Para acalmar o STF, Janot apresenta o pedido de prisão de Joesley, Saud e Miller

Resultado de imagem para janot charges

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

Às vésperas de deixar o cargo, o procurador-geral Rodrigo Janot estava trabalhando em dois objetivos simultâneos de altíssima complexidade. O primeiro deles é concluir as duas flechadas que faltam. Uma delas será desfechada contra a quadrilha de deputados do PMDB, entre os quais se incluía o atual presidente Michel Temer; e a segunda, considerada a “flecha de prata”, é a nova denúncia criminal contra o chefe do governo, com mais provas de corrupção e lavagem de dinheiro. E o segundo objetivo, também com alto grau de dificuldade, era acalmar o Supremo Tribunal Federal e seguir em frente com as investigações da delação dos irmãos Batista e da JBS.

No caso das duas flechadas, tudo bem. Não falta bambu e o doleiro Lúcio Funaro fez a gentileza de contribuir com pesadíssimas denúncias contra o presidente Temer e seus principais cúmplices – entre eles, o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. E já se sabe que a flecha de prata terá tal precisão que o relator Edson Fachin será obrigado a aceitar a denúncia, e vai começar tudo de novo, com parecer da Comissão de Constituição e Justiça e depois a decisão do plenário da Câmara, se afasta o presidente e abre processo, ou não.

DIFICULDADE – A maior dificuldade do procurador-geral neste final de maratona era acalmar o Supremo. Na quarta-feira, dia 6, Luiz Fux falou em nome dos outros nove ministros em plenário (Gilmar Mendes estava em Paris) e exigiu que Janot pedisse a prisão de Joesley Batista e de seu executivo Ricardo Saud. Tudo tinha sido combinado antes, é claro, Janot ouviu em silêncio e não moveu um só músculo da face. De lá para cá, tentava encontrar uma forma de acalmar o Supremo, mas sem deixar sequelas à Lava Jato.

Ao contrário do que diz o imponderável Gilmar Mendes, o procurador-geral não é “desclassificado” nem “desequilibrado”. Pelo contrário, tem se mostrado comedido e suas importantes decisões sempre foram confirmadas pelos relatores Teori Zavaschi e Edson Fachin.

Quem parece desequilibrado é o próprio Gilmar Mendes, que ataca Janot desesperadamente, tentando anular as provas contra o amigo Temer, e o procurador nem responde às provocações, simplesmente segue adiante.

FERIADÃO ESTRATÉGICO – Para Janot, o feriadão veio a calhar, porque a pressão diminuiu. E ele mostrou serviço, fazendo a Procuradoria trabalhar no feriado, para ouvir Joesley Batista e seus executivos Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva, e na sexta-feira, para o depoimento do ex-procurador Marcelo Miller, que se demitiu da Procuradoria para trabalhar na defesa da JBS.

Após os novos depoimentos de Joesley e Saud, Janot se curvou à realidade. Na noite desta sexta-feira, sem esperar o depoimento de Miller, o procurador-geral se apressou em aplacar a sede de vingança do Supremo e enviou logo o pedido para prender o empresário e dono do grupo J&F, Joesley Batista, o ex-diretor Ricardo Saud e do ex-procurador da República Marcello Miller.

Como se sabe, na gravação entregue à Procuradoria pela própria defesa da JBS, Saud e Joesley conversam sobre uma suposta interferência de Miller para ajudar nas tratativas de delação premiada.

NAS MÃOS DE FACHIN – Caberá ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte, analisar o documento. Não será nada fácil. Embora as notícias liberadas até esta manhã de sábado ainda não informem as bases jurídicas dos pedido de prisão, já se sabe que, no caso do ex-procurador Miller, parece arriscado lhe atribuir participação em crimes, como envolvimento com organização criminosa, exploração de prestígio e obstrução de justiça.

Miller pediu exoneração em 23 de fevereiro. A demissão saiu em 4 de março. Duas semanas depois, em 17 de março, na conversa de bêbados ocorrida exatamente no dia em que a JBS tinha sido alvo da Operação Carne Fraca, a gravação mostra que Joesley orientou Saud a então se aproximar do ex-procurador Miller, para, a partir daí, tentarem chegar a Janot.

No dia 11 de abril, quase um mês depois da demissão, Miller participou de uma reunião entre a defesa dos executivos da JBS e membros do MPF. Ele compareceu já na condição de representante do escritório Trench, Rossi e Watanabe, mas não concretizou nenhum ato formal de advogado.

No dia 18 de abril, Miller voltou à Procuradoria, mas nem entrou na reunião, porque ele só participava da tratativa do acordo de leniência. Assim, foi orientado a se dirigir a outro local, a Procuradoria da República do DF, onde haveria reunião no mesmo dia sobre o tema de sua atuação. Estes são os fatos envolvendo Miller.

HOMOLOGAÇÃO – Um mês depois, a 18 de maio, Fachin homologou o acordo de delação premiada da JBS, sem que Miller tivesse participado de qualquer reunião a esse respeito. E agora, cadê o crime de Millerm que depôs nesta sexta-feira à Procuradoria Regional da República (2ª Região), no Centro do Rio, durante dez horas. O depoimento terminou no início da madrugada deste sábado (9), por volta de 1 horas.

Seu advogado, André Perecmanis, disse que não entende a decisão de Janot. “Por que esse pedido de prisão antes do depoimento? Para que o depoimento, então? Dez horas de depoimento para se ter um pedido (de prisão) pronto? As declarações dele (Miller) não interessam para o MP?”, questionou a defesa.

Realmente, Janot apressou-se demais. Poderia deixar a prisão de Miller para depois a análise do depoimento, para lhe garantir o direito de defesa.

E JOESLEY E SAUD? – Da mesma forma, há enorme curiosidade para se saber a justificativa do pedido de prisão de Joesley e Saud. Qual o motivo? Tomar um porre federal e se jactar de que são importantes e pretendem influir na Procuradoria e no Supremo? Qual é o crime em que podem ser enquadrados esses dois caipiras irresponsáveis? Desacato à autoridade? Desobediência à ordem legal de funcionário público? Ou a prisão foi motivada por usarem a crise para especular na Bolsa?

Como diz o velho bordão humorístico, o povo quer saber…

###
P.S.Talvez o ministro Gilmar Mendes, que se julga “primus inter pares” (“primeiro entre iguais” ou “melhor do que os outros”), com seu vastíssimo conhecimento jurídico, tenha contribuído para enquadrar em algum crime o ex-procurador Miller e a dupla Joesley & Saud, mas vale lembrar que no Código não existe “tentativa ou pretensão” de obstruir a Justiça.

P.S. 2 Aliás, o que aconteceu a Gilmar Mendes? Estava marcado para retornar dia 7 de setembro. Se voltou, está como a Conceição cantada pelo Cauby Peixoto: “Ninguém sabe, ninguém viu”.  (C.N.)

Pré-falida, parte da imprensa força uma barra para ajudar a desmontar a Lava Jato

Resultado de imagem para imprensa vendida charges

Charge do Clóvis Lima (Arquivo Google)

Carlos Newton

É duro constatar a situação da grande imprensa. Nenhum setor empresarial tem sofrido tão duramente os efeitos da estagflação (recessão com  inflação) que a economia brasileira vem registrando nos últimos anos. Jornais são fechados um atrás do outro, como o tradicional “Jornal do Commercio”, o mais antigo do Rio de Janeiro, e o “Jornal de Brasília”, que era o segundo mais importante órgão de imprensa da capital. As revistas diminuem a tiragem, fazem até edições em tamanho menor e também vão sucumbindo. A situação das rádios é desalentadora e apenas as grandes redes de TV conseguem se segurar, mesmo assim com enormes dificuldades e com o providencial auxílio do uso do horário politico, que de gratuito não tem nada e vai custar cerca de R$ 1 bilhão em 2018, em isenção fiscal.

“OPERAÇÃO ABAFA” – Em meio a essa gravíssima crise financeira, não causa surpresa que alguns órgãos de comunicação estejam se curvando à força da chamada “Operação Abafa’, que visa a inviabilizar a Lava Jato e manter o status quo da política, para beneficiar também as grandes empresas envolvidas em corrupção. Afinal, o governo federal é o maior anunciante do país e o dinheiro das empresas corruptoras também faz falta à mídia.

Para qualquer jornalista que tenha um mínimo de respeito próprio, abordar este assunto chega a ser dilacerante. É triste ver as redações encolhidas, num processo progressivo e que ninguém sabe aonde vai parar. Antigamente, os grandes jornais mantinham sucursais. Depois, passaram a ter correspondentes. Atualmente, nem isso, estão se abastecendo com notícias de “free-lancers” (colaboradores) locais, como está acontecendo com a cobertura da chamada República de Curitiba.

CULPA DA INTERNET? – Parte da culpa dessa crise, por óbvio, é da internet, que democratiza cada vez mais a informação. Mas surgem as distorções, criando-se sites e blogs a favor disso ou daquilo, para privilegiar opiniões dirigidas. Aliás, neste particular os governos do PT foram precursores. Sustentaram muitos blogs e sites, foi um verdadeiro festival.

Existem hoje pouquíssimos espaços independentes, onde possam ser lidos ideólogos de diferentes tendências, como ocorre aqui na “Tribuna da Internet”, que transcreve simultaneamente Leonardo Boff e Percival Pugina, Merval Pereira e Mauro Santayana – e todos eles são verdadeiras sumidades, cada um com sua ideologia, pois não se pode deixar de reconhecer que todos eles merecem respeito, até porque perseguem o mesmo objetivo, o bem comum, embora cada um trafegue seu próprio caminho.

IMPRENSA LIVRE – A grande lição disso tudo é que o jornalismo precisa ser livre e contraditório, admitindo ideias e propostas antagônicas, para que a opinião pública possa fazer opções e se posicionar acerca dos grandes temas nacionais e internacionais.

Na “Tribuna da Internet”, estamos dando uma pequena contribuição para que ocorra esse grande debate, que interessa a todos nós. Justamente por isso, ficamos entristecidos com a campanha que se faz contra a Lava Jato na mídia e na internet, porque sabemos que é movida exclusivamente por dinheiro, não existe embate ideológico.

###
P.S. – Aqui na “Tribuna da Internet” a gente não tem sossego. O blog vive infiltrado de comentaristas que são pagos para defender A ou B, eles não se mancam, são estranhos no ninho, agem de uma maneira idiota e reveladora, não sabem usufruir da liberdade de expressão, chega a ser constrangedor. São supostos comentaristas que não têm a menor ideia do significado da palavra democracia. (C.N.) 

TV Record entrevista Jorge Béja sobre indenização aos voluntários da Olimpíada

Resultado de imagem para legado olimpico charges

Charge do Son Salvador (Charge Online)

Carlos Newton

O jurista Jorge Béja ficou impressionado com a repercussão do artigo publicado aqui na “Tribuna da Internet” na última terça-feira, dia 5, sob o título “Voluntários da Olimpíada de 2016 podem agora pedir indenização na Justiça”. No texto, o advogado carioca explica que os milhares de brasileiros que se alistaram para trabalhar nos Jogos Olímpicos foram ludibriados em sua boa-fé e na verdade contribuíram para o enriquecimento ilícito de governantes, dos dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Olímpico Internacional (COI) e de muitas outras entidades congêneres que integraram e patrocinaram o grandioso evento.

“Você, leitor, recorra à Justiça Trabalhista com uma ação com base na Consolidação das Leis do Trabalho. Ou à Justiça Comum, baseando-se no Código Civil, com uma ação indenizatória por trabalhos prestados. É direito seu. Não importa que você tenha assinado, antes da Olimpíada, um documento renunciando a receber qualquer remuneração pelo seu trabalho. Os promotores públicos e as polícias federais da França e do Brasil descobriram a trama fraudulenta que você desconhecia. Isso é o suficiente para você vencer na Justiça os pleitos indenizatórios. Aquele documento que você assinou tornou-se nulo, sem valor jurídico”, assinalou Béja.

ENTREVISTA À RECORD – Os  colegas da TV Record ficaram impressionados com a denúncia de Jorge Béja e gravaram entrevistas com ele para exibir estA noite, no noticiário das 21h45m do “Jornal da Record” e também no final de semana, no programa “Domingo Espetacular”.

Impressionado com a repercussão do artigo, Béja enviou uma mensagem à “Tribuna da Internet”, em que afirmou: “A TI é lida mesmo. Interessante notar que este artigo não recebeu um só comentário. Nem unzinho. Mesmo assim, a repercussão foi enorme e motivou a redação da TV Record”.

E nós respondemos da seguinte maneira: “Prezado Dr. Béja, não se incomode quando não houver comentários a seus artigos. Isso não quer dizer que não tenham sido lidos. Pelo contrário, significa que o texto é tão bom que não sofre oposição, todos concordam com ele e nada há a acrescentar”.

Planalto delira e quer anular provas, mas os ministros do Supremo não concordam

Resultado de imagem para gilma mendes

Gilmar vai ficar falando sozinho no Supremo…

Carlos Newton

Devido à extravagante, excêntrica e explosiva gravação da conversa de bêbados entre o empresário Joesley Batista e seu executivo Ricardo Saud, não há dúvida de que ganhou força e amplitude a chamada “Operação Abafa”, que se destina a inviabilizar a Lava Jato e segue os moldes da bem-sucedida manobra desfechada na Itália para extinguir a Operação Mãos Limpas (“Mani Pulite”). Na versão brasileira, a manipulação é organizada pelo Planalto e pela classe política em geral, com apoio de integrantes do Supremo e de importantes órgãos de comunicação, conforme tem denunciado solitariamente o ministro Luís Roberto Barroso, como se estivesse clamando no deserto de homens e ideias identificado pelo grande brasileiro Oswaldo Aranha.

O certo é que a gravação da dupla caipira Joesley e Saud está provocando um carnaval fora de época que contamina a internet e a imprensa falada, escrita e televisada, como se dizia antigamente. Mas logo virá a quarta-feira de cinzas, a ficha cairá e tudo voltará ao normal.

“GRAVÍSSIMOS FATOS” – Os advogados da JBS deram uma mancada colossal. Entregaram na quinta-feira, dia 31, uma gravação à Procuradoria-Geral da República, sem saber que os trechos apagados poderiam ser reconstituídos. Foi tão fácil recuperá-los que na segunda-feira o procurador-geral Rodrigo Janot convocava a entrevista de surpresa, para denunciar os “gravíssimos” fatos.

Até então, Janot nem tinha ouvido a gravação, não sabia que era uma conversa de dois bêbados irresponsáveis, com barulho do gelo nos copos, conversa sobre mulher e tudo o mais, só faltaram falar em futebol. E no meio do papo, os dois se jactavam do “poder” que julgavam possuir, pareciam os donos do mundo comandando os três Poderes da República.

Sem ter ouvido a gravação, Janot deu um tom de seriedade às afirmações dos pinguços, acabou levando pancadas de todos os lados, foi até repreendido ao vivo e a cores pelo ministro Luiz Fux, na sessão do Supremo desta quarta-feira, e teve de engolir calado.

ÁRVORE PODRE – Os mentores da “Operação Abafa” aproveitaram a deixa para esculhambar a Procuradoria-Geral da República. Reportagem de Leticia Fernandes ( filha de Rodolfo e neta de Helio Fernandes) e Eduardo Barretto, em O Globo, mostra que o Planalto já está falando em “árvore podre” e aposta na anulação de provas contra o presidente Michel Temer e seu assessor Rocha Loures.

“Flechas do Janot amoleceram”, disse um ministro da cúpula do governo (leia-se: Padilha ou Moreira) aos repórteres da Globo, empolgado com os ataques que o ministro Gilmar Mendes desfechou em Paris contra a honra do procurador, ao gravar declarações num celular, para simular uma entrevista coletiva, mas sem nenhum jornalista presente, vejam a que ponto chegamos.

A decepção viria nesta quarta-feira. Nenhum dos outros dez ministros do Supremo seguiu a linha esquizofrênica de Gilmar Mendes, que sonhava em conquistar apoio para anular todas as delações e provas colhidas pela Lava Jato.

PROVAS VÁLIDAS – Além do descontrolado Gilmar Mendes, até agora quatro ministros já se pronunciaram – Marco Aurélio Mello, Cármen Lúcia, Celso de Mello e Luiz Fux. E nenhum deles defendeu a anulação das provas, mesmo que a delação da JBS seja considerada inválida, e assim derrubaram a tese de Mendes, até porque a Lei 12.850, que regula as delações, estabelece que as provas contra terceiros (no caso, Temer e Loures) continuam valendo.

Outro detalhe importante: questionado se Janot sai enfraquecido com essa nova gravação, o ministro Marco Aurélio Mello foi bem claro, levando ao desespero os mentores da “Operação Abafa”. Disse ele: “Não. Ele tem uma bagagem de grandes serviços prestados à sociedade brasileira”.

###
P.S.- Sonhar não é proibido, mas a Lava Jato não será afetada. A inviabilização da Operação Mãos Limpas, na Itália, só aconteceu porque na década de 90 não havia redes sociais. Hoje a situação é diferente, a internet mudou o mundo e a opinião pública não é mais manipulada com a mesma facilidade.

P.S. 2 Gilmar Mendes vai ficar falando sozinho no Supremo, tipo Napoleão de Hospício. O máximo que pode conseguir é o apoio discreto de Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, que ainda não desepertaram do sonho e continuam fazendo o que seu mestre (Lula) mandar. (C.N.)

Para desespero da Operação Abafa, não há possibilidade de anulação das provas

Resultado de imagem para operação abafa

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

A chamada “Operação Abafa” aproveita o porre de Joesley Batista e Ricardo Saud para tentar inviabilizar a Lava Jato, mas se trata de missão impossível e sem participação de Tom Cruise. A poeira logo irá baixar e ficará claro que a possibilidade de anulação das provas obtidas na delação da JBS é remotíssima, praticamente inexiste. Isto somente ocorreria se a própria empresa ou seus controladores (Joesley e Wesley Batista) desistissem da delação, alegando terem sido coagidos a assinar o acordo de cooperação, e esta possibilidade – como todos sabem – é zero.

A legislação que regula o acordo de delação premiada é a Lei 12.850, de 2 de agosto de 2013, sobre organização criminosa. A única hipótese prevista é a retração (Art. 4º – § 10): “As partes podem retratar-se da proposta, caso em que as provas autoincriminatórias produzidas pelo colaborador não poderão ser utilizadas exclusivamente em seu desfavor”.

PROVAS VÁLIDAS – Como se vê, mesmo neste caso as provas produzidas a partir da delação não podem ser utilizadas contra o próprio delator, mas continuam válidas para serem aproveitadas em inquéritos e processos contra terceiros.

O mesmo dispositivo dá ao Ministério Público e à Justiça a possibilidade de rescindirem a delação, por descumprimento do acordo, quando o delator se negar a prestar esclarecimentos ou sonegar informações, mentindo ou omite fatos criminosos. No entanto, as provas produzidas continuam a serem válidas e, neste caso, podem ser usadas até mesmo em ações contra o delator.

EM CASO DE “VÍCIO” – Resta a possibilidade de anulação, que nem é prevista na Lei 12.850, mas se apóia em outras disposições legais e na própria Constituição. Pode ocorrer anulação quando o acordo de delação tiver algum vício na sua celebração ou se o delator tiver sido coagido a fechar a colaboração. Somente nesta situação se tornam nulas as provas produzidas, que não podem ser usadas. Mas isso não acontecerá, porque Joesley Batista está lutando justamente em sentido contrário, seu interesse é manter a legalidade da delação.

Para desespero dos mentores da “Operação Abafa”, mesmo se a investigação interna na Procuradoria-Geral da República comprovar que Marcello Miller teve dupla atuação, participando das negociações como procurador e como advogado, ele não terá cometido crime algum, seria apenas uma infração gravíssima, punível com demissão – ou seja, sem punição, porque o procurador já se demitiu.

SEM ANULAÇÃO – O fato concreto é que Marcelo Miller atuou no acordo de colaboração como um dos procuradores e, dias depois de se exonerar do cargo, começou a trabalhar num dos escritórios de advocacia que já prestava serviços para a JBS.

A participação de Miller nas negociações é um dos pontos que são investigados, mas de forma alguma poderá resultar na anulação das provas contra o presidente Michel Temer, seu ex-assessor Rocha Loures e outros envolvidos nas denúncias da JBS.

Como se sabe, sonhar ainda não é proibido aqui na Carnavália. Neste caso, porém, os mentores da “Operação Abafa” não estão apenas sonhando, mas delirando em febre alta.

Delação da JBS não será anulada e a Lava Jato vai sair fortalecida do episódio

Resultado de imagem para joesley de cabelo cortado

Joesley sem saída: ou conta tudo ou poderá ser preso

Carlos Newton

Na política, as aparências quase sempre enganam. O caso das gravações recuperadas pela Perícia da Polícia Federal é mais um exemplo desta realidade. De início, pensava-se que a delação da JBS seria anulada, as provas não teriam mais nenhum valor, o procurador-geral Rodrigo Janot seria submetido à execração pública e os corruptos iriam para a galera, como dizia “Seu Boneco”. Mas não houve nada disso. A delação pode ser revista, mas não será anulada, as provas continuam valendo e o procurador Janot está fazendo do limão uma limonada, para desespero dos mentores da “Operação Abafa”, que visa a inviabilizar a Lava Jato.

A existência de procuradores corruptos, não traz nenhuma surpresa. Diz o velho ditado que não há santos na Terra, embora se saiba que até existam, como Madre Teresa de Calcutá ou Irmã Dulce. Mas o certo é que nenhuma corporação está imune à corrupção, nem mesmo o Supremo, a Igreja ou as Forças Armadas, como se depreende do chamado “óbvio ululante” criado por Nelson Rodrigues.

FESTEJO APRESSADO – O fato concreto é que os mentores da “Operação Abafa” festejaram intensamente o episódio, espalharam notícias de que todas as delações poderiam ser anuladas, a Lava Jato estaria com seus dias contados, porque até mesmo o juiz Sérgio Moro estaria sob suspeita, foi um festival ensandecido.

Mas no dia seguinte, começa-se a cair na real. É certo que os delatores da JBS sonegaram informações, mas qual é a novidade? Ricardo Pessoa, Otavio Azevedo, Marcelo Odebrecht, todos os ex-diretores da Petrobras, Léo Pinheiro, Alberto Youssef, Pedro Correia, Sergio Machado e tantos outros não fizeram outra coisa. Todo delator só revela o mínimo necessário para se beneficiar, é preciso a força-tarefa colocar pressão sobre cada um deles.

No caso de Joesley Batista, nem foi preciso pressionar, ele próprio se encrencou, porque seus advogados fizeram a burrice de entregar à Procuradoria a gravação apagada que o peritos da Polícia Federal conseguiram restaurar.

RESULTADO POSITIVO – Muitas vezes, o que parece ser negativo acaba se transformando em resultado positivo. É justamente o que está acontecendo com a mancada dos advogados da JBS, porque agora Joesley Batista será obrigado a revelar tudo o que realmente sabe (ou quase tudo, digamos assim). E esse fenômeno pode ter efeito em série, porque muitas delações (ou quase todas, digamos assim) precisam ser revisadas, porque houve muita sonegação de informações, como já ficou patente nos casos da Andrade Gutierrez (Otávio Azevedo) e da Odebrecht, que embromou o quanto pode e só agora está entregando os codinomes da planilha do “Departamento de Propina” (Setor de Operações Estruturadas).

Ao contrário do que o Planalto espera, na gestão de Raquel Dodge a Procuradoria-Geral da República não vai dar refresco. Pelo contrário, deve agir ainda com maior rigor, em função do escândalo do envolvimento dos procuradores Angelo Goulart Villela e Marcelo Miller com a JBS. É consenso no Ministério Público Federal que é preciso mostrar que a atuação dos dois corruptos não afetará a Lava Jato. Nada será como antes, como diziam Ronaldo Bastos e Milton Nascimento, .

NADA MUDOU – De toda forma, foram injustificadas as comemorações dos mentores da “Operação Abafa”, que se apressaram em espalhar que todas as delações serão anuladas e que a Lava Jato já estaria inviabilizada. Na verdade, não mudou nada e agora o empresário Joesley Batista terá de entregar realmente tudo o que sabe. Ou seja, para os envolvidos com a JBS, entre os quais se incluem exatos 1.829 políticos, a situação piorou, ao invés de melhorar.

E na outra ponta fora da curva, vem aí a delação-bomba de Lúcio Funaro, que atinge frontalmente Michel Temer e o chamado ‘quadrilhão” do PMDB, com destaque para o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que nutria uma espécie de fetiche por dinheiro vivo.

Quanto ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao ex-ministro Antonio Palocci, suas delações premiadas voltaram à estaca zero, porque os dois insistem em sonegar informações. Pode ser que agora, em função dos novos depoimentos que Joesley Batista terá de prestar, Cunha e Palocci se animem a revelar toda a verdade, ainda que para eles talvez já seja tarde demais.

###
P.S. – Nesta segunda-feira, Palocci foi denunciado mais uma vez por Marcelo Odebrecht, que identificou o ex-ministro como o “Italiano”, apanhador de Lula no campo de centeio da corrupção. E como se sabe, a delação está repetindo a Bíblia – muitos são chamados, mas poucos os escolhidos. (C.N.)

Janot devia mandar prender logo o procurador pilantra que o assessorava

Resultado de imagem para marcelo miller

Miller traiu a Procuradoria e deixou Janot mal

Carlos Newton

Nos últimos dois meses, a chamada “Operação Abafa” fez um esforço extraordinário para destruir a honra do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com o objetivo de desmerecer todo o trabalho do Ministério Público Federal, visando a inviabilizar a fase final da Lava Jato, exatamente como aconteceu na Itália com a famosa Operação Mão Limpas (“Mani Pulite”). Enquanto a Lava investia contra o PT e partidos aliados, como o PP, foram aplausos gerais. Depois que passou a incriminar caciques do PMDB e do PSDB, a Lavo Jato se viu submetida a uma campanha implacável, desfechada simultaneamente pelo Planalto, pela cúpula do Congresso e por integrantes do Supremo Tribunal Federal, conforme o ministro Luís Roberto Barroso tem denunciado incansavelmente.

Por ironia do destino, o mais bem sucedido ataque a Janot acabou sendo feito pela Polícia Federal, ao recuperar gravações que o empresário Joesley Batista tinha feito e mandado apagar. E um dos áudios incrimina justamente o ex-procurador Marcelo Miller, que era assessor do próprio Janot e abandonou a carreira para ser advogado de um escritório que defendia a JBS, vejam a que ponto chega a desfaçatez dessa gente.

FALSO PROCURADOR – Embora tenha sido aprovado em concurso público, Marcelo Miller se revelou um falso procurador, pois traiu a corporação em troca dos velhos “30 dinheiros”. Já se sabia que era pilantra, porque se demitiu do cobiçadíssimo cargo de procurador da República e nem cumpriu o prazo legal de quarentena, foi logo se incorporando à equipe de advogados (escritório Trench, Rossi e Watanabe), que negociava o acordo de leniência da JBS), vejam que Miller tinha mesmo vocação para trocar de lado e passar a servir ao mundo do crime, sob o manto sagrado da advocacia.

Um dos trechos da gravação de quatro horas – que Joesley Batista mandou apagar e foi recuperado pela Perícia da Polícia Federal – era uma conversa entre o controlador da JBS e seu braço direito no esquema de corrupção, o executivo Ricardo Saud. E o diálogo comprova que o então procurador Marcelo Miller tinha sido cooptado pelo grupo empresarial.

ANIMAÇÃO NO PLANALTO – A entrevista de Janot, anunciando investigações, foi comemorada no Planalto, cujos locatários logo pensaram que a delação de Joesley será automaticamente anulada, para isentar Temer e o resto da quadrilha, mas não é bem assim, o rolo-compressor da Justiça continuará investindo contra eles, que não conseguirão se livrar da Lava Jato.

Mas haverá novidades, é claro. Antes de sair, Janot deveria aproveitar o embalo e decretar logo a prisão de seu ex-assessor Marcelo Miller, que largou o Ministério Público para trabalhar no lado podre da advocacia, aquele que enriquece mantendo a impunidade dos criminosos de colarinho branco. Se mandar prender esse pilantra, Janot mostrará que realmente todos estão ficando iguais perante a lei, neste país. Mas se Miller continuar em liberdade, isto é sinal de que muita coisa ainda precisa mudar aqui na Carnavália, em matéria de Justiça.

###
P. S. – Em todo esse imbroglio, o mais importante será saber quais são os ministros do Supremo que estariam no bolso de Joesley Batista, se é que isto é verdade. Façam suas apostas.  (C.N.)

Saída de Janot não prejudicará a ação da Lava Jato para incriminar Michel Temer

Resultado de imagem para raquel dodge charges

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Michel Temer não será derrubado da Presidência e somente irá prestar contas à Justiça após entregar o cargo, em janeiro de 2019. Esta realidade não será modificada pela nova denúncia incriminando o chefe do governo, a ser apresentada ainda esta semana. Há consenso no Congresso de que é melhor deixar Temer apodrecer no Planalto, junto com os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, ao invés de afastá-los, convocar uma eleição indireta, para ser logo seguida por uma eleição direta, numa confusão institucional realmente desnecessária e até ameaçadora.

Mesmo assim, Temer não terá um só dia de tranquilidade. Pelo contrário, seus problemas continuarão aumentando sem parar, como se ele estivesse submetido à tortura chinesa, que vai aumentando aos poucos o sofrimento da vítima. Daqui para frente, serão revelados todos os detalhes do envolvimento de Temer com a chamada quadrilha do PMDB e também em atos isolados de corrupção, como os acertos com a empresa Rodrimar no Porto de Santos, que também tiveram a participação de seu então amigo e assessor Rocha Loures.

QUESTÃO DE TEMPO – Não adiantou nada nomear Raquel Dodge para a Procuradoria da Justiça e tentar difamar Rodrigo Janot, numa campanha implacável que teve apoio de veículos da grande mídia. Não adiantou nada reduzir as verbas da Polícia Federal, assim como também vai adiantar nada a próxima substituição do delegado Leandro Daiello na direção da PF. Tudo é só uma ilusão à toa, como diria Johnny Alf. Na vida real, a Lava Jato está aumentando cada vez mais o cerco a Temer e à quadrilha que se apossou do governo. É só uma questão de tempo.

A sorte do país é que não haverá nova crise. Desde 17 de maio, quando o jornalista Lauro Jardim divulgou em O Globo a gravação de Joelsey com Temer e a Bolsa despencou, a economia descolou totalmente da política, passaram a ser compartimentos estanques. A Bolsa já ultrapassou os 70 mil pontos, está de bom tamanho, se continuar subindo sem parar é melhor internar logo os corretores, deu a louca no mundo.

DOMÍNIO DO FATO – O maior problema para Temer e o resto dos corruptos é que estão sempre a reboque dos acontecimentos. Sua postura, portanto, é reativa. A força-tarefa da Lava Jato e o relator Edson Fachin têm postura pró-ativa, porque tomam conhecimento antecipado das delações, possuem o domínio do fato, podem brincar de gato e rato com os corruptos. Agora, por exemplo, Janot e Fachin sabem tudo o que Funaro e Cunha já revelaram, enquanto Temer e a quadrilha do PMDB ainda não sabem nada.

Sem alternativa de defesa, pois Temer é mais sujo do que pau de galinheiro, a estratégia do advogado Antonio Cláudio Mariz é ridicularizar os delatores e o procurador Rodrigo Janot, mas sem atacar diretamente o relator Edson Fachin, é uma questão de dosimetria, digamos assim.

MEMÓRIAS DE JANOT – No dia 17 o procurador Janot deixa o cargo e vai se divertir escrevendo suas memórias, com  Dilma Rousseff e Michel Temer nos papéis principais e Lula, Cunha e os demais caciques do PMDB como atores coadjuvantes.

O mais curioso é que Temer e seus comparsas do PMDB vão sentir falta de Janot, porque não poderão atacar a honra da substituta Raquel Dodge, a quem caberá a obrigação de continuar acusando quem for incriminado pela Lava Jato. Não poderá protegê-los, porque quem está à frente da Procuradoria-Geral não elabora pareceres, sempre recebe os textos prontos, redigidos pela assessoria técnica, apenas dá seguimento a eles. É assim que transcorre a prática republicana, em que todos são iguais perante a lei, embora saibamos que na Carnavália uns ainda são mais iguais do que outros.

Por fim, vamos torcer para que a economia continue descolada da política. Como diria o capitão Nascimento da “Tropa de Elite”, é claro que “vai dar merda…”.

Civilização e democracia ainda são apenas utopias no mundo perverso de hoje

Resultado de imagem para terrorismo na europa

Terrorismo, uma ameaça que desafia a humanidade

Carlos Newton

A Tribuna da Internet transcreveu neste sábado, dia 2, uma instigante entrevista da pesquisadora Whitney Phillips, da Mercer University, dos Estados Unidos, sobre a disseminação da raiva, das provocações e dos ataques pessoais nas redes sociais. Em sua opinião, não se trata de um fenômeno da internet, mas de um comportamento da vida real que agora se manifesta na plataforma da wb, através da ação dos “trolls”, como são chamados os internautas que entram em discussões on-line apenas para irritar e ofender, assim como os “haters”, que sistematicamente expõem ódio em posts e comentários.

Nessa preciosa entrevista, infelizmente a pesquisadora não mergulhou no cerne da questão, não buscou o motivo desse comportamento altamente negativo. Afinal, por que as pessoas continuam assim, apesar de toda a revolução cultural e tecnológica que vem se registrando?

DUAS UTOPIAS – Na realidade, a resposta a essa inquietante questão deve estar no fato de que a Humanidade ainda se revela incapaz de concretizar sua maior aspiração – alcançar um estágio aceitável de civilização e democracia.

A vida real nos mostra que as desigualdades sociais continuam chocantes. Na grande maioria dos países, tenta-se fazer com que a riqueza total conviva pacificamente com a miséria absoluta, mas isso é absolutamente impossível, jamais acontecerá.

A vida é tão curta, sabe-se que da Terra nada se leva, mas as pessoas insistem em desprezar esta realidade. Entregam-se totalmente ao Deus Dinheiro, como se fossem viver para sempre, numa ilusão que chega a ser patética, pois não conseguem enxergar a vida como ela é. E assim, em meio a essas aparentemente insanáveis distorções, vai se eternizando a ridícula disputa ideológica entre capitalismo e comunismo, que tem tudo a ver com o controle do Dinheiro e do Poder.

ERROS BRUTAIS – O capitalismo e o comunismo (dois extremos) fracassaram, esta é a realidade, não pode ser contestada. O socialismo democrático (centro) seria o caminho mais apropriado à democracia, mas tem esbarrado nas imperfeições do comportamento social e nas deficiências da civilização.

Os países europeus (especialmente, os escandinavos) são exemplos da busca desse equilíbrio social, embora ainda deixem muito a desejar. Elevaram seus povos a boas condições de qualidade de vida, mas cometeram erros brutais, que hoje remetem a um retrocesso ameaçador.

Como as mulheres europeias ganharam acesso ao mercado de trabalho e reduziram o número de filhos, a população dos países da Europa começou a estacionar e a diminuir. A imigração foi então facilitada, para atrair trabalhadores de baixa qualificação, destinados a ocupar postos de trabalho que os europeus se recusavam a desempenhar. E assim esses países passaram a ter dois tipos de habitantes – os europeus e os imigrantes.

SEM MISCIGENAÇÃO – Se a Europa fosse como o Brasil, onde ocorreu a maior miscigenação da História, haveria menores problemas, a desigualdade social não seria tão gritante. Mas na Europa praticamente não há miscigenação. Justamente por isso, surgiram os guetos nas cidades, onde é cultivado um incontrolável ódio racial, religioso e social. Basta dizer que em Estocolmo (Suécia) há bairros onde a polícia está proibida de ingressar.

O resultado é que o radicalismo, o racismo e o terrorismo se fortalecem cada vez mais. E ao invés de estarmos discutindo profundamente esta questão, que desafia o futuro da Humanidade, o que se vê na web são pessoas perdendo neurônios a debater o que seria melhor – capitalismo ou comunismo –, como se esses regimes fracassados pudessem ter algum futuro. E a internet logo ficou infectada por esse ridículo rancor ideológico.

É PRECISO AGIR – O mundo deveria usar a web para discutir a desigualdade social, a miséria em que vive cerca de 1 bilhão de seres humanos, com milhões de crianças que morrem sem ter o que comer, conforme Audrey Hepburn e Lady Di já mostraram ao mundo, mas poucos se apiedaram e a situação até se agravou.

Como ajudar esses povos a sobreviver e evitar a emigração nas balsas da morte? Como manter as populações em seus países, com melhor qualidade de vida? Como reduzir o crescente radicalismo religioso, racial e ideológico?

Poucos se preocupam em encontrar soluções, porque os interesses econômicos é que comandam a política internacional, e os países mais ricos são responsáveis pelo atual êxodo do Oriente Médio e da África.

CIVILIZAÇÃO DE VERDADE – O resultado de tudo isso é o terrorismo. Os governantes ocasionais julgam que podem contê-lo com medidas extremas de segurança. É uma ilusão. O terrorismo é alimentado pelo ódio que viceja na internet, com os atentados se simplificando e multiplicando. Se não houver solução, a indústria do turismo europeu acabará indo à falência, é só questão de tempo. Os turistas serão expulsos pelo terrorismo, um fenômeno assustador que somente será contido quando o mundo caminhar para se tornar uma civilização de verdade se é que isso algum dia acontecerá.

Desculpem essas reflexões, motivadas pela entrevista da pesquisadora Whitney Phillips sobre o ódio que caracteriza as manifestações na internet. Odiar é fácil. Difícil é fazer a humanidade buscar soluções para problemas que ela mesma cria, movida pelos mais reprováveis sentimentos, como egoísmo, ambição, soberba e avareza.

Como viver e ser feliz sabendo que essas desgraças estão acontecendo no dia a dia? Buscar a felicidade neste mundo perverso é meta a ser atingida apenas por completos alienados. Talvez seja por isso que tanta gente hoje busca alguma felicidade nas drogas, sejam legais ou ilegais.

BALANÇO DE AGOSTO – Como sempre fazemos, vamos divulgar o balanço das contribuições feitas à Tribuna da Internet no mês de agosto. Agradecemos a todos que participam desse esforço para manter na internet um espaço que seja realmente democrático, embora saibamos que isso ainda é apenas uma utopia.

De início, as contribuições à conta da Caixa Econômica Federal:

DIA  REGISTRO  OPERAÇÃO     VALOR
01    600019         DOC ELET        100,00
07    002915         DP DINH AG     100,00
07    070945         DP DINH LOT     50,00
07    400007         DOC ELET          31,00
08    000001         CRED TED        100,00
08    047614         CRED TEV        100,00
14    002915         DP DINH AG     100,00
15    150845         DP DINH LOT     12,80
15    151453         DP DINH LOT     52,00
15    151715         DP DINH LOT     20,00
21    002915         DP DINH AG     100,00
28    002915         DP DINH AG     100,00
29    400007         DOC ELET         31,00
31    311451         DP DINH LOT   100,00
31    311745         DO DINH LOT   230,00

Agora, as contribuições na conta do Banco Itaú:

02   TBI  2958.07601-6-TRIB         40,00
03   TED 001.5977JOSEANTON    100,00
04   TED 001.4416MARIOACRO    200,00
15   TED 001.4416MARIOACRO    200,00
28   TBI  0406.49194-4 C/C         100,00
31   TED 033.3591ROBERTOSNA 200,00

Agradecemos, mais uma vez, aos amigos que partilham esta utopia, e vamos em frente na busca de um mundo melhor, em que as pessoas respeitem suas diferenças e lutem pelo bem comum.

Piada do Ano: sem fazer delação, Mantega quer evitar prisão e bloqueio de bens

Resultado de imagem para mantega

Mantega arma um novo esquema para se blindar

Carlos Newton

Na agitada noite desta sexta-feira, quando a internet já fervilhava com a notícia de que o procurador federal Ivan Cláudio Marx pedira a absolvição do ex-presidente Lula da Silva e do banqueiro André Esteves (ex-BTG Pactual) no processo de obstrução da Justiça na compra do silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, a Agência Estado divulgava a informação de que o ex-ministro Guido Mantega  propôs um acordo ao Ministério Público Federal para colaborar com as investigações da Operação Bullish, que apura favorecimento bilionário ao grupo JBS no BNDES.

Como se sabe, Mantega foi o presidente do BNDES que deu partida na série de empréstimos e participações acionárias do banco estatal no grupo JBS, uma iniciativa até então jamais vista na longa trajetória da instituição financeira.

SEM DELAÇÃO – Segundo apurou a reportagem do Estadão, não se trata de um acordo de delação premiada, mas sim de um prosaico “termo de compromisso”. A defesa do ex-ministro propôs que ele esclareça alguns fatos investigados e colabore com as investigações. Em troca, Mantega não será alvo de um pedido de prisão preventiva nem terá seus bens bloqueados.

Esse tipo de acordo judicial não “ecziste”, como diria o padre Óscar Quevedo. A defesa de Mantega inventou essa possibilidade, tipo “termo de ajustamento de conduta”, para evitar que ele tenha de pedir delação premiada, a única chance que lhe resta para evitar processo, condenação e prisão na Lava Jato.

Mantega já chegou a ter sua prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro, em 21 de setembro de 2016, mas foi avisado antes e seu advogado armou um plano perfeito. Mantega foi de madrugada para o Hospital Sírio-Libanês e quando a Polícia Federal chegou ele disse que sua mulher estava sendo operada de câncer. O advogado entrou em contato com o juiz Moro, que se compadeceu e relaxou a prisão. Mas era tudo mentira. A doença da mulher de Mantega está sob controle, ela apenas simulou um crise de gastrite e foi submetida uma simples endoscopia. Na verdade, ela estava tão bem que o casal tinha passagem marcada para a Europa na semana seguinte.

NOVA ARMAÇÃO – Exatamente um ano depois, o advogado José Roberto Batochio (ex-presidente da OAB e ex-deputado federal pelo PDT-SP) faz nova armação em favor de Mantega, desta vez junto com o mesmo procurador Ivan Cláudio Marx, que acaba de pedir a absolvição de Lula no caso Cerveró e no ano passado tentou evitar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O fato concreto é que o procurador Marx aceitou a proposta de Batochio e enviou o acordo de blindagem de Mantega para a 10ª Vara Federal de Brasília, cujo titular é o juiz Vallisney de Oliveira, uma espécie de Sérgio Moro em versão brasiliense. Vai ser muito difícil fazer com que o magistrado, que nasceu às margens do Rio Solimões, embarque nessa canoa furada.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme já afirmamos aqui no blog, o procurador Ivan Marx está se revelando uma espécie de Gilmar Mendes (ou Marco Aurelio Mello, tanto faz) do Ministério Público. Daqui para a frente, não vai mais sair do noticiário. A estrela sobe, como diria o genial escritor Marques Rebelo. (C.N.)

Depois de “inocentar” Lula e Esteves, procurador também decidiu blindar Mantega

ivanmarx

Marx é uma espécie de Gilmar do Ministério Público

Carlos Newton

Como nos contos de William Saroyan, o procurador federal Ivan Cláudio Marx faz a linha do jovem audaz no trapézio volante. Em julho de 2016, quando estava transcorrendo no Congresso o impeachment de Dilma Rousseff, o representante do Ministério Público surpreendeu a nação ao apresentar um parecer afirmando não ter havido crime de responsabilidade nas famosas “pedaladas” da equipe econômica do governo Dilma Rousseff, que maquiava as contas públicas para melhorar artificialmente seu desempenho.

Na ocasião, o jovem Marx alegou que as manobras não se enquadravam no conceito legal de operação de crédito ou empréstimo. Por isso, em seu entendimento, não seria necessário pedir autorização ao Congresso, não havia pedaladas nem crimes.

MERA COINCIDÊNCIA – Esses argumentos do procurador da República foram saudados pelos petistas, que fizeram um festival no Senado. Por mera coincidência, é claro, suas alegações eram semelhantes às justificativas apresentadas pela defesa de Dilma, conduzida por José Eduardo Cardozo, então chefe da Advocacia-Geral da União. No despacho, Marx concluiu que houve inadimplência contratual, ou seja, o governo não fez os pagamentos nas datas pactuadas, descumprindo os contratos com os bancos. Mas pontuou que, em alguns casos, os atrasos nos repasses tinham previsão legal e as autoridades não demonstraram intenção de fazer empréstimos ilegais.

Ao atrasar os repasses aos bancos, o governo Dilma adiava despesas e, com isso, deixava de registrar esses passivos na dívida líquida do setor público. E até Marx reconhecia que essa prática configurava, no mínimo, improbidade administrativa.

LULA INOCENTE – Mais de um ano depois, nesta sexta-feira (dia 1º) Marx surpreende novamente a nação ao pedir a absolvição do ex-presidente Lula da Silva e do banqueiro André Esteves (BTG Pactual) da denúncia de obstrução à Justiça, no caso da compra do silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, segundo a delação do ex-senador petista Delcídio Amaral, ex-líder do governo, que foi gravado por Bernardo, um dos filhos de Cerveró.

No parecer do procurador da República, o silêncio do ex-diretor da Petrobras não foi encomendado e interessava apenas a Delcídio, sem haver participação de Lula e de André Esteves.

“Delcídio estava agindo apenas em interesse próprio. E Cerveró estava sonegando informações no que se refere a Delcídio, e não sobre Lula, a quem inclusive imputava fatos falsos, no intuito de proteger Delcídio”, diz o relatório de Marx.

MANTEGA BLINDADO – Logo em seguida, outra notícia-bomba surge na mídia envolvendo o procurador federal, que acaba de acertar um acordo com a defesa do ex-ministro Guido Mantega, acusado na Operação Bullish, que envolve a JBS e em outras investigações da Lava Jato. O acordo é uma inovação, muito melhor do que uma delação premiada. A defesa do ex-ministro propôs que ele esclareça alguns fatos investigados e colabore com as investigações. Em troca, Mantega não será alvo de um pedido de prisão preventiva e de bloqueio de bens. O procurador Marx prontamente aceitou as restrições e mandou o acordo para homologação na 10ª Vara Federal de Brasília.

No início, a Tribuna da Internet julgou que se tratava de mais uma Piada do Ano, mas infelizmente a coisa é para valer, porque o jovem procurador Marx é uma revelação e se lança no trapézio volante como uma espécie de Gilmar Mendes do Ministério Público, para transformar a Justiça na ciência de torturar os fatos até que eles confessem o fim que se pretende.

###
P.S. –
Na condição de Piada do Ano, nessa safra de Marx, só restou a parte que sobrou para o empresário José Carlos Bumlai e seu filho Maurício. O procurador inocentou Lula e o banqueiro Esteves, mas fez questão de pedir a condenação da famiglia Bumlai por obstrução da Justiça, embora ninguém saiba explicar que ligação os Bumlai tinham com Delcídio. Desse jeito, nem Freud conseguiria explicar. Teria de pedir ajuda a Jung e a Lacan. (C.N.)

Dirceu será julgado dia 13 em segunda instância e já sabe que voltará a ser preso

Resultado de imagem para dirceu solto

Dirceu não tem chances de ser inocentado no TRF

Carlos Newton

Um ano após chegar ao TRF-4 (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, em Porto Alegre, o processo que condenou o ex-ministro José Dirceu a 20 anos de prisão está pronto para ser julgado pela 8ª Turma no próximo dia 13, que não cai numa sexta-feira, mas de antemão jamais poderá ser classificado como um dia de sorte para o ex-ministro e ex-presidente do PT. Pelo contrário, tudo indica que a condenação será mantida e Dirceu logo estará de volta à prisão federal em Curitiba, onde vinha cumprindo pena, ou à Papuda, em Brasília, onde está morando.

NÃO HAVIA QUADRILHA – Dirceu deu sorte em 2014, no julgamento do mensalão, por ter sido beneficiado por embargos infringentes e absolvido da formação de quadrilha, por 6 votos a 5. Nunca antes, na história deste país, havia ocorrido tamanho encadeamento de crimes coletivos, sem que existisse um “chefe” e sem que se caracterizasse “formação de quadrilha”, conforme a visão dos ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Rosa Weber e Teori Zavascki – todos nomeados na Era do PT, por coincidência é claro.

No mensalão, Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão e passou a cumprir a pena em 15 de novembro de 2013. Um ano depois, em 4 de novembro de 2014, o relator Barroso autorizou que cumprisse prisão domiciliar em Brasília.

No entanto, em 3 de setembro de 2015 Dirceu foi novamente preso, desta vez pela Lava Jato. Surpreendentemente, em 2 de maio de 2017 ele ganhou direito à prisão domiciliar, com votos dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, com os quais mantinha relações de amizade, sendo íntimo de Toffoli e Lewandowski, que mesmo assim não se julgaram suspeitos para julgá-lo. Os votos contrários foram do relator Edson Fachin e do ministro Celso de Mello.

PRENDE E SOLTA – O caso de José Dirceu, nesse vaivém de prende e solta, demonstra a esculhambação que reina na Justiça brasileira, pois as leis sobre suspeição e impedimento de magistrados não são mais respeitadas, e fica tudo por isso mesmo, como se dizia antigamente.

No mensalão, os crimes de Dirceu já foram considerados cumpridos. Na Lava Jato, ele foi condenado a 20 anos de prisão no primeiro julgamento, e depois, em março de 2017, pegou mais 11 anos de cadeia.

No próximo dia 13, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região julga a apelação de Dirceu sobre a primeira condenação. Em Curitiba, Dirceu e o lobista Milton Pascowitch receberam a maior condenação já dada pelo juiz Sergio Moro na Lava Jato – e Pascowitch virou delator. No processo, ambos são réus junto com Gerson de Mello Almada, ex-sócio da Engevix, que em outro processo já foi condenado em segunda instância no mesmo TRF-4 e teve a pena aumentada de 19 para 34 anos.

###
P.S.
As provas são abundantes e tudo indica que Dirceu logo estará de volta à prisão em Curitiba ou na Papuda, em Brasília, onde tem residência. As teorias conspiratórias dos petistas alegam que não há coincidência no fato de que tanto o depoimento de Lula no caso do sítio de Atibaia como o julgamento de José Dirceu tenham sido marcados em setembro para o mesmo dia 13 – número do Partido dos Trabalhadores. Os petistas dizem que, com essa coincidência, o Judiciário assume seu viés político e tenta associar na mente da população a imagem do PT a escândalos de corrupção. Mas é claro que ninguém pode levar a sério essa teoria. Só pode ser Piada do Ano. (C.N.)