Procurador acusa Dias Toffoli de liberar R$ 200 milhões de maneira ilegal

MP-SP 'pegou muito na mão' de réus, diz procurador-geral - 16/04/2024 -  Poder - Folha

Procurador-geral não concorda com o proceder de Toffoli

Felipe de Paula e Pepita Ortega
Estadão

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que a decisão monocrática do ministro Dias Toffoli, que liberou o pagamento de honorários milionários a uma associação ligada a parentes de ministros das Cortes superiores, representa uma “afronta ao devido processo legal”. A reportagem pediu manifestação do gabinete do ministro sobre a decisão. O espaço está aberto.

Como mostrou o Estadão, o Ministério Público questionou, em 5 de novembro, uma decisão proferida em outubro pelo ministro Dias Toffoli que autorizou o pagamento de cerca de R$ 200 milhões ao Núcleo Universitário de Pesquisa, Estudos e Consultoria pelo município de São Sebastião, no litoral norte paulista. A prefeitura havia contratado a entidade em julho de 2022 para ingressar em uma disputa judicial pelos royalties do petróleo contra o arquipélago de Ilhabela.

FORA DA LEI – Para o chefe do Ministério Público de São Paulo, Toffoli atendeu o recurso da entidade “por meio de instrumento processual inexistente na legislação e inadequado para o controle da aplicação de precedentes da Corte Suprema”.

Paulo Sérgio sustenta que o ministro do Supremo desconsiderou “as balizas do devido processo legal, segundo as quais a atuação do Estado-Juiz deve observar o contraditório e a ampla defesa, atender as regras de competência e, ainda, verificar se houve a utilização do instrumento processual adequado, até mesmo em situações de suposto desrespeito às decisões da Corte Suprema”.

Firmado sem licitação, pelo critério da inexegibilidade, o contrato envolve uma entidade que mantém em seus quadros advogados ligados a familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Integram o Nupec Djaci Falcão Neto, filho do ministro Francisco Falcão, do STJ, e Hercílio Binato de Castro, genro do ministro Luiz Fux, do STF.

DIZ A ASSOCIAÇÃO – Interlocutores do Nupec, que se apresente como associação especializada em temas relacionados aos royalties da exploração de petróleo e gás, ressaltam que não há ligação entre os advogados e Toffoli, relator do tema no STF. Sustentam também que o processo só foi distribuído ao gabinete do ministro por ele ter sido o relator de um processo relacionado à matéria na Corte máxima.

Segundo apurou a reportagem, o contrato entre a Nupec e a prefeitura de São Sebastião resultou em R$ 1 bilhão em royalties de petróleo para o município. E Toffoli liberou R$ 200 milhões a entidade ligada a parentes de ministros, provocando crise com o Tribunal de Justiça.

Ao Estadão, a prefeitura de São Sebastião afirmou que “sempre cumpriu integralmente as determinações do Poder Judiciário, em observância à legalidade, à segurança jurídica e à boa-fé administrativa” durante a tramitação da ação relacionada aos royalties do petróleo.

SEGUNDA TURMA – A reivindicação central do procurador-geral de Justiça era para que Dias Toffoli mantivesse o caso suspenso até que a Segunda Turma do Supremo se manifestasse sobre o tema.

Em 11 de novembro, o recurso chegou a ser incluído na pauta de julgamento, com início da discussão previsto para o dia 21 do mesmo mês. No entanto, em 17 de novembro, o processo foi retirado da pauta. Às 19h do dia seguinte, o Nupec voltou a acionar Toffoli. No dia 19, às vésperas do recesso do Judiciário, o ministro atendeu ao pedido e liberou os R$ 200 milhões.

Em sua manifestação, o procurador-geral de Justiça disse que o pagamento não pode ser feito sem o processo transitar em julgado.

“Patente a impropriedade (inadmissibilidade) do emprego do instrumento processual denominado “petição” diretamente neste Supremo Tribunal, no bojo de Recurso Extraordinário afetado pela sistemática da repercussão geral, sequer transitado em julgado.” Para ele, “constata-se, portanto, a ausência de interesse de agir, na vertente inadequação do meio processual eleito”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A constatação é a seguinte. Alguns ministros, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, mantêm a rotina de decidir monocraticamente processos da maior importância, sem ouvir os outros quatro ministros da Turma. Isso é altamente constrangedor e suspeito, quando se trata de liberar o pagamento de R$ 200 milhões. Esse tipo de comportamento depõe contra a respeitabilidade do Supremo, é claro. Mas quem se interessa? (C.N.)

Recuo de Tarcísio após sinalização eleitoral irrita aliados de Bolsonaro

Bolsonaristas classificaram como “estranho” o recuo

Luísa Marzullo
O Globo

O cancelamento da visita que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), faria nesta quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na unidade conhecida como “Papudinha” provocou irritação e desconfiança entre aliados do ex-mandatário. A sensação foi traduzida pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, que afirmou “esperar” que o recuo não tenha motivação eleitoral.

Nos bastidores, parlamentares bolsonaristas classificaram como “estranha” a decisão de recuar em meio ao clima de disputa na direita após o lançamento da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

PRIMEIRA CONVERSA – A visita havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seria o primeiro encontro entre Tarcísio e Bolsonaro desde a prisão do ex-presidente. A agenda também marcaria a primeira conversa presencial entre os dois após Bolsonaro indicar Flávio como pré-candidato ao Palácio do Planalto, em dezembro.

A expectativa no entorno do ex-presidente era de um gesto com forte simbolismo político, com potencial de reforçar uma imagem pública de unidade e consolidar o alinhamento do governador ao núcleo bolsonarista.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que “espera” que o cancelamento tenha sido motivado apenas por razões de agenda. “Ele (Tarcísio) deve ter os motivos dele. Na primeira agenda autorizada pelo Alexandre de Moraes, eu também tive que remarcar. Não sei se teve motivo eleitoral. Espero que não. Flávio está consolidado”, afirmou.

DESCONFORTO – Interlocutores ouvidos pelo O Globo afirmam que o desconforto se aprofundou depois que Flávio antecipou publicamente que Bolsonaro diria ao governador que a hipótese presidencial estava descartada e que a reeleição em São Paulo seria prioridade estratégica para o bolsonarismo. No entorno de Tarcísio, a leitura foi de que a visita, antes tratada como demonstração de solidariedade pessoal, passaria a ter peso eleitoral.

Aliados do governador passaram a definir a visita como uma “armadilha” para colocá-lo sob cobrança pública de engajamento na campanha de Flávio, algo que ele não pretende assumir agora.

O incômodo, porém, não foi unânime. Uma ala do bolsonarismo avaliou que o recuo foi uma forma de evitar o enquadramento e manter margem de manobra diante da pressão interna. Esse grupo enxerga em Tarcísio um nome mais competitivo do que Flávio para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

CONSTRANGIMENTO – Nesse núcleo, a defesa mais explícita é de uma chapa presidencial encabeçada pelo governador, com Michelle Bolsonaro como vice. O vereador paulistano Adrilles Jorge (União Brasil-SP) avaliou que o episódio pode ter criado um constrangimento político para o governador num momento em que se discute a possibilidade de ele retomar ambições nacionais.

“O Tarcísio já declarou apoio ostensivo à candidatura de Flávio Bolsonaro. Fez isso de maneira pública. Mas, a partir do momento que ele ouve do Flávio que o Bolsonaro falou que as eleições presidenciais estão descartadas para ele, talvez crie um constrangimento. Tudo caminha para a candidatura, para a convergência em torno da candidatura do Flávio Bolsonaro. É só ter, da parte da família do Bolsonaro, um pouquinho mais de delicadeza, um pouquinho mais de tato em relação ao Tarcísio”, afirmou.

Toffoli costuma frequentar o resort que uniu a família ao Banco Master

Ucho.Info | A Marca da Notícia

Charge do Sponholz (Arquivo Google)

Paulo Ricardo Martins e Lucas Marchesini
Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli e seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, continuam a frequentar o Tayayá Resort mesmo após a venda do negócio para o advogado Paulo Humberto Barbosa, apurou a Folha.

Toffoli chega ao local, na divisa de Paraná com São Paulo, de helicóptero e pousa em um heliponto exclusivo próximo à casa que mantém numa área próxima ao resort.

SERIAM DONOS? – Entre funcionários e ex-trabalhadores do resort Tayayá, o ministro Toffoli e sua família ainda são citados como os donos do empreendimento, junto a Paulo Humberto Barbosa, advogado que atua para a JBS, dos irmão Batista.

A Folha mostrou que duas empresas ligadas a parentes do ministro tiveram como sócio um fundo de investimento conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados. Depois, o controle passou para Barbosa.

A reportagem ficou hospedada no resort por duas noites e conversou, sob condição de anonimato, com cinco funcionários, uma ex-funcionária, moradores de Ribeirão Claro (PR) onde está localizado o empreendimento, além de dois hóspedes frequentes do hotel.

FREQUENTADOR – Toffoli é um frequentador regular do resort Tayayá, de acordo com relatos, usando um helicóptero como meio de transporte. O ministro foi observado no local pela última vez no Ano-Novo. Um funcionário disse que, na ocasião, ele foi visto caminhando pelo resort.

Quando está lá, Toffoli fica em uma casa localizada em uma parte mais reservada do Tayayá, em um local chamado Ecoview, uma vila de 18 casas no alto de um morro. O acesso mais recomendado é por carro ou com a van do hotel. O heliponto fica a poucos metros da casa de Toffoli, o que limita a sua exposição pública.

O resort fica às margens do lago de uma represa por onde passa o rio Itararé, e o ministro usa um barco do Tayayá que não está disponível para outros hóspedes para passeios.

TUDO EM FAMÍLIA – O irmão do ministro Toffoli, José Eugenio Toffoli, é quem administrava o local enquanto a família tinha uma participação societária. Ele também tem uma casa no resort.

O resort Tayayá funciona no modelo de multipropriedades. Cada apartamento, flat, chalé ou casa é dividido entre cotistas, que se revezam para frequentar o local. Cada casa do Ecoview é dividida entre 13 cotistas, e cada cota vale pouco mais de R$ 750 mil. As residências seguem um mesmo padrão: possuem três suítes, sala, cozinha e uma varanda com piscina. A maior parte das casas possui vista para a represa.

Um outro irmão, José Carlos Toffoli, que é padre, reza missas no local em datas festivas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Toffoli não tem arrependimento, porque conta seus pecados ao padre da família, que lhe perdoa tudo. (C.N.)

Malafaia diz que Flávio não empolga e aponta Tarcísio como alternativa viável

Ministros do STF sonham encontrar a “saída honrosa” para Dias Toffoli

Tribuna da Internet | Category | C. Newton

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Luísa Martins, José Marques e Adriana Fernandes
Folha

Para contornar a crise de imagem enfrentada atualmente pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em razão dos desdobramentos do caso Master, integrantes da corte passaram a defender o envio da investigação à primeira instância como uma “saída honrosa” para o ministro Dias Toffoli. Ele, no entanto, resiste a deixar a condução das apurações.

Toffoli está sob pressão interna devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas começaram com o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.

FORO PRIVILEGIADO? – A operação Compliance Zero —cujo principal alvo é o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — começou na Justiça Federal em Brasília, mas subiu para o Supremo depois que a PF apreendeu um documento que cita o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado.

Outra investigação, que se iniciou no âmbito da Justiça Federal em São Paulo, também foi enviada ao STF e fundamentou a segunda fase da operação, deflagrada no último dia 14, e que apura suspeitas de fraudes realizadas no Master por meio de fundos de investimento, incluindo empresários.

Contudo, até agora, não há qualquer linha de apuração que aponte para o envolvimento do parlamentar nas fraudes bancárias, segundo investigadores a par do caso. Bacelar afirma que apenas participou de um fundo para a construção de um condomínio na Bahia e que Vorcaro havia demonstrado interesse em adquirir parte do projeto, mas a transação não foi adiante.

DEVOLVER OS AUTOS – Uma ala da corte afirma que Toffoli poderia aproveitar a falta de evidências contra Bacelar para devolver os autos ao primeiro grau. Seria uma maneira de tirar o STF do foco da crise, afastar as alegações de suspeição e manter válidos todos os atos assinados pelo ministro até aqui.

Nessa hipótese, os termos dos depoimentos dos investigados, a ata da acareação entre banqueiros e os resultados dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF (Polícia Federal) na semana passada seriam compartilhados com a Justiça Federal e a investigação não precisaria voltar à estaca zero.

O envio do processo à primeira instância também é defendido por integrantes do MPF (Ministério Público Federal), por pessoas próximas a Toffoli e por advogados que acompanham o caso, embora tenha sido a defesa de Vorcaro a autora do requerimento para que a investigação fosse supervisionada pelo STF.

TOFFOLI INSISTE – Apesar desses apelos, Toffoli descarta abandonar a relatoria das investigações, como mostrou a Folha. A interlocutores, o ministro afirmou que não existe razão para abdicar do processo, pois não se enquadra nas hipóteses objetivas de impedimento previstas em lei, nem tem qualquer motivo de foro íntimo para se declarar suspeito.

Toffoli argumenta que a sua imparcialidade não está comprometida. O ministro também tem afirmado que, na primeira instância, as informações estariam mais sujeitas a vazamentos, o que deve ser evitado a todo custo em uma investigação dessa natureza.

Ao mesmo tempo, Toffoli indica a auxiliares que só com novos avanços das apurações será possível definir com clareza se o caso fica no Supremo ou se volta à primeira instância.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGToffoli atingiu o chamado ponto sem  retorno. Tudo nele indica corrupção e favorecimento. Está emporcalhando a imagem do Supremo, onde só poderia entrar como réu, jamais como ministro. É caso de impeachment, sem a menor dúvida. (C.N)

Lembrando “Filosofia”, uma lição de vida na visão de Noel Rosa e André Filho

Caricatura reproduzida do Google

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937) e seu parceiro André Filho (1906/1974), autor de “Cidade Maravilhosa”, retratam na letra de “Filosofia” exatamente como é a sociedade em que vivemos, em que todos somos criticados quando não estamos de acordo com conceitos impostos por ela.

Esse samba foi gravado por Mário Reis e Orquestra Pixinguinha, em 1933, pela Columbia.

FILOSOFIA
André Filho e Noel Rosa

O mundo me condena,
E ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber
Se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome

Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim

Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba,
Muito embora vagabundo

Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro,
Mas não compra alegria
Há de viver eternamente
Sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia

Piada do Ano! Gonet não vê (?) elementos para suspeição de Toffoli no caso Master

Cunhada desmente o festival de mentiras sobre o resort de Dias Toffoli

Sem saber que estava sendo gravada, cunhada de Toffoli "abre o bico" (veja o vídeo)

Cunhada diz que o marido e pobre e não foi dono do resort

Pedro Augusto Figueiredo, Taba Benedicto e Luiz Vassallo
Estadão

A Maridt Participações, empresa dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli que chegou a ter um terço de participação no resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, tem como sede uma casa de 130 metros quadrados no bairro Jardim Universitário, em Marília, interior de São Paulo.

O local é a residência de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro que aparece como diretor-presidente da empresa. O imóvel tem sinais de deterioração. A pintura da fachada está rachada em alguns pontos e os pisos da garagem e da calçada estão quebrados.

TUDO MENTIRA – O Estadão foi até o endereço, obtido na Junta Comercial de São Paulo, e encontrou Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio. Questionada pela reportagem, ela disse que nunca soube que sua casa foi a sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.

José Eugênio, que é engenheiro eletricista, estava viajando a trabalho, segundo ela. O Estadão o procurou por mensagem, mas ele não respondeu até a publicação desta reportagem. O ministro Dias Toffoli também não se manifestou.

“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos”, disse Cássia. “Eu falei para as minhas irmãs que eu tenho vontade de sumir daqui. As pessoas ficam inventando coisas, que (José Eugênio) é dono do Tayayá”, disse Cássia ao ser questionada sobre a participação do marido na Maridt e da empresa no resort de luxo.

CASO MASTER – Como revelou o Estadão, em 2021, os irmãos Toffoli venderam metade da participação que tinham no resort, de R$ 6,6 milhões, para um fundo do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Dias Toffoli é relator do inquérito do caso Master no STF, que também investiga a Reag Investimentos, gestora dos fundos envolvidos na transação.

Dias Toffoli passou a ser responsável pelo inquérito após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que o caso subisse para o STF.

DIZ A CUNHADA – “Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, acrescentou.

Ao ser questionada se o marido já havia comentado algo sobre o Tayayá Resort, a cunhada de Dias Toffoli respondeu: “Eu não sei e não quero nem saber”.

A casa em que ela atendeu à reportagem foi comprada por R$ 27 mil em 1998 e financiada pela Caixa Econômica Federal. Corrigido pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), comumente usado no mercado imobiliário, o valor atual é de R$ 276 mil.

NÃO TINHA DINHEIRO – “Quando eu financiei essa casa, eu morava com meu pai; a gente não tinha nem como fazer essa casa, não tinha nem dinheiro”, disse Cássia. “Meu marido é engenheiro e ele trabalha com coisas de engenheiro. Ele é engenheiro eletricista. Ele pega projetos.”

A Maridt é uma sociedade anônima, o que significa que seu quadro societário é sigiloso na Junta Comercial. Porém, o e-mail associado ao registro Maridt remete às iniciais de José Eugênio:“jedtoffoli”.

Além disso, documentos da Junta Comercial mostram que ele assina como presidente na venda de parte das cotas que a empresa detinha na Tayayá Administração e Participações e na DGEP Empreendimentos, donas do resort e que também tiveram como sócio Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli.

COMPRA E VENDA – As vendas das participações da companhia na Tayayá Administração e na DGEP se deram, respectivamente, por R$ 2,8 milhões e R$ 698 mil, em fevereiro de 2025, marcando a saída completa da Maridt das empresas do resort. Nas duas operações, a compradora foi a PHB Holding, pertencente ao advogado de Goiás Paulo Humberto Barbosa – que já advogou para a JBS em causas tributárias.

Em 2021, como revelou o Estadão, a Maridt já havia vendido fatias nas duas empresas do resort. Na época, o comprador foi o fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos e que pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

O Arleen Fundo de Investimentos, da Reag, chegou a investir R$ 20 milhões nas duas empresas dos familiares do ministro responsáveis pelo resort de 58 mil metros quadrados, como revelou a Folha de S. Paulo. O jornal mostrou que o Arleen investiu em outros fundos que estão sob suspeita pela Polícia Federal.

ÚNICO DONO– Atualmente, nem o Arleen nem os familiares de Toffoli permaneceram formalmente na sociedade. O fundo, o primo e os irmãos do ministro cederam suas cotas para Paulo Humberto Barbosa, atualmente único sócio das empresas do resort. Mesmo sem participação direta no resort, o ministro Dias Toffoli ainda frequenta o Tayayá.

Além de José Eugênio, José Carlos, outro irmão do ministro, também já apareceu em documentos oficiais como presidente da Maridt. Ele é cônego da Diocese de Marília, mas, desde que a ligação com o Tayayá veio a público, em 2021, ele foi afastado da paróquia pela qual era responsável.

O Estadão também foi até a residência do padre, uma chácara chamada Recanto Quatro, no condomínio Estância Uberlândia. “Até logo, passar bem”, disse pelo interfone após a reportagem se identificar. O local conta com um pequeno campo de futebol, uma rede de vôlei e um deck externo à casa. No caminho para se chegar ao condomínio está a Avenida Luiz Toffoli, batizada com o nome do pai do ministro do STF.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Em tradução simultânea, Toffoly é um corrupto trapalhão, que não sabe esconder suas lavagens de dinheiro. É uma vergonha para o Supremo, para o Brasil e para o PT de Lula, que é da mesma coudelaria, sempre envolvida  com enriquecimento ilícito. Como dizia Tom Jobim, é a lama, é a lama, é lama. (C.N.)

Fundos previdenciários: a engrenagem silenciosa de um risco sistêmico

Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Há notícias que parecem episódicas, mas que na verdade iluminam a raiz de muitos dos problemas que voltam a assombrar o Estado brasileiro. A nova frente de investigação aberta por Ministérios Públicos estaduais sobre aplicações de fundos previdenciários em instituições como o Banco Master é uma delas. Não se trata apenas de um caso isolado de má alocação de recursos, mas de um modelo estruturalmente frágil, politizado e historicamente tolerado.

Os fundos de previdência complementar ligados a estatais — Postalis, Petros, Funcef, Previ e tantos outros — administram bilhões de reais que pertencem, em última instância, a trabalhadores e aposentados. São reservas formadas ao longo de décadas, com a finalidade clara de garantir benefícios futuros. Ainda assim, repetidas vezes, esses recursos foram direcionados para operações de alto risco, ativos ilíquidos ou instituições financeiras que jamais deveriam figurar como porto seguro de poupança previdenciária.

PADRÃO CONHECIDO – A experiência recente mostra que isso não ocorre por acaso. A literatura especializada em governança de fundos de pensão, assim como sucessivos relatórios do Tribunal de Contas da União e da própria CVM, aponta para um padrão conhecido: conselhos fragilizados, dirigentes indicados politicamente, baixa independência técnica e pressões diretas ou indiretas vindas do topo das estatais controladoras. Presidentes de empresas públicas — por sua vez também indicados por critérios políticos — acabam exercendo influência decisiva sobre decisões que deveriam ser estritamente técnicas.

O resultado é perverso. Fundos que deveriam operar com lógica conservadora passam a funcionar como instrumentos de política econômica informal, socorro a empresas amigas ou apostas financeiras mal explicadas. Quando essas apostas dão errado, o prejuízo não some: ele aparece na forma de déficits atuariais bilionários, planos de equacionamento, aumento de contribuições e, em última instância, perda de confiança no sistema.

O caso das aplicações em bancos médios ou problemáticos, como agora se investiga em relação ao Master, expõe outro aspecto preocupante: a frouxidão dos mecanismos de controle preventivo. O Banco Central regula instituições financeiras; a Previc supervisiona fundos de pensão; a CVM olha para o mercado de capitais. Ainda assim, operações vultosas atravessam essas malhas sem questionamento efetivo até que o dano esteja consumado. A fiscalização chega tarde, quase sempre reativa.

INDÍCIOS – Não é por acaso que o Ministério Público entra em cena. Quando promotores de diferentes estados decidem agir de forma articulada, o sinal é claro: há indícios de que o problema não é pontual, mas disseminado. A atuação do MP, aliás, tem sido um dos poucos freios institucionais capazes de romper a inércia política que envolve os fundos previdenciários. Foi assim nos grandes escândalos do passado recente, e tudo indica que volta a ser agora.

O risco maior, contudo, vai além dos números. Cada rombo não coberto no curto prazo alimenta uma bomba de médio e longo alcance. A previdência complementar das estatais é parte relevante do sistema financeiro nacional. Quando esses fundos adoecem, o impacto se espalha: afeta o mercado de capitais, pressiona patrocinadores públicos, gera disputas judiciais intermináveis e corrói a credibilidade do próprio Estado como gestor.

NOVOS “CASOS MASTER” – O debate que se impõe não é ideológico, mas institucional. Enquanto fundos previdenciários continuarem sujeitos a interferências políticas, enquanto seus dirigentes não tiverem autonomia real e responsabilidade pessoal clara, e enquanto a governança for tratada como formalidade burocrática, novos “casos Master” continuarão a surgir — com nomes diferentes, mas consequências semelhantes.

A investigação em curso é necessária e bem-vinda. Mas ela só terá efeito duradouro se servir de ponto de inflexão. Caso contrário, será apenas mais um capítulo de uma história conhecida: prejuízos socializados, responsabilidades diluídas e aposentadorias colocadas em risco por decisões tomadas longe dos holofotes, mas muito perto do poder.

Lula pede que Gleisi dispute o Senado e abre a disputa pela articulação política

Pedido antecipa debate sobre quem sucederá a ministra

Augusto Tenório
Catia Seabra
Mariana Brasil
Folha

Ao pedir que a ministra Gleisi Hoffmann (PT) concorra ao Senado pelo Paraná, o presidente Lula (PT) precipitou o debate sobre quem ficará à frente do comando das Relações Institucionais do governo a partir de abril. Há uma constelação de cotados para assumir a articulação política do Planalto em meio a outras mudanças no palácio e na Esplanada.

Gleisi já deixaria o cargo para concorrer à Câmara dos Deputados, cuja eleição é considerada a via mais certeira para continuar com mandato por, pelo menos, mais quatro anos. Mas, na quarta-feira (14), Lula conversou com a ministra e pediu que concorra ao Senado, segundo fontes palacianas.

ENTUSIASMO – A interlocutores, Gleisi afirmou estar entusiasmada para cumprir o que considera uma missão dada pelo presidente. Nos bastidores, porém, aliados apontam uma certa reticência para assumir a candidatura e recomendam cautela. O PT do Paraná, já ciente do pedido de Lula, não crava posição e aguarda um posicionamento oficial de Gleisi para montar sua chapa majoritária.

Tradicionalmente, ministros que saem do cargo para concorrer nas eleições deixam a pasta sob o comando do seu secretário-executivo. Quem ocupa o posto na SRI (Secretaria de Relações Institucionais) é Marcelo Costa. Diplomata de carreira, ele tem perfil técnico, mas alas do PT entendem que a pasta precisa de um nome político, mesmo durante os meses da eleição.

Nesse sentido, correm pelos corredores do Planalto nomes de lideranças petistas cotadas para assumir o posto de Gleisi. Nesse rol são citados os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Camilo Santana (Educação). Ambos se elegeram senadores em 2022 e, dessa forma, não precisam disputar o pleito deste ano para continuar com mandato.

RISCO – Camilo, porém, tem futuro incerto. Sob risco de derrota no Ceará, o ministro é cotado para disputar o governo estadual. Nesse desenho, o atual governador, Elmano de Freitas (PT), concorreria ao Senado. Nessa dança das cadeiras, o atual líder do governo na Câmara, José Guimarães, não veria sua pré-candidatura a senador prosperar.

O deputado, que já foi considerado para a articulação política do governo, voltou a ser cotado para o ministério palaciano. Segundo aliados, o parlamentar de cinco mandatos tem dito que não tem interesse em permanecer mais quatro anos na Câmara. Assumir as Relações Institucionais, pelo menos até a formação do eventual quarto mandato de Lula, é visto no PT como uma saída para o cearense.

PERFIL DIFERENTE – Nos bastidores, Lula tem dito a aliados que a eleição de 2026 terá um perfil diferente das anteriores. O presidente pretende avaliar com lupa e intervir na nomeação dos ministros que substituirão os titulares que deixarão o cargo em abril.

Na Casa Civil, por outro lado, a nomeação da secretária-executiva Miriam Belchior está encaminhada. O ministro Rui Costa (PT) deixa o cargo para concorrer ao Senado ou ao Governo na Bahia, a depender da performance do atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), nas pesquisas.

Segundo interlocutores, Lula passou a dar atenção especial à eleição para o Senado, em reação à estratégia da base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para conseguir maioria na Casa a partir de 2027. A direita bolsonarista visa conter os poderes do STF (Supremo Tribunal Federal) e impor derrotas a um eventual quarto mandato do petista.

PERMANÊNCIA DE BOULOS –  Um dos poucos ministros de Lula que se manterão no cargo durante a campanha será Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), que assumiu a posição em outubro passado. Deputado federal licenciado pelo PSOL-SP, Boulos poderia se afastar da posição atual para disputar a reeleição enquanto parlamentar, como será o caso de demais ministros. A opção do presidente, no entanto, foi mantê-lo no Planalto durante a campanha.

A permanência no governo até o fim do mandato foi um dos requisitos para que Boulos aceitasse entrar no governo Lula, em substituição a Márcio Macêdo (PT). O psolista assumiu a posição após meses de conversas em torno do comando da pasta, que é responsável pela ponte entre o presidente e movimento populares, assumindo cerca de oito meses antes do começo da campanha eleitoral.

AGENDA – Deixar a posição em abril —época indicada para que os ministros se descompatibilizem— daria pouco tempo para entregas. Uma das principais de sua agenda para o primeiro semestre de 2026, que deve ter relevância no período de pré-campanha antes de começarem as restrições eleitorais, será o Governo do Brasil na Rua, ação que leva serviços dos ministérios aos estados por meio de mutirões.

Em 2024, Boulos disputou a Prefeitura de São Paulo, perdendo para Ricardo Nunes (MDB). Interlocutores passaram a citar seu nome como cotado para a Secretaria-Geral meses depois, no início de 2025. Junto a Boulos, o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Amaro dos Santos, também se manterá no cargo, uma vez que não ocupa uma posição política.

Chega de fofocas! O “resort do Toffoli” nunca pertenceu ao ministro do STF

Amplia desgaste do RESORT TAYAYÁ de Ribeirão Claro: assista - NPDiário

Toffoli ficará espantado ao saber que há um cassino no hotel

Mario Sabino
Metrópoles

Os repórteres Valentina Monteiro e Sam Pancher, colegas de Metrópoles, hospedaram-se no resort Tayayá, no interior do Paraná, que foi vendido “oficialmente” por dois irmãos e um primo do ministro Dias Toffoli a um advogado da J&F, o conglomerado dos irmãos Batista.

Antes disso, os parentes do ministro haviam negociado uma participação no resort construído por eles com um fundo que tinha como investidor o pastor empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

INSINUAÇÕES MALDOSAS – São apenas coincidências no dinâmico mercado dos negócios brasileiros. Porém, apesar dessa teia de aquisições, os repórteres constataram que todo mundo em Ribeirão Claro, município onde fica o Tayayá, conhece o hotel como “o resort do Toffoli”.

Dá para entender essas insinuações. Afinal, o ministro é frequentador assíduo do resort, deu festa de arromba por lá e tem até uma casa exclusiva para ele na parte chique do empreendimento.

A casa, enorme, fica no alto de uma colina com vista para a represa de Xavantes, às margens da qual o Tayayá se espraia. Toffoli também tem um barco que permanece o tempo inteiro à sua disposição.

IGUAL A LULA… – Sigamos firmes nos registros imobiliários, contudo, porque brasileiro é apressado nas conclusões: assim como Lula nunca foi dono do Sítio de Atibaia e dos pedalinhos que havia no laguinho local, Toffoli jamais foi proprietário do resort Tayayá e do barco ancorado na represa de Xavantes.

Como é que o ministro poderia ser dono de um resort, se o seu salário no STF não chega a R$ 50 mil? Só porque o “Zé” (é como os funcionários do empreendimento chamam Toffoli) tem parentes bem-sucedidos, isso não significa que ele seja rico.

O mesmo vale, aliás, para Alexandre de Moraes: não é porque a sua mulher é advogada de sucesso, não menos do que estrondoso, que o mérito é dele, ora bolas. Chega de maliciar.

HOTEL-CASSINO – Valentina Monteiro e Sam Pancher descobriram que o resort Tayayá tem um cassino. Há máquinas de apostas que são legais no Paraná e sessões de jogatina a dinheiro que são ilegais em qualquer lugar do Brasil.

O advogado da J&F, dono oficial do resort, negou qualquer ilegalidade, e Toffoli não se dignou a responder aos questionamentos da reportagem do Metrópoles. Ministros do STF, como se sabe, não têm de dar explicação de nada a ninguém, muito menos a jornalistas.

Imaginei, ainda assim, a surpresa de Toffoli ao ler que há um cassino no resort que não é dele.

“CASABLANCA” – Veio à minha cabeça, então, uma cena famosa do filme “Casablanca”, que nada tem a ver com a história do resort Tayayá. É só o meu inconsciente fazendo associações completamente aleatórias, Freud explica.

A cena é aquela em que, pressionado por nazistas, o chefe de polícia da cidade fecha o Rick’s Café American, dizendo que estava “chocado por saber que há jogos de azar acontecendo aqui” (em inglês, a fala é mais divertida: “I’m shocked, shocked to find out that gambling is going on in here”).

Segundos depois, um crupiê entrega ao chefe de polícia o montante que ele havia ganhado na mesa de roleta, em visita anterior. O chefe de polícia, então, responde: “Ah, muito obrigado”.

Moraes desonrou o Supremo ao atuar ilegalmente contra Bolsonaro

Moraes rejeita embargos infringentes de Bolsonaro

Moraes fingiu que ainda era relator e rejeitou os recursos

Carlos Newton

As autoridades costumam ocultar muitas informações de grande interesse público. Mas essa blindagem raramente funciona, porque quase sempre ocorrem vazamentos, nem todos se dedicam a ocultar a realidade. De uma forma ou de outra, a verdade acaba vindo à tona na imprensa.

Em 2025, durante vários meses a “Tribuna da Internet” noticiou que a condenação de Bolsonaro e de outros réus pela Primeira Turma teria de ser revisada pela Segunda Turma, caso houvesse apresentação de embargos infringentes, um recurso que possibilita absolver réus prejudicados por abuso de poder ou erros judiciários, em qualquer instância.

TUDO CONFIRMADO – Somente agora, já em 2026, está sendo confirmada a procedência das denúncias apresentadas pela “Tribuna”, e a grande imprensa começa a se movimentar. Porém,  não há muito que acrescentar, por enquanto.

Os autos da Ação Penal 2.668, que condenou o ex-presidente Bolsonaro a 27 anos e três meses, serão enfim encaminhados ao presidente da Segunda Turma, que conduzirá o julgamento dos recursos que ainda podem ser apresentados, especialmente o habeas corpus pedindo a anulação das duas últimas decisões ilegais do ministro Alexandre de Moraes e a consequente libertação de Bolsonaro.

Conforme informamos aqui na “Tribuna da Internet”, desde 3 de dezembro Moraes estava impedido de atuar contra Bolsonaro, segundo o Regimento do Supremo.

FALSO RELATOR – Embora não pudesse mais participar da ação penal contra Bolsonaro, mesmo assim o ministro Moraes forçou a barra e se manteve como relator, desonrando o Supremo. Nessa falsa condição, no dia 19 de dezembro ele rejeitou  ilegalmente os embargos infringentes, e depois, em 13 de janeiro, recusou também o agravo regimental apresentado.

Nessas duas decisões (ambas nulas de pleno direito), Moraes agiu monocraticamente e de forma liminar, sem levar os recursos a julgamento da Primeira Turma, como seria de se esperar.

O recesso do Supremo termina dia 3 de fevereiro, quando Edson Fachin reassume a presidência. E a grande expectativa agora é saber quem será o novo relator dos recursos de Bolsonaro na Segunda Turma: Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques ou André Mendonça?

###
P.S.
Conforme já explicamos aqui, a defesa de Bolsonaro precisa aguardar o fim do recesso, para apresentar o pedido de habeas corpus  destinado a anular as duas decisões ilegais de Moraes e também para libertar Bolsonaro, que foi preso preventivamente antes do processo transitar em julgado. Ocorreu exatamente o contrário do caso de Lula da Silva, que em 2019 foi solto justamente porque sua condenação ainda não tinha trânsito em julgado, lembram? Se a defesa de Bolsonaro apresentar recurso durante o recesso, o ministro Gilmar Mendes, que ainda é presidente da Segunda Turma, simplesmente joga na lata do lixo, digamos assim. (C.N.)

Flávio Bolsonaro esbarra em resistência evangélica como herdeiro do bolsonarismo

Donald Trump está preocupadíssimo com as críticas que recebe na GloboNews

Por paralisação no governo, Trump cancela viagem de delegação dos EUA ao Fórum Econômico Mundial | G1

Trump em Davos: ‘Só os EUA podem proteger a Groenlândia’

Vicente Limongi Netto

Um raio de lucidez, nos furiosos ataques e insultos da turma afoita da GloboNews, surgiu, dia desses,   de uma veterana profissional, Leilane Neubarth, ao afirmar: “Trump não nega nem esconde, desde o iniício do segundo mandato, fazendo um ano hoje, o que quer e o que pretende fazer”. 

Realmente, o objetivo principal das ações do polêmico Trump é proteger os interesses do país e dos norte-americanos. Trump sacou faz tempo, “a  América  para os americanos”.

BOM DISCURSO – Trump fez bom discurso em Davos. Defendeu o mandato, o povo norte-americano e, claro, elogiou sua gestão. Trump fala o que o norte-americano deseja e quer ouvir. Simples assim.

Voltava feliz para a Casa Branca quando soube que Valdo Cruz, Otavinho Guedes,  Miriam Leitão,  Fernando Gabeira, Marcelo Lins, Merval Pereira e outros ainda piores, não gostaram do tom triunfalista do discurso dele.  Aí, Trump ficou deprimido. É político sensível, não quer se indispor nem a admiração que tem, de longa data, pelos repórteres da notável GloboNews. 

GPS TOGADO – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, perdeu o sono. Anda preocupado com a imagem da Suprema Corte. Auxiliares mais chegados sugeriram ao diligente ministro a compra de novo e mais moderno GPS para o carro oficial.

É um aparelho genial que fala e orienta o motorista em vários idiomas. Assim ficará mais fácil, explicaram ao ministro, localizar a imagem do STF. Em qualquer lugar do planeta.

Também aconselharam Fachin a comprar imagem para o STF em farmácias qualificadas. Preços camaradas para o judiciário. Mas souberam que a exigente Anvisa proibiu a venda de imagens com tarja preta ou roxa, sem receita médica. Fachin ficou de pedir ajuda ao ministro Dias Toffoli, que resolve tudo, de uma hora para outra.

“Levaram o cassino para dentro de casa”, diz Lula ao criticar bets herdadas do governo Bolsonaro

Relação com Lúcio Funaro aumenta os boatos sobre delação de Vorcaro

Tribuna da Internet | Repercussão do retorno de Funaro movimenta bastidores  do mercado

Lucio Funaro, preso na Lava Jato, procura ajudar Vorcaro

Carlos Newton

Em Brasília, as relações contam. E contam muito. Não apenas as relações formais, que aparecem em contratos e atas, mas também aquelas que se constroem ao longo do tempo, em encontros repetidos, conversas reservadas e círculos de confiança.

No caso que envolve o Banco Master e operações financeiras que passaram a chamar atenção pública, uma dessas relações merece registro jornalístico: a relação entre Daniel Vorcaro e Lúcio Funaro, o famoso doleiro e operador que foi preso na Lava Jato e fez espetacular delação.

DE VOLTA AO MERCADO – Não se trata de especulação. Funaro está de volta ao mercado há mais de um ano, como “consultor financeiro”. Sua relação com Vorcaro existe, as reuniões aconteceram e são conhecidas nos bastidores políticos e empresariais.

Eles já se encontraram diversas vezes, em contextos que variaram de conversas reservadas a reuniões mais amplas, segundo relatos convergentes de pessoas que transitam no mesmo ambiente. Isso não é segredo, nem foi negado por quem conhece os dois.

Funaro é um personagem conhecido do país. Seu nome atravessou diferentes momentos da vida política e econômica brasileira, sempre associado aos bastidores, às articulações e à compreensão de estruturas financeiras complexas. Vorcaro, por sua vez, ocupa posição central em um grupo financeiro que cresceu rapidamente e passou a operar em áreas sensíveis, envolvendo grandes volumes de recursos e ativos de difícil avaliação.

RELAÇÕES PERIGOSAS –  A existência dessa relação, por si só, não configura qualquer irregularidade. Amizades e encontros não são crimes. O jornalismo sério não acusa — apenas informa. E registra fatos em histórias que envolvem cifras elevadas, porque nessas decisões estratégicas e de exposição ao público investidor, as redes de relacionamento fazem parte do contexto que ajuda a compreender o todo.

O ponto relevante não é o simples fato de terem se encontrado, mas a naturalidade com que esses encontros ocorreram e a recorrência com que são mencionados por diferentes interlocutores. No Brasil, raramente grandes operações surgem isoladas.

Elas costumam nascer em ambientes de confiança mútua, onde pessoas se conhecem, se escutam e trocam impressões antes que qualquer coisa ganhe forma concreta.

INFORMAÇÃO RELEVANTE – Nada se afirma aqui sobre o conteúdo dessas conversas. Não se diz que houve negociação, influência indevida ou participação em decisões específicas. O que se afirma — e isso é um dado objetivo — é que há uma relação, há proximidade e houve encontros. E isso, goste-se ou não, é informação relevante em qualquer apuração que se pretenda completa.

O jornalismo não pode tratar relações pessoais como se fossem invisíveis, nem pode transformá-las automaticamente em acusações. Entre um extremo e outro existe o registro responsável dos fatos. E o fato é que Lúcio Funaro e Daniel Vorcaro mantêm relação conhecida no meio, inserida em um contexto maior que ainda está sendo examinado.

Em histórias assim, o silêncio não esclarece — apenas esconde. Registrar o que é conhecido não significa condenar ninguém. Significa apenas cumprir a função básica da imprensa: mostrar o cenário inteiro, para que o leitor tire suas próprias conclusões. E o principal assunto em Brasília é a possibilidade de delação de Daniel Vorcaro, que pode estremecer o país.

Procuradoria não reage e Dias Toffoli tem certeza de que ficará impune

Parlamentares pedem suspeição de Toffoli por elo de irmãos com cunhado de Vorcaro

Toffoli acumula irregulares sem que possa sofrer punição

Rafael Moraes Moura
O Globo

Apesar da insatisfação no Supremo Tribunal Federal (STF) e na própria Procuradoria-Geral da República (PGR) com a condução de Dias Toffoli no caso Banco Master, a PGR não deve pedir o afastamento do ministro das investigações envolvendo uma fraude bilionária no banco do executivo Daniel Vorcaro.

Segundo fontes a par das investigações, tentar afastar Toffoli do caso Banco Master não é um bom movimento em termos estratégicos, já que poderia abrir brecha para eventuais pedidos de nulidade das provas colhidas depois que o caso subiu para o STF.

DECLARAR GUERRA – Além disso, qualquer ofensiva nesse sentido, capitaneada pela PGR, poderia ser interpretada como uma declaração de guerra ao STF, em um momento em que o próprio Toffoli já está em guerra com a Polícia Federal e o tribunal, na mira da opinião pública também em razão da atuação de Alexandre de Moraes nos bastidores a favor do Master, conforme revelou o blog.

Na última segunda-feira (19), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi acionado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que pediu que fosse apurada a conduta de Toffoli na relatoria do caso.

Girão também solicitou uma “análise técnica independente sobre possíveis conflitos de interesse e impedimentos” que deveriam afastar o ministro das investigações, por conta das conexões de seus familiares com Vorcaro. O pedido do parlamentar, no entanto, deve ser negado.

CABO DE GUERRA – Embora reconheçam reservadamente o constrangimento por conta das revelações sobre Toffoli e o Master — como a viagem de jatinho para o Peru com o advogado de um do investigados no mesmo dia em que decretou sigilo sobre o caso, e O fato de um cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel, ser dono de fundos de investimento que compraram parte do resort da família do ministro no Paraná —, integrantes da PGR afirmam que, como nenhum desses fatos consta do processo, não haveria razões técnicas para pedir o impedimento.

Um outro complicador é que uma eventual investigação contra Toffoli, nos termos solicitados por Girão, ficaria sob a responsabilidade do próprio Supremo – ou seja, caberia aos pares do ministro avaliar qualquer acusação formal contra ele.

Recentemente, a própria PGR já se manifestou defendendo a manutenção das investigações com Toffoli, pelo menos neste momento, “por cautela”.

JUSTIFICATIVA – Em parecer de 17 de dezembro, Gonet concordou com a tese da defesa de Vorcaro de manter as investigações no STF, em função de um contrato imobiliário apreendido pelos investigadores que menciona o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Esse contrato foi usado pela defesa de Vorcaro para tirar o caso da Justiça Federal de Brasília e levá-lo para o STF.

“Uma vez que o documento se refere a agente político com foro especial, justifica-se, por cautela, que o Supremo Tribunal Federal entenda oportuno seguir desenvolvendo as atividades investigativas, até, pelo menos, que, eventualmente, fique afastada a repercussão da investigação sobre detentor de foro privilegiado”, observou Gonet.

Na avaliação de Girão, um dos parlamentares mais críticos ao STF, Toffoli cometeu uma série de irregularidades na relatoria das investigações do Master, como a decisão em que determinou que todo o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero fosse remetido diretamente para o seu gabinete, ao invés de ser submetido para perícia técnica da Polícia Federal, escancarando a queda de braço entre o ministro e a corporação, a quem ele acusou de “inércia”.

FORA DA LEI – “Esta medida, de caráter absolutamente excepcional, rompe com procedimentos consolidados no direito processual penal brasileiro. Mais grave ainda: ocorre justamente em investigações relacionadas ao Banco Master, caso no qual o próprio Ministro Toffoli avocou para si (também de maneira excepcional) as investigações e decretou inexplicável sigilo sobre elementos cruciais que permeiam a temática”, afirmou Girão.

“A situação é grave e demonstra que não se trata de preocupação isolada, mas de questionamento institucional legítimo sobre a conduta de membro da mais alta Corte do país.”

Também consta do pedido do senador a sociedade no resort. Girão aponta que “familiares próximos do ministro Toffoli e pessoas de seu círculo íntimo mantêm relações comerciais com possíveis envolvidos no escândalo do Banco Master”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A sociedade civil tenta reagir a essa insegurança jurídica, mas a blindagem corporativa do Supremo mostra ser impenetrável e imune a qualquer tipo de controle, porque o Senado e conivente e não abre processo de impeachment. Se os poderes da República funcionassem e cumprissem a lei, o Brasil seria um país muito melhor. (C.N.)

Resort da família Toffoli opera um cassino com caça-níqueis e carteado

Irmãos de Toffoli se tornam sócios de resort no Paraná | Brasil | Pleno.News

Hotel-cassino de Toffoli tem estrutura de primeiro mundo

Valentina Moreira e Samuel Pancher
Metrópoles

O Resort Tayayá, erguido em Ribeirão Claro (PR) pela família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriga um cassino ilegal. O estabelecimento está no centro de um escândalo que lançou desconfiança sobre a atuação de Toffoli no caso do Banco Master.

O cassino tem entre seus atrativos máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de carteado. No local, é possível jogar blackjack, modalidade de aposta com cartas proibida no Brasil. Todos os jogos são valendo dinheiro.

RESORT DO TOFFOLI – Em Ribeirão Claro, o local é conhecido como o “resort do Toffoli”. A coluna se hospedou no hotel nesta semana e, embora o nome do ministro não conste em documentos oficiais, funcionários tratam Dias Toffoli como o proprietário.

No fim do ano passado, Toffoli fechou o resort para uma festa destinada a familiares e convidados. Na ocasião, o estabelecimento já havia sido vendido por dois irmãos e um primo do ministro a um advogado da J&F, a gigante frigorífica de Joesley e Wesley Batista.

Antes disso, ações do hotel foram adquiridas por um fundo que tinha como investidor o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Toffoli é o relator, no STF, de investigação envolvendo o banco. Também já atuou em processos da J&F.

FESTA DE ARROMBA – Funcionários do hotel disseram à coluna que o evento de Toffoli, no fim de 2025, mobilizou toda a equipe do resort. O festejo contou com a presença de artistas e do ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário, o Fenômeno.

Um funcionário publicou foto de Ronaldo no local, mas a apagou posteriormente. Na festa promovida por Toffoli, Ronaldo teria inaugurado a área de jogatina. Ele é jogador profissional de pôquer, modalidade legalizada no Brasil.

O cassino dispõe de 14 máquinas de vídeo loteria. Na prática, as apostas funcionam como caça-níqueis, mas são regulamentadas pelo governo do Paraná. O ambiente tem iluminação artificial, carpetes e luzes de neon, reproduzindo a estética de casas de apostas no exterior.

JOGO PROIBIDO – O Metrópoles esteve no local sem se identificar. Os repórteres foram convidados a participar, após o horário oficial de fechamento, às 23h, de outros tipos de jogos, como blackjack. Nessa modalidade, o jogador disputa contra o “dealer” para que a soma dos pontos das cartas se aproxime de 21. Esse tipo de jogatina, valendo dinheiro, não é legal no Brasil.

O cassino funciona sem controle de entrada. A reportagem flagrou crianças nas máquinas caça-níqueis em duas ocasiões. Elas estavam entre adultos que consumiam bebidas alcoólicas.

Jogos de azar presenciais são proibidos no Brasil. Em 2020, contudo, uma decisão do Supremo (na ADPF nº 492) permitiu que os estados explorassem as chamadas “vídeo loterias” (equivalente a caça-níquel). Este é o nome técnico das maquininhas disponibilizadas no Resort Tayayá.

DIZ O SUPREMO – Sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes, o STF entendeu que não há exclusividade da União para a exploração dessas atividades. O ministro Dias Toffoli acompanhou o voto do relator.

Apesar da legalização das vídeo loterias, a prática de jogos de azar, como partidas com a presença de dealers e jogos de cartas com apostas em dinheiro, não é autorizada pela legislação nacional, permanecendo ilegal à luz das normas atuais.

Dias Toffoli vai com frequência ao Resort Tayayá. O ministro dispõe de uma casa em uma área denominada Ecoview, destinada a hóspedes de alto padrão. Ele tem também à sua disposição uma embarcação, que fica atracada no píer do resort.

IRMÃO DO MINISTRO – Outra residência dentro do hotel é utilizada por José Carlos Dias Toffoli, irmão do ministro. José Carlos e outro irmão do ministro, José Eugênio, foram sócios de uma incorporadora avaliada atualmente em R$ 30 milhões. Essa incorporadora foi responsável pela construção dos apartamentos do resort. Antes dos negócios milionários no ramo hoteleiro, José Carlos era padre.

Colegas de Toffoli no Supremo já se hospedaram no Tayayá. Funcionários citam, por exemplo, a ministra Cármen Lúcia. O resort fica às margens da represa de Xavantes, próximo à divisa do Paraná com o estado de São Paulo.

As diárias chegam a R$ 2 mil nos apartamentos mais simples. O lugar chama a atenção pela arquitetura rústica — estilo que, segundo funcionários, agrada ao “Zé”, como o ministro é chamado.

ALTO LUXO – A estrutura de lazer inclui seis piscinas, sendo três aquecidas, quadras de tênis e de beach tennis, além de atividades recreativas para crianças.

O acesso ao resort exige logística. Para chegar por via aérea, o hóspede precisa de um voo fretado até a cidade de Ourinhos (SP), seguido de um voo de helicóptero.

Procurado, o advogado Paulo Humberto negou que o resort ofereça jogos ilegais. “Em relação à jogatina, os jogos existentes no Tayayá são autorizados pela loteria do estado. Quanto aos jogos de cartas, as mesas disponíveis são para diversão dos próprios hóspedes, que jogam de truco a pôquer. Não há interferência nem incentivo à jogatina”, afirmou. O ministro Dias Toffoli não respondeu aos questionamentos da reportagem.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sensacional a reportagem do Metrópoles. Mostra que Toffoli é igual a Lula – tem uma luxuosa casa de campo, onde se hospeda quando quer, mas diz que não lhe pertencia. Lula e Toffoli, tudo a ver. (C.N.)

Banco Central decreta liquidação do Will Bank, banco digital do grupo Master

O encanto da favela, na visão de Nelson Sargento, um dos mitos da Mangueira

Nelson Sargento / FathiPaulo Peres
Poemas & Canções

O artista plástico, escritor, cantor e compositor carioca Nelson Mattos (1924/2021) foi sargento do Exército, daí o apelido que virou nome artístico. Na letra de “Encanto da Paisagem”, mostra a sua visão poética e social sobre a realidade existente nos morros. Este samba intitula o LP “Encanto da Paisagem” gravado por Nelson Sargento, em 1986,  pela Kuarup.

ENCANTO DA PAISAGEM

Nelson Sargento

Morro,
És o encanto da paisagem
Suntuoso personagem
De rudimentar beleza
Morro,
Progresso lento e primário
És imponente no cenário
Inspiração da natureza

Na topografia da cidade
Com toda simplicidade,
És chamado de elevação
Vielas, becos e buracos
Choupanas, tendinhas, barracos
Sem discriminação

Morro,
Pés descalços na ladeira
Lata d´água na cabeça
Vida rude alvissareira
Crianças sem futuro e sem escola
Se não der sorte na bola
Vai sofrer a vida inteira

Morro,
O teu samba foi minado
Ficou tão sofisticado,
Já não é tradicional
Morro,
És lindo quando o sol desponta
E as mazelas vão por conta
do desajuste social