Clubes apelam a terrorismo para reaver dinheiro das bets
Bernardo Mello Franco
O Globo
A cartolagem resolveu apelar ao terrorismo para tentar reaver o dinheiro das bets. Em audiência pública no Supremo, dirigentes de clubes de futebol falaram em demissão, calote e quebradeira. Queriam convencer a Corte a derrubar a medida provisória que proibiu a jogatina.
O vice-presidente do Flamengo, Flávio Willeman, alegou que a MP traria “riscos para a institucionalidade”. “O Brasil não pode romper com os ideários de liberdade econômica”, dramatizou, como se o país estivesse prestes a adotar o comunismo.
AMEAÇA – O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, ameaçou demitir funcionários do clube. “O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai sofrer os efeitos do desemprego”, discursou.
O advogado do Cruzeiro, José Francisco Manssur, vaticinou que as equipes brasileiras perderão força em torneios sul-americanos. Difícil acreditar. Nos últimos sete anos, a Libertadores da América foi monopólio de times nacionais.
Os cartolas martelaram os mesmos argumentos por duas horas. “A proibição deu errado”, sentenciou o representante da Ponte Preta, Bernardo Freire. O clube campineiro mostra que nem a grana das apostas é capaz de salvar gestões ruinosas. Neste ano, a Ponte conseguiu ser rebaixada duas vezes: caiu para a segunda divisão do Campeonato Paulista e para a Série C do Brasileiro.
AUMENTO DAS VENDAS – A farra das bets se revelou uma tragédia para a saúde pública e a economia popular. A Associação Brasileira de Supermercados, insuspeita de conspirar contra a ordem capitalista, informou que as vendas do setor subiram 6,5% após a edição da MP. Sinal de que o dinheiro da comida estava sendo drenado para a jogatina, em benefício de poucas empresas bilionárias e com sede em paraísos fiscais.
O governo merece críticas pelos pecados da medida, como o uso eleitoral e o prazo exíguo para a retirada dos patrocínios. No falatório de ontem, os clubes mostraram que só estão preocupados com a perda de receitas. Em vez de propor alternativas que não dependam do vício em apostas, os cartolas ameaçaram empurrar a conta para os mais fracos. “As categorias de base e o futebol feminino serão os primeiros a sofrer”, disse o advogado do Botafogo, Bichara Abidão Neto.
Bet é o cassino mesquinho
Pedir patrocínio da Fatal Model seria muito mais digno.
POLÍTICA MONETÁRIA
Banco Central acaba com a Tban e a TBC e sinaliza que taxas podem cair; termômetro será a inflação
Juro básico sobe de 39% para 45% ao ano
O Banco Central subiu ontem preventivamente os juros básicos da economia, de 39% para 45% anuais, na tentativa de conter pressões inflacionárias.
Ao mesmo tempo, o BC emitiu sinais de que poderá promover um recuo da taxa nas próximas semanas, caso seja revertida a tendência de alta dos preços.
O aumento dos juros foi decidido ontem na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) dirigida pelo novo presidente do BC, Armínio Fraga.
O Copom, que se reuniu excepcionalmente de manhã, mudou a forma de definir os juros, começando a implantar o sistema que foi desenhado em fevereiro por meio de declaração conjunta entre o governo e o FMI (Fundo Monetário Internacional).
Acaba o sistema de bandas de juros, criado em 1996. Agora, apenas uma taxa vai sinalizar os juros de toda a economia -a chamada taxa referencial Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia).
Essa nova taxa foi fixada em 45% anuais e passa a valer a partir de hoje. Até ontem, os juros básicos da economia, pelo sistema antigo, estavam fixados em 39%.
Viés de baixa
O Copom também informou que, até sua próxima reunião, em 14 de abril, os juros terão “viés de baixa”. Isso significa que a qualquer momento o presidente do BC poderá reduzir os juros, sem consultar o Copom.
Como o viés é de baixa, Fraga não poderá aumentar a taxa nesse intervalo de tempo, a menos que convoque uma reunião extraordinária do Copom.
No antigo sistema de bandas, o BC fixava duas taxas. A Tban (Taxa de Assistência do BC) era o teto, então fixado em 41% anuais, e a TBC (Taxa Básica do BC), o piso. Os juros que valem no dia-a-dia ficavam neste intervalo.
Na sua estréia, a taxa referencial Selic proporcionou prejuízos a bancos. Ontem o BC tomou empréstimos de bancos, validos até a próxima terça-feira, pagando 39%.
Os juros de aplicações financeiras, como fundos, tendem a subir a partir de hoje. Crediários e cheques especiais, idem.
Fraga afirmou que o BC aumentou os juros de forma preventiva porque há sinais de que a inflação pode subir. Ele citou a forte desvalorização do real e os índices de preços que apontam alta.
“Nosso objetivo é saber se o aumento de preços é só um aumento de preços ou a volta da inflação”, disse o presidente do BC.
Ou seja: enquanto essa duvida persistir, os juros ficam altos. “Nós acreditamos, no entanto, que essa situação pode se reverter a partir de fatores internos e externos e, se isso ocorrer, haverá um espaço para a queda de juros.”
Fraga, que foi empossado ontem junto com os demais diretores, disse que a preocupação é com índices de inflação a médio e longo prazos, e não com altas que ocorram em um mês ou outro.
Se a inflação ficar acima dos juros em um mês ou outro, o BC não elevará a taxa básica. Isso só ocorrerá se a perspectiva for de rendimento negativo em um prazo mais longo, que ele não especificou.
Fraga disse ainda que os índices de preços aos consumidores serão a meta inflacionária que será perseguida pelo governo. Índices de preços mais afetados pelo atacado, como o IGP-M, serão entendidos como indicadores do que possa vir a ocorrer no varejo.
O BC vai definir metas de inflação, que serão perseguidas com as políticas monetária e fiscal (arrecadação e gastos do governo).
Fraga não deu maiores detalhes sobre a meta de inflação, afirmando apenas que persegue um “índice mensal de 0,6% no fim do ano”.
Ele também disse não acreditar que o novo aumento de juros vá criar incertezas sobre a capacidade do governo de honrar sua dívida.
O presidente do BC disse que o prazo de 90 dias concedido pelo líder do PFL, Inocêncio Oliveira, para o dólar recuar a R$ 1,70 é um desejo de todos para que a situação melhore rápido. “Eu adoraria menos, que fossem 30 dias.”
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi05039906.htm
Arminio Fraga: “O quadro é desastroso”
Dívidas acumuladas pelas famílias, pelas empresas e pelo governo são um alerta de que a economia requer ajustes urgentes, segundo o ex-presidente do BC
Leia mais em: https://veja.abril.com.br/paginas-amarelas/arminio-fraga-o-quadro-e-desastroso/
Grandessíssimos salafrários!
Barba tem grande interesse nos expressivos valores dos impostos arrecadados sobre a descomunal renda das Bets atuando no país.
Acorda, Brasil! Presta atenção!
A medida que tomou foi de interesse eleitoreiro, e a eleição já passou.
Lula insultava ministros do STF ao cumprir prisão por corrupção, revela carcereiro
Petista classificou a aliada Cármen Lúcia de “falsa humilde” e disse não confiar em Fachin, que o livraria
https://diariodopoder.com.br/justica/ttc-justica/lula-insultava-ministros-do-stf-ao-cumprir-prisao-por-corrupcao-revela-carcereiro
“A proibição das apostas online por meio de Medida Provisória assinada em 25 de setembro de 2026 pelo Lula gerou debates sobre o seu caráter eleitoral.”