Abstenção ocupa um lugar estratégico nas campanhas
Pedro do Coutto
A uma semana do segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final praticamente empatados nas pesquisas e diante de uma eleição em que a diferença entre vitória e derrota pode estar menos nos eleitores já convencidos do que na capacidade de cada campanha de levar às urnas quem ficou de fora no primeiro turno.
O resultado de 4 de outubro deixou Flávio Bolsonaro à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, mas a vantagem não produziu uma distância confortável. Os levantamentos divulgados desde então confirmam um cenário extremamente apertado, com variações dentro das margens de erro e sem espaço para tratar a disputa como definida.
ABSTENÇÃO – Nesse contexto, a abstenção passou a ocupar um lugar estratégico. A taxa geral de eleitores que não compareceram às urnas chegou a 21,08% no primeiro turno, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. O número, porém, esconde comportamentos muito diferentes entre as faixas etárias. Entre os eleitores de 16 e 17 anos, a abstenção caiu 4,4 pontos percentuais em relação a 2022. Entre aqueles com mais de 70 anos, a redução foi ainda mais expressiva: 9,7 pontos, embora quase metade desse eleitorado ainda tenha deixado de votar.
É justamente aí que a matemática eleitoral se encontra com a estratégia política. Os idosos representam uma parcela relevante do eleitorado brasileiro e, apesar de a participação ter aumentado nesta eleição, continuam sendo o grupo com maior índice de ausência. Em 2026, o eleitorado com 60 anos ou mais corresponde a 23,6% do total, enquanto a faixa de 21 a 34 anos representa 25,8%. A dimensão desses grupos ajuda a explicar por que pequenas alterações no comparecimento podem produzir efeitos significativos em uma disputa nacional tão equilibrada.
Mas seria um erro transformar jovens e idosos em uma espécie de eleitorado homogéneo, capaz de determinar sozinho o vencedor. A questão central não é simplesmente quantos pertencem a determinada faixa etária, mas quem desses eleitores comparecerá, em que regiões e com qual disposição política. Os dados do primeiro turno mostram, inclusive, que a abstenção aumentou entre eleitores de 19 a 59 anos, enquanto diminuiu entre jovens de 16 e 17 anos e entre os mais velhos. Ao mesmo tempo, pesquisas indicam diferenças importantes no perfil socioeconómico dos apoiadores dos dois candidatos.
PRESENÇA FÍSICA – Para Lula, mobilizar eleitores que tradicionalmente apresentam maior inclinação ao seu campo político pode ser decisivo. Para Flávio, o desafio passa por manter o eleitor que já demonstrou disposição de mudança e evitar que a vantagem conquistada no primeiro turno seja neutralizada por uma mobilização maior do adversário. A campanha, portanto, não disputa apenas votos novos. Disputa também a capacidade de transformar intenção em presença física diante da urna.
Esse é um ponto particularmente importante porque o segundo turno costuma produzir uma dinâmica própria. O eleitor que já escolheu um candidato no primeiro turno precisa ser novamente mobilizado, enquanto quem votou em outra candidatura ou anulou o voto pode ser alvo de uma disputa ainda mais intensa. Em uma eleição na qual os dois concorrentes carregam níveis elevados de rejeição, convencer não significa necessariamente provocar entusiasmo. Pode significar apenas convencer o eleitor de que vale a pena sair de casa para impedir a vitória do adversário.
É nesse ambiente que a campanha ganhou uma característica cada vez mais agressiva. Lula e Flávio passaram a concentrar esforços na tentativa de definir o significado da eleição: de um lado, o petista procura apresentar a disputa como uma escolha entre continuidade, proteção social e defesa de direitos; de outro, o candidato do PL explora o desejo de mudança e a insatisfação com o governo. Pesquisa Datafolha mostra essa diferença de motivação: entre os eleitores de Flávio, a mudança e a alternância de poder aparecem como razões centrais, enquanto entre os apoiadores de Lula pesam mais a proteção social e a defesa da classe trabalhadora.
ENERGIA POLÍTICA – A batalha, portanto, não se resume à transferência de votos. É também uma disputa pela energia política de cada eleitorado. Os números da presença digital ilustram essa corrida. Segundo levantamento da Quaest, Lula ultrapassou Flávio no Índice de Popularidade Digital após o primeiro turno, enquanto o candidato do PL perdeu parte do impulso que havia acumulado anteriormente. Isso não significa, por si só, conversão de audiência em votos, mas revela que a campanha entrou numa fase em que mobilização e comunicação podem ser tão importantes quanto a preferência declarada nas pesquisas.
O debate deste domingo acrescenta outro elemento à equação. Pela primeira vez no segundo turno, os dois candidatos se enfrentam diretamente diante das câmaras, a apenas uma semana da votação. O confronto pode alterar perceções, reforçar rejeições ou simplesmente consolidar posições. Em uma eleição tão apertada, até mesmo uma mudança marginal de comportamento pode ter peso maior do que teria em uma disputa com ampla vantagem de um dos concorrentes.
Por isso, a reta final será menos uma corrida para conquistar uma maioria confortável e mais uma operação de precisão eleitoral. Lula precisa ampliar sua capacidade de mobilização sem afastar eleitores que ainda resistem ao seu governo. Flávio precisa preservar a vantagem do primeiro turno e, simultaneamente, transformar o discurso de mudança em uma força capaz de levar seu eleitorado às urnas. Ambos precisam falar com os indecisos, mas nenhum pode negligenciar aqueles que já declararam apoio e ainda podem simplesmente não votar.
MARGEM ESTREITA – A eleição de 25 de outubro será decidida, em última instância, pelos votos depositados nas urnas, não pelas intenções registradas nas pesquisas. E é justamente essa diferença que torna a última semana tão imprevisível. Com Lula e Flávio separados por uma margem estreita, jovens, idosos, eleitores menos mobilizados, indecisos e até aqueles que pretendem votar branco ou nulo podem ganhar uma importância desproporcional.
A campanha continuará marcada pela troca de acusações, pela tentativa de explorar as fragilidades do adversário e por uma batalha cada vez mais intensa pela atenção do eleitor. Mas, quando a propaganda terminar e as urnas forem abertas, a pergunta será mais simples do que toda a retórica construída ao longo da disputa: quem conseguiu transformar apoio em comparecimento? Em uma eleição decidida por poucos pontos, essa pode ser a diferença entre vencer e perder.
Já temos uma ligeira melhora só pelo fato do FB estar na frente das pesquisas.
O presidente mandou pagar o Bolsa família com aumento imediatamente, até no máximo, quarta feira desta semana.
O beneficiado agradece ao FB.
Não houve acréscimo de votos…
Sujo falando do mal lavado.
Os candidatos não agregaram nada.
Pelo contrário,aqueles que votaram em candidatos locais, não irão as urnas dia 25.
Abstenção e Nulos aumentaram.
Roberta, assistiu o debate e rebate:
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Lembremos, do que importa, vida!
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PS. Turbinando, fazer o Linguado igualar-se à Usina Maremotriz de La Rance em Bretanha- França e devolver fluxo de renovadas vidas aos berçários Babitonguenses!
Uma sugestão/convite à Jaraguaense WEG.
Uma homenagem à Luiz Zambrano, o inventor!
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Nando, alerta:
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