Mensagens de Vorcaro citam pagamentos mensais de R$ 500 mil a filho de Nunes Marques

PF espera há seis meses autorização de Mendonça para revelar autoridade paga por Vorcaro

PF pediu abertura de dados mas ministro não despachou

Malu Gaspar
Rafael Moraes Moura
O Globo

A Polícia Federal pediu há seis meses ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para cobrar do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) o compartilhamento integral de um relatório de inteligência financeira que continha informações de pagamentos feitos pelo ecossistema de Daniel Vorcaro a uma autoridade com foro privilegiado não identificada pelo órgão de controle financeiro.

Até agora, no entanto, não houve despacho nesse processo, que teve o sigilo levantado nesta segunda-feira (14) por decisão do presidente do STF, Edson Fachin. O processo é alvo do último movimento na guerra de ofícios deflagrada no tribunal desde que Fachin marcou o julgamento que pode resultar na abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

EXIGÊNCIA DE MORAES – A liberação desse sigilo foi exigência do próprio Moraes, na noite de domingo, em ofício enviado a Fachin. Não se sabe como Moraes teve a informação de que esse processo – do qual ele não era relator e que nem aparecia no sistema da Procuradoria-Geral da República (PGR) – estava pendendo de decisão. Nem como Moraes poderia saber que o processo “possui elementos essenciais” para o julgamento que pode resultar na abertura de uma investigação contra ele.

“A cautela do Coaf em não compartilhar automaticamente dados que envolvam autoridades com foro por prerrogativa de função alinha-se ao respeito às regras de competência jurisdicional. Todavia, considerando que a presente investigação criminal já tramita regularmente perante este Supremo Tribunal Federal, o juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência”, escreveu a PF a Mendonça, em ofício encaminhado em 10 de março de 2026.

Nas 13 páginas de informação de inteligência financeira enviada pelo Coaf e disponível no inquérito agora tornado público, não consta o trecho coberto por tarjas, mas há planilhas relacionando pagamentos feitos por empresas e pessoas ligadas a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro, incluindo a Igreja da Lagoinha Belvedere, aberta por ele.

NEGOCIAÇÃO – Segundo o que já se sabe a respeito dos pagamentos feitos à empresa da família do ministro Dias Toffoli, coube justamente a Zettel negociar e organizar os pagamentos, feitos por meio de uma offshore do ecossistema do Master, a Arleen Investimentos.

Em fevereiro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou a Fachin um relatório sobre as conexões de Vorcaro e Toffoli. O documento, porém, foi engavetado por Fachin numa sessão secreta ocorrida em fevereiro deste ano. Na ocasião, os ministros decidiram não declarar a suspeição de Toffoli, mas acertaram os termos de sua saída da relatoria do caso Master.

A divulgação nesta terça-feira da íntegra do processo, com o pedido da PF, deve ser usada pelo grupo de Moraes na sessão desta terça-feira, na tentativa de emplacar a tese de que Mendonça dá tratamento diferenciado a Moraes e direciona as investigações.

O Supremo, diante de suas próprias contradições, precisa cumprir as leis

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Pedro do Coutto

A crise que chegou ao Supremo Tribunal Federal já não cabe na moldura de uma disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. O problema ganhou dimensão maior: envolve a forma como a própria Corte administra acusações que atingem seus integrantes, o uso de informações sigilosas, a atuação da Polícia Federal e a crescente dificuldade de separar o conflito jurídico da disputa política que atravessa o país.

Às vésperas da sessão extraordinária desta terça-feira, a Polícia Federal entregou aos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, atendendo a solicitações feitas pelos próprios ministros. O material será analisado no contexto do julgamento que envolve a relação entre o empresário e Alexandre de Moraes.

MENSAGENS DE VORCARO – Há um detalhe importante. O relatório que desencadeou parte da atual controvérsia registra 52 mensagens enviadas por Vorcaro a um número identificado pela Polícia Federal como pertencente a Moraes, e não simplesmente 52 telefonemas não atendidos. As mensagens foram encaminhadas entre outubro e novembro de 2025, período que antecedeu a primeira prisão de Vorcaro. A diferença é relevante porque, em uma crise dessa natureza, precisão factual é parte da própria credibilidade do debate.

O que precisa ser esclarecido não é apenas quantas vezes Vorcaro tentou estabelecer contato com Moraes, mas qual era a natureza dessa relação, em que contexto ocorreu e se houve alguma consequência institucional ou jurídica decorrente dela. Por isso, o conteúdo integral do aparelho ganhou importância. Ao ampliar o acesso dos ministros às informações, reduz-se o risco de que o julgamento seja construído a partir de recortes isolados. Ao mesmo tempo, aumenta a responsabilidade da Corte para distinguir fato comprovado, indício e interpretação.

A sessão ocorre em um Supremo marcado por decisões conflitantes. Edson Fachin suspendeu decisões de André Mendonça e Flávio Dino envolvendo a Polícia Federal e levou ao plenário questões relacionadas aos procedimentos que atingem Moraes. A medida procurou recolocar o conflito dentro de uma moldura institucional e evitar que decisões individuais produzissem uma sucessão de disputas dentro da própria Corte.

CONFRONTO – Esse é o ponto mais delicado. Um ministro determina providências que atingem a Polícia Federal; outro interfere nessas medidas; o presidente do Supremo suspende decisões anteriores; paralelamente, existe outro processo envolvendo questionamentos sobre um integrante do tribunal. Para a sociedade, o resultado é uma imagem desconfortável: a Corte encarregada de resolver os grandes conflitos nacionais passou a administrar um conflito interno de proporções excepcionais.

Seria simplista transformar o episódio em uma disputa entre “torcidas” de Moraes e Mendonça. Moraes não representa sozinho o Supremo, assim como Mendonça não representa uma corrente política da instituição. O problema é mais sério: está em jogo a capacidade da Corte de preservar critérios objetivos quando seus próprios ministros passam a ocupar o centro dos acontecimentos que deveriam julgar.

O caso Dark Horse acrescentou outra camada à crise. Flávio Dino retirou o sigilo de documentos relacionados à investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e determinou o envio do material à Polícia Federal. A documentação envolve suspeitas relacionadas à destinação de recursos públicos e à produção do filme sobre Jair Bolsonaro. A investigação, segundo informações oficiais, apura possíveis desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares. Entre os alvos está o deputado Mário Frias. São alegações investigativas, não conclusões definitivas.

LIMITES DE ATUAÇÃO – O problema político está justamente na convergência dos casos. De um lado, uma investigação colocou sob escrutínio a relação entre Vorcaro e Moraes. De outro, uma apuração sobre o financiamento de Dark Horse envolve personagens ligados ao campo político de Jair Bolsonaro e recursos públicos. No meio estão diferentes ministros, inquéritos e interpretações sobre os limites de atuação de cada autoridade.

É uma combinação explosiva porque processos distintos começam a ser percebidos como partes de uma mesma guerra política. Quando isso acontece, a confiança na Justiça passa a depender não apenas do resultado dos julgamentos, mas também da percepção de imparcialidade de quem os conduz.

É preciso resistir a dois extremos. O primeiro é concluir antecipadamente que existe corrupção no Supremo apenas porque um banqueiro investigado manteve contatos com um ministro. Isso seria transformar indícios em sentença. O segundo é considerar que qualquer questionamento a um integrante da Corte constitui automaticamente ataque às instituições. Também seria um erro. Instituições democráticas não são protegidas pela ausência de investigação, mas pela capacidade de investigar com regras, transparência e independência.

CRISE DE CONFIANÇA – Também seria precipitado falar em renúncia de Moraes ou Mendonça como consequência necessária dos acontecimentos. O que existe, até aqui, é uma crise de confiança que exige esclarecimentos, transparência e decisões institucionalmente defensáveis.

O Supremo não pode pedir à sociedade que confie cegamente nele. Precisa oferecer razões para que essa confiança seja reconstruída. A sessão desta terça-feira será importante exatamente por isso. Mais do que definir o destino de uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes, o plenário terá a oportunidade de estabelecer limites para a própria Corte: como investigar seus ministros, preservar as provas, impedir decisões contraditórias e evitar que divergências internas sejam interpretadas como guerra de facções.

O Brasil não precisa de um Supremo dividido entre vencedores e derrotados. Precisa de uma Corte capaz de demonstrar que nenhum de seus integrantes está acima das regras que a própria instituição aplica aos demais.

POLÍTICA E JUSTIÇA – Essa talvez seja a verdadeira questão colocada pelo celular de Vorcaro. O aparelho deixou de representar apenas um conjunto de mensagens e passou a funcionar como um espelho da crise institucional brasileira. Quanto mais informações aparecem, maior é a necessidade de separar política de Justiça, suspeita de prova e conflito pessoal de interesse público.

Se a Corte conseguir fazer essa separação, poderá sair fortalecida de uma de suas maiores crises internas recentes. Se não conseguir, o problema deixará de ser apenas o conteúdo das mensagens de um banqueiro. Passará a atingir a própria confiança da sociedade na instituição que deveria representar, acima das disputas políticas, a última palavra da Justiça brasileira.

Impeachment de Moraes abriria precedente sem paralelo na democracia brasileira

STF dividido: seis ministros se alinham em dois blocos antes de julgamento sobre Moraes

STF vai novamente decidir se o interesse político é mais importante do que as leis

STF, um monstro de 11 cabeças e 2 faces – Por José Nêumanne | Brasilagro

Charge do Mariano (Charge Online)

Carlos Newton

A sessão desta terça-feira ficará marcada na História dos 135 anos do Supremo Tribunal Federal. Até agora só houve quatro julgamentos tão importantes para a democracia quanto essa votação, quando os ministros decidirão, mais uma vez, se o interesse meramente político pode prevalecer sobre as leis em vigor.

O primeiro desses julgamentos aconteceu em 1963, no governo do presidente João Goulart, que mandou prender o jornalista Helio Fernandes por ter publicado assunto confidencial das Forças Armadas. Nessa sessão, a Justiça saiu vitoriosa e o diretor da Tribuna da Imprensa saiu libertado por diferença de apenas um voto, após uma defesa sensacional de Sobral Pinto.

DECISÕES POLÍTICAS – A segunda sessão com essa magnitude foi em 1971, quando o STF julgou constitucional a Lei da Censura Prévia editada pelo governo do general Emilio Médici. O ministro Adaucto Lúcio Cardoso não aceitou a aberração, foi voto vencido e manifestou sua repulsa de imediato. Levantou-se, despiu a toga, atirou-a em sua poltrona e abandonou acintosamente o recinto, demitindo-se do Supremo, devido à decisão ilegal.

As outras duas decisões de caráter meramente político são mais recentes e tiveram resultados tão decepcionantes quanto a aprovação da censura. Uma delas ocorreu em 2019, quando Lula da Silva foi libertado de uma forma capciosa, com desrespeito ao Código de Processo Civil. E a outra em 2021, quando o mesmo Lula teve ilegalmente desinfectada sua filha suja, para conseguiu ser candidato e voltar ao poder.

Note-se que nesses quatro importantíssimos julgamentos, o Supremo só respeitou a lei uma vez, em 1963, no caso da libertação de Helio Fernandes. Nas outras três sessões – de 1971, 2019 e 2021 – os resultados foram decepcionantes, porque o interesse político teve mais valor do que a lei.

TUDO DE NOVO – Nesta terça-feira, a dúvida é a mesma – somente ao final do julgamento sobre a necessidade de afastar e investigar o ministro Alexandre de Moraes, o cidadão-contribuinte-eleitor saberá se a política prevaleceu ou se a lei foi respeitada.

No caso presente, a Constituição e as leis infraconstitucionais determinam que o ministro Alexandre de Moraes seja afastado e investigado. Se isso não acontecer, poder-se-á considerar que o interesse político e corporativo prevaleceu sobre a legislação, exatamente como aconteceu em 1971, embora não se espere que ocorra incidente semelhante ao provocado por Adaucto Lucio Cardoso, porque os tempos mudaram muito, e para pior.

Pode ser que algum ministro mal-intencionado peça vista  dos autos, para impedir votação, ou alguma outra reação prevista no Regimento, como Cristiano Zanin e Gilmar Mendes já sializaram. Quem o fizer, porém, terá sua biografia maculada por descumprir o juramento de cumprir a lei.

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P.S.
– A única coisa que se sabe, com absoluta certeza, é que o país vai mudar 
– para melhor ou para pior – em função desse julgamento . Então, vamos aguardar para conferir como os dez ministros do STF se comportam num momento de tamanha gravidade. (C.N.)

Crise nos três Poderes exige que Lula troque o palanque pela Presidência

Pesquisas caem na real e já trazem Flávio à frente de Lula no 2º turno

Ilustração reproduzida de Sobral em Revista

Carlos Newton

Já era esperado. Conforme temos afirmado aqui na Tribuna da Internet, as pesquisas mudam muito com a proximidade das eleições, porque diminuem as manipulações. Assim, as pesquisas divulgadas em setembro pela Quaest, pela BTG/Nexus, pela Palver e pela Meio/Ideia, que mediram a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial de 2026, com simulações de primeiro e segundo turno, já trazem um forte crescimento do filho do ex-presidente Bolsonaro.

Os resultados mostram que Flávio já ultrapassa Lula no segundo turno na Quaest (42% a 4o%) e na Nexus (46% a 45%), enquanto a Meio/Ideia registra empate de (46% a 46%).

NOVA REALIDADE – Na pesquisa anterior, a Quaest á tinha apontado Lula (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, mas pela primeira vez Flávio ultrapassara no segundo turno, com 46% a 44%, em empate técnico, e agira os dois cairam, mas o candidato do PL se manteve à frente.

Também na BTG/Nexus Flávio encosta em Lula no primeiro turno e passa à frente numericamente no segundo. O senador avança de 33% para 35% no 1º turno e chega a 46% a 45% na simulação contra o presidente.

A 13ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada semana passada, mostrava a recuperação de Flávio Bolsonaro (PL) após uma semana marcada pelo noticiário envolvendo o STF. O senador crescera no primeiro turno e, pela primeira vez na série, superara numericamente Lula (PT) em uma simulação de segundo turno – embora os dois permaneçam tecnicamente empatados.

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P.S.
– Infelizmente, a polarização continua e o Brasil vai continuar tendo presidentes despreparados, como vem acontecendo desde o governo de Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Mesmo assim, o país cresce à noite, quando os presidentes estão dormindo e não conseguem atrapalhar. (C.N.)

PL usa confrontos no Supremo para tentar derrubar Alcolumbre no Senado em 2027

Os novos tempos que desmontaram o Supremo são estranhos e ameaçadores

Charge do Aroeira (Brasil 247)

Dora Kramer
Folha

Os ministros aposentados que em abaixo-assinado pediram ao presidente Edson Fachin manifestação rigorosa e transparente sobre as suspeições que assombram o Supremo Tribunal Federal (STF) pertenceram a outros tempos da corte.

Tempos em que as indicações não eram pautadas pela fidelidade ao presidente da República e magistrados não se conduziam ao sabor de proximidades estratégicas, alianças táticas e afinidades políticas com atores da vida pública e personagens do mundo privado —devedores, como qualquer cidadão, de obediência aos ditames da Justiça.

INDIVIDUALISMO – Tempos que ficaram para trás, perdidos no desprezo à colegialidade e substituídos por um individualismo transmutado em coleguismo nos piores momentos. Época em que magistrados não se viam como mestres do Universo.

O que se mostrou como hesitação de Fachin, até que ele chamasse a si a responsabilidade de estabelecer a ordem no tribunal, era a referência de um presidente do STF que ainda se pautava pelos critérios do tempo antigo. A realidade mostrou que cautela, discrição, racionalidade, ponderação e avaliação das consequências antes de ceder à precipitação não são atributos que se coadunam com as urgências dos novos tempos.

O termo “tempos estranhos” ao qual se referiu o então ministro Marco Aurélio Mello, em 2006, ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ambiente conturbado do escândalo do mensalão, pode ser replicado à inimaginável situação em que aquelas palavras se aplicariam à corte suprema.

AFRONTA – “A rotina de desfaçatez e indignidade parece não ter limites, numa mistura de escárnio e afronta”, disse ele no memorável discurso que se revelou premonitório. Primeiro, pela ideia de que juízes teriam um papel a encarnar além da guarda da Constituição; depois, por condutas pessoais permeáveis a companhias e ambientes impróprios ao exercício da nobilíssima função.

Óbvio que não estão acima da lei da qual são guardiões. Indispensável atenção da cidadania a que estejam também, e sobretudo, acima de qualquer suspeita.

Dark Horse: Produtora pagou R$ 102 mil por SUV em dinheiro vivo e chamou atenção do Coaf

Lula sobe o tom e mira André Mendonça em meio à crise no Supremo

STF terá sessão sob segurança reforçada que pode abrir investigação contra Moraes

Corte monta esquema especial para análise de procedimento

Pepita Ortega
O Globo

Inédita, a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) prevista para amanhã será marcada por um esquema de segurança reforçado, acesso restrito ao plenário e telões para que jornalistas possam acompanhar as discussões. No centro do julgamento, estará o relatório com mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes às vésperas da prisão do dono do Banco Master.

O julgamento está marcado para 10h, mas seu rito ainda segue sob indefinição. Normalmente, os debates no plenário do STF têm início com a manifestação de defesas e da Procuradoria-Geral da República, seguidas da leitura do voto pelo relator e, em seguida, há o debate pelos demais ministros do STF.

CREDENCIAMENTO PRÉVIO – As sessões do STF também são, via de regra, abertas ao público, com acesso ao plenário. Para terça-feira, no entanto, foi exigido um credenciamento prévio, similar ao que ocorreu, por exemplo, no julgamento sobre os atos golpistas de oito de janeiro.

Para jornalistas será montado um esquema para acompanhamento da sessão na marquise do prédio principal do STF. A Corte montará telões no local para que os repórteres possam acompanhar o julgamento. Os debates serão transmitidos pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube.

Na pauta da sessão de terça está o procedimento que foi aberto pelo ministro André Mendonça para a identificação de interlocutores de Vorcaro nas mensagens identificadas no celular do ex-banqueiro. A partir desta decisão, a Polícia Federal elaborou um relatório apontando Moraes como o destinatário dos textos do dono do Master.

CRISE – Mendonça tornou o relatório público e submeteu para a análise do plenário do Supremo, inaugurando uma crise sem precedentes na Corte. Como mostrou O Globo, o documento levanta a suspeita de que Vorcaro recebeu orientações de Moraes no auge da crise da instituição financeira.

Durante um período de 13 dias, mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram que ele pediu a intervenção do magistrado para impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Nas conversas, Vorcaro faz apelos para “sensibilizar” autoridades e pergunta sobre como deveria proceder para “desarmar” e “reverter” a situação.

Cármen Lúcia vira fiel da balança no julgamento que pode afastar Moraes do Supremo

Lula e Flávio empatam na rejeição e travam disputa por 2026

Candidatos chegam a 55% de rejeição em eleição polarizada

Deu no O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados como os candidatos à Presidência mais rejeitados pelos eleitores, mostra a nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira. Segundo o levantamento, 55% afirmam que não votariam de jeito nenhum em nenhum dos dois postulantes ao Palácio do Planalto.

A rejeição de Lula oscilou dois pontos percentuais para cima na comparação com a pesquisa divulgada há uma semana, passando de 53% para 55%. No mesmo período, o percentual dos que afirmam que poderiam votar no petista foi de 44% para 45%. Por ser conhecido por todos os entrevistados, o presidente não registra percentual de desconhecimento.

OSCILAÇÃO – Flávio manteve os mesmos 55% de rejeição registrados nas duas rodadas anteriores. O potencial de voto do candidato do PL, porém, oscilou de 40% para 43%. Outros 2% disseram não conhecer o senador, ante 5% nas pesquisas anteriores. Os dois líderes da corrida presidencial têm rejeição superior à dos demais candidatos. Ronaldo Caiado (PSD) aparece na sequência, com 42%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 40%; Renan Santos (Missão), com 30%; e Augusto Cury (Avante), com 26%.

Entre os candidatos mais bem posicionados, Cury apresenta o menor nível de rejeição, mas também é desconhecido por metade do eleitorado. O escritor tem potencial de voto de 24%. Caiado poderia receber o voto de 22% e é desconhecido por 36%, enquanto Zema tem potencial de 21% e não é conhecido por 39%. Renan poderia ser escolhido por 16%, mas 54% ainda dizem não conhecê-lo.

Rui Costa Pimenta (PCO) é rejeitado por 24%; Samara Martins (UP), por 13%; Edmilson Costa (PCB), por 12%; Hertz Dias (PSTU) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata), por 11% cada; e Clariana Barão (DC), por 8%. Todos são desconhecidos por mais de 70% dos entrevistados.

VARIAÇÃO ENTRE SEGUMENTOS –  A resistência a Lula chega a 63% entre os eleitores com Ensino Superior e a 62% entre aqueles com renda familiar superior a cinco salários mínimos. O índice também é de 69% entre os evangélicos, ante 47% entre os católicos. Flávio, por sua vez, é rejeitado por 60% dos eleitores com 60 anos ou mais e por 59% dos católicos. Entre os evangélicos, o índice cai para 44%, enquanto 53% afirmam que poderiam votar no candidato do PL.

No recorte regional, Lula enfrenta maior rejeição no Sul, onde 63% dizem que não votariam nele, e no Sudeste, com 60%. No Nordeste, o percentual cai para 40%, e 60% afirmam que poderiam votar no presidente. A rejeição de Flávio chega a 60% no Nordeste, 54% no Centro-Oeste e no Norte e 53% no Sudeste. No Sul, 49% rejeitam o senador e outros 49% dizem que poderiam votar nele.

Entre os eleitores independentes, Lula e Flávio voltam a empatar: 63% rejeitam cada um. O potencial de voto é de 37% para o petista e de 33% para o candidato do PL, que ainda é desconhecido por 4% desse grupo.

LIDERANÇA E REJEIÇÃO –  Os altos índices de rejeição contrastam com a concentração das intenções de voto nos dois candidatos. Lula lidera o primeiro turno com 36%, seguido por Flávio, com 31%. Augusto Cury aparece com 7%, enquanto Caiado e Renan têm 4% cada. Zema registra 1%. Indecisos somam 10%, e 7% pretendem votar em branco, anular ou não comparecer.

Em relação à rodada anterior, Lula permaneceu com 36%, enquanto Flávio oscilou de 29% para 31%. Cury passou de 8% para 7%. Caiado e Renan foram de 3% para 4%, e Zema oscilou de 2% para 1%. Na simulação de segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, contra 40% de Lula. Os dois estão tecnicamente empatados. Na rodada anterior, ambos tinham 41%.

O quadro indica uma disputa concentrada nos dois candidatos que possuem, ao mesmo tempo, os maiores contingentes de apoiadores e de eleitores resistentes às suas candidaturas. A rejeição pode ganhar peso especialmente em um eventual segundo turno, quando ambos precisarão conquistar eleitores que escolheram outros nomes na primeira etapa.

CASOS POLÍTICOS –  A pesquisa foi realizada em meio aos novos desdobramentos do caso Dark Horse e ao agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal. Documentos divulgados nos últimos dias mostram que Flávio é formalmente investigado desde julho pela negociação de recursos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.

Segundo a Polícia Federal, Flávio pediu R$ 131 milhões para a produção, dos quais cerca de R$ 60 milhões teriam sido pagos. A corporação busca esclarecer a origem, o caminho e o destino final dos recursos. O senador nega irregularidades e defende a divulgação integral dos documentos.

INTERVENÇÃO – O período também foi marcado pela intervenção do presidente do STF, Edson Fachin, na disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça em torno das investigações do Banco Master. Fachin suspendeu as decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, manteve Andrei Rodrigues no cargo e retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news.

A Quaest, contratada pela Globo e pelo jornal O GLOBO, ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026.

Uma fração ordinária, na genial poesia matemática de Millôr Fernandes

Millôr, eternamente atual | Millôr Fernandes - Seguinte

Charge de Millôr Fernandes (Arquivo Google)

Paulo Peres

O desenhista, humorista, dramaturgo, tradutor, escritor, jornalista e poeta carioca Millôr Viola Fernandes (1923-2012), em “Poesia Matemática” usou a sua genialidade para através de metáforas contar uma estória de amor.

POESIA MATEMÁTICA
Millôr Fernandes

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.

“Quem és tu?”, indagou ele
em ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E ao falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.

Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
frequentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.

Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade,
como aliás em qualquer
sociedade.

“O que está acontecendo na Corte não pode continuar”, diz ex-ministro da Justiça

Celular de Vorcaro vira novo foco da crise no STF antes da sessão sobre Moraes

A guerra dentro do Supremo é a conta por ter assumido um poder sem limites

Enfim, chegou a hora de o STF conter a esculhambação, a qualquer custo

Juízes auxiliares do STF ganham mais que os ministros da corte - Espaço  Vital

Charge do Alpino (Yahoo Noticias)

Vicente Limongi Netto

Será uma terça-feira calorenta e diferente, com Fla/Flu na Praça dos Três Poderes. Aplicativos afiados. Palpites de todos os tamanhos, serenos, raivosos, cabeludos e absurdos. Ópera bufa, pegadinha, conversa fiada, pizza gigante ou jogo duro, para valer. Algo precisa ser feito. Do infinito, Ruy Barbosa não esmorece.  

Na fezinha do bicho, dia 15 é jacaré. Apropriado para os figurinos dos ministros da Suprema Corte.  Será que sairão fumaças dos telhados do STF anunciando que a histórica sessão plenária chegou a uma decisão final e fulminante, como ocorre no Vaticano, anunciando que o novo Papa foi escolhido?

HORA DA VERDADE – Togas serão rasgadas e expostas a degradação pública? Finalmente a esculhambação será contida? Cabeças rolarão, aposentadorias à vista? A nação exige bons e firmes esclarecimentos. Não vale passar a mão na careca de nenhum togado. Quem não deve, não teme.

Nada de joguinho de compadre com cartas marcadas.  Um anjo bom me segredou que Alexandre de Moraes breve anuncia aposentadoria e será ministro da Justiça no novo governo Lula. Ansiedade geral. A compostura precisa voltar.

Sofá pronto, pipocas e geladinhas nos trinques. Compondo a coreografia da verdade ou da farsa.