Militâncias ideológicas são irracionais e se equiparam ao fanatismo religioso

A ilustração de Ricardo Cammarota foi realizada em técnica manual em formato horizontal, proporção aproximada de 13,9 × 9,1 cm. Técnica manual em pastel seco sobre papel, com textura visível, marcas de esfumaçado e sobreposição de cores. A cena apresenta duas figuras centrais grandes, posicionadas frente a frente, sugerindo confronto, ocupando os lados esquerdo e direito da composição. À esquerda, há uma figura antropomórfica em tons predominantes de azul, verde e bege. A cabeça é alongada, com chifres curvos claros, olhos grandes e assimétricos e boca aberta com dentes pontiagudos. Da boca partem manchas e traços vermelhos, com aparência de respingos projetados para fora. O braço da figura se estende à frente, formando um objeto semelhante a uma arma estilizada em azul escuro, orientado em direção à figura oposta. À direita, há uma figura antropomórfica em tons de rosa, vermelho e bege. A cabeça é grande, com orelhas pontudas, um olho visível em formato oval e boca aberta com dentes pontiagudos. No topo da cabeça, no lugar do cérebro, há um desenho em espiral. Traços verticais escuros cobrem parte do corpo, criando textura. Da boca dessa figura sai um elemento verde claro, em forma de nuvem ou sopro, projetado em direção à figura da esquerda. O braço está estendido para a frente, apontando, e a figura segura duas cruzes alaranjadas, suspensas por fios finos. Ao fundo, acima das figuras centrais, pequenos pássaros verdes aparecem desenhados em voo. Na parte inferior da imagem, surgem três silhuetas humanas pequenas em azul, à esquerda, e uma silhueta humana pequena em vermelho, à direita. As silhuetas são simplificadas, sem detalhes faciais, com gestos que sugerem apontamento entre si. O fundo é composto por uma mistura de cores quentes — amarelo, ocre e bege — com áreas de sobreposição de azul, verde e rosa. Linhas curvas brancas atravessam a composição, formando arcos sutis sobre as figuras.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Quem ainda crê que os movimentos políticos modernos e as ideologias nascem do cérebro racional da espécie é ignorante ou mentiroso. Tais movimentos e suas militâncias são da mesma ordem do fanatismo religioso. Por isso, pouco adianta tentar argumentar com tais agentes. Esse ato seria semelhante a argumentar com um enxame.

Este fato explica, pelo menos em parte, a estupidez que circula pelas redes sociais entre os “haters” engajados na polarização. O nível mais alto de inteligência que atravessa essa cultura de bactérias, que são as redes, é aquele que caracteriza os movimentos répteis.

MORTE A UTOPIA – O filósofo britânico John Gray lançou em 2007 “Black Mass, Apocalyptic Religion and the Death of Utopia”, que agora está sendo relançado no Brasil como “Missa Negra, Religião Apocalíptica e a Morte da Utopia”.

Quem conhece sua obra sabe que o filósofo britânico é um duro crítico do mito do progresso. Concordo com Gray que o progresso é um mito, afora os avanços tecnológicos desde a descoberta de como fazer o fogo.

Mas, no que se refere ao comportamento humano, à moral e à política, a ideia de progresso desde o Iluminismo é idiota. Entretanto, o número de iludidos que nele creem nunca para de crescer.

EXEMPLO DOS ANIMAIS – Outro traço do pensamento de Gray é sua suspeita de que os animais, no seu “silêncio”, são mais sábios do que nós. Aliás, seu livro “Silêncio dos Animais” é um dos mais belos que já li.

A tese da sua “Missa Negra” é que todas as crenças políticas revolucionárias modernas são derivadas de crenças apocalípticas judaicas e cristãs. Mesmo passando pela secularização, a tara com o fim do mundo tal como conhecemos e o surgimento do “novo mundo perfeito” permanece. E não só esse aspecto foi mantido.

Todos sabemos que as narrativas apocalípticas são marcadas pela violência, mortes doS que são maus, sobrevida dos eleitos. Como não pensar na Revolução Francesa ou na Russa? Ou na Revolução Islâmica Iraniana?

FALSO SALVADOR – Gray deixa claro que mesmo nas crenças ideológicas liberais, marcadas pela ideia de aperfeiçoamento incremental do mundo, permanece a ideia de que o “mercado” salvará o mundo e os homens.

O otimismo liberal de mercado é, também, um filhote da tara apocalíptica. Daí, a aceitação que os incapazes de lidar bem com a lógica da eficiência e da competição do mercado não têm méritos para viver no novo mundo da riqueza material.

O que sustenta as posições ideológicas do mundo contemporâneo são taras irracionais religiosas secularizadas. Lendo essa coisa chamada “comentários”, na sua imensa maioria, vemos a pequena miséria humana na sua forma explícita.

TUDO É MARKETING – Sabemos que a justificativa dessa prática na mídia não tem nada a ver com “princípios democráticos”, mas, apenas, sim, trata-se de princípios de marketing.

Há que dar voz aos consumidores, mesmo que a maior parte do que circula por esse “ecossistema” seja puro lixo. Do ponto de vista do conteúdo, não faria nenhuma falta. Os “comentários” são um parquinho para crianças raivosas, com raras exceções.

O componente irracional humano é o que move a adesão ideológica. Não é o desejo de melhorar o mundo, mas, sim, o gosto de sangue. Se não fosse isso, por que tantos revolucionários sempre gozaram com a palavra “terror”? A paixão pelo terror é a paixão política essencial em questão.

TARA APOCALÍPTICA – Como diz Gray, com os movimentos políticos modernos, a tara apocalíptica, que na Antiguidade, era essencialmente um traço de indivíduos periféricos e esquisitos da miserável sociedade israelita do período do Segundo Tempo sob domínio romano, em si periférica, hoje se fez “mainstream”.

Discute-se em aulas na universidade, escreve-se em livros de autores com PhD, encena-se em peças de teatro com aprovação da crítica regada a vinho caro em restaurantes descolados, apresenta-se em programas de debates da televisão e podcasts.

Enfim, as taras com o fim do mundo tal como conhecemos e a criação de um mundo novo e perfeito são tratadas como ciência social, histórica e política.

FALSOS ESPECIALISTAS – Profetas do terror como Marx, Lênin, Foucault, entre outros, recebem o tratamento de “especialistas” nas sociedades dos homens, quando, na realidade, não entendem patavina acerca de quem vai à feira comprar ovos e tomates para comer em suas casas de pobres.

A ideia de que existe um componente moral significativo na espécie humana pode ser inconsistente. Veja, por exemplo, a indiferença de grande parte da imprensa e dos países para com os mortos iranianos.

Um blábláblá aqui, outro ali. Cadê toda aquela indignação? E as bandeiras? A verdade é que os aiatolás podem matar à vontade. O mundo é um circo de horrores e continuará sendo.

No coração da crise do STF, o caso Master testa a legitimidade institucional

Novos elementos associam Toffoli ao Resort Tayayá

Pedro do Coutto

Nas últimas semanas, o cenário político-judicial brasileiro voltou a expor uma fratura sensível na relação entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a opinião pública. No centro dessa tensão está o ministro Dias Toffoli, relator das investigações que apuram suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master — um caso que, inicialmente restrito ao sistema financeiro, passou a adquirir contornos institucionais mais amplos.

Reportagens recentes de O Globo revelaram novos elementos que associam, ainda que de forma indireta, o nome do ministro a um empreendimento imobiliário de alto padrão, o Resort Tayayá, no Paraná, ligado a familiares e a fundos de investimento citados no contexto do escândalo.

COMPROVAÇÃO – Embora não haja, até o momento, comprovação de ilegalidade direta, a sobreposição entre relações pessoais, estruturas financeiras e a função de relatoria reacendeu o debate sobre imparcialidade, prudência institucional e aparência de neutralidade — valores centrais para a credibilidade de qualquer Corte constitucional.

A reação institucional foi rápida e coordenada. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, destacou que a atuação do relator segue os parâmetros constitucionais e que a Corte não pode se deixar capturar por pressões externas, reafirmando que “crises e adversidades não suspendem o Estado de Direito”.

O decano Gilmar Mendes, por sua vez, endossou o arquivamento, pela Procuradoria-Geral da República, do pedido de afastamento de Toffoli, interpretando a decisão como expressão do funcionamento regular das instituições. Formalmente, o sistema respondeu como previsto: o pedido foi analisado, a PGR entendeu não haver providência a adotar, e o STF reafirmou a confiança em um de seus membros.

CONFIANÇA SOCIAL – O problema, contudo, não se encerra no plano formal. Em democracias constitucionais maduras, a legitimidade das instituições não depende apenas da legalidade estrita de seus atos, mas também da confiança social que conseguem sustentar.

A insistência de novos pedidos de suspeição, a vocalização de críticas por parlamentares e o desconforto relatado nos bastidores do próprio Supremo indicam que o caso Master ultrapassou os limites de um episódio isolado. Ele toca em um ponto estrutural: a dificuldade histórica do STF em administrar situações em que a legalidade se mantém, mas a percepção pública se deteriora. Nesse terreno, a ausência de transparência suficiente — ainda que juridicamente justificável — pode corroer silenciosamente a autoridade da Corte.

CONFLITO DE INTERESSES – O dilema, portanto, não é apenas sobre a conduta individual de um ministro, mas sobre como o Supremo lida com conflitos de interesse reais ou aparentes em um ambiente de crescente polarização e desconfiança institucional. A defesa corporativa, compreensível sob a ótica da autonomia judicial, corre o risco de ser percebida como fechamento excessivo, alimentando narrativas de autodefesa e distanciamento da sociedade. Ao mesmo tempo, ceder a pressões políticas pode fragilizar a independência judicial, um pilar inegociável do Estado democrático de direito.

O caso Master expõe, assim, uma encruzilhada institucional. Ou o STF avança em mecanismos mais robustos de autocontenção, transparência e prestação de contas — especialmente em situações sensíveis que envolvem seus próprios membros —, ou continuará operando em um ciclo recorrente de crises de confiança. Em tempos de instabilidade política e erosão da credibilidade pública, preservar a legitimidade institucional exige mais do que decisões juridicamente corretas: exige sensibilidade democrática, prudência ética e a disposição de reconhecer que, para além da lei, a justiça também se sustenta na confiança que inspira.

“Mesmo preso, Bolsonaro ainda dá as cartas”, diz Bia Kicis ao defender Flávio

Sozinho, Código de ética não basta para conter o Supremo

Charge do Marcelo Martinez (Site Canal Meio)

Dora Kramer
Folha

Os clichês não existem apenas para serem depreciados por quem tem a escrita como ofício. Na origem, costumam encerrar verdades cujo uso abusivo os colocam no rol das trivialidades a serem evitadas na elaboração de raciocínios. Um desses chavões reza que o brasileiro não sabe de cor a escalação da seleção de futebol, mas tem na ponta da língua os nomes dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Traduz bem o destaque que o tribunal passou a ocupar na arena pública.

Isso começa com as transmissões ao vivo da TV Justiça e ganha tração em 2012, no julgamento do primeiro processo criminal a envolver e condenar a cúpula de um partido no poder, além de dirigentes e parlamentares de legendas da base do governo Luiz Inácio da Silva (PT).

ESTRELATO – Dali, ministros do STF ascenderam ao estrelato a ponto de o relator Joaquim Barbosa ser cogitado como candidato à Presidência da República, o que não aconteceu.

Barbosa aposentou-se antecipadamente, mas o legado do protagonismo permaneceu e se evidenciou na mudança de critério para indicações ao Supremo.

A norma constitucional de reputação ilibada e notório saber jurídico veio sendo adaptada à regra do grau de proximidade e confiança dos presidentes nos indicados. Junto a isso, assistimos à transformação do colegiado.

AGENTES POLÍTICOS – Da era da absoluta contenção entramos na fase da participação desinibida de magistrados como influentes agentes políticos. Nos autos —em decisões monocráticas e repetidas alterações de parâmetros jurídicos— e fora deles —quando parte dos juízes passa a se posicionar sobre aspectos da vida nacional e a se comportar ao arrepio do padrão de lisura exigido à função.

Pois já que a corte mudou e escolheu se abrir à sociedade, natural que exista um rol de regras que abra ao público a avaliação sobre a conduta dos julgadores em relação ao que espera deles essa mesma sociedade.

No caso do Banco Master, contudo, o manual de ética não substituiria a indispensável autocontenção.

Fiquem tranquilos, a imprensa livre vai destruir Toffoli e quem aparecer pela frente

Laerte: Crise política é culpa da imprensa - O Cafezinho

Charge do Laerte (Folha)

Carlos Newton

Em sua história contemporânea, o Brasil jamais teve uma imprensa livre como agora. Enquanto os três Poderes da República entram num processo de evidente degeneração, com atos de corrupção, abusos de poder e favorecimentos que contaminam as instituições, o jornalismo ingressa numa fase verdadeiramente gloriosa, em que o interesse público é defendido com entusiasmo jamais visto.

No artigo desta quinta-feira, dia 22, analisamos a evolução da grande imprensa (jornais, revistas e televisão) que atravessam um momento importantíssimo, capaz de levar ao aperfeiçoamento das instituições, através do livre debate sobre os graves erros e as distorções existentes, que corrompem Executivo, Legislativo e Judiciário, simultaneamente.

SEM CENSURA – Na verdade, o jornalismo jamais teve tanta liberdade, porque os empresários que dominam os meios de comunicação já não têm condições de vigiar as redações e exercer censura interna, devido à necessidade de divulgar as notícias em tempo real.

Basta lembrar o exemplo da peça “Calabar: O Elogio da Traição”, um musical verdadeiramente extraordinário, escrito em 1973 por Chico Buarque e Ruy Guerra.  A peça revisitava a figura histórica de Domingos Fernandes Calabar, o senhor de engenho que ajudou os holandeses contra Portugal no século XVII.

A obra, censurada pela ditadura militar até 1980, questionava os conceitos de traição e patriotismo, apresentando Calabar não como traidor, mas como rebelde. Na época, minha mulher, Jussara Martins, trabalhava na Manchete e foi escalada para fazer uma reportagem sobre a peça, que está sendo ensaiada no Teatro João Caetano. Peguei carona com ela.

COM CENSURA – Quando chegamos, a plateia  estava vazia, só havia algumas pessoas sentadas juntas numa das primeiras filas, que eram os censores. Resolvemos ficar longe deles e fomos ocupar um dos camarotes.

A peça era produzida pelo casal Fernando Torres e Fernanda Montenegro, com total esmero, realmente luxuosa e com músicas que se tornariam grandes sucessos, como “Não existe pecado ao sul do Equador”, “Cala a boca, Bárbara”, “Tatuagem”, “Ana de Amsterdam” e “Fado Tropical”.

O diretor Fernando Peixoto subiu ao palco e comunicou que seria feito o primeiro ensaio-geral, já com os figurinos e cenário, e não haveria intervalo nos três atos. Ao final, ficamos extasiados. Realmente maravilhosa a peça, com atuação magnífica de Tetê Medina, Betty Faria e Helio Ary, com 35 artistas e bailarinos no elenco de apoio.

UMA PREVISÃO – Ao deixarmos o teatro, fiz uma previsão, afirmando que “Calabar” iria servir como termômetro do regime militar. Se a peça fosse aprovada pela censura, seria um sinal de que a ditadura iria afrouxar. Mas, se fosse proibida, significaria que arrocho dos militares seria intensificado.

Não deu outra. Quando Jussara chegou à Manchete, na manhã seguinte, recebeu a informação de que a peça já tinha sido censurada, logo após o ensaio-geral.

Agora, a situação se repete. Se não houver punição a Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e outros ministros que se comportam indevidamente, será sinal de que o país pode entrar em nova ditadura.

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P.S. 1 – Fala-se muito em Ditadura do Judiciário, mas isso “non ecziste”, como diria o padre Oscar Quevedo, com seu sotaque carregado. Toda ditadura é sempre militar, pois são eles que detêm a força. Respeito o pessimismo alheio, mas estou otimista. Os militares brasileiros já provaram que defendem a legalidade. Assim, é mais fácil prender os “bandidos de toga”, que já eram citados em 2011 pela ministra Eliana Calmon, do que entregar a eles o comando do país.

P.S. 2Já ia esquecendo. Chico Buarque conta que os produtores da peça Fernando Torres e Fernanda Montenegro – tiveram um prejuízo de 30 mil dólares e jamais foram ressarcidos. (C.N.)

Piada do Ano! STF defende os gastos de Toffoli com seguranças em resort

Toffoli ficou rico e botou o dinheiro no nome do irmão pobre

Pablo Giovanni

O Supremo Tribunal Federal (STF) informou, na manhã desta sexta-feira (23/1), que os gastos com a segurança dos ministros são necessários para assegurar a proteção dos magistrados da Corte diante de ameaças, como os atos do 8 de Janeiro e a tentativa de explosão da sede da Corte.

A nota divulgada pelo STF ocorre após o Metrópoles, na coluna de Andreza Matais, revelar que o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito do caso Banco Master, passou 168 dias no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), desde dezembro de 2022.

As diárias dos seguranças do ministro nessas viagens consumiram R$ 548,9 mil dos cofres públicos.

SITE DO TRF-2 – A descrição dessas diárias pagas pode ser consultada no site do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, de São Paulo. Embora Ribeirão Claro fique no Paraná, o TRT-2 costuma enviar equipes de segurança para escoltar Toffoli quando ele está no Tayayá.

O resort é ligado a irmãos do ministro Dias Toffoli, que foram sócios do empreendimento de dezembro de 2020 a fevereiro do ano passado, após terem adquirido cotas.

A financeira Reag, investigada no STF por causa da fraude do Master, utilizou um de seus fundos para comprar a participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli no empreendimento.

ALEGA O SUPREMO – O STF defende os gastos com segurança, alegando que os ministros “são alvos recorrentes de ameaças, materializadas por e-mails, publicações em redes sociais, tentativas de invasão das dependências do tribunal e outras ações criminosas”.

“Fatos como os atos de 8 de janeiro de 2023, o atentado a bomba ocorrido em 13 de novembro de 2024 e investigações da Polícia Federal que apuram planos concretos contra autoridades evidenciam esse cenário”, escreveu o STF, em nota.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quem toma o prejuízo com essa gastança é o povo, que paga os impostos e a conta dos seguranças, sem que nenhum ministro do Supremo até hoje tenha sido vítima de atentado, e o tribunal funciona desde fevereiro de 1891… Mas quem se interessa? (C.N.)

PL investe em candidaturas jovens e tenta disputar pautas identitárias fora da esquerda

Tarcísio de Freitas é esperto e sabe que será facilmente reeleito governador

Tarcísio promove mudança na Casa Civil após atrito com bolsonaristas |  Brasil 247

Tarcísio ainda é jovem, não vai trocar o certo pelo duvidoso

Vicente Limongi Netto

Tarcísio de Freitas acabou com o mistério político. Do tipo quem matou Odete Roitman, que parou o Brasil. Decidiu certo. Com o cérebro. Disputará a reeleição de governador. Decisão que espantou muita gente. Alguns setores tentavam atrair Tarcísio como arma mortífera contra lula. Terão que arrumar outro adversário forte  contra o petista.

A decisão de Tarcísio não surpreendeu este calejado e veterano repórter. Em artigo dia 10 de setembro de 2025,  aqui na Tribuna da Internet, analisei: “O plano B de Tarcísio é ser reeleito governador ou eleito senador. Fica melhor para o figurino dele. Tarcísio é novo e capaz. Não precisa, politicamente, do clã Bolsonaro para nada. Tarcísio vai devagar ao pote, Para não ficar sem o mel e a cabaça. O apressado come mal e cru. Cabeça é para ser usada, não apenas para colocar boné de Trump”.

VISITA A BOLSONARO – Também na Tribuna desta quarta-feira, dia 21, assegurei que Tarcísio comunicaria sua decisão nesta quinta, na visita que faria ao ex-presidente Bolsonaro, mas ele acabou cancelando, devido às especulações da imprensa. 

“A visita do governador seria para cuidar da própria vida. Sair das amarras de Bolsonaro”, afirmei.  Também revelei que Tarcísio diria a Bolsonaro que não aceitaria ser candidato a vice presidente, na chapa do senador Flávio Bolsonaro.

“Tarcísio agradeceria, mas prefere não arriscar o certo, a reeleição para governador, pelo duvidoso, ser candidato a vice com Flávio Bolsonaro”, finalizei. Não deu outra.

Ano eleitoral começa com tensão entre Tarcísio e o núcleo bolsonarista

Governador falou sobre pressões de bolsonaristas

Samuel Lima
O Globo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atribuiu, nesta sexta-feira (23), a ausência na visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha a uma “razão pessoal” e alegou que não se sentiu pressionado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a demonstrar apoio à sua candidatura a presidente.

“Mais enfático do que isso? “, reagiu ele, referindo-se à postura que tem adotado, ao ser perguntado sobre a desconfiança de bolsonaristas com o episódio e as cobranças por posicionamentos mais explícitos de apoio a Flávio durante a entrega de moradias populares em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo.

SEM PROBLEMA – “Não tem nada de pressão. Até porque agora a gente vai trabalhar muito em prol do Flávio Bolsonaro, não vai ter problema nenhum com relação a isso. Acho que, com o tempo, as coisas vão se acomodando. Isso é absolutamente normal. Tenho certeza que teremos uma candidatura muito competitiva”, acrescentou o governador.

O encontro de quinta-feira com Bolsonaro, que seria o primeiro desde a prisão, foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e chegou a ser confirmado pelo governo estadual. Segundo disseram interlocutores ao O Globo, contudo, Tarcísio teria ficado irritado com declarações de Flávio à imprensa de que o pai tinha a intenção de dizer ao governador que as eleições presidenciais estão descartadas para ele e que contava com a sua reeleição em São Paulo, motivando-o a cancelar o compromisso.

“Pessoal, assim, quando você marca uma visita, o tribunal atribui uma data, e pode acontecer de não ser possível por uma razão qualquer. Eu tinha uma razão pessoal, não podia ir naquela data. Imediatamente pedi outra data para o Supremo que já foi autorizada, vai ser quinta-feira. Na semana que vem, eu estarei lá para dar um abraço no meu amigo Jair Bolsonaro, pessoa a quem eu sou muito grato”, justificou-se.

COBRANÇAS – A mesma informação apareceu em um postagem nas redes sociais no fim da tarde de quinta-feira, como forma de controlar a reação negativa do eleitorado mais fiel a Bolsonaro. Mais cedo, as contas do governador foram inundadas por cobranças quando ele divulgou um vídeo que informava sobre o andamento das obras da Linha 6 (Laranja) do metrô.

Tarcísio afirmou ainda que suas declarações públicas demonstram “coerência” desde o início do mandato com a ideia de que vai concorrer a mais quatro anos no Palácio dos Bandeirantes. O Globo mostrou, porém, a partir de conversas com aliados, que o governador se animou com a possibilidade de enfrentar Lula nas urnas e autorizou articulações nesse sentido. Ele chamou esses relatos de “especulações”. “Tem muitos projetos que estão sendo estruturados que são de longo prazo”, disse o governador.

TOCANDO BARCO – “Eu continuo focado no meu projeto de São Paulo, não tem nada diferente disso. O que vai acontecer em abril? Nada, eu vou continuar tocando barco, não vou apresentar uma carta de renúncia, não vou me descompatibilizar e vou focar num projeto de longo prazo de São Paulo com o meu time”, afirmou.

Tarcísio não explicou quais foram os compromissos que o impediram de comparecer à cela de Bolsonaro, no 19° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, em Brasília. Na sua agenda, constou a informação de que o governador se ocupou de “despachos internos”.

TROCA DE SECRETÁRIOS –  Ainda na quinta, ao final do dia, o governo anunciou uma troca dupla no secretariado, com o chefe da Casa Civil, Arthur Lima, deslocado para a Secretaria da Justiça, no lugar de Fábio Prieto, e substituído no cargo pelo presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro. Lima vivia desgastes com partidos como o Progressistas, prefeitos do interior e aliados do governo que reclamavam de falta de diálogo.

O governador afirmou que a mudança entra na previsão de baixas pelo ano eleitoral e que sentiu a necessidade de colocar um nome de maior traquejo político na Casa Civil, responsável pela liberação de emendas e relacionamento com os deputados da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp). Lima cogita concorrer a deputado federal pelo União Brasil em outubro. Já Prieto pediu desligamento para retornar à advocacia.

“O Arthur é um cara técnico, fez um trabalho de estruturação da Casa Civil, de informação e de reorganização administrativa, e agora eu preciso de um perfil um pouco mais político para organizar a jornada que vem. O Roberto Carneiro vai me ajudar nisso. Ele vai ser uma pessoa de confiança dentro do Palácio para tratar dessas questões com os partidos e os prefeitos”, aponta o chefe.

MENSAGEM – O Globo apurou com deputados da base aliada na Alesp que Prieto encaminhou uma mensagem comunicando a saída de forma repentina, ainda na segunda-feira. Existe a impressão, entre alguns deles, de que demonstrava cansaço com a função pública. “Voltarei para a advocacia, não há mistério”, escreveu o agora ex-secretário.

A troca por Lima, contudo, foi lida como uma forma de destensionar a relação com os parlamentares e os prefeitos no interior que vinham no aliado um perfil duro e com “mão de ferro”. Há reclamações frequentes sobre o ritmo de assinatura de convênios e liberação de emendas dos deputados para o interior, com valores pendentes ainda do ano passado.

Deputados que acompanham de perto a execução orçamentária dizem que a Fazenda apertou as contas do estado no ano passado devido a instabilidades na previsão de arrecadação. Um aspecto relevante para isso foi o tarifaço anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, sobre as exportações de produtos brasileiros aos Estados Unidos.

INFLUÊNCIA – Carneiro é uma figura influente no interior do estado e costumava acertar agendas do governador Tarcísio com prefeitos antes de ser nomeado para a Casa Civil. Ele também é um nome de confiança do presidente nacional do partido, o deputado federal Marcos Pereira. O novo secretário ocupou o mesmo cargo no Espírito Santo, durante o governo de Paulo Hartung.

Além de controlar o ritmo dos repasses em ano eleitoral, ele tem pela frente o desafio de encaminhar um projeto de regulamentação da Lei Orgânica da Polícia Civil, que está atrasado desde o ano passado, sob responsabilidade de um grupo de trabalho liderado pela pasta. Um parlamentar próximo do Palácio diz que há risco de a proposta ficar para o próximo mandato por conta das divergências com associações do setor.

OUTRAS BAIXAS – Tarcísio deve anunciar outras baixas no secretariado até 4 de abril, prazo final para que futuros candidatos nas eleições deixem os cargos no Executivo. No Turismo, Roberto de Lucena será substituído pela empresária Ana Biselli. Ainda não se tem a informação de quem entrará no lugar da secretária de Esportes, Coronel Helena.

Outro que tem situação indefinida é Gilberto Kassab, presidente do PSD, que chefia a secretaria de Governo. “Eu não sei exatamente o que ele vai fazer, se ele tem intenção de concorrer ou não. Fico aguardando os próximos passos dele”, anunciou Tarcísio no mesmo evento.

Em nome do Supremo, Fachin ameaça a imprensa, a Polícia Federal e o BC

edson fachin: Últimas Notícias | GZH

Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Mario Sabino
Metrópoles

Despertou grande interesse antropológico em mim a nota do ministro Edson Fachin, presidente do STF, em defesa da atuação de Dias Toffoli no caso do Banco Master. Mais precisamente, a sua parte final, na qual ele diz o seguinte:

“É induvidoso que todos se submetem à lei, inclusive a própria Corte Constitucional; nada obstante, é preciso afirmar com clareza: o Supremo Tribunal Federal não se curva a ameaças ou intimidações. Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito. O Supremo age por mandato constitucional, e nenhuma pressão política, corporativa ou midiática pode revogar esse papel. Defender o STF é defender as regras do jogo democrático e evitar que a força bruta substitua o direito. A crítica é legítima e mesmo necessária. Não obstante, a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça.

O Supremo fez muito no Brasil em defesa do Estado de direito democrático; fará ainda mais. Sim, todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, isso sempre, mas jamais destruídas. Quem almeja substituir a ousada pedagogia da prudência pelo irresponsável primitivismo da pancada errou de endereço.

Transparência, ética, credibilidade e respeitabilidade faz bem ao Estado de direito. Este deve ser compromisso de todos nós democratas.”

AMEAÇA À IMPRENSA –  Se bem entendi, o presidente do STF, um democrata de quatro costados, quis dizer que aqueles que ousam apontar o descalabro das decisões de Toffoli e investigam as suas ligações financeiras com o Master de Daniel Vorcaro estão ameaçando o tribunal e, portanto, a democracia.

Eu pensava que era exatamente o contrário: que estávamos fortalecendo o STF, o Estado de direito e o sistema democrático, ao tentar depurá-los. Achava até que ajudávamos Fachin na sua cruzada por um código de conduta para os integrantes do tribunal.

A minha percepção estava errada: para Fachin e os seus colegas, toda crítica a atitudes de um integrante do tribunal, ou revelação de fatos sobre ele, é “irresponsável primitivismo da pancada”, tentativa de “desmoralizar o STF para corroer a sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional”.

TOMEM CUIDADO – Imprensa, Polícia Federal e Banco Central que tomem cuidado, visto que “a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça”.

Soa como intimidação e é intimidação, visto que o tribunal mantém um inquérito sigiloso, aberto de ofício por Dias Toffoli, em 2019, direcionado contra qualquer um que o seu relator, o implacável Alexandre de Moraes, escolhido a dedo por quem abriu o inquérito, julgue ser inimigo do STF.

Com a sua nota que recende a corporativismo, Fachin e os seus colegas jogam na vala comum do bolsonarismo aloprado os repórteres investigativos, articulistas, editorialistas, organismos de fiscalização e controle do mercado financeiro e de combate ao crime. Muito conveniente, sem dúvida.

VALOR DE FACE – As linhas divulgadas quinta-feira pelo presidente do STF devem ser lidas pelo seu valor de face: são mostra de que vivemos mesmo em outro tempo difícil, a história está cheia deles, do manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Talvez eu não tenha juízo, porque, nesta incontornável função jornalística, entre Fachin e Rui Barbosa, ainda fico com o segundo, que escreveu há mais de século:

“A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça.

Centrão vê adiamento de visita como jogada política de Tarcísio diante da crise da direita

Charge do Cláudio (Arquivo do Google)

Camila Turtelli
O Globo

O adiamento da visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papudinha, foi interpretado por lideranças do Centrão como um movimento para ganhar tempo em meio à indefinição da direita na disputa pela Presidência.

Nos bastidores, a avaliação é que o encontro, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), carregava mais riscos do que ganhos para o governador, ao associá-lo de forma precoce à estratégia eleitoral do clã Bolsonaro. A visita havia sido solicitada pela defesa do ex-presidente.

PRIORIDADE – Segundo o senador Flávio Bolsonaro (PL) disse ao O Globo, o objetivo do encontro seria reforçar ao governador que sua reeleição em São Paulo deveria ser tratada como prioridade. A leitura foi recebida com irritação no entorno de Tarcísio, cujos aliados ainda alimentam a possibilidade de ele disputar o Palácio do Planalto.

Interlocutores do governador avaliam que, se a visita tivesse ocorrido, dificilmente traria algo de positivo para seus planos políticos. A avaliação é que Bolsonaro já fez sua escolha ao indicar o filho como pré-candidato à Presidência, e que uma conversa privada pouco alteraria esse cenário. Ainda assim, a percepção predominante é que o adiamento acabou sendo mais vantajoso para Tarcísio do que o encontro em si.

Para um dirigente do Centrão, Tarcísio quis evitar ser empurrado para uma definição num momento em que o bolsonarismo ainda tenta se reorganizar após a prisão do ex-presidente. De acordo com essa leitura, quanto mais o encontro demorar a acontecer, melhor para o governador.

“PONTO SEM VOLTA” – Nesse contexto, a visita passou a ser vista como um possível “ponto sem volta”, ao cristalizar a expectativa de que Tarcísio assumisse um papel mais explícito na campanha presidencial de Flávio. Para líderes do Centrão, esse movimento seria arriscado diante da alta rejeição do senador e da ausência, até agora, de sinais claros de que o nome escolhido por Bolsonaro consegue unificar a direita para além de seu núcleo mais fiel.

Um dirigente resumiu a preocupação ao afirmar que um eventual recuo do partido “ficaria feio para Bolsonaro e para Flávio”, por expor insegurança e fragilidade política. Para partidos de centro, a instabilidade é um sinal negativo em um campo que busca previsibilidade para organizar alianças.

A visita de Tarcísio a Bolsonaro havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes e seria o primeiro encontro entre os dois desde a prisão do ex-presidente, no fim de novembro — e também a primeira conversa após Bolsonaro indicar formalmente o filho como pré-candidato ao Planalto, em dezembro.

Provas são tão evidentes que o corrupto Dias Toffoli nem tenta se defender

Chega de malícia: o “resort do Toffoli” nunca foi de Toffoli

Toffoli mostrou ser um autêntico representante de Lula

Fabiano Lana
Estadão

É tanta revelação em sequência desde que José Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, foi parar em um jatinho rumo a Lima em companhia de advogado do liquidado Banco Master, que o silêncio do envolvido se tornou uma espécie de confissão de culpa para o perplexo público externo.

São suspeitas de ser proprietário oculto de resort via uso de laranjas (confiram a reportagem do Estadão), sociedades com parentes de gente ligada ao banco, tráfico de influência e algo a mais. Tudo somado com uma tentativa desesperada, na aparência, de controlar o caso que o envolve por meio de decretação de sigilo e limites à ação da Polícia Federal.

MORAL E POLÍTICA – Ninguém é culpado até a decisão final da Justiça, podem dizer os que se apegam à lei. Mas a questão Toffoli vai bem além do Judiciário. Tornou-se moral. Tornou-se também política.

Aliás, ministros do STF, por ações e declarações, se sentiram bastante confortáveis em se tornar personagens da política diária brasileira. Agora precisam suportar o escrutínio que envolve todo mundo que resolve entrar para a vida pública, que pode se tornar avassalador.

Ainda não temos o chamado “outro lado” de Toffoli. As reportagens sobre o assunto muitas vezes contêm a seguinte informação: “Procurado, o gabinete do ministro não respondeu”, algo assim.

SILÊNCIO REVELADOR – Por que essa estratégia da mudez? Por se sentir injustiçado? Por se sentir acima da lei? Para preparar um contra-ataque aos caluniosos? Ou pior, por não saber o que responder frente à avalanche de informações? O silêncio, no caso, tem sido uma péssima saída, porque alimenta as mais indômitas interpretações.

Se, de um lado, a sociedade e parte do Congresso falam abertamente de impeachment do ministro, de outro, consta que Toffoli não pretende abrir mão nem mesmo da condução do caso Master.

Recebeu, inclusive, um auxílio da providência, quer dizer, da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não viu necessidade de impedimento do ministro na investigação do escândalo pela tal carona no jatinho. Mais um fator de espanto para os espectadores e lesados.

FALSOS HERÓIS – Há apenas quatro meses, o Supremo era tido como herói de parte da nação, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Agora, foi arrastado na lama do Banco Master.

O ministro Alexandre de Moraes, principal algoz do ex-presidente, está quase tão enrolado quanto seu colega, pelo mal explicado contrato de R$ 129 milhões de sua esposa, Viviane Barci, com a instituição falida.

O triunfalismo da Corte tinha pés de barro e temos mais um exemplo, entre tantos, de a soberba preceder a queda.

No instante do entanto, na poesia sempre revolucionária de Leminski

O amor, esse sufoco, agora a pouco era... Paulo Leminski - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário, tradutor, professor, jornalista, escritor e poeta paranaense Paulo Leminski Filho (1944-1989), gostava de fazer poemas curtos, que sempre tinham profundidade e despertavam interesse. No poema “No Instante do Entanto”, Leminski faz um desafio a quem possa esquecer sua poesia.

NO INSTANTE DO ENTANTO
Paulo Leminsk

No instante do entanto
Diga minha poesia
E esqueça-me se for capaz
Siga e depois me diga
Quem ganhou aquela briga
Entre o quanto e o tanto faz

Jatinho usado por Toffoli em Lima aparece em voos para o resort do ministro

Diretor do BC pressionou BRB a comprar créditos fraudados do Banco Master

Liquidação do Will Bank expõe fragilidades do sistema e cobra transparência das autoridades

Pedro do Coutto

A decisão do Banco Central de decretar a liquidação do Will Bank marca mais um capítulo delicado no já conturbado processo envolvendo o banco Master e lança luz sobre fragilidades que insistem em reaparecer no sistema financeiro brasileiro — sobretudo quando o impacto recai, de forma desproporcional, sobre clientes de baixa renda.

A medida, revelada em reportagem de O Globo, não surgiu do nada: foi a resposta a uma sequência de descumprimentos legais e operacionais que tornaram insustentável a continuidade da instituição. O ponto de inflexão ocorreu no dia 19, quando o Will Bank deixou de honrar sua grade de pagamentos junto à Mastercard.

BLOQUEIO – Diante da falta de liquidez, a operadora de cartões bloqueou as transações, paralisando, na prática, a vida financeira de milhares de clientes. O episódio expôs não apenas a fragilidade da instituição, mas também a dependência estrutural de um modelo que exige confiança permanente entre bancos, bandeiras e consumidores. Quando um elo falha, o efeito dominó é imediato.

O Banco Central, ao intervir, cumpriu o papel que lhe cabe: preservar a estabilidade do sistema e evitar que o problema se alastre. A liquidação, ainda que traumática, é um instrumento extremo justamente para conter riscos maiores. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária avalia a possibilidade de venda das operações do Will Bank no mercado financeiro, hipótese que, embora prevista na regulação, se mostra complexa. O prazo de até 120 dias para negociações existe, mas o histórico recente e o tamanho do passivo tornam a tarefa árdua.

Enquanto isso, quem paga a conta da incerteza são os correntistas. Muitos deles recorreram ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo essencial para proteger depósitos e limitar danos sociais em crises bancárias. O FGC cumpre uma função silenciosa, mas decisiva: impedir que episódios como esse se transformem em tragédias financeiras pessoais. Ainda assim, o acesso à informação e ao próprio dinheiro, segundo relatos de clientes, tem sido confuso e lento — um problema que não pode ser tratado como detalhe operacional.

DESAFIOS – Há, neste episódio, uma dimensão política e institucional que não pode ser ignorada. A proliferação de bancos digitais ampliou a inclusão financeira e reduziu custos, mas também impôs desafios regulatórios inéditos. A supervisão precisa ser firme sem sufocar a inovação, e a comunicação com o público deve ser clara, sobretudo quando decisões duras — como uma liquidação — se tornam inevitáveis. Falhas de governança e de compliance não são acidentes; são escolhas ou omissões que, mais cedo ou mais tarde, cobram seu preço.

O caso do Will Bank reforça uma lição conhecida, mas frequentemente esquecida: estabilidade financeira não é um dado permanente, é uma construção diária. Exige vigilância técnica do Banco Central, responsabilidade dos controladores e transparência com a sociedade. Quando essa equação se desequilibra, o discurso da modernização bancária perde força diante da realidade concreta de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. E isso, em um país ainda marcado por desigualdades profundas, é um risco que vai muito além das planilhas e dos balanços.

PGR arquiva pedido para afastar Toffoli e o mantém à frente de investigação do Banco Master

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Mariana Muniz
O Globo

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar a representação apresentada por parlamentares da oposição que pedia o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria da investigação que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. A decisão é do dia 15 de janeiro.

A representação foi protocolada pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC), que alegavam possível impedimento ou suspeição de Toffoli em razão de uma viagem a Lima, no Peru, em novembro de 2025.

CARONA – Os parlamentares argumentaram que o episódio marcado por uma carona tomada por Toffoli no jatinho de um empresário para torcer pelo Palmeiras na final da Copa Libertadores da América contra o Flamengo na companhia de um advogado de um dos executivos do Master investigado na Operação Compliance Zero comprometeria a isenção do ministro para conduzir o caso.

Na decisão pelo arquivamento, Gonet afirma que os fatos narrados já estão em análise no âmbito do STF, com acompanhamento regular da própria Procuradoria-Geral da República. Para o chefe do Ministério Público, não há providência adicional a ser tomada pela PGR neste momento, o que levou ao arquivamento da representação.

“O caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República. Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento”, escreveu Gonet no despacho.

DESCONFORTO – A decisão ocorre em meio a um ambiente de desconforto em relação à condução das investigações envolvendo o Banco Master por Dias Toffoli, o que tem gerado críticas públicas à atuação do ministro e incômodo de alguns de seus pares nos bastidores do STF. Além deste pedido de afastamento que foi arquivado, nesta semana outras iniciativas passaram a pedir o afastamento do magistrado do caso.

O senador de oposição Eduardo Girão (Novo-CE) encaminhou à PGR uma representação em que sustenta que circunstâncias pessoais e decisões controversas adotadas por Toffoli ao longo da investigação levantam dúvidas sobre a imparcialidade do relator, o que, na avaliação do senador, justificaria uma manifestação formal da Procuradoria perante o Supremo. A PGR ainda não respondeu esse pedido.

Os pedidos de afastamento de Toffoli se somam a outras iniciativas parlamentares que buscam questionar decisões do Supremo e da PGR em casos sensíveis, especialmente aqueles que envolvem autoridades com foro privilegiado.

Atrás dos R$ 129 milhões, mulher de Moraes segue defendendo o Master

Caso Master: Esposa de Moraes não atuou em órgãos previstos | Brasil |  Pleno.News

Moraes e a mulher vivem juntos, mas trabalham separados…

Johanns Eller
O Globo

A decisão sigilosa da Justiça Federal de São Paulo que encaminhou ao ministro Dias Toffoli o processo que investiga os empresários Nelson Tanure e Gilberto Benevides por insider trading em operações da Gafisa revela que o Banco Master está entre as partes interessadas do inquérito e é representado no caso pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A advogada firmou com o banco de Daniel Vorcaro um contrato de R$ 129 milhões.

A informação consta na decisão da juíza federal Maria Isabel do Prado, assinada na noite do último dia 16. Além de Viviane, dois filhos do magistrado do STF (Alexandre e Giuliana) estão entre os profissionais do escritório Barci de Moraes que atuam em nome do Maste,.

A DENÚNCIA – O caso foi remetido ao Supremo em função das conexões entre o processo da construtora e o das fraudes no Banco Master, citadas na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Tanure e Benevides em dezembro e admitidas posteriormente pela defesa do primeiro empresário, que também é investigado no caso do Master.

A instituição liquidada pelo Banco Central em novembro passado figura como “”, ou seja, uma pessoa física ou jurídica que não consta na relação processual inicial, mas tem legítimo interesse jurídico caso a decisão final da Justiça tenha o potencial de afetar seus direitos.

Vorcaro e o Master não foram denunciados pelo MPF no caso da Gafisa, mas as investigações relacionadas às supostas operações irregulares de Tanure e Benevides na construtora miraram gestoras como a Trustee e Planner e fundos investigados no âmbito do banco. Por esse motivo, os interesses do banqueiro e da instituição liquidada podem ser impactados no decorrer do processo no STF.

MORAES VOTARÁ – Caso o inquérito chegue ao plenário da Corte, o processo relatado por Toffoli poderá ser votado por Alexandre de Moraes, marido da advogada do Master, quando estes interesses estariam em jogo.

Também figuram como “terceiros interessados” o investidor Vladimir Joelsas Timerman, acionista da Gafisa cuja denúncia sobre as movimentações suspeitas na empresa deu origem ao processo, sua gestora, a Esh Capital, a própria construtora e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Como revelamos no blog em dezembro, o contrato entre o Master e o escritório Barci de Moraes, cuja sócia-controladora é Viviane, apreendido na primeira fase da Compliance Zero, conta com um escopo bastante amplo e não especifica uma única causa ou processo. Fica claro apenas o propósito de representar o banco onde for necessário.

AINDA NA DEFESA – A decisão da Justiça Federal de São Paulo, assinada pela juíza Maria Isabel do Prado, sinaliza que os serviços de advocacia continuam sendo prestados por Viviane após a liquidação do Master. O acerto previa o pagamento de quase R$ 130 milhões caso o contrato fosse cumprido integralmente, o que não ocorreu em função do desmantelamento da instituição por determinação do BC.

Em mensagens obtidas pelos investigadores, Vorcaro deixava claro em mensagens enviadas para auxiliares que os desembolsos para o escritório de Viviane eram prioridade total do Master e não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma.

Procurado para comentar, o escritório Barci de Moraes e a própria Viviane não retornaram o contato da equipe da coluna. Apenas p empresário Nelson Tanure se manifestou, dizendo-se inocente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Minha gente, 129 milhões de reais é um bocado de dinheiro, em qualquer país do mundo. O Master está no vermelho e não vai mais pagar a ninguém, porém os contratos com advogados são considerados prioritários no ordenamento jurídico brasileiro, equivalendo aos créditos trabalhistas. Assim, pode ser que ainda sobre algum para a família Moraes, mas é difícil garantir. (C.N.)

É insuportável ter clareza sobre a vulnerável condição humana

Desenvolver a consciência fez o homem encarar a realidade

Luiz Felipe Pondé
Folha

Mais um ano se foi. E as pessoas sobre a Terra fizeram planos. Não há dúvida de que convenções podem ser poderosas para um animal que pouco tem além delas. Leis, democracia, religiões e moral vagam sob um absoluto vazio de fundamento.

Sempre fui um apaixonado pela biologia. Isso me levou, entre outras razões, à faculdade de medicina. Sempre senti um halo de beleza e tragédia na teoria da evolução natural e em sua cegueira estrutural.

SALTO INFELIZ – A consciência é um salto evolutivo infeliz. A clareza absoluta sobre a condição humana é um sintoma insuportável. Melhor seria se nunca tivéssemos atingido esse grau excessivo de consciência. Quem disse que a evolução natural sabe o que faz?

Do autor de quem vou falar aqui hoje, infelizmente, a oferta em português é precária. O mercado editorial brasileiro, cada vez mais, se divide, na sua imensa maioria, entre as casas ideológicas e as casas que só querem best-sellers de péssima qualidade, quando os dois traços não se misturam.

Trata-se de Peter Wessel Zapffe, norueguês, advogado não praticante, montanhista e filósofo, morto em 1990.

TRAGÉDIA  HUMANA – “O Último Messias”, um opúsculo, existe em português, apesar de eu nunca ter visto essa tradução. Sua obra máxima, que li em inglês, “On the Tragic”, até onde sei, não foi vertida para o português.

Zapffe se inscreve naquela tradição rara em filosofia chamada por alguns de “filosofia lunar”. A maior parte dos filósofos, de uma forma ou de outra, pertence à “filosofia solar”. Ser lunar significa não crer que no final do dia, ou dos tempos, a ordem intrínseca, que tende ao bem, se impõe. Crer nessa ordem faz de você um ser lunar.

Nesse sentido, lunares seriam autores como o romano Lucrécio, o francês Pascal, no século 17; Kierkegaard e Schopenhauer, no século 19; Unamuno, Freud, Jung, Camus, Cioran e Zapffe, no século 20; John Gray, no século 21. Antes que alguém salte com correções de orelha, Nietzsche é um demilunar, ou meio lunar.

EXCESSO DE CONSCIÊNCIA – Uma característica de Zapffe é partir da biologia —mais especificamente da teoria da evolução— para dizer que a consciência, e sua condição cognitiva excessiva, foi um salto evolutivo que deu ruim. Um peso para a frágil espécie humana que se arrasta pelo mundo criando escapes para este excesso de consciência.

Uma analogia conhecida que Zapffe faz é com o alce pré-histórico extinto que, com seus exuberantes e poderosos galhos na cabeça, acabou sucumbindo ao peso que eles significavam no dia a dia.

No caso da consciência, ela tem suas funções adaptadas à tragédia da sua condição excessiva.

FUGAS E DISTRAÇÕES – Zapffe enumera essas adaptações, ou fugas, como ancoragem —mecanismos rígidos de fuga, como religiões ou ideologias políticas—, isolamento —fuga do pensamento obcecado pelo insuportável da consciência—, distração —se ocupar, próximo do “divertissement” de Pascal— e sublimação —fazer da agonia uma arte, filosofia, literatura, próximo a Freud.

O insuportável citado acima pode ser compreendido pela contradição insolúvel entre nosso desejo infinito e a indiferença do universo —próxima à ideia de absurdo em Camus.

Duvidar de si e do mundo, antecipar o futuro, ver o vazio de fundo, a impermanência, a vulnerabilidade, a contingência, a morte, o silêncio e a escuridão dos espaços infinitos que apavoravam Pascal. Todas essas realidades são atributos da nossa percepção.

EVOLUÇÃO TRÁGICA – Em Zapffe, o mundo não é trágico, tampouco trágica é a estética ou a moral em si. Trágica é a evolução natural da espécie, em direção à sua consciência plena, ou à clareza absoluta da sua própria condição.

Neste sentido, a lucidez que advém da clareza sobre nós mesmos —como pensava Camus— é um sintoma desse salto evolutivo infeliz, desse mau passo da natureza.

Como diz Zapffe, a natureza nos deu a consciência por meio de um erro cego e, com isso, nos expulsou dela, fazendo de nós uma espécie animal exilada do “paraíso” da ausência de consciência.

QUEDA DO PARAÍSO – Assim, o filósofo norueguês lia o mito da queda do paraíso. Como dizia Pessoa, “se o coração pensasse, parava de bater”.

Se Agostinho fosse um trágico, diria que passamos a vida buscando o trágico do lado de fora de nós, quando ele está dentro de nós. Trágica é a consciência, essa condição insuportável quando tomada na sua nudez.

“Uma noite, nos tempos imemoriais, o homem despertou e viu a si mesmo”, diz Zapffe, na abertura de “O Último Messias”. “Sua mulher o mandou caçar”, complementa o autor. Diante do animal indefeso, foi tomado de compaixão. Naquele dia, foi encontrado devorado por algum predador. Há muita beleza na tragédia humana. Há terror e há piedade.

Jornal Nacional arrebentou com Dias Toffoli, mas Fachin saiu na defesa dele

Tribuna da Internet | Com a evolução digital, a imprensa tem missão cada vez mais importante

Charge do Bier (Arquivo Google)

Carlos Newton

O jornalista Helio Fernandes costumava criticar a “imprensa amestrada” e sua ironia era procedente, porque o jornalismo estava dominado  pelos donos dos órgãos de comunicação, que vigiavam e controlavam pessoalmente as redações. Assim, somente eram publicadas as notícias que fossem do interesse deles.

Assis Chateaubriand era o Cidadão Kane brasileiro, comandava a linha editorial de seu império e escrevia os artigos de opinião. Outros empresários da comunicação usavam a mesma estratégia, como Octavio Frias, Júlio de Mesquita, Carlos Lacerda, Samuel Wagner etc.

EDITORIALISTAS – Com a modernização dos jornais e revistas, os  grandes empresários passaram a cuidar apenas dos negócios e contrataram experientes jornalistas para escrever os editoriais, a exemplo de Roberto Marinho, Paulo Bittencourt, Nascimento Brito, Roberto Civita, Adolfo Bloch e todos os demais.

Surgiram assim os editorialistas, que eram contratados para defender as teses do interesse dos empresários, que continuam controlando as redações, dando origem à tal imprensa amestrada, que os verdadeiros jornalistas tanto desprezavam.

De repente, aconteceu a informatização, com a internet, a notícia em tempo real, e os empresários foram perdendo o controle da redações, apesar de continuar entregando as chefias a jornalistas submissos e servis, para fazer o trabalho sujo.

COISA DO PASSADO – O controle direto e absoluto acabou, é coisa do passado. Os donos de veículos de comunicação não são jornalistas e nem chegam perto das redações. Mandam instruções através de seus títeres, fazem ameaças, mas não há como vigiar tudo, as notícias acabam vazando, os jornalistas de maior prestígio ganham cada vez mais independência, a imprensa livre tornou-se uma realidade irrefreável nesta nova era da notícia em tempo real.

Assim, não existe mais imprensa amestrada. Os verdadeiros jornalistas não aceitam tutela e no final acabam sempre defendendo o interesse público.

Essa realidade está sendo comprovada no caso do Banco Master. A sujeirada começou a ser denunciada discretamente em O Globo e logo se alastrou pela imprensa inteira, sem que os empresários pudessem segurar as notícias.

FARTA PODRIDÃO – Ao mesmo tempo, descobriu-se o supercontrato da mulher de Alexandre de Moraes e as pressões que o próprio ministro fez ao Banco Central, em favor do Banco Master.

Agora veio a tona o escândalo do resort-cassino de Dias Toffoli, que emporcalhou ainda mais o Supremo, além das notícias da Tribuna da Internet, denunciando a atuação ilegal de Alexandre de Moraes, que se apresentou como falso relator e irregularmente julgou sozinho dois recursos da defesa de Jair Bolsonaro.

Assim, a imprensa demonstra a importância que terá neste século, quando se registra o maior desenvolvimento tecnológico de todos os tempos, mas precisa ser acompanhado de uma evolução política, ambiental e socioeconômica, para que possamos viver num mundo mais justo.

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P.S. –
Este artigo já estava escrito, quando assisti ao Jornal Nacional na noite desta quarta-feira, um programa que vem me surpreendendo, porque agora está sendo comandado por um jornalista de verdade. Ao contrário de William Bonner, que durante 29 anos conduziu o programa para ser assistido por “telespectadores do tipo Homer Simpson”, o jornalista e apresentador César Tralli mudou o JN e agora dá destaque à política. Nesta quinta-feira, o repórter Júlio Mosquera deixou Dias Toffoli com as calças na mão
no caso do resort, digamos assim, dando sequência a uma demolidora matéria publicada pelo Estadão. O mais importante, porém, foi a conclusão da matéria, com o presidente do STF, Edson Fachin, defendendo ridiculamente Toffoli e ameaçando quem critica o Supremo. Era só o que faltava… Fachin está tomando o caminho errado e pode cair do cavalo,  junto com o colega. Depois voltaremos ao assunto. (C.N.)