absolutamente atípica.

MUITO DINHEIRO – Segunda a revista “Veja”, um relatório de maio de 2018 apontou uma variação patrimonial do ministro, em 2015, de R$ 696.396, sem justificativa. Assinalou, ainda, que Guiomar “possui indícios de lavagem de dinheiro”. E destacou que a movimentação financeira do casal é alta. Em 2016, por exemplo, chegou a R$ 17,3 milhões.

A Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) protestou contra a divulgação dos relatórios de fiscalização do ministro e pediu apuração e punição rigorosa de quem facilitou o vazamento. Mas a entidade fez questão de assinalar que “o Brasil é signatário da Convenção da ONU sobre combate à corrupção, bem como de outros compromissos e organismos internacionais, que definem que as pessoas politicamente expostas (PPE), grupo que inclui os ministros do STF, devem ser submetidas a um maior rigor por parte das autoridades tributárias, por estarem expostas a um maior risco de se envolverem em casos de corrupção”.

SEM ILEGALIDADE – A nota oficial da Unafisco destaca que nada há de ilegal ou anormal na existência de investigação na vida fiscal do ministro Gilmar Mendes. “Eventuais repercussões criminais serão apuradas pelas autoridades competentes para tanto, no tempo da lei. É de conhecimento público que, em muitos casos da Operação Lava Jato, por exemplo, ficou demonstrado que ilícitos tributários eram antecedentes de lavagem de dinheiro e de outros crimes”, diz a entidade, acrescentando:

“O que a Unafisco Nacional ressalta é que não há justificativa, moral ou legal, para qualquer nível de indignação do referido ministro do STF ou de qualquer outra autoridade pública quanto à existência da investigação de sua vida fiscal”.

PERSEGUIÇÃO POLÍTICA” – No desespero, Gilmar Dantas imita Lula e Flávio Bolsonaro, ao afirmar que é alvo de “abuso de autoridade”. E está pedindo que os demais ministros protestem contra a Receita.

Seus assessores já plantaram matérias nos sites da grande imprensa, neste sábado, dando conta de que todos os ministros do Supremo estariam revoltados com a Receita e dispostos a reagir corporativamente. Mas eram “fake news”, porque até a noite de ontem nenhum ministro saiu em defesa de Gilmar Mendes. Pode ser que neste domingo até surja alguma declaração em defesa dele, mas sempre com reticências e atendendo a pedidos.

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P.S. 1 Desde o início da Operação Lava Jato, em 2014, a Receita Federal tomou um novo rumo. A atuação dos auditores foi fundamental no trabalho investigativo das forças-tarefas, ao lado da Polícia Federal e do Ministério Público. Pela primeira vez, os auditores experimentaram a sensação de independência e de dever cumprido, tomaram gosto e estão agindo decisivamente em defesa dos interesses nacionais.

P.S. 2 – Gilmar Mendes pensou que era uma espécie de vice-rei, mas está enganado. É apenas um brasileiro como qualquer outro, que não pode mais vacilar e deve se recolher à sua insignificância. O país não o suporta mais. Por isso, ele já não pode viajar de avião comercial, tem de fretar jatinhos. Mas tem tanto dinheiro que não será surpresa se comprar um avião executivo para seus deslocamentos sigilosos. (C.N.)

Bolsonaro evolui bem e começa a ingerir comida pastosa, diz o boletim médico

Presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, na sexta-feira (8), no Hospital Albert Einstein — Foto: Divulgação/Presidência da República

Bolsonaro despachou sexta-feira com o ministro Tarcísio Freitas

Carlos Newton

O boletim médico divulgado neste sábado relata que o presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade Semi-Intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein, sem febre e com boa evolução clínico-cirúrgica. O quadro pulmonar está em regressão e houve melhora dos exames laboratoriais, diz o laudo assinado pelo cirurgião Antônio Luiz Macedo, pelo clínico e cardiologista cirurgião Leandro Echenique e pelo diretor superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein. Miguel Cendoroglo.

O boletim acrescenta que, devido à evolução da movimentação intestinal e boa aceitação da dieta líquida, hoje foi iniciada uma dieta cremosa, com ótima aceitação. Segue com os antibióticos e a nutrição parenteral (via venosa). Estão sendo mantidas as medidas de prevenção de trombose venosa, realizados exercícios respiratórios e aumento dos períodos de caminhada fora do quarto. Mas, por ordem médica, as visitas permanecem restritas.

BOA EVOLUÇÃO – De forma clara, o boletim da equipe mostra que Bolsonaro vem tendo uma boa evolução, notadamente na parte gastrointestinal, com o começo da alimentação pastosa, última etapa antes de passar a ingerir alimentos sólidos, que melhorarão seu estado geral e fortalecerão sua imunidade a doenças oportunistas.

E dentro da estratégia de mostrar que está à frente do governo, o presidente publicou em rede social neste sábado (dia9) que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, vai anunciar medidas de ‘desburocratização e economia’ para o trânsito.

Segundo o site G1, Bolsonaro mencionou algumas medidas como a ampliação da validade da carteira nacional de habilitação (CNH) e fim da obrigatoriedade de aulas em autoescolas com simuladores. A resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que tornou obrigatório o uso de simuladores pelas autoescolas é de 2015.

Sem dar detalhes das mudanças, o presidente também afirmou que “medidas que afetam caminhoneiros serão extintas ou revistas” e falou em simplificação do emplacamento.

A cada dia, a notícia mais importante é o boletim dos médicos de Bolsonaro

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Sem poder ingerir alimentos sólidos, Bolsonaro está debilitado

Carlos Newton

Em meio a notícias terríveis, de mar de lama em todo canto, tragédias causadas pelo homem e pela natureza, tudo é tristeza, desolação, sofrimento, e a cada dia aumenta o suspense sobre a doença do presidente Bolsonaro.

BOLETIM MÉDICO – Todo dia, a notícia mais esperada no país é o boletim médico que a equipe do Hospital Albert Einstein divulga no final de tarde e é comentada pelo porta-voz da Presidência, general Rego Barros. Estreantes na função, o chefe da equipe médica e o representante do Planalto tentam passar um quadro de otimismo que acaba soando falso e fica mais negativo do que positivo. Nesta quinta-feira, por exemplo, ao anunciar que o presidente estava com pneumonia, o cirurgião Antônio Luiz Macedo afirmou ao Estadão: “É bem sutil, é mais devido à fraqueza de uma cirurgia muito grande. É uma coisa bem levezinha”.

Não é bem assim, porque em seguida o próprio dr. Macedo acrescentou que “vai levar mais ou menos de cinco a sete dias para [a pneumonia] ser completamente debelada”.

QUADRO COMPLICADO – Não adianta tentar ocultar a verdade. A pneumonia “bem sutil” é um complicador para um paciente que está com “a fraqueza de uma cirurgia muito grande”, nas palavras do experiente médico.

O maior problema é justamente este – a debilidade do organismo de Bolsonaro, que não ingere alimentação sólida desde o dia 27, quando se internou. Depois da operação, vinha recebendo nutrição por sonda, e somente na noite de quinta-feira começou a ingerir alimentação líquida – caldo de carne. E na manhã de sexta-feira, comeu um pouco de gelatina.

Foi uma notícia auspiciosa, porque o presidente precisa se alimentar para fortalecer o organismo e ganhar mais resistência. Se até sexta-feira ele não conseguia sequer ingerir alimentação líquida, era sinal de que alguma coisa não estava correndo bem.

DISSE O PORTA-VOZ – Na quarta-feira, dia 6, o porta-voz da Presidência tentou minimizar os problemas de saúde, dizendo que Bolsonaro estava bem e ainda mantinha o mesmo peso de antes da internação. Convenhamos, o porta-voz não precisa nem deve exagerar. Dizer que Bolsonaro não perdeu peso, já estando há 11 dias sem alimentação sólida e depois de 10 dias sem sequer beber água, certamente foi um pouco demais…

Em tradução simultânea, o estado de Bolsonaro é grave, ele se descuidou bastante na fase de recuperação e por isso sua situação se complicou. Tem condições de se recuperar, mas só saberemos dentro de quatro dias, quando a pneumonia já estiver debelada, para que a equipe médica possa concentrar esforços na recuperação do sistema intestinal.

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P.S. 1– Nesta sexta-feira, Bolsonaro usou a “sala de reuniões” para receber o ministro da Infra-Estrutura e o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, para manter a farsa de que está à frente do governo. Os dois usavam máscaras cirúrgicas para evitar contaminar o presidente, e os médicos irresponsavelmente permitem esses absurdos, sabendo que o presidente está com baixa imunidade.

P.S. 2 – Enquanto isso, o vice Hamilton Mourão continua impedido de assumir a Presidência da República. Se o porta-voz do Planalto conseguisse explicar o motivo, a opinião pública brasileira agradeceria, é claro. (C.N.)

Bolsonaro piora, Mourão não assume e o país não tem ninguém a governá-lo

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Mourão não governa, enquanto Bolsonaro finge que governa

Carlos Newton

Foi um espanto saber que o presidente Jair Bolsonaro teve febre (38ºC) na noite de quarta-feira e, após ser submetido a exames, apresentou quadro compatível com pneumonia . A informação foi confirmada através do boletim médico do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde ele está internado desde a semana passada, e também pelo porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros.

O mais espantoso é que essa informação significa que o presidente da República não está desempenhando suas funções, o escritório montado no Hospital Albert Einstein jamais foi usado, não há previsão de que Bolsonaro reassuma nos próximos dias, e mesmo assim o vice-presidente Hamilton Mourão continua impedido de exercer as atribuições para as quais foi eleito.

VOLTA FORÇADA – Desde o dia 27 de janeiro, um domingo, o presidente viajou para São Paulo para os preparativos da operação a que se submeteria na segunda-feira, dia 28, uma cirurgia muito complicada, com anestesia geral e que durou nove horas. Mesmo assim, o Planalto manteve a farsa de fazê-lo reassumir o cargo na manhã de quarta-feira, embora estivesse proibido de receber visitas e até de falar, para evitar a formação de gases no aparelho gastrointestinal.

No hospital, foi montado um escritório para Bolsonaro despachar, mas desde então o único ato administrativo que teve foi assumir um documento ainda deitado na cama. Depois, piorou, teve febre, continuou com restrição a visitas e a conversas, mas mesmo assim o vice-presidente Mourão não assumiu.

A farsa é tamanha que foi o ministro Sérgio Moro quem assinou o decreto de nomeação do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, cujo nome verdadeiro é diferente, mas usa esse pseudônimo em sua atividade política.

ATO NULO – O decreto de nomeação do ministro codinome tem o valor semelhante ao de uma nota de três dólares. Apesar dessa nulidade do ato, que para ser válido precisa ser assinado pelo presidente da República, o surpreendente ministro de nome variável já reassumiu ilegalmente o cargo, vejam a que ponto de esculhambação administrativa este país chegou.

Agora, o presidente Bolsonaro pegou uma pneumonia, cuja tradução simultânea significa, na melhor das hipóteses, pelo menos mais dez dias no estaleiro, para dizermos o mínimo. Mesmo assim, o vice-presidente Mourão não é chamado a assumir a função constitucional que lhe cabe.

Alguém poderia informar o motivo desse flagrante boicote ao vice-presidente da República? O povo quer saber. Aliás, o governo tem até porta-voz, mas o general de plantão no cargo nada informa a respeito.

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P.S. 1
– Pessoalmente, não me preocupo com isso, porque em 2010/2011 a Bélgica ficou 511 dias sem governo, não houve problemas e o país continuou a crescer.

P.S. 2 – No caso do Brasil, nem interessa se existe governo ou não, porque o país parece ser ingovernável. Aqui, mudamos os presidentes, mas quem continuam comandando tudo são os banqueiros, que no filme “Casablanca” seriam considerados “os suspeitos de sempre”. (C.N.)

Proposta de Moro é muito adequada e atende às necessidades atuais do país

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Moro está certo ao aumentar o rigor da lei e proteger os policiais

Carlos Newton

Tom Jobim tinha razão em suas afirmações, quando dizia que “morar no exterior é bom, mas é uma merda, e morar no Brasil é uma merda, mas é bom”. Ou quando lamentava que no Brasil não se goste do vencedor e se prefira o fracassado, citando Pelé e Garrincha como exemplos. Com toda certeza, esse pensamento do maestro pode ser adaptado para os dias atuais, em que um homem como Sérgio Moro recebe críticas infundadas em sua luta permanente contra o crime e a impunidade das elites.

Em minha opinião, são capciosas quase todas as críticas feitas até agora a proposta de Moro, que considero realmente extraordinária e plenamente adaptada às necessidades atuais do país, que hoje está travando uma guerra sangrenta contra o crime organizado.

CRÍTICAS DE BÉJA – Até agora, as únicas críticas construtivas foram dirigidas pelo jurista Jorge Béja. Realmente, ficou com sentido dúbio um dos principais pontos da proposta, justamente a parte que se refere à obrigatoriedade do cumprimento da pena após segunda instância, porque o parágrafo 1º tirou a força do caput do artigo.

“§ 1º – O tribunal poderá, excepcionalmente, deixar de autorizar a execução provisória das penas se houver uma questão constitucional ou legal relevante, cuja resolução por Tribunal Superior possa, plausivelmente, levar à revisão da condenação“.

Béja tem toda razão na crítica, até porque, se existir indicação de “questão constitucional ou legal relevante” que possa inocentar o réu, o tribunal de segunda instância não pode condená-lo. Se o fizer, estará cometendo um erro judiciário. O parágrafo é totalmente dispensável.

RIGOR NA LEI – Quanto ao excessivo rigor na lei, apontado por alguns críticos, é justamente isso que os brasileiros exigem. Argumentar que os presídios ficarão lotados é só uma falácia, porque automaticamente as Varas de Execução Penal terão de libertar os detentos sem periculosidade.

As inovações de Moro são absolutamente necessárias, como o banco nacional de DNA e a criação da figura do “informante do bem”, que abre a possibilidade de premiar denunciantes de esquema de corrupção com o equivalente a 5% do dinheiro recuperado pelas autoridades, uma prática destinada a diminuir expressivamente os casos de corrupção.

Outro equívoco são as críticas de defensores de direitos humanos à possibilidade do “Plea Bargain”, a medida permitindo que haja acordo entre o acusado e o Ministério Público em troca de benefícios como a redução de pena, sem necessidade de julgamento.

MATAR OU MORRER – Erram também os que criticam a redução ou isenção de pena a policiais que em serviço atiram em criminosos que os enfrentam. É patético que os defensores dos direitos humanos se comportem como se estivessem na Suíça ou no Japão. Aqui no Brasil, ser policial é profissão de altíssimo risco, os PMs morrem aos magotes.

Como dizem o presidente Jair Bolsonaro e o governador Wilson Witzel, é preciso entender que se trata de uma guerra, e a sociedade civil (mesmo com ajuda militar) está perdendo todas as batalhas. No Rio, em uma só operação, os traficantes mataram três militares da Guarda Nacional, vejam a ponto vai a audácia dessa gente.

Moro está corretíssimo ao propor o rigor da lei. É a única forma de defender os direitos humanos dos cidadãos e dos policiais, mas aqui no Brasil, como dizia Tom Jobim, se prefere defender os direitos humanos dos criminosos.

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P.S. 1 – Quando a guerra for enfim vencida e as facções criminosas aprenderem que existe lei neste país e a sociedade civil e militar tem mais poder do que o crime organizado, aí sim poderemos falar em direitos humanos. 

P.S. 2 – Por enquanto, é recomendável aceitar a proposta do governador Witzel, de que sejam abatidos todos aqueles que estiverem portando fuzis, metralhadoras, lançadores de granadas e outras armas de uso restrito. Exatamente como se faz nas guerras. (C.N.)

Generais de Bolsonaro precisam acordar e passar a defender os interesses nacionais

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Os militares agora estão no poder e não podem decepcionar o país

Carlos Newton

O grande filósofo norte-americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882) costumava dizer que toda instituição é reflexo de seu dirigente. Seu livro “Liderança é uma Arte” foi um best-seller que ficou na História. Na era moderna, quando passaram a existir macroempresas e megaorganizações, precisamos adaptar as ideias de Emerson, para concluir que os governos também refletem o estilo dos seus dirigentes.

PODERES DELEGADOS – Hoje em dia, a função de primeiro-ministro ou presidente da República é mais representativa do que executiva, pois o ato de governar é delegado aos ministros e também ao segundo escalão, que é o responsável mais direto pelo ato de governar, que inclui licitar e gastar os recursos públicos, devemos lembrar.

No caso de Jair Bolsonaro, uma expressiva parte de seus eleitores votou nele na esperança de que trouxesse os militares de volta ao governo, porque na experiência iniciada em 1964 eles se saíram bem administrativamente (o que de forma alguma justifica os excessos inaceitáveis cometidos por toda ditadura, seja civil ou militar). Como se sabe, entre 1950 e 1980, o Brasil foi o país que mais cresceu no mundo, com média de 7,4% ao ano. Chamou-se a isso de “milagre brasileiro”.

CUSTO DO DINHEIRO – E qual a diferença entre o Brasil daquela época e o Brasil de hoje? A meu ver, a diferença principal é o custo do dinheiro. Antigamente havia limitações e os bancos não podiam cobrar juros compostos (os chamados juros sobre juros).

Não se sabe como isso aconteceu, mas durante o regime militar os bancos deram um jeito de passar a fixar taxas mensais, ao invés de anuais, e isso significou cobrar juros sobre juros, algo que até hoje não acontece na nossa Matriz, os Estados Unidos, mas se tornou a praxe aqui na Filial, onde os banqueiros são os verdadeiros donos do pedaço,como se dizia antigamente.

Na Constituinte, em 1988, houve a tentativa de evitar a excessiva exploração financeira, chegou-se a fixar os juros máximos em 12% ao ano: Art. 192, parágrafo 3º – “As taxas de juros reais, nelas incluídas comissões e quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente referidas à concessão de crédito, não poderão ser superiores a doze por cento ao ano; a cobrança acima deste limite será conceituada como crime de usura, punido, em todas as suas modalidades, nos termos que a lei determina”.

SUPREMO VETOU – Se a Constituição fosse obedecida, hoje o Brasil seria uma potência econômica. Mas o Supremo (ele, sempre ele…) considerou esse dispositivo letra morta e permitiu que os bancos cobrassem as taxas que bem entendessem. E assim o Brasil se transformou em campeão mundial de juros bancários.

Sem medo de errar, podemos dizer que o Supremo é o maior inimigo da pátria. Além de abrir o Brasil à exploração do capitalismo financeiro, o tribunal destruiu o teto salarial fixado pela Constituinte e passou a aprovar os penduricalhos. Acabou, também, com os planos de carreira – hoje, um juiz iniciante ganha quase o mesmo salário de um juiz com 30 anos de exercício. A meritocracia foi para o espaço.

E OS GENERAIS? – A única esperança que os brasileiros podem ter é de que os generais que assessoram Bolsonaro acordem para a realidade. Primeiro, raciocinando sobre a seguinte questão: “Se a dívida pública é o maior problema brasileiro, por que não é discutida, por que a equipe econômica jamais a menciona?”

Depois, podiam refletir sobre os juros compostos: “Se os EUA não adotam essa prática, porque o Brasil o faz?”. Por fim, complementando a análise econômica, que tal raciocinar sobre o BNDES? Afinal, a indústria brasileira somente se desenvolveu porque o BNDES cobrava aos empresários nacionais os juros de país civilizado, através da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

De repente, o presidente do BNDES, Joaquim Levy, decide acabar com a TJLP. Por quê? Não há motivos, generais. Levy era diretor do Bradesco. É um antinacionalista igual a Paulo Guedes, seu objetivo é fortalecer os banqueiros, apenas isso.

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P.S. 1
Ainda há tempo. Bolsonaro e os filhos não entendem nada de economia, Guedes dá uma volta neles com a maior facilidade. Mas os generais são preparados. Fizeram curso de Estado Maior e a Escola Superior de Guerra, não podem nos decepcionar.

P.S. 2 – Se os generais bobearam, a equipe econômica lhes passará a perna e o Brasil continuará refém da dívida pública e dos interesses dos banqueiros. Pessoalmente, eu torço para que os generais acordem. Mas já tenho dúvidas se eles realmente querem defender os interesses nacionais.

P.S. 3 – Por exemplo: ao invés de tentarem tirar o corpo fora na reforma da Previdência, os militares deviam exigir uma auditoria. Como dizia Francisco Barroso, o Brasil espera que cada um cumpra seu dever. Mas quem se interessa? (C.N.)

Sem palavrões e maiúsculas (não é preciso GRITAR), o blog segue em frente

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Ilustração reproduzida do Humor Inteligente

Carlos Newton

É uma utopia achar que um blog como a “Tribuna da Internet” possa ser editado educadamente, sem palavrões, ofensas e “gritos” (mensagens em letras MAIÚSCULAS). Mas nosso objetivo é justamente este – perseguir utopias. No próximo dia 16 de maio, completaremos 10 anos de funcionamento praticamente ininterrupto, pois só estivemos fora do ar quando sofremos diversos ataques de hackers. Um deles foi tão poderoso, em abril de 2013, que o servidor UOL demorou vários dias até nos reativar. E quando voltamos ao circular, tinham sido apagados do arquivo centenas de milhares de comentários.

Essas dificuldades não nos desanimam. Pelo contrário, servem de incentivo para que continuemos em frente, mantendo na internet algo muito raro – um espaço onde podem ser trocadas ideias livremente, não importa a tendência ideológica, partidária ou filosófica.

PENSAMENTO ÚNICO? – Alguns participantes que estão há menos tempo por aqui reclamam e criticam a “Tribuna da Internet” por acolher opiniões divergentes. Sonham com um blog dirigido e com pensamento único, que é justamente a postura mais antidemocrática que existe. E podemos garantir que isso jamais ocorrerá aqui.

Há também os que se empenham em alfinetar os outros. Ao invés de trocar ideais e opiniões, tentam ridicularizar os comentários que não lhes agradam, o que é também um comportamento deletério, a ser evitado.

Quanto aos palavrões e ofensas, parece que isso está cada vez mais difundido desde que entrou em moda o comportamento do neoguru Olavo de Carvalho, com histerismos, chiliques e tudo o mais. Mas seus admiradores devem procurar outros espaços na internet que aceitem esse baixo nível, porque aqui nada disso será tolerado.

BALANÇO DO BLOG – Como sempre fazemos, agradecemos aos participantes que colaboram para manter esse espaço livre. Em janeiro, tivemos as seguintes contribuições em nossa conta na Caixa Econômica Federal:

DATA    REGISTRO    OPERAÇÃO           VALOR
02          002915        DP DINH AG         100,00

04          040901        DP DINH LOT         50,00
07          002915        DP DINH AG         100,00
14          002915        DP DINH AG         100,00
21          002915        DP DINH AG         100,00
28          002915        DP DINH AG         100,00
28          281249        DP DINH LOT         50,00
30          300931        DP DINH LOT        100,00

Na conta do Banco Itáu/Unibanco, foram feitas as seguintes contribuições:

04          TED 033.1593 DAVIDSOUZA       60,00
09          TBI 2971.21174-9 C/C              150,00
15          TED 001.446 MARIOACRO         250,00
31          TBI 0406.49194-4 C/C              100,00
31          TED 033.3591 ROBERTOSNA     200,00

Agradecendo,  mais uma vez, a todos os que participam, vamos em frente.