Gravação de Temer realmente teve cortes, sumiram mais de 6 minutos da conversa

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Molina se expôe e demonstra não temer o ridículo

Carlos Newton

Realmente, existe um instigante mistério na gravação do encontro entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, não há a menor dúvida, mas não se refere ao teor da apimentada conversa, que depõe contra a honorabilidade do chefe do governo e até obriga a que seja afastado do cargo, a bem do interesse público e da moralidade administrativa. Isso é ponto pacífico. O mistério a ser desvendado é outro e se refere à surpreendente redução do tempo da conversa entre Temer e Batista, porque sumiram mais de seis minutos da gravação.

A constatação foi feita pela equipe técnica da Rádio CBN, ao comparar a programação da emissora, que Joesley ouvia e gravava no carro, antes de chegar ao Palácio Jaburu, e continuou ouvindo ao voltar ao automóvel, porque esquecera o rádio ligado. Segundo o jornal O Globo, a comparação das duas gravações mostrou a expressiva diferença de mais de 6 minutos na duração da conversa registrada no pen drive entregue pelo empresário à Procuradoria-Geral da República.

HÁ DUAS GRAVAÇÕES? – Há muitas indagações. Pelo que se informa, Joesley levou dois gravadores e a JBS já entregou à Procuradoria o segundo equipamento. Somente assim, os peritos da Polícia Federal poderão constatar o que realmente aconteceu. Embora os cortes (se existiram, e agora parece que ocorreram) não inocentem o presidente Michel Temer, é preciso que sejam explicados e também que se revele o que foi extirpado da gravação, porque a conversa pode ter se aprofundado com informações que possam incriminar outras altas personalidades da República.

Vamos aguardar a evolução dos acontecimentos e a análise dessa segunda gravação. O que não se pode aceitar é a leviana afirmação do perito Ricardo Molina, ao proclamar que a gravação não pode ser considerada como prova e deve ser atirada no lixo.

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PS
Já assinalamos aqui na Tribuna da Internet que peritos são como advogados e trabalham em favor de quem os contrata. Quem age de forma imparcial é o perito do poder público, porque é pago pelo povo para defender seus interesses. Mas nem sempre isso acontece. No processo contra Roberto Marinho pela usurpação da TV Paulista, a perita judicial, para agradar a TV Globo, deu um parecer surrealista, inventando um negócio de compra e venda que jamais existira, e seu laudo foi demolido pelos especialistas do Instituto Del Picchia, o mais respeitado do país. (C.N.)

Meirelles tentou comprar o silêncio da mídia no caso da Friboi/JBS

Charge do Hubert (Arquivo Google)

Este artigo foi publicado em 30 de janeiro de 2015 aqui na Tribuna da Internet, mostrando que Henrique Meirelles, como presidente do Conselho Consultivo do grupo dos Irmãos Batista, recomendara a vultosa campanha publicitária para ocultar os “malfeitos” do grupo Friboi. A matéria inclusive denunciava os altos investimentos do grupo no patrocínio de políticos no caixa 1, pois à época nem se falava em caixa 2. Recordar é viver e vale a pena ver de novo, para refrescar a memória.

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MEIRELLES TENTA COMPRAR O SILÊNCIO
DA MÍDIA NO CASO DA FRIBOI

Carlos Newton

É impressionante a bilionária campanha publicitária que o grupo JBS, maior exportador de carne bovina do mundo e dono da marca Friboi, vem fazendo na imprensa escrita e na televisão, inserindo anúncios em espaços e horários nobres e pagando cachês altíssimos a artistas “globais” consagrados como Tony Ramos, Fátima Bernardes e Roberto Carlos, que inclusive é vegetariano há décadas.

O grupo JBS, de Goiás, pertence aos irmãos Batista e era comandado por José Batista Júnior, que conseguiu apoio do BNDES a partir do primeiro governo Lula e alçou o frigorífico JBS-Friboi ao topo do mercado de carnes do país e do mundo.

CHAMARAM MEIRELLES – Em março de 2012, preocupados com a crescente responsabilidade causada pela expansão dos negócios, os irmãos Batista chamaram o conterrâneo Henrique Meirelles para assumir a presidência do Conselho Consultivo da J&F, holding que controla empresas e marcas famosas como JBS Friboi, Banco Original, Swift, Doriana, MassaLeve, Lebon, Pilgrim’s, Seara, Vigor, Rigamonti, Fiesta e Flora. Uma das missões de Meirelles era traçar a estratégia mundial do grupo, para não perder mercado.

Menos de um ano depois, surpreendentemente José Batista Júnior deixou de ser o principal sócio da holding J&F, tendo vendido sua participação para os irmãos Joesley e Wesley, que tiveram de manter Meirelles à frente do Conselho, porque hoje a credibilidade do grupo está diretamente associada à atuação do ex-presidente do Banco Central e do BankBoston, que está cada vez mais rico e se tornou também acionista do Itaú.

CAMPANHA BILIONÁRIA – No comando da holding J&F, Meirelles determinou o lançamento da espalhafatosa campanha publicitária, que começou no início do ano passado e parece não ter mais fim, para satisfação dos barões da mídia impressa e televisionada.

O objetivo da propaganda em massa não é comercial; pelo contrário, tem apenas a finalidade de amansar a grande mídia, para desestimular reportagens investigativas que possam revelar as entranhas desse surpreendente sucesso empresarial movido pela generosidade do BNDES, que na gestão petista emprestou à JBS R$ 2,5 bilhões (diretamente ou por meio de outros bancos) e comprou R$ 8,5 bilhões em ações do grupo, que equivalem a 24,6% de seu capital.

PATROCÍNIO ELEITORAL – Além de atuar no controle da mídia, Meirelles também transformou a holding J&F na maior patrocinadora da política nacional. Oportuna reportagem de Leandro Prazeres, no site UOL, revela que o generoso grupo já doou a candidatos e partidos cerca de 18,5% de tudo o que tomou emprestado do BNDES entre 2005 e 2014, com PT, PMDB e PSDB aparecendo como os mais beneficiados.

Desde 2006, o grupo já figurava como um dos maiores doadores de campanhas políticas do Brasil. Meirelles só fez aumentar o cachê. Em 2010, por exemplo, o JBS ficou em terceiro lugar, com R$ 63 milhões. Mas em 2014, sob comando dele, o grupo passou a ser o maior doador, com R$ 366,8 milhões em patrocínio eleitoral, seguido da construtora Odebrecht, que doou R$ 111 milhões, e do Bradesco, com cerca de R$ 100 milhões.

GENEROSIDADE DEMAIS – O repórter Leandro Prazeres mostrou que o comprometimento da J&F com doações a políticos é tão grande que, somente para a eleição de 2014, a empresa doou 39,56% de todo o seu lucro líquido registrado em 2013, que foi de R$ 926,9 milhões. É como se, a cada R$ 100 de lucro, a JBS doasse R$ 39,5 para os caixas de campanhas de partidos e candidatos. Da mesma forma, a Odebrecht, segunda colocada no ranking de doações neste ano, doou 22% de seu lucro líquido em 2013, que foi de R$ 490,7 milhões.

É generosidade demais, motivando justificadas suspeitas de sonegações e graves irregularidades contábeis. Como se sabe, o lucro líquido é a diferença entre o que a empresa faturou e os seus custos operacionais (salários, tributos, impostos etc).

E a conclusão é óbvia – a J&F comprou a grande imprensa, mas esqueceu a internet, e o surgimento de um escândalo será inevitável.

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PSConforme assinalamos, este artigo foi escrito em janeiro de 2015. Mais de dois anos depois, espera-se que a republicação do texto não venha a fortalecer a teoria conspiratória que tenta atribuir a um tenebroso complô o atual posicionamento da Organização Globo contra Temer.  A teoria conspiratória está crescendo na internet, mas até agora não há a menor sustentação, apenas virtual. Nos últimos anos, a demonização da Globo vinha sendo feita por Lula e pelos dirigentes petistas, para alegar inocência no esquema de corrupção. Agora, quem o faz são os aliados do presidente Temer. Realmente, chega a ser patético. Vamos escrever a respeito, até porque é preciso dar à Organização Globo e ao Jornal Nacional o direito de acertar. Se alguém tiver provas contra a Globo, aceitaremos prazerosamente é claro, como fizemos no artigo de ontem, sobre o caso da usurpação da TV Paulista por Roberto Marinho, que é encoberto pela grande mídia e noticiado apenas aqui no espaço livre da Tribuna da Internet, sempre com total exclusividade. (C.N.)   

 

Lula ameaça destruir a Rede Globo, mas é somente mais uma encenação

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Com frequência, vem sendo divulgado que o ex-presidente Lula da Silva, se eleito em 2018, pretende acabar com o monopólio da TV Globo, cassar sua concessão e suspender outras vantagens que esse poderoso grupo de comunicação teria auferido da administração federal nas últimas décadas.  Lula, que responde a cinco processos criminais, sente-se perseguido pela TV Globo, esquecendo-se que as mesmas denúncias também são apresentadas pelas outras emissoras. A diferença está na maior audiência e no alcance nacional da rede da família Marinho, não existindo aí, salvo prova em contrário, nenhuma perseguição pessoal com o objetivo de pôr em risco a honra de quem não a possui.

Esse incontido inconformismo não passa de discurso para enganar trouxa, como vem ocorrendo com sucesso nas eleições presidenciais desde 2002. Agora, Lula continua abusando da boa-fé e da desinformação do povo brasileiro, ao apregoar que, de volta ao poder, pretende não somente se vingar da Globo, mas também processar juízes, procuradores e policiais que estão no seu encalço.

LULA SE OMITIU – Durante seu interminável governo e com popularidade na estratosfera, tendo sido chamado de “o Cara” por Barack Obama, Lula e seu primeiro-ministro José Dirceu foram representados junto ao Supremo por não terem investigado ilícitos cometidos por Roberto Marinho ao se apoderar da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo), na ditadura militar.

Lula e José Dirceu foram informados de que o fundador da Rede Globo, para assumir o controle do canal 5 de São Paulo, segundo pareceres de conceituados peritos, usou documentos falsos, forjados com participação de sua assessoria, para se apossar dos direitos societários de mais de 650 acionistas fundadores da antiga Rádio Televisão Paulista S/A e assim  consolidar seu vitorioso projeto de ter uma rede nacional  para enfrentar a TV Tupi.

Lula e Dirceu fingiram-se de mortos, o que à época poderia ser interpretado como prevaricação. Deixaram de investigar como foi possível que um único acionista, titular de apenas duas ações, chamado  Armando Piovesan, pudesse ter simulado a  instalação de uma Assembleia-Geral Extraordinária da Rádio TV Paulista S/A, para que, com apoio dos governantes militares, o canal 5 de São Paulo fosse transferido para Marinho.

FRAUDE NA VENDA – Lula e Dirceu foram comunicados de que Victor Costa Júnior, o “vendedor” das ações da TV Paulista, não era nem acionista da emissora, pois no inventário dos bens deixados por seu pai, Victor Costa, não estavam incluídas ações da TV Paulista e de outras duas emissoras, que depois se transformaram na TV Globo de Recife e na TV TEM de Bauru, supostamente compradas na ditadura militar por Roberto Marinho.

Também foram informados de que, nas assembleias societárias da TV Paulista, Roberto Marinho registrou em atas as presenças de importantes acionistas majoritários, que, apesar de mortos há mais de dez anos, teriam comparecido à antiga sede da emissora, na Praça Marechal Deodoro, 340, em São Paulo, para garantir quórum e “legitimar” o apossamento de suas próprias ações pelo interessado maior.

Naquela época não havia videoconferência nem teleconferência com o Além. Os acionistas mortos, muito embora não precisassem comparecer, mesmo assim estiverem presentes, conforme foi atestado por Roberto Marinho em documento público, registrado em cartório.

LULA AMARELOU – Por tudo isso, não se pode acreditar na nova promessa de Lula enfrentar a TV Globo. Quando tinha obrigação funcional de abrir investigação para esclarecer essa transferência ilegal de outorga de concessão pública, o então todo-poderoso presidente nada fez, simplesmente amarelou, comportando-se como se nunca soubesse de nada.

Deve-se registrar, contudo, que entre a situação atual de Lula e o momento vivido por Roberto Marinho, há duas diferenças curiosas e expressivas: 1) Lula jura que não é dono do tríplex, porque o registro de propriedade está em nome da OAS, mas assim mesmo está sendo processado; 2) Marinho, ao contrário, jurava ser dono das emissoras de São Paulo, Recife e Bauru, apesar do registro de propriedade e da concessão estarem em nome de terceiros, que nunca lhes venderam essas empresas.

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PS –
A situação descrita acima foi levada ao conhecimento do então presidente Lula em 2003 e da presidente Dilma em 2013. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi o único político que requereu, oficialmente, explicações ao governo do PT sobre essas simulações societárias e não foi atendido pelo Ministério das Comunicações.  No site da Organização Globo, ainda se pode ler a informação inverídica de que Roberto Marinho adquiriu os canais de São Paulo e de Recife de Victor Costa – que morreu em 1959, e o tal contrato de compra e venda data de novembro de 1964, foi assinado por Victor Costa Júnior. É um caso para a Comissão de Valores Mobiliários,  já que a Justiça não funciona, especialmente quando a Organização Globo está no banco dos réus. (C.N.)

No desespero, Temer tenta criar uma realidade virtual que a Perícia logo irá desfazer

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Temer logo será desmentido pela perícia da PF

Carlos Newton

Foi um brilhante discurso, não há a menor dúvida. Neste sábado, o presidente Michel Temer conseguiu fazer o melhor pronunciamento de sua vida. Saiu-se tão bem que logo suspeitei que estava usando aqueles teleprompters transparentes de última geração, um de cada lado da sala, porque durante toda a locução ele não olhou uma só vez para a frente, intercalava as frases sempre focando os mesmos pontos à direita e à esquerda, somente um autômato conseguiria proceder assim. De toda forma, foi um desempenho notável, ficou parecendo um discurso de improviso, mas as aparências enganam. O texto era impecável e incisivo, inteiramente redigido em frases curtas, ao contrário do estilo rococó e entediante de Temer. Portanto, foi coisa de profissional, João Santana não faria melhor.

Acontece que marketing é sinônimo de ficção. No pronunciamento, ficou claro que Temer não tem argumentos concretos e decidiu jogar todas as fichas na possibilidade de mudar as aparências das coisas, para criar uma realidade virtual que lhe seja favorável.

A PERÍCIA VEM AÍ – Sonhar ainda não é proibido, mas já se sabe que essa estratégia de Temer não vai dar certo, porque está inteiramente sustentada em alegações ilusórias.

Logo após o pronunciamento, começou o desmonte. O grupo J&F, dos irmãos Batista, divulgou nota oficial confirmando que não houve a “adulteração” denunciada por Temer. Além de dizer que a gravação não sofreu cortes nem manipulação, a empresa assinalou que existem documentos que comprovam a veracidade das delações.

“É natural que, nesse momento, em função da densidade das delações, surjam tentativas de desqualificá-las”, diz trecho da nota, acrescentando: “Quanto ao áudio envolvendo o presidente Michel Temer, Joesley Batista entregou para a Procuradoria Geral da República a íntegra da gravação e todos os demais documentos que comprovam a veracidade de todo o material delatado. Não há chance alguma de ter havido qualquer edição do material original, porque ele jamais foi exposto a qualquer tipo de intervenção.”

NÃO HOUVE CORTES – Essa briga de versões será fatal a Temer, que afirmou ter havido cerca de 50 cortes e adulterações na gravação, mas não aconteceu nada disso. Já se sabe que o resultado da perícia a ser feita pela Polícia Federal vai confirmar a conclusão a que chegou a equipe técnica da rádio CBN.

A caminho do Jaburu, o carro de Joesley Batista estava com o rádio ligado na CBN. Quando ele acionou o gravador, antes de entrar no Palácio, o equipamento captou o programa da rádio. Nervoso, Joesley esqueceu de desligar o rádio do carro. Entrou no palácio, foi para o subsolo com Temer. Quando a conversa acabou e retornou ao carro, o gravador continuava ligado e voltou a captar a programação da emissora.

Foram 38 minutos de gravação e os técnicos da CBN chegaram à conclusão de que não houve cortes nem adulterações, porque o tempo da conversa coincidiu exatamente com a duração da programação da rádio.

DEFESA ILUSÓRIA – Como se vê, quem está adulterando os fatos é o próprio Temer. Seu pronunciamento foi muito profissional e ele se saiu bem. Mas sua versão inevitavelmente vai bater de frente com a realidade dos fatos.

As irregularidades e crimes cometidos por Temer são múltiplos – omissão no exercício do cargo, corrupção passiva, obstrução da justiça, prevaricação. Não tem a menor condição de continuar na Presidência. Seu afastamento é somente questão de tempo. Os pedidos de impeachment já se acumulam na Mesa Diretora da Câmara e esta semana Ordem dos Advogados do Brasil vai apresentar mais um.

No Congresso, ninguém aposta um níquel na permanência de Temer, que está adotando a mesmo a estratégia de Dilma Rousseff e tenta se fazer de vítima. Os parlamentares já discutem a sucessão, a ser decidida em eleição indireta, 30 dias após o afastamento do presidente, seja por renúncia, cassação no TSE ou impeachment pelo Congresso.

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PSTemer já é figura fora do baralho, mas esqueceram de avisar a ele. Os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, que não podem perder o foro privilegiado, impediram que o presidente renunciasse e agora o incentivam a continuar resistindo ao inevitável massacre. Temer pensa que Padilha e Moreira são seus amigos, mas já se tornaram seus piores inimigos. É constrangedor. (C.N.)

Maia e FHC sonham com a Presidência, mas o PMDB não pretende entregar o poder

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Antes mesmo de o presidente Michel Temer apresentar sua inevitável renúncia (se não o fizer, será caso de internação), os dois personagens mais felizes com o desenrolar dos acontecimentos eram o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que terá de assumir a chefia do governo e convocar eleição indireta no prazo de 30 dias, conforme determina a Constituição, e o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que desde sempre dorme e acorda sonhando com a volta ao poder, tendo  como base seu temperamento vaidoso, prepotente e soberbo. Maia e FHC podem sonhar à vontade, mas são dois perdido numa noite suja, sem a genialidade do ator e dramaturgo Plínio Marcos.

Rodrigo Maia acha que vai ser o presidente até 2018, simplesmente porque foi eleito para substituir o já abominável Eduardo Cunha, cassado por 450 deputados, com apenas 10 votos contra e 9 abstenções num plenário de 513 integrantes, quase unanimidade. Já o ex-presidente FHC se julga de volta ao poder aos 85 anos, com base no exemplo do governante alemão Konrad Adenauer, que retornou ao governo exatamente com esta idade. No caso de FHC, porém, seria apenas uma ilusão à toa, como diria o genial compositor Johnny Alf.

UMA INCÓGNITA – O fato é que o futuro presidente da República é uma incógnita ainda impenetrável. Aliás, trata-se de um cargo acéfalo, e se encontra nesta condição desde a saída de Itamar Franco, o último presidente de verdade que este país conheceu. No Congresso, que vai eleger o novo presidente, há 594 parlamentares. As maiores bancadas na Câmara são do PMDB, PT, PSDB e bloco PP-PTN-PTdoB. No Senado, PMDB, PSDB, PT, PP, PSB e PSD.

O PMDB tem a maior bancada, está circunstancialmente na Presidência e não vai querer perdê-la. A estratégia é tentar manter a atual base aliada, amplamente majoritária, para eleger o presidente indireto e preservar as atuais posições na estrutura do poder.

TODO APODRECIDO – O problema é que o PMDB não tem liderança que possa pleitear a Presidência. A grande maioria de sua Comissão Executiva Nacional é formada por políticos de ficha suja, é um verdadeiro deserto do homens e ideias, diria o genial Oswaldo Aranha – este, sim, um político de verdade.

O pior é que há no Congresso Nacional poucos representantes decentes e preparados, são figuras raras. E não aparece nenhum parlamentar que se destaque pelo carisma, que seja um orador notável, capaz de empolgar os parlamentares.

Isso significa que pode até ser eleito um presidente que não seja integrante do atual Congresso. Mas quem? Quem? Quem? Desse jeito, vão acabar escolhendo o professor Raimundo Nonato ou o aluno Rolando Lero. Mas não faz mal. Desde Itamar Franco, repita-se, não temos um presidente de verdade. Portanto, podemos esperar mais um pouco. Aliás, recentemente a Bélgica passou 541 sem ter governante (primeiro-ministro) e ninguém sentiu falta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No Brasil, o país cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar. Há alguns anos, contei essa piada ao general Leonidas Pires Gonçalves, ex-ministro do Exército, quando fui apresentado a ele na inauguração do escritório de meu amigo Darc Costa, e o chefe militar quase desabou de tanto rir. Parece piada, mas é realidade. (C.N.)

Para defender Lula e Dilma/Iolanda, inventa-se todo tipo de teoria conspiratória

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Ex-ministro Aragão quer investigar Mônica Moura

Carlos Newton

A criatividade dos defensores dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff é surpreendente. Agora, estão defendendo a curiosa tese de que todos os delatores estão mentindo ao mesmo tempo, uma hipótese altamente improvável, porque todos os benefícios concedidos na delação premiada podem ser automaticamente anulados em caso de falso testemunho. Mas nada disso interessa aos petistas. Na pregação dessas teorias conspiratórias, eles movem céus e terras. Já apelaram à Organização dos Estados Americanos, às Nações Unidas, ao Mercosul e até ao Papa Francisco, além de buscar desesperadamente adesão de políticos dos mais diversos países, inclusive os Estados Unidos. É comovente. Não se importam com a abundância de provas, mantêm a esperança de reverter tudo e voltar ao poder, porque sonhar ainda não é proibido.

A mais nova teoria conspiratória envolve o falso e-mail de Dilma/Iolanda Rousseff, criado para informar os marqueteiros João Santana e Mônica Moura sobre os avanços e ameaças da Lava Jato. Os petistas dizem que é tudo invenção, o que seria facilmente comprovado, bastava examinar o computador do Alvorada. Mas os petistas propõem justamente o contrário – querem uma investigação sobre Mônica Moura. Aliás, seria ótimo que se fizesse essa apuração, desde que acompanhada do exame do computador de Dilma/Iolanda, é claro, mas isso eles não aceitam.

ESTAGIÁRIO SUSPEITO – A base dessa teoria conspiratória é a denúncia de que o falso e-mail foi registrado em cartório no dia 13 de julho de 2016 por Felipe Pedrotti Cadori, que seria estagiário no escritório Delivar de Mattos Advogados Associados. Até aí morreu Neves, como se dizia antigamente, mas acontece que o escritório foi montado pelo falecido pai de um dos procuradores da Lava Jato, Diogo Castor de Mattos, que vem a ser professor da PUC-PR, onde o estagiário estuda.

Em cima dessas informações, ergue-se a teoria conspiratória de que a mensagem no e-mail clandestino de Dilma/Iolanda teria sido forjada. E quem defende a tese é o procurador Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça no governo Dilma.

Realmente pega mal um réu da Lava Jato ser defendido pelo escritório em que trabalham dois irmãos de um dos procuradores, mas isso não significa nenhuma ilegalidade. Quem estaria sob suspeição seria o procurador Diogo de Mattos (Código de Processo Penal e Lei 8.625/93), e não o escritório de advocacia. O ex-ministro Eugênio Aragão está cansado de saber disso. Portanto, apenas joga para a plateia, como se diz no futebol.

O CASO CARDOZO – Para a ex-presidente Dilma/Iolanda, seria facílimo desmoralizar a marqueteira Mônica Moura. Bastava requisitar o computador do Alvorada ou entregá-lo à Perícia da Polícia Federal, caso inadvertidamente tenha sido levado para Porto Alegre junto com as tralhas da ex-chefe do governo. Se fizesse isso, ela não somente se inocentaria, como também ajudaria a defesa do ex-ministro José Eduardo Cardozo, hoje suspeito de ter vazado as informações sobre a iminente prisão de Santana e Mônica. Dilma poderia também pedir ao Google o IP (identificação) dos computadores, se é que a força-tarefa ainda não pediu.

Cardozo diz ter dado informações a Dilma, mas alegou que na data indicada por Mônica Moura ele próprio ainda não tinha conhecimento de nada. A desculpa é esfarrapada, porque até os faxineiros da Polícia Federal sabem que existiam (e ainda existem) delegados e servidores simpatizantes do PT em cargos estratégicos, que avisavam (e avisam) previamente sobre as operações a ser desfechadas, conforme ficou demonstrado no episódio da quase prisão do ex-ministro Guido Mantega.

MANTEGA FOI AVISADO – Da mesma forma que ocorreu com Santana e Mônica, o ex-ministro Mantega também foi avisado de que seria preso. Quando os federais chegaram, logo após as 6 horas da manhã, ele já havia saído e já estava no Hospital Sírio Libanês com a mulher Eliane. A equipe da PF se dirigiu para lá. Quando chegou e lhe deu ordem de prisão, o advogado José Roberto Batochio subitamente apareceu para defendê-lo, alegando que Eliane, a mulher de Mantega, estava sendo operada de câncer, vejam que armação ilimitada.

Era tudo mentira, naquela hora da manhã somente se faz operação de emergência no Sírio Libanês ou em qualquer outro hospital. Mantega e Eliane chegaram bem cedinho, ela foi atendida pelos plantonistas, queixou-se de forte gastrite e ficou à espera da equipe do hospital chegar para fazer um exame rotineiro de endoscopia.

A jogada deu certo, o juiz Moro se compadeceu e mandou soltar Mantega, que estava de viagem marcada para a Europa, com a mulher, para oito dias depois, pois em sociedade tudo se sabe, diria nosso amigo Ibrahim Sued.

QUEM AVISOU? – Não se sabe quem avisou Mantega. Para identificar a fonte, é preciso quebrar sigilo telefônico e aprender celulares e computadores, que já devem ter sido atirados ao Tietê. A essa altura, vai ser difícil provar alguma coisa, a não ser que Cardozo (ou outrem) tenha feito a bobagem de ligar pessoalmente para Mantega.

Mas agora nem há muito interesse nisso. Como diria Roberto Carlos, tudo isso são detalhes. O importante são as delações que se interligam e se fortalecem, acumulando provas contra os envolvidos na Lava Jato. Os delatores, repita-se, sabem que não podem mentir, porque perderão todos os benefícios que receberam.

Quanto aos acusados, estes podem mentir à vontade e criar as mais sensacionais teorias conspiratórias, porque estão lutando para escapar da cadeia. Apenas isso.

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PS – Já ia esquecendo. Quem desmentiu a armação foi a filha do ex-ministro, a bela e encantadora atriz Marina Mantega, que naquele dia estava trabalhando com a equipe do programa “Pânico”. Foi imediatamente procurada pelos jornalistas e revelou que a madrasta não estava fazendo operação de câncer, era só uma endoscopia. Mesmo assim, até hoje Mantega pateticamente insiste na versão anterior, tentando imitar o amigo Lula, que também se esconde atrás da mulher para não ser preso. (C.N.)

Lava Jato enfim começa a devassar a corrupção no Judiciário, que é estarrecedora

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Charge do Kemp (humortadela.com.br)

Carlos Newton 

A excelente coluna “Painel” da Folha de S. Paulo, editada por Daniela Lima, informa que o ministro Edson Fachin tem sob sua guarda no Supremo Tribunal Federal os depoimentos da Odebrecht ainda sigilosos, que envolvem integrantes de diversas esferas do Judiciário. As revelações de delatores da empreiteira sobre nomes da Justiça e de alguns de seus parentes estão entre os 25 pedidos de inquérito apresentados pela Procuradoria-Geral da República que ainda não foram divulgados pelo relator da Lava Jato. A nota do “Painel” acrescenta que esses depoimentos despertam insegurança especialmente no Superior Tribunal de Justiça e no Tribunal de Conta da União.

Confirmam-se, assim, as declarações da ex-ministra Eliana Calmon, ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça, sobre a necessidade de o Judiciário ser investigado. Como se sabe, em 2011 ela foi alvo de duras críticas ao afirmar que havia “bandidos escondidos atrás da toga”. E existiam, mesmo.

VINDO À TONA – Mais recentemente, a 16 de abril, Eliana Calmon fez novas declarações ao jornalista Frederico Vasconcelos, também da Folha: “Do tempo em que eu fui corregedora para cá, as coisas não melhoraram”. E previu que a Lava Jato pegará os magistrados num segundo momento: “O Judiciário está sendo preservado, como estratégia para não enfraquecer a investigação. Mas muita coisa virá à tona”.

Para a ex-ministra do STJ, alegar que a Lava Jato criminaliza os partidos e a atividade política é uma forma de inibir as investigações. “Os políticos corruptos nunca temeram a Justiça e o Ministério Público. O que eles temem é a opinião pública e a mídia”, afirmou na entrevista a Vasconcelos.

Em 2011, Eliana Calmon sabia exatamente o que estava falando. Dois ministros do STJ já estão sob investigação no Supremo – o ex-presidente Francisco Falcão e Navarro Dantas, por obstrução à Justiça, em conluio com a então presidente Dilma Rousseff, num plano mirabolante para libertar Marcelo Odebrecht e os outros empreiteiros da Lava Jato. Mas o esquema vazou, foi revelado na mídia e aqui na “Tribuna da Interne”t, acabou não dando certo, muito pelo contrário.

DELAÇÃO DA OAS – A fila está andando, porque vem aí a delação da OAS, que também vai atingir integrantes de tribunais superiores. Já se sabe que dois ministros do STJ – Humberto Martins, atual vice-presidente, e Benedito Gonçalves – foram citados nas negociações de delação da OAS, por atuarem no tribunal favorecendo a empreiteira. Oportuna reportagem de Bela Megale e Wálter Nunes revelou que, no caso de Martins,  o dinheiro foi repassado por meio de seu filho Eduardo Filipe, que é advogado e atua em causas junto ao STJ. Já o ministro Gonçalves apareceu em um relatório da Polícia Federal devido à sua intimidade com Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, que está preso em Curitiba e negocia um acordo de delação.

Outro ministro próximo a Léo Pinheiro é Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, já citado em depoimento anterior do ex-presidente da OAS, que agora está indicando os sócios da empresa e cerca de 50 executivos para participarem do acordo de delação.

A OAS promete delatar também a ex-primeira-dama do Rio Adriana Ancelmo, que está em prisão domiciliar. Os fatos narrados se relacionam à atuação dela, que é advogada, junto ao Judiciário para favorecer a empreiteira. Vai ser um festival.

 

MINISTROS DO TCU – A investigação está abalando também o Tribunal de Contas da União. Três dos nove ministros do Tribunal de Contas da União são citados em investigações de crimes diversos e dois já são formalmente investigados no Supremo Tribunal Federal.  Um deles é  Augusto Nardes, envolvido em esquema investigado na Operação Zelotes, que apura fraudes e supostas compras de decisões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

O ministro Raimundo Carreiro, atual presidente, também é  investigado no STF por acusações feitas pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, da construtora UTC, beneficiada em processo no TCU sobre a usina nuclear Angra 3. A propina  foi repassada ao advogado Tiago Cedraz, filho do ministro Augusto Cedraz, que tem um sobrinho também envolvido. E o terceiro ministro é Vital do Rêgo, investigado na Lava Jato por fraude e esquema para impedir convocações de empreiteiros na CPI da Petrobrás, da qual foi presidente quando senador pelo PMDB da Paraíba.

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PSComo todos sabem, a fila anda e outros magistrados serão envolvidos, porque a Lava Jato fatalmente fará também uma limpeza no Judiciário, que tem se sujado bastante nos últimos tempos. Para o serviço ser mais duradouro, vai ser necessário fazer dedetização e desratização, porque realmente está comprovado que há bandidos de toga. (C.N.)

Balanço de um ano de gestão exibiu a insensibilidade do governo Temer

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Arranjos florais na festa palaciana, sem nada a celebrar

Carlos Newton

“Uma imagem vale mais que mil palavras”, ensinou o pensador, político e filósofo chinês Confúcio (Chiu Kung era seu verdadeiro nome), que viveu entre 552 e 479 a.C, e ficou conhecido como o Mestre Kung, devido aos seus sábios provérbios. Realmente, foi chocante ver a imagem da “comemoração” de um ano da gestão do presidente Michel Temer, em meio à maior crise econômica já vivida por esta nação. A fotografia distribuída pela Assessoria de Imprensa do Planalto diz tudo – é um governo que não se preocupa com o país e com o povo.

Lembro do presidente Tancredo Neves, que nem conseguiu assumir. Seu lema, que o vice José Sarney citou na primeira reunião do ministério da autoproclamada Nova República, era o seguinte: “É proibido gastar”. Mas Temer, que já era político naquela época, não aprendeu a lição. A foto dessa comemoração de um ano de sacrifícios crescentes para o povo, sem a menor dúvida, exibe  um governo rico, que inunda o salão com arranjos florais e câmaras de televisão, para comemorar algo que não existia – as realizações do governo.

UM GOVERNO RICO – Vi esta patética foto ontem, ao acessar o site do Correio Braziliense, onde trabalhei na década de 80. É coisa de governo rico num país pobre. Mostra que a classe política vive em outro mundo, regado a mordomias custeadas pelo trabalho dos brasileiros, a ponto de o presidente da República se dar ao luxo de contratar a babá de seu filho como se fosse assessora presidencial, com salário de R$ 5 mil, para ser paga pelo povo, recebendo diárias de viagens e tudo o mais.

Nenhum jornal fala nada, a mídia se comporta como se essa celebração fosse normal. E a foto mostra na cabeceira da gigantesca mesa três políticos de ficha suja – Michel Temer, Rodrigo Maia e Cássio Cunha Lima, todos eles citados na Lava Jato e que, se estivéssemos num país minimamente civilizados, já teriam sido escorraçados da vida pública.

É sempre bom relembrar Lord Kenneth Clark, o genial filósofo britânico que se tornou nobre por reconhecimento de seu saber: “Civilização? Nunca encontrei uma, mas sei que, se algum dia encontrar, saberei reconhecê-la”.  Bem, se o Reino Unido ainda está longe da civilização, o que se pode dizer do Brasil?

Dilma usou Rosemary para impedir o “Volta, Lula” em 2014, mas Mônica não sabia

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Mônica sabia da briga, mas desconhecia o motivo

Carlos Newton

Em seu novo depoimento a procuradores, a marqueteira Mônica Moura confirmou que o ex-presidente Lula da Silva queria ser candidato à Presidência em 2014 e isso causou um briga entre ele e a então presidente Dilma Rousseff, que decidira concorrer à reeleição. “Acho que isso é do conhecimento de todos. Os jornais veiculavam, mas eles negavam, mas é verdade. Porque o Lula queria ser candidato, e a Dilma não aceitou. Era a reeleição dela. Ela se sentia forte”, disse Mônica Moura, acrescentando: “Depois João vinha me contar, que Lula queria ser candidato de 2014. Voltar. 2010 ele sai, e bota a apadrinhada dele lá, e em 2014 ele volta para ser candidato”.

O “estremecimento”, segundo Mônica Moura, refletiu-se em um baixo engajamento de Lula na própria campanha de Dilma, tanto na exposição quanto na organização da campanha de 2014.

CONFIRMAÇÃO – Ao fazer essas revelações, a mulher de João Santana confirmou as notícias publicadas na “Tribuna da Internet” sobre a briga Lula X Dilma, mas esqueceu de explicar como Dilma conseguiu evitar a candidatura dele.

Essa briga, que a TI cobriu com absoluta exclusividade, começou porque Lula se metia em tudo no governo, controlava o Planalto através de Gilberto Carvalho e outros aliados, mas Dilma tomou gosto pelo poder e se sentia constrangida.

Quando Lula teve o câncer na laringe, em 2011, a presidente sentiu um alívio e começou a governar sozinha. Mas Lula teve recuperação rápida, voltou a se intrometer no governo e Dilma teve de suportar, até que em novembro de 2012 aconteceu o escândalo de corrupção envolvendo Rosemary Noronha, a segunda-dama de Lula, digamos assim.

NINGUÉM SABIA – A essa altura, a mídia ainda desconhecia a briga, a atenção estava toda voltada para o caso Rosemary, apenas a “Tribuna da Internet” noticiava o outro lado da questão, com fontes no próprio Planalto.

Dilma imediatamente demitiu Rosemary e enfim passou a governar sozinha, enquanto Lula era obrigado a se esconder dos jornalistas, passou meses sem dar entrevista, um vexame completo, ficou esperando a poeira baixar.

Aos poucos, o romance com Rosemary passou para segundo plano e Lula retomou as atividades políticas. Em 2013, começou a incomodar de novo, fazendo críticas à política econômica, na verdade já estava iniciando sua campanha para 2014, não esperava ser desafiado por Dilma.

CONFIRMAÇÃO – Nesta altura, TI ainda cobria com exclusividade essa briga nos bastidores do poder. Muitos leitores estranhavam, porque a grande mídia nada publicava a respeito. Até que, em abril de 2013, Carlos Chagas confirmou a pré-candidatura de Lula, que anunciara: “Se houver qualquer problema, o ‘velhinho’ estará pronto para entrar em campo”. Dilma fingiu que não ouviu e continuou a governar sozinha.

Em 26 de agosto de 2013, a “Tribuna da Internet” publicou artigo sob o título “Respondendo ao comentarista Rodrigo Cortes sobre a candidatura de Lula e o sumiço de Rosemary Noronha”, em que registrava a seguinte situação:

Lula não perdoa o que considera ‘traição’ de Dilma. Hoje, criador e criatura não se toleraram e evitam se encontrar. A vingança de Lula será impedir a candidatura dela, mas ele só fará isso depois de 5 de outubro, quando se encerra o prazo para que Dilma troque de partido”, publicou a “TI”, acrescentando que havia a possibilidade de Dilma ir para o PDT, junto com ex-marido Carlos Araújo.

“VOLTA, LULA” – Foi quando Lula mandou a direção do PT se movimentar e surgiu a campanha “Volta, Lula”. Mas Dilma não passou recibo. Sabia que seria derrotada de forma humilhante na Convenção do PT, mas resistiu, porque tinha uma carta na manga.

Lula se distanciou completamente do governo, criticava a política econômica abertamente, e Dilma contemporizava. Somente no início de 2014 a grande mídia timidamente percebeu que Lula e Dilma estavam rompidos. A confirmação veio da jornalista Tereza Cruvinel, petista de carteirinha e muito bem informada sobre as questões palacianas. Em sua coluna no Correio Braziliense, ela escreveu o seguinte:

“Numa escala ontem em Manaus, a caminho de Cuba, o ex-presidente Lula chegou a pensar em divulgar uma nota negando que venha criticando o estilo da presidente Dilma em conversas com os que o procuram para reclamar dela e do governo”, escreveu Tereza Cruvinel, acrescentando: “Na relação pessoal, não há estremecimento com a sucessora, que ele continua chamando de Dilminha, mas ele está mesmo angustiado com o rumo que as coisas vão tomando, na relação com os atores políticos e com os agentes econômicos, que, há meses, todos sabem, o procuram para se queixar — e, se houver brecha na conversa, para fazer alguma insinuação na linha “Volta, Lula”.

FOLHA E CORREIO

Também no Correio Braziliense, o excelente jornalista Luiz Carlos Azedo divulgou a ocorrência desses “desentendimentos”. E a Folha de S. Paulo seguiu na mesma balada, em reportagem de Valdo Cruz e Andreia Sadi.

Tanto o Correio quanto a Folha especulavam que as divergências seriam apenas a propósito da política econômica. Mas a jornalista Tereza Cruvinel deu versão diferente, dizendo que, na opinião de Lula, quem precisava mudar de rumo era Dilma, e não Mantega. “A maior preocupação dele (Lula) é com a deterioração crescente e clara do arranjo político que propiciou suas duas eleições e a dela em 2010. Especialmente a relação com o PMDB, que, segundo ele recomendou no ano passado, não poderia “trincar”. Parece que trincou, já havendo em seu redor quem ache que a aliança, desse jeito, não está valendo a pena”, escreveu a jornalista.

Mas o que estava em jogo era mesmo a sucessão presidencial, conforme a “Tribuna da Internet” seguiu noticiando, porque a candidatura de Dilma fora colocada em 2010 apenas para preencher o espaço que legalmente não poderia ser ocupado por Lula. Em 2014, ele queria voltar, e o processo para evitar a candidatura de Dilma estava em curso, e mais facilitado ainda em função dos problemas econômicos.

DILMA ENFIM REAGE – Quando o movimento “Volta, Lula” dominou o PT, Dilma reagiu. mandando o Planalto  “vazar” uma série de informações sobre Rosemary Noronha ao repórter Vinicius Sassine, de O Globo. A ideia era fazer com que a Organização Globo entrasse no assunto nas TV, nas rádios CBN e na revista Época, mas o império jornalístico refugou, em função do precedente do romance da repórter Miriam Dutra com o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

As matérias de Sassine foram só início, porque em seguida o Planalto “vazou” mais informações sobre Rosemary às revistas semanais. E deu certo, porque Lula ficou acuado, não sabia o que fazer, Dilma exigia a candidatura à reeleição, os petistas a rejeitavam e se aproximava a data da convenção.

Foi quando Dilma sacou a bala de prata, conforme a “TI” publicou à época, com exclusividade. Ela simplesmente mandou avisar Lula que, se ele insistisse na candidatura, iriam ser divulgados os gastos de Rosemary com o cartão corporativo da Presidência, feitos no Brasil e no exterior, nas 32 viagens românticas que ela fizera no Aerolula. E como o nome dela não constava nas listas de passageiros, a imagem de Lula estaria seriamente comprometida, seria ridicularizado no Brasil e no exterior.

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PSFoi assim que Lula abriu mão e surpreendeu os petistas, ao defender a candidatura de Dilma na convenção de 21 de junho de 2014, uma decepção para os petistas. Na época, a marqueteira Mônica Moura sabia da briga, conforme vei a revelar agora, assinalando que Lula nem se empenhou na campanha em que a criatura começou a destruir o criador. (C.N.)

Apesar de toda a crise, é preciso entender que o Brasil ainda é um país viável

Resultado de imagem para orgulho de ser brasileiroCarlos Newton

O Brasil vive um momento de surrealismo político realmente singular, nunca houve nada igual em nenhum outro país. Enfrenta uma macro investigação que atinge os três poderes da República, pois o Judiciário também já está entrando na roda e as apurações estão apenas começando. Tem um governo repleto de ministros envolvidos diretamente em corrupção, cujo índice de aprovação é de apenas 9%, mas a cúpula administrativa tenta desconhecer essa realidade. A atividade econômica continua estagnada, com desemprego ainda crescente, a desindustrialização é uma realidade palpável, a dívida pública segue aumentando de forma assustadora, deveria estar despertando uma preocupação absurda, mas  vive-se num país do faz-de-conta, no qual o governo finge que não está acontecendo nada de errado e tenta propagar que tudo ser resolverá num passe de mágica, bastando reformar a Previdência e diminuir direitos trabalhistas, vejam que desfaçatez.

PRA QUE FINGIR? – Como perguntava Noel Rosa, “pra que fingir?”.  Afinal, por que o novo governo não aproveitou a oportunidade surgida com o impeachment da presidente Dilma Rousseff para construir um projeto de recuperação nacional, no estilo tão bem introduzido por Itamar Franco, que em 1992 conclamou todos os partidos a participar, e apenas o PT ficou de fora com seus aliados, e alguns depois se arrependeram, como o PCdoB.

Michel Temer tentou seguir o exemplo de Itamar e abriu o leque partidário, mas a grande diferença é que se cercou de grande número de corruptos e entregou a gestão econômico-financeira a um representante dos banqueiros, e tudo isso em nome de uma governabilidade que não existe, pois o governo atualmente se dedica a comprar por 30 dinheiros a consciência de deputados, em meio a pressões e ameaças públicas.

NÃO HÁ DEBATE – A maior dificuldade é que não há debate verdadeiro sobre os grandes problemas nacionais, com o governo explorando ao máximo a tese de que a estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem o resultado que se pretende obter. No caso da Previdência, por exemplo, o governo apresenta ao Congresso e à opinião pública uma conta altamente manipulada, na qual somente entra a arrecadação das contribuições de trabalhadores e empresas, sem levar em conta as demais receitas constitucionais da Previdência Social (art. 195), como Cofins, Contribuição Social, Loterias e importação de bens e serviços.

Deveria haver debates, mas seria necessário que fossem precedidos de auditorias. Mas o governo Temer, que assumiu o poder em meio à maior crise da História, não providenciou nenhuma auditoria, seja na Previdência, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica, na Petrobras, na Eletrobras, na Receita Federal, no BNDES, nada, nada. Também não demonstrou o menor interesse em auditar a dívida pública, principal responsável pelo engessamento da economia, porque isso não interessa aos bancos, que no Brasil cobram cerca de 500% de juros anuais em atraso de cartão crédito, para uma inflação que este ano está prevista para míseros 4%. Ou seja, o bancos atuam livremente na agiotagem oficial, como se não existisse governo.

QUE PAÍS É ESSE? – O Brasil é tudo isso e muito mais. Quinto país em população e território, na verdade tem o maior potencial, porque Rússia, Canadá, Estados Unidos e China são visitados anualmente pelo chamado General Inverno. Possui as mais extensas áreas agricultáveis do planeta, em condições ideais de luminosidade (duas ou mais safras anuais, dependendo da cultura), com maior volume de água doce em bacias hidrográficas e aquíferos. Riquezas minerais ainda incomensuráveis, a maior biodiversidade do planeta, uma indústria muito diversificada, mão de obra especializada e barata, é um nunca-acabar de potencialidades.

Então, por que o país não dá certo. Ora, é por causa da baixa qualidade de seus governantes, que não sabem planejar nada. Há cerca de 40 anos não se traça um programa de planejamento econômico-social. A exceção ocorreu em 2003, quando Carlos Lessa e Darc Costa, ao comandaram o BNDES no início do governo Lula, chegaram a planejar o país e plantaram os alicerces que levaram a economia a altos patamares de crescimento. Mas os dois grandes gestores foram afastados, para que Lula pudesse transformar o BNDES num braço político do PT, em seu sonho/pesadelo de eternidade no poder. Foi isso que aconteceu.

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PS Há fortes razões para que se continue a acreditar no Brasil. Todos os nossos problemas são solucionáveis. O que nos falta é um governo que seja competente, em todos os sentidos. Apenas isso. No ano que vem teremos eleições e poderemos nos livrar desses supostos governantes, que nem sabem o que estão fazendo no Planalto, apenas fingem que trabalham pelo país, confiantes na cumplicidade dos brasileiros, como diria o genial escritor francês Victor Hugo, aquele que se preocupava com os miseráveis. (C.N.)

 

Recordar é viver: Gilmar Mendes já sugeriu impeachment de Marco Aurélio Mello

Marco Aurélio e Gilmar Mendes, no duelo de titãs

Carlos Newton

É uma reedição jurídica do western “Sem lei e sem alma” (Gunfight at the O.K. Corral), de John Sturges, agora reencenado no Supremo Tribunal Federal entre Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, sem que se saiba quem faz o papel do xerife Wyatt Earp ou do jogador Doc Holliday. A comparação é válida, porque atualmente o Supremo decaiu tanto que em breve será necessário instalar um curral em suas dependências, para abrigar as bestidades.

FOGO CERRADO – Como se sabe, Gilmar está sob fogo cerrado da Procuradoria-Geral da República, que pediu o impeachment dele por não ter se declarado “impedido” para julgar e libertar o empresário Eike Batista, que é defendido pelo escritório de advocacia no qual trabalha Guiomar Lima, mulher do ministro. Trata-se de fato público e notório que nem pode ser contestado, embora o titular Sérgio Bermudes tenha alegado que só assinou a defesa de Eike para prestigiar os colegas criminalistas Ary Bergher e Raphael Mattos, vejam que bela candidatura à Piada do Ano.

Ao redigir a nota destinada a defender o amigo Gilmar, o processualista Bermudes nem reparou que estava se tornando réu confesso, ao admitir ter descumprido a Lei 8906 (Estatuto da Advocacia), em seu artigo 34, inciso V: : “Constitui infração disciplinar: (…) assinar qualquer escrito destinado a processo judicial ou para fim extrajudicial que não tenha feito, ou em que não tenha  colaborado“. Mas amigo é para essas coisas, costuma-se dizer.

VELHOS RIVAIS – O enfrentamento de Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello faz lembrar também outro clássico de Sturges, “Duelo de Titãs” (Last Train from Gun Hill), porque os ministros são velhos adversários e há tempos trocam ofensas no Supremo, onde se comportam como “inimigos cordiais”, se é que isso existe.

O mais recente disparo de Marco Aurélio foi indireto, mas ricocheteou e atingiu frontalmente Gilmar Mendes. No meio do tiroteio causado pelo pedido de impeachment feito pelo procurador Rodrigo Janot, o ministro Marco Aurélio enviou ofício à presidente do Supremo, Carmén Lúcia, para se declarar impedido de participar de votações que envolvam clientes de seus parentes.

Foi uma atitude premeditada, que representou uma provocação direta a Gilmar Mendes, que jamais se considera suspeito e atua no julgamento de pessoas intimamente ligadas a ele, como Michel Temer e Aécio Neves, procedendo da mesma forma como se comportam Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, que julgam abertamente amigos como José Dirceu e Paulo Bernardo, sem se considerarem impedidos, em afronta ao Código de Processo Civil e a outras leis e normas.

ERAM INIMIGOS – Gilmar Mendes e Sérgio Bermudes hoje são grande amigos, mas nem sempre foi assim. Em dezembro de 2000, quando Gilmar era advogado-geral da União, ridicularizou Bermudes no programa “‘Opinião Brasil”, da TV Cultura, e recebeu uma carta devastadora. Entre outras coisas, Bermudes anunciou que ia processar Gilmar civil e criminalmente, além de representar contra ele na OAB e demolir sua candidatura ao Supremo:

“Gilmar, você agrediu-me brutalmente; agrediu, virulentamente, os processualistas; agrediu os advogados brasileiros e conspurcou a dignidade do cargo que imerecidamente ocupa.

Insistindo em mostrar as patas, você, muito obviamente, questionou a minha seriedade profissional.

Minha esperança é que você deixe o cargo que ocupa e que não merece por causa do seu desequilíbrio, do seu destempero, da sua leviandade, e que abdique da sua propalada pretensão de alcançar o Supremo Tribunal Federal, onde se requer, mais que um curso no exterior, reflexão e serenidade, em vez do açodamento e da empáfia que você exibe”, metralhou Bermudes.

GALHO DENTRO – Gilmar Mendes amedrontou-se e não respondeu a Bermudes. Pelo contrário, botou o galho dentro, como se dizia antigamente, pediu desculpas e os dois ficaram amigos, vejam a que ponto chega a arte do cinismo. E hoje os dois se autoajudam, é um relacionamento realmente admirável, mas fica feio para um ministro do Supremo, que está usando a mesma toga de Adaucto Lúcio Cardoso e tantos outros luminares. Em dezembro, Gilmar fez lobby para Bermudes emplacar no Conselho Nacional de Justiça o jovem advogado Henrique Ávila, de apenas 33 anos, que trabalha em seu escritório. E agora Gilmar vem a público denunciar que há “ministros covardes” no Supremo, sem se olhar no espelho, é claro.

Bem, voltando à crise atual, o fato concreto é que os dois veteranos ministros se odeiam.  Em dezembro último, quando uma liminar de Marco Aurélio afastou Renan Calheiros da presidência do Senado, Gilmar Mendes imediatamente sugeriu o impeachment do ministro-relator, usando o jornalista amigo Jorge Bastos Moreno, de O Globo. Sem citar Marco Aurélio, disse que o caso era de “reconhecimento de inimputabilidade ou de impeachment”. E arrematou, ridicularizando o fato de o desafeto ser alagoano: “No Nordeste se diz que não se corre atrás de doido porque não se sabe para onde ele vai”.

BATENDO PESADO – Agora, Gilmar acaba de levar o troco, com a decisão de Marco Aurélio se julgar impedido em processos do escritório de advocacia no qual uma sobrinha atua.  Gilmar ficou furioso e respondeu usando mais uma vez o blog do amigo Jorge Bastos Moreno: “Os antropólogos, quando forem estudar algumas personalidades da vida pública, terão uma grande surpresa: descobrirão que elas nunca foram grande coisa do ponto de vista ético, moral e intelectual e que essas pessoas ao envelhecerem passaram de velhos a velhacos. Ou seja, envelheceram e envileceram“, disse, sem citar Marco Aurélio nem os autores das máximas usadas (Ulysses Guimarães, com “velhos e velhacos“, ao responder ao então presidente Fernando Collor; e Rubem Braga, com “envelhecido e envilecido“, no poema “Auto-Retrato”).

Agora, Marco Aurélio vai revidar. O suspense é de matar o Hitchcock, como diria o genial compositor e publicitário Miguel Gustavo, meu vizinho aqui no Edifício Zacatecas. Aguardem os próximos capítulos.

Se Lula não for julgado com rapidez, vai acontecer uma situação de caos político

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Charge do Iotti, reproduzida da Zero Hora

Carlos Newton

Depois do depoimento do réu, entra em fase final o processo em que Lula da Silva é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, por receber vantagens indevidas da empreiteira OAS. A partir de agora, o juiz federal Sérgio Moro abre prazo de cinco dias para alegações finais do Ministério Público (que corresponde à acusação), com outros cinco dias reservados para a defesa contestar. Esse limite de tempo pode ser estendido, mas tudo indica que o magistrado não o fará, porque a defesa tem criado repetidas “chicanas” (manobras antiéticas para tumultuar e retardar o processo). Já se caracteriza até a chamada “litigância de má fé”, mas o juiz Moro não tomou providências punitivas para evitar que se fortaleça a alegação de que o réu sofre “perseguição política”.

Após apresentadas as alegações finais de acusação e defesa, Moro pode dar a sentença assim que tiver formado convicção. Não existe obrigatoriedade, vai depender exclusivamente do juiz, porque no Brasil os prazos processuais são como vacina que não pega, juízes e tribunais simplesmente não os cumprem, e estamos conversados.

ANTES DA ELEIÇÃO – No caso específico do juiz Moro, não existe um padrão. O ex-deputado Eduardo Cunha, por exemplo, foi condenado por ele em apenas 51 dias, enquanto a sentença do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura levou 196 dias para ser exarada. Na média, Moro gasta 128 dias para dar sentença.

Segundo pesquisa feita por O Globo, levando em consideração o tempo que o juiz Moro e os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) levam para julgar processos recentes, tudo indica que a condenação em segunda instância aconteceria perto da data limite estipulada pela Lei da Ficha Limpa, ou seja, às vésperas da eleição do ano que vem.

Diante dessa possibilidade real, é muito provável que o juiz Moro acelere a sentença de Lula e que o Tribunal Regional Federal também o faça, para evitar uma intrincada batalha jurídica, que instalaria o caos político no país.

MALUQUICE JURÍDICA – Mesmo sendo réu, não há impedimento legal para que Lula se candidate. Se vencer, pode tomar posse, mas não deve assumir, com base na jurisprudência do Supremo, de que réu criminal fica impedido de ocupar a Presidência da República, como ocorreu com Renan Calheiros, ao final de sua gestão como presidente do Senado. Se o STF não reverter a jurisprudência, o vice-presidente é que governará, porque o processo de Lula será suspenso até o fim do mandato, mas ele continuará réu e não poderá assumir, vejam que maluquice jurídica.

É por isso que o juiz Moro precisa julgar o processo com a máxima urgência, para possibilitar que, em caso de condenação de Lula, o TRF-4 também possa atuar com presteza, de modo a evitar a maior confusão eleitoral já instaurada na República, que passaria a viver uma espécie de novela surrealista, como Lula no papel principal de “perseguido político”.

Seja qual for o desfecho do inusitado enredo, Lula terá condições de dizer que nunca antes, na História deste país, se viu nada parecido. E la nave va, cada vez mais fellinianamente.

Manifestação em Curitiba foi um fracasso e reduz as chances eleitorais de Lula

A desanimação de Lula e Gleisi Hoffmann era flagrante

Carlos Newton

Era um dia muito especial, mas as expectativas se frustraram e acabou sendo uma quarta-feira como tantas outras. A Bolsa de Valores subiu 1,67%, nada mal, e o dólar recuou para 3,168, prejudicando os exportadores. Enquanto isso, em Curitiba, o número de manifestantes pró-Lula era muito inferior ao esperado, mostrando que o PT, as centrais, os sindicatos e os movimentos sociais já não têm tanta força como se pensava.

A expectativa era enorme, o interrogatório de Lula havia se transformado no grande assunto do dia, não se falava em outra coisa, muita gente pensava que o ex-presidente seria preso e havia até torcida organizada para que isso ocorresse. Mas não aconteceu nada disso, os resultados foram surpreendentes e não estavam previstos.

BAIXO ASTRALA concretização da derrocada da manifestação organizada em Curitiba já era do conhecimento dos dirigentes petistas desde a semana passada e no fim de semana houve a confirmação sobre o pequeno número de ônibus fretados. Em decorrência, aconteceu então aquela correria dos advogados de Lula para adiar o depoimento, recorrendo ao mesmo tempo a três instâncias – ao juiz federal Sérgio Moro, ao Tribunal Regional Federal de Porto Alegre e ao Superior Tribunal de Justiça. Só esqueceram de ir ao Supremo, onde o recurso poderia cair com Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski ou Dias Toffoli, não necessariamente nesta ordem. Mas também no STF o clima está tempestuoso.

Os dirigentes e líderes do PT já sabiam do fracasso anunciado da manifestação, o que explica o ar de desânimo de Lula e da senadora Gleisi Hoffmann ao se encontrarem com os militantes na rua, a caminho do fórum federal de Curitiba. O astral estava mesmo baixo, não dava para esconder, embora os manifestantes continuassem demonstrando entusiasmo, gritando palavras de ordem. E diz o velho ditado que uma imagem vale mais do que mil palavras, como se constata na foto de Nacho Doce, da Agência Reuters, publicada no G1 e aqui reproduzida nesta análise.

O QUE INTERESSAA essa altura, já nem importa o que Lula disse ou o que lhe foi perguntado pelo juiz Sérgio Moro. O destino do ex-presidente já está traçado e ele tem um encontro com a Justiça. O fracasso da manifestação em Curitiba fala mais alto. É o oitavo município no ranking nacional e a região administrativa tem 3,5 milhões de habitantes. Mas só aparecem 5 mil pessoas para ouvir Lula discursar, num momento crucial. A grande maioria dos participantes da manifestação veio de fora, nos ônibus fretados, para passear de graça, com tudo pago.  Esta realidade desmonta as pesquisas de opinião que têm sido divulgadas dando Lula como grande favorito, a farsa ficou evidente.

A conclusão é óbvia. Se neste momento decisivo, com apoio de quase todas as centrais, da maioria dos sindicatos, dos sem-terra, dos sem-teto, de outros movimentos sociais e da UNE e entidades estudantis, mesmo assim Lula não conseguiu encher a Praça de Curitiba, como será que pretende se encher de votos?

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PS
Na verdade, Lula está vivendo os últimos dias de Pompeia. O povo não é bobo e Abraham Lincoln tinha razão, naquela frase imortal – “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”. Lula tenta se fazer de perseguido político para escapar da prisão, mas suas forças estão se esvaindo, apesar da inabilidade política de Michel Temer, que provoca a tempestade perfeita para a vitória de um candidato de oposição, seja ele quem for, mas Lula é carta fora do baralho. O PT acabou e não sabe. Está respirando por aparelhos, como se diz no linguajar médico, e em estado terminal. (C.N.)   

 

 

Facções a favor e contra Lula foram separadas e não vai haver confronto

Número de militantes foi bem menor do que era esperado

Carlos Newton

Segundo o G1, o número de manifestantes pró-Lula é muito inferior ao esperado e tudo indica que não haverá confronto. A Polícia Rodoviária Federal afirmou ter vistoriado 168 ônibus de manifestantes a caminho de Curitiba até as 14h30 desta quarta-feira. Isso significa que seriam 6,7 mil militantes. Mas muitos ônibus passaram sem ser abordados, e o total deve chegar a 10 mil pessoas. A maioria deles dos ônibus veio de outros estados. Apenas um ônibus foi escoltado e retido, em razão de irregularidades. Os números não batem, porque a PM diz que na manifestação só há cerca de 5 mil pessoas. De toda maneira, foi um fracasso, diante do que estava programado.

A Secretaria da Segurança Pública do Paraná informa que cerca de 3 mil profissionais de segurança pública (das esferas municipal, estadual e federal) participam da Operação Civitas em Curitiba. São aproximadamente 1,7 mil policiais militares que atuam em toda a cidade de Curitiba. Há policiais civis, guardas municipais, agentes federais e policiais rodoviários na manutenção da ordem.

FACÇÕES SEPARADAS – Os partidários do ex-presidente Lula estão na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, a cerca de 2,5 km de distância dos partidários da Lava Jato, que estavam em frente ao Museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico. O protesto dos manifestantes a favor da Operação Lava Jato, que ocorria em frente ao Museu Oscar Niemeyer, foi encerrado por volta das 18h20.

Segundo o G1, às 16h30, a Polícia Militar afirmou que havia apenas 4 mil pessoas na Praça Santos Andrade. No local se concentram partidários do ex-presidente Lula. Os manifestantes pró-Lava Jato, por sua  vez, estavam a cerca de 1,5 km do prédio da Justiça Federal, no bairro do Ahú, onde ocorreu o depoimento de Lula.

PARLAMENTARES – Muitos políticos do PT e de partidos aliados foram apoiar Lula. Entre eles, a ex-presidente Dilma Rousseff, os ex-ministros Gilberto Carvalho, Luis Marinho e Maria do Rosário; os senadores Paulo Rocha, Lindberg Faria, Gleisi Hoffmann e Vanessa Graziotin; os deputados federais Carlos Zarattini e Paulo Teixeira; Guilherme Boulos, coordenador do MTST, e João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST; Tião Viana, governador do Acre; Wellington Dias, governador do Piauí; e Rui Falcão, presidente do PT.

Jatinho que levou Lula foi cedido por Mares Guia, também envolvido em corrupção

Lula, ao embarcar no jatinho de um empresário amigo…

Carlos Newton

O jatinho que levou o ex-presidente Lula da Silva a Curitiba nesta manhã é um Cessna Citation3, de propriedade do Bradesco Leasing S/A e está arrendado à Samos Participações Ltda, holding do empresário mineiro Walfrido dos Mares Guia, que foi ministro das Relações Institucionais do governo Lula e teve de se afastar quando foi  acusado de participar de esquema do chamado Mensalão Tucano, com desvio de dinheiro público em 1998 para a campanha do deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), então candidato à reeleição ao governo de Minas.

Acusado de peculato e formação de quadrilha, Mares Guia acabou se livrando da condenação em 2012, porque seus crimes prescreveram quando ele completou 70 anos. A denúncia contra Mares Guia tinha sido recebida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009. Como Mares Guia largou o cargo de ministro e o Supremo decidiu que apenas réus com foro privilegiado responderiam às acusações e determinou o desmembramento do processo para que 14 envolvidos respondessem às acusações na Justiça de Minas Gerais, inclusive Eduardo Azeredo, que renunciou ao mandato de deputado federal para não ser julgado no Supremo e atrasar o processo, para ser beneficiado com a prescrição.

Ninguém sabe o que haverá em Curitiba, mas sabe-se que Lula poderia ter evitado

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Em 2016, Lula prometeu colocar o “exército” nas ruas

Carlos Newton

Ao pedir mais um adiamento do interrogatório do ex-presidente Lula da Silva, seus advogados causaram uma confusão enorme nas bases do PT e seus aliados, como os movimentos sociais, centrais e sindicatos. Em Brasília, que preparou uma revoada de parlamentares petistas e dos partidos de oposição, ninguém sabia o que fazer. A mesma desorientação atingiu os “exércitos” dos sem-terra e sem-teto de João Pedro Stédile e Guilherme Boulos, assim como a UNE e entidades estudantis. Mas o juiz federal Sérgio Moro nem deu atenção ao pedido da defesa de Lula e o interrogatório continuou de pé.

Não se sabe a que ponto a indefinição atrapalhou os preparativos da megamanifestação, também se desconhece o que pode acontecer hoje em Curitiba. A única coisa que se sabe é que apenas uma pessoa poderia evitar isso – o próprio Lula da Silva. Bastava uma palavra sua poderia pacificar a situação e afastar qualquer risco de confronto. Mas ele não se manifestou, simplesmente deixou rolar.

EXÉRCITO DE STÉDILE – Na verdade, Lula é o grande responsável por todo esse clima de angústia. O PT, os partidos aliados, os movimentos sociais, os sindicatos e centrais,  os estudantes e trabalhadores – todos eles só se meteram nessa empreitada atendendo a pedido do próprio Lula. Em 23 de fevereiro de 2016, num evento em defesa da Petrobras na Associação Brasileira de Imprensa, ao discursar o ex-presidente mudou o tema da reunião e avisou que iria botar o “exército” do Stédile nas ruas. Um ano e quatro meses depois, a ameaça se concretiza.

O fato concreto é que, sem ter como se defender das acusações, Lula apela para a militância, está pouco ligando para o que pode acontecer. É certo que não será preso. Se quisesse prendê-lo, o juiz Moro já o teria feito. Mas o magistrado sabe que o custo/benefício não vale a pena. É melhor deixar Lula desmoronar ao vivo e a cores.

No desespero, os advogados apelam para as mais criativas chicanas (manobras judiciais aéticas). Requisitaram 200 mil páginas de documentos à Petrobras e agora queriam adiar o interrogatório, alegando que não tiverem tempo de ler. Só pode ser Piada do Ano.

NUNCA ANTES – O ex-presidente Lula da Silva pode se orgulhar de mais essa realização. Nunca antes, na História deste país, um político agiu de forma tão irresponsável, em benefício próprio, tentando escapar da Justiça escondendo-se atrás da multidão.

Lula diz que não há provas contra ele. Se isso é fato, então deveria agir como se fosse inocente. Qualquer pessoa que é acusada injustamente, sem provas, faz questão de enfrentar a Justiça com altivez e galhardia, não se esconde atrás de sem-terra ou sem-teto, porque isso o identifica como sem-caráter.

Vamos torcer para que não aconteça nada de grave e Lula da Silva possa voltar a seu decadente império em São Bernardo, para continuar correndo atrás de um sonho que inevitavelmente vai se transformar em pesadelo. É só uma questão de tempo.

Brasil ajuda a sustentar Cuba, através da semi-escravização de seus médicos 

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Charge do Alpino, reproduzida do Yahoo

Carlos Newton

Para atender a um pedido direto do presidente venezuelano Hugo Chávez, Lula da Silva mandou que o BNDES financiasse a construção do moderno porto de Mariel, a 40 km de Havana, em obra a ser construída pela Odebrecht, sem licitação nacional ou internacional. Não havia nenhum motivo relevante nem garantia de espécie alguma para um empréstimo inicial de US$ 682 milhões, com juros anuais de 4,44%, abaixo da inflação brasileira, e prazo de pagamento de 25 anos, jamais concedido a nenhuma operação da Área Internacional e de Comércio Exterior do BNDES.

SEM GARANTIAS – O governo cubano não tinha como arranjar avalista, e o próprio Ministério da Fazenda, à época comandado por Guido Mantega, resolveu oferecer a garantia, uma decisão absolutamente inexplicável e inaceitável, até porque os portos brasileiros precisavam (e ainda precisam) de urgente modernização para escoar a crescente produção agrícola, mas o governo do PT não deu a mínima.

O financiamento contemplou 80% do projeto, mas Cuba não teve recursos para concluir a obra e a presidente Dilma Rousseff então mandou o BNDES financiar o restante, através de aditivo contratual, com juros anuais de 6,91%, ainda abaixo da inflação, e o total do empréstimo subiu para US$ 840 milhões.

COMO PAGAR? – O governo cubano não tinha a menor condição de pagar ao BNDES, a solução foi adotar o modelo venezuelano criado por Chávez, que exportava derivados de petróleo para Cuba em troca do envio de  médicos para trabalhar na Venezuela.  Foi assim que surgiu também no Brasil o programa Mais Médicos, um dos mais rentáveis produtos de exportação de Cuba.

Cada um dos cerca de 12 mil médicos cubanos ganha R$ 11.520 mensais e tem direito de ficar com o equivalente a US$ 1 mil (R$ 3.180). Sobram R$ 8.340, ou seja, US$ 2,6 mil, que são enviados a Cuba, tirando uma taxa mínima de administração da Organização Pan-Americana de Saúde, uma instituição centenário que Hugo Chávez ressuscitou para justificar a importação de médicos.

Como são 12 mil médicos e cada um propicia o envio de US$ 31,2 mil por ano, o total que o Brasil remete a Cuba chega a US$ 374 milhões de dólares, o equivalente a R$ 1,2 bilhão, nada mal.

EM TRÊS ANOS – Como Cuba deve US$ 840 milhões ao BNDES, poderia pagar a conta em apenas três anos de Mais Médicos, sem necessidade de explorar indefinidamente esses dedicados e obedientes cidadãos. Mas acontece que o generoso banco de fomento brasileiro deu 25 anos de prazo, com juros inferiores à inflação, coisa de companheiro, amigo de fé, irmão, camarada, e o governo de Havana não pode perder essa boca, como se dizia antigamente.

Enquanto isso, os portos nacionais são um entrave às exportações, aumentando expressivamente o chamado Custo Brasil, e há milhares de médicos brasileiros com subempregos e que nem precisariam receber em dólares.

O pior é que o governo Michel Temer, ao invés de repensar o programa, decidiu ampliá-lo. Acaba de mudar as regras, para aumentar o número de médicos cubanos na rede pública de saúde. A diferença é que, nesse caso, as Prefeituras é que passam a pagar os salários dos novos cubanos importados. Os outros 12 mil continuam a ser custeados pelo Ministério da Saúde.

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PS –
Recentemente o BNDES criou uma comissão interna para apurar denúncias no âmbito da Lava-Jato, mas nenhuma delas está relacionada ao Porto de Mariel.  Acredite se quiser, diria Jack Palance, antes de pedir um Cuba-libre ao garçom. (C.N.)

Cuba não tinha como pagar ao BNDES e Dilma teve de encontrar uma “solução”

Carlos Newton

Um dos maiores escândalos dos governos petistas, que a atual direção do BNDES ainda procura ocultar, foi o financiamento ao governo cubano para a construção do moderníssimo Porto de Mariel. O presidente do banco era o economista Luciano Coutinho, muito ligado ao PT, um homem de confiança do então presidente Lula da Silva. Atendendo a pedidos, prazerosamente Coutinho transformou o BNDES num braço político do governo, como ficou demonstrado na operação que beneficiou o governo de Raúl Castro.

Para aprovar o primeiro financiamento de US$ 682 milhões (R$ 2,1 bilhões), tiveram de ser quebradas as principais regras do BNDES, que sempre foi o banco brasileiro com menor índice de inadimplência em suas operações, porque jamais abria mão de garantias sólidas, exigindo até aval de outros bancos. No caso do Porto de Mariel, entretanto, quem garantiu o financiamento foi o próprio governo brasileiro, através do Ministério da Fazenda, gerido à época por Guido Mantega, que por coincidência tinha sido presidente do BNDES e conhecia perfeitamente as normas prudenciais da instituição.

PEDIDO DE CHÁVEZO financiamento a Cuba foi uma operação estranhíssima, porque partiu de um pedido que o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, fez diretamente a Lula e também ao empresário Emilio Odebrecht, que fazia obras bilionárias naquele país.

Como Cuba é uma nação com graves problemas financeiros e não poderia “pagar em charutos”, como ironicamente assinalou Emilio Odebrecht ao depor na Lava Jato, a solução foi recorrer ao BNDES. Segundo o empresário, sua empreiteira não tinha interesse, mas faria a obra, desde que o pagamento fosse liberado antecipadamente pelo banco estatal.

Lula então mandou Luciano Coutinho autorizar o empréstimo, através da área Internacional e de Comércio Exterior do BNDES, que é responsável também por assuntos referentes à América Latina, Caribe e África.

SEM GARANTIASHavia um gravíssimo problema, verdadeiro desafio. Quem se arriscaria a dar garantias ao financiamento ao governo cubano? Ninguém, é claro. E pela primeira vez, desde sua criação, a diretoria do BNDES tentou autorizar uma operação bilionária sem garantia. Houve resistência da equipe técnica do banco e a solução encontrada foi o próprio governo brasileiro avalizar o empréstimo a Cuba, com juros anuais abaixo da inflação (4,44%) e 25 anos de amortização, o prazo mais longo já concedido na linha que financia projetos de engenharia no exterior. O aval foi dado pelo Ministério da Fazenda, através do Seguro de Crédito à Exportação. Portanto, uma garantia oferecida com recursos públicos do Tesouro Nacional.

Quando o financiamento a Cuba começou a se tornar um escândalo, Luciano Coutinho foi convocado para depor no Congresso e mentiu aos parlamentares, dizendo que a própria Odebrecht garantira a operação. Mas era mentira.

Mas faltou dinheiro para terminar a obra e o BNDES fez um aditivo, elevando a dívida para R$ 840 milhões, cobrando juros um pouco maiores (6,91% ao ano), mas ainda abaixo da inflação.

MAS COMO PAGAR? – A obra estava chegando ao fim e surgiu um problema. O governo cubano não tinha condições de pagar ao BNDES. A solução foi seguir o modelo venezuelano adotado por Chávez. Surgia, assim, o programa Mais Médicos, criado em julho de 2013, a pretexto de suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades, mas o motivo principal era enviar recursos em dólares ao regime cubano, através da semi-escravização de sua mão-de-obra nativa.

A contabilidade do programa Brasil/Cuba é nebulosa. O BNDES diz que não há atraso no pagamento, e não deve existir mesmo, porque o Brasil continua ajudando financeiramente o governo de Raúl Castro, e a versão brasileira do Mais Médicos se tornou um dos mais rentáveis programas de exportação de Cuba, mas a versão original, criada na Venezuela, está enfrentando graves problemas e o governo dito bolivariano de Maduro hoje simplesmente troca médicos por derivados de petróleo, trata-se de um escambo, não há mais dinheiro em circulação.

No caso do Brasil, não. O governo de Michel Temer continua remunerando generosamente o país amigo, como se ainda estivesse sobrando dinheiro aqui do lado debaixo do Equador.

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NÃO PERCA AMANHÃ:
Brasil continua sustentando Cuba, através da semi-escravização de seus médicos 

 

Luciano Coutinho mentiu sobre o porto cubano, que não tinha garantia da Odebrecht

Resultado de imagem para porto de mariel chargesCarlos Newton

Oportuna reportagem de Danielle Nogueira e Jeferson Ribeiro, em O Globo, levantou o véu do mistério que cerca o financiamento do BNDES para que a Odebrecht construísse o moderno Porto de Mariel em Cuba, enquanto as exportações brasileiras continuam prejudicadas pela obsolescência dos principais portos do país. A matéria mostra que a Odebrecht, embora tenha auferido vultosos lucros sem o menor risco, na verdade nem estava interessada em fazer a obra e só entrou no projeto a pedido dos presidentes Lula da Silva e Hugo Chávez, da Venezuela, onde a empreiteira também fazia negócios bilionários, movidos a propinas.

Em depoimento na Lava-Jato, Emílio Odebrecht conta que teve uma primeira conversa sobre o projeto com o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que tinha interesse no porto pelo fato de Cuba ser um governo aliado. Ao responder se Lula teve ingerência sobre o BNDES para liberar o financiamento, Emílio disse que ‘não tem dúvida’ de que isso ocorreu. A suspeita de tráfico de influência de Lula em favor da Odebrecht é alvo de inquérito do Ministério Público Federal em Brasília”, diz a reportagem.

TUDO FACILITADO – O investimento de US$ 840 milhões (R$ 2,64 bilhões) foi financiado pelo BNDES com juros entre 4,44% e 6,91% ao ano, e 25 anos de amortização, o prazo mais longo já concedido na linha que financia projetos de engenharia no exterior.

Segundo o BNDES, o prazo de 25 anos para o crédito do porto foi aprovado no âmbito da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O banco diz ainda que “a operação contou com cobertura de Seguro de Crédito à Exportação (SCE) para 100% dos riscos políticos e extraordinários” e que a concessão do SCE teve lastro no Fundo de Garantia às Exportações (FGE), tendo sido aprovada pelo Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig) e pela Camex”, dizem os repórteres, acrescentando que recentemente o BNDES criou uma comissão interna para apurar denúncias feitas no âmbito da Lava-Jato e que constam de duas petições do Supremo Tribunal Federal, mas nenhuma delas está relacionada ao Porto de Mariel.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – A importante informação de Danielle Nogueira e Jeferson Ribeiro necessita de tradução simultânea. O financiamento ao Porto de Mariel é um dos maiores escândalos da história do BNDES, que mancha indelevelmente a trajetória do banco. Além dos juros de pai para filho e que não ficaram bem explicados (são de 4,44% ou 6,91% ao ano?), não houve nenhuma garantia.

Ao depor no Congresso Nacional, o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que existiria risco de inadimplência do governo cubano, porque a operação estava garantida pela própria Odebrecht. Era mentira, mas os dirigentes da empreiteira, por motivos óbvios, fingiram não ter tomado conhecimento da afirmação falsa de Coutinho perante os parlamentares, que também não procuraram confirmar oficialmente se havia ou não essa garantia supostamente oferecida pela Odebrecht.

QUEM GARANTE? – As duas garantias agora citadas pelo BNDES (Seguro de Crédito à Exportação e Fundo de Garantia às Exportações) também são uma conversa fiada, porque significam uso de recursos públicos para beneficiar um país estrangeiro e uma empresa privada nacional – no caso, a Odebrecht –, para que obtivesse elevados lucros na obra.

A direção atual do BNDES repete Luciano Coutinho e também está mentindo, porque cita o Fundo de Garantia à Exportação e o Seguro de Crédito à Exportação como se fossem garantidores de verdade. Mas acontece que o Seguro não tem recursos e usa o patrimônio do Fundo, constituído em 1999 mediante a transferência de 98 bilhões de ações preferenciais do Banco do Brasil e um 1,2 bilhão de ações preferenciais da Telebrás.

DINHEIRO DO POVO – Traduzindo: o financiamento à obra do Porto de Mariel só teve garantia do governo brasileiro. Quem avalizou a operação do BNDES em Cuba foi o Tesouro Nacional, através do Ministério da Fazenda, usando os recursos públicos da União (ou seja, do povo brasileiro), porque o Fundo de Garantia à Exportação é apenas um instrumento contábil do Ministério da Fazenda.

Ou seja, Lula mandou o BNDES de Luciano Coutinho financiar Cuba com garantia do Tesouro Nacional. Usou recursos públicos para beneficiar um governo “amigo” e uma empresa “amiga”, em operação garantida também com recursos públicos. Nunca antes, na História deste país, aconteceu algo semelhante. E o governo Temer agora procura sepultar o escândalo, mas a força-tarefa da Lava Jato logo irá desvendá-lo.

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PS – A matéria de O Globo citava empréstimo de US$ 686 milhões, mas o site do BNDES registra o total de US$ 840 milhões, aponta o comentarista Wagner Pires, corrigindo nosso texto original. (C.N.)

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NÃO PERCA AMANHÃ:
Cuba não tinha condições de pagar ao BNDES e Dilma teve de dar um jeito

Pepe Mujica analisa a Era Digital e diz que os políticos precisam se reinventar

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Não há dúvida de que o mundo mudou muito depois da internet. Jamais se viu nada igual. Mas os políticos estão tendo uma enorme dificuldade de adaptação. Recentemente, o jornalista Sergio Caldieri nos enviou uma interessante matéria publicada no site Pátria Latina, de Valter Xéu, sobre o pensamento do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica acerca do instigante tema.

Famoso no mundo inteiro, Mujica continua a ser um homem muito simples. Tive a oportunidade estar com ele no ano passado, quando visitou o Rio de Janeiro a convite de nosso amigo Darc Costa e fez uma importante palestra na ABI. Em sua simplicidade, Mujica é um ser humano adorável e superior a tudo, deveria servir exemplo a todos os homens públicos. Mas isso seria desejar demais.

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MUJICA E A ERA DIGITAL
Site Pátria Latina

“Internet, celulares, Whatsapp, Twitter etc… todo esse mundo colossal está presente nas relações humanas e já nada será igual, para o bem e para o mal” – diz o ex-presidente e atual senador do Uruguai, José Pepe Mujica, ao analisar as transformações produzidas pela tecnologia e os desafios impostos à democracia que atingem as novas gerações. Para ele, uma ferramenta como a internet poderia ser “algo maravilhoso”, mas precisaria de um processo de “massificação de uma cultura que infelizmente não temos”.

Mujica vê com bons olhos o uso das redes sociais e da internet, mas lamenta que não tenhamos desenvolvido potencial para grandes transformações através destes mecanismos. Em sua coluna quinzenal no portal alemão “Deutsche Welle” o ex-presidente alertou sobre a necessidade urgente de os partidos políticos e governos se reinventarem: “Os que não o fizerem, vão sucumbir”, garante.

“Estamos entrando em outra era, sobretudo os jovens do mundo. E não necessariamente temos consciência”, afirmou. “Não podemos ver que nossas democracias representativas já não são boas, más ou regulares, como sempre foram. São francamente insuficientes pra poder representar o todo da complexidade das sociedades atuais”, advertiu.

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BALANÇO DO MÊS DE ABRIL

Como fazemos todos os meses, estamos publicar o balanço das contribuições recebidas pela Tribuna da Internet no mês de abril, que nos possibilitam ir em frente nessa utopia de manter um espaço livre a todas as ideologias e tendências sociológicas e religiosas, na busca permanente da ampliação do conhecimento. como propõe Pepe Mujica.

De início, as contribuições feitas na conta da Caixa Econômica Federal:

DIA     REGISTRO    OPERAÇÃO          VALOR
03        002915              DP DINH AG           100,00
04        201713               CRED TEV               100,00
05        800018              DOC ELET                 31,00
07        071103               DP DINH LOT          20,00
07        071148               DP DINH LOT          50,00
10        002915               DP DINH AG          100,00
10        600026              DOC ELET               100,00
17         002915              DP DINH AG           100,00
24        002915               DP DINH AG           100,00
24        221120               DP DINH LOT           30,00
24        241459               DP DINH LOT           52,00
25        251131               DP DINH LOT         230,00

Na conta do Banco Itaú, houve as seguintes contribuições:

04        TED 001.5977 JOSE ANTONIO      100,00
05        CXE TEF 3836.19813-9                       50,00
05        TBI 2958.07601-6 TRIBUNA            40,00
07        CXE TEF 0713.93361-2                       30,00
24        TEC DINH PONTA GROSSA            125,00
26        TBI 0406.49194-4 C/C                      100,00
27        TED 033.3591 ROBER.S.NAS           200,00

Agradecemos muitíssimo as contribuições e vamos em frente, sempre juntos.