Proposta tem resistências à esquerda e à direita
Bernardo Mello
O Globo
Com resistências de parlamentares mais à direita e mais à esquerda, a tentativa do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de aprovar o voto distrital misto aposta em divisões nas bancadas atuais do PT e do PL sobre o tema. Deputados dessas duas siglas se dizem contra a proposta, mas Motta e aliados tentam atrair nomes que já foram favoráveis à ideia no passado e cujo perfil de votação pode ser beneficiado pelo novo modelo.
Diferentemente do sistema atual, o proporcional, em que o eleitor escolhe qualquer candidato concorrendo no seu estado, o modelo defendido por Motta e pelo Centrão divide cada estado em distritos, nos quais o deputado mais votado é eleito. Parlamentares avaliam que a mudança pode tirar força de nomes com perfil “mais ideológico”, cuja votação tende a ser mais dispersa pelo estado.
VOTAÇÃO – No modelo distrital misto, o eleitor vota duas vezes: parte dos deputados é eleita pelo distrito e parte em um segundo voto, que é feito no partido. Dirigentes favoráveis a esse modelo avaliam que ele tende a mitigar a atuação dos “puxadores”, isto é, deputados com alta votação que acabam ajudando a eleger outros nomes.
A bancada bolsonarista é vista como entrave à proposta. Neste ano, a votação recorde de nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) puxou a reeleição de deputados como Junio Amaral (PL-MG), Marcelo Álvaro Antonio (PL-MG) e Mario Frias (PL-SP) — que poderiam não ter votos suficientes para manter o mandato em outro sistema — e ajudou a eleger novos deputados ligados ao bolsonarismo, como Gil Diniz (PL-SP) e Caporezzo (PL-MG).
CONTRA A MUDANÇA – O atual líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), já se manifestou contra a mudança. No Rio, Sóstenes foi o deputado reeleito que mais ampliou sua votação neste ano.
Já a deputada Julia Zanatta (PL-SC), que foi a mais votada em Santa Catarina, acusou caciques partidários de tentarem “fortalecer um tipo de coronelismo”. “Querem conter os puxadores de votos, como eu, Pavanato, Nikolas. Vamos ter que ficar submissos a partido”, reclamou Zanatta.
ANÁLISE – Já o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), que é próximo ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, avalia que o assunto ainda precisa ser analisado. Uma projeção do think tank “Ranking dos Políticos” após a eleição deste ano indicou que o PL poderia até ampliar a sua bancada na Câmara a depender das regras do voto distrital misto. “Todos têm direito de apresentar suas propostas, o PL vai avaliar com calma. Este tema é bastante complexo e merece muita atenção e cautela”, diz Altineu.
No modelo atual, cada eleitor vota uma vez para deputado, e a distribuição de cadeiras na Câmara leva em conta o somatório de votos de todos os candidatos do partido. Se essa soma fez um partido ter votos suficientes, por exemplo, para preencher cinco cadeiras em determinado estado, então os cinco deputados mais votados dessa sigla serão eleitos — ainda que parte deles tenha votação pior do que não eleitos de outras siglas.
ACENO À ESQUERDA – Já a proposta de Motta, que tem apoio de lideranças de siglas como União Brasil, PP, PSD, Solidariedade, PSDB e PSB, atrela o primeiro voto a uma atuação mais local, e prevê que o segundo voto esteja vinculado à estratégia de cada partido.
Aliados do presidente da Câmara apostam que acenar com o formato de “lista fechada” nesse segundo voto pode atrair o apoio de partidos de esquerda. O PT é historicamente favorável à lista fechada, na qual o partido é que determina a ordem dos candidatos.
CUSTO DAS CAMPANHAS – O deputado Rogério Correia (PT-MG), contrário ao voto distrital misto, avalia que a mudança aumentaria o custo das campanhas e não resolveria problemas do modelo atual, “que concentra voto em deputados influencers”.
“Minha opinião é que poderiam ser dois votos, mas dentro de um sistema proporcional em lista partidária. Primeiro a pessoa votaria no partido, e depois no candidato desse partido”, opina Correia.
VOTO IDEOLÓGICO – Já o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) diz que o sistema defendido por Motta “dilui completamente o voto ideológico” e “limita o surgimento de novas lideranças”, como os recém-eleitos Jones Manoel (PSOL-PE) e Ana Elisa (PT-MG).
A jovem deputada petista, de 21 anos, por exemplo, se sobressaiu nas urnas mesmo sem estar entre as principais apostas da cúpula do partido, e foi a mais votada do PT em Minas Gerais. “Esta mudança para o voto distrital seria retornar ao voto oligárquico”, critica Braga.
REFORMA POLÍTICA – O PT chegou a conduzir, em 2017, durante o governo Michel Temer, uma proposta de reforma política para adotar o voto distrital misto. À época, o então deputado Vicente Candido (PT-SP) foi relator da proposta. Ainda assim, parte da bancada do PT votou contra o relatório do correligionário.
Reservadamente, porém, integrantes da Câmara avaliam que quadros importantes da esquerda poderiam se beneficiar agora do modelo de voto por distrito. O presidente do PT, Edinho Silva, é um dos exemplos de votação concentrada em um reduto: ele se elegeu à Câmara neste ano obtendo 30% dos votos de Araraquara (SP), cidade onde foi prefeito.
Nomes de outras siglas com perfil semelhante de votação também tendem a ver com bons olhos o modelo distrital misto. Ventilado como futuro relator da proposta, o deputado Domingos Neto (PSD-CE) teve cerca de 40% dos votos de Tauá, município do sertão cearense que já foi governado por sua mãe. A cidade se tornou um dos principais destinos do orçamento secreto quando Neto foi o relator do Orçamento.
TENTATIVAS – A Câmara já fez três tentativas de mudar o sistema de votação desde a década passada, mas todas tiveram votos contrários, principalmente da esquerda. No último movimento, em 2021, sob a presidência de Arthur Lira (PP), a Câmara votou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tinha semelhanças com a atual proposta de Motta: no intervalo de duas eleições, parte dos deputados passaria a ser eleita de forma majoritária e parte de forma proporcional, com uma regra de transição. Partidos como PT, PDT, PSOL e PCdoB ficaram contra a medida, que acabou derrotada.
Em 2017, sob a presidência de Rodrigo Maia, os deputados tentaram aprovar uma transição para o voto distrital misto através do “distritão” — modelo que elege somente os mais votados em cada estado —, mas não houve maioria.
Antes, em 2015, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, teve apoio de aliados, incluindo Motta, para pautar a adoção permanente do distritão. O PT, maior bancada à época, ficou contra, e a proposta não foi à frente.
A primeira coisa que tem de ser feita é a proibição de disputar qualquer tipo de eleição quem se envolveu com corrupção
Por que as melhores ideias não funcionam aqui?
Kobori está certo num ponto: ou o Brasil se industrializa e assume a liderança científica e tecnológica ou morre.
A ieia de criar uma “Embrapa da Indústria” é um projeto debatido há anos no Brasil.
Na prática, esse conceito já saiu mal e porcamente do papel e ganhou vida sob o nome de EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial).
O plano de replicar o modelo de sucesso da Embrapa no setor fabril brasileiro seguiu uma trajetória definida:
A proposta de criar uma entidade pública voltada para pesquisa e desenvolvimento industrial, espelhada na Embrapa, surgiu inicialmente nos anos 2000 e ganhou força em 2011.
O objetivo era reverter o processo de desindustrialização do país e incentivar as empresas nacionais a investirem em inovação, em vez de apenas importarem maquinário estrangeiro.
O Nascimento da EMBRAPII
Em vez de fundar uma estatal idêntica à Embrapa (com laboratórios e pesquisadores próprios), o governo federal, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), optou por um modelo mais ágil e flexível.
Assim nasceu a EMBRAPII, qualificada como uma Organização Social (OS).
Em vez de construir prédios do zero, ela credencia redes de laboratórios públicos e privados já existentes no país (os chamados centros de excelência, como institutos do SENAI, universidades e fundações) para transformá-los em Unidades EMBRAPII.
Diferente dos tradicionais e burocráticos editais de fomento à pesquisa, a EMBRAPII atua com foco na agilidade de mercado:
Divisão de Custos: Geralmente, os projetos de inovação são financiados em um modelo tripartite — a EMBRAPII cobre até 1/3 do valor com recursos não reembolsáveis, enquanto o restante é dividido entre a empresa parceira e a unidade de pesquisa.
Inovação Aberta: O foco é resolver gargalos tecnológicos reais do setor industrial, que vão de robótica e inteligência artificial a química verde e transição energética.
Sem Burocracia: As empresas podem negociar os projetos diretamente com os centros de pesquisa credenciados, acelerando o desenvolvimento e o registro de patentes.
Curiosamente, a própria Embrapa possui unidades credenciadas como polos de inovação da EMBRAPII (como a Embrapa Agroenergia), unindo a pesquisa do campo com as demandas da transformação biotecnológica e química industrial.
Mas o que vivemos na prática é uma frágil dependência, como fornecedores de matérias primas sem valor agregado.
O setor primário é importante, mas concentrado e carente de infraestrutura.
O setor terciário é frágil e dependente, inflado, decadente.
A China vai nos usar e abusar e depois jogar fora.
Com a nossa indústria destruída, atrasada, desatualizada e sem apoio.
Além de concentrada.
Lula não tem estatura moral para criticar sequer o dedão do pé de Vargas ou de Dom Pedro II.
Com a nossa indústria destruída, atrasada, desatualizada e sem apoio
Quem começou a destruição da indústria brasileira foi a Maldita Rainha da Corrupção.
Narcola deveria seguir o exemplo do seu “amigo” do Paraguai…..
Presidente do Paraguai apresenta renúncia após crise no Ueno Bank…
https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2026/11/05/presidente-paraguai-renuncia.ghtm?cmpid=copiaecola
O voto distrital, em qualquer das suas formas, só atende aos dirigentes dos partidos, e rouba do eleitor o valor individual do seu voto em quem ele quer votar.
Nos Estados Unidos, que o adotam em todos os níveis de eleições, ele dá margem a que se possa eleger um presidente quando a maioria dos eleitores votou em outro candidato, e provoca, a cada eleição, uma correria dos partidos para redistribuir geograficamente os distritos para procurar favorecer mais um ou outro lado (chamam isso de “gerrymandering”). Lá eles justificam este tipo de voto como uma maneira de evitar que regiões densamente povoadas influenciem mais o resultado do que regiões menos povoadas, o que é justamente o contrário da ideia da democracia. Esse voto tem origem no período pós Guerra Civil, quando os senhores de escravos do Sul não queriam aceitar o “uma pessoa, um voto” porque eram em menor número do que os negros antes escravizados que com a abolição adquiriram o direito de votar, e não queriam que esses negros tivessem mais influência eleitoral do que os antigos senhores.
Não há justificativa, além das manobras dos dirigentes de partidos, par implantar esse tipo de voto no Brasil. A desculpa que apresentam, de que o voto distrital serve para evitar que pessoas com um número desproporcionado de votos arrastem um número grande de candidatos de menor expressão do mesmo partido, poderia ser muito melhor equacionada estipulando-se um coeficiente redutor não linear (uma curva de redução) da atração desses votos.
Dos 513 deputados, apenas 34 se elegeram com os próprios votos
Dos 513 deputados federais eleitos em 4 de outubro de 2026, apenas 34 tiveram votos próprios suficientes para uma cadeira. Ou seja, sozinhos, eles bastariam para ocupar uma vaga inteira no próprio estado. Já os outros 479 representam 93,4% da futura Câmara. Eles chegaram lá com a ajuda dos votos dados ao partido, à federação e aos colegas de lista.
479 dos 513 deputados eleitos foram “puxados” por partido ou colegas
Só 34 dos 513 deputados eleitos superaram esse patamar com a própria votação; em 2022, foram 28. Levantamento mostra como o sistema proporcional pesa na formação da Câmara. Veja a lista de quem não preciso dos votos do partido.