Marcelo Odebrecht ajudou a financiar também o filme de “Lula, o filho do Brasil”

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Charge do Alviño (opiniaoenoticia.com.br)

Julia Affonso,
Ricardo Brandt e
Luiz Vassallo
Estadão

O empreiteiro Marcelo Odebrecht entregou à Operação Lava Jato uma nota fiscal no valor de R$ 250 mil e um comprovante de pagamento à produção do filme ‘Lula, o filho do Brasil’. O financiamento do longa é alvo de investigação da Polícia Federal.

Marcelo Odebrecht é delator da Lava Jato, cumpre prisão domiciliar em São Paulo. Ele foi ouvido pela PF em dezembro do ano passado quando ainda estava custodiado. Na ocasião, o empreiteiro ‘se disponibilizou a auxiliar a investigação e a buscar, por meio da sua defesa, junto à Odebrecht S.A., empresa leniente, cópias de registros sobre eventual apoio financeiro dado à produção do filme ‘Lula, o filho do Brasil’.

“O colaborador (Marcelo Odebrecht) também está comprometido a identificar, no âmbito da pesquisa que fará nos registros constantes do seu computador, todos aqueles documentos e informações que possam ser úteis à elucidação deste e de outros fatos investigados”, afirmou a defesa. A nota fiscal de número 2930 tem data de vencimento de 4 de maio de 2009.

CINEBIOGRAFIA – Um trecho do recibo indica a discriminação dos serviços. “Cota de patrocínio da obra intitulada ‘Lula, o filho do Brasil’. Conforme contrato”, aponta a nota emitida pela produtora Filmes do Equador, do cineasta Luiz Carlos Barreto. A cinebiografia do ex-presidente Lula estreou em 1º de janeiro de 2010 e custou cerca de R$ 12 milhões.

O filme conta a história de Lula, desde a infância dramática no sertão de Pernambuco, aborda sua chegada a São Paulo no pau de arara, as dificuldades que enfrentou ao lado da família, o trabalho na indústria metalúrgica, as históricas campanhas grevistas dos anos 1970 que marcaram o ABC paulista e a ascensão ao topo do sindicato que o consagrou e impulsionou sua trajetória política. ‘Lula, o filho do Brasil’ é uma biografia baseada no livro homônimo da jornalista Denise Paraná.

O ex-presidente foi condenado pela Lava Jato em 1.ª e 2.ª instâncias no caso do triplex do Guarujá (SP). Em 24 de janeiro, o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região aumentou a pena do petista para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro. Lula havia sido condenado pelo juiz federal Sérgio Moro, em julho do ano passado, a nove anos e seis meses de prisão.

PALOCCI – Além de Marcelo Odebrecht, o ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil/Fazenda-Governos Lula e Dilma) foi convocado para prestar depoimento. O ex-ministro foi questionado, em 11 de dezembro, pelo delegado Filipe Hille Pace sobre a relação que supostamente teria com a produção do filme. O ex-ministro declarou, na ocasião, que ‘deseja colaborar na elucidação de tais fatos’, mas que ficaria em silêncio.

Quando o caso foi revelado, o produtor do longa, Luiz Carlos Barreto, negou que tenha ocorrido tráfico de influência. Barreto disse também que negou o pedido de omissão feito pela Odebrecht. “Houve uma solicitação para que não incluíssemos o nome da empresa nos créditos do filme e dos materiais publicitários, condição essa que não foi, por nós, aceita”, afirmou. A Odebrecht informou que está “colaborando com a Justiça”.

A pedido de Barroso, a Procuradoria já está avaliando a conduta de Segovia

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Barroso mandou tomar as providências cabíveis

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

A Procuradoria Geral da República (PGR) pode instaurar procedimento para analisar a conduta do diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia. Em entrevista à Agência Reuters, Segovia sugeriu que o inquérito que investiga o presidente Michel Temer por suspeita de favorecimento a uma empresa que atua no Porto de Santos pode ser arquivado. O Ministério Público atua como órgão de controle externo da Polícia Federal. Condição que lhe permite instaurar um procedimento contra Segovia.

A investigação, contudo, ainda está em fase de diligência e a declaração foi interpretada como interferência no trabalho do delegado que conduz o caso. Após a polêmica, Segovia redigiu nota na qual negou ter feito a afirmação para a Reuters.

PROVIDÊNCIAS CABÍVEIS – O ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, relator do inquérito que investiga Temer, informou neste sábado (10) o MPF sobre o episódio envolvendo Segovia “para que o órgão tome as providências que entender cabíveis”. No mesmo despacho ele intimou o chefe da PF a se explicar.

A reportagem apurou que a Procuradoria vai avaliar quais providências são cabíveis nesse caso, mas ainda não adotou nenhum procedimento. Delegados críticos a Segovia avaliam que a Procuradoria poderia, até mesmo, pedir o afastamento dele do cargo se entender que está interferindo nas investigações.

Segovia assumiu o comando da PF por indicação do ministro do TCU, Augusto Nardes, do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e também teve o aval do ex-senador José Sarney. O ministro da Justiça, Fernando Torquato, chefe de Segovia, não participou da escolha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A Procuradoria vai avaliar a situação de Segovia. A investigação ainda está em fase inicial, mas a declaração foi interpretada como interferência no trabalho do delegado que conduz o caso. Segovia redigiu nota na qual negou ter falado em arquivamento do inquérito, mas a agência Reuters confirmou todas as declarações dele, inclusive indicando que haveria uma tendência para o arquivamento. O diretor-geral pode até se explicar, mas jamais se justificará. (C.N.)

Auxílio-moradia prejudica a já desgastada imagem da Justiça, afirma Eliana Calmon

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Para resolver, basta seguir a lei, diz a ex-ministra

Miguel Caballero
O Globo

Ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça e ex-corregedora-geral da Justiça, Eliana Calmon diz que defesa do auxílio-moradia por entidades de classe de juízes está ‘mal arrumada’ legal e moralmente. A seu ver, a concessão deste benefício a mais de 17 mil magistrados prejudica a credibilidade da Justiça, que já está comprometida.

Como a senhora tem acompanhado a discussão sobre o auxílio-moradia para o Judiciário?
Todas as vezes que o magistrado se locupleta de alguma gratificação que não está bem explicada, existe um grande desgaste para a credibilidade da Justiça, que já está bem fragilizada. Temos de fazer força para que a sociedade cada vez mais acredite no Judiciário. E este é um problema que mina a credibilidade.

Por que o auxílio não deveria existir, na sua opinião?
Minha posição não é de agora, que estou aposentada. Votei contra o auxílio no Conselho da Justiça Federal, quando estudei bem a questão. A Lei Orgânica da Magistratura (Loman) não contempla o auxílio-moradia para juiz, a não ser na circunstância específica de quando está fora de seu foro natural. Fora isso, é um puxadinho.

Alguns juízes argumentam que o auxílio serve como uma espécie de compensação para uma categoria que não tem recebido reajustes.
Ora, se é aumento salarial, deveria incidir imposto de renda e pagar também aos aposentados, o que não ocorre. Pela condução da própria defesa do auxílio-moradia, vê-se que não é uma coisa muito arrumada do ponto de vista da legalidade, nem da moralidade. E aí se amplifica a coisa. O que está errado é como boi que passa numa cerca: pelo portão que passa um, passa uma boiada. Aí, há gente com imóvel próprio na cidade onde vive recebendo auxílio, caso de marido e mulher ganhando, e por aí vai… (o caso mais conhecido em que um casal de juízes recebe dois auxílios é o dos juízes federais Marcelo e Simone Bretas, no Rio). Não quero ser palmatória do mundo, mas no íntimo não acho uma coisa certa.

Qual a melhor solução para o caso?
Seguir a lei, a Loman. Esse mal-estar entre os juízes com o auxílio-moradia surgiu por duas circunstâncias. Primeiro, muitos juízes que estavam em Brasília recebiam, corretamente, porque foram afastados de seus foros naturais. Outro fator foi que, quando um juiz é promovido e vai para outro lugar, seu foro natural o acompanha, ou seja, não tem o auxílio. Mas se ele leva junto juízes para assessorá-los, outros funcionários, esses têm direito. Muitos juízes diziam “meu assessor tem e eu não tenho?”. Tudo isso colaborou para essa pressão pela generalização de um benefício que não é para todos.

Desde a posse de Segovia, Temer tenta trocar delegado no inquérito dos portos

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Segovia costuma despachar direto com Temer

Andréia Sadi
G1 Brasília

Desde que Fernando Segovia assumiu a Polícia Federal, em novembro, o presidente Michel Temer discute com auxiliares, ministros e o advogado Antonio Claudio Mariz como trocar o delegado Cleyber Malta Lopes, que conduz o inquérito em que Temer é investigado por supostamente beneficiar uma empresa do setor portos.

Nas últimas semanas, o presidente teve dois focos grandes de irritação em relação ao inquérito. O primeiro foi a nova intimação do ex-executivo da JBS Ricardo Saud (que falará no próximo dia 16, sexta-feira), do coronel aposentado da PM João Batista Lima e do empresário Joesley Batista (que falará na quinta-feira, dia 15).

DISPOSTO A FALAR – Temer estranhou o fato de Joesley ter sido chamado a depor. Na avaliação do presidente, a nova intimação de Saud demonstra que, agora, o executivo está disposto a falar.

No caso de João Batista Lima, a PF insiste no depoimento do ex-coronel da Polícia Militar e amigo de Temer. Até agora, ele não foi ouvido alegando questões de saúde. A defesa de Temer pediu o arquivamento do inquérito antes mesmo da nova intimação. Lima é considerado peça-chave pelos investigadores nas apurações.

Mas nada irritou mais o Planalto do que o pedido dos investigadores para que uma investigação antiga – e arquivada – contra Temer fosse incluída no inquérito. O delegado Cleyber Lopes pediu ao ministro Marco Aurelio Mello, do Supremo Tribunal Federal, que arquivou um inquérito contra Temer em 2011, o compartilhamento do material que já investigava o possível envolvimento do hoje presidente em suposto pagamento de propina no setor portuário.

UMA PLANILHA – O inquérito arquivado citava Temer e Marcelo Azeredo, ex-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que havia sido indicado com apoio do PMDB.

No inquérito arquivado estava uma planilha que, para os investigadores, fazia referência à distribuição de propina desviada de contratos do Porto de Santos.

O presidente e seus auxiliares repetem oficialmente que o atual inquérito fará “água”. Mas não contavam com a declaração de Segovia, que irritou os investigadores. Neste sábado, ministros aconselharam o presidente a, se for se pronunciar, declarar que Segovia falou em tom pessoal. Além disso, querem que Temer desvie o foco da polêmica, indo a Roraima na segunda-feira para visitar refugiados.

ESTRATÉGIA – Temer discute a melhor estratégia para lidar com a crise criada por Segovia. Mas, em suas conversas, não se cogita a saída do diretor-geral da PF.

A Secretaria de Imprensa da Presidência da República procurou o blog para dizer que as medidas do governo em relação a Roraima não têm relação com a fala do diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia. A assessoria informou que, desde quinta-feira, o presidente já discutia a viagem para Roraima. A decisão de viajar a Roraima nesta segunda-feira foi tomada por Temer neste sábado.

Roberto Freire diz que negociará candidatura de Huck pelo PPS após o Carnaval

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Huck ‘teria protagonismo’, se concorresse pelo PPS

Flávio Freire
O Globo

Em meio às especulações se disputará ou não a Presidência, o apresentador Luciano Huck tem procurado não fechar as portas dos partidos que pretendem dar a ele a chancela de candidato à sucessão de Michel Temer.

Depois de uma conversa com o líder tucano Fernando Henrique Cardoso na última semana, ao mesmo tempo em que vem se encontrando com representantes do DEM, Huck deixou para depois do Carnaval uma nova rodada de negociação com o PPS. O partido tem declarado interesse no nome do apresentador para a disputa.

CARTA-COMPROMISSO – Nos últimos meses, o PPS tem estreitado relações inclusive com o movimento Agora, do qual Huck faz parte e com quem o partido assinou uma carta-compromisso para um trabalho conjunto no cenário eleitoral. Seria essa, inclusive, uma forma de criar, eventualmente, uma base de sustentação de Huck no Congresso.

“As negociações estão mais do que abertas. Falamos por telefone quando ele estava em Paris e ficamos de falar novamente logo depois do Carnaval “, disse o presidente nacional do PPS, Roberto Freire.

PROTAGONISMO – Freire, no entanto, procurou deixar claro que, até o momento, não há qualquer certeza sobre os rumos do apresentador, ao menos no ambiente eleitoral. “Essa decisão (de ser candidato à Presidência) é muito solitária, mas deixamos claro que ele teria aqui, no partido, protagonismo no processo decisório das eleições”, diz o presidente do partido, para quem tal situação difere das condições no PSDB, onde o governador Geraldo Alckmin tem se mostrado insatisfeito com o “namoro” do partido com o apresentador.

“O Huck tem percebido o quanto o PSDB enfrenta esse problema de falta de unidade em prol de uma candidatura”, disse Freire. Ele e Huck devem se reunir nos dias seguintes ao Carnaval, caso o apresentador mantenha a intenção de concorrer. A ideia do encontro seria, por parte do PPS, traçar uma estratégia para tentar lançar o nome do apresentador o quanto antes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA possível candidatura de Huck ao Planalto ainda é uma incógnita. O apresentador tem se aproximado de cúpulas partidárias, se aconselhado com velhos cardeais, mas ainda está mergulhado no medo de “entrar numa aventura” e, após ter saído da Vênus Platinada, saborear a traição. Sabe que se quiser ser candidato, precisará ter disposição de abraçar o risco, envolvendo a exposição de sua vida pessoal e a possibilidade de amargar uma derrota nas urnas. A amigos, Huck já confessou mudar de ideia ao menos “cinco vezes por dia”. Periga não ser presidente, ficar sem espaço na emissora, juntamente com a esposa Angélica, deixando, ambos, de receberem seus milionários salários. (M.C.)

Parlamentares do PSDB e do PSB desistem de filiação ao PSL após chegada de Bolsonaro

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Bolsonaro vai se filiar oficialmente em março

Igor Gadelha
Estadão

A ida do deputado Jair Bolsonaro (RJ) para o PSL para ser candidato à Presidência da República pelo partido fez um grupo de pelo menos outros 12 deputados federais desistir de se filiar à legenda. O grupo era formado principalmente por parlamentares jovens dissidentes do PSDB e PSB.

Capitaneados pelo deputado Daniel Coelho (PSDB-PE), esses parlamentares negociavam a filiação com a ala do PSL intitulada de “Livres”, tendência libertária que comandava 12 diretórios estaduais e que era liderada por Sérgio Bivar, filho do deputado federal e ex-presidente da legenda Luciano Bivar (PE).

VIÉS LIBERAL – Nas conversas, Bivar prometia aos deputados que o PSL mudaria o nome para “Livres” e que o novo partido passaria a atuar como uma espécie de “movimento”, com viés liberal tanto na economia quanto na política. “Não ia ser um partido de caciques comandando e o resto sabendo depois”, disse Coelho.

Os deputados do PSDB que conversaram com o PSL fazem parte da ala conhecida como “cabeças-pretas”, tucanos mais jovens que demonstram descontentamento com o governo Michel Temer. Entre eles, estavam o próprio Coelho, Pedro Cunha Lima (PB), Mariana Carvalho (RO) e Pedro Vilela (AL).

“Quando eles (PSL) procuraram esse grupo de pessoas para conversar, procuraram com um proposta de que o partido seria diferente, viraria Livres, com mudança do estatuto. Um partido que teria instrumentos de participação da sociedade, que seria moderno. Mas acho que abortaram essa ideia”, afirmou Daniel Coelho.

DIÁLOGO – Com a frustração com o PSL, o deputado disse que conversa com outros 10 partidos, entre eles o Podemos, mas que ainda não tomou decisão se sairá do PSDB. “Minha prioridade é o PSDB, mas quero que o partido me permita, de fato, uma participação da ala mais jovem. Está tendo pouco diálogo conosco”, afirmou.

O tucano reclama que ele e Mariana perderam os espaços que tinham na executiva nacional, atualmente presidida pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pré-candidato ao Planalto pela legenda. “Até colocaram pessoas jovens de idade, mas que não têm a mesma posição nossa”, declarou. Segundo Coelho, os senadores Aécio Neves (MG) e Tasso Jereissati (CE) tentaram aumentar o diálogo com os cabeças-pretas quando presidiram o partido.

“Dali para frente não houve diálogo, e agora estamos sem saber os rumos que tomará o partido. Antes, era consultado. Agora sei dos movimentos pela imprensa”, reclamou. Mariana, Cunha Lima e Vilela também decidiram, por ora, permanecer no PSDB. A deputada, que foi vice-presidente nacional do PSDB até o ano passado, assumiu a presidência do partido em Rondônia e analisa possível candidatura ao governo do Estado.

COMANDO –  Bolsonaro acertou a ida para o PSL no início de janeiro. Como é deputado federal, ele e os integrantes de seu grupo que são parlamentares só vão se filiar oficialmente em março, durante a janela para livre troca de partidos, sem risco de perda de mandato. Na negociação, ele exigiu ter o comando da sigla, o que já foi efetivado.

Em convenção na última segunda-feira, dia 5, Luciano Bivar pediu licença da presidência do PSL até novembro. No lugar dele, assumiu interinamente Gustavo Bebiano, advogado de Bolsonaro. Ele deve ficar no cargo até abril, quando o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável, deve assumir o comando da sigla.

Delegado que Segovia quer punir atuou em outro inquérito contra Temer

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Cleyber Lopes investigou o “quadrilhão” do PMDB

Por Camila Bomfim, TV Globo

O delegado Cleyber Lopes, que preside o inquérito que investiga se um decreto assinado pelo presidente Michel Temer beneficiou a Rodrimar, que atua no Porto de Santos (SP), também atuou na investigação que encontrou indícios de formação de organização criminosa envolvendo Temer e políticos do PMDB.

O relatório final sobre o inquérito, que ficou conhecido nos bastidores como investigação sobre o “quadrilhão do PMDB”, apontou que, além de Temer, atuaram com indícios de organização criminosa os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Alves, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil), todos do PMDB.

RETALIAÇÃO – Cleyber Lopes auxiliou, nessa investigação, o delegado Marlon Cajado. Nesse relatório, a PF imputou a Michel Temer e a aliados suspeitas de participação na organização criminosa.

Delegados ouvidos pela TV Globo avaliam, nos bastidores, que o “incômodo” de Temer com Cleyber Lopes começou a partir daí. E aí, quando Cleyber assumiu sozinho o inquérito da Rodrimar, essa insatisfação cresceu.

Na avaliação desses mesmos investigadores, já se esperava na investigação da Rodrimar uma apuração que poderia comprometer Temer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em nota conjunta, o sindicato e a associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, assim como o Sindicato dos Delegados Federais de SP, afirmaram que Cleyber Lopes agiu – e age – respaldado pela mais absoluta legalidade. “Entendemos que qualquer espécie de ameaça às prerrogativas de um delegado de polícia, previstas na Constituição Federal, deve ser rechaçada imediatamente a fim de que se preserve a função fundamental desse agente público, que é a de buscar a verdade de forma incansável e legalista para que sua decisão seja a mais justa possível não só para o investigado como para toda a sociedade”, dizem as entidades. É por aí que a banda toca, como se dizia antigamente. (C.N.)

Vida de Huck está sendo devassada e o jato financiado pelo BNDES é só o começo

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BNDES diz que a operação foi absolutamente normal

Deu na Folha

O apresentador Luciano Huck, que tem conversado com partidos e políticos sobre uma possível candidatura à Presidência, usou, em 2013, um empréstimo de R$ 17,7 milhões do BNDES para comprar um jatinho particular da Embraer. O financiamento, do programa BNDES Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos), teve como beneficiária a Brisair Serviços Técnicos e Aeronáuticos Ltda., da qual Luciano e Angelica Huck são sócios, e o Itaú como instituição financeira intermediária.

A Brisair, que funciona em parte de uma sala na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, no seu registro na Receita Federal, consta como tendo atividades de“ consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica” e, secundariamente, “administração de caixas escolares” e “atividades de apoio à educação, exceto caixas escolares “.

Os juros do empréstimo, datado de 29 de maio de 2013, foram de 3% ao ano, com 114 meses de amortização para o pagamento. A compra foi feita por meio do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que destinava-se a financiar investimentos de empresas, compra de bens de capital (máquinas e equipamentos), ações de pesquisa e desenvolvimento e exportações.

JUROS SUBSIDIADOS – O programa oferecia juros subsidiados — ou seja, parte do empréstimo era coberta pelo Tesouro, já que a correção era inferior aos 6,75% da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), usada até o ano passado nos empréstimos do BNDES. O Tesouro também bancava a diferença entre a Selic e a TJLP nos empréstimos via PSI. Desde o início do empréstimo para a compra do avião, a Selic foi de 10,8% ao ano em média.

A informação da compra da aeronave foi antecipada pelo blog “Tijolaço”. Procurada, a assessoria de Luciano Huck diz que “o Finame é um programa do BNDES de incentivo à indústria nacional, por isso financia os aviões da Embraer”. Afirma, também, que Huck usa o avião duas vezes por semana para gravar seu programa para a TV Globo.

A matrícula do avião é PP-HUC. Segundo o registro na agência Nacional de Aviação Civil (Anac ), a aeronave comporta oito passageiros e pertence atualmente ao Itaú, sendo a Brisair sua operadora.

BNDES – Em nota, o BNDES afirma que as condições seguiram as “definidas pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), vigente à época, com taxas de juros fixas entre 3% a.a. e 3,5% a.a.”. Segundo o banco, as taxas eram oferecidas a qualquer empresa que obtivesse financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos.

“Até dezembro de 2017, havia 1.036.572 operações registradas no BNDES com as condições do PSI, o que demonstra a pulverização do programa entre milhares de empresas de todo o Brasil”, diz o banco. Ainda de acordo com a nota, o processo de concessão de financiamento do BNDES Finame é realizado por meio de agentes financeiros credenciados, que podem ser bancos, cooperativas e agências de fomento, por exemplo. “O BNDES repassa os recursos para os agentes, que analisam o risco de crédito e decidem pela concessão do financiamento.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ desse jeito que a Embraer vende seus jatinhos aos milionários brasileiros. A operação é rotineira, nada tem de irregular. O mais interessante é que Luciano Huck nem sequer definiu o impasse sobre a sua candidatura e já está experimentando a devassa que sua vida vai sofrer, como risco que toda corrida eleitoral exige. Sua vida pessoal começou a ser revirada. E isso é só o começo. Política não é Caldeirão. (M.C.)

O sonho do sultão e as “fake news”

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Donald Trump acha que agora só tem “fake news”

Sebastião Nery

Um sultão todo poderoso acordou desesperado. Sonhou que havia perdido todos os dentes. Ao despertar, mandou chamar o adivinho da Corte para as devidas interpretações.

– Que sonho terrível! Cada dente perdido significa a perda de um parente de Vossa Majestade.

– Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui, insolente!

Enfurecido, o sultão chamou os guardas e ordenou que lhe dessem 50 chibatadas.

Mandou chamar outro bruxo, que foi logo interpretando o sonho do sultão:

– Meu grande e excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.

O sultão sorriu. Sua fisionomia iluminou-se. Chamou o guarda e mandou dar 200 moedas de ouro ao novo adivinho.

Quando o adivinho saía do palácio, um guarda lhe disse ao pé do ouvido:

– Incrível, sua interpretação do sonho foi a mesma de seu primeiro colega. Ao primeiro, o sultão mandou dar 50 chibatadas. A você 200 moedas de ouro.

– Meu amigo, tudo depende da maneira de dizer. O fato é o mesmo, a comunicação pode ser interpretada a favor ou contra. O importante é dizer o que a plateia ou o interlocutor quer ouvir.

UMA ARTE – Conclusão: a comunicação é uma arte. É como pedra preciosa. Se atirarmos nos olhos de alguém, pode ferir. Se a embalamos e oferecemos com ternura, é amizade e alegria.

Em tempos de “fake news”, de buscar todas as mídias para se tornar conhecido e de fazer da comunicação uma ferramenta de primeira necessidade, nada como relembrar de um texto de anos atrás.

Na França o debate sobre as “fake news” esta indo a pleno vapor. Quem é a favor, aplaude, quem é contra, repele. O presidente Emmanuel Macron, que é um líder moderno e esperto, já encontrou a solução: vai fazer uma lei que está sendo chamada Lei da Primavera, para definir as “fake news”. Já começa enquadrando os ingleses e americanos. Se a França tem como traduzir por que pedir a tradução em inglês?

APOIO DOS FRANCESES – O anúncio de Macron informa que a pesquisa Odoxa mostra o apoio dos franceses ao projeto para lutar contra as “fake news” em período eleitoral.

Este movimento pode fazer temer uma rejeição maciça à ideia. De fato, sobre 54.300 mensagens postadas em quatro dias, praticamente a metade exprimia uma rejeição clara ao controle dos conteúdos pelo Estado.

O espectro da censura foi largamente denunciado mas essas reações refletiram sobretudo a visão deformadora da realidade da opinião pública. Em compensação a opinião pública no conjunto, tem largamente uma posição contrária. Este é o ensinamento maior da sondagem.

FAKE NEWS – A expressão designa falsas informações que circulam na internet, afinal vazia de sua substância. O Figaro chama a atenção para o termo que surgiu na campanha presidencial americana. Apareceu finalmente no dicionário de Donald Trump. Nas últimas semanas o presidente dos Estados Unidos não parou de denunciar as “fake news”: compreendam, as informações segundo as mentiras das mídias desonestas.

O que é uma “fake news”? Dar uma definição curta que engloba todas as facetas não é coisa fácil, sobretudo em francês. Sempre traduzida por “falsas informações” a expressão “fake news” perdeu uma parte de seu senso original. O inglês distingue “fake” de “falso”, o que é errado, o que é falsificado.

Marun sai em defesa de Segovia e tenta minimizar a importância das declarações

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Marun estranha a “celeuma”  sobre as declarações

Thiago Faria
Estadão

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, resolve  fazer a defesa do diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia. Segundo o ministro, o delegado tem o “dever de observar inquéritos de grande repercussão, até para que a Polícia Federal não seja utilizada como instrumento de guerra política”.

ARQUIVAMENTO – A declaração ocorre após o diretor-geral da PF afirmar, em entrevista à agência de notícias Reuters, que as investigações não encontraram provas de irregularidades envolvendo o presidente Michel Temer no chamado decreto dos portos. Na entrevista, ele dá a entender que a corporação vai recomendar o arquivamento do inquérito aberto contra o emedebista no Supremo Tribunal Federal (STF).

As declarações causaram mal-estar entre delegados da PF e levaram o ministro do Supremo Luís Roberto Barroso a cobrar explicações de Segovia. Na intimação, Barroso sugere que, ao comentar um inquérito em andamento, o diretor-geral da PF pode ter cometido infração administrativa ou até mesmo penal.

“CELEUMA” – Marun, porém, diz estranhar a “celeuma” em torno das declarações. “Já assisti dezenas, talvez até centenas de entrevistas de delegados, de promotores a respeito de inquéritos em andamento. Por isso até estranho essa celeuma que se estabelece no momento em que o diretor-geral da Polícia Federal verbaliza o óbvio: que num inquérito aonde não existem provas, não existem indícios, que não existe sequer a materialização do ato ilícito, tenha a tendência de ser arquivado”, afirma o ministro no vídeo em que defende o diretor-geral da Polícia Federal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMarun é uma figura caricata. Defende o governo Temer em todas as situações e faz tudo o que pode para aparecer enquanto é ministro, porque terá de sair do cargo em 7 de abril, para tentar a reeleição como deputado. (C.N.)

A velhice da porta-bandeira, aplaudindo o sucesso de sua sucessora

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Resultado de imagem para porta=bandeira da mangueiraPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, compositor e poeta carioca Paulo César Francisco Pinheiro, na letra de “A velhice da porta-bandeira”, em parceria com Eduardo Gudin, registra que a vida partilha alegrias e tristezas enquanto o tempo passa e, nas escolas de samba, há sempre outra porta-bandeira a espreitar. Esse samba foi gravado no LP “O importante é que a nossa emoção sobreviva”, em 1974, pela Odeon, por Eduardo Gudin, Paulo César Pinheiro e a cantora Márcia, alcançando repercussão nacional com o disco e os shows realizados por diversos estados.

A VELHICE DA PORTA-BANDEIRA
Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Ela renunciou
A Mangueira saiu, ela ficou
Era porta-bandeira
Desde a primeira vez
Por que terá sido isso que ela fez?

Não, ninguém saberá
Ela se demitiu, outra virá
Ninguém a viu chorando
Coisa tão singular
Quando a bandeira tremeu no ar

Ô… quando toda avenida sambou
O seu mundo desmoronou
Ela se emocionou
Perto dela ela ouviu, alguém gritou:
“Viva a porta-bandeira”,
“Sou eu”, ela pensou
Mas foi a outra quem se curvou
Ô… quando toda avenida sambou
O seu mundo desmoronou
Ô… quando a porta-bandeira passou
Quem viu
Ela se levantou e aplaudiu

Pré-candidatos à Presidência evitam exposição durante os festejos do Momo

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Charge do Gilmar Fraga (gauchazh.clicrbs.com.br)

Paulo de Tarso Lyra
Natália Lambert
Correio Braziliense

Desde que a Operação Lava-Jato começou a levar políticos das tribunas para as penitenciárias, a folia não tem sido a mesma para as autoridades brasileiras. Figuras cativas de grandes festas, como no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro e nos camarotes do Carnaval de Salvador, governantes têm evitado, nos últimos anos, as aglomerações.

Segundo especialistas, quando um país atravessa uma crise política, ética e financeira, não é bom que um postulante, principalmente, a um cargo majoritário, seja visto fazendo festa. 

RECLUSOS – Com camarote próprio no Sambódromo, um dos mais emblemáticos foliões era o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB), sempre ao lado do ex-prefeito da cidade e correligionário Eduardo Paes. Em 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva curtiu a festa com a dupla. Hoje, Cabral está preso e condenado a 87 anos de cadeia, pelo menos. Sem muito apoio popular, Paes não confirmou presença na festa, e Lula ficará recolhido em casa sem agendas públicas.

Condenado em segunda instância a 12 anos e 1 mês de detenção, o petista evitará tumultos no Carnaval e se concentrará nas estratégias de defesa para evitar a prisão no próximo mês e manter a pré-candidatura à Presidência da República. Assim como Lula, praticamente todos os pré-candidatos ao Palácio do Planalto evitarão o tumulto carnavalesco neste ano.

CARAVANA – Depois de ter adiado uma viagem no Ano Novo com a família por problemas de saúde, o presidente Michel Temer — que ainda não se colocou oficialmente como postulante à reeleição — passará o fim de semana de folia na base naval da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro. Inicialmente, o chefe do Executivo tinha solicitado uma comitiva de 60 pessoas para acompanhá-lo, mas críticas o fizeram diminuir o contingente para 40 pessoas.

Focado nas prévias internas do PSDB contra o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ficará em casa com a família, assim como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que está com o quinto filho, Felipe, recém-nascido. “No momento em que estamos, o melhor que eles podem fazer é ficar em casa. Participar de festas de Carnaval não acrescenta votos para políticos que buscam cargos majoritários e, pior, pode se transformar em um momento de constrangimento. Há um risco muito grande de ele virar um meme nas redes sociais e a propaganda ser negativa”, comenta o professor de Ciência Política da PUC-RJ Ricardo Esmael.

REFORMA – Ainda sonhando com uma candidatura e com a aprovação da reforma da Previdência na Câmara, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também ficará em casa, no Rio de Janeiro, mesma opção feita pelo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, pré-candidato do PSC ao Planalto.

Em luto pelo falecimento do pai, o conforto do lar também foi a escolha da ex-senadora Marina Silva para os dias de folia. Para o professor e cientista político da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer, já não é mais tempo de se misturar política com carnaval, só se for para fazer sátiras. “O país não está muito bem e eles saírem da imagem de pessoa séria para brincar carnaval pode ser interpretado de forma errada. Não dá mais para sobreviver do lema ‘falem mal, mas falem de mim’”, diz.

RECUPERAÇÃO – Após uma viagem a Dourados (MS), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) manterá a rotina de se recolher durante a festa, já que nunca foi muito de foliar. O mesmo fará o senador Alvaro Dias (Podemos), que aproveitará o feriadão para descansar em casa em Curitiba para retomar a pré-candidatura logo após a quarta-feira de Cinzas. Já o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, conhecido pelo samba no pé e por apreciar a festa, passará os próximos dias quieto, em recuperação de uma cirurgia de septo nasal.

Mais atuantes nas redes sociais, o presidenciável do Novo, João Amoedo, ficará em casa porque, segundo aliados, o Carnaval já perdeu há tempos o caráter de festa popular. “Até a Daniela Mercury extinguiu a pipoca do bloco dela”, comentou um amigo próximo. E, sem perder a temática, a presidenciável do PCdoB, Manuela D’Ávila, postou um vídeo descontraído nas redes sociais dando dicas de como curtir a festa com responsabilidade e respeito. Ela aproveitará o descanso para terminar a dissertação do mestrado em políticas públicas.

LIBERADOS – Os dois “quase” presidenciáveis que ainda têm liberdade para aproveitar a festa sem perigo de questionamentos, já que não são políticos, são o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e o apresentador de televisão Luciano Huck. Barbosa prometeu dar uma resposta ao PSB até o fim do mês sobre uma possível candidatura e deve passar o carnaval com amigos. Já Luciano Huck, fã de carteirinha da festa na Sapucaí e famoso por promover grandes eventos em casa, flertou com o PSDB na última semana e ficou de responder se entrará na disputa ao Planalto, mas só depois dos festejos de Momo.

Nos dias de festas, ressurge o brasileiro cordial, que sabe buscar a felicidade

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Resultado de imagem para carnaval desdentadoCarlos Newton

Para a maioria dos brasileiros, o Carnaval é uma pausa para extravasar sentimentos, esquecer problemas e buscar a felicidade. Há aqueles que não brincam, não cultivam fantasias e tentam encontrar a felicidade por outros caminhos, mas não deixam de ser contaminados pelo clima de alegria, porque não faltará quem lhes deseje: “Bom Carnaval”.

Esse comportamento confirma a definição do sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda sobre “o brasileiro cordial”, que se coaduna com a tese da “democracia racial” desenvolvida por Gilberto Freyre, cuja sabedoria correu mundo, tornou-se o intelectual mais premiado do Brasil e a rainha Elizabeth II fez questão de lhe conferir o título de “Sir”, como cavaleiro do Império Britânico.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Existem hoje muitos contestadores destas teses, em função do crescimento da violência, que tem relação direta com o narcotráfico e abala a cordialidade democrática de qualquer um. Mesmo assim, é evidente que  tanto Freyre quanto Buarque estavam certos em suas conclusões. O Brasil do Século XXI continua a ser o maior exemplo de democracia racial do mundo, não existe nada que se assemelhe à fusão de raças que por aqui ocorre. E o brasileiro, apesar da mudança de hábitos devido ao fluxo migratório que superpovoou  as metrópoles, continua a ser cordial, em sua essência.

A piada antiga revela que o Brasil cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar. Realmente, é esta a impressão que se têm, porque as elites brasileiras são da pior espécie, tanto no que concerne aos políticos e governantes, como também no que se refere às carreiras ditas intelectuais e empresariais.

SEM SIMPLICIDADE – Já comentamos aqui no blog que nas última décadas os brasileiros perderam a simplicidade. Existe uma ganância por dinheiro e poder que parece uma epidemia social, altamente contagiosa, muito pior do que a febre amarela.

Hoje em dia, as pessoas demonstram a ânsia de buscar cada vez mais, não importa se a maneira de enriquecer é fora da lei. Jamais conseguem se satisfazer, como fica demonstrado no exemplo verdadeiramente patológico de Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo, um comportamento que está a exigir um estudo aprofundado pela Medicina Forense.

Da mesma forma, podem ser citados Lula da Silva, Sérgio Machado, Paulo Maluf, Eduardo Cunha, Alberto Youssef, José Dirceu, Antonio Palocci, Aécio Neves e tantos outros – todos são exemplos desse incontrolável furor uterino financeiro, digamos assim.

MAS É CARNAVAL… – Todos os gravíssimos problemas do país somem quando chegam as épocas festivas, como Natal, Ano Novo e Carnaval. E o brasileiro cordial sai às ruas, em busca da felicidade, num comportamento que encantou o cineasta italiano Franco Zefirelli.

Apaixonado pelo Rio de Janeiro, Zefirelli costuma dizer que o Brasil pode se tornar um país muito rico, porque somente aqui se pode encontrar um produto muito raro no resto do mundo – uma sensação de felicidade que independe das riquezas e mesquinharias que caracterizam a tentativa de comprá-la por 30 dinheiros. Zefirelli percebeu que no Brasil há quem seja feliz sem ser rico, embora as elites continuem insistindo em tentar comprar felicidade, sem notar que  é sempre um mau negócio.

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P.S 1 –
No Carnaval, é bom sair às ruas e encontrar as pessoas fantasiadas e com um sorriso no rosto. Sabemos que é uma alegria ilusória, porque para a grande  maioria tudo acaba na quarta-feira de cinzas. Mas é melhor o povo ter esta momentânea sensação de felicidade do que não ter felicidade alguma. Os sociólogos da geração atual deveriam pensar sobre isso.  (C.N.)

Correio da Manhã assegurou para sempre seu lugar na História do Brasil

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Correio da Manhã, às vésperas do golpe

Pedro do Coutto

De todos os jornais brasileiros que desapareceram ao longo do tempo, o Correio da Manhã, na minha opinião, é o único que assegurou um lugar permanente na História do Brasil e o único cuja memória, quarenta e quatro anos após seu naufrágio, é cultuada por muitos que lá trabalharam e também pelos historiadores modernos do país. Testemunhando a história, participando das tormentas próprias da política, o Correio da Manhã foi responsável pela produção de vários episódios históricos.

Um deles foi destacado pelo jornalista Roberto Pompeu de Toledo, num belo e emocionante artigo publicado na revista Veja que está nas bancas. Pompeu de Toledo comparou a bravura do CM com a que marca a também inesquecível história do Washington Post, que motivou um excelente filme que se encontra em cartaz. O Washington Post enfrentou as tormentas que marcaram a revelação de documentos secretos da Casa Branca sobre a Guerra do Vietnã e também foi protagonista decisivo do escândalo Watergate, cujo desfecho levou o Presidente Richard Nixon à renúncia.

CORTE NO TEMPO – A comparação, entretanto, produz um corte no tempo. O jornal Washington Post pulsa vibrantemente até hoje, enquanto o Correio da Manhã submergiu para sempre em 1974. Eu estava lá, e continuo entre os sobreviventes que não esqueceram as páginas marcantes que nortearam a vida do jornal. Pompeu de Toledo destacou principalmente a resistência de Niomar Moniz Sodré Bittencourt à ditadura que se instalou no Brasil em 1964. Porém, muitos outros episódios vibrantes ocorreram na história do jornal desde sua fundação em 1901, no alvorecer da República.

São muitos. Com o duelo à bala que colocou frente a frente o senador Pinheiro Machado e o jornalista Edmundo Bitencourt, pai de Paulo. O duelo foi ao primeiro sangue, Edmundo saiu ferido. Na década de 20, o jornal foi cercado pelas tropas ao governo Artur Bernardes, que suspendeu arbitrariamente sua circulação, em represália à publicação de cartas aos militares apontadas como de autoria do próprio presidente da República. Há historiadores, como Hélio Silva, que focalizaram a hipótese de as cartas serem falsas, porém falsificadas no Palácio do Catete.

POSSE DE JK – Passaram-se pouco mais de duas décadas e o Correio da Manhã, sob a direção de Antonio Callado, defendeu com ardor a posse de Juscelino Kubitschek, vitorioso nas urnas de 55, mas objeto da tentativa de golpe liderada por Carlos Lacerda, que aliás começara sua vida no jornal como colunista do CM. Sua coluna chamava-se “Da Tribuna da Imprensa”. Ele levou o nome para fundar, em 1949, outro jornal que também desapareceu no tempo.

Falei em 1955 e esse ano marca também o desafio do então Senador Juraci Magalhães a Paulo Bittencourt para um duelo à pistola no Uruguai. No Uruguai,  porque a lei brasileira proibira esse tipo de confronto.

O Correio da Manhã apoiou a candidatura JK, embora fazendo ressalvas à presença de João Goulart que integrava a chapa vitoriosa.

RENÚNCIA DE JÂNIO – Saltamos aqui para 1961. O presidente Jânio Quadros renunciou. Rei morto, rei posto nas palavras do mesmo Juraci Magalhães. Houve nova luta pela legalidade na trajetória do Correio da Manhã. O jornal, já agora com Luiz Alberto Bahia no comando, enfrentou a polícia de Lacerda e forças militares sublevadas, integrando-se na defesa da investidura de Jango, cuja eleição o jornal não apoiara, mas defendia o cumprimento da Constituição, com a garantia da posse ao vice-presidente eleito.

Goulart afastou-se da estrada da lei e o Correio da Manhã com três artigos “Basta”, “Fora” e “Basta e Fora”, defendeu seu impedimento. Dois desses artigos são lembrados por Pompeu de Toledo. Mas existem um terceiro e um quarto. Os três primeiros escritos por Edmundo Muniz. O quarto editorial: “Basta, Fora a Ditadura,” teve Otto Maria Carpeaux como autor. Os historiadores de agora não devem esquecer o último da série em que Carpeaux previa os anos de chumbo.

VEIO O AI-5 – Depois, em 1968, o jornal defendeu o deputado Marcio Moreira Alves, que era um de seus colunistas. A tragédia do Ato Institucional nº 5 desabou sobre o país e arrastou o jornal, que nascera no despontar do século XX, para o precipício de 1974. 

Não havia mais comando na redação, tantos foram os percalços. O jornal morreu nas minhas mãos. Mas continua vivendo na História e para sempre será assim.        

Roberto Pompeu de Toledo ajudou a iluminar uma curva no passado.

Temer desiste do carnaval e vai a Roraima para conhecer o êxodo venezuelano

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Mais de 30 mil venezuelanos já estão em Boa Vista

Deu em O Tempo

Pela primeira vez em quase dois anos, desde que assumiu a Presidência da República, o interno Michel Temer (MDB) fará sua primeira viagem oficial para Boa Vista. Ele embarca rumo à capital de Roraima na manhã desta segunda-feira (12) para discutir medidas emergenciais para a crise do êxodo venezuelano, que vem gerando diversos problemas na região. A previsão é de que o presidente retorne no mesmo dia. “Finalmente eles se conscientizaram do drama da situação. É uma crise humanitária, que não se trata de números, mas de pessoas”, declarou a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (MDB).

Na manhã desta segunda, está marcada uma reunião entre Temer, Surita, a governadora de Roraima Suely Campos (PP), o líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR), e outras autoridades. O Judiciário foi acionado, assim como os congressistas do Estado.

40 MIL REFUGIADOS – A estimativa é de que hoje existam cerca de 40 mil venezuelanos só em Boa Vista, o que equivale a 10% da população de cerca de 330 mil moradores da capital roraimense, em situações não raro degradantes.

Segundo a Polícia Federal, de 2014 a 2017 os pedidos de refúgio de venezuelanos saltaram de 21 para 14.231. Ainda de acordo com o órgão, somente no ano passado entraram em Roraima 70 mil venezuelanos. Em janeiro deram entrada no país 12,1 mil.

O fluxo crescente começa a despertar reações xenofóbicas na população local. Para a Conectas Direitos Humanos, os incidentes, propositais, são resultado da falta de uma resposta clara e articulada dos poderes federais, estadual e municipais na acolhida adequada do recente fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil. A Venezuela vive uma grave crise econômica, que começou com a queda do preço de petróleo, principal produto de exportação do país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTemer está em campanha pela reeleição, sentiu o impacto negativo da pretendida viagem à base naval no Rio, com mordomia e 60 assessores, e voltou atrás. Primeiro, reduziu para 40 o número de aspones. Depois, abriu uma janela para ir a Roraima, com objetivo de conseguir alguma repercussão positiva, em meio ao “vendaval” Segóvia. Na verdade, Temer só pensa “naquilo”… — a reeleição. (C.N.)

No início, o mundo era feminino: a sexualidade o tornou diferente

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Leonardo Boff
O Tempo

O presente texto quer ser uma contribuição ao debate sobre o feminino, tão distorcido pela cultura patriarcal dominante. De saída já afirmamos: o feminino veio primeiro. Várias são as etapas. A vida existe na Terra há 3,8 bilhões de anos. O antepassado comum de todos os viventes foi, provavelmente, uma bactéria unicelular sem núcleo que se multiplicava espantosamente por divisão interna.

Há 2 bilhões de anos, surgiu uma célula com membrana e dois núcleos, dentro dos quais se encontravam os cromossomos. Nela se identifica a origem do sexo. Quando ocorria a troca de núcleos entre duas células binucleadas, gerava-se um único núcleo com os cromossomos em pares.

ENCONTRO DE CÉLULAS – Antes, as células se subdividiam, agora se dá a troca entre duas células diferentes com seus núcleos. A célula se reproduz sexualmente a partir do encontro com outra célula. Revela-se assim a simbiose – composição de diferentes elementos –, que, junto com a seleção natural, representa a força mais importante da evolução. Tal fato tem consequências filosóficas: a vida é tecida mais de trocas, de cooperação e de simbiose do que da luta competitiva pela sobrevivência.

Nos dois primeiros bilhões de anos, não existiam órgãos sexuais específicos. Existia uma existência feminina generalizada que, no grande útero dos oceanos, lagos e rios, gerava vidas. Nesse sentido, podemos dizer que o princípio feminino é primeiro e originário.

Só quando os seres vivos deixaram o mar foi surgindo o pênis, algo masculino que, tocando a célula, passava a ela parte de seu DNA, onde estão os genes.

OS VERTEBRADOS – Com o aparecimento dos vertebrados há 370 milhões de anos, estes criaram o ovo amniótico cheio de nutrientes e consolidaram a vida em terra firme. Com os mamíferos, há cerca de 125 milhões de anos, surgiu a sexualidade, definida como macho e fêmea. Aí emergem o cuidado, o amor e a proteção da cria. Há 70 milhões de anos, apareceu nosso ancestral mamífero, que vivia nas copas das árvores, nutrindo-se de brotos e flores. Com o desaparecimento dos dinossauros, há 67 milhões de anos, puderam ganhar o chão e se desenvolver, chegando aos dias de hoje.

Todas as glândulas sexuais no homem e na mulher são comandadas pela hipófise, sexualmente neutra, e pelo hipotálamo, que é sexuado. Essas glândulas secretam no homem e na mulher os dois hormônios: o androgênio (masculino) e o estrogênio (feminino). São responsáveis pelas características secundárias da sexualidade. A predominância de um ou de outro hormônio produzirá uma configuração e um comportamento com características femininas ou masculinas. Se no homem houver uma impregnação maior do estrogênio, terá alguns traços femininos; o mesmo se dá com a mulher com referência ao androgênio.

ASSEXUADO – Importa ainda dizer que a sexualidade possui uma dimensão ontológica. O ser humano não possui sexo. Ele é assexuado em todas as suas dimensões, corporais, mentais e espirituais. Até a emergência da sexualidade, o mundo era dos mesmos e dos idênticos.

Com a sexualidade emerge a diferenciação pela troca entre diferentes. São diferentes para poderem se inter-relacionar e estabelecer laços de convivência. É o que ocorre com a sexualidade humana: cada um, além da força instintiva que sente em si, sente também a necessidade de canalizar e sublimar tal força. Quer amar e ser amado, não por imposição, mas por liberdade. A sexualidade desabrocha no amor, a força mais poderosa “que move o céu e as estrelas”(Dante) e também nossos corações. É a suprema realização que o ser humano pode almejar.

Mas retenhamos: o feminino vem primeiro e é básico.

Líderes de redes sociais rejeitam oferta do governo para defender a reforma

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Planalto diz que é uma prática comum de mercado

Deu no O Globo

Pelo menos três influenciadores digitais relataram, em suas redes sociais, que receberam ofertas do governo federal para fazer postagens em defesa da reforma da Previdência. Flavia Gamonar (professora da Universidade Estadual Paulista, com 674 mil seguidores no LinkedIn), Murillo Leal (jornalista e palestrante, com quase 256 mil seguidores) e Matheus de Souza (blogueiro, com 85 mil seguidores) dizem que recusaram a proposta.

“Hoje fui abordada por uma grande instituição para escrever sobre um assunto polêmico e que grande parte da população é contra. Mais do que isso, uma verdadeira caixinha de surpresas. Inicialmente até me interessei, por entender que eu poderia dizer o que desejasse, mas não era isso. Era pra falar bem”, escreveu Flavia Gamonar num post, no LinkedIn.

ÉTICA – A professora explica por que decidiu não aceitar a oferta: “Receber uma proposta dessa e poder cobrar o que você quiser pode mexer com a cabeça de muita gente. Mas por uma questão ética e de valores pessoais decidi não aceitar. Sei de minha responsabilidade como comunicadora e respeito muito minha comunidade”

O jornalista Murillo Leal conta que recebeu um telefonema de alguém que dizia representar “a parte publicitária do governo”: “Era um ‘convite’ do Governo Federal. Sendo influenciador aqui, queriam que eu escrevesse (positivamente) sobre a reforma da Previdência. Não acreditei. Chequei e era real. Estão investindo em publicidade. Obviamente, este dinheiro alto seria bem vindo na minha conta. Claro, não aceitei”.

DESCRÉDITO – Já o blogueiro Matheus de Souza relatou, no LinkedIn, que acordou com um “convite do governo federal para falar bem da reforma da Previdência”, mas não aceitou: “Em 2017 participei de algumas ações no LinkedIn. Todas elas realizadas com empresas que conheço e confio. Nesse caso, não confio na empresa (Governo), nem no produto (Reforma da Previdência)”.

Em nota, o governo diz que não autorizou a contratação de influenciadores: “É uma prática comum do mercado de comunicação utilizar-se de porta-vozes para transmitir mensagens à sociedade.Também é pratica usual de empresas que oferecem esse tipo de serviço, atuarem proativamente e apresentarem propostas comerciais a marcas e governos. Para isso, consultam antecipadamente, os possíveis contratados, para saber de sua disponibilidade em participar ou não com tais depoimentos. O Governo não solicitou os contatos aos usuários do Linkedin e a proposta apresentada não foi autorizada”.

Delegado Segóvia, “por qué no te callas?”

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Charge do Kleber Sales (Estadão)

Jorge Béja

Fernando Segóvia, que pelo nome certamente tem ancestrais espanhóis, quiçá oriundos da encantadora Segóvia a poucos passos de Madri, está se saindo muito mal como diretor-geral da Polícia Federal. A primeira mancada foi em novembro de 2017, quando assumiu a direção geral da instituição. Referindo-se ao episódio da corridinha com a mala entupida de dinheiro vivo, que o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-MG), então assessor do presidente Michel Temer e seu homem de confiança, empreendeu após receber mala e dinheiro do executivo Ricardo Saud, da JBS, Segóvia questionou publicamente se “uma única mala” seria suficiente para determinar se houve ou não crime.

Depois veio a nomeação de Felício Laterça, então delegado federal em Macaé, para ser o superintendente da Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro. Não durou muito e Segóvia se viu obrigado a anular a nomeação por razões que nem precisam ser repetidas aqui. E agora, Segóvia mais uma vez abriu a boca e em entrevista acenou com a possibilidade do arquivamento do inquérito policial que investiga se o presidente Temer cometeu crime de favorecimento, no cabeludo caso do “decreto dos portos”.

DISSE O REI – Saiba o delegado-chefe da Polícia Federal que o ministro Luís Roberto Barroso, do STF — a quem Segóvia é seu jurisdicionado e ao ministro Segóvia também deve obediência — já mostrou que vai ser muito mais rigoroso com o diretor-geral da PF do Brasil do que foi o Rei Juan Carlos da Espanha quando, na XVII Conferência Ibero-Americana realizada em Santiago do Chile, em 2007, não suportando mais as inoportunas e grosseiras intervenções de Hugo Chavez, que interrompia o discurso do primeiro-ministro espanhol José Luiz Zapatero, o Rei levantou-se e, dirigindo-se a Chavez,  furioso, disse em voz alta: “Por qué no te callas?”.

Delegado Fernando Segóvia, o senhor é apenas o diretor-geral da Polícia Federal. Sua autoridade perante seus subordinados, inclusive colegas seus, também delegados de polícia, é meramente administrativa. E nada mais do que administrativa. O senhor não preside inquérito policial algum. O senhor está, moral e legalmente impedido — caso não estivesse juridicamente impossibilitado, como está — de comentar, em público ou não, sobre inquérito que o senhor não preside e que, por descuido e ilegitimamente, esteja de toda a investigação inteirado. E ainda que presidisse, o decoro exigiria e exige o silêncio.

SEM ENTREVISTAS – Se Delegado de Polícia que preside inquérito policial não pode dar entrevistas nem revelar o que contém os autos do inquérito, muito menos seu chefe hierárquico e diretor-geral da instituição.

E mais: no escabroso caso do “decreto dos portos”, somente o ministro Luis Roberto Barroso (autoridade judicial) tem o poder legal para ordenar seu arquivamento. A prerrogativa do delegado de polícia (autoridade judiciária), que preside o inquérito policial, e do Ministério Público, que tenha solicitado sua instauração, não vai além do direito de pedir o arquivamento, pedido que pode ou não ser acolhido pela autoridade judicial, no caso o ministro Barroso. Delegado não arquiva inquérito policial, doutor Segóvia. Nem o Ministério Público, ainda que titular da ação penal que do inquérito possa gerar, tem a prerrogativa de arquivar inquérito policial.

Doutor Segóvia, parece que o senhor não está dando certo na chefia da Polícia Federal brasileira. Em tão pouco tempo, três mancadas. Que feio! O exercício do seu cargo exige solenidade, austeridade, discrição, independência, imparcialidade, serenidade, sabedoria jurídica e tantos outros deveres que o povo brasileiro espera de um diretor-geral da Polícia Federal.  E a polícia que o senhor passou a ser o chefe máximo é instituição criada para a defesa do Estado Nacional, a defesa do Brasil e de todo o seu patrimônio, material e imaterial.

NO PASSADO – Doutor Segóvia, saiba o senhor que, no passado não tão remoto, já tive como adversário (não, como inimigo), o então advogado Luis Roberto Barroso, num famoso pleito judicial aqui no Rio de Janeiro cujo resultado ultrapassou as fronteiras do país. O doutor Barroso joga limpo. Não se acovarda. Conhece a Ciência do Direito, numa visão, sublimação e plenitude que só os predestinados têm. E neste Brasil de hoje, qual o outro predestinado?

Doutor Segóvia, seja o mais reverente e verdadeiro,com o ministro Barroso, com a instituição Polícia Federal, com o Brasil e todo o seu povo. Somos mais de duzentos milhões a vigiar a sua atuação. E temos uma imprensa livre. Doutor Segóvia, para o bem do povo e para a felicidade geral da Nação, “por qué no te callas”? 

Reuters corrige apenas a informação sobre arquivamento de inquérito de Temer

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Reuters mantém as patética declarações de Segovia

Deu no G1, São Paulo

A agência Reuters corrigiu informação segundo a qual o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, afirmou em entrevista que arquivaria o inquérito contra o presidente Michel Temer no chamado inquérito dos portos. Segundo a agência, Segovia não falou que o caso será arquivado, mas indicou que há tendência para que a PF peça o arquivamento.

A entrevista, publicada na sexta-feira (9) pelo site da agência, teve o texto atualizado na madrugada deste domingo (11), mas seu teor foi mantido, com o diretor da PF declarando que não há indício de crime na investigação contra o presidente e que as investigações até o momento não comprovaram ter havido pagamento de propina por parte de representantes da empresa Rodrimar, que opera áreas do porto de Santos (SP), para a edição do decreto que prorrogava contratos de concessão e arrendamento portuários, assinado por Temer em maio do ano passado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Pelo jeito, para aceitar provas contra Temer, o delegado Segovia vai exigir que o pagamento de propina seja comprovado pelo número de série das notas, com digitais de Temer e seu então assessor Rocha Loures, além de confissão de culpa com firma reconhecida. O importante é que a agência Reuters manteve o texto de Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito. O delegado Segovia não disse que o inquérito será arquivado, mas deu todas as indicações neste sentido. (C.N.)