
Ex-presidente piadista defende diálogo entre ministros
Deu na Folha
O ex-presidente Michel Temer conversou com o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e sugeriu que ele busque uma pacificação no embate com o colega André Mendonça. Temer avalia, no entanto, que a decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, torna praticamente inviável uma trégua entre os dois.
Responsável pela indicação de Moraes ao STF, em 2017, o ex-presidente falou com o ministro durante o feriado, antes da nova decisão de Mendonça que agravou a crise no tribunal e o embate entre seu gabinete e a PF.
BOMBEIRO – Temer foi procurado por aliados para participar de conversas para reduzir a temperatura da crise envolvendo o Supremo, papel que desempenhou em ao menos um episódio nos últimos anos.
Em setembro de 2021, no auge da crise entre Jair Bolsonaro e Moraes, o ex-presidente foi chamado a Brasília para atuar como ponte entre os dois lados. Ele mediou um telefonema entre Bolsonaro e Moraes e ajudou a redigir uma nota em que o então presidente recuava de ataques feitos a Moraes no Dia da Independência daquele ano.
De acordo com interlocutores de Temer, o ex-presidente afirmou na conversa com Moraes que a saída para o impasse passaria por algum tipo de acomodação entre os dois ministros. O ex-presidente considera que a nova decisão de Mendonça dificulta esse movimento ao elevar o conflito a um novo patamar, envolvendo diretamente a cúpula da Polícia Federal e, por tabela, o governo Lula (PT).
AVALIAÇÃO – Em conversas com aliados nos últimos dias, Temer fez uma avaliação de que a crise entre Moraes e Mendonça seria o reflexo de um ambiente amplo de polarização no país, em que divergências são transformadas em conflitos institucionais.
Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, o ex-presidente afirmou que os dois ministros são juristas de alta capacidade e deveriam compreender que, apesar das diferenças, cabe ao STF preservar a unidade do país e a estabilidade das instituições.
A crise ganhou força após Mendonça retirar o sigilo de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam a relação entre o empresário e Moraes. O embate se agravou quando Moraes pediu uma investigação contra o colega por suposto abuso de autoridade.
ANÁLISE – As suspeitas envolvendo os dois ministros ainda deverão ser analisadas pelo plenário do STF. O presidente do STF, Edson Fachin, retirou o pedido do inquérito das fake news e determinou que os envolvidos prestassem esclarecimentos.
A decisão desta terça-feira (9) tornou o cenário mais tenso. A Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento de Rodrigues, embora o julgamento tenha sido suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes. A AGU (Advocacia-Geral da União) deve recorrer para tentar manter o diretor-geral no cargo.
Para interlocutores de Temer, a sucessão de decisões e acusações dificultou uma saída negociada e aumenta o risco de a disputa entre os ministros contaminar o próprio funcionamento do Supremo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO ANO – Michel Temer era chefe do chamado “Quadrilhão do MDB”, ocupou à Presidência por acaso, chegou a ser preso na Lava Jato, mas escapou incólume e agora tenta aparecer a qualquer custo. O mais incrível é que ainda consegue ser entrevistado pela imprensa amestrada. (C.N.)
CN foi um grande entusiasta da Eduardo Cunha e do Temer.
A idade, grana no bolso e o álcool apaga as memórias não quistas.
Deprimente fim.
A PERGUNTA QUE MENDONÇA PRECISA RESPONDER: QUEM SERIA BENEFICIADO PELA PARALISAÇÃO DAS INVESTIGAÇÕES?
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, classificou como “absolutamente brilhante” a decisão de Flávio Dino que reintegrou Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal e restabeleceu o funcionamento das investigações.
Segundo Kakay, a determinação de André Mendonça não atingiria somente a direção da PF. Ao suspender a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência, poderia paralisar diversas apurações e beneficiar agentes públicos investigados.
Entre os inquéritos possivelmente prejudicados estaria justamente aquele que apura o financiamento milionário do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, negociado com Daniel Vorcaro e envolvendo Flávio Bolsonaro.
Por isso, a pergunta feita pelo advogado é inevitável: quem seria beneficiado pela interrupção dessas investigações?
Mendonça tem o direito de denunciar qualquer monitoramento ilegal de que tenha sido vítima. O que não pode fazer é transformar uma alegação pessoal em fundamento para afastar a cúpula da PF e bloquear investigações que alcançam figuras politicamente poderosas.
O problema se torna ainda mais grave porque o ministro já havia recebido Vorcaro em encontro fora do STF. Esse fato, isoladamente, não comprova favorecimento, mas reforça o dever de explicar cada decisão e demonstrar sua imparcialidade.
Dino agiu para impedir que uma disputa particular interrompesse o trabalho da Polícia Federal. Mas a decisão definitiva precisa ser tomada pelo plenário do STF, com total transparência.
Também é necessário esclarecer a legitimidade do Partido Novo para provocar uma medida tão abrangente e quais foram os fundamentos jurídicos utilizados por Mendonça para atender ao pedido.
Quando uma decisão paralisa investigações, afasta dirigentes policiais e favorece potencialmente pessoas poderosas, não basta dizer que tudo foi feito em nome da Justiça. É preciso mostrar quem pediu, por que foi concedido e quem ganharia com isso.
A reintegração foi apenas o primeiro passo. Agora é cobrar rapidez, publicidade e investigação completa — inclusive sobre Dark Horse, o Banco Master e todos os agentes públicos envolvidos.
Porque, neste caso, quanto mais tentam apagar as luzes, mais evidente fica quem teme que a investigação continue.
Hílton Aquino? autor.
sem interrogação