PT pede inelegibilidade de Nikolas e leva à Justiça o caso de suposto documento falso

“Supremo e os 9” é uma crise pode derrubar Moraes ou Mendonça, diz pesquisador

Charge do Miguel Paiva (Brasil 247)

Deu na CNN

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) atingiu um nível tão grave que o debate já não é mais sobre os desdobramentos das acusações, mas sim sobre quem conseguirá sobreviver politicamente ao conflito. A avaliação é de Felipe Recondo, jornalista e pesquisador do STF, ao WW.

Segundo Recondo, diante do volume e da gravidade das suspeitas que pesam sobre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, torna-se cada vez mais difícil imaginar que ambos permaneçam no Tribunal ao final desse processo. “Começo a apostar no Supremo e os 9”, afirmou, em referência à possibilidade de que um dos ministros não sobreviva à crise.

ACUSAÇÕES – Recondo destacou que é preciso separar dois conjuntos distintos de suspeitas. De um lado, estão as acusações contra Alexandre de Moraes, que envolvem seu suposto relacionamento com Daniel Vorcaro, o contrato da esposa do ministro, além de ligações, mensagens e uso de cartão de crédito. Do outro, há a acusação de que André Mendonça teria utilizado a Polícia Federal para direcionar investigações contra colegas.

O pesquisador ressaltou que essa segunda acusação tem origem em um relatório produzido por uma parte da Polícia Federal que, segundo ele, estaria “em guerra” com Mendonça. Ainda assim, Recondo foi enfático: “Sendo isso verdade, é também grave.”

Para ele, se fosse estabelecido como prática que um ministro pode usar delegados para conduzir investigações direcionadas contra colegas, as consequências seriam “extremamente graves” para o funcionamento das instituições.

NOVOS RUMOS –  Recondo também apontou que o desfecho da crise pode estar atrelado ao processo eleitoral. “A depender do processo eleitoral e do Senado no ano que vem, nós tenhamos algum tipo de consequência para essa ruptura que existe hoje dentro do Supremo”, disse.

Para ele, a situação é “sem precedentes” e ainda aguarda respostas formais dos envolvidos, além de eventuais medidas adicionais para tentar contornar o impasse.

“Nós estamos diante de acusações e suspeitas de lado a lado, que talvez nos levem a pensar quem é que sobrevive ao final desse processo, ou Alexandre de Moraes ou André Mendonça”, concluiu Recondo, reforçando que suas análises foram feitas no calor dos acontecimentos, sem que as respostas definitivas dos ministros envolvidos ainda tivessem sido apresentadas.

Setembro pode ser decisivo para a crise que tomou conta do STF

No 7 de Setembro, Tarcísio deixa desfile militar e vai ao culto com Flávio Bolsonaro

Lula e Flávio disputam o voto do trabalhador com projetos diferentes de país

Eleição promete ser decidida no confronto

Míriam Leitão
O Globo

Os eleitores dizem que o mais importante para decidir seu voto são as propostas: 45% apontam esse fator como decisivo à pesquisa Quaest. A ideologia do candidato é determinante para apenas 17% dos entrevistados, enquanto 14% avaliam o desempenho na televisão.

A questão é que esta campanha presidencial não deverá ser marcada pelas propostas, mas por uma disputa de ideias e, sobretudo, por um embate entre os candidatos.

REDUÇÃO DE JORNADA – No caso do trabalho, por exemplo, a proposta de Lula é a redução da jornada, com tudo o que isso significa em termos de aumento de conforto e qualidade de vida para os trabalhadores. Essa medida, no entanto, beneficia diretamente quem tem carteira assinada, que é apenas um segmento do mercado de trabalho.

Flávio Bolsonaro tem defendido o trabalho por hora, o que, a rigor, não representa uma novidade, pois essa modalidade já foi prevista na Reforma Trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer. O candidato do PL, porém, insiste nesse ponto numa tentativa de captar e consolidar o voto entre trabalhadores de aplicativos, que em muitos casos são remunerados por hora, além de uma parcela da juventude e dos trabalhadores por conta própria.

Como o mercado de trabalho brasileiro é muito heterogêneo e a redução da jornada é um benefício garantido principalmente aos trabalhadores formais, os informais, que representam uma parcela expressiva da força de trabalho, não seriam diretamente beneficiados pela medida.

No Brasil, a República já está à venda, sob o olhar perplexo de sua população

Tribuna da Internet | Brasil, o inverso de Singapura, exalta a democracia,  mas tolera a corrupção

Charge do Nani (nanihumor.com)

Marcus André Melo
Folha

“Urbem venalem et mature perituram, si emptorem invenerit’ (uma cidade à venda e condenada a perecer rapidamente, caso encontrasse um comprador). A frase, atribuída por Salústio a Jugurta, rei da Numídia, depois de ter corrompido senadores, diplomatas e tribunos da plebe, tornou-se a expressão máxima da corrupção política. Evoca não apenas a compra de autoridades, mas o colapso de uma República.

Jugurta concluiu que Roma estava à venda. No Brasil, a pergunta já não é apenas quem tentou comprar a República, mas quem se dispôs a negociar com o comprador — e quem utiliza o poder de julgar para impedir que saibamos a resposta. E é com isso que estamos nos deparando nos contra-ataques diversionistas disparados a toque de caixa.

FALSAS EQUIVALÊNCIAS – A estratégia parece clara: criar falsas equivalências. A que ponto chegamos? E como chegamos a esse ponto?

Crises de corrupção em cortes supremas são eventos raros. Quando alcançam a cúpula do Judiciário, abalam justamente a instituição encarregada de arbitrar os conflitos e impor limites aos demais Poderes. A crise é gravíssima.

Há, nesta crise, duas questões entrelaçadas. De um lado, a defesa da democracia e os abusos cometidos em seu nome. De outro, os desvios de conduta de ministros e a preservação do Supremo como instituição. No primeiro caso, a defesa da democracia converteu-se também em manto protetor dos abusos. No segundo, a defesa da corte passou a ser confundida com a blindagem de seus integrantes. A reconstrução institucional exige necessariamente separar essas duas ordens de questões.

TUMULTO PROPOSITAL – A estratégia defensiva dos envolvidos consiste justamente no contrário: reforçar deliberadamente sua confusão, como se investigar abusos significasse atacar a democracia e responsabilizar ministros significasse destruir o Supremo.

Problemas de desenho institucional pioram o quadro, mas os desvios são de ministros. A jurisdição criminal do Supremo, decisões monocráticas e estratégias processuais ativistas de seus ministros (processos colocados ou retirados da gaveta, acelerados ou paralisados com propósitos negociais e políticos) criam incentivos perversos.

Mas os desvios são individuais. A reforma da corte não os elimina. O ativismo processual voltado para autopreservação e autoblindagem confere ao caso uma gravidade sem paralelo. Contra-atacar com base no inquérito do fim do mundo assume contornos de escárnio e o clamor público que gerou é alvissareiro.

ESTAVA ESCRITO – A crise já estava escrita na pedra havia meses. Sabia-se que o protagonista do maior escândalo financeiro brasileiro que ameaçou com sicários jornalistas investigativos — manteve contatos nas horas que antecederam sua prisão com seu “consigliere”. Como no caso do ministro Toffoli, o procurador-geral da Repúblicatoma decisões de autoproteção. O problema, portanto, não nasce nesta semana nem depende das intenções do relator. O que emergiu foi a dimensão documental de relações cuja simples existência já deveria ter provocado respostas institucionais urgentes.

Uma República à venda. É isto que a sociedade observa perplexa. Mas o que está também sob escrutínio público é a resposta institucional da corte a sua degradação em virtude de ilícitos individuais.

Após campanha desencontrada, Flávio volta às origens e mira a direita bolsonarista

Mendonça se adianta e pede julgamento do parecer da PF que envolve Moraes com Vorcaro

Entenda o avanço da crise entre Moraes e Mendonça no STF dia a dia

Mendonça larga na frente e coloca logo as cartas na mesa…

Luísa Martins e Guilherme Pimenta
Folha

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), liberou para julgamento o relatório da Polícia Federal que aponta elo entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso devido às investigações de fraude à frente do Banco Master. Agora, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, decidir quando o pedido de investigação será analisado.

A decisão de Mendonça de liberar o processo para julgamento foi publicada neste domingo (6), às 15h04. Não há um pedido de data para que o relatório vá a julgamento.

SEM SIGILO – Na terça-feira (1º), André Mendonça, que é relator do caso Master, retirou o sigilo do relatório da PF que mostrava diálogos de Alexandre de Moraes e o banqueiro, incluindo uma mensagem na qual o banqueiro pergunta se deveria deixar o país, às vésperas de ser preso, em 2025. Não há informações sobre qual foi a resposta do ministro do Supremo.

O relatório contra Moraes deflagrou uma crise interna no STF. O ministro contra-atacou e pediu uma investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das fake news, alegando que houve abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade por parte de Mendonça no pedido de investigação.

No entanto, Fachin não somente retirou do inquérito das fake news o pedido de abertura de investigação feito por Alexandre de Moraes contra André Mendonça, como também defendeu o fim desse inquérito, aberto ainda em 2019 por determinação do então presidente Dias Toffoli.

INFORMAÇÕES – Na quinta-feira, Fachin na última semana determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações sobre o relatório da Polícia Federal a respeito dos diálogos com Vorcaro. O prazo acaba sexta-feira, dia 11.

As informações coletadas pela PF sob posse de Mendonça mostraram também que Moraes fez edições no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, antes de o documento ser assinado.

Apesar de já ter se manifestado pela nulidade do relatório das conversas entre Vorcaro e Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também ganhou prazo da confirmar se acha mesmo que Mendonça “se valeu da polícia” para “impor a investigação” do ministro, exercendo “atividades que não lhe foram assinaladas”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A situação não está nada boa também para Gonet, que é citado pela PF como íntimo de Vorcaro, a quem pedia favores. No sábado, a ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) requereu que Paulo Gonet se declare impedido de atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master, já que ele também é citado nos diálogos entre Vorcaro, Moraes e interlocutores. Esse posicionamento mostra que a Polícia Federal constatou mesmo que Gonet está envolvido com Vorcado. (C.N.)

Presidenciáveis fazem promessas irrealizáveis, sem indicar como pretendem fechar as contas

Desesperado, Moraes tem “chance zero” de escapar do pedido de impeachment

Troca de relator no caso Master é positiva, diz presidente da ADPF à CNN |  CNN Brasil

Felix de Paiva, da ADPF, preocupa-se com a investigação

Carlos Newton

As provas vão surgindo e se acumulando contra o ministro Alexandre de Moraes, que a cada dia vai ficando em pior situação e já passou a ter “chance zero” de evitar o pedido de impeachment, porque até mesmo seus maiores aliados no Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, não têm a menor condição de defendê-lo.

Atingido por acusações de corrupção tão graves quanto os crimes de Moraes, o amigo Toffoli está impedido pelo plenário de opinar sobre o caso Marques, por ser um dos investigados. Seu futuro é igual ao de Moraes – o impeachment, e a única dúvida é saber quem vai primeiro.

GILMAR FRACASSOU – O experiente ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo, é o maior aliado de Moraes, e até tentou protege-lo, alegando que o ministro André Mendonça estaria infringindo as regras do STF, uma prática que tem o próprio Gilmar como maior especialista, mas a manobra fracassou.

Essa tentativa de tumultuar a questão e salvar Moraes esbarrou na posição firme do presidente Édson Fachin, que insistiu em levar a questão ao plenário, e Gilmar também ficou sem ação.

Para não demonstrar ter desistido de apoiar Moraes, o decano Gilmar então apresentou uma proposta para proibir a atuação de policiais federais nos gabinetes dos ministros, mas isso não resolve nada para Moraes. Pelo contrário, serve apenas para demonstrar à Polícia Federal que é preciso moralizar o Supremo, a qualquer custo.

REVOLTA DOS DELEGADOS – A situação de Moraes se agravou muito no sábado, devido ao posicionamento firme da Associação dos Delegados da Polícia Federal, que enviou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma interpelação para que ele se declare impedido de participar com caso do Banco Master, por ter-se envolvido com o banqueiro Daniel Vorcaro.

No mesmo documento, a ADPF, que reúne quase 2 mil delegados federais, exige “que os fatos que vieram à tona pela operação Compliance Zero sejam apurados em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas“.

Acho que o episódio pode ser chamado de “A Revolta dos Delegados”, um fato inusitado e auspicioso, a demonstrar que ainda há autoridades no Brasil que não compactuam com o crime e a corrupção.

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P.S. 1
Em tradução simultânea, os policiais federais sabem a extensão do envolvimento de autoridades como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, atual diretor da PT, cuja namorada, a jornalista e lobista Renata Varandas, também está sendo investigado por sua ligação com Vorcaro.  

P.S. 2Assim, de antemão, os policiais federais já sabem muito bem quais foram as autoridades que agiram como milicianos e venderam proteção ao banqueiro Vorcaro. Se os ministros do Supremo tiverem juízo, vão enquadrar todos os envolvidos. Se não o fizerem, poderão agravar ainda mais a crise que emporcalha as instituições. (C.N.)

Flávio acusa Alcolumbre de engavetar o impeachment de Moraes e querer impichar Mendonça

Com R$ 3,4 milhões do PL, Michelle lidera corrida por recursos ao Senado no DF

Michelle lidera pesquisas de intenção de voto

Felipe Gelani
O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) recebeu R$ 3,448 milhões do Partido Liberal para sua campanha ao Senado pelo Distrito Federal, segundo dados da prestação de contas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com o repasse, ela passou a ter a maior receita entre os 13 candidatos que disputam as duas vagas disponíveis no DF.

O valor corresponde à primeira transferência registrada pela direção nacional do PL para a campanha de Michelle e representa cerca de 90% do limite de gastos estabelecido pela Justiça Eleitoral para cada candidatura ao Senado no Distrito Federal, de R$ 3,81 milhões.

SEGUNDO LUGAR – A segunda maior receita é da senadora Leila do Vôlei (PDT), que busca a reeleição. Ela declarou R$ 3,05 milhões, sendo R$ 3 milhões repassados pelo próprio partido e R$ 50 mil provenientes do PSOL.

Na terceira posição aparece a deputada federal Bia Kicis (PL), que recebeu R$ 2,048 milhões do partido para a campanha ao Senado. As duas integram a mesma chapa do PL na disputa pelas cadeiras do Distrito Federal.

VALORES MENORES – Os demais candidatos que já declararam receitas têm valores significativamente menores. Sebastião Coelho (Novo) informou R$ 201,2 mil, Marley (Avante), R$ 125 mil, e Zanata (PSTU), R$ 10 mil. Os outros concorrentes ainda não haviam registrado arrecadação no sistema da Justiça Eleitoral.

Até o início desta semana, não havia despesas registradas nas campanhas de Michelle e Bia Kicis no sistema do TSE. O volume de recursos destinado a Michelle ocorre em meio à liderança da ex-primeira-dama nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento da Quaest divulgado em 28 de agosto mostra Michelle com 25% das preferências para o Senado, à frente de Leila, com 17%, e da deputada federal Erika Kokay (PT), com 12%. Bia Kicis aparece com 9%.

Sem alternativa ao centro, eleição de 2026 se torna a “escolha do menos ruim”

Homem moderno não tem tempo para se espantar com os mistérios do mundo 

Essa frase de Sócrates é quase um alerta para os nossos tempos. A gente vive correndo com trabalho, compromissos, redes sociais, tarefas, obrigações que se acumulam. A agenda está sempre cheia, masLuiz Felipe Pondé
Folha

Sócrates, no Teeteto, diálogo escrito por Platão, afirma “Esta é a paixão do filósofo: o espanto. Não há outra origem da filosofia senão esta”. A palavra para espanto é “thaumazein”. Nela, ainda podemos entender “admiração profunda” ou algo similar. Repito: ainda é possível sentirmos tal espanto diante do mundo? A resposta deve ser cuidadosa. Temo que não — por razões históricas, econômicas, sociais, políticas e técnicas, além do surgimento da ciência moderna.

Ao falar em espanto ou admiração profunda não devemos pensar em coisas como “sinto espanto diante da política miserável do Brasil” ou “tenho uma admiração profunda pela obra de Dostoiévski”.

FRENTE AO MISTÉRIO – Esse espanto do qual fala Sócrates é uma experiência estética radical —no sentido da sensação profunda que nos acomete diante do que não conhecemos, do infinito do universo, do puro mistério do Ser a nossa volta— que estabelece todo um modo de pensar.

Dito de outra forma: o espanto socrático determina a cognição do mundo, ou seja, o modo como conhecemos o mundo, a forma como nos movemos nele e o sentido que atribuímos a ele. Esse espanto é o oposto da banalidade do cotidiano.

Hoje, talvez, só um astronauta vendo a Terra de fora, pequenina, mas tão essencial para nós, contra o universo escuro, indiferente e misterioso, pode nos aproximar do que diz o filósofo grego.

INSIGNIFICÂNCIA – Estamos aqui, perto do conceito de sublime definido por Kant, que é a nossa capacidade moral de compreender o infinito diante de poderes e grandezas que nos esmagam, mas que podemos, em nossa insignificância — talvez por causa dela — contemplá-las por causa de seu significado infinito, poderoso e misterioso.

De novo: ainda somos capazes hoje, sem sair do planeta e ir para o espaço, de ter essa experiência do espanto? Temo que não. A razão dessa impossibilidade é o fato de o mundo estar desencantado, segundo o sociólogo Weber.

O que seria esse desencantamento? O encanto aqui, em oposição ao desencantamento, teria algo a ver com a experiência religiosa? Por que o desencantamento implicaria a impossibilidade do espanto do qual fala a filosofia?

DIZIA HESCHEL – Aprofundemos essa questão. Vejamos outro filósofo, esse contemporâneo, que também constrói toda uma filosofia a partir da ideia de espanto, admiração, maravilhamento.

Refiro-me ao filósofo judeu do século 20, Abraham Joshua Heschel. Logo sairá uma nova edição do seu clássico “Deus em Busca do Homem”, em nova tradução feita por Andrea Kogan, pela Companhia das Letras.

Heschel chega mesmo a propor uma pedagogia de admiração e maravilhamento com o mundo. Por exemplo, o lugar do shabat — o sábado sagrado que começa na sexta com a primeira estrela — no judaísmo, como dia em que não se trabalha e nos dedicamos a Deus, indo à sinagoga, estando com a família, é um momento em que o tempo se abre a uma dimensão não centrada na labuta, no cálculo do sucesso.

TRANSFORMAÇÃO – Nesse sentido, “constrói-se um castelo no tempo”, segundo Heschel, via sensações e a percepção de uma vida que não é esmagada por obrigações cotidianas de sobrevivência.

Uma interrupção no tempo contínuo profano, como diria o historiador Mircea Eliade, em oposição ao tempo sagrado, o shabat, que se abre a Deus, transformaria nosso modo de estar no mundo. Essa transformação, em tese, nos levaria ao encanto, ao espanto, à admiração diante da pura existência das coisas. Aqui adentramos o solo da realidade como “um santuário”, como diria o próprio Heschel. 

Um dos efeitos colaterais do tempo cotidiano repetitivo é a banalização do próprio tempo contado em minutos a serviço da demanda por resultados. Heschel estabelece, assim, uma crítica da vida moderna como asfixia do maravilhamento com as coisas. Quem está ocupado o tempo todo torna-se cego para com o mistério do mundo.

DESENCANTAMENTO – A proposta de Heschel se choca até com o desencantamento do mundo, levado a cabo pela percepção deste como apenas um conjunto de causas e efeitos calculados matematicamente que destroem o mistério, reduzindo tudo a nossa volta a objetos da engenharia de resultados.

 Daí emerge nossa questão aqui. O mundo antigo, talvez pela sua própria ignorância com relação à cadeia de causas que regem as coisas, estaria mais aberto a uma percepção do mistério dessas mesmas coisas? Tendo vivido quase toda a sua existência imersa no mistério, como ficaria nossa espécie, agora, que só vê à sua volta recursos e métodos para transformar o mundo na sua própria imagem?

Polarização avança no Senado, mas direita e esquerda ficam longe de uma maioria

Defesa de Lulinha avalia usar relatório da PF para tentar arquivar investigação

Advogados dizem que dados “confirmam a pesca probatória”

Bela Megale
O Globo

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva estuda renovar o pedido de arquivamento das investigações que envolvem o filho do presidente Lula. O novo pedido deve ser baseado no relatório da Polícia Federal usado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para pedir a investigação do colega de corte André Mendonça.

— O relatório da PF confirma tudo o que a defesa vem dizendo desde o início das investigações. Não há nos autos nada que relacione Fábio ou a (lobista) Roberta Luchsinger, direta ou indiretamente, aos desvios do INSS — afirmou Marco Aurélio Carvalho, advogado de Fábio Luís. Ele disse ainda que os dados “confirmam a pesca probatória denunciada pela defesa desde o início do processo”.

MAIOR RIGOR – O documento da PF apontou um possível tratamento mais rigoroso de Mendonça, que é relator dos casos de desvios do INSS que geraram os inquéritos envolvendo Fábio Luís, do que em ações contra outros investigados.

O relatório da PF ainda cita que membros da corporação vinculados à investigação registraram que as conclusões de Mendonça envolvendo Lulinha e Roberta não teriam “lastro probatório”.

Diz ainda que não haveria como comprovar que Roberta Luchsinger teria conhecimento de que recursos recebidos de investigados pelos desvios do INSS provinham da fraude. O filho do presidente é acusado de tráfico de influência para favorecer a lobista junto a órgãos do governo federal. O documento que deve ser usado pela defesa de Lulinha, no entanto, é descrito pela própria PF como “sem valor probatório”.

Moraes ainda sonha (?) em envolver o STF no caso, para evitar o pedido de impeachment

Ana Pompeu
Folha

Uma ala de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) tem avaliado a tentativa de Alexandre de Moraes de abrir uma investigação contra André Mendonça como uma ação para envolver todo o tribunal na disputa. A medida, anunciada na quinta (3), gerou desconfortos internos, especialmente entre magistrados próximos a Mendonça.

Para um grupo de ministros, Moraes tenta equiparar condutas de diferentes colegas surgidas ao longo da investigação do caso do Banco Master e angariar apoios internos. Dessa forma, ele contaminaria todo o tribunal e ampliaria a crise já instalada.

COMPARAÇÃO – Porém, ainda segundo esse grupo, as condutas apontadas por Moraes em suas acusações a Mendonça não são comparáveis ao elo de intimidade identificado entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Há, ainda, um entendimento de que Moraes também extrapolou na resposta a Mendonça ao escolher o inquérito das fake news como meio de contra-ataque. O procedimento é controverso e há uma discussão ao menos desde a gestão de Luis Roberto Barroso (2023-2025) de que ele deveria ser encerrado.

Dessa forma, essa ala de ministros argumenta que Moraes abriu ainda mais espaço para críticas à corte e afastou o tribunal da possibilidade de retomar a normalidade. Segundo essa visão, Moraes deveria ter somente enviado um ofício ao presidente da corte pedindo providências diante do que considerou abuso de autoridade por parte de Mendonça.

FACHIN AVISOU – Os ministros relatam, nos bastidores, terem sido avisados por Fachin, presidente do STF, da decisão de pedir explicações a todos os envolvidos no caso: Mendonça e Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A decisão de Moraes no âmbito do inquérito das fake news, no entanto, pegou colegas de surpresa. Para os magistrados críticos aos métodos de Moraes, ele poderia explicar as alegações contra ele em vez de envolver outros membros, que nunca foram próximos a Vorcaro.

Na medida assinada na quinta, Moraes alega, sem provar, que haveria relatórios de inteligência da PF que falam em direcionamento da produção de provas para falsa imputação de crimes a ministros do STF, com expressa citação a ele próprio, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

O QUE EXISTE – O filho de Kassio, o advogado Kevin de Carvalho Marques, recebeu R$ 281,6 mil entre 2024 e 2025 de uma consultoria que atuou para o Master. Já o filho de Fux, Rodrigo Fux, recebeu uma oferta de ingresso para o camarote VIP de Daniel Vorcaro na Marquês de Sapucaí. Convidado pelo ex-banqueiro, ele assistiu ao Desfile das Campeãs do Carnaval do Rio, em 2025.

No caso de Toffoli, a Folha revelou em janeiro que empresas da família foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos do Master. A informação desencadeou o processo que culminou com a saída do ministro da relatoria da investigação, em fevereiro.

O caso de Moraes inclui a revelação de que o escritório de advocacia da esposa dele, Viviane Barci de Moraes, recebeu R$ 80 milhões do Banco Master, além das comprometedoras mensagens de Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa.

IMPEACHMENT – Também despertou incômodo o fato de Moraes ter incluído crime de responsabilidade nas práticas que quer ver apuradas. A escolha foi vista como um sinal de que o magistrado tenta criar a possibilidade de impeachment de Mendonça.

De acordo com Moraes, o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação “por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares” a serem apresentadas pela Polícia Federal.

Nesse caso, aliados de Mendonça no tribunal afirmam que Moraes é o alvo do maior número de pedidos do tipo no Senado, casa legislativa responsável por processos desse tipo, enquanto o relator do Master é destinatário de apenas um.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMoraes está delirante.  Foi apanhado em flagrante delito, mas ainda pensa (?) que pode escapar ileso. Sonhar não é proibido nem paga imposto. Porém, o caso é tão grave que, sinceramente, o ministro não pode estar em seu juízo normal. Será que a mulher dele e os filhos pensam (?) a mesma coisa, ou já perceberam que o tombo será gigantesco e a família jamais será como antes? (C .N.)

Gilmar formaliza proposta para barrar delegados da PF e militares dos gabinetes do STF

Confronto entre Moraes e Mendonça divide ministros e leva crise ao limite

Zanin pede responsabilização de Dallagnol por expor dados fiscais e bancários sigilosos

Dallagnol diz documentos são necessários para sua defesa

Deu no G1

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, pediu neste sábado (5) ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná para responsabilizar o ex-procurador da República, Deltan Dallagnol, pela violação de seu sigilo fiscal e bancário.

Segundo o ministro, reportagem publicada hoje pelo portal Metrópoles informa que Dallagnol anexou, em seu pedido de registro de candidatura ao Senado Federal, pelo partido Novo, documentos fiscais e bancários relacionados ao ministro do STF que têm proteção de sigilo, legal e processual. Ele também pede providências sobre o assunto.

IMPUGNAÇÕES – Em suas redes sociais, Dallagnol informou que apresentou à Justiça do Paraná cópias de procedimentos do Conselho Nacional do Ministério Público para responder às impugnações de sua candidatura.

“Entre esses procedimentos está a reclamação disciplinar proposta por Cristiano Zanin [quando ele representava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva] contra Deltan e outros procuradores, que tinha milhares de páginas. Os dados fiscais e bancários do então advogado estavam incluídos como parte dessa reclamação”, diz o ex-procurador.

Segundo ele, as cópias das reclamações foram apresentadas de “forma integral pelos advogados para não omitir nenhum dado ou informação que pudesse ser relevante para a avaliação de seu conteúdo, de forma transparente e zelosa”.

“DADOS ESSENCIAIS” –  Deltan Dallagnol diz, ainda, que como cada pedido de registro de candidatura toma em conta as informações e provas disponíveis no momento de sua apresentação, os “dados são essenciais para a decisão da Justiça Eleitoral”.

“A defesa do candidato [Dallagnol] jamais teve a intenção de expor dados do então advogado, [de Lula à época, Cristiano Zanin] mas sim de exercer com plenitude o direito político de candidatura, demonstrando cabalmente sua elegibilidade”, acrescentou o ex-procurador da República.