Bolsonaro tenta manter na Saúde o esquema corrupto do Centrão, mas está muito difícil

Bolsonaro como 'boneco' do Centrão

Charge do João Bosco (O Liberal)

Carlos Newton

Um dos grandes mistérios que desafiam a CPI da Covid é identificar o mencionado “grupo” que domina os bastidores do Ministério da Saúde, agora com apoio de militares contratados para importantes cargos e que acabaram também se corrompendo. Se ouvirem as pessoas certas e conduzirem as investigações para as diretorias que realizam compras de equipamentos e remédios, os membros da CPI vão chegar a resultados surpreendentes.

Um dos detalhes mais importantes é que o esquema de corrupção existe desde sempre, não há nada de novo no front ocidental, diria o escritor Erick Maria Remarque. A corrupção na Saúde é apenas uma tradição que passa de um governo para o outro, para controlar uma dos maiores sangradores de recursos públicos – as verbas bilionárias do Sistema Unificado de Saúde.

NAS MÃOS DO CENTRÃO -No caso atual, o esquema vinha sendo controlado pelo Centrão desde o governo Michel Temer, quando o deputado paranaense Ricardo Barros foi nomeado ministro da Saúde, como representante do PP na parte que cabia ao Centrão no latifúndio da coligação governista.

Com a vitória de Jair Bolsonaro em 2018, o ministério acabou sendo transferido para outro partido do Centrão, o DEM. Para ministro, foi indicado o ex-deputado federal Henrique Mandetta, de Minas, que nomeou como seu assessor direto outro ex-deputado de seu partido, José Carlos Aleluia, da Bahia.

Ricardo Barros, que se tornou líder do atual governo, não aceitou ser afastado do esquema e se integrou ao grupo, que ganhou reforço com a nomeação de outro ex-deputado do DEM, Abelardo Lupion, herdeiro político de Moyses Lupion, duas vezes governador e que se notabilizou como o maior corrupto do regime militar, em plano superior a Paulo Maluf.

MANDETTA DEMITIDO – Abelardo Lupion, que era assessor da Casa Civil na gestão de Onyx Lorenzoni, aceitou o cargo de diretor do Ministério da Saúde e completou o “grupo”. Com a demissão de Henrique Mandetta, que vinha ganhando protagonismo, e a desistência do substituto Nelson Teich, então chegaram os militares.

A grande surpresa foi que, ao invés de erradicar os núcleos de corrupção e moralizar o Ministério para combater a pandemia, os militares fizeram exatamente o contrário e se adaptaram ao esquema.

Albergado agora no terceiro andar do Planalto, o ex-ministro Eduardo Pazzuelo segue manchando sua biografia. Devia ir logo para reserva e se defender na Justiça. Sabe que jamais será preso, porque não há mais prisão após segunda instância e os processos acabam prescrevendo. A impunidade é garantida, general, pode vestir o pijama, porque o senhor será uma ausência que preenche uma lacuna. Ninguém notará sua falta da Escola de Paraquedismo.

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P.S. –
Pazuello é um general que perdeu completamente a dignidade. A manifestação que encaminhou segunda-feira à Procuradoria, no âmbito da notícia-crime contra Bolsonaro, é um primor de desfaçatez. Disse que tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto ele adotaram providências para apurar possíveis irregularidades no caso Covaxin, mas não encontraram. No documento, ele mesmo relatou que Bolsonaro lhe passou a denúncia dia 22 de março. Ou seja, confessou não ter apurado nada, pois foi demitido no dia seguinte, 23 de março. Pazuello está emporcalhando a farda. Deveria ser preso, a bem do serviço público, para evitar que continue manchando o nome do Exército Brasileiro. (C.N.)

Denúncias dos irmãos Miranda são tão verdadeiras que já causaram demissões em série na Saúde

Carlos Newton / charge de Miguel Paiva (Site 247)

O empresário Carlos Wizard botou o galho dentro, como se dizia antigamente, e se recusou a depor na CPI da Covid, escorado em mais uma ridícula decisão do Supremo que nem era necessária, pois as testemunhas são obrigadas a comparecer, não a depor. Lembrem o caso de Lula, que ficou ironizando a Justiça, enquanto os líderes petistas diziam que o povo sairia às ruas para impedir o depoimento do ex-presidente. O Ministério Público então pediu a condução coercitiva e Lula acabou  depondo, sem haver nenhuma revolta popular.

Pois bem, enquanto Wizard ficava calado, socorrendo-se num bizarro texto sobre seu fervor religioso, o deputado Ricardo Barros, ainda líder do governo, tirava uma onda de valentão, colocando-se à disposição da CPI para depor.

EM REUNIÃO VIRTUAL – O ato de coragem do parlamentar foi relatado pela repórter Mariana Carneiro, de O Globo, que abordou a reunião de líderes do governo, realizada virtualmente segunda-feira para tratar das pautas do governo, mas acabou servindo para o líder na Câmara se explicar aos colegas e à ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda.

“Eu sei me defender. Não vou sair da liderança.” – com essas duas frases, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) resumiu sua disposição para enfrentar as denúncias de envolvimento com o contrato irregular da Covaxin, em investigação na CPI da Covid – narrou a repórter.

Como se sabe, Ricardo Barros foi ministro da Saúde no governo Michel Temer e até hoje exerce influência política no ministério. E ele deixou bem claro que não pretende recuar, nem submergir, como cogitavam alguns aliados. “Eu entendo do assunto”, afirmou o líder do governo, segundo informaram à jornalista alguns dos presentes à reunião virtual.

BARROS NEGOU –  Depois da publicação da matéria de Mariana Carneiro, que trabalha com a colunista Malu Gaspar, o deputado Ricardo Barros entrou em contato com o Globo para dizer que as frases atribuídas a ele não são verdadeiras. Mas a repórter Mariana Carneiro manteve as informações publicadas.

Em tradução simultânea, Barros perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Pensou que sua bravura fosse ficar trancafiada na reunião virtual e não imaginou que as denúncias dos irmãos Miranda pudessem evoluir na espantosa velocidade que está sendo imprimida.

Quanto às denúncias, são tão verdadeiras que já causaram muitas demissões. O ministro Eduardo Pazuello, por exemplo, caiu dois dias depois do encontro de Bolsonaro com os irmãos Miranda, no Palácio da Alvorada. Na mesma semana, foi detonado o secretário-executivo, coronel Elcio Franco.

Agora, após os depoimentos dos irmãos na última sexta-feira, já caíram o diretor de Logística, Roberto Ferreira Dias, e logo em seguida o assessor, tenente-coronel Marcelo Blanco da Costa. Ou seja, a fila está andando e o governo derrete em pleno inverno.

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P.S.
O respeitável público terá oportunidade de conferir a coragem do líder Ricardo Barros, que está cercado na CPI pelos sete lados, como se diz no jogo-do-bicho. A liderança que exercia na quadrilha do Centrão já não existe. Os parlamentares centristas não têm compromisso com fracassados. Eles só obedecem a quem comanda a caixa registradora sem ser apanhado em flagrante delito. Assim, o depoimento de Barros na CPI será um espetáculo verdadeiramente inesquecível. A não ser que ele decida seguir o exemplo de Carlos Wizard e se manter em silêncio. (C.N.)

É preciso acrescentar nas pesquisas eleitorais algumas perguntas diretas sobre terceira via

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Charge do André Dahmer (Folha)

Carlos Newton

A prática tem demonstrado que no Brasil e no mundo as pesquisas eleitorais só merecem confiabilidade quando se aproxima a data da eleições. Na situação atual, faltando 16 meses para a votação do primeiro turno, as pesquisas necessitam de tradução simultânea, não podem ser consideradas como indicação fidedigna da situação política.

A primeira verificação deve ser feita quanto aos interesses do cliente que contratou a pesquisa, e os institutos são até obrigados a mencionar o patrocinador. Quando o patrocinador permanece oculto, a tradução simultânea fica dificultada, é claro, e a pesquisa não tem o valor de uma moeda de 2 reais.

AGRADAR AO CLIENTE – Desde o início do comércio, na época do escambo (troca de mercadorias), sabe-se que é preciso agradar ao freguês e o negócio só é bom quando favorece as duas partes.

No caso das pesquisas eleitorais, os institutos – todos eles – sempre dão um jeito de inserir perguntas que possam beneficiar o cliente e até manipulam os resultados, mas de uma forma elegante, para não demonstrar que a oportunidade é a alma do negócio.

Conforme as eleições se aproximam, as pesquisas vão se tornando mais realistas – ou menos tendenciosas, digamos assim. Mas somente se tornam mais confiáveis às vésperas da eleição, quando os institutos precisam acertar os prognósticos, para não se desmoralizarem, pois os erros são cobrados pelos clientes e prejudicam a estabilidade dos negócios do setor.

TERCEIRA VIA – No caso da próxima eleição brasileira, os altos índices de rejeição aos principais candidatos, especialmente Lula da Silva e Jair Bolsonaros, não podem ser mascarados. Parodiando Ruy Barbosa, até as pedras da rua sabem que os dois enfrentam o grave problema da elevada rejeição, circunstância que obviamente favorece uma terceira via.

Aliás, pegou muito mal essa pesquisa do  antigo Ibope, agora chamado de Ipec, que apontou rejeição de 62% para Bolsonaro, 56% para João Doria, 49% para Ciro e apenas 36% para Lula. Oficialmente, não houve patrocinador, mas pode-se imaginar quem o novo instituto tenta favorecer…

A TERCEIRA VIA – De todo modo, é uma eleição peculiar e fica evidente que está faltando adaptar as pesquisas à realidade de uma terceira via. Assim, há perguntas que não querem calar. Por exemplo:

Qual o percentual dos que não aceitam votar nem em Lula nem em Bolsonaro?

Qual o percentual dos que tentam encontrar uma terceira via?

Qual o percentual dos que aceitam votar em qualquer um, menos em Lula ou Bolsonaro?

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P.S. – Ao conhecer as respostas a esses questões, saberemos justamente em que pé está a campanha, com as chances reais de Lula, de Bolsonaro e do candidato ou candidata que disputam a terceira via, entre Ciro Gomes (PDT).  João Dória ou Eduardo Leite, Arthur Virgilio Neto ou Tasso Jereissati (PSDB), Henrique Mandetta (DEM) e Simone Tebet (MDB).  MAs quem se interessa? (C.N.)

Pesquisas demonstram que a terceira via é altamente viável e pode vencer a eleição

Charge O TEMPO 29-04-2021

Charge do Duke (O Tempo)

Carlos Newton

As pesquisas eleitorais são como alguns tipos de “amostragens estatísticas”, que geralmente representam uma forma de torturar os números até que eles confessem os fins que pretendemos. No entanto, quando todas as pesquisas conduzem a idênticos resultados, a situação muda de figura, é precisa encarar com mais seriedade essas amostragens.

De uns meses para cá, todos os levantamentos demonstram que Jair Bolsonaro vem perdendo terreno não somente em relação ao adversário Lula da Silva nas eleições de 2022, mas também quanto à aprovação de seu governo, que estaria agora em apenas 30%, e com viés de baixa.

FORTE REJEIÇÃO – Nas pesquisas, somente registra estabilidade o índice de rejeição eleitoral, com aproximadamente 50% do eleitorado sinalizando que em nenhuma hipótese votariam na chapa de Bolsonaro em 2022.

Na mesma situação encontram-se o petista Lula da Silva e também o tucano João Dória, igualmente na faixa de 50% de rejeição.

Em tradução simultânea, pode-se concluir que, se a eleição fosse hoje, o ex-presidente Lula voltaria com facilidade ao poder. Mas há controvérsias, diria o genial ator Francisco Milani, porque ainda faltam 16 meses para o primeiro turno e não há pesquisa que possa indicar esse futuro politicamente remoto.

TERCEIRA VIA – É justamente esse alto índice  de rejeição que indica a possibilidade de vitória de um candidato de terceira via, caso a aprovação de Bolsonaro continue derretendo.

Com a saída de Luciano Huck e João Amoedo, disputam a terceira via os seguintes pré-candidatos: o pedetista Ciro Gomes; o tucano da vez, a ser escolhido entre João Doria, Eduardo Leite, Arthur Virgilio e Tasso Jereissati; o democrata Henrique Mandetta; e a emedebista Simone Tebet.

Na reunião preliminar desses partidos, ficou acertado que o candidato que estiver à frente nas pesquisas deverá representar a coalizão da terceira via, que vem a ser também a posição do PSB, que está sendo assediado desesperadamente por Lula. E assim o quadro mudaria totalmente de figura, pois poderíamos ter um terceiro supercandidato, apoiado por MDB, PSDB, PDT, PSB, DEM e muitos outros partidos.

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P.S.
A possibilidade da terceira via existe e não pode ser afastada tão prematuramente. Daí a insistência de Lula junto ao PSB, prometendo mundos e fundos, porque a prematura adesão dos socialistas ao PT enfraqueceria bastante a terceira via, mas não a ponto de inviabilizá-la. Como dizia Richard Nixon, quem decide as eleições é a maioria silenciosa, aquela que, no Brasil, não aguenta mais e não tem como votar novamente em Lula ou Bolsonaro. Bem, essa é a circunstância da sensacional eleição brasileira em 2022, como diria o pensador espanhol Ortega y Gasset. (C.N.)

Lançamento de Simone Tebet fortalece a candidatura de terceira via na eleição de 2022

simone tebet

Simone é a grande defensora de Sérgio Moro no Congresso

Carlos Newton

O presidente do MDB, deputado paulista Baleia Rossi, tomou uma decisão estratégica ao lançar o nome da senadora Simone Tebet à Presidência da República, que aceitou o convite, porque só tem a ganhar com a pré-candidatura. O mais importante é que a decisão fortalece muito a terceira via na eleição presidencial.

Simone Tebet tem uma sólida carreira política e é muito diferente de Dilma Rousseff, uma figura tosca e caricata que não tinha carreira política e foi escolhida como “poste”, numa decisão pessoal de Lula da Silva, com o único propósito de esquentar a cadeira presidencial para a volta dele em 2014.  Mas não foi bem isso o que aconteceu.

DILMA PEITOU LULA – Em 2014, quando se aproximou a campanha, Lula ia se lançar candidato, jamais pensou que Dilma Rousseff pudesse impedi-lo. Mas ela o fez. Disse que, na forma da lei, tinha direito à reeleição e que Lula esperasse 2018.

Surpreso, o ex-presidente disse-lhe que concorreria na convenção do PT e a venceria facilmente. Mas Dilma tinha uma carta na manga e ameaçou divulgar os gastos da amante dele, Rosemary Noronha, com o cartão corporativo da Presidência, no Brasil e no exterior.

Lula ficou possesso, tentou reagir, mas Dilma o dominou, ao dizer que revelaria também o fato de Rosemary ter viajado 34 vezes clandestinamente, sem que o nome dela constasse na relação dos passageiros do AeroLula.

SIMONE É DIFERENTE – Ao contrário da patética Dilma Rousseff, que simulou ter um mestrado para engordar o currículo, a senadora Simone Tebet fez uma carreira de sucesso.

Filha do senador Ramez Tebet, formou-se em Direito pela UFRJ, é especialista em Ciência do Direito pela Escola Superior de Magistratura e mestre em Direito do Estado pela PUC de São Paulo. Desde 1992 é professora universitária na  Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e em outras três instituições.

Em 2002, foi eleita deputada estadual em Mato Grosso do Sul, dois anos depois se tornou prefeita de Três Lagoas, reeleita em 2008 com mais de 75% dos votos. Em 2010, foi eleita vice-governadora, tendo chefiado a Secretaria de Governo, e em 2014 venceu a eleição para o Senado.

CANDIDATA DE VERDADE – Com esse currículo de peso, Simone Tebet é uma candidata de verdade, tem condições de se apresentar a uma disputa pela Presidência. No Congresso, é considerada a maior defensora de Sérgio Moro, que pode apoiá-la na campanha.

Os outros candidatos alternativos são o pedetista Ciro Gomes; o tucano da vez, a ser escolhido entre João Doria, Eduardo Leite, Arthur Virgilio e Tasso Jereissati; e o democrata Henrique Mandetta.

Na reunião preliminar desses partidos, ficou acertado que o candidato que estiver à frente nas pesquisas deverá representar a coalizão da terceira via. Portanto, a candidatura de Simone Tebet é para valer.

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P.S. – Devido à possibilidade de sucesso de uma terceira via, Lula tenta desesperadamente um prematuro acordo com o PSB, mas os socialistas preferem aguardar o desenrolar dos acontecimentos e não descartam apoiar ao candidato alternativo contra Bolsonaro e Lula, enquanto la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.) 

Limpar a ficha de Lula foi um golpe jurídico do STF para destruir Bolsonaro

Carlos Newton

Esta quarta-feira,  último dia de julgamento do habeas corpus que anulou as condenações de Lula, é uma data para lembrar, na História do Judiciário brasileiro. Uma data triste e tenebrosa. O que se viu foi um erro judiciário absolutamente inacreditável, com a Justiça curvada a interesses políticos inconfessáveis, com a ressalva dos votos de apenas dois ministros, que fizeram jus à toga – Marco Aurélio Mello e Luiz Fux.

Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, que também votaram contra a suspeição de Moro, não merecem ser mencionados. Apenas tentaram se limpar na undécima hora, depois de terem “inventado”, em outro julgamento, uma incompetência territorial “absoluta” que não existe no Direito Universal.

E tudo isso foi armado para inocentar um criminoso vulgar como Lula da Silva e permitir que volte à política para derrotar o presidente Jair Bolsonaro.

FALSA INCOMPETÊNCIA – Conforme defendemos insistentemente aqui na Tribuna da Internet, não existe incompetência territorial “absoluta”, salvo em casos relacionados a imóveis. Em processos como as condenações de Lula, a incompetência do juiz ou tribunal é sempre “relativa”, sem capacidade de anular as decisões que passaram por dez magistrados (13ª Vara de Curitiba, Tribunal Regional Federal e Superior Tribunal de Justiça).

Em seu impecável voto, Marco Aurélio deixou isso claro: “Existe uma máxima, um ditado: de que algo que começa errado tende a complicar-se em passo seguinte”, comentou ao repetir que ficou ‘perplexo’ com a decisão individual de Fachin que declarou o juízo de Curitiba incompetente para processar as ações da Lava Jato envolvendo Lula e anulou as condenações.

Eis que, em verdadeiro passe de mágica, é aberta a possibilidade de revisão dos títulos condenatórios mediante habeas corpus”, alfinetou. “Em primeiro lugar, a competência territorial é relativa, passível de prorrogação. Em segundo, não se tem um quadramento da matéria como apta a ser examinada mediante revisão criminal”, resumiu, magistralmente.

FUX CONCORDA – Em seguida, o presidente Luiz Fux deu seu voto seguindo o impecável posicionamento de Marco Aurélio, e reforçou que a incompetência territorial para julgar Lula era “relativa” e não poderia justificar a anulação das condenação.

Nulificamos um processo de sete anos. Será que o senhor (Pedro) Barusco (ex-diretor da Petrobras e delator da Lava-Jato) devolveu 100 milhões de dólares por generosidade? Será que as malas de dinheiro eram para doação homeopática? Será que os colaboradores se autoincriminam sob efeito de psicotrópicos?” —  questionou.

Ao concordar com Marco Aurélio, Fux disse que os processos foram construídos numa “arquitetura legítima, porque Estado tem o direito de impor a sua ordem penal, e foi jogada por terra exatamente por defeitos que não causaram nenhum prejuízo para a defesa”.

PUSILANIMIDADE – O posicionamento de Marco Aurélio e Fux mostrou a pusilanimidade dos outros ministros que decretaram a incompetência da 13ª Vara Criminal – Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

Por que esses ministros desrespeitaram as leis? A única justificativa seria de que agiram propositadamente, para limpar a ficha suja de Lula e possibilitar que se candidate contra Bolsonaro.

Se é tão criticada a hipótese de que Bolsonaro quer dar um golpe militar, como aceitar que o Supremo faça o mesmo e aplique um flagrante golpe jurídico contra Bolsonaro e as instituições?

A HONRA DE MORO – E para concretizar esse nauseabundo golpe jurídico, foi necessário destruir a imagem de um juiz que honrou a magistratura brasileira, como o voto de Marco Aurélio Mello deixou claro:

“O juiz Sérgio Moro surgiu como verdadeiro herói nacional e então, do dia para a noite, ou melhor, passado algum tempo, é tomado como suspeito. E aí caminha-se para dar o dito pelo não dito em retroação incompatível com os interesses maiores da sociedade, os interesses maiores do Brasil”, disse.

Este é o Brasil dos nossos dias. Um país cuja Suprema Corte não se envergonha de sujar a imagem de um grande juiz para tentar limpar um político imundo, que na Presidência criou um cargo público de alta remuneração para contratar a própria amante e que comandou o maior esquema de corrupção do mundo.

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P.S. 1 –
 
Bolsonaro pode ter todos os defeitos do mundo. Mas foi eleito constitucionalmente e não deveria ser alvo desse tipo de “golpe branco jurídico” que já nasce todo sujo e fede a quilômetros de distância. 

P.S. 2 Também foi triste ver que grande parte da imprensa compactuou com esse golpe jurídico. Foi duro aturar a interminável declaração do advogado de Lula ao Jornal Nacional, posando de herói e denegrindo a honra de um homem como Sérgio Moro. Esse tipo de “notícia” deveria ser proibido para menores de 200 anos. Mas este é o Brasil dos nossos dias. (C.N.)

Nada mudou no meio ambiente! Novo ministro é uma cópia carbonada de Ricardo Salles

Família de novo ministro do Meio Ambiente disputa posse em terra indígena em SP

Novo ministro parece especialista em bajular Bolsonaro

Carlos Newton

Para encontrar um jeitinho de viver melhor, os brasileiros precisam estar sempre à espera de notícias boas, que possam funcionar como uma injeção de otimismo. Foi o que aconteceu nesta quarta-feira, quando a internet começou a informar que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, havia pedido demissão.

Era uma notícia há muito esperada por quem ama a natureza e fica chocado com a facilidade que madeireiros e grileiros encontram na sua sanha de derrubar as preciosas árvores ou simplesmente destruí-las pelo fogo, para invadir impunemente aquele território sagrado, floresta adentro.

IMPUNIDADE – Fica claro que não existe nada funcionando direito na Amazônia, onde nem mesmo as reservas indígenas são respeitadas e os garimpeiros se encarregam de poluir aqueles rios maravilhosos e até agora intocáveis.

De repente, Ricardo Salles pediu demissão e isso seria um sinal de que tudo iria melhorar. Negativo. É apenas mais uma fake news produzida nos porões do gabinete do ódio, porque na verdade Salles foi demitido pelo presidente Bolsonaro, que no mesmo ato nomeou o novo ministro, que vem a ser Joaquim Álvaro Pereira Leite, que já faz parte da equipe de Salles desde 2019.

Plantador de café em São Paulo, foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB) por mais de 20 anos, uma circunstância que em nada o enobrece, pois o empresariado rural brasileiro costuma ter um pé na senzala, no mau sentido da exploração de seus trabalhadores. Especialmente quando se sabe que a família do ministro tenta tomar na justiça uma fatia de área indígena em São Paulo, vejam bem com quem estamos nos metendo.

PROMOVIDO POR MERECIDO – Em tradução simultânea, Joaquim Leite é um dos membros da quadrilha que hoje comanda o Ministério do Meio Ambiente, onde foi admitido em julho de 2019 como Diretor do Departamento de Florestas. Sua atuação foi tão eficiente na destruição ambiental que em menos de um ano, em abril de 2020, foi promovido para a Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais, cargo que ocupava até o momento.

Ou seja, nada mudou na gestão ambiental do governo Bolsonaro. O Brasil, que desde o governo Dilma Rousseff já vinha sendo considerado um “anão diplomático”, dá mais um passo para se tornar um ”pária diplomático”, no linguajar grosseiro daquele aprendiz de diplomata que se tornou chanceler indevidamente e precisa cair no esquecimento o mais rápido possível.

Com dois criminosos liderando as pesquisas, é preciso defender desesperadamente a terceira via

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Charge do Brum (Arquivo Google)

Carlos Newton

Dá um desânimo enorme à maioria dos brasileiros a forte possibilidade de estarmos condenados a ter de escolher entre dois candidatos de currículos emporcalhados na próxima eleição, em 2022. Nenhum dos dois merece reconquistar nas urnas o direito de governar um dos principais países do mundo, que tem a quinta maior extensão territorial, a sexta população e a nona economia.

Aliás. são dois personagens de péssimo caráter e conduta repelente, que sempre defenderam seus interesses pessoais e deixaram em segundo plano o interesse público. De tal forma, que tanto um quanto o outro deveriam ser considerados internacionalmente inelegíveis, para o bem da humanidade.

PERGUNTA-SE – Merece ser eleito um cidadão que, alçado ao governo, comandou o maior esquema de corrupção já implantado no mundo?

E que, ao assumir a Presidência, logo tratou de agradar a amante, pois teve a desfaçatez de criar um cargo público alto salário exclusivamente para nomeá-la, com luxuoso escritório, carro blindado, motoristas, assessores, secretárias? 

E que nomeou também a filha da amante para cargo público federal? E que, por fim, levou a amante clandestinamente com ele em 34 viagens internacionais, munida de cartão corporativo sigiloso, para fazer compras no exterior, com recursos públicos? Um cidadão dessa laia pode ter direito de voltar à Presidência?

MAIS PERGUNTAS – Merece ser eleito um cidadão que, alçado ao governo, utiliza repartições públicas, a Receita Federal e até a Agência Brasileira de Inteligência para blindar um dos filhos roedores e livrá-lo de processos judiciais?

E que, elegendo-se sob a bandeira do combate à corrupção, transformou o país no paraíso da impunidade, a ponto de a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ter enviado uma delegação para permanecer no país investigando esse retrocesso institucional?

E que, em meio à pior pandemia dos últimos séculos, desprezou as recomendações científicas internacionais e defendeu a teoria da imunidade de rebanho, condenando cidadãos à morte a pretexto de salvar o restante da população? Um cidadão dessa laia pode ter direito de voltar à Presidência?

TERCEIRA VIA – Em 2022, os eleitores terão de escolher entre esses dois sinistros demagogos, caso não se chegue a um acordo sobre a histórica importância de se encontrar uma terceira via que possa tirar o país dessa crise medieval.

Em qualquer país minimamente civilizado, esse tipo de gente estaria cumprindo pena, em sistema de reclusão fechada. Mas aqui no paraíso dos trópicos, esses criminosos são aclamados por seus seguidores  e têm assegurado o direito de disputar novamente a Presidência, embora não tenham demonstrado sequer entender  o que significa agir de forma republicana.

Por tudo isso, amigos, vamos fortalecer a terceira via, antes que seja tarde demais.

Gestão temerária aumenta o risco de ocorrer até mesmo racionamento de energia elétrica

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Se o celular fosse indispensável para seu trabalho, você ficaria confortável em começar o dia com a bateria entre 20 e 50% de carga? Muito provavelmente você faria de tudo para começar carregado pelo menos acima dos 50%, e, sempre que puder, ia dar uma “carguinha”.

A nível nacional, quem faz a gestão das baterias do país é o Ministério de Minas e Energia, e nossas baterias, entre as maiores do mundo, são os reservatórios das hidroelétricas, entre elas a gigante Itaipu.

CRISE GRAVE – Houve uma crise grave quando o país só contava com hidroelétricas e não tinha as térmicas (nosso “carregador de bateria”), entre 2000 e 2002. Naquela época, foi tudo resolvido da maneira tradicional: muita correria, reportagem, gritaria, emergências, corrupção, contratos abusivos, uso da Petrobras para viabilizar a instalação de termoelétricas e fornecimento do gás, em condições nem sempre favoráveis à estatal,

“Um negócio horrível, que consegui transformar em um negócio ruim”, como disse posteriormente o professor Ildo Sauer, diretor da Petrobras.

Águas passadas, foi o suficiente para tocar o barco até 2012, com a nossa bateria meio-cheia: os reservatórios foram mantidos operando no saudável nível entre 50% e 100%, sempre sendo recarregados com o acionamento das térmicas.

NOVA CRISE – O ano de 2013 marcou o início de uma tendência arriscada: mesmo com térmicas ligadas, a demanda energética era tão grande, que nossa bateria estava sendo “depletada”, não mais recarregando nos tempos de chuva. E o nível dos reservatórios foi caindo devagar até 2015.

O motivo é um tanto óbvio: a economia cresce com o tempo (se tudo correr bem), e, sem aumento da infraestrutura de geração de energia na velocidade adequada, as fontes vão ficando escassas.

Depois de 2015 até os dias de hoje, um novo fenômeno acontece: com a crise, a demanda cai. Curiosamente, o governo toma uma decisão bizarra: não aciona as térmicas, e continua operando as hidroelétricas no perigoso nível entre 20% e 50%. Não ligou o carregador todo tempo que podia, e decidiu trabalhar com meia carga. Genial! Ou bestial”, como dizem nossos irmãos portugueses, contando “piada de brasileiro”.

MAIS UMA BOBEADA – Embora os níveis dos reservatórios não estivessem altos, o CMO (Custo Marginal de Operação, que remunera as térmicas) teve uma volatilidade enorme, dificultando o gerenciamento dessas usinas e remunerando mal o gerador a gás (ao menos na visão dos donos das térmicas).

Por um motivo ou por outro (incluindo a possibilidade de lobby dessas empresas geradoras por uma maior remuneração), as termoelétricas foram sendo desligadas e não foram carregados os reservatórios das hidroelétricas.

A geração termoelétrica, que chegou a 139 GWh no ano de 2015, foi caindo até 92 GWh em 2020 (reduziu-se em um terço). Ou seja, não ligaram os carregadores e os níveis dos reservatórios se mantiveram perigosamente baixos, bastando pouca chuva para eclodir uma nova crise.

SEGURAR AS TARIFAS – Não ligar as térmicas entre 2015 e 2020 foi uma medida popular (populista), pois essa foi uma forma encontrada para segurar o preço da energia elétrica nas casas. Mas foi tudo uma imensa pedalada, pois estávamos pegando emprestada a água futura (dívida moderna, em água), que serviria de bateria de segurança em condições normais.

Agora, com reservatórios vazios, estiagem e economia voltando a crescer com a vacinação, existe o risco de as térmicas serem insuficientes para recarregar os reservatórios ou mesmo suprir a demanda urgente. É como um “De volta para o futuro”, em que voltamos para 2000-2002. Será resolvido da maneira tradicional? Não sei. E ainda dizem agora que a solução é privatizar a Eletrobras, nesse clima nada ameno, vejam até onde vai a irresponsabilidade desses administradores, comandados por um ministro-almirante, que não sabe navegar nem mesmo nas águas das represas..

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P.S. –
Demonstrando seu imenso interesse no assunto, o sonolento Ministério de Minas e Energia excluiu em janeiro de 2021 a sessão de Energia Armazenada de seu Boletim Mensal de Acompanhamento da Indústria de Gás Natural, encerrando um histórico de acompanhamento que vinha desde 2008. Qual o motivo? Dificultar o acompanhamento, é claro. (C.N.)

Com altos e baixos, Ciro Gomes está largando na frente nessa disputa pela terceira via

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Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

Depois da pesquisa DataFolha que em maio deu Lula e Ciro Gomes derrotando Jair Bolsonaro no segundo turno, saiu em junho o levantamento do XP/Ipespe, dando conta de Lula havia ampliado a vantagem sobre Bolsonaro no segundo turno, livrando nove pontos, com a confirmação de que o atual presidente também perderia para Ciro Gomes, com diferença de quatro pontos. É claro que esses resultados causaram enorme preocupação ao Planalto.

Nesta quinta-feira, dia 17, mais uma pesquisa foi divulgada, desta vez pelo Instituto Paraná, encomendada pelo PSL, partido que elegeu Bolsonaro e agora volta a negociar a filiação dele. E o resultado foi bem diferente.

EMPATE TÉCNICO – O levantamento do Instituto Paraná, feito por abordagens residenciais em 156 municípios, indicou que, num provável segundo turno entre os candidatos, o petista levaria a melhor por 0,2% dos votos válidos. Ou seja, empate técnico. Entre os participantes, 8,6% afirmaram que votariam em branco e 3,6% não souberam responder qual seria seu candidato.

Bem, todos sabem que as pesquisas não valem muita coisa e podem ser compradas por um punhado de dólares, como nos faroestes italianos de Sérgio Leone. Só acertam mais o alvo no Dia D e ma Hora H da  realização das eleições, para os institutos não se desmoralizarem em definitivo.

Mas determinados indicativos precisam ser levados em consideração, especialmente quando há polarização e se procura uma terceira via.

HUCK E AMODEO – Com a desistência de dois pré-candidatos (João Amodeo e Luciano Huck), a terceira via começa a se afunilar, porque outros pretendentes, como Marina Silva e Alvaro Dias, também não parecem dispostos a encarar nova campanha.

Com isso, seleção vai se fechando em três nomes – Ciro Gomes, Henrique Mandetta e João Doria, com um detalhe interessante. Somente Ciro tem legenda garantida, no PDT, pois Mandetta depende de convenção em seu partido, o DEM, ou em outra legenda, e Doria terá de disputar prévias no PSDB com mais três pretendentes – o governador gaúcho Eduardo Leite, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto e o senador cearense Tasso Jereissati.

A primeira reunião dos partidos de centro para discutir a terceira via, esta semana, já definiu que o escolhido deve ser o mais votado nas pesquisas, uma posição que Ciro Gomes vem obtendo desde 2018, quando teve 12% no segundo turno. Além disso, a rejeição a Dória é a maior entre todos os candidatos, com 57,2%, o que favorece o pedetista.

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P.S. –
Em tradução simultânea, por enquanto Ciro Gomes está liderando a corrida pela terceira via, porque deve manter os 12% que votaram nele em 2018 e acrescentar os que votaram em Bolsonaro no primeiro turno pela tese do voto útil contra o PT e depois se decepcionaram com o atual presidente. E se Ciro Gomes for realmente apoiado por João Amoedo, Luciano Huck, Marina Silva, Álvaro Dias e pelos pré-candidatos do PSDB, a atual polarização poderá ser mesmo revertida. Mas são apenas suposições. Vamos aguardar, porque “é cedo ainda, amor”, como diria o genial Cartola. (C.N.)

Fraude na política de preços da Petrobras faz Inflação disparar e ameaça a economia

Charge do Duke (O Tempo)

Carlos Newton

Como diz Gonzaguinha, não dá mais para segurar.A manipulação dos preços dos combustíveis chegou a uma situação-limite, que ameaça a economia como um todo. No IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação foi a maior para maio em 25 anos, ao atingir a taxa de 0,83%, e chegando a 8,06% em 12 meses, bem acima do teto da meta do governo para o ano, que é de 5,25%.

A explicação da equipe econômica é de que a energia elétrica saltou 5,37% e foi o item que mais pesou no índice mensal. Propositalmente, os técnicos do governo tentam ocultar a influência do maior difusor de inflação – o preço dos combustíveis, que incidem sobre os fretes, os transportes e os preços dos produtos em geral.

PREÇO DE IMPORTADO – O fato concreto é que, para tornar atraente a privatização das refinarias, desde 2016 (governo Michel Temer/Pedro Parente) a Petrobras adotou a inédita política de Preços Paritários aos de Importação (PPI), ou seja, os combustíveis vendidos nas refinarias têm preços arbitrados como se tivessem sido importados.

Assim, estima-se o preço do combustível numa refinaria estrangeira e se somam os custos logísticos de importação, taxas e seguros, além das margens de risco e de lucro dos importadores.

É um absurdo total, porque a Petrobras é superavitária na produção de óleo cru e capacidade de refino. E apesar de ter custos muito inferiores aos Preços Paritários de Importação (PPI) e capacidade de abastecer nosso mercado com menores preços, garantindo a lucratividade das ações, são fixados preços como se os combustíveis precisassem ser importados, e não é Piada do Ano.

GOVERNO MILITAR? – Essa política criminosa de lesa-Pátria é adotada num governo militar, alimentando a corrupção interna na Petrobras, nas operações de compra e venda de óleo cru e derivados, forçando uma massiva importação de diesel, como se o país não fosse superavitários, e desestimulando o programa do biocombustível.

Tudo isso para facilitar a privatização das refinarias, inclusive a Abreu e Lima, em Pernambuco, que produz o melhor óleo combustível do mundo, exportado pelo Brasil para os Estados Unidos e muitos outros países.

Diante dessa crise, com o país mergulhando em nova inflação, é preciso responder a duas perguntas: O que esses generais estão fazendo no Planalto, a não ser contando o vil metal, como dizia Belchior? E que país é esse?, como indagavam Francelino Pereira e Renato Russo.

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P.S.
Se a Polícia Federal investigar a Área Internacional da Petrobras, vai encontrar um covil de corruptos de fazer inveja à Lava Jato. E isso nada tem a ver com o fato de ser uma estatal. Das cinco maiores petrolíferas, quatro são estatais. Enquanto das 25 maiores, as estatais são 19. Controlam mais de 90% das reservas e cerca de 75% da produção de petróleo. (C.N.)

Sigilo no processo de Pazuello é para proteger a democracia, e não o presidente Bolsonaro

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Se você fosse general, poderia confiar em Jair Bolsonaro?

Carlos Newton

O Estado Maior do Exército rejeitou recurso para revogar o sigilo de 100 anos atribuído ao processo disciplinar contra o general Eduardo Pazuello, sobre sua participação em um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro, dia 23 de maio, no Rio de Janeiro. O recurso foi apresentado com base na Lei de Acesso à Informação, mas o Estado Maior decidiu manter a proteção dos documentos que tratam da apuração.

A decisão tem sido encarada como um favorecimento ao presidente e ao ex-ministro da Saúde, como uma maneira de pôr fim às discussões, embora o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) já tenha entrado com ação popular contra o Alto Comando.

APARÊNCIAS ENGANAM – Mas o velho ditado ensina que as aparências enganam. Na política brasileira, então, nem se fale. São falsas aparências para todos os lados. Por isso, é sempre bom recorrer à tradução simultânea.

Na presente conjuntura, em que o presidente Bolsonaro e o ministro da Defesa, general Braga Netto, estão forçando uma barra para subjugar o Exército Brasileiro e criar uma situação de fato que possa dar poderes excepcionais ou até totais ao chefe do governo, a decisão de não punir Pazuello precisa ser analisada sob esse viés.

Bolsonaro tenta impor o fato de ser comandante-em-chefe das Forças Armadas como se fosse um mandato sem limites, para usar a seu bel prazer, mas o Alto Comando sabe que “isso non ecziste”, como diria o Padre Quevedo.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – O sigilo centenário não tem objetivo de favorecer Bolsonaro ou Pazuello. A medida é absolutamente necessária para proteger o próprio Alto Comando.

Motivo: a decisão sobre Pazuello não foi tomada pelo comandante Paulo Sérgio Oliveira, mas pelo Alto Comando, e cada um dos 16 generais se manifestou. Se não houver sigilo, Bolsonaro ficará sabendo qual a posição dos generais sobre ele, quem apoia seus sonhos ditatoriais e quem rejeita.

Ao se proteger sob sigilo, portanto, o Alto Comando do Exército não está obedecendo a Bolsonaro. A intenção é preservar as Forças Armadas e defender a democracia brasileira, que está sob grave ameaça.

Se realmente tivesse apoio irrestrito do Exército, Bolsonaro já teria dado um golpe militar

(Rio de Janeiro - RJ, 07/06/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro durante revista às tropas.Foto: Marcos Corrêa/PR

Bolsonaro têm dúvidas sobre o alcance do apoio militar

Carlos Newton

Não há dúvidas sobre os propósitos de Jair Bolsonaro, que se elegeu com um discurso de defesa da moralidade e combate à corrupção. Mas logo ficou comprovado que o intuito era fake, porque toda a família Bolsonaro trafega à margem da lei, envolvida com rachadinhas, milícias e estranhos negócios imobiliários, em que até as ex-mulheres do presidente compram imóveis em dinheiro vivo, num universo de prevaricação, lavagem de dinheiro, fraude e enriquecimento ilícito.

Não é compreensível que as Forças Armadas apoiem a famiglia que está no poder, porque essa linhagem decididamente não representa o estamento militar brasileiro. A meu ver, este é um dogma absoluto, ponto fundamental da realidade política e que pode ser apresentado como certo e indiscutível.

HÁ CONTROVÉRSIAS – É claro que existem militares extremistas, que até defendem crimes contra a Humanidade, como o próprio Bolsonaro e seu vice Hamilton Mourão. Ambos se orgulham se serem admiradores do coronel Brilhante Ustra, responsável direto pela aplicação de tortura e pelo trucidamento de presos políticos, como se a Convenção de Genebra não tivesse o menor significado.

Já na condição de vice-presidente, em 2019 o general Mourão deu entrevista à agência DW, exibida pela televisão alemã, e disse considerar o coronel Ustra um “herói”. Realmente, militares extremistas como Mourão apoiariam qualquer ameaça à democracia intentada por Bolsonaro ou outro político de igual pensamento.

Mas é claro que esses radicais são minoria nas Forças Armadas, não existe consenso a favor de tornar Bolsonaro onipotente, a grande maioria dos militares têm espelho em casa e precisariam dar explicações às famílias e aos amigos.

PREMISSAS VERDADEIRAS – Raciocinando a partir dessas premissas, que são verdadeiras e incontestáveis, pode-se concluir que deve ser praticamente eliminada a possibilidade de um golpe militar com Bolsonaro à frente.

Se realmente contasse com irrestrito apoio militar, Bolsonaro já teria dado um golpe para se perpetuar no poder, igual ao haitiano Papa Doc, e depois colocaria um filho para substituí-lo, tipo Baby Doc, pois não lhes faltam milicianos, no estilo Tonton Macute.

Essas são as circunstâncias políticas de agora, diria o pensador Ortega y Gasset. E podem ser mantidas, a não ser que Lula da Silva vença a eleição e volte ao poder, pois os militares sabem que se trata de um político sem caráter, que comandou o maior esquema de corrupção do mundo e nomeou a amante como assessora direta, realmente não merece voltar à Presidência.

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P.S. 1
– Não podemos esquecer que esse quadro nebuloso é culpa do Supremo, que de repente resolveu desfazer as condenações de Lula, embora qualquer operador de Direito saiba que ”incompetência territorial” jamais anula decisões judiciais, exceto em caso de processos imobiliários ou que envolvam esse tipo de discussão. Ou seja, o Supremo está podre.

P.S.2 – O assunto é importante, instigante e inquietante. Vamos voltar a ele, com outro enfoque. (C.N.)

Criada com fins militares, a internet fortalece a democracia e impede que o Brasil seja uma nova ditadura

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Charge do Jota, reproduzida do Google

Charge do Jota, reproduzida do Google

Carlos Newton

A internet é uma benção para a Humanidade, significa a consagração da cidadania. Foi criada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, no final dos anos 60, e se tornou essa força libertária incomparável, incontrolável e incomensurável. Temos de agradecer esse avanço à famosa Guerra Fria, que felizmente voltou à moda, devido ao avanço socioeconômico da China de Xi Jinping e ao renascimento da Rússia de Vladimir Putin.

No mundo, a hegemonia de uma nação é sempre sinistra, é preciso haver equilíbrio de forças políticas. Aliás, este é o grande segredo da vida – o equilíbrio.

DEPARTAMENTO DE DEFESA – Quem deu a partida no projeto da internet foi o Departamento de Defesa dos EUA. A proposta inicial, idealizada pela Arpa (Advanced Research and Projects Agency), era financiada pela Nasa e pelo Pentágono. O objetivo era criar uma rede que fosse capaz de armazenar dados e resistir a uma destruição parcial – caso houvesse, por exemplo, um ataque nuclear russo.

Após anos de pesquisas e testes, a Arpanet (rede da Arpa) entrou em operação em 1969, interligando quatro instituições da Costa Oeste – as universidades de Los Angeles, Santa Bárbara e Utah, e o Instituto de Pesquisa de Stanford.

AVANÇO DEMOCRÁTICO – Menos de 50 anos depois, a internet já dominava o mundo e estava destinada a conduzir a um aperfeiçoamento absurdo do sistema democrático. Em consequência, todos os regimes ditatoriais estão com seus dias contados, porque não conseguirão controlar nem conter a web indefinidamente.

Outro resultado inevitável será a purificação do capitalismo, pressionado pela necessidade de avanço da justiça social. É só uma questão de tempo.

Retrocessos de conquistas sociais, como o fenômeno hoje vivido no Brasil, são apenas episódicos, pontos fora da curva do mundo moderno, que inexoravelmente caminha para a universalização do Estado de Bem-Estar Social, já em adiantada fase de consolidação nos países nórdicos que adotam o socialismo democrático – Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca e Islândia.

UM MUNDO MELHOR – Pensadores pós-modernos, como o francês Thomas Piketty e o britânico Paul Mason, vislumbram esse aperfeiçoamento da democracia que conduzirá a humanidade a um mundo muito melhor no final deste século, embora a civilização sempre se desenvolva mediante avanços e recuos. Na verdade, o importante é que haja mais conquistas do que retrocessos. Apenas isso.

Apesar de a internet ser essencialmente libertária, ainda é muito rara a existência de espaços abertos ao livre debate. A quase totalidade dos sites e blogs tem vinculações claras, sempre defendem interesses específicos e boicotam abertamente as teses contrárias.

Aqui mesmo na Tribuna da Internet enfrenta-se o problema do sectarismo político-ideológico. Não há respeito às opiniões alheias, comentaristas se ofendem e até se ameaçam, alguns ficam tão agastados que desistem de participar da troca de ideias, preferem se afastar, embora continuem a ler o blog.

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P.S. –
Para avaliar a importância da internet, basta imaginar o que seria do Brasil nas mãos de um déspota como Jair Bolsonaro, que chefia uma família lombrosiana, de criminosos natos, e que conta com o apoio das Forças Armadas e das Forças Auxiliares, como PMs e Bombeiros. Ora, se não houvesse internet para desmentir as fake news dessa gente e os militares brasileiros fossem menos preparados, este país já estaria mergulhado numa nova ditadura, com toda certeza. Ou você ainda tem alguma dúvida? (C.N.)

Exército vem intervindo na política desde a posse do comandante Villas Bôas, em 2015

Villas Bôas e Mourão politizaram o Exército, e ninguém percebeu?

Carlos Newton

A História de cada país é escrita sempre a longo prazo, na hora H e no dia D, como diria o general Eduardo Pazuello, em seu raros momentos de lampejos filosóficos, digamos assim. Sua impunidade após grave transgressão disciplinar está sendo fervorosamente debatida agora, mas será muito melhor analisada daqui a alguns anos, quando a poeira das versões estiver assentada e os historiadores se debruçarem sobre os acontecimentos, para analisar exclusivamente os fatos.

Será constatado que desde a posse de José Sarney, em 1985, os militares se reservaram aos quartéis, abandonando por completo a política, especialmente após o presidente Fernando Henrique Cardoso ter criado o Ministério da Defesa, em 1999, tendo  nomeado um civil para comandá-lo – o senador Elcio Alvares.

SEM NOVIDADES – Não houve mudanças daí em diante. Os militares continuavam afastados da política, até que a presidente Dilma Rousseff resolveu aceitar a nomeação do general Eduardo Villas Bôas para comandar o Exército em 2015.

Os historiadores vão destacar que, desde que assumiu, Villas Bôas incentivou a politização do Alto Comando do Exército, com a cumplicidade ostensiva do general Hamilton Mourão, responsável pelo Comando Militar do Sul, que sempre se mostrou um militar linha dura e até defensor da tortura a presos políticos, desde 1949 considerada internacionalmente “crime de guerra” pela Convenção de Genebra.

Quando o governo Dilma começou a soçobrar, Mourão era chefe do Comando Militar do Sul e agia como um agente provocador.

DIZIA MOURÃO – Em 17 de setembro de 2015, disse em uma palestra em Porto Alegre que “a maioria dos políticos de hoje parecem privados de atributos intelectuais próprios e de ideologias, enquanto dominam a técnica de apresentar grandes ilusões”. Além disso, ao comentar a possibilidade de impeachment de Dilma, ele afirmou que “a mera substituição não trará mudança significativa no ‘status quo'” e que “a vantagem da mudança seria o descarte da incompetência, má gestão e corrupção”.

Mourão provocava à vontade, a imprensa dava divulgação, mas nada acontecia.

Mesmo sabendo que a presidente Dilma havia sido torturada no regime militar, o general permitiu que em 26 de outubro de 2015, no Comando Militar do Sul, houvesse uma homenagem póstuma ao coronel Brilhante Ustra, responsável por torturas e execuções de presos políticos nos anos de chumbo.

SEM PUNIÇÃO – Ao contrário do que poderia se esperar, não foi punido. O comandante Villa Bôas, seu amigo e incentivador, apenas o transferiu para a Secretaria de Economia, um cargo burocrático em Brasília, onde poderiam ficar juntos e tramar à vontade contra a presidente Dilma. E para descaracterizar ainda mais a ausência de punição, a transferência de Mourão foi incluída num pacote amplo de remanejamentos de postos militares.

Em 2016, Dilma sofreu impeachment e o vice Michel Temer assumiu. Aproveitando-se da omissão do ministro da Defesa, Raul Jungmann, que era tão leniente quanto seus antecessores, Jaques Wagner e Aldo Rebelo, os generais Villas Bôas e Mourão continuaram tramando à vontade.

Em 2017, quando Jair Bolsonaro já fazia campanha para a Presidência, Mourão vestiu o uniforme de gala e fez a célebre palestra na Maçonaria, que serviu como uma luva para consolidar a candidatura do capitão da reserva.

JULGAMENTO DE LULA – O ápice das armações políticas desses generais ocorreu em a 3 de abril de 2018, um dia antes do julgamento do ex-presidente Lula da Silva, quando o general Villa Bôas advertiu, sem dar conhecimento ao ministro Jungmann:

“Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais. Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais”.

Generais da ativa e da reserva apoiaram entusiasticamente as palavras  do comandante, que estava apoiando claramente o candidato à presidência Jair Bolsonaro, que depois diria em público que o entendimento entre os dois seria “um segredo até à morte”.

RISCO DE POLITIZAÇÃO – Depois de tudo isso, a imprensa vem dizer que há o risco de politização dos quartéis, um fenômeno que já ocorreu há vários anos e vive a celebrar aniversários.

Não somente houve a politização dos quartéis, como também aconteceu a militarização da política. Estamos sob um governo paramilitar, que felizmente é conduzido por um imbecil. Se fosse um militar intelectualizado, ficaria no poder por mais mais 21 anos. Aliás, como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe.

Depois de Pazuello ser poupado, o perigo agora é Bolsonaro pensar (?) que manda nos militares

Se tentar dar o golpe militar, Bolsonaro será o primeiro a ser preso

Carlos Newton

Conforme já explicamos aqui na Tribuna, não existe vazamento em assuntos do Alto Comando do Exército. A única vez que isso aconteceu foi no governo João Goulart, quando Helio Fernandes publicou um documento carimbado de “Confidencial” e a República estremeceu. Jango mandou processar Helio Fernandes no Supremo, porque se recusou a revelar sua fonte. Se fosse condenado, pegaria 4 anos de prisão. Foi uma decisão apertadíssima e o jornalista Fernandes ganhou por 5 votos a 4, numa época em que ainda havia juízes em Berlim, digo, em Brasília.

O vazamento da informação foi assumido publicamente pelo general Cordeiro de Farias, contra a vontade de Helio Fernandes, isso num tempo em que ainda havia generais em Berlim, digo, em Brasília. E não sofreu punição, porque Henrique Lott já havia se reformado e o Exército não tinha mais líder.

A HISTÓRIA SE REPETE – Como os marxistas acreditam que a História somente se repete como farsa, agora o general Pazuello também não foi punido, mas estará para sempre no anedotário nacional, que é uma condenação muito maior do que ser advertido pelo comando. Mas essa não foi a primeira farsa na repetição de casos de generais rebeldes que transgrediram as regras militares e deixaram de ser punidos.

Antecipamos aqui, desde o início, que Pazuello não seria punido, devido aos precedentes de impunidade do general Hamilton Mourão, em passado muito recente.

Em 2015, quando estava à frente do Comando do Sul, Mourão esculhambou a presidente Dilma Rousseff, que disse ter sido torturada no regime militar, e aproveitou para elogiar o coronel torturador e assassino Brilhante Ustra. Mourão não foi punido. O comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, apenas trocou o cargo dele, mas o manteve no Alto Comando do Exército.

NOVA TRANSGRESSÃO – Em 2017, já no governo Temer, Mourão vestiu a farda de gala e fez palestra na Maçonaria de Brasília, onde defendeu a possibilidade de uma nova intervenção militar. E mais uma vez não foi punido. Simplesmente pediu passagem para a reserva e foi presidir o Clube Militar, de onde só saiu quando se elegeu vice-presidente. Ora, um Exército que não pune um encrenqueiro como Mourão, por que iria punir uma puxa-saco como Pazuello? Não faz o menor sentido.

Agora, a especulação da imprensa é sobre o que pode acontecer daqui para a frente. Vem aí muita conversa fiada, porque pode acontecer tudo, ou pode não acontecer nada.

É claro que existe um risco. O presidente Bolsonaro pode pensar (?) que a decisão do Alto Comando significa que ele não somente manda no Exército, como pode fazer o que bem entender, porque o ministro da Defesa, Braga Netto, é uma espécie de Pazuello com quatro estrelas.

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P.S. –
É somente esse o perigo que corremos, porque, se houver confusão, o Exército então dará o golpe, mas expulsará Bolsonaro do Planalto-Alvorada, pois todo mundo sabe que capitão não manda em general de verdade. (C.N.)

Não seria um despropósito o Exército punir o general Pauzello, sem ter punido o general Mourão?

Mourão transgrediu as regras, porém jamais foi punido

Carlos Newton

As questões políticas sempre têm versões diversas, de acordo com o ponto de vista de cada observador. Como ocorre no futebol e na religião, cada um sempre dá um jeito de justificar sua opinião. E só há uma maneira de chegar à conclusão verdadeira – ater-se aos fatos, não levar em consideração nada além dos fatos.

No caso do general Eduardo Pazuello, já está mais do que claro haver desrespeitado normas do Estatuto e do Regimento do Exército. Eis um fato concreto, a significar que o oficial superior merece ser punido na forma da lei, pois essas regras têm força de lei. Porém…

POSSÍVEIS ALEGAÇÕES – Porém, em sua defesa, Pazuello alega que há atenuantes, porque foi convidado a participar do ato público pelo próprio presidente, que é hipoteticamente comandante-em-chefe das Forças Armadas, embora essa condição só seja realmente assumia em tempos de guerra.

Poderia alegar também que, embora seja sete anos mais novo, é amigo do presidente há décadas, desde quando estiveram juntos no Curso da Brigada de Infantaria Paraquedista, e sempre foi seu eleitor.

Com certeza, são fatos, mas se revelam sem força suficiente para evitar uma punição, que é da competência exclusiva do comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, de quem não é amigo, a não ser que… 

A ÚNICA SOLUÇÃO – Bem, a situação fica num impasse parabélico, com estrelas piscando de todo lado, a não ser que o general Pazuello tenha um mínimo de lucidez e siga o exemplo do também general Hamilton Mourão. Ao comandar o Exército do Sul, Mourão não perdia oportunidade de esculhambar o governo Dilma Rousseff, dizendo que não tinha o menor planejamento etc. e tal.

Mas extrapolou em 2015 ao dar declarações elogiando o sinistro coronel Brilhante Ustra, que chefiava as torturas e execuções de presos políticos. Ao invés de puni-lo, o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, seu amigo pessoal, transferiu Mourão para um cargo burocrático (Secretaria de Economia do Exército), mas não adiantou nada;

Na época, assisti a uma palestra dele no Clube Naval, em Brasília, na qual esculhambou a presidente Dilma. Ao final, quando ele saiu para fumar um cigarro na varanda, fui atrás, identifiquei-me como jornalista e perguntei se poderia publicar suas críticas, e ele respondeu: “Pode publicar à vontade, o que penso desse governo é isso e muito pior”.

PALESTRA NA MAÇONARIA – Poucos meses depois, Mourão vestiu o uniforme de gala e fez um pronunciamento na Maçonaria, defendendo a possibilidade de uma intervenção militar. Foi um escândalo, é claro. Para não puni-lo, o comandante Villas Bôas pediu que passasse para a reserva, e Mourão aceitou.

Agora, é a vez do Pazuello. Por vaidade, ambição e amizade ao presidente, ele se transformou em bode expiatório dos erros de Bolsonaro na pandemia. No lance de “um manda e outro obedece, transformou-se numa figura ridícula, um mero vassalo, sem direito a opinião e a livre arbítrio.

Por mais que seja exigida uma punição, isso não acontecerá, porque Pazuello vai pedir passagem para a reserva e ganhar direito à mesma impunidade conferida ao general Mourão. É um direito seu.

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P.S.Afinal, não seria um despropósito o Exército punir o general Pauzello, sem ter punido o general Mourão, que agora é subcomandante-em-chefe das Forças Armadas? Claro que sim. (C.N.)

Petrobras produz na Abreu e Lima e exporta o melhor óleo combustível do mundo

Foto: Heudes Regis/Acervo JC Imagem

Petrobras vai vender a melhor refinaria do mundo

Carlos Newton

Quando critico aqui a política do petróleo adotada por sucessivos governos desde Fernando Henrique Cardoso, sei perfeitamente o que estou falando, não apenas por ter trabalhado no Setor de Abastecimento, que controla as refinarias, mas também pelo apoio de informações dos profissionais do ramo, que estão entre os mais respeitados do mundo.

Sei que tenho razão em expor as contradições do país exportar tanto óleo bruto, tendo falta dos produtos secundários básicos, sobretudo: diesel, gás liquefeito do petróleo e nafta.

EXCELENTE RELATÓRIO – Existe (ou existiu) um relatório do Ministério de Minas e Energia, produzido mensalmente desde 2008, que parou de ser publicado no site desde outubro de 2020 (???) que era um ótimo resumo destes movimentos de importação e exportação do setor petrolífero

(https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/secretarias/petroleo-gas-natural-e-biocombustiveis/publicacoes-1/relatorio-mensal-do-mercado-de-derivados-de-petroleo/2020 ).

Nele podemos ver o grande volume importado destes fluidos  processados (inclui-se aqui também a importação de gasolina!), enquanto a exportação de óleo bruto cresce bastante, desde a verdadeira autossuficiência de petróleo, alcançada em 2015.

O MELHOR DO MUNDO – Importante adendo, também verificável no que restou do relatório do Ministério de Minas e Energia: o Brasil tem o melhor óleo-combustível (bunker) do mundo, com baixo enxofre, e têm ganho um dinheiro enorme na exportação deste produto de primeira qualidade, que abastece a frota naval do mundo.

As novas legislações ambientais ao redor do mundo impedem o uso de bunker de alto teor de enxofre, o que aumentou o valor do combustível brasileiro (mais limpo), e a produção se adaptou rapidamente para ampliar os volumes e exportar mais.

Na mira da Petrobrás para ser vendida para grupos estrangeiros, a Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, acaba de bater um novo recorde de produção deste incomparável óleo combustível. Ao todo, a unidade registrou um volume de 211.139 m³ do produto em abril, 16,8% a mais que o mês anterior.

PRODUTO DE QUALIDADE – “O óleo combustível produzido na RNEST é utilizado em grandes motores por setores da indústria, termoelétricas e navios. Além disso, o produto serve como matéria prima na formulação do Bunker 2020 – combustível marítimo com baixo teor de enxofre. O produto é exportado principalmente para Cingapura”, detalhou a Petrobrás, em comunicado.

É impressionante que essa criminosa política privatista esteja sendo cometido por um governo paramilitar, com um almirante à frente do Ministério de Minas e Energia e um general no comando da Petrobras.

 A Abreu e Lima é a única refinaria brasileira instalada para processar o petróleo pesado extraído no país, que precisa ser misturado a óleo leve (mais caro), importado pela Petrobras ser refinado em outras unidades para. A “entrega” dos ativos é um crime de lesa-pátria, cometido por militares, vejam a que ponto chegamos.

Pazuello não será punido, com base na impunidade do general Mourão em 2015 e 2017

Pazuello

Pazuello vai imitar Mourão e passar para a reserva

Carlos Newton

Está um tiroteio danado, porque não existe vazamento de informações no Alto Comando do Exército, portanto ninguém sabe o desfecho do caso do general de Divisão Eduardo Pazuello, que o presidente Jair Bolsonaro, seu companheiro de academia militar, conseguiu transformar num problema ambulante e desmoralizante para as Forças Armadas.

A situação é delicadíssimo, porque o trêfego Pazuello está na profissão errada, não se comporta como militar, mente sob juramento e desonra a farda que não mais deveria vestir.

DESAFIOU O COMANDANTE – Como se sabe, ele tem de ser punido por afrontar as normas internas das Forças Armadas e desafiar a autoridade do comandante-geral do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, ao participar de uma manifestação política a favor do presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (dia 23), tendo inclusive discursado na ocasião, em cima do carro de som.

Nesta segunda-feira, aguardava-se que o Alto Comando do Exército se reunisse para discutir a punição de Pazuello, dada a invulgar importância do assunto, mas o ministro da Defesa, general Braga Netto, se adiantou e convocou uma reunião com o comandante Nogueira.

Braga Netto tentou “amaciar” a situação de Pazuello, que cometeu uma transgressão disciplinar clara, ao afrontar publicamente a autoridade do comandante do Exército.

PROBLEMA GRAVÍSSIMO – O fato concreto é que se trata de um problema gravíssimo, porque o presidente Bolsonaro pode revogar qualquer punição ao general Pazuello e até demitir o atual comandante do Exército.

Em Brasília, os bastidores do Forte Apache dão conta de que a solução encontrada é empurrar o problema para a frente. Isso significa que será obedecido o trâmite militar, com o máximo de lerdeza. Primeiro, Pazuello será comunicado de que cometeu transgressão disciplinar, e vai ganhar três dias para responder.

Em seguida, quando a punição estiver em estudo no Alto Comando, pedirá passagem para a reserva, que no seu caso específico tem de ser decisão individual.

IGUAL A MOURÃO – Ou seja, será reprisado o caso do general Hamilton Mourão, que em 2015 deu várias declarações defendendo a tortura no regime militar e fazendo críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, mas não foi punido. O comandante Eduardo Villas Bôas apenas tirou Mourão do Comando do Sul e colocou-o na Secretaria de Economia, um cargo burocrático.

Mas Mourão não ficou quieto. Em 2017, vestiu o uniforme de gala e fez um longo pronunciamento na Maçonaria, falando sobre a possibilidade de uma intervenção militar. E novamente não foi punido. O comandante Villas Bôas sugeriu que ele passasse para a reserva, Mourão concordou, logo virou presidente do Clube Militar e depois foi eleito vice-presidente da República, nota-se que é um homem de sorte.

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P.S. – Diante do curriculum vitae de Mourão, causou surpresa no Alto Comando sua atitude, defendendo a punição de Pazuello, cujas transgressões foram muito menos graves do que as cometidas por ele no governo Dilma. Mas  parece que
o general Mourão está com problemas de memória, não é mesmo? (C.N.)

No desespero, Bolsonaro e seus generais sonham com um golpe que as Forças Armadas rejeitarão

Ministro está costeando o alambrado, diria Brizola

Carlos Newton

Apesar de imperdoáveis excessos cometidos nos anos de chumbo da revolução de 1964, com torturas e assassinatos de presos políticos, considerados crimes hediondos contra a humanidade e imprescritíveis, o que não ocorreu no Brasil devido à generosidade mútua da Lei da Anistia, as Forças Armadas sempre tiveram uma imagem positiva.

Jamais houve pesquisa indicando deterioração do prestigio militar, mesmo nos anos de chumbo, até porque a imprensa foi mantida sob censura e a grande maioria dos brasileiros desconhecia os crimes do regime, como os bárbaros assassinatos do deputado Rubens Paiva e do estudante Stuart Angel Jones.    

AS COISAS MUDAM – Mas agora essa situação está mudando. Não há censura à imprensa e a internet/celular democratizou as informações de maneira irreversível. Tudo o que se faz de errado vem à tona, não há como conter, especialmente num governo como o do presidente Jair Bolsonaro, que tem verdadeira compulsão por dizer asneiras e realimenta diariamente o noticiário com declarações espontâneas e despropositadas.

E agora, chegando a dois anos e meio de mandato, já se pode concluir que a maior realização de Bolsonaro é estar contribuindo para manchar a boa imagem das Forças Armadas.

É muito triste ver oficiais superiores faltando com a verdade, negando fatos concretos e se comportando como mentirosos contumazes, como está ocorrendo com Eduardo Pazuello, Augusto Heleno e Eduardo Ramos, que se tornaram três decepções nacionais, por agredirem os interesses nacionais em nome de um governo fracassado e em prematuro processo de derretimento.

TRÊS MENTIROSOS – O general intendente Pazuello, respeitado no Exército por suas noções de logística (que agora precisam passar a ser atribuídas a seus subordinados), não tem a menor dignidade militar, submeteu-se aos caprichos de Bolsonaro e agora está até sob suspeita de corrupção.

O ministro Augusto Heleno, outra insucesso. Como aceitar a presença de um general em reunião destinada a interferir na Justiça e evitar processo de um dos filhos do presidente? E suas patéticas declarações? Agora, teve a desfaçatez de afirmar que o Centrão não existe, apenas faz parte do “show político”.  

E general Eduardo Ramos, criador do orçamento secreto, que significa um declarado crime de responsabilidade? Sem o menor pudor, o oficial mente sobre a compra de apoio e ameaça o jornal Estadão.

PEQUENAS EXCEÇÕES – Pazuello, Heleno e Ramos são pequenas exceções e não representam as Forças Armadas. Pelo contrário, representam a si próprios e suas ambições pessoais.

Os verdadeiros militares são diferentes. Trabalhei recentemente, durante dois anos, na histórica sede do comando militar do Leste, onde fiz grandes amigos e posso dizer que os militares não têm nada a ver com figuras menores como Bolsonaro, Pazuello, Heleno e Ramos.

E o novo ministro da Defesa, Braga Netto, também decepciona. Neste domingo,  discursou indevidamente na manifestação  em Brasília, falando em nome das Forças Armadas. Como dizia Brizola, Braga Neto “está costeando o alambrado”. Mas não terá respaldo dos Altos-Comandos para o golpe que está sendo armado.

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P.S. – O governo está derretendo, mas a economia vai bem e bate recordes de arrecadação, porque o Brasil segue em frente, enquanto os políticos se digladiam. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)