Ajuste fiscal e pacificação: Lula prepara discurso sobre as prioridades do quarto mandato

One thought on “Ajuste fiscal e pacificação: Lula prepara discurso sobre as prioridades do quarto mandato”

  1. Afinal, qual o plano de Lula contra sua própria ‘herança maldita’?

    Presidente precisa apresentar uma política econômica responsável que garanta equilíbrio das contas

    A prisão de Santiago Peña no Paraguai e a crise política, econômica e social de Javier Milei na Argentina são um alerta para (…) o presidente Lula (…): onde cortar e onde arrecadar mais para cobrir sua própria “herança maldita”?

    Do lado oposto de Peña e Milei, Lula tem discurso e base na esquerda, foi eleito em nome da democracia e da soberania, mas também torrando o orçamento público com políticas eleitoreiras e prometendo, dia sim e outro também, que não cortaria dos pobres.

    Economia não é pura aritmética, mas dois mais dois sempre serão quatro. Não há mágica. Lula está certo em reafirmar, firmemente, que “o pobre não pagará a conta” (da sua própria gastança), mas precisa dizer quem, como e quanto vai pagar.

    Ouvimos isso há anos, décadas, a vida inteira, mas na hora do “vamos-ver”, quem tem privilégios é quem tem poder de pressão sobre governos, Congresso e, como está cada vez mais claro, Judiciário.

    Lula tem como resistir, com o PT desdenhando de responsabilidade fiscal, a oposição em maioria na Câmara e no Senado e o Supremo desmoronando?

    Voltamos ao velho dilema (…) que se repete, repete, repete, num País (…) em que o problema original é a desigualdade, a injustiça social, que sacrifica a maioria das populações para beneficiar a minoria insaciável e os escândalos.

    Enriquecer com trabalho, investimento e produção nas diversas áreas é não só um direito legítimo como essencial para gerar empregos, tecnologia, desenvolvimento.

    Mas como explicar privilégios do setor público e do setor privado que tem poder de pressão? E excrescências como o Banco Master (…)? Neste caso, é simples: o velho e sobejamente conhecido círculo da corrupção.

    O sujeito começa do nada, forma uma quadrilha com pose e status, compra autoridades e governos, rouba do INSS, de fundos de pensão, aposentados e trabalhadores que suam para juntar alguma economia na vida.

    Com isso, vai alimentando os corruptos com RS 130 milhões daqui, R$ 130 milhões dali, viagens, bebidas, luxo e mulheres para… fecharem os olhos, aprovar seus projetos e garantir o roubo dos pobres e infelizes. (…)

    Portanto, a primeira providência para “acertar as contas” não é penalizar quem trabalha, estuda, compra, produz, vende e emprega, mas garantir as engrenagens para prevenir, detectar e punir crimes dessa envergadura, só possíveis com a conivência dos poderes e o enriquecimento ilícito de agentes públicos de vários níveis.

    Acabar com a corrupção, porém, talvez seja para sempre uma utopia. Lula precisa, para o bem do Brasil, dos brasileiros, das democracias, das esquerdas e dele próprio de um projeto objetivo e factível:

    -Uma política econômica responsável que garanta equilíbrio das contas. Até porque o desequilíbrio não é inimigo apenas do mercado, das Bolsas e do câmbio, é sinônimo, ou irmão gêmeo, de “tax the poor”, taxe os pobres.

    Afinal, quem paga a “herança maldita”? Mais corte ou mais imposto?

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 07/11/2026 | 17h46 Por Eliane Cantanhêde

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