Parecer de Zveiter pede que a Comissão aprove o processo contra Temer

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Zveiter disse que a denúncia de Janot não é inepta

Carlos Newton

Após meia hora de atraso, depois de intenso bate-boca entre parlamentares, a sessão da Comissão de Constituição e Justiça começou com uma série de questões de ordem colocadas por membros da CCJ. Autor de um dos requerimentos para convidar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável pela denúncia, para que comparecesse à comissão, o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) pediu para suspender a fala da defesa de Temer, devido à ausência de Janot.

PEDIDO NEGADO – O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), negou o requerimento. “Entendo ser incabível a manifestação da acusação nessa fase. Se houver necessidade de trazer o procurador para fazer aclaramento da denúncia, isso já indicaria a inépcia da denúncia. Mas a manifestação da defesa é legítima e está prevista no regimento” — disse Pacheco.

Em seguida, o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) deu início à leitura de seu relatório sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça, como primeira etapa do processo em que a peça acusatória de autoria do Ministério Público será autorizada ou não.

ACUSAÇÃO E DEFESA – De início, o relator resumiu a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer, e depois resumiu a defesa escrita apresentada pelo peemedebista.

Durante a leitura do voto, Zveiter deixou claro que discordava dos argumentos apresentados pela defesa do presidente. “Aqui não condenamos ou absolvemos, apenas admitimos a tramitação” — explicou o relator.

Mais adiante, disse que “a denúncia não é inepta”, acrescentando: “Por ora o que temos são indícios de autoria que ao meu sentir, ensejam o deferimento da autorização”. Com isso, pediu à Comissão que aprove a autorização para que seja aberto o processo criminal, e foi aplaudido pela oposição.

NOVO BATE-BOCA– Em Seguida, houve mais uma discussão entre os deputados, porque a oposição pediu a palavra antes da manifestação da defesa. Os governistas alegaram que os procedimentos haviam sido acordados na semana passada.

Depois do bate-boca, o presidente Rodrigo Pacheco então deu a palavra ao advogado Mariz de Oliveira, para que fizesse a defesa oral do presidente Michel Temer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGJá era esperado esse posicionamento do relator Sergio Zveiter, que não podia desconhecer uma denúncia que se baseia em fita gravada, submetida a uma rigorosa perícia pela Polícia Federal, e em filmagens do então deputado Rocha Loures (PMDB-PR), recebendo uma mala de dinheiro, que ele depois devolveria, assumindo tacitamente a autoria do crime. Ou seja, há provas testemunhais e materiais. (C.N.)

Rodrigo Maia vai ser figura decorativa, o governo já está nas mãos de Meirelles

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Charge do Mariano (juliomariano.com)

Carlos Newton

Era absolutamente inviável, impensável e inacreditável que o inexpressivo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) pudesse ter chance concreta de se tornar presidente da República. Em seus quatro mandatos anteriores, jamais esteve na linha de frente da Câmara,  não costuma presidir comissão permanente, seus discursos são desprezíveis, raramente aceita ser relator, apresenta pouquíssimos projetos – o mais importante, nos últimos anos, é bastante esquisito, porque susta a aplicação da Resolução 21 da Agência Nacional do Petróleo, que estabelece os requisitos a serem cumpridos pelos detentores de direitos de exploração e produção de petróleo e gás natural que executarão a técnica de fraturamento hidráulico em reservatório não convencional. Parece ser um daqueles projetos que Eduardo Cunha apresentava na área do petróleo…

Como essa falta de currículo, ninguém esperava que ele pudesse se tornar presidente da Câmara, cargo que alcançou de tabela, com circunstâncias do destino, e já estava de bom tamanho. Mas como esperar que pudesse almejar a Presidência da República? Realmente, nem mesmo Nostradamus poderia fazer tal previsão – e se ousasse, seria imediatamente internado para tratamento rigoroso.

DE REPENTE – Diante dessa possibilidade concreta de Maia ocupar o Planalto, Vinicius de Moraes certamente repetiria: “De repente, não mais que de repente…”, Rodrigo Maia surgiu nas paradas de sucesso, justamente quando sua carreira parecia caminhar para o ocaso, a reeleição para a Câmara em 2018 seria difícil e complicada, porque foi o único deputado federal eleito pelo DEM-RJ, um partido em franca decadência.

E agora a chegada de Rodrigo Maia ao poder não depende dele, que nem precisa se mexer. Da mesma forma que herdou os votos do pai, Cesar Maia, que hoje se contenta em ser vereador para não fazer o filho cair de turma, agora Rodrigo pode herdar o desgastado espólio de Dilma Rousseff e chegar à Presidência, vejam a que ponto chegamos.

OS MAIAS NO PODER – É claro que Rodrigo Maia não vai governar nada. Seu cargo será apenas simbólico. O poder já foi engolfado pelo ministro Henrique Meirelles, que escanteou o chanceler Aloysio Nunes Ferreira no último sábado e representou o Brasil na importante sessão de encerramento da cúpula do G-20.

Quanto a Rodrigo Maia, quem lhe dá orientações é seu pai, que desde o escândalo da gravação de Temer, dia 17 de maio, vem traçando a estratégia do filho em busca do Planalto.

Todo dia tem novidade, e nesta segunda-feira o PSDB se reúne para discutir a situação de Temer no governo.  Como sempre, os tucanos devem ficar em cima do muro, a pretexto de apoiarem as reformas, embora desta vez até exista possibilidade de desembarque, que significaria a morte antecipada do governo Temer.

RASPUTIN IMBERBE – Por enquanto, tudo são hipóteses. Temer continua de posse da caneta, Rodrigo Maia ainda tem de obedecer a ele. Mas em poucos dias se saberá quem vai estar no Planalto, fingindo que governa. Porque na verdade todos já sabem que é o ministro Henrique Meirelles que exerce o poder, de fato, como se fosse uma espécie de Grigori Rasputin sem a barba e a farta cabeleira que caracterizavam o histórico personagem.

Quanto a Cesar Maia, se o filho for mesmo sorteado na roleta política, não poderá lhe oferecer cargo público, devido à Lei do Nepotismo. Mas vai influir na gestão dos setores menos importantes do governo, porque tudo o que interessa ficou sob comando do Rasputin tropical, que já decidiu que as coisas vão mudar no BNDES, e para pior. Mas quem se interessa?

Temer convocou Maia e Eunício para cobrar lealdade e pressa nas votações

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Charge do Kacio (kacio.art.br)

Carlos Newton

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), foram convocados para uma reunião no Palácio do Jaburu, em Brasília, com o presidente Michel Temer. A informação vazou, mas ninguém viu Maia entrando, porque desde a semana passada Temer mandou fechar a visão do acesso ao palácio residencial com uma cerca viva de jarros de plantas.

A Agência Estado vazou a informação de que Maia e Eunício ficaram no Jaburu por pouco mais de uma hora. Sabe-se que o presidente cobrou lealdade dos dois parlamentares, pedindo pressa na aprovação das reformas da previdência Social e das leis trabalhistas, assim como a rejeição da abertura de processo contra ele.

Eunício está mais tranqüilo, porque o foco da mídia está em Maia, que é o primeiro na linha sucessória da Presidência da República e substituirá Temer por 180 dias caso a Câmara aprove a abertura do processo criminal contra o atual chefe do governo.

Nos últimos dias, diante das especulações na mídia e nas redes sociais, por diversas vezes Maia declarou lealdade a Temer, enquanto via crescer a defesa de seu nome por aliados do PSDB e do seu partido, como alternativa viável para estancar a crise política.

A Câmara está acelerando o processo de exame da denúncia contra Temer e o relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) anunciou ter passado o final de semana trabalhando no parecer, para entregá-la à Comissão de Constituição e Justiça nesta segunda-feira. Como dizia o grande publicitário e compositor Miguel Gustavo, o suspense é de matar o Hitchcock.

Meirelles é um mau brasileiro e tentou transferir a sede da J&F para a Irlanda

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Você acha que Meirelles é um ministro confiável?

Carlos Newton

Para quem acredita em coincidências, é um prato cheio. Em 17 de maio, Lauro Jardim divulgou em O Globo que o empresário Joesley Batista havia gravado uma conversa particular com o presidente Michel Temer, no subsolo do Palácio do Jaburu, na calada da noite, em encontro fora da agenda. Para surpresa geral, no dia seguinte, o ministro Henrique Meirelles anunciou na Folha que, se Temer renunciasse ao cargo, ele continuaria à frente da equipe econômica e se encarregaria de aprovar as reformas. Seis dias depois do escândalo, em 23 de maio o presidente da Petrobras, Pedro Parente, enviou mensagem aos funcionários da estatal para avisar que ficaria no cargo até 2019. E no dia 19 de junho o jornal Valor publicou entrevista do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, dizendo que, se Temer fosse derrubado, a equipe econômica continuaria.

Caramba, realmente é muita coincidência, ou então há algo no ar além dos aviões de carreira, como dizia o genial Apparicio Torelly, o Barão de Itararé.

NO CONTROLE – Esta confiança inaudita da equipe econômica não está baseada em simples coincidência. Demonstra claramente quem está no controle do governo. Conforme já assinalamos aqui, desde que Fernando Henrique Cardoso assumiu o poder em 1995, mandando que esquecessem tudo o que havia escrito, o Brasil se transformou num campo experimental do neoliberalismo.

Quando Lula se elegeu e assumiu em 2003, esperava-se que ele desse um freio de arrumação, para defender os interesses do país e dos trabalhadores, mas aconteceu exatamente o contrário. Como bem lembrou aqui na TI o comentarista Rubens Barbosa Lima, Lula tratou de lançar a Carta aos Brasileiros, escrita por José Dirceu, Duda Mendonça, Antonio Palocci e outros mais, para se curvar ao Sistema/Mercado que já vinha comandando o país há oito anos.

Para mostrar que nada ia mudar, Lula entregou o Banco Central ao principal representante dos banqueiros, Henrique Meirelles, que recentemente deixara a presidência mundial do BankBoston e conseguira comprar uma eleição de deputado federal pelo PSDB de Goiás. Ninguém o conhecia por lá, não fez discurso nem visitou um só eleitor, mas a força da grana lhe rendeu 162 mil votos, bateu o recorde estadual.

RENÚNCIA AO MANDATO – O projeto político de Meirelles era ganhar visibilidade, ser eleito governador de Goiás e depois tentar a Presidência da República. Mas o convite de Lula mudou tudo, para assumir o Banco Central ele teve de renunciar ao mandato parlamentar no qual tanto inve$tira.

Meirelles ficou no BC e ia se desincompatibilizar em abril de 2010, para concorrer ao governo de Goiás (desta vez pelo PSD), mas Lula o convenceu a ficar, garantindo que ele seria ministro da Fazenda na gestão de Dilma Rousseff e ganharia visibilidade para ser candidato a presidente em 2014. Meirelles, mais uma vez, topou.

Mas acontece que era uma armadilha, Guido Mantega foi mantido na Fazenda e Meirelles ficou desempregado, digamos assim. Mas não tardou a se contratado pelos irmãos Batista, para presidir o Conselho de Administração da J&F Investimentos, a holding da JBS, ou seja, do chamado grupo Friboi. Além disso, Meirelles também passou a integrar o Conselho de Administração da Azul Linhas Aéreas Brasileiras.

UM MAU BRASILEIRO – O fato concreto é que Meirelles é um mau brasileiro, de mente colonizada e globalizada, pouco se importa com o interesse nacional. Foi ele quem sugeriu e preparou o esquema para transformar a J&F em multinacional, com sede na Irlanda, para pagar menos impostos ao Brasil.

Foi exclusivamente dele também a ideia de eliminar direitos trabalhistas e enfraquecer a Previdência Social, circunstância que inevitavelmente beneficia os planos de previdência privada dos banqueiros, que são uma boa porcaria, funcionam apenas como fundos de investimentos, não tem renda garantida nem dão direito algum ao segurado. Se tiver um acidente grave e ficar inválido, está liquidado, ao passo que na Previdência Social o amparo é garantido.

Meirelles quer transformar o Brasil numa sucursal dos Estados Unidos, com o mesmo sistema previdenciário e as mesmas leis trabalhistas. Mas há uma brutal diferença. Os EUA são o país mais rico do mundo, que imprime a moeda universal, enquanto o Brasil…

APOIO DOS MILITARES – O fato é que Meirelles se tornou a pessoa mais importante do país, o que diz vira lei, a terceirização já avançou, a pejotização virou norma, em breve a carteira assinada nada significará e a Previdência Social será uma pálida lembrança na memória dos brasileiros. Detalhe importantíssimo – para se garantir, Meirelles não vai mexer na aposentadoria dos militares, que serão estrategicamente preservados, para que continuem quietinhos em seus quartéis falidos.

Os militares estão acomodados, não se metem em nada, desde que seus direitos sejam preservados e os parlamentares vão aprovar as perversidades que Meirelles propôe, pois foi tudo ideia dele, o presidente Michel Temer lhe deu carta branca, porque é um boboca que nada entende de economia e não sabe a diferença entre ação ordinária e ação preferencial. Só entende mesmo é de caixa dois e propinas.

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PSEste é o assunto mais importante do país, mas ninguém discute. Até o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, já se curvou diante de Meirelles, embora os tucanos contem com um excelente economista chamado Armínio Fraga. Mas quem se interessa? (C.N.)

Leia aqui um dos artigos mais desumanos escritos nos últimos tempos

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Abandonar o idoso pode ser a “busca da felicidade”?

Carlos Newton

Faz tempo que não sai um artigo tão desumano na grande mídia. Foi publicado na Folha de S. Paulo, no último dia 3. Achei o título tão absurdo que tentei ler o artigo e me surpreendi, porque só está acessível a assinantes do jornal, o que significa o alto prestígio do colunista. Como sou assinante, entrei com a senha e tive acesso a essa preciosidade.

Luiz Felipe Pondé se diz filósofo, escritor e ensaísta, pós-doutorado em Epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, discute temas como comportamento, religião, ciência. Escreve às segundas-feiras na Folha. De família judaica, diz ser ateu e acreditar em vários deuses. Está chegando aos 60 anos, é casado e tem dois filhos, Noam e Dafna.

Pelo conteúdo de seu artigo, Pondé aconselha que os filhos abandonem os pais idosos em abrigos (que ele prefere chamar de “casa de repouso”), sob a justificativa de que os mais jovens têm direito de serem felizes. A tese é grotesca, egoísta e ignóbil. Por uma questão de piedade, espera-se que os filhos de Pondé não procedam assim em relação a ele, quando chegar a hora.

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DEIXAR OS PAIS NA CASA DE REPOUSO É UM “DIREITO DO CIDADÃO” QUE QUER SER FELIZ

Luiz Felipe Pondé
Folha

Acho a autoajuda e o politicamente correto duas formas de mau-caratismo. Minha crítica máxima aos dois nasce da minha certeza (tenho poucas) de que o sofrimento é fonte inexorável do amadurecimento, coisa rara em épocas retardadas como a nossa. O projeto contemporâneo é chegar aos 60 anos com cabeça de 15. Logo, retardo mental como projeto de vida. Uma conquista contra a inteligência.

Um dos temas prediletos do mau-caratismo é a chamada “terceira idade”. Um mercado, claro, devido à longevidade da espécie nos últimos anos. Já se tratou a velhice como “melhor idade” também. Uma ofensa à experiência humana real.

AMBIVALÊNCIA – A longevidade estendida é um dos casos mais claros da famosa ambivalência descrita por Zygmunt Bauman (1925-2017). Um bem evidente por um lado, um drama humano gigantesco por outro, sem solução, como toda ambivalência que se preze. O mais sábio dos meus amigos costuma dizer que uma das versões do inferno no futuro será a impossibilidade de morrer. Você vai querer morrer e não conseguirá.

Sem fazer referência necessariamente a toda gama de pessoas que vegetam por aí em leitos aparelhados com tecnologia de “primeira linha” para a humanidade vegetativa, a longevidade puramente fisiológica, muitas vezes acompanhada pela perda de funções cognitivas essenciais, atormentará o humano daqui para a frente.

LONGEVIDADE – A maravilhosa peça “O Pai”, de Florian Zeller, com direção de Léo Stefanini, cujo elenco é encabeçado por Fulvio Stefanini (brilhante como o pai da peça, vencedor do Prêmio Shell de melhor ator em 2016), em cartaz no teatro Fernando Torres, em São Paulo, é essencial para pensarmos o tema da longevidade para além do marketing da longevidade.

Este é caracterizado por um discurso, como (quase) sempre no marketing, de facilitação da realidade em nome de um otimismo besta.

O impacto dos avanços tecnológicos, científicos e médicos criaram uma sobrevida na espécie humana jamais imaginada. Vivemos mais, mas somos cada vez mais solitários. Muito metabolismo para uma alma cada vez mais dissociada de si mesma. A peça tem, entre outras qualidades, a capacidade de levar você para dentro dessa alma idosa longeva e solitária, graças ao texto, às interpretações e à direção.

SURTO DE HISTERIA – A solidão é uma epidemia contemporânea, em meio ao maior surto de histeria já enfrentado pela humanidade. Solidão e histeria, juntas, formam uma mistura explosiva em termos epidemiológicos.

Os avanços sociais e políticos, passo a passo com os avanços técnicos citados acima, produzem uma sociabilidade cada vez mais egoísta — o egoísmo é a grande revolução moral moderna. As pessoas emancipadas tendem ao egoísmo como forma de autonomia.

Inteligentinhos não entendem isso muito bem porque são as maiores vítimas do marketing de comportamento que se pode imaginar. Emancipados pensam em si mesmos, antes de tudo, como consumidores do direito ao egoísmo.

OS IDOSOS SOFREM – Sempre soubemos que os idosos sofrem na mão dos filhos homens e de suas mulheres, que quase nunca suportam seus sogros, que insistem em ficar vivos. As filhas, que quase sempre suportaram o ônus da lida com os pais, agora se libertam e também querem vida própria (claro que existem exceções ao descrito acima, que filhos, filhas, genros e noras ofendidinhos não fiquem nervosos em demasia).

As filhas também têm o direito de cuidar de si mesmas, é evidente. Deixar os pais na casa de repouso é um “direito de todo cidadão” que quer ser feliz sem ter que viver cuidando de pais que nunca morrem. Por isso que o mercado gerontológico só cresce.

SEM SOLUÇÃO – Além disso, a crescente queda na natalidade, que caracteriza os mesmos países de crescente população longeva, só tende a agravar o quadro. Baixa natalidade e alta longevidade são ambas frutos da mesma riqueza instalada na sociedade: alta tecnologia e direitos sociais são manifestações diretas dessa riqueza. Filhos únicos serão idosos longevos solitários, dependentes de serviços que ocupam o vazio deixado pelas famílias.

Qual a solução pra isso? Não há. Um mundo de velhos solitários é o futuro de um mundo de ricos autônomos e amedrontados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É um dos artigos mais desumanos já escritos. Talvez Pondé tenha abandonado os pais ou sogros num asilo e agora esteja querendo se livrar da culpa, aliviar o peso da consciência. Ou talvez seja apenas egoísta e insensível, querendo tirar uma onda de moderninho. De toda forma, demonstra sua colossal falta de caráter. Os filhos jamais serão felizes se abandonarem os pais ou parentes em abrigos (ou “casas de repouso”, como amacia Pondé). Só podem proceder assim se forem insensíveis e tiverem uma pedra no lugar do coração. Da mesma forma como nossos pais cuidaram de nós quando nascemos e éramos crianças, temos de cuidar deles na chamada segunda infância. Na teoria do autodenominado filósofo Pondé, os pais de crianças deficientes e com graves problemas também “têm direito” de abandoná-las em “casas de repouso” para que eles (os pais) possam ser felizes. Chamar isso de “felicidade” parece ser um bocado de exagero. É inacreditável que a Folha dê algum prestigio a esse tipo de “articulista”. (C.N.)

Rodrigo Maia ganha sinal verde dos banqueiros e vai mesmo substituir Temer

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Maia já mandou fazer o terno para tomar posse

Carlos Newton

Quem quiser que se iluda. O mandato-tampão de Temer já acabou e ele ainda não sabe. Aliás, finge que não sabe, porque faz tempo que não mais governa, apenas tenta se defender. Com isso, o Brasil vive hoje a mesma situação da Bélgica, que recentemente ficou quase dois anos sem governante e ninguém notou. Quem segura Temer no poder, em termos administrativos, é o superministro Henrique Meirelles, que nomeou toda a equipe econômica e comanda o circo com mão de ferro. Em termos políticos, é o PSDB que garante a governabilidade de Temer, quer dizer, vinha garantindo até agora, mas acaba de chutar o balde, com as declarações de Tasso Jereissati, presidente do partido, do líder na Câmara, deputado Ricardo Trípoli, e do senador Cássio Cunha Lima.

O mais incisivo foi Cunha Lima, ao afirmar que Temer não dura mais 15 dias no poder. Tripoli disse que já não há condições de o PSDB continuar apoiando o governo e Tasso defendeu que Temer seja logo afastado, para ser substituído pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com a manutenção da equipe econômica.

DECISÃO DO “MERCADO” – O fato concreto é que não importa se o presidente é fulano ou beltrano, aqui na Tropicália quem governa é o sistema de controle do poder conhecido como “Mercado”, que passou a reinar após a gestão do presidente Itamar Franco. Desde que Fernando Henrique Cardoso assumiu e avisou “esqueçam tudo o que escrevi”, quem manda é o “Mercado”, que funciona sob comando dos banqueiros e das grandes corporações nacionais e estrangeiras.

Durante os 21 nos do regime militar, dizia-se que o Brasil era governado pelo “Sistema”. Depois da redemocratização, esse “Sistema” civil-militar foi sendo progressivamente substituído pelo “Mercado”, que é altamente danoso para os interesses nacionais, sobretudo porque desde a Era FHC o esse sistema informal de poder funciona sob comando dos banqueiros, chega a cobrar juros de 500%, apesar de a inflação anual nem chegar a 10%.  No mês de junho houve até deflação, mas isso não importa para o “Mercado”.

MAIA APROVADO – No governo Temer, o “Mercado” chegou à perfeição como sistema de controle do poder, ao emplacar Henrique Meirelles no comando da equipe econômica. Foi a primeira vez que um banqueiro de verdade assumiu o poder no Brasil, e não vale citar o exemplo de Moreira Salles, porque quando ele foi ministro da Fazenda em 1962, durante três meses, seu banco ainda era apenas um tamborete, digamos assim.

E agora, com a derrocada de Temer, o “Mercado” continuará no comando do governo. No Correio Braziliense, o experiente analista econômico Vicente Nunes publicou nesta sexta-feira, dia 7, que “assessores do presidente Michel Temer saíram a campo para ouvir integrantes do mercado financeiro sobre uma possível substituição do peemedebista pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. De todos os interlocutores, ouviram que Maia será muito bem recebido pelo capital, desde, é claro, que mantenha a equipe econômica e o compromisso com as reformas”.

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PS – Confirmam-se, portanto, as informações que vêm sendo publicadas aqui na “Tribuna da Internet” sobre o controle do governo brasileiro pelos banqueiros, que evidentemente continuarão a defender os próprios  interesses, deixando de lado os verdadeiros interesses da nação, até porque todos sabem capital não tem pátria e só reza na cartilha do falso deus Dinheiro. Quanto ao deputado Rodrigo Maia, já tínhamos anunciado que ele havia chamado o alfaiate para fazer o terno novo que usará no dia da posse. (C.N.)   

Roberto Jefferson entra numa briga inútil, tentando segurar o mandato de Temer

BRASILIA, DF, BRASIL, 13-04-2017, 14h30: Entrevista com o Presidente PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) Roberto Jefferson Monteiro Francisco, na sede do partido em Brasília DF (Foto: Igo Estrela/Folhapress, PODER)***EXCLUSIVO*** ***ESPECIAL***

Jefferson diz que Temer é acusado “injustamente”

Carlos Newton

O ex-deputado Roberto Jefferson está de volta à política com força total. Cassado em 2005 e condenado a 7 anos e 14 dias de prisão por receber R$ 4,5 milhões do chamado “valerioduto”, cumpriu mais de um ano em regime fechado, mas depois conseguiu que o Supremo perdoasse o restante da pena. Teve graves problemas de saúde, foi operado de câncer no pâncreas, com retirada de parte do duodeno, mas se recuperou, reassumiu a presidência do PTB, que mantém como se fosse um cargo vitalício, e se tornou um dos maiores aliados do presidente Temer.

PRESSÃO DIRETA – Jefferson está influindo diretamente para que o pedido de processo contra Temer seja rejeitado na Comissão de Constituição e Justiça na Câmara, de forma a facilitar sua recusa pelo plenário da Câmara. Nesse sentido, determinou ao líder do PTB, o deputado goiano Jovair Arantes, que pressione as demais lideranças da base aliada para que substituam todos os titulares e suplentes da CCJ que pretendam votar contra Temer.

Jefferson aposta na possibilidade de o atual presidente continuar no poder até o final do mandato em 31 de dezembro de 2018. Por isso, transformou o PTB num partido que apoia o governo de forma incondicional.

Neste ano, Jefferson já se reuniu com Temer quatro vezes, para garantir ao PTB a parte que lhe toca no latifúndio político federal, visando a formar uma forte bancada na eleição de 2018, quando o ex-deputado pretende ser candidato, junto com a filha, Cristiane Brasil, que é vice-líder na Câmara.

AFASTAR OS REBELDES – Atualmente, o PTB tem 17 deputados federais e formou um bloco parlamentar com o PROS, PSL e PRP, com 24 integrantes no total. A liderança do bloco foi oferecida ao deputado Eros Biondini (PROS-MG), mas quem manda mesmo é Roberto Jefferson, através do líder petebista Jovair Arantes, que ganhou visibilidade nacional como relator do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara.

Por determinação direta de Jefferson, o líder Arantes cobrou das demais lideranças do governo um controle radical sobre os membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para evitar traições a Michel Temer e acelerar a análise da denúncia contra o presidente, para que seja rejeitada o mais rápido possível. A intenção é substituir os deputados que sejam a favor da abertura do processo.

ACELERAR A DECISÃO – Temer sonha em fazer a Câmara rejeitar logo o processo, mas tudo tem seu tempo. O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), quer disputar o governo de Minas em 2018, está adorando a visibilidade e vai valorizar ao máximo os trabalhos da Comissão, com a cumplicidade de Rodrigo Maia, que já está convencido de que Temer não conseguirá resistir.

No Congresso, todos sabem que as explosivas delações do doleiro Lúcio Funaro e do ex-deputado Eduardo Cunha logo serão reveladas, destruindo o que ainda resta da imagem de Temer, se é que ainda sobrou alguma coisa.  Mas Roberto Jefferson acha que Temer não é cavalo paraguaio e pode conseguir se segurar. É um dos poucos que ainda acreditam nisso.

O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, acha que Temer não tem mais condições de permanecer e está conduzindo os tucanos a debandar. O principal, segundo Jereissati, é manter a equipe econômica e evitar maiores turbulências, com Rodrigo Maia assumindo a Presidência e tocando o barco.

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PSTasso está com a razão, precisa ser ouvido. Temer não possui condições de governar e o mais importante é garantir a estabilidade do país. Jefferson vai quebrar a cara, mas logo dará a volta por cima e fará um acordo com o presidente interino Rodrigo Maia, para continuar garantindo a parte que lhe toca no latifúndio federal. O Brasil é assim. Justamente por isso, os analistas estrangeiros não conseguem entender como funciona a Tropicália. (C.N.)

Mesmo se escapar do processo, Temer vai continuar sendo investigado pela PF

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Charge do Jota A (Portal de O Dia/PI)

Carlos Newton

O inferno astral de Michel Temer continua e vai se prolongar depois de seu aniversário, em 23 de  setembro, quando completará 77 anos. A luta agora é para se livrar da abertura do processo criminal no Supremo, se conseguir 172 votos de deputados que estiverem dispostos a apoiá-lo, em transmissão direta pela TV, ao vivo e a cores. Mesmo se ganhar esse habeas corpus preventivo a ser concedido pela fragmentada base aliada, Temer continuará com graves problemas judiciais, porque a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República terão de prosseguir as investigações sobre ele, de forma direta ou indireta.

SEM CHANCE – Não há a menor possibilidade de os federais e os procuradores deixarem de incluir Temer em alguns dos inquéritos em andamento, conforme o delegado Marlon Oliveira dos Santos acaba de solicitar ao Supremo, ao pedir autorização para investigá-lo junto com os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, por envolvimento na corrupção liderada por Eduardo Cunha na Câmara.

Da mesma forma, ao investigar Rocha Loures, que ainda era assessor presidencial quando Temer indicou o nome dele para representá-lo junto ao empresário Joesley Batista, inevitavelmente a Polícia Federal e o Ministério Público estarão apurando crimes que envolvem o presidente da República.

14 POLÍTICOS  – No processo que incrimina o ex-assessor Rocha Loures, acusado de corrupção passiva, a denúncia apresentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot inclui outros 14 indiciados, todos eles ligados a Temer, de uma forma ou outra.

Constam da relação o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil,  e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Wagner Rossi, do PMDB, e Guido Mantega, do PT. Outros envolvidos são os senadores Eduardo Braga, Eunício Oliveira, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Kátia Abreu e Vital do Rêgo, hoje ministro do Tribunal de Contas da União, e o ex-deputado Eduardo Cunha.

Ex-assessor e amigo de Temer, o advogado José Yunes é investigado por intermediação de repasses ilícitos. E os candidatos peemedebistas Paulo Skaff (presidente da Fiesp) e Gabriel Chalita também aparecem na denúncia por terem recebido doações de caixa dois em campanhas.

TEMER ENVOLVIDO – As investigações estão apenas começando. Muita água vai passar embaixo dessa ponte para o futuro,  que liga importantes políticos e grandes empresários. Ao investigar cada um dos 15 incriminados na denúncia do procurador Janot, a força-tarefa da Polícia Federal e da Procuradoria estará investigando também o presidente Temer. Não há como separá-lo pois a promiscuidade é absoluta. Como investigar Rocha Loures, o homem da mala, sem incluir Temer?Como investigar Padilha, que era operador das propinas do PMDB, sem incluir o presidente do partido, que na época era o próprio Temer? E assim, sucessivamente.

Da mesma forma, como poderá ir adiante o inquérito sobre a corrupção do PMDB na Câmara, sem envolver Temer, Padilha e Moreira, como reivindica o delegado federal Marlon Oliveira dos Santos? Há, ainda, as recentes denúncias das delações de Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, incriminando ainda mais a troika do Planalto.

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PS – É por isso que os observadores estrangeiros e até mesmo os chamados brazilianistas têm tanta dificuldade para tentar entender a política brasileira, especialmente quando Temer diz que as acusações contra ele são ficções. Na verdade, as denúncias da Procuradoria e da Polícia Federal contra o presidente são sólidas, a grande obra de ficção é a própria política brasileira, que deixa arrasados e deprimidos os roteiristas da celebrada série “House of Cards”. (C.N.)

Pedido da PF para investigar Temer, Padilha e Moreira desorientou o Planalto

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A fila está andando, Padilha e Moreira estão nela…

Carlos Newton

É impressionante a sucessão de problemas judiciais que atingem o Planalto. Todo dia tem novidade, é uma péssima notícia atrás da outra. Com a prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), chamado de “mensageiro” pelo empresário Joesley Batista, da JBS, o Planalto estava preocupado com possíveis investidas do procurador Rodrigo Janot contra os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral). Mas esse ataque não se concretizou.

FOI SURPRESA – De repente, não foi uma nova flecha de bambu da Procuradoria. Ao contrário do que esperava o Planalto, a iniciativa partiu da Polícia Federal, que jogou no colo do presidente Temer uma bomba de efeito retardado, ao pedir autorização ao Supremo para investigá-lo junto com os ministros Padilha e Moreira, no âmbito da Operação Lava-Jato, em inquérito já instaurado contra deputados federais do PMDB e outros envolvidos.

A investigação em curso no Supremo atinge 15 outros envolvidos, entre eles o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-ministro Henrique Eduardo Alves, o doleiro Lúcio Funaro, o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), a ex-prefeita Solange Almeida e o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, um dos delatores da Lava Jato.

UM DIA DE CÃO – A notícia levou o Planalto ao desespero, porque a nova investigação vai cruzar as provas existentes em várias delações, especialmente da Odebrecht e da JBS. Segundo o delegado federal Marlon Oliveira dos Santos, com a deflagração da Operação Patmos foi possível identificar conversas entre Joesley  e Temer sobre pagamentos a Funaro e Cunha, para mantê-los em silêncio acerca de crimes envolvendo atividades da J&F Investimentos (JBS), que incluíam corrupção de procurador da República e de juízes responsáveis pelas ações penais decorrentes das investigações das Operações Sépsis, Cui Bono? e Greenfield.

No pedido ao Supremo, o delegado denunciou que surgiram “novos relatos” sobre corrupção na Caixa Econômica Federal, com participação de políticos com foro privilegiado, como o presidente Temer, Padilha e Moreira Franco. Outro envolvido na mesma investigação é o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que não têm mais foro privilegiado e já está recolhido à penitenciária da Papuda, em Brasília.

NAS MÃOS DE FACHIN – O pedido para incluir presidente e ministros no inquérito está nas mãos do ministro Edson Fachin, que pode decidir monocraticamente, sem recorrer à Segunda Turma ou ao plenário. Como se sabe, o relator da Lava Jato tem poderes para mandar investigar o presidente da República, mas só pode processá-lo se a Câmara aprovar, com voto de dois terços dos deputados.

Esse quorum despropositado precisa ser revisto pelo Congresso. Foi decidido pela Constituinte na ressaca cívica de uma ditadura militar que durou 21 anos. Os políticos estavam traumatizados e criaram salvaguardas absurdas, como o foro privilegiado e o quorum de dois terços para processar presidente em crime comum, vejam que protecionismo idiota passou a fazer parte da democracia à brasileira.

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PS 1 – Como dizia o genial Sobral Pinto, “não existe democracia à brasileira, o que se conhece é o peru à brasileira, com farofa”. Portanto, a Constituição precisa ser mudada, para extirpar esse quorum desmedido e acabar também com o foro privilegiado. Com isso, haverá motivos para que alguns brasileiros possam comemorar, traçando um “peru à brasileira”, que a maioria do povo infelizmente nem sabe que gosto tem, porque já ouviu falar, mas nunca comeu peru, pelo menos dessa maneira, se é que vocês me entendem, como dizia nosso amigo Maneco Müller. 

PS 2 – Nesta segunda-feira, previmos que a Bolsa teria pequena queda na terça-feira. O resultado foi negativo em apenas 00,8%, o índice ficou em 63.232. Nada mal, não é mesmo? (C.N.)

No desespero, PMDB, PSDB e PT se unem para tentar inviabilizar a Lava Jato

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Charge do Casso (Charge Online)

Carlos Newton

A briga ficou mais difícil, porque no início a operação Lava Jato atingia mais duramente apenas o PT e alguns partidos aliados, mas agora o PMDB e o PSDB também estão sendo alvejados incessantemente. O resultado é a formação de uma frente ampla para a inviabilizar o combate à corrupção, com ações desfechadas em várias frentes e que estão conseguindo algum êxito, como a prisão domiciliar do ex-assessor presidencial Rocha Loures e a devolução do mandato do senador Aécio Neves.

“ACORDÃO “- Está cada vez mais clara a existência do chamado “Acordão” suprapartidário contra a Lava Jato. Sob comando direito do Planalto, o rolo compressor uniu as cúpulas dos três principais partidos – PMDB, PSDB e PT, que se projetaram para um vale tudo, usando todas as armas possíveis e imaginárias, com apoio de outros partidos menores, entre eles o PTB, presidido por Roberto Jefferson, que lidera um bloco de pequenas bancadas na Câmara.

Em função do objetivo comum de boicotar a Lava Jato, as antigas rivalidades políticas e ideológicas estão superadas, mas não se trata de um bloco monolítico, porque em todos os partidos há dissidentes que não estão envolvidos diretamente na corrupção e se recusam a participar desse combate à Lava Jato, até porque não querem perder votos nas próximas eleições.

SUPREMO DIVIDIDO – Essa guerra contra a Lava Jato só tem condições de prosperar porque o Supremo Tribunal Federal está dividido e já conta com cinco ministros que participam do “Acordão” – Gilmar Mendes, pelo PSDB, Alexandre de Moraes, pelo PSDB e PMDB, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, pelo PT, e Marco Aurélio Mello, pelo PTC (partido criado por seu primo Fernando Collor sob a sigla PRN e que até hoje tem o mesmo presidente, Daniel Tourinho).

Essa bancada é quase majoritária no Supremo, porque eventualmente conta com o voto de Rosa Weber. Sem ligação partidária, a ministra é amiga de Carlos Araújo, ex-marido de Dilma Rousseff, que a indicou ao Supremo. Além disso, é prima de Letícia Weber Neves, atual mulher de Aécio. Apesar dessas relações, nada indica que Rosa Weber possa ser cooptada pelo “Acordão”, pois no processo do mensalão ela condenou José Dirceu, mesmo considerando não haver provas diretas  contra ele.

DECISÕES DE RELATOR – Uma circunstância que tem favorecido os inimigos da Lava Jato é a possibilidade de haver decisões monocráticas no Supremo, tomadas solitariamente pelos relatores, como aconteceu nesta sexta-feira, quando o ministro Marco Aurélio Mello, sem ouvir o plenário, devolveu o mandato a Aécio Neves, atropelando a decisão anterior de Edson Fachin.

É interessante destacar que, ao adotar essa decisão de caráter essencialmente político, o relator Marco Aurélio se excedeu nos elogios a um criminoso vulgar, contra o qual existem sólidas provas materiais:

“É brasileiro nato, chefe de família, com carreira política elogiável – deputado federal por quatro vezes, ex-presidente da Câmara dos Deputados, governador de Minas Gerais em dois mandatos consecutivos, o segundo colocado nas eleições à Presidência da República de 2014 – ditas fraudadas –, com 34.897.211 votos em primeiro turno e 51.041.155 no segundo, e hoje continua sendo, em que pese a liminar implementada, senador da República, encontrando-se licenciado da Presidência de um dos maiores partidos, o Partido da Social Democracia Brasileira”, alegou o ministro-relator, ao atribuir a Aécio Neves uma espécie de habeas corpus preventivo, e só faltou conceder ao senador a Medalha do Mérito Judiciário, por serviços prestados à nação.

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PS
O chamado “Acordão” não é nenhuma novidade, existe desde sempre, e aqui na “Tribuna da Internet” tem sido chamado de “bancada da corrupção”. A diferença agora é que a união de forças ficou mais clara, os advogados de Lula, Dilma, Temer e Aécio estão agindo em conjunto e há um pacto de não-agressão entre as cúpulas partidárias, até agora somente quebrado por FHC, que está fora do mapa da política, mas quer ser eleito sucessor de Temer, porque se considera o verdadeiro “salvador da pátria”, vejam a que ponto chega a sua pretensão. (C.N.)

Advogado de Temer reprova a “estratégia” de acusar Janot de se vender à JBS

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Mariz ficou surpreso com o ataque a Janot

Carlos Newton

Pela segunda vez desde que as gravações de Joesley Batista foram divulgadas, o presidente Michel Temer teve de viajar a São Paulo para se reunir com seu advogado e amigo Mariz de Oliveira, num final de semana. É estranho que o chefe do governo tenha de se deslocar até São Paulo, mas o sacrifício tem explicação. Mariz é o articulador do grupo de advogados que defende Temer e não está nada satisfeito com os rumos da defesa, depois que o marqueteiro Elisinho Mouco passou a redigir os pronunciamentos do presidente.

ERRO CLAMOROSO – Mariz considerou um grave equívoco o discurso redigido por Mouco que conteve ofensas diretas à honra do procurador-geral Rodrigo Janot. Em sua visão de criminalista, uma coisa é denunciar a estranha situação do ex-procurador Marcelo Miller, que pediu demissão para trabalhar num dos maiores escritórios que defendem o empresário Joesley Batista e a JBS. Mas foi um erro clamoroso incluir na denúncia o procurador Janot, insinuando que ele teria recebido “milhões” da JBS e seria um bêbado contumaz, com fez Temer ao ler o texto de Mouco nos teleprompters transparentes do Planalto, para simular estar falando de improviso.

Temer teve de ir a São Paulo para se explicar com Mariz e combinar que, a partir de agora, os textos do marqueteiro serão submetidos a ele. O advogado reafirmou que a estratégia de Mouco está equivocada, porque o resultado foi um tiro no pé. Desagradou e ofendeu toda a Procuradoria, inclusive a substituta de Janot, Raquel Dodge, que já respondeu na Folha (coluna Painel, de Daniela Lima) que não pretende enfraquecer a Lava Jato, muito pelo contrário.

Além disso, Temer se arrisca a levar um processo de perda de danos, exatamente igual ao que está movendo contra Joesley Batista, por calúnia, injúria e difamação, a trindade dos crimes contra a honra.

TRABALHO DURO – Mariz também lembrou a Temer que a defesa no Supremo e na Câmara ficou agora muito mais difícil, depois que a acurada perícia da Polícia Federal não somente atestou que não houve cortes nem manipulações na gravação, como também recuperou trechos que claramente incriminam o presidente.

Em tradução simultânea, Mariz deixou claro que, se Temer não pretende ajudar a própria defesa, pelo menos não deveria atrapalhar. O presidente/indiciado entendeu a mensagem, recolheu-se à sua insignificância e prometeu que não fara novos pronunciamentos sem a supervisão do advogado, que tem horror de amadorismos. E vida que segue, como diria nosso amigo João Saldanha, que hoje está comemorando seu centenário e será sempre enaltecido pelos brasileiros.

Veja anuncia que Eduardo Cunha fará delação e vai acabar de destruir Temer

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Charge do Amarildo (amarildo.com.br

Carlos Newton

O site da revista Veja anuncia que a defesa do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso em Curitiba, já comunicou à Procuradoria Geral da República (PGR) que o ex-parlamentar pretende fazer delação premiada. De acordo com a notícia divulgada pelo repórter Gabriel Mascarenhas na coluna Radar, os advogados de Cunha saíram da reunião com os procuradores dizendo que agora começarão a colher as informações e documentos que o ex-deputado tem para entregar.

A notícia é explosiva e tem procedência, porque o principal cúmplice de Eduardo Cunha era o doleiro Lúcio Funaro, que decidiu fazer delação premiada e já começou a prestar depoimentos que incriminam o ex-presidente da Câmara, entre outros políticos.

TEMER É O ALVO – Sem alternativa e com a mesada da JBS suspensa, Eduardo resolveu jogar a toalha e pedir a delação premiada. Segundo as regras do Ministério Público, só é feito acordo de colaboração com réu que denuncia os chefes da quadrilha. Ou seja, as revelações têm de incriminar quem está acima do delator no organograma da quadrilha. Isso significa que Cunha vai ter de entregar Temer, Lula, Dilma e grandes nomes da política, para que sua delação seja homologada.

Detalhe importantíssimo: antes de ser destituído da presidência da Câmara e do mandato de deputado, Cunha passou cerca de dois meses se reunindo diariamente com o doleiro Lúcio Funaro em Brasília, para cruzar informações e coletar documentos, registros bancários, anotações etc. Sabe-se que Funaro é muito organizado e registrava tudo o que fazia.

DOSE DUPLA – As duas delações – de Funaro e Cunha – são uma espécie de bomba-relógio no terceiro andar do Planalto. Suas revelações vão tornar ainda mais difícil a sustentação do presidente Temer, que agora está na mira da Procuradoria-Geral da República também pela corrupção nos anos FHC, quando participava o esquema de propinas do Porto de Santos, conforme o articulista Antonio Santos Aquino vem denunciando há anos aqui na “Tribuna da Internet” e somente agora o Ministério Público despertou para a importância das informações.

O clima no Planalto é surrealista, porque já faz tempo que Temer não governa, dedicando-se exclusivamente a se defender de acusações cada vez mais consistentes e irrefutáveis. E vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha, porque a Bolsa de Valores subiu 1,06 no pregão de sexta-feira, demonstrando que a economia continua descolada da crise política.

Fachin teve de recuar, mas sua estratégia está correta e a Lava Jato não vai parar    

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Fachin sofreu um revés, mas logo irá contra-atacar

Carlos Newton

De repente, parece que tudo está dominado, fica no ar uma sensação de impunidade, surgem evidências de que o Planalto e a bancada da corrupção podem sair vitoriosos contra a Lava Jato. São fatos concretos que trazem inquietação, pois José Dirceu está solto, escreve artigo em jornal é homenageado por admiradores, Adriana Ancelmo ganhou prisão domiciliar, João Vaccari foi absolvido em um dos processos, Aécio Neves recuperou o mandato, Rocha Loures também está saindo da cadeia, tudo indica que houve uma reversão de expectativas e a Lava Jato vai desmoronar.

Acontece que as aparências enganam. Mesmo que o presidente Temer consiga evitar a cassação e continue a fingir que governa o pais até o fim de seu mandato-tampão, isso não significa que a impunidade sairá vencedora. Pelo contrário,  o processo de combate à corrupção é irreversível e sairá vencedor.

DEPENDE DO STF – Embora a sensação atual seja de que o Planalto e a bancada da corrupção estejam conseguindo vencer a guerra, na realidade houve apenas vitórias esparsas e episódicas. É preciso entender que a batalha final será travada no campo do Supremo Tribunal Federal, onde o relator Edson Fachin está demonstrando ser um excepcional estrategista.

A situação começou a ficar desequilibrada devido à morte de Teori Zavascki e sua substituição por Alexandre de Moraes. Além disso, a formação atual da Segunda Turma do STF passou a ter maioria favorável ao boicote à Lava Jato. Foi por isso que Dirceu conseguiu a prisão domiciliar em 2 de maio. Votaram a favor os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, derrotando o relator Fachin e o ministro Celso de Mello, que se posicionaram a favor de manter a prisão provisória.

Fachin absorveu a derrota e revidou com uma decisão acertadíssima, passando a encaminhar ao plenário as questões a serem resolvidas de forma coletiva. Com isso, neutralizou a Segunda Turma e reforçou o apoio à Lava Jato no Supremo. Uma estratégia primorosa.

FATIAMENTO – O problema é que nem todos os processos de corrupção caem na relatoria de Fachin. Quando vão para a Primeira Turma, as decisões ficam dependendo da ministra Rosa Weber, porque Luís Roberto Barroso e Luiz Fux  votam sempre contra os corruptos, enquanto Marco Aurélio Mello e Alexandre de Moraes se posicionam a favor deles.

A ministra Rosa Weber é pendular, fica de um lado para outro. Na sessão do último dia 13, por exemplo, foi contra a prisão domiciliar de André Neves, o placar foi 3 a 2. O relator Marco Aurélio então manobrou, deu um jeito de colocar a questão novamente em pauta, e uma semana depois, no dia 20, Rosa Weber mudou de ideia e aceitou soltar Andréa Neves, o primo Frederico Pacheco Medeiros e o assessor parlamentar Mendherson de Souza Lima, que trabalha com o senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

O CASO AÉCIO – Nesta sexta-feira, alguns dias depois de ter encaminhado ao plenário o pedido de prisão de Aécio Neves, alegando não pretender decidir monocraticamente, de repente o ministro Marco Aurélio Mello mudou de ideia. Sem esperar a decisão do plenário, decidiu solitariamente devolver o mandato do presidente do PSDB, revogando a decisão anterior do relator da Lava Jato, Edson Fachin.

Apanhado de surpresa, Fachin ficou sem alternativa e teve de conceder prisão domiciliar também a Rocha Loures, por isonomia, já que era o único réu que continuava preso em função da delação da JBS.

Como se vê, o futuro da Lava Jato está nas mãos da ministra Rosa Weber, porque no Supremo o jogo está empatado em 5 a 5. De um lado, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Celso de Mello, Luiz Fux e Cármen Lúcia, a favor da Lava Jato; do outro lado, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, contra o combate à corrupção. Portanto, será de Rosa Weber o verdadeiro voto de Minerva, embora não esteja na presidência da Suprema Corte.

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PS
Não há razão para desalento. A Lava Jato não morreu nem morrerá. Na Itália a corrupção conseguiu derrotar a Operação Mãos Limpas e possibilitou que o degradante Silvio Berlusconi ascendesse ao poder. Mas acontece que naquela época não existia a internet. Esta é a grande diferença. Agora o jogo é diferente. Por isso, vamos erguer a cabeça e seguir em frente. (C.N.)

Gilmar Mendes está isolado no Supremo e o boicote à Lava Jato é um fracasso

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

Nada de novo no front, diria o genial escritor alemão Erick Maria Remarque. O resultado da sessão do Supremo Tribunal Federal que discutiu as delações premiadas não trouxe qualquer novidade. As votações que envolveram o tema deixaram patente que a operação para boicotar a Lava Jato já fracassou no Judiciário, é inútil insistir. O ministro Gilmar Mendes está cada vez mais isolado, caminha para se transformar numa espécie de Napoleão de hospício, que fica querendo dar ordem unida aos demais pacientes e ninguém liga. O apoio à delação premiada foi sintetizado pela presidente do Supremo, Cármen Lúcia: “É um instituto essencial, muito bem-vindo à legislação penal” – disse a ministra.

Os resultados das duas votações eram mais do que esperados. A primeira rodada confirmou o ministro Edson Fachin como relator da Lava Jato, foi por unanimidade, nem mesmo Gilmar Mendes se arriscou a contestar. E a validade das delações foi aprovada por oito votos a três, porque Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski apoiaram Gilmar Mendes na tese de que caberia ao plenário do Supremo homologar as delações.

ELOGIO A JANOT – O fato concreto é que não há como o Planalto e seus aliados conseguirem levar adiante a operação para abafar a Lava Jato no Judiciário. E a nomeação de Raquel Dodge para substituir Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral de República, a partir de setembro, pouco significa. Nenhum membro do Ministério Público Federal terá a desfaçatez de se transformar em “engavetador” de processos, isso é ponto pacífico.

Raquel Dodge não irá contestar o trabalho que Janot vem conduzindo. Como reconheceu nesta quinta-feira o ministro Marco Aurélio Mello, em entrevista ao Estadão, as denúncias do procurador-geral “costumam ser bem embasadas”.  E assinalou não ver motivos para desacreditar previamente das acusações feitas por Janot.

“Presume-se que, em se tratando de denúncia da cúpula do Ministério Público, ela não seja inepta. E, de qualquer forma, nesses anos, ele (Janot) tem apresentado peças consistentes”, disse Marco Aurélio Mello.

SÓ RESTA O CONGRESSO – Com o fracasso do boicote à Lava Jato no Judiciário, para o Planalto e a bancada da corrupção só resta insistir nos projetos já apresentados ao Congresso e que estão devagar, quase parando. O mais visado, e o senador Aécio Neves foi até gravado pedindo apoio a Gilmar Mendes para aprová-lo, é a Lei de Abuso de Autoridade, na versão apimentada pelo relator Roberto Requião (PMDB-PR).

Há outras propostas, como anistia ao caixa dois; ampliação do alcance dos acordos de leniência visando a inocentar os envolvidos; e prazo-limite de apenas 15 dias para grampos telefônicos com autorização judicial. Mas todos os projetos estão destinados ao fracasso, porque a opinião pública mantém a pressão e a internet demonstra ter cada vez mais influência na política. Isso indica que nada será como antes, na antevisão de Milton Nascimento e Lô Borges.

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PS –
Em tradução simultânea, Temer pode conseguir ficar até o fim do mandato, aos trancos e barrancos, totalmente desmoralizado, mas a Lava Jato estará preservada. Quanto à economia, continua totalmente desatrelada da política, e a Bolsa subiu 0,35% nesta quinta-feira, quando a denúncia contra Temer foi oficialmente entregue à Câmara Federal. (C.N.)

A crise se agrava, a grande mídia começa a se posicionar, mas a Bolsa sobe 0,55%

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Charge do Frank (Charge Online)

Carlos Newton

Entramos na reta final da disputa do poder, a crise política é gravíssima, mas ninguém está nem aí, com a Bolsa de Valores fechando a quarta-feira em alta de 0,55% e o Índice Bovespa se firmando acima dos 62 mil pontos, nada mal. Nota-se claramente que a economia descolou do campo político, onde as fichas já estão sendo colocadas na mesa para a rodada de fogo, enquanto a grande mídia começa a se posicionar para a batalha final.  E nesta guerra, em que realmente vale tudo, o instrumento mais importante é a mídia impressa e seus sites, que irradiam as informações para a grande massa. Pode-se dizer, sem medo de errar, que a disputa do poder ainda é travada nos grandes jornais e nas revistas de opinião, a televisão fica em segundo plano, vem a reboque.

Entre os grandes jornais de circulação nacional e que dispõem do poder irradiador de suas agências de notícias, O Globo está claramente contra o presidente da República, enquanto o Estadão e a Folha adotam uma linha mais defensiva em favor da permanência do atual governo, embora seus articulistas tenham total autonomia para atacar Michel Temer frontalmente. Nas revistas de opinião, Veja e Época batem pesado no presidente, enquanto a IstoÉ está nitidamente a favor.

SURGEM EXCESSOS – Nessa ânsia de atacar ou defender, sempre há excessos, como o recente ataque da IstoÉ ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, numa reportagem excedeu os limites da razoabilidade. A mesma sofreguidão foi demonstrada nesta quarta-feira por O Globo, ao publicar em seu site, no alto da página, a matéria “Termômetro da CCJ: apenas 4 declaram voto pró-Temer”, quando o título mais apropriado deveria registrar que, em sua esmagadora maioria, os deputados da Comissão de Constituição e Justiça ainda não sabem se votarão a favor ou contra Temer, conforme Mário Assis Causanilhas oportunamente assinalou em artigo aqui na “Tribuna da Internet”.

Da mesma forma, o Estadão fez um editorial lamentável, ao dizer que Janot não poderia usar como usar como prova a foto em Aécio Neves aparece em reunião com um grupo de senadores (Jereissati, Serra, Anastasia, entre outros). Acontece que a fotografia virou prova porque Aécio cometeu a burrice de postá-la nas redes sociais e escrever na legenda que estava discutindo as reformas e a posição do PSDB. Mas o Estadão, no editorial, esqueceu esse fato concreto e indiscutível.

VALE TUDO – Como se vê, realmente vale tudo nessa guerra do afastamento do presidente Temer, que se trava simultaneamente no Judiciário e no Congresso, mas tem na grande mídia seu principal campo de batalha.

O mais importante de tudo isso está citado no início do artigo – é o salutar descolamento da economia, que está evoluindo como se a crise política não interferisse nos negócios, uma circunstância a demonstrar que o país é maior do que a crise, não importa o presidente que por acaso seja locatário do Planalto.

Foi exatamente o que aconteceu com a Bélgica, que recentemente ficou quase dois anos sem governante, ninguém notou, vida que segue, como dizia o genial João Saldanha, que sempre foi comunista, mas ninguém jamais o acusou de não ser democrata.

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PS
Essa situação inusitada funciona como uma lição aos políticos, mostrando que o poder significa tudo ou nada. Não adianta estar no poder, como Temer, e não ter a menor importância, pois quem manda no país é o ministro Henrique Meirelles, que até já avisou que, se Temer cair, ele continuará. O mesmo recado também deram Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, e Pedro Parente, da Petrobras. Será que combinaram isso entre eles? O assunto é instigante e vamos voltar a ele. (C.N.)

Para destruir Joesley, Planalto distorce o caso dos R$ 500 mil semanais em 20 anos

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Mouco, o marqueteiro, é estrategista de Temer 

Carlos Newton

Está ganhando força na mídia e nas redes sociais o lobby montado pelo marqueteiro do Planalto, Elisinho Mouco, para enfraquecer as denúncias de Joesley Batista contra o presidente Michel Temer e os caciques do PMDB. Ardilosamente, os assessores da Presidência e da Casa Civil espalham informações falsas de que Joesley teria inventado que Temer lhe pedira um pagamento semanal de R$ 500 mil, durante 20 anos. Este é o principal argumento para tentar desmentir as acusações e transformar Temer em vítima de um “bandido notório”.

A argumentação do Planalto tem surtido efeito, está aumentando o número de jornalistas e formadores de opinião que passaram a defender Temer, porque realmente não é possível acreditar que o presidente da República, aos 76 anos, fosse parcelar uma propina em 20 anos. Seria Piada do Ano, ninguém pode levar a sério.

CRIATIVIDADE – É preciso reconhecer a criatividade do marqueteiro e da numerosa equipe que tenta defender o presidente Temer. Estão tirando água de pedra, como se diz lá no sertão. É maravilhosa a versão que inventaram para o pagamento semanal de R$ 500 mil, mas só funciona na mídia e na internet, não vai prosperar no inquérito contra Temer, é como se fosse uma nota de três dólares, não tem o menor valor.

Basta conferir a gravação da conversa de Joesley e Temer no porão do Jaburu. O áudio mostra que, depois de se entenderem sobre a ajuda a Eduardo Cunha, em seguida o empresário pede apoio de Temer para resolver uma pendência da JBS. O presidente então indica seu assessor Rodrigo Rocha Loures, que somente no dia seguinte assumiria como deputado (PMDB-PR), na vaga do ministro Osmar Serraglio:

“Fale com o Rodrigo” – afirmou Temer.

Joesley então quis se certificar do que Rocha Loures poderia fazer por ele e perguntou: “Posso falar tudo com ele?”

Temer foi sucinto: “Tudo”.

REUNIÃO COM LOURES – Joesley Batista então procurou Loures, que no dia seguinte assumira o mandato de deputado e era conhecido homem de confiança do presidente, pois o assessorava desde 2011. Aliás, foi usando o prenome dele que o empresário da JBS teve acesso ao Palácio do Jaburu, às 22h30m, sem se identificar. Apenas disse “Rodrigo” e os seguranças deixaram que entrasse.

Joesley e Loures marcaram um encontro em Brasília — e se acertaram. O empresário lhe contou que precisava do Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que estava para decidir uma disputa entre a Petrobras e o grupo JBS sobre o preço do gás fornecido pela estatal à termelétrica EPE, localizada em Cuiabá.

Joesley explicou a Loures que a Petrobras compra o gás da Bolívia e revende para a empresa por preços abusivos. Reclamou que sua empresa perdia R$ 1 milhão por dia com essa política de preços. E pediu que a Petrobras revendesse o gás pelo preço de compra ou que deixasse a EPE negociar diretamente com os bolivianos.

LIGOU NA HORA – No depoimento à Polícia Federal,  Joesley contou que, com uma sem-cerimônia impressionante, o indicado de Temer ligou para o presidente em exercício do Cade, Gilvandro Araújo, e pediu que resolvesse a questão da termelétrica. Pelo serviço prestado, Joesley ofereceu uma propina de 5% e Loures aceitou: “Tudo bem, tudo bem”, consta da gravação. E o acordo entre Petrobras e EPE/JBS foi fechado dia 13 de abril, nem demorou muito. Loures agiu rápido.

Foi marcado um novo encontro. Desta vez, entre Loures e Ricardo Saud, executivo da JBS. No Café Santo Grão, em São Paulo, foi combinado o pagamento de R$ 500 mil semanais por 20 anos, tempo em que vai vigorar o contrato entre Petrobras e EPE/JBS. Ou seja, R$ 520 milhões ao longo de duas décadas. Na gravação, Loures disse que levaria a proposta de pagamento a alguém acima dele. Saud faz duas menções ao “presidente”. Pelo contexto, os dois se referem a Michel Temer. Ou seja, quem combinou a “semanada” de R$ 500 mil foi Loures, e não Temer.

A entrega da primeira parcela foi filmada pela PF, como todos sabem. Depois, Loures confessou o crime, ao devolver a mala de dinheiro. Mas os agentes federais contaram e faltavam R$ 35 mil (7%). Loures então depositou o restante na Caixa Econômica Federal.

VERSÃO INVENTADA – Bem, foi necessário recordar o que houve, para que se possa desmontar a versão inventada pelo Planalto, de que Joesley teria dito que Temer lhe pedira uma propina de R$ 520 milhões, a ser paga semanalmente, em 20 anos. Isso nunca existiu. Quem combinou esse pagamento com Joesley foi o então deputado Loures, que Temer indicara como seu representante. É isso que consta dos autos do inquérito e está valendo.

Foi o Planalto que criou a versão fantasiosa de que Joesley teria inventado que Temer lhe pedira uma propina de R$ 520 milhões, a ser paga semanalmente em 20 anos.  E o mais incrível é que tanta gente esteja acreditando nesse ardil montado pela organização criminosa que continua comandando este país.

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PS
Como dizia o genial escritor George Orwell, “numa época de mentiras universais, falar a verdade é um ato revolucionário”. E às vezes é necessário que se diga a verdade, para esclarecimento do respeitável público, diria Phineas Barnum, criador do mais famoso circo do mundo, o Barnum & Bailey. Uma de suas frases mais interessantes explica por que tantas pessoas acreditam em teorias conspiratórias e versões manipuladas: “A cada 30 segundos nasce um otário”. (C.N.)

É preciso entender que os açougueiros são bem melhores do que os empreiteiros

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Reprodução do site Metropoles

Carlos Newton

A recente pesquisa Datafolha trouxe algumas revelações interessantes. Uma delas mostra que 64% dos entrevistados declararam que a Procuradoria-Geral da República agiu equivocadamente ao fechar o acordo de delação premiada com os irmãos Batista, Joesley e Wesley. A reportagem da Folha não transcreveu exatamente a pergunta feita na levantamento, apenas deu a conclusão, nos seguintes termos: “O acordo de colaboração premiada que a Procuradoria-Geral da República fechou com os donos da JBS, ao prever multa, mas não a prisão dos delatores, foi mal recebido por 64% da população”.

Nem mesmo no site da Datafolha é possível achar a pergunta, mas ficou claro que esses 64% preferem que os irmãos Batistas sejam presos, ao invés de apenas pagarem multas de R$ 110 milhões cada um.

FALTOU EXPLICAR – Na divulgação da pesquisa, não fica claro se os entrevistados do Datafolha receberam a informação de que os irmãos Batista vão pagar também R$ 10,3 bilhões em acordo de leniência.

De todo modo, cabem reflexões sobre essa delação premiada, pois o acordo causou tanta polêmica que chegou até ao Supremo, mas a maioria de seus integrantes (7 a 0) já decidiu pela validade do procedimento, faltando apenas os votos de quatro ministros.

Mesmo com a decisão do STF, ainda há controvérsias se ocorreu um acordo justo ou se houve privilégios aos irmãos Batista.

EXISTEM DIFERENÇAS – Para encaminhar o importante assunto, é preciso destacar que há muitas diferenças entre a postura dos empreiteiros e o comportamento do açougueiros – como os irmãos Batistas são apelidados de forma altamente depreciativa.

Quando se faz um acordo de delação, leva-se em conta a forma com que foi conduzido. No caso dos empreiteiros, eles rapinaram as estatais, os governo federal, a grande maioria das administrações estaduais e as principais prefeituras. E todos eles negaram as denúncias, tentaram destruir provas e se disseram inocentes – todos, sem exceção. Até que foram presos, não conseguiram comprar o Judiciário e por fim resolveram delatar

Os ditos açougueiros, porém, compareceram espontaneamente, declararam-se culpados. Ao invés de destruir as provas, decidiram apresentá-las às autoridades. E fizeram a delação antes mesmo de serem oficialmente investigados.

OUTRA DIFERENÇA – Os empreiteiros cometeram atos frequentes e repetitivos de corrupção, graves crimes em série, recebendo pagamentos indevidos e dilapidando as contas públicas, com reflexos negativos nos serviços prestados aos brasileiros, especialmente a quem depende dos sistemas públicos de saúde e educação.

Quanto aos açougueiros, eles não cometeram nenhum desses crimes. O que fizeram foi subornar políticos para obter empréstimos do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, e usaram o dinheiro na criação de um império transnacional que fez as exportações do país crescerem em plena crise econômica.

Depois do escândalo da gravação, Temer decidiu retaliar os irmãos Batista e mandou fazer uma varredura nos três bancos. Ficou sabendo que todas as operações são empréstimos, terão de ser pagos. Na ânsia de destruir a JBS,  Temer então acionou a Comissão de Valores Mobiliários, que é uma autarquia, e a Receita Federal.

O QUE EXISTE – Não há empresário bilionário a ser santificado, o capitalismo não inclui benesses nem caridades. O que existe de concreto contra a JBS são as dívidas. Em março de 2017, era a segunda maior devedora da Dívida Ativa da União, com débito de R$ 2,34 bilhões, segundo a Procuradoria da Fazenda. Mas acontece que empresa tem R$ 1,5 bilhão a receber do governo, em créditos tributários e está discutindo na Justiça, não há ilegalidade.

Se não podem ser santificados, empresários também não devem ser satanizados, como Temer vem fazendo, ao chamar Joesley Batista de “bandido notório”, esquecido de que fazia questão de recebê-lo em palácio, na calada da noite.

Para limpar sua emporcalhada imagem, Temer agora tenta demolir o único grupo brasileiro de importância mundial, que garante a sobrevivência de milhares de médios e pequenos empresários rurais, cooperativas e agricultores. Desse jeito, fica parecendo que Temer é muito mais bandido do que Joesley.

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PS – Este assunto é da maior importância para a economia brasileira, especialmente porque está destruindo uma tese válida, que é a criação de campeões nacionais, uma política fundamental, adotada por todos os países desenvolvidos, especialmente Estados Unidos, Alemanha, Japão, Coreia do Sul, Suécia, Noruega etc. E onde se escondem os economistas brasileiros, que se calam a respeito desse tema fundamental para o desenvolvimento do país? É preciso discutir este assunto, às claras, para evitar que o vingativo Temer destrua a JBS e leve de roldão boa parte da agropecuária nacional. Por hoje, vamos ficar por aqui. Mas amanhã a gente volta, para desmontar a versão fantasiosa do Planalto sobre o tal pagamento de R$ 500 mil mensais durante 20 anos. É mais uma “bomba! bomba!”, como dizia Ibrahim Sued. (C.N.)  

Surpresa! A emenda das eleições diretas passa a ser uma possibilidade concreta

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PEC das Diretas está avançando na Câmara

Carlos Newton

O presidente Michel Temer só completa 77 anos em setembro, no dia 23, mas seu inferno astral começou muito antes, desde que o empresário Joesley Batista gravou a conversa no subsolo do Palácio do Jaburu, dia 7 de março. As denúncias e problemas se acumulam, o presidente não governa mais, apenas cuida de se defender para evitar a cassação, e a crise política já caiu numa rotina, a tal ponto que ninguém liga mais se há governo ou não, vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha, ninguém se importa como o que vai acontecer a Michel Temer, a Bolsa de Valores e o dólar flutuam normalmente, na sistemática normal da especulação que caracteriza o sistema, em que uns perdem, outros ganham, e vamos em frente.

A possibilidade de haver uma eleição direta para substituir Temer não está afastada, muito pelo contrário. É cada vez mais provável. Na Câmara, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça  (CCJ), deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), é um político da nova geração que parece disposta a mudar o jogo na política. O parlamentar se recusa a aceitar interferências do Planalto e marcou para a manhã de terça-feira a votação do parecer favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Eleições Diretas.

ATO DE REBELDIA – A decisão do deputado peemedebista é um ato de rebeldia contra a determinação do presidente Michel Temer, que mandou as lideranças da base aliada obstruírem os trabalhos da Comissão. Mas nem todos obedecem. Não existem amadores no Congresso. Todos são políticos profissionais, até mesmo o deputado Tiririca, que já está em seu segundo mandato e aprendeu as manhas da profissão e dá o exemplo, jamais falta às sessões deliberativas.

Apresentada pelo deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), a PEC estabelece que, em caso de vacância do cargo de presidente até seis meses antes do fim do mandato, novas eleições diretas sejam convocadas. A proposta estava parada desde junho de 2016. O relator, deputado Esperidião Amin (PP-SC), apresentou parecer favorável. Se aprovada na CCJ, uma comissão especial será instalada para analisar a PEC. Se for aprovada, a proposta segue para o plenário, onde precisará dos votos de 308 dos 513 deputados, em dois turnos. Depois, o texto irá para o Senado, onde precisará dos votos de 49 dos 81 senadores, também em dois turnos.

VONTADE POLÍTICA – A tramitação da PEC demora, mas pode ser facilmente acelerada, se houver vontade política. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é favorável e pode levar o PSDB a aderir. O Congresso tem um sistema de “urgência urgentíssima”, que pode ser acionado a qualquer instante.

Há controvérsias, diria o ator Francisco Milani. Mas podem ser contornadas, se a emenda for direcionada para o Ato das Disposições Transitórias da Constituição, através de substitutivo. Com isso, a alteração só iria valer para a substituição de Temer e o mandato não seria tampão e se estenderia até 31 de dezembro de 2022.

O maior empecilho é a presença de Rodrigo Maia como presidente da Câmara, que está boicotando os pedidos de impeachment. Isso significa que Temer teria de renunciar para acelerar o processo. A possibilidade pode até parecer afastada, mas existe.

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PS
– Como diria o poeta Vinicius de Moraes, não mais que de repente, Temer pode cansar de ser usado como marionete pelos caciques do PMDB, tomar vergonha na cara e renunciar, para aproveitar o tempo que lhe resta. Afinal, sonhar não é proibido, 77 anos é uma idade avançada e Temer já está trocando estações, ao chamar de “cruzeiro” o real, visitar o “rei da Suécia” no lugar da Noruega e ir ao “Parlamento do Brasil” quando se dirigia ao Parlamento da Noruega – ou será da Suécia, a gente nem sabe mais... (C.N.)

Para desespero do Planalto, emenda das eleições diretas será votada na Câmara

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Pacheco apoia a votação da PEC das diretas

Fransciny Alves
O Tempo

Por decisão do presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que se nega a aceitar interferências do Planalto, está marcada para a manhã desta terça-feira, dia 27, a votação do parecer da Proposta de Emenda à Constituição das Eleições Diretas. A decisão do peemedebista vai contra a vontade da base do presidente Michel Temer (PMDB), cujas lideranças articulam para obstruir os trabalhos do comitê.

A sessão convocada por Pacheco é de caráter extraordinário. Por isso, somente a proposta de emenda vai estar na pauta. Representantes de partidos da oposição concordaram com a data e retiraram de pauta os requerimentos que obstruíam os trabalhos. No entanto, a base aliada, que continua insistindo nos requerimentos para travar as discussões no colegiado, já se articula para que a sessão seja encerrada em seus minutos iniciais, já que há o receio de não ter votos suficientes para “derrubar” a PEC das Diretas.

INDEPENDÊNCIA – De acordo com Pacheco, o papel dele como presidente é dar “andamento à pauta”. Ele ressaltou que vários deputados da comissão pediam que a PEC fosse colocada em discussão. “A gente vem tendo dificuldades na CCJ para votar as questões por conta da obstrução por parte (dos deputados) da oposição por não se pautar essa PEC. Então, decidi pautá-la na terça-feira, ela vai ser discutida e deliberada. Não vou entrar no mérito da questão, porque, como presidente, prefiro não fazer”, declarou.

Questionado se poderia ficar em uma situação desconfortável ou sofrendo pressão de membros do PMDB, por fazer parte do mesmo partido de Temer, Pacheco se disse independente. “Ainda que haja qualquer tipo de descontentamento de um lado ou de outro por qualquer circunstância, eu não tenho receio nenhum disso, porque sou um deputado independente”, afirmou.

PROPOSTA DE MIRO – De autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), a proposta estabelece que, em caso de vacância do cargo de presidente até seis meses antes do fim do mandato, novas eleições diretas sejam convocadas no país. Hoje, de acordo com a Constituição, após dois anos de mandato, um novo presidente só pode ser escolhido via eleições indiretas, quando deputados e senadores votam.

A PEC estava parada desde junho do ano passado na comissão. Na época, o deputado Esperidião Amin (PP-SC) foi escolhido como relator e apresentou parecer pela admissibilidade da proposta. Se aprovada na CCJ, será instalada uma comissão especial para analisar a proposição. Caso o parecer deste colegiado seja aprovado, a PEC seguirá para o plenário, onde precisará do aval, em dois turnos, dos votos de 308 dos 513 deputados. Depois disso, o texto irá para o Senado, onde precisará, no mínimo, dos votos de 49 dos 81 senadores, também em dois turnos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ salutar a existência de parlamentares independentes, como os senadores José Reguffe (sem partido-DF), Ana Amélia (PP-RS), Cristovam Buarque (PPS-DF), Eduardo Amorim (PSDB-SE) e Ronaldo Caiado (DEM-GO),  e deputados como Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) e Miro Teixeira (Rede-RJ), que votam de acordo com suas consciências. Democracia é isso aí, não pode nem deve haver ditaduras partidárias. (C.N.)

Esquema montado para abafar a Lava Jato realmente já está caindo no ridículo

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Carlos Newton

Na Praça dos Três Poderes, o clima atual é de guerra, porque a operação para abafar a Lava Jato está sendo desfechada em várias frentes, abrangendo os três poderes ao mesmo tempo, mas os resultados têm sido decepcionantes. Para cada batalha vencida, como o julgamento da chapa Dilma/Temer no Tribunal Superior Eleitoral, surgem derrotas sucessivas e desmoralizantes, como a votação da validade da delação da JBS, que fez o ministro Gilmar Mendes perder a linha em plenário quando o resultado chegou a 6 a 0 e a continuidade da Lava Jato estava garantida, nem adiantava pedir vista e sentar em cima.

BANCADA DA CORRUPÇÃO – Essa guerra não é uma iniciativa solitária do Planalto, pois envolve toda a chamada “bancada da corrupção”, que é amplamente majoritária no Congresso Nacional e tem apoio entusiasmado de ministros, governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores.

A execução dos ataques é bastante diversificada, mas a coordenação da estratégia é feita pelo Planalto, que tem utilizado todo o seu extraordinário poder de mobilização, mas não está conseguindo êxito.

TUCANO À FRENTE – A mais recente investida no Supremo, por exemplo, ficou a cargo de um dos governadores que apoiam a bancada da corrupção, o tucano Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul. A abertura do processo foi bastante criativa, reconheça-se, mas embarrou na indignação da maioria dos ministros do STF, que já não suportam mais as armações de Gilmar Mendes.

Aliás, será este mesmo Supremo que irá julgar os recursos da Rede, do PSDB e do Ministério Público Eleitoral contra o arquivamento das ações para cassar a chapa Dilma/Temer. A bancada da corrupção ganhou apenas o primeiro assalto (a palavra é exatamente esta), ainda falta terminar a luta.

Na semana passada, houve outra derrota, com a rejeição do parecer a favor da reforma trabalhista pretendida pelo Planalto.  A Comissão de Assuntos Sociais do Senado da Câmara mostrou independência. Além disso, dez senadores decidiram se declarar independentes e irão votar sem seguir orientação das lideranças.

ELEIÇÕES DIRETAS – Na Câmara, outro revés, desta vez na Comissão de Constituição e Justiça, cujo presidente Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) não aceitou interferências do governo e pautou para terça-feira, dia 27, a votação do parecer favorável às eleição diretas.

Dois dias depois, na sexta-feira, mais problemas, com a entrega do laudo da Polícia Federal sobre a gravação do Joesley Batista, comprovando que não houve cortes nem fraudes. De posse do laudo, o procurador-geral Rodrigo Janot  capricha no parecer em que pedirá a abertura de processo contra o presidente Temer, por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.

REAÇÃO PATÉTICA – Está tudo dando errado e a reação do governo foi ainda mais patética, com o neoministro da Justiça anunciando que vai afastar o diretor-geral da Polícia Federal, a pretexto de “reorganizar” a instituição.

Vejam que maluquice: para esvaziar a Lava Jato, Torquato Jardim quer “reorganizar” a única corporação que realmente funciona no país e se transformou num solitário exemplo de eficiência, que passou a ser seguido por setores do Ministério Público, da Justiça e da Receita Federal. Portanto, o ministro demonstra uma desfaçatez estarrecedora. Age como se todos os brasileiros estivessem imbecilizados.

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PS
Esses ataques à Lava Jato funcionam ao contrário, porque a força-tarefa está cada vez mais fortalecida. A bancada da corrupção quer imitar o esquema criado na Itália e que desmontou a operação Mão Limpas, mas a realidade hoje é diferente. Existe a internet, com a troca de informações em tempo real, nada passa despercebido, o mundo está mudando para melhor, podem acreditar. É só uma questão de tempo. (C.N.)