Moro não deve perdoar os agressores, sob pretexto de que não sabem o que fazem

Dallagnol e Moro, dois grandes brasileiros, acusados sordidamente

Carlos Newton

A citação de Lucas (23:34) é uma das mais famosas da Bíblia, internacionalmente conhecida por cristãos, adeptos de outras religiões, ateus e agnósticos: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem”. No caso do ministro Sérgio Moro, que no Brasil de hoje personifica a figura da Justiça, quando investem contra ele com tamanha virulência, e o fazem justamente em nome da Justiça, é sinal de que o país virou de cabeça para baixo – ou “ponta cabeça”, como dizem os paulistas.

Todos sabem que a geração que está hoje no poder é um fracasso, que apenas deu seguimento à geração anterior que também fracassara. Moro simboliza uma nova geração que está se transformando num exemplo para todos os brasileiros. E de repente, para a mídia, ele parece estar quase no banco dos réus.

SÓ APARÊNCIAS… – Mas há controvérsias, diria o genial ator e pianista Francisco Milani, que adorava política e foi vereador no Rio de Janeiro pelo Partido Comunista. Mas acontece que na política as aparências enganam, e não me venham com chorumelas…

Afinal, o que há de concreto contra o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol? Nada, absolutamente nada. Como juiz de instrução de todos os processos iniciais da Lava Jato, era Moro quem autorizava todas as complexas operações policiais, algumas desfechadas simultaneamente em vários Estados, e não podia haver vazamentos, que possibilitariam evasões e ocultação de provas.

Moro desempenhava a função do chamado juiz de instrução, era ele que recebia as informações para autorizar prisões preventivas e provisórias, assim como quebras de sigilos e operações de busca e apreensão. 

TUDO NORMAL – Como juiz de instrução, portanto, era natural que Moro se comunicasse com o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que liderava a equipe de procuradores, delegados federais e auditores da Receita que estão passando a limpo este país.

A minuciosa reportagem do site Intercept Brasil vasculhou dois anos de uso do celular de Moro e só conseguiu encontrar meia dúzia de troca de mensagens, com as supostas “ilegalidades”: 1. Em um dos contatos, Moro, responsável por autorizar as operações, sugeriu ordem de fases da Lava Jato; 2. Cobrou a realização de novas operações; 3. Antecipou ao menos uma decisão judicial, ao avisar que não precisava mais enviar um certo documento para arquivar uma denúncia, porque já estava convicto de fazê-lo.

UM CARNAVAL – Caramba, amigos! Com base nessas três simples mensagens, interceptadas no decorrer de longos dois anos, a mídia monta um carnaval fora de época para denegrir a imagem de uma das mais importantes personalidades do mundo contemporâneo, como se fosse um pilantra qualquer…

E o tal de Conselho Nacional do Ministério Público, formado por ilustres desconhecidos, imediatamente investe contra o procurador Deltan Dallagnol e abre duas representações simultâneas contra ele. A primeira, por ter trocado mensagens com o juiz de instrução; a segunda, por ter atacado a honra do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é um crime impossível, pois honra é atributo que o parlamentar decididamente não possui.

O tal site “Intercept” anunciou que estava apenas no começo, prometeu novas e explosivas revelações, e até agora, nada. Certamente, ainda estão fabricando as notícias…

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P.S. 1
Aqui na “Tribuna da Internet”, vivemos sob o signo da liberdade. Não embarcamos em aventuras jornalísticas. O que nos interessa são fatos concretos. Para nós, é revoltante a tentativa de denegrir dois brasileiros de grande valor, para montar uma situação destinada a destruir a Lava Jato e inocentar todos os réus e condenados, entre eles o líder da quadrilha, Lula da Silva.

P.S. 2 – Moro e Dallagnol não devem perdoar seus agressores, sob pretexto de que eles não sabem o que fazem. Pelo contrário, devem continua a persegui-los com a mesma garra de sempre, porque criminosos dessa laia não merecem perdão. (C.N.)

Revelações sobre Lava Jato dão margem a ataques exagerados ao ministro Moro

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As reportagens do site The Intercept Brasil sobre a captura de informações nos celulares do então juiz Sérgio Moro e de importantes procuradores da Lava Jato, especialmente o coordenador Deltan Dallagnol, estão tendo, realmente, um efeito devastador. Mas não podem chegar a ponto de tornar anuláveis inquéritos e julgamentos da Lava Jato.

É claro que os organizadores do já apelidado “Wikileaks de Curitiba” tiveram um trabalho enorme para selecionar os trechos mais censuráveis em mais de dois anos de mensagens. E na verdade não conseguiram pinçar afirmações capazes de efetivamente destruir ou invalidar o consistente trabalho da Lava Jato.

FIRME DETERMINAÇÃO – Nas mensagens selecionadas não se vê adulteração nem manipulação de provas – o que se constata é a firme determinação de punir os criminosos de colarinho encardido que desviaram bilhões do povo brasileiro, em benefício próprio.

Em nenhuma delas se constata a existência de uma “conspiração” para destruir Lula e o PT, como tentam fazer crer determinados jornalistas ligados ao site “The Intercept”. Pelo contrário, o que aparece é a incerteza de que a Lava Jato realmente conseguiria “limpar o Congresso”. E há outra mensagem que chega a ser infantil, com troca de “parabéns’ pelos resultados obtidos.

PADRÕES DA JUSTIÇA – Na realidade, juiz e procurador só devem se relacionar nos autos ou no gabinete, onde os magistrados também podem atender diretamente aos advogados, segundo a legislação em vigor (Estatuto da Advocacia).

Nas mensagens interceptadas, não há nada de grave  para os padrões de Justiça brasileira, em especial da Suprema Corte, onde raramente ministros se declaram suspeitos quando têm de julgar pessoas amigas, podendo acontecer inclusive encontro de juiz e réu na calada da noite, sem agenda, como ocorreu entre o ministro Gilmar Mendes e o réu Michel Temer.

Há também o caso emblemático do ministro Dias Tofolli, hoje presidente Supremo e que não se considerou suspeito para libertar o amigo íntimo José Dirceu, concedendo-lhe um habeas corpus “de ofício” que a defesa nem havia pedido. E não aconteceu nada a Mendes nem a Toffoli, rigorosamente nada.

QUESTIONAMENTO – São ministros como eles que certamente irão enfatizar que o conteúdo das revelações do “The Intercept” é muito forte e abre margem até para questionar a atuação de Sergio Moro como juiz. 

Já existe um pedido de suspeição de Moro para julgar Lula que foi rejeitado pelo relator Edson Fachin, mas segue sob análise da Segunda Turma do STF, com pedido de vista de Gilmar Mendes. É aí que mora o perigo.

Espera-se que este país não tenha decaído a ponto de deixar de reconhecer a importância do trabalho dos jovens procuradores, delegados, auditores e juízes que levaram adiante a Operação Lava Jato, enfrentando com destemor os mais organizados e influentes criminosos do país.

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P.S.Vamos com calma, porque a bancada da corrupção, que é majoritária nas instituições brasileiras, agora vai partir com tudo para destruir a Lava Jato, e é preciso resistir. (C.N.)

Bolsonaro e Guedes demonstram uma irresponsabilidade que surpreende o país

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

O hoje acadêmico e imortal Edmar Bacha ganhou notoriedade em sua carreira de economista por criar a expressão “Belíndia”, ao descrever a realidade brasileira, quando escreveu um artigo assinalando que o regime militar estava dividindo o país entre os que viviam em condições similares às da Bélgica e aqueles que tinham padrão de vida da Índia. Era e ainda é uma realidade social que não pode ser contestada, porque perdura até hoje e tão cedo não sofrerá transformação.

É evidente que manter uma Belíndia em caráter permanente tem contraindicações, embora possa ser altamente benéfico para as elites empresariais belgas, que enriquecem à custa dos baixos salários pagos aos trabalhadores indianos, e também para a nomenklatura estatal belga, que é generosamente sustentada com altas remunerações e mordomias bancadas pelos contribuintes de dupla nacionalidade, que em sua esmagadora maioria são muito mais indianos do que belgas.

MORAR LÁ FORA – É nessa esculhambação social que vivemos. Quem tem dinheiro, vai “morar lá fora”, como já ameaçou fazer justamente o ministro que deveria melhorar as condições de vida aqui dentro. Aliás, não está no gibi o número de falsos belgas hoje vivendo no exterior, mas sustentados com dinheiro ganho aqui, graças ao trabalho dos falsos indianos. Na verdade, esses elitistas nem são mais brasileiros. Julgam-se cidadãos do mundo, nem reparam o papel ridículo que fazem.

Quem realmente gosta do Brasil tem de encarar essa realidade, cuja primeira contraindicação é a insegurança. Evidentemente, não é possível tentar conviver a miséria absoluta e a riqueza total. Não há possibilidade de coexistência pacífica, abre-se uma guerra civil não-declarada.

Sem haver Polícia nem cadeia para tantos criminosos de colarinho branco ou pé de chinelo, quem acaba encarcerado é o pessoal da classe média, a grande vítima que mora atrás de muros e grades, enquanto as elites e a nomenclatura circulam alegremente, porque têm carros blindados e seguranças privados ou estatais.

FALSA ESPERANÇA – Acreditava-se que Bolsonaro tivesse sido eleito para resolver isso e unificar o país. Cinco meses depois, percebe-se que foi um engano. Ele não tem noção de suas obrigações presidenciais, e o militares que o cercam não demonstram coragem para chamá-lo à razão, simplesmente se adaptaram à situação.  

Ainda há quem acredite em Bolsonaro, mas é ilusão. Ele vive rindo, como se interpretasse o personagem “Cândido”, com o ministro Guedes perfeito no papel do “professor Pangloss”, dizendo que os dois estão no melhor dos mundos, que o genial Voltaire adorava ridicularizar.

Não existe um projeto Brasil – aliás, jamais houve, desde o regime militar. Quando Carlos Lessa assumiu o BNDES no governo Lula, pediu o programa econômico do PT, e não existia. Junto com seu vice Darc Costa, o criativo Lessa criou um projeto e um dos destaques era a indústria naval. A economia reagiu. Ao deixar o governo, Lessa avisou a Lula que seria “um voo de galinha”. Mas Lula era como Bolsonaro e nada entendia de economia.

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P.S. 1
Minha maior esperança é de que o governo não atrapalhe, mas Guedes parece incontrolável. Lembro o exemplo da Bélgica. No início desta década, ficou quase dois anos sem governo. Não houve problema. O país continuou funcionando normalmente, sem choro nem vela, como diria Noel Rosa. Em 5 de dezembro de 2011, após 541 dias sem governo, a Bélgica formou, finalmente, uma coligação, tendo sido nomeado Elio Di Rupo para primeiro-ministro.

P.S. 2O caso do Brasil é diferente. O ministro Guedes não aceita fazer a auditoria na dívida pública, que deveria ser sua maior preocupação. Esta semana, o governo está exigindo do Congresso quase R$ 250 bilhões em verbas extras. Em breve a bomba-relógio explode, levando Bolsonaro e Guedes pelos ares. Será uma tragédia, é claro, mas também pode ser a nossa salvação. Pense nisso. (C.N.)

Mais uma Piada do Ano! Bolsonaro desiste de fazer o pacto com os outros poderes

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Carlos Newton

O presidente Bolsonaro era igual a Martin Luther King Jr. e tinha um sonho. No caso da matriz USA, o líder norte-americano comandava a luta pelas causas sociais, que ele fomentou admiravelmente. Mas aqui na sucursal Brazil o sonho era fazer um pacto dos três poderes e governar numa boa, com uma oposição compreensiva e uma Justiça complacente em relação às leis. Ora, muito antes de surgir o pensador, jurista e boêmio Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu, no iluminismo do Século XVII, todos os governantes, sem exceção, tinham o mesmo sonho de Bolsonaro.

PACTO INVIÁVEL – Mas o sonhou acabou, diria John Lennon, porque o presidente brasileiro caiu na real e enfim foi informado de que em regime democrático não existe possibilidade de pacto entre poderes.

Conforme o barão de Montesquieu anteviu, numa época em que nem havia democracia, é fundamental que exista independência entre os três poderes, com o Executivo comandado pelo rei ou imperador, o Legislativo, responsável pelas leis para harmonizar as relações sociais, e o Judiciário, que acompanha o cumprimento das leis e arbitra as pendências.

Desde então, a prática política comprova que só existe pacto entre poderes em regimes ditatoriais. Justamente por isso, citando o genial Montesquieu, imediatamente consideramos aqui na TI a inscrição da ideia (?) de Bolsonaro como concorrente à Piada do Ano.

NOVA DILMA – Curiosamente, Bolsonaro vem se transformando numa nova versão de Dilma Rousseff, que estava sempre surpreendendo o respeitável público com suas tiradas de efeito e sua espontânea criatividade. É preciso reconhecer que Bolsonaro também é bom nisso, tem uma capacidade impressionante de dizer asneiras e pagar micos, como fez ao se referir em público ao tamanho do pênis dos japoneses. E ele mesmo acha uma graça enorme das coisas que diz, ridiculariza a  si mesmo, consegue ser bizarro e hilário, ao mesmo tempo. Pode ser considerado pós-moderno.

Neste sábado, o Planalto divulgou extraoficialmente que decidiu adiar a cerimônia do protocolo de intenções com a assinatura dos chefes dos três Poderes, para segunda-feira, dia 10.

A justificativa foi de que houve divergências, e o Planalto resolveu suspender, por tempo indeterminado, a divulgação do “Pacto pelo Brasil”, como foi batizada a iniciativa.

SINÔNIMOS – “Suspender por tempo indeterminado” é uma maneira transversa de evitar dizer “desistir”. Nenhum governo aceita dizer que “desistiu”. Mas nada disso tem importância. Em tradução simultânea, essa desistência significa que a democracia continua prevalecendo no país.

Ou seja, o Executivo governa, o Legislativo prepara as leis, e o Judiciário decide as pendências. Apenas isso. É o que interessa. Os políticos já perceberam que Bolsonaro e Paulo Guedes não têm agenda. Aliás, Guedes nem acredita em agenda. Em sua ilusão neoliberal, ele pensa (?) que o mercado corrige tudo. Não passa pela cabeça do ministro da Economia que cabe ao governo intervir e regular as relações sociais sempre que houver necessidade ou distorções.

Entre a teoria mal alinhavada de Guedes e a prática consagrada de John Maynard Keynes, quem tem juízo fica com o Lord inglês que tirou o mundo da Grande Depressão.

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P.S.
1 A cada dia, fica cada vez mais evidente o despreparo de Paulo Guedes. O velho “Chicago boy”, que é vaidosíssimo e agora decidiu escurecer os cabelos, não sabe o que fazer. Vai privatizar todas as estatais. Quando não houver mais nada para vender, o que será que ele nos dirá?

P.S. 2O Brasil cometeu um erro ao eleger Bolsonaro. É maluco e não entende de economia. Seria melhor ter elegido Ciro Gomes, que também é maluco, mas conhece a ciência econômica em profundidade. Não se deixaria enganar com tamanha facilidade. (C.N.)

Jorge Ricardo, o maior jóquei do mundo, não poderá correr o Grande Prêmio Brasil

Jóquei no oratório (foto do site do Jóquei Clube Brasileiro)

Carlos Newton

O turfe foi abandonado pela imprensa, como disse aqui na TI o jornalista Pedro do Coutto nesta semana, e hoje pouquíssimos brasileiros sabem que o maior jóquei do mundo é o carioca Jorge Ricardo, recordista mundial com 12.860 triunfos, que não poderá estar na disputa do Grande Prêmio Brasil, neste domingo, porque sofreu um grave acidente durante um páreo no Hipódromo de San Isidro, na Argentina, dia 29 de maio.

O atleta de 57 anos se envolveu em uma queda com outros três jóqueis e teve duas fissuras nas costelas, fraturou o nariz e quatro vértebras, mas não sofreu trauma na medula e está em recuperação.

EM RECUPERAÇÃO – O brasileiro foi levado ao hospital, mas depois de realizar exames, não necessitou de cirurgia, sua recuperação será por repouso e medicação. O jóquei está no Sanatório de la Trindad sob observação médica.

Este não é o primeiro acidente grave da carreira de Jorge Ricardo. Em 2017, o jóquei se desequilibrou, caiu na canaleta entre as pistas, sofreu uma fratura no fêmur da perna esquerda e precisou passar por cirurgia.

Seu estado é bom e sua recuperação completa dependerá de repouso e fisioterapia. Mas ainda não há informação se o recordista mundial voltará a disputar corridas.

EM FAMÍLIA – Jorge é filho de Antônio Ricardo, catarinense de Urussanga, um lendário jóquei que à sua época conquistou o maior número de vitórias em hipódromos sul-americanos em uma só temporada, e depois passou a atuar como treinador, hoje já falecido.

Aos 16 anos Jorge Ricardo começou a montar como aprendiz de jóquei no Hipódromo da Gávea, na cidade do Rio de Janeiro. Logo em sua temporada de estréia conseguiu a primeira vitória, montando o cavalo “Taim”, treinado por seu pai, que muito lhe ensinou a arte da condução.

Entre as quase 13 mil vitórias, Jorge Ricardo venceu cinco vezes o Grande Prêmio Latino Americano, duas vezes o Grande Prêmio Brasil, em um deles montando o craque “Much Better”, duas vezes o Grande Prêmio São Paulo e também duas vezes o Grande Prêmio Internacional Carlos Pelegrini.

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CONHEÇA A ORAÇÃO DE UM JÓQUEI

Antes de montar e entrar na raia para as corridas, a grande maioria dos jóqueis faz uma oração para se proteger de acidentes nas disputas. E poucas pessoas sabem que a “Oração de Um Jóquei”, que fica afixada nos oratórios de todos os hipódromos do país, ao lado da imagem de Nossa Senhora, é da autoria do advogado carioca Jorge Béja, articulista da Tribuna da Internet e um grande aficionado do turfe, que com certeza estará este domingo na Gávea para assistir ao Grande Prêmio Brasil.

“Senhor Deus, meu Pai e Criador. Agora, é momento de silêncio. Esvazio minha mente e dela afasto todas as preocupações para que Deus me ouça e manifestação divina penetre em mim e me cubra de graças.

Sei que minha profissão não é daquelas de longa duração. Ela não admite comodidade nem esmorecimento, mas perseverança e dedicação integral. Meu dia-a-dia, Senhor, é marcado por fortes emoções: alegrias, ansiedades, frustrações, incertezas, sonhos, esperanças e tantos outros sentimentos que me afetam.

Sei que preciso manter sob controle o peso do meu corpo, evitar a mais leve enfermidade e me precaver contra as lesões, porque o menor descuido torna-se empecilho para que eu possa trabalhar.

Nas competições, que o êxito do outro jóquei seja, também, motivo de satisfação para mim, porque, juntos, formamos um só tecido social, comunitário, e materializamos o Corpo Místico do Senhor Nosso Criador. Que o contentamento do vitorioso seja a alegria de todos nós. E que o insucesso dos que não venceram seja, também, o sentimento do vencedor.

Sei que antes do fim da madrugada, preciso estar pronto e apto para o trabalho. Por isso, não posso ir dormir tarde da noite. Sei que devo dedicar aos animais carinho e amizade, tanto quanto espero receber do meu próximo. Deles dependo e eles integram o Reino da Vossa Criação.

Dai-me, Senhor, a bênção celeste. Protegei meu trabalho. Fortalecei a minha saúde. Consolai-me nas minhas aflições. Livrai-me de todos os perigos do corpo e da alma. Muito Vos agradeço Senhor, as graças já alcançadas. Ao meu Anjo da Guarda, que a bondade divina colocou junto a mim para me defender, eu O louvo, invocando a prece que a cristandade consagrou ao longo dos séculos:

“Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, que a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, governa e ilumina. Amém”.

O que será que os generais pensam da venda de estatal altamente lucrativa como a TAG?

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Newton

Com a liberação da venda das subsidiárias das estatais, em decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, lá se vai uma das joias da coroa – a Transportadora Associada de Gás (TAG). E não mais que de repente, diria o “comunista” Vinicius de Moraes, um lucrativo e valiosíssimo monopólio estatal é transformado num monopólio privado e de capital estrangeiro, cujos lucros serão reinvestidos “lá fora”, onde o ministro Paulo Guedes ameaça ir morar.

Em abril, o consórcio formado pelo grupo francês Engie e o fundo canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ) apresentou a melhor proposta e está levando 90% da TAG, com os 10% restantes ficando de consolação para a Petrobras, que teve todo o trabalho de construir os gasodutos.

Foi um péssimo negócio para o Brasil. A transação só devolverá à Petrobras um valor total estimado de US$ 8,6 bilhões, a uma taxa de câmbio de R$ 3,85, o que equivale a R$ 33 bilhões.

LUCRATIVA – Acontece que, além de ser monopolista na área que atende, a TAG é altamente lucrativa. Em 2016, por exemplo, ofereceu aos acionistas um lucro de R$ 7 bilhões, ou seja, quase 20% do total a ser pago agora à Petrobras pelos geniais neoliberalistas, que os portugueses chamariam de “bestiais”.

Com a transação, a estrutura societária da TAG ficará da seguinte forma: Engie, 29,5%; Engie Brasil Energia (EBE), 29,5%; CDPQ, 31,5%; e Petrobras, 9,5%. Detalhe: a Petrobras terá de continuar operando os gasodutos da Transportadora Associada de Gás (TAG) durante três anos. Somente depois desse prazo é que a operação da malha será feita pelo grupo francês.

“É um período suficiente para que nós possamos juntar esforços com a Transpetro e discutir a forma de transferência dessa operação”, disse ao Valor um executivo da estatal. E a Petrobras informou ainda que a conclusão da operação estará sujeita à aprovação pelos órgãos de governança da Petrobras e de defesa da concorrência.

EOLSONARO APLAUDE… – O presidente Jair Bolsonaro, aquele que diz nada entender de economia, parabenizou nesta sexta-feira (dia 7) o Supremo Tribunal Federal por liberar a venda de subsidiárias de estatais sem aval do Congresso.

“As empresas-mãe, segundo o Supremo, passam pelo Parlamento”, lamentou o presidente, ressalvando: “Não deixou de ser um avanço. Meus cumprimentos, parabéns ao Supremo Tribunal, que agiu com patriotismo, contrário à política anterior que havia no Brasil nessas questões econômicas. O viés ideológico para se fazer negócio vai deixando de existir no Brasil. Meus parabéns ao Supremo Tribunal Federal”, disse Bolsonaro.

Em sua ignorância, ao invés de deplorar a venda de uma lucrativa estatal estratégica e a criação de um monopólio estrangeiro, o presidente aplaude a transação e ainda fala em “patriotismo” do Supremo. Sinceramente…

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P.S. –
É claro que um homem despreparado como Bolsonaro não tem alcance para perceber o que realmente significa a venda de uma empresa como a TAG (do Rio ao Ceará) por 30 dinheiros, digo, 33 bilhões de reais. Antes, a Petrobras tinha vendido a NTS (Sudeste) para a canadense Brookfield. Mas e os generais que estão no Planalto e no Ministério de Minas e Energia? Será que também aplaudem a venda de valiosíssimo patrimônio público criado por outros militares que os antecederam no governo? Na dúvida, é preciso relembrar a velha dúvida de Francelino Pereira: “Que país é esse?”. E realmente ninguém sabe. (C.N.)

Banco Central não explica por que remunera diariamente a sobra de caixa dos bancos

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Vamos repetir aqui “ad nauseam”, como dizem os advogados, que o ato de defender uma auditoria na dívida pública não significa, de forma alguma, que se pretenda dar calote ou mesmo pedir uma moratória (atrasar os pagamentos). O objetivo é tirar  dúvidas sobre pagamento ou amortização da dívida, porque especialistas da organização Auditoria Cidadã da Dívida, tem feito algumas denúncias graves, que os sucessivos governos simplesmente se recusam a responder.

Um dos questionamentos diz respeito ao projeto que concede autonomia ao Banco Central” (enviado por Bolsonaro ao Congresso), porque, além de blindar a política do BC, a proposta visa a legalizar mecanismos que geram dívida pública, mudando leis, na tentativa de se proteger contra denúncias da própria Auditoria Cidadã da Dívida.

SOBRA DE CAIXA – A principal denúncia se refere ao fato de o Banco Central estar recolhendo e remunerando diariamente a chamada sobra de caixa dos bancos. O fato é que, devido aos elevados juros cobrados aos clientes e às empresas, há pouca demanda de empréstimos, e acaba sobrando uma montanha de dinheiro no caixa dos bancos – cerca de R$ 1,2 trilhão, que equivalem a quase 20% do PIB.

Os “Chicago boys” nem precisam perguntar a Adam Smith ou Milton Friedman. É obvio que, se o governo não remunerasse essa sobra de caixa dos bancos, eles parariam de cobrar 300% ao ano nos juros de débitos dos cartões de crédito e até reduziram as taxas para financiamentos dos clientes e das empresas de todos os tamanhos, fazendo elevar o consumo e movimentando a economia como um todo, e viva o liberalismo de Smith e Friedman!

Mas acontece que o Banco Central não deixa essa mecânica financeira funcionar. Pelo contrário, aceita toda essa sobra de caixa dos bancos e, em troca, lhes repassa títulos da dívida pública, que são remunerados com juros reais, acima da inflação.

SEM RISCO – É um grande negócio para os bancos, porque não há de inadimplência, como ocorre nas demais operações de crédito que movem a economia. Esse mecanismo à brasileira significa a perfeição do liberalismo de Smith e Friedman – o capitalismo sem risco.

Essa montanha de dinheiro, quase 20% do PIB, que poderia estar financiando a retomada da economia, fica paralisada no Banco Central, gerando uma criativa variação do antigo “overnight”, com remuneração diária aos bancos, e sem risco. E novamente um viva ao liberalismo de Smith e Friedman!

Segundo as estatísticas da Auditoria Cidadã da Dívida, esse tipo de operação superou a marca de R$ 1 trilhão desde 2016, e em apenas quatro anos custou quase meio trilhão de reais aos cofres públicos. Para ser mais preciso, conforme balanços oficiais publicados pelo BC, de 2014 a 2017 essa remuneração da sobra de caixa dos bancos consumiu R$ 449 bilhões.

SEM APOIO LEGAL  – A especialista Maria Lúcia Fattorelli explica que, além de instituir cenário de profunda escassez de recursos financeiros, acirrando a elevação das taxas de juros para patamares indecentes, impedindo o financiamento de atividades produtivas geradoras de emprego e renda, essa mecânica financeira tem custado muito caro para o país.

“O mais grave é que não existe fundamento legal para esse tipo de operação. O Banco Central tem utilizado indevidamente as “Operações Compromissadas”, que foram criadas para controlar o volume de moeda em circulação e, teoricamente, a inflação”, assinala a auditora, cujo trabalho incansável é boicotado implacavelmente pela grande mídia, que jamais está a serviço do país, mas sabe servir à perfeição os interesses dos bancos.

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P.S. 1
Infelizmente, Bolsonaro nada sabe de economia e colocou seu governo nas mãos de Paulo Guedes, aquele ex-banqueiro e dono de corretora que deu um prejuízo de quase R$ 400 milhões a fundos de pensão (leia-se: a trabalhadores brasileiros), em pagamento indevido de ágios, segundo as investigações do Ministério Público do Estado do Rio e o Tribunal de Contas da União.

P.S. 2 – O capitão Bolsonaro nada entende economia. Mas e os generais que o cercam? Será que também não aprenderam economia nos Cursos de Estado Maior e na Escola Superior de Guerra? É difícil acreditar que não saibam de nada… (C.N.)

Na forma da lei, Lula não tem direito a regime semiaberto, por ser reincidente específico

Resultado de imagem para lula preso chargesCarlos Newton

O assunto é jurídica e politicamente delicado, mas deve ser esclarecido. Com a máxima vênia, como dizem o advogados, é preciso contestar o parecer do Ministério Público Federal, enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que praticamente garante o direito de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva progredir para o regime semiaberto, porque já teria cumprido tempo suficiente da pena para fazer jus ao benefício.

Responsável pelo parecer, a subprocuradora Áurea Pierre afirma que o STJ se omitiu ao não discutir o regime de cumprimento da pena. “Assim, data máxima vênia, [a subprocuradora opina] pela complementação do julgado, para que – após procedida detração no âmbito do STJ (tempo que pode ser reduzido), seja fixado o regime semiaberto”, argumenta, pedindo que o tribunal volte a julgar o caso de Lula para lhe garantir o regime semiaberto (trabalhar durante o dia e voltar à prisão todas as noite para dormir e passar os fins de semana e feriados).

LIBERAR GERAL – De olho no lance, a defesa de Lula já pediu que ele salte uma casa no jogo jurídico e conquiste logo o direito de voltar para casa, sem restrições e tornozeleira, recebendo benefícios que extrapolam a lei sob argumento é de que em Curitiba não há prisão dormitório para acolher o condenado.

Sonhar ainda não é proibido, mas é estranhável que a ilustre subprocuradora tenha examinado apenas as circunstâncias atenuantes para defender o regime semiaberto para Lula da Silva, sem em nenhum momento se preocupar em examinar se há circunstâncias agravantes que possam impedir a libertação do ex-presidente.

O fato concreto é que a subprocuradoria Áurea Pierre esqueceu de mencionar que Lula é um preso classificado de “reincidente específico”, por já ter sido condenado duas vezes por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, condição suficiente para impedir a progressão de sua pena para o regime semiaberto.

REINCIDÊNCIA –  Na Ciência do Direito, quanto o crime posterior é diverso do anterior, diz-se que ocorre “reincidência genérica”. No entanto, quando o crime antecedente e o posterior são da mesma natureza, passa a se configurar a “reincidência específica”.

Quanto à substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, diz o Código Penal: “Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: (…) II – o réu não for reincidente em crime doloso.

Portanto, constata-se que, em regra, não haverá progressão para regime semiaberto se o condenado for reincidente em crime doloso. Tanto isso é verdade que o próprio artigo 44, conforme seu inciso II, parágrafo 3º, abre uma exceção que não se aplica a Lula e confirma a impossibilidade do benefício em caso de reincidência específica:

“3º – Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime”.

A DECISÃO – Assim, o  STJ precisa decidir se julga o pedido de Lula para cumprir o restante da pena em regime aberto ou se encaminha o caso para análise da Vara de Execuções Penais do Paraná.

“O embargante peticiona a mais, para aplicação do regime aberto, tendo em vista não existir estabelecimento compatível para seu cumprimento. A matéria – especificamente em se tratando de ex-Presidente da República – não tem disciplinamento legal, ficando a critério do Julgador decidir sobre o cumprimento da pena de ex–presidente em regime compatível”, diz a procuradora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Pedimos desculpas aos leitores, porque o artigo foi publicado ainda em rascunho, devido a um erro de edição. Mas agora está em versão final, e vamos aguardar para ver se a Justiça leva em conta a “reincidência específica” de Lula. (C.N.)

Radicalização domina os comentários da “Tribuna da Internet”, uma chatice

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Ilustração do Duke (Jornal O Tempo)

Carlos Newton

A situação do país está muito difícil. É fácil constatar. Lojas vazias, comerciantes em dificuldades, placas de vende-se ou aluga-se por todo canto, a ponte Rio-Niterói sem engarrafamento nas manhãs de sábado, algo impensável até alguns anos atrás. Nesse clima, o PIB está negativo e a economia depende d resultado do mês de junho. Se não houver reação, ficará tecnicamente caracterizada a estagflação, que ocorre quando há recessão e a inflação continua positiva.

A radicalização político-econômica contamina a “Tribuna da Internet”, um dos espaços na faixa brasileira da internet que não está a serviço de grupos políticos, empresariais ou ideológicos. Há muitos outros, inclusive de participantes da TI, como Wilson Baptista Jr. e Altamir Tojal, cujos excelente blogs retratam a mesma inquietação.

CLIMA TENSO – Ao mesmo tempo, aumenta a temperatura nos blogs e sites atrelados ao governo e à oposição. Uns torcem a favor, os outros contra, como se estivessem numa partida de futebol. Mas há uma faixa, na qual se encaixa a Tribuna, que torce pelo Brasil, independentemente do governo. Assim, se Bolsonaro acerta, é preciso elogiá-lo, mas se erra, pancada nele!

Aqui na TI, acompanhar os comentários está uma chatice. Oposicionistas e governistas em permanente choque, não há quem aguente. Às vezes, passam nos limites e dão trabalho ao editor, que tem de fazer cortes. E eles reclamam da “censura”.

Mas quem já estava na ativa no regime militar sabe que não é censura. Trata-se apenas de educação e critérios civilizados. Não é preciso GRITAR, escrevendo com maiúsculas ou negrito, certamente é melhor exercitar a ironia. O efeito é muito mais devastador.

DEBATER A CRISE – Aqui na TI entendemos que é hora de discutir a crise econômica em profundidade, levando em conta os interesses nacionais. É preciso buscar caminhos, sem antolhos partidários ideológicos.

Sugerimos a quem se interessa a leitura frequente do site “Auditoria Cidadã da Dívida”, criada por Maria Lúcia Fattorelli. A preocupação de seus editores está na falta de transparência dos dados da reforma da Previdência. O custo da “capitalização” (R$ 1 trilhão em dez anos) vazou na semana passada por acaso. Outra preocupação é a quebra da “Regra de Ouro”, para que governantes possam se endividar para pagar salários de servidores e outros gastos correntes.

São essas temas que insistiremos em discutir, sem radicalizações nem xingamentos. Sejamos elegantes e educados; não custa nada, mas vale muito.

BALANÇO DE MAIO – Vamos aproveitar para agradecer aos companheiros que contribuem para manter a Tribuna livre e mostrar nossos recebimentos via contas bancárias. Na Caixa Econômica, os seguintes depósitos foram feitos:

DATA  REGISTRO  OPERAÇÃO           VALOR
06        002915       DP DINH AG            50,00
06        061827       DP DINH LOT         230,00
06        800030       DOC ELET                31,00
13        002915       DP DINH AG             50,00
13        131443       DP DINH LOT            52,00
14        141543       DP DINH LOT            50,00
15        151104       DP DINH LOT            20,00
20        002915       DP DINH AG              50,00
27        002915       DP DINH AG              50,00
30        301600       DP DIN LOT               50,00
31        311510       DP DIN LOT             100,00

Agora, os depósitos no banco na conta do Unibanco/Itaú:

06        TBI 2958.07601 TRIBUNA            60,00
13        TBI 2971.21174-9 C/C                 150,00
15        TED 001.4416 MARIOACRO          250,00
16         CXE TEF 7028.28905.1                200,00
27         TED 033.1593 DAVIDSOUZA        60,00
29         TED O33.3591 ROBERTOSNA      200,00
31         TBI 0406.49194-4 C/C                 100,00

E, finalmente, houve o seguinte depósito na conta do Bradesco:

16          05535723/LUIZ ZANARDI              30,00

Brasil é o país mais difamado do mundo, em matéria de preservação ambiental

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O biólogo Cláudio Martins Ferreira, entrevistado pela RedeTV!

Carlos Newton

Somente nos últimos 50 anos, desde que se constatou o fenômeno das chuvas ácidas, é que a ciência passou a se preocupar para valer com a questão do meio ambiente. Na Europa e na América do Norte, a devastação já era realidade e a contaminação atmosférica passou a ser considerada grave ameaça.

PARA A CHINA – Foi quando as grandes indústrias poluidoras tiveram de ser transferidas para a China, que ao mesmo tempo se tornou uma potência econômica e o país mais poluidor do mundo, a tal ponto que o famoso Rio Amarelo já não faz jus ao nome e mal consegue desaguar no Pacífico, porque na maios parte do ano suas águas secam a meio caminho. E hoje as chuvas ácidas ocorrem com maior intensidade exatamente na China.

Entre os países que ainda têm grandes extensões de florestas naturais destaca-se o Brasil. No entanto, ao invés de ser saudado como o maior preservador ambiental do planeta, há décadas passou a sofrer uma campanha permanente de difamação, inclusive com claras ameaças até de intervenção internacional na Amazônia.

SEM DEFESA – Essa campanha não parou nem vai parar, porque o governo brasileiro jamais soube se defender a respeito, nem externa ou internamente. E hoje os próprios cidadãos brasileiros desconhecem que têm motivos para se orgulhar da política ambiental do país, alguns sequer acreditam que isso exista.

É impressionante que os sucessivos governos brasileiros jamais tenham alegado que o Brasil adota a mais rígida e moderna legislação do mundo, que obriga os produtores agrícolas a preservarem para reserva florestal na Amazônia 80% da área de cada empreendimento, 30% no Cerrado e 20% nas demais regiões.

Por incrível que pareça, essa legislação está sendo obedecida e Estados agrícolas que haviam sofrido brutal desmatamento estão recuperando as percentagens exigidas em lei, tornando o Brasil o país que mais regenera ambientes degradados.

EXEMPLO PAULISTA – Em São Paulo, a extensão de áreas reflorestadas em fazendas já é superior à soma de todas as unidades de conservação existentes no Estado. E essa regeneração está acontecendo em todo país, documentada pela Embrapa em observações por satélite.

Porém, os próprios brasileiros continuam a desconhecer essa auspiciosa realidade. O próprio governo não sabe, podem perguntar ao presidente Jair Bolsonaro ou ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ele vão ficar surpresos.

A revista “Science”, editada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência, acaba de divulgar que há uma tendência mundial de retrocessos ambientais, acentuada nas últimas duas décadas e liderada por dois países de proporções continentais: Estados Unidos e Brasil. Esta é a conclusão do mais completo estudo  já realizado, a cargo de um grupo de cientistas de diversas universidades, sob liderança da ONG Conservação Internacional.

QUEM SE INTERESSA? – É preciso que o governo brasileiro reaja e desminta esse relatório de fancaria, mas quem se interessa? Em setembro, o presidente Bolsonaro vai abrir a Assembleia-Geral da ONU, seria importante revelar essas verdades ao mundo, inclusive se referindo aos países que destruíram seu meio ambiente e deveriam se envergonhar disso, ao invés de criticar quem preserva.

O mais importante é que no Brasil existe também a recuperação ambiental voluntária, realizada por ecologistas anônimos, que deveriam ser homenageados com a Ordem do Rio Branco, mas nenhum governo se lembra de fazê-lo.

É preciso exaltar os exemplos desses brasileiros, como o biólogo paulista Cláudio Martins Ferreira, que preserva a reserva ambiental das Fazendas Meandro, em Ibiúna, a apenas 70 km de São Paulo. Quando adquiriu a primeira propriedade, na década de 70, boa parte da área de Mata Atlântica estava preservada.

BIODIVERSIDADE – Empolgado, o biólogo adquiriu mais duas áreas, que foram chamadas de Fazendas Meandros II e Meandros III. Hoje, ao todo, há uma área de 1.200 hectares de Mata Atlântica conservada, que protegem diversas nascentes e um cachoeira que deságua no Rio Laranjeiras, um dos formadores da represa Cachoeira do França.

Na reserva também há uma riquíssima diversidade de animais, com muitas aves, mamíferos, répteis e anfíbios, alguns inclusive, ameaçados de extinção como é o caso da araponga, do sabiá-pimenta e do pavó. A paca e o cachorro-vinagre, de categoria bastante rara, também estão sob proteção, assim como a onça parda e primatas como o sagui, macaco-prego e bugio.

PRODUÇÃO AGRÍCOLA – Nos campos das fazendas, o biólogo implantou um moderno esquema agrícola, em 24 estufas, onde aproximadamente 60 funcionários trabalham na produção de tomates, pimentões, pimentas, vagem holandesa e francesa.

Em média, segundo o proprietário, 60 toneladas são comercializadas por mês para grandes redes de supermercados,  gerando recursos que ajudam a manter a Unidade de Conservação Ambiental, incluindo a atuação de seis guardas florestais.

Exemplos como o do biólogo Cláudio Martins Ferreira estão prosperando no país. Hoje, Dia do Meio Ambiente, é preciso lembrar que esses heróis anônimos existem e criam reservas florestais que na verdade passam a não mais pertencer a eles, porque acabam por se tornar patrimônio da Humanidade.

Se o FMI diz que a política econômica do Brasil está errada, o que se pode fazer?

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Ainda a propósito do artigo escrito por três especialistas do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional – Jonathan D. Ostry (vice-diretor), Prakash Loungani (chefe de divisão) e Davide Furceri (analista) – torna-se necessário deixar claro que o editor da “Tribuna da Internet” é admirador de Adam Smith, pai do Liberalismo, apenas tem convicção de que suas teorias não podem ser adotadas ao pé da letra, como pretende a equipe dos novos “Chicago boys”. Seria o mesmo erro que seguir hoje em dia as teses de Karl Marx e Friedrich Engels, sem as indispensáveis adaptações. É exatamente o que está acontecendo agora no Brasil, que pretende reviver o antigo sem renová-lo.

Se o próprio FMI reconhece que o neoliberalismo não está dando certo nos países em desenvolvimento, como aceitar essa política suicida do governo Bolsonaro?

IDEIAS ULTRAPASSADAS – Conforme alertamos aqui na “Tribuna da Internet” desde o início do governo, Paulo Guedes é um velho “Chicago boy” que sonha em ressuscitar as ideias ultrapassadas de Adam Smith e Milton Friedman, as quais só podem ser aplicadas com múltiplas adaptações e sob o mais rigoroso controle.

Aproveitando-se do fato de o presidente se orgulhar de nada entender de economia, Guedes resolveu transformar o país numa espécie de laboratório experimental das teorias de Milton Friedman, o pai dos “Chicago boys”, sem levar em conta que Brasil e Chile têm economias totalmente diversas.

A essa altura do campeonato, é melhor respeitar o FMI, até porque não é razoável fazer com que o povo brasileiro seja piloto de provas de fábricas de supositórios econômicos, digamos assim. E nota-se claramente que Guedes está perdido no governo, decididamente não sabe o que fazer, vive a repetir que a reforma da Previdência vai resolver, vem um trilhão de reais daqui, mas um trilhão dali, é uma enganação patética.

DISSE O FMI – Aliás, é bom lembrar que o FMI previu que PIB do Brasil ia cair e o país teria o segundo pior desempenho do mundo em 2016. Depois, mostrou preocupação com ‘ventos frios’ que sopram no Brasil e avisou que o país só poderia voltar a ter superávit primário em 2020, mas essa previsão foi antes de se configurar a atual estagflação, com recessão e inflação ocorrendo simultaneamente.

Conforme temos afirmado aqui na TI, o Brasil tem incomparável potencial de crescimento, pois é o quinto maior país em extensão e habitantes, a oitava economia, tem imensas reservas minerais a explorar, as mais extensas terras agricultáveis do planeta, o maior volume de água doce acima da terra e em aquíferos, e dispõe de uma indústria sofisticada, que é facilmente recuperável, basta o atual governo descobrir para que serve o BNDES.

O CASO NATURA – Como diz nosso amigo Mathias Erdtmann, o Brasil precisa perder o complexo de vira-lata. Ele nos mandou uma excelente reportagem de Alexander Busch na “Deutsche Welle” sobre o sucesso internacional da Natura, citando casos de crescimento relevante ignorados pelos brasileiros.

Por cerca de 2 bilhões de dólares, a Natura incorporou no ano passado a concorrente londrina Avon e ascendeu para se tornar uma das dez maiores empresas mundiais do setor. Embora a empresa que resulta da fusão ainda seja menor do que L’Oreal ou Esteé Lauder, já se aproxima das divisões de cosméticos da Henkel, Chanel ou Beiersdorf.

Diz o jornalista Alexander Busch, que há 25 é correspondente na América do Sul, que essa mistura tipicamente brasileira de liderança de negócios pode ser encontrada em todas as empresas de sucesso do Brasil – desde a fabricante de aeronaves Embraer até as redes varejistas Magazine Luiza e Lojas Renner, ou a Drogaria Raia.

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P.S. 1
Pessoalmente, acredito que o Brasil seja tão promissor que possa seguir adiante independentemente de seus governantes. Basta que eles não atrapalhem,mas esta parece ser a ferrenha disposição de Paulo Guedes, que já ameaça ir “morar lá fora”. Aliás,  deveria fazê-lo com a máxima urgência, e de preferência no Chile.

P.S. 2 – Também estou convicto de que a crise brasileira não se resolverá sem uma auditoria da dívida pública, cujo objetivo não é dar calote em ninguém, mas apenas esclarecer alguns pontos nebulosos, com a remuneração “overnight” da sobra dos depósitos diários dos bancos. (C.N.)

Detalhes sobre as críticas do FMI ao neoliberalismo que voltou à moda no Brasil

Carlos Newton

Aqui na Tribuna da Internet temos um cuidado enorme com “fake news”. É impressionante a quantidade de informações falsas e manipuladas que nos enviam. Dá um trabalho enorme conferir a veracidade. Neste domingo, dia 2, publicamos uma matéria do site G1 sobre um estudo de três economistas do Fundo Monetário Internacional, a respeito do fracasso na aplicação do neoliberalismo de Milton Friedman em nações subdesenvolvidas.

Como o teor da reportagem do G1 e outros veículos foi anunciada como “mentiroso” pelo site russófilo “Spotniks”, voltamos ao assunto para reafirmar que o estudo dos técnicos do FMI é verdadeiro, publicado na seção “Finance & Development” do site oficial do International Monetary Fund, sob o título “Neoliberalism: Oversold?”, assinado por Jonathan D. Ostry (vice-diretor), Prakash Loungani (chefe de divisão) e Davide Furceri (economista), todos do Departamento de Pesquisa do FMI.

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EM VEZ DE CRESCIMENTO, NEOLIBERALISMO AUMENTOU A DESIGUALDADE, PREJUDICANDO A EXPANSÃO DURADOURA
Jonathan D. Ostry, Prakash Loungani e Davide Furceri

Milton Friedman, em 1982, aclamou o Chile como um “milagre econômico”. Quase uma década antes, o Chile havia se voltado para políticas que desde então foram amplamente copiadas para todo o mundo. A agenda neoliberal – um rótulo usado mais pelos críticos do que pelos arquitetos das políticas – repousa em duas tábuas principais. A primeira é o aumento da concorrência – alcançada através da desregulamentação e da abertura dos mercados domésticos, incluindo os mercados financeiros, à concorrência estrangeira. O segundo é um papel menor para o estado, alcançado por meio de privatizações e limites à capacidade dos governos de administrar déficits fiscais e acumular dívidas.

Tem havido uma tendência global forte e generalizada em direção ao neoliberalismo desde os anos 80, de acordo com um índice composto que mede o grau em que os países introduziram a concorrência em várias esferas da atividade econômica para promover o crescimento econômico.

PRÓS E CONTRAS – Há muito para animar a agenda neoliberal. A expansão do comércio global resgatou milhões da pobreza extrema. O investimento estrangeiro direto tem sido frequentemente uma forma de transferir tecnologia e know-how para economias em desenvolvimento. A privatização de empresas estatais, em muitos casos, levou a uma prestação de serviços mais eficiente e reduziu a carga fiscal sobre os governos.

No entanto, há aspectos da agenda neoliberal que não foram entregues como esperado. Nossa avaliação da agenda se limita aos efeitos de duas políticas: remover restrições aos movimentos de capital através das fronteiras de um país (a chamada liberalização da conta capital); e consolidação fiscal, às vezes chamada de “austeridade”, que é uma abreviação de políticas para reduzir os déficits fiscais e os níveis de endividamento.

CONCLUSÕES INQUIETANTES – Uma avaliação dessas políticas específicas (e não da ampla agenda neoliberal) chega a três conclusões inquietantes:

  • Os benefícios em termos de aumento do crescimento parecem bastante difíceis de estabelecer quando se olha para um amplo grupo de países.
  • Os custos em termos de aumento da desigualdade são proeminentes. Tais custos resumem o trade-off entre os efeitos de crescimento e equidade de alguns aspectos da agenda neoliberal.
  • O aumento da desigualdade, por sua vez, prejudica o nível e a sustentabilidade do crescimento. Mesmo que o crescimento seja o único ou principal objetivo da agenda neoliberal, os defensores dessa agenda ainda precisam prestar atenção aos efeitos distributivos.

PREJUÍZO À DEMANDA – As políticas de austeridade não apenas geram custos substanciais de bem-estar devido aos canais do lado da oferta, mas também prejudicam a demanda – e, portanto, pioram o emprego e o desemprego. A noção de que as consolidações fiscais podem ser expansionistas (isto é, aumentar a produção e o emprego), em parte aumentando a confiança e o investimento do setor privado, tem sido defendida, entre outros, pelo economista Alberto Alesina, de Harvard, no mundo acadêmico, e pelo ex-presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, na arena política.

No entanto, na prática, episódios de consolidação fiscal foram seguidos, em média, por quedas, e não por expansões na produção. Em média, uma consolidação de 1% do PIB aumenta a taxa de desemprego de longo prazo em 0,6 ponto percentual e aumenta em 1,5% em cinco anos a medida de desigualdade de renda de Gini (Ball e outros, 2013).

Em suma, os benefícios de algumas políticas que são uma parte importante da agenda neoliberal parecem ter sido um pouco exagerados.

CAPITAL DE CURTO PRAZO – No caso da abertura financeira, alguns fluxos de capital, como o investimento estrangeiro direto, parecem conferir os benefícios reivindicados para eles. Mas para outros, particularmente fluxos de capital de curto prazo, os benefícios para o crescimento são difíceis de colher, enquanto os riscos, em termos de maior volatilidade e maior risco de crise, são grandes.

No caso da consolidação fiscal, os custos de curto prazo em termos de menor produção e bem-estar e maior desemprego foram subestimados, assim como também é subestimada a conveniência de países com amplo espaço fiscal de simplesmente viverem com alta dívida e permitir que os índices de dívida caiam organicamente através do crescimento.

UM CICLO ADVERSO – Além disso, uma vez que tanto a abertura quanto a austeridade estão associadas ao aumento da desigualdade de renda, esse efeito distributivo estabelece um ciclo de feedback adverso. O aumento da desigualdade gerado pela abertura financeira e pela austeridade pode por si só minar o crescimento, exatamente aquilo que a agenda neoliberal pretende impulsionar. Há agora fortes evidências de que a desigualdade pode reduzir significativamente tanto o nível quanto a durabilidade do crescimento (Ostry, Berg e Tsangarides, 2014).

A evidência do dano econômico causado pela desigualdade sugere que os formuladores de políticas deveriam estar mais abertos à redistribuição do que eles. É claro que, além da redistribuição, as políticas poderiam ser elaboradas para mitigar antecipadamente alguns dos impactos – por exemplo, através de maiores gastos em educação e treinamento, o que expande a igualdade de oportunidades (as chamadas políticas de pré-distribuição).

E as estratégias de consolidação fiscal – quando necessárias – poderiam ser projetadas para minimizar o impacto adverso nos grupos de baixa renda. Mas, em alguns casos, as conseqüências distributivas adversas terão que ser remediadas depois que elas ocorrerem, usando impostos e gastos do governo para redistribuir renda. Felizmente, o medo de que tais políticas necessariamente prejudiquem o crescimento é infundado (Ostry, 2014).

EM BUSCA DO EQUILÍBRIO – Essas descobertas sugerem a necessidade de uma visão mais sutil do que a agenda neoliberal é capaz de alcançar. O FMI, que supervisiona o sistema monetário internacional, esteve à frente dessa reconsideração.

Por exemplo, seu então economista-chefe, Olivier Blanchard, disse em 2010 que “o que é necessário em muitas economias avançadas é uma consolidação fiscal de médio prazo credível, não uma corda fiscal hoje”. Três anos depois, Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, disse que A instituição acreditava que o Congresso dos EUA estava certo em aumentar o teto da dívida do país “porque a questão não é contratar a economia cortando brutalmente os gastos agora, já que a recuperação está aumentando”. E em 2015 o FMI avisou que os países da zona do euro ” espaço fiscal deve usá-lo para apoiar o investimento”.

Na liberalização da conta de capital, a visão do FMI também mudou. Considerava os controles de capital quase sempre contraproducentes, mas passou para uma maior aceitação dos controles para lidar com a volatilidade dos fluxos de capital. O FMI também reconhece que a liberalização completa do fluxo de capital nem sempre é um objetivo final apropriado, e que uma maior liberalização é mais benéfica e menos arriscada se os países atingirem certos limites de desenvolvimento financeiro e institucional.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo o artigo é muito extenso, tivemos de reduzi-lo e vamos deixar para fazer os comentários amanhã. De toda forma, o ministro Paulo Guedes e seus novos Chicago boys deveriam raciocinar a respeito dessas orientações mais atuais do FMI. (C.N.) 

Bolsonaro não entende que o Estado laico significa a própria existência de Deus

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Bolsonaro tem a obrigação de fazer respeitar todas as religiões

Carlos Newton

Os analistas da mídia não falam muito sobre isso, ficam meio constrangidos, mas é preciso tocar no assunto. A maior grandeza do Brasil é a democracia racial, que propiciou uma miscigenação que não se vê em nenhum país do mundo com tamanha abrangência, porque aceitamos imigrantes de todos os continentes. Os Estados Unidos também procederam assim, mas sua miscigenação ocorre muito mais lentamente e com enormes diferenças. A principal dele foi que lá na matriz USA os colonizadores praticaram liquidaram os nativos.

Aqui na filial Brazil também houve matanças, mas acabou vigorando a prática de se amasiar com a população nativa e ocorreu uma mistura de raças colossal, que Martinho da Vila consagrou no samba-enredo “Quatro Séculos de Modas e Costumes”, em 1969: – Negros, brancos, índios/ Eis a miscigenação / Ditando a moda, fixando os costumes/ Os rituais e a tradição

ESTADO LAICO – Dessa salada amorosa, que inclui as mais diversas religiões, somente poderia resultar um Estado laico, que respeitasse as crenças de cada um. O católico Vinicius de Moraes, que estudou em Oxford, era um exemplo e gostava de consultar Mãe Menininha do Gantois. Quando ele estava no auge da fossa, com as mortes seguidas dos amigos mais velhos, entre eles Ary Barroso, Manuel Bandeira e Pixinguinha, a sábia Mãe Menininha disse-lhe apenas uma frase: “Olha para a frente, meu filho…”. E o poetinha seguiu adiante.

De repente, não mais que de repente, Vinicius se espantaria num Brasil que tem um presidente que se diz “enviado por Deus”, tenta impingir a hegemonia dos costumes das seitas evangélicas, embora não deixe de se dizer católico e se defina apenas como “cristão”.

Ao invés de seguir o conselho de olhar para a frente, estamos voltados ao espelho retrovisor, discutindo hábitos e costumes, enquanto a economia naufraga, levando junto a imensa maioria dos brasileiros, inclusive ateus e agnósticos, que não creem em Deus ou acham que a existência Dele não pode ser provada.

LIBERDADE RELIGIOSA – Pessoalmente, sou religioso, aprecio as religiões em geral. Nasci católico, acho chatíssimas as celebrações, mas aqui no Rio recomendo as arrebatadoras missas de um dos poucos exorcistas brasileiros, padre Dom Giovane Ferreira, pároco da Igreja da Glória, no Largo do Machado.

Aceito todas as religiões, gostaria de ter conhecido Mãe Menininha; considero Sócrates um dos maiores líderes religiosos da Humanidade; gosto de estudar as vidas do avatares (Khrisna, Moisés, Lao-Tsé,  Buda, Confúcio, Jesus, Maomé etc.); aprecio muito as teorias espiritualistas, desde Sócrates a Alan Kardec; no momento estou encantado com a sabedoria budista, mas também respeito os pensamentos dos ateus e agnósticos, como o judeu Charles Chaplin e o luterano Friedrich Nietzsche.

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P.S. 1 – Acredito que o Estado laico signifique a verdadeira presença de Deus na Terra, pois ao mesmo tempo abre os braços a todos os habitantes, indistintamente, e isso significa um procedimento absolutamente divino.

P.S. 2 – Considero a liberdade religiosa um dos maiores bens da Humanidade, e lutaria até a morte, com todas as forças, para defender o Estado laico, um avanço democrático que os atuais governantes brasileiros insistem em tentar desconhecer, que Deus os perdoe…

Brasil é o país de maior potencial de crescimento, mas seus governantes atrapalham

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Carlos Newton

Essa disputa político-ideológica que atinge atualmente o Brasil e outros países só interessa às classes mais privilegiadas, que incluem não somente a elite do empresariado e seus executivos, como também a nomenklatura dos três Poderes e seus quadros acessórios. Na verdade, a disputa ideológica é uma enganação.

DESIGUALDADE – Na França, por exemplo, os levantes organizados pelos coletes amarelos  não terão reflexo algum no que verdadeiramente interessa – a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres, ou a diferença entre os maiores e os menores salários.

É ridículo rotular os participantes dessa disputa como comunistas, liberais, capitalistas, democratas, socialistas, conservadores ou progressistas, nada disso interessa, porque as ideologias já morreram, esses militantes estão sendo usados para que, na essência, nada mude, exatamente como está ocorrendo no Brasil, com manifestações que não servem para nada.

CRIATIVIDADE – O fato concreto é que todos os grandes ideólogos da humanidade acabaram tendo desmentidas as suas teorias. Nenhuma delas resistiu à criatividade do dia a dia dos homens. Para ficarmos nos extremos, nem o comunismo de Marx e Engels nem o capitalismo de Adam Smith e Milton Friedman podem ser levados a sério na atual etapa da evolução humana. É preciso adaptar essas teorias aos dias de hoje, mas os fanáticos ideológicos não o fazem.

Chega a ser ridícula a ressurreição da extrema-direita em várias nações, inclusive no Brasil, ainda há quem acredite no poder mágico do liberalismo radical, a pobreza intelectual dessa gente chega a ser constrangedora.

Os países com melhor qualidade de vida são os nórdicos, que  conseguiram aproveitar o que há de melhor no capitalismo e no socialismo. Com essa hábil alquimia ideológica, conseguiram um patamar civilizatório mais avançado, mas ainda enfrentam graves problemas.

CONFLITOS SOCIAIS – Os países nórdicos têm conflitos internos, devido à necessidade de atrair imigrantes para fazer os serviços pouco qualificados na escala profissional. Como suas populações estão se reduzindo e não se miscigenam com os imigrantes, o resultado é que se formaram  guetos étnicos nas cidades, onde nem a Polícia consegue entrar, como acontece em Estocolmo, capital da Suécia.

Em tradução simultânea, isso significa que ainda não há paraíso na Terra. Há apenas algumas ilhas da fantasia, que protegem suas populações e marginalizam os forasteiros. Por isso, as desigualdades sociais permanecem. 

NADA MUDA –Aqui na sucursal Brazil, Jair Bolsonaro foi eleito para fazer um país grande, como aconteceu com Donald Trump na matriz USA. Acontece que lá é mais fácil, porque o governo opera em dólar, a moeda que ainda domina o mundo, embora esteja começando a entrar em decadência.

Assessorado por Paulo Guedes, que ainda acredita em Adam Smith e Milton Friedman, o presidente Bolsonaro vai vender todas as estatais, e não irá acontecer nada de bom ao país.

Guedes parece um disco rachado, fica repetindo que a reforma da Previdência vai resolver tudo. É uma tremenda ilusão. Diante do despreparo de Guedes em conduzir a economia, dá até para sentir pena dele, que se tornou o retrato do “inocente útil”, que Bolsonaro, em sua falta de cultura, chama de “idiota útil”, ao denominar aqueles que defendem teorias equivocadas.

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P.S.
O Brasil é o quinto maior país em extensão e habitantes, a oitava economia, tem imensas reservas minerais a explorar, as mais extensas terras agricultáveis do planeta, o maior volume de água doce acima da terra e em aquíferos, tem uma indústria em decadência, mas que é facilmente recuperável, basta o atual governo descobrir para que serve o BNDES. Presidentes como Fernando Henrique, Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro passam, mas o Brasil fica. 

P.S. 2 – Jamais se poderá resolver a crise econômica do país sem discutir a dívida pública. Os cortes que Guedes e Bolsonaro têm feito são apenas perfumaria. Espero que Deus os perdoe, porque eles não sabem o que fazem. Estão levando o país à estagflação (recessão e inflação simultâneas). (C.N.)

Tolerância Zero está dando certo e os homicídios caem 25% no Rio de Janeiro

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Charge do Aroeira (O Dia/RJ)

Carlos Newton

Os dados sobre a queda da criminalidade no Estado do Rio de Janeiro – divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) – revelam que os casos de homicídios dolosos tiveram redução de 25% em abril, na comparação com o mesmo mês em 2018. É o quarto mês seguido de queda.

EM QUEDA – O número de homicídios vem diminuindo. Houve menos 488 ocorrências nos quatro primeiros meses de 2019, na comparação com o mesmo período do ano passado. Além disso, de janeiro a abril deste ano, 2904 armas foram apreendidas em todo o estado, sendo 241 delas fuzis. E outros destaques positivos foram as quedas de 25% nos roubos de carga e de 19% nos roubos de veículos em abril de 2019, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Quando há redução da criminalidade num mês ou noutro, e depois volta a subir, não há indicativo confiável. Mas quando as ocorrências vêm diminuindo em quadro meses seguidos, em relação ao ano anterior, passa a haver indicativo de viés de baixa.

BONS RESULTADOS – No caso do Estado do Rio, isso significa que a política de Tolerância Zero do governo estadual realmente está dando resultados. Houve queda até nos roubos de rua, que englobam assaltos a pedestres, em ônibus e roubos de aparelhos celulares. Foram 11.067 no mês de abril, com 830 ocorrências a menos do que em março, quando chegaram a 11.897 registros.

Segundo os especialistas, quando aumenta a repressão aos crimes mais graves, geralmente ocorre alta dos roubos de rua, porque os criminosos buscam alternativas de sobrevivência mais fáceis e rápidas. No entanto,, também os roubos de ruas tiveram diminuição em abril.

A MÍDIA DESPREZA –Seria de se esperar que essa notícia da redução da criminalidade, tão ansiosamente esperada pela população do Rio de Janeiro, fosse manchete da imprensa mídia local e repercutisse no país inteiro, mas não foi exatamente isso que aconteceu.

As emissoras de rádio e televisão, assim como os três maiores jornais do Estado – O Globo, O Dia e Extra – simplesmente desprezaram a redução das ocorrências. Ao invés da registrar a queda da criminalidade em todos os itens, a mídia preferiu destacar a informação de que o número de mortos em confrontos com a Polícia aumentara 23% em abril, em relação ao mesmo mês do ano passado.

ERA ESPERADO – Realmente esse dado é verdadeiro e deveria ser até esperado. Quando se aumenta a repressão ao crime, é claro que o número de criminosos mortos em confrontos tende a aumentar. Entretanto, de acordo com o Instituto de Segurança Pública, Também este indicador está em queda desde o começo do ano. Em janeiro, foram 160 mortes em confrontos; em fevereiro, 145, em março, 129; e em abril 124.

O pior comportamento foi de O Globo. Além de não dar destaque à queda da criminalidade, na quarta-feira o jornalão publicou um editorial lamentando a violência policial, sob o título “Redução de homicídios é relevante, mas mortes por policiais preocupam”.

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P.S. –
 Os tempos estão sempre mudando, há um permanente vaivém das ideias e teses. Agora, apesar de Bolsonaro estar no poder com sua política de combate ao crime, parece que mesmo assim voltou à moda defender os direitos humanos dos criminosos, ao invés de defender as vítimas. (C.N.)

Pacto entre os Poderes é fortíssimo candidato à Piada do Ano e faz lembrar Pelé

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Charge do Ricardo Welbert (Arquivo Google)

Carlos Newton

Já estamos no final de maio e as inscrições se multiplicam para o disputadíssimo concurso da Piada do Ano. O presidente Bolsonaro não chegou nem entre os finalistas no ano passado, mas agora está disposto a arrasar os demais concorrentes, com o Pacto entre os Poderes da República.

CONSAGRAÇÃO – Embora a ideia original não seja dele, a simples adaptação pode consagrá-lo. Todos os ditadores do mundo, sem exceção, desfrutaram de pactos com os três poderes, que passaram a funcionar como um só. Não há nenhum novidade nisso.

A diferença é que Bolsonaro decidiu adaptar a ideia para regime democrática, numa inovação capaz de surpreender o mundo, suplantando o feito da então presidente Dilma Rousseff, na Assembleia-Geral da ONU, quando abordou o revolucionário sistema de estocagem do vento.

HÁ DIFERENÇAS – Bolsonaro é um fenômeno diferente de Dilma, porque se cercou de um núcleo duro de grande respeitabilidade e capacidade de trabalho. Seu maior erro foi escolher um economista da ultrapassada escola de Chicago que estava até moralmente impedido de assumir cargo público, por ter usado uma de suas empresas para lucrar em cima do prejuízo de fundos de pensão.

Paulo Guedes começou a ser investigado pelo Ministério Público Federal no ano passado, antes das eleições. A primeira denúncia foi feita pela Funcex (Caixa Econômica Federal) e depois foi divulgado uma relatório pesado contra ele, feito pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).  

O Tribunal de Contas da União (TCU) já abriu processo para investigar fraudes em operações feitas por um empresa de Guedes, envolvendo fundos de pensão. Mesmo assim, Bolsonaro decidiu mantê-lo, mas já não tem o mesmo prestígio. Quando as investigações avançarem no inverno, a imagem de Guedes vai cair abaixo de zero.

IGUAL A PELÉ – Voltando ao pacto entre os três Poderes que Bolsonaro está propondo, ao que parece o presidente da República quer repetir a performance única de Pelé, que venceu por antecipação o mais importante concurso esportivo mundial.

O prestígio do craque brasileiro era tamanho que ele foi eleito “Atleta do Século” em 1979, ainda faltando 21 anos para o século acabar. Jornalistas que representaram as mais importantes publicações de esportes do mundo escolheram Pelé. Em segundo lugar ficou o velocista norte-americano Jesse Ownes, quatro medalhas de ouro na Olimpíada de Berlim, e o terceiro colocado foi o lendário ciclista belga Eddy Merchx.

Agora o próprio presidente da República tenta repetir a façanha de Pelé, lançando uma Piada do Ano no final de maio, ainda faltando sete meses para o julgamento das anedotas. Bolsonaro tem fé no seu taco. Sabe que dificilmente alguém arranjará uma piada tão arrebatadora quanto esse pacto entre poderes.

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P.S.
Vamos aguardar. Ainda é cedo, amor, diria o genial Cartola, lembrando que o mundo é um moinho e pode ser que surja alguma outra concorrente do mesmo nível. Aliás, os petistas Lula da Silva e Dilma Rousseff costumam surpreender na reta final, triturando os sonhos de outros piadistas e reduzindo suas ilusões a pó. (C.N.)   

Pacto dos três Poderes é uma afronta à democracia e só serve como peça publicitária

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Charge do Frank (Arquivo Google)

Carlos Newton

Em países que entram em grave crise, é costume falar em pacto nacional, embora ninguém saiba realmente o que isso significa. Na matriz USA, isso não existe nem mesmo em Hollywood, onde a ficção aceita praticamente tudo. Aqui na filial Brazil, há alguns meses o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, apareceu com essa ideia genial, que em Portugal seria considerada bestial. E agora o presidente Jair Bolsonaro, que não vai bem das pernas neste início de governo, resolveu ressuscitar a tese, cujo teor é mantido em sigilo, tal e qual os números que baseiam a reforma da Previdência.

Aliás, acredito ser um dos poucos brasileiros que se interessaram em ler a proposta assinada pelo ministro Paulo Roberto Nunes Guedes, que assinou a letra de uma espécie de Samba do Crioulo Doido, porque o mesmo projeto inclui a emenda constitucional e também a regulamentação que modifica outra leis. São 66 páginas.

TEXTO CHATÍSSIMO – Será que algum parlamente leu, além do relator Samuel Moreira (PSDB-SP)? Tenho minhas dúvidas. O texto é chatíssimo. Para compreendê-lo, é preciso manter disponíveis a Constituição e a vasta legislação previdenciária. É por isso que nenhum jornal publicou um resumo da proposta de reforma. A coisa é tão ampla, que os repórteres vão dissecando por partes, como se fosse Jack, o Estripador.

O que mais chama atenção é que na “justificativa” que robustece a proposta, o ministro Guedes gasta 25 páginas, mas não apresenta nenhuma análise sobre os números de receitas e despesas. Apenas apresenta um gráfico de percentuais relativos ao PIB, as coisas não são nada claras, ao contrário do que se esperava.

Em matéria de números, os únicos mencionados estão na última página (fls. 66), quando Guedes publica um quadro sobre o “Impacto Líquido”, estimado para daqui a 10 ou 20 anos. E o resultado é impressionante. No primeiro decênio, a União economizaria R$ 1,072 trilhão; e em 20 anos a previsão ainda vai longe, chega a R$ 4,497 trilhões. Nada mal.

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P.S.
1Nada mal, se fosse verdade. Mas os números mágicos de Guedes parecem justificar minha definição para o tipo de Estatística Sigilosa que ele utiliza, em demonstração da “arte de torturar os números até eles confessarem o que você pretende demonstrar”.

P.S. 2 Sabe-se que a aposentadoria dos militares está fora da reforma, embora seja uma das maiores responsáveis pelo déficit previdenciário. O governo anunciou que iria enviar à Câmara, em separado, o tal projeto da aposentadoria militar, chegou até a marcar data, e depois esqueceu. Mas será que o relator se interessa por esses detalhes?

P.S. 3 – Em regime democrático, não existe pacto entre os Três Poderes, conforme o jurista Jorge Béja já demonstrou aqui na Tribuna. Quando há pacto entre os poderes, é sinônimo de ditadura, a exemplo do que acontece na Venezuela. (C.N.)

Dívida pública – a bomba-relógio – aumenta 170% em apenas oito anos e meio

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

O grande diferencial da “Tribuna da Internet” são os seus comentaristas. A troca de opiniões entre eles é altamente esclarecedora, ajuda a entender o passado, refletir o presente e antever o futuro. No último dia 19, o comentarista Armando Gama postou um texto da jornalista Regina Alvarez sobre a dívida pública, publicado em 2010 em O Globo, sob o título “Lula deixará para seu sucessor dívida bruta que é a maior dos últimos dez anos”.

A análise da excelente jornalista mostrava que a dívida bruta, importante indicador da situação econômica de qualquer país, chegara a R$ 2,011 trilhões em dezembro de 2010, ou 55% do PIB. E a “herança” do governo Lula tinha sido turbinada por operações batizadas de “empréstimos” que o Tesouro vinha fazendo com o BNDES desde 2009, por meio da emissão de títulos públicos.

PREOCUPAÇÃO – Portanto, há quase de anos, o crescimento da dívida bruta já era visto com preocupação por muitos analistas, entre eles o economista Felipe Salto, da Consultoria Tendências.

“A crise global de 2009 abriu espaço para uma mudança radical de postura do governo do PT em relação às contas públicas. O acúmulo de superávits, que serviam para reduzir a dívida em relação ao PIB, foi substituído por uma combinação de aumento dos gastos com expansão do crédito por meio do crescimento da dívida pública”, assinalou Regina Alvarez, mostrando como a equipe econômica petista conseguiu alavancar artificialmente a subida do PIB em 4,7% naquele ano (2010).

“O próximo governo terá a tarefa adicional de sinalizar que a dívida bruta vai cair em relação ao PIB. Não é um cenário caótico, tem ainda uma gordura, mas a gordura acaba” — destacou o economista Felipe Salto, que acertou em cheio sua previsão.

MAQUIAGEM – No importante artigo, Regina Alvarez assinalou que a preocupação dos analistas cresceu depois que foram revelados alguns truques que o governo utiliza para reforçar o caixa do Tesouro e abrir espaço para acomodar mais despesas.

“O BNDES tem servido de instrumento para essas manobras. Revitalizado pelos empréstimos do Tesouro, o banco passou a repassar à União valores muito maiores em dividendos. Em 2009, foram R$ 10,9 bilhões, quase o dobro de 2008 (R$ 6 bilhões). Outros R$ 3,5 bilhões foram “comprados” da Eletrobrás e também transferidos para o caixa da União, ajudando a fechar as contas”.

“A dívida bruta é um indicador que precisa cada vez mais ser observado pelo uso desses mecanismos de expansão de crédito. O caminho que está sendo adotado é errado” — advertiu Felipe Salto.

MANIPULAÇÃO – O governo petista jamais demonstrou preocupação com o aumento da dívida bruta. A equipe do ministro Guido Mantega manipulava os dados e destacava em suas avaliações a trajetória da dívida líquida. Por esse falso conceito, o mesmo valor dos títulos emitidos para os empréstimos ao BNDES entrava nas contas como créditos do governo federal, neutralizando essas operações.

Passados apenas oito anos e meio, em março de 2019 a dívida bruta chega a R$ 5,431 trilhões, o que representa 78,4% do PIB. Ou seja, em apenas 9 anos, subiu cerca de 170%, um total absurdo e assustador.

Portanto, quando se pede uma auditoria, não se visa a um calote ou moratória. O que se pretende é justamente evitar o calote. Mas o ministro Paulo Guedes nem toca no assunto. Para ele, a reforma da Previdência resolverá tudo, mas sabe-se que isso é “ilusão à toa”, como diria o genial cantor Johnny Alf.

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P.S.
Paulo Guedes pode fazer cara de paisagem e fingir que a dívida pública não prejudica o país. Pode imitar Manuel Bandeira, ir embora para Pasárgada ou cantar um tango argentino, mas não vai adiantar nada. A dívida é uma bomba-relógio no colo dos brasileiros, como ocorreu no atentado do Riocentro, e precisamos discuti-la em profundidade. Mas quem se interessa? (C.N.)

Bolsonaro está manipulando Paulo Guedes, mas o ministro ainda nem percebeu…

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Não interessa saber se a manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro foi sucesso ou fracasso, se atraiu mais militantes do que o protesto universitário do dia 15, que aconteceu numa quarta-feira, nada disso é importante.

PROTESTO A FAVOR – A realização desse “protesto a favor”, digamos assim, deixou no ar um clima de fim de festa, porque o resultado positivo só existe na mente dos bolsonaristas fanáticos, que achavam que a simples realização do ato público teria o poder de emparedar o Congresso e intimidar o Supremo, para que daqui para frente, tudo fosse diferente, no estilo Roberto Carlos, e deputados e senadores passariam a fazer tudo o que seu mestre mandar.

Mas não é bem assim que a política funciona. A convocação do ato a favor do governo tinha contraindicações que não foram respeitadas, porque os organizadores – com Carlos Bolsonaro à frente das redes sociais – esqueceram de ler a bula do falso remédio.

AMADORISMO – O problema é que Bolsonaro tem 28 anos de Câmara Federal, mas não pode ser considerado um político experiente, em sentido amplo, e agora está cercado de amadores, especialmente os filhos Zero Um, Zero Dois e Zero Três.

Como o presidente é individualista e impulsivo, não tem um “consigliere” a quem costume consultar antes de fazer/falar bobagens. O que chega mais perto dessa função é o ministro Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Mas ele e os demais componentes do núcleo duro só têm conseguido corrigir Bolsonaro à posteriori.

Infelizmente, o presidente continua a aceitar a priori as ideias dos filhos, sem analisar as contraindicações. E o resultado tem sido altamente negativo.

PALPITE INFELIZ – A manifestação deste domingo tinha como principal contraindicação o fato de que – atraindo multidões ou não – o resultado seria o mesmo, porque a iniciativa, desde que foi anunciada, logo começou a despertar contrariedade no Supremo e no Congresso, e isso não interessa ao Planalto.

Fica patente que a entourage familiar de Bolsonaro não entende o que é democracia, e o próprio presidente se deixa contaminar, embora esteja cansado de saber que cada Poder da República faz a sua parte.

Assim, independentemente do resultado da manifestação, já se sabia que tudo continuaria na mesma, porque o Congresso vai aprovar a reforma da Previdência que considerar mais adequada ao povo brasileiro, pois não aceita engolir a proposta original de Paulo Guedes, que interessa mais aos banqueiros do que aos trabalhadores.

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P.S. 1 –
Bolsonaro não é nada bobo. O ministro Guedes pensa que pode usá-lo, porém jamais conseguirá. É Bolsonaro que está manipulando o chefe da equipe econômica, e não o contrário. Lembrem que há dois meses o presidente já sinalizou que o sistema de capitalização não é fundamental. Desde então Guedes tenta forçar a aprovação, chegou agora a ameaçar se demitir e ir morar lá fora, mas os deputados e senadores estão pouco ligando. A reforma vai sair do jeito que Bolsonaro quer, sem capitalização.

P.S. 2 – Guedes vai enlouquecer de raiva, mas terá de engolir, porque precisa do foro privilegiado. O Ministério Público do Estado do Rio e o Tribunal de Contas da União estão investigando as aplicações negativas que Guedes fez na farra dos fundos de pensão, na Era do PT. Aliás, o relatório da Superintendência Nacional de Previdência Complementar contra Guedes é impressionante. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Fanatismo político é uma doença degenerativa da mente e da alma. Pense nisso.

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Os brasileiros estão sofrendo mais uma epidemia de fanatismo, esta estranha doença degenerativa da mente e da alma. Até recentemente, era Deus no céu e Lula da Silva na terra. E o líder petista incentivava esse culto à personalidade, chegando a dizer que nem era mais uma pessoa, porque já havia se transformado numa “entidade”.

“ENVIADO DE DEUS” – Agora, Jair Bolsonaro vai pelo mesmo caminho e na semana passada ele próprio divulgou a entrevista de um pastor franco-congolês, anunciando que o capitão havia sido “escolhido por Deus” para salvar o Brasil.

Já tínhamos ouvido falar que Deus é brasileiro, mas não sabíamos que se dividia em dois para atender às preferências dos eleitores locais.

Hoje vai haver a grande manifestação doS admiradores de Bolsonaro, em mais de 300 cidades. Será uma espécie de terceiro turno, como diz o jornalista e advogado José Carlos Werneck, que conhece como poucos os bastidores do poder.

CONTRA E A FAVOR – Werneck chegou a escrever uma convocação para que as pessoas saiam às ruas e manifestem seu inconformismo em relação ao Supremo e ao Congresso, embora ele próprio faça restrições ao governo Bolsonaro, especialmente no tocante à atuação dos ministros Paulo Guedes, Damares Alves e Abraham Weintraub, que a seu ver são mais indigestos.

Ninguém sabe o que vai acontecer. Pode ser que haja uma supermanifestação nacional, que politicamente seria consagradora para o presidente da República e seu filho Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, que tem o condão de manejar as redes sociais.

Mas há possibilidade de ser um evento de porte médio, tipo as passeatas universitárias do último dia 15, sem maiores repercussões. Ou até mesmo ser um fracasso monumental, que balance o coreto de Bolsonaro e faça com que desista definitivamente de sofrer influência dos filhos e do guru virginiano Olavo de Carvalho, que formam uma nova versão dos três mosqueteiros que eram quatro.

THE DAY AFTER – Como ocorre no cinema, às vezes o importante é o dia seguinte. No caso desta manifestação pró-Bolsonaro, já se sabe que – seja sucesso ou fracasso – a iniciativa não terá resultado algum, porque o Supremo não está nem aí e o Congresso continuará na dele, buscando uma versão menos traumática e ensandecida da reforma da Previdência, uma alternativa ansiada pelo próprio Bolsonaro, que já percebeu que o ministro Paulo Guedes não é totalmente confiável, muito pelo contrário.

Para quem sabe ler nas entrelinhas, a entrevista concedida à Veja diz tudo, é uma prato feito de vaidades. Ao tomar conhecimento das declarações, Bolsonaro deu-lhe uma resposta à altura, ao dizer que no governo dele ninguém é obrigado a ser ministro.

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P.S.
Pensando bem, se Guedes pedisse o boné e fosse logo morar “lá fora”, como está ameaçando ridiculamente, com toda certeza ele se transformaria numa ausência que preencheria uma lacuna. Infelizmente, porém, o ministro não pode se demitir, porque perderá o foro especial no Supremo.

P.S. 2Como se sabe, Guedes está sendo investigado pelo Ministério Público do Estado do Rio e pelo Tribunal de Contas da União, devido aos golpes que deu ao aplicar recursos dos fundos de pensão em ativos criados por ele próprio, antes de ser nomeado ministro. Portanto, Guedes jamais pedirá demissão. É tudo conversa fiada. Desse jeito, pode até ganhar o Oscar de Ator Coadjuvante.  (C.N.)