Toffoli avalia impedimento em caso que analisa prisão de ex-presidente do BRB

Lula defende agronegócio na Europa e expõe contradições ambientais do setor

“O nome é Supremo, porque nós somos supremos”, alega Gilmar Mendes.

JUDICIÁRIO REGADO À PRIVILÉGIOS. Dos 82 juízes punidos no Brasil desde  2005, 53 continuam recebendo super-salários

Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

A fórmula mais usada em governos autoritários, de esquerda ou de direita, para controle da democracia, sem que suas instituições deixem de funcionar na aparência, é o domínio do que aqui se denomina Supremo Tribunal Federal (STF). Por ser a última instância da Justiça, é a que pode definir quem está certo ou errado, especialmente no Brasil, onde qualquer tipo de ação vai parar lá.

Por isso mesmo, um governo como o de Bolsonaro, que claramente tinha o objetivo de dar um golpe de Estado, atacava seus representantes, para criar na população uma ojeriza à sua atuação.

CONSEQUÊNCIAS – Nesse cenário, os que defendiam a democracia em diversos níveis nacionais se uniram a favor do Supremo, e mesmo medidas consideradas exageradas (como as longas prisões provisórias) ou punições contra críticas, mesmo as menos agressivas, eram vistas como fatos a serem barrados para não deixar que o clima de campanha contra o Supremo prosperasse.

O inquérito das Fake News, por exemplo, mal iniciado há sete anos, foi muito criticado no momento por falhas técnicas, como a indicação do ministro Alexandre de Moraes como relator sem que houvesse um sorteio obrigatório.

Mas seus exageros nunca foram combatidos com o devido rigor por boa parte da imprensa profissional, inclusive eu, no entendimento de que o objetivo final era correto. Só que não era.

INTINTOS AUTORITÁRIOS – A circunstância política permitiu que aflorassem em alguns dos membros do Supremo seus instintos mais primitivamente autoritários, contidos pelo ambiente democrático que começou a se esvair no governo Bolsonaro.

Os anos de persistência da Operação Lava-Jato devem-se muito ao ministro Gilmar Mendes, que um dia classificou o governo petista de “cleptocracia” e apoiou as decisões, que tiveram nos ministros Teori Zavascki e Edson Fachin dois apoiadores de primeira ordem.

Alguma coisa aconteceu no caminho, porém, que fez com que o ministro Gilmar Mendes mudasse de posição, e ele passou a ser um inimigo ferrenho da Lava-Jato. Criticava anteriormente, é bem verdade, as longas prisões preventivas, as delações premiadas abusivas, mas não revogava suas palavras diante das acusações de corrupção que abundavam com as prisões.

FIM DA LAVA JATO – Gilmar Mendes foi buscar nas transcrições criminosas de conversas entre o então juiz Sérgio Moro e os procuradores de Curitiba a base para sua campanha de aniquilamento da Operação, sem se preocupar com o que estava sendo deixado pelo caminho.

Em consequência, restou uma série de crimes não julgados, muitos empresários e políticos liberados mesmo depois que suas confissões tivessem revelado esquemas criminosos variados, e muito dinheiro foi devolvido aos corruptos.

Tudo parecia compor o quadro proposto pelo ex-senador Romero Jucá, “estacar a sangria, com STF e tudo”.

SEDE DE VINGANÇA – O espírito vingativo de parte dos membros do Supremo aparece agora na defesa da confraria, ora com a ressurreição de propostas já engavetadas, ora com a sugestão de medidas que reduzem o poder do Senado para impedir membros da Corte, ou para reduzir o âmbito das CPIs; ora para ameaçar um senador que, nos estritos poderes que lhe confere a Constituição, indiciou três deles por motivos reais, mas por meio de instrumento impróprio.

Não satisfeitos com a reprovação do relatório, querem impor uma derrota acachapante ao senador, impedindo-o de se candidatar à reeleição.

Agora já não é mais um governo autoritário que ameaça o Supremo, é o Supremo que ameaça a democracia se envolvendo em um jogo político que, a pretexto de prevenir uma volta da extrema-direita ao poder, se transforma em um instrumento de medidas autoritárias. Pior: evita que seus membros envolvidos em denúncias graves de corrupção sejam investigados por seus atos. Pela reação agressiva e desproporcional, fica a sensação de que se sentem acima de todos os demais poderes da República, não apenas na retórica. Como definiu o ministro Gilmar Mendes, o nome é Supremo “porque nós somos supremos”.

Ainda não se pode cravar, mas parece existir terceira via na eleição de 2026

PSD lança Caiado ao Planalto e tenta formar a 'terceira via'... #charge  #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Elio Gaspari
O Globo

Tentar ler numa pesquisa de abril o comportamento do eleitorado em outubro é pouco mais que um exercício de quiromancia, sobretudo quando a Genial/Quaest registrou que há 62% de indecisos.

Há meses, todas as pesquisas trazem notícias ruins para Lula. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro ultrapassou-o (42% x 40%), dentro da margem de erro e num cenário estimulado. O sabor amargo dessa pesquisa está na rejeição. Lula tem 55%, e Flávio tem 52%, novamente dentro da margem de erro.

ZEMA E CAIADO – A terceira via tem dois candidatos: Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás. No cenário de uma disputa do segundo turno, Lula patina na faixa dos 40%, enquanto os dois têm leve viés de alta. Zema tem 36%, e Caiado, 35%.

Não se pode cravar, mas a terceira via parece existir. Zema e Caiado vieram de governos bem avaliados. O mineiro com 47% e o goiano com 85%. Eles precisam pescar seus votos entre os indecisos e os 42% que estão com Flávio Bolsonaro. Como experiência administrativa, ele limitou-se à gestão de um sobrenome e de uma loja de chocolates. A campanha pode favorecê-los.

SEM PREVISÕES – A ventania das campanhas eleitorais desarruma previsões baseadas só em pesquisas. A sabedoria convencional trabalha com a hipótese de um segundo turno entre Lula e Flávio, mas em 1989 aguardava-se um segundo turno entre Fernando Collor e Leonel Brizola.

Em agosto, Lula tinha apenas 5% das preferências, com viés de queda. Em setembro, ele chegou a 16%, ultrapassando Brizola. Dois meses depois, Lula foi para o segundo turno, quando viria a ser batido por Fernando Collor.

Naquela eleição, Ronaldo Caiado disputou pela primeira vez a Presidência e acabou em décimo lugar, com 0,72% dos votos.

NA FRIGIDEIRA – Assim como aconteceu com seu antecessor, os ventos da opinião pública agora sopram contra o Planalto, e a responsabilidade é do ministro da Comunicação Social, o marqueteiro Sidônio Palmeira.

Pensando bem, é para isso que serve o ministro da Secom.

BC e o BRB – O Banco Central pode ter demorado para agir sobre o Master, ou não. Uma coisa é certa, o BC não agiu a tempo sobre o Banco Regional de Brasília, que funcionava como vaca leiteira de Daniel Vorcaro.

O presidente do BRB ao tempo de Vorcaro devia ter sido preso há mais de um ano.

Racha no PL embaralha palanque de Flávio Bolsonaro no DF e expõe crise interna

STF retoma julgamento que pode transformar Malafaia em réu por ataques a generais

Miinistros decidirão se uma ação penal será aberta

Isadora Albernaz
Folha

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) retomará em 28 de abril o julgamento que pode tornar o pastor evangélico Silas Malafaia réu pelos crimes de acusação de injúria, calúnia e difamação, devido a ofensas proferidas contra generais em uma manifestação bolsonarista.

A análise era feita no sistema virtual da corte, onde não há discussão e os ministros apenas depositam seus votos, mas foi interrompida por um pedido de vista (mais tempo para análise) de Cristiano Zanin em 10 de março. Um dia depois, o magistrado ainda pediu destaque, o que levou o caso ao plenário físico e zerou o placar.

MODUS OPERANDI – O único a votar havia sido o relator, Alexandre de Moraes, que foi a favor do recebimento da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Malafaia. Segundo o ministro, as falas do pastor se assemelham ao modus operandi da organização criminosa investigada no inquérito das milícias digitais.

No caso de condenação pelo crime de injúria, Moraes ainda inclui a possibilidade de aumento de pena devido ao comentário ter sido feito contra um funcionário público, em razão de suas funções, e na presença de várias pessoas e pelo discurso ter sido divulgado nas redes sociais.

A Primeira Turma também é composta por Cármen Lúcia e Flávio Dino (presidente do colegiado). O grupo está desfalcado desde que Luiz Fux pediu para migrar para a Segunda Turma, após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

AÇÃO PENAL – Nessa etapa, os ministros decidem se abrirão uma ação penal para analisar se Malafaia é culpado ou não. Se a denúncia for aceita, haverá coleta de novas provas, depoimento de testemunhas e interrogatório do líder religioso.

Malafaia foi denunciado pela procuradoria em 18 de dezembro de 2025. O caso teve origem em uma representação apresentada pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva, após um discurso do pastor na avenida Paulista.

Em 6 de abril do ano passado, do alto do carro de som, o líder religioso atacou o Alto Comando do Exército, mas não citou nomes. “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”, afirmou.

PRESSÃO POR ANISTIA – O ato havia sido convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para pressionar por anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

À Folha, Silas Malafaia afirmou, em 6 de março, ser vítima de “perseguição” por parte de Moraes e questionou “que moral esse cara tem para julgar alguém?”. “Ele [Moraes] quer calar, como sempre fez, seus opositores. Mas eu não tenho medo dele, por isso que eu estou falando”, disse o pastor.

Política externa de Lula ajuda a explicar por que ainda somos subdesenvolvidos

A preferência de Lula por ditadores parece ser compulsão

A preferência de Lula por ditadores parece ser compulsão

Alexandre Garcia
Gazeta do Povo

Vou falar um pouco da política externa brasileira, da posição do Brasil no mundo, no chamado “concerto das nações”. O Brasil é um país grande, um dos maiores em extensão territorial e em população, mas não tem o poder político, militar e econômico dos Estados Unidos, por exemplo. Nós fomos colonizados mais ou menos ao mesmo tempo que os norte-americanos e, no entanto, eles são a maior potência do mundo enquanto nós continuamos nos arrastando no subdesenvolvimento – agora falam em “emergente”.

Nós já crescemos mais que a China. Eu me lembro disso porque cobri o milagre brasileiro da primeira metade dos anos 70, estava no Jornal do Brasil. Em cinco anos, crescemos a uma média de 11,2% ao ano; já chegamos a crescer 14%.

Se é possível, porque já fizemos isso, por que não continuamos? Nós hoje estaríamos à frente da China, estaríamos entre as cinco maiores potências econômicas mundiais. Mas não. Trocamos a aliança com o Ocidente pela aproximação com a China e com as ditaduras

MUDAMOS DE LADO – Chamou minha atenção um artigo de Dagoberto Lima Godoy, um gaúcho que presidiu a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul e foi representante do Brasil na Organização Internacional do Trabalho (OIT), das Nações Unidas. Ele é experiente e consciente. No artigo, pergunta se mudamos de lado.

Nós éramos parte do Ocidente; não somos mais? Entramos nos Brics, um bloco dominado pela China. Vejam a Dilma Rousseff, presidente do Banco dos Brics. Falam em Sul contra Norte, está mais para Ocidente contra o Oriente.

De quem tomamos partido atualmente? Da Nicarágua, de Cuba, da Venezuela, do Irã. Eu me lembro do episódio em que duas belonaves iranianas chegaram ao Rio de Janeiro e lá ficaram, enquanto os americanos diziam se tratar de navios espiões. E toda a nossa ligação com a China, pedindo que os chineses façam censura nas redes sociais brasileiras? Será que mudamos de lado?

BRASIL ERA PRAGMÁTICO – Estou há 50 anos em Brasília; antes disso, fiquei três anos no exterior, e por isso tenho certa afinidade com a política externa, que acompanhei e ainda acompanho. A política externa brasileira era uma política de Estado, era a política do Brasil. O Itamaraty tinha uma tradição de pragmatismo responsável.

O governo militar, por exemplo, foi o primeiro a reconhecer o governo comunista de Angola. Em primeiro lugar, vinham os interesses nacionais; a ideologia ficava para trás. Mas hoje o que temos é a ideologia em primeiro lugar. É não qualquer ideologia, mas a ideologia de Lula e do PT, que não corresponde à ideologia de um país conservador como o Brasil.

Mas a maré virou. Longe de ser um estadista, hoje Lula se posiciona contra os Estados Unidos. E sua defesa do Irã mostra que, mais uma vez, o governo Lula está distante do povo brasileiro

VOTO IMPRESSO – Nós falamos tanto da necessidade do voto impresso, e lá no Peru houve a maior confusão com as cédulas na eleição de domingo. Obviamente, não é isso que desejamos aqui no Brasil. A cédula peruana é uma coisa enorme, onde o eleitor vai assinalando seus candidatos, e pondo na urna. Faltaram cédulas, que são fornecidas pelo organizador das eleições – lá não existe Justiça Eleitoral.

O responsável pela logística da eleição foi até preso pela polícia, porque muita gente está dizendo que foi tudo de propósito, para as pessoas não votarem. A filha do ex-presidente Alberto Fujimori foi a mais votada e vai para o segundo turno, mas ainda não se sabe contra quem.

Tudo isso para lembrarmos que logo teremos eleição aqui. A presidente do TSE, Cármen Lúcia, decidiu sair um mês antes; Nunes Marques assume no lugar dela, e seu vice será André Mendonça. Mas não basta apenas mudar as pessoas; o eleitor tem necessidade de saber como o seu voto é contado. Aqui na Europa, foi isso que os tribunais decidiram: não pode haver um sistema de apuração em que o eleitor não consiga entender como é computado o seu voto.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Bolsonaristas consideram Caiado como a peça-chave para travar vitória de Lula no 1º turno

“Política é guerra”: Marçal se lança como braço político de Flávio Bolsonaro

Defesa de Filipe Martins acusa STF de ignorar risco à vida e leva caso a instância internacional

Defesa de Martins apresentou recurso ao STF

Fábio Zanini
Folha

A defesa do ex-assessor presidencial Filipe Martins apresentou embargos de declaração ao STF (Supremo Tribunal Federal) sobre uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que o manteve preso em uma cadeia de Ponta Grossa, no interior do Paraná.

Segundo os advogados, “o STF ignorou fatos centrais e produziu uma decisão formalmente válida, mas desconectada da realidade do caso”.

RISCO À INTEGRIDADE – O principal argumento da defesa é que há um documento técnico da autoridade penitenciária do Paraná reconhecendo risco à integridade física do ex-assessor bolsonarista em ficar no local e indicando a necessidade de providências.

Martins foi um dos condenados pelo STF pela participação na trama golpista. Segundo a sentença que o condenou, ele foi um dos responsáveis pela chamada minuta do golpe. Preso no final do ano passado, o ex-assessor chegou a passar um tempo no Centro Médico Penal, de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. A defesa do ex-assessor afirma que o local tem melhor estrutura e condições de segurança.

A defesa também entende haver uma contradição do STF, que em decisões recentes reconheceu que informações técnicas de autoridades públicas são suficientes para fundamentar decisões.

VIOLAÇÃO – Outro ponto de reclamação é que o STF ignorou o pedido de que seja feito comunicado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, “diante de indícios de violação à integridade de pessoa sob custódia do Estado”.

“Em síntese, a defesa sustenta que o STF deixou de enfrentar o mérito real da controvérsia, ignorou prova técnica relevante e silenciou sobre um pedido de alcance internacional, o que pode levar à nulidade do acórdão ou à sua revisão”, diz a defesa de Martins.

Missão por Ramagem trava no Senado e expõe cálculo político de Davi Alcolumbre

PF apura suposta mesada a Lulinha e mira elo central em esquema do INSS

Violões em funeral, com Sílvio Caldas chorando a morte de Noel Rosa

Silvio Caldas., "Cantando desde criança, iniciou a carreira artística  profissional quando em 1927 foi convidado por Antônio Gomes, conhecido como  “Milonguita”, para atuar na Rádio Mayrink Veiga na ...

Silvio Caldas fez um tributo a Noel

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Sílvio Narciso de Fiqueiredo Caldas (1908-1998), o famoso Sílvio Caldas, compôs em parceria com Sebastião Fonseca “Violões em Funeral”, cuja letra retrata o bairro carioca de Vila Isabel, que se fez luto com a morte do compositor Noel Rosa. O samba foi gravado por Sílvio Caldas, em 1951, pela Continental.

VIOLÕES EM FUNERAL
Sebastião Fonseca e Sílvio Caldas

Vila Isabel veste luto,
Pelas esquinas escuto,
Violões em funeral´.
Choram bordões, choram primas,
Soluçam todas as rimas,
Numa saudade imortal

Entre as nuvens escondida,
Como de crepe vestida,
A lua fica a chorar.
E o pranto que a lua chora,
Goteja, goteja agora,
Nos oitis do boulevard.

Adeus cigarra vadia,
Que mesmo em tua agonia,
Cantavas para morrer.
Tu viverás na saudade
Da tua grande cidade,
Que não te há de esquecer.

Adeus poeta do povo,
Que ressuscitas de novo,
Quando na morte descambas
Sinhô, de pele mais clara,
No qual o senhor encarnara,
A alma sonora dos sambas

Meu violão chora tanto,
Soluços e muito pranto,
Sobre o caixão de Noel
Estácio, Matriz, Salgueiro,
Todo o Rio de Janeiro,
Consola Vila Isabel.

Com recuo de Alcolumbre, Jorge Messias já teria votos chegar ao Supremo

No escândalo do baita prejuízo do BRB, falta prender o ex-governador Ibaneis

O mundo político acredita que o governador do Distrito Federal, Ibaneis  Rocha, pretende atribuir a responsabilidade sobre a compra do Banco Máxima  ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa.

Charge do Reginaldo Veras (Google)

Raquel Landim
Estadão

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi pego pelos investigadores da Polícia Federal em conversas para lá de comprometedoras com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Poucas vezes em investigações de corrupção encontraram-se provas tão robustas.

“Conversei com a minha esposa e estaremos em SP na próxima semana. Seria legal mostrar o apartamento para ela. Assim, ela também vai se ambientando”, escreveu Paulo Henrique Costa.

“Vou te passar uma pessoa que te mostrará o apartamento”, responde Vorcaro.

CORRETORA – Em outro ponto das mensagens apreendidas no celular do ex-banqueiro, Vorcaro recomenda a corretora encarregada de mostrar o imóvel. “Preciso dele feliz. Reverte isso aí.”

Aliás, imóveis, no plural. São seis apartamentos de alto padrão nos pontos mais caros de São Paulo e Brasília avaliados em R$ 146,5 milhões. Eles seriam repassados por Vorcaro a Paulo Henrique Costa por meio de rede de laranjas como compensação pela aquisição das carteiras fraudulentas do Master pelo BRB e, eventualmente, pela compra total do banco falido. Parece muito dinheiro. Mas é pouco diante do rastro de prejuízo que o esquema deixou para o contribuinte do Distrito Federal.

Como costuma acontecer em casos de corrupção, a propina está na casa dos milhões e o prejuízo causado aos cofres públicos gira em torno dos bilhões.

SEM BALANÇO – O BRB, banco distrital, tem um rombo ainda sem valor definido, porque deixou de apresentar balanço.

Estima-se hoje que a diferença entre ativos e passivos esteja entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões. O banco precisa de um aporte do governo do DF ou de socorro do governo federal, que se recusa a pagar a conta, ainda mais de um opositor político.

O ex-governador Ibaneis Rocha diz que nada sabe. A nova governadora Celina Leão tenta vender ativos, mas encontra dificuldades – o mercado quer, obviamente, um baita desconto.

MAIS UM CELULAR – A PF desconfia que Paulo Henrique Costa não agiu sozinho. Nesta quarta fase da Operação Compliance Zero, não só prendeu o ex-executivo como apreendeu seu celular.

Podem estar lá as respostas para o real envolvimento de Ibaneis no caso e outras conexões que mantinham o executivo no comando do banco.

Na polêmica acareação entre Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, quando o relator ainda era o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Paulo Henrique Costa entregou um celular e um notebook em “sinal de boa vontade”.

Só que o aparelho apreendido agora é outro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Excelente artigo, enviado por Mário Assis Causanilhas, deixa uma pergunta no ar: Se o presidente do BRB levou quase R$ 150 milhões, quanto deverá ter recebido o governador Ibaneis Rocha, que era chefe dele? Em suma, os governantes são os piores criminosos do país. (C.N.) 

Oposição domina redes e usa contra Lula os combustíveis e o endividamento

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Rafaela Gama
O Globo

Em meio ao anúncio das medidas do governo para o controle da cobrança sobre os combustíveis, a alta dos preços e o crescimento do endividamento dos brasileiros têm sido explorados pela oposição, que domina o embate sobre esses temas nas redes sociais, mostra um levantamento produzido pelo Instituto Democracia em Xeque. Ao longo da última semana, a direita concentrou 53% das publicações mapeadas sobre o assunto, enquanto a esquerda teve 29% das publicações e a imprensa foi responsável por 18% do conteúdo.

O relatório produzido pelo instituto levou em consideração cerca de 3.580 posts reunidos em agrupamentos, denominados “clusters”, e que geraram mais de 56 mil interações. Do lado da direita, se manifestaram sobre o tema o deputado estadual Thomas Abduch (Republicanos-SP), vice-líder do governo de Tarcísio de Freitas na Assembleia de São Paulo, que comparou a atual gestão ao governo anterior.

ÍNDICES – “Jair Bolsonaro passou por pandemia e os preços dos combustíveis não atingiram esses altos índices”. Na publicação, o parlamentar também disse que “espera que nas eleições os eleitores não se esqueçam de que o presidente Lula prometeu tudo e não entregou nada”.

As postagens feitas pela direita relacionadas ao tema também buscaram conectar o aumento dos preços dos combustíveis aos dados de crescimento do endividamento no país, explica o pesquisador Alexsander Dugno Chiodi, coordenador de Relatórios do Instituto Democracia em Xeque.

“O debate passou por um reenquadramento na última semana. O foco, que estava mais concentrado no preço dos combustíveis antes, começa a incorporar seus efeitos sobre o custo de vida, sobretudo no preço dos alimentos. A divulgação de indicadores, como o IPCA, e as ações de fiscalização, como a Operação Vem Diesel, mostram que o tema segue reagindo tanto a dados econômicos quanto a iniciativas do governo. Esse movimento amplia o alcance da discussão, pois conecta o tema a experiências mais diretas da população”, Chiodi afirma.

ENDIVIDAMENTO – Entre os que adotaram a estratégia, o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse, na legenda de um post feito no Instagram, que “Lula jogou os trabalhadores aos leões, com milhões de brasileiros endividados e negativados”.

Já o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) disse que o presidente “é pior que praga do Egito”, ao comentar o cenário de endividamento, e afirmou que “esse pesadelo acaba esse ano”, em referência à candidatura de Flávio. “O Lula tirou a Janja e o Lulinha da miséria, o restante da população está endividada”, também escreveu o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

DESENROLA – O mesmo tema também foi explorado no perfil oficial do PL, que publicou uma ilustração de uma pessoa “afundada em contas bancárias” e criticou o governo pelas consequências que teriam sido deixadas pelo programa de renegociação de dívidas, o Desenrola.

“O que seria a solução, não enfrentou a raiz do problema. Os juros altos, o custo de vida pressionado e a falta de orçamento das famílias fizeram o brasileiro se enrolar cada vez mais. O resultado? Milhões voltando para o vermelho. No papel, alívio. Na prática, o ciclo da dívida continua. Até quando o brasileiro vai pagar essa conta?”, perguntou.

REAÇÃO GOVERNISTA –  Em resposta, perfis governistas têm focado na divulgação de propostas lançadas pelo Planalto e vistas como alternativas para a recuperação da popularidade do presidente. “Lula deu o recado: o povo brasileiro está unido pelo fim da escala 6×1”, dizia a legenda de uma publicação feita pelo perfil oficial do PT no Instagram. A postagem também incluía um trecho de uma entrevista concedida pelo presidente, na qual ele anunciou o envio ao Congresso de um projeto de lei sobre o tema para tramitação em urgência.

Nas publicações feitas por parlamentares de esquerda, também prevalecem comparações entre a atual gestão e Flávio, como um vídeo publicado pelo deputado federal Helder Salomão (PT-ES), que compara falas dos dois. “Enquanto o governo Lula trabalha para reconstruir o país, Flávio Bolsonaro fala em desmontar políticas públicas”, dizia a legenda. Além dele, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que o filho do ex-presidente “é igual ao pai e vai perder para Lula, assim como ele”.

Paulo Guedes critica rumos da economia e afirma que a classe média está sendo esmagada

Moraes pressiona, mas Fachin trava julgamento sensível sobre delações premiadas

Na Europa, Lula fala em “extremismo vivo” no Brasil e entra de vez no tom eleitoral

Lula citou em discurso condenação de Bolsonaro e generais

Jeniffer Gularte
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos generais quatro estelas pela trama golpista ao discursar neste sábado na Espanha. Em tom eleitoral, o petista afirmou que o “extremismo no Brasil não acabou” e vai disputar a corrida presidencial neste ano:

— No meu Brasil nós acabamos de derrotar o extremismo, temos um ex-presidente preso condenado a 27 anos de cadeia, temos quatro generais quatro estrela presos porque tentaram dar o golpe, mas o extremismo não acabou, ele continua vivo e vai disputar eleição outra vez, mas esse é um problema nosso, do povo brasileiro, esse a gente lida com as nossas forças e as nossas armas — disse Lula em Barcelona, durante a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre.

CRÍTICAS – Lula não mencionou nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas fez críticas diretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O petista condenou a postura do líder americano em relação a guerra do oriente médio e suas ameaças de novos conflitos pelas redes sociais.

“Não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia a noite com um Twitter de um presidente da república ameaçando o mundo, fazendo guerra. Todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual eles são membros e fazem parte do conselho”, afirmou.

Lula também criticou os reflexos econômicos no conflito na economia interna dos países. No Brasil, há repercussão no preço dos combustíveis e no alta do preço dos alimentos: “A ONU não pode ficar silenciosa e ver o que está acontecendo no mundo. O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, aumenta o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar a irresponsabilidade de guerras que ninguém quer. O mundo não está precisando de guerras”.

REGULAÇÃO DAS MÍDIAS – O presidente também defendeu a regulação das mídias sociais, citou que “controlar as plataformas digitais, impor regras democráticas, é uma questão mundial” e apontou que a Organização das Nações Unidas (ONU) poderia ter papel importante nesse processo:

“A ONU é um instrumento valioso, se ela funcionar, e precisa funcionar para garantir que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro. Não pode um presidente da república interferir na eleição de outro, pedir voto para outro, cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial?”, questionou.

Cármen Lúcia admite perda de confiança no Supremo e cobra reação dos ministros