Câmara aprova projeto que cria ‘filtro de relevância’ e limita recursos ao STJ

Texto vai à sanção do presidenteLula da Silva

Luiz Felipe Barbiéri
G1

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (14) um projeto que limita a apresentação de ações ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao criar critérios para admissão de recursos especiais. O texto vai à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta também permite que o relator de um processo considerado de “relevância” suspenda, por até um ano, a tramitação de ações que tratem da mesma controvérsia em todo o país até que o tribunal decida sobre o tema.

Esse é o mesmo mecanismo que é aplicado atualmente com recursos extraordinários no Supremo Tribunal Federal (STF). A diferença é que no STF o recurso extraordinário avalia questões constitucionais, enquanto no STJ o recurso especial mira questões infraconstitucionais.

RELEVÂNCIA ECONÔMICA – O projeto é de autoria do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e atende a pedidos de ministros do STJ. A proposta adequa o Código Civil a um dispositivo incluído na Constituição por uma emenda em 2022. Pelo texto, o STJ poderá deixar de admitir recursos especiais quando entender que a controvérsia apresentada não possui relevância econômica, política, social ou jurídica, ou ainda que não ultrapasse os interesses das partes envolvidas no processo.

Segundo a proposta, caberá a quem protocolou o recurso demonstrar essa relevância em tópico específico e fundamentado. O texto prevê ainda que a desistência de um recurso não impedirá o julgamento de questões cuja relevância já tenha sido reconhecida pelo STJ.

O texto também determina que o reconhecimento ou a recusa da relevância produzirá efeitos em processos em tramitação tanto no STJ, quanto nas instâncias inferiores. “A regulamentação contribui para a racionalização da atividade recursal, permitindo que a Corte concentre esforços nas questões de maior repercussão jurídica, social e econômica, em consonância com sua vocação constitucional de uniformização da interpretação da legislação federal, permitindo assumir plenamente a feição de corte de precedentes”, afirmou o relator, deputado Raniery Paulino (Republicanos-PB).

CRÍTICAS –  O texto foi aprovado em votação simbólica, mas deputados da base governistas criticaram a proposta. As federações PT-PCdoB-PV e PSOL/Rede falaram contra o projeto. “Um elemento que nos preocupa nesse projeto trabalha para restringir o acesso à justiça e a função constitucional do STJ e a democratização social dos efeitos que esse novo filtro pode trazer”, afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

O líder do PSOL, Tarcísio Motta (PSOL-RJ), disse que os cidadãos podem ficar à mercê de decisões de primeira e segunda instância sem poder recorrer ao tribunal superior. “Será um filtro de classe, de classe social, impedindo que os mais pobres possam recorrer”.

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Bolsonaro reedita roteiro usado por Lula em 2018

Bernardo Mello Franco
O Globo

A carta de Jair Bolsonaro guarda semelhança com outra missiva escrita no cárcere e divulgada nas vésperas de uma eleição presidencial. Trata-se da carta em que Lula apontou Fernando Haddad como seu candidato, em setembro de 2018. O petista estava preso em Curitiba e impedido de concorrer ao Planalto.

No documento, divulgado pelo PT, Lula apresentou Haddad como seu representante e porta-voz na campanha: “Se querem calar nossa voz e derrotar nosso projeto para o país, estão muito enganados. Nós continuamos vivos, no coração e na memória do povo. E o nosso nome agora é Haddad”.

SUCESSÃO – Na carta redigida neste sábado, Bolsonaro apontou o filho Flávio como sucessor: “Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”. Bolsonaro parece ter seguido o roteiro de Lula até nos detalhes. Em 2018, o petista batizou a missiva de “Carta ao povo brasileiro”. Oito anos depois, o capitão escolheu o título “Carta aos brasileiros”.

Nesta segunda, o ministro Alexandre de Moraes considerou que a carta de Bolsonaro desrespeitou as condições impostas para sua prisão domiciliar. Ele suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao pai e acionou o Ministério Público Eleitoral para apurar se houve prática de propaganda antecipada. Em decisão anterior, Moraes havia proibido o ex-presidente de usar as redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros”.

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Institutos alertam que proposta do TSE ameaça a credibilidade das pesquisas

Institutos rebatem proposta de Nunes Marques

Camila da Silva
Hadass Leventhal
G1

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou nesta terça-feira (14) a proposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de criar um selo para reconhecer os institutos cujas pesquisas mais se aproximarem dos resultados oficiais das urnas. A ABEP reúne empresas de pesquisas de mercado, opinião e mídia e atua na promoção de padrões de qualidade e boas práticas no setor.

Em nota, a entidade afirmou que a iniciativa parte de uma compreensão equivocada sobre a finalidade das pesquisas eleitorais. Segundo a associação, os levantamentos medem a intenção de voto no momento em que são realizados e não representam previsões ou promessas de resultado.

BOLA DE CRISTAL – “Exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”, afirmou a ABEP. A entidade destacou que, entre a realização das entrevistas e o dia da votação, os eleitores podem mudar de opinião, deixar de comparecer às urnas ou alterar seu comportamento eleitoral.

O G1 obteve a íntegra da minuta de portaria apresentada por Nunes Marques aos representantes de dezesseis institutos de pesquisa, nesta terça-feira, na sede do TSE, em Brasília. O documento prevê criar o “Selo Acurácia Eleitoral”, que tem como objetivo dar “reconhecimento” e “valorização” a empresas que publicarem pesquisas com “maior aderência aos resultados oficiais” das eleições. Confira a minuta ao final deste texto.

CONTRA A PROPOSTA –  A diretora do Datafolha, Luciana Chong, afirmou que o instituto se posicionou contra a proposta durante a reunião realizada pelo TSE. “O objetivo da pesquisa não é acertar o resultado eleitoral. A pesquisa não é prognóstico. O importante da pesquisa eleitoral é acompanhar o período eleitoral, contar a história da eleição e de tudo que vai acontecendo nesse período como uma importante fonte de informação para o eleitor”, disse.

Os institutos não haviam sido avisados de que a criação do selo seria discutida no encontro e que tiveram acesso à minuta somente durante a reunião. “A gente não sabia que isso seria discutido. Cada instituto tinha um tempo de fala em que poderia colocar a sua posição em relação ao período eleitoral e às pesquisas eleitorais. Quando nós chegamos, vimos que já havia essa minuta para todos tomarem conhecimento ali mesmo”, afirmou.

EQUÍVOCO –  A diretora-geral da Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari Nunes, também disse que a proposta parte de uma compreensão equivocada sobre a finalidade das pesquisas eleitorais. “A pesquisa eleitoral não tem o papel de acertar o resultado da eleição. Ela não tem um papel prognóstico do futuro. Ela tem um papel diagnóstico do momento em que está sendo realizada”, afirmou. “O que a gente mede numa pesquisa eleitoral é a intenção de voto do eleitor, e não o comportamento eleitoral do eleitor. É bastante importante diferenciar o que é uma intenção, uma atitude, de um comportamento”.

Márcia lembrou que a criação de um índice de acerto já havia sido discutida durante a tramitação do novo Código Eleitoral no Congresso. “Isso também já surgiu no novo Código Eleitoral, que passou na Câmara. Teve muito debate sobre isso e, depois, foi para o Senado. O relator no Senado, Marcelo Castro, entendeu essas dificuldades e fez uma nova proposta, retirando essa taxa de acerto, essa taxa de precisão”, disse. “Mas o novo Código Eleitoral acabou não passando a tempo de valer na eleição de 2026. Então, colocar uma coisa dessas na resolução não faz sentido nenhum”.

“INCENTIVO PERVERSO” –  A associação também alertou que o selo pode criar um “incentivo perverso”. Na avaliação da ABEP, institutos sem rigor metodológico poderiam acompanhar os levantamentos divulgados por empresas consolidadas e ajustar seus números na reta final da campanha para convergir ao consenso.

“Quando o objetivo passa a ser ganhar um selo de ‘acerto’, o incentivo deixa de ser produzir a melhor pesquisa e passa a ser publicar o número que maximize a chance de receber o prêmio. Isso enfraquece, em vez de fortalecer, a qualidade da informação oferecida ao eleitor”, prosseguiu.

A entidade também questionou a possibilidade de a Justiça Eleitoral avaliar a qualidade de uma pesquisa apenas pela proximidade com o resultado das urnas. “Causa especial preocupação que a Justiça Eleitoral pretenda assumir o papel de árbitro da qualidade das pesquisas a partir de um critério tecnicamente equivocado. A avaliação da qualidade de um levantamento deve considerar metodologia, desenho amostral, transparência, execução do campo e aderência às boas práticas científicas — não apenas a proximidade entre um retrato da opinião pública e um resultado que ainda estava por acontecer quando a pesquisa foi realizada”, disse.

MECANISMOS – A ABEP defendeu ainda a construção conjunta de eventuais mudanças nas regras e nos mecanismos de avaliação das pesquisas eleitorais. “Reafirmamos nossa disposição para participar de um debate técnico e qualificado com a Justiça Eleitoral sobre iniciativas que fortaleçam a transparência, a integridade e a credibilidade das pesquisas eleitorais. A construção de soluções efetivas exige diálogo com a comunidade científica e com os institutos que atuam na área, para que as medidas adotadas estejam alinhadas aos princípios e às boas práticas da pesquisa de opinião.”

Para a associação, uma avaliação adequada deveria considerar a metodologia, o desenho amostral, a transparência, a execução das entrevistas e o cumprimento das boas práticas científicas. A entidade reafirmou seu respeito ao papel do TSE na garantia da lisura das eleições, mas defendeu que iniciativas sobre pesquisas sejam construídas em diálogo com a comunidade científica e as empresas do setor.

“Reafirmamos nossa disposição para participar de um debate técnico e qualificado com a Justiça Eleitoral sobre iniciativas que fortaleçam a transparência, a integridade e a credibilidade das pesquisas eleitorais. A construção de soluções efetivas exige diálogo com a comunidade científica e com os institutos que atuam na área, para que as medidas adotadas estejam alinhadas aos princípios e às boas práticas da pesquisa de opinião.”

RECONHECIMEMENTO – A proposta apresentada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, prevê a criação do Selo Acurácia Eleitoral, de caráter honorífico, para reconhecer empresas cujas estimativas apresentem maior proximidade com os resultados oficiais.

“É chegado o momento da Justiça Eleitoral laurear as empresas que a cada ciclo dedicam os seus maiores esforços em favor da democracia. Essa iniciativa destina-se ao reconhecimento das entidades cuja estimativas apresentem o maior grau de aderência dos resultados oficiais das eleições. Trata-se de um mecanismo que visa a valorização das boas práticas e ao permanente aperfeiçoamento técnico das pesquisas eleitorais por meio do reconhecimento público das empresas que demonstrarem elevada acurácia de seus resultados”, disse o ministro.

BOCA DE URNA – Pela minuta, seriam avaliadas pesquisas registradas pelo TSE e divulgadas ao público, realizadas no dia da votação, as chamadas pesquisas de boca de urna, ou nos sete dias anteriores ao pleito.

O TSE avaliaria os levantamentos presidenciais, enquanto os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) ficariam responsáveis pelas pesquisas sobre as eleições para os governos estaduais e do Distrito Federal. A metodologia para calcular a proximidade com as urnas e os critérios para a concessão do selo ainda serão definidos. O TSE receberá sugestões dos institutos até sexta-feira (17).

ÍNTEGRA DA MINUTA APRESENTADA POR NUNES MARQUES AOS INSTITUTOS DE PESQUISA ELEITORAL:

Portaria-TSE nº __ de __ de julho de 2026.

Institui o Selo Acurácia Eleitoral destinado ao reconhecimento e à valorização das empresas de pesquisa eleitoral, cujas estimativas apresentem maior aderência aos resultados oficiais das Eleições 2026.

O PRESIDENTE DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, no uso de suas atribuições legais e regimentais, e considerando o disposto no Processo SEI n.___

RESOLVE:

Art. 1º Fica instituído o Selo Acurácia Eleitoral, destinado ao reconhecimento e à valorização das empresas de pesquisa eleitoral, cujas estimativas apresentem maior aderência aos resultados oficiais proclamados pela Justiça Eleitoral.

§ 1º O selo será concedido nos anos em que houver eleições gerais e terá por escopo as eleições para as chefias do Poder Executivo Nacional, Estadual ou Distrital.

§ 2º Ao Tribunal Superior Eleitoral – TSE caberá premiar empresas que registrarem pesquisas nacionais para a eleição, sendo da competência dos Tribunais Regionais Eleitorais – TREs as premiações para as pesquisas do Poder Executivo Estadual e Distrital.

Art. 2º O Selo Acurácia Eleitoral tem como finalidade:

I – contribuir para a precisão entre os dados levantados pelas pesquisas e os resultados oficiais das eleições;

II – incentivar o aprimoramento contínuo da qualidade metodológica das pesquisas eleitorais;

III – estimular a observância das normas relativas ao registro e à divulgação de pesquisas eleitorais, constantes da Resolução-TSE n. 23.600/2019;

IV – conferir visibilidade às empresas com melhor desempenho;

V – fomentar a transparência e a confiabilidade das informações disponibilizadas à sociedade; e

VI – aprimorar indicadores e promover estudos sobre o histórico da aderência entre as estimativas divulgadas e os resultados oficiais das eleições.

Art. 3º O selo consistirá em símbolo a ser criado especialmente para a ocasião a ser entregue em cerimônia pública realizada pelo TSE e pelos TREs.

§ 1º A identidade visual e o símbolo do selo serão definidos em ato da Presidência desta Corte.

§ 2º A entrega das premiações ocorrerá após a realização do 2º turno das eleições em data a ser definida pela Presidência de cada Tribunal da Justiça Eleitoral.

Art. 4º A avaliação considerará exclusivamente pesquisas eleitorais regularmente registradas no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) e divulgadas ao público, observadas as disposições da legislação eleitoral e da regulamentação expedida pelo TSE.

Art. 5º As premiações compreenderão as seguintes categorias:

I – pesquisas realizadas no dia das Eleições (Boca de Urna); e

II – pesquisas realizadas nos sete dias que antecedem o pleito.

Parágrafo único. Somente serão consideradas as pesquisas efetivamente divulgadas.

Art. 6º Estarão automaticamente excluídos de qualquer premiação os institutos de pesquisa que:

I – tenham sido condenados, por decisão judicial transitada em julgado, pela divulgação de pesquisa fraudulenta, nos termos do § 4º do art. 33 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997;

II – tenham sido condenados, por decisão judicial transitada em julgado, em razão de irregularidades graves que tenham resultado na suspensão ou invalidação da pesquisa considerada para fins de premiação; e

III – deixem de atender aos requisitos técnicos e procedimentais definidos na metodologia da premiação.

Art. 7º Os critérios de avaliação, os indicadores estatísticos, a metodologia de cálculo da aderência, os procedimentos de classificação e as demais regras serão estabelecidos em regulamento específico.

Parágrafo único. Receberão o selo todas as empresas que atenderem aos critérios de acurácia definidos no regulamento a ser editado pela Presidência do Tribunal Superior Eleitoral, ouvida a Diretoria de Assuntos Estratégicos – DAE e as empresas de pesquisa.

Art. 8º A concessão do selo possui caráter exclusivamente honorífico e não implica certificação oficial da qualidade metodológica dos institutos de pesquisa nem gera qualquer direito ou vantagem perante a Administração Pública.

Art. 9º Os Tribunais Regionais Eleitorais obedecerão, no que couber, as disposições constantes desta Portaria.

Art. 10 Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

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Bianca Gomes
Estadão

A estratégia do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) de subir o tom contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o volume de menções ao seu nome nas redes sociais crescer 446,3% na média dos últimos cinco dias.

É o que mostra levantamento da AP Exata obtido com exclusividade pelo Estadão. Segundo a consultoria, o aumento da exposição do pré-candidato do PSD não foi acompanhado por crescimento proporcional das menções negativas.

BATENDO GERAL – Até então mais comedido nas críticas ao senador Flávio Bolsonaro, o ex-governador de Goiás passou a fazer uma série de ataques ao adversário bolsonarista nos últimos dias. Disse que Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são “farinha do mesmo saco”, classificou como “inaceitável” a proposta de adiar o tarifaço para depois das eleições e afirmou que a candidatura do senador está “afundando”. N

o sábado, Caiado também criticou a carta em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reafirma apoio à candidatura do filho.

“O eleitor não quer um presidente que precise de aval constante de outra liderança; quer alguém capaz de conduzir o país por conta própria”, escreveu Caiado, afirmando ainda que “liderança não se herda, se demonstra”.

MAIOR VISIBILIDADE – A mudança de postura, que contrasta com a cautela adotada pelo ex-governador goiano diante das revelações sobre a relação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, levou a um salto na visibilidade do pré-candidato do PSD, que tem o baixo nível de conhecimento como uma das principais barreiras à sua candidatura.

No domingo, 12, segundo dados da AP Exata, Caiado foi o segundo nome mais citado nas redes entre os presidenciáveis, com 26,2% do volume de menções, atrás apenas de Lula, com 34,3%, e à frente de Flávio, que registrou 25,6%. O ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) apareceu com 4,8% e Renan Santos, da Missão, com 4,7%.

Na média dos últimos cinco dias, o volume de menções a Caiado cresceu 446,3%, passando de 2,85% para 15,57%. No mesmo período, a taxa de menções positivas recuou apenas 4,9 pontos porcentuais, para 45,7%.

ANÁLISE POSITIVA – “A redução é pequena diante do crescimento da exposição, uma vez que as menções negativas aumentaram em proporção muito inferior ao volume total, indicando resiliência da imagem, mesmo sob maior exposição”, diz Sergio Denicoli, CEO da AP Exata e cientista de dados.

“O avanço mostra que Caiado conseguiu furar a polarização, multiplicar sua exposição, sem sofrer desgaste proporcional”, afirma o analista, acrescentando:

“Tudo isso mostra também que o candidato Ronaldo Caiado tem iniciado um processo de diálogo maior com públicos do centro e também com eleitores mais moderados da direita“, acrescenta o especialista.

ATAQUES PESADOS – Segundo Denicoli, o crescimento de Caiado nas redes está diretamente ligado à estratégia, adotada entre os dias 6 e 11 de julho, de intensificar os ataques a Flávio e disputar de forma mais direta a liderança da direita.

Um dos episódios de maior repercussão, diz o CEO da AP Exata, foi a declaração em que o ex-governador comparou o senador a um “peru de Natal” que Lula estaria mantendo vivo no primeiro turno para derrotar no segundo.

Segundo o cientista de dados, a ofensiva de Caiado contra Flávio desencadeou uma reação bolsonarista nas redes, com militantes criticando principalmente a escolha do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como seu vice, o que seria uma demonstração de adesão ao Centrão e distanciamento da direita “raiz”.

RELEVÂNCIA MAIOR – “O efeito, porém, tem sido limitado porque essa narrativa permanece concentrada na base mais fiel a Flávio, enquanto Caiado também é mencionado por conservadores insatisfeitos com o bolsonarismo, por perfis que o apresentam como alternativa mais competitiva e por governistas interessados em repercutir suas críticas à família Bolsonaro”, afirma Denicoli.

O CEO da AP Exata diz ainda que o anúncio de Kassab como vice aumentou a relevância política da candidatura e ajudou a manter Caiado no centro da disputa presidencial nas redes.

Na avaliação dele, a rejeição ao dirigente partidário está mais restrita à bolha bolsonarista, sem grande apelo entre o público geral.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma matéria da maior importância. Mostra que ainda há espaço para o crescimento da terceira via e Ronaldo Caiado é o mais experiente e qualificado para disputar com Flávio Bolsonaro os votos de direita e do centro. Depois voltaremos ao assunto, com mais detalhes. (C.N.)

Planalto teme que revogação da domiciliar fortaleça discurso do bolsonarismo

Após embate com Flávio, Michelle vira trunfo indispensável de Bolsonaro

Bolsonaro quer garantir ao menos um Michelle no Senado

Rafael Moraes Moura
O Globo

Após escancarar as fissuras do clã ao publicar um vídeo acusando Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de tê-la maltratado e “apunhalado pelas costas”, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ouviu dois apelos de Jair Bolsonaro.

O primeiro foi para a mulher não desistir da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, onde sua eleição é considerada certa até mesmo por adversários do campo da esquerda.

O plano eleitoral de Michelle foi colocado em dúvida depois de a ex-primeira-dama ter uma dura conversa com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em que decidiu deixar o comando do PL Mulher. Mas, de acordo com um integrante do núcleo duro da campanha de Flávio, “Bolsonaro não quer Michelle só em casa cuidando dele, quer ela participando de eventos da campanha ao Senado”.

CÁLCULO POLÍTICO –  Por trás desse pedido está um cálculo político expresso por outro aliado da família: a necessidade de garantir pelo menos um Bolsonaro no Senado na próxima legislatura, já que o mandato de Flávio está se encerrando e a eleição de Carlos, o filho 03 do ex-presidente, não é considerada tão garantida como a de Michelle.

O ex-presidente também fez um segundo pedido à mulher: arrumar espaço na agenda para participar de eventos de campanha pelo Distrito Federal, ao lado da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), e da governadora Celina Leão (PP). As duas são amigas próximas de Michelle e têm atuado nos bastidores como “bombeiras” da crise instalada no clã Bolsonaro.

GERENCIAMENTO DE CRISE – “É claro que Bolsonaro gostaria que a Michelle participasse da campanha do Flávio, mas é um pai gerenciando a crise entre esposa e os filhos. Não é algo simples”, afirmou um aliado de Flávio. O clã Bolsonaro aposta na ampliação da bancada do PL no Senado para destravar os mais de 100 pedidos de impeachment que tramitam contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dos quais mais da metade mira Alexandre de Moraes, relator das principais investigações que fecharam o cerco contra o ex-presidente e seus aliados, como o inquérito das fake news e as ações penais da trama golpista.

Michelle sinalizou que vai tocar tanto a candidatura quanto a campanha no DF. Os planos de Michelle envolvem conciliar os cuidados médicos de Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar, com agendas de campanha em Brasília que seriam feitas entre duas e três vezes por semana.

Viajar para outros Estados é algo considerado praticamente descartado por conta dos tempos de deslocamento, questões logísticas e o monitoramento da saúde de Bolsonaro, que recebe medicação várias vezes ao longo do dia. No caso de aliadas que disputam eleições fora do DF, o mais provável é que Michelle grave vídeos de apoio.

MOBILIDADE – “No Distrito Federal, ela consegue participar de uma agenda e voltar para casa em 30, 40 minutos”, diz um aliado de Michelle. O Distrito Federal é um tradicional reduto bolsonarista – lá, Jair Bolsonaro obteve 58,81% dos votos válidos no segundo turno das eleições de 2022, ante 41,19% de Lula

A briga pública com Michelle ampliou a preocupação da pré-campanha de Flávio com o desgaste junto ao eleitorado feminino. O presidenciável tentou contornar a crise em um evento com mulheres do PL, mas a agenda acabou esvaziada com a ausência da ex-primeira-dama e de Damares.

Nesta quarta-feira, Flávio promove um novo evento com mulheres, em São Paulo, para apresentar um plano de governo para a população feminina, que contou com a colaboração de Damares. Mais uma vez, a ausência de Michelle deve ser sentida.

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