
Alcolumbre e Motta sinalizam apoio a projeto
Filipe Matoso
Marcela Cunha
G1
Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se mostraram favoráveis à proposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que prevê a redução temporária de impostos que incidem sobre combustíveis.
O anúncio da proposta foi feito na última quinta (23) pelos ministros Dario Durigan (Fazenda), José Guimarães (Relações Institucionais) e Bruno Moretti (Planejamento). Em seguida, o texto foi protocolado pelo líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS). Antes do envio da proposta, Hugo Motta e Alcolumbre se encontraram com Guimarães, Durigan e Moretti.
AUTORIZAÇÃO – Segundo relatos de interlocutores, Motta prometeu “acelerar” a tramitação do projeto e Alcolumbre, por sua vez, “recebeu bem” a proposta, de acordo com aliados. Em linhas gerais, o projeto prevê que quando uma guerra influenciar o preço do barril de petróleo, a exemplo do que acontece neste momento entre Israel e Irã, o governo federal ficará autorizado a reduzir impostos federais que incidem sobre combustíveis.
Está prevista para a próxima semana uma reunião de líderes partidários, e o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, buscará um entendimento com os demais líderes para saber se é possível o plenário aprovar o chamado “regime de urgência” para a proposta.
Na prática, a medida encurta a tramitação e o projeto é encaminhando diretamente para o plenário. Essa etapa é considerada necessária porque, se os líderes concordarem em pautar a urgência no plenário, se a medida for aprovada, os deputados já podem analisar em seguida o projeto em si.
A PROPOSTA – Segundo o governo federal, quando uma guerra no exterior influenciar os preços dos combustíveis no país, o presidente da República — mediante recomendação do Ministério da Fazenda — poderá editar um decreto reduzindo impostos federais que incidem sobre os combustíveis. Além de impostos federais, também compõem os preços dos combustíveis itens como impostos estaduais, preço de distribuição e lucro dos postos, por exemplo.
Quais impostos pod26erão ser reduzidos: PIS, Cofins e Cide; Sobre quais combustíveis: gasolina, etanol, biodiesel e diesel; por quanto tempo: até dois meses, mediante avaliação da equipe econômica sobre eventual prorrogação; quando houver receitas extras em áreas como: royalties do petróleo, venda de óleo pela PPSA e dividendos do setor de óleo e gás (quando a União for acionista).
O Lula só não reduziu os impostos federais porque é um falastrão que vive pendurando num copo de cachaça. Fiquem atentos porque nada vai acontecer.
O rombo dos Correios e o modelo logístico alemão
A necessidade de privatização da EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) não é uma questão ideológica, nem a favor, nem contra.
Decorre de fatores econômicos, estruturais e políticos que tornam a empresa pública federal insustentável.
A estatal registrou o maior prejuízo de sua história: um rombo de R$ 8,5 bilhões em 2025, sendo R$ 6,4 bilhões só com despesas com precatórios, dívidas que precisam ser pagas por determinação da Justiça.
Os prejuízos dos Correios são alimentados por pagamentos bilionários de precatórios, provisões para passivos trabalhistas e uma queda acentuada de receitas, especialmente pela perda de encomendas internacionais.
A transformação estrutural do mercado postal-logístico, com o declínio do serviço de cartas, a migração do tráfego para plataformas digitais e a emergência de gigantes do e-commerce com logística própria, como Amazon e Mercado Livre, mudou o papel histórico dos Correios.
Hoje, sua atividade de maior valor agregado é a logística de encomendas, que exige eficiência, escala, integração digital e investimento privado para adquirir competitividade.
Os números mostram que a fragilidade dos Correios não é unicamente reflexo do desempenho do setor público, mas um caso particular muito grave, que precisa ser enfrentado com atitude e coragem, sem falar da competência técnica.
Há casos de grande sucesso na privatização, como a dos Correios da Alemanha.
O Deutsche Bundespost, que era a maior empresa estatal alemã, é um case de sucesso: foi privatizado de forma escalonada a partir de 1995, com participação inicial do banco público KfW e oferta subsequente de ações ao mercado, processo que permitiu capital para a modernização.
O grupo ampliou sua atuação comprando a DHL em 2002 e se transformou no Deutsche Post DHL Group, um conglomerado global de logística com cerca de 550 mil empregados, presente em mais de 220 países, inclusive no Brasil, e receitas na casa de 61 bilhões de euros em 2018.
O sucesso alemão combinou abertura de capital, governança corporativa, aquisições estratégicas e investimento em digitalização e malha logística internacional, o que resultou em escala global, eficiência operacional e diversificação das receitas.
O modelo exigiu reformas internas, reestruturações trabalhistas e políticas de transição que tiveram custos sociais e foram acompanhadas por forte regulação e medidas para mitigar impactos.
Correio Braziliense, Nas Entrelinhas, 26/04/2026 – 08:21 Por Luiz Carlos Azedo.