Justiça consome R$ 181 bilhões e expõe peso crescente do Judiciário nas contas públicas

Batalha pelo horário eleitoral expõe uma disputa pesada entre Lula e Flávio Bolsonaro

Kassab aposta em terceira via e diz que 15% de Caiado já mudam totalmente o jogo eleitoral

Kassab diz que Caiado é alternativa à polarização

Mariana Grasso
Folha

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta semana que, se a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado atingir 15% das intenções de voto, “está ótimo”. A declaração foi feita durante um evento de investimentos do Bradesco BBI, em São Paulo.

Segundo Kassab, existe uma polarização entre o petismo e o bolsonarismo, que não está consolidada, e Caiado é uma alternativa. “Acho que é muito importante que tenha essa alternativa, nem que fosse para perder. Os brasileiros precisam mostrar que existe outro caminho”, disse.

ESPERANÇA – Kassab afirmou que, mesmo se Caiado não chegar ao segundo turno, ter 15% dos votos é uma esperança. “São 15% com os quais nós vamos chamar alguém e dizer: ‘vamos apoiá-lo porque queremos isso e aquilo’.”

O dirigente do PSD destacou que tanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL) possuem rejeições acima de 40%. “O voto do Lula não é consolidado. Dos 40% e poucos que ele tem, metade é fluido. Com o Flávio é a mesma coisa”, avaliou.

INDULTO – Caiado foi confirmado pré-candidato do partido na semana passada. Na ocasião, prometeu conceder indulto a Jair Bolsonaro (PL), mas fez críticas a Flávio, questionando a sua experiência para governar o país.

Em pesquisa Datafolha divulgada há um mês, o presidenciável do PSD marcou 4% das intenções de voto em cenário com Lula, que aparecia com 39%, e Flávio, que tinha 33%.

No desespero, Moraes quer aprovar uma ação do PT que limita a delação premiada

Gilmar Fraga: o protetor | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Arquivo do Google)

Malu Gaspar
O Globo

Em meio ao avanço das tratativas para uma delação premiada de Daniel Vorcaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes resolveu tirar da gaveta uma ação apresentada em 2021 por advogados do PT que questiona a validade e os limites constitucionais das colaborações premiadas.

Na segunda-feira, ele pediu a inclusão na pauta de uma ação movida pelos advogados do PT: Lenio Streck, André Trindade e Fabiano Santos, que foi presidente dos Correios neste terceiro mandato de Lula.

FIXAR “CRITÉRIOS” – A movimentação indica que o ministro, potencial alvo das revelações do dono do Master, pretende tentar restringir a validade da delação, como já fez há duas semanas, quando deu uma liminar restringindo o uso dos relatórios de inteligência financeira do Coaf.

A ação em questão é a ADPF 919. Nela, o PT pede que o STF fixe critérios para impedir o uso arbitrário de delações premiadas e “coibir interpretações que violem garantias fundamentais”.

Em dezembro de 2021, Moraes já havia solicitado informações ao então presidente Jair Bolsonaro e ao Congresso sobre o tema, para instruir essa mesma ação, mas não tomou decisão a respeito.

Dois anos depois, em setembro de 2023, ele homologou a delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, no processo em que o ex-presidente terminou condenado a 27 anos de prisão por planejar um golpe de estado junto com ex-ministros e generais que compunham seu governo.

ALVO EM POTENCIAL – A Procuradoria-Geral da República chegou a ser contra a delação de Mauro Cid, mas ele foi fechado diretamente com a Polícia Federal e com o aval de Moraes.

Hoje, junto com Dias Toffoli, o ministro Moraes é um potencial alvo da delação premiada de Vorcaro, que está em negociação tanto com a PGR como com a PF, e já enviou um recado aos investigadores de que pretende fazer uma “delação séria” e não poupar ninguém. O relator do caso Master no Supremo é o ministro André Mendonça.

Um dos pontos a ser esclarecido na delação é o contrato que o banco fechou em 2024 com o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prevendo o pagamento de R$ 129 milhões de reais em três anos para a prestação de serviços junto ao Executivo e ao Legislativo em Brasília.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Mais uma grande matéria de Malu Gaspar, que está trabalhando pesado na cobertura do caso do Banco Master. Ela confere pessoalmente todos os atos de Moraes no Supremo, para conferir se ele está tentado se livrar das investigações, e não dá outra – ele está sempre tentando tirar o corpo fora, porque não tem como se defender. (C.N.)

Direção do PL tenta apagar incêndio entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira

Motta adia eleição no TCU e articulação expõe a disputa de poder na Câmara

“O brasileiro convive bem com o escândalo moral”, dizia o poeta Thiago de Mello

Tribuna da Internet | Thiago de Mello, um poeta que não aprendeu a lição de  que é melhor ser acomodadoPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta amazonense Thiago de Mello (1926-2022), sempre atento à realidade de seu país, analisou em versos as agruras da política nacional, ao compor “Diário de um Brasileiro”, um poema que mostra a realidade de nosso dia a dia.

DIÁRIO DE UM BRASILEIRO
Thiago de Mello

O brasileiro convive bem com o escândalo moral.
Os ladrões infestam os salões de luxo,
os Bancos estouram, os banqueiros
são cumprimentados com reverência,
o Presidente do Congresso chama o senador
de bandido, sim senhor, vossa excelência.

O Presidente diz pela televisão
que “é preciso acabar com a roubalheira
nos dinheiros públicos”.
As pessoas das cidades grandes
vivem amedrontadas, qualquer
transeunte pode ser um assaltante.
As meninas cheiram cola. Depois
vão dar o que têm de mais precioso
ao preço de um soco na cara desdentada.

O brasileiro convive com o escândalo
como se fosse o seu pão de cada dia,
com uma indiferença letal.

Como se dormir na casa com um rinoceronte,
mas rinoceronte mesmo,
fosse a coisa mais natural do mundo,
chegando a cheirar a camélias.

O povo, um dia…
Do povo vai depender
a vida que vai viver,
quando um dia merecer.
Vai doer, vai aprender.

Flávio admite que Tarcísio é mais preparado: ‘Preferiria votar em você do que em mim’

Patrimônio da família Moraes já está atingindo R$ 100 milhões, pelo menos

Família de Alexandre de Moraes compra R$ 23,4 milhões em imóveis em cinco anos | Portal Aqui Vale

Patrimônio da família Moraes tem espantoso crescimento

Thaísa Oliveira, Carolina Linhares e Mateus Vargas
Folha

Documentos da Receita Federal enviados à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado que investiga o crime organizado indicam que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, pagou R$ 40,11 milhões ao escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, em 2024. Em 2005, pagou outro tanto, perfazendo R$ 80 milhões em menos de dois anos.

Procurado, o Barci de Moraes disse que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”. O escritório não quis informar qual seria o valor correto dos pagamentos. Moraes foi procurado, mas não se manifestou até a publicação deste texto.

IMPOSTO DO MASTER – Os pagamentos aparecem em uma declaração de Imposto de Renda do Master, que teve seu sigilo fiscal quebrado pela CPI do Crime Organizado.

O contrato do Master com o escritório Barci de Moraes foi assinado em 2024. Previa o pagamento mensal de R$ 3,5 milhões, num total de R$ 129 milhões em três anos, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo.

Os dados da Receita obtidos pela Folha mostram que o banco declarou 11 pagamentos mensais de R$ 3.646.529,72 ao escritório em 2024, totalizando R$ 40.111.826,92. Sobre esses pagamentos, o Master informou ter recolhido R$ 2.466.877,38 em impostos na fonte.

DIZ O RELATOR – Nesta terça-feira (7), durante a sessão plenária do Senado, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou que os dados haviam sido entregues à comissão.

Ele afirmou que a Receita Federal teria enviado dados incompletos sobre o banco e que a complementação das informações chegou apenas na segunda (6).

“Mesmo com a quebra de sigilo aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito e não suspensa pela Justiça, a Receita Federal do Brasil mandou os dados incompletos. Foi preciso solicitar a reiteração, a complementação, para que chegasse o dado bancário que comprova o recebimento e a dedução de impostos pelo escritório da doutora Viviane Barci. Só em um ano, R$ 40 milhões recebidos. Contraprestação de serviço? A própria doutora Viviane já publicizou: nada que justifique esse valor”, disse o senador.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Só o patrimônio imobiliário da família Moraes chega a R$ 37 milhões, sem correção monetária. O banco Master pagou, pelo menos, mais R$ 36,6 milhões em 2025. Assim, o patrimônio total da família, na verdade, deve chegar a R$ 100 milhões. Com tantas provas notórias, já divulgadas pela imprensa, que incluem plágios de trabalhos de outros escritórios de advocacia, para justificar os R$ 3,6 milhões mensais, somente num país esculhambado como o Brasil o ministro Alexandre de Moraes pode continuar no Supremo, julgando processos de criminosos menos prejudiciais do que ele próprio. E ainda é chamado de “Excelência”. É o fim da picada. (C.N.)

Subsídios aos combustíveis: o governo Lula tenta conter a crise e proteger o consumo

Lula tenta evitar uma crise de consumo com efeitos em cadeia

Pedro do Coutto

O governo do presidente Lula da Silva anunciou um pacote de medidas voltado à contenção dos preços dos combustíveis, com foco no gás de cozinha, no diesel e no querosene de aviação, em uma tentativa clara de evitar uma crise de consumo com efeitos em cadeia sobre a economia brasileira.

A decisão ocorre em um cenário internacional pressionado pela alta do petróleo, que tende a impactar diretamente os custos logísticos, a inflação e o cotidiano da população. Ao optar por subsidiar esses insumos, o Planalto busca frear o repasse de preços e impedir que setores estratégicos — como o transporte rodoviário e a aviação — sofram impactos mais severos, o que poderia comprometer desde o abastecimento até o turismo e os negócios.

EFEITOS IMEDIATOS – No caso do diesel, a preocupação é evidente: trata-se do principal combustível da matriz de transporte do país, e qualquer elevação significativa tem potencial de desencadear efeitos imediatos sobre alimentos, produtos industriais e serviços.

Já o gás de cozinha possui um peso social ainda mais sensível, pois afeta diretamente milhões de famílias, especialmente as de baixa renda, tornando-se também um fator de pressão política. No setor aéreo, o subsídio ao querosene busca evitar aumentos abruptos nas passagens, preservando a atividade econômica e reduzindo o risco de retração no fluxo de viagens.

MÉDIO E LONGO PRAZO – Embora as medidas tragam alívio imediato, elas levantam questionamentos sobre seus efeitos no médio e longo prazo. Subsídios, historicamente, funcionam como instrumentos de contenção emergencial, mas também podem gerar distorções de mercado, aumentar o peso fiscal e criar dependência de políticas públicas.

Além disso, há o desafio de financiamento: a estratégia do governo se apoia, em parte, na expectativa de aumento de receitas com royalties do petróleo, o que introduz um elemento de incerteza, já que tais receitas são voláteis e dependem do cenário internacional.

ESTABILIDADE ECONÔMICA – Do ponto de vista político, o movimento é calculado. Em um ambiente sensível, com inflação ainda no radar e memória recente de crises envolvendo combustíveis, o governo busca evitar desgastes e preservar a estabilidade econômica. A escolha por intervir nos preços revela uma prioridade clara: proteger o consumo e conter tensões sociais no curto prazo, mesmo diante dos riscos estruturais que a medida pode carregar.

Assim, o Brasil retorna a um dilema recorrente de sua trajetória econômica — entre a necessidade de intervenção estatal e os limites dessa estratégia — enquanto o governo aposta que o controle imediato dos preços será suficiente para evitar uma crise maior.

Nova Pesquisa exibe Flávio na frente e Caiado em empate técnico com Lula

Paraná Pesquisas: Flávio Bolsonaro empata com Lula no 1º turno e vence  numéricanente no segundo; Caiado aparece com 3,6% e será lançado hoje pelo  PSD Da Redação | felipevieira.com.br Uma nova pesquisa

Alta rejeição está prejudicando o desempenho de Lula

Fernando Melo
MSN

O senador Flávio Bolsonaro (PL) surgiu vencendo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma nova pesquisa divulgada nesta manhã de quarta-feira, 8 de abril. De acordo com o instituto Meio/Ideia, Flávio surge com 45,8% das intenções de voto, contra 45,5% do presidente Lula em um eventual segundo turno na disputa pelo Planalto.

Segundo a pesquisa Meio/Ideia, o resultado representa empate técnico entre ambos, mas garante a vitória de Flávio Bolsonaro caso as eleições fossem hoje. No cenário entre Lula e Ronaldo Caiado (PSD), o presidente soma 45%, ante 40% do ex-governador de Goiás. Brancos, nulos e indecisos chegam a 16%.

ZEMA E RENAN – Em disputa contra Romeu Zema (Novo), Lula aparece com 44,7%, enquanto o ex-governador de Minas Gerais tem 38,7%. Brancos, nulos e indecisos somam 16,6%. No quarto cenário, Lula registra 45%, contra 26,4% do coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos (Missão). Brancos, nulos e indecisos também totalizam 28,6%.

Já contra o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), Lula aparece com 46%, enquanto Rebelo tem 22,6%. Brancos, nulos e indecisos somam 31,4%.

vale lembrar que foram ouvidas 1.500 pesoas em todo o país entre os dias 3 e 7 de abril. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-00605/2026.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A coisa está feia. A ultrapassagem por Flávio Bolsonaro (ainda que em empate técnico) já era esperada. A novidade está no excelente desempenho de Ronaldo Caiado num segundo turno contra Lula, já em empate técnico logo após ser lançada sua candidatura, que tende a crescer. Com 61% de rejeição na pesquisa Genial/Quaest, Lula mostra que está em decadência.  Aguarda-se agora a pesquisa Datafolha, ainda esta semana. No Planalto, o suspense é de matar o Hitchcock. (C.N.)

Brasília acompanha tendência nacional e também se torna paraíso de corruptos

Quase oito anos de governo e Ibaneis Rocha deixa o Palácio do Buriti com a  sensação de que algo ficou mal explicado. O balanço do período, visto com  certo distanciamento, é um

Charge do Fato & Análise (Instagram)

José Perez

Brasília está dominada por uma motivação: governadores Ibaneis Rocha e Celina Leão merecem cadeia, já! Em 2018, o povo mais humilde daqui de Brasília dizia, em sua maioria, que votaria em Ibaneis por ele já ser rico e “não precisar roubar”, mas deu no que deu, em que a derrocada do Banco Regional de Brasília é apenas um detalhe, em meio à roubalheira em geral.

Nosso sistema político, partidário e eleitoral precisa ser revisto. Com a desmoralização do Judiciário, não há mais equilíbrio de pesos e contrapesos em pleno funcionamento. Assim, fica fácil qualquer forasteiro investir na compra de uma eleição já calculando quanto poderá lucrar depois. Virou um investimento de baixo risco.

INVESTIMENTO – Ibaneis Rocha veio do nada, comprou a eleição para o governo do Distrito Federal em 2018 e depois foi atrás de recuperar o investimento, com lucro exorbitante e correção monetária.

Uma raposa antiga do Congresso, que tomava conhecimento das reuniões na casa do Ibaneis, para tratar de negócios escusos no primeiro ano do seu “governo”, dizia que seria necessário sofrer muito tempo até Brasília se recuperar das vigarices desse governante corrupto, que, aliás, é uma espécie de característica da política na capital.

O deputado raposa relata que havia um mapa das áreas onde seriam feitas benfeitorias e mudança na destinação dos lotes, como ocorreu na região da Rota do Cavalo, em Itapoã. Compraram tudo por lá, mudaram a destinação dos lotes no Plano Diretor para área de adensamento urbano (era área rural anteriormente).

NOVAS PONTES – Depois de adquirida a área pelos parceiros na armação, foi então anunciada pelo governo de Ibaneis a construção de novas pontes sobre o lago Paranoá, cujos acessos passam exatamente na área fatiada e comprada pela gangue.

Fora o resto que todos conhecem, como a bancarrota do Banco Regional de Brasília, que só não vai à falência por ser estatal.

Não há política de interesse público, apenas negócios e vigarices. Este é o retrato de Brasília, depois da passagem do furacão Ibaneis. E a vice Celina Leão (hoje, governadora) também está envolvida nas maracutaias. Porém, em comparação a ele, é apenas um vendaval.

Caso Master: Proximidade entre Vorcaro e cúpula do BC expõe bastidores do colapso

Legistas requisitam as imagens do suicídio de “Sicário”, mas a PF se recusa a fornecer

Banco Master: 'Sicário' de Daniel Vorcaro tenta tirar a própria vida dentro  da PF | Rádio Itatiaia

Exibição das imagens esclareceria a morte de Sicário

Carlos Newton

Já comentamos aqui na Tribuna da Internet que o sigilo injustificado é evidência segura de que alguma coisa está errada e não deve ser conhecida. É justamente o caso do suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, capanga do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Existe sigilo sobre o caso Master, mas a morte de um investigado dentro da Superintendência da PF não pode estar sendo guardada a sete chaves, exatamente como ocorreu com a gravação das 80 câmeras do Ministério da Justiça no quebra-quebra do 8 de Janeiro, quando nem havia sigilo, mas o então ministro Flávio Dino alegou não poder exibir, porque teriam sido “apagadas”.

FAKE NEWS DE DINO – Na ocasião, Dino não teve medo do ridículo e caprichou na criação dessa fake news, sem lembrar que hoje as imagens são gravadas em computador e não precisam ser apagadas, como ocorria antigamente quando as gravações eram feitas em fitas reaproveitáveis.

Agora o Congresso está exigindo as imagens da morte do “Sicário”, que o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo, afirmou terem sido feitas “sem pontos cegos”, ou seja, a câmera esteve focalizada no preso o tempo todo, até a chegada do socorro. Portanto, o tal suicídio foi inteiramente filmado.

Em 5 de março, a CPMI do INSS oficiou à PF, solicitando as imagens. Até agora, nada. No dia 24, o senador Magno Malta (PL-ES) apresentou requerimento à CPI do Crime Organizado solicitando o envio da gravação da morte “Sicário”. No mesmo dia, a Comissão de Segurança Pública da Câmara também aprovou requisição das imagens, mas é tudo em vão, a Polícia Federal está sentada em cima.

MÉDICOS LEGISTAS – Segundo a própria PF, os médicos legistas também pediram na semana passada o compartilhamento do circuito de câmeras da carceragem para finalizar o laudo de necropsia, mas ainda não foram atendidos.

A esse respeito, a PF informou ao repórter Eduardo Gonçalves, de O Globo, que só poderá fornecer as imagens se o ministro André Mendonça aprovar. Isso é uma maluquice. O que desgraçadamente está sob sigilo é o caso Master em si, com envolvimento de autoridades, não o suposto suicídio de um investigado.

Sobre as imagens propriamente ditas, a direção da Polícia Federal informou apenas que “é possível ver que ele estava sozinho na cela e foi atendido pelos agentes que acompanhavam a sua custódia”. Ora, isso é Piada do Ano, é preciso mostrar as imagens de “Sicário” se enforcando com a camisa, mas a Polícia Federal estranhamente se recusa.

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P.S. –
Quando não há transparência e o sigilo é decretado, como vem ocorrendo habitualmente no Supremo e no Executivo, há um resultado sempre ruinoso, porque surgem suspeitas e especulações de todo tipo. Esse comportamento estranho e anômalo da PF compromete o diretor-geral Andrei Rodrigues, que até agora vinha atuando com destemor, tendo exigido ao presidente do Supremo, Edson Fachin, o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, e foi atendido. O pior é saber que nem mesmo os legistas podem ter acesso às imagens. É tudo muito estranho e compromete diretamente  a Polícia Federal. (C.N.)

Moraes reduz pena do hacker Delgatti em 100 dias após desempenho no Enem

Alexandre de Moraes segue parecer da PGR

Fernanda Fonseca
CNN

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a remição de 100 dias da pena do hacker Walter Delgatti, com base no desempenho do condenado no Enem PPL 2025 (Exame Nacional do Ensino Médio para pessoas privadas de liberdade).

A defesa havia solicitado a redução de 133 dias, mas o ministro seguiu o parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República) e negou a bonificação adicional. O hacker está preso, em Tremembé, no interior de São Paulo. Na decisão, Moraes afirmou que o benefício extra não se aplica porque Delgatti já possuía ensino superior completo antes de ingressar no sistema prisional.

PONTUAÇÃO – No Enem, o hacker alcançou 636 pontos em matemática, 635,4 em ciências humanas, 550,7 em linguagens e 476,8 em ciências da natureza, além de 700 pontos na redação. O tema da prova foi “A idade mínima para o trabalho como forma de proteção à infância”. O relator também rejeitou outros pedidos da defesa, como o abatimento de 173 dias da pena por leitura de obras literárias, por falta de comprovação das atividades.

Delgatti foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão por ter invadido o sistema eletrônico do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e, a mando da ex-deputada Carla Zambelli, emitido um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes. O documento chegou a ser incluído no BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão).

Pagamentos acima do teto explodem nos tribunais e chegaram a R$ 10,7 bilhões em 2025

Federação com PP acelera racha e União Brasil enfrenta debandada em massa de deputados

Deputados criticam a condução partidária de Rueda

Levy Teles
Danielle Brant
Estadão

Recém-federado com o PP, o União Brasil sofre uma debandada que ameaça reduzir a bancada atual do partido quase à metade, o que levaria a legenda a registrar um dos piores desempenhos na janela partidária de 2026.

Em fevereiro, antes do início do período que permite aos parlamentares trocarem de partido sem perder o mandato, o União Brasil tinha 59 parlamentares. Até o momento, ao menos 22 já deixaram ou indicaram que vão deixar o partido. Há uma expectativa de que outra dezena deixe a legenda, que já foi a terceira maior bancada da Câmara.

CONDUÇÃO DE RUEDA – Os deputados que saem citam a necessidade de ter um palanque mais competitivo em seus Estados, mas também criticam a condução partidária do presidente Antonio Rueda, cuja habilidade política é contestada. Procurado, Rueda não respondeu aos contatos da reportagem.

Pauderney Avelino (AM), que já está com “um pé fora” do partido, atribui a Rueda parte da responsabilidade pela debandada. “O Rueda não é da política, não tem experiência”, afirmou.

Kim Kataguiri (SP), que deixou o União para inaugurar a bancada do recém-criado Missão nesta janela partidária, vê incompetência da direção nacional e conflitos regionais como fatores fundamentais para o abandono de colegas do partido. “O fato de que o partido não tem programa também faz com que cada um saia de acordo com sua conveniência política”, analisou.

NOMINATA – Uma das saídas mais ruidosas do partido foi a do deputado Danilo Forte (CE), que migrou para o PP. O parlamentar negociava a sua filiação ao PSDB e já tinha um acordo com o presidente nacional do partido, Aécio Neves. Porém, segundo Forte, não houve espaço na nominata do Ceará. A nominata é uma expressão que designa a lista dos candidatos de um partido ou de uma federação.

Forte buscava ser o nome do União para a disputa pela vaga do ex-ministro Aroldo Cedraz no Tribunal de Contas da União (TCU). Ele atribui à falta de cumprimento de acordo por parte de Rueda a decisão de ter deixado o partido. A eleição na Câmara para uma cadeira na Corte de Contas ainda não ocorreu.

O parlamentar diz que tinha apoio da bancada e do líder Pedro Lucas (MA) para disputar a vaga no TCU, mas que Rueda se esquivou de indicá-lo. “Eu cumpri todos os prazos que estavam pré-estabelecidos para essa indicação. Pedi a convocação da bancada várias vezes para tomar essa decisão. Mas o embarreiramento se deu exatamente pela postura do presidente”, afirmou.

INTERESSES PESSOAIS –  “Então, diante dessa situação e diante de tudo que a política exige de mim, a minha opção foi tomar meu rumo e ele continuar na postura e no gerenciamento que ele faz da política em função não da conjuntura econômica e social do país, mas dos interesses pessoais que ele coloca acima do partido”, concluiu Forte.

O União Brasil foi criado a partir da fusão do PSL com o DEM e teve o registro aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral em fevereiro de 2022. Dois anos depois, já estava mergulhado em uma crise, depois que um racha interno sacou do comando do União o então presidente Luciano Bivar (PE) e colocou Rueda no poder.

A partir daí, uma série de divergências internas aprofundou as fragmentações no União. No final do mesmo ano, por exemplo, o partido se dividiu novamente ao escolher um novo líder de bancada na Câmara. Rueda atropelou os trâmites partidários, que envolvia eleição para o substituto de Elmar Nascimento, e apontou Pedro Lucas para o posto.

DECLARAÇÃO – Em reunião da bancada no final de 2024, Forte deu uma declaração que agora soa profética. “Hoje o partido pode ter 60 deputados, mas no próximo ano pode ficar 25 ou 30. Todo mundo aqui vai procurar um partido”, afirmou. Nessa mesma reunião, Leur Lomanto Júnior (União-BA), defendeu a reconciliação para evitar que o partido virasse alvo de chacota. “Não queremos voltar à piadinha dos deputados, quando éramos chamados de ‘Desunião Brasil’”, afirmou.

Além dos problemas com Rueda, outro motivo apontado pelos dissidentes é a própria decisão de federar com o PP, que criou impasses regionais. Integrantes do União passaram a disputar com o PP o controle dos diretórios estaduais. Os que perderam a queda de braço decidiram deixar o partido.

A situação ocorreu, por exemplo, com o deputado Alfredo Gaspar, em Alagoas. Aliados do parlamentar dizem que Rueda chegou a prometer que ele assumiria o controle do diretório estadual, que foi para nas mãos do grupo do ex-presidente da Câmara Arthur Lira. Gaspar foi para o PL.

INTERVENÇÃO – Há ainda reclamações de que Rueda decide unilateralmente intervir em diretórios do partido sem avisar parlamentares e prefeitos, aumentando o desgaste. No começo de março, o deputado Mendonça Filho (União-PE) chegou a pedir a Rueda o cancelamento da federação por causa dos entraves regionais. Ele deixou o partido e também migrou para o PL nesta semana.

O partido tenta conter a sangria. O líder da legenda tenta demover os potenciais dissidentes e atrair novos parlamentares. O próprio Rueda entrou em campo, segundo relatos ouvidos pela reportagem, e procurou convencer parlamentares a desistir da ideia de deixar o União, mas sem sucesso na grande maioria dos casos.

Master negou crise ao TCU meses antes de liquidação decretada pelo Banco Central

STF blinda Ibaneis e CPI reage: senadores denunciam esvaziamento das investigações

‘Não conseguimos investigar’, diz cúpula da CPI do Crime

Luísa Marzullo
O Globo

A cúpula da CPI do Crime Organizado reagiu nesta terça-feira à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que desobrigou o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) de prestar depoimento à comissão e elevou o tom das críticas ao que consideram uma interferência nas investigações.

As declarações foram feitas pelo presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), e pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que apontaram um esvaziamento dos trabalhos da CPI diante de decisões recentes da Corte. Sem a presença de Ibaneis, o colegiado ouve o secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia.

RECURSO – “Eu tenho de me curvar à decisão do STF porque decisão não se descumpre, mas a advocacia do Senado está recorrendo a todas as decisões. Não é razoável que a gente aprove oitiva de testemunha e o Supremo desobrigue de comparecer. Aprovamos quebra de sigilo, anulam. Não conseguimos investigar. Isso é uma afronta com a população brasileira”, afirmou Contarato.

Vieira também criticou a liberação de Ibaneis e afirmou que a ausência do ex-governador impede o avanço das apurações sobre o caso envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

“Quando Ibaneis renuncia o cargo, aprovamos a convocação dele. É importante que ele compareça para esclarecer a participação dele no escândalo Master e BRB. Lamento as decisões do Supremo que estão esvaziando a CPI”, disse.

DIREITO AO SILÊNCIO – A decisão que liberou Ibaneis foi elaborada pelo ministro André Mendonça, que entendeu que, por ter sido convocado na condição de investigado, o ex-governador tem o direito de decidir se comparece ou não à comissão. A avaliação de integrantes da CPI é que a sucessão de decisões do STF — que têm garantido o direito ao silêncio e, em alguns casos, desobrigado depoimentos — reduz o alcance das investigações justamente na reta final dos trabalhos.

A comissão tem prazo para encerrar suas atividades no próximo dia 14 e enfrenta incerteza sobre a prorrogação, em meio à resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em ampliar o funcionamento de CPIs em ano eleitoral. Vieira protocolou o pedido de extensão na véspera, numa tentativa de garantir tempo adicional para a coleta de depoimentos e consolidação do relatório final.

Nesta terça-feira, o relator deve se reunir com Alcolumbre para discutir o tema e tentar reverter a avaliação predominante na cúpula da Casa. No entorno do presidente do Senado, porém, a leitura é de que há pouco espaço político para estender os trabalhos, diante da pressão de diferentes frentes no Congresso e do acúmulo de requerimentos de comissões à espera de instalação.

Esta é a última eleição de Lula, que há 40 anos atrapalha o progresso do país

Eleições 2026: quando a política vira um grande stand-up | Jornal de  Brasília

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Mario Sabino

Há quase 40 anos tem sido assim, inclusive quando os candidatos foram Dilma Rousseff e Fernando Haddad – a primeira, preposta do chefão petista, embora com ambições próprias, e o segundo, mero poste, sem outra pretensão a não ser a da vassalagem. A escolha, assim, será a de prolongar ou não a agonia em mais quatro anos.

Com Lula na Presidência da República, o Brasil perdeu a chance de dar um salto econômico e social que o colocaria no pelotão das nações mais avançadas. Confirmou-se, assim, a máxima segundo a qual o Brasil nunca perdeu a oportunidade de perder oportunidades.

APESAR DE LULA – É importante que se repita: todo o progresso obtido nas últimas décadas não foi graças a Lula e ao PT, mas apesar do fardo que os seus governos perdulários, incompetentes, eleitoreiros e corruptos impuseram ao país.

Nem mesmo quando o Brasil surfou no boom das commodities, nos dois primeiros mandatos do chefão petista, aproveitou-se o momento para investir naquilo que faz um país realmente grande: infraestrutura, educação, saúde, produtividade.

Terminamos o primeiro quarto do século XXI com metade da população sem esgoto, com estudantes nas piores colocações nas provas internacionais de desempenho, com um sistema de saúde universal que é extremamente desigual e com trabalhadores cuja ineficiência é produto da sua baixa qualificação, do pouco investimento em tecnologia e inovação, do excesso de burocracia e do protecionismo.

SOCIEDADE IMPIEDOSA – Alguns dirão que a culpa não é exclusiva de Lula e do PT, que estamos falando de vícios e problemas herdados de uma sociedade com origem escravocrata, oligárquica e patrimonialista, que ainda resiste como tal.

Sim, mas a falta de exclusividade não os redime de ser protagonistas de uma esperança de modernidade continuamente frustrada enquanto estiveram no poder. Temos uma esquerda que é cúmplice na exploração da pobreza, na manutenção dos privilégios e na captura do Estado por interesses particulares.

Com Lula na Presidência da República, a sociedade produtiva vive em estado de permanente alerta. Ele e o seu partido acreditam que gasto é vida, que o céu é o limite para o teto de despesas públicas, que alta de inflação é efeito colateral de somenos do crescimento econômico a ser induzido pelo governo, que inchar a máquina pública é combater a injustiça social — e que escorchar empresários e classe média com impostos significa redistribuição de riqueza.

LOAS AO ESTADO – Para Lula e o PT. não existe vida fora do Estado, é dele que tudo emana, e é a ele que tudo deve render frutos. A receita petista para o século XXI nasceu no século XIX e fracassou retumbantemente no século XX.

Como Lula não deixará herdeiros à sua altura, resta aos eleitores abreviar essa agonia em quatro anos. Não sou entusiasta de nenhuma candidatura de oposição, mas qualquer um que for eleito em lugar do chefão petista será menos danoso ao Brasil, e tem sido assim desde 1989.