Dias Toffoli e o risco de contaminação institucional no caso Master

Charge do Sponholz (Arquivo Google)

Vera Magalhães
O Globo

Desde que assumiu o caso, Toffoli tomou uma série de decisões no mínimo controversas para centralizar as investigações no STF: suspendeu apurações em curso na primeira instância, impôs sigilos amplos, questionados por investigadores, e restringiu o acesso do Ministério Público a elementos relevantes. Também determinou limites estritos à coleta de depoimentos.

Isoladamente, essas decisões podem ser enquadradas no guarda-chuva de um princípio famoso e sempre moldável ao gosto do freguês: o garantismo penal. Em conjunto, porém, produziram falta de transparência e, por vezes, constrangimento a quem agiu para investigar e conter os gravíssimos indícios de que foram praticados desvios em série nas transações do Master.

RESORT – Tal histórico ganhou gravidade com as sucessivas revelações sobre o resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). Reportagens mostraram que o empreendimento teve como acionistas irmãos e um primo de Toffoli e que foi vendido a um fundo de investimento ligado ao Master, controlado por Daniel Vorcaro. Os familiares do ministro negam participação no negócio. A cunhada Cássia Pires Toffoli, em cujo endereço está registrada a empresa que chegou a ser dona de um terço do empreendimento, negou qualquer ligação da família com a venda do Tayayá.

Quando o relator mantém vínculos diretos ou indiretos relevantes com partes de um processo, a dúvida sobre sua isenção deixa de ser periférica e passa a contaminar o caso. No Supremo, onde não existe instância revisora, a exigência de imparcialidade deve ser ainda mais rigorosa. A legitimidade da Corte não depende apenas da convicção subjetiva de seus ministros, mas da confiança pública de que não julgam casos em que tenham interesses diretos ou colaterais.

Há saídas jurídicas claras. A mais imediata seria a redistribuição da relatoria a outro ministro, solução já adotada em diversas situações análogas. Outra alternativa que vem sendo estudada seria o próprio Toffoli remeter de volta o caso à primeira instância, sobretudo diante da ausência de prerrogativa de foro que justifique sua permanência no STF e do próprio entendimento recente da Corte.

SEM SUSTENTAÇÃO – O que não se sustenta é a manutenção do status atual, reforçando a percepção de que o Supremo reluta em agir quando o problema envolve um de seus integrantes. Lembrando que o caso também resvalou em Alexandre de Moraes, cuja mulher detém um contrato com o Master.

Nesse cenário, chama a atenção a postura da Procuradoria-Geral da República. Apesar dos indícios cumulativos de conflitos de interesse e decisões controversas, Paulo Gonet tem sido condescendente e reiteradamente dado o sinal de que está tudo certo. A leniência contrasta com a assertividade demonstrada pelo órgão sob Gonet noutros episódios sensíveis, alguns envolvendo o próprio STF e seus ministros. Pesos e medidas diferentes contribuem para a sensação de que os mecanismos de controle institucional falham quando atingem o topo do sistema.

Afastar Toffoli da relatoria do caso Master não é punição nem juízo antecipado de culpa. É medida de prudência. Ao permitir que o ministro permaneça no comando do processo, o STF aceita que a suspeição se projete sobre suas decisões. E, nesse ponto, o dano já deixou de ser individual. É coletivo.

Defesa de Zambelli reage a negativas da Justiça italiana e pede troca de magistrados

Direita está dividida, mas ainda é cedo para considerar Lula reeleito

Tribuna da Internet | Tendência da política é caminhar para centro-direita em 2026

Charge do Zé Dassilva (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

Temos cerca de dois meses e meio para entender o que a direita nacional levará para a campanha presidencial contra a reeleição de Lula. As pesquisas mostram que a soma dos diversos candidatos da direita é maior que os votos prometidos a Lula, sugerindo que, se houvesse um candidato único desse espectro político, a disputa seria acirrada.

Só que não. Quando se vai para o segundo turno, Lula hoje venceria qualquer deles. Está garantida a vitória? Nada disso.

A rejeição a Lula continua alta, mas a de Flávio Bolsonaro é de igual magnitude. Teremos então, como em 2022, uma disputa entre rejeitados? Só se Flávio mantiver sua candidatura até 4 de abril.

TARCÍSIO É OPÇÃO – Ainda há pesquisas pela frente. Se nelas o candidato oficial do bolsonarismo não conseguir se manter estável, é provável que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, volte a surgir como candidato possível.

O que é preciso saber é se a teimosia do ex-presidente Bolsonaro o impedirá de mudar de ideia, mesmo com uma derrota provável prevista pelas pesquisas. Perder com Flávio seria melhor que vencer com Tarcísio, como ele parece pensar agora, ou a vontade de ser libertado falará mais alto?

Com Lula reeleito, não haverá indulto, ou graça, ou outra medida qualquer que o beneficie. Com Tarcísio, mesmo com toda a desconfiança, é provável que saia alguma coisa, embora a liderança da direita no Brasil passe de mãos.

EM DECLÍNIO – Com a possibilidade de Tarcísio ficar oito anos à frente do governo, dificilmente os Bolsonaros terão papel relevante no jogo político. Prosseguindo candidato, Flávio poderá unir a centro-direita num segundo turno contra Lula?

Primeiro, tem de chegar ao segundo turno, o que pode ser dificultado por uma candidatura do PSD como a do governador Ratinho Junior, do Paraná. Se o candidato for Tarcísio, a direita estará unida desde o primeiro turno. Se for Flávio, estará dividida. A divisão dos dois ajudará Lula, mas dificilmente o presidente atual venceria no primeiro turno.

Qualquer dos dois que chegue ao segundo turno unirá a direita, mas um sobrenome desses não levará o apoio do centro. Podem aumentar os votos nulos e em branco, mas pode ocorrer novamente o mesmo que na eleição mais recente: os votos do centro elegerão Lula, ainda que com pequena vantagem. Talvez a vantagem se amplie, depois do que aconteceu no governo Bolsonaro.

HAVERÁ MUDANÇAS – As placas tectônicas da política estão se movimentando, alguns dos governadores que se lançaram candidato não se apresentarão. Ronaldo Caiado, de Goiás, deverá disputar o Senado; Romeu Zema deverá ser candidato a vice de Ratinho, enquanto o Centrão tenta emplacar a vice de Flávio Bolsonaro.

Para garantir um Bolsonaro na chapa, Tarcísio se aproxima da ex-primeira-dama Michelle, que aparentemente tem mais votos que Flávio. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, não disputará contra Tarcísio nem Ratinho, que é de seu partido.

A esquerda, aparentemente hegemônica na eleição presidencial, tem dificuldades para montar seus palanques nos principais estados. Tirando o Rio, onde apoiará o prefeito Eduardo Paes, o PT não tem candidaturas fortes em São Paulo ou em Minas — são os três estados que costumam indicar a vitória presidencial. Especialmente em Minas. Nunca nos tempos recentes foi eleito um presidente que perdeu lá.

DESESPERO DO PT – A invenção de uma candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet, para o governo de São Paulo não passa de desespero político do PT, num estado em que o atual governador é candidato favorito à reeleição e pode ainda ser o candidato da direita à Presidência.

Em Minas, Zema é a maior força política, e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco não parece ter fôlego político suficiente para alavancar Lula.

As peças começam a ser movidas no tabuleiro. A partir de 4 de abril começa o jogo para valer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Belíssima análise de Merval Pereira, que aborda as diversas hipóteses de candidaturas. Se Flávio Bolsonaro insistir na pretensão, as chances de Lula ser reeleito aumentam bastante. (C.N.)

STF não aceita críticas e usa “defesa da democracia” para ficar intocável

O festival de absurdos que assola o Supremo - 18/01/2026 - Lygia Maria -  Folha

Os ministros jovens são os mais gananciosos e ambiciosos

Roseann Kennedy
Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, quebrou o silêncio sobre as críticas à condução do ministro Dias Toffoli na relatoria do caso Master. Mas surpreendeu até o ambiente jurídico e acadêmico com o tom adotado.

A despeito de uma série de episódios que põem em suspeição o trabalho de Toffoli, o chefe do Judiciário considerou a atuação do magistrado regular. Até aí, o texto segue um script institucional. Estranho seria se Fachin ratificasse, numa nota pública, críticas aos pares.

DISCURSO FÁCIL – Mas o ministro vai além e cede à tentação de adotar o discurso fácil de que atacar o Supremo é ameaçar a democracia.

“Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito”, disse.

A retórica adotada por Fachin foi válida no passado recente e necessária para enfrentar os golpistas que defenderam a destituição da Corte. Foi usada à exaustão pelo seu ex-presidente Luís Roberto Barroso, todas as vezes que atos no STF eram alvo da censura pública. No entanto, esse discurso não tem nenhuma relação com o caso atual.

COBRANÇAS VÁLIDAS – O Supremo não está sob ataque ou ameaça. Apenas enfrenta cobranças para que cumpra os deveres de transparência e correição de seus membros, da mesma forma que exige de seus jurisdicionados.

Toffoli viajou de jatinho particular com um advogado do banco de Daniel Vorcaro; seus familiares fizeram transações comerciais com um fundo ligado à Reag, gestora investigada por suas relações com o Master e numa operação sobre o PCC, dentre outras revelações que surgem a cada dia.

Fazer uma apreciação ética desses fatos é o que ajudaria o Supremo a manter sua integridade e a legitimidade democrática.

Então, embora Edson Fachin também diga que “a crítica é legítima e mesmo necessária”, o que vemos é o Supremo apelando ao discurso de defesa da democracia como escudo para manter seus supremos integrantes intocáveis.

GANHAR TEMPO – O estrago que Dias Toffoli está causando à Suprema Corte causa incômodo entre outros magistrados. Mas Fachin tenta ganhar tempo para que medidas sejam tomadas – como a votação do código de conduta ou a eventual transferência do caso à 1ª instância – sem significar resposta imediata às pressões externas.

Tão logo Fachin publicou a nota, um ministro me falou: “O Supremo Tribunal Federal não pode desunir-se”.

Porém, enquanto busca-se acalmar ânimos na própria Corte e uma saída honrosa para Toffoli no caso Master, a crise reputacional do Supremo aumenta cada vez mais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Trata-se de pessoas de idade e muita vivência. Os integrantes mais jovens do STF são Moraes (57 anos) e Toffoli (58 anos). Não podem acreditar (?) que desmandos e ilegalidades devam ficar impunes. Como dizia e diz a ministra Eliana Calmon, primeira mulher a integrar o Conselho Nacional de Justiça, “há bandidos de toga”. E isso não pode ser tolerado. Quem não serve tem de sofrer impeachment, na forma da lei. Apenas isso. (C.N.)

MBL fará protesto no carnaval, com desfile do “Bloco do Banco Master”

PROTESTO | O Movimento Brasil Livre (MBL) realizou nesta quinta-feira, 22, uma manifestação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso que envolve o Banco Master. O

Protesto inicial foi realizado nesta quinta, diante do Master

Caio Junqueira
CNN

O MBL (Movimento Brasil Livre) prepara um novo protesto em frente à sede do Banco Master na próxima sexta-feira (30), em São Paulo, e estuda levar às ruas do Carnaval paulistano um “Bloco do Banco Master”.

A decisão ocorreu após o primeiro ato, realizado na noite de quinta-feira (22), que reuniu cerca de 2 mil participantes, segundo o coordenador do grupo, Renan Santos.

VOLTA ÀS RUAS – O dirigente avaliou que a mobilização teve resultado positivo e marcou a volta do movimento às convocações de rua desde 2021.

Ele descreveu o público como heterogêneo e majoritariamente jovem, afirmando que o formato do protesto se diferencia das manifestações de direita que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

Segundo Renan Santos, o modelo inaugurado em 2014 pelos protestos de verde e amarelo se esgotou e foi “roubado pelo bolsonarismo”, enquanto atos organizados pela esquerda também não dialogariam com o momento atual.

INDIGNAÇÃO GERAL – O coordenador afirmou que a manifestação desta quinta-feira reuniu pessoas de diferentes espectros políticos — direita, esquerda e centro — mobilizadas pela indignação relacionada ao escândalo envolvendo o banco.

Ele ressaltou que o ato ocorreu sem liderança formal, sem trio elétrico e sem identidade visual específica, e que a nova convocação segue a lógica de protestos espontâneos de 2013.

Com a proximidade do Carnaval, o MBL também trabalha na criação de um “Bloco do Banco Master”, que deve desfilar na avenida Faria Lima e em outros pontos simbólicos da capital paulista, caso a ideia avance.

Um sonho de boa música, com João Nogueira e Nei Lopes, na tradicional gafieira Elite

Aos 83 anos, Nei Lopes continua atuante

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, escritor, cantor e compositor carioca Nei Brás Lopes e seu parceiro João Nogueira (1941/2000) sonharam ter ido a um “Baile no Elite”, tradicional gafieira da Cidade do Rio de Janeiro, onde se apresentava a Orquestra Tabajara. O samba foi gravado por João Nogueira no LP Vida Boêmia, pela Odeon, em 1978.

BAILE NO ELITE

João Nogueira e Nei Lopes

Fui a um baile no Elite, atendendo a um convite
Do Manoel Garçon (Meu Deus do Céu, que baile bom!)
Que coisa bacana, já do Campo de Santana
Ouvir o velho e bom som: trombone, sax e pistom.
O traje era esporte que o calor estava forte
Mas eu fui de jaquetão, pra causar boa impressão
Naquele tempo era o requinte o linho S-120
E eu não gostava de blusão (É uma questão de opinião!)

Passei pela portaria, subi a velha escadaria
E penetrei no salão. Quase morri do coração
Quando dei de cara com a Orquestra Tabajara
E o popular Jamelão, cantando só samba-canção.
Norato e Norega, Macaxeira e Zé Bodega
Nas palhetas e metais (E tinha outros muitos mais)
No clarinete o Severino solava um choro tão divino
Desses que já não tem mais (E ele era ainda bem rapaz!)

Refeito dessa surpresa, me aboletei na mesa
Que eu tinha reservado (Até paguei adiantado)
Manoel, que é dos nossos, trouxe um pires de tremoços
Uma cerveja e um traçado (Pra eu não pegar um resfriado)

Tomei minha Brahma, levantei, tirei a dama
E iniciei meu bailado (No puladinho e no cruzado)
Até Trajano e Mário Jorge que são caras que não fogem
Foram se embora humilhados (Eu estava mesmo endiabrado!)

Quando o astro-rei já raiava e a Tabajara caprichava
Seus acordes finais (Para tristeza dos casais)
Toquei a pequena, feito artista de cinema
Em cenas sentimentais (à luz de um abajur lilás).
Num quarto sem forro, perto do pronto-socorro
Uma sirene me acordou (em estado desesperador)
Me levantei, lavei o rosto, quase morto de desgosto
Pois foi um sonho e se acabou
(O papo é pop e o hip-hop
A Tabajara é muito cara
e o velho tempo já passou!) 

 

Sem plano B, PT aceita sacrificar Haddad para segurar São Paulo e salvar Lula

Negócio nada religioso entre padre e pastor expõe tentáculos do Master

Charge 24/01/2026

Charge de Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde
Estadão

A confusa relação do padre José Carlos Toffoli, agora cônego, com o pastor Fabiano Zettel, empresário, não é exatamente ecumênica, após o padre e seu irmão venderem para o pastor metade da participação de ambos, que totalizava R$ 6,6 milhões, num resort de superluxo. É tudo estranho, intrigante, mas confirma o principal: o poder de alcance de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Como num filme de ficção, Vorcaro, empresário e “banqueiro liquidado”, vai tomando a forma de um imenso polvo, com tentáculos por todas as instâncias de poder, seja público ou privado, ateu ou religioso, deixando um rastro de biografias arrasadas, tornozeleiras vergonhosas, instituições arranhadas e dúvidas sobre personagens que deveriam se comportar acima de qualquer suspeita.

FRASE SIMBÓLICA – O pastor Zettel é cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Já o “padre Carlão” é irmão do ministro do STF Dias Toffoli e do engenheiro Eugênio Toffoli, seu sócio, oficialmente, em resorts de superluxo que não condizem em nada com o desapego de padres e cônegos nem com a residência de classe média do engenheiro.

Talvez por isso, a frase mais simbólica da confusão e da estranheza venha da própria mulher e Eugênio, Cássia, para o Estadão: “Sócio de resort? Olha a minha casa!”. Uma casa com rachaduras no piso e mofo nas paredes logo na entrada, mas usada como endereço da empresa bilionária dos dois irmãos, que tiveram participação não apenas em um, mas em dois resorts espetaculares.

SINAIS DE POBREZA – Em geral, PF, Coaf e MP seguem “sinais exteriores de riqueza” para investigar alvos de alguma mutreta. Neste caso, dá-se o oposto: o irmão padre e o irmão engenheiro têm de explicar seus sinais exteriores de pobreza – pelo menos para quem teria grana suficiente para ser dono dos tais resorts.

Assim, fica parecendo, para nós, meros mortais, que o verdadeiro dono da empresa e dos hotéis é outro. E quem fica na linha de frente da investigação? O irmão poderoso, das altas rodas de Brasília, ministro Dias Toffoli, que, ora vejam, viaja para a mesma área e justamente quando policiais são enviados para fazer a segurança de “ministro do STF” por lá.

Além de Toffoli, que assumiu a relatoria justamente do caso Master, o maior escândalo financeiro do País, e saiu dificultando as investigações, o Supremo fica numa situação constrangedora também pelas relações familiares do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro. Um contrato de advocacia de R$ 130 milhões não é pouca coisa…

NO CONGRESSO – Os tentáculos do polvo Vorcaro chegam ao Congresso, onde o deputado Hugo Motta, atual presidente da Câmara, apresentou uma emenda fantástica, obrigando que seguradoras e empresas de previdência privada invistam algo em torno de R$ 9 bilhões em créditos de carbono. O que uma coisa tem a ver com a outra, ninguém sabe. Mas… o empresário Henrique Vorcaro, pai do polvo, mergulhou nesse negócio. Algo a ver?

No TCU, causa estranheza a insistência como o ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado do Centrão, quis inverter o jogo – e as investigações. Seu alvo não era o Master, era o BC. Será que ele pretendia anular a liquidação do banco de Vorcaro? É o que dez entre dez investigadores imaginam.

Em outra dessas “coincidências” da vida, a campanha de “influencers” que receberam fortunas para proteger o Master e acusar o BC vai na mesma linha e no mesmo tom, foco e tempo dos movimentos do ministro Jesus, que também não parecem tão religiosos.

Eleição de 2026 está entre a brecha política e o ruído institucional

Charge do Cláudio (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A direita brasileira vive um daqueles momentos em que o excesso de movimentos não produz avanço, mas barulho. A reportagem de Camila Turtelli, publicada em O Globo, ajuda a organizar esse quadro ao mostrar como divergências internas — longe de serem episódicas — começam a moldar o tabuleiro de 2026.

O embate ainda difuso entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas abriu uma fresta que Gilberto Kassab e Ratinho Júnior tentam transformar em avenida. O problema é que, no Brasil real, avenidas nacionais quase sempre esbarram em vielas regionais.

ALIANÇAS – Kassab é experiente demais para confundir vácuo com consenso. Ao estimular o projeto presidencial de Ratinho Jr., ele aposta menos em uma ruptura explícita da direita e mais na constatação de que o bolsonarismo, pela primeira vez desde 2018, não apresenta um eixo organizador claro. Flávio Bolsonaro carrega o sobrenome, mas ainda não demonstrou capacidade de ampliar alianças. Tarcísio, mais competitivo nas pesquisas e com trânsito institucional, segue ambíguo — flerta com o Planalto enquanto reafirma a prioridade na reeleição paulista. Esse compasso de espera cria, sim, uma brecha.

Mas a política raramente se resolve apenas no plano das intenções. O PSD de Kassab é um partido nacionalizado à força de acordos locais. Prefeitos, governadores e bancadas estaduais operam com lógica própria, muitas vezes incompatível com uma candidatura presidencial de oposição. No Rio, na Bahia, no Nordeste em geral, o partido está ancorado em alianças com o governo Lula. Romper esses arranjos teria custo alto — e Kassab não costuma apostar onde o risco supera o retorno.

CONSENSO – Enquanto isso, do lado do bolsonarismo, a falta de unidade vai além da disputa de nomes. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, já disse com todas as letras que o apoio a Flávio Bolsonaro não é consenso na direita. Defende Tarcísio e critica Eduardo Bolsonaro, apontado como fator de ruído e radicalização excessiva. Rogério Marinho, escalado para organizar a campanha de Flávio, tenta profissionalizar o discurso, mas enfrenta a dificuldade clássica de conciliar identidade ideológica com viabilidade eleitoral.

Esse cenário fragmentado se agrava quando o debate político se mistura a uma sucessão de escândalos institucionais. O caso envolvendo o RioPrevidência e os investimentos de quase R$ 1 bilhão no Banco Master — hoje sob investigação da Polícia Federal e do Tribunal de Contas do Estado — é mais um episódio a reforçar a sensação de descontrole. Relatórios técnicos apontam coincidências difíceis de ignorar entre a contratação de dirigentes e o início de aplicações em papéis de baixa liquidez, colocando em risco o pagamento de aposentadorias e pensões de centenas de milhares de servidores.

Não se trata apenas de mais um caso de má gestão ou suspeita de corrupção. O episódio ajuda a explicar por que a opinião pública permanece intranquila e cética. Como já observaram analistas do próprio TCU e estudiosos do sistema previdenciário, fundos públicos são, historicamente, alvos preferenciais de aventuras financeiras travestidas de inovação. Quando isso ocorre em um ambiente político fragmentado, a crise deixa de ser apenas administrativa e se torna também simbólica.

“VAMOS VER” – A direita aposta que, no “vamos ver”, tudo se acomodará. Que divergências se dissolverão diante da necessidade de enfrentar Lula. Pode ser. A política brasileira é pródiga em reagrupamentos de última hora. Mas o momento atual sugere algo diferente: menos capacidade de coordenação, mais conflitos expostos e uma dificuldade crescente de oferecer ao eleitor uma narrativa clara de ordem, competência e futuro.

Entre a brecha aberta pela indefinição presidencial e o peso dos acordos regionais, a oposição parece presa a um paradoxo. Tem espaço para avançar, mas ainda não tem chão firme onde pisar. E, enquanto isso, o país segue assistindo — perplexo — a um vendaval político que mistura ambição, fragmentação e crises que insistem em se repetir.

O mundo segundo Donald Trump: ameaças, pressões e instabilidade

Chapa mais forte para enfrentar Lula seria Tarcísio com Michelle (de vice)

Pesquisa Quaest: Tarcísio e Michelle lideram para substituir Bolsonaro

Uma chapa na medida para impedir a reeleição de Lula

José Perez

Os membros da “famiglia” Bolsonaro preferem perder representados por Flávio, ao invés de vencer sendo liderados por Tarcísio de Freitas. Mas e o Brasil? Ora, o país que se dane! Lula também fez isso em 2018, quando poderia ter apoiado Ciro Gomes, livrando o Brasil de Bolsonaro. Porém, ao invés disso, mandou o “Andrade” (Fernando Haddad) para a derrota, lembram?

Tanto Lula quanto Bolsonaro são despreparados, gananciosos, cretinos e mesquinhos, assim como seus filhos, que tiveram a mesma educação.

POSSIBILIDADES – No tempo certo, pode haver uma união da direita/centro em torno do nome de Tarcísio de Freitas, com Michelle Bolsonaro de vice, muito provavelmente, para garantir os preciosos votos dos evangélicos.

Se isso não acontecer, a união que certamente haverá no tempo certo será do Brasil contra o sobrenome Bolsonaro. como ocorreu em 2022. A maioria dos brasileiros preferiu colocar no poder um corrupto já condenado do que repetir Bolsonaro no poder.

Para o bem do Brasil, Flávio não será presidente. Aliás, deveria estar em cana pelas rachadinhas, pelas fraudes na loja de chocolates e pelas negociatas imobiliárias. Além de ser tóxico devido ao sobrenome, Flávio ainda tem muito telhado de vidro.

CHAPA FORTE – Tarcísio com Michelle de vice é a chapa mais forte para enfrentar Lula. Flávio perde no segundo turno, assim como seu pai, e todos sabem disso. Este é o fato, que não pode ser ignorado.

Por fim, quanto aos escândalos envolvendo o Banco Master e algumas elevadíssimas autoridades da República nos três Poderes, concordo com a opinião do jornalista José Nêumanne Pinto, que afirmou: “Fachin insultou todos os brasileiros de bem”.

E viva a imprensa livre! Sem a liberdade de expressão, não somos nada.

Fachin também pode sofrer impeachment, se ficar insistindo em defender Toffoli

Mensagem de Fachin foi um desrespeito à nação 

Carlos Newton

O senador Auro Moura Andrade (PSD-SP) era presidente do Congresso em 1964, e foi uma das peças principais do golpe contra o presidente João Goulart (PTB), que surgiu como um movimento civil-militar e somente depois se transformaria numa verdadeira ditadura castrense, com submissão dos líderes civis.

No dia 30 março, o presidente do Congresso participou da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, um importante ato público contra o governo, e lançou um manifesto à nação para declarar o rompimento entre Legislativo e Executivo, conclamando as Forças Armadas a se unirem em defesa das instituições.

VEIO O GOLPE – O manifesto foi um dos estopins da sublevação, e no dia seguinte o general Olympio Mourão Filho, que comandava o quartel em Juiz de Fora, colocou sua pequena tropa na estrada para o Rio de Janeiro, dando início à revolta.

O presidente João Goulart deixou Brasília para organizar a resistência e ainda estava em exercício do mandato, quando Moura Andrade presidiu uma tumultuada sessão do Congresso e declarou vacante a Presidência da República.

Em seguida, à frente de uma legião de parlamentares, Moura Andrade dirigiu-se ao Palácio do Planalto e deu posse ao deputado Ranieri Mazzilli (PSD), que presidia a Câmara Federal.

O POVO QUER – Moura Andrade, ao justificar seu ato, disse que “o Congresso sempre faz o que o povo quer”. Bem, não há nenhuma novidade nisso. O Congresso é eleito pelo povo, para representá-lo, conforme propôs o Barão de Montesquieu em 1748, ao lançar duas obras fundamentais da política – “O Espírito das Leis” e “A Separação dos Poderes”.

Assim, fazer o que povo deseja é obrigação dos políticos. Mas o presidente do Supremo, Edson Fachin, embora tenha instrução elevada e seja procurador de justiça concursado, não tem noção de política nem de respeito ao povo.

Sua mensagem, sexta-feira, defendendo o corruptíssimo ministro Dias Toffoli e ameaçando a imprensa e as demais instituições, foi um desrespeito à nação como um todo.

HOUVE PRESSÃO – Sabe-se que outros ministros pressionaram Fachin, mas quem preside o Supremo precisa estar imune a influência internas e externas. Além disso, tem obrigação de denunciar quem tentar pressioná-lo.

Fachin e os demais ministros precisam aproveitar este final de semana e pensar, com toda calma, como devem se posicionar sobre os seguidos escândalos que envolvem o Supremo.

O caso é de  cortar a própria carne. Os ministros vão seguir apoiando as ilegalidades de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes? Ou irão se posicionar em defesa do interesse público?

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P.S. – O Congresso vai fazer o que povo quer, como diria Moura Andrade. Os ministros Toffoli e Moraes estão no início da fila, mas ainda há vagas para seus cúmplices e admiradores. (C.N.)

Vice de Jorginho reacende crise na base aliada e redesenha corrida ao Senado em SC

Facções atuam como máfias e se infiltram na economia formal, diz chefe do MP-SP

Adiamento de visita a Bolsonaro revela ruídos entre Tarcísio e o bolsonarismo

Acareação do Caso Master foi uma encenação com “roteiro” combinado

Jaques Wagner “empregou” Mantega no Master ganhando R$ 1 milhão/mês

Guido Mantega completa 8 anos na Fazenda com poucos motivos para comemorar

Mantega ganhou R$ 11 milhões e tem saudades do Master

Andreza Matais e Andre Shalders
Metrópoles

O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega atendendo a um pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A remuneração era de R$ 1 milhão por mês, segundo apurou a coluna com integrantes do banco.

Em um evento em Maceió (AL), nesta sexta-feira (23/1), o presidente Lula (PT) foi duro com o Master. Sem citá-lo nominalmente, acusou o dono do banco, Daniel Vorcaro, de “dar um golpe de mais de R$ 40 bilhões”.

DISSE LULA – “Falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro, disse Lula. O tom do presidente contrasta com o fato de que, até recentemente, o Master tinha boas relações com pessoas do núcleo petista.

Guido Mantega só conseguiu a vaga no Master graças à intervenção de Jaques Wagner. Ele começou a trabalhar para o banco depois que o governo Lula desistiu de indicá-lo para o Conselho de Administração da Vale.

Embora a mineradora seja hoje uma empresa privada, o governo mantém influência na Vale por causa das concessões públicas da companhia e dos investimentos de fundos de pensão de empresas estatais na instituição. Na época, atores do mercado foram contra a indicação de Mantega, por considerá-la uma interferência indevida de Lula na empresa.

SEM DELATAR – O presidente considerava ter uma dívida de lealdade com Mantega, que se manteve fiel a ele na época da Lava Jato – ao contrário de outros, como Antonio Palocci, que acusou Lula em delação premiada de receber propina.

No Master, a tarefa de Mantega era azeitar a venda da empresa de Vorcaro para o Banco de Brasília (BRB).

O ex-ministro prestou consultoria ao Master até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição financeira, em novembro do ano passado. Os pagamentos feitos pela instituição controlada por Vorcaro a Mantega podem ter alcançado, no mínimo, R$ 11 milhões.

LIGAÇÕES PERIGOSAS – A relação mais próxima de Jaques Wagner dentro do Master não era com o próprio Daniel Vorcaro, e, sim, com o sócio dele, o baiano Augusto Lima. Ex-CEO do Master, Lima também é amigo do chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT). O ministro estava no palanque do evento em que Lula disse faltar “vergonha na cara” a quem defende o banco (veja vídeo).

Mantega esteve pelo menos quatro vezes no Palácio do Planalto. Em todas as ocasiões, foi recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

A agenda oficial do Planalto diz apenas que se tratou de “encaminhamento de pauta”, sem mais detalhes. Os registros mencionam apenas os nomes de Marcola e Mantega e informam que os encontros se deram no 3º andar do Planalto, onde despacham Marcola e o próprio Lula.

TUDO EM 2024 – Os encontros registrados ocorreram em 2024, nos dias 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro.

Nas agendas, Mantega é descrito apenas como “ex-ministro do Ministério da Fazenda”. Não há menção ao Master. As informações foram compiladas pela coluna a partir da ferramenta Agenda Transparente, da ONG Fiquem Sabendo. O colunista Lauro Jardim informou, em agosto de 2025, que Mantega conseguiu uma agenda entre Lula e Vorcaro em 2024. O compromisso não está registrado. Não é incomum a omissão nas agendas públicas.

Procurado, Daniel Vorcaro decidiu não comentar. A coluna não conseguiu contato com Jaques Wagner e Guido Mantega na noite desta sexta-feira (23/1). O espaço segue aberto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao criticar quem defende o Master, Lula está atacando indiretamente Edson Fachin, que em 2021 “inventou” uma lei para descondenar o petista e permitir que fosse candidato em 2022. Recordar é viver. (C.N.)

Ministros do Supremo jamais brigarão entre si, pelo instinto de sobrevivência

Tribuna da Internet | Maioria dos ministros do STF esconde as agendas de  eventos e de audiências

Charge do Zappa (humortadela.com)

Vicente Limongi Netto

Ninguém se iluda, em qualquer tipo de briga com os habitantes do planeta Brasil, sejam poderosos engomados ou simples assalariados, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) jamais brigarão entre si. Podem errar e erram muito, no varejo e no atacado, mas sabem que juntos e unidos, permanecem fortes e garantem a governabilidade.

Assim, enfrentam qualquer adversário e todo tipo de podridão humana. O novo presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, geralmente de poucas palavras, começou a bronquear com a imprensa. E fala grosso. Garante que ninguém intimida o tribunal.

PERDA DE TEMPO – Pedidos de setores políticos para impeachment de   ministros não saem do papel.  São perda de tempo. Que o digam Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.  Tolice crer que algum dia romperão o cativante e amoroso cordão da bela amizade que existe entre eles.

Desunidos, os ministros perdem a força e o controle das leis. Por isso, todos eles têm couro duro e armadura de aço contra desafetos.

Enquanto a crise política agita os três Poderes, a cidade de Brasília está imunda. Mais suja do que pau de galinheiro, como se diz na roça.

IBANEIS SE SUJOU – O governador Ibaneis Filho é como a cidade e também está sujo. Em quatro encontros com o verme engomado do Banco Master, o cínico governador jura que só trataram das flores do cerrado e da miséria e insegurança que assolam Brasília.

Um dia a farsa será descoberta. O povo repudia engomados gananciosos cretinos e fedorentos. Merecem cadeia e banhos de creolina. Escrevo tampando o nariz.  

Dizem que o chefão do sujo Master quer abrir o bico e fazer delação. Vão sobrar pedaços de canalhas para todos os gostos e bolsos. A próxima semana promete. Quem for podre que pague caro. Vai faltar fantasia de presidiário e não faltará carro alegórico com máscaras dos patifes.

Um arco-íris faz a alegria de crianças pobres, na poesia de Olegário Mariano 

Olegário Mariano | Busca | Portinari

Mariano, retratado por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

O poema “Arco-Íris” mostra que a obra do diplomata, político e poeta pernambucano Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889-1958) era marcada também por um forte sentimento social, em suas observações sobre a alegria das crianças pobres.

ARCO-ÍRIS
Olegário Mariano

Choveu tanto esta tarde
Que as árvores estão pingando de contentes.
As crianças pobres, em grande alarde,
Molham os pés nas poças reluzentes.

A alegria da luz ainda não veio toda.
Mas há raios de sol brincando nos rosais.
As crianças cantam fazendo roda,
Fazendo roda como os tangarás:
“Chuva com sol!
Casa a raposa com o rouxinol.”

De repente, no céu desfraldado em bandeira,
Quase ao alcance da nossa mão,
O Arco-da-Velha abre na tarde brasileira
A cauda em sete cores, de pavão.   

Ministros do STF pressionaram Fachin a divulgar a nota em defesa de Toffoli

Vai vendo. Série : DESTRUIDORES DO BRASIL EDSON FACHIN Advogado das  trincheiras petista que incansavelmente lutou pela retirada da cadeia do  maior corrupto do Brasil. E vc? O que acha? Compartilhem e

Charge do Schmock (Revista Oeste)

Catia Seabra e Luísa Martins
Folha

A primeira manifestação pública do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, sobre a crise do Banco Master, ocorreu após cobranças de uma ala da corte para que ele saísse em defesa do relator da investigação, ministro Dias Toffoli.

Nas conversas travadas ao longo dos últimos dias para tentar estancar a crise de imagem do STF, esse grupo de ministros sugeriu a Fachin que um gesto institucional da presidência era fundamental para evidenciar o “espírito de corpo” da corte.

EM CIMA DO MURO – Como mostrou a Folha, o presidente do STF vem enfrentando um impasse sobre como marcar posição a favor da ética —e avançar com o debate sobre a implementação de um código de conduta— sem que isso pareça uma provocação aos colegas, o que pode gerar uma crise interna e o seu isolamento.

Pelo menos três ministros resistem à fixação das diretrizes e entendem que as discussões devem ser pausadas até que as tensões arrefeçam. A avaliação é de que a ofensiva de Fachin a favor do código acontece em um momento delicado e está dando munição a novas críticas do bolsonarismo.

Por isso, o conselho dado a Fachin foi no sentido de que, ainda que de forma temporária, ele deixasse essa pauta de lado e priorizasse uma deferência a Toffoli, especialmente depois que a PGR (Procuradoria-Geral da República) arquivou uma representação que buscava afastá-lo da relatoria do caso Master.

NOTA AMEAÇADORA – Na nota divulgada à imprensa na noite de quinta-feira (22), Fachin escreveu que Toffoli faz “a regular supervisão judicial” das investigações sobre as fraudes financeiras e disse que as críticas são legítimas, mas que o STF “não se curva a ameaças ou intimidações”.

Não houve menção explícita ao código de ética. Apesar de frequentemente tratar desse assunto com os ministros, Fachin optou por dizer apenas que “todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, mas jamais destruídas”.

Interlocutores de Fachin afirmam que a nota do presidente do STF em defesa de Toffoli foi formatada a partir das sugestões dadas pelos colegas e que ele buscou traduzir, em um só texto, as visões de cada um.

SUSPEITAS – A nota foi publicada em meio às alegações de suspeição e a defesa dentro da corte de que ele remeta as investigações à primeira instância.

Essa solução é vista por ministros do STF como uma espécie de “saída honrosa”: já que não há, por ora, linha investigativa que aponte para a participação de autoridades com foro privilegiado, essa seria uma forma de tirar a corte do foco da crise e manter válidos os atos assinados pelo relator até aqui.

Toffoli tem dito a auxiliares que sua imparcialidade não está em jogo e que não há motivo para se afastar do caso. Ao mesmo tempo, indicou que os próximos passos da investigação —como os depoimentos que serão colhidos na próxima semana— podem apontar para o envio do processo ao primeiro grau.

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NOTA DA TRADUÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Toffoli já está desonrado e destroçado. O presidente Fachin errou ao tentar defender o que não tem defesa. Com isso, se equiparou e igualou a Toffoli. Lembrem que Fachin não é nenhum santo e foi ele quem “descondenou” Lula em 2021, inventando uma lei que não existe no Brasil e no mundo – a incompetência territorial absoluta. Se bobear, Fachin vai subir na mesma carroça que Toffoli e Moraes. (C.N.)