Livro expõe bastidores da resistência militar ao golpe
Fausto Macedo
Felipe de Paula
Estadão
O tenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica no governo Jair Bolsonaro, decidiu contar, em livro, o que viveu por dentro de um dos períodos mais delicados da história recente do país.
Comandante da Força Aérea Brasileira entre abril de 2021 e janeiro de 2023, ele enfrentou uma etapa de forte tensão e uma atmosfera hostil protagonizada por Bolsonaro e a cúpula das Forças Armadas – um período em que a manutenção da ordem democrática dependeu, em parte, de decisões tomadas nos quartéis.
COMO RESISTIU – Em ” Eu Disse Não “, que sai em setembro – publicação da Autêntica Editora -, Baptista Junior narra em primeira pessoa como formou a “trincheira antigolpista” e resistiu às pressões para que os militares aderissem a uma ruptura institucional, tentativa que teria seu desfecho nos atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023. É a primeira vez que um integrante da alta cúpula militar daquele período expõe, em livro, os bastidores da crise.
Piloto de caça com mais de 4.500 horas de voo e quase cinco décadas de carreira na Força Aérea, que iniciou em 1975, Baptista Junior fala com a segurança e autoridade de quem esteve na sala de decisão – não como espectador, mas como um dos atores que, segundo seu próprio relato, ajudou a manter as Forças Armadas longe do rompimento.
O testemunho do oficial foi crucial nos autos da ação penal 2668, no Supremo Tribunal Federal, que impôs ao ex-presidente a pena de 27 anos e três meses de reclusão. O julgamento foi concluído em setembro do ano passado.
TRÊS MOMENTOS – Baptista Junior indicou com detalhes três momentos em que a tentativa de golpe acabou frustrada. Ele confirmou encontros no Palácio da Alvorada e no Ministério da Defesa em que se discutiram medidas de exceção e os termos de uma minuta golpista – da qual se recusou a receber cópia.
Contou que o general Freire Gomes, então comandante do Exército, alertou Bolsonaro de que ele seria preso se insistisse no golpe para impedir a posse de Lula. E, ainda, revelou que o almirante Almir Garnier, então chefe da Marinha, colocou tropas da Força à disposição do plano golpista.
” Eu disse não” mostra em suas páginas que a resiliência das instituições em 2022 não foi automática, mas resultado de escolhas individuais de oficiais de alta patente em posições estratégicas. “A decisão de escrever este livro consolidou-se a partir da percepção de um fenômeno social ainda mais inquietante, revelado por duas pesquisas do Instituto AtlasIntel”, disse Baptista Junior ao Estadão.
AS PESQUISAS – Segundo ele, o primeiro levantamento, realizado entre 6 e 9 de janeiro de 2023 – período que compreendeu a invasão das sedes dos Três Poderes –, revelou que 39,7% da população não acreditava na vitória de Lula sobre Bolsonaro.
“Em um dado ainda mais preocupante, 36,8% dos entrevistados declararam ser favoráveis a uma intervenção militar que anulasse o resultado das eleições de 2022”, diz o oficial.
Dois anos e meio depois, destaca Baptista Junior, ao comentar uma nova pesquisa sobre a confiança da população nas instituições, o presidente do AtlasIntel, Andrei Roman, foi enfático, durante uma entrevista no programa WW, da CNN Brasil.
OUTRO ENTENDIMENTO – “Uma boa parcela da população não entende que, nas investigações sobre o golpe de Estado, na postura do Bolsonaro, na possibilidade, por exemplo, de ele ter declarado estado de sítio para, com isso, cancelar o resultado da eleição, uma boa parcela da população não entenderia isso [como] um ataque à democracia.”
Roman afirmou que o percentual dos que assim pensavam estaria em torno de 30%. “Em suma – avalia o tenente-brigadeiro – já com a ação penal que levaria Jair Bolsonaro à condenação por golpe de Estado em sua fase final, com todos os depoimentos de testemunhas e réus já encerrados, cerca de um terço dos brasileiros ainda não interpretava que Bolsonaro se manter no poder após o dia 1.º de janeiro de 2023 seria um ataque à democracia.”
“Juntei todos esses fatos e decidi dar minha contribuição para que os acontecimentos fossem disponibilizados mais claramente a toda a população e, principalmente, às gerações futuras”, anota Baptista Junior. O militar conta que, após 12 horas de depoimento na Polícia Federal nos autos do inquérito que culminou na ação penal 2662, conversou com dois jovens agentes federais que acompanhavam a audiência. “Ao acabar, eles me sugeriram que tudo aquilo deveria ficar registrado para as gerações futuras, como páginas muito importantes da nossa história.”
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O piloto de caças quer fazer piruetas históricas. Ele é um farsante. Sempre foi a favor do golpe e só recuou na undécima hora, quando o Alto Comando do Exército disse não. Como todos os demais, era golpista de carteira assinada e agora quer limpar a biografia, com um monte de conversa fiada. (C.N.)
Nunca perderei meu tempo lendo esse livro. Tem muitos outros livros mais úteis para serem lidos
Rubro e encagaçado implodiu-se feito mm kamikaze.
Recolham-se e enterrem-se o que sobrar dos imprestáveisrestos mortais.
Só falta a futura e então explicável condecoração!
Golpista do destrambelhado lado usurpador.
De qualquer modo, se o livro refletir os fatos da tentativa de golpe, deve ser considerado importante.
O que não se pode aceitar é um careta despreparado e mal-humorado ser perdoado pela tentativa de golpe. Agora que ele está preso, recorre à condição de mártir. Aqui, ó! (dedo médio esticado!)
Ele falando da tentativa de golpe que houve.
Ao contrário do comandante da Marinha, ele resistiu às pressões e não aderiu. Parabéns a ele e ao General do Exército que igualmente não adeiriu.
Claro que os boçalistas ficam brabinhos, pois eram favoráveis ao golpe e por isso a punição é devida àqueles que participaram ativamente para que a tentativa se concretizasse..
Na minha visão, posso estar errado, haveria uma intervenção se a fraude nas urnas fossem comprovadas, como não houve os militares recuaram, inclusive ele.
O Oito de Janeiro foi o gatilho que a esquerda aproveitou para passar o rodo.
O golpe Viúva Porcina ainda faz a cabeça dos apreciadores de narrativas.
O raciocínio é, o que aconteceria se fosse provado fraude nas urnas?
Esse brigadeiro aceitaria? o alto comando militar aceitaria calado?
O golpe do Bolsonaro, me lembra uma crítica mordaz feita por um Republicano ao Bill Clinton ( que falou que tinha fumado maconha mas não tinha tragado). ” Esses Democratas, até quando fazem coisa errada, não fazem direito “