Segurança pública vira teste de fogo para Lula no Congresso em ano eleitoral

Entre blindagens e arquivamentos, Gonet arbitra o futuro de casos explosivos no STF

PGR decidirá sobre Abin Paralela, joias e Silvio Almeida

Teo Cury
CNN

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidirá nos próximos meses o destino de pelo menos três investigações criminais que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal). Gonet tem de definir se oferece denúncia, arquivamento ou solicitação de mais diligências no caso das joias sauditas, da Abin Paralela e na investigação contra o ex-ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos.

A tendência é que o procurador-geral apresente denúncia contra investigados na Abin Paralela e contra o ex-ministro Silvio Almeida. Interlocutores de Gonet afirmam que, no cenário atual, o caso das joias sauditas deve ser arquivado. A concentração desses pareceres no primeiro semestre busca evitar que denúncias sejam feitas no período eleitoral. O objetivo, com isso, é cegar eventuais interferências de interferência nas eleições.

INDICAÇÃO – A PF (Polícia Federal) indiciou 36 pessoas em junho do ano passado no inquérito que apura o uso ilegal de ferramentas de monitoramento na Abin (Agência Brasileira de Inteligência). A suspeita é de utilização ilegal da estrutura da Abin para realizar o monitoramento irregular de autoridades públicas e ministros do STF.

Foram indiciados, entre outros investigados, o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o diretor-geral da agência Luiz Fernando Corrêa.

Em julho de 2024, a Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cometeu os crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos na investigação relacionada à venda de joias sauditas apresentadas ao governo brasileiro e, posteriormente, negociadas nos Estados Unidos. 

ENRIQUECIMENTO  – O relatório da PF diz que a venda das joias, recebidas de presente por Bolsonaro durante seu mandato, teve por objetivo o enriquecimento ilícito do ex-presidente. O valor da operação é de aproximadamente R$ 6,8 milhões.

O TCU (Tribunal de Contas da União) ainda deve decidir se as joias sauditas dadas a Bolsonaro são itens pessoais ou patrimônio público. Em 2024, os ministros concluíram que um relógio recebido de presente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de um fabricante francês em 2005 não precisaria ser devolvido.

A decisão do TCU que reservou o presidente Lula de devolver o relógio de luxo pode beneficiar também Bolsonaro. A defesa do ex-presidente já disse que os dois casos são idênticos. Além de Bolsonaro, outras 11 pessoas foram indicadas pela corporação. O caso aguarda um posicionamento da PGR (Procuradoria-Geral da República) há mais de um ano e meio.

ASSÉDIO SEXUAL – Já o ex-ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos, foi indiciado pela PF em novembro do ano passado por crime de importação sexual. Almeida foi demitido um ano antes, em setembro de 2024, após denúncias.

Na ocasião, a organização Me Too Brasil confirmou que recebeu denúncias contra ele. Uma das vítimas relatadas foi a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

Desde que surgiram as primeiras denúncias sobre o caso, Silvio Almeida negou todas as acusações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A Comissão de Ética da Presidência já arquivou o caso, considerando o ministro inocente. Mas até agora Gonet, o engenheiro-geral da União, continua sentado no topo do processo, cuja acusação não tem provas e parece fruto de um caso de amor que não deu certo. Mas quem se interessa?  (CN) 

Olho no lance! Senado vai devassar a ligação entre Toffoli, Moraes e Vorcaro

Alessandro Vieira explica pedidos na CPI do Crime Organizado envolvendo familiares de ministros do STF - Fan F1

Está na hora de ministro do STF ir para a cadeia, diz senador

Carlos Newton

Enquanto o governo, o Supremo, as lideranças petistas e a imprensa amestrada fazem o possível e o impossível para evitar a convocação da CPI do Banco Master, os principais envolvidos no escândalo – Daniel Vorcaro, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – já entraram na mira do Senado e não perdem por esperar.

Ao invés de arranjar blindagem nessas CPIs criadas para proteger criminosos, desta vez até os ministros do Supremo serão desmascarados, porque a CPI do Crime Organizado vai entrar no assunto, conduzida por dois profissionais da investigação, ambos delegados de polícia – o presidente Fabiano Contarato (PT-ES), e o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), que estão entre os parlamentares mais honrados e respeitados do Congresso.

TOTAL INDEPENDÊNCIA – Juntos com o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS), general da reserva com quatro estrelas, eles formam um trio de senadores com total independência político-partidária, que vai sacudir o país, ao tocar a CPI com a imparcialidade e o alcance necessário, em pleno ano eleitoral.

A CPI foi convocada para apurar a crise da segurança. Mas começou a funcionar e já descobria que a culpa é da desordem que caracteriza o governo brasileiro.

Um dos primeiros convocados foi o diretor de Inteligência Penal do Ministério da Justiça, Antônio Glautter. Em seu depoimento, ele revelou que o governo não dispõe de dados confiáveis sobre população carcerária; reincidência; movimentação entre facções; e gargalos do sistema penitenciário.

GOVERNO INCAPAZ – Suas declarações significam que a culpa pela insegurança é do próprio governo, que desenvolve políticas públicas sem a menor base em fatos reais, sempre fracassando em suas tentativas de combater facções superorganizadas, que estão infiltradas na economia formal para lavagem de dinheiro e já têm forte influência político-eleitoral.

Diante dessa realidade, a CPI então se voltou para o caso Master, por ser a maior ocorrência já vista de crime organizado no país.

Os trabalhos recomeçam pós o carnaval, mas o relator Alessandro Vieira já entrou em campo e pediu à CPI quebra de sigilo da Maridt, a empresa da família Toffoli que fez negócios com o cunhado de Vorcaro, o pastor evangélico Fabiano Zettel.

TRANSPARÊNCIA TOTAL – Com sua experiência na Polícia Civil, o senador do MDB pediu quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações, entre 1º de janeiro de 2022 a 8 de fevereiro de 2026.

Em 2025, a Maridt, que possuía um terço do empreendimento, vendeu sua participação no resort Tayayá, no Paraná, onde o ministro Dias Toffoli tem uma mansão e recebe amigos, como o banqueiro André Esteves (BTG), que foi preso na Lava Jato.

A Maridt estava associada ao pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador de Daniel Vorcaro, do grupo Master. No papel, a firma está registrada nos nomes de dois irmãos de Dias Toffoli, o padre José Carlos e o engenheiro José Eugênio.

DEVASSA COMPLETA – No requerimento à CPI, o senador Alessandro Vieira pede uma devassa total, com laboração de RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) por parte do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Quanto ao sigilo bancário, pede a quebra “de todas as contas de depósitos, contas de poupança, contas de investimento e outros bens, direitos e valores mantidos em Instituições financeiras”.

Requer, também um pente fino não somente quanto ao sigilo fiscal, mas também no que se refere ao sigilo telefônico. E isso tudo é apenas o começo, porque todos os envolvidos serão chamados a depor.

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P.S.
Desde o início, estamos avisando aqui na Tribuna que o Senado ia mergulhar fundo no caso Master. O vice-presidente Hamilton Mourão já deu entrevista dizendo que, por onde anda, é sempre cobrado a pedir punição para os envolvidos. “O clamor público é impressionante”. E o relator Alessandro Vieira foi mais direto, ao dizer: “Está na hora de ministro do Supremo ir para a cadeia”. Comprem pipocas. (C.N.)

Corte de Roma nega troca de juízes e mantém processo de extradição de Zambelli

Lula terá de depor ao Senado (por escrito) sobre o caso do Banco Master

Tribuna da Internet | Confirmado! Galípolo recebeu orientação de Lula para  proteger o Banco Master

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Vicente Limongi Netto 

O senador Renan Calheiros não está mesmo disposto a fazer graça com ninguém, na longa agenda de trabalho já aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) sobre os escândalos do Banco Master/BRB como frisei em artigo anterior, na Tribuna da Internet.

Depois do carnaval não haverá choro nem vela para quem estiver envolvido nas roubalheiras. Ilustres autoridades dos diversos setores da vida pública serão ouvidas na comissão.  A começar pelo encalacrado dono do Master, Daniel Vorcaro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor-geral da Policia Federal, Andrei Rodrigues.

Nessa linha, o qualificado colunista do Jornal de Brasília, Eduardo Brito,  responsável pela coluna política “Do alto da Torre”, revela que Renan Calheiros pretende que Lula preste esclarecimentos por escrito à comissão, sobre as reuniões fora da agenda oficial com Daniel Vorcaro. Calheiros explicou que não existe acusação direta contra Lula, mas defende que o presidente se explique para evitar especulações. 

CÓDIGO DE ÉTICA – Trabalho de relator ou relatora é sempre demorado. É preciso atenção dobrada e isenção nos detalhes, para que a tarefa seja acolhida pelo público.  Nessa linha, foi estafante e produtiva a tarefa da ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), na elaboração de um Código de Conduta da Suprema Corte. 

Por ora, a discreta ministra não trata com a imprensa sobre o tema. Mas posso adiantar alguns dos tópicos mais importantes do valoroso, rigoroso e patriótico trabalho da ministra.

O severo código determina, por exemplo, que os ministros não devem usar celular quando outro ministro estiver  se pronunciando sobre algum assunto. Os integrantes do STF agora terão que comer com a boca fechada, nada de bebida alcóolica nas dependências da corte.

SEM ARROTAR – Além disso, evitar ao máximo arrotar dentro do tribunal, não cochilar no plenário, evitar contar piadas cabeludas, ir aos domingos à igreja, templo, sinagoga, centro espírita, manter os sapatos engraxados e a beca limpa.

Estabelecer preço fixo nos cachês cobrados nas palestras que ministros fazem pelo Brasil e o mundo. Liberar cedo os motoristas. Eles também têm família.

E, principalmente, evitar de ir sozinhos a bares, restaurantes, cinemas e padarias. É preciso levar sempre os seguranças, porque nunca se sabe qual será a reação e recepção da população. 

Perícia contraria defesa e enfraquece pedido de prisão domiciliar de Bolsonaro

Ministro do STJ nega acusações de importunação sexual e pede afastamento

Buzzi diz que nunca teve conduta que ‘envergonhasse’ a família

Mariana Muniz
Sarah Teófilo
O Globo

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, acusado de importunação sexual, enviou carta aos colegas da Corte na qual nega as acusações e afirma jamais ter adotado conduta que “envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”. No texto, o magistrado diz estar “muito impactado” com as notícias divulgadas e informa que se encontra internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional.

Na carta, Buzzi afirma que tomou conhecimento “de modo informal” dos fatos que lhe são imputados e diz repudiá-los. Segundo o ministro, a situação tem causado sofrimento às pessoas de sua família e de seu convívio. Ele declara acreditar que demonstrará sua inocência nos procedimentos já instaurados.

TRAJETÓRIA – O magistrado destaca sua trajetória pessoal e profissional, mencionando ter quase 70 anos, carreira ilibada, casamento de 45 anos e três filhas. Ressalta que esse histórico não deve ser interpretado como prova de inocência, mas como “elemento relevante de coerência biográfica”, que, segundo ele, exige cautela redobrada na apreciação das acusações.

Buzzi afirma ainda que lamenta o sofrimento pessoal e o desgaste imposto ao STJ. No texto, diz estar submetido a “dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar” e critica a divulgação prematura de informações. Além da carta, o ministro apresentou licença médica para tratamento psiquiátrico e solicitou afastamento do cargo por 90 dias, em meio ao avanço das apurações conduzidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A primeira denúncia contra o ministro foi apresentada por uma jovem de 18 anos, que relatou ter sido vítima de importunação sexual durante férias passadas com a família na casa de Buzzi, em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Na semana passada, a jovem foi ouvida pela Corregedoria e confirmou o episódio. Na segunda-feira, outra denúncia foi registrada no CNJ.

MENSAGEM  –  Autoridades da Corte ouvidas pelo O Globo afirmaram que o ministro e pessoas ligadas a ele entraram em contato com outros ministros por meio de aplicativo de mensagem após o registro da segunda denúncia contra ele.

Um dos integrantes da Corte afirmou entender que o contato é indevido e que configura coação no curso do processo. Os episódios teriam ocorrido na noite da última segunda-feira, no mesmo dia em que uma nova denúncia contra o magistrado foi formalizada.

Flávio Bolsonaro ataca Lula, STF e Macron em entrevista à TV da ultradireita francesa

Zambelli pede troca de juízes na Itália e tenta adiar decisão sobre extradição

Um instigante retrato campestre, na visão do poeta Carlos Pena Filho

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta pernambucano Carlos Pena Filho (1929-1960) através do visual de uma planície, com apenas um passarinho, uma mulher e um homem, consegue pintar um instigante “Retrato Campestre”.

RETRATO CAMPESTRE
Carlos Pena Filho

Havia na planície um passarinho,
um pé de milho e uma mulher sentada.
E era só. Nenhum deles tinha nada
com o homem deitado no caminho.

O vento veio e pôs em desalinho
a cabeleira da mulher sentada
e despertou o homem lá na estrada
e fez canto nascer no passarinho.

O homem levantou-se e veio, olhando
a cabeleira da mulher voando
na calma da planície desolada.

Mas logo regressou ao seu caminho
deixando atrás um quieto passarinho,
um pé de milho e uma mulher sentada.   

Cúpula do Congresso entra em campo para evitar cassação de senador bolsonarista no TSE

Brasil mantém pior posição histórica em ranking global de percepção da corrupção

O poder em campanha: quando o governo antecipa as urnas

Charge do Jônatas (Política Dinâmica)

Sem Código de Ética, sobram para o STF a omissão, o escracho e o cinismo cívico

Código de Ética para o STF | Ó popular

Carga reproduzida do Arquivo Google

Marcus André Melo
Folha

As menções a impeachments e renúncias de juízes de Supremas Cortes dispararam — e com razão. Tais eventos são certamente, mas dois casos contrastantes, na Argentina e no Chile, revelam como se forma uma espiral de manipulação institucional associada a comportamentos desviantes no topo do sistema. Ao mesmo tempo, oferecer um contrafactual: a possibilidade de uma resposta institucional virtuosa.

Os líderes populistas tendem a atacar ou manipular instituições independentes da República, como cortes superiores e bancos centrais.

EFEITO MENEM – A Argentina possui longa tradição de disciplinas no Judiciário, mas, no ciclo democrático iniciado em 1983, a primeira manifestação relevante ocorreu no governo Carlos Menem (1989-1999).

Menem justificou sua intervenção candidatamente: “Por que eu vou ser o único presidente da Argentina a não ter a sua própria corte?” Em seguida, aumentou o número de ministros de cinco para nove, o que lhe permitiu nomear quatro novos magistrados, dentre eles parceiros e copartidários desqualificados.

A recompensa da corte entrou em parafuso. Quando outro peronista, Néstor Kirchner, chegou ao poder, acusou o tribunal de estar acovardado e politicamente capturado e decidiu destituir os nomeados por Menem. No Senado, o assalto institucional foi liderado por Cristina Kirchner. ]

MUITOS ESCRACHOS – Paralelamente, uma militância peronista com especificação de numerosos escrachos, inclusive diante das residências dos juízes. As políticas de pressão e denúncias de corrupção resultaram na renúncia de dois magistrados e na abertura de processos de impeachment contra outros dois. Um deles também renunciou; o outro, Moliné O’Connor, resistiu e acabou impedido.

O episódio argentino ilustra como a manipulação institucional iniciada por Menem produziu uma contrarreação populista sob os Kirchners, gerando uma espiral autodestrutiva marcada por escrachos violentos, perseguições e reformas extremadas. A pergunta feita é: O que garante que dinâmica semelhante não possa ocorrer no Brasil?

No Chile, há dois casos instrutivos: um juiz foi impedido de fornecer informações privilegiadas à filha em um litígio imobiliário sob seu relatoria, e uma juíza foi destituída pelo próprio corte por tráfico de influência na instituição e conclusão com um advogado.

JUÍZA DEMITIDA – No Chile, o Congresso deflagrou um processo de impeachment, mas a corte, percebendo a ameaça à sua privacidade e integridade institucional, destituiu a magistrada antes mesmo da conclusão do processo, que acabou resultando apenas na sanção adicional de suspensão do exercício de funções públicas.

O desenho institucional facilitou essa resposta: no Chile, na Alemanha e no Canadá, juízes das supremas cortes podem ser destituídos tanto pelo Parlamento quanto pela própria corte. Na Itália, França e Espanha, o controle é predominantemente interno. No Brasil, nos Estados Unidos e na Argentina, a destituição ocorre exclusivamente via impeachment.

REAÇÃO SOCIAL – A nossa situação é gravíssima. Ao fim e ao cabo, o que irá importar é a força da ocorrência social à espiral de manipulação institucional.

Quando a corrupção alcança as instituições contramajoritárias, como o Supremo Tribunal Federal, a solução via eleições deixa de ser opção, como já mostrei aqui.

Quando a autocontenção via Código de Ética é ilusória, sobram escracho, a anomia social e o cinismo cívico avassalador.

Lula negocia alianças, busca neutralizar centrão e enfraquecer Flávio Bolsonaro

Não existem santos no STF, porém há ministros mais sujos do que os outros

Tribuna da Internet | Que assuntos o STF trata com Lula e ministros no  escurinho de um jantar?

Charge do Zappa (humortadela.com)

Carlos Newton

É claro que não existem santos aqui na Terra, embora ainda possamos encontrar pessoas tacitamente santificadas, como madre Teresa de Calcutá ou irmã Dulce. Aliás, é bom lembrar que o próprio Papa Francisco, um ser humano verdadeiramente extraordinário, também se confessava pecador.

Na Suprema Corte brasileira, por exemplo, não há santos de nenhuma espécie, devido ao forte espírito corporativista, que fez ministros como Carmén Lúcia e Luiz Fux votarem a favor de 17 anos e outras punições em multa para pessoas de bem, sem maus antecedentes, que apenas invadiram prédios públicos e maioria delas nem participou de depredações.

ALGUMAS EXCEÇÕES – Nesse erro judiciário brutal, que condenou 1,5 mil brasileiros por ”terrorismo” e por “formação de quadrilha armada”, apesar de nem se conhecerem e de jamais terem empunhado armas, apenas dois ministros votaram contra essas penas exageradas e desumanas – Nunes Marques e André Mendonça.

Não se pode dizer que sejam “santos”, mas estão num patamar de imparcialidade superior a outros ministros, sem a menor dúvida.

Nunes mentiu ao apresentar sua biografia, dizendo ter feito mestrado na Universidade Autônoma de Lisboa e doutorado e pós-graduação na Universidade de Salamanca, na Espanha, sem ter saído do Brasil. Foi aberta uma ação contra ele, com Rosa Weber como relatora, mas o corporativismo falou mais alto. André Mendonça, que é pastor da Igreja Evangélica também diz ter feito mestrado e doutorado em Salamanca, parece que está na moda…

SÓ PECADORES – O atual presidente, Édson Fachin também exibe um telhado de vidro, visto que fez mestrado e doutorado em São Paulo ao mesmo tempo que cumpria jornada de 40 horas como servidor público no Paraná. É o que está escrito em seu currículo no portal do STF. Foi ele quem inventou a “incompetência territorial absoluta” para soltar Lula em 2019. Em todos os demais países, a incompetência territorial é sempre relativa.

Flávio Dino estava se saindo bem no Supremo, mas votou pela blindagem das autoridades dos três poderes e não podemos esquecer que se trata daquele ministro da Justiça que sumiu com as gravações do prédio ao lado do Congresso, que poderiam provar a inocência de muitos dos 1,5 mil falsos terroristas.

Quanto a Luiz Fux, seu problema é o amor extremado aos rebentos. Colocou a filha Marianna no Tribunal de Justiça do RJ em 2016 e resolveu também a vida do filho Rodrigo. Antes de o pai assumir no STF, o número de processos do escritório do filho era baixo (cerca de 5). Hoje, o volume saltou para mais de 500 processos (algumas fontes mencionam 544), abrangendo o STF e 0 STJ.

ZANIN NA CORTE – Cristiano Zanin fez carreira no escritório do sogro, Roberto Teixeira, que foi protetor do Lula sindicalista, quando ele era conhecido pelo codinome “Barba” na Polícia Federal, ao atuar como informante do regime militar, sob as ordens do delegado Romeu Tuma. Zanin “libertou” Lula, mediante a cumplicidade de Fachin e da maioria, foi nomeado para o STF e logo em seguida entrou na Justiça contra o sogro, exigindo mais honorários…

Quanto aos outros três – Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, nem é preciso fazer comentários. O noticiário dos jornais fala por si. E a imprensa é a voz do povo.

Assim, neste carnaval o Supremo vai desfilar dividido em vários blocos. Um deles, formado por Fachin e Cármen, defende o Código de Ética. Outro bloco, com Gilmar, Toffoli e Moraes, é contra. Os restantes compõem um terceiro bloco, e ninguém sabe o que eles pretendem. Este é o quadro atual, longe da apoteose.

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P.S.
– Se os dez ministros desfilarem juntos, estarão formando o mais completo Bloco do Sujo da História do Carnaval Brasileiro. Nem precisam de fantasias. (C.N.)

Rodrigo Pacheco articula saída do PSD e deve se filiar ao União Brasil

Migração é atribuída a uma articulação tocada por Alcolumbre

Rafaela Gama
O Globo

O senador Rodrigo Pacheco (PSD) deverá deixar o PSD e se filiar ao União Brasil nas próximas semanas. A articulação acontece em meio à constatação de que o parlamentar não deverá permanecer no mesmo grupo político que o vice-governador Matheus Simões (PSD), pré-candidato ao governo do estado. O parlamentar também tem sido descrito como o candidato ideal do presidente Lula (PT) para disputar o Executivo estadual, mas tem deixado a decisão sobre o caminho que deve seguir neste ano em aberto.

Prevista para acontecer após o carnaval, a migração do senador para o União é atribuída a uma articulação tocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). Segundo interlocutores, ele disponibilizou a estrutura da sigla para que o aliado fortaleça a bancada do partido no Congresso ou concorra ao governo. O cargo em que ele deverá concorrer depende de uma decisão pessoal que deverá ser tomada pelo próprio senador, afirmam aliados. Além disso, nas próximas semanas, o comando do diretório em Minas também deverá ser transferido para o deputado Rodrigo de Castro (União), também aliado próximo de Pacheco.

“INSUSTENTÁVEL” – A migração do senador era esperada desde o ano passado, quando a permanência de Pacheco no PSD se tornou “insustentável” após a filiação e o lançamento de Simões para concorrer ao governo do estado. O vice-governador foi escolhido como sucessor do governador Romeu Zema (Novo), que se coloca como pré-candidato à presidência e adversário de Lula. Dentro do União, interlocutores afirmam que Pacheco poderá se manter alinhado ao projeto político do petista, que já expressou em mais de uma ocasião que gostaria de tê-lo na disputa pelo comando do estado.

Em meio à indefinição sobre a posição de Pacheco dentro da chapa majoritária, há alas do PT que têm defendido um plano B, que envolve o apoio à candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). A construção da aliança chegou a ser confirmada pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, em uma publicação feita nas redes sociais sobre um encontro entre ele e Edinho Silva, que comanda o diretório nacional do PT.

Na legenda do post, além de dizer que havia “reafirmado a aliança do PDT para reeleger o presidente Lula”, Lupi escreveu que recebeu “a confirmação do compromisso petista de apoiar as candidaturas ao governo de Juliana Brizola no RS; de Alexandre Kalil em MG, e de Requião Filho no PR”. “Com a formalização interna do PT, nos próximos dias, avançaremos para vencer nesses estados estratégicos“, acrescentou.

NOTA – Em seguida, no entanto, o diretório do PT divulgou uma nota dizendo que a reunião aconteceu entre os dirigentes partidários para “um diálogo de alto nível sobre a reeleição do presidente Lula”, mas “não teve como objetivo a definição dos palanques eleitorais nos estados”.

“As definições sobre as candidaturas seguem em debate e serão construídas em acordo com os diretórios estaduais”, encerrou o comunicado. O atrito provocou reação de Kalil, que fez um post em seu perfil no X no qual escreveu que “eleição é um saco”. “No meu palanque só sobe quem eu quiser”, acrescentou.

Entre Alckmin, Haddad e o MDB, PT empurra com a barriga a definição da chapa

Lula se divide entre o discurso da justiça social e a conta dos privilégios

Lula enfrentará dilema diante de  penduricalhos 

Dora Kramer
Folha

O presidente da República tem pela frente uma escolha difícil. Quando o pacote de privilégios aprovado no Congresso Nacional chegar à sua mesa para sanção ou veto, ele precisará decidir entre se indispor com o Legislativo, além de boa parte do funcionalismo, e ficar mal na foto eleitoral.

A dificuldade maior nem é essa. Antes disso, será necessário explicar a presença do PT e companhia no acordo que viabilizou uma votação simbólica —sem a identificação do voto— de surpresa, no meio da tarde do segundo dia do novo ano legislativo, e que, entre outras desigualdades, cria penduricalhos salariais e institui a escala 3×1 de trabalho para uma casta de servidores públicos.

CONTENÇÃO DE PRIVILÉGIOS – Isso enquanto Executivo e Legislativo fazem cara de paisagem à tramitação de uma proposta de reforma administrativa que busca conter privilégios, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende o fim dos supersalários e o governo faz da escala de cinco dias de trabalho por dois de folga para o setor privado uma bandeira de campanha.

Francamente, Luiz Inácio da Silva (PT) estará diante de um dilema e tanto. Ou bem sanciona a manobra de privilégios, jogando fora o discurso da justiça social, ou veta a pilantragem e quebra o acordo de boa vizinhança que incluiu a oferenda de um instituto federal de educação na cidade de Patos (PB), administrada pelo pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).

BOQUINHAS – Será uma boa oportunidade para Lula desvendar ao público o real significado do slogan “Congresso inimigo do povo”. Até lá, fica a seguinte impressão: o dito serve para afetar antagonismo nos palanques e exortar as plateias a escolher parlamentares fiéis ao governo. Mas não é para ser levado a sério quando o pragmatismo manda que se alimentem as boquinhas.

Seja qual for a saída encontrada por Lula, uma coisa é certa: nem ele nem os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado deram a menor pelota ao que ouviram no dia anterior do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, sobre a urgência da autocorreção dos Poderes. Não entenderam nada.

Pesquisa aponta Lula à frente de Flávio Bolsonaro e de nomes do PSD no 1º turno