
Caso reflete que a política nem sempre caminha de forma reta
Pedro do Coutto
A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, feita pelo presidente Lula da Silva, parecia destinada a seguir o percurso habitual de escolhas para a mais alta Corte do país: articulação discreta, envio da mensagem ao Senado e sabatina dentro do calendário institucional.
No entanto, esse processo aparentemente previsível rapidamente se converteu numa nova provação política, exposta ao calor da opinião pública e marcada por uma disputa de bastidores que evidencia as dificuldades de coordenação entre Executivo e Legislativo.
REAÇÃO – Davi Alcolumbre, presidente do Senado, reagiu de forma dura ao que considerou ser críticas veladas oriundas do Planalto e de seus aliados — críticas que, segundo ele, insinuavam que o Senado estaria criando obstáculos deliberados para forçar contrapartidas. A irritação cresceu quando o governo demorou a formalizar a indicação, alimentando a percepção de que havia uma tentativa de pressionar a Casa ou atribuir-lhe a responsabilidade por um eventual desgaste.
Nesse ambiente carregado, Gleisi Hoffmann saiu em defesa do governo, tentando desarmar o conflito ao negar qualquer negociação de cargos e enfatizar que a relação com o Senado deveria se pautar pela institucionalidade e pelo respeito mútuo.
Esse episódio, no entanto, transcende a disputa específica em torno do nome de Messias. Ele revela um jogo de forças que se repete em ciclos, sempre que decisões estratégicas tocam o coração das instituições republicanas. O Senado, cioso de seu papel como fiscalizador e última instância no processo de nomeação, reafirma sua autonomia sempre que percebe investidas do Executivo para acelerar ritos ou influenciar humores internos.
EQUILÍBRIO – O Planalto, por sua vez, precisa equilibrar a urgência política — afinal, uma cadeira no STF não é apenas uma escolha técnica, mas uma decisão com impacto direto na agenda do governo — com a necessidade de evitar a impressão de atropelo ou de ingerência excessiva. A tensão entre os Poderes costuma vir à superfície em momentos como este, quando cargos vitalícios e de grande relevância institucional estão em jogo.
E, em Brasília, onde cada gesto se transforma em sinal político e cada silêncio pode ser interpretado como recado, nada passa despercebido. A sabatina marcada para dezembro pode até encerrar o rito formal, mas o caso Messias já se consolidou como mais um capítulo emblemático de como, no Brasil, a política raramente caminha pela estrada reta: ela avança aos solavancos, em curvas, picos de tensão e momentos de distensão, refletindo sempre a complexa e delicada coreografia entre os Poderes da República.
Será possivel que a maioria sentirá àquela sensível comichão ou exacerbadas pressão no entorno do seccionado cóccix?
O Brasil está a parecer uma cada de loucos varridos.
Parlamentares condenados criminalmente como Carla Zambeli e Alexandre Ramagem continuam recebendo salários sem trabalhar e mantendo os apartamentos funcionais em Brasília, pagos com dinheiro público, com um simples detalhe:
Zambeli está presa na Itália
Ramagem fugiu para Miami e mora num condomínio de milionários.
Hoje, o Relator nomeado por Hugo Motta, apresentou parecer na Comissão de Constituição e Justiça mantendo o mandato de Carla Zambeli.
A Blindagem de criminosos e corruptos atingiu o ápice da vergonha no Parlamento. Não adianta argumentar que são representantes do povo, porque não chegam nem perto. São representantes deles e atuam no interesse da classe corporativa.
O povo deveria sair às ruas, exigindo compostura e ética, tudo que está faltando, principalmente na Câmara dos Deputados.
O Senado não fica devendo nada a Câmara, Davi Alcolumbre, presidente da Casa dos Seniors, o guerreiro vingativo de Esparta, com sua carranca característica, trabalha contra a indicação do AGU, José Messias, porque seu irmão do Amapá foi envolvido no escândalo Master, sim, aquele cujo dono, Daniel Vorcaro preso e depois solto, tirou dinheiro público da Previdência do Amapá do Rio de Janeiro, vem mais roubalheira nesse vespeiro bancário. Além de Castro, Ibanéis Rocha governadores do Rio e de Brasília, Tarcísio de Freitas também entrou nesta enrascada.
O Brasil e frente um momento medieval de falta de credibilidade das autoridades do Legislativo.
A desembargadora, que liberou o dono do Master e seus diretores, alegou que o crime desse banqueiro corrupto não era violento, portanto, a prisão não se sustentava no arcabouço legal.
Ora, ilustre magistrada, a lesão aos cofres públicos, aos direitos dos aposentados, sonegadores ao de impostos e lavagem de dinheiro, é uma violência coletiva atingindo segmentos vulneráveis da sociedade.
Deveria amargar o cárcere para aprender a respeitar as Leis.
Arapucas, esparrelas, ratoeiras armadas e em constante atividade, mas gaiolas com as portas abertas!
Governo Barba corre risco de naufrágio, na rota de colisão com Alcolumbre
Quando a marcação é constante e a distância diminui, a rota é de colisão, ensinam os velhos navegantes.
É mais ou menos o que está acontecendo entre Barba e Alcolumbre, por causa da indicação de ‘Bessias de Dilma’ para uma vaga no STF, em vez de Pacheco, que teria amplo apoio dos colegas.
Criou-se uma situação muito complicada, porque Barba não pode recuar — se o fizer, não nomeará mais ninguém que dependa de aprovação do Senado — nem Alcolumbre pode perder a votação, porque isso fragilizaria sua liderança irremediavelmente.
Caso Bessias não seja aprovado, o que não acontece desde o governo Floriano Peixoto, Barba também não indicará Pacheco. Terá de apresentar outro nome, que forme maioria no Senado. É ou não é uma rota de colisão?
Assim, a indicação de Bessias para a vaga deixada por Roberto Barroso no STF é o mais sério teste de força para a base de Barba no Senado.
Com a sabatina marcada para o dia 10, pela pressão convergente de governistas, independentes e oposicionistas, Bessias chega à Comissão de Constituição e Justiça em situação delicada:
– Tem apenas 10 votos assegurados, enquanto precisa de 14 para ser aprovado no colegiado, segundo levantamento do Poder360.
Outros oito senadores declararam-se contrários, três não responderam e seis preferiram não antecipar posição — justamente o bloco que decidirá o desfecho. Se o nome for rejeitado, mesmo assim vai ao plenário.
A resistência a Bessias reflete a nova correlação de forças do Senado. Alcolumbre tornou-se fiador informal das indicações ao Judiciário e não gostou de ver sua autoridade contrariada quando Barba optou por Messias sem consultar previamente os principais líderes.
O Senado, que busca recuperar protagonismo após anos de hegemonia da Câmara, leu a indicação como um ato unilateral.
A tensão entre os Poderes cresceu. Alcolumbre subiu o tom e acusou setores do Executivo de tentar criar a “falsa impressão” de que a aprovação dependeria de barganhas com cargos e emendas, e criticou duramente o fato de o Planalto ter demorado a enviar a mensagem formal ao Senado.
Barba, por sua vez, entrou de sola nas articulações e tenta reconstruir pontes: almoçou com o relator, Weverton Rocha, e pretende entregar pessoalmente a indicação a Alcolumbre, num gesto de pacificação.
Aliados de Bessias avaliam que parte da bancada evangélica pode lhe dar votos silenciosos, mesmo entre bolsonaristas.
A sabatina, marcada para o dia 10, será seguida de votação secreta — e isso abre espaço para traições de todos os lados.
O cálculo mais otimista do governo fala em 45 a 48 votos; nas contas de Alcolumbre, Bessias teria apenas de 28 a 31. São 81 senadores, a aprovação precisaria de 41, no mínimo.
Fonte: Correio Braziliense, Entrelinhas, 02/12/2025 – 06:56 Por Luiz Carlos Azedo
Alcolumbre cancela sabatina de Bessias, e ficou tudo para 2026.
GloboNews, 02/12/2025 – 17:00
Por ora, pelo menos.
Adiamento da sabatina de Bessias é uma vitória da estratégia de Barba
O adiamento da sabatina de Bessias, indicado por Barba para o STF, na CCJ do Senado foi uma vitória do governo.
Alcolumbre havia marcado a sabatina para a quarta-feira, 10 — um prazo curto sob medida para dificultar mais ainda a nada tranquila caminhada de Bessias em busca dos 41 votos necessários para se sentar na cadeira que foi de Barroso.
Barba definiu como estratégia jogar para fevereiro a sabatina. Alcolumbre não gostou. Mas hoje piscou. E cancelou a sessão.
Para não perder a pose disse a alguns senadores, segundo revelou Ana Flor, que a sabatina pode ficar “para depois das eleições de 2026”.
É uma ameaça que apenas reforça que o clima entre o Palácio do Planalto e Alcolumbre está péssimo. Mas não dá para levar ao pé da letra a tentativa de intimidação.
Agora, é Barba terá tempo de tentar negociar com Alcolumbre.
O Globo, Opinião, 02/12/2025 17h51 Por Lauro Jardim
Alcolumbre criou crise em que não há interesse público
Alcolumbre criou uma crise com o Planalto sem que haja nela um só fiapo de interesse público.
Tudo por causa da escolha, por Barba, do Bessias de Dilma para a cadeira vaga no STF. Alcolumbre queria Pacheco.
A prerrogativa constitucional de nomear ministros do STF é do presidente da República, e só dele.
A preferência de Alcolumbre, como o pato ao tucupi, é uma escolha dele. A preferência de Barba por Bessias é uma prerrogativa.
(…)
Fonte: O Globo, Opinião, 03/12/2025 00h06 Por Elio Gaspari