Motta desprezou o prazo fixado por Moraes e vai reunir a Mesa Diretora

Justiça italiana marca audiência para julgar Carla Zambelli | Jovem Pan

Zambelli será julgada 5ª feira e espera um milagre de Natal

Carlos Newton

Conforme anunciamos aqui na Tribuna da Internet com absoluta exclusividade, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não aceitou cumprir o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes para cassar o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e dar posse ao suplente, Adilson Barroso, que já está em Brasília desde sábado, na expectativa de assumir no final de semana.

Barroso já ocupou na Câmara a vaga de Guilherme Derrite (PP-SP) de 2023 a 2025, quando o deputado se licenciou para comandar a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo, mas o titular reassumiu o mandato no fim de novembro. Por conta disso, Barroso voltou à suplência.

ORDEM DESCUMPRIDA – Como se sabe, na quinta-feira o ministro Alexandre de Moraes decretou nula a decisão da Câmara que preservara o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que está presa na Itália.

Na decisão, Moraes determinou a perda imediata do mandato da deputada paulista e ordenou que a Câmara efetuasse a posse do suplente no prazo máximo de 48 horas, conforme o artigo 241 do Regimento Interno da Câmara.

Motta não deu importância ao decreto de Moraes e preferiu convocar os líderes partidários da Casa para uma reunião em Brasília na sexta-feira, com objetivo de discutir outro importante assunto – a operação da Polícia Federal com relação à funcionária Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL).

OUTRO EXAGERO – Os líderes criticaram fortemente a operação, falando em “outro exagero” e classificando como mais uma tentativa de o Supremo fragilizar o Congresso. Atribuíram também ao Planalto parte da culpa pelas operações policias que atingem os parlamentares de oposição.

Ficou acertado que, a partir de agora, o Congresso passará a dificultar o andamento de matérias prioritárias para o governo, enquanto os líderes não decidem uma maneira de dar uma resposta institucional em defesa do Legislativo como poder da República.

Segundo os líderes, não havia motivos para esse estardalhaço, porque a servidora Mariângela Fialek nem trabalha mais no setor de emendas e jamais cometeu irregularidades.

PERFIL TÉCNICO – Tuca, como é conhecida na Câmara, tinha um comportamento ético e recebia em sua sala deputados de todos os partidos. Apenas operava a distribuição e liberação desses recursos, seguindo a orientação da Mesa Diretora, que era presidida por Arthur Lira (PP-AL).

Não havia motivos para uma hollywoodiana operação destinada a apurar suspeitas de desvios de emendas parlamentares, com buscas e apreensão em uma sala na Câmara e também na residência da servidora, apreendendo bens pessoais, como diversas joias de baixo valor.

O mais incrível é que a Mariângela Fialek é investigada pelos crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção, mas o ex-presidente Arthur Lira não é alvo da apuração.

ORDEM DE DINO – A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sem a menor necessidade, pois os documentos oriundos do serviço da funcionária são de livre acesso.

Os advogados Luis Inácio Lucena Adams e Maria Claudia Bucchianeri, que defendem a servidora, distribuíram nota lamentando o exagero da operação policial. “Ela era responsável tecnicamente pela organização das emendas parlamentares, nos exatos termos do que era decidido pela Presidência da Casa e por todos os líderes partidários indistintamente (Colégio de Líderes). Sua atuação era estritamente técnica, apartidária e impessoal, nos exatos termos do que dispõe a LC 210/2024, editada em cumprimento às decisões do Supremo Tribunal Federal”, diz a nota, acrescentando:

“Todas as informações dali constantes, sobre indicações de emendas, são encaminhadas à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, onde podem também ser encontradas, além de serem publicadas no Portal da Transparência, tal como determinou o Supremo Tribunal Federal”.

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P.S.
É claro que, na reunião de sexta-feira, foi tratada também a cassação de Carla Zambelli, que, nesta segunda-feira, passa a ser o assunto principal. Não se sabe se Motta vai reunir apenas a Mesa Diretora e a Assessoria Jurídica, ou se vai incluir também os líderes. A única coisa que todos sabem, sem medo de errar, é que se trata de uma crise institucional gravíssima e não há clima de Natal que dê jeito. Podem comprar pipocas. (C.N.)

O que a punição a militares golpistas revela sobre o Brasil de hoje

Golpismo persiste, mas o país amadureceu, afirma Fico

Míriam Leitão
O Globo

O historiador Carlos Fico acha que ainda não se pode dizer que o golpismo militar acabou, mas admite que o país amadureceu. Ele dá uma lista de medidas que precisam ser tomadas para fortalecer a democracia brasileira e conta o que deve ser mudado no artigo 142 da Constituição, que tem sido visto pelos militares como dando poder a eles de tutelar o poder civil.

Fico começou a escrever anos atrás um livro de História sobre todas as ameaças feitas pelos militares contra a ordem democrática durante a República, o “Utopia Autoritária Brasileira”. Acabou escrevendo um livro que trata do tempo presente, porque houve novo atentado à democracia.

Miriam – Por tudo o que o senhor estudou para escrever este livro e viu agora dos acontecimentos recentes, como responde à pergunta: o golpismo acabou?

Fico: Infelizmente, eu acho que não. A gente precisaria ainda de várias coisas para mudar essa cultura política muito entranhada não todos, mas em alguns setores militares.

Acho que ainda há risco enquanto a gente não operar essas mudanças. Não tenho dúvida que agora esse último episódio com o julgamento e sobretudo com o julgamento que ainda virá no Superior Tribunal Militar, isso tem funcionado como um alerta para as Forças Armadas.

Algo mudou, porque pela primeira vez militares golpistas, que tentaram, efetivamente, dar um golpe, foram devidamente punidos. No ambiente da democracia, com um processo regular na justiça, com a garantia de ampla defesa contraditória. Então, isso nunca aconteceu antes, é inédito, funciona como um alerta, mas infelizmente eu acho que outras medidas seriam necessárias.

Esse devido processo legal é importante, porque no seu livro mesmo você lembra de outros casos de ex-presidente que foram presos como Hermes da Fonseca, Arthur Bernardes….

Fico: Hermes da Fonseca era militar e ficou preso só 24 horas. Foi preso depois da tentativa de golpe 1922, mas isso não prosseguiu, ele inclusive morreu em 1923, ainda com o inquérito em andamento. O Artur Bernardes também foi preso, mas foi pelo poder executivo, foi exilado arbitrariamente em 1932.

Depois a gente teve também o caso do presidente Carlos Luz em 1955, que foi deposto pelo General Lott e o Café Filho também, que foi ficou “preso” em seu apartamento em Copacabana, uma coisa totalmente irregular. A gente nunca teve um processo efetivo pela justiça regular contra pessoas militares acusadas de golpe de Estado.

Dessa vez teve a investigação, teve a denúncia do Ministério Público, teve amplo direito de defesa, todo o processo e o julgamento. Nesse aspecto é realmente inédito na história do Brasil. Foram presos não só o ex-presidente, como vários dos seus auxiliares militares e também civis, mas militares de alta patente, ex-ministro da defesa, ex-comandante do exército, ex-comandante da Marinha.

Fico: Oficiais generais serem punidos pela justiça civil diante de um processo regular, é totalmente inédito, ainda mais em se tratando do crime de golpe, de tentativa de golpe. Então isso mostra um certo amadurecimento.

Desde a Constituição de 88, com todas as mudanças que houve no Ministério Público, na própria Polícia Federal, o empoderamento do Supremo Tribunal Federal, tudo isso garantiu paulatinamente o que eu chamo de pedagogia democrática, fortalecimento das instituições. O governo Bolsonaro teve esse problema de ter interrompido essa experimentação democrática, com ataque a direitos humanos, com toda aquela anarquia institucional que foi o governo dele. Além da epidemia mal conduzida, além dessa coisa autoritária e golpista, a interrupção dessa vivência, dessa experiência democrática que vinha desde o fim da ditadura militar, foi um prejuízo tremendo.

Os movimentos do ex-presidente Jair Bolsonaro, eles eram óbvios, principalmente para quem viveu uma ditadura militar. Ele ia sempre a todas festividades militares, lembrava a posição de comandante supremo, chamava de “meu exército”. Claramente ele estava fazendo a cooptação. E e muitos se deixaram cooptar, muitos quadros de elite das Forças Armadas se deixaram levar. Por que foi foi fácil produzir uma coisa assim?

Fico: Porque existe, infelizmente, em alguns setores militares, sobretudo das gerações mais antigas, os oficiais generais em geral, essa cultura política, essa interpretação equivocada do artigo 142 que eles muitos ainda entendem como um direito de intervenção na política. É um ambiente em que é fácil prosperar esse tipo de ativismo político, quando se trata de um governo militarista como foi o governo Bolsonaro. E por isso que é preciso fazer uma série de coisas. Por exemplo, a gente precisaria ter comissões no Senado e na Câmara mais atuantes. Comissões de defesa nacional do Senado e da Câmara não têm parlamentares no momento, que conheçam profundamente essa realidade. Precisaria para fiscalizar as atividades, o Plano Nacional de Defesa e tudo mais. A gente precisaria que o sistema de ensino militar fosse mais, pelo menos, permeável a críticas.

Porque a gente tem situações, por exemplo, as interpretações de geopolítica no ensino militar são muito precárias em função do que eles aprendem com história, sociologia, relações internacionais. Isso precisaria mudar, ser mais permeável para que a sociedade civil pudesse pelo menos criticar. Não é para fazer proselitismo esquerdista na AMAN, é para a gente poder ver e criticar esse tipo de sistema de ensino.

O Congresso Nacional, o sistema de ensino, uma coisa importantíssima, até pelos meus contatos com oficiais mais jovens, seria o reconhecimento do erro, o reconhecimento da realidade. A ditadura militar existiu. O golpe de 64 foi um golpe. Houve tortura, reconheçam isso. Nem estou falando em perdão, mas reconhecer o óbvio. A verdade histórica. Isso permitiria que os oficiais mais jovens que têm vocação dessem um passo à frente, deixassem de lado esse passivo tão negativo.

Já perguntei a militares, a generais, porque vocês carregam esse peso. Por que carregar?

Fico: Por que é importante mudar essa cultura política? Muita gente fala que não é importante mudar as disciplinas. Bom, tem essa importância que eu mencionei, mas essa interpretação equivocada se reproduz no ambiente da caserna, no ambiente dos quartéis. Algumas coisas, digamos, mais fortes precisariam ser feitas. Uma delas, que eu sempre repito, é mudar o trecho do artigo 142.

O historiador José Murilo de Carvalho dizia que, desde a primeira Constituição da República, vem a ideia de que o poder moderador que era do imperador foi herdado pelos militares. E esse tipo de equívoco ambíguo sempre esteve nas constituições. Como mudar o artigo 142 sem o risco de piorar, quer dizer, abrir uma caixa de pandora?

Fico: Acho muito simples, porque na verdade a passagem problemática do artigo 142 é apenas a expressão garantia dos poderes constitucionais. Tire-se isso. Porque ninguém sabe o que é. A garantia da lei da ordem, tem uma lei. A lei complementar regulamenta essa passagem da, agora garantia os poderes constitucionais é o quê? Ninguém sabe. Tem lei complementar? Não tem lei complementar.

Eu vou mostrar que isso aconteceu em praticamente todas as tentativas de golpe. Porque o atual 142 teve outros números em outras constituições da república. Com a mesma ideia, desde a primeira Constituição republicana. Isso sempre foi o pretexto e daí a importância que haveria em se alterar essa essa passagem.

Na apresentação do livro, você afirma: “O exército brasileiro sempre desrespeitou a democracia. As Forças Armadas violaram todas as Constituições da República”.

Fico: Está na Constituição, é claro que isso vem desde o fim da da guerra do Paraguai, por isso que no livro, logo no início, eu recuo um pouco antes da proclamação da República, porque eles voltaram da guerra, se o desprestigiados e houve uma série de crises políticas que levaram, inclusive, à proclamação da República que foi um primeiro golpe militar.

Quando foi redigida a primeira Constituição, eles estavam assim à frente de toda a cena política e tiveram, inclusive, muitos militares na Constituinte de 1891 e, por isso, essa prerrogativa, o artigo que hoje é o 142, na primeira Constituição republicana, aparece numa posição nobre, que é o artigo número 14 e lá já está que eles só obedecem ao poder civil dentro dos limites da lei.

Essa passagem, inclusive, só conseguiu tirar na Constituição de 1888. É porque até então existia além da tal garantia dos poderes constitucionais. Quem que julgava? Eles. “Ah, essa ordem não vamos obedecer porque não é legal”. Um absurdo.

O que você acha que vai acontecer no Superior Tribunal Militar, que vai julgar esses militares, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro por indignidade para oficiais. Não é o mesmo crime sendo julgado pela segunda vez, que isso não é permitido. Mas é o outro crime, é o crime dentro do código militar.

Fico: Indignidade ou incompatibilidade com o oficial é o que vai ser julgado. Se eles considerarem que os condenados são dignos ou compatíveis com o oficialato, não vai deixar de ser uma contestação, uma confrontação da própria pena, da decisão do Supremo Tribunal Federal. Sempre disse, muito antes do término desse julgamento, que esse posterior julgamento, que só deve ocorrer no ano que vem, vai ser muito mais polêmico, muito mais até interessante de acompanhar, porque provavelmente alguns ministros, especialmente os ministros militares do STM, vão ver com alguma benevolência esses condenados. Vários desses ministros conviveram com os militares condenados.

Esse julgamento tem um peso muito grande, eu diria até que maior do que o julgamento civil para os militares. Perder o posto e a patente é um julgamento quase que de honra.

A gente vai ter uma prévia disso, quando houver o trânsito em julgado dos coronéis da polícia militar do Distrito Federal, que já tem o voto do ministro Moraes. Se houver a condenação em definitivo, eles perdem automaticamente o posto a patente sem precisar ir ao STM.

Porque se trata de uma sentença que já menciona a perda do posto a patente, no caso da PM, quando se trata de ações iniciadas em outra instância, vai ao tribunal. São Paulo, Minas Gerais estados de Rio Grande do Sul têm tribunais estaduais militares. Nesses casos há julgamento nessa instância. No caso atual, como se trata de uma sentença que provavelmente transitará em julgado pelo próprio Supremo, isso vai como uma condenação, como uma decisão anexa.

Agora, olhando para a história do Brasil e para todas as vezes em que situações semelhantes foram deixadas passar, por que desta vez fomos tão longe? Isso se deve ao ministro Alexandre de Moraes ou ao contexto? Em outras palavras: é o homem ou as circunstâncias?

Fico: Tem um aspecto que é a abundância de evidências. O governo Bolsonaro e todo esse ativismo político dos militares, a militarização do governo, o excesso de cargos e as iniciativas golpistas tão claras, evidentes e públicas. A contestação de decisões do Supremo Tribunal Federal, as ameaças à institucionalidade, as ameaças a pessoas. Tudo isso foi feito de maneira pública e depois ainda a abundância de provas que eles próprios produziam que foram sendo conhecidas, graças ao inquérito da Polícia Federal. Quer dizer, é uma coisa tão óbvia.

No caso em questão, houve produção de diversas evidências — e-mails, áudios, conversas, croquis, planos e gravações. Fiquei refletindo sobre o motivo de terem acumulado tanto material e preservado minutas e documentos. Uma hipótese é que havia um elevado grau de confiança na própria impunidade, o que poderia explicar por que mantiveram esses registros por tanto tempo

Fico: Isso é realmente uma coisa absurda. Não havia como só uma pessoa muito ingênua poderia supor que não houvesse condenação. É, porque os vitoriosos adoram ter esse tipo de prova para dizer: “A iniciativa foi minha”. É incrível, nessa sucessão de 15 golpes que eu que eu descrevo nesse livro, sempre houve uma exuberância de produção de material que depois ou desaparece quando ele são derrotados ou são usados para demonstrar o predomínio dessa ou daquela iniciativa. Então, isso acontece sempre e aconteceu agora também.

Você acha que o STF tem exercitado de suas funções? Tem críticas de que o julgamento não podia ser a primeira turma, tinha que ser o plenário.

Fico: Não. O que acontece é o seguinte, essa história dos militares considerarem poder moderador, tem uma fundamentação em ciência política, em história constitucional e tudo mais, que é o seguinte: na democracia tem que ter algum tipo de arbitramento de conflitos quando eles surgem é entre os poderes.

E a única solução possível para uma existência efetivamente democrática é que esse arbitramento seja feito pela justiça, pelo poder judiciário, melhor dizendo, pela Suprema Corte, pelo Supremo Tribunal Federal. É assim que funciona nas democracias consolidadas, democracias ocidentais e tal.

As decisões do Supremo Tribunal Federal podem passar por essas críticas todas, mas não há como contestá-las porque não há outra saída. Vai se dar esse arbitramento a quem? Aos militares, por exemplo, que consideram, interpretam equivocadamente a tal passagem do 142?

Não, a única solução é a atuação arbitral do Supremo Tribunal Federal como guardião da Constituição. Então, não há como. O que a gente pode fazer é discutir uma série de coisas e esperar que a harmonia entre os poderes, portanto, com a participação também do Congresso e da próprio poder judiciário resolva alguns aspectos que nos pareçam. Por exemplo, excesso de decisões monocráticas ou é que a decisões fundamentais não sejam tomadas pelo plenário. Tudo isso tem de ser discutido e eventualmente reformado. Mas o questionamento das decisões do Supremo é é inviável para democracia.

Você anunciou que será seu último livro. Por que com uma pessoa no auge da sua capacidade intelectual, resolve que vai parar de escrever?

Fico: Não vou parar de escrever, eu vou continuar escrevendo artigos acadêmicos, mas dão livros de grande fôlego. Para não me tornar repetitivo e para ter uma saída, vamos dizer assim, elegante, eu decidi fazer esse livro voltado para o grande público, dialogando com o grande público, tentando fazer uma escrita não acadêmica, como uma espécie de fecho da minha carreira também como historiador público. Eu sempre investi muito nisso. Fazer a história acadêmica, mas também estar na imprensa, estar conversando com o público, estar nas redes sociais.

Prefeitos do Norte exigem revisão urgente do cálculo de repasses federais aos municípios

“Carta de Manaus” será enviada ao governo federal e ao Congresso

Deu na Folha

Prefeitos de capitais e cidades médias da região Norte do país redigiram na última sexta-feira (12) um documento que será encaminhado ao Congresso e ao governo federal, em que questionam o modelo de financiamento do pacto federativo. 13Eles afirmam que suas cidades são responsáveis por manter grandes extensões de floresta preservada, mas estão entre as que recebem as menores receitas per capita do país em recursos de impostos destinados aos municípios.

Os gestores citam estudos da plataforma Ifem (Indicadores de Financiamento e Equidade Municipal), da FNP (Frente Nacional de Prefeitos), de que cerca de 70% da população da Região Norte vive em municípios que estão entre os 20% piores do país em receita per capita.

“CARTA DE MANAUS” – O documento, chamado de “carta de Manaus”, foi feito em conjunto com parlamentares da bancada amazônica na Câmara. O texto propõe um novo modelo de financiamento que reconheça peso demográfico, extensão territorial, preservação ambiental e desigualdades internas.

Há ainda a reivindicação da mudança no cálculo do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), para que sejam incorporados no cálculo de distribuição de recursos os critérios de território e preservação.

“A Amazônia não pode ser tratada como prioridade ambiental e problema fiscal ao mesmo tempo. O país cobra metas de preservação, carbono e biodiversidade e, em troca, entrega alguns dos menores orçamentos municipais da federação”, afirmou o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

A dança das cadeiras no governo Tarcísio: secretários abandonam cargos de olho em 2026

Moro acusa juiz que o sucedeu na Lava Jato de ser um ‘ladrão aloprado’

E foi para o espaço a apregoada amizade entre Eduardo Bolsonaro e Trump…

Tribuna da Internet | PL descobre brecha da Constituição para salvar  mandato de Eduardo Bolsonaro

Charge do Nando Motta (247)

Vicente Limongi Netto

Acabou-se o que era doce. Química azedou. Derrota implacável para o clã Bolsonaro. Foi para o espaço a apregoada amizade do deputado fujão, leviano e torpe, Eduardo Bolsonaro, com o governo dos Estados Unidos. Trump finalmente constatou quem realmente manda e tem autoridade no Brasil.

Foi para o lixo da amargura e tristeza a munição covarde e irresponsável do ainda deputado contra a democracia brasileira. Lula e PT têm razão de comemorar a decisão de Donald Trump, tirando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, da lista de sanções da lei Magnitsky.

Vitória da soberania brasileira, enfatizaram Lula e Moraes. O tema vai continuar rendendo frutos políticos e eleitorais para o governo e para o judiciário brasileiros. Seguramente outros ministros da suprema corte ainda pendurados na lei norte-americana, breve também serão perdoados. O chão abriu, nos pés de rancorosos falastrões parlamentares do PL. Manda quem pode, obedece quem tem tutano. Vão passar o Natal estrebuchando. Alguns, mais inconformados, pensam em atear fogo às vestes ou cortar os pulsos.

LINDA LOURA – Na Câmara dos deputados a Tuca é loira, cabelos longos. Sorridente e atenciosa. Vai virar capa de revistas. Trabalha sem tréguas, cuidando e zelando pelas famosas emendas parlamentares.  Imprensa descobriu a Tuca e colocou Artur Lira no script. O alagoano não teve como fugir das perguntas e insinuações. 

Repórteres mais afoitos, ávidos por boas notícias, agora apuram e vasculham se o Senado também tem alguma preciosa servidora Tuca. Onde tem emendas, tem uma cuidadosa Tuca por perto.  Quem descobrir vai ganhar do editor um jogo da Mega Sena da Virada. 

Racha no comando da Câmara: crise das cassações isola Motta e irrita Lira

Moreira da Silva acertou no milhar, mas era só um sonho, minha gente…

Moreira era o rei do samba de breque

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor mineiro Geraldo Theodoro Pereira (1918-1954) e seu parceiro Wilson Batista (1913-1958)usaram um dos temas mais populares, o jogo do bicho, para fazer a letra do samba de breque “Acertei No Milhar”, gravado por Moreira da Silva, em 1940, pela Odeon.

ACERTEI NO MILHAR
Wílson Batista e Geraldo Pereira

– Etelvina, minha filha!
– Que há, Jorginho?
– Acertei no milhar
Ganhei 500 contos
Não vou mais trabalhar
E me dê toda a roupa velha aos pobres
E a mobília podemos quebrar
Isto é pra já
Passe pra cá

Etelvina
Vai ter outra lua-de-mel
Você vai ser madame
Vai morar num grande hotel
Eu vou comprar um nome não sei onde
De marquês, Dom Jorge Veiga, de Visconde
Um professor de francês, mon amour
Eu vou trocar seu nome
Pra madame Pompadour
Até que enfim agora eu sou feliz
Vou percorrer Europa toda até Paris

E nossos filhos, hein?
– Oh, que inferno!
Eu vou pô-los num colégio interno
Telefone pro Mané do armazém
Porque não quero ficar
Devendo nada a ninguém
E vou comprar um avião azul
Pra percorrer a América do Sul

Aí de repente, mas de repente
Etelvina me chamou
Está na hora do batente
Etelvina me acordou
Foi um sonho, minha gente

Trump enterra estratégia do clã Bolsonaro e expõe fiasco da ‘Operação Eduardo

Decisão ocorre quando bolsonarismo tentava respirar

Igor Gielow
Folha

Numa dessas ironias da política, coube ao ídolo do clã Bolsonaro assentar o último prego no caixão da tática encontrada pelo grupo para tentar salvar o patriarca da cadeia e punir seus adversários por meio de pressão externa.

Quando ficou claro que Jair Bolsonaro (PL) iria ser condenado pela trama golpista de 2022 no Supremo Tribunal Federal, a família enviou o filho deputado Eduardo (PL-SP) para os Estados Unidos para também engendrar uma maquinação.

ANALOGIA – Apoiado pelas franjas extremistas encarnadas por Steve Bannon e outros, Eduardo conseguiu ser ouvido na Casa Branca. Apresentou o caso de seu pai como análogo aos processos a que Trump foi submetido na Justiça americana, tendo sido eleito presidente com uma condenação criminal.

Na teoria, pressionar o Brasil com a guerra comercial seria uma forma de colocar na conta de Lula (PT) a suposta caça às bruxas contra o seu antecessor —na fantasia comprada por Trump, Executivo e Judiciário são a mesma coisa nos trópicos, um ente dedicado a perseguir a direita.

Na salva econômica, o impacto da ação dos Bolsonaros foi enorme. Eles tentaram um duplo carpado retórico dizendo que os EUA estavam punindo o antiamericanismo de Lula, mas as digitais ficaram expostas na carta com que Trump anunciava as sanções: ele queria Bolsonaro solto.

CASSAÇÕES – Depois, vieram cassações de vistos de ministros do governo e do Supremo e, cereja do bolo, a inclusão da nêmesis do bolsonarismo, Alexandre de Moraes, na draconiana Lei Magnitsky.

Desenhada para punir violadores de direitos humanos, ela tem alcance amplo na vida financeira de seus alvos: mesmo bancos brasileiros que operam bandeiras de cartões de crédito americanas ficaram sujeitos a sanções secundárias.

O bolsonarismo ficou em delírio nas suas redes, mas de curta duração e míope observação política. Primeiro, o trabalho do vice-presidente Geraldo Alckmin, empresários e do Itamaraty para reabrir canais com o governo Trump deu resultado. Do melhor clima e do caráter mercurial do americano saíram o esbarrão na ONU com Lula e a subsequente reunião entre ambos na Malásia.

CRISE – Mais algumas conversas e as sanções econômicas começaram a ser amainadas, um processo que deverá continuar salvo reviravoltas —como a crise entre Trump e a ditadura da Venezuela, que pode acabar em guerra.

A suspensão da Magnitsky nesta sexta-feira (12), também para a mulher de Moraes, mata o lado político da “Operação Eduardo”, que já havia fracassado no objetivo principal. Todo o trabalho do diligente deputado e seus associados nos EUA poderá ao fim apenas resultar a eles condenações judiciais por coação e talvez, no caso do filho presidencial, uma hoje improvável cassação de mandato.

Para Moraes, é um alívio que ocorre no momento em que as relações do escritório de advocacia de sua família com o malfadado Banco Master o colocaram na berlinda.

TIMING –  Do lado do clã, o “timing” é péssimo: pressionado com Bolsonaro preso, o lançamento da candidatura presidencial do filho Flávio bagunçou o jogo de uma direita que trabalhava para migrar para um Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), original ou genérico, em 2026.

Agora, mais um pedaço da propaganda eleitoral de uma eventual campanha do senador pelo PL-RJ foi jogado ao mar, justamente pelo homem que inspirou todo o movimento que assumiu o poder em 2019.

VITÓRIA DE LULA – O corolário de tudo isso seria uma vitória política de Lula, ainda que, por óbvio, Executivo e Judiciário sejam independentes. Afinal, qualquer derrota de Bolsonaro cai no crédito do petista, mas o problema é que as pesquisas mostram que esse efeito já se diluiu.

Na mais recente rodada de avaliação de governo do Datafolha, o gás que o combo “Brasil Soberano” e condenação de Bolsonaro havia dado a Lula se mostrou exaurido. Além disso, a eleição está a séculos de distância no tempo da política.

Isso dito, ao fim o ônus do fracasso está com os Bolsonaros: ganharam a pecha de traidores da pátria, desfraldando bandeiras americanas no 7 de Setembro, e nem a vingança pessoal contra Moraes conseguiram sustentar.

Revelações sobre vínculos do Master com ministros abalam imagem do STF

Haddad, Lula e o intrincado xadrez político rumo à eleição de 2026

Haddad confirma que pode deixar a Fazenda

Pedro do Coutto

A entrevista recente concedida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acendeu um novo capítulo no já movimentado tabuleiro político brasileiro. Com tom sereno, mas carregado de sinais, Haddad admitiu que pode deixar o comando da Economia para atuar diretamente na campanha de reeleição do presidente Lula da Silva em 2026. A fala, embora envolta em cautela, deixou no ar a sensação de que a decisão está mais encaminhada do que o ministro quis admitir explicitamente.

Segundo relatou, essa foi a primeira vez em que conversou abertamente com Lula sobre a possibilidade de sair da pasta para colaborar com o projeto eleitoral. O presidente, em resposta, adotou uma postura compreensiva e amistosa, afirmando que respeitará qualquer escolha de Haddad. Não houve menção a datas, tampouco a uma decisão formal, mas ficou evidente que o ministro deseja participar diretamente da elaboração do programa de governo e da estruturação da campanha — não como candidato, e sim como colaborador estratégico.

ESPECULAÇÕES – A sinalização da possível saída de Haddad naturalmente abre espaço para especulações dentro do governo sobre quem poderia assumir o Ministério da Fazenda. Ainda que o ministro não tenha citado nomes, o ambiente político observa atentamente os movimentos internos, já antecipando mudanças que podem remodelar a equipe econômica.

Durante a entrevista, Haddad também abordou temas que têm exigido atenção constante do governo, entre eles a situação delicada dos Correios. Ele reconheceu que a estatal vive um momento que “inspira cuidados”, diante de um rombo financeiro expressivo e de uma necessidade urgente de reinvenção. Para o ministro, será indispensável que a empresa busque novos modelos de negócio e parcerias, alinhando-se a tendências internacionais para sobreviver em um mercado em transformação.

Outro ponto que ganhou destaque foi sua avaliação sobre o relacionamento com o Congresso. Haddad admitiu que, em alguns momentos, o Legislativo acabou engessando a execução orçamentária, dificultando a capacidade do governo de remanejar recursos e avançar com as políticas planejadas. Em um ambiente onde o debate eleitoral já se insinua nos bastidores, essas tensões tendem a se intensificar, pressionando tanto o Executivo quanto os parlamentares.

POLÍTICA MONETÁRIA – No pano de fundo, paira também o debate sobre a condução da política monetária. Embora Lula tenha sido um crítico ferrenho dos juros elevados durante a gestão anterior do Banco Central, permanece o silêncio presidencial diante do patamar atual — mais alto do que aquele que criticava. A leitura política é complexa e envolve desde a autonomia do Banco Central até os efeitos da política econômica sobre o humor dos mercados e da opinião pública.

O cenário institucional brasileiro, já congestionado por disputas entre poderes, ganhou novos contornos com a controvérsia envolvendo o mandato da deputada Carla Zambelli. A decisão do ministro Alexandre de Moraes de anular a manutenção do mandato pela Câmara, diante de uma condenação que deveria, segundo interpretação constitucional, acarretar sua cassação, aprofundou as tensões entre Judiciário e Legislativo. O episódio reforça a sensação de que 2026 não será apenas mais uma eleição, mas um marco decisivo sobre o equilíbrio de poderes no país.

Alguns movimentos partidários também começam a redesenhar as projeções eleitorais. A articulação que busca lançar Ratinho Junior e Romeu Zema como alternativa ao Planalto reorganiza peças no campo da centro-direita e pressiona candidaturas já declaradas. Essa reestruturação amplia a complexidade do tabuleiro político e evidencia que a disputa presidencial já está em curso, mesmo que oficialmente ainda distante.

IMPACTOS – Nesse contexto, a posição de Haddad se torna ainda mais estratégica. Sua eventual saída não representaria apenas uma mudança administrativa: teria impactos na economia, na articulação política e na própria campanha de Lula. Por outro lado, sua permanência poderia garantir estabilidade à condução da política fiscal em um momento de volatilidade política e incertezas institucionais.

O que a entrevista deixa claro é que o Brasil já respira o clima pré-eleitoral. Entre ajustes econômicos, tensões políticas e rearranjos partidários, o país se prepara para uma disputa que promete ser uma das mais complexas e imprevisíveis desde a redemocratização. E Haddad, seja como ministro ou como articulador de campanha, permanecerá no centro dessa travessia.

Bolsonaristas se voltam contra Trump após retirada de Moraes da Magnitsky

Câmara vai mesmo cumprir a ordem de Moraes para cassar Carla Zambelli?

O ministro da Justiça e sua "delação verdadeira". Por Jânio de Freitas - TIJOLAÇO

Charge do Kacio (Arquivo Google)

Carlos Newton

Do alto de sua empáfia e arrogância, o corruptíssimo ministro Alexandre de Moraes, aquele que “vendeu” proteção ao fraudulento banqueiro Daniel Vorcaro por R$ 129,6 milhões, em 36 parcelas de R$ 3,6 milhões, deu 48 horas de prazo para a Câmara Federal cumprir sua ordem de cassar o mandato da deputada Carla Zambelli.

Moraes não tem caráter, escrúpulos, ética e dignidade para dar ordem a ninguém. Aliás, deveria curvar a cabeça em respeito, toda vez que cruzasse na rua com um trabalhador brasileiro que o sustenta e paga as contas de sua família, quando meliantes como Vorcaro por acaso não o fizerem.  

POR UNANIMIDADE – Como sabe que não tem moral para dar ordens a ninguém, o desmoralizado ministro teve de se socorrer na Primeira Turma do STF, para pedir que sua decisão fosse aprovada, e conseguiu que isso ocorresse por unanimidade, o que demonstra o baixíssimo nível dos ministros que hoje integram a Suprema Corte, que já não faz jus ao nome.

Mas não se esperava outra coisa, em função do deplorável corporativismo reinante, já que foram eles que condenaram Carla Zambelli, apesar de não existir nos autos uma só prova material contra ela, salvo o depoimento de um criminoso notório e reincidente, e não fica bem ministros admitindo que se equivocaram.

Em nenhum país civilizado que respeite a democracia, representante do povo é cassado sem haver provas contundentes contra ele. Mas aqui em Pindorama, como dizia Ivan Lessa, a democracia é relativa, e por isso ele pegou o avião e foi morar na Inglaterra.

DIZ A LEI – Até deputados antibolsonaristas ficaram preocupados com a interpretação da Constituição que Moraes tenta impor, sem qualquer base legal. Sabem que podem ficar na mesma posição de Zambelli, no vaivém da política.

Não está em jogo apenas a independência dos Poderes. O que vai se discutir é a imposição do Supremo como poder máximo.  A Constituição é clara, em seu artigo 55, inciso VI, ao dizer que perde o mandato o parlamentar condenado criminalmente.

Mas em seguida, no parágrafo segundo, faz importantíssima ressalva, ao prever que a última palavra é da casa legislativa: “a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa”.

PODE REVERTER – Isso significa, por óbvio, que a Câmara pode reverter a cassação e, consequentemente, a condenação criminal, caso seja considerada equivocada, como é o caso. Se a Câmara mantém o mandato, o parlamentar tem de exercê-lo livremente, não pode ser preso, é óbvio.

Na Comissão de Constituição e Justiça, o parecer do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) esmiuçou os autos por inteiro e não há nenhuma prova de que Carla Zambelli tenha ela contratado o hacker para gravar autoridades. Não existe essa prova, que o relator Moraes jamais apontou.

“A decisão do ministro Alexandre sobre Carla Zambelli nos mostra, outra vez, um Judiciário que deixou de aplicar a lei e passou a criar sua própria lei para interferir na política”, disse a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

ABUSO DE PODER – “Quando um ministro substitui a Constituição por seus pensamentos, não há Justiça, há abuso de poder. Cassar um mandato sem provas é uma grande injustiça e será também uma abertura de um precedente extremamente perigoso”, argumenta Bia Kicis.

Para a parlamentar do PL, a decisão da Câmara pode ser fundamental para que Carla Zambelli seja liberada na Itália, onde foi presa o pedido da Justiça brasileira.

“Lá na Itália, o julgamento dela é dia 18. E ela vai poder levar a informação de que a Câmara dos Deputados não coincide com a cassação dela porque sabe que a busca dela, que a específica é fruto de perseguição política”, salienta Bia Kicis.

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PS –
O prazo de 48 horas dado por Moraes termina neste sábado, dia 13. É evidente que não será cumprido, pois a Câmara não funciona nos finais de semana. O Jornal Nacional já anunciou que o suplente vai tomar posse. Será mesmo. Acredito que o presidente Hugo Motta irá convocar sessão para ouvir os deputados. E isso só pode acontecer terça-feira, na última semana antes do recesso. Posso estar errado, mas o plenário tentará manter o mandato de Carla Zambelli, abrindo assim uma gravíssima crise institucional. (CN)

Após remover Moraes da Magnitsky, aliados de Trump cobram Brasília por ‘correção de rumo’

Eduardo Bolsonaro culpa direita brasileira por retirada de sanções a Moraes

Clima de Natal é sempre bem-vindo e devia ser permanente, o ano todo

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É precisa que a paz e a solidariedade e o amor prevaleçam

Vicente Limongi Netto 

Clima natalino parecendo alcançar os corações. Indícios fortes de tolerância no ar.  Hora de retemperar ânimos. Políticos pegam leve nas críticas aos adversários. Guardam os insultos no sapato velho. Juram que o bem-estar do povo é prioridade. São indícios de Natal. 

Gentilezas nos elevadores, bancos, hospitais e transportes coletivos. Idosos são tratados com respeito e consideração. Casais enamorados de sexos variados não são achincalhados. São bem-vindos em todos os lugares. Fortes e maravilhosos indícios natalinos.

OUTRO CLIMA – Seguranças de mercados são mais humanos com famintos pegando algo para alimentar os filhos. Ricos comerciantes não ficarão endividados. Saudável indício natalino. Fazer o bem, sem ver a quem.

Governantes são tomados pelo fervor cívico. Prometem melhorias para a população. Garantem maravilhas. Palanques montados. Como estivessem fazendo favores aos cidadãos pagadores de impostos. Policiais não extrapolam em suas funções.

Fortes indícios natalinos. Carinho e atenção para crianças. Pérolas de nossas vidas. Motoristas de aplicativos e passageiros se unem na irmandade cristã. Respeito mútuo.  Moradores de rua merecem atenção. Ganham alimentos, agasalhos e gestos de afagos.

TUDO DE BOM – Bons Indícios de Natal no ensolarado cotidiano. Ex-maridos ou companheiros tratem de viver. Joguem fora a estupidez e a covardia. Mulher é o que não falta no mundo. Parem de ser trouxas. Respeitem as mulheres e os filhos. 

Torcedores deixem as bandeiras do rancor em casa. Seria bom se a cordialidade permanecesse acessa. Servindo ao próximo, mesmo depois das festas natalinas. A vida seria mais feliz e agradável.

Nada melhor do que sair para trabalhar e voltar feliz para casa. Que o amor vença o destempero. Que a prosperidade alcance todos os lares. 

INTERCÂMBIO – Membros do Science Museum Group, entidade responsável pelo Museu de Ciências de Londres e por outros centros de divulgação científica na Inglaterra, visitaram o Sesc-DF. O encontro, no entender do presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, pode servir para proveitoso intercâmbio de conhecimento e treinamento para crianças e adolescentes de Brasília.

No futebol, domingo tem outro jogo do meu Tricolor. Mais noventa minutos em campo. O Fluminense deu mole no primeiro jogo. O Vasco é brioso, aproveitou o vacilo tricolor. Ganso e Acosta deveriam jogar juntos. Sabem os atalhos do campo. Sabem pensar. 

AMOR, AMOR – Joana, filha mais nova, completando 44 anos de idade. Guerreira indomável. Mãe dedicada dos meus dois netos. Deus e Maria com ela. Amo demais minha família. 

Suspensão das sanções a Moraes vira vitória política de Lula e esquerda comemora

Retirada de sanções foi anunciada nesta sexta-feira

Rafaela Gama
O Globo

Parlamentares de esquerda e integrantes do governo comemoraram nas redes sociais a suspensão da aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e à mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes.

O comunicado da remoção das sanções foi publicado pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA sem descrever quais foram as razões para a retirada.

GRANDE VITÓRIA – Após o anúncio, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a retirada das sanções “é uma grande vitória do Brasil e do presidente Lula”.

“Foi Lula quem colocou esta revogação na mesa de Donald Trump, num diálogo altivo e soberano”, escreveu na publicação. Ela também acrescentou que o movimento é “uma grande derrota da família de Jair Bolsonaro, traidores que conspiraram contra o Brasil e contra a Justiça”.

O mesmo argumento foi repetido pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), que disse que a remoção das sanções são “uma derrota histórica dos traidores da Pátria que tentaram negociar sanções internacionais, revogação de vistos, tarifas e a chamada “pena de morte financeira” contra o ministro relator do STF no caso da trama golpista”. “Fica cada vez mais claro quem estava do lado do Brasil e quem atuava contra o país”, afirmou.

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