Pesquisa Alfa já traz Caiado e Zema com 14% e boas possibilidades de vitória

Qual a chance de uma chapa Caiado-Zema para presidente

Zema e Caiado, juntos, podem se tornar a terceira via

Carlos Newton

Ao que tudo indica, as pesquisas eleitorais foram criadas por inspiração do radialista pernambucano Abelardo Barbosa, o famoso Chacrinha, porque surgiram para confundir e não para explicar, como ele se autodefinia. Nos anos eleitorais, os institutos, como gostam de ser chamados, faturam milhões, porque não faltam clientes a serem agradados.

A mais recente pesquisa Alfa Inteligência, divulgada nesta sexta-feira, é como as demais, que colocam na frente Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), ao gosto do freguês. A única diferença é que a chapa Caiado/Zema (ou vice-versa) pela primeira vez aparece com 14 pontos, mostrando que está em tendência de alta e pode configurar a tão ansiada terceira via.

PRIMEIRO TURNO – O Levantamento, que ouviu 1.400 pessoas entre os dias 5 e 10 de junho; tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, e afirma garantir nível de confiança de 95%

No primeiro turno, Lula aparece com 40%, e Flávio, 31%, enquanto os ex-governadores de Goiás e de Minas, Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), que vão disputar em chapa única, registram 7% das intenções de voto cada, perfazendo 14% e demonstrando a viabilidade da terceira via.

O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (DC) aparece com 3%, enquanto o coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos (Missão), tem 2%. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) soma 1%, mesmo percentual registrado por outros candidatos que não chegaram a pontuar sozinhos.

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P.S. –
Além disso, 1% dos entrevistados se declarou indeciso, enquanto 7% afirmaram que pretendem votar em branco, nulo ou não votar. Vamos aguardar as próximas pesquisas, para conferir se os tais institutos terão coragem de continuar colocando Caiado e Zema atrás de Renan Santos, que ninguém conhece e até pensei que fosse parente do Renan Calheiros... (C.N.)

O que a nova Quaest revela sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Charge do Clayton (O Povo)

Pedro do Coutto

A corrida presidencial de 2026 começa a entrar numa fase em que os movimentos das pesquisas deixam de ser simples oscilações estatísticas e passam a indicar tendências políticas mais consistentes. A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana, sugere justamente isso: pela primeira vez em meses, o presidnete Lula da Silva não apenas recupera terreno, mas abre uma vantagem relativamente confortável sobre o senador Flávio Bolsonaro, consolidando uma mudança de humor no eleitorado que merece atenção.

Segundo o levantamento, Lula aparece com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 38% de Flávio Bolsonaro. Trata-se da maior diferença registrada entre os dois desde o início do ano. O dado ganha relevância porque rompe uma sequência de pesquisas marcadas por empates técnicos ou por disputas extremamente apertadas. Em abril, os dois apareciam virtualmente empatados. Em maio, a diferença era de apenas um ponto percentual. Agora, a distância chega a seis pontos, sinalizando uma inflexão importante na dinâmica eleitoral.

CRESCIMENTO DE LULA – A interpretação mais imediata seria atribuir o crescimento de Lula exclusivamente à queda de Flávio Bolsonaro. Mas a realidade parece mais complexa. Há dois fenômenos distintos ocorrendo simultaneamente. De um lado, o presidente recupera parte da capacidade de atração junto aos eleitores moderados. De outro, o candidato bolsonarista enfrenta dificuldades para ampliar sua base para além do núcleo ideológico mais fiel.

O episódio envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro parece ter desempenhado papel relevante nesse processo. A revelação de diálogos e das relações entre Flávio Bolsonaro e o empresário produziu desgaste político não necessariamente entre os apoiadores mais convictos do bolsonarismo, mas entre os eleitores independentes e os setores menos ideológicos do eleitorado. A controvérsia acabou reforçando uma percepção negativa justamente no segmento que costuma decidir eleições presidenciais no Brasil.

Esse ponto é particularmente importante porque as eleições brasileiras raramente são decididas pelos extremos. Tanto o lulismo quanto o bolsonarismo possuem bases eleitorais sólidas, altamente mobilizadas e relativamente estáveis. O que define o resultado final costuma ser o comportamento dos eleitores sem identificação partidária forte, aqueles que transitam entre candidatos conforme a conjuntura econômica, política e institucional.

INDEPENDENTES – Os números divulgados pela Quaest indicam que Lula vem obtendo ganhos justamente nesse grupo. Os chamados independentes representam aproximadamente um terço do eleitorado pesquisado e passaram a demonstrar preferência mais clara pelo atual presidente. Trata-se de um movimento que pode ter impacto decisivo nos meses finais da campanha, sobretudo porque esse segmento costuma ser mais sensível a escândalos, crises econômicas e percepções de estabilidade institucional.

Também chama atenção o cenário de primeiro turno. Lula aparece com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 29%. Os demais candidatos permanecem muito distantes, com Ronaldo Caiado e Romeu Zema alcançando índices modestos. A pesquisa reforça uma tendência que vem sendo observada há meses: a chamada direita não bolsonarista ainda não conseguiu apresentar uma alternativa competitiva capaz de ameaçar a polarização entre lulismo e bolsonarismo.

Para Caiado e Zema, o desafio é particularmente difícil. Ambos tentam ocupar um espaço político que existe teoricamente, mas que continua sem tradução eleitoral significativa. O eleitor conservador permanece amplamente concentrado em torno da família Bolsonaro, enquanto o eleitor moderado ainda não vê nesses nomes uma candidatura nacional capaz de disputar o segundo turno.

ERROS DA OPOSIÇÃO – Outro elemento relevante da pesquisa é que a melhora de Lula nas intenções de voto não foi acompanhada por uma explosão equivalente na aprovação do governo. Isso sugere que parte do crescimento do presidente decorre menos de um entusiasmo renovado com sua administração e mais das dificuldades enfrentadas por seus adversários. Em outras palavras, Lula parece estar sendo beneficiado tanto por méritos próprios quanto pelos erros do campo oposicionista.

Essa distinção é importante porque aponta para uma disputa ainda aberta. Se a vantagem atual representa uma mudança de tendência, ela não significa uma eleição definida. Faltam vários meses para o pleito, e a história recente da política brasileira mostra que campanhas presidenciais podem sofrer mudanças bruscas de rumo diante de fatos novos.

CAMINHO MAIS SEGURO – Ainda assim, o levantamento oferece um sinal claro para os estrategistas dos dois lados. Para Lula, a mensagem é que a reconquista do eleitorado independente pode ser o caminho mais seguro para a reeleição. Para Flávio Bolsonaro, o alerta é ainda mais contundente: manter a fidelidade do núcleo bolsonarista talvez não seja suficiente para vencer uma eleição nacional. Será necessário convencer um eleitorado mais amplo, menos ideológico e mais atento a questões de credibilidade e confiança.

No fundo, a pesquisa da Quaest revela algo que vai além dos números da semana. Ela mostra que a disputa presidencial de 2026 pode estar sendo decidida não nos redutos históricos da esquerda ou da direita, mas naquele vasto espaço político ocupado pelos brasileiros que não se identificam integralmente com nenhum dos dois campos. E, ao menos neste momento, são esses eleitores que parecem estar empurrando a balança em favor de Lula.

Sem provas e sem novidades: PF rejeita segunda oferta de delação de Daniel Vorcaro

Flávio pede que Lula seja investigado por discursar sobre “traidores da pátria”

Piada do Ano! Fachin diz que os EUA deviam cumprir as ordens de Moraes…

Fachin em carreira solo - Blog da Denise

Charge do Cau Gomez (Correio Braziliense)

Carlos Newton

Todo ano é a mesma coisa. Sempre aparece alguma personalidade importante dos Três Poderes da República que decide fazer o possível e o impossível para ganhar o cobiçado troféu da Piada do Ano. Agora é o presidente do Supremo, Edson Fachin, com uma piada atrás da outra, tentando acumular pontos desde o primeiro semestre.

Fachin é um ilustre apoiador da então candidata Dilma Rousseff, que em 2010 abandonou seus trabalhos na Procuradoria do Paraná para se integrar à campanha petista. O ministro sabe o valor da Piada do Ano e quer repetir a dose, porque hoje poucos lembram que ele ganhou o concurso em 2019.

RECAÍDA PETISTA – Recordar é viver. Como relator da Lava Jato, Fachin saiu-se admiravelmente, durante anos deu um show em termos de imparcialidade. Em 2019, porém, quando o destrambelhado Jair Bolsonaro passou a exercer o poder pateticamente, Fachin teve uma recaída petista e tirou Lula da cadeia.

Com uma coragem inacreditável, o relator Fachin aceitou a tese de que Lula não poderia ter sido julgado em Curitiba e instituiu a “incompetência territorial absoluta” para anular as condenações do petista, que estava preso há 580 dias.

Com isso, o Brasil se tornou o único país do mundo em que existe essa “incompetência territorial absoluta”, uma possibilidade juridicamente abominável, mas quem se interessa? E assim Fachin ganhou a Piada do Ano de 2019.

VOLTA AO PALCO – Sete anos depois, o presidente do Supremo aproveita seu palco iluminado na Praça dos Três Poderes para fazer sucessivas piadas, todas de altíssimo nível, a começar pelo manual de boas condutas, realmente impagável, só faltou ensinar os ministros a não extorquir banqueiros.

Daí em diante, Fachin desembestou, como se diz no Nordeste. Primeiro, apoiou Dias Toffoli no caso Master, dizendo que ele seria um relator imparcial, todos riram da piada, menos a Polícia Federal, que em seguida obrigou Toffoli a se declarar impedido, digamos assim.

Depois, o presidente do STF tentou convencer Alexandre de Moraes a pôr fim ao inquérito do fim do mundo, mas Xandão não achou graça e Fachin teve mudar o roteiro, perdendo a piada para não perder o amigo, e até colocou a Advocacia-Geral da União na defesa de Moraes, que é investigado pelo Congresso dos EUA e processado na Flórida pela plataforma Rumble e pela Media Trump, empresa do presidente americano.

PIADA DO SÉCULO – Para não perder a amizade de Moraes, esta semana Fachin resolveu lançar logo a Piada do Século, dizendo que os Estados Unidos têm obrigação de seguir as ordens judiciais que Moraes tentou ver obedecidas pela Justiça americana.

Sob aplausos entusiásticos, criticou a filial USA por não cumprir nenhuma determinação de Moraes, aqui da filial Brazil, e argumentou que “cooperação judicial entre países não pode ser confundida com ingerência”.

A piada foi feita durante apresentação solo de Fachin no lançamento do Anuário da revista Consultor Jurídico, levando a plateia ao delírio, com arrancos de soberania e de civismo.

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P.S. –
Sem citar diretamente os Estados Unidos ou casos específicos, o ministro Fachin avisou que a resistência em obedecer às ordens judiciais brasileiras pode gerar “consequências que ultrapassam fronteiras”, deixando o presidente Donald Trump na expectativa de retaliações da filial Brazil, caso os processos contra Moraes não sejam logo arquivados na matriz USA. (C.N.)

Acesso restrito a Bolsonaro provoca ruídos na montagem dos palanques estaduais

El Niño precisa varrer do mapa esses abutres que infestam a política brasileira

Cartum: quadrinhos, tirinhas e charges - 26/05/2026 | Folha

Charge do Laerte (Folha)

Vicente Limongi Netto

O fenômeno climático El Niño já começou mesmo a fustigar o Brasil. Está a meio caminho. Não se sabe ainda qual será sua intensidade. Deverá mostrar as garras principalmente no Nordeste e Sul do país atingindo quem estiver pela frente.

Mas precisamos de um El Niño diferente, que venha invocado e com tudo para jogar no lixo patifes engomados de todos os coturnos. A fúria do fenômeno deveria ter endereço certo, como ministro assediador e impune, do Superior Tribunal de Justiça (TSTJ).

PASTORES CRETINOS – El Niño precisa arrastar pastores cretinos que escondem mandato parlamentar para saciar seus apetites de enriquecimento ilícito. eleitoreiros. Deveria vir com força para assustar a escória do Tariflávio e de outros políticos do mesmo nível, em todos os partidos.

Vai exigir que o falsário meliante Daniel Vorcaro seja homem. Que conte tudo realmente, sem escamotear nomes de poderosos numa delação que não mereça mais reparos da Policia Federal nem da Procuradoria Geral da República.

El Niño Quer olhar na cara dos candidatos para saber as reais intenções deles com o Brasil.  Os homens de bem querem olhar de perto as caras dos abutres.

CELA NA PAPUDA – El Niño também precisa fustigar o  caolho Ibaneis Rocha, chefão da gang que desgraçou o Banco Regional de Brasília (BRB) e desonra o MDB. A Papudinha tem cela esperando por ele.

A passagem do poderoso El Niño será curta, mas com tTempo suficiente para preparar o caminho do inferno para a corja podre do clã Bolsonaro. A começar pelo destrambelhado chefão Jair Bolsonaro, golpista que infelicitou o Brasil e ensinou os filhos a seguir o mesmo infame caminho.

Caso seja informado pelos meteorologistas que sua rápida viagem não foi convincente, que a ordinarice continua solta, então El Niño garante que volta antes das eleições de outubro. Aí, sim, com sangue nos olhos, para fazer uma limpeza profunda na vida pública brasileira, em todos os partidos.

STM pode reavaliar provas da trama golpista para preservar patentes de generais

Eleitorado pune estratégia de Flávio Bolsonaro e melhora avaliação de Lula

Brecha no Regimento do Supremo pode permitir a libertação de Vorcaro & Cia

Os segredos da Suíte Master. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (9). #meio #charge #bancomaster #vorcaro

Charge do Sppaca (Arquivo Google)

Jorge Béja

Todos os Tribunais de Justiça nacionais são formados por número ímpar de magistrados. Tanto o plenário quanto os órgãos que compõem as Cortes. O Supremo Tribunal Federal é composto por 11 ministros. E cada uma de suas duas turmas é composta por 5 ministros.

O número ímpar de integrantes das cortes não é superstição. Nem, muito menos, coincidência. A finalidade é evitar que os julgamentos, sejam pelo plenário, sejam por turmas, nunca terminem em empate.

RAZÃO LÓGICA – Diante desta razão juridicamente lógica, conclui-se que a Segunda Turma do STF não pode julgar Daniel Vorcaro, seus comparsas, nem o Banco Master. Esse impedimento acontece porque a Segunda Turma está composta de apenas quatro ministros, em razão do impedimento e suspeição de Dias Toffoli para decidir sobre o Master.

E quando isso acontece a parte a quem aproveita o empate fica em flagrante vantagem. Em qualquer julgamento do caso Master pela Segunda Turma o placar de 2 a 2 favorece Vorcaro & Cia, quer estejam criminalmente investigados acusados, denunciados, ou mesmo réus, em se tratando de ação penal com denúncia já apresentada e recebida.

A vantagem decorre do princípio “in dubio pro réu”, que é fundamental para o Direito Penal e Processual Penal. O placar 2 a 2 deixa a dúvida: inocente ou culpado, E o réu é beneficiado.

E NO PLENÁRIO – E se o julgamento fosse levado ao plenário?  A resposta não seria a mesma, porque, com o impedimento de Toffoli, por ora o plenário estará formado por nove ministros, impossibilitando o empate como resultado.

Outrora, em situação idêntica à que se encontra atualmente o STF, eram chamados ministros do Superior Tribunal de Justiça para a composição integral da Corte. Hoje, não mais.

O Regimento Interno do STF é outro e não admite o que era razoavelmente bom, justo e célere, para o desate dos julgamentos, evitando-se a possibilidade de ocorrer empate, repita-se.

HIPÓTESE ODIENTA – O que vai escrito a seguir deixa qualquer pessoa indignada. Revoltada, mesmo. Mas não se pode desrespeitar a lei, nem contorná-la.

Enquanto perdurar a atual composição da Segunda Turma, Daniel Vorcaro, seus asseclas e o Banco Master não podem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, até que a composição da Corte seja regularizada na forma da Constituição Federal e dos princípios que regem a Ciência do Direito, Vorcaro e sua “gang” teriam até o direito de deixar a prisão.

E não se pode negar que é possível o resultado de 2 a 2 no recurso que está em curso, em que os ministros Mendonça e Fux já votaram a favor de manter a prisão preventiva, e aguarda-se o voto dos ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques.

Eleitor com mais de 70 anos pode ser fiel da balança nas eleições de 2026

Aceitar estoicamente o destino não deve impedir nossa evolução política e social

Ilustração de Ricardo Cammarota foi realizada em técnica digital, vetorial, sobre fundo preto com moldura fina dourada de cantos arredondados. A composição é formada por elementos geométricos e símbolos distribuídos horizontalmente. À esquerda, uma linha vertical dourada conecta um círculo serrilhado menor na parte superior, um círculo maior com múltiplos raios ondulados na região central e uma lua crescente na parte inferior. No centro, uma linha curva dourada atravessa a composição formando ondas suaves. Sobre essa linha está uma balança simétrica com haste vertical central e dois pratos triangulares suspensos, ambos preenchidos parcialmente por formas semicirculares douradas. Abaixo da balança aparece o símbolo da letra grega psi (Ψ). À direita, uma linha vertical sustenta uma sequência de formas geométricas. Na parte superior há um círculo contendo triângulos sobrepostos e um triângulo preenchido voltado para baixo. Abaixo aparecem dois triângulos alinhados verticalmente, um deles com um círculo vazado no centro. Mais abaixo há triângulos contornados, alguns com linhas tracejadas. Pequenos pontos e estrelas douradas e brancas estão espalhados pelo fundo, simulando um céu noturno.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Quando escolas filosóficas entram na moda, temos como consequência dois fenômenos. O primeiro, negativo, é o uso abusivo de ideias tiradas de contexto e utilizadas como algum tipo de ferramenta motivacional. Penso que a categoria de conteúdo motivacional é uma das misérias do pensamento em nosso tempo. Viciante, move toda uma economia de ideias empobrecidas a serviço da ignorância e da mentira sistemática.

O segundo ponto, positivo, é a possibilidade de que a escola filosófica que “entra na moda” possa despertar em almas mais consistentes o interesse pela filosofia que está em questão. E a escola filosófica à qual me refiro neste artigo é o Estoicismo.

CONSTATE ESTÓICA – O filósofo espanhol, autor do grande dicionário de filosofia que carrega seu sobrenome, José Ferrater Mora, afirma no verbete “Estoico” que o estoicismo se caracteriza por ser uma “constante estoica”. Esse fato pode ser responsável, em grande parte, pelo seu sucesso entre o senso comum e, mesmo, no uso empobrecido, quando essa constante se despedaça no discurso motivacional.

“Constante estoica” significa que o estoicismo fala com todos nós, independente da época em que vivemos, principalmente, se levarmos em conta o fato que os verdadeiros estoicos viveram na Grécia e em Roma desde o século 4º a.C., com seu fundador Zenão de Cítio, em Atenas, e seguiram até o século 2º d.C. em Roma, com o imperador filósofo Marco Aurélio.

SEIS SÉCULOS – No total, cerca de 600 anos se passaram até que seu último grande representante, Marco Aurélio, viesse a morrer em 180 d.C. Por isso, trata-se de uma escola filosófica cujas fontes são fragmentadas, muitas vezes contraditórias.

O maior acesso que temos a essas fontes são dos três grandes estoicos em Roma, Sêneca, senador romano, Epicteto, escravo liberto grego, mas que viveu parte da sua vida em Roma, e o imperador filósofo Marco Aurélio. Esses poucos dados servem para nos dar alguns parâmetros da complexidade da constituição temporal da escola estoica.

O primeiro problema com relação à banalização do estoicismo é porque se trata de uma filosofia muito distante do discurso de sucesso e controle da vida que marca a nossa época. Muito pelo contrário, um estoico porá em dúvida a validade de pensar a vida como um projeto de controle sobre as coisas e os eventos a nossa volta.

BANALIZAÇÃO – Por outro lado, sem que isso justifique a banalização que toda moda de pensamento carrega consigo, a ideia de que podemos, sem apelos a tradições religiosas práticas, aprender racionalmente a viver com menos sofrimento, pode parecer que se trata de uma espécie de “autoanálise cognitiva” a serviço de uma vida melhor.

O que a faz uma constante também é sua proposta de que podemos, por nós mesmos, nos tornarmos mais sábios, ainda que aprendendo com a tradição filosófica que lhe era anterior. De novo, nada mais distante da ideia contemporânea de que a tradição de nada serve a não ser como afetação vintage.

Vejamos alguns dos temas que marcam, por exemplo, o universo de angústias estoicas —que são constantes entre nós humanos— na abordagem do imperador filósofo Marco Aurélio.

AS ANGÚSTIAS – Misantropia, ou seja, uma desconfiança profunda com relação aos homens e suas ações no mundo, o medo da morte, o sentimento do vazio da existência, a monotonia, a covardia repentina que nos acomete diante da vida e, acima de tudo, a consciência da efemeridade do tempo —a fuga do tempo— e da impotência humana.

Assim, o especialista Pierre-Maxime Schuhl resume as preocupações estoicas centrais. Pergunto: como encarar temas como esses banalizando-os, vestindo-os com a capa da simplificação a favor do sucesso no fim do dia?

Por outro lado, estoicos como Epicteto, seguido por Marco Aurélio, estabelecerão três estratégias ou modos de ação diante dos problemas da vida, conhecidas como “topoi”. Em oposição a eles, identificarão vícios simétricos, já que esses “topoi” serão entendidos como virtudes, por sua vez.

VAZIO DE INTELIGÊNCIA – É preciso entender que tudo tem uma causa que é fruto da natureza e que escapa ao nosso controle e que, portanto, não devemos atribuir uma intenção contra ou a favor de nós. O vicio oposto, por sua vez, é o “vazio de inteligência”, ou seja, a incapacidade de compreender nossa impotência diante da natureza ou do cosmos.

Sempre levarmos em conta aqueles que vivem conosco, portanto, ter um senso de comunidade ativo. O vício oposto é se apartar do vínculo com as pessoas com quem vivemos.

Estar atento a nossa alma, intelecto e corpo, e não fazer deles veículos de desordem. O vício oposto é contaminar, com as agitações da nossa alma e do nosso corpo, o mundo a nossa volta.

Declarações de Eduardo voltam a gerar incômodo no núcleo de Flávio Bolsonaro

Uma viola enluarada que marcou época, fustigando o regime militar

Marcos E Paulo Sérgio Valle Discography: Vinyl, CDs, & More | Discogs

Paulo Sérgio e Marcos Valle, irmãos e parceiros

Paulo Peres
Poemas & Canções

Os irmãos cantores e compositores cariocas Paulo Sérgio e Marcos Kostenbader Valle fizeram em parceria a música “Viola Enluarada”, cuja letra mostra que era preciso lutar, enfrentar a ditadura militar vigente no Brasil desde 1964 e buscar a liberdade. A música intitula o LP Viola Enluarada, lançado por Marcos Valle, em 1967, pela Odeon.

VIOLA ENLUARADA
Paulo Sérgio Valle e Marcos Valle

A mão que toca um violãoSe for preciso faz a guerraMata o mundo, fere a terraA voz que canta uma cançãoSe for preciso canta um hinoLouva à morteViola em noite enluaradaNo sertão é como espadaEsperança de vingança
O mesmo pé que dança um sambaSe preciso vai à lutaCapoeiraQuem tem de noite a companheiraSabe que a paz é passageiraPrá defendê-la se levantaE grita: “Eu vou!”
Mão, violão, canção e espadaE viola enluaradaPelo campo e cidadePorta bandeira, capoeiraDesfilando vão cantandoLiberdade
Quem tem de noite a companheiraSabe que a paz é passageiraPrá defendê-la se levantaE grita: “Eu vou!”Porta bandeiraCapoeiraDesfilando vão cantandoLiberdade… 
Liberdade, liberdade, liberdade

À espera de decisão de Moraes, Michelle mantém distância da campanha de Flávio

Derretimento entre independentes leva Flávio Bolsonaro a redesenhar estratégia eleitoral

Votações simbólicas no Congresso dificultam pressões sobre parlamentares

O cessar-fogo jamais chega ao Oriente Médio, apesar da nova crise do petróleo

Sob a sombra da Ficha Limpa, políticos recorrem à Justiça para disputar eleição

Esquerda está presa à armadilha de pedir sempre apoio do STF, sem debater ideias

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Maria Hermínia Tavares
Folha

A Parada LGBT+ é hoje o único movimento progressista que mobiliza e leva multidões de brasileiros às ruas. Talvez por ser singular mistura de alegria de festa com afirmação bem-humorada de identidade e combativo engajamento por direitos.

Outros movimentos mais tradicionais do campo da esquerda — por melhorias urbanas; pelo acesso a moradia e à saúde; contra a discriminação racial ou de gênero; ou por direitos trabalhistas, campo de atuação sindical— certamente continuam aí. Há mais de uma década, porém, disputam as ruas e praças com a extrema direita — quase sempre em desvantagem.

EXEMPLO DO PT – O mesmo se pode dizer do PT, cuja militância se confundia em boa medida com ativistas sindicais e de organizações populares. E mais ainda das agremiações partidárias que orbitam em torno da legenda de Lula.

Haverá boas explicações para a dificuldade que o partido e seus movimentos encontram para mobilizar multidões em torno de agendas menos ou mais ambiciosas. Entre elas, a proximidade com o governo federal ocupado pela coalizão encabeçada pelo PT, ensejando que lideranças sociais e ativistas partidários fossem sugados pela máquina pública.

A verdade é que desde a vitória de Bolsonaro, em 2018, a reação extraparlamentar progressista às ameaças à democracia e aos direitos fundamentais não se deu prioritariamente nas ruas. As esquerdas assumiram a judicialização como estratégia principal.

APOIO DO STF – Entre 2019 e 2022, usando instrumentos previstos na Constituição — em especial a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) —, buscaram barrar no Supremo Tribunal Federal as iniciativas mais reacionárias do Executivo ou do Legislativo.

Naquele período, foram protocoladas cerca de 2.000 ADIs e 600 ADPFs, que trataram de providências relativas à epidemia de Covid 19; meio ambiente e fiscalização ambiental; proteção de povos indígenas durante o surto; operações policiais nas favelas; cerceamento à liberdade de expressão; decretos sobre uso de armas de fogo.

Embora não tendo sido os únicos, os partidos de esquerda foram os principais motores da judicialização. Provocados por movimentos sociais e organizações não governamentais, tornaram-se os maiores litigantes, destacando-se pela frequência de seus recursos à Suprema Corte: pela ordem, PSOL, Rede, PDT, PT, PSB e PCdoB. Não estando habilitadas por lei a usar aqueles instrumentos, as ONGs frequentemente participaram das ações, contribuindo com pareceres técnicos.

SEM IDEIAS NOVAS – Para as forças progressistas, a judicialização é estratégia defensiva com vantagens e limitações, porque pode deixar em segundo plano a organização e a mobilização social em defesa de suas causas. E se beneficiam da diminuição da assimetria de poder quando a disputa se instala no terreno da interpretação legal.

Por outro lado, o recurso à Suprema Corte, além de aumentar perigosamente o poder de seus 11 magistrados, acaba delimitando a agenda das esquerdas.

Esta fica reduzida à batalha pelo programa inscrito na Carta —dispensado o debate de ideias. Especialmente de ideias novas para problemas ausentes do horizonte dos constituintes de 1988. E se algo não falta neste país são problemas.