Emendas parlamentares transformam prefeitos em cabos eleitorais do centrão

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  1. Não importa quem vença, o Centrão vai mandar e o STF estará em maus lençóis

    Nunca antes na história deste País as eleições chegam ao fim tão indefinidas, tensas e com o STF roubando a cena, soterrado por erros e críticas.

    Ganhe quem ganhar a Presidência, as únicas certezas são que o Judiciário estará na mira e que o Centrão vai continuar poderoso, dominando o Legislativo e controlando o Executivo.

    Quem ganha neste domingo? É certo que o “segundo pelotão”, com Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos, mal deve chegar a 10% dos votos válidos e só dois candidatos têm chance de vitória, Lula e Flávio. No mais, tudo continua incerto.

    Nada é impossível, mas é bastante improvável que a eleição presidencial feche já no primeiro turno. Logo, as incertezas e tensões vão persistir e as fakenews vão continuar pipocando para além da noite de domingo, quando os resultados devem ser anunciados pouco depois das 21h.

    O segundo turno é “uma nova eleição”, logo, as pesquisas, os especialistas e a mídia, além das campanhas de Lula e Flávio, continuarão mobilizados, atolados em dúvidas sobre quem vencerá e temerosos de novas intervenções políticas do Supremo e do próprio TSE, como as que derrubaram o último debate.

    Atenção, porém: essas intervenções podem vir tanto a favor de Lula quanto de Flávio e não vão começar pelo Judiciário, mas pelo Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou que vai iniciar a análise do fim da escala 6X1 na terça-feira, bem no início do segundo turno.

    Como essa é uma das cartas na manga pró Lula, desde que ele fez as pazes com Alcolumbre, depois de meses de muxoxos, conclui-se que a decisão é boa para o presidente, que disputa o quarto mandato, e ruim para Flávio, eleito pelo pai, o ex-mito, como seu sucessor político.
    Se já é esse sufoco todo, imagine-se como será o segundo turno, com o eleitorado já desanimado, descrente, desmobilizado e sem praticamente metade dos palanques estaduais, já que uma dúzia de governadores devem eleitos em primeiro turno.

    A expectativa é de guerra de acusações, facknews aos montes, Supremo se metendo, TSE indo para um lado ou outro, Centrão entrando de mau jeito e uma disputa feroz pelos votos do “segundo pelotão”, já derrotado.

    E não poderiam faltar as igrejas. Não só as evangélicas, majoritariamente pró Flávio, mas também a Católica, que entrou na campanha de Lula.

    É nesse clima de radicalização, crise entre as instituições e envolvimento religioso, que o primeiro turno vai chegando ao fim e o segundo já vai começar. O pós-eleição, como o novo governo será melhor? Quem sabe?

    O Estado de S. Paulo, Opinião, 03/10/2026 | 20h00 Por Eliane Cantanhêde

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