Ruy Castro e as trincheiras tropicais: o Brasil esquecido que a Segunda Guerra revelou

Ruy Castro levanta uma história nunca antes contada

Pedro do Coutto

Comecei a ler a mais nova obra de Ruy Castro, “Trincheira tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio”, focalizando como estava a opinião pública no Rio de Janeiro em face da Segunda Guerra Mundial. O livro, edição da Companhia das Letras, é um registro muito importante marcado pelos fatos e conceitos que o autor vai singularmente elencando, apontando uma realidade que hoje se redescobre sob a pena e o pensamento de Ruy Castro.

A Segunda Guerra Mundial ainda é, no imaginário brasileiro, um capítulo frequentemente reduzido a notas de rodapé, apesar de sua profunda influência na formação do Estado moderno e na redefinição do papel do país no cenário internacional. Nesse contexto, obras como “Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio” cumprem uma função essencial: resgatar a dimensão histórica e política de um período em que o Brasil precisou decidir entre o isolamento continental e o engajamento efetivo em um conflito global que redefiniria o século XX.

Ao fazê-lo, Ruy Castro contribui para iluminar uma geração que saiu das sombras da história oficial para ocupar o lugar que lhe cabe na memória nacional.

CRIAÇÃO DA FEB – A participação brasileira no conflito foi decisiva para afirmar a presença internacional do país e consolidar sua aproximação com os Estados Unidos no contexto da política hemisférica de guerra.

A criação da Força Expedicionária Brasileira, com cerca de 25 mil soldados enviados à Itália entre 1944 e 1945, simbolizou não apenas um gesto militar, mas uma decisão estratégica de reposicionamento geopolítico do país em meio à disputa global entre as potências do Eixo e os Aliados.

As batalhas em Monte Castelo, Montese e Collecchio demonstraram a capacidade de combate das tropas brasileiras e contribuíram diretamente para a derrota das forças alemãs na Linha Gótica, ao custo de centenas de vidas nacionais.

MODERNIZAÇÃO – O livro dialoga com um momento histórico em que a guerra externa se entrelaçou com transformações internas profundas. O esforço de mobilização militar, industrial e diplomática acelerou a modernização do Estado brasileiro, impulsionou a infraestrutura logística e fortaleceu a centralidade do poder federal.

A guerra não foi apenas travada nos campos europeus: ela também se desenrolou nos estaleiros, nos portos, nas bases aéreas do Nordeste e na política externa que buscava equilibrar interesses econômicos, pressões norte-americanas e a necessidade de afirmação soberana.

Trata-se de um período em que a política internacional penetrou o cotidiano nacional, redefinindo prioridades estratégicas e inaugurando uma nova etapa de projeção do Brasil no mundo.

SERVIÇO PÚBLICO – Ao valorizar esses episódios com rigor histórico e sensibilidade narrativa, a obra presta um serviço público à memória nacional. Em tempos de disputas simbólicas sobre o passado e de revisões apressadas da história política brasileira, recuperar a complexidade da participação do país na Segunda Guerra Mundial é também um gesto de responsabilidade cívica.

Ruy Castro acerta ao apresentar a guerra não como um episódio distante, mas como uma trincheira tropical que moldou decisões, identidades e projetos de nação que ainda ecoam no presente.

Sem dúvida, mais uma importante contribuição que assinala o quão Ruy Castro é um escritor fantástico.

Acesso a dados da esposa de Moraes expõe a Receita e acirra tensão institucional

Governo atribui derrota de escola pró-Lula a fatores técnicos e critica as notas dos jurados…

Acuado, Moraes “incrimina” servidores e busca passar por “perseguido político”

Tribuna da Internet | Alexandre de Moraes tornou-se campeão de pedidos de impeachment no Senado

Charge reproduzida da revista Fórum

Carlos Newton

Como diz o jornalista Mário Sabino, do site Metrópoles, o ministro Alexandre de Moraes tem 129 milhões de motivos para achar que não escapará incólume desse escândalo do banco Master. Mesmo assim, sempre que pode, ele ainda exibe injustificada revolta diante das críticas quem vêm sendo feitas ao Supremo e à chamada “Ditadura do Judiciário”, e reage com violência máxima.

Como se sabe, Moraes é o eterno relator do Inquérito do Fim do Mundo, assim apelidado pelo ministro Marco Aurélio Mello em 2021, antes de se aposentar, porque se tratava de uma investigação que começara em 2019, a pretexto de combater fake news, e foi estendida indefinidamente por Moraes para nela incluir qualquer assunto que lhe interessasse.

SETE ANOS DEPOIS… – Bem, o Inquérito do Fim do Mundo já está completando sete anos, mais inchado do que um porco Duroc-Jersey, com alto teor de gordura intramuscular, e o ministro Alexandre de Moraes continua a usar o inquérito qual fora papel higiênico jurídico.

Na tentativa de limpar a esposa e a si mesmo, que jamais deveriam se relacionar com um super-estelionatário como Daniel Vorcaro, agora Moraes mandar incriminar quatro servidores públicos de elite na categoria fazendária.

Eles serão denunciados, julgados e condenados pelo ministro, perderão os empregos duramente conquistados em concursos públicos e até poderão ser presos, para satisfazer a sanha vingativa de Moraes.

SÃO CRIMINOSOS? – É claro que há perguntas a serem respondidas, além da clássica “Que país é esse?”, feita pelo deputado Francelino Pereira, quando defendia o regime militar.

Uma delas: “Esses servidores são criminosos?”. Claro que não. Todos têm ficha limpíssima e serviços prestados ao país. São pessoas de bem, que se revoltaram diante de tanta impunidade e sem-vergonhice de ministros como Dias Toffoli e Moraes. Esses funcionários federais simplesmente caíram em tentação e foram conferir, de forma irregular, o enriquecimento ilícito dessa gentalha que ocupa o poder. Apenas isso.

Agora, esses quatro servidores perderão tudo e colocarão suas famílias em dificuldades, porque Moraes quer sujá-los, na ilusão de que possa se limpar. Mas “isso non ecziste”, diria Padre Quevedo, que nunca fumou charutos nem bebeu vinhos nobres com pilantras.

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P.S. 1
Uma coisa é certa. Enquanto tiver resquícios de poder, Alexandre de Moraes ainda vai prejudicar muita gente neste país. E agradeçam tudo isso a Michel Temer, aquele presidente eventual que nomeou Moraes para o Supremo e depois foi preso pela Lava Jato, porque era chegado a uma corrupção e até recomendava: “Tem de manter isso, viu?”.

P.S. – O Jornal Nacional fez o jogo sujo de Moraes e colocou no ar uma matéria fortíssima contra os servidores, como se fossem uma ameaça à nação. Eles cometeram uma ilegalidade, é certo, mas em comparação às ilegalidades que Moraes e Toffoli têm praticado, os servidores mereceriam uma anistia presidencial, caso estivéssemos numa democracia e realmente houvesse um presidente em Brasília. (C.N.)  

Aliados veem erro político em homenagem carnavalesca a Lula

STF: Vazamento sobre Dias Toffoli aprofunda desconfiança e ameaça ano eleitoral

Charge do Clayton (Arquivo do Google)

Valdo Cruz
G1

O Carnaval acabou, mas não serviu para melhorar o clima dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ministros da Corte, o ambiente segue tenso e com muita desconfiança entre eles depois do vazamento e suspeita de gravação das reuniões sobre o ministro Dias Toffoli e o caso Master.

“Não dá para esquecer o que aconteceu somente porque passou o Carnaval. A reunião foi gravada e foi tudo muito sério. Quebrou-se a confiança interna”, alerta um integrante do STF.

INVESTIGAÇÃO – A dúvida é se o presidente do Supremo, Edson Fachin, vai abrir investigação para descobrir o que aconteceu. Para aumentar a temperatura, a PF fez uma operação durante as festas carnavalescas a partir de um inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes. O resultado pode ser explosivo e muito importante para elucidar ataques ao Supremo, mas a iniciativa de incluir todos os ministros no rol dos supostos alvos de espionagem desagradou colegas de Moraes.

A Polícia Federal apura se sigilos de ministros do STF e parentes foram quebrados ilegalmente para venda de dados ou uso político. Ou até as duas coisas ao mesmo tempo. A depender das descobertas, o clima dentro do Supremo pode ficar ainda mais quente e contaminar de vez o ano eleitoral, principalmente se prevalecer a linha do uso político.

LISTA – O inquérito foi aberto por Moraes, mas as ações desta semana foram solicitadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Gonet também estava na lista dos que deveriam ter seus registros checados para descobrir se houve alguma quebra de sigilo.

A Receita Federal informou, porém, que não foi encontrada violação nos registros de dados do procurador nem de seus parentes. A PF e a Receita Federal já descobriram que Viviane Barci Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, foi alvo de invasão de seus registros por um funcionário cedido à Receita, que trabalha no Rio. Além dele, outros três servidores estão sendo investigados.

Desfile sobre Lula foi um ato eleitoral, porém ele não conquistou um só voto

Lula desce à pista para se encontrar com o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Niterói, escola que o homenageou

Dizer que não foi um ato eleitoral chega a ser ridículo

Eliane Cantanhêde
Estadão

A ida do presidente Lula à Sapucaí e a homenagem que recebeu da Escola Acadêmicos de Niterói são daquelas coisas que levantam debate, muitas vozes de especialistas, defesa dos governistas e críticas e ações da oposição, mas… é tudo espuma, pelo menos sob o ponto de vista jurídico. Só que a questão também é política.

É evidente que Lula tirou uma casquinha eleitoral do “maior espetáculo da Terra” e a escola ganhou visibilidade desproporcional na sua estreia no Grupo Especial. Mas fica nisso. Lula não deve sofrer punições nem deve ter conquistado um único voto e a escola corre o sério risco de ser rebaixada para a Série Ouro.

LANCE ELEITORAL – Diferentemente dos absurdos de Jair Bolsonaro a cada 7 de Setembro, o governo se cercou de cuidados neste carnaval. Segurou o ímpeto de Lula e Janja de participar do desfile e pautou o presidente, os ministros e toda a comitiva para ficarem de boca calada. Apesar disso, ninguém, da oposição e do governo, acredita que não foi um lance eleitoral. Óbvio que foi.

Além de forçarem Lula e Janja a “se comportarem direitinho”, seus assessores recorrem ao argumento de que o governo não usou dinheiro público na escola (além do que as demais receberam), nem teve qualquer ingerência no enredo, nas alas, no samba e nas alegorias da Acadêmicos de Niterói, que teria escolhido Lula apenas pelo seu passado e sua história, não pelo futuro.

Acredite quem quiser. Quem viu o desfile sabe que a verdade, transmitida ao vivo e gravada e fotografada sob vários ângulos, é que a escola fez propaganda dos feitos do governo, do número de Lula nas eleições e até da estrela do PT. E se tivesse sido com Jair Bolsonaro em 2022?

UMA BURRICE – O maior erro da escola, aliás, foi usar um boneco fantasiado de presidiário, atrás das grades e com uma tornozeleira eletrônica danificada. Lula e o Planalto não tiveram nada a ver com isso, nem sequer sabiam com antecipação? Se tiveram ou sabiam, foi uma burrice, porque a reação seria óbvia, como acabou sendo.

Michele Bolsonaro não perdeu tempo e devolveu na mesma moeda, com o que chamou nas redes sociais de registro de um fato histórico: “Quem foi preso por corrução foi Lula”. Que tal uma guerra de bonecos presidiários? E se a escola for rebaixada, vai virar chacota?

A homenagem a Lula passou pelo TSE antes do desfile, sob argumento de que a Corte não poderia proibir antecipadamente, o que caracterizaria censura prévia. Também deve passar depois do desfile realizado e encerrado, sob alegação de que não foi campanha antecipada, apenas uma homenagem a um personagem relevante do Brasil. Não dá, porém, para tapar o sol com a peneira: foi um ato eleitoral e será material da campanha oficial.

Irmão de Bolsonaro aciona Justiça contra desfile pró-Lula e propaganda antecipada

Renato Bolsoanro critica ‘tratamento jocoso’ ao irmão

Julia Duailibi
G1

O irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro, apresentou duas ações judiciais em que pede providências após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Sapucaí, na noite de domingo (15). As ações apontam possíveis atos de improbidade administrativa e propaganda eleitoral antecipada.

Na representação dirigida a autoridades eleitorais, o irmão de Bolsonaro argumenta que o samba-enredo da Niterói cita o número 13 e o jingle de Lula. Além disso, diz que integrantes da escola fizeram a letra “L” com a mão durante a transmissão do desfile. Renato Bolsonaro afirma ainda que a escola deu tratamento jocoso a seu irmão, “caracterizando-o como um palhaço”, e a famílias conservadoras de direita.

PALHAÇO BOZO – A Niterói usou a imagem do palhaço Bozo para se referir a Bolsonaro em dois momentos do desfile: na comissão de frente, em que atores e dançarinos representavam também Lula e os ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer, e no carro alegórico que mostrou uma escultura gigante do palhaço atrás das grades.

O desfile também tinha uma ala chamada “Neoconservadores em Conserva”. A fantasia representava uma lata de alimentos. No rótulo, havia a imagem de um casal com duas crianças e o texto “família em conserva”.

Políticos de direita consideraram um ataque a famílias evangélicas. “Usar verba pública para ridicularizar a Igreja Evangélica é inadmissível. O governo Lula recebeu o roteiro do desfile. O governo Lula sabia cada ala que iria desfilar”, afirmou a senadora Damares Alves (PL-DF). “A fé cristã foi exposta ao escárnio em nome da cultura travestida de politicagem”, disse a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher.

POLÊMICAS –  Em nota divulgada na segunda (16), a Acadêmicos de Niterói afirma ter sofrido perseguições durante a preparação do desfile e defende que a avaliação dos jurados seja “justa, técnica e transparente”.

Nos dias que antecederam o carnaval, o desfile da Niterói foi alvo de pelo menos dez ações na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU). Partidos e parlamentares da oposição apontaram propaganda eleitoral antecipada.

No dia 12 de fevereiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou uma liminar que pedia a proibição do desfile, mas os ministros alertaram que condutas na avenida poderiam configurar crime eleitoral.

PERSEGUIÇÕES –  A primeira-dama, Janja da Silva, desistiu de desfilar e assistiu à passagem da escola em um camarote ao lado de Lula. Em nota, Janja afirmou que tomou a decisão para evitar “possíveis perseguições à escola de samba e ao presidente Lula”.

Após o desfile, políticos da oposição fizeram novas críticas e anunciaram que tomarão providências. Lula, por sua vez, publicou uma mensagem nas redes sociais sobre sua participação no carnaval no Rio, no Recife e em Salvador. “Depois de passar pelo carnaval de Recife e de Salvador, estive no Rio de Janeiro, na Sapucaí. Tive a honra e a alegria de acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Muita emoção”, escreveu.

Na Sapucaí, o presidente desceu do camarote para cumprimentar o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Niterói. Ao longo da noite, repetiu o gesto com integrantes das outras escolas que desfilaram naquela noite.

 

Ministros do STF afirmam que Moraes tentou se blindar com Operação da PF

Alexandre de Moraes usa 'caso IOF' para rebater críticas de ativismo do  Supremo

Moraes está ficando cada vez mais isolado no Supremo

Malu Gaspar
O Globo

A devassa que a Polícia Federal realizou sobre funcionários da Receita acusados de vazar informações sigilosas de parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira, acendeu um alerta entre os próprios colegas de Alexandre de Moraes, que determinou a ação.

Dois ministros ouvidos sob reserva consideram a ação “absurda” e enxergam indícios de abuso de autoridade. Na ala do Supremo que não gravita em torno de Moraes, pegou mal o fato de ele não ter sequer comunicado aos colegas que havia uma suspeita de acesso indevido aos seus sigilos fiscais. Um magistrado disse ter manifestado seu descontentamento a Edson Fachin, presidente do STF.

O fato de Moraes ter pedido à Receita que verifique se houve acesso ilegal aos dados de cerca de 100 pessoas foi encarado internamente como uma tentativa do ministro de fazer uma “fishing expedition”, ou pesca probatória, que é como o jargão jurídico define a prática ilegal de fazer buscas genéricas, sem objetivo determinado, para tentar encontrar provas de crimes. Essa era uma acusação comumente feita à força-tarefa da Lava Jato e que agora se repete à boca pequena no Supremo.

AUTOBLINDAGEM – Esses ministros temem que Moraes use os dados sobre integrantes do STF e parentes que venham a ser obtidos na devassa da PF para se blindar do avanço das apurações sobre ele mesmo e sobre sua mulher, Viviane, que tem um contrato de R$ 130 milhões com o Banco Master até hoje inexplicado.

Ainda está fresco na mente dos togados o vazamento da reunião secreta que terminou com Dias Toffoli renunciando à relatoria do caso Master, depois de o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ter entregue ao presidente do STF um relatório listando motivos para a sua suspeição – como o recebimento de R$ 35 milhões pela venda de um resort ao grupo do banqueiro.

Detalhes da reunião, incluindo trechos literais das falas de alguns magistrados, foram publicados pelo site “Poder 360”, e levaram os colegas a desconfiar que Toffoli teria gravado o encontro e feito um vazamento seletivo, privilegiando os trechos das conversas que o favoreciam.

EFEITO ORLOFF – Toffoli nega qualquer gravação, mas isso não diminuiu a tensão interna, pelo contrário.

 Para alguns colegas de Supremo, com a ação de terça, Moraes teme o “efeito Orloff”, como se, ao olhar para Toffoli, ele ouvisse a voz da antiga propaganda em que um sujeito diz ao outro: “eu sou você amanhã”.

E isso é tudo o que Moraes  não quer ouvir.

“Mais que nunca é preciso cantar, é preciso cantar e alegrar a cidade…”

Vinicius e Carlos Lyra - playlist by Vinicius de Moraes | SpotifyPaulo Peres
Poemas & Canções

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta carioca Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes (1913-1980) escreveu com Carlos Lyra (1933-2023), em 1963, a “Marcha da quarta-feira de cinzas”.

O lirismo melancólico dos foliões a espera do próximo carnaval, que imperava na letra, depois serviu também como música de protesto contra a ditadura militar de 1964.

Embora consagrada pela voz de Nara Leão, essa marcha-rancho foi gravada, inicialmente, por Jorge Goulart, em 1963, pela Copacabana.

MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade…

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.

Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe…

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.

Jato usado por Vorcaro é posto à venda com desconto superior a R$ 100 milhões

STF acertou em cheio ao fazer Toffoli deixar a relatoria sem anular provas

Toffoli é juiz imparcial no caso Master? - 12/02/2026 - Cláudio Hebdô -  Folha

Charge do Cláudio Hebdô (Folha)

Igor Gadelha
Metrópoles

Vão-se os anéis e ficam os dedos. Esse seria, hoje, o melhor ditado para descrever o acordo fechado entre os 10 ministros em exercício do STF que culminou com a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master na Corte. O entendimento entre ministros do STF rejeitou pedido de suspeição de Dias Toffoli, em troca de o magistrado deixar a relatoria do caso Master

Pelo acerto, os ministros concordaram em não reconhecer o pedido de suspeição ou de impedimento contra Toffoli, solicitado ao presidente Edson Fachin pela Policia Federal. Além disso, admitiram a “plena validade dos atos” praticados por ele. Em troca, o ministro abriu mão da relatoria.

PROVAS MANTIDAS – Toffoli passou a sofrer pressão para deixar a Corte após virem a público informações sobre sua relação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Dessa forma, o acordo evitou anulação de todos os atos de Toffoli como relator do caso — e consequentemente das provas colhidas. A eventual anulação poderia passar a imagem de “acordão” para ajudar o Master.

Ao mesmo tempo, a rejeição do pedido de suspeição de Toffoli também ajuda, de certa forma, a não deteriorar ainda mais a imagem do ministro, já bastante desgastada após as revelações de suas relações nada ortodoxas com os donos do Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Bela sacada do Igor Gadelha. No meio da confusão, os advogados de Vorcaro iriam querer anular as provas, caso Toffoli fosse considerado impedido de continuar na relatoria, e a investigação voltaria à estaca zero. (C.N.)

A polêmica da Acadêmicos de Niterói, a oposição e a política do espetáculo

Blitz ordenada por Moraes não pode encobrir o foco nas mazelas da família

Alexandre de Moraes não vai rever ordens | Blog da Denise

Charge do Kleber (Correio Braziliense)

Mario Sabino
Metrópoles

A blitz que Alexandre de Moraes promove para investigar a quebra de sigilo fiscal de ministros do STF e familiares já deu resultado, como mostraram meus colegas de Metrópoles. A PF esteve em campo em plena terça-feira de carnaval para executar o cardápio de sempre de medidas cautelares contra quatro servidores suspeitos.

De acordo com a coluna de Andreza Matais, “as investigações indicam que um dos acessos sem autorização aos dados de Viviane Barci de Moraes teria sido feito por um servidor do Serpro (empresa de tecnologia do governo federal) cedido à Receita.

DOIS ALVOS – A mulher de Moraes não foi o único alvo. A coluna apurou que o filho de outro ministro do Supremo também teve a declaração de Imposto de Renda devassada sem autorização judicial”.

O colunista Igor Gadelha publica que, no total, Alexandre de Moraes determinou a quebra do sigilo de quatro servidores para saber se eles receberam dinheiro em troca de vazamento de dados.

Quebra ilegal de sigilos bancário e fiscal é grave, não pode acontecer com ninguém, seja nos altos ou nos baixos da pirâmide social, mas há um ponto a considerar: sigilo não pode servir de escudo para práticas que colidam com a ética ou, no limite, com a lei.

R$ 129 MILHÕES – Moraes ficou fulo porque o país inteiro soube que o escritório da sua mulher advogada assinou um contrato assombroso e inexplicável de R$ 129 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, responsável pela maior fraude financeira da história brasileira e com quem o ministro compartilhou charutos cubanos e garrafas de vinho de milhares de reais na casa do banqueiro em Brasília, conforme revelou a coluna de Andreza Matais.

Fomos informados também que, graças ao contrato firmado com o seu escritório, Viviane Barci de Moraes teve uma evolução patrimonial extraordinária de um ano para outro, passado a ser dona de uma fortuna pessoal de quase R$ 80 milhões.

Esse tipo de informação não deveria vir a público por meio de expedientes ilegais, repita-se. Deveria ser divulgada pelos próprios envolvidos, se eles não tivessem nada a esconder.

SEM SIGILO – Uma república é o regime da res publica, termo em latim que significa “coisa pública”. Como tal, nada que possa afetar o seu funcionamento deveria ser mantido invisível ao escrutínio popular. Ao contrário do que acreditam os detentores do poder brasileiro, portanto, eles deveriam manter a sua vida financeira transparente, bem como a dos seus familiares, de modo a que não lhes pesasse nenhuma suspeita de recebimento de dinheiro indevido.

A visão patrimonialista que nos acompanha desde a época colonial, no entanto, continua a prevalecer por meio da apropriação indébita do Estado, da confusão entre público e privado, das práticas clientelistas, dos personalismos, das arbitrariedades na administração pública e na aplicação da lei.

Espera-se, ao menos, que os resultados da blitz ordenada por Moraes não sirvam para encobrir, na imprensa, o enorme problema que o país enfrenta na cúpula do Judiciário. Até porque os taxistas certamente não perderão o foco, como sabe Cármen Lúcia.

“Distração” dos procuradores lesou o governo paulista em R$ 1,5 bilhão

Secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo encerra XXIII Semana  Jurídica do TCESP | Tribunal de Contas do Estado de São Paulo

Equipe do secretário Samuel Kinoshita esqueceu de recorrer

Afanasio Jazadji

Não fosse o zelo e a independência do blog Tribuna da Internet e ninguém saberia que o governo de São Paulo já pagou a estratosférica quantia de R$ 7 bilhões de reais à empresa S/A Central de Imóveis e Construções e agora, por distração da assessoria jurídica da Fazenda estadual, foi condenada pelo Tribunal de Justiça a despender desnecessariamente mais R$1,5 bilhão como quitação de um dos maiores precatórios brasileiros.

Esse total de R$ 1,5 bilhão foi cobrado a título de juros moratórios e compensatórios, admitidos ilegalmente como devidos em decorrência de acordo firmado entre as partes em 2004, com descumprimento da emenda constitucional 30, em vigor desde 2000, e pela consolidada jurisprudência do STF.

ERROS SUCESSIVOS – Em 2004, durante governo do tucano Geraldo Alckmin, a Fazenda paulista, por meio da Procuradoria do Estado, errou ao concordar com esse acordo ilegal e, inexplicavelmente, há alguns meses, perdeu prazo para recorrer em dois processos relacionados com a mesma execução e que transitaram em julgado, beneficiando de vez os credores do chamado precatório do Parque Villa Lobos.

A empresa favorecida foi criada pela família de J.J. Abdalla em 1967, em Araçatuba, e era proprietária da área de 600 mil metros quadrados na cidade de São Paulo, na conhecida avenida Marginal Pinheiros, e que foi desapropriada durante o governo de Orestes Quércia, em 1988.

Esse imóvel foi usado pela Prefeitura de São Paulo como depósito de lixo por vários anos e nele hoje funciona o parque Villa Lobos.

FORA DA LEI – Em 1990, o Tribunal de Justiça de São Paulo, não levando em conta disposição infraconstitucional que obrigava o juiz a estabelecer valor fixo para remunerar os honorários advocatícios sucumbenciais em ações envolvendo o Poder Público, acolheu recurso da Central e decidiu que os honorários advocatícios seriam de 10% sobre o valor do precatório, com juros e correção monetária.

Em decorrência, o escritório de advocacia contratado pela empresa exequente já recebeu cerca de R$ 600 milhões (ou seja, mais de 100 milhões de dólares), uma estonteante fortuna paga pelo povo paulista, visto que a Fazenda do Estado não paga impostos, apenas os arrecada.

Aliás, contra essa teratológica decisão também não foi apresentado recurso…

MAIS INFORMAÇÕES – O Município de Araçatuba, sede da S/A Central de Imóveis e Construções, dirigida por José Augusto Calil Otoboni, ocupa uma área de 1.162 km2 e, de acordo com dados do IBGE, tem cerca de 208 mil habitantes.

O orçamento de Araçatuba para este ano estima receita de R$ 1,16 bilhão, bem menos do que os R$ 1,5 bilhão caberá ao Estado de São Paulo pagar à S/A Central de Imóveis e Construções.

A propósito, de se acrescentar que o maior município brasileiro em extensão territorial é Altamira, no Pará. Com uma área de 159,5 mil km2, é maior que muitos estados brasileiros e países como Portugal, Coreia do Sul e mais 150 outros. Sua população não passa de 150 mil habitantes, ou seja, tem menos de um morador por km2.

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NOTA DA REDAÇÃO DO
BLOG Afanasio Jazadji é jornalista, advogado e foi deputado estadual por 5 legislaturas. Por intermédio do escritório do advogado Luiz Nogueira, moveu ação popular contra a Fazenda do Estado de São Paulo, para impedir pagamentos irregulares nos chamados precatórios do Parque Villa Lobos. O advogado Luiz Nogueira conseguiu vitórias espetaculares na Justiça, porém jamais esperava que a Procuradoria simplesmente perdesse o prazo para apresentar recursos. Na prática forense, perder o prazo significa entregar o ouro aos bandidos, como se dizia antigamente. (C.N.)

Brasília em pânico! Desbloqueio do celular abre possibilidade de delação premiada

Charge do JCaesar: 29 de janeiro | VEJACarlos Newton

O crise do Supremo se agravou de forma absoluta, porque os peritos da Polícia Federal, após quase dois meses de trabalho intenso, conseguiram quebrar a criptografia e acessar os dados do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, gerando um clima ainda maior de apreensão em Brasília.

Com o desbloqueio do celular, cuja senha Vorcaro se recusara a fornecer quando foi alvo de busca e apreensão em dezembro, cresce a possibilidade de o banqueiro fraudador se oferecer para delação premiada, visando a reduzir as penas a que inevitavelmente será condenado.

TENTÁCULOS – O fato concreto é que o escândalo do Banco Master vai ganhando contornos cada vez mais aterradores e mostra claramente que o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro tinha ligações diretas com integrantes dos três poderes.

Com o análise do celular pessoal e dos outros quatro que foram apreendidos, a Polícia Federal vai descobrir as autoridades com as quais o banqueiro se relacionava diretamente, sem intermediários. A partir daí, o desdobramento será um rolo compressor em diferentes campos ideológicos, devido à extensão das relações mantidas pelo empresário.

Vorcaro buscava se aproximar de políticos fazendo doações a suas campanhas, através de seu cunhado e operador em falcatruas, o pastor evangélico Fabiano Zettel. Na campanha anterior, ele fez patrocínios a diferentes candidatos, como os governador Cláudio Castro (RJ) e Tarcísio de Freitas (SP), além de Jair Bolsonaro e outros políticos, independentemente de partidos.

PT ENVOLVIDO – Porém, o banqueiro fraudador  mantinha ligação muito mais estreita com o PT, através de suas relações diretas e pessoais com o senador Jaques Wagner, o ministro Rui Costa, da Casa Civil, o ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski e  o ex-ministro Guido Mantega, que foi seu assessor durante quase um ano, recebendo R$ 1 milhão mensais, além de o dono do Master ter vínculos com o próprio presidente Lula, que o recebeu fora da agenda no Planalto.

Portanto, os celulares de Vorcaro  aterrorizam esquerda, direita e centro. As autoridades dos três Poderes reagem, é claro, e querem colocar uma pedra no assunto, mas é impossível, devido ao liberação das informações pela Polícia Federal.

Detalhe fundamental: desta vez, não houve vazamento, mas um comportamento exemplar da direção da Polícia Federal, que desconheceu o sigilo imposto por Toffoli, desafiou as ameaças de Moraes e cumpriu sua obrigação de atuar suprapartidariamente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A quebra da criptografia do celular de Vorcaro é uma das mais importantes notícias dos últimos tempos. Ao sofrer busca e apreensão, em 18 de dezembro, Vorcaro se recusou a fornecer a senha de seu celular pessoal. Agora, com o desbloqueio feito pelos peritos, o WhatsApp do banqueiro fraudados está sendo uma festa para os agentes e delegados da Polícia Federal. Logo saberemos a verdade sobre as relações nada republicanas que Vorcaro mantinha nos três poderes. (C.N.)

PT quer acionar Justiça Eleitoral contra campanha antecipada de Flávio no Nordeste

Candidatura “irreversível” de Moro prejudica plano de Ratinho Jr. no Paraná

Lula foi acertadamente vaiado pelo povão, e Paes fez cara de paisagem…

Lula: vaias na Sapucaí expõem divisão política em pleno Carnaval

Eduardp Paes tenta consolar Lula depois da vaia na avenida

Vicente Limongi Netto

Calamidade, pessoal e eleitoral, a presença de Lula na Avenida Marquês de Sapucaí. Homenagem do contra, da fraca Escola de Niterói, estreando no grupo especial. Tem tudo para voltar para onde estava. Lula chegou, ouviu vaias e refrão pesado “lula ladrão, volta pra prisão”. 

A melancólica recepção do povo não foi pior porque Janja desistiu de desfilar pela melancólica escola. A polícia teve trabalho para impedir foliões com camisas contra Lula. Prefeito do Rio de Janeiro e anfitrião de Lula, Eduardo Paes, ficou com cara de paisagem, diante da reação indignada do público.

NOS TRIBUNAIS – Oposição fez a parte dela, sambou como vitoriosa e vai insistir em tirar o couro de Lula nos tribunais superiores.

O presidente e a primeira-dama quase sambista foram esfriar a cabeça inchada na Índia e na Coreia do Sul, e levando numerosos áulicos, como sempre, com todas as despesas sendo custeadas pelos contribuintes.

Nosso dinheirinho banca tudo. Tenho ânsias de vômito.  

STF reage a vazamentos e denuncia uso político de dados sigilosos contra a Corte