Erro de Mendonça abre caminho para outro de Dino e especialistas apontam atropelos jurídicos

PSD agora hesita em bancar Ronaldo Caiado e enfrenta pressão por recursos para candidatos

“Aqui é um problema nosso”: Lula confronta Trump e diz que eleição definirá futuro da democracia

Moraes perdeu mais do que Mendonça com as decisões anunciadas por Fachin

Tribuna da Internet | Processo contra Moraes nos EUA é grave, porque  desmoraliza o ministro e o Brasil

Ilustração reproduzida do Correio Braziliense

Rafael Moraes Moura
O Globo

O “pacote” de decisões anunciado nesta quarta-feira (9) pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, marca dois duros reveses ao ministro Alexandre de Moraes, que não só perdeu a relatoria do inquérito das fake news, como se viu confrontado com o agendamento do julgamento na próxima terça-feira (15) que vai analisar o explosivo relatório da Polícia Federal que se debruçou sobre as mensagens trocadas entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Antagonista de Moraes, André Mendonça também saiu perdendo, ainda que em proporção menor, já que Fachin derrubou a decisão do colega que havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal. Mas Mendonça conseguiu emplacar a sua reivindicação principal: a convocação de uma sessão extraordinária para avaliar a relação promíscua de Moraes e Vorcaro.

SESSÃO ANTECIPADA – O plenário da Corte costuma se reunir às quartas e quintas-feiras, mas a escalada da crise fez Fachin convocar uma sessão extraordinária já para a manhã da próxima terça-feira.

Fachin também suspendeu um procedimento aberto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a confecção do relatório da PF sobre as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, feito a pedido de Mendonça.

E, pelo menos por enquanto, Mendonça segue na relatoria das investigações dos dois esquemas bilionários de corrupção, apesar das ilações feitas por Moraes de “fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” por parte do relator do caso Master.

JÁ ERA HORA – “Fachin finalmente usou o poder da caneta que tem. Já era hora”, resumiu uma fonte que acompanha de perto os desdobramentos da crise.

O julgamento sobre Moraes vai escancarar as divisões internas da Corte, testar a adesão ao plenário à defesa incondicional do ministro e lançar luz sobre três personagens considerados peça-chave na definição do resultado: Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e o próprio Fachin, que passou esta quarta-feira em uma maratona de conversas reservadas com os colegas para achar uma solução para a crise.

Ao retirar a relatoria do inquérito das fake news das mãos de Alexandre de Moraes, Fachin frisou que a medida era necessária para “estabelecer segurança jurídica e adequada delimitação institucional”. Fachin manteve com Moraes apenas os casos de ações penais já instauradas no âmbito do inquérito das fake news, com denúncia recebida.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Pensar que Fachin vai votar a favor de Moraes é maluquice. O fato concreto é que Fachin quer ser lembrado como o maior presidente que o Supremo já teve. O cavalo passou encilhado diante dele e ele não vai perder a oportunidade de montar, com diz o velho ditado. Fachin sabe que, se deixar Moraes sair incólume, a culpa será dele. E isso ficará registrado na História Republicana. (C.N.)

Incapaz de agir, STF arrasta Lula na crise, que desonra cada vez mais o Judiciário

Charge - Estado de MinasWilliam Waack
CNN Brasil

O Brasil assiste de boca aberta ao deprimente espetáculo de um Supremo que parece ter perdido a capacidade de agir. Em qualquer direção. Muito menos na direção que a maioria da sociedade, juristas e lideranças de vários setores consideram a direção certa, que é a de examinar fatos envolvendo seus integrantes, investigá-los e tomar as medidas legais cabíveis.

O envolvimento de integrantes do tribunal no maior escândalo financeiro da história continua sendo o problema central. Agravado por ações e reações de ministros em função de um jogo sujo de bastidores destinado a melar as investigações e transformar investigadores em investigados.

CASO DE ANDREI – Foi nesse contexto que se deu a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor geral da Polícia Federal, num gesto que provoca fortes discussões entre juristas, mas que tanto a ala de força do Supremo quanto o Palácio do Planalto consideram mera jogada eleitoral, destinada a favorecer a oposição, conforme a decisão de Flávio Dino para reintegrar o diretor da PF.

Estão preocupados com as pesquisas indicando perda de vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Talvez provocada também pela perda de legitimidade do próprio Judiciário.

Aliás, uma das principais articulações de cunho eleitoral em favor de Lula foi feita por um ministro do Supremo – enrolado no escândalo – com os presidentes das casas legislativas, também preocupados com investigações.

OLHOS VENDADOS – O que os ministros que se acham donos do Supremo não perceberam, e o Planalto também, é que a crise já não se limita a saber quem desrespeitou mais o rito processual. Além disso, também não funciona mais acusar alguém de métodos lavajatistas ou coisa que o valha.

A pergunta que o Supremo Tribunal Federal neste momento não consegue responder é simples: quem desonra mais a toga?

Moraes sai do inquérito das fake news e não manda mais em nada no STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin

Fachin tira Moraes das fake news e vai extinguir o inquérito

Mariana Muniz
Pepita Ortega
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tomou uma série de decisões para tentar contornar a crise enfrentada pela Corte, entre elas o agendamento para a próxima terça-feira, dia 15, de julgamento para tratar de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra troca de mensanges entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Além disso, Fachin assumiu a investigação do chamado inquérito das fake news, retirando Moraes da função, e suspendeu as decisões que tratavam sobre o afastamento do delegado-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, ao mesmo tempo que manteve o integrante da corporação no cargo. Mas isso não  significa que poderá escapar incólume, muito pelo contrário.

O CALENDÁRIO – O presidente do STF convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira, dia 15, às 10h, para analisar o processo que reúne mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, cujo sigilo foi retirado por decisão do ministro André Mendonça.

Quanto ao afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Fachin afirmou que as decisões sucessivas, em 24 horas, criaram um “inconciliável conflito de posições judiciais” e determinou que a controvérsia passe a ser tratada pela presidência da Corte.

Fachin também intimou o delegado Andrei a prestar informações em 48 horas. Somente depois dessa manifestação será analisada pela presidência do STF a permanência do delegado no comando da PF.  O presidente ainda manteve o prazo de 72 horas concedido a Mendonça para prestar esclarecimentos a respeito do caso, e que se encerra na sexta-feira.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fachin está conduzindo a crise de forma segura e cautelosa. O julgamento de terça-feira é importantíssimo, com resultado até agora indecifrável. Depois voltaremos ao assunto, que envolve o respeito às regras do Regimento do STF, conforme o jurista carioca Jorge Béja já advertiu aqui na Tribuna. (C.N.)

PF deflagra operação sobre Dark Horse e expõe novas suspeitas sobre dinheiro de Vorcaro

Lula agora exige quebra total do sigilo do caso Master e cobra explicações

Lula cobrou explicações sobre ‘crise institucional’ no Judiciário

Kellen Barreto
G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (9) a quebra completa do sigilo das investigações relacionadas ao chamado “caso Master”. Na ocasião, Lula também cobrou mais transparência sobre as apurações diante de um possível impacto à disputa eleitoral, na qual ele concorre ao quarto mandato.

A mensagem foi publicada em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno das investigações do caso Master. O embate ganhou força após o ministro André Mendonça, relator de processos ligados ao caso, retirar o sigilo de relatórios da Polícia Federal que expuseram trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

APURAÇÃO – Em reação, Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de apuração sobre a atuação de Mendonça. Os desdobramentos mais recentes da crise envolvem a decisão de Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. Nesta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino derrubou a medida e determinou a recondução dos dois delegados aos cargos.

Na mensagem publicada na rede social X, o presidente afirmou que o Brasil precisa de explicações diante do que classificou como “o maior crime financeiro da história do Brasil”. Na publicação, Lula também disse haver uma “crise institucional” que atingiu o Poder Judiciário e criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” de informações.

IMPACTO – Segundo ele, esses vazamentos têm impacto sobre a disputa eleitoral. O petista concorre ao quarto mandato. “O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu o presidente.

Ao final da mensagem, o presidente defendeu a abertura total das informações das investigações. “É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, afirmou.

Piada do Ano! Temer tenta apagar incêndio, pedindo que Moraes e Mendonça façam as pazes…

Flávio vira o jogo em Minas e acende alerta para Lula na corrida presidencial

Racha no STF leva campanha de Flávio Bolsonaro a temer contra-ataque de Moraes e Dino

Calendário de Fachin leva esta crise do Supremo para as vésperas do primeiro turno

Charge do Nando Motta (Brasil 247)

Mariana Muniz
O Globo

Os primeiros prazos estabelecidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para esclarecer os episódios que desencadearam a atual crise na Corte terminam nesta sexta-feira, dia 11. Até esta data, os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, assim como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, devem apresentar a Fachin suas manifestações sobre o relatório da PF.

O calendário que está sendo seguido pelo ministro indica que na próxima terça-feira, dia 15, poderá ser iniciado no plenário o julgamento que trata de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra uma comprometedora troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Neste julgamento será decidido se serão investigados o ministro Moraes, o procurador-geral Gonet e o delegado federal Andrei Rodrigues.

O OUTRO CASO – O cronograma é mais longo no segundo caso sob análise de Fachin, aberto a partir das acusações feitas por Moraes contra Mendonça. Nesse caso, o presidente do STF determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste primeiro, em cinco dias úteis. Somente depois será aberto um novo prazo, também de cinco dias úteis, para que Mendonça responda às imputações.

Moraes pediu investigação sobre o colega alegando indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na condução das investigações do caso Master e das fraudes do INSS.

Com isso, embora parte das respostas chegue ao gabinete da presidência do Supremo ainda nesta semana, os dois procedimentos só devem estar integralmente instruídos na segunda quinzena de setembro. Se seguir esse cronograma, uma decisão de Fachin sobre o destino da crise tende a ocorrer às vésperas do primeiro turno, num momento em que a disputa eleitoral já estará em sua fase decisiva.

CARÁTER DE INSTRUÇÃO – Entre a noite de quinta-feira e a manhã de sexta da última semana, Fachin reuniu os relatórios relacionados à crise em um mesmo procedimento, apartado e vinculado a seu gabinete. Ao determinar as manifestações, o presidente do STF fez questão de registrar que as medidas têm caráter de instrução e não representam uma conclusão prévia sobre a conduta dos envolvidos.

No despacho relacionado às acusações apresentadas por Moraes, Fachin afirmou que as providências foram tomadas “sem antecipação de juízo quanto à admissibilidade, à regularidade do procedimento ou ao mérito das imputações”. Segundo ele, somente depois do encerramento dos prazos, com ou sem manifestação dos envolvidos, os questionamentos serão analisados.

Caberá então a Fachin decidir qual será o próximo passo dos dois casos. Entre as possibilidades está a remessa da controvérsia ao plenário do STF, caminho defendido por Mendonça. Ainda não há, porém, uma definição sobre se os ministros serão chamados a deliberar coletivamente nem sobre a forma como isso ocorreria.

RITO DE MANIFESTAÇÕES – O calendário adotado pelo presidente do Supremo é uma sinalização de que ele quer evitar uma resposta imediata à crise e seguir o rito de manifestações antes de tomar uma decisão. Fachin explicitou essa posição na sexta-feira, durante um evento no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Faremos o que é certo. No tempo e pela forma que a ordem jurídica exige. As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado de Direito democrático”, afirmou.

Na mesma fala, Fachin disse que a gravidade da crise não justificaria uma solução apressada e afirmou que o Supremo dará uma resposta institucional aos episódios. “A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo legal e as garantias constitucionais. Não haverá precipitação, tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCom esse cronograma, Fachin está comunicando a Moraes, Gonet e Andrei que o gato deles já subiu no telhado de um prédio de 15 andares. Entre outras consequências, será o primeiro passo para o impeachment de Moraes na próxima legislatura. É só uma questão de tempo. (C.N.)

Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça, para restabelecer a ordem no STF

Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça sobre chefia da PF e  investigações sobre ministros - 09/09/2026 - Política - Folha

Ministros aliados a Moraes pressionaram Fachin ao máximo

Márcio Falcão e Pedro Henrique Gomes
TV Globo e g1

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta quarta-feira (9) a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada.

“É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência”, escreveu Fachin.

CONFLITOS – “Considero necessária a suspensão das decisões ora analisadas, porquanto, para além de qualquer juízo meritório sobre o afastamento ou não de autoridades, o qual será realizado oportunamente, cumpre obstar quadro de conflitos e sobreposições processuais que, por si só, configuram lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal”, continuou Fachin.

Edson Fachin também levou para si a relatoria de investigações do chamado “Inquérito das Fake News” e suspendeu “todo e qualquer procedimento” de investigação sobre integrantes do STF.

Além disso, Fachin também foi suspensa a apuração da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre possível interferência na produção do relatório da PF que apontou uma relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero.

BANCO MASTER – A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes começou a partir de decisões relacionadas às investigações sobre o Banco Master.

O caso passou a envolver também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal (PGR), Andrei Rodrigues, o presidente do STF, Edson Fachin, e, posteriormente, o ministro Flávio Dino.

Antes da divulgação do relatório que desencadeou a sequência de decisões, já havia divergências entre o gabinete de André Mendonça e a direção da PF sobre o andamento das investigações do caso Master. Mendonça é relator de apurações relacionadas ao banco e de um inquérito sobre repasses para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

SEM SIGILO – Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de um procedimento no qual havia sido incluído um relatório da PF produzido a partir de dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

O documento apresentava 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes. As respostas do ministro não apareciam no material divulgado.

As mensagens também continham referências a Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em uma das mensagens, Vorcaro mencionava uma possível atuação junto a Gonet e Andrei. O relatório não indicava que Moraes fosse alvo da investigação.

NOVAS PROVAS – Na decisão que retirou o sigilo, Mendonça afirmou que os novos elementos deveriam ser analisados pelo plenário do STF. Segundo o ministro, caberia ao presidente do tribunal, Edson Fachin, definir a data e o procedimento para a deliberação.

No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República (PGR), em peça assinada por Gonet, se manifestou pela nulidade da investigação determinada por Mendonça. O procurador-geral afirmou que o relator não poderia ordenar o aprofundamento de apurações envolvendo outro ministro do Supremo sem pedido do Ministério Público ou da própria PF.

ARGUMENTOS – A PGR sustentou que cabe à polícia judiciária realizar investigações na fase pré-processual e ao Ministério Público buscar elementos para uma eventual acusação.

Gonet também afirmou que, conforme a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, indícios de crime envolvendo um magistrado deveriam ser submetidos ao órgão competente para julgá-lo. No caso de um ministro do Supremo, esse órgão seria o plenário do STF.

Depois da manifestação da PGR, Mendonça manteve a indicação de que o relatório deveria ser levado ao plenário. Fachin passou a ser responsável por decidir se o material seria analisado pelos ministros e qual seria o rito da discussão.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Fachin botou ordem na zona. Mendonça quer apurar graves irregularidades e crimes envolvendo os ministros Moraes e Toffoli, mas a bancada petista do STF tenta tumultuar a questão, alegando que Mendonça quer eleger Flávio Bolsonaro. Essa investida de Gilmar & Cia. não dará certo, porque 13 ministros aposentados do STF estão defendendo que haja investigações, e a OAB e a Associação dos Delegados da Polícia Federal também apoiam as apurações, formando um movimento que deixa a bancada petista do STF em péssima situação, porque é crime apoiar a ocorrência de atividades criminosas, especialmente quando são magistrados do STF que cometem e apoiam esses crimes.
(C.N.)

Folha toma partido e diz que Mendonça transforma o STF em palanque político

Celso de Mello alerta que a suspeita está corroendo a autoridade do Supremo

Firmeza de Mendonça consegue levar a crise do Supremo para dentro do governo Lula

Moraes, sem condições de se defender, responde atacando quem o denuncia

Embate começou após Mendonça levantar sigilo de investigação da PF, que revelou diálogos entre Moraes e Vorcaro

Mendonça tem provas suficientes para destruir Moraes

Fernando Schüler
Estadão

 A estratégia do ministro Alexandre de Moraes é a mesma de sempre: em vez de explicar alguma coisa, ataca o denunciante. Quando saíram os primeiros diálogos com Vorcaro na mídia, em março, ele ensaiou uma nota sugerindo que aquelas mensagens do dono do Master eram para outras pessoas.

Nesta semana, reveladas 52 mensagens entre Vorcaro e uma conta com o seu nome, o ministro não divulgou nota nenhuma. Fez algo mais “ousado”, como escutei de um animado comentarista: acionou o inquérito sobre fake news contra o relator do processo, André Mendonça, com base em um relatório anônimo da “inteligência” da Polícia Federal.

PF PARALELA? – Inútil perguntar como o relatório foi parar nas mãos do ministro. Ou, ainda, quem pediu para que a atuação do ministro fosse “avaliada” por alguém da Polícia Federal. O relatório acumula uma sucessão de suposições políticas, por vezes um tanto curiosas. Uma delas diz que é um “risco” a indicação de Jorge Messias para o Supremo. Messias estaria muito próximo de André Mendonça e, por isso, teria dificuldades de avaliar os “riscos políticos” do caso Lulinha. Riscos políticos para quem, exatamente?, daria para perguntar. Mas é inútil.

Messias seria também um risco pela sua proximidade com Mendonça, já que este estaria “agressivamente” tentando mudar a correlação de forças no STF, em detrimento do grupo de ministros que tão valorosamente atuou para salvar nossa democracia. Parece piada, mas está escrito lá. E foi este o relatório usado por Moraes para abrir uma “investigação” contra André Mendonça. A lógica é perfeitamente conhecida: ninguém pode investigar coisa nenhuma. E, se alguém tentar, sofrerá as consequências.

PEIXE PEQUENO – O caso mais notório foi o de Eduardo Tagliaferro. Um peixe pequeno. Era um perito criminal que participou do núcleo de poder. Suas denúncias eram gravíssimas. Entre muitas coisas, o “use sua criatividade” para produzir provas contra alvos determinados.

O resultado todos sabemos. Terminou o próprio Tagliaferro convertido em réu, além de nada ter sido investigado. Muita gente aplaudiu. Era politicamente interessante, então ok. Um dia isto será devidamente passado a limpo. Pode demorar, mas vai acontecer.

O truque agora pode funcionar novamente? É evidente que sim. Para começo de conversa, cria-se uma falsa equivalência. Haveria algum “erro processual” de Mendonça comparável à relação fartamente documentada de Moraes com Vorcaro. Alguém já viu este filme? “Erros processuais” para anular casos notórios de corrupção? Ato seguinte, embaralha-se o jogo na opinião pública.

VIRA FLA-FLU – Com o País dividido, às vésperas das eleições, é fácil que tudo se converta em um Fla-Flu, em que “quem gosta do Lula fica com o Alexandre de Moraes” e “quem gosta do Flávio fica com o André Mendonça”. O jogo político é real.

De fato, o País está dividido neste tema, e quase tudo se define com as eleições. Mas a equivalência é falsa como uma nota de três reais. A única questão real em jogo é se o Supremo decidirá ou não investigar as relações de um de seus ministros com Vorcaro e o escândalo Master. Mais do que isto, está em jogo a própria ideia de que somos uma república e a pergunta sobre se desejamos ou não conviver com um tipo de poder acima de qualquer hipótese de controle ou responsabilização.

Cá entre nós, não foi por acaso que chegamos a esta situação. Ainda na semana passada, escutava jornalistas importantes repetindo o mantra de que “tempos de exceção exigiam poderes de exceção”. Insistiam, gaguejando um pouco, que pode ter havido algum exagero nos poderes dados ao ministro para censurar e mandar prender quem lhe desse na telha, com base no infinito Inquérito das Fake News.

PODER DE EXCEÇÃO – Na sequência do diálogo, um dos jornalistas emendou: depois que prenderam o Bolsonaro, deveriam ter parado, não é mesmo? Pois é, quem diria, não pararam. Não acho que ninguém vá aprender nada com isso, mas, de qualquer forma, repito a lição: há um preço em aceitar poderes de exceção em uma república. Primeiro, o poder terá o aspecto de alguma virtude.

No Brasil, houve gente que realmente acreditou que tudo era feito para salvar a democracia. Depois, o poder será usado para benefício próprio. Para ganhar muito, mas muito dinheiro, além da prerrogativa de eliminar do léxico republicano o conceito de conflito de interesses. Ato seguinte, o mesmo poder será usado para que nada, em nenhuma hipótese, seja investigado. E, por fim, para ameaçar e retirar do jogo quem arriscar alguma oposição.

Chegamos agora a uma encruzilhada. Nosso sistema de freios e contrapesos foi danificado. A inércia do Congresso e a passividade da PGR são apenas sinais disso tudo. Restam-nos, no fundo, as eleições. O novo presidente indicará três ou quatro novos ministros para o STF. E uma nova maioria pode, ou não, se formar no Senado. O próximo presidente governará por quatro anos, mas definirá os rumos do País por muito mais tempo. E é sobre isto, lá no fundo, que a crise desta última semana pode nos ajudar a refletir.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEnviado pelo comentarista Duarte Bertolini, o artigo de Fernando Schüler mostra que Moraes está sem saída e terá de devolver os poderes que usurpou com apoio da chamada imprensa amestrada. (C.N.)

Dino teve de “inventar” uma lei para mandar que Andrei reassuma a Polícia Federal

Flávio Dino.

Decisão absurda de Dino afronta o Princípio da Legalidade

Marina Rossi, Mariana Schreiber e Giulia Granchi
BBC News Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9/9) a reintegração de Andrei Augusto Passos Rodrigues e Leandro Almada da Costa aos cargos que ocupavam na Polícia Federal — respectivamente, Diretor-Geral e Delegado, e Delegado e Diretor de Inteligência Policial.

Os dois haviam sido afastados na terça-feira por decisão liminar do ministro André Mendonça, referendada em seguida por maioria formada na Segunda Turma do STF. Rodrigues recorreu a Dino, que reverteu a decisão com base em sete argumentos principais. Dino também proibiu, em caráter preventivo, que sejam impostas novas medidas cautelares pessoais contra Andrei Rodrigues e Leandro Almada com base em atos praticados no exercício regular de suas funções, e determinou que a Diretoria de Inteligência Policial da PF volte a funcionar normalmente.

NO PLENÁRIO – Segundo o ministro, a decisão estará submetida à autoridade do Plenário do STF, porque o partido Novo não tinha legitimidade para pedir o afastamento

Em sua decisão, Dino afirma que Mendonça afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada a partir de um requerimento apresentado pelo partido Novo. Segundo Dino, o Código de Processo Penal não inclui partidos políticos entre os sujeitos autorizados a requerer medidas cautelares em processos penais.

Dino cita o artigo 282, parágrafo 2º, do Código Processual Penal, segundo o qual as “medidas cautelares serão decretadas pelo juiz a requerimento das partes” ou por iniciativa da autoridade policial ou do Ministério Público — nunca de uma agremiação partidária.

COMPETÊNCIA – Dino também questionou quem tinha poder para julgar o caso. Ele lembrou que o presidente do STF, Edson Fachin, já havia aberto um procedimento próprio reconhecendo que a competência para examinar essa controvérsia era do Plenário, e não de um colegiado menor.

Se isso é verdade, argumentou o ministro, a decisão individual de Mendonça — ainda que submetida à Segunda Turma para referendo — passou por cima de uma instância que já tinha sido chamada a decidir.

Dino argumentou que a decisão de Mendonça teria se sobreposto a um procedimento no qual o próprio ministro figura como parte, já que os relatórios de inteligência que fundamentaram o afastamento também tratavam de suposto monitoramento dirigido a ele.

OUTROS ARGUMENTOS – O relator chegou a questionar, no texto, se “uma parte pode ser juiz de si mesma” — e concluiu que, nesse caso, caberia a Mendonça se dirigir ao presidente do STF ou ao Plenário, não decidir sozinho.

Na decisão, Dino chamou atenção para outro fato que, segundo ele, reforça a necessidade de cautela: a notícia de que Mendonça teria se reunido com o empresário Daniel Vorcaro — investigado em processos sob a própria relatoria do ministro — nas dependências de uma empresa privada, com intermediação de pessoas ligadas a investigações em curso no Judiciário.

O ministro afirmou que não está fazendo nenhum julgamento sobre o que aconteceu nesse encontro, mas o citou como parte de um contexto que, em sua avaliação, pede mais moderação da magistratura — especialmente em plena campanha eleitoral.

MAIS ALEGAÇÕES – Para o ministro, suspender as atividades de inteligência da Polícia Federal, como determinou Mendonça, pode travar centenas de investigações em andamento – inclusive algumas que estão sob sua própria relatoria.

 

Dino lembrou que casos de grande repercussão, como o assassinato da vereadora Marielle Franco, só foram esclarecidos justamente graças ao trabalho de inteligência da PF, o que reforçaria o risco de uma paralisação ampla da área.

Dino não é o único a levantar essas questões. Ao pedir vista do processo ainda na Segunda Turma, o decano do STF (ministro que ocupa a cadeira há mais tempo), Gilmar Mendes, já havia sinalizado as mesmas preocupações: a possível ilegitimidade do partido para fazer o pedido e a competência do Plenário para julgar o caso.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Flávio Dino arranca a máscara da face e mostra ser um jurista tão manipulador quanto Alexandre de Moraes. Ele está afrontando o Princípio da Legalidade “Nullum crimen, nulla poena sine praegevia lege” (Não há crime, nem pena, sem lei anterior que os defina). Este princípio determina que, se uma conduta não é explicitamente proibida por lei, ela é juridicamente permitida. Ou seja, você tem a liberdade de agir onde a lei silencia. No caso, a lei permite que “medidas cautelares serão decretadas pelo juiz a requerimento das partes“. E o Partido Novo é justamente uma das partes, a autora. Simples assim, mas Dino resolveu reinventar a lei. (C.N.)

Flávio Dino determina reintegração de Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da PF

STF vira tema central da eleição ao Senado, e até aliados de Lula cobram mudanças

Tema, antes restrito à direita, ganhou novo impulso eleitoral

Luísa Marzullo
O Globo

O acirramento da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) levou candidatos da base governista e de partidos de centro a adotarem críticas à Corte e a defesa de mudanças no Judiciário como bandeiras das campanhas ao Senado. O tema, antes restrito à direita, ganhou novo impulso eleitoral após a revelação de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, seguida da reação de Moraes com acusações ao colega André Mendonça.

A Casa presidida por Davi Alcolumbre (União-AP) é responsável por votar indicações ao Supremo, papel que ganhou contornos inéditos com a rejeição do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), a primeira em 132 anos, e por afastar integrantes da Corte via impeachment, mecanismo que a Casa jamais usou até hoje.

POLARIZAÇÃO – Com duas vagas em disputa em cada estado e uma crise sem precedentes no STF, candidatos de esquerda e de centro se movimentaram para evitar que os concorrentes de direita aproveitassem sozinhos a crise de imagem do Supremo. Como mostrou O Globo, na semana passada, as primeiras pesquisas nos estados apontam para uma tendência de aumento de polarização na Casa, com redução de espaço do Centrão, mas com esquerda e bolsonarismo ainda longe de ter uma maioria sólida.

As soluções propostas são distintas. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro reforçam o mote de eleger uma maioria capaz de afastar ministros do STF. Já os nomes de centro e os mais próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguem distantes da pauta do impeachment, mas houve uma inflexão no discurso: cobranças por investigação da conduta de magistrados e defesa de mudanças nas regras do Judiciário, com propostas como códigos de conduta, passaram a ganhar força.

Em São Paulo, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado e aliada de Lula, defendeu a abertura de investigação sobre Moraes, mas marcou distância da ofensiva bolsonarista ao cobrar que a apuração alcance também as relações de Flávio Bolsonaro (PL) com Vorcaro.

“PERPLEXA” – Ela disse estar “perplexa” e “indignada” com as novas revelações e afirmou que o episódio precisa ser esclarecido porque “ninguém está acima da lei e não é possível ter dois pesos e duas medidas”. Tom semelhante veio da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), também aliada de Lula e postulante ao Senado. Para ela, Moraes precisa se explicar “com toda transparência que a gravidade dos fatos exige”, mas é preciso impedir que o caso seja usado por quem deseja “deslegitimar” o STF.

Do lado bolsonarista, o deputado Guilherme Derrite (PP) falou em “abusos do Poder Judiciário” e disse que votará a favor do impeachment de ministros caso eleito. Já o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), outro postulante ao Senado, afirmou que Moraes não tem mais “condições” de ocupar o cargo.

NOVAS NORMAS – A saída de um ministro do STF, porém, está fora da agenda de candidatos do campo governista, que concentram o discurso na necessidade de investigações e reformas. Em Minas Gerais, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), candidata ao Senado, defendeu a apuração e a adoção de novas normas de conduta para magistrados.

“Reforma é necessária. Precisamos de um código de ética e de mais transparência. Isso fortalece o Judiciário. Onde houver indício de crime, tem que haver investigação. Não importa o cargo, partido ou quem seja. O que não pode é a investigação virar instrumento de perseguição política nem a toga virar escudo contra a lei”, disse.

O avanço do tema para além do bolsonarismo ocorre no momento em que a própria campanha de Lula tenta formular uma resposta ao desgaste do Supremo sem aderir à ofensiva pelo impeachment de Moraes. Na sexta-feira, o presidente disse em evento no Planalto que “ninguém pode usar o cargo em benefício pessoal”. Um dia antes, já havia divulgado vídeo sobre a crise defendendo “reformas profundas” no Judiciário e no “sistema político”, além de investigações sem blindagem.

DEBATE AMPLO – Líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE) endossou a defesa de Lula por mudanças no sistema de Justiça, mas ponderou que uma eventual reforma não deve ser desenhada apenas como reação à atual crise. Ela está em meio de mandato e não concorre neste ano: “Seria um debate amplo e não apenas focado na crise”, afirmou.

No Mato Grosso do Sul, dois nomes ligados ao campo de Lula também passaram a defender apurações. O deputado Vander Loubet (PT), candidato ao Senado, classificou as denúncias como graves e afirmou que o partido não pretende blindar Moraes caso sejam comprovadas irregularidades. Soraya Thronicke (PSB) foi na mesma linha e disse que “preservar as instituições não significa blindar pessoas, assim como cobrar respostas não autoriza julgamentos antecipados”.

Fora do campo governista, candidatos de centro também passaram a apresentar a eleição para o Senado como caminho para mudar o Supremo. No Paraná, Alexandre Curi (Republicanos), aliado do governador Ratinho Jr. (PSD), classificou os fatos envolvendo Moraes e Vorcaro como “gravíssimos”, defendeu o afastamento do ministro e disse que votaria pelo impeachment caso seja eleito e o processo chegue à Casa. Em Minas, Carlos Viana (PSD), que disputa a reeleição, também defendeu o afastamento de Moraes, argumentando que a medida serviria para preservar o próprio Judiciário.

POSTURA DE ALCOLUMBRE – A crise também deu novo fôlego à estratégia que o PL já vinha montando antes das revelações do caso Master: transformar a eleição das 54 vagas do Senado também numa disputa sobre a relação entre Congresso e Supremo, apostando no crescimento da bancada para aumentar a pressão por processos de impeachment de ministros. Um procedimento do tipo só avança com aval do presidente do Senado.

Alcolumbre, que deve tentar concorrer no ano que vem novamente ao comando da Casa, mantém boa relação com Moraes e já indicou a aliados que não deve dar aval.