
Joel Silveira era considerado o maior jornalista brasileiro
Roberto Nascimento
No governo de José Sarney, que foi o primeiro civil a presidir o país após o regime militar, o jornalista Joel Silveira, considerado um dos maiores nomes da imprensa, resolveu ir a Brasília para colher dados e escrever uma reportagem denominada “O outro lado da capital”.
Procurou um amigo, que deu a ele uma panorâmica do poder no governo Sarney, quem mandava, quem fingia mandar etc. Silveira procurou também outro famoso jornalista, Carlos Castelo Branco, que o recebeu na sua casa ofereceu do seu melhor uísque, a bebida que Silveira preferia.
JANTAR NO GAF – Castelinho disse que o político que mais conhecia os bastidores do poder na capital, por dentro e por fora, era o deputado Talhes Ramalho (PMDB-PE).
”Quero conhecê-lo”. disse Joel Silveira. “Então vai conhecer”, replicou Castelinho, que pegou o telefone e ligou para Thales Ramalho: “Está aqui comigo o Joel Silveira, quer conhecer coisas de Brasília.
Thales Ramalho, deputado federal por cinco mandatos consecutivos, era respeitado por todas correntes políticas, e marcou o jantar para o dia seguinte no sofisticado restaurante Gaf.
POESIA FRANCESA – No jantar, uma surpresa – Thales Ramalho era um grande intelectual e só queria falar de literatura, embora Joel Silveira só estivesse interessado na política e no poder. O parlamentar começou falando dos poetas malditos franceses. E de Rimbaud passou para Verlaine, depois Baudelaire e por fim, Mallarmé.
“Thales recitava, os poemas num francês impecável com sotaque nordestino, enquanto eu bebia o solene conhaque Armagnac, devagar, no magnífico jantar. Já não nos sentíamos à beira de um vulcão como é Brasília, sempre prestes a entrar em erupção”.
Bem, depois das citações dos poetas franceses, Talhes Ramalho enfim passou a contar para Joel, tudo o que sabia sobre a podridão da política em Brasília.
AH, BRASÍLIA! – Na semana seguinte, Joel Silveira assim fechou, em conclusão, sua coluna na “Revista Nacional”, do saudoso Jornal do Commercio de 19/06/1999:
”Ah, Brasília! Clarice Lispector, que também amava Rimbaud, tem razão. Todo um lado de frieza humana que eu tenho, encontro em mim aqui em Brasília, e ele floresce gélido, potente, força gelada da natureza.”.
“Ah, Brasília! Valhacouto de espiões e viveiro de neuróticos, burocratas e tecnocratas, estufas de efêmeras glórias, depósito de sonâmbulos, intrigantes, trambiqueiros e meliantes de crachás, perversa e irreal capital do Pânico e da Avidez, da Dúvida e do Pesadelo, quase sem ar na sua rarefação de deserto, base lunar onde não existe um lugarzinho sequer para os ingênuos e os puros, e onde os gatos, com todos os seus sete fôlegos, não chegam a viver metade da vida a que tem direito.”
MUITAS SAUDADES – Quem tem amigo não morre pagão, e só os amigos podem proporcionar uma conversa desse quilate no jantar.
Quantas saudades dos políticos como Thales Ramalho, Ulysses Guimarães, Ruy Barbosa, Afonso Arinos e tantos outros, detentores do notável saber da Literatura, da História, da Filosofia e da Política. O que temos hoje são políticos de emendas parlamentares, sem compromisso com a nação, só interessados na próxima eleição, onde vicejam os Vorcaros da vida.
E o que diriam, Joel, Thales e Clarice sobre o Inferno de Dante em que se transformou o Rio de Janeiro que eles tanto amaram?
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Um grande texto de Roberto Nascimento, que quase mata de saudades o editor-chefe da Tribuna da Internet e o colunista Paulo Peres, ao lembrar a Revista Nacional e Joel Silveira. A convite de Mauritônio Meira, fui o criador desta revista, que circulava aos domingos, encartada em jornais de todo o país. Nossa tiragem chegava a 800 mil exemplares, superava qualquer outro jornal ou revista no Brasil. Nossas atrações eram, além de Joel Silveira, nomes como Rubem Braga, Sebastião Nery, Niva Chavs, Roberto Paulino, Mister Eco, Nássara, Paulo Peres, Willy, Alberto Nunes e muitos outros. Todos já se foram, o chargista Willy Oliveira se aposentou, e só restam eu e Paulo Peres, entrincheirados aqui na Tribuna da Imprensa. (C.N.)
Lula testa discurso de campanha ao desafiar Rubio e sugere que EUA podem (se quiserem) trabalhar pela candidatura de Flávio
Durante convenção do PDT ontem, em BRASÍLIA-DF, Lula sugeriu que os Estados Unidos podem interferir no processo eleitoral brasileiro, uma das preocupações do Palácio do Planalto.
— Hoje não temos um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil — disse Lula:
— Se o Marco Rubio quiser vir apoiar o Flávio, que venha, que monte o comitê, porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país.
— Temos que dizer, em alto e bom som, que nada é mais sagrado (para nós, brasileiros) do que, neste momento histórico, a defesa da soberania nacional.
Precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho. Este país foi criado e construído por brasileiros. Somos o que somos com 350 anos de escravidão, pela matança de indígenas, mas queremos uma coisa sagrada (a sobenaria).
Aqui nós erramos por nós. Nós acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. Aqui nós decidimos que fazer, porque isso significa a gente voltar a andar de cabeça erguida e defender a nossa soberania — discursou Lula.
(…)
Fonte: Política, 21/07/2026 00h00 Por O Globo — Brasília
…entrincheirados na Tribuna da Internet, ora pois e lá!
“Brasília, a Libertina do Brasil”, compõem o “Alcoviteiro Conglomerado” em conluio com as “Mães das Impunidades & Meretrizes do Apocalipse & Más Companhias Ilimitadas”!
temos que respeitar a opinião do brilhante jornalista, mas mesmo quando a capital era no Rio de Janeiro tínhamos também vários episódios de desvios comportamentais .
Mylcio, onde tem política no mal sentido da palavra, tem bandalheira, roubalheira e outras coisitas mais. Mas, Brasília é uma ilha de fantasia, um mar de lobistas de olho na farra das emendas parlamentares. O povo brasiliense sofre com esses sanguessugas do dinheiro público.
SOLUCIONÁTICA X PROBLEMÁTICA. A problemática está posta, e muito bem diagnosticada há muito tempo, e cadê a solucionática é a pergunta que não quer calar tb há muito tempo. NA MINHA OPINIÃO, Brasília seria um total desperdício de dinheiro público e de tempo se não fosse a possibilidade de transformá-la na Capital da possível e até necessária Confederação Brasileira, tipo evolução da federação plantada há 136 anos que deus no estado de coisa$ e coiso$ que aí estão com prazo de validade vencido há muito tempo, que manda a “massa falida” de volta para as suas respectivas regiões, mantendo em Brasília apenas 1 (um ) representante de cada região, por méritos. Fato que, por si só já representa uma economia de Trilhõe$ anuais a serem aplicados na finalidade precípua do Estado tal seja o sucesso pleno do bem comum do conjunto da população. Não obstante curta, a ignorância e todas as adversidades a serem vencidas pelo ser humano, o fato de envelhecermos cedo demais e ganharmos alguma sabedoria tarde demais, a realidade é que na vida existe tempo para tudo, para as coisas boas e tb ruins dependendo da índole, mentalidade e idiossincrasia de cada um, com direito de comer, beber, urinar e obrar à vontade, que é o que mais o ser humano faz sobre a terra, bem como há tempo tb para as obras, para se perdoar, perdoar, ser perdoado, se reinventar, contar muitas histórias, plantar árvores, amar e namorar bastante, criar filhos, ler e escrever livros, para fazer e refazer a história…, e até para ajudar a salvar a Humanidade, sem a qual tudo será apenas robôs, fatos que a cruel ditadura do tempo não consegue impedir. https://www.facebook.com/photo?fbid=1444267907731600&set=a.591695816322151
Libertar-se e evoluir no tempo e no espaço, ou sucumbir à loucura compulsiva e insaciável por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, que, aliás, encontrou campo fértil em Brasília, enquanto Ilha da Fantasia brasuca, insustentável à esta altura do campeonato do sistema de gastança, comilança e impostança, completamente exaurido, pedindo pelo amor de Deus mudanças de verdade, sérias, estruturais e profundas. https://tribunadainternet.com.br/2026/07/21/mestre-do-jornalismo-joel-silveira-achava-que-brasilia-destruiu-a-politica-brasileira/#comments
Não é excepcional que o tal deputado só quisesse falar de literatura! É isso aí, desde aquela época, o nosso país era metido a besta: Seguia a moda francesa, destacava os escritores franceses, valorizava o champagne Veuve Clicquot e os bombons suicos.
É uma das razões do nosso caipirismo atual diante do mundo moderno.
Que saco ser brasileiro! Por isso vou ficando por aqui, em Évry!
Rue de Sablons, a música, a arte e a cultura não tem fronteiras. Senão, teríamos que desconhecer Homero, Dante, Luiz de Camões, Shakespeare.
Olhe esse diálogo e três o escritor Jorge Semprum no leito a beira da morte do sociólogo francês, Maurice Halbwachs internado como ele, no campo de concentração de Buchenwald, era 16 de março de 1945.
Com desinteria , no limite de suas forças, tinha fome de dignidade diante da aproximação da morte.
Tomado pelo pânico, Semprum, ignorando se podia evocar algum Deus diante do mestre – ou que oração fazer – lembrou dos versos de Le Voyage ( A Viagem), de Charles Baudelaire:
” O morte, vieux capitaine, il est temps! levons I’ancre. (O morte, velho capitão, é tempo! Às velas, na tradução de Ivan Junqueira).
Maurice Halbwachs ouviu e se espantou. Semprum continuou a declamar os versos finais do poema até que o professor sorriu e se foi.
Essa história contada no artigo de Marcelo Godoy no Estadão de 4/8/25 entre intelectuais franceses em uma prisão da Gestapo, é uma demonstração de que a cultura transcende as línguas, porque é universal. Charles Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, , Mallarmé., Sartre, Kierkegard, Kant, Espinoza, Hegel, Dante, Homero, Camões, Jorge Amado, Guimarães Roza, Rui Barbosa, transcende a França, a Alemanha, a Itália, Portugal, Inglaterra e Brasil, fazem parte da natureza humana, portanto universais.
o Sebastian Nery faleceu?
Sim, mas, Sebastião Nery continua vivo na nossa memória. Combateu brava ente e sem medo a Ditadura de 64.
Tinha um programa na TV Bandeirante, as 22: 00, que na abertura tinha uma tesoura cortando papéis, uma sátira a Censura ampla, geral e Irrestrita, comandada pelo ministro da Justiça, Armando Falcão.
Infelizmente, sim, amigo Wendell.
Nery faz muita falta para nós.
Abs.
CN
A Nota da Redação me emocionou ao êxtase, amigos Carlos Newton e Paulo Peres.
Todo domingo era sagrado a leitura da Revista Nacional, até o fim do Jornal do Comércio.
Colaboravam também com artigos, os jornalistas: Paulo Branco, Cláudio Humberto, Mario de Morais, Raul Giudicelli, Pamplona, Jorge Oliveira, Eli Halfoun e o chargista, Son Salvador.
Um celeiro de craques.
Joel Silveira, sensacional, fazia a diferença como um camisa 10, que decide o jogo.
O artigo de capa da Revista Nacional, Joel em cinco páginas mergulha na Revolução de 30. Discorreu sobre os tenentes de 22, Prestes e sua coluna, o rompimento da política café com leite, esperanças e decepções, da Ditadura Vargas que durou 15 anos.
Joel Silveira foi entrevistado por Geneton Morais para a TV Globo, antes da sua partida, talvez seu último depoimento, que deveria ser transmitido nas escolas públicas. Uma aula de história do país.
Abraços, saúde e paz, estimado editor, Carlos Newton.
O chargista Willy é sensacional. Hilárias suas charges dos generais golpistas. Willy desenhava figuras da esquerda, da direita e do centro, nesse sentido esse craque era ecumênico, dava tiro para a esquerda, para a direita, para o centro e principalmente para frente.
Amigo Carlos Newton.
Resta-nos a saudade daqueles momentos vividos na redação da Revista Nacional.
Fomos felizes na Revista Nacional, onde trabalhamos como aqui, amigo, sob o signo da liberdade.
Abs
CN
Paulo Peres, cada um de nós passamos pela viagem como Ulisses na Odisseia. Mas, um certo dia, a viagem termina aqui na Terra. Outra viagem nos espera, estamos sempre viajando e cumprindo a nossa missão.
Tenho saudades da Revista Nacional, dos semanários Pasquim, Opinião e Movimento, dos jornais da Tribuna da Imprensa, do Correio da Manhã, do Jornal do Comércio, da Última Hora e do Jornal do Brasil. Que fazer? Título de um opúsculo de Lenin.