Por um voto, TRE-SP barra Marçal por oito anos e reacende debate sobre redes sociais

Defesa afirma que vai recorrer da decisão

Pedro Augusto Figueiredo
Estadão

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve na última quinta-feira, 4, a inelegibilidade de Pablo Marçal (PRTB) por oito anos. Por 4 votos a 3, o tribunal entendeu que ele fez uso indevido dos meios de comunicação ao promover concurso de cortes de vídeos nas redes sociais com falas dele na campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo no ano passado. Os vencedores recebiam dinheiro e brindes.

O TRE-SP manteve o pagamento da multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial, mas acatou parcialmente recurso da defesa de Marçal e o absolveu das condenações de abuso de poder econômico e captação e gastos ilícitos de recursos. Procurado por meio da assessoria de imprensa, Marçal disse que vai recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

CONSENSO – “Um placar de 4 a 3 deixa claro que nem o tribunal chegou a um consenso sobre essa sentença. Em uma decisão por um único voto de diferença fica claro que há mais dúvida do que certeza. No TSE deve prevalecer a lógica jurídica e essa situação será revertida”, declarou ele.

O autor da ação foi o PSB, que teve a deputada federal Tábata Amaral (PSB) como candidata a prefeita. “Ao confirmar a inelegibilidade de Marçal, o TRE/SP resguarda a lisura do processo eleitoral, coibindo práticas que possam desequilibrar a disputa e influenciar de forma imprópria a escolha do eleitor. O resultado reforça que a competição deve ocorrer em condições equânimes, preservando a confiança pública”, disseram Rafael Carneiro e Felipe Corrêa, advogados do partido.

No mês passado, o mesmo TRE-SP reverteu outra condenação que tornava Marçal inelegível. O autointitulado coach havia sido condenado na primeira instância por abuso de poder político e econômico por prometer gravação de vídeos em apoio a candidatos a vereador em troca de doações para sua campanha.

Na poesia de Schmidt, um amor desesperado que nunca se realizou

Veredas da Língua: Augusto Frederico Schmidt – PoemasPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), empresário pioneiro em supermercados no Brasil, industrial e presidente do Botafogo, foi também editor, dono da Livraria Schmidt no Rio de Janeiro. Um dos destaques da segunda geração do Modernismo, Schmidt falava de morte, de ausência, de perda e de amor em seus poemas.

DE AMOR
Augusto Frederico Schmidt

Chegaria tímido e olharia tua casa,
A tua casa iluminada.
Teria vindo por caminhos longos
Atravessando noites e mais noites.

Olharia de longe o teu jardim.
Um ar fresco de quietação e repouso
Acalmaria a minha febre
E amansaria o meu coração aflito.

Ninguém saberia do meu amor:
Seria manso como as lágrimas,
Como as lágrimas de despedida.

Meu amor seria leve como as sombras.

Tanto receio de te amar, tanto receio…
A sombra do meu amor
Poderia agitar teu sono, perturbar o teu sossego…

Eu nem quero te amar, porque te amo demais.           

Câmara prepara resposta ao STF no caso Zambelli após decisão de Gilmar

Ala da Câmara defende manutenção do mandato da deputada

Deu na CNN

A decisão do decano do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, de impedir que o Senado abra processos de impeachment contra ministros da Corte poderá ter efeito também sobre movimentos sensíveis na Câmara dos Deputados, como a votação sobre a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo Supremo e atualmente presa na Itália.

Antes, deputados avaliavam a rejeição do parecer do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) pela absolvição da deputada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O parlamentar é relator do processo de Zambelli no colegiado e se manifestou pela manutenção da deputada bolsonarista.

RECADO – Agora, porém, diante da decisão de Gilmar, líderes consultados pela CNN entendem que a Câmara pode usar o caso Zambelli como recado ao Supremo. Após um pedido de vista, o caso da parlamentar voltará a ser analisado na CCJ na próxima semana, sem previsão ainda de ser pautado no plenário da Câmara.

Por se tratar de uma condenação criminal, a Casa Legislativa entende que não cabe acatar sumariamente a decisão de Alexandre de Moraes, do STF, mas que os parlamentares têm respaldo para decidir sobre a perda do mandato.

RAMAGEM – A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados também deve remeter à CCJ da Casa a ordem do STF para a perda de mandato do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que atualmente está nos Estados Unidos, mas foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

Na avaliação de deputados, Ramagem terá mais facilidade de garantir o mandato do que Zambelli. Anteriormente, a Câmara já havia votado para trancar a ação contra Ramagem pela trama golpista, mas teve a decisão revertida pelo Supremo em seguida.

Centrão rejeita escolha de Flávio e expõe fraqueza do bolsonarismo para 2026

O nó político de 2026 e a reconfiguração abrupta do tabuleiro

Da tentativa de golpe ao risco de expulsão: o cerco militar que se fecha sobre Bolsonaro

Bolsonaro, ao indicar nome de Flávio, fortalece Lula e desorienta a oposição

Charge do dia faz referência a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro como presidente para eleições de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta sexta-feira (5/12) que foi escolhido pelo pai, o ex-presidente

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Chega a ser comovente o esforço que Jair Bolsonaro faz para bagunçar a próxima eleição. Ao indicar seu filho Flávio, que é chamado de “Zero Um”, o ex-presidente fortalece a campanha de Lula da Silva e cria um problemão para o PL, para o governador paulista Tarcísio de Freitas, para as diversas correntes de direita e centro que tentam se unir para escorraçar o petismo e também para sua própria família.

O PL precisa dos votos dos bolsonaristas, mas não quer ser excluído da escolha do candidato, até porque ainda é muito cedo para tanto. Tarcísio também fica em má situação, porque prometeu ser candidato somente se for indicado por Bolsonaro. Os demais partidos que enfrentam Lula e PT também já exprimiram seu desagrado. E a família Bolsonaro fica dividida, porque a mulher Michelle e o filho Eduardo também aspiravam a candidatura.

HORA ERRADA – Está tudo errado, inclusive não é o momento para uma definição tão importante. As pesquisas políticas mostram que Lula está num momento ruim, com queda na aprovação de seu governo e alta na reprovação a seu nome. O mais recente levantamento do Instituto Datafolha mostra que o atual presidente está com 44% de rejeição, que é uma enormidade.

Além disso, as perspectivas econômicas estão ruins, com o IBGE apontando 0,1% de evolução do PIB no terceiro semestre.

Assim, há risco de estagnação ou até estagflação, em que preços sobem, o poder de compra cai e a economia fica estagnada ou cresce pouco, gerando um dilema para o Banco Central, que precisa controlar a inflação elevando juros sem piorar a recessão, impactando renda e investimento.

AINDA NA FRENTE – Apesar do declínio, Lula ainda bate os rivais, mas na pesquisa AtlasIntel, que ouviu 5,5 eleitores, no segundo turno ele já caiu para empate técnico de 49% a 47% com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que nem se declara candidato, e também com Michelle.

No Datafolha, que ouviu apenas 2,2 mil eleitores, na margem de erro a diferença é de apenas 1% a favor do petista contra Tarcísio.No Datafolha, a família Bolsonaro perde para Lula, não importa a candidatura.

O patriarca Jair Bolsonaro desponta com 45% de rejeição, empatado com Lula, 44%, considerando a margem de erro. Sem nunca ter disputado uma eleição nacional, contudo, já registram taxas altíssimas de rejeição o senador Flávio, com 38%, o deputado Eduardo, com 37%, e Michelle, com 35%.

RATINHO SOBE – Bolsonaro pai, segundo o Datafolha, perdia de Lula por 47% a 43%, e agora por 49% a 40%. Mas o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), tem baixa votação no primeiro turno, mas desempenho semelhante ao de Tarcísio de Freitas no segundo turno.]

Ratinho Jr. perde de Lula por 47% a 41%, com apenas 2 pontos de diferença na margem de erro, o que demonstra a força da direita no segundo turno, seja qual for o candidato contra o atual presidente petista.

Em tradução simultânea, pode-se dizer que há uma tendência de união da direita e da centro-direita contra Lula, mas o clã Bolsonaro está fazendo o possível e o impossível para tumultuar a candidatura mais forte, que é de Tarcísio de Freitas.

Disputa por herança política de Bolsonaro destrói pacto com Ciro e racha o PL

General que enfrentou pressão golpista afirma: “Legalidade era o único caminho”

Abin expõe vulnerabilidades da eleição de 2026 e diz temer ataques coordenados

Agência Brasileira de Inteligência destaca uso de IA

Raquel Lopes
Folha

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) aponta como riscos para o processo eleitoral de 2026 a interferência externa e a atuação do crime organizado, segundo documento sobre os desafios da instituição para o próximo ano. Além disso, o uso de inteligência artificial para desinformação e a crescente radicalização religiosa são fatores que, segundo a agência, ameaçam deslegitimar as instituições democráticas.

As conclusões estão no documento “Desafios da Inteligência —Edição 2026”, relatório em que a Abin apresenta à sociedade e às autoridades com sua avaliação sobre os riscos diretos e indiretos à segurança do país no próximo ano.

DESAFIOS – De acordo com a Abin, o Brasil enfrenta desafios relacionados à manutenção da democracia e à estabilidade institucional. Desde 2018, observa-se a propagação recorrente, principalmente por meio de plataformas digitais, de desinformação acerca das eleições brasileiras.

Tal processo, segundo a agência, resultou em mobilizações que questionavam o processo eleitoral nacional, as quais culminaram nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Na época, um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiu e depredou as sedes dos três Poderes. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela acusação de liderar uma trama golpista.

Diante do que aconteceu na última eleição presidencial, a Abin avalia que o pleito do próximo ano ocorrerá em um cenário marcado por múltiplos desafios. “A possibilidade de interferência externa no processo eleitoral brasileiro é fator de risco que não pode ser subestimado”, diz a agência.

INTERFERÊNCIA – O órgão aponta que essa interferência pode ocorrer por meio de campanhas de desinformação sofisticadas, ataques cibernéticos à infraestrutura eleitoral ou via financiamento oculto de grupos políticos específicos e de movimentos de viés antidemocrático.

Segundo a agência, a articulação transnacional de movimentos extremistas, que compartilham táticas de manipulação e de propaganda em fóruns e comunidades próprias, eleva a sofisticação dessas ações e cria ameaças coordenadas e globalizadas contra o processo democrático brasileiro, impactando diretamente a soberania nacional.

“Atores estatais ou não estatais podem ter altos incentivos para promover ações de desestabilização do processo eleitoral, minando a confiança nas instituições, influenciando resultados e favorecendo interesses geopolíticos e econômicos próprios”, acrescenta. O órgão não cita nenhum país específico como os atores estatais que poderiam mover ações de interferência.

ESTADOS UNIDOS – Auxiliares do presidente Lula (PT) têm especial preocupação com os Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump já declarou apoio a diferentes políticos no continente americano. Recentemente, Trump saiu em defesa do conservador Nasry Asfura na eleição de Honduras e ameaçou cortar ajuda ao país se seu favorito não vencer.

O republicano adotou retórica semelhante em relação à Argentina. Ele disse recentemente que seu apoio ao país dependia de uma vitória do ultraliberal Javier Milei nas eleições legislativas. Além disso, Lula já fez críticas a megaempresários que interferem na política de outros países, no que foi lido como uma referência a Elon Musk, dono da rede social X.

Em fevereiro, o petista declarou que a democracia deve ser respeitada, mas “o que não pode é a gente achar que um empresário pode ser dono da comunicação do mundo e pode falar mal do mundo a toda hora, se metendo nas eleições dos países”.

FACÇÕES – Outra preocupação da agência sobre o processo eleitoral se refere ao crime organizado, com a atuação de milícias e facções. Em áreas periféricas e de baixa presença estatal, grupos criminosos exercem domínio de território, controlando a vida de comunidades e, consequentemente, o voto.

Essa influência se manifesta tanto em ações de financiamento de campanhas quanto de coação de eleitores e indicação de candidatos próprios, chegando, em casos extremos, à eliminação de adversários políticos. Outro ponto apontado pela agência seria a deslegitimação sistêmica das instituições democráticas. A desinformação, especialmente em ambientes digitais, é identificada como elemento central desse processo, agravada pela manipulação proporcionada por novas tecnologias.

SIMULAÇÕES – Esse quadro se intensifica com o avanço da inteligência artificial generativa e dos deepfakes, que permitem a criação massiva de conteúdos audiovisuais sintéticos e hiper-realistas a baixo custo. A tecnologia, segundo o documento, pode forjar falas de candidatos, simular discursos inexistentes e descontextualizar declarações com alto grau de semelhança.

A polarização ideológica também tem sido um ponto de atenção, isso porque segmenta a sociedade em grupos antagônicos e tem bloqueado o diálogo democrático, ainda de acordo com a agência de inteligência. Nesse contexto, tem sido observada a instrumentalização de crenças religiosas como movimento de mobilização e polarização.

CRIPTOGRAFIA – Além das questões eleitorais, o relatório aponta outros quatro desafios para o próximo ano. Entre eles está a transição para a criptografia pós-quântica. A agência ressalta que a criptografia, presente em transações financeiras, aplicativos de comunicação e serviços digitais, é essencial para garantir a confidencialidade e a integridade dos dados.

No setor público, ela sustenta a soberania digital ao proteger comunicações sigilosas, documentos sensíveis, atos administrativos e a interoperabilidade segura entre órgãos, funcionando como pilar para a continuidade do Estado.

Outros riscos são ataques cibernéticos autônomos com uso de agentes de inteligência artificial. O avanço acelerado da IA, segundo o documento, especialmente dos grandes modelos de linguagem, criou um novo patamar de risco para a segurança cibernética ao permitir que agentes planejem e executem ataques de forma autônoma.

Candidatura de Flávio mostra que ele é um Zero à esquerda

A candidatura de Flávio Bolsonaro é real?

Candidatura de Flávio foi comemorada por Lula e pelo PT

Vicente Limongi Netto

Foi frio, sem barulho, o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Anúncio quase fúnebre. Não empolgou. Não amedronta ninguém. Não agrega, desune. É o clima com tempo ruim, sujeito a trovoadas, como dizem os meteorologistas. Pode-se afirmar, foi um vexame.

Garante o filho mais velho do ex-presidente, doente e preso, que é escolha do próprio paizão. Vá lá. Mas e daí? O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, parece que levou bola nas costas. Não passou recibo. Macaco velho, vacinado.

SEM FOGUETES – Adversários e correligionários pouco falaram. Não apareceu ninguém para soltar foguetes. Dona Michelle, pela enxurrada de pesquisas, sempre aparece como o melhor nome para enfrentar Lula e quem mais surgir na rinha. O agora lançado Flávio Bolsonaro não aparece destacado em nenhum indicador eleitoral. O ainda senador vai ter que trabalhar muito. Tirar coelhos e votos da cartola.

O lançamento de Flávio Bolsonaro deixa o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas finalmente livre das algemas que a ligavam, por gratidão e lealdade, ao ex-presidente. Como em eleição vale tudo, menos perder, podem surgir, mais adiante, nuvens que orientavam rumos, pregava Magalhães Pinto, e sacramentar uma chapa Tarcísio e Flávio.

Aí sim, tem jogo emocionante, com estádio cheio e bola na rede. Por ora, nenhum adversário amedronta Lula. Chamado pelo pai de Zero Um, o filho Flávio, sozinho, sem vice anunciado, não é nada, não é nada, não é nada mesmo, apenas mais um Zero.

Datafolha: Lula supera Flávio, Michelle, Eduardo e até Jair em todos os cenários

Corrida de 2026 vira plebiscito sobre Bolsonaro e governadores prometem anistia

Cotados para 2026 de olho em transferência de votos

Juliana Arreguy
Folha

Quatro governadores de direita cotados à Presidência da República nas eleições de 2026 já se manifestaram contrários à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sinalizaram que concederiam anistia a ele por tentar aplicar um golpe de Estado caso fossem eleitos.

Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Jr. (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) são os principais nomes admitidos por líderes e parlamentares da direita e do centrão como possibilidades para a corrida presidencial do próximo ano.

VIOLAÇÃO – O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes oficializou, na última semana, a condenação definitiva de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista. O ex-presidente cumprirá a pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde está preso preventivamente desde o dia 22, após ter violado a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.

Em junho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, disse à Folha que o pai só apoiaria um candidato que concedesse um indulto a ele e que também brigasse no STF por isso, se necessário.

Até então, Flávio era tratado como possível herdeiro do pai na eleição presidencial em 2026. Mas o nome do senador perdeu força após ele ser implicado em situações que justificaram a prisão de Bolsonaro, como a convocação de uma vigília em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.

PRESSÃO – Políticos do centrão enxergaram na situação a oportunidade de pressionar por uma chapa presidencial apoiada por Bolsonaro, mas sem o nome de nenhum dos integrantes do clã. O favorito é Tarcísio, que foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro.

O governador nega publicamente a pretensão de se lançar à Presidência, mas já declarou que concederia anistia ao ex-presidente no primeiro dia de governo, caso fosse eleito. “Na hora. Primeiro ato. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado”, disse Tarcísio ao Diário do Grande ABC em agosto.

Caiado fez promessa semelhante: “No primeiro dia, vou assinar anistia ampla, geral e irrestrita para todos [os condenados] do 8 de Janeiro, incluindo o Jair Bolsonaro”, disse o governador goiano em setembro. “Eu sei dos compromissos que faço e da responsabilidade que tenho. Eu não uso demagogia, eu falo na anistia para pacificar o Brasil”, acrescentou ele.

INTERPRETAÇÃO – Zema, em entrevista à Folha no mês de junho, também declarou que concederia anistia a Bolsonaro. “Não foram concedidos indultos a assassinos e sequestradores aqui, durante o que eles chamam de ditadura? Agora você não vai conceder?”, questionou ele, tratando como questão de interpretação a repressão da ditadura militar (1964-1985), que perseguiu, torturou e matou opositores políticos.

Entre os governadores citados, apenas Ratinho Jr. não defendeu abertamente a anistia a Bolsonaro. O governador paranaense classificou a prisão como uma insensibilidade do STF e pregou a pacificação do país, mas sem dizer como –o termo “pacificação” tem sido utilizado pelos bolsonaristas para tentar avançar com o projeto da anistia no Congresso Nacional.

VIRAR A PÁGINA – “A população não está feliz com a perseguição a um ex-presidente. O Brasil precisa virar a página do ódio, do atraso, da briga e escrever um novo tempo”, disse Ratinho em setembro, logo após Bolsonaro ser condenado pelo STF.

Flávio disse que o próprio Bolsonaro pediu que ele insistisse com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que pautem o projeto da anistia. O PL definiu que fará uma nova ofensiva no Congresso para destravar a tramitação da anistia.

Um amor intenso de Djavan, perdido na beleza fria de Maria

Musical sobre a vida e obra de Djavan chega aos palcos em 2025 - Novabrasil

Djavan, um cantor/compositor magnífico

Paulo Peres
Poemas & Canções 

A música Flor de Lis, do cantor, compositor e produtor musical alagoano Djavan Caetano Viana, gravada no LP “A voz, o violão, a música de Djavan”, em 1976, pela Som Livre, tem uma belíssima letra que até hoje gera variadas interpretações, graças ao seu lado romântico-dramático.

Historicamente, a Flor de Lis é uma figura heráldica, muito associada à monarquia francesa, particularmente ligada ao rei da França. Todavia, segundo alguns professores de literatura, nesta letra a figura representa a pureza do corpo-alma-castidade. E com isso o amor ficou na poeira, morto na beleza fria de Maria.

FLOR DE LIS
Djavan

Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei

Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis

E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira,
Poeira
Morto na beleza fria de Maria

E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu.

E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu.   

Herança política de Bolsonaro vira obstáculo para a ambição de Tarcísio

Decisão de Bolsonaro visa garantir o protagonismo do clã

Malu Gaspar
O Globo

Oficialmente, o governador Tarcísio de Freitas ainda não se manifestou sobre as declarações de Flávio Bolsonaro de que o pai o nomeou herdeiro político. Mas, nos bastidores, tanto ele quanto interlocutores próximos vêem com ceticismo a possibilidade de uma candidatura presidencial do senador do PL em 2026.

O governador foi avisado na véspera por Flávio, mas ainda assim se surpreendeu com a guinada. No final de setembro, quando Tarcísio esteve com Bolsonaro pela última vez, Flávio ainda mantinha a intenção de se candidatar a senador e Michelle era cogitada para ser a vice numa eventual chapa presidencial com ele em 2026.

MUDANÇAS – Embora não tenha ficado propriamente satisfeito com a nova configuração do cenário, tanto o governador como seus aliados avaliam que ele ainda pode mudar muito até 2026. Por ora, nenhum deles acredita que a candidatura de Flávio é para valer, até porque em sua declaração pública ele diz que recebeu do pai a “missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”, mas não menciona explicitamente uma candidatura presidencial.

Para o entorno de Tarcísio, a decisão de Jair Bolsonaro de lançar agora o nome do filho visa, primeiro, garantir o protagonismo do clã, mesmo com o pai na prisão – mas sem entregar esse lugar de destaque a Michelle Bolsonaro, que vinha se movimentando de forma explícita para consolidar sua liderança na direita.

PRESSÃO – Outra utilidade da “candidatura” de Flávio seria pressionar Hugo Motta e o Centrão para aprovar a anistia na Câmara em troca da união da direita em torno de um outro candidato apoiado por Bolsonaro. E, ainda, mais adiante compor uma chapa com o próprio Flávio ou com um nome endossado pelo ex-presidente.

Seja como for, a única certeza no entorno de Tarcísio é que ele não se lançará à Presidência da República contra um Bolsonaro em 2026. Para que o governador se candidate, portanto, vai ser necessária uma nova costura política que contemple as condições do clã. Essa costura começa agora, mas é muito difícil prever, agora, suas chances de sucesso.

Antropóloga alerta: o Rio não vive crise de segurança, mas tragédia humanitária

Estagnação é o alerta no convés da economia, embutido no PIB de apenas 0,1%

Dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE

Pedro do Coutto

O crescimento de apenas 0,1% do PIB brasileiro no terceiro trimestre de 2025, conforme revelado pelos dados recentes do IBGE, expõe de maneira clara e preocupante a perda de fôlego da economia nacional.

Embora tecnicamente positivo, esse número é tão baixo que se confunde com estagnação — e, na prática, funciona mais como um alerta do que como um indicador de avanço. O dado revela uma economia que se move, mas sem força, sem ritmo e sem capacidade real de induzir melhorias perceptíveis no bem-estar da população.

DESEMPENHO – Quando se observa os componentes desse resultado, a fotografia fica ainda mais nítida. O setor de serviços — que representa mais de 70% da atividade econômica brasileira — cresceu o mesmo que o PIB: 0,1%, ou seja, praticamente nada. É um desempenho muito distante do que se esperava de um segmento que vinha sendo o motor da recuperação pós-pandemia.

A indústria, com alta de 0,8%, e a agropecuária, com 0,4%, ofereceram algum alívio, mas não foram suficientes para puxar o conjunto para cima. A economia parece ter perdido tração justamente onde é mais vital — naquilo que movimenta o dia a dia das pessoas, das empresas e do comércio.

DEMANDA – O ponto mais preocupante desse cenário, porém, não está na produção, mas na demanda. O consumo das famílias cresceu apenas 0,1%, o menor ritmo em um ano. A retração do consumo tem efeitos diretos e imediatos sobre o PIB: famílias que compram menos pressionam toda a cadeia produtiva, dos serviços ao varejo, da indústria aos pequenos negócios.

É um ciclo que se retroalimenta. Com juros ainda elevados, crédito caro, renda comprimida e inflação que, mesmo moderada, corrói silenciosamente o poder de compra, o brasileiro comum se vê forçado a reduzir gastos, adiar compras e priorizar o básico.

E quando o consumo perde força, a economia como um todo perde direção. No Brasil, onde o mercado interno historicamente sustenta grande parte do crescimento, essa desaceleração indica que o país está avançando sem energia e sem sustentação. Não há dinamismo, não há impulso, não há perspectiva de aceleração espontânea. Mesmo o leve aumento dos investimentos — a Formação Bruta de Capital Fixo subiu 0,9% — não se traduz em otimismo suficiente para mudar o cenário no curto prazo.

CRESCIMENTO – O quadro geral, portanto, é de uma economia que cresce apenas no papel — e muito pouco — enquanto, na prática, permanece estacionada. O Brasil não está em recessão, mas também não está avançando o suficiente para sair do lugar. O risco de um longo período de “crescimento baixo crônico” se torna mais concreto a cada trimestre em que os números repetem essa mesma lógica: expansão mínima, consumo fraco, serviços enguiçados e investimentos tímidos.

O crescimento de 0,1% deve ser lido como um aviso. Ele mostra que o país está em marcha lenta e que, se não houver uma inflexão clara — com estímulos à produtividade, reforço da renda, redução sustentável dos juros, incentivo ao consumo e avanços estruturais — continuaremos presos ao mesmo ciclo de mediocridade econômica.

O Brasil tem condições para crescer mais — mas não crescerá por inércia. O dado de 0,1% é um pedido silencioso de mudança. É a economia dizendo que, do jeito que está, não basta. É um lembrete de que estagnação também traz custos — sociais, políticos e humanos — e de que é preciso agir antes que esse ritmo anêmico se torne a nova normalidade.

A implosão do campo conservador no pós-bolsonarismo

Sonho está acabando e Lula já empata com Tarcísio, Michelle e Bolsonaro

Charge do Jindelt (Correio Braziliense)

Carlos Newton

Enquanto não termina o processo contra Jair Bolsonaro no Supremo, que o relator Alexandre de Moraes dá como concluído, mas há controvérsias, como diria o genial ator Francisco Milani, as pesquisas eleitorais continuam a incluir o ex-presidente, além de colocar Michelle ou outros substitutos na corrida ao Planalto.

O mais recente levantamento do instituto AtlasIntel,  divulgado nesta terça-feira, traça um retrato que já era esperado, mas o presidente Lula da Silva vinha conseguindo evitar com seu novo saco de bondades para o eleitor carente. 

TARCÍSIO CRESCE – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que ainda nem se apresentou como candidato, surge como o preferido  para representar a oposição contra Lula em 2026.

Diz a pesquisa AtlasIntel que Lula ainda lidera com folga todos os cenários de primeiro turno, mas a diferença caiu muito em relação Tarcísio, que era de quase 21 pontos percentuais, e agora é de menos de 16 pontos. 

No confronto contra Tarcísio de Freitas, o presidente teria 48,4% das intenções de voto contra 32,5% do governador paulista, no primeiro turno.

OUTROS CANDIDATOS – Foram pesquisados também outros possíveis candidatos de primeiro turno, como o senador Flávio Bolsonaro )PL) e sua madrasta Michelle (PL), e os governadores Ratinho Junior (Paraná), Ronaldo  Caiado (Goiás), Romeu Zema (Minas Gerais) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

Nenhum deles alcançou um resultado melhor do que o obtido por Tarcísio. No caso de Michelle Bolsonaro, que chegou mais perto, Lula tem 20 pontos de frente: 48,7% das intenções de voto contra 28,6% da ex-primeira-dama.

No segundo turno, porém, o quadro muda bastante, porque o presidente Lula tem pelo menos três fortes concorrentes.

EMPATES TÉCNICOS – A maior surpresa da pesquisa foi mostrar Lula está em situação de empate técnico com Tarcísio, com Michelle e com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ficou inelegível por duas condenações na Justiça Eleitoral, além de estar recorrendo contra a condenação no processo do golpe de estado, e precisaria se livrar de tudo isso.

Na disputa com Tarcísio — a única que o instituto pesquisou –, Lula tem uma perda considerável de vantagem.

Em outubro, ele tinha 52% contra 44% do governador (diferença de 8 pontos percentuais), mas agora ele consegue 49% contra 47% (empate na margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos). 

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P.S. – A aprovação do governo também está em queda. Em tradução simultânea, se a família Bolsonaro não atrapalhar, o Brasil enfim poderá se livrar desse encosto petista, que grudou no país feito carrapato, para usurpar nosso sangue, suor e lágrimas. (C.N.)

Com Bolsonaro fora do jogo, Centrão avança para ocupar o vácuo da direita