Valdemar defende de aliança com Ciro e rebate críticas de Michelle Bolsonaro

3 thoughts on “Valdemar defende de aliança com Ciro e rebate críticas de Michelle Bolsonaro”

  1. Há algo de podre no reino dos Bolsonaros

    Briga pública entre Michelle e Flávio pelo espólio do bolsonarismo expõe a natureza egocêntrica de um movimento que nunca teve raízes fincadas no que realmente importa para o Brasil

    A família Bolsonaro ora protagoniza um dramalhão em que há de tudo ali: intrigas entre madrasta e enteados, o patriarca que não pode falar por si, conspiradores que instigam a cizânia e, sobretudo, a sede irrefreável de poder.

    A exposição pública das vísceras da família Bolsonaro, por meio de um vídeo publicado por Micheque com duras críticas a Flávio Rachadinha, é uma pequena amostra da natureza degenerada do clã.

    Essa novela só interessa aos brasileiros na medida em que abre uma fresta para testemunhar o projeto político de uma família que fez da via eleitoral um atalho para a dolce vita.

    Desde que ex-mito deixou o Exército – onde foi punido por insubordinação e acusado de envolvimento num plano para explodir unidades militares –, migrou com sucesso para a política e construiu com os filhos (…) ‘uma empresa familiar’ voltada à conquista e à manutenção do poder no seio da própria família.

    Mas não para implementar um projeto de desenvolvimento do Brasil, e sim para que todos, sobretudo o patriarca, pudessem viver à custa do Estado.

    O bolsonarismo nunca foi uma visão de país, que dirá uma plataforma de governo. É uma habilíssima máquina de mobilização emocional de setores da sociedade construída sobre ressentimentos e a irresignação com as conquistas civilizatórias da Constituição de 1988.

    Nesse balaio de rancores e teorias da conspiração, entram o reacionarismo travestido de “conservadorismo de costumes”, a desconfiança nas instituições republicanas, o desdém pelo conhecimento, a hostilidade ao diálogo e o antipetismo, donde vem sua força eleitoral.

    Sem o nome do ex-mito nas urnas, o que resta é essa briga interna por seu espólio político. Micheque dá sinais de querer trilhar uma carreira política autônoma, ainda que negue publicamente essa intenção.

    Flávio é pré-candidato a presidente. Outros filhos do ex-mito têm suas próprias pretensões eleitorais. Cada um se ocupa de seus interesses particulares – e o Brasil, claro, não entra nessa equação.

    Nenhum dos protagonistas do reality show da família Bolsonaro perde tempo ou tem competência para discutir a sério assuntos como a carestia, o descontrole das contas públicas, a baixa produtividade, o desalento entre os jovens, as deficiências da educação básica e a violência urbana. Seria pedir demais.

    Afinal, a família Bolsonaro nunca se preocupou com nada disso. Sempre foi mais fácil apontar o inimigo – o PT, a imprensa profissional, o STF e o comunismo internacional, entre outros fantasmas – do que propor soluções para problemas reais conhecidos, que exigem competência técnica, habilidade política e, acima de tudo, interesse genuíno no bem comum.

    O bolsonarismo só sobrevive porque o antipetismo é uma força real e legítima na sociedade brasileira, e o ex-mito soube como nenhum outro político se apresentar como o candidato anti-Lula. Mas, no que concerne aos interesses do Brasil, isso não basta.

    Apresentar-se como a nêmesis do petista não é um plano de governo. É, quando muito, uma eficiente estratégia eleitoral.

    Micheque resolveu fazer um favor ao Brasil ao gravar e divulgar seu depoimento a respeito de Flávio. Assim, deu aos eleitores conservadores a chance de ver, com os próprios olhos, de que material é feito o bolsonarismo original.

    Quem sabe os estimule, finalmente, a procurar alternativas que estejam genuinamente interessadas em governar o Brasil com bom senso e dignidade – qualidades estranhas ao ex-mito e sua grei.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 27/06/2026 | 03h02 Por Editorial

  2. “Ele [Ciro] chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento. Disse que Bolsonaro roubava gasolina. Disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras. Disse que os filhos do meu marido —os meus enteados— eram corruptos, que eram ladrões. E deu a eles um apelido: ovos de serpentes nazistóides”, disse Michelle.

    Em tempo.

    Sendo esses fatos verdadeiros, sem dúvida alguma, é uma pouca vergonha desmerecerem as posições defendidas pela Michelle, especialmente daqueles que desejam integridade moral e ética da classe política, assim como dos cidadãos brasileiros.

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