Supremo monitora redes sociais e oposição denuncia risco de perseguição política

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  1. Extrema direita transforma ataques ao Supremo em estratégia eleitoral e aposta no caos para enfraquecer as instituições

    (…)

    A ultradireita bolsonarista já havia colocado a pauta sobre o Supremo e o Judiciário entre suas prioridades quando, em julho de 2018, Dudu Bananinha afirmou: “Se quiser fechar o STF, sabe o que faz? Não manda nem um jipe. Basta 1 soldado e 1 cabo”.

    Na verdade, era mais do que uma idiota frase de efeito; hoje se percebe.

    A fixação pelo uso da força fez com que os ultradireitistas percebessem que seus eleitores apoiam todo tipo de violência e que a promessa de fechar o Supremo, prender alguns ministros, ofender a toga, escolher o Judiciário e, especialmente, o Supremo Tribunal como adversário, daria prestígio e votos.

    A começar pela plataforma de desacreditar as urnas eletrônicas e a Justiça Eleitoral. Nada é por acaso.

    Com a eclosão da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, vivemos no Brasil um momento único. O país saía de 4 anos de um Executivo fascista (o governo Bolsonaro) que desmantelou todas as estruturas democráticas do Estado e convivia com um Poder Legislativo cooptado, mais do que omisso.

    Com a vitória e a posse de Lula, a democracia vencia a barbárie e os golpistas tentavam fazer valer a força para instituir uma ditadura no Brasil.

    E foi aí que o Judiciário, um Poder, em regra, patrimonialista, reacionário, machista, misógino e até racista, botou o pé na porta e garantiu a estabilidade democrática.

    Com o julgamento e a condenação do líder Jair Bolsonaro e de seus principais ministros e generais, que estão cumprindo pena de prisão, o Supremo Tribunal passou a ser ainda mais odiado pelos bolsonaristas.

    Rasgaram as máscaras e os ataques passaram a ser cada vez mais abertos e diretos. Com uma política pensada e estudada, a extrema direita levou às ruas e aos comícios a raiva contra os ministros que atuaram para resguardar a Constituição da República.

    O ministro Alexandre de Moraes, que teve papel destacado como relator do processo de tentativa de golpe, passou a ser odiado pelos bolsonaristas e golpistas e, hoje, na atual campanha à Presidência da República, eles conseguiram colar a imagem do ministro ao governo Lula para desgastar o candidato à Presidência.

    Alexandre é (…) de centro-direita e historicamente ligado ao campo conservador, que atuou em governos do PSDB e do antigo PFL em São Paulo, tendo sido secretário de Segurança do Estado e ministro da Justiça de Michel Temer, do MDB, que o nomeou em 2017 para o STF. (…)

    Por isso, quando as campanhas dos candidatos conservadores, de direita extrema, dedicam-se a atacar especialmente o Supremo, não é por acaso. Promessas de impeachment, de fechamento da Corte e de aposentadoria de ministros: tudo faz parte de uma estratégia. (…).

    O grau de tensão do que ocorre hoje na Corte Suprema parece ter fugido do controle.

    Os interesses eleitoreiros estão se sobrepondo à necessária estabilidade democrática. E tende a piorar, pois a estratégia bolsonarista é o caos. Para isso, não terão limites: enfrentarão a Polícia Federal, o Ministério Público e a parte da imprensa que se posicionar a favor da democracia.

    (…) No desespero, eles usarão mais do que um soldado e um cabo. Estão a serviço do novo golpe o uso criminoso da religião, da milícia, da força do poder da caneta no Judiciário e, mais uma vez, da mentira e da proteção seletiva de fatos escandalosos que não serão investigados antes das eleições.
    (…)

    Fonte: Poder360, Opinião, 11.set.2026 – 6h00 Por Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado criminal.

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