
Sadi Cabral, grande ator e compositor
Paulo Peres
Poemas & Canções
O ator e compositor alagoano Sadi Sousa Leite Cabral (1906-1986) e seu parceiro Custódio Mesquita exaltam o amor de uma “Mulher”, tendo em vista a beleza mágica que o corpo dela irradia. Este clássico fox-canção foi gravado por Silvio Caldas, em 1940, pela RCA Victor.
MULHER
Custódio Mesquita e Sadi Cabral
Não sei que intensa magia, teu corpo irradia
Que me deixa louco assim, mulher
Não sei, teus olhos castanhos, profundos, estranhos
Que mistério ocultarão, mulher
Não sei dizer
Mulher, só sei que sem alma
Roubaste-me a calma e aos teus pés eu fico a implorar
O teu amor tem um gosto amargo
e eu fico sempre a chorar nesta dor
Por teu amor, por teu amor, mulher
Uma vez, uma senhora frequentadora deste blog me advertiu a não criticar poetas.Segui seus conselhos, mas hoje vou pisar na bola.
Eis os versinhos que fiz na época em agradecimento a ela:
Com respeito e carinho
E com muitas saudades
Recordo-me de uma amizade
Que fiz aqui neste ninho
Dela boas lições aprendi
E nunca jamais as esqueci.
Carmen Lins, cara senhora
Por onde andas agora?
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Eis minha crítica aos dois compositores.
Mulher não é um objeto qualquer. Ela está sempre no plural: ela é mãe, é companheira, é a que empresta seu perfume à rosa (como dizia Cartola). Essa repetição constante do tratamento (mulher) denota um tom pejorativo.